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Numero do processo: 10640.723822/2011-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26-A DO PAF.
Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA - 150%. LEGALIDADE.
A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, restituições de imposto maiores que o devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 150%. LEGALIDADE. A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, restituições de imposto maiores que o devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 38 22 /2 01 1- 41 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 173 2 recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 153), que complemento ao final: Trata o presente processo dos lançamentos formalizados mediante: 1º) Auto de Infração de fls.02/10, lavrado pela Fiscalização em 25/10/2011, contra a contribuinte retro identificada, que resultou na diminuição do Imposto a Restituir apurado nas Declarações de Ajuste Anual referentes aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, de R$ 13.382,10 para R$ 2.657,10 e de R$ 8.596,51 para R$ 1.721,51, respectivamente, e 2º) Auto de Infração de fls.13/18, lavrado pela Fiscalização em 25/10/2011, contra a contribuinte retro identificada, que lhe exige a multa de ofício isolada (passível de redução) prevista no artigo 44, inciso I, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996, com nova redação dada pelas Lei nº 11.488/2007 e Lei nº 12.249/2010, referente aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, no valor de R$ 13.200,00, sujeita a juros de mora na data do efetivo pagamento. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade revisora, das infrações “dedução indevida de despesas com instrução”, ocorrida no ano calendário de 2010, na importância de R$ 630,00 e “dedução indevida de despesas médicas”, ocorrida nos anos calendário de 2009 e 2010, nas importâncias de R$ 39.000,00 e R$ 24.370,00 respectivamente, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 174 3 de fls.05/06 – parte integrante do Auto de Infração contestado – e Relatório Fiscal de fls.31/46. Foi aplicada a multa de ofício isolada acima citada por ter concluído o fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, na infração “dedução indevida de despesas médicas” relativa aos profissionais liberais Erlinson Ferreira, CPF 199.109.38880, e Marcos Vinicius Machado Fontes, CPF 056.548.79650, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária, conforme expresso no Relatório Fiscal acima mencionado. Protocolizouse ainda o processo administrativo 10640.000298/201137, também em nome da autuada, que trata da Representação Fiscal para Fins Penais visto que a autoridade lançadora entendeu ter ficado demonstrada, em tese, para os pagamentos relativos aos mencionados profissionais liberais, a ocorrência de fatos que configurariam crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Em sua peça impugnatória de fls.129/140, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) “O fato de o profissional ser considerado inidôneo pela Receita Federal não o impede de exercer suas atividades e praticar atos relacionados à medicina. Cabe ao respectivo Conselho a fiscalização da legalidade da profissão”; 2) Os pagamentos de despesas médicas informadas pela contribuinte como efetuados ao fisioterapeuta Marcus Vinicius Machado Fontes “se referem verdadeiramente a serviços médicos prestados pelo profissional Erlinson Ferreira”, o qual “alegando ser o mesmo seu sócio e que o recibo era do mesmo consultório, não havendo motivos para não aceitar os respectivos recibos, induzindo a paciente ao erro”; 3) “O recibo é uma prova de boafé do contribuinte, até que a fiscalização prove o contrário. Não foi o que fez o Fisco, não produziu provas contra a contribuinte, apenas apresentou suposições”; 4) “Os preços praticados pelos profissionais liberais são livres, sendo que cada profissional faz o seu preço em função de sua especialização, do seu conhecimento na mídia e pelos resultados produzidos”; 5) A contribuinte prontamente apresentou os documentos solicitados pelo Fisco “e, se persistiu a dúvida, caberia ao fiscal autuante analisar a outra parte e cobrar providencias, por ventura, de quem errou ou se omitiu”; 6) Quanto aos recibos emitidos pelos demais profissionais liberais, “o fato de ter a contribuinte justificado que havia sido pagos aos profissionais liberais os serviços prestados, em dinheiro, não tira a boafé dos documentos”; 7) Incabível a aplicação da multa de 150% visto que “o Fisco não aceitou os documentos apresentados mas não comprovou o dolo do contribuinte”. Para corroborar seus argumentos, a autuada cita artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente e da Constituição Federal do Brasil, bem como ementas e trechos de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 175 4 vários Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A primeira instância de julgamento, em resumo, assim dispôs: 1 Não era competente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação tributária. Quanto à alegação de cerceamento de defesa, entendeu que a autoridade fiscal não cometera nenhuma irregularidade em seu procedimento. 2 A dedução indevida com despesas com instrução (R$ 630,00), glosadas pela Fiscalização foi considerada matéria não expressamente questionada e fora do litígio. 3 Citou os artigos do RIR/1999 e da Lei nº 9.250, de 1995, para sustentar as condições em que despesas com médicos e afins podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto. Tratou das glosas efetuadas e dispôs que, em princípio, admitese o recibo como comprovação do pagamento, porém, existindo dúvidas quanto a sua veracidade, o Fisco pode exigir do contribuinte provas complementares. 4 Em relação à multa de ofício aplicada, defendeu a legalidade, inclusive em relação ao percentual majorado, de 150%, quanto às despesas relativas aos profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes, dizendo que os fatos foram comprovados pela DRF/Juiz de Fora, em procedimento fiscal. Assim, decidiuse pela improcedência da Impugnação, mantendose o lançamento efetuado. Cientificada dessa decisão em 30/03/2012 (sexta feira), conforme Aviso de Recebimento na folha 163, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, via postal, em 30/04/2012, conforme envelope com carimbo de postagem na folha 168. Em sede de recurso, em suma, assim manifesta sua inconformidade: é inadmissível que o Fisco aplique multa de 150%, simplesmente por presunção. Dizse vítima de profissionais inescrupulosos e falsários e não pode arcar com o ônus de fiscalizar os mesmos. o fato de não ter comprovado determinadas despesas é justificado pelo extravio dos documentos, conforme já explicara, juntando boletim de ocorrência policial. os demais recibos glosados, sobre os quais foi aplicada multa de 75% são idôneos, cabendo ao Fisco provar a inidoneidade. trata do percentual da multa, pugnando pela aplicação do critério da razoabilidade. PEDE, então, que seja cancelado o débito fiscal ou, alternativamente, que seja retirada a multa, uma vez que não está "rastreada em legalidade". É o relatório. Voto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 176 5 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, no recurso administrativo, recorrese da decisão de 1ª instância, da DRJ. A lide deve ser delimitada, de forma a conferir ao processo a eficiência, a segurança e a confiança, a fim de atingir seus objetivos. A Recorrente não volta a manifestarse sobre nulidade do procedimento, alegando cerceamento de defesa; também não questiona o disposto sobre a glosa de despesas com instrução, que foram reputadas fora de litígio pelo Julgador a quo. Assim, nada a se tratar sobre tais matérias. Não havendo preliminares, passemos ao mérito. MÉRITO 1. DA MULTA APLICADA Identifico no recurso que a contribuinte insurgese especialmente sobre a aplicação da multa de 150%, não obstante questione também a multa aplicada sobre determinada parcela do lançamento, no percentual de 75%. Assim sendo, tratemos primeiramente desse aspecto. Manifestase contrariamente à aplicação da multa duplicada, no percentual de 150%, entendendo que não estaria caracterizado o “evidente intuito de fraude”, alegado pela Fiscalização tampouco demonstrado o dolo específico na conduta do agente. Na declaração de ajuste das pessoas físicas, analisase as mutações patrimoniais, relativas aos ingressos de renda, podendo ser deduzidas algumas despesas, referentes a decréscimos desse mesmo patrimônio. Segundo CARRAZZA, que sublinho para destacar: “...renda é a disponibilidade de riqueza nova, havida em dois momentos distintos...é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao longo de um determinado período de tempo. Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (CARRAZZA, Roque Antônio, A natureza meramente interpretativa do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o imposto de renda, a contribuição previdenciária e as sociedades de serviços profissionais. RDDT 154, jul/2008, p. 109 Apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.282) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 177 6 Também de ser destacado que o imposto sobre a renda é tributo sujeito a lançamento por homologação, o que significa dizer, conforme artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN, que compete ao sujeito passivo verificar a ocorrência do fato gerador, calcular o montante devido e efetuar o pagamento no prazo, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento realizados. Feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Ora, a contribuinte reconhece que jamais submeteuse a tratamento com o profissional Marcus Vinicius Machado Fontes. Alega que foi paciente de Erlison Ferreira, em sessões de fonoaudiologia e que este, alegando não poder mais emitir recibos, emitiuos em nome do outro, que seria seu "sócio", na mesma clínica. O primeiro seria fisioterapeuta, o segundo seria fonoaudiólogo. Observo, por exemplo, que na DIRPF/2010 foi declarada despesa de R$ 18.000,00 com Erlison Ferreira e mais despesa de R$ 14.000,00 com Marcus Vinicius Machado Fontes. Ou seja, se todo o tratamento foi realizado com o primeiro, como alega a Recorrente, gastou só em fonoaudiologia R$ 32.000,00, em 2009. Isso corresponde a mais de 20% do total de seus rendimentos. No Relatório Fiscal, consta que o profissional cobrava entre R$ 40,00 e R$ 50,00 reais por sessão. Assim, a contribuinte teria se submetido, pelo preço maior, a 640 sessões de fonoaudiologia, naquele ano que teve apenas 365 dias. Não bastante, ao contrário do que alega a Recorrente, a Fiscalização tratou de intimar os emitentes dos recibos e aprofundar seu procedimento junto aos mesmos, como consta do Relatório Fiscal e dos termos de depoimentos que integram estes autos. Marcus Vinicius Machado Fontes negou que tenha emitido recibos, estava com o registro irregular junto ao Conselho de classe e disse que fora vítima de fraude. Erlinson Ferreira não declarou a renda e foi demonstrado, através de elementos, inclusive matemáticos, que não prestara os serviços correspondentes ao total de recibos emitidos em seu nome. