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Numero do processo: 13003.000450/2002-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF nº 15.791
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF nº 15.791 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 04 50 /2 00 2- 94 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI referente ao período de apuração de 01.04.2002 a 30.09.2002. A decisão manteve o deferimento parcial ao fundamento de que na base de cálculo do crédito presumido do IPI não são admitidos, por falta de embasamento legal, os valores correspondentes a custos de mãodeobra do próprio estabelecimento, gastos gerais, material de consumo e serviços. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a real situação dos autos: “Relatório. O estabelecimento industrial acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n 4 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados, crédito esse referente ao segundo trimestre de 2002, no valor de R$ 193.918,99, conforme pedido da fl. 1, apresentado em 14 de dezembro de 2002, e referente ao terceiro trimestre de 2002, no valor de R$ 180.804,73, conforme pedido da fl. 2, apresentado na mesma data, somando R$ 374.723,72 de crédito presumido solicitado. Também foram apresentados formulários de Declaração de Compensação, nas fls. 240, 247 e 249 (vol. 2). A Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2) concluiu que o requerente adicionou, indevidamente, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, custos referentes a peças de fabricação própria, produzidas com matériaprima que já constava do almoxarifado, além de ter somado, na base de cálculo do referido benefício, mãodeobra do próprio estabelecimento e gastos gerais que não sofreram incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e/ou da Cofins. Também foi verificado, pela fiscalização, que o contribuinte deixou de excluir, do custo utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI, os valores referentes ao material de consumo e aos serviços. O autor da referida informação fiscal exemplificou a ocorrência das citadas irregularidades, com dados relativos ao mês de janeiro de 2002. Na fl. 272 (vol. 2), a fiscalização refez o cálculo do benefício, concluindo que, dos R$ 374.723,72 solicitados, R$ 42.993,88 (R$ 17.803,33 no segundo trimestre, e R$ 25.185,55, no terceiro trimestre), não estão amparados pela legislação tributária aplicável à matéria e o valor de R$ 331.729,84 não demonstrou irregularidades. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 321 3 Na seqüência, na fl. 277 (vol. 2), foi proferido o Despacho Decisório nº 712/2007, de 25 de abril de 2007, do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, que decidiu o pleito, nos termos propostos na Informação Fiscal citada no item precedente, reconhecendo o direito creditório no valor de apenas R$ 331.729,84, e homologando as compensações efetuadas nestes autos até o limite do crédito reconhecido. A ciência do interessado, a respeito do mencionado despacho, ocorreu em 9 de maio de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), da fl. 285 (vol. 2). Discordando do indeferimento parcial do seu pedido de ressarcimento, o requerente apresentou, tempestivamente, em 8 de junho de 2007, a manifestação de inconformidade, das fls. 286 a 290 (vol. 2), subscrita por sua advogada, com mandato na fl.291, e instruída com os documentos das fls. 292 a 296 (vol. 2). As alegações vêm resumidas na seqüência. Diz o requerente, que excluiu do valor do custo, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, os valores relativos às peças de fabricação própria e aos gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos, conforme planilhas anexadas à manifestação de inconformidade. Além disso, o requerente afirma que a fiscalização concluiu que, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43, referente ao custo mensal para base de cálculo do crédito presumido do IPI. Entretanto, segundo o interessado, o valor do consumo mensal utilizado pelo estabelecimento, como base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, foi de R$ 1.969.665,56, consoante planilha de cálculo que o requerente anexou à impugnação. Por último, o interessado requer a reforma do despacho decisório combatido, para reversão da glosa do seu crédito. É o relatório”. Inconformada com a decisão de primeiro piso que aponta como justificava de manter o teor do despacho decisório cuja fundamentação utilizada pelo Fiscal para a glosa parcial do direito creditório da Recorrente cingiuse em dois pontos, quais sejam: 1) a suposta inclusão pela empresa na composição do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, valores de peças de fabricação própria e gastos gerais que não sofrem a incidência de PIS/COFINS na sua aquisição, e 2) a não exclusão do material de consumo e serviços do custo utilizado para cálculo do crédito presumido de IPI. Diz a Recorrente que é equivocada decisão, pois, prova por meio de planilha anexada à Manifestação de Inconformidade que excluiu do valor do custo, para efeito do Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 4 crédito presumido de IPI, os valores relativos a fabricação de peças de fabricação própria e gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos. Como forma de comprovar tal alegação fez juntar planilha demonstrando os valores. No mais reprisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria trazida no bojo desse processado se refere ao pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo aos 2º e 3º trimestres de 2002, deferido parcialmente. O Auditor encarregado da diligência fiscal abre uma discussão em torno da base de cálculo referente ao mês de janeiro de 2002, sintetizado em: 1 ) a suposta inclusão pela empresa na composição do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, valores de peças de fabricação própria e gastos gerais que não sofrem a incidência de PIS/COFINS na sua aquisição, e 2) a não exclusão do material de consumo e serviços do custo utilizado para cálculo do crédito presumido de IPI. Resume em afirmar que o valor de R$ 2.680.835,43 (fl.252) referente a fevereiro de 2002, informado pela Recorrente não está compatível com os demonstrativos e concluiu que o valor é de R$ 2.415.739,97, contrapondo a colocação da auditoria diz que está correto, e, realmente os demonstrativos trazidos demonstram esse valor e após a exclusão de R$ 711.169,87 aponta saldo de R$ 1.969.665,56 (fl.296). Em razão dessa discussão a decisão recorrida toma como certo a causa demonstrado no despacho decisório e refuta os argumentos da Interessada. O credito presumido pleiteado se refere ao 2º e 3º trimestre de 2002, como é de conhecimento geral o crédito é por trimestre, não havendo revisão na escrita fiscal capaz de demonstrar deslizes na escrituração e aproveitamento de aquisições não compatíveis com o produto exportado e tampouco a inclusão à base de cálculo de vendas no mercado interno, a discussão em torno do mês de janeiro que pertence ao primeiro trimestre se revela impertinente. A discussão deve centrar nos trimestres que se deseja o ressarcimento para os quais foram apresentados os “DCP”, no caso em exame o segundo e terceiro trimestre do exercício de 2002. O fato de o Despacho Decisório encontrar consubstanciado em base aleivosa demonstra o desacerto da decisão que deve ser corrigida nessa oportunidade. O que importa para deferir ou negar o direito ao total do crédito presumido pleiteado se refere exclusivamente aos dados contábeis e fiscais do segundo e terceiro trimestre de 2002. Deixando a fiscalização de apontar divergência relativa aos trimestres pleiteados impõe em reconhecer o direito ao total do crédito pretendido. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 322 5 Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para que seja reconhecido o total do crédito pleiteado em razão da ausência da motivação que levou ao indeferimento parcial, e, assegurar a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Conforme relatado, cuidase de pedido de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente ao 2º e 3º trimestres de 2002, no valor de R$ 74.723,72, conforme pedidos de fls. 1 e 2. A DRF/POARS, por meio do Despacho Decisório 712/2007, fls. 277, que aprovou a Informação Fiscal DRF/POA/SEFIS (fls. 273 a 274), reconheceu direito creditório em favor da requerente no valor de R$ 331.729,84 e homologou compensações até onde esse valor suportou. A referida Informação deu conta de que: a) na composição do custo, para efeito de crédito presumido, o contribuinte inclui peças de fabricação própria cuja matéria prima já constava no almoxarifado, além de mão de obra da própria empresa e gastos gerais que não sofrem incidência de PIS e/ou Cofins na sua aquisição, conforme as planilhas fornecidas pela empresa, folhas 252 a 263; b) o contribuinte não exclui o material de consumo e serviços do custo utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI. Ainda de acordo com a Informação, a Fiscalização elaborou a "Planilha de Cálculo do Crédito Presumido", folha 272, na qual é refeita a apuração do crédito presumido. Pelo cálculo demonstrado, chegouse à conclusão que dos R$ 374.723,72 solicitados, R$ 42.993,88 (R$ 17.808,33 no segundo trimestre e R$ 25.185,55 no terceiro trimestre) não estão amparado pela legislação tributária aplicável à matéria e o valor de R$ 331.729,84 não demonstrou irregularidades. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, por meio da qual o requerente alegou que excluiu do valor do custo, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, os valores relativos às peças de fabricação própria e aos gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos, conforme planilhas anexadas à manifestação de inconformidade. Além disso, o requerente afirma que a fiscalização concluiu que, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43, referente ao custo mensal para base de cálculo do crédito presumido do IPI. Entretanto, segundo o interessado, o valor do consumo mensal utilizado pelo estabelecimento, como base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, foi de R$ 1.969.665,56, consoante planilha de cálculo que o requerente anexou à MI. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 6 A MI foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/POA, Acórdão nº 10 14.257, de 9 de novembro de 2007, fls. 302 a 302, com ementa transcrita na continuação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. Na base de cálculo do crédito presumido do IPI não são admitidos, por falta de embasamento legal, os valores correspondentes a custos de mãodeobra do próprio estabelecimento, gastos gerais, material de consumo e serviços. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 309 a 316, após síntese dos fatos relacionados com a lide, insiste na alegação de que o contribuinte excluiu do valor do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, os valores relativos à fabricação de peças de fabricação própria e gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos. Aduz que, na planilha anexada à Manifestação de Inconformidade, depreendese que a afirmação trazida na Informação Fiscal, na sentido de que a Recorrente, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43 a título de custo mensal para base de cálculo do crédito presumido de IPI, não merece prosperar, tendo em vista que os valores apontados não se referem ao montante efetivamente utilizado pela empresa. Entende que tal erro acabou por infirmar todas as conclusões da Fiscalização. Pugna pela realização de diligência para que, na busca da verdade material, os verdadeiros fatos sejam apurados. A propósito do equívoco denunciado pelo recorrente, a decisão recorrida já o esclareceu. Conforme se verifica na Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2), o valor de R$ 2.680.835,43 se acha explicitado no demonstrativo "Situação do Almoxarifado", da fl. 252 (vol. 2), de autoria do requerente, e corresponde ao total das saídas do almoxarifado, dos três estabelecimentos considerados naquele demonstrativo (Gravataí, Anápolis e Hortolândia), não se referindo à base de cálculo do crédito presumido, ao contrário do que é dito na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Em segundo lugar, a base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, conforme consta na ficha de apuração do benefício, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), apresentada pelo interessado e reproduzida na fl. 267 (vol. 2), é de R$ 1.285.702,37, e não de. R$ 1.969.665,56, que seria o valor correto, na versão do interessado, articulada na manifestação de inconformidade, valor esse também informado na planilha que acompanha a manifestação de inconformidade. No demonstrativo da fl. 272 (vol. 2), elaborado pela Fiscalização, para cálculo do crédito presumido do IPI, em favor do requerente, em 2002, encontrase, na coluna referente ao mês de janeiro do referido ano, na linha 53, a base de cálculo efetivamente considerada, que é de R$ 1.249.646,50. Na apuração desse valor, foram glosados, como explicado na Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2), valores referentes a peças de fabricação própria produzidas com matériaprima que já constava do almoxarifado, valores de mãodeobra do próprio estabelecimento e gastos que, na sua aquisição, não sofreram incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e/ou da Cofins, além de terem sido glosados valores referentes a material de consumo e a serviços, todos incompatíveis com a legislação que rege o crédito presumido do IPI. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 323 7 Refutado expressamente o equívoco na decisão recorrida, o recorrente simplesmente repetiu a alegação, sem trazer aos autos novos argumentos. A repetição da alegação de erro no cálculo ilustrativo referente ao mês de janeiro de 2002, constante da Informação Fiscal, não merece ser conhecida, posto ser impertinente aos períodos de apuração controvertidos no presente processo. Por outro lado, o recurso voluntário não contestou expressamente as glosas referidas, motivo pelo qual as mesmas remanescem ilesas. Por fim, quanto ao pedido de realização de diligência, entendo que o mesmo não deve prosperar. A providência não se presta para a produção de provas que toca à parte interessada produzir. Assim, com essas considerações, peço vênia ao nobre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, para dele discordar, votando pelo improvimento do recurso. Sala de sessões, em 25 de abril de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.006139/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
REPETRO. CONCESSÃO E APLICAÇÃO DO REGIME. AUTORIDADE COMPETENTE. INVALIDAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. EXIGÊNCIA TRIBUTOS. DESCABIMENTO.
No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime.
Verificado que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, ainda assim é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados regularmente, por autoridade competente para o mister.
Numero da decisão: 3201-001.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 11/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 REPETRO. CONCESSÃO E APLICAÇÃO DO REGIME. AUTORIDADE COMPETENTE. INVALIDAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. EXIGÊNCIA TRIBUTOS. DESCABIMENTO. No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime. Verificado que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, ainda assim é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados regularmente, por autoridade competente para o mister. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki votaram pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 61 39 /2 01 0- 56 Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 11/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 781 a 788; 789 a 792; 793 a 796; e 797 a 802, por meio dos quais foram formalizadas exigências de crédito tributário em face do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, da Cofinsimportação e da Contribuição para o PISimportação e, ainda, das multas por classificação incorreta de mercadoria e por falta de licença de importação, isto conforme indicado, em síntese, às fls. 783, 784, 786, 791, 795 e 799 dos mencionados autos de infração, cujos valores são: a) imposto de importação no valor de R$ 18.346.443,50, acrescido de juros de mora no valor de R$ 6.615.478,26 e da multa de ofício no valor de R$ 13.759.832,63 (fl.781); b) imposto sobre produtos industrializados, no valor de R$ 12.026.920,20 acrescido de juros de mora no valor de R$ 4.573.363 (fl. 789) e da multa de ofício no valor de R$ 9.020.190,15; c) Cofins – importação no valor de R$ 13.403.279,54, acrescido de juros de mora no valor de R$ 4.833.040,45 e da multa de ofício no valor de R$ 10.052.459,66 (fl. 793); d) PIS – importação no valor de R$ 2.909.922,51, acrescido de juros de mora no valor de R$ 1.049.278,46 e da multa de ofício no valor de R$ 2.182.441,88 (fl. 797); e) multa por classificação incorreta de mercadoria, no valor de R$ 1.774.300,16 (fl. 781) ; e f) multa por falta de licença de importação, no valor de R$ 53.229.005,34 (fl. 781). A completa descrição dos fatos está consubstanciada no Relatório de Fiscalização que se encontra às fls. 850 a 876, o qual traz as razões motivadoras da exigência relativa ao imposto de importação e, por conseqüência, dos demais tributos e multas ao início mencionados. Do Relatório de Fiscalização, trazse, em síntese, o seguinte: Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.957 3 A ação foi empreendida em face de informação dada pela Inspetoria de Macaé, dando conta de que estariam sendo admitidas no chamado regime Repetro, embarcações destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros, as quais não se encontravam amparadas pelo tratamento aduaneiro dispensado pelo Repetro, com a utilização do código NCM 8904.00.00, no qual se enquadram rebocadores, os quais são contemplados pelo tratamento aduaneiro previsto no Repetro (Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001 e a que a revogou, a Instrução Normativa SRF nº 844, de 2008). Em face disso, após pesquisa que indicou possibilidade de erro de classificação fiscal em relação aos bens submetidos a despacho aduaneiro, pela interessada, e admitidos no regime do Repetro, é que a mesma (interessada) acabou sendo selecionada para fins de verificação da classificação fiscal desses bens. Para tanto, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com Intimação para a interessada apresentar documentos e informações, conforme se vê às fls.851 e 852. Após analise dos documentos e informações apresentados, em face da antes referida Intimação, a autuação entendeu necessária a lavratura de um outro Termo de Intimação, por meio do qual a interessada foi intimada a apresentar cópia da documentação técnica dos produtos importados , tais como fichas técnicas, catálogos, manuais, caixas e etc., e a informar o destino dado aos bens, identificando o local onde se encontravam (v. fl. 853). Como consta ao final da fl. 853, a interessada apresentou justificativa pela não apresentação da documentação solicitada na segunda Intimação, tendo nessa oportunidade sido a ela ressaltado a importância da informação sobre a destinação dos bens. Segue a autuação relatando que a partir dos documentos apresentados foram realizadas diversas pesquisas na internet e no site da empresa Brasbuncker (grupo a que pertence a interessada), e extraídas informações dos laudos de vistoria das embarcações, o que resultou nas seguintes constatações: a) no site da Brasbuncker observase que a própria pessoa jurídica classifica as embarcações objeto do presente procedimento: Dundee, Jesse O, Doce River, Fernanda M, Grand River e Guardsman, como PSV e LH – Suplly; (fl. 854); b) na internet, por fotos e características dos barcos, observase , por exemplo, na ficha da embarcação Dundee que o mencionado navio afigurase como PSV – Platform suplly vessel, que poderia ser traduzido como navio para suprimento de plataformas; (fl. 854); c) no site da Brasbuncker é destacada as embarcações de suprimento (PSV) e manuseio de espias (LH), das embarcações rebocadoras e de manuseio de âncoras, como pode ser atestado pela impressão de tela de fls..., ressaltando, outrossim, a alta potência das embarcações AHTS (provavelmente para a função Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 rebocadora) e a grande capacidade das embarcações PSV, certamente para transporte de carga; (fl. 854); e d) é possível extrair dos laudos de vistoria das embarcações, documentos de fls....., as características do bem, como por exemplo, dimensão do convés de carga, capacidade para cargas líquidas, acomodações para passageiros (não tripulantes), etc. Da simples observação das referidas características concluise que as embarcações em tela destinamse ao transporte de mercadorias, em compartimentos próprios, e de pessoas para as plataformas de petróleo; (fls. 854 e 855); Em acréscimo ao acima relatado, afirma a autuação que não é diferente a conclusão que se chega ao analisar os dados da frota da interessada, na internet, documento de fls......, quando se encontra destacada a capacidade de carga de cada embarcação e a área do seu convés, restando evidente a função principal das embarcações objeto da fiscalização em questão, ou seja: o transporte de mercadorias. Ainda, buscando sustentar suas conclusões, a autuação traz a definição dos modelos de embarcações PSV, LH e AHST, extraída do site da Organização Nacional das Industrias de Petróleo – Onip, documentos de fls...., sendo: a) PSV (Platform Suplly Vessel): nova geração de navios de suprimento, com maior capacidade de carga, maior potência de motor e velocidade para enfrentar maiores distâncias, dotadas de sistemas de posicionamento dinâmico e impulsionadores laterais (thrusters) que ampliam sua capacidade de manobra. Potência a partir de 3.000 HP, capacidade de carga a partir de 2.000 TPB (fl. 855); b) LH (Line Handlers): navio especializado no manuseio de espias, usado nas operações de transporte ou ancoragem das plataformas, transportando os cabos entre a plataforma e o rebocador ou até a bóia para conexão com cabos da âncora . Embarcações de 1.200 a 1.500 HP e 500 TPB (fls. 855 e 856); e c) AHTS (Anchor Handling Tug Suplly): navio rebocador de apoio e manuseio de âncoras. Embarcação destinada à operação de reboque e manuseio de âncoras através de guincho especial instalado em seu convés e capacidade de manobra bastante desenvolvida, bem como um alto valor de força de tração estática (fl. 856). Com base nessas definições a autuação faz concluir que as embarcações do tipo PSV e LH são concebidas para o transporte de carga, não se destinando ao reboque de outras embarcações ou peças. Em continuidade, a autuação passa a tratar cada uma das embarcações no sentido de fazer ver que as mesmas não se tratam de rebocadores, conforme se vê às fls. 856 a 859, cuja síntese, abaixo encontrase: a) as embarcações Red Fox e Fernanda M, por exemplo, o documento da Capitania dos Portos de fls...., ratifica que o modelo/tipo das referidas embarcações é o Suplly; Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.958 5 b) a embarcação Dundee, o Certificado de Autorização de Afretamento, evidencia como sendo a mesma do tipo PSV; e c) as embarcações Grand River, Jesse O, Doce River e Guardsman (Mar Limpo I), segundo documento da Capitania dos Portos de fls...., são classificadas como do tipo Apoio Marítimo. d) as embarcações Guardsman (Mar Limpo I), Dundee, Red Fox, Jesse O, Fernanda M e Grand River, têm como função principal as das embarcações PSV e LH, como faz ver os respectivos Laudos de Vistoria, documentos de fls... apresentados pela interessada; e) as embarcações Dundee e Guardsman (Mar Limpo I), e as Red Fox, Jesse O, Doce River, Fernanda M e Grand River, tomandose o Certificado de Seguro apresentado pela interessada, documentos de fls..., confirmase que as mesmas são do tipo PSV e LH, respectivamente; f) no site da Antaq, na internet, documentos de fls. , afirma a autuação que pode constatar, de forma peremptória, que as embarcações objeto da ação fiscal de fato não são rebocadores, porquanto na lista registrada na referida Agência a interessada apresenta como rebocadores apenas as embarcações Aquidaba, Funchal, Perseverante e SM Novo Rio, aparecendo as embarcações objeto de investigação como supridoras de plataformas marítimas (Suplly), manuseio de espias e outras embarcações; e g) as constatações feitas com base nos laudos, fotografias, e informações de outros órgãos, sobre a concepção das embarcações do tipo PSV (transportes de mercadorias e passageiros para as plataformas de petróleo), pode ser ratificada em pesquisa a vários sites da internet, dentre os quais: Macaé Offshore, Shipspotting, Onip, etc – documentos de fls...... Ressalvando que a realização de verificação física das embarcações afigurarseia desnecessária, em face dos laudos apresentados, e porque atrapalharia sobremaneira as operações das embarcações, porquanto demandaria os seus deslocamentos para os portos de apoio, a autuação entende definitivamente caracterizada a significativa diferença entre embarcações rebocadoras e embarcações supridoras, e mais, fica sepultada qualquer dúvida que ainda poderia remanescer sobre a função para a qual são concebidas as embarcações do tipo PSV e LH, que é o transporte de suprimentos em compartimento próprio para as plataformas de petróleo. Com referência as embarcações Nobleman, Norseman, Atrek e Roamn (Ocean Viking), que são do tipo AHTS, entende a autuação que apesar de terem a função de reboque e manuseio de âncoras, elas também exercem a função de transporte de suprimentos para as plataformas, pois possuem compartimentos próprios para o transporte de cargas para suprimento das plataformas, área para carga no convés, equipamento de carga, Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 bem como acomodações para transporte de passageiros, inclusive