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Numero do processo: 16327.000650/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
Autos de Infração sob N° 37.355.960-7, nº 37.355.9623 e nº 37.355.957-7
Consolidados em 19/12/2012
DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A MAIO DE 2005 (INCLUSIVE). COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO EM PARTE. SÚMULA CARF 99.
Nos autos há comprovação de recolhimento, ainda que em parte do que julgado devido, compelindo aplicação da Súmula CARF 99 e ao artigo 150, § 4º do CTN, por determinação do artigo 72 do RICARF.
No caso em tela, como o lançamento é de junho de 2010, encontra-se abarcado pela decadência os lançamentos anteriores a maio de 2005, inclusive.
CO-RESP - INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO. MANUTENÇÃO.
Trata-se de matéria sumulada pela Corte, obrigando aos seus membros a sua imediata aplicação, por força do artigo 72 do RICARF.
Assim, e de acordo com a Súmula CARF 88, o CORESP, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribue responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR - AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A legislação de regência, Lei nº 10.101/2000, tem como condição sem a qual não ocorrerá a regularidade do PLR a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes, para aprovar o plano.
No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações.
PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO
Abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório não havendo substituição de eventual aumento salarial, está abarcada pelo art. 28, §9º, e, item 7, da Lei 8.212/91, não incidindo contribuição previdenciária.
Pagamento de gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade.
No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. sendo que há nos autos dispositivo prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO COMPENSANDO O TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A natureza do bônus de contratação tem limiar estreito, podendo configurar como de natureza remuneratória ou indenizatória.
A voluntariedade e a compulsoriedade também revelam-se caminho estreito para definir incidência ou não de contribuição previdenciária.
O que determina a incidência são as peças dos autos, oriundo do comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o bônus de contratação. Se exigiu, cai na vala dos comuns, se não exigiu não há incidência de contribuição previdenciária.
No caso em tela e de acordo com as peças dos autos houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela, ou seja, remunerar o trabalho pelo capital.
DOS JUROS. INCIDÊNCIA DEVIDA ATUALIZAÇÃO.
Quanto a cobrança de juros a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, sendo de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do cálculo da autuação os motivos que ocorreram até a competência 05/2005, anteriores a 06/2005, devido à regra decadencial expressa no § 4º. Art. 150, do CTN, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiro Marcelo Oliveira e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso, pela aplicação do determinado no Art. 173, do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições oriundas da rubrica abono único, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Cristiane Matsumoto. OAB: 222.832/SP.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 Autos de Infração sob N° 37.355.9607, nº 37.355.9623 e nº 37.355.9577 Consolidados em 19/12/2012 DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A MAIO DE 2005 (INCLUSIVE). COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO EM PARTE. SÚMULA CARF 99. Nos autos há comprovação de recolhimento, ainda que em parte do que julgado devido, compelindo aplicação da Súmula CARF 99 e ao artigo 150, § 4º do CTN, por determinação do artigo 72 do RICARF. No caso em tela, como o lançamento é de junho de 2010, encontrase abarcado pela decadência os lançamentos anteriores a maio de 2005, inclusive. CORESP INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tratase de matéria sumulada pela Corte, obrigando aos seus membros a sua imediata aplicação, por força do artigo 72 do RICARF. Assim, e de acordo com a Súmula CARF 88, o CORESP, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribue responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 50 /2 01 0- 92 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 A legislação de regência, Lei nº 10.101/2000, tem como condição sem a qual não ocorrerá a regularidade do PLR a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes, para aprovar o plano. No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações. PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO Abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório não havendo substituição de eventual aumento salarial, está abarcada pelo art. 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, não incidindo contribuição previdenciária. Pagamento de gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade. No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. sendo que há nos autos dispositivo prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO COMPENSANDO O TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A natureza do bônus de contratação tem limiar estreito, podendo configurar como de natureza remuneratória ou indenizatória. A voluntariedade e a compulsoriedade também revelamse caminho estreito para definir incidência ou não de contribuição previdenciária. O que determina a incidência são as peças dos autos, oriundo do comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o ‘bônus de contratação’. Se exigiu, cai na vala dos comuns, se não exigiu não há incidência de contribuição previdenciária. No caso em tela e de acordo com as peças dos autos houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela, ou seja, remunerar o trabalho pelo capital. DOS JUROS. INCIDÊNCIA DEVIDA ATUALIZAÇÃO. Quanto a cobrança de juros a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, sendo de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do cálculo da autuação os motivos que ocorreram até a competência 05/2005, anteriores a 06/2005, devido à regra decadencial expressa no § 4º. Art. 150, do CTN, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiro Marcelo Oliveira e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso, pela aplicação do determinado no Art. 173, do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 3 3 provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições oriundas da rubrica abono único, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Cristiane Matsumoto. OAB: 222.832/SP. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI DEBCAT nº37.271.7187, lavrado pela fiscalização em 22/06/2010, contra a Recorrente, por infração ao disposto no artigo nº 32, inciso IV, parágrafos 3º e 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. Segundo o Relatório Fiscal a empresa apresentou GFIP’s (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), período de 01/2005, 04/2005 e 10/2005, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. No decorrer da ação fiscal realizada no contribuinte verificouse que a empresa em questão não incluiu nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, nas competências 01/2005, 04/2005 e 10/2005 os valores correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes à Bônus de Admissão, Participação nos Lucros de Empregados segundo programa próprio PROPAR e Abono respectivamente. O número de segurados da empresa Banco IBI S A Banco Múltiplo permaneceu, para fins de aplicação da multa, na faixa referente a 101 a 500 segurados, correspondendo a um valor Base de Multa de 10 (dez) vezes o valor mínimo nas competências de 01/2005, 04/2005 e 10/2005. O valor mínimo está previsto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 92, atualizado nos termos do art. 8º da Portaria Interministerial MPS/MF nº350, de 30.12.2009, e corresponde a R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos). Nas competências de 01/2005, 04/2005 e 10/2005 o valor de aplicação da multa, foi de R$ 42.323,70 (Quarenta e dois mil trezentos e vinte e três reais e setenta centavos). Considerou se para a aplicação da multa o disposto na Lei 8212/91, alterada pala Lei 11941/09 em observância ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 18 de abril de 2012 tomou ciência eletrônica da decisão de piso e no dia 18 de maio do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando:PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período de apuração de janeiro/2005 e abril/2005; b) da indevida indicação de pessoas no Relatório de Vínculos anexo ao Auto de Infração. MÉRITO: i) não incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos de PLR PROPAR; ii) da não incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único iv) da não incidência de contribuição previdenciária sobre bônus de contratação – É a síntese do necessário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. PRELIMINARES a) DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO DE JANEIRO/2005 E ABRIL/2005 Em sua peça recursiva alega a Recorrente que o lançamento efetuado no período de janeiro/2005 e abril/2005 está abarcado pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Defende que as contribuições previdenciárias lançadas são tributos que, por sua natureza, estão sujeitos ao lançamento por homologação. Alega ter efetuado um recolhimento parcial, impondo assim a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decadente o período de janeiro/2005 e abril/205. A decisão de piso alega que as competências abrangidas pelo presente AI (01/2005, 04/2005 e 10/2005) cuja lavratura se deram em 06/2010, não se encontram fulminadas pela decadência, isto porque não houve recolhimento em parte daquela exação. Tenho que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, de uma forma ou de outra ela contribui com a Previdência Social, ainda que seja de recolhimentos de exações de outras naturezas, e de outros fatos geradores, e, diferentemente da decisão de piso e da Fazenda Nacional, penso que não há necessidade de se ter recolhimento parcial de exações da mesma natureza ou do mesmo fato gerador para considerar o recolhimento em parte e aplicar o artigo 150, § 4º do CTN. Assim, se tivesse nos autos comprovante de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração do empregado, relativo a parte patronal e ou empregado, a definira como recolhimento em parte e aplicarselheia o artigo 150, § 4º do CTN. Isto é, inclusive, determinação da Súmula CARF 99, ‘in verbis’: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Para este Julgador, tenho a plena convicção que há recolhimento ainda que em parte para a Previdência Social, por parte da Recorrente, conforme corrobora os comprovantes juntados ao final dos autos, implicando em acompanhar a Súmula CARF 99, devendo ser reconhecida a decadência anterior a maio de 2005, inclusive. Com razão. b) DA INDEVIDA INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Quanto a alegação de que seria indevida a indicação de pessoas no relatório de vínculos anexo ao auto de infração, acompanho e transcrevo a decisão de piso em seus fundamentos, 'in verbis': “Em outro giro, a impugnante também argumenta sobre o que denomina sem fundamento a imputação de corresponsabilidade pessoal aos administradores no presente auto de infração por eventual inadimplemento das contribuições previdenciárias lançadas, onde pleiteia pelo cancelamento do AI quanto a esse aspecto. 16.1. O entendimento da Impugnante é equivocado, tendo em vista que o fato dos administradores constarem Relatório de Vínculos do presente lançamento não significa solidariedade pelos valores levantados pela auditoria fiscal, pois somente a pessoa jurídica é que tem contra si o débito lançado. 16.2. Os citados nomes apenas figuram no relatório de vínculos, para o caso de que futuramente, venha a ser apurada responsabilidade por infrações à lei previdenciária, ou violação ao contrato social, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, que dispõe, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 16.3. Desta forma, a relação de representantes legais anexada pela fiscalização não tem como escopo incluir os sócios ou as pessoas vinculadas da empresa no pólo passivo da obrigação tributária; mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo e permitir que se cumpra o quanto estabelecido no inciso I do § 5º do art. 2º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que dispõe “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter; I – o nome do devedor, dos corresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;” 16.4. Assim, os administradores da autuada podem ser responsabilizados apenas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento destes só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o § 3º do art. 4º da citada Lei nº 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. Dessa forma, essa discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, caso sejam convocados para o pagamento do crédito. 16.5. Destarte, não se configura oportuno excluir os administradores do relatório de vínculos nesta fase processual, sendo que suas responsabilidades serão apuradas no momento do eventual redirecionamento da execução fiscal.” Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 5 7 De mais a mais, peço vênia ao Recorrente, mas trata também de matéria sumulada, cujo teor dela faço o meu julgamento. Vejamos: Súmula CARF nº 88: Relação de CoResponsáveis CORESP, o ´Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desta forma, não cabe, neste momento processual discussão quanto a legalidade ou não da relação de coresponsáveis, até porque, serve ela somente como referência , não atribuindo responsabilidade aos nela indicados. Sem razão. QUESTÕES DE MÉRITO i) NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR – AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos,escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN) II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 ... § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal, verifica se que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador/investidor. Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burlar à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato, ou o envio para sua ciência, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas. Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas. No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações. Ao contrário, no Recurso Voluntário, a Recorrente afirma na fl. 26, que o plano de PLR feito por outra empresa do mesmo grupo seria suficiente para abarcar o plano da Recorrente. Tendo em vista que o plano feito pela IBI PROMOTORA há a participação do sindicato. Ao meu ver tal alegação não merece amparo, tendo em vista que o plano de PLR elaborado pela, ora, Recorrente, BANCO IBI, o representante sindical estava ausente. Sem a participação do sindicato durante as negociações, fato incontroverso. Sem razão a Recorrente. II) DO PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 6 9 No meu sentir, não incidem contribuições sobre os abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório, notadamente porque demonstrado nos autos que não há no caso substituição de eventual aumento salarial. De maneira que a parcela está abarcada pelo art. 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91. No que diz respeito a gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, entendo que não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade. O art. 201 a Carta magna prevê como a previdência social será organizada e sobre quais valores haverá incidência da contribuição social, sendo que nesse dispositivo ele trata dos ganhos habituais que serão considerados como base de cálculo. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Como se constata da leitura do art. 201 da CF/88 a constituição considera como base de cálculo da contribuição os ganhos habituais. Nesse campo, a habitualidade é um dos elementos fundamentais para se determinar se o pagamento feito deve ou não ser considerado como salário e como tal, ser computado para fins de contribuição previdenciária. Mas o que é habitualidade? Habitualidade, conforme o Dicionário Aurélio, é o que ocorre de maneira comum, freqüente, ainda que de maneira espaçada, tudo aquilo que “se faz, ou que se sucede por hábito, comum, vulgar, freqüente, usual”. O conceito contrasta com o ganho eventual que, conforme a mesma obra, é algo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito, acidental. De tal forma, numa relação de trabalho pode haver, além dos pagamentos contratuais, pagamentos eventuais e aleatórios, o que torna essencial considerar a natureza jurídica de cada um para fazer incidir ou não o tributo. No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. Na fl. 57, §1º há disposição prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório. Com razão a Recorrente. II) DA NÃO INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA EM BÔNUS DE CONTRATAÇÃO A Recorrente, em outros termos, alega que o denominado hiring bonus não possui natureza remuneratória, pois é um valor que ela oferece ao funcionário de destaque de outra empresa como forma de atrativo para sua contratação, estimulandoo a sair do emprego anterior. Há de se trazer à lume que o pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus, é utilizado em grande escala pelas empresas, numa tentativa de atrair grandes profissionais, mormente no setor bancário. Entretanto, não é habitual e extensivo à todos, pois, repise, isto é uma forma de superar a concorrência, trazendo para si aquele profissional de destaque desejado, sendo tão somente ele o contemplado com o benefício. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 Desta forma, há uma grande e ostensiva divergência no ordenamento jurídico se ela trata de uma forma de remuneração e ou salário ou de indenização. E, neste sentido, em regra, tenho que os valores pagos a título de bônus de contratação não devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso I, do artigo 28, da Lei 8.212/91, eis que não se afigura o bônus de contratação como decorrente de prestação de serviços, ao contrário, é em verdade um prêmio, uma indenização, porque, o contratante indeniza o profissional para ele pedir para sair da outra empresa, como se estivesse sendo indenizado por rompimento contratual de trabalho sem justa causa. E, nesta seara, a indenização trabalhista não é passível de incidência. ‘Vide’ legislação em comento que trata do assunto: Lei 82.12/91 Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Veja, analisando a legislação que trata da Previdência Social não nos deixa dúvida que incidirá contribuição previdenciária toda remuneração auferida mensalmente, compreendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho. Já a legislação trabalhista, em seu caput do artigo mencionado, vêse que há uma distinção entre salário e remuneração, onde o primeiro é a contraprestação devida diretamente ao empregado pelo seu labor, e, o segundo é o resultado final do primeiro mais os adicionais que visem compensar o seu labor. Entretanto, toda legislação previdenciária e trabalhista não tratam do ‘bônus de contratação’, definindoo como remuneração e ou indenização, razão pela qual me pauto no ‘hiring bonus’ como uma gorjeta que o empregador dá ao empregado como uma forma atrativa para têlo em seu quadro de funcionários. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 7 11 A Corte Suprema Trabalhista divide a gorjeta em duas naturezas, sendo uma de natureza compulsória e voluntária, e, na primeira, para efeitos de direitos trabalhistas é computada como remuneração e na segunda não, o que podemos como traduzir como verba de indenização. Veja Súmula 354 do TST: Súmula TST nº 354 GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES . As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de avisoprévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Desta forma, como o ordenamento jurídico nacional mostrase ausente de dispositivo que dê natureza ao ‘bônus de contratação’, analisando o posicionamento do TST – Tribunal Superior do Trabalho e assemelhandoo como uma gorjeta, tenho que ele pode ser compulsório e voluntário. A voluntariedade e a compulsoriedade revelase no comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o ‘bônus de contratação’. Se exigiu recaí nele as verbas trabalhistas e as contribuições previdenciárias, se espontâneo não recai as verbas trabalhistas e não incide contribuição previdenciária. No caso em tela e de acordo com as peças dos autos, vejo que houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela. Isto implica que foi uma remuneração para compensar o trabalho, implicando em verba remuneratória, incidindo contribuição previdenciária. IV) DOS JUROS Sobre o método de cálculo dos juros devidos, sobre as contribuições devidas e não recolhidas em época própria, temse que estava expressamente prevista na legislação previdenciária, até a competência 11/2008, no artigo 34 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, a seguir transcrito: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Acrescentese que a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, revogou o artigo 34 da Lei 8.212/91, e transferiu ao artigo 35 da própria Lei 8.212/91, em sua nova redação, a determinação quanto à multa e juros de mora a serem acrescidos às contribuições previdenciárias pagas em atraso; este, por sua vez, remete ao artigo 61 da Lei 9.430, de 27/12/1996, que, no seu parágrafo 3º, define que os juros de mora serão aplicados à taxa SELIC a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento: Lei 8.212/91 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 12 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de2009). (...) Lei 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) E conforme o anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, às fls. 19/20, os juros foram calculados estritamente de acordo com a legislação vigente à época, não havendo que se falar em forma diversa de cálculo: 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2005, 04/2005,10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores até a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, De 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , 1 , "a", "b", "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 6 1 , parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e "c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. Cabe observar também que os juros não têm caráter punitivo, apenas representam uma indenização pelo inadimplemento da obrigação tributária. O juro tem caráter remuneratório do capital do Estado que está em poder do contribuinte, em virtude do não pagamento do tributo na época devida. O não pagamento de tributo não pode resultar em vantagem financeira ao contribuinte, que não pode ser beneficiado com vantagens na aplicação de seu capital no mercado financeiro, em detrimento dos cofres públicos e daqueles que pagam pontualmente seus tributos. É de se ressaltar, ainda, que a empresa não logrou comprovar, em sua defesa, a inocorrência dos fatos geradores objeto deste AI, de modo que, sendo mantido o lançamento, devem ser Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000650/201092 Acórdão n.º 2301004.357 S2C3T1 Fl. 8 13 mantidos, conseqüentemente os acréscimos legais (multa e juros) incidentes sobre os valores originais das contribuições lançadas. Pelo exposto, a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em improcedência do Auto de Infração em epígrafe, nem em alteração dos cálculos dos juros aplicados. Assim, também não assiste razão a Recorrente, pois não houve lançamento de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento o 'Abono Único' e aplicar a Súmula CARF 99, e amparado no disposto no Artigo 150, § 4º do CTN, pela decadência, excluir do lançamento o período anterior a maio de 2005, inclusive. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725910/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.362
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/2008-47, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/2008-47, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904 Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/200847, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 25 91 0/ 20 10 -5 2 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725910/201052 Resolução nº 2302000.362 S2C3T2 Fl. 3 2 MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.302.5122, lavrado em 01/11/2010, em face da ABS BRASIL SOLUÇÕES EM RELACIONAMENTO LTDA., no valor de R$ 1.431,79 (um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), referente à multa por não incluir em folha de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais no período de 01/08/2006 a 31/07/2007. Segundo o relatório fiscal, há uma lista de contribuintes individuais, os quais não foram incluídos em folha de pagamento, e, desta feita, a empresa descumpriu padrões e normas estabelecidos no artigo 225, inciso I, Parágrafo 9 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048/99. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2007 AI Debcad nº 37.302.5122 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR AEMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária, preparar folhas de pagamento sem incluir segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. Estando as penalidades aplicadas de acordo com a legislação que rege a matéria, não há alterações a fazer no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que: Impor a penalidade aqui tratada implica em dupla penalidade por pretenso descumprimento de um mesmo fato. A vedação da concomitância de multas tem suporte no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, que prevê apenas multa de ofício para os lançamentos de ofício. Deve ser declarada insubsistente a penalidade exigida, por ilegal duplicidade. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725910/201052 Resolução nº 2302000.362 S2C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da conversão em diligência Da simples análise dos documentos acostados ao AI DEBCAD nº 37.302.5122, percebese que o Lançamento em exame se deve averiguação de que a empresa não incluiu em folha de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais. Por conta dessa constatação, foi aplicada à Recorrente multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ R$ 1.431,79 (um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos). No Recurso Voluntário, a recorrente aduz que a penalidade aqui tratada implica em dupla penalidade por pretenso descumprimento de um mesmo fato, vez que aplicouse a multa de ofício no Processo principal (11080.725894/201006). Ao expor os fatos que ensejaram tal Autuação, aponta que o Lançamento, ora discutido, está apoiado na pretensa exclusão do Simples formalizada no processo nº 11080.008592/200847 (Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 045, de 31/07/2008), o qual se encontra em discussão administrativa, o que impede, ao menos antes do trânsito em julgado daquele processo, que se decida este. Em relação ao processo de nº 11080.008592/200847, verificouse, através do sítio eletrônico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que esse, de fato, se apresenta pendente de julgamento, tendo a 2ª Turma, da 4ª Câmara, em sessão realizada na data de 06.11.2012, decidido, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte em diligência, para análise cuidadosa de novos documentos comprobatórios do direito que alega o contribuinte possuir. Diante do exposto, e por entender que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia Turma, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde o deslinde do processo nº 11080.008592/200847, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e determino A CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde o deslinde do processo nº 11080.008592/200847 (Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 045, de 31/07/2008), ante a possibilidade de sua decisão surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725910/201052 Resolução nº 2302000.362 S2C3T2 Fl. 5 4 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004347/2003-87
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
As manifestações de inconformidade e os recursos voluntários relativos a pedidos de restituição regem-se pelas regras do processo administrativo-fiscal, entre as quais há regra expressa sobre a distribuição do ônus da prova, o que torna inaplicável, neste ponto, dispositivos da lei geral do processo administrativo federal, do Código de Processo Civil - CPC e da Lei de Acesso à informação.
IRPF. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PDV. APURAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO REQUERENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO PLEITEADO.
Como o IRPF é sujeito ao ajuste anual, a apuração do direito à restituição do valor retido sobre verba isenta - em razão de adesão a PDV - requer um recálculo que leve em conta as informações constantes da DIRPF. Por se tratar de DIRPF que o Fisco não tem mais o dever de manter em acervo documental, por ser ônus do requerente a prova do direito alegado e por não haver nos autos meios de realizar o necessário confronto entre as informações da fonte pagadora e da DIRPF deve-se indeferir a restituição.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. As manifestações de inconformidade e os recursos voluntários relativos a pedidos de restituição regem-se pelas regras do processo administrativo-fiscal, entre as quais há regra expressa sobre a distribuição do ônus da prova, o que torna inaplicável, neste ponto, dispositivos da lei geral do processo administrativo federal, do Código de Processo Civil - CPC e da Lei de Acesso à informação. IRPF. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PDV. APURAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO REQUERENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO PLEITEADO. Como o IRPF é sujeito ao ajuste anual, a apuração do direito à restituição do valor retido sobre verba isenta - em razão de adesão a PDV - requer um recálculo que leve em conta as informações constantes da DIRPF. Por se tratar de DIRPF que o Fisco não tem mais o dever de manter em acervo documental, por ser ônus do requerente a prova do direito alegado e por não haver nos autos meios de realizar o necessário confronto entre as informações da fonte pagadora e da DIRPF deve-se indeferir a restituição. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
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IRPF Recorrente PEDRO ALBERTO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. As manifestações de inconformidade e os recursos voluntários relativos a pedidos de restituição regemse pelas regras do processo administrativo fiscal, entre as quais há regra expressa sobre a distribuição do ônus da prova, o que torna inaplicável, neste ponto, dispositivos da lei geral do processo administrativo federal, do Código de Processo Civil CPC e da Lei de Acesso à informação. IRPF. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PDV. APURAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO REQUERENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO PLEITEADO. Como o IRPF é sujeito ao ajuste anual, a apuração do direito à restituição do valor retido sobre verba isenta em razão de adesão a PDV requer um recálculo que leve em conta as informações constantes da DIRPF. Por se tratar de DIRPF que o Fisco não tem mais o dever de manter em acervo documental, por ser ônus do requerente a prova do direito alegado e por não haver nos autos meios de realizar o necessário confronto entre as informações da fonte pagadora e da DIRPF devese indeferir a restituição. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 43 47 /2 00 3- 87 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre verba recebida, no anocalendário 1992, da IBM Brasil, sob alegação de que se refere a Programa de Incentivo à Demissão Voluntária – PDV. Primeiramente, o pedido e a manifestação de inconformidade foram indeferidos em razão de o pedido ter sido feito após o prazo do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, o Primeiro Conselho de Contribuinte afastou a decadência e o pedido teve o mérito analisado pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro – DERAT/RJ (fls. 86/89) O pedido de restituição foi indeferido sob fundamento de que: a) o contribuinte não logrou comprovar a sua adesão a um Plano de Demissão Voluntária, de forma a incidir a isenção tratada a IN SRF nº 165/98; b) o interessado deixou de instruir os autos com a documentação mínima exigida pela Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 02/1999; e c) o pedido tem como objeto todo o IRRF retido por ocasião da rescisão contratual, pretendendose com isso indevida extensão da isenção do PDV a verbas tributáveis previstas na Legislação Trabalhista. Por meio da petição de fls. 94, o contribuinte alegou não possuir a declaração de ajuste do anocalendário 1992 e que restou infrutífera sua tentativa de obtêla junto ao Fisco e que lhe foi informado no “plantão fiscal” que as informações necessárias para análise do seu pleito encontramse na base de dados desta RFB, disponíveis para consulta pelos auditores. O acórdão que considerou a petição de fls. 94 como manifestação de inconformidade e não a conheceu foi anulado pelo CARF (fls. 103/108). O CARF decidiu que a DRJ deveria julgar a manifestação de inconformidade de fls. 113/118, no qual é alegado: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.004347/200387 Acórdão n.