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Numero do processo: 13706.002070/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN.
MULTA. PENALIDADE. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. STJ-RESP nº 923.012/MG. ART. 62, §2º, DO RICARF.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN. MULTA. PENALIDADE. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. STJ-RESP nº 923.012/MG. ART. 62, §2º, DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN. MULTA. PENALIDADE. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. STJRESP nº 923.012/MG. ART. 62, §2º, DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 20 70 /2 00 7- 81 Fl. 489DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores da totalidade das contribuições previdenciárias devidas no período. Entre as verbas omitidas foram apontadas: remunerações pagas a segurados sem vínculo empregatício, auxílio filhos excepcionais, abonos indenizatórios de acordos coletivos, participação nos lucros e resultados e salário maternidade. Segundo Relatório Fiscal, em agosto de 2001, a Contribuinte incorporou outras 15 empresas do ramo de telecomunicações. Durante processo de fiscalização foi constatada a irregularidade apontada, tendo sido esclarecido que foi aplicado um AI referente a cada incorporada e um referente à incorporadora em função da necessidade de observar o número de segurados por empresa, de forma a aplicar o limite do art. 284, I e II, do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS). A observância deste limite se deu por empresas separadamente até 07/2001, data da incorporação. A partir de 08/2001, foi considerada a empresa como um todo. Apesar da separação acima, todos os autos de infração foram lavrados no CNPJ da contribuinte Telemar registrada sob o CNPJ 33.000.118/000179. O presente AI (DEBCAD 35.576.7619) referese à incorporada Telecomunicações do Pará S.A. Telepará (CNPJ 04.815.411/000196), tendo a apuração compreendido o período de 01/1999 a 12/2004. Consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (efls. 38) as seguintes NFLD's: 35.576.7694, 35.576.7643, 35.576.7651, 35.576.7660, 35.576.7678, 35.576.7686 e 35.576.7708. Intimado a contribuinte apresentou impugnação (efls. 110) defendendo a decadência parcial do lançamento com base no art. 150, §4º do CTN e ilegitimidade passiva Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 490 3 haja vista a impossibilidade cobrança de multa da sucessora por infrações praticadas pela sucedida nos termos do art. 132 do CTN. No mérito pugna pela exclusão da multa uma vez que houve o pagamento das parcelas relativas aos contribuintes individuais e salário maternidade e pelo fato das demais verbas apuradas não integrarem a base de cálculo da contribuição. O auto de infração foi mantido pela Secretaria da Receita Previdenciária. Em sede de recurso voluntário o Contribuinte reitera seus argumentos de defesa. A 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso para declarar, com base no art. 150, §4º do CTN, a decadência dos crédito constituídos até 06/2000, afastar a multa aplicada em razão do art. 132 do CTN e fixar, pelo princípio da retroatividade benigna do art. 106, II do CTN, o calculo da multa segundo a redação do art. 32A da Lei nº 11.941/09. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. PENALIDADE.MULTA MAIS BENÉFICA. Na forma da Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração."Tratandose não de obrigações de pagar mas de fazer ou de não fazer, não há que se falar em exigência de pagamentos antecipados ou de prestações antecipadas. Entretanto, por acessórias e diretamente vinculadas à obrigações principais, convertidas nestas apenas relativamente à penalidade pecuniária, qualquer pagamento de obrigações principais, strictu sensu, no mesmo período autuado faz lícito exortar a súmula n° 99 do CARF estendendose a exegese para as multas de descumprimento de obrigações acessórias nas mesmas competências autuadas. Nas hipóteses de incorporação, o art. 132 Código Tributário Nacional CTN prevê que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação, ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato de INCORPORAÇÃO. Penalidade não é tributo. Penalidade é sanção que se impõe ao infrator diretamente responsável O inciso II, "c" do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose Fl. 491DF CARF MF 4 de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na hipótese de o contribuinte deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32, o cálculo da multa aplicada com o disposto no parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91, sofreu nova redação na forma do comando expresso § 9o da Lei nº 11.941, de 2009, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A da Lei. Recurso Voluntário Provido Intimada do acórdão a Fazenda Nacional, citando como paradigma o acórdão 2401.003650, apresentou recurso especial visando rediscutir os seguintes temas: 1) termo inicial da contagem do prazo decadência para lançamento de ofício de obrigação acessória vinculada à obrigação principal: aplicação do art. 173, I do CTN; 2) exigência de multa punitiva à sucessora nos casos de lançamento lavrado após a incorporação: aplicação do art. 62A face decisão proferida pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo; e 3) aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades lançadas: aplicação do Parecer PGFN/CAT nº 433, de 2009. Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos regimentais razão pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade, dele conheço. Passamos à análise pontual dos temas devolvidos: Da decadência: É sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência da obrigação principal essa em algum momento foi devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício da multa pelo respectivo descumprimento do dever instrumental, multa essa que nos termos do art. 113, §3º do mesmo diploma assumirá a natureza de obrigação principal. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 491 5 A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade, devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN ainda que tenha havido o pagamento parcial do crédito relacionado à obrigação principal. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Cito ainda esclarecimentos feitos pela mesma Conselheira no acórdão 9202 004.448, no que tange a competência relativa ao 13º salário: Notese que, a apreciação da decadência a luz do art. 173 do CTN que descreve: "O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", deve levar em consideração que a data limite para entrega da GFIP. Nesse sentido, convém verificar nos normativos próprio da GFIP Manual da GFIP, versão 8.4, qual a data para apresentação: A GFIP/SEFIP é utilizada para efetuar os recolhimentos ao FGTS referentes a qualquer competência e, a partir da competência janeiro de 1999, para prestar informações à Fl. 493DF CARF MF 6 Previdência Social, devendo ser apresentada mensalmente, independentemente do efetivo recolhimento ao FGTS ou das contribuições previdenciárias, quando houver: a) recolhimentos devidos ao FGTS e informações à Previdência Social; b) apenas recolhimentos devidos ao FGTS; c) apenas informações à Previdência Social. O arquivo NRA.SFP, referente ao recolhimento/declaração, deve ser transmitido pelo Conectividade Social até o dia sete do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, creditada ou se tornou devida ao trabalhador e/ou tenha ocorrido outro fato gerador de contribuição ou informação à Previdência Social. Caso não haja expediente bancário, a transmissão deve ser antecipada para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. O arquivo NRA.SFP, referente à competência 13, destinado exclusivamente à Previdência Social, deve ser transmitido até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. Dessa forma, tanto a entrega da GFIP da competência dezembro como do 13º salário, em matéria previdenciária, somente vence no dia 07 e 31 do mês subsequente, ou seja, aproximadamente 07 e 31 de janeiro do ano seguinte (a depender se é dia útil ou não). Nesse sentido, a competência dezembro e 13º salário, só terá o prazo para lançamento (autuação) iniciado no dia 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado o tributo ou aplicada a multa correspondente. Assim, tendo a Contribuinte sido intimada do lançamento em 12.07.2005, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 12/2004, com base no art. 173, I do CTN, estão atingidas pela decadência as competências de 01/1999 a 11/1999, inclusive. Da multa: No que tange a divergência relativa a exigência de multa punitiva à sucessora nos casos em que o lançamento se dá após a incorporação, em que pese toda a discussão travada nos autos o que temos hoje é a existência de decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 923.012/MG sob a sistemática dos recursos repetitivos cujo trânsito em julgado se seu em 04.06.2013. O tribunal superior firmou a seguinte tese: Tema 382: A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Vale transcrever a parte da ementa que nos interessa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 492 7 OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... O Ministro Napoleão Nunes Maia Filho ao analisar embargos de declaração opostos pelo contribuinte, afastando qualquer dúvida quanto ao alcance da decisão, assim se manifestou: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. Fl. 495DF CARF MF 8 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Assim, pela força vinculante da decisão proferida pelo Tribunal Superior, resta a este Colegiado cumprir a determinação do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 493 9 Diante do exposto, ao caso concreto deve ser aplicado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, pacificado por meio do REsp nº 923.012/MG. Da retroatividade benigna: Por fim, quanto a controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 497DF CARF MF 10 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 494 11 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 499DF CARF MF 12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 495 13 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 501DF CARF MF 14 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13706.002070/200781 Acórdão n.º 9202006.516 CSRFT2 Fl. 496 15 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Vale destacar, conforme consta do relatório que o presente lançamento está atrelado aos seguintes processos: Embora ainda não haja decisão definitiva em relação ao processo 37280.000871/200638, quanto aos demais débitos as informações constantes no sítio do CARF apontam a manutenção parcial dos valores lançados, fato que nos permite fixar a tese que será aplicada em relação ao cálculo da multa sem trazer quaisquer prejuízos às partes. Assim, diante do exposto, deve a multa ser recalculada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, destacando a necessidade de sua redução ao valor previsto no art. 32A, I, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos períodos em que a obrigação principal tenha sido totalmente alcançada pela decadência. Conclusão: Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri NFLD Processo Descrição 35.576.7678 12045.000559/200787 participação nos lucros/resultados 35.576.7686 37280.000871/200638 Auxílio Filhos Excepcionais, Auxílio Material Escolar, Complemento AuxílioDoença e Abonos Indenizatórios. 35.576.7694 15374.002950/200944 Contribuintes Individuais 35.576.7643 37280.001940/200540 saláriomaternidade. Fl. 503DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000665/2010-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2803-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais. Havendo documentos a juntar, realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (presidente à época do julgamento), Gustavo Vettorato (Relator), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais. Havendo documentos a juntar, realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (presidente à época do julgamento), Gustavo Vettorato (Relator), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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Numero do processo: 14751.000133/2007-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
Numero da decisão: 9101-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.916043/2011-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 28/02/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 28/02/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.916043/201183 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.148 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 28/02/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 43 /2 01 1- 83 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916043/201183 Acórdão n.º 9303006.148 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.814, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916043/201183 Acórdão n.º 9303006.148 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916043/201183 Acórdão n.º 9303006.148 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916043/201183 Acórdão n.º 9303006.148 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916043/201183 Acórdão n.º 9303006.148 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005005/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 05 /2 00 9- 01 Fl. 220DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.225.9871, lavrado contra a empresa supra identificada, consolidado em 18/11/2009, no valor total de R$ 19.852,58 (dezenove mil, oitocentos e cinqüenta e dois reais, e cinqüenta e oito centavos), referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, relativas a competências de 01/2004 a 12/2004. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 12/03/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.156 (fls. 171/187), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para: a) decotar do lançamento as competências 01/2004 a 10/2004; b) aplicar a multa, caso seja mais benéfica, prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91; c) excluir do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxílio alimentação”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS. DECADÊNCIA PARCIAL. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto nº. 3.048/99. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.005005/200901 Acórdão n.º 9202006.440 CSRFT2 Fl. 3 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 11/09/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 03/10/2013, Recurso Especial (fls. 189/200). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 22/03/2016 (fls. 201/204). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2803002.156, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 21/07/2016, o contribuinte apresentou , em 03/08/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 212/217). Em suas contrarrazões alega que a multa pela não entrega da GFIP ou de sua entrega contendo incorreções era prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/1991, redação dada pela Lei nº 9.528/1997, que estabelecia 100% do valor devido relativo à contribuição previdenciária não declarada, limitada a um teto previsto na lei, caso fosse entregue com incorreções e variável à quantidade de empregados, na hipótese de não entrega da GFIP; e que, com a advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009), esse artigo foi revogado, acrescendo o art. 32A que fixou as seguintes multas: R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, e 2% do valor da contribuição informada por mês, limitada a 20%, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo. Acrescenta que o novo texto legal estabelece, ainda, que as multas poderão ser reduzidas pela metade, quando a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício ou em 25% quando apresentada no prazo fixado em intimação. E Fl. 222DF CARF MF 4 lembra ainda que a multa mínima é de R$ 200,00 por falta de entrega de declaração sem movimento ou de R$ 500,00 nos demais casos. Diz que tal regra decorre do entendimento de que a nova regra, mais benéfica, é aplicável apenas nos casos de falta de pagamento e não de falta de entrega da declaração. Ressalta que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em análise de determinado Recurso Especial, esclareceu que a norma previdenciária estabeleceu três espécies de multa: multa por descumprimento de obrigação acessória: redação original (§5º, art. 32) e redação atual (incisos I e II, art. 32A); multa de mora: redação original (art. 35) e redação atual (art. 35); multa de ofício: redação original (sem previsão) e redação atual (art. 35A). É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.005005/200901 Acórdão n.º 9202006.440 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 201. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Para se contrapor ao Recurso especial, traz o sujeito passivo em sede de contrarrazões: Em suas contrarrazões alega que a multa pela não entrega da GFIP ou de sua entrega contendo incorreções era prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/1991, redação dada pela Lei nº 9.528/1997, que estabelecia 100% do valor devido relativo à contribuição previdenciária não declarada, limitada a um teto previsto na lei, caso fosse entregue com incorreções e variável à quantidade de empregados, na hipótese de não entrega da GFIP; e que, com a advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009), esse artigo foi revogado, acrescendo o art. 32A que fixou as seguintes multas: R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, e 2% do valor da contribuição informada por mês, limitada a 20%, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo. Acrescenta que o novo texto legal estabelece, ainda, que as multas poderão ser reduzidas pela metade, quando a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício ou em 25% quando apresentada no prazo fixado em intimação. E lembra ainda que a multa mínima é de R$ 200,00 por falta de entrega de declaração sem movimento ou de R$ 500,00 nos demais casos. Diz que tal regra decorre do entendimento de que a nova regra, mais benéfica, é aplicável apenas nos casos de falta de pagamento e não de falta de entrega da declaração. Ressalta que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em análise de determinado Recurso Especial, esclareceu que a norma previdenciária estabeleceu três espécies de multa: multa por descumprimento de obrigação acessória: redação original (§5º, art. 32) e redação atual (incisos I e II, art. 32A); multa de mora: redação original (art. 35) e redação atual (art. 35); Fl. 224DF CARF MF 6 multa de ofício: redação original (sem previsão) e redação atual (art. 35A). Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19515.005005/200901 Acórdão n.º 9202006.440 CSRFT2 Fl. 5 7 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 226DF CARF MF 8 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19515.005005/200901 Acórdão n.º 9202006.440 CSRFT2 Fl. 6 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 228DF CARF MF 10 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.005005/200901 Acórdão n.º 9202006.440 CSRFT2 Fl. 7 11 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 230DF CARF MF 12 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000499/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2003
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INSUMO. NÃO CONDIZ COM A ATIVIDADE DA RECORRENTE.
