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Numero do processo: 10935.906433/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/10/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/10/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/10/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 33 /2 01 2- 25 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.881, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 15224.42245.180612.1.2.046114, rastreamento nº 041907673, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.856,18, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/09/2010, efetuado em 25/10/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906433/201225 Acórdão n.º 3802002.731 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/10/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906433/201225 Acórdão n.º 3802002.731 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906433/201225 Acórdão n.º 3802002.731 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906433/201225 Acórdão n.º 3802002.731 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.906447/2012-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 22/12/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 47 /2 01 2- 49 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.895, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 26289.77335.180612.1.2.046257, rastreamento nº 041907801, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 3.892,14, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/11/2011, efetuado em 22/12/2011, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906447/201249 Acórdão n.º 3802002.745 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 22/12/2011 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906447/201249 Acórdão n.º 3802002.745 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906447/201249 Acórdão n.º 3802002.745 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906447/201249 Acórdão n.º 3802002.745 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001573/2010-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO.
O auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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PAGAMENTO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 73 /2 01 0- 74 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.302.8130, de 2010) contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de ticket alimentação, sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, regulado pela Lei 6.321/1976, no período de 01/2006 a 12/2006. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal considerou o lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: o pagamento do auxílio alimentação era pago in natura e os tribunais já pacificaram o entendimento de que não há incidência de contribuições previdenciárias; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.001573/201074 Acórdão n.º 2803003.683 S2TE03 Fl. 235 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal, fls. 51/55, que a base de cálculo do lançamento fiscal se refere a valor de despesa com fornecimento ticket alimentação aos empregados, parcela in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Tal afirmativa encontra ressonância na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevese, in verbis: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílioalimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (nosso grifo) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Ademais, sobre o assunto existe Despacho do Ministro de Estado da Fazenda, datado de 22 de novembro de 2011, publicado no DOU, de 24 de novembro de 2011, aprovando Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117, de 10 de novembro de 2011, reconhecendo que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária, dispensando de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, in verbis: Assunto: Contribuição Previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117, de 10 de novembro de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Assim sendo, o valor pago a título de alimentação in natura aos empregados por intermédio ticket alimentação/refeição não deve integrar o salário de contribuição. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. Helton Carlos Praia de Lima Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.011583/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 548,25, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 548,25, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 15 83 /2 00 8- 21 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.011583/200821 Acórdão n.º 2801003.633 S2TE01 Fl. 122 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório da decisão de 1ª instância administrativa (fls. 102/103 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado por auditor fiscal da DRF Brasília/DF, notificação de lançamento (fls. 05/08) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 25/07/2008, conforme Aviso de Recebimento (fls. 73). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário (fls. 05): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 8.401,62 Multa de Oficio (passível de redução) 6.301,21 Juros de Mora (cálculo até jul/2008) 3.672,34 Crédito Tributário Apurado 18.375,17 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações: Dedução indevida de dependentes por não atendimento a intimação. Valor glosado: R$ 6.360,00. O Enquadramento Legal encontrase ás fls. 08/verso. Dedução indevida de despesas médicas, por não atendimento a intimação. Valor glosado: R$ 6.332,97. O Enquadramento Legal encontrase às fls. 08. Dedução indevida de despesas com instrução, por não atendimento a intimação. Valor glosado: R$ 3.996,00. O Enquadramento Legal encontrase às fls. 07/verso. Dedução indevida de pensão alimentícia judicial, por não atendimento a intimação. Valor glosado: R$ 34.546,78. O Enquadramento Legal encontrase às fls. 07. Em 26/08/2008, no pedido de impugnação, o contribuinte informa que: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.011583/200821 Acórdão n.º 2801003.633 S2TE01 Fl. 123 3 teve ciência do Termo de Intimação após vencimento do prazo, pois mantém como endereço para correspondência a residência da excompanheira; as pensões alimentícias foram pagas conforme processo de divórcio consensual, letra "c", item "4" e acordo proferido no processo n° 112.2175/03; pagou pensão alimentícia a Sra. Denise da Silva, em favor de Mateus da Silva Vasconcelos e Amanda da Silva Vasconcelos, no valor de R$ 18.197,26, sendo R$ 16.197,25, conforme Comprovante de Rendimentos e RS 2.000,00, mediante recibo referente aos meses de janeiro e fevereiro; pagou pensão alimentícia a Sra. Maria Joana Maciel Isacksson, em favor de Diego Isacksson Vasconcelos e Vinicius Isacksson Vasconcelos, no valor de R$ 5.174,76, conforme Comprovante de Rendimentos; efetuou depósito em contacorrente ao filho Diego Isacksson Vasconcelos, a título de pensão alimentícia no valor de R$ 5.587,44, conforme letra "c", item "4", do processo de divorcio consensual; efetuou depósito em contacorrente ao filho Vinícius Isacksson Vasconcelos, a título de pensão alimentícia no valor de R$ 5.587,44, conforme letra "c", item "4", do processo de divórcio consensual; as despesas com instrução referemse aos enteados, na qualidade de dependentes, Daniel Pimenta de Moraes, no valor de R$ 5.922,31 e Taiane Pimenta de Moraes, no valor de R$ 1.218,00, respectivamente; a diferença de despesa com instrução entre o comprovado R$ 7.140,31 e o declarado, R$ 10.500,00, referemse a recibos que não conseguiu localizar; as despesas médicas referemse às despesas médicas e odontológicas constantes do Comprovante de Rendimentos no valor de R$ 3.485,44 e a recibos e comprovantes, em anexo, que totalizam R$ 3.017;53; apresenta a documentação comprobatória das relações de dependência. quanto a Mateus da Silva Vasconcelos e Amanda da Silva Vasconcelos, de acordo com a legislação vigente a época poderiam ser considerados dependentes, mas deixaram de constar na respectiva declaração, agora, solicita a referida inclusão no campo dedução de dependentes. Requer a improcedência da Notificação de Lançamento e a restituição do imposto de renda, conforme Declaração de Ajuste Anual. Em 21/12/2009, o contribuinte informa que: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.011583/200821 Acórdão n.º 2801003.633 S2TE01 Fl. 124 4 no anocalendário 2004 converteu 10 dias em abono pecuniário no valor de R$ 2.377,48; não pode retificar a Declaração de Ajuste Anual, em virtude de processo referente a este anocalendário estar em julgamento na DRJ/Brasília. Requer alterar o rendimento tributável de RS 67.158,06 para R$ 64.780,58. O lançamento foi julgado procedente em parte. Entenderam os julgadores da instância de piso que deveriam ser restabelecidas as “deduções de dependente no valor de R$ 2.544,00, de despesas médicas no valor de R$ 551,30 e de pensão alimentícia no valor de R$ 23.372,01, mantendo as demais glosas, totalizando o valor de imposto a pagar de R$ 1.123,11, sobre o qual deverão ser aplicados multa de 75% e demais acréscimos legais na forma da legislação vigente”. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/03/2010 (fl. 116), o Interessado interpôs, em 29/03/2010, o recurso de fls. 117/119. Na peça recursal aduz, em síntese, que: DESPESAS MÉDICAS/ODONTO Não concorda com a glosa no valor de R$ 5.111,47, haja vista que pagou a título de Plano de Saúde e Plano Odontológico o valor de R$ 3.485,44 no ano de 2004, junto à Medial Saúde, conforme consta no Comprovante de Rendimentos. A diferença apresentada foram utilizações realizadas por pessoas que foram consideradas como dependentes e conforme legislação não poderia usar o referido plano. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS Pleiteia a inclusão do valor de R$ 2.377,48, referente ao abono pecuniário de férias, no campo de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, bem como a dedução da base de cálculo dos rendimentos tributáveis, uma vez que a legislação é omissa para essas situações. DEMAIS GLOSAS Acata a decisão do acórdão recorrido. PEDIDO Requer o provimento do presente Recurso, para julgar totalmente procedente o exposto acima. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.011583/200821 Acórdão n.º 2801003.633 S2TE01 Fl. 125 5 As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese à controvérsia à glosa da dedução de despesas médicas/odontológicas no valor de R$ 3.485,44 e à possibilidade de alteração, no âmbito do processo administrativo fiscal, da natureza jurídica de parcela dos rendimentos declarados pelo Recorrente (abono pecuniário). A glosa de despesas médicas/odontológicas foi mantida pela decisão recorrida sob o fundamento de que não houve a discriminação dos beneficiários do plano de saúde. Observo, no entanto, que os documentos de fls. 48/56, emitidos pela empresa Medial Saúde, evidenciam que R$ 545,00 referemse a serviços odontológicos prestados ao próprio Recorrente (fl. 52) e que R$ 3,25 são relativos à sua participação em consulta médica (fl. 56), o que totaliza R$ 548,25 de despesas suportadas pelo Interessado. Os demais beneficiários de serviços médicos/odontológicos que figuram nos extratos da Medial Saúde não são dependentes do Interessado. Quanto à possibilidade de reclassificação do valor do abono pecuniário de férias (de rendimento tributável para rendimento isento e não tributável), registro, a título informativo, que descabe a retificação de declaração no âmbito do processo administrativo fiscal. Anoto, ainda, por oportuno, que o tratamento tributário relativo ao abono pecuniário de férias está regulado na IN RFB 936, de 5 de maio de 2009. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 548,25. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 18471.002237/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2102-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 16.326,86. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Relator
