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Numero do processo: 10680.915594/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
Numero da decisão: 3301-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
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RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 94 /2 00 9- 43 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de COFINS. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referência teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art. 74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo intempestiva a retificação da DCTF, além de que não teriam sido apresentadas quaisquer outras provas do direito creditório. No recurso voluntário, a Recorrente argumentou que: i. o seu direito creditório decorreria da inclusão indevida na base de cálculo de PIS e COFINS valores de medicamentos sujeitos à alíquota 0%; ii. que a DCTF retificadora teria sido aceita e processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; iii. que a Lei 9.430/96 não faz quaisquer restrições à compensação, que tem natureza declaratória; iv. que o modo de processamento eletrônico da compensação obsta que sejam juntados documentos comprobatórios ao pedido, devendo o contribuinte ser intimado para comprovar o crédito, antes de seu indeferimento; v. o fato de o débito ter sido declarado em DCTF não exime o Fisco da obrigação de realizar procedimento fiscalizatório, para verificação de eventuais irregularidades e , assim, promover o lançamento de ofício; vi. não pode prevalecer o lançamento de ofício, sem prévia comprovação de inexistência de indébito. Ademais, discorre sobre a indevida inclusão na base de cálculo de valores relativos a venda de medicamentos, tributados à alíquota 0%, acostando aos autos planilha demonstrativa da recomposição da base de cálculo dos tributos, no período compreendido entre 2001 e 2006. Requer, assim, a procedência do recurso voluntário ou, subsidiariamente, a nulidade de decisão de 1ª instância, por ser configurar a DCTF retificadora prova indiciária do direito creditório. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915594/200943 Acórdão n.º 3301002.038 S3C3T1 Fl. 89 3 Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Destarte, embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando esse entendimento, quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art. 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915594/200943 Acórdão n.º 3301002.038 S3C3T1 Fl. 90 5 A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723046/2010-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração, deixar o contribuinte de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados.
Numero da decisão: 2403-002.340
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração, deixar o contribuinte de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração, deixar o contribuinte de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 30 46 /2 01 0- 33 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723046/201033 Acórdão n.º 2403002.340 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0239.529 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Conforme os autos, tratase de infração ao disposto nos artigos 33, §§2º e 3º, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449 de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, combinado com o artigo 233 parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1999, por ter o contribuinte acima identificado deixado de exibir à fiscalização os seguintes documentos: parte da documentação de caixa das contas 3.1.1.01.3033 – Honorários Advocatícios e 3.1.1.01.3032 Honorários Contábeis. toda a documentação da conta 3.3.1.02.6058 Autônomos. Em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa no valor de R$14.317,78, calculada com base na Lei 8.212/91, artigos 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso II, alínea “j”e artigo 373. A ação fiscal foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0611000.2010.00459, conforme indicado no Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 07. O AutodeInfração foi lavrado em 25/10/2010, tendo o autuado sido cientificado em 24/11/2010, conforme assinatura aposta pelo representante legal, fls. 02. O contribuinte apresentou defesa em 23/12/2010, fls. 28/40, onde alega, em síntese, que: Foi autuado por deixar de apresentar documentos de caixa das contas 3.1.1.01.3033Honorários Advocatícios, 3.1.1.01.3032 Honorários Contábeis e 3.3.1.02.6058 Autônomos, no entanto, em momento algum da fiscalização, omitiuse em apresentar documentos solicitados pelo auditor fiscal. No Termo de Intimação Fiscal n° 0001/2010, de 16/09/2010, foi requerida a apresentação de diversos documentos de caixa e esclarecimentos sobre códigos de pagamento, assim como Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 correção de dados em arquivo magnético relativo à folha de pagamento. Conforme cópia de protocolo em anexo, foi entregue ao fiscal no dia 04/10/2010, “uma caixa box contendo documentos de caixa solicitados em TIF 001/2010 para análise” e não foi feita nenhuma ressalva por parte da fiscalização quanto à ausência de documentos solicitados não entregues. Logo em seguida, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 0002/2010, datado de 06/10/2010, pleiteando outros documentos de caixa que não tinham sido requeridos no TIF n° 0001/2010, comprovante de adesão ao PAT e DIRF 2007. Novamente a impugnante atendeu de pronto a intimação, tendo o fiscal atestado o recebimento da documentação sem qualquer ressalva. O TIF emitido posteriormente, de n° 0003/2010 requereu apenas a correção da GFIP, não tendo pleiteado a apresentação de nenhum outro documento. O encerramento da fiscalização se deu em 24/11/2010 com a lavratura de seis Autos de Infração. Em momento algum o fiscal registra que a empresa deixou de atender às intimações, o que demonstra que tal alegação é inverídica e injusta e assim, não há como enquadrar a impugnante como infratora. A alegada falta da impugnante não impediu a continuidade da fiscalização e a apuração das diferenças que o fiscal entendeu como devidas e, admitindose a incidência de alguma penalidade , deve ser esta calculada de modo proporcional ao resultado decorrente da infração legal. Na pior das hipóteses, caso não seja cancelada totalmente a penalidade ou fixada em valor fixo bem inferior ao ora impugnado, que seja estabelecida multa mínima definida no artigo 283, inciso II, do Decreto 3.048/99, no valor de R$6.361,73, tendo em vista a ausência de agravantes no caso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, reapresentando o que havia dito na impugnação. É o relatório Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723046/201033 Acórdão n.º 2403002.340 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação decorreu do fato de, segundo a fiscalização, a recorrente não ter apresentado a totalidade da documentação que foi intimada a apresentar. A recorrente afirma que em momento algum da fiscalização, omitiuse em apresentar documentos solicitados pelo auditor fiscal. Registra o Relatório Fiscal que apesar de notificada conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal emitidos em 16/09/2010 e 06/10/2010 deixou de apresentar a fiscalização parte da documentação de caixa das contas 3.1.1.01.3033 Honorários Advocatícios e 3.1.1.01.3032 Honorários Contábeis e toda a documentação da conta 3.3.1.02.6058 Autônomos. O sujeito passivo apesar de notificado conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal emitidos em 16/09/2010 e 06/10/2010 deixou de apresentar a fiscalização parte da documentação de caixa das contas 3.1.1.01.3033 Honorários Advocatícios e 3.1.1.01.3032 Honorários Contábeis e toda a documentação da conta 3.3.1.02.6058 Autônomos. Entendo que os contribuintes têm a obrigação de atender as intimações do fisco sob pena de autuação, portanto, correta a autuação. O valor da multa foi determinado segundo os ditames legais, isto é, calculada com base na Lei 8.212/91, artigos 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso II, alínea “j”e artigo 373. O valor da multa está correto e não cabe alterálo. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000385/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA.
No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito.
Numero da decisão: 1803-001.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 03 85 /2 00 9- 49 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Com a finalidade de melhor retratar os fatos do presente feito, adoto o relatório do acórdão recorrido (fls. 36/37): Tratase de declaração de compensação transmitida em 26/07/2005 pela contribuinte acima identificada, no valor de R$ 4.244,70, na qual indicou o crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 29/02/2004, com arrecadação em 29/03/2004, no valor originário de R$ 4.244,70. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/05/2009 (fl. 07), deferiu o pleito, homologando parcialmente a compensação declarada vez que “analisadas as informações prestadas (...), constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido (...)Entretanto (...) o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP...”. Cientificada, a interessada apresentou, em 01/07/2009, Manifestação de Inconformidade (fl. 10), na qual alega que: 2 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 R & S COMÉRCIO E TRANSPORTES DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, empresa comercial, com sede a Av. Celso Mazutti n° 4467, na cidade de Vilhena/RO, devidamente cadastrada no CNPJ/MF n° 15.864.341/000182, vem mui respeitosamente à presença de V.Sª., apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ao DESPACHO DECISÓRIO N° 835774630 pelas razões que passa a expor: 1. Em: a. 26/02/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 01/2004 Valor: R$ 4.850,34 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) . (DARF anexo); b. 29/03/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 2/2004 Valor: R$ 4.244,70 (quatro mil, duzentos e quarenta e quatro reais e setenta centavos). (DARF anexo); c. 15/04/2004, a empresa efetuou pagamento de: CSLL Código da Receita: 2484 PA: 03/2004 Valor: R$ 4.677,85(quatro mil, seiscentos e setenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). (DARF anexo); 2. Os recolhimentos, foram efetuadas mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, motivo pelo qual foi entregue o Per/DComp para compensação com os valores declarados em DCTF e DIPJ, conforme abaixo • O valor pago, corresponde a soma dos DARFs descritos no itera 1, "a,b e c”; 3. Por isso, não justifica apuração de valores diferentes destes declarados, pois os valores são exatamente iguais, estando os pagamentos idênticos aos valores devidos naquela ocasião, tudo em conformidade com a PER/DCOMP transmitida sob n° 24658.73353.260705.1.3.045787; (PER/DCOMP anexo); 4. No PER/DCOMP, foi informado o DARF de pagamento, como origem do crédito. Portanto, a compensação foi efetuada de forma legal, o que torna o Despacho Decisório n° 835774630 sem nenhum efeito. Diante dos fatos apresentados, requer a anulação do referido Despacho Decisório, por ser de Justiça e Direito. 3 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 A decisão de primeira instância restou assim ementada: CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva arguindo o já disposto na manifestação de inconformidade. É o relatório. . Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Temse, do exerto da decisão recorrida, o seguinte: No Detalhamento da Compensação, integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas 4 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo. A assertiva da referida decisão a que se recorre está correta na generalidade dos casos. Com efeito: [...], tratandose de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta devese realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem. De outro modo, Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 36 da IN RFB nº 900/2008, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Contudo, o que se pode aferir, no caso concreto, é que se trata do mesmo tributo, atinente a períodos equivalentes, ou seja, recolhimentos de estimativas mensais de CSLL (código 2484) que, somados, correspondem exatamente ao montante devido de CSLL no trimestre correspondente, apurado pela sistemática do resultado presumido (código 2372). Assim, nesse caso especificamente entendo não ser cabível se falar em exigência de acréscimos legais (multa de mora), mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação um ano depois do vencimento do referido débito, posto não se tratar de crédito diverso do débito que se pretende extinguir. Os recolhimentos de CSLL, a título de estimativa são referentes ao mesmo período que o débito de CSLL (mesmo trimestre) declarado pelo resultado presumido e totalizam o mesmo montante. Como bem observa a Recorrente: 5 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Os recolhimentos foram efetuados mensalmente, os quais deveriam ter sido recolhidos após o encerramento do trimestre, [...]. Diante do expoto voto em DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 6 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11080.908635/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância.
PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE.
O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OABRS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 86 35 /2 01 1- 91 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de processo constituído para tratamento de DComp eletrônica que utiliza crédito de pagamento a maior ou indevido de Cofins, no valor de R$ 23,14, do total pago em DARF de R$ 7.751,15, referente ao mês de setembro de 2004. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a Compensação sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada a empresa, em síntese, alegou que o débito de Cofins relativo ao período de apuração de 09/2004 não corresponde ao DARF de pagamento. Entende que apesar de ter informado em DCTF que o valor efetivamente apurado estava de acordo com o despacho decisório da DRF, a existência do crédito independe dos valores informados em suas declarações. Aduziu que as DCTFs não são documentos legitimadores do crédito, pois isso poderia causar distorções. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre referiu que o despacho decisório está de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo recolhido via DARF, e que para contrapor tais dados verificou que a Manifestante não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Aduziu, ainda, que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da Cofins são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 DCTF E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, e o recolhimento em DARF, estão de acordo com o valor considerado pela DRF jurisdicionante. Cientificada da decisão em 14 de maio de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de maio de 2013, em que: a) reclama pela nulidade da decisão recorrida por não ter o Colegiado promovido a instrução do processo mediante solicitação/intimação à Manifestante para apresentação dos documentos contábeis/fiscais que comprovassem o montante das receitas que haveriam de lhe conferir o direito ao crédito utilizado na DComp; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.908635/201191 Acórdão n.º 3803005.229 S3TE03 Fl. 73 3 b) no mérito, inova no argumento trazido na manifestação de inconformidade pretendendo a reprodução no presente julgamento da decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62A do RI/CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de Nulidade A falta de comprovação do alegado crédito constituise, no acórdão combatido, em fundamento subsidiário, que teve como prejudicial o fundamento erigido na questão principal contrário ao interesse da Manifestante: o direito de não incluir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de cessão temporária de direitos de veiculação de fonogramas. No voto condutor o Julgador a quo mencionou de forma expressa a necessidade de anexação dos elementos de verificação e mensuração do reclamado direito, consubstanciados na escrita contábil e fiscal. De fato, a decisão proferida por meio de despacho decisório eletrônico suprime a manifestação esclarecedora prévia do contribuinte. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 elucida todas as providências que o contribuinte inconformado com o despacho decisório deve tomar na feitura da sua defesa, inclusive determinando a anexação das provas que possuir. Nesse formato de decisão administrativa, a manifestação de inconformidade é o primeiro esclarecimento que o contribuinte presta. Há situações em que os elementos de prova colacionados nessa defesa são insuficientes ao juízo do julgador de primeira instância, que, com base no dispositivo acima, não tem permitido a complementação das provas por meio de diligência, vindo a julgar pela improcedência das razões do contribuinte. Por essa razão e com arrimo no princípio da verdade material que deve informar o processo administrativo fiscal , não se tratando de processo de determinação e exigência de crédito tributário, penso que o julgador não deve levar a extremo o princípio da preclusão da prova. Contudo, para afastálo é imperioso que o recorrente preencha a lacuna da sua defesa, conforme apontado pela decisão de primeira instância, suprindo o recurso voluntário com as provas que possuir e, de preferência, se necessário, de acordo com a conformação da causa, aparelhandoo com demonstração gráfica do direito em disputa. A decisão de primeiro grau já lhe dá esse norte, de modo a poder o recorrente aprumar a sua defesa. Somente diante de provas cabais com que instrumentalizado o recurso poderia o julgador de segunda instância propugnar: (i) pelo seu provimento, se abraçasse tese distinta da decisão recorrida ou diante de causa madura, na hipótese de mérito não apreciado na primeira instância; (ii) pela anulação da decisão de primeiro grau para apreciação do mérito, caso não o tenha sido. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Não é o que se dá neste processo, em que o recurso voluntário novamente não se fez acompanhar das provas do direito alegado. É dever do inconformado com decisão administrativa de juntar à sua defesa as provas que possuir, segundo o ditame da norma que regula, em específico, o processo administrativo fiscal, segundo disposição do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Esta norma mandamental não é ofuscada pela norma genérica do art. 29 da Lei nº 9.784/99[1] (que regula a atividade de instrução da Administração, para tomada de decisões, seja de ofício ou por impulsão do órgão responsável pelo processo), que não possui um comando para a Administração, sobretudo quando a decisão em meio eletrônico se dá sobre as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte. Não resta, pois, violado o direito à ampla defesa, que daria ensejo à nulidade da decisão. De mais a mais, restaria ineficaz a decretação de nulidade de decisão de piso, vez que a questão da prova é prejudicada pelo direcionamento dado à presente decisão. Ante o exposto, rejeito a preliminar. Mérito Na manifestação de inconformidade a Manifestante nada aduz acerca da origem do seu crédito perante a RFB. E como não trouxe elementos de prova a decisão de piso ficou circunscrita à questão da falta de prova do alegado. No recurso voluntário, a Recorrente vem sustentar que o crédito utilizado na DComp sob análise decorre de pagamento indevido de Cofins vinculado a receitas de cessão de uso de fonogramas, que por sua natureza não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição, valores pagos que estão regidos pela sistemática de apuração cumulativa, prevista na Lei nº 9.718/98. Tal questão não foi prequestionada perante o órgão julgador de primeira instância, tendo precluído o direito de a Recorrente apresentála em grau de recurso. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.908635/201191 Acórdão n.º 3803005.229 S3TE03 Fl. 74 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720588/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR - CERCEAMENTO DE DEFESA - PROVA TESTEMUNHAL - INDEFERIMENTO DE PERÍCIA
O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. Ausente previsão, no Processo Administrativo Fiscal, de audiência de instrução em que possam ser arroladas testemunhas, de maneira que não há falar em cerceamento de defesa ante a ausência de prova testemunhal, porquanto os testemunhos podem ser trazidos na forma de declarações, para serem analisados em conjunto com as demais provas. O indeferimento do pedido de perícia não acarreta cerceamento de defesa, uma vez que o mesmo não pode servir de instrumento para supressão de omissões quando da produção de provas pelo contribuinte.
PRELIMINAR - NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR EDITAL - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE
A notificação por edital, segundo o art. 23, §1º, do Decreto 70.235/72 é meio idôneo de intimação desde que precedida, comprovadamente, de que reste improfícuo, ao menos, um meio possível tendente à localização e intimação do contribuinte, de modo que quando realizada independente da comprovação de ineficácia das demais formas de intimação previstas no Decreto 70.235/72 deve ser declarada nula. O princípio da instrumentalidade das formas, previsto no art. 244 do CPC estabelece que um ato será convalidado, ainda que realizado de modo distinto do previsto em lei, se alcançar sua finalidade. Necessária a comprovação de prejuízo ao contribuinte para que reste declarada nula notificação por edital que atendeu à sua finalidade. O comparecimento do contribuinte convalida o vício da notificação nos termos do art. 26, §5º, da Lei nº 9.784/99.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão.
ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE.
Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
RENDIMENTO DE ATIVIDADE RURAL - IMPOSSIBILIDADE - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO -
Ainda que se trate de produtor rural, a mera alegação de que os rendimentos omitidos em conta corrente são oriundos de atividade rural, desprovida de prova de que tais rendimentos originam-se dessa atividade, inviabiliza a aplicação do percentual de 20% autorizado pelo art. 12 da Lei 8.023/90.
ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96- MULTA DE OFÍCIO FORMAL.
Uma vez efetuado o lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa de ofício formal ao patamar de 75% sobre a totalidade da diferença do imposto nas hipóteses de ausência de pagamento, recolhimento ou declaração ou nos casos de declaração inexata, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, não sendo o elemento doloso requisito de sua aplicação.
Recurso voluntário parcialmente provido no mérito, rejeitadas as preliminares.
Numero da decisão: 2202-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 773.798,00
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente Ad Hoc
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente à época), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR - CERCEAMENTO DE DEFESA - PROVA TESTEMUNHAL - INDEFERIMENTO DE PERÍCIA O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. Ausente previsão, no Processo Administrativo Fiscal, de audiência de instrução em que possam ser arroladas testemunhas, de maneira que não há falar em cerceamento de defesa ante a ausência de prova testemunhal, porquanto os testemunhos podem ser trazidos na forma de declarações, para serem analisados em conjunto com as demais provas. O indeferimento do pedido de perícia não acarreta cerceamento de defesa, uma vez que o mesmo não pode servir de instrumento para supressão de omissões quando da produção de provas pelo contribuinte. PRELIMINAR - NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR EDITAL - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE A notificação por edital, segundo o art. 23, §1º, do Decreto 70.235/72 é meio idôneo de intimação desde que precedida, comprovadamente, de que reste improfícuo, ao menos, um meio possível tendente à localização e intimação do contribuinte, de modo que quando realizada independente da comprovação de ineficácia das demais formas de intimação previstas no Decreto 70.235/72 deve ser declarada nula. O princípio da instrumentalidade das formas, previsto no art. 244 do CPC estabelece que um ato será convalidado, ainda que realizado de modo distinto do previsto em lei, se alcançar sua finalidade. Necessária a comprovação de prejuízo ao contribuinte para que reste declarada nula notificação por edital que atendeu à sua finalidade. O comparecimento do contribuinte convalida o vício da notificação nos termos do art. 26, §5º, da Lei nº 9.784/99. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. RENDIMENTO DE ATIVIDADE RURAL - IMPOSSIBILIDADE - NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO - Ainda que se trate de produtor rural, a mera alegação de que os rendimentos omitidos em conta corrente são oriundos de atividade rural, desprovida de prova de que tais rendimentos originam-se dessa atividade, inviabiliza a aplicação do percentual de 20% autorizado pelo art. 12 da Lei 8.023/90. ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96- MULTA DE OFÍCIO FORMAL. Uma vez efetuado o lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa de ofício formal ao patamar de 75% sobre a totalidade da diferença do imposto nas hipóteses de ausência de pagamento, recolhimento ou declaração ou nos casos de declaração inexata, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, não sendo o elemento doloso requisito de sua aplicação. Recurso voluntário parcialmente provido no mérito, rejeitadas as preliminares.