com capacidade superior ao número de tripulantes, como se observa dos Laudos de Vistoria apresentados pela interessada, documentos de fls.... Em relação às embarcações Statesman, Bajo Nuevo e Anchorman, não foram apresentados Laudos Técnicos, tendo a interessada informado que referidas embarcações não mais se encontravam no País, tendo a documentação sido apresentada quando do despacho aduaneiro para admissão no regime do Repetro. Pesquisando, na internet, documento de fls..., a autuação informa ter observado que essas embarcações possuem compartimento de carga e acomodações para passageiros. Ainda, o Passe de Embarcação nº 042/07, referente a embarcação Anchorman, especifica que a mesma possui carga de lastro e, a embarcação Statesman, conforme documento de fls..., da Capitania dos Portos, é do tipo Suplly. Por fim, em relação a embarcação Roman (Ocean Viking) observou a autuação no Laudo de Vistoria, documento de fls..., a informação de que se trata de embarcação de suprimento de óleo diesel, água potável, água industrial, lama líquida e salmoura em tanques estruturais e suprimento de cimento em granéis, possuindo ainda tanques para recolhimento de óleo derramado. Possui ainda área no convés com capacidade de carga de 767 toneladas e uma embarcação de combate a incêndio em plataformas. O Relatório de Fiscalização segue trazendo os fundamentos da ação fiscal (fls. 859 a 866), para então tratar do lançamento (fls. 866 a 875), passando a discriminar cada um dos tributos e multas exigidos, em relação às embarcações que foram submetidas e admitidas no regime de admissão temporária com aplicação do tratamento aduaneiro e do benefício fiscal do Repetro, com utilização incorreta de classificação fiscal. Para tanto, efetua a vinculação das embarcações, num total de quatorze, com as correspondentes declarações de importação, num total de vinte e três, que foram base para os respectivos despachos aduaneiros, o que se mostra no quadro abaixo: Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.959 7 Por concluir que a interessada utilizou indevidamente o regime Repetro, em razão de a correta classificação fiscal das embarcações: Guardsman; Statesman; Red Fox; Doce River; Jesse O; Grand River; Fernanda M; Dundee; Nobleman; Anchorman; Norseman; e Roman (Ocean Viking), cujo total é de doze embarcações, submetidas a despacho aduaneiro com base nas declarações de importação nºs 05/07935831; 05/8165436; 06/03719494; 06/03720930; 06/03784776; 06/04421820; 06/07805433; 06/11624480; 06/15691670; 07/03114012; 07/07746595; 07/07748610; 07/07750800; 07/09315168; e 07/13517527, num total de quinze declarações, não se encontrar, a época dos fatos, contemplada pelo tratamento aduaneiro do Repetro (Anexo único da Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001), exigiu o imposto de importação incidente na importação de mencionadas embarcações e, ainda, o imposto sobre produtos industrializados, a Cofinsimportação e PIS importação. Em razão de a autuação entender que as descrições postas, pela interessada, nas declarações de importação relativas às embarcações constantes de fls..... , não oferecem todos os elementos necessários para a identificação das embarcações e, portanto, não são suficientes para o enquadramento dessas na NCM, exigiu a multa por declaração inexata. Em face do controle administrativo das importações foi exigida a multa por falta de licença de importação, porquanto, a classificação fiscal em que enquadradas as embarcações, com a devida correção, às submetiam a tratamento administrativo, e, portanto, sujeitas a licenciamento de importação. Por último, é exigida a multa por classificação incorreta das embarcações. Incumbe registrar que autuação, embora faça referência a documentos juntados como prova de sustentação das suas acusações, não indicou em nenhuma dessas referência o número da folha dos autos onde se encontravam ditas provas. Em face disso, compulsando os autos, desde a sua primeira folha até a imediatamente anterior àquela de início da impugnação, encontramse documentos que provavelmente correspondem àqueles que a autuação referiuse, conforme a seguir indicados: a) Laudos de Vistoria de Condição e Avaliação das Embarcações (generalidades, casco, máquinas, equipamentos, pessoal e restrição à navegação): Red Fox – TS LCA 248/09 (fls. 258 a 270); Fernanda M – TS LCA 250/09 (fls. 271 a 302); Grand River – TS LCA 251/09 (fls. 303 a 327); Dundee – TS LCA 30/09 (fls. 328 a 363); Dundee – TS LCA 025/07 (fls. 364 a 387); Nobleman – TS LCA 014/07 (fls. 388 a 3990); Guardsman – TS 252/09 (fls. 402 a 425); Jesse O TS LCA 242/09 (fls. 426 a 435); Jesse O – TS SM 00301/06 (fls. 436 a 447); Roman – TS LCA 04039 ( fls. 450 a 462); Norseman – TS SM 1101/06 (fls. 463 a 473); Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 b) Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (Expedidos pela Marinha do Brasil): Red Fox (fls. 692 e 693); Fernanda M (fls. 694 e 696); Grand River (fl. 698); Statesman (fl. 699); Jesse O (fls. 700 e 712); Dundee (fls. 702 e 704 a 706); Nobleman (fls. 708 e 709); Norseman (fl. 716); Doce River (fl.719); e c) Documentos das Pesquisas na Internet: Os documentos relativos às pesquisas realizadas na internet, os quais trazem definições sobre os tipos de embarcação PSV, LH, AHTS, manuseio de espias (LH), supridor (supply vessel), reboque e manuseio de âncoras, fls. 720 a 747. Não obstante a autuação não ter feito qualquer referência, de se indicar as folhas nas quais se encontram extratos das declarações de importação que serviram de documento base para o despacho aduaneiro para admissão temporária de duas das embarcações em caso. Nesse sentido, temse, o seguinte: a) embarcação Norseman – DI nº 08/04607740, registrada em 27/03/2008, (fls. 179 a 182), cuja admissão se deu com pagamento proporcional dos tributos (fl. 180), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl. 182) como finalidade da embarcação: apoio, reboque e manuseio de âncoras. À fl. 183 encontrase Pedido de Reexportação para fins de extinção da aplicação do regime. Às fls. 188 a 195, encontramse documentos vinculados ao despacho de reexportação e respectivo desembaraço para fins da saída da embarcação do País; b) embarcação Norseman – DI nº 06/11624480, registrada em 27/09/2006, (fls. 196 a 198), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl. 197), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.198) como finalidade da embarcação apoio, reboque e manuseio de âncoras; c) embarcação Doce River – DI nº 07/07746595, registrada em 14/06/2007, (fls. 226 a 228), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl.227), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.228) como sendo rebocador para operar em mar aberto em apoio as plataformas e campos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; d) embarcação Doce River – DI nº 06/03720930, registrada em 31/03/2006, (fls. 229 a 232), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl. 229), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.232) como sendo rebocador para operar em mar aberto em apoio as plataformas e campos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; Cientificada das exigências que lhe são impostas, a interessada apresenta a impugnação de fls. 881 a 940, acostando os documentos de fls. 1.024 a 1.804 (vol VI a X), trazendo alegações e argumentações, conforme síntese a seguir: Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.960 9 De início a interessada reclama de equívoco na quantidade das embarcações autuadas, haja vista que se trata de 12 e não de 15 embarcações, como considerado pela autuação. Afirma que existem 15 declarações de importações tratando do despacho de 12 embarcações, e que isso se deu em razão da celebração de novos contratos com a Petrobrás que acabou por exigir o registro de outras três declarações de importação, uma para cada uma das embarcações Doce River, Red Fox e Jesse O. Com isso, cada uma dessas embarcações ficou com duas declarações de importação de admissão no regime do Repetro. O procedimento fiscal, calçado na alegação de que as embarcações em caso não são rebocadores, mas sim transportadoras de mercadorias e passageiros, promoveu verdadeira nacionalização (sic) de embarcações pertencentes a pessoas estrangeiras, exigindo a carga integral dos tributos como se despachadas para consumo fossem. Defende a interessada que esse procedimento realizou verdadeiro cancelamento de benefícios do Repetro regularmente concedidos, sem respeitar o procedimento previsto na Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001, e sem constituir um único elemento de prova que pudesse autorizar a reclassificação fiscal ou afastar a regularidade dos procedimentos de importação das embarcações. Por essas razões, o auto de infração é absolutamente nulo. Alega que a autuação quer fazer crer que a interessada submeteuse a procedimentos simples para fins do desembaraço das embarcações, com a omissão de informações sobre as mesmas com vistas a obter o tratamento do Repetro, quando para obter o regime do Repetro ela se submeteu a longo, complexo e rigoroso processo junto às autoridades aduaneiras e marítimas. Por sua vez, a autuação, para verificar a real natureza das embarcações defende que isso só foi possível por meio de investigação que compreendeu, exclusivamente, pesquisas realizadas em sites da internet sobre as características das embarcações PSV, LH e AHTS, e a análise de laudos de vistoria das embarcações, entregues pela própria interessada quando dos respectivos despachos aduaneiros para fins da admissão temporária das embarcações. A autuação não buscou a realização de vistoria física das embarcações nem as submeteu a uma nova avaliação por peritos navais, para com isso amparar suas conclusões, e assim desconsiderar todos os procedimentos realizados para a admissão das embarcações no regime aduaneiro especial de admissão temporária com o benefício do Repetro. Isso se constata por palavras da própria autuação, quando afirma: “Após as constatações realizadas, cabendo destacar que a realização de verificação física das embarcações afigurarseia desnecessária, em face dos laudos apresentados, e atrapalharia sobremaneira as operações da fiscalizada, porquanto Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 10 demandaria deslocamento dos bens aos portos de apoio” (fl. 858). Descreve a interessada, com significativo detalhe, os procedimentos adotados para sua habilitação ao Repetro, para então submeter a despacho referidas embarcações pleiteando às suas admissões no regime aduaneiro de admissão temporária com o benefício do Repetro, de forma a demonstrar que o procedimento fiscal em questão jamais poderia ter descaracterizado a concessão do regime, como pretendido pela autuação ( v. fls. 885 a 888). Não se despreza a internet como fonte de pesquisa. No entanto, no caso presente, onde para a concessão do regime do Repetro, houve a submissão das embarcações a todos os procedimentos requeridos pela fiscalização aduaneira com a formalização dos competentes despachos aduaneiros cuja correspondente declaração (documento base do despacho) foi aceita em todos os seu termos com o consequente desembaraço aduaneiro das embarcações apresentadas com aplicação do Repetro, dita pesquisa na internet não serve de prova para afastar a concessão e a aplicação do regime nos termos em que efetuadas e, assim, não tem força para sustentar a acusação em apreço. Os laudos de vistoria também não constituem elemento de prova para a tese do auto de infração, haja vista que esses laudos são os mesmos apresentados pela interessada à fiscalização aduaneira quando do despacho aduaneiro para admissão das embarcações no regime de admissão temporária, os quais, após analisados, possibilitaram a concessão do regime com o benefício do Repetro. De se concluir, pois, que por absoluta falta de elementos de prova capazes de autorizar a reclassificação pretendida pela autuação, bem como para afastar a regularidade dos procedimentos para utilização do regime de admissão temporária com o benefício do Repetro, o auto de infração é nulo. De outra banda, o auto de infração é de ser declarado nulo em face do vício de procedimento, haja vista a inobservância do procedimento previsto na legislação que disciplina as exigências de natureza fiscal/aduaneira no âmbito do Repetro. Com efeito, o procedimento para admissão de bens com o benefício do Repetro é bastante rigoroso e é antecedido de habilitação do interessado junto à Superintendência Regional da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, esta revogada pela Instrução Normativa SRF nº 844, de 2008, que passou a disciplinar referido regime. Essa habilitação, no entanto, pode ser suspensa ou cancelada nos casos previstos na Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, cuja apuração dos fatos motivadores deve se fazer mediante processo administrativo próprio (IN SRF nº 04/2001, art. 34, § 1º), cuja formalização se fará por Ato Declaratório Executivo de Superintendente Regional da Receita Federal, e não por meio de auto de infração. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.961 11 Defende a interessada que se o auto de infração não for declarado nulo pelos motivos acima falados, falta de provas e vício de procedimento, deverá ser julgado improcedente, haja vista ser incontroverso o seu direito ao benefício do Repetro. Alega a interessada que a autuação desenvolve teoria para sustentar que as embarcações em caso são embarcações destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros classificadas no código da NCM 8901.90 – outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de passageiros e mercadorias. Para tanto, a autuação faz, inicialmente, uma distinção entre as embarcações das categorias PSV, LH e AHTS, para com isso afirmar que as duas primeiras são destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros e a terceira aos serviços de reboque e manuseio de âncoras, porém a função principal não é a de reboque. Em decorrência, a autuação, entende que as embarcações Guardsman, Doce River, Red Fox, Jesse O, Grand River, Fernanda M e Dundee, são PSV e LH e, portanto, são destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros, o que ficou evidenciado pelos laudos técnicos das embarcações quando ressaltam a dimensão do convés de carga, capacidade para cargas líquidas, acomodações para passageiros, etc. Alega, também, a autuação, que as embarcações Nobleman, Anchorman, Statesman, Norseman e Roman, mesmo sendo do tipo AHTS, exercem a função de transporte de suprimentos para as plataformas, como pode ser observado pelos laudos de vistoria entregues pela interessada. Dessa forma, a autuação conclui que todas as 12 embarcações são destinadas ao transporte de cargas e passageiros com classificação na NCM 8901.90 e, por essa razão, não são contempladas pelo Repetro, sendo, em consequência, devidos todos os tributos que ficaram suspenso pela aplicação do regime. No entanto, essa conclusão é equivocada, pois as embarcações não são destinadas ao transporte de cargas e passageiros, mas destinadas a serviços de apoio marítimo às plataformas de exploração de petróleo e gás natural e, assim, beneficiadas pelo Repetro, independentemente da discussão se as referidas embarcações são rebocadores ou não. Aliás, a autuação em momento algum afirma que as embarcações não se destinam aos serviços de apoio marítimo, utilizando a alegação de erro de classificação fiscal para excluí las do Repetro. Todos os laudos técnicos das referidas embarcações, afirma a interessada, são uníssonos no sentido de que as embarcações são destinadas à realização de serviços de apoio marítimo em mar aberto, serviços esses que podem compreender: o reboque de embarcações, o reboque e manuseio de âncoras, o manuseio de Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 12 espias, o combate a incêndio, o recolhimento de óleo derramado, o suprimento de óleo e água, dentre outros. A destinação dessas embarcações, prestação de serviços de apoio marítimo, é decorrente dos contratos celebrados entre a interessada e empresas exploradoras de petróleo, nos quais, encontrase muito claro que as embarcações são afretadas com a finalidade da prestação dos serviços antes referido. Dita destinação encontrase, ainda, evidenciada nas autorizações concedidas pela Marinha. Com referência as embarcações do tipo AHTS (Nobleman, Anchorman, Statesman, Norseman e Roman), a própria autuação reconhece que as mesmas “apresentam a função de rebocar e manusear âncoras”, no entanto, busca descaracterizar essas embarcações como rebocadores, sob alegação de possuírem compartimentos próprios para o transporte de suprimentos e acomodações para o transporte de passageiros. Essa pretensão não é de prosperar, pois essas embarcações não foram concebidas para o transporte de passageiros ou carga, mas sim para o reboque e o manuseio de âncoras. Os laudos de vistoria, apresentados nos respectivos despachos de admissão dessas embarcações no regime, são muito claros nesse sentido. Às fls. 897 e 898 encontrase indicada a conclusão de cada um dos mencionados laudos. No que respeita às embarcações do tipo LH (Doce River, Red Fox, Jesse O, Grand River e Fernanda M, afirma a autuação que a função para a qual são elas concebidas é o transporte de cargas e passageiros. Essa conclusão é incompreensível, uma vez que a própria autuação reconhece, a partir das suas diversas pesquisas na internet, que referidas embarcações consistem em “navio especializado no manuseio de espias, usados nas operações de transporte ou ancoragem das plataformas, transportando os cabos entre a plataforma e o rebocador ou até a bóia para conexão com cabos de âncoras”. Os laudos de vistoria, apresentados nos respectivos despachos de admissão dessas embarcações no regime, são muito claros em afirmar que as mesmas não se destinam ao transporte de passageiro. Às fls. 899 e 900 encontrase indicada a conclusão de cada um dos mencionados laudos. Os termos em que celebrados os contratos com a Petrobrás para o afretamento dessas embarcações deixa inequívoca a destinação dos mesmos, ou seja, realização de serviços de reboque e manuseio de espias. No que respeita às embarcações do tipo PSV (Dundee e Guardsman), alega, também, a autuação que as mesmas se destinam precipuamente à realização do transporte de cargas e passageiros. No entanto, como consta dos laudos técnicos das referidas embarcações e dos Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira, essas embarcações são destinadas a realizar diversos tipos de serviços de apoio marítimo às plataformas de exploração de petróleo, incluindo o serviço de reboque, de coleta de óleo derramado no mar, bem como de suprimento de óleo e água. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.962 13 Com referência as exigências dos tributos, defende a interessada não serem cabíveis, em razão de o procedimento adotado haver realizado verdadeira nacionalização das 12 embarcações, de propriedade de empresas estrangeiras, com a carga integral do II, do IPI, da Cofinsimportação e PISimportação, sendo que, no caso, o regime aduaneiro a ser aplicado às mesmas será sempre o de admissão temporária, seja com suspensão total do pagamento dos tributos, no caso do Repetro, seja com o pagamento proporcional dos tributos, no caso da admissão temporária para utilização econômica, isto em observância ao disposto no art. 79 da Lei nº 9.430, de 1996 e nos arts. 324 e seguintes do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002). Contesta a exigência de multa por erro de classificação, por falta de licença de importação e da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, isso como se vê nos argumentos que se encontram às fls. 905 a 910. Para fazer prova de suas alegações, a interessada acosta à impugnação: os Requerimentos de Concessão do Regime de Admissão Temporária –Repetro; as Propostas de Concessão do Regime; a Concessão do Regime, Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira; os Atos Declaratórios Executivo de habilitação para uso do Regime Repetro; Despachos de Concessão do Regime; Relatórios de Inspeção das Embarcações; Requerimentos para reexportação das embarcações admitidas no regime, para fins de extinção da aplicação do mesmo; Proposta de Autorização para a Reexportação das Embarcações; Declaração de Extinção da Aplicação do Regime; Laudos de Vistoria de Condição e Avaliação; e Contrato de Afretamento, conforme indicado a seguir, por embarcação: a) Anchorman (fls. 1.024 a 1.086 – vol.VI); b) Norseman (fls. 1.087 a 1.128 – vol. VI); c) Statesman (fls. 1.129 a 1.179 – vol. VI); d) Nobleman (fls. 1.180 a 1.228 – vol. VI e VII); e) Roman 1 (fls. 1.229 a 1.268 – vol VII); f) Doce River (fls. 1.269 a 1.362 – vol. VII); g) RedFox (fls. 1.363 a 1.449 – vol VII e VIII); h) Jesse O (fls. 1.450 a 1.531 – vol. VIII); i) GrandRiver (1.532 a 1.604 – vol. VIII e IX); j) Fernanda M (fls. 1.605 a 1.654 – vol. IX); k) Dundee (fls. 1.655 a 1.727 – vol. IX); e l) Guardsman (fls. 1.728 a 1.766 – vol. IX). Às fls. 1.767 a 1.804 vol. IX e X) encontramse, por cópia, telas do Siscomex sobre o licenciamento das embarcações seguintes: Guardsman, Grand River, Jesse O, Red Fox, Doce River, Roman, Statesman e Norseman. Com essas alegações, argumentos e provas, a interessada propugna à exoneração total do crédito tributário dela exigido, por meio dos autos de infração objetos do presente processo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 0723.604, de 25/03/2011, assim ementado: Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 14 ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Admissão Temporária. Tratamento Aduaneiro e Benefício Fiscal do Repetro. Concessão e Aplicação do Regime. Autoridade Competente. Invalidação. Procedimento Próprio. Exigência Tributos. Incabível No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime, ainda que, com o tratamento aduaneiro e benefício fiscal do Repetro. Assim, na hipótese de entendimento de que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados, regularmente, por autoridade competente para o mister. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº 3, de 2008, o presidente da turma julgadora interpôs o recurso de ofício. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidades previstos na legislação pertinente, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme já relatado, embora a autuação tenha como pano de fundo o regime aduaneiro especial do Repetro, o cerne da divergência ora analisada NÃO é o adimplemento, por parte da Navegação São Miguel Ltda., das condições legais para a sua fruição. Tratase, sim, da validade do auto de infração face à ausência de conjunto probatório robusto para demonstrar que as mercadorias beneficiadas eram embarcações para transportar passageiros e mercadorias (código NCM 8901.90.00), e não rebocadores (código NCM 8904.00.00). Para a instância a quo, ao acusar que as embarcações submetidas a despacho aduaneiro com a finalidade de seus desembaraços com à aplicação do tratamento aduaneiro e fiscal do Repetro não se encontravam contempladas por referido tratamento, o que efetivamente incumbiria à fiscalização era a coleta de provas no sentido de sustentar, de forma Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.963 15 inequívoca, que ditas embarcações eram destinadas ao transporte de cargas e passageiros, ou de que não tinham a função de rebocadores ou esta função não seria a principal. Não foi o que ocorreu. E ainda que isso fosse possível no caso presente, o meio adequado para anular o ato concessório jamais seria o auto de infração, sendo exigível, para tanto, uma representação às autoridades competentes, relatando o vício que se vislumbrou. Com efeito, na visão da instância a quo, o auto de infração, nos termos em que foi lavrado, equivale à invalidação, por via oblíqua, das concessões e aplicações do regime do Repetro, devidamente deferidas por autoridades competentes, às embarcações em questão. Por oportuno, convém transcrever, a seguir, trechos subseqüentes do voto relatorial: O auto de infração tem a finalidade de, diante da verificação de ilícito tributário ou aduaneiro, formalizar a correspondente exigência, conforme se percebe do prescrito no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, não há cometimento de ato ilícito por parte da interessada, que procedeu em observância às normas que tratam a matéria, e assim obteve a concessão postulada nos termos em que pleiteado. [...] Aqui, não se trata também de revisão aduaneira, pois, como disposto no art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, a revisão aduaneira: “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. Aqui, como visto, tratase de questionamento da concessão de regime aduaneiro especial, no caso, com a utilização do benefício do Repetro e, não de descumprimento das condições em que ocorreu a concessão e a aplicação do regime nos casos apontados. [...] O procedimento adotado pela autuação acabou por exigir tributos e multas que têm lugar no âmbito do despacho para consumo e, para além disso, com absoluta impropriedade, desconsiderou e tornou sem efeito as concessões e aplicações do regime de admissão temporária, no caso, com o benefício do Repetro, deferidas de forma regular e em observância às normas que regem a matéria, por autoridade competente para o mister. O voto do relator da decisão recorrida – e presidente do colegiado a quo – foi exaustivamente fundamentado, razão pela qual, fazendo uso da prerrogativa do julgador quanto ao seu livre convencimento, nada mais há a lhe acrescentar. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 16 À vista do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida in totum. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720092/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
Ementa:
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL.
Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96.
Numero da decisão: 2102-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OAB-RJ 173.010.