(Acórdão reapresentado em meio magnético.)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Nubia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acacia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 16.326,86. Presente o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira em substituição ao Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 37 /2 00 2- 14 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 243 2 (Acórdão reapresentado em meio magnético.) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Nubia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acacia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 145 a 157, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 131 a 142, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 70 a 74 dos autos, lavrado em 30/09/2002, relativo ao anocalendário 2000, com ciência do RECORRENTE em 10/10/2002 (quintafeira), conforme declaração no rosto do auto de infração (fl. 71). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 40.209,13, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 72, o lançamento teve origem na seguinte infração: 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrado no Termo de Constatação (fls. 67 a 70). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 29/02/2000 R$ 28.338,94 75,00 31/08/2000 R$ 9.277,66 75,00 30/09/2000 R$ 1.122,65 75,00 31/12/2000 R$ 35.222,54 75,00 De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 67 e 68, a autoridade fiscal elaborou Planilha de Evolução Patrimonial do RECORRENTE (fl. 69), oportunidade em que foi apurado o acréscimo patrimonial a descoberto nos meses fevereiro de 2000, agosto de 2000, setembro de 2000 e dezembro de 2000, nos valores acima indicados. Por efeito da Fiscalização, conforme demonstrativos de apuração de fl. 73, foi apurado o valor de imposto de renda de R$ 20.339,49, sobre o qual incidem a multa de ofício de 75% e os respectivos juros de mora referente a cada anocalendário (demonstrativo de fl. 74 dos autos). Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 244 3 DA IMPUGNAÇÃO Em 11/11/2002 (segundafeira), o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 81 a 88. Em suas razões, arguiu, o seguinte: I – Preliminar: Em sede de preliminar, o RECORRENTE alega a ocorrência de vícios no demonstrativo mensal de fluxo de caixa elaborado pela fiscalização. (i) O primeiro erro de fato: No item 1.1 – Recebidos de Pessoas Jurídicas, da letra A Recursos / Origens. O primeiro erro de fato, quando é alocado mensalmente os rendimentos recebidos. No Demonstrativo de Fluxo de Caixa, logo no mês de janeiro, foi lançado a titulo de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas o valor de R$ 6.074,44, quando na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF o valor declarado foi de R$ 11.285,36. Assim, o RECORRENTE constatou que o valor do rendimento foi lançado a menor sem qualquer justificativa. Entretanto no item 1 – Valor das Deduções Pleiteadas (INSS) e 2.1 – IRRF, da letra B – Dispêndios/Aplicações, os valores respectivos de R$ 916,54 e R$ 1.937,72, foram reproduzidos exatamente como constantes na DIRF, o mesmo acontecendo nos demais meses, conforme DIRF anexa (fl. 91); (ii) O segundo erro de fato: O RECORRENTE indica novo erro, no item 3 – Rendimentos Isentos e não Tributáveis, da letra A – Recursos / Origens, visto que não foi contemplado como origem o depósito junto ao Banco do Brasil em 15/12/2000, no valor de R$ 2.893,33 referente a devolução do Imposto de Renda, conforme documento anexo (vide fl. 111). (iii) O terceiro erro de fato: No item 6 – SD Bancário Credor em C/C no início do mês, da letra A – Recursos / Origens, o RECORRENTE alega que, além de não contemplar como origem o valor R$ 1.759,42 no mês de janeiro, o que seria correto, os Fiscais inovaram ao lançar o saldo bancário credor (positivo) do mês anterior, no item 5.2 – SD Bancário Devedor em C/C no início do mês na letra B – Dispêndios/Aplicações. Alega que o mesmo ocorreu com os demais meses do anocalendário onde o saldo bancário credor foi lançado como saldo devedor, acarretando erro formal em cascata. Observese também, que o impugnante jamais teve saldo devedor durante todo o período fiscalizado conforme faz prova o extrato bancário apresentado, anexo (fls. 92 a 111). (iv) O quarto erro de fato: No item 8 – SD Bancários Credores em C/C no final do mês na letra B – Dispêndios/Aplicações, o RECORRENTE afirma que, além de não contemplar como aplicações o saldo bancário credor no final de cada mês, não considerou como origem no item Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 245 4 6 – SD Bancário Credor em C/C no início do mês, da letra A – Recursos / Origens, o que acarretou também erro em cascata, conforme descrito no item “iii”. No seu entendimento, todo saldo credor no final de cada mês será o saldo inicial do mês seguinte. (v) O quinto erro de fato: No item 7 SD em Aplicações Financeiras no início do mês, da letra A Recursos / Origens, o RECORRENTE apontou suposto erro cometido pela fiscalização, ao não contemplar como origem o saldo final em 31/12/1999 no valor R$ 8.347,72 para inicio do mês de janeiro de 2000, representado por saldos em cadernetas de poupança do Banco do Brasil e Banco Itaú nos valores respectivos de R$ 6.326,86 e R$ 2.020,86, conforme declaração de IRPF/2000. (vi) O sexto erro de fato: No item 8 Bens e Direitos Alienados, da letra A Recursos / Origens o RECORRENTE aponta novo erro, visto que esta não contemplou como origem nos meses de maio e junho os valores de R$ 32.000,00 e R$ 8.000,00 referente a vendas dos veículo PAJERO GLX B ANO 1994 PLACA LAR 6644, para Arialdo dos Santos Lacerda CPF n° 256.549.77768, conforme documento anexo (fl. 112) e VOYAGE GL ANO 1995 PLACA LAU 4699, para Robson José da Silva Oliveira CPF n° 081.501.83710, conforme documento anexo (fls. 113 e 114). O RECORRENTE esclareceu ainda que o veiculo PAJERO foi deixado em consignação em agência de amigo seu, e foi recebido na troca, como parte de pagamento, em junho, o VW SANTANA ANO 1995 PLACA LAQ 7709 no valor de R$ 10.000,00. (vii) O sétimo erro de fato: No item 12 Dinheiro em Caixa Declarado, da letra A Recursos / Origens, o RECORRENTE afirma que, não foi contemplado como origem o saque em espécie de sua caderneta de poupança do Banco do Brasil em 30/12/1999 valor R$ 10.000,00, conforme documento anexo (fl. 115), para inicio do mês de janeiro de 2000, conforme declaração de IRPF/2000. O RECORRENTE elaborou novo fluxo de caixa (fl. 123), em que corrigiu os supostos erros cometidos pela autoridade fiscal, adicionado na letra A Recursos/Origens o item 13 Outros rendimentos, como sendo a diferença entre o que efetivamente foi depositado em sua C/C junto ao Banco do Brasil a titulo de proventos pagos pelo “Departamento de Policia Federal” e o que consta da DIRF, considerada no “Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa”. No rodapé do referido Demonstrativo, o RECORRENTE apresenta a composição mensal dos proventos com base nos extratos bancários e nos comprovantes de rendimentos, efetivamente creditados/recebidos (fls.. 92 a 111). II – Mérito: O RECORRENTE alega que, no item 7 da letra B do termo de constatação fiscal, a fiscalização considerou “custo/reforma/construção” os dispêndios no condomínio Golden Green, enquanto o correto seria o condomínio Golden Dream, visto que o RECORRENTE não possui o primeiro imóvel. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 246 5 Não concorda com a observação feita pela autoridade fiscal no item 6 da letra B do Termo de Constatação Fiscal (fl. 67). Alegou que, no ano de 2000, adquiriu três veículos e vendeu dois. Assim, no final do ano de 2000 era possuidor de dois veículos: o Santana CL 1800 Ano 1995 placa LAQ 7709, adquirido em 21 de junho de 2000, de Julio Cesar Silva dos Santos, CPF nº 038.587.53718, por R$ 10.000,00, (fls. 125 e 126); e o Caminhão Mercedes Benz L 608 D Ano 1984 Placa GNK 2671, adquirido em 23 de agosto de 2000, de Altivo Alvarenga, CPF N° 430.352.80649, por R$ 16.000,00, anexo (fl. 124), tudo conforme planilha elaborada à fl. 87. Alegou que a autoridade fiscal havia efetuado o presente lançamento baseado em indícios, e afirmou que presunção não é norma legal que dispensa prova, mas sim processo mediante o qual se infere a existência do fato a ser provado. Portanto, no seu entendimento, o lançamento por presunção seria ilegal, a não ser quando fundado em dispositivo expresso em lei. Desta forma, o RECORRENTE asseverou que, para que o lançamento de oficio seja legal, é necessário que a autoridade lançadora demonstre a existência de indícios veementes, articulando os fatos e circunstâncias que fundamentaram sua convicção de que no presente caso houve aquisição de disponibilidade de rendimento não declarado. O RECORRENTE afirma que o demonstrativo mensal de fluxo de caixa por ele reconstituído (fl. 123), prova que em nenhum mês do anocalendário 2000 ocorreu acréscimo patrimonial a descoberto. Desta forma, requereu o cancelamento do débito fiscal objeto do presente auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 131 a 142 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto de renda. Nas razões do voto, a autoridade julgadora, em princípio, esclareceu que o § 1° do art. 3° da Lei n° 7.713/88, ao presumir que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD decorre de rendimentos tributáveis omitidos pelo contribuinte, estabeleceu uma presunção legal do tipo juris tantum, ou relativa, que ocasiona a chamada “inversão do ônus da prova”, incumbindo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. Desta forma, com base nos arts. 333 e 334 do Código de Processo Civil, a autoridade julgadora afirmou que, ao contrario do que alegou o RECORRENTE, o Fisco fica dispensado de provar, no caso concreto, a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. Portanto, afirmou que se o RECORRENTE não apresentar documentos que comprovem de maneira inequívoca a utilização de recursos isentos, não tributáveis ou cuja origem foi submetida à tributação, a presunção legal de omissão de rendimentos se concretiza, por não ter sido elidida. É o ônus com o qual o contribuinte tem que arcar. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 247 6 Quanto aos “erros de fato” apontados pela RECORRENTE, a autoridade julgadora esclareceu o seguinte: (i) O primeiro erro de fato: Acatou o pleito do RECORRENTE, visto que o valor de rendimentos tributáveis, relativos ao mês de janeiro, contabilizados pela fiscalização no fluxo de caixa de fl. 69 foi de R$ 6.074,44 enquanto o correto seria de R$ 11.285,36, conforme DIRF de fl. 66. (ii) O segundo erro de fato: A autoridade julgadora também acatou o entendimento do RECORRENTE, pelo fato de a fiscalização não contemplar, indevidamente, como origem o valor de R$ 2.893,33 em dezembro de 2000, referente à devolução do imposto de renda/exercício 2000, conforme pesquisa nos arquivos da Secretaria da Receita Federal (fls. 129 e 130), e extrato bancário de fl. 111. (iii) O terceiro erro de fato: Da mesma forma, a DRJ entendeu que a fiscalização se equivocou ao não considerar como origem o valor de R$ 1.759,42, no mês de janeiro, no item 6 Sd. Bancário Credor em C/C no inicio do mês, e lançarem o saldo bancário credor (positivo) do mês anterior no item 5.2 Sd. Bancário Devedor em C/C no início do mês, pertencente à letra B, relativa a Dispêndios/Aplicações. Aliás, tal como argüido, constatase que o mesmo ocorreu nos demais meses do anocalendário, onde o saldo bancário credor foi erroneamente lançado como saldo devedor, de acordo com os extratos do Banco do Brasil, Ag. 04359, c/c 300.9688, de fls. 39/59. (iv) O quarto erro de fato: A DRJ julgou pertinente a argumentação do RECORRENTE quanto ao quarto erro de fato cometido pelas autoridades fiscais, visto que não contemplaram como aplicações no item 8 os valores relativos a “Sd. Bancários Credores em C/C no final do mês” contidos nos extratos bancários do Banco do Brasil, Ag. 04359, c/c 300.9688, de fls. 39/59. Em outras palavras, a DRJ esclareceu que devem ser computados como recursos/origens no Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, de fl. 69, os saldos bancários credores em contacorrente no início do mês, assim como na parte correspondente aos dispêndios/aplicações os saldos credores em contacorrente no final do mesmo mês, na hipótese de se dispor, como no caso em tela, dos documentos bancários do contribuinte do ano todo. (v) O quinto erro de fato: Neste ponto, a autoridade julgadora asseverou que não se pode acatar a ponderação do RECORRENTE para que fosse considerado como origem o saldo final em 31/12/1999, para início do mês de janeiro de 2000, das cadernetas de poupança do Banco do Brasil e Banco Itaú, nas quantias respectiva de R$ 6.326,86 e R$ 2.020,86, totalizando R$ 8.237,72, conforme declaração de rendimentos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 248 7 Destacou que a declaração de imposto sobre a renda da pessoa física prova a declaração, mas não o fato declarado. Assim, compete ao interessado, em sua veracidade, o ônus de provar o fato declarado. Tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, e não faz prova por si só. No presente caso, verificou que o RECORRENTE não se ocupou em apresentar os correspondentes extratos bancários, tornandose impossível aceitar seu pleito. Por outro lado, ainda que ocorresse tal hipótese, caberia considerar no Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa não só como origem, no mês de janeiro/2000, o saldo inicial em suas cadernetas de poupança, mas também como dispêndios/aplicações, em dezembro/2000, os respectivos saldos finais, acaso existentes. (vi) O sexto erro de fato: Sobre a não inclusão, nos meses de maio e junho, dos valores de R$ 32.000,00 e R$ 8.000,00 referentes às vendas dos veículos Pajero (fl. 112) e Voyage (fls. 113 e 114) no item 8 – Bens e direitos alienados, da letra A, a autoridade julgadora apontou que: a) que a cópia da “Autorização para Transferência de Veículo” correspondente ao automóvel Pajero GLXB, de fl. 112, não apresenta no campo próprio o reconhecimento da firma do proprietário (vendedor). O RECORRENTE procura comprovar a natureza da operação, porém não demonstra por meio de documentos hábeis e idôneos o efetivo ingresso dos recursos da monta de R$ 32.000,00 em seu patrimônio. b) Do mesmo modo, quanto ao veículo Voyage GL, observase que os documentos de fls. 113 e 114 não comprovam a alegada venda, em que uma declaração manuscrita no verso da fl. 114, com ausência de assinatura e demais documentos que embasem a operação, tornase inócua. Desta forma, quanto a este ponto, manteve o entendimento da autoridade fiscal em razão da não comprovação, com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, o ingresso do numerário correspondente a estas supostas venda. (vii) O sétimo erro de fato: Quanto ao “item 12 Dinheiro em Caixa Declarado”, da letra A Recursos/Origens, argumenta o RECORRENTE que não foi computado como origem o saque em espécie de sua caderneta de poupança do Banco do Brasil, em 30/12/1999, no valor de R$ 10.000,00 (extrato de fl. 115), pára inicio do mês de janeiro de 2000, conforme DIRPF/2000. Sobre este ponto, a DRJ esclareceu que a transposição de saldos positivos de caixa envolve dois aspectos: (i) o que se refere ao aproveitamento dentro do mesmo exercício, de um mês para outro, a medida é cabível, tanto que adotada pela autoridade fiscal, como se pode verificar no demonstrativo; (ii) contudo, em se tratando de transferência de saldo de um ano para outro, justamente o pedido do RECORRENTE, a transposição não é possível. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 249 8 Além disso, o próprio contribuinte sequer computou o referido saldo na coluna de 31/12/1999 da DIRPF/2001, fl. 06. Assim, não se configurando a existência de recursos disponíveis em 31 de dezembro de 1999, a autoridade julgadora afastou o pleito do RECORRENTE para considerar a transposição de qualquer valor para o primeiro dia do exercício seguinte. Acerca da consideração de dispêndios no “custo/reforma/construção” do condomínio, a DRJ esclareceu que tal equivoca em nada comprometeu o lançamento em que o RECORRENTE não impugna o valor de R$ 18.000,00 considerado pela fiscalização. Sendo assim, ao refazer o demonstrativo mensal de evolução patrimonial com a inclusão dos saldos bancários em cada mês, do modo descrito anteriormente, além da restituição do imposto de renda/exercício 2000, no mês de dezembro, e da correção do valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no mês de janeiro, decidiu por cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto do mês de setembro, constatado pela fiscalização, na importância de R$ 1.122,65 e reduzir os referentes aos meses de fevereiro, agosto e dezembro, para os valores de R$ 17.956,68, R$ 732,51 e R$ 19.649,92, respectivamente, conforme fluxo de caixa elaborado às fls. 138 a 141. Em face das alterações efetuadas, realizou retificação do lançamento, estando os cálculos baseados no demonstrativo de apuração de fl. 73, da seguinte forma: APURAÇÃO E CÁLCULO VALORES (EM REAIS) Infrações de fevereiro 17.956,68 Infrações de agosto 732,51 Infrações de dezembro 19.649,92 TOTAL DAS INFRAÇÕES 38.339,11 Base de Cálculo Declarada 61.457,64 Infrações 38.339,11 Alíquota 27,50 Parcela a Deduzir 4.320,00 Imposto Devido 23.124,10 () Imposto Pago 12.580,85 Novo Imposto Apurado 10.543,25 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 14/06/2007 (quintafeira), conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 143v, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 145 a 157, em 16/07/2007 (segunda feira). Em suas razões de recurso, o RECORRENTE alega, em sede de preliminar, que o presente auto de infração foi lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 250 9 legais vigentes. Assim requer desde logo a anulação da suposta irregularidade constante no item 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – do Auto de Infração. Alegou que todo lançamento de ofício devese pautar pelo que preceitua a seção IV, do RIR/99. Sendo assim, o contido no § 1° do Art. 845 do RIR/99 prevê que “os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão”. O RECORRENTE acusa a autoridade fiscal de lavrar o presente auto de infração sem antes intimálo para esclarecer quaisquer fatos durante a ação fiscal. No mérito, o RECORRENTE reitera as argumentações expostas em sua impugnação no que diz respeito ao “quinto erro de fato”, ao “sexto erro de fato” e ao “sétimo erro de fato”, da seguinte forma: (i) O quinto erro de fato: No item 7 SD em Aplicações Financeiras no início do mês, da letra A Recursos / Origens, o RECORRENTE apontou suposto erro cometido pela fiscalização, ao não contemplar como origem o saldo final em 31/12/1999 no valor R$ 8.347,72 para inicio do mês de janeiro de 2000, representado por saldos em cadernetas de poupança do Banco do Brasil e Banco Itaú nos valores respectivos de R$ 6.326,86 e R$ 2.020,86, conforme declaração de IRPF/2000. Tal pleito não foi acatado tendo em vista que o RECORRENTE não apresentou os correspondentes extratos bancários de modo a comprovar o informado em sua declaração de ajuste. Desta forma, anexou aos autos o extrato emitido pelo Banco do Brasil (fls. 176 e 177), deixando de anexar o informe do Banco Itaú em razão de sua não localização. Contudo afirma que são os mesmos constantes da Declaração de Imposto de Renda, nos valores de R$ 6.326,86 e R$ 2.020,86, respectivamente. (ii) O sexto erro de fato: Não inclusão, nos meses de maio e junho, dos valores de R$ 32.000,00 e R$ 8.000,00 referentes às vendas dos veículos Pajero e Voyage no item 8 – Bens e direitos alienados, da letra A. Sobre este ponto, o RECORRENTE afirmou que efetiva venda do Voyage, para Robson José da Silva Oliveira, ocorreu em junho de 2000 por R$ 8.000,00, de acordo com consulta