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Numero do processo: 13854.000048/98-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1996
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas ( Presidente em Exercício) Charles Mayer De Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente)
Nome do relator: DEMES BRITO
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 48 /9 8- 23 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13854.000048/9823 Acórdão n.º 9303004.228 CSRFT3 Fl. 257 2 provimento parcial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas ( Presidente em Exercício) Charles Mayer De Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente) Relatório Tratase de recurso Especial Complementar de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 20218855, de 12/03/2008, o qual por unanimidade de votos acolheu os embargos de declaração da Contribuinte para corrigir as inexatidões materiais constantes no acórdão nº 20214974, de 12/08/2003. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LAP MANIFESTO. REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. Conforme o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, devem ser retificadas pela Câmara julgadora as inexatidões materiais decorrentes de lapso manifesto, constatadas e embargadas pela contribuintes. As omissões na fundamentação do voto devem ser supridas a partir do acolhimento dos embargos. A Ementa do julgamento do Acórdão nº 20214.974; passa a ter seguinte redação: " IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS Incluemse na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes da contribuições para o PIS e a Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SEL1C. Incidindo a taxa Selic sobre a restituição, nos termos do art. 39, parágrafo 4, da Lei 9.250/95, a partir de 01/01/ 96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero de restituição, conforme entendimento, da Câmara Superior no Acórdão CSRF/020.708, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado da restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá. também, sobre o ressarcimento. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13854.000048/9823 Acórdão n.º 9303004.228 CSRFT3 Fl. 258 3 Recurso provido." Embargos de declaração acolhidos. A Fazenda Nacional, em seu recurso, aponta contrariedade a lei, sustentando que a ementa do referido acórdão se extrai que não se aplica a taxa SELIC, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem previsão legal. Pugna pela procedência do lançamento. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarazões. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Com efeito, a matéria foi tratada nos autos do REsp nº 993.164MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja controvérsia foi submetida ao rito previsto no artigo 543 C do CPC, cuja ementa transcrevese abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13854.000048/9823 Acórdão n.º 9303004.228 CSRFT3 Fl. 259 4 inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13854.000048/9823 Acórdão n.º 9303004.228 CSRFT3 Fl. 260 5 Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13854.000048/9823 Acórdão n.º 9303004.228 CSRFT3 Fl. 261 6 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sem embargo, o artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) dispõe que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido,mm dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo a decisão recorrida in totum. Para efeitos de liquidação deste julgado, a unidade preparadora deve observar a incidência da Taxa Selic somente sobre a parcela deferida pelo CARF, a partir da data do protocolo. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 11070.001760/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPOSTA OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos de declaração opostos com fundamento em omissão quando o acórdão embargado se pronunciou expressamente sobre o ponto questionado. Não havendo contradição no acórdão, descabem os embargos
Numero da decisão: 1201-000.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, negar-lhes provimento.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Regis Magalhães Soares De Queiroz
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SUPOSTA OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTËNCIA. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos de declaração opostos com fundamento em omissão quando o acórdão embargado se pronunciou expressamente sobre o ponto questionado. Não havendo contradição no acórdão, descabem os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, negarlhes provimento . (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RAFAEL CORREIA FUSO, MARCELO CUBA NETTO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO e REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 11070.001760/200621 Acórdão n.º 120100.456 S1C2T1 Fl. 2 2 Cuidase de embargos de declaração opostos pela contribuinte ao acórdão de fls. 758 e seguintes que foi assim ementado: SIMPLES. OBJETO SOCIAL. ATIVIDADE PROFISSIONAL RELACIONADA À ENGENHARIA AGRÔNOMA. Empresa de aviação agrícola que tem dentre seus objetos sociais “prestar assistência técnica agronômica e de elaboração e execução de projetos agropecuários” não pode optar pelo SIMPLES em razão da vedação legal às atividades profissionais de engenheiro agrônomo. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Constatado saldo credor de caixa deve o contribuinte demonstrar o destino e a efetividade das despesas e custos, caso contrário pode o fisco presumir omissão de receita e tributar o valor do saldo credor. O embargante sustenta os embargos de declaração em dois fundamentos. O primeiro a suposta contradição do acórdão embargado quando julgou desnecessária a produção de prova pericial e, portanto, inexistente cerceamento de defesa na r. decisão da DRJ que negou tal pleito, mas negou provimento ao recurso voluntário da embargante por ausência de prova acerca da inocorrência de saldo credor de caixa. O segundo a suposta omissão de julgamento da argüição de inconstitucionalidade da taxa SELIC bem como da multa de ofício de 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: Embargos conhecidos. Quanto ao primeiro fundamento, os fundamentos invocados pela embargante, em seu recurso voluntário, para sustentar o cabimento da perícia, foram: (a) necessidade de verificar a ocorrência do fato gerador do IR e da CSLL; (b) verificar a situação fática da empresa, que não realiza serviços vedados ao SIMPLES; (c) e verificar a natureza da base de cálculo utilizada, acerca da existência ou não de faturamento para incidência do PIS e COFINS. Sobre o cabimento da perícia, no acórdão embargado está assentado didaticamente que: “Esse meio de prova visa esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 11070.001760/200621 Acórdão n.º 120100.456 S1C2T1 Fl. 3 3 não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a mera juntada de documentos ou análise dos já juntados ou, ainda, quando se tratar de questão de direito. O saldo credor de caixa ou caixa negativo faz presumir omissão de receitas, porque o pagamento de custos, despesas ou aquisição de bens ou direitos sem o respectivo registro é indício de que o pagamento foi efetuado com dinheiro mantido à margem da contabilidade. E tal indício foi elevado à categoria de presunção legal pelo inc. I, do art. 281 do RIR/1999. 1 Competia, então, ao embargante o ônus de trazer aos autos documentação coincidente em datas e valores demonstrando a contabilização das despesas e custos. A trazida destes documentos aos autos não pode ser suprida pelo pedido de perícia. Neste sentido o precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PASSIVO FICTÍCIO. PROVA EMPRESTADA. AUTUAÇÃO FUNDADA EM ELEMENTOS COLHIDOS PELA FISCALIZAÇÃO ESTADUAL. POSSIBILIDADE (CTN, ART. 199). SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. 1. É lícita a glosa efetuada com base em lançamento fiscal realizado pela fiscalização estadual, notadamente quando o contribuinte anuiu com o lançamento, efetuando o recolhimento do tributo devido naquela esfera. 2. Se a embargante não apresenta provas suficientes dos fatos alegados com vistas a demonstrar a insubsistência da autuação fiscal, que constatou saldo credor na conta caixa, é de se reconhecer a procedência do auto de infração. 3. Apelação desprovida. (Acórdão nº 1998.01.00.0768610 de Tribunal Regional Federal da 1ª. Região, Terceira Turma Suplementar, 16 de Junho de 2005, negritamos) Adicionalmente, o acórdão embargado avaliou os quesitos oferecidos pelo ora embargante e concluiu que nada havia ali que justificasse a substituição do ônus de trazer aos autos as provas documentais necessárias à desqualificação da presunção legal pela realização de perícia. Vejamos quais foram os quesitos: 1. Se a empresa desenvolve, de fato, outras atividades, além da aviação agrícola? ( )sim ( )não 2. Em caso afirmativo à questão formulada, quais seriam estas atividades? Elas são impeditivas para a opção pelo SIMPLES? 1 RIR/1999, Art. 281: Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 11070.001760/200621 Acórdão n.º 120100.456 S1C2T1 Fl. 4 4 3. Se há algum documento ou lançamento fiscal que demonstre a existência de serviço de pilotagem, agronomia, ou representação comercial? 4. Se houve desclassificação da escrita fiscal? ( )sim ( )não 5. Em caso afirmativo à questão formulada sobre a desclassificação da escrita fiscal, porque foi desclassificada? 6. Da análise da documentação e dos livros fiscais e contábeis é possível apontar acréscimo patrimonial e/ou lucro sujeitos à tributação? Qual o se valor? Confere com o apontado pela fiscalização? 7. A fiscalização deduziu da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas comprovadas e/ou lançadas nos extratos bancários (taxas bancárias, encargos tributários, operações financeiras, empréstimos bancários, etc)? 8. A escrita fiscal é regular? ( )sim ( )não e por que? 9. As bases de cálculo do PIS e COFINS são formadas apenas por faturamento (venda de serviços e/ou mercadorias)? Ou foram acrescidas de outras receitas? Em caso afirmativo, quanto representam estas receitas? Qual seria o valor devido com a exclusão das outras receitas? 10. Informe o Sr. Perito toda e qualquer informação que entender e julgar conveniente para a elucidação do presente litígio. Sobre a impropriedade destes quesitos, afirmou a decisão embargada: “Pela análise dos quesitos formulados concluise que ou tratam de matéria passível de aferição a partir da análise da documentação fiscal do recorrente ou sobre aspectos irrelevantes ao deslinde da questão ou, ainda, versam sobre questão atinente à interpretação da regra jurídica.” Confirmadas, desta forma, a inadequação da perícia e a inexistência de cerceamento de defesa no seu indeferimento. Quanto ao esclarecimento da situação fática da embargante que, segundo alega, prestaria serviços de “assistência técnica agronômica e de elaboração e execução de projetos agropecuários”, é a própria quem confessa que contrata pilotos e engenheiros para execução do seu serviço especializado de proteção de lavouras, não sendo uma empresa de profissionais liberais dessa profissão. Ora, se a embargante precisa contratar engenheiros para a realização de sua atividade é porque atua no ramo da engenharia, mesmo que nenhum sócio ou empregado tenha essa habilitação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 11070.001760/200621 Acórdão n.º 120100.456 S1C2T1 Fl. 5 5 Logo, também neste ponto mostrase totalmente descabida e inútil a realização de prova perícial, uma vez que há nos autos elementos suficientes para a formação da convicção do julgador acerca da questão. Assim, inexistente contradição no acórdão embargado; Quanto ao segundo fundamento, de omissão do acórdão embargado de apreciar a argüição de inconstitucionalidade da SELIC e da multa de ofício de 75%, também não tem razão o recurso. Só pode se omitir aquele que tinha a obrigação de se pronunciar. No caso em análise, como é de amplo conhecimento, ao CARF falece competência para apreciar matéria de índole constitucional a teor do disposto no art. 26A, do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ora, não estando a questão da arguida inconstitucionalidade da multa de ofício nem da SELIC enquadradas na situações descritas no § 6º, do dispositivo legal acima transcrito, não podia este órgão julgador proferir o desejado juízo de constitucionalidade, razão porque não pode o acórdão embargado ser taxado de omisso em relação a essas matérias. Nesse sentido, repisese o teor de súmula deste Conselho: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 11070.001760/200621 Acórdão n.º 120100.456 S1C2T1 Fl. 6 6 Súmula Unificada nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, com relação à SELIC, o acórdão não deixou de citar a Súmula Unificada n. 4, que expressamente determina a aplicação desta taxa de juros, sendo este mais um motivo para afastarse a alegação de omissão: Súmula Unificada nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Isso posto, conheço, mas nego provimento os embargos de declaração. É o voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 30/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
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Numero do processo: 13642.720023/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO.
