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Numero do processo: 10980.922927/2009-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 27 /2 00 9- 14 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 84 2 Relatório Em 13.03.2007 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 23757.75580.130307.1.7.047879 (fls 6 a 11), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de PIS, relativo ao período de apuração de maio/2003 com débito da mesma contribuição relativo ao mês de julho/2006 Em 29.06.2009 o contribuinte tomou ciência (fl. 05), por meio de DESPACHO DECISÓRIO (fls 02), da NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em 13.07.2009 foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 12 a 17), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$33.315,92, que submetido a alíquota de 0,65%, resultou em um recolhimento a maior de PIS no valor de R$216,55; c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$216,55; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 0633458, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, sob a alegação de incompetência para apreciação de questões relativas à inconstitucionalidade, não acolher as razões contidas na manifestação de inconformidade, mantendose a não homologação da compensação realizada pelo contribuinte e exigindo o pagamento da contribuição ao PIS relativa ao período de julho/2006 acrescida de multa, juros e encargos de mora. Cientificado desta decisão em 03.10.2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 20.10.2011. Tal recurso foi apreciado e provido em parte pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão de 19.07.2012, com acórdão de nº 380201.184 assim ementado: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 85 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em 06.11.2013 foi determinado o encaminhamento dos autos à DRJ/CTA para análise. Em novo julgamento, a 3ª Turma da DRJ/CTA manteve o não acolhimento das razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendose a não homologação da compensação em litígio. Desta vez, as razões da negativa se fundaram na ausência de qualquer prova material apresentada pelo contribuinte, comprometendo a liquidez e certeza do crédito tributário. Invocouse o disposto no art. 74 e seus §§, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº10.637/2002, c/c os arts. 4º e 26, §§1º e 2º da IN SRF nº600/2005, bem como o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº70.235/1972, dentre outros dispositivos. O contribuinte foi cientificado do conteúdo da nova decisão em 12.11.2014 por meio de correspondência com AR. (fls 66) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 86 4 Em 08.12.2014, apresentou novo Recurso Voluntário ao CARF, alegando em sua defesa que: a) Se a DRJ/CTA entendeu não suficientes os documentos apresentados para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deveria intimar o contribuinte a apresentar a documentação hábil, por meio de diligência, e não simplesmente negar de plano o requerimento formulado; b) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; c) Que não se pode cogitar alegar a inadmissibilidade dos novos documentos ora apensados aos autos, vez que o CARF já tem se manifestado pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal; d) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 87 5 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$216,551, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a verificação eletrônica. Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, fl. 14. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 88 6 na apuração da contribuição ao PIS referente ao mês de maio/2003, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Portanto, não se pode conhecer de novas provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 89 7 II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao período de maio/2003 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição ao PIS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo do PIS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS"; c) Ficha da DIPJ 2004 contendo detalhes da apuração do PIS do período em questão. Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento do PIS, referente ao período de maio/2003, declarado na Planilha de Cálculo do PIS (R$483,47, fl. 77), diverge daquele informado na DCOMP em relação ao mesmo período (R$700,03, fl. 09). Há, ainda, divergência entre as bases de cálculo do PIS sobre o faturamento do período informadas na planilha (R$41.064,82, fl. 77) e na ficha 22A da DIPJ 2004 (R$74.380,74, fl. 79). Resta, portanto, materializada a inexatidão dos demonstrativos apresentados, comprometendo sua força probatória. Assim, não restou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de maio/2003 foram efetivamente incluídas na base de cálculo do PIS do mesmo período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.922927/200914 Acórdão n.º 3002000.073 S3C0T2 Fl. 90 8 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684408/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.071
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 44 08 /2 00 9- 62 Fl. 144DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.684408/200962 Acórdão n.º 3402005.071 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 146DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.684408/200962 Acórdão n.º 3402005.071 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 148DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.684408/200962 Acórdão n.º 3402005.071 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001826/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.194
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência a Competência para a 2a Seção do CARF.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida 5ª TURMA DRJ/BSB Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência a Competência para a 2a Seção do CARF. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP n°37.043.9090) lavrado em face do contribuinte CORPVS CORPO VIGILANTES PARTICULARES LTDA no dia 04/03/2009 para a exigência de contribuições destinadas ao Serviço Social do Comércio – SESC, à alíquota de 1,5% incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência do direito de constituir o crédito das contribuições relativas aos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. O relatório fiscal de fls. 128/137 esclarece que a autuada não realizou o recolhimento de mencionada contribuição, tendo ingressado com a Ação Ordinária n° 97.00200728 junto a 8ª Vara da Justiça Federal do Ceará com o escopo de suspender a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, SESC e SENAC. Esclarece a autuada que efetuou os devidos depósitos judiciais dos valores das contribuições em tela, relativas aos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Conforme se depreende do relatório da DRJ (fl. 183), as bases de cálculo das referidas contribuições foram obtidas em folhas de pagamento apresentadas pela empresa e nas Guias de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social – GFIP, nas quais o contribuinte informou os códigos 0065 e 0001 que determinam a não declaração dos valores devidos ao SESC. Realizado o exame da contabilidade do contribuinte bem como dos documentos fiscais apresentados, a autoridade fiscal constatou diversas irregularidades, das quais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 01 82 6/ 20 09 -6 9 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Resolução nº 1401000.194 S1C4T1 Fl. 3 2 mencionase: (i) a existência de inconsistências entre as despesas declaradas e os devidos documentos suporte que atestam que foram realmente incorridas (fl.128); (ii) indícios de inautenticidade dos documentos fiscais apresentados, tais como notas fiscais com mesma numeração emitidas para clientes distintos; diferenças nos valores, na data de emissão e no layout entre as notas fiscais apresentadas e as notas fiscais emitidas; a autorização para a emissão das notas fiscais apresentadas era para empresas diferentes das que constavam da nota fiscal (fl. 129). Diante de tais fatos, concluiu a autoridade fiscal pela configuração de crime de falsificação de documento, conforme disposto no artigo 297 do Decreto Lei 2.848/40 (Código Penal) e crime de falsificação de papéis públicos, consoante artigo 293, inciso I do mencionado Código. Tempestivamente o contribuinte apresentou impugnação (fls. 141/150) na qual alegou: Terem sido lançadas contribuições referentes a período superior a 5 anos, devendo ser aplicado ao caso o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional em virtude da inexistência de dolo, fraude ou simulação em sua conduta e, apenas subsidiariamente, o disposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional para a fixação do dies a quo do prazo decadencial. Ser incabível a imposição de multa por lançamento de ofício e juros de mora sobre o montante depositado judicialmente, uma vez que nos termos do artigo 151, II do Código Tributário Nacional isto configura hipótese de suspensão da exigibilidade de seu crédito, e apenas subsidiariamente, a redução de 50% da referida multa e juros em virtude de ter declarado a Contribuição. Em acórdão de fls. 181/191, a Delegacia da Receita Federal em Brasília julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte apenas para excluir as competências de 01/2003 a 11/2003 que teriam sido atingidas pela decadência, mantendose o valor do crédito tributário remanescente. Assim sendo, a fixação do dies a quo do prazo decadencial se deu pelo disposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, sob o argumento de que o contribuinte teria incorrido nas hipóteses de dolo fraude ou simulação em virtude das inconsistências em sua contabilidade e apresentação de documentos falsos. No tocante à aplicação de multa e juros sobre débitos com a exigibilidade suspensa, a DRJ entendeu ser cabível tal procedimento, pois “tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais” (fl. 181). Alegou, ainda, que não é da competência da autoridade administrativa dispensar ou reduzir os acréscimos legais (juros/multa) impostos pela legislação previdenciária aplicável à época do lançamento, quais sejam, os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91. (fl.189). Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 212/218, no qual reafirmou as razões de sua impugnação quanto a fixação do dies a quo do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, sustentando a inexistência de dolo, fraude ou simulação na apuração e recolhimento das Contribuições exigidas “por total Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10380.001826/200969 Resolução nº 1401000.194 S1C4T1 Fl. 4 3 falta de nexo de causalidade entre a ação imputada à Autuada, (contabilização de notas inidôneas) e o fato gerador das contribuições em tela.”. (fl. 214) Ademais, reafirma seu entendimento no sentido de que o depósito judicial tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151, II do Código Tributário Nacional. É o relatório. A despeito do processo ter sido distribuído a esta relatora, verifico que, conforme Regimento Interno do CARF, esta colenda Quarta Câmara da Primeira Seção não tem competência para julgamento da presente lide. De acordo com o artigo 3º, IV do RICARF, a competência para o julgamento de tal matéria – exigência de Contribuição ao SESC é da Segunda Seção do CARF: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Nesse sentido, voto por declinar o julgamento da lide em razão da ausência de competência, determinando que o processo seja remetido à Segunda Seção do CARF, para distribuição e julgamento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727474/2015-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV).
Numero da decisão: 2001-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave pe entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei (Art 6 da Lei 7713/88, inc XIV). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 74 74 /2 01 5- 78 Fl. 211DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 12 a 18, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, para formalização da exigência e cobrança de imposto de renda suplementar (2904), no valor de R$ 104,57, multa de ofício no valor de R$78,42 e juros de mora calculados até o dia 30/11/2015, bem como imposto de renda da pessoafísica (0211), no valor de R$ 49,43, multa de mora no valor de R$ 9,88 e juros de mora calculados até o dia 30/11/2015, por supostamente não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, ou não comprovou a efetiva retenção do imposto de renda sobre rendimentos isentos e/ou não tributáveis, para fins da compensação pleiteada. O interessado foi cientificado da notificação em 01/12/2015 e apresentou impugnação em 10/12/2015, fls. 02 e ss alegando, em síntese, e corroborando, por documentos, legislação e jurisprudência, que resta inconteste o seu direito de usufruir da isenção de imposto de renda da pessoa física sobre estes proventos de aposentadoria. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte preencheu os dois requisitos legais, que logrou êxito em comprovar sua condição de portador de moléstia grave especificada em Lei e que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria. Sendo assim o mesmo faz jus a isenção. No entanto, argumenta a DRJ que o contribuinte demonstrou nos autos que fez opção pelo regime de tributação exclusiva na fonte previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 11.053, de 2004. Assim, seria de se concluir que se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, principalmente, tendo em conta que o código de receita 5565 informado na DIRF é relativo a Benefício ou Resgate de Previdência Privada e Fapi Optantes. Ademais, o IRRF foi calculado à alíquota de 15%, de conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, do citado texto legal, acima reproduzido. Portanto, considerando que os rendimentos recebidos seriam de tributação exclusiva na fonte, não caberia a compensação do imposto retido na declaração de ajuste anual. Em sede de Recurso Voluntário, além de ter repisado a comprovação da sua condição de portador de moléstia grave, e de sua condição de isento, colacionou decisões administrativas e sustentou que considerar que os rendimentos sujeitos a tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave é um entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.727474/201578 Acórdão n.º 2001000.236 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Isenção por moléstia grave e retenção na fonte do IRPF De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O contribuinte apresentou preencheu os dois requisitos legais, logrou êxito em comprovar sua condição de portador de moléstia grave especificada em Lei e que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria. Sendo assim restou claro que mesmo faz jus a isenção. No entanto argumenta a DRJ que o contribuinte demonstrou nos autos que fez opção pelo regime de tributação exclusiva na fonte previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 11.053, de 2004. Assim, seria de se concluir que se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Ademais, não há no texto legal, qual seja o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, menção à exclusão de isenção de impostos tributados exclusivamente na fonte. O termo legal deve ser interpretado literalmente, abarcando na isenção os impostos sobre rendimentos de aposentadoria pagos por entidades de previdência complementar, sujeitos ou não à tributação exclusiva na fonte. Assim, concordo que considerar que rendimentos sujeitos à tributação exclusiva não estão abrangidos pela isenção por moléstia grave é entendimento que implicaria em restrição não prevista em lei. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 213DF CARF MF 4 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário pois resta comprovada a sua situação de isenção e seu direito a restituição do IR retido. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portador de moléstia grave. Por conseguinte, proceder com a devida restituição do IR através do órgão competente (Delegacia da Receita). Merece salientar que deve ser levado em consideração no cálculo do saldo remanescente o valor que o Contribuinte já foi restituído, nos moldes da legislação em vigor. (assinado digitalmente) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.727474/201578 Acórdão n.º 2001000.236 S2C0T1 Fl. 4 5 Fernanda Melo Leal. Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001326/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR.