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Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. Ausente previsão, no Processo Administrativo Fiscal, de audiência de instrução em que possam ser arroladas testemunhas, de maneira que não há falar em cerceamento de defesa ante a ausência de prova testemunhal, porquanto os testemunhos podem ser trazidos na forma de declarações, para serem analisados em conjunto com as demais provas. O indeferimento do pedido de perícia não acarreta cerceamento de defesa, uma vez que o mesmo não pode servir de instrumento para supressão de omissões quando da produção de provas pelo contribuinte. PRELIMINAR NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR EDITAL PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE A notificação por edital, segundo o art. 23, §1º, do Decreto 70.235/72 é meio idôneo de intimação desde que precedida, comprovadamente, de que reste improfícuo, ao menos, um meio possível tendente à localização e intimação do contribuinte, de modo que quando realizada independente da comprovação de ineficácia das demais formas de intimação previstas no Decreto 70.235/72 deve ser declarada nula. O princípio da instrumentalidade das formas, previsto no art. 244 do CPC estabelece que um ato será convalidado, ainda que realizado de modo distinto do previsto em lei, se alcançar sua finalidade. Necessária a comprovação de prejuízo ao contribuinte para que reste declarada nula notificação por edital que atendeu à sua finalidade. O comparecimento do contribuinte convalida o vício da notificação nos termos do art. 26, §5º, da Lei nº 9.784/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 05 88 /2 01 1- 70 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. RENDIMENTO DE ATIVIDADE RURAL IMPOSSIBILIDADE NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO Ainda que se trate de produtor rural, a mera alegação de que os rendimentos omitidos em conta corrente são oriundos de atividade rural, desprovida de prova de que tais rendimentos originamse dessa atividade, inviabiliza a aplicação do percentual de 20% autorizado pelo art. 12 da Lei 8.023/90. ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/96 MULTA DE OFÍCIO FORMAL. Uma vez efetuado o lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa de ofício formal ao patamar de 75% sobre a totalidade da diferença do imposto nas hipóteses de ausência de pagamento, recolhimento ou declaração ou nos casos de declaração inexata, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, não sendo o elemento doloso requisito de sua aplicação. Recurso voluntário parcialmente provido no mérito, rejeitadas as preliminares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 773.798,00 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente Ad Hoc (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 529 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente à época), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em sua DIRF anocalendário de 2008 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do anocalendário de 2008 (fls.0304 do eprocesso). O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 15/10/10, requisitando: a) indicação das instituições financeiras, no Brasil e/ou exterior, onde o recorrente/cônjuge e dependentes possuem ou possuíam conta, no anocalendário de 2008, informado se foram movimentados recursos financeiros a qualquer título, em nome próprio, do cônjuge ou dos dependentes; b) apresentação de extratos bancários de todas as contas, aplicações financeiras e cadernetas de poupança mantidas pelo recorrente/cônjuge e dependentes, constantes ou não na DIRPF, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao anocalendário de 2008; c) apresentação de cópia da DIRPF relativa ao anocalendário 2008, ou justificativa da falta de apresentação; e d) apresentação de comprovantes de receitas e despesas relativos rural. (fls.0304 do eprocesso). Em resposta, o recorrente apresentou: a) relação de contascorrentes mantidas durante o anocalendário de 2008; b) extratos bancários das contas correntes mantidas nos seguintes bancos: HSBC Bank Brasil S/A, Banco do Brasil S.A, Banco da Amazônia S.A, Banco Bradesco S.A e Caixa Econômica Federal S.A; c) recibo de entrega e cópia da DIRPF referente ao exercício de 2008; d) notas fiscais referentes a despesas e receitas relativas à atividade rural. (fls.11184 do eprocesso). Em novo termo de intimação fiscal, 18/01/11, o recorrente foi intimado a: a) comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos lançados a crédito nas contascorrentes anexas ao termo de intimação e referentes ao ano de 2008; b) relacionar as receitas auferidas com atividade rural com os depósitos efetuados a crédito nas contascorrentes, conforme documentação anexa ao termo de intimação, coincidentes em datas e valores, referentes ao ano de 2008. (fl.206219 do e processo). Na mesma data, o recorrente foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contas, aplicações financeiras e cadernetas de poupança mantidas por ele junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao anocalendário de 2008, em planilha eletrônica na forma requerida pela fiscalização. (fl.220221 do eprocesso). O recorrente solicitou prorrogação do prazo, a qual foi deferida (fl.222 do e processo). Após, a autoridade administrativa lavrou termo de retenção de documentos, retendo seis CD’S contendo planilha eletrônica referente a extratos de conta corrente mantida nos seguintes bancos: Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco HSBC, Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Cooperativa de Crédito Rural Cacoal – CREDICACOAL. (fl.225 do e processo). Novamente, o recorrente requereu prorrogação do prazo para resposta à intimação fiscal, o pedido foi deferido. (fl.226 do eprocesso). O recorrente respondeu à intimação fiscal 029/2011 apresentando: a) comprovante do CREDICACOAL, de 27/03/08, informando rendimentos do ano base 2008 nos valores de R$ 6.433,16, e R$ 1.719,79 e R$ Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 530 5 257,97; b) documento emitido pelo Sr. Eliezer de Souza Louback, informando que o valor de R$ 30.000,00 depositado em 17/12/08 na conta corrente do recorrente, no Banco do Brasil, foi creditado a título de empréstimo; c) documento emitido pelo Sr. Osmar Sperandio, informando que os valores de R$ 28.000,00 e R$ 72.000,00, depositado em 18/02/08 e 19/02/08, na conta corrente do recorrente, na Caixa Econômica Federal, foram creditados a título de empréstimo. (fls.227234 do eprocesso). Posteriormente, o recorrente, em resposta à intimação fiscal 005/2011 apresentou documento emitido pelo Sr. Wanderson Custodio Novais, informando que os valores de R$ 17.500,00 e R$ 3.000,00 depositados em 08/05/05, na conta corrente do recorrente, no Banco do Brasil, foram creditados a título de empréstimo. (fls.235237 do e processo). Ao relacionar as receitas auferidas com atividade rural com os depósitos efetuados a crédito em suas contas correntes, o recorrente apresentou as seguintes informações: (fls.238240 do eprocesso): BANCO DATA HISTÓRICO VALOR Banco do Brasil 30/10/2008 Depósito online R$ 9.000,00 HSBC 31/07/2008 Transf Connect Banck R$ 7.000,00 HSBC 01/10/2008 Transf disponível R$ 20.000,00 O recorrente apresentou resposta à intimação fiscal 005/2011 apresentando, os seguintes esclarecimentos quanto aos valores depositados em sua conta 00283347 da Cooperativa de Crédito Credi Cocal. (fls.252261 do eprocesso): Data Descrição Emitente Valor 08/01/08 Liberação de desconto de cheque Helaynne Oliveira Freitas R$1.750,00 25/08/08 Liberação de desconto de cheque Antônio Agostinho Capo R$6.500,00 15/04/08 Liberação de desconto de cheque Helaynne Oliveira Freitas R$13.500,00 29/04/08 Liberação de desconto de cheque José Roberto Mendonça R$ 3.600,00 29/01/08 Liberação de desconto de cheque Paulo Roberto da Paixão R$11.000,00 10/07/08 Liberação de desconto de cheque José Uilton Moura Barreto, Antônio Agostinho Capo, José Luiz D da Ross, José Almeida da Silva R$30.700,00 15/09/08 Liberação de desconto de cheque Daniel Fialho R$ 9.512,00 13/11/08 Liberação de desconto de cheque Maria Ivonette Timoteo da Silva R$10.300,00 Em resposta à intimação fiscal 029/2011, apresentou comprovante de depósito do Banco HSBC, efetuado em 01/10/08, no valor de R$ 20.000,00, depositado em sua conta corrente pelo Sr. Jose Roberto de Mendonça a título de pagamento de aluguel de pastagem. (fls.245246 do eprocesso). O recorrente apresentou resposta à intimação fiscal 005/2011 informando que o depósito do Banco do Brasil, efetuado em 11/07/08, no valor de R$ 41.000,000, bem como valor de R$ 4.000,00 pago em mãos em 30/07/08 e o valor de R$ 10.000,00 depositado em sua conta pelo Sr. Wagner de Almeida Virgolino, a titulo de venda de imóvel rural. (fls.247249 do eprocesso). Na oportunidade, anexou aos autos contrato particular de compra e venda de imóvel rural. Em resposta à intimação fiscal 005/2011, apresentou comprovante de depósito efetuado em sua conta do Banco do Brasil em 20/08/08, pelo Sr. Antônio Quixabeira, a título de empréstimo, no valor de R$ 30.000,00 (fls.250251 do eprocesso). Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Após novo pedido de prorrogação de prazo (fls.262263 do eprocesso), o recorrente apresentou resposta ao termo de intimação fiscal 029/2011, informando as seguintes movimentações, referentes à sua conta corrente do Banco HSBC (fls.264290 do eprocesso): Data Descrição Emitente Valor 17/01/08 Pagamento de abate bovino Frigorífico Tangara Ltda R$63.657,80 13/02/08 Pagamento de abate bovino Frigorífico JBS de CACOAL S/A R$10.494,20 14/03/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$27.000,00 17/01/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$27.000,00 03/04/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$27.000,00 03/04/08 Transferência entre contas conjuntas Maria Lourdes de Oliveira Freitas R$34.420,00 04/04/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$55.000,00 14/04/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$34.000,00 22/04/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$25.000,00 05/05/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$20.000,00 11/06/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$20.000,00 20/06/08 Depósito – empréstimo Tonigebson Oliveira Freitas R$6.300,00 23/07/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$6.000,00 19/08/08 Depósito – empréstimo Tonigebson Oliveira Freitas R$21.000,00 12/09/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$20.000,00 15/09/08 Depósito – empréstimo Osmar Sperandio R$10.000,00 22/09/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$10.000,00 06/10/08 Depósito – empréstimo Helaynne Oliveira Freitas R$13.000,00 29/10/08 Empréstimo junto à instituição financeira cooperativa de crédito rural Credi CACOAL R$20.000,00 30/10/08 Depósito – empréstimo Tonigebson Oliveira Freitas R$20.000,00 05/11/08 Depósito – empréstimo Rose Anne Barreto R$14.986,50 28/11/08 Transferência entre contas conjuntas Maria Lourdes de Oliveira Freitas R$25.000,00 12/12/08 Transferência entre contas conjuntas Maria Lourdes de Oliveira Freitas R$25.000,00 17/12/08 Transferência entre contas conjuntas Maria Lourdes de Oliveira Freitas R$27.000,00 23/12/08 Transferência entre contas conjuntas Maria Lourdes de Oliveira Freitas R$8.000,00 29/12/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$8.000,00 29/12/08 Transferência entre contas conjuntas R$12.000,00 Quanto a tais movimentações bancárias, o recorrente foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, conforme descrição do termo de intimação. (fls.293295 do eprocesso). Em resposta, o recorrente apresentou declaração da Sra. Helaynne Oliveira Freitas corroborando a informação por ele prestada, referente ao depósito de R$ 13.000,00, realizado em 06/10/08, bem como declaração do Sr. Tonigebison Oliveira Freitas que também corroborou suas informações quanto aos depósitos de R$ 6.300,00, de R$ 21.000,00 e de R$ 20.000,00, feitos em 20/06, 19/08/08 e 30/10/08. (fls.301302 do eprocesso). Em resposta ao termo de intimação fiscal 005/2011, o recorrente prestou novos esclarecimentos quanto às movimentações realizadas em sua conta corrente no Banco HSBC (fls.307312 do eprocesso): Data Descrição Emitente Valor 21/10/08 Depósito – pagamento de dívida Edilson Farias Couto R$15.000,00 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 531 7 21/10/08 Transferência entre contas de mesmo titular R$10.494,20 29/02/08 Pagamento de venda de novilhas e garrotes Clarice Mendonça de Souza R$100.960,00 29/02/08 Pagamento Donisete Porto R$33.000,00 12/05/08 Depósito entre contas de mesmo titular R$40.000,00 13/05/08 Pagamento de dívidas Marco Antonio da Costa ME R$37.080,00 Ainda nesta oportunidade, o recorrente prestou esclarecimentos quanto às movimentações realizadas em sua conta corrente da Cooperativa Credi Cocal (fls.313331 do eprocesso), oportunidade em que juntou aos autos extrato individual de empréstimo (fls. 315 316 do eprocesso) e comprovantes de depósito discriminando o nome de seu depositante (fls.319331 do eprocesso): Data Borderô Emitente Descriminação Valor R$ 13/01/08 00283447 Credicacoal Empréstimo contrato 00806704 12.499,55 16/01/08 00806708 Credicacoal Empréstimo contrato 00806708 130.500,00 24/03/08 00807117 Credicacoal Empréstimo contrato 00807117 75.500,00 10/04/08 00807172 Credicacoal Empréstimo contrato 00807172 66.000,00 22/04/08 00807192 Credicacoal Empréstimo contrato 00807192 70.000,00 11/06/08 00807367 Credicacoal Empréstimo contrato 00807367 20.682,58 01/07/08 00807378 Credicacoal Empréstimo contrato 00807378 41.176,41 04/09/08 00807547 Credicacoal Empréstimo contrato 00807547 18.764,62 29/11/08 00109583 Valdir Dezideiro Desconto de cheque emprestado pelo emitente 22.000,00 13/11/08 00109376 Simoni Moreira da Silva Desconto de cheque emprestado pela emitente 22.000,00 09/10/08 00108969 Simoni Moreira da Silva Desconto de cheque emprestado pela emitente 31.500,00 12/10/08 00109017 Simoni Moreira da Silva Desconto de cheque emprestado pela emitente 20.000,00 01/10/08 00109017 Claudecir de Paula Mancini Desconto de cheque recebido de terceiro a título de recebimento de dívida do emitente 1.000,00 04/09/08 00108752 José Uilton Moura Barreto Desconto de cheque emprestado pelo emitente 11.556,00 25/09/08 00108752 Valdir Dezideiro Desconto de cheque emprestado pelo emitente 14.200,00 15/09/08 00108545 Antonio Agostinho Capo Desconto de cheque recebido de terceiro a título de recebimento de dívida do emitente 17.700,00 18/08/08 00108272 Simoni Moreira da Silva Desconto de cheque emprestado pela emitente 13.738,00 18/08/08 00108272 Simoni Moreira da Silva Desconto de cheque emprestado pela emitente 22.500,00 08/08/08 00108091 Nevton de Castro Freitas Desconto de cheque emprestado pelo emitente 20.000,00 08/07/08 00108023 Freitas e Castro Ltda Desconto de cheque emprestado pelo emitente 16.640,00 08/07/08 00107548 Martinho Rodrigues Pinto Desconto de cheque recebido de terceiro a título de recebimento de dívida do emitente 10.850,00 08/07/08 00107548 Nevton de Castro Farias Desconto de cheque emprestado pelo emitente 20.000,00 13/06/08 00107309 Freitas e Castro Ltda Desconto de cheque emprestado pelo emitente 45.000,00 22/05/08 00106978 Oliveira e Castro Ltda Desconto de cheque emprestado pelo emitente 36.500,00 O recorrente apresentou, inclusive: a) declaração do Sr. Osmar Sperandio (fl.332 do eprocesso), informando que em 15/09/2008 realizou depósito na conta corrente do recorrente, no Banco HSB, no valor de R$ 10.000,00 a título de empréstimo; b) declaração do Sr. Nevton de Castro Freitas (fl.334 do eprocesso), informando que realizou transferência para a conta corrente do recorrente, no Banco HSBC, no valor de R$ 7.000,00 a título de pagamento de empréstimo, em 31/07/08; c) declaração do Sr. Rizali Barreto (fl.335 do eprocesso), informando que depositou cheque na conta corrente do recorrente, no Banco do Brasil, no valor de R$ 11.000,00, no dia 29/12/08; d) declaração da Sra. Rose Anne Barreto (fl.336 do e processo), informando que creditou a conta corrente do recorrente, no Banco do Brasil em Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 05/11/08, a titulo de empréstimo; e) declaração do Sr. Antônio Quixabeira (fl.341 do e processo), informando que depositou a quantia de R$ 30.000,00 na conta corrente do recorrente, no Banco do Brasil, em 20/08/08, a título de empréstimo. Posteriormente, o recorrente foi intimado a: a) apresentar os contratos de mútuo relativos aos empréstimos relacionados; b) comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as operações que resultaram nos descontos dos cheques, listado no item 2 do termo de intimação fiscal, pelo sujeito passivo; c) comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da dívida contraída pelas pessoas discriminadas no item 3 do termo de intimação fiscal; d) apresentar os contratos de mútuo de todos os empréstimos obtidos no ano de 2008, ainda que não relacionados no termo de intimação fiscal, junto às pessoas físicas e jurídicas (exceto os contraídos junto a instituições financeiras), informados à Fiscalização no curso da demonstração da origem dos recursos lançados a crédito em suas contas correntes; e) apresentar todos os contratos ou notas fiscais relativos aos itens 2 e 3 do termo de fiscalização. (fl.343345 do eprocesso). Em resposta, o recorrente informou que todos os lançamentos já foram justificados, dentro dos prazos e datas solicitados, com documentação hábil e idônea pelos contribuintes. As origens seriam a título de empréstimos, recebimentos de dívidas, compra e venda de arrobas de gado, aluguel de pastagem rural, venda de automóveis, venda de gado, descontos de cheques, depósitos bancários, operações junto a Instituições Financeiras, créditos rurais e empréstimos bancários. Acrescentou que os depósitos online efetuados em sua conta corrente do Banco do Brasil, nos dias 11/12/08, 22/12/08 e 29/12/08, nos valores de R$ 8.000,00, de R$ 7.000,00, de R$ 5.000,00 e de R$ 3.500,00, foram efetuados pelo Sr. Isaiu de Oliveira da Silva a título de empréstimo. Já os valores depositados em sua conta corrente do Banco HSBC, no dia 24/11/08, nos valores de R$ 4.000,00, de R$ 5.000,00, de R$ 5.000,00 e de R$ 5.000,00, foram creditados pelo Sr. Paulo Francisco de Oliveira a título de pagamento de empréstimos. (fls.346350 do eprocesso). 2 Notificação do Lançamento Em 06/07/11, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.351356 do eprocesso), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Considerando o período apurado, estabeleceuse a quantia R$ 3.707.858,26 a título de infração. Ao valor apurado como infração, definiuse a quantia de R$ 40.167,80 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 6.585,93, restando como imposto apurado o valor de R$ 1.024.121,23. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.974.148,68, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 30/06/11. O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/08/2006. 3 Impugnação Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 532 9 Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.390468 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) logrou êxito em demonstrar a origem dos depósitos bancários realizados em suas contas correntes; b) as declarações assinadas por terceiros e por ele oferecidas podem ser corroboradas mediante a oitiva do declarante, e presumemse verdadeiras nos termos do art. 368 do CPC, de modo que, se o Fisco entendia não ser suficiente o testemunho fornecido nas declarações particulares, devia oportunizar ao contribuinte firmálas oportunamente, da maneira que entendesse ser mais conveniente; c) o ônus da prova no que tange à eventual omissão de receitas não pertence ao contribuinte, mas ao próprio Fisco, que não pode se apegar meramente a extratos bancários para fins de autuação o, tendo em vista que a autoridade fiscal tem o dever legal de identificar a capacidade econômica dos contribuintes; d) a impossibilidade de depósitos bancários autorizarem o lançamento efetuado, pois não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por consequência, caracterizarem sinais exteriores de riqueza, tornandose, assim, imprescindível a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida; e) faltou à Fiscalização demonstrar a utilização dos valores depositados para caracterizálos como renda auferida; f) cabe à autoridade administrativa a prova da efetiva renda do recorrente oriunda dos depósitos, e quais rendimentos deram origem a esses depósitos; g) a existência de diversos lançamentos realizados em suas contas bancárias que se tratavam de simples operações de um banco para o outro, que demonstravam a transação financeira de uma conta para a outra, sem qualquer cunho de renda, ou seja, movimentação de depósitos entre contascorrentes de mesma titularidade; h) foram preenchidos todos os requisitos necessários para que seus rendimentos fossem tributados como decorrentes de atividade rural; i) se considerada a receita exorbitante declinada pelo Fisco de R$ 3.707.858,26 sem a dedução da atividade rural declarada no IRPF 2009/2008 de R$ 201.338,12, teríamos a importância de um saldo de imposto a pagar de R$ 197.582,68; j) é impossível desconsiderar a natureza rural da renda do contribuinte, como a própria fiscalização relatou que ele trouxe aos autos cópias das notas fiscais e comprovantes das despesas relacionadas com a atividade rural; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 k) é nulo do lançamento do crédito tributário em decorrência da falta de preenchimento dos seus pressupostos legais, o que enseja a impossibilidade da aplicação da multa de 75%; l) inexiste infração capaz de gerar a multa de 75%, uma vez que ele prestou declarações em conformidade com sua exata movimentação econômico financeira. 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade, (fls.471484 do eprocesso) mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) improcedente o pedido de reconhecimento de nulidade da autuação, tendo em vista que não se vislumbra nenhuma das hipóteses presentes no art. 59 do Decreto 70.235/72; b) os julgados trazidos pelo recorrente não constituem normas complementares de Direito Tributário, não podendo ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; c) o legislador estabeleceu, com a edição da Lei 9.481/97, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considere o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando a necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei 8.021/90, ou de renda constituída; d) a tributação com base em depósitos bancários deriva de presunção legal; e) no caso, a autoridade autuante agiu com acerto, pois diante de indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação, operou a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, justificar sua origem com rendimentos nãotributáveis ou já tributados; f) a impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada; g) o depósito bancário é considerado omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei 9.430/96; Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 533 11 h) a Fiscalização respeitou plenamente o direito de defesa do recorrente, tanto que apresentou relatório minucioso dos depósitos que foram considerados como comprovados e dos que ainda permanecem sem comprovação, detalhando inclusive o motivo da manutenção de cada depósito no somatório da infração; i) o contribuinte não comprovou qualquer dos depósitos questionados pela fiscalização, não havendo se falar, portanto, em tributação como atividade rural, pois para fazer jus a esse benefício, deveria comprovar que os depósitos apontados pela fiscalização originaramse de atividade rural; j) a apresentação de notas fiscais de compra de produtos relacionados à atividade rural não é suficiente a comprovar a relação entre os depósitos bancárias com qualquer venda proveniente de atividade rural; k) a tentativa de generalizar os depósitos fiscalizados, como sendo de atividade rural, não pode ser acatada como justificativa da origem dos depósitos arguidos; l) a cobrança da multa de ofício decorre de estrita previsão legal, emanada pelo art. 44 da Lei 9.430/96; m) não configura confisco a aplicação da lei tributária; n) o pedido de diligência não pode ser acatado, pois não atende ao requerido pelo art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. 