São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPANHEIRA.
A companheira pode ser considerada dependente na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, desde que comprovada a vida em comum com o contribuinte por mais de cinco anos mediante conjunto probatório hábil e idôneo.
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, apenas quando especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento parcial ao recurso quanto às despesas com o plano de saúde.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPANHEIRA. A companheira pode ser considerada dependente na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, desde que comprovada a vida em comum com o contribuinte por mais de cinco anos mediante conjunto probatório hábil e idôneo. AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, apenas quando especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 94 1 93 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13642.720023/201434 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.449 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria IRPF: AJUSTE. GLOSA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LUIZ RONEY BRAGA DE ABREU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPANHEIRA. A companheira pode ser considerada dependente na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, desde que comprovada a vida em comum com o contribuinte por mais de cinco anos mediante conjunto probatório hábil e idôneo. AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, apenas quando especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 00 23 /2 01 4- 34 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 95 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento parcial ao recurso quanto às despesas com o plano de saúde. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 96 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1266.232 (fls. 63/68): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS DE DEPENDENTE Somente deduzemse, na determinação da basedecálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda, os valores pagos a título das Despesas, informados no campo Deduções da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Dirpf, quando provadas tais despesas de acordo com a legislação pertinente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Quando mantida a glosa de dedução de dependente, devese excluir a respectiva omissão de rendimentos recebidos por este. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PARTE DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2012/972055530352421, relativa ao anocalendário 2011, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 6/12): (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; (ii) dedução indevida de dependente; e (iii) dedução indevida de despesas médicas. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 97 4 3. Cientificado da notificação por via postal em 10/1/2014, às fls. 41, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 3.1 Complementou à sua impugnação, às fls. 57/60, alegando ser portador de moléstia grave desde o ano de 2006, recebendo proventos de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Fundação Refer). 3.2 Na oportunidade, anexou ao processo administrativo laudo oficial que comprovaria a moléstia, emitido em 2014 (fls. 59). 4. Intimado em 21/6/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 72/73, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 21/7/2014 (fls. 74/80). 4.1 Reitera a sua condição de portador de moléstia grave, classificada como angiopatia amiloide, CID H54.2, incluída no grupo da cegueira, e que seus proventos proveem de aposentadoria. 4.2 Pondera que mesmo a cegueira parcial encontrase abrangida pela isenção de que trata inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, porque a lei não faz alusão à cegueira total. Transcreve jurisprudência, segundo entende, a favor do seu ponto de vista. 4.3 De outro modo, na hipótese de não acatada a isenção por moléstia grave, o recorrente pugna pelo reconhecimento da união estável com a Sra. Isacarla Goulart e a consequente aceitação da relação de dependência, além da dedução das despesas com o plano de saúde (Unimed), no valor de R$ 1.724,94, e despesas com dentista, na quantia de R$ 1.770,00, conforme recibos previamente apresentados. 4.4 Requer ainda a aceitação da dedução do pagamento do plano de saúde em seu próprio nome, no valor de R$ 14.931,69. 4.5 Adiciona, ao final, que há mais de cinco anos declara a companheira na DIRPF, tendo providenciado o registro da união estável no cartório. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Permanecem em litígio, nessa fase processual: a relação de dependência para efeito de dedução do imposto de renda da Srª Isacarla Goulart, companheira do contribuinte, as despesas médicas em nome da dependente e a dedução dos pagamentos do plano de saúde em nome do contribuinte. 7. Antes, contudo, cabe avaliar a alegação de isenção do imposto em face da existência de moléstia grave. 8. De acordo com os incisos XXXI e XXXIII, e §§ 4º a 6º, do art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, são isentos do imposto sobre a renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão1 recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Transcrevo a redação do RIR/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 99 6 mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (GRIFOUSE) (...) 9. Conquanto as alterações efetuadas pela fiscalização na declaração apresentada pelo contribuinte digam respeito à glosa de deduções médicas e dependente, a condição de portador de moléstia grave implica uma provável reclassificação dos rendimentos declarados, com reflexo direto na base de cálculo do imposto devido no anocalendário e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções. 9.1 Em outras palavras, constatado que os rendimentos declarados são isentos, ou em parte tributáveis, porém correspondentes à faixa inicial da tabela progressiva em que a alíquota é 0 (zero), a notificação fiscal será improcedente, sendo descabida a exigência de imposto suplementar. 9.2 Não se trata de revisar a declaração apresentada pelo recorrente, mas tão somente em dar solução ao litígio instaurado, limitandose à controvérsia quanto à exigência de imposto suplementar, considerando os elementos de prova disponíveis nos autos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 100 7 10. Isso porque os princípios informativos do processo administrativo fiscal, tais como ampla defesa, verdade material, duplo grau de jurisdição, informalismo moderado, oficialidade e preclusão, estão em permanente tensão. 10.1 É tarefa do julgador assegurar o equilíbrio entre eles, respeitando as formalidades inerentes ao rito procedimental, sem contudo levar a situações de litígio judicial desnecessário, com clara violação ao princípio da eficiência. 10.2 Levada a questão para apreciação do Poder Judiciário, inevitavelmente será avaliada sobre o aspecto material. Não pode prosperar a decisão administrativa que mantém um lançamento tributário que não se coadune como os princípios da legalidade tributária e verdade material. 10.3 É possível atenuarse os rigores das normas quanto à produção de provas, como medida excepcional, em face de documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador a respeito da improcedência do lançamento tributário, por alterarem, substancialmente, fato que serve de suporte à exigência fiscal. O que está em jogo, ao fim e ao cabo, é a legalidade da tributação. 11. Pois bem. Existe laudo médico emitido por serviço oficial, anexado aos autos na fase de impugnação, atestando que o autuado é portador, desde 06/2006, de angiopatia amiloide, qualificando a moléstia como cegueira. Observo que estava em branco o campo do documento correspondente à Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde CID 10 (fls. 59). 12. Debruçandose mais detidamente sobre o laudo oficial, datado de 26/2/2014, assinado por médico ortopedista, percebese que o diagnóstico da doença, bem como os elementos que a fundamentam, têm como base o relatório oftalmológico emitido por médico especialista do Instituto de Olhos Dr. Rogério Horta. O laudo também referese a exames clínicos realizados no mesmo centro médico (fls. 85/91). 12.1 Segundo consta do relatório oftalmológico, expedido igualmente no ano de 2014, o paciente Sr. Luiz Roney Braga de Abreu iniciou em 2006 o processo de perda visual, quando foi diagnosticada a angiopatia amiloide. Ficou caracterizada a hemianopsia inferior em ambos os olhos na realização do exame de campo visual computadorizado. 12.2 Ainda que submetido a neurocirurgia em set/2006, o quadro clínico evoluiu ao longo dos anos para perda progressiva do campo visual, alcançando, em fev/2014, quase uma perda total da visão (visão tubular). 13. Destaco que na fase recursal o contribuinte trouxe aos autos novamente cópia do mesmo laudo oficial, agora com o código da moléstia preenchido: CID H54.2 (visão subnormal de ambos os olhos), sem mencionar, contudo, o responsável pela complementação dos dados originais (fls. 82). 14. A hemianopsia é a perda parcial ou completa da visão em uma das metades do campo visual de um ou ambos os olhos.2 2 http://neuroinformacao.blogspot.com.br/2011/07/pequenodicionariodetermosmedicos.html Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 101 8 15. A isenção prevista em lei abrange o gênero "cegueira", não ficando restrita à perda da visão nos dois olhos, pois compreende a cegueira binocular (compromete toda a visão) e a monocular (a patologia atinge a visão em apenas um olho). 16. Deve ficar caracterizada a cegueira de acordo com as definições médicas. Confirase a relação constante da CID10, especificamente nos códigos que tratam da cegueira e visão subnormal: CID 10 H54 Cegueira e visão subnormal CID 10 H54.0 Cegueira, ambos os olhos CID 10 H54.1 Cegueira em um olho e visão subnormal em outro CID 10 H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos CID 10 H54.3 Perda não qualificada da visão em ambos os olhos CID 10 H54.4 Cegueira em um olho [DESTAQUEI] CID 10 H54.5 Visão subnormal em um olho CID 10 H54.6 Perda não qualificada da visão em um olho CID 10 H54.7 Perda não especificada da visão 17. Como se percebe, a codificação revela algumas espécies de cegueira, comprometendo a perda da visão nos dois olhos (H54.0) ou ocasionando problemas em apenas um olho (H54.1 e H54.4). Por outro lado, nem todos as hipóteses de perda da visão caracterizam a cegueira. 