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Numero do processo: 10980.001384/2006-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004
COFINS. LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL-STF.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços.
O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016).
Numero da decisão: 9303-006.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004 COFINS. LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL-STF. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016).
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LEI nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERALSTF. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. O artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 13 84 /2 00 6- 49 Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.660 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 7, incisos II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 28/06/2007, do extinto Segundo Conselho de Contribuinte, contra o acórdão nº 20218.164, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição COFINS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de auto de infração, ás fls. 48/55, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 2.745.317,48 de Cofins e R$ 2.058.988,08 de multa de lançamento de oficio de 75%, essa segundo a previsão do art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n" 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. A autuação, lavrada em 06/02/2006 e cientificada em 10/02/2006), ocorreu devido à falta de recolhimento da Cofins dos períodos de apuração de fevereiro a dezembro de 2003, conforme demonstrativos de apuração de fls. 48/49 e de multa e juros de mora de fls. 50/51, tendo como fundamento legal: art. 1" da Lei Complementar le 70, de 1991; arts. 2", 30 e 8° da Lei n°9,718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n°1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; e arts. 2", II e parágrafo único, 3", 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2004 Ementa: ATOS EMITIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.661 3 Os atos praticados pela Receita Federal do Brasil, durante a existência daquele órgão, relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, são considerados como por essa emitidos, tendo plena validade. CONTESTAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE RAZÕES DE FATO E DE DIREITO. A simples alegação de incorreção, a destempo e desacompanhada de razões de fato e de direito em que se fundamenta, não é hábil para modificar o lançamento regularmente efetuado. COFINS. PERÍODO DE AUTUAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. INAPLICABILIDADE. O regime da nãocumulatividade da Cofins só veio a ser instituído em 2004. COMPENSAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTABIL E FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO. A simples alegação de que seria possível a compensação não tem o condão de elidir o lançamento efetuado, ainda mais quando comprovadamente a mesma não ocorreu. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CALCULO. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal consolidouse no sentido de considerar como base de cálculo das contribuições sociais o valor da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. TAXA SELIC. CABIMENTO. Legitima a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei n2 9.065/95. Recurso provido em parte". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, requer essa eminente Corte Superior que se digne em dar provimento ao presente recurso para reformar o r. acórdão recorrido também na parte que determina a exclusão das receitas financeiras da base de calculo da COFINS e restabelecer a decisão da Primeira Instância Administrativa, que bem aplicou a legislação ao caso concreto destes autos. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigma, o acórdão n°20401.913. Em seguida, o ex Presidente da Segunda Câmara do Conselho de Contribuinte, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 1423/1424. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.662 4 A contribuinte apresentou tempestivamente embargos de declaração contra o Acórdão nº 20218.164, proferido pela turma a quo. Contudo, sua análise e decisão ficaram prejudicadas, tendo em vista que, após a interposição, a Contribuinte protocolou, em 03/12/2009, o requerimento às fls. 1.659 (fls. 1.044), informando (requerendo) a desistência do Recurso e Contrarrazões e dos Embargos de Declaração, ressalvando dos efeitos da desistência e renúncia a parte do débito cancelada pela decisão embargada. Os autos foram remetidos para esta E. Câmara Superior, sorteado para este relator, visando à análise e julgamento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 1.387/1.404, cujo seguimento foi admitido por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, em relação à inclusão de outras receitas, inclusive as receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, por força do alargamento previsto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006) declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Sem embargo, como estou submetido ao artigo 62 § 2º, do Regimento Interno do CARF, PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, o qual determina: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016.) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10980.001384/200649 Acórdão n.º 9303006.539 CSRFT3 Fl. 1.663 5 Fl. 1664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001553/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 515 1 514 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001553/200864 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.079 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria contribuição previdenciária Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 53 /2 00 8- 64 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 516 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.575.0988 (fls. 3/41) no valor de R$ 143.549,58 com data de cientificação do contribuinte em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 424/435) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.575.0988 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 90.263,95, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 11/2001 a 07/2002. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o Fl. 565DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 517 3 artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa ESTRUTURAL SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA, CNPJ: 94.480.480/000189, em cumprimento ao contrato 250.2.077.015. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, através do instrumento de fls. 53/57, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo Fl. 566DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 518 4 da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A ESTRUTURAL, notificada do lançamento em 10/02/2004 (AR fls. 48), não apresentou impugnação. DO JULGAMENTO E RECURSO 5. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0421/2004, de 27/04/2004, fls. 62/68. Devidamente notificada a PETROBRAS em 07/05/2004, fls. 69 e a ESTRUTURAL em 19/05/2004, fls. 262 . 6. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 11/05/2004, fls. 71, juntando documentos de fls. 72/260, e aditamento em 26/05/2004, fls. 264/268, apresentando as mesmas alegações já mencionadas em sua defesa. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 519 5 7. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 273/274, o processo foi encaminhado ao CRPS, em 23/07/2004. 7.1. Em relação aos documentos acostados, ficou esclarecido nos itens 5 e 6 das CONTRARAZÕES do INSS: 5. Em sua peça recursal, o contribuinte oferece basicamente os mesmos argumentos expendidos na exordial, sem qualquer alteração quanto ao mérito do contencioso, observandose que os documentos adunados após a emissão da Decisão ora resistida resumemse a cópias de GPS e folhas de pagamento genéricas, insuficientes para o fim colimado de elidir o débito, uma vez que não se vislumbra nexo entre estas e os fatos geradores da exação. 6. Ressaltese, quanto aos demais argumentos esgrimidos pela recorrente, que a finalidade do oferecimento de contrarazões é, antes da apreciação pelo órgão colegiado ministerial, impugnar novos argumentos interpostos pelo sujeito passivo contra atos administrativos emitidos pela autarquia previdenciária (NFLD ou DN). Considerando,que a notificada não trouxe novos elementos, de fato ou de direito, reeditando, tão somente, os expendidos na defesa, não resta outra opção a este órgão a quo de controle da legalidade do ato administrativo, a não ser ratificar os termos da DecisãoNotificação n°17.401.4/0421/2004, tendo em vista que em nada inovou a apelação do contribuinte. (grifei) 8. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001696, de 18/10/2004 (fls. 276/288), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS adotasse as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária para evitar duplicidade de exação, tendo por base a mesma dívida, sob fundamento da responsabilidade solidária. 9. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 289/293). 10. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão, assim como do Pedido de Revisão (fls. 294 e fls. 296), sendo concedido às mesmas, prazo Fl. 568DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 520 6 para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 299/302), em 18/02/2005. 11. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0001070, de 09/08/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 307/309). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 12. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 13. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 14. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 14/01/2008, fls. 344, o AuditorFiscal assim se manifestou: 1 Efetuouse pesquisa nos sistemas informatizados da SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora dos serviços, e constatouse que houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando parcialmente o período referente ao lançamento em pauta, conforme cópia anexada à fls. 340. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 521 7 2 Emitiuse o competente FORCED, fl. 339, para exclusão das competências 11/2001 e 12/2001, fiscalizadas com cobertura contábil. 3 Procedeuse. também, a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA MF/RFB verificandose que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 REFIS, fls. 341. Aderiu, todavia, ao parcelamento especial da Lei nº. 10684/2003 PAES, conforme cópias de telas anexadas às fls. 342 e 343. 4 Assim sendo, encaminhase o presente à Chefe da Equipe Fiscal para prosseguimento. DA CIÊNCIA DAS SOLIDÁRIAS 15. Assim sendo, a PETROBRAS e ESTRUTURAL foram notificadas do Resultado da Diligência de 14/01/2008, fls. 344, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1810/2011 de 21/12/2011 (Petrobrás – fls. 348) em 03/01/2012, AR de fls. 350 e, da INTIMAÇÃO nº 1811/2011 de 21/12/2011 (ESTRUTURAL – fls. 349) em 03/01/2012, AR de fls. 351. 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c Fl. 570DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 522 8 artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. PRESTADORA DE SERVIÇOS FISCALIZADA COM EXAME DA CONTABILIDADE. EFEITOS. Constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com exame de sua contabilidade, em período que inclui fatos geradores apurados na empresa tomadora de serviços, revelase incabível o lançamento de crédito tributário apurado por solidariedade na empresa contratante, relativamente às competências fiscalizadas, a teor da legislação de regência. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras apresenta Recurso Voluntário às fls. 446/456 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 523 9 7 Após análise pela DRJ reconhecendo pelo cancelamento parcial do lançamento das competências de 11/2001 e 12/2001 em decorrência da informação pela análise da contabilidade na empresa prestadora que já teria sido reconhecida pela autoridade lançadora às fls. 344, restando apenas para julgamento as competências 01/2002 a 07/2002 do presente lançamento. 8 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 9 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Fl. 572DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 524 10 Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): Fl. 573DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 525 11 "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE Fl. 574DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 526 12 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Fl. 575DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 527 13 Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195.” 