5 Recurso Voluntário Foi realizada tentativa de intimação via AR, a qual não logrou êxito, tendo retornado em 20/01/12 (fl.490491 do eprocesso). Assim, o contribuinte foi notificado pelo EDITAL/SARAC/DRF/JPR/RO – Nº 10/2012, conforme disposto nos artigos 5º e 23, §2º, III, do Decreto 70.235/72, expedido em 09/03/12. Portanto, notificado fictamente da decisão em 24/03/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.493522 do eprocesso) em 07/04/12, repisando os argumentos da impugnação, e adicionando que possui domicílio certo, de forma que a intimação via edital, além de mostrarse incabível, prejudicou sobremaneira a defesa apresentada, assim, requer seja decretada a nulidade da intimação por edital. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, o Fisco utilizouse dos extratos bancários apresentados pelo recorrente (fls.1499 e 142149 do e processo) e, ante a ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários arrolados e da não apresentação da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2008 pelo recorrente, iniciouse o procedimento fiscal. 1 Questões preliminares Do cerceamento de defesa O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito que está explicitado na Constituição em diversos incisos do art. 5º, dentre os quais os abaixo reproduzidos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. No âmbito do processo administrativo federal, o direito ao contraditório tem seu conteúdo mínimo definido na Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como: o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, a instrumentalidade das formas, dentre outros: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 534 13 IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, está assentado na doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). Nesse sentido, vejase a disposição contida no art. 244 do Código de Processo Civil: Art. 244. Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido e o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. No caso em análise, o recorrente sustenta que lhe foram rejeitados os pedidos de produção de prova documentais disponíveis, perícia e depoimento de testemunhas. Observo, contudo, que não deve prosperar a alegação do recorrente de que a ausência de tais provas implicou cerceamento de seu direito de defesa. Isso porque em momento algum foi solicitado pelo recorrente, seja em sua impugnação, seja em seu recurso voluntário, seja em outra oportunidade, a produção de provas documentais, de perícia ou o arrolamento de quaisquer testemunhas. Os únicos pedidos formulados pelo recorrente foram Fl. 540DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 aqueles no sentido de dilação do prazo para apresentação de documentos. Ademais, este Conselho já consolidou entendimento no sentido de que a audiência para oitiva de testemunhas não configura, dadas as peculiaridades dos fatos provados, etapa cuja supressão viole qualquer direito do contribuinte. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste previsão, no Processo Administrativo Fiscal, para uma audiência de instrução em que sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte por ventura tenha a seu favor. Eventuais testemunhas poderão ser objeto de declarações escritas, as quais serão consideradas em conjunto com as demais provas acostadas. OMISSÃO DE RENDIMENTO – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Se o contribuinte não traz aos autos comprovação materialmente adequada de que repassou honorários a outros profissionais, e/ou de que os valores apurados pelo Fisco foram entregues aos respectivos clientes, como resultado de ação trabalhista, o lançamento deve ser mantido. MULTA ISOLADA – CUMULATIVIDADE COM MULTA DE OFÍCIO Deve ser afastada a multa isolada quando a sua aplicação cumulativa com a multa de ofício implica dupla penalização pelo mesmo fato. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuinte. 2ª Câmara. Turma Especial. Acórdão n.º 19200050 do Processo 11543000954200271, julg. em 09/09/08) (grifei) Referente ao suposto pedido de perícia, entendo que o mesmo não pode servir de instrumento para suprimento de omissões quando da produção probatória pelo contribuinte, conforme decisão deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICA. MANTÉMSE A GLOSA DAS DESPESAS QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO COMPROVA A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS E NEM DOS PAGAMENTOS ALEGADOS. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. IMPRESCINDÍVEL A REALIZAÇÃO DE PERÍCIA SOMENTE QUANDO NECESSÁRIO A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO TÉCNICO ESTRANHO À ATUAÇÃO DO ÓRGÃO JULGADO, NÃO PODENDO SERVIR PARA SUPRIR OMISSÃO NA PRODUÇÃO DE PROVAS. INTIMAÇÕES. ENDEREÇO. AS INTIMAÇÕES E NOTIFICAÇÕES, NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, DEVEM SER ENCAMINHADAS AO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE À SECRETARIA DA RECEIRA, FEDERAL PARA FINS CADASTRAIS, OU AO ENDEREÇO ELETRÔNICO A ELE ATRIBUÍDO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, DESDE QUE AUTORIZADO PELO SUJEITO PASSIVO, EM OBSERVÂNCIA ÀS DISPOSIÇÕES DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS, ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, INDEFERIR O PEDIDO DE PERÍCIA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento, 1ª Turma Especial. Acórdão n.º Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 535 15 2801016390 do Processo 10630001153200958, julg. em 08/06/11) (grifei.) Assim, entendo que não ocorreu, em momento algum, desrespeito à forma, nem prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Da nulidade da notificação por edital Conforme previsão do §1º, do art. 23, do Decreto nº 70.235/72, a intimação por edital deve ser precedida da improficuidade de, ao menos, um meio possível tendente à localização e intimação do contribuinte. In verbis: Art. 23. Farseá a intimação: § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feira por edital publicado: I – no endereço da administração tributária na internet; II – em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III – uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Da leitura concluise que se estará diante de nulidade quando a intimação por meio edital for realizada independentemente da comprovação de improficuidade dos demais meios de intimação previstos nos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto 70.235/72. Ainda, a Lei nº 9.784/99, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, institui no art. 26 as condições a serem observados quando da intimação do interessado, que deve ser determinada para a ciência e/ou a efetivação de diligências respeitando os requisitos insertos no §1º. Entretanto, o §5º, do art. 26 estabelece que embora a intimação seja nula, ela será convalidada com o comparecimento do administrado, o que supre a ausência ou a irregularidade na intimação. In verbis: Art. 26. O órgão competente para o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou efetivação de diligências. § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. O recorrente sustenta que a notificação por edital deve ser declarada nula, pois ele possui domicílio certo, de forma que a notificação via edital prejudicou sua defesa. Porém, não vislumbro o referido dano. Ainda que o recorrente tenha sido intimado por intermédio de edital (fl.492 do eprocesso), isto somente ocorreu após comprovação sua intimação via postal, inserta no inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/72, restou improfícua, conforme se constata com a cópia Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 do AR devolvido (fls.490491 do eprocesso). Atendida, assim, a exigência inserta no §1º do mencionado Decreto. Ademais, conforme referido, a decretação de nulidade deve observar, sobretudo, que o ato não tenha atendido sua finalidade e/ou tenha acarretado prejuízo à parte, consequências essas que não foram demonstradas. Pelo contrário, intimação por edital atendeu com sua finalidade e ensejou a propositura de recurso voluntário em tempo hábil, e, embora este alegue ter sido prejudicado por tal fato, a verdade é que o recorrente apresentou seu recurso voluntário antes da metade do transcurso do prazo a si estendido. Ou seja, não se pode dizer que faltou tempo para que elaborasse seu recurso voluntário. Deste modo, entendo que a notificação por edital é válida. 2 Da Omissão de Rendimentos O recorrente aduz que demonstrou a origem de todas as movimentações financeiras solicitadas, mediante documentação suficiente e hábil para comprovar que não ocorreu omissão de receita. Ainda, a fundamentação a qual se apegou a auditor fiscal para não aceitar parcela considerável da documentação apresentada é uma questão de interpretação, pois a interpretação taxativa e literal, no sentido de que todo e qualquer documento a ser apresentado ao Fisco deve ser procedido de registro público, não retira o direito a uma interpretação extensiva. Quanto à omissão de rendimentos constatada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, sustenta que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, aplicáveis aos fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 536 17 Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Ocorre que a análise da documentação apresentada pelo recorrente (fls.35, 237, 242244, 254261, 308, 311312 e 319331 do eprocesso) e dos valores creditados, no anocalendário 2008, em suas contas correntes administradas pelo Credicacoal, Banco HSBC, Banco Brasil S/A, revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada: Data Valor Banco Origem 08/01/08 1.750,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Claudemir de Oliveira Ganbarti fl.254 29/01/08 11.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Paulo Roberto da Paixão fl.258 29/02/08 6.500,00 CRECICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Antônio Agostinho Capo fl.257 15/04/08 13.500,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome da Sra. Helaynne Oliveira Freitas fl.256 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 22/04/08 36.500,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome de Oliveira e Castro Ltda ME fl.331 29/04/08 3.660,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. José Roberto de Mendonça fl.255 12/05/08 45.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome de Freitas e Castro E Ltda ME fl.329 29/05/08 10.850,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Martinho Rodrigues Primo fl.328 29/05/08 20.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Nevton de Castro Freitas fl.328 03/07/08 16.640,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome de Freitas e Castro E Ltda ME fl.327 08/07/08 20.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Nevton de Castro Freitas fl.326 10/07/08 30.700,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome dos Srs. José Uilton Moura Barreto, Antônio Agostinho Capo, José Luiz D da Ross e José Almeida da Silva fl.259 21/07/08 13.738,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sra. Simoni Moreira da Silva fl.325 21/07/08 22.500,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sra. Simoni Moreira da Silva fl.325 11/08/08 17.700,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Antônio Agostinho Capo fl.324 25/08/08 11.556,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. José Uilton Moura Barreto fl.323 25/08/08 14.200,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Valdir Deziderio fl.323 09/09/08 31.500,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sra. Simoni Moreira da Silva fl.321 12/09/08 20.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sra. Simoni Moreira da Silva fl.322 15/09/08 9.512,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Daniel Fialho fl.260 13/10/08 22.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sra. Simoni Moreira da Silva fl.320 29/10/08 10.300,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome da Sra. Maria Ivonete Timoteo da Silva fl.261 29/10/08 22.000,00 CREDICACOAL Origem comprovada por Borderô de desconto emitido pelo banco em nome do Sr. Valdir Deziderio fl.319 08/05/08 3.000,00 Banco do Brasil Origem comprovada por extrato de depósito em nome do Sr. Wanderson Custodia Novais fl.237 08/05/08 17.500,00 Banco do Brasil Origem comprovada por extrato de depósito em nome do Sr. Wanderson Custodia Novais fl.237 20/08/08 30.000,00 Banco do Brasil Origem comprovada por extrato de depósito em nome do Sr. Antônio Quixabeira fl.35 17/01/08 63.657,80 HSBC Origem comprovada por Ted de transferência em nome do Frigorífico Tanagra fl.269 13/02/08 10.494,20 HSBC Origem comprovada por Ted de transferência em nome do Frigorífico JBS CACOAL Ltda fl.269 22/01/08 24.000,00 HSBC Origem comprovada por extrato de transferência em nome do Sr. Nevton de Castro Freitas fl.244 29/02/08 100.960,00 HSBC Origem comprovada por Relatório Analítico de Ted fl.311 29/02/08 33.000,00 HSBC Origem comprovada por Relatório Analítico de Ted fl.311 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 537 19 13/05/08 37.080,00 HSBC Origem comprovada por Relatório Analítico de Ted fl.312 29/09/08 8.000,00 HSBC Origem comprovada por extrato de depósito em nome de Mercado Celupi Ltda ME fl.243 01/10/08 20.000,00 HSBC Origem comprovada por extrato de transferência em nome do Sr. José Roberto Mendonça fl.242 21/10/08 15.000,00 HSBC Origem comprovada por Relatório Analítico de Ted fl.308 TOTAL 773.798,00 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Assim, relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válidas, quais sejam: omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Sendo assim, entendo que o total de R$ 773.798,00, composto por depósitos cuja origem restou configurada, deve ser excluído da base de cálculo do crédito tributário constituído no auto de infração. 3 Atividade Rural O recorrente argumenta que exerce tipicamente a atividade rural e que preenche todos os requisitos necessários para que a tributação de seus rendimentos se insira no regime reservado aos rendimentos dessa atividade. Assim, requer que seja deduzido da quantia lançada pelo fisco, o valor correspondente à atividade rural declarada por ele no IRPF 2009/2008. Conforme revela a Declaração de Ajuste entregue pelo recorrente (fl. 458 467), o mesmo apurou o resultado de R$ 40.167,80 em decorrência do exercício da atividade Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 rural. Além disso, o recorrente apurou imposto a recolher no exercício, não havendo deduções em razão de Livro Caixa. Nesse contexto, o resultado das glosas realizadas geram reflexos que se sujeitam à alíquota de 27,5%, consequência aritmética do resultado da própria DIRPF. Ainda sobre esse ponto, é preciso esclarecer que a forma de apuração (receita menos despesas) utilizada pelo recorrente para os rendimentos decorrentes da atividade rural, pela qual o mesmo optou no momento da entrega da Declaração, acarretamlhe consequências tributárias menos gravosas que a aplicação do percentual de 20% autorizado pelo art. 12 da Lei 8.023/90, pois seu lucro é menor que 20%. Embora o recorrente pleiteie a tributação de rendimentos pelo regime da atividade rural, observo que mesmo que ele tenha acostado aos autos cópia de Livro Caixa de Atividade Rural emitido em seu nome (fls.153164), não há congruência entre os valores mencionados no Livro Caixa e aqueles glosados pela fiscalização a título de omissão de rendimentos (fls.365384), de modo que não pode ser aplicado o disposto no art. 42, §2º, da Lei nº 9.430/96, pois ausente simetria entre valores glosados e documentação comprobatória. Isto é, verificando a escrituração realizada pelo recorrente, se constata que os valores por ele distribuídos como decorrentes de atividade rural não estão presentes no Livro por ele escriturado, pois o recorrente não utilizava a faculdade de 20% prevista na legislação regência. Ademais, o recorrente não juntou qualquer nota fiscal que amparasse sua irresignação recursal de ver compensados os valores por ele pleiteados a título de rendimentos. Noto, inclusive, que a quantia cuja glosa foi mantida, no item anterior deste voto, não está relacionada a qualquer atividade rural. Conforme esclarecimentos prestados pelo recorrente, os referidos valores decorrem de depósitos oriundos, em sua grande maioria, de pagamentos de empréstimos feitos por terceiros ao recorrente. Todavia não há nos autos instrumento contratual que prove a obrigação entre as partes, nem outro meio apto a comprovar que os depósitos bancários originaramse dos empréstimos declarados pelo recorrente e por terceiros. Assim, entendo que deve ser mantido o valor remanescente da glosa sujeito à alíquota de 27,5%, pois incabível a aplicação do percentual de 20% previsto na Lei nº 8.023/90. A respeito da violação ao Princípio da Isonomia e da Capacidade Contributiva em decorrência da não aplicação do percentual de 20% pleiteado pelo recorrente, entendo que somente se falaria em violação à isonomia, se fosse comprovada a condição de produtor rural do recorrente. A alegada violação ao Princípio da Capacidade Contributiva também não merece prosperar. De um lado, porque o arbitramento realizado no lançamento não foi desconstituído por nenhuma refutação que infirme a veracidade das suas premissas. De outro, à medida que o questionamento sobre a validade constitucional da sua aplicação encontra óbice na Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720588/201170 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 538 21 4 Multa Quanto à multa, o contribuinte alega que esta deve ser revista, já que o lançamento de ofício é nulo em decorrência da falta de preenchimento dos seus pressupostos legais, e por que ele não incorreu em qualquer infração capaz de gerar sua cobrança. O argumento referente à nulidade do lançamento de ofício já foi analisado nos itens anteriores, tendo este Relator concluído pela procedência, em parte, do lançamento. Quanto ao segundo argumento, aquele, entretanto, não é suficiente para afastála. A multa aplicada no auto de infração foi de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, conhecida como multa de ofício formal. O dispositivo que a institui tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A redação do dispositivo não deixa dúvidas de que a multa se relaciona à declaração inexata, e não coloca o elemento doloso como requisito de sua aplicação. Sendo assim, a única defesa em relação a esta multa seria no sentido de que a declaração foi correta e o pagamento efetuado, o que excluiria a multa; ou que, apesar da declaração correta, não foi efetuado pagamento, o que a converteria em multa de mora. Sendo assim, uma vez constatada omissão, independentemente do dolo, é cabível a multa de mora sobre o imposto apurado. Diante do exposto, voto para que sejam REJEITADAS AS PRELIMINARES e, no mérito, seja dado PARCIAL PROVIMENTO ao recurso interposto, para que seja excluído da base de cálculo o valor de R$ 773.798,00. Rafael Pandolfo Relator Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 18471.001088/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 08 8/ 20 07 -8 1 Fl. 16353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.350 2 Relatório VEM VARIG ENG E MANUTENÇÃO SA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1221.666, de 31 de Outubro de 2008, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro/RJOI, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 36.752.313,62 (fls. 284/291), a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 1.349.907,53 (fls. 292/295), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COF1NS, no valor de R$ 2.454.377,33 (fls. 296/299) e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL no valor de R$ 13,230,832,89 (fls. 300/305), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2007. Além destes valores foram lançadas multas isoladas pela constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, gerando falta de pagamento da IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A multa isolada relativa ao IRPJ perfaz o valor de R$ 1.438.813,64 (fls. 284, 288 e 291; quanta a CSLL o valor da multa isolada perfaz o valor de R$ 533.779,35 (fls. 306/308). O total do valor do credito tributário constituído é de R$ 135.294.215,30, conforme demonstrativo de fl. 02. As principais infrações apuradas estão descritas de forma sintética no acórdão recorrido, in verbis: 01) PASSIVO FICTÍCIO NO VALOR TOTAL DE R$ 81.812377,95. conforme Termo de Inicio de Fiscalização, de 13/07/2006 (fls. 59/60) e Termo de Reintimação Fiscal, de 31/08/2006, (fl 63) o contribuinte foi intimado (item 13) a apresentar documentação hábil e idônea referentes aos valores declarados na DIPJ, ano calendário 2002, ficha 39A Passivo Balanço Patrimonial, linha 16/Créditos de Pessoas Ligadas, no valor de R$ 110,658,605,98 (f1.54); e a comprovar a efetividade da entrega do numerário e a origem dos recursos supridos, antes mencionados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita; o contribuinte não apresentou a documentação hábil e idônea referente aos valores declarados na DIPJ, anocalendário 2002, ficha .39A Passivo Balanço Patrimonial, linha 16/Créditos de Pessoas Ligadas, no valor de R$ 110.658.605,98. com base no balanço patrimonial o Fisco verificou que o valor em exame era composto pelas seguintes contas: 2185200000 Fornecedores Empresa do Grupo R$ 22.221.550,32; 2185400001 Pagamento Efetuado pela VARIG R$ 2.675,593,85; 2185400002 Valores em Transição VARIG R$ 81.812.577,95; 2185400004 Repasse de Valores VARIG/VEM R$ 3.948,883,86. Fl. 16354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.351 3 após a entrega do razão contábil, com as identificações das contrapartidas, mas sem a entrega de nenhum documento comprobatório, apesar de regularmente intimado, a Fiscalização elaborou demonstrativo contendo registros contábeis credores da conta N. 2185400002 VALORES EM TRANSIÇÃO VARIG S/A, por amostragem, e através do Termo de verificação e Intimação Fiscal, de 15/05/2007 (fls. 140/142), intimou o contribuinte, entre outros itens a apresentar documentação hábil e idônea dos registros contábeis, com valor total de R$ 54.684.827,86; em carta resposta de 30/05/2007 (fls. 153/157) o contribuinte forneceu copia de relatórios, no montante do valor solicitado; após análise dos relatórios, o Fisco verificou que se tratava de planilhas de lançamentos Sistema SAP R/3, sem nenhum documento comprobatório, folhas (244/268), mas sem nenhum documento comprobatório; em virtude da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, o Fisco entendeu caracterizada a presunção de omissão de receita, efetuando o lançamento com base no valor de R$ 81.812577,95 (saldo total da conta n° 2185400002 VALORES EM TRANSIÇÃO VARIG S/A), conforme determina o art.281, do RIR/99; 02 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE RS 33.103.123,86. através do Termo de Verificação e Intimação Fiscal, de 15/05/2007, letra d (fls.140/142), o Fisco constatou a existência de diversos registros contábeis efetuados a débito das contas do grupo n.s .3100000000 CUSTOS A APROPRIAR, e a Credito da conta n° 21852000001 Pagamento Efetuado pela Varig, no valor total de R$ 31103123,86, conforme demonstrativos de fls. 144/150, sendo o contribuinte intimado a comprovar e apresentar documentação hábil e idônea relativa a tais valores; no item 7 da mesma intimação o contribuinte foi intimado a esclarecer e justificar a forma de apropriação ao resultado do exercício das contas registradas no grupo n,3100000000 Custos a Apropriar; no item 09 também foi intimado a esclarecer e justificar se o valor verificado em tela foi deduzido do lucro liquido, na apuração do resultado do exercício, sendo a resposta afirmativa; em correspondência de 30/05/2007 (fls. 153/157) o contribuinte forneceu em meio magnético toda a movimentação ocorrida no ano fiscal de 2002 das contas pertencentes ao grupo 3100000000; o Fisco verificou que no arquivo magnético fornecido não existiam as identificações das contrapartidas dos registros contábeis, imprimiu parte do relatório constante no arquivo magnético (fls. 158/168) e fez uma ressalva na própria carta resposta (fl. 157) quanto à falta de identificação das contrapartidas; o contribuinte não apresentou documentação hábil que desse suporte ao lançamento. diante do exposto o Fisco glosou os custos e/ou despesas apropriadas pela total falta de comprovação; 03 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE R$ 23.520.738,42. em procedimento análogo o Fisco glosou o valor lançado a débito das contas do grupo 3100000000 Custos a Apropriar e a crédito da conta n.