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Numero do processo: 10580.720378/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica e para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 8.291,99, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica e para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 8.291,99, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 78 /2 00 9- 40 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 183 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fl. 141 deste processo digital), reproduzido a seguir: O interessado impugna auto de infração do imposto de renda do anocalendário 2006, lavrado para incluir rendimentos omitidos de R$ 13.502,26, pagos pelo INSS em ação judicial, e para glosar despesas médicas de R$ 19.293,07. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte, intimado (fls. 81), não apresentara documentos discriminando as parcelas de despesas com planos de saúde correspondentes a si próprio e aos demais beneficiários. O impugnante argumenta, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, pois os havia declarado como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, a título de indenização de correção de aposentadoria; que se houve omissão, foi do INSS, que lhe fornecera comprovante de rendimentos anuais sem informar estes rendimentos (fls. 63), induzindoo a erro em sua declaração; que não foi computado o imposto de R$ 405,07 que incidira na fonte sobre estes rendimentos (fls. 32). Quanto às despesas médicas, apresenta recibos e documentos para comprovar a participação de outros beneficiários nos planos de saúde em seu nome. Afirma que apesar da sua esposa constar como beneficiária do plano de saúde da Coelba, isto não implicou qualquer acréscimo nas contribuições mensais, como informa a Coelba às fls. 34 e como dispõe o item 6.1 do regulamento do plano (fls. 41), cabendo a sua dedução integral desta despesa em sua declaração. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 140/142. Entenderam os julgadores da instância de piso que deveriam ser restabelecidas a dedução das despesas médicas referentes aos planos de saúde COELBA e EMBASA, porquanto demonstrado que a dependente integrava os mesmos a título não oneroso, e o IRRF sobre rendimentos pagos em virtude de decisão judicial, no valor de R$ 405,07. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 184 3 O Interessado interpôs, em 06/12/2010, o recurso de fls. 160/168 deste processo digital. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A DIRF fornecida pela fonte pagadora (INSS) não trazia discriminados os valores, e, por isso, não apontava, em conjunto com os demais valores recebidos da mesma fonte pagadora, a necessidade de seu oferecimento à tributação, ou mesmo a forma e natureza do seu enquadramento para o IRPF. Ainda que sem a identificação correta de tais rendimentos e sua natureza, registrou os mesmos em sua declaração, como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, diante, repitase, da falta de informações pela fonte pagadora. Quem deveria sofrer a aplicação de penalidade, pois praticou ato ilícito (descumprimento de obrigação acessória pela emissão equivocada da DIRF), é o INSS, e não o Recorrente, que, de boa fé, tentou proceder de acordo com a legislação federal, mesmo tendo sido induzido em erro pelo próprio poder público. O que o acórdão chama de "despesas médicas não ressarcidas", na verdade, não constituem valores pagos por serviços médicos fora da cobertura do plano de saúde, como interpretou o julgador de primeiro grau, dada a frequência deste tipo de situação. Tais valores compreendem o pagamento das despesas geradas pelo uso dos serviços classificados no Plano de Assistência Básica e disponibilizados na rede credenciada, conforme estabelecido no Regulamento do Plano. O Regulamento do Plano de Saúde da Coelba expressa nos itens 6.2 Contribuição em Regime de Póspagamento e 7 Utilização dos Serviços Disponibilizados pelo Plano, as regras para sua utilização. A contribuição do Recorrente nas despesas médicas, como citadas na Declaração da Coelba, representa os 50% custeados pelos aposentados e pensionistas através de consignação em folha de pagamento e/ou recolhimento ao plano, ou seja, não são despesas não ressarcidas pelo plano e sim pagamento para custeio do próprio plano pelos segurados, pagamento pelo uso dos serviços classificados no Plano de Assistência Básica e disponibilizados na rede credenciada, conforme estabelecido no Regulamento do Plano. Deste modo, ao contrário do quanto afirmado no acórdão impugnado, não cabe perquirir a vinculação subjetiva de tais valores, mesmo porque a declaração da Coelba comprova explicitamente que os valores pagos no anocalendário de 2006 o foram em benefício do Recorrente, chegando a constar no documento citado que para Letícia Maria Faria de Oliveira (beneficiária não dependente do IRPF) está anotado nenhum valor. Já em relação ao Plano de Saúde da EMBASA, a Declaração n° 014/09, de 19/01/2009, comprova explicitamente o montante dos valores pagos no anocalendário de 2006, que se referem ao Recorrente enquanto beneficiário dos serviços médicos prestados, informando neste documento, em separado, o valor das mensalidades de responsabilidade de Letícia Maria Faria de Oliveira. Ao final, requer a reforma integral do auto de infração impugnado e parcial do acórdão recorrido nos pontos apontados, sendo totalmente anulado o lançamento e desconstituído o crédito tributário exigido, especialmente para: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 185 4 a) excluir os juros e multa sobre o IRPF apurado sobre os rendimentos recebidos do INSS por força de decisão judicial; e b) admitir a dedução das despesas médicas não admitidas pelo acórdão impugnado, tanto em relação à COELBA(R$ 4.913,79), quanto em relação à EMBASA (R$ 3.378,20), totalizando R$ 8.291,99. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. O recurso veio subscrito pelo próprio contribuinte e o despacho de fl. 176 informa que o recurso voluntário é tempestivo. Assim, dele tomo conhecimento, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia às infrações de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de processo na Justiça Federal e de dedução indevida de despesas médicas. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal Deixo de analisar as razões do Recorrente, sobre este ponto, pelos motivos que passo expor. Compulsando os autos constatase que os valores considerados omitidos, que foram recebidos pelo Interessado, decorrem de revisão de aposentadoria pelo INSS. O “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, acostado à fl. 23, evidencia que a base de cálculo do imposto de renda apurado após as alterações efetuadas pela Autoridade lançadora foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização do denominado “regime de caixa”. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 186 5 parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 187 6 mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 188 7 Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável). Nesse cenário, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Dedução indevida de despesas médicas A Autoridade lançadora efetuou as seguintes glosas de despesas médicas: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 189 8 Plano de Saúde EMBASA: R$ 4.110,60 Plano de Saúde COELBA: R$ 10.608,31 Plano de Saúde CASSI: R$ 4.474,16 Despesa com Cátia Moura Galvão R$ 100,00 Total: R$ 19.293,07 A decisão recorrida restabeleceu as seguintes despesas: Plano de Saúde EMBASA: R$ 366,20 Plano de Saúde COELBA: R$ 5.694,52 Plano de Saúde CASSI: R$ 4.474,16 Total: R$ 10.534,88 Em litígio, portanto, a glosa das seguintes despesas médicas: Plano de Saúde EMBASA: R$ 3.744,40 Plano de Saúde COELBA: R$ 4.913,79 Despesa com Cátia Moura Galvão R$ 100,00 Total: R$ 8.758,19 O comprovante de rendimentos emitido pela EMBASA (fl. 62) evidencia que o total das despesas médicas suportadas pelo contribuinte foi de R$ 4.110,60. A declaração da mesma empresa, acostada aos autos em fl. 70, revela que R$ 3.744,40 (R$ 366,20 + R$ 3.378,20) referemse a despesas médicas do titular do plano (Recorrente) e R$ 366,20 referem se a despesas médicas de Letícia Maria Faria de Oliveira (esposa do Recorrente). Em relação às despesas com o Recorrente a decisão de piso restabeleceu R$ 366,20 e manteve a glosa de R$ 3.378,20, sob o fundamento de que “caberia ao contribuinte comprovar, como havia sido intimado a fazer, que se destinaram a tratamento próprio, uma vez que não poderia deduzilas no caso de tratamento de sua esposa, que não é sua dependente”. Ocorre que a declaração de fl. 70 discrimina, por beneficiário, os valores de despesas médicas pagas no anocalendário de 2006, imputando ao Interessado o montante de R$ 3.744,40 (R$ 366,20 + R$ 3.378,20), de modo que entendo que deve ser restabelecida a despesa no valor de R$ 3.378,20. Por outro lado, deve ser mantida a glosa no valor de R$ 366,20 de despesas da esposa do Recorrente, porquanto esta não figura como dependente na declaração de ajuste anual. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.720378/200940 Acórdão n.º 2801003.941 S2TE01 Fl. 190 9 As despesas médicas com o plano de saúde COELBA, no valor de R$ 4.913,79, devem ser restabelecidas pelo mesmo motivo das despesas com o plano de saúde EMBASA, haja vista que a declaração de fl. 69 demonstra que a totalidade das despesas do plano destinou a tratamento do Interessado. A glosa da dedução da despesa com Cátia Moura Galvão, no valor de R$ 100,00, deve ser mantida, porquanto realizada com a genitora do Recorrente, que não figura como dependente na declaração de ajuste anual. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 8.291,99 (R$ 3.378,20 da EMBASA + R$ R$ 4.913,79 da COELBA). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13502.720832/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo relator Participaram do julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI constituído por conta de: (i) falta de lançamento do imposto nas saídas do estabelecimento de produtos tributados, por ter se utilizado incorretamente do instituto da suspensão; (ii) falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 83 2/ 20 11 -0 6 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.720832/201106 Resolução nº 3101000.388 S3C1T1 Fl. 861 2 e (iii) o estabelecimento industrial declarou em DCTF valores inferiores ao efetivamente devido. Os fundamentos da manutenção do auto de infração estão consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades de auditoria fiscal, eventuais irregularidades em sua emissão e trâmite não acarretam a nulidade do lançamento. AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos arrolados no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, desde que atendidas as obrigações acessórias previstas na legislação de regência. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA SUSPENSÃO DO IPI. SAÍDA PARA EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. É devido o imposto não lançado nas notas fiscais de saída destinadas às empresas optantes pelo Simples, em virtude da utilização incorreta do instituto da suspensão de que trata a Lei nº 10.637, de 2002. MATERIAL DE EMBALAGEM. SUSPENSÃO. O mecanismo de suspensão de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se dirige ao comerciante, mas aos estabelecimentos industriais dos produtos ali referidos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Classificase no código 3901.20.19 o polímero de etileno em forma de grânulo, com densidade superior a 0,94, em conformidade com a RGI 1 e 6, RGC e Nota Explicativa nº 6, do capitulo 39. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento e de declaração em DCTF de débito do IPI registrado nos livros fiscais da contribuinte, devese constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente, no percentual de 75% do imposto. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.720832/201106 Resolução nº 3101000.388 S3C1T1 Fl. 862 3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido da contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso alegando em síntese que: há nulidade por erro de identificação do MPF, que “trouxe grave insegurança à Recorrente”; falta de demonstração e motivação das infrações cometidas em face da constatação da divergência de apuração do IPI e das declarações apresentadas; insuficiência na motivação da multa, apesar da indicação da capitulação legal; as saídas com suspensão foram realizadas com base nas declarações prestadas pelos clientes (de que trata o § 7º do art. 26 da Lei 10.637/2002) e que sobre essas saídas não se aplica a multa de 75% por conta da redação do art. 80 da Lei 4.502/64, “posto que tratase de falta de lançamento do valor, total ou parcial do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal”, haja vista que houve destaque da suspensão; não há prova hábil a sustentar a reclassificação que determine conclusivamente que o produto atenda a Nota 3 do Capítulo 39; e considera necessária a prova pericial para classificação dos produtos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Vencido em minha proposta de nulidade do lançamento por falta da comprovação do conteúdo intrínseco do produto descrito pela Recorrente como “composto máster”, acompanhei ao final a proposta de diligência para elaboração de lado técnico específico, haja vista que entendo que a fiscalização demonstrou à saciedade que o produto não pode ser classificado na posição NCM nº 3206.11.30 (lanço mão das razões de decidir do Acórdão recorrido, nesse ponto). Contudo não há prova capaz de subsidiar a classificação fiscal indicada pelo Fisco como a mais adequada, tão somente a descrição apresentada pela Recorrente do seu processo produtivo, indicando a quantidade de matériasprimas utilizadas na industrialização, conforme planilha abaixo, com as matériasprimas utilizadas e suas proporções para fabricação do “composto máster”: INSUMO 2007 2008 2009 Polietileno/Polipropileno 93,7% 93,3% 93,6% Carbonato de cálcio 6,3% 3,9% 5,3% Pigmento Karina 0% 1,3% 0,9% Pigmento BL 10074 0% 1,5% 0,15% Composto cromex 0% 0% 0,06% Fl. 668DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.720832/201106 Resolução nº 3101000.388 S3C1T1 Fl. 863 4 Com base nessas informações e na evidente conclusão de que o produto não é um “composto máster”, entendeu o Fisco que as características extrínsecas dos produto (em grânulos, conter material corante, utilizado para moldagem) atendem àquelas previstas na Nota 3 do Capítulo 39 da NESH. Diz a fiscalização que: “a conclusão a que se chega é que o produto descrito pela empresa... deve ser definido como um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde forma adicionados em pequena quantidade, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálculo. Conforme tabelas de propriedades extraída do endereço eletrônico da Brasken, fornecedora do contribuinte, os polietilenos utilizados em maior proporção pela empresa (HF0144, HF 0146 e HF 0150), tem densidade superior a 0,94. Assim, a classificação fiscal que deve ser utilizada é a NCM 3901.20.19, assim definida: ‘Polímeros de etileno, em formas primárias. Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94. Com carga. Outros’”. Resume a DRJ aduz: “O autuante, com base nas informações prestadas pela contribuinte e considerando a descrição do processo produtivo, os insumos utilizados na composição do produto e os conceitos estabelecidos na NESH, conclui que o produto em comento é um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde foram adicionadas, em pequenas quantidades, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálcio.” Considerando que não e possível afirmar categoricamente que a densidade do produto final seja a mesma dos insumos acima referidos, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que seja designado perito técnico especializados para que analise o produto descrito pela Recorrente como “composto máster” com as composição de materiais primas referidas no quadro acima, e responda: descreva o produto final industrializado pela Reocrrente; tratase de um Polímeros de etileno, em formas primárias? A densidade final do produto é igual ou superior a 0,94? A Recorrente deverá ser intimada para, querendo indicar assistente técnico par acompanhar a perícia. Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos, para julgamento. Luiz Roberto Domingo Fl. 669DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11020.912305/2012-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/12/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/12/2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 87 1 86 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912305/201296 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.784 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente TRANSFARRAPOS TRANSPORTE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/12/2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 05 /2 01 2- 96 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 62 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912305/201296 Acórdão n.º 3802003.784 S3TE02 Fl. 88 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 59), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 62). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912305/201296 Acórdão n.º 3802003.784 S3TE02 Fl. 89 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.906397/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
RELATÓRIO
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO – Presidente (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito decorrente de Saldo Negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2002, no montante de R$ 3.435.248,86, com débitos próprios, informados nas Declarações de Compensações indicadas às fls. 29/32. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 06 39 7/ 20 06 -3 4 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10880.906397/200634 Resolução nº 1201000.157 S1C2T1 Fl. 591 2 No Despacho Decisório de fls. 29/43 houve reconhecimento parcial do direito creditório, no montante de R$ 1.596.719,28, pois ao avaliar o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, a fiscalização constatou que: (i) não foi apurado IRPJ a pagar (ficha 09A da DIPJ 2003); (ii) o IRRF comprovado pelas fontes foi de R$1.596.719,28 e deste valor deduziu R$ 47.935,18, relativo ao recolhimento de estimativas. Portanto, após os ajustes decorrentes das diferenças constatadas, apurouse saldo negativo de R$ 1.596.719,28 (IRPJ do período = 0,00; IRRF R$ 1.548.784,10 e IRPJ estimativa R$ 47.935,18). Posteriormente, foi proferido despacho decisório complementar em razão do julgado no Acórdão nº 18.718, de 23/09/2008 (processo n° 11831.000900/200341), por meio do qual a decisão original foi revisada e, consequentemente, foi reconhecido todo o crédito pleiteado, ou seja, R$ 980.836,87 e homologadas as compensações ali pleiteadas. Assim, do valor reconhecido na decisão original deste processo (R$ 1.596.719,28), foi deduzido o montante de R$ 980.836,87, razão pela qual o crédito reconhecido passou a ser de R$ 615.882,41 e as compensações homologadas até referido limite. Ciente do primeiro despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (i) apresentou PER/DCOMP retificadora (07318.96993.310108.1.7.02 9212) ajustando o valor do saldo negativo do ano calendário de 2002 de R$ 4.416.085,73 para R$ 3.435.248,86, em vista do acórdão proferido no processo 11831.000900/200341; (ii) o valor das retenções no período totalizou R$ 4.416.085,73, isto porque, houve erro de fato no preenchimento da DIRF apresentada pela fonte pagadora Petroflex Ind. e Com. S.A. no AC 2002 (IRRF de R$ 2.819.366,45), que identificou como beneficiária dos rendimentos a empresa Cia Suzano de Papel e Celulose, sendo que o pagamento do Contrato de Mútuo foi inequivocamente realizado com a Suzano Petroquímica S.A; (iii) do valor das retenções não se aplica a exclusão da parcela de R$ 47.935,18; Por fim, pugnou pela homologação das compensações até o limite de R$ 3.435.248,86. Após o segundo despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação complementar, por meio da qual repisou os argumentos já apresentados e observou que os mesmos não foram analisados no segundo despacho emitido, bem como acrescentou que caberia ao Fisco oficiar a fonte pagadora para apresentação dos informes de rendimento, com a finalidade de verificar os pagamentos eventualmente realizados. Nesse contexto, os membros da DRJ em São Paulo I (SP), por meio do acórdão 1627.014, por unanimidade de votos, consideraram improcedentes as manifestações de inconformidade em razão dos seguintes fundamentos: (i) o contribuinte não comprovou a existência de crédito líquido e certo no montante alegado e (ii) não demonstrou que a receita financeira correspondente ao IRRF foi oferecido à tributação. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10880.906397/200634 Resolução nº 1201000.157 S1C2T1 Fl. 592 3 Assim, mantiveram o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 615.882,41 e homologadas as compensação sob análise até o limite do direito creditório reconhecido. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 400/415), por meio do qual repisou os argumentos já suscitado e, ainda, sustentou que: (i) é nula a decisão recorrida por inobservância do artigo 65 da IN SRF 900/08. Nesse ponto, observou que na hipótese de dúvida quanto ao direito pleiteado, nos termos do artigo 65, da Instrução Normativa SRF n° 900/20, deve a autoridade administrativa determinar as diligências necessárias à comprovação do direito creditório. Afirmou que, no caso, não existiu qualquer espécie de intimação para apresentação de documentos ou esclarecimentos quanto aos pontos que restringiram o direito creditório do contribuinte, (ii) apresentou toda a documentação necessária à demonstração de que as receitas geradas no ano calendário foram oferecidas à tributação. Por fim, pugnou pelo reconhecimento da totalidade do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ (ano calendário 2002) e homologação das compensações até seu limite. Pugnou, ainda, pela determinação de diligência fiscal, caso as informações e documentos constantes nos autos não sejam suficientes à demonstração do direito creditório pretendido. É o Relatório. VOTO Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Trata –se de Pedido de Restituição de crédito decorrente de Saldo Negativo de IRPJ com débitos próprios, informados nas Declarações de Compensação indicadas às fls. 29/32, o qual foi parcialmente reconhecido. A DRJ manteve o despacho decisório inicial, por meio do qual houve parcial reconhecimento do crédito pretendido, no montante de R$ 615.882,41, pois: (i) o contribuinte não comprovou a existência de crédito líquido e certo no montante alegado (R$ 3.435.248,86) e (ii) não demonstrou que a receita financeira correspondente ao IRRF foi oferecido à tributação. O contribuinte argumentou que o valor das retenções no período está equivocado, isto porque, houve erro no preenchimento da DIRF apresentada pela fonte pagadora Petroflex Ind. e Com. S.A. no AC 2002 (IRRF de R$ 2.819.366,45), que identificou como beneficiária dos rendimentos a empresa Cia Suzano de Papel e Celulose, sendo que o pagamento do Contrato de Mútuo foi inequivocamente realizado com a Suzano Petroquímica S.A, bem como que (ii) as receitas geradas no ano calendário foram oferecidas à tributação. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10880.906397/200634 Resolução nº 1201000.157 S1C2T1 Fl. 593 4 Em razão dos indícios de que houve erro no preenchimento da DIRF pela fonte pagadora e da existência do crédito pretendido, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: (i) seja verificado, junto à fonte pagadora (Petroflex Ind. e Com. S.A), se houve, de fato, erro no preenchimentos da DIRF; (ii) seja verificado, junto à empresa Cia Suzano de Papel e Celulose que, conforme alegação do contribuinte, foi indevidamente identificada como beneficiária, se esta apropriou o crédito decorrente do valor retido; (iii) seja analisada a documentação e escrituração do contribuinte, para verificar se as receitas referentes às retenções em questão foram oferecidas à tributação; (iv) por fim, seja o contribuinte intimado a se manifestar sobre as constatações. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903328/2009-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 33 28 /2 00 9- 47 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0936.510, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O interessado transmitiu Dcomp nº 35645.50839.231205.1.3.048010, visando compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Pasep, efetuado em 14/08/2001; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade as fls. 07/10 na qual alega, em síntese, que "examinou a sua última Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) transmitida, referente ao 3° trimestre de 2001/Setembro com código de receita 81092 sob o número 0000.100.2006.52000770 recepcionada pelo sistema da Receita Federal em 27/09/2006 inclusive confirmada pelas informações extraídas do sistema gerencial da RFB. Verificase na referida declaração que do valor total do DARF pago R$ 16.803,09 a recorrente declara que utilizou o valor de R$ 12.028,15 para quitação do débito apurado"; É o breve relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 2ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito credit6rio liquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903328/200947 Acórdão n.º 3802001.919 S3TE02 Fl. 112 3 Direito Creditório Não Reconhecido Não se resignando com a decisão recorrida, o contribuinte oferece Recurso Voluntário no qual reitera seus argumentos expendidos no primeiro grau, reforçando a existência de prova a seu favor pela materialidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a ver reconhecido direito creditório decorrente de retificação de DIPJ e, posteriormente, de DCTF. A DRJ houve por bem não acolher o pleito do sujeito passivo, por entender (i) que a DCTF deve ser retificada antes da apresentação de DCOMP, para que a compensação possa ser refutada válida e (ii) que não há comprovação da materialidade dos créditos habilitados à compensação. O contribuinte, ao seu turno, argumenta que (i) nada há de errado em seu procedimento, inclusive porque a DCTF foi retificada antes mesmo do despacho decisório, e (ii) resta demonstrada a materialidade do seu direito creditório ante farta documentação franqueada à fiscalização. Com relação ao primeiro argumento da decisão recorrida, temos que de fato, mesmo que a lógica pressuponha que a DCTF (enquanto instrumento de confissão de dívida) seja antecessora, ou ao menos contemporânea da DCOMP, não há qualquer norma que exija a retificação da DCTF anteriormente à apresentação da DCOMP. Assim, ao meu ver, equivocou se a DRJ ao negar a análise do direito creditório por uma questão de forma, que extrapola as normas vigentes, e que resumo no seguinte parágrafo do voto condutor do julgado recorrido: Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado liquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógicotemporal, a compensação não pode ser homologada. Vale lembrar que a administração, especialmente a tributária, se desenvolve pelo princípio da reserva legal, o que acarreta que a prática de seus atos deve ser feita somente nos termos expressos das normas vigentes. Isso é decorrência da proteção natural das liberdades dos cidadãos, pois a ação do Estado (lato sensu) restringe as liberdades políticas dos administrados. O particular, ao contrário, tem plena liberdade de agir, adotando medidas que não sejam vedadas pelas normas vigentes. A própria noção de autotributação, a que se refere Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ricardo Lobo Torres nas suas considerações acerca do princípio da legalidade, reflete que, fora das restrições permitidas pelo povo, por intermédio dos seus representantes, para que ocorra ação estatal, o cidadão tem plena liberdade de agir. O mesmo se dá com relação às normas administrativas, pois, como cediço, estas não podem extrapolar os preceitos legais, e se destinam à perfeita regulamentação e fiel execução das regras decorrentes de processo legislativo. Logo, a conclusão a que chegou a decisão recorrida – valendose da lógica para criar restrições à aceitação da DCTF retificadora que não existem nas regras pertinentes – revelase equivocada. Todavia, quanto a segunda razão de decidir, entendo correta a decisão recorrida. O Acórdão recorrido, ultrapassando o aspecto formal da DCTF, entendeu que “a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção.” A Recorrente apresenta, em seu arrazoado, a explicação de que o ajuste da base de cálculo se deu diante da percepção de que houve a tributação equivocada de vendas de produtos isentos. No entanto, não se apresenta quais seriam esses produtos, nem mesmo a documentação fiscal de suporte, para que pudéssemos confirmar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta mais do que em primeiro grau. Dentre a documentação acostada, realço a juntada de uma planilha na qual se apresenta, de forma didática, a evolução das retificações de sua DIPJ que demonstra a diferença numérica da base de cálculo. Além disso, a Recorrente apresenta uma cópia de parte dos balancetes, e frisa em sua petição que: Ocorre que, em sede de processo de compensação, a aceitação de juntada posterior de documentos é excepcional, e pressupõe que o contribuinte tenha suscitado dúvida legítima no julgador com base no quanto já apresentado. Especificamente com relação à comprovação da materialidade do crédito, esta Turma Especial já possui entendimento sedimentado no sentido de que, em sede recursal, para que se possa acolher o pleito do contribuinte, os documentos precisam atestar de plano a existência, com liquidez e certeza, dos créditos. Por maior que seja o prestígio à verdade material, o formalismo moderado do processo administrativo não pode fazer tabula rasa das normas vigentes, em especial o art. 17 do Decreto 70.235/72, que traz regra preclusiva para juntada da documentação probante. Assim é que, uma vez instaurado o procedimento de revisão de compensação, passa a ser ônus do contribuinte demonstrar que atende aos pressupostos do art 170 do CTN. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903328/200947 Acórdão n.º 3802001.919 S3TE02 Fl. 113 5 Para tanto, não basta argumentar que houve erro na tributação de vendas de produtos isentos, e franquear documentação para análise. Se não a totalidade, em caso de grande quantidade de documentos, ao menos parte da comprovação de quais seriam esses produtos, com apresentação das notas fiscais comprovando as operações, e um relatório discriminado dessas vendas que permitisse a totalização das vendas que levaram à recomposição das bases de cálculo, deveria ter sido apresentada. Ausentes tais documentos, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910885/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 60 1 59 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910885/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.704 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA PAULO MAURO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 85 /2 00 8- 16 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910885/200816 Acórdão n.º 3803006.704 S3TE03 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 13.792,42, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910885/200816 Acórdão n.º 3803006.704 S3TE03 Fl. 62 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910885/200816 Acórdão n.º 3803006.704 S3TE03 Fl. 63 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910885/200816 Acórdão n.º 3803006.704 S3TE03 Fl. 64 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.003575/2005-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
Inconstitucionalidade De Normas.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula nº 02 do CARF)
Juros. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula nº 4 do Carf)
Numero da decisão: 1801-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 CSLL. PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis da base de cálculo da CSLL qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981/95 (com alterações da Lei n.0 9.065/95) e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 75 /2 00 5- 25 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa em epígrafe recorre do Acórdão nº 1619.665/08 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, efls. 263 a 273, que manteve a autuação para exigência de CSLL, relativa ao anocalendário de 2000, por provisão indedutível não computada na apuração da contribuição, no caso, valores de PIS e Cofins provisionados, por estarem sendo objetos de discussão judicial, com as suas exigibilidades suspensas. O crédito tributário integral é da ordem de R$ 36.879,59, incluídos multa de ofício regular e juros de mora. O Auto de Infração encontrase às efls. 209 a 212 e o procedimento fiscal foi explicitado no Termo de Verificações Fiscal, parte integrante do referido Auto, efls. 203 a 208, do qual se infere que a contribuinte adicionou os valores provisionados das referidas contribuições, sub judice, ao Lucro Real do ano em questão, para a apuração do IRPJ devido (Parte B do Lalur), mas não computou o mesmo valor na apuração da CSLL, consoante Ficha 17 da DIPJ/01, afrontando o artigo 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, entre outros dispositivos legais concernentes à CSLL. A Turma Julgadora de Primeira Instância apreciou a manifestação de inconformidade da empresa autuada, nos seguintes termos, em suma: "[...] Com relação à base de cálculo da CSLL, o art. 2o, § 1o, alínea c, da "Lei n° 7.689/88, com a redação dada pelo art. 2o da Lei n° 8.034/90, previu o seguinte: "Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (...)" Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003575/200525 Acórdão n.º 1801002.221 S1TE01 Fl. 3 3 10. Posteriormente, o art. 13 da Lei n° 9.249/95, tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n.0 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (...)" Dos dispositivos acima reproduzidos, concluise que, as provisões não podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo da CSLL, estando as exceções relacionadas no inciso I do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Ao contrário do alegado pelo impugnante, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa têm nitidamente a natureza de provisões, visto que não configuram obrigações efetivamente"constituídas, que traduzam uma exigibilidade do passivo da mesma natureza de um tributo a recolher. Tratase de exigências tributárias que estão sendo discutidas no âmbito judicial, podendo a decisão final decidir pela procedência ou pela improcedência das exações. [...]" A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 277 a 289, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que não existe previsão legal para computar na base de cálculo da CSLL as provisões das contribuições discutidas judicialmente, por estarem com a exigibilidade suspensa, sendo esta exigência legal apenas para a apuração do IRPJ, nos termos do artigo 41, § 1º da Lei nº 8.981/95 (artigo 344, §1º, do RIR/99), não podendo aplicarse ao caso em concreto a norma que fundamentou a tributação, ou seja, o artigo 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95 (artigo 335 do RIR/99). Ataca, ainda, os acréscimos legais multa de ofício e juros calculados à taxa Selic. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 16/04/09, efls. 276; Recurso – 18/05/09, efls. 277 Voto Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio instaurado está em decidirse sobre a dedutibilidade da base de cálculo da CSLL as provisões constituídas sobre as contribuições de PIS e Cofins discutidas judicialmente, com a exigibilidade suspensa. Por um lado, a recorrente afirma que a indedutibilidade das provisões em debate somente está expressamente prevista no artigo 344, parágrafo 1º, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 Decreto nº 3.000/99), sendo aplicável para a apuração de IRPJ e não de CSLL: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n º 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n º 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei n º 8.981, de 1995, art. 41, § 1 º ). Pelo outro lado, a autoridade fiscal e a Turma de Julgamento de Primeira Instância fundamentam a autuação nas disposições expressas dos artigos acima reproduzidos (no Relatório), os quais retranscrevo: Lei nº 7.689/88, com a redação dada pelo art. 2o da Lei n° 8.034/90: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (...)" Lei nº 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.003575/200525 Acórdão n.º 1801002.221 S1TE01 Fl. 4 5 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n.0 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Do confronto aparente entre os dois dispositivos legais, adoto o entendimento esposado no acórdão recorrido, que o legislador excepcionou expressamente da apuração da CSLL somente as provisões nominadas no inciso I do artigo 13 da lei nº 9.249/95, devendo todas as demais compor a base de cálculo da contribuição em tela, inclusive abrangendo aquelas nominadas no artigo 344, §1º, do RIR/99, disposição específica para a apuração do IRPJ e que, como bem salientou a Turma Julgadora a quo¸ não foi o embasamento legal da autuação, mas sim o artigo 13 da Lei nº 9.249/95 acima transcrito. Adoto, ainda, as razões de decidir esposadas no acórdão guerreado sobre a natureza das referidas provisões, que não constituem efetivamente despesas incorridas, devendo ser ajustadas as bases de cálculo, tanto do IRPJ quanto da CSLL. Por conseguinte, estando o procedimento fiscal do lançamento da CSLL respaldado e realizado em estrita observância à norma tributária vigente, nada há a reparar, devendo ser mantida a exigência fiscal. No que respeita às contestações da recorrente quanto à cominação da penalidade aplicada, na forma regular, cumpre observar que não se trata de penalizar o não recolhimento de contribuições discutidas judicialmente e com as suas exigibilidades suspensas (PIS e Cofins), mas se trata de penalidade prevista na norma tributária pela dedutibilidade de provisões, como se despesas incorridas fossem, não autorizadas pela norma tributária como já apreciado. A multa de ofício regular, no percentual de 75% incidente sobre o tributo que deixou de ser recolhido, incide sobre todo o lançamento tributário realizado pela autoridade competente ao constatar infração às normas tributárias vigentes, como o ocorrido no presente caso. Os juros de mora calculados à taxa Selic também são devidos, dada a previsão em norma vigente. A discussão reiterada destas matérias ensejou a edição de Súmulas por este órgão de julgamento: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10620.001027/2007-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
AUTO LAVRADO COM BASE NAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS INFORMADOS EM DACON - MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Revisão de ofício de decisão de primeira instância administrativa que deu provimento ao recurso do contribuinte por entender que os débitos constituídos foram extintos pela compensação. Entendimento pela realização de diligência para confirmação de existência dos créditos informados na DACON (PIS/COFINS não cumulativo), cancelados débitos cujos créditos foram confirmados em diligência.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Walber José da Silva farão declaração de voto.