º 2802003.295 S2TE02 Fl. 175 3 a) já está comprovado nos autos que o interessado recebeu verba decorrente de adesão a PDV, indevidamente tributada na fonte; b) incabível a negativa do pedido de restituição baseada no desatendimento da Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 02/1999, no que diz respeito aos documentos a serem apresentados pelo contribuinte; pois se constitui norma infralegal e por isso deveria ter natureza meramente regulamentar e não inovar na previsão de direitos e, principalmente, de obrigações; c) caso paire alguma dúvida, o procedimento a ser adotado não é o mero indeferimento do pedido, mas sim a realização de diligência junto à exempregadora, IBM; d) não há que se falar em duplicidade de compensação, conforme afirmado na decisão recorrida; e) se no ano de 1993 ainda não era reconhecido seu direito à não incidência de IR sobre verbas advindas do PDV, é incorreto afirmar que a compensação já teria sido feita naquela declaração de ajuste; e) por certo, o que o interessado requer não é a restituição da totalidade do imposto retido na fonte pela exempregadora, mas apenas da parcela que incidiu sobre a indenização do PDV. O acórdão ora recorrido: a) reputou comprovado que a verba referiuse a adesão a PDV (Cr$431.112.438,02; fls. 12 e 14), porém o interessado não trouxe aos autos o comprovante de rendimentos pagos e de imposto retido na fonte relativo ao anocalendário do recebimento da verba em questão, que constitui elemento imprescindível para apuração de eventual imposto a restituir, uma vez que, conforme determinam o Ato Declaratório SRF nº 03/1999 e o Ato Normativo Cosit nº 07/1999, os cálculos são realizados mediante retificação da declaração de ajuste anual do anocalendário em que foram recebidos os valores e é por meio do confronto entre a Declaração de Ajuste Anual e o Comprovante de Rendimentos que se chega à conclusão da quantia que deve ser mantida como rendimento tributável e do IRRF compensável na declaração; b) consignou que os elementos dos autos, além de não fornecerem subsídios para o cálculo, sequer permitem que se conclua pela sua existência; c) é obrigatório, por exemplo, verificar se o contribuinte ofereceu à tributação, na Declaração de Ajuste Anual da época própria, a totalidade dos rendimentos tributáveis; d) é ônus do contribuinte prover a manifestação de inconformidade com a prova do seu direito; e) é imprescindível que o contribuinte comprove o recolhimento a maior; e f) diligências não se prestam à coleta de provas documentais cuja responsabilidade pela produção é do sujeito passivo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A ciência do acórdão ocorreu em 24/10/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 21/11/2012, pelo inventariante do espólio, amparado nas seguintes alegações: 1. a Receita Federal possui os dados da declaração de imposto de renda do sujeito passivo, bem como deixou de analisar o extrato da Declaração de Ajuste Anual do ano calendário 1992 autuada às fls. 13/14, onde constam todas as informações necessárias para a verificação do efetivo recolhimento do imposto de renda sobre a indenização recebida pelo contribuinte pela adesão ao PDV; 2. uma vez que a Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 1992 foi entregue à Receita Federal, esta tem o dever de colacionála aos autos, nos termos dos art. 29 e 37 da Lei 9.784, de 1999, dos art. 6°, II e III e art. 7º, II da Lei 12.527, de 2012 (lei de Acesso à Informação) ; dos art. 355 e 356 do Código de Processo Civil CPC; e de precedente deste Conselho; e 3. a apresentação de cópia ou extrato da DIRPF pela Receita Federal também está em consonância com o princípio da verdade material. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de outubro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O acórdão recorrido assinalou que a falta do comprovante de rendimentos e de imposto retido na fonte impediria verificar se existe o direito creditório. O Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (fls. 7) e a Carta da IBM (fls. 8) contêm informações que sanam a falta do comprovante de rendimentos, uma vez que indicam o valor pago e o valor total de IRRF, alusivamente ao recebimento dessas verbas trabalhistas. Não obstante, entre os fundamentos do despacho decisório e do acórdão recorrido consta também que a apuração do direito creditório somente é possível pelo confronto entre a Declaração de Ajuste Anual e o Comprovante de Rendimentos. Como o Imposto de Renda das Pessoas Físicas é sujeito ao ajuste anual, é preciso verificar o quanto foi informado na Declaração de Ajuste Anual, tanto a título de rendimentos tributáveis quanto de IRRF, e excluir do valor dos rendimentos tributáveis o valor recebido em razão da adesão ao PDV. Para tanto, é necessário averiguar se a verba ora em análise está informada na DIRPF e em que campo (tributáveis ou isentos). O recorrente sustenta que o acórdão recorrido não analisou o extrato de fls. 13/14, contudo esse documento não substitui a Declaração de Ajuste Anual, documento tido pelo acórdão recorrido como indispensável. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.004347/200387 Acórdão n.º 2802003.295 S2TE02 Fl. 176 5 De fato, os documentos de fls. 13/14 contêm somente algumas das informações da DIRPF, não há neles informações que permitam fazer o confronto aqui exigido. Não se pode sequer afirmar seguramente que a verba do PDV está incluída na DIRPF1993. O recurso voluntário fundamentase na premissa de que a Declaração de Ajuste Anual contém as informações necessárias para deferimento do pedido de restituição e o fato de ter sido entregue à Receita Federal implica o dever de a Receita Federal colacionála aos autos. É praxe que os formulários das declarações do exercício 1993 já não mais fazem parte do acervo documental da Receita Federal, o que torna impraticável uma diligência que objetivasse a juntada da DIRPF1993. A Receita Federal mantém unicamente os registros informatizados das DIRPF1993, os quais foram juntados às fls. 13/14. Ademais, diligências não se prestam a sanar deficiência de prova que por lei é atribuída ao requerente. Houvesse o Fisco procedendo um lançamento, teria o dever de juntar aos autos a prova das infrações imputadas ao contribuinte, o que incluiria a juntada da Declaração de Ajuste Anual. A questão aqui é outra. Ao formular pedido de restituição, o contribuinte deve instruílo com todas as provas do direito alegado (art. 16 do Decreto 70.235/1972), bem como tem o dever – e o ônus – de guardar os documentos fiscais enquanto houver pleitos de deu interesse. No caso destes autos, a distribuição do ônus da prova é instituída pelo Decreto nº 70.235/1972 (art. 15 e inciso III do art. 16 e §11 do art. 74 da Lei 9.430/1996), o que desautoriza a aplicação dos demais dispositivos legais mencionados pelo recorrente, cujo emprego no processoadministrativo fiscal é apenas subsidiário. Notase que o recorrente (1) alega não ter a Declaração de Ajuste Anual e (2) não demonstra de que forma os rendimentos frutos da adesão ao PDV foram informados na DIRPF1993 , o que impossibilita a análise do pleito unicamente com as informações resumidas do extrato de fls. 13/14. No Termo de Rescisão (fls. 07), o IRRF é discriminado como “I. Renda s/ Férias”, “I Renda s/ 13º” e “I. Renda”. Adequadamente, o despacho decisório (item 11, fls. 76) já consignara que o Termo de Rescisão referese ao valor total de IRRF (fls. 7), que incidiu não somente sobre a verba do PDV (Ind. Espont. Pessoal). A menção a um valor total consta também na Carta da IBM (fls. 08). É esse valor total que o recorrente quer que seja restituído (fls. 01). Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Pelas informações da IBM é verificado que foram recebidas outras verbas, classificadas como tributáveis, assim não se pode reconhecer direito a restituição do IRRF que incidiu sobre o total sem uma inequívoca discriminação da parcela alusiva ao PDV. Ainda que feita uma distribuição proporcional, restaria indagar se essa parcela do IRRF já foi empregada na DIRPF1993. O despacho decisório também ressalta que o IRRF informado na DIRPF já foi objeto da compensação processada no bojo da própria DIRPF (fls. 72). Verificase, ainda, que na DIRPF houve informação de rendimentos isentos. Seriam outros rendimentos ou o próprio rendimento de PDV? Se foram os do PDV, a apuração do imposto a pagar na DIRPF já teria sido a forma como a restituição se processou. Os elementos dos autos são insuficientes para apontar a verdade material pois não permitem apurar o direito à restituição. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10715.008806/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 06 /2 00 9- 90 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.008806/200990, contra o acórdão nº 0728.224, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 60.000,00 para R$45.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 09/01/2006, 29/01/2006 e 30/01/2006,devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$ 45.000,00, para R$15.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008806/200990 Acórdão n.º 3801004.899 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.001512/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/09/2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. O lançamento de ofício relativo a valores declarados pelo contribuinte em DCTF limita-se à imposição de multa isolada na hipótese de apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida ou não comprovada de débitos de tributos e contribuições federais quando ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Rogério Pinto Lima Zanetta - OAB/SP 253977.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Rogério Pinto Lima Zanetta - OAB/SP 253977. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. O lançamento de ofício relativo a valores declarados pelo contribuinte em DCTF limitase à imposição de multa isolada na hipótese de apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida ou não comprovada de débitos de tributos e contribuições federais quando ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Rogério Pinto Lima Zanetta OAB/SP 253977. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 12 /2 00 4- 53 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 126 a 139 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COF1NS, referente aos períodos de fevereiro de 1999 a setembro de 2001 e novembro de 2001 a setembro de 2003, no valor de R$1.313.777,26, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2004. Na Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fl. 136) a autoridade lançadora registra que a autuada impetrou o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0090988, objetivando afastar as alterações da Lei 9.718/98 em relação à modificação na base de cálculo da COFINS c à majoração da alíquota 3% e passou a indicar nas DCTF correspondentes aos meses de 02/1999 a 09/2003 a parcela discutida da contribuição na coluna de "suspensão", face a liminar concedida em 09/05/1999. Todavia, os efeitos da liminar cessaram após o julgamento da apelação apresentada pela PFN pelo TRF da 3° Região, em 20/03/2002, dando provimento à apelação. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigo 77, inciso III do • Decretolei 5.844/43; artigo 149 da Lei 5.172/66; artigos e 2°, da Lei Complementar n° 70/91; artigos 2° 3° e 8° da Lei n°9.718/98, com as alterações da Medida Provisória 1.807/99 c suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições; arts. 2°, 11 e parágrafo único, 3 0, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 134. Após tomar ciência da autuação em 16/08/2004 (fl. 135), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 142 a 145 e anexos de fls. 146 a 214 em 15/09/2004 alegando em síntese que: a) Os créditos fazendários exigidos foram objeto de compensação eletrônica, nos termos da IN 210/2002, com o devido acréscimo de juros e multa moratória, conforme comprova documentação em anexo; b) Nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96, alterado pelo artigo 49 da Lei 10.637/2002, a Declaração de Compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.001512/200453 Acórdão n.º 3302002.815 S3C3T2 Fl. 11 3 c) Requer seja julgado insubsistente o auto de infração, bem como a mu ta imputada, tendo em vista que os valores cobrados foram compensados com o acréscimo de juros e multa de mora, em consonância com a legislação em vigor, acarretando a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, bem como nos termos do art. 156, II do CTN. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RIO2 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 10.706/2007, publicada no DOU em 26107/2007. A par dos argumentos lançados na Impugnação, a DRJ entendeu por bem cancelar o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/09/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. O lançamento de ofício relativo a valores declarados pelo contribuinte em DCTF limitase à imposição de multa isolada na hipótese de apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida ou não comprovada de débitos de tributos e contribuições federais quando ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Lançamento Improcedente A partir do cancelamento do auto de infração, a autoridade julgadora recorre de oficio a este colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O Recurso de Ofício preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, contra a Recorrente foi lavrado auto de infração para a constituição de créditos de COFINS que haviam sido lançados em DCTF com suspensão de exigibilidade por conta da existência de liminar em Mandado de Segurança. Com a cassação dos efeitos da liminar, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração em 18/08/2004. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES 4 Conforme bem destacado pelo acórdão recorrido, na época em que o lançamento foi efetuado já se encontrava em vigor a nova redação do art. 901 da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, proposta pelo art. 18 da Medida Provisória nº 135/03, cujo teor segue abaixo transcrito com as sucessivas modificações: Redação original Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Redação dada vela Lei n11.051. de 2004 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) Redação dada vela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se Comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. O relator do acórdão exarado pela Delegacia de Julgamento assim fundamentou seu voto: De acordo com o último dispositivo acima transcrito, a imposição de multa de oficio sobre diferenças apuradas, decorrentes de compensação indevida — não se cogita mais de irregular suspensão da exigibilidade , ficou limitada às hipóteses de nãohomologação da compensação em caso de falsidade comprovada da declaração apresentada, o que não se aplica ao caso em análise. Concluise que os débitos declarados em DCTF pela empresa autuada não estão sujeitos ao lançamento de ofício, considerando que a lavratura do auto de infração ocorreu já na vigência da Medida Provisória 135, de 2003 cabendo à autoridade administrativa competente a exigência do crédito tributário declarado em DCTF, na hipótese de ficar caracterizada a inexistência de medida judicial garantindo a suspensão da exigibilidade dos mesmos. Concluise, assim, pela 1 REDAÇÃO ORIGINAL "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da ReceitaFederal. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.001512/200453 Acórdão n.º 3302002.815 S3C3T2 Fl. 12 5 improcedência do lançamento, uma vez que se refere a débitos espontaneamente declarados em DCTF. As razões expostas são suficientes para concluir pela improcedência do lançamento, esgotandose aqui o contencioso. Registrese que não foi objetivo da presente análise, avaliar se os valores declarados pelo contribuinte com vinculação à suspensão estão, de fato, alcançados pela ação judicial, uma vez que a ação fiscal não cuidou da conferência das bases de cálculo relativas aos débitos declarados, objetivando o lançamento tão somente à exigência dos débitos informados com suspensão, por não haver, na época, medida judicial em vigor que amparasse tal condição. Não tenho reparos a decisão prolatada, motivo pelo qual a adoto como razão de decidir, nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. Por todo o exposto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.721360/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2008, 2009, 2010
A Secretaria da Receita Federal, ao editar a IN SRF 468/04 impediu que contrato com preço predeterminados anteriores usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária
A jurisprudência do STJ já se manifestou no sentido de que preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, b, da Lei 10.833//03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Julio César Alves Ramos e Eloy Eros Nogueira que negavam. O Conselheiro Robson Bayerl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente dr Marcio Behrindt.
JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2008, 2009, 2010 A Secretaria da Receita Federal, ao editar a IN SRF 468/04 impediu que contrato com preço predeterminados anteriores usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária A jurisprudência do STJ já se manifestou no sentido de que preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, b, da Lei 10.833//03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Julio César Alves Ramos e Eloy Eros Nogueira que negavam. O Conselheiro Robson Bayerl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente dr Marcio Behrindt. JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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A Secretaria da Receita Federal, ao editar a IN SRF 468/04 impediu que contrato com preço predeterminados anteriores usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária 3. A jurisprudência do STJ já se manifestou no sentido de que preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, b, da Lei 10.833//03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Julio César Alves Ramos e Eloy Eros Nogueira que negavam. O Conselheiro Robson Bayerl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente dr Marcio Behrindt. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 13 60 /2 01 2- 26 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Relatório Tratase de Autos de Infrações relativos às cobranças de COFINS e PIS/PASEP, respectivamente, nas importâncias de R$ 21.675.356,88 e R$ 4.758.531,25, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, relativo aos períodos de apuração de janeiro de 2008 a dezembro de 2010. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte deveria ter apurado a contribuição ao PIS e a Cofins pelo regime da não cumulatividade, já que optante do lucro real, nos anos calendário de 2008 a 2010, e, não atendeu aos requisitos estabelecidos para permanência no regime cumulativo. A autoridade fiscal relata que a interessada fiscalizada apresentou cópia de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com a CPFL Comercialização Brasil Ltda., com a Companhia Paulista de Força e Luz, com a Companhia Piratininga de Força e Luz e com a Companhia Estadual de Energia Elétrica. E da leitura dos contratos bilaterais, concluiu a autoridade fiscal que os mesmos foram reajustados ou corrigidos pelo IGPM e pela cotação média do dólar americano (cláusula 7) e, que possuem cláusula que assegura a manutenção do equilíbrio econômico financeiro, caso ocorra o aumento ou diminuição dos custos, ainda que em decorrência da mudança de legislação, criação, modificação ou extinção dos tributos (cláusula 9). Diante disso, a autoridade fiscal entende que a Lei nº 10.833/2003 manteve na sistemática cumulativa das contribuições um extenso rol de pessoas jurídicas e de receitas, listadas em seu artigo 10, dentre as quais, se incluem as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços – alínea “b e “c” do inciso XI. Esclarece ainda que a Lei nº 11.196/2005, em seu artigo 109, trouxe a regra de que o reajuste de preços com base no custo de produção ou em índice que reflita a variação dos custos dos insumos não invalidaria a condição de preço predeterminado. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13982.721360/201226 Acórdão n.º 3401002.875 S3C4T1 Fl. 6 3 Aduz ainda que o artigo 2º da Instrução Normativa nº 468/2004 trouxe o conceito para a expressão “preço predeterminado” para aplicação no âmbito da contribuição ao PIS e da Cofins. E, por sua vez, a Instrução Normativa nº 658/2006 (que sucedeu a IN nº 468/2004), com objetivo de abordar as inovações trazidas pelo artigo 109 da Lei nº 11.196/2005, esclareceu que contrato a preço predeterminado é aquele cujo preço esteja fixado em moeda nacional para o objeto globalmente considerado ou, alternativamente, aquele cujo preço seja fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003, decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Após inúmeras indagações acerca da legislação aplicável e fundamentações trazidas pela Nota Técnica Cosit nº 01, de 16 de fevereiro de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007 , conclui a autoridade fiscal que os contratos bilaterais firmados antes de 31 de outubro de 2003, pela interessada, não se caracterizam como a preço predeterminado, razão pela qual as receitas deles decorrentes, submetemse à tributação pelo regime não cumulativo referidas das contribuições. Inconformada a interessada, ora Recorrente apresenta impugnação às folhas 618 a 671 onde expõe que: (i) a Lei nº 10.833/03, em seu artigo 10, trouxe diversas exceções à regra não cumulativa da contribuição ao PIS e da Cofins, dentre elas, as receita relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (ii) com prazo superior a um ano; (iii) de fornecimento de bens ou serviços; e (iv) a preço predeterminado. Nesse sentido, aduziu que os contratos firmados com as empresas CPFL Comercialização Brasil Ltda., Companhia Paulista de Força e Luz, Companhia Piratininga de Força e Luz e Companhia Estadual de Energia Elétrica foram assinados antes de 31 de outubro de 2003. No que se refere aos preços estabelecidos nos contratos são predeterminados e que tal conceito apresentado pela fiscalização, além de ser ilegal, encontrase em total contrariedade com a adequada interpretação do ordenamento jurídico, bem como que a Receita Federal não é competente para definir o conceito de preço predeterminado, para fins da Lei nº 10.833/03. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Assim, alega que os fundamentos invocados para embasar a autuação Instrução Normativa nº 468/2004 e 658/06, a Nota Técnica Cosit nº 01/07 e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/07 extrapolaram a Lei nº 10.833/2003, ao preverem que o implemento de cláusulas de reajuste do preço inicialmente contratado teria o condão de alterar a predeterminação do preço. Nos demais tópicos traz farta jurisprudência judicial que ampara seu entendimento, defendendo ainda que, se algum conceito pode ser extraído da Lei nº 10.833/2003, em relação ao requisito do preço predeterminado nos contratos de longo prazo, deve ser, então, aquele que estava sendo costumeira e historicamente utilizado em situações semelhantes, qual seja, o conceito de preço predeterminado conferido pela Instrução Normativa nº 21/79, no qual o requisito essencial à caracterização de preço predeterminado é de que o preço deve estar inicialmente fixado no contrato, sujeito ou não ao reajustamento. Ao analisar a impugnação às fls. 618, a DRJ competente manteve o crédito tributário, ora constituído, tendo proferida a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008, 2009, 2010 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. PREÇO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO NÃOCUMULATIVA. O reajuste dos contratos de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado, firmado antes de 31 de outubro de 2003, por índice geral de preços e cotação média do dólar norte americano, implica a descaracterização do preço contratado como sendo preço predeterminado, pelo que, a partir da primeira alteração, as respectivas receitas estão sujeitas ao regime de tributação nãocumulativa das contribuições sociais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS. COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ÔNUS DA PROVA. Nos casos de lançamento de ofício à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13982.721360/201226 Acórdão n.º 3401002.875 S3C4T1 Fl. 7 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RFB. COMPETÊNCIA. ATOS NORMATIVOS. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PRÁTICAS REITERADAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Somente se exclui penalidades e acréscimos legais relativos à exigência de ofício de valores inadimplidos, quando do lançamento tributário, quando restar comprovado que o contribuinte observou as normas administrativas, como previsto no artigo 100 do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões proferidas pelo poder judiciário não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente.” . Instada a se manifestar sobre a referida decisão, a interessada intepôs Recurso Voluntário às fls. 1029, onde repisou os argumentos acima expostos. È o relatório. Voto Conselheiro ANGELA SARTORI O processo é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. O ponto fulcral da questão ora debatida nestes autos se refere a controvérsia em definir se os contratos de energia firmados pela interessada anteriormente a 31 de outubro de 2.003 com cláusula de correção monetária desvirtua, ou não, o conceito de preço predeterminado, previsto no art. 10 da Lei 10.833//03, para fins de determinação do regime (cumulativo ou não cumulativo) a ser aplicado ao PIS e à COFINS. Para a Receita Federal do Brasil a discussão se refere ao art. 2º, da IN SRF n.º 468/04, segundo o qual: "Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 6 periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subiste somente até a implantação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º". Assim, a IN ao conceituar "preço determinado", determina que a existência de cláusula de reajuste, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. O dispositivo da lei nº 10.833/03 que trata do assunto tem a seguinte redação: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; ..” É inconteste na jurisprudência que já analisou o tema que a referida instrução normativa transpôs os limites do poder regulamentar ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, bem como que o art. 10, XI, b da Lei 10.833/03 não autorizou a alteração de regime cumulativo para não cumulativo pelo simples fato de conter o contrato cláusula de reajuste. Ora, se a lei não autorizou, não cabe a instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância ao princípio da legalidade. Como bem esclarece a jurisprudência do STJ, corte competente para analisar tal conflito (Norma hierarquicamente inferior X Lei): “TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇAO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇAO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇAO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13982.721360/201226 Acórdão n.º 3401002.875 S3C4T1 Fl. 8 7 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833 /03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. (REsp 1.089.998/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 30.11.11).” Por fim, cabe lembrar que a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença e de forma alguma inovam o contrato avençado e que tal premissa é invocada de forma equivocada com base em vários dispositivos da Lei n. 8666/93, a qual rege as licitações e contratos firmados pela Administração Pública (art. 40, XI, art. 55, III, art. 65, §8º). Em direito administrativo o realinhamento de preços é necessária a apresentação de todos os elementos para comprovação de que houve um rompimento no equilíbrio contratual, mas no reajuste, periódico e automático, tal circunstância decorre de lei (lei 10.192/01) e não muda a natureza do valor inicialmente fixado. Não obstante a Súmula nº 2 do CARF que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, o princípio da Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 8 legalidade há de prevalecer sempre, não podendo se aceitar a afronta a Lei n. 10.833/03, tal como já restou estabelecido pela jurisprudência que já cuidou do tema. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. ANGELA SARTORI Relator Declaração de Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Como registro de voto, após leitura do relatório de autuação fiscal, verifico que a fiscalização não afirmou que os contratos bilaterais firmados não seriam de preço predeterminado, mas sim que a previsão de índice que não refletisse as hipóteses do art. 109 da Lei nº 11.196/05 custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados , como seria o caso do IGPM e/ou variação do dólar, descaracterizaria a receita oriunda deste contrato para a finalidade do art. 10, XI da Lei nº 10.833/03, devendo, portanto, ser tributada pelo regime não cumulativo. Para facilitar o raciocínio, transcrevo os artigos em destaque: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...)” (Lei nº 10.833/03) “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13982.721360/201226 Acórdão n.º 3401002.875 S3C4T1 Fl. 9 9 ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” (Lei nº 11.196/05)” (destacado) Nos termos da Nota Técnica COSIT nº 01/2007, o IGPM não representa índice de reajuste em função de custo de produção, tampouco a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, eis que a sua composição seria a seguinte, conforme sítio virtual do IBRE/FGV: “O IGP foi concebido no final dos anos de 1940 para ser uma medida abrangente do movimento de preços. Entendiase por abrangente um índice que englobasse não apenas diferentes atividades como também etapas distintas do processo produtivo. Construído dessa forma, o IGP poderia ser usado como deflator do índice de evolução dos negócios, daí resultando um indicador mensal do nível de atividade econômica. O IGP é a média aritmética ponderada de três outros índices de preços. São eles: • Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), • Índice de Preços ao Consumidor (IPC), • Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).” O contribuinte, por seu turno, sustentou que o IGPM historicamente seria o índice utilizado para correção da energia elétrica, como se extrai da fórmula de reajuste constante do Decreto nº 774/93 (art. 4º, § 2º). De minha parte, pesquisando a página da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (http;//www.aneel.gov.br/arquivos/pdf/caderno4capa.pdf), verifiquei que o volume 4 dos “Cadernos Temáticos ANEEL – Tarifas de Fornecimento de Energia Elétrica” indica, em sua página 23, que o índice de reajuste adotado para revisão tarifária periódica é, de fato, o IGPM (consulta realizada em 08/10/2014). Neste sentido, segue a indicação da página da ANEEL e o link correspondente: “Reajuste Tarifário Anual O mecanismo de Reajuste Tarifário Anual tem como objetivo restabelecer o poder de compra da receita obtida por meio das tarifas praticadas pela concessionária. A receita da concessionária de distribuição é composta por duas parcelas: a “Parcela A, representada pelos custos não gerenciáveis da empresa (encargos setoriais, encargos de transmissão e compra de energia para revenda), e a “Parcela B”, que agrega os custos gerenciáveis (despesas com operação e manutenção, despesas de capital). Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 10 O novo Reajuste Anual é calculado mediante a aplicação do Índice de Reajuste Tarifário sobre as tarifas homologadas na data de referência anterior. Mais informações no link abaixo: Caderno Temático 4 Tarifas de Fornecimento de Energia Elétrica” Ainda em pesquisa nos sítios virtuais, no manual de perguntas e respostas disponível em http://www.aneel.gov.br/biblioteca/Perguntas_e_Respostas.pdf (perguntas 12 e 14) (consulta realizada em 08/10/2014), o IGPM é citado como índice oficial de reajuste de preços dos contratos no setor elétrico: “12 O que são custos gerenciáveis e não gerenciáveis da distribuidora? Os custos gerenciáveis decorrem dos serviços prestados diretamente pelas concessionárias como distribuição de energia, manutenção da rede, cobrança das contas, centrais de atendimento e remuneração dos investimentos. A parcela de custos gerenciáveis é denominada Parcela B nos contratos de concessão e corresponde a cerca de 25% da receita da distribuidora. Para o cálculo dessa parcela, aplicase o conceito de Empresa de Referência, que é uma empresamodelo com custos operacionais eficientes e definemse os investimentos prudentes, limitados aos calculados pela ANEEL. Os custos não gerenciáveis, por sua vez, são aqueles relativos aos serviços de geração e transmissão de energia contratados pela distribuidora e ao pagamento de obrigações setoriais. Essa parcela é denominada Parcela A nos contratos de concessão e corresponde a aproximadamente 75% da receita das concessionárias. (...) 14 E como ocorre o repasse desses ganhos de produtividade para os consumidores? Por meio da aplicação do fator X nos cálculos da revisão tarifária periódica. O fator X funciona, na maioria das vezes, como um redutor dos índices de reajuste das tarifas cobradas aos consumidores. É um percentual que será deduzido do IGP M* (índice definido nos contratos de concessão para a atualização monetária dos custos gerenciáveis) nos reajustes tarifários anuais posteriores à revisão periódica. * IGPM: Índice Geral de Preços ao Mercado da Fundação Getúlio Vargas (FGV)” (destacado) Em conclusão, após ler os paradigmas apontados pelo contribuinte e confrontálos com os argumentos do lançamento, ainda que entenda que as autoridades fiscais estão vinculadas ao entendimento externado pela Administração Tributária, em seus diversos atos normativos e interpretativos, reputo procedente as razões da recorrente. O IGPM é índice admitido pelo Governo Federal, através da ANEEL, para reajuste tarifário da energia elétrica, bem assim a média ponderada da moeda estrangeira, Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13982.721360/201226 Acórdão n.º 3401002.875 S3C4T1 Fl. 10 11 considerando as dívidas contraídas no mercado financeiro internacional para execução do empreendimento, de maneira que, a meu sentir, bem espelham o custo de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, tendo em conta a inexistência de um índice específico. Outrossim, contrariamente à linha interpretativa dos arestos paradigmas, entendo que a limitação imposta pelas INs 468/04 e 658/06 não desborda de seu desiderato, ao descaracterizar o valor predeterminado após o primeiro reajuste, pois houve ressalva à simples atualização dos valores frente à elevação dos custos. Neste sentido, a jurisprudência do STJ é pacífica em reconhecer que a atualização monetária não representa um plus, mas mera recomposição de valor da moeda pela corrosão provocada pela inflação, logo, o simples reajustamento de valores acordados em contrato pelos índices escolhidos pelo recorrente (IGPM x variação média do dólar) não representaria revisão contratual. Repiso, esta exceção está devidamente contemplada na IN 658/06 – art. 3º, § 3º, verbis: “Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” (destacado) Outrossim, as exceções à singela atualização de valor decorreriam das revisões, periódicas ou não, em valor superior ao custo de produção/insumos, e a revisão de preços para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, concorrendo para modificação superveniente do valor originalmente pactuado, o que em momento algum foi imputado ao contribuinte. Demais disso, previsão contratual não significa aplicação de regra contratual, isto porque a descaracterização prevista na instrução normativa (art. 3º) somente ocorre quando houvesse a efetiva alteração de preço, seja periódico, seja para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não bastando a sua mera previsão contratual. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL 12 No caso dos autos, não se nega que tenha havido o reajuste pelo IGPM, todavia, a revisão para manutenção do equilíbrio ou reajuste em valor superior ao custo não foi alegada pela fiscalização, o que, para tanto, exigiria a demonstração no processo de sua ocorrência, não suprindo tal exigência a simples suposição de sua verificação, devido exclusivamente à previsão contratual. Como não bastasse, ainda que aplicável o disposto no art. 3º da IN 658/2006 ao caso vertente, para descaracterização do preço predeterminado, necessária a demonstração que o percentual dos índices aplicados foi superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não foi feito em momento algum deste processo, de modo que aludido dispositivo é inaplicável à situação sub examine, pelo menos, nos termos pretendidos pela fiscalização. A lógica do art. 3º, § 2º supra, é que o reajuste, periódico ou não, que seja superior ao custo de produção ou dos insumos, representa aumento real da tarifa, o que, de fato, demonstraria que o preço predeterminado estaria sofrendo uma revisão, não correspondendo apenas ao ajuste pelos efeitos inflacionários. Assim, na ausência de melhores argumentos para manutenção do lançamento, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 12/02/2015 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10480.728370/2011-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
PRESUNÇÃO DE REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO SEM CAUSA.
Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário, não sendo admitida a utilização de presunção simples. Tendo sido informados os beneficiários dos pagamentos na escrituração do contribuinte, cabe ao Fisco aprofundar a investigação, realizando a circularização junto aos beneficiários para verificar a natureza dos pagamentos.
ESCRITURAÇÃO. PROVA DO ANO-CALENDÁRIO DE AUFERIMENTO DAS RECEITAS.
Escrituração apresentada nos autos demonstra que as receitas omitidas foram, de fato, auferidas no decorrer do ano-calendário fiscalizado.
DIVERGÊNCIAS DE DESPESAS DECLARADAS EM DIPJ E ESCRITURADAS.
Despesas informadas a maior na DIPJ, em valor superior ao registrado nos livros contábeis, devem ser glosadas caso não estejam demonstradas por meio de documentação hábil.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. NECESSIDADE DE PROVA DO FATO INDICIÁRIO.
Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário (antecedente), o qual, por expressa previsão legal, autoriza inferir pela consumação do fato indiciado, que se amolda perfeitamente à hipótese de incidência da infração tributária. Fato indiciário deve ser demonstrado por prova direta, não sendo admitida utilização de presunção hominis.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Aplica-se à CSLL, PIS e Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
PIS. COFINS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E CONFESSADOS.
Divergência entre valores contabilizados e confessados em DCTF deve ser apurada e lançada de ofício.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia.
Numero da decisão: 1103-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário relativo à (i) infração caracterizada como passivo fictício, por unanimidade, e ao (ii) auto de infração do IRRF, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator), Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa acompanharam o relator pelas conclusões quanto ao passivo fictício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura Relator
Assinado Digitalmente
Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 PRESUNÇÃO DE REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário, não sendo admitida a utilização de presunção simples. Tendo sido informados os beneficiários dos pagamentos na escrituração do contribuinte, cabe ao Fisco aprofundar a investigação, realizando a circularização junto aos beneficiários para verificar a natureza dos pagamentos. ESCRITURAÇÃO. PROVA DO ANO-CALENDÁRIO DE AUFERIMENTO DAS RECEITAS. Escrituração apresentada nos autos demonstra que as receitas omitidas foram, de fato, auferidas no decorrer do ano-calendário fiscalizado. DIVERGÊNCIAS DE DESPESAS DECLARADAS EM DIPJ E ESCRITURADAS. Despesas informadas a maior na DIPJ, em valor superior ao registrado nos livros contábeis, devem ser glosadas caso não estejam demonstradas por meio de documentação hábil. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. NECESSIDADE DE PROVA DO FATO INDICIÁRIO. Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário (antecedente), o qual, por expressa previsão legal, autoriza inferir pela consumação do fato indiciado, que se amolda perfeitamente à hipótese de incidência da infração tributária. Fato indiciário deve ser demonstrado por prova direta, não sendo admitida utilização de presunção hominis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplica-se à CSLL, PIS e Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. PIS. COFINS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E CONFESSADOS. Divergência entre valores contabilizados e confessados em DCTF deve ser apurada e lançada de ofício. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário relativo à (i) infração caracterizada como passivo fictício, por unanimidade, e ao (ii) auto de infração do IRRF, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator), Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa acompanharam o relator pelas conclusões quanto ao passivo fictício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator Assinado Digitalmente Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva.
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CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. PROVA DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. Diante da ocorrência de lançamento contábil atípico referente a receitas decorrentes de vendas, cuja contrapartida de débito de conta de ativo não foi em conta de resultado, mas registro a crédito em contas de patrimônio líquido ou em conta de ativo, caberia à contribuinte lastrear os eventos escriturados mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. ESCRITURAÇÃO. PROVA DO ANOCALENDÁRIO DE AUFERIMENTO DAS RECEITAS. Escrituração apresentada nos autos demonstra que as receitas omitidas foram, de fato, auferidas no decorrer do anocalendário fiscalizado. DIVERGÊNCIAS DE DESPESAS DECLARADAS EM DIPJ E ESCRITURADAS. Despesas informadas a maior na DIPJ, em valor superior ao registrado nos livros contábeis, devem ser glosadas caso não estejam demonstradas por meio de documentação hábil. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. NECESSIDADE DE PROVA DO FATO INDICIÁRIO. Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário (antecedente), o qual, por expressa previsão legal, autoriza inferir pela consumação do fato indiciado, que se amolda perfeitamente à hipótese de incidência da infração tributária. Fato indiciário deve ser demonstrado por prova direta, não sendo admitida utilização de presunção hominis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 83 70 /2 01 1- 74 Fl. 7901DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.902 2 Aplicase à CSLL, PIS e Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. PIS. COFINS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E CONFESSADOS. Divergência entre valores contabilizados e confessados em DCTF deve ser apurada e lançada de ofício. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PRESUNÇÃO DE REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário, não sendo admitida a utilização de presunção simples. Tendo sido informados os beneficiários dos pagamentos na escrituração do contribuinte, cabe ao Fisco aprofundar a investigação, realizando a circularização junto aos beneficiários para verificar a natureza dos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o crédito tributário relativo à (i) infração caracterizada como passivo fictício, por unanimidade, e ao (ii) auto de infração do IRRF, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator), Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa. Os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa acompanharam o relator pelas conclusões quanto ao passivo fictício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado Digitalmente André Mendes de Moura – Relator Assinado Digitalmente Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado Fl. 7902DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.903 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 7824/7863 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 7796/7812), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. CONTABILIZAÇÃO. O registro de ajustes de exercícios anteriores pressupõe a regular demonstração dos valores que deixaram de ser Fl. 7903DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.904 4 apropriados e dos seus efeitos nos períodos de apuração correspondentes. CONTA CLIENTES. REPRESENTAÇÃO. O lançamento contábil a débito da conta Clientes ou similar é representativo de vendas a prazo. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis os custos e despesas que, além de preencherem os demais requisitos legais, sejam comprovados por meio de documentação hábil e idônea. ESCRITURAÇÃO. PROVA. A escrita contábil faz prova contra o sujeito passivo, cabendo lhe demonstrar a eventual ocorrência de erro ou imprecisão. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. TRIBUTAÇÃO. A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Uma vez caracterizada a omissão, devese constituir o respectivo crédito observandose o período de apuração do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o sujeito passivo declarou/pagou a menor valores escriturados em seus livros fiscais/contábeis, legítima a tributação da diferença apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o sujeito passivo declarou/pagou a menor valores escriturados em seus livros fiscais/contábeis, legítima a tributação da diferença apurada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 7904DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.905 5 Anocalendário: 2008 DACON. CONFISSÃO. O Dacon tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. Como resultado da ação fiscal, referente ao anocalendário de 2008, foi constatada pela autoridade autuante a ocorrência das seguintes infrações tributárias: (a) Glosa de despesas operacionais. Do cotejo entre a DIPJ e a escrituração contábil (ECD digital), constatouse que na DIPJ foram contabilizadas despesas operacionais a maior no valor de R$273.180,66, razão pela qual se procedeu a glosa. (b) Omissão de receitas contabilizadas a débito da conta Clientes e a crédito da conta Ajustes de Exercícios Anteriores. Foi identificado um lançamento contábil de R$10.000.000,00, a débito na conta do Ativo Circulante – Clientes Diversos, e a crédito na conta Patrimônio Líquido – Ajuste de Exercícios Anteriores. Intimada a esclarecer o lançamento (vez que a contrapartida do lançamento dessa natureza seria crédito em conta de receita de vendas), silenciouse a fiscalizada. Assim, o valor foi acrescido na base de cálculo do IRPJ e decorrentes. (c) Omissão de receitas contabilizadas a débito da conta Clientes e a crédito da conta Caixa. Foram identificados dez lançamentos contábeis, a débito na conta Ativo Circulante – Clientes Diversos, no montante de R$5.937.375,48, e a crédito na conta Ativo Circulante – Caixa Geral. Intimada a esclarecer o lançamento (vez que a contrapartida do lançamento dessa natureza seria crédito em conta de receita de vendas), silenciouse a fiscalizada. Assim, o valor foi acrescido na base de cálculo do IRPJ e decorrentes. (d) Presunção de Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada – Passivo Fictício. Foi solicitada a comprovação de saldos existentes no Passivo no início do anocalendário de 2008 e a comprovação documental dos correspondentes pagamentos, no total de R$5.799.292,21. Apesar de intimada, permaneceu silente a fiscalizada, razão pela qual entendeu a Fiscalização que restou caracterizada a omissão de receitas pela manutenção no passivo de obrigações já Fl. 7905DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.906 6 pagas ou cuja exigibilidade não foi comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 281, inciso III do RIR/99). (e) Pagamentos Sem Causa ou a Beneficiário Não Identificado. Mesma situação descrita no item (d). Intimada a contribuinte a comprovar a ocorrência dos pagamentos no montante de R$5.799.292,21, não o fez. Assim, não tendo sido demonstrada a operação ou a causa do pagamento, tampouco quem foram os seus beneficiários, foi tipificada infração prevista no art. 674 do RIR/99, referente ao imposto de renda retido na fonte. (f) Divergência entre DCTF e Valores Escriturados. Em cojeto de declarações e escrituração, constatouse que o PIS e a Cofins confessados em DCTF encontramse em valores inferiores aos escriturados em meio digital (ECD). Assim, a insuficiência apurada foi lançada de ofício. Foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, de fls. 02/34, cuja ciência à contribuinte deuse em 23/09/2011. II. Da Fase Contenciosa. A contribuinte, em 25/10/2011, apresentou impugnação de fls. 418/458 no qual discorreu sobre os seguintes pontos: preliminar de nulidade, vez que o fato gerador foi presumido pelo autuante sem respaldo legal; o lançamento não se baseou na escrituração nem em documentos fiscais, mas em informações prestadas pela contribuinte à Receita Federal por meio de declarações que podem estar com equívocos, como demonstrado; o autuante invocou o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), ato meramente regulamentar, em afronta ao princípio da legalidade tributária; falta legitimidade ao autuante para aplicação da multa, cujo percentual de 75% afronta os princípios do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, razão pela qual deve ser reduzida para 20%; a aplicação da taxa Selic afronta o CTN; a empresa foi vítima de enchente no mês de julho de 2004, que destruiu documentos fiscais e financeiros, tendo tomado todas as providências exigidas pelo art. 10 do DecretoLei nº 486/1969, sendo que a documentação perdida seria de suma importância para a verificação de valores atinentes a anos posteriores; não houve omissão nem falta de registro de receitas, vez que os valores autuados, referentes ao anocalendário de 2008, foram decorrentes de ajustes contábeis de exercícios anteriores, em razão da perda dos livros em julho de 2004, tanto que nos anos seguintes de 2005 a 2008 enviou a contribuinte declarações com informações e números parciais; Fl. 7906DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.907 7 no ano de 2005, fez um ajuste no Patrimônio Líquido, reduzindoo para R$416.172.994,00, como forma de fechar o balanço para a entrega da DIPJ 2005, ainda sem ter conhecimento de quais rubricas haveria distorção, e, nos trabalhos de reconstituição, realizados ao longo dos exercícios seguintes, foi constatada no ano de 2008 uma diferença existente na conta Clientes no valor de R$10.000.000,00. Assim, em consonância com a legislação contábil, foi realizado o ajuste dessa conta; o mesmo ocorreu em relação ao valor de R$5.937.375,48, que também foi resultante de ajuste de anos anteriores; os saldos representados na contabilidade de R$10.000.000,00 e R$5.937.375,48 são decorrentes de vendas devidamente realizadas com a respectiva emissão de notas fiscais, que foram lançadas no Sistema de Escrituração Fiscal – SEF da Secretaria da Fazenda de Pernambuco e automaticamente oferecidas à Receita Federal como receitas devidamente tributadas, como se pode observar no Demonstrativo da Conta Duplicatas a Receber com base em 31/12/2008 (documento 7); a autoridade fiscal errou ao capitular como passivo fictício a irregularidade descrita no auto de infração, pois o saldo em 01/01/2008 evidencia que as origens das operações referemse a operações anteriores a 2008, com empresas devidamente registradas, tudo devidamente lastreado em documentação idônea; foi indevida a glosa de despesas, vez que o autuante deixou de considerar as despesas operacionais tributárias constantes da DIPJ, no item 14 da Ficha 05, devidamente comprovadas e lançadas; em razão da insubsistência da autuação do IRPJ, cabe também a improcedência da autuação para a CSLL, PIS e Cofins; inexistiu insuficiência de declaração de PIS e Cofins em DCTF, porque os valores foram declarados tanto em DCTF quanto em Dacon, sendo que este, ao contrário do que aduz a Fiscalização, também serve com confissão de dívida, e, ademais, não foi realizada a retificação na DCTF em razão de lapso da contribuinte; tendo em vista que o lançamento referente à presunção de omissão de receitas por passivo fictício encontrase equivocado, o mesmo caminho deve seguir o lançamento do imposto de renda retido na fonte, qual seja, deve ser afastado; a autuante não juntou aos autos nenhuma prova de existência dos supostos pagamentos sem causa, ou se foram efetivados, e, mesmo se tratando de norma presuntiva, caberia ao Fisco produzir material probatório, o que não aconteceu, razão pela qual o IRRF exigido é improcedente; enfim, caberia a nulidade do processo, a interpretação benigna, a realização de perícia ou diligência, a juntada posterior de documentos e a decretação da improcedência dos lançamentos. A defesa na primeira instância administrativa foi apreciada pela 3ª Turma da DRJ/Recife, em sessão realizada no dia 30/03/2012, que julgou a impugnação procedente em parte, no Acórdão nº 1136.551, de fls. 7796/7812, para: Fl. 7907DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.908 8 I – Quanto ao IRPJ, CSLL e IRRF: manter integralmente os valores lançados; II – Quanto à Cofins e ao PIS, foram exonerados, respectivamente, os valores de R$440.746,20 e R$95.688,32, decorrentes da infração “Presunção de Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada – Passivo Fictício”. Entendeu o Colegiado que houve erro no período de apuração do lançamento (F.G. 31/12/2008). Isso porque, como a infração teria se consumado em janeiro, o lançamento deveria ter sido efetuado levandose em conta a forma de apuração mensal do PIS e da Cofins, ou seja, com o fato gerador 31/01/2008. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 21/06/2012 (“AR” de fl. 7823), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20/07/2012 de fls. 7824/7863, no qual repisou os pontos apresentados na impugnação, e acrescentou que, quanto à infração de omissão de receitas por passivo fictício, o julgador Sadoc Souto Maior Filho, no julgamento de primeira instância, apesar de voto vencido, considerou que deveria ter sido afastada a exigência, e que a existência de norma presuntiva não dispensa a produção probatória por parte do Fisco. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Suscita a recorrente, preliminarmente, nulidades referentes ao procedimento da autoridade autuante, que teria se valido de presunções sem respaldo legal, sem a devida subsunção dos fatos à norma tributária, de atos normativos de caráter regulamentar (RIR/99) e que não foi levada em consideração os registros contábeis apresentados pela empresa. Apesar de pontos argüidos em sede preliminar, entendo que se tratam de matérias que guardam correlação direta com o mérito da autuação. Portanto, serão apreciadas na medida em que forem apreciadas as infrações em debate. Omissão de Receitas. Contabilização. Constatou a autoridade autuante, ao analisar a escrituração apresentada pela recorrente, a existência de lançamentos atípicos, no qual, como contrapartida de lançamento a débito na conta contábil de Clientes, do Ativo Circulante, foram efetuados registros a crédito em (1) conta do Patrimônio Líquido e (2) em conta do Ativo Circulante. Por sua vez, discorre a recorrente que, em razão de enchente ocorrida em 2004, teria perdido grande parte de seus documentos contábeis. Assim, no decorrer dos anos seguintes, quais sejam, 2005, 2006, 2007 e 2008 (anocalendário objeto da autuação) teria efetuado ajustes contábeis visando a reconstituição de sua escrituração. Fl. 7908DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.909 9 Ocorre que, não obstante as argumentações expostas, os lançamentos efetuados pela recorrente são atípicos, em plena discordância com as normas contábeis. Primeiro, um lançamento contábil de R$10.000.000,00, a débito na conta do Ativo Circulante – Clientes Diversos, e a crédito na conta Patrimônio Líquido – Ajuste de Exercícios Anteriores. Segundo, uma série de dez lançamentos contábeis, a débito na conta Ativo Circulante – Clientes Diversos, no montante de R$5.937.375,48, e a crédito na conta Ativo Circulante – Caixa Geral. A conta Cliente integra o grupo de Contas a Receber, do Ativo Circulante, que representam valores a receber, sendo um direito a cobrar dos clientes da empresa pelos produtos vendidos ou serviços prestados. Portanto, o lançamento contábil para a operação consiste em débito na conta Clientes, registrando um direito a receber, com a contrapartida em conta de Resultado, do grupo de Receitas Brutas. Mostrase clara a orientação do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, ao dispor no caput sobre a receita de vendas e serviços: Receita de Vendas e Serviços Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013 O Manual de Contabilidade das Sociedades Por Ações Aplicável às Demais Sociedades (Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Gelbcke, 7. ed., p. 80), esclarece: b) Critérios Contábeis As duplicatas e contas a receber de clientes estão diretamente relacionadas com as receitas da empresa, devendo ser contabilmente reconhecidas somente por mercadorias vendidas ou por serviços executados até a data do balanço, de acordo com o princípio contábil de realização da receita. Mostrase, portanto, completamente equivocado o procedimento adotado pela recorrente. Ao não contabilizar as contrapartidas de débito da conta Clientes em contas de resultado, sem nenhuma justificativa, consumouse a omissão de receitas e consequente apuração a menor no lucro líquido. Por sua vez, as justificativas apresentadas pela contribuinte, de que se tratam de lançamentos de ajuste, referentes a anos anteriores, mostramse frágeis. O “Comunicado” de fl. 502 informa que em razão de enchente foram deteriorados livros contábeis referentes aos anos de 1998 a 2003, além de equipamentos de informática. Ora, o anocalendário em debate é o de 2008. Não se fala, portanto, do ano calendário subseqüente ao incidente. Os presentes autos tratam de anocalendário cinco anos posterior. E não há nenhuma prova, nos autos, de que as receitas de R$10.000.000,00 e R$5.937.375,48 teriam sido auferidas e oferecidas à tributação em períodos anteriores. A recorrente acosta o Livro Registro de Saídas do anocalendário de 2008, ou seja, não colabora, em nada, para lastrear a argumentação apresentada. Se as receitas foram auferidas em anos anteriores, caberia apresentação de livros contábeis e fiscais referentes a esses períodos. Fl. 7909DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.910 10 Na realidade, pela análise dos registros contábeis nos autos, observase que os ingressos foram auferidos no decorrer do anocalendário de 2008. Basta verificar o histórico das operações autuadas (fls. 47/48 e 52/53), no qual, nos lançamentos a débito na conta Clientes, consta “VALOR DEBITADO N/DATA”, e nas contrapartidas a crédito “VALOR CREDITADO N/DATA”. Mostrase, portanto, prescindível o pedido de diligência de fl. 7833 e 7861/7863, nos termos do que dispõe o art. 18, do PAF, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993, vez que, da análise dos documentos acostados aos presentes autos, já foi possível constatar que as receitas referemse ao anocalendário de 2008, e que a própria recorrente admitiu, expressamente, que os ingressos foram decorrentes de vendas decorrentes de sua atividade operacional. Enfim, para tipificar a infração, a autoridade autuante tomou como base a escrituração da empresa, tendo, inclusive, intimado a contribuinte a justificar e apresentar documentação apta a lastrear os lançamentos contábeis atípicos. Não há óbices, portanto, ao procedimento adotado pela Fiscalização. O art. 923, do RIR/99, dispõe, com clareza: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (grifei) Nesse sentido, diante da não escrituração das receitas na conta de resultado, entendo que restou caracterizada a omissão de receitas identificada pela autoridade fiscal. Despesas Operacionais. Glosa Parcial. Tratase de divergência apurada pela autoridade autuante, ao comparar as despesas operacionais declaradas em DIPJ e registradas na escrituração contábil, no valor de R$273.180,66. Na DIPJ, na ficha 05A – Despesas Operacionais – PJ em Geral, consta o valor de R$19.049.617,57. Deste montante, R$5.460.281,68 foi declarado como “Despesas Não Operacionais”. Intimada a contribuinte a apresentar a escrituração, constatou a Fiscalização que as contas contabilizadas a título de despesas operacionais totalizaram o valor de R$21.684.690,37, dos quais R$2.908.253,46 corresponderam a encargos de depreciação, também informado na ficha 04A – Custo de Bens e Serviços Vendidos da DIPJ. Assim, excluindose o valor de R$2.908.253,46, relativo a encargos de depreciação, apurouse o valor de despesas operacionais escrituradas de R$18.776.436,91, ou seja, menor do que o declarado na DIPJ, de R$19.049.617,57. A recorrente aduz que a diferença decorre das despesas operacionais tributárias, informadas na linha 14 da Ficha 05A da DIPJ (Demais Impostos, Taxas e Contrib., exceto IR e CSLL, no valor de R$295.252,72), conforme documentos de fls. 70/71 dos autos. Ocorre que os aludidos demonstrativos tratam da segregação das “Despesas Não Operacionais” no valor de R$5.460.281,68. Ou