10 – Às fls. 344 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 528 14 11 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Fl. 577DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 529 15 Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os Fl. 578DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 530 16 termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 531 17 Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 532 18 Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) Fl. 581DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 533 19 No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” Fl. 582DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 534 20 12 Portanto, em relação à construção civil entendo que deve ocorrer a comprovação da mesma forma que na cessão de mão de obra, indicando a declaração de voto do Conselheiro Mário Humberto Cabus Moreira Representante do Governo no CRPS, tomando como minhas as razões de decidir na época na declaração de voto às fls. 172/174 nos autos do PAF nº 18471001855200832 decisão nº 0035.463.9730 de 25/05/2004: "O fato de o contratante dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra não fazer prova hábil para a elisão da solidariedade, ao revés do entendimento do Fisco, não pode servir como presunção de existência de crédito tributário em relação ao contribuinte. A elisão da solidariedade não se trata de dever jurídico do contratante, porém, de faculdade sua, inscrita nos parágrafos 3o e 4o, do art.31, da Lei n° 8.212/91 (na redação em vigor até 31.01.1999), como exceção à regra geral prevista no caput, qual seja, a que atribui responsabilidade solidária na contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra a toda e qualquer empresa contratante. Apenas para reforçar a assertiva anterior, indagase qual o dispositivo da Lei de Custeio que prevê a elisão da solidariedade na construção civil. A resposta é: a responsabilidade solidária está inscrita no inciso VI, do art. 30 da Lei n° 8.212/91, todavia, não há previsão legal quanto à elisão na construção civil. A faculdade de elidir a solidariedade somente vem expressa no Regulamento da Previdência Social, em seu art. 220, § 3o. A elisão da solidariedade está dependente de obrigações acessórias, de elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas, exclusivas do executor (prestador de serviço). Somente o executor é punível pelo ilícito tributário de não preparar folhas e guias específicas na cessão de mãodeobra, mediante a lavratura do correspondente auto de infração. Em havendo o direito de elidir a solidariedade, a norma inserta no art. 31 da Lei de Custeio (na redação em vigor até 31.01.1999), unicamente incide para definir quem é o sujeito passivo: se apenas o contribuinte (haja vista estar provada a ocorrência de elisão da solidariedade); ou, o contribuinte e o responsável, conjuntamente. Todavia, não incide para atestar, a priori, a existência de crédito tributário oponível prontamente pelo Fisco contra o responsável, sem qualquer Fl. 583DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 535 21 outro procedimento administrativo relativamente ao contribuinte, como corolário de não restar provada a elisão. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91). Ressaltese a diversidade dos institutos jurídicos: responsabilidade solidária e crédito tributário. Dispostos em tópicos distintos, não sem razão, desde o Código Tributário Nacional. Os conceitos de dívida e responsabilidade não se confundem e não têm entre si relação de necessária dependência. Com efeito, "dívida e responsabilidade são elementos que podem ou não estar reunidos em uma só pessoa (o devedor). Contudo, é possível haver responsabilidade sem dívida, ou seja, é possível que o patrimônio de uma pessoa responda pela obrigação sem ser ela o devedor, como se dá, v.g., com o fiador, o sucessor, o sócio etc." (BEBBER, Júlio César. "Fraude contra Credores e Fraude de Execução". In: NORRIS, Roberto (coord.) Execução Trabalhista: Visão Atual, Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 157204, p. 161) Ainda, a Autarquia não traz evidências de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte (neste caso, as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estendese aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal." 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão Fl. 584DF CARF MF Processo nº 18471.001553/200864 Acórdão n.º 2201004.079 S2C2T1 Fl. 536 22 14 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 585DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000168/2003-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.
2 - No caso concreto, não há pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72. 2 No caso concreto, não há pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 01 68 /2 00 3- 84 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 123 2 conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 102/109) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 14010086, da sessão de 30 de julho de 2009, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que votou no sentido dar provimento ao recurso da INDÚSTRIA TRIÂNGULO DO PARÁ LTDA ("Contribuinte ") para acolher a decadência. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa:CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, §4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173,1 do CTN. A PGFN interpôs recurso especial, arguindo divergência entre a decisão recorrida, no qual só admite contagem decadencial para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, 4º do CTN, e o paradigma, que no caso de ausência de pagamento aplica o prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Requer pela aplicação do entendimento do paradigma e o afastamento da decadência. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 124 3 O despacho de exame de admissibilidade (efls. 115/116) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 125 4 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10218.000168/200384 Acórdão n.º 9101003.286 CSRFT1 Fl. 126 5 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. No caso concreto, não consta nos autos nenhuma informação sobre pagamento e tampouco sobre confissão de débito. Os demonstrativos de efls. 25 e 28 demonstram a apuração no ano calendário em análise não foi apurado lucro contábil (lucro líquido) e a base de cálculo da CSLL foi negativa. A autuação fiscal, na realidade, consistiu em ajuste na base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve ser deslocada para o art. 173, inciso I do CTN. Sendo o fato gerador 31/12/1997, o Fisco só poderia efetuar o lançamento de ofício a partir do ano de 1998. O termo inicial previsto na norma é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, no caso em tela, em 01/01/1999, e o termo final em 31/12/2003. A ciência do lançamento de ofício deuse em 11/03/2003, razão pela qual se deve afastar a decadência. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000098/2003-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 00 98 /2 00 3- 71 Fl. 267DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Curitiba (efl. 247 e ss): Trata o presente processo da Declaração de Compensação, apresentada em formulário (f. 02), no dia 14/01/2003, por meio da qual a contribuinte almeja a compensação do débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade – Cofins, do período de apuração de dezembro de 2002, no valor de R$ 6.724,74, com créditos de PIS/Pasep dos períodos de apuração de 01/10/1995 a 29/02/1996, conforme documentos de folhas 04 a 11. Incialmente, o pedido da interessada foi submetido à apreciação da Seção de Análise e Orientação Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá PR, a qual, proferiu despacho decisório (fls 33/35) que não reconheceu o direito ao crédito pleiteado e nem, conseqüentemente, à homologação da compensação, tendo em vista a constatação de ter ocorrido decurso do prazo decadencial, a teor do disposto nos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a requerente interpôs manifestação de inconformidade e a 3ª Turma desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirmou o despacho decisório contestado, por meio do Acórdão nº 06.13.047 – 3ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa segue abaixo reproduzida. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE COFINS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a compensação ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Compensação não Homologada” Tendo sido apresentado recurso voluntário, a interessada obteve provimento parcial à sua pretensão, posto que a Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 29300048, de 20 de novembro de 2008, cuja ementa segue abaixo reproduzida, afastou a prejudicial de decadência, reconhecendo o direito à compensação/restituição da diferença entre os valores recolhidos e o que seria devido nos termos da Lei Complementar nº 07/70, no período de outubro de 1995 e fevereiro de 1996, considerandose como base de cálculo, nesse período, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: 01/01/1995 a 29/02/1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO.NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10950.000098/200371 Acórdão n.º 3001000.182 S3C0T1 Fl. 3 3 O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 1.212, de 1995, extinguese em cinco anos, contados a partir da publicação do acórdão definitivo que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN. Recurso voluntário provido em parte.” Na sequencia, a União (Fazenda Nacional) interpôs recurso especial de divergência contra o acórdão do Conselho de Contribuintes, tendo o mesmo sido admitido, mas negado o seu provimento. Após, em cumprimento a decisão administrativa acima, a Seção de Análise e Orientação Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá –PR, emitiu o Despacho Decisório nº 21/2015, de 28 de janeiro de 2015, não reconhecendo o direito creditório solicitado e, em consequencia, não homologando a compensação intentada. Consoante a fundamentação contida no referido despacho decisório, a unidade de origem alega que os cálculos realizados, nos exatos termos do Acórdão proferido pela Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, demonstraram a inexistência de créditos passíveis de restituição e compensação, oriundos dos pagamentos de PIS dos períodos de apuração de 01/10/1995 a 29/02/1996. Em 12/02/2015, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório mencionado (nº 21/2015), por meio da Intimação nº 039/2015, apresentando, em 12/03/2015, manifestação de inconformidade, por meio da qual defende a improcedência da decisão administrativa. Alega, em síntese, que a DRF Maringá procedeu de forma unilateral, descrumprindo as determinações constantes do Acórdão nº 29300048 da Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes. Sustenta que na conclusão de referido acórdão não estão dispostos os critérios e métodos de cálculo que devem ser utilizados, e que, portanto, a Receita Federal do Brasil descumpriu o artigo 65 do Decreto 7.574, de 2011. Argumenta, também, que a autoridade administrativa está cobrando tributo sem qualquer fundamento e inexiste motivação na decisão contestada, em afronta ao que dispõe o art 93, inciso X, da Constituição Federal. Diante do exposto, requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação. A DRF de Curitiba produziu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/01/2003 DECLARAÇÃO DE Fl. 269DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Demonstrada a inexistência de créditos passíveis de restituição e/ou compensação, após a realização dos cálculos pela unidade administrativa a quo, nos exatos termos de Acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (atual CARF), é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário (efl. 254 e ss) a Recorrente, em suma, repete os argumentos utilizados na manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 6.724,74, (efl. 248), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Lendose o voto do acórdão da Terceira Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, constatase que não existe qualquer correção a ser realizada no procedimento da DRF de Maringá, ou do acórdão proveniente da DRJ/CTB. Neles houve o exato cumprimento das determinações daquela Turma. Abaixo uma passagem do referido acórdão do Conselho de Contribuintes: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão da 3ª turma da DRJ/Curitiba, para reconhecer o direito do contribuinte a compensação/restituição da diferença dos valores recolhidos e o Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10950.000098/200371 Acórdão n.º 3001000.182 S3C0T1 Fl. 4 5 que seria devido nos termos da Lei Complementar n°. 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. E ainda: ACORDAM os Membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para fins de aplicar aos fatos geradores remanescentes a LC n° 7/70, em especial, observar a aplicação da semestralidade, conforme voto da relatora A DRF de Maringá, como já havia informado o acórdão da DRJ/Curitiba, apenas cumpriu o determinado pelo acórdão do CC. Assim, não cabe razão à Recorrente. Assim, pelo exposto, voto pro NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722481/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA.