Assinado Digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OABRJ 173.010. Assinado Digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 92 /2 00 7- 31 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2004, relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA MACAE DE CIMA”, localizado no Município de Nova Friburgo RJ. De acordo com os esclarecimentos constantes da Notificação, o lançamento decorreu da glosa da área declarada como sendo de preservação permanente, bem como da alteração do VTN declarado. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pelo contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 05): 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 771,4 0,0 VTN 33.924,00 2.972.682,47 Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a Impugnação de fls. 38/51, por meio da qual apresentou os argumentos assim sintetizados pela decisão recorrida: I a Notificação não consegue explicar com clareza, em face dos documentos anteriormente apresentados, os motivos que levaram ei autuação do Impugnante; tendo em vista não ter a fiscalização analisado a documentação fornecida pelo impugnante por oportunidade do Termo de Intimação Fiscal, requer a anulação da Notificação de Lançamento, por vicio formal; II conforme poderá ser verificado através da Certidão exarada pela prefeitura Municipal de Nova Friburgo, a área objeto da presente autuação está localizada em Area de Preservação Ambiental AIM; Iii a Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima foi criada pelo Decreto n° 156 de 03 de janeiro de 1990; a legislação ambiental restringiu severamente o uso; IV o imóvel também é uma APÁ Estadual encontrandose dentro de Parque Estadual conforme dispões o Decreto Estadual n° 29.213/2001 e o Decreto Estadual n°31.343/2002, gozando de proteção integral; V alega está incluída no art. 10, inciso V do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002; VI caso a documentação ora juntada não seja suficiente para elidir a cobrança ora realizada, requer a suspensão do feito até Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 209 3 o IEF/RJ Instituto Estadual de Florestas responda a solicitação fella para vistoriar o imóvel; V que no Ato Declaratório Ambiental ADA está declarada apenas a área de Preservação Permanente de acordo cam o Laudo Técnico, não fazendo qualquer menção á Area de Interesse Ecológico, como deveria estar previsto; VI na DITR/2005 informa que toda a area do imóvel é de Preservação Permanente quando deveria constar que 570 hectares seriam de Preservação Permanente e que todo o imóvel, em razão do Decreto Municipal 156/1990 e do Decreto Estadual n°29.213/2001 e também do Decreto Estadual n o 31.343/2002, seriam também de Proteção Ambiental/Interesse Ecológico; VI a fiscalização desconsiderou, sem motivo, os valores informados pelo impugnante na DITR/2005 no valor de R$ 33.924,00 e, de maneira voluntariosa, utilizou outro método, mais favorável a Fazenda; VII caso os elementos trazidos aos autos não sejam suficientes para a improcedência da Notificação de Lançamento, requer seja realizada perícia técnica no imóvel tendo determinado o perito e os quesitos. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ em Recife decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovada uma área de preservação permanente de 570,0 hectares, verbis: 33. O Impugnante apresentou o Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolado no lbama em 2000 com 570,0ha de Area de preservação permanente, fl. 23, tendo assim direito a deduzir esta Area da Area tributável. Inconformado com a manutenção da parcela remanescente, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 121/133, por meio do qual requereu: IV— DO PEDIDO: Ante todo o exposto, a ora Recorrente vem, respeitosamente, presença deste E. Conselho, requerer que seja reformada parcialmente a decisão recorrida, para: (I) declarar que a área de 201,4 ha (duzentos e um e quatro décimos de hectares) não é passível de tributação pelo ITR, em razão de se tratar de área imprestável à atividade rural, estar ocupada com benfeitorias e estradas, além de localizarse dentro da APA Municipal e Estadual; e (II) caso assim não entenda, o que se admite por amor ao debate, acolher o pedido de posterior juntada dos documentos que comprovam as alegações do ora Recorrente, os quais ainda não foram Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 fornecidos pelo IEF/RJ e o INEA/RJ, além de acolher o pedido de produção de prova pericial, a qual demonstrará que o VTN utilizado para fins do cálculo do ITR não guarda nenhuma relação com o valor de mercado da terra praticado na localidade. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29.06.2010, como atesta o AR de fls. 120. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento de ITR relativo ao Exercício 2004. O lançamento originalmente contemplava a glosa de área de preservação permanente de 771,4 hectares, assim como o arbitramento do VTN. A decisão recorrida, porém, acolhendo ADA apresentado tempestivamente pelo contribuinte, alterou a glosa da área de preservação permanente, reduzindo tal glosa para 201,4 hectares (771,4 – 570,0). O Recorrente não se conformou com a manutenção parcial do lançamento, e pugna pela exclusão total da área da tributação. Passase então a analisar suas alegações de mérito. Da alegação de que a propriedade está inserida em APA e em Parque Estadual O Recorrente afirma que sua propriedade está integralmente inserida em uma Área de Preservação Ambiental (APA) e também está inserida dentro de um parque estadual. Até a interposição do Recurso Voluntário, porém, não trouxera qualquer prova de suas alegações, limitandose a afirmar que requerera ao IEF e ao INEA que realizassem perícias no local a fim de atestar estes fatos. Requereu então que: Assim, requer, igualmente, seja permitida a posterior juntada da referida declaração para que reste finalmente demonstrada que toda a área da "FAZENDA MACAE DE CIMA”" está inserida na APA Estadual de Macaé de Cima e no Parque Estadual dos Três Picos. Após a distribuição do recurso, e anteriormente à inclusão do mesmo em pauta para julgamento, o Recorrente fez juntar aos autos do processo nº 10730.720097/200764 – no qual se discute matéria idêntica àquela aqui discutida – documento emitido pelo INEA/RJ do qual consta que: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 210 5 Em atenção ao requerimento de V.Sa., serve o presente para informar que os imóveis denominados Fazenda macaé de Cima e Fazenda Taquaraoca e Verdum encontramse inseridos nos limites do Parque Estadual dos Três Picos e na área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, conforme mapa anexo. Tal documento foi assinado pela Diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente – INEA e, de fato, comprova a alegação de que sua propriedade está integralmente inserida no referido parque estadual, assim como na APA denominada Macaé de Cima. De fato, se a totalidade da referida área está inserida em área de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, ela não poderá estar sujeita ao ITR, pois tais áreas devem ser excluídas da tributação pelo imposto, nos exatos termos do que determina a Lei nº 9.393/96, em seu art. 10, § 1º, II, b, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) a) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...). Como se viu, os documentos trazidos pelo Recorrente demonstram que a FAZENDA TAQUARAOCA E VERDUM estaria realmente inserida no Parque Estadual dos Três Picos. Este parque, por seu turno, foi criado em 05.06.2002, por meio do Decreto Estadual nº n° 31.343, e tinha, entre outros, o objetivo de proteger os ecossistemas da região. Releva nota ainda que o mencionado parque estadual foi criado nos termos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que assim dispõe: Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 6 Art. 7o As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; (...) Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I Estação Ecológica; II Reserva Biológica; III Parque Nacional; IV Monumento Natural; V Refúgio de Vida Silvestre. (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2o A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. § 3o A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. § 4o As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (sem destaques no original) Com base na legislação acima transcrita, a outra conclusão não se pode chegar senão a de que a área em que está situada a propriedade do Recorrente é de posse e domínio públicos, por se tratar de parque estadual – que tem, nos termos da referida lei – os mesmos efeitos de um parque nacional, tratandose de unidade de proteção integral, nos termos das normas acima transcritas. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 211 7 Sendo assim, é lícito concluir que: i) a propriedade do Recorrente está situada em parque estadual, criado em 2002; e ii) quando da criação do parque, nos termos da Lei nº 9.985/00, passou a ser área de posse e domínio público. Por isso, é de reconhecer que, de fato, a propriedade da Recorrente encontra se integralmente em área de uso limitado, razão pela qual tem ele direito à exclusão da mesma da tributação pelo ITR, nos termos do que determina o art. 10 da Lei nº 9.393/96, já transcrita anteriormente. Neste sentido: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXIGÊNCIA. Não há obrigação de prévia apresentação protocolo do pedido de expedição do Ato Declaratório Ambiental para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR1999. A obrigação de comprovação da área declarada em DITR por meio do ADA, foi facultada pela Lei nº. 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei nº 6.938/1981. É apropriada a comprovação das áreas de utilização limitada e de preservação permanente por meio de laudo técnico, subsidiado de elementos que demonstrem sua existência, ainda mais quando instrui pedido de autorização junto ao IBAMA. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. A criação de Parque Estadual por meio de Decreto do Governador do Estado, com o fim de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais, afeta a área da propriedade atingida para efeitos de sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30134410, Processo 10820002278200372, julgado em 25.04.2008) Outrossim, é importante destacar que a propriedade do Recorrente também está inserida – conforme atestado pela certidão anteriormente referida na Área de Proteção Ambiental (APA) denominada Reserva Eco1ógica de Macaé de Cima, conforme Decreto nº 156, de 03 de Janeiro do 1990. Tal decreto estabeleceu que: Art. 3º Ressalvadas as atividades cientificas que deverão ter tratamento especifico, através das autoridades competentes a nível federal e municipal, são proibidas, dentro do perímetro que compõe a Reserva Ecológica de Macaé de Cima, quaisquer atividades de utilização, perseguição, caça, apreensão ou introdução de espécies da flora e da fauna silvestres, bem como aquelas que, a qualquer titulo pretendido, implicarem em modificações do ambiente. Assim é que também por este motivo, a propriedade do Recorrente não poderia estar sujeita ao pagamento do ITR, conforme jurisprudência deste Conselho: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 8 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Imóvel cravado em área de Proteção Ambiental de Interesse Ecológico. Decreto juntado aos autos. Exclusão da obrigação tributária. Comprovado, inclusive por informação do IBAMA, que o imóvel está encravado em área de proteção ambiental, não há incidência do ITR, visto que é hipótese legal de exclusão da obrigação tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30133992, Processo 13362000802200222, julgado em 04.07.2007) Diante de todo o exposto, deve ser reconhecida a isenção do ITR sobre a totalidade da propriedade da Recorrente, nos termos do art. 10, § 1º, II, b, da Lei nº 9.393/96. Por este mesmo motivo, deixo de analisar o pedido do Recorrente no que diz respeito às demais razões de mérito. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.905296/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3302-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 09/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 52 96 /2 00 6- 32 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SIGLA SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA (fl. 11) ao despacho decisório proferido pelo titular da unidade competente do sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.09). O PERDCOMP n° 419152368305040717049886 foi criado em 0504 2007 com caráter retificador, para substituir o PERDCOMP n° 192509711614100313048995 (fl. 02). Com o PERDCOMP retificador, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em função de pagamento a maior, correspondente a R$ 7.451,53 de crédito (fls. 0203). A decisão de não homologar o PERDCOMP n° 419152368305040717049886 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP" (fl.09). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fl. 10): O PERDCOMP em questão é resultante do recolhimento a maior da Cofins no período de apuração de julho de 2003. O pagamento se deu sobre uma base provisória, visto que na data de pagamento da contribuição não havia sido concluído o fechamento contábil do mês. Após o fechamento, foi constatado que não foram considerados todos os crédito da não cumulatividade, que reduziria o pagamento da contribuição. Ou seja, o erro decorreu de um processo de estimativa. Naquela ocasião deveria ter sido feita a retificação da DCTF do 3º trimestre de 2003, regularizando a informação dada e liberando parte do DARF pago a maior. Foi providenciada a DCTF retificadora. O contribuinte se coloca à disposição de esclarecimentos complementares. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.905296/200632 Acórdão n.º 3302002.580 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 28.09.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 25.10.2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A recorrente alega que, equivocadamente recolheu no período de 07/2003, COFINS a maior. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que a Recorrente não havia trazido aos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação de seu crédito, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Todavia, não há que se prevalecer esse entendimento. Vejamos. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos. Isto devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. No princípio da verdade material é que, diante da existência de fatos imponíveis não declarados voluntariamente pelo contribuinte, cabe à Fazenda Pública diligenciar para descobrilos e provar a sua existência real. O princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente, pelo julgador. Importa saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Veja que, direito creditório não pode ser vinculado a requisitos meramente formais. Ainda que a Recorrente tenha se equivocado ao preencher alguns de seus documentos fiscais, em face do recolhimento indevido, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem o erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta sua declaração de compensação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 A declaração de compensação em face de um recolhimento indevido deve ser validada quanto à sua disponibilidade nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional, que não condiciona o direito à compensação/restituição, a requisitos meramente formais: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” Neste sentido, o que interessa é verificar se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Constato que, o pagamento indevido, neste caso, está comprovado através de toda documentação acostada aos autos, DCTF´s e DARF´s de recolhimentos, sendo perfeitamente possível constatar que o montante recolhido pela Recorrente, referente ao mês de julho/2003 não é devido à União Federal, razão pela qual sua PER/DCOMP deve ser homologada. Neste sentido, segue o acórdão proferido por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, onde restou decidido que comprovado o direito creditório, deve ser superado um erro formal cometido, a fim de reconhecer o direito ao crédito, pago indevidamente, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2002 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta uma declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.1 Grifos nossos” 1 Acórdão nº 1802001.958. Sessão de 04.12.2013 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.905296/200632 Acórdão n.º 3302002.580 S3C3T2 Fl. 4 5 Dessa forma, existindo nos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação do direito pleiteado, há de ser homologada a compensação do Recorrente. Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe provimento parcial para considerar possível a compensação, no limite do indébito existente que deverá ser apurado pela fiscalização de posse da documentação acostada aos autos. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721435/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o processo de lançamentos fiscais formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativamente ao anocalendário de 2008, em razão da ocorrência omissão de receitas de vendas identificada pelas informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito/débito, conforme descrito no Termo de Verificação FiscalTVF, de fls. 02 a 07. Aos tributos exigidos, foi aplicada multa de ofício, no percentual de 225%, qualificada em razão da ocorrência da hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e agravada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 43 5/ 20 12 -6 1 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.462 2 diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal, além da incidência dos juros de mora, com base na taxa Selic. Regularmente intimada, a interessada deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a contabilização das receitas originadas das vendas com cartões de crédito/débito, o que caracterizaria omissão de receitas apurada de forma direta, nos termos dos dispositivos legais citados no auto de infração, fls. 1233. O contribuinte não provou que as receitas apontadas estavam registradas na contabilidade e compunham o valor de receita apresentada na DIPJ/2009. A empresa autuada apurou o seu lucro, no anocalendário de 2008, com base na sistemática do lucro real, de modo que a fiscalização adotou a mesma sistemática para efetuar os lançamentos fiscais. Em seguida, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a adotar parte do Relatório do Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, assim transcrito: “5. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. 5.1. O contribuinte intimado e reintimado não apresentou os livros e documentos solicitados. Devido a este fato a fiscalização entendeu que ficou caracterizado o embaraço à fiscalização, nos termos do Inciso I, artigo 33, da Lei nº 9.430/96. A fiscalização enviou o devido comunicado à empresa em 12/09/2011, via postal com AR nº RM806166380BR. 5.2. Como não foram apresentados pela empresa os extratos dos cartões de crédito, foram obtidos os dados referentes às vendas com cartões junto às operadoras, mediante a emissão das Solicitações de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF com enquadramento no inciso VII, do art. 3º, do Decreto nº 3.724/2001. 5.3. Após o recebimento dos extratos enviados pelas Instituições Financeiras, o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar, no prazo de vinte dias, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito conforme relação anexa ao Termo de Intimação. A intimação foi feita pessoalmente, em 25/05/2012. 5.4. Transcorrido o prazo para atendimento da intimação, não foi apresentado nenhum documento ou justificativa. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, concedendo um prazo de cinco dias para apresentação dos documentos solicitados. A ciência do contribuinte se deu no dia 18/06/2012, por via postal AR RQ341579401BR. 5.5. Em 21/06/2012 o contribuinte, representado por seu procurador Sr. Antonio Vicente Filho, CPF 531.437.79853, compareceu a Receita Federal e informou que não poderia atender a intimação, pois, os documentos haviam sido extraviados. Informou que os valores das operações com cartões de crédito no anocalendário de 2008 correspondiam a aproximadamente 95% do total das vendas. Tais informações foram prestadas também na forma escrita. Não houve, contudo, manifestação do contribuinte em relação às justificativas, comprovações, contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de venda auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, conforme extratos fornecidos pelas operadoras de cartão de crédito. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.463 3 5.6. Assim, foram efetuados os lançamentos de ofício e constituídos os créditos tributários apurados referentes à omissão de receitas de venda mediante utilização de cartões de crédito/débito para as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou o oferecimento à tributação destes recursos. Os valores mensais obtidos nos extratos fornecidos pelas operadoras dos cartões estão demonstrados no TFV. Abaixo estão demonstrados os valores anuais por operadora dos cartões. {quadro com os valores mensais informados pelas administradoras de cartão] 5.7. O contribuinte apresentou o DACON e a DCTF, para o período de 01 a 12/2008, porém, não comprovou a contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de vendas auferidas mediante a utilização de cartões de crédito/débito. 5.8. Considerando que a receita total de 2008, declarada na DIPJ/2009, no valor de R$ 7.266.141,41, pode ter sido integralmente obtida em cheque ou dinheiro, a receita apurada pela fiscalização correspondente a venda com cartões foi integralmente considerada como omitida para efeito de tributação, sem qualquer abatimento da receita declarada. 5.9. O contribuinte apresentou o Livro Diário com os lançamentos de revenda de mercadorias consolidados mensalmente, sem qualquer segregação das receitas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito. O Livro Razão não foi apresentado, embora o contribuinte tenha sido intimado e reintimado a apresentálo. Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício 5.10. Tendo em vista que a empresa apresentou DIPJ/2009 com valor de faturamento inferior ao verificado nos extratos emitidos pelas operadoras de cartões de crédito/débito, ficou configurada a intenção do contribuinte de omitir declaração sobre rendas para eximirse do pagamento de tributos. Em decorrência disso, ficou configurado o ilícito tipificado no artigo 71 da lei nº 4.502/64 e sujeitandoo à duplicação da multa de lançamento de ofício, conforme previsto no § 1º do artigo 44 da lei nº 9.430/96. 5.11. Diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal para apresentação dos extratos das operações realizadas com cartões de crédito/débito, do livro razão e da comprovação da contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, a multa de lançamento de ofício de 75% foi, ainda, agravada em 50%, por infringência ao artigo 959, incisos I do RIR/99. Desta forma, a multa de lançamento de ofício aplicada foi de 225%. Da Sujeição Passiva Solidária 6. Considerando que o Sr. Raimundo Lima de Carvalho e a Sra. Rosangela Lima Costa eram os sócios administradores da época, entendemos que eles foram os responsáveis pelos atos ilícitos praticados com a finalidade de encobrir fatos geradores de obrigação tributária no ano de 2008. Diante do exposto, lavramos o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária nos termos dos artigos 121, 124 e 135, III, do CTN e do artigo 1016 do Código Civil. 7. Foi, também, formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do processo nº 19515.721479/201291 apensado a este processo. IMPUGNAÇÃO Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.464 4 8. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação, protocolada em 13/08/2012, contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente (não foram apresentadas impugnações para os responsáveis solidários). 8.1. Devido à divergência encontrada a fiscalização desprezou totalmente os valores que foram devidamente declarados pela Impugnante e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.2. Presumiu que todo o montante informado pelas operadoras de cartão não se referiam aos valores já declarados pela Impugnante. Assim, a fiscalização supôs que a integralidade dos valores declarados pelas operadoras seriam decorrentes de omissão de receitas, arbitrando ilegalmente os mesmos como rendimentos tributáveis, sendo que a maior parte destes valores, mais de 90% já haviam sido devidamente declarados e tributados pela Impugnante. 8.3. Está firmada na jurisprudência que o arbitramento do lucro é medida extremada e deve ser utilizada apenas quando fique comprovada a impossibilidade de determinar o imposto pelo lucro real. Logo, tornase imprescindível que se produza prova inequívoca de que o fisco tenha empreendido todos os esforços a fim de fixar a base real do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Houve apenas um lançamento prematuro, despido de legalidade. 8.4. O critério utilizado para arbitrar o lucro deve guardar estrita consonância com a base legal utilizada, sendo materialmente nulo o lançamento efetuado com base em arbitramento do lucro apurado em desacordo com a fundamentação legal. 8.5. Houve uma mera divergência entre os valores declarados na DIPJ e os valores que as operadoras de cartão apresentaram na RECRED (sic), todavia, tal divergência não é motivo para que a fiscalização desconsidere todos os valores declarados e ao invés de realizar a tributação da diferença dos valores declarados. 8.6. Ressaltase que a Impugnante nunca simulou ou fraudou sua contabilidade, sendo que todos os elementos contábeis referentes à presente discussão serão devidamente apresentados em momento oportuno. A fiscalização, até mesmo, desconsiderou os adiantamentos de empréstimos realizados pelas operadoras de cartão para considerar como se todos os valores ali informados fossem decorrentes de vendas de mercadorias. A fiscalização não realizou qualquer esforço na tentativa de identificação os valores já declarados pela Impugnante, muito pelo contrário, optou pelo caminho mais cômodo e ilegal, desconsiderando totalmente estes valores. 8.7 A Impugnante aborda aspectos do: (i) Princípio da Segurança Jurídica; (ii) Princípio da Estrita Tipicidade em Matéria Tributária e (iii) Princípio da Capacidade Contributiva. 8.8. Finalizando, a Impugnante pleiteia, caso seja mantido o lançamento, que seja excluído o ICMS das bases de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS, nos exatos termos do artigo 195 da Constituição Federal, bem como decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Da Impossibilidade de Aplicação de Multa no Percentual de 225% 8.9. A penalidade de 225% é inaplicável ao caso, pois em nenhum momento foi comprovada a tentativa de fraudar ou omitir informações ao fisco, ao contrário, a Impugnante recolheu os tributos regularmente, bem como nunca houve embaraço à fiscalização, até porque nunca houve diligência física no estabelecimento da Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.465 5 Impugnante, apenas correspondências por Correios. Houve atendimento à fiscalização, inclusive com prestação de informações por escrito, conforme reconhecido pela própria fiscalização. 8.10. Resta claro que em hipótese alguma poderia se aplicar tamanha penalidade. Evidente intuito de fraude apenas consubstanciase na clareza e objetividade de se praticar determinado ato, o que foge ao presente, visto que todo o lançamento foi realizado por presunção. Na aplicação da multa qualificada, em hipótese alguma poderia se presumir algo que deveria ser evidente e provado. 8.11. Finalizando, a Impugnante pleiteia pela realização de diligência, bem como protesta pela apresentação de provas complementares por ocasião julgamento, nos termos do artigo 38 da Lei nº 9.784/98. Apresentação de Documentos Complementares 8.12. Em 29/08/2012 a Impugnante apresenta requerimento alegando que, como já informado na impugnação, as vendas com cartões de crédito representam mais de 85% do faturamento e que diante da divergência encontrada a fiscalização simplesmente desprezou totalmente os valores devidamente declarados e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.13. “Tal impropriedade deveria ter sido sanada ainda na fase de verificação fiscal, através de mera diligência no estabelecimento da Requerente de modo a constatar que no mínimo 85% das vendas são realizadas por meio de cartão de crédito, visando a compensar a exação cuja quitação já havia sido efetivada, permanecendo exigíveis apenas os valores remanescentes, caso efetivamente ainda houvesse saldo remanescente”. 8.14. “Ora! Se a fiscalização não foi diligente suficientemente a cumprir tal mister, a ora requerente, conforme exposto e requerido na impugnação, o faz promovendo a juntada das guias de recolhimentos e do relatório de apuração em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao exercício de janeiro a dezembro de 2008”. 8.15. “Tais guias são necessárias para demonstrar que, ao contrário do alegado pela fiscalização, houve sim o recolhimento de todos os tributos inerentes às operações de vendas declaradas pela Impugnante, recolhimentos estes que não foram deduzidos da absurda autuação realizada”. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, mantendo a autuação com o seguinte ementário: OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES REPASSADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO. PROVA DIRETA NÃO APRESENTADA PELA AUTUADA. É procedente o lançamento a título de omissão de receitas, fundado em valores repassados por administradoras de cartão de crédito, eis que constitui prova direta do recebimento de rendimentos, que só poderia ser rejeitada mediante comprovação pela autuada, de que os valores foram registrados na contabilidade e oferecidos à tributação. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.466 6 contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DCTF e na DIPJ, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1432 a 1453, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. A exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins deixou de ser contestada pela defesa em seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Em que pese não ter sido alegado pela defesa, cumpre analisar se caberia o sobrestamento do julgamento do presente recurso, face ao exame, pelo Supremo Tribunal FederalSTF, do RE 591340 no rito da “repercussão geral”. Os extratos da movimentação de cartão de crédito foram obtidos mediante emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do art. 1º, § 1º, inciso VI, c/c art. 5º, § 1º, inciso XIII, da Lei Complementar nº 105, de 2001, que atribuiu às administradoras de cartão de crédito os mesmo efeitos das instituições financeiras para a prestação de informações à autoridade tributária da União. Com efeito, discutese atualmente no STF o Recurso ExtraordinárioRE 591340, que contém matéria referente a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, previsto na mesma Lei Complementar nº 105 de 2001, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento definitivo do mérito. RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.467 7 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 Parte(s) ADV.(A/S) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : UNIÃO ADV.(A/S) : RICARDO LACAZ MARTINS E OUTRO(A/S) RECTE.(S) : MARCIO HOLCMAN EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, o Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.468 8 Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Assim, parece razoável e prudente aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose, assim, que mais adiante, a defesa alegue a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.469 9 § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) A autuada não se manifestou no recurso a respeito da matéria relativa à obtenção dos extratos de movimentação de vendas efetuadas por cartão de crédito/débito. Entretanto, por se tratar de fato que envolve a licitude da obtenção das provas, de índole constitucional (CF, art. 5º, LVI, “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meio ilícito”), pode ser considerada como matéria de ordem pública, porque norteia a correta aplicação das relações processuais entre a administração pública e os seus administrados. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que seja proferida decisão transitada em julgado nos autos do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11065.722656/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA.
O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório.
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.
Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO DA TOMADORA. Nos lançamentos em que o fisco desconsidera os vínculos empregatícios firmados com a empresa prestadora e atribui a relação de emprego diretamente com a tomadora dos serviços, é imprescindível que haja a cabal demonstração de que os trabalhadores atuavam a serviço desta, sendo a contratada mera empresa interposta sem existência no mundo dos fatos. APROVEITAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES FEITOS NA MODALIDADE DO SIMPLES Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 26 56 /2 01 1- 18 Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela USAFLLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A. aos seus empregados, no período de 01/2008 a 12/2009, sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais encontrase assim dividido: 1. AI DEBCAD nº 37.303.4296, compreende as contribuições patronais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2008 a 13/2009; 2. AI DEBCAD nº 37.303.4300, compreende as contribuições para as terceiras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SEBRAE e SENAI E SESI), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados no período de 01/2008 a 12/2008, cujo valor consolidado em 09/10/2012 corresponde a R$ 1.107.164,94, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 149 a 152; e 3. AI DEBCAD nº 37.345.2802, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de deixar de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2008, 03/3008 e 05/2008. 4. AI DEBCAD nº 37.345.2810, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de deixar de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 02/2008, 04/3008 e 06/2008 a 11/2008. Nos AI DEBCAD nº 37.303.4296 e Debcad nº 37.303.4300), foram aplicados os seguintes percentuais de multas: Multa de mora (24%), para as competências 01/2008 a 11/2008; Multa de ofício qualificada (150%), para as competências de 12/2008 a 13/2009, aplicada com base no art. 44, inciso I e parágrafo primeiro, da Lei nº 9.430/1996. A multa qualificada de 150% foi aplicada em virtude de a Fiscalização ter constatado que a empresa USAFLEX utilizouse da mãodeobra de empresas optantes do sistema SIMPLES, um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, com a finalidade de reduzir a contribuição previdenciária, configurando uma simulação (item 3 do Relatório Fiscal, fls. 86). Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 4 5 Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 77 a 90, Através de auditoriafiscal realizada junto à empresa USAFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, CNPJ 86.900.925/000104, doravante denominada USAFLEX, foram constatadas situações fáticas que levaram a Fiscalização ao entendimento de que terceiras empresas, no caso, a) Elvídio Luiz Dill EPP, CNPJ 09.182.324/000162, doravante denominada ELVÍDIO; b) M.R.L Atelier de Calçados Ltda. EPP, CNPJ 07.103.055/000176, doravante MRL e c) Valtoir Nunes Fagundes EPP, CNPJ 09.005.219/000158, doravante denominada VALTOIR, foram criadas para registro de mãode obra da autuada, com o objetivo de reduzir os encargos tributários previdenciários utilizandose dos benefícios do Sistema Simples, configurando simulação. Em virtude da situação fática verificada, a Fiscalização vinculou os segurados empregados e contribuintes individuais daquelas empresas à USAFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, lançando os créditos previdenciários contra esta empresa. Todas as empresas arroladas foram intimadas a apresentar documentos, conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal, de 18/04/2011. Os créditos foram apurados através de aferição indireta, tomando como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes nas folhas de pagamento das empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO e declaradas nas suas GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (item 2.2 do Relatório Fiscal, fls. 77). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/06/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa, fls. 336 a 1733. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado. O processo foi baixado em diligência, no intuito da fiscalização demonstrar outros elementos quanto a ingerência da USAFLEX em relação às demais em presas. O auditor elaborou informação prestando os seguintes esclarecimentos: Da resposta à Diligência (fls. 2488/2496) Folhas de pagamento A Fiscalização se manifestou respondendo que a folha de pagamento das empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO foi apresentada em mídia não regravável (CDR), em forma de arquivos. À vista do pedido da diligência para anexar as folhas de pagamento a Fiscalização relata que extraiu dos arquivos digitais os dados que conformariam uma folha de pagamento e elaborou os Anexos A, B e C, detalhando por CNPJ a remuneração tomada como base de cálculo, por segurado (nome e NIT) em cada competência. Os totais demonstrados nos Anexos conformam o montante das exações previdenciárias do crédito previdenciário em discussão, demonstrando inclusive os valores da contribuição a cargo dos segurados, do saláriofamília e do saláriomaternidade. Despesas No tocante às despesas contabilizadas pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, a Fiscalização anexou aos autos os Razões das contas de despesas e/ou custos (Anexos Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 D e D1 para MRL; Anexos F e F1 para Elvídio e Anexos E e E1 para VALTOIR), os quais foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade de cada uma das prestadoras, esclarecendo ainda que já constam anexados aos autos os demonstrativos de resultado de exercício – DRE (DRE´s 2008 e 2009 da MRL às fls. 183/184; DRE´s 2008/2009 da ELVÍDIO às fls. 235/236 e DRE´s 2008 e 2009 da VALTOIR às fls. 266/267). A Fiscalização relata que as despesas que a USAFLEX tinha interesse que as prestadoras (empresas interpostas) assumissem como suas, estão contabilizadas na contabilidade destas. Frisa que para TODAS as prestadoras os custos com pessoal representam mais de 70% da receita. E que dentro do universo das despesas, a quase totalidade é representada por custos de pessoal. O relato fiscal enfatiza que a compreensão adequada requer a análise global da contabilidade das empresas interpostas, avaliando não só as despesas como também as receitas. E neste aspecto, as receitas provém exclusivamente de serviços prestados à USAFLEX, a significar que indiretamente as despesas são suportadas por recursos provindos da USAFLEX. A Fiscalização procedeu à análise das despesas como a seguir relatado: Conta aluguéis: Esta conta traria os supostos pagamentos de aluguéis por parte das prestadoras à USAFLEX. Foram apresentados somente recibos. Não foram apresentados documentos de quitação. Para esta despesa o contador justificou por escrito não possuir tais comprovantes ao argumento de que “era deduzido dos valores totais das Notas Fiscais de industrialização por encomenda”. Conta 3103021900002664 Despesas jurídicas da MRL pagamento de parcelas relativas a acordos trabalhistas. Os lançamentos datados de 25/04/2008, 25/06/2008, 25/07/2008 todos com valor de R$ 500,00 e 08/09/2008 com valor de R$ 380,00, possuem como contrapartida a conta número 2106010160002 USAFLEX. Conciliando os mesmos com os lançamentos registrados na conta 1101020500000013 Caixa Econômica Federal, verificase nas datas mencionadas a existência de depósitos efetuados pela USAFLEX em favor da MRL, em valores idênticos aos referidos. O depósito do valor de R$ 380,00 ocorreu em 28/08/2008. Através deste exemplo a Fiscalização percebeu uma vinculação específica dos adiantamentos da USAFLEX com as despesas da empresa referida. Em razão deste fato a Fiscalização efetuou a análise da conta “bancos” das três empresas prestadoras (interpostas). Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 5 7 Para tanto a Fiscalização selecionou alguns lançamentos, a título exemplificativo e o resultado é o seguinte: a) Conta contábil número 1101020300000011 Banco Bradesco S/A C/C – VALTOIR Em 03/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 35.000,00. Em 04/01/2008, utilizando a mesma conta o contribuinte VALTOIR pagou salários no valor de R$ 34.550,00. Em 17/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 28.000,00. No dia seguinte 18/01/2008 a VALTOIR efetuou adiantamento de salários no montante de R$ 27.741,00. Em 31/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 31.000,00. Na mesma data a VALTOIR transferiu R$ 30.994,00 para as contas dos funcionários para pagamento de salários. Em 22/02/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 12.300,00. Na mesma data a VALTOIR pagou energia elétrica no valor de R$ 12.299,46. Na data de 05/03/2008 a USAFLEX transferiu para a referida conta R$ 44.377,00. Neste dia a VALTOIR pagou os salários do mês 02/2008 através de transferência para a conta dos funcionários no montante de R$ 44.377,00. b) Conta número 1101020100000009 Banco do Brasil S/A C/C VALTOIR Em 19/06/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 3.472,00. No dia seguinte o contribuinte VALTOIR transferiu da mesma conta os mesmos R$ 3.472,00 para as contas dos funcionários a título de adiantamento de salário. Em 04/09/2008 a USAFLEX transferiu R$ 6.485,00 para esta conta. Em 05/09/2008 a empresa VALTOIR fez transferência para as contas dos funcionários a título de pagamento de salários no valor de R$ 6.482,00. Em 06/01/2009 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 13.300,00 e em 07/01/2009 a VALTOIR pagou salário dos funcionários via transferências da mesma conta no valor de R$ 13.210,00. No dia 02/04/2009 a USAFLEX transferiu para a mesma conta R$ 21.000,00. No dia seguinte o contribuinte VALTOIR efetuou transferências para as contas dos funcionários nos valores de R$ 1.924,00 e R$ 19.029,00, perfazendo um montante de R$ 20.953,00. c) Conta número 1101020300000011 Banco Bradesco S/A C/C da MRL Dada a similaridade dos lançamentos em todas as competências, a Fiscalização selecionou dois, a título exemplificativo: Em 04/01/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No mesmo dia o banco debitou nesta conta o Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL "Seguros". Em 06/02/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No dia 29/02/2008 o banco debitou nesta conta o valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL "Seguros". d) Conta número 10101020513 Caixa Econômica Federal C/C da ELVÍDIO Em 22/06/2009 a ELVÍDIO emitiu cheque no valor de R$ 13.794,73 para pagamento de DARF e empréstimo de funcionários. Na mesma data recebeu nesta conta um depósito da USAFLEX no montante de R$ 13.800,00. Em 25/06/2009 constam lançados os seguintes pagamentos feitos pela ELVÍDIO, R$ 6.043,95, título da Gutten Appetit Alimentação, R$ 166,27 referente a adiantamento de salários, R$ 56,85 multa rescisória do FGTS e R$ 328,64 referente a pagamento de verbas rescisórias a funcionário, perfazendo um total de R$ 6.595,71. Na mesma data a USAFLEX efetuou transferência bancária para esta conta no valor de R$ 6.600,00. A Fiscalização relata que embora a contrapartida para esta transferência de recursos seja a conta adiantamento de fornecedores, a qual é conciliada posteriormente com a conta industrialização por encomenda, procedimento regular, o que chama a atenção neste caso é o número de adiantamentos, com valores muitos específicos similares ou idênticos aos das despesas pagas pelas prestadoras e em datas também similares ou idênticas à liquidação das despesas das prestadoras. A Fiscalização concluiu que a USAFLEX vai "abastecendo" ou liberando recursos às empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, não na medida em que a industrialização por encomenda vai ocorrendo como seria usual, mas na medida em que despesas das prestadoras vão ocorrendo. Em outras palavras, o que comanda a liberação destes recursos é a necessidade de pagamento das despesas das prestadoras. A explicação do contador das empresas interpostas reforça este entendimento quando afirma que "os lançamentos foram efetuados sob Adiantamento do Fornecedor para pagamento das despesas inerentes do Atelier" (Vide explicações aos Anexos 3, 4, 5 e 6 ao Termo de Intimação Fiscal 2 de VALTOIR Nunes Fagundes, aos Anexos 3, 4, 5 e 6 de MRL e 3, 4, 5 e 6 de ELVÍDIO Luiz Dill). Portanto, os adiantamentos ao invés de serem regidos pela paulatina prestação de serviços, vinculados em cada lançamento a uma nota fiscal de prestação de serviços, estão primordialmente vinculados a uma despesa. Destas, selecionou uma pequena amostragem em razão do grande volume, segundo informou. Frisa que existem muitas outras onde as afirmações são similares às que são citadas a seguir: No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 6 9 USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: "A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor." "Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, Fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada" Processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho...." "A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade" No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVÍDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira ré, formam um grupo empresarial" "A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)" "Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção.." “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés" "As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos" "Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal..." Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVÍDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): "...todas as rés pertencem ao mesmo grupo econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade " "Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés." Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada VALTOIR NUNES FAGUNDES, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: "A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários" Em relação aos processos trabalhistas a Fiscalização também verificou que os advogados representantes das reclamadas (USAFLEX, MRL, ELVÍDIO e VALTOIR) nas audiências são, invariavelmente, os mesmos, conforme registrado nas atas de audiência. Assinaturas e rubricas em documentos contábeis de MRL, VALTOIR e ELVÍDIO. Analisando os documentos apresentados pelos contribuintes para comprovação dos lançamentos contábeis, a Fiscalização verificou que em todos os recibos de adiantamento a fornecedores analisados, emitidos por MRL, VALTOIR e ELVÍDIO consta a assinatura da Sra Sueli Marmitt que é contabilista da USAFLEX, seguido do nome da empresa prestadora (MRL, VALTOIR ou ELVÌDIO). A Sra. Sueli foi quem assinou o Termo de Início de Procedimento Fiscal junto à USAFLEX, conforme fls. 74 do presente processo. Há vários Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho (doc anexo) de segurados empregados das prestadoras nos quais a Sra. Sueli é quem assina no local destinado à assinatura do empregador. Também os cheques administrativos das empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO, analisados pela Fiscalização e utilizados por aquelas para pagamento de despesas lançadas nas suas contabilidades possuem duas rubricas, uma delas sendo da Sra. Sueli. Estes elementos, segundo a Fiscalização, denotam a ingerência da USAFLEX em relação às empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO. Devidamente cientificado o recorrente rebate os argumentos da fiscalização, descrevendo: Da manifestação da Impugnante frente à diligência (fls. 2498/2501) Alega que a afirmação contida no item 5 do Relatório Fiscal está baseada no subjetivismo pessoal da auditora, sem qualquer comprovação documental de quais seriam as despesas realizadas pelas prestadoras e que não estariam contabilizadas, sequer mencionandoas. Relata que não foi anexado qualquer demonstrativo comprovando sua alegação de que os custos com pessoal representariam quase a totalidade do universo das despesas. Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 7 11 Reclama que a auditoria desconsiderou por completo as peculiaridades das empresas executoras da industrialização. Repisa que referidas empresas vendem serviços de industrialização cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados o que representa um maior peso em relação ao custo total de sua atividade. Quanto ao item 6 do Relatório, alega que a Fiscalização utilizou expressão injuriosa ao taxar o contribuinte de “falacioso”. Contesta, afirmando que todas as despesas incorridas pelas prestadoras são por estas suportadas e que elas assumem os riscos dos seus empreendimentos. Relata que os recursos financeiros com os quais as prestadoras fazem frente às despesas decorrem dos serviços prestados à autuada, sendo irrelevante a relação de exclusividade entre as empresas, fato que advém da relação comercial entre elas e do conjunto de variáveis presentes em qualquer negociação mercantil. Alega que é equivocado o entendimento fiscal em relação aos adiantamentos de recursos que a autuada fazia às prestadoras na medida em que as despesas destas iam incorrendo. Primeiro porque é adiantamento de clientes e não adiantamento de fornecedores. A autuada seria cliente das prestadoras e não fornecedora e segundo porque a dinâmica dos negócios e a relação de parceria existente entre as empresas, por si só, justifica o procedimento adotado. Explica que a USAFLEX, com base na programação mensal de calçados a serem produzidos, sabe de antemão qual parcela (quantidade) da produção será remetida para industrialização nas prestadoras e quanto isso lhe custará, afirmando que os adiantamentos foram realizados na medida em que a industrialização foi ocorrendo e que os relatórios anexos estariam a comprovar este fato. O Livro Registro de Entradas da autuada estaria a demonstrar a movimentação de materiais entre as empresas e o retorno dos insumos remetidos para utilização no processo industrial e o produto acabado resultante da industrialização. Assim, a USAFLEX já conhecia de antemão o custo dos serviços de industrialização, o que lhe permitia realizar a antecipação de valores às prestadoras. Explica o procedimento às fls. 2.499 dos autos (sem mencionar os lançamentos contábeis), concluindo que os depósitos bancários realizados pela USAFLEX nas contas correntes das prestadoras foram apropriados em suas respectivas contabilidades a título de Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 “adiantamento de clientes” para posterior liquidação da nota fiscal emitida pelos serviços de industrialização. Com este raciocínio aproveita para explicar a declaração do contador de que o valor do aluguel “era deduzido dos valores das notas de industrialização por encomenda”, sendo lançado a crédito na conta “adiantamento de clientes” para posterior “compensação” no pagamento pela industrialização por encomenda demonstrando que tal despesa é suportada financeiramente pelas prestadoras. Quanto às despesas jurídicas, alega que a conta “2106010160002 –USAFLEX”, não citada pela Fiscalização, também estava classificada no passivo circulante, na qual eram lançadas as antecipações realizadas pela autuada por conta da industrialização. Observa que a partir de 2009 a conta passou a ser classificada como adiantamento de clientes. Reclama que o fisco colheu os elementos probatórios que lhe interessam ignorando os que possam interessar ao contribuinte. Quanto às ações trabalhistas reclama que as petições iniciais em reclamatórias trabalhistas, sem qualquer prova produzida nos autos dos respectivos processos, não podem servir de elemento para a acusação grave de simulação fraudulenta. Enfatiza que as ações trabalhistas foram objeto de conciliação e que conciliar não significa reconhecer como verdadeiros os fatos narrados na petição inicial pelo autor. Afirma que inexiste sentença trabalhista condenatória em que tenha sido reconhecida a existência de fraude trabalhista e/ou de empresa interposta. O fato das empresas constituírem o mesmo advogado é justificado para evitar o conflito de teses defensivas. Alega que cada empresa suportava o ônus financeiro decorrente das ações trabalhistas, inclusive em relação a honorários advocatícios conforme documentação que teria acostado aos autos e que cada empresa esteve representada por prepostos distintos. Alega que maliciosamente tais fatos foram deixados de lado pela auditoria. No tocante às supostas assinaturas em documentos das prestadoras diz que as alegações fiscais estão condicionadas à prova técnica (perícia grafodocumentoscópica), sem a qual não é possível reconhecer a autenticidade de assinaturas ou rubricas e que não é papel da Fiscalização emitir juízo de valor com base em mero cotejo visual. Conclui que não se pode admitir que meras interpretações pessoais, no sentido de que se determinada operação fosse realizada de modo diverso ensejaria tributação maior possa ser o motivo para desconsiderar as operações formalmente queridas e realizadas pelo contribuinte e, por conseqüência, exigir tributo de acordo com suas convicções subjetivas, por suposição. Foi exarada Decisão confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 2577 a 2604, conforme ementa transcrita: Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 8 13 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.303.4296 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SELIC. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.303.4300 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA TERCEIROS. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não caracteriza confisco, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. A legalidade/constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, não cabendo tal questionamento senão perante o Poder Judiciário. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 O recolhimento efetuado por uma empresa não aproveita outra. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.345.2802 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária. AI Debcad nº 37.345.2810 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 7224 a 7263. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. acusa que o lançamento encontrase eivado de vícios formais, caracterizados por omissões no relatório fiscal, cerceando o direito de defesa e ensejando a nulidade do Auto de Infração. 1.1. Inova alegando que a primeira nulidade diz respeito a ausência de ato declaratório de exclusão do SIMPLES para lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica. 1.2. reclama que não consta a fundamentação fática e jurídica que ampara a constituição do crédito previdenciário, ensejando a nulidade do Auto de Infração com fulcro nos arts. 202 e 203 do CTN (inscrição e cobrança em dívida ativa) ou no art. 37 da Lei nº 8.212/1991(discriminação clara e precisa do fato gerador) e art. 50 da Lei nº 9.784/1999 (motivação do ato administrativo), arts. 243 e 293 do Decreto nº 3.048/1999 e no art. 11, inciso III e art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 (disposição legal infringida), impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. 1.3. aponta que a Fiscalização lançou mão da aferição indireta, sequer fazendo referência a este procedimento. Também acusa que o Fisco não elencou os dispositivos legais que fundamentam a desconsideração jurídica entre a impugnante e as empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO. Refere que a falta de referência ao fundamento legal que sustenta o lançamento ou a sua menção de forma genérica, gera cerceamento do exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. 1.4. entende que a ausência de comprovação da existência dos pressupostos da relação empregatícia, notadamente a subordinação, entre os segurados das empresas contratadas e a autuada, impede de exercer o amplo direito de defesa. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 9 15 2. Pede a nulidade do Auto de Infração por erro/vício formal insanável. 3. Aduz que a Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009 (DOU de 28/05/2009), revogou expressamente os parágrafos 3º, 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Portanto, na data da lavratura do AI 37.345.2802 não mais vigia o dispositivo legal da multa aplicada, não podendo, assim servir de fundamento legal para sua imposição, devendo ser declarada a nulidade do Auto de Infração. 4. MÉRITO 5. Da Insubsistência do Lançamento Da operação de industrialização por encomenda Relata que os atos negociais descritos e apurados pela Fiscalização referemse à terceirização, como forma de redução dos custos de produção, objetivando reforçar a competitividade e que no âmbito calçadista este procedimento se dá através da industrialização por encomenda, onde a autuada –USAFLEX é a empresa “encomendante” e as empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO são as “industrializadoras”, conforme corroboram os contratos de industrialização por encomenda, acostados aos autos pela Fiscalização (item 7.7 do Relatório Fiscal), sendo descabida a alegação fiscal de simulação. 6. Explicita o procedimento adotado como sendo a operação de industrialização destinada à comercialização ou à nova etapa de industrialização, na qual determinado estabelecimento remete insumos para estabelecimento de terceiros, para que este execute parcial ou complementarmente a operação de industrialização. As matériasprimas necessárias à industrialização são adquiridas e remetidas pelo encomendante através de nota fiscal (CFOP 5.901). Posteriormente, a executora da industrialização, quando da devolução do produto final, emite nota fiscal contendo o valor dos materiais utilizados no processo (CFOP 5.902) mais o cobrado pela industrialização (CFOP 5.124). 7. Da impossibilidade de Desconsiderar Negócios Jurídicos Indiretos Diferencia negócio jurídico indireto de simulação, referindo que nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, obrigando as partes a realizar atos paralelos ocultos e que na primeira hipótese as partes desejam e mantêm o ato praticado que poderá resultar em eventual economia de tributos. 8. Defende que no caso não há simulação porque todas as cláusulas do negócio jurídico realizado são verdadeiras e que o contribuinte tem o direito de se autoorganizar, não estando obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa, concluindo que a relação empresarial existente entre as empresas não pode ser qualificada como simulada, eis que os negócios entre elas realizados (todos às claras, sem qualquer ocultação) têm natureza jurídica distinta da relação de emprego, sendo autêntica descentralização da produção (terceirização) pela autuada, típica hipótese de negócio jurídico indireto, sendo todas as declarações de vontade verdadeiras (a USAFLEX quer descentralizar a produção e as demais, MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, querem realizar a industrialização por encomenda). 9. Reclama que o Fisco não demonstrou a existência de pacto simulatório entre as partes, e de nenhum "contrato de gaveta" e que ao alegar que as empresas existem apenas para que a autuada possa se beneficiar do Sistema SIMPLES, indiretamente está alegando que seus proprietários não passam de "laranjas". Logo, deveria o Fisco comprovar a Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 existência de um pacto simulatório entre estes e os sócios da autuada, o que não ficou provado nos autos. 10. Da Licitude da Operação de Industrialização por Encomenda, reconhecimento e regulação destas Atividades pela RFB Discorre sobre a licitude da industrialização por encomenda e sobre o reconhecimento e regulação dessa atividade pela RFB, concluindo que a atividade narrada no Auto de Infração tem natureza jurídica de industrialização, não envolvendo cessão de mãodeobra nem prestação de serviços, restando isolado o entendimento expresso na autuação fiscal. 11. Do princípio da tipicidade cerrada – Da impossibilidade de tributar com uso de interpretação extensiva Refere que a autoridade fiscal pretende a aplicação de uma cláusula geral antielisiva, positivada no art. 116, parágrafo único do CTN, que não é autoaplicável e padece de regulamentação. Cita julgado do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, a respeito da impossibilidade de interpretação extensiva de norma jurídica para imposição de tributos. 12. Da regra matriz de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal Alega que não há possibilidade de aplicação da tributação veiculada no Auto de Infração, bem como das respectivas penalidades acessórias, eis que o sujeito passivo do qual está sendo exigida não ocupa a posição de empregador na relação de emprego da qual decorreria o pagamento de salários, não sendo, portanto, contribuinte da exação. Por outro 13. lado, não procedeu a pagamento de remuneração, o que se constitui no “fato gerador” das obrigações tributárias (principais e acessórias) exigidas. 14. Da Compensação dos valores recolhidos no regime Simplificado de tributação – Simples Conclui que o regime tributário favorecido do Simples restou mantido pela Fiscalização para as empresas ELVÍDIO, M.R.L e VALTOIR haja vista que não constou nos autos qualquer informação contrária. 15. Pede a compensação, mês a mês, dos valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas por via do SIMPLES (Federal e Nacional) com os créditos ora constituídos, alegando que todos são tributos administrados pelo mesmo Órgão. 16. Salienta que o art. 23 da Lei n° 9.317/1996 (Simples Federal) e o Anexo II da LC 123/2006 permitem a visualização do montante referente a cada um dos tributos federais consolidados nos respectivos regimes, o que afasta qualquer óbice à compensação por eventual dificuldade de operacionalização deste procedimento. Em não sendo acatados os argumentos anteriores, pelo menos, o montante da contribuição patronal previdenciária inserido no recolhimento unificado do SIMPLES deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de "bis in idem", vedado pelo ordenamento jurídico. 