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Numero do processo: 10640.722325/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PROVA INDICIÁRIA.
O conjunto de indícios precisos, graves, harmônicos e que se convergem para o convencimento da autoridade julgadora constitui meio de prova idôneo para caracterizar o interesse comum e, conseqüentemente, aplicar a responsabilidade solidária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Uma vez comprovado que os sócios de fato da empresa fiscalizada não constam em seu quadro societário, e havendo a caracterização de confusão patrimonial entre o sujeito passivo solidário e a devedora principal, cabível a imputação da responsabilidade tributária por interesse comum, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada, por sucessivos exercícios, de omitir receitas tributáveis ao fisco federal, tendo apresentado declaração de inatividade, mas declarado as receitas ao fisco estadual, caracteriza conduta dolosa, razão pela qual correta a aplicação da multa qualificada de 150%.
MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo ao fisco aplicar a multa no percentual previsto na lei. O CARF, aliás, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 02.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Em razão da relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal.
Numero da decisão: 1201-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 21/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PROVA INDICIÁRIA. O conjunto de indícios precisos, graves, harmônicos e que se convergem para o convencimento da autoridade julgadora constitui meio de prova idôneo para caracterizar o interesse comum e, conseqüentemente, aplicar a responsabilidade solidária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Uma vez comprovado que os sócios de fato da empresa fiscalizada não constam em seu quadro societário, e havendo a caracterização de confusão patrimonial entre o sujeito passivo solidário e a devedora principal, cabível a imputação da responsabilidade tributária por interesse comum, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada, por sucessivos exercícios, de omitir receitas tributáveis ao fisco federal, tendo apresentado declaração de inatividade, mas declarado as receitas ao fisco estadual, caracteriza conduta dolosa, razão pela qual correta a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo ao fisco aplicar a multa no percentual previsto na lei. O CARF, aliás, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 02. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 23 25 /2 01 3- 98 Fl. 10262DF CARF MF 2 Em razão da relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 21/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 2/74) de IRPJ e Reflexos, lavrados em face da caracterização de omissão de receitas nos anos calendário de 2008 e 2009. Tendo em vista os fatos apurados, as exigências foram penalizadas com multa qualificada de 150% e foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva contra a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Segundo relatado no Relatório Fiscal que motivou os lançamentos (fls. 77/96): 1. Em 15/07/2011 o Delegado da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora expediu o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 06.1.04.002011005310 determinando a fiscalização do contribuinte Teixeiras Comércio de Café Ltda., referente ao IRPJ anoscalendário de 2007 a 2009. 2. O anocalendário de 2007 já foi objeto de fiscalização conforme processo n° 10640.723.667/201244, encerrado em 26/11/2012. [...] Fl. 10263DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 3 3 13. Pelas informações prestadas pelas instituições financeiras grandes soma de recursos monetários foram movimentados, como se demonstra abaixo, entretanto, repisese, a empresa declarouse INATIVA ANO VALOR CALENDÁRIO 2007 R$ 145.541.804,20 2008 R$ 152.999.422,62 2009 R$ 104.213.336,00 14. Em 01/09/2011, tendo decorrido o prazo fixado no edital de 15 (quinze) dias sem que tenha havido o comparecimento do fiscalizado considerouse feita a intimação. Em 29/09/2011, sem que a empresa tivesse apresentado os extratos bancários, solicitei ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora a emissão de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, para o Banco do Brasil S.A. e Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais, referentes ao anoscalendário de 2007 a 2009. [...] 19. Em 17/10/2011, estivemos na cidade de Teixeiras à rua Etelvina Rigueira n° 13 e constatamos que a empresa não se encontrava naquele endereço. 20. Segundo declaração do Sr. Álvaro Nogueira Floresta, coordenador do SIAT (Serviço Integrado de Assistência Tributária e Fiscal) da Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, da cidade de Teixeiras, MG, a empresa fiscalizada encerrou as atividades no final de 2009 e a contabilidade da empresa era executada na cidade de Manhuaçu, pelo contador João Carlos, conforme documento anexo). 21. Na cidade de Manhuaçu, estivemos no escritório de contabilidade do Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira onde lavramos Termo de Constatação Fiscal. Segundo o Sr. João Carlos ele não conhece os sócios da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda apesar de possuir uma procuração particular do Sr. Ezequiel para representálo junto às repartições públicas. Questionado sobre a procuração informou que foi o Sr. Eliézer Magalhães, corretor de café, o portador da documentação para a constituição da referida empresa. 22. Não obstante o Sr. João Carlos Kleimpaul negar conhecer o Sr Ezequiel a declaração de IRPF do "dito sócio" foi transmitida de seu escritório. Assim como as DlPJs da fiscalizada também o foram. Fl. 10264DF CARF MF 4 23. Constatamos também que o Sr. João Carlos Kleimpaul assina como testemunha na segunda, terceira e quarta alteração contratual da fiscalizada. [...] 32. Analisando a documentação enviada pelo SICOOB constatamos que os créditos na conta da fiscalizada através de TED foram emitidos por diversas pessoas jurídicas: NOBLE BRASIL LTDA., IND ALIM MARATA LTDA, STOCKLER COM E EXPORT, NICCHID SOBRINHO CAFÉ S.A, COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS VALE VERDE, RIO DOCE CAFÉ S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA, TANGARÁ IMPORTADORA E EXPORTADORA, TRISTÃO COMPANHIA DE COM. EXTERIOR, ETC. 33. As empresas acima identificadas foram intimadas a apresentar relação das notas fiscais de aquisição realizadas com a fiscalizada, informando a data e forma de pagamento e a pessoa de contato. As empresas apresentaram documentação comprobatória das compras e silenciaram quanto à pessoa com a qual se relacionavam. 34. Constatamos também que a fiscalizada declarou para a Receita Estadual as receitas anuais nos valores de R$164.987.612,51 em 2007, de R$ 116.983.657,11 em 2008 e de R$126.315.640,68, em 2009. 35. A fiscalizada não respondeu a intimação datada de 11/01/20012. 36. Verificamos também que nas notas fiscais de entradas/saídas emitidas pela fiscalizada constam que todo café comercializado ficou estocado na empresa Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/000382 na cidade de Matipó. Consta inclusive nas notas fiscais de produtor rural que o local de entrega é o da empresa depositária. 37. Em 16/04/2012, na cidade de Manuaçu, localizamos o Sr. Eliezer Magalhães Ferreira na empresa Percy Alves dos Santos, CNPJ 10.737.709/000128, cujo nome de fantasia é “Pastelaria do Kaleb”, local onde lavramos Termo de Constatação, documento anexo. 38. O Sr. Eliezer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco, como conferente de café, da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda., na cidade de Teixeiras, local onde trabalhava de terçafeira a quintafeira recebendo um salário e meio mais ajuda de custo. Ressaltou que na cidade de Teixeiras/MG não havia movimento de café, que era todo feito na cidade de Matipó/MG. Informou também, que assinou vários documentos bancários pois, segundo ele, na ausência do Sr. Heráclito Pacheco teria de assinar ordens bancárias e cheques. Disse não ter conhecimento de ser o procurador da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda perante as instituições financeiras Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Era visível o medo do Sr. Eliezer ao dar essas poucas e confusas declarações, só o fazendo após se afastar do local de trabalho. Fl. 10265DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 4 5 [...] 40. Também na cidade de Matipó tomamos a termo o depoimento do Sr. João Batista Gardingo, sócio da empresa Armazéns Gerais São João Ltda. 41. Segundo o Sr. João Batista Gardingo a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda utilizava o "Armazéns Gerais São João Ltda" para beneficiamento e armazenamento de seu café. Declarou também não se lembrar de nenhum nome de pessoas ligadas à empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. Informou ainda que o pagamento efetuado pela fiscalizada era feito através de cheque e/ou ordem de pagamento. 42. O depoimento do Sr. João Batista Gardingo foi dado no seguinte endereço Av. São João 106, na cidade de Matipó. No andar térreo deste endereço funciona o Supermercado São João (nome fantasia ) de sua propriedade. No andar superior estão os escritórios do sr. João Gardingo, os contábeis além de uma sala para classificação da qualidade do café e degustação. 43. Enquanto aguardávamos o depoente constatamos a presença de pessoas com amostras de café as quais eram examinadas no local. 44. Estivemos na Fazenda Santa Maria s/n, zona rural em Matipó endereço do Armazéns Gerais São João Ltda., por sinal é o mesmo endereço da Cafeeira São João também de propriedade do Sr. João Batista Gardingo 45. Verificamos que em grande parte das notas fiscais emitidas pela fiscalizada consta como transportadora a empresa "TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA", também de propriedade do Sr.João Gardingo. 46. Em 17/04/2012 intimamos a empresa "Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/000382" a apresentar as notas fiscais das operações de armazenamento e beneficiamento referentes às operações com a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda, os livros fiscais com os devidos lançamentos, a comprovação do recebimento dos serviços prestados e a forma de contato com o Sr. Heráclito Pacheco e com Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. 47. Na data 18/05/2012 o Sr. João Batista Gardingo altera a declaração anterior afirmando "que a forma usual utilizada para contato sempre foi através de LIGAÇÕES TELEFÔNICAS e FACSÍMILE, mas algumas vezes, o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira que se apresentou como "PROCURADOR" da empresa depositante compareceu pessoalmente às dependências dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA para retirar amostras de café, entregar ordens de serviço e comprovantes de pagamentos dos serviços faturados." Informa que "nunca manteve nenhuma tratativa com o Sr.Heráclito Pacheco. Apresentou apenas alguns comprovantes de recebimento das liquidações efetuadas pela empresa Teixeiras Fl. 10266DF CARF MF 6 Comércio de Café Ltda. em razão de não possuir todos os comprovantes uma vez que os depósitos bancários eram efetuados diretamente pela fiscalizada na conta do Armazéns". 48. Na documentação apresentada pela empresa Armazéns Gerais São João Ltda verificamos que a fiscalizada era a principal cliente do depósito. Verificamos inclusive, nos registros de entrada de n°s 002 e 003 (sem registro no órgão competente) que excluindo as notas fiscais aparentemente de retorno de mercadorias as demais referemse a Teixeiras Comércio de Café Ltda. [...] 51. Em 19/11/2012, na cidade de Manhaçu, localizamos o “sócio” – Sr. Fábio Barros da Silva na empresa Centro de Formação de Condutores Globo Ltda, exercendo a função de instrutor de trânsito desde fevereiro de 2009, local onde lavramos Termo de Cosntatação, documento anexo. Anteriormente trabalhou como operador de máquina na empresa “Gulozitos”. 52. O Sr. Fábio declarou não saber que era sócio da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda e que foi apenas contratado para trabalhar no escritório da referida empresa e que assinou documentos mas não chegou a exercer nenhuma atividade. 53. Também em 19/11/2012 localizamos o Sr. Antonio Carlos de Souza, na cidade de Manhuaçu, onde lavramos Termo de Cosntatação. O declarante prestou as seguintes informações: os contratos sociais da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. Foram assinados por ele a pedido do Sr. Heráclito Pacheco e não tem conhecimento do local onde funcionou a empresa. 54. Em 19/11/2012 no escritório de contabilidade à Rua Monsenhor Gonzalez tomamos a termo novo depoimento do Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira que declarou que o Sr. Heráclito foi cliente do escritório, mas o mesmo não tratou de assuntos referentes à Teixeiras Comércio de Café Ltda . 55. Nesta oportunidade retivemos "Recibos de Honorários", por serviços contábeis e fiscais prestados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira às empresas Teixeiras Comércio de Café Ltda e Gira Mundo Com. de Café. 56. Tais recibos de prestação de serviços contábeis e fiscais no momento da entrega aos Auditores Fiscais tiveram os números de telefones rasurados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira. 57. Em 28/11/2012 através do Ofício n° 388/2012/GAB/DRF/J FAMG foi solicitada a Polícia Federal perícia a fim de identificar os números de telefones rasurados. 58. Nos referidos "Recibos de Honorários" consta a rubrica "PG" em determinados valores e números de cheque. Analisando estes números de cheques constatamos que são de emissão da fiscalizada sacados em sua conta bancária no SICCOB. Fl. 10267DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 5 7 59. Intimamos em 13/12/2012 a Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais SICCOB a apresentar cópias destes cheques referentes a conta n° 55.2569. 60. Os cheques de números 14675 e 20798 nos valores respectivamente de R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00, são nominais ao contador Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira. II. DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS: 61. Durante os trabalhos de fiscalização desenvolvidos junto ao contribuinte, diversas situações nos apresentaram, conforme passamos a expor: 62. Segundo declarações do funcionário da Secretaria Estadual e do "procurador" Sr. Eliézer Magalhães Ferreira a empresa teve sede na cidade de Teixeiras. 63. O Sr. Eliézer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco na função de conferente de café da empresa Teixeira Comércio de Café Ltda, em Teixeiras/MG, não obstante, toda a movimentação de café ser feita na cidade de Matipó. 64. Essa situação fica evidenciada visto que todas as notas fiscais de entradas e saídas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, constam que o café dava entrada diretamente no Armazéns Gerais São João Ltda., na cidade de Matipó, fato confirmado pelo senhor João Batista Gardingo, sócio do Armazéns Gerais São João Ltda, ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. [...] 67. Na Fazenda Santa Maria endereço do Armazéns G. São João Ltda funciona também a empresa Cafeeira São João Ltda cujo sócio responsável é o Sr. João Batista Gardingo. Observa se que o café comercializado pela Cafeeira não transita pelos Armazéns São João Ltda. Alias esta empresa apresentou declarações incompatíveis com quem exerce a atividade cafeeira No ano calendário de 2007 a receita declarada é menor que R$ 40.000,00 anuais, enquanto nos anos calendário de 2009 e 2011 apresentou declarações pelo lucro presumido ZERADAS e nos anos calendário de 2008 e 2010 encontrase OMISSA. 68. O transporte do café comercializado pela Teixeiras era, em sua grande maioria, feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA, também de propriedade do Sr.João Gardingo, conforme comprovam as notas fiscais emitidas. 69. Estranhamente o Sr. João Batista Gardingo declarou inicialmente não se lembrar do nome de nenhuma pessoa ligada à Teixeiras Comércio de Café Ltda., conforme Termo de Constatação lavrado em 16/04/2012, muito embora tenha sido a principal cliente da empresa Armazéns Gerais São João Ltda Fl. 10268DF CARF MF 8 (estocagem e beneficiamento) e o transporte realizado por outra empresa do mesmo grupo. 70. Posteriormente, em 18/05/2012, o Sr. João Batista Gardingo declara que o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira compareceu pessoalmente às dependências dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Informa também que nunca manteve nenhuma tratativa com o Sr.Heráclito Pacheco 71. Segundo documentação advinda de outra ação fiscal em posse da Receita Federal o Sr. João Batista Gardingo e o Sr. Heráclito Pacheco não só se conheciam como tinham relações comerciais É o que se depreende dos esclarecimentos prestados pelo suposto sócioadministrador da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO que vinculou o funcionamento desta empresa com o Sr. HERACLITO PACHECO e o GRUPO GARDINGO: "Há alguns anos atrás o Sr, SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA foi contactado pelo Sr. HERACLITO PACHECO, para que seu nome fosse utilizado como sócio de uma empresa. Em consideração ao Sr. HERACLITO PACHECO ele emprestou o seu nome como sócio gerente da empresa Comercial Agrícola Carvalho. Nessa empresa ele apenas emprestava o nome como "laranja", não exercendo a administração de fato. Ele afirma não ter ganhado nada para entrar como laranja da empresa. Ele apenas entrou em consideração ao Sr.HERACLITO PACHECO. (..) Ele sabe que o Sr. HERÁCLITO PACHECO tem um relacionamento próximo com o Sr. JOÃO GARDINGO e com os irmãos GARDINGO. 72. A Receita Bruta declarada pela Teixeiras Comércio de Café Ltda. ao fisco estadual em 2007 foi de R$164.987.612,51, em 2008 de R$ 116.983.657,11 e 2009 de R$126.315.640,68. 73. A movimentação financeira em 2007 foi de R$145.541.804,20, em 2008 de R$152.999.422,62 e em 2009 de R$ 104.213.336,00. 74. As declarações do contador da fiscalizada demonstram seu total comprometimento com o esquema de sonegação da qual é parte, quiçá um dos mentores. 75. Segundo o contador da empresa Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira quem o contratou foi o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. Disse não conhecer os sócios mas foi testemunha nas alterações contratuais da empresa e a declaração do dito "sócio" foi transmitida de seu escritório. 76. O Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira afirma também não ter recebido honorários quando, na verdade, localizamos cheques nominais a ele mencionados, inclusive, nos referidos recibos. 77. Os "sócios" localizados pelo fisco, constantes do contrato social e alterações, não sabiam de sua participação societária e não exerceram nenhuma atividade na empresa, e principalmente, não possuíam condições econômicofinanceiras, como fica evidenciado pelas funções realmente exercidas por eles, bem como pela remuneração percebida. Fl. 10269DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 6 9 78. Fica evidente a intenção do contador Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira de ocultar a ligação da fiscalizada com a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA ao rasurar no momento da entrega o número do telefone do ARMAZÉNS constante do recibo de honorários isso sem citar as declarações carentes de fidedignidade. [...] 82. O contribuinte não efetuou nenhum recolhimento a título de tributo/contribuição nos últimos 05 anos. 83. O contribuinte não apresentou nenhuma DCTF. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS Tendo em vista os fatos apurados e narrados neste Termo indicamos como sujeito passivo solidário a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ n° 22.394.696/000382, cujo responsável é o Sr. João Batista Gardingo 84. Um fato relevante é a comprovação de que os sócios constantes do contrato social e alterações posteriores, não sabiam que eram sócios e não exerceram nenhuma atividade na empresa, são conhecidos no jargão popular como "testade ferro" ou "laranjas". A empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda tem em seu quadro societário pessoas que não possuem capacidade econômicafinanceira e padrão de vida totalmente incompatíveis com a propriedade, de fato, de uma empresa com a movimentação financeira superior a R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinqüenta milhões de reais ) no período de 2007 a 2009. 85. Não possui estrutura física condizente com a atividade que exerceu, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café, NECESSIDADE ESTA SUPRIDA PELA EMPRESA ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. 86. O café adquirido pela fiscalizada em sua maior parte tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) 87. Estranhase o fato das empresas adquirentes (grandes empresas) não identificarem o representante da fiscalizada com o qual relacionavam, considerando o volume das operações efetuadas. 88. Outro fato relevante é que em todas as notas fiscais de entrada e vendas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, indica como local de entrada e saída das mercadorias o estabelecimento Armazéns Gerais São João Ltda. ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. O transporte do café em sua Fl. 10270DF CARF MF 10 maioria foi feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA" também de propriedade do Sr.João Gardingo. [...] 94. Fica evidente que este procedimento vem se repetindo : Depois da ação fiscal na COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO a movimentação passou para TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. que desde novembro de 2009 está inativa. Em agosto de 2009 é constituída outra empresa a GIRA MUNDO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA atualmente em fiscalização. 95. Em geral, essas empresas apresentam algumas características em comum. A saber: · não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; · os endereços que fornecem como sendo o de sua sede não passam de simples "portas de garagem" · seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal; · incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, normalmente acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação o fazem de forma fraudulenta muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas constituídas com um duplo objetivo: não pagar os tributos devidos e de ocultar os verdadeiros donos, beneficiando diretamente as grandes empresas do ramo cafeeiro. Portanto, tendo restado caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), na autuação efetuada na empresa TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, constará ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 22.394.696/000382 como sujeito passivo solidário. [...] Com a ciência das autuações apenas o sujeito passivo solidário apresentou impugnação (fls. 2.290/2.310). Argumenta, em resumo: (i) que a imputação da responsabilidade solidária não é cabível em face da ausência de motivação e de "interesse comum"; Fl. 10271DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 7 11 (ii) que a cobrança formulada está fundada em meras presunções, não tendo o fisco demonstrado o vínculo da solidariedade nessa situação particular; (iii) que possuía apenas relação comercial com a empresa Teixeiras; e (iv) que as milhares de notas fiscais juntadas comprovam a prestação de serviços para várias outras empresas, além da Teixeiras. Subsidiariamente, pede que a multa qualificada seja afastada em face da ausência de dolo e por ensejar confisco. Em sessão de 30 de setembro de 2013, a Delegacia de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação do responsável solidário, com a manutenção integral dos montantes lançados. A ementa da decisão de piso (cf. fls. 2558/2573) foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas outra pessoa jurídica que dela se utilizara como meio de fugir da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário, a empresa beneficiada, nos termos do art. 124, I, do CTN. PRECLUSÃO. O não questionamento pela contribuinte, no prazo legal, de matéria, leva à consolidação administrativa desta parte, tornando preclusa a matéria na esfera administrativa. Com a ciência da decisão, o sujeito passivo solidário interpôs recurso voluntário “incompleto” (fls. 3713/3731) muito provavelmente por erro de digitalização, que parece ter interrompido a sequência de folhas , acrescido de milhares de notas fiscais. Tal fato levou a este Conselho emitir Resolução (fls. 10216/10228), determinando a baixa em diligência para saneamento. Tal providência foi acatada, tendo sido nova minuta do recurso voluntário anexada às fls. 10232/10252 para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 10272DF CARF MF 12 Encontramse presentes no recurso voluntário os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido e apreciado. Fundamento legal da responsabilidade solidária Primeiramente, convém frisar que, embora a fiscalização não tenha indicado expressamente o inciso I do artigo 124 quando da conclusão do item destinado a fundamentar a sujeição passiva solidária, em diversas passagens o relatório deixa claro que ela incluiu a Recorrente no pólo passivo em face de caracterizar o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, como prescreve tal dispositivo. A própria Recorrente, aliás, bem assim compreendeu, afinal teceu várias considerações que, no seu entender, afastariam essa caracterização. Não há razão à Recorrente, portanto, quanto à alegação de que o fisco não motivou adequadamente o fundamento legal. Contexto da fiscalização Em relação ao mérito da procedência ou não da responsabilidade solidária nesse caso concreto, é importante ter em mente a cronologia dos fatos já fiscalizados e que ensejaram a solidariedade da Recorrente. A empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., ora Recorrente, tem como sócios (vide fls. 2.315 e seguintes) os Senhores João Batista Gardingo, administrador, Sebastião Gardingo e Antonio Fabio Gardingo, pessoas que pertencem ao “Grupo Gardingo”. Com base nas informações constantes do presente processo, foi possível verificar que a Recorrente foi incluída como solidária ao menos em 5 (cinco) Autos de Infração, autuações estas que possuem muita semelhante com o caso ora analisado. Em linhas gerais, o Armazém teria sido contratado por empresas constituídas por “laranjas”, que possuíram pouca duração (as empresas eram encerradas em até dois ou três anos após sua constituição) e sonegavam tributos federais. Mais precisamente, a Recorrente foi incluída nos Autos de Infração que geraram os seguintes processos administrativos: 1) 10630.720364/200811 (devedor principal: Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Anos calendários de 2003 e 2004); 2) 10630.720851/200956 (devedor principal: Comercial Ponto Forte Ltda. – Anos calendários de 2005 e 2006); 3) 10640.723667/201244 – (devedor principal: Teixeiras Comércio de Café Ltda. – ME – Ano calendário de 2007); 4) 10640.722325/201398 – (devedor principal: Teixeiras Comércio de Café Ltda. – ME – Anos calendários de 2008 e 2009); e Fl. 10273DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 8 13 5) 10640.720128/201415 – (devedor principal: Gira Mundo Comércio e Exportação Ltda. – Anos calendários de 2009, 2010 e 2011). Precedentes Dois desses 5 (cinco) processos já foram julgados e serão objeto de alguns esclarecimentos a seguir expostos. Dos outros três, dois deles (incluindo o presente) foram encaminhados para a minha relatoria. 1) Processo nº 10630.720364/200811 (devedor principal: Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Anos calendários de 2003 e 2004) Por unanimidade de votos, o recurso da Recorrente foi negado, uma vez que os Conselheiros Julgadores entenderam correta a atribuição de responsabilidade solidária, merecendo destaques as seguintes passagens do voto condutor: “[...] Nesse contexto, destacase que há no processo elementos probantes da responsabilidade dos impugnantes. Tanto que a fiscalização entendeu que as condutas do responsável caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990. Em diversos itens do Relatório de Auditoria Fiscal é comprovada a participação dos defendentes (sócios da empresas: Armazéns Gerais São João, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda. E Cafeeira São João Ltda.) nos negócios desenvolvidos pela Comercial Agrícola Carvalho, como reais donos dos recursos financeiros transitados na conta da fiscalizada perante as instituições bancárias (Bradesco/Agência Realeza e Banco do Brasil), durante o período fiscalizado. O procurador da autuada, detentor de plenos poderes de administração, era pessoa de confiança do grupo Gardingo, realizando serviços bancários para a empresa Armazéns Gerais São João, e seus donos. Além disso, os responsabilizados, João Batista Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo foram beneficiários de várias transferências bancárias feitas pela fiscalizada, para suas contas pessoais. Destacamse, abaixo, os itens daquele Relatório: [...] As robustas provas dos autos comprovam que os impugnantes valeramse de um expediente conhecido na linguagem coloquial como “utilização de laranjas” ou interposição de pessoas. Nas folhas 48/69 consta o relato da fiscalização, bem como a indicação das provas coletadas pela fiscalização. O objetivo deste tipo de expediente é sempre o de excluir a figura do responsável no caso de sistemática sonegação fiscal. O Fl. 10274DF CARF MF 14 expediente de sonegação fiscal está comprovado por se tratarem de ocultação de receita recebida, combinada com a falta de recolhimento dos tributos devidos, no que não se admite a forma culposa, mas, sim, a presença do dolo. [...] A documentação juntada aos autos evidencia que a situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados consubstanciou se nos negócios realizados pela Comercial Agrícola Carvalho Ltda., com a participação direta ou indireta dos defendentes arrolados como contribuintes solidários. Conforme bem observado pelos fiscais autuantes: “sem a participação do GRUPO GARDINGO, a fiscalizada e seus supostos sócios não teriam condições de garantir o pagamento aos produtores de café e nem de realizar a grande quantidade de operações de compra e venda de café. Os supostos sócios não tinham o mínimo conhecimento das operações da empresa, mas mesmo assim a empresa em seu nome faturou mais de R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais) em 2003 e 2004”. [...] Assim, não resta dúvida que a responsabilidade pelo total dos créditos tributários é devida pelos responsáveis apontados, haja vista, que a empresa em questão era constituída por “laranjas” e os verdadeiros donos eram as pessoas (físicas e jurídicas) apontadas pela fiscalização. (Acórdão nº 1103.000.449). 2) 10630.720851/200956 (devedor principal: Comercial Ponto Forte Ltda. – Anos calendários de 2005 e 2006) Neste caso, o recurso apresentado pela empresa Armazéns Gerais São João foi julgado procedente por maioria de votos, afastando a solidariedade da Recorrente. Não obstante, para o deslinde da questão ora discutida, vale transcrever alguns trechos do voto vencido do relator (Acórdão nº 1401001.181): “[...] Com base nos elementos constantes dos autos, o colegiado julgador a quo considerou amplamente comprovado que a pessoa jurídica autuada (Comercial Agrícola Ponto Forte), na realidade, foi constituída com o único propósito de omitir receitas tributáveis auferidas por diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas ao Grupo Gardingo. [... Concordo inteiramente com as conclusões do acórdão de piso no tocante à responsabilidade solidária das pessoas jurídicas arroladas e também das pessoas físicas que eram sócios administradores do grupo Gardingo. [...]”. Fl. 10275DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 9 15 O voto vencedor, porém, divergiu desse entendimento, sob a alegação de que a autuação não teria apresentado motivação adequada para aplicar a solidariedade. Vejamse algumas passagens do voto: “[...] Observase que o auto de infração, após minucioso trabalho de fiscalização da autoridade fazendária, inclui como sujeitos passivos 14 pessoas, naturais e jurídicas, sem ao menos individualizar os motivos, ou apontar os fatos que ensejam a responsabilidade de cada um deles quanto ao crédito tributário lançado. Não se pode fazer responsabilização por atacado, devendo cada um dos responsáveis tributários pelo crédito apurado, de modo que somente é possível verificar um extenso rol de pessoas, cujos nomes surgiram, de alguma forma, no curso da fiscalização. [...]” Solidariedade por interesse comum – considerações gerais O que se discute no presente caso, conforme visto, é a aplicação ou não da responsabilidade solidária da Recorrente por interesse comum, na linha do que predica o artigo 124, I, do CTN, verbis: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Notase, a partir desse dispositivo legal, que a solidariedade quanto à obrigação tributária principal é regida por uma norma própria que tem no núcleo de seu antecedente a existência de interesse comum das partes na situação jurídica que corresponde ao fato gerador tributário. Tendo isso em vista, a análise da procedência ou não do Termo de Sujeição Passiva Solidária depende da precisa delimitação do sentido jurídico da expressão “interesse comum”. Isto é importante porque o referido instituto jurídico não raramente é utilizado no “modo piloto automático” e como forma de buscar exercer um subjetivo “bom senso”, atropelando seus limites normativos. E como se verifica, a solidariedade foi tratada no Código Tributário Nacional de forma autônoma, ou seja, segregada do capítulo da responsabilidade tributária. No âmbito da responsabilidade tributária, terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação. Já a responsabilidade solidária, fundamentada no artigo 124, I, do CTN, não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária. Pelo contrário, a norma construída a partir do dispositivo legal em questão se dirige às pessoas que efetivamente participam do nascimento da obrigação de cunho tributário. Fl. 10276DF CARF MF 16 Não custa lembrar que a redação do inciso I do artigo 124 é clara ao prescrever serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É indispensável, portanto, para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, I, que as pessoas solidárias tenham participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Essa afirmação inclusive está em sintonia com o Código Civil, que estabelece que há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor ou mais de um devedor, cada um com direito à dívida toda ou obrigação em relação a ela (artigo 264). As partes coobrigadas, contudo, devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). Nesse sentido ensina Misabel Abreu Machado Derzi: A solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. [...]. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. (in BALEEIRO, ALIOMAR. Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense. 11ª edição. P. 729). A fim de clarear mais a questão, é interessante verificar como a doutrina e a jurisprudência têm contornado a noção de indivisibilidade da obrigação tributária solidária. Nesses termos, dizse que a obrigação tributária é indivisível (ou solidária), quando duas ou mais pessoas ocupam, em razão do mesmo fato e ao mesmo tempo, a condição de contribuinte. Segundo leciona Paulo de Barros Carvalho: Fl. 10277DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 10 17 "o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. 8ª ed. 1996. P. 220). Após citar esse mesmo trecho doutrinário, o STJ já assinalou que: [...] em matéria tributária, a presunção de solidariedade opera inversamente àquela do direito civil, no sentido de que sempre que, numa mesma relação jurídica, houver duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (STJ, REsp nº 859.616 – RS, Relator Min. Luiz Fux, publicado em 15/10/2007 destacado) Nesse sentido também já se pronunciou o CARF: A autoridade fiscal ao autuar com fundamento nesse artigo está identificando uma relação obrigacional tributária que vincula o ente tributante, como sujeito ativo, e dois ou mais sujeitos, como sujeitos passivos solidários. Quando isso acontece o sujeito passivo é integrante da relação jurídicotributária desde o seu nascimento, ou seja, a obrigação já nasce apresentando dois ou mais sujeitos passivos igualmente responsáveis pelo adimplemento da obrigação. A vinculação do sujeito passivo ao ente tributante pode se dar nos termos do inciso I ou II. Se a solidariedade decorre do inciso I do art 124, os sujeitos figuram no polo passivo da obrigacã̧o tributária como devedores originários (contribuintes), pois possuem relação pessoal e direta com o fato gerador. (Acórdão nº 2201002.393. Sessão de 13/05/2014). Fl. 10278DF CARF MF 18 A responsabilidade solidária, pois, constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. É imprescindível existir, para que seja imputada a responsabilidade solidária, a participação efetiva do sujeito qualificado como solidário na ocorrência do fato gerador. Há diversas decisões no CARF nesse sentido. A título ilustrativo, transcrevo a ementa e o trecho do voto de dois julgados: SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A solidariedade tributária prevista no art. 124, I do CTN se justifica quando as partes realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, caracterizando interesse comum. A simples existência de interesse econômico das partes em determinada situação não caracteriza o interesse comum para fins da solidariedade tributária prevista no art. 124, I do CTN, pois as partes podem estar interessadas economicamente no fato, mas em posições divergentes. (Acórdão 2201002.39. Sessão de 13/05/2014). "A partir daí, temos que, para a materialização da solidariedade tributária com escopo no artigo 124, I, do CTN, é preciso existir interesse comum entre os obrigados solidários. (...) Também importa ressaltar que, esse interesse comum deve ser entendido como um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. Em suma, esse interesse comum, entendido como interesse jurídico, se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo polo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. (...) Nesse contexto, o interesse financeiro de um terceiro em relação à prática de um fato gerador tributário por parte da pessoa jurídica não faz dele um obrigado solidário pelos tributos. A prática de atos jurídicos que são também fatos geradores de tributos interessam apenas economicamente aos sócios administradores das pessoas jurídicas e, não havendo interesse Fl. 10279DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 11 19 jurídico, não deve haver a imputação de responsabilidade solidária". (Acórdão 1402001.351. Sessão de 09/04/13). Nessa linha de raciocínio, forçoso concluir que o interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. O ônus da prova acerca do interesse comum é do fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, que determina que compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Compete à fiscalização, portanto, a tarefa de reunir elementos probatórios acerca do interesse comum, podendo se valer, no cumprimento deste ônus, de todos os meios de prova admitidos no Direito. Os julgados do CARF abaixo caminharam nesse mesmo sentido. Vejase: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. (Acórdão nº 1102001.086. Sessão de 09/04/2014). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LAVANDERIA ÁGUA PURA . Nada impede que o mesmo espaço seja utilizado por mais de uma pessoa jurídica para desenvolver a mesma atividade. Basta que haja devido controle das atividades praticadas por uma e outra, sob pena de confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial. É o que se dá no caso vertente. Presença de interesse comum entre a contribuinte e a Lavanderia Água Pura Ltda. (que possui os mesmos sócios), na situação que constitui fato gerador dos tributos. Responsabilização solidária imposta que não merece reparos (Acórdão 110300.188. DOU 18/05/2010). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOGERENTE. Evidenciada infração de lei, o administrador da sociedade Fl. 10280DF CARF MF 20 responde com seu patrimônio pessoal pelo crédito tributário, solidariamente com a contribuinte. SÓCIAS PESSOA JURÍDICA. Incapazes de exercer gerência, as pessoas jurídicas sócias da contribuinte somente podem ser responsabilizadas se demonstrada confusão patrimonial hábil a caracterizar interesse comum na situação que constitui o fato gerador. (Acórdão nº 1302001.841. Data de publicação: 15/04/2016). SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, implicando a imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. (Acórdão nº 1402002.257. DOU 22/08/2016) Destacamse dessas decisões, ademais, a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Nestes termos, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito provado. Assim dispõe o artigo 50 do Código Civil: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Como o próprio nome revela, confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. De acordo com Luiz Carlos de Andrade Júnior: “a confusão patrimonial caracterizase pela impossibilidade de distinguir se o uso e a disposição de determinados bens dãose pela sociedade ou pelos seus membros; ou, melhor dizendo, se o patrimônio é empregado de modo a satisfazer interesses de uma ou de outros. Configurase, por exemplo, quando a sociedade utiliza imóveis pertencentes aos sócios, emprega veículos destes para o desempenho de suas atividades operacionais ou paga Fl. 10281DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 12 21 suas contas pessoais. A confusão patrimonial pode, ademais, relacionarse a uma situação de controle, especialmente nos grupos econômicos de subordinação, em que as sociedades controladas perdem grande parte de sua autonomia de gestão empresarial em razão da atuação “soberana” da sociedade holding”. (A simulação no direito civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 209) A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: a capacidade dos sócios; a coincidência de administradores e/ou procuradores; gestão única do negócio; semelhança de atividades; identidade de endereço; empregados comuns; estrutura operacional dependente; incapacidade econômica; benefício financeiro; e impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de provar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, consequentemente, da responsabilidade solidária. Delineadas as premissas para a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I do CTN, passo, adiante, a analisar o caso concreto. Da análise de “interesse comum” no caso concreto A partir das constatações fiscais e demais documentos anexados aos autos, restaram evidenciados, dentre outros fatos, que: (i) a empresa fiscalizada (devedora principal) não possui endereço próprio; não tem telefone; não tem endereço eletrônico; não apresentou DCTF no período autuado e declarou estar inativa, mesmo tendo declarado ao fisco estadual o faturamento no período da ordem de R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais); Fl. 10282DF CARF MF 22 (ii) os sócios constantes do Contrato Social da fiscalizada (devedora principal) não exerceram nenhuma atividade habitual na empresa compatível com esta qualificação, trabalhavam em local distante e não possuem capacidade econômica técnica e financeira compatível com os referidos recursos movimentados, figurando na estrutura como verdadeiros “laranjas”; (iii) o contador da fiscalizada teve a intenção de esconder o verdadeiro cliente, afirmando, inicialmente, que desconhecia os sócios da empresa fiscalizada, mesmo tendo sido comprovada a prestação de serviços e ter assinado algumas vias do Contrato Social como testemunha. Em momento posterior, afirma conhecer o Sr. Ezequiel (um dos supostos sócios e também procurador junto às instituições financeiras Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais – SICCOB e Banco do Brasil) e que realmente lhe prestou alguns serviços, como a elaboração da declaração de imposto de renda. Declarou, ainda, que o Sr. Heráclito teria sido seu cliente. Nesta ocasião, foram retidos “recibos de honorários” por serviços prestados à empresa fiscalizada. No momento da entrega de tais recibos, eles foram rasurados pelo contador, sendo que, após perícia da Polícia Federal, foi verificado que a rasura teria encoberto o número de telefone da Recorrente e os pagamentos ocorreram por cheques emitidos em nome da fiscalizada; (iv) o Sr. Eliezer, após ter sido encontrado, declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco, pessoa de confiança do Sr. João Gardingo. Disse também que assinou vários documentos bancários quando o Sr. Heráclito estava ausente e desconhecia que figurava como procurador ou sócio; (v) O Sr. Fábio da Silva (outro suposto sócio), cunhado do Sr. Eliezer, declarou que nunca soube deste cargo; (vi) o Sr. Antônio Carlos de Souza (que também teria figurado como “sócio”) também declarou desconhecer esta informação e que assinou alguns documentos a pedido do Sr. Heráclito; (vii) o Sr. João Gardingo declarou inicialmente não se lembrar de nenhum nome de pessoas da fiscalizada, muito embora tenha sido seu “principal cliente” à época dos fatos. Em momento posterior, porém, afirma que tratou esporadicamente com o Sr. Eliezer por telefone e facsímile; (viii) as notas fiscais de entradas/saídas emitidas pela fiscalizada indicam que o beneficiamento e a comercialização do café sempre ocorreu na sede da Recorrente; (ix) o endereço da Recorrente é o mesmo de outra empresa que comercializaria café, também de propriedade do "grupo Gardingo", a Cafeeira São João. O café desta empresa, porém, não transitou pelos Armazéns São João Ltda, sendo que o contribuinte declarou receita, em 2007, em montante inferior a R$40.000,00 (quarenta mil reais), enquanto nos anos de 2009 e 2011 apresentou renda zerada e nos anos de 2008 e 2010 sequer apresentou declaração de IRPJ. Não consta, aliás, registro de empregados naquele empresa do grupo Gardingo; (x) todo o transporte do café foi feito pela “Transportadora Gaivota Ltda.”, também de propriedade do Sr. João Gardingo; e (xi) o contato indicado nas fichas cadastrais das instituições financeiras era do ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. (Recorrente), inexistindo nome e endereço de pessoas vinculadas nos Contratos Sociais da empresa fiscalizada. Fl. 10283DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 13 23 Todos esses elementos levaram as autoridades julgadoras de primeira instância a chegarem a seguinte conclusão: “Dessa forma, observase que há um modo operante recorrente, ou seja, criase uma empresa por interposta pessoas, não se paga nada, e em seguida se abre outra, fechando a anterior. Todas estas empresas transacionavam com a ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., pois, na realidade, não passavam de empresas de fachada da própria. [...] Assim, não resta dúvida que a responsabilidade solidária pelo total dos créditos tributários é da ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. apenas para esta não pagar os tributos.” Como se nota, a fiscalização e a decisão de piso concluíram que a Recorrente participou ativamente na estrutura que gerou o não recolhimento dos tributos federais sobre as receitas auferidas com a venda de café que foi beneficiado e estocado na sua sede. A meu ver tal conclusão foi embasada em uma fiscalização digna de aplausos e que conseguiu reunir diversos indícios que, uma vez analisados em conjunto, são capazes de provar o acerto quanto à aplicação da responsabilidade solidária em relação à Recorrente. Os elementos probatórios produzidos pelo fisco, ao contrário do quanto alega a Recorrente, não constituem meras presunções simples incapazes de fazer prova. Pelo contrário, foram apurados diversos indícios contundentes que, somados, permitem ao presente Julgador criar uma convicção segura de que a Recorrente participou ativamente na venda do café cujas receitas foram sonegadas. Segundo Fabiana Del Padre Tomé: É corrente a distinção entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador: seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Só haverá certeza sobre a veracidade ou não de um fato, porém, se sua ocorrência for necessária ou impossível. Em todas as demais hipóteses, estaremos sempre diante de meras probabilidades, cuja força varia conforme o número de indícios favoráveis e contrários, firmandose, em nome da segurança jurídica, uma “certeza no direito”. A decisão do julgador é que determinará se ocorreu ou não determinado fato e essa será a verdade jurídica. Por tal razão, conclui Francesco Carnelutti que a certeza é também alcançada pelas presunções estabelecidas a partir de indícios: “se com certeza se designa a satisfação do juiz acerca do grau de verossimilitude, não cabe negar que se obtém inclusive com as fontes de presunção, posto que, se não a obtivesse, não poderia jamais considerar provado o juiz um fato por meio de presunções”; Até mesmo porque, como vimos em tópicos antecedentes, toda prova é indiciária, levando ao estabelecimento da verdade por meio de raciocínio Fl. 10284DF CARF MF 24 presuntivo. (A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses. 2005. P. 138) Com efeito, nos casos que envolvem dolo, fraude ou simulação, a constituição de prova é tarefa complexa e de árdua produção, afinal as partes buscam intencionalmente esconder a verdadeira causa e finalidade do seu comportamento negocial. É justamente em cenários como o presente que devemos nos socorrer às provas ditas indiretas, figuras estas que, aliás, são admitidas no ordenamento jurídico como meio probatório hábil e idôneo e que cada vez mais ganham espaço no direito tributário brasileiro. A meu ver não é mais possível negar que a comprovação de situações que envolvem empresas interpostas e/ou sócios “laranjas”, por exemplo, onde o que se busca é justamente a ocultação da verdadeira parte ou operação, requer e prescinde da utilização de indícios e presunções, que são provas admitidas no Direito. Sobre o tema, precisas são as palavras de Fábio Piovesan Bozza: Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir de indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso, o quadro de indícios deve ser: · preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; · grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão. · harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. O que precisa ficar claro, nesse contexto, é que apenas a conjugação de indícios coerentes, precisos e que se convergem para uma presunção que gere confiança para o convencimento é que caracteriza a prova em favor do fisco. (Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. 2015. P. 191/193) Nesse sentido também caminha a jurisprudência administrativa deste E. Conselho, conforme atestam as ementas abaixo: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. (Acórdão nº 10423.293. DOU 30/10/2008). Fl. 10285DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 14 25 PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos em resta patente a interposição de pessoa jurídica inexistente de fato. (Acórdão nº 10709.175. DOU 18/02/2009) ÔNUS DA PROVA INDÍCIOS CONVERGENTES O encargo de trazer prova aos autos é do contribuinte quando o Fisco reúne vários fatos conhecidos que representam indícios, os quais, reunidos e coordenados por processo lógico, resultam no fato até então desconhecido e considerado como omissão de receitas. (Acórdão nº 10807.991. DOU 01/12/2014) Nesse estado de coisas, entendo que, diante do conjunto de indícios colhidos nas fiscalizações que ensejaram a responsabilidade solidária da Recorrente, nenhum reparo cabe à decisão recorrida. Senão, vejamos: Os sócios das empresas fiscalizadas foram contratados por pessoa de confiança do grupo Gardingo, mais precisamente com o aval do sócio administrador da Recorrente. Foi demonstrado que são pessoas humildes que jamais demonstraram possuir capacidade técnica para ocupar tal posição, ou seja, verdadeiros “laranjas”. Há identidade quanto ao contador responsável pelas “empresas” fiscalizadas, que notoriamente buscou esconder o sócio de fato. O próprio recibo de honorários, pago em nome da empresa pela fiscalizada, indica o número de telefone da Recorrente. Também o contador tentou esconder esta informação, mas a perícia da Polícia Federal conseguiu apurar tal fato. Todos os fornecedores da devedora principal, mesmo intimados, permaneceram silentes na identificação dos sócios da empresa Teixeiras. As fichas cadastrais mantidas pela fiscalizada junto às instituições financeiras vinculam a Recorrente como responsável, sendo que as assinaturas dos “sócios laranjas” são diferentes daquelas constantes dos Contratos Sociais. Há exemplos de pagamentos feitos pela fiscalizada em favor de pessoas da família Gardingo. O transporte do café foi feito por empresa pertencente ao grupo Gardingo. A estrutura operacional que sustenta o negócio foi provida pela Recorrente, cuja sede sempre serviu de base para beneficiamento e estocagem do café comercializado em nome da empresa de fachada. A confortável logística proposta pela Recorrente no negócio, a propósito, fazia com que a empresa fiscalizada não precisasse mover uma palha para que tão elevado volume de café entrasse e saísse no seu armazém. Fl. 10286DF CARF MF 26 O endereço da Recorrente, aliás, é o mesmo de outra empresa do grupo, cuja atividade também seria a comercialização de café (mesma atividade da fiscalizada), mas que estranhamente não teve operação e nem funcionário no período autuado. Nesse contexto, não se pode perder de vista que mudamse as empresas “de fachada”, mas os Armazéns Gerais São João, Recorrente, sempre está presente na operação, figurando como verdadeiro “braço direito”, ou melhor, como "manda chuva" do negócio. Sem a participação da Recorrente na estrutura que provocou o ilícito, a operação de venda de café ruiria... Ora, todos esses indícios somados, a meu ver, constituem prova cabal da ocorrência de confusão patrimonial entre a Recorrente e a empresa fiscalizada, em todos os seus aspectos: administrativo, financeiro e operacional. Administrativo porque restou comprovado que os supostos sócios de direito da empresa fiscalizada estão subordinados ao sócio administrador da Recorrente. Financeiro porque restou demonstrado que o responsável de fato perante as instituições financeiros foi a Recorrente. E operacional porque todo o café foi beneficiado, estocado e vendido nas suas dependências. Os argumentos pontuais e os documentos contidos no recurso voluntário, a meu ver, não são aptos a afastar a caracterização de interesse comum e não se sustentam diante do detalhado trabalho fiscal. Olhando o filme, e não a foto, resta patente a caracterização de interesse comum. Ainda que a Recorrente tenha juntado exemplos de notas fiscais que demonstram que ela possuiria relação comercial também com outras empresas, a meu ver estes documentos não são suficientes para contrapor os diversos indícios apurados pela autoridade fiscal autuante. A relação estritamente comercial que alega a Recorrente existir com a empresa fiscalizada, segundo penso, é apenas aparente (simulada) e que buscou tão somente esconder a verdadeira operação por ela praticada na estrutura analisada. E nem se diga que o fato da fiscalização não ter incluído as demais pessoas envolvidas no negócio afastaria a responsabilização da Recorrente por incerteza e insegurança, afinal, como se sabe, não existe benefício de ordem na solidariedade em comento. Com base, então, no conjunto probatório trazido aos autos pela autoridade autuante, considero correta a aplicação da responsabilidade solidária por interesse comum, nos termos do artigo 124, I, do CTN. Multa qualificada De acordo com o quanto exposto no item anterior, a meu ver restou demonstrado que a presença da Recorrente na estrutura que sonegou tributos federais foi essencial. Sem ela o negócio, tal como delineado, não vingaria. Também foi comprovado que houve prática, de forma reiterada, de omissão de receita tributável ao fisco federal. Declaravamse os valores ao fisco estadual, mas, ao fisco federal, nada se pagava. Fl. 10287DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 15 27 Tal procedimento, a meu ver, caracteriza conduta dolosa de tentar lesar o fisco, razão pela qual correta a qualificação da multa, como prescreve o artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96 na redação vigente à época. Esse dispositivo, como se sabe, determina que o percentual de multa de 75% será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73, por sua vez, prescrevem que: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Artigo 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Segundo penso, as partes arroladas como responsáveis nos Autos de Infração em debate agiram dolosamente quando buscaram impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (receitas provenientes das vendas de café) por parte do fisco federal. Tal conduta é passível de enquadramento nos artigos 71, I e II, assim como no artigo 73, razão pela qual considero correta a qualificação da multa de ofício. Efeito confiscatório da multa O argumento acerca da caracterização do efeito confiscatório da multa qualificada de 150% envolve a análise de diversos princípios veiculados pela Constituição, encontrandose óbice na Súmula do CARF abaixo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante a existência de lei que estipulou o percentual de 150%, descabe à autoridade fiscal deixar de aplicála, tendo em vista a vinculação do ato do lançamento. Fl. 10288DF CARF MF 28 Conclusão Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 10289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928479/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.380
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 79 /2 00 9- 61 Fl. 702DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.278 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.278 6), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 704DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 566 a 577, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de setembro de 2005, no total de R$ 4.889.638,25, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CERCEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 579 a 602, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 113 5 i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 706DF CARF MF 6 contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 633 a 647, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 114 7 Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 708DF CARF MF 8 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 115 9 A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 566 a 577). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 579 a 602), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 710DF CARF MF 10 Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 566 a 577) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (579 a 602), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 711DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002066/2008-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA
Os tributos cuja constituição do crédito foi atribuída legalmente ao sujeito passivo (lançamento por homologação), sujeitam-se ao prazo decadencial pevisto no artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, havendo seu deslocamento para o artigo 173, I, desse código na hipótese de dolo, fraude ou simulação ou quando o sujeito não dá acesso ao fisco, mormente pelo pagamento, aplicando-se o precedente do STJ.
