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Numero do processo: 10875.902978/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 8/ 20 08 -3 8 Fl. 497DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 498 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: [...] O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria"... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 A 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 499 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos antes apresentados. Em síntese, alega que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins e a impossibilidade de desconsideração da DCTF e da DACON retificadoras. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Seção de Julgamento emitiu a Resolução convertendo o julgamento em diligência, para "que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos ". Sobreveio então informação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas, sobre a qual se manifestou a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 500 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. A recorrente dá conta de que retificou DCTF e DACON após o despacho decisório que deu pela não homologação a compensação pretendida, o que, a seu ver, teria ocorrido única e exclusiva em virtude da ausência de retificação destas declarações. Um exame da conclusão do acórdão da DRJ aponta que esta só consideraria retificações anteriores ao despacho decisório (ainda que não tenha afirmado categoricamente o aceite ou não das retificações posteriores): Finalmente, e considerando os pressupostos (informações e documentos), sobre os quais se assenta o Despacho Decisório recorrido (cronologicamente: DCTF original e retificação anterior ao Despacho Decisório, respectivas DARF e PER/DCOMP); e, considerando os demais documentos e elementos constantes dos autos, impõese a inexorável constatação de que o Contribuinte, tendo deixado de atender as exigências legais do Decreto 70.235/1972, não logrou demonstrar a efetiva existência do crédito, do qual pretendia se compensar. Entendo que a retificação extemporrânea da DCTF não causa prejuízo ao direito alegado, desde que comprovado por outros meios. Na mesma linha apontou o Resolução citada. Sigo jurisprudência do CARF: RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 501 5 (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/ 200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). Alega a recorrente o seu direito a crédito em função de que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins, pelo art. 3º da Lei 10.485/04. Segue, em sua versão original: Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. De fato, como lá informa: Aduz ter equivocadamente aplicado a alíquota de 3% a tais produtos, apontando planilhas, tendo havido indevido pagamento a maior a justificar seu crédito: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 502 6 [...] A informação fiscal decorrente da diligência determinada pela dita resolução concluiu que "apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de [...]" (grifos do original), mas deu pela "ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais". Reproduzo o trecho completo: Pois bem. Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Recibos de Entrega de DCTF e sua cópia parcial (fls.194 a 202), Recibos de Entrega de DACON e sua cópia parcial (fls. 203 a 218), Planilha de Vendas referente ao mês de jan/2004 (fl.220), Demonstrativo com a apuração da base de cálculo da COFINS jan/2004 (fl. 223), Planilha com a relação das notas fiscais de vendas de redutores de velocidade – período jan/2004 (fls.224 e 225), Cópia de notas fiscais de vendas (fls.226 a 230), Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e COFINS (fls.232, 234 a 239) e Demonstrativo com a relação dos débitos compensados por pagamentos indevidos ou a maior (fl.241). Embora o contribuinte tenha evidenciado na Memória de Cálculo dos pagamentos indevidos ou a maior (fls.232 e 237) o montante de R$ 1.559.302,84 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e nove mil, trezentos e dois reais e oitenta e quatro centavos), oriundo das vendas de redutores de velocidade no mês de janeiro de 2004, o que teria acarretado, aplicandose a alíquota de 3%, na apuração indevida da COFINS de R$ 46.779,10 (quarenta Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 503 7 e seis mil, setecentos e setenta e nove reais e dez centavos), fez a anexação aos autos de notas fiscais, cuja somatória monta apenas em R$ 266.357,81 (duzentos e sessenta e seis mil, trezentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e um centavos). Considerando que a nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da operação comercial, para fins de determinação do valor do crédito da COFINS passível de compensação, serão utilizadas tão somente as notas fiscais carreadas aos autos. Assim, de conformidade com o determinado na Resolução nº 3202 000.138, expedida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foram averiguadas as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, bem como examinados os documentos juntados aos autos, o que inclui a DCTF retificadora, ainda que transmitida em data posterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico, apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de COFINS de R$ 7.990,72 (sete mil, novecentos e noventa reais e setenta e dois centavos): [...] No entanto, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foi calculado o crédito da COFINS, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito do contribuinte ao referido crédito. Em sua manifestação quanto à relatada informação fiscal, a recorrente esclarece: [...] 28. Não bastasse o exposto, e exclusivamente para que não haja qualquerdúvida acerca de seu direito creditório, a Recorrente acosta aos presentes autos a integralidade das Notas Fiscais de venda dos redutores de velocidade (doca 03), relacionadas na planilha de fls. 224/225, que bem demonstra o valor indevidamente tributado e que foi utilizado na PER/DCOMP que deu origem à presente discussão. 29. A Recorrente junta também o razão da conta COFINS À RECOLHER (doca 04 – documento não paginável), que permite a identificação precisa, nota por nota, do valor creditado na conta contábil com base nas Notas Fiscais de venda. À título exemplificativo, vejase o registro realizado nessa conta em razão da emissão da Nota Fiscal n.º 83919 (fls. 226): [...] 34. Por fim, à Recorrente cumpre sinalizar que, em 09/03/2012, acostou aos autos mídia digital3 com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004, conforme comprovante de fls. 243/244, de modo que a DRF não poderia ter deixado de realizar juízo de valor acerca Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3301000.962 S3C3T1 Fl. 504 8 do direito creditório em questão sob a justificativa de inexistência de registros contábeis comprobatórios, assim como o fez. Tratouse de evidente desrespeito às determinações deste E. CARF. Identifiquei que, de fato, a contribuinte anexou aos autos: a) na sequencia da referida manifestação sobre a informação fiscal, diversas notas fiscais (fls. 305 a 392), tratando de "REDUTOR", e um arquivo não paginável de conta de livro razão "COFINS 2004" (fl. 493), com milhares de registros; e b) antes da resolução que determinou a diligência, , "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" em CD/DVD (fls 242 e 244), que pode bem ser a "mídia digital [...] com a integra dos lançamentos contábeis da Recorrente nos anos de 2003 e 2004", como manifestado pela contribuinte. Pelo exposto, considerando a busca pela verdade material e tendo em vista que há nos autos demonstrativos contábeis que podem comprovar os indébitos apontados, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados, com base nos elementos constantes e mencionados dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos que entender necessários; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726576/2016-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.672 1 1.671 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.726576/201657 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.592 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2018 Assunto IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório. Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso sobre o caso. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.80/184, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, os AuditoresFiscais autuantes verificaram em síntese que: 1. A contribuinte fiscalizada, juntamente com a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, durante o período de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 26 57 6/ 20 16 -5 7 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.673 2 setembro de 2011 a dezembro de 2012, perpetrou um esquema de sonegação fiscal junto a 29 unidades filiadas, deixando de tributar R$97.999.029,99 de receitas auferidas. 1.1. Tratase de ação conjunta, denominada Operação “Avaritia”, envolvendo a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, amparados por medidas obtidas junto à Justiça Federal, para desbaratar esquema de sonegação fiscal perpetrado há muitos anos. 1.2. Constatouse que o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP utilizou CNPJs autônomos, supostamente desvinculados da matriz, para efetuar uma rede de negócios oferecendo cursos de informática e de línguas estrangeiras, ocultando da tributação fiscal em média 77% da receita bruta auferida. 1.3. A simulação consistia no uso de diversas empresas, supostamente independentes, quando de fato respondiam contábil, financeiramente e administrativamente à fiscalizada. 1.4. Verificouse que a fiscalizada, juntamente com a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, comandavam 29 (vinte e nove) unidades num esquema fraudulento de omissão de receitas. 1.5. Segue demonstrativo especificando, para cada uma das unidades, a receita efetivamente auferida no anocalendário 2012 e os valores declarados à Receita Federal do Brasil no mesmo período por meio das DIPJ 2012/2013: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.674 3 Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.675 4 1.6. A documentação apreendida no curso da Operação “Avaritia”, analisada ao longo da fiscalização, demonstra que os maiores retornos financeiros do conglomerado seriam provenientes da sonegação fiscal mediante o emprego de fraudes à administração tributária, por meio da redução premeditada das receitas de todas as unidades componentes do grupo. 1.7. O registro de um novo CNPJ por filial teve por finalidade garantir que, caso a sonegação fiscal fosse descoberta em uma dessas filiais, esse fato não viesse a afetar o patrimônio das demais unidades da rede, que continuariam a exercer suas atividades normalmente. 2. DA QUALIFICAÇÃO DA FISCALIZADA 2.1. A contribuinte fiscalizada é empresa individual de responsabilidade limitada, cuja titular é ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI, CPF: 409.539.89810. A mesma é resultado da transformação da natureza jurídica da empresa MICRO SAMPA Comércio Serviços e Participações Ltda, sociedade empresária limitada, ocorrida em 07/02/2013. 2.2. Por sua vez, a MICRO SAMPA Comércio Serviços e Participações Ltda. foi constituída, em 03/10/2011, por Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, na situação de sócia e administradora, com participação de R$5.000,00 no capital social, e por José Nabais Nicolau, CPF: 019.250.40887, na situação de sócio com participação de R$95.000,00 no capital social, que se retirou da sociedade em 27/04/2012. Em 28/03/2012 foi registrada na JUCESP a abertura de filial na Av. Rebouças, nº 2.511, São Paulo – SP. Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.676 5 2.3. A empresa tem como objeto social “explorar com exclusividade as seguintes atividades: a) cursos especializados em tema de informática, línguas estrangeiras e de quaisquer outras matérias de interesse cultural, treinamento, pesquisa de programas educacionais, técnicos profissionais e correlatos; b) comércio atacadista e varejista de livros, apostilas, tratados, periódicos e outras publicações; c) atividade “holding” de participação em outras empresas e aquisições societárias.” 2.4. Apresentou as seguintes Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ): 2.5. Para o anocalendário 2012, consignou em DIPJ os seguintes valores como Receita Bruta trimestral, IRPJ a pagar e CSLL a pagar: 2.6. Confrontandose a Receita Bruta declarada com Movimentação Financeira a crédito, decorrente de depósitos em contas correntes, constatouse a existência da seguinte diferença relevante: 2.7. A empresa não apresentou DCTF para os períodos de apuração do anocalendário 2011. Para anocalendário 2012, declarou em DCTF somente débitos relativos ao IRPJ e à CSLL: Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.677 6 2.8. Quanto ao Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), relativos aos meses janeiro/2012 a abril/2012, a empresa informou apenas receitas isentas e/ou sem incidência das contribuições PIS e COFINS: 3. DA AÇÃO FISCAL 3.1. A ação fiscal foi iniciada em 26/02/2014 com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal. 3.2. Em 18/03/2014, por meio de seu procurador Sr. Sérgio Galvão de Souza Campos, OAB/SP n° 56.448, a empresa solicitou prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Início de Ação Fiscal, o qual foi concedido nos termos em que solicitado. 3.3. Em 23/04/2014, a fiscalizada providenciou a entrega dos seguintes documentos: 1) Livro Caixa no. de ordem 01, relativo ao período 01/01/2012 a 31/12/2012; e 2) Extrato bancário do Banco Bradesco (Agência 0895, conta 01097628), relativo ao período 29/11/2011 a 31/12/2012. 3.4. Como o atendimento foi parcial, na mesma data lavrouse novo termo de constatação e intimação fiscal (n° 003), datado de 23 /04/2014, reiterando a intimação quanto aos documentos faltantes. 3.5. As informações acima foram reiteradamente solicitadas à fiscalizada em: 30/05/2014, 10/07/2014, 14/08/2014, 23/09/2014 e 30/10/2014, por meio dos termos de reintimação nºs 04, 05, 06, 07 e 08; todos juntados ao presente processo administrativo fiscal. 3.6. Em 31/10/2014, a fiscalizada apresentou pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos documentos solicitados. 3.7. Em 26/11/2014, a fiscalizada apresentou resposta ao termo de reintimação n° 08, informando que, em relação aos extratos bancários, a empresa já entregou todos os extratos que mantinha em seu poder, e que somente realizou atividades préoperacionais Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.678 7 durante o ano calendário 2011. Na mesma data, a contribuinte foi intimada a informar todas as atividades econômicas efetuadas durante os anoscalendário 2011 e 2012. 3.8. As informações acima solicitadas foram reiteradas nos termos nºs 10 e 11, lavrados respectivamente em 23/12/2014 e 26/01/2015. 3.10. Em relação aos termos supracitados, a fiscalizada apresentou a seguinte resposta (fls.963): 1 No ano de 2011, mais precisamente desde a sua constituição em 07/11/2011, a empresa realizou tão somente atividades pré operacionais, preparandose para assumir o papel de fornecedora de material didático para os alunos da rede de escolas Microcamp, em decorrência da separação ocorrida entre os sócios das empresas componentes da referida rede. 2 No ano de 2012, a empresa atuou como centralizadora de compras para a rede de escolas Microcamp assumindo afetivamente a atividade de fornecedora de material didático para os alunos e para consumo nas próprias unidades. 3.11. Em 09/03/2015 a fiscalizada foi cientificada da continuidade do procedimento fiscal. 3.12. Em 14/04/15 foram entregues, em meio magnético, os documentos apreendidos na Operação Avaritia. 3.13. Em 29/05/2015, a empresa foi intimada a escriturar os livros caixa relativos ao período de jan/2011 a dez/2012 (Termo 13): 1) Recompor a escrituração do Livro Caixa apresentado, referente ao ano calendário 2012, bem como proceder a escrituração de Livro Diário ou Livro Caixa relativo ao anocalendário 2011, incluindo toda a movimentação financeira efetuadas nas seguintes contas bancárias: a) Banco Itaú, Agência nº 262, contas correntes n°s 840374 e 870900; b) Banco Bradesco, Agência n° 895 contas correntes n°s 1097628, 1097636, 1097644 e 1098136; Agência nº 1914 conta corrente 169650. 3.14. A intimação acima foi reiterada em 29/05/2015 e 08/07/2015 nos termos de reintimação nºs 14 e 15. 3.15. Em 16/07/2015 a fiscalizada solicitou prazo de 90 dias para atendimento do termo de reintimação n° 15. 3.16. O pleito da fiscalizada foi parcialmente atendido, recebendo o prazo de 30 dias, conforme Termo de Prorrogação de Prazo n° 16 lavrado em 27/07/2015. 3.17. Conforme solicitado pela contribuinte, a fiscalização forneceu cópia dos extratos bancários e do livro caixa, este último relativo ao anocalendário 2012. 3.18. Os termos nºs 18, 19, 20, 21 e 22, tiveram o mesmo objeto, qual seja, todos intimaram a fiscalizada a apresentar os documentos de escrituração. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.679 8 3.19. Em 04/05/2015, a fiscalizada solicitou prazo para atendimento dos termos supracitados. Na mesma ocasião, a fiscalização concedeu prazo de 30 dias. 3.20. Os termos nºs 24 e 25, lavrados em 28/06/2016 e 22/07/2016, respectivamente, reiteraram os documentos já solicitados. 3.21. Até a lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em 01/12/2016, não houve atendimento dos últimos termos lavrados. 4. DA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS 4.1. Durante o período fiscalizado, a fiscalizada movimentou as seguintes contas bancárias: 4.2. O total movimentado nas contas correntes durante os anoscalendário 2011 e 2012 foi: 4.3. De acordo com os documentos apreendidos, verificouse que cada conta recebeu uma denominação específica, uma referência interna, e desempenhou papel próprio dentro do grupo organizacional: • Conta 1097682 – HOLDING 002 – CONDOMÍNIO – Recebe os valores enviados pelas unidades a título de condomínio. • Conta 1097633 – HOLDING 005 – INVESTIMENTOS – Recebe os valores enviados pelas unidades a título de investimentos. • Conta 1097644 – HOLDING 006 CRC – Faz o gerenciamento dos cheques recebidos pelas unidades, conforme comprovantes bancários e relatórios de borderô. • Conta 870900 – HOLDING PRESIDÊNCIA – Conta denominada “presidência”, cujos valores são utilizados em gastos pessoais dos sócios. • Conta 840374 – HOLDING PRESIDÊNCIA – Também referenciada por conta “presidência”, seus valores também são utilizados em gastos pessoais dos sócios. Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.680 9 4.4. As referidas contas bancárias são abastecidas pelas unidades filiadas, sendo que, às fls.97/117, é apresentado um resumo operacional do funcionamento de cada uma delas, com amparo em extensa sustentação documental, abrangendo movimentos do Caixa, detalhamento de contas contábeis, extratos de contas bancárias, correspondências, contratos e cheques. 5. DA MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA 5.1. A empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, também passou por um procedimento de fiscalização, executado com amparo no TDPF n° 08190 002014004487. 5.2. Foi apreendida vasta documentação, na sede da fiscalizada, relativa à MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, por meio da qual foi demonstrada a atuação de ambas, de forma centralizada e coordenada, no comando das unidades filiadas. 5.3. A empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, é sociedade empresarial, com capital social formado por cotas de responsabilidade limitada. De acordo com seu contrato social, constitui o seu objeto social: “prestação de serviços de cobrança e recebimento de cheques e outros títulos de crédito, exceto judiciais, bem como na área de cursos especializados em temas de informática, línguas estrangeiras, técnicos e profissionais”. Registrou seus dados cadastrais no CNPJ informando como atividade principal: “atividades de cobrança e informações cadastrais”, CNAE 82911 00. 5.4. A empresa teve como sócios proprietários, durante os anoscalendário de 2011 e 2012, o Sr. Eloy Tuffi, CPF: 507.066.08887 e a Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF: 116.227.99828; sendo que cada um possuía 50% do capital social e ambos exerciam poderes de gerência. 