17. iDos supostos indícios da ação fiscal Acusa que a desconsideração das relações jurídicas entre as empresas está baseada em conjecturas e conclusões subjetivas, tendo a Fiscalização presumido que a empresa USAFLEX utilizou de empresas interpostas, optantes pelo sistema SIMPLES de tributação, com a finalidade de omitir e/ou reduzir a contribuição previdenciária, e que os serviços prestados por pessoas jurídicas não podem ser desconsiderados sem prova robusta e concreta. 18. Alega que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos realizados entre as empresas tenham sido praticados com a finalidade de ocultar ao fisco a ocorrência de fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 10 17 19. Aduz que a terceirização está longe de ser aparente, tendo, na prática, efetivamente se consumado sob a forma de industrialização por encomenda. 20. Contesta os argumentos da Fiscalização, chamandoos de “indícios”, referindo que eles não levam à presunção de ocorrência de uma simulação. Destes argumentos destacase: 21. Quanto à atividade e localização: A atividade das quatro empresas não é a mesma. A USAFLEX é fabricante de calcados, detentora de marcas próprias, responsável pelo desenvolvimento das coleções, fabricação e comercialização. Já as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR dedicamse ao beneficiamento de calçados, isto é, são os atelieres que executam uma etapa da cadeia produtiva, no caso a costura, nem mesmo são fabricantes de partes e ou componentes para calçados. As atividades, embora integrantes do mesmo ramo (setor calçadista), são completamente distintas. 22. As empresas ELVÍDIO e VALTOIR estão instaladas na mesma área geográfica, mas em prédios industriais distintos e separados fisicamente, conforme os respectivos Alvarás de Licença para Localização (docs. Anexo 04). 23. Ressalta que a Fiscalização deixou de mencionar a existência de condomínio industrial (docs. Anexo 05). Tratase de um complexo industrial composto por 12 prédios, sendo alguns de uso comum. Os imóveis pertencem à USAFLEX (à época o nome empresarial da autuada era Stebrás Calçados Ltda), mas tanto a empresa ELVÍDIO quanto a empresa VALTOIR pagam aluguel (docs. Anexo 06) pelo uso dos pavilhões onde exercem sua atividade empresarial, além das despesas condominiais (docs. Anexo 07). No tocante às despesas com aluguéis, registra que a MRL também responde por tal custo, conforme contrato de locação anexo (docs. Anexo 06). Destaca que estas empresas têm acessos distintos ao local de trabalho; cada uma possui relógios pontos e banheiros próprios e registro de domínio na internet, além do que os empregados usam uniformes identificando cada uma delas. Conclui que inexiste vedação legal a que duas ou mais empresas operem no mesmo logradouro. 24. 2) Quanto ao quadro societário: Aduz que a constatação do fato de que sócios das empresas são exempregados ou até mesmo parentes, não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes, se não concorrerem outros requisitos necessários, o que não vê nos autos. Acusa que a descaracterização das relações jurídicas entre a autuada USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR está pautada em ilações, conjecturas e conclusões desprovidas do indispensável suporte probatório. 25. 3) Quanto à exclusividade na prestação dos serviços: Admite que existem estabelecimentos industriais com número reduzido de clientes a quem prestam serviços, muitos de forma exclusiva, sem que isso represente simulação de negócios. Informa que há contrato de industrialização por encomenda entre as empresas fiscalizadas firmado em período anterior ao início da presente ação fiscal (docs. anexos ao Relatório Fiscal). Referidos contratos prevêem que as contratadas respondem exclusivamente pelo passivo trabalhista, inclusive prevendo o exercício do direito de regresso em caso de eventual responsabilização. 26. Ressalta que inexiste exclusividade de parte da USAFLEX para com as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, salientando que a política da autuada é a terceirização de determinadas etapas do processo produtivo, com diversas outras empresas. Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 27. Afirma que existe autêntica relação empresarial entre a encomendante (USAFLEX) e as empresas responsáveis pela execução da etapa do processo de fabricação de calçados que foi encomendada (MRL, ELVÍDIO e VALTOIR). 28. 4) Quanto à inexistência de máquinas próprias: Informa que as máquinas de costura foram cedidas em comodato para as empresas executoras da industrialização encomendada através de contrato (tudo às claras, sem ocultações), objetivando zelar pela qualidade, observando que a USAFLEX realiza esta operação com diversas outras empresas. 29. 5) Quanto à relação faturamento x custo da mãodeobra: Entende que esta comparação não se presta para descaracterizar a terceirização, justificando que a autuada compra a matéria prima e as remete à industrialização. Posteriormente, faz a venda final do produto para industrializar por encomenda. Em razão da terceirização, visando unicamente a melhor eficiência de suas operações, e melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao faturamento. As demais empresas arroladas pela Fiscalização vendem os serviços de industrialização, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa um maior peso em relação a sua receita. 30. Outros aspectos relevantes não levantados pela Fiscalização alega que a denominada terceirização, não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas com personalidade jurídica distinta, em que uma encomenda e a outra industrializa, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações da impugnante, indicando, no máximo, planejamento tributário, aceito tanto pela doutrina quanto na jurisprudência. O argumento de que a operação de terceirização (industrialização por encomenda) foi realizada apenas para economizar tributos não é apto para a desconsideração de negócios jurídicos; 31. objetivando corroborar a licitude da relação empresarial entre as empresas relacionadas no Relatório Fiscal, cita que no período amostral de 03/2009 e 10/2009 foram emitidas pela autuada 3.741 notas fiscais de remessa de matéria prima para industrialização por terceiros (Anexo 12), e que através de perícia poderão ser verificados os fornecedores (dentre eles a MRL, ELVÍDIO e VALTOIR), as quantidades e os volumes, sendo que tal operação é realizada com diversas outras empresas, identificandoas através da razão social e do CNPJ (fls. 368); 32. apresenta o quantitativo de segurados da autuada no período de 2009, 2010 e 2011, questionando como explicar o aumento substancial (500%) do quadro de empregados da USAFLEX, que passou de 337, em janeiro/09, para 1.682, em junho/11 se a intenção fosse simular a terceirização; 33. Refere tratarse de planejamento tributário, por meio de um negócio jurídico válido e lícito, não cabendo à Fiscalização exigir tributo onde não existe hipótese de incidência, já que os segurados prestam serviços às empresas industrializadoras, sendo elas quem lhes paga a remuneração, não ocorrendo o fato gerador. Sob esta ótica, entende que o contribuinte não pode ser acusado de fraude fiscal por organizar suas atividades de modo menos oneroso, respeitando os princípios constitucionais da legalidade e da livre iniciativa, buscando formas de reduzir custos e economizar tributos. 34. Conclui referindo que não procedem as alegações fiscais de simulação, uma vez que o negócio jurídico (descentralização/terceirização/industrialização por encomenda) não foi efetuado com o único propósito de escapar de tributos, mas sim efetuado com objetivos Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 11 19 econômicos e empresariais verdadeiros, ainda que o resultado proporcione uma economia tributária, impondose a insubsistência do Auto de Infração lavrado. 35. Do risco econômico do empreendimento: Aduz que a documentação probatória anexada demonstra, de forma inequívoca, que as empresas indevidamente consideradas "fictícias" pela Fiscalização, assumem integralmente o risco econômico do empreendimento, eis que todos os custos e despesas são por estas suportadas. Portanto, não há relação de dependência econômica entre a USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR. São estas que efetivamente pagam suas contas, inclusive sendo responsáveis por buscar recursos financeiros junto a instituições financeiras quando necessário. Enfim, são efetivamente autônomas e independentes, não havendo qualquer indício de ingerência da autuada e também que: 36. através de perícia contábil restará devidamente comprovado que as despesas e os custos operacionais são suportados integralmente pelas empresas industrializadoras da encomenda e que as operações bancárias são realizadas pelos próprios titulares/sócios das empresas; 37. os custos com as indenizações trabalhistas são devidamente pagos e lançados na contabilidade das empresas que efetivamente foram empregadoras dos reclamantes (docs. Anexo 14 por amostragem); que inexiste sentença trabalhista condenatória em que tenha sido reconhecido o grupo econômico mencionado no item 2.6.5 do Relatório Fiscal; 38. os gastos com energia elétrica, água, telefone, aluguel e despesas condominiais (docs. Anexos 06 e 07 por amostragem) são efetivamente pagos pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR e devidamente apropriados em suas respectivas contabilidades. 39. Ou seja, nenhuma despesa de tais empresas é apropriada no custo dos produtos vendidos pela autuada; 40. os gastos com software de ponto eletrônico/folha de pagamento, bem como os honorários do contador, são suportados pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR (docs. Anexo 08 por amostragem); 41. as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, suportam todos os gastos com alimentação, transporte, uniformes e EPIs (docs. Anexo 09 – por amostragem). Os documentos suporte dos lançamentos contábeis evidenciam que as empresas adquirem quantidades compatíveis com os segurados a sua disposição. 42. as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR possuem implementados programas como PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, além de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) atuante (docs. Anexo 15 – por amostragem). 43. as supostas empresas interpostas, em momentos de dificuldades financeiras, não são beneficiadas com repasse de recursos efetuados pela autuada. Em diversas oportunidades tiveram que contratar mútuos junto a instituições financeiras para honrar com suas obrigações (docs. Anexo 16 por amostragem). Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 44. Da Multa Aplicada da inexistência do dolo específico – Insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%, acusando que o fisco presumiu que a autuada utilizouse de empresas interpostas, optantes pelo SIMPLES, com a finalidade de omitir e ou reduzir a contribuição social previdenciária. Alega que a multa determinada pelo art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996 somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, devendo ser interpretada restritivamente. No caso em tela, é inaplicável a multa de ofício qualificada de 150%, porquanto não ficou demonstrado nos autos pela autoridade lançadora o "evidente intuito de fraude", caracterizado pelo dolo específico, elemento essencial, para se promover a qualificação da multa de ofício. 45. do efeito confiscatório da multa – alega que a multa aplicada é confiscatória por seu montante excessivo e desproporcional, além de não ser permitida pela Constituição que obsta a imposição de penas que exorbitem a capacidade econômica dos indivíduos a ponto de dilapidar o direito de propriedade. 46. acusa de ilegal a aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários, devendo incidir, na espécie, os juros de mora à razão de 1% ao mês, na forma do art. 161, § 1º do CTN. 47. Das Obrigações Acessórias: Debcad nº 37.345.2802 e Debcad nº 37.345.2810 Relata que os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória foram lavrados por ter a autuada apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV da Lei n° 8.212/1991 (GFIP) com omissões e que no entender da autoridade fiscal, a autuada "não declarou na sua GFIP os segurados empregados e contribuintes individuais formalmente vinculados à MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, mas que de fato, estão vinculados à USAFLEX". 48. Contrariamente, ressalta que tanto as GFIPs da USAFLEX quanto das empresas VALTOIR, ELVÍDIO e MRL foram entregues corretamente, razão pela qual os Autos de Infração carecem de substância. 49. No entanto, por cautela, argui: 50. Do Descabimento da Multa Aplicada – repisa que o critério de fixação da multa apresentase desproporcional, violando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em evidente efeito de confisco. 51. Da Retroatividade da Norma Mais Benéfica Refere que não há respaldo legal para o critério adotado pela Fiscalização com vistas a confirmar a penalidade mais benéfica, qual seja, a comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 (75%) e o somatório da multa de mora do inciso II do art. 35 (24%) mais a multa formal prevista no § 5º do art. 32 (100% com limites), ambos da Lei n° 8.212/1991, na sua redação anterior, ou seja, não se pode comparar as multas anteriores reunidas com a multa de ofício prevista na legislação atual, como se fossem uma coisa só. 52. Entende que a penalidade prevista para cada infração deve ser confrontada isoladamente com a penalidade de igual natureza prevista na legislação analisada, admitindo se, até mesmo, forte nos arts. 106 e 112 do CTN, prevalecer a multa prevista para o descumprimento de obrigação acessória na legislação atual e a multa relativa à obrigação principal constante da legislação revogada, desde que seja mais benéfico ao contribuinte. Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 12 21 53. Caso mantida a autuação, pede a aplicação da penalidade do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, inclusive para fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, nos termos dos art. 106 e 112 do CTN. 54. Do pedido de perícia requer a realização de perícia com vistas à busca da verdade material, objetivando comprovar que existe uma política de descentralização/terceirização das etapas do processo produtivo da autuada, revelando a existência de razões empresariais e autêntico negócio jurídico indireto: que o caso dos autos é de industrialização por encomenda e não há interposição de empresas e nem intermediação de mãodeobra; que não há fato gerador de contribuição previdenciária em relação ao sujeito passivo do qual está sendo exigida e que as empresas consideradas "fictícias" pela Fiscalização operam de forma autônoma e independente, assumindo os riscos do empreendimento. Para tanto, indica contador e formula os quesitos a serem respondidos, consoante fls. 386/388. 55. Por último, requer seja recebida a impugnação para o fim de: 56. a) declarar a nulidade do Auto de Infração por conta dos erros/vícios apontados; 57. b) caso não seja este o entendimento, pede a realização de perícia na documentação acostada aos autos e na escrituração contábil das empresas fiscalizadas, pelas razões expendidas; 58. c) no mérito, seja declarada a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário exigido; 59. d) Sucessivamente: 60. d.1) A retificação do AI 37.303.4296 para que sejam compensados, mês a mês, os valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas ELVÍDIO Luiz Dill EPP, VALTOIR Nunes Fagundes EPP e M. R. L. Atelier de Calçados Ltda EPP por via do SIMPLES com os créditos ora constituídos; 61. d.2) A retificação do AI 37.345.2802 para que seja aplicada a penalidade menos onerosa em todas as competências (art. 32A da Lei n° 8.212/1991), em observância ao princípio da retroatividade da lei mais benéfica, nos termos da fundamentação supra. A unidade da DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 7754. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO A NULIDADE PELA NÃO EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. A primeira preliminar argüida pelo recorrente diz respeito a nulidade pela ausência de ato declaratório. Contudo, entendo que, no caso, não há que se falar em nulidade pela AUSÊNCIA DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES, tendo em vista que no lançamento em questão não houve a desconsideração das pessoas jurídicas, ou mesmo sua desconsideração enquanto optantes pelo SIMPLES. Realmente, em alguns procedimentos fiscais, dependendo da realidade encontrada na empresa, opta a autoridade fiscal, por desenquadrar todas as empresas que entende participarem da simulação, do sistema SIMPLES, face existência de grupo econômico. Contudo, não foi essa a linha adotada pela autoridade fiscal no presente caso. Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa autuada, que era a verdadeira empregadora de fato, assumindo gerenciamento direto ou indireto de todos os segurados. Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas auditadas em conjunto; porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração das contratações de determinadas empresas fiscalizadas em conjunto, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregadora, gerenciando de fato toda a atividade. Caso levasse a efeito o entendimento trazido pelo recorrente, o levantamento nem mesmo seria feito na empresa USAFLEX, mas sim, na empresas interpostas, por meio de levantamento da parcela patronal, desconsiderando a condição de optante pelo SIMPLES. Quanto a possibilidade de exclusão de empresas do SIMPLES, ressaltese que não cobrou o auditor contribuições patronais das empresas optante pelo SIMPLES, portanto não houve desenquadramento, para que se determinasse a emissão do Ato de Exclusão. O que ocorreu em verdade, é que em constatando realidade diversa da pactuada inicialmente, procedeu o auditor para efeitos previdenciários ao vínculo dos trabalhadores das empresas interpostas diretamente com a AUTUADA, o que encontra respaldo na própria legislação previdenciária. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 13 23 Assim, entendo que o ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES das referidas empresas, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. Em nenhum momento a autoridade fiscal disse que as empresas encontravamse irregulares e que dessa forma não poderiam mais funcionar. Pelo contrário, observase, conforme descrito no relatório fiscal, durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ próprios, estão de fato, sob a administração das mesma pessoa. O que vislumbrou o auditor, conforme descrito no relatório fiscal, é a possibilidade de utilização indevida do Sistema simplificado, pela transferência de empregados, porém restou constatado que a subordinação continuou com a empresa notificada. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa autuada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal neste AIOP Por fim, cumprenos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Assim, não consigo identificar a nulidade apontada pelo patrono da recorrente. Não estamos falando diretamente de desconsideração de pessoa jurídica, mas observância dos princípios, por exemplo da primazia da realidade, onde valem mais os fatos que os documentos. Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoas que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados para efeitos previdenciários. Portanto, não assiste razão ao recorrente, pois a presente notificação encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante disposto no artigo 33 da lei n° 8.212, de 1991, senão vejamos: Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a" , "b" e "c" do parágrafo único do art. 11. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. lI, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Ainda apenas para efeitos de esclarecimento ao recorrente nos termos do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.o 3.048, de 06 de maio de 1999, também é muito claro ao dispor que: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: 1 arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos 1, 11, 111, IVe V do parágrafo único do art. 195. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; (Redação dada pelo Decreto n" 4.032, de 26/11/2001) 11 constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso 1. § 1" Os Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em selviço. para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao perfeito desempenho de suas funções, caracterizandose como embaraço à fiscalização qualquer dificuldade oposta à consecução do objetivo. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99) Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 14 25 § 2" Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9~ deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nU 3.265, de 29/11/99) (grifo nosso). Destaco aqui as palavras do ilustre Ministro Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho. Ed. LTR. 5° Edição, 2006, pág. 363364), quando sendo identificada relação fática diversa da realidade, compete as autoridades públicas, cada uma em seu campo de atuação, proceder a correção das mesmas, e quando necessário proceder a aplicação das penalidades a ela inerentes. A dinâmica judicial trabalhista também registra a ocorrência de uma situação fáticojurídica curiosa: tratase da utilização do contrato de sociedade (por cotas de responsabilidade limitada ou outra modalidade societária existente) como instrumento simula tório, voltado a transparecer, formalmente, uma situação fáticojurídica de natureza civil/comercial, embora ocultando uma efetiva relação empregatícia. Em tais situações simulatórias, há que prevalecer o contrato que efetivamente rege a relação jurídica entre as partes, suprimindose a simulação evidenciada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase que todos os passos necessários a realização do procedimento: encontramse devidamente descritos no processo, inclusive com encontramse anexados os respectivos termos que não apenas demonstram a regularidade do procedimento, como as devidas intimações, TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária e prestasse os esclarecimentos necessários. Quando do encerramento do procedimento, foram entregues ao recorrentes os relatórios e documentos descrevendo os fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, baseandose em presunções, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Merece destaque o fato de ter a autoridade julgadora detalhado enumeras situações fáticas, que demonstravam verdadeira confusão entre os empregados da empresa USAFLEX e suas supostas contratadas terceirizadas. Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Quanto a suposta simulação entendo que logrou êxito a autoridade fiscal em demonstrar por meio dos relatórios, documentos, anexos as situações fáticas que o levaram a caracterizar para efeitos previdenciários, os segurados inicialmente contratados pela empresas. DA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA O primeiro argumento do recorrente de que não houve fundamentação da aferição indireta, encontrase superado pelo próprio relatório fiscal que destaca no item 2.1 que a autoridade fiscal valeuse da apuração indireta das base de cálculo, tomando como base documentos inicialmente não pertencentes a autuada. Aliás, esse fato já restou devidamente esclarecido pelo julgador de primeira instância, razão pela qual não merece maiores considerações, fl. 23 da decisão (2589 dos autos). Quanto a indicação do dispositivo legal da aferição, embora não esteja o mesmo expresso do relatório, não entendo que isso cause qualquer nulidade no procedimento. Ora, já encontrase pacificado no âmbito deste Conselho, que o contribuinte defendese dos fatos que lhe são imputados, e não de dispositivos legais. Por inúmeras vezes, no passado, ao apreciar casos em que mencionava o auditor a utilização da aferição indireta, procediam os colegiados a nulidade dos lançamentos, contudo, a base para o fundamento não deve ser a ausência de um dispositivo, mas, sim a impossibilidade do recorrente de defenderse, ou seja, o cerceamento do direito de defesa. Foi esse fato, que ensejou a mudança do posicionamento dos colegiados. Hoje, pelo menos em sua maioria, não se determina nulidade pela simples ausência do dispositivo, mas, apenas quando constatada a ausência de elementos claros sobre o procedimento realizado, dos fatos geradores apurados, não permitindo ao recorrente defender se adequadamente. No presente caso, observase que o recorrente entendeu não apenas os fatos geradores ora lançados, como defendeuse das acusações que lhes foram imputadas. Porém o fato de não concordar com as conclusões da autoridade fiscal não torna o lançamento nulo. Assim, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.48/99. Ressalto, que não apenas o auditor realizou de forma adequada as fundamentações e descrições necessárias para caracterizar a simulação, como a autoridade julgadora de 1ª instância ao rebater os mesmos argumentos apontados na defesa, destacou de forma detalhada os dispositivos legais, descritos no relatório FLD, que também fundamentaram o lançamento. Assim, razão não assiste ao recorrente. No que diz respeito aos autos de infrações lavrados também não há que se falar em nulidade, pois os mesmos encontrase devidamente fundamentados, inclusive em relação as multas aplicadas e as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941 DO MÉRITO Quanto a inexistência de relação direta entre a empresa USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO E VALTOIR contratadas e que segundo o recorrente seriam os empregadores, entendo que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar a inexistência de relação. Basta uma leitura do relatório fiscal e do relatório complementar realizado quando da conversão do julgamento em diligência e dos inúmeros anexos que o compõem para que se chegue a mesma conclusão trazidas pelo auditor fiscal no lançamento em questão e em todos os demais lavrados durante o mesmo procedimento. Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 15 27 Conforme já afastado em sede de preliminar, entendo que longe está o lançamento em questão de fundarse em mera presunção. O que restou exaustivamente descrito no relatório e pelo que se pode constatar da análise dos autos, é que a autoridade fiscal, buscou demonstrar que as empresas, ditas como contratadas como meras prestadoras de serviço, eram na verdade fachada, posto que não se identificou a existência de comando gerenciamento, nem tampouco estavam os seus empregados a lhe prestar serviços verdadeiramente. Entendo que diversos são os fatos que devem ser considerados no lançamento em questão, nenhum deles tido de forma isolada. O que se nota é uma espécie de terceirização sim, conforme argumentou o próprio recorrente, contudo realizado de forma irregular, o que ensejou conforme preceitua o princípio trabalhista da Primazia da Realidade o vínculo entre a USAFLEX e os empregados das EMPRESAS: Conforme trazido pelo próprio recorrente, entendo perfeitamente cabível a especialização e descentralização de suas atividades, (adotando uma sistemática de planejamento tributário) contudo, para tanto deve primeiramente observar parâmetros legais, para só em observandoos, valerse de estratégias administrativas para busca da excelência e redução de custos. Todavia o que não se admite é contratar empresas, para que seus funcionários prestem serviços dentro do próprio estabelecimento da tomadora, em sua atividade fim, com evidente confusão entre as funções exercidas, visto que o auditor demonstrou em seus relatórios, por meio de narrativas sobre as constatações e diversos documentos a que teve acesso, que os mesmos prestam verdadeiramente serviços para empresa USAFLEX, sendo que em muitos casos, os seus funcionários, tratam as supostas empresas contratadas como prestadoras como verdadeiras filiais da primeira, conforme as reclamatórias trabalhistas citadas pelo auditor. Nos termos da Súmula 331 do TST, dispositivo hoje que regula a terceirização do Direito Trabalhista Brasileira, visto ausência de norma específica, vejamos: Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Ou seja, da análise da referida Súmula, notase que não merece guarida a contratação de outras empresas, na forma como realizado pela recorrente e demonstrado pela autoridade fiscal. Observase de pronto o item III da referida súmula que não admite, em regra, a contratação de serviços terceirizados para atividades fim do empreendimento, formandose o vínculo diretamente com o tomados dos serviços. Ora, por si só esse argumento trazido pelo próprio recorrente, demonstra quão equivocada estava sua pretensão de valerse de empresas interpostas para executar sua atividade. Aqui independente do fato de as empresas contratadas estarem ou não sob a égide do Sistema de Tributação SIMPLES, correto o posicionamento adotado de formação do vínculo para efeitos previdenciários, sempre que constatado que a tomadora dos serviços agia como verdadeira empregadora. Novamente, conforme descrito pela autoridade julgadora e novamente trazido a baila pelo recorrente, a fiscalização não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas contratadas, mas tão somente considerou que os seus empregados (já identificados como tal nas GFIP de cada um dos estabelecimentos), na verdade prestavam serviços para a USAFLEX, conforme descrito no relatório fiscal. Assim, não haveria porquê caracterizar os segurados como empregados da USAFLEX, visto que a condição de empregado já lhes era inerente, posto que constavam na GFIP das empresas MRL< ELVIDIO E VALTOIR. . Entendo que no caso, deve o auditor demonstrar a verdadeira confusão na prestação de serviços, o que no caso, serve para justificar a vinculação discutida pelo recorrente. Ademais, conforme visto acima, a suposta “terceirização”, não é cabível em atividades fim do tomador. e entendo que assim, como descrito pelo auditor, manter empresas, dentro de suas próprias instalações para cumprir etapa do seu processo produtiva, leva sim a uma confusão entre as diversas atividades desenvolvidas. Não estou dizendo com isso que uma industria tenha que desenvolver todas as fases da cadeia produtiva, mas ao trazêlas para suas próprias dependências ofertandolhes em comodado as máquinas para desenvolvimento da sua produção, com existência de reclamatórias trabalhistas (extintas por acordo), em que os reclamantes atestam a confusão no gerenciamento das atividades, outra conclusão não posso chegar, senão a de que o uso das supostas “empresas interpostas” deuse no sentido de simular a realidade dos fatos. Aliás, importante comentar uma citação trazida pelo patrono da empresa acerca da atividade de “beneficiamento dos calçados”, atividades que segundo ele, eram desenvolvidas pelas contratadas: “o Atelier de calçados pode ser definido como um pequeno empreendimento onde se confeccionam partes dos sapatos ou fases inteiras como o chamado préfabricado (que é parte do solado). NO geral, os atelieres são administrados por ex funcionários das empresas maiores, que se demitiram destas e passaram a prestar serviços de produção. Estas peças ou partes do sapato são produzidas fora da planta industrial das granes Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 16 29 fábricas calçadistas. (SCHENEIDER, S. O mercado de trabalho da indústria coureiracalçadista do Rio Grande do Sul). Observe que no exemplo transcrito, os chamados atelieres desenvolviam as atividades fora das dependências dos contratantes, justamente para que fique clara a existência de empresas distintas. ENDEREÇOS ÚNICOS Traz o auditor no item 2.5 do REFISC, que os endereços das empresas eram diferenciados em sua maioria apenas pelo número DO ANEXO, tendo sido constatado por meio de diligências que nos respectivos endereços não havia organização física das empresas, dita por contratadas como prestadora de serviços. Entendo que nesse ponto, um comentário se mostra relevante. A contratação de prestadores de serviços, conforme argumentado pelo recorrente, possibilita que os trabalhadores (prestadores) estejam prestando serviços nas empresas tomadoras em atividades “meio”, ou de limpeza, conservação e vigilância, contudo, as empresa prestadoras deve possuir sede própria, com contabilidade regular, registro de todas as suas operações financeiras e contábeis. Ressaltese ainda, que as empresas ditas pela autoridade fiscal como fictícias não possuem sede própria, encontrandoinseridas nos prédios da USAFLEX, sem que houvesse prova do pagamento de aluguéis, (alegando o recorrente, que não procedia ao pagamento dos mesmos, tendo em vista que eram valores deduzidos dos valores pagos pela prestação de serviços.). Concordo que o elemento “endereço único”, tomado isoladamente não seria suficiente para descrever a prática simulatória, caso o recorrente demonostrasse a existência de estruturas reais que demonstrassem a viabilidade dos negócios. Contudo, carreado com os demais elementos que analisaremos adiante, servem sim de subsidio para as conclusões a que chegou o auditor fiscal. AUTONOMIA DAS EMPRESAS CONTRATADAS Dando continuidade ao raciocínio exposto acima, outro fato deve ser destacado. Existe verdadeira autonomia das empresas contratadas? Ora, é nesse ponto, que se encontra a falha do recorrente em comprovar que as empresas “interpostas” eram auto suficiente e autônomas. Primeiro, uma fato trazido pelo auditor, chama nossa atenção. O que leva um empresário a explorar uma atividade empresarial e realizar um contrato de prestação de serviços? Acredito que a única resposta plausível seria “aferir lucro”. Mas, como é possível aceitar o argumento de autonomia das empresas interpostas, quando o próprio auditor demonstra que o custo da mão de obra e encargos das contratadas absorve a quase totalidade do valor do seu faturamento, variando de 75% a 97% deste. Ou seja, restou demonstrado a inviabilidade do negócio, tendo em vista, que além da mão de obra, existiriam outros custos operacionais a cargos das referidas empresas. A narrativa do auditor a este respeito encontrase descrita no item 2.8. Conforme descrito acima, houve por parte da autoridade fiscal, relato com vistas a identificar uma a uma, todos os elementos de prova, pelos quais concluiu pela inexistência de empresas de fato vinculando seus trabalhadores a empresa USAFLEX, conforme destacamos a seguir de trechos extraídos do próprio relatório fiscal: QUANTO A EXCLUSIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Também esse fato narrado pelo auditor, corrobora diversos de suas conclusões, mas não tomado isoladamente. Conforme argumenta o recorrente existiam lançamentos contábeis em nome das contratadas MRL, ELVÍDIO E VALTOIR, contudo toda a sua receita era advinda da prestação de serviços nas atividades junto a USAFLEX, o que levanos (assim como descrito pelo auditor) a uma conclusão: o ônus das despesas sempre foi arcado pela USAFLEX. Porém entendo que esse argumento, não sustentaria o lançamento tomado isoladamente. Destacase, assim como já informado anteriormente que não se trata de mera presunção, mas constatação de que as empresas não possuíam a dita autonomia gerencial, ou mesmo física, sendo que a condição de emprego era verdadeiramente prestada em nome da USAFLEXA. Observa o auditor no item 2.9 e posteriores do relatório, onde indica, que as empresas “prestadoras” não possuíam em seu ativo, máquinas e equipamentos que justificassem sua autonomia. Mesmo que se diga, que as mesmas existem no papel, ou seja, devidamente inscritas perante os órgãos governamentais, não há como afastar o fato que foram criadas para dar suporte as atividades da autuada. Senão vejamos: prestavam serviços relacionados a fabricação e acabamento de calçados, nas dependências da autuada, com equipamentos destas, prestando serviços exclusivamente. Essa situação já nos demonstra que a criação das mesmas, deuse no intuito que as mesmas prestassem serviços para autuada, o que corroborado aos aspectos que demonstram a inviabilidade de prosperidade (face a relação entre receitas e despesas). Alías assim descreveu o auditor: Observa se, como já amplamente explicitado no Relatório Fiscal do processo referido, que aquelas despesas nas quais a USAFLEX possuía interesse que as prestadoras MRL, ELVIDIO e VALTOIR assumissem como suas, estão sim contabilizadas na contabilidade destas. Frisese bem, para TODAS as prestadoras os custos com pessoal representam mais de 70% da Receita. Por sua vez, dentro do universo “despesas”, os custos com pessoal representam quase a totalidade destas. 6. Assim, o argumento apresentado pelo contribuinte em impugnação de que o fato das despesas transitarem pela contabilidade das prestadoras (MRL, ELVIDIO e VALTOIR) demonstra que as mesmas assumem o risco econômico do negócio, é falacioso. Ora, é evidente que todas as despesas, aquelas em que há interesse das envolvidas em assumir estarão lançadas nas prestadoras. E é exatamente disto que se trata, fazer transitar pela contabilidade das empresas interpostas, além das despesas diretas com pessoal, outras despesas, objetivando dissimular a realidade dos fatos e manter a “aparência” de que as prestadoras assumem o risco econômico do negócio.. 7. Para uma compreensão adequada do caso em tela, é necessária uma análise global das contabilidades das prestadoras referidas, isto é, não somente o aspecto “despesas” merece atenção, mas, também, o aspecto “receitas”. E, neste aspecto, conforme já exaustivamente demonstrado no Relatório Fiscal do processo em pauta, as receitas provém exclusivamente de serviços prestados a USAFLEX. O que significa dizer que indiretamente as despesas são suportadas por recursos Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 17 31 provindos da USAFLEX. Ou seja, há uma dependência total dos recursos desta. FATOS CONTÁBEIS RELEVANTES PARA CARACTERIZAÇÃO Com relação a contabilizações destacou o auditor no relatório fiscal complementar: 8.1.2.1. Conta aluguéis (demonstrativos de lançamentos constantes no Anexo G Valtoir, Anexo H MRL, Anexo I Elvidio) Esta conta, compõemse de lançamentos de suposto pagamento de aluguéis por parte das prestadoras à USAFLEX. Solicitados os documentos comprobatórios destes lançamentos, os contribuintes referidos limitaramse a apresentar um simples recibo sem, no entanto, apresentar o respectivo documento de liquidação o qual comprovaria de forma inequívoca que esta despesa foi custeada pela prestadora. Além disso, os contribuintes, todos representados pelo mesmo contador Sr. Nereu Theobaldo Renck, CPF 317.268.44072 explicaram por escrito não possuir tais comprovantes pois nas palavras do contador “era deduzido dos valores totais das Notas Fiscais de Industrialização por encomenda”. 8.1.2.2. Conta 3103021900002664 – Despesas jurídicas da MRL (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 3 ao TIF 2 de MRL). Conforme se depreende do demonstrativo e dos documentos apresentados pelo contribuinte os valores ali registrados referemse a pagamento de parcelas relativas a acordos trabalhistas. Os lançamentos datados de 25/04/2008, 25/06/2008, 25/07/2008 todos com valor de R$ 500,00 e 08/09/2008 com valor de R$ 380,00, possuem como contrapartida a conta número 2106010160002 – USAFLEX. Conciliando os mesmos com os lançamentos registrados na conta 1101020500000013 – Caixa Econômica Federal, verifica se nas datas mencionadas a existência de depósitos efetuados pela USAFLEX em favor da MRL, em valores idênticos aos referidos. Sendo que o depósito do valor de R$ 380,00 ocorreu em 28/08/2008. Assim, percebeuse uma vinculação muito específica dos adiantamentos da USAFLEX com as despesas da empresa referidas. A partir disto decidiuse analisar a conta bancos das três prestadoras. 8.1.2.3. Conta bancos: da análise desta conta tanto para Valtoir como para Elvidio e MRL foi possível observar uma sistemática bastante interessante dos lançamentos nelas constantes. Conta contábil número 1101020300000011 – Banco Bradesco S/A C/C Valtoir (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 5 ao TIF 2, Valtoir Nunes Fl. 2683DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 Fagundes). Deste demonstrativo selecionamos a título exemplificativo alguns lançamentos conforme segue: Na data 03/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 35.000,00.. Por sua vez em 04/01/2008, utilizando a mesma conta o contribuinte VALTOIR pagou salários no valor de R$ 34.550,00. Em 17/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 28.000,00. No dia seguinte 18/01/2008 a Valtoir efetuou adiantamento de salários no montante de R$ 27.741,00. No dia de 31/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 31.000,00. Na mesma data a Valtoir transferiu R$ 30.994,00 para as contas dos funcionários para pagamento de salários. Em 22/02/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 12.300,00. Na mesma data a Valtoir pagou energia elétrica no valor de R$ 12.299,46. Na data de 05/03/2008 a USAFLEX transferiu para a conta referida R$ 44.377,00.Neste dia a Valtoir pagou os salário do mês 02/2008 através de transferência para a conta dos funcionários num montante idêntico de R$ 44.377,00 Conta número 1101020100000009 – Banco do Brasil S/A – C/C – Valtoir (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 3 e 6 ao TIF 2 da Valtoir Nunes Fagundes). Deste demonstrativo selecionamos a título exemplificativo alguns lançamentos conforme segue: Em 19/06/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 3.472,00. No dia seguinte o contribuinte Valtoir transferiu da mesma conta os mesmos R$ 3.472,00 para as contas dos funcionários a título de adiantamento de salário. Em 04/09/2008 a USAFLEX transferiu R$ 6.485,00 para esta conta. Em 05/09/2008 a empresa Valtoir fez transferência para as contas dos funcionários a título de pagamento de salários no valor de R$ 6482,00. Em 06/01/2009 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 13.300,00 e em 07/01/2009 a Valtoir pagou salário dos funcionários via transferências da mesma conta no valor de R$ 13.210,00. No dia 02/04/2009 a USAFLEX transferiu para a mesma conta R$ 21.000,00. No dia seguinte o contribuinte Valtoir efetuou transferências para as contas dos funcionários nos valores de R$ 1.924,00 e R$ 19.029,00, perfazendo um montante de R$ 20.953,00. Conta número 1101020300000011 – Banco Bradesco S/A C/C da MRL (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 4 ao TIF 2 da MRL). Dada a similaridade dos lançamentos em todas as competências, mencionamos apenas dois a título de exemplo: Em 04/01/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No mesmo dia o banco debitou nesta conta o Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 18 33 valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL “Seguros”. Em 06/02/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No dia 29/02/2008 o banco debitou nesta conta o valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL “Seguros”. Conta número 10101020513 – Caixa Econômica Federal – C/C da ELVIDIO (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 4 ao TIF 2 da ELVIDIO). Em 22/06/2009 a ELVIDIO emitiu cheque no valor de R$ 13.794,73 para pagamento de DARF e empréstimo de funcionários. Na mesma data recebeu nesta conta um depósito da USAFLEX no montante de R$ 13.800,00. Em 25/06/2009 constam lançados os seguintes pagamentos feitos pela ELVIDIO, R$ 6.043,95, título da Gutten Appetit Alimentação, R$ 166,27 referente a adiantamento de salários, R$ 56,85 multa rescisória do FGTS e R$ 328,64 referente a pagamento de verbas rescisórias a funcionário, perfazendo um total de R$ 6.595,71. Na mesma data a USAFLEX efetuou transferência bancária para esta conta no valor de R$ 6.600,00 8.1.2.4..Observese que, embora a contrapartida para esta transferência de recursos seja a conta adiantamento de fornecedores, a qual posteriormente é conciliada com a conta industrialização por encomenda, procedimento regular, portanto, o que chama a atenção neste caso é o número de adiantamentos, com valores muitos específicos similares ou idênticos aos das despesas pagas pelas prestadoras e em datas também similares ou idênticas à liquidação das despesas das prestadoras. 8.1.2.5. O que se conclui é que a USAFLEX vai “abastecendo” ou liberando os recursos, não na medida em que a industrialização por encomenda vai ocorrendo como seria usual, e sim na medida em que despesas das prestadoras vão ocorrendo. Em outras palavras, o que comanda a liberação destes recursos é a necessidade de pagamento das despesas das prestadoras. 8.1.2.6. Nas explicações aos Anexos 3, 4, 5 e 6 ao Termo de Intimação Fiscal 2 de Valtoir Nunes Fagundes, aos Anexos 3, 4, 5 e 6 de MRL e 3, 4, 5 e 6 de Elvidio Luiz Dill, o contador afirma que “os lançamentos foram efetuados sob Adiantamento do Fornecedor para pagamento das despesas inerentes do Atelier”. Reforçando, assim, nosso entendimento. Quanto a alegação de que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos praticados não foram realizados ou não eram válidos. Também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há que se falar em dissimulação, não lhe Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 confiro razão. A leitura dos aspectos contábeis, assim, transcritos, levase sim, a conclusão de uma simulação oculta por parte da USAFLEX. E AS CONTRATADAS. Em uma negociação comercial, sem que as empresas tenham correlação, verificamos, a existência não apenas de uma contabilidade regular, mas em especial do lançamento de todas as despesas e o lançamento das receitas obtidas com vendas, mas no momentos em que cumprido os cronogramos de produção (assim, como mencionado pelo auditor). Essa série de adiantamentos a fornecedores, em momante igual as suas folhas de pagamentos, ou outras despesas, (como acordos trabalhistas), apenas ratificam, o que já podese concluir. Não existe uma administração independente de seu ativo e passivo, já que as próprias despesas operacionais básicas (FOPAG, por exemplo), são repassadas, nas datas em que são quitadas, por meio de contas bancárias. Isso, no meu entender, demonstra uma administração das contratadas pela autuada. DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS – CONFIGURAÇÃO DE GERENCIAMENTO ÚNICO. Descreveu a autoridade fiscal em seu relatório complementar fl. 2493: 8.2.2.1. No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: “A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor.” “Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada” (grifamos) 8.2.2.2. Da mesma forma, no processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho....” “A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade” (grifamos) 8.2.2.3. No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 19 35 ré, formam um grupo empresarial” “A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)” “Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção..” “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés” “As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos” “Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal...” Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “...todas as rés pertencem ao mesmo grup econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade” “Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés.” (grifamos) e) Já na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada Valtoir Nunes Fagundes, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: “A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários” 8.2.2.5. Os trechos acima transcritos, frisamos, referemse a uma pequena amostragem de ações trabalhistas tendo sido encontrados termos similares em diversas outras ações, as quais não foram citadas aqui em virtude do volume de documentos que isso geraria. Citese também que o argumento do recorrente de que as informações constantes em reclamatórias são inverídicas, não condiz com os fatos narrados pelo auditor e pelo próprio recorrente, posto que foram apresentadas diversos outros elementos no processo, mencionadas pelo auditor. GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS DISPONÍVEIS 8.2.3.1.Analisando os documentos apresentados pelos contribuintes para comprovação dos lançamentos contábeis das contas acima mencionadas, verificamos que em todos os recibos de adiantamento a fornecedores por nós analisados emitidos por MRL, VALTOIR e ELVIDIO consta a assinatura da Sra Sueli Marmitt. Por oportuno, informamos que Sueli Marmitt é contabilista da USAFLEX, tendo sido ela inclusive a assinar o Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 36 Termo de Início de Procedimento Fiscal junto a USAFLEX conforme fls 74 do presente processo. Interessante observar que tais recibos são documentos emitidos pelas prestadoras referidas, pois são elas que devem atestar que receberam aqueles adiantamentos e, portanto, é a assinatura das mesmas nas pessoas dos seus representantes legais que deveria constar nestes recibos. No entanto, observase que quem assina é Sueli e abaixo da sua assinatura é preenchido apenas o nome das prestadoras MRL, VALTOIR ou ELVIDIO. 8.2.3.3. Verificamos, ainda, a existência de Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho (doc anexo) de segurados empregados das prestadoras nos quais a Sra. Sueli assina no local destinado à assinatura do empregador . 8.2.3.4. Também constatamos que os cheques administrativos por nós analisados referentes a lançamentos nas contas supra citadas possuem duas rubricas, uma delas é, invariavelmente, a da Sra Sueli Marmitt com as iniciais “SM”. A convicção de que a rubrica de tais cheques pertence a ela foi obtida através do cotejamento visual entre as rubricas ali colocadas e as rubricas constantes nos contratos de industrialização por encomenda nos quais Sueli assinou e rubricou como testemunha. A cópia de tais documentos consta às fls 159 a 164 do processo em questão, 8.2.3.5. Tais cheques pertencem as prestadoras e foram emitidos para pagamento de despesas lançadas na contabilidade destas. Normalmente quem rubrica esse tipo de cheque nas empresas são aqueles que detém capacidade decisória para liberar ou não tais recursos. A rubrica de Sueli nos mesmos configurase em mais um claro indício de ingerência da USAFLEX nos negócios da MRL, ELVIDIO e VALTOIR. Ou seja, observase a designação de um empregado da USAFLEX, como responsável pelas contas das prestadoras. Novamente, não consegue o recorrente demonstrar a suposta autonomia gerencial, valendo da estrutura da USAFLEX, não apenas para arcar com o pagamento de suas despesas, mas tendo um de seus subordinados como responsável pela contabilização e administração financeira do seu negócio. DOS SÓCIOS DA EMPRESA DITAS COMO “PRESTADORAS DE SERVIÇOS”. Quanto a este item, descreveu o auditor também em item próprio do seu relatório os aspectos de convencimento inerentes a relação de sociedade, fl. 4599. CONCLUSÃO ACERCA DA PRÁTICA SIMULATÓRIA Na verdade o que se vislumbrou foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos – SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitável esse tipo de atitude, se constatado ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. O que ocorreu durante o procedimento fiscal, por meio de diversos elementos de prova, observados pontualmente e em loco (não por mera presunção) foi a constatação, por Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 20 37 parte do auditor fiscal, de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa USAFLEX Assim, entendo conforme descrito pela autoridade fiscal, que o liame empregatício entre os supostos sócios e os empregados das supostas “prestadoras de serviço” sempre existiu havendo, como dito anteriormente verdadeira CONFUSÃO entre os serviços prestados pela empresa notificada – USAFLEX e todas as empresas que lhe prestavam serviços descritas no presente AI. Importante observar que o recurso do recorrente em nada rebate pontualmente os argumentos aqui trazidos, buscando tão somente desqualificar o trabalho de auditoria, alegando tratarse de presunção, o que discordo veementemente. De posse de todo o detalhamento exposto pela empresa poderia a mesma rebater ponto a ponto trazido pelo auditor fiscal, o que não o fez, razão porque deve ser mantido o lançamento, quanto a inclusão de todos os empregados das empresas “dita pelo recorrente como prestadoras de serviços”, como verdadeiros empregados da empresa USAFLEX, face o liame fático e jurídico que os vincula. DO APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS Quanto ao pedido de aproveitamento dos valores recolhidos na modalidade do SIMPLES, embora pessoalmente entenda por essa impossibilidade, face os regime de tributação ser distinto, acato o entendimento expresso na súmula n. 76 do CARF, posto a regra apli descrita aplicarse ao caso de simulação do SIMPLES ora sob julgamento: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. DEBCAD 37.345.2802 E 37.345.2810 Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 38 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 87 a 89. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 21 39 Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. \ Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao em relação aos DEBCADS Nº 37.303.4296, para que sejam apropriados os recolhimentos feitos pela sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei , e no mérito em relação aos DEBCADS 37.303.4300, 37.345.2802 E 37.345.2810 NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 40 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso divergir do excelente voto da Relatora Elaine Cristina Monteiro quanto ao mérito da contenda. Para mim, o fisco não logrou comprovar a vinculação direta existente entre os trabalhadores e a empresa autuada. Corriqueiramente essa Turma tem se deparado com casos em que o Fisco caracteriza como empregados da empresa autuada segurados que formalmente mantinham vínculo com empresa optante pelo Simples, supostamente criada no intuito de absorver mão de obra da real empregadora, reduzindo os recolhimentos para a Seguridade Social. Nessas situações temos adotado duas soluções conforme conjunto probatório carreado pelo Fisco para demonstrar a simulação. Quando este logra comprovar que efetivamente os empregados da empresa “de fachada” prestavam serviço para a empresa autuada, admitimos a caracterização direta com o verdadeiro empregador, com esteio no § 2.º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, assim redigido: Art. 229 (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Situação diversa ocorre quando o Auditor Fiscal não consegue nos convencer de que os trabalhadores da empresa optante pelo Simples prestavam serviço à empresa fiscalizada, mas apresenta indícios da ocorrência de desmembramento de pessoa jurídica para que uma ou mais empresas cindidas pudessem se enquadrar no regime simplificado de pagamentos de tributos. Para esses casos, temos entendido que o Fisco teria que provocar o processo de exclusão da empresa do Simples e, somente depois do desfecho do mesmo, lançar as contribuições patronais em nome da empresa excluída e chamar a empresa não optante para ocupar o polo passivo na condição de responsável solidária. A situação fática que nos é posta leva ao entendimento de que estamos diante da segunda hipótese, ou seja, o Fisco não conseguiu se desincumbir do ônus de demonstrar que os trabalhadores das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR efetivamente laboravam para a USAFLEX. Verifico que as evidência apresentadas pelo fisco para chegar à conclusão de que as empresas prestadoras de serviço inexistiam de fato, mas eram apenas parte de uma estratégia engendrada pela tomadora para reduzir a carga tributária, fincamse em diversas premissas. Essas podem ser resumidas em autuação na mesma área geográfica, vinculação dos Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 22 41 sócios das prestadoras com a autuada, exclusividade na prestação dos serviços, excessivo peso da mãodeobra nos custos das prestadoras, existência de reclamatórias trabalhistas, inexistência de estrutura fabril pelas prestadoras, confusão operacional e financeira. Conforme já ponderei acima, tenho, nesses casos, centrado a minha atenção majoritariamente nos elementos que tragam convicção sobre a existência de trabalhadores das empresas prestadoras sob o comando a tomadora dos serviços. Isso não consegui visualizar na presente lavratura. Acerca da existência de empregados das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR laborando para USAFLEX o fisco apresenta unicamente algumas reclamatórias trabalhistas em que no polo passivo figuravam contratante e contratada. Independentemente do desfecho desses processos trabalhistas, que a recorrente alega terem sido declarados improcedentes, chamame a atenção o fato de que os argumentos das peças iniciais estão mais a indicar a existência de grupo de empresas que contratação de trabalhadores por empregador de fachada. Peço licença para transcrever excerto do relatório fiscal, inclusive já transcrito no voto da Relatora. Vejamos: “8.2.2.1. No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: “A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor.” “Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada” 8.2.2.2. Da mesma forma, no processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho....” “A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade”. 8.2.2.3. No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 42 DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira ré, formam um grupo empresarial” “A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)” “Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção..” “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés” “As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos” “Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal...” Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “...todas as rés pertencem ao mesmo grupo econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade” “Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés.” (grifamos) e) Já na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada Valtoir Nunes Fagundes, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: “A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários” 8.2.2.5. Os trechos acima transcritos, frisamos, referemse a uma pequena amostragem de ações trabalhistas tendo sido encontrados termos similares em diversas outras ações, as quais não foram citadas aqui em virtude do volume de documentos que isso geraria.” Verificase que em nenhum dos casos apresentados os trabalhadores afirmam que eram empregados da USAFLEX, mas asseveram que as duas empresas devem ser chamadas a responder pelas dívidas trabalhistas por fazerem parte de um mesmo grupo econômico. Sempre a primeira reclamada é a empresa prestadora de serviço. Ora se de fato essas empresas não existissem as reclamatórias seriam direcionadas diretamente para o verdadeiro empregador. Não é o que se vê dos autos. Os argumentos transcritos são típicos de processos trabalhistas em que ocorre terceirização de serviços ou existência de grupos de empresas. Os trabalhadores buscam Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 23 43 sempre mais garantias para os seus créditos acionando também a tomadora dos serviços ou outras empresas do mesmo grupo empresarial. De se concluir que o conjunto probatório colacionado pelo Fisco é capaz de demonstrar o íntimo relacionamento entre as empresas, com fatos que até denunciam a existência de grupo econômico de fato, nada mais. Além de que no ramo de confecção de calçados, como bem explicitado no recurso é bastante comum a prática desse tipo de configuração, ressaltandose o fato de que as empresas mencionadas no relatório fiscal não eram as únicas que prestavam serviços à recorrente. Assim, a partir de todos os elementos presentes nos autos e da singularidade no ramo empresarial em que atuam as empresas, entendo que o lançamento é improcedente, pelo fato do Fisco não haver demonstrado que os empregados das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR de fato prestavam diretamente serviço à empresa autuada. Conclusão Voto, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10140.720025/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não indica na peça de defesa os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ABRANGÊNCIA.
Somente áreas tipificadas como Área de Preservação Permanente na forma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771/65 podem ser excluídas da base de cálculo do ITR.
VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE.
Nos termos dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT.