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 178 7 Os recibos são todos em valores "redondos" de R$ 500,00 e R$ 1.000,00, emitidos mensalmente, o que leva a imaginar que todos os meses submetiase a igual número de sessões, mais de uma por dia. (fls. 68 a 100) Ante o exposto, considerando a realidade destes autos, inclusive o aspecto subjetivo da contribuinte, entendo que restou configurada a fraude ao serem transmitidas declarações com o claro objetivo de auferir valores maiores e indevidos de restituição de imposto de renda. Não há que se falar em “erro” ou “equívoco” nessa conduta. Admite inclusive terse valido de recibos de fisioterapeuta que jamais consultou. Destaco que aqui se trata dos anos calendário de 2009 e 2010, mas que o Fisco também apurou irregularidades de mesma matéria nos anos de 2007 e 2008. Foram lavrados Autos de Infração em processos administrativos separados uma vez que nos exercícios de 2008 e 2009 apurouse imposto a pagar e nos exercícios de 2010 e 2011 apurouse redução de saldo de imposto a restituir. A fraude reduziu o valor do imposto devido (retido na fonte) ao auferir restituição maior que a devida. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, como entendida pela Autoridade Fiscal. Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Se o percentual das multas estabelecido legalmente atende ao sistema constitucional ou não, não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Não há, portanto, que se falar em razoabilidade. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado à lei. O Fiscal, tampouco o Julgador, não escolhe qual o "peso" da multa que deve ser aplicada. Aplicase a lei ao caso concreto, somente. Bem, a Recorrente admite que tais recibos são decorrentes da ação de "falsários", entretanto, ao incluílos em suas declarações de ajuste anual, valendose dos mesmos para auferir vantagem, discordo que "não tenha compactuado com eles". 2. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Bem, pelo exposto, creio desnecessário discorrer sobre a glosa das despesas, no valor de R$ 32.000,00 em 2009, e de R$ 16.000,00 em 2010, declaradas como gastos com os profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes. Pelo todo tratado no item anterior, devem mesmo ser mantida. Em relação aos demais recibos, que não foram aceitos, tendo em vista que a contribuinte valeuse de recibos inidôneos, e em valor expressivo, entendeu a Fiscalização pela aplicação do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, tendo intimado a interessada, conforme Termo de Solicitação de Esclarecimentos, na folha 65, a apresentar documentação Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 179 8 comprobatória do efetivo pagamento pelos serviços médicos e afins consumidos nos anos em comento. O Regulamento do Imposto de Renda em seu artigo 73, comanda o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). § 1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). Entendo que não agiu com excesso a Fiscalização ao entender, em vista dos depoimentos dados pelos profissionais supracitados e do valor das deduções pleiteadas, por exigir a comprovação do efetivo pagamento. O recibo faz prova, salvo em casos como este. Na folha 41/42, o Auditor Fiscal fundamentou seu entendimento, em Relatório. E a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento de nenhuma das despesas glosadas, nem para a Fiscalização, nem na fase litigiosa do procedimento, inaugurada com a apresentação da impugnação. Ao recurso, nenhum documento foi anexado. Há também o caso das glosas onde sequer foi apresentado recibo, sob a alegação de extravio. Mas, poderia ter solicitado nova cópia ao regular emitente, se quisesse, uma vez que os médicos costumam guardar as fichas e prontuários de seus pacientes. Bem, quanto a essas despesas, glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento, aplicouse a multa de 75% que, como já expusemos acima, decorre de lei. CONCLUSÃO A utilização de recibos médicos comprovadamente inidôneos autoriza a glosa dos mesmos e aplicação da multa no percentual de 150%, considerando o evidente intuito de fraude e a conduta dolosa. Uma vez verificada a utilização de recibos inidôneos, legítimo o procedimento fiscal de exigir a comprovação do efetivo pagamento das demais despesas médicas declaradas, com base no artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda. Não comprovado o desembolso, correta a glosa efetuada. O mesmo em relação a despesas para as quais sequer foi apresentado recibo, sendo que a estas parcelas aplicase, como previsto em lei, a multa de 75%. Face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 180 9 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10880.910867/2008-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 67 /2 00 8- 26 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 1.530,98, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 63 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 64 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 65 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 35013.002270/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 22 70 /2 00 5- 11 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35013.002270/200511 Acórdão n.º 9202003.440 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0359, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0351, que decidiu anular lançamento pela existência de vício material, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. O relatório fiscal não evidenciou a caracterização da cessão de mãodeobra conforme previsto na Lei n° 8.212/91, com as modificações introduzidas pelas Leis n° 9.528/97 e 9.711/98 e art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Julio Cesar Vieira Gomes. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre se a ausência de descrição do fato gerador é motivo para a anulação do lançamento. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes da recorrida; 2. Está demonstrado que o lançamento e os termos do procedimento fiscal estão em perfeita conformidade com a legislação de regência, inexistindo a nulidade vislumbrada pelo acórdão recorrido; 3. Não se trata de matéria passível de reconhecimento de ofício; 4. Inexiste vício no lançamento; 5. Requer, caso não aceitas as alegações acima, que se dê provimento ao recurso, para declarar que se trata de mero vício de natureza formal. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Por despacho, fls. 0403, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente para acolher a divergência quanto à impossibilidade de se declarar a nulidade do lançamento quando houver nos autos a descrição dos fatos, acompanhada do conhecimento pelo sujeito passivo desses fatos que lhe foram imputados. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento, fls. 0406. Portanto, a única matéria em análise referese a divergência de entendimento entre o Acórdão recorrido e os paradigmas de n°s 20401.794 e 204.01.947; O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35013.002270/200511 Acórdão n.º 9202003.440 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, há questão a ser analisada. Destaquese, pois relevante, que a única matéria em litígio é de se a ausência de descrição clara e precisa do fato gerador, quando a recorrente demonstra compreender a acusação que lhe é imputada é suficiente para anular o lançamento. Para tanto, a recorrente apresenta dois paradigmas: 1º 20401.794, que define: “A alegação de descrição insuficiente dos fatos e, por conseqüência, cerceamento ao direito de defesa, é improcedente. Em seu recurso, alegou falta de objetividade, clareza e completude da descrição dos fatos que configuram a infração à legislação tributária e menção aos fundamentos legais. Ocorre que, todos os elementos da fiscalização foram juntados aos autos, dos quais podese verificar com precisão qual a exigência fiscal. Além disso, como se pode observar da impugnação apresentada e do recurso ora em julgamento, a Recorrente compreendeu a acusação fiscal, se opondo às razões do lançamento. Assim, não deve ser declarada a nulidade do lançamento, posto que não houve prejuízo à defesa.” 2º 204.01.947, que define: “Não procede o requerimento da Recorrente para que seja declarada a nulidade do lançamento em razão da suposta falta de descrição dos fatos e enquadramento legal. No auto de infração e nos demonstrativos produzidos pela fiscalização resta claro o procedimento de fiscalização, bem como as diferenças por ela apontadas e a origem dos valores lançados de ofício (escrituração fiscal da própria Recorrente, nos livros relativos ao ISS e ao ICMS). A fundamentação legal também é clara e suficiente para a manifestação da defesa.” Portanto, para os acórdãos paradigmas, os lançamentos permitem verificar com precisão qual a exigência fiscal e resta claro o procedimento de fiscalização. Só que não é esse o caso da decisão recorrida. Para a decisão recorrida o lançamento não permite verificar a exigência fiscal, nem está claro o procedimento da fiscalização, nos seguintes termos: “Ocorre que a retenção, na forma do citado art. 31, somente será exigida quando demonstrado pelo fisco na peça informativa que, efetivamente, a hipótese encontrada é aquela Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 descrita na norma previdenciária. Caso contrário, não há a exigência de adoção da retenção por parte da empresa. 4. Isto porque, nos exatos termos do que dispõe o art. 114 do Codex Tributário, o1 "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência". 5. A seu turno, a exigência para a constituição do crédito tributário está posta, também, no artigo 142 do CTN o qual assevera que não só a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária deve ser devidamente verificada pelo fisco, bem como a matéria tributável determinada no lançamento fiscal. Eis o inteiro teor do dispositivo:” Portanto, para a decisão recorrida, não foi demonstrado pelo fisco na peça informativa que, efetivamente, a hipótese encontrada é aquela descrita na norma previdenciária. Assim, não há divergência entre as decisões, motivo do não conhecimento do recurso. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726009/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO.
Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimir-lhe a falta.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimir-lhe a falta. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 270 1 269 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.726009/201114 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2102003.220 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria ITR APP e abitramento do VTN Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARIA THEREZA CARMEN MONDINO ESPÓLIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimirlhe a falta. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 60 09 /2 01 1- 14 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 271 2 EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra MARIA THEREZA CARMEN MONDINO ESPÓLIO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Cachoeira Macaé de Cima, com área total de 12.690,4 ha (NIRF 4.434.3787), relativo ao exercício 2007, no valor de R$ 22.713.364,29, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 26/11/2011. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total da área de preservação permanente, por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2007 Declarado Apurado na Notificação 02Área de Preservação Permanente 12.690,4 ha 0,0 ha 23Valor da Terra Nua R$ 3.534.224,99 R$ 51.959.066,14 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente pela autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, conforme Acórdão DRJ/BSB n° 0349.006, de 25/07/2012, fls. 256/263. A DRJ Brasília recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 272 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida andou bem quando cancelou a glosa da área de preservação permanente pelas razões a seguir transcritas: No presente caso, a requerente comprovou a protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para o exercício de 2007, em 01.11.2007, às fls. 227, com a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, área essa igual a declarada como de preservação permanente. Além disso, apresentou dois ADA protocolados em 08.11.2005 e 22.11.2005, respectivamente às fls. 225 e 226, ambos contendo a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, também, igual a área declarada em 2007 como sendo de preservação permanente. Não obstante a protocolização do ADA, para o exercício de 2007, ter sido efetuada em 01.11.2007, após o prazo previsto na IN/SRF nº 746/2007 c/c a IN/IBAMA nº 76/2005, que é de 28.09.2007, além de a impugnante ter apresentado dois ADA protocolados anteriormente, como citado, contendo a informação da área declarada, foi juntada aos autos Declaração do IBAMA, às fls. 219, assinada pelo Engenheiro Florestal Mário de Sá Almeida Júnior, matrícula 1445296, na qual é declarado que a área total do imóvel, de 12.690,4 ha, é totalmente destinada a área de preservação permanente. Transcrevese parte da declaração: “Declaramos para os devidos fins, que a FAZENDA CACHOEIRA MACAÉ DE CIMA, localizada (...), com área total de 12.650,4 ha, registrada no Cartório (...),é totalmente destinada a Área de Preservação Permanente (APP), e de acordo com a Lei nº 2.249/88, de 08/12/88, a área é considerada Área de Relevante Interesse Ecológico, e conforme Lei 4.771/65, de 15/09/65 e Lei 9.985/00, artigo 40, § 1º ...” Além da Declaração do IBAMA, foi carreada aos autos, a Declaração do INCRA, às fls. 226, assinada por Rosemeire Soares Correa, Coordenadora da Sala do Cidadão do INCRA, atestando que toda a área da Fazenda Cachoeira Macaé de Cima, de 12.690,4 ha, é destinada a área de Preservação Natural e Reserva Ecológica. Ainda, para fazer prova de que a área do imóvel possui relevância hidrográfica da área lá preservada, a impugnante Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 273 4 juntou aos autos Declaração do CEDAE, às fls. 215, que é o órgão encarregado da distribuição das águas no Estado do Rio de Janeiro, informando, que o imóvel é “indispensável ao abastecimento da Malha Urbana e Rural da Região Nordeste do Estado do Rio de Janeiro”. Consta, também, nos autos documento, às fls. 248/251, expedido pelo Instituto Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (INEA), integrante da Secretaria do Estado do Ambiente (SEA), informando que a área do imóvel é de aproximadamente 102 km², sendo que a área inserida no Parque Estadual dos Três Picos, criado pelo Decreto Estadual nº 31.343/2002, é de aproximadamente 85,71 km² e que a área inserida na APA Macaé de Cima, criada pelo Decreto Estadual nº 29.213/2001, é de 11,82 km², o que representaria uma área de 95,63% do imóvel totalmente inserida nessas duas Unidades de Conservação da Natureza. Ademais, foi carreado aos autos o Laudo Técnico, às fls. 82/123, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo José Roberto Scremin, com ART anotada no CREA, às fls. 129/130, no qual consta a informação que 89,2% do imóvel está inserido na área de Preservação Permanente do Parque Estadual dos Três Picos (PETP) e da APA (Área de Proteção Ambiental) Macaé de Cima, enquanto que os 10,8% restantes estão inseridos no entorno do PETP, às fls. 86, corroborando as informações prestadas pelo INEA, CEDAE, IBAMA e INCRA, de que o imóvel é uma área de preservação permanente de relevante interesse ecológico, por estar em inserido em duas Unidades de Conservação da Natureza, previstas na Lei nº 9.985/2000, e no seu entorno. Esses documentos formam a convicção de que a área de 12.690,4 ha, do imóvel em questão, é de preservação permanente e/ou de interesse ecológico e, desse modo, toda a área do imóvel cabe ser considerada, para fins de exclusão do ITR/2007, nos termos do art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/1996. Como se vê, são fartos e corretos os fundamentos da decisão recorrida, razão porque deve ser mantido o restabelecimento da área de preservação permanente. Já no que se refere ao arbitramento do valor da terra nua, a decisão recorrida assim se pronunciou: Quanto a essa matéria, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2007, de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha) foi aumentado para R$ 51.959.066,14 (R$ 4.094,36/ha), correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2007, para o município de localização do imóvel, conforme, aliás, descrito às fls. 05. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 274 5 No entanto, foi comprovado nos autos que toda a área da “Fazenda Cachoeira Macaé de Cima” cabe ser considerada de preservação permanente que é excluída da incidência tributária, nos termos do artigo 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.393/96. Assim, apesar de a requerente não ter atendido a intimação para comprovação do VTN do imóvel, a preços de 1º.01.2007, é preciso considerar que qualquer que seja o valor atribuído à terra nua, não haverá influência no resultado do imposto a pagar. É que pela sistemática adotada para declaração e apuração do ITR, a área tributável, no presente caso, será sempre igual a zero (0). Por conseguinte, o imposto será cobrado pelo limite mínimo de apenas R$ 10,00, conforme previsto no artigo 11, § 2º, da Lei nº 9.393/96. Dessa forma, qualquer que fosse o VTN atribuído ao imóvel rural pela contribuinte, o resultado tributário seria sempre o mesmo, pois a área tributável seria sempre zero. Com efeito, verificando a metodologia utilizada pela autoridade fiscal, ou seja, a comparação direta entre o VTN/ha declarado pela contribuinte e o VTN/ha constante do SIPT/RFB, visando determinar uma possível subavaliação do imóvel, entendemos que tal metodologia ficou sem objeto, pois a área está no campo da não incidência tributária, sendo razoável admitir como correto o valor que a própria contribuinte atribuiu ao seu bem imóvel na sua declaração do ITR/2007. Enfim, esse arbitramento se tornou inócuo, por ter sido acatada a área total do imóvel como de preservação permanente, permanecendo o imposto devido com o valor mínimo declarado pela requerente, de R$ 10,00 (fls. 06). Desta forma, além de restabelecer a área declarada de preservação permanente, de 12.690,4 ha (área total declarada), também, cabe restabelecer, de ofício, o VTN declarado pela contribuinte, de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha), desconsiderandose a hipótese de subavaliação, por ser sem objeto tributário qualquer arbitramento visando elevar o valor do imposto devido. Isto posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação interposta pela Contribuinte, restabelecendo a área declarada de preservação permanente, de 12.690,4 ha, além da tributação do imóvel com base no VTN declarado de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha), com a consequente exoneração do crédito tributário consubstanciado na Notificação nº 07102/00019/2011 de fls. 03/07. Do trecho acima reproduzido, podese inferir que a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância foi de que o arbitramento do VTN havia perdido o objeto, dado o cancelamento da glosa da área de preservação permanente e assim deixou de apreciar as Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 275 6 argüições da defesa, optando por cancelar o arbitramento somente sob a alegação de que qualquer que fosse VTN adotado, com o cancelamento da glosa da área de preservação permanente, o ITR devido pelo recorrente seria de R$ 10,00. Tal decisão não foi a mais acertada, posto que com a apreciação do recurso de ofício, poderseia ter um resultado pela manutenção da glosa da área de preservação permanente e em assim sendo não haveria que se falar em perda do objeto do arbitramento do VTN. Contudo, a considerar que este voto foi no sentido de confirmar o cancelamento da glosa da área de preservação permanente e em respeito ao disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, devese confirmar integralmente a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001338/2008-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA - VÍCIO MATERIAL
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.825
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento por vício material.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA - VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 835 1 834 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001338/200872 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.825 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente SÃO PAULO ALPARGATAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 38 /2 00 8- 72 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento por vício material. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 836 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – 'SAO PAULO ALPARGATAS S/A contra Acórdão nº 1625.766 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.046.9240, com valor inicial consolidado de R$ 1.932.132,09 retificado para R$ 1.080.613,59. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especificamente relacionados a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional, no período de 01/1999 a 06/2006. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08: Foi lavrado o presente Auto de Infração em razão de a autuada apresentar GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme planilha anexa. Neste sentido, a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). Salientese que a fiscalização foi de fato gerador específico (patrocínio), de maneira que a declaração em GFIP dos demais fatos geradores não foram analisados. Infringiuse, assim, o disposto no artigo 32, IV e parágrafos 3 o e 5°, da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 225, IV, e parágrafo 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 09: A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas (patrocínio), limitada, por competência, aos valores previstos no inciso I I , do artigo 284 do RPS, conforme demonstrado na planilha anexa, totalizando Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 R$ 1.932.132,09, tudo conforme a legislação de regência: Lei 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5o ; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, I I e artigo 373; Portaria 342 de 16/08/2006; e artigo 656 § 6° da IN 03/2005. Salientese que, durante a fiscalização, a autuada declarou em GFIP valores relativos a fatos geradores que entende devidos a título de patrocínio menores do que os apurados pela fiscalização no entanto, no campo do CNPJ informou o de sua filial 61.079.117/000288 e não da matriz, motivo pelo qual foi autuada, vez que declarou informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias CFL 69. O Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração aponta a existência do pagamento de Auto de Infração datado de 09/11/2000 Debcad 35.160.5622 auto este lavrado pela não declaração de todos os fatos geradores em GFIP CFL 68. Esclareçase, conforme discutido tanto na Impugnação quanto em sede de decisão de primeira instância, que a NFLD nº 37.046.9224, se refere ao processo administrativo nº 19515.001339/200817, corresponde ao crédito previdenciário oriundo das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidente sobre as verbas repassadas a título de licenciamento e patrocínio a diversas associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional, no período de 02/1998 a 06/2006. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/1999 a 06/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 23.01.2007, conforme Aviso de recebimento – AR às fls. 189. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Das Preliminares 2. Através do instrumento de fls. 194/214, a Autuada impugnou, tempestivamente, o lançamento alegando em síntese: 2.1. que o AI deve ser declarado nulo, uma vez que não foi lançado de acordo com o que determina o art. 293, do Decreto 3.048, pois não contém descrição clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, do dispositivo legal Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 837 5 infringido, da penalidade aplicada e dos critérios de gradação, sem indicação do local, dia e hora da lavratura; 2.2. que da forma como foi lavrado o AI, houve cerceamento de defesa do contribuinte, em afronta ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, motivo pelo qual deve ser declarada a sua nulidade; 2.3. que é entendimento pacífico do STF que as contribuições previdenciárias revestemse de caráter tributário, razão pela qual a constituição dos créditos correspondentes está sujeita ao prazo de cinco anos a contar do fato gerador e, desta forma, é necessário reconhecer a impossibilidade da cobrança de valores relativos à competências anteriores a janeiro de 2002 e, conseqüentemente, as penalidades por descumprimento de obrigações acessórias referentes ao mesmo período; 2.4. que para o cálculo da multa imposta, a Fiscalização considerou como fatos geradores não declarados em GFIP os pagamentos efetuados pela autora aos clubes de futebol, a título de licenciamento e patrocínio, cujo lançamento correspondente à obrigação principal, foi feito por meio da NFLD n° 37.046.922 4, razão pela qual impõese o sobrestamento do julgamento do presente AI até a decisão final proferida nos autos da referida NFLD; Do Mérito 2.5. que a Fiscalização utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas as verbas repassadas a clubes de futebol lançadas em várias contas contábeis, base esta totalmente equivocada, uma vez que não se pode considerar todos os valores discriminados nas contas contábeis, evidenciando que a NFLD 37.046.9224 foi lavrada sob falsas premissas; 2.6. que a Fiscalização considerou equivocadamente para a referida NFLD o valor de R$ 11.160.104,10 a título de lançamentos manuais, que na realidade constituem ajustes feitos manualmente no encerramento do período contábil dos anos de 1998 a 2006 e não representam pagamentos efetuados a clube de futebol; 2.7. que resta evidente que o critério utilizado pela Fiscalização para a apuração da contribuição previdenciária supostamente devida é equivocado e arbitrário, pois parte de números e informações retiradas da contabilidade de forma fragmentada e sem/ qualquer relação com o fato gerador; 2.8. que a Fiscalização deixou de considerar algumas GPS, como por exemplo, na competência 12/2000, pelo simples fato dos seus valores e a data do recebimento não corresponderem aos dados indicados nos documentos contábeis, entretanto, tais GPS foram quitadas levandose em consideração a data do efetivo pagamento do patrocínio conforme dispõe o art. 66 da IN n° 03/2005; Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 2.9.que em alguns casos a Fiscalização sem qualquer respaldo acabou por exigir em duplicidade algumas GPS quitadas, em razão dos valores dos lançamentos contábeis individualizados não terem correspondência com o valor recolhido a título de contribuição previdenciária; 2.10. que também foi utilizado como base de cálculo das contribuições em discussão os valores lançados na contabilidade como "pagamento ao INSS" e valores lançados na conta de "retenção INSS", sem a avaliação adequada dos documentos e informações disponibilizadas no curso da ação fiscal; 2.11. que a Fiscalização sem observar a redação expressa e clara da legislação cobrou a retenção e o recolhimento de 5% sobre a receita bruta de patrocínio e licenciamento concedidos a sociedades que não se caracterizam como associação desportiva (Corinthians Licenciamento Ltda, Cruzeiro Licenciamentos Ltda e Vitória S/A); 2.12. que na NFLD também estão sendo cobradas, de forma equivocada, contribuições incidentes sobre valores pagos a título de patrocínio e licenciamento à Confederação/Federações e clubes de futebol amadores em desobediência ao disposto no art. 205 "caput" e parágrafo T, do Decreto n° 3.048/99; 2.13..que a Fiscalização, equivocadamente, considerou como base de cálculo os lançamentos contábeis que não representam pagamentos diretos aos clubes de futebol profissionais, mas sim pagamentos de serviços de terceiros, tais como: pagamentos de fretes, de escritório de advocacia, e empresas de turismo, dentre outros; 2.14. que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições os valores referentes a materiais, que não foram pagos em pecúnia, sob pena de violar o princípio da estrita legalidade, devendo ser salientado que referidos valores foram pagos às empresas fabricantes e não aos clubes de futebol; 2.15. que no curso da ação fiscal, foi verificado que as GPS de recolhimento da contribuição de 5% sobre a receita bruta do patrocínio e licenciamento concedida aos clubes de futebol, foram preenchidas incorretamente em nome dos clubes, quando o correto seria no nome da empresa patrocinadora, ora notificada, razão pela qual foi solicitado junto ao Fisco, mediante anuência dos clubes de futebol, a devida regularização; 2.16.que não se pode enquadrar validamente a contribuição previdenciária sobre a receita bruta decorrente de patrocínios e licenciamentos concedidos aos clubes de futebol, prevista na Lei n° 9.528/97, no disposto no art. 195, I, "a" (antes da Emenda Constitucional n° 20/98) da CF, já que referida fonte de custeio não se encontra dentre às taxativamente previstas pelo legislador constitucional originário ou derivado; 2.17. que a inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei n° 9.528/97 não foram convalidadas pela posterior EC 20/98, uma Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 838 7 vez que o ordenamento jurídico brasileip não admite o fenômeno da repristinação; O Órgão de primeira instância baixou o processo em Diligência, a fim de solicitar manifestação fiscal em relação à alegada duplicidade dos valores da basedecálculo, indicando, se fosse o caso, eventuais retificações no lançamento, às fls. 624 a 625. A resposta à solicitação de Diligência Fiscal, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 4.1. Em cumprimento à referida solicitação, a Fiscalização, após o procedimento de diligência fiscal, manifestouse (fls. 638/639) acerca dos questionamentos feitos pela Impugnante, relacionados com a basedecálculo dos valores lançados na NFLD n° 37.046.9224, reconhecendo que em várias competências houve retificações dos valores lançados e que, conseqüentemente, o valor da multa aplicada no presente AI também deve ser retificado, conforme planilhas de fls. 630/637. Segue a Manifestação do Contribuinte, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 4.2. A empresa foi devidamente notificada do teor da manifestação fiscal e intimada a apresentar adendo a sua defesa em 04/06/2008, conforme termo de fls. 640/641. A Impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido (10 dias), consoante instrumento de fls. 642/644, onde, além de reiterar os argumentos da sua defesa, solicita que seja reconhecida a extinção do crédito, referentes às competências anteriores a 01/2002, em virtude da decadência, conforme a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, que por unanimidade de votos declarou inconstitucional o arts 45 e 46 da Lei 8.212/91. 4.3. Em 15/06/2009, a Impugnante solicita às fls. 648/650, que em virtude da MP 449/98, convertida na Lei 11.941/91, que adicionou o art. 32A à Lei 8.212/91 alterando a multa aplicada, para o caso em questão, para R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP, a aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 06, II "c", do CTN. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1625.766 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, às fls. 274 a 282, conforme Ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Constitui infração a empresa deixar de informar, mensalmente, no documento GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária (Art. 32, IV da Lei 8.212/91). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF . A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. PRAZO DECADENCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173,1, do CTN. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 14a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, em virtude da decadência em relação às competências 01/1999 e 11/2001 e, ainda, das retificações, nas competências posteriores a(11/2001, contidas na manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos alterando o crédito originalmente constituído de R$ 1.932.132,09 (um milhão novecentos e trinta e dois mil, cento e trinta e dois reais e nove centavos) para R$ 1.080.613,59 (um milhão oitenta mil, seiscentos e treze reais e cinqüenta e nove centavos), respeitada, oportunamente," a legislação de regência no que tange à retroatividade da legislação mais benigna. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I o da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, combinado com a Lei 11.457/07, observandose o disposto no art. 293, §2°, do Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 6.103/2007. Deixase de recorrer de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações da Lei n° 10.522/02, e de acordo com o art. I o da Portaria MF n° 03/2008, tendo em vista que o valor Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 839 9 total do crédito tributário exonerado não excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Observase que a decisão de primeira instância reconheceu a decadência parcial até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN: 4.8 Considerando que o contribuinte foi cientificado em 23/01/2007 (fls. 189), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL da multa aplicada, nos moldes do art. 173, I do CTN, em relação ao período compreendido entre 01/99 a 11/01, conforme a Súmula Vinculante n° 08/2008 do STF. 4.9. Cabe salientar que para a competência 12/01 não há que se falar em decadência de acordo com o art. 173,1 do CTN, já que o vencimento de referida competência, somente ocorreu em janeiro de 2002, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou em janeiro de 2003. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) FALTA DE DETERMINAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS E CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA APLICAÇÃO DA MULTA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (II) DA RETROATIVIDADE DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE, AO TEOR DO ART. 32A, LEI 8.212/1991 INCLUÍDO PELA LEI 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos ÀS FLS. 828. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA — APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN Analisemos. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/1999 a 06/2006. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência parcial até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN: 4.8 Considerando que o contribuinte foi cientificado em 23/01/2007 (fls. 189), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL da multa aplicada, nos moldes do art. 173, I do CTN, em relação ao período compreendido entre 01/99 a 11/01, conforme a Súmula Vinculante n° 08/2008 do STF. 4.9. Cabe salientar que para a competência 12/01 não há que se falar em decadência de acordo com o art. 173,1 do CTN, já que o vencimento de referida competência, somente ocorreu em janeiro de 2002, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou em janeiro de 2003. Logo, resta para análise as competências 12/2001, inclusive até a competência 06/2006. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 840 11 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 841 13 § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.046.9240, CFL 68, com o correlato processo principal NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/2008 17. Na hipótese dos autos, em relação ao conexo processo principal, NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/200817, a decisão de primeira instância, às fls. 659 e 665, expressamente menciona o aproveitamento de GPS recolhidas pela Recorrente: 4.16. Por sua vez, a NFLD 37.046.9224, foi julgada parcialmente procedente em 22/12/2008, Acórdão 19.977, onde foram analisados todas os mesmos argumentos, ora trazidos pela Impugnante, quais sejam: inconstitucionalidade da Lei 9.528/97; duplicidade da basedecálculo, valores pagos a confederações/clubes de futebol amador e outras entidades, aproveitamento de GPS quitadas em nome de clubes de futebol, valores pagos referentes a fretes, escritório de advocacia, dentre outros; valores referentes a materiais, que não foram pagos em pecúnia etc. Segue abaixo parte do referido voto, onde tais argumentos foram analisados: (...) 