° 21852000004 Repasse Fl. 16355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.352 4 de Valores Varig, no valor total de R$ 23.520,738,42, par absoluta falta de comprovação (vide Termo de Verificação e Intimação Fiscal, fls.140/142, letra e, itens 5 e 10 e ainda resposta do contribuinte, fls.153/157); 4 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE R$ 8.572.814,26. em procedimento análogo o Fisco glosou os custos e/ou despesas apropriadas referentes a depreciação, pela total falta de comprovação, no valor de R$ 8.571814,26 (vide intimação fls. 108, item 7, intimação fls. 140/142 — itens c, 08 e 11 e resposta do contribuinte, fls. 153/157) 5 MULTAS ISOLADAS foram lançadas multas isoladas em virtude da constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento da IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, 6 LANÇAMENTOS REFLEXOS em decorrência da apuração de omissão de receitas no valor de R$ 81.812.577,95, foram lançados por decorrência, as contribuições sociais correspondentes (CSLL, PIS e COFINS); sobre os custos/despesas glosados no IRPJ incidiu ainda a CSLL. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: “ESCLARECIMENTOS PRELIMINARES até outubro de 2001 a VEM era desprovida de personalidade jurídica, consistindo em uma simples unidade de negócios da VARIG destinada à realização dos serviços de engenharia e manutenção aeronáutica para as empresas do Grupo (VARIG, VARIGLOG, NORDESTE,RIOSUL e PLUMA); em 22 de outubro de 2001 a VEM foi formalmente constituída como empresa autônoma com 99% de suas ações detidas pela VARIG; em 28 de dezembro de 2001 a VARIG integralizou o capital social da VEM mediante a transferência de seus ativos relacionados à atividade de prestação de serviços de manutenção de aeronaves (estoques, bens e equipamentos); a VEM iniciou suas atividades em janeiro de 2002; no ano calendário de 2002 a VEM encontravase em fase inicial de operação, pelo que compartilhava esforços e diversas atividades com a sua controladora, conforme estabelecia o Protocolo de Entendimentos celebrado em 31 de dezembro de 2001 no que respeita ao rateio de custos e despesas compartilhadas (doc. 4, fls. 453/465); nesta fase inicial diversas obrigações e contratos relativos às atividades de manutenção aeronáutica permaneciam, em nome da VARIG, razão pela qual essa empresa teve que realizar diversos pagamentos junto a fornecedores e, posteriormente, emitir contra a VEM uma "fatura" de reembolso de tais valores, também nessa fase inicial de operação, e por uma questão de prática operacional, a contabilidade da VEM era realizada de forma compartilhada nos próprios sistemas de contabilização da VARIG, sendo que essa empresa era responsável por manter, em seu poder, grande parte dos documentos fiscais que amparavam os lançamentos contábeis; como é notório, a VARIG vinha desde 2000 enfrentando uma gravíssima crise financeira que resultou na apresentação, em 17 de junho de 2005, de pedido de Fl. 16356DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.353 5 recuperação judicial perante o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, no qual, inclusive, alienou, em novembro de 2005, para a empresa TAP, a sua participação societária na VEM; em virtude desses diversos fatores (i) existência de relação de controle entre a IMPUGNANTE e a VARIG; (ii) compartilhamento da atividade contábil entre as empresas; (iii) existência de contratos relativos às atividades da IMPUGNANTE que ainda estavam em nome da VARIG; e (iv) existência de um acordo de rateio de despesas , os contratos, as notas fiscais e os recibos relativos aos custos e despesas pagos pela VARIG em nome da VEM e relativos aos custos e despesas compartilhados entre estas empresas, encontravamse com a VARIG no âmbito do seu processo de recuperação judicial, o que impediu a VEM de apresentálos quando solicitados, conforme inúmeras vezes foi informado à fiscalização; existiu portanto um motivo legítimo para que a VEM não conseguisse apresentar, no curso da ação fiscal, alguns dos documentos solicitados, notadamente os contratos, notas fiscais e recibos que amparavam os lançamentos contábeis; a não apresentação desses documentos, no entender da VEM, não é motivo suficiente para a presunção de omissão de receitas e para a glosa de custos e despesas, já que os esclarecimentos e documentos contábeis e fiscais da VEM constituem elementos comprobatórios da regular observância à legislação tributária no que respeita à tributação de rendimentos e à dedutibilidade de custos e despesas. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO não obstante os diversos esclarecimentos prestados no curso da fiscalização quanto à dificuldade de apresentação de alguns dos documentos solicitados e a apresentação do Livro Razão que demonstrava o registro de todos os solicitações para a apresentação de documentos que, sabidamente, não se encontravam em poder da VEM, fundamentou sua autuação justamente na falta de apresentação destes documentos; a partir do momento em a VEM cumpriu com seu dever de colaboração, fornecendo todos os documentos e informações que detinha; que demonstrou a regularidade dos registros contábeis dos valores autuados, os quais fazem prova em seu favor; e que informou a localização dos contratos e notas fiscais, deveria a fiscalização, em obediência ao princípio inquisitório e da verdade material, aprofundar a sua investigação, solicitando ao juízo da recuperação judicial, ou mesmo ao administrador judicial nomeado, a apresentação dos documentos que entendia necessários à formulação de seu convencimento; as reiteradas intimações à VEM para a apresentação de documentos que motivadamente não se encontravam em seu poder, nada mais representam do que um constrangimento ilegítimo e uma postura acomodada e passiva na busca da verdade material; se o Fisco entendia que os contratos e as notas fiscais relativos aos lançamentos autuados eram indispensáveis à comprovação da inocorrência de omissão de receitas e da dedutibilidade dos custos e despesas, deveria ter solicitado ao juízo da recuperação judicial que fossem apresentados tais documentos, e não continuar formalizando sucessivas intimações à VEM para tal fim; a fiscalização cometeu erro intolerável na apuração das supostas infrações, eis que se afastou do dever de investigação que lhe é imposto pelos princípios inquisitório e da verdade material, corolários do princípio da legalidade da tributação, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder; Fl. 16357DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.354 6 cita doutrina e jurisprudência; no presente caso não se está diante da inexistência de documentação probatória, mas sim do fato de tais documentos cuja existência é indiscutível estarem de posse de uma autoridade judicial, deste modo, não poderia a fiscalização ter presumido a omissão de receita e a indedutibilidade de custos e despesas regularmente registrados na escrita contábil da VEM, sem ao menos ter diligenciado no sentido de obter os documentos que entendia indispensáveis à formação de seu convencimento, por tais razões requer a nulidade da autuação. DA IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO destaca que nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99 a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados; no caso da presente autuação em momento algum a fiscalização desclassificou a escrita contábil da VEM, tendo havido reiteradas intimações para que a VEM apresentasse documentos que amparavam os lançamentos contábeis realizados, os quais, como atrás mencionado, estavam em poder de autoridade judicial, no caso, o juízo da recuperação judicial da VARIG; a Fiscalização não suscitou no curso da ação fiscal a imprestabilidade da escrita contábil da IMPUGNANTE, donde resulta que não poderia simplesmente ter recusado o valor probante dos documentos apresentados e, assim, presumido a ocorrência de omissão de receitas e a indedutibilidade dos custos e despesas; além da manifesta nulidade o auto de infração é manifestamente improcedente, já que os esclarecimentos e documentos detidos pela VEM constituem elementos hábeis a demonstrar a inexistência de passivo fictício e, assim, afastar a presunção de omissão de receita , e a demonstrar a dedutibilidade dos custos e despesas glosados; DA INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS o Fisco alega que a VEM teria mantido em seu passivo exigível uma obrigação não comprovada de R$ 81.812.577,95, o que geraria a presunção de omissão de receitas neste mesmo valor, nos termos do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99; ao contrário do que afirma o auto de infração o referido valor não poderia ter sido considerado um passivo fictício da VEM, posto se referir a efetivos créditos detidos pela VARIG contra a VEM, os quais estavam devidamente registrados em uma conta do passivo denominada "Créditos da VARIG a Capitalizar" e foram efetivamente capitalizados em 24 de novembro de 2003; os referidos créditos eram de 03 (três) naturezas distintas: (i) diferença apurada entre o valor constante dos laudos de avaliação dos bens a integralizar ao capital da VEM (datados de 17 de dezembro de 2001), e o valor efetivo desses bens em 31.12.2001 (data da efetiva integralização) (doc. 5, fls. 466/531); (ii) ordens de serviços de manutenção aeronáutica que estavam abertas em nome da VARIG em 31.12.2001 e que foram repassadas à VEM, mas que não foram consideradas na primeira integralização de seu capital social (doc. 6, fls. 533/565); e (iii) insumos aeronáuticos que foram importados pela VARIG, no período de janeiro a maio de 2002, e que foram posteriormente repassados à VEM (doc. 7, fls. 567/2920); os referidos créditos, no valor total de R$ 81.812.577,95, estavam devidamente registrados como "Créditos a Capitalizar" no balanço patrimonial da VEM levantado em 31 de dezembro de 2002 (doc. 8, fl. 2922), o qual foi devidamente auditado por Fl. 16358DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.355 7 empresa independente de auditoria (Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes doc. 9, fls. 2924/2941); a informação de que esse valor seria relativo a Créditos a Capitalizar foi, inclusive, transmitida à fiscalização por intermédio da manifestação apresentada pela VEM em 29 de setembro de 2006; em Reunião do Conselho de Administração da VEM ocorrida em 24 de novembro de 2003, foi deliberado o aumento de seu capital social mediante o aporte, pela VARIG, justamente do valor daqueles créditos de R$ 81.812.577,95 (doc. 10, fl. 2942); a capitalização desses créditos constou também do balanço patrimonial encerrado em 31.12.2003, no qual se encontra zerado o saldo da referida conta "Créditos a Capitalizar" (doc. 11, fl. 2944); não há que se falar em passivo fictício, eis que existe prova da origem dos créditos detidos pela VARIG contra a VEM, bem como prova de que esses créditos, registrados em conta de capital a integralizar, foram efetivamente vertidos ao capital social da IMPUGNANTE em 24 de nvembro de 2003; por ter sido demonstrada a inexistência de passivo fictício no valor de R$ 81.812.577,95 não há como prevalecer as exigências fiscais lançadas com base na presunção de omissão de receita; resulta a improcedência não só do lançamento do imposto de renda sobre o referido valor,como também dos lançamentos reflexos de CSLL, de PIS e de COFINS. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS NO VALOR DE R$ 33.103.123,86 o auto de infração alega que a VEM teria deduzido indevidamente custos/despesas no valor total de R$ 33.103.123,86, por ausência de comprovação, os quais constavam da conta 21852000001 "Pagamento efetuado pela VARIG" e foram repassados para a conta 31000000 "Custos a Apropriar", a fiscalização não poderia ter glosado tais custos e despesas, tendo em vista que estes foram incorridos para o desenvolvimento das atividades da VEM, pelo que poderiam ser abatidos da base tributável do IRPJ e da CSLL; referidos valores se referiam a custos e despesas da VEM que, nos termos do acordo de rateio de despesas constante do Protocolo de Entendimentos datado de 31 de dezembro de 2001, foram pagos inicialmente pela VARIG e, posteriormente, foram objeto de fatura de reembolso emitida pela VARIG contra a VEM; a grande maioria dessas despesas referiase a pagamentos efetuados pela VARIG para oficinas externas que realizaram manutenção nos sobressalentes técnico transferidos à VEM por ocasião da integralização inicial de seu capital social (31.12.2001); conforme se verifica do razão contábil dessa conta (21852000001) que contém discriminadamente todos os lançamentos de janeiro a dezembro de 2002 e que foi devidamente apresentado à fiscalização, além das despesas com oficinas externas, esses valores se referiam a pagamento relacionados a serviços de informática, a serviços de apoio terrestre ("handling"), a materiais utilizados na prestação de serviços, a aluguéis e manutenção de "softwares", a aluguéis de imóveis e a despesas judiciais, ou seja, todos esses valores constituíam custos e despesas necessários e usuais à atividade da VEM; tais valores eram inicialmente registrados na conta 21852000001 "Pagamento efetuado pela VARIG" já que se referiam a pagamentos de despesas da VEM feitos pela Fl. 16359DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.356 8 VARIG sendo posteriormente registrados na conta de custos a apropriar (3100000000); apesar da VEM não possuir individualizadamente cópia das notas fiscais emitidas pelos fornecedores contra a VARIG, já que tais documentos, como mencionado, encontramse em poder dessa empresa, fato é que a VEM possui documento fiscal que ampara o "reembolso" à VARIG pelo pagamento inicial de seus custos e despesas, qual seja, a "Fatura de Vendas" n° 7700649801202, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida em 24 de janeiro de 2003. (doe. 12, fls. 2946/2947); a prova de que o valor de R$ 33.103.123,86, apontado pelo agente fiscal como o valor total dos custos/despesas não comprovados, está contido na referida diferença apresentada entre o valor desta movimentação total e o valor da mencionada fatura de venda (R$ 2.675.593,85), foi transportada ao final do exercício para a conta do passivo "Pagamento efetuado pela VARIG"; conquanto não conste da referida fatura uma descrição pormenorizada de cada custo/despesa incorrido, tal documento (que prevê um repasse das despesas de janeiro a dezembro de 2002), aliado ao acordo de rateio de despesas celebrado entre a VARIG e a VEM e à descrição dos lançamentos constantes do razão contábil apresentado no curso da fiscalização, revela que o valor de R$ 33.103.123,86 referese a custos e despesas da VEM, incorridos no ano de 2002 para o desenvolvimento de suas atividades, caso o agente fiscal entendesse que os documentos e esclarecimentos apresentados pela VEM não eram suficientes para amparar a dedutibilidade das referidas despesas, deveria, conforme já mencionado, têlos solicitado ao juízo da recuperação judicial da VARIG, uma vez que a VEM esclareceu que estava sem acesso a tais documentos; por tais razões requer o cancelamento da glosa. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS NO VALOR DE R$ 23.520.738,42 alega o auto de infração que a VEM teria deduzido indevidamente custos/despesas no valor total de R$ 23.520.738,42, já que não teria comprovado a dedutibilidade desses custos e despesas, que constavam da conta 21854000004 "Repasse valores VARIG" e foram transferidos para a conta 31000000 "Custos a Apropriar"; tal glosa também não procede, na medida em que se referem a custos e despesas necessários e usuais à atividade da VEM; referidos valores consistiam na parcela imputável à VEM quanto aos custos e despesas incorridos pela VARIG no que concerne às atividades compartilhadas, nos termos do acordo de rateio de despesas celebrado entre as partes por meio do Protocolo de Entendimentos de 31 de dezembro de 2001; assim, os custos/despesas inicialmente assumidos em sua integralidade pela VARIG eram, num segundo momento, repassados à VEM pela VARIG, com base em critérios de rateio já estabelecidos, mediante a emissão de documento de reembolso; muito embora não estivesse de posse de parcela dos documentos que amparavam cada um dos lançamentos apontados pelo agente fiscal, fato é que a VEM apresentou à fiscalização o razão contábil da conta 21854000004, o qual continha a individualização de todos os lançamentos realizados nesta conta de janeiro a dezembro de 2002 e, assim, demonstrava a natureza de cada um desses custos/despesas; Fl. 16360DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.357 9 do rol de lançamentos apontados pelo fiscal como não comprovados três registros se referem a valores estornados que jamais poderiam integrar a glosa de custos/despesas; os lançamentos relativos aos documentos de n°s 2900000039 e 100140763, ambos no valor de R$ 880.515,20, consistem, na verdade, em um lançamento registrado por equívoco na referida conta, e no respectivo lançamento de estorno; devidamente estornado, conforme se verifica da anexa planilha (doe. 13, fl. 2949); a VEM possui os documentos que amparam os lançamentos relativos aos documentos de n°s 2900000026, 2900000034 e 2900000040, nos respectivos v a l o r e s de R$ 1.232.034,99, R$ 999.973,56 e R$ 880.515,20 e, assim, amparam a dedutibilidade dos referidos custos e despesas; conforme se verifica das respectivas "faturas de venda"pelas quais a VEM "reembolsa" a VARIG da parcela que lhe cabe nas atividades compartilhadas (doe. 14, fls.2951/2978), todos os valores em questão referemse a custos e despesas da VEM necessárias ao desempenho de suas atividades; caso o agente fiscal entendesse que os documentos e esclarecimentos apresentados pela VEM não eram suficientes para amparar a dedutibilidade das referidas despesas, deveria, conforme já mencionado, têlos solicitado ao juízo da recuperação judicial da VARIG, uma vez que a VEM esclareceu que estava sem acesso a tais documentos; por tais razões requer o cancelamento da glosa. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO NO VALOR DE R$ 8.572.814,26 o auto de infração glosou ainda despesas de depreciação no valor de R$ 8.572.814,26, as quais foram declaradas pela VEM na DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 com o título "Repasse VARIG", sob a alegação de falta de apresentação dos documentos que suportariam o direito de depreciação e a forma de seu cálculo; a fiscalização não poderia ter glosado os referidos valores, eis que estes se referiam a encargos de depreciação de instalações aeroportuárias utilizadas pela VEM, bem como de bens que lhe haviam sido fisicamente transferidos pela VARIG, mas que aguardavam deliberação para sua integralização no capital social da VEM; no que concerne às instalações aeroportuárias, o próprio Protocolo de Entendimentos previu que tais instalações seriam transferidas para a VEM mediante a cessão dos contratos de concessão de uso celebrados entre a Infraero e a VARIG (doe. 4, fls. 454/465); no que respeita aos equipamentos, após a constituição formal da VEM, esses bens já se encontravam na sua efetiva posse, estando, inclusive, alceados em suas operações; em virtude do fato de que, no ano calendário de 2002, os contratos celebrados com a Infraero ainda estavam em nome da VARIG, bem como do fato de que os equipamentos ainda não tinham sido formalmente transferidos para a VEM, as despesas de depreciação relativas às instalações aeroportuárias e aos mencionados equipamentos foram inicialmente registradas nos sistemas contábeis da VARIG e, na seqüência, repassadas para a VEM; Documento assinado Fl. 16361DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.358 10 tal procedimento que justifica que a VEM tenha lançado tal valor na subconta "Repasse VARIG" dentro da sua conta de encargos de depreciação; por se tratar de um repasse da VARIG, a depreciação utilizada pela VEM seguiu exatamente os mesmos critérios que vinham sendo utilizados pela VARIG ao contrário do que afirma o auto de infração, são plenamente dedutíveis as despesas de depreciação contabilizadas pela VEM sobre áreas aeroportuárias que utilizava para o desenvolvimento de suas atividades (doe. 15, fl. 2980), bem como sobre os equipamentos alceados em sua operação, já que era a VEM que suportava o encargo econômico do desgaste destes bens, conforme autoriza o art. 305, §1° do RIR/99 (doe. 16, fls. 2982/3050); por tais razões requer o cancelamento integral da glosa e canceladas as exigências de IRPJ e CSLL formuladas sobre a glosa de despesas de depreciação. DA IMPROCEDÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS o auto de infração impôs multas exigidas isoladamente no percentual de 75%, sobre os valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL nos meses de julho a setembro de 2003, com base no regime de estimativa; o fundamento legal exclusivo de tal exigência consistiu no art. 44, § 1º, inciso IV. da Lei n° 9.430/96; a referida multa isolada deve ser prontamente cancelada pela razão de que, à época da autuação, o dispositivo de lei que fundamentou a sua aplicação já havia sido expressamente revogado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 dejunhode2007; tendo a Lei n° 11.488/2007 passado a viger na data de sua publicação, isto é , em 15 de junho de 2007, na data da lavratura do auto de infração 04 de setembro de 2007 o dispositivo legal em causa já não se encontrava mais em vigor, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes. DO PEDIDO FINAL requer que seja julgado totalmente improcedente o auto de infração em matéria de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) e quanto às multas isoladas; protesta pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações para a perfeita elucidação dos fatos, bem como diligência probatória junto à VARIG e quaisquer outras provas necessárias ao mais amplo esclarecimento do presente processo administrativo." A 7ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro/RJOI analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1221.666, de 31 de outubro de 2008 (fls. ), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de Ocorrência de nulidade do lançamento. PERÍCIA. O pedido de perícia desacompanhado da indicação dos quesitos e da qualificação do perito é considerado não formulado. Ademais, a perícia revelase prescindível se as alegações do contribuinte são passíveis de demonstração nos autos e o simples Fl. 16362DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.359 11 exame do processo pelo julgador é suficiente para formar convicção acerca da matéria, que não exige o pronunciamento de técnico especializado, PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA, INTERESSADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL, Presumese a ocorrência de omissão de receitas, quando a interessada não comprova, com documentação hábil e idônea, as obrigações existentes nas contas do passivo do Balanço Patrimonial. ESCRITURAÇÃO, DOCUMENTOS HÁBEIS. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. A ausência nos autos de provas hábeis para comprovar a existência de despesas e custos impõe a manutenção das glosas efetuadas. RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE, A dedução de dispêndios a título de rateio de custos comuns entre empresas interligadas sujeitase demonstração do critério de rateio utilizado e comprovação de que os valores corresponderam efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem necessários As operações da pessoa jurídica ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2002 PIS, COFINS, CSLL, Na ausência de argumentos diferenciados, aplicase ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao IRPJ. Mantido o lançamento principal igual sorte assiste aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 MULTA ISOLADA REDUÇÃO DE 75% PARA 50% Cabe a aplicação da regra do art, 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 30/07/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 3095/v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/08/2009 conforme carimbo de recepção à folha 3098. Os principais argumentos da recorrente foram sintetizados na Resolução nº 1302000.160, de 10/04/2012, desta turma julgadora, in verbis: Em sua defesa, a empresa informa que, no ano de 2002, a VARIG transferiu para a VEM VARIG, em uma reestruturação societária, certos ativos e passivos inerentes à atividade da VEM VARIG. Por uma questão operacional, a VARIG continuou temporariamente agindo em nome próprio, mas por conta e ordem da VEM VARIG, para efetuar diversos pagamentos e receber valores, até que fosse possível em 2003 regularizar as autorizações e providências operacionais necessárias para transferência efetiva de contratos e ativos da VARIG para a VEM VARIG, bem como informar todas as contrapartes acerca da reestruturação. Além disso, a VEM VARIG cooperava com a VARIG em um convênio de compartilhamento de custos administrativos, que consta do processo, e por isso arcava mensalmente com custos rateados por esse convênio pagando um percentual da participação nas despesas. Fl. 16363DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.360 12 A VEM VARIG rememora que a auditoria fiscal teve início no final de 2006 sendo que em novembro de 2005 a VEM VARIG foi alienada para a TAP. Por outro lado, a VARIG estava em reestruturação judicial, o que tornava extremamente difícil a VEM VARIG obter ou localizar os documentos de posse da VARIG. Quanto ao passivo fictício, a contribuinte demonstrou que teve origem em recursos contribuídos pela VARIG, relativamente a insumos aeronáuticos, R$ 55.905.662,26, comprovados por meio de notas fiscais de insumos aeronáuticos. Além disso, houve uma diferença de R$ 1.453.250,46 relacionada ao valor e quantidade de ativos transferidos à VEM pela VARIG em aumento de capital e o valor do efetivo aumento de capital, o que é comprovado pelo laudo de avaliação dos bens recebidos em aumento de capital. Além disso, havia o valor de R$ 24.453.665,23 relativo a ordens de serviço de manutenção ligadas aos bens transferidos em aumento de capital que foram pagas pela VARIG e posteriormente repassadas à VEM. A soma dessas parcelas corresponde ao passivo fictício de R$ 81.812.577,95, futuramente "pago" por meio de capitalização com emissão de ações para a VARIG. Quanto às despesas, pontuou a recorrente que encaminhou uma série de documentos à autoridade fiscal: contratos, registros contábeis principais e auxiliares, dentre outros; suficientes para demonstrar que suas despesas foram pagas à VARIG pela gestão operacional que ela fez das questões administrativas da VEM VARIG e dos contratos e contas a pagar da VEM no ano de 2002. Os registros contábeis têm o detalhamento da natureza das contas e serviços pagos à VARIG e faz prova a favor da contribuinte. Houve a necessidade da VEM apoiarse na VARIG para a prestação de tais atividades em 2002 pela dificuldade operacional de transferir tudo imediatamente para a VEM. Era uma fase de reestruturação societária e operacional. No mais, a VEM solicitou que a autoridade fiscal diligenciasse a VARIG para obter os documentos adicionais capazes de conferir a abertura dos valores pagos pela VEM à VARIG, estando a VEM VARIG impossibilitada de fazer o mesmo pela reestruturação judicial. Cabe à autoridade fiscal comprovar que as despesas não são necessárias e ela não se desincumbiu do ônus, razão pela qual o lançamento é nulo. Caso a autoridade fiscal não acreditasse na seriedade da escrita contábil da contribuinte, poderia arbitrar o lucro. O fato de não ter desconsiderado a escrita contábil da empresa demonstra que ela é prestável e hábil e os registros nela contidos valem como prova a seu favor quanto à existência e natureza necessária das despesas. VEM VARIG encaminhou, em anexo à impugnação, Fatura de Vendas n° 7700649801 02, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida pela VARIG, pela qual a VEM reembolsou as despesas custeadas por aquela empresa em seu benefício. O total das despesas incorridas relacionadas às atividades prestadas pela VARIG foi, para a VEM, R$ 108.415.009,11 no ano de 2002. R$ 105.739.415,26 foram representados por essa Fatura de Vendas cujo valor foi efetivamente pago pela VEM à VARIG. A diferença foi lançada em passivo da VEM para futuro reembolso e pagamento à VARIG. O valor dessas despesas representa mais de 25% dos custos da VEM VARIG no ano, no total de R$ 384 milhões. Ele engloba ainda os R$ 33.103.123,86 glosados pela autoridade fiscal que fez sua seleção de despesas em base amostral relacionada ao item Pagamento Efetuado pela VARIG. No mais, os valores pagos à VARIG têm relação com serviços de manutenção, segundo razão contábil, demonstrando direta relação com as atividades da empresa. Para conferir se a VARIG efetivamente pagou a terceiros tudo o que cobrou da VEM, e assim obter uma abertura dos valores pagos à VARIG, o auditor fiscal deveria diligenciar e obter esclarecimentos daquela empresa. Fl. 16364DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.361 13 Já o valor de R$ 23.520.738,42, glosado pela autoridade fiscal, consiste em efetivo custo relativo ao compartilhamento de estruturas administrativas com a VARIG pagas à VARIG nos termos da documentação contábil da empresa, contrato apresentado à autoridade fiscal e anexo demonstrando a abertura dos custos compartilhados. Esse compartilhamento foi ainda demonstrado em parte com notas fiscais apresentadas ao processo. Considerando que a VEM não tinha estrutura em 2002 para executar tais atividades, resta clara a necessidade da despesa. A autoridade fiscal lançou ainda o valor de R$ 880.515,20, incluído nos R$ 23 milhões, que claramente foi estornado por prova contábil apresentada nos autos. Já o valor de R$ 5.877.071,49, também incluído nos R$ 23 milhões, é um lançamento a crédito no resultado, redutor de despesas, cuja glosa não pode ser capaz de aumentar o lucro líquido, senão reduzir. A despesa de depreciação de R$ 8.572.814,26 confere exatamente à aplicação do percentual de depreciação sobre os bens do ativo permanente transferidos pela VARIG à VEM em aumento de capital e a única razão pela qual a VEM não registrou diretamente tal despesa foi porque a efetiva transferência do ativo dependia de aprovação. Então, até tal aprovação a VEM reembolsou a VARIG pelo custo correspondente. Por sua vez, a aplicação de multa isolada concomitantemente com lançamento de ofício caracterizase uma dupla penalidade sobre a mesma infração que é deixar de pagar o tributo objeto do lançamento, logo, não cabe manter o lançamento de duas multas sobre a mesma falta. Além disso, à época do lançamento, a multa isolada, ainda que aplicável, conforme entendeu o auditor estar prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, fora expressamente revogada pelo artigo 14 da Lei 11.488/07. O auditor fiscal, única autoridade capaz de lançar nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, fundamento o lançamento no art. 44 da primeira Lei, não sendo possível à autoridade julgadora emendar tal fundamento sob pena de nulidade do lançamento. Requereu portanto o recurso seu acolhimento e provimento integral. A Relatora da referida resolução observou ainda que “A contribuinte protocolizou ainda neste processo um memorial informando que ingressou com a ação de exibição de documentos GRERJ 5013730175977 movida contra a VARIG para a obtenção dos documentos necessários à comprovação de valores de que trata este processo e alega que teve acesso aos documentos conseguindo localizar praticamente todas as notas fiscais e documentos que comprovam a improcedência do lançamento. Tal ação judicial é fato novo”. Entendeu a d. Relatora propor a realização de diligências, acatada por unanimidade pela turma julgadora, nos seguintes termos: Avaliando os elementos do processo, verifico a necessidade de diligências adicionais com o objetivo de formar convencimento acerca da efetiva demonstração da origem do passivo fictício e da existência e necessidade das despesas. Nesse tanto, solicito converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a Recorrente para apresentar os seguintes esclarecimentos. 1 Passivo fictício de R$ 81.812.577,95 Liste os valores que demonstram o pagamento pela VARIG dos insumos aeronáuticos no montante de R$ 55.905.662,26, bem como corrobore tais valores e lançamentos com documentação hábil e idônea tais como os registros de entradas e saídas de insumos, notas fiscais, duplicatas ou faturas comprobatórias, dentre outros documentos que demonstrem que a VARIG incorreu nesses custos em prol da VEM. Fl. 16365DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.362 14 Apresente documentação comprobatória das ordens de serviço dos ativos transferidos pela VARIG à VEM e demonstre o custo incorrido pela VARIG com essas ordens relativamente ao pagamento a fornecedores, no montante de R$ 24.453.665,23. Comprovar tais pagamentos por documentação hábil, tais como contratos e notas fiscais com fornecedores ou comprovantes de pagamento. 2 Despesas no montante de R$ 33.103.123,86 Apresente documentação comprobatória do pagamento pela VEM ou pela VARIG recebimento dos valores relativos à Fatura de Vendas n° 7700649801202, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida pela VARIG, bem com para apresentar prestação de contas da VARIG relacionada ao valor de R$ 33.103.123,86, contido naquele pagamento, com a abertura analítica desses valores que permitam o reconhecimento de sua natureza fática, tais como informando datas de pagamento, valores, tipos de custos aos quais se relacionam. A abertura analítica deve ser corroborada por notas fiscais, prestação de contas ou outros documentos comprobatórios das despesas que formaram base dos R$ 33 milhões. 3 Despesas no montante de R$ 23.520.738,48 Comprove a adequação do anexo relativo à abertura analítica do convênio de rateio entre VEM e VARIG, demonstrando as Faturas de Venda correspondentes, a abertura dos custos reembolsados e os critérios adotados para o rateio dos custos, bem como a razoabilidade desses critérios visàvis as despesas rateadas. Demonstrar a quitação dessas despesas junto à VARIG. 4 Despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26 Listar os bens do ativo permanente, recebidos pela VEM em aumento de capital promovido pela VARIG, seu valor contábil antes e após depreciação, e demonstrar a memória de cálculo da depreciação incorrida no ano de 2002 conforme reembolsada à VARIG. 5 Outros esclarecimentos. A recorrente deve ainda ser intimada para apresentar quaisquer outros esclarecimentos que entenda oportunos relacionados às despesas glosadas ou aos passivos fictícios, desde que corroborados por documentos comprobatórios. A recorrente deve ser requerida a apresentar os documentos à autoridade preparadora uma única vez, em prazo razoável não inferior a 30 (trinta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias, na forma de Anexos que devem ser numerados conforme o item ou subitem acima, 1 a 5, ao qual se relacionam referidos documentos. Os Anexos devem ser acompanhados de um relatório explicativo sintético informando em qual medida de valor e de fato cada um dos documentos anexados demonstra a origem imediata ou mediata do passivo, que foi considerado fictício, ou a existência das despesas lançadas na contabilidade da empresa e sua necessidade. (grifei) Uma vez recebida a manifestação da contribuinte, solicito à autoridade preparadora que, por favor, a anexe ao processo e o devolva a esta Turma para que o julgamento possa ser prosseguido. Encaminhados os autos à unidade origem, a recorrente foi cientificada do teor da resolução, mediante intimação (fls. 3591) na qual foi solicitada a apresentação de documentação exigida nos itens 01 a 05 da Resolução, no prazo de 30 dias. Em 29 de abril de 2013 a recorrente, respondeu a intimação (fls. 3660/3671) informando que, considerando o grande número de documentos e livros contábeis relacionados Fl. 16366DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.363 15 às infrações imputadas no auto de infração houve por bem contratar os serviços da empresa Ernst & Young Terço (E&Y) para a análise de todos os documentos e livros contábeis do ano de 2002, inclusive os obtidos junto à excontroladora da recorrente (VARIG) de forma a verificar se prevaleciam ou não as infrações imputadas no auto de infração. A recorrente anexou em sua manifestação do Laudo nº TR/1560/2013 e os documentos que embasaram suas conclusões. Em síntese a recorrente, com base na análise da E&Y, apresentou os seguintes esclarecimentos: I – Quanto ao Passivo Fictício de R$ 81.812.577,95. Que este item era subdividido em três créditos distintos: a) R$ 55.905.662,26, relativo a insumos aeronáuticos importados pela VARIG no período posterior à primeira integralização de capital da recorrente (janeiro a maio de 3003) e que foram repassados à recorrente para a realização de serviços de manutenção: Esclareceu que a E&Y levantou e analisou as 2.040 notas fiscais de transferência dos insumos pela VARIG e confrontouas com o Livro de Entradas da recorrente, tendo constatado que todos os insumos deram entrada no estabelecimento da recorrente. Efetuou também o confronto dos insumos indicados nas notas fiscais com o controle de estoque da recorrente e concluiu que todos os itens descritos foram efetivamente transferidos, conforme anexo 1 e 2 do Laudo. Conclui o laudo que o valor de R$ 55.905.662,26 representava um efetivo crédito da Varig junto a recorrente, razão pela qual não poderia ser qualificado como passivo fictício. b) R$ 1.453.250,46, relativo aos valores constantes dos laudos de avaliação dos bens a integralizar ao capital da recorrente, que já estariam esclarecidos nos autos. c) R$ 24.453.665,23, relativo a Ordens de Trabalho OT em andamento transferidas pela Varig à recorrente: Esclareceu que as referidas OT eram documentos utilizados para controlar os custos incorridos na realização de serviços de manutenção pela Varig, em aberto em 31/12/2001, que foram transferidas para a recorrente juntos com os ativos e passivos, tendo em vistas estarem vinculados à atividade que passou a ser exercida por ela (recorrente) a partir de 2002. Afirma que a E&Y realizou levantamentos não só do controle contábil das referidas OT,como também das notas fiscais que foram emitidas pela recorrente quando da conclusão dos serviços constantes das OT transferidas e concluiu que restou demonstrado a transferência dos créditos pela Varig, objetivando a integralização de capital da VEM, nãoi podendo ser tratado como passivo fictício. II – Quanto a as glosas de despesas nos montantes de R$ 33.103.123,86 e R$ 23.520.738,48 (perfazendo um total de R$ 56.623.862,26). Esclarece que a E&Y analisou os livros e documentos fiscais relacionados aos custos e despesas de 2002, inclusive os documentos obtidos junto à própria Varig, e teria Fl. 16367DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.364 16 constatado “a não prevalência da quase totalidade da glosa de indedutibilidade feita pelo auto de infração”, como segue: a) Equívoco na glosa de R$ 16.761.509,22 Que a E&Y verificou que o montante de R$ 16.761.509,22 foi glosado equivocadamente, pois se referia a lançamento de natureza distinta (estorno, crédito de tributo recuperável, etc) não se tratando de despesas, conforme os anexos 7 e 8 do laudo técnico. Assim, restaria a ser comprovada a dedutibilidade de apenas R$ 39.862.353,04. b) Despesas com folha de pagamento de R$ 2.301.304,42 Que o laudo técnico da E&Y aponta que a contrapartida de parte dos lançamentos glosados se referia a despesas com folha de pagamento da recorrente, cuja dedutibilidade é incontroversa e que, como a recorrente, no início de suas operações não tinha caixa, a Varig realizou diversos pagamentos em seu nome. Por isto a recorrente escritura esses custos como passivo na conta “Pagamento efetuados pela Varig”, motivo pelo qual o valor de R$ 2.301.304,42, foi escriturado nessa conta, conforme anexos 10 e 11 do laudo. Assim, conclui que o valor de R$ 2.301.304,42 corresponde a despesas com salários e não pode servir de base para tributação. c) Glosa de despesas de depreciação no valor de R$ 1.234.652,39 Afirma que a E&Y, em sua análise, verificou que uma parcela dos lançamentos glosados, no valor de R$ 1.234.652,39, referiase a depreciação e que tal valor não poderia sr objeto de glosa nessa conta, pois o auto de infração já tinha outra infração co9m glosa específica de despesas com depreciação, gerando uma dupla tributação sobre a mesma despesa, conforme o anexo 12 do laudo. Desse modo, a quantia de R$ 1.234.652,39, relativa a despesas com depreciação deve ser excluída do montante de custos de despesas tidos como indedutíveis. d) Glosa de despesas no valor de R$ 5.793.877,20 Esclarece a recorrente que na sua análise dos documentos a E&Y conseguiu comprovar, por meio do “método de comprovação direta” a dedutibilidade de R$ 5.928.109,28, conforme o anexo 9 do laudo. Afirma que a E&Y identificou a contrapartida, na conta de resultado, dos lançamentos autuados e conseguiu localizar a nota fiscal que amparava o referido lançamento, comprovando assim a dedutibilidade da referida despesas e que as notas fiscais possuem o critério de rateio de despesas adotado no próprio documento conforme anexo 14 do laudo. Assim, restaria comprovada a ocorrência e dedutibilidade dessas despesas, bem como o critério de rateio. e) Glosa de despesas no valor de R$ 14.221.280,71 Esclarece a recorrente que a E&Y analisou os documentos constantes dos arquivo da Varig, sob a guarda do administrador da massa falida, a fim de comprovar a efetiva realização de despesas em prol da recorrente. Afirma que a E&Y identificou os documentos Fl. 16368DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.365 17 referentes às despesas de maior valor autuadas pela fiscalização, destacando três fornecedores: GE (contrato MPCH), Equant (aluguel de equipamentos) e IBM (serviços de informática), como se verifica no anexo 15 do laudo. A E&Y também validou as despesas incorridas no ano de 2002, a título de energia elétrica do estabelecimento de Porto AlegreRS, bem como despesas pagas a INFRAERO (luz, água e arrendamento), confrontadoas com os valores contabilizados pela recorrente. Da referida análise concluiu que o saldo dos documentos analisados e identificados pela E&Y foi superior aos saldo dos lançamentos autuados pela fiscalização, de modo que restaria comprovada a realização de despesas no valor de R$ 14.721.280,71 (anexo 13 do laudo). f) Da glosa de despesas de R$ 16.081.238,32 Esclarece a recorrente que o valor remanescente de R$ 16.081.238,32, que não puderam ser identificadas pela E&Y no prazo concedido pelo CARF, consistem em custos necessários à sua atividade, já que se referiam, principalmente, a pagamentos pelo fornecimento de serviços de manutenção nos sobressalentes técnicos da recorrente, indispensáveis ao desenvolvimento de suas atividades. Que, da análise do razão contábil da recorrente, verificase que tais valores também se referiam a pagamento de serviços de apoio terrrestre (“handling”), aluguéis de imóveis e a despesas judiciais, constituindose em custos ou despesas necessárias e usuais na sua atividade. Que a escrituração da recorrente não foi questionada pela fiscalização, portanto, faz prova em seu favor. Conclui que os custos e despesas são indispensáveis à sua atividade e estando devidamente escriturados, devem ser canceladas as glosas efetuadas nesse montante. g) Da glosas de despesas de depreciação de R$ 8.572.814,26 A recorrente alega que já havia esclarecido que esses valores se referiam a encargos de depreciação de instalações aeroportuárias utilizadas, bem como de bens que haviam sido efetivamente transferidos pela Varig, mas que não haviam sido escriturados nas respectivas contas do ativo da recorrente. Subdivide o valor em duas partes: g.1) Da depreciação no valor de R$ 1.910.782,94 Afirma a recorrente que por ocasião da sua constituição, o Laudo de Avaliação do ativo imobilizado transferido pela Varig apontou o valor de utilidade das instalações em R$ 20.025.834,00 (doc 08), e que, embora utilizadas pela recorrente, as instalações em áreas de concessão pela Infraero ainda permaneceram no ano de 2002 em nome da Varig,com exceção do valor de R$ 115.051,06, escriturado em seu balanço de 2002. resultando em uma diferença de R$ 19.910.782,94 não escriturada contabilmente pela recorrente. Assim, segundo apurado no laudo da E&Y, a recorrente faz jus à depreciação no montante de R$ 1.910.782,94, que foi calculada à taxa de 10% ao ano, pois, apesar de tais valores estarem escriturados na contabilidade da Varig, esta não se beneficiou da depreciação dos referidos bens, o que poderia ser demonstrado pela análise da DIPJ 2003 da Varig, da qual não possui cópia e, pelo que, requer que a autoridade preparadora junte cópia desse documentos nos autos. Fl. 16369DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.366 18 g.2) Da depreciação no valor de RS 6.621.207,79 Esclarece que no ano de 2002 diversos componentes e reparáveis adquiridos pela Varig e transferidos à recorrente permaneceram em contas passivas, aguardando posterior transferência e, enquanto a transferência não ocorria o lançamento correspondente à depreciação era efetuado contra a conta passiva, decorrendo daí o valor de R$ 6.621.207,79 referente a depreciação desses bens. Afirma ainda que o laudo de avaliação emitido pela empresa Apparisal apontou em dezembro de 2001 que tais bens perfaziam o montante de R$ 285.694.343,00 e que, em março de 2003, em laudo de avaliação complementar a mesma empresa atestou que o valor dos componentes e reparáveis transferidos para a recorrente totalizava R$ 402.105.681,31. A diferença apurada corresponderia ao montante dos componentes e reparáveis que foram adquiridos pela Varig em 2002 e transferidos para a recorrente. Assim, a recorrente fazia jus, no ano de 2002, a despesa de depreciação no valor de R$ 6.621.207,79, decorrente da utilização da taxa média de depreciação sobre os componentes e reparáveis que lhe foram transferidos pela Varig, conforme atestado pelo laudo técnico da E&Y. Em conclusão, a recorrente assevera que, com base no Laudo Técnico nº TR 1560/2013 emitido pela E&Y e nos documentos anexados ao referido laudo, estaria demonstrada a inexistência de omissão de receitas apurada