Numero da decisão: 2201-002.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não indica na peça de defesa os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ABRANGÊNCIA. Somente áreas tipificadas como Área de Preservação Permanente na forma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771/65 podem ser excluídas da base de cálculo do ITR. VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Nos termos dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 25 /2 00 7- 67 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio da Notificação de Lançamento nº 01401/00013/2006 lavrada em 20/09/2006, exigiuse do contribuinte AGROPECUÁRIA GLIMDAS ITR complementar, referente ao do exercício de 2004 do imóvel rural denominado Fazenda Sete no Município de Miranda/MS. O lançamento decorreu da não comprovação de Área de Preservação Permanente (APP) e Valor da Terra Nua (VTN). O Contribuinte tomou ciência em 26/09/2006 conforme fls. 44 e certidão de fls. 67, vindo a apresentar, em 26/10/2006, Impugnação (fls. 45) argumentando em suma o que se segue: · Houve ilegal inversão do ônus da prova, pois, de acordo com o disposto no §7º acrescido ao art. 10 da Lei nº 9.393/96, o contribuinte está dispensado da comprovação prévia das áreas de reserva legal e preservação permanente. Foi atendida a intimação para comprovação das áreas de preservação permanente do VTN declarados e não restou comprovado que a declaração não é verdadeira. · A área de preservação permanente não é tributável e, independentemente de quaisquer condições é excluída da área tributável do imóvel, conforme inciso II do art. 10 da Lei n ° 9.393/1996, sendo restrito o direito de propriedade nessa área, conforme artigos 2° e 3º do Código Florestal, assim como a mesma e inaproveitável, devendo retornar o grau de utilização para 100%. · A Certidão do CRI demonstra em seu R27.071, de 23 de abril de 1998, que a interessada adquiriu o imóvel em 02/01/1997, "por contrato social registrado na Junta Comercial, sendo avaliado, com todas as benfeitorias, em R$ 4.803.420,91, por cisão da Nova Miranda Agropecuária Ltda. A interessada demonstra em seu balanço os valores contábeis válidos para o dia 31 de dezembro de cada ano, o que se reflete no VTN, conforme comando do art. 8ª da Lei n.° 9.393/1996, ficando comprovado que é verdadeiro o VTN declarado. Em 14/03/2007, às fls., 69 o Delegado da Receita Federal efetuou o cancelamento da notificação de lançamento 01401/00013/2006 que deu origem ao processo nº Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720025/200767 Acórdão n.º 2201002.321 S2C2T1 Fl. 3 3 10768.7200161/200607 em virtude de erro de identificação da autoridade tributária relacionada no documento, promovendo, nesta data nova Notificação de Lançamento nº 01401/00010/2007, que gerou o processo em epígrafe (10140.720025/200767), conforme Termo de Informação da Notificação de Lançamento de fls. 70. O processo nº 10768.7200161/200607 foi apensado ao presente processo por anexação às fls. 36 a 68, conforme certidão de fls. 03. Nesta senda a nova Notificação de Lançamento nº 01401/00010/2007 de fls. 04 lavrada em 14/03/2007, exige do Contribuinte o montante de R$ 3.029.859,23 de imposto, R$ 1.168.919,69 de juros de mora e R$ 6.471.173,34 de multa de ofício (atualizados até a lavratura do auto de infração), referente ao ITR do exercício de 2004 incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Sete no Município de Miranda/MS em razão da não comprovação de APP e VTN. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 05 relata: · O contribuinte apresentou laudo comprovando área total de 777,02 ha como Área de Preservação Permanente (APP) – áreas ao longo de córregos. Considerou também como APP 19.138,48 ha de áreas de vazantes, úmidas, lagoas e nascentes intermitentes, áreas glosadas pela autoridade lançadora por não serem consideradas como APP pela Lei nº 4.771/65 e Lei nº 7.803/89. · O laudo apresentado pelo contribuinte para comprovar o VTN do imóvel não atende o item 9.2.3.5 da norma ABNT NBR 146353/2004, que exige no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados, razão pela qual o VTN inicialmente de R$ 3.963.794,82 foi arbitrado com base no SIPT no valor de R$ 32.326.823,02. O Contribuinte foi notificado pelos correios em 11/04/2007, conforme página dos correios de fls. 10 e aviso de recebimento de fls. 73, tendo apresentado em 14/05/2007 às fls. 11 ratificação a Impugnação anteriormente prestada, vindo a aduzir: · Ilegalidade da documentação solicitada na intimação, tendo em vista que o parágrafo 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/96 , estabelece que o contribuinte está dispensado de comprovação prévia da APP. · A área de 19.138,48 ha, constante como preservação permanente no Laudo Técnico e não aceita pela fiscalização, é área prevista nas alíneas b e c do artigo 2° da Lei n° 4.771/1965, (Código Florestal) como preservação permanente, devendo ser excluída da área tributada do imóvel. · Com relação ao VTN, afirma que adquiriu a área em 1997 pelo valor de R$ 4.803.420,91 e o VTN é apurado anualmente na contabilidade através do balanço patrimonial. Assim, deve ser considerado o VTN declarado que condiz com a realidade. · Ilegalidade na versão do ônus da prova quanto ao ônus do contribuinte em comprovara Área de Preservação Permanente e Valor da Terra Nua, quando a fiscalização afastar os meios de prova produzidos pelo contribuinte, vindo a ressaltar que são variados os meios de prova para os itens susomencionados. Tendo em vista que o Contribuinte tomou ciência em 11/04/2007, conforme AR de fls. 73 e sua Impugnação só ocorreu em 14/05/2007 foi lavrado contra o contribuinte Termo de Revelia às fls. 76. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A Delegacia da Receita Federal de Campo Grande/MS – SACAT emitiu Parecer n.º 833/2007 de fls. 119 propondo o indeferimento do pleito do contribuinte pelos seguintes razões de direito: · O art. 14 da Lei nº 9.393/96 prevê que a Secretaria da Receita Federal procederá ao lançamento de ofício caso seja constada alguma irregularidade na DITR, podendo solicitar ao contribuinte qualquer documento necessário a comprovação das informações na DITR conforme art. 44 da IN SRF nº 256/2002. Logo, o contribuinte tinha a obrigação de apresentar a documentação solicitada para demonstrar a veracidade dos dados informados. · As APP previstas no art. 2º da Lei nº 4.771/65 abrogada são as áreas ao redor das lagoas, não havendo previsão para se considerar as próprias lagoas ou áreas de vazantes como preservação permanente. · O §2º do art. 8º da Lei nº 9.393/96 determina que o VTN deve refletir o preço de mercado em primeiro de janeiro do ano da declaração e não o preço de aquisição do valor do imóvel. O Contribuinte tomou ciência do Parecer nº. 833/207 proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande em 27/07/2007 conforme aviso de recebimento de fls. 124. O Contribuinte apresentou, em 22/10/2007, às fls. 127, nova petição endereçada ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Campo Grande, aduzindo: · Cerceamento do direito de defesa, pois compareceu a DRF/Campo Grande para ter vista do processo, mas lhe foi informado que se tratava de processo eletrônico cujos autos estavam na DRF/Cuiabá e não poderia ter acesso ao processo. · O cancelamento da primeira notificação de lançamento, que correia no processo nº 10768.7200161/200607, foi desnecessária já que em sua primeira Impugnação, que estava tempestiva, não questionou a legitimidade da autoridade lançadora e que o erro na identificação da autoridade lançadora não seria fato caracterizador de nulidade. · O Despacho Decisório que cancelou a notificação original padeceu de vício, já que não esclareceu os atos alcançados e as providências necessárias ao prosseguimento do processo, como determina os parágrafos 2° e 3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. · Assim, como sua primeira Impugnação foi tempestiva e instaurou a fase litigiosa e a segunda notificação foi desnecessária e o Despacho Decisório sofreu de vício, a segunda Impugnação deveria ser considera somente ratificação da primeira e considerada também tempestiva. A Delegacia da Receita Federal de Campo Grande/MS – SACAT emitiu em 30/11/2007 Parecer nº 1010/2007 de fls. 141 propondo o indeferimento do pleito do Contribuinte pelas seguintes razões de direito: · O fato do processo não estar na DRF/Campo Grande no momento em que o contribuinte compareceu a esta unidade, não impediu o contribuinte de se defender no processo, pois tomou ciência do lançamento em 11/04/2007. · O inciso IV juntamente com o parágrafo único, ambos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72 determinam que a notificação de lançamento conterá obrigatoriamente a indicação do chefe do órgão expedidor que administra o tributo, no caso a Delegacia da Receita Federal de Campo Grande/MS. Como na primeira notificação houve erro na identificação do Delegado desta DRF, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720025/200767 Acórdão n.º 2201002.321 S2C2T1 Fl. 4 5 a notificação teve que ser cancelada para ser emitida outra notificação de lançamento sanando o vício. · Quanto ao vício no despacho decisório, o despacho é claro ao informar que a primeira notificação estava sendo cancelada e outra notificação estava sendo emitida substituindo integralmente à primeira. O crédito tributário foi encaminhado à PGFN para inscrição em dívida ativa conforme documento de fls. 158. Às fls. 160 foi juntado o Termo de Inscrição em Dívida Ativa. O Ofício nº 487/2008 – SRF/DRFCGE/Sacat/1ª RF de 29/08/2008, às fls. 165, solicitou o retorno dos processos ns° 10140.720024/200712, 10140.720025/200767 e 10140.720026/200710 com baixa das inscrições do Contribuinte, tendo em vista o Mandado de Segurança n° 200860000013934 impetrado pelo Contribuinte. Às fls. 166 foi juntado Mandado de Intimação endereçado ao Delegado da Receita Federal em Campo Grande para tomar ciência da sentença proferida pela 1ª Vara Federal de Campo Grande, nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.60.00.0013934 onde se deu efeitos infringentes aos embargos de declaração à sentença embargada concedendo a segurança, resumidamente pelas seguintes razões de direito: · Embora tenha ocorrido um novo lançamento, a Delegacia da Receita Federal não efetuou o cancelamento do primeiro lançamento, mas apenas o cancelamento da primeira notificação de lançamento. Assim, uma vez que o crédito tributário já estava lançado, e não tendo havido cancelamento do lançamento, mas tão somente da sua notificação, não havia razão para deixar de conhecer da Impugnação já apresentada. · Apontou que lançamento e sua notificação não se confundem. A finalidade da notificação é levar ao conhecimento do contribuinte o fato do lançamento, para que possa exercer o seu direito de defesa. O lançamento de um crédito já lançado com uma nova notificação foi considerado nulo. · Desta feita, considerou tempestiva e válida a primeira Impugnação não podendo deixar de ser reconhecida, concedendo assim a segurança declarando suspensa a exigibilidade do crédito tributário e determinando a autoridade impetrada que remeta a Impugnação apresentada pela impetrante à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação. A 1ª Turma da DRJ/CGE através do acórdão nº 0418.162 de 17/07/2009, manteve o lançamento nos seguintes termos: · O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 dispensa a prévia comprovação dos dados declarados por ocasião da entrega da DITR, o que é observado pela Receita Federal. Todavia, não dispensa o contribuinte de comprovar o declarado, quando assim solicitado pelo Fisco, e tampouco afasta a atribuição da autoridade fiscal de proceder à verificação desses dados e de efetuar o lançamento de ofício, se o contribuinte não lograr êxito em comprovar, quando solicitado, que os dados declarados correspondem à situação existente no imóvel na data do fato gerador do ITR. · O contribuinte além da área APP de 777,02 ha considera também como APP as áreas úmidas, próxima ao rio Aquidauana (cuja faixa marginal corresponde à preservação permanente que já tinha sido considerada na área de 777,02 ha aceita pela autoridade fiscal) e que estão Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 localizadas no Pantanal e ficam permanentemente alagadas, características que não definem APP, na forma do Código Florestal. · Os imóveis localizados no Pantanal que possuem áreas alagáveis, as quais, não ficam alagadas durante o ano todo não tem sua exploração econômica totalmente inviabilizada. Tal situação já é considerada pela legislação tributária ao prever índice de produtividade para imóveis situados no Pantanal bem inferiores aos fixados para o resto do país. Afastadas as áreas não tributáveis, as demais áreas do imóvel são tributadas normalmente pelo ITR. · O valor contábil do imóvel não reflete o valor de mercado em cada exercício, assim o valor do imóvel registrado na contabilidade da empresa não é prova da apuração do VTN na data do fato gerador. O procedimento utilizado pela fiscalização está tipificado no art. 14 da Lei nº 9.393/96, onde o valor do SIPT só é utilizado quanto, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado. O laudo apresentado em atendimento à intimação fiscal foi rejeitado por não observar as determinações contidas na NBR 146353/2004 da ABNT, não vindo o contribuinte a apresentar outro laudo para suprir as deficiências. Destacou que os imóveis parâmetros estavam situados no município de Corumbá enquanto o imóvel ora em tela está situado no município de Miranda. O Contribuinte tomou ciência do acórdão nº 0418.162, em 24/07/2009, às fls. 192, vindo a apresentar Recurso Voluntário em 20/10/2009, às fls. 194, requerendo o que se segue: · O §7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996 preceitua que o contribuinte está dispensado da comprovação prévia das áreas de reserva legal e preservação permanente, vindo a ser responsabilizado caso fique comprovado que sua declaração não é verdadeira. A comprovação de que a declaração não é verdadeira compete ao fisco, bastando para o gozo do benefício fiscal a simples declaração do contribuinte. · A autoridade do laudo técnico acostado aos autos do processo administrativo com todas as formalidades legais atendidas não foi contestada por prova pericial ou qualquer outra prova idônea da inexistência das áreas declaradas como isentas. · Ausência de provas produzidas pelo fisco quanto à inexistência a área de preservação permanente discriminadas no Laudo Técnico e na declaração apresentada ao IBAMA. · Quanto ao VTN o lançamento descumpriu o art. 9º do PAF e os art. 8º e 14 da Lei nº 9.393/96, pois compete ao fisco o ônus de provar a falsidade na declaração demonstrando a subavaliação ou qualquer outro tipo de fraude quanto ao VTN declarado. O fato das referências valorativas estarem no município de Corumbá não é suficiente para exasperação da exigência tributária, pois a propriedades compreendidas no Pantanal sulmatogrossense têm seus preços equivalentes. · Alternativamente requereu a produção de perícia técnica para apuração das verdades e fatos alegados pelo fisco no lançamento caso compreendase que há provas do fisco contra o lançamento por homologação efetuado pela recorrente de modo a macular o Laudo Técnico apresentado. É o relatório. Voto Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720025/200767 Acórdão n.º 2201002.321 S2C2T1 Fl. 5 7 I. Da Preliminar I.1. Pedido de Perícia O Contribuinte requer a produção de perícia técnica para apuração das verdades e fatos alegados pela fiscalização, no tocante à desconsideração do Laudo Técnico apresentado. De acordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a requisição de perícia pelo contribuinte na Impugnação deve ser acompanhada dos quesitos a serem analisados, bem como o nome, endereço e qualificação do profissional que exercerá a perícia. Confirase. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Desta feita, como tais requisitos legais não foram observados na peça recursal, rejeito o pedido de perícia. II. Do Mérito II.1. Da Área de Preservação Permanente A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento relata que foi glosada a área de 19.138,48 ha considerada pelo Contribuinte como Área de Preservação Permanente, pois as áreas de vazantes, úmidas, lagoas e nascentes intermitentes não se encontram tipificadas como APP na forma da Lei nº 4.771/65 e Lei nº 7.803/89. O Laudo Técnico entregue pelo Contribuinte, às fls 98, relata: 1. Áreas de preservação permanente existentes numa faixa de 30,00 metros de cada lado dos cursos d'água (Córrego Boné, Córrego Touro Morto, Córrego Latrina e Cabeceiras sem denominação) existentes dentro da propriedade e numa faixa de 100,00 metros existente ao longo do Rio Aquidauana (largura do Rio . varia de 100,00 a 140,00 metros): Área considerada (01): 777,02 hectares. 2. Áreas de preservação permanente existentes ao redor de nascentes ou olho d'água ainda que intermitentes com raio mínimo de 50,00 metros e ao redor de lagoas (permanentes e sazonais), corixos e vazante. As áreas de preservação permanente considerada abrange nascentes intermitentes, lagoas e principalmente área de vazantes, que são áreas úmida que recebem grande quantidade de água e que está próxima ao Rio Aquidauana (está definida na planta de uso do solo parte integrante deste laudo técnico). Dessa forma essas áreas consideradas de preservação permanente não estão cercadas, pois economicamente ou operacionalmente se torna inviável devido a extensão da área. A área Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 considerada de preservação permanente está localizada no Pantanal baixo com áreas permanentemente alagadas e que está próxima ao Rio Aquidauana. Embora o tópico 2 se referia ao entorno, a avaliação procedida afirma que a APP abrange, não só o entorno, mas a própria nascente intermitente, lagoa e área de vazantes, demonstrando ser um complemento do tópico 1 que aborda o entorno. A 1ª Turma da DRJ/CGE também chegou a esta constatação ao analisar o item 2 susumencionado do Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte. Confirase: “Vêse que o profissional iniciou a descrição da área em questão identificandoa com as mesmas características da área de preservação permanente já aceita pela autoridade fiscal, como estando localizada ao redor de cursos d'água, lagos, corixos, etc., o que está de acordo com as características previstas no Código Florestal para essas áreas, mas, em seguida, deixa claro que a dimensão considerada abrange também áreas úmidas, próximas ao rio Aquidauana (cuja faixa marginal correspondente à preservação permanente já tinha sido considerada na área de 777,02 ha. aceita pela autoridade fiscal), e que estão localizadas no Pantanal e ficam permanentemente alagadas, características que não definem áreas de preservação permanente, conforme dispositivos do Código Floresta acima transcritos. Com • base no mapa e laudo técnico apresentados pela contribuinte é possível concluir que foram somadas como de preservação permanente, para se chegar ao total pretendido de 19.138,48 ha., áreas que não correspondem à definição legal. Do exposto, há que se reconhecer que o interessado não logrou comprovar efetivamente que a área de' preservação permanente existente no imóvel é superior à aceita no lançamento de ofício.” O Contribuinte alega que por força do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 o ônus quanto a comprovação de que a declaração do contribuinte não é verdadeira compete ao fisco, prova esta não produzida pela Autoridade Lançadora. “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001).” Todavia, o ponto de divergência entre Contribuinte e autoridade fiscal, no caso em tela, não reside na existência de lagos, nascentes, matas ciliares ou afins. A Autoridade Lançadora e o Acórdão recorrido não contestam a existência dos acidentes geográficos descritos no Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte, mas sim, quais destes acidentes se subsumem nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771/65: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d'água, em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 5 (cinco) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura: 2 igual à metade da largura dos cursos que meçam de 10 (dez) a 200 (duzentos) metros de distancia entre as margens; 3 de 100 (cem) metros para todos os cursos cuja largura seja superior a 200 (duzentos) metros. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720025/200767 Acórdão n.º 2201002.321 S2C2T1 Fl. 6 9 1. de 30 (trinta) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 2. de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 3. de 100 (cem) metros para os cursos d’água que meçam entre 50 (cinqüenta) e 100 (cem) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 4. de 150 (cento e cinqüenta) metros para os cursos d’água que possuam entre 100 (cem) e 200 (duzentos) metros de largura; igual à distância entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200 (duzentos) metros; (Incluído dada pela Lei nº 7.511, de 1986) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, mesmo nos chamados "olhos d'água", seja qual for a sua situação topográfica; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos taboleiros ou chapadas; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, nos campos naturais ou artificiais, as florestas nativas e as vegetações campestres. a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. (Incluído pela Lei nº 6.535, de 1978) (Vide Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Desta feita, a análise em questão não aborda matéria fática, mas sim matéria de direito, o fato é incontroverso, razão pela qual não se acolhe o argumento levantado pelo Contribuinte quanto à ausência de provas da autoridade lançadora para desconsiderar as informações apresentadas. A literalidade do art. 2º e 3º da Lei nº 4.771/65 é de clareza hialina, ao incluir como APP apenas a vegetação. Desta feita, entendo que a área de 19.138,48 ha não deve ser considerada como APP, uma vez que os referidos acidentes geográficos não estão previstos no art. 2º e 3º da Lei nº 4.771/65. II.2. Do Valor da Terra Nua A Autoridade Lançadora aponta que o Contribuinte não comprovou o VTN declarado, pois o Laudo Técnico apresentado não atende o item 9.2.3.5 da norma ABNT NBR 146353/2004, que exige no mínimo 05 dados de mercado efetivamente utilizados, e que embora a quantidade de amostra coletadas tenha sido de 07, após sanar a mesmas, resultaram 03 amostras: “Valoração da Terra Nua: Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, apresentado pelo contribuinte, foi elaborado de forma a não atender o que está preconizado na norma ABNT NBR 14635 3:2004 , mais precisamente quanto ao item 9.2.3.5 que exige no mínimo cinco dados de mercado e efetivamente utilizados. A quantidade de amostras coletadas foi em número de 07, porém ao sanear as mesmas, resultaram 3 amostras efetivamente utilizadas não oferecendo condições para atingir o grau de fundamentação II exigido para a apuração do VTN. A média do VTN/ha apurada utilizando as 7 amostras foi de R$ 449,43, enquanto que a média saneada com 3 amostras foi de 404,50/ha.” Diante da inconsistência do Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte, o VTN declarado foi desconsiderado e aplicouse o VTN por Hectare com base no SIPT. O acórdão relata que as inconsistências apontadas pela autoridade lançadora não foram sanadas ressaltando que as amostras de valores foram realizadas com imóveis do município vizinho, Corumbá/MS. O Contribuinte defendese apontando que o arbitramento do VTN descumpriu o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 e os art. 8º e 14 da Lei nº 9.393/96, vez que, compete ao fisco o ônus de provar a falsidade na declaração do contribuinte, vindo a demonstrar a subavaliação ou qualquer outro tipo de fraude quanto ao VTN declarado. Na verdade, quem não produziu a prova foi o Contribuinte. De fato a legislação do ITR determina que resta dispensada prévia comprovação do valor da terra nua. Isso implica dizer que o contribuinte não precisa apresentar prova do valor da terra nua quando da entrega da DITR. Porém, quando fiscalizado, o Contribuinte deve comprovar com documentação hábil e idônea o valor declarado. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720025/200767 Acórdão n.º 2201002.321 S2C2T1 Fl. 7 11 Pois bem. O Contribuinte apresentou Laudo Técnico com vistas a comprovar o VTN. Entretanto, o referido laudo não atendeu aos requisitos necessários para sua validade, observância da NBR 146353/2004 da ABNT. Assim, como o Contribuinte não conseguiu comprovar os valores reportados na DITR com Laudo Técnico que atendesse aos requisitos necessários, entendo que o Laudo Técnico não deve ser utilizado para fins de determinação do VTN. O § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393/96 supracitado determina que as informações sobre preços de terras deverão observar os critérios contidos no art. 12 § 1º, inciso II da Lei nº 8.629/93. O referido artigo foi alterado pela MP nº 2.18356, de 2001 passando os critérios para apuração do atual valor de mercado do imóvel constarem nos incisos vinculados diretamente ao caput do art. 12 e não mais ao parágrafo: “Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Neste esteio, depreendese que as informações sobre preços de terras deverão observar os critérios estabelecidos no artigo 12 da Lei nº 8.629/93 devendo considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Desta feita, tendo em visa que o Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte não atendeu aos requisitos da norma, agiu acertadamente a autoridade fiscalizadora em arbitrar o VTN com base no SIPT (fls. 176), tendo considerado o menor valor constante de sua tela (R$ 715,00). Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13868.000007/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, JOãO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 68 .0 00 00 7/ 20 03 -2 4 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13868.000007/200324 Resolução nº 3402000.657 S3C4T2 Fl. 186 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente nas aquisições de insumos realizadas no período de 01/1999 a 12/2002, no montante de R$ 38.040,41, pedido este fundado no art. 11, da Lei nº 9.779/99. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 57/59 – (numeração eletrônica – n.e.), a autoridade administrativa indeferiu o direito creditório e não homologou as DCOMPs vinculadas o pedido, alegando que dentre os diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento/compensação localizados em nome da contribuinte, nenhum deles informase como origem do crédito o pedido de ressarcimento em discussão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho em 01/11/2006, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 01/12/2006, argumentando, em síntese já elaborada pela DRJ e a qual transcrevo: a) não foi considerada na hipótese a escrituração extemporânea do saldo credor de IPI nos termos do art. 11, da Lei 9.779/1999; b) a interpretação excessivamente formalista da fiscalização entendeu que, pelo fato de não constar da escrituração da época o saldo credor (apurado posteriormente), não teria a Manifestante o direito ao crédito legalmente previsto; c) a legislação pátria jamais negou ao contribuinte o direito de apurar créditos extemporâneos de tributos que, por qualquer motivo não tenha sido contratado na época própria; d) não merece prosperar o entendimento da fiscalização fazendária no sentido de que não há saldos credores de IPI na escrituração fiscal e contábil da Manifestante que pudessem ser utilizados para ressarcimento. Ao contrário: os créditos de IPI existem e estão comprovados, houve o registro dos mesmos, mas escriturados posteriormente. Os créditos foram contabilizados em 2003, conforme a própria decisão reconhece. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório e o consequente reconhecimento do direito creditório, bem como a homologação das compensações declaradas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13868.000007/200324 Resolução nº 3402000.657 S3C4T2 Fl. 187 3 Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), proferiu o Acórdão de nº. 0948.660, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI CONTABILIZADO COMO CUSTO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão do imposto pago na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem no custo de aquisição dos produtos com eles industrializados, implica considerar o imposto como não recuperável e impede que esses valores sejam utilizados no sistema de débito e crédito do IPI com vista à realização da não cumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ/JFA competente para o julgamento destaca que a motivação para o indeferimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte foi o fato desta ter contabilizado o IPI como custo e não ter desfeito tal lançamento por ocasião da escrituração extemporânea de IPI e sua conseqüente escrituração como imposto a recuperar; diferente do alegado pela contribuinte, que se insurgiu contra um suposto indeferimento em virtude de escrituração extemporânea. Sobre a referida contabilização do IPI como custo, este refletirá diretamente no resultado do exercício, implicando na diminuição do lucro bruto e, consequentemente, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL, sendo assim, não haveria possibilidade de ressarcimento sob os ditames do art. 11 da Lei 9.779/99. Destaca, ainda, que o desfazimento parcial da contabilização do IPI como custo de produção, procedimento este realizado pela contribuinte, refletiria tão somente no âmbito do IRPJ e CSLL. Em suma, entende que uma vez escriturado como custo, o IPI não gera direito a ressarcimento do montante pleiteado e, consequentemente, o não reconhecimento do direito creditório implica na não homologação das compensações vinculadas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 09/01/2014, conforme AR de fl. 160 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 286/300) em 10/02/2014, alegando, em síntese que, diferente do proposto relatório fiscal impugnado, que tratava de contabilização extemporânea de créditos de IPI, o acórdão ora recorrido acata “de forma sutil” a escrituração extemporânea destes créditos, porém passa a desenvolver nova tese de acusação, que estaria baseada em presunções, qual seja a de que para o contribuinte se valer de seu direito, teria que Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13868.000007/200324 Resolução nº 3402000.657 S3C4T2 Fl. 188 4 recompor seu lucro dos períodos de 1999 a 2002, rejeitando a suposta dedução que teria sido aplicada na apuração de IRPJ e CSLL. Sustenta que não há como chegar a estas conclusões com base nos autos, uma vez que não existem, nestes, demonstrativos de apuração de IRPJ e CSLL, o que inviabilizaria o conhecimento da existência de lucros ou prejuízos. Com base nisto, destaca que um ato decisório não pode se valer de mera presunção, pois que exige prova efetiva, nunca realizada. Em breve resumo, alega: “(i) não ter sido comprovada a inserção do IPI como custo de produção no período de 1999 a 2002, segundo aquisição de insumos na época; (ii) não ter sido verificado o direito ao crédito amparado pelas notas fiscais de compras de MP, PI e ME utilizados na produção, ainda isentos ou com alíquota zero; e (iii) não ter sido considerada a receita que anulou a inserção do IPI como custo”. Ao fim, requer que seja cancelado o lançamento e declarado correta a compensação glosada de ressarcimento do IPI do 4º trimestre de 2002, homologando as compensações, reiterando, ainda, as razões da impugnação. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 183 (cento e oitenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13868.000007/200324 Resolução nº 3402000.657 S3C4T2 Fl. 189 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de tempestividade e admissibilidade, devendose dele, portanto, tomar conhecimento. Do que se pode ler do relato acima, em resumo o processo se deslinda a partir do fato em que a autoridade administrativa indeferiu o pleito de ressarcimento e decidiu por não homologar as DCOMPs vinculadas, sob a alegação de que nenhum dos pedidos eletrônicos, realizados pela contribuinte, informa, como origem do crédito, o pedido de ressarcimento em discussão. Em sede de manifestação de inconformidade a contribuinte alega que o despacho decisório pautouse na extemporaneidade dos créditos, o que é prontamente esclarecido pela DRJ de Juiz de Fora/MG, que destaca que o motivo do referido indeferimento é o fato do IPI ter sido contabilizado como custo, e não como imposto a recuperar. Entendo que este motivo (inclusão do IPI como custo de aquisição) por si só, não deve impedir a busca da contribuinte aos créditos a que teria direito, já que o direito à manutenção dos créditos ressarciendos decorre da aquisição de insumos gravados pelo IPI, e, se este foi escriturado como custo e não como IPI a recuperar, apenas produz efeitos no âmbito do IRPJ/CSLL, o que, a rigor, na pior das hipóteses pode ter significado “postergação” da tributação destes tributos incidentes sobre o lucro, já que ao ser, eventualmente, deferido o ressarcimento, se deverá oferecer tais valores à tributação na formação do lucro. O que aparentemente emerge do caso em apreço, é que o contribuinte escriturou créditos relativos aos períodos de 01/99 a 12/2002, apenas na apuração de 2003, sem que tenha retificado a escrituração do IPI (e consequentemente do IRPJ e da CSLL) relativas aos anos anteriores. Em assim restando comprovado, tratase de eventual erro formal no registro dos créditos, sem que, a meu ver, inviabilize a análise do pleito dos referidos créditos, desde que registrados, efetivamente, em 2003, e, que, obviamente, exista o direito ao ressarcimento de tais créditos, o que até este momento não se chegou a perquirir. Em casos como o ora analisado, o próprio regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72) prevê, no art. 29, o seguinte: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra suficientemente instruído e as provas existentes não foram ainda totalmente exauridas e analisadas sob o pálio do contraditório, não se encontrando, consequentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Verifique, a partir dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente na manifestação de inconformidade ou no Recurso Voluntário e de seu cotejo Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13868.000007/200324 Resolução nº 3402000.657 S3C4T2 Fl. 190 6 com outros documentos a serem solicitados ou verificados na sede do contribuinte, os pressupostos dos créditos pleiteados, tais como a origem, os períodos, a quantidade e legitimidade destes; b) Verifique, se nos períodos de apuração dos créditos decorrentes das aquisições de insumos efetivados pelo contribuinte, o mesmo gerou IPI a pagar, se foram efetivamente quitados, e se os créditos escriturados extemporaneamente sobejariam nas apurações dos períodos respectivos; c) Verificar se os créditos decorrem das aquisições de insumos, assim entendidos como as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e se as operações de venda do contribuinte ocorreram dentro das hipóteses legais autorizadoras da manutenção e ressarcimento dos créditos; d) Em caso afirmativo, quantificar eventuais créditos em comparação com os objeto dos pedidos de ressarcimento e respectivas declarações de compensação, manifestandose sobre sua legitimidade, existência e suficiência; e) Ao final, confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, envolvendo os quesitos acima, após o que seja intimando o contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias; f) Após, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 15504.019245/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ABONO DE FÉRIAS.