online no sítio do Detran/RJ (fls. 196 e 197). Em relação ao automóvel Pajero, o RECORRENTE afirma que o mesmo foi deixado em consignação . junto ao comerciante autônomo de veículos Luis Humberto Torres, conforme atesta declaração do próprio (fls. 185), sendo recebido, em 21/06/2000, como parte de pagamento, o Santana de propriedade de Julio Cesar Silva dos Santos, no valor de R$ 8.000,00, tudo, conforme Certificado de Registro de Veículo e Autorização para Transferência Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 251 10 de Veículo desta data (fls. 188 e 188v) e transferido junto ao DETRAN em 18/08/2000, conforme faz prova (fl. 190). O RECORRENTE relata sua inconformidade com caso, tendo em vista que a fiscalização aceita a aquisição do veículo Santana por R$ 10.000,00 sem examinar qualquer documento, em contraste com a documentação de Autorização para Transferência de Veículo desta data (fls. 188 e 188v), que indica que o valor da aquisição foi de R$ 8.000,00. (iii) O sétimo erro de fato: No item 12 Dinheiro em Caixa Declarado, da letra A Recursos / Origens, o RECORRENTE afirma que, não foi contemplado como origem o saque em espécie de sua caderneta de poupança do Banco do Brasil em 30/12/1999 valor R$ 10.000,00, conforme documento anexo (fl. 176), para inicio do mês de janeiro de 2000, conforme declaração de IRPF/2000. Sobre este ponto, o RECORRENTE alega que o valor de R$ 10.000,00 sacado não foi consumido, e consta em sua declaração de ajuste referente ao anocalendário 2000, apresentada em 11/11/2002 (fls. 179 a 183). Mais adiante, o RECORRENTE retoma o alegado em sua defesa inicial, ao afirmar que o presente lançamento não atendeu aos pressupostos legais para a determinação correta da base de cálculo. Elaborou demonstrativo mensal do fluxo de caixa considerando os recursos não acatados pela fiscalização e pela DRJ (fl. 154). Por fim, alegou que os valores constantes dos Demonstrativos elaborados pelos fiscais autuantes e pela Relatora da 2ª. Turma de Julgamento da DRJ/RJ, partiram de bases falsas e não dos valores efetivamente recebidos conforme faz prova os contracheques em anexo (fls. 199 a 217) e os efetivos créditos junto ao Banco do Brasil sob o histórico “604 PROVENTOS” (fls. 219 a 239). Requereu também que fosse considerada a origem de recurso no valor de R$ 9.000,00 depositado em 01/02/2000 junto a conta do Banco do Brasil do RECORRENTE (fls. 192 e 194), referente a venda do veículo Kadet, de propriedade da cônjuge Cláudia Oliveira de Faria para Claudionor Faustino da Silva. Pleiteou o reconhecimento da aquisição do veículo Santana, de propriedade de Julio Cesar Silva dos Santos, no valor de R$ 8.000,00, conforme Certificado de Registro de Veículo e Autorização para Transferência de Veículo em 21/06/2000 (fls. 188 e 188v) e transferido junto ao DETRAN em 18/08/2000, conforme faz prova (fl. 190) do qual não houve o efetivo desembolso, já que foi recebido como parte do pagamento pela venda da Pajero, em maio de 2000, quando foi deixado em consignação junto ao comerciante autônomo de veículos Luis Humberto Torres, conforme atesta declaração do próprio (fl. 185). Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 252 11 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da preliminar: Inicialmente, cabe analisar a preliminar razão de defesa do RECORRENTE, que alega a nulidade da decisão recorrida, visto que o presente auto de infração teria sido lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e legais vigentes. Entendo que não há que se falar em nulidade, visto que a autoridade lançadora agiu em conformidade com o que determina a legislação. Inicialmente, cumpre esclarecer que as razões levantadas pelo RECORRENTE não se enquadram nas causas de nulidade admitidas no processo administrativo fiscal, conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/72, e são verdadeiros argumentos de irresignação; verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa;” No caso dos autos, não existe a pratica de atos por pessoa incompetente ou que tenham causado a preterição do direito de defesa do RECORRENTE. Da mesma forma, há o perfeito atendimento de todas as prescrições estabelecidas no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 253 12 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e número de matrícula.” Assim, ausente prejuízo à defesa do RECORRENTE, e preenchidos os requisitos exigidos pelo Decreto n° 70.235/1972 pertinentes à lavratura do auto de infração, são improcedentes os argumentos no sentido de que auto de infração teria sido lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e legais vigentes. Salientese que o presente lançamento tem como base legal o art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, que assim dispõe: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” Acrescentese, ainda, à legislação o disposto no art. 55, inciso XIII do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99), verbis: “Art. 55. São também tributáveis (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;” Desta forma, descabida a acusação do RECORRENTE, visto que o presente lançamento foi realizado cumprimento às normas que tratam da tributação da renda das pessoas físicas, como antes demonstrado. Do mérito: No mérito, o RECORRENTE reitera os supostos “erros de fato” cometidos pela fiscalização ao lavrar o presente auto de infração, os quais são analisados a seguir. (i) O quinto erro de fato: Neste ponto, o RECORRENTE apontou suposto erro cometido pela fiscalização, por esta não contemplar como origem, no mês de janeiro de 2000, o saldo final em 31/12/1999 de suas cadernetas de poupança do Banco do Brasil e Banco Itaú nos valores Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 254 13 respectivos de R$ 6.326,86 e R$ 2.020,86 (total de R$ 8.347,72), conforme declaração de IRPF/2000. Tal pleito não foi acatado pela DRJ pois, apesar de indicar tais valores em sua DIRPF referente ao anocalendário 2000, não foram apresentados os respectivos extratos bancários de modo a comprovar o informado em sua declaração de ajuste. Ciente disso, o RECORRENTE anexou aos autos o extrato de sua conta poupança do Banco do Brasil (fls. 176 e 177), onde se constata o saldo de R$ 6.326,86 em 30/12/1999. Deixou de anexar o extrato do Banco Itaú em razão de sua não localização. Desta forma, deve ser acatado o pleito do RECORRENTE, para ser contemplado como origem, no mês de janeiro de 2000, o saldo final em 31/12/1999 da conta do Banco Itaú no valor de R$ 6.326,86. (ii) O sexto erro de fato: Neste ponto, o RECORRENTE pede o reconhecimento das vendas dos veículos Pajero e Voyage, por R$ 32.000,00 em maio/2000 e R$ 8.000,00 em junho/2000, respectivamente. Sobre este ponto, também entendo que as alegações do RECORRENTE não podem ser acolhidas, visto que os documentos trazidos aos autos apenas confirmam que os veículos não pertencem mais ao RECORRENTE, sem, contudo, fazer qualquer indicação da quantia recebida em decorrência da suposta venda dos automóveis. Não consta preço dos veículos nos documentos. Os documentos de fls. 196 e 197 confirmam que o Voyage de placa LAU4699, que pertencia ao RECORRENTE em 1999, encontrase no nome de “Robson” no ano de 2006. Ora, tais documentos não comprovam a venda a valor de R$ 8.000,00, que o RECORRENTE afirma ter recebido. Em relação ao automóvel Pajero, também não são hábeis os documentos apresentados pelo RECORRENTE no que se refere à comprovação da venda do veículo por R$ 32.000,00. A declaração prestada pelo Sr. Luis Humberto Torres (fl. 185), de que teria adquirido o veículo pelo numerário indicado pelo RECORRENTE, não se basta para comprovar a venda do Pajero, nem o valor dela. Provavelmente, o valor da venda não foi pago em espécie, o que permitiria a construção da prova. Ademais, os documentos de fls. 188 a 190 não comprovam que o RECORRENTE recebeu o automóvel VW/Santana como adiantamento de venda da Pajero. Tais documentos comprovam apenas que o Santana, antes pertencente ao Sr. Júlio César Silva dos Santo, passou a pertencer ao RECORRENTE. O RECORRENTE deveria comprovar o recebimento dos valores referentes às supostas vendas de seus veículos através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores. Deste modo, poderia trazer aos autos cópias dos cheques que comprovassem a venda, ou indicar no extrato de sua conta corrente os depósitos que referentes à suposta venda. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Processo nº 18471.002237/200214 Acórdão n.º 2102001.024 S2‐C1T2 Fl. 255 14 Desta forma, o pleito do RECORRENTE não pode ser atendido, visto que não restaram comprovadas as vendas, nem seus valores, dos veículos Voyage e Pajero, no ano calendário 2000. (iii) O sétimo erro de fato: O RECORRENTE afirma que, não foi contemplado como origem, no mês de janeiro/2000, o saque em espécie de sua caderneta de poupança do Banco do Brasil em 30/12/1999 no valor R$ 10.000,00, conforme indica o documento de fl. 176. Sobre este ponto, o RECORRENTE alega que o valor de R$ 10.000,00 sacado não foi consumido, e consta em sua declaração de ajuste referente ao anocalendário 2000, apresentada em 11/01/2002 (fls. 179 a 183). Diante do contexto fático e legal, entendo que o RECORRENTE está com a razão, devendo ser reconhecido como origem os R$ 10.000,00 mantidos em espécie em 31/12/1999. Além disso, registrese que o RECORRENTE não comprova que o veículo Kadet vendido pela sua esposa é bem comum do casal. Desta forma, o referido bem não pode ser contemplado na declaração do RECORRENTE. Ante o acima exposto, voto por DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 16.326,86. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003681/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não são cabíveis os embargos de declaração quando buscam a rediscussão da matéria já julgada, pela discordância com os fundamentos adotados pela mesma.
Numero da decisão: 1401-001.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR os embargos declaratórios.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Henrique Heiji Erbano, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Maurício Pereira Faro. Ausente momentaneamente o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 13981.000014/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo.
CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA.
As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITOS. NOTA FISCAL. EMISSÃO. MÊS DIFERENTE. MESMO TRIMESTRE. APROVEITAMENTO.
Inexiste vedação ao aproveitamento de crédito sobre nota fiscal de aquisição de insumos, emitida em um mês e escriturada no mês subsequente, dentro do mesmo trimestre.