5.5. Apresentouse, como procurador da empresa, o Sr. Sérgio Galvão Souza Campos, OAB/SP 56.248, que é o mesmo procurador da ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 5.6. A MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA declarou, por intermédio de DIPJ, os seguintes valores de receita bruta, imposto de renda a pagar (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), relativamente aos anoscalendário de 2011 e 2012: 5.7. Ainda, relativamente aos anoscalendário 2011 e 2012, apresentou as DCTFs abaixo especificadas, contendo os seguintes valores de COFINS e PIS/PASEP: Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.681 10 5.8. Referida empresa movimentou durante os anoscalendário 2011 e 2012 o total de R$23.104.755,29 (total creditado nas contas correntes) que, comparado com as receitas declaradas, leva ao demonstrativo a seguir: 5.9. Como se vê, a movimentação no ano de 2011 corresponde a mais de 458 vezes a receita declarada durante aquele anocalendário. Em 2012, a movimentação é superior a 72 vezes a receita declarada. 5.10. Segundo DIMOF informada pela instituição financeira ITAÚ UNIBANCO S/A, CNPJ 60.701.190/000104, as únicas contas movimentadas pela empresa durante os anos de 2011 e 2012 foram: 1) conta corrente 800650, agência 0895 e 2) conta corrente 00549, agência 444; ambas do Banco Itaú. A seguir, há um demonstrativo evidenciando a movimentação mensalmente consolidada destas contas: Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.682 11 5.11. Em 26/02/2014, na execução do Mandado de Busca e Apreensão MBA n° 19/2014 efetuado no endereço sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, foram coletados diversos documentos sobre o funcionamento da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/0001 90, demonstrando a forma de operação desta empresa dentro do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP. 5.12. De acordo com os documentos coletados, as contas bancárias 800650 e 00549 recebiam, respectivamente, as seguintes denominações: "Holding 004 Remessas" e " Holding 008 Cobranças"; e possuíam funções específicas no controle e gerenciamento dos Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.683 12 valores enviados pelas filiais (daí a sua elevada movimentação financeira). Respectivas contas eram supridas em grande parte por depósitos em cheques de clientes e depósitos em dinheiro feitos pelas unidades. 5.13. A conta 800650 responde pelo recebimento e administração dos valores enviados a título de REMESSAS, que correspondem a um percentual do faturamento das filiais, variando entre 13% e 35%, dependendo do porte da receita auferida. 5.14. A forma de operação desta conta bancária foi demonstrada por uma série de relatórios, extratos bancários, gerenciais, e outros, todos obtidos na execução do supracitado MBA 19/2014. 5.15. A título exemplificativo, cabe apresentar o Relatório de Movimento do Caixa, datado de 12/01/2012, que registra de forma individualizada os valores enviados por cada uma das unidades (filiais) a título de REMESSAS, quais sejam: SANTOS, ITAQUERA, INTERLAGOS, TATUAPÉ, etc... (fls.123). 5.16. Os valores registrados no Movimento do Caixa eram conciliados no extrato bancário, como se vê a seguir no extrato bancário parcial da referida conta datado de 05/01/2012 (fls.123). 5.17. Há ainda vários documentos que ilustram o pagamento de várias obrigações tributárias referentes às unidades, pagas com recursos da conta bancária n° 800650 (fls.124/126). 5.18. Juntamse outros documentos que demonstram o pagamento das mais variadas despesas das empresas filiais com recursos da presente conta bancária (fls.126/129). 5.19. Diversos acordos judiciais trabalhistas foram adimplidos com recursos da conta bancária n° 800650, conforme demonstram os documentos de fls.129/131. 5.20. Também foram coletados vários relatórios gerenciais que demonstram os valores enviados por cada uma das unidades a título de remessas, dentre os quais os gerenciais de JUNDIAÍ e MOGI DAS CRUZES referentes a fev/2012 (fls.131/132). 5.21. Por fim, com relação à referida conta também foram encontrados documentos que comprovam: Pagamento de IPVA de veículo de outra unidade, pagamentos de contas pessoais da Sra. Marlene Nicolau Rito Tuffi, tais como: seguranças, empregados domésticos, condomínio edifício regency, condomínio marina Guarujá, Iate Clube de Santos, conta de luz, serviços de tv por assinatura, etc... 5.22. Já a conta 00549 Banco Itaú, agência 444, responde pela cobrança e controle dos valores não recebidos no prazo pactuado, objeto de cobrança administrativa efetuada pela MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. 5.23. Às fls.133, a título exemplificativo, há vários acordos amigáveis, referentes às diversas unidades que foram objeto de negociação com os alunos inadimplentes. 5.24. Assim como a conta bancária anterior, a conta 005490 também é controlada via relatórios gerenciais de movimento de caixa, conciliados por meio de extratos bancários, conforme documentos de fls.134. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.684 13 5.25. Em 13/11/2014, a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES SS LTDA foi questionada especificamente sobre suas atividades econômicas e objetivos sociais, nos seguintes termos: “informar de maneira exaustiva quais foram todas atividades econômicas e objetivos sociais exercidos pela empresa durante os anoscalendário 2011 e 2012”. 5.26. Em resposta a esse questionamento, em 25/11/2014, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos: Prezados senhores MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, sediada à Av. Rebouças, 2511, Pinheiros, São Paulo SP, inscrita nos CNPJ sob nº. 11.693.962/000190, por seus procuradores abaixo assinados, em atendimento à solicitação contida no termo de intimação no. 007, acima referido, vem prestar os seguintes esclarecimentos: 1 A empresa tem em seu objeto social as atividades de cobrança e informações cadastrais; Educação profissional de nível médio e ensino de idiomas. 2 A empresa iniciou suas operações, de fato, no ano de 2011, em decorrência da separação ocorrida entre os sócios que compunham as diversas empresas da rede educacional Microcamp. 3 Sua atividade principal consiste em custodiar os cheques recebidos pelas escolas da rede Microcamp, até a sua data de depósito. Efetuar os respectivos depósitos em sua conta, ou da escola cedente, monitorar a efetiva compensação dos referidos cheques, cobrar aqueles que devolvidos e repassar os valores recebidos às escolas cedentes, quer pela transferência para a conta bancária da referida escola, quer pelo pagamento de contas e documentos das mesmas escolas, por sua conta e ordem. 4 Vale dizer, a empresa funcionou como uma espécie de caixa central da rede de escolas, mormente durante o traumático período da separação dos sócios, em que toda uma gama de dificuldades operacionais se assomou, seja em relação aos controles herdados da antiga organização, seja, mesmo, em relação à indisponibilidade das assinaturas autorizadas para movimento das contas das escolas, gerando a necessidade da referida centralização, situação essa que só veio a se normalizar no corrente ano de 2014. 5 Importante ressaltar que a empresa não fez adiantamento de recursos às escolas, limitandose a administrar seus recebíveis e pagar suas contas de acordo com a disponibilidade de cada uma destas escolas. 6 Suas receitas se resumem aos valores dos serviços cobrados das escolas pela administração de seu fluxo de caixa, assim como os valores cobrados dos devedores inadimplentes a título de honorários e taxas administrativas, quando da realização de cobranças. A empresa permanece à disposição de V.Sas. para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais. 5.27. A resposta apresentada corrobora a constatação de que a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, utilizava as suas contas bancárias a serviço de todo o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.685 14 5.28. Ora "funcionou como caixa central da rede de escolas", "monitorar a efetiva compensação" e todos os demais documentos coligidos durante a ação fiscal demonstram que estas unidades, na realidade FILIAIS, jamais foram independentes. Possuíam, na realidade, um comportamento MATRIZFILIAIS. O objetivo era um só: transacionar a maior quantidade possível de receitas sem tributação. Tanto assim que as unidades, em média, tributavam 25% das receitas auferidas. 5.29. Assim, resta claro o funcionamento da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA dentro do grupo empresarial MICROCAMP, representando função financeira específica, apoiando a verdadeira matriz ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI por meio da captação de receitas não tributadas, com o propósito específico de sonegar tributos e contribuições incidentes sobre o faturamento das filiais. 6. DAS FILIAIS DO GRUPO MICROCAMP 6.1. As ações fiscais levadas a efeito nas empresas ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, CNPJ 14.423.288/000111, e MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 111.693.962/00019, demonstram o liame entre essas empresas e todas as unidades filiadas, registradas com CNPJ supostamente independentes, utilizados com a finalidade única de obscurecer a verdadeira estrutura da empresa. 6.2. Conforme controles gerenciais apreendidos na sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, as filiais eram divididas em times, representados por diversas cores, de acordo com o seu faturamento, conforme resumido a seguir para o anocalendário 2012: • TIME AZUL I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$4.130.000,00; • TIME AZUL II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$3.700.000,00; • TIME AZUL III: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$3.200.000,00 • TIME VERDE I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.910.000,00; • TIME VERDE II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.670.000,00; • TIME VERDE III: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.430.000,00; • TIME AMARELO I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$2.165.000,00; • TIME AMARELO II: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$1.950.000,00; • TIME LILÁS I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$1.660.000,00; • TIME LILÁS I: filiais cujo faturamento anual previsto era de R$805.000,00 no período janeiro/2012 a julho/2012. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.686 15 6.3. Inicialmente, eram estabelecidos parâmetros às filiais para geração de FATURAMENTO; de controle de gastos: DESPESAS e de valores de REMESSAS a serem enviados à matriz (por meio da conta bancária 800650). Posteriormente, para fins gerenciais e de controle, os valores previstos eram comparados com os efetivamente ocorridos. 6.4. Pelo escrutínio da farta documentação apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, constatouse que esta, juntamente com a MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, representam o cérebro administrativo e de gestão financeira de recursos de uma grande e complexa empresa e suas 29 (vinte e nove) unidades filiadas, com a finalidade única de fraudar o recolhimento dos tributos federais, prejudicando o erário público. 6.5. A sonegação endêmica dos tributos e contribuições federais perpetrada pelo GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP tomam proporções homéricas quando se toma a empresa como um todo, e não como um forjado e pretendido conjunto de partes independentes. 6.6. De acordo com o Demonstrativo 1: Receitas efetivamente auferidas x declaradas à RFB, previamente reproduzido, o GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP omitiu, no anocalendário 2012, R$59.424.412,07 de receitas auferidas, ou seja 76,44% do seu faturamento não foi oferecido à tributação. 6.7. Conforme o faturamento, referidas filiais deveriam enviar REMESSAS à matriz, cujos valores variavam entre 13% (treze por cento) e 35% (trinta e cinco por cento) do faturamento, dependendo do valor de receita auferida. Quanto maior o faturamento da filial, maior o percentual destinado ao envio de remessas. 6.8. Estes valores transitavam pela conta 800650 (MC CURSO 11.693.962/000190), cujo total enviado no anocalendário 2012 foi de R$17.847.634,17, compatível com a movimentação financeira da conta neste período, o que corrobora que nesta conta transitavam apenas estes valores. A conta foi utilizada com este único propósito. 6.9. Esta constatação, juntamente com os demais documentos apreendidos pela Polícia Federal, corroboram o faturamento do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP referente a todas as filiais no valor de R$77.444.304,43, durante o anocalendário 2012. 6.10. Outros fatores também dão conta do gerenciamento conjunto das filiais por conta da matriz. Tomase, por exemplo, as DIPJs enviadas pelas filiais. De todas as vinte e nove filiais, vinte e sete enviaram as DIPJs na mesma data, 07/06/2013, entre 10h49m e 11h19min, ou seja, num espaço de 30 minutos, o que constitui prova clara de que as empresas estavam sendo coordenadas conjuntamente, pois de outra forma tal fato jamais ocorreria. 6.11. Na sede da fiscalizada foram encontrados diversos documentos, incluindo relatórios e gerenciais de controle interno emitidos por programas específicos, desenvolvidos com a finalidade de fornecer as posições financeira, operacional e econômica de qualquer uma das filiais. 6.12. No exercício das funções administrativa e gerencial, a fiscalizada enviava um representante para avaliação da unidade. Ao final da visita, era elaborado um relatório de Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.687 16 assessoria em que o representante elencava os pontos verificados e a orientação dada para saneamento das inconformidades. 6.13. Às 145/152, há uma série de documentos apresentados no "CONGRESSO MICROCAMP JANEIRO 2012 – FINANCEIRO ADMINISTRATIVO" com números consolidados e gerenciais comparativos dos anoscalendário 2010 e 2011. Referidos documentos, mais uma vez, corroboram o fato da fiscalizada atuar de forma centralizada na condução dos serviços prestados pelas unidades filiadas: 6.14. Desta forma, resta comprovado o controle exercido pela fiscalizada perante as unidades filiadas. 7. DO GRUPO MICROCAMP 7.1. De acordo com a documentação apreendida na sede da fiscalizada, a qual foi exaustivamente analisada, e também conforme o previamente exposto, concluise que o GRUPO MICROCAMP opera da forma centralizada, sendo que a MATRIZ é representada pela FISCALIZADA, e as filiais, a partir de setembro de 2011, são as unidades representadas pelas pessoas jurídicas especificadas Demonstrativo 1: Receitas efetivamente auferidas x declaradas à RFB. 7.2. Como demonstrado nos tópicos anteriores, a fiscalizada exercia o controle administrativo, econômico e financeiro de suas filiais, por meio dos diversos relatórios gerados na sede da fiscalizada, das comunicações via email, da análise dos relatórios de fluxo de caixa e dos extratos bancários. Assim, verificouse que a fiscalizada é a matriz do GRUPO MICROCAMP, e as unidades filiadas respondem prontamente ao controle exercido pela matriz. 7.3. O uso de unidades com CNPJs e contratos sociais distintos, comandados pela fiscalizada, tinha por finalidade, além da significativa sonegação fiscal, criar uma situação societária que possibilitasse à fiscalizada fugir da tributação de seus impostos e contribuições pela sistemática do Lucro Real, imposta às grandes empresas, conforme o art.246 do RIR/99. 7.4. A execução em detalhes e o espaçamento no tempo dos vários procedimentos adotados pelo GRUPO MICROCAMP para criar uma grande empresa pulverizada em unidades aparentemente estanques revela uma construção jurídica e contábil minuciosa efetuada com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, ao ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente num contexto societário diverso do que ocorria na realidade. 7.5. O caso em foco é complexo e composto de operações estruturadas em sequência, vale dizer, de uma sequência de procedimentos em que cada um corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial pensada e encadeada a partir da coordenação central de uma matriz com a finalidade de obter determinada vantagem ilícita. Neste caso, o uso de CNPJs independentes só tem sentido para os seus sócios se os mesmos conseguirem captar diretamente, ou por meio do uso de terceira empresa (fiscalizada), os recursos não contabilizados e não tributados, ou seja, à margem da legalidade. 7.6. Na medida em que o uso destas filiais corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um fim, é preciso indagar também, nas operações em sequência, qual a origem do numerário que possibilitou a criação das filiais e a quem é dado o Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.688 17 retorno direto do investimento. A resposta a essa pergunta é clara na análise dos documentos que foram apreendidos na sede da fiscalizada, pois fica evidente que esta empresa é de fato o centro financeiro e operacional do GRUPO MICROCAMP, e é utilizada pelos seus sócios proprietários para coordenar o fluxo financeiro do grupo como um todo. É quem efetua todo o investimento em novas filiais e, posteriormente, capta os valores não tributados resultante destas atividades em um caixa único que se mistura para fazer o seu redirecionamento, procedendo à abertura de novas filiais, aquisição de bens pessoais e para proveito da vida pessoal de seus proprietários. 7.7. A visualização da realidade fática existente nas operações do GRUPO MICROCAMP somente pode ser conhecida se as empresas forem examinadas como um todo. Fatos concretos, existentes no mundo real, permitem concluir que não existem 29 ou mais empresas independentes, mas apenas uma grande empresa que se utilizou de simulação para deliberadamente reduzir os tributos e contribuições que eram devidos sobre as atividades por elas desempenhadas. 7.8. A decomposição do GRUPO MICROCAMP em partes que não tem nenhum sentido, supostamente desconectadas da existência da matriz da empresa, excede manifestamente os direitos de liberdade de organização empresarial pretendida pelo legislador comercial. Essa forma de organização também se contrapõe frontalmente à legislação tributária federal e à legislação penal, caracterizando conduta enquadrada como Crime Contra a Ordem Tributária. 7.9. De fato, a construção minimamente arquitetada pelos proprietários do GRUPO MICROCAMP, cuja execução encontrase em andamento há mais de 10 (dez) anos, possibilitou uma omissão de receitas de R$ 98 milhões de reais, considerando apenas o período setembro de 2011 a dezembro de 2012. 8. DO LUCRO ARBITRADO 8.1. A exigência para que a fiscalizada apure seus tributos e contribuições utilizando a sistemática do LUCRO REAL é decorrente da previsão contida no art. 14 da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei 10.637/2012. 8.2. O lucro da fiscalizada foi arbitrado, tendo em vista que a mesma, obrigada à tributação com base no lucro real, não mantém escrituração que permite a efetiva aferição do lucro real. 8.3. Frisese que a fiscalizada tampouco informou a movimentação financeira das contas de sua titularidade, apesar de intimada a fazêlo no período de 29/05/2015 até a lavratura do Termo de Verificação Fiscal, em 01/12/2016. 8.4. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL deverão ser apuradas em conformidade com a sistemática do LUCRO ARBITRADO, seguindo os mandamentos contidos na legislação tributária federal. 8.5. Tendo em vista que a fiscalização apurou a receita bruta da fiscalizada por meio de seus controles internos e gerenciais, comprovados e fundamentados em documentação hábil e idônea apreendida na sede da empresa, o lançamento farseá de acordo com o art.27 da Lei 9430/96, sendo o lucro arbitrado tomandose por base a receita bruta conhecida. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.689 18 8.6. Conforme disposto nos artigos 15, 16 e 24 da Lei 9.249/95, os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta conhecida proveniente da prestação de serviços será de 38,4%. 8.7. Ressaltese que a tributação também se deu com respaldo no §1º do artigo 24 da Lei 9.249/95, visto que não foi possível detectar se havia alguma receita cujo percentual de presunção seria diferente do percentual aplicado à prestação de serviços. 9. DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS 9.1. Na execução dos Mandados de Busca e Apreensão nºs 18, 19 e 20, realizados nas sedes das empresas ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES e MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, foram coletadas diversas planilhas que demonstram o real faturamento das unidades filiais e, consequentemente, os valores de receitas brutas auferidas do conjunto matrizfiliais do GRUPO MICROCAMP deixados à margem da tributação. 9.2. Referidos demonstrativos de faturamentos mensais foram corroborados por procedimentos de auditoria fiscal, mediante o confronto direto com o restante dos documentos apreendidos, em especial: demonstrativos de fechamento mensais, relatórios de conciliação das contas das filiais, relatórios de endividamento, extratos bancários da matriz e das unidades filiadas, relatórios de fluxos de caixa. Referidos documentos foram juntados ao presente processo administrativo fiscal. 9.3. No ANEXO 1, às fls.186/190, encontrase especificado o faturamento mensal de cada filial durante o período setembro/2011 a dezembro/2012. 9.4. As bases de cálculo, mensalmente consolidadas, para apuração do IRPJ e demais contribuições CSLL, COFINS, PIS/PASEP, encontramse abaixo especificadas e correspondem ao faturamento global de todas as unidades, conforme especificado no ANEXO 1: Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.690 19 9.5. Desta forma, tributouse de ofício o total de R$ 97.999.029,99, sendo R$20.254.725,56 correspondente ao período setembro/2011 a dezembro/2011, e R$77.744.304,43 correspondente ao período janeiro/2012 a dezembro/2012. 9.6. Cumpre esclarecer que os valores referentes aos períodos de apuração janeiro/2011 a agosto/2011 encontramse lançados de ofício no processo administrativo 10830.727.419/201588, pois anteriormente a agosto de 2011 o comando destas filiais era efetuado pela empresa CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA ME, CNPJ 08.831.108/000138, cujos sócios eram o Sr. Eloy Tuffi, CPF: 507.066,08887 e a Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF: 116.227.99828. 10. DA QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE 10.1. Restou demonstrado o real papel da fiscalizada ENNT COMÉRCIO E SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI como a matriz do GRUPO MICROCAMP. 10.2. Seja administrando de forma centralizada as unidades filiais, por meio de vários relatórios técnicos e financeiros, procedimentos de auditoria e adequação das unidades, seja solvendo obrigações contraídas pelas filiais, cobrando estas pelas "remessas" enviadas, impondo valores a serem transferidos a este título; fica evidente que há uma estrutura MATRIZFILIAIS. 10.3. Desta forma, a inscrição das unidades filiais em CNPJs bases distintos da matriz, procura dar uma aparente autonomia a estas e tem por objetivos: a) transacionar receitas auferidas pelo grupo à margem da tributação, b) burlar os controles exercidos pela Receita Federal do Brasil, c) restringir o alcance de uma eventual fiscalização exercida pelo Fisco e d) blindar o grupo econômico quanto às ações trabalhistas e recolhimento de contribuições previdenciárias. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.691 20 10.4. Não fosse desta forma, o grupo MICROCAMP estaria obrigado a tributar suas receitas sob a sistemática do LUCRO REAL, posto que o seu faturamento é superior a R$48.000.000,00, o que impediria a sua opção pelo lucro presumido. Isto acarretaria maior controle dos órgãos fiscalizatórios, que não veriam uma série de empresas pretensamente independentes e sim um grupo de empresas sob a óptica de matriz e filiais. 10.5. Assim, diante deste quadro, a fiscalizada incidiu nas ilicitudes contempladas nos artigos 166, 167 e 187 do Código Civil, Lei 10.406/2002, que tratam do NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. 10.6. Fica evidente que os proprietários da fiscalizada sempre tiveram a intenção de fraudar a fiscalização tributária federal, transfigurando a realidade de suas unidades, dependentes administrativamente e economicamente, criando uma situação simulada que pudesse ser oposta à Fazenda Pública e demais órgãos regulatórios e fiscalizatórios. 10.7. Os proprietários da MICROCAMP excederam manifestamente os limites impostos pelo objetivo econômico das transações societárias, utilizandose de má fé para concretizar seus intentos. 10.8. Como detalhado no curso da ação fiscal, a independência dessas filiais nunca existiu de fato, sendo que estas são totalmente geridas, controladas e rigidamente auditadas pela fiscalizada, sobrando pequena margem de decisões para os diretores e gerentes das filiais, conforme é característico nesse tipo de organização de empresas. 10.9. Também restou cabalmente demonstrado, por uma série de documentos coligidos durante a presente ação fiscal, que os recursos financeiros, denominados REMESSAS, que variavam entre 17% e 35% do faturamento de cada uma das filiais, foram carreados para a conta 800650 do Banco Itaú (agência 444) da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, que nada mais é do um braço da matriz ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 10.10. Vale lembrar que, dos recursos creditados na conta 800650, mais de 34% era transferido para a conta 800790, agência 262 do Banco Itaú, pertencente à fiscalizada (ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI), conta esta denominada PRESIDÊNCIA, utilizada para gastos pessoais dos sócios, conforme demonstrou a análise de seu extrato bancário. 10.11. Desta forma, ficou comprovado que o centro de comando do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP é seu principal CNPJ formalizado, o qual compõe a matriz do grupo, o CNPJ 11.423.288/000111 representado pela fiscalizada a empresa ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. 10.12. Há dados suficientes para demonstrar que os Contratos Sociais e CNPJs de filiais, opostos à Receita Federal como empresas autônomas, são manifestações de vontade inverídicas, não representando outras empresas, mas parte de uma organização integrada por seus fluxos financeiros e interesses negociais. 10.13. Outrossim, não há documentos que demonstrem que os recursos financeiros carreados das filiais para a matriz da Escola MICROCAMP retornem em idênticos montantes para as filiais que os remeteram, o que poderia indicar que seriam empresas independentes. Ao contrário, a análise da movimentação financeira das filiais corrobora que o Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.692 21 faturamento do grupo Microcamp, carreado para contas bancárias da fiscalizada e da MC Cursos e Recebimentos de Cheques, não retornou para as filiais, haja vista que estas apresentaram movimentação financeira no montante de R$25.247.684,84 em 2012 (vide tabela a seguir), correspondente a apenas 1/3 (um terço) do faturamento do grupo em 2012 que foi de R$77.744.304,43. 10.14. Assim, ficou demonstrado que a empresa MC Cursos e Recebimento de Cheques não atuava como empresa de cobrança de recursos de terceiros, pois os recursos recebidos das filiais, na forma de depósitos em dinheiro e cheques de clientes, não retornavam para estas. O objeto social não passou de simulação para ocultar o real intuito de sua constituição, que era recolher as "remessas", servindo ao propósito de retardar o conhecimento pelo Fisco das Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.693 22 receitas auferidas pelo grupo, já que é típico para empresas que atuam de forma lícita nesse ramo de atividade apresentarem movimentação financeira bem acima da receita tributável. 10.15. A fiscalizada, ENNT Comércio e Serviços, também não atuava como holding, conforme disposto no contrato social, pois, em consulta aos registros na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), constatouse que a fiscalizada não detinha e não detém qualquer participação societária nas unidades do grupo MICROCAMP. Na verdade, atuava como matriz da MICROCAMP, com poder de direção sobre todas as unidades filiais. 10.16. Da complexa teia de operações societárias que resultou na criação fictícia de unidades autônomas surge a motivação para a consecução desses atos: essa sequência de práticas que, em tese, contraria os ordenamentos civil, penal e tributário, foi minimamente erigida pelos proprietários da Escola MICROCAMP, visando ocultar a verdadeira estrutura da empresa, seu esquema de funcionamento e a pretendida sonegação fiscal. 10.17. A organização simulada construída pela fiscalizada passou despercebida durante anos pela fiscalização federal, uma vez que a fiscalizada, por ter se constituído na forma de CNPJs diversos, estava circunscrita a diversas Delegacias da Receita Federal, e as unidades eram observadas como se fossem empresas independentes. 10.18. Foi somente a atuação da área de inteligência da Receita Federal, em associação com o Ministério Público Federal e com a Polícia Federal, que possibilitou a visualização da empresa como um todo, com o consequente descobrimento da simulação existente por detrás das formalidades legais. 10.19. Sendo um conjunto de unidades pequenas, o GRUPO MICROCAMP não se sujeitou a procedimentos obrigatórios de auditoria independente e publicidade de seus atos, o que contribuiu sobremaneira para a ocultação de suas receitas e favoreceu a propagação da SONEGAÇÃO FISCAL para volumes expressivos como decorrência de omissões de receitas, uma vez que as filiais, em média, tributavam 25% das receitas auferidas. 10.20. Os fatos ora narrados revelam a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma documentação pretensamente legal, com as seguintes características: (i) deixa a realidade dos fatos oculta ao fisco federal, uma vez que, se os documentos forem analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas, se analisados em seu conjunto e durante todo o tempo em que demoraram para ter seus fins implementados, demonstram cabalmente sua ilicitude; (ii) estão eivados de simulação e fraude, pois ocultam em seu cerne o seu real propósito; (iii) foram praticados com o conhecimento de várias pessoas físicas e o fim específico de promover a redução do recolhimento dos tributos federais 10.21. Em face do lançamento de ofício do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, cumpre aplicar a multa de ofício nos moldes do art. 44, da Lei n° 9.430/96, que impõe a cominação da multa no percentual de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A operação arquitetada de transformar filiais em empresas independentes para fugir à apuração de impostos e contribuições propiciou a criação de um grupo de empresas artificial e foi engendrada com o evidente intuito de praticar a OMISSÃO DE RECEITAS. 10.22. Os fatos arrolados nesse Relatório evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo uma matriz não formalizada com filiais constituídas na forma de empresas supostamente independentes sediadas em várias regiões no Brasil, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita dos tributos e contribuições devidos pela fiscalizada. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.694 23 11. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 11.1. No decorrer da Ação Fiscal levada a efeito, constatouse a relação de responsabilidade solidária dos seguintes contribuintes: i. MC Cursos e Recebimento de Cheques S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/0001 90; ii. Senhor Eloy Tuffi, CPF 507.066.08887; iii. Senhora Marlene Rito Nicolau, CPF 116.227.99828; iv. Senhora Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF: 409.539.89810. 11.2. A fiscalizada e a empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, atuavam de forma conjunta e coordenada na gerência do fluxo financeiro e administrativo do GRUPO MICROCAMP, operando conjuntamente com todas as filiais na omissão de receitas perpetrada por todo o grupo. 11.3. Dessa forma, de acordo com a previsão legal contida no inciso I do art.124 do CTN, constatase a SOLIDARIEDADE PASSIVA da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, por todos os débitos fiscais constituídos ou a constituir em nome da fiscalizada, por estar caracterizado o interesse comum na situação que constituí o fato gerador da obrigação tributária. 11.4. A Sra. Marlene Rito Nicolau, CPF 116.227.99828, durante o período setembro/2011 a dezembro/2012, foi a principal interessada nos resultados do GRUPO EMPRESARIAL MICROCAMP, com estreita e direta ligação com todas as suas operações, tendo funções de comando e preponderância de decisões sobre todos os gerentes e diretores das filiais e demais funcionários em geral. 11.5. Às fls.173/176, colacionouse documentos que demonstram as vantagens auferidas pela Sra. Marlene Rito Nicolau, inclusive com pagamentos de gastos pessoais com recursos da conta 800650 (MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S). 11.6. A Sra. Marlene Rito Nicolau e seu excônjuge Sr. Eloy Tuffi, durante o período fiscalizado, figuraram no quadro societário das 29 (vinte e nove) filiais especificadas no Demonstrativo 1 e da empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. Esta condição permitiu a estas pessoas auferirem vantagens ilícitas, decorrentes deste esquema de sonegação fiscal. 11.7. A Sra. Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF 409.539.89810, titular da fiscalizada, também auferiu vantagens indevidas. Filha do Sr. Eloy Tuffi e da Sra. Marlene Nicolau Rito, cedeu o seu nome para figurar como titular da fiscalizada e era beneficiada pelo esquema à medida que recebia valores decorrentes das contas utilizadas pelo GRUPO MICROCAMP, conforme documentos juntados às fls.177/178, coletados por amostragem, que demonstram pagamentos de gastos pessoais com recursos da conta 800650 (MC Cursos e Recebimento de Cheques S/S). 11.8. Sendo assim, as pessoas físicas (a) Sr. Eloy Tuffi, CPF 507.066.088 87, (b) Sra. Marlene Nicolau Rito, CPF 116.227.99828 e (c) Sra. Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi, CPF 409.539.89810, possuem RESPONSABILIDADE PESSOAL pelos créditos tributários Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.695 24 constituídos ou a constituir tendo por sujeito passivo a fiscalizada ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, conforme disposto no art. 135 do CTN. Todos praticaram atos com infração de lei que resultaram na redução dolosa dos tributos e contribuições administrados pela Fazenda Pública. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 28/11/2016 foram lavrados autos de infração, acompanhados dos respectivos demonstrativos de responsáveis solidários, com os valores a seguir discriminados: • Imposto de Renda Pessoa Jurídica, às fls.05/26, no valor de R$9.371.906,83, mais juros e multa de 150%, no total de R$27.762.586,36; • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, às fls.28/50, no valor deR$2.822.372,04, mais juros e multa de 150%, no total de R$8.360.870,93; • PIS, às fls.52/64, no valor de R$636.993,62, mais juros e multa de 150%, no total de R$1.891.276,60; e • COFINS, às fls.66/78, no valor de R$2.939.970,82, mais juros e multa de 150%, no total deR$ 8.728.970,19. DAS IMPUGNAÇÕES A contribuinte principal e os sujeitos passivos solidários apresentaram as impugnações de fls.1074/1082, 1106/1114, 1120/1128, 1135/1183 e 1255/1302, expondo, em síntese, que: 1. Os contribuintes (i) MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA, (ii) MARLENE RITO NICOLAU, sócia e administradora da sociedade MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, e (iii) ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI, representante da autuada ENNT e prestadora de serviços à empresa MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, alegam que: 1.1. A manutenção da rede de escolas de informática por intermédio de empresas autônomas, juntamente com o sujeito principal da obrigação tributária, possibilitou uma maior facilidade de administração, seja para a apuração de resultados, o controle do caixa, a gestão operacional, dentre outros. Tal fato não é vedado em lei, sendo, portanto, lícito e oponível ao Fisco. Não aceitar esse procedimento implica em violação a preceito constitucional. 1.2. A responsabilização dos ora recorrentes não tem fundamento legal. A devedora de qualquer tributo é a empresa autuada, e a responsabilização só pode ser transferida quando a autuada não puder arcar com o pagamento. 1.3. A transferência da responsabilidade só ocorre nos casos expressamente previstos em lei, conforme o disposto nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, sendo que os recorrentes não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais. Ademais, em que pese a previsão legal de solidariedade, esta não é aplicável, por se tratar de responsabilidade pessoal. 1.4. O termo de responsabilidade tributária não atende ao disposto nos incisos I e II, do art. 124 do CTN, pois não há relação entre os recorrentes e a obrigação principal, tendo em vista que jamais participaram da sociedade, além da falta de identificação da hipótese normativa aplicável. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.696 25 2. A responsabilidade tributária do contribuinte ELOY TUFFI deve ser afastada, eis que: 2.1. O Fisco não especificou quais seriam as condutas praticadas com excesso de poder, ou infração à lei; 2.2. Jamais foi sócio, diretor ou representante da empresa fiscalizada ENNT COMÉRCIO SERVIÇO E PARTICIPAÇÃO EIRELI; 2.3. Desde dezembro de 2013, não faz parte dos quadros societários da empresa incluída no pólo passivo como responsável solidária MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S, bem como a empresa MC CURSOS encontrase em pleno funcionamento, logo, aplicase ao presente as regras do parágrafo único do artigo 1003 do Código Civil, no sentido que o sócio retirante responde pelas obrigações até 2 anos após sua saída da sociedade; 2.4. Após a separação do casal formado pelo impugnante e Marlene Rito Nicolau, no ano de 2011 (fls.1188/1192), a empresa MC CURSOS, e demais unidades localizadas na Capital e Litoral, estão sendo administradas exclusivamente pela sócia Marlene Rito Nicolau, conforme a declaração de fls.1187, logo não se aplicam as regras previstas nos artigos 124, I, e 135, III do CTN, eis que não houve nenhuma infração a lei ou ao contrato social praticada pelo impugnante, bem como não existe no lançamento tributário uma única passagem sobre o impugnante. 3. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, em função de: 3.1. Ausência de acesso dos impugnantes ao trabalho investigativo da Receita Federal, mencionado no termo de verificação fiscal; 3.2. Falta de análise das provas apresentadas pela contribuinte fiscalizada durante o procedimento fiscalizatório; 3.3. Não foi oportunizado à empresa fiscalizada, ou ao impugnante, manifestaremse sobre os valores constante do auto de infração e relatório de ação fiscal que serviram de base de cálculo para o arbitramento do lucro; 3.4. Ausência de individualização dos documentos apreendidos pela Polícia Federal. Cabe destacar que a Polícia Federal e o Fisco apreenderam documentos, computadores e depois objetos da fiscalizada, o que acarretou a total desorganização das empresas e o desaparecimento de informações necessárias para a defesa da autuada. É certo que os arquivos foram digitalizados pelo Fisco e entregues à empresa, mas de forma desordenada, tornando impossível de ser utilizada. 3.5. Foram trazidos ao processo fiscal, e serviram de base para a autuação, documentos de outras 29 empresas, incluindo dados de movimentação financeira e declarações fiscais, sem que tivesse sido instaurado o competente procedimento fiscal contra as mesmas, o que acarreta a nulidade dos autos de infração, por descumprimento das formalidades relativas ao procedimento fiscal. 4. Os autos de infração são improcedentes inocorrência de ato jurídico simulado e pela aplicação indevida dos artigos 166, 167 e 187 do código civil, ao invés do artigo 116, parágrafo único do CTN. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.697 26 4.1. A constituição de diferentes empresas com uma mesma atividade, em lugares distintos, não tem o condão de dissimular a ocorrência do fato gerador. Referidas sociedades vão prestar serviços e obter renda, que serão fatos geradores de diversos tributos e contribuições sociais. Também não muda a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Permite, sim, a opção por modalidade de tributação menos gravosa, mas isto não é hipótese de desconsideração do ato jurídico. 