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Numero do processo: 15504.721118/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Quando a razão para afastar-se a exigência tributária decorre de matéria de prova, não há que se falar em vício formal contido no ato administrativo do lançamento.
É de se rejeitar os embargos quando não se constata no acórdão recorrido a omissão apontada pela interessada.
Numero da decisão: 1201-001.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Quando a razão para afastarse a exigência tributária decorre de matéria de prova, não há que se falar em vício formal contido no ato administrativo do lançamento. É de se rejeitar os embargos quando não se constata no acórdão recorrido a omissão apontada pela interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 1201001.227, da lavra desta Turma. Alega a embargante, em resumo, o seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 18 /2 01 3- 02 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.398 S1C2T1 Fl. 3 2 Pela análise do acórdão 1201001.227, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados. Data venia, esse julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN, do art. 10, V do Decreto nº 70.235, etc enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. (...) Convém destacar que é indispensável o saneamento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifos nossos) Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma sane a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Realizado o exame de sua admissibilidade, em 26/01/2016 os embargos foram admitidos por observarem os requisitos estabelecidos no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (redação original, posteriormente modificada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016). Cientificada do despacho que admitiu os embargos, a interessada apresentou contrarrazões alegando, em resumo, que não houve a contradição aventada pela PGFN, muito menos vício formal no lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Pois bem, basta o exame da abaixo transcrita ementa ao acórdão embargado para que se possa concluir que são manifestamente improcedentes os embargos opostos pela Fazenda Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.398 S1C2T1 Fl. 4 3 Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real. De fato, a Turma embargada afastou a exigência por haver entendido que a autoridade fiscal deixara de demonstrar que a escrituração da contribuinte continha vícios, erros ou deficiências que autorizassem o arbitramento do lucro. Tratase de matéria de prova, conforme expressamente mencionado no voto condutor. Inexiste, portanto, o apontado vício formal no ato administrativo do lançamento uma vez que tal vício, como é cediço, decorre de erro na formalização daquele ato, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, daí porque não há que se falar em omissão da Turma quanto a sua apreciação. Tendo em vista todo o exposto, voto por não acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 590DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 19805.000824/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE.
A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.092-1, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO.
A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE. A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.092-1, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO. A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550. Recurso Voluntário Negado.
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MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE. A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.0921, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO. A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 80 5. 00 08 24 /2 00 9- 99 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/2001 a 09/2002 Data de lavratura do Auto de Infração: 30/05/2005 Data de ciência do Auto de Infração: 01/06/2005. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de DecisãoNotificação nº 21.4384/0030/2005 (Fls.594/596) proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária BOITUVA – SP que julgou procedente o lançamento realizado pela fiscalização em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído na NLFD DEBCAD 35.754.0891. O crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 386/394, diz respeito a contribuições devidas Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa; financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; e as destinadas a outras Entidades. As contribuições lançadas tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados, declaradas em GFIP, referentes ao período 01/2001 a 09/2002. O débito lançado foi consolidado em 30/05/2005, perfazendo o montante de R$250.646,57 (Duzentos e cinqüenta mil, seiscentos e quarenta e seis reais e cinqüenta e sete centavos). A empresa não comprovou ter registro prévio no Departamento Nacional de Mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social, atualmente Ministério do Trabalho e Emprego, para que fizesse jus ao enquadramento no FPAS 6550 (trabalho temporário), e em face disso foi considerada como FPAS 5070 (prestação de serviços), para o referido período. O levantamento que faz parte deste relatório chama se FT2 Folha de Pagamento prestação de Serviço.. A Lei 6019/74 acima citada em seu art.4° condiciona o funcionamento de empresas de trabalho temporário ao prévio registro no Departamento Nacional de mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social, atualmente, Ministério do Trabalho e Emprego. Foi solicitado através de Termo de Intimação de documentos — TIAD, emitido em 03/05/2005, o Registro acima mencionado. A empresa apresentou somente um registro, cópia anexa, datado de 18 de outubro de 2002, cuja validade é de 02 (dois) anos a contar da data de sua expedição, devido a isso o período de 08/00 a 09/02 não foi considerado como TRABALHO TEMPORARIO pertencente ao FPAS 6550 e sim PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS pertencente ao FPAS 5070. No período de 08 a 12/00 a empresa não apresentou movimentação por isso o período incluso nesta notificação iniciase em 01/01. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Como a Recorrente é optante pelo Lucro Presumido, não é obrigada por Lei a possuir Livros Diário e Razão., apresentando livros Caixa 01, 02, 03, 04 e 05, correspondentes ao anos 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 respectivamente. Além dos livros Caixa foram examinados os seguintes: Folhas de Pagamento do período 01/2001 a 10/2004, devidamente rubricadas por esta fiscalização; Rescisões de Contratos de Trabalho Notas Fiscais de Serviços; Relação Anual de Informações Sociais RATS; Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anosbase 2001, 2002 e 2003. O lançamento engloba a contribuição do segurado e da empresa, no entanto os valores referente ao desconto de segurados empregados foram todos devidamente reolhidos em época própria. A empresa é cedente de mãodeobra em regime de trabalho temporário, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, define em seu art.219 §1° cessão de mãodeobra, conforme abaixo transcrito: "§ 1ª Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende se como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços continuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros." (grifo da fiscalização) A Recorrente deixou de apresentar para a fiscalização folhas de pagamentos de tomadores variados. Devido a isto a fiscalização fez os lançamentos das bases de cálculo e das contribuições descontadas dos segurados de acordo com declarado pelo contribuinte _em GFIP dados retirados do sistema da Previdência Social, cujas cópias estão anexadas aos autos. Durante a ação fiscal foi constatado que a empresa deixou de prestar todas as informações de fatos geradores de contribuição social, em virtude disto foi emitido Auto de Infração (CFL 68) DEBCAD número 35.754.0956. A empresa apresentou Impugnação, em face da DN nº21.4384/0030/2005, entretanto o lançamento foi julgado procedente: Inconformada apresentou Recurso Administrativo às fls. 604/620 alegando em síntese que: no período compreendido entre 08/2000 a 09/2002 estava enquadrada como empresa de mãodeobra em regime de trabalho temporário (FPAS 6550), pois protocolou requerimento de registro como empresa de trabalho temporário junto à Secretaria das Relações do Trabalho em 19/12/2000, porém, o órgão 'expedidor demorou para a emissão, a qual só ocorreu em 18/10/2002, entretanto, tem eficácia "ex tunc", retroagindo à data do requerimento; Fl. 801DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 4 5 o presente débito tributário decorre do contrato de prestação de serviços de mãodeobra temporária para execução de obra de construção civil. Logo os débitos foram lançados por meio de dados do sistema – declarados em GFIP. requer a nulidade do lançamento e arquivamento da NFLD, afirmando provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em lei, sem exceção. Entretanto, o referido recurso administrativo não restou apreciado tendo em vista a decisão proferida pela DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA DE SOROCABA/SP que julgou o presente recurso deserto, em face da ausência do depósito recursal de 30%. Inconformado com a presente decisão, o autuante interpôs Mandado de Segurança com pedido de liminar perante a Justiça Federal em Sorocaba/SP. No entanto, não logrou êxito, já que a liminar foi negada. Mais uma vez, interpôs recurso de Agravo de Instrumento no processo em comento, o qual também foi julgado improcedente, levando ao consequente arquivamento do presente feito. Contudo, posteriormente, União requereu o desarquivamento do feito, ocasião em que foi dado seguimento ao presente recurso administrativo, mediante o despacho da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Sorocaba (fls 988) informando que restou reformada pelo E. TRF da 3a• Regido a decisão prolatada nos autos do mandado de segurança no. 2006.61.10.0001145 a que se reporta os despachos anteriores, concedendo à executada a ordem requerida, dessa forma, restou decidido pelo mencionado Tribunal Federal que o contribuinte poderia promover recurso administrativo sem o prévio depósito recursal de 30%. Assim, diante dos fatos acima expostos, e sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 29/11/2005, conforme AR juntado às fls. 602, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/11/2005, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO RECURSO O Recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, restandolhe assegurado a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do ja mencionado Decreto nº 70.235/72. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal, já que enfrentou as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, nos termos do artigo 31 da redação dada pela Lei nº 8.748/93. O Recurso referese ao enquadramento do FPAS nos levantamentos lançados na presente NFLD e que dizem respeito ao período 01/2001 a 09/2002. A empresa defende seu enquadramento no FPAS 6550 (regime de trabalho temporário, já a fiscalização entendeu como correto o FPAS 5070, visto que a empresa não apresentou registro prévio no Departamento Nacional de Mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social. Notese que a exigência do referido registro prévio é legal, disposta no art. 50 da Lei n° 6019/74, in verbis: Art. 5° 0 funcionamento da empresa de trabalho temporário dependerá de registro no Departamento Nacional de Milodeobra do Ministério do Trabalho e Previdência. Em suas alegações a empresa tenta demonstrar que cumpria essa exigência pois havia requerido o registro em 19/12/2000 e obteve o seu deferimento do pedido e expedição do registro em 18/10/2002, devendo seu efeito deve retroagir à data do pedido. Pela análise do documento trazido pela defesa às fls. 298 está expresso que a validade do registro se dá a partir da data de sua expedição, ou seja, a partir de 18/10/2002, a saber: Fl. 803DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 5 7 "0 presente certificado tem validade de 02 (dois) anos a contar da data de sua expedição." (g. n.) Nesse diapasão, improcede a alegação da defesa, eis que não logrou comprovar o cumprimento da exigência imposta pela Lei n° 6019/74,tendo sido correto, portanto, o levantamento do débito utilizandose o FPAS 5070. Já no que se refere ao protesto por todos os meios de prova admitidos, cumpre esclarecer que após a publicação da Portaria MPS n° 520, de 19/05/2004, DOU 20/05/2004, a constituição de provas no processo administrativo previdenciário deve observar seu artigo 9°, logo notificação em epígrafe foi emitida na estrita observância ao que prescrevem os dispositivos legais apontados no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, parte integrante da presente NFLD. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10831.720001/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. ARTS. 11 E 12 DA LEI nº 8.218/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 57 DA MP 2.158-35/2001.
Em caso de descumprimento das obrigações acessórias instituídas pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 aplicam- se as penalidades estabelecidas no art. 12 do mesmo diploma legal. As penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.158-35/2001, mesmo após as modificações introduzidas pela Lei nº 12.766/2012, se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. A obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999.
MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. INOBSERVÂNCIA DE FORMA.
São aplicáveis as multas previstas na legislação em vigor quando restar configurado os arquivos digitais requisitados pela autoridade fiscal, com observância dos preceitos legais, não observarem a forma prescrita nos atos normativos.
Numero da decisão: 1301-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Marco Túlio Fernandes, OAB/MG Nº 110.372
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Redator Designado.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. ARTS. 11 E 12 DA LEI nº 8.218/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 57 DA MP 2.15835/2001. Em caso de descumprimento das obrigações acessórias instituídas pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 aplicam se as penalidades estabelecidas no art. 12 do mesmo diploma legal. As penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.158 35/2001, mesmo após as modificações introduzidas pela Lei nº 12.766/2012, se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. A obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. INOBSERVÂNCIA DE FORMA. São aplicáveis as multas previstas na legislação em vigor quando restar configurado os arquivos digitais requisitados pela autoridade fiscal, com observância dos preceitos legais, não observarem a forma prescrita nos atos normativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 72 00 01 /2 01 1- 14 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Marco Túlio Fernandes, OAB/MG Nº 110.372 (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 625 3 Relatório MAGNETI MARELLI SISTEMAS AUTOMOTIVOS IND. COM. LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente às multas por apresentação de arquivos digitais com inobservância do prazo e da forma estabelecidos pela legislação de regência. Segundo relato da fiscalização, a interessada foi devidamente intimada, em 22/10/2010, a apresentar os arquivos digitais de que trata a IN SRF 86/2001, especificados no Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fls 10 e 11), na forma estabelecida pelo Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, no prazo de 20 (vinte) dias, com vencimento em 15/11/2010. Em 12/11/2010, a empresa requereu prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias (fls 14 a 19), aceita tacitamente pelo fisco, cujo novo vencimento se deu em 13/12/2010. Em 14/12/2010, a contribuinte apresentou parcialmente os arquivos requeridos, sendo outros entregues, em 11/01/2011. Em 21/01/2011, foi solicitada nova prorrogação de prazo ate o dia 28/01/2011, a qual foi indeferida e cientificada à empresa em 27/01/2011, por via postal. Na mesa data, a interessada apresentou os arquivos digitais faltantes. A fiscalização concluiu, assim, que a contribuinte incorreu num atraso de 45 (quarenta e cinco) dias para a entrega dos arquivos solicitados, contados a partir de 13/12/2010 (data prorrogada do vencimento) ate 27/01/2011 (data da entrega final). Em conseqüência, aplicou a multa prevista no art. 12, inciso III, da Lei 8.218/91, equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica, no período de 2007 a 2010, perfazendo um total de R$ 13.437.281,08. De outro lado, a análise dos arquivos digitais entregues em 27/01/2011 revelou que os mesmo não predicavam observância à forma prescrita pelo ADE COFIS nº 15/2001. Por esse motivo, foi aplicada a multa prevista no art. 12, inciso I da Lei 8.218/91, equivalente a meio por cento do valor da receita bruta, no período de 2007 a 2010, perfazendo um total de R$ 7.465.156,16. Cientificada do lançamento em 08/04/2011 (fl. 430), a contribuinte apresentou impugnação em 05/05/2011, juntada às fls. 453 e seguintes, alegando em síntese que: (a) em 22.10.2010, foi notificada do "Termo de Intimação Fiscal nº 01" para apresentar, em 20 (vinte) dias, documentos digitais relativos ao período de 2007 a 2010. Em 12.11.2010, requereu, por meio de petição escrita, a prorrogação da vintena inicialmente concedida, (...) por mais 30 (trinta) dias, tendo em vista a necessidade de (...) gerar e processar grande volume de dados a partir do seu sistema Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 e o período solicitado 2007 a 2010". Ou seja, pugnou pela extensão do prazo até o dia 15.12.2010 (trinta dias contados do termo ad quem do primeiro prazo, qual seja, 5.11.2010). Em 14.12.2010 antes, portanto, do término do prazo estendido entregou mídia em DVD contendo os documentos solicitados pela Fiscalização. Em 05.01.2011, a autoridade fiscal autuante entra em contato com a Impugnante, via telefone, a fim de lhe comunicar que os arquivos 4.5.1 ("Arquivos de Controle de Estoques"), 4.5.2 ("Arquivo de Registro de Inventário") e 4.6.1 ("Arquivo de Insumos Relacionados") não se encontravam presentes na mídia anteriormente entregue. A impugnante admite o equívoco e solicita nova dilação de prazo para corrigilo. O AFRFB diz que aguardará os documentos faltantes até o dia 11.01.2011. Na data aprazada, protocola petição para (i) registrar os contatos telefônicos antecedentes, (ii) admitir o lapso ao gerar os arquivos magnéticos entregues no dia 14.12.2010 e, finalmente, (iii) apresentar os documentos digitais faltantes. Nessa ocasião, a Impugnante acaba por se equivocar, deixando de entregar, com a nova mídia, o arquivo 4.6.1. ("Arquivo de Insumos Relacionados"). Em 17.01.2011, o AFRFB contata a Impugnante, novamente por telefone, para lhe noticiar o engano cometido. Esta, por seu turno, informa àquele que os arquivos já estavam sendo gerados e, como tal processo ainda tomaria certo tempo, questionao sobre a necessidade de pleitear nova extensão de prazo. Mais uma vez, o agente fiscal reputa desnecessária a formalidade e observa que aguardará até o dia 21.01.2011. Nesta data, desta vez por petição escrita, a impugnante relata que tem se deparado com várias dificuldades operacionais para confeccionar o arquivo restante, carecendo de prazo até o dia 28.01.2011. Informa, ainda, que os outros arquivos foram enviados com omissões, e pede permissão para corrigilas até o mesmo dia 28.01.2011. Em 27.01.2011, a Impugnante entrega, em mídia DVD, todos os documentos digitais faltantes, que são aceitos pelo AFRFB. Nessa mesma data, entretanto, é cientificada, ao final do dia, do "Termo de Intimação Fiscal nº 02", pelo qual é comunicada do indeferimento da prorrogação de prazo requerida no dia 21.01.2011. Finalmente, em 06.04.2011, é notificada da lavratura do presente Auto de Infração; (b) preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração por descumprimento do dever de moralidade da atuação estatal administrativa, vez que a autoridade fiscal, em que pese tenha se mostrado serena e compreensiva, durante boa parte do procedimento fiscalizatório, ao final, menos de uma semana para o dia em que a impugnante prometeu entregar o restante dos arquivos digitais, optou por indeferir o pedido de prorrogação realizado em 21/01/2011. Além disso, recebeu normalmente os arquivos entregues em 27/01/2011, sem sequer comunicar verbalmente à impugnante sobre o indeferimento do pedido de prorrogação do prazo. E, mesmo diante do inegável desejo da impugnante de atender às exigências fiscais, optou por não lhe permitir a retificação dos erros de mera forma, procedendo à autuação combatida; (c) cita jurisprudência administrativa com o intuito de caracterizar a falta de lealdade e transparência do comportamento fiscal; (d) no mérito, pleiteia o cancelamento da multa por atraso, em virtude da ausência de entrega intempestiva, posto que a autuação da Inspetoria Paulista, durante todo o processo fiscalizatório, deuse como se o prazo para a apresentação dos arquivos digitais estivesse em aberto. E a prova maior disso é ter recebido os últimos arquivos sem nada se manifestar ou dizer. Logo, sob pena de uma ilegítima frustração da confiança da Impugnante, ofensa à regra da moralidade e à norma maior da segurança jurídica, a entrega final dos documentos, levada a efeito em 27/01/2011, há de ser considerada tempestiva; (e) caso não se entenda desta forma, o que é admissível apenas em caráter argumentativo, ainda assim a "multa por atraso" haverá de ser anulada parcialmente. É que, na eventualidade de se considerar válida a decisão indeferindo o segundo Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 626 5 pedido de prorrogação, esta não poderá estender seus efeitos para período anterior ao dia 21/01/2011, data em que tal pedido foi apresentado. Isto porque o fisco nada disse sobre o interregno antecedente até o dia do indeferimento, devendo se considerar que o prazo para apresentação dos arquivos digitais transcorreu, em aberto, até o mencionado dia 21. Terseá, destarte, atraso de apenas 06 (seis) dias, devendo ser a penalidade em apreço, por esse motivo, calculada em 0,12% (0,02% x 6) da receita bruta da Impugnante nos exercícios autuados; (f) ad argumentandum tantum, deveria o auditor fiscal, por se tratar de fiscalização aduaneira, ter aplicado a multa de R$ 5.000,00 prevista no artigo 728, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), já que capitula a infração de não atendimento no prazo estipulado em intimação, inobstante a inexistência de qualquer conduta da Impugnante no sentido de embaraçar, dificultar, ou impedir a fiscalização; (g) o "Termo de Intimação Fiscal nº 02", por não trazer quaisquer justificativas para o indeferimento do segundo pedido formal de dilação de prazo, não preenche um dos requisitos de validade do ato de motivação, pelo que deve ser considerado nulo, com o conseqüente cancelamento da multa por atraso; (h) devese observar necessariamente a jurisprudência administrativa, segunda a qual a multa relativa ao erro na forma de apresentação dos arquivos digitais, somente se legitima se os equívocos impossibilitarem o acesso às informações prestadas, inexistindo justificativa para a imposição da penalidade, salvo se, antes do sancionamento, houver sido oportunizada ao contribuinte a possibilidade de correção das eventuais e supostas falhas. Como referidas hipóteses não estão presentes no caso sob análise, impõese o cancelamento da multa aplicada; (i) a jurisprudência do antigo CCMF fixou ainda outra condição para esse sancionamento. Por esse terceiro requisito, as três penalidade do art. 12 da Lei nº 8.218/91 devem, em sua imposição concreta, situações absurdas, nas quais for claramente perceptível a desproporção entre a conduta delituosa e a pena aplicada, esta haverá de ser afastada, como é o caso dos autos; (j) esse cancelamento, como muito bem observado pelo tribunal administrativo, não significa reputar inconstitucionais os incisos do citado art. 12, o que lhe seria vedado fazer. Quando essas penalidades são anuladas, com arrimo na regra da proporcionalidade, o que se anula é a sua incidência concreta, não a sua forma abstrata, que permanece passível de materialização (subsunção); (k) considerando que as informações requestadas pela ALF de Viracopos foram todas prestadas tornando possível, assim, a fiscalização da regularidade do "benefício fiscal do regime automotivo" um suposto atraso (inexistente, como se viu) e alguns poucos erros de forma (que, conforme também demonstrado, não legitimam a aplicação da multa do inciso I), não justificam a imposição desproporcional de multa total de quase R$ 21.000.000,00, punindo infrações meramente formais que sequer geraram prejuízos ao Erário; (l) requer, assim, a nulidade do auto de infração em preliminar e, no mérito, o cancelamento das penalidades aplicadas. Caso os pedidos anteriores não sejam acatados, requer o recálculo da multa por atraso para considerar apenas 06 (seis) dias de atraso ou sua substituição pela multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 728 do Regulamento Aduaneiro. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 A 2ª Turma da DRJ/SP2, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2010 MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. INOBSERVÂNCIA DE FORMA E PRAZO. São aplicáveis as multas previstas na legislação em vigor quando restar configurado o descumprimento do prazo para apresentação de arquivos digitais requisitados pela autoridade fiscal, com observância dos preceitos legais; bem como quando os registros e respectivos arquivos não observarem a forma prescrita nos atos normativos. A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, para ao final requerer o que se segue: (a) preliminarmente, declarar a nulidade do Auto de Infração; (b) no mérito, cancelar as penalidades que foram aplicadas com base nos arts. 11 e 12, I e III, da Lei n° 8.218/91; (c) em caráter argumentativo, caso os pedidos anteriores não sejam acatados, o recalculo da "multa por atraso" (art. 12, III da Lei 8.218/91), para considerar somente 06 (seis) dias de atraso ou sua substituição pela multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 72 do Regulamento Aduaneiro. Em se tratando de recurso voluntário tempestivo, o mesmo fora devidamente distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Colegiado. Em sessão de julgamento de 25/02/2014, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, (Acórdão n° 3101001.571), não conheceu o presente recurso por entender que aquela Seção não era competente para apreciar tal matéria. Tendo sido declinado a competência para esta 1ª Seção, o processo foi a mim distribuído. Em sessão realizada em 25 de março de 2015, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento, através da Resolução de nº 1302000.370, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora se manifestasse sobre a fiscalização em questão, ou seja, se houve o lançamento de ofício do Imposto de Importação. Em caso afirmativo, que seja juntado a estes autos cópia do referido Auto de Infração bem como do Termo de Verificação Fiscal. Por fim, que se manifestasse a autoridade sobre qualquer outra informação que julgasse relevante para o adequado deslinde deste processo administrativo. Em 06 de outubro de 2015, a Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos/SP, através da Equipe de Pesquisa e Seleção Aduaneira EQPEL, emite o Relatório de Diligência Fiscal (fl. 611), o qual ora transcrevo: Em atendimento à diligência requerida na Resolução nº 1302000.370 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Primeira Seção de Julgamento, datada de 25/03/2015, solicitando: “Assim, com base Fl. 629DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 627 7 no acima exposto proponho que seja o julgamento convertido em diligência a fim de que se manifeste sobre a fiscalização em questão, ou seja, se houve o lançamento de ofício do Imposto de Importação. Em caso afirmativo, que seja juntado a estes autos cópia do referido Auto de Infração bem como do Termo de Verificação Fiscal. Por fim, que se manifesta a autoridade preparadora sobre qualquer outra informação que julgue relevante para o adequado deslinde deste processo administrativo”, informamos que não houve lançamento de ofício referente ao Imposto de Importação relativo ao benefício fiscal do “regime automotivo”. Não tendo a interessada se manifestado sobre o teor do relatório acima transcrito, estes autos retornaram à este CARF. É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 Voto Vencido Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo (fls. 190) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de procedimento fiscal que teve como objetivo efetuar a coleta de informações para subsidiar pesquisa fiscal aduaneira e efetuar levantamentos preliminares sobre o benefício fiscal do regime automotivo. O “regime automotivo” consiste, basicamente, no benefício fiscal de redução de imposto de importação (40%) na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I – veículos leves: automóveis e comerciais leves; II – ônibus; III – caminhões; IV – reboques e semireboques; V – chassis com motor; VI – carrocerias; VII – tratores rodoviários para semireboques; VIII – tratores agrícolas e colheitadeiras; IX – máquinas rodoviárias; e X – autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. A legislação aplicável ao regime automotivo é a MP. nº 1.93933/ 2000 (inicial), MP nº 206837/2001 (convertida em Lei), Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001 e a MP n.º 497/2010. A recorrente realizou diversas importações ao amparo do “regime automotivo” nos anos de 2007 a 2010. Assim sendo, a análise fiscal da boa aplicabilidade deste regime e a respectiva renúncia fiscal depende fundamentalmente do exame dos processos produtivos da empresa e da destinação das mercadorias importadas. Neste contexto, é de vital importância a obtenção das informações relativas às operações de entrada, saída, estoques, produção, inventário, relação insumo/produto, etc., dados estes que estão sob a guarda e responsabilidade da beneficiária. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 628 9 Visto isto, questão que se coloca é se é legítima a imposição de uma multa, em valor exorbitante, digase de passagem, em processo que almejava aferir a regularidade de gozo do benefício fiscal instituído para a indústria automotiva quando o referido benefício se quer fora questionado. De toda maneira, penso que não teria muito êxito caso tentasse aplicar a este caso um juízo baseado em equidade. Assim, eventual discussão quanto à legitimidade ou não da aplicação da referida multa isolada, em razão da não entrega de arquivos digitais, sua entrega em forma distinta daquela prevista na regulamentação de regência, ou sua entrega a destempo, estaria fadada, muito provavelmente, ao insucesso. Dessa forma, passo a analisar as duas multas isoladas que foram aplicadas ao contribuinte: a) Multa pelo Atraso na Entrega Conforme relatado no TVF, alega a fiscalização que o contribuinte apresentou a documentação solicitada (arquivos digitais) com atraso de 45 dias. Tal conduta constitui infração administrativa prevista no artigo 12, inciso III e § único, da Lei n° 8.218 de 1991, com a redação dada pelo artigo 72 da MP n° 2.15834, de 2001 e reedições, sancionável através da aplicação de multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. No caso em tela temos: %Multa = 0,02% x 45 dias = 0,90% (aplicável sobre a receita bruta no período 2007 a 2010) Aqui, acolho a brilhante tese esposada pelo Ilmo. Sr. Dr. Marcos Vinicius Neder da revogação tácita do art.12 da Lei 8.218/1991 pelo art. 8º da Lei nº 12.766/2012, o qual alterou o art. 57 da MP nº 215835/2001. O artigo 8º da Lei nº 12.766/2012 alterou o artigo 57 da MP nº 2.158 35/2001. Em vez de "descumprimento das obrigações acessórias", passou a ser a "deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital." Assim, a nova redação do artigo 57 da MP atingiu a hipótese "atraso" do art. 12 da Lei nº 8.212/1991. O artigo 101 do CTN c/c art 2º da LICC dispõe que a lei posterior revoga a anterior se houver incompatibilidade ou se regular a mesma matéria. Desta forma, entendo que o inciso III, do art. 12 da Lei 8.212/91 encontrase revogado. Não vejo como defender, ou ainda acatar, a tese esposada, por mais brilhante que a mesma possa ser, no Parecer Normativo RFB nº 3/2013 de que o tal inciso III do art. 12 não tenha sido revogado tacitamente. O fato da Lei nº 12.783/2013 ter promovido nova alteração no art. 57 da MP só reforça a tese da revogação tácita. Quero dizer, ao perceber o equívoco cometido com a publicação da Lei 12.766/2012, tenta a Lei nº 12.783/2013 corrigilo reintroduzindo no já citado art. 57 um redação assemelhada à sua redação originária, eliminando, dessa maneira, a remissão a escrituração digital. Ocorre que com a edição da Lei 12.766 em 2012, ocorreu a Fl. 632DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 10 revogação tácita, a meu ver, do inciso III do art. 12 da Lei 8.212, não tendo como a Lei 12.783 restabelecêlo. Dito isto, diante da revogação tácita do artigo 12, III da Lei nº 8.218/91 perpetrada pela nova redação dada ao art. 57 da MP nº 2.15835/2001 pela Lei 12.766/2012, voto no sentido de reduzir a multa isolada por atraso na entrega de arquivos digitais para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração. Vencido no mérito quanto à revogação tácita do artigo 12, III da Lei 8.218/91, passo a verificar se, a partir do vencimento do prazo de 50 (cinqüenta) dias para a entrega dos arquivos digitais a contribuinte entrou em mora, como entende a fiscalização; ou se, diante do silêncio do fisco, o prazo para apresentação dos arquivos digitais transcorreu em aberto, como reclamado. In casu, não nos parece haver qualquer dúvida de que a contribuinte, considerando a prorrogação tácita de prazo solicitada, entrou em mora a partir do dia seguinte ao seu vencimento (14/12/2010). Isto porque (i) deixou de apresentar todos os arquivos exigidos pelo fisco dentro do lapso de tempo concedido; (ii) o segundo pedido de dilação de prazo, apresentado intempestivamente em 21/01/2011, foi indeferido. Apesar de argumentar que foram realizadas tratativas, por telefone junto à fiscalização, pelas quais o prazo teria sido prorrogado até 11/01/2011 e, posteriormente, até 21/01/2011, o fato é que inexistem nos autos provas a esse respeito. Portanto, o pleito alternativo para que a multa por atraso seja aplicada considerando apenas 6 (seis) dias, sob o entendimento de que o prazo para apresentação dos arquivos digitais transcorreu em aberto até o dia 21 (data da apresentação do segundo pedido de prorrogação de prazo), igualmente não procede, consoante a argumentação acima expendida. Em conclusão, considerando que (i) a própria impugnante admite que os arquivos digitais, solicitados em 22/10/2010, somente foram integralmente apresentados em 27/01/2011; (ii) que o prazo inicialmente concedido de vinte dias, prorrogado tacitamente por mais trinta, venceu em 13/12/2011; (iii) que, a partir desta data, a impugnante entrou em mora; concluímos que resta caracterizada a hipótese típica prevista pelo inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218/91, qual seja: atraso na apresentação dos arquivos digitais. Logo, é legítima a aplicação da “multa por atraso”. Portanto, o pleito alternativo para que a multa por atraso seja aplicada considerando apenas 6 (seis) dias, sob o entendimento de que o prazo para apresentação dos arquivos digitais transcorreu em aberto até o dia 21 (data da apresentação do segundo pedido de prorrogação de prazo), igualmente não procede, consoante a argumentação acima expendida. Quanto ao pleito pela aplicação da multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 728, alínea 'c' do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09), que capitula a infração de não atendimento no prazo estipulado à intimação em procedimento de fiscalização aduaneira, salta aos olhos seu descabimento em face do caráter genérico, mormente quando a penalidade combatida guarda estreita especificidade à hipótese deduzida nos autos.Como se tratam de 45 dias de atraso na entrega, reduzo o valor da multa isolada do item 01 do TVF para R$ 3.000,00 (três mil reais). 2) Multa por Entrega sem Atender a Forma Prescrita Fl. 633DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 629 11 Conforme já relatado no item “4.2” deste termo, o contribuinte apresentou arquivos digitais sem atender à forma em que deveriam ter sido apresentadas. Tal conduta constitui infração administrativa prevista no artigo 12, inciso I e § único, da Lei n° 8.218 de 1991, com a redação dada pelo artigo 72 da MP n° 2.15834, de 2001 e reedições, sancionável através da aplicação de multa equivalente a meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período. No caso em tela temos: % Multa = 0,5% (aplicável sobre a receita bruta no período 2007 a 2010) De início, cumpre observar que a própria recorrente reconhece que os arquivos apresentados em 27/01/2011 não predicam observância à forma prescrita no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, alterado pelos ADE COFIS nº 25/2010. De acordo com seu entendimento, a multa por erro de forma deve ser cancelada tendo por base jurisprudência administrativa, segundo a qual: (i) sua aplicação somente se legitima se os equívocos impossibilitarem o acesso às informações prestadas; (ii) se, antes do sancionamento, houver sido oportunizada ao contribuinte a possibilidade de correção das eventuais e supostas falhas; (iii) se guardar compatibilidade lógica e axiológica com as condutas infracionais que as ensejaram. Como tais requisitos não estão presentes na hipótese sob comento, requer o cancelamento da penalidade. A análise da letra da lei, todavia, não nos permite comungar das inferências acima deduzidas. Esta é peremptória ao dispor que se aplica a “multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos”. Restando demonstrado que a atuação fiscal pautouse pelo estrito respeito aos termos da lei, constatamos a inexistência de elementos a indicar que a autoridade administrativa tenha se desviado do dever ínsito às suas prerrogativas institucionais, tal como esculpido no art. 142 do CTN. Em conseqüência, descabem as alegações de descumprimento do dever de moralidade, falta de lealdade e transparência por parte do AuditorFiscal. Observese, por derradeiro, que o objeto do presente lançamento consiste exclusivamente na penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Como o fato gerador dessa obrigação é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, é irrelevante à espécie que a mora tenha causado efetivamente qualquer prejuízo no cumprimento das obrigações tributárias impostas à contribuinte, sendo esta matéria reservada a procedimento fiscal específico. Neste contexto, estando a exigência devidamente fundamentada, não cabe a esta Turma de Julgamento apreciar a sua constitucionalidade, dado que este controle não é de competência da instância administrativa, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, “a” e III, “b” e § 1º da Constituição Federal. Nesse diapasão, temos a Súmula CARF nº 2 que preceitua não ser este órgão colegiado competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 12 Reconheço que o valor da multa mantida é exorbitante, porém reconheço também que estamos diante de uma empresa de grande porte com recursos (financeiros, humanos e técnicos) para adimplir com os requisitos da norma em questão. Ademais, não posso me esquecer de que o fato gerador para aplicação da multa se deu em 2010, quando a norma que cria o layout de entrega dos arquivos digitais é de 2001. Ou seja, a empresa sabia dos requisitos de entrega dos registros por quase uma década. Assim, uma vez que as informações referentes ao controle de estoque, item 4.5.1 Arquivo de Controle de Estoque e as informações referentes aos insumos relacionados, item 4.6.1 Arquivo de Insumos relacionados, apresentados pelo contribuinte, não atenderam à forma em que deveriam ter sido apresentadas; não vejo como afastar a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, por mais que tal multa tenha atingido valores exorbitantes. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa isolada prevista no item 01 do TVF para R$ 3.000,00, por força da aplicação do art. 57 da MP 2.158 35/2001. Sala de Sessões, 03 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 635DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 630 13 Voto Vencedor Paulo Jakson da Silva Lucas, Redator Em que pese as densas considerações trazidas pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado decidiu, por maioria, de forma diversa com relação a matéria "Multa por atraso na Entrega de Arquivos Digitais". A divergência, no caso em dissídio, diz respeito ao alcance das normas apenatórias introduzidas pela Lei 12.766/12 (art. 8º), ao alterar o art. 57 da Medida Provisória (MP) 2.15835/2001. Como visto acima (voto vencido), entende o Conselheiro relator que o inciso III, do art. 12 da Lei 8.212/91 encontrase revogado, tendo em vista a nova redação do artigo 8º da Lei nº 12.766/2012 que alterou o artigo 57 da MP nº 2.15835/2001, concluindo, seu voto, no sentido de reduzir a multa isolada por atraso na entrega de arquivos digitais para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração. Redação antes da Lei nº 12.766, de 2012 (art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001): Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Entendem alguns que a nova redação do art. 57, ao incluir no caput a expressão escrituração digital e especificar penalidades para a não apresentação ou apresentação com incorreções ou omissões, passaria a alcançar também a penalidade de que trata o presente processo. Além disso, por ser mais benéfica, sua aplicabilidade seria retroativa, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Com a devida vênia dos que assim pensam, tal linha de raciocínio não deve prosperar. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 14 De se observar que tanto a redação do art. 57 da MP nº 2.15835/2001 vigente à época do lançamento, quanto aquela com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.766/2012, se referem ao descumprimento de obrigações acessórias (redação anterior) ou à não apresentação nos prazos fixados de declaração, demonstrativo ou escrituração digital (nova redação) exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Vejamos, então, de que cuida art. 16 da Lei nº 9.779/1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Como visto o artigo 16 acima transcrito não cuidava de penalidade (mas, sim, de competência para instituir obrigações acessórias). A penalidade por sua vez era tratada pelo art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Logo, há de se concluir, que a multa do presente processo, aplicada com base no art. 12 da Lei nº 8.218/1991, resultou do atraso na apresentação dos arquivos digitais e sistemas, obrigação estabelecida pelo art. 11 do mesmo diploma legal. Enfim, as penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.15835/2001 se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. A multa aplicada, do presente processo, decorreu da aplicação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91. Abaixo os dispositivos legais citados: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).(Destaquei) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (Destaquei) Fl. 637DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 631 15 Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas..(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 8º O prazo de apresentação dos arquivos à autoridade fiscal, será de vinte dias, podendo ser prorrogado por igual período, pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento, circunstanciado e por escrito, da pessoa jurídica. Neste ponto, como maneira de decidir, alinhome às conclusões do voto vencedor do I. Conselheiro Waldir Veiga Rocha (Acórdão 1302001.218, de 05 de novembro de 2013), no seguinte sentido: "O exame dos dispositivos acima leva à conclusão de que a obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 em nada se confunde com a delegação de competência para a criação de obrigação acessória de que trata o art. 16 da Lei nº 9.779/1999. No primeiro caso, é a própria lei que cria a obrigação acessória, enquanto que no segundo caso a obrigação poderá ser criada pelo órgão que recebeu a competência para tanto. Também as penalidades são distintas: no primeiro caso, a mesma lei que criou a obrigação acessória estabeleceu as penalidades para seu descumprimento; já no segundo caso, existe para essa finalidade um dispositivo de outro diploma legal (o art. 57 da MP 2.15835/2001) que faz menção expressa ao art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Argumentam alguns que a obrigação de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, e apresentálos, quando intimados pelos Auditores Fiscais da RFB (art. 11 da Lei nº 8.218/1991) teria sido substituída ou mesmo extinta com o advento de outra obrigação acessória, a saber, a Escrituração Contábil Digital (ECD), instituída pela Instrução Normativa RFB nº 787/2007. Também quanto a este ponto a argumentação não se sustenta. A Instrução Normativa RFB nº 787/2007 foi editada com base, entre outros dispositivos, no já mencionado art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Tratase, claramente, de obrigação acessória dirigida de forma ampla, a todos os contribuintes a ela obrigados, sendo que a ECD deve ser transmitida ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) anualmente, em prazo pré estabelecido, independentemente de prévia intimação. Quanto às informações, a ECD compreende tão somente a versão digital dos livros Diário, Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos (art. 2º da IN). Restringese, pois, aos assentamentos contábeis. Por outro lado, os arquivos digitais e sistemas a que se refere o art. 11 da Lei nº 8.218/1991 possuem abrangência muito maior. Basta que se examine o § 1º do art. 1º do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001: as informações alcançam registros contábeis; fornecedores e clientes; documentos fiscais; comércio exterior; controle de estoque e registro de inventário; relação insumo/produto; controle patrimonial; e folha de pagamento. No entanto, muito embora a obrigação de manter as informações à disposição possua caráter geral, sua materialização somente ocorre mediante a apresentação dos arquivos digitais e sistemas, em atendimento a intimação específica dos Auditores Fiscais da RBF para tanto. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 16 Em suma, no primeiro caso, o alcance dos contribuintes obrigados é muito amplo, independente de intimação, e as informações são restritas. No segundo, os arquivos digitais e sistemas somente são apresentados mediante intimação específica, mas a abrangência das informações a serem prestadas é muito maior. Há, por certo, uma sobreposição de informações, no que tange aos registros contábeis. Isso foi reconhecido quando da criação da ECD, vide o teor do art. 6º da IN RFB nº 787/2007: Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007, supre: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) Ou seja, a apresentação da ECD supre a exigência anterior (mas não a substitui nem extingue e com ela não se confunde), e somente em relação às mesmas informações, visto que as abrangências são muito diferentes. Finalmente, não se pode deixar de mencionar o Parecer Normativo RFB nº 3, de 10/06/2013. Com todo o respeito devido aos ilustres pareceristas e demais autoridades que subscrevem aquele normativo, por todo o acima exposto, entendo que suas conclusões não são as que melhor integram a legislação. Lembro, ainda, que este CARF não está obrigado às interpretações esposadas pela Receita Federal. O exposto pode ser sintetizado como segue: · A multa do presente processo, aplicada com base no art. 12 da Lei nº 8.218/1991, resultou do atraso na apresentação dos arquivos digitais e sistemas, obrigação estabelecida pelo art. 11 do mesmo diploma legal. · As penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.15835/2001 se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. · A obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Em se tratando das mesmas informações, a apresentação da segunda pode suprir a primeira, mas não a substitui nem extingue. · Não se tratando da superveniência de fixação de penalidade menos gravosa para a mesma infração, não se há de cogitar da aplicação da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inciso II, alínea “c”)." Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 639DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10831.720001/201114 Acórdão n.º 1301001.961 S1C3T1 Fl. 632 17 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722766/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.
Na vigência do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, a simples não apresentação de arquivo digital, sem prova que a escrituração efetivamente não ocorreu, não autorizava a aplicação de penalidade com fundamento no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, c/c inciso III e parágrafo único do art. 12 da mesma Lei. Nesse hipótese, a autuação fiscal com base na Lei nº 8.218, de 1991, é nula, por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. No mérito, (i) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário por erro de enquadramento legal da infração. Vencidos o Relator e os Conselheiros ARLINDO DA COSTA E SILVA e MARIA CLECI COTI MARTINS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário; (ii) por maioria de votos, estabelecer que o vício reconhecido pela maioria do colegiado é material. Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA que entendeu que o vício restringia-se à formalização do Auto de Infração e, portanto, ostentaria natureza formal. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor.
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Cleberson Alex Friess Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. Na vigência do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, a simples não apresentação de arquivo digital, sem prova que a escrituração efetivamente não ocorreu, não autorizava a aplicação de penalidade com fundamento no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, c/c inciso III e parágrafo único do art. 12 da mesma Lei. Nesse hipótese, a autuação fiscal com base na Lei nº 8.218, de 1991, é nula, por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 27 66 /2 01 3- 39 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. No mérito, (i) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário por erro de enquadramento legal da infração. Vencidos o Relator e os Conselheiros ARLINDO DA COSTA E SILVA e MARIA CLECI COTI MARTINS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário; (ii) por maioria de votos, estabelecer que o vício reconhecido pela maioria do colegiado é material. Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA que entendeu que o vício restringiase à formalização do Auto de Infração e, portanto, ostentaria natureza formal. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Cleberson Alex Friess – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 2401004.210 S2C4T1 Fl. 285 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 218 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado por meio do Auto de Infração (DEBCAD no 51.042.4201), consolidado em 06/05/2013, no valor de R$ 1.055.922,46, referente a multa aplicada pela não apresentação, pela empresa, dos arquivos digitais de sua contabilidade e folhas de pagamento, infringindo o disposto no artigo 11, §§ 1º e 4º, da Lei no 8.218/1991, com redação dada pela MP no 2.15835/2001. A Autuada, apesar de regularmente intimada para tanto, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e dos Termos de Intimação Fiscal TIF 01 e 02, deixou de apresentar a contabilidade e as folhas de pagamento em meio digital, sem que tenha apresentado qualquer justificativa para a não apresentação. A multa foi calculada nos termos do artigo 12, III, parágrafo único da Lei no 8.218/1991, com redação dada pela MP no 2.15835/2001, correspondendo ao valor de 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de 1% (um por cento) dessa. O sujeito passivo apresentou impugnação (…) (…) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 235 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: ‐ os documentos apresentados pelo contribuinte não foram juntados aos autos da ação fiscal (notas fiscais, contratos, relatório alusivo às contribuições previdenciárias recolhidas, etc.); ‐ a recorrente não poderia ter sido autuada por infração distinta daquelas previstas na Lei n. 8.212/91. Assim, a recorrente teria desrespeitado o art. 32 da referida lei; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 4 ‐ impossibilidade de dupla punição pelo mesmo fato jurídico, sendo que a fiscalização lançou multa de 75% sobre o valor das contribuições lançadas. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 2401004.210 S2C4T1 Fl. 286 5 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Documentos apresentados. Alega a recorrente que os documentos apresentados não foram juntados aos autos da ação fiscal (notas fiscais, contratos, relatório alusivo às contribuições previdenciárias recolhidas, etc.). Além dessa alegação não estar comprovada nos autos, é ela irrelevante ao julgamento deste Auto de Infração, pois a legislação tributária não prevê a possibilidade da empresa cumprir a obrigação de apresentar os arquivos digitais de sua contabilidade e folhas de pagamento pela apresentação deles em meio papel. Assim, a apresentação ou juntada dos referidos documentos não elidiria a infração cometida pela recorrente, que se relaciona à apresentação de arquivos digitais – conduta que não foi negada pela recorrente , razão pela qual o argumento da recorrente não teria o condão de invalidar o lançamento. Dupla punição. Alega ainda a recorrente a impossibilidade de dupla punição pelo mesmo fato jurídico, sendo que a fiscalização lançou multa de 75% sobre o valor das contribuições lançadas em outros autos de infração. Não assiste razão à recorrente, pois a autuação pela falta de apresentação dos arquivos digitais decorre do descumprimento de obrigação acessória e não pode ser confundida com o lançamento decorrente do descumprimento da obrigação principal de recolher as contribuições devidas e as correspondentes multas de ofício. Ao contrário do que alega a recorrente, a multa aplicada não depende da intenção do agente, sendo suficiente para tanto a simples constatação da ocorrência de infração da legislação tributária, nos termos do artigo 136 do CTN. Aplicação da Lei n. 8.212/91. Entende a recorrente que não poderia ter sido autuada por infração distinta daquelas previstas na Lei n. 8.212/91. Assim, a recorrente teria desrespeitado o art. 32 da referida lei e não o artigo 11 e parágrafos da Lei n. 8.218/91, com multa prevista no artigo 12, III, parágrafo único, da referida lei. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 6 Ocorre que o critério de resolução da aparente antinomia é a especialidade. No caso, a conduta faltosa da recorrente se enquadra especificamente na Lei 8.218/91 e não na Lei n. 8.212/91, vez que a infração foi a falta de entrega dos arquivos digitais de sua contabilidade e folha de pagamento. As condutas descritas no artigo 32 da Lei n. 8.212/91 mostramse muito menos específicas ao caso. Portanto, concluo não assistir razão à recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. André Luís Mársico Lombardi Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 2401004.210 S2C4T1 Fl. 287 7 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess, Redator designado Peço licença ao nobre relator para divergir do seu ponto de vista. Segundo consta no relatório, foi aplicada multa pela fiscalização devido à não apresentação pela empresa dos arquivos digitais de sua contabilidade e das folhas de pagamento, infringindose, desse modo, o disposto no art. 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com multa calculada nos termos do inciso III e parágrafo único do art. 12 da mesma Lei. Transcrevo os aludidos dispositivos de lei: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (grifouse) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas Compulsando o processo administrativo, observo que a lavratura do auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória ocorreu em maio/2013, após a publicação da Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, que deu nova redação ao art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Eis o texto do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na época da lavratura do auto de infração: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 8 intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (grifouse) I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Com a novel redação, a multa do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a contemplar expressamente a hipótese de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital. À primeira vista, a conduta de deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital, como noticiado pela fiscalização, poderia estar contemplada tanto pelos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, quanto pelo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Porém, como elemento diferencial, o aspecto material da regramatriz de incidência da penalidade no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, contém uma conduta identificada pela expressão: "(...) ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas (...)". Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 2401004.210 S2C4T1 Fl. 288 9 Vale dizer, a multa da Lei nº 8.218, de 1991, aplicase àquelas empresas que, comprovadamente, utilizam sistema eletrônico de processamento de dados e devem manter à disposição da RFB os arquivos e sistemas. Uma vez intimada a apresentar os arquivos em meio digital, a empresa deixa de entregálos, porque não houve a sua elaboração ou escrituração, descumprindo, em consequência, a obrigação de mantêlos continuamente à disposição da RFB. A só não apresentação dos arquivos à fiscalização, sem qualquer prova que demonstre que a escrituração não ocorreu, subsumiase à conduta prevista no art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, que estabelecia uma multa menos gravosa para a infração. Não é demais lembrar que a própria RFB, por meio do Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, posicionouse pela interpretação em sentido semelhante ao exposto neste voto. Ao ler o relatório fiscal, às fls. 6/8 , verifico que a autoridade lançadora nada menciona sobre a falta de escrituração digital, não havendo elementos seguros que respaldem a aplicação da penalidade com fundamento na Lei nº 8.218, de 1991. Inferese, assim, que a autoridade fiscal incorreu em erro na interpretação da regramatriz de incidência no que tange ao critério material da penalidade. Ao identificar o descumprimento da obrigação acessória, fez a subsunção da conduta com o dispositivo legal equivocado, o que implicou a aplicação de norma sancionatória também inapropriada, no caso mais gravosa. Aplicada a legislação de forma desvirtuada, nos termos expostos acima, o ato administrativo do lançamento revela vício intrínseco, de modo que a sua validade somente seria possível por meio da edição de um novo ato com conteúdo alterado. Destarte, é ato inconvalidável, ainda que possível, em tese, a sua reedição, podendo a invalidade ser reconhecida, inclusive, de ofício pelo julgador administrativo. Cuidase de vício de material, e não formal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para reconhecer a existência de vício material no lançamento e, por conseguinte, a nulidade da autuação. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 24/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002175/2007-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2007
EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO.