Sustentação Oral: Bruno Fajersztajn OAB/SP 206899
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Revisão de ofício de decisão de primeira instância administrativa que deu provimento ao recurso do contribuinte por entender que os débitos constituídos foram extintos pela compensação. Entendimento pela realização de diligência para confirmação de existência dos créditos informados na DACON (PIS/COFINS não cumulativo), cancelados débitos cujos créditos foram confirmados em diligência. Recurso de Ofício Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Walber José da Silva farão declaração de voto. Sustentação Oral: Bruno Fajersztajn – OAB/SP 206899 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 10 27 /2 00 7- 51 Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 298/304) lavrado para fim de constituir valor referente a PIS – Programa de Integração Social, resultante de diferenças entre o valor declarado e escriturado, devidamente acrescidas de juros de mora e multa de ofício. Todos os valores foram apurados de forma individualizada e estão indicados no Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 480/501. Inconformado com o auto lavrado, a Recorrente apresentou recurso de impugnação às fls. 286/297, por meio do qual alegou, em síntese, explicações específicas para cada pendência contábil indicada pela fiscalização. Em seu arrazoado verificase que os valores não seriam indevidos porque quitados, na forma de compensação ou de recolhimento. Em relação às compensações, esclarece a Recorrente que os créditos decorreram do sistema não cumulativo do PIS, de estornos e retenções. Alega ainda a Recorrente que, realmente, as informações em DCTF não se coadunam com os fatos ocorridos, mas que este seria erro menor e escusável que não justifica a autuação do principal, até porque as compensações foram informadas em DACON. Registra ainda a Recorrente que a fiscalização não aceitou os esclarecimentos prestados às fls. 193/208 e fls. 221/235, por entender que o aproveitamento dos créditos decorrentes de estorno e retenções deveria ter sido realizado por intermédio de pedidos de restituição/compensação (PERD/DCOMP’s – Lei 9430/96, artigo 74 e IN SRF 598, artigo 2º), com esta alegação finaliza que a fiscalização não questionou a efetividade dos créditos quanto à natureza e valor. Defende a regularidade de seu procedimento, que consiste: (i) na apuração do valor do crédito pelo DACON; (ii) conseqüente lançamento destes créditos decorrentes do regime nãocumulativo e das retenções na fonte naquele documento; posteriomente (iii) na declaração dos valores apurados como devidos em sua DCTF e (iv) na quitação dos valores. Ressalta que o Agente Fiscal não analisou as DACON’s que lhe foram disponibilizadas e que justamente em virtude deste fato é que encontrou subsídios para lavrar o auto de infração, pois as DACON’s sanariam qualquer dúvida a respeito das questões suscitadas. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001027/200751 Acórdão n.º 3302002.743 S3C3T2 Fl. 11 3 Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte proferiu o acórdão nº 0217.294, fls. 541/555, por meio do qual acatou as alegações postas, cancelando o auto de infração, a saber: “IMPROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos a inexistência de PIS devido, no período considerado pela autuação, cancelase o lançamento. Lançamento Improcedente.” Em virtude do valor exonerado os autos foram encaminhados a este Egrégio Conselho para fim de julgamento do Recurso de Ofício interposto com base no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em 27/10/2010, os autos foram analisados por esta Segunda Turma de Julgamento da Terceira Câmara da Terceira Seção, a qual entendeu por bem converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora, tendo proferido a Resolução no 330200.076, in verbis: “Assim como se verifica do texto da decisão de primeira instância administrativa, a conclusão de cancelamento do auto de infração teve origem na constatação de que “os valores lançados correspondem basicamente às diferenças encontradas entre o saldo da conta contábil ‘PIS a pagar’ e o valor declarado em DCTF”. Esclarece ainda a decisão recorrida: “Em alguns períodos de apuração o contribuinte pagou valores maiores que os declarados. Em outros compensou com créditos ou estornou lançamentos equivocados.” Entenderam as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que “os equívocos de preenchimento de DCTF não podem justificar o lançamento de tributos que se encontram extintos pelo pagamento, pela compensação ou por qualquer outra forma. A simples divergência entre os registros contábeis e os valores declarados não dá origem à obrigação tributária, quando crédito tributário encontrase extinto, pois, nesses casos, a realidade fática não se subsume à hipótese legal.” Logo, é de se admitir que a principal razão que justificou o cancelamento deste auto de infração é a existência de crédito tributário. E é exatamente neste ponto que a matéria deve ser observada com cuidado. O primeiro questionamento a ser feito é: quem validou o crédito que foi contabilizado pela Recorrente? A compensação foi contábil. A consolidação do valor do crédito, assim como a indicação nos livros contábeis foi realizado pela Recorrente. Assim, fora a Recorrente, que apurou os valores e procedeu à compensação contábil, qual autoridade administrativa confirmou a existência do quantum compensado? Após o cômputo dos autos, constatei que não houve análise/avaliação dos cálculos por pessoa diversa ao próprio contribuinte. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 A maioria dos créditos que foram compensados, são extemporâneos e decorrem da sistemática não cumulativa do PIS. Este fato, por si só, é suficiente para questionar a origem/existência do crédito indicado pela Recorrente. É que o sistema não cumulativo é recente e os conceitos de “insumo” que geram créditos para esta legislação específica ainda estão em discussão, tanto no âmbito administrativo, quanto judicial. Não se trata de matéria pacífica. Em razão desta situação peculiar, pareceme imprescindível para o bom julgamento da questão, a conversão do presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem a efetiva existência do crédito tributário alegado, ou mesmo se concordam com o entendimento do contribuinte acerca do que são créditos para o sistema não cumulativo. Neste aspecto, a simples manutenção da decisão de primeira instância administrativa acabaria por homologar, ainda que tacitamente e por via reflexa, o entendimento da Recorrente sobre o conceito de insumos e produtos que geram créditos na sistemática não cumulativa. Ante o exposto, converto este julgamento em diligência, determinando à autoridade administrativa competente que: (a) Intime a Recorrente a apresentar, no prazo de 30 dias, a formação dos créditos utilizados para compensar os valores autuados, refletidos nos fatos geradores incorridos em maio/2004; janeiro/2005; outubro/2005; junho/2006; novembro/2006 e dezembro/2006. (b) Esclareça à Recorrente que, os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS, deverão ter sua origem comprovada ou seja, deverá ser esclarecido qual foi o insumo/produto/bem que gerou o crédito, qual a finalidade deste insumo/produto/bem no sistema produtivo da empresa, quando ocorreu o custo com este insumo/produto/crédito e todos os outros aspectos que justifiquem a existência do crédito. (c) Após, analise as informações apresentadas para averiguar se o crédito apontado pela Recorrente em seus livros fiscais realmente existem, ou seja, se quando do seu aproveitamento eram válidos (ou encontravamse prescritos), se são considerados créditos para o sistema não cumulativo, etc. (d) elabore relatório especificado por fato gerador, fundamentado inclusive documentalmente, com indicação precisa dos documentos e conclusão de existência ou não do crédito tributário, do porquê da existência ou inexistência do crédito, para que este Colegiado compreenda a origem dos valores contabilizados como crédito. (e) Intime novamente a Recorrente acerca da conclusão da fiscalização, sendolhe concedido o prazo de 30 dias para se manifestar. Após, encaminhe os autos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento.” Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001027/200751 Acórdão n.º 3302002.743 S3C3T2 Fl. 12 5 A diligência foi realizada, tendo resultado no Parecer de fls. 1967/1975, que após receber informações da Recorrente e verificar a situação fática existente concluiu pela procedência da compensação realizada em determinados itens e pela impossibilidade de conclusão em outros face a insuficiência de documentos. A Recorrente se manifestou em relação ao resultado da diligência discorrendo, principalmente, sobre a impossibilidade de alteração da fundamentação jurídica do auto de infração que teria sido lavrado especificamente em razão da ausência de registro em DCTF de valores efetivamente devidos e corretamente lançados na contabilidade, mas que foram extintos pela compensação; bem como pela ausência de procedimento de compensação (PerdComp) para os valores compensados. Em seu entender, a diligência realizada estaria promovendo verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, o que é inadmissível no ordenamento jurídico. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em razão da diferença entre valores contabilizados e valores declarados em DCTF. A decisão recorrida, como relatado, concluiu que “os equívocos de preenchimento de DCTF não podem justificar o lançamento de tributos que se encontram extintos pelo pagamento, pela compensação ou por qualquer outra forma. A simples divergência entre os registros contábeis e os valores declarados não dá origem à obrigação tributária, quando crédito tributário encontrase extinto, pois, nesses casos, a realidade fática não se subsume à hipótese legal.” Para fundamentar seu entendimento, o julgador administrativo de primeira instância administrativa analisou débito a débito, concluindo pela extinção do valor exigido em virtude deste estar extinto, seja pelo pagamento, seja pela compensação. Claro está, a meu sentir, que a decisão recorrida cancelou a autuação por entender que foram lançados débitos extintos, a leitura da decisão demonstra que item a item acatouse a informação contábil da Recorrente, ainda que suportada em indícios ou constatouse a ocorrência de recolhimento do tributo. Exatamente por este fato é que os autos foram baixados em diligência, porque o Colegiado, à época, concluiu que a simples alegação da Recorrente em suas informações contábeis não extingue o débito tributário, que era necessário analisar o alegado pelo contribuinte. Frisese que este entendimento decorreu do fato de que o presente recurso é a revisão da decisão proferida pela DRJ. Divirjo do simples posicionamento de que os valores contabilizados ou informados na DACON não precisam ser declarados em DCTF. É cediço que a