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Numero do processo: 11065.002601/90-76
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 202-01.296
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Antonio Carlos de Moraes
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Numero do processo: 10875.001721/2003-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA
De acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. E conforme o § 5º deste mesmo artigo, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, ultrapassado esse prazo não é mais possível exigir,
no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído.
Numero da decisão: 1802-000.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA De acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. E conforme o § 5º deste mesmo artigo, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, ultrapassado esse prazo não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído.
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E conforme o § 5º deste mesmo artigo, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, ultrapassado esse prazo não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 327 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 328 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que embora tenha reconhecido o direito creditório reivindicado pela Contribuinte e homologado as compensações por ela realizadas (até o limite do crédito reconhecido), acabou resultando na exigência de débito remanescente após a compensação, dada a insuficiência do crédito. As Declarações de Compensação foram apresentadas em formulário no dia 13/05/2003, dando origem aos processos administrativos nº 10875.001721/200352 e nº 10875.001720/200316, que foi apensado ao primeiro, conforme Termo de Juntada à fl. 97. Por meio destas Declarações, a Contribuinte pretendia o reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, num total de R$ 74.404,98, que foram utilizados para a compensação de débitos de períodos posteriores (estimativas de IRPJ nos meses de janeiro e fevereiro de 2003). A Delegacia de origem deferiu parcialmente o pleito da interessada. Conforme descrito no relatório da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0524.572, fls. 272 a 279, este deferimento parcial deveuse aos seguintes motivos: Fundamentação (...) Em relação ao saldo negativo de IRPJ, a interessada apresenta o seguinte demonstrativo de cálculo (Ficha 12 A da DIPJ 2003 fl. 13): [Demonstrativo onde constam: IR à alíquota de 15% R$ 174.729,08; IR adicional – R$ 94.486,06; IRRF órgão público – R$ 9.282,11; imposto de renda mensal pago por estimativa – R$ 334.338,01; Imposto de Renda a Pagar – R$ 74.404,98] Conferindo os elementos formadores desse saldo, podemos verificar que foram utilizadas as deduções previstas nos incisos III e IV do art. 231 do RIR/99, ou seja, o imposto de renda retido na fonte por órgão público, no valor de R$ 9.282,11, e o imposto de renda mensal pago por estimativa, no valor de R$ 334.338,01. Em pesquisa realizada ao sistema SIEF/DIRF (fl. 24 a 29) constatamos que, ao contrário do que foi informado pela interessada, esta não sofreu retenções na fonte por órgão público durante o anocalendário de 2002, constando em DIRF como códigos de retenção os números 3426, 5706 e 6800, que se referem, respectivamente, a IRRF – aplicações financeiras de renda fixa, juros sobre o capital próprio e IRRF – aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa. Deste modo, ao recalcularmos o valor do saldo negativo de IRPJ, desconsideraremos a importância lançada na linha 14/ficha 12 A. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 329 4 Na linha 16 (Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa) da mencionada ficha, a empresa informa o valor de R$ 334.338,01. O Manual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 2003 – Majur 2003 – nas instruções de preenchimento para esta linha, estabelece que: (...) Para a determinação do Imposto de Renda Mensal efetivamente pago, tomaremos como base as informações prestadas em DCTF (fls. 14 a 20): Mês Estimativa Recolhimento Compensação com Mensal por DARF Saldo Negativo de IRPJ/2001 jan/02 0,00 0,00 0,00 fev/02 7.495,63 0,00 7.495,63 mar/02 9.724,13 0,00 9.724,13 abr/02 65.075,32 0,00 65.075,32 mai/02 46.375,93 0,00 46.375,93 jun/02 97.637,51 32.754,50 64.883,01 jul/02 24.350,08 24.350,08 0,00 ago/02 83.679,52 83.679,52 0,00 set/02 0,00 0,00 0,00 out/02 0,00 0,00 0,00 nov/02 0,00 0,00 0,00 dez/02 0,00 0,00 0,00 Total 334.338,12 140.784,10 193.554,02 Com relação aos pagamentos efetuados, a empresa não apresentou comprovante de nenhum recolhimento. Entretanto, em virtude do princípio da busca da verdade material, que rege o processo administrativo, verificamos nos sistemas da Receita Federal do Brasil e comprovamos tais recolhimentos (fls. 21 a 23). A interessada declara em DCTF que as estimativas de fevereiro a maio e parte da estimativa de junho de 2002 foram compensadas com saldo credor de IRPJ, apurado no ano calendário de 2001. Consultamos a DIPJ 2002, especificamente a ficha de cálculo do imposto de renda (fl. 35) e verificamos que esse saldo, no valor de R$ 183.518,65, estava composto da seguinte forma: [Demonstrativo onde constam: IR à alíquota de 15% R$ 132.784,67; IR adicional – R$ 64.523,10; imposto de renda retido na fonte – R$ 6.203,51; imposto de renda mensal pago por estimativa – R$ 374.622,91; Imposto de Renda a Pagar R$ 183.518,65] Em pesquisa ao sistema SIEF/DIRF (fls. 60 a 65), constatase que a contribuinte, no anocalendário 2001, sofreu retenções na fonte no valor total de R$ 8.473,12, o que é suficiente para Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 330 5 validar a importância lançada na linha 13 como dedução do imposto de renda devido. Já, no que se refere à comprovação das estimativas mensais de IRPJ, o primeiro ponto a ser destacado referese à incompatibilidade entre valores utilizados na linha 16 da ficha 12 A e aqueles apurados na ficha 11 e declarados em DCTF: pelas informações constantes em DCTF (fls. 36 a 45) a interessada apura débitos de IRPJ no valor total de R$ 334.033,82 (janeiro a outubro de 2001); entretanto, informa na ficha de apuração do imposto de renda o valor de R$ 374.622,91 (fl. 35). Deste modo, na determinação do imposto de renda mensal efetivamente pago tomaremos com base apenas os valores declarados em DCTF. Nessa declaração a contribuinte alega que os débitos de IRPJ, recolhidos mensalmente por estimativa, foram quitados mediante pagamentos por DARF. Em pesquisa ao Sistema Sinal 08 (fls. 46 a 59) constatamos que foram efetuados recolhimentos no valor total de R$ 345.637,02. Assim, utilizando como dedução do imposto de renda devido, os valores confirmados pelo sistema Sinal 08, temos como saldo negativo de IRPJ, para o ano calendário 2001, R$ 154.532,76, conforme demonstrativo abaixo: [Demonstrativo onde consta para o Imposto de renda mensal pago por estimativa o valor de R$ 345.637,02 e Imposto de Renda a Pagar de –R$ 154.532,76] Confirmado, em parte, o saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2001, tornase necessário verificar se esse crédito seria suficiente para suportar as estimativas de IRPJ apuradas em 2002 (estimativas de fevereiro a maio e parte da estimativa de junho de 2002). Para isso foi elaborada uma planilha de atualização e de utilização desse saldo, a partir de informações constantes em DCTF (fls. 14 a 20): Data Valor Selic Juros Débito Débito Débito Saldo Saldo Saldo Principal Selic principal Juros Principal Juros Total 31/12/2001 154.532,76 154.532,76 154.532,76 jan/02 154.532,76 1,00% 1.545,32 154.532,76 1.545,32 156.078,08 fev/02 154.532,76 1,53% 2.364,35 154.532,76 3.909,67 158.442,43 mar/02 154.532,76 1,25% 1.931,65 7.495,63 7.222,61 273,01 147.310,15 5.568,31 152.878,46 abr/02 147.310,15 1,37% 2.018,14 9.724,13 9.247,86 476,26 138.062,29 7.110,19 145.172,48 mai/02 138.062,29 1,48% 2.043,32 65.075,32 61.029,09 4.046,22 77.033,20 5.107,29 82.140,48 jun/02 77.033,20 1,41% 1.086,16 46.375,93 42.924,78 3.451,14 34.108,42 2.742,31 36.850,73 jul/02 34.108,42 1,33% 453,64 37.304,37 34.108,42 3.195,95 0,00 0,00 0,00 (...) Conforme demonstrado na planilha, o crédito de IRPJ, apurado no anocalendário 2001, seria suficiente para suportar apenas R$ 37.304,37 do débito de junho de 2002, apesar de ser Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 331 6 informado em DCTF que esse crédito suportaria R$ 64.883,01 do débito. Desta maneira, ao recalcularmos o saldo negativo de IRPJ de 2002, excluiremos da linha 16 da ficha 12 A da DIPJ 2003 o valor de R$ 27.578,64, referente à parte da estimativa de junho de 2002 que não pôde ser compensada com o saldo negativo de 2001. Diante das informações acima apresentadas, reconhecemos como saldo negativo de IRPJ, para o anocalendário de 2002, o valor de R$ 37.544,23 (...), conforme demonstrativo abaixo: [Demonstrativo onde consta: Imposto de renda mensal pago por estimativa de R$ 306.759,37 e Imposto de Renda a Pagar de –R$ 37.544,23] (...) Conclusão Isto posto, (...), proponho a homologação da compensação efetuada pela contribuinte até o montante de R$ 37.544,23, que corresponde ao saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2002.” A mesma decisão de primeira instância relata as razões da Contribuinte ao manifestar seu inconformismo em relação ao Despacho Decisório da Delegacia de origem: 3.1. Afirma que apresentou as Declarações de Compensação relativas ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, anexando a documentação comprobatória das retenções efetuadas pelo Unibanco e pelo Banespa. 3.2. Faz um resumo dos fatos que fundamentaram o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. 3.3. Aduz que a diferença de R$ 28.985,89, referente ao ano calendário de 2001, glosada pela autoridade fiscal, referese a DARF quitado pela interessada em 23 de fevereiro de 2001, período de apuração de janeiro de 2002, sob código de receita 2362, quando deveria ter informado o código de receita 5993 (Estimativa Pessoa Jurídica Não Obrigadas à Apuração do Lucro Real). 3.4. Assevera que a autoridade fiscal deveria ainda ter reconhecido a diferença a seu favor, referente ao IR fonte, no montante de R$ 2.269,61 (R$ 8.473,12 – R$ 6.203,51), em atenção ao princípio da verdade material. 3.5. No que se refere ao anocalendário de 2002, declara que digitou indevidamente o valor do IRRF na Linha 14 da Ficha 12 A, quando deveria têlo informado na Linha 13 daquela Ficha, o que levou a autoridade fiscal à desconsideração de tal montante, embora tenha constatado nas DIRF a presença de imposto retido referente aos códigos 3426 (IRRF sobre renda fixa); 5706 (IRRF sobre juros sobre o capital próprio) e 6800 (IRRF sobre aplicações em fundos de investimento de renda fixa). Em suas palavras: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 332 7 “Porque simplesmente desconsiderar o montante realmente retido na fonte pelos clientes da impugnante ao invés de considerálo corretamente na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte – da Ficha 12 A da DIPJ de 2003? Ora, como a autoridade fiscal poderia sustentar o insustentável buscando a verdade material dos fatos? Essa busca deveria ser atribuição inerente ao cargo da referida autoridade fiscal, funcionário público do estado e não do governo. Cabe destacar, por oportuno, que erros como os anteriormente cometidos não têm o condão de se transformar em fatos geradores de tributos, como desejam as autoridades fiscais.” 3.6. Transcreve jurisprudência cujo conteúdo, segundo a interessada, se relaciona à “Nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com as normas legais que regem a matéria”, a teor do art. 173, inciso II, da Lei n.º 5.172, de 1966, fls. 82/84. 3.7. Assevera que o direito da Fazenda Pública de efetuar a cobrança dos montantes considerados como “compensação indevida” encontrase prescrito, nos termos do artigo 901, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). 3.8. Disserta sobre a prescrição e decadência, transcrevendo jurisprudência, e afirma que o prazo de cinco anos, previsto nos artigos 165, I e 168, I, do CTN, aplicamse à cobrança de provável compensação efetuada, ou seja, “o prazo extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contado da extinção do crédito tributário decorrente da compensação realizada dessa forma, o saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente podem ser compensados com tributos dentro do prazo legal de 05 (cinco ) anos de acordo (...).” Conclui seu raciocínio nos seguintes termos: “A impetrante declara que da data da compensação efetiva do montante do crédito tributário, ou seja, data da extinção do crédito tributário compensado no anocalendário de 2002, DIPJ do exercício de 2003, até a presente data, jamais foi cobrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É conveniente destacar, ainda, que nos anoscalendário posteriores ao da compensação, ou seja, de 2003 a 2007, exercícios de 2004 a 2008, todas as suas DIPJ foram processadas normalmente e todos os valores nelas considerados foram, também, considerados corretos do ponto de vista fiscal.” 3.9. Em relação ao mérito, reitera seus argumentos relativos à importância de R$ 28.985,59, que teria sido glosada pela autoridade fiscal no anocalendário de 2001, bem como referentes ao IRRF do anocalendário de 2002. 3.10. Finaliza, afirmando ter comprovado à saciedade a inexistência de qualquer débito decorrente da compensação do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2002. Como já mencionado, a decisão da DRJ Campinas/SP, embora tenha reconhecido o direito creditório reivindicado pela Contribuinte e homologado as compensações Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 333 8 por ela realizadas (até o limite do crédito), acabou resultando na exigência de débito remanescente após a compensação, dada a insuficiência do crédito. Suas conclusões foram manifestadas com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução; a identificação, existência e a disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais ou no encerramento do anocalendário, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações efetuadas, visando a extinção das estimativas aproveitadas no encerramento do período. Presentes indícios suficientes a caracterizar erro de preenchimento do código de receita relativo à guia de arrecadação, referente à estimativa de janeiro do ano calendário de 2002, e comprovada a alocação parcial do recolhimento à DCTF correspondente, aproveitase pagamento efetuado pela contribuinte na apuração do direito creditório. Considerase também o Imposto de Renda Retido na Fonte, informado indevidamente pela contribuinte no encerramento anual como “IRRF retido por Órgãos Públicos”, diante das evidências presentes no Sistema SIEF/DIRF e do oferecimento dos rendimentos respectivos à tributação. COMPENSAÇÃO. Reconhecese o direito creditório em litígio e homologase a compensação até o limite do direito reconhecido. Rest/Ress.Deferido – Comp. Homologada Ao implementar o comando dado pela decisão de primeira instância, conforme extratos de fls. 283/284, a Delegacia de origem utilizou primeiramente o crédito tributário para quitar o débito controlado pelo processo nº 10875.001720/200316, referente ao IRPJ/Estimativa de fevereiro/2003, no valor de R$ 29.024,06 (como constava da Declaração de Compensação fl. 318). Em seguida, o saldo remanescente do crédito foi utilizado para quitar o débito deste processo (10875.001721/200352), referente ao IRPJ/Estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 54.304,42, conforme Declaração de Compensação de fl. 01. Como o valor nominal do saldo negativo de IRPJ em 2002, reivindicado pela Contribuinte e reconhecido pela DRJ, era de R$ 74.404,98, e os débitos constantes das Declarações de Compensação somavam R$ 83.328,48, o encontro de contas, considerando Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 334 9 ainda os juros sobre o crédito, resultou em um valor a descoberto de R$ 7.624,17 para o IRPJ/Estimativa de janeiro/2003, débito esse que está sendo exigido da Contribuinte. Inconformada com esse resultado, do qual tomou ciência em 25/06/2009, a Contribuinte apresentou em 21/07/2009 o recurso voluntário de fls. 289 a 312, com os argumentos descritos a seguir. Decisão de 1ª