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Numero do processo: 10480.728488/2016-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 99 DO ANEXO DO RICARF. RESP 1.221.170/PR O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS UTILIZADOS PARA TRANSPORTE DE INSUMOS NA FASE AGRÍCOLA DA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO COMO INSUMO. A locação de veículos para serem utilizados na fase agrícola da produção de álcool e açúcar gera créditos da não-cumulatividade como insumos, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS. FRETES NO TRANSPORTE INETRNO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. Os fretes contratados para aquisições de insumos ou para o transporte interno de insumos entre estabelecimentos geram créditos da não-cumulatividade das contribuições. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3301-015.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre os serviços LAMPADA FAROL SERVICO COLHEDORA CANA JOHN DEERE 3510 REF: 179326, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG, SERVICO MANUTENCAO RECUPERACAO DE EQUIP.LABORATORIOS INDUSTRIAL, SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO APLICACAO AEREA DE ADUBO FOLIAR, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE ANALISE FISICO/QUIMICO ALCOOL ANIDRO/HIDRATADO, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, SERVICO DE ANALISE DE BAGACO DE CANA, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS PARA AMOSTRAS DE ACUCAR, SERVICO DE MAO DE OBRA PARA MANUTENCAO DE EQUIPAMENTOS AGRICOLAS, SERVICO DE MANUTENCAO E RECUPERACAO DE CILINDROS HIDRAULICOS, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS EM AMOSTRAS DE OLEO MINERAL ISOLANTE, SERVICO DE RECUPER.E.REVISAO GERAL AR CONDICIONADO VEICULOS PESADOS, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE RECUPERACAO DE PROPULSORAS DE GRAXAS, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE VEICULO PESADO MB, SERVICO DE REFORMA PNEU AGRICULA (diversos), SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE VULCANIZACAO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO LOCACAO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MANUTENCAO E RECUPERACAO EQUIPAMENTOS REFRIGERACAO INDUSTRIAL, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE TORTA/MAT.ORGANICO, SERVICO MECANIZADO DE ARACAO, SERVICO MECANIZADO DE AUTODESLOCAMENTO, SERVICO MECANIZADO DE CALAGEM, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE MUDA INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CACALHO/PICARRO/TERRA, SERVICO MECANIZADO DE DESCARREGAMENTO DE MUDA /INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CORTE DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE DESTOCA, SERVICO MECANIZADO DE COBRICAO /APLICACAO INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE ESCAVACAO DE CANAL DE IRRIGACAO, SERVICO MECANIZADO DE EXTRACAO CASCALHO/PICARRO, SERVICO MECANIZADO DE GRADAGEM ARADORA, SERVICO MECANIZADO DE TOMBO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE MANEJO TORTA/MAT.ORGANICA, SERVICO MECANIZADO DE SUBSOLAGEM, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE TRANSBORDO, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE REBOQUE, SERVICO MECANIZADO NO MANEJO DE BAGACO, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS M.NIVELAD.CATERPILLAR 120H, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS DE TRATORES AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU INDUSTRIAL CONVENCIONAL 65010 QUENTE, SERVICO REFORCO CARCACA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO TRANSPORTE MUNICIPAL DE CORRETIVOS/GESSO, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE HERBICIDA, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE MAQUINAS /EQUIPAMENTOS, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS constantes da planilha “SERVIÇOS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61, sobre locação de veículo para transporte de cana e a locação de veículo para transporte de cascalho/mat. orgânica constantes da planilha “DESP ALUG MAQ E EQUIP.xlsx”, Doc. 61”, sobre fretes nas aquisições de bens utilizados no cultivo da cana-de-açúcar e sobre o serviço de carrego e descarrego de cana-de-açúcar, não vinculados às receitas de venda de cana-de-açúcar, sujeita à suspensão de que tratam os artigos 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e 11 da Lei 11.727/2008, sobre SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG., SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO DE ANALISES FÍSCO/QUIMICAS (diversos), SERVICO DE LIMPEZA DE RESIDUOS CONTAMINADOS COM OLEO, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE LIMPEZA E HIGIENIZACAO DE EPI´S, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”; sobre produtos, partes e peças utilizadas na manutenção de tratores, reboques e veículos pesados; produtos empregados no tratamento da água (p. ex, inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); óleo diesel para utilização nos tratores (preparação do solo e colheita da cana) e veículos pesados (transporte da cana), conforme resposta dada à intimação lavrada em 30/01/2015 (Doc. 16); roupas e acessórios para proteção do trabalhador, graxas; produtos, instrumentos e equipamentos para uso em laboratório, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rodrigo Kendi Hiramuki, Rachel Freixo Chaves, Fabiana Francisco de Miranda e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO MOTIVADO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 99 DO ANEXO DO RICARF. RESP 1.221.170/PR O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS UTILIZADOS PARA TRANSPORTE DE INSUMOS NA FASE AGRÍCOLA DA PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO COMO INSUMO. A locação de veículos para serem utilizados na fase agrícola da produção de álcool e açúcar gera créditos da não-cumulatividade como insumos, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS. FRETES NO TRANSPORTE INETRNO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. Fl. 915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 2 Os fretes contratados para aquisições de insumos ou para o transporte interno de insumos entre estabelecimentos geram créditos da não- cumulatividade das contribuições. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre os serviços LAMPADA FAROL SERVICO COLHEDORA CANA JOHN DEERE 3510 REF: 179326, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG, SERVICO MANUTENCAO RECUPERACAO DE EQUIP.LABORATORIOS INDUSTRIAL, SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO APLICACAO AEREA DE ADUBO FOLIAR, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE ANALISE FISICO/QUIMICO ALCOOL ANIDRO/HIDRATADO, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, SERVICO DE ANALISE DE BAGACO DE CANA, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS PARA AMOSTRAS DE ACUCAR, SERVICO DE MAO DE OBRA PARA MANUTENCAO DE EQUIPAMENTOS AGRICOLAS, SERVICO DE MANUTENCAO E RECUPERACAO DE CILINDROS HIDRAULICOS, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS EM AMOSTRAS DE OLEO MINERAL ISOLANTE, SERVICO DE RECUPER.E.REVISAO GERAL AR CONDICIONADO VEICULOS PESADOS, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE RECUPERACAO DE PROPULSORAS DE GRAXAS, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE VEICULO PESADO MB, SERVICO DE REFORMA PNEU AGRICULA (diversos), SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE VULCANIZACAO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO LOCACAO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MANUTENCAO E RECUPERACAO EQUIPAMENTOS REFRIGERACAO INDUSTRIAL, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE TORTA/MAT.ORGANICO, SERVICO MECANIZADO DE ARACAO, SERVICO MECANIZADO DE AUTODESLOCAMENTO, SERVICO MECANIZADO DE CALAGEM, SERVICO Fl. 916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 3 MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE MUDA INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CACALHO/PICARRO/TERRA, SERVICO MECANIZADO DE DESCARREGAMENTO DE MUDA /INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CORTE DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE DESTOCA, SERVICO MECANIZADO DE COBRICAO /APLICACAO INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE ESCAVACAO DE CANAL DE IRRIGACAO, SERVICO MECANIZADO DE EXTRACAO CASCALHO/PICARRO, SERVICO MECANIZADO DE GRADAGEM ARADORA, SERVICO MECANIZADO DE TOMBO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE MANEJO TORTA/MAT.ORGANICA, SERVICO MECANIZADO DE SUBSOLAGEM, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE TRANSBORDO, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE REBOQUE, SERVICO MECANIZADO NO MANEJO DE BAGACO, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS M.NIVELAD.CATERPILLAR 120H, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS DE TRATORES AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU INDUSTRIAL CONVENCIONAL 65010 QUENTE, SERVICO REFORCO CARCACA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO TRANSPORTE MUNICIPAL DE CORRETIVOS/GESSO, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE HERBICIDA, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE MAQUINAS /EQUIPAMENTOS, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS constantes da planilha “SERVIÇOS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61, sobre locação de veículo para transporte de cana e a locação de veículo para transporte de cascalho/mat. orgânica constantes da planilha “DESP ALUG MAQ E EQUIP.xlsx”, Doc. 61”, sobre fretes nas aquisições de bens utilizados no cultivo da cana-de-açúcar e sobre o serviço de carrego e descarrego de cana-de- açúcar, não vinculados às receitas de venda de cana-de-açúcar, sujeita à suspensão de que tratam os artigos 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e 11 da Lei 11.727/2008, sobre SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG., SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO DE ANALISES FÍSCO/QUIMICAS (diversos), SERVICO DE LIMPEZA DE RESIDUOS CONTAMINADOS COM OLEO, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE LIMPEZA E HIGIENIZACAO DE EPI´S, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”; sobre produtos, partes e peças utilizadas na manutenção de tratores, reboques e veículos pesados; produtos empregados no tratamento da água (p. ex, inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); óleo diesel para utilização nos tratores (preparação do solo e colheita da cana) e veículos pesados (transporte da cana), conforme resposta dada à intimação lavrada em 30/01/2015 (Doc. 16); roupas e acessórios para proteção do trabalhador, graxas; produtos, instrumentos e equipamentos para uso em laboratório, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”. Fl. 917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 4 Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rodrigo Kendi Hiramuki, Rachel Freixo Chaves, Fabiana Francisco de Miranda e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, decorrente de glosas de créditos efetuados nos pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins vinculado a receitas não tributadas no mercado interno, relativos aos 1º a 4º trimestres de 2013, cumulados com declaração de compensação, integralmente indeferidos, conforme Relatório Fiscal. No referido relatório, foram identificadas infrações que culminaram nas seguintes glosas: 1. Bens utilizados como insumos com fundamento na INs SRF 247/2002 e 404/2004; 2. Serviços utilizados como insumos com fundamento na INs SRF 247/2002 e 404/2004; 3. Despesas de energia elétrica; 4. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de PJ; 5. Despesas de armazenagem e frete em operações de venda; 6. Outras operações com direito a crédito; 7. Créditos calculados por unidade de produto em relação à aquisição de álcool anidro; 8. Créditos presumidos sobre insumos de origem vegetal, inseridos em ajustes positivos de créditos no DACON; 9. Aproveitamento de ofício de créditos utilizados em períodos posteriores; As glosas perpetradas resultaram em indeferimento total dos pedidos de ressarcimento e lançamento de ofício para o período de janeiro a maio de 2013. Em impugnação, a recorrente fez as seguintes alegações: 1. Em relação aos créditos, pugnou pela reversão das glosas do centro de custo agrícola, dos bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo, despesas de energia elétrica; despesas de alugueis de máquinas e equipamentos Fl. 918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 5 locados de PJ, despesas de armazenagem e frete em operação de venda, despesas de contraprestação e arrendamento mercantil, devolução de vendas, outras operações com direito a crédito; 2. O conceito de insumo deve compreender os custos e despesas operacionais de que tratavam os artigos 290 e 299 do RIR/99; 3. Que seja refeito o reaproveitamento de ofício dos créditos, após as reversões das glosas; 4. Impossibilidade de incluir no rateio, as receitas de cana-de-açúcar, bagaço de cana, energia elétrica, palha de cana, melaço, coco fruto e mudas de cana. Ao final, além do alegado acima, pediu, subsidiariamente, a realização de perícia, indicando perito e formulando quesitos. A DRJ julgou a impugnação parcialmente improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 AUTOS DE INFRAÇÃO. SALDOS DEVEDORES DECORRENTES DE GLOSAS DE CRÉDITOS. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS ADICIONAIS NOS PROCESSOS DE PER/DCOMP. REDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS DE OFÍCIO. Em Auto de Infração relativo a saldos devedores do PIS ou Cofins não cumulativos, com débitos a descoberto decorrentes de glosas de créditos apuradas em Pedidos de Ressarcimento e Declaração de Compensação(PER/DCOMP), reduzem-se os valores lançados de ofício na proporção dos créditos adicionais reconhecidos pela DRJ nos processos de PER/DCOMP e, em consequência e na mesma proporção, o da multa de ofício e juros de mora constantes do Auto. NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. INSUMOS UTILIZADOS NO PLANTIO DA CANA-DE-AÇÚCAR. PARECER COSIT Nº 05/2018. CRÉDITOS ADMITIDOS. Nos termos do Parecer Cosit nº 05, de 2018, os bens adquiridos e utilizados no processo produtivo, ainda que indiretamente, dão direito a créditos do PIS e Cofins, pelo que na produção de açúcar e etanol os insumos utilizados no cultivo da cana-de-açúcar permitem o creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARECER COSIT Nº 05/2018. DESPESAS GERAIS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Nos termos do Parecer Cosit nº 05, de 2018, somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou Fl. 919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 6 de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica e contábil, bem como os relativos a alimentação, transporte de pessoal, treinamentos e saúde. REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. ADUBOS E FERTILIZANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisições de bens submetidos à alíquota zero do PIS e Cofins, como adubos e fertilizantes, não dão direito a crédito, consoante o art. 3º, § 2°, II, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/05/2013 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. PEDIDO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS DEPOIS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO E JUSTIFICATIVA GENÉRICA. IMPROCEDÊNCIA. Em consonância com os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, apresenta-se desarrazoado o pedido para juntada posterior de documentos não especificados, sob a justificativa genérica de direito a todos os meios de prova admitidos e tempo exíguo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do acórdão da DRJ em 20/12/2020, a recorrente interpôs recurso voluntário em 19/01/2021, aduzindo o seguinte: 1. É ônus do FISCO provar que os insumos apurados e aproveitados seriam indevidos; 2. O conceito de insumo deve ser compreender todos os custos e despesas operacionais de que tratam os artigos 290 e 299 do RIR/99; 3. Em relação aos créditos, pugnou pela reversão das glosas do centro de custo agrícola, dos bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo, despesas de energia elétrica; despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de PJ, despesas de armazenagem e frete em operação de venda, despesas de contraprestação e arrendamento mercantil, outras operações com direito a crédito; Fl. 920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 7 4. Que seja refeito o reaproveitamento de ofício dos créditos, após as reversões das glosas; 5. Impossibilidade de incluir no rateio, as receitas de cana-de-açúcar, bagaço de cana, energia elétrica, palha de cana, melaço, coco fruto e mudas de cana. 6. Nulidade do acórdão recorrido pelo indeferimento da perícia; É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, relator. Inicialmente, destaco que o recurso voluntário reitera, em grande parte, as razões dispendidas em manifestação de inconformidade, sem, contudo, estabelecer uma relação dialética com a decisão recorrida, especialmente, no que concerne à identificação das matérias cujas glosas já foram revertidas pela DRJ. Ao contrário, na peça recursal, foram reproduzidas todas as alegações feitas em manifestação de inconformidade, como se a decisão recorrida tivesse negado direito ao creditamento. Preliminares Nulidade do acórdão por indeferimento da perícia A recorrente pleiteou a nulidade do acórdão pelo indeferimento da perícia. Já o acórdão recorrido tratou a questão, nos seguintes termos: De plano, rejeito a perícia requerida, por despicienda. Os quesitos apresentados são os seguintes: a) qual o conceito de insumo para apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições para o PIS e para Cofins? b) os insumos adquiridos na fase agrícola da produção agroindustrial de álcool e açúcar geram direito ao crédito na sistemática não cumulativa das contribuições para o PIS e para Cofins? c) as Aquisições de Bens (para emprego no cultivo da cana-de-açúcar utilizada na fabricação de açúcar e etanol e para manutenção de máquinas e equipamentos empregados na atividade agropecuária) e Serviços no Mercado Interno, as Despesas de Energia Elétrica, as Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados a Pessoa Jurídica, as Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Frete na Operação de Venda, as Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil e demais operações descritas no relatório fiscal geram direito aos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento? Fl. 921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 8 A desnecessidade deve-se a que os três quesitos acima serão respondidos no presente julgamento a par das razões e provas trazidas aos autos pela fiscalização e pelo contribuinte, sem que para tanto seja preciso análise técnica pericial. O primeiro quesito há de ser respondido à luz do Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018, que trouxe modificações na interpretação da definição de insumos para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins; o segundo é respondido de forma positiva, porque diante da interpretação atualizada pelo referido Parecer o processo produtivo do contribuinte deve ser compreendido de forma ampla, abrangendo a fase agrícola do plantio da cana-de-açúcar; e o terceiro contempla questões pontuais a serem decididas no litígio, levando-se em conta a atividade do contribuinte e as provas apresentadas na Inconformidade. Como se sabe, perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizá-la quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e a solução do litígio dela independe. É precisamente o que acontece no caso em tela, onde a Inconformidade defende os créditos não admitidos pela fiscalização levantando questões de direito e se referindo a diversos julgados do CARF, mas sem adentrar em pormenores do seu processo produtivo nem suscitar indagações que demandem avaliação pericial. Quanto ao pedido para juntada posterior de documentos, também é rejeitado porque, além de genérico, não especifica qualquer documento. O contribuinte apenas requer “a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos durante a fase de impugnação em razão da extensão da autuação e do exíguo tempo para reunir toda documentação necessária a embasar todos seus direitos creditórios”. Daí a rejeição, em consonância com os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.” Constata-se que o acórdão recorrido fundamentou a negativa do pedido de perícia, identificando que o primeiro quesito se trata de matéria de direito, respondida no próprio acórdão, o segundo, confirmado favoravelmente à recorrente e o terceiro, pela análise das provas, já que, em tese, todos os itens elencados gerariam direito a crédito. No caso, aplica-se a Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Portanto, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Inicialmente, a recorrente aduz que a glosa de créditos é ônus fiscal, devendo provar que as rubricas são indevidas, não bastando cotejar o objeto social sem qualquer análise fática, realizando as glosas sem considerar que a fase agrícola pertencia ao processo produtivo. Fl. 922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 9 Ocorre que a glosa decorreu da vinculação da fiscalização aos atos normativos emitidos pela RFB, principalmente, às INs 247/2002 e 404/2004, bem como às soluções de consulta que consideravam o contato direto com o produto fabricado, no caso açúcar e álcool, e não toda a cadeia produtiva, insumo do insumo, tal qual ocorre no IPI. Assim, as glosas quanto à fase agrícola decorreram da vinculação à interpretação restritiva da RFB e não de inversão de ônus da prova. Trata meramente de interpretação da norma. Por certo, não havia dúvidas quanto à questão fática, pois a intenção foi justamente glosar a fase agrícola, a qual não gerava créditos na interpretação, à época, da Administração Tributária. Contudo, a teor do PN Cosit nº 5/2018, o entendimento foi revisto, tendo a DRJ reconhecido que a fase agrícola, por se tratar de insumo do insumo, se insere na fase produtiva da recorrente. Passo à apreciação das glosas específicas. Bens utilizados como insumos No mérito, a recorrente pleiteia a reversão de todas as glosas perpetradas, sem considerar que a DRJ já revertera parte delas, defendendo a aplicação do conceito de insumo com base na tese do IRPJ (custos e despesas operacionais de que tratam os artigos 290 e 299 do antigo RIR/99), quando o acórdão recorrida já aplicara a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR e de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, avaliando a subsunção ao conceito de insumos pelos critérios da relevância e essencialidade. Contudo, a recorrente, já em 19/01/2021, data de protocolo da peça recursal, reiterou os termos da manifestação de inconformidade, pleiteando um conceito lastreado no IRPJ, mas já afastado pelo STJ (assim como o da RFB), o que não encontra suporte na decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça. Neste aspecto, é necessário expor o conceito de insumo adotado pelo STJ, no REsp 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018 e trânsito em julgado em 29/06/2023, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. Fl. 923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 10 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto- vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR O Ministro-relator adotou as razões expostas no voto da Ministra Regina Helena Costa: "Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 11 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. No caso em tela, observo tratar-se de empresa do ramo alimentício, com atuação específica na avicultura (fl. 04e). Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observando-se essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI, em princípio, inserem-se no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não-cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostra-se necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI." As teses propostas pelo Ministro-relator foram: Fl. 925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 12 43. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Assim, as premissas estabelecidas no voto do Ministro-relator foram: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Com base nestas premissas, o julgado afastou a tese restritiva da Fazenda Nacional, bem como a tese ampliativa lastreada no IRPJ, como sendo todas os custos e despesas necessárias às atividades da empresa. Ainda, no caso concreto analisado, foram afastados os creditamentos sobre algumas despesas gerais comerciais, como “combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões”. Deste modo, os critérios adotados pelo STJ não abrangem despesas operacionais ocorridas após o processo produtivo e cuja supressão não importa em impedimento à obtenção do produto. Por óbvio, tais despesas são necessárias à empresa e por certo são dedutíveis para o IRPJ, mas este critério foi afastado pelo julgado proferido pelo STJ, inclusive, expressamente, quanto aos fretes. Delimitado o conceito, passo a analisar as glosas efetuadas. A fiscalização glosou neste item: 1. bens utilizados no tratamento da água (inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); na manutenção de tratores e veículos (leves e pesados); na soldagem de partes e peças (acetileno, oxigênio industrial, Fl. 926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 13 solda e reguladores); para uso em laboratório (para análise); para tratamento veterinário e demais aquisições de bens de uso e consumo destacados na referida planilha. 2. bens adquiridos para emprego no cultivo da cana-de-açúcar utilizada na fabricação de açúcar e etanol, assim como, para manutenção de máquinas e equipamentos empregados na atividade agropecuária; neste grupo, houve outro fundamento para as glosas de aquisições de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da TIPI, de defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI, de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio e de corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI que foi a sujeição à alíquota zero prevista no artigo 1º da Lei nº 10.925/2004; 3. bens vinculados à venda de cana-de-açúcar com suspensão, nos termos do artigo 11, §1º1 da Lei nº11.727/2008 e artigo 8º, §4º, inciso II2 da Lei 10.925/2004. Por sua vez, a DRJ consignou que: “Seguindo a mesma ordem do Relatório Fiscal e da Impugnação, interpreto que assiste razão ao contribuinte no tocante aos bens adquiridos e empregados na fase do cultivo da cana-de-açúcar (tópico 3.1.1 do Relatório Fiscal, parte “AQUISIÇÃO DE BENS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS DIRETOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ETANOL (HIDRATADO E ANIDRO)” da planilha “BENS UTIL INSUMOS””).[...] 1 Art. 11. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de cana-de- açúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 1 o É vedado à pessoa jurídica vendedora de cana-de-açúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput deste artigo. 2 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: [...] III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 927DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3ii. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art57 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art57 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/545.htm#art7p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/545.htm#art7p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Mpv/582.htm#art17p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Mpv/582.htm#art17p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv609.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv609.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12839.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12839.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 14 [...] Destarte, admito os créditos das duas Contribuições sobre aquisições de insumos utilizados na produção da cana-de-açúcar, incluIndo o seu plantio e cultivo, como detalhado adiante. [...] A fiscalização glosou créditos dos “bens não considerados insumos diretos aplicados no processo produtivo de açúcar e etanol”, em virtude do que estabelece as INs SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004. O Relatório Fiscal informa: Não foi autorizado o aproveitamento de créditos calculados em relação às aquisições de produtos empregados: no tratamento da água (inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); na manutenção de tratores e veículos (leves e pesados); na soldagem de partes e peças (acetileno, oxigênio industrial, solda e reguladores); para uso em laboratório (para análise); para tratamento veterinário e demais aquisições de bens de uso e consumo destacados na referida planilha. Os bens adquiridos para emprego no cultivo da cana-de-açúcar utilizada na fabricação de açúcar e etanol, assim como, para manutenção de máquinas e equipamentos empregados na atividade agropecuária, não foram considerados insumos aplicados ou consumidos diretamente nos processos produtivos de açúcar e etanol, em razão disso, não foi autorizado o aproveitamento de créditos calculados sobre tais aquisições. Na planilha “BENS UTIL INSUMOS” (arquivo “BENS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61), tais bens são os relativos à “OBS. 4” (AQUISIÇÃO DE BENS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS DIRETOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ETANOL). Todavia, diante da interpretação do PN Cosit nº 05, de 2008, referidos bens permitem o creditamento, pelo que nessa parte o Despacho Decisório merece reforma. O processo produtivo do contribuinte deve ser visto de forma ampla, a contemplar, ao menos, as etapas do fluxograma abaixo, que copio do RF, tópico 3.1.1: [...] Para mim a produção abrange inclusive a etapa do plantio da cana-de-açúcar – o insumo básico e indispensável à produção do açúcar e do etanol. Na situação do contribuinte, a fase do cultivo não pode ser desprezada, de modo que os créditos sobre os referidos insumos (da OBS. 4) devem ser admitidos. Mesmo antes do PN Cosit nº 05, de 2018, alguns julgados do CARF já admitiam créditos da espécie, como se vê, por exemplo, no Acórdão nº 3402-003.817, sessão de 26/01/2017, que por maioria reverteu “todas as glosas que recaíram sobre o centro de custo agrícola, com exceção dos seguintes itens: mão de obra agrícola, oficina Fl. 928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 15 manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, programa de formação profissional agrícola e refeitório alojamento agrícola". A ementa desse Julgado, na parte que aqui interessa, informa: [...] Por serem comuns à produção de açúcar e álcool, esses bens sobre cujos valores ora se admite o creditamento devem ser rateados tal como os da OBS. 3 da planilha “BENS UTIL INSUMOS” (arquivo “BENS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61). Mantém-se o mesmo critério adotado pela fiscalização, cujo rateio não merece qualquer reparo e, inclusive, não foi contestado diretamente pelo contribuinte. [...] A planilha “BENS UTIL INSUMOS” (arquivo “BENS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61) também contém glosas de créditos referentes a adubos e fertilizantes, porque esses insumos tiveram as alíquotas do PIS e Cofins reduzidas a zero pelo art. 1° da Lei n° 10.925, de 2004 (com efeitos a partir de 26/07/2004). Os valores das aquisições correspondem à “OBS. 5” da referida planilha. Considerou a fiscalização que a apuração de créditos das duas Contribuições é vedada pelo art. 3°, §2°, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de2003. O contribuinte, por sua vez, defende o crédito sobre as aquisições desoneradas, cujas normas, no entanto, não permitem concluir pelo direito defendido na Impugnação. [...] Dessarte, as aquisições de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero não dão direito a créditos do PIS e Cofins, tal como considerado pelo Auditor-Fiscal.” Resumindo, a DRJ reverteu as glosas mencionadas nos itens 1 a 2, mantendo as que se fundamentaram em razão do rateio e em razão da aquisição à alíquota zero. Já em recurso voluntário, a recorrente reitera o pedido para reconhecimento do crédito na fase agrícola, pedido este que já fora acatado pela DRJ, conforme a seguinte descrição: III.3.1.1 - Bens Utilizados como Insumos Bens adquiridos para emprego no cultivo da cana-deaçúcar utilizada na fabricação de açúcar e etanol Bens adquiridos para manutenção de máquinaseequipamentos empregados na atividade agropecuária Neste tópico, nada menciona acerca da aquisição à alíquota zero ou acerca do rateio em relação à venda suspensa de cana-de-açúcar. Assim, os pedidos relativos a este tópico já foram contemplados, razão pela qual não identifiquei a lide relativa a este ponto. Destarte, não conheço do recurso sobre a aquisição de bens utilizados como insumo, alegada no item III. 3.1.1 – Bens utilizados como insumos. No caso, não houve qualquer contestação acerca da reversão das glosas empreendidas pela DRJ quanto ao aspecto quantitativo Fl. 929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 16 ou qualitativo, de modo a demonstrar que, apesar de ter havido a reversão na decisão recorrida, tal reversão não tenha sido efetivamente realizada. Serviços Utilizados como Insumos A fiscalização aplicou o mesmo entendimento esposado para o item 3.1.1., conforme baixo transcrito: “Considerando as informações do item 3.1.1 deste relatório e a natureza dos serviços alocados pelo contribuinte na rubrica sob análise, foram tidos como insumos os serviços contratados quando aplicados ou consumidos diretamente nos processos de produção de açúcar e etanol. [...] Assim, glosou os itens: 1. Despesas com: comissões sobre vendas; consultorias e assessorias agrícolas, organizacionais, de informática e outras; hospitais e laboratórios; serviços essenciais de água; manutenção em software; cursos, treinamentos e palestras; refeitório, hospedagem, telefonia e comunicação; exames laboratoriais e radiológicos; manutenção de tratores e ônibus; manutenção e conservação de móveis e utensílios; publicidades diversas; manutenção e recuperação de equipamentos de laboratório; aplicação e manejo de fertilizantes, adubos foliares, herbicidas, inseticidas, torta e material orgânico; manutenção e conservação de equipamentos de informática; confecção de carimbo; conserto e reforma de pneus agrícolas e de veículos leves e pesados; serviços de controle de pragas; manutenção e conservação em aeronaves; cambagem, alinhamento e balanceamento de pneus; análises químicas ou físico-químicas de produtos/amostras (controle de qualidade); auditoria, consultoria, assessoria e treinamento; construção de estradas e instalações civis; gráfica e serigrafia; levantamento topográfico; manutenção e aplicação em vidraçaria; manutenção e recuperação de radiadores; manutenção em rádios amadores e acessórios; manutenção/recuperação e retifica de motores (veículos leves e pesados); recuperação e conservação de máquinas e veículos motorizados(leves e pesados); manutenção de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas; mão de obra para pequenas manutenções civis; pesquisa e desenvolvimento de análise de solo; recuperação de propulsoras de graxas; recuperação de toners e cartuchos de tintas para impressoras; recuperação e manutenção de peças de implemento agrícola; saúde e assistência médica e congêneres; tinturaria e lavanderia; vigilância, segurança ou monitoramento de bens e pessoas; encadernação, gravação e douração de livros revistas e congêneres; manutenção e confecção de placas sinalizadoras; manutenção e recuperação de equipamentos de ar condicionado; manutenção e recuperação de equipamentos para posto de abastecimento; manutenção e recuperação Fl. 930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 17 equipamentos de refrigeração industrial; serviços mecanizados de aração, autodeslocamento, calagem, extração e carregamento de cascalho, picarro e terra; corte, tombo e carregamento de cana de açúcar; carregamento de descarregamento de muda; construção e conservação de barragem e estradas; destoca; drenagem, escavação de caixa de passagem e canal de irrigação; gradagem aradora, subsolagem e terraplanagem; tração de reboque/transbordo; convênios hospitalares, odontológicos e laboratoriais; despachante; recarga de extintores; montagem e desmontagem de divisória para escritório; transporte municipal de herbicida, cascalho/terra, água, corretivos e pessoal; análises físico-químicas e microbiológicas de águas; aeroportuários; chaveiros e relojoeiros e manutenção de barragem. 2. aquisições no mercado externo de serviços de consultoria e assessoria organizacional prestados pela empresa STANDARD & POOR S FINANCIAL SERVICES LLC; 3. serviços de manutenção e conservação de máquinas e veículos motorizados prestados por pessoas jurídicas cujas atividades econômicas estão voltadas para o comércio a varejo de automóveis, caminhonetas e utilitários novos; comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores; comércio a varejo de peças e acessórios para motocicletas e motonetas; comércio a varejo de pneumáticos e câmaras-de-ar; comércio por atacado de caminhões novos e usados; comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores; recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores; serviços de manutenção e reparação elétrica de veículos automotores; serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores; comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso agropecuário; partes e peças; comércio atacadista de máquinas, equipamentos para terraplenagem, mineração e construção; partes e peças; instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração; fabricação de máquinas e equipamentos para a agricultura e pecuária, peças e acessórios, exceto para irrigação; atividades relacionadas a esgoto, exceto a gestão de redes; comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários; fabricação de artefatos de tapeçaria e reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico; 4. Os serviços adquiridos para emprego no cultivo da cana-de-açúcar, assim como, na manutenção de máquinas e equipamentos empregados nessa atividade Fl. 931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 18 5. bens vinculados à venda de cana-de-açúcar com suspensão, nos termos do artigo 11, §1º3 da Lei nº11.727/2008 e artigo 8º, §4º, inciso II4 da Lei 10.925/2004; Por sua vez, a DRJ reconheceu que alguns dos serviços poderiam ser reconhecidos à vista do PN Cosit nº 5/2018. Todavia, não o fez devido ao fato de a recorrente não ter demonstrado a essencialidade ou relevância dos serviços para a atividade produtiva, tendo feito apenas alegações genéricas. Assim, sob o ponto de vista da DRJ, a descrição que permitia inferir que se tratava de despesas administrativas foram mantidas as glosas e para a descrição que poderia, em tese, gerar créditos, não foi concedido em razão da não demonstração da essencialidade ou relevância. Assim, nada foi revertido sob este tópico. Por sua vez, o recurso voluntário se volta contra o relatório fiscal e não em face da decisão recorrida, pleiteando a reversão das glosas em razão da superação do entendimento fiscal e porque a fase agrícola gera crédito. Após citar jurisprudência administrativa, resume o pedido aos seguintes serviços: “Portanto, no que concerne aos custos com serviços agrícolas, tais como, mas não se limitando a serviços de comissões sobre vendas; consultorias e assessorias agrícolas, organizacionais, de informática e outras; hospitais e laboratórios; 3 Art. 11. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de cana-de- açúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 1 o É vedado à pessoa jurídica vendedora de cana-de-açúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput deste artigo. 4 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: [...] III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 932DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3ii. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.925.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art57 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art57 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/545.htm#art7p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Mpv/545.htm#art7p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Mpv/582.htm#art17p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Mpv/582.htm#art17p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv609.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv609.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12839.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12839.