4.2. Nenhuma simulação ocorreu na espécie, pois a intenção da Autuada foi de constituir uma rede de escolas de informática com administração isolada de cada uma, visando uma melhor apuração de resultados, melhor administração e uma futura rede de franquias. E os atos praticados foram de conformidade com sua intenção e na forma da lei. 4.3. Cada empresa constitui uma escola autônoma, com administração própria, empregados registrados, apuração de resultado diferenciado, declarações de impostos autônomas, situados em imóveis alugados, devidamente ocupados, como movimento de pessoas, ministração de aulas, material pedagógico e demais condições de empresa autônoma. 4.4. A constituição de diversas empresas com administração própria, pessoal próprio, ônus de compra de material escolar diferenciado, atividades constituídas para uma modelagem de venda de franquias, não se assemelham jamais a um grupo de filiais. 5. Em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, bem como pelo fato dos tributos terem sido pagos nas datas previstas em lei, desapareceu o direito de constituir o crédito tributário em relação aos meses anteriores a dezembro/2011, eis que atingido pela decadência. 6. A multa qualificada não pode prosperar, pelo fato de que a estrutura empresarial não configura ato simulado, e porque a eventual ofensa a dispositivos do Código Civil não poderia ensejar a sua desconsideração, que só ocorreria nas hipóteses do parágrafo único do artigo 116 do CTN, ou seja, quando praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Uma vez que o Fisco não comprovou o dolo, a impugnante requer a exclusão da multa de 150%, aplicandose a multa de 75%. 7. Houve erro da determinação da base de cálculo, pela ausência de separação das receitas de prestação de serviço e das receitas da venda. 7.1. Embora conheça o faturamento de cada atividade desempenhada pela fiscalizada, e pelas empresas tidas como filiais, ainda assim o Fisco arbitrou o lucro pela alíquota mais elevada, considerando toda a receita bruta conhecida como oriunda de prestação de serviço, em clara afronta ao parágrafo único do art. 537 do RIR/99; 7.2. O processo deve ser convertido em diligência para apurar o quantum devido com base no lucro presumido, e não no lucro arbitrado, determinar todas as receitas das unidades, e separar as receitas de prestação de serviços (tributadas a 32% do faturamento) e as receitas de vendas de livros e materiais didáticos (tributadas a 8% do faturamento). 8. Ocorreu erro da eleição da base de cálculo, em função da inexistência de prova da receita auferida. Ao desprezar a contabilidade e utilizarse tão somente de relatório gerencial para encontrar a base de cálculo dos tributos, que se trata de controle interno e pode estar equivocado ou ser manipulado, o Fisco utilizou de indícios. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.698 27 8.1. O lançamento tributário deve ser retificado para incluir como base de cálculo os valores tido pela fiscalização como efetivamente remetidos pelas empresas denominadas de filiais para a fiscalizada, retratado no item 43 do “Termo de Verificação Fiscal”, como o total movimentado nas conta correntes durante os anoscalendário de 2011 e 2012. 9. Houve ilegalidade na determinação do regime de apuração, em decorrência da opção pelo Lucro Presumido e a Impossibilidade de Arbitramento: o Fisco tinha conhecimento da suposta receita omitida (movimentação financeira), pois todos os documentos lhes foram franqueados, logo, uma vez que a fiscalizada é optante pelo lucro presumido, o arbitramento só se justificaria se houvesse ultrapassado o teto, o que não ocorreu (item 43 Movimentação financeira, 2011 de R$1.347.340,83 e 2012 de R$30.441.297,74), ou se a fiscalização desconhecesse por completo a receita omita, o que também não é o caso. 9.1. O termo de verificação fiscal demonstra que foi apresentada a escrituração contábil. Para dizer que a mesma não está de acordo com as regras fiscais e contábeis, o Fisco deveria têla confrontado com os extratos bancários, mas não o fez, o que demonstra a ilegalidade do arbitramento do lucro, e a consequente nulidade da autuação. 10. Os autos de infração são improcedentes devido à imprecisão e falibilidade dos documentos utilizados para determinação do faturamento e à falta de qualquer outro elemento que corrobore os valores apurados. 10.1. O Fisco utilizou, como base para a autuação, tabelas elaboradas pela área comercial das escolas, desprovidas de qualquer rigor contábil, nas quais constam valores a título de faturamento. 10.2. Analisando os documentos tomados como base para determinação do faturamento (Anexo 3 do presente processo), vêse que logo abaixo da linha "Faturamento" vem a linha "Inadimplência", na qual consta que valores substanciais do suposto faturamento não foram efetivamente recebidos e, portanto, não poderiam compor a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL. 10.3. O faturamento apurado foi de aproximadamente R$ 98 milhões nos dois anos. A movimentação financeira das escolas totalizou cerca de R$ 25 milhões (parágrafo 177 do relatório fiscal). A movimentação da autuada ENNT foi de R$ 26 milhões (parágrafo 19 do Relatório) dos quais aproximadamente R$ 6 milhões vieram de contas da MC Cursos (parágrafo 74 do Relatório) e a movimentação financeira da MC Cursos totalizou R$ 23 milhões. Ora, a soma desses valores totaliza R$ 68 milhões (25+266+23=68). Isto só para argumentar já que esta movimentação inclui grande parte de valores duplicados, transferências entre contas, aplicações e resgates, cheques devolvidos mais de uma vez, dentre outros lançamentos. Mesmo assim, não se atingem os R$ 98 milhões. 10.4. Ademais, uma vez que as provas da sonegação imputada à fiscalizada e ao responsável solidário são folhas de papel sem assinatura ou carimbo, não tendo o Fisco confrontado tais projeções com o faturamento efetivamente auferido, disponível em conta bancária, deve ser cancelado o tópico do auto de infração que acusa o impugnante de ter praticado sonegação. 11. Houve o indevido arbitramento do lucro, já que a soma dos faturamentos das empresas não as obrigaria à apuração do Lucro Real. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.699 28 11.1. Conforme o artigo 13 da Lei 9718/98, com a redação dada pela Lei 10637/2002, para estabelecer que a fiscalizada estaria obrigada à apuração do imposto de renda pelo Lucro Real no ano calendário de 2011, o Fisco deveria ter demonstrado que, no ano calendário de 2010, o faturamento da empresa teria excedido o limite de R$ 48.000.000,00, o que não foi feito. 12. Requer a conversão em diligencia para exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins das receitas com vendas de livros, tributadas à alíquota zero. 13. Os impostos pagos devem ser abatidos dos valores cobrados por meio dos autos de infração, cabendo ao Fisco o fazer, por ser o procedimento correto e por economia processual, não deixando que tal apuração se faça no âmbito do recurso administrativo. Portanto, a impugnante requer a conversão em diligência para apuração e compensação dos impostos anteriormente pagos pelas empresas que compuserem a receita considerada. 14. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos. 15. A fiscalizada requer que todas as notificações, intimações e demais correspondências sejam enviadas para a sede da empresa, na Av. Rebouças n° 2511, São Paulo/SP, CEP 05401300. É o relatório. Analisando as impugnações apresentadas a Delegacia de Julgamento julgou improcedentes as impugnações e manteve o auto de infração na íntegra. Cientificados do acórdão da impugnação foram apresentados recursos voluntários por parte de: ELOY TUFFI fls. 1481/1511 => Alegações de: 1. Nulidade por não existir a indicação de sua participação 2. Nulidade do arbitramento por não existirem justificativas de desclassificação da escrita 3. Nulidade por cerceamento do direito de defesa. 4. Mérito: Inexistência de responsabilidade solidária Recorrente não foi sócio da ENNT Afastouse da MC CURSOS desde 2013 e desde 2011 separouse da sócia 5. Mérito => Autonomia das empresas citadas no lançamento 6. Mérito => erro na identificação da base de cálculo 7. Impossibilidade de arbitramento 8. Descabimento da qualificação da multa. Ausência de dolo 9. Decadência dos FG anteriores a dez/2001 em face da ausência de dolo Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.700 29 MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES SS LTDA fls. 1516/1535 A impugnação trata apenas da ausência de responsabilidade por parte da empresa. O recurso fala de: Insubsistência do Termo de Sujeição Passiva Inaplicabilidade do art. 135 Inaplicabilidade do art. 124, I Redução da Multa Agravada, na verdade, qualificada Decadência ENNT COMÉRCIO E SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI fls. 1553/1596 NULIDADES: 1. Cerceamento do direito de defesa 2. Descumprimento de formalidades do procedimento. Acesso de informações das demais empresas sem MPF MÉRITO: 1. Legalidade do procedimento da autuada 2. Desconsideração do abuso de forma simulação 3. Precedentes que militam em favor do recorrente 4. Imprestabilidade do valor apurado no auto. Descabimento do arbitramento. Ausência de segregação das receitas. 5. PIS e COFINS sobre produtos de alíquota zero 6. Compensação dos impostos pagos 7. Multa qualificada MARLENE RITO NICOLAU fls. 1624/1633 Recurso idêntico ao da MC CURSOS ELOYSE NATHALIA NICOLAU TUFFI fls. 1641/1650 Recurso idêntico ao da MC CURSOS É o relatório Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.701 30 Voto. Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomamos conhecimento. Após iniciarmos a análise dos recursos apresentados pelo sujeito passivo e pelos responsáveis solidários verificamos, em verdade, que, além da análise do conteúdo da operação e da forma como foi apurada a omissão de receitas imputada pela fiscalização, verificamos que existem pontos apresentados no recurso que carecem de melhor aprofundamento. Por isso, para a conclusão da análise do presente caso, necessário se faz uma melhor explicação cerca dos seguintes pontos: 1) Valores dos tributos pagos por todas as empresas envolvidas no presente auto de infração. Quanto a este ponto verificamos que o próprio Termo de Verificação Fiscal informa que existem pagamentos relativos aos tributos objeto da autuação (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) realizados pelas empresas que foram englobadas nesta autuação. No entanto o mesmo termo não realizou a demonstração de todos os valores pagos, apenas informou que estes poderiam ser deduzidos posteriormente da autuação. Temos, então, que se faz necessário a quantificação de todos os valores pagos pelas empresas a fim de que se possa, acaso mantida a autuação, determinar a dedução dos valores já pagos relativos aos mesmos tributos. 2) Valores de PIS e COFINS relativos a faturamento decorrente da venda de livros. Com relação a este ponto os recorrentes informam que o valor da possível omissão de receitas foi lançado integralmente para a tributação do PIS e COFINS sem que tenham sido deduzidos os valores relativos às vendas de livros que estariam sujeitas à alíquota zero. Desta forma fazse necessário esclarecer se, na apuração dos valores das omissões imputadas constam os valores de faturamento relativos à venda de livros e, também se é possível obter o valor do faturamento derivado exclusivamente da venda de livros, para possibilitar a exclusão dos valores. Assim, diante da necessidade de maiores esclarecimentos e informações para bem realizarmos a análise do presente processo, proponho converter o presente processo em diligência a fim de que o processo retorne à Delegacia de Origem para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) Intimar a empresa a apresentar os DARFs dos recolhimentos realizados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de todas as empresas cujo faturamento foi incluído na autuação; Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10830.726576/201657 Resolução nº 1401000.592 S1C4T1 Fl. 1.702 31 2) Intimar a empresa a apresentar planilha demonstrativa do faturamento de todas as empresa que seja relativo à venda de livros sujeito à alíquota zero de PIS e COFINS; 3) Elaborar demonstrativo, totalizado por mês, dos valores dos pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de todas as empresas englobadas na autuação a partir das informações apresentadas pela empresa e também do que puder ser obtido dos sistemas de controle de pagamentos da RFB; 4) Elaborar, se for possível, a partir das informações apresentadas pela empresa e dos documentos acostados ao processo, demonstrativo totalizado mensalmente das receitas relativas à venda de livros que esteja sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS; 5) Apresentar relatório com suas considerações acerca dos documentos apresentados e dos demonstrativos apresentados. 6) Intimar a empresa do resultado da diligência, abrindolhe prazo para manifestação de 30 (trinta) dias acerca do resultado da diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 1702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912350/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, o percentual de 8%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 50 /2 01 2- 56 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de IRPJ. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.912350/201256 Acórdão n.º 1201002.563 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720162/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 06/01/2010 a 02/03/2010
OPERAÇÃO CAMBIAL FRAUDULENTA. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO LAVA JATO. OPERAÇÃO BIDONE.
Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei.
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior.
Numero da decisão: 3401-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado por Carlos Alberto Pereira da Costa, e em conhecer e negar provimento ao recurso apresentado por Alberto Youssef.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 06/01/2010 a 02/03/2010 OPERAÇÃO CAMBIAL FRAUDULENTA. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO LAVA JATO. OPERAÇÃO BIDONE. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior.
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IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO LAVA JATO. OPERAÇÃO BIDONE. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 62 /2 01 5- 37 Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.119 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado por Carlos Alberto Pereira da Costa, e em conhecer e negar provimento ao recurso apresentado por Alberto Youssef. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 1.414 a 1.426, lavrado em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Operações De Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IO/Câmbio Código 2958), referente ao período de apuração compreendido entre 06/01/2010 e 02/03/2010, acrescido de multa de ofício qualificada e agravada de 225% e juros de mora, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 2.666.965,88. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 1.308 a 1.412, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou a falta de recolhimento de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF, referentes a remessas de recursos para o exterior, efetuadas no ano calendário 2010, por meio de operações de câmbio fraudulentas, baseadas em operações de importação inexistentes, uma vez que não houve a aquisição de mercadorias de origem estrangeira por parte da autuada, e cuja finalidade teria sido unicamente a de evasão de divisas, apuradas em investigações realizadas no âmbito da força tarefa da OPERAÇÃO LAVA JATO e OPERAÇÃO BIDONE. Teriam sido fechados, ao longo de 2010, 12 (doze) contratos de câmbio, firmados com o BANCO RENDIMENTO S.A., no valor total de USD 1.554.725,40 e R$ 2.790.567,92, aproximadamente 7,5% do valor total remetido pela LABOGEN S.A. no ano 2010. Além da aplicação da multa de ofício qualificada, a multa de ofício foi agravada de 50%, ante a ausência de atendimento do contribuinte aos elementos solicitados pela fiscalização, conforme o disposto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Em decorrência da participação em organização criminosa, responsável por operações financeiras com evasão de divisas, utilizandose da autuada, foram nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, incisos I e II, 125, inciso I e art 135, inciso III, todos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: ALBERTO YOUSSEF, LEONARDO MEIRELLES; ESDRA DE ARANTES FERREIRA; LEANDRO MEIRELLES; PEDRO ARGESE JUNIOR; RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ; CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA; e WALDOMIRO DE OLIVEIRA. Foi, ainda, nomeado sujeito passivo solidária o BANCO RENDIMENTO S.A., Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.120 3 instituição financeira responsável por operar o câmbio sem a vinculação/apresentação das devidas declarações por parte da autuada, com fundamento no art. 124, inciso II, do CTN. 3. A contribuinte autuada, LABOGEN S.A., intimada em 17/12/2015, não apresentou impugnação. 4. Os responsáveis solidários CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA, LEANDRO MEIRELLES, e ESDRA DE ARANTES FERREIRA, intimados em 22/12/2015 da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária em por meio dos Editais de fls. 1.676, 1.684 e 1.680 não apresentaram impugnação. 5. Os responsáveis solidários LEONARDO MEIRELLES, PEDRO ARGESE JUNIOR, RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ e WALDOMIRO DE OLIVEIRA, intimados via postal em 07/12/2015, 04/12/2015, 04/12/2015 e 04/12/2015 conforme avisos de recebimento situados às fls. 1.686, 1.688, 1.691 e 1.693 não apresentaram impugnação. 6. O responsável solidário BANCO RENDIMENTO S.A., intimado via postal em 04/12/2015 conforme aviso de recebimento situado à fl. 1.695, apresentou, em 04/01/2016, a impugnação situada às fls. 1.708 a 1.774, na qual alega: (i) a nulidade por falta de motivação quanto ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, que não guardaria relação com o eventual descumprimento de normas do Banco Central; (ii) a ausência de pressupostos ensejadores da responsabilidade solidária; (iii) nega o descumprimento de normas do Banco Central do Brasil; (iv) a impossibilidade de responsabilização pelas multas lançadas, menos ainda pela sua qualificação em razão de conduta dolosa e em conluio imputada a autuada e demais responsáveis solidários, mas não ao impugnante, nem muito menos pelo agravamento da multa em razão do embaraço à fiscalização, uma vez que sempre colaborou com a fiscalização; e (v) a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. 