com base em passivo fictício, bem como a existência e dedutibilidade das despesas glosadas pelo auto de infração e das despesas de depreciação sobre instalações, componentes e reparáveis. A resposta da recorrente foi anexada aos autos e estes encaminhados ao CARF sem qualquer análise dos elementos por parte da autoridade preparadora. É o Relatório. Fl. 16370DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.367 19 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Analisando os presentes autos, que retornaram a este CARF para julgamento, após a realização das diligências determinada, verifico que os mesmos ainda não se encontram em condições de julgamento, uma vez que as diligências não foram concluídas a contento pela unidade preparadora. Com efeito, esta turma julgadora, por meio da Resolução nº 1302000.160, de 10/04/2012, determinou a realização de diligências com intimação ao sujeito passivo a apresentar documentos comprobatórios e prestar os esclarecimentos sobre as infrações constantes do auto de infração e aqui relatadas, nos seguintes termos: A recorrente deve ser requerida a apresentar os documentos à autoridade preparadora uma única vez, em prazo razoável não inferior a 30 (trinta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias, na forma de Anexos que devem ser numerados conforme o item ou subitem acima, 1 a 5, ao qual se relacionam referidos documentos. Os Anexos devem ser acompanhados de um relatório explicativo sintético informando em qual medida de valor e de fato cada um dos documentos anexados demonstra a origem imediata ou mediata do passivo, que foi considerado fictício, ou a existência das despesas lançadas na contabilidade da empresa e sua necessidade. A recorrente houver por bem apresentar um laudo técnico de empresa de consultoria no qual constam as análise e testes realizados, bem como os documentos examinados, além de indicar a existência de anexos específicos para cada ponto examinado. Não obstante, verificase que a manifestação do recorrente foi anexada aos autos, junto com a documentação apresentada, de forma desordenada, sem indicação dos títulos (e numeração) dos anexos (ao laudo técnico) e dos documentos que fundamentam cada uma das análise feitas, o que impede uma análise conclusiva das alegações apresentadas no laudo. Além disso, não há qualquer manifestação por parte da autoridade fiscal competente quanto à autenticidade e idoneidade dos elementos apresentados. Outrossim, após analisar os autos, entendo ser imprescindível a juntada de elementos comprobatórios adicionais para o correto deslinde dos fatos ora discutidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade preparadora para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para que intime a recorrente a: a.1) Reapresentar a mesma documentação constante de sua manifestação em resposta à diligência anteriormente solicitada, na ordem mencionada no laudo técnico e com a devida indicação do número e títulos de cada um dos anexos que o compõem; Fl. 16371DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.271 S1C3T2 Fl. 16.368 20 a.2) apresentar cópia (legível) do Balanço (ou balancete) Analítico e das Demonstrações de Resultado dos exercícios 2001 e 2002, com discriminação dos saldos contábeis em 31/12/2001 e 31/12/2002; a.3) apresentar cópia (legível) do Planos de Contas completos utilizados na escrituração contábil dos anoscalendário 2001 e 2002; a.4) apresentar cópia integral (legível) do Livro Razão analítico das contas 2185400001 e 2185400004, contendo saldo inicial e final, do anocalendário 2002. b) a autoridade fiscal competente verifique os elementos comprobatórios juntados aos autos como anexos do Laudo Técnico nº Técnico nº TR1560/2013, emitido pela empresa Ernst & Young Terço E&Y e elabore relatório conclusivo quanto a autenticidade dos documentos apresentados e se os mesmos são hábeis e idôneos para : b.1) comprovar a existência de lançamentos de estornos que teriam sido equivocadamente considerados incluídos como despesas (que foram glosadas) pela fiscalização, no montante de R$ 16.761.509,22; b.2) a efetiva comprovação de despesas com folha de pagamento, no montante de R$ 2.301.304,42; b.3) comprovar a existência de glosa em duplicidade de despesas de depreciação, no valor de R$ 1.234.652,39; b.4) a “comprovação direta” de despesas no montante de R$ 5.793.877,20; b.5) a efetiva comprovação de despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero, no valor de R$ 14.721.280,71; e b.6) a efetiva identificação e comprovação de despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26. Observação: Em caso de dúvidas quanto autenticidade dos documentos, aos critérios adotados e/ou às informações constantes no Laudo Técnico TR 1560/2013 – E&Y, a autoridade fiscal poderá requerer documentos e explicações adicionais à recorrente. c) a autoridade preparadora determine a juntada aos autos de cópias das DIPJ 2002 e 2003 (anoscalendário: 2001 e 2002) da empresa Varig S/A – Viação Aérea Rio Grandense – (CNPJ. 92.772.821/0001). Cumpridas as providências, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 16372DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721335/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não seja comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea. Os valores cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa no percentual de 150% sobre a
totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1401-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente.
(assinado digitalmente)
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não seja comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea. Os valores cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa no percentual de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não seja comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea. Os valores cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa no percentual de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 13 35 /2 01 1- 22 Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte em face de decisão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a situação fática ora analisada, adoto o relatório elaborado pelo órgão julgador a quo. Em 28/07/2011 foram lavrados os quatro autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza, em relação à interessada, a exigência do crédito tributário, em reais. Entre os dados contidos nos autos de infração, destacamse os seguintes: Auto de infração de IRPJ – lucro arbitrado (fls. 03/15) Razão do arbitramento do lucro: a interessada, sujeita à tributação com base no lucro real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato por ela declarado, conforme relatado no termo de verificação fiscal adiante sintetizado. Enquadramento legal: art. 530, I, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR, de 1999) Infração: Omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme relatado no termo de verificação fiscal. Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 4 3 Período de apuração: todos os trimestres dos anoscalendários 2006 e 2007. Enquadramento legal: arts. 27, I, e 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996;arts. 532 e 537 do RIR, de 1999. Multa: 150%. Auto de infração de contribuição para o PIS (fls. 16/26) O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ. Infração: Omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme relatado no termo de verificação fiscal. Período de apuração: todos os meses dos anoscalendários 2006 e 2007. Enquadramento legal: arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970 art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º, I, a, e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. Multa: 150%. Auto de infração de Cofins (fls. 27/37) O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ. Infração: Omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme relatado no termo de verificação fiscal. Período de apuração: todos os meses dos anoscalendários 2006 e 2007. Enquadramento legal: arts. 2º, II, e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. Multa: 150%. Auto de infração de CSLL – lucro arbitrado (fls. 38/48) O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ. Infração: Omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme relatado no termo de verificação fiscal. Período de apuração: todos os trimestres dos anoscalendários 2006 e 2007. Enquadramento legal: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Multa: 150%. Termo de verificação fiscal (fls. 49/90) Do termo de verificação fiscal, lavrado pela autoridade lançadora em 27/07/2011, extraemse as seguintes informações: Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 5 4 VERIFICAÇÕES Relativamente ao contribuinte Ary César Salles Rezende, CPF 771.212.95687, o Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte autorizou o reexame de período fiscalizado: anoscalendários de 2006 e 2007 [fls. 91]. O procedimento fiscal inicial, que objetivava esclarecer movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados, foi instaurado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá (PR), unidade jurisdicionante, à época, do domicílio fiscal do contribuinte constante do Cadastro de Pessoa Física (CPF). Entretanto, através de diligência ao local, constatouse que o endereço cadastral não existia, razão pela qual o contribuinte foi intimado através de edital. Atendendo ao edital, ele apresentou os extratos bancários solicitados e alegou que a movimentação financeira era decorrente da aquisição de veículos através de leilões oficiais e posterior alienação destes. Apresentou também diversas notas de arrematação de veículos em seu nome. No termo de resposta, indicou endereço na cidade de Belo Horizonte. E para esse endereço foram encaminhadas as intimações seguintes, as quais foram atendidas. Todavia, ele não providenciou a alteração do seu endereço cadastral [fls. 218/302 e 306/1792]. Após análise preliminar dos documentos apresentados, a DRF Maringá (PR) verificou indícios de equiparação de pessoa física a empresa individual, razão pela qual o procedimento fiscal instaurado sobre a pessoa física foi encerrado. Nessa ocasião, a DRF – Maringá (PR) encaminhou representação à DRF – Belo Horizonte (MG), que, em 29/11/2010, instaurou procedimento fiscal sobre a pessoa física, intimandoa, através do termo de n° 428, de 01/12/2010, a comprovar a origem dos recursos creditados na conta corrente n° 73377 mantida na agência 2286 do Banco Bradesco, de sua titularidade. Nesse termo foi informado que os documentos apresentados à DRF Maringá (PR), inclusive os extratos da referida conta corrente, encontravamse no Serviço de Fiscalização da DRF Belo Horizonte (MG) e seriam utilizados no procedimento fiscal iniciado [fls. 92/95]. Até novembro de 2010, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) não continha nenhuma inscrição vinculada ao CPF do contribuinte. O domicílio do contribuinte foi alterado, de ofício, para a circunscrição de Belo Horizonte, tendo em vista que ele não o fez espontaneamente, tampouco após intimado. O contribuinte apresentou termo de resposta à intimação, requerendo que se aguardasse decisão de consulta por ele formulada, em 05/10/2010. Ocorre que o procedimento fiscal instaurado referese aos anos de 2006 e 2007, período muito Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 6 5 anterior à data de formulação da consulta. De qualquer forma, a consulta foi declarada ineficaz pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 6ª Região Fiscal [fls. 96/100 e fls. 303/305]. ∙Diante disso, o contribuinte compareceu pessoalmente à DRF Belo Horizonte (MG), acompanhado do seu advogado, e solicitou vistas aos documentos entregues à DRF – Maringá (PR), no que foi atendido. Nessa ocasião, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para comprovar que toda a movimentação financeira era decorrente da atividade comercial de compra e venda de veículos usados. Prorrogouse o prazo até 26/01/2011 [fls. 101/105]. Em 26/01/2011, o contribuinte pleiteou nova prorrogação de prazo e apresentou cópia de “Documento Básico de Entrada do CNPJ”. Prorrogouse o prazo até 02/02/2011 [fls. 106/109]. Em 10/02/2011, o contribuinte reiterou que toda a movimentação decorre da atividade de compra e venda de veículos usados. Apresentou requerimento de empresário arquivado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, deferido em 27/01/2011, bem como comprovante de inscrição no CNPJ, tendo por objeto social o comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários usados. O endereço constante do CNPJ é Rua Adão Sabino da Silva, n° 167, bairro São Sebastião, Contagem/MG. Apresentou também demonstrativos denominados Planilha 2 e Planilha 3. Informou que na Planilha 2 estariam conciliados os valores de aquisição com os valores de venda dos veículos e respectivos depósitos bancários. Informou ainda que os valores relacionados na Planilha 3 seriam depósitos bancários decorrentes de intermediação de venda, visto que recebia comissões pela venda de veículos de terceiros [fls. 110/146]. O contribuinte solicitou então que – por estar comprovado que exerceu, em nome individual e de forma habitual, a atividade de compra, venda e intermediação de veículos usados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 150 do RIR, de 1999 – fosse equiparado à pessoa jurídica para fins de tributação e, consequentemente, fossem apurados o IRPJ e os tributos reflexos, considerando: a) com relação aos valores contidos na Planilha 2, o lucro real obtido em cada operação de compra e venda de veículo; b) com relação aos valores contidos na Planilha 3, a receita decorrente de intermediação na venda de veículos; c) com relação aos demais valores creditados na sua conta, o lucro a ser arbitrado, tendo em conta a atividade de compra e venda de veículos usados. Constatase que as planilhas não se prestam a nenhuma apuração. Foram juntadas cópias de: notas de arrematação, alguns poucos CRV (Certificado de Registro de Veículo) e partes de extratos bancários nos quais estavam assinalados os possíveis Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 7 6 créditos oriundos das alienações dos veículos. Mas as informações se mostraram insuficientes, inconsistentes e às vezes até incoerentes entre si [fls. 1793/2634]. Embora a Planilha 2 indicasse, para alguns casos, a apuração do lucro obtido na operação, confrontandoa com os documentos apresentados, verificouse a impossibilidade de se assegurar a veracidade dos seus valores. O contribuinte apresentou muitas notas de arrematação, para comprovação dos custos dos veículos, mas não apresentou documentos que comprovassem inequivocamente o valor das vendas destes. Com relação aos poucos casos em que apresentou cópia de CRV, não houve coincidência entre a data, comprador e valor da venda ali consignados com a data, depositante e valor dos créditos bancários correspondentes. Inicialmente, o contribuinte alega ter comercializado mais de 300 veículos no período fiscalizado [fls. 225/232]. Entretanto, relaciona apenas 130 operações na Planilha 2, apresentando pouco mais de 30 CRV. Confrontando esses poucos comprovantes com os créditos bancários indicados, verificaram se divergências de valor, data e depositante. Na maioria das vezes, o contribuinte indicou vários depósitos, em várias datas, de depositantes diversos ou sem identificação do depositante, de modo a totalizar o valor consignado no CRV. Inferese, assim, que os créditos bancários podem não corresponder efetivamente a tais vendas. Além disso, vários valores de venda registrados na Planilha 2 não correspondem aos valores consignados nos CRV. São citados alguns exemplos [fls. 53/54]. Desta forma, se inicialmente a Planilha 2 já apresentava algumas inconsistências, depois de confrontada com os documentos apresentados, tornouse impossível considerála como instrumento hábil a comprovar os valores de venda das operações. Assim, não foi possível apurar a diferença entre o preço de alienação e o custo de aquisição de cada veículo. Para apuração inequívoca da diferença entre o preço de alienação e o custo de aquisição de cada veículo, deveria o contribuinte ter apresentado as competentes notas fiscais de entrada e de saída, essas últimas em valores compatíveis com os depósitos em conta corrente. Como o contribuinte sequer era inscrito no CNPJ, deveria ter apresentado documentos que demonstrassem claramente serem os valores de venda compatíveis com os depósitos em conta corrente, condição indispensável para a apuração. Mas, conforme visto, isso não ocorreu. A Planilha 3, a qual contém os valores que seriam decorrentes de intermediação na venda de veículos, não veio acompanhada Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 8 7 de documento algum. Assim, essa planilha, por si só, não pode ser considerada instrumento hábil a comprovar o alegado. Por fim, constatouse que os documentos apresentados, sobretudo os CRV, indicam diversos endereços para o Sr. Ary, nas mais variadas cidades, como por exemplo, Maringá (PR), Curitiba (PR), Toledo (PR), Passos (MG), Contagem (MG), Lages (SC), Goiânia (GO), entre outras. Lavrouse o termo n° 39, de 09/02/2011, intimando o contribuinte a apresentar os livros comerciais e fiscais. Alertou se que a recusa de adotar todos os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis às pessoas jurídicas ou o não atendimento à intimação implicariam o arbitramento do lucro com base nos elementos disponíveis. Em 21/02/2011, ele apresentou os mesmos argumentos já apresentados em 10/02/2011, sem apresentar, contudo, os livros contábeis solicitados [fls. 147/153]. Isso posto, reconheceuse que o contribuinte deveria ser equiparado à pessoa jurídica, haja vista o inciso II do § 1º do art. 150 do RIR, de 1999, segundo o qual são equiparadas às pessoas jurídicas, para os efeitos do imposto de renda, as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Esse reconhecimento se deveu, inicialmente, ao grande número de notas de arrematação de veículos em leilão, cujo arrematante era o Sr. Ary, apresentadas por ele próprio e confirmadas, por amostragem, pelos leiloeiros (termos de intimação ns. 431 e 432; e termos de respostas). Deveuse ainda ao valor da movimentação no período fiscalizado: mais de R$ 12.000.000,00, indicando não se tratar de conta ordinária de pessoa física, mas de valores oriundos de relações comerciais, já que não é comum pessoa física ter volume tão expressivo de cheques depositados e devolvidos em uma conta bancária, exceto se desempenhar atividade comercial. Também demonstram a atividade comercial do contribuinte alguns CRV por ele apresentados. Finalmente, deveuse às afirmações, do próprio contribuinte, de que a movimentação se referia a compra e venda de veículos usados. Assim, instaurouse procedimento fiscal sobre a empresa Ary César Salles Rezende – ME, a qual foi intimada, através do termo de início nº 48, de 16/02/2011, a apresentar os livros fiscais e comerciais, com a devida escrituração de toda a movimentação financeira ocorrida, em 2006 e 2007, na conta da pessoa física do Sr. Ary. Foi intimada também a apresentar os Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 9 8 seguintes documentos: DIPJ, DCTF, balancetes, demonstrações financeiras, entre outros. Reiterouse que a recusa de adotar os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis às pessoas jurídicas ou o não atendimento à intimação implicariam o arbitramento do lucro com base nos elementos disponíveis [fls. 154/156]. O termo de início, enviado ao endereço constante do CNPJ, foi devolvido pelos Correios com a informação: “mudouse”. Mas, em 04/03/2011, o procurador do contribuinte compareceu no Serviço de Fiscalização e tomou ciência do termo inicial [fls. 157/164]. Em 28/03/2011, o contribuinte responde que não possui documentação contábil e fiscal referentes aos anos de 2006 e 2007 e que todos os documentos possíveis já foram apresentados. Informou ainda não possuir bens móveis e imóveis [fls. 165/169]. ∙Todavia, constatouse que há diversos veículos registrados em seu nome, bem como imóvel situado em Mateus Leme/MG, com área de mais de 4 hectares [fls. 187/204 e 214/217]. Em 16/03/2011, enviouse o termo de intimação nº 68, para o endereço constante do CNPJ, o qual foi devolvido com a informação: “mudouse”. Em 25/03/2011, esse termo foi reenviado e, mais uma vez, devolvido [fls. 170/177]. O termo nº 68 foi então enviado para o endereço cadastral da pessoa física, solicitando a comprovação da forma de utilização do imóvel localizado na rua Adão Sabino da Silva n° 167, bairro São Sebastião, Contagem. O contribuinte respondeu que, embora tenha constituído uma firma individual ali localizada, não conseguira registrar a firma perante o Estado e o Município, razão pela qual teria que mudar de endereço. Alegou estar diligenciando alugar outro imóvel, para então alterar o endereço cadastral. E solicitou mais 60 dias para comprovação de seu novo endereço [fls. 178/183]. Como ainda não havia sido indicado o novo endereço, em 28/04/2011, lavrouse o termo de intimação n° 128, recebido pessoalmente pelo procurador do contribuinte. Em 11/05/2011, solicitaramse mais 30 dias de prazo. Lavrouse ainda, em 22/06/2011, o termo de intimação n° 211. Em 01/07/2011, o contribuinte respondeu que estava formalizando sua transferência para o imóvel localizado em Mateus Leme/MG. Entretanto, o termo de resposta não veio acompanhado de documentação comprobatória, nem se procedeu à devida alteração no CNPJ [fls. 184/186 e 205/207]. Assim, através do termo n° 2111, intimouse mais uma vez o contribuinte a regularizar sua situação cadastral. Em 08/08/2011, este solicitou mais 20 dias para comprovar a transferência da firma individual [fls. 208/213]. Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 10 9 CONCLUSÕES Arbitramento do lucro ∙O contribuinte não atendeu às intimações para apresentar os livros Diário e Razão devidamente escriturados e registrados na Junta Comercial, bem como para apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), relativamente aos anos calendários de 2006 e 2007. Portanto, sujeitase ao arbitramento do lucro de ofício, por se enquadrar na hipótese do art. 530, I, do RIR, de 1999. Omissão de receitas Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados na conta corrente n° 7337 7 mantida na agência 2286 do Banco Bradesco, conforme determinam os arts. 287, § 2º, e 532 do RIR, de 1999. Ressaltase que o contribuinte não submeteu, por opção, suas atividades de compra e venda de veículos usados à tributação aplicável às operações de consignação. Tampouco constituiu pessoa jurídica, à época dos fatos, para que pudesse declarar em seus atos constitutivos o seu objeto social de compra e venda de veículos usados e a partir daí optar por equiparar as operações, para efeitos tributários, como de consignação, conforme as determinações da Lei n° 9.716, de 1998, e da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002. Dessa forma, o lucro arbitrado deve ser obtido mediante a aplicação do percentual de 9,6% sobre as receitas de venda de mercadorias e não do percentual de 38,4%, este aplicável nas hipóteses tratadas pelo art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, em que a base de cálculo é obtida pela diferença entre o preço de alienação e o custo de aquisição de cada veículo. Para fazer jus à tributação pela diferença entre os valores de entrada e saída, o contribuinte teria de optar pelo regime de equiparação, bem como deveria manter as notas fiscais de entrada e saída. Vejase que não é o caso. O contribuinte sequer constituiu a pessoa jurídica. Portanto, não há que se falar em objeto social declarado em ato constitutivo, nem em opção por equiparação e muito menos em emissão de notas fiscais de entrada e saída. Ainda que assim não fosse, o contribuinte não logrou comprovar a vinculação das receitas com o custo de aquisição de cada veículo, já que não apresentou documentação que correlacionasse os depósitos bancários com as respectivas notas de arrematação dos veículos. Desta forma, a base de cálculo obtida pela diferença entre o preço de alienação e o custo de aquisição de cada veículo ficou prejudicada. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 11 10 Não foram considerados, para efeito de determinação das receitas omitidas, os créditos estornados mediante lançamento a débito posterior, cujo histórico constante dos extratos bancários era "devolução de cheques depositados", "oper. irregular" ou "TED devolvida". Os totais mensais dos depósitos ou créditos ocorridos na conta corrente encontramse discriminados no Anexo 2 (ano 2006) e Anexo 3 (ano 2007) [fls. 70/90]. O valor total da receita omitida encontrase demonstrado no Anexo 1 [fls. 69]. Multa Qualificada No que se refere ao período fiscalizado, o contribuinte nada ofereceu à tributação. Não se trata de ato isolado, mas reiterado. Jamais foi declarado algum valor a título de rendimentos recebidos pela pessoa física, nem a título de receitas de pessoa jurídica, pois sequer possuía inscrição no CNPJ. O Sr. Ary optou por apresentar Declaração Anual de Isento em 04/10/2007. Apesar disso, movimentou milhões em conta bancária de titularidade da pessoa física à margem de escrituração. Nos anos fiscalizados, foram apurados créditos bancários em montante superior a R$ 12.000.000. Notese ainda os sucessivos aumentos de valores movimentados nos anos de 2008, 2009 e 2010, cujo montante ultrapassa R$ 20.000.000,00, sem nenhuma declaração dessas quantias. Os expressivos valores movimentados em conta bancária, contrapondose a nenhuma receita informada no período, por si só, afastam quaisquer possíveis alegações de erro. Mas não é só isso. O padrão de conduta delitiva do contribuinte está associado a atos omissivos, mas também a atos comissivos praticados de maneira reiterada. As circunstâncias a seguir expostas demonstram o seu estado anímico de subtrair do conhecimento do fisco o auferimento de todas as suas receitas sujeitas à tributação. O endereço do contribuinte constante do CPF era inexistente. Ele atendeu intimação feita por edital na Delegacia de Maringá/PR, apesar de alegar desconhecer o endereço do CPF e sempre ter residido em Belo Horizonte. Não obstante essas informações prestadas no início do procedimento fiscal, ele não regularizou espontaneamente seu domicílio fiscal. Também não o fez depois de intimado, razão pela qual o seu domicílio foi alterado de ofício, para a circunscrição de Belo Horizonte. Ademais, os certificados de registro de veículos apresentados demonstram que diversos endereços foram indicados como sendo dele, nas mais variadas cidades. O contribuinte, conhecedor de sua condição de equiparado à pessoa jurídica, já que alegou isso em todo o processo fiscal, não se inscreveu no CNPJ, mesmo após o início do procedimento Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 12 11 fiscal em Maringá. Acresçase que, intimado e reintimado, ele não procedeu à escrituração de uma transação sequer, em todo o período, mesmo informando reiteradamente que suas transações eram comerciais. Não deixam dúvidas acerca da ação dolosa do contribuinte todas estas condutas, entre outras: falta de eleição de domicílio fiscal ou indicação de falso(s) endereço(s); negativa de regularizar a situação cadastral; vultosa movimentação financeira associada à omissão de toda a receita auferida; falta de inscrição no CNPJ; movimentação financeira em nome de titular diferente do sujeito passivo da obrigação; falta de escrituração das receitas em livros fiscais e comerciais; ausência de documentos hábeis a comprovar as operações comerciais praticadas; informação falsa a respeito do próprio patrimônio; apresentação de declaração falsa à Secretaria da Receita Federal (Declaração Anual de Isento). Comprovase, assim, o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964, pelo que se efetua o lançamento tributário com multa de ofício qualificada, prevista no art. 957, II, do RIR, de 1999. Decadência Demonstrada a prática de dolo, fraude ou simulação, aplicase o art. 173, I, combinado com o art. 150, § 4º, do CTN no que se refere à decadência. Representação fiscal para fins penais Formalizouse representação fiscal para fins penais, nos moldes do Decreto n° 2.730, de 1998, e da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, em virtude de caracterização de crime contra a ordem tributária definido nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. Arrolamento de bens Em atenção ao disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 2011, e em virtude de o crédito tributário constituído exceder, simultaneamente, a R$ 500.000,00 e a 30% do patrimônio conhecido do contribuinte, procedeuse ao arrolamento de bens, mediante formalização do processo administrativo nº 15504.721338/201166. Ciência (fls. 04, 17, 28, 39, 68 e 2635) Em 25/08/2011, a interessada foi pessoalmente cientificada dos autos de infração, do termo de verificação fiscal e do termo de encerramento da ação fiscal. Impugnação (fls. 2637/2661) Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 13 12 Em 22/09/2011, a interessada apresentou impugnação, cujo teor se sintetiza a seguir: Derrogação da presunção legal A Lei Complementar n° 105, de 2001, que autorizou a quebra administrativa do sigilo bancário do contribuinte pela autoridade fiscal, derrogou a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dada a antinomia entre esses preceitos legais, o que significa dizer que cabe ao fisco, e não mais ao contribuinte, comprovar que os recursos, consistentes nos depósitos bancários, caracterizam omissão de rendimento. Se o fisco pode requisitar os documentos que julgar necessários à apuração adequada dos fatos, como determina a Lei Complementar n° 105, de 2001, resta proceder, em face de indícios de omissão de rendimentos e/ou receitas, à fiscalização, para a adequada apuração dos fatos, com a prática do lançamento nos termos do art. 142 do CTN, tributandose a omissão encontrada e provada pelo fisco, sem se valer, contudo, da presunção veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Daí a antinomia (contradição entre duas leis e/ou dispositivos legais). A insuperável incompatibilidade entre o § 4º do art. 5º da Lei Complementar n° 105, de 2001, e o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, revoga, tacitamente, este último preceito legal, por força do disposto no art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, devendo ser, destarte, anulado o presente auto de infração. Encontrase revigorada a orientação inscrita na Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, chancelada também pelo Superior Tribunal de Justiça. Anotase, ainda, julgamento proferido pelo Tribunal Federal da 1ª Região, que acolheu a mesma orientação. Como o fisco não promoveu a adequada apuração dos fatos (tributáveis), porquanto houve o arbitramento com base apenas em extratos ou depósitos bancários do impugnante, consectário lógico é a nulidade do lançamento, devendo ser ele cancelado, consoante prescrição contida no art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471, de 1988. Ademais, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 – admitindose, apenas para argumentar, a sua vigência – não poderia equiparar "receita ou rendimento" a "renda". Isso porque, além de depender de lei complementar material para tanto (art. 146, III, a, da Constituição Federal de 1988), renda é, na dicção contida no art. 43 do CTN, sempre um plus, quer por representar a disponibilidade do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar acréscimo patrimonial derivado dos proventos de qualquer natureza. Os depósitos bancários são meros indícios de aquisição de disponibilidade e, como tal, jamais poderiam ser considerados, Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 14 13 por si só, como disponibilidade econômica de renda e proventos, uma vez que é imprescindível demonstrarse esta qualidade (disponibilidade), consoante delineado pela Constituição Federal (art. 153, III) e pelo CTN (art. 43). A lei ordinária (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) não poderia presumir, para fins de determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda, a soma dos depósitos bancários realizados como algo novo produzido (art. 43, I, do CTN) e/ou como acréscimo de patrimônio (art. 43, II, do CTN), conforme já decidiu a 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Portanto, o lançamento perpetrado é nulo de pleno direito, devendo ser cancelado, seja porque lavrado com fundamento em dispositivo revogado, seja por contraditar a Constituição Federal (art. 153, III) e o disposto no CTN (art. 43). Lançamento em desacordo com o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998 O fisco procedeu ao arbitramento considerando, como base de cálculo, os valores creditados na conta corrente fiscalizada, quando o correto seria obedecer ao art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, segundo o qual: “As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados”. Assim vêm entendendo as Delegacias de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme ementas de acórdãos que se transcrevem. Foram apresentadas à autoridade fiscal, conforme documentos já acostados aos autos, cópia das notas fiscais de entrada de todos veículos adquiridos. Referidas notas foram fornecidas tanto pelo impugnante como pelos leiloeiros oficiais. Destarte, merece ser cancelado o lançamento, visto que realizado em desacordo com o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Impossibilidade de aplicação da multa qualificada Não ficou evidenciado que o impugnante procedeu dolosamente, querendo se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com fisco. Ademais, o arbitramento do crédito com base em suposta omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários não implica aplicação da multa qualificada (150%). Esse entendimento encontrase sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 15 14 De acordo com a Súmula CARF n° 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". E, de acordo com a Súmula CARF n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Para aplicação da multa qualificada, não basta a presença de ilação e/ou indício de fraude. É necessária a certeza da fraude para exacerbação da penalidade, ao teor do disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O fato apurado teve por base a utilização de presunção legal, uma prova indireta. A imposição da multa agravada depende de procedimento que identifique e comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não se sustentando no caso de lançamento fundamentado em presunção relativa. O ônus da prova cabe a quem alega, ao fisco. Mesmo que o arbitramento de lucro tenha sido motivado por falta de escrituração da conta bancária, esse fato não pode ser motivo para a aplicação da multa qualificada, pois não houve nenhuma intenção de ocultação do fato gerador, o que, na prática, é impossível, visto que o fisco dispõe de instrumentos eficientes para a identificação de depósitos bancários (Lei n° 9.311, de 1996, e Lei n° 10.174, de 2001). A jurisprudência administrativa corrobora esse entendimento, conforme ementas de acórdãos que se transcrevem. Segundo a jurisprudência administrativa, depósitos bancários não contabilizados devem ser classificado como declaração inexata, a não ser que a fiscalização demonstre de forma cabal e inequívoca que o sujeito passivo alterou artificialmente o fato gerador mediante falsidade documental ou falsidade ideológica, com a emissão de notas fiscais “calçadas”, “meia nota”, etc. Em tentativa inglória de fundamentar a multa qualificada, aduziu a autoridade fiscal que : "Os expressivos valores movimentados em conta bancária contrapondose a nenhuma receita informada no período, por si só, afastam quaisquer possíveis alegações de erro, mas não é só isso. O padrão de conduta delitiva do contribuinte está associado a atos omissivos, como já relatado, mas também a atos comissivos praticados de maneira reiterada" (fls. 16 do termo de verificação fiscal). Ora, após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos, há de haver provas convincentes, por parte do fisco, de que houve evidente intuito de fraude ou Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 16 15 aumento de patrimônio ou disponibilidade econômica, o que no caso não ocorreu. Os depósitos bancários, por si só, não são fato gerador do imposto, e eventual falta de sua escrituração nos livros fiscais ou comerciais se constitui simples descumprimento de obrigação acessória. Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, dizem respeito apenas ao fato gerador, nãoexistindo nenhuma referência ao descumprimento de obrigações acessórias. A obrigatoriedade da apresentação da declaração de rendimentos ou da declaração de contribuições e tributos federais, bem como a escrituração de livros fiscais e comerciais, constituemse em simples obrigações acessórias, com a finalidade de controle da arrecadação. A apresentação da DIPJ não tem nenhuma implicação com o fato gerador da obrigação principal. E, tendo em vista que os arts. 71, 72 e 73 dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Segundo a fiscalização: "O endereço constante no CPF do contribuinte era inexistente. Em diligência, constatouse que o nº indicado para aquela rua não existia. O contribuinte atendeu intimação feita por edital na Delegacia de Maringá/PR, apesar de alegar desconhecer o endereço constante do CPF e declarar sempre ter residido em Belo Horizonte (...) Ademais como relatado no item 1.7 acima, documentos apresentados pelo contribuinte, tais como certificado de registro de veículos demonstram que diversos endereços foram indicados como sendo dele, nas mais variadas cidades". Mas o endereço do Sr. Ary na cidade de Maringá/PR foi lançado no Cadastro de Pessoas Físicas CPF sem o seu consentimento. Conforme consta nos autos, o Sr. Ary vendeu diversos veículos para várias cidades, e certamente um de seus clientes, visando regularizar seu CPF perante a SRF/MF, transmitiu uma Declaração de Isento, fornecendo para tanto, um endereço de Maringá. Desde quando tomou conhecimento do procedimento de fiscalização, inicialmente instaurado em Maringá/PR, o Sr. Ary nunca se furtou a atender às intimações fiscais. Conforme documentos acostados aos autos, ele respondeu a todas as intimações sempre informando um único endereço, qual seja: Rua Afonso Alves Branco, 124, Bairro Serra, Belo Horizonte (MG). Sabese que todos os veículos do Sr. Ary foram adquiridos em leilões oficiais. Com relação aos endereços diferentes constantes nos certificados de registro de veículos, tratase de uma desorganização dos próprios leiloeiros, dado que, quando o Sr. Ary recebia cada Documento Único de Transferência (DUT), Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 17 16 este já estava preenchido e, na maioria das vezes, com endereço equivocado. Ainda na tentativa de fundamentar a aplicação da multa qualificada, assevera o fisco que o contribuinte, mesmo sabendo da sua condição de equiparado a pessoa jurídica, não se inscreveu no CNPJ. Mas essa afirmação não procede; basta consultar a data de emissão do CNPJ 13.174.888/000120, para constatar que o contribuinte constituiu sim uma pessoa jurídica após o início do procedimento fiscal. Alega a autoridade fiscal que o contribuinte teria faltado com a verdade quando afirmou que não possuía patrimônio. Vejase a afirmativa contida a fls. 9 do termo de verificação fiscal: “O contribuinte informou ainda, não possuir bens móveis e imóveis. Contrariamente ao informado pelo Sr. Ary, constatamos que o contribuinte possui diversos veículos registrados em seu nome junto ao DETRAN, bem como um imóvel situado em Mateus Leme/MG". Mas o termo de resposta foi encaminhado e respondido pela pessoa jurídica e não pela pessoa física. Tanto se trata de duas personalidades jurídicas que o próprio fisco tomou o cuidado de lavrar dois MPF, um para cada contribuinte. Em suma, de fato, referida pessoa jurídica não possuía bens móveis e imóveis, razão pela qual em momento algum se faltou com a verdade. E mais: com relação ao imóvel rural citado, foi o próprio Sr. Ary que informou para a fiscalização, em 31/05/2011 (termo de resposta anexo), que havia adquirido referido bem. A autoridade fiscal, sob pena de nulidade, deve relatar, com clareza, os fatos ocorridos, as provas, bem como evidenciar a aplicação da multa qualificada, o que não ocorreu. A acusação fiscal, no que tange à aplicação da multa qualificada, ressoa no mínimo confusa, gerando, por conseguinte, dúvida quanto aos fatos que ensejaram sua aplicação. Conforme dispõe o inciso II do art. 112 do CTN, ao definir infrações, ou cominar penalidades, há de ser a lei tributária, em existindo dúvida, interpretada de modo mais favorável ao contribuinte. Dessumese, assim, que merece ser cancelada a multa qualificada aplicada (150%), uma vez que não ficou caracterizado, pela fiscalização, o evidente intuito de fraude Decadência parcial Uma vez demonstrado que o impugnante não agiu com dolo, fraude ou simulação, nãosendo passível, portanto, de ser apenado com a aplicação da multa qualificada, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer de acordo com o § 4° do art. 150 do CTN. Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 18 17 Com relação à contribuição para o PIS e à Cofins, o fato gerador ocorre a cada mês, iniciandose, nesse momento, a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Logo, partindo do pressuposto que o contribuinte foi intimado somente dia 25/08/2011, encontramse decaídos os valores exigidos a título de contribuição para o PIS e Cofins decorrentes dos depósitos bancários realizados nos meses de 01/2006 a 07/2006. Transcrevemse ementas de acórdãos do CARF sobre a matéria. Já com relação ao IRPJ e à CSLL, tendo em vista que o fato gerador é trimestral, o prazo decadencial iniciase no último dia útil de cada trimestre, razão pela qual imperouse a decadência do crédito tributário referente aos dois primeiros trimestres de 2006. Transcrevese ementa de acórdão do CARF sobre a matéria. Caso tais argumentos não sejam suficientes para demonstrar a decadência parcial do lançamento fiscal, o que se admite somente por amor ao debate, ainda assim não merece prosperar na totalidade a acusação fiscal. Entende o fisco que o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o art. 173 do CTN. Todavia, a expressão “exercício seguinte” não deve ser interpretada, necessariamente, como “anocalendário seguinte”, mas sim como “fato gerador seguinte”. O inciso I do art. 173 do CTN foi redigido quando a sistemática de lançamento e cobrança do imposto sobre a renda, tanto de pessoa física como de pessoa jurídica, estava subordinada ao conceito de anobase, períodobase e exercício. No decorrer do anobase ou período base, os contribuintes recebiam os rendimentos e as receitas, bem como incorriam em gastos, custos e despesas operacionais, mas a apuração dos resultados era efetuada apenas quando da apresentação da declaração de rendimentos, no exercício. Antes do vencimento do prazo para a apresentação da declaração de rendimentos, os contribuintes não estavam sujeitos aos lançamentos de oficio. Entretanto, na medida em que a legislação tributária estabeleceu o critério de consumação de fatos geradores mensais e, posteriormente, trimestrais, os contribuintes passaram a estar sujeitos aos lançamentos de ofício, no mês ou trimestre subsequente ao da ocorrência do fato gerador. Assim, o conceito de exercício no sentido de período em que poderia ter sido lançado perdeu a sua eficácia, daí porque o mês ou o trimestre subsequente ao da ocorrência do fato gerador equivale ao termo exercício. Logo, tendo o impugnante sido cientificado do lançamento no dia 25/08/2011, mesmo aplicando o art. 173, I, do CTN, está decadente o direito do fisco de constituir crédito tributário Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 19 18 relativo aos tributos e contribuições com fato gerador trimestral (IRPJ e CSLL) correspondente aos 1° e 2° trimestres do ano calendário de 2006 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal (Cofins e contribuição para o PIS), aos fatos geradores ocorridos até o dia 30/07/2006. Tanto a jurisprudência administrativa como a judicial já sedimentaram o entendimento de que o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a contribuição para o PIS são lançados na modalidade de lançamento por homologação, sendo o prazo decadencial contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, apresentada ou não a declaração de rendimentos, com ou sem pagamento dos tributos ou contribuições devidas, excetuados apenas os casos de dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso em tela. Pedidos Requer seja julgada procedente a impugnação, reconhecendose a improcedência do lançamento fiscal decorrente dos depósitos bancários supostamente não comprovados, com o consequente cancelamento do auto de infração. Alternativamente, caso assim não se entenda, requer seja cancelada a multa qualificada aplicada, reconhecendose, por conseguinte, a decadência parcial, visto que decaiu o direito do Fisco de constituir crédito tributário referente aos meses de 01/2006 a 07/2006, no caso da contribuição para o PIS e da Cofins, e referente aos dois primeiros trimestres do ano calendário de 2006, no caso do IRPJ e da CSLL. Instruem a impugnação os documentos a seguir relacionados: requerimento de empresário e comprovante de inscrição no CNPJ [fls. 2662/2664]; procuração pública e identidade de advogado [fls. 2665/2667]; resposta ao termo de intimação nº 48, na qual a pessoa jurídica Ary César Salles Rezende E informa não possuir bens móveis e imóveis [fls. 2668/2670]; resposta ao termo de intimação nº 158, na qual a pessoa física Ary César Salles Rezende Informa possuir bens móveis e imóveis [fls. 2671/2672]. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 20 19 Em face de tais argumentos, entendeu 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, em julgar improcedente a impugnação, para mante integralmente as exigências fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não seja comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea. Os valores cuja origem houver sido comprovada, mas que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa no percentual de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão de Primeira Instância, ARY CESAR SALLES REZENDE ME interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 21 20 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Decadência A Recorrentealega a decadência de parte do crédito tributário lançado, com base no art. 150, § 4º, do CTN. Mas não lhe assiste razão, uma vez que a homologação tácita não se verifica nos casos de dolo, fraude e simulação, conforme ressalva o mesmo dispositivo: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tais hipóteses excetivas estão bem caracterizadas nos autos, conforme se vê em trecho mais adiante deste voto no qual se aprecia a contestação da qualificação das multas de ofício. Portanto, é de se aplicar o art. 173, I, do CTN, que determina que o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como os fatos geradores ocorreram nos anoscalendários de 2006 e 2007, e a ciência do lançamento se deu em 25/08/2011, concluise que o crédito tributário lançado não se extinguiu pela decadência. Presunção de omissão de receitas Se no curso da fiscalização forem identificados depósitos bancários cuja origem não for comprovada nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não resta à autoridade fiscal outra possibilidade senão tributar os respectivos valores como receitas o rendimentos omitidos. E, de acordo com o § 2º desse artigo, serão submetidos às normas de tributação específicas os valores cuja origem for comprovada, mas que não tenham sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos. Também deve ser rejeitada a alegação de que a presunção de omissão de receitas ofende tanto a Constituição Federal como o CTN. Isso porque não pode este julgador deixar de observar norma expressa da legislação em vigor na época dos fatos, a pretexto de que seria inconstitucional ou ilegal, haja vista a impossibilidade de que referidas discussões sejam implementadas no âmbito do CARF, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 22 21 Base de cálculo dos tributos lançados Segundo o Recurso, o lançamento deve ser cancelado, pois efetuado em desacordo com o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a seguir transcrito. Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim dispôs sobre a matéria: Com efeito, não se revela acertado apurar o valor da base de cálculo dos tributos ora exigidos segundo o regime aplicável às operações de consignação. Dizse isso com base nas mesmas objeções opostas pela autoridade lançadora, as quais se recordam a seguir. Primeiramente, para que se possa computar na base de cálculo apenas a diferença entre o valor de alienação do veículo usado e o seu custo de aquisição, a legislação exige não só que o objeto social de compra e venda de veículos automotores esteja expressamente declarado no ato constitutivo, mas também que sejam emitidas as devidas notas fiscais de entrada e de saída. E, conforme relatado, nada disso ocorreu. Aliás, a Recorrente, na época dos fatos, sequer estava inscrita no CNPJ. A inscrição, como empresário individual, só se deu em janeiro de 2011, após iniciada a ação fiscal. Assim, não foram emitidas as notas fiscais exigidas, as quais seriam os documentos hábeis a comprovar os valores de alienação e de aquisição. E, mesmo que fosse possível afastar tais obrigações formais, melhor sorte não teria a Recorrente, uma vez que não logrou comprovar, de forma a não oferecer dúvidas, a vinculação entre cada um dos créditos efetuados em sua conta bancária e a venda da qual alega decorrer esse crédito, muito embora o custo de aquisição do veículo objeto dessa venda constasse da respectiva nota de arrematação. Em verdade, apresentaramse muitas notas de arrematação, para comprovação dos custos dos veículos, mas não documentos hábeis a comprovar inequivocamente o valor das vendas destes. Com relação aos poucos casos em que se apresentou cópia do documento oficial utilizado para efetuar a transferência do veículo no órgão de transito, o Certificado de Registro do Veículo (CRV), não houve coincidência entre a data, comprador e valor de venda ali consignados com a data, depositante e valor dos créditos bancários correspondentes. Ou seja, comprovouse o custo de aquisição, mas não o valor de alienação, o que prejudica a determinação da base de cálculo segundo o regime aplicável às operações de consignação. Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 23 22 Ressaltese que não houve oposição à seguinte constatação da autoridade lançadora: A Recorrente inicialmente alegou ter comercializado mais de 300 veículos no período fiscalizado [fls. 225/232], mas relacionou apenas 130 operações em sua Planilha 2 [fls. 110/146], anexando pouco mais de 30 CRV [fls. 1793/2634]. E, confrontando esses poucos comprovantes com os créditos bancários indicados, verificaramse divergências de valor, data e depositante. Na maioria das vezes, indicaramse vários depósitos, em várias datas, de depositantes diversos ou sem identificação do depositante, de modo a totalizar o valor consignado no CRV. A Recorrente também não contestou a afirmação de que vários valores de venda registrados na Planilha 2 não correspondem aos valores consignados nos CRV. Não houve ainda nenhuma manifestação ou esclarecimento acerca dos seguintes exemplos citados no termo de verificação fiscal: O preço de venda do veículo de placa GVI 5458 indicado na Planilha 2, item 1, (R$ 101.000,00) diverge do valor consignado no CRV (R$ 100.000,00). E o contribuinte indica oito créditos de variados valores e datas, todos em dinheiro, sem identificação do depositante, como oriundos dessa venda. [fls. 120, 139 e 1793/1796]. O mesmo ocorre com o veículo de placa NFE 5570. O preço de venda na planilha 2, item 8A, (R$ 105.000,00) diverge do valor do CRV (R$ 100.000,00) [fls. 139 e 1201]. O veículo de placa ACM 1916 foi vendido, segundo a Recorrente, por R$ 70.900,00. Mas consta R$ 68.000,00 no CRV. Já segundo o banco de dados do Detran, conforme documento apresentado pela própria Recorrente, o valor foi de R$ 80.000,00 [fls. 139, 1245 e 1936]. Também divergem o preço de venda do veículo de placa MBQ 4726 na Planilha 2, item 22, (R$ 65.000,00) e o valor constante do banco de dados do Detran (R$ 63.000,00) [fls. 140 e 2030]. O mesmo ocorre com o veículo de placa KEM 2327. O preço de venda na Planilha 2, item 66, (R$ 118.010,00) difere do valor no CRV (R$ 130.000,00) [fls. 142 e 2303]. O veículo de placa HBG 7111 (item 93 da Planilha 2) consta como vendido por R$ 40.000,00, diferentemente do valor consignado no CRV: R$ 35.000,00 [fls. 142 e 2435]. Diante das razões expostas, devem ser mantidos os valores das bases de cálculo utilizadas na apuração dos tributos ora exigidos. Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 24 23 Multa de ofício qualificada A Recorrente contesta a multa no percentual de 150% aplicada. Mas não lhe assiste razão, como se verá a seguir. Até 15 de junho de 2007, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que comina multas para o caso de lançamento de ofício, era a seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A redação atualmente vigente do mesmo artigo é a estabelecida pela Lei nº 11.488, de 2007, que entrou em vigor em 15/06/2007, mas sua substância não sofreu alterações, conforme se verifica pela transcrição abaixo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. De acordo com a norma supra, sendo lançadas de ofício diferenças de tributo ou contribuição não pagas, deverá ser aplicada em princípio a multa de 75%. Na hipótese de o fato ser, em tese, enquadrado numa das circunstâncias previstas nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, a infração é qualificada e o percentual da multa sobe para 150%. A Recorrente, em essência, alega que a exigência fiscal é improcedente, porque a multa qualificada somente pode ser imposta havendo conduta dolosa ou fraude, mas a autoridade lançadora não teria comprovado que tais circunstâncias ocorreram. Contudo, sua argumentação não se sustenta. A causa de qualificação está devidamente apontada no relatório de auditoria fiscal e alcança todo o lançamento. Senão, vejase: Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 25 24 A autoridade lançadora constatou que, nos anoscalendários fiscalizados (2006 e 2007), foram apurados créditos bancários em montante superior a R$ 12.000.000,00. Mas nada se ofereceu à tributação. Não se trata, pois, de mero descumprimento de obrigação acessória. Nem houve ato isolado, mas reiterado, o que afasta, de fato, a hipótese de erro. Tanto é assim que, nos anos seguintes (2008, 2009 e 2010), o montante movimentado ultrapassa R$ 20.000.000,00, mas, igualmente, nenhuma quantia foi declarada. Não obstante essa vultosa movimentação bancária, a Recorrente nem sequer possuía inscrição no CNPJ e, em 04/10/2007, entregou Declaração Anual de Isento. Notese também que não foram atendidas as intimações para apresentar os livros comerciais e fiscais com a devida escrituração das receitas auferidas. Acresçase que, apesar de reconhecer que sempre residiu em Belo Horizonte/MG, ela tinha, no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), endereço na cidade de Maringá/PR, mas em local inexistente, conforme constatado pela DRF Maringá (PR). E,mesmo intimado, não regularizou o seu cadastro, razão pela qual o seu domicílio foi alterado, de ofício, para Belo Horizonte. Em relação a tais fatos, a Recorrente apresenta meras alegações desacompanhadas de provas, tais como: Primeiramente, o endereço do contribuinte na cidade de Maringá/PR foi lançado no Cadastro de Pessoas Físicas CPF sem o seu consentimento. Conforme consta nos autos, o Sr. Ary César vendeu diversos veículos para várias cidades e certamente um de seus cliente, visando regularizar seu CPF perante a SRF/MF, transmitiu uma "Declaração de Isento", fornecendo para tanto, um endereço de Maringá/PR. E, ao contrário do que argumenta a Recorrente, a autoridade lançadora não presumiu o evidente intuito de fraude. As circunstâncias que legitimam e determinam a aplicação da multa qualificada estão, em verdade, materialmente comprovadas. Portanto, não se aplica ao presente caso a súmula CARF nº 25, com efeito vinculante em relação à administração tributária federal, segundo a qual: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. Ressaltese, a propósito, que não têm efeito vinculante em relação a esta instância julgadora nenhuma das demais decisões e súmulas, tanto judiciais como administrativas, citadas na impugnação. Por fim, convém registrar que não foram aqui admitidas como caracterizadas algumas das outras condutas imputadas à Recorrente pela autoridade lançadora, tais como se negar a regularizar sua situação cadastral e prestar informação falsa sobre seu patrimônio. Isso porque, primeiramente, a própria Recorrente é que procedeu a sua inscrição no CNPJ, ainda que somente após o início da ação fiscal. Em segundo lugar, a pessoa física informou sim possuir terreno e veículos, conforme termo de resposta a fls. 190/204. Mas, por óbvio, isso não modifica a conclusão, já exposta, de estarem muito bem caracterizadas as circunstâncias qualificativas da multa de ofício. Cumpre manter, por conseguinte, as multas de ofício qualificadas no percentual de 150%. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15504.721335/201122 Acórdão n.º 1401000.987 S1‐C4T1 Fl. 26 25 Conclusão Diante do exposto, afasto a preliminar de decadência e nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator. Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/12/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 18050.008724/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO-DE-INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições sociais, por parte do sujeito passivo regularmente intimado, enseja autuação por descumprimento de obrigação acessória (art.33, parágrafo 2( da Lei n( 8.212/91)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.852
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições sociais, por parte do sujeito passivo regularmente intimado, enseja autuação por descumprimento de obrigação acessória (art.33, parágrafo 2° da Lei n° 8.212/91) Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 87 24 /2 00 8- 37 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em desfavor do recorrente, em 31/10/2008, com ciência em 06/11/2008, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 06/07, a autuada, regularmente intimada através dos Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 24/25, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, fls.26/31 e Termo de Intimação Fiscal, fls. 33, não apresento diversos documentos e papéis que serviram de base para a escrituração dos Livros Razão e Diário, bem como o Livro Diário de 2004, apresentado não continha as formalidades extrínsecas, como a assinatura do contador, do empresário e o registro na junta comercial. Após a impugnação, Acórdão de fls. 39/41, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões expostas na peça de defesa, quanto a não ter apresentado os documentos solicitados porque foi vítima de uma enchente que atingiu seu arquivo morto, mas mesmo assim disponibilizou todos os seus arquivos magnéticos (Diário e Razão), que permitiram o desenvolver da auditoria, inclusive com o arrolamento de bens. Aduz que a falta de registro no livro Diário foi suprida pelo termo de autenticação assinado pelo contador e empresário, validando os registros contábeis entregues em meio magnético, o que inclusive trouxe maior comodidade à fiscalização. Por fim, requer o provimento do recurso e a improcedência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.008724/200837 Acórdão n.º 2302002.852 S2C3T2 Fl. 110 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. A recorrente foi autuada por ter apresentado o Livro Diário, sem as formalidades extrínsecas, no exercício de 2004, já que o mesmo não estava registrados no órgão competente, bem como deixou de apresentar documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis, conforme descrito no relatório fiscal da autuação, às fls. 06/07. Ao agir desta forma, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 233, parágrafo único, o que se considera documento deficiente: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, se faz necessária a apresentação dos documentos que embasaram os lançamentos contábeis a fim de serem analisados na auditoria fiscal, bem como é imprescindível o registro do Livro Diário na Junta comercial, o que lhe confere autenticidade e lhe permite fazer prova a favor do contribuinte. A alegação da recorrente de que apresentou declaração conferindo autenticidade ao Diário, não é capaz de suprir a disposição legal quanto ao registro dos livros contábeis no órgão competente. Também, não merece prosperar a alegação da recorrente de que não apresentou os documentos devido à enchente em seu estabelecimento, primeiro porque não houve qualquer comprovação do sucedido, e segundo porque a legislação determina que a sociedade empresária deve providenciar a confecção ou reedição de documentos extraviados ou inutilizados. O Código Civil/2002 dispõe, sem seu art. 1.194 que: “Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.” Quanto à escrituração e livros mercantis, o DecretoLei no 486, de 03/03/1969, estabelece em seu artigo 10 que, ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros ou documentos deve o comerciante providenciar a legalização de novos livros após publicar em jornal de grande circulação e informar, em 48 horas o órgão competente do Registro do Comércio, in verbis: “ Art 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interêsse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e dêste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.008724/200837 Acórdão n.º 2302002.852 S2C3T2 Fl. 111 5 Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo“(grifei) No mesmo sentido o art. 210 do Decreto 1.041/1994, revogado pelo Decreto 3.000/99 que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de qualquer natureza que, em seu Capítulo II – Escrituração do Contribuinte, Seção IV – Conservação de Livros e Comprovantes, dispõe : “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).” (destaques não constam do original) Constatase, pelos dispositivos acima transcritos que, ocorrendo extravio de livros ou documentos deve o comerciante providenciar a legalização de novos livros ou documentos, não podendo a sociedade empresária permanecer inerte, sem tomar providências, sob a alegação do caso fortuito. A inobservância deste preceito e falta de apresentação dos documentos solicitados violaram a norma contida no art. 33§§2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, sendo causa da lavratura do presente Auto de Infração. Irrelevante, portanto, a alegação da recorrente de que teria apresentado outros documentos e elementos que possibilitaram a fiscalização. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 É de se notar, por oportuno, que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, me reporto ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. O artigo 283, inciso II, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria MPS/MF n.º 77, de 11/03/2008, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11065.002193/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS .
A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.
Recurso Voluntário conhecido e não provido.
Numero da decisão: 3102-001.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Recurso Voluntário conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 21 93 /2 00 8- 61 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.002193/200861 Acórdão n.º 3102001.567 S3C1T2 Fl. 106 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1023.745 (fls. 9293), da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo à Cofins não cumulativa, ressarcindo o contribuinte até o limite do direito creditório reconhecido. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo da contribuição das receitas provenientes de transferências de ICMS.” Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre/RS, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório de fls. 69, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts.7°, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objeto de ressarcimento”. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) à inexistência da natureza de receita do resultado das operações de cessão de ICMS nascido de operação de exportação dotada de imunidade ou isenção; (ii) à aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e juros sobre os crédito de PIS e Cofins. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.002193/200861 Acórdão n.º 3102001.567 S3C1T2 Fl. 107 3 Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo o voto que foi discutido em sessão e referendado pela maioria dos presentes: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que concerne ao primeiro ponto abordado no recurso voluntário, quanto à natureza de receita do resultado das operações de transferência dos créditos do ICMS, o recorrente busca sustentar que este não se caracterizaria como receita, uma vez que consistiria em uma operação de mera mutação patrimonial, pela simples transferência a terceiros nas hipóteses legais. Cabe destacar, de início, que em relação ao ICMS, o art. 155, §2º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, dispõe que este não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Dando complementação a esse dispositivo constitucional, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, § 1°, II, permite que os saldos credores acumulados possam ser transferidos a outros contribuintes do mesmo estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Para o caso em tela, portanto, pela legislação do ICMS no Rio Grande do Sul, o saldo credor, poderá ser transferido para outro estabelecimento seu dentro do Estado do Rio Grande do Sul ou para outro contribuinte, também no interior desse. Desta forma, no que se refere à exclusão da receita oriunda desses créditos, a argumentação oferecida pelo recorrente, todavia, não se mostra suficiente para a alteração do entendimento dado pela instância a quo. Uma interpretação histórica da legislação relacionada à contribuição ao PIS e à Cofins demonstra claramente que a exclusão em referência só passou a ser possível a partir de janeiro de 2009, com a alteração promovida nas Leis n ºs 10.637/2002 e 10.833/2003 pela Lei n º 11.945/2009. Confirase: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.002193/200861 Acórdão n.º 3102001.567 S3C1T2 Fl. 108 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII (Vide Art. 8º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.002193/200861 Acórdão n.º 3102001.567 S3C1T2 Fl. 109 5 conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) (Grifos nossos)” Enfim, da leitura da legislação pertinente ao PIS e à Cofins, extraise que estas contribuições possuem como fato gerador o faturamento mensal, o qual pode ser entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, de forma a compreender a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a exceção das receitas a que a lei autoriza a exclusão. Outrossim, ainda que se pudesse aderir ao entendimento do contribuinte, estarseia a afrontar ao próprio princípio da legalidade, pois não obstante a alteração realizada pela Lei 11.945/2009, resultante da conversão em Lei da Medida Provisória 451/2009, que introduziu o inciso VI do §3º do artigo 1º da Lei 10.833/2003 e o inciso VII do §3º da Lei 10.637/2002, o próprio artigo 33 do aludido diploma legal realiza modulação dos efeitos destas modificações, condicionando sua eficácia para os fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, tal como se extrai do dispositivo abaixo: “Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: a) nos arts. 4o a 6o, 18, 23 e 24; b) no art. 15, relativamente ao inciso V do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e) no art. 19, relativamente aos §§ 11 e 12 do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; f) no art. 20, relativamente ao § 6o do art. 64 e ao § 8o do art. 65 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005 (…)”(grifos nossos) Por conseguinte, não é possível enquadrar o período de apuração da recorrente, que remete àquele de 01/07/2008 a 30/09/2008, no âmbito de vigência do referido dispositivo acima aludido, ao qual não foi conferido efeitos retroativos e, por logo, não prospera a pretensão do contribuinte, haja vista que o produto da cessão de créditos de ICMS não estão excluídos da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins antes de 1º de janeiro de 2009. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.002193/200861 Acórdão n.º 3102001.567 S3C1T2 Fl. 110 6 Prejudicado, ademais, o pedido referente à correção monetária, pois os créditos para os quais se pleiteou o ressarcimento não foram reconhecidos pela instância a quo ou por este Colegiado. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10805.901258/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte
Numero da decisão: 3302-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 12 58 /2 00 6- 17 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Campinas: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de crédito com origem em suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a interessada alegou que a Administração Fiscal fiouse apenas em confronto entre a DCOMP e a DCTF, deixando de examinar também as informações constantes da DIPJ e do DACON originais, que sustentariam o montante do crédito compensado. Afirma que o valor do débito ao qual foi vinculado o pagamento informado como origem do direito de crédito constante da DCTF original foi corrigido em DCTF retificadora. Documentos extraídos de sua contabilidade também sustentariam o crédito utilizado na declaração de compensação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10805.901258/200617 Acórdão n.º 3302002.081 S3C3T2 Fl. 167 3 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do sintético relatório reproduzido acima, a controvérsia tratada no presente processo versa sobre a existência dos créditos alegados pelo Recorrente tendo em vista que as informações constantes da DCTF originalmente transmitida alocavam a totalidade dos pagamentos efetuados. A Recorrente, por sua vez, advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF, DACON e DIPJ retificadoras, transmitidas em data posterior ao despacho decisório exarada pela DRF de Santo André. Entendo assistir razão ao Recorrente. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Santo André, que se limitou a analisar o balancete analítico juntado pela Recorrente e informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF . Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Veja que se indeferiu a solicitação apenas porque, antes do despacho decisório, não houve a retificação da declaração originalmente apresentada. Se esta tivesse ocorrido no momento que as autoridades julgadoras entendem por adequado, o crédito alegado pelo Recorrente teria sido analisado. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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