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art542 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp214.htm#art544-3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/L11051.htm#art8%C2%A71iii D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 19 serviços essenciais de água; manutenção em software; cursos, treinamentos e palestras; refeitório, hospedagem, telefonia e comunicação; exames laboratoriais e radiológicos; manutenção de tratores e ônibus; manutenção e conservação de móveis e utensílios; publicidades diversas; manutenção e recuperação de equipamentos de laboratório; aplicação e manejo de fertilizantes, adubos foliares, herbicidas, inseticidas, torta e material orgânico; manutenção e conservação de equipamentos de informática; confecção de carimbo; conserto e reforma de pneus agrícolas e de veículos leves e pesados; serviços de controle de pragas; manutenção e conservação em aeronaves; cambagem, alinhamento e balanceamento de pneus; análises químicas ou físico-químicas de produtos/amostras(controle de qualidade); auditoria, consultoria, assessoria e treinamento; construção de estradas e instalações civis; gráfica e serigrafia; levantamento topográfico; manutenção e aplicação em vidraçaria; manutenção e recuperação de radiadores; manutenção em rádios amadores e acessórios; manutenção/recuperação e retifica de motores (veículos leves e pesados); recuperação e conservação de máquinas e veículos motorizados (leves e pesados); manutenção de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas; mão de obra para pequenas manutenções civis; pesquisa e desenvolvimento de análise desolo; recuperação de propulsoras de graxas; recuperação de toners e cartuchos de tintas para impressoras; recuperação e manutenção de peças de implemento agrícola; saúde e assistência médica e congêneres; tinturaria e lavanderia; vigilância, segurança ou monitoramento de bens e pessoas; encadernação, gravação e douração de livros revistas e congêneres; manutenção e confecção de placas sinalizadoras; manutenção e recuperação de equipamentos de ar condicionado; manutenção e recuperação de equipamentos para posto de abastecimento; manutenção e recuperação equipamentos de refrigeração industrial; serviços mecanizados de aração, autodeslocamento, calagem, extração e carregamento de cascalho, picarro e terra; corte, tombo e carregamento de cana de açúcar; carregamento de descarregamento de muda; construção e conservação de barragem e estradas; destoca; drenagem, escavação de caixa de passagem e canal de irrigação; gradagem aradora, subsolagem e terraplanagem; tração de reboque/transbordo; convênios hospitalares, odontológicos e laboratoriais; despachante; recarga de extintores; montagem e desmontagem de divisória para escritório; transporte municipal de herbicida, cascalho/terra, água, corretivos e pessoal; análises físico-químicas e microbiológicas de águas; aeroportuários; chaveiros e relojoeiros e manutenção de barragem; serviços de manutenção e conservação de máquinas e veículos motorizados prestados por pessoas jurídicas cujas atividades econômicas estão voltadas para o comércio a varejo de automóveis, caminhonetas e utilitários novos; comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores; comércio a varejo de peças e acessórios para motocicletas e motonetas; comércio a varejo de pneumáticos e câmaras-de-ar; comércio por atacado de caminhões novos e usados; comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores; recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores; Fl. 933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 20 serviços de manutenção e reparação elétrica de veículos automotores; serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores; comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso agropecuário; partes e peças; comércio atacadista de máquinas, equipamentos para terraplenagem, mineração e construção; partes e peças; instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração; fabricação de máquinas e equipamentos para a agricultura e pecuária, peças e acessórios, exceto para irrigação; atividades relacionadas a esgoto, exceto a gestão de redes; comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários; fabricação de artefatos de tapeçaria e reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico; DEVEM TEROCRÉDITO RECLAMADO RESSARCIDO, EIS QUE TAIS SERVIÇOSSÃO ESSENCIAIS E PERTINENTES AO CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR, ATIVIDADEESSENCIAL NO PROCESSO PRODUTIVO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL, LOGO,DÃODIREITO AO CREDITAMENTO. Pediu ainda o crédito sobre fretes pagos e tributados sobre o transporte de insumos sujeitos à alíquota zero. Percebe-se que a recorrente, mesmo diante do fundamento exposto pela DRJ, de falta de demonstração da essencialidade e relevância necessária para a aplicação do conceito de insumos do REsp 1.221.170, deixou de produzir tal demonstração, além de pleitear um conceito de insumo mais abrangente, consistente na tese do IRPJ, relativo a custos e despesas operacionais. Não obstante a falta de esclarecimento por parte da recorrente, é possível inferir pela descrição feita pela própria fiscalização, que alguns serviços se referem à fase agrícola e que não faz sentido a DRJ ter revertido as glosas de bens relativos à fase agrícola e não ter revertido os serviços. Assim, diante da falta de esclarecimentos feitos pela recorrente, um dos fundamentos da decisão recorrida, bem como diante da descrição feita pela fiscalização e, portanto, incontroversa, considero que são serviços utilizados na fase agrícola, retirados da planilha “SERVIÇOS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61, cujos créditos não foram autorizados pela fiscalização: LAMPADA FAROL SERVICO COLHEDORA CANA JOHN DEERE 3510 REF: 179326, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG, SERVICO MANUTENCAO RECUPERACAO DE EQUIP.LABORATORIOS INDUSTRIAL, SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO APLICACAO AEREA DE ADUBO FOLIAR, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE ANALISE FISICO/QUIMICO ALCOOL ANIDRO/HIDRATADO, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, SERVICO DE ANALISE DE BAGACO DE CANA, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS PARA AMOSTRAS DE ACUCAR, SERVICO DE MAO DE OBRA PARA MANUTENCAO DE EQUIPAMENTOS AGRICOLAS, SERVICO DE MANUTENCAO E RECUPERACAO DE CILINDROS HIDRAULICOS, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS EM AMOSTRAS DE OLEO MINERAL ISOLANTE, SERVICO DE RECUPER.E.REVISAO GERAL AR CONDICIONADO VEICULOS PESADOS, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE RECUPERACAO DE Fl. 934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 21 PROPULSORAS DE GRAXAS, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE VEICULO PESADO MB, SERVICO DE REFORMA PNEU AGRICULA (diversos), SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE VULCANIZACAO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO LOCACAO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MANUTENCAO E RECUPERACAO EQUIPAMENTOS REFRIGERACAO INDUSTRIAL, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE TORTA/MAT.ORGANICO, SERVICO MECANIZADO DE ARACAO, SERVICO MECANIZADO DE AUTODESLOCAMENTO, SERVICO MECANIZADO DE CALAGEM, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE MUDA INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CACALHO/PICARRO/TERRA, SERVICO MECANIZADO DE DESCARREGAMENTO DE MUDA /INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CORTE DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE DESTOCA, SERVICO MECANIZADO DE COBRICAO /APLICACAO INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE ESCAVACAO DE CANAL DE IRRIGACAO, SERVICO MECANIZADO DE EXTRACAO CASCALHO/PICARRO, SERVICO MECANIZADO DE GRADAGEM ARADORA, SERVICO MECANIZADO DE TOMBO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE MANEJO TORTA/MAT.ORGANICA, SERVICO MECANIZADO DE SUBSOLAGEM, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE TRANSBORDO, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE REBOQUE, SERVICO MECANIZADO NO MANEJO DE BAGACO, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS M.NIVELAD.CATERPILLAR 120H, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS DE TRATORES AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU INDUSTRIAL CONVENCIONAL 65010 QUENTE, SERVICO REFORCO CARCACA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO TRANSPORTE MUNICIPAL DE CORRETIVOS/GESSO, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE HERBICIDA, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE MAQUINAS /EQUIPAMENTOS, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS. Para as demais descrições, ou se referem a serviços administrativos (consultoria, comissões etc) ou a descrição é genérica não sendo possível inferir que se trata de serviços aplicados na fase agrícola ou industrial ou na área administrativa. Despesas de Energia Elétrica Neste item, foram glosados pela fiscalização, a conta dos serviços essenciais de telefone; telefonia e comunicação; conta dos serviços essenciais de água e ao serviço de transporte intermunicipal para uso e consumo. Por seu turno, a DRJ manteve as glosas por não se referirem a despesas de energia elétrica e, em relação à água, por não haver demonstração da utilização. Em recurso voluntário, a recorrente apenas reitera que o CARF reconhece que os custos incorridos com águas residuais, captação de água e tratamento de água e com despesas de transporte necessárias ao processo produtivo. Fl. 935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 22 Compulsando a planilha DESP ENERGIA ELETRICA.xlsx”, Doc. 61, constato que os serviços essenciais de água são serviços adquiridos da Saneamentos de Goiás – SANEAGO e que o serviço de transporte é para uso e consumo, não sendo possível inferir que se trata de insumos informados equivocadamente como despesas de energia elétrica. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados a PJ A fiscalização glosou despesas com locação de veículo para transporte de cana; locação de veículo para transporte de cascalho/mat. orgânica; locação de veículo para transporte de pessoal e locação de veículos para transporte de insumos/mat. diversos, despesas com serviços de auditoria, consultoria, assessoria e treinamento, locação de veículos leves. A DRJ, por sua vez, não concedeu o crédito por falta de detalhamento acerca dos referidos serviços. Já em recurso voluntário, a recorrente apenas afirmou que o CARF possui entendimento uníssono acerca da possibilidade de crédito sobre aquisições de serviços de locação de máquinas, equipamentos e veículos, consumidos na produção. Inicialmente, é necessário ressalvar que o CARF editou a Súmula nº 190: Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Contudo, entendo possível o reconhecimento de crédito, não com fulcro no inciso IV, mas no inciso II, na condição de insumos, desde que a locação seja realizada na área produtiva. Compulsando a planilha de glosa DESP ALUG MAQ E EQUIP.xlsx”, Doc. 61, parece inconteste que locação de veículo para transporte de cana e a locação de veículo para transporte de cascalho/mat. orgânica ocorrem na fase agrícola. A locação corresponde a uma cessão de direito de uso e gozo de coisa não fungível (art. 565 do Código Civil). Já os artigos 80 e 82 equiparam os direitos reais e os direitos pessoais patrimoniais a bens, para efeitos legais: CAPÍTULO I Dos Bens Considerados em Si Mesmos Seção I Dos Bens Imóveis Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; II - o direito à sucessão aberta. Fl. 936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 23 [...] Seção II Dos Bens Móveis Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais: I - as energias que tenham valor econômico; II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Destarte, a locação pode ser tomada como direito obrigacional patrimonial, decorrente do contrato entre as partes, equiparando-se a bens para efeitos legais, podendo assim ser tomado o crédito sobre a despesa. Destaca-se que a Lei nº 10.865/2004, ao tratar do crédito da não-cumulatividade nas importações, estabeleceu no §6º do artigo 15, que os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica são insumos, o que indica a equiparação a bens. A Lei nº 9.610/1998 confirma a equiparação em seu artigo 3º: “Art. 3º Os direitos autorais reputam-se, para os efeitos legais, bens móveis.” Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200 3, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV - aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 24 § 6º O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei Frise-se, ainda, que a instituição do PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação permitiu o tratamento isonômico em relação à tributação dos bens e serviços prestados no país pelo PIS/Pasep e Cofins sobre o faturamento, como se depreende da exposição de motivos da MP nº 164/2004, parcialmente transcrita a seguir, o que significa dizer que a acepção do termo serviço deve ser a mesma. Exposição de motivos da MP nº 164/2004 2. As contribuições sociais ora instituídas dão tratamento isonômico entre a tributação dos bens produzidos e serviços prestados no País, que sofrem a incidência da Contribuição para o PIS-PASEP e da Contribuição para o Financiamento Seguridade Social (COFINS), e os bens e serviços importados de residentes ou domiciliados no exterior, que passam a ser tributados às mesmas alíquotas dessas contribuições. (grifei) 3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS - cumulativa e não-cumulativa - no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência não-cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência não-cumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória. (grifei) Por outro lado, já na legislação anterior, no regime cumulativo, o conceito de “serviço” já havia sido adotado de modo a abarcar obrigações que não apenas a de fazer, conforme o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, ao definir a intermediação financeira e o prêmio no recebimento de seguros como serviços financeiros. A respeito, transcreve-se trecho do referido parecer: "32. Dessa forma, fica. claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o "contexto sistemático da Constituição", que "leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo". Foi Alfredo Augusto Becker - apoiado em Pontes de Miranda - quem melhor Fl. 938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 25 mostrou que a norma jurídica como que "deturpa" ou "deforma" os fatos, do inundo, ao erigi-los em fatos jurídicos".17 Ainda, segundo Aires Barreto, "serviço tributável é o desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva, de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração". [...] 35. Tal conceito (de serviços) compreende a. totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado - ou seja., compreendendo tanto as "operações" quanto os "serviços" bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Gerai sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994." O STJ também não adotou a tese restritiva de serviço como obrigação de fazer, ao julgar o REsp 929.521-SP, sob a sistemática de recursos repetitivos, no qual decidiu-se pela incidência de PIS e Cofins sobre a locação de bens móveis com a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que "o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais " (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em Fl. 939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 26 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de Superior Tribunal de Justiça apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular. Tal recurso especial foi interposto por contribuinte, em cujas razões recursais, dentre outras, alegou violação aos artigos 565 a 594 do Códifo Civil (distinção entre os contratos de locação e de prestação de serviços), violação ao artigo 110 do CTN, por alteração dos conceitos de direito privado e violação ao artigo 2º da LC nº 70/1991 que definia o fato gerador da Cofins. Constata-se, assim, que o conceito civilista não foi o adotado para se definir o alcance do termo serviço para a incidência das contribuições sobre o faturamento. De modo similar, são os entendimentos que adotam como serviços financeiros o spread bancário e o prêmio recebido nas atividades de seguros. Assim, seja por equiparação a bens, seja por um conceito econômico de serviços, a locação de bens na fase agrícola deve gerar créditos. Quanto às demais locações, a descrição pode envolver tanto área de produção quanto administrativa, não sendo possível fazer a segregação, se a própria recorrente não demonstrou a utilização. Concluindo, reverto a glosa sobre locação de veículo para transporte de cana e a locação de veículo para transporte de cascalho/mat. Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Frete na Operação de Venda A fiscalização glosou créditos decorrentes dos seguintes transportes: 1. transporte de máquinas e equipamentos agrícolas próprios da pessoa jurídica fiscalizada, de retorno de conserto, ou de remessa por conta de contrato de comodato; Fl. 940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 27 2. Transporte cujo remetente e destinatário da nota não se refere à recorrente; 3. Transporte de carrego e descarrego de cana-de-açúcar; 4. Fretes entre estabelecimentos da recorrente, frete de bens de uso e consumo, fretes aéreos, de pessoal e de água; 5. Locação de veículos; 6. Fretes nas aquisições de bens utilizados no cultivo da cana-de-açúcar pelo fato de estes bens terem sido glosados, inclusive nas aquisições de bens desonerados (art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003); 7. Fretes sobre despesas de venda de cana-de-açúcar, sem tributação, nos termos do artigo 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e artigo 11 da Lei 11.727/2008) 8. Fretes sobre bens adquiridos para emprego no cultivo da cana-de-açúcar destinada à venda nos termos do artigo 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e artigo 11 da Lei 11.727/2008) A DRJ manteve a glosa em razão de a recorrente alegar hipóteses de fretes, não relacionadas com operações de venda. Já em recurso voluntário, a recorrente defende que os fretes foram utilizados para transporte de insumos, ainda que sujeitos à alíquota zero, e para operações de venda. Os únicos fretes sobre operações de venda glosados o foram em razão da vedação contida no artigo 8, §4º da Lei nº 10.925/2004 e artigo 11 da Lei 11.727/2008, em relação aos quais nada contesta a recorrente. Assim, a glosa sobre tais fretes deve ser mantida. A mesma situação se aplica aos fretes de aquisição de insumos utilizados no cultivo da cana-de-açúcar vendida com suspensão, cuja glosa também deve ser mantida. Já a glosa sobre os fretes de aquisição de bens utilizados no cultivo da cana-de- açúcar destinada à produção de açúcar e álcool deve ser revertida, pois o único fundamento da glosa foi o fato de os bens terem sido glosados. Tendo o acórdão da DRJ revertido a glosa dos bens, a consequência jurídica é a reversão da glosa dos créditos sobre os fretes, inclusive, para os bens sujeitos à alíquota zero, a teor da Súmula CARF nº 1885, devendo tais fretes serem submetidos ao rateio para manter a glosa relativa aos créditos vinculados à venda de cana-de- açúcar com suspensão. Por fim, o transporte de insumos entre estabelecimentos gera crédito. No caso, as descrições que permitem inferir tratar de transporte de insumos são carrego e descarrego de cana-de-açúcar, devendo tais serviços serem submetidos ao rateio para manter a glosa relativa 5 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Fl. 941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 28 aos créditos vinculados à venda de cana-de-açúcar com suspensão. As demais descrições não se referem a transporte interno de insumos. Resumindo, reverto as glosas sobre os fretes nas aquisições de bens utilizados no cultivo da cana-de-açúcar e sobre o serviço de carrego e descarrego de cana-de-açúcar, não vinculados às receitas de venda de cana-de-açúcar, sujeita à suspensão de que tratam os artigos 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e 11 da Lei 11.727/2008. Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil A fiscalização informa que os valões informados nesta rubrica se referem a bens e serviços informados pela recorrente em sua memória de cálculo como “outras operações com direito a crédito”, analisadas em tópico próprio e que fora informada em duplicidade para a Cofins, em ambas as rubricas. A DRJ ressalta que a recorrente apenas alega que o crédito deve ser mantido, sem se referir expressamente à fundamentação da fiscalização. Em recurso voluntário, a recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito por se tratar de aluguel de arrendamento rural, sem, contudo, estabelecer dialeticidade com a motivação da fiscalização, que fora a informação em duplicidade com a rubrica “outras operações com direito a crédito”. Portanto, mantenho a glosa. Outras operações com direito à crédito A fiscalização glosou créditos sobre rubricas apresentadas em memória de cálculo que não foram incluídas nas rubricas anteriores, por dois motivos: aquisição de bens e serviços não considerados como insumos ou por falta de previsão legal e aquisição de bens do ativo imobilizado. Em seguida, resumiu as glosas nos termos abaixo: 1. aquisições de: máquinas, equipamentos e implementos agrícolas; produtos, partes e peças utilizadas na manutenção de tratores, reboques e veículos (leves e pesados); produtos empregados no tratamento da água (p. ex, inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); etanol, peças e equipamentos para postos de abastecimento; óleo diesel para utilização nos tratores (preparação do solo e colheita da cana) e veículos pesados (transporte da cana), conforme resposta dada à intimação lavrada em 30/01/2015 (Doc. 16); roupas e acessórios para proteção do trabalhador; produtos de limpeza pessoal; graxas (por força do disposto na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007); produtos para uso veterinário; produtos, instrumentos e equipamentos para uso em laboratório; equipamentos, instrumentos e utensílios de utilização/aplicação manual; antena para rádio (amador/portátil); produtos e equipamentos Fl. 942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 29 utilizados para soldagem (arames, eletrodos, oxigênio, acetileno, bicos, varetas); aparelhos telefônicos e de vídeo (dvd); e demais bens destacados na planilha acima citada; 2. serviços: de manutenção e reparo de partes e peças de tratores, reboques e veículos (leves e pesados); de controle de pragas; de levantamento topográfico; de hospedagem; de consultoria e assessoria agrícola, industrial, jurídica, organizacional, de informática e outras; de auditoria e treinamento; de conserto e reforma de pneus e câmaras de ar; de cambagem, alinhamento e balanceamento de pneus; hospitalares, odontológicos e de laboratórios; de gráfica e serigrafia; de vigilância, segurança ou monitoramento de bens e pessoas; de recuperação de toners e cartuchos de tinta para impressoras; de informática, telefonia e comunicação; de manutenção, recuperação e recarga de extintores; prestados por despachantes; de manutenção em rádio amadores; de mão de obra para pequenas manutenções civis; de regularização, inspeção e avaliação de veículos; de manutenção e recuperação de equipamentos de ar condicionado; de preparo de refeições; de saúde e assistência médica e congêneres; de manutenção e confecção de placas sinalizadoras/identificadoras padrão Grupo Farias; essenciais de fornecimento de água; de análise físico/químico do álcool anidro/hidratado; de recuperação e manutenção de peças de implemento agrícola; de análise físico/química/microbiológica de águas; de manutenção e lavagem em embalagens big bag; de calibração com emissão de certificado; de limpeza e higienização de EPI’s; de manutenção e aplicação em vidraçaria; de análise de resíduo de cinzas, gases a combustão; de análises químicas e amostras de óleo mineral isolante; de viagens e turismo; de manutenção e conservação em aeronaves; de limpeza de resíduos contaminados com óleo; de confecção de cortina e apoio de cabeça para poltronas de ônibus; de recuperação de equipamentos para postos de gasolina; de pesquisa e desenvolvimento de análise de solo; de manutenção e conservação de mesas/cadeiras de metais; de serviços prestados por chaveiros e relojoeiros; de confecção de carimbo tipo pendrive; de limpeza de esgotos/limpa fossas; de telecomunicação e multimídia; de encadernação, gravação e douração de livros, revistas e congêneres; de licenciamento para uso da tecnologia Prosugar; e demais serviços destacados na planilha acima citada; 3. aquisições de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da TIPI, de defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI, de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio e de corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI os quais, além de não serem considerados insumos diretos utilizados no processo produtivo de açúcar e etanol, tiveram as alíquotas de PIS e Cofins, incidentes sobre as receitas brutas Fl. 943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 30 de suas vendas nº mercado interno, reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/2004, com efeitos a partir de 26/07/2004; 4. serviços de manutenção e conservação de máquinas e veículos motorizados prestados por pessoas jurídicas cujas atividades econômicas estão voltadas para comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores; comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso agropecuário; comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores; fabricação de máquinas e equipamentos para a agricultura e pecuária, peças e acessórios, exceto para irrigação; recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores; reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico; serviços de borracharia para veículos automotores; serviços de capotaria e serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores; 5. aquisições de mesas, ventiladores, cadeiras, arquivo com gavetas, bebedouro, balcão de inox, furadeiras, monitores, morsa, máquinas fotográficas, aparelho DVD, mesa e foco cirúrgicos, cama para parto, relógio, computador, roteador, impressora, scanner, nobreak, estabilizador de tensão, quadro de comando, rádio, plaina niveladora, parafusadeira, furadeira, betoneira, macaco hidráulico/hidropneumático, motor elétrico, amalgamador, ar condicionado, entre outros bens; A DRJ manteve a glosa em razão de a recorrente não ter relacionado as alegações aos itens glosados. Em recurso voluntário, a recorrente defende o creditamento sobre graxas e óleo diesel utilizados em máquinas e veículos empregados na área de produção, aquisição de bens empregados no tratamento de água, bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, bem como serviços já explorados anteriormente, a saber: planejamento de plantio da cana e investimento em tecnologia de produção; águas residuais, balança de cana, captação de água, laboratório industrial/microbiológico, laboratório de cotesia, laboratório de metharizium, laboratório de teor sacarose, limpeza operativa, "rouguing" e tratamento de água, serviços de coleta de barro, fuligem, torta de filtro, corretivo de solo, espalhantes adesivos, fertilizantes, herbicidas, inseticidas e irrigação, materiais de laboratório e vidraria de laboratório, produtos químicos como sulfatos, ácidos, benzina, reagentes, soluções, resinas, enzimas, biocida, fungicida, desingripantes, pastilhas, colas, anticorrosivos, limpadores contatos, revelador, acelerador, solventes, agentes coagulantes e clarificante; aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no país; Combustível, Transporte de trabalhadores e Transporte da Cana de Açúcar; combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área Fl. 944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 31 cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool); águas residuais, balança de cana, captação de água, laboratório industrial/microbiológico, laboratório de cotesia, laboratório de metharizium, laboratório de teor sacarose, limpeza operativa, "rouguing" e tratamento de água, serviços de coleta de barro, fuligem, torta de filtro, corretivo de solo, espalhantes adesivos, fertilizantes, herbicidas, inseticidas e irrigação, materiais de laboratório e vidraria de laboratório, produtos químicos como sulfatos, ácidos, benzina, reagentes, soluções, resinas, enzimas, biocida, fungicida, desingripantes, pastilhas, colas, anticorrosivos, limpadores contatos, revelador, acelerador, solventes, agentes coagulantes e clarificante; aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País; serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádios-amadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas; frete pago e tributado para o transporte de mercadorias tributadas pelo PIS com alíquota zero; águas residuais, balança de cana, captação de água, laboratório industrial/microbiológico, laboratório de cotesia, laboratório de metharizium, laboratório de teor sacarose, limpeza operativa, "rouguing" e tratamento de água, serviços de coleta de barro, fuligem, torta de filtro, corretivo de solo, espalhantes adesivos, fertilizantes, herbicidas, inseticidas e irrigação, materiais de laboratório e vidraria de laboratório, produtos químicos como sulfatos, ácidos, benzina, reagentes, soluções, resinas, enzimas, biocida, fungicida, desingripantes, pastilhas, colas, anticorrosivos, limpadores contatos, revelador, acelerador, solventes, agentes coagulantes e clarificante; gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; transporte realizado com frota própria, encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática; e, locação de veículos de transporte; transporte dos funcionários até o local do corte da cana-de-açúcar; adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas; terraplanagem, topografia e outros, a locação de máquinas, equipamentos e veículos; fretes vinculados à aquisição de insumos ou de produtos inacabados entre os estabelecimentos da empresa; frete na operação de venda; frete pago e tributado para o transporte de mercadorias tributadas pelo PIS com alíquota zero; frete por prestação de serviços de transporte de insumos entre estabelecimentos do próprio contribuinte; transporte de cana e transporte de olhadura; transporte, pago a pessoa jurídica, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da cana-de-açúcar e as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, Fl. 945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 32 assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial; aluguel de imóvel rural; arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas. Inicialmente, em relação às glosas com fundamento por se tratar de aquisições do ativo imobilizado, a recorrente não o questiona, assim como não foi tratado nos itens anteriores. Assim, por se tratar de bens sujeitos à depreciação, o crédito não pode ser concedido como insumos, mas pela despesa de depreciação, a qual não foi glosada pela fiscalização. Assim, não havendo contestação quanto à condição de bem pertencer ao ativo imobilizado, mantenho a glosa referida como 5, na planilha “OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61. Já em relação à glosa denominada de 4, o fundamento foi falta de previsão legal e falta da condição de insumo. Neste ponto, percebe-se que a recorrente elenca diversos bens e serviços já abordados nos itens anteriores. Compulsando a planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61., constato que a glosa denominada 4 totalizou mais de 10.000 itens, em mais de 30.000 linhas, sendo, na maior parte, de bens adquiridos (peças, etc) e alguns serviços, cujas descrições são similares às analisadas no item “serviços utilizados como insumos”. Para os serviços, identifiquei os seguintes que podem gerar créditos, tendo em vista a reversão da mesma descrição na análise do item “serviços utilizados como insumos”: SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG., SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO DE ANALISES FÍSCO/QUIMICAS (diversos), SERVICO DE LIMPEZA DE RESIDUOS CONTAMINADOS COM OLEO, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE LIMPEZA E HIGIENIZACAO DE EPI´S, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Em relação aos bens, dado o elevado número de itens sem especificação quanto à sua utilização, bem como em razão do fato de estarem relacionados pela recorrente em linha genérica de outras operações, considero que podem ser considerados insumos, os itens descritos pela própria fiscalização no Relatório Fiscal, similares às descrições em itens anteriores revertidos. Assim, considero que sejam bens aplicados na produção agrícola e industrial os seguintes: produtos, partes e peças utilizadas na manutenção de tratores, reboques e veículos pesados; produtos empregados no tratamento da água (p. ex, inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); óleo diesel para utilização nos tratores (preparação do solo e colheita da cana) e veículos pesados Fl. 946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 33 (transporte da cana), conforme resposta dada à intimação lavrada em 30/01/2015 (Doc. 16); roupas e acessórios para proteção do trabalhador, graxas; produtos, instrumentos e equipamentos para uso em laboratório, conforme descrito pela autoridade fiscal. Por outro lado, as aquisições sujeitas à alíquota zero não geram crédito a teor do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, descritas pela fiscalização como aquisições de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da TIPI, de defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI, de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio e de corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI. Para as demais descrições, ou se referem a itens administrativos (mesas, ventiladores, cadeiras, serviços de consultoria etc) ou a descrição por ser genérica poderia ser referir tanto a itens administrativos ou de produção (serviços de manutenção e conservação de máquinas e veículos motorizados), não tendo a recorrente exposto a segregação ou identificado a que se referem. Créditos Calculados por Unidade de Medida de Produto; Ajustes Positivos de Créditos e Créditos Presumidos Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal Neste ponto, não houve lide, mas apenas a concordância com o procedimento de aproveitamento de ofício seja realizado após o cancelamento ou revisão parcial do lançamento nestes autos. Impossibilidade de rateio de cana-de-açúcar, bagaço de cana, energia elétrica, palha de cana, melaço, coco fruto e mudas de cana A recorrente alega que o rateio está equivocado, pois considerou-se na receita bruta, a venda de todos os produtos, quando deveria apenas considerar as vendas de álcool e açúcar. Conforme relatório fiscal, o rateio foi efetuado com base na opção realizada pelo contribuinte no DACON e de acordo com o disposto nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou Fl. 947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 34 II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Contudo, a fiscalização efetuou conforme a recorrente está requerendo. Houve elaboração de três percentuais de rateio, um apenas sobre açúcar e álcool, outro apenas relativo ao açúcar e outro relativo a todas as receitas. Apenas em relação às despesas de energia elétrica e aluguéis de máquinas e equipamentos é que o rateio incluiu todas as receitas, porque tais dispêndios são comuns a todas as receitas, no entender da fiscalização e está correto, uma vez que a recorrente não demonstrou a vinculação destas despesas exclusivamente a alguma receita específica. Já o rateio efetuado pela fiscalização em relação ao crédito dos serviços e bens da fase agrícola não levou em consideração todas as receitas, conforme afirmado pela recorrente. Assim, nego provimento a este ponto. Diante do exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre os serviços LAMPADA FAROL SERVICO COLHEDORA CANA JOHN DEERE 3510 REF: 179326, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG, SERVICO MANUTENCAO RECUPERACAO DE EQUIP.LABORATORIOS INDUSTRIAL, SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO APLICACAO AEREA DE ADUBO FOLIAR, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE ANALISE FISICO/QUIMICO ALCOOL ANIDRO/HIDRATADO, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, SERVICO DE ANALISE DE BAGACO DE CANA, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS PARA AMOSTRAS DE ACUCAR, SERVICO DE MAO DE OBRA PARA MANUTENCAO DE EQUIPAMENTOS AGRICOLAS, SERVICO DE MANUTENCAO E RECUPERACAO DE CILINDROS HIDRAULICOS, SERVICO DE ANALISES QUIMICAS EM AMOSTRAS DE OLEO MINERAL ISOLANTE, SERVICO DE RECUPER.E.REVISAO GERAL AR CONDICIONADO VEICULOS PESADOS, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE RECUPERACAO DE PROPULSORAS DE GRAXAS, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE VEICULO PESADO MB, SERVICO DE REFORMA PNEU AGRICULA (diversos), SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE VULCANIZACAO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO LOCACAO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MANUTENCAO E RECUPERACAO EQUIPAMENTOS REFRIGERACAO INDUSTRIAL, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO AEREA FERTILIZANTES, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE FERTILIZANTES, SERVICO Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 35 MECANIZADO DE APLICACAO DE HERBICIDA E INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE APLICACAO DE TORTA/MAT.ORGANICO, SERVICO MECANIZADO DE ARACAO, SERVICO MECANIZADO DE AUTODESLOCAMENTO, SERVICO MECANIZADO DE CALAGEM, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE MUDA INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CARREGAMENTO DE CACALHO/PICARRO/TERRA, SERVICO MECANIZADO DE DESCARREGAMENTO DE MUDA /INSUMO, SERVICO MECANIZADO DE CORTE DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE DESTOCA, SERVICO MECANIZADO DE COBRICAO /APLICACAO INSETICIDA, SERVICO MECANIZADO DE ESCAVACAO DE CANAL DE IRRIGACAO, SERVICO MECANIZADO DE EXTRACAO CASCALHO/PICARRO, SERVICO MECANIZADO DE GRADAGEM ARADORA, SERVICO MECANIZADO DE TOMBO DE CANA, SERVICO MECANIZADO DE MANEJO TORTA/MAT.ORGANICA, SERVICO MECANIZADO DE SUBSOLAGEM, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE TRANSBORDO, SERVICO MECANIZADO DE TRACAO DE REBOQUE, SERVICO MECANIZADO NO MANEJO DE BAGACO, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS M.NIVELAD.CATERPILLAR 120H, SERVICO RECUPERACAO E MANUTENCAO PECAS DE TRATORES AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU INDUSTRIAL CONVENCIONAL 65010 QUENTE, SERVICO REFORCO CARCACA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO REFORMA PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO TRANSPORTE MUNICIPAL DE CORRETIVOS/GESSO, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE HERBICIDA, SERVICO TRANSPORTE INTERMUNICIPAL DE MAQUINAS /EQUIPAMENTOS, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS constantes da planilha “SERVIÇOS UTIL INSUMOS.xlsx”, Doc. 61, sobre locação de veículo para transporte de cana e a locação de veículo para transporte de cascalho/mat. orgânica constantes da planilha “DESP ALUG MAQ E EQUIP.xlsx”, Doc. 61”, sobre fretes nas aquisições de bens utilizados no cultivo da cana-de-açúcar e sobre o serviço de carrego e descarrego de cana-de- açúcar, não vinculados às receitas de venda de cana-de-açúcar, sujeita à suspensão de que tratam os artigos 8º, §4º da Lei 10.925/2004 e 11 da Lei 11.727/2008, sobre SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, SERVICO DE MANUTENCAO E CONSERVACAO EM AERONAVES, MANUTENCAO E LAVAGEM EM EMBALAGENS E BIG BAG., SERVICO CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO CONSERTO PNEU AGRICOLA (diversos), SERVICO APLICACAO DE MANCHAO (diversos), SERVICO DE ANALISES FÍSCO/QUIMICAS (diversos), SERVICO DE LIMPEZA DE RESIDUOS CONTAMINADOS COM OLEO, SERVICO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE ANALISE DE SOLO, SERVICO DE LIMPEZA E HIGIENIZACAO DE EPI´S, SERVICO DE RECUPERACAO E MANUTENCAO DE PECAS DE IMPLEMENTO AGRICOLA, SERVICOS ANALISES FISICO / QUIMICA / MICROBIOLOGICAS DE AGUAS, SERVICO MANUTENCAO CONSERVACAO MAQUINAS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”; sobre produtos, partes e peças utilizadas na manutenção de tratores, reboques e veículos pesados; produtos empregados no tratamento da água (p. ex, inibidores de corrosão e incrustação) para limpeza de equipamentos e tubulações em sistemas geradores de vapor (caldeiras), de evaporação e de resfriamento; no tratamento de efluentes industriais (ETA); Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.053 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.728488/2016-15 36 óleo diesel para utilização nos tratores (preparação do solo e colheita da cana) e veículos pesados (transporte da cana), conforme resposta dada à intimação lavrada em 30/01/2015 (Doc. 16); roupas e acessórios para proteção do trabalhador, graxas; produtos, instrumentos e equipamentos para uso em laboratório, constantes da planilha OUTRAS OPERACOES.xlsx”, Doc. 61”. (documento assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 950DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11300347 #
Numero do processo: 16095.720028/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE DA DECISÃO. USO DE PRESUNÇÕES. De acordo com art. 29 do Decreto no 70.235/1972, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Além disso, não há falar em nulidade quando a decisão contém os requisitos previstos no art. 31 do Decreto no 70.235/1972. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVA PERICIAL INDEFERIDA. SÚMULA CARF 163. Nos termos da Súmula CARF no 163, o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. RETORNO DE MERCADORIAS. Tendo o contribuinte se valido de CFOPs genéricos nas notas fiscais relacionadas às operações em que houve recusa da mercadoria, cabe a ele apresentar provas robustas de que tal fato ocorreu. Caso não se desincumba de tal ônus, correta a inclusão da receita, registrada em tais documentos fiscais, na base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP e da Cofins. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA ZERO. Auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário de PIS/COFINS referente à revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada. A recorrente alegou legalidade da aplicação da alíquota zero, por se tratar de simples revenda, sem industrialização, conforme a legislação vigente. É incontroverso no processo que os produtos revendidos pela empresa não eram de fabricação própria. Logo, correta a aplicação da alíquota zero. CRÉDITO PRESUMIDO. LISTA POSITIVA. PROVA. Tendo sido comprovado que a contribuinte cumpre todos os requisitos dispostos pelo art. 3º da Lei 10.147/00, pelo Decreto 3.803/01 e pela Instrução Normativa SRF nº 247/02, certo é que ela tem direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP e da Cofins. CRÉDITO. FRETE INTERCOMPANY. IMPOSSIBILIDADE. SUMULA CARF 217. Nos termos da Súmula CARF nº 217, os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. ILEGALIDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. SUMULAS CARF 4 E 108. Nos termos das Súmulas CARF nº 4 e 108, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Além disso, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. Diante da Súmula CARF nº 2, com efeitos vinculantes, os julgadores do CARF não têm competência para apreciar a constitucionalidade de leis tributárias.