Numero da decisão: 2201-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 26 /2 01 0- 45 Fl. 224DF CARF MF 2 Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa e seus segurados, inclusive a parcela devida a Terceiros, e incidentes sobre pagamentos realizados aos segurados empregados. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.271.5083, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.008.034,19 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 02. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.84). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1259.482 (fls. 145), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FOLHA DE PAGAMENTOS. PLR. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. DESCUMPRIMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INTEGRAÇÃO. Integra o salário de contribuição a parcela da folha de pagamentos, relativa à participação nos lucros e resultados, concedida em desacordo com a lei específica de regência, no que diz respeito à quantidade de parcelas. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 147): "Tratase, no presente processo, de crédito constituído pela fiscalização, mediante a lavratura do Auto de Infração nº 37.274.5083, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento da Seguridade Social e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2007 a 12/2007. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 225 3 2. No relatório fiscal de fls. 33/51 a fiscalização informou, em síntese, que: 2.1. A empresa forneceu alimentação e ticket alimentação em desacordo com a lei, ou seja, deixando de comprovar a adesão ao PAT, sendo esta circunstância impeditiva para a afastar a incidência da contribuição previdenciária; 2.2. A empresa realizou pagamentos a título de PLR em desconformidade com a legislação previdenciária, que dispõe sobre a não integração da referida verba no salário de contribuição, quando obedecida a lei específica, no caso, a Lei 10.101/00; 2.3. Constatou que os valores pagos a título de PLR na conta contábil 353012006, nos meses de 01, 02 e 03/2007, ocorreram em periodicidade superior ao que determina a lei de regência. Além disso, apesar de intimada, a autuada não prestou todos os esclarecimentos solicitados, como o motivo do pagamento maior que o estabelecido no acordo e a falta de individualização das verbas recebidas, por empregado beneficiado; 2.4. A Autuada não respeitou as regras acordadas, realizando o pagamento de PLR maior que o estabelecido na cláusula 4ª, § 4º do Termo de Acordo, que limitava em 6 (seis) saláriosbase a participação de cada empregado; 2.5. Os valores pagos a título de PLR não foram incluídos nas folhas de pagamentos, nem declarados em GFIP, razão pela qual houve a lavratura dos correspondentes autos pelo descumprimento das obrigações acessórias; 2.6. Realizou a comparação das multas para aplicar a mais benéfica, considerando as alterações decorrentes da MP 449/08, de maneira que aplicou multa de ofício no percentual de 75 % nas competências 04 a 10/2007 e 12/2007 e multa de mora no percentual de 24% mais o AI 68 nas demais competências, conforme explicitado no item 41 do relatório fiscal. 3. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 84/95, aduzindo que: 3.1. Não desvirtuou o instituto da PLR, que foi concedida em consonância coma a legislação, sendo ilegítima a incidência de contribuição. Ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento previsto no Termo de Acordo, é lícito concluir que o limite não é requisito essencial para a configuração do PLR, até porque a lei sequer previu um teto; 3.2. Ademais o não atendimento ao limite individual implicaria na incidência de contribuição apenas sobre a parcela em patamar superior ao estabelecido no acordo; 3.3. A periodicidade do pagamento superior a duas vezes deve ser verificada em relação aos mesmos beneficiários, a fim de caracterizar a habitualidade. Ocorre que tal circunstância não Fl. 226DF CARF MF 4 deveria ter sido aventada, porque o fisco não individualizou os pagamentos efetuados; 3.4. Requer a produção de prova pericial para comprovar a ausência de reiteração dos pagamentos; 3.5. Não apresentou o comprovante de adesão ao PAT devido à exigüidade do prazo, além de que ao fisco cabe intimar os órgãos administrativos para obter os documentos, de maneira que se faz necessária a realização de diligência. 3.6. Em se tratando de alimentação in natura oferecida ao empregado não há que se falar em contraprestação pelo trabalho, mas de verba indenizatória, como restou pacificado pelo STJ, não sujeita à incidência de contribuição previdenciária. 4. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 13 de junho de 2014, (AR fls. 157), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 163) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Segundo a Recorrente, ao indeferir o pedido de perícia, formulado em sua impugnação ao lançamento, a decisão de piso cerceou seu direito de defesa. "Ocorre que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a realização da perícia era indispensável para a demonstração de que a Suplicante não efetuou pagamentos, a título de PLR, aos seus empregados, em intervalos inferiores a seis meses. Inclusive, a própria fundamentação do acórdão consignou que a Suplicante não teria logrado êxito em comprovar a suas alegações referentes à periodicidade dos pagamentos realizados o que, registrese, seria feito através da prova indeferida. Senão, vejase excerto extraído do julgado: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 226 5 "A lei não é expressa em afirmar que o limite máximo das parcelas deve ser perquerida individualmente, mas, ainda que assim se admitisse, a Impugnante não provou sua alegação, conforme impõe o artigo 16, III do Decreto n" 70.235/82" (fl. 04 do acórdão destacamos). Por sua vez, somente mediante a realização de perícia contábil poderseia confirmar, ou não, a alegação da ora Recorrente, uma vez que, do exame dos lançamentos nos livros próprios, e dos demais controles financeiros e contábeis seria possível identificar a qual período/anobase se relacionam os pagamentos e quais os segurados que, eventualmente, perceberam a PLR nos três meses do ano de 2007. A elucidação destes dados respaldaria a alegação de inexistência de pagamentos em desacordo com a periodicidade legal, uma vez que (a) dentre as parcelas pagas, em 2007, havia a PLR de 2006 (de modo que, por se tratarem de períodos de apuração distintos, inexiste, quanto a PLR de 2007, mais de dois pagamentos no ano), nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato, bem como que (ii), a despeito de terem ocorrido três pagamentos, não há, dentre eles, situação na qual um mesmo beneficiário tenha percebido a verba nas três ocasiões, justificandose um terceiro pagamento diante de circunstâncias específicas (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Não se trata, outrossim, sequer de prova meramente documental, pois tais evidências dependeriam de um exame técnico da contabilidade e controles financeiros da empresa, sobretudo quanto a vinculação do gasto a um dado período de apuração. Sendo, portanto, essencial a realização da perícia para a comprovação das alegações da Recorrente, e tratandose do meio probatório apto a tal mister, era e rigor 0deferimento da prova pericial pleiteada, e sua negativa, data vénia, constitui inequívoco cerceamento do seu direito de defesa, caracterizando ofensa ao artigo 5o, inciso LV, da CR/88, bem como ao artigo 2o da Lei n.° 9.784/99" Não verifico a nulidade apontada. Cabe razão ao julgador de piso no tocante ao indeferimento do pedido de perícia. Recordemos a decisão recorrida (fls. 150): "19. A realização de perícia somente se justifica diante da necessidade de se obter parecer especializado sobre questões específicas, imprescindíveis ao deslinde do processo. No presente caso, as questões enfrentadas dispensam a realização de perícia, o que se pode verificar pelos quesitos apresentados pela Impugnante, bastando para tanto, que exibisse os documentos e esclarecimentos requeridos pela autoridade fiscal, ou juntasse o acervo probatório aos autos para análise do julgador, portanto, indefiro o pedido." Fl. 228DF CARF MF 6 Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de perícia decorre de sua desnecessidade, uma vez que não se trata de questões específicas que exijam parecer especializado. Há que se concordar. Alega a Recorrente a necessidade de produção de prova pericial como meio de prova de que os pagamentos a título de PLR, em mais de duas vezes ao ano, não foram realizados aos mesmos segurados, e sim, a segurados distintos, uma vez que foram pagos a grupos diversos de empregados a cada vez. Ora, a comprovação de tal fato se dá com simples planilha extraída da contabilidade da empresa e cotejada com a folha de pagamento. Não se pode anuir com a necessidade de um parecer de um profissional especialista para tal comprovação. Não obstante o exposto, é mister não olvidar que o deferimento de prova pericial está disciplinado no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário. Recordemos sua dicção: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." Não foram observadas do ponto de vista material, pela Recorrente, tais exigências. Embora tenha havido a indicação do profissional, verificase que a qualificação do mesmo não é compatível com uma perícia contábil, o que demonstra a logicidade dos argumentos acima expostos, no sentido da desnecessidade de tal prova pericial, posto que segundo o próprio apelante tal perícia pode ser realizada por alguém que não possui formação profissional específica. Logo, não se pode deferir a perícia requerida. Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Segundo o apelo, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, posto que houve observância dos requisitos legais. Vejamos seus argumentos (fls. 166) "Conforme registrado, a DRJ/RJ1 entendeu que o pagamento da PLR daSuplicante aos seus empregados, por ter sido realizado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, estaria em descompasso com as normas preconizadas pela Lei n°10.101/00, uma vez que a redação original do artigo 3o, § 2, do referido diploma,vedava a distribuição da PLR em intervalos inferiores a seis meses e por mais de duas vezes ao ano. Não assim. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 227 7 Cabe insistir, em primeiro lugar, que não prevalece a assertiva do r.aresto no sentido de que, mesmo admitidas suas justificativas a respeito da efetivação de pagamentos em suposto desacordo com a periodicidade legal, não teria a Recorrente delas feito prova, haja vista que tal ausência deve ser imputado à ilegítima recusa do órgão julgador em determinar a realização de prova pericial contábil, único meio,repitase, de se elucidar as questões fáticas sumarizadas no item 8 (oito) do presente recurso. Neste sentido, e ante a premissa de que acabará sendo oportunizada à Recorrente a realização da perícia outrora requerida, os fatos que através dela serão confirmados afastam a pretendida classificação da verba paga como forma de remuneração estratégica, e não autêntica distribuição de lucros e resultados, prevista no artigo 7o, inciso XI, da CR/88. Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. Repitase, a principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) Fl. 230DF CARF MF 8 Por fim, ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento, previsto no Termo de Acordo celebrado para este fim, é lícito concluir que o atendimento a este limite não consiste requisito essencial para a configuração, ou não, da PLR, até porque sequer prevista a necessidade de um teto de pagamento na Lei n.° 10.101/00. Em rigor, as normas estipuladas no acordo, caso descumpridas, ensejam eventual responsabilidade entre as partes, mas não têm o condão de desnaturar a natureza dos pagamentos realizados, pois se cuida de regra acessória, estipulada dentro da esfera de liberdade do empregador e de seus empregados. Portanto, o seu adimplemento, ou não, afeta tão somente o montante a ser distribuído e a forma de participação dos empregados, mas não o seu caráter desvinculado da remuneração. (...) Ademais, o não atendimento ao supracitado limite de pagamento, quando muito, implicaria com que a incidência fiscal recaísse, apenas, sobre a parcela paga em patamar superior a tal limite, posto que o valor restante, creditado que foi em conformidade com as regras contratuais (i.é., dentro do limite), está em perfeita sintonia com os requisitos legais e contratuais Naturalmente, não se pode emprestar um mesmo tratamento jurídico à parcela paga em atendimento a este limite e àquela que o supera. Caso contrário, estarseia afrontando o citado princípio da razoabilidade, haja vista que a consequência jurídica pretendida (desconsideração de todo o crédito como PLR) é desproporcional à sua causa (desconformidade parcial do pagamento, em relação à parcela que superou o limite)." (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 228 9 “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no Fl. 232DF CARF MF 10 contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 229 11 Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Fl. 234DF CARF MF 12 Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 230 13 Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação Fl. 236DF CARF MF 14 expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 40): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11052.001326/201045 Acórdão n.º 2201004.060 S2C2T1 Fl. 231 15 Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. Ao reverso, preferiu a Recorrente arguir cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção de prova pericial, o que examinamos acima. Mister realçar que no tocante ao pagamento acima dos valores estipulados, a única alegação recursal de que não há na Lei nº 10.101/00, tal óbice ofende comando explicito de norma isentiva, o que atrai, infalivelmente, a incidência tributária. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720831/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 28/02/2014, 31/03/2014, 30/04/2014, 31/05/2014, 30/06/2014
RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103.
O valor da redução do crédito tributário que motivou o recurso de ofício está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, não devendo ser conhecido, em cumprimento da Súmula CARF n° 103.
SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO.
A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplica-se no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva ou corretiva.
RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA.
Mesmo com a revogação do art. 58-T da Lei 10.833/2003, a obrigação acessória ainda permanece vigente, uma vez que o art. 35 da Lei 13.097/2015 estabeleceu obrigação acessória idêntica àquela, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07.