É descabida a declaração de nulidade quando o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FINALIDADE.
À época da execução da ação fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO.
A partir do ano de 1996, para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal para a atualização ou correção monetária do custo de aquisição do imóvel.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PROIBIÇÃO DE ATUALIZAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que não permite a atualização do custo de aquisição do imóvel a partir de 1º de janeiro de 1996.
(Súmula Carf nº 2)
Numero da decisão: 2401-005.232
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA. É descabida a declaração de nulidade quando o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FINALIDADE. À época da execução da ação fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. A partir do ano de 1996, para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal para a atualização ou correção monetária do custo de aquisição do imóvel. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PROIBIÇÃO DE ATUALIZAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que não permite a atualização do custo de aquisição do imóvel a partir de 1º de janeiro de 1996. (Súmula Carf nº 2)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL Recorrente ADEMAR CENCI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS. INEXISTÊNCIA. É descabida a declaração de nulidade quando o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FINALIDADE. À época da execução da ação fiscal, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. A partir do ano de 1996, para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal para a atualização ou correção monetária do custo de aquisição do imóvel. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PROIBIÇÃO DE ATUALIZAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que não permite a atualização do custo de aquisição do imóvel a partir de 1º de janeiro de 1996. (Súmula Carf nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 24 81 /2 01 0- 59 Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 473 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 474 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), por meio do Acórdão nº 0647.312, de 03/06/2014, cujo dispositivo tratou de considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 442/451): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF não objetiva limitar o alcance da ação fiscal, mas apenas instaurá la, constituindo mero instrumento de planejamento e controle administrativo. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. SUJEITO PASSIVO. O proprietário de imóvel que aufere ganho de capital em decorrência de sua alienação está sujeito ao pagamento de imposto de renda. GANHO DE CAPITAL. VENDA A PRAZO. CÁLCULO. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO APÓS 1995. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Para fins de apuração do ganho de capital, não há previsão legal que permita a atualização do custo de aquisição a partir de 1º de janeiro de 1996. Impugnação Improcedente Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 475 4 2. Extraise do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, acostados às fls. 270/281 e 282/289, respectivamente, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anos calendário de 2007 a 2010, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente das seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos da Secretaria de Estado de Coordenação das Administrações Regionais, CNPJ 04.875.802/000104, no valor de R$ 7.335,00 (anocalendário de 2007); (ii) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos da Brasfrigo S/A, CNPJ 19.166.180/000104, no valor de R$ 11.876,00 (ano calendário de 2007); e (iii) omissão de ganho de capital na alienação do imóvel rural denominado "Fazenda Larga do Arrasta Burro", localizado no município de Cristalina (GO), correspondente a fatos geradores de março/2007, maio/2007, junho/2007, outubro/2007, novembro/2007, dezembro/2007, julho/2008, agosto/2008, agosto/2009, setembro/2009, junho/2010 e setembro/2010). 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 15/12/2010, tendo o contribuinte impugnado, em 14/01/2011, a exigência fiscal (fls. 292 e 294/300). 4. Intimado em 10/07/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 454/457, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/08/2014, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 466/468): (i) em preliminar, a nulidade do auto de infração no tocante às infrações relacionadas à omissão de rendimentos do trabalho, por falta da descrição dos fatos e dos motivos para a constituição do crédito tributário, além da inexistência de autorização para o lançamento no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (ii) o recorrente não detém a condição de contribuinte, porque não ocorreu a percepção do ganho de capital na transação efetuada, havendo, inclusive, valores que estão pendentes de pagamento; (iii) a falta de atualização do custo de aquisição é contrária ao princípio da propriedade, tornandose um confisco. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 476 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 6. Verifico da petição recursal que o autuado não apresentou novos elementos de defesa em segunda instância, apenas reitera os mesmos argumentos de fato e de direito deduzidos na impugnação. 7. À vista disso, desde já, acolho e adoto as razões de decidir do acórdão de primeira instância, conforme fls. 445/451, porque analisou com clareza os pontos controvertidos e resolveu ao amparo dos preceitos legais as questões submetidas ao contencioso administrativo tributário. 8. Nada obstante, com o propósito de deixar claro os motivos pelos quais deixo de considerar as alegações do sujeito passivo, acresço os fundamentos indicados na sequência deste voto. Preliminar 9. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, não há que se cogitar em falta de motivação do ato administrativo ou prejuízo ao exercício do direito de defesa, tampouco irregularidade na autorização para lançamento em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). 10. O MPF Fiscalização nº 01.1.01.002010003743, emitido em 30/03/2010, determinou a realização de procedimento fiscal direcionado à verificação do cumprimento das obrigações tributárias vinculadas ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), relativas ao período de 01/2007 a 12/2007, posteriormente alterado, em 23/11/2010, para abarcar também os fatos geradores compreendidos entre 01/2008 e 11/2010 (fls. 447). 10.1 Além do mais, o Mandado de Procedimento Fiscal constituía à época da execução do procedimento de auditoria um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 477 6 11. Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 289, detalha os dados das fontes pagadoras e o respectivo montante dos rendimentos percebidos pelo contribuinte, apurados pela autoridade tributária a partir das informações constantes da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf): 11.1 Desse modo, o auto de infração contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, com indicação dos dispositivos legais que amparam o lançamento, permitindo ao contribuinte expor os motivos de fato e de direito pelos quais discorda da constituição do crédito tributário e apresentar as provas que lhe aprouver. 12. Em síntese, a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo do lançamento, conforme exigido no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, e no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). Mérito 13. A tributação do imposto de renda incide sobre a riqueza nova decorrente da própria valorização de mercado do imóvel, que representa acréscimo patrimonial para o alienante. 14. Para os imóveis rurais adquiridos até o ano de 1991, como é a hipótese dos autos, o custo de aquisição foi corrigido pelo agente fazendário até 31 de dezembro de 1995, não sendo atribuída, por vedação em lei, qualquer correção monetária a partir de 1º de janeiro de 1996 (art. 96 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e art. 17, inciso I, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). 15. O afastamento da presunção de constitucionalidade de dispositivo de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, que impede a correção monetária e atualização a partir de 1996, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10166.722481/201059 Acórdão n.º 2401005.232 S2C4T1 Fl. 478 7 15.1 Por essa razão, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária pela falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tal como a vedação ao confisco. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 15.2 Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 16. Embora a fiscalização tenha feito alusão à parcela de R$ 55.133,36, pendente de recebimento à época do lançamento, o montante não compõe a base de cálculo da alienação para o cômputo do ganho de capital. 16.1 Com efeito, a apuração do ganho de capital levou em consideração exclusivamente os valores do preço efetivamente auferidos pelo alienante do imóvel rural, conforme Tabelas 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 287/288, mediante tributação do acréscimo patrimonial na proporção das parcelas que foram recebidas (art. 21 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). 17. Logo, não procede a alegação recursal de que o auto de infração exige o imposto sobre a renda incidente sobre valores ainda não recebidos pelo sujeito passivo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720025/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido.
JUNTADA TARDIA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235/1972.