18. Segundo alhures exposto, o laudo médico de fls. 59 concluiu pela patologia cegueira exclusivamente com base no relatório oftalmológico emitido por médico especialista do Instituto de Olhos Dr. Rogério Horta (fls. 85/91). 18.1 Acontece que o diagnóstico e os exames particulares não corroboram a afirmação do médico ortopedista, que assinou o laudo oficial, de que o recorrente era portador de cegueira no ano de 2006. Como facilmente se percebe, o relatório oftalmológico atesta expressamente um processo de perda visual iniciado em 2006, constatandose em fev/2014, por meio da realização de exames clínicos, a quase perda total da visão em ambos os olhos. 18.2 O diagnóstico médico de visão subnormal de ambos os olhos, devido à identificação de "campo visual menor que 20º compatível com cegueira legal em ambos os olhos. CID H54.2", encontra lastro em documentação obtida mediante exame oftalmológico apenas no ano de 2014 (fls. 87). 19. Logo, os elementos de provas que instruem os autos não confirmam, em linguagem de provas, a patologia denominada "cegueira" no ano de 2006, ainda que restrita a um só olho do paciente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 102 9 19.1 Mais que isso, os documentos existentes são insuficientes para o fim de caracterizar, segundo definição médica, a moléstia grave cegueira no ano a que se referem os rendimentos tributáveis, ou seja, em 2011 20. Com relação à glosa de dedução da dependente Isacarla Goulart, companheira do recorrente, dispõe o art. 77 do RIR/99: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; (...) 21. O companheiro ou a companheira poderão ser considerados dependentes para fins de dedução na base de cálculo do imposto sobre a renda devido pelo contribuinte, desde que comprovada a vida em comum por mais de cinco anos com o declarante, ou por período menor se resultou filho da união estável. 22. É admitida a prova da vida em comum por via documental, não se exigindo um rol específico de documentos, mas sim a existência de um mínimo conjunto probatório sério, contundente e convincente da vida em comum e união estável por mais de cinco anos, observado, quanto ao lapso de tempo, o anocalendário a que se refere a inclusão do companheiro na DAA (a revisão da declaração diz respeito ao anocalendário 2011). 23. Para provar os fatos, o recorrente trouxe aos autos a Escritura Pública de Declaração de União Estável, com a assinatura de testemunhas, na qual está declarado que os signatários "vivem uma união estável há 09 (nove) anos, convivendo maritalmente desde abril de 2005 (...)". (fls. 83/84) 23.1 Contudo, tal prova unicamente considerada tem a força axiológica reduzida para a finalidade deste processo administrativo, pois a escritura foi firmada em 7/5/2014. 23.2 Inclusive, na peça impugnatória, datada de 24/1/2014, o contribuinte havia declarado que vivia sob o mesmo teto com a Srª Isacarla Goulart há aproximadamente 6 (seis) anos (fls. 3). 23.3 É imprescindível, portanto, elementos de convencimento adicionais, contemporâneos ao lapso de tempo de cinco anos exigido pela legislação. 24. O contribuinte apresenta ainda comprovante de residência em nome da dependente, porém diz respeito ao ano de 2013, não sendo apto a demonstrar a coabitação com a Srª Isacarla Goulart desde o ano de 2005 ou 2006, no mínimo (fls. 38). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13642.720023/201434 Acórdão n.º 2401004.449 S2C4T1 Fl. 103 10 25. Por sua vez, pondera que a dependente é informada como companheira na DIRPF do contribuinte há mais de cinco anos, o que seria uma prova da união estável. 25.1 Cuidase de argumentação verbal trazida apenas na fase recursal, não tendo o recorrente se esforçado para colacionar aos autos cópia da declaração do anocalendário 2005 ou 2006, de modo a evidenciar a mínima plausibilidade ao que está afirmando. 26. Nessa linha de raciocínio, os documentos acostados não são aptos a comprovar a convivência há mais de cinco anos, tendo em conta o anocalendário 2011. Por conseguinte, inviabiliza o reconhecimento do direito à inclusão da Srª Isacarla Goulart como dependente do declarante e impossibilita o restabelecimento das deduções das correspondentes despesas médicas. 27. Quanto à dedução das despesas médicas no valor de R$ 14.931,69, declaradas pelo contribuinte como pagas a Cooperativa Unimed, mediante a Qualicorp Administradora de Benefícios, mantenho a decisão de piso pelos seus próprios fundamentos. 27.1 O julgador "a quo" registrou com acerto as razões para a não aceitação dos pagamentos como dedutíveis na DAA 2012/2011, deixando o contribuinte de apresentar, mesmo na fase do contencioso administrativo, os elementos de prova solicitados pela fiscalização quanto à identificação dos beneficiários do plano de saúde (fls. 67): "(...) Quanto aos comprovantes de pagamentos relativos à Qualicorp Adm de Benef. SA, fls 13, 15/25, não ficou demonstrado que o contribuinte é o único beneficiário do plano de saúde, sendo assim, não é possível saber a parcela dedutível na DAA, já que a dedutibilidade restringese ao contribuinte e seus dependentes. Notase que o contribuinte já tinha sido intimado a apresentar comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente).(...)" Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10855.905478/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa:
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DO CRÉDITO ENTRE FILIAL E MATRIZ. ESTORNO DO CRÉDITO EM FAVOR DA FILIAL
Se ao longo de procedimento fiscalizatório decorrente de pedido de ressarcimento de IPI a matriz estorna o crédito originalmente apurado pela sua filial, não há que se discutir acerca da validade ou não dessa transferência, mas sim verificar a qualidade do crédito vindicado que, sendo positiva, deverá ser ressarcido em favor do contribuinte.
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REGISTRO EM LIVROS CONTÁBEIS, MAS SEM PROVA DAS CORRELATAS NOTAS FISCAIS
O fato de um crédito de IPI estar registrado nos livros contábeis de um contribuinte não implica a sua absoluta validade, já que a contabilidade não se presta a criar fatos, mas serve apenas para registrá-los. Logo, se em sede de fiscalização em pedido de ressarcimento o contribuinte é intimado para apresentar as notas fiscais que fundamentam seu pedido, deverá o contribuinte desincumbir-se deste ônus probatório, sob pena do seu pedido de ressarcimento ser indeferido.
Numero da decisão: 3402-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja efetivado o ressarcimento de 70,1% do crédito de IPI originalmente vindicado pelo Recorrente e para o qual existe prova da sua existência e qualidade (115 notas fiscais originais), nos termos de parte da manifestação fiscal exarada as fls. 689/696, mantendo-se, contudo, a glosa do montante remanescente pela ausência de prova do referido crédito. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DO CRÉDITO ENTRE FILIAL E MATRIZ. ESTORNO DO CRÉDITO EM FAVOR DA FILIAL Se ao longo de procedimento fiscalizatório decorrente de pedido de ressarcimento de IPI a matriz estorna o crédito originalmente apurado pela sua filial, não há que se discutir acerca da validade ou não dessa transferência, mas sim verificar a qualidade do crédito vindicado que, sendo positiva, deverá ser ressarcido em favor do contribuinte. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REGISTRO EM LIVROS CONTÁBEIS, MAS SEM PROVA DAS CORRELATAS NOTAS FISCAIS O fato de um crédito de IPI estar registrado nos livros contábeis de um contribuinte não implica a sua absoluta validade, já que a contabilidade não se presta a criar fatos, mas serve apenas para registrálos. Logo, se em sede de fiscalização em pedido de ressarcimento o contribuinte é intimado para apresentar as notas fiscais que fundamentam seu pedido, deverá o contribuinte desincumbirse deste ônus probatório, sob pena do seu pedido de ressarcimento ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja efetivado o ressarcimento de 70,1% do crédito de IPI originalmente vindicado pelo Recorrente e para o qual existe prova da sua existência e qualidade (115 notas fiscais originais), nos termos de parte da manifestação fiscal exarada as fls. 689/696, mantendose, contudo, a glosa do montante remanescente pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 54 78 /2 01 0- 19 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 ausência de prova do referido crédito. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido pelo então Relator do caso, João Carlos Cassuli Junior, quando lavrou a Resolução n. 3402000.516 (fls. 593/598), o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de pedido de ressarcimento PER/DCOMP n. 11008.99054.090206.1.1.010400 de saldo credor de IPI, transmitido em 09/02/2006, em que o contribuinte se diz credor do montante de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais) relativo ao 2º trimestre de 2004. Ainda, sobre o mesmo crédito e período de apuração, o contribuinte transmitiu em 13/04/2007, pedido de ressarcimento residual PER/DCOMP nº 05578.80123.130407.1.1.017200 no importe de R$ 1.600.588,31 (um milhão, seiscentos mil, cinquenta e oitenta e oito reais e trinta e um centavos). Após a transmissão do primeiro pedido houve a instauração de Procedimento Fiscal que resultou na informação fiscal de fls. 257/259 da qual transcreve elementos de destaque: “(...) 8. O PER/DCOMP n° 11008.99054.090206.1.1.010400, objeto da presente ação fiscal, aponta o CNPJ 02.055.805/000168 (matriz) como estabelecimento detentor do crédito. Entretanto, analisando o Livro de Apuração do IPI, ano 2004, desse estabelecimento (matriz), verificamos que o saldo credor apurado no período em questão não corresponde ao "Saldo Credor RAIPI" apontado no PER/DCOMP. 9. O "Saldo Credor RAIPI" apontado no PER/DCOMP, no montante de R$ 7.386.367,88, corresponde sim ao saldo credor de IPI apurado pelo estabelecimento filial 02.055.805/000320, conforme registrado em seu livro de apuração do IPI. 10. O estorno do valor do pedido de ressarcimento (R$ 5.500.000,00), foi efetuado no período de 01/02 a 28/02/2006, às folhas 7 do Livro Registro de Apuração do IPI da matriz. (...) 12. Não foram apresentados os arquivos digitais relativos à escrita fiscal. Assim, ficaram totalmente prejudicadas as verificações no que diz respeito aos dados constantes das notas Fl. 708DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.905478/201019 Acórdão n.