7. O responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, intimado pessoalmente em 02/12/2015, apresentou, mediante envio postal realizado em 04/01/2016, a impugnação situada às fls. 1.851 a 1.900, na qual alega: (i) nulidade por preterimento do direito de defesa, por não ser sido disponibilizado a íntegra do processo administrativo fiscal por ocasião da ciência do lançamento de ofício, a qual teve acesso apenas em 23/12/2015, (ii) violação do art. 10, II do Decreto nº 70.235/72, ante a ausência de descrição da conduta específica que levasse a conclusão que ALBERTO YOUSSEF seria administrador de fato ou devedor solidário da autuada; (iii) violação do art. 142 do CTN e art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que teria havido descrição equivocada do evento tributário, não havendo adequação do fato a norma e via de conseqüência erro na capitulação legal da exigência fiscal e do vinculo apontado; (iv) a decadência dos lançamentos compreendidos no período de 01/01/2010 a 24/11/2010, tendo em vista ter sido cientificado da exigência em 02/12/2015, ante a falta de comprovação do dolo do impugnante, uma vez que as faturas comerciais que deram suporte as operações de câmbio tidas como fraudulentas, teriam sido elaboradas por LEANDRO MEIRELLES, a comando de LEONARDO MEIRELLES, conforme depoimento deste último; (v) a impossibilidade do agravamento de multa, uma vez que o impugnante sequer foi intimado para cumprir as determinações da fiscalização; (vi) a ausência de decisão autorizativa para o compartilhamento de dados, impossibilitando o uso da prova emprestada do processo penal; (vii) nega participação nas infrações apuradas, afirmando a administração da autuada estava a cargo de seus sócios, sendo o impugnante apenas um dos seus clientes; (viii) a ausência de solidariedade, havendo flagrante nulidade ante a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.121 4 dirigido ao contribuinte. Requer o acolhimento de sua impugnação a fim de reconhecer preliminarmente a nulidade por preterimento do direito de defesa, ausência da descrição dos fatos, inaplicabilidade da multa qualificada e decadência, ausência de parte integrante do auto de infração ilegitimidade; a bem de extinguir a presente ação fiscal, reconhecendo a inexistência do vínculo e débito tributário, no mérito o reconhecimento da insubsistência e improcedência da ação fiscal, a fim de declarar a inexistência de solidariedade e responsabilidade e de qualquer vinculo do impugnante e do débito fiscal, a ele correspondente. Por fim, requereu seja oportunizada ao impugnante a restituição do prazo, para fim de complementar a impugnação, juntada de documentos necessários ao contraditório e deslinde da verdade material. 8. Por meio do despacho de fl. 1.931, foi convertido o julgamento em diligência para juntada de documentos comprobatórios da data da postagem da impugnação de ALBERTO YOUSSEF, a fim de verificar a tempestividade da mesma. 9. A referida diligência foi cumprida, com a juntada dos documentos de fls 1.940 a 1.943, os quais comprovam a postagem da impugnação em 04/01/2016. 10. Novamente convertido o julgamento em diligência, conforme despacho de fl. 1.944, para que fosse efetuada a juntada da decisão judicial que tivesse efetuado a quebra do sigilo, revogado o segredo de justiça, ou autorizado o compartilhamento de informações coletadas no bojo dos inquéritos policiais e processos criminais das denominadas Operações LavaJato e Bidone, aos quais a fiscalização colheu subsídios para o lançamento e atribuição de responsabilidade passiva solidária, os autos retornaram com a juntada das decisões judiciais constantes das fls. 1.955 a 1.957, 1.959 a 1.962 e 1.963 a 1.964, que autorizam o compartilhamento das informações mencionadas com a Receita Federal, para fins de instrução probatória em procedimentos fiscais. 11. Em 28/06/2017, a 05ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1288.740, situado às fls. 1973 a 1.989, de relatoria do AuditorFiscal Ewerson Augusto Da Rocha Chada, que entendeu, por unanimidade de votos: (i) declarar revéis, por ausência de impugnação, a autuada e interessados listados a seguir, mantendo a imputação de responsabilidade solidária atribuída pela autoridade fiscal a: LEONARDO MEIRELLES; ESDRA DE ARANTES FERREIRA; LEANDRO MEIRELLES; PEDRO ARGESE JUNIOR; RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ; CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA; e WALDOMIRO DE OLIVEIRA, negandolhe provimento, mantendo a imputação de sua responsabilidade solidária atribuída pela autoridade fiscal; (iii) conhecer da impugnação do BANCO RENDIMENTO S/A., dandolhe provimento, excluindoo do pólo passivo da obrigação tributária; (iv) manter os créditos tributários lançados de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF, cód. 2958, no valor de R$ 697.641,99, com multa de ofício qualificada e agravada para o percentual de 225%, e juros de mora, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.122 5 autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. Não é motivo para responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado em decorrência de operações de câmbio fraudulentas, o operador de câmbio deixar de praticar condutas que não lhe eram exigidas pela legislação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010 OPERAÇÃO CAMBIAL FRAUDULENTA. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido 12. A contribuinte autuada, LABOGEN S.A., intimada via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2001, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. 13. O responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, intimado via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2001, interpôs, mediante envio postal realizado em 10/08/2017 conforme documento situado à fl. 2.065, o recurso voluntário, situado às fls. 2.067 a 2.106, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.123 6 14. O responsável solidário BANCO RENDIMENTO S.A., intimado via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2024, protocolou, em 14/07/2017, petição, situada à fl. 2.010, informando que, tendo em vista a sua impugnação ter sido julgada procedente, para excluílo do pólo passivo da obrigação tributária, sendo tal decisão definitiva no âmbito administrativo, a ela não se aplica a intimação "a pagar, no prazo de 30 dias os débitos constantes dos demonstrativos anexos", devendo ser cancelada a intimação ARF/IND nº 059/2017 nesta parte. 15. O responsável solidário CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA, intimado via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2005, interpôs, mediante envio postal realizado em 03/08/2017, o recurso voluntário, situado às fls. 2.038 a 2.042, em que pese não ter, em momento processual anterior, apresentado impugnação. 16. O responsável solidário LEANDRO MEIRELLES foi intimado via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2019, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. 17. O responsável solidário LEONARDO MEIRELLES foi intimado via postal em 13/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2022, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. 18. O responsável solidário PEDRO ARGESE JUNIOR foi intimado via postal em 11/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2003, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário 19. O responsável solidário RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ foi intimado via postal em 12/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2012, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário 20. O responsável solidário WALDOMIRO DE OLIVEIRA foi intimado via postal em 07/07/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2032, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário 21. O responsável solidário ESDRA DE ARANTES FERREIRA foi intimado via edital, conforme documento situado à fl. 2012, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.124 7 22. Necessário se apontar, em primeiro lugar, que o BANCO RENDIMENTO S.A., que se manifestou em petição, situada à fl. 2.010, não mais compõe o pólo passivo da autuação em apreço, em conformidade com o seguinte trecho da decisão recorrida: "A autoridade autuante motivou a responsabilização do impugnante por suposta omissão nos seus deveres de cuidado estabelecidos em atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil, e na lei de lavagem de capitais (Lei nº 9.613 de 03/03/1998), em especial quanto a identificação da autuada e a integridade de seus cadastros junto a instituição financeira, bem como da avaliação e controle das operações de câmbio contratadas (...). Foi atribuída a responsabilidade pelos créditos tributários lançados ao Banco Rendimento S/A., tendo em vista tratarse de instituição financeira responsável por operar o câmbio sem a vinculação/apresentação das devidas declarações por parte da autuada com fundamento no art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional. Em sua defesa, o impugnante nega haver descumprido normas do Banco Central do Brasil, e afirma não haver no presente caso pressupostos que ensejariam sua responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, II do CTN, por ausência de caracterização de interesse comum na ocorrência do fato gerador do imposto lançado. Segundo o impugnante, inexistia norma legal ou regulamentar que impusesse ao banco as obrigações que o Fisco pretendeu lhe imputar. Alega que por ocasião da realização das operações, os elementos colocados à disposição do Impugnante pareciam satisfazer as condições normativas de identificação do cliente e da transação de comércio exterior. A Labogen foi apresentada como uma indústria química e farmacêutica de significativa relevância no mercado, não identificando inicialmente qualquer motivo que lhe impedisse de operar com a referida empresa. O Impugnante teria realizado pesquisas em mídia nacional e não localizou qualquer informação que desabonasse a autuada, constatando ainda que ela possuía autorização da Anvisa para funcionar, nada lhe levando a crer que precisaria se aprofundar em sua avaliação ou mesmo interromper seu relacionamento. Ao que tudo indicava, parecia tratarse de empresa com boa capacidade financeira e sem restrições, com 22 anos de atividades (1987 a 2010). Alem disso, à época, não existiam à disposição das instituições financeiras ferramentas que possibilitassem imediata verificação de situações e clientes de maior risco,. Em razão desses fatos, não tinha porque se recusar a celebrar os contratos de câmbio em questão, e como não tinha a obrigação de verificar se posteriormente as declarações de importação vieram a ser efetivamente registradas, não tinha como saber que as operações de importação eram fictícias/fraudulentas. Teria formalizado contratos de câmbio com a autuada, para pagamentos antecipados de operações de importação, mediante apresentação de documentação e declarações fornecidas. Usualmente, nesses casos, os contratos são celebrados com a apresentação de invoice/faturas próforma, não sendo exigida a Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.125 8 apresentação de declarações de importação, uma vez que sequer a mercadoria objeto da importação teria sido embarcada no país de origem. Mesmo assim, em março de 2010, por conta do acompanhamento contínuo das operações celebradas, percebeu algumas inconsistências em relação às informações até então prestadas pela Labogen, fato que levou a solicitar esclarecimentos à Sol Corretora de Câmbio, corretora que havia indicado a autuada para realização dos contratos de câmbio, a respeito de algumas informações cadastrais, e por falta do imediato atendimento, suspendeu por três meses a possibilidade de realizar outras operações da câmbio, efetuando posteriormente o bloqueio permanente do cliente. Passo ao julgamento. Assiste razão ao impugnante. Diferentemente do que afirma a autoridade fiscal, não há na lei ou na regulamentação da atividades de câmbio, a cargo de Banco Central do Brasil, exigências que obrigassem o impugnante a adotar as providências sugeridas pela fiscalização. Com efeito, com os elementos que dispunha a instituição financeira operadora de câmbio não era possível, a meu ver, inferir que a autuada cometia fraude cambial. A autuada se apresentava como uma indústria química e farmacêutica, com autorização da Anvisa para funcionar. Conforme afirma a impugnante, parecia tratarse de empresa com boa capacidade financeira e sem restrições, com 22 anos de atividades. Os contratos de câmbio firmados entre o impugnante e a autuada estavam comprovadamente respaldados por documentação usualmente apresentada em contratos dessa natureza, conforme documentação apresentada juntamente com a impugnação, e que posteriormente logrouse êxito em identificálos como fraudulentos. Todavia tal comprovação, efetuada pela fiscalização se deu em razão de complexa investigação realizada por meio de Força Tarefa formada por membros do Ministério Público Federal, policiais federais e AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Não seria razoável exigir dos funcionários da impugnante a mesma expertise na investigação de fraudes bem elaboradas que a dos investigadores da Força Tarefa, até mesmo porque estes dispõem de muito mais ferramentas investigativas que aqueles. Ademais, é característica intrínseca da lavagem de capitais a tentativa de dar aparência licita de bens auferidos ilicitamente, não sendo na maioria das vezes, uma tarefa simples a identificação de indícios da prática ilícita. Assim sendo, não me parece razoável imputar a responsabilidade por créditos tributários por condutas que não poderiam ser exigidas da impugnante. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.126 9 Isto posto, exonero o Banco Rendimento S/A. da atribuição de responsabilidade pelos créditos tributários lançados constantes do presente processo. Deixo de apreciar os demais argumentos expendidos na impugnação, face a exoneração da responsabilidade tributária do impugnante. 23. Registrese, como forma de subsidiar o vetor racional dos itens subseqüentes do presente voto, que operações fraudulentas de tal jaez bem poderiam ser evitadas caso disponibilizadas as informações do SISCOMEX às instituições financeiras que cursam as remessas internacionais de moeda entre o Brasil e o exterior e que, ao fecharem o contrato de câmbio ("signing"), condicionariam a sua liquidação ("closing", e momento a partir do qual o IOF passaria a ser devido nos termos do parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 6.306/2007) à comprovação de que a operação efetivamente ocorreu, exigência inexistente no momento do fato gerador do auto de infração ora combalido. 24. Não havendo a disponibilidade de tal dado, não há de se exigir da instituição financeira mais do que a coleção documental efetivamente apresentada, e tampouco seria razoável atribuirlhe a incumbência de inferir estar diante de uma fraude cambial, algo, aliás, que apenas foi descortinado após complexa e minuciosa investigação empreendida por FORÇA TAREFA reunida para esta finalidade e constituída por especialistas do Ministério Público Federal, da Receita Federal do Brasil e da Polícia Federal. 25. Neste sentido, há de se recordar que o contrato de câmbio pode ser entendido como instrumento de compra e venda de moeda estrangeira negociado entre um exportador (que "vende" a moeda estrangeira), e a instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil a operar o câmbio na qualidade de "compradora" da divisa, não havendo qualquer indício para se identificar risco na operação que justificasse a solução de continuidade do negócio: por falta de disposição expressa neste sentido, a mera apresentação da invoice se revelou em suficiência para lastrear a contratação, pois não se exigia a demonstração do registro das declarações de importação para a liquidação. 26. Em resumo, caberia à autoridade monetária, a quem deve competir a fiscalização do mercado cambial, condicionar a liquidação do contrato de câmbio à comprovação da operação de importação/exportação por meio da disponibilização às instituições financeiras de dados do SISCOMEX (promovendose, assim, uma maior integração e tráfego de informações entre SECEX, BACEN e RFB), prática altamente desejável para evitar operações como a presente. 27. Em que pese tais observações serem necessárias para fins de contextualização dos itens subseqüentes do corrente voto, observase, no entanto, falecer competência a este colegiado para realizar a análise da matéria concernente à sujeição passiva do BANCO RENDIMENTO S.A., uma vez que inexiste recurso de ofício contra a decisão de primeira instância administrativa, que se reveste dos atributos da definitividade. Recortase do auto de infração o seguinte memorial de cálculo situado à fl. 1422: Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.127 10 28. Verificase que o valor do auto lavrado, considerando imposto e de multa qualificada e agravada, monta a R$ 2.257.336,48 e, assim, o valor exonerado pela decisão recorrida atribuída a esta responsável, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 29. O recurso voluntário interposto pelo responsável solidário CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA, por seu turno, em que pese ser tempestivo, não preenche os requisitos formais de admissibilidade, uma vez que o sujeito passivo não apresentou impugnação, tornandose revel, e, portanto, dele não conheço. Assim, sobre o responsável solidário em testilha operam os efeitos da presunção de veracidade dos fatos contra ele alegados pela acusação fiscal. Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.128 11 30. O recurso voluntário interposto pelo responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, por fim, é tempestivo e preenche os requisitos formais e, portanto, será o único recurso a merecer conhecimento na presente assentada. 31. Alega o recorrente, em primeiro lugar, ter sido intimado na carceragem da Polícia Federal de Curitiba/PR referente a 10 termos de verificação e encerramento parcial de fiscalização contra a contribuinte LABOGEN S/A QUÍMICA FINA E BIOTECNOLOGIA e INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN, tendo a ele sido imputado laço solidarístico com fundamento no inciso I do art. 124 e responsabilidade tributária com fundamento no inciso III do art. 135 do Código Tributário nacional, sem que lhe tenha sido oportunizado o acesso à íntegra do processo administrativo fiscal por ocasião da ciência do lançamento de ofício, que veio a conhecer apenas em 23/12/2015, o que ensejaria preterição do direito de defesa. 32. Contudo, o responsável solidário em apreço foi cientificado pessoalmente do auto de infração, lavrado por autoridade competente, e do relatório fiscal que o acompanha, tomando conhecimento de todas as condutas atribuídas pela fiscalização que resultariam em infrações a legislação tributária, possibilitando, como de fato o fez, a apresentar sua defesa e exercer o contraditório de forma plena, tendo tido acesso ao inteiro teor da acusação, como bem aponta a decisão recorrida nos seguintes termos: Além disso, comprovadamente teve acesso ao inteiro teor do processo ainda dentro do prazo de impugnação, caindo por terra qualquer dúvida quanto a inexistência de cerceamento de seu direito de defesa. Sustenta o impugnante a ausência de descrição da conduta específica que levasse a conclusão que seria administrador de fato ou devedor solidário da autuada, bem como a descrição equivocada do evento tributário, não havendo adequação do fato a norma e via de conseqüência erro na capitulação legal da exigência fiscal e do vinculo apontado. Tal alegação é insubsistente, a autuação descreve de forma clara e pormenorizada os motivos pelos quais a autoridade autuante considerou o impugnante como responsável solidário de fato, apresentando provas dos vínculos entre este a autuada, com base em depoimentos, e delações prestadas no bojo de procedimentos criminais, permitindo o impugnante o exercício pleno de sua defesa, o que de fato o fez com a apresentação de sua impugnação, permitindo ainda a este julgador apreciar o mérito de todas as questões aduzidas pelo impugnante, não havendo, por isso, que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. Afasto, também, a alegada nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos apreendidos, uma vez que a foi deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário, e autorizado o compartilhamento de informações coletadas nos inquéritos policiais, bem como nos processos criminais com a Receita Federal pela autoridade judiciária competente. Também não há nulidade na utilização pela fiscalização de provas obtidas por empréstimo em procedimento criminal, uma Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.129 12 vez que o procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, possui natureza inquisitorial, na medida que o contraditório em sede fiscal só tem início a partir da apresentação da impugnação, conforme previsão expressa contida no art. 14, do Decreto nº 70.235/72, momento a partir do qual a impugnante começa a exercer plenamente o seu direito de defesa. O julgamento na esfera administrativa é independente da apuração criminal, e a análise das provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial deve se dar sob a perspectiva do princípio do livre convencimento do julgador, não havendo que se falar em nulidade na apreciação dos documentos acostados aos autos, mesmo raciocínio deve ser aplicado a apreciação de provas emprestadas obtidas em outros processos administrativos, estejam eles encerrados pelo trânsito e julgado ou não. Além do mais, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Ante todo o exposto afasto a alegada nulidade da autuação. 