A juntada de documentos após apresentada a impugnação pelo contribuinte, somente é possível nas exceções previstas pelo § 4º, do art. 16 do Decreto 70.235/1972, cuja existência não foi comprovada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido. JUNTADA TARDIA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235/1972. A juntada de documentos após apresentada a impugnação pelo contribuinte, somente é possível nas exceções previstas pelo § 4º, do art. 16 do Decreto 70.235/1972, cuja existência não foi comprovada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 25 /2 00 6- 91 Fl. 7224DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao período de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2002. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório SAORT/DRF/Blumenau fl. 1088, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento do IPI, formalizado em 31/10/2003, no valor total de R$ 184.545,35 , relativo ao período compreendido entre o 1º trimestre de 1999 ao 4º trimestre de 2002. O contribuinte inconformado pela demora na apreciação do Pedido de Ressarcimento, ajuizou em 26 de junho de 2006, Mandado de Segurança com pedido de liminar, processo nº 2006.72.05.0038147, para determinar o exame do Crédito. Em decisão, de 10 de julho de 2006, foi indeferida a liminar postulada. Entretanto, em decisão de Agravo de Instrumento, de 28 de julho de 2006, foi determinado que a Autoridade Administrativa proferisse decisão acerca do pedido formalizado pela empresa. A Autoridade Fiscal informa, no relatório, às fls. 1059 a 1070, que tendo o contribuinte sido intimado de forma reiterada, deixou de trazer elementos necessários à confirmação do crédito de IPI pleiteado, impedindo a verificação da efetividade e liquidez do crédito que alegava possuir e a comprovação de que o referido crédito foi apurado de acordo com as normas legais e em Decisão à fl. 1070 indefere o Pedido de Ressarcimento. Informa ainda que o contribuinte: “não possui memória de cálculo dos elementos indispensáveis à correta apuração do crédito, não quantificou seus estoques de MP, PI e ME em conformidade com a 1egislação e nem mesmo declarou seus estoques iniciais e finais no DCP. Logo, verificase que nem mesmo o requerente possuía condições de apurar o valor correto do beneficio” Conclui a fiscalização que: a) os arquivos digitais apresentados não possuem informações consistentes de todo o período analisado e não podem servir de base para calculo do valor do credito presumido solicitado. Fl. 7225DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 3 3 b) O tratamento dado aos estoques para o caso especifico do contribuinte, que não utiliza o sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração não permite a correta identificação e quantificação das MP, PI e ME sujeitas a incidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS e está em desacordo com a legislação vigente. c) O DCP não possui informações consistentes sobre os estoques iniciais e finais, tornando, isoladamente ou em conjunto, impossível a apuração do valor correto a ser ressarcido. Cientificada do despacho decisório em 23 de outubro de 2006, AR à fl. 1071, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1095 a 1120, em 22 de novembro de 2006, alegando: “que os créditos pleiteados junto a SRF são na atual posição da Requerente as últimas e derradeiras finanças que poderão adimplir os débitos junto á comunidade e assim poder pelo menos andar de cabeça erguida” Argumenta sobre análise do seu Pedido de Reconsideração, dizendo que foi desprezado o art. 6, inciso I e o art. 56 parágrafo 1º da Lei 9784/99: “constatouse que o Pedido de Reconsideração havia sido encaminhado para o "SERV. CONTROLE DE JULGAMENTO/DRJ/POARS", ou seja remetido para Porto Alegre, o que fere incisivamente o direito da Requerente de ter seu pedido de reconsideração analisado pelo mesmo órgão que prolatou a decisão”. Destaca que cumpriu suas obrigações acessórias (DCTF, DCP) e que não é de sua capacidade a inserção dos créditos nestas declarações, que tais créditos são calculados pelo próprio programa fornecido pela SRF e conclue: “ao ser calculado pelo próprio programa e estar legalmente constituído por remessa eletrônica vinculada A SRF, não poderia em hipótese nenhuma ser indeferido de forma sumária, devendo sim ser buscado a todo custo a proteção a este direito a créditos legalmente protegidos” Insurgese contra o argumento da DRF/Blumenau, “não possuem credibilidade", e alega o princípio da Segurança Jurídica e da Impessoalidade e cita: “para que tais créditos sejam aprimorados não dependem de "credibilidade", mas sim tão somente de inserção de dados em programas de cálculos que por sua vez culminam em um resultado” “tais créditos não dependem de discricionariedade da Administração Pública, mas sim são atos vinculados, ou seja seguindo os princípios básicos da Administração Fl. 7226DF CARF MF 4 Pública e respeitando o devido processo legal, é ato que independem de "credibilidade" ou qualquer outro meio, é ato que a Administração Pública deverá proceder impreterivelmente e incondicionalmente.” Ademais, requer que o ato decisório seja totalmente invalidado isto que: “não apresentar a forma legal exigida no art. 22, § 4 0 , onde reza que o processo deverá ter suas páginas numeradas seqüencialmente e rubricadas, e sendo a decisão parte fundamental do processo estas deveriam estar de acordo com a norma legal, o que não aconteceu conforme se comprova in loco na decisão, pois suas paginas não contem a rubrica da autoridade prolatora em todas as páginas da Despacho Decisório. Sobre a documentação exigida sustenta que: “Foram exigidas por meio de intimações os Livros de Registro de Inventário, sendo que os mesmos deveriam apurar mensalmente os estoques de MP, PI e ME, sendo que o apresentado para analise não constava a apuração mensal”. “a Requerente adequou os Livros de Registro de Inventario para que os créditos possam ser analisados de maneira correta e definitivamente, sendo então apresentados ao final desta peça” “no período de 1999 a 2001, estava sob o Regime de Lucro Real Anual, sendo então dispensado a apuração mensal deste determinado Livro” “os anos de 2001 a 2002, a Requerente anexa os Balancetes Mensais adaptandose ás exigências da SRF” “aos arquivos digitais é necessário informar de forma incisiva que nos períodos após o 2° trimestre/2002, já não há mais movimentação contábil pela Requerente sendo que neste período a mesma encontravas em fase de liquidação” Requer por fim, que: “seja recebido o presente recurso com o efeito devolutivo e julgado procedente em sua totalidade” “sejam juntados os documentos em anexo para devida análise e formalização do crédito pretendido” “sejam os créditos vinculados ao processo em questão julgados procedentes em sua totalidade e creditados em conta bancária informada pela Requerente” “seja toda e qualquer decisão prolatada vinculada ao processo em questão, remetida via AR/MP ao representante legal da Requerente”". O Acórdão 0127.657, da 3ª Turma da DRJ/BEL, Sessão de 05 de novembro de 2013, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu Fl. 7227DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 4 5 a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 LEI Nº 9784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Em face do princípio da especialidade o processo administrativo fiscal é regido primordialmente pelo Decreto nº 70235/1972 aplicandose apenas subsidiariamente os preceitos da Lei nº 9784/1999. NUMERAÇÃO. A numeração do despacho decisório não é obrigatória e sua ausência não é causa de nulidade. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve provar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, comprovar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito, sem o que será indeferido. ALEGAÇÕES ALUSIVAS À SITUAÇÃO ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE Estando o julgador administrativo vinculado à letra da lei e incumbido apenas do exame da legalidade do ato administrativo, não lhe é possível exonerar e nem mitigar penalidade prevista em lei vigente em decorrência de constatação de dificuldades financeiras do sujeito passivo. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, utilizando o princípio da verdade real como fundamento de seu suposto direito ao crédito. Em momento posterior ao protocolo do Recurso Voluntário, a contribuinte compareceu a Delegacia da Receita, requerendo a juntada de novos documentos, que mesmo solicitados diversas vezes pela fiscalização não foram juntados, muito menos foram trazidos ao processo no momento oportuno, qual seja, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Fl. 7228DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. I PRELIMINARMENTE Conforme podemos verificar dos documentos juntados ao processo, de suas peças de defesa, bem como de todas as intimações realizadas na fase préprocessual, estamos diante de uma situação em que toda a prova do suposto direito esta a cargo do contribuinte, pois tratase de um pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Toda a documentação apresentada pela contribuinte, seja quando da verificação do suposto crédito pela autoridade fiscal, seja quando da juntada ao processo de sua manifestação de inconformidade, foram analisadas e demonstraramse insuficientes para a comprovação do direito. Ressaltase que mesmo a grande quantidade de documento juntada a destempo, uma vez que entregue após a interposição do recurso voluntário, não tem a força de comprovar por si mesmos o crédito pleiteado pela contribuinte. Com efeito, os §§ 4º e 5º, do art. 16 do Decreto 70.235/72, tratam de forma expressa sobre a produção de provas no processo administrativo tributário, observese: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior Conforme podemos observar da instrução do presente processo, nenhuma das hipóteses trazidas pelo mencionado dispositivo foi observada, não se enquadrando em nenhuma destas a situação econômica enfrentada pela contribuinte, razão pela qual acertada a decisão de se negar o crédito pleiteado tendo em vista a não comprovação de sua existência. Vale ressaltar ainda, que nos termos do art. 373, do Código de Processo Civil, que por disposição expressa é aplicável ao Processo Administrativo, por se tratar de um processo que envolve pedido de ressarcimento por parte do contribuinte, a este cabe a prova de seu direito, observese: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 7229DF CARF MF Processo nº 13971.720025/200691 Acórdão n.º 3302005.311 S3C3T2 Fl. 5 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) Há que ser ter como acertada também a inaplicabilidade da Lei nº 9.784/1999, pelo menos da maneira como quer a contribuinte, pois como se sabe, a forma como é disciplinado e regido o Processo Administrativo Tributário, é estampada pelo Decreto 70.235/72. A decisão sobre a impossibilidade de ser observada a nulidade por eventual falta de numeração de documentos do processo, também deve ser mantida, pois como claramente demonstrado, tal fato não é considerado pela legislação como uma das hipóteses de nulidade do processo. Por todas as razões acima expostas, entende esse Conselheiro que a decisão de piso deve ser mantida em sua totalidade. II DO MÉRITO No sentir desse Conselheiro a decisão de mérito é atingida de inteiramente pelas disposições tratadas na preliminar, explicase. A Lei nº 9.363/1996 trouxe a possibilidade de utilização pelas empresas produtoras e exportadoras do crédito presumido de IPI, para abatimento dos valores devidos a título das contribuições para o PIS e a COFINS. A Instrução Normativa 38/97, que à época dos supostos créditos estabelecia a forma como este seria apurado, bem como as obrigações acessórias impostas ao contribuinte que pretendia fazer jus ao benefício, indicava a forma e os documentos necessários para a comprovação do direito. Conforme observouse durante toda a fase préprocessual, bem como no decorrer do presente processo, a contribuinte não logrou êxito em comprovar seu suposto crédito, uma vez que não apresentou a documentação hábil para tanto. Desta forma, considerando que não foram cumpridos os requisitos para a fruição do direito pleiteado, entende esse Conselheiro que a decisão de piso deve ser mantida e consequentemente negado provimento ao Recurso Voluntário. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, rejeitando a preliminar suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 7230DF CARF MF 8 Fl. 7231DF CARF MF
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Numero do processo: 16045.000478/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/09/2003 a 31/07/2007
IPI. ISENÇÃO. TÁXIS. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Improcedente o lançamento quando a fiscalização opta por um caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentar-se com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizá-la por descumprimento de isenção, sem respaldo normativo e probatório específico.