º 3402003.222 S3C4T2 Fl. 700 3 fiscais, como: CFOP, classificação fiscal, alíquota, valor do IPI, etc. 13. Diante do não atendimento às intimações no que diz respeito aos arquivos digitais citados no item anterior e às notas fiscais que confiram legitimidade à escrituração dos créditos, não foi possível verificar a correta utilização desses créditos e a apuração dos valores solicitados a título de ressarcimento. 14. As notas fiscais apontadas no PER/DCOMP apresentam o total do IPI destacado no montante de R$ 8.770.020,15, que correspondem ao total do IPI creditado no período no Livro RAIPI. Desse total a fiscalizada comprovou apenas R$ 91.468,65, mediante a apresentação das notas fiscais citadas acima. Dessa maneira, nos termos do artigo 190 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), a não apresentação da aludida documentação enseja a glosa dos créditos de IPI escriturados e não comprovados. 15. Ante o exposto opinamos pelo indeferimento total do ressarcimento pleiteado, no montante R$ 5.500.000,00; quer pela falta de apresentação de documentos que deram suporte aos créditos de IPI escriturados; quer pelo fato de que o "saldo credor RAIPI" e o estabelecimento indicado no PER/DCOMP não guardam correspondência entre si”. (destaque do original) De acordo com referida informação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP proferiu Despacho Decisório DRFB/SOR/SEORT nº 26, de 19/01/2011, indeferindo os pedidos de Ressarcimento ns. 11008.99054.090206.1.1.010400 e 05578.80123.130407.1.1.017200, em razão da falta de comprovação dos créditos. Apresentada Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) Acórdão nº. 1436.417 (fls. 509/513), ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PER/DCOMP. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Salvo em alguns casos indicados expressamente na legislação, é incabível a transferência de créditos escriturais do estabelecimento filial para a matriz, conduta esta que viola o princípio da autonomia dos estabelecimentos. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificado em 23/02/2012, conforme AR de fl. 519, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 521/535) em 21/03/2012, aduzindo que a divergência de valores relatada na informação fiscal é explicada pela centralização dos créditos na matriz, conforme a IN SRF nº 600/2005, art. 16, § 2º, e decisões administrativas. Porquanto, assevera que a questão da descentralização não impediria o direito de crédito, e que houve um exagero no rigor da fiscalização ao glosar o crédito ao invés de sugerir a regularização no curso do procedimento, de toda forma afirma ter sido sanada tal irregularidade formal por meio da alteração da forma de apuração de créditos de IPI durante o curso do procedimento administrativo, de centralizada para descentralizada na filial e atestada a existência e validade dos créditos em apreço, mediante a juntada de documentação idônea, que deveria ter sido considerada pela DRJ, pelo que devem ser homologadas as compensações vinculadas aos créditos, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como a eficiência administrativa. Nesse sentido, reitera a informação de que o vício que deixou de existir era do tipo sanável, já que nada impediria que o contribuinte exercesse seu direito ao crédito em novo pedido de ressarcimento que seria apresentado, mas que poderia ser desnecessário, ao permitir que o procedimento fosse realizado. Ao final, requereu fosse retomada a análise dos documentos apresentados pela Recorrente a fim de evidenciar o quantum do crédito a ser homologado, promovendo a conversão do julgamento em diligência, para a análise das notas fiscais, liquidandose o valor dos créditos a serem deferidos, e então seja inteiramente deferido o pedido de ressarcimento e correspondentes compensações, revertendose a decisão recorrida. (...) (grifos constantes no original). 2. Uma vez pautado, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, converteu o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes medidas: (...). 1. Proceda a análise dos documentos juntados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, se o caso cotejandoos com os Livros e demais registros do contribuinte, ou ainda, com os originais dos documentos que estejam na posse sujeito passivo (intimandoo para tal providência de exibição); Fl. 710DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.905478/201019 Acórdão n.º 3402003.222 S3C4T2 Fl. 701 5 2. Constatando que referidas Notas Fiscais sejam legíveis, existentes e hábeis para atestar e veicular a tomada de créditos pelo sujeito passivo, efetive a quantificação dos mesmos, em cotejo à Planilha apresentada pelo sujeito passivo igualmente por ocasião da Manifestação de Inconformidade; 3. Após tais providências, elabore Parecer Conclusivo sobre a diligência, manifestandose de modo objetivo sobre a existência, suficiência e legitimidade dos créditos; 4. Por fim, intime o sujeito passivo para manifestarse, querendo, sobre o Parecer Conclusivo, retornando ao fim o processo para esta Casa afim de que seja então prosseguido no julgamento do feito. (...). 3. Um vez realizada a diligência, assim se manifestou a unidade preparadora (fls. 670/672): (...). 3. CONCLUSÃO Se considerarmos o lote de notas fiscais originais apresentadas pelo contribuinte como uma amostragem significativa, dado que as 115 (cento e quinze) notas encaminhadas totalizam R$ 5.463.221,90 de IPI destacado, ou seja, 70,1% do total pleiteado, podese inferir que o detentor do crédito seria o estabelecimento destinatário da transferência de produção, no presente caso a filial CNPJ nº 02.055.805/000320 e não a matriz ora solicitante; Levandose em conta os CFOP’s informados no mencionado lote de notas, os créditos passíveis de ressarcimento seriam aqueles compreendidos no CFOP 5151 –Transferência de produção do estabelecimento, dado que o IPI pode ser destacado na saída de produtos de um estabelecimento industrial para outro industrial ou equiparado da mesma firma, por analogia contrario sensu ao inciso X do art. 42 do RIPI/2002: Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: ................... X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; No que se refere às notas fiscais originais não apresentadas, no entendimento desta fiscalização, prevalece o disposto no art. 190 do RIPI/2002, ou seja, a glosa dos créditos de IPI escriturados e não comprovados pelos documentos fiscais que viriam conferir legitimidade ao pleito. É o que tínhamos para informar. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 4. O Recorrente, por sua vez, se manifestou a respeito do resultado da diligência por meio da petição de fls. 689/696. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso em apreço preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Do ressarcimento do IPI no caso em tela 7. Conforme se observa dos autos o caso em tela gravita em torno de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, decorrentes da aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na produção de produtos isentos. Tais créditos foram inicialmente apurados de forma centralizada pela Recorrente, o que redundou, em um primeiro momento, no estorno destes créditos nos documentos fiscais do estabelecimento filial e consequente registro de tais valores nos livros da matriz. 8. O pedido foi indeferido com base em dois fundamentos principais, quais sejam: (i) o saldo credor apurado no período não corresponde ao saldo credor RAIPI apontado no PER/DCOMP (por trataremse de estabelecimentos diversos); e (ii) falta de apresentação dos documentos que comprovem os créditos de IPI escriturados. 9. Todavia, em sede de Manifestação de Inconformidade, o Recorrente trouxe os documentos fiscais aptos para comprovar a legitimidade do seu crédito (ainda que parcial) o que, inclusive, suscitou a diligência aqui determinada e a resposta da fiscalização no sentido de validar qualitativamente 70,1% do montante originalmente pleiteado pelo contribuinte. Referido percentual foi constatado em sede de diligência levando em consideração apenas 115 de 155 Notas Fiscais originais apresentadas pelo Recorrente naquela oportunidade. 10. Ocorre que, conforme se observa da resposta oferecida à diligência perpetrada, a fiscalização insiste que, mesmo nesse universo de 70,1% de notas fiscais, apenas algumas seriam aptas a gerar o ressarcimento aqui tratado, uma vez que, segundo a fiscalização, a legislação do IPI impediria a transferência de créditos entre estabelecimentos do mesmo grupo (matriz e filial) em razão do princípio da autonomia dos estabelecimentos. É por isso, portanto, que a fiscalização conclui em diligência que apenas as operações com CFOP's 5151 dariam direito ao ressarcimento do IPI vindicado. É o que se extrai do seguinte trecho da manifestação fiscal (fl. 672): Levandose em conta os CFOP’s informados no mencionado lote de notas, os créditos passíveis de ressarcimento seriam aqueles compreendidos no CFOP 5151 – Transferência de produção do estabelecimento, dado que o IPI pode ser destacado na saída de produtos de um estabelecimento industrial para outro industrial ou equiparado da mesma firma, por analogia contrario sensu ao inciso X do art. 42 do RIPI/2002: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.905478/201019 Acórdão n.º 3402003.222 S3C4T2 Fl. 702 7 Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: ................... X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; 10. Acontece que a premissa adotada pela fiscalização para tal conclusão é falha. E isso porque, embora em um primeiro momento o pedido de ressarcimento tenha sido feito pela matriz em razão da transferência de créditos da sua filial, o que poderia ensejar a discussão aqui travada (possibilidade ou não da aludida transferência), ainda em sede de procedimento fiscalizatório a Recorrente promoveu o estorno do saldo credor do Livro de Registro de Apuração da Matriz, o que, inclusive, foi reconhecido pela própria fiscalização, conforme se observa dos seguintes excertos: Trecho da Informação Fiscal de fls. 257/259: (..). 9. O “Saldo Credor RAIPI” apontado no PER/DCOMP, no montante de R$ 7.386.367,88, corresponde sim ao saldo credor de IPI apurado pelo estabelecimento filial 02.055.805/000320, conforme registrado em seu livro de apuração do IPI. 10. O estorno do valor do pedido de ressarcimento (R$ 5.500.000,00), foi efetuado no período de 01/02 a 28/02/2006, às folhas 7 do Livro Registro de Apuração do IPI da matriz. (...) (grifos nosso). Trecho da decisão de fls. 266/270 que vedou o ressarcimento do crédito: 9. O “Saldo Credor RAIPI” apontado no PER/DCOMP, no montante de R$ 7.386.367,88, corresponde sim ao saldo credor de IPI apurado pelo estabelecimento filial 02.055.805/000320, conforme registrado em seu livro de apuração do IPI. 10. O estorno do valor do pedido de ressarcimento (R$ 5.500.000,00), foi efetuado no período de 01/02 a 28/02/2006, às folhas 7 do Livro Registro de Apuração do IPI da matriz. (...). (g.n.). 