Numero da decisão: 9101-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA Os tributos cuja constituição do crédito foi atribuída legalmente ao sujeito passivo (lançamento por homologação), sujeitam-se ao prazo decadencial pevisto no artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, havendo seu deslocamento para o artigo 173, I, desse código na hipótese de dolo, fraude ou simulação ou quando o sujeito não dá acesso ao fisco, mormente pelo pagamento, aplicando-se o precedente do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 66 /2 00 8- 19 Fl. 1373DF CARF MF 2 Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 110300.378 (Efls. 1290 ss.), proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos até 18.08.2003, por entender aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação o artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, independentemente de pagamento. O Auto de Infração (Efls. 250 ss.) foi lavrado em 19/08/2008 para a cobrança de IRRF relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004 em função da falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com a imposição de juros e multa proporcional. Insurgindose contra a autuação, a recorrida apresentou Impugnação Administrativa (Efls. 885 ss.) defendendo a sua nulidade em função da impossibilidade de (a) um segundo exame em relação ao mesmo exercício sem ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal e (b) duplicidade de lançamento. No mérito, alegou também (c) a decadência relativa ao período de janeiro/2002 a agosto/2003, (d) a apresentação dos comprovants de pagamentos considerados feitos a beneficiários não identificados nos autos do processo administrativo n. 18471.001364/200719, (e) confiscatoridade da multa e (f) ilegalidade da taxa Selic. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi parcialmente mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (Efls. 1174 ss.), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE EM RAZÃO DE AUSÊNCIA DE ORDEM ESCRITA PARA REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO A alteração do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, determinada por ato do Delegado da Receita Federal, tendo por objetivo a correção de inexatidões materiais no lançamento original, supre a exigência de ordem escrita para reexame de período já fiscalizado, a que se refere o art. 906 do RIR/99. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE EM RAZÃO DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não configura duplicidade de lançamento a lavratura de auto de infração complementar para fins de correção de inexatidões materiais no lançamento original. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.374 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IREI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O imposto de renda retido na fonte segue o regime dos tributos lançados por homologação. Uma vez efetuado o recolhimento do imposto pela fonte pagadora, tem a Fazenda cinco anos para lançar eventuais diferenças, contandose o prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do I CTN). lnexistindo, todavia, o recolhimento, não ha simplesmente o que homologar; neste caso, o prazo decadencial só começará a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). IRRF. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. DIFERENÇAS DECORRENTES DE ERRO NO REAJUSTAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL. Verificada a existência de incorreção no lançamento original do IRRF, motivada pelo reajustamento a menor do rendimento tributável, é lícito à autoridade fiscal lavrar auto de infração complementar para exigir as diferenças de imposto devidas. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A aplicação da multa de oficio de 75%, nas hipótese de falta de recolhimento de tributo ou de declaração inexata, está prevista expressamente no art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/1996. Ao julgador administrative não cabe discutir a constitucionalidade de leis ou atos normativos validamente inseridos no ordenamento juridico. A apreciação de questões desta natureza constitui matéria reservada ao Poder Judiciário. TAXA SELIC. QUESTIONAMENTO DE SUA UTILIZAÇÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA DE DÉBITOS FISCAIS. A utilização da taxa Selic, para efeitos de atualização de débitos tributários, está prevista expressamente no art. 61, § 3', da Lei n° 9.430/1996. À autoridade administrative não é dado questionar o fundamento ontológico da referida taxa, mas tão somente aplicála, na forma prevista em lei. Lançamento Procedente em Parte. Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade levantadas pela Interessada; b) por maioria, ACOLHER a argüição de decadência, apenas em relação aos Fl. 1375DF CARF MF 4 fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, e JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento, REDUZINDO o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte para o montante de R$ 2.905.127,79 (dois milhões, novecentos e cinco mil, cento e vinte e sete reais e setenta e nove centavos), sobre o qual serão aplicados multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora, nos termos da legislação vigente. Vencida a julgadora Andréa Duck Simadtob, Presidente da Turma, que REJEITOU a argüição de decadência. (…)” Em face dessa decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efl. 1212 ss.) tratando da necessidade de (a) ordem escrita para nova fiscalização, (b) reconhecimento da decadência relativa aos fatos geradores de janeiro a agosto de 2003, (c) exclusão dos valores admitidos no processo n. 18471.001364/200719, e novamente da (d) ilegalidade da taxa Selic. Como adiantado, o Acórdão n. 110300.378 (Efls. 1290 ss.), proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos até 18.08.2003, aplicandose o artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, independentemnete de pagamento, com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. IRRF. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Não logrando o sujeito passivo identificar a destinação e os beneficiários dos saques efetuados em sua contacorrente bancária, é de se manter a exigência do Imposto de Renda na Fonte. TAXA DE JUROS. SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, á. Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.375 5 provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria, DAR provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 18/08/2003, vencido o Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator). O Cons. Aloysio José Percinio da Silva foi designado para redigir o voto vencedor. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hugo Correa Sotero (vicepresidente). ALOYSIO JOSÉ PERCNIO DA SILVA — Presidente e Redator Designado. MÁRIO SERGIO FERNANDES BARROSO — Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (suplente convocada) e Aloysio José Percinio da Silva (Presidente). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Efls. 1304 ss.) sustentando que, não havendo pagamento, a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário em questão regerseia pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, devendose reformar a decisão a quo que considerou que a decadência alcançaria até agosto de 2003. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 1314 ss.) e, cientificada (Efls. 1327 a 1333 ss.), a contribuinte não recorreu ou apresentou contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional. Por fim, informase a existência de despacho de encaminhamento (Efl. 1372) comunicamento a transferência dos débitos em situação devedora para o processo n. 18470.720870/201601, conforme termo de transferência às folhas 1.334 a 1.338. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. Consta na efl. 1303 recebimento do processo pela PGFN em 21.08.2012, com juntada do recurso especial em Fl. 1377DF CARF MF 6 05.10.2012 (Efl. 1313), portanto, aplicandose o artigo 79 do Regimento Interno do CARF, considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, voltandose ao caso concreto, observase que o acórdão recorrido decidiu que, independentemente de pagamento ou apresentacão de declaração, o IRRF se trataria de tributo sujeito a lançamento por homologação e, portanto, ao prazo quinquenal de decadência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, deslocado para o artigo 173, I, do CTN, somente na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Por sua vez, no intuito de afastar a decisão a quo, que seguindo esse racional declarou a decadência do direito de constuição dos créditos tributários até agosto de 2003, a Fazenda Nacional sustenta que, não havendo o pagamento do imposto, aplicase o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, no lugar do seu artigo 150, parágrafo 4o, na linha que seguiram os paradigmas apresentados. Nesse sentido, identificase divergência no tocante à relevância do pagamento ou declaração para aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN, com o consequente deslocamento do termo de início do prazo para o artigo 173, I, do código. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.376 7 Por essas razões, VOTASE POR CONHECER o recurso especial. MÉRITO Considerando a divergência identificada, delimitase que seu objeto referese à relevância da existência de pagamento ou declaração para a aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., e consequente deslocamento do prazo para o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, tendo como suporte fáctico lançamento de ofício cientificado ao contribuinte em 19.08.2008 para a cobrança de IRRF em função da falta de recolhimento sobre pagamentos a beneficiários não identificados, relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004. Com efeito, considerase que o impropriamente chamado “lançamento por homologação”, porque lançamento é atividade priativa de autoridade administrativa nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, referese às situações em que a lei transfere ao sujeito passivo o ato de constituição do crédito tributário – ato este que se difere e é pressuposto lógico e cronológico do pagamento. Assim se compreende que, ocorrido o fato gerador de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em regra, fluiria o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício pela fazenda caso não constituído o crédito pelo sujeito passivo ou, não havendo apenas o pagamento, surgiria a possibilidade direta de cobrança. Na realidade, não se vislumbra propriamente que o fisco estaria homologando um pagamento, sobretudo como pressuposto para se considerar constituído o crédito e aplicável então o artigo 150, parágrafo 4o. do Código Tributáro Nacional; o contrário: o que interessa, sim, é a verificação de sua constituição, para se definir se se inicia o prazo decadencial do seu direito de fazêlo. Noutras palavras, na linha adotada, o prazo que se opera não é para a referida homologação, ainda que tácita; mas de decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, na hipótese de o contribuinte não realizar a atividade de constituição que lhe atibuiu aprioristicamente a lei. Daí se entender a indiferença, nesse ponto, do pagamento para a aplicação do prazo decadencial do art. 150, mas apenas a necessidade de possibilidade do conhecimento do fisco do fato gerador e sua compatibilização com o artigo 173, I , que deslocaria o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte, somente no caso de dolo, Fl. 1379DF CARF MF 8 fraude ou simulação, conforme disposição final do parágrafo 4o. do mencionado artigo 150. Nesse sentido e de forma objetiva, considerandose que o IRRF é tributo sujeito ao “lançamento por homologação”, aplicase o artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, independentemente da existência de pagamento, porque o que se mostra relevante, na leitura que se faz dessa espécie, é a sua natureza e a possibilidade de constatação da constituição do crédito pelo contribuinte, o que muitas vezes pode se dar pelo próprio pagamento ou com a apresentação de declaração. Essa é a leitura que se faz do precedento do STJ na sistemática do recurso repetitivo no Recurso Especial n. 973.733/SC, de 12.08.2009, abaixo transcrito, que se torna de aplicação obrigatória por força do artigo 62 do Regimento Interno do CARF: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÁO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sç 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.377 9 lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, ,sç 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amara, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (I) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEC:4'0 do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram coin o Sr. Ministro Relator.” Desse modo, na medida em que o lançamento de ofício foi cientificado ao contribuinte em 19.08.2008, relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004, com a aplicação do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, e não se vendo no caso concreto seja o pagamento, ou a apresentação das devidas declarações que pudessem dar acesso ao fisco ao conhecimento do fato gerador, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, reformandose a decisão a quo e mantendose o crédito tributário. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1381DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001481/2006-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.445
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-26T21:51:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2659250_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-26T21:51:58Z; Last-Modified: 2011-01-26T21:51:58Z; dcterms:modified: 2011-01-26T21:51:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2659250_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:0a01157a-fbd1-4798-92e0-35c2e6db5b2b; Last-Save-Date: 2011-01-26T21:51:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-26T21:51:58Z; meta:save-date: 2011-01-26T21:51:58Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2659250_0.doc; modified: 2011-01-26T21:51:58Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-26T21:51:58Z; created: 2011-01-26T21:51:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-01-26T21:51:58Z; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-26T21:51:58Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 546 1 545 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001481/2006-21 Recurso nº 500.043 Voluntário Acórdão nº 1801-00.445 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2011 Matéria PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC) Recorrente ALFA ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera- se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 26/09/2006, fls. 01/03, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$1.083.683,03 destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) correspondentes à aplicação do percentual global de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano-calendário de 2003, fls. 38/88. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais consta, fl. 03: 11 - CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 292/295, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação de regularidade fiscal, de acordo com o art. 60 da Lei n 9.069, de 29 de junho de 1995. Acrescenta 12 - Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, e perante o Fundo de Garantia. 13 - A aludida consulta indica que a interessada está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 274 a 280 deste processo, relatório SINCOR, indicando que constam débitos da interessada em cobrança final no SIEF, e débitos inscritos em Divida Ativa da União, ali especificados, fatos estes que a impedem de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, [...] Cientificada em 05/09/2008 (sexta-feira), fl. 298, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 07/10/2008, fls. 301/309, argumentando em síntese que comprova sua regularidade fiscal. Interpreta a legislação de regência citando entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Conclui 43 - Diante de todo o exposto, e por tudo mais que nos autos consta, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso, deferindo-se integralmente a opção pelo incentivo fiscal manifestado quando da entrega da DIPJ 2004 - ano-calendário 2003, ratificada por intermédio do PERC datado de 26/09/2006, tendo em vista que, conforme restou demonstrado, à época da opção a Recorrente encontrava-se em situação plenamente regular. Termos em que, Pede e espera deferimento Fl. 563DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 547 3 Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16-21.981, de 29/06/2009, fls. 492/498: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Notificada em 13/07/2009, fl. 500, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11/08/2009, fls. 508/521, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Por todo o exposto e por tudo mais que dos autos consta, requer seja dado provimento ao presente recurso, deferindo-se integralmente à opção pelo incentivo fiscal manifestado quando da entrega da DIPJ 2004 (ano-calendário 2003), tendo em vista que, conforme restou demonstrado, à época da opção a Recorrente detinha plena regularidade fiscal, conforme documentalmente provado por intermédio da juntada de certidões de regularidade fiscal perante, a Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional, plenamente válidas quando da opção da Recorrente ao FINAM. Por fim, manifesta a Recorrente sua intenção de realizar sustentação oral quando do julgamento do presente recurso. Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Requerente pleiteia fazer sustentação oral. O Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, fixa: Fl. 564DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 Art. 55. A pauta da reunião indicará: I - dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II - para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III - nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. [...] Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I - ao relator, para leitura do relatório; II - ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Neste sentido, tem cabimento que a pauta da sessão de julgamento dos processos no CARF seja publicada no DOU. Também há possibilidade jurídica de que a Recorrente ou seu representante legal faça sustentação oral durante o julgamento do recurso voluntário, desde que observados os demais requisitos. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINAM. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. Sobre a matéria, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), prevê: Art.592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (Decreto-Lei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). [...] Art.601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). Fl. 565DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 548 5 §1º A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I - dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; [...] §2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). [...] Art.614. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: [...] VI - as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal - CADIN (Medida Provisória nº 1.770-46, de 11 de março de 1999, arts. 6º, inciso II, e 7º). Parágrafo único.A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de 1995, art. 60). Art.615. A empresa em mora contumaz relativamente a salários não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou de que estes participem (Decreto-Lei nº 368, de 19 de dezembro de 1968, art. 2º). [...] Art.617. A empresa que transgredir as normas da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, além das outras sanções previstas, sujeitar-se-á, nas condições em que dispuser o regulamento, à revisão de incentivos fiscais de tratamento tributário especial (Lei nº 8.212, de 1991, art. 95, §2º). Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 37, que é de adoção obrigatória (art. 72 da Portaria MF n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 566DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 29/11/2010): Nº Recurso 157232 Número do Processo 16327.002423/2002-91 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte BANCO ITAUCARD S/A Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) José de Oliveira Ferraz Corrêa Nº Acórdão 198-00079 Tributo / Matéria IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para AFASTAR o óbice da regularidade fiscal e DETERMINAR o retorno dos autos a unidade de origem para apreciação da composição dos valores que não foram admitidos como incentivos. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 1998 - INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 155796 Número do Processo 13805.001786/98-82 Turma 8ª Câmara Contribuinte BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 19/12/2008 Relator(a) Orlando José Gonçalves Bueno Nº Acórdão 108- 09808 Tributo / Matéria Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS - PERC - REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no Fl. 567DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 549 7 momento do despacho denegatório do seu pleito. - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazê-lo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, bem como com base no entendimento jurisprudencial pacificado desta segunda instância de julgamento, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Verifica-se que constam nos autos as seguintes cópias: - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais emitida pela Secretaria da Receita Federal com validade até 13/10/2004, fl. 530; e, - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos à Dívida Ativa da União emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional emitida em 18/05/2004, fls. 531/532. - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fonte: http://www010.dataprev.gov.br/cws/contexto/cnd/cnd.html, acesso em 06/12/2010): MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Nº 039992010-21100010 Nome: ALFA ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. CNPJ: 46.570.800/0001-49 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que constam em seu nome, nesta data, débitos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais, refere-se exclusivamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em Dívida Ativa da União (DAU), não abrangendo os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e as demais inscrições em DAU, administradas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), objeto de Certidão Conjunta PGFN/RFB. Conforme disposto nos arts. 205 e 206 do CTN, este documento tem os mesmos efeitos da certidão negativa. Esta certidão é válida para Fl. 568DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 as finalidades previstas no art. 47 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991, exceto para: - averbação de obra de construção civil no Registro de Imóveis; - redução de capital social, transferência de controle de cotas de sociedade limitada, cisão total ou parcial, fusão, incorporação, ou transformação de entidade ou de sociedade empresária ou simples; - baixa de firma individual ou de empresário, conforme definido pelo art.931 da Lei nº. 10.406, de 10 de Janeiro de 2002 - Código Civil, extinção de de entidade ou sociedade empresária ou simples. A aceitação desta certidão está condicionada à finalidade para a qual foi emitida e à verificação de sua autenticidade na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 20 de Janeiro de 2010. Emitida em 26/08/2010. Válida até 22/02/2011. Certidão emitida gratuitamente.Atenção:qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez constam nos autos a regularidade fiscal no curso do processo mediante um conjunto probatório robusto. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 569DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 550 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 26 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 570DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fl. 571DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13016.000419/2005-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.384
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 19 /2 00 5- 57 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13016.000419/200557 Acórdão n.º 9303005.384 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.862. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13016.000419/200557 Acórdão n.º 9303005.384 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13016.000419/200557 Acórdão n.º 9303005.384 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13016.000419/200557 Acórdão n.º 9303005.384 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002359/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 23 59 /2 00 5- 13 Fl. 2859DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de reconhecimento de direito creditório de Cofins decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/01/05 a 31/03/05, no valor de R$3.947.366,00 (fl. 2), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 188) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$1.900.250,86, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.983/09 (fls. 169 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no ano calendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. as vendas de mercadorias realizadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém, uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 55 maiores fornecedores, 15 são cooperativas, 1 é empresa do poder público, restando 39 fornecedores; 6. aproximadamente, 72% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 28,69%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 3 3 presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 31% (trinta e um inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 18. verifica se, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto Fl. 2861DF CARF MF 4 legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 1º Trimestre de 2005 no montante de R$ 1.900.250,86. No Parecer Complementar DRF/VIT/SEORT nº 1672/2010 (fl. 199) não houve alteração da análise, nem do crédito reconhecido, mas a Delegacia incluiu mais uma Dcomp, no rol das compensações declaradas, a ser considerada por ocasião de efetivação do encontro de créditos. Cientificada da Decisão (fl. 222), em 17/08/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 223 e seguintes), em 15/09/10, onde alegou, em resumo, que: 1. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 2. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 3. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 4. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 5. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.833/03 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 6. de fato, o art. 3º, §2°, II da Lei n.° 10.833/03 (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n.° 10.865/04), veda o direito ao crédito calculado em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção; 7. no entanto, é imperioso atentar para o fato de que nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 8. a idéia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 9. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 10. cumpre destacar que a Lei nº 10.833/2003 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 11. exigir que a Requerente Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 4 5 tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 12. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratar seia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 13. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 14. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 15. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 16. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 17. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontram se devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento; 18. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1.823) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 2.152 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e Fl. 2863DF CARF MF 6 vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 2316), em 20/04/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2318 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 5 7 fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os Fl. 2865DF CARF MF 8 pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas a Cofins. Crédito Vedado. A Partir de 01/05/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.833, no sentido de vedar o direito ao crédito da nãocumulatividade da Cofins, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/05/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 6 9 Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 2867DF CARF MF 10 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 7 11 Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: Fl. 2869DF CARF MF 12 No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 11543.002359/200513 Acórdão n.º 3201003.026 S3C2T1 Fl. 8 13 requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Fl. 2871DF CARF MF 14 Winderley Morais Pereira Fl. 2872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000413/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 autoriza a tributação com base em depósitos bancários. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A caracterização das operações como vendas em “consignação por comissão”, por abranger prestação de serviços, exige não apenas registros específicos nos livros fiscais, que devem guardar coerência com a movimentação financeira da empresa, mas também a demonstração de toda uma lógica própria, com regras que evidenciem as condições para a prestação destes serviços, os percentuais de comissão, a apuração desta etc. Se a Contribuinte pratica a compra e venda de veículos usados, ou mesmo a “consignação por venda”, a base para a incidência dos tributos deve abranger o total dos valores recebidos, e não apenas uma parcela destes, a título de comissão recebida. No caso, também não é aplicável a regra do art. 5º da Lei 9.716/1998, que permite a equiparação destas outras operações, para efeitos tributários, à operação de “consignação por comissão”, uma vez que a Contribuinte é optante do Simples, e, portanto, já usufrui de um tratamento tributário diferenciado. Se a sistemática do regime simplificado tivesse que abarcar as normas que tratam de isenções específicas, creditamento, reduções de base de cálculo, substituição tributária, diferimentos, etc., restaria bastante comprometida a simplificação na apuração dos tributos, e é esta a razão pela qual os benefícios obtidos com o Simples (que é opcional) excluem os outros previstos para as pessoas jurídicas que adotam os regimes normais de tributação. Fl. 1 DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/2003-15 Acórdão n.º 1802-00.870 S1-TE02 Fl. 284
Numero da decisão: 1802-000.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 autoriza a tributação com base em depósitos bancários. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A caracterização das operações como vendas em “consignação por comissão”, por abranger prestação de serviços, exige não apenas registros específicos nos livros fiscais, que devem guardar coerência com a movimentação financeira da empresa, mas também a demonstração de toda uma lógica própria, com regras que evidenciem as condições para a prestação destes serviços, os percentuais de comissão, a apuração desta etc. Se a Contribuinte pratica a compra e venda de veículos usados, ou mesmo a “consignação por venda”, a base para a incidência dos tributos deve abranger o total dos valores recebidos, e não apenas uma parcela destes, a título de comissão recebida. No caso, também não é aplicável a regra do art. 5º da Lei 9.716/1998, que permite a equiparação destas outras operações, para efeitos tributários, à operação de “consignação por comissão”, uma vez que a Contribuinte é optante do Simples, e, portanto, já usufrui de um tratamento tributário diferenciado. Se a sistemática do regime simplificado tivesse que abarcar as normas que tratam de isenções específicas, creditamento, reduções de base de cálculo, substituição tributária, diferimentos, etc., restaria bastante comprometida a simplificação na apuração dos tributos, e é esta a razão pela qual os benefícios obtidos com o Simples (que é opcional) excluem os outros previstos para as pessoas jurídicas que adotam os regimes normais de tributação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 284 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 285 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 4 a 40, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 66.675,00, R$ 66.675,00, R$ 108.005,91, R$ 216.011,88 e R$ 287.815,70, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 1998. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 08731, às fls. 205 a 213: (...) 2. O lançamento é decorrente de omissão de receitas, em face de depósitos bancários não escriturados, com fundamentação nos seguintes dispositivos: arts. 226 e 229 do RIR/94; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 2°, §2°, 3°, §1°, alínea “a”, 5°, 7°, §1°, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (fl. 06). E mais a legislação específica das contribuições retromencionadas (vide fls. 18, 24, 30 e 36). 3. Consta no processo que o Mandado de Procedimento Fiscal foi expedido em 01/10/2002 (fl. 01), e o Termo de Início da Ação Fiscal em 14/10/2002 (fl. 62). Este solicitando que a contribuinte apresentasse a documentação contábil/fiscal necessária à realização da auditoria, e como não houve resposta, o pedido para apresentação da mesma documentação foi reiterado no Termo de Início da Ação Fiscal n° 02, de 11/11/2002 (fl. 64). O procedimento fiscal foi concluído em 17/01/2003, conforme Termo de Encerramento anexo à fl. 40, com lançamento do crédito tributário no valor acima referido, cuja ciência à autuada se deu em 24/01/2003, de acordo com o Aviso de Recebimento (AR) colado à fl. 138 dos autos. 4. O autuante relata na Descrição dos Fatos (fl. 05) que os valores utilizados no lançamento foram apurados com base em levantamento dos depósitos creditados na contacorrente da autuada, n° 33.7528, agência 31739, do Bradesco S/A, conforme quadros demonstrativos dos “Extratos Bancários” (fls. 41/61) e cópias dos respectivos extratos (fls. 82/136), fornecidas tanto pela contribuinte como também pela citada instituição bancária. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 286 4 5. Ressalta ainda que a presente ação fiscal foi motivada pela Representação n° 032/2002, da Delegacia Federal de Julgamento em Salvador – Ba (DRJ/SDR/BA), decorrente do processo administrativo fiscal n° 10580.001866/200288 (vide cópias às fls. 76/81). Diz ainda que a contribuinte fora intimada através dos termos anexos ao presente processo, no entanto, não atendeu a nenhuma das intimações que lhe foram enviadas (fls. 62/65). 6. Ciente do feito em 24/01/2003 (fl. 138), a autuada apresenta impugnação em 25/02/2003 (fls. 139/182). A sua defesa se embasa em alusões de ilegalidade do ato, por ofensa a dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, e em citações de jurisprudência e doutrina, cujos tópicos estão sintetizados nos subitens abaixo. A contribuinte entrou com petição em 28/09/2005 (fls. 193/199), requerendo a esta Delegacia Federal de Julgamento (DRJ/SRD/Ba) a juntada da documentação que compõe os anexos I a IV destes autos (vide fls. 193/201). 6.1 Requer a nulidade do processo, pelo fato de ser optante do Simples desde o anocalendário de 1997, de modo que não deve prosperar a tributação em preço com base no lucro arbitrado, já que não houve prévia emissão de Ato Declaratório excluindo a autuada do Simples. 6.2 Desenvolve extensa redação, mencionando doutrina, jurisprudência e artigos da Constituição Federal de 1988 – CF/88, visando convencer que a via correta pela qual o Fisco poderia obter dados bancários de contribuintes sob investigação fiscal seria através do Poder Judiciário, e não mediante requisição direta do órgão fiscal como se dá no caso vertente. 6.3 Na petição de fls. 193/199, diz ter juntado cópias de todos os cheques emitidos pela autuada no período fiscalizado, através dos quais se poderia verificar que da contacorrente fiscalizada foram transferidos, via cheque nominal, para a Concessionária REVISA, os valores relativos aos veículos vendidos no mês da emissão, ou no mês imediatamente anterior. 6.4 Reforça que, assim, os valores que circularam na conta corrente auditada não constituiriam receita operacional da empresa GOODCAR, antes sendo valores de titularidade da REVISA, que os recebia em função da revenda de carros usados dados em consignação para venda à autuada, que, pela intermediação, auferia pequena comissão. 6.5 Alega que para facilitar a confrontação dos valores transferidos da contacorrente da autuada para a REVISA, a peticionária relacionou, em separado, com a devida identificação, os veículos vendidos mês a mês, durante todo o período de autuação, bem como os cheques envolvidos nessas operações. 6.6 Diz, ainda, que para comprovar a veracidade das suas alegações, junta cópia do “LIVRO CONTA CORRENTE DOS VEÍCULOS DA REVISA COM GOODCAR”, onde estão, dia a dia, detalhadas as operações realizadas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 287 5 6.7 Ante o exposto, requer a nulidade do lançamento, ou a sua improcedência, caso seja rejeitada a preliminar argüida. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, desde que o contribuinte tenha sido regularmente intimado. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições versando sobre inconstitucionalidade da legislação aplicável. Esta é uma prerrogativa reservada ao Poder Judiciário por designação Constitucional. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972). OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A equiparação das operações de venda de valores usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. Caso não haja um efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve receber o tratamento de mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, o valor total constante das notas fiscais, que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/01/2006 (sextafeira), a Contribuinte apresentou em 14/02/2006 o recurso voluntário de fls. 224 a 248, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos mencionados abaixo. Dos fatos: o mencionado Mandado de Procedimento Fiscal decorreu da Representação n° 032, de 29 de maio de 2002, acatada pela i. Sra.Presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, advinda do julgamento improcedente dos Autos de Infração concernentes ao Processo Administrativo Fiscal n° 10580.001866/200288, o qual se reporta ao mesmo período do exercício de 1998. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 288 6 Do Processo Administrativo Fiscal nº 10580.001866/200288 (anterior ao lançamento em discussão): inicialmente, cabe frisar que o Processo Administrativo Fiscal n° 10580.0018661200288 decorre de procedimento de fiscalização iniciado com o Termo de Inicio de Ação em 29 de março de 2001; em atenção à intimação do i. Auditor Fiscal da Receita Federal, a Recorrente, em 20 de junho de 2001, formalizou resposta comunicando que estava obrigada, tão somente, à apresentação dos livros contábeis e dos comprovantes de pagamentos dos tributos. Afirmou, ainda, que não apresentaria os extratos bancários com movimentação financeira por entender que tais informações diziam respeito ao seu sigilo bancário e estavam protegidas por direito constitucionalmente assegurado; o i. Auditor Fiscal, por intermédio da Divisão de Fiscalização DIFIS, obteve os extratos bancários da Recorrente junto ao Banco Bradesco. Após, intimou o Recorrente para comprovar as origens dos valores creditados na respectiva conta bancária; no início da fiscalização, a Recorrente formalizou resposta direcionada ao i. Auditor Fiscal, Sr. Antonio Brasil Rocha, esclarecendo como exercia a sua atividade de comercialização de veículos usados, nos seguintes termos, às fls. 203/204: Esclarecimentos (...) Dirseà que, examinando as movimentações financeiras da CONTRIBUINTE, a fiscalização constatou a existência de valores creditados em sua conta corrente incompatíveis com a simples atividade de comercialização. Esse entendimento, todavia, não procede. É que, para viabilizar essa atividade de intermediação, a CONTRIBUINTE era obrigada a depositar todo o valor do veiculo em sua conta bancária, reembolsando o proprietário depois da compensação do cheque, retendo consigo o valor das comissões. Idêntico procedimento ocorria com as operações envolvendo financiamento dos veículos, a grande maioria delas. Nesses casos, os bancos ou as financeiras exigiam, como condição para o financiamento, que os valores do empréstimo fossem depositados na conta corrente da CONTRIBUINTE, o que geraria falsa compreensão de uma grande receita financeira. E justamente aí onde bate o ponto. Ainda que verdadeira fosse a alegação, não bastaria para se comprovar a omissão de rendimentos, a simples comprovação de depósitos. É imprescindível, em outras palavras, que seja comprovada a utilização desses valores depositados como renda consumida, visto que os depósitos bancários, por si só, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos e, por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 289 7 conseqüência, não se traduzem em fato gerador do imposto de renda. Diante deste quadro, a CONTRIBUINTE toma a liberdade de juntar à presente todo movimento de débitos da conta a que V.Sa. tiveram o indevido acesso, a fim de evidenciar que em contrapartida aos depósitos e créditos existem os cheques emitidos para pagamento dos veículos objetos destas intermediações, de modo a afastar a mais leve dúvida de qualquer ato ou fato que represente omissão de rendimento, principalmente, quando não há comprovação de sinais exteriores de riqueza. Sem mais para o momento aguardamos retorno. Cordialmente, GOODCAR COMERCIO DE VEICULOS LTDA. em outras palavras, a receita operacional da Recorrente é a comissão auferida na intermediação de vendas ou compras de veículos de terceiros, à medida que aproximava vendedores e compradores; neste contexto, o i. Auditor Fiscal concluiu o procedimento de fiscalização com a lavratura dos Autos de Infração constituindo créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os quais tiveram a base de cálculo arbitrada com suporte na movimentação bancária; a Recorrente apresentou a devida impugnação administrativa, e os Autos de Infração foram julgados improcedentes em razão da ilegalidade da constituição dos créditos fiscais, segundo as normas de tributação normal, sem que antes ocorresse a exclusão do regime do SIMPLES por intermédio de Ato Declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicionava o contribuinte; em observância ao disposto no art. 12 do Decreto n° 70.235/72, a i. Relatora representou à i. Dra. Presidente da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA, a qual encaminhou os autos à Delegacia da Receita Federal em SalvadorBA para as devidas providências (fls. 77 a 81); neste contexto, o i. Sr. Delegado da Receita Federal em Salvador determinou a execução do Mandado de Procedimento Fiscal n° 05.1.002002007210, que originou o presente Processo Administrativo Fiscal, visando a averiguação da apuração fiscal da Recorrente no período de janeiro a dezembro de 1998. Dos Autos de Infração contidos no presente processo: os Autos de Infração em discussão foram lavrados em razão de suposta “OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS”, as quais foram apuradas com base em levantamento dos depósitos creditados na contacorrente da autuada n° 33.752S, agência 31739, do BRADESCO S/A; os tributos foram materialmente apurados no regime do SIMPLES. Ou seja, os tributos decorreram da aplicação das alíquotas e da base de cálculo determinada pela legislação que regulamenta o SIMPLES, qual seja a Lei n° 9.317/96; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 290 8 o Auditor desconsiderou que a Recorrente apenas era remunerada pela comissão nas vendas; equivocouse o i. Sr. Auditor Fiscal, assim como a Turma Julgadora, uma vez que a Recorrente não poderia se sujeitar ao regime de tributação do SIMPLES, porque, tomando como receita bruta o produto das vendas de veículos usados, a Recorrente ultrapassou os limites determinados pela legislação que permitiram tal enquadramento desde o exercício de 1997, fazendose imperioso a sua tributação no regime normal de apuração; não bastasse isso, improcedente a apuração do tributo em comento com base no produto dos valores decorrentes da comercialização dos veículos, haja vista que a atividade da Recorrente não se configura em compra e venda de veículos usados. Da impossibilidade de sujeição da Recorrente ao SIMPLES, por ultrapassar o limite de faturamento permitido com a operação de compra e venda: sustenta a decisão recorrida que a base de cálculo de apuração do presente crédito fiscal corresponde ao “valor constante das notas fiscais, que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica”; inequívoco, portanto, que a Recorrente não poderia se sujeitar ao regime especial do SIMPLES, posto que, ao se considerar as operações como compra e venda, e, por conseguinte, alterar completamente a base de cálculo para apuração dos respectivos tributos, é inquestionável que a Contribuinte ultrapassou o limite de R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais) desde o ano de 1997 (ano de adesão); noutro dizer, tomando como base de cálculo o valor total das vendas de veículos usados, necessário se faz a anulação do presente débito fiscal apurado, uma vez que indevida a sua apuração na sistemática do regime especial do SIMPLES; é incontroverso no presente processo de fiscalização que, ao adotar como receita bruta o produto integral da venda de veículos, a Recorrente, desde o início (1997) da vigência da Lei n° 9.317/96, ultrapassava o limite imposto pela mencionada legislação; por tal razão, não pode se sujeitar a esse regime de tributação específico no período imediatamente posterior ao ano de 1997, qual seja o exercido de 1998, objeto da autuação cm comento; o entendimento do i. Sr. Auditor Fiscal, ratificado pela Egrégia Turma de Julgamento, no sentido de que o produto das vendas dos veículos comercializados compõe base de cálculo para apuração do SIMPLES, maculou de nulidade insanável todo o Processo Administrativo; seria impossível a tributação do exercício de 1998 da Recorrente neste regime especial de tributação, uma vez que desde o exercício de 1997, ano de adesão ao SIMPLES, ela ultrapassou o limite determinado pela Lei te 9.317/96; outrossim, verificase que a autuação incorreu em novo equivoco material, na medida em que se esquivou de apurar se a Recorrente estava enquadrada em alguma hipótese impeditiva de tributação no regime do SIMPLES, conforme advertido pela decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA no Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 291 9 Processo Administrativo n° 10580.001866/200288 e respectiva Representação acatada pela i. Dra. Presidente daquela Turma de Julgamento, às fls. 81; desta forma, resta clara a nulidade do Auto de Infração em comento, haja vista que se encontra eivado de vícios insanáveis, que macularam todo o processo administrativo fiscal, merecendo, pois, a sua anulação, posto que o crédito fiscal em questão não poderia ser apurado no regime do SIMPLES. Da impossibilidade da operação realizada pela Recorrente configurarse em compra e venda de veículos usados: conforme documentos constantes nos presentes autos, a Recorrente não realizou operações de compra e venda de veículos; a operação de compra e venda pressupõe a transferência de propriedade de determinado bem, em contrapartida de certo preço; sendo o conceito de compra e venda fixado pela União, única pessoa política competente para regular a referida matéria, conforme preceitua a Constituição Federal, em seu art. 22, I, é vedada a sua alteração para fins tributários, pela Egrégia 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Salvador, como pretende fazer no presente caso, conforme disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional; no caso em tela, conforme comprovado nos autos, a Recorrente não era proprietária dos veículos objeto das intermediações, os quais pertenciam a terceiros que figuraram como vendedores nas operações. A Recorrente não assumia nem mesmo os riscos pela operação; consoante se verifica dos documentos anexados ao presente Processo Administrativo, não constam Certificados de Registro de Veículos em nome da Recorrente, nem mesmo de Autorização para Transferência de Veículo. Isto porque a Recorrente não figurava sequer de fato, muito menos juridicamente, como proprietária dos veículos vendidos; além disso, o Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, obriga “a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo quando for transferida a propriedade”, conforme disposto no art. 123. Ou seja, ratificase que a Recorrente não dispunha da propriedade dos veículos, uma vez que não havia em seu nome Certificado de Registro de Veiculo; como muito bem observado pela r. decisão às fls. 213, a Recorrente nem mesmo expedia Nota Fiscal de saída ou de entrada autorizada pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, haja vista que não vendia veículos, mas unicamente intermediava sua venda. Tanto é assim, que a Recorrente não forneceu no exercício de suas atividades qualquer documento idôneo para viabilizar a expedição do Certificado de Registro de Veículo pelo órgão executivo de trânsito, conforme exigido no art. 122 do Código de Trânsito Brasileiro; sendo assim, inequívoco admitir que a Recorrente não era proprietária dos veículos usados, nem mesmo juridicamente, razão pela qual não poderia figurar como vendedora nas vendas que intermediava, e, por conseguinte, infundada a caracterização de compra e venda; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 292 10 neste contexto, imperioso se faz a exclusão da base de cálculo de apuração do presente crédito dos valores devidamente comprovados e repassados aos proprietários dos veículos. Da impossibilidade da operação realizada pela Recorrente, entendida como corretagem, se sujeitar ao SIMPLES: não se sustenta também que o crédito fiscal em discussão decorra de apuração de eventual atividade de corretagem enquadrada pelo i. Sr. Auditor Fiscal, ou mesmo pela Egrégia Turma Julgadora, posto que a pessoa jurídica que presta serviços de corretor não se submete à legislação do SIMPLES, consoante determina o disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/1996; inferese, portanto, que ainda que a Fiscalização caracterizasse a atividade da Recorrente como de prestação de serviços de corretor, presente crédito não poderia subsistir, tendo em vista que tal atividade não se sujeita ao regime de tributação especifico do SIMPLES; além disso, ainda que desconsidere a impossibilidade supra mencionada, caso o i. Sr. Auditor Fiscal, bem como a Turma Julgadora, entendesse que se trata de prestação de serviços de corretagem, improcedente a presente autuação, haja vista que desconsiderou o valor da receita bruta do mencionado serviço (comissão); isto porque, nos termos do § 2° do art. 2° da Lei n° 9.3l7/96, a receita bruta na prestação de serviço consiste no preço dos serviços prestados, razão pela qual indevida a apuração da base de cálculo do tributo incluindo os valores repassados aos proprietários dos veículos usados; deste modo, cabe a anulação do presente auto de infração, para cancelar o crédito tributário constituído nos termos definidos no regime do SIMPLES por empresa vetada de se sujeitar a este regime, bem como para excluir da base de cálculo do presente tributo os valores que não correspondem a preço de serviço. Da exclusão da penalidade, juros de mora e atualização em razão da violação ao disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional: não pode o i. Auditor Fiscal cobrar da Recorrente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, conforme determina o art. 100, III, c/c o seu parágrafo único, do Código Tributário Nacional; isto porque a Recorrente não recolheu o tributo no referido exercício, em razão da ausência, à época e em todos os demais períodos, de exigência do Fisco. Tal atitude caracterizou prática reiterada, nos temos do dispositivo supra, o que, por conseguinte, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; do contrário, seria temerário se, por cumprir as orientações do próprio credor, pudesse a Contribuinte vir a ser punida; nesse contexto, evidenciase que a Recorrente jamais poderá se sujeitar à cobrança de penalidades, juros ou correção monetária, uma vez que realizou o recolhimento Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 293 11 dos tributos à base de prática administrativa reiterada adotada pela Secretaria da Receita Federal. Este é o Relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 294 12 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 1998. A base de cálculo foi extraída da movimentação bancária da Contribuinte, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. O presente lançamento decorreu de representação feita pela DRJSalvador (fls. 77), após terem sido consideradas improcedentes as exigências fiscais constantes do processo nº 10580.001866/200288, que abrangia os mesmos períodos do ano de 1998. Esta representação fiscal trouxe as seguintes informações: (...) Na oportunidade em que foi apreciado o processo em epígrafe, da contribuinte GOODCAR COMERCIO DE VEÍCULOS LTDA, CNPJ n.° 96.336.150/000109, referente a Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Autos Reflexos, (...), ano calendário de 1998, observouse que a base de calculo do IRPJ foi determinada mediante o arbitramento do lucro, com fulcro no artigo 47, inciso III, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, porque a pessoa jurídica teria deixado de apresentar os documentos relativos à sua escrituração contábil/fiscal, inclusive de sua movimentação financeira, solicitados mediante Termo de Início de Ação Fiscal e posteriores. 2. Entretanto, relativamente ao anocalendário de 1998, a contribuinte encontravase no regime tributário denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, na condição de EPP, consoante cópia da Declaração Anual Simplificada PJ/1999 SIMPLES (cópia fls. 114 e 115 do processo). De acordo com o extrato de consulta feita aos sistemas informatizados da Receita Federal, a opção pelo SIMPLES foi feita em 13/03/1997 (fl. 346 do processo). (...) 9. Da leitura dos dispositivos legais supracitados, depreendese que a pessoa jurídica optante pelo SIMPLES somente poderá ser submetida às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão daquela sistemática de tributação, e esta, por sua Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 295 13 vez, somente darseá em razão da ocorrência de uma e ou mais hipóteses de exclusão de oficio, previstas na lei, e mediante Ato Declaratório, expedido pelo Delegado da Receita Federal que jurisdicione a contribuinte. 10. Ante o exposto, votouse pela improcedência dos lançamentos, porque entendeuse que, caso a pessoa jurídica se enquadrasse em uma das hipóteses legais de exclusão de oficio, faltou requisito Legal obrigatório à sua exclusão do SIMPLES a expedição do competente Ato Declaratório para que depois, então, se procedesse ao arbitramento do lucro, a partir do período em que se processassem os efeitos da exclusão. E, caso a pessoa jurídica não se enquadrasse em nenhuma das hipóteses legais de exclusão do SIMPLES, a tributação somente poderia prosperar se estivesse de acordo com as normas aplicáveis a este regime tributário. 11. Ante o exposto, e visando preservar os interesses da Fazenda Nacional, REPRESENTO a V. S.a, com base no artigo 12 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, para as providências cabíveis, enquanto não consumada a decadência, observando ainda o artigo 1° da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, caso seja pertinente. Após, então, terem sido canceladas as exigência de IRPJ pelo regime do Lucro Arbitrado e reflexos, constantes do processo nº 10580.001866/200288, foi realizado um novo lançamento, desta vez na própria sistemática do Simples, que é objeto do processo ora examinado. Na impugnação deste segundo lançamento, a Contribuinte desenvolveu extenso arrazoado, defendendo a idéia de que o Fisco somente poderia obter dados bancários de contribuintes por meio do Poder Judiciário, e não mediante requisição direta do órgão fiscal, como ocorreu no caso vertente. Destacou também que era optante do Simples desde o anocalendário de 1997, e que, deste modo, não poderia prosperar a tributação com base no lucro arbitrado, já que não houve prévia emissão de Ato Declaratório excluindo a autuada do Simples. Posteriormente, mas antes de proferida a decisão de primeira instância, a Contribuinte apresentou documentos, dizendo ter juntado cópias de todos os cheques emitidos pela autuada no período fiscalizado, através dos quais se poderia verificar que da conta corrente fiscalizada foram transferidos, via cheque nominal, para a Concessionária REVISA, os valores relativos aos veículos vendidos no mês da emissão, ou no mês imediatamente anterior. De acordo com os seus argumentos, os valores que circularam na conta corrente auditada não constituiriam receita operacional da empresa GOODCAR, antes sendo valores de titularidade da REVISA, que os recebia em função da revenda de carros usados dados em consignação para venda à autuada, que, pela intermediação, auferia pequena comissão. Nesta petição, a Contribuinte também alegou que para facilitar a confrontação dos valores transferidos da contacorrente da autuada para a REVISA, estava Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 296 14 relacionando, em separado, com a devida identificação, os veículos vendidos mês a mês, durante todo o período de autuação, bem como os cheques envolvidos nessas operações. Disse, ainda, que para comprovar a veracidade de suas alegações, juntava cópia do “LIVRO CONTA CORRENTE DOS VEÍCULOS DA REVISA COM GOODCAR”, onde estão, dia a dia, detalhadas as operações realizadas. No novo julgamento em primeira instância, as preliminares foram rejeitadas. A DRJ também esclareceu que o segundo lançamento foi realizado em conformidade com a legislação do Simples, e não mais com base no Lucro Arbitrado, e que, portanto, seriam improcedentes as críticas da Contribuinte nesse sentido. Quanto aos documentos apresentados depois do prazo para impugnação, mas antes de proferida a decisão de primeira instância, a DRJ manifestouse nos seguintes termos: (...) 