Numero da decisão: 3401-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (que negavam provimento apenas em relação às autorizações vencidas). Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram com o relator pelas conclusões, por discordarem em relação à limitação à sujeição passiva efetuada pelo relator, que agregará tal circunstância à ementa ao voto, conforme previsão regimental.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ISENÇÃO. TÁXIS. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Improcedente o lançamento quando a fiscalização opta por um caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentarse com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizá la por descumprimento de isenção, sem respaldo normativo e probatório específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (que negavam provimento apenas em relação às autorizações vencidas). Os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram com o relator pelas conclusões, por discordarem em relação à limitação à sujeição passiva efetuada pelo relator, que agregará tal circunstância à ementa ao voto, conforme previsão regimental. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 78 /2 00 8- 19 Fl. 700DF CARF MF 2 Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 1 a 611, lavrado em 18/09/2008, para exigência de IPI, no valor original de R$ 1.056.196,13, acrescido de multa de ofício (75%), e juros de mora, totalizando R$ 2.311.133,58, por ter a empresa autuada desrespeitado as normas legais que regem o benefício fiscal de isenção do IPI para táxis, de 20/09/2003 a 31/07/2007. Narra a fiscalização, no Relatório Fiscal de fls. 62 a 70, que: (a) a Lei no 8.989/1995, em seu artigo 3o, com vigência restabelecida pela Lei no 10.182/2001, rege o benefício de isenção de IPI nas revendas a condutores de táxis, tendo sido regulamentada, no período analisado, pelos Decretos no 2.637/1998 e 4.544/2002 (regulamentos do IPI) e pelas Instruções Normativas no 353/2003 e no 606/2006, da Receita Federal; e (b) no universo examinado de aproximadamente 6.400 vendas de automóveis com citada isenção, de 2003 a 2007, foram verificadas as seguintes irregularidades: (b1) falta de inclusão do ICMS isento na base de cálculo do IPI, conforme determina o Parecer Normativo no 6/1983; (b2) vendas de táxis com a isenção sem a Nota fiscal das concessionárias ou sem autorização original da RFB (condições normativas para a concessão), e com documentos ilegíveis, que não permitem a identificação de dados essenciais, ou divergentes das Notas Fiscais das Concessionárias; e (b3) vendas com isenção amparadas por autorizações fazendárias sem validade. Ciente da autuação em 18/09/2008 (fl. 1), a empresa apresentou Impugnação em 16/10/2008 (fls. 131 a 141), alegando, em síntese, que: (a) a base de cálculo do IPI é o valor da operação, portanto, não há qualquer fundamento para a exigência da inclusão, na sua base de cálculo, de ICMS referente a operação isenta desse tributo; (b) não há porque se questionar o imposto em comento em razão da ausência de destaque nas Notas Fiscais, já que o beneficiário da isenção do IPI/Táxi é o taxista e não a autuada, motivo pelo qual se o veículo vendido foi, de fato, destinado a um taxista, que fazia jus à isenção do IPI, não há fundamento para a cobrança do tributo (trazendo anexos documentos para comprovar que os veículos foram vendidos a taxistas – fls. 172 a 600); (c) cumpre ao taxista, ou, quando muito, à concessionária de veículos que vende os carros aos particulares, a responsabilidade pela verificação das condições impostas na lei isencional, o que faz a autuada parte ilegítima para figurar na lide, pois esta não vende veículos aos consumidores, mas às concessionárias, por imposição legal; (d) a Lei no 8.989/1995, ao tratar das obrigações acessórias, não faz nenhuma menção ao fabricante dos veículos; e (e) não incide juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Em 12/12/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 616 a 624), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela procedência parcial da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) o estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veículo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o benefício fiscal; (b) apenas na hipótese do ICMS dispensado se tornar exigível é que se deve computar também o montante de tal imposto no cálculo do valor tributável do IPI (exonerandose R$ 114.843,71, e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 701 3 correspondentes multa e juros); (c) não compete à DRJ pronunciarse sobre evento futuro e incerto, como a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de piso em 07/01/2013 (fl. 631), a empresa interpôs recurso voluntário em 05/02/2013 (fls. 634 a 655), reiterando a argumentação exposta em sede de impugnação, no sentido de que o beneficiário da isenção é o taxista, não havendo fundamento para cobrança do tributo na pessoa da recorrente, devendo, quando muito, o tributo ser exigido da concessionária de veículos que vende os táxis, pois o IPI somente será devido se o destinatário final do veículo não for taxista com a devida autorização, sendo desarrazoada a cobrança do tributo apenas porque a concessionária não localizou as autorizações efetivamente concedidas pela RFB. Agrega a defesa, ao final, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre tema semelhante (apresentação a destempo de certificados de origem), reiterando a demanda pela não incidência de juros de ora sobre o valor da multa de ofício. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta desde julho de 2017, mas não incluído pelo excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Tendo a DRJ acolhido os argumentos de defesa no que se refere à inclusão de ICMS isento na base de cálculo do IPI, cabe aqui analisar os temas que restam contenciosos: a venda de táxis com isenção sem documentos exigidos pelas normas da RFB, ou amparadas em autorizações sem validade. Imperativo iniciar a análise pelo fundamento legal da autuação, referido à fl. 15: Na Lei no 8.989/1995, principal fundamento legal da autuação, percebese que a isenção de IPI para táxis, como estabelece o texto do artigo 1o: (seja na redação original ou na atribuída pela Lei no 10.690/2003), destinase a: I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); Fl. 702DF CARF MF 4 II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); ou III cooperativas de trabalho que sejam permissionárias ou concessionárias de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), desde que tais veículos se destinem à utilização nessa atividade. Tal direito, segundo o artigo 7o da mesma lei, estendese, no caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional alcançado pelos incisos I e II, sem que tenha efetivamente adquirido veículo profissional, ao cônjuge, ou ao herdeiro designado por esse ou pelo juízo, desde que seja motorista profissional habilitado e destine o veículo ao serviço de táxi. As demais leis parecem ter sido incluídas como fundamento da autuação de forma acessória e, às vezes, desconectada da própria imputação fiscal. Vejase que os artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964 tratam de sonegação, fraude e conluio, sequer ventilados nas razões de autuação ou no relatório fiscal, e que o artigo 80 da mesma lei, e os artigos 45 e 46 da Lei no 9.430/1996, tratam da exigência de multa de ofício no caso de falta de lançamento do IPI na nota fiscal ou falta de recolhimento. Não apresenta o autuante, assim, nenhum fundamento legal para exigência do tributo da fabricante do veículo, ainda que em caráter de solidariedade. E destaquese que a mesma Lei no 8.989/1995 estabelece nitidamente casos de solidariedade (embora restritos à isenção para “portadores de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal” inciso IV do artigo 1o): “Art. 1o, § 5o Os curadores respondem solidariamente quanto ao imposto que deixar de ser pago, em razão da isenção de que trata este artigo.” (grifo nosso) Não estabeleceu a lei, destaquese, caso expresso de solidariedade do fabricante de veículo vendido a taxista. E também não moveu esforço o autuante para invocar dispositivos do Código Tributário Nacional que apontassem para a responsabilização, isolada ou solidária, da empresa vendedora, argumentando em defesa de sua aplicação. Simplesmente ancorouse a autuação, segundo o relatório fiscal, na obrigação infralegal constante do artigo 5o da IN SRF no 353/2003 e do artigo 5o da IN RFB no 606/2006, conforme se percebe à fl. 69: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 702 5 Lendo os referidos artigos 5o, no entanto, encontro a obrigação de o “distribuidor remeter ao fabricante a primeira via da autorização”, e ficar com a “segunda via” da autorização, que é emitida pela própria RFB: IN SRF no 353/2003: “Art. 5o A autoridade competente, se deferido o pleito, emitirá, em três vias, autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do IPI, na forma do Anexo VII, VIII, IX ou X, conforme o caso, sendo que as duas primeiras vias serlheão entregues, mediante recibo aposto na terceira via, a qual ficará no processo. § 1o Os originais das duas vias referidas no caput serão entregues pelo interessado ao distribuidor autorizado, com a seguinte destinação: I a primeira via será remetida pelo distribuidor autorizado ao estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; e II a segunda via permanecerá em poder do distribuidor. § 2o O indeferimento do pedido será efetivado por meio de despacho decisório fundamentado. § 3o No caso do § 2o, a unidade da SRF reterá o requerimento, anexando ao processo cópias dos documentos