11. Referido estorno está devidamente registrado no Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI de 2006, conforme atesta documento de fls. 254. Em referido documento é possível constar um estorno de R$ 5.500.000,00. 12. Dessa feita, se o estorno foi realizado ao longo do procedimento fiscalizatório, corrigindo, portanto, eventual equívoco quanto à legitimidade daquele que fez o pleito de ressarcimento e, ainda, tendo a fiscalização, em sede de resposta de diligência, atestado a qualidade de 70,1% do crédito vindicado, não resta dúvida que referido crédito deve ser ressarcido em favor do Recorrente, o que desde já reconheço. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 13. Não obstante, a dúvida persiste em relação ao valor remanescente do crédito (equivalente a 29,99% do pleito de ressarcimento) que, segundo a fiscalização, além de se referir a créditos da filial e não da matriz (premissa aqui afastada, conforme desenvolvido alhures), ainda não teriam sido objeto de prova. 14. Conforme se observa dos autos, tanto em sede de fiscalização como já no plano das respostas ofertadas às intimações fiscais egressas da diligência proposta por este Tribunal Administrativo (fls. 604/605 e 645/647), o contribuinte foi reiteradamente intimado para apresentar as notas fiscais que dariam origem aos créditos pleiteados a título de ressarcimento. Acontece que o contribuinte não apresentou tais documentos e, em sua manifestação de fls. 689/696, aduziu que tal análise poderia ser feita com base nos livros fiscais e demais registros contábeis acostados nos autos. 15. Não se olvida do fato que os registros realizados em um livro contábil gozam de presunção relativa de veracidade. Também não se ignora o disposto no art. 190 do Regulamento do IPI de 2002, vigente à época dos fatos e que assim prescrevia: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . § 2º No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. 16. Não se pode, entretanto, ignorar que no presente caso se está diante de um pedido de ressarcimento, de iniciativa do contribuinte, a quem compete o ônus de provar não só a qualidade, mas também a existência do seu crédito. Ademais, no presente caso tal pedido de ressarcimento foi objeto de fiscalização, oportunidade em que o fisco solicitou cópia das Fl. 714DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.905478/201019 Acórdão n.º 3402003.222 S3C4T2 Fl. 703 9 notas fiscais registradas contabilmente para se certificar que tal registro condizia com a realidade, já que a contabilidade não cria fatos, mas apenas retrata uma realidade. 17. Dessa feita, não há que se falar em nova diligência, já que o contribuinte teve inúmeras oportunidades para fazer prova do seu crédito sem que, todavia, lograsse êxito neste sentido. Aplicase, pois, o disposto no art. 18 do Decreto n. 70.235/721 18. Logo, se o Recorrente não conseguiu apresentar as notas fiscais registradas em seu livro contábil, ou seja, se não conseguiu provar a efetiva existência dos fatos que deram origem ao seu pretenso crédito, não faz ele jus ao ressarcimento em questão, que aqui diz respeito ao equivalente a 29,99% do total originalmente vindicado pelo Recorrente. Dispositivo 19. Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja efetivado o ressarcimento de 70,1% do crédito de IPI originalmente vindicado pelo Recorrente e para o qual existe prova da sua existência e qualidade (115 notas fiscais originais), nos termos de parte da manifestação fiscal exarada as fls. 689/696, mantendose, contudo, a glosa do montante remanescente pela ausência de prova do referido crédito. 20. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." Fl. 715DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 35013.001206/2006-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 02/1999 a 10/2000; junte aos autos informação dos tributos devidos e respectivos lançamentos referentes a retenção sobre cessão de mão de obra e serviços de cooperativas de trabalho; elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio; e informe sobre a origem dos valores designados no RDA com a sigla CRED e GRPS, que foram imputados a valores devidos no lançamento. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos ao relator, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a diligência.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo De Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 02/1999 a 10/2000; junte aos autos informação dos tributos devidos e respectivos lançamentos referentes a retenção sobre cessão de mão de obra e serviços de cooperativas de trabalho; elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio; e informe sobre a origem dos valores designados no RDA com a sigla CRED e GRPS, que foram imputados a valores devidos no lançamento. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornando-se os autos ao relator, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a diligência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo De Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 02/1999 a 10/2000; junte aos autos informação dos tributos devidos e respectivos lançamentos referentes a retenção sobre cessão de mão de obra e serviços de cooperativas de trabalho; elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio; e informe sobre a origem dos valores designados no RDA com a sigla CRED e GRPS, que foram imputados a valores devidos no lançamento. Após, que seja intimado o contribuinte para manifestação, no prazo de trinta dias, retornandose os autos ao relator, para prosseguimento. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes, que entenderam não ser necessária a diligência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo De Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram, da presente Resolução, os Conselheiros Luiz Eduardo De Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia Da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 50 13 .0 01 20 6/ 20 06 -9 6 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 35013.001206/200696 Resolução nº 9202000.048 CSRFT2 Fl. 357 2 Tratase de débito apurado referente aos valores correspondentes à retenção de 11% sobre os valores dos serviços prestados pela cooperativa ICTEBA Instituto de Perícia Técnico Científico da Bahia e não recolhidos em época própria à Previdência Social, conforme dispõe o art. 31 da Lei n° 8.212/1991, em sua redação atual, correspondente ao período de 02/1999 a 03/2005. Também é objeto do presente lançamento as contribuições a cargo da empresa incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados pelos cooperados da mesma de cooperativa, conforme dispõe o inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, a partir da competência 03/2000. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 24/11/2005. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Ato seguinte, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte. No julgamento deste Recurso, a 6ª Câmara, da 2ª Conselho de Contribuintes, por maioria, deu provimento parcial ao recurso declarando a extinção do crédito pela decadência prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, exarando a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01 /02/1999 a 3 t/l0/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude e/ou conluio comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para acolher a preliminar de decadência; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até 10/2000. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (Relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas referentes aos fatos Fl. 358DF CARF MF Processo nº 35013.001206/200696 Resolução nº 9202000.048 CSRFT2 Fl. 358 3 geradores ocorridos até 11/1999; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente a decadência, n/a) Conselheiro (a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, com base no artigo 7º, I, da Portaria 147/2007 (decisão não unânime, contrária à Lei ou à evidência da prova), objetivando rediscutir o termo inicial do prazo decadencial. Visando demonstrar o cabimento de seu recurso a União alega que o aresto não unânime merece reforma, tendo em vista que contrariou o dispositivo constante do art. 173, I, do Código Tributário Nacional que transporta o termo inicial para contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia o lançamento ser realizado, na hipótese de ausência de pagamento do tributo. Em suas razões alega a União que no caso em apreço, nos períodos de 12/1999 (apenas exigível em 01/2000) a 10/2000, considerando a ausência de antecipação de pagamento por parte do contribuinte, temse o início da contagem do prazo decadencial apenas em 01/01/2001, findandose em 01/01/2006, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Com efeito, considerando que a lavratura do auto de infração foi devidamente cientificada em 24/11/2005, é descabido cogitarse de decadência do crédito tributário lançado nas competências supramencionadas, havendo apenas respaldo para se efetivar tal reconhecimento nos períodos anteriores à 11/1999 (inclusive). Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões, tendo em vista que desistiu do processo para inclusão do débito no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Diante da ausência dos comprovantes de pagamento das contribuições que deram fundamentação à decisão da Turma a quo nos presentes autos entendo ser prudente converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta: junte aos autos as informações das contribuições devidas e valores recolhidos no período de 02/1999 a 10/2000; junte aos autos informação dos tributos devidos e respectivos lançamentos referentes a retenção sobre cessão de mão de obra e serviços de cooperativas de trabalho; elabore planilha demonstrando em colunas distintas os valores dos tributos em questão declarados e dos tributos efetivamente recolhidos, no período em litígio; e informe sobre a origem dos valores designados no RDA com a sigla CRED e GRPS, que foram imputados a valores devidos no lançamento. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 35013.001206/200696 Resolução nº 9202000.048 CSRFT2 Fl. 359 4 Gerson Macedo Guerra Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000070/2003-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO.
