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Numero do processo: 10675.905069/2009-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 06 9/ 20 09 -9 9 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905069/200999 Resolução nº 9303000.029 CSRFT3 Fl. 265 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905069/200999 Resolução nº 9303000.029 CSRFT3 Fl. 266 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905069/200999 Resolução nº 9303000.029 CSRFT3 Fl. 267 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000348/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA REGULAMENTAR. DIF-PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF - Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional .
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF-PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF - Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional . OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIFPAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional . OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 48 /2 00 5- 11 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.000348/200511 Acórdão n.º 9303003.222 CSRFT3 Fl. 1.005 2 (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Tratase do auto de infração de fls. 15/21, que formaliza a exigência de multa por falta de entrega das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF Papel Imune), referentes ao período compreendido entre o 3° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 20313.785, de 04 de fevereiro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/200 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIFPapel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator multa regulamentar nos termos da legislação tributária vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTARIA. INTERPRETAÇÃO Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Súmula N° 2. 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidadc de legislação tributária. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei. Requer a reforma do acórdão vergastado para que a multa seja aplicada por mês calendário de atraso, e não com o limite adotado na decisão recorrida. O recurso foi admitido, conforme Despacho 3400669, de 2010 (fs. 891). A contribuinte foi devidamente cientificada do despacho acima citado e apresentou recurso especial da parte em que restou vencida (fls. 894 a 906), além de contrarrazões ao especial da Fazenda (fls. 907 a 922). Ao recurso especial da contribuinte foi negado seguimento, segundo Despachos de Exame e de Reexame de Admissibilidade nº 34001179, de 2010, fls. 927/928. É o relatório. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.000348/200511 Acórdão n.º 9303003.222 CSRFT3 Fl. 1.006 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão suscitada pela contribuinte, relativa à admissibilidade do apelo. Merecem transcrição os seus argumentos: Acontece que em momento algum a Fazenda Nacional indicou onde e quando haveria violação à lei federal ou onde estaria a evidência da prova que ensejasse a reforma da decisão proferida. Muito menos aponta, de forma cabal, em que momento a decisão recorrida teria infringido os dispositivos por ela apontados. Não procedem suas alegações. Verificando o recurso da Fazenda constatase que a contrariedade à lei suscitada foi devidamente demonstrada. No item 2 de seu recurso a Procuradoria demonstrou detalhadamente as contrariedades que entendeu haver ocorrido, quais sejam: que a decisão recorrida, ao limitar o valor da multa ao número de meses compreendidos pela declaração (R$15.000,00 por cada declaração), contrariou a disposição do art. 57 da MP 2.15835, que estabelece o valor da penalidade por mês de atraso; que a aplicação pelo colegiado recorrido do art. 112 do CTN também contrariou a disposição desse dispositivo, pois no caso não existe dúvida quanto à aplicação da penalidade. Assim, entendo que os requisitos de admissibilidade do recurso foram cumpridos, motivo pelo qual ratifico o seguimento que lhe foi dado pelo Presidente da Quarta Câmara. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à forma de aplicação da multa por falta e/ou atraso na entrega da DIFPapel Imune. Essa questão foi por mim enfrentada em julgamento nesta instância, nos termos do Acórdão 9303002.396, de 15/08/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos, que se aplicam à presente lide: Por conseguinte, o contorno da lide está delimitado ao pleito da Fazenda Nacional, que requer o restabelecimento da exigência fiscal em seu todo. O fundamento jurídico apresentado pela Fazenda Pública em sua peça recursal diz respeito à possível contrariedade ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001 c/c artigo 16 da Lei n° 9.779/98, bem como artigo 112 do Código Tributário Nacional, que previa multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, às pessoas jurídicas que deixassem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Acontece que, com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para a conduta. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.000348/200511 Acórdão n.º 9303003.222 CSRFT3 Fl. 1.007 4 A meu sentir, o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não mais é aplicável aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista no inciso II do art. 588 do RIPI 2010, cuja matriz legal é o inciso II do § do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, assim redigida: Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2º do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º): I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune, omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso II). Ressaltese, por oportuno, que norma versando sobre sanção, quando lhe comine penalidade menos severa do que a da lei vigente ao tempo de sua prática, pelo princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106 do CTN, aplicase a fatos pretéritos, ainda não definitivamente julgados, o que é o caso dos autos. De outro lado, a aplicação deste princípio da retroatividade benigna, em determinadas situações, pode gerar aparência de colisão com o princípio do ne reformatio in pejus, que veda ao julgador agravar a situação do recorrente, em relação à matéria por este devolvida ao Colegiado. Na verdade, a colisão é apenas aparente, posto que esses princípios convivem, harmonicamente, cada um disciplinando realidades distintas. No primeiro caso, aplicase a retroatividade benigna a julgamentos pendentes onde a insurgência da parte recorrente ainda não foi analisada, de forma definitiva. No segundo, assegura à parte recorrente que seu inconformismo não lhe prejudicará, ou seja, no mínimo ele sairá com o que entrou. Anotese que este princípio é dos corolários do princípio da ampla defesa, ao assegurar aos litigantes que não serão penalizados em razão do exercício regular de seu direito recursal. Assim, sendo o recurso apenas de uma das partes, o resultado do julgamento não lhe pode ser pior do que o fora a decisão recorrida. No caso sob exame, retroagindo a novel legislação, entendo que a multa deveria ser, no máximo, de R$ 5.000,00 reais por infração. Todavia, não foi esse o entendimento adotado no Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.000348/200511 Acórdão n.º 9303003.222 CSRFT3 Fl. 1.008 5 acórdão recorrido, no qual consignouse que o valor por infração seria de R$ 15.000.00. Valor esse, bem abaixo do lançado de ofício, mas, ainda assim, superior ao que seria devido, no entender deste relator, com a aplicação correta da nova legislação. De outro lado, o recurso sob exame é da PGFN que defende o restabelecimento da exigência fiscal em seu todo. Com isso, o acórdão vergastado não pode ser reformado para piorar a situação da recorrente. A solução possível para resolver o imbróglio, é Harmonizar os dois princípios, de modo a darlhes efetividade a ambos, sem prevalência de um em detrimento do outro. Assim, a nova legislação deve retroagir para reduzir a penalidade; de outro, a redução não pode ser maior do que a concedida pela turma recorrida, para não ferir o princípio do ne reformatio in pejus, visto que o recurso sob exame é da PGFN.” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exigência fiscal, nos termos definidos no acórdão a quo. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10983.908285/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 85 /2 00 9- 11 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Acórdão n.º 3801004.737 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Acórdão n.º 3801004.737 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Acórdão n.º 3801004.737 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Acórdão n.º 3801004.737 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Acórdão n.º 3801004.737 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13888.905202/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 52 02 /2 00 9- 08 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 299 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.296, às fls. 70 a 73: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 64/67, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de PIS/PASEP (código de receita: 8109) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRI: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 60, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 32863.22233.150906.1.3.047723, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada. interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/59, na qual alega, em síntese, que certamente havia o crédito a ser compensado, conforme informado na PER/Dcomp supra, porém, o despacho decisório não homologou a compensação declarada por erro de fato na DCTF do 3° trimestre de 2001. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo a respectiva DCTF retificadora, relativa ao 3° trimestre de 2001, DIPJ/2002 e compensações com o DARF em epígrafe, para requerer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 300 3 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 301 4 endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 302 5 pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 303 6 a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 304 7 verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 305 8 quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 306 9 Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.411 (fls. 234 a 251), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 275 a 288, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 292 a 294. Este é o Relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 307 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/09/2006 (fls. 65 a 68), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débito de PIS do mês de agosto de 2006, no valor de R$ 2.487,52. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF retificadora do 3° trimestre de 2001. Malgrado o intento da contribuinte, importa assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente. por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 308 11 necessariamente instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ/2002 (fls. 17/43) e a DCTF retificadora (fls. 02/16), na qual se destaca o novo valor declarado. De se lembrar que, por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nessa linha, salientese que tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de urna série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. [...] Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 309 12 impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.411. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (15/09/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 310 13 Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 311 14 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 312 15 organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 313 16 exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 314 17 RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 315 18 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 316 19 (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 317 20 É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 275 a 288. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 318 21 que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IRfonte somente até o valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2001, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado como recolhimento indevido, passível de restituição. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 292 a 294, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.411. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905202/200908 Acórdão n.º 1802002.485 S1TE02 Fl. 319 22 Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 12466.003558/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 35 58 /2 00 9- 03 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 3.020.340,03 referente a PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de oficio, multas de mora e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada impetrou a ação judicial nº 2004.50.01.0052060 2006 na qual a Justiça Federal determinou que a aplicação das alíquotas das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação fosse feita, única e exclusivamente, sobre o valor aduaneiro das mercadorias. Ao amparo da decisão liminar, cuja comunicação à autoridade aduaneira se procedeu em 10/05/2004, a interessada registrou Declarações de Importação no período de 01/11/2004 a 30/11/2004 dotando a base de cálculo reduzida. A liminar foi revogada em 16/10/2006 e a segurança foi denegada. A interessada apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal. O auto de infração foi lavrado para a prevenção da decadência do crédito tributário, enquanto aguarda decisão final da Justiça Federal. Cientificada pela via pessoal a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que impetrou ação judicial para contestar a exigência das contribuições ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação calculadas sobre a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, pois há violação do artigo 149, II, “a”, da Constituição Federal, além de que somente Lei Complementar poderia instituir e dispor sobre a base de cálculo referida. Alega que a discussão judicial ainda persiste. A impugnante alega nulidade do atuo de infração pelo fato de terse mencionado processo judicial que não corresponde ao caso concreto. Requer seja anulado ou julgado totalmente improcedente ou insubsistente o auto de infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis não indeferiu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/FNS n.º 29.539: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo Fl. 608DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.003558/200903 Acórdão n.º 3201001.784 S3C2T1 Fl. 442 3 interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Mero erro de digitação que não cause prejuízo à defesa não determina nulidade do auto de infração. Impugnação Improcedente Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo. Discutese nos autos a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação, mais especificamente quanto ao entendimento do valor aduaneiro. A decisão recorrida não conheceu do recurso por concomitância do debate com o processo judicial n.º 2004.50.01.0052060, onde também é discutida a majoração da base de cálculo do PIS e COFINS importação. Correta a decisão, já que a discussão travada é a mesma. Podemos ver dos documentos juntados que ambos os processos tratam da mesma questão, o que impede a análise do recurso interposto, em face da Súmula n. 01 desta Corte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 Sala de sessões, 15 de outubro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 610DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 19515.005657/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN.