originais fornecidos pelo requerente, devendo estes ser a ele devolvidos no ato da ciência do despacho. § 4o O prazo de validade da autorização referida no caput será de noventa dias, contado da sua emissão, sem prejuízo da possibilidade de formalização de novo pedido pelo interessado, na hipótese de não ser utilizada dentro desse prazo.” (grifos nossos) IN SRF no 606/2006: “Art. 5o A autoridade competente, se deferido o pleito, emitirá, em três vias, autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do IPI, na forma do Anexo VII, VIII, IX ou X, conforme o caso, sendo que as duas primeiras vias serlheão entregues, mediante recibo aposto na terceira via, a qual ficará no processo. § 1o Os originais das duas vias referidas no caput serão entregues pelo interessado ao distribuidor autorizado, com a seguinte destinação: I a primeira via será remetida pelo distribuidor autorizado ao estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; e II a segunda via permanecerá em poder do distribuidor. § 2o O indeferimento do pedido será efetivado por meio de despacho decisório fundamentado. Fl. 704DF CARF MF 6 § 3o No caso do § 2o, a unidade da SRF reterá o requerimento, anexando ao processo cópias dos documentos originais fornecidos pelo requerente, devendo estes ser a ele devolvidos no ato da ciência do despacho. § 4o O prazo de validade da autorização referida no caput será de cento e oitenta dias, contado da sua emissão, sem prejuízo da possibilidade de formalização de novo pedido pelo interessado, na hipótese de não ser utilizada dentro desse prazo.” (grifos nossos) § 5o Na hipótese de novo pedido de que trata o § 4º, poderão ser aproveitados, a juízo da autoridade competente para a análise do pleito, os documentos já entregues à SRF. § 6o O beneficiário da isenção deverá enviar à autoridade que reconheceu o benefício cópia da Nota Fiscal relativa à aquisição do veículo, até o último dia do mês seguinte ao da sua emissão.” (grifo nosso) A fiscalização da RFB, de forma cômoda, intima o recebedor de terceira mão do documento (fornecedor), e não o de segunda mão (distribuidoras), ou de primeira (beneficiário) a apresentar uma autorização que, frisese, ela própria emitiu. E, diante da não localização dos documentos pelo recebedor de terceira mão, ou do caráter ilegível de outros documentos, cobra os tributos sem checar se restou cumprida de fato a isenção, ou seja, se a RFB efetivamente autorizou a isenção (art. 3o da Lei no 8.989/1995) e se o veículo foi destinado a taxista (art. 1o da mesma lei). Se já é questionável, seja sob o ponto de vista jurídico ou mesmo lógico, a RFB exigir de empresas documentos emitidos por ela própria, mais avesso à lógica e ao direito ainda é atribuir sem fundamento legal consequência tributária específica ao eventual descumprimento de tal obrigação. Aliás, não há fundamento nem infralegal para a atribuição da consequência de exigência de tributos do fabricante, por descumprimento de norma da IN. Vejamse, por exemplo, os artigos 8o da IN SRF no 353/2003 e da IN RFB no 606/2006, invocadas pela fiscalização: “Art. 8o A aquisição do veículo com isenção, realizada por pessoa que não preencha as condições estabelecidas nesta Instrução Normativa, bem assim a utilização do veículo por pessoa que não exerça a atividade de taxista ou a utilização em atividade diferente da de transporte individual de passageiros, sujeitará o adquirente ao pagamento do IPI dispensado, acrescido dos encargos previstos na legislação, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.” A fiscalização confunde o (des)cumprimento da isenção com o descumprimento da obrigação de guarda regular de documentos em boa ordem, por empresa, à qual se aplica sanção diversa. Vejase que a penalidade pela falta de guarda de documentos em ordem ou pelo descumprimento de obrigação acessória independe de ter sido cumprida ou não a isenção. E para sua aplicação seria irrelevante se o veículo efetivamente foi destinado a taxista que cumpre os requisitos da Lei no 8.989/1995. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16045.000478/200819 Acórdão n.º 3401004.377 S3C4T1 Fl. 703 7 No entanto, a exigência de tributos é incompatível com o cumprimento da isenção, que, no caso, sequer foi efetivamente verificada, porque à fiscalização bastou checar documentos por ela exigidos do fabricante. Reiterese que, ainda que descumpridos os requisitos da IN, seu texto (artigo 8o) apontava para a exigência de tributos do adquirente, e não do fabricante. Parece a fiscalização ter optado por uma caminho procedimentalmente fácil, mas juridicamente tormentoso, de contentarse com a deficiente guarda de documentos pela autuada (ou a falta de zelo desta na checagem de validade de autorizações emitidas pela RFB), para penalizála por descumprimento de isenção, em desacordo com as normas de regência, exigindo os tributos devidos de pessoa distinta do beneficiário, sem respaldo normativo e probatório. E não pode este julgador, por não se revestir da condição de lançador, reenquadrar a fundamentação da autuação, aplicando penalidade diversa, ainda que a entenda cabível. Assim, tenho que, de fato, os elementos apresentados na autuação são insuficientes para a exigência de tributos da autuada, por eventual descumprimento das normas de regência (digo eventual porque a fiscalização não relata um só caso em que tenha sido efetivamente descumprido requisito do artigo 1o ou 3o da Lei de regência, e os descumprimentos da norma infralegal possuem tratamento específico estabelecido nela própria). Resta, então, prejudicada a discussão sobre cabimento de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista não restar principal a ser exigido. De qualquer modo, endossase o posicionamento que vem sendo majoritariamente externado pela turma recentemente: “JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.” (Acórdão no 3401004.011, de 28/09/2017, Relator Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Redator designado Cons. Rosaldo Trevisan, vencidos, em relação ao tema, os Cons. André Henrique Lemos, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) Em adição, esclareço que, na votação, conforme registrado em Ata, a maioria do colegiado concordou com os argumentos relativos a carência probatória por parte do fisco, suficientes para afastar o lançamento, e que apenas o Conselheiro Renato Vieira de Ávila endossou os argumentos do relator referentes à limitação da sujeição passiva (que, apesar de restarem vencidos, não influenciaram o resultado final do julgamento). Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 706DF CARF MF 8 Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725432/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como o relatório desenvolvido pela DRJ de Salvador quando da lavratura do acórdão n. 1527.583 (fls. 191/197), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de lançamento de oficio, fls. 03 a 07, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 2.861.876,39, incluídos multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/08/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 43 2/ 20 09 -4 3 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402001.305 S3C4T2 Fl. 304 2 Na Descrição dos Fatos, fls. 05/06, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias foram apuradas as seguintes infrações: 001 – CRÉDITOS INDEVIDOS. DEMAIS CASOS; e 002 – CRÉDITOS INDEVIDOS. GLOSA DE CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NT, ALIQ. ZERO E ISENTOS. O estabelecimento industrial não recolheu ou recolheu a menor o IPI por ter se utilizado de créditos, escriturados em seus livros fiscais, considerados indevidos pela fiscalização, por falta de previsão legal. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 21 a 25, que no curso da ação fiscal, em atendimento ao MPF nº 008140, emitido em função de trabalho de verificação da regularidade do recolhimento do IPI, pertinente ao período compreendido entre 01/2005 a 08/2009, operação "IPI análise das notas fiscais de entradas e créditos", constatou os seguintes fatos: · o estabelecimento fabrica brinquedos diversos, classificados na posição do capítulo 95 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) vigente, Decreto n° 6.006, de 28/12/2006, com a alíquota fixada, em sua maioria, no percentual de 10%; · no intuito de obter autorização judicial para se creditar do IPI relativo às aquisições de insumos imunes, isentos, tributados com alíquota zero (0%) ou nãotributados (NT), pela mesma alíquota do produto em que tais insumos fossem aplicados, a empresa ajuizou, no dia 20/03/2003, Mandado de Segurança n° 2003.33.00.0080984, na 12a Vara Federal de Salvador; · em 20 de junho de 2005, conforme Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social por Incorporação, documento anexo, a Plásticos Acalanto Ind. Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 03.132.973/000172, procedeu à incorporação da sociedade Baby Brink Indústria e Comércio Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 58.603.788/000100, assumindo o seu ativo e passivo e todas as demais obrigações e encargos advindos da referida operação de reorganização societária; · além da ação ajuizada nos autos dos processos n° 2003.33.00.0080984, citada anteriormente, a contribuinte se beneficiou da ação judicial, também no âmbito do IPI, movida pela sua incorporada Baby Brink Ltda., CNPJ n° 58.603.788/000100, nos autos do processo de n° 1999.61.00.0523169; · restou demonstrado, entretanto, em consultas realizadas no sítio da Justiça Federal, conforme indicam extratos anexos, que ultrapassadas todas as fases processuais, ambas as ações judiciais encontramse extintas com baixa definitiva; · nos dois casos, após o trânsito em julgado, matriz e incorporada tiveram seus pleitos denegados, conforme inteiro teor dos acórdãos e sentenças proferidas pela Justiça Federal; · não houve, portanto, o reconhecimento judicial dos pedidos da contribuinte e de sua incorporada de se creditarem do IPI relativo às aquisições de insumos imunes, isentos, tributados com alíquota zero Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402001.305 S3C4T2 Fl. 305 3 (0%) ou nãotributados (NT), pela mesma alíquota do produto em que tais insumos fossem aplicados; · dessa maneira, todos os valores do IPI compensados pela contribuinte com base nas referidas ações judiciais, em sua escrita fiscal (RAIPI), no período auditado, conforme demonstrativo anexo, resultante do IPI calculado sobre as aquisições de insumos, PI e MP sob os regimes da isenção, NT e alíquota 0%, foram considerados créditos indevidos, por falta de amparo legal, e, por conseqüência, foram devidamente glosados pela autoridade lançadora; · por falta de previsão regulamentar, também não foram aceitos pela Fiscalização os créditos utilizados no campo do RAIPI como "Outros Créditos", a partir do anocalendário 2008, decorrentes dos pagamentos efetuados do IPI nas notas fiscais de vendas com natureza de operação "bonificação em mercadorias", concedidas graciosamente aos clientes, e consideradas como descontos incondicionais. · assim, a despeito de todos argumentos apresentados pela contribuinte no decorrer dos trabalhos, citando inclusive jurisprudência e doutrina, constatase que inexiste previsão legal que ampare o procedimento por ela adotado; · diante dos fatos, os citados créditos de IPI foram considerados indevidos pela Fiscalização, por falta de amparo legal, e, em decorrência, foram devidamente glosados pela autoridade lançadora; · e por fim, pelo fato da contribuinte possuir saldos credores no período fiscalizado, foi necessário recompor a escrita do Registro de Apuração do IPI, conforme planilhas anexas, considerandose os valores levantados pela Fiscalização; Cientificada da exigência fiscal em 29/09/2009, fl. 04, a autuada apresentou, em 28/10/2009, a impugnação de folhas 111 a 131, alegando em síntese que: · o relato de dois fatos distintos em um mesmo momento, bem como a descrição de todos esses valores conjuntamente, inviabiliza o exercício de defesa pela contribuinte, devendo ser declarada a nulidade do auto e constituindose dois autos separados para que a contribuinte possa materializar sua defesa. Cita e transcreve o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1988, e os art. 2º e 53 da Lei nº 9.784, de 1999; · a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, gera para o auto denunciante o beneficio da exclusão da responsabilidade pela prática de determinado ilícito tributário, com a exclusão da multa, punitiva ou moratória. O primeiro dos pressupostos a ser analisado diz respeito à tempestividade da denúncia; · considerase denúncia espontânea aquela apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, como é o caso da Impugnante, conforme demonstram os documentos anexados, Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402001.305 S3C4T2 Fl. 306 4 especialmente os comprovantes de adesão ao Plano de Parcelamento decorrente da Lei nº 11.941, de 2009; · assim, é evidente que descabe qualquer imposição de multa se feita a denúncia antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização específica, justamente como ocorreu in casu; e verificando o AIIM relativo ao MPF 0510100/00814/09, observamos constar do Termo de Verificação Fiscal, que a fiscalização teria sido iniciada em 20/08/2009, contudo, isso não é verdade. · ao contrário do sustentado no AIIM, vemos do Termo de Intimação n° 01 (Termo de Solicitação de Esclarecimentos), que este foi emitido 03/09/2009, e a ciência da empresa somente deuse em 09/09/2009. Em razão disso, fica apontado o equívoco do consignado pela Autoridade Fiscal, e assim, concessa venia, não se pode ter por base a data 20/08/09, mas sim, 09/09/09, e dessa forma, há de ser acolhida a denúncia espontânea formulada pelo Contribuinte em 25/08/2009. · indevidamente a contribuinte foi autuada por não realizar a subsunção da norma do IPI sobre o fato operação que resulta mercadorias destinadas à bonificação. Não subsiste argumento algum ao Fisco para tributar tal operação. Não existe base legal. Pelo contrário, a tributação de mercadorias dadas como bonificação viola preceitos da Constituição Federal; · bonificação tratase de "concessão feita pelo vendedor ao comprador, diminuindo o preço da coisa ou entregando quantidade maior do que a estipulada". Equiparase a bonificação a um desconto, que no caso, não é exigida qualquer contraprestação, denominada de desconto incondicional; · a mercadoria produzida e dada pela contribuinte como brinde, trata se de produto que não representa fato que preenche os critérios da hipótese normativa do IPI, uma vez que não possui base de cálculo por não haver valor a ser Agravo de Instrumento n° 2007.01.00.0541381/MA, em que a Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso; · a utilização dos créditos decorre dos pagamentos efetuados do IPI nas notas fiscais de vendas com natureza de operação "bonificação em mercadorias" concedidas graciosamente aos clientes e consideradas descontos incondicionais. Caso houvesse a tributação, estaríamos diante de uma base de cálculo não autorizada pela Constituição Federal, violando, ainda o princípio da capacidade contributiva. · a tributação de fato não autorizado na Carta Magna significa também que está o ente político extrapolando sua competência tributária, o que não é admitido no ordenamento jurídico pátrio; · por não se tratar de situação que se encaixa na hipótese normativa do IPI, inválida a tributação de IPI sobre operações que envolvam saídas de produtos com descontos incondicionais, uma vez que tais saídas se realizam a título gratuito. Se não há valor a ser cobrado não há fato jurídico tributário; Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402001.305 S3C4T2 Fl. 307 5 · por fim, requer a nulidade do auto de infração, ou, ao menos a exclusão da multa imposta, em razão da tempestiva denúncia espontânea decorrente da adesão ao parcelamento pelo contribuinte e seja reconhecida a validade do aproveitamento dos créditos decorrentes das operações envolvendo bonificações em mercadorias. (grifos nosso). 2. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ Salvador (acórdão n. 1527.583 fls. 191/197), consoante se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2009 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA A motivação clara do lançamento fiscal, com a indicação explícita dos fatos e de seus fundamentos jurídicos, e a possibilidade de a interessada, após tomar ciência do seu teor, apresentar livremente impugnação no prazo legal revelam a observância no processo dos princípios do contraditório e da ampla defesa. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. Não tendo o débito sido confessado antes do início do procedimento fiscal, cabe o lançamento do tributo com imposição das penalidades pertinentes. CRÉDITO DE IPI. RECUPERAÇÃO DO IMPOSTO. SAÍDAS A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO. Glosamse os valores escriturados como créditos de IPI relativos ao imposto que supostamente fora recolhido a maior em razão de bonificações, descontos incondicionais, concedidas aos clientes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 211/237, oportunidade em que repisou os fundamentos aduzidos em impugnação. 4. Por sua vez, esta turma julgadora resolveu converter o julgamento do presente feito em diligência (resolução n. 3402000.843 fls. 246/252) nos seguintes termos: (...). 8. Assim, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: (i) cópias dos documentos que atestam a suposta adesão do contribuinte ao REFIS IV, indicando, inclusive, (i.i.) a data em que tal Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.725432/200943 Resolução nº 3402001.305 S3C4T2 Fl. 308 6 fato teria ocorrido e (i.ii) se o débito aqui discutido está abrangido por este eventual parcelamento. 9. Uma vez realizada a diligência acima, (ii) deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (...). 5. Uma vez cumprida a diligência pela unidade preparadora o processo foi imediatamente encaminhado para este Tribunal Administrativo. 6. É o relatório. Resolução 7. Conforme se observa do relatório alhures, uma vez realizada a diligência determinada na resolução n. 3402000.843 (fls. 246/252) a unidade preparadora promoveu o imediato retorno dos autos para julgamento por parte deste Tribunal. Olvidouse de, antes disso, intimar o recorrente para que pudesse manifestarse a seu respeito, o que se contrapõe ao prescrito no art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011, bem como ao que fora expressamente estatuído na referida diligência. 8. Assim, seguir adiante no presente julgamento nos termos em que se encontra o processo em epígrafe poderia redundar em ofensa ao princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., contraditório e ampla defesa (art. 2°. da lei n. 9.784/99), implicando, pois, a sua nulidade. 9. Neste sentido, com o escopo de evitar tais máculas, resolvo novamente baixar o presente processo em diligência com o fito de que o recorrente seja intimado e, caso queira, manifestese a respeito da diligência efetuada nos autos. Em seguida, determino seja o processo mais uma vez remetido para apreciação deste Tribunal Administrativo. 10. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008071/2001-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO ANUAL. SALDO CREDOR.