Comprovado tratar-se de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afasta-se o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.170
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ERRO NO PREENCHIMENTO. Comprovado tratarse de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afastase o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, OPPORTUNITY PLUS FUNDO DE INVESTIMENTOS FINANCEIROS, foi lavrado o auto de infração, fls. 02/04, originado em auditoria interna em decorrência de inexatidões de valores em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF entregues, e de falta de recolhimento ou pagamento insuficiente. Exigemse R$ 40.038,86 de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF não recolhido, detalhado nos Anexos Ia às fl. 04, acrescidos de multa de ofício de 75% do art. 160 do CTN; art. 1º da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 44, I e § 1º, I da Lei nº 9.430, de 1996, e juros de mora. A interessada apresentou tempestivamente, em 10/07/2003, a impugnação de fls. 01, alegando, em síntese, o seguinte que o tributo devido pertenceria a outra empresa que seria o OPPORTUNITY I FUNDO DE INVESTIMENTO EM AÇÕES Cl Em 27 de dezembro de 2006, os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos considerou procedente o lançamento, para manter a exigência. Cientificada em 11/06/2007, a contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou, em 11/07/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 32, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente, e complementando com a apresentação de documentos com os quais acredita que esclarece definitivamente o controvérsia. A antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, entendo que o recorrente tem direito a ter seus argumentos apreciados e de não ter uma sobrecarga de tributos por erro no preenchimento de suas declarações, decidiu converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem verifique se existe efetivamente o crédito alegado pelo recorrente, e que existindo o mesmo seja vinculado a este processo, propiciando a oportunidade de vencimento da obrigação. Caso ainda persista crédito, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em informação fiscal, a autoridade recorrida entende que em face dos elementos e alegações, parece que efetivamente ocorreu um erro no preenchimento da DCTF. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19740.000070/200383 Acórdão n.º 220201.170 S2C2T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a autoridade fiscal em sua informação fiscal entendeu que efetivamente teria ocorrido um erro no preenchimento dos DCTF, que resultou no lançamento. Não encontrando qualquer razão para reparar a informação fiscal produzida, decorrente da diligência fiscal, entendo que assiste razão as alegações do recorrente, tendo ocorrido um erro no preenchimento da declaração. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 08/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971842/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/04/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 42 /2 00 9- 13 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 15374.971842/200913 Acórdão n.º 3402003.377 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.313), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 15374.971842/200913 Acórdão n.º 3402003.377 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 15374.971842/200913 Acórdão n.º 3402003.377 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 15374.971842/200913 Acórdão n.º 3402003.377 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 15374.971842/200913 Acórdão n.º 3402003.377 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16041.000101/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência interpretativa suscitada, quando o paradigma, em face do mesmo arcabouço normativo e aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
Numero da decisão: 9202-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência interpretativa suscitada, quando o paradigma, em face do mesmo arcabouço normativo e aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.102 1 1.101 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16041.000101/200719 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.484 – 2ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria PAF RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO PRESSUPOSTOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PROSINT AGROPECUÁRIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência interpretativa suscitada, quando o paradigma, em face do mesmo arcabouço normativo e aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 1. 00 01 01 /2 00 7- 19 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD, correspondente às contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a terceiros. O período do levantamento abrange as competências janeiro de 1995 a dezembro de 2004 (Relatório Fiscal de fls. 80 a 84). No presente lançamento está sendo cobrada a parte referente à glosa de saláriofamília (fls. 277). Em sessão plenária de 13/03/2012, foi julgado o Recurso Voluntário nº 267.134, prolatandose o Acórdão nº 230201.691 (fls. 1.029 a 1.033), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. GLOSA SALÁRIOFAMÍLIA. DEMONSTRAÇÃO DAS ALEGAÇÕES POR MEIO DE DOCUMENTOS. A autuada demonstrou que parte do lançamento estava equivocado por meio de juntada de documentos.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 16041.000101/200719 Acórdão n.º 9202004.484 CSRFT2 Fl. 1.103 3 voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Também deve ser retificado o lançamento na forma das planilhas às fls. 1008 a 1010.” O voto condutor do acórdão recorrido foi assim fundamentado: "As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (homologação tácita). Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas, conforme relatório fiscal; mesmo porque o lançamento referese a glosa de saláriofamília. Desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência setembro de 2000, inclusive esta. Conforme comprovante à fl. 131, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 24 de outubro de 2005. Quanto ao mérito, a própria fiscalização reconheceu por meio de diligência às fls. 1008 a 1010 que parte do lançamento não seria procedente. Ressaltase que dessa diligência, a autuada não se manifestou em contrário." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/03/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.034). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria 30 dias após a referida data, em 28/04/2012. Em 23/04/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.035 a 1.049 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.070), com fundamento no art. 67, do RICARF, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 637/2013, de 10/09/2013 (fls. 1.072 a 1.075). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega em síntese que, tendo ocorrido apropriação indébita previdenciária, o dispositivo aplicável seria o art. 173, I, do CTN. Nesse passo, pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose o lançamento da sua integralidade. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 4 Intimado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte quedouse silente (1.100/1.101). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Nesse passo, importa salientar que a alegada divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, à luz do mesmo ordenamento jurídico. No caso do acórdão recorrido, tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD, correspondente às contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a terceiros, no que tange à glosa de saláriofamília. O período objeto da autuação abrange as competências de 01/1995 a 12/2004, tendo a respectiva ciência ocorrido em 24/10/2005. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional parte da premissa de que teria ocorrido apropriação indébita e pede a aplicação do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o voto condutor do acórdão recorrido assim registra: "As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (homologação tácita). Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas, conforme relatório fiscal; mesmo porque o lançamento referese a glosa de salário família. Desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal." (grifei) Como se pode constatar, em nenhum momento foi dito que teria ocorrido dolo, fraude ou simulação, muito menos apropriação indébita. Ao contrário, tais hipóteses foram ressalvadas como aptas a atrair a aplicação do art. 173, I, do CTN, porém concluiuse Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 16041.000101/200719 Acórdão n.º 9202004.484 CSRFT2 Fl. 1.104 5 que no caso em apreço a contagem do prazo decadencial deveria ser efetuada a partir do fato gerador, o que evidencia a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Embora a Fazenda Nacional assevere que "quanto ao acórdão recorrido, observase que a autoridade autuante atesta a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais, diante da situação fática relatada", não foi indicada a folha do processo em que isso teria sido registrado, tampouco tal situação foi relatada no julgado guerreado. Ainda que tenha sido efetivamente elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, o fato de o acórdão recorrido eventualmente ter omitido essa questão seria causa de oposição de Embargos de Declaração, o que não foi feito no presente caso. No que tange à alegada apropriação indébita, repitase que a autuação não inclui contribuições descontadas dos segurados e sim da empresa e terceiros, relativamente a glosa de saláriofamília. Quanto aos paradigmas Acórdãos nºs 20601.689 e 20601.535 estes envolvem efetivamente situações de apropriação indébita, eis que tratam de contribuições descontadas dos segurados e não de contribuições a cargo da empresa, como no recorrido. Confirase os respectivos trechos dos paradigmas: Paradigma Acórdão nº 20601.689 "PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAL. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO DECADÊNCIA. 1De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável." "(...) o lançamento somente envolve contribuições descontadas dos segurados, portanto, não há contribuição do empregador (parte da empresa). (...) No caso em exame, embora se tratando de lançamento por homologação, em face da ocorrência, em tese, de crime previsto no artigo 168A do Código Penal Aplicável, entendo ser aplicável a regra a regra do art. 173, I do CTN. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 07/05/2007, as contribuições apuradas referentes às competências 01, 02, 03/1997; 05/1999 e 08/2001 já se encontravam fulminadas pela decadência, razão porque devem ser excluídas do presente lançamento.(grifei) Paradigma Acórdão nº 20601.535 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 6 "CONTRIBUIÇÃO SEGURADO ARRECADAÇÃO /RECOLHIMENTO OBRIGAÇÃO EMPRESA DESCUMPRIMENTO APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado. O descumprimento de tal obrigação se configura, em tese, crime de apropriação indébita previdenciária, nos termos do Código Penal. Recurso Voluntário Provido em Parte." "Nesse sentido, tratase de dolo genérico que se caracteriza pela mera vontade livre e consciente da prática da conduta de não recolher aos cofres públicos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, independentemente de qualquer outra intenção do agente. (...) Dessa forma, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, encontrase decadente o direito de constituição do crédito correspondente às contribuições até a competência 11/2001, inclusive 13º salário, se for o caso." (grifei) Assim, concluise que a premissa da qual partiu a Fazenda Nacional não foi confirmada pelo acórdão recorrido, que não tratou de apropriação indébita, portanto não houve óbice à aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, já que houve pagamento antecipado. Quanto aos paradigmas, não há dúvida de que tratouse de contribuições descontadas dos segurados, o que efetivamente caracterizou a apropriação indébita, o que atrai a aplicação do art. 173, I, do CTN, conforme a Súmula CARF nº 106: Súmula CARF nº 106: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, as soluções diversas não decorrem de interpretação divergente da lei e sim da situação fática que se apresenta em cada caso, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO
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Numero do processo: 10410.005400/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF Nº 99. 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FACEAL FUNDAÇÃO SOCIAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E PREVIDÊNCIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 54 00 /2 00 7- 18 Fl. 954DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD nº 37.115.0639, às efls. 03 a 48, no qual foi constituído crédito de contribuições previdenciárias relativamente a pagamentos por serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (UNIMED e UNIODONTO), com base em notas fiscais e faturas emitidas pela cooperativa contra a contribuinte. O crédito foi consolidado em 10/09/2007, no valor de R$ 3.932.373,22, com ciência à contribuinte em 11/09/2007 (efl. 03), e o correspondente relatório fiscal está posto às efls. 55 a 62 dos autos. A NFLD foi impugnada, às efls. 605 a 625, em 10/10/2007. Já a 6ª Turma da DRJ/REC, no acórdão nº 1121.344, prolatado em 08/01/2007, às efls. 865 a 873, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 24/03/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 878 a 893, argumentando, em síntese: · parte dos créditos tributários, entre 03/2000 e 09/2002, estão decaídos pela contagem do prazo decadência com base no § 4º do art. 150 do CTN; · que possui imunidade tributária por ser entidade de assistência social, com suporte no art. 195, § 7º da Constituição Federal e atender os requisitos do art. 14 do CTN; · não se configurou a hipótese de incidência da contribuição previdenciária em tela, pois a entidade não se subsume ao art. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 955 3 22 , inc. IV, uma vez que os serviços contratados não são a ela prestados; · os valores apurados na NFLD não seriam corretos pois as faturas utilizadas para apuração da base de cálculo do tributo incluem valores que não correspondem à prestação de serviços médicos. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 17/04/2012, resultando no acórdão 2403001.185, às efls. 896 a 904, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DA NFLD FACE ALEGAÇÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. MULTA DE MORA. Não há que se falar em cancelamento de NFLD ou insubsistência do crédito tributário quando não houver qualquer tipo de vício. Não pode ser alegado imunidade tributária se não preenche os requisitos do art. 14 do CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por maioria de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até a competência 08/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 25/06/2012 (efl. 905), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 08/08/2012, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 906 a 920) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em duas matérias: Fl. 956DF CARF MF 4 a) decadência pela contagem disposta no § º do art. 150 do CTN, em face da existência de pagamentos do tributo como um todo, considerandose guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias; b) multa em face da retroatividade benigna com aplicação do art. 61, § 2º da Lei nº 4.930/1996. Traz por paradigmas os acórdãos: nº 920201.780, para a divergência do item a), nº 230100.283 e nº 240100120, para o item b). Para o item a), a Procuradora afirma, com base no paradigma, que não havendo recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias referentes à rubrica lançada (15%), individualmente considerada, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. No tocante ao item b), assim se manifestou a Procuradora: Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§2º do art. 61). Ao revés os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara e para a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara, ambas da Segunda Seção do CARF, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa do julgado paradigma nº 240200233, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2o, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. O mesmo acontece no bojo do voto condutor do acórdão nº2301 00283, também ora adotado como referência paradigmática. Pelas razões expostas requereu a Procuradora que fosse conhecido o recurso e provido para: a) que se aplique a contagem do prazo decadencial com base no disposto no art. 173 do CTN e b) que também se reforme a decisão no tocante à aplicação da multa de ofício, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212/91. O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400810/2012, datado de 14/11/2012, às efls. 923 a 928, entendendo ele por lhe dar seguimento, para ambas as divergências, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 956 5 A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 2403001.185, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho nº 2400810/2012, por meio da Comunicação nº 97/2013/SACAT/DRF/AL (efl. 930), em 08/05/2013 (efl. 931). Contrarrazões da contribuinte Em 21/05/2013, a contribuinte apresentou contrarrazões ao RE da Procuradoria, onde esgrime o mesmo argumento do recurso voluntário quanto à decadência e afirma que a argumentação do relator do acórdão recorrido, de que pagamentos antecipados a título de contribuição previdenciária abrangeriam todas as rubricas relacionadas a este tributo, tornaria inaplicável o art. 35A da Lei nº 8.212/1991. RE da contribuinte Também em 21/05/1213, interpôs Recurso Especial às efls. 932 a 941. Contudo, em 1º/04/2014, tal recurso foi rejeitado pelo Presidente da 4ª Câmara, no Despacho 2400289/2014 (efl. 951), por não ter sido devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7º a 9º do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009. Tal despacho foi mantido integralmente pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à efl. 952. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O litígio aqui aceito trata de duas matérias: contagem de prazo decadencial e retroatividade benigna na aplicação de penalidade. Decadência A discussão cingese aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150, §4º, do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o Fl. 958DF CARF MF 6 pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 957 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Para deslinde da questão, na situação sob análise, deve haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). (Grifei) O que se observa na documentação fiscal que apura os valores exigidos na NFLD (efls. 05 a 44) ou mesmo no Relatório da NFLD (efls. 55 a 62) é que inexiste qualquer referência a pagamentos ou declarações relativas a valores apurados com base nas notas fiscais das cooperativas. Fl. 960DF CARF MF 8 Esse constatação é reforçada pela lógica da própria defesa da contribuinte, que em sede de recurso voluntária afirmava ser entidade imune e que não se configurava o fato gerador em relação a ela. A ausência dos dados e o entendimento da contribuinte me faz concluir pela inexistência pagamentos relativos aos fatos geradores que se está a exigir no presente processo. Assim sendo, o ônus probatório de haver tais pagamentos, ou mesmo de sua declaração em GPS, é dela, em face ao recurso especial da União, mas em suas contrarrazões ela segue repetindo a argumentação do relator do acórdão recorrido, sem nada provar. Não comprovada a existência de pagamentos é de se utilizar a regra decadencial posta pelo art. 173, inc. I do CTN, reconhecendo apenas a decadência do lançamento para os fatos geradores ocorridos entre 01/03/2000 e 31/11/2000. Retroatividade benigna Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 958 9 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 962DF CARF MF 10 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 959 11 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 964DF CARF MF 12 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10410.005400/200718 Acórdão n.º 9202005.102 CSRFT2 Fl. 960 13 os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 966DF CARF MF 14 Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face da análise acima, há que se dar provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para: i) reformar o acórdão recorrido, para aplicar a contagem do prazo decadencial na forma do disposto no art. 173, inc. I, da Lei no 5.172, de 1966, afastando os fatos geradores ocorridos entre 01/03/2000 e 031/11/2000; e ii) que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 967DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720208/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DECISÃO RECORRIDA NULA. Considera-se nula por supressão de instância julgadora a decisão recorrida que se absteve de analisar justificativas e documentos importantes para a lide, que foram juntados pelo contribuinte na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-004.477
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para anular a decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Considerase nula por supressão de instância julgadora a decisão recorrida que se absteve de analisar justificativas e documentos importantes para a lide, que foram juntados pelo contribuinte na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para anular a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 08 /2 01 2- 68 Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Relatório Recurso Voluntário interposto em 18/03/2013 para reverter a decisão proferida no Acórdão 1643.374 17a. Turma da DRJ/SP1, que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário do processo referente aos anoscalendário 2007, 2008 e 2009. A ciência à decisão recorrida deuse em 15/02/2013. O auto de infração referese à depósitos bancários de origem não comprovada/justificada para os anos 2007, 2008 e 2009 (valor total dos depósitos R$ 13.139.812,28) e ganho de capital por desapropriação de imóvel (ganho no valor de R$ 268.533,45). A decisão de primeira instância deu parcial provimento à impugnação do contribuinte para exonerar do lançamento a qualificação da multa relativa ao ganho de capital e está assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007,2008,2009 DA ALEGAÇÃO DE IMPROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E DA OMISSÃO DOS GANHOS DE CAPITAL DECORRENTES DA DESAPROPRIAÇÃO DE BEM IMÓVEL. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária, e havendo enorme discrepância entre os vultosos créditos efetuados, nos anoscalendário 2.007 , 2.008 e 2.009, nas contas bancárias do contribuinte e os rendimentos por ele informados nas respectivas declarações de ajuste anuais do Imposto de Renda Pessoa Física, e verificada a prática reiterada dessa omissão durante esses três anoscalendário consecutivos, fica plenamente fundamentada e justificada a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), uma vez constatada a conduta dolosa do contribuinte, no sentido de tentar impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo. No que concerne à omissão de ganhos de capital decorrentes da indenização por desapropriação de bem imóvel, a multa qualificada de 150% não pode subsistir, visto não se configurarem as circunstâncias legais para sua caracterização PRELIMINAR. DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, COM UTILIZAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA ANUAL. No caso de apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo com período anual e consubstanciase em 31 de dezembro do correspondente Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15868.720208/201268 Acórdão n.º 2401004.477 S2C4T1 Fl. 3 3 anocalendário, submetendose os rendimentos omitidos ao ajuste na declaração anual. Preliminar rejeitada PRELIMINAR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO RELATIVO AOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DOS MESES DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2.007. Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observandose que, nos casos de apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo com período anual e consubstancia se em 31 de dezembro do correspondente ano calendário.Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente dos depósitos bancários que lastrearam a presente ação fiscal, teve, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Preliminar rejeitada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Uma vez não constar dos autos comprovação de que os depósitos efetuados nas contas bancárias do contribuinte correspondem a recursos de terceiros para a realização de operações de compra de bovinos ou pagamentos destinados a cobrir dispêndios decorrentes da prestação de serviços por parte do interessado, e não havendo, destarte, elementos que demonstrem não ser o contribuinte o real beneficiário desses depósitos bancários, deve ser mantida a omissão de rendimentos em análise. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 AUTUAÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Não pode ser inquinado pela alegação de violação aos princípios da proporcionalidade e da capacidade contributiva o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos e de ganho de capital, bem como impôs, com base na constatação de dolo em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, multa qualificada de 150%, que apresentou como base de cálculo os correspondentes impostos apurados. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. Nos termos da legislação vigente, é tributável o ganho de capital decorrente de indenização por desapropriação de bem imóvel, não possuindo a Súmula CARF nº 42 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. DO PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS E OUTROS MEIOS DE PROVA ADMITIDOS EM DIREITO. Uma vez que, consoante Termo de Análise de Solicitação de Juntada, elaborado pela Delegacia de origem, foram aceitos pelo Fisco, não só os documentos correspondentes à impugnação, como também aqueles apresentados em anexo à peça impugnatória, e não tendo o contribuinte, até a data do presente julgamento, carreado aos autos nenhum novo elemento, fica prejudicado, por falta de objeto, o pedido de juntada de documentos e outros meios de prova admitidos em direito. No recurso voluntário o recorrente primeiro observa que a parte da exigência fiscal considerada improcedente na impugnação referese à redução da multa qualificada, de 150% para 75% sobre o imposto relativo a ganho de capital, relativo a recebimentos em decorrência de desapropriação. Adicionalmente, informa que reitera tudo o que alegou na impugnação, exceto os motivos de fato e de direito que tratam da exoneração da parte da multa qualificada sobre o ganho de capital, que já fora concedido na decisão a quo. Em suma, aduz o que segue. 1. Na valoração dos rendimentos declarados não se considerou os rendimentos isentos (lucros distribuídos pela firma individual do contribuinte), declarados nas DIPRF´s 2008, 2009 e 2010, respectivamente R$$ 81.750,00 (fl.5), R$ 273.400,00 (fl.13), e R$ 426.400,00 (fl.21), bem como os rendimentos da atividade rural de R$ 225.000,00 (fl. 24). 