Numero da decisão: 3301-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. NOTA FISCAL. EMISSÃO. MÊS DIFERENTE. MESMO TRIMESTRE. APROVEITAMENTO. Inexiste vedação ao aproveitamento de crédito sobre nota fiscal de aquisição de insumos, emitida em um mês e escriturada no mês subsequente, dentro do mesmo trimestre.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. REJEIÇÃO. Rejeitase o pedido de diligência prescindível ao julgamento das questões de mérito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DEMAIS INSUMOS. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. NOTA FISCAL. EMISSÃO. MÊS DIFERENTE. MESMO TRIMESTRE. APROVEITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 14 /2 00 5- 91 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Inexiste vedação ao aproveitamento de crédito sobre nota fiscal de aquisição de insumos, emitida em um mês e escriturada no mês subsequente, dentro do mesmo trimestre. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC) que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos fiscais declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 111 e às fls. 113, ambas apresentadas em 16/06/2005, com saldo credor de créditos básicos da Cofins não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2004, decorrentes de exportações. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC) homologou, em parte, as compensações declaradas sob o fundamento de insuficiência do crédito financeiro reconhecido à recorrente, por força das glosas efetuadas, conforme Parecer Fiscal às fls. 222/241 e Despacho Decisório às fls. 242/243. Inconformada com a aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 249/261), insistindo na homologação integral, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000014/200591 Acórdão n.º 3301002.328 S3C3T1 Fl. 396 3 (a) Da glosa referente a insumos embalagens: A contribuinte alega que para efetuar a comercialização de seus produtos – madeiras e seus artefatos, entre outros – é necessária a embalagem, realizada por meio de insumos adquiridos para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, caixas plásticas etc. Explica que os insumos glosados são etiquetas adesivas (legalmente exigidas para produtos destinados ao exterior e coladas na madeira), chapa de papelão ondulado (utilizado como proteção do produto embalado), as cantoneiras (utilizadas para proteção), filme stretch (utilizado para amarrar o pacote) e fita de aço (utilizada na embalagem com a finalidade de amarrar/prender o pacote). Conclui a contribuinte que, como tais produtos compõem o produto final, devem ser passíveis de creditamento. (b) Da glosa referente a despesas com energia elétrica – créditos extemporâneos: A contribuinte alega que a legislação não estabelece quaisquer vedações ao direito de crédito das despesas com energia elétrica em sua totalidade. E, em relação aos créditos extemporâneos atinentes à energia elétrica, glosados pela autoridade fiscal por se referirem a meses anteriores, não pode prosperar, uma vez que não há qualquer restrição temporal no texto legal, exceto os já conhecidos como o da decadência. (c) da glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: A contribuinte argumenta que: [...] tendo em vista que foi permitido o aproveitamento de crédito das contribuições sobre máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda (ativo imobilizado), bem como pela lisura dos procedimentos adotados pela Manifestante em relação a tomada destes créditos, deve ser revista a decisão final para fins de alteração, reconhecendo o direito creditório da Manifestante em relação a estes bens que participam diretamente do processo produtivo. Em aditamento à manifestação de conformidade, às folhas 283 a 291, a contribuinte traz aos autos cópia de Notas Fiscais (por amostragem) e o Livro de Registro de Entradas; no qual os materiais de embalagem foram lançados sob o código de "compra para industrialização ou produção rural" ou "compra para industrialização ou produção rural – mercadorias provenientes de outros Estados", a fim de caracterizar os materiais de embalagem como insumos, nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02. Junta, ainda, as Fichas Técnicas dos produtos comercializados, os quais compreendem todas as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais glosadas pela autoridade fiscal. No tópico denominado Dos demais bens utilizados como insumos, a contribuinte argumenta que o fundamento da glosa efetuada pela autoridade fiscal – que a aquisição de bens foi genericamente descrita – carece de suporte fático e jurídico. Explica que o fundamento é impreciso, sendo defeso à autoridade fiscal utilizar argumentos evasivos, em vista do princípio da verdade material; que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova. Conclui a contribuinte: Contudo, a fim de liquidar por vezes a presente discussão, acentua a Manifestante que os documentos referidos no tópico antecedente, de igual forma corroboram a insubsistência da glosa alicerçada no citado fundamento, na medida em que as Notas Fiscais e Fichas Técnicas dos produtos (anexas) constituem elementos mais que suficientes para descrevêlos e caracterizálos como insumos, porquanto, passíveis do desconto de créditos tal como procedido pela Manifestante.” Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em Do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, a contribuinte alega que os bens – sistema elevadores de carga de madeira e sistema de aspiração e transporte de partículas – caracterizamse pela essencialidade no processo de produção. A contribuinte detalha a função de cada equipamento dos citados sistemas no processo produtivo da empresa. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme Acórdão nº 0719.846, datado de 07/05/2010, às fls. 357/382, sob as seguintes ementas: “PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a título de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000014/200591 Acórdão n.º 3301002.328 S3C3T1 Fl. 397 5 Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (385/393) requerendo a sua reforma, a fim que se homologue, na íntegra, as compensações declaradas, alegando, em síntese, que, nos termos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, faz jus aos créditos apurados sobre os custos/despesas com aquisições de (i) embalagem (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos, sob o argumento de que os vários documentos juntados aos autos são suficientes para caracterizálos como insumos e que as notas fiscais emitidas por Sullac Especialidades Ltda. e Ive do Brasil Ltda., embora apresentem data de emissão de julho, foram escrituradas em agosto; e as emitidas por Berardi Com. e Ind. Ltda., Renner Sayerlack S/A e Durlin Tintas e Vernizes Ltda., com data de agosto, foram escrituradas em setembro de 2004; e (iii) energia elétrica, porque a glosa sobre as despesas com multa e juros moratórios sobre seu pagamento, a destempo, não procede, pois não devem ser considerados isoladamente e sim pelo total pago. E caso, não seja esse o entendimento desta Turma, requereu a baixa dos autos em diligência, para que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente solicitou a baixa dos autos, em diligência, para que a autoridade preparadora verifique a real situação dos créditos reclamados. No presente caso, conforme se verifica do Parecer às fls. 222/241 e da decisão recorrida, tanto a autoridade administrativa como a julgadora de primeira instância examinaram a documentação apresentada. Caberia à recorrente ter identificado a natureza de cada insumo cujo crédito foi glosado e, ainda, demonstrado sua utilização no seu processo produtivo. Além disto, o deferimento de pedido de diligência está condicionado ao atendimento do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; IV as diligências, ou perícias que o impugnaste pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...]. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” A recorrente atendeu, em parte, os requisitos elencados no inciso IV, citado e transcrito acima, informando, de forma genérica o objetivo da diligência, ou seja, “com intuito de que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos”. Assim rejeitase diligência requerida. No mérito, as questões opostas nesta fase recursal se restringem às glosas dos créditos sobre os custos/despesas com (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos; (iii) juros moratórios e multa de mora; e (iv) notas fiscais emitidas em um mês e escrituradas em outro. A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...]. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000014/200591 Acórdão n.º 3301002.328 S3C3T1 Fl. 398 7 [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. [...].” Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço Tratase de bens que integram o custo final do produto fabricado e exportado pela recorrente. Assim, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Portanto, os valores apurados pela recorrente sobre tais custos e glosados pela Fiscalização deverão restabelecidos e utilizados na Dcomp em discussão. (ii) demais insumos. Em seu recurso voluntário, a recorrente não identificou tais insumos nem demonstrou seus empregos, no seu processo produtivo; se limitando à alegação de que juntou vários documentos que, segundo seu entendimento, constituem elementos suficientes para caracterizar tais bens como insumos, nos termos do dispositivo legal citado no item (i) acima. Contudo, tais documentos não permitem identificar suas natureza nem suas utilizações no seu processo produtivo, Caberia a ela ter elaborado uma planilha identificando cada um deles, informando: valor de aquisição; nota fiscal; vida útil/ e, seus empregos no processo produtivo, ou seja, em que fase do processo são empregados e qual a finalidade específica de cada um. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Como não o fez, as glosas devem ser mantidas. (iii) juros moratórios e multa de mora A recorrente defende o aproveitamento de crédito apurado sobre despesas incorridas com juros de mora e multa mora, incidentes sobre pagamentos, a destempo, de energia elétrica sob o argumento de que integram o custo total desse insumo. Ao contrário do seu entendimento, tais despesas não integram o custo da energia elétrica utilizado no processo produtivo nem geram créditos da contribuição, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.833. de 2003, citados anteriormente. Somente geram créditos os custos e despesas de bens/serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. (iv) notas fiscais emitidas em um mês e escrituradas em outro. O fato de a nota fiscal ter sido emitida em um mês e escriturada nas escritas, contábil e fiscal, no mês imediatamente subseqüente e no mesmo trimestre, não impede o aproveitamento do crédito gerado, desde que atenda os requisitos do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Também, segundo o disposto no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, o saldo credor passível de ressarcimento/compensação é apurado trimestralmente. No presente caso, conforme se verifica dos autos, as notas fiscais das empresas Sullac Especialidades Ltda., Ive do Brasil Ltda., Durlin S.A. Tintas e Vernizes, e Renner Sayerlack S.A., são referentes a bens que se enquadram como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citado e transcrito anteriormente. Já a nota fiscal emitida pela Berardi Comércio e Indústria Ltda. não atende àquele dispositivo. Dessa forma, os valores das glosas sobres os custos correspondentes àquelas notas fiscais, com exceção da nota fiscal da Berardi Comércio e Indústria Ltda., deverão ser restabelecidos para utilização na Dcomp em discussão. Quanto à homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomp em discussão, segundo a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a crédito financeiro suplementar, reconhecido nesta fase recursal. Assim, compete à autoridade administrativa apurar os créditos da contribuição, nos termos desta decisão, e homologar as compensações declaradas até o limite apurado. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos incorridos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço e sobre os custos dos insumos das notas fiscais emitidas pelas empresas Sullac Especialidades Ltda., Ive do Brasil Ltda., Durlin S.A. Tintas e Vernizes, e Renner Sayerlack S.A., cabendo à autoridade administrativa recalcular os créditos, apurar o saldo credor trimestral passível de ressarcimento/compensação e homologar as compensações declaradas nas Dcomp, em discussão, até o limite apurado, exigindo possível saldo remanescente. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000014/200591 Acórdão n.º 3301002.328 S3C3T1 Fl. 399 9 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.006635/2004-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2102-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator
(Acórdão reapresentado em meio magnético.)