A restituição de saldo credor do IRPJ condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Em face da inexistência de crédito tributário passível de restituição nos autos, ratifica-se a não homologação da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Cesar Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Cabianca Bevlacqua Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO ANUAL. SALDO CREDOR. A restituição de saldo credor do IRPJ condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Em face da inexistência de crédito tributário passível de restituição nos autos, ratifica-se a não homologação da compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Cesar Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Cabianca Bevlacqua Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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APURAÇÃO ANUAL. SALDO CREDOR. A restituição de saldo credor do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Em face da inexistência de crédito tributário passível de restituição nos autos, ratificase a não homologação da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Nader Cesar Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Cabianca Bevlacqua Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 80 71 /2 00 1- 21 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10830.008071/200121 Acórdão n.º 1402002.833 S1C4T2 Fl. 305 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou parcialmente improcedente a manifestação de inconformidade oferecida pela Recorrente. O PERD/COMP em análise é decorrente de pagamentos antecipados de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras, no valor inicial de R$ 309.939,78, relativo ao anocalendário de 2000. Em 30.08.2005 a Recorrente foi intimada da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas às fls. 80/81, que houve por bem deferir parcialmente o referido pedido de restituição, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 224.219,24, homologando as compensações pleiteadas até esse limite. Inconformada, a Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls. 112/113, tentando comprovando a existência da totalidade do crédito por meio das informações prestadas pelas fontes pagadoras. No entanto, a DRJ de CampinasSP, por meio da sua 2ª Turma, rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada e indeferiu o direito creditório e não homologou as compensações. O acórdão nº 05.14.289 foi exarado nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO ANUAL. SALDO CREDOR. A restituição de saldo credor do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 30/06/2001, 31/07/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Em face da inexistência de crédito tributário passível de restituição nos autos, ratificase a não homologação da compensação pleiteada. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10830.008071/200121 Acórdão n.º 1402002.833 S1C4T2 Fl. 306 3 Rest/Ress. Indeferido – Comp. não homologada. (fls. 117/121) O acórdão não aceito o crédito referente ao IRRF indicado no documento apresentado pela Caixa Econômica Federal no importe de R$ 93.891,57 (fl 10 do autos) pois o é uma cópia de fax e não obedeceu ao estabelecido pela IN SRF número 138/99, bem como por não constar nos sistema da SRF as DIRFs a respeito da retenção do IRRF sobre aplicações financeiras do anocalendário 2000, tendo como beneficiária a Recorrente. Vejamos a parte do v. acórdão que fundamento esta ponto: Já o documento de fl. 10 é cópia de um fax da Caixa Econômica Feral enviado para a contribuinte, o qual discrimina valores de rendimentos e de IRRF, referentes ao anocalendário de 2.000. Este documento não é hábil a comprovar os rendimentos de aplicações financeiras, nem o IRRF a eles correspondentes, posto que não obedeceu ao estabelecido pela IN SRF n° 138/99. Acrescentese, que não consta nos sistemas de controle da SRF (DIRF) qualquer informação a respeito de retenção de IRRF sobre aplicações financeiras da Caixa Econômica Federal, referente ao anocalendário de 2.000, tendo como beneficiária a contribuinte. O acórdão também negou o reconhecimento do crédito de R$ 28.024,46 que foi feito Recorrente só em fase de manifestação de inconformidade. Vejamos a motivação do v.acórdão. Inicialmente, há que se esclarecer que o litígio a ser dirimido por esta Delegacia de Julgamento restringese à parcela do crédito tributário pleiteado pela contribuinte que não foi reconhecido pela decisão recorrida, não estando em discussão, portanto, o pedido efetuado na manifestação de inconformidade, de reconhecimento de acréscimo de R$ 28.024,46 ao valor originalmente pleiteado. Em seguida a Recorrente apresento Recurso Voluntário requerendo o reconhecimento e homologação tanto do crédito referente ao IRRF do documento da Caixa Econômica Federal, como dos R$ 28.0242,46. Ato contínuo, a C. Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento do recurso em diligência para que em nome da verdade material os autos fossem devolvidos a origem para as providências e verificações abaixo apontadas: a) dar ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia; Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10830.008071/200121 Acórdão n.º 1402002.833 S1C4T2 Fl. 307 4 b) intimar a CEF a especificar os valores de rendimentos e imposto retido no anocalendário 2000; c) verificar na contabilidade e na DIPJ da recorrente se os rendimentos referidos (item "b" acima) foram oferecidos à tributação; d) verificar se o imposto retido já foi utilizado para fins de restituição/compensação. A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá elaborar relatório detalhado e conclusivo ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentos que entender necessários entregar cópia à recorrente e concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retomar a este Conselho. Em resposta a diligência, o Auditor Fiscal apresentou Informação Fiscal de fls. não reconhecendo o IRRF referente ao documento da Caixa Econômica Federal e informando que o Banco não tinha mais a documentação solicitada para entregar a Receita Federal. Assim, forma apresentados documentos da Caixa Econômica para demonstrar o oferecimento do imposto de renda retido na fonte a Receita Federal e comprovar a retenção e o referente crédito. Após intimação a Recorrente apresenta petição requerendo o reconhecimento do crédito. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10830.008071/200121 Acórdão n.º 1402002.833 S1C4T2 Fl. 308 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Da análise dos documentos constantes nos autos, entendo que o v.acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos. Tanto a Caixa Econômica, como a Recorrente não forneceram o Informe de Rendimentos nos termos da Instrução Normativa. Apenas a cópia de um fax foi apresentado nos autos. A cópia do documento original não veio aos autos mesmo a após a instituição financeira ter sido notificada a entregar para a Receita Federal. Também não foram encontradas as DIRFs relativas a este imposto retido pela Caixa Econômica Federal. A Recorrente também não conseguiu apresentar detalhadamente no Livro Razão (fls. 188/223) quais seriam os lançamentos que comprovassem os valores oferecidos à tributação relativa às aplicações financeiras da CEF e informou ao Auditor que em razão do tempo e mudança de funcionários seria difícil detectálas individualmente. Apesar de ser possível verificar na DIPJ (fl. 67, na Ficha 06 – linha 24) que a Recorrente ofereceu à tributação o valor de R$ 4.332.995,13 à título de Outras Receitas Financeiras (valor muito além do apurado nas DIRF de fls.224 a 235) e conforme DCTF não ter utilizado o valor para fins de compensação/restituição, o crédito de R$ 93.891,57 (fl. 10 do autos) de IRRF supostamente retido pela Caixa Econômica Federal não restou comprovado nos autos, devendo o v. acórdão recorrido ser mantido. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10830.008071/200121 Acórdão n.º 1402002.833 S1C4T2 Fl. 309 6 Em relação ao crédito de R$ 28.0242,46 que foi apontado pela Recorrente junto com a manifestação de inconformidade, como muito bem esclarecido pelo v. acórdão "a quo" este valor não faz parte da discussão do processo, pois não foi apresentado pedido de reconhecimento/restituição e compensação relativo a tal montante antes de ter sido proferido o R. Despacho Decisório. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento mantendo o v. acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000385/2010-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS.
Os valores relativos a assistência médica integram o salário-de-contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados.
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o salário-de-contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.100 1 1.099 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16045.000385/201017 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.482 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Salário Indireto Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDUSTRIAS QUIMICAS TAUBATE S A IQT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o saláriodecontribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 85 /2 01 0- 17 Fl. 1100DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240202.857, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 21/06/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “ASSISTÊNCIA MÉDICA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente à assistência médica não integra o salário de contribuição apenas quando disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxílio transporte pago habitualmente em pecúnia tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo a plano educacional não integra o salário de contribuição quando vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. MULTA DE MORA. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.101 3 Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte." Insurgese a União (Fazenda Nacional): 1) despesas médicas; 2) auxílio educação; relativo aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. O aludido julgado ainda determinou o recálculo da multa pela regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Admissibilidade somente quanto à 1. Assistência Médica acórdão paradigma 20601.352 2. Multa acórdão paradigma 230100283 e 240100120 O contribuinte pugna genericamente pelo não conhecimento do recurso e manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes os pressupostos de admissibilidade no processo em referência. Das despesas médicas: Fl. 1102DF CARF MF 4 O empregador pode conceder assistência médica aos empregados como beneficio adicional, além do salário contratual. Para que o valor correspondente à assistência médica não seja considerado salário de contribuição pela Previdência Social. Conforme o artigo 458, V, da CLT, a assistência médica, hospitalar e odontológica prestada diretamente ou mediante seguro saúde, concedida pelo empregador, não será considerada salário utilidade, não havendo assim incorporação ou contribuição a ser recolhida. Nesse sentido, o valor correspondente à assistência médica, hospitalar e odontológica prestada diretamente pelo empregador ou mediante seguro saúde ao empregado não integra a base de cálculo do FGTS. As despesas médicas é uma verba recebida pelo empregado que não caracteriza uma contraprestação de um trabalho prestado, pois é apenas um ressarcimento, conforme artigo 214, § 9o, do Decreto n" 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social. A par deste assunto o Superior Tribunal de Justiça reiterou o entendimento de que é indevida a contribuição previdenciária sobre o reembolso das despesas médicas (...). [cita o Resp n° 381.181/RS] Contudo, diante do Decreto, o valor da assistência médica concedida aos dependentes do empregado integra o salário de contribuição para todos os fins, caso diverso do relatado nos autos, somente funcionários obtinham tal beneficio. Mais uma vez, claro que não houve o fato gerador de tal tributo imputado a empresa, não havendo assim valores devidos a Previdência diante de tal circunstância. Do acórdão recorrido: Embora todos os segurados e dirigentes da recorrente disponham de assistência médica e odontológica, alguns dispõem de seguro saúde diferenciado. Por essa razão, a decisão recorrida ratificou o entendimento da fiscalização. Tratase de interpretação da expressão “desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” da regra de isenção: § 9o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; A matéria foi objeto de exame pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF que se pronunciou pela possibilidade de o benefício ser diferenciado por categorias ou classes da empresa, sem que com isso tornasse o benefício sujeito à incidência da contribuição previdenciária: Acórdão nº 920200.295, de 22/09/2009 Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.102 5 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA —PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO/COBERTURA À TOTALIDADE DO EMPREGADOS/FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9°, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso especial negado. Ressaltase que parcela das despesas com os planos de saúde são custeadas pelos segurados da recorrente mediante desconto em folha de salários. Por essa sistemática, haveria um maior comprometimento da renda dos segurados com menor capacidade econômica para suportar o ônus com o benefício. Retroatividade Benigna Já quanto a multa, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Feita tal digressão, aqui sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendo se as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). Fl. 1104DF CARF MF 6 § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.103 7 dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de Fl. 1106DF CARF MF 8 da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.104 9 em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de Fl. 1108DF CARF MF 10 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.105 11 Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade Fl. 1110DF CARF MF 12 primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16045.000385/201017 Acórdão n.º 9202006.482 CSRFT2 Fl. 1.106 13 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada. Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, apenas no que tange à tese defendida no acórdão recorrido, no sentido de que, para que não integre o saláriode contribuição, basta que a assistência médica esteja disponível para todos os empregados da empresa, sem obrigatoriedade de que a cobertura seja a mesma todos. Fl. 1112DF CARF MF 14 A respeito do tema, o art. 28, da Lei nº 8.212, de 199, assim dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (grifei) Como se pode constatar, a condição para que o valor relativo à assistência médica não integre o saláriodecontribuição é que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No presente caso, verificouse a existência de planos de saúde distintos, contemplando de forma desigual os segurados. Assim, não foi cumprido o requisito legal no sentido de que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes, de sorte que a verba deve integrar o saláriodecontribuição. Oportuno remarcar que a interpretação de dispositivo legal que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal, conforme o art. 111, II, do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1113DF CARF MF
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