instância: não obstante os argumentos alinhados na impugnação inicial afastarem, indubitavelmente, as razões da cobrança do crédito tributário, e o julgador de 1ª instância ter reconhecido integralmente o direito creditório, a DRF de Guarulhos, de forma estranha, emitiu a Carta de Cobrança SEORT/GUA751/2009, relativa ao IRPJEstimativa do mês de janeiro de 2003. Decadência do direito de cobrar: relativamente à ação para a cobrança do crédito tributário (prescrição), prevista no artigo n° 174 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), que representa a matriz legal do artigo n° 901 do RIR/99, o acórdão da DRJ tangenciou em sua análise e não enfrentou firmemente as alegações da impugnante; em 13052003 a Contribuinte protocolou junto à Delegacia da Receita Federal de Guarulhos/SP Declaração de Compensação relativa ao saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica no exercício 2003, anocalendário de 2002; somente em 19082008, portanto, cinco anos e três meses após a data de protocolo da referida Declaração de Compensação, é que a Contribuinte recebeu pelo correio o Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT n° 298/2008, relativo à Declaração de Compensação, cuja ementa concedia parcialmente o pleito da compensação decorrente da apuração do saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002 e, conseqüentemente, cobrava a suposta diferença glosada; ultrapassado o prazo de cinco anos para exame da Declaração de Compensação, prescrito está o prazo para cobrar quaisquer eventuais diferenças decorrentes da compensação pleiteada; todos os fatos mencionados são anteriores à manifestação de inconformidade e foram questionados na impugnação inicial da referida cobrança administrativa. Portanto, não há como sustentar a hipótese de que o prazo prescricional ainda não se iniciou ou que a cobrança somente poderá ser realizada após a decisão administrativa, como deseja a autoridade julgadora de 1ª instância, ainda que a Declaração de Compensação represente confissão de dívida dos débitos nela declarados, eis que esta suposta confissão não pode interromper indefinidamente a prescrição para a cobrança do crédito tributário nela declarado; interrompido o prazo prescricional anterior com o protocolo da Declaração de Compensação, volta a ser contado novo prazo decadencial de cinco anos estabelecido pelo artigo 174 do CTN; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 335 10 a interrupção mencionada pelo inciso IV do artigo 174 do CTN referese ao passado (senão não teríamos interrupção), e não ao futuro, ou seja, interrompese a prescrição passada com nova contagem de prazo decadencial, que começa a fluir a partir da data do fato que provocou a interrupção anterior. Nesta hipótese, a manifestação de inconformidade (impugnação de 1ª instância) não tem o condão de restabelecer a ação de cobrança de suposto crédito tributário já prescrito em data anterior à de sua apresentação; além de todos esses fatos, é importante perceber que a cobrança atual não se refere ao objeto do litígio, ou seja, o referido objeto era o saldo negativo do IRPJ de 31/12/2002, que teria suportado as compensações realizadas no anocalendário de 2003. Reconhecido integralmente este saldo, parte pela DRF e parte pela DRJ, extinguiuse o objeto dos autos. Assim, qualquer cobrança adicional que não se refira ao objeto do litígio teria que respeitar o prazo prescricional previsto no artigo 174 do CTN, que representa a matriz legal do artigo n° 901 do RIR/99. Vício de forma e cerceamento de direito de defesa: se o valor integral compensado foi integralmente reconhecido como correto pelas autoridades fiscais, ou seja, parte pela própria DRF e parte pela DRJ, qual a razão da cobrança do valor original de R$ 7.624,17, por meio da Carta de Cobrança SEORT/GUA 751/2009? qual a base de cálculo e como foi calculado o mencionado crédito tributário em cobrança? a cobrança retro mencionada se refere a qual período de apuração? tendo em vista o reconhecimento integral do crédito em litígio, ou seja, sendo reconhecido o valor integral compensado, existe algum motivo ou razão para a efetivação desta absurda cobrança administrativa? se o objeto do litígio era o saldo negativo de IRPJ, apurado em 31 de dezembro de 2002, compensado com os valores mensais das estimativas apuradas a partir do mês de janeiro de 2003, e que foi considerado suficiente para a compensação pleiteada pela Contribuinte, como pode existir um saldo a ser cobrado relativo ao primeiro mês em que o crédito reconhecido foi compensado, ou seja, janeiro de 2003? a cobrança não se refere ao objeto do litígio, ou seja, o referido objeto era o saldo negativo do IRPJ de 31122002 que teria suportado as compensações realizadas no ano calendário de 2003; reconhecido integralmente este saldo, parte pela DRF e parte pela DRJ, extinguiuse o objeto dos autos assim, qualquer cobrança adicional, fora do valor discutido nos autos, além de ter que respeitar o prazo prescricional correspondente, representa erro na apuração da base de cálculo discutida, e, conseqüentemente, vício de forma na apuração do montante a ser exigido; a autoridade julgadora de lª instância reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado pela Contribuinte. Não obstante, a DRF anexou aos autos, após o Acórdão de 1ª Instância, Carta de Cobrança e DARF exigindo o pagamento complementar de IRPJ Estimativa relativo ao mês de janeiro de 2003. Agindo dessa forma, as mencionadas Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 336 11 autoridades além de provocarem cerceamento de direito de defesa, tentam aperfeiçoar o lançamento e a cobrança de crédito tributário comprovadamente indevido por todas as razões elencadas na impugnação inicial e neste recurso administrativo. Interpretação benigna: a dúvida não pode beneficiar o Fisco. Se não há resposta segura para inevitáveis indagações que surgem da análise das operações praticadas pela Contribuinte, é de se aplicar à norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional. Inexistência da pendência adicional não prevista no litígio: a cobrança atual, razão deste Recurso Administrativo, não se refere ao objeto do litígio. O referido objeto era o saldo negativo do IRPJ apurado em 31122002, que teria suportado as compensações realizadas nos pagamentos das estimativas mensais apuradas no anocalendário de 2003; não obstante, é fácil perceber a inexistência da suposta pendência prevista na Carta de Cobrança SEORT/GUA751/2009, anexa ao Acórdão n° 0524.572 da 4a Turma da DRJ/CPS, relativa ao IRPJ apurado por estimativa do mês de janeiro do anocalendário de 2003 (Código do Tributo 5993), cujo vencimento seria 28/02/2003; o objeto do litígio, ou seja, o saldo negativo do IRPJ apurado em 3112 2002 no montante de R$ 74.404,98, relativo aos PAF n° 10875.001721/200352, no valor de R$ 54.304,42 e n° 10875.001720/200316, no valor de R$ 20.100,57, foi integralmente reconhecido pelas autoridades fiscais, a saber: R$ 37.544,23 por meio do Despacho Decisório n° 298/2008 (fls. n° 66 a 74 dos autos) e R$ 36.860,75 por meio do Acórdão n° 0524.572, da 4a Turma da DRJ/CPS (extinguindo completamente o objeto da manifestação de inconformidade e, consequentemente, a pendência prevista nos autos); o valor do crédito reconhecido no montante de R$ 74.404,98 foi utilizado parcialmente para compensar a estimativa apurada no mês de janeiro de 2003, no valor de R$ 54.302,32, sendo que o crédito restante foi utilizado para compensar parcialmente o valor devido relativo à estimativa apurada no mês de fevereiro de 2003, conforme DCTF/03 e DIPJ/04 (Documentos Anexos n° 2); assim, reconhecido integralmente o crédito correspondente ao saldo negativo apurado em 31122002, inexiste qualquer outro valor devido apurado por estimativa (código de receita n° 5993), relativo ao mês de janeiro de 2003. Adivinhações à parte, a empresa não consegue identificar como a DRF de Guarulhos conseguiu obter o valor devido expresso em sua Carta de Cobrança SEORT/GUA 751/2009, se todas as compensações foram realizadas, o credito foi reconhecido e os valores devidos foram extintos mediante as referidas compensações (Documentos Anexos n° 2). Crédito adicional não compensado: em busca da verdade material tão sobejamente alegada pelas autoridades fiscais (DRF e DRJ), elas poderiam verificar no sistema da Receita Federal o valor das Receitas Financeiras oferecidas à tributação na DIPJ/2002, relativa ao anocalendário de 2001, e, consequentemente, reconhecer a diferença de crédito a compensar em favor da Contribuinte, apontada no Despacho Decisório da DRF de Guarulhos, relativa à compensação efetuada a Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 337 12 menor do IR Fonte no montante de R$ 2.269,61 (R$ 8.473,12 R$ 6.203,51). Notese que a autoridade julgadora de 1ª instância utilizou comparação idêntica à mencionada no item 53 de seu Acórdão para identificar o montante das receitas financeiras sujeitas à retenção na fonte; se a autoridade fiscal tivesse reconhecido essa diferença, estaria, de fato, atendendo ao princípio da busca da verdade material por ela tão veementemente alardeado às folhas 4 de seu Despacho Decisório. Assim, a contribuinte solicita o reconhecimento deste crédito para compensação em pagamentos futuros a serem realizados pela empresa; Dos juros calculados pela taxa Selic: o artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1% “se a lei não dispuser de modo diverso”. Para esse fim, não se prestam os juros denominados SELIC; primeiro, por inexistência de legislação que defina essa taxa. O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC foi criado para a custódia e liquidação de títulos públicos federais. Inexiste, fora das circulares expedidas pelo Banco Central, legislação que institua forma ou critérios para fixação da taxa hoje denominada simplesmente “taxa SELIC” ou “juros SELIC”; segundo, porque a taxa dita SELIC é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora. É clara a sua natureza remuneratória, mesmo porque é dessa forma que a ela se referem as normas do Banco Central. Foi criada para a remuneração dos títulos públicos, e sua fixação atende critérios ditados pela política econômica do governo federal. Este é o Relatório. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 338 13 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre a exigência de débito remanescente após a análise de compensações realizadas pela Contribuinte, as quais foram homologadas até o limite do crédito. Embora o direito creditório tenha sido reconhecido pela Delegacia de Julgamento, conforme reivindicado pela Contribuinte, seu montante não foi suficiente para quitar integralmente os débitos informados nas Declarações de Compensação, o que gerou o saldo de débito objeto do recurso. Em 13/05/2003, foram apresentadas duas Declarações de Compensação, dando origem aos processos administrativos 10875.001721/200352 e 10875.001720/200316 (que foi apensado ao outro, conforme Termo de Juntada à fl. 97). Por meio destas Declarações, a Contribuinte pretendia o reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, num total de R$ 74.404,98, que foram utilizados para a compensação de débitos de períodos posteriores (estimativas de IRPJ nos meses de janeiro e fevereiro de 2003, respectivamente). Compulsando os autos, observo que na ótica da Contribuinte o valor quitado por compensação referente ao IRPJ/Estimativa de fevereiro/2003 é de R$ 20.100,57, enquanto que a Receita Federal tomou este mesmo débito pelo valor de R$ 29.024,06. Eis aí a causa de toda a controvérsia que remanesceu para essa segunda instância administrativa. Conforme indicam a DIPJ e a DCTF apresentadas pela Contribuintes (fls. 314 e 317), o total da estimativa de fevereiro/2003 era de R$ 49.124,63. De acordo ainda com a referida DCTF, deste total, R$ 29.024,06 foram quitados por pagamento, e os R$ 20.100,57 restantes teriam sido objeto de compensação pelo processo nº 10875.001720/200316. Isto justifica o seu estranhamento em relação à cobrança de um valor remanescente em aberto, de R$ 7.624,17, correspondente à parte da estimativa de janeiro de 2003, uma vez que o crédito reconhecido (R$ 74.404,98) seria suficiente para quitar integralmente as duas estimativas de IRPJ, primeiramente a de fevereiro (R$ 20.100,57), e depois a de janeiro (R$ 54.304,42). A inversão dos meses devese ao fato de a Declaração de Compensação referente a fevereiro ter sido apresentada primeiro, conforme indica a numeração dos processos. Ocorre que, embora a Contribuinte tenha indicado coerentemente na Declaração de Compensação referente a fevereiro/2003 (fl. 318) um crédito de R$ 20.100,57, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 339 14 ela discriminou um débito de R$ 29.024,06 (parcela que, segundo a DCTF, teria sido quitada por pagamento). Deste modo, considerandose que o débito de fevereiro era de R$ 29.024,06 e não de R$ 20.100,57, o valor do crédito acabou não sendo suficiente para quitar integralmente os débitos objeto de compensação, o que deu causa ao saldo em aberto para o mês de janeiro. Tudo indica que houve um equívoco no preenchimento da Declaração de Compensação, eis que a Contribuinte deveria indicar o débito de R$ 20.100,57, e não o de R$ 29.024,06 (cujo controle e eventual cobrança, se fosse o caso, deveria se dar por meio da própria DCTF). A meu ver, caberia nesse caso uma diligência para esclarecer a situação, inclusive no sentido de se evitar uma cobrança em duplicidade do mesmo débito, já que as duas declarações configuram confissão de dívida (DCTF e DCOMP). Contudo, um outro aspecto mostrase relevante para o deslinde da questão. É importante observar que as Declarações de Compensação foram apresentadas em 13/05/2003 e que a Contribuinte somente tomou ciência do Despacho Decisório da Delegacia de origem em 19/08/2008 (fl. 76), ou seja, após transcorridos mais de cinco anos da apresentação das Declarações de Compensação. De acordo com as normas contidas na Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Deste modo, na data em que a Contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório da Delegacia de origem, a compensação por ela realizada já se encontrava homologada por força do prazo legal acima mencionado, e o débito objeto da compensação definitivamente extinto. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.001721/200352 Acórdão n.º 180200.833 S1TE02 Fl. 340 15 Assim, independentemente do esclarecimento dos problemas anteriormente apontados, não mais era possível exigir, no âmbito da Declaração de Compensação, qualquer parcela do débito nela incluído (IRPJ/Estimativa de janeiro/2003), uma vez que esta já se encontrava homologada tacitamente. Finalmente, quanto à solicitação para a compensação futura de débitos com o alegado crédito adicional relativamente ao IR Fonte do anocalendário de 2001, no montante de R$ 2.269,61, cabe apenas mencionar que o procedimento de compensação tem uma sistemática própria desde as alterações introduzidas pela Lei 10.637/2002. A Declaração de Compensação dirigida à Delegacia da Receita Federal é o único instrumento para opor ao Fisco a extinção de débitos via procedimento de compensação, restando prejudicado o pleito adicional da Contribuinte, que foi dirigido diretamente ao CARF, em sede de recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar a exigência do débito que resultou da decisão de primeira instância, no valor de R$ 7.624,17, bem como de seus acréscimos legais. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 15DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 12/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720324/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 26/08/2009, 09/09/2009, 15/01/2010, 08/02/2010
MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO.
Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente.
Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006.
Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configura-se o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76).
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO.
O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA.
A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização.
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA.
Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976.