Numero da decisão: 3302-015.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) não conhecer do Recurso Ofício, uma vez que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 17/01/2023; e (ii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação relativa à redução da multa de 75%, com base nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; e, na parte conhecida, dar parcial provimento para desconstituir o crédito tributário objeto do item 2.1.2 do TVF (referente à tributação monofásica), bem como para reverter a glosa de crédito presumido sobre os medicamentos compreendidos na lista positiva de 2011/2012, de acordo com o Anexo II – Ofício 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA. Assinado Digitalmente Louise Lerina Fialho – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Winderley Morais Pereira, Marina Righi Rodrigues Lara, Louise Lerina Fialho, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LOUISE LERINA FIALHO

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FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE DA DECISÃO. USO DE PRESUNÇÕES. De acordo com art. 29 do Decreto no 70.235/1972, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Além disso, não há falar em nulidade quando a decisão contém os requisitos previstos no art. 31 do Decreto no 70.235/1972. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVA PERICIAL INDEFERIDA. SÚMULA CARF 163. Nos termos da Súmula CARF no 163, o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. RETORNO DE MERCADORIAS. Tendo o contribuinte se valido de CFOPs genéricos nas notas fiscais relacionadas às operações em que houve recusa da mercadoria, cabe a ele apresentar provas robustas de que tal fato ocorreu. Caso não se desincumba de tal ônus, correta a inclusão da receita, registrada em tais documentos fiscais, na base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP e da Cofins. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA ZERO. Auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário de PIS/COFINS referente à revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada. A recorrente alegou legalidade da aplicação da alíquota zero, por se tratar de simples revenda, sem industrialização, conforme a Fl. 7724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 2 legislação vigente. É incontroverso no processo que os produtos revendidos pela empresa não eram de fabricação própria. Logo, correta a aplicação da alíquota zero. CRÉDITO PRESUMIDO. LISTA POSITIVA. PROVA. Tendo sido comprovado que a contribuinte cumpre todos os requisitos dispostos pelo art. 3º da Lei 10.147/00, pelo Decreto 3.803/01 e pela Instrução Normativa SRF nº 247/02, certo é que ela tem direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP e da Cofins. CRÉDITO. FRETE INTERCOMPANY. IMPOSSIBILIDADE. SUMULA CARF 217. Nos termos da Súmula CARF nº 217, os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. ILEGALIDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS. SUMULAS CARF 4 E 108. Nos termos das Súmulas CARF nº 4 e 108, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Além disso, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. Diante da Súmula CARF nº 2, com efeitos vinculantes, os julgadores do CARF não têm competência para apreciar a constitucionalidade de leis tributárias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) não conhecer do Recurso Ofício, uma vez que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 17/01/2023; e (ii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação relativa à redução da multa de 75%, com base nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; e, na parte conhecida, dar parcial provimento para desconstituir o crédito tributário objeto do item 2.1.2 do TVF (referente à tributação monofásica), Fl. 7725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 3 bem como para reverter a glosa de crédito presumido sobre os medicamentos compreendidos na lista positiva de 2011/2012, de acordo com o Anexo II – Ofício 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA. Assinado Digitalmente Louise Lerina Fialho – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Winderley Morais Pereira, Marina Righi Rodrigues Lara, Louise Lerina Fialho, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração por meio do qual foram constituídos créditos tributários de Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, não cumulativas, apurados no período de 01/2011 a 12/2012, nos valores de R$ 56.205.301,56 e R$ 265.363.953,94, respetivamente (fls. 177-196), incluindo a multa de ofício de 75% e os acréscimos legais. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 197-235), a contribuinte tem como atividade principal a “Fabricação de medicamentos alopáticos para uso humano” e está sujeita à quatro formas diferentes de apuração das contribuições – lista neutra, lista positiva, lista negativa de produtos farmacêuticos e lista negativa de produtos de perfumaria e higiene pessoal - a depender do produto fabricado e comercializado. O Auto de Infração foi lavrado, em suma, em razão da insuficiência de recolhimento das aludidas contribuições. Mais precisamente, no TVF, o agente administrativo responsável pelo lançamento tributário apontou cerca dez irregularidades praticadas pela contribuinte, quais sejam:  Primeira: aplicação indevida do sistema monofásico em relação às receitas oriundas da venda dos produtos CELEBRA, CIDR BOVINOS, CLAMOXYL, DECTOMAX, DRAXXIN, EXCEDE, EXCENEL, FIBRASE, FINARID, FORMOPED, FRONTAL, GLALFITAL, LYRICA, NEOBIOTIC, NEURONTIN, OLMETEC, Fl. 7726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 4 ORBENIN, PROPIL, PROTANOL, PROZEN, PYLORITRAT, REVOLUTION, SUTENT e ZITROMAX. Isso, tendo em vista que, conforme o agente administrativo, deveria ter sido aplicado o sistema de créditos e débitos sobre as aludidas receitas, já que a tributação monofásica ocorre somente na venda de um industrial para um comercial e não de industrial para industrial, como ocorre no presente caso. Fundamento legal: arts. 1º e 2º da Lei no 10.147, de 2000. (Item 2.1.2 do TVF)  Segunda: utilização a maior de crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP e à Cofins, que tem como fundamento legal os arts. 3º, inciso II, e 5º, ambos da Lei no 10.147/2000. Quanto ao ponto, o agente administrativo destacou que desconsiderou o ofício 123 SE/CMED de 06/03/2014 protocolado pela contribuinte, em razão deste ter sido apresentado em um período posterior ao fiscalizado. Além disso, apontou diferença injustificada, no valor de R$ 2.577.787,27, de crédito presumido apurado e o utilizado de acordo com as fichas do DACON. (Item 2.1.3 do TVF)  Terceira: creditamento a maior de despesas com aluguéis de imóveis, que têm como fundamento legal o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Segundo o TVF, a partir da soma dos valores decorrentes do contrato apresentado pela contribuinte com os valores constantes na DIMOB, verificou-se que, em alguns meses, houve a utilização de créditos em valores superiores aos que teria direito. (Item 2.2 do TVF)  Quarta: creditamento a maior de despesas com energia elétrica e térmica, que têm como fundamento legal o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Conforme TVF, a contribuinte apresentou diversos arquivos em formato pdf contendo as contas de energia pagas às empresas Edp Bandeirante e Enertrade, porém em alguns meses os valores apresentados seriam inferiores aos valores informados em DACON e em relação ao mês de abril de 2011 não teria sido apresentada a respectiva conta de energia. (Item 2.3 do TVF)  Quinta: creditamento indevido de despesas com armazenagem e fretes de operação de venda, que tem como fundamento legal o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Isso em razão da ausência de apresentação de documentos que comprovassem tais despesas. (Item 2.4 do TVF)  Sexta: creditamento a maior de despesas com armazenagem e fretes na venda, apropriados no mês de agosto/2011 e março/2012, bem como das despesas com peças e equipamentos, apropriados em agosto/2011. Isso em razão da ausência de apresentação de documentos que comprovassem a integralidade dos créditos registrados no DACON. (Item 2.5.1 do TVF) Fl. 7727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 5  Sétima: creditamento indevido de despesas com armazenagem e fretes na importação, tendo em vista a ausência de previsão legal para tal creditamento com relação às aquisições oriundas do exterior. (Item 2.5.2 do TVF)  Oitava: creditamento a maior relativo a obras no ativo imobilizado, nos termos do art. art. 6º da Lei 11.488/2007. Isso em razão da ausência de apresentação de notas fiscais e/ou documentos que comprovassem a integralidade dos créditos de depreciação apropriados. (Item 2.5.3 do TVF)  Nona: creditamento indevido de despesas com gás nos meses de janeiro/2011 e março/2011 ambos no valor de R$ 179.609,95. Isso em razão da ausência de apresentação de documentos que comprovassem tais despesas. (Item 2.5.4 do TVF).  Décima: creditamento indevido referente às despesas com aquisição de insumos importados, em razão de a contribuinte ter indevidamente classificado tais despesas como “outras despesas com direito à crédito”, bem como tendo em vista a ausência de comprovação. Quanto ao ponto, o agente administrativo esclareceu que a contribuinte poderia até ter o direito ao creditamento das despesas apontadas na Nota Fiscal no 4.922. No entanto, o valor constante em tal nota fiscal foi glosado em sua integralidade a fim de evitar creditamento em duplicidade, tendo em vista que não teria sido demonstrado se tal crédito teria ou não sido utilizado na ficha correta do DACON. (Item 2.5.5 do TVF). Em sede de Impugnação (fls. 246-275), a contribuinte apresentou oito fundamentos jurídicos para a desconstituição do auto de infração, seja por vício formal, seja por vício material. Preliminarmente, sustentou a nulidade do auto de infração por três razões. Primeira razão: porque o lançamento teria desconsiderado as operações de recusa de mercadorias como redutoras da base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP e da Cofins, incorrendo, portanto, em erro de apuração da base de cálculo. Segunda razão: porque o lançamento teria desconsiderado receitas que são desoneradas das aludidas contribuições em razão de expressa previsão legal, bem como receitas de produtos que foram devidamente tributadas, sem aplicação, com isso, da alíquota zero, como afirmou a fiscalização. Terceira razão: porque teria glosado créditos de frete e armazenagem decorrentes de supostas importações quando, na realidade, tratava-se de despesas relativas a operações internas. Quanto ao mérito, sustentou, em primeiro lugar, que está equivocado o entendimento da fiscalização no sentido de que a tributação monofásica se aplica somente na venda de um industrial para um comercial e não na venda de um industrial para outro industrial, ainda que este último apenas comercialize aquele determinado produto, sem praticar qualquer ato de industrialização. Nesse sentido, referiu que o art. 2º da Lei no 10.147, de 2000, Fl. 7728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 6 expressamente reduz a zero a alíquota das aludidas contribuições nos casos em que a contribuinte atua como mera distribuidora. Alegou que o mencionado dispositivo deve ser interpretado de forma teleológica e não literal, uma vez que o que importa é a natureza jurídica da operação e não a natureza da pessoa jurídica que figura como sujeito da operação. Acrescentou que, entendimento em sentido contrário, levaria a indevida dupla incidência das alíquotas concentradas. Em segundo lugar, mencionou que a fiscalização se equivocou ao desconsiderar o ofício 123 SE/CMED e ao acusar a contribuinte de ter se apropriado indevidamente de crédito presumido. Isso porque tal documento era um ofício da própria CMED direcionado à RFB e nele continha uma lista consolidada e atualizada de todos os medicamentos enquadrados na lista positiva de titularidade da Impugnante em relação aos quais, ficava comprovado, que ela fazia jus ao crédito presumido. Em terceiro lugar, sustentou que a divergência de informações no DACON, relativas a outubro de 2012, decorrem de mero erro no preenchimento do aludido demonstrativo, que não afeta nem descaracteriza o seu direito material à fruição do crédito presumido que lhe é outorgado com base no art. 3º da Lei no 10.147, de 2000. Em quarto lugar, referiu que os créditos sobre despesas com armazenagem e fretes são oriundos de operações do mercado interno e não de importação - como entendeu a fiscalização. Além disso, alegou que. ainda que pudesse se dizer que houve algum creditamento relacionado ao frete e armazenagem na importação de produtos, a contribuinte entende que tampouco mereceria subsistir a glosa. Isso em razão de tais despesas serem consideradas insumos para a sua atividade (fabricação e comercialização de produtos farmacêuticos). Quanto ao ponto, acrescentou que as despesas com frete internacional correspondem a um insumo de sua atividade, passíveis, portanto, de creditamento das contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins. Em quinto lugar, no que diz respeito à multa e aos juros aplicados, referiu ser ilegal a incidência mensal de juros sobre a multa de ofício; sustentou que a Selic não se presta à atualização dos créditos tributários, devendo ser aplicada a taxa de juros de 1% prevista no art. 161, §1º, do CTN; e alegou que a multa de 75% deveria ser reduzida e readequada para um patamar que observasse os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, postulou pelo provimento integral da impugnação e, subsidiariamente, pela conversão do julgamento em diligência, anexando uma série de documentos a fim de corroborar as teses que sustentou. Em 17/06/2016, a contribuinte informou às fls. 4702-4706 que realizou o pagamento parcial do crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração. Mais precisamente, referiu que realizou a quitação dos valores objeto dos itens 2.2; 2.5.1; 2.5.2; 2.5.3; 2.5.4; 2.5.5 e da “diferença” apurada para os meses de fevereiro a abril de 2011 no item 2.5, todos do TVF. Em 26/08/2016, a 3ª Turma da DRJ/CTA (Curitiba-PR), converteu o julgamento da impugnação em diligência (fls. 4757-4761), propondo o retorno do processo para o Serviço de Fiscalização da DRF em Guarulhos/SP, nos seguintes termos: Em suma, proponho o retorno do presente processo para o Serviço de Fiscalização da DRF em Guarulhos/SP para que: Fl. 7729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 7 a) sejam verificadas as planilhas contidas no arquivo não paginável constante do Termo de Anexação de fl. 279 do processo (“comprovação de exclusão de receita CFOP 1949_2949.xls”) e informado, após o devido confronto com os documentos contábeis constantes dos autos ou colhidos mediante procedimento específico, se os valores pleiteados devem ser excluídos das bases de cálculo envolvidas, elaborando, em caso positivo, demonstrativo com a indicação dos ajustes necessários nos lançamentos; b) a fiscalização, considerando o teor do Ofício nº 190/2016 SCMED/GADIP/ANVISA (cópia às fls. 1618/1627), que objetiva esclarecer o alcance do Ofício CMED nº 123/14 (cópia às fls. 1603/1617) que não foi considerado durante o procedimento fiscal, se pronuncie a respeito e informe se mantém o posicionamento adotado e indicado no TVCIF (com a indicação das razões pertinentes) ou se altera esse entendimento, elaborando, nesta hipótese, demonstrativo com a indicação dos ajustes julgados necessários; c) à vista do indício de que teria havido erro de transcrição no DACON relativamente às bases de cálculo indicadas nas suas fichas 09A, 15B, 19A e 25B, relativamente ao mês de outubro de 2012, a fiscalização, com apoio em documentação fiscal e contábil, colhida, sendo o caso, mediante intimação, analise a planilha “resumo apuração pis cofins outubro 2012.xls”, contida no arquivo não paginável constante do Termo de Anexação de fl. 284, e informe se, de fato, a afirmação de equívoco procede, apontando, na hipótese positiva, os ajustes cabíveis no lançamento, e d) a fiscalização, à vista dos documentos de fls. 1690/1729, 1730/2117, 3639/3866 e planilha “amostragem fretes.xlsx” contida no arquivo não paginável constante do Termo de Anexação de fl. 285 do processo, informe, amparada na documentação contábil e fiscal constante dos autos ou colhida mediante intimação, se há ou não créditos passíveis de desconto a título de fretes ou despesas de armazenagem no períodos analisados, elaborando, na hipótese de assistir razão à contribuinte, demonstrativo com a indicação dos ajustes a serem realizados no lançamento. Intimada a contribuinte para apresentar documentos (fls. 4763-4765), assim o fez (fls. 4771-4789 e 4797-6338). Posteriormente, sobreveio o Relatório de Diligência Fiscal (6339- 6363), o qual concluiu: Conforme exposto alhures, concluo pela procedência da alegação do contribuinte aos créditos de PIS/PASEP e COFINS listados no item 4.5 deste Relatório de Diligência Fiscal no montante respectivamente de R$ 591.177,27 e R$ 2.722.998,35, os quais deverão deduzir o valor do Auto de Infração. Encaminhe-se ao SECAT/DRF/GUA para dar ciência eletrônica deste Relatório de Diligência Fiscal e documentos a ele vinculado. Em resposta ao Relatório da Diligência Fiscal (fls. 6907-6921), a contribuinte referiu que concordava com a conclusão extraída do aludido relatório no que diz respeito (i) à Fl. 7730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 8 desconstituição das glosas de créditos decorrentes de despesas com frete na operação de venda e (ii) ao reconhecimento de que, em relação ao item 3 da diligência, houve mero erro no preenchimento do DACON. No entanto, com relação ao demais itens, a contribuinte referiu, em suma, que o entendimento exposto no mencionado relatório vão de encontro à legislação, à jurisprudência e às provas juntadas no processo. Posteriormente, a 3ª Turma da DRJ/CTA (Curitiba/PR), por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e o pedido de perícia, e acolheu parcialmente a impugnação, mantendo as exigências de R$ 25.383.874,08 de PIS não cumulativo e de R$ 119.938.707,51 de Cofins não cumulativa, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora correspondentes. Nesse sentido, faz-se importante destacar os seguintes trechos do Acórdão (fls. 6928-6957): Alegações de Nulidade A impugnante alega, em preliminar, que em razão da existência de erros no lançamento os autos de infração devem ser anulados. Para justificar o pedido, diz que os seguintes erros teriam sido identificados: a) desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo (subitem III.1 da impugnação), b) exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas (subitem III.2 da impugnação) e c) glosa de créditos de frete e armazenagem em operações internas como se de importação fossem (subitem III.3 da impugnação). (...) Da simples leitura dos dispositivos, vê-se que, ao contrário do alegado, não existe razão alguma para a declaração de nulidade do lançamento. Os autos de infração contêm todos os requisitos previstos na norma e foram lavrados por servidores competentes, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, resta claro que a preliminar deve ser rejeitada. Como ressaltado, contudo, é oportuno que se teçam algumas considerações a respeito das alegações propostas. A primeira alegação, que corresponde ao subitem III.1 da impugnação, diz respeito à desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo. Segundo a contribuinte, a própria fiscalização informa que para chegar à base de cálculo “levantou o valor indicado nas notas fiscais de saída de produtos classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) prevista no artigo 1º, I, ‘a’, da Lei 10.147/00 e com Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) de venda de mercadorias no mercado interno” deduzindo, desse montante, “o valor das Notas Fiscais com CFOP de devoluções e cancelamentos de vendas.” Segundo afirma, no entanto, a fiscalização teria deixado “de deduzir o valor correspondente às Notas Fiscais com os CFOPs 1949 e 2949, que representam operações em que houve recusa de mercadorias (isto é, em que não chegou a haver entrega de mercadoria ao destinatário), o que Fl. 7731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 9 automaticamente macula a diferença de PIS e Cofins indicada nos quadros ilustrativos de fls. 5/6 do termo sob a própria lógica do trabalho fiscal.” (...) É pertinente a informação contida no relatório de diligência fiscal de fls. 6339/6363 de que a utilização dos códigos de operação 1.949 ou 2.949 dificulta a correta identificação da operação gerando uma maior necessidade de verificação, mormente quando se sabe que há código próprio para os casos de devolução de mercadorias. Sabe-se que a forma não pode prevalecer sobre a essência, mas, tratando-se de uma empresa do porte da autuada, é recomendável que os códigos sejam corretamente utilizados até mesmo para não gerar interpretações empresariais desfocadas da realidade. Apesar de fazer este alerta, no próprio relatório de diligência há a informação de que as operações que, ao final, acabaram sendo identificadas como sendo de devoluções foram consideradas por ocasião da apuração das bases de cálculo e das pertinentes contribuições devidas. (...) No que diz respeito à comprovação da recusa das mercadorias e sua consequente devolução, consta que a contribuinte foi intimada a prestar os devidos esclarecimentos. Consta também, que, em resposta à intimação, a contribuinte limitou-se a apresentar planilhas com a indicação dos motivos da devolução de uma pequena parte das notas fiscais, deixando de indicá-los em relação a uma grande parcela dessas notas. Adicionalmente, consta que em algumas notas fiscais de saída (cópias as fls. 4810 e 5302) que foram juntadas aos autos nenhuma indicação foi efetuada pelo destinatário ou mesmo pelo transportador acerca das razões que motivaram a não entrega da mercadoria e a sua consequente devolução. A propósito, a necessidade de anotação dos motivos da recusa é providência prevista no art. 453 do Decreto do Estado de São Paulo nº 45.490, de 30/11/2000, que regulamenta o ICMS desse Estado. Sendo assim, como, apesar de ciente das constatações fiscais, a contribuinte nada apresenta para respaldar o direito buscado, há que se considerar correto o entendimento contido no relatório de diligência fiscal. (...) Apesar das explicações da contribuinte, na medida em que os procedimentos por ela adotados não se coadunam com o previsto na legislação e, também, na medida em que as provas apresentadas não a favorecem, há que acatar o entendimento contido no relatório de diligência, desconsiderando os efeitos das notas mencionadas na apuração da base de cálculo das contribuições. À vista dessas considerações, há que se acatar o entendimento da fiscalização e manter a conclusão pela “improcedência total dos créditos alegados pelo contribuinte” vinculados a devoluções de venda. Fl. 7732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 10 Em outra alegação (subitem III.2 da impugnação) a impugnante reclama da “exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas.” (...) A empresa em questão, apesar de alegar que, em relação a alguns dos produtos comercializados, estaria agindo na condição de mera distribuidora, é, na realidade, empresa cuja atividade econômica principal é a industrialização de medicamentos. Ao exercer tal atividade resta claro que não há como considerar o seu enquadramento no permissivo legal relativo à alíquota zero. (...) Nesse sentido, correto o entendimento manifestado pela fiscalização. A impugnante também reclama do fato de a fiscalização ter englobado equivocadamente situações em que: a) a legislação estipula expressamente a desoneração dessas contribuições, como é o caso das operações que destinam produtos à Zona Franca de Manaus (ZFM) com CFOP 6109, 6110 e 6102 e b) em que houve efetiva tributação das receitas de vendas, e não aplicação da alíquota de 0%, o que teria ocorrido em relação a uma parte dos produtos listados no TVCIF, tais como: Dectomax, Clamoxyl, Daxxin,Excede, etc. (...) Como se constata do relato, a fiscalização não “englobou equivocadamente situações” diversas quando da apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Uma simples leitura é suficiente para constatar que as saídas para a ZFM, CFOP 6109 e 6110 não foram consideradas no levantamento efetuado. Quanto aos produtos listados, que segundo a contribuinte teriam sido tributados, é bastante esclarecer que o TVCIF não contraria essa afirmação, dizendo apenas que “o contribuinte ora fiscalizado efetuou saídas como mera revenda ou só procedeu com a embalagem e distribuição dessas mercadorias.” A alegação, portanto, não merece acolhida. Em suma, rejeitam-se as alegações. Da alegação de improcedência dos autos de infração – da alegação de recolhimento a menor do PIS/Cofins sobre a receita sujeita à tributação monofásica (...) Conforme já ressaltado, consoante previsão contida no art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000, a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos tributados na forma do inc. I do art. 1º da referida lei, é prevista apenas em relação às pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Fl. 7733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 11 Apesar da afirmação da contribuinte de que, em relação a algumas aquisições, teria atuado como mera distribuidora, fazendo jus, portanto, à alíquota zero prevista no art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000, o próprio dispositivo excetua, expressamente, as empresas industriais e as importadoras, caso da contribuinte. Nesse contexto, correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto ao pedido para que na hipótese de ser mantida a lógica fiscal sejam deduzidos os valores já recolhidos na etapa anterior, é oportuno o registro de que ao adotar tal procedimento a própria fiscalização já concedeu, de ofício, os créditos decorrentes dessas aquisições. Em assim sendo, mantém-se o procedimento. Da alegação de apropriação indevida de crédito presumido da “lista positiva” (...) Ao analisar o questionamento constante do Termo de Diligência, a fiscalização, de plano, chamou a atenção para o fato de não ser possível atestar que os medicamentos listados no Ofício nº 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012, já que o documento “não comprova a partir de quando aquele produto passou a fazer parte desta lista” (fl. 6346). De fato, analisando-se tanto o Ofício nº 123/14 (fls. 1603/1617) quanto o Ofício nº 190/2016 (que objetiva explicar o alcance do ofício de 2014 - fls. 1618/1627) há a informação de que a relação de medicamentos elaborada é apenas um “consolidado de todos os medicamentos comercializados pelo Laboratório Pfizer, cujos produtos podem ter entrado em comercialização no mercado nacional em diferentes momentos do tempo, desde o ano de 2001 até o ano de 2014” (fl. 1618). Significa dizer, os medicamentos listados podem ter constado da lista dos anos de 2011/2012 como afirmado pela contribuinte mas também podem ter constado da lista somente nos anos seguintes. Nesse contexto, portanto, e na falta de outros elementos, há que se concordar com a conclusão fiscal. (...) A questão toda, como se dessume, está na falta de comprovação de que os medicamentos em questão realmente e sem sombra de dúvida estavam compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Como não há esta certeza, e como se trata de um benefício fiscal, não há como atender o pleito, devendo ser mantido o entendimento fiscal. Quanto ao subitem 2.3 do relatório de diligência, a contribuinte diz que apurou, com base na LCCT que diversos medicamentos que constam da lista do Ofício nº 123/2014 geravam crédito presumido de PIS/Cofins. Verificando-se a relação elaborada pela impugnante (fls. 6917/6918) e cotejando-a com a lista anexa ao mencionado ofício (fls. 1603/1617) constata-se que os medicamentos reclamados de fato são mencionados no referido ofício, mas com apresentações diferentes. Nesse contexto, rejeita-se o argumento. Fl. 7734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 12 Ao discorrer sobre a divergência do crédito presumido constatada em relação ao mês de outubro de 2012, a contribuinte afirma tratar-se de mero erro de preenchimento do Dacon. (...) Ao proceder a uma nova análise da questão, a fiscalização entendeu que “aparentemente houve erro no preenchimento do Dacon” (fl. 6356). Como bem esclarece a fiscalização, no entanto, e em relação a esse esclarecimento há que se concordar , a existência ou não do aludido erro em nada altera as conclusões do fisco, afinal, os valores informados pela contribuinte foram considerados apenas para a apuração do excesso de utilização de crédito presumido já que “conforme exposto no item 2.1.3 do TVCIF, o procedimento fiscal refez todos os cálculos dos créditos com base nos produtos que efetivamente foram comprovados que davam direito ao crédito presumido e chegou-se ao valor de R$ 779.076,21 e R$ 3.672.787,83 respectivamente para PIS/Pasep e Cofins.” Nesse contexto, rejeita-se o pedido da contribuinte e mantém-se o lançamento. Da alegação de aproveitamento a maior de créditos de PIS/Cofins não cumulativos (outros créditos) (...) Após analisar os documentos fornecidos pela contribuinte sob intimação, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: a) alguns fretes, no montante de R$ 9.485.217,91, não poderiam ser acatados pois “nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, 216 registros continham informações incompletas. Procuramos os documentos fiscais referentes a esses registros nas caixas de documentos fiscais apresentadas pelo contribuinte e constatamos que não há documento fiscal referente a esses registros (provavelmente por essa razão o contribuinte não conseguiu preencher as informações requeridas).” b) os fretes entre estabelecimentos da empresa, no montante de R$ 2.656.221,15 não foram acatados pois, segundo a legislação, o direito ao crédito de Cofins e PIS/Pasep somente se dá para fretes referentes a operações de venda. c) os fretes que não têm relação com operações de venda, relativos a movimentações do armazém para o contribuinte, a devoluções de vendas, etc, por não terem relação com a compra de insumos, não foram acatados. d) os fretes que não mencionam a contribuinte nem como remetente nem como destinatário foram simplesmente desconsiderados (R$ 232.764,84). e) os fretes vinculados a operações de venda foram considerados para fins de creditamento à contribuinte. Segundo o Relatório de Diligência: (...) Fl. 7735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 13 Como se vê, o legislador além de permitir crédito calculado sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, admitiu também, a partir de 1º de fevereiro de 2004 (inc. I, do art. 93 da Lei nº 10.833, de 2003), o aproveitamento de crédito da Cofins calculado sobre o valor dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora (art. 3º caput e inciso IX da Lei nº 10.833, de 2003). A legislação, portanto, expressamente permite o creditamento de valores relativos a fretes, mas apenas nos casos em que estes estejam inequivocamente associados a operações de venda , ou seja, apenas nos casos em que tais serviços tenham relação com o transporte de mercadorias ao cliente adquirente. Quando se trata de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, de produto acabado ou em elaboração, todavia, inexiste previsão normativa para o creditamento (o mesmo raciocínio, é válido frisar, também se aplica ao frete incorrido para a transferência de mercadorias entre o armazém e o estabelecimento da empresa, pois também nesse caso, não há operação de venda) (...) Nesse contexto, não há como atender o pedido, devendo ser mantida a glosa sob análise. Conforme proposto pela fiscalização, no entanto, fls. 6363, reconhece-se o direito da contribuinte aos créditos de R$ 591.177,27 (PIS/Pasep) e R$ 2.722.998,35 (Cofins), deduzindo-se esses valores do lançamento. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (...) Considerando que o auto de infração analisado não contempla a exigência de juros sobre as multas de ofício aplicadas, entende-se que se trata de matéria não litigiosa e que, em assim sendo, a argumentação apresentada não merece sequer ser considerada. De qualquer modo, esclareça-se que, ao contrário do alegado, a legislação autoriza a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, bem como o cálculo destes juros considerando a taxa Selic. (...) Em suma, apesar de não constituir litígio no presente processo, entende-se como correta a exigência de (em sendo aplicados) juros, calculados com base na taxa Selic, sobre multas de ofício lançadas. Dos juros de mora aplicados ao lançamento (...) Fl. 7736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 14 Por conseguinte, não obstante as considerações expendidas em sentido contrário, uma vez que, em conformidade com o § 1º do art. 161 do CTN, os retrocitados dispositivos legais dispuseram de forma diversa e específica, elegendo a taxa referencial Selic para títulos federais (acumulada mensalmente ) para o cálculo dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação fiscal, a utilização de outros índices afronta a legislação e, como é sabido, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, a atividade fiscal deve ser plenamente vinculada, sendo devida a obediência à lei, inclusive sob pena de responsabilidade funcional. (...) Dessa forma, é de se manter a exigência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, tal como constante do lançamento. Da multa aplicada (...) Por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre a graduação da penalidade não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes a juízo de valor, como a concernente à suposta ofensa a quaisquer princípios. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento reduzir nem alterar o percentual de multa que foi aplicado ao lançamento, sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, sobre os valores de contribuição não recolhidos. Do pedido de perícia (...) Analisando-se os quesitos apresentados vê-se que a intenção da contribuinte é rediscutir todo o trabalho fiscal, transferindo para os peritos a responsabilidade pela apuração do crédito tributário. O lançamento que, como se sabe, decorre de procedimento de auditoria foi objeto de impugnação e, à vista das dúvidas levantadas, foi objeto de diligência fiscal, cujo resultado foi analisado pela impugnante com a apresentação, inclusive, de impugnação complementar. Assim, por entender que todos os ajustes julgados necessários já estão sendo incluídos no presente voto, entende-se que a perícia, tal como pleiteada, não se revela necessária, não devendo, portanto, ser realizada. Nesse contexto, indefere-se o pedido. (...) Fl. 7737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 15 Conclusão Posto isso, voto para que seja rejeitada a preliminar de nulidade e o pedido de perícia, para que sejam parcialmente acolhidas as razões de impugnação e para que sejam julgados procedentes em parte os lançamentos impugnados, mantendo-se as exigências de R$ 25.383.874,08 de PIS não cumulativo e de R$ 119.938.707,51 de Cofins não cumulativa, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora correspondentes. Registre-se que, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, o crédito exonerado pela decisão de primeira instância foi submetido à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio de recurso de ofício. A contribuinte, por sua vez, tendo tomado ciência da decisão da DRJ em 14/11/2017 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 6982), apresentou Recurso Voluntário em 17/11/2017, às fls. 6985-7010, expondo, em suma, duas razões jurídicas para que fosse reconhecida a nulidade da decisão recorrida e, de forma subsidiária, cinco razões de mérito para que a referida decisão fosse reformada. Além disso, postulou que o julgamento fosse convertido em diligência, caso se entendesse necessário. Isso, nos seguintes termos:  Preliminarmente, sustentou que deveria ser reconhecida a nulidade da decisão recorrida. Isso porque (i) ela teria se baseado em presunções para fundamentar a manutenção da glosa do crédito presumido, bem como (ii) teria incorrido em cerceamento de defesa ao indeferir o pedido de diligência, mesmo reconhecendo a importância da análise da Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT), que indica quais medicamentos compõem a lista positiva e geram o crédito presumido.  No que diz respeito ao mérito, referiu, em primeiro lugar, que a decisão recorrida merecia ser reformada, porque desconsiderou as operações de recusa de mercadorias, correspondentes às notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949, como redutoras da base de cálculo. Nesse sentido, alegou que o fato de os aludidos CFOPs serem genéricos não altera, em absoluto, a natureza da operação de recusa de mercadorias e que não há na legislação, que regulamenta a Contribuição ao PIS/PASEP e a Cofins, qualquer limite de tempo que deva ser observado para que reste caracterizado o retorno de mercadorias.  Em segundo lugar, mencionou que a tributação monofásica seria aplicável nos casos em que um industrial vende para outro industrial para que ele apenas comercialize aquele determinado produto. Isso porque o fator decisivo para a alíquota zero não seria a atividade preponderante do contribuinte, mas sim a natureza da operação cuja contribuição terá Fl. 7738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 16 alíquota zero, conforme se verifica da disposição estabelecida pelo art. 2º da Lei no 10.147, de 2000. Quanto ao ponto, referiu ainda que, “mesmo que a imprópria interpretação fizesse sentido (o que como destacado acima não faz pois se afasta do espírito da norma que instituiu a tributação monofásica), ao menos deveriam ser deduzidos os valores de PIS/COFINS já recolhidos pelo industrial”.  Em terceiro lugar, alegou que teria direito ao crédito presumido da “lista positiva”, uma vez que cumpriu com todos os requisitos necessários para tanto, conforme dispõe o Decreto no 3.803, de 2001. Nesse sentido, fez menção aos Ofícios CMED no 123/2014 e CMED no 190/2016, referindo que tais documentos seriam suficientes para lastrear todo o histórico evolutivo de medicamentos fabricados ou comercializados pela Recorrente que constam na lista positiva e geram crédito presumido das contribuições em questão.  Em quarto lugar, sustentou que as despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa ou para a transferência de mercadorias entre armazém e estabelecimento geram direito à crédito, com base no art. 3º, inciso II, das Leis no 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Isso porque o frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e para transferência de mercadorias entre armazém e o estabelecimento da Recorrente representam insumos à atividade da Recorrente.  Em quinto lugar, com relação à multa e aos juros aplicados, referiu ser ilegal a incidência mensal de juros sobre a multa de ofício; sustentou que a Selic não se prestava à atualização dos créditos tributários, devendo ser aplicada a taxa de juros de 1% prevista no art. 161, §1º, do CTN; e alegou que a multa de 75% deveria ser reduzida e readequada para um patamar que observasse os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Em 10/07/2018, às fls. 7051-7092, a contribuinte protocolou o Ofício 248/2018 – SCMED/GADIP, expedido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Isso para o fim de demonstrar o seu direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP e à Cofins. Posteriormente, esta turma julgadora, em outra composição, determinou, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência (fls. 7093- 7106). Na referida decisão, este Conselho, entendeu que, para a manutenção ou desconstituição da glosa de crédito presumido, objeto deste lançamento, era necessário verificar se os medicamentos que geraram tal crédito estavam ou não compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Diante disso, o julgamento foi convertido em diligência, mais precisamente, para que: Fl. 7739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 17 1. a autoridade preparadora indague, via ofício, diretamente ao órgão responsável – ANVISA, atestar se os medicamentos listados no Ofício n° 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012 ou não; 2. Contudo, se a afirmação contida no item 23 do Recurso Voluntário proceder, que a própria autoridade preparadora utilize o Sistema de Acompanhamento de Mercado de Medicamentos (“SAMMED”) sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ("ANVISA") para acessar a Lista de Concessão do Crédito Tributário (“LCCT”), e informe se os medicamentos em questão compunham a lista positiva e geram o crédito presumido nos anos de 2011/2012. (...) No mesmo diapasão, que se indague à recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA: 3. Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; Em 07/01/2019, a contribuinte opôs Embargos Inominados (fls. 7127-7128). Isso para que constasse, na Resolução embargada, a determinação de que a autoridade preparadora indague a ANVISA/CMED se os medicamentos listados no Ofício 248/2018 - e não no Ofício 123/2014 - efetivamente constavam na lista positiva dos anos de 2011/2012 ou não. Os aludidos embargos foram admitidos como Embargos de Declaração por omissão (fls. 7208-7209), nos termos do art. 65 do RICARF, e foram acolhidos por esta Turma julgadora (fls. 7220-7223). Após, sobreveio o Relatório de Diligência Fiscal (7680-7681), nos seguintes termos: Trata-se de um Auto de Infração de PIS/PASEP e COFINS cujo julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 3302-000.900 da Terceira Seção de Julgamento do CARF (retificada pelo Acórdão de Embargos nº 3302-007.160). Em cumprimento ao item 1 da referida Resolução que determinou que a autoridade preparadora indagasse via ofício diretamente ao órgão responsável que atestasse que os medicamentos listados no Ofício nº 248/2018 efetivamente constavam ou não na lista positiva nos anos 2011/2012, a resposta apresentada pela CMED foi acostada às fls. 7645 a 7679 (vide documento “Ofício Outros – RESPOSTA OFÍCIO 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA” e anexos). Em relação ao item 2 que determinava que a própria autoridade preparadora utilizasse o sistema SAMMED da ANVISA para acessar a Lista de Concessão do Crédito Tributário, informamos que solicitamos auxílio à DITEC/SRFF08, mas não conseguimos acesso direto ao sistema SAMMED (que deve ser um sistema de Fl. 7740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 18 acesso restrito a usuários internos da ANVISA). Porém, diante do cumprimento ao item 1 pela CMED, entendemos que o item 2 está satisfeito. Por fim, em cumprimento ao item 3 da Resolução CARF que determinava que se indagasse ao sujeito passivo para que especificasse os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente, intimamos o sujeito passivo através do Termo de Intimação Fiscal nº 01/2021 a apresentar: a) a relação dos medicamentos e suas apresentações que eram apenas revendidos (não eram produzidos) pelo sujeito passivo no período; b) a relação dos medicamentos e suas apresentações que eram revendidos, mas também eram produzidos pelo sujeito passivo no período. As listas acima deverão ser apresentadas em duas planilhas de um arquivo excel, o qual deverá ser acostado no e-Processo sob a forma de um “Arquivo Não Paginável”. Em resposta o sujeito passivo juntou aos autos a planilha “Doc_comprobatorio - Resumo das operacoes_PIS e COFINS.xlsx” no Arquivo não Paginável “planilhas” (fl. 7515) e informou (fl. 7488) que: 6. (...) a Requerente junta a estes autos a planilha anexa (doc. nº 3) com a indicação de todos os medicamentos por ela comercializados nos anos de 2011 e 2012. 7. Como pode-se observar do anexo, a planilha indica na coluna “Origem” se o produto é importado ou nacional, assumindo que todos os produtos nacionais foram necessariamente produzidos pela Requerente, e na coluna “Classificação Operação” se o produto foi objeto de revenda, atendendo integralmente à solicitação do Termo de Intimação Fiscal nº 1. Desta forma o sujeito passivo afirma que todos os produtos comercializados foram ou produzidos ou importados por ela. Contudo, em contraponto à planilha apresentada pelo sujeito passivo, elaboramos as seguintes planilhas XLSX contidas no Arquivo não paginável “Item 3” (fl. 7682) com base no CFOP das NF-e emitidas pelo próprio contribuinte: 1 – Produtos vendidos como fabricação própria 2 – Produtos revendidos 3 – Produtos que são tanto fabricados e vendidos como revendidos 4 – Produtos importados pelo sujeito passivo 5 – Produtos importados que são revendidos 6 – Produtos fabricados que também são importados 7 – Produtos revendidos que são produzidos ou importados Fl. 7741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 19 Desta forma, entendemos que a planilha “3 – Produtos que são tanto fabricados e vendidos como revendidos.xlsx”, responde integralmente ao item 3 da Resolução do CARF, sendo que as outras planilhas servem apenas para transparência e conferência dos dados da planilha 3 além de apresentarem informações úteis que eventualmente podem ser utilizados no julgamento. Intime-se o sujeito passivo para se manifestar no prazo de 30 dias corridos sobre as conclusões deste Relatório Fiscal e a seguir retorne o presente processo para o CARF para julgamento. Em resposta, a contribuinte, em 29/06/2023, apresentou petição (fls. 7703-7702). Na sequência, sobreveio Termo de Intempestividade (fls. 7715) e o processo administrativo foi remetido para este órgão julgador para prosseguimento do feito (fls. 7716-7723). É o relatório. VOTO Conselheira Louise Lerina Fialho, Relatora II – DO RECURSO DE OFÍCIO No caso ora em análise, verifica-se que o montante excluído do lançamento pelo Acórdão recorrido corresponde aos valores de R$ 591.177,27 (PIS/Pasep) e de R$ 2.722.998,35 (Cofins). Tais quantias decorrem do reconhecimento de crédito da não cumulatividade das aludidas Contribuições sobre as despesas com fretes vinculados às operações de venda (fl. 6951). Ocorre que, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto o nº 70.235/1972, bem como da Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023, caberá Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) apenas quando a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Ressalta-se que, o referido limite de alçada, para fins de admissibilidade do recurso, deve ser aquele vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme disposto na Súmula CARF nº 103. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício quanto a este ponto, uma vez que o valor exonerado corresponde a montante inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 17/01/2023. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO II.1 – ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 7742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 20 II.2 – DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Conforme narrado anteriormente, a contribuinte sustentou, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, por duas razões. Primeira razão: porque a referida decisão teria se baseado em presunções para fundamentar a manutenção da glosa do crédito presumido. Segunda razão: porque a aludida decisão teria incorrido em cerceamento de defesa ao indeferir o pedido de diligência, mesmo reconhecendo a importância da análise da Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT), que indica quais medicamentos compõem a lista positiva e geram o crédito presumido. Sendo assim, antes de se adentrar às alegações de mérito da Recorrente, passo a análise das preliminares, com relações as quais adianto o meu voto no sentido de que elas não merecem ser acolhidas pelos seguintes fundamentos jurídicos, que passo a expor: II.2.1 – Da alegação de nulidade da decisão recorrida em razão do uso de presunções para fundamentar a manutenção de parte do lançamento Quanto ao ponto, cumpre citar, primeiramente, as seguintes disposições estabelecidas pelo Decreto no 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo tributário federal, acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Os referidos enunciados normativos estabelecem expressamente que a autoridade julgadora poderá, a partir das alegações e provas juntadas aos autos, estabelecer a sua própria convicção. De forma que, se a decisão contiver todos os requisitos estabelecidos pelo art. 31 do mencionado ato normativo, não há falar em nulidade. No caso, a decisão de primeira instância entendeu que as provas apresentadas pela contribuinte eram insuficientes para comprovar que ela tinha direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP e à Cofins, instituído pela Lei nº 10.147/2000. Assim, por entender que o crédito presumido é um benefício fiscal, o que implica a necessidade de uma interpretação restritiva/literal (conforme estabelece o art. 111 do CTN) e de certeza para a sua fruição, a autoridade julgadora concluiu que estava correto o lançamento tributário. Isso, conforme se depreende dos seguintes trechos da decisão recorrida: Ao analisar o questionamento constante do Termo de Diligência, a fiscalização, de plano, chamou a atenção para o fato de não ser possível atestar que os medicamentos listados no Ofício nº 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012, já que o documento “não comprova a partir de Fl. 7743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 21 quando aquele produto passou a fazer parte desta lista” (fl. 6346). De fato, analisando-se tanto o Ofício nº 123/14 (fls. 1603/1617) quanto o Ofício nº 190/2016 (que objetiva explicar o alcance do ofício de 2014 - fls. 1618/1627) há a informação de que a relação de medicamentos elaborada é apenas um “consolidado de todos os medicamentos comercializados pelo Laboratório Pfizer, cujos produtos podem ter entrado em comercialização no mercado nacional em diferentes momentos do tempo, desde o ano de 2001 até o ano de 2014” (fl. 1618). Significa dizer, os medicamentos listados podem ter constado da lista dos anos de 2011/2012 como afirmado pela contribuinte mas também podem ter constado da lista somente nos anos seguintes. Nesse contexto, portanto,e na falta de outros elementos, há que se concordar com a conclusão fiscal. (...) Apesar de a contribuinte discorrer intensamente em sua petição de fls. 6907/6921 sobre a forma como o preço do fabricante e o preço máximo ao consumidor é fixado pela Anvisa, não há como se concordar com a afirmação da contribuinte de que para chegar a tais preços a Anvisa, necessariamente, deve ter levado em consideração os efeitos do benefício fiscal em questão. Os documentos apresentados contêm apenas a indicação de valores que corresponderiam ao preço do fabricante e ao preço máximo ao consumidor relativamente a alguns medicamentos. Nada além disso. Ao contrário do afirmado, portanto, não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou. A propósito, a contribuinte chama a atenção para a existência de uma Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT) que estaria disponível em sistema próprio da Anvisa e afirma que nesta lista haveria a indicação dos medicamentos que comporiam a lista positiva com a consequente geração de crédito presumido. Considerando que o sistema informado não é público e que depende de cadastramentos e da utilização de senhas específicas, cujo acesso é disponibilizado à contribuinte, entende-se que bastaria que ela própria fizesse as consultas necessárias juntando aos autos as provas que ela avaliasse como pertinentes. Na falta desses elementos, os quais, reforce-se, mesmo que apresentados ainda seriam objeto de confirmação fiscal, não há como acatar os argumentos propostos. A questão toda, como se dessume, está na falta de comprovação de que os medicamentos em questão realmente e sem sombra de dúvida estavam compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Como não há esta certeza, e como se trata de um benefício fiscal, não há como atender o pleito, devendo ser mantido o entendimento fiscal. Ora o fato de a contribuinte não concordar com tal posicionamento não enseja qualquer nulidade. Na realidade, tal discordância acaba por se confundir com a matéria de mérito, que será analisada adiante. Fl. 7744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 22 Além disso, não há falar, quanto ao ponto, em aplicação do art. 112, II, do CTN. Isso porque tal dispositivo é aplicável quando há dúvida com relação à imputação de infrações ou penalidades e não a benefícios fiscais, como é o caso. Por tais razões, entendo que não há falar em nulidade da decisão recorrida, uma vez que esta está de acordo com os arts. 29 e 31 do Decreto no 70.235, de 1972. Sendo assim, voto por rejeitar tal preliminar de nulidade. II.2.2 – Da alegação de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa A contribuinte sustenta, em suma, que deve ser reconhecida a nulidade da decisão recorrida, uma vez que a autoridade julgadora indeferiu a o pedido de diligência, incorrendo, com isso, em cerceamento de defesa. Ocorre que tal matéria se encontra sumulada por este órgão julgador e cuja observância é obrigatória nos termos do art. 123, §4º, do RICARF. Trata-se da Súmula CARF nº 163, aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021, com vigência em 16/08/2021, que assim dispõe: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. No caso, a autoridade julgadora fundamentou o indeferimento do requerimento de diligência, conforme se depreende do seguinte trecho do Acórdão: Analisando-se os quesitos apresentados vê-se que a intenção da contribuinte é rediscutir todo o trabalho fiscal, transferindo para os peritos a responsabilidade pela apuração do crédito tributário. O lançamento que, como se sabe, decorre de procedimento de auditoria foi objeto de impugnação e, à vista das dúvidas levantadas, foi objeto de diligência fiscal, cujo resultado foi analisado pela impugnante com a apresentação, inclusive, de impugnação complementar. Assim, por entender que todos os ajustes julgados necessários já estão sendo incluídos no presente voto, entende-se que a perícia, tal como pleiteada, não se revela necessária, não devendo, portanto, ser realizada. Nesse contexto, indefere-se o pedido. Portanto, entendo que aplicável à aludida Súmula ao caso concreto. Não obstante, cumpre destacar, que antes mesmo de ser proferido o Acórdão da DRJ, o julgamento da impugnação foi convertido em diligência, ocasião em que foi oportunizado a contribuinte se manifestar e juntar documentos que entendesse necessários para o deslinde do feito. Por tais razões, entendo que, no caso concreto, foi assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, de forma que não há falar em cerceamento de defesa. Sendo assim, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. II.3 – DO MÉRITO Fl. 7745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 23 Quanto ao mérito, existem essencialmente cinco controvérsias no presente processo. A primeira diz respeito à (in)devida inclusão, no lançamento tributário, de receita decorrente de notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949 na base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins. A segunda se refere à (in)aplicabilidade da tributação monofásica nos casos em que um industrial vende para outro industrial, para que este último apenas revenda determinado produto. A terceira está relacionada à (in)existência de direito da contribuinte ao crédito presumido sobre determinados medicamentos por ela fabricados ou comercializados. A quarta diz respeito à (in)existência de direito da contribuinte ao crédito de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos sobre as despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa ou para a transferência de mercadorias entre armazém e estabelecimento, com base no art. 3º, inciso II, das Leis no 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. E, por fim, a quinta está relacionada à (i)legalidade da multa e dos juros aplicados. Assim, passo a analisá-las. II.3.1 – Da (in)devida inclusão, no lançamento, de receita decorrente de notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949 na base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins A contribuinte sustenta que “demonstrou em sua impugnação que a D. Fiscalização deixou de deduzir da base de cálculo da presente exigência fiscal o valor correspondente às notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949, que representam operações em que houve recusa de mercadorias”. Nesse sentido, referiu que o fato de os aludidos CFOPs serem genéricos não altera a natureza da operação de recusa de mercadorias e que não há na legislação qualquer limite de tempo que deve ser considerado para que reste caracterizado o retorno das mercadorias. Entendo, no entanto, que não assiste razão à Recorrente. Veja-se que o tema da suposta inclusão indevida, no lançamento tributário, de receitas decorrentes de operações em que teria ocorrido a recusa de mercadorias - correspondente às notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949 - foi objeto da primeira diligência fiscal realizada neste processo. Conforme anteriormente narrado, o julgamento da impugnação apresentada pela contribuinte foi convertido em diligência. Isso para que, dentre outras questões, fossem “verificadas as planilhas contidas no arquivo não paginável constante do Termo de Anexação de fl. 279 do processo (“comprovação de exclusão de receita CFOP 1949_2949.xls”) e informado, após o devido confronto com os documentos contábeis constantes dos autos ou colhidos mediante procedimento específico, se os valores pleiteados devem ser excluídos das bases de cálculo envolvidas, elaborando, em caso positivo, demonstrativo com a indicação dos ajustes necessários nos lançamentos” (fl. 4760). Em resposta ao referido questionamento, após a análise de uma série de documentos, assim concluiu o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 6339-6363): 1.6 Conclusão Diante do exposto, concluímos pela improcedência total dos créditos alegados pelo contribuinte, pela falta de comprovação documental, por irregularidades Fl. 7746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 24 formais na emissão do documento fiscal hábil para acobertar a operação; e pela inconsistência das informações prestadas pelo contribuinte em atendimento às intimações efetuadas. Vale mencionar que o que está em discussão é a idoneidade das notas fiscais de entrada. Se a operação se trata de um cancelamento de vendas (que reduz o tributo na base de cálculo) ou devolução de vendas (que dá direito a crédito do tributo), isso é irrelevante, pois o efeito econômico é o mesmo. O que não é aceitável é que o contribuinte emita notas fiscais de entrada enquanto que o documento correto para legitimar a operação seria uma nota fiscal de saída emitida por um terceiro. Caso contrário qualquer contribuinte poderia emitir indevidamente notas fiscais de entrada para gerar créditos a qualquer momento de forma a elidir o pagamento dos tributos. Para se chegar a essa conclusão, de improcedência total dos créditos alegados pela contribuinte, o agente administrativo apresentou, ao menos, cinco fundamentos relacionados à (i) “inexistência das Notas Fiscais informadas pela contribuinte em sua planilha”; (ii) “notas fiscais emitidas em duplicidade”; (iii) “lançamento contábil estornando os valores recebidos”; (iv) “ausência da comprovação da recusa do recebimento nos DANFEs ou na Nota Fiscal de Saída original”; e (v) “evidências de que as Notas Fiscais de Entrada não refletem uma devolução de venda que não tenha entrado no estabelecimento do cliente”. Por outro lado, a contribuinte, em seu Recurso Voluntário, se limitou a referir que o fato de os aludidos CFOPs serem genéricos não altera a natureza da operação de recusa de mercadorias e que não há na legislação qualquer limite de tempo que deve ser considerado para que reste caracterizado o retorno das mercadorias. Ou seja, a Recorrente não apresentou fundamentos e provas capazes de infirmar aqueles apresentados pelo agente administrativo no Relatório de Diligência Fiscal. Sendo assim, entendo que correto a inclusão da receita decorrente das notas fiscais com CFOPs 1949 e 2949 na base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins. II.3.2 – Da (in)aplicabilidade da tributação monofásica nos casos em que um industrial vende para outro industrial, para que este último apenas revenda determinado produto Quanto ao ponto, a Recorrente sustenta, em suma, que, embora “industrialize produtos farmacêuticos, ela também comercializa produtos que não industrializa, mas adquire de terceiros no mercado interno, de modo que, especificamente nessas operações, atua como mero distribuidor, não estando então enquadrada como industrial nem importadora, hipótese para a qual o artigo 2º, da Lei nº 10.147/00, expressamente reduz a alíquota do PIS e da COFINS a zero”. Por outro lado, o Acórdão da DRJ entendeu que o próprio dispositivo referido pela contribuinte excetua, expressamente, as empresas industriais e as importadoras, como é o caso da Recorrente. Por tal razão, concluiu que estava correto o procedimento adotado pela fiscalização. Fl. 7747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 25 Veja-se, portanto, que a controvérsia diz respeito à abrangência do benefício fiscal de alíquota zero disposto no artigo 2º, da Lei nº 10.147/00. Nesse contexto, passa-se, então, a analisar o enunciado normativo estabelecido em tal legislação, que assim dispõe: “Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS (...) respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de serão calculadas, a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento) (...) Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. A partir da aludida disposição normativa, nota-se que o objetivo do legislador foi desonerar o comerciante de determinados produtos farmacêuticos. Nesse sentido, cumpre destacar que a exposição de motivos deixa clara a intenção do legislador, veja-se: “2. A proposta objetiva, primordialmente, instituir mecanismos que permitam a redução e a estabilização de preços de medicamentos, mediante redução da carga tributária incidente sobre esses produtos. 3. Nesse sentido, a primeira medida diz respeito à elevação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de medicamentos pelas pessoas jurídicas que promovam a industrialização ou a importação desses produtos, garantindo, dessa forma, maior eficácia no controle fiscal do setor, e, por consequência, permitindo a redução a zero as alíquotas das referidas contribuições nas operações subsequentes de comercialização”1. Verifica-se, portanto, que se trata de uma norma desonerativa extrafiscal que leva em consideração questões objetivas, quais sejam: determinados medicamentos, e não subjetivas – como a atividade preponderante das pessoas jurídicas. O que o legislador pretende é claro. Ele 1 Disponível em: https://imagem.camara.leg.br/Imagem/d/pdf/DCD30NOV2000VOLI.pdf#page=99. Nesse sentido, vide fl. 62392. Fl. 7748DF CARF MF Original https://imagem.camara.leg.br/Imagem/d/pdf/DCD30NOV2000VOLI.pdf#page=99 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 26 visa, a partir de tal norma, reduzir a carga tributária de determinados medicamentos, onerando tão-somente a pessoa jurídica que os industrializou e desonerando as operações subsequentes de comercialização. Ou seja, é irrelevante a atividade preponderante da pessoa jurídica que comercializou a mercadoria, o importante é saber se ela industrializou ou não os medicamentos objeto do inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147/00. Entendimento em sentido contrário, acaba por desvirtuar a finalidade da norma. Observa-se que, no caso concreto, é incontroverso que a Recorrente apenas revendeu os produtos CELEBRA, CIDR BOVINOS, CLAMOXYL, DECTOMAX, DRAXXIN, EXCEDE, EXCENEL, FIBRASE, FINARID, FORMOPED, FRONTAL, GLALFITAL, LYRICA, NEOBIOTIC, NEURONTIN, OLMETEC, ORBENIN, PROPIL, PROTANOL, PROZEN, PYLORITRAT, REVOLUTION, SUTENT e ZITROMAX. Isso, conforme se depreende do seguinte trecho do TVF (fl. 202 e 203): “Devemos mencionar que, nos casos da venda dos produtos CELEBRA, CIDR BOVINOS, CLAMOXYL, DECTOMAX, DRAXXIN, EXCEDE, EXCENEL, FIBRASE, FINARID, FORMOPED, FRONTAL, GLALFITAL, LYRICA, NEOBIOTIC, NEURONTIN, OLMETEC, ORBENIN, PROPIL, PROTANOL, PROZEN, PYLORITRAT, REVOLUTION, SUTENT e ZITROMAX constatamos que o contribuinte ora fiscalizado efetuou saídas como mera revenda ou só procedeu com a embalagem e distribuição dessas mercadorias. Mesmo se tratando de revenda de mercadorias, por se tratar de um contribuinte industrial, o contribuinte continuará a ser tributado na forma do art. 1º da Lei 10.147/2000, conforme disposto no art. 2º desse mesmo diploma legal, não se aplicando o sistema monofásico: (...)” (destacado) Diante disso, entendo que a interpretação dada pelo agente fiscal quando do lançamento está equivocada. Isso porque a alíquota zero das Contribuição ao PIS/PASEP e à Cofins deve ser aplicáda aos comerciantes dos aludidos produtos, ainda que estes tenham atividade preponderante de industrialização. Destaca-se, inclusive, que este foi o entendimento da RFB na Solução de Consulta Cosit no 182, de 2018. Além disso, em caso análogo, este também foi o entendimento unânime desta Turma Julgadora: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2012 a 30/06/2015 PIS/COFINS. Tributação concentrada. Alíquota zero. Empresa não industrializadora. Auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário de PIS/COFINS referente à revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada. A recorrente alegou legalidade da aplicação da alíquota zero, por se tratar de simples revenda, sem industrialização, conforme a legislação vigente. Constatou-se em diligência que os produtos revendidos pela empresa não eram de fabricação própria, sendo correta a aplicação da alíquota zero. Fl. 7749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 27 (Processo: 19311.720155/2016-56. Acórdão n. 3302-014.828. Recurso Voluntário e de Ofício. Relator: José Renato Pereira de Deus. Data da sessão: 16/10/2024). Sendo assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário nessa parte, com a consequente desconstituição do crédito tributário objeto do item 2.1.2 do TVF, referente à aplicação da alíquota diferenciada, prevista na alínea “a” do inciso I do art. 1º da Lei 10.147, sobre as receitas de determinados produtos farmacêuticos. II.3.3 – Da (in)existência de direito da contribuinte ao crédito presumido sobre determinados medicamentos por ela fabricados ou comercializados Em relação a esse tópico, a contribuinte sustentou que faz jus ao crédito presumido das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins estabelecido pelo art. 3º da Lei 10.147/00 e regulamentado pelo Decreto 3.803/01 e pela Instrução Normativa SRF nº 247/02. Referiu que “juntou aos autos o Ofício CMED nº 123/14 (fls. 1.603/1.617), que traz em seu anexo ‘uma lista consolidada e atualizada de todos os medicamentos enquadrados em lista positiva’ [sic] de titularidade da Recorrente em relação aos quais fazia jus ao crédito presumido”. A lista positiva, como bem referido no TVF, é composta por medicamentos tributados pela alíquota diferenciada de 9,9% e 2,1% para COFINS e PIS, mas que dão direito ao crédito presumido no mesmo valor da contribuição apurada, nos termos do art. 3º da Lei 10.147/2000. Nesse sentido, cumpre citar os requisitos necessários para usufruir do regime especial de crédito presumido, os quais foram bem explicitados no TVF (fls. 197-235): Para usufruir do regime especial de créditos presumidos, a beneficiária deve atender às normas estabelecidas (i) pela Câmara de Medicamentos (art. 3º, inciso II, da Lei 10.147/2000) e (ii) pela Secretaria da Receita Federal (art. 5º da Lei 10.147/2000). Em suma, o contribuinte deve efetuar um requerimento à Câmara de Medicamentos informando o medicamento de tarja preta ou vermelha a ser incluído na lista positiva e comprovando a repercussão nos preços da redução da carga tributária, conforme estabelecido no caput do art. 3º da Lei 10.147/2000 e regulamentado pela Resolução CMED Nº 06 de 2001 e Comunicados posteriores. Protocolizado o pedido, este será encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil para verificação da regularidade fiscal do contribuinte e posterior publicação do Ato Declaratório Executivo. A utilização do crédito presumido poderá ser feita a partir da protocolização do pedido, conforme disposto no art. 64 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, e, caso não haja a manifestação da autoridade fiscal no prazo de 30 dias, será considerado deferido o regime especial, mesmo sem a publicação do ADE (art. 2º, §§ 3º e 4º, Decreto nº 3.803/2001). Nesse contexto, cumpre ressaltar que o Acórdão da DRJ manteve o lançamento tributário sob o fundamento de que inexistia prova suficiente de que os medicamentos, que Fl. 7750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 28 deram origem ao crédito presumido da Recorrente, estavam compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Segundo a autoridade julgadora, “não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou” (fl. 6945). Verifica-se, portanto, que a discussão neste ponto é estritamente probatória. Diante disso, após à análise dos argumentos e provas juntadas pela contribuinte, essa Turma Julgadora, em outra composição, determinou a conversão do julgamento deste Recurso Voluntário em diligência para que, dentre outras questões, a autoridade preparadora questionasse a Anvisa se os medicamentos listados no Ofício ANVISA/SCMED n° 248/2018 constavam ou não na lista positiva dos anos 2011/2012. Posteriormente, foi juntado o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 7680-7681), que assim referiu quanto ao ponto: Em cumprimento ao item 1 da referida Resolução que determinou que a autoridade preparadora indagasse via ofício diretamente ao órgão responsável que atestasse que os medicamentos listados no Ofício nº 248/2018 efetivamente constavam ou não na lista positiva nos anos 2011/2012, a resposta apresentada pela CMED foi acostada às fls. 7645 a 7679 (vide documento “Ofício Outros – RESPOSTA OFÍCIO 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA” e anexos). Às fls. 7656-7679, observa-se que a SCMED elencou uma lista de medicamentos de titularidade da Recorrente que fazem parte da lista positiva, nos anos de 2011/2012. Diante disso, entendo que a matéria probatória demonstra que assiste razão à Recorrente. Sendo assim, voto por acolher o Recurso Voluntário nessa parte, a fim de que seja revertida a glosa de crédito presumido sobre os medicamentos compreendidos na lista positiva de 2011/2012, de acordo com o Anexo II – Ofício 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA. II.2.4 – Da (in)existência de direito da contribuinte ao crédito de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos sobre as despesas com frete A contribuinte alega que o frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e para transferência de mercadorias entre armazém e o estabelecimento da Recorrente representam insumos à atividade da Recorrente, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis no 10.833/03 e 10.637/02. Ocorre que tal matéria se encontra sumulada por este órgão julgador e cuja observância é obrigatória nos termos do art. 123, §4º, do RICARF. Trata-se da Súmula CARF nº 217, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024, com vigência em 04/10/2024, que assim dispõe: Súmula CARF nº 217 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Fl. 7751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 29 Ademais, cumpre destacar que, conforme o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 6339-6363, os fretes não têm relação com a compra de insumos. Quanto ao ponto, destaco que caso tivessem, entendo que a contribuinte faria jus ao crédito das aludidas contribuições. No entanto, nada foi referido nesse sentido no Recurso Voluntário. Pelo contrário, os julgados apresentados na peça recursal pela contribuinte fazem referência ao frete de produtos acabados. Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nessa parte. II.2.5 – Da (i)legalidade da multa e dos juros aplicados Com relação à multa e aos juros aplicados, a contribuinte alegou, em primeiro lugar, ser ilegal a incidência mensal de juros sobre a multa de ofício. Em segundo lugar, sustentou que a Selic não se presta à atualização dos créditos tributários, devendo ser aplicada a taxa de juros de 1% prevista no art. 161, §1º, do CTN. Tais matérias, no entanto, se encontram sumuladas por este órgão julgador e cuja observância é obrigatória nos termos do art. 123, §4º, do RICARF. Trata-se da Súmula CARF nº 108, aprovada pelo Pleno em 03/09/2018, e da Súmula CARF nº 4, aprovada pelo Pleno em 2006, que assim dispõem, respectivamente: Súmula CARF no 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Sendo assim, entendo que não assiste razão à Recorrente. Em terceiro lugar, a contribuinte aduziu que a multa de 75% deveria ser reduzida e readequada para um patamar que observasse os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tal argumento não merece conhecimento. Isso porque para a aplicação dos princípios citados, com o consequente afastamento da regra legitimamente positivada, só seria possível mediante declaração de inconstitucionalidade. Contudo, tal matéria se reserva, no ordenamento jurídico brasileiro, ao poder judiciário, sendo vedado às instâncias do julgamento administrativo fiscal, conforme já sumulado por este E. Conselho Administrativo - Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, não conheço do Recurso Voluntário nessa parte. Fl. 7752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.655 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16095.720028/2016-61 30 III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por (i) não conhecer do Recurso Ofício, uma vez que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 17/01/2023; e (ii) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação relativa à redução da multa de 75%, com base nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para desconstituir o crédito tributário objeto do item 2.1.2 do TVF (referente à tributação monofásica), bem como para reverter a glosa de crédito presumido sobre os medicamentos compreendidos na lista positiva de 2011/2012, de acordo com o Anexo II – Ofício 746/2022/SEI/SCMED/GADIP/ANVISA. Assinado Digitalmente Louise Lerina Fialho Fl. 7753DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10855.723294/2019-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando o lançamento e os atos processuais são praticados por autoridade competente, com observância das formalidades essenciais, motivação suficiente e plena garantia do contraditório e da ampla defesa, inexiste nulidade a ser declarada. A exigência constitucional de fundamentação não impõe o exame pormenorizado de todas as alegações. Preliminar de nulidade rejeitada. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL EXPRESSA. É válida a utilização, no processo administrativo fiscal, de provas produzidas na esfera penal, desde que submetidas ao contraditório e obtidas por meios lícitos. Constitui prova lícita o acervo probatório compartilhado com a Receita Federal por expressa autorização judicial, em procedimento formalmente instaurado, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inexistente quebra clandestina de sigilo ou irregularidade no intercâmbio de informações, não há nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE ECONÔMICO. FRAUDE NA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. NEXO CAUSAL COM O ILÍCITO. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN exige interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, não se caracterizando por mero interesse econômico. Demonstrada, porém, a atuação coordenada e consciente dos recorrentes em complexa estrutura fraudulenta destinada à utilização indevida de créditos tributários, com nexo causal direto entre as condutas praticadas e o ilícito tributário, resta configurado o interesse jurídico comum apto a justificar a sujeição passiva solidária. ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. INAPLICABILIDADE. EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O início regular do procedimento fiscal, formalmente cientificado ao sujeito passivo, afasta a espontaneidade, tornando ineficazes as declarações prestadas posteriormente para fins de exclusão da multa de ofício. Não se configura denúncia espontânea quando a comunicação da infração e a prestação das informações ocorrem após o início da ação fiscal, tampouco quando os tributos sujeitos a lançamento por homologação foram declarados com valores zerados, sendo o crédito constituído de ofício. Inaplicável o art. 138 do CTN. MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA MAJORADA DE 100%. REOTRATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, c, CTN). APLICAÇÃO Restando comprovadas as hipóteses normativas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, faz-se aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. A modificação inserta no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 14.689/23, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração.
Numero da decisão: 3003-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani por intempestividade e conhecer dos demais recursos voluntários para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para redução da multa aplicada ao patamares estabelecidos pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 14.689/2023, em razão da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente)
Nome do relator: ALEXANDRE FREITAS COSTA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando o lançamento e os atos processuais são praticados por autoridade competente, com observância das formalidades essenciais, motivação suficiente e plena garantia do contraditório e da ampla defesa, inexiste nulidade a ser declarada. A exigência constitucional de fundamentação não impõe o exame pormenorizado de todas as alegações. Preliminar de nulidade rejeitada. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL EXPRESSA. É válida a utilização, no processo administrativo fiscal, de provas produzidas na esfera penal, desde que submetidas ao contraditório e obtidas por meios lícitos. Constitui prova lícita o acervo probatório compartilhado com a Receita Federal por expressa autorização judicial, em procedimento formalmente instaurado, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inexistente quebra clandestina de sigilo ou irregularidade no intercâmbio de informações, não há nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE ECONÔMICO. FRAUDE NA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. NEXO CAUSAL COM O ILÍCITO. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN exige interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, não se caracterizando por mero interesse econômico. Demonstrada, porém, a atuação coordenada e consciente dos recorrentes em complexa estrutura fraudulenta destinada à utilização indevida de créditos tributários, com nexo causal direto entre as condutas praticadas e o ilícito tributário, resta configurado o interesse jurídico comum apto a justificar a sujeição passiva solidária. ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. INAPLICABILIDADE. EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O início regular do procedimento fiscal, formalmente cientificado ao sujeito passivo, afasta a espontaneidade, tornando ineficazes as declarações prestadas posteriormente para fins de exclusão da multa de ofício. Não se configura denúncia espontânea quando a comunicação da infração e a prestação das informações ocorrem após o início da ação fiscal, tampouco quando os tributos sujeitos a lançamento por homologação foram declarados com valores zerados, sendo o crédito constituído de ofício. Inaplicável o art. 138 do CTN. MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA MAJORADA DE 100%. REOTRATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, c, CTN). APLICAÇÃO Restando comprovadas as hipóteses normativas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, faz-se aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. A modificação inserta no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 14.689/23, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani por intempestividade e conhecer dos demais recursos voluntários para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para redução da multa aplicada ao patamares estabelecidos pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 14.689/2023, em razão da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente)

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INOCORRÊNCIA. ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Quando o lançamento e os atos processuais são praticados por autoridade competente, com observância das formalidades essenciais, motivação suficiente e plena garantia do contraditório e da ampla defesa, inexiste nulidade a ser declarada. A exigência constitucional de fundamentação não impõe o exame pormenorizado de todas as alegações. Preliminar de nulidade rejeitada. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL EXPRESSA. É válida a utilização, no processo administrativo fiscal, de provas produzidas na esfera penal, desde que submetidas ao contraditório e obtidas por meios lícitos. Constitui prova lícita o acervo probatório compartilhado com a Receita Federal por expressa autorização judicial, em procedimento formalmente instaurado, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Inexistente quebra clandestina de sigilo ou irregularidade no intercâmbio de informações, não há nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE ECONÔMICO. FRAUDE NA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. NEXO CAUSAL COM O ILÍCITO. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN exige interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, não se caracterizando por mero interesse econômico. Demonstrada, porém, a atuação coordenada e consciente dos recorrentes em complexa estrutura Fl. 4049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 2 fraudulenta destinada à utilização indevida de créditos tributários, com nexo causal direto entre as condutas praticadas e o ilícito tributário, resta configurado o interesse jurídico comum apto a justificar a sujeição passiva solidária. ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. INAPLICABILIDADE. EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O início regular do procedimento fiscal, formalmente cientificado ao sujeito passivo, afasta a espontaneidade, tornando ineficazes as declarações prestadas posteriormente para fins de exclusão da multa de ofício. Não se configura denúncia espontânea quando a comunicação da infração e a prestação das informações ocorrem após o início da ação fiscal, tampouco quando os tributos sujeitos a lançamento por homologação foram declarados com valores zerados, sendo o crédito constituído de ofício. Inaplicável o art. 138 do CTN. MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA MAJORADA DE 100%. REOTRATIVIDADE BENIGNA (ART. 106, II, c, CTN). APLICAÇÃO Restando comprovadas as hipóteses normativas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, faz-se aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. A modificação inserta no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 14.689/23, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani por intempestividade e conhecer dos demais recursos voluntários para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para redução da multa aplicada ao patamares estabelecidos pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 14.689/2023, em razão da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Fl. 4050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 3 Alexandre Freitas Costa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba que julgou parcialmente improcedente a impugnação do sujeito passivo. O Acórdão n.º 06-70.310 (fls. 3.235/3.307) apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/07/2015 a 30/04/2017 NULIDADE. Somente são nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins informado na Escrituração Contábil Digital e não declarado em DCTF. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização a conduta dolosa requerida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se manter a multa de ofício de 150% prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIOS. Os mandatários da pessoa jurídica são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes das obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Fl. 4051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. São solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2015 a 30/04/2017 NULIDADE. Somente são nulos os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins informado na Escrituração Contábil Digital e não declarado em DCTF. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização a conduta dolosa requerida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se manter a multa de ofício de 150% prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIOS. Os mandatários da pessoa jurídica são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes das obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. São solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Por bem resumir os fatos, sirvo-me do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins referentes aos períodos de apuração de julho, novembro e dezembro de 2015, janeiro a dezembro de 2016 e janeiro a abril de 2017, lavrados em 08/11/2019, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP, no montante de R$ 1.439.058,12, conforme a descrição abaixo: - Contribuição para o PIS/PASEP, com o crédito tributário no valor total de R$ 257.599,66, sendo R$ 93.116,44 de contribuição, R$ 24.808,61 de juros de mora e R$ 139.674,61 de multa de ofício, aplicada no percentual de 150% sobre o valor da contribuição, e - Cofins, com o crédito tributário no valor total de R$ Fl. 4052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 5 1.181.458,46, sendo R$ 427.087,24 de contribuição, R$ 113.740,41 de juros de mora e R$ 640.630,81 de multa de ofício, aplicada no percentual de 150% sobre o valor da contribuição. Em conformidade com o disposto nos Autos de Infração e no Relatório Fiscal (fls. 793/839), os créditos tributários acima são resultantes de ação fiscal (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF nº 0811000.2019.00340-2) desenvolvida junto à contribuinte, na qual foi verificada a insuficiência de recolhimentos de tributos. Ressalte-se que a multa de ofício aplicada foi a qualificada, ou seja, multa no percentual de 150% prevista no inciso I, §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. No caso, a fiscalização sustenta que os fatos apurados configuram hipótese de fraude, conforme dispõe o artigo 72 da Lei nº 4.502/64, uma vez que o sujeito passivo procedeu de forma dolosa a indevida e ilegal compensação dos tributos apurados e omitiu os seus débitos perante o fisco. Acrescenta a fiscalização que houve autuações segregadas, em razão de que no curso da ação fiscal, por meio da análise comparativa entre os valores da contribuição para o PIS e a Cofins apurados na Escrituração Fiscal e os valores declarados em DCTF, foi constatado que parte dos débitos foi objeto de compensação fraudulenta com títulos públicos inidôneo e não declarados em DCTF e parte dos débitos não foi pago e não declarados na DCTF. No item 51.1, alerta a fiscalização que os lançamentos objetos dos Autos de Infração ora analisados são dos débitos não declarados em DCTF e compensados com títulos inidôneos da Secretaria do Tesouro Nacional – STN. Consta também do Relatório Fiscal o compartilhamento de documentos com a RFB, autorizados judicialmente, apreendidos na operação denominada Fake Money, iniciada em setembro de 2018, que deflagrou um esquema bilionário de fraude de documentos públicos. Da análise de alguns documentos compartilhados verificou a fiscalização a existência de documentos que demonstraram o envolvimento da empresa autuada, bem como outras pessoas físicas e jurídicas no operação de compensação de créditos inidôneos da STN com débitos tributários. Em função das provas juntadas aos autos e de sua respectiva análise, a fiscalização enquadrou como responsáveis solidários, nos termos previstos no art. 135, da Lei nº 5.712, de 1966 (CTN), inciso III, o sócio-administrador da empresa Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários - Eireli, Diogo Cândido de Melo e Souza, CPF nº 009.209.876-21, e no inciso II do mesmo artigo, a empresa Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli, CNPJ nº 57.787.087/0001-06, e Elmo Donizzetti Pimenta, CPF nº 272.482.268-40 (responsável pela empresa Alpha One Administração e Gestão de Ativos). Ainda, com fulcro no inciso I, do art. 124 do CTN, enquadrou como responsáveis solidárias as pessoas físicas e jurídicas a seguir relacionadas, por terem Fl. 4053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 6 participado ativamente das operações fraudulentas e recebido vantagem financeira advinda da repartição dos pagamentos efetuados pela Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários - Eireli:  Paulo Brunetti e Advogados Associados ME, CNPJ 08.215.053/0001-31;  Paulo Roberto Brunetti, CPF nº 080.810.208-70, sócio administrador da empresa Paulo Brunetti e Advogados Associados;  Igaratec Participação e Consultoria Ltda, CNPJ nº 69.127.041/0001-40;  Vicente Lauriano Filho, CPF nº 980.901.278-00 (sócio administrador das empresas Micronel Empreendimentos Imobiliários Ltda e Igaratec Participação e Consultoria Ltda);  Appex Consultoria Tributária Eireli, CNPJ 15.511.847/0001-08;  Cesar Sousa Botelho, CPF nº 277.450.008-74 (sócio responsável pela Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda, CNPJ nº 72.868.896/0001- 36;  Luiz Gonzaga Borim, CPF nº 017.889.848-11 (sócio-administrador da empresa Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda);  Roberto Rocha Villani, CPF nº 121.473.608-48 (sócio-administrador da empresa Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda);  Luiz Roberto Villani Borim, CPF 357.573.568-98 (sócio-administrador da empresa Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda);  J.E. Feracini Representações Comerciais Ltda, CNPJ 09.230.080/0001-46;  José Ernesto Damiance Feracini, CPF 165.553.328-24 (sócio-administrador da empresa JE Feracini Representações Comerciais Ltda);  Ariovaldo Cesar Júnior, CPF 441.057.038-20 (administrador da extinta sociedade Cesar Junior Sociedade de Advogados, CNPJ 12.543.600/0001- 85);  Lílian Coqui, CPF 176.052.468-97;  Hermínio Sanches Filho, CPF nº 202.639.438-52. A empresa autuada, Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários Eireli, e seu sócio-administrador Diogo Cândido de Melo e Souza, regularmente cientificados dos Autos de Infração referentes à contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, por meio de edital, em 12/12/2019, não impugnaram o presente lançamento. Fl. 4054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 7 Da mesma forma, Hermínio Sanches Filho, colocado pela fiscalização como responsável solidário, regularmente cientificado por meio de edital em 12/12/2019, não apresentou a respectiva impugnação. De outro lado, os responsáveis solidários, Paulo Brunetti e Advogados Associados ME, Paulo Roberto Brunetti, Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda, Luiz Gonzaga Borim, Roberto Rocha Villani, Appex Consultoria Tributária Eireli, César Sousa Botelho, J.E. Feracini Representações Comerciais Ltda, José Ernesto Damiance Feracini, Vicente Lauriano Filho, Igaratec Participação e Consultoria Ltda, Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli, Elmo Donizzetti Pimenta, regularmente cientificados, apresentaram, tempestivamente, as impugnações, com conteúdos idênticos, que serão abaixo resumidos. Da Nulidade Absoluta na Construção do Lançamento A empresa Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli (CNPJ 57.787.087/0001-06) e Elmo Donizetti Pimenta (CPF 272.482.268-40), No tópico Da Nulidade Absoluta na Construção do Lançamento – Artigo 142, do CTN – Matéria Tributável – Frente aos Impugnantes – Sujeitos Passivos Indiretos – Responsabilidade Solidária, requerem a nulidade, haja vista não saber sobre qual tipificação se defenderão pois foram responsabilizados ora pelo inciso II ora pelo inciso III do artigo 135 do CTN. Dessa forma, asseveram que os dois enquadramentos legais que determinam a matéria tributável (art. 142, do CTN) configuram patente nulidade, diante dos princípios consagrados da ampla defesa e do contraditório. Defendem a nulidade absoluta na construção do lançamento por erro quanto à matéria tributável e a consequente ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Os demais impugnantes também alegam a nulidade em tópico idêntico, haja vista não saberem sobre qual tipificação se defenderão pois foram responsabilizados ora pelo artigo 124, I, ora pelo artigo 135, II, ambos do CTN. Dessa forma, asseveram que os dois enquadramentos legais que determinam a matéria tributável (art. 142, do CTN) configuram patente nulidade, diante dos princípios consagrados da ampla defesa e do contraditório. Defendem a nulidade absoluta na construção do lançamento por erro quanto à matéria tributável e a consequente ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Da Incompatibilidade da Aplicação da Multa do Artigo 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96 c/c Artigo 18, § 2º da Lei nº 11.488/2007 No item, Da Incompatibilidade do Caso em Particular da Aplicação da Multa da Lei 9.430/96 do artigo 44, I, §1º c/c Artigo 18, § 2º da Lei 11.488/2007 – 150% - Uma vez que a Empresa Noroeixo não se valeu de Compensação Tributária, baseados na legislação tributária que citam e transcrevem, as impugnantes explicam que a empresa Noroeixo “ao promover seu pleito de extinção da obrigação tributária pelo pagamento (art. 6º, da Lei 10.179/2001) dos seus tributos (objetos deste lançamento de ofício) vinculados ao sistema SIAFI (Portaria 913/2002) – junto ao Fl. 4055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 8 STN – através dos “Comprot” retroreferidos (neste sentido: vide protocolos junto ao STN – acostados nestes autos administrativos) - além disso no mesmo ato passou através do Processo Administrativo nº 13811.726.153/2014-91 – a confessar integralmente suas obrigações acessórias em substituição das obrigações acessórias das DCTFs junto a RFB – promovendo a denúncia espontânea ao supracitado PAF.” Defendem que a empresa autuada em momento algum promoveu qualquer espécie de compensação tributária, não sendo cabível a multa de ofício dobrada (150%), visto que ela se aplica somente a eventuais compensações não declaradas, procedimento que não se enquadra no caso em particular. Da Declaração de Todas as Receitas Auferidas e a Confissão dos Tributos através do Sped-Fiscal-ECF/ECD. Da Multa pelo Descumprimento de Obrigação Acessória A seguir, no tópico Da Declaração de Todas as Receitas Auferidas e a Confissão dos Tributos através do Sped-Fiscal-ECF/ECD. Da Multa pelo Descumprimento de Obrigação Acessória – Norma Especial, entendem os impugnantes que a empresa Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários Eireli confessou os tributos deste lançamento de ofício por meio da entrega das obrigações fiscais SPED-FISCAL- ECF/ECD, não havendo que se falar em sonegação ou redução de tributos restando descabida a multa no percentual de 150%. Defendem que os pagamentos para extinção das obrigações tributárias junto ao STN não surtiram os efeitos almejados e, por conseguinte, eventual multa pelo descumprimento de obrigação acessória, se existente, subsume-se à regra especial prevista no art. 7º, I, § 6º da Lei nº 10.426/2002 c/c a Lei nº 11.051/2004, bem como as IN-SRF nº 1599/2015 e a IN-RFB nº 1787/2018. Do Direito à Reaquisição da Espontaneidade da Empresa Autuada Noroeixo No tópico Do Direito a Reaquisição da Espontâniedade da Empresa Autuada Noroeixo, alegam primordialmente que as DCTF apresentadas pela Noroeixo devem ser recepcionadas uma vez que a empresa readquiriu a espontaneidade em 04/07/2019 porquanto não houve intimação de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal dentro do prazo temporal de sessenta dias. Citam e transcrevem jurisprudência do CARF. Do Afastamento das Alegações da Fiscalização da Ilegalidade dos Créditos de Titularidade da Empresa Noroeixo – Ativos Financeiros E, no item Do Afastamento das Alegações da Fiscalização da Ilegalidade dos Créditos de Titularidade da Empresa Noroeixo – Ativos Financeiros, fazem um arrazoado por meio do qual sustentam a imprescritibilidade dos títulos externos abrangidos pelo DL nº 6019/43, cujo resgate e pagamento junto aos seus credores tem previsão no SIAFI, e que a União Federal deverá pagá-los com os acréscimos legais. Nesse compasso, esclarece que eventual prescrição é a perda do direito e não objeto ilícito como quer fazer crer a fiscalização que descreve um cenário “dantesco” – “espetaculoso” – “pirotécnico” – “ardiloso”, pois dívida que se encontra no orçamento da União não pode ser considerada pelos agentes fiscais Fl. 4056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 9 como créditos financeiros prescritos ou ilícitos, visto que a fiscalização não detém competência derivada para decidir sobre a matéria. Das Alegações a Respeito da Operação Fake Money – Nenhuma Relação com os Fatos Geradores Objetos Deste Lançamento de Ofício com Imposição de Multa Qualificada – Prova Emprestada e Compartilhada Sem Autorização da Justiça para fins de Utilização Junto a Fiscalização – Provas Ilícitas Utilizadas pela Fiscalização, Os Limites e Extensão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF No item, Das Alegações a Respeito da Operação Fake Money – Nenhuma Relação com os Fatos Geradores Objetos Deste Lançamento de Ofício com Imposição de Multa Qualificada – Prova Emprestada e Compartilhada Sem Autorização da Justiça para fins de Utilização Junto a Fiscalização – Provas Ilícitas Utilizadas pela Fiscalização, Os Limites e Extensão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, sustentam que não é lícito a fiscalização compartilhar dados e informações de “provas” sem autorização judicial. “Portanto, a Fiscalização ao utilizar e compartilhar tais provas acostadas nos autos sem a devida autorização judicial para fins de responsabilizar terceiros como sujeitos passivos indiretos, de forma solidária, nos termos do art. 124, I, 135, II do CTN, agiu de forma ilícita e em total abuso de autoridade, pelas quais referidas provas colhidas e utilizadas neste lançamento de ofício devem ser desconsideradas por completo e assim tornando o lançamento nulo.” Da Multa Isolada Qualificada Aplicada e da Representação Fiscal Para Fins Penais e o Devido Afastamento e Da Alegação de Fraude e conduta Dolosa para Configurar a Multa Isolada e, consequentemente, o Crime Contra a Ordem Tributária Nos tópicos Da Multa Isolada Qualificada Aplicada e da Representação Fiscal Para Fins Penais e o Devido Afastamento e Da Alegação de Fraude e conduta Dolosa para Configurar a Multa Isolada e, consequentemente, o Crime Contra a Ordem Tributária, expõem que, em caso de permanência do auto de infração, bem como da responsabilidade tributária, é descabida a multa de 150%, porque não há caracterização de fraude, simulação ou até mesmo má-fé. Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes A empresa Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli (CNPJ 57.787.087/0001-06) e Elmo Donizetti Pimenta (CPF 272.482.268-40) no tópico Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (135, II, III, do CTN) em Razão do Vínculo Contratual – Cessão de Créditos Financeiros da Alpha One para com a Empresa Noroeixo esclarecem, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, visto que a procuração outorgada pela empresa Noroeixo para a empresa Alpha One é “ad judicia” – com fins específicos para atuação judicial – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária em decorrência do artigo 135, II, do CTN. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso III do art. 135 do CTN, Fl. 4057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 10 explicam que nunca exerceram a gerência, diretoria ou qualquer função de representação da empresa Noroeixo e, dessa forma, não possuem nenhum qualificador para configuração da responsabilidade solidária prevista no art. 135 do CTN. Paulo Brunetti & Advogados Associados - CNPJ 08.215.053/0001-31 e Paulo Roberto Brunetti - CPF 080.810.208-70 (sócio administrador da empresa Paulo Brunetti e Advogados Associados), alegam, em síntese, no tópico Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (124, I c/c 135, II, CTN) em Razão do Vínculo Contratual Outrora Existente entre a Empresa Micronel e a Empresa Alpha One, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, muito menos da empresa Alpha One – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN, explicam que “o simples fato da empresa Micronel estabelecer uma ‘Sociedade em Conta de Participação – SCP’ com a empresa Alpha One para receber valores ‘participações financeiras – divisão de lucros – com origem no contrato de compra e venda – datado de 03/02/2014’ - não gera a responsabilidade tributária prevista no artigo 124, I, do CTN – com a empresa Noroeixo – pois nem a empresa Micronel e muito menos os Impugnantes participaram da formação dos fatos geradores objetos deste lançamento, e muito menos deram qualquer tipo de assessoria ou consultoria a supracitada empresa Noroeixo ou Alpha One – frutos de presunções e ficções da Fiscalização.” Justificam que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não comprovada no caso presente. A empresa Igaratec Participação e Consultoria Ltda (CNPJ 69.127.041/0001-40) e o sócio Vicente Lauriano Filho (CPF 980.901.278-00) alegam no tópico Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (124, I c/c 135, II, CTN) em Razão do Vínculo Contratual (SCP) Outrora Existente entre a Empresa Micronel e a Empresa Alpha One, bem como entre eles e a empresa Alpha One, esclarecem, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, muito menos da empresa Alpha One – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN, explicam que “o simples fato da empresa Micronel e a empresa Igaratec estabelecerem uma ‘Sociedade em Conta de Participação – SCP' – com a empresa Alpha One para receber valores ‘participações financeiras – divisão de lucros – a primeira com origem no contrato de compra e venda – datado de 03/02/2014’, a segunda pela prestação e intermediação de vendas 'clientes' não gera a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN – com a empresa Noroeixo – pois nem a Fl. 4058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 11 empresa Micronel e a empresa Igaratec e seus sócios participaram da formação dos fatos geradores objetos deste lançamento, e muito menos deram qualquer tipo de assessoria ou consultoria a supracitada empresa Noroeixo ou Alpha One – frutos de presunções e ficções da Fiscalização.” Justificam que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não evidenciada no presente caso. A empresa Appex Consultoria Tributária Ltda (CNPJ 15.511.847/0001-08) e o sócio César de Souza Botelho (CPF 277.450.008-74) no tópico Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (124, I c/c 135, II, CTN) em Razão do Vínculo Contratual (SCP) Outrora Existente entre a Empresa Appex e a Empresa Alpha One, esclarecem, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, muito menos da empresa Alpha One – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN, explicam que “o simples fato da empresa Appex e seu sócio César Botelho receber comissões pela prestação de serviços de captação e intermediação de clientes (Noroeixo) para a empresa Alpha One, cuja divisão de lucros eram realizadas pela empresa Alpha Business SPE – empresa com fins especifico – sociedade em conta de participação – SCP – itens do Relatório Fiscal 117-118 – ‘divisão de lucros’ – não gera a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN – com a empresa Noroeixo – pois os Impugnantes não participaram da formação dos fatos geradores objetos deste lançamento, e muito menos deram qualquer tipo de assessoria ou consultoria a supracitada empresa Noroeixo – frutos de presunções e ficções da Fiscalização.” Justificam que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não comprovada no caso presente. A empresa Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda (CNPJ 72.868.896/0001-36) e os sócios Luiz Gonzaga Borim (CPF 017.889.484-11), Roberto Rocha Villani (CPF 121.473.608-48) e Luiz Roberto Villani Borim (CPF 357.573.568-98) no tópico, Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (124, I c/c 135, II, CTN) em Razão do Vínculo Contratual (SCP) Outrora Existente entre a Empresa Borim Associados e a Empresa Alpha One, esclarecem, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, muito menos da empresa Alpha One – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN, explicam que “o simples fato da empresa Borim Associados (e seus sócios) prestar serviço de Fl. 4059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 12 captação e intermediação de clientes para a empresa Alpha One, sendo um dos clientes a empresa Noroeixo, e para receber pela supracitada prestação de serviços formalizaram uma sociedade em conta de participação – SCP – itens do Relatório Fiscal 119-122 – ‘divisão de lucros’ – não gera a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN – com a empresa Noroeixo – pois os Impugnantes não participaram da formação dos fatos geradores objetos deste lançamento, e muito menos deram qualquer tipo de assessoria ou consultoria a supracitada empresa Noroeixo ou Alpha One – frutos de presunções e ficções da Fiscalização.” Justificam que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não comprovada no caso presente. A empresa J.E Feracini Representações Comerciais Ltda (CNPJ 09.230.080/0001- 46) e o sócio José Ernesto Damiance Feracini (CPF 165.553.328-24) no item Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária dos Impugnantes (124, I c/c 135, II, CTN) em Razão do Vínculo Contratual (SCP) Outrora Existente entre a Empresa J.E. Feracini e a Empresa Alpha One, esclarecem, em relação à responsabilidade solidária prevista no inciso II do art, 135 do CTN, que nunca foram mandatários, prepostos ou empregados da empresa Noroeixo, muito menos da empresa Alpha One – razão pela qual fica patentemente afastada a supracitada responsabilidade solidária. E quanto à responsabilidade solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN, explicam que “o simples fato da empresa J.E. Feracini (e seu sócio) prestar serviço de captação e intermediação de clientes para a empresa Alpha One, sendo um dos clientes a empresa Noroeixo, e para receber pela supracitada prestação de serviços formalizaram uma sociedade em conta de participação – SCP – itens do Relatório Fiscal 119-122 – ‘divisão de lucros’ – não gera a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN – com a empresa Noroeixo – pois os Impugnantes não participaram da formação dos fatos geradores objetos deste lançamento, e muito menos deram qualquer tipo de assessoria ou consultoria a supracitada empresa Noroeixo ou Alpha One – frutos de presunções e ficções da Fiscalização.” Justificam que somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum nos lançamentos fiscais se a autoridade fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não comprovada no caso presente. Na sequência, serão resumidas, separadamente, as impugnações de Ariovaldo Cesar Júnior e Lilian Coqui. Impugnação de Ariovaldo César Junior (CPF 441.057.038-20) Ariovaldo César Junior, sócio-administrador da extinta sociedade César Junior Sociedade de Advogados, alega, em síntese, que não existem elementos nos autos Fl. 4060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 13 para a imputação da Responsabilidade Solidária prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Inicialmente trata da tempestividade do recurso apresentado para, em seguida, no tópico 2. Síntese dos Fatos e do Lançamento, efetuar a síntese dos fatos, conforme relatado no Relatório Fiscal. Explica que a atribuição de responsabilidade solidária se deu pela alegação da autoridade fiscalizadora da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nos termos do art. 135, inciso III, na condição de administrador da extinta empresa César Junior Sociedade de Advogados, que era inscrita no CNPJ sob o nº 12.543.600/0001-85. Sustenta, contudo, que nem ele (na condição de administrador da já extinta sociedade) nem a sociedade de advogados tiveram participação no esquema de sonegação fiscal que relata a RFB, sendo que não é possível sequer identificar nos autos de que forma os impugnantes participaram do esquema de sonegação. A seguir, passa a tecer considerações sobre as suas atuações, explicando que foi agente fiscal de rendas do Estado de São Paulo e, após a aposentadoria, abriu seu escritório jurídico. Quanto ao mérito, no sub-tópico 4.A) Da Justificativa que ensejou a responsabilização deste Impugnante Segundo o Auditor da Receita Federal do Brasil, diz que a justificativa apresentada para a inclusão deste impugnante seria somente o interesse econômico. Não descreve as condutas realizadas, as quais contribuíram para as ações descritas no Relatório Fiscal. Assevera que o trabalho exercido restringia-se a defesas técnicas administrativas, sem jamais receber dinheiro ou exercer qualquer função gerencial, quer administrativa ou financeira para a devedora principal, muito menos pela empresa cedente que originou o AIIM ora combatido. Cita jurisprudência no sentido de que o interesse comum deve derivar de um conceito jurídico, e não mero circuito econômico, a invocar o vínculo obrigacional do direito entre as partes (contribuinte e responsável) para o cumprimento da aludida regra do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional.” No sub-tópico seguinte, 4.B) Da ausência de Responsabilidade da Cesar Junior Sociedade de Advogados e Pessoal do Impugnante, expõe que sua responsabilização decorre do encerramento da “Cesar Junior – Sociedade de Advogados”, na qual exerceu o cargo de sócio administrador. Alega que não há mínima descrição de como e qual seria a participação da Cesar Junior e qual seu interesse na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Diz que a RFB não pode fazer julgamento de participação de terceiras pessoas em suposta sonegação fiscal sem o mínimo probatório e descrição da participação no conluio. Cita e transcreve farta jurisprudência sobre o tema. Tendo em vista o exposto, requer que seja integralmente acolhida a presente impugnação a fim de que seja julgado insubsistente o Auto de Infração, afastando, portanto, a atribuição de responsabilidade da extinta empresa César Junior – Sociedade de Advogados e a responsabilidade pessoal da impugnante. Protesta Fl. 4061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 14 pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada, nos termos do artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Impugnação de Lilian Coqui (CPF 176.052.468-97) Lilian Coqui, advogada, inscrita no CPF 176.052.468-97, alega, em síntese, que não existem elementos nos autos para a imputação da Responsabilidade Solidária prevista no inciso II, do art 135 ou no inciso I do art. 124 do CTN. Diz que na qualidade de advogada foi contratada pela empresa Alpha One única e exclusivamente para fazer a análise dos contratos de cessão de créditos, notificações e distratos, mediante o recebimento de 0,33% do lucro líquido por meio de uma sociedade em conta de participação. Sustenta que não tinha qualquer contato com os representantes das empresas que contratavam com a Alpha One ou participou de reuniões com referidos representantes. Explica que recebia os contratos de cessão já devidamente assinados e preenchidos e sua função era “fazer a leitura dos referidos contratos para verificar se havia sido feita alguma alteração na minuta e se as empresas haviam mandado todos os documentos solicitados.” Esclarece que, da mesma forma que os clientes, acreditava que os créditos cedidos aos clientes eram válidos, pois a informação que era passada é que esses créditos constavam na previsão orçamentária da União e que os títulos que lastreavam os créditos não estavam prescritos, segundo Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Relata que não teve qualquer acesso aos referidos títulos ou demais documentos enviados à Secretaria do Tesouro Nacional e que apenas conferia os contatos de cessão que já chegavam impressos e assinados enviando todo o material ao setor administrativo que, por sua vez, tomaria as providências necessárias perante a Secretaria do Tesouro Nacional. Defende que não é possível que seja responsabilizada subsidiariamente por tributos de uma empresa que não tem qualquer vínculo e sob a alegação de interesse comum apenas pelo fato de ter recebido percentual unicamente para desenvolver as atividades advocatícias especifica para a empresa Alpha One, na qual desenvolveu suas atividades até 30 de setembro de 2016, período não abrangido pela Auto de Infração. Nesse sentido, reafirma que a responsabilização solidária é insustentável e inadmissível e deve ser afastada. A seguir, no tópico Da Preliminar – Ilegitimidade Passiva, argumenta que não cometeu nenhum ilícito e jamais participou de “qualquer trama para enganar clientes ou empresas”. Frisa que a forma de remuneração e o percentual de 0,33% foram estabelecidos pela Alpha One e por essa razão consta na planilha juntada aos autos no Relatório Fiscal que era identificada pela sigla A4”. Porém, isso não significa que tenha cometido qualquer ilícito ou que tenha participado de qualquer fraude aos cofres públicos. Destaca que é inegável sua ilegitimidade passiva, tendo em vista que não praticou nenhum ato contrário à lei, previsto no artigo 135, II, do CTN, bem como em razão da falta de comprovação do interesse Fl. 4062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 15 comum previsto no artigo 124, I, do CTN, devendo ser afastada sua responsabilidade tributária, tanto solidária quanto pessoal. No item “Da Não Caracterização da Responsabilidade Solidária – A Simples Alegação de Interesse Comum”, reafirma que não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no artigo 124, inciso I, do CTN. O mero interesse econômico sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário não pode caracterizar a responsabilidade tributária. Cita e transcreve trechos de julgamentos do CARF bem como a doutrina no sentido de corroborar suas afirmações. Conclui que não há nenhuma evidência nos autos de que tenha agido de forma fraudulenta ou dolosa, praticando atos com excesso de poderes ou violação à lei, contrato social ou estatuto, até porque não tinha qualquer poder de ingerência sobre as empresas mencionadas no auto de infração, não tendo qualquer domínio das atividades ou decisões tomadas pelos efetivos controladores dessas empresas não havendo nos autos qualquer indício de sua participação no comando das operações realizadas, razão pela qual deve ser afastada a responsabilidade solidária e pessoal pelos créditos constituídos contra a empresa autuada. Diante do exposto, requerem as impugnantes, em síntese, que seja julgado improcedente a responsabilização solidária, dando provimento aos recursos. A empresa Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários e seu sócio administrador não impugnaram o lançamento tributário, tampouco apresentaram recurso voluntário. A decisão recorrida julgou procedente em parte as Impugnações, para indeferir a preliminar de nulidade, afastar a responsabilidade solidária atribuída a Ariovaldo Cesar Junior, CPF nº 441.057.038-20, manter a responsabilidade solidária atribuída a Paulo Brunetti e Advogados Associados ME, Paulo Roberto Brunetti, Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda, Luiz Gonzaga Borim, Roberto Rocha Villani, Luiz Roberto Villani Borim, Appex Consultoria Tributária Eireli, César Sousa Botelho, J.E. Feracini Representações Comerciais Ltda, José Ernesto Damiance Feracini, Vicente Lauriano Filho, Igaratec Participação e Consultoria Ltda, Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli, Elmo Donizzetti Pimenta e Lílian Coqui, bem como manter integralmente os créditos tributários exigidos, com as respectivas multas de ofício e juros de mora. Apresentaram Recurso Voluntário:  Alpha One Administração e Gestão De Ativos  Appex Consultoria Tributária – Eireli Fl. 4063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 16  Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda  Cesar Sousa Botelho  Elmo Donizetti Pimenta  José Ernesto Damiance Ferracini  J.E. Ferracini Representações  Lilian Coqui  Luiz Gonzaga Borim  Luiz Roberto Villani Borim  Paulo Brunetti & Advogados Associados  Paulo Roberto Brunetti  Roberto Rocha Villani Ainda que apresentados em peças separadas, os recursos fundamentam-se em quatro pilares jurídicos: (1) a interpretação estrita do conceito de "interesse comum" do Art. 124 do CTN, que exige vínculo jurídico e não meramente econômico; (2) a necessidade de comprovação de dolo para a aplicação da multa qualificada, o qual seria afastado pela própria confissão do contribuinte em suas declarações; (3) a preclusão do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício após a confissão espontânea do débito; e (4) a violação de princípios basilares do direito administrativo, como legalidade e objetividade, na atribuição da responsabilidade a terceiros. Ao final requerem seja afastada a responsabilidade solidária dos recorrentes; declarada a desconstituição do crédito tributário em face deles; e declarado que a exigibilidade da dívida tributária seja exclusiva da empresa NOROEIXO. É o relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Freitas Costa, Relator I - TEMPESTIVIDADE Fl. 4064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 17 Em preliminar cabível o exame da tempestividade dos recursos voluntários interpostos por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani. Estabelece o art. 33 do Decreto n.º 70.235/72 o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão para a interposição do recurso voluntário. Verifica-se às fls. 3.375 que a empresa J.E. Ferracini Representações foi intimada da decisão de primeira instância em 26/10/2020, tendo apresentado seu recurso voluntário, após findo o prazo legal, em 06/01/2021, conforme envelope de postagem acostado às fls. 3.874. Luiz Gonzaga Borim foi intimado da decisão de primeira instância em 06/12/2020 (fls. 3.388), tendo interposto seu recurso voluntário, também após extinto o prazo legal, em 07/01/2021, conforme envelope de postagem de fls. 3.929. O recurso voluntário de Roberto Rocha Vilani foi interposto em 07/01/2021, conforme envelope de postagem de fls. 4.045, tendo ele sido notificado da decisão de primeira instância em 06/12/2020 (fls. 3.384). Portanto neste caso também não foi observado o prazo legal. Desta forma, deixo de conhecer, por intempestividade, dos recursos voluntários apresentados por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani. Quanto aos recursos apresentados por Alpha One Administração e Gestão de Ativos, Appex Consultoria Tributária – Eireli, Borim & Associados Consultoria e Tratamento de Reciclados Ltda, Cesar Sousa Botelho, Elmo Donizetti Pimenta, José Ernesto Damiance Ferracini, Lilian Coqui, Luiz Roberto Villani Borim, Paulo Brunetti & Advogados Associados e Paulo Roberto Brunetti, são todos tempestivos, preenchem as demais condições de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. II – PRELIMINARES a) Nulidade do auto de infração e da decisão recorrida Fl. 4065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 18 Os recorrentes suscitam preliminar de nulidade dos atos administrativos, ao argumento de violação a direitos fundamentais. A preliminar não merece acolhimento. Acerca das nulidades, estabelece o art. 59 do Decreto n.º 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, após a constatação da ocorrência da hipótese legal, com observância das formalidades essenciais, inclusive no que se refere à regular cientificação dos recorrentes, a quem foi assegurado o direito de cumprir ou impugnar o lançamento no prazo legal. A decisão de primeira instância encontra-se devidamente motivada, de forma expressa, clara e coerente, em consonância com o princípio da persuasão racional, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os recorrentes foram regularmente cientificados de todos os atos do processo. Assim, os atos administrativos praticados preenchem os requisitos legais de existência, validade e eficácia. Verifica-se, ainda, que foram integralmente observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, não se identificando qualquer cerceamento de defesa apto a ensejar nulidade. Os atos administrativos Fl. 4066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 19 encontram-se devidamente motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que embasaram as decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal. O teor da impugnação apresentada demonstra inequívoca compreensão, por parte da Recorrente, dos fatos descritos e dos enquadramentos legais adotados pela fiscalização, os quais foram regularmente enfrentados pela autoridade julgadora de primeira instância, em conformidade com o art. 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e arts. 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Constata-se, ainda, que a atuação fiscal se deu no estrito cumprimento do dever funcional, com observância das normas legais e regulamentares, bem como dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, contraditório, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999; e art. 37 da Constituição Federal). Sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, ao apreciar a Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791.292/PE, firmou entendimento no sentido de que o art. 93, IX, da Constituição Federal exige que as decisões sejam fundamentadas, ainda que sucintamente, não impondo, contudo, o exame pormenorizado de cada alegação ou prova. Tal entendimento deve ser observado no âmbito do CARF, nos termos do art. 98 do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. No mesmo sentido, dispõe o art. 489 do Código de Processo Civil que somente devem ser enfrentados os argumentos capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada pelo julgador, não estando este obrigado a rebater todos os pontos suscitados pelas partes quando já disponha de fundamentos suficientes para decidir. No caso concreto, as formas legais foram observadas, os autos encontram-se regularmente instruídos, com documentos e provas produzidas por meios lícitos. Inexistem vícios capazes de macular o lançamento ou o julgamento de primeira instância. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 4067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 20 b) Nulidade do lançamento Alegam os recorrentes ser nulo o lançamento pois se baseia em "provas emprestadas" da esfera penal sem a devida autorização judicial específica para todos os investigados. Defendem que o compartilhamento de dados fiscais sigilosos entre a Receita e o Ministério Público ocorreu de forma promíscua e clandestina, violando o Tema 990 do STF. Sustentam que as provas são nulas por derivarem de quebra de sigilo fiscal sem supervisão jurisdicional adequada. Argumenta que a ilicitude das provas penais contamina todo o lançamento fiscal. Razão não lhes assiste. No processo administrativo fiscal, no que se refere à análise do acervo fático- probatório, o julgador possui liberdade para formar sua convicção, atribuindo valor aos elementos constantes dos autos, desde que o faça com base na persuasão racional e na busca da verdade material. A utilização de prova emprestada, produzida em outro procedimento, subordina-se ao juízo de adequação e à observância do contraditório. Admite-se, ainda, o compartilhamento de informações entre a RFB e os órgãos de persecução penal, desde que preservado o sigilo dos dados. No âmbito do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 1055941/SP, foi fixada a seguinte tese: “I - É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil, que define o lançamento do tributo, com os órgãos de persecução penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional; II - O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios.” Fl. 4068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 21 No caso concreto, o conjunto probatório robusto e minuciosamente descrito que embasa o Auto de Infração decorre da operação conjunta “Fake Money”, realizada entre o Ministério Público Federal e a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, deflagrada no ano- calendário de 2018. Referido procedimento foi expressamente determinado pela 4ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto/SP, que autorizou o compartilhamento dos documentos apreendidos e sua utilização pela RFB. Assim, não há falar em prova ilícita, haja vista a existência de autorização judicial expressa, conforme se extrai das fls. 817: “Autorizo o compartilhamento de dados e provas com a Secretaria da Receita Federal, assim como a sua utilização pela Receita Federal para análise conjunta com os dados fiscais de que dispõe e o cruzamento necessário de informações relativas a quaisquer contas bancárias e/ou equivalentes, tudo para se verificar a eventual ocorrência de lavagem.” Verifica-se, portanto, que as provas produzidas no devido processo legal decorrem de decisão judicial, da qual os Recorrentes foram validamente cientificados. Aperfeiçoada a relação processual, foi assegurado o regular exercício do contraditório e da ampla defesa até o esgotamento do debate processual (incisos LIV e LV do art. 5º da CF). No que concerne ao sigilo fiscal previsto no art. 198 do Código Tributário Nacional, o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, autoriza o exame de dados relativos “a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente” (Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 601314/SP). No presente caso, contudo, o sigilo bancário foi transferido à RFB por determinação judicial (art. XXXV do art. 5º da CF). Dessa forma, a alegação suscitada pelos recorrentes não encontra respaldo fático nem jurídico, devendo ser rejeitada a preliminar. c) Do lançamento de ofício Alegam os recorrentes que próprio lançamento de ofício não deveria ter ocorrido, face à denúncia espontânea presente no caso. Fl. 4069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 22 Sustentam que, ao realizar o envio das DCTF’s, a empresa Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP teria confessados seus débitos, não podendo eles ser objeto de lançamento de ofício. A presente preliminar se confunde com a alegação de mérito quanto à configuração do instituto da denúncia espontânea no presente caso. Em decorrência da conclusão a que se chegar no tópico específico, verificar-se-á a validade ou não do lançamento de ofício. Rejeito, portanto, a preliminar. III – DO MÉRITO Os recursos voluntários apresentados têm quatro eixos argumentativos principais:  Ilegitimidade da responsabilidade solidária;  Espontaneidade;  Denúncia espontânea; e  Questionamento da multa qualificada de 150%. a) Da responsabilidade solidária O principal argumento levantado é a exclusão da responsabilidade solidária pela dívida, apontando haver uma distinção fundamental sobre o conceito de "interesse comum", previsto no Artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Segundo a tese dos recorrentes, o "interesse comum" que justifica a responsabilidade solidária (Art. 124 do CTN) deve ser um interesse jurídico direto na situação que originou o tributo. Isso significa participar conjuntamente do ato que gerou a obrigação fiscal. Um simples interesse econômico ou financeiro, como receber um benefício indireto ou fazer parte de uma mesma cadeia de negócios, não seria suficiente para configurar essa responsabilidade. Aplicando este conceito, cada grupo de recorrentes detalha a sua situação para demonstrar a ausência de vínculo com o fato gerador: Fl. 4070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 23 APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA e CESAR SOUSA BOTELHO Afirmam não possuir qualquer ligação, direta ou indireta, com o fato gerador da Noroeixo. Sustentam que o mero recebimento de comissões pela captação e intermediação de clientes para a Alpha One configura apenas interesse econômico, o que, segundo a jurisprudência do CARF e do STJ, é insuficiente para caracterizar a solidariedade tributária, a qual exige um interesse jurídico direto no fato gerador. Argumentam que a inexistência de documentos que comprovem poderes de gestão ou procuração que os vinculem aos atos da empresa devedora. Sustentam que a responsabilidade foi atribuída por mera dedução da autoridade fiscal, ferindo os princípios da legalidade e objetividade. JOSÉ ERNESTO DAMIANCE FERACINI Argumenta que jamais teve contato, vínculo comercial ou jurídico com a empresa autuada (Noroeixo). Sustenta que sua relação era exclusivamente com a empresa Alpha One, por meio de uma "Sociedade em Conta de Participação" (SCP), na qual atuava apenas como investidor ou indicando clientes em troca de comissões, o que não configuraria participação no fato gerador do tributo. Questiona a fundamentação da fiscalização, alegando que o mero recebimento de "participações financeiras" (comissões) configura apenas interesse econômico, o que, segundo a jurisprudência do CARF e do STJ, não autoriza a aplicação da solidariedade por "interesse comum" prevista no art. 124, I do CTN. ALPHA ONE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI e ELMO DONIZETTI PIMENTA Afirmam que não possuírem ligação direta ou indireta com o fato gerador dos tributos devidos pela Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP. Fl. 4071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 24 Sustentam que sua relação jurídica era baseada em contratos de cessão de ativos financeiros (apólices do Decreto-Lei nº 6.019/43) e em uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), o que não configuraria o interesse jurídico necessário para a solidariedade, mas mero interesse econômico (recebimento de lucros/comissões). BORIM & ASSOCIADOS CONSULTORIA & TRATAMENTO DE RECICLADOS LTDA. e LUIZ ROBERTO VILLANI BORIM Afirmam que jamais tiveram qualquer vínculo comercial, contato ou relação jurídica com a autuada Noroeixo, sequer conhecendo seus sócios. Sustentam que sua relação era exclusiva com a empresa Alpha One, por meio de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), na qual atuava apenas como investidores ou indicando clientes. Argumentam que o recebimento de "participações financeiras" (lucros ou comissões) configura mero interesse econômico, o que, segundo a jurisprudência do CARF e do STJ, não é suficiente para caracterizar o "interesse comum" exigido pelo CTN, o qual pressupõe participação direta no fato gerador. PAULO ROBERTO BRUNETTI e PAULO BRUNETTI & ADVOGADOS ASSOCIADOS Argumentam que jamais tiveram vínculo jurídico ou contato com a empresa autuada (Noroeixo), desconhecendo inclusive seus sócios. Sustentam que sua relação era exclusivamente com as empresas Alpha One e Micronel, baseada em contratos de compra e venda de ativos financeiros (apólices do Decreto-Lei nº 6.019/43) e em uma Sociedade em Conta de Participação (SCP). Defendem que o recebimento de "participações financeiras" (lucros ou comissões) configura apenas interesse econômico reflexo, o qual, segundo a jurisprudência do STJ e do CARF (incluindo o "caso Neymar"), não autoriza a solidariedade tributária, que exige participação direta no fato gerador. LILIAN COQUI Fl. 4072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 25 Afirma que foi contratada pela empresa Alpha One unicamente para realizar a análise técnica de minutas de contratos, elaboração de notificações e distratos, sem qualquer poder de decisão ou gerência. Sustenta que jamais teve contato com a Noroeixo ou seus sócios, recebendo os documentos já assinados via correio ou através de intermediários da Alpha One. Argumenta que recebia apenas 0,33% do lucro líquido da Alpha One como honorários, valor que considera compatível com o trabalho jurídico prestado e insuficiente para caracterizar participação dolosa em um esquema criminoso. Alega que, assim como os clientes, acreditava na idoneidade dos créditos tributários, pois a informação disponível era de que os títulos constavam no orçamento da União e possuíam pareceres favoráveis da PGFN. Ressalta que trabalhou para a Alpha One apenas até setembro de 2016, enquanto o auto de infração abrange débitos até abril de 2017, o que tornaria sua responsabilização pelo período posterior impossível. Destaca que, em processo idêntico relativo ao IRPJ da mesma Noroeixo, a 2ª Turma de Julgamento reconheceu sua ilegitimidade passiva e a excluiu da lide, por considerar que sua atuação como advogada não configurava auxílio na fraude. Defende que o "interesse comum" que gera solidariedade deve ser de natureza jurídica (participação no fato gerador) e não meramente econômico (recebimento de honorários ou comissões), conforme jurisprudência do CARF (ex: "caso Neymar"). Afirma que não praticou atos com excesso de poderes ou infração à lei, pois não era mandatária, preposta ou diretora da Noroeixo, carecendo de legitimidade passiva. Questiona o fato de a autuação basear-se em opiniões pessoais da auditora — que considerou "estranho" o recebimento via SCP — em vez de provas concretas de dolo ou fraude praticada pela advogada. Fl. 4073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 26 Passemos à análise do tema. Cumpre registrar, de início, que o responsável, ainda que não ostente a condição de contribuinte, mantém vínculo jurídico secundário com a obrigação tributária, em razão de sua necessária conexão com o fato gerador. A sujeição passiva solidária alcança as “pessoas jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional), bem como aquelas responsáveis por créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135 do Código Tributário Nacional). O Parecer Normativo Cosit nº 4, de 10 de dezembro de 2018, orienta que se caracteriza a responsabilidade solidária por interesse comum ou jurídico procedente de ilícito tributário mediante a comprovação do nexo causal entre o ato e a conduta da pessoa identificada como responsável, quando esta atua com intuito fraudulento de acarretar a supressão ou redução de tributos. Sobre o tema, consta do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 562276/PR, a Ministra Relatora Ellen Gracie, Tribunal Pleno, com julgamento em 03 de novembro de 2010, e publicação em 10 de fevereiro de 2011: “4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (“dritter Persone”, “terzo” ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte.” No mesmo sentido, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4845/MT, o Ministro Redator Roberto Barroso, Tribunal Pleno, com julgamento em 13 de fevereiro de 2020, e publicação em 04 de março de 2020, assim assentou: “2. [...] Ao ampliar as hipóteses de responsabilidade de terceiros por infrações, prevista pelos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional - CTN, a lei estadual Fl. 4074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 27 invade competência do legislador complementar federal para estabelecer as normas gerais na matéria (art. 146, III, b, da CF). 3. A norma estadual avançou em dois pontos de forma indevida, transbordando de sua competência: (i) ampliou o rol das pessoas que podem ser pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário; (ii) dispôs diversamente do CTN sobre as circunstâncias autorizadoras da responsabilidade pessoal do terceiro.” Tais interpretações jurisprudenciais, proferidas pelos Tribunais Superiores, possuem caráter vinculante no âmbito deste Conselho (art. 98 do Regimento Interno do CARF). Assim, a imputação de sujeição passiva solidária deve observar, rigorosamente, os limites legais. No contexto da operação denominada Fake Money, realizada pela RFB e explicitada no Relatório Fiscal (fls. 793/839), restou comprovado, a partir de robusto conjunto fático- probatório, que houve apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) com utilização indevida de direito creditório decorrente de títulos públicos da dívida externa da STN – Secretaria do Tesouro Nacional, plenamente identificados como fraudulentos, no âmbito de procedimento marcado pela inobservância das regras legais. Trata-se de operação na qual a pessoa jurídica adquirente de crédito não compensável, por expressa vedação legal, outorga procuração para que a cessionária represente seus interesses perante a RFB, promovendo a entrega de Per/DComp e da correspondente DCTF com valores zerados, bem como retificando informações de débitos com o objetivo de reduzir ou excluir tributos, evidenciando-se o uso de meio fraudulento. Restou comprovado, ainda, que a fiscalizada — NXO Serviços Mecânicos Eireli (Noroeixo Comércio de Implementos Rodoviários Eireli) — e outras pessoas físicas e jurídicas estavam diretamente envolvidas na operação Fake Money. Constatou-se a realização de compensações de débitos tributários objeto do presente processo mediante a utilização de direitos creditórios inidôneos, oriundos de títulos da dívida pública externa adquiridos por contrato de cessão onerosa de créditos financeiros das pessoas jurídicas Alpha One Administração e Gestão de Ativos Ltda., CNPJ 57.787.087/0001-06, e Appex Consultoria Tributária Eireli, CNPJ 15.511.847/0001-08. Por sua vez, tais títulos haviam sido originalmente cedidos pela pessoa jurídica Micronel Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 58.809.294/0001-87, identificada como líder da operação Fake Money. Constam dos autos recibos de pagamentos e comprovantes de transferências bancárias entre os participantes da operação fraudulenta, revelando complexa rede de relações jurídicas, envolvendo diversos contratos, inclusive para criação de sociedade com propósito específico de rateio das participações financeiras de todos os envolvidos. Fl. 4075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 28 A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais possui consolidado entendimento quanto à configuração do interesse comum permissivo à aplicação da responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional: NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL. INFRAÇÃO À LEI. CABIMENTO. O interesse econômico comum nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação principal (tributos lançados), bem assim, a prática de infrações à lei tributária/penal, ensejam a atribuição de responsabilidade solidária aos reais administradores da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN, diante da demonstração, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, de que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de administradores de fato das empresas (atuação negocial conjunta), mas detinham conhecimento do ocorrido, tendo consciência das operações e valores, e beneficiando-se dos lucros auferidos. (Acórdão n.º 9303-015.103, j. 13/05/2024, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REAL ADMINISTRADOR. INTERESSE COMUM. ART. 124, I DO CTN. CABIMENTO. A prática de atos ilícitos almejando a supressão fraudulenta de tributos configura interesse econômico comum entre pessoas físicas e a pessoa jurídica contribuinte, na prática de atos que se vinculam à situação que configura fato gerador de tributos, nos termos do artigo 124, I do CTN. (Acórdão n.º 9303-015.104, j. 13/05/2024, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan) Nessas condições, caracterizada a existência de interesse comum, a alegação deduzida na peça recursal não se mostra justificada. b) Da espontaneidade Os recorrentes sustentam que, à época do lançamento, encontravam-se acobertadas pela espontaneidade. Argumentam que a empresa Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP readquiriu a espontaneidade em 04/07/2019, pois o fisco não prorrogou formalmente o Fl. 4076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 29 procedimento fiscal dentro do prazo de 60 dias. Assim, as DCTFs entregues em agosto de 2019 deveriam ter sido aceitas, o que afastaria a multa de ofício. A alegação não procede. Nos termos do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, formalmente cientificado ao sujeito passivo, momento a partir do qual se exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores. No caso dos autos, restou comprovado que o início do procedimento fiscal foi regularmente formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício regular de suas atribuições, com fundamento na Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, e nos arts. 196, 898, 908, 949, 971 e 972 do Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018. Ressalte-se, ainda, que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF vigorou até 11 de novembro de 2019 (art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001). No âmbito deste Conselho, a matéria encontra-se pacificada, nos termos do art. 123 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, conforme dispõem as Súmulas CARF nº 33 e nº 75, ambas vinculantes: Súmula CARF nº 33 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2009 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 75 Aprovada pelo Pleno em 10/12/2012 A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 4077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 30 No caso dos autos, restou demonstrado que, já no curso do procedimento fiscal e, portanto, quando ausente a espontaneidade, a Recorrente apresentou, em 7 de agosto de 2019, DCTF retificadora, sem confessar quaisquer débitos de PIS e COFINS, objeto do lançamento de ofício. Não há, portanto, que se falar em recuperação da espontaneidade, tampouco em aplicação de efeitos protetivos às Recorrentes. c) Da denúncia espontânea Os recorrentes sustentam estarem amparados pelo instituto da denúncia espontânea, uma vez ter a empresa Noroeixo promovido uma "denúncia espontânea" da dívida, confessando integralmente seus débitos tributários no Processo Administrativo Fiscal (PAF) 13811.726.153/2014-91, que substituiu a obrigação de entrega das DCTFs. Acerca do instituto da denúncia espontânea, dispõe o Código Tributário Nacional: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” No mesmo sentido, a Solução de Consulta Cosit nº 233, de 16 de agosto de 2019, esclarece: “Conclusão 36. Pelo exposto, respondendo objetivamente às proposições apresentadas: 36.1 A configuração da denúncia espontânea deve necessariamente obedecer aos preceitos do artigo 138 do CTN, sob pena de sua inocorrência. Já a forma de sua instrumentalização está prevista na legislação tributária na forma das declarações das obrigações acessórias. Assim, a comunicação da infração tributária e Fl. 4078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 31 pagamento do tributo nos termos do art. 138 do CTN não impede o lançamento da multa pelo atraso no descumprimento das obrigações acessórias. 36.2 Atendidos os requisitos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea afasta a aplicação de multa, inexistindo diferença, nesse caso, entre multa moratória e multa punitiva. 36.3 A prestação a destempo da obrigação acessória pelo sujeito passivo, para configurar denúncia espontânea da obrigação principal, não o elide da multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, posto que, são obrigações autônomas. 36.4. A comunicação da infração tributária e pagamento do tributo nos termos do art. 138 do CTN não impede o lançamento da multa pelo atraso no descumprimento das obrigações acessórias a que estava sujeita.” A denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária decorrente da inobservância da norma jurídica primária. Tal manifestação de vontade alcança a obrigação principal nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação ou autolançamento não declarados à época, desde que o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi enfrentado no Recurso Especial Repetitivo nº 1.149.022/SP, no qual restou assentado: “1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ).” Diversamente do que sustentam os recorrentes, pela técnica da distinção, não se aplica ao presente caso o entendimento firmado no Recurso Especial Repetitivo nº 1.138.206/RS. Fl. 4079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 32 Conforme se verifica do Auto de Infração, nas DCTF foram informados valores zerados a título de débitos de PIS e COFINS desde o terceiro trimestre de 2015 até o segundo trimestre de 2017. A totalidade ou eventual diferença das contribuições, nas hipóteses de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, foi objeto de constituição do crédito tributário de ofício. Diante desse contexto, a alegação deduzida nas peças recursais carece de amparo fático e jurídico. d) Da multa qualificada Os recorrentes pedem o afastamento da multa qualificada de 150% por ausência de intuito fraudulento, argumentando que a sua aplicação exige a comprovação de dolo, fraude ou simulação. Sustentam que a empresa Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP teria confessado seus débitos em suas escriturações digitais ao fazer o envio da SPED-ECD-ECF, bem como em outros processos administrativos, o que afastaria a presunção de má-fé. Citam o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial nº 1.650.569/SC, que estabelece que a simples tentativa de utilizar créditos não aceitos pelo Fisco não configura, por si só, fraude. Alegam que a confissão do débito em escriturações oficiais descaracteriza a má-fé, tornando a multa qualificada, que depende da comprovação de fraude, ilegal. Afirmam que, segundo a Súmula 436 do STJ, a confissão de dívida, mesmo que não seja seguida de pagamento, impede o Fisco de realizar um lançamento de ofício para cobrar o mesmo débito, tornando a multa decorrente desse ato incabível. Portanto, o Fisco, em suas opiniões, cometeu um erro de procedimento: ao ignorar a confissão prévia, realizou um 'lançamento de ofício' que a lei veda, tornando nula a multa que dele decorre. Fl. 4080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 33 Entendem que não houve "compensação tributária" nos moldes da Lei nº 9.430/96, mas sim um pleito de extinção via pagamento junto à STN. Além disso, negam a existência de dolo ou fraude, afirmando que todas as receitas foram devidamente declaradas no SPED-ECF/ECD. Analogamente, defendem que receber uma comissão por apresentar dois negócios não torna o intermediário responsável pelas dívidas tributárias de um deles, da mesma forma que um corretor não responde pelos impostos atrasados do imóvel que ajudou a vender. Como regra, a norma jurídica secundária impõe sanção em razão da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária constitui penalidade legal decorrente do inadimplemento de obrigação principal ou acessória, consubstanciando obrigação pecuniária imposta ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, da falta de declaração ou da declaração inexata de obrigações tributárias (art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Trata- se de responsabilidade objetiva por infrações fiscais, independente da intenção do agente, inexistindo mitigação, ressalvadas disposições expressas da legislação de regência (art. 112, art. 136 e art. 137 do Código Tributário Nacional). Os fundamentos fáticos e jurídicos da qualificação da multa de ofício proporcional guardam nexo causal e relação direta com a infração cometida, evidenciada pelo vínculo indissociável entre os fatos geradores apurados de ofício e as condutas descritas na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 4081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 34 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Está comprovada a constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, com fundamento na insuficiência de recolhimento de tributos em razão da extinção indevida de débitos mediante compensação fraudulenta. A empresa Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP, valendo-se de direito creditório consubstanciado em títulos públicos da dívida externa inidôneos, promoveu compensações consideradas presumidamente não declaradas (alínea “c” do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Tal conduta evidencia a fraude apurada no contexto da operação “fake Money”, autorizando a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, por restar configurada a prática tipificada na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais. No âmbito deste Conselho, consta o enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 14 Aprovada pelo Pleno em 2006 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Pela técnica da distinção, o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 14 restringe-se à infração de omissão de receita, não se confundindo com a hipótese de insuficiência de pagamento de tributo decorrente de compensação fraudulenta, como verificado nos autos. Consoante o robusto acervo fático-probatório produzido no presente processo (e- fls. 55-737), detalhado no Relatório Fiscal (fls. 793/839), a empresa Noroeixo Comércio e Implementos Rodoviários Eireli EPP compensou indevidamente débitos de PIS e COFINS desde o terceiro de 2015 até o segundo trimestre de 2017, informados em ECF – Escrituração Contábil Fiscal, mas não confessados integralmente em Declaração de Débitos e Créditos dos Tributos Federais – DCTF. No caso, houve constituição do crédito tributário por lançamento de ofício e correta aplicação da multa de ofício proporcional qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Fl. 4082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 35 A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” A multa de mora tem cabimento apenas nos casos de tributo pago após o vencimento, no contexto de lançamento por homologação, aplicável aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150 do Código Tributário Nacional). Trata-se de autolançamento, com natureza de obrigação acessória, fundado no dever de colaboração. Tal hipótese, contudo, não se verifica no presente feito, em que houve formalização de Auto de Infração consubstanciando lançamento de ofício. Por essa razão, não se aplica multa de mora. Nesta hipótese há de ser aplicada a multa de ofício prevista no art. 44 da LEI N.º 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social Fl. 4083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 36 sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Entretanto, deve-se aplicar, de ofício, a redução a 100% da referida multa, em função de retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023, que deu nova redação ao § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, acrescentando ainda um § 1º-A: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Pelo exposto, voto pela redução da multa aplicada ao patamar de 100%, de ofício, em função da retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023, chegando ao mesmo resultado do Acórdão no 9303-015.655, de 14/08/2024. IV – DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por não conhecer dos recursos voluntários apresentados por J.E. Ferracini Representações, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Vilani por intempestividade e conhecer dos demais recursos voluntários para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para redução da multa aplicada ao Fl. 4084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.645 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10855.723294/2019-62 37 patamares estabelecidos pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 14.689/2023, em razão da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa Fl. 4085DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.720248/2019-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2014 PAGAMENTO SEM CAUSA. MANUTENÇÃO. SEM PROVA NOS AUTOS. Confirma-se o fato gerador do IRRF, quando o pagamento não é realizado com causa jurídica comprovada.