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a decadência e excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos ao vale-transporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. AFERIÇÃO INDIRETA. CABE AO FISCO INSCREVER DE OFÍCIO IMPORTÂNCIA QUE REPUTAR DEVIDA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 57 /2 00 9- 38 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar a decadência e excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, pela homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos ao valetransporte pago em pecúnia, nos termos da Súmula n.º 60 da AGU. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 985 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 890), que bem resume o quanto consta dos autos: 1.Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0730, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 3.515.564,04, (três milhões e quinhentos e quinze mil e quinhentos e sessenta e quatro reais e quatro centavos),consolidado cm 07/12/2009, onde foram lançados valores referentes às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, aos seus segurados empregados, contribuições não declaradas em GFIP, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, apuradas nos levantamentos: (i) DIF Diferença GFIP e GFIP WEB; (ii) VAL Vale transporte pago em dinheiro; (iii) COM Serv Apoio Depto Comercias 2.Consoante o Relatório Fiscal REFISC foi constatado que os valores registrados pela empresa em seus livros contábeis (Livro Diário e Razão) eram menores que os constantes nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo envio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) por parte do contribuinte e, que após a ciência do início do procedimento fiscal, o contribuinte reapresentou as GFIP do ano de 2004 pelo sistema GFIP WEB, reduzindo significativamente o total da massa salarial sob a alegação de que as GFIP entregues anteriormente continham informações erradas acerca da remuneração dos segurados. 2.1.Destaca a fiscalização que o número de empregados permanecia praticamente o mesmo, mudando apenas sua remuneração, tudo demonstrado no Anexo I comparação GFIP WEB X GFIP inicial, fls. 98/199, 202/221. 2.1.1.Após o reenvio das GFIP do ano de 2004 pelo sistema GFIP WEB,complementarmente, a empresa apresentou Folhas de Pagamento (em papel e em meio magnético arquivo TXT) já com as reduções efetuadas nas remunerações dos seus funcionários. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 2.1.2.Informa a fiscalização que realizou consulta às informações prestadas pela empresa na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), ficando constatado que as remunerações que lá constavam declaradas eram compatíveis com os valores informados na GFIP que foram alteradas no decorrer do procedimento fiscal. 2.2. Consta do Refisc que o levantamento "DIF" é referente aos valores declarados inicialmente pela empresa em GFIP e substituídos, durante o procedimento fiscal, pela GFIP WEB. Para cada segurado, foi subtraído da base de cálculo informada na GFIP inicial o valor informado atualmente na GFIP WEB, observando que tais informações constam da base de dados da Receita Federal do Brasil e constituem confissão de dívida, assim, da diferença obteve os valores correspondentes das remunerações que foram alteradas 2.2.1. Relata que não constam informações referentes a competência 13° no sistema GFIP WEB e que para o décimo terceiro salário, em 2004, não havia declaração em GFIP. Que solicitada a correspondente folha de pagamento aquela não lhe fora fornecida pela empresa, assim o valor da remuneração correspondente ao 13° salário foi arbitrado por aferição indireta, aplicandose a média simples das remunerações do período. Explica a fiscalização que foram somadas as remunerações de cada competência e o total, dividido por 12 (doze) e, sobre o valor aferido foram calculadas as contribuições devidas pelos segurados empregados aplicandose a alíquota mínima de 8% (oito por cento). 3. Sobre o levantamento: VAL Vale transporte pago em dinheiro, informa o Refisc que ficou constatado que a empresa pagou valetransporte aos seus funcionários em dinheiro, conforme registrado na rubrica "valetransporte" da folha de pagamento, o valor foi incluído no total pago como salário mensal a cada funcionário, assim,por ter sido pago em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, os valores pagos aos funcionários a título de valetransporte foram integrados ao saláriodecontribuição. 3.1. Esclarece a fiscalização que as bases de cálculo utilizadas no lançamento foram os valores encontrados nas Folhas de Pagamento entregues pela empresa em meio digital (CD autenticado sob o número 705e795b bb38d54b66719364 a224a7aí). 3.2. Sobre o cálculo da contribuição dos segurados, informa o Refisc que integrado o valor do valetransporte pago em dinheiro ao salário de contribuição, feito de forma individualizada, para cada trabalhador. Consta do Anexo II fls. 340/399, 402/437. 3.2.1. Explica a Auditora que em cada competência, foi somada a rubrica"Valetransporte" da Folha ao total da remuneração informada na GFIP inicial, por empregado, para se chegar à base de cálculo sobre a qual a contribuição devida pelos segurados deveria ter sido calculada. Sobre este total foi aplicada a tabela de contribuição vigente à época, obtendose, então, o valor devido pelos funcionários sobre o montante total recebido. Em seguida, foi subtraída da contribuição apurada aquela contribuição que fora informada na GFIP WEB, para se chegar ao valor devido. Salienta que para os dois levantamentos, "DIF" e "VAL", só há um correspondente Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 986 5 lançamento referente aos segurados, já que ambos foram somados a fim de se apurar com precisão os valores realmente devidos (esta contribuição está lançada no levantamento "DIF", código de lançamento CS contribuição dos segurados). O cálculo encontrase demonstrado no Anexo III que integra o Refisc, lis. 222/339. 4. Sobre o levantamento COM Serv Apoio Depto Comercias informa o Refisc que a empresa possui uma conta contábil denominada "Serviço de apoio – Departamento Comercial" (3.3.1.2.0.000.00038) que contém no histórico de parte de seus lançamentos a palavra "comissão". Que foi solicitada por Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e Termo de Reintimação Fiscal a relação dos funcionários que receberam comissões e os respectivos valores, bem como os demais documentos que corroborassem todos os lançamentos contábeis efetuados naquela conta com o intuito de determinar a natureza das despesas registradas diferenciando quais representavam comissões pagas aos funcionários e quais não. Face à impossibilidade de determinação da natureza das operações registradas na conta mencionada, pois nenhuma documentação foi apresentada à fiscalização e, considerando à existência de diversos valores pagos a título de Comissões, todos os valores contabilizados na conta Serviço de Apoio ao Departamento Comercial foram consideradas Comissões que, nos termos da Lei n° 8.212 que se entende por saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. 4.3. As comissões, por representarem uma forma de rendimento pago aos funcionários, são consideradas remuneração, constituindo base de incidência de contribuição providenciaria. Os valores registrados na conta contábil "Serviço de Apoio Departamento Comercial" (3.3.1.2.0.000.00038 foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias, nas competências: 03 e 05 a 12/04, tendo ocorrido apenas no estabelecimento matriz. Devido à falta de fornecimento dos elementos necessários à individualização dos valores pagos como comissões, foi aplicada a alíquota mínima de 8% (oito por cento) para se chegar ao valor correspondente à contribuição devida pelos segurados. 5. Também consta do Refisc que foi observado o disposto no Código Tributário Nacional Lei 5.172/1966, no art. 106, inc. II, alínea "c" que trata da aplicação da penalidade mais benéfica em virtude das alterações introduzidas à Lei n° 8.212/1991, às multas aplicadas nas contribuições para a Seguridade Social, pela Medida Provisória n° 449 dc03.12.2008, publicada no DOU em 04.12.2008, convertida na Lei 11.941 de 27.05.2009, nos casos de lançamento de ofício. 5.1. Como informa no item 8.3 e 8.5 do Refisc as planilhas que demonstram os valores das multas aplicáveis aos lançamentos Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 encontramse anexas ao autodeinfração Dcbcad n° 37.180.0668 com Código de Fundamentação Legal CFL: 68, assim os Autos de Infração foram lavrados com a aplicação da seguinte multa: a) Competências 01 a 13/2004: Multa resultante do cálculo obtido no AI CFL 68 (Lei 8.212/1991, art. 32) mais a multa de mora de 24% sobre o principal do credito (Lei 8.212/1991, art. 35, alínea a, inc. II), já que ela mostrouse mais benéfica para o contribuinte do que aquele resultante do cálculo de 75% sobre o principal do credito (Lei 8.212/1991, art. 35A, alterada pela Lei 11.941/2009) 5.2. Com relação às contribuições para Outras Entidades e Fundos (Terceiros) foi aplicada, em todo período, unicamente a multa de mora 24% sobre o valor do debito original, uma vez que, em relação a essas contribuições, não há previsão legal de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias referentes à GFIP, o que torna a legislação da época dos fatos sempre mais benéfica. (...) DA IMPUGNAÇÃO 9. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 734/771 e 826/858 e, documentos de fls 772/799; 802/813; 859/866, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação (fls. 814 e seguintes), justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada a impugnação de fls. 834 e seguintes. Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * nulidade por ausência de vinculação e de suporte fático. Destaca que, em especial nos processos 19515.005657/200938 (parte patronal e SAT) e 19515.005655/200949 (segurados), restou estabelecida uma presunção de que em 2004 houve prestação horas extras superiores às reconhecidas pela empresa, pelo simples fato de ter ocorrido a prática recorrente de horas Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 987 7 entras no ano de 2005. Afirma haver justificativa para o aumento das horas extras a partir de 2005 (incremento da violência do crime organizado); * as diferenças encontradas seriam decorrentes de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s após o início do procedimento fiscal; * os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Tais valores teriam sido tributados quando da retificação da GFIP pela recorrente; * quanto aos valores contabilizados como Serviço de Apoio ao Departamento Comercial, tributados como comissões, aduz que estão incluídos nessa rubrica dispêndios com impressão de material de divulgação, despesas de postagem de impressos, visitas a clientes e a clientes em perspectiva, deslocamentos de representantes e funcionários da empresa com vistas ao desenvolvimento de novos contratos e outros procedimentos (cita documentos de fls. 795 a 799 e 802/803); * não foram considerados créditos tributários decorrentes dos pagamentos e retenções de 11% nas notas fiscais da empresa; * caso as multas não seja canceladas pelo reconhecimento da inexistência de falta de recolhimento, requer sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação (fls. 814 e seguintes), justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada a impugnação de fls. 834 e seguintes. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 988 9 ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ocorre que, em razão da persistência da divergência, este Conselho editou a Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Analisandose os autos, constatase que foram lançadas apenas as diferenças de recolhimentos, razão pela qual, para todas as competências, aplicase o art. 150, § 4°, do CTN. Tendo a recorrente sido foi cientificada da NFLD em dezembro de 2009, somente poderiam ter sido lançadas competências a partir de 12/2004, restando decadentes, portanto, as competências de 01/2004 a 11/2004, inclusive. ValeTransporte. Aduz a recorrente que os valores de valetransporte não poderiam sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do lançamento o levantamento referente ao valetransporte pago em pecúnia. Aferição indireta. Divergência GFIP. Comissões. A recorrente entende ser nulo o lançamento por ausência de vinculação e de suporte fático. Destaca que, em especial nos processos 19515.005657/200938 (parte patronal e SAT) e 19515.005655/200949 (segurados), restou estabelecida uma presunção de que em 2004 houve prestação horas extras superiores às reconhecidas pela empresa, pelo simples fato de ter ocorrido a prática recorrente de horas entras no ano de 2005. Afirma haver justificativa para o aumento das horas extras a partir de 2005 (incremento da violência do crime organizado). Aduz ainda que as diferenças encontradas seriam decorrentes de erro de preenchimento e foram corrigidas pela entrega de novas GFIP´s após o início do procedimento fiscal. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 989 11 A argumentação da recorrente não procede. Da análise dos autos, constata se que a recorrente deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, conforme já mencionado na decisão de origem: 16.7. Constatase que a Impugnante deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, como: 16.7.1. Às fls. 77 do processo 19515.005657/200938, constam Termo de Intimação Fiscal n° 7, datado de 24/06/2009, recebido pela empresa cm 01/07/2009 (11. 78), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, fosse justificado por escrito, apresentando a respectiva documentação hábil e idônea, a diferença entre remunerações dos segurados informadas em GFIP entregues antes do início do procedimento fiscal (em 22 e 23/03/2006) e após o início do procedimento fiscal em (03,04 c 05/2008), que resultaram cm redução da base de cálculo das contribuições previdenciárias. 16.7.2. Às fls. 79 do processo 19515.005657/200938, Termo de Intimação Fiscal n° 8, datado de 24/08/2009, recebido pela empresa em 31/08/2009 (11. 80), para que em 3 dias úteis, para o período de 01/2004 a 12/2004, a composição da contabilização da folha de Pagamento dos meses de janeiro a abril 2004 (especificar quais contas foram utilizadas para contabilização e, esclarecer por escrito sobre o que c contabilizado na conta Serviço dc Apoio Departamento Comercial e respectiva documentação de apoio. 16.8. A relação contida no item 16.7, não é exaustiva, haja vista o número de documentos que deixaram de ser apresentados como constam dos autos. 16.9. Ao descumprir o seu dever legal de fornecer a documentação solicitada e necessária, por deixar de informar e prestar esclarecimentos de interesse da fiscalização, o Contribuinte deu razão à inversão do ônus da prova. (...) 16.12. Como se constata dos autos, a Impugnante foi instada, mais de uma vez, a esclarecer os motivos que a levaram a incorrer em despesas contraídas pelos empregados sem que houvesse o devido recolhimento das correspondentes contribuições sociais, porém, conforme relatado no Relatório Fiscal deixou de fazêlo, satisfatoriamente, fato esse que ensejou a imposição de multa, através da lavratura dos Autos de Infração: DEBCAD 37.180.0790 CFL 35 <> PA 19515.005661/2009 04 porque a empresa não apresentou esclarecimentos solicitados ao longo da fiscalização; DEBCAD 37.180.0811 CFL 38 PA 19515.005662/200941, porque a empresa apresentou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 (Diário e Razão) com informação diversa da realidade. DEBCAD 37.180.0676. CFL 21 <> PA 19515.005658/2009 82 porque a empresa não apresentou informações em meio Fl. 994DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 digital correspondentes à folha de pagamentos na forma estabelecida pela RFB. DEBCAD 37.180.0803 CFL 23 <» PA 19515.005659/2009 27 porque a empresa não apresentou informações em meio digital correspondentes aos registros contábeis. Posto isso, também, não há que se falar em ausência de vinculação c de suporte fático como articulado na impugnação, foi correto o procedimento da fiscalização cm lançar de ofício o crédito tributário exigido no presente auto de infração. Com efeito, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tudo nos termos do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e do art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 990 13 Portanto, legítimo o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Especificamente quanto às diferenças entre GFIP originária e retificadora, acrescento que a Fiscalização analisou DIRF e RAIS e conclui que valores antes da retificação estavam compatíveis. Assim, diante da não apresentação de diversos documentos e não prestação de esclarecimentos e dos indícios de que a declaração originária era mais fidedigna, lançou diferença entre declaração originária e retificadora. Note que foram considerados, arbitrados indiretamente, os valores informados pela empresa nas GFIP transmitidas nas épocas próprias e, posteriormente retificadas após o início da ação fiscal, pois a autoridade fiscal também desclassificou as informações constantes nos livros contábeis e nas folhas de pagamentos, tanto que lavrou o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: DEBCAD n° 37.180.0811 CFL 38 – PA 19515.005662/200941. No que tange, ao lançamento contábil de comissões, estas foram consideradas remunerações de empregados, em razão da recorrente ter se quedado inerte quanto à solicitação de documentos de suporte e de esclarecimentos. Referentemente à alegação de que não foram considerados créditos tributários decorrentes dos pagamentos e retenções de 11% nas notas fiscais da empresa, trata se de argumentação vazia, sem a precisa indicação dos créditos faltantes, sendo de se considerar que consta dos autos anexo com os créditos apropriados ao lançamento. Ademais, o que se lançou aqui foram as diferenças de recolhimentos, sendo certo que as guias recolhidas pela recorrente são apropriadas, prioritariamente, aos valores declarados em GFIP (retificadora) e que não são objeto do presente lançamento. Relevação da Multa. Caso não se reconhecese a inexistência de falta de recolhimento, a recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) Além do dispositivo se referir exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória e do não preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente, é preciso considerar ainda que, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, (i) reconhecendo a decadência das competências de 01/2004 a 11/2004, inclusive, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN; e (ii) para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU). (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 997DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005657/200938 Acórdão n.º 2302003.523 S2C3T2 Fl. 991 15 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10665.001761/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que a Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal.
ITR. ÁREA DE PASTAGEM. GRAU DE UTILIZAÇÃO.
A área de pastagem somente poder ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização quando devidamente comprovada.
ITR. VTN. ARBITRAMENTO.
A fiscalização arbitrará o VTN com base no SIPT nas hipóteses em que o contribuinte não apresentar laudo de avaliação com observância das normas da ABNT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 47,26 ha.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 47,26 ha. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. ÁREA DE PASTAGEM. GRAU DE UTILIZAÇÃO. A área de pastagem somente poder ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização quando devidamente comprovada. ITR. VTN. ARBITRAMENTO. A fiscalização arbitrará o VTN com base no SIPT nas hipóteses em que o contribuinte não apresentar laudo de avaliação com observância das normas da ABNT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 17 61 /2 01 0- 07 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 238 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 47,26 ha. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 226/235) interposto em 27 de setembro de 2013 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 212/221), do qual o contribuinte teve ciência em 05 de setembro de 2013 (efl. 225), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no auto de infração de efls. 03/17, lavrado em 08 de outubro de 2010, em virtude da não comprovação das áreas de reserva legal e de pastagens e do valor da terra nua nos exercícios de 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007 Nulidade do Lançamento. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 239 3 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Área de Reserva Legal. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser, por expressa disposição legal, averbada na matrícula do imóvel e ser reconhecida como de interesse ambiental mediante protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) dentro do prazo previsto em ato normativo do Ibama. Área Utilizada com Pastagem. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também apresentação de Nota Fiscal de compra/venda de animais, Fichas de Vacinação e aquisição de vacinas, Demonstrativo de movimentação de gado que comprove a quantidade do rebanho existente no imóvel no exercício. Valor da Terra Nua VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 212) Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 226/235), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR da Recorrente apontou a ocorrência de três infrações, quais sejam, não comprovação das áreas de reserva legal e de pastagens e do valor da terra nua (efls. 03/17). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 240 4 “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 241 5 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 242 6 metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 243 7 II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 244 8 do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 245 9 § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 246 10 Portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 247 11 “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 248 12 principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 249 13 norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 250 14 Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, não foi apresentado o ADA. Não obstante, há nos autos averbação de reserva legal correspondente a 47,26 ha., datada de 27 de outubro de 2004, ou seja, antes da data do fato gerador (efl. 34). Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 251 15 Em casos como o presente, como é cediço, o CARF tem entendido que a averbação supre a necessidade de apresentação do ADA. No que se refere à área de pastagens, com razão a DRJ manteve a glosa, entendendo que meros contratos de parceria não teriam o condão de comprovar a área com pastagens, exigindo, para tanto, o seguinte: “Para comprovar a área utilizada com pastagem é necessária apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhada da anotação responsabilidade técnica – ART, devidamente registrada no CREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as áreas utilizadas com pastagem nativa, pastagem plantada e com forrageira de corte (que tenha sido destinada à alimentação dos animais da propriedade). No laudo deverá também estar discriminado o número de animais de grande e médio porte existentes no imóvel no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2005 e 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2006 (anos base para os exercícios 2006 e 2007), comprovada mediante Ficha Registro de Vacinação e Movimentação de gado, Nota Fiscal de Produtor Rural, Ficha de Vacinação, Nota Fiscal de Aquisição de Vacinas. Em se tratado de parceria agrícola a interessado deve comprovála mediante Contrato de Parceria entre as partes contratantes e as respectivas notas fiscais em nome do parceiro outorgado e que estas tenham vínculo com o imóvel objeto do contrato.” Em seu recurso, a Recorrente reafirma os termos da impugnação, não apresentando, todavia, qualquer documento complementar. No que se refere ao VTN, muito embora intimada, a Recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse o valor declarado em sua DITR, devendose manter, portanto, o arbitramento realizado com base do SIPT, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/91. “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 47,26 ha. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 2101002.656 S2C1T1 Fl. 252 16 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000190/2009-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.831