Numero da decisão: 3401-003.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados, e em negar provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/08/2009, 09/09/2009, 15/01/2010, 08/02/2010 MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente. Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006. Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 03 24 /2 01 1- 31 Fl. 7954DF CARF MF 2 mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configurase o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76). INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO. O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA. Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários apresentados, e em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. Fl. 7955DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.955 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração para lançamento, no valor de R$4.185.711,02, de "pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida", com base no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976, e artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, por (i) ocultação dos verdadeiros encomendantes das mercadorias e (ii) uso de documento falso no despacho aduaneiro, em operações de importação, declaradas como realizadas na modalidade "importação por encomenda", tendo como importador a Target Trading S.A ("Target") e como encomendante a Neo Importação e Exportação e Distribuição Ltda. ("Neo"). Na "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração, a Fiscalização narra que instaurou procedimento em face da Neo e, analisando um conjunto de operações de importação registradas sob 23 (vinte e três) Declarações de Importação, no qual se as operações de importação que deram origem ao presente lançamento se incluem, identificou infrações de interposição fraudulenta de terceiros mediante cessão de nome e uso de documento falso no despacho aduaneiro de importação, que ensejam a aplicação tanto da penalidade de pena de perdimento de mercadorias quanto da multa por cessão de nome. Dessa maneira, a Fiscalização informa que lavrou vários Autos de Infração, segregados de acordo com as infrações e os responsáveis solidários identificados, sendo que o Auto de Infração que deu origem ao presente processo é relativo às Declarações de Importação listadas na tabela abaixo, tem como sujeito passivo a Target, e aponta como responsáveis solidários a Neo, o Sr. Marcelo Gonçalves Araújo ("Sr. Marcelo Araújo") e a Sampaio Distribuidora de Aço S.A. ("Sampaio"), indicando o Termo de Sujeição Passiva e a "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração como fundamento legal o artigo 124, do CTN, e o artigo 95, inciso I e VI, do Decreto nº 37/1966. Número das Declarações de Importação Data de Registro 0911359529 26/08/2009 0912031411 09/09/2009 1000825576 15/01/2010 1002098477 08/02/2010 1002098493 08/02/2010 1002098507 08/02/2010 1002098531 08/02/2010 1002098558 08/02/2010 1002098574 08/02/2010 1002098582 08/02/2010 Fl. 7956DF CARF MF 4 A conclusão a que a Fiscalização chegou é que "restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". Para tanto, a Fiscalização levantou os seguintes elementos: (i) capacidade econômica e financeira da Neo: no curso de despacho aduaneiro de determinadas Declarações de Importação, a Auditora Fiscal identificou que a encomendante Neo, apesar de ter sido habilitada na modalidade simplificada, que não exige verificação de capacidade econômica e financeira, já havia atuado como encomendante em importações no valor total de USD 14.000.000,00, no período de apenas 6 (seis) meses, o que motivou a instauração de procedimento especial de combate à interposição fraudulenta previsto na Instrução Normativa nº 228/2002; nesse procedimento, verificouse que o capital social original da Neo, de R$100.000,00, foi aumentado para R$5.858.044,00, mediante a integralização de um ativo de propriedade da sócia majoritária da sociedade, TIMELOG LOGISTICA S.A. ("TIMELOG"), representado pelo imóvel onde estão estabelecidas tanto a TIMELOG quanto a NEO, que são empresas do mesmo grupo econômico; porém, a Neo não teria conseguido demonstrar a efetiva transferência da propriedade do bem imóvel à sociedade, pelo registro do instrumento que lhe conferiu o domínio no competente cartório de registro de imóveis, conforme artigo 1.227, do Novo Código Civil; além disso, afirmou a Fiscalização que "há de se considerar ainda que tal aumento de capital social, além de não ter sido ainda comprovada a efetiva transferência, não aumentou a capacidade financeira da NEO, por tratarse de ativo imobilizado que encontra limitações em sua liquidez, alienação e dação em garantia"; a Fiscalização ainda teria constatado que não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos com os quais a Neo poderia dispor para realizar as operações de importação; nesse tópico, afirma a Fiscalização que "em termos de transferência de recursos financeiros dos sócios para a empresa, o valor corresponderia a R$ 105.450,88, que a NEO comprovou apenas após reintimação (...) Foram registradas, apenas de julho de 2009 até março de 2010 (8 meses), declarações de importações onde a NEO figurou como encomendante no total de R$ 31.653.286,95"; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas: a Fiscalização expõe que a Neo protocolou em 28/01/2009 pedido de Habilitação Ordinária na Alfândega do Porto de Vitória, pelo processo administrativo nº 12466.000254/201010, instruindo tal pedido com o o Anexo IB do ADE Coana Nº 3/2006, devidamente preenchido e assinado pelos representantes legais e pelo contador da empresa, e Balanço Patrimonial, que atestavam que o Patrimônio Líquido da sociedade era de R$12.201.650,36; no curso desse processo de habilitação, a Neo foi intimada a apresentar arquivos digitais da contabilidade, bem como outros documentos e atualizar seus dados cadastrais perante o CNPJ, pedindo dilação do prazo, que foi deferido, porém, apesar da dilação de prazo, não atendeu à intimação, nem prestou nem buscou informação em relação ao processo; independentemente do não atendimento à intimação, o pedido de habilitação foi indeferido, pois a Fiscalização, com base na escrituração contábil digital da empresa, verificou que o patrimônio líquida sociedade era, na realidade, de R$ 5.624.003,53; diante disso, concluiu a Fiscalização que "resta claramente evidenciada a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações"; (iii) incentivos fiscais estaduais: a Fiscalização expõe os benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina e afirma que "a Fl. 7957DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.956 5 TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos"; (iv) riscos e custos das operações: A Fiscalização conclui que "os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (...) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias. Quanto à comercialização no mercado interno os riscos foram suportados pelos clientes da NEO, através de adiantamentos, fianças bancárias e notas promissórias, tudo no bojo de contratos firmados objetivando fornecimento contínuo de mercadorias de procedência estrangeira"; entende que há um vazio na posição que a Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro; a Fiscalização afirma que a Neo não possui quadro societário diferenciado e autonomia gerencial, mas os gestores de outras empresas do grupo detêm poderes de administração sobre ela, destacando a existência de um instrumento público de mandato concedendo poderes aos diretores da Target para administrar a Neo; pela análise dos contratos realizada pela Fiscalização, "a NEO praticamente não tinha responsabilidade quanto a prazo de entrega, situação totalmente incomum para uma venda no mercado interno, e que indica na verdade uma prestação de serviço, por parte do grupo da TARGET, para nacionalização de mercadorias onde as condições que determinam o prazo de entrega estão de fato sob controle do cliente final"; e (v) adiantamento de clientes da Neo: no curso do trabalho fiscal, a Neo apresentou um relatório detalhando o fluxo de caixa da empresa, elaborado por empresa de auditoria independente; esse trabalhou chegou a algumas conclusões, dentre elas, que "nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes"; a Fiscalização afirma que "a NEO recebeu enorme montante em adiantamentos de seus clientes" e apresenta tabela que mostra que a data de recebimento dos valores ocorria, em geral, meses antes, da data de emissão da primeira nota fiscal relativa ao recebimento; assim, a Fiscalização entende que a Neo teria sido constituída com desvio de finalidade, apontando que "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". No que se refere especificamente às declarações de importação deste processo, a Fiscalização ainda acrescenta os elementos a seguir, uns surgidos em determinada operação de importação, outros na totalidade delas, conforme item 7 da "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração. Fl. 7958DF CARF MF 6 (i) as mercadorias importadas foram BOBINAS DE AÇO LAMINADO A FRIO, produzidas por SIDOR C.A., da Venezuela, e exportadas pela STEELCOM S.A.M., de Mônaco; BOBINAS DE AÇO LAMINADO A QUENTE, produzidas por SIDOR C.A, da Venezuela, e exportadas por STEELCOM S.A.M, de Mônaco; e CHAPAS DE AÇO EM BOBINA, REVESTIDAS COM ZINCO POR PROCESSO DE IMERSÃO A QUENTE, produzidas por YIEH PHUI (CHINA) – TECHNOMATERIAL CO. LTD., da República Popular da China, e exportadas por STEELCOM S.A.M, de Mônaco; (ii) nos contratos celebrados entre a Target e o exportador e entre a Neo e a Sampaio constam especificação das mercadorias e quantidades idênticas, o que leva a Fiscalização a afirmar que "cada um dos pedidos e cada um dos contratos especifica de forma idêntica a descrição, qualidade e quantidade das mercadorias, o que indica que a mercadoria prevista em cada contrato era destinada a uma das empresas"; (iii) "as mercadorias foram destinadas diretamente do Porto de Vitória para a SAMPAIO, pois se trata de carga na ordem de muitas toneladas, as notas fiscais da TARGET e da NEO foram emitidas no mesmo dia, e constou no campo transportador o mesmo veículo (PLACA DO VEÍCULO)"; (iv) havia contrato de compra e venda anterior à importação; e (v) "Havia contratos, pedidos e garantias anteriores às importações, que estipulavam condições que caracterizam a contratação de uma importação por encomenda da SAMPAIO FERRO E AÇO. Sendo assim, as operações foram simuladas, e a NEO foi interposta pessoa que ocultou o real encomendante predeterminado nas importações". Após a ciência do lançamento, tanto o sujeito passivo como responsáveis solidários apresentaram Impugnações, que foram julgadas procedentes em parte pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Ceará ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 13/05/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/08/2009, 09/09/2009, 15/01/2010, 08/02/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. A não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos para arcar com os compromissos resultantes das operações de comércio exterior em uma importação formalmente declarada como para revenda a encomendante predeterminado caracteriza a interposição fraudulenta e resulta na infração de dano ao erário prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/08/2009, 09/09/2009, 15/01/2010, 08/02/2010 AUSÊNCIA DE MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA A competência para o lançamento tributário, que detém o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele Fl. 7959DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.957 7 instaurado e possibilitarlhe confirmar a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. PRINCÍPIO DA LIVRE INICIATIVA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. As empresas são livres para criarem e se organizarem da forma que melhor lhes convier. Por sua vez, a administração pública e seus agentes estão obrigados a agirem nos estritos limites do que dispõe a Lei. Não pode a fiscalização desconsiderar as próprias evidências coletadas no procedimento fiscal e deixar de aplicar a penalidade quando há dispositivos legais que lhe dêem suporte, independente da forma como se organizam as empresas. PROVAS INDICIÁRIAS. CONJUNTO DE ELEMENTOS/INDÍCIOS. OCORRÊNCIA. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/08/2009, 09/09/2009, 15/01/2010, 08/02/2010 SOLIDARIEDADE PASSIVA. INFRAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE VINCULAÇÃO COM A INFRAÇÃO. Para caracterizar a responsabilidade tributária nos termos do art. 95 do Decretolei 37/66 é necessário comprovar a vinculação entre o apontado como responsável tributário e a infração ocorrida". A decisão recorrida exonerou o Sr. Marcelo Araújo da responsabilidade solidária a ele atribuída, considerando improcedentes as demais impugnações, para manter o crédito tributário exigido. Considerando o valor da multa exonerada, de R$ 4.185.711,02, o disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, vigente à época da decisão, seria o caso de interposição de recurso de ofício mediante declaração da própria decisão, conforme artigo 34, parágrafo 1º, do Decreto nº 70.235/1972, o que não ocorreu. De qualquer maneira, com fundamento no artigo 34, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que prevê a possibilidade de a autoridade julgadora cumprir essa formalidade, caso percebido que o recurso deixou de ser interposto quando deveria sêlo, mesmo ausente a declaração da decisão recorrida, o recurso de ofício será considerado como devidamente interposto, para fins de revisão da sujeição passiva do Sr. Marcelo Araújo, adiantandose, neste relatório, que o valor exonerado ainda está acima do atualmente previsto pela Portaria MF nº Fl. 7960DF CARF MF 8 63/2007, motivo pelo qual não se aplicará a Súmula CARF nº 1031, para fins de aferição de seu conhecimento. Dessa decisão, a Target foi cientificada no dia 20/06/2014, conforme documento de fls. 7708 e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 18/07/2014, conforme documento de fls. 7733, pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração, pelos seguintes motivos: (i) a Neo não é uma empresa de fachada e possui capacidade econômica para atuar como encomendante das mercadorias importadas; (ii) "o Fisco conhecia as referidas operações quando respondeu à consulta formulada pela Neo acerca da forma como ela iria atuar nessas operações de importação por encomenda e não se opôs a elas"; (iii) não houve repasse de benefícios fiscais de ICMS da Target à Neo nem da Neo a seus clientes; (iv) o Fisco aplicou de maneira equivocada as cláusulas dos contratos celebrados entre Target e Neo e Neo e seus clientes; (v) não cabe ao Fisco interferir na liberdade de exercício da atividade econômica da Neo, pois haveria violação ao princípio da livre iniciativa; (vi) não houve simulação ou fraude; (vii) o fundamento adotado pelo acórdão recorrido implicaria alteração do critério jurídico, vedado pelo artigo 146, do CTN; e (viii) não seria aplicável a pena de perdimento, por não ter ocorrido interposição fraudulenta e porque falso ideológico, segundo a Target, a acusação fiscal, não resultar em tal penalidade. Já a Neo foi cientificada no dia 20/06/2014, conforme documento de fls. 7709, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 18/07/2014, conforme documento de fls. 7823, no qual requer o cancelamento do lançamento, com base nos mesmos motivos defendidos pela Target mais a alegação de que não seria admissível a cumulação da multa de conversão da pena de perdimento com a multa por cessão de nome em relação a ela, por já estar respondendo por essa última penalidade em outro processo. Por sua vez, a Sampaio foi cientificada no dia 23/06/2014, conforme documento de fls. 7711, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 09/07/2014, conforme documento de fls. 7713, na qual pede que seja excluída do polo passivo da autuação, cancelandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária, pelos seguintes motivos: (i) ausência de dolo, fraude ou simulação por parte da Sampaio; (ii) o negócio firmado entre a Sampaio e a Neo estaria eivado de boafé; (iii) a penalidade não poderia ser aplicada por atribuição de responsabilidade à Sampaio, por ausência de previsão legal, por não ter sido demonstrado que a Sampaio tivesse participado ou se beneficiado dos atos alegadamente praticados pela Target e pela Neo, pela pessoalidade da pena prevista no artigo 137, inciso II, do CTN e artigo 100, do Decreto nº 37/1966; e (iv) não poderia haver acusação contra a Sampaio, em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal em seu nome. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria. É o relatório. 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 7961DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.958 9 Voto Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Recursos Voluntários Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Interposição Fraudulenta de Terceiros A questão que é colocada ao Colegiado diz respeito à aplicação de multa por conversão da pena de perdimento, sob a acusação de que as intervenientes em operações de importação praticaram infração aduaneira que é considerada dano ao Erário, com fundamento legal no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, in verbis: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) “§ 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972”. (grifos nossos) A partir da leitura desses dispositivos, percebese que a infração de dano ao erário decorrente da prática de ocultação do sujeito passivo ou real adquirente pode ser aferida de duas maneiras, de forma presumida ou comprovada. Na hipótese de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, presumese que tenha havido uma interposição fraudulenta de terceiros, pois, a ausência de recursos por parte do importador para a realização da operação é um elemento eleito pela Lei como suficiente para considerar que os recursos utilizados tiveram origem em terceiro, que não apareceu perante os controles aduaneiros, a caracterizar a interposição ilegal. Não sendo esse o caso, poderão as autoridades aduaneiras, com base em outros elementos, formar um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou Fl. 7962DF CARF MF 10 simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. Nesse ponto, importante observar que o tipo infracional não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Dessa maneira, para que reste caracterizada a interposição fraudulenta ensejadora da pena de perdimento ou de sua multa substitutiva, é essencial que esteja presente na operação de comércio exterior os elementos de fraude ou simulação. Em decorrência, também é essencial que seja fixada a compreensão a ser dada a tais conceitos, antes de se avançar na análise da matéria. Para contextualizar, é de se observar que, na legislação tributária, há referência ao termo "dolo, fraude ou simulação" em diversos dispositivos (como, por exemplo, artigo 149, inciso VII, artigo 150, parágrafo 4º, artigo 154, parágrafo único, artigo 180, inciso I, artigo 208, caput, todos do CTN). Quanto ao "dolo", é enumerado pelo Código Civil, em conjunto com o erro ou ignorância, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores, como um dos defeitos do negócio jurídico, vícios que geram a anulabilidade do negócio jurídico, nos termos do artigo 171, inciso II, do Código Civil. Já o Código Penal, em seu artigo 18, define o crime doloso, como aquele praticado "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo". Na doutrina de Maria Rita Ferragut, "conceituase por dolo a vontade consciente de praticar uma conduta típica, ou seja, de realizar os elementos constantes do tipo legal. É a prática de ilícito por agente que possuía o animus de realizálo, não obstante soubesse que o ordenamento jurídico rechaçava tal comportamento. Diferenciase da culpa em função da previsibilidade do resultado"2. Por sua vez, a "fraude" possui definição específica no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento"(grifos nossos). Contudo, por se tratar a ocultação prevista no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 de uma infração de natureza aduaneira e não tributária, o Conselheiro Rosaldo Trevisan afirma: "(...) na interposição fraudulenta a “fraude” não se confunde, necessariamente, com aquela definida na legislação tributária (artigo 72 da Lei no 4.502/1964), embora seja freqüente que a interposição tenha também impactos tributários. A interposição fraudulenta trata da fraude como gênero (como qualquer norma infracional não tributária), e não somente da fraude definida na legislação tributária – espécie, e pode ser caracterizada por fraude ou também por simulação (instituto sequer definido especificamente na Lei nº 4.502/1964)". (Acórdão nº 3401003.892, de 26/07/2017) Por outro lado, há aqueles que defendem a aplicabilidade do conceito previsto no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, tendo em vista que inclui também ação ou omissão tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, no caso, o aspecto pessoal referente ao sujeito passivo das obrigações relativas à operação de comércio exterior. Nesse sentido, transcrevo trecho de sentença proferida pela Juíza Federal Vera Lúcia Feil Ponciano, citada e mantida no julgamento da Apelação Cível nº 5036257 2 "Responsabilidade tributária e o Código Civil de 2002". Editora Noeses. São Paulo. 