21. Verificase na impugnação interposta pela autuada, que a sua defesa se ampara em extensa argumentação sobre ilegalidade do feito, por suposta ofensa a dispositivos constitucionais e da legislação aplicável, fazendo citações de jurisprudência e doutrina, sem que lograsse anexar, prova documental hábil e idônea que sustentasse os seus argumentos. 22. Depois, a contribuinte apresenta a petição de fls. 193/199, requerendo a esta DRJ/SRD/Ba anexação da documentação arrolada nos anexos I a IV, visando provar que os valores depositados em sua conta no Bradesco S/A não constituiriam omissão de receita do Simples, uma vez que para viabilizar a atividade de intermediação de venda de veículos de terceiros seria obrigada a depositar todo o valor da venda do veículo na referida conta, reembolsando o proprietário depois da compensação do cheque, apenas retendo consigo o valor das comissões, querendo dizer que a tributação do Simples incidiria apenas sobre essa diferença recebida. 23. Como se trata de um volume grande de informações, relativa a um número grande de transações, anexada antes do julgamento do processo, e tendo em vista a busca da verdade material, acato essa documentação e passo a examinála neste voto. 24. Cabe lembrar que a pessoa jurídica que se dedicava ao "comércio de veículos em consignação", auferindo comissões sobre as vendas, não podia optar pelo SIMPLES, porque a Receita Federal entendia que a prestação desses serviços era assemelhada à de corretor. 25. Mas a questão hoje está pacificada, pois a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da SRF, acabou concluindo pelo ingresso no Simples das operadoras de venda por consignação de veículos usados, conforme o Parecer Cosit nº 45, de 17/10/2003, cuja ementa se transcreve a seguir: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 297 15 “POSSIBILIDADE DE INGRESSO NO SIMPLES. OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. OPERAÇÕES DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. É facultado às pessoas jurídicas que realizem operações em consignação por comissão (contratos de comissão, arts. 693 a 709, do Novo Código Civil, Lei n° 10.406, de 2002), e às a elas equiparadas, o ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), por não configurarem estas atividades mera intermediação de negócios. Dispositivos Legais: Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9°, XIII.” 26. Mas a equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716/1998 e a Instrução Normativa SRF nº 152/1998, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples, pois estas estão impedidas de deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado. 27. Na hipótese de não haver um efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve ser tratada como mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, referente ao Simples, o valor total constante das notas fiscais, que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica. Neste caso, a receita bruta para efeito de tributação pelo Simples é aquela definida no art. 4° da IN SRF n° 355, de 2003, verbis: “Art. 4º Considerase receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa.” 28. Reforçam este entendimento as decisões em processos de consulta proferidas pelas Unidades Regionais da SRF, sintetizadas nas ementas infracitadas: “1. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 303 de 30 de setembro de 2005, Superintendência Regional da Receita Federal 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples EMENTA: A pessoa jurídica que efetua a venda de veículos, em nome próprio, pode aderir ao Simples, pois tal Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 298 16 atividade distinguese das atividades de representação comercial, intermediação e corretagem. Esclareçase que a equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716/1998 e a Instrução Normativa SRF nº 152/1998, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. Assim, caso não haja um efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve receber o tratamento de mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, o valor total da receita constante das notas fiscais, que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica. 2. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 349 de 15 de outubro de 2004, Superintendência Regional da Receita Federal 10ª Região Fiscal EMENTA: Simples. Opção. Possibilidade. Venda de veículos sob consignação. Base de cálculo dos pagamentos. A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, e comercializeos sob consignação, pode aderir ao Simples, desde que atendidas as demais exigências da legislação de regência. A diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do automóvel integra a base de cálculo do montante a ser pago pela sistemática do Simples. 3. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 42 de 11 de abril de 2002, Superintendência Regional da Receita Federal 6ª Região Fiscal EMENTA: OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. A receita a ser tomada como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, deve ser sempre o valor total constante das notas fiscais que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica, pois a empresa optante pelo Simples não pode deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado. É vedado o exercício da opção pelo Simples às pessoas jurídicas que prestam quaisquer serviços que traduzam a mediação ou intermediação de negócios, e que resultem no pagamento de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela mediação na realização de negócios civis ou comerciais.” 29. Passando ao exame da documentação apresentada pela impugnante, constatase nos anexos I a IV, que toda ela é insuficiente para comprovar a alegada comercialização de carros usados, dados em consignação pela REVISA, para revenda pela autuada, senão vejamos: (a) relaciona alguns cheques compensados em favor da REVISA (fls. 03/29 dos anexos); (b) relaciona veículos vendidos no anocalendário de 1998 (fls.30/54); (c) anexa documento intitulado PEDIDO, mas sem número de seqüência nem de autorização para expedição pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, que são características de uma nota fiscal de venda, acompanhado de Certificado de Registro de Veículo (fls. 55/1064); (d) anexo IV, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 299 17 que a interessada denomina de “LIVRO CONTA CORRENTE DOS VEÍCULOS DA REVISA COM GOODCAR VEÍCULOS”, mas que é apenas uma encadernação de anotações manuais de suposta compra/venda de veículos, sem nenhuma utilidade fiscal, como acontece com os demais papéis observados nos tais anexos. 30. As anotações juntadas pela impugnante, como de valores de venda de veículos no período fiscalizado (fls. 55/1064), fazem prova a favor do Fisco, já que constituem receita bruta do Simples, considerando que a empresa inscrita no referido sistema não pode computar a diferença entre o valor de venda de veículo e o custo de aquisição para determinar o valor do pagamento mensal unificado. As únicas deduções permitidas pela norma do Simples são as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos art. 2º, § 2º, da Lei nº 9.317/996, e art. 4° da IN SRF n° 355/2003. 31. Verificase, enfim, que os papéis anexados pela impugnante são meros controles pessoais, inócuos como meio de prova capaz de descaracterizar o lançamento fiscal. Em suma, a autuada não anexou qualquer documento hábil e idôneo, que pudesse contradizer o feito (livros fiscais, contratos de consignação, notas fiscais, etc), demonstrando que não mantinha escrita fiscal e contábil que registrasse as operações e atividades da empresa, inclusive bancária, no anocalendário de 1998, proveniente da realização de atividade de compra e venda de veículos automotores, mesmo aquela a que estava obrigada por imposição da legislação tributária. 32. Os cheques que foram depositados pela GOODCAR (fls. 03/29 do Anexo I) e compensados pela empresa REVISA, que, segundo a primeira, eram para pagamento de veículos adquiridos para revenda, não têm efeito sobre a base de cálculo do Simples, pois esta corresponde à receita bruta de venda constante da nota fiscal, sobretudo porque a autuada não apresenta os contratos que pudessem comprovar a operação de consignação por comissão na venda/revenda de veículos usados. 33. Notase também na documentação apresentada (anexos I a IV) as inconsistências a seguir: a) muitos dos carros negociados têm origem diversa da REVISA; b) não se consegue estabelecer uma vinculação dos cheques relacionados pela fiscalização (fls. 42/62) como os valores dos carros da REVISA; c) Muitos valores das transações divergem dos valores constante dos formulários, DUT, e listagens, apresentados nos referidos anexos; d) não consta em cada uma das vendas quanto recebia efetivamente a requerente de comissão. 34. Portanto, tendo em vista que os lançamentos foram efetivados com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e outros que o complementa, julgo correto o lançamento, por estar em sintonia com a legislação de regência, e pelo fato de a documentação anexada não servir de instrumento de prova hábil e idôneo capaz de desqualificar o procedimento fiscal. (...) (grifos do original) Fl. 17DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 300 18 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte procura demonstrar que o lançamento está maculado por vício de nulidade, alegando que a tributação não poderia ter sido realizada no regime do Simples. De acordo com seus argumentos, ao se considerar as operações como compra e venda, e, por conseguinte, alterar completamente a base de cálculo para a apuração dos respectivos tributos, passa a ser inquestionável que a Contribuinte ultrapassou o limite de R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais) desde o ano de 1997 (ano de adesão). Assim, seria impossível a tributação no exercício de 1998 pelo regime simplificado, uma vez que desde o exercício de 1997, ano de adesão ao SIMPLES, ela teria ultrapassado o limite determinado pela Lei te 9.317/96. Outro ponto que enfatiza é a impossibilidade da operação realizada pela Recorrente, entendida como corretagem, se sujeitar ao SIMPLES, uma vez que existe vedação expressa no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. E ainda que se desconsidere essa impossibilidade para os serviços de corretagem, também seria improcedente a autuação, haja vista que a tributação não recaiu sobre o valor do mencionado serviço (comissão). Segundo argumenta, nos termos do § 2° do art. 2° da Lei n° 9.3l7/96, a receita bruta na prestação de serviço consiste no preço dos serviços prestados, razão pela qual seria indevida a apuração da base de cálculo do tributo incluindo os valores repassados aos proprietários dos veículos usados. A Recorrente novamente afirma que suas operações não podem ser configuradas como compra e venda de veículos usados, posto que não era a proprietária destes bens, e que, neste contexto, é imperioso excluir da base de cálculo os valores devidamente comprovados e repassados aos proprietários dos veículos. Quanto ao alegado excesso de receita no ano anterior (1997), que, segundo a Recorrente, prejudicaria a tributação pelo Simples no ano de 1998, é preciso deixar claro que a Fiscalização não adotou uma regra geral de dimensionamento de base de cálculo, a ser aplicada indistintamente a qualquer período, e que permitiria afirmar, de modo inquestionável, que a receita bruta em 1997 ultrapassou o limite permitido para o Simples. No caso, o critério adotado pela Fiscalização decorreu especificamente das circunstâncias do ano fiscalizado (1998), em relação ao qual a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar que boa parte dos depósitos bancários correspondia a receita de terceiros, e não da Recorrente, problema esse que não pode ser automaticamente estendido para 1997 (ano que nem mesmo foi objeto de fiscalização). Portanto, são improcedentes os argumentos que sustentam a impossibilidade de tributação em 1998 pelo Simples, em razão de excesso de receita no ano anterior. Acerca do outro aspecto que, segundo a Recorrente, também impediria a tributação pelo Simples, qual seja, a vedação expressa para os serviços de corretagem ou assemelhados, a DRJ já esclareceu que a Receita Federal, por meio do Parecer Cosit nº 45, de 17/10/2003, admitiu o enquadramento no Simples para as pessoas jurídicas que atuam no ramo Fl. 18DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 301 19 de comércio de veículos usados, realizando operações em “consignação por comissão”, por entender que esta atividade não configurava mera intermediação de negócios. Deste modo, também inexiste esta outra impossibilidade para a tributação pelo Simples. Fosse essa a atividade desenvolvida pela empresa, poderia ela estar enquadrada no Simples sem problemas, e a tributação recairia apenas sobre as comissões recebidas em razão dos serviços prestados. O grande obstáculo é que não houve comprovação de que esta foi a atividade desenvolvida pela Contribuinte no ano de 1998, e de que boa parte dos depósitos bancários correspondiam a receitas de terceiros (proprietários dos veículos), e não da Recorrente. Primeiramente, é importante destacar, conforme contrato social às fls. 69 a 75, que o objetivo da sociedade é o “comércio varejista de veículos”. Além disso, a alegação da Recorrente de que ela recebia os carros em consignação, para vendêlos na modalidade de “consignação por comissão” não subsiste diante da detalhada análise implementada pela DRJ na documentação apresentada, conforme os fundamentos transcrito nos parágrafos anteriores, os quais também adoto na presente decisão, posto que não foram refutados em sede de recurso. A caracterização das operações como vendas em “consignação por comissão”, por abranger prestação de serviços, exigiria não apenas registros específicos nos livros fiscais, que deveriam guardar coerência com a movimentação financeira da empresa, mas também a demonstração de toda uma lógica própria, com regras que evidenciassem as condições para a prestação destes serviços, os percentuais de comissão, a apuração desta, etc., e nada disso pode ser extraído dos documentos que foram juntados aos autos. Realmente, não há qualquer evidência de que a receita da Recorrente envolvia a prestação de serviços, e que era recebida a título de comissão. Se havia algum contrato de consignação firmado com os proprietários dos veículos, conforme alegado no recurso, seria na modalidade da chamada “consignação por venda”, que atualmente está prevista no Código Civil como “contrato estimatório” (arts. 534 a 537). No contrato estimatório, o consignatário atua perante terceiros como se fosse o real proprietário das coisas, exercendo em nome próprio o poder de disposição (que lhe foi regularmente transferido), e não como representante do consignante. Além disso, as condições que o consignatário ajusta com o terceiro adquirente para a alienação da coisa consignada não podem ser recusadas ou modificadas pelo consignante, e o valor recebido pelo consignatário é preço de venda, e não pagamento/remuneração por serviços prestados (comissão). O pagamento realizado ao consignante, por sua vez, configura custo para o consignatário. Assim, ainda que houvesse um contrato de consignação, na modalidade de “consignação por venda”, a base para a incidência dos tributos abrangeria o total dos valores recebidos, e não apenas uma parcela destes, a título de comissão recebida. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 302 20 Devo registrar, no mesmo sentido como já mencionado pela DRJ, que no caso de operações de compra e venda de veículos usados, ou mesmo de “consignação por venda”, não seria aplicável para a Recorrente a regra do art. 5º da Lei 9.716/1998, que permite a equiparação destas operações, para efeitos tributários, à operação de “consignação por comissão”: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. O sentido geral desta equiparação é que não seja computada toda a receita na base de cálculo dos tributos, inclusive daqueles que incidem sobre a receita bruta, mas somente a diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição do bem. A IN SRF nº 152/98 deixa isso bastante evidente: Art. 1º A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social – COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Vêse que a regra de direito material contida no art. 5º da Lei 9.716/1998 poderia plenamente atender a pretensão da Contribuinte, desde que observadas as devidas obrigações Fl. 20DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 303 21 instrumentais de escrituração etc., mas ela não é aplicável aos optantes do Simples, conforme esclarece o art. 4° da IN SRF n° 355/2003: Art. 4º Considerase receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. Realmente, não é possível usufruir cumulativamente de todos os benefícios fiscais ou tratamentos diferenciados previstos na legislação. Se a sistemática do regime simplificado tivesse que abarcar as normas que tratam de isenções específicas, creditamento, reduções de base de cálculo, substituição tributária, diferimentos, etc., restaria bastante comprometida a simplificação na apuração dos tributos, e é esta a razão pela qual os benefícios obtidos com o Simples (que é opcional) excluem os outros previstos para as pessoas jurídicas que adotam os regimes normais de tributação. Portanto, a base de incidência do Simples deve mesmo ser composta pelo total dos valores recebidos, sem qualquer possibilidade de exclusão na base de cálculo. Finalmente, são improcedentes os argumentos de que não caberia aplicação de penalidade, juros, etc., por força da regra contida no art. 100 do Código Tributário Nacional. No caso, o único limite imposto para a atuação do Fisco era o prazo de decadência, e com relação a isso não houve qualquer problema. Com efeito, a não atuação imediata da Fiscalização, logo após a ocorrência do fato gerador, não tem o condão de transformar a conduta irregular da Contribuinte em “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, cuja observância excluiria “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 21DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.000413/200315 Acórdão n.º 180200.870 S1TE02 Fl. 304 22 Fl. 22DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018226/2007-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
DIPJ/DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ENTREGA FORA DO PRAZO
ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO.