Numero da decisão: 1102-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por voto de qualidade, mantidas as exigências de IRRF, vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que cancelavam as exigências; (ii) por voto de qualidade, mantida a qualificação da multa de ofício, mas reduzido seu patamar de 150% para 100%, dada a retroatividade benigna de lei, sendo essa a única matéria a que se deu parcial provimento ao recurso – vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento em maior extensão, para afastar a qualificação; e, (iii) por unanimidade de votos, rejeitada a alegação de indevida concomitância do IRRF com a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati – Relator Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO SCHNEIDER FOSSATI

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MANUTENÇÃO. SEM PROVA NOS AUTOS. Confirma-se o fato gerador do IRRF, quando o pagamento não é realizado com causa jurídica comprovada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por voto de qualidade, mantidas as exigências de IRRF, vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que cancelavam as exigências; (ii) por voto de qualidade, mantida a qualificação da multa de ofício, mas reduzido seu patamar de 150% para 100%, dada a retroatividade benigna de lei, sendo essa a única matéria a que se deu parcial provimento ao recurso – vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento em maior extensão, para afastar a qualificação; e, (iii) por unanimidade de votos, rejeitada a alegação de indevida concomitância do IRRF com a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati – Relator Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa – Redator designado Assinado Digitalmente Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 2 Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Transcrevo o relatório da DRJ, cujas informações são relevantes para a solução do caso: Trata o presente processo de impugnação oposta em face do Auto de Infração (fl. 3/8) lavrado pela DEFIS – São Paulo/SP, decorrente do TDPF nº 08.1.90.00-2019- 00582-1, relacionado a Imposto de Renda Retido na Fonte e referente aos períodos de fevereiro, abril e maio de 2014, o qual constituiu crédito tributário conforme especificado abaixo: O relatório fiscal dispôs que em decorrência de fiscalização em desfavor da empresa LEVER TOUCH BRASIL – EIRELI, CNPJ 19.274.710/0001-38, doravante apenas “Martelinho de Ouro” ou “Lever Touch”, constatou que a autuada, PEUGEOT, realizou “pagamentos não comprovados” à “Martelinho de Ouro”, e sem a identificação precisa do(s) real(is) beneficiário(s). Reafirmou que nem a autuada nem a Martelinho de Ouro comprovou cabalmente as causas e os beneficiários finais destes pagamentos. Informou que chamou atenção o fato de uma empresa aparentemente de pequeno porte, organizada sob a forma de EIRELI, com sede na cidade de Curitiba/PR, distante mais de 700 KM do local da prestação dos serviços de reparos em uma frota de 4.500 veículos (unidade fabril de Porto Real/RJ), ter se incumbido da tarefa de reformar tantos veículos. Segundo a fiscalização, realizou intimações demandando documentos e algumas respostas da autuada, conforme disposto abaixo: Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 3 Da mesma forma, intimou a Martelinho de Ouro para apresentar respostas a questionamentos semelhantes aos que foram postos à PEUGEOT, requisitando comprovantes de pagamentos realizados pela autuada no ano de 2014, bem como contratos de prestação de serviços, notas fiscais, laudos de vistoria da seguradora AXA/Sulamérica Seguros, referentes a serviços executados para a autuada no mesmo período. Além disso, questionou se houve terceirização dos serviços prestados à autuada e solicitou a lista dos terceirizados e a relação dos profissionais (nome, CPF, etc) que realizaram os serviços de reparos decorrentes de prejuízos causados pela chuva de granizo de 18/10/2013 na frota de cerca de 4.500 veículos. Segundo o relatório fiscal, das respostas da Martelinho de Ouro, em síntese, extraiu-se o seguinte:  apresentou duas notas fiscais emitidas para a Peugeot;  apresentou o contrato entre ela e a Peugeot para a reparação de danos causados pela chuva de granizo, mas deixou de apresentar o Laudo da Seguradora AXA/Sulamérica;  respondeu que houve terceirização para as empresas elencadas abaixo, mas não apresentou contratos com estas empresas subcontratadas, nem colheu a anuência prévia da contratante Peugeot, como reza o contrato entre elas: Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 4  não foram encontrados repasses financeiros de valores da conta bancária da Lever Touch, após o acolhimento dos recursos da autuada PSA, para estas cinco empresas apontadas, como seria de se esperar num eventual caso de subcontratação;  respondeu que a Lever Touch não possui sede operacional e que desenvolve suas atividades nos endereços de seus clientes. Disse que sua sede formal coincide com a residência do seu responsável legal;  em relação à lista de profissionais que realizaram os serviços de reparos decorrentes de prejuízos causados pela chuva de granizo de 18/10/2013 na frota de cerca de 4.500 veículos, a Lever Touch não respondeu. A fiscalização acrescentou ainda as seguintes informações relacionadas às empresas que a Martelinho de Ouro apontou como terceirizadas na prestação dos serviços à PEUGEOT: Informou também que a autuada apresentou ao Fisco um documento fiscal claramente inidôneo, a Nota Fiscal nº 0004, em papel, “Série F”, de emissão da “Martelinho de Ouro” em 06/02/2013, tendo como data de autorização do talão de N.F. a data de 11/12/2013 para realizar serviços decorrentes de um sinistro que ocorreu em 18/10/2013. Destacou que nos casos de comprovação da inidoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o pagamento da obrigação, quer por Fl. 366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 5 caixa, quer por banco ou outra forma, haverá a incidência do imposto de renda na fonte de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Entendeu também a fiscalização que ocorrera sonegação e fraude, ensejando a qualificação da multa de ofício aplicada, majorando-a de 75% para 150%. Alegou que a sonegação se deu porque os pagamentos realizados pela fiscalizada não têm causa conhecida, conformando-se a hipótese de incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte descrita no art. 61, § 1º da Lei nº 8.981/1995, o qual não foi declarado tampouco recolhido pelo sujeito passivo. Já a fraude restou comprovada quando da apresentação consciente de documentação inidônea ao Fisco, pois agiu no sentido de tentar modificar as características essenciais do imposto, atribuindo data retroativa à prestação do serviço, tentando induzir a fiscalização no sentido de que aqueles pagamentos estariam alcançados pela decadência tributária. A autuada tomou ciência do auto em 2/7/19 (fl 87) e apresentou impugnação em 1/8/19, na qual alega, em síntese, o exposto a seguir. O impugnante informou que os pagamentos realizados à empresa Martelinho de Ouro decorreram da contratação para realização de reparos de veículos que sofreram leves avarias em sua unidade fabril, em virtude da chuva de granizo ocorrida na cidade de Porto Real, em 18/10/2013, conforme documento anexo. Afirmou que a contratação da empresa Martelinho de Ouro ocorreu por meio de um processo de concorrência, no qual diversas empresas interessadas apresentaram carta-proposta, sendo a abertura dos envelopes realizada em 24/10/13 na presença de testemunhas, conforme documento anexo. Apresentou ainda imagens da frota de veículos e de funcionários trabalhando em reparos que indica ser os serviços contratados. Anexou também a lista de funcionários empenhados nos reparos dos veículos bem como amostra dos carros reparados. Desse modo, rebate as alegações de que a LEVER TOUCH BRASIL não possuiria capacidade operacional para realizar os serviços contratados, bem como não teria funcionários suficientes ou ainda o fato de estar localizada em outra Unidade da Federação. Concluiu, portanto, que se o art. 61 da Lei no 8.981/1995 estabeleceu a incidência do IRRF sobre pagamentos sem causa ou ausência de identificação dos beneficiários de tais pagamentos, tendo sido ambos comprovados, a despeito das ilações da fiscalização, tem-se que os fatos não se subsumem à norma legal. Ocorrendo a manutenção da cobrança do imposto, o impugnante defende a impossibilidade da cobrança dele em concomitância com a multa de ofício. Isso porque a base legal para exigência do IRRF no caso em tela não está a perseguir tributação sobre a renda adquirida e disponível, tal como necessário para cobrança do IR, mas tão somente penalizando os contribuintes que não lograram êxito em comprovar a causa dos pagamentos a beneficiário que foi ou não identificado. Assim, o IRRF não pode ser aplicado em concomitância com qualquer outra a penalidade. Caso contrário, haveria nítida ocorrência do odioso bis in Fl. 367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 6 idem, com a cobrança de duas multas distintas sobre o mesmo fato punível supostamente praticado. Por fim, caso sejam mantidas as cobranças do IRRF e da multa de ofício, requer que seja considerada a inexistência de fraude e sonegação, o que ensejaria na impossibilidade de aplicação da qualificação da multa e consequentemente não a elevaria para o patamar de 150%. Sustentou que há clara contradição nos argumentos da fiscalização, na medida em que jamais poderia ter havido intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador do IRRF, até porque a impugnante sequer poderia saber que tal tributo seria exigido, razão pela qual não há que se falar em sonegação fiscal no presente caso. Também argumentou que não ocorreu fraude, uma vez que houve erro material da prestadora de serviço quando do preenchimento do documento fiscal considerado inidôneo. Acrescentou que, ainda que fosse o caso, a nota fiscal com erro sequer foi emitida pela impugnante, que apresentou o documento de boa-fé à fiscalização. A DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2014 PAGAMENTO SEM CAUSA. Configura fato gerador do IRRF o pagamento realizado sem causa jurídica comprovada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Não configura bis in idem a aplicação da multa qualificada sobre o IRRF que tenha por hipótese de incidência o pagamento sem causa. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando: a) INOCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS SEM CAUSA E A IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO; b) IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA MULTA DE OFÍCIO EM CONCOMITÂNCIA COM O IRRF: A NATUREZA PUNITIVA DO IRRF; c) INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO E DE FRAUDE – IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA; É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 7 VOTO VENCIDO Conselheiro Gustavo Schneider Fossati, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão, pela qual, dele conheço. Dos Fatos A autoridade fiscal lavrou auto de infração para a cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no montante original de R$ 5.147.110,69, referente a pagamentos realizados pela Recorrente à empresa LEVER TOUCH BRASIL durante o ano-calendário de 2014. A autuação se concentra em três pagamentos específicos, totalizando R$ 3.152.703,30:  R$ 1.958.073,50 em 20 de fevereiro de 2014;  R$ 1.086.143,80 em 17 de abril de 2014;  R$ 108.486,00 em 30 de maio de 2014. O fundamento da exigência fiscal foi a suposta ausência de comprovação da causa dos pagamentos e da identificação do beneficiário final dos recursos, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. A fiscalização concluiu que a empresa prestadora de serviços não possuía capacidade operacional para a execução dos serviços contratados. Adicionalmente, foi aplicada a Multa Qualificada de 150% sob a alegação de sonegação e fraude. A fraude foi imputada à Recorrente em razão da apresentação de uma nota fiscal de serviços considerada inidônea, a qual continha data de emissão retroativa, supostamente com o intuito de induzir a fiscalização a erro quanto à ocorrência da decadência do crédito tributário. Da Impugnação e da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) Inconformada, a Contribuinte apresentou Impugnação, argumentando que os pagamentos possuíam causa lícita e comprovada: a contratação de serviços especializados ("Martelinho de Ouro") para o reparo de milhares de veículos de seu pátio industrial que foram danificados por uma severa chuva de granizo ocorrida em 18 de outubro de 2013. Em sua análise, a Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza, por meio do Acórdão nº 08-49.431, julgou a Impugnação improcedente. O núcleo da fundamentação da DRJ baseou-se no entendimento de que as provas apresentadas pela Recorrente consistiam em "provas unilaterais", elaboradas pela própria parte interessada e, portanto, insuficientes para comprovar a causa dos pagamentos. Ademais, a decisão de primeira instância apontou que uma lista de funcionários apresentada pela Recorrente se mostrava contraditória, pois a empresa contratada (Lever Touch) Fl. 369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 8 não forneceu uma relação de seus próprios empregados, mas sim uma lista de supostas empresas subcontratadas que, segundo a fiscalização, não possuíam capacidade operacional. Insatisfeita com esta decisão, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário. Das Alegações e das Provas Trazidas pela Recorrente Análise do Mérito do Recurso Voluntário Adentra-se, agora, ao cerne da controvérsia submetida a este Conselho. A análise se concentrará nos argumentos jurídicos e nas novas e robustas provas documentais trazidas aos autos pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário. Tais elementos, que não foram submetidos à apreciação da instância a quo, constituem o pilar para a reconsideração da decisão recorrida. Das Alegações e da Fundamentação Jurídica A Recorrente estrutura sua defesa em três linhas argumentativas principais, amparadas por dispositivos legais e precedentes jurisprudenciais. Sustenta que os pagamentos possuíam uma causa clara, lícita e devidamente documentada — o reparo de veículos danificados pela chuva de granizo de 18/10/2013 — e um beneficiário perfeitamente identificado: a empresa PREMIUM REPAIR S/A, que atua no Brasil sob a denominação LEVER TOUCH BRASIL. Defende que a exigência do IRRF, nos moldes do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, possui natureza jurídica de penalidade, e não de tributo. Dessa forma, sua cobrança em concomitância com a multa de ofício configuraria um bis in idem vedado pelo ordenamento jurídico. Argumenta pela impossibilidade de aplicação da multa de 150%, uma vez que não houve dolo, fraude ou intuito de sonegação. Alega que o erro material na data de emissão da nota fiscal foi cometido pela empresa prestadora de serviços, e não pela Recorrente, que apresentou o documento de boa-fé à fiscalização. Para fundamentar sua defesa, a Recorrente invoca os seguintes dispositivos e precedentes: Art. 61 da Lei nº 8.981/1995, Acórdão nº 1402-001.440 e Acórdão nº 1301-003.938, AgRg no REsp 1106260/PR e AgRg no REsp 716.208/PR e Súmula CARF nº 14. Das Novas Provas: O Relatório de Regulação de Sinistro e o E-mail Nesta fase recursal, a Recorrente apresenta prova documental nova, a qual, por sua natureza e origem, se revela não apenas relevante, mas terminantemente conclusiva para o deslinde da controvérsia. Inicialmente, cumpre analisar a admissibilidade de tal prova. A Recorrente justifica a juntada tardia dos documentos pela dificuldade em obtê-los junto a terceiros, conforme Fl. 370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 9 demonstrado no e-mail anexado como "Doc. 04", enviado por Frederico Nitzsche em 12 de dezembro de 2019. Tal situação se amolda perfeitamente à exceção prevista no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, que autoriza a apresentação superveniente de provas quando a parte estava impossibilitada de fazê-lo no momento da impugnação. Portanto, a prova é admissível e deve ser conhecida. A prova central consiste nos relatórios de regulação de sinistro ("Doc. 03") elaborados pela empresa Cunningham Lindsey, uma renomada firma internacional de regulação de sinistros. Primeiramente, a própria origem do documento refuta de plano o fundamento central da decisão da DRJ. Ao qualificar as provas do contribuinte como "unilaterais", a instância a quo ignorou a possibilidade de existência de um laudo técnico produzido por terceiro independente. O documento é composto por um Relatório Preliminar (datado de 04/11/2013) e um Relatório Final (de 09/12/2014), produzidos por uma empresa independente e especializada, contratada para fins de regulação do sinistro junto à seguradora. Crucialmente, os relatórios foram produzidos de forma contemporânea aos fatos — o primeiro, menos de um mês após o sinistro, e o segundo, em 2014, anos antes do início da fiscalização em 2019 —, o que afasta qualquer suspeita de fabricação post factum. O relatório corrobora, de forma inequívoca, a ocorrência da tempestade de granizo em Porto Real na data de 18/10/2013, bem como os extensos danos causados a um grande número de veículos da Recorrente que se encontravam no pátio da fábrica. O laudo documenta detalhadamente todo o processo de gestão do sinistro, desde a avaliação dos danos até a contratação de uma empresa especializada para os reparos. De forma crucial, o relatório registra a realização de um processo de concorrência em 24/10/2013, do qual participaram sete empresas, e que resultou na seleção da PR – Premium Repair. A existência de um processo competitivo, supervisionado pela reguladora de sinistros, evidencia a seriedade e a realidade da operação, contrastando com a falha da autoridade fiscal em identificar tal processo durante sua auditoria. O relatório identifica a empresa vencedora da concorrência como PR – Premium Repair, que, conforme explicado no Recurso Voluntário e comprovado por documentos cadastrais, é a mesma entidade que opera no Brasil como LEVER TOUCH BRASIL. Fica, assim, perfeitamente identificado o beneficiário dos pagamentos. O Relatório Final atesta o número total de veículos reparados: 14.751. Este dado, certificado por um terceiro independente, invalida a conclusão da autoridade fiscal de que a contratada não teria capacidade operacional. A fiscalização baseou sua análise em uma estimativa de "cerca de 4.500 veículos", mas a prova nova revela que a escala real da operação foi mais de três vezes superior ao que a autoridade havia presumido, demonstrando a magnitude e efetividade do serviço prestado. O Relatório Preliminar contém vasto registro fotográfico (páginas 16-24), que documenta visualmente tanto a extensão dos danos nos veículos (tetos e laterais com múltiplas avarias) Fl. 371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 10 quanto as equipes da Premium Repair em plena atividade nas tendas de reparo, conferindo materialidade irrefutável aos fatos narrados. Portanto, a prova nova — isenta, técnica e contemporânea aos fatos — não apenas preenche as lacunas probatórias apontadas pela DRJ; ela oblitera por completo as premissas fáticas da autuação. A presunção de falta de causa, a dúvida sobre o beneficiário e a suposta incapacidade operacional do prestador, pilares da exigência fiscal, são reduzidas a meras conjecturas insubsistentes diante da materialidade irrefutável trazida pelo laudo da Cunningham Lindsey. Diante do exposto, e à luz das novas e robustas provas apresentadas em sede recursal, o provimento do recurso é medida que se impõe. A Recorrente logrou êxito em comprovar, por meio de relatório técnico independente e contemporâneo, tanto a causa efetiva dos pagamentos — a necessidade de reparos em larga escala em sua frota de veículos após uma severa tempestade de granizo — quanto a identidade do beneficiário dos recursos. Com a desconstituição definitiva da base fática da autuação, que se fundava na presunção de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, o crédito tributário e todas as penalidades acessórias, incluindo a multa qualificada, devem ser cancelados em sua integralidade. Caso reste vencido no mérito, entendo que a multa de ofício pode ser cobrada em concomitância com o IRRF, ao contrário do que alega a Recorrente, mas deve ser reduzida para 75%, tendo em vista a inequívoca inexistência de sonegação ou fraude, conforme expus acima. A cobrança do IRRF não possui caráter sancionador, ao contrário do que alega a Recorrente, mas sim se trata de uma consequência jurídica devidamente prevista na legislação e legitimada para os casos de pagamentos sem causa ou sem beneficiário identificado. Em outras palavras, a cobrança do IRRF traduz a forma de incidência do imposto nessa situação específica; a multa de ofício, por sua vez, é a penalidade prevista sobre o tributo não recolhido, na condição de um dos encargos acessórios previstos na hipótese de lançamento de ofício. Dispositivo Isso posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar integralmente o crédito tributário constituído. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati VOTO VENCEDOR Fl. 372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 11 Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, redator designado Apesar do bem fundamentado voto do relator, divirjo de suas conclusões. Trata-se de lançamento de ofício de Imposto de Renda Retido na Fonte referente aos períodos de fevereiro, abril e maio de 2014, que intentam tributar os pagamentos da Recorrente (PSA) a beneficiário não identificado ou sem causa, nos montantes de R$ 1.958.073,50 (20/02/2014), R$ 1.086.143,80 (17/04/2014) e R$ 108.486,00 (30/05/2014). O contribuinte PSA apresentou contrato de prestações de serviço de realização de reparos em uma frota de 4.500 veículos que teriam sofrido leves avarias no final do ano de 2013, mais precisamente em 18/10/2013 (unidade fabril de Porto Real/RJ), com a empresa Podium Martelinho de Curitiba, CNPJ 19.274.710/0001-38, no valor aproximado de R$ 3.496.374,00, com validade a partir de 28/10/2013. Apresentou notas fiscais eletrônicas da Podium Martelinho de Curitiba, CNPJ 19.274.710/0001-38, para a PSA no montante de R$ 1.108.310,00 (17/03/2014) e R$ 110.700,00 (02/04/2014); além da nota fiscal n. 0004, em papel, “Série F”, de emissão da “Martelinho de Ouro” de 06/02/2013, tendo como data de autorização do talão de N.F. a data de 11/12/2013 (posterior à própria emissão). Apresenta ainda notas fiscais de prestação de serviços de terceiros para a Podium Martelinho de Curitiba, CNPJ 19.274.710/0001-38, no montante de R$ 544.832,32; e desta última para terceiros, no montante de R$ 405.140,00. Os autuantes afirmam a incapacidade empresarial dos terceiros e da Podium. Em resumo: - Chamou a atenção o fato de uma empresa, aparentemente de pequeno porte, organizada sob a forma de EIRELLI, com sede na cidade de Curitiba/PR, distante mais de 700 KM do local da avaria e da prestação dos serviços contratados, ter se incumbido da tarefa de reformar tantos veículos para a autuada. - Analisando os termos do contrato apresentado pela “Martelinho de Ouro” com a PSA nota-se que, embora previsto contratualmente, nenhuma delas apresentou o relatório de acompanhamento/execução dos serviços, conforme dispõe o contrato entre ambas. - Embora a Martelinho de Ouro tenha assumido contratualmente a exclusiva responsabilidade pela execução dos serviços, ela não dispunha de sede e de funcionários próprios, além de estar a centenas de quilômetros de distância do local da prestação de serviços. Tampouco conseguiu a empresa Martelinho de Ouro comprovar a terceirização para as cinco empresas “subcontratadas”. A Lever Touch não soube nem sequer relacionar os profissionais que realizaram os serviços, ou apontar a prova do repasse financeiro para as quarteirizadas. (...) Em recurso a contribuinte anexa ainda relatório nomeado “Relatório Preliminar emitido em 04 de novembro de 2013 pela Cunningham Lindsey International do Brasil Ltda” (e-fls. 290/356) elaborado pela seguradora que teria arcado com os custos dos consertos. O Relatório Preliminar confirma o sinistro ocorrido, mas é econômico quando identifica a vencedora para a execução dos serviços a entidade, informação crucial para a resolução do litígio tributário destes autos, composto de IRRF por pagamento sem causa ou para beneficiário não identificado. Dá Fl. 373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 12 indícios apenas que se trata de empresa estrangeira quando atesta: “A empresa Premium Repair, através de seu Diretor Juan Alvaredo, imediatamente se deslocou para o mencionado País, onde também fica a sede de sua Cia, para avaliar os danos e verificar a possibilidade de repará-los o quanto antes”. Mas, não há nenhum elemento que identifique com precisão quem seria a Premium Repair. Atesta: “Posteriormente, em 28 de outubro de 2013, uma segunda vistoria foi realizada para acompanhar o início das atividades por parte da empresa vencedora PR – Premium Repair, conforme planejamento inicial estipulado pela PSA.” (...) Nesta vistoria, foram ainda recepcionadas as empresas Eurocar, Sancar, Eurotole, DRS, Aral, Seragipe and Premium Repair para apresentarem propostas comerciais(concorrência) para a realização dos serviços de “Martelinho de Ouro” visando o reparo dos autos sinistrados. A empresa vencedora foi a PR – Premium Repair conforme elencaremos no item “Das Propostas” deste relatório. (...) Ocorre que, para a realização destes serviços a PSA ainda nesta data não havia conseguido contatar nenhuma empresa para a realização dos serviços de desmontagem e montagem dos forros, o que atrasou inicialmente as atividades por parte da PR – Premium Repair. Somente no fim do dia, uma empresa local chamada Alex Car se disponibilizou a atender a PSA, o que não impediu o atraso nº cronograma inicial estipulado pela Segurada. (...) A empresa Premium Repair, através de seu Diretor Juan Alvaredo, imediatamente se deslocou para o mencionado País, onde também fica a sede de sua Cia, para avaliar os danos e verificar a possibilidade de repará-los o quanto antes. No dia seguinte, em 01 de novembro de 2013, em nossa terceira vistoria, a previsão informada pela Premium Repair para a conclusão dos reparos de todos os veículos localizados nas Transportadoras (317) era para o dia 02 de novembro de 2013(sábado), com um total de aproximadamente 1.100 veículos já reparados. (...) Após criteriosa análise das propostas por parte da PSA e o corpo de Diretores da empresa, a PR-Premium Repair foi a empresa escolhida para a realização dos mencionados reparos, com a anuência dos Resseguradores e Seguradora local. O valor cobrado pela referida empresa para os reparos é de BRL 580,00 por carro. Este valor deverá ser corrigido para eventual excedente (além dos 4.500 carros) de veículos danificados. (...) (Destaquei) Documentos anexados pela Recorrente referentes a tomada de preços privada também indicam que a vencedora no certame que procedeu foi empresa estrangeira, segundo excerto abaixo das “cartas proposta licitação” (e-fls. 147/171) da Premuim Repair na Hungria e da Lever Touch na Argentina: (...) Fl. 374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 13 (...) (...) Fl. 375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 14 Ou seja, a única identificação no Brasil dos recebedores dos pagamentos é a contida no contrato já anexado aos autos, a Podium Martelinho de Curitiba, CNPJ 19.274.710/0001-38, que por sua incapacidade técnica caracterizada pela ausência de estrutura e funcionários registrados mais parece o laranja que foi eleito para o recebimento dos pagamentos e não pagar nenhum tributo. O real executor, no meu sentir, permanece camuflado em todos os documentos já colados. É para a estas situações que o legislador criou o IRRF para beneficiário não identificado ou sem causa, com a tributação no pagador. A legislação determina que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. A comprovação deve ser efetuada com os elementos característicos da operação praticada: notas fiscais, duplicatas, recibos, escrituras, contratos, compromissos de compra e venda, com a devida comprovação do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou prestação/utilização dos serviços. Nos casos em que ficar comprovada a inidoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, também haverá a incidência do imposto de renda na fonte de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Trata-se de fato gerador do imposto de renda imputado não a quem auferiu a renda, mas, por força de determinação legal, a quem fez o pagamento de forma camuflada, sem identificar o beneficiário, ou sem esclarecer a verdadeira causa pela qual pagou. No caso concreto os documentos apresentados não identificam o real beneficiário dos pagamentos, apondo para recebimento pessoas sem estrutura empresarial para a execução dos serviços contratados, e omitindo nos documentos que apresentou (relatório da seguradora, ata da licitação e contrato) o real beneficiário, além de apresentar nota fiscal inidônea, emitida em data anterior ao sinistro ou à alegada prestação. Estas constatações denotam o conteúdo fraudulento dos atos da Recorrente, razão pela qual confirmo a qualificação da multa de ofício. Nos termos da DRJ: Para a fiscalização, a auditada não demonstrou as causas que ensejaram os pagamentos à pessoa jurídica prestadora do serviço de reparo nos veículos, inclusive apresentou documento fiscal considerado inidôneo. Acrescente-se que a empresa contratada para prestar o serviço informou tê-lo terceirizado, sendo que as subscontratadas não apresentavam nenhum funcionário em GFIP. Tal situação caracteriza a existência de fraude e denota o elemento subjetivo do dolo, o que enseja a aplicação da multa qualificada pela subsunção dos fatos reais à norma jurídica prevista nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, c/c com o art. 44, caput, e §1º da Lei nº 9.430/96. O Recorrente também questionou a imputação simultânea do IRRF e da multa de ofício, alegando que o imposto tem caráter punitivo e a aplicação das duas exações ao mesmo tempo configuraria violação ao princípio do non bis in idem. Não configura bis in idem a aplicação da multa de ofício, mesmo que qualificada, com a aplicação do IRRF que tenha por hipótese de Fl. 376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.849 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720248/2019-37 15 incidência o pagamento sem causa, pois tratam-se de hipóteses de incidência diversos, sendo o IRRF uma espécie de imposto de renda, e não multa. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, apenas para diminuir a multa qualificada para o patamar de 100%, aplicando a lei posterior mais benéfica (Lei n. 14.689/2023, c/c art. 106, II, “c” do CTN). Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 377DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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11296573 #
Numero do processo: 13053.720155/2016-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3401-003.037
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-003.034, de 24 de fevereiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 13053.720173/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Mateus Soares de Oliveira e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-003.034, de 24 de fevereiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 13053.720173/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Mateus Soares de Oliveira e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que deferiu parcialmente o crédito pleiteado no PER apresentado em formulário, conforme Anexo I da IN RFB nº 1.300/2012, em 23/11/2016, referente a crédito presumido de Cofins não-cumulativa, período de apuração de 01/07/2012 a 30/09/2012, no valor original de R$ 360.699,62. Fl. 491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação/restituição autorizada por lei. Cabe ao contribuinte o ônus da prova da existência do crédito solicitado. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. A Recorrente interpôs, assim, seu Recurso Voluntário, estruturado no seguinte tópico recursal:  DAS RAZÕES DE DIREITO QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO ACÓRDÃO HOSTILIZADO. Por fim, solicita em síntese: POR TODO O EXPOSTO, requer seja dado provimento a este recurso, para o fim de reformar o Acórdão n. 108-033.343, proferido pela 31ª Turma da DRJ08, em 09/12/2022, assegurando-se, assim, a homologação integral do pedido de ressarcimento de créditos presumidos de COFINS, objeto do Despacho Decisório consubstanciado nesse feito. Na eventual hipótese de persistirem dúvidas, não obstante as provas e razões colacionadas neste feito, que seja, então, determinada a realização das diligências necessárias, tudo para que a questão seja apreciada na sua plenitude, em conformidade com a verdade material. É o relatório. VOTO Fl. 492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 3 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto, entendo que ainda não se encontra maduro para julgamento. Como relatado, a Recorrente solicitou o ressarcimento de crédito presumido de Cofins no valor de R$ 236.103,81, com base no art. 55 da Lei nº 12.350/2010, que concede crédito presumido sobre insumos vinculados à exportação de produtos dos códigos NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1, tendo optado pelo método de rateio proporcional para calcular seu crédito, conforme previsto no art. 9º, II, da IN RFB nº 1.157/2011. A i. Fiscalização deferiu parcialmente o crédito, reconhecendo apenas R$ 147.681,22, tendo a i. Fiscalização utilizado da seguinte metodologia: 1. Obteve as notas fiscais eletrônicas via SPED/EFD-Contribuições; 2. Calculou a proporção entre receita de exportação e receita bruta total mês a mês (§8º do art. 55, Lei 12.350/10); 3. Aplicou esse percentual sobre o valor de aquisição dos insumos; e 4. Aplicou as alíquotas de crédito presumido (0,495% PIS e 2,28% Cofins). Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente alegou que sua metodologia e a da i. Fiscalização seria a mesma, entretanto, a i. Fiscalização teria cometido os seguintes erros ao realizar os cálculos:  1° erro: receitas computadas indevidamente - a Fiscalização teria considerado como vendas operação que não seriam de vendas, tais como, notas fiscais de remessas e notas fiscais de transferências; e  2° erro: teria ocorrido rateio sobre rateio (duplicidade) – a Fiscalização teria buscado os insumos no bloco M100 da EFD-Contribuições, que já contém valores ajustados pelo rateio. A DRJ manteve a glosa, por falta de provas, justificando que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade, teria apresentado tão somente documentos de identificação do representante legal e documentos societários, no entanto, não apresentou sua própria EFD-Contribuições completa, planilhas detalhadas demonstrando o cálculo, comprovação do alegado "erro" do auditor ao buscar dados do bloco M100 e demonstração de que as notas de remessa/transferência foram indevidamente consideradas. A Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário discorrendo que a própria EFD- Contribuições, no seu sistema validador (PVA), já calcula e aplica Fl. 493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 4 automaticamente a "relação percentual entre receita de exportação e receita bruta total" quando o contribuinte escolhe o método de rateio proporcional. Vale a leitura do seguinte trecho do Recurso Voluntário em que demonstra, no meu convencimento, de forma verossímil, o equívoco cometido pela i. Fiscalização. Confira-se: “2.2 - Por se enquadrar na situação supramencionada, a Recorrente procedeu, então, à apuração dos referidos créditos presumidos de PIS e COFINS, utilizando, como base para tanto, os dados constantes nas suas EFDs-Contribuições, anexas ao presente recurso e que sempre estiveram disponíveis nos sistemas eletrônicos da RFB, nas quais constam as seguintes informações: a) no REGISTRO 0111, o valor correspondente a cada um dos tipos de receitas auferidas pela empresa (“Receita Tributada”, “Receita Não Tributada” e “Receita de Exportação”), obtendo-se, a partir daí, a “relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês”; b) nos BLOCOS A, C, D e F, as notas fiscais pertinentes às operações geradoras dos referidos créditos presumidos de PIS e COFINS, as quais são registradas sob os Códigos de Situação Tributária (CST) n. 62 (“Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada Exclusivamente a Receita de Exportação”) ou 66 (“Crédito Presumido - Operação de Aquisição Vinculada a Receitas Tributadas e Não- Tributadas no Mercado Interno, e de Exportação”); c) nos REGISTROS M105 e M505, os créditos presumidos de PIS e COFINS apurados pela empresa, mediante a aplicação das alíquotas previstas nos §§ 3º e 4º do art. 55 da Lei n. 12.350/20102, sobre o valor constante das notas fiscais, objeto do CST n. 62, e o montante resultante da aplicação da “relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês” sobre o valor das notas fiscais, objeto do CST n. 66. 2.3 - Com base nesses registros/informações, a Recorrente apurou, em relação ao 2º trimestre de 2013, o valor de R$ 236.103,81, a título de créditos presumidos de COFINS, conforme se comprova pelos registros supramencionados das suas EFDs- Contribuições (em anexo), abaixo consolidados: Fl. 494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 5 2.4 - Como se vê, a própria EFD-Contribuições da Recorrente contém a informação da base de cálculo a ser utilizada, para fins de apuração dos referidos créditos presumidos de PIS e COFINS, cujo sistema já calcula (e aplica) automaticamente a “relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês”, não se fazendo necessário, assim, que o contribuinte realize ajustes e/ou cálculos apartados, para a obtenção da “base de cálculo ajustada” prevista no § 8º do art. 55 da Lei n. 12.350/2010. 2.5 - Tanto é assim, que o próprio manual de preenchimento da EFD-Contribuições (versão 1.35), publicado em 18/06/20213, orienta (e esclarece) nesse sentido, senão vejamos: 2.6 - Logo, o pedido de ressarcimento de créditos presumidos de COFINS, no valor de R$ 236.103,81, é consentâneo com as notas fiscais e demais informações registradas na EFD-Contribuições da Recorrente e, por conseguinte, com a metodologia de cálculo preconizada pelo art. 55, I a III, §§ 7º e 8º, da Lei n. 12.350/2010. 2.7 - Ocorre que o Auditor Fiscal, ao analisar a questão, (re)aplicou sobre a “base de cálculo ajustada”, objeto dos REGISTROS M105 e M505 da EFD-Contribuições (ver itens 2.3 e 2.4 retros), a “relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês”, apurando, de forma inadequada, os aludidos créditos presumidos, diminuindo, assim, os valores a serem ressarcidos para a empresa, a tal título, senão vejamos: Fl. 495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 6 2.8 - Ao assim proceder, o Auditor Fiscal, além de inobservar a metodologia de cálculo estabelecida no art. 55, I a III, §§ 7º e 8º, da Lei n. 12.350/2010, para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS, desconsiderou as informações, valores e cálculos consignados nas EFDs-Contribuições da Recorrente, o que evidencia a insubsistência da “glosa”, ora combatida, e que foi equivocadamente respaldada pela 31ª Turma da DRJ08.” A Recorrente juntou, ainda, documentos comprobatórios às fls. 435/445. Por entender verossímeis as alegações da Recorrente demonstradas em sua peça recursal, pautada nos Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado, e levando em consideração o disposto no art. 16, § 4°, ‘c’, do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para fins de que a Unidade de Origem: i. Valide a autenticidade da EFD-Contribuições apresentadas, bem como os valores declarados e demonstrados na peça recursal; ii. Confirme os percentuais de rateio alegados pela Recorrente para o período em questão, em especial verificando o constante do Registro 0111 da EFD- Contribuições, a saber: (a) se na própria declaração já consta a "relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês", conforme disposto no § 8º do art. 55 da Lei nº 12.350/2010 e (b) se os percentuais declarados pela Recorrente coincidem com os registrados no sistema; iii. Verifique, também para o período em questão, o valor total das operações registradas nos Blocos A, C, D e F da EFD-Contribuições sob os códigos de situação tributária CST 62 (Crédito Presumido vinculado exclusivamente a receita de exportação) e CST 66 (Crédito Presumido vinculado a receitas tributadas, não tributadas e de exportação), a fim de se identificar a base bruta das operações geradoras de crédito presumido; iv. Confirme se os valores nos registros M105/M505 correspondem aos pleiteados pela recorrente; v. Caso entenda necessário, intimar a Recorrente para fornecer documentos e esclarecimentos que entenda necessários para sua análise; vi. Elabore parecer conclusivo indicando, de forma detalhada, se há valor glosado a ser revertido, com suas justificativas; e vii. Intimar a Recorrente do resultado da diligência, sendo-lhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação e considerações, após o qual o processo deverá retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.037 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13053.720155/2016-68 7 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Redator Fl. 497DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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11310318 #
Numero do processo: 10540.722058/2012-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, § 6°, DO RICARF. Não se conhece de Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, pois não resta demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada.