2005. p. 108109. Fl. 7963DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.959 11 19.2012.4.04.7000/PR3: "Verificase que a caracterização de tais condutas, desde que praticadas mediante fraude ou simulação, como hipótese de aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada, decorre de disposição legal. Assim, a conduta reprimida, por meio da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, 'inclusive a interposição fraudulenta de terceiros'. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal.(...) A ação ou omissão na ocultação do sujeito passivo atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma dos aspectos essenciais da hipótese de incidência, qual seja, o aspecto pessoal. Ocorre, nessa situação, simulação tributária por transferência subjetiva, afetandose o critério pessoal da regra matriz de incidência, que permite identificar o sujeito passivo"(grifos nossos). Por último, a simulação é prevista no Código Civil (Lei nº 10.406/2002) como causa de invalidade do negócio jurídico, elencando o artigo 167, parágrafo 1º, as hipóteses em que se verifica. A maior parte da doutrina define a simulação como a divergência entre a vontade real das partes envolvidas e a vontade declarada. Conforme afirmado por Alberto Xavier4: “Tratase de um caso de divergência entre a vontade e a declaração, procedente do acordo entre o declarante e declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros. Os seus elementos essenciais são pois: (i) a intencionalidade da divergência entre a vontade e a declaração (ii) o acordo simulatório (pactum simulationis) (iii) o intuito de enganar terceiros.” Diante de tais conceitos, quando o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 traz a infração de dano ao erário, resultante de ocultação do sujeito passivo em operação de comércio exterior, exigindo que seja aquela realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", podese afirmar que um primeiro elemento a ser identificado é o dolo, pois sem ele, não haveria fraude ação ou omissão dolosa nem simulação que tem entre os seus elementos essenciais o intuito de enganar a Fazenda Pública. Logo, para a caracterização da infração, deve se verificar a vontade, o animus, dos agentes em enganar a Fazenda Pública e ocultar o sujeito passivo mesmo sabendo que tal conduta é contrária a Lei, com o objetivo de conseguir uma vantagem indevida em detrimento do controle aduaneiro. Além disso, essa infração deve ser uma infração grave em substância e não uma infração meramente formal. Ao analisar todo o histórico da legislação que trata dessa infração, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401003.253, de 27/09/2016, expôs seu entendimento no sentido de que as normas que tratam dessa infração "se alinham a uma busca de combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação. A Aduana, antes desse período, já tinha, na sua missão institucional mundial, o combate à prática desleal e à fraude, mas houve um substancial impulso nesses últimos anos". E continua, "desse conjunto de iniciativas, no âmbito do comércio exterior, resultaram a valorização do controle aduaneiro em geral e, especificamente, a eleição do conhecimento da origem, disponibilidade e destinação dos recursos usados nas importações e exportações como elemento tático de investigação". (grifos nossos) 3 Relatora: Maria de Fátima Freitas Labarrère; 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Data: 03/08/2016 4 Direito Tributário e Empresarial: pareceres. Rio de Janeiro. Forense. 1982. p. 25. Fl. 7964DF CARF MF 12 Assim, a partir dessa perspectiva na interpretação e aplicação das normas que tratam da infração de interposição fraudulenta, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira observou que: "Não constitui elemento essencial do tipo a ocultação do real interessado na operação. A ocultação deve ter sido perpetrada mediante fraude ou simulação, ou interposição fraudulenta. Não constitui elemento essencial do tipo a falta de informação do real interessado na operação nas declarações prestadas à autoridade aduaneira. É necessário que essa falta de informação se caracterize como falsa declaração, no propósito de ocultar, usando de fraude ou simulação. A Lei criou as figuras da 'importação por conta e ordem' e da 'importação por encomenda', o que concorre para balancear as necessidades dos atores na operações de importação com as do controle aduaneiro. Essas figuras receberam normas que as disciplinam. A observação dessas normas pelos importadores atende o controle aduaneiro. Mas a desobediência dessas normas não constitui elemento essencial do tipo, embora o descumprimento das normas seja característica da infração". (grifos nossos) Logo, em linha com o acima exposto, não compartilho do entendimento daqueles que defendem que a mera falta de informação dos reais adquirentes nos documentos prestados às autoridades aduaneiras seria, por si só, a própria simulação ou a fraude, em prejuízo ao controle aduaneiro, a caracterizar a infração. Em tais casos, não basta à Fiscalização apenas afirmar que a simulação é a indicação errada do sujeito passivo nos documentos de controle aduaneiro, devendo levantar um conjunto de elementos que façam prova do dolo dos agentes envolvidos e do intuito de enganar a Fazenda Pública, para obtenção de uma vantagem e imposição de um prejuízo ao controle aduaneiro. Por oportuno, pelo afastamento da aplicação da pena de perdimento em razão de aspectos formais, destaco manifestação do Desembargador Antônio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, "inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No caso concreto, porém, a despeito do esforço desenvolvido pela autoridade autuante, não vejo no procedimento da agravante qualquer objetivo fraudulento ou malicioso. Não atino onde esteja o dano ao erário, a justificar o confisco do equipamento importado"5. Modalidades de Importação Antes de passar ao exame do caso concreto, impende ainda tecer algumas observações sobre as modalidades de importação, pois, a depender das características da operação declarada e da operação efetivamente ocorrida, em conjunto com os requisitos já expostos, poderá ficar configurado o dano ao erário, sujeitando os infratores às penalidades daí decorrentes. A legislação aduaneira prevê três modalidades de importação: (i) na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco; (ii) na importação por conta e ordem 5 Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0462051 / 046205157.2005.4.04.0000; publicado em 11/01/2006. Fl. 7965DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.960 13 de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação; e (iii) na importação para revenda a encomendante predeterminado ("importação por encomenda"), o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente6. Essas características de cada modalidade são obtidas a partir dos preceitos legais sobre a matéria. Logo, o que há é um conceito legal para cada modalidade de importação. Além disso, devese ressaltar que as leis que tratam da "importação por conta e ordem" e da "importação para revenda a encomendante predeterminado" outorgaram à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a qualificação de determinada operação em uma dessas modalidades, para fins de reconhecimento do tratamento tributário próprio a tais operações, além de definição de atribuição de responsabilidade tributária. É ler os artigos abaixo: Medida Provisória nº 2.15835/2001: "Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014)" (grifos nossos) ***** Lei nº 11.281/2006: “Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo"; (grifos nossos) Nesse contexto, com relação à modalidade de importação por conta e ordem, destaquese o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, que prevê que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste" e a Instrução Normativa nº 225/2002, que traz os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica em operações por conta e ordem de terceiros. 6 Acórdão nº 3401003.174, de 17/05/2016. Fl. 7966DF CARF MF 14 Já no que diz respeito à "importação para revenda a encomendante predeterminado", merece destaque uma alteração legislativa ocorrida logo após a edição dos seus dispositivos de regência, trazida pelo artigo 18 da Lei nº 11.452/2007, que acrescentou o parágrafo 3º ao artigo 11 da Lei nº 11.281/2006, conforme abaixo: "Art. 18. O art. 11 da Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º: “Art. 11. (...) § 3º Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior.” (NR) A respeito desse dispositivo, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, em recente acórdão, afirmou: "O referido artigo 11 da Lei recebeu um § 3o, em 2007, acrescentado pela Lei no 11.452, de modo a “pacificar a interpretação dada pela administração tributária federal às operações de importação de que trata o art. 11” (conforme parecer do relator, Deputado Neucimar Fraga/PLES, na conversão da MP no 328/2006 na Lei no 11.452, disponível em (...): [segue transcrição do dispositivo] Por certo que tal dispositivo foi inserido pelo parlamentar capixaba em prol das empresas daquela região que atuam com os benefícios do FUNDAP, para aclarar que as importações por encomenda não se descaracterizam pelo simples fato de haver participação do encomendante nas operações comerciais, mitigando autuações frequentes da RFB, à época, com entendimento diverso. Assim, é irrelevante, por si, a ligação entre a exportadora e a encomendante, ou a participação desta ou daquela na fixação de preços. Aliás, o artigo 14 da Lei no 11.281/2011, em sua redação original, afirma que são aplicáveis ao importador e ao encomendante as regras sobre preços de transferência, já prevendo eventual vinculação entre partes, e que esta não descaracterizaria, por si, a modalidade de importação por encomenda". (Acórdão nº 3401003.908, de 27/07/2017) Dessa maneira, não se exige para a caracterização de uma "importação para revenda a encomendante predeterminado" que o importador seja o responsável exclusivo pelas tratativas e ajustes com o exportador e, de outro lado, a participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior não afasta a caracterização da operação nessa modalidade, o que, inclusive, acabou por rechaçar alguns conceitos de "importação para revenda a encomendante predeterminado" antes defendidos na doutrina e por parte dos operadores de direito. Com isso, como já afirmado, o conceito de "importação para revenda a encomendante predeterminado" deve ser buscado e é aquele definido pela Lei. Nesse sentido, uma vez que a Lei deixou claro o papel do importador por encomenda na operação de aquisição do produto do exterior e outorgou à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a atuação da pessoa jurídica importadora nessa modalidade de importação, verificase que o que é importante para a qualificação nessa modalidade é que o importador utilize recursos próprios, pois, como determina a Instrução Normativa nº 634/2006: "Artigo 1º (...) Parágrafo único. Não se Fl. 7967DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.961 15 considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". Assim, na hipótese em que a importadora não utiliza recursos próprios, a operação passaria ser considerada como operação por conta e ordem de terceiros, por força do disposto no artigo 11, parágrafo 2º, da Lei nº 11.281/2006, in verbis: "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. (...) § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001". Como se vê, apesar de existir um conjunto de elementos para se verificar a ocorrência de interposição fraudulenta, pela leitura da legislação que instituiu a infração e considerando o histórico na qual está inserida, de medidas que visam combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação, o ponto sensível e que merece atenção é a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, o que, a meu ver, até conduz a uma preponderância desse elemento frente a outros, que se traduz em uma importante baliza para a qualificação de determinada operação em uma ou outra modalidade. Do exame do caso concreto Operação Declarada e Acusação Fiscal Nos lançamentos de multa por conversão da pena de perdimento que decorrem da imputação da prática de "interposição fraudulenta", é necessário que se tenha claro qual a operação declarada pelos partícipes da infração e a operação que as autoridades aduaneiras entendem ter efetivamente ocorrido. Isso porque, os elementos trazidos da Fiscalização para qualificar uma operação em uma modalidade diversa da que foi declarada às autoridades dependerá, por óbvio, do conhecimento de que modalidade diversa foi essa. Assim, determinados elementos que seriam importantes para demonstrar a ocorrência de uma ocultação mediante fraude ou simulação em uma operação entendida pela Fiscalização como uma operação por conta e ordem podem não ser importantes para demonstração da infração em uma operação entendida como uma operação de importação por encomenda. E o inverso também é verdadeiro. Para ilustrar, se a Fiscalização entende que determinada operação declarada como importação por conta própria por A seguida de uma revenda no mercado interno para B, na realidade, se tratava de uma operação por conta e ordem, poderá levantar provas que demonstrem que foi B e não A que participou dos entendimentos comerciais relativos à aquisição dos produtos no exterior. Agora, se a acusação é de que houve, na realidade, uma operação de importação por encomenda, essa mesma prova não tem qualquer pertinência, pois não desqualificaria a operação nessa modalidade, tendo em vista o disposto no parágrafo 3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Esta, portanto, a importância de se conhecer exatamente a operação declarada e a operação entendida como ocorrida pela Fiscalização. Fl. 7968DF CARF MF 16 Nesse ponto, é certo que a Fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração e o respectivo Relatório Fiscal, deve individualizar a conduta das partes envolvidas e apontar, de maneira clara, explícita/precisa e congruente a acusação que dá origem à cominação da penalidade (artigo 10, incisos II, III e IV, do Decreto nº 70.235/1972; artigo 50, parágrafo 1º, da Lei nº 9.784/1999). Quanto mais gravosa a penalidade imputada, mais cuidado deve ter a autoridade fiscaladuaneira ao apresentar as razões de fato e de direito que a fundamentam. Não podem ser admitidas acusações abertas, genéricas, sob pena de violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório (artigo 5º, LV, da Carta da República), com as nulidades daí decorrentes (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972), além disso, a acusação deve ser clara, explícita/precisa e congruente, para evidenciar o critério jurídico adotado pela autoridade no exercício do lançamento, que não poderá ser modificado ao longo do processo administrativo, como prevê o artigo 146, do CTN. Seguindo a autoridade lançadora tais requisitos legais, a lide estará delimitada, o que permitirá às partes o exercício de seu direito de defesa de forma adequada e aos julgadores a correta apreciação da controvérsia, com a aplicação da legislação ao caso concreto que lhes é submetido. No presente caso, de acordo com o que foi declarado nas informações prestadas às autoridades aduaneiras, e como defendem as Recorrentes ao longo do processo, as operações de importação teriam ocorrido na modalidade de "importação por encomenda", na qual a trading company Target teria atuado como importadora e a Neo como encomendante predeterminado e, em seguida, a Neo teria realizado outra revenda no mercado interno aos seus clientes. Assim, teriam ocorrido, na realidade, três operações distintas: (i) operação de importação entre Target e o exportador localizado no exterior; (ii) após a nacionalização das mercadorias, uma revenda no mercado interno entre Target ao encomendante predeterminado Neo; e (iii) por último, outra revenda no mercado interno entre a Neo e um dos seus clientes. Nesse caso, como visto acima, para a caracterização da operação na modalidade declarada, os recursos para a realização das operações de importação deveriam necessariamente ser da Target, sendo ela a responsável pelo risco da operação. Todavia, as autoridades lançadoras entendem que a operação declarada às autoridades aduaneiras não corresponde a que efetivamente ocorreu. Pela análise do Relatório Fiscal, percebese certa incongruência na exposição dos elementos que caracterizariam a infração aduaneira, que deixam até uma dúvida inicial para o caminho que irá seguir a acusação do lançamento, ora apontando para uma acusação de que, na realidade e em contrariedade ao que fora informado às autoridades fiscais, teria ocorrido uma importação por conta e ordem quando menciona, por exemplo, que Target e Neo seriam meras prestadoras de serviços de nacionalização , ora apontando para uma acusação de prática de importação por encomenda, em que o encomendante predeterminado não seria a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, mas sim os clientes da Neo. De qualquer maneira, uma leitura mais acurada do Relatório permite que sejam afastadas eventuais dúvidas e que se conclua que a acusação fiscal é de que a operação praticada se deu na modalidade "importação por encomenda", mas tendo como encomendante os clientes da Neo. No Relatório Fiscal, há algumas referências no sentido de que o entendimento da Fiscalização é de que teria ocorrido, de fato, uma "importação por Fl. 7969DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.962 17 encomenda", como se verifica nos trechos a seguir, em que, inclusive, a Fiscalização reconhece que os recursos para pagamento das operações de importação, ou seja, o risco da operação de importação, era da Target, em linha com o que se espera de uma "importação por encomenda": "Na presente ação fiscal, como será demonstrado no decorrer deste relatório, restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". (Item 2 do Relatório Fiscal) ***** "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Essa conclusão ganha mais força pela afirmação da Fiscalização, no sentido de que os elementos por ela colhidos revelariam uma "prestação de serviços de desembaraço aduaneiro, nos moldes do que há alguns anos se consideraria uma importação por conta e ordem, e que só não é possível nos dias atuais por força da presunção legal do § 3º, Art. 11, da Lei nº 11.281/2006, incluído pela Lei nº 11.452/2007". Além disso, a corroborar nosso entendimento quanto ao conteúdo da acusação fiscal, cabe destacar a seguinte afirmação da Fiscalização, na qual deixa claro a operação efetivamente praticada, aos seus olhos, pelos Recorrentes, e o principal motivo para a prática de tal operação: "Diante do exposto, resta claro que, nas importações investigadas na presente ação fiscal, o Sr. Marcelo Araújo e os clientes da STEELCOM, estes últimos os verdadeiros encomendantes das mercadorias, valeramse da TARGET e da NEO para providenciar a nacionalização, portanto, não buscaram a TARGET/NEO para comprar no mercado interno, mas para promover importações por encomenda. Dessa forma puderam, mediante simulação, tirar proveito da redução de custos proporcionada por benefícios fiscais do ICMS". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Mas o que afasta de vez a trilha, por vezes, titubeante seguida pelo Relatório Fiscal é o enquadramento legal apresentado para dar fundamento à sujeição passiva, que é descrito nos itens 7 e 9 do Relatório Fiscal, e aponta os artigos 106 e 603 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), que tratam de responsabilidade solidária em relação a tributos e responsabilidade por infração, de forma expressa, para os casos de "importação por encomenda", com se verifica a seguir: "Art. 106. É responsável solidário: (...) IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12); (...) Fl. 7970DF CARF MF 18 Art. 603. Respondem pela infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95): (...) VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12)". Com essas considerações, podese concluir que a acusação fiscal é de que as Recorrentes praticaram, na realidade, uma "importação por encomenda", que teve como encomendante predeterminado não a Neo, mas sim os seus clientes. Segundo a Fiscalização, haveria um vazio na posição ocupada pela Neo na cadeia comercial, a Neo não teria autonomia ou segregação de propósitos em relação a Target, portanto, tais empresas, do mesmo, grupo, agiriam em conjunto, sendo o papel efetivo da Neo apenas o de ceder o seu nome nos documentos de importação, para que aparecesse no lugar da reais encomendantes, a saber, as clientes da Neo. O objetivo principal apontado pela Fiscalização: a obtenção de benefícios fiscais de ICMS. Nesse contexto, seguindo a linha adotada pela Fiscalização, a relação comercial existente, de revenda de mercadorias no mercado interno, após a realização de importação por encomenda, não seria entre a Neo e seus clientes, mas sim uma relação direta entre os clientes da Neo e a Target, sendo necessário, portanto, o levantamento de provas nesse sentido. Análise dos elementos levantados pela Fiscalização Como relatado, a Fiscalização levantou os seguintes elementos para dar subsídio à acusação que consta no Auto de Infração para lançamento da multa por conversão da pena de perdimento: (i) capacidade econômica e financeira da Neo; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas; (iii) incentivos fiscais estaduais; (iv) riscos e custos das operações; e (v) adiantamento de clientes da Neo. No cotejo entre os elementos levantados e a acusação realizada, de que teria ocorrido uma "importação por encomenda" em que o encomendante predeterminado eram os clientes da Neo e não a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, existem elementos que, de plano, não se prestam a tal finalidade, enquanto que outros merecem maior exame, para que se verifique a demonstração ou não do enquadramento na infração descrita no lançamento. Quanto à tentativa da Neo de, possuindo uma habilitação simplificada para operações de comércio exterior, almejar uma habilitação ordinária, a Fiscalização expõe que a prestação de informações erradas seguida da desistência e do indeferimento do pedido evidenciaria “a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações". Contudo, a Neo não pode ser acusada de se esquivar do adequado controle aduaneiro, em razão de ter apresentado um pedido de habilitação em uma modalidade que permite a realização de operações de maior vulto no comércio exterior. A prestação de informações erradas e a desistência do pedido no curso do procedimento devem ter como efeito justamente o efeito que tiveram, qual seja, o indeferimento do pedido, não podendo a Fiscalização tentar atribuir um nexo de causalidade entre eventos nos quais tal nexo inexiste, pois da desistência de um pedido de habilitação ordinária não se chega à conclusão de que a Neo presta deliberadamente informações equivocadas em operações de importação por ela realizadas, para prejudicar o controle aduaneiro. Fl. 7971DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.963 19 De igual modo, não prospera o elemento levantado que diz respeito aos incentivos fiscais estaduais, que, inclusive, são apontados pela Fiscalização como o maior objetivo de toda a estrutura comercial performada pela Neo, Target e os clientes da Neo. Segundo a Fiscalização, em razão dos benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, "a TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos". Esse elemento trazido pela Fiscalização faria todo o sentido se a acusação fosse de que os Recorrentes realizaram uma operação por conta e ordem de terceiros, tendo em vista a interpretação do artigo 155, parágrafo 2º, inciso IX, alínea “a”, da Carta da República, para fixação do sujeito ativo do ICMS incidente na operação de importação, no sentido de que: “O sujeito ativo da relação jurídicotributária do ICMS é o Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário jurídico da mercadoria (alínea "a" do inciso IX do § 2o do art. 155 da Carta de Outubro); pouco importando se o desembaraço aduaneiro ocorreu por meio de ente federativo diverso” 7. Isso porque, nos casos em que é declarada uma operação de importação por conta própria, realizada a partir de um Estado com benefício fiscal, mas, na realidade há uma operação de importação por conta e ordem, em favor de um real adquirente localizado em Estado sem benefício fiscal, a ocultação do real adquirente permite, de forma ilegal, a fixação do sujeito ativo e do sujeito passivo do ICMS no Estado que outorga benefícios de carga tributária de ICMS reduzida nas operações de importação. E esse benefício pode acabar sendo transferido para o real adquirente na operação subseqüente, de “venda no mercado interno”. Todavia, no presente caso, não se vislumbra essa vantagem, pois as diferenças entre a operação declarada ao Fisco e aquela que é exposta como efetivamente ocorrida na acusação fiscal não implicam qualquer modificação nem no sujeito passivo nem no sujeito ativo do ICMS. Percebam que na operação declarada, de importação sob encomenda, a Target é a importadora e a Neo a encomendante predeterminada, sendo devido, portanto, o ICMS, com os benefícios porventura aplicáveis, aos Estados em que localizados o estabelecimento importador da Target, Espírito Santo ou Santa Catarina. Já a operação apontada pela Fiscalização como ocorrida continua sendo uma importação sob encomenda, com a diferença apenas no encomendante predeterminado que, segundo a Fiscalização não seria a Neo, mas sim os clientes da Neo. Nesse cenário, não há qualquer modificação quanto aos sujeitos passivo e ativo do ICMS na operação de importação, que continuariam a ser a Target e os Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina, respectivamente. Logo, é desprovida de qualquer fundamento a constatação de que o objetivo central da utilização da Neo como interposta pessoa teria como objetivo a busca por incentivos fiscais de ICMS. Essa constatação só se sustentaria, caso a acusação estivesse lastreada em provas de que a operação efetiva, realizada entre os atores da importação, fosse de importação por conta e ordem. Contudo, é a própria Fiscalização quem afirma que a operação efetivamente realizada foi de importação por encomenda e que a Target é quem arcou com os recursos para o pagamento das operações de importação, o que denotaria a sua conformidade com o que determina a Lei para a utilização dessa modalidade. 7 RE 299079, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 30/06/2004. Fl. 7972DF CARF MF 20 Portanto, também esse elemento não condiz com a acusação desenvolvida no lançamento. Com relação à capacidade econômica e financeira da Neo, a Instrução Normativa SRF nº 634/2006 prevê em seu artigo 5º, parágrafo único, que: “Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada”. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 228/2002 determina que, durante o procedimento de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar informações relativas (i) ao seu efetivo funcionamento e condição de real adquirente ou vendedor de mercadorias, e (ii) “a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações” (artigo 4º, incisos I e II, da IN SRF nº 228/2002). E, para efeitos de prova do item (ii), nos termos do artigo 6º da referida Instrução Normativa, podem ser apresentados registros e demonstrações contábeis, documentos referentes a integralização do capital social, transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço e financiamento de terceiros, dentre outros documentos que se prestem a comprovar a capacidade econômica e financeira. Nesse contexto, a Fiscalização entendeu que a Neo não disporia de capacidade para realizar as operações na condição de encomendante predeterminado, pois não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos e o capital social da empresa seria de valor reduzido, tendo em conta a constatação, pela Fiscalização, de que a integralização de capital por transferência de direitos sobre bem imóvel à titularidade da Neo não havia sido devidamente registrada no Registro de Imóveis competente. Contra essa acusação, as Recorrentes Neo e Target defendem que a capacidade econômica e financeira da Neo decorre de suas disponibilidades de caixa, que têm origem em fluxo de caixa positivo da Neo, em razão de sua estrutura comercial, pela qual a empresa paga seus fornecedores a prazo, em média 120 dias, e recebe de seus clientes à vista, acostando para fins de demonstração um laudo elaborado por auditoria independente, antes do encerramento da ação fiscal e, portanto, antes da lavratura do Auto de Infração. No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expõe as conclusões do laudo elaborado pela auditoria independente, que efetivamente em sua conclusão 5 atesta que “nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes”. Porém, a Fiscalização despreza a validade de tal laudo para comprovar o que se propõe, ao afirmar que “de início, já se pode concluir que tal relatório não é capaz de comprovar capacidade econômica e financeira, por não considerar as demais despesas e receitas, operacionais ou nãooperacionais”. (grifos nossos) Na realidade, o que prejudicaria a capacidade econômica e financeira da Neo seria a ausência de consideração de despesas, não de receitas, que só viriam a agregar tal capacidade. E, ao se levar em conta a estrutura da Neo, tal como informado em documentos apresentados à Receita, possuindo a Neo apenas 7 (sete) funcionários espalhados por pequenos Fl. 7973DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.964 21 escritórios em três cidades distintas, comparada com o volume de sua operação comercial, na casa dos milhões de reais, constatase que tais despesas operacionais e não operacionais não são, em tese, potenciais centros de drenagem de capacidade econômica e financeira da empresa. De qualquer modo, em se tratando de lançamento, caberia a Fiscalização, após o recebimento de relevante prova em contrário às suas conclusões, a partir dos registros e demonstrações contábeis da Neo, aprofundar a análise até então realizada para provar a ausência de capacidade, o que não feito, limitandose a Fiscalização a apontar o reduzido capital social e a ausência de empréstimos. O primeiro, como se sabe, é mera rubrica contábil, parada no tempo, que indica o montante de capital aportado pelos sócios ou acionistas na sociedade naquele momento específico, não servindo para demonstrar a capacidade econômica e financeira da sociedade ao longo do tempo, em razão da dinâmica de entradas e saídas de capital no desenvolvimento do objetivo social. Assim, uma sociedade com capital social baixo pode aplicálo em produto inovador, gerar receitas e possuir um caixa muitas vezes o valor de seu capital social, o que denotará uma alta capacidade econômica e financeira. Por outro lado, pode uma sociedade ter um capital de milhões de reais, subscrito ao longo de décadas, mas se encontrar em um setor no qual a concorrência é acirrada e auferir resultados negativos ao longo dos anos, culminado em um caixa sem qualquer liquidez e dívidas com terceiros altíssimas, o que denotará uma baixíssima capacidade econômica e financeira. No primeiro exemplo, há capital social baixo e alta capacidade econômica e financeira. No segundo, há capital social elevado e baixa capacidade econômica e financeira. Logo, a indicação, por si só, de capital social reduzido não conduz à conclusão pretendida pela Fiscalização. Já a indicação de que a Neo não possuiria empréstimos não é forte para justificar sua ausência de capacidade, pois tal capacidade pode ser evidenciada de outras formas que não só o capital de sócios e de terceiros, não tendo a Fiscalização aprofundado o exame desse ponto, mesmo após apresentação de laudo pela Neo, o que me permite concluir que não restou comprovada a alegada incapacidade econômica e financeira. Outro elemento que sustenta a tese acusatória é que haveria adiantamentos de recursos de clientes em favor da Neo, adiantamentos estes que correspondiam ao valor de sinal exigido pelo Neo, que variava entre 20% (vinte por cento) e 30% (trinta por cento), mas que sequer foram imputados em relação a todas as operações de importação, como as arroladas e discutidas nos processos administrativos nº 12466.720324/201131, 12466.720345/201156, 12466.720326/201120 e 12466.720340/201123. De acordo com a Fiscalização, "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". Como exposto acima, a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior é elemento importantíssimo a ser examinado para a verificação da modalidade efetivamente adotada pelos intervenientes das operações de comércio exterior e Fl. 7974DF CARF MF 22 para fins de enquadramento de determinada operação como uma interposição fraudulenta, considerando todo o histórico da legislação e o aperfeiçoamento do controle aduaneiro, com vistas ao combate à lavagem de dinheiro, fraude e simulação. Assim, o adiantamento de recursos para o importador na modalidade por conta própria ou por encomenda é elemento suficiente para descaracterizar a natureza dessas operações, com as conseqüências daí derivadas. Desse modo, o que se combate e deseja evitar é a transferência de recursos para o importador. No presente caso, o elemento consistente no adiantamento de recursos é apresentado sob um viés diferente, pois não se está diante de um adiantamento de recursos para o importador, a ser aplicado na operação de importação, mas sim de um adiantamento de recursos em uma operação interna, de revenda de mercadorias de um encomendante predeterminado ao seu cliente no país, o que, a priori, seria admitido, dentro de uma política comercial de exigência de sinal, com vistas a obter uma garantia, ainda que parcial, do pagamento do preço e a mitigar os riscos de inadimplência. Portanto, o adiantamento de recursos tem conotações diversas, se verificado em operações de importação ou no mercado interno. De qualquer maneira, nesse contexto, o adiantamento de recursos poderia ser alegado para, em conjunto com outros elementos, corroborar uma acusação de que a Neo, informada como encomendante predeterminado, não disporia de recursos próprios e estaria apenas se interpondo entre o importador por conta e ordem e o cliente no país, que, assim, deveria constar perante as autoridades aduaneiras como encomendante predeterminado. Porém, a Fiscalização utiliza esse elemento para dar mais uma justificativa para a acusação realizada: a Neo teria sido interposta entre a Target e os reais encomendantes predeterminados, que seriam os clientes da Neo, justamente para possibilitar um adiantamento de recursos para a operação de importação. Sem a interposição da Neo, essa operação seria qualificada como uma importação por conta e ordem. Daí a interposição da Neo entre a Target e os clientes da Neo. Contudo, esse raciocínio não se sustenta. Primeiro, porque essa afirmação deveria ser provada não apenas com a transferência de recursos entre os clientes da Neo para a Neo, mas também com a comprovação da segunda perna dessa operação, de uma suposta transferência de recursos da Neo para a Target, o que não ocorre na ação fiscal. Segundo, porque é contrária às próprias constatações da Fiscalização. Apesar da colocação de tal acusação, é a própria Fiscalização que dá subsídios para a sua contestação, ao defender no lançamento que a operação efetivamente ocorrida foi uma importação por encomenda tendo como encomendante predeterminado os clientes da Neo e não a acusação de que seria uma importação por conta e ordem , deixando claro, de forma expressa, que as despesas relativas às operações de importação foram arcadas pela Target, quando afirma: "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) A Fiscalização ainda apresenta um último elemento para qualificar os clientes da Neo como os reais encomendantes, no lugar da própria Neo, ao expor que os riscos e custos das operações seriam assumidos pelos clientes da Neo, havendo um vazio na posição que a Fl. 7975DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.965 23 Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro. Para tanto, narra o resultado de diligência no representante do exportador estrangeiro de aço, que atuava no país na função de intermediador de negócios (artigos 722 e seguintes do Código Civil) e celebrou contratos de corretagem nãoexclusiva para obtenção de clientes tanto para a Target quanto para a Neo. A conclusão a que chegou a Fiscalização é que “tentase fazer crer que nas operações com a NEO a comissão seria por uma mera venda, e não pela obtenção de um adquirente/encomendante”, a partir da constatação de que não faria sentido a empresa corretora “(1) atuar como corretora para a NEO na venda de aço anteriormente importado pela TARGET; (2) ter atuado nessas mesmas importações como representante STEELCOM; (3) atuar como representante STEELCOM também para os “clientes” da NEO”. Quanto a esse ponto, as Recorrentes defendem a segregação de atividades entre a Neo e a Target, expondo que a segunda é uma empresa sólida, fundada em 1997 e que conta com 57 funcionários, possuidora de clientes de grande porte dos mais variados segmentos da economia e que teria recolhido aos cofres públicos em torno de R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) nos 10 anos anteriores à autuação, enquanto que a primeira foi constituída no ano de 2009, com o objetivo de captar uma oportunidade de mercado, para atuar como distribuidora de mercadorias no mercado interno, principalmente aço e seus produtos, em razão da diferença entre o preço praticado àquela época no mercado interno pelas siderúrgicas nacionais, muito mais elevado que o praticado e que podia ser obtido no mercado internacional. Além disso, as Recorrentes expõem que as operações foram realizadas com a prática de margem de lucro, compatíveis com as observadas em seu mercado de atuação. A meu ver, esse é principal ponto levantado pela Fiscalização para a fundamentar a acusação de que os clientes da Neo e não a Neo seriam os encomendantes predeterminados. Se o exportador já tinha seus contatos comerciais para a venda de aço no país, em princípio, parece ser mais vantajoso realizar esse fornecimento diretamente e não buscar um distribuidor para realizar a venda internacional e depois aproximar esse mesmo distribuidor de contatos comerciais compradores do aço. Nesse caso, realmente, o encomendante predeterminado seria o cliente da Neo, não sobrando lugar para a Neo na cadeia comercial. Por outro lado, é possível que os compradores de aço no país, acostumados a obter esse fornecimento ao longo de anos das principais siderúrgicas nacionais, por meio de operações de compra e venda no mercado interno, não desejassem se aventurar no terreno complexo e, para aqueles que não o conhecem, perigoso, das operações de comércio exterior, mesmo que pudessem obter preços mais vantajosos do insumo no mercado internacional. Assim, nenhum fornecimento se concretizaria e de nada adiantaria ter aço mais barato no mercado internacional e potenciais compradores desse produto, salvo se alguma empresa estivesse disposta a assumir o risco de comprar o insumo no mercado internacional e, com a mercadoria já nacionalizada, ofertar no mercado interno, em concorrência com os grandes Fl. 7976DF CARF MF 24 grupos siderúrgicos nacionais. Nesse caso, o papel de distribuidora da Neo faria sentido na cadeia comercial, não podendo ser considerada uma mera interposta. De qualquer modo, não há no lançamento qualquer informação a respeito das margens praticadas entre a Target e a Neo e entre a Neo e seus clientes, a fim de corroborar o efetivo papel da Neo, no contexto das operações realizadas. Em operações de interposição fraudulenta, normalmente, o que se encontra é a pessoa interposta como mera repassadora das mercadorias importadas ao real adquirente, sem apurar qualquer margem de lucro ou com margens de lucro baixíssimas. No presente caso, a Fiscalização não faz qualquer prova nesse sentido, existindo ainda laudo apresentado pelas Recorrentes, segundo o qual tais operações teriam se dado com margem de lucro condizente com o mercado de atuação. Em lançamentos para cominação de multa por conversão de pena de perdimento, em razão da prática de infração de interposição fraudulenta, o ônus da prova é do Fisco, que deve provar de maneira cabal as suas acusações. Nesse sentido, é o entendimento da Terceira Seção do CARF, conforme julgado a seguir transcrito: “Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. (...) Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei”. (Acórdão nº 3403.002.842; Sessão do dia 25/03/2014; Relator: Rosaldo Trevisan) Além dessa deficiência probatória, ainda nesse tópico que trata da estrutura comercial em que inserida a Neo, importante destacar a informação trazida pelas Recorrentes e omitida do Relatório Fiscal, de que a Neo apresentou Consulta à Administração, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 740/2007, para obter o entendimento formal da Receita Federal sobre a legitimidade das operações que pretendia realizar, na qual a Neo expôs os motivos para sua constituição, a relação comercial entre ela e a Target, a sua posição na cadeia comercial, juntando, inclusive, modelos dos contratos entre a Neo e a Target e a entre a Neo e seus clientes. Todavia, essa consulta foi declarada ineficaz, sob o entendimento de que a Neo não teria apontada dúvida objetiva a respeito da legislação federal, tendo demonstrado perfeita compreensão da sistemática da importação por encomenda. Apesar de se reconhecer que a consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos vinculativos entre contribuinte e a Administração, a sua propositura indica o desejo da Neo de revelar e não esconder as operações que pretendia praticar, na busca de uma chancela da Administração Pública quanto à sua conformidade em relação à legislação vigente. Por todo o exposto, já caminhando para a conclusão, nesse quadro fático, considerando que o principal motivo apontado pela Fiscalização para a realização da alegada fraude não se mostrou procedente, por ser indiferente a influência de benefícios fiscais de ICMS na operação declarada e na operação entendida pela Fiscalização como realizada, e Fl. 7977DF CARF MF Processo nº 12466.720324/201131 Acórdão n.º 3401003.978 S3C4T1 Fl. 7.966 25 levando em conta ainda a existência de processo de consulta com a exposição de uma estrutura comercial revelada pela Neo e que posteriormente veio a ser atacada pelo Fisco, acredito que não tenha restado demonstrado pela Fiscalização a ocorrência de uma ocultação realizada mediante fraude ou simulação. Não foi comprovado, de maneira cabal, que os envolvidos na operação (clientes da Neo, Neo e Target) tenham agido de forma dolosa para prestar informação incorreta quanto ao real encomendante, na busca de uma vantagem indevida, em prejuízo ao controle aduaneiro. Na realidade, a principal vantagem apontada pela Fiscalização, utilização de benefícios fiscais de ICMS, simplesmente não subsiste frente à operação acobertada, segundo a acusação fiscal. Por último, impendese registrar e ressaltar que a análise aqui realizada e as conclusões alcançadas não estão, de forma alguma, a chancelar, a concordar ou a reconhecer como em conformidade com o ordenamento jurídico o modelo de negócios, assim como as estrutura contratual e comercial adotadas pela Target, Neo e clientes da Neo nas operações de importação que deram origem ao presente lançamento, mas está a se afirmar e a concluir que o lançamento é improcedente, por carência probatória por parte da Fiscalização, tendo em vista que a Fiscalização não foi capaz de demonstrar a contento, pelo levantamento de um conjunto de elementos de prova satisfatórios, que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadravam no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976. Diante da não demonstração da acusação de "ocultação (...) mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de igual modo, deve ser julgada improcedente a segunda acusação da Fiscalização, de uso de documento falso no despacho aduaneiro, com fundamento no artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, pois, se não há comprovação de que houve ocultação, em decorrência, também não há comprovação de que os documentos utilizados no despacho aduaneiro tenham sido falsificados ou adulterados. Recurso de Ofício Como adiantado no Relatório, haveria de constar na decisão recorrida declaração de interposição de Recurso de Ofício, tendo em vista a exoneração do Sr. Marcelo Araújo da responsabilidade solidária a ele atribuída, no valor de R$ 4.185.711,02, tendo em vista o disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, e no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, vigente à época da decisão. De qualquer maneira, com fundamento no artigo 34, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que prevê a possibilidade de a autoridade julgadora cumprir essa formalidade, caso percebido que o recurso deixou de ser interposto quando deveria sêlo, mesmo ausente a declaração da decisão recorrida, o recurso de ofício será considerado como devidamente interposto, para fins de revisão da sujeição passiva do Sr. Marcelo Araújo. Além disso, como o valor exonerado está acima do atualmente previsto pela Portaria MF nº 63/2007, considerando o entendimento firmado pela Súmula CARF nº 103, pela qual "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância", o Recurso de Ofício merece ser conhecido. Entretanto, uma vez não reconhecida a ocorrência da infração imputada aos intervenientes das operações de comércio exterior, devese, em conseqüência, reconhecer a Fl. 7978DF CARF MF 26 improcedência da atribuição da responsabilidade por infração ao Sr. Marcelo Araújo, ficando prejudicada a revisão da discussão de mérito travada em primeiro piso, que entendeu pela inexistência de responsabilidade no caso. Com isso, o Recurso de Ofício merece ser conhecido, mas ter seu provimento negado, por não ter sido demonstrado pela Fiscalização a ocorrência da infração. Conclusão Por essas razões, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento aos Recursos Voluntários interpostos, para determinar o cancelamento do lançamento, e conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator Fl. 7979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000040/2008-03
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 1999
SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL.
As normas que disciplinam os regimes de tributação favorecidos,
diferenciados e simplificados produzem os efeitos nelas expressos durante a sua vigência e são independentes e autônomas, não alcançando a Lei Complementar n 123/06, que instituiu o Simples Nacional, os atos pretéritos praticados durante a vigência da Lei n. 9.317/96, norma instituidora do Simples Federal.
SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADES VEDADAS.
A norma que disciplina o Simples Federal, regime de favorecimento fiscal, não estabelece exceção para permitir a opção pela sistemática em razão da empresa optante exercer mais de uma atividade e ter preponderância de uma, permitida, sobre outra, vedada.
SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO.
RETROATIVIDADE.
A súmula n. 11 do CARF estabelece que no caso de contribuintes que fizeram a opção pelo Simples Federal até 27 de julho de 2001, constatada a hipótese do inciso XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de
2002.
Numero da decisão: 1801-000.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 1999 SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. As normas que disciplinam os regimes de tributação favorecidos, diferenciados e simplificados produzem os efeitos nelas expressos durante a sua vigência e são independentes e autônomas, não alcançando a Lei Complementar n 123/06, que instituiu o Simples Nacional, os atos pretéritos praticados durante a vigência da Lei n. 9.317/96, norma instituidora do Simples Federal. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADES VEDADAS. A norma que disciplina o Simples Federal, regime de favorecimento fiscal, não estabelece exceção para permitir a opção pela sistemática em razão da empresa optante exercer mais de uma atividade e ter preponderância de uma, permitida, sobre outra, vedada. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. A súmula n. 11 do CARF estabelece que no caso de contribuintes que fizeram a opção pelo Simples Federal até 27 de julho de 2001, constatada a hipótese do inciso XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.
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SIMPLES NACIONAL. As normas que disciplinam os regimes de tributação favorecidos, diferenciados e simplificados produzem os efeitos nelas expressos durante a sua vigência e são independentes e autônomas, não alcançando a Lei Complementar n 123/06, que instituiu o Simples Nacional, os atos pretéritos praticados durante a vigência da Lei n. 9.317/96, norma instituidora do Simples Federal. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADES VEDADAS. A norma que disciplina o Simples Federal, regime de favorecimento fiscal, não estabelece exceção para permitir a opção pela sistemática em razão da empresa optante exercer mais de uma atividade e ter preponderância de uma, permitida, sobre outra, vedada. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. A súmula n. 11 do CARF estabelece que no caso de contribuintes que fizeram a opção pelo Simples Federal até 27 de julho de 2001, constatada a hipótese do inciso XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa foi excluída do Simples Federal pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 26/08, exarado pelo Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto, cujos efeitos da exclusão retroagiram a 01/09/99, em virtude de praticar atividade vedada prevista no artigo 9o, inciso XIII, da Lei n. 9.317/96 – fls. 19. A firma individual declara que sua atividade consiste em : comércio de artigos desportivos, cursos livres e natação – fls. 05. A empresa, inconformada, manifestouse às fls. 28 a 48 alegando em suma: a) a Lei Complementar n. 123/06 superou a questão da vedação ao regime do Simples das empresas que prestam serviços de realização de cursos desportivos, razão pela qual o Ato Declaratório de exclusão não pode subsistir; b) o ADE fere o prazo prescricional/decadencial do fisco agir, visto que a exclusão foi realizada em 2008 e alcançou até o ano de 1999, conforme artigo 173 do Código tributário nacional; c) a fiscalização não verificou que a atividade preponderante da empresa é o comércio de artigos desportivos, atividade esta permitida pela lei, e, por isso, a exclusão não pode permanecer; d) o ato administrativo não pode retroagir. A Sexta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto exarou o Acórdão n. 1425.676/ mantendo a exclusão da empresa do Simples, fls. 55 a 60. Destaco, por oportuno, trechos do aresto: “Cabe inicialmente esclarecer quanto à alegação de que a autoridade administrativa ao autuar não respeitou o prazo qüinqüenal de prescrição, que a prescrição referese à ação de cobrança de crédito tributário devidamente constituído, o que não é o objeto deste processo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15956.000040/200803 Acórdão n.º 180100.576 S1TE01 Fl. 89 3 Também não é o caso de se falar em decadência, pelo mesmo motivo, pois, este processo trata de exclusão da contribuinte do Simples. Sobre o efeito disto, sim, é que pode ocorrer a decadência do direito de a autoridade administrativa constituir o crédito tributário. Tal assunto, da mesma forma, pode ser discutido nos respectivos lançamentos. Como acima explicitado, este processo não trata de lançamento, mas sim da exclusão da contribuinte do regime de tributação ao qual não poderia ter optado por expressa disposição legal. [...] Quanto à alegação de que a edição da LC n° 123, de 2006, revogou a Lei n° Lei n° 9.317, de 1996, ressaltese que isto não afeta os efeitos desta enquanto vigentes, ainda que tenha sido por ela revogada ou modificada, conforme se extrai do art. 144 do CTN que dispõe: [...] No que diz respeito à alegação de que a atividade exercida permite seu ingresso no Simples Nacional, reforçase aqui o entendimento de que se aplicam as normas vigentes à época do fato gerador, ainda que posteriormente modificadas ou revogadas. Se a norma que regula o Simples Nacional permite a inclusão de pessoa jurídica que exerce determinada atividade, ainda que vedada pelo Simples Federal, a empresa pode ingressar regularmente nesse regime de tributação, a partir da vigência da LC n° 123, de 2006. Ressaltese ainda que a contribuinte, quando da opção pelo Simples Federal, estava impedida de fazêlo por disposição legal, dada a atividade exercida. Portanto não há de se falar em "direito adquirido". [...] Quanto aos efeitos da exclusão, a IN SRF n° 355, de 2003, art. 24, II, dispõe: [...] Conforme consta da pesquisa CNPJ (fl.51) a empresa fez opção pelo Simples em 13/08/1999. Obedecendo ao disposto na norma acima citada, a data, a partir da qual a exclusão surtirá efeitos é 01/09/1999, conforme consta do ADE. Portanto, tampouco lhe cabe reformas sobre esse assunto.” A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 63 a 86, reprisando os termos da exordial, salientando que: (i) a decadência deve ser enfrentada e declarada neste processo, pois a exclusão do Simples é premissa para se efetuarem lançamentos tributários fulminados por este instituto; (ii) a atividade anteriormente vedada pela Lei do Simples Federal deixou de ser assim considerada pela Lei Complementar n. 123/06, devendo ser considerada a revogação da vedação; (iii) a atividade preponderante da empresa é o comércio de artigos desportivos e esta nunca foi vedada pela norma tributária; (iv) a exclusão não pode ter efeitos retroativos, admitindose somente seus efeitos a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa proferida em definitivo. Discorre sobre excertos doutrinários e jurisprudência que entende corroborar o seu entendimento. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. I) Da preliminar – Decadência A recorrente argúi que neste processo administrativo deve ser declarada a decadência do procedimento fiscal. A decadência tributária é um instituto que cuida de limitar a ação da autoridade administrativa no que tange a exigir dos contribuintes crédito tributário fora de um determinado prazo, fixado na norma tributária. Não há previsão normativa que fixe prazo para a Administração Tributária declarar a exclusão de contribuintes do regime de tributação supostamente escolhido indevidamente, embora os efeitos práticos desta exclusão consistentes na exigência fiscal das diferenças eventuais de uma mudança de regime de tributação estejam irremediavelmente atados às normas decadenciais. No entanto, a argumentação da recorrente de que este assunto deva ser enfrentado neste processo de exclusão do regime de tributação diferenciado, simplificado e favorecido – Simples – não merece acolhida, visto que não se pode discutir neste processo direito em tese, não havendo neste qualquer alusão a suposto lançamento tributário para a exigência de créditos tributários decorrentes da referida exclusão. Com efeito, a exclusão é premissa, mas os efeitos desta exclusão no que concerne à exigência de crédito tributário e sua possível decadência, ou não, não foram objeto jurídico dos autos, tratandose de matéria totalmente estranha à lide. O assunto deve ser apropriadamente discutido em autos nos quais se discutem eventuais lançamentos tributários, sujeitos às normas que limitam o direito do fisco. Afasto, portanto, da apreciação deste colegiado a discussão, em tese, da decadência de lançamento tributário. II) Do Mérito II.a) Lei Complementar n. 123/06 e seus efeitos em relação à Lei n. 9.317/96 A recorrente a despeito dos esclarecimentos tecidos no acórdão vergastado reitera as argumentações de que a norma que versa sobre o Simples denominado Nacional por ter revogado a norma que regia o Simples Federal, deve alcançar todos os fatos por esta última disciplinados. Assim não ocorre. A retroatividade benigna expressa no artigo 106 do Código Tributário Nacional não se aplica às normas que prescrevem exigências para os contribuintes optarem por determinado regime de tributação, permitidos, ou obrigatórios, dependendo da política fiscal vigente em determinado período. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15956.000040/200803 Acórdão n.º 180100.576 S1TE01 Fl. 90 5 Assim dispões o referido artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, a edição da Lei Complementar n. 123/06 objetivou instituir novos parâmetros e condições fiscais para determinados contribuintes e, apesar de, em seu bojo, revogar expressamente a Lei n 9.317/96 o fez no sentido de não mais existirem dois regimes de tributação diferenciados e simplificados para os contribuintes, mas sim tornarse único. Para os anos anteriores à sua vigência, as normas prescritas na Lei n. 9.317/96 continuam válidas e em vigor, sem alterações. E só podiam optar por aquele regime – Simples Federal as pessoas jurídicas que cumprissem as exigências legais e se enquadrassem nas condições impostas na norma então vigente. Tanto assim é que todas as pessoas que quiseram optar pelo Simples Nacional, independente de serem optantes do Simples Federal tiveram que fazer a opção para o novo regime de tributação instituído pela Lei Complementar 123/06, não havendo mera transposição automática de um regime para outro. As normas cuidam de situações, condições e contribuintes distintos, e aplicamse a períodos distintos, não possuindo a Lei Complementar n. 123/06 qualquer caráter interpretativo para superar questões supostamente conflituosas veiculadas na norma 9.317/96. Ainda que ambas regulem regimes de tributação diferenciados, favorecidos e simplificados. Assim não há que se falar em retroatividade benigna, nos termos do artigo 106 do CTN acima reproduzido. II. b) Das vedações do inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317/96. Dispõe o referido preceito: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: [...]. XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 exercício dependa de habil i tação profissional legalmente exigida; (grifos não pertencem ao original) Da leitura do texto integral da norma, em nenhum momento o legislador observou, ou excetuou, qualquer proporcionalidade na prática das atividades dos contribuintes ao taxativamente vedar algumas categorias profissionais de optar pelo regime de tributação favorecido. As normas de favorecimento fiscal têm esta característica de serem expressas em todos os aspectos que versam, justamente para não restarem dúvidas ou lacunas a respeito de quais pessoas querem alcançar, de acordo com a política fiscal vigente naquele período. E se a norma, no caso Lei n. 9.317/96 vigente à época dos fatos ora tratados, não previu a referida proporcionalidade ou preponderância de atividades estabelecendo tais parâmetros, não pode o operador do direito pressupôlos. Carece, pois, de razão a argumentação da recorrente de que o fisco não verificou que a empresa tem como atividade preponderante o comércio varejista de artigos de desportivos, atividade não vedada ao Simples, e que, por esta razão, deve ser mantida no Simples. No que concerne à vedação da empresa por praticar a atividade de.prestar serviços com a realização de cursos livres e de natação não houve qualquer controvérsia a respeito suscitada pela recorrente, que admite prestar serviços desta natureza e conhece o seu caráter vedatório para optar/permanecer no Simples. Por derradeiro, quanto à retroatividade do ato de exclusão do Simples, que surtiu efeitos a partir de 01/09/1999, a retroatividade é expressamente admitida na própria norma, consoante explicitado pela turma de julgamento a quo no aresto atacado. No entanto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a súmula n. 11 com o seguinte enunciado: Enunciado nº 11: No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Tratandose de matéria sumulada, não compete a este colegiado adentrar nessa discussão, mas aplicar o seu conteúdo, por força regimental. Por todo o exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter a exclusão da recorrente do Simples, todavia com efeitos a partir de 01/01/2002. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15956.000040/200803 Acórdão n.º 180100.576 S1TE01 Fl. 91 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10425.900020/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO EG SUPRE.MO TRIBUNAL FEDERAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PEDIDO PROTOCOLADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 118/05. Em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo prescricional para que venha o contribuinte pleitear a sua restituição ou mesmo a compensação, será de cinco anos contados da data do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da homologação tácita do lançamento, desde que o pedido formulado o tenha sido formalizado antes do decurso da vacatio legis de 120 dias, da Lei Complementar n. 118/05, ou seja, antes de 9 de junho de 2005. Precedente do Eg. Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, afastando a preliminar de prescrição do pedido de compensação e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito. Vencidos os conselheiros Magda Azario Kanaan Polanczyk e Jaci de Assis Junior que, em prejudicial, votaram pelo sobrestamento do julgamento até a declaração de trânsito em julgado da decisão do STF (LC 118/05).