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 90 /2 00 9- 54 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1427.229 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, com a seguinte ementa: AUTO ,DE 1NERAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária deixar, a empresa, de prestar todas as informações cadastrais, financeiras ou contábeis, na forma solicitada pela autoridade fiscal, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, após regularmente intimado para tanto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de auto de infração lavrado em relação ao contribuinte acima identificado, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 08/09, devido ao fato da empresa ter deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis solicitadas, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. No presente caso, o contribuinte deixou de apresentar, mesmo após devidamente intimado para tanto, os documentos referentes às movimentações bancárias relacionadas às fls. 08 (transferências online e emissão de DOC) e as notas fiscais de prestação de serviços contratados pela empresa. Além disso, apresentou de maneira deficiente a relação de trabalhadores com a remuneração respectiva. A autuada infringiu, assim, o disposto no artigo 32, III e §l1 da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, sendo aplicada a multa estabelecida no artigo 283, inciso II, alínea “b” do Regulamento já mencionado, no montante de R$l3.29l,66. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000190/200954 Acórdão n.º 2403002.831 S2C4T3 Fl. 3 3 O presente auto foi lavrado em 01/07/2009, sendo cientificado ao contribuinte em 07/07/2009 através de correspondência com aviso de recebimento. IMPUGNAÇÃO – Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, a nulidade da autuação, argumentando que o fisco não poderia desconsiderar o livro caixa para, em seguida, autuar a empresa com base em informação contida nesse mesmo documento. Se o próprio auditor fiscal admite a possibilidade de apresentação do livro Caixa, deveria considera lo para todos os demais termos do procedimento fiscalizatório. Que não é possível admitir a entrega do livro Caixa para, em seguida, afirmar que o livro Diário deveria ser entregue. Entende que a autuação levada a efeito por mera presunção não atende os critérios jurídicos que autorizam a utilização da técnica da aferição indireta. Alega que a forma como a autoridade administrativa realizou o lançamento não demonstrou de forma cabal a ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Argumenta que os motivos expostos pela autoridade fiscal para afastar as justificações apresentadas pela autuada, em relação aos equívocos identificados nos lançamentos 286, 279 e 215 do livro Caixa não são plausíveis. Que não é possível aferir pelo livro Caixa eventual situação superavitária ou deficitária. E que não se oportunizou ao contribuinte o direito de apresentar demais documentos e livros contábeis. Menciona que a autoridade fiscal deveria demonstrar a ocorrência de cada fato jurídico tributário que no seu entender tivesse ocorrido. Contudo, em nenhum momento o auditor fiscal procurou demonstrar a subsunção do conceito do fato ao da norma, deixando de apresentar todos os elementos que integram o suposto fato jurídico tributário. Pugna pela nulidade do lançamento. Aduz a necessidade de prevalência da verdade material, não admitindo a aplicação da punição com base em presunções. Não aceita que o auditor fiscal tenha inicialmente admitido 0 livro Caixa para em seguida desconsiderálo, mesmo tendo se valido do mesmo para pretensamente apresentar comparativos entre o livro e as contas bancárias. Requer, finalmente, seja recebida e integralmente provida e acolhida a impugnação apresentada, acatando as razões expostas, reconhecendo a nulidade da autuaçao guerreada, como forma de justiça. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Discuti vícios do Livro Caixa. · Entende inexistir a demonstração do fato jurídico que motivou a autuação. · É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000190/200954 Acórdão n.º 2403002.831 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o fisco, a autuação foi lavrada por omissão por parte da empresa, na prestação de informações e esclarecimentos solicitados pela fiscalização, bem como pela apresentação deficiente em relação à remuneração dos segurados, fato que constitui infração à disposição contida no artigo 32, III da Lei n° 8.212/91: Lei 8.212/91 Art 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização Relatório Fiscal Tendo em vista algumas incongruências localizadas nos livros caixa, foram solicitados os comprovantes de movimentação bancária, os quais foram disponibilizados pelo sujeito passivo. Uma vez que ratificaramse as incongruências supracitadas e a identificação de outras através dos extratos bancários, visando verificar a existência de movimentos que caracterizassem o pagamento de salário de contribuição foram solicitados através de TIF 05, os comprovantes (acompanhado da respectiva cópia) de transferência on line, DOC ou TED realizados, onde constassem os dados dos beneficiários. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Não obstante ter apresentado alguns o contribuinte deixou de disponibilizar os documentos referentes aos movimentos abaixo citados: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000190/200954 Acórdão n.º 2403002.831 S2C4T3 Fl. 5 7 Foram solicitados também através do TIF 04, as notas fiscais de prestação de serviços contratados pela empresa, sobre os quais a pessoa jurídica mantevese inerte. Visando oportunizar o contribuinte a informação ao Fisco dos salários de contribuição pagos aos trabalhadores a auditoria intimou o sujeito passivo para informar os laboradores com os reais salários pago a eles. Em 29/06/09 a empresa apresentara uma relação, entretanto os trabalhadores e os salários lá dispostos, com duas exceções, coincidem com os expostos nas folhas de pagamento. Os que diferem são Renato Augusto Santos Oliveira em março/2006 (folha pgto= R$ 530,61; relação = R$ 189,50) e Eduardo Teixeira Dória em abril/2006 (folha pgto= R$ 683,78; relação = R$ 0,00) Adotando tal postura a pessoa jurídica deixou de prestar os esclarecimentos necessários à auditoria, bem como informações financeiras no interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, deixando desta forma de cumprir exação prevista no inciso III do artigo 32 da lei 8212. Segue em anexo a primeira via do presente, cópias e respectivas respostas aos TIF 04, 05 e 07. Percebo desconexão entre a autuação e o recurso. Tal desconexão também foi apontada na decisão recorrida conforme se observa no trecho do voto condutor, abaixo transcrito: Na impugnação apresentada, insurgese a autuada contra a aferição indireta realizada, decorrente da desconsideração dos dados constantes no livro Caixa da empresa. Observase, contudo, que as inconsistências identificadas no livro Caixa da empresa não guardam qualquer relação com o presente auto de infração, o qual foi lavrado devido ao fato do contribuinte, mesmo após intimado para tanto, ter deixado de disponibilizar os documentos que demonstrassem os dados dos beneficiários das transferências online relacionadas às fls. 08 e verso, assim como as notas fiscais de prestação de serviços contratados pela empresa. Apresentou, ainda, de maneira deficiente a remuneração dos segurados a seu serviço. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010757/2006-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 140 1 139 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.010757/200638 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.330 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente TELEPISA CELULAR S/A (TIM NORDESTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 57 /2 00 6- 38 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 141 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 1625.67935.291203.1.3.047407, em 29.12.2003, e 32706.28238.150104.1.3.040130, em 15.01.2004, fls. 0514, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$143.219,01 recolhido em 28.02.2002, referente ao período de apuração de janeiro de 2002, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 1516, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou , a Maior de IRPJ no valor R$143.219,01 [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do Mês de Janeiro de 2002 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 19: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 142 3 No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do mês de janeiro de 2002, que encontrase anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2436, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ a maior, em 28.02.02, referente ao período de apuração de 31.01.02, no valor de R$143.219,01. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de CSLL e COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal, [...]. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título 1 de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 143 4 Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 144 5 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do artigo 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas IN’s. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...]. O tratamento dado pelo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 145 6 artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. III Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior foi transformado em, saldo negativo de IRPJ, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do ano calendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de IRPJ inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. IV Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 146 7 administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valore . de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 147 8 Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. V Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife de e ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não te amparo em lei. b) Quando da compensação realizada pela contribui te a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia. c) Se a compensação do IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais e suficientes para suportar as compensações efetuadas. d) O Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado o provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.520, de 16.12.2009, fls. 8897: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 148 9 ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 12.03.2010, fl. 100, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.04.2010, fls. 101116, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em fevereiro de 2002. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débito de CSLL e COFINS. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 149 10 A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. [...] Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. I A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito [...], tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$2.628.838,20 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2003 [...]). Isso porque, de acordo com o posicionamento adorado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2002 para compensar com os débitos em questão. Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 150 11 Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 151 12 Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, podem se compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto disciplinado pelos citado atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de IRPJ em fevereiro de 2002 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado com débitos de CSLL e COFINS. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. III Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 152 13 A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do art go 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas INs. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...] O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, 1 uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. IV Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Ora, o IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de CSLL e COFINS. A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF n°600/05, pois o IRPJ de janeiro de 2002 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser nega o um direito de crédito que se materializou no tempo. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 153 14 Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. V Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2002 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. VI Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 154 15 Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 155 16 Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VII Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 156 17 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 157 18 fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 158 19 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 159 20 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Saldo Negativo 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 160 21 Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Setembro 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] Janeiro 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 161 22 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Março 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 162 23 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 163 24 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 164 25 Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 165 26 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 166 27 proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, no valor de R$143.219,01 recolhido em 28.02.2002, referente ao período de apuração de janeiro de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010757/200638 Acórdão n.º 1803002.330 S1TE03 Fl. 167 28 preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13971.002506/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.197
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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(documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório. Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados para exigir, de Polivale Indústria e Comércio de Solados Ltda., créditos tributários referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 50 6/ 20 10 -0 6 Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 3 2 alcançando fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005, e manteve a responsabilidade solidária atribuída aos Senhores Sérgio dos Santos Amorim, Israel Amorim, Josiane Maria Maçaneiro Amorim e Rosilda de Abreu Amorim. A infração apontada pela fiscalização é omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Conforme consta dos autos, o procedimento fiscal se iniciou em 15/07/2009, em face da pessoa jurídica MS Indústria e Comércio de Componentes de Calçados Ltda., pessoa jurídica constituída em 2002 sob a denominação Irmãos Steil Comércio de Calçados Ltda., da qual os sócios fundadores se retiraram em 10/07/2002, com o ingresso de Maria Silveira de Abreu e Sonia Maria Geraldo. A partir de 25/11/2003 a sociedade passou a se denominar MS Indústria e Comércio de Componentes de Calçados Ltda. A intimação inicial para apresentar, entre outros documentos, os Livros Diário e Razão (ou Caixa), Registro de Entradas e Saídas, e Registro de Apuração do ICMS, todos relativos ao anocalendário de 2005 foi integralmente atendida pela fiscalizada, representada pela sócia Maria Silveira de Abreu. Em 14 de agosto de 2009 (fls. 173 a 175), a fiscalização informou à contribuinte (i) que dispunha de informações relativas à movimentação financeira efetuada no Banco do Brasil e no Bradesco, obtidas a partir dos valores de CPMF recolhidos em nome da empresa pelas referidas instituições financeiras; (ii) que constatou a ausência da escrituração de contas contábeis relacionadas à movimentação bancária do ano de 2005; (iii) que a movimentação financeira, no montante de R$ 10.112.641,20, mostrase incompatível com as receitas declaradas pela empresa em DIPJ, de apenas R$ l07.316,11. No mesmo ato, intimou a contribuinte a se manifestar acerca da falta de escrituração da movimentação bancária, e a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, poupança e de investimentos mantidas no Banco do Brasil e no Bradesco no ano de 2005. Em 4 de setembro de 2009 (fl. 176) a fiscalizada, representada pela outra sócia, Sonia Maria Geraldo, declarou não dispor de elementos a informar ou comprovar, com relação à escrituração das contas bancárias, e informou ter solicitado aos bancos cópias dos extratos bancários, os quais foram apresentados em 09/10/2009 (fls. 181 a 346). De posse dos extratos bancários, a fiscalização elaborou planilha identificando, de forma individualizada, os créditos efetuados nas contas bancárias movimentadas pela contribuinte, tendo desconsiderado resgates de aplicações financeiras, transferências entre contas de mesma titularidade, empréstimos, entre outros registros para os quais foi possível identificar a origem. Em 10 de novembro de 2009, por meio do Termo de Intimação n° 2 (fls. 678 a 680), a fiscalização informou a contribuinte acerca do disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e intimoua a apresentar justificativa, acompanhada de documentos comprobatórios, para todos os créditos listados na planilha fornecida (fls. 681 a 705), indicando a motivação e a origem dos valores. Nesse mesmo Termo de Intimação informou que havia constatado na escrituração da contribuinte, a existência de diversos lançamentos a débito da conta Caixa com o seguinte histórico: Aquisição [sic] conforme nota promissória, cuja contrapartida foi efetuada à conta Empréstimos de Terceiros, e intimoua a esclarecer tais lançamentos, e a apresentar Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 4 3 contratos relativos a tais empréstimos, as notas promissórias citadas nos lançamentos e a documentação comprobatória do recebimento dos recursos dos mutuantes. Em resposta, em 27/11/2009 a fiscalizada apresentou cópias de notas fiscais de saída emitidas no período entre 8 de abril de 2005 e 22 de novembro de 2005, a fim de justificar parte das movimentações bancárias. Quanto aos lançamentos efetuados na conta Caixa, afirmou que não tinha condições de esclarecêlos. No Termo de Verificação de Infração (fls. 995 a 1018) a fiscalização afirmou que das cópias de notas fiscais apresentadas "não permitem a individualização e a correlação com os créditos bancários, pois além de não identificar datas de recebimento das receitas; os valores não foram encontrados dentre os depósitos bancários listados.". Nesse mesmo termo, relatou que não encontrou a MS Indústria no endereço informado, juntando fotos do local (fls.353 a 357). A fiscalização também não encontrou indícios de funcionamento da MS. A Prefeitura de Canelinha informou que nos arquivos e assentos próprios da municipalidade não consta o registro da licença para localização da MS (fls.368), e na agência dos correios da cidade, a fiscalização foi informada de que as correspondências eram retiradas pessoalmente, por Andréia dos Santos e Josiane Amorim. Os avisos de recebimento juntados às fls. 29, 175 e 349 confirmam essa informação. Posteriormente, a fiscalização constatou que Andréia dos Santos é funcionária de outra pessoa jurídica, a Polivale Indústria e Comércio de Calçados Ltda., do mesmo ramo fabril, e que Josiane Amorim é esposa de um dos sócios da Polivale e filha da sócia da MS, Sonia Maria Geraldo. Em 18 de dezembro de 2009, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação nº 3 (fls. 728 e 729), por meio do qual a fiscalizada MS foi intimada a apresentar faturas de água e energia elétrica a partir do ano de 2005; lista de funcionários mantidos durante o ano de 2005; e lista de maquinário utilizado na produção, bem como notas fiscais de sua aquisição. A MS informou não possuir maquinário e não apresentou as faturas de água e energia elétrica, informando não têlas localizado. Em 18/01/2010 apresentou lista de funcionários em dezembro de 2005, juntada às fls. 942 a 958. Na cidade vizinha de São João Batista, no escritório do contador investido pela MS de poderes para representála perante a fiscalização, a autoridade fiscal examinou notas fiscais de entrada da empresa, constatando que o número de telefone impresso pelos fornecedores pertencia à Polivale, empresa também localizada em São João Batista (fls. 358 a 361). Ainda no escritório de contabilidade, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal (fls. 351 e 352), o qual reproduz depoimentos da sócia da MS, Sonia Maria Geraldo, e de sua filha, Josiane Maria Maçaneiro Amorim. Sonia Maria Geraldo declarou que nunca exerceu nenhuma função na MS, tampouco realizou alguma movimentação bancária, e que passou procuração para fins de gerenciamento da empresa e movimentação bancária a sua filha, Josiane Maria Maçaneiro Amorim. Josiane Amorim também prestou informações, que estão reproduzidas e comentadas pelo autor do procedimento no TVF. Em síntese, informa o TVF: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 5 4 Josiane declarou ser a responsável pela movimentação bancária da empresa MS, ao lado de Rosilda Amorim, filha de Maria Silveira de Abreu, e apresentou cópias das procurações outorgadas em 2002 e 2005 (fls. 43 e 44). A fiscalização constatou que Josiane Amorim e Rosilda Amorim são esposas dos sócios da POLIVALE, além de filhas das sócias da MS. Rosilda tem vínculo empregatício com a POLIVALE desde 01/08/2000 (fl. 1074), e no seu CPF informa o endereço eletrônico contasareceber@polivale.com.br (fl. 1073). Josiane foi empregada na POLIVALE de agosto de 2000 a maio de 2006 (fl. 1071), período em que a MS teve contas correntes bancárias movimentadas. No seu CPF informa o endereço eletrônico financeiro@polivale.com.br (fl. 1068). Josiane afirmou não se lembrar com certeza de quem realizou as operações financeiras da empresa durante o ano de 2005, mas os extratos mensais de investimento do Banco do Brasil (fls. 192 a 207), no ano de 2005, evidenciam que as transações eram efetuadas pela própria Josiane Maria Maçaneiro Amorim. Josiane afirmou que a MS funcionou na Avenida Areão até 2008, e que até meados de outubro de 2009 estava funcionando em Canelinha, na Avenida Cantório Florentino, 1500. No momento do depoimento a empresa estava paralisada e não funcionava no endereço. Havia 10 ou 11 funcionários, em processo de desligamento. No número 1500 da Avenida Cantório Florentino funciona uma farmácia (fls. 363 e 364). A fiscalização afirma que não há qualquer indício de que ali tenha funcionado a MS. Com relação aos empregados da MS, as verificações posteriores indicaram terem exercido suas atividades somente no endereço da POLIVALE. Josiane afirmou não saber onde estão os equipamentos da MS. De acordo com resposta ao Termo de Intimação Fiscal 03 (fl. 730), não há nenhuma comprovação de aquisição e uso de maquinário por parte da MS. Josiane informou que as correspondências enviadas pela Receita Federal foram retiradas da agência dos Correios por ela mesma ou pelo motorista da MS, mas não soube dizer o nome do motorista. Os avisos de recebimento juntados às fls. 29 e 175 evidenciam que, além de Josiane, Andréia dos Santos, funcionária da POLIVALE, também retirava na agência dos Correios correspondências