Recurso de Ofício não Conhecido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, pelo limite de alçada e por negar provimento o recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Renato Vieira de Ávila, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301004.137 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2017 Matéria MULTA SICOBE Recorrentes BEBIDAS MAX WILHELM LTDA e FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL e BEBIDAS MAX WILHELM LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 28/02/2014, 31/03/2014, 30/04/2014, 31/05/2014, 30/06/2014 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103. O valor da redução do crédito tributário que motivou o recurso de ofício está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, não devendo ser conhecido, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva ou corretiva. RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA. Mesmo com a revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003, a obrigação acessória ainda permanece vigente, uma vez que o art. 35 da Lei 13.097/2015 estabeleceu obrigação acessória idêntica àquela, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07. Recurso de Ofício não Conhecido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 08 31 /2 01 4- 70 Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 917 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, pelo limite de alçada e por negar provimento o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Renato Vieira de Ávila, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 918 3 Relatório Consoante capitulações legais consignadas às fls. 54 e 744, foram lavrados os autos de infração às fls. 53 e 743, em 25/03/2014 e em 22/08/2014, para exigir respectivamente R$ 7.955.505,22 (período de julho a novembro de 2013) e R$ 11.466.578,89 (período de dezembro de 2013 a junho de 2014), no total de R$ 19.422.084,11 de multa regulamentar por ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), conforme as descrições dos fatos às fls. 54 e 744. De acordo com o termo de verificação fiscal relativo ao primeiro auto de infração (período de julho a novembro de 2013), às fls. 58/64, a anormalidade do funcionamento do SICOBE foi constatada em procedimento fiscal, não tendo o sujeito passivo efetuado o pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 em virtude da realização de procedimentos de manutenção preventiva/corretiva realizadas no SICOBE pela Casa da Moeda do Brasil. A irregularidade consta do Relatório Técnico de Ocorrências nº 35, de 27/03/2013, sendo o débito no importe de R$ 458.408,85. Em 09/04/2013, mediante termo de intimação (fls. 224 e 225) cientificado por via postal em 21/05/2014 (AR, fl. 226), a empresa foi instada a regularizar no prazo de 10 dias o ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, conforme as circunstâncias descritas no Relatório Técnico de Ocorrências nº 35/2013, anexo a termo de diligência entregue à empresa infratora. Em 19/04/2013, em resposta apresentada, a intimada afirmou ser detentora de saldos credores de PIS e de COFINS no montante total de R$ 1.031.425,39, sendo requisitada a compensação desses saldos credores com o valor cobrado do ressarcimento. Sendo inexistente a previsão legal para tal compensação, houve a caracterização de falta de atendimento da intimação. Portanto, foi declarada a situação de anormalidade de funcionamento do SICOBE com o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 44, de 27/05/2013, estando sujeita a contribuinte à multa prevista na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 30, c/c a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58T, com a redação dada pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, art. 13. Constatase que em 05/06/2013, a empresa impetrou ação judicial (nº 500657719.2013.404.7205) visando à compensação do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil com créditos de PIS/COFINS. Indeferida a antecipação de tutela, a interessada peticionou a autorização para a realização de depósito judicial do montante integral. Em 17/01/2014, houve o depósito no valor de R$. 458.408,85. Todavia, restou um passivo de R$ 113.162,58 concernente ao ressarcimento do SICOBE do período de fevereiro de 2013 até a data da declaração de anormalidade, cujo complemento de depósito foi exigido pela autoridade judicial como condição, inclusive, para o religamento do SICOBE (o respectivo desligamento havia sido solicitado pela própria contribuinte para o segundo semestre de 2013). Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 919 4 A fiscalização entendeu que nenhuma medida judicial impedia a exigência da multa regulamentar, cujo valor foi calculado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30, caput: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00. O demonstrativo de apuração de multas regulamentares (fl. 55) foi elaborado a partir dos dados de produção mensal das bebidas (fls. 65/69) fornecidos pelo sujeito passivo mediante a lavratura de termo de intimação (termo, fls. 45/47; AR, fl. 48; resposta, fls. 49/51). Fato Gerador Valor em Reais Julho/2013: 1.062.832,28 Agosto/2013: 1.438.559,16 Setembro/2013: 1.459.945,92 Outubro/2013: 2.027.002,22 Novembro/2013: 1.967.165,64 Total: R$ 7.955.505,22 Efetuada a autuação parcial, houve, posteriormente, a complementação da imposição de multa regulamentar, conforme a narração dos fatos do termo de verificação fiscal (período de novembro de 2013 a junho de 2014), às fls. 737/741, ora com excerto reproduzido abaixo: “Nesse sentido, a empresa foi então autuada considerando a continuidade da situação de anormalidade, com a aplicação da penalidade de que trata o art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 869/2008, amparada pelo art. 30, inciso I, da Lei nº 11.488/2007, relativa aos valores comerciais da produção, nos períodos mensais de apuração do IPI dos meses de julho a Novembro de 2013. Tal autuação foi impugnada em 02/05/2014, na qual a empresa afirma participar de Ação Coletiva n° 502833269.2012.404.7000, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná, ajuizada pela AFREBRÁS – ASSOCIAÇÃO DOS FABRICANTES DE REFRIGERANTES DO BRASIL, na qual foi concedida antecipação de tutela para determinar a suspensão da cobrança do ressarcimento em questão. Porém, tal decisão teve seus efeitos suspensos por meio de decisão proferida em 25/03/2014 pelo TRF 4ª Região nos autos do Agravo de Instrumento nº 500586746.2014.404.0000/PR. Destarte, no curso do mesmo procedimento fiscal, a empresa foi novamente intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 2013.004205/2, cientificado em 11/07/2014, a apresentar: a) Comprovantes de pagamentos dos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda, relativos ao período de fev/2013 até a data de declaração da anormalidade. b) Eventuais decisões liminares e/ou sentenças da Ação Ordinária 5028332 69.2012.404.7000/PR, atualizadas e vigentes até a presente data. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 920 5 c) Eventuais decisões liminares e/ou sentenças no Agravo de Instrumento nº 500586746.2014.404.0000/PR, atualizadas e vigentes até a presente data. d) Informação sobre a existência de outras ações judiciais adotadas pela empresa, relativas ao assunto em questão, apresentando cópias de petições iniciais, liminares ou sentenças. e) Planilha representativa da produção relativa ao período de 01 de Dezembro de 2013 a 30 de junho de 2014, detalhada por produto fabricado pela empresa, em bases mensais. f) Para cada produto elencado na planilha anterior, apresentar o preço mínimo de venda praticado em cada mês. Na continuação do relatório, transcrevo o acórdão recorrido: Em resposta datada de 01/08/2014, constatouse, em relação aos quesitos formulados pela fiscalização: a. A empresa não apresentou comprovantes de pagamento dos ressarcimentos devidos à Casa da Moeda. Por outro lado, apresentou cópia de depósito judicial 123954000051407230, de 23/07/2014, que complementou o valor total em R$ 113.162,58, tendo por remetente Werner Greuel, CPF 003.848.60915, sócio administrador da empresa. b. Não apresentou decisões atualizadas, que tenham modificado a situação da Ação Ordinária 502833269.2012.404.7000/PR. c. Apresentou diversas cópias de peças judiciais, dentre as quais ressaltase: i) Requerimento nos autos do processo 500657719.2013.404.7205, datado de 23/07/2014, onde solicita que seja intimada a União para que proceda o imediato religamento dos aparelhos do SICOBE, haja vista a complementação do depósito judicial comentado. ii) Recurso especial junto ao TRF 4, tendo por finalidade a cassação do acórdão que julgou o Agravo de Instrumento nº 500586746.2014.404.0000/PR, já comentado anteriormente. d. Apresentou planilha referente à produção do período de 01/12/2013 a 30/06/2013, contendo os preços mínimos praticados. Na mesma data, 01/08/2014, a empresa apresentou requerimento no qual alega que ao realizar o depósito integral dos montantes relativos ao ressarcimento do SICOBE, não haveria que se falar em qualquer anormalidade no SICOBE, “sob pena de afronta ao direito subjetivo assegurado no art. 151, II, do Código Tributário Nacional.” Requer em seguida o imediato religamento dos equipamentos do SICOBE. Diante das respostas e documentos apresentados pela empresa, ao tempo em que se consulta o andamento do processo judicial, podese constatar preliminarmente que não há, neste momento, nenhuma decisão judicial em vigor que determine o imediato religamento do SICOBE, tampouco impeça a RFB de aplicar a multa relativa ao período da anormalidade explicitada pelo Ato Declaratório ADE COFIS 44/2013. Ao contrário, existe recurso de agravo de instrumento interposto pela União (500586746.2014.404.0000), por meio do qual houve a concessão do efeito suspensivo dos efeitos decorrentes da citada sentença de antecipação de tutela. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 921 6 Essa decisão do TRF 4 está sendo combatida pela empresa por meio do Recurso Especial comentado anteriormente. Por outro lado, mesmo que o depósito judicial complementar seja reconhecido pela justiça como motivo para determinar o religamento do SICOBE e impedir a RFB de proceder ao lançamento da multa pela anormalidade, devese observar que a decisão poderá ser exnunc, ou seja, com seus efeitos a partir da efetivação do citado depósito. Nesse sentido, o período ora abrangido por essa ação fiscal, que é de dezembro de 2013 a junho de 2014, é anterior à realização do depósito judicial, o que, s.m.j., ainda compreende a situação de anormalidade não sanada, portanto estando a empresa passível de ser autuada, face a previsão legal da aplicação da penalidade em foco, a cada período de apuração do IPI”. O demonstrativo de apuração de multas regulamentares (fl. 746) foi elaborado com base nos valores comerciais da produção mensal das bebidas fornecidos pelo sujeito passivo, conforme os montantes discriminados abaixo: Fato Gerador Valor em Reais Dezembro/2013: 1.547.467,10 Janeiro/2014: 2.270.917,74 Fevereiro/2014: 2.112.013,37 Março/2014: 2.097.708,84 Abril/2014: 1.185.518,68 Maio/2014: 1.200.521,52 Junho/2014: 1.052.433,64 Total: R$ 11.466.580,89 Regularmente cientificado da primeira peça acusativa em 02/04/2014 por via postal (AR, fl. 70), apresentou o sujeito passivo a impugnação às fls. 590/610 em 02/05/2014, subscrita pelo respectivo procurador (instrumento legal à fl. 619), em que, basicamente, sustenta que: I. Preliminarmente: a) A inconstitucionalidade da cobrança da taxa de ressarcimento é objeto da Ação Coletiva nº 502833269.2012.404.7000, ajuizada perante a 1ª Vara Federal de Curitiba, PR, pela AFREBRAS – Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil; antecipação de tutela concedida em 18/02/2014 para a suspensão da cobrança do ressarcimento, em razão da instalação do sistema de controle SICOBE, pelas empresas associadas em favor da Casa da Moeda, devendo a União Federal se abster de fazer a referida cobrança das empresas associadas à autora e da imposição de multas, penalidades e de restrições pela falta de pagamento do ressarcimento; b) Em virtude do indeferimento de pedido de compensação dos débitos de ressarcimento do SICOBE com créditos de PIS/COFINS, foi proposta a ação ordinária nº 500657719.2013.404.7205, em 05/06/2013, para a garantia da referida compensação; com o indeferimento da antecipação de tutela requerida, a impugnante efetuou o depósito em juízo do valor integral relativamente ao saldo devedor do Fl. 921DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 922 7 ressarcimento no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013; para evitar os prejuízos da retirada arbitrária dos equipamentos, foi feito o depósito em juízo do valor consignado no Termo de Ocorrências nº 2013.090/1, ou seja, R$ 458.408,85; o suposto saldo remanescente de ressarcimento no valor de R$ 113.162,58, observado pela Casa da Moeda, que não foi objeto do Mandado de Procedimento Fiscal, é inválido e arbitrário, já que sua inclusão implica violação ao direito de ampla defesa e contraditório; portanto, o processo administrativo fiscal, em relação ao valor devido, é viciado por nulidade; II. No mérito: a) O ressarcimento em questão, instituído por lei, tem natureza tributária, sendo que a respectiva definição viola vários princípios constitucionais tributários e que o SICOBE, desenvolvido estritamente no âmbito público, serve ao interesse da fiscalização do Estado: tratase a espécie tributária de taxa, instituída em razão do poder de polícia estatal; as leis que tratam da “taxa de ressarcimento” delegaram a fixação da base de cálculo e da alíquota (elemento qualitativo) à Receita Federal do Brasil, o que caracteriza inconstitucionalidade; b) A impugnante possui créditos de PIS/COFINS em montante superior aos débitos relativos à taxa de ressarcimento do SICOBE, sendo que a compensação de débitos e créditos tem previsão legal (art. 74 da Lei nº 9.430/96) e regulamentação infralegal (IN nº 900/2008); assim, não há razão para o pagamento do SICOBE, apesar de que este deva funcionar regularmente; c) A multa de 100% sobre o faturamento, em caso de inadimplemento da taxa do SICOBE, é abusiva e confiscatória; a imposição de multa em tal patamar tem condão de fulminar o direito fundamental ao livre exercício da atividade econômica (CF, art.170); há precedentes do STF acerca da matéria; há previsão infralegal apenas (IN RFB nº 869/2008, art. 13, § 2º), já que a Lei nº 11.488/2007 somente estipula a multa para a hipótese de prejuízo ao funcionamento do SICOBE (art. 30), e não para inadimplemento da taxa de ressarcimento: uma ilegalidade. Por fim, requer que a impugnação seja acolhida e que seja cancelado o débito fiscal com base nas razões e fundamentos apresentados. Regularmente cientificado da segunda peça acusativa em 27/08/2014 por via postal (AR, fl. 749), apresentou o sujeito passivo a impugnação às fls. 752/777 em 26/09/2014, subscrita pelo respectivo representante legal (alteração de contrato social às fls. 780/787), em que, basicamente, sustenta que: a) Em virtude da suposta ausência de pagamento do ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 houve a caracterização de anormalidade no funcionamento do SICOBE, o que dá sustentação à autuação fiscal; em virtude do indeferimento de pedido de compensação dos débitos de ressarcimento do SICOBE com créditos de PIS/COFINS, foi proposta a Ação Ordinária nº 500657719.2013.404.7205, em 05/06/2013, para a garantia da referida compensação; com o indeferimento da antecipação de tutela requerida, a impugnante efetuou o depósito em juízo do valor integral relativamente ao saldo devedor do ressarcimento no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 (R$ 458.408,85); um saldo remanescente de ressarcimento no valor de R$ 113.162,58, apontado pela Casa da Moeda, motivou a autuação anterior, devidamente impugnada; b) A exigência fiscal em questão diz respeito ao período de 01/12/2013 a 30/06/2014, sendo que, intimada, a impugnante apresentou comprovantes do Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 923 8 pagamento da taxa de ressarcimento, informações sobre ações judiciais em curso, planilha demonstrativa da produção do período fiscalizado e o preço mínimo de venda dos produtos; além disso, a impugnante solicitou o religamento do SICOBE em razão do depósito judicial do valor integral da taxa, incluído o saldo remanescente de R$ 113.162,58; é indevida a aplicação da multa, no montante de R$ 9.919.113,00, referente aos meses de janeiro a junho de 2014 porque os depósitos judiciais foram feitos em 17/01/2014 (R$ 458.408,85) e em 23/07/2014 (R$ 113.162,58), tendo cessado a causa geradora da infração, no máximo poderia ser cobrada multa no valor de R$ 1.514.467,10 e o religamento do SICOBE já deveria ter sido efetuado pela Casa da Moeda, uma vez que não existe mais a ação ou omissão tendente a impedir ou retardar a instalação ou o normal funcionamento do sistema, tendo sido a impugnante injustamente onerada, com grande comprometimento financeiro; c) Em 23/07/2004, com o depósito judicial de R$ 113.162,58, deixou de existir anormalidade que justifique a continuação do desligamento do SICOBE na produção da impugnante; a existência da Ação Ordinária já mencionada não é motivo para manter o desligamento, sendo o restabelecimento do sistema SICOBE não dependente de uma decisão judicial; a inexigibilidade da multa aplicada é inquestionável, pois há a suspensão da exigibilidade do crédito tributário principal em razão dos depósitos judiciais realizados (CTN, art. 151, II), com efeitos extensivos ao acessório: a aplicação da sanção; d) A multa de 100% sobre o faturamento, em caso de inadimplemento da taxa do SICOBE, é abusiva e confiscatória; no máximo, a multa deveria ter como base de cálculo somente o