33. Assim, uma vez que não se vislumbram nenhuma das hipóteses ensejadoras de nulidade previstas pelo art. 59 do Decreto nº70.235/1972, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. 34. Quanto à alegação de decadência dos lançamentos compreendidos no período de 01/01/2010 a 24/11/2010, tendo em vista ter sido cientificado da exigência em 02/12/2015, ante a falta de comprovação de dolo, uma vez que as faturas comerciais que deram suporte as operações de câmbio tidas como fraudulentas, teriam sido elaboradas por LEANDRO MEIRELLES, a comando de LEONARDO MEIRELLES, conforme depoimento, há de se objetar com o argumento no sentido de que o lançamento foi efetuado em razão da apuração da existência de 12 contratos de câmbio, celebrados em 2010, com a respectiva remessa de recursos para o exterior, lastreados em operações de importação jamais realizadas, efetuados entre a autuada e empresas sediadas no exterior controladas pelo mesmo sócio administrador. 35. Estáse diante de um seriado de operações de câmbio para pagamento antecipado de importações fictícias, conforme se apurou no curso da "OPERAÇÃO LAVA JATO", tendo a autoridade fiscal concluído pela existência de evasão de divisas não amparadas pela isenção do IOF prevista no inciso I do art. 16 do Decreto nº 6.306/2007, o que implicou a cobrança do imposto à alíquota de 25%, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150% e agravada em 50%, totalizando, assim, 225%, com fundamento nos arts. 63 e 64 do Código Tributário Nacional, dos arts. 5º a 7º da Lei nº 8.894/1994, arts. 2º, 11 a 13 do Decreto nº 6.306/2007, e §§ 1º e 2º, inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.130 13 36. Observese, ademais, que a seleção da contribuinte LABOGEN S.A. para procedimento de fiscalização foi baseada em documentos coletados por autoridade POLICIAL FEDERAL, em sede do inquérito policial (IPL) nº 1.041/2013, constante dos autos do processo judicial nº 504.9557.14.2013.404.7000, e em fatos expostos na denúncia formulada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL em desfavor de ALBERTO YOUSSEF e outros, constante do processo judicial nº 502.5699.17.2014.404.7000, ambos em curso na Subseção Judiciária de Curitiba/PR da Justiça Federal, conhecidos pela unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil (Demac/SPO) por meio da Divisão de Fiscalização da Superintendência da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SRRF/8ªRF). 37. O lançamento, a seu tempo, teve origem em denúncias que decorreram de investigações instauradas para a apuração de estruturas paralelas ao mercado de câmbio praticadas pelo núcleo criminoso liderado por ALBERTO YOUSSEF e que deram origem, por sua vez, à chamada "OPERAÇÃO BIDONE", uma complexa forma de evasão de divisas encontrada pelos doleiros por meio de contratos de câmbio supostamente realizados para o pagamento de importações: as instituições financeiras e corretoras de valores estão dispensadas no fechamento de contratos de câmbio de pesquisar se determinada importação que justificou um contrato de câmbio realmente ocorreu e, por meio do esquema formado, os doleiros criavam empresas de fachada e offshores para a realização de operações fictícias (simuladas) de importação, abrindo contas no exterior em nome das empresas em referência para o recebimento de valores atrelados às supostas transações internacionais, tendo sido "fabricadas" invoices, conhecimentos de transporte e contratos simulados entre a importadora e a exportadora. 38. Aproveitandose da desnecessidade de apresentar a declaração de importação (DI) e com base na documentação idealmente falsa emitida eram apresentadas informações (igualmente forjadas) para as instituições financeiras para o fechamento do contrato de câmbio (sob a falsa rubrica de importações). Recortase, abaixo, um esquema retirado do termo de verificação fiscal da "OPERAÇÃO LAVA JATO" com destaque para as ações que caracterizaram a "OPERAÇÃO BIDONE": Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.131 14 39. Com base nos contratos de câmbio arrecadados pela autoridade policial, verificouse o não recolhimento de IOF, tendo em vista as operações cambiais terem sido enquadradas como pagamentos de importação de mercadorias. Destacase do quadro abaixo, retirado do relatório fiscal, a incompatibilidade entre a movimentação financeira em operações cambiais declarada em DIMOF e os valores registrados em declarações de importação: 40. Ao que se denota da leitura termo, afirma a autoridade fiscal que a LABOGEN S.A. foi utilizada por LEONARDO MEIRELLES; ESDRA DE ARANTES FERREIRA; LEANDRO MEIRELLES; PEDRO ARGESE JUNIOR; RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ; CARLOS Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.132 15 ALBERTO PEREIRA DA COSTA; e WALDOMIRO DE OLIVEIRA sob o comando de ALBERTO YOUSSEF justamente para o envio de remessas irregulares de divisas ao exterior mediante a prática das importações fictícias com a finalidade de perpetrar a prática de lavagem de dinheiro de terceiros. Tal façanha foi caracterizadora da prática de simulação com operações de câmbio fundadas em documentos fraudulentos, uma vez que não houve efetiva entrada de mercadoria no país: remessas de divisas ao exterior sem o devido recolhimento do IO/Câmbio. 41. Observese, neste sentido, que, segundo o Banco Central do Brasil, a LABOGEN S.A. QUÍMICA FINA E BIOTECNOLOGIA realizou 291 remessas financeiras ao exterior no ano de 2010, todas com natureza "15806ImportaçãoCâmbio Simplificado" ou "15002 Importação Geral", totalizando USD 20.685.377,92 e R$ 35.925.049,72 e, para este ano, somente foram registradas no Siscomex 11 Declarações de Importação (DI) no valor de aproximadamente USD 240.000,00. 42. Segundo consta do depoimento de LEONARDO MEIRELLES, sócio da contribuinte autuada, ALBERTO YOUSSEF utilizava as contas da empresa para movimentação dos valores recebidos em operações irregulares de câmbio e evasão de divisas, pagando 1% de comissão sobre os valores movimentados aos sócios da empresa. Tais operações de câmbio estão exaustivamente comprovadas por meio dos respectivos contratos celebrados com instituições financeiras, inexistindo, ademais, qualquer registro das importações mencionadas nos contratos. Assim, resta comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, decorrente da prática dolosa de sonegação, fraude e conluio, de modo a afastar a aplicação da fórmula de contagem do prazo de homologação tácita do lançamento, prevista no § 4º, do art. 150, devendo ser aplicada a regra geral prevista no inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 43. Esta, ademais, a conclusão da decisão a quo: "Vale lembrar que as operações de câmbio para pagamento de bens importados decorrente de operações de comércio exterior são isentas do IOF, conforme disposto no art. 6º do DecretoLei nº 2.434/88 e art. 1º, XIII, da Lei nº 8.402/92 e não se sujeitam a retenção na fonte do imposto de renda, e que a não aplicação da regra de homologação tácita do lançamento decorre da comprovação da ocorrência da fraude, objetivamente considerada, tendo apenas relevância tributária a autoria ou participação nos atos fraudulentos para atribuição da sujeição passiva solidária. Tendo em vista que o lançamento remete a fatos geradores ocorridos ao longo de 2010, e tendo em vista que foi dada ciência do auto de infração em 02/12/2015, afasto a alegada decadência" (seleção e grifos nossos). Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.133 16 44. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. 45. Quanto às demais alegações, em especial aquela concernente à responsabilidade solidária de ALBERTO YOUSSEF, observase, como acima demonstrado, que a autuação tem como motivação a remessa ao exterior de recursos efetuados pela autuada, respaldados por contratos de câmbio para pagamentos de mercadorias supostamente importadas, com isenção de IOF, cujas importações jamais se efetivaram, mediante a apresentação de faturas comerciais fraudulentas. Como bem aponta a decisão recorrida, com irreprochável clareza, "(...) tal fato não foi em momento algum negado pelo impugnante, ao contrário, foi confirmado, limitandose ALBERTO YOUSSEF a questionar a sua responsabilidade pelas operações financeiras efetuadas, atribuindo esta ao sócio administrador da autuada, seu irmão e seus empregados", o que limita o espectro de cognição da matéria devolvida a este colegiado, tornando "(...) incontroversa a ocorrência dos fatos motivadores da autuação, inclusive no tocante a apuração da fraude, descaracterizando a hipótese de isenção do IOF, tendo em vista que as importações de fato não ocorreram, bem como caracterizando a hipótese de incidência do imposto de renda retido na fonte aos valores remetidos ao exterior". 46. De fato, como preleciona LEONARDO FREITAS DE MORAES E CASTRO, "(...) são raras as autuações versando sobre IOFCâmbio em face do contribuinte, sendo a grande maioria lavrada em face dos responsáveis"1 e, no caso em apreço, a autoridade fiscal atribuiu ao recorrente ALBERTO YOUSSEF, a responsabilidade solidária de fato, pelos créditos tributários lançados em desfavor da autuada, com fundamento nos art. 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional, com a seguinte motivação: Líder da organização criminosa que efetuou evasão de divisas, utilizando contratos de câmbio para pagamento de importações fraudulentas conforme denúncia do Ministério Público Federal/PR – Operação Lava Jato/Operação Bidone. Coordenava as atividades dos outros denunciados e era o responsável por todas as decisões. Era sócio administrador de fato da Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia, CNPJ 58.092.297/000142. Tal motivação estaria respaldada com base nas denúncias do Ministério Público Federal/PR, de depoimentos prestados na Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal, além das apurações efetuadas na fiscalização na empresa autuada, bem como em diligência efetuada no Banco Rendimento S/A. 1 CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e. "Tributação dos mútuos domésticos entre sociedades relacionadas (Intragroup Loans) Temas atuais e controversos". In: CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e (coord.). Mercado Financeiro & de Capitais regulação e tributação. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2015, p. 668: "Apesar de o art. 12 do RIOF ser claro em prescrever que os contribuintes do IOFCâmbio são os compradores ou vendedores de moeda estrangeira nas operações referentes às transferências financeiras para o ou do exterior, respectivamente, este tributo é recolhido pelas instituições financeiras (...) e similares". Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.134 17 47. Em sua defesa, o recorrente nega autoria e participação nas infrações, atribuindo a responsabilidade a LEONARDO MEIRELLES e LEANDRO MEIRELLES, com base na confissão daquele, prestada nos autos da ação penal nº 502569917.2014.404.7000/PR, pelas contratações de câmbio fraudulentas, tendo sido apenas um dos clientes da autuada, sem poder de mando sobre a empresa ou seus sócios, e tendo utilizado seus serviços na maioria das vezes para obter valores em espécies relacionados aos contratos de prestação de serviço de empreiteiras e, logo, o fato de ter sido mais um dos clientes de LEONARDO MEIRELLES, não o tornaria sócio de fato ou de direito da LABOGEN SA ou INDÚSTRIA LABOGEN, ou qualquer outra controlada por LEONARDO MEIRELLES. 48. Objetase tal vetor argumentativo por meio da simples leitura dos depoimentos prestados em sede de procedimentos criminais, tendo restado comprovado que as operações realizadas, ainda que administradas e controladas pelo sócio administrador da autuada, LEONARDO MEIRELLES, foram de fato contratadas por ALBERTO YOUSSEF, que utilizava as contas da empresa para movimentação dos valores recebidos em operações irregulares de câmbio e evasão de divisas, pagando 1% de comissão sobre os valores movimentados aos sócios da empresa. Conforme aduz o julgador a quo com precisão, "(...) só por esse motivo ficaria evidenciado ao menos o dolo eventual do impugnante". 49. O que se compreende a partir da investigação conduzida pelas autoridades fiscais e policiais é que, por meio da empresa LABOGEN S.A., o responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, agindo em concurso e unidade de desígnios com outros responsáveis, efetuaram 1.294 operação de câmbio não autorizadas, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover evasão de divisas do País, tendo, assim, promovido, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior (mais especificamente para a China, Hong Kong, Nova Zelândia, Estados Unidos, Uruguai, Formosa/Taiwan, Suíça, Bélgica, Espanha, Coreia, Itália, Índia e Alemanha) no montante total de US$ 75.312.713,17, por meio de 1.294 contratos de câmbio fraudulentos descritos, de maneira pormenorizada, em conformidade com o termo de verificação fiscal: data do evento, natureza do fato, número do contrato, instituição que realizou o contrato de câmbio, a empresa que supostamente recebeu os valores no exterior, o país em que o dinheiro foi enviado e o valor da importação, em dólares. 50. Observase, em adição, que, no interrogatório de LEONARDO MEIRELLES, na ação penal nº 502621282, situada às fls. 401 a 419, retificando depoimento prestado anteriormente 25/03/2014, nos autos do Inquérito Policial nº 1041/2013, mencionado pela recorrente em suas razões recursais, afirma que cometeu equívoco em relação às datas, conforme abaixo se transcreve: Juiz Federal: O senhor declarou lá no Inquérito, tem um depoimento seu de 25 de março de 2014, o senhor diz lá 'Que conheceu o Alberto Youssef através de Waldomiro, proprietário das empresas (incompreensível) pra quem o declarante já prestava o mesmo serviço, a movimentação de contas bancárias, controladas pelo próprio declarante, contrapartida em recebimento de comissão. Que Waldomiro não utilizava as empresas dele para efetuar os contratos de câmbio porque elas não eram importadoras. Que Waldomiro solicitou que fossem depositados valores nas contas do declarante, que posteriormente indicava contas bancárias no exterior pra que fossem feitos contratos de câmbio.' Interrogado: Ok, então... Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.135 18 Juiz Federal: Isso acontecia desde 2009, mas que conhece o Waldomiro... Que movimentou valores pra Waldomiro no período de 2009 a 2012. Que a partir de 2012, quando conheceu Alberto Youssef, deixou de operar valores pra Waldomiro, passando a operar apenas para Youssef Interrogado: Assim, Excelência, na ocasião, 25 de março, eu estava no... eu estava recluso, estava numa situação, tava... na verdade, eu me equivoquei em relação às datas. O Waldomiro foi de 2009 pra 2010. Logo, na sequência, seis meses, oito meses depois, ele me apresentou a Youssef. Movimentei, sim, para o Waldomiro, mas era a mando de Youssef, porque até então eu não o conhecia diretamente. Ano de 2010 e 2011, o maior contato era com o Waldomiro pela ação dos pagamentos e operacional do dia a dia. Mas todos eram a mando de Youssef. Juiz Federal: Esses valores que o senhor... Era só do Alberto Youssef, não tinha valores autônomos do senhor Waldomiro? Interrogado: Não. Não tinha. Não tinha. Não tinha porque o recurso nunca foi dele, né. Sempre quando entrava um recurso na conta dele, ele repassava 24 horas, ou 48 horas após, logo na sequência. Juiz Federal: No processo aqui, tem uma perícia feita em cima da conta da MO. Interrogado: Perfeito. Juiz Federal: Consta aqui transferência de 10 milhões, cerca de 10 milhões pra Labogen Química Fina, depois 6 milhões pra Labogen Indústria e Comércio, mais 4 milhões pra Piroquímica. Esses valores eram tudo do Alberto Youssef? Interrogado: Que advinha do Waldomiro, correto, Excelência. Juiz Federal: E esses valores eram todos pra remessa no exterior, ou pra outra finalidade? Interrogado: Todos eles, praticamente, de compra de posição de importação. Em outra passagem do interrogatório, temse as seguintes afirmações, que explicam o modus operandi das remessas feitas a mando de Alberto Youssef: Interrogado: Então, disponibilização... vamos voltar um pouquinho. Então, a gente tem um contrato originário de prestação de serviço ou consultoria, que seja, para uma construtora ou... que seja, advinda de algum acerto de agentes públicos, né? Esse contrato é transformado em uma emissão de uma nota fiscal que creditou numa empresa terceira, no caso, na MO. E essa empresa passou o TED pra minha conta da Labogen. Aí a Labogen faz o fechamento de câmbio do pagamento de importações que não existiram, perfeito? Para beneficiários, esses terceiros, e esses terceiros que pagam em reais aqui. Onde, a princípio, configura a prática do dólar cabo, Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.136 19 vamos dizer assim. Basicamente esse é o desenho, o caminho por onde a coisa acontecia.: ... Interrogado: A Labogen, quando faz importação, e direciona esse pagamento a um canal de um estrangeiro, esse estrangeiro que paga aqui os reais aqui, em espécie, que entregava pro senhor Alberto. Juiz Federal: Então era o dinheiro vindo de fora que o senhor disponibilizava pra ele, então? É isso? Interrogado: Quando ia o dinheiro pra fora, a pessoa disponibilizava aqui em reais, aqui no Brasil. Então, não tem saque. Na verdade, eu te entrego uma posição no exterior e você me entrega uma posição em reais aqui. Juiz Federal: E esses reais iam pro Alberto Youssef? Interrogado: Pro Alberto. Lógico. Sempre. Juiz Federal: Mas e aqueles valores lá fora daí, iam pra quem? Interrogado: Ah, pro pessoal, pra terceiros, pra fabricantes. Todos eles estão contabilizados na contabilidade da minha empresa, todos, sem exceção. Desde 2009. 51. Assim, ainda que a administração da contribuinte autuada não estivesse a cargo de ALBERTO YOUSSEF, as remessas ao exterior a que se referem a acusação fiscal foram realizadas a partir de comandos efetuados pela recorrente, remunerando a “prestação do serviço” a 1% do valor das operações, com pleno conhecimento da ilicitude e da fraude perpetradas, evidenciando o dolo, a sonegação, a fraude e o conluio, o que permite concluir, ainda, que a LABOGEN tenha operado como mera interposta pessoa, uma vez que as remessas ao exterior, de fato, foram efetuadas por ALBERTO YOUSSEF, incidindo, in casu, a regra de responsabilização de terceiros, prevista no inciso III, do art. 135, do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual deve ser mantida a qualificação da multa infligida, como corretamente conclui a decisão recorrida: Tendo sido feitas as operações irregulares de câmbio em proveito de Alberto Youssef, fica evidente o interesse comum deste na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal relativa tanto ao IOF quanto ao IRRF, resultando na ocorrência da hipótese de responsabilidade solidária prevista no inciso I, do art. 124, do CTN. Isto posto, considero procedente a atribuição de responsabilidade passiva. Conforme explicitado no presente voto, restou comprovada a prática de sonegação, fraude e conluio, inclusive da participação do impugnante, segundo a definição contida nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, na medida que foram Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.137 20 contratadas 12 (doze) operações de câmbio para pagamento de bens importados sem que nenhuma das importações fossem realizadas. Os recursos foram remetidos ao exterior, com base em contratos de câmbio elaborados mediante a apresentação de faturas comerciais (invoices) falsas, cujos destinatários seriam empresas estrangeiras de propriedade de um dos sócios da autuada, com a finalidade de efetuar pagamentos de propinas a terceiros não identificados, por meio de lavagem dinheiro, e de fraude cambial. Desse modo, foi lançado o IOF por falta de recolhimento do imposto incidente sobre operações de câmbio, com fulcro no arts. 2º, inciso II, 11 ao 15A, 47, 49 e 50 do Decreto nº 6.306/2007. Assim, considero escorreito o lançamento da multa qualificada, em consonância com o disposto no parágrafo único, do art. 49, do Decreto nº 6.306/2007. Quanto a majoração, conforme se comprova dos autos, a autuada deixou de atender a intimação da fiscalização, consubstanciada no Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 557 a 559, bem como de sua reiteração constante de fls. 561 a 564, de forma injustificada, sendo por isso cabível a majoração da multa, na forma prevista no art. 50 do Decreto nº 6.306/2007. A solidariedade do impugnante, considerada procedente no presente voto, tem como efeito implícito, a responsabilização pela totalidade do crédito tributário lançado, incluindo tributos, penalidade pecuniária e juros, não importando a participação efetiva ou não nas infrações que deram margem ao agravamento e/ou majoração da multa. Ante o exposto, mantenho o lançamento das multa agravada e qualificada, no percentual de 225%, sujeitando o responsável solidário a esta obrigação. 52. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 16561.720162/201537 Acórdão n.º 3401005.363 S3C4T1 Fl. 2.138 21 Fl. 2138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901242/2008-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0727.798, da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 12 42 /2 00 8- 15 Fl. 269DF CARF MF 2 PER/DCOMP, n°19839.75569.020606.1.7.041881, de crédito relativo a pagamento a maior de IRPJ, cujo voto, reproduzo, a seguir: Relatório Por meio do Despacho Decisório de folha 33, foi declarada a não homologação da Declaração de Compensação DCOMP de nº 19839.75569.020606.1.7.041881,com utilização de crédito a título de “Pagamento Indevido ou a Maior”, resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 15.232,51, acrescido de multa de mora e juros de mora. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 16.217,60 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. ... Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 2 a 14, da qual os seguintes trechos são ora reproduzidos por bem representarem os argumentos suscitados: II – DAS PRELIMINARES II.1) NULIDADE POR ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Antes da apreciação do mérito da presente Manifestação de Inconformidade,convém destacar que o ato processual administrativotributário, como qualquer ato jurídico, reclama, para ser válido e eficaz, os requisitos fundamentais de ser praticado por agente capaz, mostrarse na forma prescrita ou não defesa em lei, e conter objeto lícito, tal qual delimitado pela legislação. Se algum desses requisitos não for praticado o ato incorrerá em nulidade. Como se verifica no Despacho Decisório que ora se manifesta, a autoridade fiscalizadora/julgadora se equivocou quando da tipificação do “enquadramento legal”, ao apontar os artigos 165 e 170, da Lei n. 5.172/1966 (CTN), e o art. 74 da Lei n.9.430/1998, que em nada indicam a suposta exigência descumprida. [...] Ocorre que em nenhum dos dispositivos descritos pelo Agente Ativo, há indícios de que a operação realizada pela Manifestante é ilegal, ou estava incorreta. É flagrante o erro cometido pela autoridade fazendária na elaboração do Despacho Decisório, pois ao elaborar o enquadramentos legal deste, omitiu a legislação que consubstanciaria a suposta irregularidade cometida, indicando dispositivos imprecisos. [...] Por esta razão, a Manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação das compensações efetuadas, e consequentemente exercer seu direito de defesa. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10983.901242/200815 Acórdão n.º 1001000.717 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, com este procedimento adotado tratase de vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório, uma vez que se deixou de observar seus requisitos essenciais para seu sustento, como previsto no art. 59, II do Decreto n. 70.235/75 (sic): Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] II.2) DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA DECISÃO O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, já citado, simplesmente, não veio acompanhada de nenhuma fundamentação motivacional/legal, mencionando apenas que as compensações efetuadas pela Manifestante não foram homologadas por insuficiência de crédito. Depreendese com isto que, não descreveu a fundamentação de sua decisão, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. Faltaram, assim, os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por consequência, a segurança jurídica Manifestante. Destarte, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal do Contribuinte, mais uma vez cerceando sua defesa, uma vez que não restam respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendidos pela Constituição Federal, sob pena de serem considerados nulos pela falta de elemento essencial à sua formação. [...] Por se tratar de procedimento administrativo federal, o princípio da motivação se encontra estabelecido, como regra geral, no art. 2º, VII da Lei nº 9.784/99, onde determina a obrigatoriedade da indicação dos pressupostos de fato e de direito que levaram à determinação da decisão: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] Por esta razão, a Manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação das compensações efetuadas. Fl. 271DF CARF MF 4 [...] Assim, não pairam dúvidas que diante da falta de fundamentação motivacional/legal da decisão em questão e, por não ter sido revestida de todas as formalidades legais, deverá ser declarada nula e por consequência determinado a desconstituição do Despacho Decisório ora combatido. III – DOS FATOS E DO DIREITO Em que pesem as razões acima expostas, por si só, demonstrarem a nulidade do Despacho Decisório ora guerreado, cumpre à Manifestante tecer os esclarecimentos que seguem abaixo. Da análise das ínfimas informações constantes do Despacho Decisório ora combatido, a Manifestante pode verificar que não foi reconhecida a compensação de valores devidos a título de IRPJ, do período de janeiro de 2004. Ao analisar a PER/DCOMP objeto da decisão ora combatida, a empresa constatou equívoco no preenchimento da mesma, tendo em vista que o crédito objeto da compensação não se refere a “pagamento indevido ou a maior” como indevidamente informado na página 2 da PER/DCOMP anexa, sendo o crédito originário de prejuízo fiscal de IRPJ de 2001. Portanto, sendo o crédito relativo a prejuízo fiscal de IRPJ de 2001, inexiste DARF para comprovação do crédito, como requer a Autoridade Fiscalizadora, devendose, para averiguação desta situação, ser realizado o cotejo entre as informações prestadas pela empresa na PER/DCOMP com a DIPJ relativa ao ano calendário de 2001. Assim, uma vez demonstrado o erro incorrido pela Manifestante, não há que se falar em insuficiência de crédito para a compensação em apreço, devendo, portanto, ser homologada na integralidade a compensação realizada. Ademais, vislumbrase no caso em tela que o erro formal do contribuinte sequer causou lesão ao erário público, motivo pelo qual deve ser considerado regularizado o pagamento. Destarte, dúvidas não restam de que a Manifestante tem direito de compensar, via PER/DCOMP, os créditos que possui junto à Receita Federal do Brasil com débitos de IRPJ, razão pela qual requer seja homologada a compensação realizada. [...] Voto A manifestação de inconformidade preenche os requisitos legais de admissibilidade; dela conheço. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à interessada. O motivo da não homologação da compensação consta, sim, do Despacho Decisório, e é muito singelo: o DARF informado na DCOMP pela interessada não foi encontrado nos sistemas da Receita Federal, razão pela qual não foi possível confirmar a existência do crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior. Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10983.901242/200815 Acórdão n.º 1001000.717 S1C0T1 Fl. 4 5 Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Deste modo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, ante à clara demonstração de que a interessada exerceu plenamente o seu direito de defesa. A menção de dispositivos legais que regulam o direito à compensação, deve se ao fato de que um dos pressupostos deste direito é a existência de crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública. Portanto, na inexistência desse crédito, o contribuinte obviamente não poderá invocar este direito. É preciso esclarecer também que no regime de compensação por DCOMP, regulado pela Instrução Normativa SRF nº 210/2002, e IN editadas posteriormente, não existe previsão para utilização de prejuízo fiscal. Por outro lado, se o crédito referirse, em verdade, a “saldo negativo de IRPJ” ou a outro crédito que seja passível de ser compensado por meio de DCOMP, caberia à interessada apresentar regularmente a respectiva DCOMP, pois a adoção de outro crédito que não aquele indicado na DCOMP objeto do Despacho Decisório, corresponde a uma nova DCOMP. Por sua vez, a competência para aferir em primazia a regularidade da nova DCOMP é do titular da delegacia que tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do interessado, conforme já prescrevia o caput do art. 31 da IN SRF nº 210/2002: Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração. Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) A esta instância julgadora compete apreciar manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pelas autoridades administrativas referidas no dispositivo supra. No caso em concreto, a compensação constante da DCOMP objeto do Despacho Decisório recorrido, não poderia mesmo ser homologada por inexistir o crédito informado, a título de pagamento indevido ou a maior, como admitiu a própria interessada. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 273DF CARF MF 6 Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · No anocalendário 2001, apurou e recolheu IRPJ nos meses de janeiro R$ 35.131,45 e fevereiro R$ 20.664,97. Contudo, ao final do exercício ano calendário 2001, apurou saldonegativo de IRPJ no montante de R$ 55.796,42, conforme demonstrado na sua Declaração de Imposto de Renda 2002 ano calendário 2001 (anexo DOC. 05), e nas Demonstrações Contábeis do período (anexo DOC. 07 e DOC. 08). · No ano de 2004, a ora Recorrente apurou IRPJ a pagar, e assim, apresentou Pedido de Compensação desses débitos, com o saldonegativo apurado no anocalendário 2001, conforme DCOMP's: n° 15048.17612.270204.1.3.040497, n° 24450.27190.310304.1.3.044127, n° 19839.75569.020606.1.7.041881 e demonstrado na tabela abaixo: ... · A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, arguindo erro formal de preenchimento do pedido de compensação, tendo em vista, que o crédito objeto da compensação não advinha de "pagamento indevido ou a maior", como informado na PER/DCOMP, e sim, advinha de basenegativa de IRPJ, anocalendário 2001. · Sobreveio Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, definindo, em síntese, que não houve cerceamento de defesa, e no mérito que no regime de compensação pelo programa PER/DCOMP, regulado pela Instrução Normativa 210/2002, e posteriores, não prevêem a utilização de base de cálculo negativa de IRPJ. Ainda, que se o crédito referiase a "saldo negativo de IRPJ", ou a outro crédito que fosse passível de compensação por meio de DCOMP caberia a ora Recorrente, apresentar regularmente a respectiva DCOMP. Assim, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. · II.I DA NULIDADE POR AUSÊNCIA DE CAPITULAÇÃO LEGAL · em preliminares, argumenta nulidade por ausência de capitulação legal, É flagrante o erro contido no acórdão recorrido que, a exemplo do despacho Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10983.901242/200815 Acórdão n.º 1001000.717 S1C0T1 Fl. 5 7 decisório, não promoveu o enquadramento legal, de modo que omitiu a legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida. Por esta razão, a ora Recorrente carece de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação do pedido de compensação de débitos de IRPJ, pleiteado pela ora Recorrente no presente processo administrativo, de modo que está obstada de exercer o seu direito de defesa de forma plena (cita acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes) · II.II DA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA DECISÃO · O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, assim como, o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, já citados, simplesmente, não vieram acompanhados de nenhuma fundamentação motivacional/legal, reconhecendo, apenas, a forma pela qual a ora Recorrente realizou a compensação. Depreendese com isto que, não descreveu a fundamentação da cobrança anexada ao Parecer, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. · Faltaram, assim, os elementos de convicção da cobrança, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da Recorrente. · Destarte, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal do Contribuinte, cerceando sua defesa, uma vez que não restam respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendidos pela Constituição Federal, sob pena de serem considerados nulos pela falta de elemento essencial à sua formação (cita: a Lei 9.784/99, artigos 2° e 50 ; Constituição Federal de 1988 art. 5°, inciso LV). Em razões de direito, argumenta que: · No anocalendário de 2001, apurou e recolheu o IRPJ nos meses de janeiro R$35.131,45 e fevereiro R$20.664,97. Contudo, ao final do exercício, anocalendário de 2001, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$55.796,42, conforme a DIPJ 2002, anocalendário de 2001. Fl. 275DF CARF MF 8 · No dia 02 de junho de 2006, a ora Recorrente transmitiu a declaração de compensação, DCOMP n°: 19839.75569.020606.1.7.41881, pleiteando a compensação de débitos de IRPJ apurados em fevereiro de 2004, no valor de R$15.232,51, com créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ, apurados no exercício 2001. · Porém, ao preencher a declaração de compensação, a empresa informou como origem do crédito, DARF de pagamento indevido ou a maior IRPJ, no valor de R$ 16.217,60 (anexo DOC. 04), o qual atualizado montava em R$ 25.292,97. · Ocorrendo assim, um erro no procedimento interno, onde na DCOMP foi informado um crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, ao invés de saldonegativo de IRPJ apurado em exercícios anteriores. · Importante comentar que o mesmo procedimento foi realizado pela recorrente nos processos 10983901.133/2008/96 e 10983 901.159/200846. · O erro de preenchimento tratase de um mero vício formal, suscetível de ser remediado, não afetando a substância do ato e legitimidade do direito creditório da ora Recorrente. · Desta forma, não só em respeito da verdade material, princípio que norteia os processos administrativos, mas em observância dos princípios da moralidade e da eficiência administrativa consagrado no art. 37 da Constituição da República , é razoável e proporcional que o r. acórdão seja reformado, para o fim de reconhecer a legitimidade dos créditos informado no PER/DCOMP n° 19829.75569.020606.1.7041881. · Por fim, requer: · a) Preliminarmente, que seja determinada a reforma do Acórdão recorrido, face às irregularidades do despacho decisório acima expostas, determinando à Autoridade Fazendária de origem que proceda a nova análise da compensação; · b) Caso não acolhido o pedido anterior, no mérito, requer que o presente Recurso Voluntário seja julgado procedente, para que seja reformada a decisão recorrida e, por corolário, homologada a compensação declarada na PER/DCOMP n° 19829.75569.020606.1.7041881, visto que devidamente comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP em apreço. · c) Sucessivamente, caso não seja este o melhor entendimento, requer que seja declarada a existência do saldonegativo de IRPJ relativo ao exercício de 2001, no valor de R$ 55.796,42 (cinquenta e cinco mil, setecentos e noventa e seis reais e quarenta e dois centavos), considerando o pagamento indevido ou a maior, conforme Documentos de Arrecadação de Receitas Federais DARF, bem como, na DIPJ, ano Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10983.901242/200815 Acórdão n.º 1001000.717 S1C0T1 Fl. 6 9 Inicialmente, entendo que não houve cerceamento do direito de defesa, como preconizado pela recorrente.O citado artigo 59 do Decreto 70.235/72, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não entendo que tenha havido a preterição ao direito de defesa, visto que tanto o despacho decisório como a decisão da DRJ foram suficientemente claros que proporcionaram à própria recorrente identificar o problema, não tendo havido preterição do direito de defesa. A própria recorrente argumentou na manifestação de inconformidade que não havia um DARF, correspondente ao indébito, posto que este era originário de prejuízo fiscal (sic), conforme mencionado no acórdão da DRJ: Como se vê, a interessada informou em sua DCOMP que teria crédito referente a pagamento indevido ou a maior e indicou o DARF que corresponderia ao aludido pagamento. Entretanto, se não há registro do DARF, não é possível reconhecer o crédito. Como não poderia ser diferente, a interessada compreendeu, sim, a motivação do Despacho Decisório, pois revela agora que o DARF, em verdade, não existe, tendo incorrido em erro ao informálo na DCOMP. Alega que o crédito seria referente a “prejuízo fiscal de IRPJ de 2001”. Consoante a Instrução Normativa RFB 1.717/2017, em seu artigo 66 a 68, dispõem que: Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Art. 67. Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na declaração de compensação. Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Fl. 277DF CARF MF 10 Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Assim, a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e, no caso da recorrente, deveria ter sido objeto de retificação. Em não havendo, prevalece o que confessado na originalmente entregue. Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10983.901242/200815 Acórdão n.º 1001000.717 S1C0T1 Fl. 7 11 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. (grifei) Portanto, as regras são suficientemente claras e a recorrente teve toda as oportunidades de retificar a declaração originalmente entregue. Releva ressaltar, que não cabe nenhuma restrição à decisão da DRJ que analisou e respondeu aos exatos argumentos apresentados pela recorrente quando de sua manifestação de inconformidade onde fez afirmações que não correspondiam à realidade (afirmou que se tratava de crédito oriundo de prejuízo fiscal). Assim,rejeito as preliminares para, no mérito, negar provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722081/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.722081/201125 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.514 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Multa DACON Recorrente VANDERLEI FERNANDES DE MACEDO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 20 81 /2 01 1- 25 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10840.722081/201125 Acórdão n.º 3402005.514 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 14036.711, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.722081/201125 Acórdão n.º 3402005.514 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001462/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
FATO GERADOR NÃO DEMONSTRADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias hão de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória.
No caso em tela trata-se de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CESTA DE MULTAS.
Incabível a aplicação do entendimento contido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, conhecido como cesta de multas, para regular a eventual aplicação da retroatividade benigna contida no art. 106 do CTN aos casos envolvendo o lançamento de multa por falta de recolhimento de contribuição previdenciária juntamente com o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória (entrega de GFIP), relativa a eventos ocorridos antes da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Trata-se de condutas infracionais distintas, cujas penas encontram-se cominadas em diferentes dispositivos e que não podem ser somadas. Desse modo, a antiga multa do art. 32 aplicada por descumprimento de obrigação acessória somente pode ser comparada com a multa constante do novel art. 32-A. O mesmo vale para a multa do antigo art. 35, aplicada para a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, que somente poderá ser comparada com o novo art. 35 ou com o art. 35-A, todos da Lei nº 8.212/91.