DCTF é forma Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 de constituição de débito tributário, logo, é na DCTF que devem constar os valores devidos ao Fisco. Desta forma, em face do resultado trazido no relatório de diligência, divirjo do acórdão recorrido, não há meios de se manter a decisão de total cancelamento do auto de infração com base na suposta extinção de todos os débitos tributários, uma vez que não é possível comprovar a dita extinção. Inclusive em prol do princípio da verdade material. Neste aspecto, concordo com o cancelamento dos valores recolhidos por meio de guia DARF e daquelas compensações confirmadas pelas autoridades administrativas indicadas no Relatório de Diligência. Registro que a Recorrente alega, em suas razões, que acatar a diligência seria alterar a fundamentação do auto de infração, inovar o lançamento. Concordar com este raciocínio implicaria em negar provimento ao Recurso de Ofício, posição defendida por outros julgadores desta turma de julgamento e que se contrapõe ao posicionamento aqui defendido. De fato o lançamento, como esclarecido, foi realizado com base em “diferença entre valores contabilizados e valores declarados em DCTF”. Todavia, a DRJ, a meu sentir, para dar provimento à impugnação, analisou débito a débito, extinguindo valores, acatando compensações com base simplesmente nos valores declarados pelo contribuinte em suas obrigações acessórias e registros fiscais, o que entendo não ser possível. Neste sentido, a meu sentir, acatar o Parecer resultado da diligência não é alterar o fundamento da autuação. Ante o exposto, é o presente para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de ofício para o fim cancelar os débitos constituídos que se referem aos pagamentos via DARF e compensações comprovadas, nos termos da diligencia realizada. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto CONSELHEIRO GILENO GURJÃO BARRETO O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10620.001027/200751 Acórdão n.º 3302002.743 S3C3T2 Fl. 13 7 Os cernes da discussão aqui travada giram em torno de dois fatos. Primeiramente, pela existência dos créditos, comprovados por meio documental. Em seqüência, acerca dos aspectos processuais envolvidos. Verifico que o lançamento efetuado o foi a partir de verificações obrigatórias, e nesse tipo de verificação, são conferidos os créditos e débitos e a DCTF, resultandose sim em autos de infração, mas sem que sejam analisados os documentos comprobatórios dos créditos, por exemplo. No caso concreto, houve julgamento desse lançamento pela DRJ, que acatou os documentos apresentados pelo contribuinte, cabíveis ao caso, ou seja, documentos tais como DACON´s, etc., uma vez que não foram discutidos no lançamento em si qualquer impropriedade documental que pudesse afetar os valores dos créditos, mas tão somente a sua adequação contábil e de obrigações acessórias. A Conselheira relatora entendeu ser aplicável uma diligência, e retornou dessa diligência a impossibilidade de demonstração de alguns dos créditos envolvidos. Por isso, julgou parcialmente improcedente o recurso de ofício. Divirjo respeitosamente da posição da i. Conselheira relatora, por entender que ao fazêlo estaríamos aperfeiçoando o lançamento em si, na sua origem, que não considerou ou contestou a formação dos referidos créditos. A meu ver tal procedimento resultaria em julgamento extra petita, e acaba por alterar o fundamento do próprio auto de infração. Na hipótese de lançamento a partir de “verificações obrigatórias” os documentos contábeis e obrigações acessórias são suficientes. Isso posto, voto de modo divergente da i. Conselheira relatora, para negar provimento integral ao recurso de ofício. É como voto, (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Minha declaração de voto é para ratificar o entendimento da Ilustre Conselheira Relatora sobre a necessidade de a empresa autuada comprovar, com documentação hábil e idônea, os lançamentos contábeis e as informações prestadas no DACON e na DCTF. E a diligência se prestou exatamente para isso. E no curso da diligência a empresa foi intimada e reintimada a comprovar os créditos que alega possuir e foram utilizados para abater o valor do débito apurado. A empresa não logrou provar a existência dos créditos alegados. Sem a comprovação da sua existência, referidos créditos não podem ser aceitos para abater do valor dos débitos apurados e lançados. Portanto, adoto integralmente o resultado da diligência para manter parcialmente o Auto de Infração: i) excluindo o débito do PA 05/04, em face da comprovação da existência Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 do crédito utilizado na compensação do débito que não foi declarado em DCTF; ii) mantendo parte do débito relativo ao PA 11/06, por ter sido reconhecido o crédito no valor de R$ 31.117,70, passível de utilização; iii) excluindo o débito do PA 12/06 em face da comprovação da existência do crédito (retenção na fonte) utilizado na compensação do débito lançado. Para o PA 05/04 a RFB deve adotar as providências para vincular referidos pagamentos ao débito lançado no auto de infração. Estas são, em resumo, as razões que me levaram a votar no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO, Assi nado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 15578.000381/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2003
COMPENSAÇÃO - AÇÃO JUDICIAL - OBJETO - É condição essencial à utilização, no âmbito administrativo, de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, decorrente de provimento judicial, que a ação judicial tenha por objeto o reconhecimento de direito creditório relativo a tributo ou contribuição administrados pela RFB, assim como o trânsito em julgado da correspondente decisão.
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA.
A adesão a parcelamento implica em desistência da lide, cessando o seu prosseguimento, inclusive a apreciação de eventual recurso, respeitado o que concorrer para o principio da verdade material.
Numero da decisão: 3401-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão de sua desistência.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. A adesão a parcelamento implica em desistência da lide, cessando o seu prosseguimento, inclusive a apreciação de eventual recurso, respeitado o que concorrer para o principio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão de sua desistência. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 81 /2 01 0- 40 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Este processo tem origem na representação (fls. 3) protocolada pelo SEORT/DRF em Vitória/ES com objeto em dois pedidos de compensação que não foram homologados. A apresentação e justificativa consta do Parecer SEORT DRF VIT n. 412/2011 (fls. 68 a 71) e respectivo Despacho Decisório, conforme resumo elaborado pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: · O contribuinte apresentou as DCOMP nºs 42599.70430.101007.1.3.54 1371 e 35263.26162.271207.1.3.572757 (fls. 04 a 23) utilizando crédito oriundo da ação judicial nº 9900060407 (fls. 26 a 65), habilitado no processo administrativo nº 11543.000542/200746; · Para controle e acompanhamento dos débitos compensados, em especial daqueles constituídos de ofício no processo nº 16327.002301/9975 e liquidados por meio da primeira DCOMP mencionada, formalizase o presente processo para registro e análise do crédito pleiteado e das compensações declaradas. · Inferese do provimento judicial coberto pela coisa julgada que, seguindo a orientação jurisprudencial decorrente do julgamento do RE 357.950/RS pelo STF, restou afastado tão somente o alargamento da base de cálculo da Cofins, mantendose a majoração da alíquota; · A via escolhida pela empresa para amparar sua pretensão foi o mandado de segurança preventivo, cujo objeto estava adstrito a obstar que a autoridade coatora exigisse da impetrante a Cofins e o PIS com as alterações da Lei nº 9.718/98, possibilitando seu recolhimento na forma da legislação anterior; · A decisão proferida em tal sede não tem natureza de título executivo, sendo a ordem veiculada no sentido de que a autoridade coatora não exigisse tais contribuições com as alterações trazidas pela norma questionada; · Ademais, verificouse que o suposto crédito pleiteado pelo contribuinte decorre de valores que sequer foram recolhidos; · Salientase que não houve pagamento algum a título de PIS e Cofins a partir do PA nov/2001; · A empresa tãosomente compensou os valores devidos com créditos, em tese, existentes em processos administrativos; · Também declarou como suspensos pela ação judicial em questão parte dos débitos em comento, mas apenas alguns períodos de apuração, sem aparente lógica; · As planilhas de fls. 66/67 sintetizam as informações aqui relatadas, extraídas das DCTF e demais sistemas da RFB; · O direito à restituição/compensação pressupõe a existência de crédito a favor do sujeito passivo decorrente de pagamento a maior ou indevido; · Verificada a inocorrência de pagamento, não há que se falar em direito creditório em favor do contribuinte. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, alegou, em resumo que, ainda consoante resumo da decisão de primeiro grau, que reproduzo por considerála suficiente: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15578.000381/201040 Acórdão n.