valor da exação não recolhida (taxa de ressarcimento: R$ 571.571,43); a imposição de multa em tal patamar (20 vezes maior do que a taxa não recolhida) tem o condão de fulminar o direito fundamental ao livre exercício da atividade econômica (CF, art.170); há precedentes do STF acerca da matéria; há previsão infralegal apenas (IN RFB nº 869/2008, art. 13, § 2º), já que a Lei nº 11.488/2007 somente estipula a multa para a hipótese de prejuízo ao funcionamento do SICOBE (art. 30), e não para inadimplemento da taxa de ressarcimento: uma ilegalidade; e) A impugnante industrializa para terceiros (serviço de industrialização), como é o caso dos energéticos NITRIX e ENERGY DRINK produzidos pela empresa MISTURA S Comércio de Produtos Alimentícios e Bebidas em Geral Ltda. (CNPJ 15.519.518/000103); nesse caso, não cabe a cobrança de taxa de ressarcimento pelo uso do SICOBE e, portanto, não pode ser imposta multa por falta de recolhimento já que sobre tal produção não incide a taxa (a empresa encomendante não está obrigada, conforme lista extraída da própria RFB); assim sendo, deve ser excluído o montante de R$ 1.767.453 da multa aplicada, correspondente ao serviço de industrialização para terceiros, conforme planilha anexa (demonstrativo de produção – dezembro de 2013 a junho de 2014) e amostragem de notas fiscais de prestação de serviços de industrialização de junho de 2014 que comprovam a operação. Por derradeiro, repisa toda a argumentação, principalmente a suspensão da exigibilidade da multa ou a redução do valor de R$ 1.767.453,90; ademais, requer que todas as intimações sejam encaminhadas exclusivamente ao patrono da empresa, sob pena de nulidade. A DRJ considerou improcedente a impugnação sob a seguinte ementa: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 924 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 28/02/2014, 31/03/2014, 30/04/2014, 31/05/2014, 30/06/2014 MULTA REGULAMENTAR. ANORMALIDADE NO FUNCIONAMENTO DO SICOBE. A ação ou omissão tendente a prejudicar a obrigatoriedade de ressarcir a Casa da Moeda do Brasil pela utilização do SICOBE, caracterizada a respectiva anormalidade de funcionamento, implica a imposição de multa correspondente a 100% do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração, no período de constatação da irregularidade, em montante global não inferior a R$ 10.000,00, devendo a exigência fiscal ser escoimada de valores relativos a prestação de serviços na industrialização por encomenda de terceiros na apuração da base de cálculo da multa regulamentar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 28/02/2014, 31/03/2014, 30/04/2014, 31/05/2014, 30/06/2014 INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito tributário Mantido A contribuinte repetiu no recurso voluntário os argumentos da impugnação. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 925 10 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Foram lavrados dois autos de infração, em 25/03/2014 e em 22/08/2014, para exigir respectivamente R$ 7.955.505,22 relativos ao período de julho a novembro de 2013 e R$ 11.466.578,89 relativos ao período de dezembro de 2013 a junho de 2014, no total de R$ 19.422.084,11 de multa regulamentar por ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). A decisão de 1ª instância excluiu a muita regulamentar em relação à industrialização por encomenda e manteve a exigência da multa em relação à industrialização própria da recorrente. Recurso de Ofício: A decisão de 1ª instância considerou procedente em parte a impugnação, com a exoneração de R$ 1.767.554,02 no que concerne à multa regulamentar. Na decisão de primeira instância, foi consignada a interposição de recurso ofício, uma vez que a exoneração tributária ultrapassou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela Portaria n° 03/08, em vigor na data do julgamento. Contudo, em 10/02/17, foi publicada a Portaria MF n° 63/2017, alterando o limite de alçada para R$ 2.500.000,00. E assim dispõe a Súmula CARF n° 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Como o propósito do presente recurso ofício é analisar o valor exonerado de R$ 1.767.554,02, e este está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer do recurso de ofício, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. Recurso Voluntário: A recorrente não efetuou o pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 em virtude da realização de procedimentos de manutenção preventiva/corretiva realizadas no SICOBE pela Casa da Moeda do Brasil. A infração cometida pela recorrente ficou caracterizada com a edição do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 44, de 27/05/2013. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 926 11 A lei prevê a incidência de multa na hipótese de anormalidade de funcionamento do SICOBE, mesmo que tal anormalidade resulte apenas da falta de pagamento dos valores a título de ressarcimento para a Casa da Moeda do Brasil, o que ocorreu no caso concreto. De início, constatase que a autoridade fiscal cumpriu os ditames legais e não houve violação de preceitos constitucionais na lavratura da infração. A penalidade imposta tem abrigo na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30, I e § 1º, não havendo portanto, imposição de multa com fulcro em ato normativo infralegal. Como dito, a anormalidade de funcionamento do SICOBE foi decorrente da falta de pagamento dos valores a título de ressarcimento para a Casa da Moeda do Brasil. Tal falta de pagamento foi consequência, dentre outras razões, de discussão judicial requerendo a compensação de supostos créditos. A questão da compensação é discutida apenas no âmbito judicial, mas, a título informativo, não é possível a compensação entre tributos e taxas cujos administradores são distintos: Receita Federal do Brasil e Casa da Moeda do Brasil. Não há previsão legal para a compensação entre créditos de PIS e COFINS, tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, e débitos concernentes a taxa administrada pela Casa da Moeda do Brasil. A recorrente apresenta uma série de ações judiciais acerca do tema: a) Ação Coletiva nº 502833269.2012.404.7000: Promovida pela Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (AFREBRAS), com o fito de questionar a validade da exigência da taxa de ressarcimento para a Casa da Moeda do Brasil, em fase de apreciação de recurso especial encaminhado ao STJ. b) Agravo de Instrumento nº 500586746.2014.4.04.0000: Ação manejada pela União Federal para suspender os efeitos da antecipação de tutela concedida nos autos do processo nº 02833269.2012.404.7000. O TRF da 4ª Região deu provimento, por unanimidade, ao Agravo de Instrumento. Situação atual: baixa definitiva. c) Ação Ordinária nº 500657719.2013.4.04.7205: Ação impetrada visando ao reconhecimento do direito à compensação de créditos do PIS e da COFINS com os valores referentes às taxas de ressarcimento devidas à Casa da Moeda do Brasil. O TRF da 4ª Região não deu provimento ao recurso de apelação interposto contra a sentença denegatória da 1ª instância. Em fase de apreciação dos recursos especial e extraordinário pelo STJ e pelo STF, respectivamente. Portanto, verificase que não há concomitância entre o processo em tela e as ações judiciais acima elencadas. No mérito, verificase que as razões que levaram à lavratura dos autos de infração são incontroversas. Realmente, a recorrente não efetuou o pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 em virtude da realização de procedimentos de manutenção preventiva e corretiva realizadas no SICOBE pela Casa da Moeda do Brasil. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 927 12 A falta de manutenção preventiva e corretiva do Sicobe, em consequência da ausência de ressarcimento à CMD pelos serviços de manutenção por esta prestados à recorrente, conduz a uma conduta omissiva devidamente comprovada nos autos, que acarretou o desligamento das máquinas do Sicobe e assim prejudicou o normal funcionamento do Sistema. Logo, resta devidamente materializada a conduta tipificada no art. 30, I, e § 1º, da Lei 11.488/2007. Fica demonstrado que a multa aplicada tem amparo legal e, portanto, não houve ofensa ao princípio da estrita legalidade inscrito no art. 97, V, do CTN. Portanto, reputa se legítima a cobrança da multa em apreço. Em complemento, há mais uma questão a ser analisada. Apesar de não ter sido alegado pela recorrente em sede de recurso voluntário, é imperioso analisar se a obrigação acessória que fundamentou os auto de infração foi ou não revogada, acarretando na aplicação da retroatividade benigna em favor do contribuinte Como veremos adiante, esta obrigação acessória não foi revogada na prática, pois a própria Lei 13.097/2015, em seu art. 35, instituiu obrigação idêntica e de mesma natureza, verbis: Art. 35 As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. Para adequada apreciação da matéria, impõese transcrever os respectivos textos legais que incidem na espécie: De início, a Lei nº 10.833/2003 instituiu a obrigatoriedade da instalação de equipamentos contadores de produção: LEI Nº 10.833/2003 Art. 58A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, a Contribuição para o PIS/PasepImportação, a Cofins Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58B a 58U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 928 13 nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008)” Posteriormente, a Lei nº 11.488/2007 instituiu a multa em tela: LEI Nº 11.488/2007 Art. 27. Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros classificados na posição 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01, estão obrigados à instalação de equipamentos contadores de produção, bem como de aparelhos para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o Os equipamentos de que trata o caput deste artigo deverão possibilitar, ainda, o controle e o rastreamento dos produtos em todo o território nacional e a correta utilização do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o fim de identificar a legítima origem e reprimir a produção e importação ilegais, bem como a comercialização de contrafações. § 2o No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, devendo manter o controle do volume de produção, enquanto perdurar a interrupção, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o A falta de comunicação de que trata o § 2o deste artigo ensejará a aplicação de multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais). (...) Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o O selo de controle será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e conterá dispositivos de segurança aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitem, ainda, a verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento industrial fabricante de cigarros. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 929 14 § 2o Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. § 3o Fica a cargo do estabelecimento industrial fabricante de cigarros o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de que trata o § 2o deste artigo, bem como pela adequação necessária à instalação dos equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei em cada linha de produção. (...) Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. (Grifei) Logo, constatase que a discussão judicial empreendida pela contribuinte e que se mostrou infrutífera para ela, ocasionou a falta de ressarcimento à Casa da Moeda, o que é considerada uma atitude que prejudica o normal funcionamento do Sicobe e que no caso concreto levou até ao desligamento do sistema. Por isso, a IN RFB nº 869/2008, no § 2º do seu art. 13, esclarece que “a falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela Casa da Moeda à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 ou pela negativa de acesso dos técnicos da Casa da Moeda ao estabelecimento industrial, caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe”. No caso concreto, por omissão integralmente imputável ao sujeito passivo, ou seja, a falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, houve a interrupção dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva no Sicobe e, na seqüência, o seu desligamento, materializandose a partir de então, a toda evidência, prejuízo ao “normal funcionamento” dos equipamentos contadores de produção que compõem o Sicobe. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 930 15 Verificase, pois, que a conduta do sujeito passivo encontra previsão na lei formal que disciplina o tema, inexistindo fundamento para sua alegação de que não há justa causa para aplicação da penalidade ou, ainda, que a multa em tela serlheia inaplicável por ausência de subsunção, a qual restou suficientemente demonstrada. Registrese, neste ponto, em relação a obrigações tributárias acessórias que, nos termos dos artigos 113, § 2º e 115 do CTN, as mesmas decorrem da legislação tributária, tomando lugar a aplicação da penalidade prevista no texto normativo de incidência quando demonstradas, respectivamente, a oponibilidade da obrigação e o seu inadimplemento. No caso concreto, como resulta evidente que o sujeito passivo se encontrava obrigado a não obstar o “normal funcionamento” dos equipamentos contadores de produção que compõem o Sicobe, apresentase inafastável a imposição da multa. Também aplicável à análise acima empreendida, vale assinalar, no que diz respeito à alegação de que não houve qualquer evasão de tributos devidos, que a responsabilidade por infrações à legislação tributária, salvo disposição de lei em contrário, exibe natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN, fazendose irrelevante, pois, para a materialização da infração, a intenção que moveu o agente, extraindose, ainda, que a responsabilidade por infrações também independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, ou seja, não se exige que tenha havido, concretamente, prejuízo econômico ao fisco, bastando o potencial de lesão resultante da conduta do agente. Consoante já fora exposto no tópico anterior, o dispositivo que institui a multa, um dos fundamentos do auto de infração, é o art. 30 da Lei nº 11.488/07, que se encontra plenamente em vigor. O sujeito passivo, de fato, não realizou a manutenção preventiva e corretiva do Sicobe. Tratase de conduta omissiva devidamente comprovada nos autos, que acarretou o desligamento das impressoras do Sicobe e assim prejudicou o normal funcionamento do Sistema. Logo, restou devidamente materializada a conduta tipificada no art. 30, § 1º, da Lei 11.488/2007. Ademais, como já adiantado em tópico anterior, a obrigação acessória de que estamos tratando, antes prevista no art. 58T da Lei 10.833/2003, não foi revogada na prática, pois a própria Lei 13.097/2015, em seu art. 35, instituiu obrigação idêntica e de mesma natureza, verbis: Lei 13.097/2015 Art. 35 As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. Ou seja, se por um lado a Lei 13.097 revogou o art. 58T da Lei 10.833/2003, por outro, instituiu no seu art. 35 a mesma obrigação acessória ali prevista. O artigo 35 acima transcrito, além de ter a mesma redação do art. 58T, também faz referência aos arts. 27 a 30 da Lei 11.488/2007, o que significa dizer que também para esta obrigação acessória, será cominada a multa prevista no art. 30 da Lei 11.488/2007. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 931 16 Logo, o art. 35 da Lei 13.097/2015 realizou um agrupamento da norma que estabelece a obrigação acessória com a norma que estabelece a multa pelo seu descumprimento de alguma maneira. Tal artigo não só instituiu a mesma obrigação acessória, antes prevista no art. 58T, de instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, como também lhe cominou a mesma penalidade para os casos de inadimplemento. Constatase que a jurisprudência do CARF não discorda desse entendimento, conforme recentes julgados cujas enunciados das ementas, na parte de interesse, seguem reproduzidos: SICOBE. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. MULTA Nos termos do art. 30 da Lei nº. 11.488/2007, se restar caracterizado que o fabricante concorreu para prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, caberá multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. (Acórdão 3402002.011 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho) SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva/corretiva. (Acórdão 3403003.307 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara Rel. Cons. Ivan Allegretti e Red. Desig. Cons. Rosaldo Trevisan) SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. (Acórdão 3101001.6951ª Turma Ordinária da 1ª Câmara (, Rel. Cons. Rodrigo Mineiro Fernandes) Enfim, constatase que, mesmo com a revogação do art. 58T da Lei 10.833/2003, a obrigação acessória ainda permanece vigente, uma vez que o art. 35 da Lei 13.097/2015 estabeleceu obrigação acessória idêntica àquela, cominando, inclusive, a mesma penalidade prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/07. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13971.720831/201470 Acórdão n.º 3301004.137 S3C3T1 Fl. 932 17 Multa Confiscatória: A recorrente alega que a multa de 100% sobre o faturamento, em caso de inadimplemento da taxa do SICOBE, é abusiva e confiscatória, sendo a imposição de multa em tal patamar tem condão de fulminar o direito fundamental ao livre exercício da atividade econômica, de acordo com a CF/88. Sobre a matéria transcrevo a Súmula Nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, nego provimento ao recurso nessa matéria. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício e por negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 932DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720424/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais e constatada a alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido.