Nos termos do art. 60 da Lei nº. 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetem-se às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sob essa ótica, na ausência de previsão legal em sentido contrário, cabe a incidência de multa de ofício sobre tais empresas quando a irregularidade constatada assim o exigir.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama apresentará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Júlio César Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érica Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martinez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Nos termos do art. 60 da Lei nº. 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sob essa ótica, na ausência de previsão legal em sentido contrário, cabe a incidência de multa de ofício sobre tais empresas quando a irregularidade constatada assim o exigir. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Júlio César Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érica Costa Camargos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 75 /2 00 7- 93 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 139 2 Autran, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martinez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.290, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2007 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. Auto de infração lavrado para a cobrança de multa regulamentar por descumprimento de obrigações acessórias relativas ao IOF de companhia seguradora em liquidação extrajudicial. O art 18, alínea "f", da Lei 6.024/74 prescreve que não correm contra a massa, quando da decretação de liquidação extrajudicial, as multas decorrentes de infrações administrativas. O art. 60 da Lei n. 9430/96 não alberga hipóteses de normas sancionatórias. Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: “A ora Recorrente, em liquidação extrajudicial, foi autuada no montante de R$ 17.474.610,46, por descumprimento das obrigações acessórias do IOF, relativas aos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Através de Termo de Intimação Fiscal foi intimada a apresentar as informações relativas ao recolhimento do IOF, contudo, informou não ter localizado os documentos que comprovassem o recolhimento diretamente pela seguradora ou qualquer outra forma de recolhimento de IOF, de sorte que se lavrou o auto de infração por descumprimento das obrigações acessórias relativas ao IOF, aplicandose multa regulamentar de 5%, conforme Decreto n° 4.494/02, artigos 43, 44 e 55, inciso II. Consta ainda dos autos, a justificativa da Recorrente pela impossibilidade de apresentação da documentação pertinente, em vista da depredação de equipamentos de sistemas automatizados que poderiam conter tais informações. Apresentada tempestivamente impugnação, foi mantido o lançamento, pelo Acórdão n°0521.945,da 3ª Turma da DRJ/CPS, assim ementado: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 140 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2007 LANÇAMENTO DE OFICIO. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PENALIDADE. REGIME LEGAL APLICÁVEL. A partir da vigência da Lei n° 9.430, de 1996, especialmente de seu art. 60, as pessoas jurídicas sob liquidação extrajudicial estão submetidas às mesmas normas tributárias das demais, pelo que correta a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Lançamento Procedente Verificase que o fundamento da decisão recorrida foi o art.60 da Lei nª 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que determinou que as empresas em regime de liquidação extrajudicial, passariam a se sujeitar às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União. Em sede de recurso voluntário, foram apresentados os argumentos de defesa: i. foi decretada a liquidação extrajudicial da Recorrente, através da Portaria SUSEP 2231, de 17 de agosto de 2005, publicada no Diário Oficial da União de 18 de agosto de 2005; ii. a imposição de vultosa multa à massa liquidanda prejudica os credores, milhares de segurados, corretores, que deixarão de receber suas indenizações, preteridos emfavor de multas aplicadas pelo próprio Ministério da Fazenda que, em última análise, decretou a liquidação extrajudicial; iii. há ofensa à legislação aplicável às liquidações extrajudiciais, eis que com a decretação da liquidação, afastase a incidência de juros (item "c" do artigo 98 do Decretolei 73 e multa (equiparável à cláusula penal, prevista no item "b" do mesmo diploma); iv. o art.18 da Lei 6.024, letra "f', obsta a imposição à liquidanda de "penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas"; v. por força de lei, a empresa em liquidação extrajudicial é exceção à regra do artigo 57 da MP 215833/01; vi. não houve condições de apresentação da documentação contábil e fiscal pois estes foram extraviados, em situação de conotações criminais das quais a empresa é vítima, e não agente de crime; vii. a multa milionária ofende aos princípios da razoabilidade, do contraditório e da ampla defesa, além do princípio da legalidade; viii. o fato de a massa se "sujeitar às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas...", não representa a revogação do artigo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 141 4 98 do Decretolei 73, não havendo sequer a menção ao dito dispositivo, na parte final da Lei 9430”. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em seu recurso, suscita divergência jurisprudencial pelo o afastamento da multa com base no Art. 18, alínea "f", da Lei 6.024/74, colaciona como paradigma do recurso, os Acórdãos nºs 10195.856 e 10322.670, onde em ambos os julgados os recorrentes eram instituições financeiras. Vejamos a ementa do primeiro, transcrita a seguir na parte que identifica análise do presente caso. (grifos nossos): Acórdão nº 10195.856 (...) MULTA DE OFÍCIO – PESSOA JURÍDICA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução, não cabendo ao julgador declarála indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. O recurso especial foi admitido mediante despacho de fls. 123/125, cujo trecho reproduzo a seguir: “Neste ponto, cabe ressaltar que o acórdão recorrido decidiu por afastar multa regulamentar relativa ao IOF, baseandose no Art. 18 da Lei 6.024/74, a qual versa sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, sendo que o referido dispositivo prevê a "não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas" após a decretação da liquidação extrajudicial. Por sua vez, o acórdão paradigma antes transcrito firma entendimento diverso, ao também tratar de recurso interposto por instituição financeira, sobre a mesma matéria relativa à incidência de multa contra empresas em processo de liquidação, decidiu que não cabe ao julgador declarar como indevida a multa, uma vez configurados os pressupostos legais para a sua aplicação, sendo que tal questão deverá ser enfrentada apenas na fase de execução”. Regularmente intimada, a Recorrida não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito, Relator O Recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 142 5 Tratase de auto de infração em face do sujeito passivo, em liquidação extrajudicial pelo descumprimento das obrigações acessórias de IOF, relativas aos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. No Termo de Verificação de Infração de fls. 35/43, a Autoridade Autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: “Nos trabalhos (.) verificouse que o contribuinte não conseguiu comprovar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e I0F. Foi verificado ainda o agravante de não dispor da documentação contábil e fiscal prevista em lei, e ainda depredação de equipamentos de sistemas automatizados que poderiam conter tais informações, conforme se verifica na resposta a Termo de Intimação n° 21 (.), através do Oficio IOF.LIQ/INTERBRAZIL N° 1375/2006, onde liquidante descreve a seguinte situação encontrada na empresa: Após a decretação da liquidação extrajudicial, que foiefetivada nos escritórios da empresa liquidada (...), por solicitação do Liquidante nomeado (...), se dirigiram à sede da Seguradora (...) para que verificassem a situação daquele local e fizessem Back up dos arquivos magnéticos de todas as operações e registros da empresa. Para surpresa geral, foi constatada situação de completa depredação das instalações dos sistemas computadorizados, tendo sido apurado que os equipamentos, que possivelmente continham os arquivos e registros contábeis e operacionais da empresa, não se encontravam mais no local. fl.75”. Como visto, não há discussão acerca da ocorrência dos fatos que motivaram a imposição da multa, quais sejam, a falta de apresentação das informações determinadas pela legislação tributária. Tanto não há controvérsia que o sujeito passivo sustentou em sua defesa a impossibilidade de apresentálas por conta da dilapidação das instalações da empresa sob liquidação extrajudicial. Neste ponto, não há como considerar tal argumentação. Considerando a destruição dos registros fiscais do sujeito passivo, isso não pode servir de justificativa contra a multa por descumprimento de obrigação tributária. Passo ao mérito do Recurso. Em análise aos autos, verifico que se mostra equivocada a decisão recorrida, visto que a legislação que trata da liquidação extrajudicial e das falências rege a cobrança de créditos (os tributários, os de origem comercial, financeira etc) em situações relativas a devedores insolventes. Não existe vedação legal para o lançamento do crédito tributário, fase anterior à cobrança. Tal legislação veda que sejam reclamadas as penas pecuniárias, ou seja, não se pode habilitar esse crédito, tal fato será analisado no âmbito do processo de liquidação. Com efeito, para maior evidencia do caso em espécie, reproduzo abaixo o art. 18, alínea “f”, da Lei nº 6.024/1974: Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 143 6 (...) f) não reclamação de correção monetária de quaisquer dividas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. (grifo nosso). Vejamos o artigo 34 da mesma norma e o artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decreto Lei nº 7.661/45: Art. 34. Aplicamse a liquidação extrajudicial no que couberem e não colidirem com os preceitos desta Lei, as disposições da Lei de Falências (decretolei nº 7.661, de 21 de junho de 1945),equiparandose ao síndico, o liquidante, ao juiz de falência, o Banco Central do Brasil (...) Art. 23.[...] Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: [...] III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas.(grifo nosso) Portanto, não há óbice legal para o lançamento tributário, contudo, atividade está vinculada, obrigatória, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de responsabilidade. Ademais, como regra geral, a inobservância de norma jurídica cujo resultado seja o recolhimento a menor de tributo implica em sanção, que visa reparar o dano e/ou inibir tal conduta. Dessa forma, em havendo lançamento por parte da autoridade fiscal, cabe a imposição da multa de ofício. Além disso, a empresa em liquidação extrajudicial não se constitui exceção à regra geral, nos termos do art. 60 da Lei no. 9.430/96: Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Para corroborar esse entendimento, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar o Processo nº 10680.008628/200356, entendeu nos termos do art. 60 da Lei nº. 9.430/96, que as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme se extrai da ementa colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2002 MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº. 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sob essa ótica, na ausência de previsão legal em sentido contrário, cabe a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 144 7 incidência de multa de ofício sobre tais empresas quando a irregularidade constatada assim o exigir. Recurso provido. Diante de tudo que foi exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto é como penso. Demes Brito Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes para apresentar meu entendimento acerca da matéria. No presente caso, depreendendose da leitura dos autos do processo, a lide, conforme enquadramento qualificado pela autoridade fazendária, envolve o descumprimento das obrigações acessórias do IOF incidente no suposto pagamentos de prêmios pela pessoa jurídica em liquidação extrajudicial relativo aos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Independentemente de essa Conselheira entender que a multa que deveria ser imputada, a rigor, seria aquela prevista no art. 55, inciso I, do Decreto 4.494/02, e não aquela referendada pelo inciso II – tal como considerou a autoridade fazendária, tendo em vista que essa questão nunca foi suscitada pelo sujeito passivo, tampouco pelas instâncias administrativas (DRJ e Câmara abaixo), passo a expor a análise somente da lide posta nesse processo – qual seja, se no caso vertente seria aplicável ou não o art. 18, alínea “f”, da Lei 6.024,74, “in verbis”: “Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 145 8 a) suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda, não podendo ser intentadas quaisquer outras, enquanto durar a liquidação; b) vencimento antecipado das obrigações da liquidanda; c) não atendimento das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos em virtude da decretação da liquidação extrajudicial; d) não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; e) interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição; f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas.” Ressurgindo aos autos, vêse que foi decretada a liquidação extrajudicial, através da Portaria SUSEP 2231/05, publicada no Diário Oficial da União de 18 de agosto de 2005. O que, por conseguinte, levaria a instituição a observar os dizeres da Lei 6.024/74 – que trata especificamente da liquidação extrajudicial. Especificamente, quanto à liquidação extrajudicial, citase decisão proferida pela colenda Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA FISCAL MORATÓRIA, EXCLUSÃO. ART. 23, III, DA LEI DE FALÊNCIAS C/C ART. 34, DA LEI 6.024/74. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. ART. 26 DA LEI DE FALÊNCIAS. I Como já definiu a jurisprudência desta Corte e do Colendo Supremo Tribunal Federal, a multa fiscal moratória tem característica de pena administrativa. Nesse panorama, é vedada a sua inclusão no crédito habilitado em falência e, por extensão, em face do artigo 34 da Lei nº 6.024/1974 que determina a aplicação subsidiária da Lei de falências, também é interditada a inclusão de tal verba na liquidação extrajudicial. II – O mesmo entendimento não se aplica aos juros de mora anteriores à decretação da liquidação extrajudicial, os quais são devidos, bem assim os Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 146 9 posteriores que somente serão excluídos se o ativo apurado for insuficiente para pagamento do passivo. III – Recurso especial parcialmente provido.” Quanto à análise do art. 60 da Lei 9.430/96, apenas trago que não cabe a sua apreciação, pois sua hipótese de incidência se refere as “normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União”. O que abrangeria somente as “normas de incidência”, e não as normas sancionatórias. Esse entendimento é a que melhor se aperfeiçoa às situações das empresas que estão em liquidação extrajudicial, pois garante e resguarda os direitos dos credores. O que, por conseguinte, não há que se falar em derrogação do art. 18, alínea "f", da Lei 6.024/74, pelo art. 60 da Lei 9430/96. Ademais, importante trazer os dizeres da Súmula 195 do STF (Grifos meus): “Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência.” “Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa.” O que, ainda que se trate de falência, e não liquidação extrajudicial, é de se observar a inteligência dessas Súmulas e afastar a referida multa. Frisese meu entendimento a manifestação dada pelo TRF3 (Grifos meus): “TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 15999 SP 0015999 37.2009.4.03.6182 (TRF3)” Tratase de apelação em face de sentença que julgou extinta execução fiscal ajuizada para cobrança de multa administrativa imposta pela SUSEP, ao entendimento de que, as penas administrativas não se incluem entre os créditos reclamáveis em caso de extinção do devedor, que no caso ocorreu Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 147 10 por liquidação extrajudicial, incidindo a vedação legal de sua cobrança, nos termos do art. 98 , § 4º , do Decretolei nº 73 /66 e art. 18, f, da Lei nº 6.024 /74, a arredar a presunção de liquidez e certeza do título executivo. 2. Da leitura dos referidos dispositivos (art. 18, alínea f, da Lei n.º 6.024 /74, bem como do art. 98, § 4º do DecretoLei n.º 73 /66), exsurge cristalina a vedação legal de cobrança de multa administrativa em face de seguradoras sujeitas ao regime de liquidação extrajudicial, resultando na inexigibilidade do crédito exequendo. 3. Imperioso anotar, por fim, não ser aplicável ao caso vertente a Lei nº 11.101 /05, uma vez o art. 2º, II, desta lei expressamente exclui as sociedades seguradoras de sua abrangência.” E, por fim, destacase ainda que, em novembro de 2006, foi publicado o Ato Declaratório PGFN – que diz (Grifos meus): "Dispensa a apresentação de contestação e a interposição de recursos e autoriza a desistência dos já interpostos nas ações que especifica." [...] DECLARA que ficam dispensadas a apresentação de contestação, a interposição de recursos e fica autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide multa fiscal, de qualquer natureza, nas falências submetidas ao regime do Decretolei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, e nas liquidações extrajudiciais de instituições financeiras, submetidas ao regime da Lei nº 6.024 de 13 de março de 1974". JURISPRUDÊNCIA: RESP nº 532.539 (DJ 16/11/2004), RESP nº 51.387 (DJ 09/09/2002), RESP nº 102.683 (DJ 13/03/2000). *A integra dos pareceres referidos nestes atos declaratórios está disponível no endereço www.pgfn.fazenda.gov.br. LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS Lembro ainda que o Parecer PGFN/CDA 2281/2006, conclui, entre outros: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.002175/200793 Acórdão n.º 9303004.155 CSRFT3 Fl. 148 11 “Em face da instituição financeira, sejam consideradas inexigíveis as multas de ofício de natureza tributária, cujos fatos geradores tenham ocorrido anteriormente à decretação da liquidação extrajudicial daquela, dado o disposto no artigo 18, “f”, da Lei nº 6.024/1974;” Nesse ínterim, resta claro que não há que se falar em imputação da referida multa ao caso em comento – vez que esse entendimento já havia sido pacificado até mesmo no âmbito da Fazenda Nacional. E, em vista de todo o exposto, considerando que, no presente caso, temos que a multa foi aplicada pela falta de informações de IOF supostamente devido sobre o pagamento de prêmios ocorridos no período (fato gerador) de 2001 a 2005 – ou seja, fatos geradores ocorridos antes da decretação da liquidação extrajudicial (que somente ocorreu em agosto de 2007), é de se aplicar tal parecer para se excluir a referida multa. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por DEMES BRITO, Assinado digit almente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.730002/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário.
OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EM DECISÃO POR VOTO DE QUALIDADE. RECOMPOSIÇÃO DA APURAÇÃO DO TRIBUTO. São rejeitados os embargos que veiculam questionamento não deduzido em recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente aos temas 1, 2 e 3, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊ-LOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos; e 2) relativamente aos temas 4 e 5, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente aos temas 1, 2 e 3, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊ-LOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos; e 2) relativamente aos temas 4 e 5, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário. OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EM DECISÃO POR VOTO DE QUALIDADE. RECOMPOSIÇÃO DA APURAÇÃO DO TRIBUTO. São rejeitados os embargos que veiculam questionamento não deduzido em recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente aos temas 1, 2 e 3, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊLOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos; e 2) relativamente aos temas 4 e 5, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 02 /2 01 1- 61 Fl. 3764DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 11 de março de 2014, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso voluntário interposto nestes autos, assim relatado no Acórdão nº 130201.330: Contra a Contribuinte foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, exigindo um total de crédito tributário de R$ 51.761.067,70. Segundo o Relatório fiscal, a autuação decorre da falta de recolhimento do ganho de capital obtido na alienação de participação societária que o contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A. O referido Relatório pode ser assim resumido: Em janeiro de 1998, foram constituídas as pessoas jurídicas METROVIAS, CONVIAS e SULVIAS, tendo como objeto social a exploração, sob o regime de concessão, dos complexos rodoviários denominados pólos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado, conforme quadro societário constante de Auto de Infração. Em 02/12/2004 foi constituída a POMOB – Construções e Participações Ltda., antiga denominação da CP, com capital social de R$ 9.000.00, subscrito pelos sócios PORTELLA NUNES E CIA LTDA., MONTE BÉRICO PARTICIPAÇÕES S/A e BGPAR S/A. Em 29/12/2004 a sócia PORTELLA NUNES E CIA LTDA. transferiu suas cotas para a CONSTRUTORA SULTEPA S/A e, na mesma data, ocorreu um aumento de capital na POMOB, que passou de R$ 9.000,00 para R$ 100.599.498,00. Os sócios integralizaram o capital com a transferência de parte das ações que detinham na METROVIAS, CONVIAS e na SULVIAS e no mesmo ato ingressou na sociedade a PEDRASUL CONSTRUTORA LTDA., que integralizou o capital com parte das ações que detinha na CONVIAS. Dos sócios originais das concessionárias, apenas a CASTILHO não transferiu ações para a CP, mantendo inalterada sua participação diretas nas referidas concessionárias. Em janeiro de 2005 a POMOB foi transformada em sociedade anônima e recebeu a denominação social de COPARCO COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES E CONSTRUÇÕES e até setembro de 2006, o quadro societário da COPARCO (CP) e a participação que esta detinha nas concessionárias permaneceu da seguinte forma: Fl. 3765DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 15/09/2006, foi efetuada uma cisão parcial da CP, que resultou na saída da sócia MONTE BÉRICO e na redução da participação da CONSTRUTORA SULTEPA. A MONTE BÉRICO se retirou da CP recebendo ações da METROVIAS, CONVIAS e da SULVIAS, que foram transferidas diretamente para a TBPAR, controlada pela MONTE BÉRICO com 99,99% das ações. A Construtora SULTEPA reduziu a participação na CP, recebendo ações da SULVIAS e METROVIAS, que foram transferidas diretamente para a SULTEPA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO. Em consequência, a estrutura de controle das concessionárias ficou a seguinte: A cisão da CP CONSTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. foi a primeira etapa de uma sequência de atos simulados objetivando a alienação do controle das concessionárias para a ROBINA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. A saída da MONTE BÉRICO do quadro societário da CP ocorreu porque o grupo TONIOLO BUSNELLO não tinha a intenção de se desfazer de sua participação nas concessionárias. Assim, saiu da CP e voltou a ter participação direta nas três concessionárias, através da TBPAR, permitindo que os sócios remanescentes (grupo SULTEPA e BRASÍLIA GUAÍBA) alienassem para a ROBINA suas participações nas concessionárias. A CASTILHO ENGENHARIA também alienou sua participação nas concessionárias para a ROBINA, mas não o fez através da CP. A etapa seguinte foi a utilização da UNIVIAS PARTICIPAÇÕES S/A, que havia sido constituída em 11/04/2006 sob a denominação de EDSR19 PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, com capital de R$ 1.000,00. Fl. 3766DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 5 4 A EDSR19 teve sua denominação alterada para UNIVIAS PARTICIPAÇÕES S/A em 18/09/2006, quando ingressaram na sociedade a PEDRASUL, a BGPAR, a CASTILHO e a CP. A CASTILHO, que não havia ingressado no quadro da CP, ingressou diretamente na UNIVIAS, recebendo 342 ações com valor total de R$ 342,00. Em 10/06/2006 ocorreu um aumento de capital na UNIVIAS, integralizado pelos quatro sócios através da conferência pelo valor contábil de ações das concessionárias, resultando na seguinte estrutura: Em 10/10/2006 foram realizadas quatro assembléias da UNIVIAS, em cada uma delas subscreveram capital a PEDRASUL, BGPAR, CASTILHO e CP, no valor de R$ 1.000.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$ 66.689.036,74. Na contabilidade da CP os investimentos nas concessionárias foram substituídos pelo investimento na UNIVIAS. Constatamos inconsistência em relação ao valor subscrito pela CASTILHO, que pagou R$ 135,1109 por lote de mil ações, enquanto a CP pagou R$ 972,2413 por lote de mil ações, para compensar distorção no valor contábil original das subscritoras e manter o percentual desejado de participação na UNIVIAS (34,22% para a CASTILHO e 64,77% para a CP). Depois da subscrição efetuada pelos quatro sócios, o PL da UNIVIAS passou para R$ 67,6 milhões, sendo que R$ 62,9 milhões, ou 93%, foram provenientes da subscrição efetuada pela CP, que, no entanto, recebeu 64,77% das ações. Fl. 3767DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 6 5 Na primeira equivalência patrimonial subseqüente, a CP registraria uma perda, por isso desdobrou o valor pago, parte em conta investimento (R$ 43.842.162,09) e o restante em conta de ágio (R$ 17.131.812,75). A cisão da CP e o aumento de capital na UNIVIAS definiram a configuração necessária à venda, da forma como pretendida pelas partes. O grupo TONIOLO BUSNELLO, que havia integrado originalmente a CP, através da MONTE BÉRICO, retirouse na cisão e voltou a ter participação direta nas concessionárias. Os grupos SULTEPA e BRASÍLIA GUAÍBA se mantiveram na CP, que se associou à CASTILHO através da UNIVIAS já que todos pretendiam alienar para a ROBINA seus investimentos nas concessionárias. Na etapa seguinte, em 11/10/2006, a UNIVIAS emitiu bônus de subscrição, conferindo ao titular desses bônus o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53. O prêmio a ser pago à UNIVIAS pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$ 118.322.660,47 e na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrição do bônus e aprovaram que a subscrição fosse efetuada pela ROBINA. De acordo com o Boletim de Subscrição elaborado na mesma data, o bônus foi pago pela ROBINA da seguinte forma: R$ 17.400.391,24 no ato, em moeda corrente nacional, e R$ 100.922.269,22 por duas notas promissórias de R$ 50.461.134,61, com vencimento em 26/02/2007, emitidas por EMPATE ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. e HEBER PARTICIPAÇÕES LTDA., controladores da ROBINA, que foram resgatadas em 16/11/2006. Os valores recebidos pela UNIVIAS referentes à subscrição do bônus foram repassados aos sócios CP, BGPAR, CASTILHO E PEDRASUL, por conta de mútuo. A CASTILHO recebeu R$ 40.745.819,54, sendo R$ 5.932.130,45 em 10/2006 e R$ 34.813.689,09 em 11/2006. Esse procedimento todo foi a primeira etapa da venda, apesar de não ter sido formalmente tratada pelos alienantes como venda de ações. Como a ROBINA não exerceu o direito de subscrever as 80.000.800 ações, não houve alteração no quadro societário da UNIVIAS em outubro de 2006. Com esse artifício os sócios da UNIVIAS, inclusive a CP, puderam majorar o custo de seu investimento na UNIVIAS através da equivalência patrimonial, já que o PL da UNIVIAS foi inflado com o recebimento do Bônus de Subscrição. Somente em 2007 a ROBINA veio a exercer seu direito de subscrição. A CP, que detinha 64,77% da UNIVIAS, registrou uma equivalência patrimonial de R$ 76.937.895,00 em 31/10/2006. O investimento, registrado originalmente de R$ 43.842.162,09, passou para R$ 120.780.057,09, que, somados ao ágio de 17.131.812,75, totalizou R$ 137.911.869,84, majorando o custo do investimento, na tentativa de evitar o ganho de capital na alienação da participação societária. Em 16 de novembro de 2006 foi celebrado um contrato de compra e venda entre ROBINA e os sócios da UNIVIAS, relativo a 18,622% das ações da UNIVIAS, divididos proporcionalmente à participação de cada um dos sócios, pelo valor total de R$ 35.212.734,80. À CP coube uma parcela de R$ 22.807.217,90, transferidos pela ROBINA em 16/11/2006 Essa foi a segunda etapa da venda que resultou nos autos de infração. Depois dessa venda, o quadro societário da UNIVIAS ficou da seguinte forma: Fl. 3768DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 7 6 Em 28/12/2006 foi efetuada uma redução de capital na CP, com o cancelamento de 6.895.914 ações dos sócios BGPAR, PEDRASUL e CONSTRUTORA SULTEPA, que receberam em troca 3.362.020 ações da UNIVIAS. A redução foi proporcional às participações dos três sócios e não alterou os percentuais de participação no quadro da CP, mas acarretou mudança no quadro da UNIVIAS: Em 28/03/2007 foi efetuado um resgate parcial de 64.759.233 ações da UNIVIAS, quando as sócias CP, CASTILHO, BGPAR e PEDRASUL receberam um total de R$ 119.064.979,27, proporcionalmente ao número de ações resgatadas. Na UNIVIAS o resgate foi efetuado à conta reserva de capital e a contrapartida foi à baixa do mútuo que havia sido concedido aos acionistas anteriormente. À CP coube o valor de R$ 77.117.925,91, contabilizado a conta de reserva de capital e a contrapartida da conta de empréstimo. Depois dessa operação, o quadro societário da UNIVIAS ficou da seguinte forma: Neste mesmo dia 28/03/2007 foi realizada uma assembléia na CP para aprovar a distribuição de dividendos no valor de R$ 65.920.611,00 e a redução de capital no montante de R$ 34.414.602,00. A contrapartida dos dois lançamentos foi crédito de “devedores diversos” (BGPAR, PEDRASUL e CONSTRUTORA SULTEPA), representando a baixa do mútuo que havia sido concedido anteriormente aos sócios com recursos provenientes da venda para ROBINA de 18,62% das ações da UNIVIAS e pagamento do bônus de subscrição. Fl. 3769DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 8 7 Em 05/06/2007 ocorreu outra redução de capital na UNIVIAS, acarretando a saída da CP e da BGPAR e a redução da participação da CASTILHO e da PEDRASUL. Na mesma data a ROBINA subscreveu 80.000.800 ações por R$ 22.565.618,44, exercendo o direito de subscrição pelo qual havia pagado anteriormente o bônus. Os recursos provenientes da subscrição das ações pela ROBINA foram utilizados para o resgate das ações. A parcela que coube à CP pelo resgate de suas ações na UNIVIAS foi repassado aos seus sócios (BGPAR, PEDRASUL, e CONSTRUTORA SULTEPA). A CP e os demais sócios da UNIVIAS resgataram ações e receberam em pagamento os recursos integralizados na mesma data pela ROBINA na UNIVIAS. A CP, no entanto, ignorando o fato de que o ingresso da ROBINA fez reduzir o seu percentual de participação, não registrou equivalência patrimonial negativa para ajustar o valor do investimento. As alterações na UNIVIAS consolidaram a saída da CP. Os recursos recebidos pela CP nas três etapas da venda foram repassados aos sócios através da distribuição de dividendos e de sucessivos resgates de ações. Ainda no dia 05, a ROBINA adquiriu as ações que a CONSTRUTORA SULTEPA e a SULTEPA CONSTRUÇÕES detinham diretamente na SULVIAS e na METROVIAS. Em 01/12/2008 a UNIVIAS incorporou a ROBINA, e a CIBE, que detinha 100% da ROBINA, recebeu as ações da UNIVIAS que eram de titularidade da ROBINA. No dia 02/12/2008 a UNIVIAS foi extinta por cisão total, sendo seu acervo vertido para as concessionárias SULVIAS, CONVIAS e METROVIAS. Em troca de sua participação na sociedade extinta, os sócios da UNIVIAS receberam ações das concessionárias, que passaram a ser controladas diretamente pela CIBE (71,94% da METROVIAS, 71,72% da CONVIAS e 72,03% da SULVIAS). O grupo TONIOLO BUSNELLO, através da TBPAR e da MONTE BÉRICO, manteve a participação direta de 24,50% em cada uma das concessionárias e o restante das ações das concessionárias ficou com pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos antigos sócios minoritários da UNIVIAS. O PL da UNIVIAS em maio de 2007 era de aproximadamente 63 milhões, conforme balancete de fls. 1270 (R$ 66 milhões computados no balanço, descontados R$ 3 milhões de prejuízo de janeiro a maio de 2007). Efetuada a subscrição de 80.000.800 ações pela ROBINA, por R$ 22,5 milhões, o PL passaria para R$ 85,5 milhões e o total de ações para 115.242.567. Consequentemente a CP teve sua participação reduzida de 21% para 6,42%, quando deveria ter registrar a equivalência patrimonial negativa por essa variação percentual (despesa que não comporia o lucro real, art. 428 do RIR/99), pois o novo saldo do investimento era de aproximadamente R$ 5,5 milhões, 6,42% de R$ 85,5 milhões, e não os R$ 13,2 milhões registrados na contabilidade. Se a CP foi paga com os recursos da ROBINA, então a subscrição já ocorrera e não poderia ser desconsiderada para o ajuste prévio do resgate. Essa foi a terceira etapa da venda. A ROBINA segregou um ágio de R$ 114.020.009,66, que, somado ao ágio de R$ 494.448,54, contabilizado anteriormente quando da aquisição de 18,62% das ações, resultou num total de R$ 114.514.458,20. Esse ágio foi transferido para a UNIVIAS em 01/12/2008, quando da incorporação da ROBINA, e repassado para as concessionárias METROVIAS, SULVIAS e CONVIAS em 02/12/2008, pela cisão total da UNIVIAS. Fl. 3770DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 9 8 Nas concessionárias este ágio passou a ser dedutível por força do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Com isso, concluise que o planejamento, na verdade tratouse de uma simulação, cuidou de evitar o ganho de capital para os alienantes, mas preservou o ágio dedutível para os adquirentes. Depois dessa operação a ROBINA passou a deter 95% do capital da UNIVIAS, conforme abaixo: Em abril de 2009 ocorreu a transferência das ações desses minoritários para a CIBE e o quadro societário ficou da seguinte forma: Em razão dos fatos acima descritos, o autuante afirma que a posição final do quadro societário das concessionárias demonstra a saída dos grupos SULTEPA, BRASÍLIA GUAÍBA e CASTILHO, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a UNIVIAS para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A CASTILHO não participou da CP, mas também se utilizou a UNIVIAS para reduzir o ganho de capital. A sequência dos atos praticados, evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido à operação e a simulação tornouse irrefutável diante do documento “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” datado de 27/09/2006 (fls. 219/265), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. No “Acordo de Investimentos” a operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. Restou claro que a capitalização inexistiu de fato. Basta comparar o patrimônio da UNIVIAS em 10/10/2006, imediatamente anterior à subscrição do bônus, representado unicamente pelos investimentos junto às concessionárias, e o patrimônio depois da conclusão da operação, em 30/06/2007, representado pelos mesmos investimentos. Fl. 3771DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 10 9 A UNIVIAS emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. O ganho foi dos sócios e não da UNIVIAS. A distorção da utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos. Foi emitido um bônus vinculado à emissão de ações para uma suposta capitalização, quando, na verdade, o resultado final previsto era a manutenção aproximada do número de ações e a entrega do produto da pseudo capitalização para os sócios. No momento da emissão do bônus, o capital da UNIVIAS era representado por 100.001.000 ações, com previsão de emissão de mais 80.000.800 ações, a serem subscritas pela ROBINA, o que totalizaria 180.001.800 ações. Isso nunca ocorreu, porque quando a ROBINA subscreveu as 80.000.800 ações em 05/06/2007, estas já haviam sido resgatadas pelos antigos sócios 76.187.332 ações (parte em 28/03/2007 e a outra na própria assembléia de 05/06/07). Ao final, o capital da UNIVIAS restou representado por 103.814.468 ações, muito próximo das 100.001.000 ações originais, distribuído de forma diversa entre ações ordinárias e preferenciais. Das 64.770.490 ações que a CP detinha na UNIVIAS no início da operação, 54.006.508 foram vendidas à ROBINA em 2006, 3.362.020 foram restituídas aos seus sócios em resgate de capital ocorrido em dezembro de 2006, e as 7.401.962 ações restantes também foram vendidas à ROBINA em junho de 2007, acarretando a saída da CP do quadro da UNIVIAS. O ganho de capital foi apurado pela fiscalização a partir dos valores recebidos pela CP descontados do custo do investimento, desconsiderandose a equivalência patrimonial efetuada na CP em decorrência do bônus de subscrição contabilizado na UNIVIAS. Os fatos acima descritos revelam que a verdadeira intenção da CP sempre foi alienar para a ROBINA sua participação direta na UNIVIAS, e indireta nas concessionárias. A vontade formalmente externada não é verdadeira e não deve prevalecer, mas sim os efeitos tributários dos atos que se buscou dissimular, que foi a alienação da participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma dos arts. 418 e 426 do RIR/99. A partir de junho de 2007, o balanço patrimonial da CP se resume a um prejuízo acumulado de R$ 10,3 milhões, permanecendo assim até as últimas declarações (exercícios 2010 e 2011 fls. 1836 e 1848). Ou seja, é uma sociedade inoperante e sem qualquer patrimônio, enquanto os sócias que receberam o produto da alienação são empresas de expressivo patrimônio. Diante deste cenário, a fiscalização lançou o crédito tributário com a multa de 150%, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, do CTN, contra as sociedades PEDRASUL CONSTRUTORA S/A, BGPAR S/A e CONSTRUTORA SULTEPA S/A, já que a CP restou esvaziada depois da transferência do controle das concessionárias para a ROBINA, sendo os valores recebidos sido repassados diretamente para seus sócios. DAS IMPUGNAÇÕES As sociedades PEDRASUL CONSTRUTORA S/A, BGPAR S/A e CONSTRUTORA SULTEPA S/A, na qualidade de sujeitos passivos solidários, apresentaram a impugnação, alegando, preliminarmente, que os autos são nulos por incompetência Fl. 3772DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 11 10 das autoridades fiscais autuantes, adstritos à DRF/Porto Alegre, quando o primeiro Termo de Intimação Fiscal foi lavrado em Caxias do Sul, e no mérito, o seguinte: a ilegitimidade das partes para fins de configuração da responsabilidade solidária, Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que elas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. que a solidariedade não se presume devendo a fiscalização buscar a verdade material dos fatos, e atos ocorridos. que lançamento com base em suposta simulação de reorganização societária, não tem validade no direito tributário. que os atos societários em análise, equivocadamente reputados como verdadeira operação de compra e venda, foram firmados pela CP, e não pelos impugnantes. que a fiscalização deixou de investigar a fundo o contexto político e econômico que permeava a admissão da ROBINA como nova investidora na UNIVIAS. que ouve propósito negocial na operação já que era necessário ingresso de novo investidor que aportasse recursos para a continuidade da execução dos projetos, bem como partilhasse os riscos atrelados à exploração do Consórcio (UNIVIAS). que a fiscalização desconsiderou que os atos listados no Acordo de Investimentos foram praticados e todos os elementos que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) adequado intervalo temporal entre as operações; (b) a independência das partes envolvidas; (c) existência de várias condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos. que a completa reestruturação societária levou quase um ano, restou patente a desvinculação entre as partes que subscreveram o Acordo de Investimento e houve publicidade dos atos já que à Administração Pública (BNDES, DAER/RS, CADE e AGERGS) acompanharam o caso. que cada uma das etapas do Acordo continha condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, o que demonstra a inexistência de fraude/conluio na operação, tornando impossível a qualificação da multa. que com a aprovação da 2ª etapa do Programa Federal de Licitações, ficou ainda mais patente a necessidade de injetar mais recursos na UNIVIAS e o Acordo de Investimentos, teve como finalidade o ingresso da ROBINA como investidora e, sendo a emissão de bônus de subscrição a forma de captação dos recursos necessários. que a 2ª etapa do Programa de Concessões mostrouse frustrante para as concessionárias, pois outro grupo ganhou a disputa de 5 dos 9 lotes disputados, o que resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando com a saída da CP e dos impugnantes do Consórcio UNIVIAS. foram carreados com a impugnação os documentos de folhas 1815 a 2197. A 1ª Turma da DRJ/POA, pelo acórdão de nº 1038.513, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: IRPJ/CSLL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL AUTUANTE. INOCORRÊNCIA A competência territorial do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as Fl. 3773DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 12 11 diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA É responsável pelo crédito tributário do sujeito passivo todo aquele que pratica diretamente atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizandose de artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondose as bases de cálculo desconsiderandose os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA É cabível o agravamento da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. Cientificada em 29/08/2012 a Autuada recorreu, tempestivamente, em 26/09/2012. Cientificadas em 09/08/2012 as responsáveis solidárias BGPAR S/A, PEDRASUL CONSTRUTORA S/A E CONSTRUTORA SULTEPA S/A, também apresentam conjuntamente, recurso voluntário, tempestivo, em 04/09/2012, através do mesmo advogado da Autuada, utilizando os mesmos argumentos, alegando basicamente o seguinte: que os recursos são tempestivos e no caso das responsabilizadas solidárias, que não são legítimas já que não houve interesse comum. que a autuação se baseou em meras presunções e portanto, a reorganização/planejamento tributário das sociedades deve ser aceita como legal, já que o propósito negocial, está cabalmente demonstrado. que Olivio Dutra ao suceder Antônio Brito no Governo do Rio Grande do Sul, impôs redução de tarifa quebrando cláusula do contrato de exploração assinado o que inviabilizou o negócio. que foi assinado um termo aditivo também não cumprido naquele governo e depois de uma intervenção do Governo Federal chegouse a conclusão de que seria necessário nova captação de recursos, para atendimento das novas exigências do “acordo”. que, portanto, este foi o propósito negocial da reestruturação empresarial, que foi planejado com adequado intervalo temporal entre as operações, condições suspensivas e independência das partes envolvidas. que, agindo de boafé, reportou em seus livros contábeis e fiscais todos os atos executados, bem como tornou pública as bases para realização do negócio, por meio da divulgação ao mercado, da realização do Acordo de Investimentos para admissão de novo investidor e arquivamento desse documento no CADE. pelo exposto, adotandose o entendimento já manifestado por este Conselho no Acórdão n° 110100.708, com vistas à uniformização de sua jurisprudência acerca da matéria, requer o provimento do Recurso. Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 13 12 que não se pode admitir que a fiscalização aceite como legitima a operação realizada pela METROVIAS, na qualidade de sucessora da ROBINA, e como inválida e fraudulenta para os demais envolvidos. que seja cancelado o lançamento juntamente com os termos de sujeição passiva solidária das empresas BGPAR, Pedrasul e Sultepa, ou ao menos seja excluída a multa qualificada de 150%. A PGFN apresentou contrarazões ao recurso voluntário, alegando basicamente o seguinte: conforme provam os documentos coligidos na ação fiscal e os relatos do Termo de Verificação Fiscal, as partes praticaram diversos atos simulados, todos com o fim único de ludibriar o Fisco para pagar menos tributo. que a realização de atos em seqüência demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da contribuinte e dos demais participantes, com notório propósito de burlar o cumprimento da obrigação fiscal. em relação ao conluio, cumpre registrar que o “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” é prova mais do que suficiente para constatar a união de vontades direcionada para o planejamento tributário abusivo, com a alienação da participação societária na METROVIAS, CONVIAS e SULVIAS sem a incidência do ganho de capital auferido na operação. que os sujeitos passivos praticaram atividade ilícita comprovada detalhadamente, a partir da realização de diversos atos simulados, motivo pelo qual deve ser mantida inclusive a multa de 150%. que a conduta teve como objetivo impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e demonstrou o dolo praticado. ante o exposto requer que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. O Colegiado embargado acordou, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O acórdão em tela foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado na participação ativa e direta nos atos simulados que conduziram à alienação da participação societária e no interesse econômico e jurídico direto, com o benefício financeiro da supressão do ganho de capital na alienação de ativos dos quais era titular. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASASEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pelos interessados nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 14 13 todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional devolveu os autos sem manifestação (fl. 3644). Os autos seguiram para a Unidade de origem que lavrou as intimações de fls. 3658/3677, dirigidas a CP Construções e Participações Ltda, BGPAR S/A, Pedrasul Construtora S/A e Construtora Sultepa S/A, sendo todas as pessoas jurídicas cientificadas em 21/10/2014, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem dos documentos em suas caixas postais eletrônicas (fls. 3672/3675). CP Construções e Participações Ltda apresentou embargos admitidos nos termos de despacho de fls. 3757/3579, a seguir transcrito: A contribuinte CP Construções e Participações Ltda opôs embargos, tempestivamente, em 13/10/2014, nos quais afirma que o acórdão embargado padeceria de omissões e obscuridades, a saber: (i) obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão; (ii) omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações; (iii) omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa"; (iv) omissão quanto à impossibilidade de manutenção da multa na decisão por voto de qualidade; e (v) obscuridade na alegação de que não houve a recomposição do lucro tributável. A exigência em debate recaiu sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária que a contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A. Considerando que depois das operações analisadas a contribuinte restou esvaziada, houve atribuição de responsabilidade tributária a Pedrasul Construtora S/A, BGPar S/A e Construtora Sutelpa S/A. Observase no recurso voluntário referências às motivações extrafiscais das operações e à licitude do bônus de subscrição, aspectos que, embora possam ter sido suplantados pelas razões determinantes para a manutenção da exigência, apresentadas no voto condutor do julgado, não foram expressamente assim considerados. Também não se identifica, no voto condutor do julgado, referências às condições suspensivas, alegadas em recurso voluntário, e que, no entender da embargante, poderiam prejudicar a caracterização da operação como "casa e separa". Constatase, ainda, no voto vencido do Conselheiro Relator que a abordagem acerca da recomposição da apuração da contribuinte teve em conta o aproveitamento de recolhimentos e de saldo negativo, aspectos não abordados às fls. 2067/2068 do Relatório Fiscal, referenciadas no voto condutor do julgado. Por fim, com referência à manutenção da multa de ofício em decisão por voto de qualidade, é certo que este tema não integrava o recurso voluntário, e não Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 15 14 demandaria maiores esclarecimentos. Todavia, como os demais temas demanda esclarecimentos, não há qualquer prejuízo em também admitir os embargos neste ponto. Frente ao exposto, neste juízo de cognição sumária, restam caracterizadas as omissões e obscuridades apontadas pela embargante, razão pela qual, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §5º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente inclusão em lotes para sorteio, na medida em que o Conselheiro Redator não mais integra o Colegiado embargado. Observese, ainda, que nesta mesma data estão sendo admitidos embargos de declaração opostos por BGPar S/A e Pedrasul Construtora S/A, nos autos dos processos administrativos nº 11080.731774/201111 e 11080.732210/201103, os quais, por decorrerem das mesmas operações aqui tratadas, revelam conexão na forma do art. 6º, §1º, inciso I, do Anexo II do RICARF, autorizando a distribuição conjunta ao mesmo Conselheiro Relator. Esclareçase que, como o Conselheiro Relator não mais integra o Colegiado embargado, os autos foram atribuídos por meio de sorteio a esta Conselheira, na forma do art. 49, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 3777DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 16 15 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos foram opostos tempestivamente, e a embargante demonstrou aspectos que revelavam omissões e obscuridades que demandavam saneamento, nos termos expostos no despacho de admissibilidade. Por tais razões, os embargos são CONHECIDOS. Passase, assim, ao exame das alegações da embargante. Obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão (Tema 1) e Omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações (Tema 2) A embargante aduz que o voto vencedor do acórdão embargado, ao afirmar que os ditos atos simulados teriam majorado indevidamente o custo de aquisição do investimento, findando por "ocultar" o suposto ganho de capital ocorrido", desconsidera circunstâncias de extrema relevância para o deslinde do feito e o correto entendimento das operações realizadas, quais sejam, as dificuldades financeiras agravadas pelo desequilíbrio econômicofinanceiro dos contratos de concessão. Relatando as ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias, a demandar maciços investimentos das concessionárias, a embargante assevera que ela e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar estes novos investimentos, e destaca ser sua a obrigação de preservar a qualificação econômicofinanceira apresentada por ocasião do certame público, sob pena de caducidade da concessão, na forma da legislação de regência. Como tal caducidade causaria prejuízos ainda maiores à Embargante, constitui motivo que explica a necessidade da reestruturação ocorrida. Assim, ante a decisão da embargante e das demais empresas que compunham a UNIVIAS de sair do ramo de concessões públicas rodoviárias, promoveuse estudo para decidir qual a melhor estrutura societária para alienar os investimentos realizados, ou trazer um novo investidor à UNIVIAS, com o intuito de fazer frente aos novos investimentos demandados e avaliar o endividamento das empresas. Considerando que a transferência da concessão ou mesmo do controle acionário da concessionária sem a autorização do Poder Concedente é causa de caducidade da própria concessão, necessária seria autorização expressa do Poder Concedente (DAER) bem como de demais órgãos públicos, tais como BNDES (credor) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a inviabilizar a simples e pura alienação de sua participação nas concessões públicas, sendo que, de outro lado, a UNIVIAS e a Embargante necessitavam urgentemente de novos recursos para a manutenção de sua qualificação econômico financeira. Fl. 3778DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 17 16 Daí a contratação do Banco Pactual S/A e do escritório de advocacia Barbosa, Mussnich & Aragão Advogados, para estudo das hipóteses viáveis, sendo certo que tais pareceres, em momento algum, foram confrontados pelo voto vencedor do acórdão embargado. Concluindo pela inviabilidade da contratação de empréstimos bancários e da abertura de capital em Bolsa de Valores, restou como única alternativa a imediata entrada de um novo investidor, que para ser promovida sem a alienação das ações antes da anuência do BNDES e do DAER, foi promovida por meio do bônus de subscrição. A embargante acrescenta que: Nesse modelo, por um lado garantese o ingresso imediato de investimentos necessários à consecução do objeto dos contratos administrativos sem qualquer aumento do passivo da UNIVIAS e seus acionistas, assegurando, assim, a qualificação econômicofinanceira exigida. Por outro, concede a segurança ao novo investidor, durante o período necessário à obtenção das autorizações exigidas para alienar parte das concessionárias. Com base nisso, o novo investidor interessado no negócio desenvolvido pela UNIVIAS firmou, em setembro de 2006, com a própria UNIVIAS e as empresas que dela participavam, o Acordo de Investimentos devidamente registrado no CADE. Volvendo os olhos para o recurso voluntário, observase no tópico "IV.I.I Propósito Negocial" a abordagem acerca das ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias. Já com referência às alternativas consideradas para superar o fato de que a embargante e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar os novos investimentos demandados pela concessão por elas detida, outra foi a abordagem em recurso voluntário. De fato, a recorrente firmou, apenas, a necessidade do ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento, e isso para justificar a previsão contratual de retirada dos demais sócios da UNIVIAS, apesar de acrescentar que o ingresso de novo sócio alavancaria as companhias em outros negócios a serem desenvolvidos, especialmente frente ao possível lançamento da 2ª Etapa do Programa Federal de Concessões, dado que a associação com um grupo economicamente forte injetaria recursos na Companhia e viabilizaria o desenvolvimento de novos negócios. Neste momento, a recorrente não abordou a necessidade de prévia autorização dos órgãos reguladores para transferência da concessão. Há apenas uma menção ao fato de que a reorganização empresaria dependia da aprovação de terceiros, sendo que as justificativas de propósito negocial são finalizadas com a observação de que as vitórias do Grupo Espanho OHL no referido programa de concessões decorreu do baixo custo de obtenção de recursos pelo lançamento de papéis ou Bolsa de Valores, gerando perda de escala para o Grupo UNIVIAS e motivando a saída da contribuinte do referido consórcio. Somente mais à frente, ao tratar das condições suspensivas do negócio, a recorrente fez referência à necessidade de aprovação dos órgãos reguladores. Já com referência à escolha do bônus de subscrição como meio para imediata injeção de capital no empreendimento, a recorrente apenas o descreveu como instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, e afirmou que ele foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina, sem enfrentar a acusação fiscal, reproduzida pela própria recorrente, de que tais recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. Fl. 3779DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 18 17 Feitos tais esclarecimentos, vêse que o voto condutor do acórdão embargado, embora em abordagem que se prestava a demonstrar que o caso presente se alinhava àqueles que este Conselho classificou como "casasepara", acabou por demonstrar que tais justificativas não alteravam a conclusão de haver simulação para evitar a tributação sobre ganho de capital, evidenciando a partir da análise do Acordo de Investimentos que: 1) a intenção das autuadas sempre foi alienar a participação societária; 2) a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável em qualquer forma negocial; 3) o bônus de subscrição não se prestou ao incremento do empreendimento porque repassado diretamente aos sócios da UNIVIAS por conta de mútuo; e 4) a rescisão do contrato somente foi prevista em caso de não autorização dos órgãos reguladores, vinculandose os pactuantes irrevogavelmente nas demais hipóteses. Para maior clareza, transcrevese as razões assim expostas no voto condutor do julgado: No caso sob análise, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 219/263) evidencia exatamente isso. A intenção de admitir um novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, e a intenção desde o início era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. O acórdão recorrido bem enfatizou aspectos do negócio que evidenciam seus efeitos financeiros, com a imediata transferência dos recursos aportados pela Robina aos alienantes, confirase o seguinte excerto (fls. 3160/3161): Esse aspecto fica mais claro quando se verifica que na mesma assembléia em que se aprovou a emissão de bônus de subscrição também houve a renúncia do direito de subscrição pelos acionistas e a aprovação da subscrição do bônus pela Robina. E, também, quando se verifica que os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos. Outro aspecto de profunda relevância a demonstrar que nunca houve, de fato, um “novo investidor” é a constatação de que, quando a Robina subscreveu as ações, já havia ocorrido redução de ações na Univias, de tal forma que o número de ações ficou quase inalterado (100 milhões contra 103 milhões, vide descrição detalhada à fl. 2062). Alegam as recorrentes que, ao contrário de outras situações caracterizadas como “casasepara”, neste caso teria havido o transcurso de um lapso temporal significativo, superior a um ano. No entanto, tal lapso temporal, aqui, se torna irrelevante, visto que todos os passos estavam previamente pactuados entre as partes, até mesmo quanto a valores. Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 219/263), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra Fl. 3780DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 19 18 sorte, os pactuantes estavam irevogavel e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Resta, pois, demonstrada que a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável, como o foi, qualquer que fosse a forma negocial adotada. Assim, afastada qualquer motivação extrafiscal, remanesce tão somente a motivação de redução ou supressão dos tributos devidos na alienação da participação societária. (negrejouse) Frente a tal abordagem, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, a qual, apesar de centrada na caracterização da operação como "casasepara", demonstrou que as dificuldades financeiras destacadas pela embargante e o aporte de capital mediante bônus de subscrição não alteram a conclusão de que houve simulação e a recorrente pretendia, apenas, alienar seu investimento, sendo os recursos aportados pela adquirente destinados aos sócios da UNIVIAS, e não aplicados no empreendimento. Omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa" (Tema 3) A embargante aduz que, ao definir a operação in casu como operação de Casa e Separa", o voto vencedor foi omisso quanto ao fato de que as condições no presente caso eram suspensivas, e não resolutivas como os típicos casos de "Casa e Separa". Acrescenta que o voto vencedor do acórdão também foi obscuro quanto à alternativa jurídica mais simples e direta, uma vez que, como já afirmado acima, não levou em consideração a impossibilidade imposta pelo Contrato Administrativo ao qual a Embargante estava vinculada, que impossibilitava absolutamente a venda direta, hipótese esta totalmente peculiar e diversa de todos os casos de "Casa e Separa". A embargante estrutura seus questionamentos a partir das premissas de que os planejamentos denominados "casa e separa" se valem de empresa veículo com vida efêmera, com a fixação de cláusulas resolutivas que não levariam a quaisquer penalidades se não implementadas, sempre presente a possibilidade de ser adotada uma alternativa mais simples por não envolver órgãos públicos, nem agentes financeiros. Confrontando estas circunstâncias com as características do presente caso, conclui que inexiste qualquer semelhança com os demais casos analisados por este Conselho. Defende, assim, que deveria constar do voto condutor em detalhes porque reputou a operação realizada nos autos como uma operação de "Casa e Separa", abordando cada um dos critérios apontados pela Embargante (apontados acima), e não deixando de analisar as condições em que as operações ocorreram e a alternativa jurídica mais simples e direta. Inicialmente cumpre observar que o voto condutor do acórdão embargado claramente expõe as premissas que caracterizariam a dita operação "casasepara": Ao analisar as operações como um todo, o Colegiado concluiu estar diante de situação que a doutrina e outros julgamentos deste CARF têm denominado “casa separa”. Tal é o contexto, quando o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com entrada de novo sócio com recursos financeiros e posterior retirada de sócio, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, Fl. 3781DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 20 19 nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. O ativo muda de mãos, também os recursos financeiros, tal e qual se daria em operação de compra e venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. O apelido “casasepara” vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro. Logo, se a embargante entende que as demais premissas aventadas são determinantes para a conclusão de que houve ganho de capital tributável, cumprelhe demonstrar a divergência mediante veículo próprio, qual seja, recurso especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais. De outro lado, constatase que, em recurso voluntário, a interessada destacou que a validade das operações que geram economia fiscal seria evidenciada, dentre outros aspectos, pela existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio. Relatou tais condições, reconhecidas pela Fiscalização (aprovação pelo DAER/RS, comunicação ao BNDES sobre a transferência do controle das concessionárias, encaminhamento ao BNDES e agentes financeiros de pedido de aprovação para tal transferência de controle, obtenção da autorização do BNDES e dos agentes financeiros para a transferência do controle), e ressaltou a possibilidade de rescisão do acordo caso não