Numero da decisão: 9303-017.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso dos sujeitos passivos Gado Bravo Administração e Participação LTDA, Eduardo Antônio Parera Sá e Agropecuária Seival LTDA. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente),
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-16T00:18:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-16T00:18:41Z; Last-Modified: 2026-04-16T00:18:41Z; dcterms:modified: 2026-04-16T00:18:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-16T00:18:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-16T00:18:41Z; meta:save-date: 2026-04-16T00:18:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-16T00:18:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-16T00:18:41Z; created: 2026-04-16T00:18:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2026-04-16T00:18:41Z; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-16T00:18:41Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10540.722058/2012-04 ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 27 de novembro de 2025 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECORRENTE BIOPAR S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, § 6°, DO RICARF. Não se conhece de Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, pois não resta demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso dos sujeitos passivos Gado Bravo Administração e Participação LTDA, Eduardo Antônio Parera Sá e Agropecuária Seival LTDA. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente), RELATÓRIO Trata-se de Recursos Especiais de divergência interpostos tempestivamente à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com fulcro no art. 64, inciso II (Anexo II), do Fl. 7233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 2 RICARF/2015, em face do Acórdão nº 1401-001.574, julgado 3 de março de 2016, e do Acórdão em Embargos nº 1401-003.409, julgado de 15 de maio de 2019: Acórdão nº 1401-001.574 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que os sujeitos passivos tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo e que os acréscimos legais exigidos foram corretamente calculados e devidamente explicados nos autos de infração, proporcionando-lhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideram-se irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ALEGAÇÃO INFIRMADA. É inconsistente a alegação de que os fatos apontados pelas autoridades fiscais deveriam, necessariamente, conduzi-las a direcionar o lançamento para outro sujeito passivo, na condição de contribuinte, haja vista que a infração verificada na empresa fiscalizada foi perfeitamente caracterizada, não cabendo aqui cogitar- se das possíveis repercussões que um hipotético lançamento precedente, caso realizado contra pessoa jurídica distinta, poderia trazer ao presente lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUO. ART 173, I DO CTN. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame do fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para lançamento, cinco anos, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação desloca-se esta regência para o art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial do prazo de decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. ART. 124, I, DO CTN. A existência de ajustes entre as partes, com intuito de sonegação, fraude e conluio, evidencia o interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesta situação, o fisco deve vincular as partes na condição de sujeitos passivos solidários pelo crédito tributário resultante. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A comprovação nos autos da existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, por parte dos interessados Fl. 7234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 3 apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao contribuinte, caracteriza a solidariedade e justifica a reunião das empresas e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. Respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. O ganho de capital obtido na alienação de bem do ativo imobilizado constitui resultado não operacional a ser acrescido ao lucro presumido, para efeito de cálculo do imposto de renda, e corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, independentemente de qualquer iniciativa da pessoa jurídica, no sentido de alterar o objeto social da empresa e de transferir o referido bem para o ativo circulante, segundo critérios de sua conveniência, sob a alegação de que seriam destinados à venda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC está amparada em lei ordinária e não contraria disposições constitucionais. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Constou do dispositivo da decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento, Fl. 7235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 4 mantendo a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho que desqualificavam a multa de ofício; II) por unanimidade de votos, NEGAR provimento, mantendo a responsabilidade dos sócios. Os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho votaram pelas conclusões; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias de mérito. Acórdão de Embargos n° 1401-003.409 EMBARGOS.OMISSÃO. CABIMENTO. Cabível o acolhimento de embargos relativo à omissão do acórdão recorrido. Supre-se a omissão pela decisão formalização de decisão no sentido de suprir a omissão apontada. PEDIDO DE PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO VALOR VENAL DE IMÓVEL. DESNECESSIDADE. Descabe a realização de perícia para definir o valor de imóvel objeto de venda pelo contribuinte quando o valor utilizado pela fiscalização foi estabelecido pelo próprio contribuinte e pelo respectivo adquirente em escritura de compra-e-venda do bem em questão que abrangeu a integralidade do imóvel. Constou do dispositivo da decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, suprindo a omissão levantada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. Em Recurso Especial, os solidários Gado Bravo Administração e Participação Ltda., Eduardo Antônio Parera Sá, Luís Carlos Cheverria Piva e Agropecuária Seival Ltda, suscitaram divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: (1) “Necessidade de comprovação cabal, no Relatório Fiscal, da presença de dolo, fraude ou simulação para a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, no que diz respeito ao prazo decadencial para lançamento de suposto crédito tributário”, com Acórdão paradigma nº 2401- 003.892: Acórdão paradigma nº 2401-003.892, de 2015: DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NORMA APLICÁVEL. Quando a decisão recorrida cita a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para fundamentar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal apresente cabalmente que, na sua conduta, o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração, e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4º do art. 150 do CTN. (2) “Impossibilidade de responsabilização solidária da Recorrente com base no art. 124, I, do CTN”, com Acórdãos paradigmas nº 1101-00.773, de 2012 e 1402-001.237, de 2012: Fl. 7236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 5 Acórdão paradigma nº 1101-00.773, de 2012: ARTIGO 124 DO CTN. O art. 124, ao mencionar “interesse comum”, diz interesse idêntico, e isso significa que, para serem solidários, as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. [...]. Enfim, ao dizer "interesse comum", o art. 124 do CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co-realizam o fato gerador. Dito de outra forma: só existe interesse idêntico, se as pessoas co-realizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador, o procurador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios/administradores/procuradores são terceiros que não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. Acórdão paradigma nº 1402-001.237, de 2012: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I do art. 124 do CTN prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como aquela que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. (3) “Impossibilidade de responsabilização da Recorrente com base no art. 135, III, do CTN (a responsabilização se aplica apenas em relação à pessoa física, e não à pessoa jurídica/a responsabilização se aplica somente nos casos de inadimplemento da pessoa jurídica)”, com Acórdão paradigma nº 1101-00.773, de 2012 e 1101-000.754, de 2012: Acórdão paradigma nº 1101-00.773, de 2012 ARTIGO 135 DO CTN O art. 135 do CTN estabelece uma responsabilidade subsidiária, para os terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre sonegação ou para terceiros que dissipam irregularmente patrimônio de empresa devedora do Fisco. Sendo responsabilidade subsidiária, esta só se completa quando não seja possível cobrar da empresa. Acórdão paradigma nº 1101-000.754, de 2012 SÓCIO ADMINISTRADOR. ARTIGO 135, III, DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL E EXCLUSIVA. A responsabilidade prevista no artigo 135, inciso III, do CTN é pessoal e exclusiva do sócio administrador que age com exacerbação de poderes ou em Fl. 7237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 6 contrariedade à lei ou aos atos constitutivos. Descabe o Fisco pugnar pela solidariedade deste com a pessoa jurídica, arrimado no dispositivo legal citado, mormente quando inexista demonstração cabal de circunstância autorizativa dessa responsabilização, inconfundível com a mera apuração ou omissão de receitas. (4) “Inocorrência de conluio/simulação/fraude na operação”, Acórdão paradigma nº 1402-002.874, de 2018 Acórdão paradigma nº 1402-002.874, de 2018 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULA CARF Nº 14. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Não obstante o conteúdo da Sumula CARF nº 14, é necessária a comprovada ocorrência de fraude e dolo para a devida aplicação da previsão contemplada no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. (5) “Preliminar de nulidade do auto de infração – inadequada identificação do sujeito passivo – art. 142 do CTN”, Acórdão paradigma nº 2401-006.223, de 2019 e 2403- 001.871, de 2013: Acórdão paradigma nº 2401-006.223, de 2019: IRPF. ERRO DA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. CESSÃO DE DIREITO. GANHO DE CAPITAL. SUBSUNÇÃO DO FATO A NORMA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O erro na subsunção da norma ao fato e na forma de tributação constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Acórdão paradigma nº 2403-001.871, de 2013: VÍCIO MATERIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Ocorre vício material quando não preenchidos corretamente os requisitos constantes no art. 142 do Código Tributário Nacional. O r. Despacho de Admissibilidade de e-fls. 6668/6677 deu seguimento parcial ao recurso: (2) “impossibilidade de responsabilização solidária da Recorrente com base no art. 124, I, do CTN” (...) 10. No que se refere a essa segunda matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. Fl. 7238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 7 11. Enquanto a decisão recorrida entendeu que o fato de as sociedades e pessoas físicas serem ligadas e constituírem grupo econômico, além da demonstração de conluio e fraude perpetrado por elas e presumido conhecimento de toda a operação simulada, [...] já demonstra o interesse comum delas, consoante art. 124, I, do CTN, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1101-00.773, de 2012, e 1402-001.237, de 2012) decidiram, de modo diametralmente oposto, que o art. 124, ao mencionar “interesse comum”, diz interesse idêntico, e isso significa que, para serem solidários, as pessoas precisam co-realizar o fato gerador (primeiro acórdão paradigma) e que a caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I do art. 124 do CTN prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como aquela que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação (segundo acórdão paradigma). (3) “impossibilidade de responsabilização da Recorrente com base no art. 135, III, do CTN (a responsabilização se aplica apenas em relação à pessoa física, e não à pessoa jurídica/a responsabilização se aplica somente nos casos de inadimplemento da pessoa jurídica)” 12. No tocante a essa terceira matéria, também ocorre, em parte, o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 13. Enquanto a decisão recorrida entendeu que respondem solidariamente pelos créditos correspondentes à obrigação tributária da pessoa jurídica, os sócios que, na condição de administradores, praticarem atos com excesso de poderes ou infração à lei, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1101-00.773, de 2012, e 1101-000.754, de 2012) decidiram, de modo diametralmente oposto, que o art. 135 do CTN estabelece uma responsabilidade subsidiária, para os terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre sonegação ou para terceiros que dissipam irregularmente patrimônio de empresa devedora do Fisco (primeiro acórdão paradigma) e que a responsabilidade prevista no artigo 135, inciso III, do CTN é pessoal e exclusiva do sócio administrador que age com exacerbação de poderes ou em contrariedade à lei ou aos atos constitutivos (segundo acórdão paradigma). 14. Já no referente à questão de a responsabilização prevista no art. 135, III, do CTN se aplicar apenas em relação à pessoa física, e não a pessoa jurídica, como pretende a Recorrente, além de se tratar de matéria que não foi prequestionada, não há qualquer discussão a esse respeito nos acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1101-00.773, de 2012, e 1101-000.754, de 2012). (...) 31. Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos arts. 18, inciso III, c/c 68, § 1º, ambos do Anexo II do RI/CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ADMITO, EM PARTE, os Recursos Especiais interpostos, no que se refere Fl. 7239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 8 às matérias: (2) “impossibilidade de responsabilização solidária da Recorrente com base no art. 124, I, do CTN”; e (3) “impossibilidade de responsabilização da Recorrente com base no art. 135, III, do CTN (a responsabilização se aplica somente nos casos de inadimplemento da pessoa jurídica)”. Proposto o Agravo, a negatividade de seguimento foi mantida. O Contribuinte Biopar S/A apresentou Recurso Especial, que não foi conhecido. Em agravo, a negatividade de seguimento também foi mantida. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional defende o não conhecimento do recurso em razão da necessidade de revolvimento probatório. Em petição de e-fls. 7059-s, os sujeitos passivos apresentam o que denominam de “prova nova” e requerem: i. o recebimento e a admissão da presente petição e dos documentos com ela juntados (especialmente a DIAT-ITR entre pela BIOPAR S/A e relativa à Fazenda Gado Bravo por ela Biopar adquirida e alienada em 2007), com base no Princípio da Verdade Material e do Formalismo Moderado; ii. a intimação da PGFN para, querendo, apresentar manifestação, prestigiandose o contraditório e a ampla defesa que informa o processo administrativo; iii. ao final, o provimento do Recurso Especial, reformando-se o Acórdão Recorrido para decretar a inexistência de responsabilidade pessoal e solidária atribuída aos Requerentes em face da nulidade absoluta da autuação fiscal lavrada contra a Biopar S/A por ferir dispositivo legal expresso, decretando-se, ao final, a extinção do crédito tributário de IRPJ e CSLL discutido nesses autos. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O Recurso Especial é tempestivo, contudo adiante cabe digressão quanto ao seu conhecimento. Na origem, foi lavrado auto de infração decorrente da falta de apuração e tributação do ganho de capital decorrente da alienação de uma área de terra denominada Fazenda Gado Bravo, realizada em 21/09/2007, pela Autuada (Biopar S/A), para a Agrícola Xingu S/A. Houve o lançamento do IRPJ/CSLL, relativo ao 3° trimestre do ano calendário de 2007, 3° trimestre do ano calendário de 2008, 2° trimestre do ano calendário de 2009 e 2° trimestre do ano calendário de 2010. Fl. 7240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 9 A referida operação de venda foi feita parceladamente, sendo a 1ª parcela, no valor de R$11.655.000, em 21/09/2007; as 2ª, 3ª, 4ª e 5ª parcelas, todas no valor de R$4.275.000,00, em 14/07/2008; a 6ª parcela, no valor de R$10.320.000,00, em 17/06/2009; e a 7ª parcela, no valor de R$7.440.000,00, em 21/06/2010, totalizando R$46.515.000,00. Esses valores foram contabilizados como receita da atividade, pelo regime de caixa, e tributados com base no lucro presumido, reduzindo, indevidamente, segundo a fiscalização, a base de cálculo dos tributos. Já os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram lavrados para responsabilizar os sócios da Autuada (em todos os períodos ou em parte deles): o Sr. Eduardo Antônio Parera Sá, o Sr. Luís Carlos Echeverria Piva e as pessoas jurídicas Gado Bravo Administração e Participação Ltda. e Agropecuária Seival Ltda., todas ligadas entre si e integrantes de um mesmo grupo econômico. Diante dessa síntese fática dos autos, cabe registrar que, nos termos do art. 118, § 6°, do RICARF, cabe Recurso Especial se demonstrada a divergência jurisprudencial, com relação a acórdão paradigma que, enfrentando questão fática semelhante, tenha dado à legislação interpretação diversa. Além disso, não cabe o acesso à instância recursal superior para o reexame de material probatório. Isso porque a divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, pois, na apreciação da prova, o julgador forma livremente a sua convicção, conforme dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do Recurso Especial não se estabelece em matéria de reexame de prova, mas, sim, na interpretação divergente de normas tributárias. A pretensão de simples reexame de prova, quando demonstrado que o colegiado entendeu não serem suficientes, não enseja recurso especial. (Acórdão n° 9202-003.990, j. 11/03/2016, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Por isso, das situações fáticas que tenham seu conjunto probatório específico decorrem decisões diferentes, cujos fundamentos não são a interpretação diversa da legislação tributária, mas sim os próprios fatos probantes valorados em cada um dos julgados. Postas essas premissas, passo à análise da admissibilidade do Recurso Especial a seguir. Entretanto, apenas registro que não conheço dos argumentos da petição de e-fls. 7059, pois o Recurso Especial tem como escopo uniformizar o entendimento de interpretação da legislação tributária e não a análise de prova não produzida e não analisada pelos Colegiados a quo. Fl. 7241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 10 Impossibilidade de responsabilização solidária da Recorrente com base no art. 124, I, do CTN Do cotejo entre as decisões, é de fácil constatação a inexistência de divergência. Confira-se o voto condutor do acórdão recorrido: Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Antes de tudo, ressalte-se que não cabe aqui responder as indagações feitas pelo Impugnante. Ademais, todas as perguntas formuladas referem-se ao procedimento adotado pela Autuada, questionando, caso a intenção fosse a venda do imóvel, se não teria sido mais fácil ter se utilizado de outros expedientes. Ora, ninguém mais apropriado do que a própria Biopar, assim como os demais envolvidos nos ilícitos cometidos, entre os quais se encontra o Sr. Luís Carlos Piva, que também atua como advogado das empresas do grupo econômico, para esclarecer as verdadeiras razões que os fizeram optar pela estratégia seguida pelo grupo. Já a análise do litígio por este órgão julgador deve cingir-se aos autos do processo, através do exame dos fatos descritos e dos documentos e elementos de prova coligidos. Insiste o Sr. Luís Carlos Piva na tese de que o raciocínio fiscal levaria inevitavelmente à tributação da distribuição disfarçada de lucros realizada pela Agropecuária Seival a acionista controlador. Esse assunto já foi devidamente discutido anteriormente, além do que a distribuição disfarçada de lucro de que se fala não teria ocorrido quando da transferência da Fazenda Gado Bravo, da Agropecuária Seival para a Biopar, a título de integralização de capital, mas sim no momento em que a primeira alienou ações da segunda, para seu sócio, o Sr. Eduardo Sá, por valor inferior ao de mercado, razão pela qual a transação foi dissimulada através da aparente interposição no negócio do Sr. Luís Carlos Piva. De qualquer sorte, repita-se, os agentes fiscais não "escolheram" realizar o lançamento na Biopar (ganho de capital), ao invés de fazê-lo na Agropecuária Seival (distribuição disfarçada de lucros), como faz questão de frisar o Impugnante. Aliás, tudo indica, diante de todas as informações disponíveis, que caso a fiscalização ocorresse na Agropecuária Seival, sobreviria fato imponível decorrente de distribuição disfarçada de lucro, até porque as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, direta ou indiretamente, lançaram mão de diversos artifícios para escondê-la. Frise-se que é infundada a afirmação do Sr. Luís Carlos de Piva de que se a distribuição disfarçada de lucros fosse imputada à Agropecuária Seival, esta detinha patrimônio capaz de responder por isso. Essa declaração, na verdade, é insustentável, na medida em que a situação financeira da empresa era precaríssima. A Agropecuária Seival, que deteve por muito tempo a propriedade da Fazenda Gado Bravo, acumulava ao longo dos anos enorme prejuízo fiscal decorrente de sua atividade rural. Ao menos em 2007 e 2008, precisou receber empréstimos da empresa Fl. 7242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 11 Gado Bravo (as duas empresas eram controladas pelo Sr. Eduardo Sá), sem os quais não conseguiria sequer saldar suas obrigações. À época, a empresa já não mais desenvolvia suas atividades operacionais. Talvez mesmo por essa incapacidade patrimonial e financeira da Agropecuária Seival é que os Impugnantes agora propõem que sobre ela recaia a tributação. No entanto, em ação fiscal direcionada à Biopar, logrou-se identificar como resultado final de um planejamento tributário ilícito que a empresa fiscalizada alienou a Fazenda Gado Bravo (bem este cuja natureza era de ativo imobilizado) e deixou de apurar o respectivo ganho capital (receita não operacional) e de submetê-lo à tributação, preferindo empreender ações no sentido de alterar as características essenciais do fato gerador, visando a configurá-lo como referente a outro tipo de negócio, o que lhe proporcionaria redução no montante do imposto devido. Apurado o ganho de capital, resultante da diferença entre o valor pago pelo imóvel e o valor do custo registrado contabilmente pela Biopar, foi corretamente constituído, em nome desta e dos demais responsáveis solidários, o respectivo crédito tributário por meio do lançamento, não se cogitando de possíveis repercussões advindas de um hipotético lançamento anterior (não ocorrido), que poderia, se fosse o caso, ter sido realizado na Agropecuária Seival. Assim sendo, e ao contrário do que alegou o Impugnante, os negócios reputados como fraudulentos não permaneceram incólumes. Eles foram devidamente identificados, desmascarados e a tributação incidiu sobre a base de cálculo apurada em função dos negócios reais, dissimulados, e não baseados nos resultados oriundos dos atos simulados. Por outro lado, não deixa de ser, no mínimo, curioso que, em virtude de seus indesejáveis reflexos tributários, uma operação antes planejadamente ocultada, inclusive, por meio da prática de ações ilegítimas, agora por pura conveniência da estratégia de defesa montada pelo grupo econômico e seus integrantes venha a ser alardeada e seus efeitos ardilosamente desejados. Em comum aos dois comportamentos distintos (antes e depois da ação fiscal), somente o claro objetivo perseguido: esquivar-se do pagamento de tributos. Na condição de sócio da Biopar, o Sr. Luís Carlos Piva, que inicialmente possuía apenas 4.000 ações de uma sociedade de pequeno capital social e sem nenhum patrimônio, pouco tempo depois, adquiriu da Agropecuária Seival mais 50.925 ações da Biopar, passando a deter 54.925 ações, agora de uma empresa bem mais atraente, em face da incorporação ao seu patrimônio da valiosa Fazenda Gado Bravo. E isso sem que o sócio da Biopar precisasse despender um centavo sequer, pois seu débito com a Agropecuária Seival, no valor irrisório de R$75.855,00 (se comparado ao valor de mercado do imóvel e, consequentemente, das ações), que esta empresa registrou no seu ativo como valor a receber, acabou sendo compensado com a dívida da mesma empresa para com a "Piva S/C Advocacia", uma sociedade civil de advogados contratada para prestar serviços à Agropecuária Seival e da qual participava o Sr. Luís Carlos Piva, revelando confusão entre os patrimônios da sociedade civil e do Sr. Luís Carlos Piva. Fl. 7243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 12 Alienada a Fazenda Gado Bravo, o Sr. Luís Carlos Piva passou a receber anualmente (de 2007 a 2010), a cada desembolso da empresa compradora (Agrícola Xingu), a título de distribuição de lucros, parcelas correspondentes a sua participação societária na Biopar, que importaram no valor total de R$4.291.015,44, consoante dados extraídos da contabilidade da Biopar. Por si sós, os fatos aqui relatados demonstram o interesse comum do Sr. Luís Carlos Piva, seja esse interesse comum entendido como um interesse meramente econômico, relativo ao proveito financeiro obtido, ou como interesse jurídico, atrelado à efetiva participação do sócio da Biopar nos atos que desaguaram na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, confirmando o acerto de sua inclusão no rol das pessoas solidariamente responsáveis pelo crédito tributário lançado, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Desse modo, cabe repetir por relevante, a gama de indícios presentes nos autos leva à firme convicção de que as empresas ainda que com a aparência de unidades autônomas atuavam de forma complementar, no intuito de desempenhar as atividades inerentes ao grupo econômico do qual faziam parte, revelando vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, enfim, caracterizando evidente interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Além do que, constata-se que todos os interessados atuaram em conluio, inclusive os sócios-administradores, praticando fraudes de forma a ilicitamente alterarem o objeto social da empresa autuada e assim fugirem ao ganho de capital, ao tentarem dar uma roupagem diferente à venda da Fazenda querendo fazer crer que se trataria de receitas da atividade operacional da empresa, diminuindo assim significativamente o tributo a pagar. Dessa forma, está bem caracterizada as hipóteses legais previstas nos dispositivos citados. Como se observa do voto condutor, a principal causa da responsabilização com base nos art. 124, I, e do art. 135, III, do CTN decorreu da comprovação da atuação fraudulenta dos Recorrentes: “todos os interessados atuaram em conluio, inclusive os sócios-administradores, praticando fraudes de forma a ilicitamente alterarem o objeto social da empresa autuada e assim fugirem ao ganho de capital, ao tentarem dar uma roupagem diferente à venda da Fazenda querendo fazer crer que se trataria de receitas da atividade operacional da empresa, diminuindo assim significativamente o tributo a pagar.” Por sua vez, o paradigma n° 1101-00.773 analisou a responsabilização decorrente de omissão de receita decorrente de depósitos de origem não comprovada. Consta no voto condutor do acórdão paradigma n° 1101-00.773, que o Termo de Sujeição é nulo, independente da análise da solidariedade da responsabilização, porquanto o termo de sujeição passiva solidária não intima os sujeitos passivos para recolher ou impugnar, apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo. Confira-se o voto condutor: Fl. 7244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 13 Inicialmente, cabe considerar que, em razão da responsabilização, os terceiros foram colocados no polo passivo e podem participar do processo administrativo. Tal participação, com certeza, pode versar ao menos sobre a pertinência ou não de sua inclusão (ou tentativa de inclusão) no polo passivo, em razão a lavratura do termo nominado de "termo de sujeição passiva solidária "ou da menção do responsabilizado no auto de infração. Mas, restaria saber se eles poderiam participar, em quais circunstância, da discussão do mérito da autuação. Quanto a essa questão, se de fato forem sujeitos passivos solidários, certamente deveriam poder participar da discussão sobre o auto de infração. Em consequência, se de fato forem sujeitos passivos solidários, deveriam ter sido intimados a recolher ou recorrer, nos mesmos termos em que o foi a empresa. Porém, cabe notar que o termo de sujeição passiva solidária não intima os apontados para recolher ou impugnar. O termo apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo à exigência. Portanto, independente do posicionamento sobre caber ou não a solidariedade, os termos de sujeição passiva solidária, ora analisados, são nulos. Para quem entenda que existe a solidariedade, há o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com redução da multa. Para quem entende que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. Inclusive, por oportuno, vale destacar que, caso o fiscal pretendesse intimar os apontados como devedores solidários, deveria ter nominado o documento de "intimação" e não de "termo". De fato, a expressão "termo" serve para referenciar documento que descreve uma situação. Já a expressão "intimação" serve para veicular exigência. Por isso, o próprio nome utilizado no presente caso induz os apontados como solidários a erro e prejudica sua defesa. Isso porque sugere uma situação estática onde apenas haveria uma constatação de situação, cujos efeitos deveriam/poderiam ocorrer ser adiante, e por outros meios, efetivados, quando então se permitiria a defesa. Em resumo, se o fiscal pretendesse que os apontados fossem tratados como sujeitos passivo, deveria lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação. Ou, ainda, deveria ter nominado os responsabilizados no auto de infração, junto com a empresa. Mas, de modo algum poderia lavrar um termo ou nominar de termo outro tipo de documento. Mesmo se abstraindo do equívoco do nome dado ao documento, constata-se que ele também é falho materialmente. Isso porque omite requisito legal essencial para apontar alguém no polo passivo. Conforme o inciso V do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, é elemento do auto de infração a intimação para cumprir ou Fl. 7245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 14 impugnar a exigência. A ausência deste requisito torna o auto (termo) nulo em relação aos dois apontados como sujeitos passivos solidários. Logo, ainda que o voto vencedor do paradigma fixe a interpretação dos requisitos do art. 124, I, do CTN, indubitavelmente, está-se diante de fundamentação autônoma suficiente para o cancelamento do termo de sujeição lá naqueles autos: Da leitura do art. 124, percebe-se seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os coproprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os coadquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que co- realizam o fato gerador. (...) Em resumo, por tais razões, voto por conhecer de ofício da imputação de responsabilidade, mesmo nos casos em que o responsabilizado não apresentou recurso, e por declarar a nulidade de todas as responsabilizações de terceiros. Ademais, o Redator do voto vencedor do paradigma aponta segunda causa de nulidade da atribuição de responsabilidade, que é a ausência de prova produzida pela fiscalização: A única possibilidade dos dois artigos constarem da mesma acusação seria ficar cabalmente demonstrado que o apontado como responsável solidário atende às hipóteses de incidência de ambos os artigos. Mas, no presente caso, isso não foi feito pela fiscalização. Inclusive, não houve nenhuma preocupação do Fisco em demonstrar que os apontados atendiam aos requisitos de um e do outro artigo, quanto mais dos dois ao mesmo tempo. Ou seja, para o fiscal ter imputado solidariedade aos apontados com base nos dois dispositivos deveria ter explicado como eles se relacionam com as situações alcançadas em cada artigo. Mas, isso não é observado no termo de sujeição passiva. Nesse documento se constata apenas a descrição de alguns eventos ocorridos durante a fiscalização, sem qualquer explicação sobre quais destes eventos realizam a hipótese do inciso I do art. 124 e quais eventos realizam a hipótese do art. 135. Comisso, há evidente prejuízo para a defesa que não sabe ao certo qual situação deve refutar ou esclarecer. Por oportuno, vale lembrar que, sendo a presente questão tão complexa e com tão ampla divergência doutrinária e jurisprudencial, caberia ao fiscal ter sido o mais claro o possível. Inclusive, não bastaria demonstrar como cada uma das hipóteses de incidência teria sido realizada pelos sócios e procuradores, mas seria conveniente que definisse o alcance de cada dispositivo. Só assim, ficaria evidenciada a regra aplicada e só assim seria permitida a defesa. A ausência de explicações sobre o alcance da regra e a ausência de demonstração de realização da hipótese de incidência também implica na nulidade do ato. Fl. 7246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 15 Diante dessas constatações, entendo que a divergência não se estabelece em relação a esse paradigma. O paradigma n° 1402-001.237 analisou a responsabilização decorrente das seguintes infrações: (i) Omissão de receitas caracterizada por pagamentos de despesas efetuados com recursos estranhos à contabilidade; (ii) Omissão de receitas relativa às exigibilidades não comprovadas - valores que aumentaram o passivo, não documentadas ou cuja origem não pode ser determinada ou cuja aplicação em atividades operacionais de empresas do Grupo instaladas no Brasil não ficou comprovada; (iii) Custos ou despesas não comprovadas e glosa de despesas desnecessárias, que são as despesas bancárias e com juros não comprovadas ou relativas a empréstimos que não ingressaram no Brasil para aplicação nas atividades operacionais de empresas do Grupo e (iv) Exclusões/ Compensações não autorizadas na apuração do lucro real, exclusões indevidas, variações cambiais passivas, operação liquidadas. Redução indevida do lucro real em virtude da exclusão de valor não comprovado, referente a variações cambiais passivas de operações liquidadas. Já a responsabilização foi atribuída em razão de: a) mesmo controle societário na época da ocorrência dos fatos geradores; b) revezamento das mesmas pessoas no comando das empresas do Grupo, inclusive na administração ; c) o fato de que uma delas está inscrita no CNPJ como “holding” e, portanto, não possuem receitas próprias; e d) a configuração de uma sociedade de fato entre as empresas e a dependência econômica. De antemão, já se verifica uma distinção fática importante entre o acórdão recorrido e o paradigma n° 1402-001.237, que é a inexistência da acusação de fraude: Em regra, deve-se buscar a responsabilidade tributária enquadrando-se o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 138, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois trata-se de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostra-se inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Fl. 7247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 16 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico, mas sim jurídico, entendendo-se como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância, por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame da coobrigada com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. Mesmo que fosse superada essa questão, restaria a análise das razões que levaram a Fiscalização ao entendimento quando à existência da responsabilidade solidária da recorrente. Contudo, há circunstância específica no referido paradigma que inibe o conhecimento do recurso com base nele. Trata-se da existência de decisão judicial que proíbe a atribuição de responsabilidade. Transcrevo o voto condutor do paradigma: A recorrente ingressou com pedido de recuperação judicial e dentre as medidas previstas no respectivo Plano encontrava-se a alteração do seu controle acionário, detido então pela PPL (também em recuperação judicial), que seria alienado judicialmente a terceiros, dentro do processo judicial. Tal operação foi efetivada em abril de 2006, tendo sido o controle acionário da Impugnante alienado à sociedade Lácteos do Brasil S/A. Essa última requereu, junto ao respectivo Juízo, a declaração incidental no sentido de que a empresa recuperanda recorrente não se encontraria suscetível à responsabilização por obrigações de terceiros. Após manifestação inicial, objeto de embargos de declaração, o magistrado decidiu nos seguintes termos (destaque acrescido): Acolho os embargos de declaração especificando que decisão embargada ao acolher o pedido, teve por finalidade declarar que a LÁCTEOS e as unidades que adquiriu não são sucessoras, da vendedora, de quaisquer ônus decorrentes de quaisquer obrigações, nos termos do art. 61, "caput" e parágrafo único, da Lei n. 11.101/05 e evidentemente que não dela mesma. Fl. 7248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 17 O art. 60, da Lei nº 11.101/05 (e não o art. 61, mencionado por lapso) estabelece: Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1° do art. 141 desta Lei. Do até aqui exposto, em sentido diverso ao pronunciamento da decisão recorrida entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de abrigo judicial para não ser responsabilizada por dívidas tributárias da autuada. Assim, não observo a similitude fática entre os julgados. Em suma, voto por não conhecer do recurso especial nessa matéria. Impossibilidade de responsabilização da Recorrente com base no art. 135, III, do CTN (a responsabilização se aplica somente nos casos de inadimplemento da pessoa jurídica) Em relação ao paradigma n° 1101-00.773, além das considerações tecidas no tópico anterior, cuja conclusão foi pela inaptidão do paradigma n° 1101-00.773 para a comprovação da divergência, para esta matéria, o Relator do paradigma consignou argumento autônomo, no sentido de que a responsabilização seria aplicável em caso de fraude, logo não diverge do posicionamento do acórdão recorrido: Cabe agora analisar o art. 135, também mencionado no termo. (...) Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1°) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2°) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece ponderado que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, resta claro que um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Fl. 7249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 18 Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a atuação da pessoa que será responsabilizada tenha a ver com este débito tributário pelo qual responderá ou com o inadimplemento absoluto. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estariam alcançadas pelo dispositivo é a pessoa estar no comando da empresa quando a empresa sonega tributos (oculta do fisco a ocorrência de fatos tributáveis). Agora, juntando os dois elementos (esta conduta e a finalidade da regra de proteger o Fisco do inadimplemento absoluto), tem-se que para responsabilizar o gerente ou administrador é preciso que o débito tributário decorra de sonegação, que ele tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. Outra conduta passível de responsabilizar seria a dissipação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Em termos práticos, conclui-se que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplica-se, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação ou quando ocorre a dissipação irregular do patrimônio de empresa devedora do Fisco. No caso concreto, não há qualquer demonstração de sonegação ou de dissipação irregular e também não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito. Portanto, não está demonstrado que os fatos correspondem ao descrito no art. 135 e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador. Deste modo, o art. 135 não fornece base legal para o "termo de sujeição passiva solidária". Por conseguinte, o paradigma fundamenta-se na ausência de prova, o que leva à constatação da falta de similitude fática. No tocante ao paradigma n° 1101-000.754, o Colegiado analisou omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. No tocante à responsabilização, a ótica analisada nesse paradigma foi se a omissão de receita por si só atrai a aplicação do art. 135, III, do CTN. O Colegiado entendeu que não, além de consignar a ausência de prova da hipótese legal. Observe-se o voto condutor: De fato, as pessoas arroladas no estresido artigo adquirem responsabilidade pessoal à medida que praticam atos com excesso de poderes ou em infração à lei e aos atos constitutivos da pessoa jurídica. Ao extrapolarem o mister de gerência Fl. 7250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 19 e de representação da sociedade, os referidos sujeitos acabam por suportar, em lugar da sociedade, os reflexos da infração fiscal a que deram exclusiva causa. Logo, se o Fisco intentar atribuir responsabilidade aos citados administradores, não poderia, logicamente, autuar a pessoa jurídica, face ao disposto no artigo 135, III, do CTN. A menção ao artigo 124, inciso I, do Codex não altera esse cenário, eis que esse preceito sequer devesse se aplicar, haja vista não se poder vislumbrar de qualquer interesse comum na situação constitutiva dos fatos geradores da obrigação. Salvo contrário, estar-se-ia dirimindo, insidiosamente, a autonomia da personalidade jurídica, fazendo confundir esta com os interesses dos sócios administradores. De toda maneira, creio não ser o caso de aplicação da responsabilização pessoal dos gerentes. Não há, no caso, demonstração de que estes agiram em efetiva exacerbação de seus poderes contratuais ou estatutários, de forma deliberada. Não é a simples omissão de receitas que poderá constituir autorização para a cominação da regra do artigo 135 do CTN. Imaginar que os sócios administradores possam responder por quaisquer créditos fiscais derivados de omissão de receitas significaria expandir sobremaneira o alcance do preceito em estudo. A responsabilização dos sócios, por pessoal, operada nessas condições, levaria à insidiosa interpretação de que a pessoa jurídica jamais responderia por passivos lançados por força de averiguação de rendimentos sonegados. A clandestinação parcial das bases de cálculo, fosse entendida sempre como fruto de atividade gerencial “resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, levaria à impunidade potencial da pessoa jurídica e, em última análise, ao esvaziamento da independência patrimonial desta. Ratifica nosso posicionamento o fato de parte das exigências em debate terem fulcro em simples presunção omissiva, encampada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Inexistindo prova direta da infração, não há que se falar, obviamente, em demonstração das circunstâncias permissivas da responsabilização pessoal, necessariamente atreladas a dolo específico dos administradores. Entendo pela ausência de similitude fática. Em acréscimo, observo a falta de acusação de sonegação e a ausência da constituição de grupo econômico, que são dois fatos jurídicos presentes na situação analisada do acórdão recorrido. Assim, voto por não conhecer do recurso especial também nessa matéria. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso dos sujeitos passivos Gado Bravo Administração e Participação LTDA, Eduardo Antônio Parera Sá e Agropecuária Seival LTDA. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 7251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.054 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10540.722058/2012-04 20 Fl. 7252DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11300674 #
Numero do processo: 15586.720084/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/02/2008, 30/04/2008, 03/05/2008, 01/07/2008, 31/07/2008, 29/08/2008, 03/09/2008, 30/09/2008, 29/10/2008, 30/10/2008, 24/12/2008, 30/01/2009, 30/04/2009, 31/07/2009, 25/08/2009, 19/09/2009, 30/10/2009, 10/02/2010, 11/02/2010, 20/11/2010, 21/04/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE. PROCESSO PRINCIPAL. DECISÃO DEFINITIVA. Comprovada, no processo principal relativo à homologação da compensação, a ocorrência de falsidade nas declarações apresentadas pelo contribuinte, é cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-015.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Winderley Morais Pereira, Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/02/2008, 30/04/2008, 03/05/2008, 01/07/2008, 31/07/2008, 29/08/2008, 03/09/2008, 30/09/2008, 29/10/2008, 30/10/2008, 24/12/2008, 30/01/2009, 30/04/2009, 31/07/2009, 25/08/2009, 19/09/2009, 30/10/2009, 10/02/2010, 11/02/2010, 20/11/2010, 21/04/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE. PROCESSO PRINCIPAL. DECISÃO DEFINITIVA. Comprovada, no processo principal relativo à homologação da compensação, a ocorrência de falsidade nas declarações apresentadas pelo contribuinte, é cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Winderley Morais Pereira, Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE. PROCESSO PRINCIPAL. DECISÃO DEFINITIVA. Comprovada, no processo principal relativo à homologação da compensação, a ocorrência de falsidade nas declarações apresentadas pelo contribuinte, é cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Winderley Morais Pereira, Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado para exigir multa isolada sobre débitos indevidamente compensados, com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em razão da não homologação de compensações declaradas pela contribuinte, baseadas em créditos de PIS e Cofins posteriormente considerados indevidos pela fiscalização. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal dos presentes autos, com base nas conclusões do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal lavrado em 25/05/2010 (PAF nº 15586.000449/2010-91) e do Termo de Verificação Fiscal de 04/02/2013 (PAF nº 15586.720841/2012-12), verificou-se que a contribuinte realizou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, apropriando-se indevidamente de créditos integrais de PIS (1,65%) e COFINS (7,6%). As apurações, realizadas no âmbito da Operação Fiscal “Tempo de Colheita”, indicaram a existência de esquema consistente na interposição dessas empresas nas aquisições de café junto a produtores rurais ou maquinistas, o que possibilitaria o aproveitamento indevido de créditos das contribuições no regime não cumulativo. Irresignada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação administrativa, na qual sustentou, em síntese, que: (i) o auto de infração seria nulo, em razão de vícios no procedimento fiscal, notadamente pela utilização de informações obtidas mediante quebra de sigilo bancário sem observância das exigências legais, bem como por irregularidades relacionadas ao Mandado de Procedimento Fiscal e à condução da fiscalização; (ii) teria ocorrido decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir parte dos créditos tributários objeto da autuação, à luz do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (iii) não participou de esquema fraudulento, tendo realizado aquisições de boa- fé junto a fornecedores regularmente constituídos, cujas eventuais irregularidades não poderiam ser imputadas à adquirente; (iv) as operações decorreriam de planejamento tributário lícito, consistente na aquisição de café de pessoas jurídicas para aproveitamento integral de créditos no regime não cumulativo, não havendo falsidade nas declarações apresentadas pela contribuinte; Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 3 (v) o relatório fiscal não teria demonstrado de forma concreta a participação da impugnante no alegado esquema, tampouco individualizado sua conduta dentro das irregularidades supostamente identificadas; e (vi) a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício configuraria bis in idem, por incidirem sobre os mesmos fatos e sobre a mesma base de cálculo. A 17ª Turma da DRJ/RJO, contudo, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o lançamento. Entendeu aquele colegiado que o conjunto probatório constante dos autos demonstraria a existência de esquema fraudulento envolvendo a utilização de pseudoempresas atacadistas de café, circunstância que possibilitou à contribuinte a apropriação indevida de créditos das contribuições, caracterizando a falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, o que autoriza a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Regularmente cientificada da decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou, em grande parte, as alegações anteriormente apresentadas. Acrescentou, ainda, preliminar de nulidade do lançamento em razão da revogação, pela Medida Provisória nº 656/2014, dos dispositivos legais utilizados para fundamentar o auto de infração, bem como sustentou a impossibilidade de manutenção da exigência com base em enquadramento legal diverso daquele originalmente indicado pela fiscalização. É o relatório. VOTO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 1. Da preliminar de nulidade do lançamento A recorrente sustenta a nulidade do lançamento em razão da revogação, pela Medida Provisória nº 656/2014, dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dispositivos que, segundo alega, teriam sido utilizados como fundamento para a imposição da penalidade. Todavia, tal alegação não merece prosperar. No caso dos autos, a penalidade aplicada encontra fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que prevê a aplicação de multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando constatada a não homologação da compensação e caracterizada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo: 1. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 4 Ocorrendo a não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, dispõe que: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) I - (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) II - (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 5º Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2ºe 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) O artifício fraudulento utilizado no aproveitamento de crédito integral decorrente de aquisições em nome de empresas de fachada está sobejamente demonstrado no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, lavrado em 25/05/2010 (processo Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 5 nº: 15586.000449/2010-91) e no Termo de Verificação fiscal, lavrado em 04/2013 (processo nº 15586.000449/2010-91). Desta forma, sobre os débitos indevidamente compensados (NÃO- HOMOLOGADOS) será aplicada à multa isolada de 150% que trata o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, acima transcrito, em auto de infração a ser lavrado. Desse modo, a superveniência da Medida Provisória nº 656/2014 não possui o condão de invalidar o lançamento efetuado, razão pela qual não se aplica ao caso dos autos a tese de nulidade suscitada pela recorrente. 2. Da preliminar de nulidade por alteração do enquadramento legal pela decisão de primeira instância A recorrente sustenta que o acórdão proferido pela DRJ teria incorrido em nulidade ao manter o lançamento com fundamento legal diverso daquele originalmente indicado no auto de infração. Todavia, tal alegação não merece prosperar. Da análise dos autos, verifica-se que o lançamento foi efetuado com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, dispositivo que prevê a aplicação de multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando constatada a não homologação da compensação e caracterizada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A decisão de primeira instância, por sua vez, limitou-se a examinar os fatos descritos no auto de infração e a manter a exigência com base no mesmo dispositivo legal. Assim, não se verifica qualquer modificação da materialidade da infração nem substituição do fundamento jurídico da penalidade aplicada, circunstâncias que poderiam caracterizar inovação no lançamento. A decisão recorrida apenas analisou os fundamentos do auto de infração e concluiu pela sua procedência, sem alterar a capitulação jurídica originalmente atribuída pela autoridade fiscal. Dessa forma, inexistindo alteração do enquadramento legal ou inovação no lançamento, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela recorrente. 3. Do mérito Os presentes autos têm por objeto a aplicação de multa isolada em razão da não homologação de declarações de compensação, relacionadas aos períodos em análise, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. A não homologação dessas compensações decorreu da glosa de créditos de PIS e COFINS considerados indevidos pela fiscalização, circunstância que também ensejou a lavratura de autos de infração para cobrança das referidas contribuições e das respectivas multas de ofício, formalizados nos Processos Administrativos nº 15586.000449/2010-91 e nº 15586.720.841/2012- 12, conforme bem explicitado pela DRJ. Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 6 Nos referidos processos, já apreciados na esfera administrativa, examinou-se a sistemática de aquisições de café adotada pela recorrente, tendo-se concluído pela ocorrência de irregularidades nas operações realizadas, com reflexos diretos na glosa dos créditos utilizados nas compensações ora analisadas. O Processo Administrativo nº 15586.720841/2012-12, relativo ao período de apuração de 01/01/2009 a 31/12/2009, foi apreciado por este Conselho, mais especificamente pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que, por meio do Acórdão nº 3403- 002.893, de 27/03/2014, negou provimento ao Recurso Voluntário da contribuinte, reconhecendo a ocorrência de simulação nas operações analisadas. O referido acórdão restou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA 2-CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade. Ressalte-se, ainda, que o contribuinte interpôs Recurso Especial, cujo seguimento foi negado, tornando definitiva a decisão no âmbito administrativo. De igual modo, o Processo Administrativo nº 15586.000449/2010-91, relativo aos períodos de apuração de 01/06/2006 a 31/12/2008, também já foi apreciado na esfera administrativa, tendo-se concluído pela regularidade do lançamento, diante da existência de fraude mediante simulação e dissimulação de operações por meio de interpostas pessoas, artificialmente inseridas na cadeia de comercialização do café, com o objetivo de afastar o pagamento das contribuições devidas. Veja-se: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 7 defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MPF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência. Não constitui hipótese de nulidade de auto de infração possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal. RMF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência. Havendo processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e sendo o exame dos registros financeiros requisitados considerado indispensável, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) impõe-se ao Auditor Fiscal como instrumento necessário à execução do MPF, não se vislumbrando nulidade em eventual falha no seu uso, mas abertura de processo disciplinar a fim de apurar responsabilidades. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de oficio, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitando-se peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Em resumo, em ambos os casos, conforme apurado pela fiscalização, restou decidido que a Recorrente teria se valido de pessoas jurídicas interpostas na cadeia de comercialização do café, as quais figuravam formalmente como fornecedoras nas notas fiscais emitidas, quando, na realidade, as aquisições teriam sido realizadas diretamente de produtores Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720084/2013-68 8 rurais. Tal sistemática permitiu o aproveitamento integral de créditos das contribuições ao PIS e à COFINS, quando, nos termos da legislação aplicável, nessas hipóteses apenas seria admitido o aproveitamento de crédito presumido. Diante dessas constatações, os créditos apropriados foram considerados indevidos, resultando na glosa dos valores utilizados nas compensações declaradas pela contribuinte. Consequentemente, as declarações de compensação foram objeto de não homologação, circunstância que ensejou a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, calculada sobre o valor dos débitos indevidamente compensados. Assim, considerando que a não homologação das compensações decorreu da glosa de créditos reconhecidos como indevidos em processos administrativos já definitivamente apreciados na esfera administrativa, nos quais se concluiu pela ocorrência de simulação nas operações realizadas pela recorrente, não há como afastar os efeitos jurídicos daí decorrentes. Nessas circunstâncias, mostra-se legítima a aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, calculada sobre o valor dos débitos indevidamente compensados, conforme efetuado pela autoridade fiscal. 4. Dispositivo Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 333DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13161.721188/2014-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 2001-000.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Após concluída a diligência – e antes do retorno do processo a este CARF – que seja o Recorrente intimado do resultado da diligência para se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Jose Marcio Bittes (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente a conselheira Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, substituída pelo conselheiro Jose Marcio Bittes.