Anular uma decisão por ela apenas tratar de um insumo que não condiz com a atividade da Recorrente é desatender ao princípio da instrumentalidade das formas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA.
Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma.
INSUMOS. COMBUSTÍVEL. ENERGIA ELÉTRICA.
A Lei nº 10.276, de 2001, foi expressa ao incluir a energia elétrica e o combustível na base de cálculo do crédito presumido. No caso, a fiscalização concedeu a energia elétrica e o combustível no período em que o regime foi eleito.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIA-PRIMA. PESSOAS FÍSICAS. COOPERATIVAS.
De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhece-se o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matéria-prima de pessoas físicas e cooperativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito presumido de IPI sobre as aquisições de não contribuintes pessoas físicas e cooperativas
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INSUMO. NÃO CONDIZ COM A ATIVIDADE DA RECORRENTE. Anular uma decisão por ela apenas tratar de um insumo que não condiz com a atividade da Recorrente é desatender ao princípio da instrumentalidade das formas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. INSUMOS. COMBUSTÍVEL. ENERGIA ELÉTRICA. A Lei nº 10.276, de 2001, foi expressa ao incluir a energia elétrica e o combustível na base de cálculo do crédito presumido. No caso, a fiscalização concedeu a energia elétrica e o combustível no período em que o regime foi eleito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIA-PRIMA. PESSOAS FÍSICAS. COOPERATIVAS. De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhece-se o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matéria-prima de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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INSUMO. NÃO CONDIZ COM A ATIVIDADE DA RECORRENTE. Anular uma decisão por ela apenas tratar de um insumo que não condiz com a atividade da Recorrente é desatender ao princípio da instrumentalidade das formas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. INSUMOS. COMBUSTÍVEL. ENERGIA ELÉTRICA. A Lei nº 10.276, de 2001, foi expressa ao incluir a energia elétrica e o combustível na base de cálculo do crédito presumido. No caso, a fiscalização concedeu a energia elétrica e o combustível no período em que o regime foi eleito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIAPRIMA. PESSOAS FÍSICAS. COOPERATIVAS. De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhecese o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matériaprima de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 04 99 /2 00 4- 21 Fl. 3306DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito presumido de IPI sobre as aquisições de não contribuintes pessoas físicas e cooperativas (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 3156 e seguintes1: O contribuinte em epígrafe apresentou os pedidos de ressarcimento do IPI/Declarações de compensação, listados à fl. 1510, relativos aos trimestres abrangidos no período em destaque, que totalizaram R$ 20.320.346,53. 0 Despacho Decisório de fls. 1510/1512, com base no Relatório Fiscal de fls.1467/1484, reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 794.963,87, homologando as compensações declaradas até esse limite. Tempestivamente, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1515/1565 alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, invoca a necessidade da realização de perícias e diligências (itens 2.1 a 2.4 da manifestação) face a erros e critérios injustos, ou fruto de equivocada interpretação pelo Fisco e pelo auditor fiscal, no que tange ao insumo "hexano", da separação dos estoques em função da sua origem e por se ter utilizado no calculo do crédito presumido o consumo de insumos e não o valor da aquisição. 2. Quanto ao mérito, traz uma série de argumentos, doutrina e jurisprudência, visando provar que são ilegais as normas editadas pela administração que resultaram no seguinte: a) Não fazem parte da base de cálculo do crédito presumido as compras de insumos efetuadas de pessoas físicas; b) Não integram a receita de exportação, para fins de cálculo do crédito em questão, as receitas de vendas de mercadorias para o exterior; 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 3 3 c) Não se incluem as aquisições de não contribuintes pessoas físicas e cooperativas (parcela de operações com cooperados) e nem as aquisições com fim específico de exportação; d) Os insumos, para fazer parte da base de cálculo do crédito presumido, deverão ser destinados à fabricação de produtos tributados, ainda que isentos ou de alíquota zero; e) As aquisições de combustível, óleo diesel e o consumo de energia elétrica foram consideradas despesas operacionais. 3 — Além disso ainda alega que a fiscalização glosou todas as compras efetuadas junto a cooperativas, embora algumas tenham informado que houve incidências das contribuições sobre parcela das vendas efetuadas ao fiscalizado. Às fls 2215/2217 consta o Despacho Decisório relativo ao 3º trimestre de 2002, objeto de pedido de ressarcimento no processo n° 10940.002630/200222, cujo crédito também consta em PER/DCOMP eletrônica apreciada no presente. Considerando que do Despacho decisório de fls. 1510/1512 todo direito creditório reconhecido pela SRF já se esgotou na compensação de outros débitos declarados pelo contribuinte, esta específica DCOMP não foi homologada. Contra isso manifestouse o contribuinte lembrando que tais débitos passariam a ter sua exigibilidade suspensa, por essa manifestação e que, quanto às questões litigiosas, reportavase à manifestação de inconformidade já apresentada no presente Recebido o processo nessa instância julgadora e considerando que nos autos constavam indícios de que realmente teria ocorrido erro na confecção das planilhas referentes ao consumo do produto "hexano", esta DRJ determinou a realização de diligência para que fosse revisado tal item no cálculo do crédito presumido, conforme Resolução de fls.2581/2582. Realizada a diligência solicitada, juntaramse aos autos as planilhas de fls. 2587/2664 e a Informação Fiscal de fls. 2665/2667, que resultaram nos DCP ajustados de fls. 2656/2663, onde o valor do crédito presumido é menor que o já concedido. Diante disso foi exarado o despacho de fl. 2670 propondo que não fosse efetuada a revisão do Despacho decisório de fls. 1510/1512, tendo em vista o prazo estipulado pela legislação vigente para a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte. Regularmente intimado, o interessado manifestouse contra o resultado da diligência alegando, em resumo, que a diligência extrapolou o determinado pela Delegacia de Julgamento revendo o cálculo de todos os insumos e não apenas a diferença apontada na aquisição do insumo "hexano", majorando a glosa já existente, o que se constituiu em verdadeira revisão de Fl. 3308DF CARF MF 4 lançamento contra a coisa julgada administrativamente. Assim, solicitou a desconsideração das novas glosas perpetradas. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão, na receita de exportação, das receitas de mercadorias acabadas adquiridas no mercado interno e exportadas CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os valores relativos a entradas de canadeaçúcar produzida pela própria requerente devem ser excluídos da apuração do beneficio porque não se referem a aquisição de insumos. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustíveis, exceto nos períodos em que o contribuinte optou pela forma de cálculo prevista na Lei n° 10.276/2001. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, fls. 3174 e seguintes, repisando, em síntese, a argumentação da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 24 de junho de 2008, fls. 3172, e o recurso foi protocolado em 07 de julho de 2008, fls. 3173. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Nulidade da decisão de primeira instância Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 4 5 A Recorrente pleiteia pela nulidade do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, uma vez que ela tratou de valores relativos a entradas de canadeaçúcar e que sua atividade é tão somente a industrialização dos produtos derivados de soja. O julgador pode cometer alguns equívocos no transcorrer da decisão, mas, ao meu sentir, anular uma decisão por ela apenas tratar de um insumo que não condiz com a atividade da Recorrente é desatender ao princípio da instrumentalidade das formas e ao princípio "pas de nullité sans grief", portanto, não deve ser declarada a nulidade, pois não houve qualquer prejuízo demonstrado. Nesse sentido, rejeitase a preliminar arguida. 3. Do mérito 3.1. Valor das exportações e índice utilizado A Recorrente insurgese contra a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, afirmando que houve a pretensão de desqualificar o seu direito ao crédito presumido, alegando que os produtos por ela exportados não são produtos industrializados ou não se enquadram como mercadorias, adquiridas no mercado interno. Argumenta no sentido de que o artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996, contemplou o gênero mercadorias, não cabendo ao intérprete restringir sua aplicação apenas aos produtos industrializados, que são uma espécie do gênero mercadorias e acrescenta que os produtos, que ela exporta, são industrializados, pois foram objeto de beneficiamento, no caso, secagem, limpeza, padronização e demais atos necessários para os produtos fiquem próprios para consumo, colaciona jurisprudência administrativa e judicial. Ela também sustenta que houve fiscalização in loco nas dependências da empresa, mas que a delegacia ignorou o trabalho da fiscalização e que o fato de serem classificados como não tributável na tabela do IPI não pode ser utilizado como fundamento para não possibilitar o crédito. Pleiteia pela aplicação do critério de rateio e tece longa argumentação sobre o Princípio da Legalidade Tributária e o seu desrespeito por meio de atos do Poder Executivo. Antes de analisar o caso propriamente dito, importante ter a noção de que do período de 07 a 09/2001, o regime de apuração foi o previsto na Lei nº 9.363, de 1996, e para o período de 10/2001 a 03/2003, o regime eleito foi o alternativo, aquele consubstanciado na Lei nº 10.276, de 2001. O Relatório de Verificação Fiscal, que embasou o despacho decisório, descreve os seguintes fatos, fls. 1929 e seguintes: 3.1.2.2. Verificação da Receita de Exportação (...) Embora o contribuinte tenha interpretado, conforme manifestação à Intimação n° 326/2003, fl. 1.037, que as exportações diretas e indiretas de trigo e milho em grãos integram a receita de exportação para o cálculo do Crédito Presumido, tal não é cabível. Segundo o parágrafo único do art. 1° da Lei n° 9.363/1996, aplicase subsidiariamente a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos Fl. 3310DF CARF MF 6 conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Segue a mesma interpretação o § 16 do art. 3° da Portaria MF nº 038/1997. A receita de exportação é parte da receita bruta e o conceito de produção é o definido nos arts. 3° e 4° do Regulamento do IPI de 1998 e de 2002 (Decretos nºs 2.637/1998 e 4.544/2002). Conforme a matriz legal do art. 40 do Regulamento do IPI de 1998 e de 2002 (art. 3°, parágrafo único, da Lei nº 4.502/1964 e art. 46, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966), caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para o consumo. Assim, o referido "processo produtivo" (fl. 1.037) deve ser interpretado segundo a definição da legislação mencionada. Segundo os dados das fichas 21 a 28 das DIPJ/2002 e 2003, fls. 1440, o contribuinte informou industrialização por beneficiamento, dentre os definidos nos incisos I a V do art. 4° do Regulamento do IPI. No entanto, o "processo produtivo" informado pelo contribuinte não importa em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (inciso II do art. 4° do Regulamento do RI). Ainda que o "processo produtivo" fosse interpretado como industrialização, o produto resultante é não tributável (NT), conforme a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovado pelos Decretos nos 3.7777/2001 (vigência 01/04 a 31/12/2001), 4.070/2001 (vigência 01/01 a 31/12/2002) e 4.542/2002 (vigência a partir de 01/01/2003). (...) Portanto, as vendas de trigo e milho em grãos para o mercado externo, não integram a receita de exportação para o Crédito Presumido. (grifos não constam no original) A legislação aplicável para o período de 07 a 09/2001 é a seguinte: Lei nº 9.363, de 1996 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 5 7 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifos não constam no original) Posteriormente, sobreveio a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que regulamentou a apuração do crédito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias Fl. 3312DF CARF MF 8 primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. (...) § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. (grifos não constam no original) E do período de 10/2001 a 03/2003, o regime eleito foi o alternativo, qual seja, o consubstanciado na Lei nº 10.276, de 2001: Lei nº 10.276, de 2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 6 9 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (grifos não constam no original) Um dos aspectos do litígio é averiguar se a modalidade de beneficiamento, alegada pela Recorrente, pode ser considerado como um processo de industrialização ou não. Do Relatório de Verificação Fiscal , fls. 1923, extraise o processo da Recorrente: 2.12. Em 03/10/2003, acompanhei o processo produtivo do estabelecimento matriz, em Ponta Grossa, CNPJ 04.440.724/000107, termo à fl. 723. Constatei a existência de instalações, máquinas e equipamentos para a produção de óleo degomado e farelo peletizado de soja, confirmando, assim, a descrição do processo produtivo apresentado pelo contribuinte (fls. 86 e 405), conforme a seguir: Produção conjunta a) Movimentação interna de materiais, produto acabado e matériaprima são utilizados tratores e pás carregadeiras movidos a óleo diesel. b) Limpeza da soja as impurezas são removidas através de peneiras. c) Secagem da soja utilização de lenha como combustível. d) Preparação para extração do óleo a soja é quebrada, condicionada e laminada. e) Extração do óleo lavagem com solvente orgânico (hexano), em banhos sucessivos. 