obtida a autorização ou não implementadas as demais condições. Discordou, assim, da caracterização de uma alienação frente à possibilidade de rescisão do acordo, e reafirmou sua função: permitir o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Tais argumentos foram assim enfrentados no voto condutor do julgado: Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 219/263), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irrevogável e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Nestes termos, embora não se referindo expressamente às condições suspensivas aventadas pela recorrente, o Conselheiro Redator teve em conta seus efeitos e não os considerou suficientes para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Em verdade, tais condições suspensivas apresentamse como diferencial nesta operação em comparação com outras já apreciadas neste Conselho, mas apenas porque a alienação do investimento dependia das prévias autorizações antes referidas. Consequência deste diferencial, porém, foi apenas a distribuição da apuração do ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2007, em conformidade com a entrega de recursos pela adquirente, dependente do implemento das condições antes referidas. Até porque, ainda que pendentes condições suspensivas, os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 21 20 imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos, como bem destacado no voto condutor do julgado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, evidenciado que o voto condutor do julgado teve em conta os efeitos das condições suspensivas, mas não os considerou suficiente para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Omissão quanto à impossibilidade de manutenção da multa na decisão por voto de qualidade (Tema 4) A embargante entende que o Colegiado embargado se omitiu ao deixar de observar o disposto no artigo 112 do CTN visàvis o resultado do julgamento em sede de voto de qualidade. Defende que em caso de dúvida, a decisão deve ser favorável ao réu, ou, no caso ao contribuinte, não podendo serlhe imputada qualquer penalidade, ainda que o tributo seja considerado devido. Discorre sobre o princípio do in dubio pro reo e sobre sua aplicação no âmbito do Poder Judiciário, pleiteando o cancelamento da multa de ofício. Como já adiantado no despacho de admissibilidade, tal argumento não integrava o recurso voluntário, de modo que a ausência de sua abordagem no voto condutor do julgado não representa omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar. Assim, os embargos devem ser REJEITADOS neste ponto. Obscuridade na alegação de que não houve a recomposição do lucro tributável. (Tema 5) A embargante aduz que o Conselheiro Redator afastou o argumento de que não houve a recomposição do lucro tributável, haja vista, no seu entender, a matéria não ter sido abordada nas peças processuais. Tal abordagem, porém, seria obscura porque consta no voto vencedor que o Fisco teria procedido à recomposição do lucro tributável no momento do lançamento, o que, de fato, ocorreu em relação ao prejuízo fiscal, ágio e suposto ganho de capital, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mas sem esclarecer se foram computadas as antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas pela embargante nos períodos fiscalizados. A interessada assevera que, frente às informações da DIPJ, a Fiscalização não procedeu corretamente à recomposição, deixando de observar a Solução de Consulta Interna nº 23, de 2006, e invoca decisão judicial que declarou nulo lançamento que não considerou as antecipações dos tributos, bem como as retenções na fonte realizadas no cômputo dos tributos, bem como decisões administrativas neste sentido. Constatase que, no recurso voluntário, nada foi arguído pela embargante acerca de eventual nulidade do lançamento por desconsideração de antecipações e retenções na apuração dos tributos exigidos. A discussão acerca deste procedimento surge, apenas, no voto vencido do Conselheiro Relator, do qual assim constou: Verifiquei, também, que a fiscalização não recompôs o lançamento com o aproveitamento dos recolhimentos comprovados nem com o saldo negativo de IRPJ Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 22 21 e CSLL da Recorrente, em atendimento ao decidido pela Coordenação Geral de Tributação, que na solução da Consulta Interna da Coordenação Geral de Tributação – COFIS n° 23, de 21.12.06, determina seja efetuada esta compensação nos seguintes termos: “14 – Por todo o exposto, concluise que na Constituição de Ofício do Imposto Sobre e Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. 15 – A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. 16 – Qualquer outro crédito do contribuinte somente poderá ser objeto de pedido de restituição ou compensação por iniciativa do contribuinte nos termos da legislação pertinente a matéria. 17 Dêse ciência, mediante correio eletrônico , à COFIS, às Superintendências Regionais da Receita Federal (SRRF), às DISIT das SRRF, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, à CORAT, à COTEC, e providenciese a divulgação na Internet da COSIT.” Portanto, diante do reconhecimento da própria receita, quando se pronunciou pela solução de consulta interna nº 23 de 21/12/2006, resta claro que todos os recolhimentos comprovados devem ser aproveitados e lançada apenas a diferença. O voto condutor do acórdão embargado, por sua vez, expressa que: Em seu voto, o ilustre Conselheiro Relator tece considerações no sentido de que a fiscalização não teria procedido à recomposição do lançamento com o aproveitamento dos recolhimentos comprovados nem com o saldo negativo de IRPJ e da CSLL, mencionando, ainda, a Solução de Consulta Interna nº 23/2006, da COSIT. Sobre o assunto, devo ressaltar que não encontro qualquer menção a essa matéria, quer no acórdão recorrido, quer no recurso voluntário interposto pela Contribuinte CP Construções e Participações Ltda. (fls. 3397/3442), quer no recurso voluntário interposto pelas pessoas jurídicas apontadas como responsáveis tributárias (fls. 3194/3244). Ressalto que o Fisco procedeu, sim, à recomposição do resultado tributável (fls. 2067/2068), e as interessadas não se pronunciaram sobre os critérios e valores daí resultantes. Tratase, pois, de matéria incontroversa, estranha à lide, sobre a qual descabe discussão. Desta abordagem extraise, primeiramente, a conclusão de que a matéria era incontroversa, e não demandava qualquer manifestação por parte do Colegiado. Assim, ao consignar que a recomposição do resultado tributável foi regularmente promovida, o Conselheiro Redator apenas faz um esclarecimento que, em verdade, seria desnecessário frente à inexistência de lide neste ponto. Já com referência ao aproveitamento dos recolhimentos comprovados e do saldo negativo mencionados pelo Conselheiro Relator, não resta dúvida que o Conselheiro Redator deixou de sobre eles se manifestar por considerar a matéria incontroversa. Por tais razões, esclarecer se foram computadas as antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas pela embargante nos períodos fiscalizados, como quer a interessada, significaria admitir que este tema integra a lide, contrariamente ao que exposto no voto condutor do julgado. Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.730002/201161 Acórdão n.º 1302001.837 S1C3T2 Fl. 23 22 Se, de outro lado, a embargante entende que esta matéria deveria ser conhecida independentemente de provocação, cumprelhe manejar o competente recurso especial à CSRF, caso identifique paradigma no qual a matéria tenha sido apreciada de ofício. Frente a tais circunstâncias, os embargos deve ser REJEITADOS por inexistir omissão a ser sanada. Estas as razões para, ao final, CONHECER dos embargos, mas ACOLHÊ LOS PARCIALMENTE os embargos, e sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13830.001124/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999
IOF. DÉBITO CONFESSADO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Comprovada a inexistência do crédito é de se reconhecer a existência do débito do IOF indevidamente compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (Suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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DÉBITO CONFESSADO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovada a inexistência do crédito é de se reconhecer a existência do débito do IOF indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira (Suplente), Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 11 24 /2 00 2- 51 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13830.001124/200251 Acórdão n.º 3301002.989 S3C3T1 Fl. 217 2 Relatório Tratase de auto de infração do IOF referente aos fatos geradores de abril, maio e junho de 1999, no valor total de R$ 26.151,95, lavrado em 21/10/2002. Consta da descrição dos fatos, fl. 8, que o contribuinte declarou os débitos do IOF em sua DCTF com indicação de compensação com créditos de ressarcimento de IPI constantes do processo administrativo nº 13826.000460/9826. O lançamento fora efetuado pois o pedido de ressarcimento de IPI havia sido indeferido pela DRF/Marília e pela DRJ/Ribeirão Preto. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, fls. 36/55. Na impugnação o contribuinte confirma a dependência do presente processo com o processo de crédito de IPI nº 13826.000460/9826, manifestando posição de que seus recursos administrativos obteriam êxito, o que ao final resultaria no cancelamento do presente lançamento. Os argumentos da impugnação estão centrados no seu direito ao ressarcimento do IPI e não há qualquer contestação quanto aos valores lançados do IOF no presente processo. A 3ª Turma da DRJ/Campinas, por meio do Acórdão nº 10.979, de 10/10/2005, fls. 91/96, julgou procedente o lançamento, consubstanciado, entre outros, no fato que o contribuinte teve, até aquele momento, indeferido o pedido de ressarcimento do IPI constante do processo nº 13826.000460/9826. O contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 102/126, por meio do qual repisa basicamente os mesmos argumentos de sua impugnação. Nele discorre sobre o seu direito ao crédito do IPI relativo ao período de março/1992 a dezembro/1997, no qual teria recolhido o IPI sobre o açúcar com alíquota de 18%, quando o correto seria alíquota zero. Ou seja, discute questão de mérito do crédito no processo nº 13826.000460/9826. Afirma que ele não foi objeto de julgamento ainda e solicita o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado daquele processo na instância administrativa. O presente processo veio a julgamento no CARF, sendo que a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferiu a Resolução nº 20201.244, de 03/07/2008, fls. 165/170, pela qual reconheceu a dependência do presente processo com o processo de pedido de ressarcimento de IPI nº 13826.000460/9826. Em razão desse reconhecimento decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) Esse atributo particular do processo administrativo decorre do próprio fim visado com o controle administrativo da legalidade, onde possível será o cancelamento do auto, se provada a procedência do pedido de compensação de valores do IPI com os débitos deste processo (IOF). Em consequência do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, a fim de que a mesma aguarde o julgamento final do Processo Administrativo nº 13826.000460/9826 (CSRF). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13830.001124/200251 Acórdão n.º 3301002.989 S3C3T1 Fl. 218 3 Caso a decisão proferida pela CSRF seja favorável à recorrente, a repartição de origem deve informar se os créditos informados são suficientes para cancelar os débitos deste processo administrativo. Após, oferecer à interessada o direito de emitir pronunciamento acerca do resultado da diligência. Tendo havido o trânsito em julgado do processo nº 13826.000460/9826, cuja decisão final foi desfavorável ao contribuinte, o processo foi devolvido ao CARF com a juntada às fls. 209/210, do Despacho nº 930339, de 22/02/2010, da CSRF que negou seguimento ao recurso especial do contribuinte naquele processo. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13830.001124/200251 Acórdão n.º 3301002.989 S3C3T1 Fl. 219 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Como ficou evidente no relatório, a única controvérsia estabelecida no presente processo, lançamento do IOF, é quanto à existência do crédito decorrente de pedido de ressarcimento do IPI no processo nº13826.000460/9826. Comprovado o crédito em montante suficiente a consequência imediata seria o cancelamento do presente lançamento. Julgamento do processo nº 13826.000460/9826: Em 14/10/2003 a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 20215.139, negando provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: NORMAS PROCESSUAIS RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN — 0 prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o inicio de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Sc o indébito surge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não relacionada com norma declarada inconstitucional, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). IPI RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO EFEITOS DA ANULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS — Devido a particularidades do regime jurídico do IPI, a configuração do indébito em sua área não decorre simplesmente da soma do imposto porventura indevidamente destacado em notas fiscais de saída. Na espécie, em atenção ao principio da não cumulatividade e do mecanismo de débitos e créditos que o operacionaliza, impõese a reconstituição da conta gráfica do IPI, no período abrangido pelo pedido, de sorte a captar em cada período de apuração o efeito nela provocado pela confluência da anulação de débitos e crédito decorrente da hipótese dos autos e, assim, poder extrair, pelo confronto dos eventuais saldos devedores reconstituídos com os respectivos recolhimentos do imposto, os eventuais pagamentos maiores que o devido a dar ensejo a pedido de restituição/compensação. Recurso negado. Da referida decisão o contribuinte apresentou recurso especial que por fim foi negado seguimento nos termos do Despacho nº 930339, de 22/02/2010, da CSRF, fls. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13830.001124/200251 Acórdão n.º 3301002.989 S3C3T1 Fl. 220 5 209/210. Dessa forma houve o trânsito em julgado, no âmbito administrativo do processo nº 13826.000460/9826, não tendo sido reconhecido nenhum crédito de IPI. Conclusão Não existindo o alegado crédito de IPI, forçoso reconhecer a legalidade do lançamento do IOF constante do presente processo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 14485.000539/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.
O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
Numero da decisão: 2301-003.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado:
I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes ao levantamento P01, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a);
II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, para manter no lançamento os valores referentes ao levantamento P03, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes ao levantamento P05, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidas as Conselheiras Bernadete de Oliveira Barros e Luciana de Souza Espindola Reis, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão.
Redator: Wilson Antonio de Souza Correa. Sustentação: Hugo Leonardo Zaponi Teixeira. OAB: 33.899/DF.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo
Relatora ad hoc na data da formalização
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc na data da formalização
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 05 39 /2 00 7- 52 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes ao levantamento P01, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, para manter no lançamento os valores referentes ao levantamento P03, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes ao levantamento P05, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidas as Conselheiras Bernadete de Oliveira Barros e Luciana de Souza Espindola Reis, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Wilson Antonio de Souza Correa. Sustentação: Hugo Leonardo Zaponi Teixeira. OAB: 33.899/DF. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE Fl. 679DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 679 3 SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 4 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê lo. Esclareço que não foi encontrado, nos sistemas do CARF, arquivo contendo a minuta de relatório do relator original, portanto valhome do relatório constante da decisão de primeira instância nos termos do Acórdão nº 1616.211, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, em sessão de 29 de janeiro de 2008 (efls. 567/590). Feito o registro. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a entidade retro identificada (OSEC), na condição de tomadora de serviços, no montante de R$ 1.932.115,33 (um milhão, novecentos e trinta e dois mil e cento e quinze reais e trinta e três centavos), consolidado em 30/07/2007, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspon entes a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais / faturas de prestação de serviços, atinentes as competências 02/1999 a 02/2006, e aos estabelecimentos 62.277.207/000165, 62.277.207/000750, 62.277.207/000831, 62.277.207/001056, 62.277.207/001218 e 62.277.207/001560. O Relatório Fiscal, de fls. 255 a 259, informa que: • para a consecução de seus objetivos, a empresa contrata, mediante cessão de mãodeobra, conforme disposição contratual, empresas prestadoras de serviços de vigilância, portaria, limpeza, lavanderia, telemarketing e manutenção nas dependências da contratante ou nas de terceiros; • o fato gerador do débito aqui lançado referese à utilização de trabalhadores em regime de cessão de mãodeobra, segurados estes, cedidos pela empresa prestadora de serviços; • enquanto tomadora desses serviços, a notificada deveria reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme previsto no artigo 31, da Lei n.° 8.212/91, com a redação dada pelo art. 23 da Lei n.° 9.711 de 20/11/98, com vigência a partir de 01/02/99, conforme o artigo 29 desta última lei; Fl. 681DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 680 5 • a empresa tomadora não efetuou, todavia, a mencionada retenção, sendo que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, conforme dispõe o § 5° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91; • foram apuradas, assim, as contribuições devidas com base em notas fiscais/faturas e/ou recibos correspondente aos serviços prestados, com base nos valores declarados pela empresa em DIRF — Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte e também com base nos valores lançados no Sistema de Pagamento da notificada, estando esses valores discriminados por competência no "Relatório Cessão de Mão deobra", elaborado por esta fiscalização, para as prestadoras identificadas no "Relatório de Prestadoras de Serviço", sendo que os códigos deste levantamento também se encontram ali discriminados; • a contabilização de pagamentos efetuados a prestadores foi efetuada em várias contas contábeis conjuntamente sem apresentarem discriminação entre pessoas jurídicas e pessoas físicas contribuintes individuais; • a partir de 1999, com a mudança contábil, os históricos dos lançamentos foram efetuados de maneira que se tomou impossível a identificação dos pagamentos, sendo que a maioria dos lançamentos não relacionava o nome do prestador e trazia informações genéricas da prestação do serviço, e, ainda, a partir de 2003, a empresa utilizou Transferência de Numerários 91111090 para contabilizar várias renegociações de dividas, muitas vezes sem identificação do prestador de serviço, outras sem identificação da prestação de serviço em si e, também aqui, englobando os pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, ensejando a lavratura do Auto de Infração n.° 37.111.7160; • no período de 1999 a 2005, assim, foi efetuado o cotejamento das relações de pagamentos a prestadores pessoas jurídicas com a DIRF; • durante a ação fiscal, o contribuinte não apresentou alguns contratos firmados com as prestadoras; • foram juntadas algumas cópias exemplificativas de Notas Fiscais emitidas pelo Prestador de Serviço, bem como cópias dos contratos que foram apresentados; • em planilha anexa, constam dados sintéticos por prestador, tais como: se houve a apresentação ou não de contratos e respectivas datas, se a tomadora efetuou alguma retenção e observação constando o serviço efetuado; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 6 • também foram elaboradas, e anexadas a este relatório, planilhas onde foram relacionadas as Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviço e, quando é o caso, as Notas Fiscais extraídas de Livros Razão apresentados pela empresa; • em relação à prestadora Guima Conseco Construção, Serviços e Comércio Ltda, no tocante à prestação de serviço de limpeza hospitalar, a base de cálculo utilizada para o levantamento foi de 65% dos valores das Notas Fiscais apresentadas de acordo com o inciso III do artigo 150 da Instrução Normativa n° 03, de 14/07/2005; • nos casos que houve retenção parcial efetuada pela tomadora de serviços, os valores recolhidos em GPS foram abatidos desta NFLD como créditos, valores que constaram de planilha anexa à esta NFLD; • o anexo "FLD — Fundamentos Legais do Débito" relaciona a legislação que fundamenta a apuração das contribuições lançadas; • não foi emitido TAB — Termo de Arrolamento de Bens, devido ao fato de todos os bens da empresa, passíveis de arrolamento, terem sido arrolados em fiscalização anterior e em alguns casos até penhorados pelo INSS, no entanto, foi emitida Medida Cautelar Fiscal; • na auditoria fiscal, além desta notificação, foram lavradas as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD's) e os Autos de Infração (AI's) identificados no anexo "Notificações de Lançamento de Débito — NFLD e os Autos de Infração — AI lavrados na fiscalização de n.