seja, não tem nenhuma relação com as despesas operacionais de vendas, incidentes sobre receitas operacionais (declaradas na linha 14 da Ficha 05A da DIPJ). Fl. 7910DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.911 11 Portanto, não há reparos a fazer na autuação, que apurou a diferença de R$273.180,66 declarada em DIPJ, razão pela qual efetuou a glosa das despesas operacionais. Presunção de Omissão de Receitas. Passivo Fictício. A situação trata de análise efetuada pela autoridade fiscal em três contas do passivo, que, no início do anocalendário de 2008, tinham os correspondentes saldos: Conta Saldo Inicial D/C FRIDUSAN FRIG. INDL. SÃO LOURENÇO DA MATA R$289.531,86 C SÃO MATEUS TURISMO E REFEIÇÕES LTDA R$600.572,25 C CDP CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS R$4.909.188,10 C No decorrer de 2008, os passivos foram quitados, encerrando o ano calendário com o saldo zerado. Por meio do Termo Nº 006, fls. 55/56, foi intimada a contribuinte a (1) comprovar os saldos existentes no passivo referentes ao início do anocalendário de 2008 e (2) apresentar documentos probatórios dos pagamentos realizados que deram lastro à quitação das contas. Enfim, tendo em vista que a contribuinte não respondeu à intimação, entendeu a autoridade autuante que estaria consumada presunção legal prevista no art. 281, inciso III, do RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Por sua vez, aduz a recorrente que não restou consumada a presunção legal, vez que na autuação não restou definido o fato imponível necessário para qualificar a infração referente ao passivo fictício. Entendo que, para apreciar a questão, mostrase pertinente recorrer à doutrina de Maria Rita Ferragut (Presunções no Direito Tributário, 2ª ed., 2005, p.123), didática ao esclarecer que a estrutura lógica da presunção legal consiste em proposição individual no qual se tem o fato antecedente ou indiciário provado de forma direta, e o fato indiciado provado de forma indireta, conectados um ao outro por operador lógico. Fl. 7911DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.912 12 Tratase de situação no qual cabe ao Fisco produzir a prova da efetiva ocorrência do fato indiciário (antecedente), que, por sua vez, por expressa previsão legal, autoriza inferir pela consumação do fato indiciado, que se amolda perfeitamente à hipótese de incidência de determinada infração tributária (omissão de receitas, no presente debate). No caso em debate, tomando como base a tipificação da autoridade autuante, o fato antecedente (indiciário) pode dizer respeito a duas situações: (1) manutenção no passivo de obrigações já pagas, ou (2) manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Tratando da primeira hipótese, há que se considerar, de acordo com o relato da autoridade fiscal, que as obrigações no passivo, existentes em 01/01/2008, foram baixadas no decorrer do anocalendário (lançamentos contábeis a débito nas contas de Passivo – Empresas Ligadas, e a crédito na conta Caixa). Assim, caberia ao Fisco demonstrar a ocorrência de pagamentos em período anterior aos registros contábeis que deram baixa nas correspondentes contas do Passivo, para caracterizar a manutenção no passivo de obrigações já pagas. Contudo, mostrouse satisfeito a autoridade autuante com o fato de que a intimação não foi respondida pela contribuinte. Entendo que a investigação deveria ter se aprofundado. Caberia circularização junto aos fornecedores, perfeitamente identificados nos lançamentos contábeis, questionando sobre a ocorrência dos pagamentos e, em caso afirmativo, pela apresentação dos documentos comprobatórios, que demonstrariam o período em que teriam sido contraídas as obrigações e quando teriam sido de fato adimplidas. No caso em tela, a autoridade autuante, para tipificar a infração, valeuse de presunção hominis, para inferir que, diante do não atendimento à intimação, mesmo com a ocorrência dos pagamentos, as correspondentes obrigações foram mantidas no passivo, e só teriam sido baixadas em período posterior, quando a empresa teria caixa contabilizado suficiente, evitando a ocorrência de saldo credor de Caixa e a descoberta de eventuais ingressos derivados de “Caixa 2”. Contudo, a autoridade fiscal aplicou uma presunção simples para fazer prova do fato antecedente (indiciário), que autoriza uma presunção legal, o que entendo não ser admissível. Na segunda hipótese (manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), há que se considerar que a constatação inicial, de que há saldo de contas de fornecedores no passivo, tratase de situação plausível, vez que, na passagem de um ano para o outro, podem subsistir obrigações não vencidas e não pagas. De qualquer forma, a contribuinte, apesar de intimada, não comprovou os pagamentos que justificaram a baixa nas contas do passivo. Fica a questão: diante do silêncio da contribuinte, como poderia fazer o Fisco a prova do fato indiciário, no caso, de que as obrigações mantidas no passivo, no decorrer do ano de 2008, não tiveram a exigibilidade comprovada? O fato de a empresa não ter respondido à intimação já seria prova suficiente? Fl. 7912DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.913 13 Na hipótese que restou superada, qual seja, a manutenção no passivo de obrigações já pagas, caberia ao Fisco fazer prova da ocorrência dos pagamentos, e que, uma vez efetivados, as contas do passivo não foram debitadas. Restaria, portanto, comprovado o fato indiciário, suficiente para caracterizar o passivo fictício. Em outro exemplo, na presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabe à autoridade fiscal comprovar a existência dos depósitos bancários, seja mediante obtenção diretamente dos extratos junto ao contribuinte ou requisição às instituições financeiras. Diante dos depósitos, e da não comprovação de sua origem por parte da fiscalizada por meio de documentação hábil e idônea, resta caracterizado o fato indiciário. Contudo, o caso em debate trata de situação no qual a obrigação supostamente não teve a sua exigibilidade comprovada. Ora, se não existiu obrigação, ou se foi desprovida de exigibilidade (por exemplo, dívida prescrita), como se falar em cobrança do credor à contribuinte? Como se falar em pagamento? De qualquer forma, para se comprovar que, de fato, não existiu nenhuma exigibilidade, entendo, da mesma maneira que na hipótese anterior, que caberia ao Fisco fazer uma circularização junto aos fornecedores, o que não aconteceu. Caso os fornecedores, devidamente intimados, informassem que não tiveram nenhuma relação comercial com a contribuinte, ou que, na condição de credores, estariam impossibilitados de cobrar a dívida, estaria demonstrado o fato indiciário da presunção em debate, a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada. Ou seja, valeuse a autoridade autuante de presunção hominis, para inferir que, diante do não atendimento à intimação, as obrigações contraídas juntos aos fornecedores registradas no passivo não teriam exigibilidade. Aplicou uma presunção simples para fazer prova do fato antecedente (indiciário), procedimento que considero inadequado. Nesse sentido, entendo que assiste razão à recorrente, devendo ser dado provimento ao recurso no que se refere à infração tributária de passivo fictício. Pagamento Sem Causa. Imposto de Renda Retido Na Fonte. Tratase do mesmo suporte fático tratado no item anterior. A Fiscalização, ao analisar os o saldo das contas no passivo, constatou, em 01/01/2008, a seguinte situação: Conta Saldo Inicial D/C FRIDUSAN FRIG. INDL. SÃO LOURENÇO DA MATA R$289.531,86 C SÃO MATEUS TURISMO E REFEIÇÕES LTDA R$600.572,25 C CDP CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS R$4.909.188,10 C As contas do passivo, no decorrer do ano de 2008, foram debitadas, indicando a ocorrência de pagamentos. Então, foi a contribuinte intimada a apresentar documentos probatórios dos pagamentos realizados que deram lastro à quitação das contas. Fl. 7913DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.914 14 Ocorre que a fiscalizada não se manifestou, razão pela qual foi tipificada a infração tributária prevista no art. 674 do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Ao contrário da infração anterior (passivo fictício), entendo que, nesse caso, o suporte fático descrito pela autoridade autuante amoldase perfeitamente à hipótese de incidência prevista no art. 674. A contribuinte, ao debitar contas do passivo, por meio de sua escrituração, tendo como contrapartida crédito na conta Caixa, acusou a quitação das obrigações. Devidamente intimada a comprovar os lançamentos contábeis, permaneceu silente. Cumpre esclarecer que, na infração em análise, ao contrário do item anterior (passivo fictício), não há necessidade de a Fiscalização fazer prova dos pagamentos. Os assentamentos contábeis, demonstrado débito na conta do passivo e crédito na conta Caixa já se mostram suficientes para indicar a ocorrência de quitação das obrigações. Por sua vez, a omissão da contribuinte em comprovar os registros contábeis indicam que o inadimplemento da obrigação ocorreu sem a devida comprovação da operação ou de sua causa. Assim, tendo em vista a hipótese de incidência delineada na ausência de comprovação da operação ou causa de pagamentos, contabilizados ou não, resta clara a subsunção à norma prevista no art. 674 do RIR/99. Portanto, cabe negar provimento ao recurso no que se refere à infração tributária tratada no presente tópico. Divergência Entre Valores Escriturados e Confessados em DCTF. A autoridade fiscal, ao proceder com comparação entre valores contabilizados e declarados, constatouse que o PIS e a Cofins confessados em DCTF encontramse em valores inferiores aos escriturados em meio digital (ECD). Por isso, foi apurada diferença que foi lançada de ofício. A princípio, registrese que, ao contrário do que aduz a recorrente, os valores declarados no DACON (Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais) não tem o efeito de confissão de dívida. A Receita Federal já se pronunciou nesse sentido, por meio de Solução de Consulta Interna Cosit, nº 48, de 30 de setembro de 2008: 53. Verificando a legislação, em especial o art. 1º da IN SRF nº 77, de 1998, e o § 4º do art. 1º , da IN RFB nº 767, de 2007, dispositivos acima colacionados, os documentos tidos como de declaração de crédito tributário, para efeito de inscrição do Fl. 7914DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.915 15 saldo a pagar como dívida ativa, são: a Declaração de Rendimentos das Pessoas Físicas, Declaração do ITR, a DCTF, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Gfip. Além desses documentos típicos, existem outros para confissão de dívida tributária, estabelecidos expressamente no § 4º do art. 26 da IN SRF nº 600, de 2005, e art. 636 da IN MPS nº 3, de 2005. Porém, a Dipj e o Dacon não estão incluídos nestes dispositivos, pelo que possuem natureza informativa, de forma que apenas podem ensejar eventual lançamento de ofício. (g.n.) Por sua vez, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Assim, mostrouse correto o procedimento adotado pela autoridade autuante, que, ao apurar diferença entre valores escriturados na contabilidade da contribuinte e confessados em DCTF, efetuou o lançamento de ofício tomando como base a divergência. Deve ser negado, portanto, provimento ao recurso quanto a matéria tratada no presente tópico. Considerações Finais Aplicase à CSLL, PIS e Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. No que concerne às nulidades apontadas pela recorrente, o exame do mérito demonstrou que o procedimento da autoridade autuante mostrouse preciso, pautado pela legalidade, com a devida apuração dos fatos e análise da documentação apresentada pela empresa, inclusive com estudo aprofundado dos assentamentos contábeis, atendendo o disposto no art.142 do CTN e art. 39 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF(Processo Administrativo Fiscal). Sobre o RIR/99, tratase de decreto expedido para a fiel execução das leis, editado pelo Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição Federal, Por sua vez, no que se refere à interpretação benigna, o art. 112 do CTN discorre que sua aplicação decorre da ocorrência de dúvidas quanto à interpretação de normas tributárias, o que não ocorreu no presente caso. Quanto ao pedido de juntada posterior de documentos, ocorre que o art. 57, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. As únicas exceções admitidas ocorrem nos casos em que o contribuinte demonstra, irrefutavelmente, a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, por motivo de força maior, ou por se referir a fato ou a direito superveniente, ou ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Caberia, portanto, ao sujeito passivo, demonstrar a ocorrência de qualquer uma das hipóteses descritas acima, para justificar a não apresentação de provas na ocasião da Fl. 7915DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.916 16 entrega da impugnação. Da análise dos autos, constatase que a requerente elaborou seu pedido baseado apenas em meras alegações, ou seja, não comprovou nenhum dos motivos previstos na legislação que impediriam a apresentação de quaisquer provas, ou seja, mostrase protelatório. Portanto, em relação a novas juntadas de provas, entendo que já ocorreu a preclusão processual, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF. Enfim, quanto aos protestos referentes à multa de ofício que, seria inconstitucional, e da cobrança de juros moratórios com base na taxa SELIC, há que se esclarecer são matérias previstas em lei, não sujeitas à apreciação do CARF, tanto que já se encontram sumuladas: Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o lançamento de ofício referente á infração de passivo fictício disposta no art. 281, inciso III, do RIR/99. Assinatura Digital André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Redator Designado. A despeito de o eminente Relator ter analisado brilhantemente a questão, peço vênia para discordar exclusivamente do entendimento adotado quanto à incidência do imposto de renda retido na fonte quando configurado o pagamento sem causa. Conforme descrito pelo ilustre Relator, por ter a contribuinte se omitido em prestar esclarecimentos sobre contas do passivo debitadas no anocalendário de 2008 (possíveis pagamentos efetuados), a fiscalização aplicou as seguintes presunções: (i) presunção de omissão de receitas em razão da manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, nos termos do art. 281, III do RIR/99; e Fl. 7916DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10480.728370/201174 Acórdão n.