destinadas à MS. Josiane não soube dizer o motivo pelo qual o telefone da POLIVALE consta em nota fiscal de entrada da MS. Josiane declarou que é casada com Sergio dos Santos Amorim, sócio da POLIVALE, que também fabrica solas de calçados. Declarou conhecer Israel Amorim, irmão de Sergio, também sócio da POLIVALE. A fiscalização aprofundou seu exame realizando diligências junto às seguintes empresas, que de algum modo se relacionaram com a MS: BASF POLIURETANOS (fls. 370 e Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 6 5 371), BRUSVIILE (fls. 566 e 567), VIASCARPA (fls. 656 e 657), e FERPAK FERACINI (fls. 370 e 371). A empresa BASF POLIURETANOS, revelouse fornecedora de matériaprima da MS. Em atendimento à intimação fiscal (fls. 373 a 564), apresentou relação de produtos vendidos à MS, e diversas notas fiscais e comprovantes de entrega das mercadorias. As mercadorias eram transportadas pela BRUSVIILE, e nas notas fiscais consta o telefone da POLIVALE como sendo da MS. Com relação aos dados cadastrais da MS, ressaltase o contato com Josiane, por telefone celular (fl. 564). A transportadora BRUSVIILE entregava mercadorias adquiridas pela MS. No primeiro atendimento à intimação fiscal (fls. 569 a 570), explicou que coletava os produtos vendidos pela BASF à MS, sendo entregues no endereço declinado nos conhecimentos de fretes (Av. Areão — Canelinha). Apresentou cópia de fatura do Banco do Brasil, onde consta o endereço de cobrança como sendo o da POLIVALE (fls. 575 e 576). Informou também quem recebia as mercadorias em nome da MS: Éderson Fernando e Airton Ferreira, funcionários da POLIVALE, conforme dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS juntados às fls. 572 e 573. No entanto, posteriormente, a BRUSVIILE emitiu a seguinte declaração de seu escritório em São João Batista (fl. 571): Declaro para os devidos fins e efeitos que a filial de São João Batista desde o ano de 2005 foi autorizada na época pelo encarregado da empresa POLIVALE IND COM DE SOLADOS LTDA que o que entrasse de mercadoria para a empresa MS IND. COM DE COMP PARA CALÇADOS era para ser entregue tudo na empresa Polivale Solados de São João Batista. Em atendimento à intimação fiscal (fls. 659 a 670), a VIASCARPA informou não ter adquirido produtos da MS em 2005, mas identificou as pessoas de contato para as compras a partir de 2008 (pedidos: Jaison; e financeiro: George). Além disso, informou os telefones e o endereço de email da POLIVALE, como sendo os de contato da MS. Quanto à empresa FERPAK FERACIM, a fiscalização identificou transferências bancárias que lhe foram destinadas a partir da conta da MS mantida no Bradesco, a exemplo da transferência efetuada no dia 11 de março de 2005, no valor de R$ 2.709,15 (fl. 183). Em atendimento à intimação fiscal (fl. 676), a FERPAK FERACINI afirmou não ter qualquer relação com a MS. Informou que no ano de 2005 prestou serviços de representação para a POLIVALE. No Termo de Verificação de Infração, a fiscalização relata que em 5 de março de 2010 realizou diversas entrevistas nas dependências da POLIVALE. Esses depoimentos, juntamente com dados cadastrais dos depoentes, encontramse às fls. 903 a 958, e são reproduzidos entre as páginas 8 e 12 do Termo de Verificação de Infração (fls. 1004 a 1008). A partir da análise dos fatos, documentos e depoimentos a fiscalização conclui ser inquestionável que a MS INDÚSTRIA, muito embora deixada em situação cadastral ativa, não consegue apresentar sequer uma prova de que teve capacidade operacional a partir de 2005, e que os elementos coletados no processo apontam inequivocamente para sua incapacidade operacional, em uma existência unicamente "no papel". Não existiu além de aspectos formais, não foi uma empresa no sentido .estrito da palavra, empregando capacidade Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 7 6 operacional, gestão e responsabilidade próprias. Os resultados empresariais a ela atribuídos não lhe pertencem, pois nada mais foram do que uma longa manus da POLIVALE, esta sim detentora de toda a estrutura física, de logística, de produção, de pessoas e de decisão, portanto a real contribuinte. Com apoio no inciso II do art. 28 da Instrução Normativa RFB n" 1.005/2010, procedeu à baixa de oficio da empresa MS e assentou: 38. Muito embora inexistente de fato, o nome da MS INDÚSTRIA se prestou a movimentar fluxos financeiros derivados da comercialização de mercadorias produzidas pela POLIVALE. Também é inconteste que os recursos originados foram então utilizados, via contas correntes da MS INDÚSTRIA, para pagamento de obrigações, despesas e insumos necessários às atividades da POLIVALE, como dão testemunho as diligências, os documentos e esclarecimentos levantados pela fiscalização. 39. É um caso típico de interposição fraudulenta, ocorrendo na situação em que a identidade do real sujeito passivo ou do seu responsável é encoberta pela figura de terceiros, muito embora tenha sido aquele que teve relação pessoal e direta com as .situações que constituíram os fatos geradores no decorrer de uni período, configurando, portanto, sua sujeição passiva, de acordo com o art. 121 do Código Tributário Nacional. 40. O intuito do uso de fachada da empresa MS INDÚSTRIA não pode ser outro senão o de afastar da POLIVALE a responsabilidade pelos fatos geradores relacionados ao faturamento de mercadorias de sua própria produção. 41. Mas, tendo sido desvelada tal fraude, e sendo da POLIVALE a relação pessoal e direta na responsabilidade pela movimentação financeira da empresa interposta MS INDUSTRIA, também sua é a obrigação de identificar e explicar as origens dos depósitos bancários efetuados nas contas de titularidade dessa última. É a previsão do § 5º do Art. 42 da Lei 9.430.: A fiscalização foi, então, direcionada para a POLIVALE com lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 18 de dezembro de 2009. Em 5 de março de 2010, a fiscalização reportou à POLIVALE todas as suas constatações em relação ao uso da MS como interposta pessoa, assim como a conclusão de que a POLIVALE foi a responsável direta pela movimentação financeira atribuída à MS, e intimou a para justificar e comprovar a origem dos créditos bancários listados em planilhas anexas à intimação. Em resposta, a Polivale disse não concordar com a acusação de utilização de interposta pessoa jurídica (como consta dos termos), uma vez que, embora tenham ligações comerciais e até familiares, as empresas têm personalidades jurídicas próprias e inconfundíveis, tratandose de negócios totalmente separados, mormente no que se refere à administração de seus recursos financeiros. Em vista disso, informava e confirmava a impossibilidade absoluta de efetuar qualquer justificativa no que tange aos créditos listados nas contas bancárias da MS, pois nãotinha e não tem qualquer tipo de controle sobre tais movimentações financeiras. Da mesma forma, informava não ter como relacionar quais são as Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 8 7 transferências entre contas da própria MS, pois tais informações são privativas daquela sociedade empresária, cuja movimentação financeira é por ela gerida e controlada. A fiscalização também intimou a POLIVALE a esclarecer se havia contratado serviços terceirizados junto à MS (Termo de Intimação Fiscal 02 — fls. 989 e 990), mas a Polivale nada esclareceu, e a fiscalização não encontrou qualquer menção à MS em seus Livros Contábeis e Fiscais. A fiscalização, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, considerou os valores creditados em contas bancárias da MS, e que restaram sem origem esclarecida, como sendo receita omitida pela POLIVALE, lavrando autos de infração para exigir os tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), impondo a multa qualificada. Para o ano de 2005, em que a POLIVALE optou pela apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real anual, foram também recalculadas as estimativas mensais, com inclusão das receitas omitidas, e sobre a diferença foi aplicada a multa isolada prevista no art. 44, § 1º da Lei n° 9.430, de 1996. Com base nos arts. 124, I e 135 do Código Tributário Nacional, a fiscalização atribuiu responsabilidade tributária solidária às seguintes pessoas: (i) Josiane Maria Maçaneiro Amorim, mandatária da MS INDÚSTRIA Operou a movimentação financeira da empresa a partir e no interesse da POLIVALE, na qual exercia função na área financeira. Também é citada como contato por • fornecedores da MS INDÚSTRIA. É casada com Sergio dos Santos Amorim, sócio e diretor da POLIVALE, na condição de administrador industrial (cláusula 8.1 do contrato social). (ii) Rosilda de Abreu Amorim, mandatária da MS INDÚSTRIA, exercendo função na área comercial da POLIVALE, casada com Israel Amorim, sócio e diretor da POLIVALE, na condição de administrador financeiro (cláusula 8.1 do contrato social). (iii) Sergio dos Santos Amorim, sócio e diretor industrial da POLIVALE, responsável maior pelas áreas de produção e almoxarifado, recebendo insumos destinados à MS INDÚSTRIA e realizando seu processamento empregando funcionários registrados na MS INDÚSTRIA. Citado nominalmente por empregados entrevistados, em especial pelo responsável da produção e pela responsável do setor de recursos humanos. (iv) Israel Amorim, sócio e diretor financeiro da POLIVALE, citado nominalmente pela responsável do setor de recursos humanos. Conduz os setores financeiro e comercial, incluindo a expedição de produtos saídos da POLIVALE com notas fiscais da MS INDÚSTRIA. No entendimento da fiscalização, "mesmo não se revestindo formalmente na condição de sócios da MS INDÚSTRIA, responsabilizaramse como mandatários, ou por funções e cargos ocupados na POLIVALE, de modo amplo e irrestrito pela realização dos negócios da empresa, vinculandose ativamente às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão". Em relação ao interesse comum das pessoas arroladas como responsáveis, a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN, a fiscalização assim se manifesta: Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 9 8 75. Os benefícios percebidos pela interposição praticada ficam obviamente claros quando se trata de pessoas da mesma família controladora da POLIVALE. Uma vez que a empresa se apropriou indevidamente de recursos que seriam devidos ao fisco se o real faturamento da empresa fosse declarado, seus resultados conseqüentes aos sócios também foram indevidamente aumentados, o que revela o "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação ". Quanto à subsunção do art. 135, a fiscalização aponta infração aos arts. 422 e 997, inciso I, todos do Código Civil (Lei n 2 10.406, de 2002) e a ocorrência de "grave infração à lei tributária, pela omissão intencional e contumaz do real faturamento no ano fiscalizado, e a conseqüente sonegação fiscal". Concluiu, afinal, que as pessoas relacionadas foram os verdadeiros sócios de fato, dirigentes e mandatários da MS INDÚSTRIA e exerceram a sua gerência no período fiscalizado, e que, por possuírem interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores e por infringirem dispositivos da lei civil e tributária, são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído na presente auditoria, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN. Por isso, foram lavrados Termas de Sujeição Passiva Solidária. Em impugnação tempestiva comum, a pessoa jurídica e os indicados como responsáveis solidários alegaram, inicialmente ilegalidade do procedimento deflagrado a partir da utilização dos dados financeiros da empresa MS, sem prévia autorização judicial. Em seguida, afirmam que pelo procedimento fiscal levado a efeito no ano de 2009, concluído em 2010, a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar a inexistência da MS no ano de 2005, quando a empresa encontravase em "pleno funcionamento e suas atividades, embora também voltadas ao fornecimento de produtos para a própria Polivale, eram exercidas de forma correta e de acordo com as leis. Contrapõe a investigação fiscal afirmando que: (i) A constatação da inexistência da sociedade no endereço declinado, com base em vistoria realizada neste ano de 2010 (mesmo porque o endereço foi alterado, conforme demonstrado pelas autoridades), não pode corroborar a declaração de inexistência de fato da MS. (ii) A mera irregularidade na obtenção de alvará de funcionamento junto à Prefeitura Municipal de Canelinha não representa evidência alguma de que a empresa não operava no local indicado, pois a MS mantinha sua inscrição no Cadastro de Contribuintes do Estado de Santa Catarina e no CNPJ sem qualquer restrição, operando normalmente em suas atividades de compra, processamento e venda de produtos destinados à indústria calçadista de São João Batista". (iii) A maioria dos depoimentos colhidos pela fiscalização referemse a depoentes que não exerciam qualquer atividade laboral para a MS INDÚSTRIA no exercício de 2005". E esses depoimentos não atestam qualquer situação fática ou jurídica da MS INDÚSTRIA no exercício de 2005, já que os depoentes, em sua grande maioria, foram admitidos ou prestaram serviços para a Polivale ou, no caso de prestação de serviços para a MS, se deu em exercícios posteriores ao fiscalizado. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 10 9 E concluem afirmando que "não merece ser mantido o presente auto de infração (consolidado), já que não há elementos probatórios suficientes para se confirmar a inexistência de fato da MS INDÚSTRIA e, portanto, atribuição de responsabilidade pessoal da POLIVALE". Contestam a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, defendendo que a forma de cálculo correta deveria ser a soma das receitas apuradas mensalmente, multiplicada pelo percentual indicado para a atividade desenvolvida pela contribuinte (no caso 8%), aplicandose sobre este resultado a alíquota correspondente prevista no então vigente Regulamento do Imposto de Renda". Segundo afirmado na impugnação, "se procedente a atribuição de receitas (decorrente de movimentação bancária) da MS à Polivale", as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL "deveriam ser apuradas mensalmente segundo a forma de tributação então adotada por esta empresa, sendo que a apuração anual do imposto devido, compensandose, se fosse o caso, os valores pagos a cada mês". E “na somatória do exercício, deveriam apurar o montante das receitas, deduzindose os custos de respectivos (no caso dos autos, todas as compras de matérias primas e insumos da MS INDÚSTRIA), pois, se foram atribuídas à POLIVALE todas as receitas e atividades da MS, também deveriam ter sido as despesas correspondentes, principalmente, notas fiscais de compra de matérias primas e insumos utilizados na produção/comercialização de seus próprios produtos.” Quanto à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, dizem os impugnantes que não foi observado o princípio da nãocumulatividade (a que estava sujeita a Polivale, no exercício fiscalizado) e que deveria ser apurado mensalmente o montante das notas fiscais de compras de matérias primas e insumos (conforme revelam as notas fiscais anexas), uma vez que a atribuição das receitas da MS à Polivale, por regra, também deveria fazer com que tais despesas lhe fossem atribuídas. Sobre a atribuição de solidariedade, afirmam que "não há no procedimento fiscal que deu origem ao presente auto de infração, qualquer elemento de prova que possa atestar com segurança que a empresa MS INDÚSTRIA não existia de fato no exercício de 2005 (mesmo que tenha paralisado suas atividades em 2009, como revelou uma das procuradoras em seu depoimento) e, sendo assim, também não se revela plausível a atribuição de solidariedade entre as procuradoras da citada empresa com a empresa POLIVALE e também seus sócios e esposos". Asseveram que tal atribuição não encontra respaldo jurídico nas disposições do artigo 124 do Código Tributário Nacional, pois não revelam interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores (se é que existiu tal interesse comum, foi entre as sociedades empresárias MS INDÚSTRIA e POLIVALE LTDA, não entre as pessoas físicas pelo simples fatos de constituírem laços familiares). Aduzem que, ainda que discutível, no caso presente poderseia atribuir a responsabilidade estampada no art. 135 do mesmo diploma legal, porém, no redirecionamento de eventual execução fiscal, caso o patrimônio da contribuinte (MS ou Polivale, se for o caso) não seja suficiente para quitar o montante do crédito tributário ou venham a ser extintas deforma irregular (o que não é o caso da Polivale, que arca com ônus social de manter mais de 200 famílias com suas atividades). Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 11 10 Contestam a multa isolada sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, no montante de R$ 538.153,20, porque não teria havido apuração correta do tributo, pois não foram considerados os custos com a compra de matérias primas e insumos. Ressaltou que o fundamento legal para imposição da multa isolada indicado no auto de infração é o artigo 44, §. inciso IV da Lei nº 9.430/1996, não podendo ser utilizado para lançamento fatos ocorridos anteriormente à sua vigência. Invocou, ainda, a impossibilidade de aplicação concomitante da multa isolada coma multa proporcional. Requerem, afinal sejam julgados improcedentes os autos de infração ou, se julgados procedentes, seja determinada a apuração do montante dos tributos devidos, com a apuração do imposto de renda, adicional contribuição social com bases nas estimativas mensais e, ao final do período, reconhecidas as despesas apuradas em levantamento contábil das notas fiscais de compras de matérias primas e insumos, com determinação dos reais valores devidos pela Impugnante Polivale, o mesmo ocorrendo com a apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, uma vez que em face da tributação pelo lucro real, deveriam ser apuradas sob a forma não cumulativa. Requereu a realização de perícia contábil, afim de se apurar o montante das bases de cálculo efetivamente devidas. A Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve a atribuição de responsabilidade solidária às pessoas arroladas, em decisão que ostenta a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO EFETUADO EM FACE DA VERDADEIRA CONTRIBUINTE. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, fica esta última sujeita ao lançamento fiscal na condição de contribuinte. LUCRO REAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. CONTABILIDADE PARALELA. INADMISSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DE DUAS ESCRITURAÇÕES CONTÁBEIS. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e Fiscais. E inadmissível a dedução de custos e despesas que não estejam devidamente registradas na contabilidade da contribuinte. Comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, a escrituração mantida pela pessoa jurídica interposta deve ser desconsiderada. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Contribuintes que deixarem de recolher, no curso do anocalendário, as parcelas devidas a título de antecipação (estimativa) do IRPJ sujeitamse à multa de ofício de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ apurado no ajuste anual, não pago no vencimento, por não Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 12 11 possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. Em vista disso, o lançamento da multa isolada é compatível com a exigência de tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de oficio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. São solidariamente responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a interposição de pessoa jurídica com vistas a reduzir o pagamento de tributos e a ocultar a verdadeira contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.. A ciência da decisão ocorreu em 01/04/2011 (sexta feira), e o recurso foi protocolizado em 03 de maio (terça feira), reeditando as razões declinadas na impugnação, e alegando cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia. É o relatório.. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na sua peça recursal, os interessados nada aduziram, além do trazido na impugnação, limitandose a reeditála. A decisão recorrida analisou criteriosamente as razões de bloqueio trazidas pelos interessados, após organizálas em seis tópicos, a saber: (1) questionam a legalidade do procedimento fiscal, em razão de as autoridades terem, antecipadamente, quebrado o sigilo bancário da MS; (2) contestam a conclusão da fiscalização acerca da inexistência de fato da MS INDÚSTRIA e, portanto, a atribuição da omissão de receita à POLIVALE; Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 13 12 (3) defendem que a fiscalização deveria ter considerado os custos relativos a compras de matérias primas e insumos da MS INDÚSTRIA; (4) contestam a atribuição de responsabilidade tributária solidária aos sócios da POLIVALE e suas respectivas esposas; (5) se insurgem contra a aplicação da multa isolada; e (6) requerem a realização de perícia contábil, a fim de apurar o montante das bases de cálculo efetivamente devidas, caso mantido o auto de infração. Sobre o primeiro tópico acima, em que o contribuinte suscita ilegitimidade de obtenção de informações financeiras sem autorização judicial, vale lembrar que este tribunal administrativo não tem competência para analisar questões relacionadas à constitucionalidade, cabendolhe, exclusivamente, julgar a legalidade do lançamento. E a requisição da movimentação financeira diretamente pela Receita Federal, independentemente de autorização judicial, encontra respaldo legal inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que excepciona da caracterização de violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos, entre outros, no artigo 6o, que autoriza o exame de registros referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras pelos agentes fiscais, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Contudo, no presente caso, sequer se concretizou a obtenção das informações através da instituição financeira. A fiscalização detectou movimentação financeira incompatível com a receita declarada pela MS através das informações relativas à CPMF, que lhe eram prestadas em conformidade com o § 2º do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. A partir dessa constatação, intimou a empresa a apresentar os extratos, no que foi atendida. Sobre a alegação de que não há elementos probatórios suficientes para se confirmar a inexistência de fato da MS INDÚSTRIA, nada a acrescentar à criteriosa análise feita pelo julgador a quo, a quem peço vênia para reproduzir e subscrever suas considerações: “ Segundo a impugnante, no ano de 2005 a MS encontravase em "pleno funcionamento e suas atividades, embora também voltadas ao Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 14 13 fornecimento de produtos para a própria Polivale, eram exercidas de forma correta e de acordo com as leis comerciais, civis e tributárias vigentes". Para a impugnante, em procedimento levado a efeito no ano de 2009, concluído em 2010, a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar a inexistência da MS: A constatação da inexistência da sociedade no endereço declinado, com base em vistoria realizada neste ano de 2010 (mesmo porque o endereço foi alterado, conforme demonstrado pelas autoridades), não pode corroborar a declaração de inexistência de fato da MS. Quanto à verificação junto à Prefeitura Municipal de Canelinha, a impugnante afirma que "a mera irregularidade na obtenção de alvará de funcionamento, não representa evidência alguma de que a empresa não operava no local indicado, pois como indicado no procedimento fiscal epigrafado, mantinha sua inscrição no Cadastro de Contribuintes do Estado de Santa Catarina e no CNPJ sem qualquer restrição, operando normalmente em suas atividades de compra, processamento e venda de produtos destinados à indústria calçadista de São João Batista". Embora a impugnante afirme que no ano de 2005 a MS encontravase em pleno funcionamento, à fiscalização não foi demonstrada qualquer capacidade operacional. As representantes da empresa não apresentaram faturas que evidenciassem ao menos o consumo de água ou energia elétrica. Para a fiscalização, foi informado que a empresa (uma indústria) não possuía máquinas. Nem mesmo o