PARCELA REMUNERATÓRIA DE EQUIVALÊNCIA (PRE). DIFERENÇAS DE URV. ANALOGIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Ainda que a verba denominada "Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE)", recebida por membros do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, possa ser equiparada, por analogia, às "diferenças de URV", recebidas pelos membros da Magistratura e do Ministério Público do Estado da Bahia, não há que se falar em isenção de Imposto de Renda, tendo em vista sua natureza salarial.
CONTRARRAZÕES. CONHECIMENTO. LIMITES.
Não se conhece das Contrarrazões, relativamente às matérias não tratadas no Recurso Especial. Assentada a natureza tributável da verba em tela, que constituiu o objeto do apelo interposto pela Fazenda Nacional, as demais questões suscitadas no Recurso Voluntário serão examinadas quando do retorno dos autos ao Colegiado a quo.
Numero da decisão: 9202-006.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Miriam Denise Xavier (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais e constatada a alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido. PARCELA REMUNERATÓRIA DE EQUIVALÊNCIA (PRE). DIFERENÇAS DE URV. ANALOGIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Ainda que a verba denominada "Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE)", recebida por membros do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, possa ser equiparada, por analogia, às "diferenças de URV", recebidas pelos membros da Magistratura e do Ministério Público do Estado da Bahia, não há que se falar em isenção de Imposto de Renda, tendo em vista sua natureza salarial. CONTRARRAZÕES. CONHECIMENTO. LIMITES. Não se conhece das Contrarrazões, relativamente às matérias não tratadas no Recurso Especial. Assentada a natureza tributável da verba em tela, que constituiu o objeto do apelo interposto pela Fazenda Nacional, as demais questões suscitadas no Recurso Voluntário serão examinadas quando do retorno dos autos ao Colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Miriam Denise Xavier (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 24 /2 00 7- 01 Fl. 245DF CARF MF 2 questão já votada pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário de 2003, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a dedução indevida de despesas médicas e a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas a título de “Parcela Remuneratória de Equivalência PRE”. Em sessão plenária de 22/08/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102001.458 (fls. 115 a 122), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. INDELEGÁVEL. Nos termos do art. 7° do CTN, a competência tributária é indelegável. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos (art. 6° do CTN). ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DE EFEITOS. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.” Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 246 3 O processo foi recebido na PGFN em 26/06/2012 (Relação de Movimentação de fls. 124) e, em 27/07/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 125 a 146 (Relação de Movimentação de fls. 147), com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a incidência do Imposto de Renda sobre a verba denominada Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE), recebida do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 06/06/2014 (efls. 175 a 177). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a não incidência do IRPF sobre importâncias percebidas a título de "valores indenizatórios de URV" aos membros da Magistratura Federal e do MPU constitui isenção e como tal deve ter sua aplicação analisada sob o prisma mais restritivo possível; a regra é a tributação destes valores e, somente nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665, de 1998, e 10.477, de 2002, conforme Resolução nº 245, de 2002, do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN n° 923, de 2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada; as principais normas jurídicas que tratam de isenção (tributária), estabelecendo os contornos fundamentais do instituto, são as seguintes: "Art. 150. (...) § 6º. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de calculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2", XII, g." (Constituição) "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." (Código Tributário Nacional)" "Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares." (Código Tributário Nacional) (Grifos acrescidos)" Fl. 247DF CARF MF 4 diante dos comandos constitucionais e legais transcritos não subsiste dúvida: a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; como exceção à regra, a isenção comporta interpretação e aplicação restritivas, portanto somente as hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador podem gozar da isenção; no que se refere à Resolução STE n° 245, de 2002, cabe observar que esta restringese ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União; esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda; nesta seara, atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis nºs 10.477, de 2002, e 9.655, de 1998, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto; não se trata, no caso concreto, de mera equiparação de benefício previsto em lei federal (competente para reger a matéria) para Magistratura Federal a membro da Magistratura Estadual, mas sim de elastecer a concessão de uma isenção por analogia, diante da inexistência de previsão legal, o que não se pode permitir; confirase, por fim, as conclusões estampadas no Parecer PGFN/CAT 1.679, de 2005, que tratou especificamente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas e da verba Parcela Remuneratória Autônoma ou de Equivalência e do não alcance da Resolução 245, de 2002, do STF (inteiro teor anexo): "Com essas observações, concluise, sinteticamente: a. Os Pareceres da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, Pareceres PGFN nº 529/203 e 923/2003, evidenciados nos contornos da Consulta .fazem referência específica à situação da Magistratura e do Ministério Público Federais, porque há leis especificas, federais, prevendo o abono variável e posterior Resolução do Supremo Tribunal Federal, explicitando que tais valores tratamse de verbas indenizatórias; b. A situação concreta do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas não é idêntica, dado que a resolução colegiada avança em matéria federal, suscitando isenção heterônoma; indiquese, da mesma forma, que toda a legislação colecionada na peça de consulta, e que dá conta de produção legislativa do estado do Amazonas, não pode, e nem poderia, avançar em campo normativo reservado à União Federal. c. E porque não há lei específica, federal, o modelo exegético de compreensão e isenção, a exemplo do enunciado no art. 111, II do CTN, indica que não há porque proporcionarse tratamento tributário idêntico, simplesmente porque não há identidade fática ou normativa. Respondese, pois, a Consulta, esclarecendose que nos termos do art. 151, III da Constituição Federal, combinado com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, a par do art. 3º da Lei Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 247 5 Federal 7.313, de 1988, além de demais aspectos doutrinários e jurisprudenciais, há incidência de imposto de renda retido na fonte em relação aos valores identificados na consulta que presentemente se responde. Registrese, por .fim, que ao estado do Amazonas pertencem as receitas de imposto de renda, como noticiado, por força de repartição constitucional de receitas tributárias, não se evidenciando, em nenhum momento, deslocamento de competência, que é indelegável, e que fora, ao que consta, inadequadamente alcançada pela Consulente, salvo melhor juízo. Deve a Administração, no caso presente, manter os entendimentos do Parecer PGF/CAT n" 282/2005, bem como da Nota PGFN/CAT nº 409/205." Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Como se pode constatar da Intimação de Resultado de Julgamento de efls. 179, a Contribuinte somente foi cientificada do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, sem que lhe fossem encaminhados o Acórdão nº 2102001.458, de 22/08/2011, e o Recurso Especial da Fazenda Nacional, fato este por ela remarcado em sede de Contrarrazões (efls. 182 a 185). Distribuído o processo na Instância Especial, o lapso foi identificado e, por meio do Despacho de Saneamento, de 28/07/2017 (efls. 189/190), foi determinado o retorno do processo à Unidade de Origem, para que fosse sanado o vício na intimação, cientificandose a Contribuinte do Acórdão nº 2102001.458 e do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como facultandolhe o oferecimento de novas Contrarrazões, no prazo de quinze dias. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 19/09/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 193), a Contribuinte ofereceu, em 27/09/2017 (carimbo aposto às efls. 196), as Contrarrazões de efls. 196 a 241, contendo os seguintes argumentos: Da falta de comprovação da divergência interpretativa o Recurso Especial da Fazenda Nacional deixou de cumprir a exigência do art. 67, § 7º, da Portaria MF 256, de 2009, vigente à data em que foi interposto, ou seja, não foi instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou cópia da publicação em que tivessem sido divulgados ou a apresentação de cópia de publicação de suas ementas; a Recorrente limitouse a transcrever ementas, sequer indicando onde e quando foram publicadas, além de não demonstrar, analiticamente, os pontos em que os acórdãos especificamente divergiram, deixando de atender ao requisito do art. 67, § 6º, da Portaria MF 256, de 2009, então vigente. Da ilegitimidade e da falta de interesse da União / Da incompetência da União / Da nulidade do Auto de Infração / Da Constituição Federal, art. 157, I Fl. 249DF CARF MF 6 o acórdão recorrido deixou de apreciar as questões preliminares agitadas pela Contribuinte em seu Recurso Voluntário, uma vez que, quanto ao mérito, a decisão lhe seria favorável; assim, aplicouse a regra segundo a qual não se declara nulidade quando se puder decidir do mérito em favor da parte a quem aproveita a nulidade (CPC/73, art. 249, § 2.°; CPC/2015, art. 282, § 2.°), porém nada impede renovar a questão preliminar concernente à ilegitimidade/incompetência/nulidade do Auto de Infração; dispõe o art. 157, I, da Carta Federal pertencer aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; o IRPF incidente sobre a Parcela Autônoma de Equivalência (PRE), se fosse devido, pertenceria ao Estado do Amazonas, porquanto tratarseia de rendimento auferido como contraprestação (salário) de trabalho e sujeito à tributação na fonte; em decorrência da regra do art. 157, I, da Carta Magna, os tribunais têm proclamado não ter a União interesse e legitimidade nas demandas em que servidor estadual impugne a incidência do IRPF sobre seus rendimentos, pois esse tributo pertence aos Estados e ao Distrito Federal; facilmente se percebe que o crédito tributário apurado no auto de infração não pertence à União/Fazenda Nacional, já que, se devido fosse, pertenceria ao Estado do Amazonas; nesse caso, "Os valores recebidos a título de imposto de renda na fonte, pelos Estados, de seus servidores, são de interesse daqueles, consoante determinam os preceitos constitucionais [...], e bem assim porque são os responsáveis pelos descontos e destinatários finais da verba retida; não há falar em interesse da União, porquanto a importância descontada não se destina aos seus cofres, cabendo a ela, tãosomente, instituir o tributo" (STJ2ª Turma, REsp 263.580MG, rel. Min. Franciulli Netto, j. 19.09.2000, não conheceram, v. u., DJ 05.03.2001, p.); tratandose de IRPF incidente sobre remuneração de servidor estadual ou distrital e necessariamente descontado na fonte, incumbe ao Estado ou Distrito Federal arrecadálo, o que implica dizer que a União/Fazenda Nacional não tem competência para fiscalizálo, pois esse tributo não lhe pertence; é clara a incompetência da União/Fazenda Nacional, é inevitável concluir pela nulidade do Auto de Infração, porquanto redigido por servidor incompetente, já que somente a Fazenda Pública Estadual/Distrital teria a atribuição legal de lançar o IRPF incidente sobre a PRE; em tese, o servidor federal que redigiu o auto de infração cometeu a conduta típica do art. 328, do CPB (usurpar o exercício de função pública). Da decisão que declarou a natureza indenizatória da PRE / Decadência consolidada a União/Fazenda Nacional não tomou qualquer providência no sentido de anular a decisão pela qual o Plenário do TCE declarou a nãoincidência de IRPF sobre a PRE; Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 248 7 essa decisão, proferida em sessão de 20.12.2002, cristalizouse sob o manto da imutabilidade por força da decadência, ex vi do art. 54, da Lei nº 9.784, de 1999; não prospera o entendimento de que o Auto de Infração caracterizaria medida administrativa no sentido de impugnar a validade da decisão proferida pelo TCE, fato que ensejaria a aplicação do § 2º, do art. 54, da Lei nº 9.784, de 1999; afinal, a União/Fazenda Nacional não tem competência para anular ato administrativo de EstadoMembro, e a autotutela, poder de que cogita o art. 54, da Lei nº 9.784, de 1999, significa prerrogativa de anular os próprios atos; a União/Fazenda Nacional, para anular um ato administrativo do Estado do Amazonas, haveria necessariamente de recorrer ao Poder Judiciário e, como tal não ocorreu, forçoso concluir que a decisão do TCE a respeito da não incidência de IRPF sobre a PRE, proferida há mais de cinco anos, consolidouse, porquanto não pode mais ser atacada pela via judicial (Decreto nº 20.910, de 1932, art. 1.°); Da correta solução dada ao caso pelo acórdão impugnado pela União/Fazenda Nacional / Reajustes concedidos à magistratura e ao Ministério Publico, antes da Lei 10.474/2002, no âmbito federal e estadual, tinham natureza indenizatória, conforme orientação consagrada pela Resolução 245, de 2002STF / Dispensar tratamento tributário distinto ao Ministério Público da União e ao Ministério Público do Estado do Amazonas violaria o princípio da isonomia fixado constitucionalmente destacou a Contribuinte, quando flexionou o recurso que veio a ser provido pelo acórdão recorrido, que a PRE era a equivalente estadual da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), auferida pela magistratura federal, Ministério Público da União (MPU) e Tribunal de Contas da União (TCU), tendo sido instituída por decisão administrativa adotada pelo STF, em sessão administrativa de 12/08/1992, com base na regra do parágrafo único, do art. 1º, da Lei nº 8.448, de 1992; por meio da PRE e de outras parcelas (v.g., URV), o Estado do Amazonas, a exemplo da União, buscou indenizar/compensar os reajustes que deveriam ter sido concedidos à magistratura estadual e ao Ministério Público Estadual (MPE) na época própria, mas não foram concedidos; o reajuste, digase, somente veio a ser dado a partir da Lei 10.474, de 2002; ora, compreender que, a despeito de sua ofuscante identidade jurídica, PAE e PRE devem receber tratamento tributário diverso seria uma ofensa aos princípios da isonomia e razoabilidade; aliás, apenas a título de ilustração, o Estado do Amazonas, reconhecendo a natureza indenizatória da PRE, cessou a cobrança de contribuição previdenciária sobre a referida parcela e restituiu as contribuições previdenciárias indevidamente arrecadadas; deve ser rejeitada qualquer alegação no sentido de que teria sido aplicada analogia, pois reconheceuse apenas que os reajustes anteriores à Lei nº 10.474, de 2002, concedidos à magistratura estadual e federal e ao MPU/ MPE, tinham a mesma natureza jurídica indenizatória, não havendo incidência de IRPF; Fl. 251DF CARF MF 8 o STJ já reconheceu que se aplica à magistratura estadual a orientação fixada pela Resolução 245, de 2002, inexistindo motivo razoável para não inferir que o mesmo raciocínio se estende, também, ao MPE; por sinal, os tribunais estaduais, apreciando litígios entre membros da magistratura ou do Ministério Público e os Estados, relativamente à cobrança de IRPF sobre a PRE/PAE, têm seguido o mesmo raciocínio, conforme evidenciam os seguintes precedentes: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCIDÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE PARCELA AUTÔNOMA DE EQUIVALÊNCIA PAE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. 