EDITADO EM 01/12/2010
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 66 35 /2 00 4- 22 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 87 2 (Acórdão reapresentado em meio magnético.) EDITADO EM 01/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 70 a 74, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 64 a 65, que julgou procedente o lançamento de fls. 03 a 08, relativo ao anocalendário 1999, lavrado em 25/03/2004, com ciência do RECORRENTE em 22/06/2004, conforme AR de fl. 10. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 6.228,04, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura), multa de ofício no percentual de 75% e também a multa por atraso na entrega da DIRPF. O presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, constante em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e não declarados em DIRPF pelo RECORRENTE, conforme demonstrativo das infrações de fl. 06. Assim, a autoridade lançadora procedeu, de ofício, à inclusão dos seguintes rendimentos na declaração de ajuste do RECORRENTE, com a indicação da respectiva fonte pagadora: a) R$ 31.548,52 – Cerealista Medeiros LTDA. (CNPJ 02.481.364/000166); b) R$ 1.250,00 – Antonio Borim S/A (CNPJ 50.938.273/000150). A fiscalização incluiu, ainda, o valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 473,23 referente aos rendimentos omitidos que foram recebidos pelo RECORRENTE, conforme informação de fl. 05. Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração do RECORRENTE: (i) rendimentos tributáveis de R$ 2.500,00 para R$ 32.798,52; (ii) valor do desconto simplificado de R$ 500,00 para R$ 6.559,70; e (iii) o imposto retido na fonte de R$ 0,00 para R$ 473,23. Assim, a autoridade fiscal apurou o valor de imposto suplementar de R$ 2.422,42 (fl. 04). Ainda de acordo com a mensagem de fl. 04, a fiscalização lançou multa por atraso na entrega da declaração do RECORRENTE no valor de R$ 260,61, conforme cálculos de fl. 07v. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 88 3 DA IMPUGNAÇÃO Em 19/07/2004, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fl. 01, alegando, em suma, que desconhecia a empresa denominada Cerealista Medeiros LTDA. e que não havia recebido o valor declarado pela mesma em DIRF. Assim, requereu diligência fiscal para apuração dos fatos. À fl. 37, a DRJ em Salvador/BA determinou a realização de diligência para que a Cerealista Medeiros LTDA. apresentasse os comprovantes informados em DIRF de fl. 21. Entretanto, não foi possível intimar a empresa, conforme certidão de fl. 41. Por meio do despacho de fl. 42, a DRJ de origem determinou a realização de intimação da Cerealista Medeiros LTDA., para cumprimento da diligência fiscal. Em resposta de fls. 48 a , a Cerealista Medeiros LTDA. juntou aos autos duas notas fiscais emitidas pelo RECORRENTE e os respectivos DARF’s do IRPF, coincidentes com os valores informados em DIRF. Cientificado do resultado da diligência fiscal, o RECORRENTE apresentou resposta de fl. 57, afirmando que as notas fiscais apresentadas pela Cerealista Medeiros LTDA. seriam falsas, e que nunca havia prestado qualquer serviço para a referida empresa. Desta forma, requereu nova intimação da empresa diligenciada para que esta informasse a forma como os pagamentos foram realizados e comprovasse a efetivação do mesmo. Informou que apresentaria notícia crime na perante a Delegacia de Repressão ao Estelionato e Outras Fraudes – DREOF. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 31 a 37 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente omissão de rendimentos. Lançamento Procedente” Nas razões do voto, a autoridade julgadora afirmou que as notas fiscais emitidas pelo autuado e apresentadas pela Cerealista Medeiros LTDA. (fls. 49 e 51) confirmavam os valores informados em DIRF (fl. 21). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 89 4 A DRJ afirmou que a alegação de que as referidas notas fiscais seriam falsas não poderia ser acolhida, pois o RECORRENTE não apresentou qualquer documento que comprovasse tal fato, ou até mesmo que justificasse uma nova diligência ou perícia. Apontou que o recolhimento tempestivo do IRRF correspondente aos rendimentos constantes nas notas fiscais foram devidamente comprovados através dos DARF´s de fls. 50 e 52, o que constitui mais uma prova da veracidade dos valores informados em DIRF. Ademais, a autoridade julgadora informou que o RECORRENTE não havia apresentado qualquer contestação acerca dos valores recebidos da Antônio Borim S/A, constantes na DIRF de fl. 22. Portanto, a DRJ considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE apresentou recurso voluntário de fls. 70 a 74 em 25/06/2009, através de procurador devidamente constituído à fl. 75. Em suas razões recursais, o RECORRENTE questionou o fato de não ter sido realizada a diligência para que a Cerealista Medeiros LTDA. comprovasse a efetivação do pagamento das quantias objeto da autuação. Alegou que houve cerceamento de sua defesa, visto que a autoridade fiscal não apurou se as receitas consideradas omissas foram, de fato, destinadas ao ora RECORRENTE. O RECORRENTE argumentou que ficou “inativo” (sic) em 31/10/2008, conforme certidão de fl. 83, fato este que inviabilizaria a utilização de qualquer nota fiscal. Alegou também que, em novembro de 2007, enquanto aguardava o cancelamento de sua inscrição municipal, notou a falta dos talões de notas fiscais da série “A”, numeração de 001 a 250, razão pela qual publicou seu extravio em jornal de grande circulação no Estado da Bahia, conforme cópia de fl. 84. Desta forma, reiterou a alegação de que seria necessária a realização de diligência na empresa pagadora para que esta apresentasse os comprovantes de pagamentos dos valores constantes nas notas fiscais objeto da presente autuação, a fim de que seja identificado seu real recebedor. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator Recebo o recurso como tempestivo, uma vez que o AR de fl. 69 não indica a data de entrega da decisão proferida pela DRJ ao RECORRENTE. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 90 5 O RECORRENTE, autuado por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, defendese afirmando que não recebeu a quantia indicada pela empresa denominada Cerealista Medeiros LTDA., no valor de R$ 31.548,52, conforme DIRF de fl. 21 e notas fiscais de fls. 49 e 51. De início, devese esclarecer que o RECORRENTE não apresentou qualquer defesa acerca dos rendimentos recebidos da Antônio Borin S/A Indústria e Comércio de Bebidas e Conexos, informados em DIRF de fl. 22, nem a respeito da multa pelo atraso da entrega de sua declaração. Desta forma, de acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/72, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Em suas razões de apelo, alegou que nunca trabalhou para a Cerealista Medeiros LTDA. e que, por esse motivo, deveria ser realizada diligência fiscal na empresa pagadora a fim de que esta apresentasse os comprovantes de pagamentos dos valores indicados nas notas fiscais, o que comprovaria que o ora RECORRENTE não havia recebido a mencionada quantia. Entendo que são infundadas as alegações do RECORRENTE, conforme adiante será demonstrado. Da preliminar: Inicialmente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, vez que o RECORRENTE demonstra compreender os fatos que lhe foram imputados. Também não houve cerceamento da defesa quando deixou de ser realizada nova diligência na empresa Cerealista Medeiros LTDA., como havia requerido o RECORRENTE, visto que a autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que tal medida seria impraticável para a formação de sua convicção. Nestes termos, vide entendimento do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes abaixo transcrito, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PRAZO ADICIONAL PARA PRODUÇÃO DE PROVA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de produção de provas que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 91 6 equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (recurso voluntário nº 156861; 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 23/04/2008)” Portanto, entendo descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa. Do mérito: Sobre a alegação do RECORRENTE, de que desconhecia a empresa Cerealista Medeiros LTDA. e que não havia trabalhado para mesma, entendo que a mesma não deve prevalecer, haja vista que a referida empresa, após ser intimada pela fiscalização, comprovou que havia pago ao RECORRENTE a quantia total de R$ 31.548,52, no ano calendário 1999, em decorrência das notas fiscais nºs 0015 e 0016 (fls. 49 e 51 dos autos). Comprovou ainda que recolheu o imposto incidente sobre as referidas notas fiscais em nome do RECORRENTE (CPF nº 501.044.62515), de acordo com os DARF’s de fls. 50 e 52. Desta forma, a informação prestada pela Cerealista Medeiros LTDA. corrobora com a DIRF de fl. 21. Portanto, resta claro nos autos que houve omissão de rendimentos por parte do RECORRENTE. Sobre a alegação prestada pelo RECORRENTE, de que não trabalhou no período de 10/2008, conforme certidão de fl. 83, o que inviabilizaria a utilização de qualquer nota fiscal, devese esclarecer que as notas fiscais objeto da presente autuação por omissão de rendimentos foram expedidas em 22/02/1999 e em 08/07/1999, ou seja, bem antes da baixa de inscrição do registro municipal do RECORRENTE perante a Prefeitura de Salvador/BA (fl. 83). Desta forma, não se pode falar que as notas fiscais seriam invalidas. Da mesma forma deve ser afastada a arguição acerca do suposto extravio do talão das notas fiscais, visto que, conforme afirmou em seu recurso voluntário, o RECORRENTE notou a ausência do talão apenas no ano 2007, e publicou nota sobre o extravio no jornal do dia 01/09/2007 (fl. 84). Ocorre que a emissão das notas fiscais data do ano de 1999, assim como o recolhimento do IRF, ou seja, ambos são muito anteriores à publicação da nota de extravio em jornal. Devese também atentar para o fato de que o RECORRENTE foi cientificado da presente autuação em 23/06/2004, conforme AR de fl. 10, e sendo assim, não pode basear Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 92 7 sua defesa em publicação de nota de extravio datada de 01/09/2007, ou seja, ocorrida quando passados mais de três anos da intimação acerca do presente lançamento. Ademais, devese atentar para o fato de que o suposto extravio do talão de notas fiscais do RECORRENTE não foi comprovado por qualquer meio admitido. Desta forma, não se pode imputar a alguém qualquer crime sem o devido processo penal, visto que, em razão da presunção de inocência estabelecida pelo art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Meras alegações do RECORRENTE, desacompanhadas de quaisquer meios de provas que as dê sustentáculo, não podem ser acolhidas. Este é um “princípio” processual dos mais caros, seja na esfera administrativa ou na judiciária, e não podendo ser diferente a postura deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, como se pode perceber da análise dos seguintes acórdãos, verbis: “RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso negado. (recurso voluntário nº 156896; 2ª Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 08/09/2008)” “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Recurso Voluntário Negado. (recurso voluntário nº 149637; 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 30/05/2008)” Importante salientar que a função deste Conselho é julgar a aplicação da lei tributária por parte a autoridade lançadora, conforme art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 22/06/2006), verbis: “Artigo 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Assim, não há como negar que a autoridade lançadora agiu corretamente ao lavrar o presente auto de infração, uma vez que, ao confrontar as informações expostas pelo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.006635/200422 Acórdão n.