5.34. A Impugnante solicitou o abatimento de valores recolhidos em nome dos clubes de futebol, referentes à retenção de 5% (cinco por cento) sobre a receita bruta de patrocínio e licenciamentos a eles concedidos. Instada a se manifestar, a Fiscalização entendeu que realmente assiste razão à Impugnante e informa que, em procedimento próprio, por meio de Informação Fiscal, todas as GPS pagas a título de patrocínio foram apropriadas no CNPJ 61.079.117/00105, no qual foram feitos todos os lançamentos. 5.35. Deve ser salientado que referidas apropriações foram solicitadas pela Impugnante, com anuência dos Clubes de Futebol (fls. 840, 854, 906/907, 959/960. 1016/1017. Referido pedido foi atendido pela Fiscalização que, em 30 de agosto de 2007, emitiu ofícios comunicando aos Clubes de Futebol a realização das apropriações solicitadas e a abertura do prazo de 15 dias para manifestação dos mesmos em caso de discordância Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (fls. 1022/1031). Os ofícios foram encaminhados por via postal (AR recebidos em 10/09/07, 11/09/07 e 12/09/07). Não houve qualquer manifestação de discordância dos Clubes de Futebol. 5.36. Desta forma, referidos recolhimentos também devem ser abatidos dos valores lançados, conforme manifestação da fiscalização, de acordo com as planilhas de fls. 1047/1060. Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, bem como na Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Temos que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 23.01.2007 e as competências objeto do lançamento são 01/1999 a 06/2006. Constatase então que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 12/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Portanto, considerandose que a decisão de primeira instância já havia reconhecido a decadência até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN, neste momento reconhecese a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN (i) FALTA DE DETERMINAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS E CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA APLICAÇÃO DA MULTA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especificamente relacionados a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional, no período de 01/1999 a 06/2006. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08: Foi lavrado o presente Auto de Infração em razão de a autuada apresentar GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 842 15 por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme planilha anexa. Neste sentido, a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). Salientese que a fiscalização foi de fato gerador específico (patrocínio), de maneira que a declaração em GFIP dos demais fatos geradores não foram analisados. Infringiuse, assim, o disposto no artigo 32, IV e parágrafos 3 o e 5°, da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 225, IV, e parágrafo 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 09: A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas (patrocínio), limitada, por competência, aos valores previstos no inciso I I , do artigo 284 do RPS, conforme demonstrado na planilha anexa, totalizando R$ 1.932.132,09, tudo conforme a legislação de regência: Lei 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5o ; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, I I e artigo 373; Portaria 342 de 16/08/2006; e artigo 656 § 6° da IN 03/2005. Salientese que, durante a fiscalização, a autuada declarou em GFIP valores relativos a fatos geradores que entende devidos a título de patrocínio menores do que os apurados pela fiscalização no entanto, no campo do CNPJ informou o de sua filial 61.079.117/000288 e não da matriz, motivo pelo qual foi autuada, vez que declarou informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias CFL 69. O Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração aponta a existência do pagamento de Auto de Infração datado de 09/11/2000 Debcad 35.160.5622 auto este lavrado pela não declaração de todos os fatos geradores em GFIP CFL 68. Evidenciase que o Relatório Fiscal da Infração aponta de forma genérica que houve um descumprimento de obrigação acessória ao afirmar que a autuada não declarou em GFIP o percentual mensal de 5% da receita bruta relativa a repasses a título de patrocínio e licenciamento: (...) a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). De fato, compulsandose o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08, não se consegue evidenciar com clareza e especificamente quais os fatos geradores para suportar o auto de infração de obrigação acessória lavrado. Por exemplo, não há no Relatório Fiscal da Infração a discriminação precisa e clara dos beneficiários dos repasses a título de patrocínio e licenciamento, bem como não há qualquer referência precisa e clara à origem do próprio fato gerador que são os valores repassados pela Recorrente a título de patrocínio e de licenciamento. Neste sentido, o lançamento fiscal deveria ter sido elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Por outro lado, compulsandose os autos, em especial a peça de Impugnação da Recorrente bem como a decisão de primeira instância, se é provável se considerar que no conexo processo principal, NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/200817, devam estar presentes os fundamentos legais e fáticos dos fatos geradores, no entanto, é certo que no presente processo em julgamento AI nº. 37.046.9240, CFL 68, Processo nº. 19515.001338/200872, não se consegue evidenciar com clareza e especificamente quais os fatos geradores para suportar este auto de infração. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 843 17 Desta forma, o procedimento fiscal não atendeu todas as determinações legais, de forma que prosperam as alegações da Recorrente. Portanto, a autuação lavrada deve ser anulada por vício material pela falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores, violando portanto o art. 142, CTN, o que, ademais, claramente também implicou em violação ao princípio constitucional da ampla defesa posto que ao contribuinte não foi possibilitada ampla defesa na discriminação clara e precisa dos fatos geradores. (ii) DA RETROATIVIDADE DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE, AO TEOR DO ART. 32A, LEI 8.212/1991 INCLUÍDO PELA LEI 11.941/2009. Analisemos. Não iremos discutir este tópico em função da análise do tópico anterior em que se decidiu pela anulação por vício material da autuação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso, dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) No Mérito, anular o lançamento por vício material. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.720472/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2007.
Não se obriga à apresentação de DIPJ a pessoa jurídica em início de atividade e optante pelo Simples Nacional em 2007, quando esta declaração tem o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2007. Não se obriga à apresentação de DIPJ a pessoa jurídica em início de atividade e optante pelo Simples Nacional em 2007, quando esta declaração tem o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período. Recurso voluntário provido.
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Recorrente CLEVERSON DEMANI JUNIOR IND. E. COM. MODA ÍNTIMA E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2007. Não se obriga à apresentação de DIPJ a pessoa jurídica em início de atividade e optante pelo Simples Nacional em 2007, quando esta declaração tem o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 04 72 /2 01 1- 52 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Todas as indicações de folhas no presente relatório e voto a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por CLEVERSON DEMANI JUNIOR IND. E. COM. MODA ÍNTIMA E ACESSÓRIOS, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI/RJ, que possui a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA EXPONTÂNEA (sic). INOCORRÊNCIA. Comprovandose que o contribuinte apresentou declaração a destempo, está sujeito ao pagamento da multa pelo atraso na sua entrega. A norma inserta no artigo 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações acessórias.” Por meio de notificação de lançamento foi exigida do contribuinte a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativa ao exercício de 2008, ano calendário 2007, no valor de R$ 500,00. Inconformado, o interessado apresentou impugnação alegando ter apresentado espontaneamente a referida declaração, antes de qualquer manifestação do Fisco, situação que excluiria a aplicação da penalidade pecuniária, consoante disposição do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Em favor de seu pleito, transcreve jurisprudência do antigo 1º Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Alega que, na forma do art. 7o, da Lei nº 10.426/2002, utilizada como fundamento legal para a autuação, o lançamento somente poderia ser levado a efeito após a prévia intimação para prestar esclarecimentos. A DRJ julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa acima transcrita. A par disto, destacase o seguinte excerto do voto condutor: “O contribuinte, constituído como empresário individual, embora não estivesse obrigado a apresentar a declaração no exercício de 2008, o fez fora do prazo estipulado na legislação, assim, foi lavrada a notificação de lançamento que o interessado, em sua impugnação, não logrou comprovar a improcedência sujeitando se ao pagamento da multa (...)” Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário, aduz a recorrente, a fim de esclarecer equívoco que identifica na decisão de piso, que a multa por atraso que lhe está sendo exigida é a relativa à entrega da DIPJ relativa ao período de 27/07/2007 a 20/08/2007, ou seja, de período inferior a um ano, e que a referida declaração foi apresentada em razão do período de inatividade anterior à opção pelo Simples Nacional, pois, na época, a opção pelo referido sistema, feita em 21/08/2007, não se deu retroativamente à data da constituição da empresa (em 27/07/2007), o que tornou necessária a apresentação de declaração nos moldes em que foi apresentada. Contudo, não teria como apresentar a declaração de inatividade relativa àquele período, pois esta declaração pressupõe que a inatividade tenhase dado com relação ao ano inteiro, conforme a pergunta que consta neste tipo de declaração, que transcreve: “A pessoa jurídica acima identificada, por seu representante legal, declara que permaneceu, durante todo o período de 01/01/2007 a 31/12/2007 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial: ( )SIM ( )NÃO” Apesar de a recorrente sustentar, portanto, que a declaração deveria, de fato, ter sido apresentada, observa que, se prevalecer o entendimento da autoridade julgadora a quo de que não estaria obrigado à entrega da declaração, então não caberia qualquer penalidade em face de um ato de mera liberalidade, ou cumprimento equivocado de obrigação a que não estava sujeita. Observa que este entendimento já é atualmente aplicado no caso de declarações de pessoas físicas, não obrigadas à apresentação de declaração, que as apresentem extemporaneamente. No mais, reprisa as alegações da impugnação, quanto à denúncia espontânea e à falta de prévia intimação para prestar esclarecimentos, e conclui a peça requerendo a insubistência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da análise dos documentos acostados aos autos junto à impugnação e ao recurso, verifico os seguintes fatos: O Registro de Firma Individual do contribuinte, datado de 16/07/2007, foi protocolado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 17/07/2007, e deferido 27/07/2007 (fls. 11). A empresa teve a sua inscrição e abertura no CNPJ em 27/07/2007 (fls. 14). Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 5 4 A empresa obteve o seu comprovante de inscrição estadual como contribuinte do ICMS no Estado do Rio de Janeiro em 22/08/2007 (fls. 16). A empresa consta como optante pelo Simples desde 21/08/2007 (fls. 15). A DIPJ que originou a multa questionada foi entregue em 14/02/2011 (fls. 13). A Lei Complementar n° 123, de 2006, instituidora do Simples Nacional, em seu art. 16, § 3o, dispõe sobre os efeitos da opção por esta sistemática, a qual deve ser exercida nos termos, prazos e condições estipuladas por atos do Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, efeitos estes que serão produzidos apenas a partir da data do início de atividade. Transcrevese o dispositivo: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) estabeleceu as condições no § 3º do art. 7o da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, abaixo transcrito em sua redação original: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) V – a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 6 5 prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI – validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. (...)” Percebase que a regra geral do Simples Nacional é que a opção se dê somente no mês de janeiro de cada ano, e que esta surta efeitos para todo o ano calendário. Não é possível fazer uma opção apenas em parte do ano calendário, e, após o mês de janeiro, ordinariamente não há sequer a possibilidade de opção, nem para o próprio ano, nem para o ano seguinte. Foi somente com a edição da Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009, que se criou a possibilidade de o contribuinte efetuar agendamento de sua opção, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro do ano, contudo, neste caso, a opção é válida somente para o ano seguinte. Assim, a única possibilidade de opção pelo Simples Nacional em algum momento após o mês de janeiro de cada ano, se dá no caso de empresas em início de atividade. Ou então em algumas situações especiais, especificamente tratadas em algumas resoluções do CGSN, tal como se deu no caso de 2007, ano em que foi instituído o Simples Nacional, ou no ano de 2009, em que a Resolução CGSN nº 54, de 29 de janeiro de 2009 estendeu o prazo até 20 de fevereiro de 2009. No caso de 2007, a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, estabeleceu que a opção poderia ser realizada até o último dia útil do mês de julho, produzindo efeitos a partir do primeiro dia desse mesmo mês. Posteriormente, a Resolução CGSN nº 16, de 30 de julho de 2007 prorrogou este prazo até 15 de agosto, e a Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007, prorrogou novamente até 20 de agosto de 2007. Mas as alterações nos prazos acima citados, tanto as relativas ao ano de 2007, quanto as relativas ao ano de 2009, aplicamse às opções por qualquer empresa, inclusive aquelas que já estão em atividade, e implicam a retroação da opção até o início do período, de forma justamente a preservar a regra de produção de efeitos para todo o ano calendário (a 1o de julho de 2007, porque foi nesta data que surgiu o Simples Nacional, e a partir de 1o de janeiro de 2009, respectivamente), ou seja, de modo a evitar que, num mesmo ano calendário, possa a empresa, voluntariamente, submeterse a alguma outra forma de tributação que não o Simples Nacional em parte daquele ano. No caso de empresas em início de atividade, conforme dito, a legislação criou uma exceção à regra geral, permitindo que a opção pudesse vir a surtir efeitos no próprio ano calendário, sob certas condições, conforme se verifica no art. 7o da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, antes transcrito. O contribuinte, portanto, após efetuar o seu registro na Junta Comercial e inscrição no CNPJ, bem como obter as suas inscrições estadual e municipal, possuía prazo para efetuar a sua inscrição no Simples Nacional, o qual certamente cumpriu, tanto é que foi admitido nesta sistemática ainda em 2007. Este prazo, conforme visto, era de 10 dias , contados do último deferimento de inscrição. Somente com a Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008, é que este prazo passou para 30 dias. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 7 6 No caso concreto, se a sua última inscrição fosse a do CNPJ, que se deu em 27/07/2007, o prazo de 10 dias estaria vencido em 21/08/2007. Como a opção foi aceita, resta concluir que o prazo estaria vinculado, no caso, à sua inscrição estadual como contribuinte do ICMS no Estado do Rio de Janeiro, que foi obtida, pelo que consta às fls. 16, em 22/08/2007. E a própria Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, dispõe que, nesses casos, se deve considerar como data de início de atividade a do último deferimento de inscrição (art. 7º, § 3º, inciso VI). Ou seja, a data da opção pelo Simples Nacional e a data de início das atividades coincidem, de sorte que, também neste caso, preservase a linha mestra de que não haja alguma outra forma de tributação, que não o Simples Nacional, em qualquer parte de um dado ano calendário. Ora, se a própria legislação estabelece a presunção de que a empresa não teve qualquer atividade antes do último deferimento de sua inscrição — e esta presunção não é infirmada por qualquer indício nos autos — não se afigura razoável, em primeiro lugar, a exigência da entrega de uma declaração apenas para confirmar aquilo que a própria legislação presumiu, impondo uma penalidade a quem não fizesse a sua entrega em tempo hábil. Para piorar o cenário, embora a presunção seja de inatividade, sequer foi oferecida ao contribuinte a opção (se se considerar obrigatória a apresentação de alguma declaração abrangendo o período anterior ao seu início de atividade) de apresentar uma declaração de inatividade. Isto porque, conforme destacou a recorrente, a declaração de inatividade, cuja multa pelo descumprimento do prazo para entrega seria de R$ 200,00, e não de R$ 500,00, só pode ser utilizada caso a empresa se encontre inativa até o fim do ano calendário (salvo eventos especiais de extinção, fusão, incorporação, etc, que não é o caso). E, por conta da mesma presunção, de que sequer iniciou suas atividades antes do último deferimento de inscrição, tampouco permite o sistema que o contribuinte inclua, na Declaração Simplificada, o período anterior ao início de suas atividades. Enfim, para que se considere devida a multa por atraso na entrega da declaração apresentada pelo contribuinte no caso concreto, terseia de admitir que a lei criou uma situação em que uma pessoa jurídica que não se encontra em atividade em determinado período seria obrigada a apresentar uma declaração, mas não de inatividade neste período, e sim de lucro real, presumido, ou arbitrado, com valores zerados (que foi o tipo de declaração que o contribuinte, afinal, apresentou, a fim de regularizar a pendência com relação ao período que estava “em aberto” ou sem declaração). Tal proposição é tão desarrazoada que não pode prevalecer, e tanto o é que foi descartada pela legislação de regência a partir de 1° de janeiro de 2008. É verdade que a Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, alterou essa sistemática, passando a considerar a opção das empresas em início de atividade retroativas à data de abertura, e não mais à data da última inscrição, expressamente apenas para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, mantendo para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007 aquela esdrúxula situação a que nos referimos. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 8 7 Embora não caiba aqui tecer ilações sobre os motivos que levaram o Comitê Gestor do Simples Nacional a não rever a normatização também para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, o mais provável é que tenha sido em razão da irretroatividade, ou seja, evitou o Comitê Gestor de incidir em regulamentação de situações já consolidadas. Contudo, o fato de ter alterado a metodologia para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008 demonstra o claro reconhecimento de que a regulamentação anterior era completamente inadequada. Para concluir, conforme aqui exposto, não se afigura razoável, nem juridicamente admissível, exigirse da pessoa jurídica a entrega de uma declaração apenas para confirmar aquilo que a própria legislação presumiu (inatividade da empresa), e, ato contínuo, impor uma penalidade a quem não faça a sua entrega em tempo hábil. Deixo de analisar os demais argumentos recursais, por não serem necessários à solução da lide. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722289/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DECLARATÓRIA COLETIVA. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO RESTRITA À PARCELA DAS CONTRIBUIÇÕES NO PERÍODO DE 01/01/1989 a 31/12/1995, CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DESSA ESPÉCIE.
Se a decisão judicial somente restringe a isenção à complementação da aposentadoria a entidades de previdência privada, correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte e esta comprovação não é feita, não se reconhece a isenção, notadamente quando o recorrente já se encontrava aposentado antes do referido período.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DECLARATÓRIA COLETIVA. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO RESTRITA À PARCELA DAS CONTRIBUIÇÕES NO PERÍODO DE 01/01/1989 a 31/12/1995, CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DESSA ESPÉCIE. Se a decisão judicial somente restringe a isenção à complementação da aposentadoria a entidades de previdência privada, correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte e esta comprovação não é feita, não se reconhece a isenção, notadamente quando o recorrente já se encontrava aposentado antes do referido período. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DECLARATÓRIA COLETIVA. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO RESTRITA À PARCELA DAS CONTRIBUIÇÕES NO PERÍODO DE 01/01/1989 a 31/12/1995, CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DESSA ESPÉCIE. Se a decisão judicial somente restringe a isenção à complementação da aposentadoria a entidades de previdência privada, correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte e esta comprovação não é feita, não se reconhece a isenção, notadamente quando o recorrente já se encontrava aposentado antes do referido período. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 22 89 /2 01 1- 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos pagos por Fundação Petros de Seguridade Social – PETROS no valor de R$51.311,06. No lançamento, foi procedida a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF correspondente a esses rendimentos. A Solicitação de Retificação do Lançamento SRL foi indeferida sob fundamento de que a documentação apresentada foi insuficiente. Na impugnação, alegouse que não houve infração, uma vez que o valor considerado omitido é rendimento isento pois se refere à complementação de aposentadoria sobre a qual, por força de decisão judicial, transitada em julgado em 14/04/2005, foi declarada a inexistência de relação jurídicotributária (processo judicial 2002.02.01.0246750/ RJ). A impugnação foi indeferida sob fundamento de que o direito reconhecido na ação judicial não se trata de isenção da integralidade dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria mas apenas da parcela do benefício que corresponda às próprias contribuições, de forma que era necessário que o contribuinte trouxesse aos autos elementos fornecidos pela entidade de previdência privada que esclarecessem qual percentual do benefício recebido representa a parcela isenta, e qual percentual do benefício remanesce tributável. Na ausência dessa comprovação, devese manter a omissão lançada. O Setor da Unidade da Receita Federal encarregado de analisar o cumprimento das decisões judiciais proferiu despacho em que relata, alusivamente ao ano calendário 2008, que, tendo em vista a data de aposentadoria do contribuinte em questão, entendese o mesmo permanece obrigado ao recolhimento do Imposto de Renda sobre a integralidade da complementação de aposentadoria percebida da PETROS, independente de qualquer outra discussão (de fato ou de direito). (fls. 55). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 17/03/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 05/04/2012 com as alegações adiante resumidas: 1. a ação judicial transitou em julgado em 14/04/2005 com reconhecimento de isenção do imposto de renda em relação à complementação de aposentadoria, entretanto, o Juízo da liquidação entendeu que a isenção seria apenas em relação à fração do benefício que decorre da contribuição do autor; 2. a PETROS foi intimada para efetuar a retenção de forma a observar a decisão judicial, porém continua retendo o imposto na integralidade e não se pronunciou sobre a parcela da complementação de aposentadoria que advém dos participantes ou não; o contribuinte não pode ser prejudicado por essa omissão da PETROS; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18470.722289/201110 Acórdão n.º 2802003.247 S2TE02 Fl. 97 3 3. é inegável seu direito à isenção total ou parcial sobre a complementação de aposentadoria, não merecendo, portanto, prosperar o lançamento; e 4. descabida a multa de ofício, pois não omitiu rendimentos. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio tem os mesmos contornos do que foi objeto de julgamento por esta Turma Julgadora no processo 18470.722287/201112, a única diferença é que lá se tratou do exercício 2008, aqui, do exercício 2009, sendo que essa única diversidade é irrelevante para o julgamento, razão pela qual se adota a mesma razão de decidir. O recorrente assevera ter sido reconhecido judicialmente o direito à isenção em relação ao complemento de aposentadoria pago pela PETROS (processo judicial 2002.02.01.0246750/ RJ). Com acerto a decisão recorrida consignou que não se trata de isenção da integralidade dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria. A decisão judicial declarou a existência do direito à isenção sobre a parcela dos benefícios recebidos da entidade de previdência privada correspondentes ao valor das contribuições vertidas ao plano, cujo ônus tenha sido do participante, no período de 01/01/1989 até 31/12/1995 desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte. O recorrente não fez qualquer prova ou mesmo alegação objetiva de que tenha suportado o ônus de contribuições ao Plano de Previdência, ente 01/01/1989 e 31/12/1995 (período de vigência da Lei 7.713/1988). Tanto assim que Unidade da Receita Federal assinalou (fls. 52) que a autoridade jurisdicional determinou a intimação da PETROS para que voltasse a efetuar a retenção do IR sobre as parcelas da complementação de aposentadoria que não correspondam às contribuições dos contribuintes ao fundo na vigência da Lei nº 7.713/88, bem como para que informasse ao juízo os valores que indevidamente tenham deixado de ser retidos para cada autor desde Fev/2006. É notório que os participantes dos planos de aposentadoria complementar , no caso da Petros – contribuem juntamente com a empresa, mas após a aposentadoria não mais efetuam contribuição alguma, por este motivo, é relevante para deslinde do julgamento, o fato de o recorrente ter se aposentado em 01/12/1984, como anotado pela Unidade da Receita Federal (fls. 52). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Já estando aposentado antes de 01/01/1989, o recorrente não estaria contribuindo para complementar sua aposentadoria, portanto, o acórdão recorrido não merece reparo. Ao não declarar os rendimentos como tributáveis, o recorrente omitiu rendimento da tributação, o que implica na exigência da multa de ofício. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000988/2004-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Preliminar acolhida.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.377