serviço dos Correios atendia a empresa em seu endereço. O fato de a MS ter mantido ativo seu cadastro junto aos Fiscos federal e estadual apenas comprova que a empresa existia "no papel". Por outro lado, perante o Poder Público Municipal, justamente o responsável pela concessão de licença para localização e autorização para funcionamento, a empresa nunca existiu. Quanto aos depoimentos colhidos pela fiscalização, a impugnante afirma que a maioria dos depoentes "não exercia qualquer atividade laboral para a MS INDÚSTRIA no exercício de 2005". Depois de fazer referência a fatos relacionados a Leonardo Silveira Dallagnol, Airton Ferreira, Andréia dos Santos, George Alberto Piazza, Júlio César Rodrigues, Adriana Mariano, e Edinilson Marcos da Silva, afirma que: Dessa forma, observando atentamente os depoimentos prestados às autoridades fiscais que lavraram o auto de infração sob ótica, conclui se que os efeitos que lhe foram atribuídos (como provas) não merecem ser mantidos por este r. órgão de julgamento, uma vez que não atestam qualquer situação (fática ou jurídica da MS INDÚSTRIA no exercício de 2005, já que em sua grande maioria foram admitidos ou prestaram serviços para a Polivale ou, no caso de prestação de serviços para a MS, se deu em exercícios posteriores ao fiscalizado. Em análise à argumentação acima, notase que a impugnante defende a desqualificação dos depoimentos colhidos pela fiscalização em razão de os entrevistados, no ano de 2005, não terem exercido atividade laboral para a MS. Ora, é justamente esse o motivo pelo qual tais depoimentos corroboram a conclusão da fiscalização. Sendo Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 15 14 funcionários da POLIVALE, a impugnante não esclareceu (a) por que retiravam correspondências da MS na agência dos Correios (caso de Andréia dos Santos, conforme ela própria reconheceu — fl. 904); (b) por que recebiam mercadorias destinadas à MS (caso de Éderson Fernando e de Airton Ferreira, conforme atestou a BRUSVILLE); ou, ainda, (c) por que junto a clientes da MS seus nomes constavam como contatos para compras (caso de Jaison Valle e George Alberto Piazza, conforme informações fornecidas pela VIASCARPA). Em seu depoimento à fiscalização (fl. 919), Airton Ferreira confirmou que foi empregado da POLIVALE em 2005 e 2006. Reconheceu sua assinatura em conhecimento de transporte que acompanhava mercadorias destinadas à MS, e confirmou que entregas destinadas à MS eram descarregadas no pátio da POLIVALE. Júlio César Rodrigues (fl. 924) afirmou que antes de ser admitido pela POLIVALE, era funcionário da MS. Informou que sua admissão na MS foi efetuada por Giovana (Giovana Meiri Ruberti, coordenadora de Recursos Humanos da POLIVALE) e ocorreu na sala do RH da POLIVALE. Afirmou que nunca trabalhou nas dependências da MS. Giovana Meiri Ruberti (fls. 913 e 914) descreveu como se deu a contratação de funcionários da MS, e declarou que a POLIVALE imprimia o ponto e gerava a folha de pagamentos de funcionários da MS. Rogério Gonçalves Cordeiro (fl. 934) também declarou à fiscalização que antes de ser admitido pela POLIVALE, era funcionário registrado pela MS, trabalhando no mesmo setor e fazendo o mesmo trabalho. Nessa condição (de funcionário da MS), afirmou que nunca trabalhou nas dependências da MS. Afirmou que em 2005, através do rádio, foi orientado a comparecer na POLIVALE para buscar vaga de trabalho na MS. Adriana Mariano (fl. 937) declarou à fiscalização que desde 2006 ou 2007 trabalha no setor de injetoras da POLIVALE, mas que antes de janeiro de 2010 estava registrada na MS. Afirmou que, mesmo quando registrada na MS, sempre trabalhou no mesmo local (o setor de injetoras da POLIVALE). Afirmou ainda que nunca trabalho nas dependências da MS. Edinilson Marcos da Silva (fl. 939) declarou que é o encarregado de produção da POLIVALE desde 1996. Afirmou que supervisionava funcionários da MS que trabalhavam em seu setor, antes de serem registrados na POLIVALE. Portanto, os depoimentos colhidos corroboram a conclusão da fiscalização. Em verdade, a impugnante não conseguiu refutar ou esclarecer diversos elementos trazidos aos autos que apontam numa só direção: a MS não existia de fato. Senão, vejamos: • no período fiscalizado, funcionária do setor financeiro da POLIVALE movimentava contas bancárias da MS; • a MS, supostamente uma indústria, não possuía maquinário; Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 16 15 • a MS não comprovou consumo de água ou energia elétrica, • a MS não requereu licença para funcionamento junto à Prefeitura de Canelinha; • correspondências destinadas à MS eram retiradas na agência dos Correios por funcionários da POLIVALE; • a admissão de funcionários da MS era efetuada nas dependências da POLIVALE, por funcionária do RH da POLIVALE; • funcionários registrados na MS nunca estiveram em suas dependências, e declararam que, durante todo o período em que mantiveram essa condição, trabalharam em instalações da POLIVALE; • o RH da POLIVALE gerava a folha de ponto e o pagamento dos funcionários da MS; • mercadorias destinadas à MS eram descarregadas no pátio da POLIVALE; • o endereço da POLIVALE consta como endereço de cobrança da MS no cadastro mantido junto à transportadora BRUSViLLE; • em notas fiscais, o telefone da POLIVALE consta como sendo o telefone da MS; • clientes da MS informaram nomes de funcionários da POLIVALE como contato para compras; • no período fiscalizado, o representante comercial da POLIVALE recebeu transferências bancárias que partiram de conta da MS. Diante desse extenso quadro de fatos, é evidente que MS INDÚTRIA E COMÉRCIO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA. inexistia de fato. Correta, portanto, a conclusão da fiscalização, exposta no Termo de Verificação de Infração e abaixo reproduzida: 38. Muito embora inexistente de fato, o nome da MS INDÚSTRIA se prestou a movimentar fluxos financeiros derivados da comercialização de mercadorias produzidas pela POLIVALE. Também é inconteste que os recursos originados foram então utilizados, via contas correntes da MS INDÚSTRIA, para pagamento de obrigações, despesas e insumos necessários às atividades da POLIVALE, como dão testemunho as diligências, os documentos e esclarecimentos levantados pela fiscalização. 39. É um caso típico de interposição fraudulenta, ocorrendo na situação em que a identidade do real sujeito passivo ou do seu responsável é encoberta pela figura de terceiros, muito embora tenha sido aquele que teve relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores no decorrer de um período, configurando, portanto, sua sujeição passiva, de acordo com o art. 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 17 16 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: 1 contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Ante o exposto, ao contrário do que alega a impugnante, de ser mantido o presente auto de infração, já que há elementos probatórios suficientes que confirmam a inexistência de fato da MS INDÚSTRIA, bem assim a condição de contribuinte da POLIVALE em relação aos fatos apurados pela fiscalização e levados à tributação no presente processo. A tão alentada análise, despiciendo acrescentar qualquer consideração. O terceiro tópico de defesa referese ao pleito de consideração dos custos relativos a compras de matérias primas e insumos da MS INDÚSTRIA. A decisão recorrida assim apreciou a matéria: (...) entendo que não assiste razão à impugnante. Em consequência da interposição perpetrada pela POLIVALE, podese afirmar que a autuada mantinha uma escrituração contábil e fiscal paralela, em nome da MS. E, em razão de ter sido comprovada a inexistência de fato da MS, essa escrituração paralela (mantida em nome da MS) foi toda ela desconsiderada pela fiscalização. Não somente os custos e despesas foram desconsiderados, mas também todos os outros fatos contábeis ali registrados, tais como as receitas operacionais e os ingressos no caixa a título de empréstimos. As receitas omitidas, objeto do lançamento fiscal, aferidas por presunção a partir de depósitos bancários efetuados em contas mantidas em nome da interposta MS, foram tributadas na verdadeira contribuinte (POLIVALE) por força de expressa disposição legal (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 5 2). Portanto, ressaltese, a escrituração contábil e fiscal mantida em nome da MS foi toda ela desconsiderada pela fiscalização. Destarte, os custos ora reclamados pela impugnante POLIVALE, por não se encontrarem registrados em sua escrituração contábil e fiscal, não podem ser utilizados para fins de dedução da base de cálculo dos tributos lançados. 0 direito à dedução de custos pressupõe seu regular registro na escrituração contábil da contribuinte sujeita ao regime de tributação do Lucro Real, conforme estabelecem os seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda (destaques acrescidos): Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escriturarão com observância das leis comerciais e fiscais. Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 18 17 Art. 269. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em r4mistro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração. As notas fiscais trazidas junto com a impugnação da POLIVALE foram emitidas em nome da MS e encontramse registradas na escrituração contábil e fiscal da MS. Portanto, são estranhas à contabilidade da POLIVALE, razão pela qual não se prestam como suporte documental para a dedução ora pleiteada. Da mesma forma, notas fiscais emitidas em nome da MS e registradas na escrituração contábil e fiscal da MS não se prestam como suporte hábil e idôneo para fins de cálculo dos créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, comprovada a interposição de pessoa jurídica com vistas a ocultar a verdadeira contribuinte, a escrituração mantida pela pessoa jurídica interposta deve ser desconsiderada. Diante disso, é juridicamente inviável a dedução de custos e a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, requeridas pela impugnante. Nesse ponto, entendo que a análise feita pela decisão a quo merece reflexão, senão vejamos. Uma coisa é investigar o lucro real de um contribuinte, o que deve ser feito a partir de sua escrituração mantida de acordo com observância das leis comerciais e fiscais. Outra é considerar que determinada empresa não existe de fato, constituindose em laranja de outra, a verdadeira e operativa. Se a fiscalização comprova, mediante prova indireta, que a MS não existia, e que quem efetivamente operava era a Polivale, e conclui que os resultados empresariais a ela atribuídos não lhe pertencem, pois nada mais foram do que uma longa manus da POLIVALE, esta sim detentora de toda a estrutura física, de logística, de produção, de pessoas e de decisão, portanto a real contribuinte, é óbvio que não só as receitas da MS devem ser atribuídas à Polivale, mas também o custo comprovado das matérias primas que estiver contabilizado em nome da MS. No caso, a fiscalização obteve, dos fornecedores, as cópias das notas fiscais de matérias primas e insumos, e essas notas fiscais estão registradas no Livro Diário da MS, juntado por cópia às fls. 50 a 104. Se a MS não existe, esse livro, de fato, deve ser considerado como utilizado para registrar operações da Polivale. Desconsiderar tais custos comprovados e contabilizados corresponde a utilizar o tributo como sanção por ato ilícito, o que viola sua própria definição prevista no art. 3° do CTN. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.002506/201006 Resolução nº 1301000.197 S1C3T1 Fl. 19 18 Nesse passo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização elabore demonstrativo das exigências revistas, após deduzir da matéria tributável referente ao IRPJ e à CSLL os custos relativos às notas fiscais de compras de matérias primas e insumos constantes dos autos, bem como após utilizar essas mesmas notas para fins de aplicar o regime de não cumulatividade referente ao PIS e à Cofins. Ao final, intimese o contribuinte, para querendo, se manifeste acerca da diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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