1° coproduto: óleo de soja f) Destilação da solução resultante óleo e solvente (miscela) separação do óleo, que segue para a degomagem, do hexano, que retorna ao processo produtivo. g) Degomagem do oleo remoção de impurezas. 2° coproduto: farelo de soja h) O farelo encharcado com solvente é dessolventizado e tostado utilizandose do vapor o solvente evaporado retorna ao processo e o farelo é seco e peletizado; o vapor é gerado na caldeira com a queima de lenha ou briquetes de lenha. i) Adequação do farelo às necessidades dos clientes adição de resíduos ou casquinha de soja, aveia, calcáreo misto ou pirofilita. E mais adiante, ainda no Relatório de Verificação Fiscal, fls. 1926, há informações sobre os insumos: Fl. 3314DF CARF MF 10 Insumos Os estabelecimentos industriais de Ponta Grossa e de Clevelândia, segundo a descrição sumária do processo produtivo, fls. 86 e 405, e arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, fls. 725727 (item 2.14), utilizam os seguintes insumos no processo industrial: MatériaPrima: soja, aveia, calcáreo misto, pirofilita, resíduo e casquinha de soja. Material Intermediário: hexano. Material de embalagem: Despesas operacionais: energia elétrica (COPEL), óleo diesel e lenha (combustível)*. Observação: * não gera direito ao crédito presumido no período de 07 a 09/2001, conforme a apuração pela Lei n° 9.363/1996. Pela descrição realizada pela própria fiscalização quanto ao processo, realizado pela Recorrente, tratase de processo de beneficiamento, que é uma das modalidades de industrialização. Da legislação que regulamenta o IPI, temse que: Decreto nº 2.637, de 1998 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (grifos não constam no original) Decreto nº 4.544, de 2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (grifos não constam no original) Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 7 11 A partir da doutrina de JOSÉ ROBERTO VIEIRA, extraise lição sobre o critério material do Imposto sobre Produtos Industrializados: Eis, enfim, o critério material da hipótese de incidência tributária do IPI, em sua inteira compostura constitucional: realizar operações com produtos industrializados. (...) Não resta dúvida de que é o ato industrial que leva a maior parte dos especialistas a divisar um fazer na materialidade do IPI. E é inegável que existe este fazer, muito embora não nos pareça convenientemente iluminado. Lançar luz sobre ele significa pôr a nu que o ato industrial não é via de regra praticado como um ato jurídico, como se a isso estivesse obrigado o industrial, mas como um mero fazer, despido de sentido técnico jurídico, já que ato jurídico propriamente dito será a operação posterior à obtenção do produto fabricado, esta sim uma obrigação de dar. (...) Industrialização, nos termos da Lei n. 4.502/64, é "qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto" (art. 3°, parágrafo único). Já o Código Tributário Nacional diz considerarse "industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo" (art. 46, parágrafo único). Podemos, portanto, afirmar que, em termos infraconstitucionais, industrializar consiste em modificar a natureza, o funcionamento, a utilização, o acabamento, a apresentação ou a finalidade, ou aperfeiçoar para o consumo. 2 No que concerne a se enquadrar no critério material como beneficiamento, modalidade da industrialização, assiste razão a Recorrente e assim também considerou a fiscalização em grande parte, conforme se extrai do Relatório de Verificação Fiscal. Do produto soja resultam dois produtos diversos: óleo de soja e farelo de soja. A própria legislação do IPI caracteriza como industrialização a operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. No caso em análise, da soja resultam dois produtos diferentes: óleo de soja e farelo de soja. A partir do próprio Relatório de Verificação Fiscal, percebese que ao fazer visita in loco, a fiscalização descreve o processo produtivo da Recorrente. No referido processo são utilizados como insumos: solvente (miscela), aveia, calcáreo misto ou pirofilita. No caso em análise, o Relatório de Verificação Fiscal assim descreveu a receita bruta, que é importante para a elucidação do caso, fls. 1927: O contribuinte realizou vendas no mercado interno, exportação direta e indireta de produção própria, conforme as notas fiscais de saídas. Realizou, também, vendas de mercadorias, ou seja, revenda de bens sem proceder a qualquer processo de industrialização, e de serviços. 2 VIEIRA, José Roberto. A regramatriz de incidência do IPI: texto e contexto. Curitiba: Juruá, 1993, p. 7595. Fl. 3316DF CARF MF 12 As receitas de vendas de produção própria, seja exportação direta ou indireta, seja venda no mercado interno, sempre integram a receita bruta para o cálculo do Crédito Presumido, conforme o período fiscalizado. Já as receitas de revendas de mercadorias e de prestação de serviços integram a receita bruta até 25/03/2003, conforme alteração preconizada pelo art. 3°, § 12, inciso I, da Portaria MF no 064/2003. A receita bruta do contribuinte apresenta a seguinte composição: (...) 3.1.2.2. Verificação da Receita de Exportação (direta e indireta) Considerando as observações da verificação da receita bruta (3.1.2.1), as vendas de produção própria para o exterior (diretas ou indiretas via comerciais exportadoras) integram a receita de exportação para o cálculo do Crédito Presumido. Já as receitas de revendas de mercadorias para o exterior não integram a receita de exportação para o cálculo em questão, conforme quadro com as disposições legais e atos normativos, segundo a forma de apuração: (...) Embora o contribuinte tenha interpretado, conforme manifestação à Intimação n° 326/2003, fl. 1.037, que as exportações diretas e indiretas de trigo e milho em grãos integram a receita de exportação para o cálculo do Crédito Presumido, tal não é cabível. O que deve ser analisado e que é o cerne do litígio é apenas a exportação direta e indireta de revenda de mercadorias, no qual a fiscalização não considerou o referido percentual no cálculo da receita bruta no período de 25/03/2003 a 31/03/2003 e no percentual da receita de exportação no período de 01/07/2001 a 31/03/2003, conforme quadros retirados do Relatório de Verificação Fiscal, colacionados abaixo, fls. 1928 e 1929: Receita bruta Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 8 13 Receita de exportação Fl. 3318DF CARF MF 14 Questionase, então, a legislação que prevê o crédito presumido teria excluído do cálculo da receita de exportação do crédito presumido a revenda de mercadorias? O Relatório de Verificação Fiscal traz a seguinte composição de receita bruta, fls. 1927: A partir da leitura do artigo 2º, da Lei nº 9.363, de 1996, temse que "a base de cálculo do crédito presumido (...) do produtor exportador", logo, percebese que a base de cálculo do crédito presumido é determinada pelo percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador aplicado sobre os insumos. No caso em análise, correta a exclusão pela fiscalização dos bens adquiridos para revenda, que não passaram pelo processo produtivo da Recorrente, e, portanto, não faz jus ao crédito presumido. Portanto, mantémse o que foi considerado pela fiscalização e decidido pela DRJ/Ribeirão Preto no que concerne à exclusão dos bens adquiridos para revenda, que não passaram pelo processo produtivo da empresa e que, portanto, fugiram da teleologia da norma criada para incentivar os produtores e não os meros revendedores. Quanto às aquisições de trigo e milho em grãos e exportados, estes também devem ser excluídos, pois não se enquadram no conceito de produto industrializado. Quanto ao fato de ser produto não tributado, a legislação é clara ao demonstrar que a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 9 15 aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, serão considerados para efeitos de crédito presumido. Ela fala no processo de industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. O que não pode ser considerado é a aquisição insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, não tributados. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, em sistema de repetitivos, já decidiu no REsp nº 860.369PE, sob não haver afronta ao princípio da não cumulatividade quando não há o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos isentos ou submetidos à alíquota zero: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da não cumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99, cujo artigo 11 estabeleceu que: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2. "A ficção jurídica prevista no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu" (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: RE 562.980/SC, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe167 DIVULG 03.09.2009 PUBLIC 04.09.2009; e RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe171 DIVULG 10.09.2009 PUBLIC 11.09.2009). 3. In casu, cuidase de estabelecimento industrial que pretende o reconhecimento de direito de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, material de embalagem e insumos destinados à industrialização de produto sujeito à alíquota zero, apurados no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1998, razão pela qual merece reforma o acórdão regional que deferiu o creditamento. Fl. 3320DF CARF MF 16 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido, restando prejudicadas as pretensões recursais encartadas nas aduzidas violações dos artigos 166 e 170A, do CTN. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pelo exposto, mantémse o que foi decidido no acórdão da DRJ/Ribeirão Preto. 3.2. Insumos combustível e energia elétrica A Recorrente pleiteia pela consideração de combustível e energia elétrica como insumo, entendendo que o Parecer Normativo CST 65/79 ao criar um requisito inexistente no regulamento ingressou em uma seara, que é vedada, e repudia que a exigência de que o bem utilizado no processo produtivo tenha contato direto com o produto final é completamente descabida. Tece consideração sobre os decretos do Poder Executivo e seu limite de normatividade. Vale destacar, mais uma vez, que do período de 10/2001 a 03/2003, o regime eleito pela Recorrente foi o alternativo, qual seja, o consubstanciado na Lei nº 10.276, de 2001: Lei nº 10.276, de 2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (grifos não constam no original) Assim, diferente da Lei nº 9.363, de 1996, que previu em seu artigo 2o , que "A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem", a Lei nº 10.276, de 2001, foi expressa ao incluir a energia elétrica e o combustível na base de cálculo do crédito presumido. A fiscalização reconheceu a energia elétrica e combustível no período eleito, não há como se estender energia elétrica e combustível no período em que não havia a eleição Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 10 17 da Lei nº 10.276, de 2001, mas se aplicava a Lei nº 9.363, de 1996. Nesse sentido, importante Súmula nº 19, do CARF: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário." Nesse sentido, não reconhece a energia elétrica e combustível para o período de 07 a 09/2001, no qual o regime de apuração foi o previsto na Lei nº 9.363, de 1996. 3.3. Aquisições de não contribuintes da contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas A Recorrente insurgese contra as Instruções Normativas n.°s 23/97 e 103/97, pois entendeu que elas inovaram o texto da Lei n.° 9.363, de 1996, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e à Contribuição ao PIS/Pasep. Quanto à aquisição de bens por não contribuintes do PIS e da COFINS, assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sistema de repetitivo, no REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Fl. 3322DF CARF MF 18 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título,efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 11 19 do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento Fl. 3324DF CARF MF 20 sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp nº 993.164/MG; Relator: Ministro Luiz Fux) (grifos não constam no original) Ademais, assim, também preceitua a Súmula 494 do STJ: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, inciso II, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 10940.000499/200421 Acórdão n.º 3302005.227 S3C3T2 Fl. 12 21 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, deve ser reformado o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto no que concerne às aquisições, adquiridas de não contribuintes do PIS e da COFINS, a fim de aplicar o REsp nº 993.164 a todo período, seja o regime da Lei nº 9.363, de 1996, e da Lei nº 10.276, de 2001, utilizando, neste caso, os fundamentos do referido precedente. 4. Conclusão Diante da fundamentação, conheço o recurso voluntário e voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, concedo provimento parcial para considerar as aquisições, adquiridas de não contribuintes do PIS e da COFINS, a fim de aplicar o REsp nº 993.164. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 3326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000663/2010-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2803-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais. Havendo documentos a juntar, realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente à época do julgamento), Gustavo Vettorato (Relator), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Numero do processo: 10830.720373/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2007, 2008
NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscal observou integralmente a legislação processual, sendo que os atos e termos processuais viabilização a defesa do contribuinte.
DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo
o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais.
OMISSÃO DE RECEITAS.Constatada movimentação de recursos da pessoa
jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantém-se o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental.
MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO. Justifica-se a qualificação da
penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em conta corrente de pessoa física de titularidade de sócio,
ficando à margem da regular tributação.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscal observou integralmente a legislação processual, sendo que os atos e termos processuais viabilização a defesa do contribuinte. DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS.Constatada movimentação de recursos da pessoa jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantém-se o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO. Justifica-se a qualificação da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em conta corrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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Não há que se falar em nulidade quando o procedimento fiscal observou integralmente a legislação processual, sendo que os atos e termos processuais viabilização a defesa do contribuinte. DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS.Constatada movimentação de recursos da pessoa jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantémse o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. MULTA DE OFICIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a qualificação da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em contacorrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1484DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COLEGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cientificados à contribuinte em 21/03/2011, no valor total de R$ 5.743.913,23, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO DE RECEITAS – LUCRO PRESUMIDO. VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO – 3 TRIM 2007 a 4 TRIM 2008 – Conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável deste auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores de 30/09/2007 a 31/12/2008; valor tributável ou imposto e percentual de multa (150%)] Fl. 1485DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 3 Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR/99. Razão do Arbitramento no(s) período(s): 03/2007 06/2007 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, desenquadrado do SIMPLES FEDERAL não possui escrituração comercial e fiscal que permitam a apuração do lucro real. O contribuinte, conforme legislação de regência do SIMPLES FEDERAL, não pode optar pelo lucro presumido, sendo a única alternativa legal o LUCRO ARBITRADO como base de cálculo do IRPJ – 1 e 2 trimestres de 2007. 002 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) OMISSÃO DE RECEITAS – LUCRO ARBITRADO. VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO – 1 TRIM e 2 TRIM de 2007 Conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, .... [Demonstrativo com fatos geradores de 31/03/2007 e 30/06/2007; valor tributável ou imposto e percentual de multa (150%)] (...) A autoridade fiscal elaborou o “Termo de Verificação Fiscal”, que, em síntese, se transcreve: “... 1 – CONTEXTO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base no MPF 08.1.04002009009974, passamos a relatar os fatos verificados, relativos ao anoscalendário 2007 e 2008, conforme segue. Trata a fiscalizada de pessoa jurídica de direito privado, denominada COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA – EPP, CNPJ 54.142.419/000107, .... A pessoa física Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, sócia majoritária da pessoa jurídica Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, em procedimento de fiscalização diverso do presente, MPF no. 08.1.04.002009007785, declarou ter recebido em contas bancárias de sua titularidade receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP nos anoscalendário 2006 a 2008. O total de créditos efetuados nas contas bancárias citadas no parágrafo anterior, quais sejam: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real; ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, perfazem um total de R$ 15.610.912,15, e encontramse abaixo discriminados tendo seus valores agrupados por histórico: [......] As contas, conforme anteriormente dito, são de titularidade da pessoa física Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, e referemse à receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ Fl. 1486DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 4 54.142.419/000107, auferidas nos anoscalendário 2007 e 2008, declaração da Sra. Maria José Di Santo Navarro. Tais valores não foram oferecidos à tributação e os créditos tributários devidos em função desta omissão estão sendo constituídos de ofício, mediante lavratura de auto de infração, conforme descrito no tópico 3 deste Termo de Verificação Fiscal. 2 DO PROCEDIMENTO FISCAL A ação fiscal foi desenvolvida nos termos do MPFF 08.1.0400200900997 4, e neste processo administrativo fiscal abrange o período janeiro/2007 a dezembro/2008, tendo sido iniciada com o Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 28/07/2009, intimando a fiscalizada a apresentar: [......] A pessoa jurídica COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP, CNPJ 54.142.419/000107, representada pela sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, cpf 620.556.90868, declarou que os valores movimentados nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) Conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, em nome de Maria José Di Santo Navarro, na realidade são receitas advindas de cobrança do Colégio Vivendo e Aprendendo, CNPJ 54.142.419/000107, onde destacamos: Documento no. 2327, datado de 13/09/2010: "Nos anos de 2007, 2008, todas as contas mantidas no Banco do Brasil, Banco Real, Banco Bradesco, foram de uso e para uso do Colégio Vivendo e Aprendendo; e são as cobranças do Colégio Vivendo e Aprendendo que transitaram por estas contas."; A fim de quantificar o total de receita operacional da pessoa jurídica Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, recebida nas contas bancárias: ....., foi lavrado em 22/11/2010, termo de intimação contendo planilhas numeradas de 1 a 6 referentes às contas bancárias supracitadas, nos anoscalendário 2007 e 2008, solicitando: 1) Confirmar se os créditos/depósitos listados nas planilhas 1 a 6 referemse a valores de titularidade do COLÉGIO VIVENDO E APRENDENDO LTDA EPP, CNPJ 54.142.419/000107; 2) A que título os valores foram creditados/depositados nas contas bancárias: 1) conta n° 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta n° 51.704 6, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta n° 40002191, agência 1191 do Banco Real; 3) Analisar as planilhas 1 a 6 fornecidas em ANEXO, apontando individualmente, em relação a cada crédito ou depósito bancário, a ORIGEM dos recursos que possibilitaram as realizações dessas operações, mediante a apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores." Em 12/01/2011, no documento protocolizado sob o no. 00297, em resposta ao termo de intimação citado no parágrafo anterior, a fiscalizada confirma: Fl. 1487DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 5 "ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas dos bancos do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante." (negritamos) Ainda em resposta ao termo de intimação lavrado em 22/11/2010, ... a fiscalizada afirma: "6 Acrescenta ainda, que utiliza materiais pedagógicos e despesas, que não fazem parte da receita operacional da instituição, a fim de atender tanto a grade curricular como também as datas comemorativas durante o ano letivo, tais como dia dos pais, dia das crianças, descobrimento do Brasil, enfim, datas em que são utilizados materiais que os pais deveriam adquirir e fornecer para o colégio, mas que muitas vezes, até mesmo por falta de tempo, transferem tal responsabilidade a esta instituição, e, pedem para que os gastos sejam incorporados ao pagamento da mensalidade, acrescendo assim o valor a ser recebido mas não caracterizando uma receita para a instituição." (negrito do original) Para dar oportunidade da fiscalizada comprovar as alegações efetuadas, principalmente no que concerne a valores movimentados nas contas bancárias que não representam receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, foi lavrado em 02/02/2011, Termo de Constatação e Intimação, solicitando: 1) Tornar disponíveis para exame TODOS os documentos que serviram de base para o preenchimento da resposta ao termo de intimação lavrado em 17/12/2010, cuja resposta foi encaminhada à esta DRF/Campinas em 12 de janeiro de 2011; 2) Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, comprovando que a pessoa jurídica atuou meramente como intermediária no repasse de recursos relativos à “alimentação” e “materiais didáticos”; serviços estes efetuados por terceiros (contrato de prestação de serviços); 3) No tocante aos créditos/depósitos que correspondam à empréstimos e capital de giro, efetuados junto a instituições financeiras, apresentar documentação que comprove as alegações efetuadas; 4) Na hipótese de eventual crédito/depósito ter sido escriturado em livro caixa, bem como já ter sido tributado, apresentar documentos, hábeis e idôneos, compatíveis em data e valor que comprovem a sua efetiva tributação. Em resposta ao termo do parágrafo anterior, a fiscalizada afirmou: "Em data de janeiro de 2009, a empresa sofreu um alagamento em virtude de fortes chuvas, tendo inclusive parte do telhado de seu estabelecimento totalmente destruído, causando com isso uma grande perda de equipamentos, bem como uma total destruição de seu arquivo não mais tendo, desta forma, documentos que possam comprovar o alegado na resposta data em 12.01.2011, utilizandose de média de gastos com os repasses praticados nos pagamentos de materiais didáticos bem como com compra de refeições, haja visto que a mesma atua neste mercado desde 1985, ou seja há mais de 25 anos." (negritamos) Fl. 1488DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 6 Desta forma, com exceção dos ingressos que certamente não configuram receita, tais como: liberação de garantia e transferências interbancárias; os créditos bancários que a fiscalizada declarou como receita operacional da sua atividade, serão objeto de lançamento de ofício mediante a lavratura de Auto de Infração. Nas páginas seguintes, discriminamos valores de receita do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. EPP, CNPJ 54.142.419/0001 07, recebidos nas contas especificadas. [........] 3 DA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO. 3.1 DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Como já citado anteriormente, a fiscalizada omitiu receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, recebida nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868. Na página seguinte consta demonstrativo de totalização mensal das planilhas 1 a 6, constantes do tópico 2, referente à receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, bases de cálculo para apuração dos valores devidos do IRPJ e demais contribuições CSLL, PIS/PASEP e COFINS apurados de ofício. [.........] No demonstrativo de fls. 56/57 já foram descontados das receitas apuradas, os valores abaixo listados, que se referem a empréstimos e transferência interbancária, conforme demonstrativo: [........] Também foram descontados os cheques devolvidos, relativos às contas 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.704 6, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real, conforme colunas (3), (6) e (9) do demonstrativo nas fis. 56/57. A coluna (11) do Demonstrativo 7 (fis. 56/57) representa a totalização mensal da receita omitida apurada, constituindose em base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ e das demais contribuições PIS/PASEP, COFINS e CSLL (...) Período de Apuração | Regime de Tributação 1o. Trimestre de 2007 LUCRO ARBITRADO 2o. Trimestre de 2007 LUCRO ARBITRADO 3o. Trimestre de 2007 LUCRO PRESUMIDO 4o. Trimestre de 2007 1o. Trimestre de 2008 2o. Trimestre de 2008 Fl. 1489DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 7 3o. Trimestre de 2008 4o. Trimestre de 2008 Sendo o enquadramento legal diverso para a omissão de receita constatada ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, as infrações encontramse abaixo descritas: 001 RECEITA OMITIDA VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO – 3º. TRIM 2007 A 4º. TRIM 2008 002 RECEITA OMITIDA VALORES TRIBUTADOS COM BASE NA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO – 1º. TRIM E 2º. TRIM 2007. Os fatos geradores, vencimento, valor tributável e todos os elementos pertinentes ao lançamento encontramse, devidamente descritos na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" nos respectivos autos de infração. 4 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Pelo exposto nos tópicos anteriores, depreendese que a fiscalizada ao omitir receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419/000107, nas contas bancárias: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta no. 40002191, agência 1191 do Banco Real, de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, CPF 620.556.90868, conforme descrito nos tópicos 2 e 3 deste Termo de Verificação Fiscal, teve por intenção ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conduta esta tipificada no inciso I do art 71 da Lei 4.502/64 (sonegação fiscal). "Art. 71 da Lei n° 4.502/64 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" Na infração, foi aplicada multa de ofício de 150% do total da receita omitida, conforme inciso II do art 44 da Lei 9.430/96, também reproduzido abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos intuito de fraude, definido nos arts. 71 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fiscalizada praticou a conduta descrita reiteradamente ao longo dos anos calendário 2006 a 2008. Desta forma, pela conduta da fiscalizada, configurar, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi elaborada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo nº 10830.015959/201019, conforme determinado no Decreto nº 2.730, de 10/08/1998 e na Portaria RFB nº 2939, Fl. 1490DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 8 de 21/12/2010, a qual deverá ser encaminhada ao Ministério Público Federal, observandose o artigo 3º da Portaria SRF nº 326/2005. 5 – CONCLUSÃO Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante dos Autos de Infração lavrados em decorrência dos fatos apurados na presente fiscalização. O processo de arrolamento de bens já se encontra formalizado – nº. 10830.015752/201036. Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão de fatos e circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nessa oportunidade. Para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em 03 (três) vias de igual forma e teor que vão assinadas pelos auditores signatários e pelo representante/preposto do contribuinte, que neste ato toma ciência de seu conteúdo e recebe uma de suas vias.” Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 21/03/2011, a contribuinte por meio de seu representante legal, com instrumento de procuração juntada aos autos, apresentou em 05/04/2011, impugnação com as seguintes razões de defesa. Diz inicialmente que o auto de infração é nulo, porquanto o mesmo é impróprio, uma vez que inexistiu justa causa para sua lavratura, dada a inocorrência de qualquer ilicitude, principalmente aquela imposta à defendente. A corroborar sua assertiva, cita o art. 5º, inciso II, da CF/1988. Nesse sentido, acrescenta que não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração. Ainda a justificar a impropriedade do auto de infração, e sua conseqüente nulidade, alega que nele “não exsurge o ânimo sancionatório exigido na exação sob contestação.” No tópico seguinte, acerca da opção pelo parcelamento especial, sustenta: “Requer os benefícios previstos na lei 11.941/2009, a fim de que, caso venha a responder, após total julgamento dos recursos cabíveis e previstos em lei, por débitos relativos a período abrangido por citada norma legal, seja autorizado a consolidálo para pagamento até o prazo máximo permitido, uma vez que a ora recorrente é optante pelo parcelamento especial. Assevera que não procede a notícia constante dos autos, de que não teria atendido à intimação datada de 22/11/2010, uma vez que solicitou prorrogação de prazo por mais trinta dias para atendimento do que lhe fora solicitado e antes de findo tal prazo cumpriu a intimação. A seguir, requer a suspensão de encaminhamento ao MPF da Representação Fiscal para Fins Penais, posto que, como provará, não praticou conduta que pudesse ser considerada, mesmo que em tese, desobediência ou crime contra a ordem tributária. Prosseguindo em sua defesa, transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e assevera que em nenhum momento a interessa deixou de atender as intimações da Fl. 1491DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 9 autoridade fiscal, bem como negou que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. Acrescenta que a gerência da empresa estava totalmente a cargo de sua sócia majoritária e que esta não agiu com dolo ou máfé ao movimentar valores da empresa em sua conta particular, apenas tentou atender suas necessidades, uma vez que o banco oferecia vantagens na movimentação de sua conta bancária, bem como um atendimento diferenciado com descontos e taxas de serviços e créditos pela movimentação de um melhor saldo médio, podendo com isso formar caixa para pagamento de seus fornecedores e colaboradores da empresa. Assevera que a fiscalização não se preocupou em excluir itens como transferências entre contas de valores ou mesmo créditos de empréstimos, que não se relacionam com os ditos faturamentos omitidos. E acrescenta, em suas palavras: “Em relação à movimentação bancária particular da sócia da empresa ora recorrente, informa ainda que nem todos os valores que nelas transitaram podem ser qualificadas como receita operacional da pessoa jurídica, que como bem declara a titular das mesmas, “os valores pertencem ao Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda.” Acerca da movimentação bancária relacionada pela fiscalização e tida como receita operacional omitida, sustenta que, através dos demonstrativos e relatórios que acompanham a presente impugnação, verificase que em diversas oportunidades os valores correspondem a renegociação de receitas não recebidas mas já declaradas anteriormente e em outras depósitos de valores retirados através de saques efetuados em moeda corrente para o uso diário do caixa da empresa e por não serem totalmente utilizados enviados novamente para depósito a fim de evitar riscos em mantêlos no caixa da empresa. Inclui, em seus argumentos de defesa, trechos esparsos do que diz ser julgados onde tais situações são plenamente aceitas como provas, acrescendo ementa fundamentada na Súmula 182 do TRF. Por meio de tais excertos, depreendese que busca a contribuinte, em síntese, oporse à tributação calcada em mera presunção de renda, defender a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mencionar o princípio da legalidade como garantia dos contribuintes face a possíveis excessos por parte do Estado, e também, rechaçar o acesso a informações bancárias. Alega que a fiscalização utilizouse, para justificar a omissão de receita, de extratos bancários, passando ao contribuinte o ônus de provar o contrário, porém não comprovou em nenhum momento suas razões. Diz que a intenção da empresa – Colégio Vivendo e Aprendendo – foi sempre de manter uma relação escolaaluno da melhor forma, levando com isso, muitas vezes, a praticar atos que aos olhos punitivos do Estado sejam vistos como prática de atos tributariamente incorretos. A seguir, a defendente alega que foi intimada pela autoridade fiscal em 23/12/2010, a responder a inúmeras questões, o que fez, tempestivamente, em 12/01/2011. Junta documentos de fls. 970/1216, sendo: 1 das fls. 970 a 972 – Resposta ao Termo de Intimação de 17/12/2010 da qual se extrai: Fl. 1492DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 10 Que, tendo sido intimada a prestar informações acerca de suas movimentações bancárias, ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas do banco do Brasil e Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria Jose Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante. A fim de justificar alguns valores constantes na MPF, tornase necessária as seguintes NOTAS EXPLICATIVAS: 1. Que é de conhecimento público que a área educacional em nosso país vem, ao longo dos anos, sendo cada dia menos assistida pelas autoridades que deveriam de forma gratuita, fornecer à população que já arca com enorme carga de impostos, independente da classe social que pertença. 2. Que esta instituição de ensino, atende quase em sua totalidade as classes “C” e “D”, uma das mais carentes financeiramente e, para que possam exercer suas atividades, seu diaadia, dependem de contar, uma vez que, como já dito, não são atendidas pelas instituições publicas, com o atendimento particular, e o fazem, muitas vezes, contratando valores que se tornam acima da disponibilidade mensal, acumulando mensalidades impossíveis de serem pagas de forma imediata. 3. Como dependem de tal prestação de serviços, e as instituições particulares de ensino tem ciência do papel que exercem, imprescindível a quem as utiliza, vem sendo bastante compreensiva inclusive chegando a parcelar em até 12 meses os valores em atraso, recebendo para tanto cheques prédatados ou, na impossibilidade, emitindo boletos bancários, sempre visando atender e facilitar a vida financeira daquela mãe ou pai que depende de fornecer instrução ou atendimento a seus filhos e muitas vezes se vê obrigado a deixar de pagar a escola para atender outras necessidades tais como alimentação, transportes, serviços médicos etc. 4. Assim, sendo uma atividade extremamente de cunho social, tornase difícil deixar de atender quem necessita, fazendose necessário criar mecanismo que possa assistir a eles naquele momento, e muitas vezes deixando, por pura inocência e até mesmo, por desconhecimento, de atentar às normas legais impostas, mas sempre o fazendo sem dolo. 5. Estas situações podem ser claramente constatadas através dos extratos bancários apresentados, onde verificase a infinidade de devoluções de cheques e conseqüentemente o prejuízo que causa a esta instituição que mesmo por "teimosia" vem tentando manter o nível de atendimento a fim de não prejudicar os jovens alunos que utilizam os serviços então prestados. 6. Acrescenta ainda, que em muitos casos utiliza materiais e despesas, que não fazem parte da receita operacional da instituição, a fim de atender as datas comemorativas durante o ano letivo, tais como dia dos país, dia das crianças, descobrimento do Brasil, enfim, datas em que são utilizados materiais que os pais deveriam adquirir e fornecer para o colégio, mas que muitas vezes, até mesmo por falta de tempo, transferem tal responsabilidade a esta instituição, e pedem para que os gastos sejam incorporados ao pagamento da mensalidade, acrescendo assim o valor a ser recebido mas não caracterizando uma receita para a instituição. Fl. 1493DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 11 Informa ainda que muitas vezes recorre a fornecimento de trabalhos manuais realizados por artesões que não possui nenhum tipo de documento contábil uma vez que tal atividade é, por sua natureza, dispensado de elaboração. Esclarece também, que em diversas oportunidades, a instituição de ensino necessita de valores em moeda corrente em caixa, para atender pagamentos direto, e, muitas vezes retorna tais sobras de caixa em forma de depósitos em auto atendimento, justificando assim alguns itens elencados no termo de intimação sob tal nomenclatura. Portanto, após as explicações acima, fica facilmente visível o por que de depósitos realizados em conta corrente, muitas vezes com valores superiores aos declarados no livro caixa, haja visto que os mesmos já foram contabilizados em datas anteriores como receitas e devidamente recolhidos os impostos incidentes sobre os mesmos, fato este que se não acolhido serão considerados como dupla tributação, prejudicando em muito a esta instituição que tem como meta atender e tentar suprir a falta causada, como já dito, pelas próprias autoridades responsáveis pela educação e formação do caráter de nossas crianças. Desta forma, apresenta o relatório de créditos constantes no Termo de intimação, relativo aos anos de 2007 e 2008, e, na coluna "VALOR CONSIDERADO" informa o valor que, após deduzida as quantias correspondentes aos repasses para a aquisição de materiais pedagógicos e outros gastos representa a receita operacional da empresa. Comunica ainda, que no inicio do ano de 2009, a empresa ora fiscalizada foi alvo de um grande alagamento em suas dependências, atingindo equipamentos e arquivos onde encontravamse inclusive os documentos que facilmente poderiam provar a destinação dos valores repassados a titulo de aquisição de materiais didáticos e alimentação de seus alunos ( boletim de ocorrência anexo). Informa que em relação ao banco Bradesco, toda a movimentação apresentada se deu com recursos das retiradas pro labore bem como com a distribuição de lucros da sócia, estando portanto declarada em seu imposto de renda pessoa física, não representando receita da empresa. Em relação a movimentação junto ao banco Real, podese observar que o mesmo somente foi utilizado para a obtenção de empréstimos e capitais de giro, também não apresentando receita da empresa. Assim sendo apresenta os relatórios referente aos anos de 2007 e 2008 à seguir. .2 das fls. 973/1043 – Relatórios referentes a 2007 e 2008 [planilha com as colunas “Data”, “histórico”, “valor”, “valor considerado” e “histórico”]; .3 das fls. 1044/1153 – Planilhas – Relatório de Créditos constantes no Termo de Intimação MPF 08.1.04.00.2009.009974; .4 – das fls. 1154/1.157 – JUSTIFICATIVA RELATIVA A AQUISIÇÃO DOS MATERIAIS DIDÁTICOS, nos seguintes termos: Fl. 1494DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 12 Como citado no inicio da presente, a empresa sofreu grande perda de documentação em vista do alagamento sofrido em suas dependências, mas em contato com editoras fornecedoras de materiais didáticos, conseguiu copias de diversas notas, não representando sua totalidade, mas que mesmo assim, vem demonstrar os gastos com citados materiais, justificando de tal maneira os valores descontados nas planilhas 2007 e 2008. Mas mesmo assim, se os senhores julgadores considerarem como venda de livros e não simples repasse de valores entre seus alunos e empresa fornecedora, requer os benefícios previstos em relação a venda dos mesmos, ou seja. Como previsto em nossa Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (. . .) VI instituir impostos sobre: (...) d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. • Bem de acordo com o artigo 6º da lei 11.033/04 que alterou o artigo 28 da lei 10.865/04 Assim sendo apresenta a seguir a relação das notas fiscais obtidas onde se poderá obter uma media aproximada dos gastos com materiais didáticos, bem como junta copias obtidas junto as editoras fornecedoras à saber: (...) TOTAL R$730.749,06 .5 de fls. 1.158/1.212 – Cópias de Notas Fiscais (cópia de 04 notas fiscais de aquisição de material, a primeira emitida por FTD Editora e as três seguintes pela Gráfica e Editora Anglo Ltda); .6 de fls. 1.213/1.216 – cont. Impugnação Representação Fiscal para Fins Penais e pedidos, nos seguintes termos: DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS IMPUGNA E CONSEQÜENTEMENTE REQUER O NÃO ENCAMINHAMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AO DD. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, UMA VEZ QUE, CONFORME COMPROVA NOS RELATOS E FATOS AQUI CITADOS, EM NENHUM MOMENTO A RECORRENTE APRESENTOU CONDUTA QUE POSSA CONFIGURAR, MESMO QUE EM TESE, DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, POIS CONFORME PREVÊ A LEI Nº 4.502/64 EM SEUS ARTIGOS 71 E SEGS., SONEGAÇÃO É TODA AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA TENDENTE A IMPEDIR OU RETARDAR, TOTAL OU PARCIALMENTE, O CONHECIMENTO POR PARTE DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA...” Fl. 1495DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 13 FATO ESTE QUE JAMAIS OCORREU, TANTO QUE OS ELEMENTOS UTILIZADOS PELOS SENHORES AGENTES FISCAIS FORAM TODOS FORNECIDOS PELA ORA RECORRENTE, TAIS COMO EXTRATOS BANCÁRIOS, RELATÓRIOS, LIVROS ETC..., E, MESMO QUE SE ASSIM NÃO OCORRESSE, A MESMA ESTARIA ENQUADRADA NOS TERMOS DO ART. 83 DO DECRETO 2.730/98 CONFORME TRANSCREVE: [......] Requer, ainda, que seja desconsiderada a multa aplicada, uma vez que em momento algum foi demonstrado ou comprovado dolo, fraude ou simulação por parte da ora recorrente, citandose para tanto o que preceitua a PORTARIA CARF 106 e SUMULA 25 do mesmo órgão, conforme segue: [........] E, FINALMENTE REQUER A DISPENSA DO PROCESSO DE ARROLAMENTO DE BENS, TENDO EM VISTA O PAGAMENTO PARCIAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APONTADOS NO PRESENTE AIIM. OUTROSSIM INFORMA TAMBÉM, QUE POR SER OPTANTE AO PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI 11.941/2009 E, CASO VENHA SEU DÉBITO, DEFINITIVAMENTE SER OBJETO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO, O MESMO NÃO DEPENDE DE APRESENTAÇÃO DE GARANTIA OU ARROLAMENTO DE BENS, CONFORME DISPÕE O ARTIGO 11 INCISO I DE CITADA LEI. OS PEDIDOS Diante de todo o exposto na presente impugnação, requer: 1. Que sejam consideradas as afirmações, explicações e justificativas apresentadas pelo ora recorrente a fim de considerar os valores constantes no presente auto de infração como NÃO RECEITAS OPERACIONAIS, sendo portanto indevida sua tributação como tal!., 2. Que os recolhimentos efetuados, bem como a alíquota utilizada para tais apurações sejam declarados como suficientes e exatos., 3. Do não encaminhamento da representação penal bem como da não aplicação da multa de oficio, uma vez comprovada a não ocorrência de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. 4. Requer que sejam aceitas as alegações referente as movimentações junto ao Banco Bradesco e Banco Real citadas no preâmbulo, como sendo movimentações de retiradas prólabore, distribuição de lucros e conta corrente de empréstimos, não representando receitas omitidas pela empresa fiscalizada. 5. A aplicação dos benefícios de isenção e/ou imunidade tributaria previstas para a venda e comercialização de livros previstas em nossa legislação conforme já citado nesta e, 6. Caso venha a responder com valores referente aos anos em questão seja beneficiado com sua inclusão no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009 RAZÃO PELA QUAL, Há que ser tornado nulo ou insubsistente o auto de infração que ora se ataca, tonandose sem efeito o imposto exigido, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a Fl. 1496DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 14 pretensão do agente do fisco, bem como, todos os pagamentos efetuados à maior sejam levados à credito no conta corrente da empresa ora recorrente, e que os mesmos possam ser compensados em impostos futuros. E, finalmente requer que todos os itens constantes preliminarmente nesta impugnação sejam aceitos, e na sua totalidade declarados como verdadeiro os fatos e declarações aqui elecandos, tornando desta forma IMPROCEDENTE EM TODO o presente auto de infração, fazendose desta forma nada mais do que J U S T I Ç A ! ” A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. LIMITE DA LIDE. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PEDIDO DE PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO EM DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, não comportando análise de questões que tratam de arrolamento de bens, de parcelamento do crédito tributário mantido em decisão administrativa final, nem de representação fiscal para fins penais. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova em que se fundamentar. DOCUMENTAÇÃO. EXTRAVIO. PROVIDÊNCIAS. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição de documentos contábeis e fiscais. EXCLUSÃO DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Excluída da sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica sujeitase às demais normas tributárias aplicáveis as pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada movimentação de recursos da pessoa jurídica autuada em contas correntes da pessoa física de sua sócia, mantémse o lançamento, diante da verificação de omissão de receitas, não afastada pela defesa mediante prova documental. ALEGAÇÃO DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. Tendo a fiscalização discriminado as exclusões contempladas na determinação da base de cálculo, a alegação de ocorrência de transferências entre contas que não teriam sido consideradas, sem a demonstração das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas e valores, não é capaz de justificar a origem dos recursos e afastar a exigência. Fl. 1497DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 15 ALEGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS. As alegações de que os depósitos questionados decorreriam de empréstimos recebidos devem ser acompanhadas dos correspondentes contratos apontando coincidência de datas e valores. ALEGAÇÃO DE REPASSE DE RECURSOS A TERCEIROS PARA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAL DIDÁTICO E ALIMENTAÇÃO. A alegação de que parte dos depósitos questionados não corresponderia a receitas operacionais porque teria sido repassada a terceiros para fornecimento de material didático e alimentação, não é hábil a afastar ou reduzir a exigência se desacompanhada das correspondentes provas documentais, mormente se adotada a forma de tributação pelo lucro arbitrado ou pelo lucro presumido, em que já está contemplada a exclusão de todas as despesas da atividade por meio dos percentuais aplicáveis para apuração das bases de cálculo. EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CSLL. PIS. COFINS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, adotase igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Justificase a qualificação da penalidade aplicada sobre os tributos relativos à receita omitida, ante a reiterada constatação e confirmação pela autoridade fiscal de que recursos da pessoa jurídica, não contemplados em sua escrituração, foram, de fato, movimentados em contacorrente de pessoa física de titularidade de sócio, ficando à margem da regular tributação. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1270 e seguintes, no qual parece repisar, ipsis litteris as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1498DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 16 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte praticamente reapresentou a peça impugnatória, sem fazer qualquer referencia aos fundamentos da decisão de primeira instancia que enfrentou, com profundidade, todos as alegações da recorrente. Passo a reapreciar as razões de defesa. A recorrente reitera, em preliminar a nulidade do auto de infração, por inexistência de justa causa para sua lavratura, uma vez que não ocorreu qualquer ilicitude no seu procedimento e, ainda, por ausência de infração a disposições legais, invocando o art. 5º, II, da CF. Nesse aspecto, cumpre consignar que o art. 142 do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 estipula, como etapas do procedimento administrativo de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. No caso presente, o lançamento foi formalizado mediante lavratura de um auto de infração. Logo, o ato de sua formalização deve submeterse às prescrições do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades pertinentes ao seu conteúdo indispensável, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato, da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula – requisitos observados no presente caso. Nesse contexto, alegações no sentido de inexistência de infração que justificasse a lavratura do auto de infração, principalmente daquela atribuída à recorrente, dizem respeito à motivação que sustenta a prática do ato administrativo de lançamento, e somente poderiam acarretar a improcedência da exigência se acaso o ato contrário à lei fosse infirmado pela defesa. No mérito, conforme asseverado, no relatório acima, o lançamento foi formalizado em razão da constatação de omissão de receitas da pessoa jurídica nos anos calendário 2007 e 2008. Fl. 1499DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 17 Uma vez que a recorrente repisa as alegações da peça impugnatória, peço vênia para transcrever e adotar os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido “(...) Cumpre, assim, aferir, em seu mérito, se a contribuinte traz provas que infirmem a ocorrência de omissão de receita constatada pela fiscalização e/ou que atestem o oferecimento à tributação destas receitas consideradas omitidas, ou, ainda, que os recebimentos questionados pela autoridade fiscal corresponderiam a valores não tributáveis. Antes, porém, apreciamse os requerimentos formulados pela contribuinte, em sua peça de defesa, logo após a argüição de nulidade. Reportase a contribuinte à opção por parcelamento especial, requerendo os benefícios previstos na lei 11.941/2009, a fim de que, caso venha a responder, após total julgamento dos recursos cabíveis e previstos em lei, por débitos relativos a período abrangido por citada norma legal, seja autorizado a consolidálo para pagamento até o prazo máximo permitido, uma vez que a ora recorrente é optante pelo parcelamento especial. Acerca da questão, observese que não se insere, na esfera de competência das Delegacias de Julgamento, segundo o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB , Portaria MF nº 125, de 04, de março de 2009, publicada no DOU de 06/03/2009, revogada pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, a qual passou a partir de 23 de fevereiro de 2011, a apreciação de pedidos concernentes à pretensão de parcelamento do crédito tributário lançado de ofício. De todo modo, registrese que, nos termos do art. 5º da Lei nº 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Mas, nos termos do requerimento, vêse que a contribuinte externa pretensão de parcelar os valores lançados no Auto de Infração se suas razões de defesa não forem acatadas, ou seja, somente em caso de decisão administrativa que lhe seja desfavorável. Não manifesta, portanto, concordância com a totalidade da exigência e com a necessária confissão e demais condições previstas na referida Lei nº 11.941, de 2009, não se justificando a pretensão de valerse de reduções de encargos nela previstas. Prosseguese, assim, na apreciação das razões de defesa. Antes, porém, registrese que não se encontra, na impugnação apresentada, argumentos de defesa específicos em oposição às formas de tributação adotadas na autuação (lucro arbitrado e lucro presumido). Da defesa apresentada, depreendese que objetiva a Contribuinte destacar o cunho Fl. 1500DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 18 social de sua atividade de educação, que seria voltada para pessoas de escassos recursos financeiros e, com isso, justificar a inobservância das normas legais impostas. Todavia, argumentos dessa natureza não são hábeis a afastar a exigência tendo em conta que, em se tratando de matéria tributária, não importam os motivos pelos quais a pessoa jurídica deixou de atender às exigências fiscais. A infração é do tipo objetivo, na forma do art. artigo 136 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Por outro lado, a atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, a teor do art. 142 do mesmo diploma legal, de modo que, verificada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, é dever do Auditor Fiscal formalizar a correspondente exigência, inclusive sob pena de responsabilidade funcional. Prosseguindo, temse que a contribuinte transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e assevera que em momento algum deixou de atender as intimações da autoridade fiscal, como também não negou que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização, correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. De plano, vêse que, assim como já havia feito no curso do procedimento fiscal, a contribuinte confirma, também em sua peça de defesa, que os valores movimentados nas contas elencadas pela fiscalização correspondiam a mensalidades dos alunos do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda. E, nessas circunstâncias, se ausente prova de inclusão de tais valores como receitas da pessoa jurídica e de seu regular oferecimento à tributação, configurase a omissão de receitas imputada pela fiscalização. Quanto à alegação de que a contribuinte não teria deixado de atender a intimações, observese, de início, que a penalidade aplicada, no percentual de 150%, não foi qualificada em razão de eventual falta de atendimento de intimações, mas em decorrência do previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 c/c art. 19, da Lei nº 9.317, de 1996, como constou no enquadramento legal do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Ademais, descreve a autuante, no Termo de Verificação, que para dar oportunidade da fiscalizada comprovar as alegações efetuadas, principalmente no que concerne a valores movimentados nas contas bancárias que não representam receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, foi lavrado em 02/02/2011, Termo de Constatação e Intimação, solicitando: 1) Tornar disponíveis para exame TODOS os documentos que serviram de base para o preenchimento da resposta ao termo de intimação lavrado em 17/12/2010, cuja resposta foi encaminhada à esta DRF/Campinas em 12 de janeiro de 2011; 2) Apresentar documentação hábil e idônea, compatível em data e valor, comprovando que a pessoa jurídica atuou meramente como intermediária no repasse de recursos relativos à “alimentação” e “materiais didáticos”; serviços estes efetuados por terceiros (contrato de prestação de serviços); Fl. 1501DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 19 3) No tocante aos créditos/depósitos que correspondam à empréstimos e capital de giro, efetuados junto a instituições financeiras, apresentar documentação que comprove as alegações efetuadas; 4) Na hipótese de eventual crédito/depósito ter sido escriturado em livro caixa, bem como já ter sido tributado, apresentar documentos, hábeis e idôneos, compatíveis em data e valor que comprovem a sua efetiva tributação. Em resposta ao termo do parágrafo anterior, a fiscalizada afirmou: "Em data de janeiro de 2009, a empresa sofreu um alagamento em virtude de fortes chuvas, tendo inclusive parte do telhado de seu estabelecimento totalmente destruído, causando com isso uma grande perda de equipamentos, bem como uma total destruição de seu arquivo não mais tendo, desta forma, documentos que possam comprovar o alegado na resposta data em 12.01.2011, utilizandose de média de gastos com os repasses praticados nos pagamentos de materiais didáticos bem como com compra de refeições, haja visto que a mesma atua neste mercado desde 1985, ou seja há mais de 25 anos." (negritamos) Como se vê, foram solicitados documentos hábeis a comprovar as alegações relacionadas à identificação de valores depositados nas contas correntes, tendo a Fiscalização concedido oportunidades para a contribuinte se manifestar no curso do procedimento e comprovar suas alegações acerca das receitas questionadas, obtendose, em resposta, informação de que teria ocorrido alagamento. Na defesa, a Contribuinte apresenta planilhas com as colunas “Data”, “histórico”, “valor”, “valor considerado” e “histórico”, a exemplo de: “mensalidades escolares com inclusão de valores repassados para aquisição de materiais pedagógicos/alimentação” e “redepósito de saldo de valores sacados anteriormente para pagamento de pequenos fornecedores e não utilizado pela empresa”. Todavia, não traz prova documental alguma dos históricos que indica. Reprisa, em sua defesa, a alegação de ocorrência de alagamento em suas dependências, que teria atingido equipamentos e arquivos. Notese, sobre a conservação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que dispõe o art. 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decretolei nº486/69, art. 44º). § 1º. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decretolei nº 486/69, art. 10). Fl. 1502DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 20 § 2º. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decretolei nº 486/69, art. 10, parágrafo único). (Grifouse). Como se verifica, as empresas em geral, entre as quais se incluem as optantes pela sistemática do SIMPLES, são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No caso de extravio desses documentos, o fato deve ser divulgado em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicado ao órgão competente do Registro do Comércio e à Receita Federal da jurisdição da empresa. É de fundamental importância e de exclusivo interesse da contribuinte as providências acima transcritas, sendo imprescindíveis para o resguardo de seus interesses. E, no caso, não comprova a contribuinte que teria tomado as providências exigidas pela legislação. Embora na defesa a Contribuinte se refira a boletim de ocorrência, não se encontra documentação alguma nesse sentido instruindo sua defesa. De todo modo, é importante esclarecer que a adoção dos procedimentos previstos no parágrafo 1º supra transcrito, ainda que viesse a ser comprovada (o que, no presente caso, sequer ocorreu) apesar de necessária, não seria suficiente para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais. O certo é que, como já mencionado, em se tratando de matéria tributária, não importam os motivos pelos quais a pessoa jurídica deixou de atender às exigências fiscais. A infração é do tipo objetivo, na forma do art. artigo 136 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Assim, ainda que as providências previstas no parágrafo § 1º do art. 264 do RIR/99 tivessem sido devidamente tomadas, não estaria o contribuinte eximido da obrigação de reconstituir a sua escrita contábil (ou pelo menos o livro Caixa, no caso das empresas optantes pelo SIMPLES) e, quando intimado, comprovar documentalmente suas operações, conforme se conclui das disposições do parágrafo 2º do dispositivo transcrito, que prevê a reconstituição dos livros fiscais. Caberia à interessada, no caso, buscar e obter as informações e cópias de documentos junto a terceiros, como instituições financeiras, repartições estaduais e federais, fornecedores, clientes etc. Somese a isso não poder a Contribuinte se furtar à responsabilidade pela alegada perda, ao não garantir a guarda segura de seus documentos. Portanto, não tendo a interessada apresentado as provas documentais solicitadas no curso da ação fiscal, permanece sem respaldo a pretensão, Fl. 1503DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 21 externada em resposta apresentada no curso do procedimento e reprisada na peça de defesa, de atribuir os valores questionados pela fiscalização a mensalidades de outros anoscalendário; a valores que teriam sido escriturados em outros anos; a repasses a terceiros a título de aquisição de material pedagógico/alimentação; a sobras de caixa; a valores que teriam sido depositados pela sócia no Banco Bradesco e que teriam sido recebidos a título de distribuição e lucro e prólabore; a valores de empréstimos no Banco Real. Na seqüência, alega a contribuinte não ter agido com dolo ou máfé, circunstância que será apreciada ao final deste voto. Quanto à alegação de que a fiscalização não se preocupou em excluir itens como transferências entre contas de valores ou mesmo créditos de empréstimos, que não se relacionam com os ditos faturamentos omitidos, também não é hábil a afastar a exigência. De fato, ao contrário do que alega a defendente, no Termo de Verificação, foi discriminada a Receita Omitida, objeto de lançamento de ofício, contemplando exclusões assim identificadas pela fiscalização: .... As colunas (4), (7) e (10) do demonstrativo de fls. 56/57, referemse à totalização mensal da receita do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda EPP, CNPJ 54.142.419 000107, recebida nas contas: 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 23892 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real. No demonstrativo de fls. 56/57 já foram descontados das receitas apuradas, os valores abaixo listados, que se referem a empréstimos e transferência interbancária, conforme demonstrativo: [planilha] Também foram descontados os cheques devolvidos, relativos às contas 1) conta no. 21.1346, agência 12270 do Banco do Brasil, 2) conta no. 51.7046, agência 2389 2 do Banco Bradesco e 3) conta 40002191, agência 1191 do Banco Real, conforme colunas (3), (6) e (9) do demonstrativo nas fis. 56/57. A coluna (11) do Demonstrativo 7 (fis. 56/57) representa a totalização mensal da receita omitida apurada, constituindose em base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ e das demais