º 1103001.110 S1C1T3 Fl. 7.917 17 (ii) presunção de realização de pagamentos sem causa, nos moldes do art. 674 do RIR/99. Escorado nas lições de Maria Rita Ferragut, o eminente Relator concluiu que a mera ausência de resposta da contribuinte à intimação fiscal configura presunção simples e que, dela, não se poderia inferir o fato antecedente (indiciário) que autoriza a aplicação da presunção legal (art. 281, III do RIR/99). É que, como bem apontado pelo Relator, o fato indiciário deve ser efetivamente provado, sob pena, acrescento, de se criar presunções sobre presunções. Caberia ao Fisco demonstrar, por exemplo, mediante circularização junto aos fornecedores, a ocorrência de pagamentos em período anterior a 2008 e, ou a existência de obrigações não exigíveis. Para a aplicação da presunção de realização de pagamentos sem causa (art. 674 do RIR/99), porém, o Relator entendeu que seria suficiente a ausência de apresentação de esclarecimentos pela contribuinte. Com a devida vênia, discordo dessa segunda conclusão. Ora, ao admitir que a mera inércia da contribuinte permitiria concluir pela realização de pagamentos sem causa, o auditor fiscal aplicou uma presunção simples para fazer prova do fato antecedente (indícios da existência de pagamento sem causa), o que, na linha do raciocínio desenhado para a infração anterior, igualmente não pode ser admitido. Ao meu ver, a Fiscalização deveria ter aprofundado a análise dos indícios nesse caso, de modo a provar efetivamente o fato indiciário, especialmente porque conhecia os nomes dos fornecedores (FRIDUSAN FRIG. INDL. SÃO LOURENÇO DA MATA, SÃO MATEUS TURISMO E REFEIÇÕES LTDA e CDP CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS) e, portanto, poderia ter realizado circularização para verificar a natureza dos pagamentos supostamente realizados. Nesse contexto, entendo que deve ser aplicado à imputação de pagamento sem causa, por decorrência lógica, o mesmo raciocínio pelo eminente Relator para afastar a presunção de omissão de receitas. Dessa forma, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para também afastar o lançamento de ofício de imposto de renda retido na fonte decorrente da imputação de pagamento sem causa (art. 674 do RIR/99). Assinatura Digital Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 7917DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 15983.000886/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no I, Art. 173 do CTN, devido à ausência de recolhimento parcial, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Natanael Vieira dos Santos, que votaram pelo provimento parcial, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 86 /2 00 9- 99 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no I, Art. 173 do CTN, devido à ausência de recolhimento parcial, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Natanael Vieira dos Santos, que votaram pelo provimento parcial, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente e Redator (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 98 3 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo às contribuições devidas a Terceiros, apuradas conforme folhas de pagamento, nos períodos de 01/2004 a 13/2007, não declaradas em GFIP, como descrito no Relatório Fiscal [fls. 30/35]. Informa ainda que, não obstante o contribuinte tenha se autoenquadrado como empresa sujeita ao Regime de Lucro Presumido, o mesmo informou indevidamente nas GFIPs tãosomente as contribuições devidas aos segurados empregados, enquadrandose como empresa optante pelo SIMPLES, quando o correto teria sido a declaração de empresa não optante. O contribuinte impugnou a autuação [fls. 37/51] tendo alegado, em síntese: (i) vício do auto de infração, pois está ausente requisito formal; (ii) decadência dos débitos anteriores a 27/10/2004; (iii) no mérito, manifesta que as contribuições de terceiros não possuem natureza tributária, portanto apenas a União tem competência para arrecadála e repassálas ao respectivo órgão do sistema “S”; (iv) requer aplicação da multa disposta no art. 32A, da Lei n. 8.212/91 Em 19 de janeiro de 2011, foi prolatado Acórdão n. 0532.196, pela 8ª Turma da DRJ/CPS [fls. 68 e ss] que, em resumo, julgou procedente a autuação. O Contribuinte foi intimado do decisum em 06/07/2011, tendo interposto o Recurso Voluntário, em 05/08/2011, que reitera, em síntese, os argumentos dispostos na impugnação. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de voluntário. DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 99 5 súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 100 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerarseá pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 23/10/2009 e tendo ocorrido recolhimento, mesmo que indevido [apurou e recolheu por meio da sistemática do SIMPLES], considerando o disposto no enunciado da Súmula CARF n. 761, considero ter ocorrido recolhimento parcial e aplico o §4º, do art. 150, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 09/2004. MÉRITO Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada. O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento – AR, dentre outros, restandolhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 72. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao 1 Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 2 Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 101 9 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No presente feito, o Auto de Infração encontrase perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório “Instruções para o Contribuinte” contém a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O Relatório Fiscal acima citado tem por meta, igualmente, instruir o sujeito passivo quanto ao oferecimento de impugnação ao lançamento então operado, discorrendo sobre o Direito de Defesa do Autuado, bem como o prazo, a forma e locais para a sua apresentação, além dos elementos essenciais à instrução da defesa, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para, reconhecer a decadência até a competência Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 09/2004 e a multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 102 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à regra decadencial e a multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. DECADÊNCIA: Quanto á decadência, discordamos do nobre relator e negamos provimento ao recurso na questão. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 103 13 A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2009, nenhum lançamento deve ser afetado pela decadência, pois todos são posteriores a 11/2003. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nesta questã. MULTA: Quanto a multa, também discordamos do nobre relator. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 104 15 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000886/200999 Acórdão n.º 2301004.165 S2C3T1 Fl. 105 17 Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 18 Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, ocorrerá de ofício pela autoridade executora do acórdão, no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto às questões da decadência e multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10240.720601/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
SÚMULA 99 CARF
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
RETENÇÃO 11%
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.671
Decisão:
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos , em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo as retificações efetuadas e excluindo do lançamento as competências até 11/2001, na forma da Súmula 99 do CARF. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Graziela Parisoto, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. RETENÇÃO 11% O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 06 01 /2 01 1- 24 Fl. 6340DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos , em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo as retificações efetuadas e excluindo do lançamento as competências até 11/2001, na forma da Súmula 99 do CARF. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Graziela Parisoto, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 6341DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.720601/201124 Acórdão n.º 2302003.671 S2C3T2 Fl. 6.341 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 28/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 02/01/2007, de contribuições previdenciárias advindas da retenção de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, no período de 01/2000 a 12/2003. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para apreciação dos documentos e argumentos expostos. Informação Fiscal de fls. 2032/2188, pugnou pela retificação do lançamento, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 6192/6292. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou pela incorreção do lançamento ainda quanto aos serviços prestados pela Associação dos Deficientes Físicos de JiParaná e pela forma de composição da base de cálculo para a cobrança da contribuição nas faturas de "Leitura e Entrega Simultânea de Contas" pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos EBCT. Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgou o lançamento procedente em parte para acatar a retificação efetuada após a diligência fiscal e para excluir do lançamento as competências até 12/2001, frente à decadência qüinqüenal, exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional, recorrendo de ofício a este Colegiado, frente ao valor exonerado. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde argúi em síntese: a) que com relação ao valor de R$12.475,96 referente à suposta retenção a menor efetuada pela Associação dos Deficientes Físicos de JiParaná, o pagamento não ocorreu sendo que o valor referese a Aviso de Débito, devendo ser desconsiderado; b) com relação às diferenças apontadas nas retenções da EBCT, reitera que deve ser desconsiderados os valores de entregas de contas nos contratos de "Leitura e Entrega Simultâneas", pois a própria Receita Federal em resposta à consulta formulada entendeu que a entrega de contas não se presta à retenção, por ser serviço inerente à EBCT. Por fim, requer que sejam consideradas como corretas as retenções efetuadas, frente as irregularidades demonstradas. É o relatório. Fl. 6342DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Os recursos cumpriram com os requisitos de admissibilidade, frente ao valor exonerado para o Recurso de Ofício e a tempestividade para o Recurso Voluntário, devendo ser conhecidos e examinados. Recurso de Ofício A DRJ em Belém/PA, recorreu de ofício a este Colegiado, frente à exclusão do lançamento de competências decantes e de valores que foram retificados após a realização de diligência no trâmite do processo administrativo. Quanto à decadência, temos que a notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 02/01/2007 e compreende as competências de 01/2000 a 12/2003. A decisão a quo excluiu do lançamento as competências até 12/2001, mantendo as demais, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Com efeito, se mostrou correta a decisão, porque nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 6343DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.720601/201124 Acórdão n.º 2302003.671 S2C3T2 Fl. 6.342 5 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Fl. 6344DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente devido a existência de recolhimentos parciais, como se pode comprovar com o Relatório de Documentos Apresentados, fls. 249/288, foi aplicado corretamente o artigo 150,§4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal procedimento encontra respaldo na Súmula n.º 99, do CARF: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No que se refere à retificação proposta pela diligência fiscal solicitada, também não merece reparo a decisão recorrida, eis que o Auditor Fiscal notificante examinou todos os documentos apresentados pela recorrente, em sede de diligência, e se manifestou pela exclusão daqueles valores cujas alegações da empresa se mostraram procedentes. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Quanto as razões trazidas pela recorrente na peça recursal, vêse que são apenas duas, já expostas na impugnação e na manifestação prestada após a diligência. A primeira referese ao valor de R$12.475,96 relativo à retenção a menor efetuada pela Associação dos Deficientes Físicos de JiParaná, que a recorrente afirma que o pagamento não ocorreu sendo que o valor referese a Aviso de Débito, o que deve ser desconsiderado. Sobre o assunto, me reporto integralmente à decisão de primeira instância, onde o julgador já explicitou à recorrente que suas alegações não foram aceitas pela falta de Fl. 6345DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.720601/201124 Acórdão n.º 2302003.671 S2C3T2 Fl. 6.343 7 comprovação. Ou seja, não foi trazida aos autos prova que demonstrasse que o valor que perfez a base de cálculo, deva ser desconsiderado. Com relação às diferenças apontadas nas retenções da EBCT, o recorrente reitera que deve ser desconsiderados os valores de entregas de contas nos contratos de "Leitura e Entrega Simultâneas", pois a própria Receita Federal em resposta à consulta formulada sobre o tema, entendeu que a entrega de contas não se presta à retenção, por ser serviço inerente à EBCT. Não obstante, a existência da citada consulta, e embora o Fisco já tenha reconhecido que a entrega de contas não se presta à incidência da retenção, é de se ver que já na diligência efetuada, o Auditor Fiscal explanou que não era possível isentar a rubrica da incidência da retenção de 11%, porque não há como individualizar o valor relativo á leitura e o valor referente à entrega. O contrato e o respectivo aditivo estipulam um valor único para a prestação do serviço, não havendo como o Fisco proceder à individualização. Ademais, como também já consta desde a diligência, ao se tomar como base para o cálculo o valor da entrega e da leitura separadamente com base nos demais contratos, os valores não vão fechar, o que demonstra não ser viável esta forma de cálculo, devendo ser mantido o lançamento como proposto na diligência fiscal. Por todo o exposto voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo as retificações efetuadas e excluindo do lançamento as competências até 11/2001,na forma da Súmula 99 do CARF. E, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6346DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13896.910100/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 10 0/ 20 12 -0 1 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910100/201201 Resolução nº 3801000.892 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 311DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910100/201201 Resolução nº 3801000.892 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910100/201201 Resolução nº 3801000.892 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 313DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910100/201201 Resolução nº 3801000.892 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910100/201201 Resolução nº 3801000.892 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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