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO EG SUPRE.MO TRIBUNAL FEDERAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PEDIDO PROTOCOLADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 118/05. Em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo prescricional para que venha o contribuinte pleitear a sua restituição ou mesmo a compensação, será de cinco anos contados da data do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da homologação tácita do lançamento, desde que o pedido formulado o tenha sido formalizado antes do decurso da vacatio legis de 120 dias, da Lei Complementar n. 118/05, ou seja, antes de 9 de junho de 2005. Precedente do Eg. Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, afastando a preliminar de prescrição do pedido de compensação e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito. Vencidos os conselheiros Magda Azario Kanaan Polanczyk e Jaci de Assis Junior que, em prejudicial, votaram pelo sobrestamento do julgamento até a declaração de trânsito em julgado da decisão do STF (LC 118/05). (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10425.900020/200819 Acórdão n.º 1801000.843 S1TE01 Fl. 93 3 Relatório A Recorrente transmitiu PER/DCOMP em 16/08/2004 objetivando compensar saldo negativo de IRPJ apurado no 2º trimestre de 1998 com débitos de sua responsabilidade (fls. 01/05/. .Em Despacho Decisório de 07/03/2008, a DRF em Campina Grande – PB não homologou a compensação pleiteada , por entender que em 16/08/2004, data da transmissão da PER/DCOMP, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão da PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo, ocorrida em 30/06/1998. No mesmo Despacho a DRF cobrou o valor dos débitos indevidamente compensados, acrescido de multa e de juros (fls. 16). Intimada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 31/03/3008 alegando que o entendimento do STJ é no sentido de que o prazo de cinco anos iniciase a partir da homologação expressa ou tácita do pagamento e que a LC 118/2005 não é interpretativa e por isso não alcançaria os processos em andamento, nem os fatos geradores anteriores à sua edição. Citou decisões administrativas e judiciais (fls.06/15). Em sessão de 09 de dezembro de 2010, com o Acórdão 1132.273, a 3ª Turma da DRJ em Recife – PE, julgou a Manifestação de Inconformidade. Improcedente e o Direito Creditório Não Reconhecido. Intimada do Acórdão em 04/04/2011(fls. 35), interpôs Recurso Voluntário em 04/05/2011 (fls. 36/51), onde reprisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, salientando que não questionou inconstitucionalidade na impugnação e pede o cancelamento da decisão da DRJ em Recife, em decorrência da decisão do STJ e dos Conselhos de Contribuintes que já se manifestaram no sentido de que o prazo para a realização das compensações é de cinco anos contados da homologação dos lançamentos que geraram os pagamentos indevidos e não da data da efetivação do pagamento. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A DRJ em Recife baseou sua decisão nos artigos 156I, 165I e 168I, todos do CTN,:N), que estabelecem: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I — O pagamento: (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4o do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Entendeu ainda a DRJ em Recife que a Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, definiu, em seu art. 3º, o momento da ocorrência da extinção do crédito tributário, estabelecendo ainda que, dado o seu caráter interpretativo, ao preceito aplicase a retroatividade prevista no art. 106I, do CTN: Art. 3a Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 —Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º o do art. 150 da referida Lei. Art. 4— Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º'1, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A Recorrente busca no presente Recurso Voluntário ter reconhecido direito à compensação de saldo negativo de IRPJ. O valor foi apurado no 2º trimestre de 1998 e o PER/DCOMP foi transmitido em 16/08/2004, ou seja 7 (sete) anos e dois meses após a ocorrência do fato gerador do pagamento tido por Indevido ou a Maior. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10425.900020/200819 Acórdão n.º 1801000.843 S1TE01 Fl. 94 5 Todavia, sustenta a recorrente que o prazo prescricional para a realização das compensações é de cinco anos contados da homologação dos lançamentos que geraram os pagamentos indevidos ou a maior e não da efetivação do pagamento. A matéria em discussão no presente caso – tese dos cinco mis cinco –foi definida com a recente manifestação do Supremo Tribunal Federal, quando analisou as modificações trazidas a lume pela Lei Complementar n. 118/05, nos autos do RE 566.621/RS, julgado sobre o rito do art. 543B do CPC, vejamos: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 6 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fixada a tese a ser seguida na análise da prescrição, considerandose que o fato gerador ocorreu em 06/1998 e o PER/DCOMP foi protocolado em 08/2004, entendo que o pedido de compensação da Recorrente, por ser inferior a 10 (dez) anos, enquadrase na sistemática dos cinco mais cinco. Diante do exposto voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a preliminar da prescrição e determino que os autos voltem à unidade de jurisdição da contribuinte para apreciação do mérito da questão. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
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Numero do processo: 11065.001331/2003-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.325
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001331/200380 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.325 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 31 /2 00 3- 80 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11065.001331/200380 Acórdão n.º 9303005.325 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.599, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11065.001331/200380 Acórdão n.º 9303005.325 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11065.001331/200380 Acórdão n.º 9303005.325 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11065.001331/200380 Acórdão n.º 9303005.325 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.721049/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO.
Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 9202-005.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).
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SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 10 49 /2 00 7- 92 Fl. 505DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 10/03/2016, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201002.993 (efls. 462 a 469), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2003." O processo foi encaminhado à PGFN em 15/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 470). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 15/05/2016 e, em 24/05/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 471 a 478 (Despacho de Encaminhamento de efls. 479). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir o VTN Valor da Terra Nua a ser considerado, quando rejeitado o arbitramento com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras o valor declarado ou aquele constante de laudo apresentado pelo Contribuinte. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 24/06/2016 (efls. 480 a 484). Cientificada em 06/09/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 491/492), a Contribuinte ofereceu, em 23/09/2016 (carimbo aposto às efls.494) as Contrarrazões de efls 494 a 502. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10218.721049/200792 Acórdão n.º 9202005.699 CSRFT2 Fl. 506 3 . Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A Contribuinte foi intimada em 06/09/2016, terçafeira (AR Aviso de Recebimento de efls. 491/492), e teria até 22/09/2016, quintafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 23/09/2016 (carimbo aposto às efls.494), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, não conheço das Contrarrazões, por intempestividade. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003 e a matéria em litígio diz respeito ao VTN a ser considerado, quando rejeitado o arbitramento com base no SIPT, o valor declarado ou aquele constante de laudo apresentado pela Contribuinte. No caso do acórdão recorrido, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do Município de Cumaru do Norte/PA, fixado em R$ 72,76/ha, sem considerarse a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pela Contribuinte (R$ 10,42/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja considerado o VTN constante do laudo apresentado pela Contribuinte. Verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerar se a aptidão agrícola do imóvel, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Por outro lado, a própria Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, pediu que fosse adotado o valor apurado no Laudo de Avaliação de efls. 333/354 (R$ 10,70). Confirase: "PEDIDOS (...) 2 No mérito, à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento total ao presente Recurso, para se acolher o laudo apresentado às fls. 333/354, aplicandose como VTN o quantum ali indicado" (grifei) Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para acolher o VTN de R$ 10,70/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 507DF CARF MF 4 Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720194/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DESCRITA NA LEI
Os fatos narrados não se enquadram na hipótese de isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, na medida em que foram alienados terrenos e não imóveis residenciais. A situação em debate não configura a condição estabelecida na norma para a aferição da isenção.
GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO.
Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena.
GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM DA SOCIEDADE CONJUGAL. RATEIO DO VALOR DO IMPOSTO ENTRE OS CÔNJUGES.
Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, cabe a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital da venda dos imóveis pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento).
Numero da decisão: 2401-005.028
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para ajustar o imposto devido para 50% do valor lançado. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DESCRITA NA LEI Os fatos narrados não se enquadram na hipótese de isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, na medida em que foram alienados terrenos e não imóveis residenciais. A situação em debate não configura a condição estabelecida na norma para a aferição da isenção. GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO. Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena. GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM DA SOCIEDADE CONJUGAL. RATEIO DO VALOR DO IMPOSTO ENTRE OS CÔNJUGES. Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, cabe a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital da venda dos imóveis pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para ajustar o imposto devido para 50% do valor lançado. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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ISENÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DESCRITA NA LEI Os fatos narrados não se enquadram na hipótese de isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, na medida em que foram alienados terrenos e não imóveis residenciais. A situação em debate não configura a condição estabelecida na norma para a aferição da isenção. GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO. Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena. GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM DA SOCIEDADE CONJUGAL. RATEIO DO VALOR DO IMPOSTO ENTRE OS CÔNJUGES. Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, cabe a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital da venda dos imóveis pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 01 94 /2 01 1- 46 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 142 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para ajustar o imposto devido para 50% do valor lançado. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 143 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0737.146 (fls. 72/76): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM DO CASAL. RATEIO DO VALOR DO IMPOSTO ENTRE OS CÔNJUGES. O ganho de capital decorrente da alienação de bem comum do casal deve ser tributado à fração de 50% em nome de cada cônjuge, quando entregarem declaração de rendimentos em separado. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL NO PRAZO DE CENTO E OITENTA DIAS. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Para o ganho auferido por pessoa física na venda de imóveis residenciais ficar isento do imposto de renda, o alienante terá que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da celebração do contrato, aplicar o produto da venda na aquisição, em seu nome, de imóveis residenciais localizados no País. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/10), lavrado contra o Recorrente, onde foi apurado Imposto Suplementar, relativo ao anocalendário 2009, no valor de R$ 36.576,00, Juros de Mora no valor de R$ 7.077,60 e Multa no valor de R$ 27.432,00, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 71.085,60. De acordo com o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 62/64) o Auditor Fiscal apurou omissão de ganhos de capital obtidos pelo Recorrente e seu cônjuge na alienação da parte que lhes cabia dos lotes números 13, 33, 47, 239, 253 e 277 da quadra 472, do loteamento Jardim Oceania IV, no bairro do Bessa, João Pessoa – PB, sem, contudo, constar tal alienação de sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2010 ou na de seu cônjuge. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 144 4 O Auditor Fiscal também verificou que não foi preenchido o demonstrativo de apuração de ganhos de capital e não foi recolhido o tributo relativo ao ganho de capital proveniente da alienação da participação nos imóveis. Durante o procedimento fiscal o Recorrente, ao ser devidamente intimado: 1. Confirmou a alienação da participação nos imóveis, na data e valor informados pela pessoa jurídica Eciisa Engenharia Ltda. (fl. 29); 2. Informou e comprovou que seu regime matrimonial era o de comunhão universal, tendo o casamento sido realizado em 06/05/1977, ficando com isso demonstrado que os imóveis em questão eram bens comuns ao casal (fl. 30); 3. Informou que o casal adquiriu 1/4 da propriedade dos imóveis em 21/01/1983 e outro 1/4, em junho de 2002, conforme explicado no documento de fl. 29; 4. Informou que o valor recebido pela venda de sua participação nos imóveis teria sido utilizado para aquisição de bens em nome dos filhos e depositados os recursos recebidos em suas contascorrentes. Apresentou documentos de aquisição de imóveis em nome dos filhos, sendo que, para o Auditor Fiscal, a situação narrada não tinha interferência na alienação dos imóveis em questão nem, tampouco configura situação que satisfaça a condição prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005 e art. 2º da Instrução Normativa SRF 599/2005. Diante dos fatos e documentos, o fiscal apurou a omissão de ganho de capital na alienação dos bens adquiridos e o Imposto de Renda devido pelo Recorrente, de acordo com os Demonstrativos da Apuração de Ganhos de Capital (¼ dos lotes adquiridos em 21/01/1983 fls. 14/16 e ¼ dos lotes adquiridos em 18/06/2002 – fls. 17/19). Vale ressaltar que o valor do Imposto de Renda apurado como devido nos dois demonstrativos (R$ 36.576,00) corresponde à aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o Ganho de Capital auferido com a venda de 2/4 dos lotes números 13, 33, 47, 239, 253 e 277, pertencentes ao casal. O Auditor não considerou que ao Recorrente caberia o lançamento de apenas 50% (cinquenta por cento) do Imposto devido. O Recorrente tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 14/10/2011 e, inconformado com a notificação, interpôs sua impugnação (fl. 68), por meio da qual apresentou os seguintes argumentos: 1. Preliminarmente: a. Que nunca foi proprietário e nem vendeu o que não constava de suas dec1arações de rendimentos, tempestivamente apresentadas; b. Que tem conhecimento de uma transação feita por sua esposa, Alba Regina de Albuquerque Soares, cujo IRPF é dec1arado em separado, e a ECIISA ENGENHARIA LTDA em 2009; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 145 5 c. Que não pode ser responsabilizado por atos praticados por terceiros, mesmo no caso deste terceiro ser sua esposa, que dec1ara seu IRPF em separado. 2. No Mérito diz ter demonstrado que do produto da venda, antes dos seis meses, mais de 50% dos recursos recebidos foram aplicados na aquisição de imóveis, tanto para o casal quanto para seus filhos, não tendo sido considerado esse benefício do bem na apuração do ganho de capital elaborado pelo Auditor. Finaliza sua impugnação requerendo a mudança do responsável tributário, no caso de haver algum imposto a pagar, e o abatimento dos imóveis adquiridos para moradia do casal e de seus filhos. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0737.146, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. O Recorrente foi instado a pagar ou a recorrer através de intimação de fls. 77/78, enviada via Correio, tendo recebido e tomado ciência do Acórdão da DRJ/FNS em 13/05/2015 (AR – fl. 79). Inconformada com a decisão prolatada, em 10/06/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 80/82, onde, inicialmente, faz uma breve descrição da situação fática vivida entre os cônjuges e prossegue alegando: 1. Que a decisão recorrida calculou 100% (cem por cento) do ganho de capital como sendo de responsabilidade do Recorrente, mesmo dizendo que somente 50% (cinquenta por cento) estava sendo exigido; 2. Que não foi reconhecida a isenção prevista no art. 39 da Lei 11.196/2005, regulamentado pela IN SRF 599/2005. Finaliza seu Recurso Voluntário pleiteando a anulação do cálculo do ganho de capital feito pela autoridade lançadora por restar incompleto e inconsistente, ou, alternativamente, o retorno do AI à Repartição preparadora para saneamento do feito. É o relatório Fl. 145DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 146 6 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Trata o presente Processo Administrativo da exigência de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 62/64), o contribuinte, juntamente com o cônjuge, alienou a parte que lhes cabia nos imóveis lotes de números 13, 33, 47, 239, 253 e 277 da quadra 472, do loteamento Jardim Oceania IV, no bairro do Bessa, João Pessoa PB, porém os mesmos não haviam sido declarados em sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2010 ou na de seu cônjuge, além de não ter efetuado declaração e nem recolhimento de tributo relativo ao ganho de capital proveniente da alienação da participação nos imóveis. Assevera o contribuinte que não caberia qualquer exigência de Imposto de Renda sobre ganho de capital em face da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, regulamentada pela IN SRF 599/2005. Não assiste razão ao Recorrente quanto à isenção. O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 se aplica à hipótese de venda de imóvel residencial para a aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 (cento e oitenta dias), senão vejamos: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1o No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1ª (primeira) operação. § 2o A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 147 7 § 3o No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. [...] § 5o O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. De acordo com as disposições insculpidas Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005, considera imóvel residencial a unidade construída segundo as normas disciplinadoras das edificações da localidade em que se situar, não se aplicando à venda ou aquisição de terreno: Art. 2º Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição, em seu nome, de imóveis residenciais localizados no País. § 1º No caso de venda de mais de um imóvel, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias referido no caput deste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à primeira operação. [...] § 9º Considerase imóvel residencial a unidade construída em zona urbana ou rural para fins residenciais, segundo as normas disciplinadoras das edificações da localidade em que se situar. [...] § 11. O disposto neste artigo não se aplica, dentre outros: [...] II à venda ou aquisição de terreno; Da leitura extraída dos dispositivos legais, ressai claro que os fatos narrados o presente caso não se enquadram na hipótese de isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, na medida em que foram alienados terrenos e não imóveis residenciais. A situação em debate não configura a condição estabelecida na norma de regência, razão pela qual afasto o argumento inserido na peça recursal no tocante à isenção. O contribuinte defende ainda que a aquisição dos imóveis teria ocorrido em 1983 e em 2002 e que, ao elaborar o demonstrativo de ganho de capital, a autoridade fiscal teria modificado a data de aquisição de 21/01/1983 para 18/06/2002, não contemplando o desembolso feito à Gomes Rabelo Empreendimentos Ltda no valor de CR$ 1.500.000,00 (hum milhão e quinhentos mil cruzeiros). Observese que, diferente do que alega o contribuinte, a autoridade fiscal considerou para efeito de apuração do ganho de capital tanto a data de 21/01/1983 (fl. 14), Fl. 147DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 148 8 como a data de 18/06/2002 (fl. 17). O custo de aquisição relativo ao ano de 1983 foi transformado em Real. Não assiste, nesse ponto, razão ao Recorrente. Aduz o contribuinte que, tratandose de cônjuge casado sob o regime de comunhão universal de bens, somente caberia a exigência de 50% (cinquenta por cento) do imposto. Nesse aspecto, cabe destacar os esclarecimentos trazidos pelo sitio da Receita Federal, no perguntas e respostas Imposto de Renda da Pessoa Física, acerca da tributação do ganho de capital na alienação de bens comuns decorrentes do regime de casamento, in verbis: 590 Como devem ser consideradas as alienações efetuadas pelos cônjuges, para fins de tributação dos ganhos de capital? As transações efetuadas na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão universal ou parcial de bens comuns têm o seguinte tratamento, para efeito de tributação: cada cônjuge deve considerar 50% do ganho de capital. Opcionalmente o total do ganho de capital pode ser tributado por um dos cônjuges, exceto quando se tratar de bens incomunicáveis, caso em que cada um deve tributar o valor que lhe cabe. Atenção: Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. Apenas a tributação do ganho apurado é que deve ser feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, opcionalmente, 100% em um dos cônjuges. (Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, art. 22) Fazendo uma análise do lançamento fiscal, verificase que o ganho de capital apurado nas fls. 14/16 e 17/19 foi calculado sobre o valor total da venda dos imóveis em questão. Seguindo na análise dos cálculos, constatase também que o Imposto de Renda lançado foi calculado sobre esse o valor da totalidade do ganho de capital. Portanto, assiste razão ao Recorrente ao dizer que o Auditor Fiscal não calculou o imposto na razão de 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge. Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, caberia a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital da venda dos imóveis pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento). Como se vê do lançamento, não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital na alienação dos imóveis do casal, em que foi perfectibilizado em nome de um dos sujeitos passivos, qual seja, o Sr. Joaquim Gilberto Soares, com a incidência do Imposto de Renda sobre a totalidade do montante apurado a título de ganho de capital, razão porque constatase nitidamente o equívoco da fiscalização na aplicação da base de cálculo tributável. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 149 9 Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de inovar no lançamento, até mesmo em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa, deve ser cancelado o lançamento por vício material, tendo em vista a não observância ao art. 142 do CTN, no que tange à correta apuração do tributo devido. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito DAR LHE PROVIMENTO, afastando a exigência contida no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 149DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 150 10 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo da I.Relatora somente no tocante ao cancelamento integral da autuação, em decorrência de vício material. Tratase da apuração de ganho de capital na venda de bem comum do casal. A decisão de piso consigna (fls. 72/76): Ora, com base nos documentos constantes dos autos e na própria impugnação do sujeito passivo, onde o defendente chega a admitir que o bem alienado pertence a seu cônjuge, resta induvidoso que o imóvel objeto do lançamento foi transacionado em nome de Alba Regina Vieira de Albuquerque Soares, sua esposa. Contudo, tratandose de cônjuge casado sob o regime de comunhão universal de bens, não se pode tratar o bem como de propriedade exclusiva de um deles, mas como bem comum, a teor do art. 1667 do Código Civil. Isso quer dizer que cada consorte é proprietário de uma fração ideal do bem comum equivalente a 50%. E é justamente por esse motivo que foi lançado 50% do imposto renda devido em virtude da alienação dos terrenos em debate em nome do Sr. Joaquim Gilberto Soares, porquanto 50% do bem vendido lhe pertence, mesmo estando os 2/4 dos terrenos em nome se sua esposa, a Srª Alba. (destaque acrescido) Entretanto, do exame dos autos e dos cálculos efetuados (14/19), constatase que a autoridade fiscal atribuiu ao contribuinte a totalidade do crédito tributário apurado na operação da venda dos lotes do casal, conforme consignado pela I.Relatora. De fato, equivocouse a autoridade autuante ao agir dessa forma, sem justificar ou explicar tal procedimento, uma vez que restou demonstrado que se tratava de bem comum do casal e o cônjuge apresentara declaração em separado. Todavia, não vislumbro o vício apontado pela Relatora que enseje o cancelamento integral da exigência fiscal. A autuação em comento contém um enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente a infração que lhe Fl. 150DF CARF MF Processo nº 14751.720194/201146 Acórdão n.º 2401005.028 S2C4T1 Fl. 151 11 foi atribuída. A matéria tributável e o montante do tributo devido também foram determinados de forma clara. O contribuinte é sujeito passivo da exação, como apontado, ainda que não da sua integralidade. Ou seja, os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN foram atendidos e não há que se falar em qualquer prejuízo concreto ao sujeito passivo. O que se impõe é a manutenção apenas da parte devida pelo contribuinte. A manutenção da exigência de 50% do imposto devido não caracteriza uma inovação na motivação do lançamento. Não se está acrescentando novos argumentos e motivos apresentados pela fiscalização, mas apenas limitando a parte devida pelo contribuinte na condição de sujeito passivo. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mantendo a exigência de 50% do imposto devido apurado, acompanhado da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001510/2006-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.448
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-26T21:51:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2659251_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-26T21:51:51Z; Last-Modified: 2011-01-26T21:51:51Z; dcterms:modified: 2011-01-26T21:51:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2659251_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:03b0c358-44b1-4760-9c6f-d05a683de659; Last-Save-Date: 2011-01-26T21:51:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-26T21:51:51Z; meta:save-date: 2011-01-26T21:51:51Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2659251_0.doc; modified: 2011-01-26T21:51:51Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-26T21:51:51Z; created: 2011-01-26T21:51:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-01-26T21:51:51Z; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-26T21:51:51Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 257 1 256 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001510/2006-55 Recurso nº 500.228 Voluntário Acórdão nº 1801-00.448 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2011 Matéria PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC) Recorrente ITAUCARD FINANCEIRA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera- se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 28/09/2006, fls. 01/02, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$2.974.357,08 destinado ao destinados ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) correspondentes à aplicação do percentual global de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano-calendário de 2003, fls. 13/63 e 154. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais consta, fl.12: 11 - CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 195/198, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação de tributos federais, de acordo com o art. 60 da Lei n 9.069, de 29 de junho de 1995. Acrescenta 12- Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse • intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, INSS, CEF/FGTS. 13- A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 165 e 168 a 194 deste processo, indicando que constam débitos da interessada inscritos em Divida Ativa da União, débitos em cobrança no PROFISC e no SIEF, e está em situação irregular perante ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, fls.167, fatos estes que a estão impedindo de comprovar quitação de tributos e contribuições federais,[...] Cientificada em 25/10/2007, fl. 200, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 19/11/2007, fls. 156/159, argumentando em síntese que comprova sua regularidade fiscal. Interpreta a legislação de regência. Conclui Todavia, verifica-se que não há qualquer débito passível de' cobrança, em razão de estarem com a exigibilidade suspensa. Isso é comprovado pela "Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa", emitida pela própria Secretária da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (doc. 03). A fim de comprovar o equivoco cometido pelo agente fiscal, o Manifestante apresenta também uma cópia do Certificado de Regularidade do FGTS-CRF (doc. 04) e uma cópia do "Histórico do Empregador", confirmando que na data de emissão do despacho decisório ora atacado (18.10.2007), o contribuinte também estava em situação regular (doc. 05). Fl. 283DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001510/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.448 S1-TE01 Fl. 258 3 [...] Diante do exposto, concluindo-se pelo total descabimento do indeferimento do pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, requer o Manifestante a reforma da decisão • denegatória proferida no processo em epígrafe. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16-22.113, de 13/07/2009, fls. 226/230: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento , ou a concessão de benefícios o incentivos fiscais. Notificada em 23/07/2009, fl. 232, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/08/2009, fls. 233/237, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Pelo exposto, requer o Recorrente a reforma da decisão proferida. Protesta pela juntada dos documentos anexos. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 A Recorrente solicita realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, no exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, lavrou o Despacho Decisório, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINOR. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. Sobre a matéria, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), prevê: Art.592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (Decreto-Lei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). [...] Art.601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). §1º A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I - dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; [...] §2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). [...] Fl. 285DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001510/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.448 S1-TE01 Fl. 259 5 Art.614. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: [...] VI - as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal - CADIN (Medida Provisória nº 1.770-46, de 11 de março de 1999, arts. 6º, inciso II, e 7º). Parágrafo único.A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de 1995, art. 60). Art.615. A empresa em mora contumaz relativamente a salários não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou de que estes participem (Decreto-Lei nº 368, de 19 de dezembro de 1968, art. 2º). [...] Art.617. A empresa que transgredir as normas da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, além das outras sanções previstas, sujeitar-se-á, nas condições em que dispuser o regulamento, à revisão de incentivos fiscais de tratamento tributário especial (Lei nº 8.212, de 1991, art. 95, §2º). Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 37, que é de adoção obrigatória (art. 72 da Portaria MF n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 29/11/2010): Nº Recurso 157232 Número do Processo 16327.002423/2002-91 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte BANCO ITAUCARD S/A Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) José de Oliveira Ferraz Corrêa Nº Acórdão 198-00079 Tributo / Matéria IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para AFASTAR o óbice da regularidade fiscal e DETERMINAR o Fl. 286DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 retorno dos autos a unidade de origem para apreciação da composição dos valores que não foram admitidos como incentivos. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 1998 - INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 155796 Número do Processo 13805.001786/98-82 Turma 8ª Câmara Contribuinte BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 19/12/2008 Relator(a) Orlando José Gonçalves Bueno Nº Acórdão 108- 09808 Tributo / Matéria Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS - PERC - REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazê-lo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, bem como com base no entendimento jurisprudencial pacificado desta segunda instância de julgamento, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Verifica-se que constam nos autos as seguintes cópias: Fl. 287DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001510/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.448 S1-TE01 Fl. 260 7 - Certificado de Regularidade do FGTS – CRF emitido pela Caixa Econômica Federal com validade em 26/08/2009, fl. 254; e - Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil com validade até 19/08/2009, fl. 252; e - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fonte: http://www010.dataprev.gov.br/cws/contexto/cnd/cnd.html, acesso em 06/12/2010): MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Nº 064702010-21100010 Nome: BANCO ITAUCARD S.A. CNPJ: 17.192.451/0001-70 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que constam em seu nome, nesta data, débitos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais, refere-se exclusivamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em Dívida Ativa da União (DAU), não abrangendo os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e as demais inscrições em DAU, administradas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), objeto de Certidão Conjunta PGFN/RFB. Conforme disposto nos arts. 205 e 206 do CTN, este documento tem os mesmos efeitos da certidão negativa. Esta certidão tem a finalidade de registro ou arquivamento, em órgão próprio, de ato relativo à redução de capital social, á transferência de controle de cotas de sociedade limitada, à cisão total ou parcial, à fusão, incorporação, ou à transformação de entidade ou de sociedade empresária ou simples. A aceitação desta certidão está condicionada à finalidade para a qual foi emitida e à verificação de sua autenticidade na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 20 de Janeiro de 2010. Emitida em 29/11/2010. Válida até 28/05/2011. Certidão emitida gratuitamente.Atenção:qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez constam nos autos a regularidade fiscal no curso do processo mediante um conjunto probatório robusto. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 289DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001510/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.448 S1-TE01 Fl. 261 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 26 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 290DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fl. 291DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13888.000579/2008-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do despacho de admissibilidade de seu Recurso Especial e demais providências, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1502; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 382 1 381 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.000579/200880 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.117 – 2ª Turma Data 27 de junho de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BENEVIDES TEXTIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do despacho de admissibilidade de seu Recurso Especial e demais providências, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório A Fazenda Nacional insurgese contra o Acórdão n° 280300.748, sessão de 12/05/2011, em especial quanto ao recálculo da multa. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 00 57 9/ 20 08 -8 0 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13888.000579/200880 Resolução nº 9202000.117 CSRFT2 Fl. 383 2 Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Estão decadentes os fatos geradores referentes às competências anteriores a 11/1999, inclusive. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/1999, inclusive, e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições providenciarias. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13888.000579/200880 Resolução nº 9202000.117 CSRFT2 Fl. 384 3 Segundo o relatório de fl. 24/25, como resultado deste procedimento fiscal também foram emitidas diversas NFLDs para exigência das contribuições previdenciárias devidas em decorrências das infrações apuradas. Em análise de recurso voluntário, a Terceira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF decidiu dar provimento parcial à insurgência do sujeito passivo para determinar o recalculo da multa, a fim de que seja aplicado retroativamente o art. 32A da Lei n 8.212/91, introduzido pela MP nü 449/2008, convertida na Lei n" 11.941/2009, caso seja mais benéfico ao contribuinte, tendo sido afastada a aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, também introduzido pela MP n ü 449/2008. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Foi dado encaminhamento ao recurso da Fazenda Nacional e cientificado do acórdão e do despacho de seguimento do recurso especial da PFN em 16/03/2012, fl. 331, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 02/04/2012 (fl. 333), o recurso especial ao qual foi negado seguimento. (fls. 333 a 373). Com a expressa indicação de encaminhamento à DRF em Piracicaba, para cientificar o Contribuinte do despacho de inadmissibilidade, a DRF devolveu o processo sem essa providência, com o seguinte despacho, verbis: Cientificado do acórdão e do despacho de seguimento do recurso especial da PFN em 16/03/2012, fl. 331, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 02/04/2012 (fl. 333), o recurso especial em análise (fls. 333 a 373). O presente processo foi encaminhado a esta DRF para ciência ao contribuinte do despacho de exame de admissibilidade de recurso especial (fls.4076) que negou seguimento ao recurso especial interposto por aquele, sendo a decisão definitiva na esfera administrativa. Ocorre, que ainda está pendente de julgamento de mérito o recurso especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (fls.286/296), para o qual foi dado seguimento, conforme despacho 2300131/2012 da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF (fls.327/328). Isso posto, proponho a devolução do processo para a CSRF, por meio da ASTEJCARFMFDF, para julgamento do mérito do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional às fls.286/296. Outrossim, voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que seja o Contribuinte devidamente intimado do resultado da inadmissibilidade de seu Recurso Especial e lhe seja aberto prazo para apresentação de Agravo, se for o caso, tendo em vista o respeito ao devido processo legal administrativo e o princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório. É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 384DF CARF MF
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