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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'-- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS NW":47tiz, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10845.000988/2004-61 , Recurso n° 166.576 Voluntário Acórdão n° 2202-00.377 — 2' Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria IRPF- Ex(s).: 1999 Recorrente ANTONIO AUGUSTO FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto da Relatora. • n 1 - ,/,/. Ne o Ni, . - rresidente/ , Ma fi "4/...Ci-ekik-1-, Maria Lúci Moniz de Ara,gã Calomi o Astorga - Relatora 1 EDITADO EM: ": JUN ?2^:3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10845.000988/2004-61 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.377 Fl. 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 5, integrado pelos demonstrativos de fls. 6 e 7, pelo qual se exige a importância de R$164.753,76, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, ano-calendário 1998. O procedimento fiscal encontra-se descrito no Teimo de Verificação Fiscal de fls. 8 e9. .- Do JULGAMENTO DE ia INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte às fls. 94 a 104, a 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão ri g- 17-20.039 (fls. 119 a 126), de 05/09/2007, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n°9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. ENCARGOS LEGAIS. JUROS DE MORA. A cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic decorre de previsão legal. não merecendo prosperar a tese de que é ilegal, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Do RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 25/01/2008 (vide AR de fl. 131), o contribuinte interpôs, em 26/02/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 132 a 135, argüindo preliminarmente a decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4 2, do Código Tributário Nacional — CTN, conforme jurisprudência administrativa que transcreve. Em seguida, às fls. 133 a 135, apresenta suas razões de defesa para se contrapor à exigência fiscal, as quais não serão aqui minudentemente relatoriadas em virtude daquilo que se prolatará no voto deste Acórdão. r\1\i 3 _ DA DISTRIBUIÇÃO _. Processo que compôs o Lote ng- 08, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/10/2009, veio numerado ate à fl. 137, seguida de uma folha sem numeração (última) referente a despacho de encaminhamento dos autos ao presente Conselho.(A<1 - 4 Processo n° 10845.000988/2004-61 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00377 Fl. 3 , Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De se dizer de início, que o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o - recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4° deste mesmo artigo (cinco anos cpntados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o parágrafo 40 do art. 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando-se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I. Uma vez que a autoridade lançadora não qualificou a multa de oficio e, portanto, não caracterizou a ocorrência de dolo fraude ou simulação, aplica-se a regra geral para o prazo decadencial prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Como se sabe, tendo em vista o aspecto temporal, o fato gerador do imposto apurado no ajuste anual é complexivo, ou seja, se completa após o transcurso de um detei in inado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal (um ano no caso), em um fato imponível. Assim, os rendimentos auferidos ao longo do ano-calendário (declarados ou omitidos) devem ser somados para, só então, se calcular o tributo a ser exigido. Não é o fato isolado (cada rendimento recebido ou cada omissão detectada), mas sim o conjunto de todos os fatos ao longo do período de apuração que irá constituir o fato gerador do imposto devido no ajuste anual. Desta forma, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos rendimentos sujeitos à tributação anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos de deteiminação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei. A presente autuação abrange o ano-calendário 1998, cujo prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1998, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2003 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 19/04/2004 (fl. 92), já havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. '\‘•-, y 5 Diante do exposto, voto por ACOLHER a preliminar de decadência para extinguir o crédito tributário. , (-e-e-521‘ 9C1---- Ma- ria CcUcLirMoniz de Ar ão C omino AstorgaYl.d 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARAl2 a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10845.000988/2004-61 '--- Recurso n°: 166.576 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.377 ---- Brasília/DF, t i FN kek I EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10540.721685/2011-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
VALIDADE DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o MPF constitui instrumento de mero controle interno da Administração Tributária, razão pela qual não afeta a relação jurídica estabelecida entre o contribuinte e o Fisco, que se dá a partir do ato administrativo de lançamento.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO.
Por força do disposto no art. 40, § 13, o ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público submete-se ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, razão pela qual incidem contribuições previdenciárias sobre a correlata remuneração.
TAXA SELIC. SÚMULA 03.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
GILRAT. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA.
O Decreto nº 6.042/07, em seu art. 2º, trouxe alterações ao Anexo V do Decreto nº 3.048/99, expedindo nova Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Riscos, majorando a alíquota aplicável à Administração Pública em Geral de 1% para 2%.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR LIVRO/DOCUMENTO.
Constitui infração ao disposto no art. 33, § 2º, punível com multa, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade u que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 VALIDADE DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o MPF constitui instrumento de mero controle interno da Administração Tributária, razão pela qual não afeta a relação jurídica estabelecida entre o contribuinte e o Fisco, que se dá a partir do ato administrativo de lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO. Por força do disposto no art. 40, § 13, o ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público submete-se ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, razão pela qual incidem contribuições previdenciárias sobre a correlata remuneração. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. GILRAT. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. O Decreto nº 6.042/07, em seu art. 2º, trouxe alterações ao Anexo V do Decreto nº 3.048/99, expedindo nova Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Riscos, majorando a alíquota aplicável à Administração Pública em Geral de 1% para 2%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR LIVRO/DOCUMENTO. Constitui infração ao disposto no art. 33, § 2º, punível com multa, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade u que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o MPF constitui instrumento de mero controle interno da Administração Tributária, razão pela qual não afeta a relação jurídica estabelecida entre o contribuinte e o Fisco, que se dá a partir do ato administrativo de lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO. Por força do disposto no art. 40, § 13, o ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público submetese ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, razão pela qual incidem contribuições previdenciárias sobre a correlata remuneração. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. GILRAT. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. O Decreto nº 6.042/07, em seu art. 2º, trouxe alterações ao Anexo V do Decreto nº 3.048/99, expedindo nova Relação de Atividades Preponderantes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 16 85 /2 01 1- 39 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 e Correspondentes Graus de Riscos, majorando a alíquota aplicável à “Administração Pública em Geral” de 1% para 2%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR LIVRO/DOCUMENTO. Constitui infração ao disposto no art. 33, § 2º, punível com multa, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade u que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedentes os lançamentos consubstanciados, segundo o Relatório Fiscal, fls. 99/118, nas seguintes autuações: 1. DEBCAD 51.003.0912: lavrado no importe de R$ 160.534,00, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, por ter a contribuinte apresentado GFIP’s com informações incorretas ou omissas. 2. DEBCAD 51.003.0920: lavrado no importe de R$ 15.244,14, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, por ter a contribuinte deixado de apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira; 3. DEBCAD 51.003.0939: no importe de R$ 1.389.427,28, almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias referente à cota patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, que deixaram de ser consideradas como nas bases de cálculo oferecidas à tributação pelo sujeito passivo através da declaração em GFIP. a. Levantamento DAL (Diferenças de Acréscimos Legais): lançamento dos valores dos acréscimos legais recolhidos a menor nas GPS pagas após a data do vencimento. b. Levantamento TC (Diferença entre TCM e GFIP): lançamento das bases de cálculo resultantes dos fatos geradores referentes às remunerações oriundas da diferença entre as bases de cálculo dos segurados empregados, disponibilizadas pelo Tribunal de Contas do Município TCM à Receita Federal do Brasil, mediante convênio, Ofícios TCM 351/2010 e 1695/2010, e às declaradas nas GFIP do sistema informatizado GFIPWEB. Os dados disponibilizados pelo TCM referemse às remunerações, devidamente auditadas, relativas às remunerações do pessoal ativo, do pessoal temporário, subsídio do Prefeito e VicePrefeito, e subsídio dos secretários. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 4. DEBCAD 51.003.0947: no importe de R$ 62.180,02, almeja o recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, lançadas no seguinte levantamento: a. Levantamento RA (Contribuição para o RAT): lançamento oriundo dos fatos geradores apurados através da análise das GFIP, constantes do Sistema Informatizado GFIPWEB, a qual constatou que nas competências de 06/07 a 11/07, a alíquota RAT informada foi de 1% e nas competências compreendidas entre 12/07 a 13/09 a alíquota informada foi de 0%, quando o correria seria a alíquota de 2%. Compreendido em relação ao período 01/2009 a 12/2009, a autuação foi lavrada no importe total de R$ 1.627.385,44 (um milhão seiscentos e vinte e sete mil trezentos e oitenta e cinco reais e quarenta e quatro centavos). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Municipalidade apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 171/236. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 15 32.722, fls. 283/299, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada, anulando, contudo o lançamento consubstanciando no DEBCAD nº 51.003.0912, mantendo incólume as demais autuações, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração, punível com multa, apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas. MULTA. RESPONSABILIDADE. ÓRGÃO PÚBLICO. O órgão público somente é responsável pela multa por descumprimento de obrigação acessória após a edição da MP nº Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 4 5 449, de 3 de dezembro de 2008, com a revogação do artigo legal que imputava responsabilidade pessoal ao dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal pela multa aplicada por infração a dispositivos legais e regulamentares. MULTA. BIS IN IDEM. Caracteriza bis in idem a aplicação concomitante da multa de ofício de 75% com a multa por descumprimento de obrigação acessória. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Administração Tributária pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. GILRAT. A alíquota do GILRAT para a Administração Pública em Geral, até a competência 05/2007 era de 1%. A partir de 06/2007, foi alterada de 1% para 2%, conforme Anexo V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas) do RPS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 341/371, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do lançamento em razão do escoamento da validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; 2. Ausência de fundamentação nos Fundamentos Legais do Débito – FLD; 3. Multa além do patamar permitido, implicando em violação ao princípio do não confisco tributário; 4. A taxa SELIC não pode ser cumulada com outros encargos legais; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 5. Aplicação da alíquota de 1% a título de RAT. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. VALIDADE DO MPF Quanto ao escoamento da validade do MPF, temse que referido documento é mero instrumento de controle interno da Receita Federal, não afetando a relação jurídica estabelecida entre o contribuinte e o Fisco, que se dá através do ato administrativo de lançamento. Neste sentido, este Conselho possui jurisprudência vasta afastando a preliminar de nulidade do lançamento em razão do MPF. É o que se vê: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a .31/12/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONCLUÍDOS ATÉ 01/05/2007 EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarse de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias concluídos sob a égide Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 do Decreto .3.979/2001, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar relação jurídica tributária fiscocontribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Processo nº 37166.000411/200454. Acórdão nº 230101.378. Sessão de 28 de abril de 2010. Conselheiro Relator Leonardo Henrique Pires Lopes) ____________________________________________________ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL EXTINÇÃO PELO DECURSO DE PRAZO COMPETÊNCIA PARA LANÇAR INDEPENDE DO MPF. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de noinia administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. (...) (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Processo nº 19515.001083/200333. Acórdão nº 220200.443. Sessão de 10 de março de 2010. Conselheiro Presidente e Redator Designado Nelson Mallmam) Portanto, a alegação de nulidade oriunda de expiração da validade do MPF não é apta ensejar o provimento da peça recursal. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Recorrente pretende a nulidade do lançamento em epígrafe por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, em razão da ausência de fundamentos legais do débito, posto não haver detalhamento de cada segurado, não condizendo necessariamente com o total da remuneração, uma vez que a base de cálculo está limitada ao teto máximo dos salários de contribuição, devendo ser aferida de forma isolada, não genericamente. Entretanto, conforme pode ser verificado nos autos, o Relatório Fiscal é rico na indicação dos fundamentos legais e na descrição dos fatos que culminaram na autuação. Inclusive, ainda é possível constatar nas folhas de rosto das obrigações acessórias os dispositivo legal infringido e o da multa aplicada, assim como os Fundamentos Legais do Débito – FLD específicos para cada DEBCAD de obrigação principal, segundo fls. 13/14 e fls. 23/24. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 6 9 Portanto, é plenamente possível a identificação de todos os requisitos descritos no art. 142 do CTN, assim como o art. 10 do Decreto 70.235/72. Quanto ao método da aferição indireta, essa esteve claramente fundamentada, conforme fl. 13 – Fundamentos Legais do Débito, utilizada apenas quanto ao DEBCAD 51.003.0939 na apuração das diferenças verificadas quando do cotejo entre as GFIP’s e os dados informados/auditados pelo Tribunal de Contas do Município, informações essas que permitiram a autoridade fiscal arbitrar a base de cálculo, ante incompatibilidade dos dados declarados à Receita Federal e os constantes pelo TCM. Tal narrativa restou clara no Relatório Fiscal, fls. 99/118, que expôs os motivos, assim como o procedimento para a adoção de tal medida. Em se tratando de aferição indireta, dispõe o art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, vêse que quando aplicada a medida extrema, ocorre a inversão do ônus probatório, cabendo ao contribuinte levantar provas e trazêlas aos autos, documentos aptos a promover a desconstituição do crédito tributário, o que não ocorreu no caso em tela. Outro ponto que a Recorrente se volta é contra a incidência de contribuições previdenciárias em relação aos servidores ocupantes de cargo em comissão, uma vez que trataria de hipótese de não incidência por enquadrarse nas remunerações tidas por ganhos eventuais, citando genericamente a Lei nº 8.212/91. Entretanto, quanto à referida exação, a Constituição Federal é precisa em seu art. 40, § 13, dispõe que “ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social”. Logo, estando vinculado ao RGPS na condição de segurado obrigatório como empregado nos termos do art. 9o, I, “i” do Regulamento da Previdência Social, não sobejam dúvidas quanto a incidência da contribuição social previdenciária. Vêse, pois, que não encontra guarida quaisquer das alegações acerca de suposto cerceamento do direito de defesa, razão pela qual não há que se falar em nulidade da autuação. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente que as multas aplicadas revestemse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, verbis: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado, na contramão do entendimento pacificamente esposado por este Conselho, inclusive consolidada na Súmula nº 03 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. GILRAT – ALÍQUOTA APLIVÁCEL O GILRAT é o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho, equivalente ao antigo SAT (Seguro de Acidente de Trabalho), seu fundamento legal encontrase no Inciso I, do Art. 195, da Constituição Federal c/c art 22, II da Lei nº 8.212/91, respectivamente: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; (grifamos) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 7 11 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. (grifamos) O conceito de “atividade preponderante” é dado pelo Regulamento da Previdência Social, Decreto n. 3.048/99, em seu art. 202: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 12 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (grifamos) Ademais, consoante o § 6º, do art. 57, da Lei nº 8.213/1991, a empresa que possuir trabalhador exposto a agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes, que comprovadamente sejam prejudiciais à saúde ou à integridade física, e que propiciem a concessão de aposentadoria especial, está sujeita ao recolhimento das alíquotas. A contribuição para o GILRAT onera a folha de pagamento das empresas em alíquotas de 1% a 3%, de acordo com o grau de risco da atividade principal por ela exercida. A classificação do risco se dá conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e seu recolhimento é realizado junto com as demais contribuições ao Sistema S e INSS, através do pagamento da Guia da Previdência Social. Todavia, a partir de junho de 2007, entrou em vigor o Decreto Presidencial n. 6.042, de 12/02/2007, o qual trouxe ao ordenamento jurídico alterações substanciais ao Regulamento da Previdência Social, mormente no tocante aos anexos II e V daquele regulamento, atingindo diretamente os órgãos da Administração Pública Direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembléias Legislativas e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, na qual tiveram sua alíquota majorada de 1% para 2%. Senão vejamos: Art. 2o Os Anexos II e V do Regulamento da Previdência Social passam a vigorar com as alterações constantes do Anexo a este Decreto. Art. 5o Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: I do mês de abril de 2007, quanto aos arts. 199A e 337 e à Lista B do Anexo II do Regulamento da Previdência Social; II do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, quanto à nova redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social; e III do mês de setembro de 2009 quanto à aplicação do art. 202 A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6º do mencionado artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.577, de 2008). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.721685/201139 Acórdão n.º 2403002.690 S2C4T3 Fl. 8 13 Portanto, temse por devida a autuação realizada pela fiscalização quanto à diferença apurada, uma vez que, segundo relata a autoridade fiscal, a Municipalidade recolheu a contribuição em relação no percentual de 1% e 0%. DA RETROATIVIDADE BENIGNA – DO DEBCAD n. 51.003.0912 Com relação ao AI DEBCAD 51.003.0912, que trata do descumprimento de obrigação acessória referente à entrega da GFIP com erros de preenchimento de todo o período objeto de fiscalização, qual seja, 2007, 2008 e 2009, a partir da análise do relatório fiscal, percebese a autoridade lançadora aplicou o art. 35A, nos termos da legislação, não merecendo reforma quanto a este ponto. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO Relata a autoridade fiscal que o contribuinte, apesar de intimado através dos Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal nº 01, não apresentou os resumos gerais das Folhas de pagamento, relativos aos anos de 2007 a 2009, o que impossibilitou a precisa análise da contabilidade do contribuinte, ensejando a adoção da aferição indireta da base de cálculo através dos dados obtidos pelo Tribunal de Contas do Município. Tal fato enquadrase na infração ao arts. 33, § 2º, 92, 102, da Lei nº 8.212/91, c/c arts. 283, II, alínea “j”, e 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 14 ************************************************ Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, vêse que a multa foi imputada em consonância com os dispositivos legais, razão pela qual deve ser mantida. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 13361.000077/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2004
NORMAS GERAIS. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 1. 00 00 77 /2 00 7- 15 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13361.000077/200715 Acórdão n.º 9202003.360 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls 0152, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0145, que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguinte termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. ABONO. COMISSÕES. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre os abonos e comissões de natureza salarial incidem contribuições previdenciárias. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. GFIP. BASE DE CÁLCULO As informações constantes das GFIP servem como base de cálculo das contribuições devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes quanto à forma de aplicação da retroatividade benigna, determinada pelo CTN; 2. O acórdão deve ser retificado, conforme a decisão paradigma; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Espera acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0199, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13361.000077/200715 Acórdão n.º 9202003.360 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Sobre a questão de qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13361.000077/200715 Acórdão n.º 9202003.360 CSRFT2 Fl. 5 7 § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado penalidades determinadas – que os sujeitos passivos poderiam sofrer na antiga legislação, com as determinadas atualmente. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13361.000077/200715 Acórdão n.º 9202003.360 CSRFT2 Fl. 6 9 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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