1. Na hipótese dos autos, temse que a concessão de auxílio moradia aos Membros do Poder judiciário teve por finalidade precípua a recomposição patrimonial dos mesmos, na medida em que foram obrigados a suportar gastos não previstos com moradia ante a inexistência de imóvel funcional a eles disponível. Decerto, a intenção do Tribunal de justiça do Maranhão ao elaborar a Resolução n.° 11/2009, foi de ressarcir os Magistrados que tenham vivenciado essa específica circunstância. 2. Pagamento do PAE (Parcela Autônoma de Equivalência) referese às diferenças de auxíliomoradia do período de setembro de 1994 a dezembro de 1999, em razão de a Agravada ter sido obrigada a suportar com seus próprios recursos o ônus de manter moradia nas comarcas onde exerceu sua função jurisdicional, por não lhe ser facultada a utilização de imóvel funcional. 3. Destacase que o PAE, ainda que isoladamente considerado, isto é, ainda que sem qualquer inclusão de valores referentes ao auxílio moradia, vem sendo reconhecido como verba de caráter indenizatório, o que implica a não incidência do Imposto de Renda. 4. Agravo de Instrumento conhecido e impróvido. 5. Unanimidade." (TJMA5ª Câmara Cível, AI 0010166 53.2014.8.10.0000, rel. Des. Ricardo Duailibe, j. 19.10.2015). "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA. Discordância de somente um dos cônjuges não impede a concessão do divórcio. Verba atinente a PAE (Parcela Autônoma de Equivalência). Tratandose a verba atinente a PAE de caráter indenizatório, não se sujeitam à partilha de bens nem ao pensionamento, com base no art. 1659, VI do CCB/2002, pois proventos do trabalho pessoal do embargante, procedendo os embargos quanto a esse ponto. Incidência do art. 1659, VI do CCB. Embargos acolhidos em parte." (TJRS7ª Câmara Cível, ED 70053925186, rel. Des, Munira Hanna, j. 22.05.2013) (grifos acrescidos) Da multa indevida / Declaração do IRPF feita com base na DIRF emitida pela fonte pagadora / Erro provocado / Intenção de omitir rendimento tributável / Inexistência Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 249 9 a Declaração Anual de Ajuste apresentada pela Contribuinte refletiu a DIRF expedida pela fonte pagadora, ou seja, pelo Estado do Amazonas, que classificou a PRE como rendimento nãotributável, portanto correta a sua conduta, em que pese a resistência da União/Fazenda Nacional; seja como for, admitindose apenas para argumentar, que tenha havido erro da Contribuinte ao declarar a PRE como rendimento nãotributável, teria sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora; em situações como essa, os tribunais têm decidido pela exclusão da multa, pois compreendem não ser cabível responsabilizar o contribuinte que seguiu as informações da fonte pagadora. Ao final, a Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso assim não se entenda, requer sejam acolhidas as preliminares ou restituídos os autos ao órgão julgador a quo, para que sejam apreciadas e seja excluída a multa aplicada. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a incidência do Imposto de Renda sobre a verba denominada Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE), recebida do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando descumprimento da exigência do art. 67, § 7º, da Portaria MF nº 256, de 2009, bem como falta de demonstração analítica da divergência alegada. Ademais, suscita diversas matérias, preliminares e de mérito, que não teriam sido tratadas no acórdão recorrido. Quanto à suposta violação ao disposto no art. 67, § 7º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, verificase que a regra constante do § 9º do citado artigo confere respaldo à Fazenda Nacional, como a qualquer outro Recorrente, no que tange à dispensa de juntada de inteiro teor ou de cópia de publicação: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 253DF CARF MF 10 (...) § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. (grifouse) Aliás, a própria Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, registrou a utilização da prerrogativa do § 9º, acima colacionado (fls. 127): "Ressaltese que, nos termos da norma regimental, farseá uso aqui da alternativa prevista no § 9º do art. 67, do RICARF, segundo o qual, 'As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade'." (destaque da Recorrente) Nesse diapasão, forçoso concluir que, para o cumprimento dos requisitos formais previstos no art. 67 do RICARF, era e continua sendo suficiente a reprodução da integralidade da ementa do acórdão paradigma no corpo do recurso, o que foi feito pela PGFN, não sendo necessária a juntada de cópia da publicação do julgado. Relativamente à alegação de falta de demonstração analítica da divergência, esclareçase que a Fazenda Nacional está dispensada de demonstrar o prequestionamento no acórdão recorrido, conforme § 3º, do art. 67, do RICARF, então vigente. Quanto ao § 6º do mesmo dispositivo regimental, este determina que a divergência deve ser demonstrada analiticamente, com a indicação dos pontos no paradigma colacionado, que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Tal pressuposto também foi cumprido pela Fazenda Nacional que, antes de colacionar as ementas dos paradigmas, resumiu o ponto de divergência suscitado, de sorte que não se vislumbra o descumprimento de pressuposto recursal. Confirase: "O v. acórdão ora recorrido destoa da jurisprudência consolidada de outras Câmaras no ponto em que decidiu por aplicar o entendimento encampado pelo Ministro da Fazenda acerca da não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a titulo de diferenças de URV prevista na Lei nº 9.655/98 aos membros da Magistratura Federal também aos membros da Magistratura/Ministério Público/Tribunais de Contas Estaduais, a despeito da inexistência de previsão neste sentido. Nesta seara, diversamente do entendimento esposado pelo acórdão recorrido, a Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF proferiu paradigmas nos quais se verifica, que, diante da inexistência de previsão legal, não há como estender o beneficio instituído por lei federal ao MPU/Magistratura Federal para os membros do Ministério Público/Magistratura Estadual sob pena dc afronta ao art. 111 do CTN. Eis as ementas dos referidos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006. IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 250 11 constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n" 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Sumula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO Á EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto â tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de Oficio. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei n°. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez."Acórdão n" 220201274. (Grifos nossos). "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos A incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido A respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para Fl. 255DF CARF MF 12 instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de calculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de oficio. JUROS DE MORA. Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei no. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez."Acórdão nº 220201.208" (destaques da Recorrente) No que tange às matérias não tratadas no acórdão recorrido, portanto estranhas ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, as Contrarrazões não podem sequer ser conhecidas. Isso porque as Contrarrazões, como a própria denominação da peça está a indicar, devem abrigar unicamente os contrapontos às razões de recurso apresentadas pela parte recorrente. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. Tratase de discussão acerca da incidência do Imposto de Renda sobre a verba denominada Parcela Remuneratória de Equivalência (PRE), recebida do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. No acórdão recorrido, sem que fossem analisados os argumentos apresentados pela Contribuinte em sede de Recurso Voluntário, aplicouse à verba em questão o mesmo tratamento concedido às diferenças de URV recebidas pela Magistratura e Ministério Público Estadual do estado da Bahia no Acórdão nº 2102001.337, que considerou ditas verbas isentas de Imposto de Renda. Confirase: "No caso, considerando que, no mérito, a razão está ao lado da RECORRENTE, cabe superar as preliminares razões de defesa. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 251 13 para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102 001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: (...) Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. (...) Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pela contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso." De plano, esclareçase que o julgado que norteou o acórdão recorrido foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 03/03/2015, por meio do Acórdão nº 9202003.585, cujo voto, da lavra do Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: Fl. 257DF CARF MF 14 "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." "Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López." Após esse julgado, a Instância Especial já teve a oportunidade de apreciar centenas de recursos de igual teor, nos quais foi mantido o posicionamento esposado no acórdão acima, relativamente à natureza tributável da verba ali tratada diferenças de URV recebidas pela Magistratura e Ministério Público do Estado da Bahia. Por concordar com eles, adoto os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, que ora reitero como minhas razões de decidir: "Quanto ao mérito, aduz o contribuinte que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei”. Tal entendimento foi adotado pelo acórdão recorrido. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10283.720424/200701 Acórdão n.º 9202006.660 CSRFT2 Fl. 252 15 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: 'I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)'. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: 'Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)' (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: 'Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. Fl. 259DF CARF MF 16 No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)' (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722524/2010-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
Numero da decisão: 9202-006.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 09/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 09/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 24 /2 01 0- 17 Fl. 333DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11080.722524/201017 Acórdão n.º 9202006.580 CSRFT2 Fl. 3 3 previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Conforme consta do auto de infração, os objetos dos lançamentos são as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondentes a: II remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”; III remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras serviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Especificamente quanto aos fatos geradores da Solidariedade na Construção Civil e por Cessão de MãodeObra: a) fazem parte do crédito previdenciário as contribuições devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (FPAS) e dos segurados empregados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (Seguro de Acidente de TrabalhoSAT) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa; Fl. 335DF CARF MF 4 b) as contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros não foram incluídas na presente notificação, tendo em vista o entendimento do Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99. Irresignada, a ora Recorrente impugnou a autuação alegando, em síntese: a necessidade de chamamento ao processo da empresa executora, responsável pelo recolhimento tributário, a fim de que se apurasse a real existência dos débitos autuados, em observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material; a impossibilidade de enquadrar o Impugnante como responsável solidário, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública; a autuação indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, da contribuinte propriamente dita, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, até dezembro de 1997 não vedava sua aplicação; e a irregularidade na apuração do lançamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, o que gerou a interposição de Recurso Voluntário, ao qual foi negado provimento. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual, acerca da divergência, a Recorrente sustenta que o Acórdão de Recurso Voluntário adotou entendimento divergente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdão n.º 2401003.200), merecendo, por isso, reanálise do tema: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Foi realizado exame de admissibilidade, restando disposta a seguinte conclusão: Do exposto, verificase que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, razão pela qual é de se DAR SEGUIMENTO ao pedido do recorrente para que seja reapreciada a seguinte matéria: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil art. 30,VI da lei 8212/91. Cabe destacar que o acórdão paradigma trata de situação fática idêntica a dos autos, referindose ao mesmo tributo e à mesma parte (Banco do Brasil). No que se referem às razões de reforma do Acórdão vergastado, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) considerando que o lançamento objurgado não se refere a contratos formados por cessão de mãodeobra, mas sim, exclusivamente, para realização de obras de construção civil contratadas mediante empreitada, cujo conceito não se equipara a celebração de contratos mediante cessão de mãodeobra, há que se reconhecer a inexistência de responsabilidade solidária; b) com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11080.722524/201017 Acórdão n.º 9202006.580 CSRFT2 Fl. 4 5 como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista; c) deve ser promovido o cancelamento do crédito legal constituído, com o reconhecimento da nulidade da autuação. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nas quais expressamente restou consignada a concordância com a demonstração da divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, nos seguintes termos: O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que sociedade de economia mista responde solidariamente por contratação de obra de construção civil em razão do art. 30,VI da lei 8212/91, o paradigma decidiu em sentido contrário. Quanto às razões do improvimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria dispôs, em síntese: a) o alegado pelo contribuinte de que o próprio STJ confirma a não aplicabilidade da Responsabilidade Solidária em relação à sociedade de economia mista não procede para o caso em tela, eis que o citado acórdão do Superior Tribunal de Justiça trata da Responsabilidade Solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra (REsp 417.794RS, Relator Min. Luiz Fux. – 1ª Turma); b) não é possível aceitar os argumentos expostos no tópico anterior, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/1991, mas de responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei 8.212/1991. Fazse necessário destacar que o Recurso Especial sob análise tratase de Paradigma, de modo que o resultado consignado no presente julgamento será aplicado aos demais processos com fundamento em idêntica questão de direito que foram distribuídos no mesmo lote, consoante o disposto no art. 47, § 1º e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. Fl. 337DF CARF MF 6 § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Portanto, aplicase ao presente a sistemática de recursos repetitivos prevista no Regimento Interno da Casa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De conformidade com o narrado, a divergência objeto da controvérsia é a responsabilidade solidária da sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Sobre a aptidão da mencionada divergência suscitada pela Recorrente para fins de conhecimento do Recurso, houve concordância da Procuradoria da Fazenda Nacional. Apesar da referida concordância, a Procuradoria da Fazenda, durante a sustentação oral proferida, quando do início do julgamento do recurso sob análise, suscitou o seu não conhecimento. Não assiste razão à Fazenda Nacional, tendo em vista que restou configurada a divergência argüida, pois o acórdão paradigma (n.º 2401003.200) trata de situação fática idêntica, mesmo tributo e mesma parte, inclusive (Banco do Brasil), em que foi aplicado entendimento jurídico diverso do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido (sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91). Desse modo, assentou o colegiado pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. No que se refere ao mérito do recurso, assevera a Recorrente que, com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista. Por outro lado, a PFN alega a impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS citado no Recurso sob análise trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mão deobra, de acordo com o art. 31 a Lei 8.212/91, não sendo o caso dos autos, que dispõe, na realidade, sobre a responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o art. 30, VI, da Lei 8.212/91. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11080.722524/201017 Acórdão n.º 9202006.580 CSRFT2 Fl. 5 7 Assim, assevera a Procuradoria que: modificar o julgado importaria em violação ao referido dispositivo legal, o que não pode ser feito na via administrativa (Súmula n. 2 do CARF). Estabelecidos os contornos da controvérsia, impende discorrer sobre a natureza jurídica do Banco do Brasil S.A, que é uma entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União, enquadrandose, nos termos do DecretoLei 200/1967, como sociedade de economia mista. Pleiteia a Recorrente a aplicação, ao presente caso, do Enunciado de Súmula CARF 66 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Tendo em vista que, ao editar os enunciado de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação, nos termos do art. 926, § 2º, do CPC, para melhor avaliar a subsunção do presente caso ao disposto na Súmula CARF n.º 66, foi realizado o distinguishing entre o caso concreto analisado e os paradigmas que orientaram a formação da Súmula mencionada. Um dos paradigmas relevantes é o Acórdão n.º 20600.611, da Fundação Clóvis Salgado e Outros, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil, conforme a ementa baixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 —INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, § 2° da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95, somente nas situações previstas no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Convém salientar que a contribuinte no referido processo é uma Fundação Estadual pertencente à administração indireta, da mesma forma que a Recorrente (Sociedade de Economia Mista). Nesse contexto, pareceme que a Súmula 66 trata da Administração pública direta e indireta, mas, impropriamente, se utiliza da expressão "órgão público". Sobre a abrangência do conceito de órgão público, José dos Santos Carvalho Filho, esclarece: Fl. 339DF CARF MF 8 Enquanto a Administração Direta é composta de órgãos internos do Estado, a Administração indireta se compõe de pessoas jurídicas, também denominadas de entidades. De acordo com o art. 4º, II, do Decretolei n.º 200/1967, a Administração Indireta compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas, como faz questão de consignar a lei, de personalidade jurídica própria: a) as autarquias; b) as empresas públicas; c) as sociedades de economia mista; e d) as fundações públicas. Considerando o paradigma utilizado para a formação da Súmula 66, a interpretação mais adequada é a de que o Enunciado trata da Administração pública como um todo, não apenas de órgão público; compartimento na estrutura estatal a que são cometidas funções determinadas, sendo integrado por agentes que, quando as executam, manifestam a própria vontade do Estado; alcançando as entidades da administração pública indireta. Portanto, considero perfeitamente aplicável o referido Enunciado, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. O requisito citado não foi objeto de discussão nos autos, pois a controvérsia se instaurou de forma mais ampla, existência ou não de responsabilidade da SEM na Construção Civil. Pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, ele está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...). Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O citado diploma dispõe, em seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos decorrentes da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mãodeobra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.722524/201017 Acórdão n.º 9202006.580 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2°A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Assim, em razão de os contratos realizados com a Recorrente serem regidos pela Lei de Licitações, entendo cumprido o requisito previsto na Súmula em questão, em razão da natureza do contrato administrativo realizado a partir do procedimento licitatório, bem como diante da objeto social do Banco (operações bancárias ativas, passivas e acessórias, a prestação de serviços bancários, de intermediação e suprimento financeiro sob suas múltiplas formas e o exercício de quaisquer atividades facultadas às instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional). Conforme já identificado nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 8 e 9, a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(...). Cumpre elucidar que a previsão trazida na Lei 8.666/93 tratase de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos administrativos, devendo prevalecer sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante, o que se consubstancia na aplicação do princípio da especialidade, lex specialis derrogat generali. Vale destacar a aplicabilidade do Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidando o entendimento de que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, nos termos do art. 30, VI da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 341DF CARF MF 10 PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido, por meio de Parecer aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mãodeobra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do Advogado Geral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.722524/201017 Acórdão n.º 9202006.580 CSRFT2 Fl. 7 11 § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Considerando que a matéria recorrida não se refere à execução de contratos mediante cessão de mãodeobra, concluise que, no presente caso, não há que se falar em responsabilidade solidária da Contribuinte pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12. Ademais, acerca dos argumentos da Procuradoria, tornase imperioso elucidar que a Recorrida centraliza suas contrarrazões na impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS não seria aplicável ao caso, contudo a Recorrente não faz menção ao julgado citado, de modo que rejeito as sintéticas argumentações da Fazenda. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009505/2002-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS APURADOS EM AUDITORIA INTERNA DA DCTF. COMPROVADA A QUITAÇÃO MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DISPONÍVEL. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovada nos autos a quitação, mediante compensação com crédito disponível, das diferenças a maior dos débitos da CPMF apurados em auditoria interna da DCTF e lançados de ofício, o cancelamento da cobrança é a medida adequada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS APURADOS EM AUDITORIA INTERNA DA DCTF. COMPROVADA A QUITAÇÃO MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DISPONÍVEL. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada nos autos a quitação, mediante compensação com crédito disponível, das diferenças a maior dos débitos da CPMF apurados em auditoria interna da DCTF e lançados de ofício, o cancelamento da cobrança é a medida adequada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 95 05 /2 00 2- 71 Fl. 581DF CARF MF 2 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a Resolução nº 330200.009 (fls. 207/209), que segue integralmente transcrito: Tratase de recurso voluntário (fls. 207 a 211) apresentado em 27 de março de 2008 contra o Acórdão n° 0323.335, de 23 de novembro de 2007, da DRJ Brasilia / DF (fls. 184 a 192), do qual tomou ciência a Interessada em 26 de fevereiro de 2008 e que, relativamente a auto de infração (DCTF) de CPMF dos períodos de apuração de janeiro a junho, agosto a novembro de 1998, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. INEXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS COMPENSADOS. FALTA DE PAGAMENTO DA EXAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DOS CRÉDITOS UTILIZADOS. Afastase, em parte, a imposição tributária remanescente da revisão de oficio, para acolher os créditos objeto da compensação que restaram comprovados nos autos. Lançamento Procedente em Parte Oauto de infração foi lavrado em 10 de junho de 2002 e, segundo o termo de fls. 33 a 41, os pagamentos informados nas vinculações efetuadas em DCTF pagamentos e a compensação sem Darf e com processo teriam sido parcialmente utilizados ou não teriam sido localizados. O lançamento foi analisado pelo despacho decisório de fls. 182 e 183, que reviu o lançamento de acordo com a apuração de fl. 159, restando apenas um saldo parcial. A DRJ, ao apreciar a impugnação, reduziu ainda mais o valor lançado, mantendo apenas diferenças relativas aos períodos das primeira, segunda e quarta semanas de janeiro, primeira semana de março e terceira de outubro de 1998. No recurso, a Interessada alegou o seguinte: 1° período de janeiro de 1998: os indébitos não teriam sido reconhecidos por não ter sido efetuada a retificação da DCTF relativa aos períodos dos créditos; 2° e 4° períodos de janeiro de 1998: o crédito não teria sido "composto na DCTF"; Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10166.009505/200271 Acórdão n.º 3302005.205 S3C3T2 Fl. 582 3 1º período de março de 1998: foi informado incorretamente o período do crédito; 3° período de outubro de 1998: haveria sobra a ser compensada, contrariamente ao que foi afirmado no acórdão de primeira instância. Por meio da referida Resolução, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para que fosse verificado “primeiramente, as alegações da Interessada, procedendo, a seguir, à intimação para prestação de esclarecimentos e comprovação das alegações. Posteriormente, deverá a DRF lavrar relatório conclusivo a respeito de cada uma das questões, do qual dará ciência à Interessada para manifestarse no prazo de trinta dias da ciência, com encaminhamento subseqüente dos autos para julgamento.” Em atenção ao demandado na citada Resolução, por meio do Despacho Decisório de fls. 241/242, autoridade fiscal da unidade de origem da RFB decidiu cancelar de oficio o lançamento do débito do PA 0103/98 e manter o débito do PA 0110/98. Os demais débitos questionados pelo recorrente foram remetidos para análise da Difis/DRF/BSB. Cientificada desse despacho, por meio da petição de fls. 277/278, a recorrente alegou que, apesar não restar dúvidas quanto a inexigibilidade do débito do PA 0310/98, por considerar irrisório débito principal remanescente, no valor R$ 32,63, concordou em quitar o referido valor. Em cumprimento ao determinado do citado Despacho Decisório, na informação fiscal de fl. 351 a autoridade fiscal assim se manifestou, in verbis: 3. Alega o contribuinte em epígrafe a fl. 208 que o valor do crédito, após reanálise, subiu R$ 266,77 em relação ao primeiro período e R$ 309,47 para o segundo do PA 11/98, conforme demonstrado a fls. 233 e 257. Sendo o remanescente utilizado nos demais débitos, de PA 21/98 e 41/98 (R$ 23,51 e R$ 84,71 respectivamente), a fl. 209. 4. Ressaltase, da própria alegação feita, que ‘identificou os créditos somente após a entrega da DCTF”. Cientificada dessa última informação, a autuada não se manifestou a respeito. Em seguida, os autos retornaram a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 583DF CARF MF 4 A lide remanescente restringiuse aos débitos remanescentes da CPMF dos seguintes períodos de apuração: PERÍODO DE APURAÇÃO (PA) DÉBITOS REMANESCENTES 0101/98 R$ 558,73 0201/98 R$ 23,51 0401/98 R$ 84,71 0103/98 R$ 225,65 0310/98 R$ 32,63 O débito do PA 0101/98 foi cancelado de oficio pela autoridade de fiscal (fls. 241/242). E a recorrente concordou em quitar o débito do PA 0110/98 (fls. 277/278). Em relação aos demais débitos remanescentes, assim se manifestou a autoridade fiscal encarregada do cumprimento da diligência, in verbris: 3. Alega o contribuinte em epígrafe a fl. 208 que o valor do crédito, após reanálise, subiu R$ 266,77 em relação ao primeiro período e R$ 309,47 para o segundo do PA 11/98, conforme demonstrado a fls. 233 e 257. Sendo o remanescente utilizado nos demais débitos, de PA 21/98 e 41/98 (R$ 23,51 e R$ 84,71 respectivamente), a fl. 209. 4. Ressaltase, da própria alegação feita, que “identificou os créditos somente após a entrega da DCTF”. Assim, resta demonstrado que, após essa última manifestação, apenas remanesceu o débito do 0103/98, no valor de R$ 225,65, em relação ao qual assim se manifestou o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, in verbis: 4) Quanto ao PA: 0103/98: Consta do Relatório Fiscal da DRF/Brasília, produzido por ocasião da revisão de oficio do lançamento fiscal, que demonstra a existência de débito remanescente da CPMF do anocalendário 1998 (fls. 176/181), e o qual é parte integrante do Despacho Decisório (fls. 182/183) verbis: (...) •PA: 0103/98 Valor declarado: R$ 9.322,96 Débito: R$ 225,65 O pagamento de R$ 2.602,19, datado de 13/08/97, indicado em DCTF 89) para compensar parte da obrigação tributária de R$ 9.322,96, já estava alocado a outro débito (fl. 131), sendo insuficiente para efetivar a compensação pretendida, permanecendo o saldo devedor de R$ 225,65. (...) A interessada, todavia, alegou que o débito em tela R$ 225,65, com vencimento em 11/03/1998, foi compensado com sobra de recolhimento a maior efetuado em 13/08/1997, no valor de R$ Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10166.009505/200271 Acórdão n.