2. Os créditos de origem não comprovada, tributados como omissão de rendimentos são incompatíveis com o patrimônio do recorrente para os anos fiscalizados. Mais ainda, o recorrente teria comprovado a origem dos recursos, entretanto, o fisco não comprovou Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15868.720208/201268 Acórdão n.º 2401004.477 S2C4T1 Fl. 4 5 que tais recursos constituem aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda nos termos do artigo 43 do CTN. 3. Para a qualificação da multa tem que haver ação ou omissão dolosa, que deve ser provada pelo fisco, o que não teria ocorrido. O recorrente produziu todos os elementos probatórios solicitados, inclusive os extratos bancários, então não se pode falar em conduta dolosa. Muito pelo contrário, prova a boafé do recorrente. Desta forma, não existe motivo doloso para a qualificação da multa para 150%. Está pacificado na jurisprudência do CARF (Súmulas 14 e 25) que, se houver simples omissão de receita ou de rendimentos sem que haja comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, não se pode qualificar a multa de ofício. A Súmula CARF 34, por outro lado, expressa o entendimento jurisprudencial de que somente é cabível a qualificação da multa de ofício quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. 4. Com base no parágrafo 4 do art. 42 da Lei 9430/1996 entende que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre os valores dos créditos bancários de origem não identificada ocorre no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, aplicandose a lei então vigente quanto à alíquota do imposto, multa, juros, prazo de pagamento, etc. Mais ainda, o lançamento deve ser feito com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A autoridade lançadora somou os valores dos créditos bancários que considerou não comprovados e os identificou como fato gerador no último dia de cada mês correspondente. Desta forma, o lançamento deve ser liminarmente declarado improcedente por falta de observância de norma prescrita em lei. Caso assim não se entenda, que sejam declarados extintos pela decadência o crédito tributário relativo aos meses de janeiro a setembro de 2007, conforme art. 156, V do CTN. O art. 42 da Lei 9.430/1996 não obriga o contribuinte a manter escrituração desses créditos, nem ao menos informálos na declaração de ajuste anual. Nesse caso, não há que se falar em ocultação de informações. 5. Alega cerceamento de defesa, pois a autoridade lançadora teria utilizado a expressão "mais de uma pessoa" para embasar decisão sobre a receita da atividade rural. No caso, a expressão teria sido utilizada para preservar o sigilo fiscal de terceiros. Entende que se pessoas prestaram declarações de que os recursos depositados em contas do recorrente são provenientes da atividade pecuária e que de alguma forma essas informações interferem no resultado da autuação, tais pessoas devem ter seus nomes citados, o que não implica violação de sigilo fiscal. Tal questionamento foi feito na impugnação, contudo o julgador a quo teria baseado a decisão no fato de que o recorrente fora regularmente intimado para prestar informações comprobatórias da origem dos recursos e que teve várias oportunidades de exercer o contraditório e a ampla defesa. 6. O recorrente teria comprovado que exerce a atividade de intermediação na venda e compra de bovinos e que os recursos considerados pelo fisco como de origem não comprovada são provenientes de seus clientes, que declararam tal situação por meio de declarações com firma reconhecida. Informa que apresentou declarações e planilhas para cada operação de depósito em que discriminou a origem dos recursos creditados nas contas do recorrente e a devolução dos mesmos aos verdadeiros proprietários, mediante depósitos em suas contas bancárias e, que tais informações deveriam ter sido verificadas e analisadas de forma individualizada pelo fisco. Considera que, em não o fazendo, o fisco teria incorrido em cerceamento do direito de defesa, o que é causa de nulidade do ato. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 6 i. A autoridade julgadora não considerou o ofício do contribuinte (prestador de serviços de intermediação de compra e venda de bovinos). Os recursos eram depositados nas contas do recorrente, às vezes como sinal do negócio, que seria viabilizado em aproximadamente 30 dias. Anexou todas as notas de intermediação sobre compra de bovinos emitidas pela firma individual Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, de janeiro/2007 a dezembro/2009 (fls. 1539 a 1722). Informa que a comissão de intermediação seria de cerca de R$ 7,00 por cabeça, estabelecendo uma relação entre a receita total e a de comissão. Apresenta tabela em que define a quantidade de cabeças comercializadas por ano e o valor médio dos bovinos. Toda a documentação relativa aos pagamentos aos clientes está registrada, inclusive no livro caixa. ii. Nos itens 4 e 5 do Termo de Verificação de Infração Fiscal, as alegações do fisco não se sustentam e não podem prosperar. O recorrente apresentou documentos para comprovar as atividades de comprador de bovino para frigoríficos mediante recebimento de comissão, que foram contabilizados na firma individual Ricardo Ulpiano Viol. Por exemplo, os livros caixa dos anos 2007 a 2009 (fls. 616 a 706), DIRPF do recorrente, notas fiscais de intermediação, etc. Reforça que a relação de declarações das pessoas que depositaram recursos em suas contas bancárias são idôneas e devem ser acatadas como hábeis para justificar a origem dos mesmos. Um dos declarantes teria devolvido empréstimos ao recorrente, no valor de R$ 888.503,52. Tais provas devem ser analisadas individualizadamente, o que não foi feito pela autoridade fiscal. 7. Também entende que a decisão de primeira instância deve ser declarada nula por não ter analisado todos os documentos da impugnação. Exemplifica algumas situações de não consideração da justificativa: i) devolução de uma transferência eletrônica não teria sido deduzida do lançamento à fl. 77 do processo digital, ii) depósito de valores pertencentes a seu pai, sr. Mauro Viol cheques nominativos de seu pai, .iii) venda de bem inferior a R$ 35.000,00 isentos de tributação nos termos da IN/SRF 599/2005, iv) créditos relativos a depósitos de cheques devolvidos, estorno de depósito, v)transferências entre contas do próprio contribuinte, vi) origem de créditos determinada Agropecuária São Judas Tadeu, Antônio Cabrera Mano Filho, Antônio Carlos Dinis Linhares, Atlas Indústria e Comércio de Carnes, Ben Hur Cabrera Mano, Claudio Luiz Zonetti, Comissões depositadas erroneamente na conta da pessoa física do recorrente e transferida para a pessoa jurídica, Creso Henrique Cantarelli Zonetti, Daniel A. Tramonte, Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, depósito errado em conta do recorrente, despesas antecipadas, Dezidério Abramo Tozzi, distribuição de lucro, e outros detalhados no recurso voluntário, na sua maioria frigoríficos. 8. Argumenta que o art. 42 da Lei 9430/96 atribui ao contribuinte o ônus de provar que os valores depositados em suas contas bancárias não representam renda tributável ou que foram objeto de tributação, prevendo que se não houver comprovação da origem dos recursos com documentação hábil e idônea, ocorre o fato gerador do imposto. Tal disposição de transferir para o contribuinte o ônus da prova é irrazoável e contrário ao ordenamento jurídico, vez que este consagra o princípio de que quem alega deve provar. Cita súmula do extinto TFR sobre o assunto. O uso de presunções legais relativos ao Direito Tributário conforme acima é inconstitucional e ilegítimo para impor obrigação tributária ao contribuinte, por contrariar os princípios da legalidade, razoabilidade e da segurança jurídica. 9. Afirma que não incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de desapropriação do imóvel Estância Chaparral. Cita jurisprudência e a Súmula CARF 42. 10. Considerando que os depósitos bancários são decorrentes de atividade de intermediação de compra e venda de gado, entende que fica configurado o erro de identificação Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15868.720208/201268 Acórdão n.º 2401004.477 S2C4T1 Fl. 5 7 do sujeito passivo, pois o lançamento deveria ter sido feito na pessoa jurídica Ricardo Ulpiano do Santos Viol. 11. Os valores dos créditos bancários considerados de origem não comprovada, tributados no mês, serviriam para justificar os depósitos bancários posteriores, independentemente de coincidência de datas e valores. 12. Apresenta justificações individualizadas dos depósitos lançados e que não teriam sido analisados pelo julgador a quo, conforme itens 14 e 15 do Recurso Voluntário (efls. 2146 a 2356). Em 10 de fevereiro de 2015, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas às operações referidas no recurso, nos termos do voto do relator, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Entretanto, o Conselheiro Relator teve seu mandato encerrado antes de formalizar a referida resolução. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época da decisão. Faço notar que foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas na ocasião pelo Conselheiro Relator, bem como das questões levantadas que necessitariam esclarecimento da autoridade fiscal. Tendo em vista que o recorrente alegou a prejudicial de cerceamento do direito de defesa porque a autoridade fiscal teria feito diligências que resultaram em informações divergentes sobre a origem dos depósitos bancários lançados, cujos documentos ou informações não constam dos autos, e que influenciaram na autuação, entendeu esta relatora, na qualidade ad hoc, que poderia ser esse o motivo da conversão do julgamento em diligência. Tais informações referemse aos depositantes dos recursos na conta do recorrente, denominados pela autoridade fiscal como "mais de uma pessoa", conforme item 8 do relatório. Mais ainda, o recorrente informa que, dos documentos apresentados notas fiscais e outros, podese inferir o ganho de R$ 7,00 como comissão por cabeça de gado vendido. Sobre esse ponto, solicitouse à autoridade fiscal: a)juntar aos autos os resultados das diligências que possibilitaram a inferência relatada acima, b) analisar a alegação do contribuinte a respeito da possibilidade de se concluir um ganho de R$ 7,00 por cabeça de gado vendida, e c) apresentar termo com os resultados da diligência, com ciência ao contribuinte que, se desejar, poderá se manifestar em até 30 dias. Transcrevo a seguir excertos do resultado da diligência, que, entendo não cumpriu de forma satisfatória os questionamentos feitos por esta Turma. Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 8 Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15868.720208/201268 Acórdão n.º 2401004.477 S2C4T1 Fl. 6 9 Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 10 O contribuinte ao final, se manifestou sobre o resultado da diligência conforme efls. 2405/2414. É o relatório. Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15868.720208/201268 Acórdão n.º 2401004.477 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Primeiramente é necessário esclarecer que o pedido de diligência fora solicitado pelo relator anterior do processo, que deixou o colegiado sem a formalização da resolução sobre as informações que considerava incompletas para formar convicção a respeito do lançamento. Contudo, analisando o relatório da diligência, verificase que a autoridade responsável pela diligência se limitou a corroborar o relatório fiscal da autuação e, portanto, tal diligência não se aprofundou na análise de pontos que poderiam ajudar a esclarecer a situação explanada pelo contribuinte e que teria sido objeto da autuação. Em preliminar, o contribuinte argumenta que a decisão de primeira instância deve ser declarada nula por não ter analisado todos os documentos da impugnação. Exemplifica a seguir algumas situações que não teriam sido analisadas pela autoridade a quo. i) devolução da uma transferência eletrônica de valores, conforme fl. 77 do processo digital, ii) depósito de valores pertencentes a seu pai, sr. Mauro Viol , com cheques nominativos de seu pai, iii) venda de bem inferior a R$ 35.000,00 isentos de tributação nos termos da IN/SRF 599/2005, iv) créditos relativos a depósitos de cheques devolvidos, estorno de depósito, v) transferências entre contas do próprio contribuinte, vi) origem de créditos determinada Agropecuária São Judas Tadeu, Antônio Cabrera Mano Filho, Antônio Carlos Dinis Linhares, Atlas Indústria e Comércio de Carnes, Ben Hur Cabrera Mano, Claudio Luiz Zonetti, Comissões depositadas erroneamente na conta da pessoa física do recorrente e transferida para a pessoa jurídica, Creso Henrique Cantarelli Zonetti, Daniel A. Tramonte, Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, depósito errado em conta do recorrente, despesas antecipadas, Dezidério Abramo Tozzi, distribuição de lucro, e outros detalhados no recurso voluntário, na sua maioria frigoríficos. Constato que, em vários casos, assiste razão ao contribuinte, pois justificativas e argumentos apresentados não foram analisados na decisão a quo de forma individualizada. Desta forma, mesmo que tais argumentos fossem analisados neste Conselho, Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 12 entendo que o contribuinte poderia ser prejudicado, pois terseia suprimido uma instância julgadora. Assim, voto por anular a decisão de primeira instância e o retorno do processo à DRJ, para que seja proferida decisão que contemple todas as argumentações constantes da impugnação, e que são relevantes para a lide, conforme individualizadas pelo contribuinte tanto no lançamento quanto na impugnação. É como decido. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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