RV Provido
Numero da decisão: 2301-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.329, de 12/02/2015, (a) reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário dos períodos anteriores a novembro de 2004 e 13/2004, (b) considerar devida a multa de 20% sobre a contribuição previdenciária lançada, (c) corrigir o erro material para que conste na ementa do acórdão "recurso voluntário provido"; vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e João Bellini Júnior, que negavam provimento ao recurso voluntário na questão da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Mauricio Vital e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. FATO GERADOR NÃO DEMONSTRADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias hão de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela tratase de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 62 /2 00 9- 48 Fl. 471DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. “CESTA DE MULTAS”. Incabível a aplicação do entendimento contido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, conhecido como “cesta de multas”, para regular a eventual aplicação da retroatividade benigna contida no art. 106 do CTN aos casos envolvendo o lançamento de multa por falta de recolhimento de contribuição previdenciária juntamente com o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória (entrega de GFIP), relativa a eventos ocorridos antes da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase de condutas infracionais distintas, cujas penas encontramse cominadas em diferentes dispositivos e que não podem ser somadas. Desse modo, a antiga multa do art. 32 aplicada por descumprimento de obrigação acessória somente pode ser comparada com a multa constante do novel art. 32A. O mesmo vale para a multa do antigo art. 35, aplicada para a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, que somente poderá ser comparada com o novo art. 35 ou com o art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91. RV Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.329, de 12/02/2015, (a) reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário dos períodos anteriores a novembro de 2004 e 13/2004, (b) considerar devida a multa de 20% sobre a contribuição previdenciária lançada, (c) corrigir o erro material para que conste na ementa do acórdão "recurso voluntário provido"; vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e João Bellini Júnior, que negavam provimento ao recurso voluntário na questão da multa de ofício. 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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela tratase de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado. Recurso Voluntário Provido em Parte”. Alega o contribuinte que o acórdão, ora guerreado, encontrase manchado pelo vício de omissão, uma vez que não foram analisadas a questão da decadência conforme o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional e a necessidade de revisão das multas cominadas com base na retroatividade benigna da Lei n. 11.941/09. Em face do exposto, requer o contribuinte o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário também com relação a decadência parcial com fulcro no artigo 150, §4º, do CTN e para que seja aplicada a retroatividade benigna da Lei n. 11.941/09 no tocante às multas impostas. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 473DF CARF MF 4 Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A partir da leitura do Acórdão nº 2301004.329, notase que estão claras as omissões apontadas, uma vez que o acórdão combatido não enfrentou tais questões, que foram objeto do recurso voluntário, como fica claro à leitura do relatório: Em 03 de junho de 2013 tomou ciência eletrônica da decisão de piso e no dia 02 de julho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período anterior a novembro de 2004; MÉRITO: i) não incidência das contribuições ao FNDE sobre o bônus e o bônus desempenho, j) da necessária aplicação da retroatividade benigna da Lei nº 11.941/2009. Ademais, cumpre ressaltar que o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF verificou quando da elaboração do Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte (fls. 449 e ss) que há também erro material no Acórdão embargo devido a lapso manifesto entre o dispositivo do acórdão (provimento ao recurso voluntário) e a sua ementa (provimento parcial do recurso voluntário), pelo que, face ao disposto no art. 66 do Ricarf, ele embarga de ofício o acórdão para que tal deficiência seja corrigida. Aplicação da Regra Decadencial do Artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional Ao contrário do disposto no Acórdão da DRJ (fls. 164 e ss), que aplicou a regra decadencial do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, vale ressaltar, ainda, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, uma vez que houve recolhimentos de contribuição previdenciária nos referidos períodos pela Recorrente, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a novembro de 2004 se encontram atingidos pela Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301005.417 S2C3T1 Fl. 4 5 decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em novembro de 2009, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em 30/12/2009 (fls 249). Destaquese que também estaria decaído o lançamento relativo ao décimo terceiro salário relativo ao ano de 2004, uma vez que este deve ser recolhido até 20 de dezembro de 2004. Multa e Retroatividade Benigna Previamente à edição da Lei nº 11.941/2009, o sistema de penalidades da legislação previdenciária de custeio apresentava diversas particularidades. A redação do antigo art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições previdenciárias em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, iniciada em 2007, uma série de modificações legislativas foi introduzida, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. A fiscalização, ao lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória, baseouse na seguinte redação do art. 32, IV e §5º da Lei º 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). No entanto, referido dispositivo foi revogado, dando lugar ao art. 32A, cuja redação é a seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 475DF CARF MF 6 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Com relação à multa sobre a falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 prescrevia o seguinte: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301005.417 S2C3T1 Fl. 5 7 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/91 passou a tratar da multa de mora e o novel art. 35A cuidou de dispor sobre a multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 44 da Lei nº 9.430/96, mencionado no art. 35A supra, possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Feita esta breve digressão sobre a evolução legislativa, há dois pontos que gostaria de examinar, com vistas à aplicação da retroatividade benigna: o emprego da chamada “cesta de multas” (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009) e o limite do percentual da multa. Com o intuito de facilitar a compreensão do posicionamento ora esposado, as matérias foram separadas em dois tópicos. Com relação à análise dos regimes das penalidades constantes da Lei nº 8.212/91 – antes e depois da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 –, referese à identificação do comportamento sancionado. Tal providência afigurase importante para se aplicar adequadamente a retroatividade benigna aludida pelo art. 106, II do CTN, em virtude de alteração legislativa. A posição encampada pela Administração Tributária Federal, quando há lançamento de multas por falta de recolhimento de contribuição previdenciária e também de multas por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), é convencionalmente denominada de “cesta de multas” e sua regulamentação encontrase detalhada na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, nos seguintes termos: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos Fl. 477DF CARF MF 8 valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Ou seja, na “cesta de multas”, a aplicação da retroatividade benigna é condicionada à comparação entre: (i) o somatório entre as multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior às alterações da Lei nº 11.941/2009) e as multas por falta de pagamento de contribuições previdenciárias (art. 35, nas mesmas condições); e (ii) o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual introduziu à legislação previdenciária a multa de ofício de 75% sobre o valor da contribuição previdenciária devida. A redução da penalidade, em função da retroatividade benigna, terá lugar somente se o valor resultante da aplicação do critério (i) for superior ao resultado da aplicação do critério (ii). Nesse caso, a multa lançada deverá ser reduzida ao patamar do valor encontrado pelo critério (ii). Na literalidade do dispositivo do artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96, se a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse cumulativamente falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata, isso consistiria um paradoxo, porque não seria possível, ao mesmo tempo, não existir declaração e existir declaração com inexatidão. Se, em outra leitura possível, a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse alternativamente falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata seria criada uma antinomia em relação ao disposto no art. 32A, que igualmente cuida de penalizar a falta de declaração ou a declaração inexata. Diante da dúvida sobre a aplicação de sanções tributárias, o art. 112 do CTN prioriza a interpretação mais favorável ao acusado. Retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o infrator com a aplicação da penalidade mais branda. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301005.417 S2C3T1 Fl. 6 9 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. No caso concreto, pareceme que a interpretação mais favorável ao acusado é considerar que as infrações (i) de falta de declaração ou de declaração inexata e (ii) de falta de recolhimento da contribuição previdenciária devam ser sancionadas globalmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91. Ademais, no tocante ao limite do percentual da multa a ser observado, para fins de aplicação da retroatividade benigna, verificase que o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Fl. 479DF CARF MF 10 Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 Todavia, verificase que há outra linha de interpretação no sentido de que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301005.417 S2C3T1 Fl. 7 11 contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Diante da existência dessa divergência, há uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN, já reproduzido acima. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), novamente o art. 112 do CTN é invocado para a solução do caso concreto. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. Conclusão Dessa forma, voto por acolher os embargos, com os efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, (i) dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN e (ii) dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à aplicação da retroatividade benigna para aplicação da multa. Ademais, cumpre ressaltar que o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF verificou quando da elaboração do Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte (fls. 449 e ss) que há também erro material no Acórdão embargo devido a Fl. 481DF CARF MF 12 lapso manifesto entre o dispositivo do acórdão (provimento ao recurso voluntário) e a sua ementa (provimento parcial do recurso voluntário), pelo que, face ao disposto no art. 66 do Ricarf, ele embarga de ofício o acórdão para que tal deficiência seja corrigida. Ante o exposto, a ementa do Acórdão será a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. FATO GERADOR NÃO DEMONSTRADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela tratase de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária, porque não há fato gerador demonstrado. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. “CESTA DE MULTAS”. Incabível a aplicação do entendimento contido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, conhecido como “cesta de multas”, para regular a eventual aplicação da retroatividade benigna contida no art. 106 do CTN aos casos envolvendo o lançamento de multa por falta de recolhimento de contribuição previdenciária juntamente com o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória (entrega de GFIP), relativa a eventos ocorridos antes da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase de condutas infracionais distintas, cujas penas encontramse cominadas em diferentes dispositivos e que não Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16327.001462/200948 Acórdão n.º 2301005.417 S2C3T1 Fl. 8 13 podem ser somadas. Desse modo, a antiga multa do art. 32 aplicada por descumprimento de obrigação acessória somente pode ser comparada com a multa constante do novel art. 32A. O mesmo vale para a multa do antigo art. 35, aplicada para a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, que somente poderá ser comparada com o novo art. 35 ou com o art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91. RV Provido É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 483DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000167/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS.
A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais emitidas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
SIMPLES FEDERAL. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO.
As alíquotas zero da COFINS e do PIS não aplicáveis às empresas optantes pelo Simples.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO.
A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Maques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais emitidas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SIMPLES FEDERAL. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. As alíquotas zero da COFINS e do PIS não aplicáveis às empresas optantes pelo Simples. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais emitidas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SIMPLES FEDERAL. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. As alíquotas zero da COFINS e do PIS não aplicáveis às empresas optantes pelo Simples. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 67 /2 01 0- 89 Fl. 330DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Maques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração (fls. 95/131) que exigem tributos na sistemática do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), referentes aos meses de janeiro a junho de 2007, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 75/78), foi verificado que: 1. As Notas Fiscais de Saída apresentadas correspondem aos registrados no Livro fiscal no.06 registrado na Junta Comercial de São Paulo, Jucesp sob. No. 20828 em 27.02.08 , entretanto os valores registrados divergem dos declarados no "DSPJ Declaração SimplificadaPJ Simples". 2. 0 montante do faturamento apresentado no livro fiscal ficou aquém do declarado em DIPJSimples. Diante de tal situação, esta fiscalização, considerou como diferença de base de cálculo a diferença entre os valores registrados no livro Fiscal e DSPJ, conforme abaixo demonstrado: [...] Em razão do exposto lançamos : a)Omissão de Receitas Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16095.000167/201089 Acórdão n.º 1201002.461 S1C2T1 Fl. 3 3 (Diferença de base de cálculo: o valor de R$ 2.310.608,84( Dois milhões, trezentos e dez mil, seiscentos e oito reais e oitenta e quatro centavos). A empresa autuada apresentou impugnação (fls. 141/150). Alega, em síntese, que: (i) o lançamento é nulo por violar o artigo 142 do CTN; (ii) não há motivação adequada; (iii) houve violação ao princípio da legalidade e não cumprimento do ônus da prova por parte do fisco; (iv) resta indevida a cobrança das contribuições ao PIS, COFINS e INSS; e (v) não há fundamento para a imposição de juros de mora e multa de ofício. Em Sessão de 04/07/2014, a DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, por meio de decisão de fls. 252/264, cuja ementa transcrevo a seguir. RECEITAS NÃO DECLARADAS. DIPJ. RECEITAS ESCRITURADAS. LIVRO FISCAL. Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda e das contribuições sob as regras do SIMPLES FEDERAL, incidentes sobre as diferenças de receitas omitidas. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. As alíquotas zero da COFINS e do PIS não beneficiam as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL que ficam impedidas de reduzir ou excluir os percentuais respectivos no seu cálculo. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora em percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, determina que as intimações sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inexistindo previsão legal para intimação em endereço diverso, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. Fl. 332DF CARF MF 4 Cientificada da decisão em 25/07/2014 (AR de fls. 303), a contribuinte, em 15/08/2014 (fl.306), interpôs recurso voluntário (fls. 306/316), por meio do qual reitera as razões de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Nulidade A Recorrente basicamente se concentrou em argumentos de nulidade da autuação, essencialmente em razão da ausência de motivação, não cumprimento do ônus de prova da infração, violação do artigo 142 do CTN e da legalidade. Razão, porém, não lhe assite. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16095.000167/201089 Acórdão n.º 1201002.461 S1C2T1 Fl. 4 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, conforme prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita na sistemática de tributação do Simples, apurada pela diferença entre os valores escriturados e informadas em GIA e aqueles informados ao fisco federal. A fiscalização demonstrou cabalmente que a Recorrente ofereceu à tributação receita menor do que foi efetivamente auferida com base nas notas fiscais de vendas. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a autoridade fiscal responsável cumpriu seu dever de apurar diferenças tributáveis de ofício e assim procedeu. O conjunto probatório acostado aos autos, somado à descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, são suficientes para motivar a infração de receitas omitidas, bem como permitem o pleno conhecimento da lide. Afasto, portanto, a nulidade invocada. Omissão de receitas A divergência entre o valor da receita bruta apurada com base nas notas fiscais emitidas, escrituradas e informadas em GIA pelo contribuinte e o valor a menor por ele declarado ao fisco federal constitui fonte direta de omissão de receitas. Fl. 334DF CARF MF 6 Nesse contexto, e considerando que o contribuinte não apresentou nenhum documento ou comentário que pudesse justificar as divergências apuradas, correto o lançamento de ofício dos tributos que deixaram de ser pagos sobre as receitas omitidas com os acréscimos legais. Reflexos Com relação às contribuições ao PIS e COFINS, correta a decisão de piso ao afirmar que: "as alíquotas zero da COFINS e do PIS não beneficiam as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL que ficam impedidas de reduzir ou excluir os percentuais respectivos no seu cálculo. [...] Verificase que a exigência da COFINS e do PIS, no tocante às empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL, é regida pela Lei nº 9.317, de 1996, não podendo a interessada beneficiarse da redução a zero das alíquotas daquelas contribuições, fixada, para não optantes por aquele regime especial, pela precitada Lei nº 10.485, de 2002, por falta de previsão legal. Assim, as alíquotas zero da COFINS e do PIS não beneficiam as empresas optantes pelo SIMPLES FEDERAL, e, portanto, estas não podem reduzir ou excluir os percentuais respectivos no cálculo da contribuição para o SIMPLES FEDERAL. Observese que a partir de 01/07/2007 a Lei Complementar nº 123, de 2006, dispôs que na apuração do montante devido no mês relativo a cada tributo, apurado pelas regras do SIMPLES NACIONAL, o contribuinte que apurar certas receitas, como as sujeitas à tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), terá direito a redução do valor a ser recolhido na forma do SIMPLES NACIONAL. No tocante à contribuição previdenciária patronal (INSS), a Recorrente alega, mas não comprova, que os valores já teriam sido recolhidos nos períodos próprios, não existindo diferenças a pagar. Não obstante, o fato é que a contribuição previdenciária patronal (INSS), para as empresas que são optantes pelo SIMPLES FEDERAL, como é o caso da Recorrente, não deve ser apurada com base na folha de pagamento, mas sim sobre a receita bruta. Assim, sobre as receitas omitidas incidem todos os tributos abrangidos, caso da contribuição previdenciária em questão, na linha do que dispõe o art. 3.º, § 1º, “f”, a Lei nº 9.317/1996. Da multa de ofício de 75% Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16095.000167/201089 Acórdão n.º 1201002.461 S1C2T1 Fl. 5 7 Quanto à incidência da multa de ofício no percentual de 75%, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” No presente caso, uma vez que a fiscalização apurou diferença de tributo pago a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 75%, como determina a lei. A multa de ofício de 75%, portanto, possui previsão legal e foi aplicada corretamente pela autoridade fiscal autuante. Quanto a seu caráter confiscatório, matéria de cunho constitucional, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio, na via administrativa, acusar de confiscatória ou desproporcional a sanção em exame, matéria esta cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Dessa forma, não há como acolher o pedido da contribuinte para afastar a multa de ofício que foi exigida, devendo esta ser mantida no patamar legal de 75%. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.002696/2001-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 07/01/1994, 07/02/1994, 07/03/1994, 08/04/1994, 06/06/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ATÉ 09/06/05. SÚMULA CARF N° 91
Deve ser conhecido pela unidade de origem o pedido de restituição protocolizado em 27/06/01, referente a fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a maio de 1994, à luz das Súmula CARF n° 91, que determina que, nestes casos, o prazo prescricional é de dez anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3301-005.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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SÚMULA CARF N° 91 Deve ser conhecido pela unidade de origem o pedido de restituição protocolizado em 27/06/01, referente a fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a maio de 1994, à luz das Súmula CARF n° 91, que determina que, nestes casos, o prazo prescricional é de dez anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 26 96 /2 00 1- 21 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10860.002696/200121 Acórdão n.º 3301005.165 S3C3T1 Fl. 275 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição protocolado em 27/06/2001, no montante atualizado de R$ 56.937,82, sob a alegação de a pagamentos realizados a maior de COFINS efetuados em janeiro, fevereiro, março, abril e junho de 1994. A DRF em Taubaté/SP, em decisão de fls.111/113, datada de 31/10/2006, não conheceu do pedido de restituição em virtude de já estar decaído o direito de repetição de indébito, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN e do AD SRF n° 96/99. Inconformada com a decisão de não conhecimento do pedido de restituição, da qual tomou ciência por via postal em 08/11/2006, AR de fl. 115, a contribuinte, por meio de seu bastante procurador, procuração As fls. 117/119, apresentou em 11/12/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 134/140, acompanhada do documento de fl. 141, na qual oferece as seguintes razões de fato e de direito: 1. que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, à época do protocolo do pedido de restituição, o crédito tributário não se extingue na data do pagamento do tributo indevido, mas somente após a homologação expressa ou tácita do lançamento pela Administração Pública, nos termos do art. 150, § 40 do CTN; 2. sendo assim, o prazo disposto no art. 168, I, do CTN, só tinha inicio após a homologação do lançamento, segundo o prazo prescrito no art. 150, § 4° do mesmo diploma legal; 3. somente com a edição da Lei Complementar n° 118/2005, alterou se a disciplina dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ficando a partir dai, expressamente consignado que a extinção do crédito tributário em tal espécie de tributos ocorre na data de seu pagamento; 4. entende que para os pedidos de restituição administrativos ou judiciais protocolados até a data de inicio da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, o termo inicial do prazo previsto no art. 168, I ,do CTN, fica caracterizado com a homologação expressa ou tácita do lançamento; 5. no presente caso, tendo protocolado o pedido de restituição em 27/06/2001, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, entende que poderia pleitear a restituição das parcelas da COFINS recolhidas indevidamente e relativas aos fatos geradores de janeiro, fevereiro, março, abril e junho de 1994 ate 31/01/2004, não estando prescrito o pedido." A DRJ em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0519.612, de 04/10/07, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/01/1994, 07/02/1994, 07/03/1994, 08/04/1994, 08/06/1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN o direito de pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido de tributo, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido. Solicitação Indeferida" Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10860.002696/200121 Acórdão n.º 3301005.165 S3C3T1 Fl. 276 3 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 27/06/01, a recorrente protocolizou pedido de restituição de COFINS paga a maior relativa aos períodos de apuração de dezembro de 1993 e janeiro a março e maio de 1994. Os pagamentos foram efetuados nos meses de janeiro a abril e junho de 1994, respectivamente. A DRF não conheceu do pedido, sob o argumento de que decaíra o direito de pleitear tal restituição (artigos 165 e 168 do CTN e AD SRF n° 96/99). A DRJ ratificou a decisão. O objeto da contenda é tratado na Súmula CARF n° 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, determinando que a unidade conheça do pedido de restituição e confirme a legitimidade dos créditos pleiteados. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909628/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS
Somente incluem-se no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, as receitas derivadas das atividades fins do contribuinte. Portanto, não devem ser computadas na base tributável as receitas com "juros recebidos".
Numero da decisão: 3301-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS Somente incluem-se no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, as receitas derivadas das atividades fins do contribuinte. Portanto, não devem ser computadas na base tributável as receitas com "juros recebidos".
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Portanto, não devem ser computadas na base tributável as receitas com "juros recebidos". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Resolução CARF n° 3301000.398, de 28/06/17: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 28 /2 01 1- 86 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 232 2 "Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito de PIS e COFINS. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte e livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14042.505. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da não vinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e a cópia de parte do livro diário apresentada não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 233 3 Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. É o relatório." O colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.366, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.366): 'O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20(vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ.21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Quanto ao mérito, resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da Cofins. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 234 4 Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF,aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Todavia, a autoridade administrativa não considerou os documentos juntados pela Recorrente planilha, o livro diário e o livro razão – uma vez que afastou a tese de mérito. Diante da compatibilidade do valor pleiteado pela Recorrente face à sua escrituração contábil, necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação do crédito pleiteado. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada à unidade de origem que: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 235 5 É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e o relatório encontrase nos autos (fls. 222 a 226). Em suma, concluíram o seguinte sobre a conta contábil de receita com "juros recebidos" apontada pela recorrente como indevidamente computada na base de cálculo do PIS: "A receita alegada indevidamente tributada é efetivamente 'aporte financeiro estranho à atividade desenvolvida pela empresa', e deve ser excluída da base de cálculo da contribuição." As partes não se manifestaram sobre o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira De acordo com a Resolução n° 3301000.398, o julgamento deste processo deveria seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Contudo, o citado Acórdão n° 3301004.594 dispõe sobre matéria estranha ao presente processo incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , motivo pelo qual não o adoto. Passe ao exame das alegações da recorrente. Preliminares Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 236 6 Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, ter seia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 180): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 237 7 b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 222 a 226) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos, quais sejam, bases de cálculo, razão e livro diário. Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computada na base de cálculo do PIS de outubro de 2002 a receita de juros recebidos, registrada na conta 3.6.1.1.001, no valor de R$ 184,27. E assim concluiu o trabalho (fl. 221): "A receita alegada indevidamente tributada é efetivamente 'aporte financeiro estranho à atividade desenvolvida pela empresa', e deve ser excluída da base de cálculo da contribuição." Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com "juros recebidos" não deriva da atividade típica da recorrente, pelo que não se inclui no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no caput art. 3° da Lei n° 9.718/98. Com efeito, o alcance do termo faturamento, abarcando tão somente as receitas oriundas da atividade empresarial típica, restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (posteriormente revogado pela Lei n° 11.941/09), reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF. E este colegiado está vinculado àquela decisão do STF, por força do inciso I do § 1° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10850.909628/201186 Acórdão n.º 3301005.050 S3C3T1 Fl. 238 8 Fl. 238DF CARF MF
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