º 3302005.205 S3C3T2 Fl. 583 5 2.602,19; que esse recolhimento em DARF gerou crédito de R$ 193,81 + atualização pela Selic R$ 31,89 = R$ 225,65. Entretanto, consultando os autos (fls. 89 e 131) observase que o valor recolhido de R$ 2.602,19 já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débitos em 13/08/1997, inexistindo saldo ou sobra disponível para compensação em 1998, por isso o valor compensado de R$ 225,65 não foi aceito (fls 131 e 134). Sendo assim, persiste o débito em aberto do principal da CPMF R$ 225,65, quanto ao período de apuração analisado. (grifos do original) No recurso em apreço, o recorrente reconheceu que não havia saldo de crédito disponível para compensação em 13/8/1997, mas sim em 6/8/1997. E acrescentou, no trecho que segue transcrito: Ocorre que a Recorrente equivocouse em sua impugnação, informando o período errado. Conforme podemos verificar na DCTF da 5ª semana de julho, o DARF recolhido no valor de R$ 1.638,55 em 06/08/1997, gerou um crédito de R$ 193,81, que atualizados pela SELIC do período totalizam os R$ 225,65 compensados pela Recorrente. (doc. 5) Dessa forma, este débito deve ser afastado, visto que gerado por um erro de informação da recorrente. Na informação fiscal de fl. 351, nada foi dito pela autoridade fiscal diligente a respeito dessa alegação da recorrente. Entretanto, a análise dos documentos de fls. 113/143, revela que, em relação ao PA da 5ª semana de julho de 1997, a recorrente apurou e informou na DCTF um débito de R$ 1.444,74 e recolheu o valor de R$ 1.638,55, o que resultou no pagamento a maior da importância de R$ 193,31, conforme asseverado pela recorrente. Assim, resta demonstrado que o recorrente havia quitado integralmente os débitos remanescentes lançados e mantidos na decisão recorrido. Logo, a cobrança de todos os débitos remanescentes deve ser cancelada. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para cancelar todos os débitos remanescentes lançados e mantido pela decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 585DF CARF MF 6 Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003620/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM PRESUNÇÕES. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 2401-005.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM PRESUNÇÕES. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
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AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM PRESUNÇÕES. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 36 20 /2 00 5- 43 Fl. 335DF CARF MF 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 80/86, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 87/97, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2002, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 78.964,29, composto da seguinte forma: R$ 34.178,40 relativo ao Imposto; R$ 18.555,45 de Juros de mora (calculados até 31/10/2005); R$ 25.633,80 de Multa Proporcional e R$ 596,64 de Multa Isolada. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 81), que o lançamento é decorrente de 01) ganhos de capital obtidos na alienação quotas não negociadas em bolsa cujo fato gerador ocorreu em 30/09/2002 e 02) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/97), após a análise da documentação apresentada, verificouse que houve uma venda de participação societária pela qual o contribuinte recebeu em pagamento de suas quotas (5,06% no valor de R$ 12.144,00) da empresa Costa Sul Pescados Ltda., dois terrenos no valor total de R$ 240.000,00, resultando um ganho de capital de R$ 227.856,00. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.101/122), alegando, resumidamente, o que segue: (i) a situação descrita não está tratando de ganhos de capital na alienação de bens e direito omissão de ganho de capital na alienação de quotas não negociadas em bolsa. Tratase de duas operações distintas: 1) De cessão de cotas de capital, na qual inexiste ganho; e 2) Compra de um terreno, a prazo, parcelado em 72 vezes. Assim, não há como confundir as duas operações, porquanto são negócios jurídicos distintos; (ii) Sustenta que o pagamento dos terrenos adquiridos da Costa Sul se deu de forma parcelada, conforme consta do Contrato Particular de Compra e Venda; (iii) Insurgese contra a menção do atuante de que “a mesma empresa, agora só de seus irmãos, resolve pagar para o ex sócio aluguel pelo uso de terrenos dos quais foi proprietária, apesar deles não terem sido pagos na totalidade”. Argumenta que os alugueis foram pagos conforme faz prova os recibos anexados, devidamente escriturados na contabilidade da empresa pagadora. (iv) Afirma que a escritura pública de compra e venda, onde a empresa alienante dá total quitação do terreno por ele adquirido, foi emitida pelo cartório com erro, sendo a verdade o que consta do instrumento particular de compra e venda; (v) Argumenta que o contrato de compra e venda subscrito pelas partes e assinado por testemunhas tem validade erga omnes de acordo com o código civil, vedada a presunção de ilicitude. Fl. 337DF CARF MF 4 (vi) Informa que o erro do cartório só foi percebido com o início da fiscalização, tendo sido emitida uma nova Escritura Pública de Retificação e Ratificação, da qual costa o pagamento parcelado. (vii) Acrescenta que devido ao auditor fiscal não ter desconsiderado a declaração de ajuste anual da qual consta a dívida declarada no valor de R$ 210.000,00, referente a dois terrenos na localidade de Machados em Navegantes, reputase verdadeira tal informação prestada. Informa que devido a erro involuntário o valor foi incorretamente informado no quadro Dívidas e Ônus Reais, devendo ter sido informado o valor de R$ 240.000,00. (viii) Argumenta, ainda, que a autuação deve ser anulada em razão de estar fundamentada em suposições, impossibilitando, pois, o amplo exercício do direito de defesa. (ix) Por fim, contesta a aplicação da multa de ofício alegando a sua inconstitucionalidade por ferir os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0715.140 da 4ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 177/184, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Há incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital na alienação de bens e direito de qualquer natureza, sendo este considerado a diferença positiva entre o valor de alienação e o respectivo custo de aquisição dos bens ou direitos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AnoCalendário: 2002 VERDADE MATERIAL O Princípio da Verdade Material é princípio obrigatório no processo administrativo que exprime que a Administração deve agir e tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelo sujeito passivo. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações processualmente inaceitáveis. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 23/03/2009, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 190. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 191/208), reprisando os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação. Ao final requer o provimento do Recurso Voluntário para julgar improcedente a ação fiscal. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 25/03/2009 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 190, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/04/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINAR O Recorrente insiste que o lançamento é nulo, em razão de estar fundamentado em suposições, impossibilitando, pois, o amplo exercício do direito de defesa. Sem razão o Recorrente. Compulsando os autos, verificase que, ao analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, a Fiscalização identificou elementos fáticos que guardam relação com as normas tributárias. No caso, sobrou comprovado que o Recorrente alienou as suas cotas do capital social da empresa Costa Sul Pescados Ltda., obtendo com esta operação ganho de capital. Diante disso, verificado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditorfiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. No caso em tela, pela leitura da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 83/84) e pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/97), notase claramente que o Auto de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 5 7 Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima o Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. 3. DO MÉRITO 3.1. Do ganho de capital. Conforme relatado, a Fiscalização apurou que o Recorrente retirouse da empresa Costa Sul Pescados Ltda., recebendo desta, em razão da sua participação societária (5,06% do capital social, no valor de R$ 12.144,00), dois terrenos no valor total de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), que resultou um ganho de capital no valor de R$ 227.856,00 (duzentos e vinte sete mil oitocentos e cinquenta e seis reais). A instância administrativa a quo manteve a higidez do lançamento. O Recorrente se insurge no sentido de que a situação descrita pela autoridade fiscal não consiste em ganho de capital. Sustenta que, no caso, tratase de duas operações distintas e independentes, quais sejam, 1) Cessão de cotas de capital e 2) compra de um terreno, a prazo, parcelado em 72 vezes. O cerne da questão é saber se a operação realizada pelo Recorrente configura ou não ganho de capital na alienação de bens e direitos. Sobre o tema imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital, assim dispõe a Lei nº 7.713/1998: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Fl. 341DF CARF MF 8 § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. No caso de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, efetuados por pessoa física, assim dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Portanto, inconteste que a alienação de bens por pessoa física mediante integralização de imóveis ao capital social de pessoa jurídica, por valores superiores ao custo de aquisição devidamente registrado nas respectivas declarações de bens e direitos, configura fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. O exame dos autos revela que na Declaração de Ajuste Anual de 2003 (fl. 14), referente ao AnoCalendário de 2002, o Recorrente informou que “5,06% DAS QUOTAS DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA COSTA SUL PESCADOS LTDA VENDIDAS EM 2002”. Confirase: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 6 9 Verificase que as referidas quotas, em 31 de dezembro de 2001 valiam 12.144,00 (doze mil cento e quarenta e quatro reais). Intimado a comprovar a compra do terreno utilizado na subscrição do capital social da empresa Transpesca Transportes Ltda., o Recorrente apresentou cópia autenticada da escritura pública de compra e venda do terreno em questão, onde em 02/09/2002, a Costa Sul Pescados Ltda., empresa da qual era sócio com os citados 5,06% até 25/07/2002, tendo se retirado da sociedade, e, de suas cotas, feito doação aos demais sócios, vende, por R$ 240.000,00, dois terrenos dando total quitação dos mesmos (fls. 57/58). Em 20/06/2005, o Recorrente manifestouse perante a autoridade fiscal nos seguintes termos (fls. 23/24): [...] Informo ainda que em Junho de 2002, após várias divergências entre mim e meus irmãos que eram os sócios majoritários da empresa Costa Sul Pescados Ltda, decidi deixar a mesma para não agravar mais ainda os laços de família que nos unem e que estavam prejudicando a condução dos negócios da mesma. Todavia, como não conseguimos mensurar de forma absoluta o valor total de minha participação na empresa e conseqüentemente também não ficar desamparado no futuro, concordamos em constituir uma nova empresa para mim e minha esposa que passou a sobreviver da locação que fizemos do imóvel vendido pela Costa Sul Pescados para mim, e onde a empresa já havia iniciado benfeitorias a fim de transferila da cidade de Penha para Navegantes, e que adquirimos de forma parcelada como parte do acordo para que eu deixasse os negócios da família. Conseqüentemente temos hoje uma empresa que explora a locação do imóvel que compramos parceladamente da Costa Sul Pescados e que a mesma ocupa e deduz das locações o valor das parcelas que ainda devo para a mesma. [...] Na sequência, verificase que o capital social da nova empresa constituída pelo Recorrente e sua esposa é de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) – fl. 38, integralizados pelos dois terrenos que teriam sido vendidos pela Costa Sul Pescados Ltda. O Recorrente alega que a aquisição dos dois terrenos citados se deu de forma parcelada de acordo com o Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda (fls. 60/63). Todavia, soa no mínimo estranho que a empresa Costa Sul Pescados Ltda., tenha dado total quitação da compra dos ditos terrenos antes dos respectivos pagamentos, bem Fl. 343DF CARF MF 10 como o tal “Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda” (fls. 60/63), não tenha sido levado a registro em cartório. Pelo que se colhe dos autos, verificase que as cotas que pertenciam ao Recorrente não foram cedidas sem qualquer ônus como alega, e sim que houve um acordo para que uma nova empresa fosse constituída em seu nome e da sua esposa (Transpesca), cujo capital integralizado fora constituído por meio dos dois terrenos que pertenciam à Costa Sul Pescados Ltda, e que foram adquiridos pelo Recorrente como parte do acordo de sua saída daquela empresa. Sendo assim, reputo como correto o entendimento adotado pela instância julgadora a quo no acórdão recorrido no sentido de que “resta perfeitamente demonstrado nos autos que o impugnante de fato recebeu os terrenos em comento da empresa Costa Sul por conta de sua saída da empresa, ou seja, a real operação ocorrida entre o impugnante e a empresa Costa Sul consistiu da venda de suas ações que valiam R$ 12.144,00 pelo valor de R$ 240.000,00, valor este pago por meio dos mencionados terrenos. A realização e formalização de tal operação por meio de duas outras operações distintas não desnatura sua real natureza, ou seja, a doação das cotas sociais do impugnante aos sócios remanescentes da empresa Costa Sul e a posterior aquisição por este de terrenos da mesma empresa não sobrepõe a realidade fática claramente estabelecida, esta que configura fato gerador de imposto de renda.” Desta forma, não há quaisquer fundamentos para se reformar a decisão de primeiro grau. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 3.2. Da multa de ofício O Recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado é exorbitante. Entretanto, o inconformismo não merece prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 7 11 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26ª do Decreto 70.235 de 06/03/1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Confirase: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Fl. 345DF CARF MF 12 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973.” Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º anteriormente reproduzido. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Portanto, não há razões para modificar o julgamento de primeira instância. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10909.003620/200543 Acórdão n.º 2401005.298 S2C4T1 Fl. 8 13 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 347DF CARF MF
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