contribuições PIS/PASEP, COFINS e CSLL Como se vê, a fiscalização detalhou os valores apurados de modo que, para justificar a pretensão de excluir valores integrantes da base de cálculo autuada, sob alegação de que corresponderiam a transferências e empréstimos, deveria a contribuinte: a) identificar, de forma individualizada, os valores que teriam saído de outra conta de mesma titularidade e que teriam ingressado, na mesma data, e no mesmo montante, nas contas em questão, ou seja, deveria apontar as movimentações de transferência entre contas de mesma titularidade, da Fl. 1504DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 22 Pessoa Jurídica e/ou da Pessoa Física da sócia em que movimentadas receitas de mensalidades escolares, coincidentes em datas e valores. Somente poderiam ser excluídos da exigência valores que representam ingresso em conta da contribuinte para o qual exista prova de saída, no mesmo valor e na mesma data, de outra conta de mesma titularidade e, ainda, que integrem a listagem de créditos considerados, com base na qual foram obtidos os valores lançados. No caso presente não apresentou a contribuinte prova alguma nesse sentido; b) apresentar contratos de empréstimo (mútuo) em que verificada coincidência de datas e valores dos eventuais valores emprestados em relação aos depósitos questionados – provas essas também não identificadas na defesa. Reiterese que a fiscalização já havia admitido as exclusões que identificou nas colunas “3”, “6” e “9” das planilhas das páginas 56/57 e no “demonstrativo 8” das páginas 58/59. Nesse contexto, para que, em sede de impugnação ao lançamento, pudessem ser admitidas outras exclusões para redução da base de cálculo, necessária seria que a interessada apresentasse as provas documentais a darem respaldo a suas alegações. Os históricos contidos nas planilhas que integram a impugnação apenas reproduzem argumentos já ofertados no curso do procedimento que, por não estarem acompanhados das provas documentais, não foram acatados. De fato, seja na impugnação, seja no recurso voluntário, nenhuma prova documental foi trazida nesse sentido. Consignese que, nos termos do art. 16, parágrafos 4º e 5º do Decreto 70.235, de 1972, a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo, a contribuinte, do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto. E, se este for o caso, existe forma a observar. Na seqüência, argumenta a contribuinte que “Em relação à movimentação bancária particular da sócia da empresa ora recorrente, informa ainda que nem todos os valores que nelas transitaram podem ser qualificadas como receita operacional da pessoa jurídica, que como bem declara a titular das mesmas, “os valores pertencem ao Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda.” Através dos demonstrativos e relatórios que acompanham a presente impugnação, verificase que em diversas oportunidades os valores correspondem a renegociação.” Como se vê a contribuinte, mais uma vez, afirma que os valores movimentados nas contas bancárias auditadas pela fiscalização pertencem à pessoa jurídica autuada, mas que nem todos os valores que transitaram por tais contas podem ser tidos como receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda, dado que, pelos relatórios que acompanham sua peça de defesa, verificase que em diversas oportunidades os valores corresponderiam a renegociação. Fl. 1505DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 23 Todavia, não se identificam junto à defesa provas de tais alegações. Os demonstrativos e relatórios que integram a impugnação constituemse apenas de tabelas, desacompanhadas de provas documentais, que não permitem comprovar que valores integrantes da base de cálculo autuada corresponderiam a renegociações decorrentes de mensalidades escolares de outros períodos. De todo modo, não comprova a contribuinte que os valores recebidos a título de mensalidade escolares, quer relativas aos anos calendário de 2007 e 2008, quer recebidas em 2007 e 2008 e relativas a períodos anteriores, já teriam sido oferecidos à tributação. Também a alegação de que valores recebidos corresponderiam a repasses a terceiros para aquisição de material pedagógico e alimentação, não restou comprovada. Apresenta a defendente, no tópico “Justificativa para Aquisição de Material Didático”, relação de notas fiscais de 2008 que corresponderiam a aquisições da Editora FDT e Gráfica e Editora Anglo Ltda., mas, além de não apresentar todas as referidas notas (mas apenas 04 Notas Fiscais, 01 da FTD e 03 do Anglo), não comprova que os valores recebidos a título de receitas de mensalidades teriam, em parte, como contrapartida, o fornecimento de material didático. Ou seja, não comprova a correspondência entre os valores recebidos nas contas questionadas pela fiscalização e os valores que alega ter pago à Editora FTD e à Gráfica e Editora Anglo Ltda. Igualmente, injustificável a pretensão de que parte dos valores recebidos (créditos em contas correntes) não fosse tributada sob alegação de que corresponderia a venda de material escolar, amparada por imunidade constitucional, pois sequer foi comprovada a vinculação entre os créditos em conta bancária questionados e o eventual fornecimento de livros. Por outro lado, a aquisição de material junto à Editora FDT e a Gráfica e Editora Anglo para revenda aos alunos da pessoa jurídica (Colégio), ainda que viesse a ser comprovada (o que, repitase, não logrou a Contribuinte fazêlo), não afastaria a exigência formalizada, pois tais valores representariam despesas da pessoa jurídica que, tanto na sistemática do lucro presumido como na sistemática do lucro arbitrado, já estão excluídas da base de cálculo quando essa é calculada a partir da aplicação de um percentual sobre as receitas, conforme se verifica nos demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL que integram os autos de infração. A contribuinte busca também atribuir os valores questionados pela fiscalização e integrantes da base de cálculo a depósitos de valores retirados através de saques efetuados em moeda corrente para o uso diário do caixa da empresa e por não serem totalmente utilizados, enviados novamente para depósito a fim de evitar riscos em mantêlos no caixa da empresa. Mas, também neste aspecto, assim como já havia ocorrido no curso do procedimento fiscal, não traz a defesa prova documental alguma da alegação apresentada. Não há, nos elementos apresentados pela defesa, forma alguma de se associar valores depositados nas contas correntes analisadas pela fiscalização a alegadas sobras de saques anteriores, que teriam sido feitos para pagamentos Fl. 1506DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 24 de despesas correntes da pessoa jurídica e novamente depositados na mesma conta corrente. O mesmo se diga em relação às alegações de que movimentações no Banco Bradesco corresponderiam a recursos das retiradas pro labore e de distribuição de lucros da sócia, estando portanto declarada em seu imposto de renda pessoa física e que movimentações no Banco Real teriam sido feitas para obtenção de empréstimo e capital de giro. Prova documental alguma foi apresentada nesse sentido. De todo modo, acrescentese, acerca da alegação de que receitas já teriam sido tributadas na declaração de pessoa física da sócia, que, tanto no curso do procedimento fiscal, como em tópicos da peça de defesa, a própria Interessada admite que os valores creditados em contas de titularidade da pessoa física, questionados pela fiscalização, correspondem a receitas da pessoa jurídica (Colégio). Registre que a própria Contribuinte instrui sua defesa com a resposta apresentada à Fiscalização em atendimento à Intimação de 17122010, em que declara que, tendo sido intimada a prestar informações acerca de suas movimentações bancárias, ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas do Banco do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José di Santo Navarro são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante. Mas, no tópico da defesa denominado “atendimento ao Termo de Intimação de 17122010” alega que movimentações no Banco Bradesco corresponderiam a retiradas pró labore e distribuição de lucros. Todavia, além de nenhuma prova trazer nesse sentido, vêse, das Planilhas 2 e 5 que integram o Termo de Verificação, que créditos no Bradesco foram assim relacionados (antes da exclusão dos cheques devolvidos): Mês Totais mensais (R$) 2007 (Planilha 2) 2008 (Planilha 5) Jan 66.929,15 0,00 Fev 59.286,64 0,00 Mar 965,32 2.350,00 Abr 3.485,92 1.500,00 Mai 1.240,80 1.900,00 Jun 400,00 880,00 Jul 100,00 2.287,41 Ago 3.570,00 1.000,00 Set 400,00 200,00 Out 3.600,00 1.650,00 Nov 250,00 0,00 Dez 4.449,00 0,00 Constatase, das citadas planilhas, que os créditos mais significativos no Banco Bradesco foram efetuados nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, totalizando, respectivamente, R$ 66.929,15 e R$ 59.286,64, distribuídos em Fl. 1507DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 25 várias datas ao longo desses dois meses, sob o histórico Dep Cheque, Dep dinheiro, não apresentando regularidade que seria esperada se correspondesse efetivamente a recebimento da pessoa física a título de pró labore. Para os demais meses, os créditos, em valores de menor monta (totais mensais entre R$ 200,00 em setembro/2008 e R$ 3.485,72 em abril/2007), também não se apresentam de forma regular em valor e data, e, em 30/07/2008, foram efetuados sob histórico Receb PagFor, incompatível com a alegação de que seriam recursos depositados a título de pro labore ou recebimento de lucro. Não, há, portanto, sequer indício que permita acatar a alegação relativa a créditos no Bradesco. Ademais, se a pretensão da Contribuinte é alegar que receitas da pessoa jurídica teriam sido tributadas em declaração da pessoa física, tal hipótese configuraria ofensa ao Princípio da Entidade, o qual, entre outros, rege as normas contábeis e reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição (art. 4º da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, CFC, nº 750/93). Em face do mencionado princípio, todas as receitas da pessoa jurídica deveriam ser reconhecidas na sua contabilidade e integram o seu patrimônio, de modo que, eventual oferecimento à tributação de suas receitas em declaração de sua sócia (pessoa física) – fato que sequer foi comprovado – ainda que tivesse ocorrido, não é hábil a afastar a exigência formalizada na pessoa jurídica que auferiu as receitas. A contribuinte inclui, então, em seus argumentos de defesa, trechos esparsos que diz serem julgados onde tais situações são plenamente aceitas como provas, acrescendo ementa fundamentada na Súmula 182 do TFR. Nesse ponto, cumpre registrar, quanto à Súmula 182, do antigo Tribunal Federal de Recursos, que se trata de interpretação antiga, do já extinto tribunal, proferida antes da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, que enunciou em seu artigo 42 a presunção de omissão de receitas em face de depósitos e créditos bancários não comprovados. Por conseguinte, não abrange o presente caso, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador. Acerca da questão já se manifestou este Conselho, a exemplo do acórdão cuja ementa enuncia: “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA nº 182/TRF – Na hipótese de existência de depósitos bancários não escriturados, se a empresa não provar, mediante razoável Fl. 1508DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 26 correlacionamento individualizado, que sua origem é a escrita regularmente contabilizada e que os saldos de caixa englobam os montantes em depósito, tornase correta a ação fiscal que adiciona à receita bruta contabilizada os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. (Acórdão 10319781, publicado no D.O.U de 17/03/1999) Ademais, inaplicável ao caso tal argumentação, uma vez que nem há que se falar de “presunção” de omissão de receitas, pois referida omissão restou evidenciada na medida que consignou a fiscalização em seu Termo de Verificação, que em resposta ao termo de intimação citado no parágrafo anterior, a fiscalizada confirma: “ratifica que todos os valores que transitaram pelas contas dos bancos do Brasil, Bradesco e Real, de titularidade de sua sócia majoritária Sra. Maria José Di Santo Navarro, são de propriedade ou originaram dos recebimentos da pessoa jurídica ora declarante.” (Destaque acrescido). De fato, se a própria contribuinte, no curso do procedimento, admite que os valores creditados nas contas bancárias analisadas pelo autuante correspondem a receitas do Colégio ora autuado, e, em momento algum, comprova documentalmente que tais valores não corresponderiam a receitas operacionais do período em que foram creditados, nem que já teriam sido oferecidos à tributação antes do início do procedimento fiscal e da ciência da autuação, evidenciada está a ocorrência de omissão de receitas, sujeita a incidência de IRPJ e seus reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Nesse contexto, reprisese que, tendo em conta que a própria defendente reconheceu na impugnação ofertada que se tratava de receita pertencente Colégio Vivendo e Aprendendo Ltda., e, inexistentes provas contundentes em contrário, não há como não têlas como sendo decorrentes de sua atividade normal e, portanto, receita operacional da empresa. Ainda, cabível consignar que a fiscalização logrou apurar, por meio de métodos e critérios expressamente previstos em lei, a ocorrência de omissão de receita. E, diante dessa constatação, promoveu, por dever de ofício, a lavratura dos autos de infração para constituição do crédito tributário – atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do art. 142 do CTN. Também injustificáveis se mostram os questionamentos acerca de acesso a informações bancárias. No presente caso, a própria contribuinte, intimada, apresentou os extratos bancários solicitados no curso do procedimento, de modo que não há que se cogitar de quebra de sigilo. Na sequência, apreciase a alegação de inexistência de dolo, aspecto acerca do qual argumenta a contribuinte que a gerência da empresa estava totalmente a cargo de sua sócia majoritária e que esta não agiu com dolo ou máfé ao movimentar valores da empresa em sua conta particular, apenas tentou atender suas necessidades, uma vez que o banco oferecia vantagens na movimentação de sua conta bancária, bem como um atendimento diferenciado com descontos e taxas de serviços e créditos pela movimentação Fl. 1509DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 27 de um melhor saldo médio, podendo com isso formar caixa para pagamento de seus fornecedores e colaboradores da empresa. Contudo, a alegação de que a movimentação de recursos da pessoa jurídica (cujo oferecimento à tributação não foi comprovado) em conta de pessoa física da sócia teria ocorrido apenas para que essa se beneficiasse de melhores condições de taxas bancárias, não é hábil a afastar a imputação fiscal de que a fiscalizada ao transitar receita operacional do Colégio Vivendo e Aprendendo .... nas contas bancárias ..... de titularidade da pessoa física Maria José Di Santo Navarro, ...., conforme descrito ..., teve por intenção ocultar da Administração Tributária o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conduta esta tipificada no inciso I do art. 71 da Lei 4.502/64 (sonegação fiscal), com a conseqüente aplicação da multa de 150%. Ora, a alegação da defesa não permite afastar a imputação fiscal de que houve intenção de ocultar as receitas recebidas pela pessoa jurídica, pois, se assim não fosse, os valores questionados pela fiscalização deveriam estar contemplados no Livro Caixa e deveriam ter sido oferecidos à tributação pela pessoa jurídica, o que não comprovou a interessada, quer no curso do procedimento, quer na defesa que ora se analisa. Esclareçase também à defesa, quanto à alegação de que os elementos utilizados pelos senhores agentes fiscais foram todos fornecidos pela ora recorrente, tais como extratos bancários, relatórios, Livros, etc, que não se está imputando a multa qualificada, no percentual de 150%, por não ter a contribuinte atendido a intimações da fiscalização. Tal conduta ensejaria o agravamento da multa de ofício aplicada (de 150% para 225%), nos termos do art. 44, § 2º, “a” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 11.488/2007 o que não foi feito na presente autuação. Ademais, se como já mencionado, tanto no curso do procedimento como da impugnação, admite a contribuinte que os recursos movimentados nas contas correntes referemse a receitas da pessoa jurídica, inócua a pretensão de afastar a multa de ofício invocando a Súmula nº 25 do CARF, pois esta assim dispõe: Súmula CARF Nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. E, no presente caso, a qualificação da multa não se deu em razão de presunção legal de omissão de receita, mas sim porque evidenciada pela fiscalização o artifício da utilização de conta da pessoa física da sócia para movimentar recursos da pessoa jurídica, recursos estes não declarados e não oferecidos à tributação pela contribuinte autuada, a qual, apesar de regularmente intimada, não logrou comprovar documentalmente que os valores questionados não seriam receita tributável. Fl. 1510DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 28 Além do mais, a Súmula 34 do CARF, prevê a qualificação da multa de ofício para os lançamento em que se apurou omissão de receitas ou rendimentos decorrentes de depósitos bancários, quando há movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Nessas circunstâncias, não há como afastar imputação fiscal de sonegação fiscal e a aplicação da multa no percentual de 150%, a qual tem base legal no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 (redação original), bem como no art. 44, § 1º, da mesma lei com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Quanto à oposição à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, esclareçase, desde já, à defendente que o julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação, e que foram tempestivamente impugnados. Logo, in casu, ao julgador compete, tãosomente, a análise da constituição do crédito tributário em litígio, sem comportar a questão da Representação Fiscal, porque se trata de atividade não afeta à autoridade julgadora, a teor do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009 (art. 212), atual Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010. A Representação Fiscal para Fins Penais foi formalizada pela autoridade fiscal por entender que a infração, em tese, configura crime contra ordem tributária, nos termos previstos no art. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. Referida representação fiscal, tratada no processo nº 10830.015959/201019, não é objeto do presente julgado, tanto que se encontra apartado do presente processo e aguarda no Sefis da DRF/Campinas/SP, não tendo as Delegacias de Julgamento competência para a sua apreciação. Além disso, consoante disposto no “caput” do art. 83 da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, mencionada representação somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário em discussão no presente processo. Especificamente acerca da questão, há, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) explicitando a incompetência daquele colegiado para sua análise, aplicandose, consequentemente, igual entendimento no julgamento em primeira instância nas Delegacias de Julgamento: Súmula CARF nº 28 Fl. 1511DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 29 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O mesmo se diga em relação ao procedimento atinente ao Arrolamento de Bens, não estando a questão levantada pela defendente dentre aquelas inseridas na competência dos órgãos julgadores administrativos. Por fim, dentre os pedidos formulados, requer a Contribuinte que os recolhimentos efetuados, bem como a alíquota utilizada para tais apurações sejam declarados como suficientes e exatos. Neste aspecto, observese que, distintamente do que ocorreu em relação ao anocalendário de 2006, objeto de autuação no processo nº 10830.015574/201043, no qual o contribuinte apresentou pagamentos efetuados após a ciência do lançamento e relativos a parcelas da exigência com as quais concordou – no presente processo nenhum pagamento foi apresentado. Relativamente aos períodos fiscalizados (AC 2007 e 2008), o contribuinte apresentou Declarações de ajuste pelo SIMPLES, encontrando se, nos sistemas informatizados, apenas recolhimentos de código 6106 para períodos de apuração de janeiro a junho/2007 e recolhimentos de Simples Nacional a partir de julho de 2007. De todo modo, observese que quaisquer eventuais recolhimentos efetuados para os períodos em questão (2007 e 2008) somente poderiam afetar a exigência em litígio se a Contribuinte comprovasse que se referem às receitas objeto de autuação, quais sejam: aquelas que transitaram pelas contas correntes analisadas pela Fiscalização. Recordese que, como se extrai do Termo de Verificação, a Fiscalização não incluiu, na base de cálculo autuada, receitas declaradas, mas restringiu a exigência a valores de créditos encontrados nas contas correntes de titularidade da pessoa física da sócia, que, como se viu, a própria contribuinte admitiu corresponderem a receitas da pessoa jurídica – circunstância não revertida na impugnação. Portanto, não há como acatar a pretensão de que eventuais recolhimentos (que sequer são identificados pela defesa) sejam considerados suficientes e exatos. Quanto às exigências reflexas de CSLL, PIS e Cofins, não foram opostas razões de defesa específicas, distintas daquelas já apreciadas e afastadas, de modo que, tratandose de lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, adotase igual orientação decisória. (...)” Ora, a omissão de receitas perpetrada pela recorrente é de clareza solar! As provas colecionadas pelo Fisco são irrefutáveis. No que tange à forma de tributação verificase que a utilização do Lucro Arbitrado/Presumido não merece reparos, isso porque os custos e despesas incorridos pela contribuinte foram todos considerados aplicandose o permissivo legal, uma vez que apenas parte das receitas foi tratada como lucro. Fl. 1512DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.720373/201142 Acórdão n.º 140200.831 S1C4T2 Fl. 0 30 A aplicação da multa qualificada, também não merece reparos, haja vista que restou patente a intenção da contribuinte de sonegar apresentando declarações falsas à Receita Federal, bem como efetuando recolhimentos a menor, reiteradamente. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1513DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721804/2013-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que deram provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que deram provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1662.785 da 1ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 21 80 4/ 20 13 -3 4 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 78 2 Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto 2. Tempestiva a insurgência. Conhecida. 3. O critério de decidir segue no art. 6º, §§ 1º e 2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º). § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; 4. Pesquisa nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (como abaixo mostrado), sobre o tópico “parcelamentos PAEX”, dá conta da existência de dois parcelamentos conduzidos sob dita modalidade: “OPÇÃO PARC 130” e “OPÇÃO PARC 120: SIMPLES”. Vejase: 5. Como se percebe, ambos foram rescindidos por “Pedido de desistência do contribuinte”, assim anotado em 11/11/2009. Vide consultas abaixo: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 79 3 6. D’outro tanto, junta o Contribuinte demonstrativos de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela RFB, com exceção das contribuições previdenciárias”, de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela PGFN”, esses inaugurados em julho/2007, bem que outros “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, assim inaugurado em novembro/2009, tudo seguido de correspondentes comprovantes de arrecadação que sugerem regularidade dos mencionados expedientes pelo menos até janeiro/2013. 7. Considerada a data em que os parcelamentos “PAEX”, antes mencionados, foram rescindidos e a data em que inaugurado o expediente retratado no citado “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, tudo em novembro/2009, igualmente sugere que os primeiros houveram de ser assimilados no último (terceiro parcelamento), isso pela via da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (art. 1º), por exemplo. Ocorre que é necessária prova de que o Contribuinte tenha atuado nesse justo sentido, que nãoé o caso ocorrente nesses autos. 8. Posto isto e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por IMPROCEDENTE O PEDIDO VEICULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. O Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional apenas indicou o seguinte: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 80 4 Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 16.370.116/000152 NOME EMPRESARIAL: EMPRESA NORDESTE DE LAVANDERIAS LTDA ME DATA DA SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO: 23/01/2013 A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 16,370.116/000152 Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Parcelamentos 1) Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX. Os débitos foram listados em valor original. A recorrente, em seu recurso voluntário, alegou, em síntese, o seguinte: · A empresa possuí dois parcelamentos; · Ambos foram rescindidos por pedido de desistência em 11/11/2009; · No mesmo mês, novembro de 2009, optou pelo parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009; · Que reimprimiu todos os documentos relativamento ao parcelamento e o recibo da consolidação. DA DILIGÊNCIA Quanto à questão da necessidade de diligência, levantada por alguns Conselheiros, entendo que o processo reúne condições para ser julgado, prescindindo de mais informações. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado Em que pese a respeitável posição esposada pelo ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, por voto de qualidade, considerou que o processo não reúne condições de julgamento, por faltarem informações indispensáveis à decisão que se há de tomar. Em assim sendo, decidese CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Unidade Preparadora consulte os sistemas de processamento de dados da Receita Federal e informe se em 31/01/2013 o parcelamento em comento se Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Resolução nº 1001000.011 S1C0T1 Fl. 81 5 encontrava ou não ativo, fazendo acostar aos autos os documentos comprobatórios (telas das consultas aos sistemas). Concluída a diligência, deve ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na sequência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100484/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Exclusão do Simples. Inexistência de Prova do Ato Declaratório e da Respectiva Intimação. DIPJ. Multa.
Não cabe multa por falta de entrega de DIPJ contra empresa excluída do Simples, se não houver prova da existência do ato administrativo de exclusão ou se não existir prova de que a empresa foi intimada desse ato.
Numero da decisão: 1301-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Exclusão do Simples. Inexistência de Prova do Ato Declaratório e da Respectiva Intimação. DIPJ. Multa. Não cabe multa por falta de entrega de DIPJ contra empresa excluída do Simples, se não houver prova da existência do ato administrativo de exclusão ou se não existir prova de que a empresa foi intimada desse ato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 82 1 81 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.100484/200833 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.733 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DIPJ Recorrente CAFÉ E BAR COLÔNIA ULTRAMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE PROVA DO ATO DECLARATÓRIO E DA RESPECTIVA INTIMAÇÃO. DIPJ. MULTA. Não cabe multa por falta de entrega de DIPJ contra empresa excluída do Simples, se não houver prova da existência do ato administrativo de exclusão ou se não existir prova de que a empresa foi intimada desse ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 04 84 /2 00 8- 33 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10768.100484/200833 Acórdão n.º 1301002.733 S1C3T1 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso interposto por CAFÉ E BAR COLÔNIA ULTRAMAR LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1231.358, da 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que, negando provimento à impugnação, manteve a multa aplicada contra a recorrente por falta de entrega da DIPJ do ano base 2002. A multa foi motivada por falta de entrega de DIPJ, obrigação acessória a que a recorrente ficou sujeita após ter sido excluída do Simples em razão de débito inscrito em dívida ativa. A recorrente impugnou o lançamento, alegando que não fora intimada do ato de exclusão e que, por isso, tentou tempestivamente, mas sem êxito, entregar a declaração simplificada de pessoa jurídica. A DRJ RJ1 negou provimento à impugnação em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DIPJ. MULTA POR FALTA DE ENTREGA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão da empresa do SIMPLES, torna obrigatória a entrega da DIPJ. Não cumprindo a obrigação, impõese a multa por falta de entrega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, reiterando argumentos já apresentados na impugnação. Disse que não teve ciência do ato de exclusão do Simples. Vindo os autos a julgamento, decidiu a 2ª Turma Especial, da Primeira Seção, conforme a Resolução nº 1802000.049 (fls. 70 a 72), devolver os autos à unidade de origem para as seguintes providências: a) comprovar se o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES n° 296.664 foi recebido pelo contribuinte CAFÉ E BAR COLÔNIA ULTRAMAR LTDA., juntando seu respectivo comprovante (AR) e os documentos enviados. b) Juntar cópia do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES n° 296.664. Em resposta à diligência, a Diort da DRF RJ1 deu a seguinte informação: Em atendimento à diligência feita às fls. 72, informamos conforme pesquisa no SIVEX, de fls. 77, que não há 2ª via do ADE 296664 e, conforme pesquisa no SUCOP, fls. 78, o referido ADE foi emitido em 29/09/2000, mas não há imagem, entretanto, o contribuinte foi excluído do Simples em 01/11/2000, por pendências na PGFN (fls.36). Retornemse os autos ao CARF 1ª Seção. (fl. 79) Com essa informação, os autos retornaram para prosseguir o julgamento. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10768.100484/200833 Acórdão n.º 1301002.733 S1C3T1 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia envolve o cabimento da multa por falta de entrega da DIPJ, que é uma obrigação acessória a que estavam sujeitas as pessoas jurídicas em geral, exceto aquelas incluídas no Simples. A recorrente não entregou a declaração. Disse não ter sido notificada do ato administrativo pelo qual teria sido excluída do Simples. A decisão de primeira instância não se dobrou a esse argumento e manteve a multa, afirmando que a recorrente fora excluída do Simples, com efeitos a partir de primeiro de novembro de 2000, pelo Ato Declaratório nº 296.664, cuja ciência fora efetuada. A prova seria o documento de fl. 36, extraído do sistema Sucop. Diante da controvérsia fática, determinouse diligência para que fosse juntada uma cópia do Ato Declaratório de Exclusão nº 296.664, bem como o comprovante de recebimento do ADE pela recorrente. A resposta da DRF RJ1 dá notícia de que não existe uma segunda via do ato declaratório, nem a possibilidade de extrair uma cópia dele. Não obstante, a DRF asseverou que o ato foi emitido em 29/09/2000. Há, como se percebe, uma controvérsia fática que a diligência não logrou resolver. Assim, considerando que se trata de aplicação de multa, a solução deve ser encontrada aplicandose o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, que manda decidir favoravelmente ao contribuinte quando houver dúvida envolvendo as circunstâncias materiais do fato tido como infração. Portanto, persistindo a dúvida acerca da regular intimação do ato de exclusão do Simples (ADE 296.664), não se pode exigir do contribuinte a apresentação da DIPJ e, dessa forma, não subsiste a multa. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, excluindo a multa por falta de entrega da DIPJ. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 84DF CARF MF
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