º 3401002.773 S3C4T1 Fl. 3 3 · Quanto ao objeto do mandado de segurança preventivo impetrado, este possui efeito declaratório em relação ao direito da manifestante, ou seja, declara a inexigibilidade do PIS e da Cofins, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98, possibilitando seu recolhimento na forma da legislação anterior; · Se a ação declara o direito da manifestante, e se a decisão judicial ampara o não recolhimento daqueles tributos na forma exposta, também ampara a devolução dos valores que foram indevidamente recolhidos; · O entendimento jurisprudencial mais atual firmouse nesse mesmo sentido, já que declarado o direito do contribuinte ao não recolhimento de determinado tributo, declarado também está o direito à devolução dos valores pagos indevidamente, sem a necessidade de que fique consignado na decisão judicial tal direito, visto que encontra amparo na legislação vigente; · O pagamento indevido de PIS e Cofins sobre demais receitas foi efetuado com outra compensação, anterior àquela objeto da presente manifestação; · Os créditos (pagamento indevido) utilizados para as compensações em questão decorrem de outra compensação, não mencionada na presente decisão e homologada tacitamente, na qual já haviam sido compensados débitos de PIS e Cofins na forma da Lei nº 9.718/98 (anteriormente ao provimento judicial); · Assim, se aqueles débitos foram extintos por compensação homologada, com o trânsito em julgado do mandado de segurança foi reconhecido o direito da empresa em não recolher tais valores, restando reconhecido judicialmente o indébito tributário; · Se ocorreu a quitação de tributo reconhecido indevido pela ação judicial, é indiferente a modalidade de extinção para que se reconheça o direito à restituição; · A decisão atacada não contesta a origem nem a validade dos créditos utilizados pela manifestante para as compensações, presumindose estes válidos, bastando tal fato para reforçar a tese de que a RFB estaria se beneficiando indevidamente caso as DCOMP não fossem homologadas; · Ressaltase que parte dos débitos que foram quitados indevidamente foram incluídos no programa de parcelamento da Lei nº 11.941/2009, mais um motivo para homologar as compensações pretendidas · Requer seja dado provimento à manifestação, protestando pela sustentação oral em todas as fases do processo administrativo. A respeitável 16ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro DRJRJ1 apreciou a representação da autoridade administrativa que decidiu pela não homologação das DCOMPs em tela, os documentos acostados aos autos e a manifestação de inconformidade do contribuinte. Ela decidiu pela procedência da decisão da autoridade administrativa pela não homologação das DCOMPs. Teceu considerações e conclusões resumidas a seguir: · Os julgadores sublinham que os pedidos de compensação declaram que a origem do crédito está no mandado de segurança 99.00060407 – “o contribuinte transmitiu, em 10/10/2007, o PER/DCOMP nº 42599.70430.101007.1.3.541371, e, em 27/12/2007, o PER/DCOMP nº 35263.26162.271207.1.3.572757. Em ambas as declarações Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 informa como origem do direito creditório utilizado o processo judicial nº 99.00060407. Tal processo corresponde a mandado de segurança preventivo (fls. 26 a 50) no qual o contribuinte questiona a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98, ....” · Entendem que essa ação judicial gerou decisão transitada em julgada com ganho parcial favorável ao contribuinte, mas que essa decisão não reconhece direito creditório e não pode servir para justificar os pedidos de compensação “Consultandose o andamento do processo judicial nos sítios do Poder Judiciário, vêse que, posteriormente, o TRF2ªRegião deu provimento ao recurso de apelação interposto pela União e à remessa necessária, negando, ainda, provimento aos embargos de declaração opostos pela impetrante. Interpostos recursos especial e extraordinário pela impetrante, foi o primeiro inadmitido, dando ensejo à interposição de agravo de instrumento, e o segundo admitido. O STJ conheceu do agravo de instrumento para negar seguimento ao recurso especial, e negou provimento ao agravo regimental interposto contra esta decisão. A impetrante ajuizou ação cautelar no STF (AC/166), com pedido de liminar, pretendendo efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto, tendo sido o pedido de liminar inicialmente negado por aquele Tribunal, e posteriormente deferido. O contribuinte obteve parcial provimento de seu pleito por meio de decisão proferida nos autos dos RE nºs 435349 (Cofins) e 490675 (PIS), para afastar, considerada a base de cálculo do PIS e da COFINS, a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Tais decisões transitaram em julgado em 24/03/2006 e 13/08/2007, respectivamente. Não há, como visto, no pedido formulado pelo contribuinte naqueles autos judiciais, qualquer menção à utilização de eventuais valores recolhidos além do pleiteado pela empresa para fins de compensação. O pedido da impetrante restringese ao questionamento da constitucionalidade da exigência das contribuições na forma em que prevista na Lei nº 9.718/98, não incluindo a compensação de valores. Em conseqüência, a decisão judicial transitada em julgado manifestouse unicamente acerca da constitucionalidade do dispositivo legal atacado, não constando nela determinação ou autorização para a compensação ora pretendida. Desta forma, o despacho decisório questionado está correto, uma vez que o provimento judicial obtido pelo contribuinte não o autoriza à compensação de eventuais valores, não podendo fundamentar as compensações informadas nas DCOMP em análise.” · Que os pedidos de compensação na época em que foram registrados eram disciplinados pela IN SRF n. 900/2008 e que a utilização de direito creditório proveniente de decisão judicial requer que ela tenha transitado em julgado e tenha reconhecido o crédito; o que não é ocorre com o presente caso, pois a decisão judicial não reconheceu crédito, mas determinou à administração uma obrigação de ‘não fazer’. · Concluíram, considerando as informações contidas nas DCOMP em análise, as quais demonstram a operação pretendida pelo contribuinte, pela impossibilidade de homologação das compensações declaradas, visto que Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15578.000381/201040 Acórdão n.º 3401002.773 S3C4T1 Fl. 4 5 não se confirmou a existência do direito creditório informado, em razão do objeto da ação judicial. A Ementa do Acórdão n.º 1251.235, de 06/12/2012, ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO AÇÃO JUDICIAL OBJETO É condição essencial à utilização, no âmbito administrativo, de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, decorrente de provimento judicial, que a ação judicial tenha por objeto o reconhecimento de direito creditório relativo a tributo ou contribuição administrados pela RFB, assim como o trânsito em julgado da correspondente decisão. SUSTENTAÇÃO ORAL FALTA DE PREVISÃO LEGAL NA FASE DE 1ª INSTÂNCIA Não há previsão legal para sustentação oral na 1ª instância de julgamento administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso voluntário contra a decisão de 1ª instância, repisando as razões apresentadas na manifestação de inconformidade e acrescentando: · A informação que todos os débitos tratados no presente processo foram objeto de inclusão no Programa de Parcelamento da Lei n. 11.941/2009. E que isso implica que deve ser reconhecida a condição de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos. E que estando os débitos parcelados, “não se revela pertinente o prosseguimento dos trâmites deste processo administrativo, sob pena de, ao final, independente da decisão que se profira nestes autos, a mesma se torne inócua, considerando a adesão ao parcelamento.” E que este processo deve ficar sobrestado até que seja quitado o parcelamento na íntegra.” É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O recurso voluntário é tempestivo e foram atendidos os requisitos de admissibilidade. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 A recorrente pede para ser intimada da inclusão em pauta para julgamento deste processo, para que possa apresentar documentos e realizar sustentação oral. Proponho o entendimento que a inclusão em pauta, nos modos realizado pelo CARF, com publicidade oficial, já atende à necessidade do recorrente conhecer com antecipação essa condição e a oportunidade para a defesa oral. Ele pede ainda a oportunidade de juntada de documentos, contudo, não só entendo ser desnecessária, como preclusa a oportunidade para tanto, motivo por que proponho o seu indeferimento. A compensação tributária tem no artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, a previsão legal que define as bases e os contornos para sua realização. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I previstas no § 3º deste artigo; ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II em que o crédito: ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) a) seja de terceiros; ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) c) refirase a título público; ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. ( Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) f) ( Vide Art. 29 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15578.000381/201040 Acórdão n.º 3401002.773 S3C4T1 Fl. 5 7 f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: ( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) 2. tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) 3. tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) 4. seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) (grifos nossso) Como se vê, a partir de 2002, a Lei prevê a competência à Secretaria da Receita Federal para disciplinar o disposto neste artigo 74 da Lei 9.430, de 1996. Nesse âmbito, a compensação tributária passou a ser efetuada somente através de Declaração de Compensação, transmitida à RFB utilizando o sistema informatizado e Programa PER/DCOMP. Além disso, o artigo 74 pontua que o sujeito passivo pode utilizar na compensação de tributos créditos apurados em decisão judicial transitado em julgado. Neste caso, o recorrente havia solicitado o reconhecimento do seu direito à compensação através das Declarações de Compensação em análise neste processo. Entretanto, ela informou nessas declarações que a origem do direito creditório estaria na decisão final do mandado de segurança n. 99.00060407. Ocorre que essa decisão não reconheceu direito creditório para essas contribuições. As proferidas nos Recursos Extraordinários RE 435349 (Cofins) e RE 490675 (Pis) afastaram a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, na definição da base de calculo das contribuições. De fato, a petição do autor dessa ação judicial, que iniciou todo esse processo, não incluiu a pretensão de obter reconhecimento de direito creditório. E a petição do mandamus delimitou o seu objeto e as decisões finais transitadas em julgado. Portanto, as declarações de compensação aqui em análise não podem ser homologadas pois elas indicam origem do crédito em decisão judicial que não reconhece direito creditório, conforme exigido pelo artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, e disciplinado pela legislação que trata dos procedimentos de compensação. Correto, a meu ver, a apreciação feita pela decisão de 1 º grau: Já o título executivo previsto nas normas administrativas que regem a compensação se refere a obrigação de fazer (restituir valor a ser quantificado na fase de execução, judicial ou administrativa) ou de pagar (caso a decisão judicial já especifique o valor do crédito), determinada à Administração. Assim, fica clara a distinção entre as duas hipóteses, não se incluindo a decisão obtida Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 pela requerente naquela prevista na norma administrativa acima transcrita, nem tampouco no próprio caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, fundamento legal do ato normativo. Nesse ponto, destacase informação incorreta prestada pela empresa nas DCOMP apresentadas, visto que consta em tais documentos tratarse ação de compensação (campo “Tipo de Ação”), quando, na verdade, não há pedido nesse sentido naqueles autos judiciais, conforme visto acima. A DCOMP, como visto, é o único documento por meio do qual o contribuinte exerce o direito que a norma estabelece e efetiva a compensação tributária por ela autorizada. Assim, as informações nela constantes devem demonstrar corretamente a operação pretendida, ou seja, tais informações