Nome do relator: LILIAN CLAUDIA DE SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Após concluída a diligência – e antes do retorno do processo a este CARF – que seja o Recorrente intimado do resultado da diligência para se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Jose Marcio Bittes (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente a conselheira Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, substituída pelo conselheiro Jose Marcio Bittes.

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta junte aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Após concluída a diligência – e antes do retorno do processo a este CARF – que seja o Recorrente intimado do resultado da diligência para se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Jose Marcio Bittes (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente a conselheira Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, substituída pelo conselheiro Jose Marcio Bittes. RELATÓRIO Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.253 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13161.721188/2014-36 2 Por bem relatar os fatos desde a autuação até o julgamento da impugnação, valho- me do relatório da decisão da DRJ: “Pela notificação de lançamento nº 9017/00056/2014 (fls. 03), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 20.579,81, correspondente ao lançamento suplementar do ITR/2010, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 16/10/2014, incidentes sobre o imóvel rural “Fazenda Fronteira” (NIRF 2.657.166-8), com área total de 1.422,1 ha, situado no município de Antonio João - MS. A descrição dos fatos, o enquadramento legal, o demonstrativo de apuração do imposto devido e multa de ofício/juros de mora encontram-se às fls. 04/06. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2010, iniciou-se com o termo de intimação de fls. 11/13, para o contribuinte apresentar, dentre outros documentos de prova, laudo de avaliação do imóvel com ART/CREA, nos termos da NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. Em atendimento, foram anexados os documentos de fls. 17/53. Após análise desses documentos e da DITR/2010, a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 1.100.000,00 (R$ 773,50/ha) e arbitrou-o em R$ 5.119.560,00 (R$ 3.600,00/ha), embasado no SIPT/RFB, com o consequente aumento do VTN tributável, apurando imposto suplementar de R$ 9.646,94, conforme demonstrativo de fls.05. Cientificado desse lançamento em 17/10/2014 - sexta-feira (AR/fls. 08), o contribuinte, por meio de representante legal, postou em 18/11/2014 (fls. 61/63) a impugnação de fls. 64/84, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 85/95, alegando, em síntese: - discorda do referido procedimento fiscal, carente de fundamentação legal, preliminarmente por entendê-lo nulo, visto ser indelegável a competência legal para a atividade de lançamento do imposto, privativa do Auditor-Fiscal da RFB, além de revelar vício formal; no mérito, afirma ser impossível produzir laudo de avaliação, por grave ameaça de invasões da propriedade, reivindicada por comunidades indígenas, bem como por ser impraticável o VTN com base no SIPT, sendo do Fisco o ônus da prova do erro, no caso em apreço; - cita e transcreve legislação de regência, acórdãos do CARF e ensinamentos doutrinários, para referendar seus argumentos. Diante do exposto, demonstrada a absoluta insubsistência da notificação de lançamento suplementar, o contribuinte requer seja acolhida a preliminar arguida ou, então, seja julgada improcedente a ação fiscal, para cancelar totalmente o crédito tributário reclamado, com a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora do imposto declarado.” Decisão da DRJ de fls. 101/107 julgou improcedente a impugnação em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2010 DA COMPETÊNCIA DO SUJEITO ATIVO NA FORMALIZAÇÃO DE EXAÇÕES TRIBUTÁRIAS. É legítima a exigência de créditos tributários formalizados por servidor competente de município conveniado nos termos da Lei nº 11.250/2005. Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.253 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13161.721188/2014-36 3 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade requerida. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2010 com base no SIPT/RFB, por não ter sido apresentado laudo técnico de avaliação com ART/CREA, conforme a NBR 14.653-3 da ABNT, demonstrando o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis. DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA LANÇADOS. O imposto suplementar, apurado em procedimento de fiscalização, será exigido juntamente com a multa proporcional e os juros de mora baseados na Taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Às fls. 114/139 é apresentado recurso voluntário que reitera os termos da sua impugnação. É alegado, em síntese, nulidade do lançamento por: i) vício de competência, uma vez que o Município não poderia ter lançado o ITR – imposto federal e; ii) vício formal uma vez que o “encarregado do setor de ITR” que realizou o lançamento não teria competência para tal ato. Aduz ser impossível a produção de laudo técnico, que a legislação do ITR não prevê tal obrigatoriedade e que o Fisco não poderia criar uma obrigação acessória “extra legem” e que caberia ao Fisco fazer prova da subavaliação do imóvel, não ao contribuinte. Salienta ser ilegal a utilização de tabela genérica do SIPT. Que o imóvel passou por risco de invasão contando com decisão judicial e que naquele momento ele sequer tinha a posse do imóvel. Ao final faz novas alegações quanto a suposta subavaliação do VTN. Despacho de encaminhamento de fls. 142 determinou a inclusão dos autos em lote/sorteio e os autos me foram distribuídos. É o relatório. VOTO Conselheira Lílian Cláudia de Souza, Relatora I – DA DELIMITAÇÃO DA LIDE Inicialmente, é importante a delimitação da lide. A discussão originária do presente caso gira em torno de VTN não comprovado, sendo este a único ponto trazido na autuação contida às fls. 2/60. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.253 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13161.721188/2014-36 4 Em sua impugnação o contribuinte alega nulidades do auto de infração em razão de suposto vício de competência. Quanto ao mérito, alega ser impossível a produção de laudo técnico de avaliação, que o imóvel não teria sido subavaliado e ainda que o SIPT não pode ser utilizado como parâmetro para o arbitramento do VTN. Alega ainda que o imóvel teria, ou poderia, ter sido invadido. Decisão da DRJ afastou as nulidades suscitadas e, no mérito, com relação à suposta subavaliação salienta que o contribuinte não trouxe qualquer prova capaz de infirmar o lançamento, mantendo-o hígido, tendo destacado que a fiscalização considerou o valor por aptidão agrícola (várzea) constante do SIPT e que para sua revisão o contribuinte deveria apresentar laudo técnico com ART elaborado de acordo com as normas da NBR 14.653-3 da ABNT. Em seu recurso voluntário o contribuinte apenas reitera os pontos já trazidos em sua impugnação, dentre eles, a impossibilidade de utilização do SIPT. Fato é que, a autuação versa exclusivamente sobre o VTN que teve seu valor arbitrado conforme dados do SIPT. Entretanto, em nenhum momento, foi juntado aos autos tela do SIPT para a comprovação dos valores arbitrados. II – DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme salientado, o único fundamento do auto de infração é o arbitramento do valor do VTN feito pela fiscalização que teria adotado o SIPT como métrica para a presunção do valor da terra nua do imóvel. A utilização da tabela SIPT para fins de verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, tem amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 e somente é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado. Ocorre que, para que o SIPT possa ser utilizado como métrica para apuração da base de cálculo do ITR é indispensável que se possa verificar qual foi a metodologia utilizada pela Fiscalização para se chegar aos valores constantes da tabela, isso porque jurisprudência do CARF é remansosa no sentido de que é incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das declarações de ITR do município, sem levar em conta a aptidão agrícola do imóvel. E, no presente caso, nada foi juntado aos autos. Nesse sentido, destaco os seguintes julgados: 2401-006.946, 2402-007.783, 2201- 011.303 e 2202-005.588. E ainda os apreciados pela CSRF: 9202-009.818, 9202-005.435, 9202-008.739 e 9202-007.338. Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2001-000.253 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13161.721188/2014-36 5 Deste modo, entendo ser indispensável a análise da “tela SIPT” que não foi consta nos autos. Assim, devem os autos serem baixados em diligência para que a autoridade competente junte aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, determino que os autos sejam convertidos em diligência para que a unidade responsável junte aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço. Após concluída a diligência – e antes do retorno do processo a este CARF – que seja o Recorrente intimado do resultado da diligência para se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza Fl. 150DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 13977.000304/2004-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA CONTRÁRIO A SÚMULA CARF 235. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, §12, ALÍNEA “C” DO RICARF/2023. Conforme artigo 118, § 12, inciso III, alínea “c” do RICARF, não será aceito como paradigma acórdão que contrarie Súmula do CARF à data da análise da admissibilidade, inclusive aquela efetuada no curso do julgamento colegiado, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação da divergência jurisprudencial, com a apresentação de acórdãos paradigma que tenham enfrentado a mesma matéria do recorrido e aplicado a ela critérios jurídicos diversos. Não se conhece do recurso especial sobre matéria que não foi objeto de apreciação pela instância anterior por ausência de prequestionamento da matéria, bem como, quando os entendimentos dos acórdãos paradigmas e recorrido são convergentes para a mesma situação fática.
Numero da decisão: 9303-017.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Freitas Costa, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (substituto integral), Denise Madalena Green, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisario, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan, substituído pelo conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Freitas Costa, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (substituto integral), Denise Madalena Green, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisario, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan, substituído pelo conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.

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PARADIGMA CONTRÁRIO A SÚMULA CARF 235. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, §12, ALÍNEA “C” DO RICARF/2023. Conforme artigo 118, § 12, inciso III, alínea “c” do RICARF, não será aceito como paradigma acórdão que contrarie Súmula do CARF à data da análise da admissibilidade, inclusive aquela efetuada no curso do julgamento colegiado, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação da divergência jurisprudencial, com a apresentação de acórdãos paradigma que tenham enfrentado a mesma matéria do recorrido e aplicado a ela critérios jurídicos diversos. Não se conhece do recurso especial sobre matéria que não foi objeto de apreciação pela instância anterior por ausência de prequestionamento da matéria, bem como, quando os entendimentos dos acórdãos paradigmas e recorrido são convergentes para a mesma situação fática. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Fl. 1993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 2 Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Freitas Costa, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (substituto integral), Denise Madalena Green, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisario, Vinicius Guimaraes, Regis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan, substituído pelo conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo contribuinte, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3002-000.755, de 12/06/2019 (fls.1.753/1.766), integrado pelo Acórdão n° 3002-001.691, de 20/01/2021 (fls.1.784/1.791), proferidos pela 2ª Turma Extraordinária desta Terceira Seção de Julgamento do CARF, assim ementados: Acórdão n° 3002-000.755: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme o estabelecido nos incisos III e IX, do art. 3º , respectivamente, da Lei n° 10.833/03 e da Lei n° 10.637/02, somente gera direito ao crédito a energia elétrica, efetivamente, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Dessa forma, não são aptos a gerar o direito ao crédito os valores pagos a outros títulos, tais como: taxas de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa, dentre outros. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 3 É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Consta do dispositivo do Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial para reverter as glosas referentes à demanda contratada. Acórdão n° 3002-001.691: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. Obscura e omissão a decisão embargada, faz-se necessário o seu aclaramento, inclusive, para incluir manifestação sobre direito material não enfrentado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. É passível de ressarcimento as despesas incorridas com frete nas aquisições de insumos e quando suportados pelas contribuinte nas operações de venda, à luz do conceito firmado pelo Colendo STJ no Resp n° 1.221.170/PR e Solução Cosit. n° 05/18. Consta do dispositivo do Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade perpetrada no acórdão embargado em relação à aplicação do conceito de insumos ao frete e, de conseguinte, reverter às glosas do frete suportado pela embargante na aquisição de insumos, bem como nas operações de venda/revenda. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (relator), que rejeitou os embargos de declaração. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Breve síntese dos fatos Fl. 1995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 4 Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Cofins relativo ao 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 212.631,60, nos termos descritos pelo Relatório de Auditoria Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau (fls. 1.537/1.579). O Despacho Decisório (fls.1.581), com fundamento no aludido Relatório, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no valor de R$ 202.434,13. Foram efetuadas as seguintes glosas de créditos: 1. Glosas de bens utilizados como insumos: 1.1 Glosa de Fretes 1.2 Fretes computados em operações de saída ou de entrada para reparo 1.3 Fretes computados em operações de saída ou de entrada de amostra grátis 1.4 Fretes computados em operações de saída ou de entrada de brindes 1.5 Fretes computados em operações de devoluções de vendas 1.5 Fretes computados em aquisições não consideradas insumos 1.6 Fretes computados em operações de saída ou de entrada para demonstração 1.7 Fretes computados em operações de saída ou de entrada de mercadorias para exposição 1.8 Fretes computados em operações envolvendo ativo imobilizado 1.9 Glosa correspondente à diferença entre o LRE e a memória de cálculo 2. Glosas de despesas de energia elétrica 3. Glosas de despesas financeiras de empréstimos e financiamentos 4. Glosas relativas aos encargos de depreciação 5. Glosa de crédito presumido relativo ao estoque de abertura Tendo o contribuinte apresentado Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a defesa inicial apresentada, nos termos do Acórdão nº 07-20.623 – 4ª Turma da DRJ/FNS (fls.1.650/1.660). Interposto Recurso Voluntário, julgado pela 2ª Turma Extraordinária desta Terceira Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 3002-000.755 (fls.1.753/1.766), que por maioria de votos negou provimento ao recurso. Foram opostos Embargos de Declaração pelo contribuinte, admitidos parcialmente, para sanar a omissão quanto à aplicação do conceito de insumos aos fretes, nos termos do Despacho da 3ª Seção de Julgamento/2ª Turma Extraordinária (fls.1.779/1.782). Por meio do Acórdão nº 3002-001.691, a 2ª Turma Extraordinária da 3ª Seção do CARF (1.793/1.802), acolheu parcialmente os Embargos Declaratórios, com efeitos infringentes, Fl. 1996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 5 para sanar a obscuridade perpetrada no acórdão embargado em relação à aplicação do conceito de insumos ao frete e, de conseguinte, reverter as glosas do frete suportado pela embargante na aquisição de insumos, bem como nas operações de venda/revenda. Conforme trecho do Voto, abaixo transcrito: (...) Não obstante a obscuridade perpetrada no decisum, a meu ver, em suas razões de decidir o i. relator acena a possibilidade de ressarcimento em favor da embargante de crédito de Pis/Cofins não cumulativo oriundo de frete nas operações de venda. Tal concepção, inclusive, vai ao encontro com decisões por ele acompanhadas, cito como exemplos os acórdãos nºs 3002-001.156, 3002- 000.946, 3402-007.928 e 3002-001.222. Sendo assim, havendo manifestação da Turma sobre o “frete”, ainda no acórdão embargado, especialmente do i. relator e sanada a obscuridade incorrida, necessária a retificação do acórdão para reverter às glosas de frete oriundo de operações de venda, como ainda, na aquisição de matéria prima, visto que serviço essencial, de acordo com o conceito sedimentado no Resp nº 1.221.170/PR. (...) 4. Conclusão. Ao todo o exposto, acolho parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade em relação à aplicação do conceito de insumos ao frete e, de conseguinte, reverter às glosas do frete suportado pela embargante na aquisição de insumos, bem como nas operações de venda. Recurso Especial do Contribuinte Cientificado em 10/06/2021 (fl.1.809), o contribuinte interpôs Recurso Especial em 25/06/2021 (fls.1.814/1.841), o qual suscita divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária, quanto ao direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre: 1. Combustíveis utilizados na atividade produtiva. Para tanto indica como paradigma os Acórdãos 3401-001.155 e 9303-009.751. 2. Pagamentos da COSIP embutida na fatura de energia elétrica. Para tanto indica como paradigma os Acórdãos 3401-001.155 e 9303-009.751. 3. Encargos de depreciação a título de insumo de sua atividade produtiva. Para tanto indica como paradigma os Acórdãos 3201-005.015 e 9303-011.388. Em exame de admissibilidade do referido Recurso Especial, datado de 01/09/2021 (fls.1.902/1.908), o presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, NEGOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, pelos seguintes motivos: (a) o recurso não invocou dispositivo de lei tributária que teria sido objeto de interpretação controvertida; e (b) Fl. 1997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 6 ausência de prequestionamento a respeito do direito ao creditamento sobre os encargos de depreciação a título de insumo. Em relação à divergência quanto ao “direito ao creditamento sobre os encargos de depreciação a título de insumo”, consta do Despacho de Admissibilidade, que por força do disposto no art. 71, §2º, inciso V, do RICARF, o despacho é definitivo, não mais cabendo a interposição de qualquer outro recurso na esfera administrativa. Em relação às demais divergências jurisprudenciais, contra este despacho cabe o recurso previsto no art. 71, do Anexo II, do RICARF. Quanto à matéria “3. Encargos de depreciação a título de insumo de sua atividade produtiva”, a negativa de seguimento se deu sob os seguintes termos, abaixo reproduzidos: Despacho de Admissibilidade No julgamento do Recurso Voluntário, não houve manifestação a respeito do direito ao creditamento sobre os encargos de depreciação a título de insumo. Os aclaratórios, a seu turno, foram admitidos para “sanar a omissão quanto à aplicação do conceito de insumos aos fretes e estoque de abertura de material de consumo.” Tal matéria também não foi apreciada no Acórdão n° 3002-001.693. Trata-se, com efeito, de matéria não prequestionada. O prequestionamento é um requisito de admissibilidade específico dos recursos do gênero extraordinário, que se destinam à tutela do direito objetivo, ou seja, a uniformização do entendimento, em território brasileiro, de como devem ser aplicadas as normas federais infra constitucionais. Tal pressuposto exige que a violação legal apontada conste na decisão recorrida, caso contrário o órgão ad quem não terá como verificar a correta aplicação à causa. O prequestionamento deve ser expresso, de molde a exigir que a decisão impugnada verse a respeito da questão infraconstitucional controvertida de modo inequívoco ou, ao menos, fazer referência ao dispositivo que regula a matéria impugnada na análise do recurso. É nesse sentido a lição do Min. Marco Aurélio, in verbis (sublinhei): Diz-se prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede extraordinária instá-lo a fazê-lo. (Ag. 143242-0-SP, STF, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU. 3.8.1.993, p. 14.445, sublinhei) A propósito, remeto a recorrente ao julgado pelo Acórdão CSRF/01-05.720 no recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 105- 14.037: RECURSO DE DIVERGÊNCIA. O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fl. 1998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 7 Fiscais, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o acórdão autoriza a interposição de embargos de declaração, não podendo o recurso de divergência ser acolhido como embargos, se interposto fora do prazo de 5 (cinco) dias previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. O fato de a matéria da Divergência 3 não ter sido abordada pela decisão recorrida inviabiliza a sua discussão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que não representa uma Terceira Instância de Julgamento, mas sim uma Instância Especial, cuja atribuição é a uniformização da jurisprudência do CARF. Com efeito, não há que se falar em "reexame" pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se a matéria sequer foi examinada no acórdão recorrido. Cabe registrar, por fim, que o efeito devolutivo profundo não tem aplicação em sede de juízo especial, haja vista a competência exclusiva de harmonização da divergência da CSRF. A falta de prequestionamento é motivo adicional para a negativa de seguimento ao apelo. (grifos originais) Em 28/09/2021, o contribuinte apresentou AGRAVO (fls.1.915/1.923), ACOLHIDO PARCIALMENTE em 03/01/2022 (fls.1.926/1.933), para determinar o retorno dos autos à 3ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento para exteriorização do juízo de admissibilidade do Recurso Especial acerca do direito ao aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas sobre: 1. combustíveis utilizados na atividade produtiva; 2. pagamentos da COSIP embutida na fatura de energia elétrica” e (3) encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins. No exame do Agravo, compreendeu-se existente prequestionamento, sob os seguintes termos: E a leitura do inteiro teor do despacho que examinou a admissibilidade dos embargos impõe que se concorde com a afirmação posta no agravo. Com efeito, na sequência do que já fora transcrito no agravo, nele constou: Destaca-se, inicialmente, que a glosa de insumos em razão da divergência jurídica quanto ao seu conceito restringiu-se à glosa de fretes diversos e de estoque de abertura de materiais de consumo, conforme Relatório de Auditoria Fiscal (e-fls. 1288/1302 e 1314/1320). As glosas de despesas financeiras de empréstimos e financiamentos e encargos de depreciação ocorreram por fundamentos estranhos ao conceito de insumo, tendo o acórdão deixado evidente que o conceito de insumo se aplica à hipótese de creditamento do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que as demais hipóteses são passíveis de creditamento de forma autônoma, mas não sob o conceito de insumos. Então, não há omissão, nem obscuridade quanto a estas glosas, Fl. 1999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 8 já que para elas não se aplica o conceito de insumos e portanto, não se aplicam os parâmetros do RESP 1.221.170/PR. Parece-me haver aí um reconhecimento explícito por parte do Presidente do colegiado de que a matéria “direito ao crédito sobre depreciação a título de insumo” foi sim apreciada pelo colegiado, embora de forma sucinta, dado que a glosa a ela atinente nada teve a ver com tal conceito de insumo, apenas para ratificar que despesa de depreciação não pode ser enquadrada como insumo pelos mesmos motivos esgrimidos acerca dos itens que efetivamente foram glosados a esse título. Em relação ao dispositivo de lei tributária que teria sido objeto de interpretação controvertida, consta o que segue: É que o recurso especial realmente afirma que toda a discussão pretendida teria a ver com o conceito de insumo e transcreve trechos dos respectivos paradigmas nos quais se menciona explicitamente o dispositivo legal que o autorizaria, confrontando-o ao que decidiu o colegiado recorrido. O fato é que o recorrente deixa claro que pretende rediscutir o conceito de insumos na forma – segundo ele – definida nos incisos II e III do art. 3º da Lei 10.833, e isso basta ao cumprimento do requisito regimental, à luz da interpretação exposta no Manual. Destarte, o requisito posto no despacho – de que a dedução de qual seja o arcabouço jurídico aplicável à questão sob disputa deva ser feita a partir do que consta no recurso e não nos paradigmas citados – está atendida, a menos que com isso se pretenda impedir a transcrição do trecho do paradigma que dele tratou, o que parece de todo desarrazoado. Em 03/01/2022, foi proferido novo despacho pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 1.935/1.939), dando SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, quanto às matérias “2. pagamentos da COSIP embutida na fatura de energia elétrica” e “3. possibilidade de encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins”. Determinou ainda o aludido despacho o encaminhamento à unidade local da RFB para cientificar o sujeito passivo do despacho em questão, facultando-lhe prazo para interposição de Agravo quanto à matéria “gastos com combustíveis utilizados na atividade produtiva”. Irresignado, em 07/02/2022 o contribuinte apresentou novo AGRAVO (fls.1.946/1.952), que foi REJEITADO pelo Presidente da CSRF (fls.1.955/1.958), prevalecendo o seguimento parcial ao Recurso Especial expresso pelo residente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls.1.982/1.990), o que requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, nada tratando quanto ao conhecimento do recurso. Fl. 2000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 9 O processo, então, foi sorteado para esta Conselheira para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. VOTO Conselheiro Denise Madalena Green, Relator I – Da admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte: O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo, conforme consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, exarado pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CSRF. No entanto, quanto aos demais pressupostos de admissibilidade estabelecidos no art. 118, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, apesar de não ter sido contestado pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, o caso cabe análise mais detida em relação à efetiva configuração de divergência e à admissibilidade dos paradigmas colacionados. Primeiramente, oportuno ressaltar, que conforme consta do Manual de Admissibilidade de Recurso Especial: “O Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e alterações posteriores. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF”. A instrumentalização do Recurso Especial há de ser rigorosamente efetuada nos termos em que a lei processual dispõe, sob pena de não ser admitido no juízo de prelibação. Dentro os requisitos estabelecidos pelo art.118 do RICARF/2023 (Portaria MF nº 1634, de 21/12/2023, Anexo II), destaca-se: (i) demonstração da legislação interpretada divergentemente (§ 1º); (ii) demonstração do prequestionamento das matérias (§ 5º); (iii) formação do instrumento recursal, mediante juntada do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma, ou por qualquer das outras formas admitidas (§§ 6º, 9º, 10 e 11); e, (iv) demonstração analítica da divergência, com indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divergem de pontos específicos no acórdão recorrido (§ 8º). É com base nesses pressupostos que se passa a analisar a admissibilidade dos Recursos Especiais proposto pelas recorrentes. Quanto à primeira divergência apontada, em relação a possibilidade de crédito sobre os pagamentos da COSIP embutida na fatura de energia elétrica, com base no inciso III do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sobre o tema, recentemente, ou seja, após a emissão Fl. 2001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 10 do Despacho de Admissibilidade (03 de janeiro de 2022 – fl.1.076), foi editada a Súmula CARF nº 224, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/08/2025, cuja vigência se deu a partir da data da publicação no Diário Oficial da União, em 01/09/2025, dispondo que: “Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada”. Feitos esses esclarecimentos, oportuno ressaltar, que o RICARF/2023 (aprovado pela Portaria MF nº 1.364, de 21 de dezembro de 2023), em seu art. 118, inciso III, § 12, alínea “c”, dispõe que “não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar (...) Súmula do CARF” e este seria justamente o caso dos paradigmas indicados pela recorrente (Acórdão nº 3401-01.155), os quais decidiram por considerar válido o aproveitamento de crédito sobre os pagamentos efetuados a título da “Cosip”. Em virtude da previsão contida na alínea “c”, do § 12, inciso III, do RICARF/2023, impõe-se o não conhecimento do Recurso Especial nesse ponto. Em relação a segunda matéria em que foi dado seguimento, quanto à possibilidade de encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins, defende a contribuinte que os encargos de depreciação sobre veículos e softwares se tratam de insumos e por serem necessárias e essenciais, seu crédito deve ser considerado legítimo. Para tanto, indicou os paradigmas nº 3201-005.015 para os encargos relativos a veículos e 9303-011.308, para os encargos de depreciação de softwares. Na demonstração da divergência jurisprudencial, o contribuinte descreve a “questão” nos seguintes termos: 11. Sob outro ponto, a empresa argumenta também que encargos de depreciação devem ser considerados como créditos. O argumento para tanto é o de que se tratam de insumos, ou seja, que são despesas necessárias, essenciais e, portanto, devem ser consideradas como crédito legítimo. 12. Dentre tais encargos, destacam-se aqueles relativos a veículos e softwares (fls. 715/752): 13. De sua parte, o v. acórdão recorrido afastou de forma ampla o direito pretendido, por entender que "esse direito [ao creditamento] encontra limites estabelecidos na própria legislação que estabelece a não cumulatividade e, em relação ao conceito de insumo, nos critérios elaborados pela jurisprudência pátria”. Fl. 2002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 11 14. Opostos embargos de declaração a fim de sanear o julgado e pretender a “análise do direito ao crédito de PIS/COFINS à luz dos parâmetros estabelecidos pelo e. STJ nos autos do REsp n. 1.221.170-PR, vez que a divergência implica uma análise jurídica quanto ao conceito de insumo, conforme argumento declinado no item “33” do recurso voluntário”, entendeu-se que a omissão residiria apenas com (...) 17. Neste sentido, relembra-se que o v. acórdão recorrido entendeu que não poderia haver o aproveitamento dos créditos advindos dos encargos de depreciação (em geral) no qual se incluem os seus veículos e softwares, enquanto que os v. Acórdãos paradigmas pontuaram expressamente que tanto os encargos de depreciação relativos a veículos que são utilizados na atividade da empresa, quanto aqueles associados aos softwares que se relacionam ao controle das atividades são essenciais e, portanto, garantem o direito ao crédito. 18. Com efeito, é muito claro que no caso acima foi alcançada conclusão jurídica totalmente diversa daquela encampada nos presentes autos pelo v. acórdão recorrido, o que configura divergência. A princípio, conforme relatado, no primeiro exame de admissibilidade realizado sobre o tema, foi negado seguimento a matéria, por falta de prequestionamento, pelo fato de não ter sido abordada pela decisão recorrida, o que em tese, inviabilizaria sua discussão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Após a interposição de AGRAVO, sobreveio novo exame de admissibilidade complementar, proferido pelo Despacho de fls. 1.076/1.080, o qual foi dado seguimento a matéria, nos termos abaixo transcritos: Encargos de depreciação a título de insumo de sua atividade produtiva A recorrente alegou que os encargos de depreciação sobre veículos e softwares se tratam de insumos e por serem essenciais, seu crédito deve ser considerado legítimo. Para tanto, indicou os paradigmas nº 3201-005.015 para os encargos relativos a veículos e 9303-011.308, para os encargos de depreciação de softwares. O despacho em agravo admitiu o prequestionamento acerca da possibilidade de encargos de depreciação serem enquadrados como insumos, considerando que o acórdão recorrido se posicionara no sentido de que encargos de depreciação possuem inciso próprio de creditamento e, portanto, não se enquadrariam como insumos. A conclusão pode ser extraída do seguinte excerto da decisão recorrida: “A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebe-se que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e Fl. 2003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 12 os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. [...] A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.” Por sua vez, o paradigma nº 3201-005.015 caminhou no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou seja, que os encargos de depreciação não geram créditos como insumos, mas mediante incisos VI e VII do artigo 3º e inciso III do §1º do mesmo artigo 3º, conforme transcrito abaixo: “Dessa forma revertem-se as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitam-se ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: Fl. 2004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 13 [...] As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditar-se diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação.” Já o paradigma 9303-011.308 trouxe a seguinte ementa: PIS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nesse sentido, deve ser reconhecido o direito ao crédito dos itens que se caracterizam em insumos essenciais e relevantes ao processo produtivo do Contribuinte: (i) os encargos de depreciação dos rádios de comunicação – os rádios são utilizados para a comunicação entre os diversos operadores do processo produtivo e a sala de comando; (ii) os encargos de depreciação de software - o software controla a atividade dos equipamentos e os organiza funcionalmente no processo produtivo, sendo indiscutível a sua importância na produção; e (iii) os encargos decorrentes de estudos relacionados à mina - são os gastos com investigações geológicas e geotécnicas do talude da aba sul da mina, a partir das quais é definido o perfil geológico, definição das características geomecânicas, dos materiais constituintes, bem como a estabilidade para diversas seções da mina, Fl. 2005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 14 sendo essenciais à atividade produtiva. Ausente o resultado obtido através dos referidos estudos, o processo produtivo pode ter sua eficácia e algumas de suas características afetadas, além de se tornar extremamente perigoso para o meio ambiente e para a segurança do local onde a atividade é desenvolvida.” Assim, comprovada a divergência relativa à possibilidade de encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins. Salienta-se, entretanto, que o acórdão recorrido não se pronunciou sobre as despesas de depreciação de veículos ou softwares, uma vez que, no recurso voluntário, a recorrente se limitou a aduzir que os encargos de depreciação dão direito a crédito sobre a natureza de insumos, conforme excerto abaixo: “B — As glosas de fretes, despesas financeiras de empréstimos e financiamentos, encargos de depreciação e materiais de uso e consumo o são improcedentes 32. Como conseqüência do exposto até o presente momento, não se fazem necessárias maiores considerações para se verificar a impossibilidade de prevalecerem as glosas relativas a (a) fretes; (b) despesas financeiras de empréstimos e financiamentos; (c)energia elétrica; (d) encargos de depreciação; e (e) materiais de uso e consumo. 33. Ao contrário do que assentou o v. acórdão de fls., não há de se falar na ausência de provas quanto a tais créditos, pois a aquisição desses insumos se encontra adequadamente demonstrada nos autos. A bem da verdade, a divergência da contribuinte existente é jurídica, em torno do conceito de insumo, não havendo nenhuma dúvida no campo probatório”. Conclusão Diante do exposto, com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial, interposto pelo sujeito passivo, quanto às matérias “pagamentos da COSIP embutida na fatura de energia elétrica” e “possibilidade de encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins”. (grifou-se) Entretanto, entendo que este não seria a melhor interpretação das decisões. Com bem exaltado pelo despacho complementar, “o acórdão recorrido não se pronunciou sobre as despesas de depreciação de veículos ou softwares, uma vez que, no recurso voluntário, a recorrente se limitou a aduzir que os encargos de depreciação dão direito a crédito sobre a natureza de insumos”. No entanto, entendeu que “restaria comprovada a divergência somente quanto “à possibilidade de encargos de depreciação possuírem a natureza de insumos para efeito de creditamento de PIS e Cofins”, tendo em vista que “o despacho em agravo admitiu o prequestionamento acerca da possibilidade de encargos de depreciação serem enquadrados como insumos, considerando que o acórdão recorrido se posicionara no sentido de que encargos de Fl. 2006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 15 depreciação possuem inciso próprio de creditamento e, portanto, não se enquadrariam como insumos”. Dito isto, foi admitida a matéria apenas em relação ao aspecto jurídico, em torno do conceito de insumo. Nesse ponto, oportuno ressaltar, ainda que admitíssemos, que a matéria tenha sido prequestionada, conforme esclarecido pelo próprio Despacho de Admissibilidade Complementar “o paradigma nº 3201-005.015 caminhou no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou seja, que os encargos de depreciação não geram créditos como insumos, mas mediante incisos VI e VII do artigo 3º e inciso III do §1º do mesmo artigo 3º”. De forma que o paradigma não apresenta tese antagônica, mas convergente com o recorrido. Naquela oportunidade, o Colegiado decidiu que “em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitam-se ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002”, quando “atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003”. Por outro lado, a decisão citada (Acórdão nº 3201-005.015), também esclarece que “itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios”, de forma que foram revertidas apenas os custos com manutenção de veículos utilizados nas atividades de produção e industrialização, indo de encontro com a decisão recorrida que manteve a glosa visto que tais dispêndios “não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização”. Peço vênia, para novamente transcrever o trecho da ementa e do voto, que tratam sobre o tema: VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. (...) Voto (...) Fl. 2007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 16 A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Por um lado, a contribuinte descreveu as etapas de plantio à fabricação de seus produtos, indicando os dispêndios com bens e serviços; de outro, a fiscalização não suscitou qualquer insuficiência probatória, vez que fundamentou seu despacho decisório de glosas na impossibilidade de conceder crédito quando bem ou serviço não integrar o processo de fabricação. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciam-se os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertem-se as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitam-se ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim Fl. 2008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 17 relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditar-se diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Já em relação aos encargos de depreciação dos softwares, do confronto com o Acórdão nº 9303-011.308, trazido para comprovação da divergência, a lide girou em torno de Recurso Especial proposto pelo contribuinte, cuja insurgência se deu sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito na modalidade encargos de depreciação de despesas com software, que pelas explicações trazidas pelo interessado, mostrou-se essencial e relevante ao processo produtivo, na medida que “permite o funcionamento dos equipamentos e máquinas da produção, indispensáveis ao regular desenvolvimento do processo produtivo”. Para melhor compreensão, trago a colação um trecho do voto: O item de software do ativo imobilizado mostrou-se essencial para o controle das atividades dos equipamentos, além de organizar funcionalmente o processo produtivo. Explica a Recorrente que o software contém ferramentas e programas indispensáveis ao processo de produção da recorrente como um todo, possibilitando a comunicação e a organização de dados trocados e obtidos durante o processo produtivo. O software permite o funcionamento dos equipamentos e máquinas da produção, indispensáveis ao regular desenvolvimento do processo produtivo. Assim, pela sua essencialidade e relevância, também se reconhece o direito ao crédito com relação a esse item. Tal como exposto no Despacho de Admissibilidade, na visão desta relatora, não há como se conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, pois além da falta de prequestionamento expresso sobre as despesas de depreciação de veículos ou softwares, o que atrai a disposição contida no § 5º do art. 118, do RICARF1, a rigor, os arestos com entendimentos convergentes com o proferido pelo Colegiado a quo no caso concreto. II – Do dispositivo: Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. 1 Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 Seção II Do Recurso Especial Art. 118. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra acórdão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial, Turma Extraordinária ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 5º O recurso especial somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo a demonstração, com precisa indicação na peça recursal, do prequestionamento no acórdão recorrido, ou ainda no despacho que rejeitou embargos opostos tempestivamente ou no acórdão de embargos. Fl. 2009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.111 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 13977.000304/2004-13 18 Assinado Digitalmente Denise Madalena Green Fl. 2010DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10480.723714/2020-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida. Após esse prazo legal, considera-se intempestivo o recurso.
Numero da decisão: 2001-008.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca – Relator Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Goncalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Flavia Lilian Selmer Dias (substituta integral), Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente) Ausente a conselheira Rosimery Brandao Barbosa, substituída pela conselheira Flavia Lilian Selmer Dias.
Nome do relator: CHRISTIANNE KANDYCE GOMES FERREIRA DE MENDONCA

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PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida. Após esse prazo legal, considera-se intempestivo o recurso. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca – Relator Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Goncalves Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Flavia Lilian Selmer Dias (substituta integral), Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.260 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723714/2020-40 2 (Presidente) Ausente a conselheira Rosimery Brandao Barbosa, substituída pela conselheira Flavia Lilian Selmer Dias. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), consubstanciada no Acórdão nº 108- 011-010, que apreciou impugnação regularmente apresentada, julgando-a parcialmente procedente, com manutenção, em parte, do lançamento tributário. O lançamento refere-se à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas pagas a empregados, dentre as quais auxílio educação, auxílio portador de deficiência e terço constitucional de férias, consideradas pela fiscalização como de natureza remuneratória. Irresignada com a decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual sustenta, preliminarmente, a sua tempestividade, afirmando que a ciência da decisão recorrida teria ocorrido em data diversa daquela considerada pela Administração. No mérito, a recorrente defende, em síntese: • que as verbas objeto da autuação possuem natureza indenizatória, não se caracterizando como remuneração pelo trabalho; • a inexistência de base legal para a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores questionados; • que os pagamentos realizados não configurariam salário-de-contribuição, por não representarem contraprestação direta pelos serviços prestados; • e, por conseguinte, requer o cancelamento integral do lançamento, com o reconhecimento da não incidência das contribuições exigidas. É o relatório. VOTO Conselheiro Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Relator Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.260 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723714/2020-40 3 I – DA ADMISSIBILIDADE Cuida-se de exame de admissibilidade do Recurso Voluntário, sendo imprescindível a verificação do atendimento ao requisito extrínseco da tempestividade. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo de “30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância”. Trata-se de prazo peremptório, cuja inobservância impede o conhecimento do recurso, conforme entendimento consolidado no âmbito deste Conselho, a exemplo do Acórdão nº 3301-003.883, no qual se assentou que a intempestividade constitui óbice à formação da lide administrativa. No caso concreto, verifica-se que a ciência da decisão recorrida ocorreu em 10/05/2021, às 14:19, por meio de notificação postal encaminhada ao domicílio fiscal da contribuinte (fls.675), devidamente comprovada nos autos e anexada abaixo. Com efeito, os autos demonstram que a notificação foi regularmente encaminhada ao domicílio fiscal eleito pela contribuinte, constante dos cadastros da Receita Federal do Brasil, tendo sido confirmado o recebimento por meio de aviso de recebimento devidamente assinado. Neste cenário, aplica-se, o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 9, segundo a qual: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.260 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723714/2020-40 4 E ainda, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972, exclui-se o dia do início e inclui-se o do vencimento, razão pela qual o prazo para interposição do recurso teve início em 11/05/2021 e se encerrou em 09/06/2021. Ocorre que o Recurso Voluntário foi protocolado apenas em 22/06/2021 (fls.704), portanto após o decurso do prazo legal, ou seja, após o decurso do prazo legal de 30 dias. A alegação da recorrente quanto à ciência em data diversa (21/05/2021) não encontra respaldo nos elementos constantes dos autos, os quais demonstram a regularidade da notificação e a correta contagem do prazo. Nos termos do Regimento Interno do CARF, a ausência de pressuposto de admissibilidade impede o conhecimento do recurso, não sendo possível a análise do mérito. Nesse sentido, constitui jurisprudência a ser observada no âmbito deste Conselho: Processo nº 10665.900851/2012-36 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301¬003.883 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COFINS. Recorrente: DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ¬ COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008. Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Assim, reconhecida a validade da ciência em 10/05/2021, verificado o término do prazo em 09/06/2021 e constatada a interposição apenas em 22/06/2021, resta configurada a intempestividade do Recurso Voluntário. Dessa forma, resta configurada a intempestividade do Recurso Voluntário. II – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do Recurso, em razão de sua intempestividade. É como voto. Assinado Digitalmente Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.260 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.723714/2020-40 5 Fl. 725DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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