º 2102000.976 S2‐C1T2 Fl. 93 8 RECORRENTE em sua declaração de ajuste (fl. 16) com os dados constantes em DIRF’s apresentados pela Cerealista Medeiros LTDA. e pela Antônio Borin S/A Indústria e Comércio de Bebidas e Conexos (fls. 21 e 22), foi constatada omissão de rendimentos, o que autorizou o lançamento do imposto de renda, com base no art. 149, inciso V, c/c art. 150, todos do Código Tributário Nacional, que dispõem o seguinte: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;” “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Mesmo após defesa do RECORRENTE, verificase que todas os elementos existentes nos autos convergem para o fato de que houve, de fato, omissão dos rendimentos por parte do RECORRENTE, o que pode ser comprovado pelas notas fiscais emitidas pela empresa Cerealista Medeiros LTDA. e pelos DARF´s de recolhimento do imposto de renda retido na fonte (fls. 49 a 52). Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15555.000077/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GRUPO ECONÔMICO Recorrente UNIWAY COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS LIBERAIS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 5. 00 00 77 /2 00 8- 46 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000077/200846 Acórdão n.º 2402004.269 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/1999 a 03/2004. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 02/04), a empresa deixou de informar em GFIP os valores de remuneração pagos aos segurados empregados. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 04/08/2004 (fl.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento, na medida em que este omite os artigos das normas legais específicas dadas como infringidas. Argúi, ainda, a nulidade do lançamento pela falta de intimação dos demais supostos devedores do presente crédito; 2. sustenta a ilegalidade da caracterização de grupo econômico pela fiscalização, posto que realizada com base em presunção. Nesse passo, pondera que não há qualquer relação de subordinação entre as empresas, não bastando a mera vinculação; 3. no mérito, afirma que, tendo apresentado os comprovantes de recolhimento dos valores que teria deixado de declarar em GFIP, não há motivo para autuação; 4. por fim, contesta a aplicação de juros moratórios pela taxa SELIC, sustentando a sua ilegalidade. Embora intimadas por via postal, em 25/08/2004 (fls. 227/235), as empresas Uniwork Coperativa de Trabalho LTDA. e EDablio Consultoria e Projetos Ltda., supostas integrantes do grupo econômico, não impugnaram o lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias – por meio da DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0143/2005 (fls. 239/246) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Sem apresentação de recursos, houve a lavratura de Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância. Processo foi encaminhado ao setor de cobrança judicial. A Procuradoria Especializada do Fisco determina que o processo retorno à fase administrativa para que as Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. A empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda., suposta integrante do grupo econômico, apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua alegação fática de que não integraria o grupo econômico delineado pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) em Nova Iguaçu/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000077/200846 Acórdão n.º 2402004.269 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Cumpre esclarecer que somente a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda apresentou recurso voluntário. Quanto às prejudiciais, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa e da supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados. Após a apresentação da peça de impugnação – oportunidade em que a empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda alegava que não existiria a caracterização de grupo econômico, tendo em vista que não haveria relação de controle ou de subordinação entre as empresas apontadas pelo Fisco como integrantes do suposto grupo econômico, havendo apenas uma presunção de grupo econômico –, a Delegacia de Julgamento proferiu decisão indeferindo as alegações expostas nessa peça de impugnação, nos seguintes termos: “[...] 9. No que se refere a argüição de nulidade pela falta de intimação dos integrantes do Grupo Econômico, não assiste razão a impugnante, na medida em que as empresas foram regularmente cientificadas do procedimento fiscal pela via postal, como revelam os documentos de fls. 227/234. [...]” (processo 15555.000077/200846, DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0143/2005, fls. 239/246) Com a prolação da decisão de primeira instância, inicialmente não houve a apresentação de recurso voluntário. Com isso, o Fisco lavrou Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância, e encaminhou os autos ao setor de cobrança judicial. Posteriormente, a Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada) determinou o retorno do processo à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. Por sua vez, o Fisco determinou a reabertura de prazo para a interposição de recurso para todas as empresas integrantes do suposto grupo econômico, nos seguintes termos: “[...] 1. Tratase de DecisãoNotificação DN emitida em 30/05/2005, sob o no 17.422.4/0143/2005, que julgou pela procedência do autodeinfração AI lavrado sob o DEBCAD n° 35.699.8452. 2. 0 referido AI foi lavrado quando da ação fiscal desenvolvida na empresa UniwaV Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100 (integrante de grupo econômico), porém, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 são responsáveis solidárias pelo crédito previdenciário lançado por meio deste AI, além da empresa Uniwav Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda, todas as demais empresas participes do grupo econômico, a saber: Uniwav Serv. Coop. de Trab. de Profissionais Liberais Ltda CNPJ • 73.206.245/000143, Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda — CNPJ 73.206.245/000143, EDablio Consultoria e Projetos Ltda CNPJ 03.721.322/000118. 3. Todas as empresas identificadas no item supra – item 2 do presente Despacho, foram chamadas a se manifestarem nos autos, conforme fls. 1 (notificação pessoal da empresa Uniway Cooperativa de profissionais Liberais Ltda), fls. 226 (cópia de Edital Publicado no Jornal do Comércio de 12/11/2004 – empresa Uniway Serv. Cooperat. de Trab. de Profissionais Ltda), fls. 227 (carta enviada à Uniwork Cooperativa de Trabalho LTDA – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR) e fls. 231 (carta enviada à empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR). 4. No entanto, nos autos consta apenas a comprovação do recebimento da ON pela empresa Uniwav Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100, em 07/07/2005 (fls. 243). 5. Às fls. 268, consta Despacho da Procuradoria Especializada do INSS devolvendo o processo a Seção do Contencioso Administrativo para que todas as empresas participes do grupo econômico recebam cópia da presente DecisãoNotificação DN. 6. Dessa foram, esta Seção reencaminha cópia da Decisão Notificação n° 17.422.4/0143/2005 as demais empresas participes do grupo econômico, a saber: Uniwav Serv. Coop. de Trab. de Profissionais Liberais Ltda CNPJ 73.206.245/0001 43, Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda — CNPJ 73.206.245/000143 , EDablio Consultoria e Projetos Ltda – CNPJ 03.721.322/000118. 7. Ressaltese que o presente Despacho está sendo encaminhada a todas as empresas que integram o grupo econômico, uma vez que o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS está sendo reaberto pelo presente Despacho e começará a fluir após a ciência de todas as empresas participes do grupo. [...]” (processo 15555.000077/200846) (g.n.) No retorno do processo à fase administrativa, conforme determinação da Fazenda Nacional, a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda interpôs recurso alegando, em síntese, os seguintes fatos: 1. a sua constituição como empresa somente ocorreu em março de 2000, logo não há de se falar em contribuições nas competências 01/1999 a 02/2000; 2. ela não pertence a grupo econômico algum, e em tal condição não pode ser considerada solidária aos débitos mencionados no Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000077/200846 Acórdão n.º 2402004.269 S2C4T2 Fl. 5 7 lançamento fiscal, pois o único vinculo existente entre a eDablio Consultoria e Projetos Ltda e a cooperativa Uniway era um vínculo comercial, onde a primeira contratava os serviços da segunda; 3. Conforme impugnação da Cooperativa Uniway, a qual sofreu a fiscalização, não restou comprovada, durante a fiscalização, a existência do controle por parte de uma das cooperativas sobre as outras e muito menos da empresa limitada sobre as cooperativas, portando a autoridade fiscalizadora fundamentouse em simples presunção e informações comerciais constantes no site www.uniway.com.br, onde constava a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, como sua cliente; 4. Conforme Contrato Social (doc. 3) o responsável pela administração da empresa eDablio Consultoria e Projetos Ltda. era seu Sócio Gerente Pedro Azambuja Pinheiro Machado, portando não há de se falar em controle e direção, pois o Sr. Pedro não fazia parte da direção e muito menos controlava a Cooperativa Uniway; 5. o AI DEBCAD n° 35.699.8452, de 30/07/2004, nunca foi entregue a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, apenas a empresa tomou conhecimento em 07/08/2006, quando sua procuradora recebeu cópias da NFLD em questão. Isto, por uma única razão, não há vínculo entre a empresa UNIWAY e a EDABLIO, que é uma empresa limitada e a Uniway, cooperativa. Dessa forma, afirma que não faz parte do mesmo grupo econômico que a cooperativa Notificada e, para comprovar as suas alegações, junta aos autos cópias de documentos. Considerando a garantia da ampla defesa e da supressão de instância, entendese que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações postas na peça recursal, eis que essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos abordados pela peça de impugnação, no momento em que não houve uma demonstração fática de que todas as empresas comporiam ou não o grupo econômico delineado pelo lançamento fiscal. Segundo a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda), ela não tornou conhecimento imediato da autuação, sendo que isso impossibilitou, dentro do prazo regulamentar, a sua produção de prova na fase de impugnação, e, com isso, somente na fase recursal foram apresentadas as questões fáticas e jurídicas da impugnação do lançamento fiscal. Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do sujeito passivo da relação obrigacional tributária do presente processo, já que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a documentação existente na empresa (fato novo para o processo) – tais como as questões fáticas expostas nos itens 1 a 5 retromencionados –, deverá a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática somente apresentada em sede de recurso voluntário (fato superveniente ao momento de sua apresentação), visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendese eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do Fisco quanto aos argumentos apresentados na peça recursal ou na peça de impugnação, dandose uma chance Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 para que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) emende a peça inicial (peça de impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de toda a matéria fática na fase recursal, se a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) não a apresentou em decorrência de uma causa dada pelo próprio Fisco, corroborado pelo retorno do processo à fase administrativa e pela reabertura de prazo, conforme determinação da Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada e Fisco). Isso permitirá que tal matéria fática seja analisada pela primeira instância e evitará a garantia da supressão de instância e da ampla defesa. Esse entendimento acima está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendese que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (itens a 5 dessa decisão) e sinalizadas na peça de impugnação pela empresa autuada (Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda). Nesse particular não há outra solução a ser dada ao presente processo, anulandose a decisão de primeira instância em decorrência da constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada nos autos. A Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorrerá a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja de forma excepcional e justificada, que foi: impossibilidade de se manifestar, no prazo regulamentar, da autuação em decorrência da falta de ciência de todos os sujeitos passivos (solidariedade). Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, após o retorno do processo à fase administrativa, houve a reabertura de prazo para que as empresas (sujeitos passivos), pertencentes ao suposto grupo econômico, apresentassem peça de contestação (recurso), sendo isso determinado pela Fazenda Nacional. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000077/200846 Acórdão n.º 2402004.269 S2C4T2 Fl. 6 9 se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que o Fisco deverá cientificar os sujeitos passivos dessa decisão – ou seja, deverá dar ciência a todas as empresas que integram o suposto grupo econômico delineado pela auditoria fiscal –, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido aos sujeitos passivos um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19647.012716/2005-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO. NULIDADE. CIÊNCIA DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não há que se falar em nulidade do lançamento, por cerceamento de direito de defesa, uma vez que houve regular ciência ao contribuinte do ato de exclusão do Simples.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASEDECÁLCULO.IMPOSSIBILIDADE. AContribuiçãoparaoPIS/PasepeaCofinsincidemsobreofaturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. CIÊNCIA DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não há que se falar em nulidade do lançamento, por cerceamento de direito de defesa, uma vez que houve regular ciência ao contribuinte do ato de exclusão do Simples. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 27 16 /2 00 5- 03 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 318 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 03 a 05, para exigência de crédito tributário referente ao ano calendário de 2002, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAL NATUREZA VALOR EM REAL Contribuição para o PIS 6.633,99 Juros de Mora (até 30/11/2005) 3.843,49 Multa Proporcional 4.975,45 TOTAL 15.452,93 Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação da Contribuição para o PIS, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados no auto de infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. A irregularidade constatada e suas conseqüências podem ser assim resumidas: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Constatou a Fiscalização que a contribuinte foi excluída do Simples desde 01/04/1999. Diante desta constatação a empresa foi intimada a apresentar a declaração pelo lucro real trimestral. A contribuinte apresentou sua Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJ juntamente com os documentos que serviram de base para a apuração do balanço da empresa. Foram tributados os valores devidos da Contribuição para o PIS. Não foram considerados os valores recolhidos pelo Simples. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 213 a 245, na qual questiona os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: Requer a contribuinte a nulidade dos autos de infração do presente processo, tendo em vista que, não procede a afirmativa da fiscalização de que a empresa foi excluída do Simples em 01/04/1999, pois jamais recebeu qualquer comunicação dando conta do ato de exclusão. De acordo com a legislação a exclusão apenas poderá ocorrer se respeitado os direitos do contribuinte, quais sejam: ser cientificado e apresentar defesa. Assim, requer a nulidade do ato de exclusão, pois não foram cumpridos os princípios basilares para a consecução de tal ato. Em seguida a contribuinte afirma que esta sendo cobrada de valores já recolhidos no Simples (código de arrecadação 6106). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 319 3 Passa a contribuinte a reclamar da base de cálculo do PIS alegando.que deve ser deduzido, não apenas o ICMS substituto, como todo ICMS incidente. Cita a respeito da matéria opinião de Roque Antônio Carrazza, Geraldo Ataliba e Cléber Giardino. Também em relação à base de cálculo a impugnante alega que a adotada pela fiscalização está em descompasso com o entendimento jurisprudencial acerca da Lei n.° 9.718/98. Transcrevendo o art. 3° da Lei n.° 9:718/98, bem como o art.110 do CTN e ementa do TRF da 3° Região, às fls. 280/281, requer a improcedência dos lançamentos do PIS e COFINS alegando que a base de cálculo adotada viola o disposto no art. 110 do CTN. Assevera a impugnante que a Emenda Constitucional n.° 20 não teve o condão de validar a Lei n.°9.718/98, "posto que é regra primária que a Constituição Federal (também suas ementas) não pode recepcionar Lei infraconstitucional que, à época de sua promulgação, era inconstitucional". Destarte, mesmo após a EC20, seria indispensável a edição de nova Lei versando sobre a matéria."(sic) Sobre o assunto cita julgados do Tribunal Regional Federal da 3' Região e do Superior Tribunal de Justiça. Nas fls. 233 a 240 a contribuinte reclama da aplicação da Taxa Selic como juros de mora em matéria tributária. Nas fls. 240 a 243 reclama da multa de ofício aplicada no percentual de 75% considerando confiscatória. Ao julgar referida impugnação, a 4ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1121859, de 07/03/2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa juridica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MATÉRIA NÃO CONTESTADA –RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO. O ICMS devido pela empresa compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da Contribuição para o PIS. JUROS DE MORA (TAXA SELIC) MULTA DE OFÍCIO LEI N° 9.718/1998 INCONSTITUCIONALIDADES. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 320 4 alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, permaneceu com as seguintes alegações em síntese: requer a nulidade do lançamento, pois “jamais recebeu qualquer comunicação dando conta de tal ato de exclusão”. Prossegue com argumentos doutrinários e jurisprudenciais a respeito da intimação por edital; reclama que não foram excluídos da base de cálculo do PIS os valores referentes ao ICMS – Substituição Tributária. De acordo com ele estes valores estariam destacados em planilha anexada na impugnação; por fim pede também que seja excluído da base de cálculo do PIS, também o ICMS normal incidente sobre o seu faturamento. Argumenta que o ICMS não integra o faturamento. Cita também entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre sua tese; É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 321 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O contribuinte pede a nulidade do lançamento afirmando que nunca havia tomado conhecimento de sua exclusão do Simples, o que estaria lhe prejudicando o seu amplo direito de defesa, assegurado constitucionalmente. A decisão recorrida afastou esta preliminar de nulidade citando trecho de decisão proferida no processo nº 19647.012715/200551, no qual constava a informação de que a contribuinte havia tomado ciência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, por meio de Edital. A título de esclarecimento, o contribuinte teve contra si lavrado dois autos de infração referentes à mesma fiscalização. O do processo acima citado foi lavrado para exigência do IRPJ e seus reflexos, tendo em vista a constatação de omissão de receitas. Já o do presente processo foi lavrado para exigência de diferenças apuradas do PIS decorrentes da opção indevida pelo Simples, já que a contribuinte havia sido excluída deste sistema de apuração desde abril/99, e não poderia recolher os seus tributos nesta sistemática no ano calendário de 2002. No processo nº 19647.012715/200551, o contribuinte apresentou as mesmas razões para solicitar a nulidade daquele lançamento, qual seja, que não teria tido conhecimento de sua exclusão do Simples, o que prejudicaria o seu direito constitucional de contraditório e ampla defesa. Pois bem, o processo citado foi submetido a julgamento em 22/01/2008, pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual resolveu baixar o processo em diligência para que a unidade local da Receita Federal confirmasse ou não se o contribuinte havia tomado ciência do ato de exclusão do Simples. O resultado da diligência foi que o contribuinte recebeu o ato de exclusão do Simples em 20/01/1999, conforme Aviso de Recebimento juntado ao citado processo. Posteriormente, citado processo foi novamente submetido a julgamento, agora pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em 07/11/2012, a qual, apesar de sobrestar o processo, decidiu por afastar a preliminar de nulidade, face aos elementos trazidos pela diligência realizada. Efetuei a juntada ao presente processo dos elementos acima citados. Portanto, por estar demonstrado que o contribuinte tomou conhecimento do ato de exclusão do Simples em 20/01/1999, entendo estar superada a preliminar de nulidade argüida pela recorrente. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 322 6 ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA O contribuinte reclama que não foram excluídos da base de cálculo do PIS os valores referentes ao ICMS – Substituição Tributária. De acordo com ele estes valores estariam destacados em planilha anexada na impugnação. Na análise das planilhas anexadas na impugnação, só tem uma, fl. 259 (280 do processo digitalizado) que destaca valores referentes ao ICMS, mas sem separar qualquer valor a título de ICMS substituição tributária. De fato o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 permite a dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores relativos ao ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em que pese a legislação permitir esta dedução, o contribuinte não apresenta nenhum elemento de prova de que tenha recolhido o ICMS na condição de substituto tributário. DEDUÇÃO DO ICMS NORMAL O contribuinte pede também que seja excluído da base de cálculo do PIS, também o ICMS normal incidente sobre o seu faturamento. Argumenta que o ICMS não integra o faturamento. Cita entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre sua tese. Esta matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Junto ao Superior Tribunal de Justiça esta matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Por fim, entendo que o ICMS integra o faturamento, que é o fato gerador do PIS e da Cofins, não havendo qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19647.012716/200503 Acórdão n.º 3301002.401 S3C3T1 Fl. 323 7 intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Ainda que assim não fosse, reconhecer este direito ao contribuinte implicaria afastar a aplicação de lei tributária, por inconstitucionalidade, o que não é permitido aos julgadores desta instância administrativa. Nestes termos, citase a súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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