definem o pagamento tido como indevido, ou maior que o devido, que o contribuinte deseja utilizar, e o crédito tributário que se pretende compensar, além das informações relativas à ação judicial, quando o direito decorra de provimento nela obtido. Em conseqüência, a operação objeto de análise no presente processo é aquela informada pela requerente nas DCOMP. Observese que qualquer compensação pretendida por qualquer contribuinte somente pode ser efetuada por meio da apresentação da declaração de compensação, conforme normas acima transcritas, ou seja, é um direito que deve ser exercido pelo sujeito passivo, no momento em que desejar (respeitandose o prazo decadencial), e da forma como desejar (definição do crédito tributário a ser compensado e do direito creditório a ser utilizado), não podendo a autoridade fiscal alterar, de ofício, as informações contidas em tal documento, pois estaria criando hipótese de compensação não prevista na Lei nº 9.430/96. Em conseqüência, considerando as informações contidas nas DCOMP em análise, as quais demonstram a operação pretendida pelo contribuinte, conclui se, por todo o demonstrado acima, pela impossibilidade de homologação das compensações declaradas, visto que não se confirma a existência do direito creditório informado, em razão do objeto da ação judicial. Concluiria assim, pela a improcedência do recurso voluntário, contudo, tendo em vista a informação prestada pela recorrente que aderiu a programa de parcelamento, proponho não conhecer do recurso voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13052.000145/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 701 a 756) apresentado em 24 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 0938.463, de 22 de dezembro de 2011, da 1ª Turma da DRJ/JFA (fls. 688 a 695), cientificado em 06 de fevereiro de 2012, que, relativamente a pedido de ressarcimento de PIS dos períodos de janeiro de 2003 a outubro de 2008, considerou a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 52 .0 00 14 5/ 20 09 -9 3 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000145/200993 Resolução nº 3302000.257 S3C3T2 Fl. 762 2 manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Com o julgamento do ADC n.º 18 pelo STF ficaram suspensos no Poder Judiciário todos os julgamentos sobre a inclusão do ICMS de obrigação própria na base de cálculo das contribuições, até que a Suprema Corte defina o seu mérito em sede de recurso extraordinário ainda pendente. Os órgãos julgadores administrativos não são competentes para apreciar a inconstitucionalidade de normas legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NATUREZA. Somente podem ser restituídas as quantias recolhidas a título de tributo administrado pela União e desde que devidamente arrecadadas mediante DARF ou GPS. Como no período em questão não houve sequer um recolhimento a título de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, correto está o entendimento da autoridade administrativa ao definir a natureza do pedido formulado pela manifestante como de pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O pedido foi efetuado em 09 de abril de 2009 e a Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de pedido de restituição de valores a título de contribuição para o PIS, formulado em meio papel, que, em face da natureza do crédito pleiteado, foi acolhido como pedido de ressarcimento de créditos. De acordo com os demonstrativos juntados às fls. 17/18, o suposto crédito monta a R$ 637.745,15 (valor atualizado com a aplicação de juros equivalentes à taxa Selic), abrangendo o período de apuração de janeiro de 2003 a outubro de 2008. No pedido formulado, a contribuinte alega que a incidência de Cofins e PIS sobre a parcela de ICMS embutida no preço da mercadoria afronta o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Assim, entende que o ICMS deveria ter sido excluído da base de cálculo da contribuição, o que provocaria o aumento de seu ""Saldo Credor de PIS"". Fl. 763DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000145/200993 Resolução nº 3302000.257 S3C3T2 Fl. 763 3 Cita e transcreve trechos do voto do Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 240.7852 pelo STF que confortariam sua tese, no sentido de determinar a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, por entender que o ICMS não está abrangido pelo conceito de faturamento. Em 20 de novembro de 2009, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu o Parecer DRF/SCS/SAORT nº 165/2009, no qual considerou não formulada a petição em meio papel, no tocante ao período compreendido entre abril/2004 a outubro/2008, e, no tocante ao período compreendido entre janeiro/2003 a março/2004, indeferiu o pedido e não reconheceu o direito creditório, em razão de prescrição da pretensão. Em razão disso foi lavrado o Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT n.º 444/2009. A contribuinte apresentou Recurso Administrativo contra o citado Despacho Decisório, o qual considerou não formulado o Pedido de Restituição apresentado pela recorrente. Contudo, a decisão foi mantida pela autoridade administrativa competente para tanto, conforme rito previsto no art. 56 e seguintes da Lei nº 9.784/99 (recurso administrativo hierárquico inespecífico), pelos fundamentos já expostos no Parecer DRF/SCS/SAORT nº 165/2009. Apresentou também manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o direito creditório com base na ocorrência de prescrição, período de janeiro/03 a abril/04, a qual, pelos motivos a seguir expostos, não cabe aqui reproduzir. Posteriormente, em 15 de dezembro de 2010, foi exarado o Parecer n° 106– SRRF10/Disit (ementa a seguir transcrita), que declarou nulo o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n° 444/2009, que aprovou o Parecer DRF/SCS/Saort n° 165/2009, restando prejudicados os atos praticados posteriormente e decorrentes da decisão anulada. A competência para decidir sobre pedido de restituição ou ressarcimento relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público é do titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. É nula a decisão proferida por autoridade diversa da acima especificada, estando prejudicados os atos praticados posteriormente e decorrentes da decisão anulada. Dispositivos Legais: Lei n° 9.784, de 1999, art. 53; Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, arts. 57 e 64 Em razão disso, foi emitido pela Delegacia de nova jurisdição da contribuinte o Despacho Decisório da SAORT/DRF/JFA n° 507/2011, no qual decidiuse pelo indeferimento do pedido da interessada tendo em vista a ocorrência da prescrição com fulcro no art. 1º da Decreto nº 20.910/32, isto em relação ao crédito apurado até o 1º trimestre de 2004, e pela Fl. 764DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000145/200993 Resolução nº 3302000.257 S3C3T2 Fl. 764 4 inexistência de crédito apurado entre o 2º trimestre de 2004 e outubro de 2008, haja vista a legislação tributária regente não contemplar a exclusão de valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Contra tal ato, a contribuinte se manifestou, alegando, em suma, que: a decisão relativa à prescrição partiu de uma premissa equivocada: a de que os pedidos formulados pela ora manifestante seriam pedidos de ressarcimento e não pedidos de restituição, como originalmente apresentados. Entende que os valores pleiteados são efetivos pagamentos indevidos ou a maior, quitados não por meio de DARF, é verdade, mas através de compensações administrativas. Em outras palavras, acaso não tivesse sido indevidamente incluído o ICMS na base de cálculo do PIS no período em questão, teria a requerente apurado valores de contribuição inferiores, e, com isso, utilizado menos créditos para quitálas. Partindose da premissa que a compensação em excesso é nítido caso de pagamento indevido ou a maior, a forma que dispõe o contribuinte para reaver o valor na esfera administrativa é o Pedido de Restituição e não o Pedido de Ressarcimento, como entendeu a autoridade administrativa. E, por força desta equívoca interpretação, a autoridade administrativa acabou por declarar a ocorrência da prescrição indevidamente, utilizandose como base dispositivos legais aplicáveis aos ressarcimentos de créditos escriturais e não o prazo prescricional aplicável à restituição de tributos recolhidos de forma indevida ou a maior; Assim, passa a explanar sobre a sistemática da prescrição dos créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior. Cita jurisprudência do STJ e entende que os contribuintes poderão contar com o prazo de até 10 anos para entrar com o pedido de restituição de pagamento de tributos considerados indevidos até 2010; o ICMS não se inclui na base de cálculo do PIS. Para tanto, cita jurisprudências do STF e do STJ e arrazoase nestas, na Constituição Federal e na legislação infraconstitucional. por fim pede seja reformada a decisão proferida e assim sejam os valores de crédito solicitados declarados não prescritos. No recurso, defendeu tratarse de pedido de restituição e não de ressarcimento de créditos, tendo início o prazo para pedido após os cinco anos da homologação tácita. No mérito, defendeu a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000145/200993 Resolução nº 3302000.257 S3C3T2 Fl. 765 5 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose toar conhecimento. Preliminarmente, analisese a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf. É que parte das alegações da Interessada diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins/PIS, matéria de repercussão geral reconhecida no âmbito do Recurso Extraordinário n. 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal. No âmbito do referido RE, foi determinado o sobrestamento dos processos “nos quais o recurso foi interposto antes da regulamentação da repercussão”, hipótese que demonstra a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No referido RE, mencionase o fato de que a matéria teve sua discussão iniciada no RE 240.785. Mas o recurso foi retirado de pauta e o julgamento será reiniciado, desconsiderandose o voto do relator original. Nesses processos, conforme esclarecido no Informativo STF n. 437 (http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=240785&numero=437&pagin a=1&base=INFO), discutese a autorização contida no art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar n. 70, de 1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Embora os autos tratem da contribuição nãocumulativa criada pela Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 1º é que define a base de cálculo e suas exclusões (§ 3º), a repercussão geral trata da base de cálculo da contribuição de forma geral. À vista do exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, até que o STF tenha julgado o RE mencionado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 766DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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