O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea e,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91.
O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.047
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as verbas pagas a título de "Abono de Férias" recebidos nos moldes dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, por estarem ao abrigo das excludentes do salário de contribuição, conforme artigo 9º, letra "e", item 6 da Lei n.º 8.212/91. Quanto à multa, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, para o período até 11/2008.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea e,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91. O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrará a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho, se consubstanciando na excludente do salário de contribuição prevista no § 9º, alínea “e”,item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91. O pagamento condicionado a antiguidade do empregado não desvirtua a natureza da verba, se atendidos os requisitos expressamente previstos no artigo 144 da CLT. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 92 45 /2 00 9- 53 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as verbas pagas a título de "Abono de Férias" recebidos nos moldes dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, por estarem ao abrigo das excludentes do salário de contribuição, conforme artigo 9º, letra "e", item 6 da Lei n.º 8.212/91. Quanto à multa, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, para o período até 11/2008.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 2302003.047 S2C3T2 Fl. 249 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2009, de contribuições previdenciárias relativas à cota do segurados empregado incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de “ABONOS”, no período de 01/2006 a 12/2007. Referese, também às contribuições relativas à cota do segurado contribuinte individual incidentes sobre valores pagos em reclamações trabalhistas, no mesmo período. O Relatório Fiscal de fls. 27/40, traz que os fatos geradores considerados na autuação foram apurados pelo exame dos arquivos digitais, Folhas de Pagamento e Livros Diário disponibilizados pela empresa e a seguir me reporto à trecho da decisão recorrida que bem esclareceu acerca dos levantamentos havidos: que foram pagos ou creditados "abonos" aos empregados por ocasião de seu retorno de férias, conforme pactuado nas convenções coletivas de trabalho CCT de 2006 e 2007. Em relação a esses abonos, a cláusula n° 8, das convenções dispunha que "(..) A empresa pagará ao empregado, nos termos dos artigos 144 da CLT e do artigo 28, §90, alínea 'e' item 6 da Lei 8.212, até o 10" (décimo) dia após o retorno de suas férias, um abono proporcional ao valor das mesmas, excluído o acréscimo de 1/3 (um terço) previsto em lei, que seguirá a seguinte escala: 10% para empregados com 02 (dois anos) de serviço; 15% para empregados com 03 (três)anos de serviço, 20% para empregados com 04 (quatro) anos de serviço; 30 % para empregados que tenham 05 (cinco) ou mais anos de serviço.(..)"; que foram pagos ou creditados "abonos especiais" a todos os empregados, conforme pactuado em convenção coletiva de trabalho CCT de 2007. Em relação a esses abonos, a cláusula de n° 64, dessa CCT dispunha que "(...) As empresas pagarão um abono especial a todos os empregados, desvinculado da remuneração, no importe de 22,5% (vinte e dois virgula cinco por cento) incidente sobre os salários nominais de cada empregado praticados em janeiro de 2007.(..)"; que foram pagos ou creditados valores a empregados por ocasião de sua demissão, na proporção de 1 dia de remuneração para cada 05 anos de duração do contrato de trabalho, conforme pactuado em convenções coletivas de trabalho CCT de 2006 e 2007. Em relação a essas importâncias, a cláusula de n° 50, dessas CCT dispunha que "(.) Concedese ao empregado, além do aviso prévio previsto em lei, mais um dia para cada 05/As empresas pagarão um abono especial a todos os empregados, desvinculado da Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 remuneração, no importe de 22,5% (vinte e dois virgula cinco por cento) incidente sobre os salários nominais de cada empregado praticados em janeiro de 2007.(..)"; que foi paga ou creditada gratificação em 11/2006 a Wilder de Souza Vargas (rubrica 0126 — Gratificação da Folha de Pagamento) que não foi , considerada parcela integrante do salário de contribuição; que essas rubricas não consideradas na apuração da base de cálculo das contribuições lançadas, foram identificados neste Auto de Infração — AI pelo levantamento "ACL — ABONOS CONCEDIDOS LIBERALIDADE"; que foi elaborado o "anexo 1" (fls. 46/64) por meio do qual está demonstrado, por competência: os empregados favorecidos com as rubricas mencionadas, o valor das rubricas, o valor da base de cálculo/salário de contribuição ajustado, o valor de contribuição do segurado declarado e o efetivamente devido (ajustado); que pela análise de termos de audiência, Guias da Previdência social —GPS, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP, conforme registro contábeis à conta "10174 Indenizações Trabalhistas", constatouse a existência de diferenças de contribuições relacionadas com processos de reclamatória trabalhista; que as bases de cálculo apuradas pela análise dos termos de audiência, sentenças ou planilhas homologadas são superiores àquelas utilizadas pela empresa para o recolhimento das contribuições; que as diferenças mencionadas foram discriminadas, por competência, no "Anexo 2" (fl. 65) e os fatos geradores são identificados neste Auto de Infração — AI pelo levantamento "RCL — RECLAMATORIAS TRABALHISTAS"e; que em atenção ao que dispõe o Código Tributário Nacional — CTN, artigo 106, inciso II, alínea "c", foi realizada a comparação entre a multa ("Anexo 7" de fl. 90) calculada conforme a legislação vigente na data da lavratura (após edição da Lei n° 11.941 de 27/05/2009) e a multa aplicável conforme o que previa a legislação de regência (ocorrência dos fatos geradores/infrações), com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte. A multa aplicada por ser mais favorável é aquela calculada conforme a legislação atual (após a edição da Lei n° 11.941/2009). Após a impugnação, Acórdão de fls.204/208, julgou o lançamento procedente. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 2302003.047 S2C3T2 Fl. 250 5 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o abono de férias não integra o salário de contribuição; b) que os valores pagos a título de abono de férias estão em conformidade com o artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, não possuindo natureza salarial; c) que o acordo coletivo previa o pagamento de máximo 30% do valor das férias e somente é pago no retorno das férias; d) que a vinculação ao tempo de serviço não desvirtua a natureza da verba e que não tem relação com o abono por tempo de serviço; e) argúi a inconstitucionalidade do salárioeducação; f) que é ilegal a cobrança para o INCRA por ser empresa urbana; g) que não está sujeita às contribuições para o SENAI, SESI e SEBRAE porque é prestadora de serviços; h) que os juros com base na taxa SELIC são indevidos por ilegais e inconstitucionais. i) Por fim, requer o provimento do recurso para declarar nulo os valores lançados e que seja declarada a ilegalidade da SELIC. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O auto de infração em exame compõese de várias rubricas pagas a título de abonos, gratificações e verbas relativas a reclamações trabalhistas aos segurados empregados e já descritas no relatório deste voto. A recorrente em suas razões insurgese apenas quanto à verba paga a título de “Abono de Férias”. Assim, em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 , onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência, deixo de me manifestar sobre as demais rubricas constantes do lançamento, tendose como aceitas pelo sujeito passivo: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Quanto ao Abono de Férias, o Fisco considerou como verba integrante da remuneração, porque foi pago proporcionalmente ao tempo de serviço implementado pelo empregado, enquanto a recorrente afirma que tal abono, por estar em total consonância com o disposto na CLT, sujeitase à exceção prevista no § 9º, alínea “e”, item 6 do art. 28 da Lei n.º 8.212/91: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; Do exame dos citados artigos constantes da CLT, temos que a legislação trabalhista estabelece apenas que o abono de férias não deve exceder a vinte dias de salário para que seja excluído da remuneração, senão vejamos: Art. 143. É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 2302003.047 S2C3T2 Fl. 251 7 trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. Portanto, se a lei não estipulou outra condição, que não a proibição quanto a não exceder vinte dias de salário, para restar excluído da remuneração, não pode o Fisco entender que o pagamento proporcional, dentro do limite legal imposto, mas variável conforme a antiguidade do empregado na empresa, seja causa bastante para desvirtuar a natureza da verba. É de se ver ainda, que este entendimento encontra respaldo no CARF, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2005 ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho. Recurso especial negado. (CARF, Acórdão 920200.485 2 ª Turma. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sessão de 09.03.2010) Ademais, apenas a título ilustrativo, refiro que a Lei nº 8.212/91, em seu artigo 28, define o saláriodecontribuição, prevendo de forma taxativa as parcelas que não o integram em seu § 9º. Com relação ao abono pecuniário de férias, temos que a Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei nº 8.212/91, de 24/07/1991), sofreu alterações no tempo: A alínea “d” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, em sua redação original, expressamente excluía do saláriodecontribuição previdenciário os abonos de férias não excedentes aos limites da legislação trabalhista; No período de 08/97 até 21/05/98, o abono de férias passou a sofrer incidência de contribuição, em razão da MP n º 1.5237, de 30/04/97, que alterou simultaneamente a seguinte legislação: * Art. 144 da CLT o qual passa a restringir a natureza não salarial do abono pecuniário até 20 dias de salário apenas para os efeitos da legislação do trabalho, vez que foi suprimida a expressão “previdência social”. * § 2° do art. 22 da Lei nº 8.212/91 determinou integrar a remuneração os abonos de qualquer espécie ou natureza * Alínea “b” do § 8º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 o qual passa a prever que os abonos de qualquer espécie ou natureza integram o saláriodecontribuição. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 * Alínea “d” do § 9°do art. 28 da Lei nº 8.212/91 passa a excluir do saláriodecontribuição apenas as importâncias recebidas a título de férias indenizadas. Assim, 90 dias após a data da MP nº 1.5237, ou seja, a partir de 01/08/97, a contribuição previdenciária começou a incidir sobre a toda verba paga a título de “abono de férias”, independentemente de ser ou não o valor superior a 20 dias. O § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 assim como a alínea “b” do § 8º do art. 28 da mesma Lei foram mantidos nas reedições posteriores da MP nº 1.523 até a reedição com o nº 1.59614, de 10/11/97. A MP nº 1.59614, de 10/11/97, deu nova redação à alínea “d” do § 9° do art. 28 da Lei nº 8.212/91, excluindo do saláriodecontribuição as importâncias relativas a férias indenizadas, respectivo adicional constitucional e o valor da dobra previsto no art. 137 da CLT. Em 27/11/97, o STF suspendeu a aplicação do § 2º do art. 22 e da alínea “b” do § 8º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, em função das ADins 1.6652 e 1.6596. A MP nº 1.59614 foi convertida na Lei nº 9.528, em 10/12/97, acrescentando os itens 1 a 5 à alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei nº 8.212/91, silenciando quanto aos abonos de férias e tendo sido vetadas, pelo Presidente da República, a alteração do § 2º do art. 22 e a alínea “b” do § 8º do art. 28 da mesma Lei nº 8.212/91. Assim a partir de 10/12/1997 foi restabelecida a redação original do § 2° do art. 22 da Lei nº 8.212/91, dispondo que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9° do art. 28 e, com o acréscimo dos itens 1 a 5 à alínea “e” do § 9° do art. 28, deixou a Lei de tratar especificamente de abonos, nas hipóteses de exclusão do saláriode contribuição. O veto do Presidente da República, portanto, não retirou o abono de férias do campo de incidência previdenciária, eis que a Lei nº 8.212/91 apenas excluía do saláriode contribuição as parcelas tratadas no § 9º do art. 28 da mesma Lei (dentre as quais não mais constava o abono de férias) e subsistiu válido o disposto no artigo 144 da CLT, que retirou a natureza salarial deste abono de valor até 20 dias de salário somente para os efeitos da legislação do trabalho. Com o advento da Medida Provisória nº 1.5869, de 21/05/98, posteriormente convertida na Lei nº 9.711/98, que introduziu o item 6 na alínea “e” do § 9º do citado artigo 28 da Lei nº 8.212/91, incluindo nas parcelas que não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da CLT, retirouse do campo de incidência previdenciária o abono de valor até 20 dias de salário. Destarte, concluise que os abonos de férias previstos nos artigos 143 e 144 da CLT, quando pagos conforme o regramento daqueles dispositivos legais, não integram o saláriodecontribuição quando amparados por legislação previdenciária isentiva vigente. De todo o exposto, a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre o denominado abono de férias, correspondente aos valores relativos à conversão de 1/3 (um terço) do período de férias a que o empregado tiver direito em abono pecuniário bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, como no caso em tela. A recorrente se insurge contra as contribuições arrecadadas para as Terceiras Entidades sob o argumento de ilegalidade e inconstitucionalidade.Todavia, o presente Auto de Infração referese exclusivamente às contribuições relativas à cota dos segurados, não contemplando contribuições patronais, tampouco aquelas arrecadadas para as Terceiras Entidades. Por este motivo deixo de me manifestar acerca das argüições relativas aos Terceiros, SalárioEducação, INCRA, SEBRAE, SESI, SENAI. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 2302003.047 S2C3T2 Fl. 252 9 No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, me pronuncio acerca da multa de ofício aplicada pelo Fisco, que entendeu ser mais benéfica para o contribuinte, quando possuo entendimento diverso. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no saco da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto Fl. 257DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.019245/200953 Acórdão n.º 2302003.047 S2C3T2 Fl. 253 11 no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as verbas pagas a título de “Abono de Férias” recebidos nos moldes dos artigos 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, por estarem ao abrigo das excludentes do salário de contribuição, conforme artigo 9º, letra”e”, item 6 da Lei n.º 8.212/91 e para que a multa seja aplicada considerando as disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, para o período até 11/2008. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15578.000010/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.228
Decisão: Visto e discutidos este autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória-ES, para juntada ao processo 10783.905665/2009-41, com vistas ao trâmite em conjunto.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade.
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Multa isolada. Recorrente CIA ESPÍRITO SANTENSE DE SANEAMENTO CESAN Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, para juntada ao processo 10783.905665/200941, com vistas ao trâmite em conjunto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – relator (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 01 0/ 20 10 -6 8 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000010/201068 Resolução nº 1402000.228 S1C4T2 Fl. 7 2 CIA ESPÍRITO SANTENSE DE SANEAMENTO CESAN recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de multa isolada no valor de R$ 918.854,69 constituída em conseqüência de as compensações informada na PER/DCOMP 24075.06359.170407.1.3.021392 ter sido considerada não declarada. Inicialmente a interessada transmitiu à RFB a supracitada PER/DCOMP e objetivando compensar com débitos próprios, crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, anocalendário 2002, no valor de R$ 720.585,57. A pretensão da Interessada foi negada pelo Despacho Decisório de fl. 139, sob a justificativa de que, em vez de saldo negativo, consta imposto a pagar, no valor de R$ 1.667.748,83, na DIPJ relativa ao período do alegado crédito. Ato contínuo apresentou Manifestação de Inconformidade contra o citado despacho decisório, julgado nulo pela 1ª Turma desta DRJ em 05/11/2009 (Acórdão às fls 160/164) Em 15 de janeiro de 2010 o Seort/DRF/VIT exarou o Parecer de nº 160 (fls. 165/172) que tomou como não declarada a compensação sob os seguintes argumentos e fundamentação, em síntese: A Contribuinte pretende extinguir débitos de sua responsabilidade perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de compensações com créditos que lhe teriam sido assegurados no âmbito da Ação Ordinária n° 97.00110001. Destaquese que a Empresa não informou na DCOMP 24075.06359.170407.1.3.021392 que o crédito era oriundo de ação judicial. Contudo tal decisão ainda não transitou em julgado devendo ser trazido à baila Lei Complementar n° 104/2001, acrescentou o art. 170 A ao Código Tributário Nacional, cujo comando dispõe que "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo suieito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão JUDICIAL". Fl. 517DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000010/201068 Resolução nº 1402000.228 S1C4T2 Fl. 8 3 A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei especifica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). Na situação em pauta, o trânsito em julgado da ação é elemento essencial para a existência da compensação. Logo, os dados transmitidos pela Cesan, por meio da utilização indevida do programa PER/DCOMP, como pretensas compensações devem ser tomadas por não declaradas. Tais fatos impõem o lançamento da multa isolada, que, à época em que fora transmitida a PER/DCOMP nº 24075.06359.170407.1.3.021392 tem amparo no caput do art. 18 Lei n° 10.833/03 c/c o art. 44, inciso I da Lei nº 9430/96. Em decorrência do Parecer SEORT/DRF/VIT nº 160/2010 foi lavrado o auto de infração de fls 08/12 constituindo multa regulamentar no valor de R$ 918.854,69 cuja descrição dos fatos menciona: 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO 0 sujeito passivo efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme relatório de fiscalização, o qual é parte integrante do presente auto de infração. O enquadramento legal é Art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis n's 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Medida Provisória n o 351/07 . Cientificada em 07/04/2010 conforme AR às fls. 15 do volume II deste processo apresentou sua manifestação de inconformidade em 7/05/2010 (fls. 193/194 , volume II). A manifestação de inconformidade, que na íntegra encontrase às fls. 18/37 traz, em apertada síntese, o seguinte: não produzem efeitos jurídicos a não homologação, e outras decisões lesivas ao contribuinte, sendo depois de confirmadas por decisão de que não caiba mais recurso. Assim, não cabe aplicação de multa em razão de o pedido de compensação ter sido considerado como não declarado, se esta decisão ainda não está apta a produzir efeitos jurídicos. (Menciona e transcreve doutrina) Em 1º de março de 2001 foi proferida sentença julgando procedentes os pleitos autorais na ação ordinária com pedido de Fl. 518DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000010/201068 Resolução nº 1402000.228 S1C4T2 Fl. 9 4 antecipação de tutela (documento 7), declarando a inexistência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a apurar e recolher o Imposto de Renda incidente sobre o lucro inflacionário acumulado até 31 de dezembro de 1995. A sentença foi mantida pelo Tribunal Regional Federal (documento 7). Em razão do êxito obtido, a CESAN buscou compensar o saldo de imposto de renda pago a maior com outros valores de impostos devidos, utilizando, para isso, o modelo de compensação instituído pela Lei ng 9.430/96, com o preenchimento da respectiva declaração de compensação, por meio do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação PER/DCOMP. de número 24075.06359.170407.1.3.021392. Cabe dizer ainda que, não obstante a Lei Complementar nº 104/2001 tenha introduzido o art. 170A no Código Tributário Nacional, prescrevendo que "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão", tal regra não se aplica ao caso em tela, já que, por trazer restrições ao direito do contribuinte, não pode ser aplicada de forma retroativa. Percebase que o artigo referido (170A) foi inserido no CTN em 2001, ou seja, depois do ingresso da ação judicial (1997) e do inicio da relação jurídicotributária que garantiu o direito de compensação, razão pela qual não pode ser aplicado, sob pena de afronta direta ao principio da irretroatividade das leis, dentre outros. (Transcreve ensinamentos de José Afonso da Silva e Celso Antônio Bandeira de Mello e súmula do STF) Ora, o direito à compensação exsurge no momento em que o contribuinte efetua um pagamento indevido. Assim, tendo o direito de compensar sido adquirido antes da alteração efetuada pela Lei complementar nº 104/2001, deve pela legislação anterior ser regulado. (cita ensinamentos e jurisprudência) Resta clara a inaplicabilidade do art. 170A do CTN (redação dada pela Lei Complementar n2 104/2001) e da alínea "d" do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.051/2004) a compensação em tela. Finaliza pedindo: Que seja acolhida a presente impugnação, admitindoa em seu efeito suspensivo, com a conseqüente declaração de inexistência da obrigação do pagamento de multa; a produção de todos os meios de prova em direito admitidas e, em especial, documental e oral. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000010/201068 Resolução nº 1402000.228 S1C4T2 Fl. 10 5 A decisão recorrida está assim ementada: MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Considerada não declarada a compensação aplicase a penalidade prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis nºs 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Medida Provisória nº 351/07. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. No voto condutor do aludido acórdão destacamse os seguintes fundamentos: “(...) 9. Não há dúvidas de que a contribuinte não observou uma das condições básicas para que pudesse proceder à compensação, qual seja, a de que seu crédito fosse líquido e certo, o que só pode se dar com o trânsito em julgado da ação ordinária que o pleiteia e sua habilitação prévia pela unidade de sua circunscrição na RFB. 10. Apenas à guisa de esclarecimento, pois não seria o trânsito em julgado posterior à transmissão da Per/dcomp ora em análise que lograria tornála hígida, o acompanhamento processual indica que a ação ainda encontrase pendente de decisão final, conforme se constata pelo andamento do recurso extraordinário 628099 a seguir demonstrado: (...)” Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000010/201068 Resolução nº 1402000.228 S1C4T2 Fl. 11 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator O recurso manuseado pela parte encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame das questões pertinentes. Conforme relatado, em litígio a multa isolada em face de compensação considerada “não declarada”. A matéria de fundo referese a existência, ou não, de Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2002. Originalmente a contribuinte apurou imposto a pagar, porem, ingressou com ação ordinária, com pedido de antecipação de tutela, a fim de se eximir do pagamento do IRPJ, no valor de R$ 36.536.687,27, incidente sobre saldo de Lucro Inflacionário, acumulado até 31/12/1995, cuja tributação foi diferida até o ano calendário de 2005. Ao excluir a parcela do Lucro Inflacionário tributada no anocalendário de 2002, o resultado encontrado foi um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 720.585,57. Consoante registrado na própria decisão recorrida, aludido direito creditório encontrase em litígio no processo 10783.905665/200941, cuja decisão de 1a. instância da mesma DRJ, nº 1227.034, proferida em 5/11/2009 foi no sentido de “DECLARAR NULO o Despacho Decisório nº 834751986 (fl.14) e demais atos dele decorrentes (devendo ser proferida nova decisão, com a análise das questões novas trazidas à lide pela interessada).” Ocorre que aquele processo ainda se encontra aguardando nova decisão da DRF Vitória (ES). É certo que eventual decisão administrativa favorável ao contribuinte no processo 10783.905665/200941, implicando no reconhecimento do direito creditório, acarretara a homologação da compensação e, por conseguinte, repercussão na presente exigência. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de encaminhar o presente processo à DRF Vitória (ES) para que seja juntado ao processo 10783.905665/200941 e passe a tramitar em conjunto àquele. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 521DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 10/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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