É devida multa por atraso na entrega das declarações obrigatórias de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-000.808
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 DIPJ/DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ENTREGA FORA DO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA POR ATRASO. APLICAÇÃO. É devida multa por atraso na entrega das declarações obrigatórias de contribuinte que apresenta declarações após o prazo assinalado para cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Diniz Rapouso e Silva. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG. Contra a recorrente foi lavrado auto de infração (fl. 05), com exigência do valor de R$5.516,65, referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração Simplificada do Exercício de 2006, ano calendário 2005. Manifestando o inconformismo com a autuação a recorrente apresentou Impugnação (fls. 01 – 03), alegando em síntese que é optante pelo regime simplificado desde janeiro de 1997, cumprindo suas obrigações principais e acessórias. Argumentou que foi excluída do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 504.809 de 02 de agosto de 2004 e que o “sistema” da Receita Federal não acatou a entrega da declaração que originou a multa por atraso, mas em novembro de 2006 teria havido revisão do procedimento que a excluiu SIMPLES com efeitos retroativos. Sustentou, portanto, que estaria evidente que não houve negligencia, mas sim impedimento de cumprir com sua obrigação, tendo em vista a exclusão do regime simplificado. A 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 22 a 25, julgou procedente o lançamento entendendo que uma vez confirmado o atraso na entrega das declarações obrigatórias, incide a multa aplicada. Devidamente cientificada (fl. 28) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 31 – 34) reiterando seus argumentos e pugnando pelo provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10680.018226/200793 Acórdão n.º 180200.808 S1TE02 Fl. 54 3 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Como observado acima, a contribuinte é empresa optante pelo SIMPLES, ocorrendo que à época descrita no auto de infração, se achava excluída do aludido regime. Alega a recorrente que não apresentou sua Declaração Simplificada no prazo determinado precisamente porque, se achando excluída do SIMPLES, os “sistemas” da Receita Federal não aceitaram suas declarações, sendo que tão logo a autoridade administrativa, em processo de revisão, lhe enquadrou novamente no SIMPLES, apresentou a indigitada declaração. Entendeu a decisão recorrida, por seu turno, que estando excluída do SIMPLES, cumpria à recorrente apresentar declaração em conformidade com uma das demais regras de apuração da tributação. Pois bem, marcados os limites do caso proposto, cumpre registrar que a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG não está a merecer qualquer reparo. Com efeito, a recorrente se encontrava, como por ela admitido, excluída do regime do SIMPLES, logo, era sua obrigação cumprir as obrigações principais e acessórias como as demais pessoas jurídicas, conforme dispunha o artigo 16 da Lei nº 9.317/96 (vigente à época), cuja oportuna transcrição se faz abaixo: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ora, a exclusão da recorrente do SIMPLES não teve o condão de desobrigála do cumprimento de suas obrigações tributárias, muito pelo contrário, justificouse apenas a vedação da continuidade num determinado regime de apuração e pagamento. Relembrese, destarte, que a obrigação considerada descumprida pela recorrente é do rol das chamadas “obrigações acessórias”, ou seja, daquelas que o Código Tributário Nacional traduz em positivas ou negativas (obrigação de fazer ou não fazer), mirando o interesse da arrecadação e fiscalização tributária, vejamos: Artigo 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 55DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) É cediço que as obrigações acessórias objetivam dar meios à fiscalização tributária para investigar e controlar o recolhimento de tributos, que nada mais é, do que a obrigação principal a qual o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou terceiro, estejam ou possam estar jungidos, em resumo, as obrigações acessórias viabilizam a aferição do cumprimento das obrigações tributárias em geral, por tal justificativa é que as obrigações tributárias formais, muito embora independam da efetiva existência de uma obrigação principal, se atrelam à possibilidade ou probabilidade de existência destas, dando à administração tributária meios de aferir a realidade fiscal dos contribuintes. No caso dos autos, a recorrente estava como todos os contribuintes estão adstrita ao cumprimento de obrigação acessória, aperfeiçoada na entrega da competente declaração, e o fez em inconteste atraso. É lícito depreender da sistemática vigente, portanto, que a obrigação formal deve ser cumprida da maneira legalmente estabelecida, ou seja, as informações precisam ser apresentadas a tempo e com dados fidedignos ou em caso de erro, retificadas até a data limite estabelecida. Por essas razões encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 56DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 16366.000246/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
Embargos. Omissão/contradição/obscuridade.
Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados.
Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindo-se a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Embargos. Omissão/contradição/obscuridade. Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindo-se a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO/OBSCURIDADE. Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 46 /2 00 9- 19 Fl. 453DF CARF MF 2 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16366.000246/200919 Acórdão n.º 3301003.265 S3C3T1 Fl. 456 3 Relatório A presente demanda versa sobre pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa do 3º trimestre de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconheceu apenas parcialmente o montante pleiteado, estando a parte controvertida relacionada à taxa de seguro de mercadorias. Inconformado com o indeferimento parcial do seu pleito, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente, com base nos seguintes fundamentos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de Apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. INSUMOS. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE PRODUTOS. TAXA DE SEGURO DE MERCADORIAS. Por falta de previsão legal, não dá direito ao crédito o gasto com seguro de mercadorias, ainda que cobrado juntamente com despesas de armazenagem. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC É incabível a incidência de juros compensatórios com base na Taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Confins. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido Insatisfeito com o conteúdo desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, através do qual pleiteou que fosse deferido integralmente o Pedido de Ressarcimento apresentado, referente à COFINSExportação do 3o trimestre de 2008, bem como reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Em sessão de julgamento realizada em 31 de janeiro de 2013, a 3a Turma Especial deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela EXPORTADORA E IMPORTADORA MARUBENI COLORADO LTDA., nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Fl. 455DF CARF MF 4 Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Tendo em vista a importância para a solução da presente lide, transcrevo a íntegra do voto proferido pelo Relator naquela oportunidade: Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A empresa tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, beneficio de café, adquiridos de terceiros, conforme 31ª Alteração do Contrato Social e Contrato Social Consolidado, sendo que consta nos autos a informação de que a empresa tem registrado no sistema de comércio exterior da receita federal os valores de suas exportações. Na realidade a contribuinte tem direito ao crédito presumido destinado a empresas que tenham por atividade a agropecuária, conforme previsto no art. 29 da Lei 11.051/2004, sendo que o cerne da questão está justamente na interpretação do conceito de insumo. Analisando o caso concreto, compreendo que a DRJ realizou uma interpretação por demais restritiva para o art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, que possui a seguinte redação. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma, tem sinalizado para uma interpretação menos restritiva para o conceito de insumo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16366.000246/200919 Acórdão n.º 3301003.265 S3C3T1 Fl. 457 5 Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. O conteúdo desta decisão foi incluído no eprocesso em 15/03/2013, após assinatura do Relator, Juliano Lirani, e do Presidente da Turma, Alexandre Kern. Ato contínuo, em 16/03/2013, o Conselheiro Alexandre Kern, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do CARF, apôs embargos declaratórios com base nos seguintes fundamentos: (i) Omissão quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. (ii) Obscuridade quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de julgamento dos referidos Embargos Declaratórios opostos. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Os embargos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima narrado, o então Presidente de Turma opôs embargos declaratórios em face do Acórdão em questão, com base em omissão e obscuridade, as quais serão devidamente analisadas a seguir. Inicialmente, apontou que teria havido omissão do acórdão embargado quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. Constato, então, que, de fato, houve pedido expresso do contribuinte no sentido de que fosse reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Verifico, ainda, que o voto constante da decisão recorrida não traz uma linha sobre este tema, o que confirma a omissão apontada nos embargos ora analisados. Constato ainda, que, neste caso específico, a ementa tampouco tratou deste tema. Apesar do acima exposto, verifico que nos autos do Proc. n. 16366.000242/200931, que trata sobre a mesma matéria aqui analisada, sendo diverso apenas o período de apuração, constou da ementa do julgado o seguinte: RESSARCIMENTO. JUROS. TAXA SELIC A legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Cofins. Ou seja, com base no que constou da ementa supra transcrita, ainda que inserta em processo diverso do presente, entendo que a conclusão a que chegou a Turma Julgadora naquela oportunidade foi de que "a legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à COFINS". Ocorre, contudo, que o Relator deixou de trazer em seu voto, ou mesmo na ementa do presente processo, os fundamentos que levam a tal conclusão. Passo, então, a sanar tal omissão, cujas razões de decidir deverão integrar a decisão recorrida. Entendo que a Turma Julgadora concluiu pela inaplicabilidade da taxa SELIC no caso vertente tendo em vista o entendimento deste Conselho no sentido de que inexiste amparo legal tal concessão em casos de ressarcimento de valores de PIS e COFINS. Nesse Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16366.000246/200919 Acórdão n.º 3301003.265 S3C3T1 Fl. 458 7 sentido, transcrevo a seguir fundamentos constantes do voto proferido no Proc. n. 10510.000367/200540 (Acórdão n. 3201002.433 de 25 de janeiro de 2017): Quanto à esta matéria devese consignar que de fato não existe amparo legal para a correção monetária conforme pleiteada pela Recorrente, restando correta a conclusão do resultado da diligência fiscal neste ponto. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. A hipótese tratada nos autos, referese a ressarcimento, uma vez que houve uma permissão concedida por instrução normativa vigente à época, conforme ressaltado pela própria Recorrente, para se compensar valores retidos com impostos e contribuições da mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ou seja, não se trata aqui de valores pagos indevidamente ou a maior, hipótese de que trata o Art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995, que diz respeito a casos que envolvem compensação ou restituição, mas não abordou a hipótese de ressarcimento. Dispõe o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383 de 30 de dezembro de 1991, que: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 2º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.” (Grifouse). Dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, a interpretação do conteúdo de um parágrafo deve ser efetuada em conjunto com o caput do artigo e não isoladamente. Assim, o parágrafo completa o sentido do artigo ou acrescenta exceções ao seu enunciado. Verificase, portanto, que, ao estabelecer que a compensação ou restituição será efetuada pelo valor corrigido, o § 3º está completando o sentido do caput do art. 66, que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. 1º (VETADO) Fl. 459DF CARF MF 8 2° (VETADO) 3° (VETADO) 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (Grifouse). Assim, ao se reportar ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, verificase que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, é aplicável apenas nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais, o que não é a hipótese tratada nos presentes autos. Devese ainda esclarecer que, ao contrário do que afirma a Recorrente, não existe, no aludido Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, qualquer dispositivo que declare, expressamente, que os institutos da restituição e do ressarcimento estariam equiparados. Tal decreto dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, regulamentando o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da mesma forma, o citado Parecer AGU nº CQ96 também tratou especificamente de repetição (restituição) de indébito, o que, como já visto, não se aplica à hipótese tratada nos autos. Finalmente, cabe informar que atualmente existe norma expressa na Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa), vedando, para o ressarcimento da Cofins e do PIS a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase (grifo nosso): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13.” Nesse contexto, vêse que os artigos 39, §4°, da Lei 9.250/1995, 66, §3° da Lei n° 8.383/1991 e 108 do Código Tributário Nacional, indicados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, não o socorrem em seu pleito de aplicação da atualização monetária com base na taxa SELIC. Ademais, consoante também constou do voto supra transcrito, é cediço que, desde 2003, há previsão expressa vedando a aplicação da taxa SELIC no caso de ressarcimento do PIS e da COFINS. Destaquese, ainda, que as decisões colacionadas pelo contribuinte em seu Recurso tampouco o socorrem em seu pleito, visto que estão relacionadas à matéria estranha à presente demanda, por versarem sobre ressarcimento relativo a crédito presumido de IPI. No Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16366.000246/200919 Acórdão n.º 3301003.265 S3C3T1 Fl. 459 9 sentido da inaplicabilidade da extensão do entendimento relativo ao IPI para o PIS e à COFINS, trazse à colação decisão deste Colegiado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. ORIENTAÇÃO DO STJ PARA O IPI. INAPLICÁVEL. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da Cofins apuradas pelo regime não cumulativo, o ressarcimento de saldos credores não se sujeita à remuneração pela Taxa Selic em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, sob o rito do artigo 543C do anterior CPC, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação de atualização monetária expressa em lei ordinária, o que não ocorre para o IPI. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXONERAÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A compensação tributária, efetivada pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, constitui sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, de modo que é figura passível de ser abrangida pelo benefício da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos termos do artigo 138 do CTN. Recurso Voluntário provido em parte. Diante de todo o exposto, concluiuse que o pedido constante do Recurso Voluntário de atualização do montante a ser ressarcido com base na taxa SELIC deve ser indeferido. É importante que se reconheça, outrossim, que a decisão recorrida incorreu ainda em contradição neste mesmo ponto, a qual precisa ser sanada nesta oportunidade. Isso porque, embora conste do acórdão a informação de que os membros do colegiado teriam acordado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, o indeferimento relativo à atualização pela taxa SELIC, no meu entender, leva ao provimento apenas parcial do recurso. Sendo assim, entendo que deverá ser sanada a omissão/contradição acima apontada, para fins de: (a) integrar o voto proferido, no sentido de trazer os fundamentos que Fl. 461DF CARF MF 10 levaram à negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos, conforme razões acima expostas; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC. Apontou, ainda, o Embargante que teria havido obscuridade na decisão recorrida quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Na ementa do julgado o Relator assim consignou: COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE.CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Já em seu voto, o Relator manifestouse da seguinte forma: Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. (Grifos apostos). Ou seja, o Relator discorre em seu voto, na linha de inúmeras decisões proferidas por este Conselho, que o conceito de insumos para fins creditamento de IPI é diverso do conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS. Em seguida, conclui em seu voto pelo reconhecimento do direito ao creditamento relativo à despesa com seguro, "uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI". Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16366.000246/200919 Acórdão n.º 3301003.265 S3C3T1 Fl. 460 11 De outro norte, na ementa, concluiu que não caberia ao Poder Executivo restringir o direito do contribuinte em utilizar serviços como insumos. Neste ponto, entendo que a obscuridade mencionada pelo Embargante diz respeito à ausência de indicação no voto do Relator do fundamento relativo à tal impossibilidade, o que passo a sanar nesta oportunidade. Embora não tenha o Relator discorrido expressamente em seu voto sobre a impossibilidade do Poder Executivo de restringir o direito creditório do contribuinte, entendo que esta impossibilidade decorre da própria interpretação do conceito de insumos feita pelo Relator. Ora, tendo em vista o conceito mais alargado do conceito de insumos para fins de crédito de PIS/COFINS, comparado com o conceito para fins de crédito de IPI, entendeu o Relator que possuía o contribuinte direito ao ressarcimento no montante integral pleiteado. E, com base na sua interpretação do conceito de insumos, o contribuinte possuía previsão legal para usufruir do crédito relativo à despesa com seguro. Logo, não cabia ao Poder Executivo restringir o direito creditório em questão, o qual encontra previsão na legislação do PIS/COFINS, conforme interpretação dada pelo Relator. Sendo assim, no intuito de sanar a obscuridade apontada pelo Embargante, entendo que as razões acima expostas também deverão integrar os fundamentos do voto proferido pelo Relator ao julgar o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. Diante do acima exposto, acolho os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão/contradição/obscuridade acima indicadas, no sentido de: (a) integrar o voto proferido com os fundamentos acima dispostos no que tange à negativa de atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido com as razões acima dispostas, relativas à impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 463DF CARF MF 12 Fl. 464DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904841/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.956
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 1/ 20 11 -1 4 Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10530.904841/201114 Resolução nº 3201000.956 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10530.904841/201114 Resolução nº 3201000.956 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10530.904841/201114 Resolução nº 3201000.956 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10530.904841/201114 Resolução nº 3201000.956 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1388DF CARF MF
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