° 09291989"; • como a empresa deixou de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento à SRP, em nome da empresa cedente da mãode obra, conforme disposto na Lei n.° 8.212, art. 31, "caput", com a redação dada pela Lei n.° 9.711, de 20/11/1998, combinado com o Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, art. 219, foi lavrado o AI n.° 37.111.7232; • a empresa apresentou arquivos eletrônicos fora do leiaute exigível à época da ocorrência dos fatos geradores, o que ensejou a lavratura do AI n.° 37.111.7178. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos à NFLD: IPC — Instruções para o Contribuinte, de fls. 02 a 03; DAD — Discriminativo Analítico de Débito, de fls. 04 a 87; DSD — Discriminativo Sintético de Débito, de fls. 88 a 118; DSE — Discriminativo Sintético por Estabelecimento, de fls. 119 a 128; RL — Relatório de Lançamentos, de fls. 129 a 169; RDA — Relatório de Documentos Apresentados, de fls. 170 a 186; RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 187 a 234; FLD — Fundamentos Legais do Débito, de fls. 235 a 237; REPLEG — Relatório de Representantes Legais, de fls. 238 a 239; ViNCULOS — Relação de Vínculos, de fls. 240 a 241; Mandado de Procedimento Fiscal, de fls. 242 a 251; TIAD — Fl. 683DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 681 7 Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, de fls. 252; e, TEAF — Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Foram, ainda, anexados, aos autos, pela fiscalização, entre outros documentos, a planilha "Prestadores de Serviço Não Médicos com Cessão de Mão de Obra" (fls. 260), e relações de notas fiscais por prestador de serviço e de GPS's recolhidas sobre as notas fiscais (fls. 261 a 314), bem como cópias de alguns contratos de prestação de serviços, estando os prestadores de serviço a seguir discriminados: • ARTCOOK Refeições Ltda. — CNPJ 01.922.227/000157 (levantamento P01); • GUIMA CONSECO Construção, Serviços e Comércio Ltda. — CNPJ 59.519.603/000147 (levantamentos P02 e P03); • HOSPCLEAN S/A. — CNPJ 65.930.141/000159 (levantamento PO4); • PDM Reformas e Pinturas Ltda. ME — CNPJ 03.088.700/000178 (levantamento P05); • PROGELCOM Constr. Montagens Elétricas Ltda. — CNPJ 67.369.579/000135 (levantamento P08); • VERMONT Contact Center e Tecnologia Ltda. — CNPJ 67.350.959/000128 (levantamento P09). Em sessão de 29 de janeiro de 2008 a 11ª Turma da DRJ/SPO I prolatou acórdão que julgou procedente o auto de infração lavrado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 Documento: NFLD n.° 37.111.7135, de 30/07/2007 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MAO DE OBRA. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e a recolher o valor retido à Previdência Social, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdencidrio é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 8 O Relatório Fiscal e os Anexos da NFLD oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 14/03/2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/04/2008, alegando, em apertada síntese: a) decadência dos créditos lançados; e b) nulidade do lançamento por insubsistência. É o relatório. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 682 9 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que não foi encontrado, nos sistemas do CARF, arquivo contendo as razões do voto do relator originário, somente o registro em ata da sessão de julgamento. Portanto valhome de votos proferidos pelo relator originário em situações fáticas semelhantes, em julgados cronologicamente compatíveis, para apresentar suas razões de voto. Feito o registro. Sendo tempestivo o Recurso Voluntário apresentado, deve ser conhecido e analisado. I DECADÊNCIA Com relação à aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN, o relator originário assim votou no processo nº 12267.000293/200849, Acórdão nº 2301004.311, em sessão de 10/02/2015: I DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as Fl. 686DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 10 contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 683 11 Assim, a partir da publicação, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 12 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de Fl. 689DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 684 13 janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso, há demonstração de recolhimento, conforme se observa da folha 68. Tratandose de diferença de recolhimento das contribuições, ainda que parcialmente, aplicarseá a regra contida na Súmula CARF nº 99, in verbis: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Deste modo, no caso sob exame, consideramse fulminadas pela decadência as competências até 06/2002, anteriores a 07/2002, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. II PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA E RETENÇÃO: As questões de mérito decorrem, sobremaneira, da análise documental acostada aos autos, feita em momento oportuno pelo conselheiro relator originário objetivando o seu livre convencimento. Assim, o conselheiro relator originário entendeu, pelas suas razões, pela exclusão dos seguintes Levantamentos: P01 Prestador: Artcook Refeições Ltda; prestação de serviços de cozinha e refeitório; Fl. 690DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 14 P03 Prestador: Guima Conseco Construção, Serviços e Comércio Ltda; prestação de serviços de sistemas de ar condicionado, inspeção de dutos, pintura predial, revisão e manutenção elétrica; e P05 Prestador: PDM Reformas e Pinturas Ltda ME; prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva em diversos imóveis onde a empresa mantém atividades (alugados pela OSEC ou do Governo). Com relação aos demais levantamentos e alegações da empresa, o relator originário entendeu correta a autuação fiscal. CONCLUSÃO Conforme registrado em ata da sessão de julgamento, as conclusões do conselheiro foram no sentido de: a) dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 06/2002, anteriores a 07/2002; b) dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes aos levantamento P01, levantamento P03 e levantamento P05; e c) negar provimento ao Recurso, nas demais alegações da Recorrente. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registrado em ata. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 14485.000539/200752 Acórdão n.º 2301003.924 S2C3T1 Fl. 685 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto vencedor ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que não foi encontrado, nos sistemas do CARF, arquivo contendo as razões do voto do relator originário, somente o registro em ata da sessão de julgamento. Portanto valhome de votos proferidos pelo colegiado, em situações fáticas semelhantes, em julgados cronologicamente compatíveis, para apresentar suas razões de voto. Feito o registro. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu posicionamento quanto ao levantamento P03. O litígio trata de retenção, de onze por cento, nas notas fiscais por pretação de serviço com cessão de mão de obra, como determina a legislação. Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. Conforme está claro no contrato, a empresa tomou serviços pro cessão de mão de obra, como demonstra a decisão recorrida: CLÁUSULA PRIMEIRA — DO OBJETO.0 presente contrato tem por objeto, a prestação, pelos funcionários da contratada, dos Serviços de Limpeza Técnica Hospitalar, do Hospital Escola Wladimir Arruda, sediado na Rua Prof Enéas de Siqueira Neto, 340, no Jardim das Imbuias, em Selo Paulo — SP. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 16 Da leitura da cláusula acima, fica claro que o contrato tem por objeto a prestação de serviços por cessão de mão de obra, e deveria ter ocorrido a retenção. Como a retenção não ocorreu, correto agiu a fiscalização ao lavrar o lançamento, conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN). Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, voto em manter no lançamento os valores referentes ao levantamento P03, nos termos do voto e acompanho o relator nas demais conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator designado na data da formalização Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721279/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme resultado proposto neste voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Rodrigo Gabriel Alarcon, OAB/DF 13.602/E e a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15.787.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme resultado proposto neste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Rodrigo Gabriel Alarcon, OAB/DF 13.602/E e a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15.787. Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme resultado proposto neste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Rodrigo Gabriel Alarcon, OAB/DF 13.602/E e a Dra. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB/DF 15.787. Relatório Trata este processo de Autos de Infração de PIS/PASEP e COFINS do 2º e 3º trimestres calendários de 2006 da sucedida PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 86.547.619/000136. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 27 9/ 20 11 -3 6 Fl. 7680DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11516.721279/201136 Resolução nº 3402000.780 S3C4T2 Fl. 7.680 2 A recorrente transmitiu PER/DComps para extinguir débitos federais próprios com créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativos do 2º trimestre de 2006. Tais PER/DComps são objeto dos processos nºs 16349.000272/200955 e 16349.000280/2009 00, respectivamente. A DRF/Florianópolis (SC) instaurou, então, auditoria sobre a recorrente para aferir a existência e o montante dos créditos levados àquelas DComps, oportunidade em que glosou uma série de créditos apropriados, bem como lançou débitos não apurados pela recorrente, conforme consta do TVF (Termo de Verificação) às fls. 6.613/6.689. Como consequência, os três meses do trimestre auditado restaram devedores, isto é, não apenas inexistia qualquer saldo credor ressarcível, como restavam saldos devedores de PIS e COFINS a pagar. A fiscalização da DRF, então, a um só tempo: (i) não homologou os PER/DComps, e (ii) lançou de ofício o débito de PIS e COFINS que resultou da auditoria. Por isso, esse lançamento de ofício (Auto de Infração) é o objeto do presente processo. Voto/Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da referida decisão da DRJ em 04/06/2012 (fl. 7.290), apresentou em 03/07/2012 (fl. 7.298) o recurso voluntário de fls. 7.298/7.357, tempestivo, portanto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Antes de se iniciar análise dos autos, entendo que há evidente relação de prejudicialidade entre este processo (lançamento de ofício processo prejudicado) e os processos de PER/DComps (prejudiciais). Com efeito, somente sobejará débito a ser lançado de ofício nestes autos se caso se reconhecer, nos processos dos PER/DComps, inexistir saldo ressarcível das Contribuições (de PIS e Cofins). Há, no mínimo, inequívoca conexão entre os três processos, a recomendar o julgamento conjunto por este Conselho, de modo a evitar decisões absolutamente incompatíveis, como seriam, por exemplo, decisões que, para um mesmo período de apuração, reconhecessem saldo credor ressarcível (nos processos dos PER/DComps) e débito exigível de PIS e COFINS (no Auto de Infração). A própria DRF reconheceu a necessidade de julgamento conjunto dos PER/DComps e do auto de infração. Vejase (fl. 6.613): “Os processos tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões procedimentais em 2 processos de ressarcimento e 1 processo de auto de infração (incluindo Pis/Pasep e Cofins). Por esta razão, devem ser analisados em conjunto. Período Nº PAF Ressarcimento Nº PAF Auto de Infração Fl. 7681DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11516.721279/201136 Resolução nº 3402000.780 S3C4T2 Fl. 7.681 3 2º trim 2006 3º trim 2006 PIS/Pasep 16349.000280/200900 11516.721279/201136 3º trim 2006 COFINS 16349.000272/200955 Cada trimestre será tratado separadamente, de modo a vincular o processo de auto de infração correspondente ao trimestre aos processos de ressarcimento do PIS/Pasep e COFINS para que sejam julgados simultaneamente, uma vez que tratam da mesma matéria fática. Por questões processuais os pedidos de ressarcimento e os autos de infração não estão no mesmo processo, porém, para cada trimestre, deve ser considerado simultaneamente o disposto no processo de ressarcimento de PIS/Pasep, ressarcimento de COFINS e o do auto de infração do mesmo período. Da mesma forma, formulou a percepção da DRJ no acórdão recorrido: Vejase (fl. 7.245): (...) Relata, a autoridade fiscal: que o trabalho do qual decorrem os presentes autos de infração teve início para analisar os Pedidos de Ressarcimento de Crédito PER de PIS e Cofins; que cada trimestre do ano de 2006 foi tratado separadamente e que o presente processo está vinculado ao processo 16349.000272/200955 (ressarcimento de créditos de Cofins), e ao processo 16349.000280/200900 (ressarcimento de créditos de PIS), que devem tramitar em conjunto, dada a coincidência de matéria fática; que como não há pedido de ressarcimento para o 2º trimestre calendário de 2006, este processo tratará o auto de infração correspondente a este período juntamente com o 3º trimestre. Em seu recurso voluntário (fl. 7.298), a Recorrente requer preliminarmente a distribuição do feito por dependência (conexão) aos respectivos processos de PER/DComps. Posto isto, apuro na página do CARF, na internet que, em 20 de abril de 2016, os processos acima referenciados nºs 16349.000272/200955 e 16349.000280/200900 (processos prejudiciais), se encontram localizados na Unidade preparadora (DRF/FlorianópolisSC), a fim do cumprimento das Diligências, conforme o contido nas Resoluções nºs 3402000.479 e 3402000.755, respectivamente, prolatadas por este CARF. Em razão disto, voto por converter o processo em diligência, a fim de que os autos retorne a DRF/Florianópolis (SC), a fim de que se aguarde a conclusão das referidas diligências que estão sendo realizadas nos processos acima referenciados e que após conclusas, retornem juntamente com este, para prosseguindo do julgamento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 7682DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000579/2003-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas
Numero da decisão: 9202-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRICIA DA SILVA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. PATRICIA DA SILVA - Relatora. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRICIA DA SILVA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 79 /2 00 3- 93 Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial da Fazenda Pública, fls. 1091/1097, em face do Acórdão nº 10248.880, fls. 1074/1087, prolatado em 23 de janeiro de 2008, que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, anulando o lançamento por ausência de intimação regular de todos os titulares da conta bancária. A decisão restou assim ementada: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Recurso provido. Na origem, tratase de Auto de Infração, fls. 05, lavrado em 24 de abril de 2003, que tem por objeto omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, dos anos calendários entre 1996 a 2000, realizados em conta de depósito ou investimento com cotitularidade. Da análise dos autos, constatouse que a Contribuinte possuía duas contas correntes: a) CEF – 5.1509, em cotitularidade com Sedenir T Dias e Fernando Dias; b) B.B. S/A – 28.3805, em cotitularidade com Sedenir T. Dias. Para análise da origem dos depósitos realizados em sua conta corrente, foi instaurado o Mandado de Procedimento Fiscal nº 090203002001.01853, sendo ela intimada para prestar informações em diversas oportunidades, o que o fez mediante apresentação de inúmeros documentos. Em apartado, foi instaurado o MPF nº 09020300.2001.001845 para investigar as receitas de Sedenir T. Dias, sendo intimado para prestar informações em seu nome e em nome do seu dependente Fernando Dias, Intimação nº 058/2001, fls. 85, momento no qual apresentou diversos documentos para comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas correntes. Após inúmeras informações solicitadas e com base nos documentos apresentados, o Fisco procedeu ao lançamento tributário dos depósitos cuja origem não fora comprovada por meio de documento hábil e idôneo, incidindo juros de mora e multa qualificada no percentual de 150% sobre o valor principal. Analisando a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a 4ª Turma do DJR/FNS, acórdão nº 2.970, fls. 985/1001, manteve integralmente o lançamento tributário. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 1007/1029, alegando: a) inexistência de prova de dolo; b) decadência dos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de maio de 1998; c) inexistência de pressuposto para a imposição de multa agravada; d) inexistência de omissão de receitas; e) impossibilidade de presunção de receitas omitidas. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 9202003.839 CSRFT2 Fl. 1.109 3 Sob o entendimento de que “todas as contascorrentes objeto do lançamento são conjuntas e que a autoridade fiscal somente intimou um dos titulares para comprovar a origem dos recursos movimentados nas referidas contas”, a Turma deu provimento ao recurso para exonerar o crédito tributário. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 1091/1097, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o acórdão nº 106 16093, que restou assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO No 106 14.475. NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROCEDÊNCIA RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Confirmada obscuridade do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar o defeito. IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Tratandose de conta bancária conjunta, a tributação com fulcro em omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários, deve se dar rateandose os valores dos depósitos de origem não justificada entre os cotitulares. O preceito que atribui a cada um dos cotitulares da conta bancária a responsabilidade pela omissão de rendimentos não veicula norma que modifica os aspectos materiais do tributo, devendose aplicar a fato geradores pretéritos. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO PELO COLEGIADO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Apesar de ser definitivo, o lançamento pode ser alterado, quer em razão de impugnação levada a cabo pelo contribuinte, quer em razão de revisão de ofício pela autoridade lançadora. O agente administrativo tem por missão não só proceder obrigatoriamente ao lançamento, quando verificar a ocorrência de fato gerador, como também de rever o lançamento, quando verificar não estar a exigência de acordo com os ditames legais. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE A Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, “a”, e III, “b”, da Constituição Federal. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS QUE NÃO ULTRAPASSAREM R$ 12.000,00 Por determinação legal, apenas devem ser retirados da tributação os depósitos que não ultrapassarem o valor individual de R$ 12.000,00, desde que o somatório anual dos valores depositados no conjunto de contas correntes seja igual ou inferior a R$ 80.000,00. JUROS DE MORA O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN). TAXA SELIC Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1º de abril de 1995 (art. 13, Lei no 9.065/95). Embargos acolhidos. Da referida decisão, destacouse o trecho a seguir: A norma veiculada no novel § 6° determina que, restando comprovado tratarse de conta bancária em que figurem co titulares, deve a exação referente a depósitos bancários de origem não justificada recair sobre cada um deles proporcionalmente. Nada mais acertado que a adoção de providência no sentido de que, em se tratando a tributação veiculada pelo caput do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de presunção de omissão de rendimentos. registrada por depósitos bancários cuja origem não fora devidamente comprovada, a imposição tributária, em casos de contas bancárias conjuntas, recaiu sobre cada um dos cotitulares de forma proporcional. Portanto, correta a posição adotada pelos membros do órgão julgador de primeira instância, ao exonerar o cotitular da exacão do valor referente a 50% dos depósitos bancários, devendo, entretanto, ser efetuado o lançamento da parte exonerada tendo como sujeito passivo o outro cotitular da conta bancária, desde que observado o prazo decadencial”. (Grifei) Arguiu que a ausência de intimação não impõe a insubsistência dos lançamentos e que, em caso de ausência de comprovação da origem de depósitos realizados em conta corrente com cotitularidade, deve haver divisão dos rendimentos pela quantidade de titulares e o lançamento tributário suplementar do crédito em nome do sujeito passivo que não faz parte do processo. Ao final requereu a reforma do julgado para que o crédito tributário seja mantido e seja determinada a divisão dos valores dos depósitos entre os cotitulares. Em contrarrazões, o Contribuinte requereu a improcedência do Recurso Especial, suscitando a conformidade da decisão recorrida com precedentes deste Conselho, mais especificamente com os Acórdãos nº 10248.844 e 10422.359, que preconizam a Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 9202003.839 CSRFT2 Fl. 1.110 5 insubsistência do crédito tributário diante da ausência da intimação individualizada de todos os cotitulares da conta corrente. É o relatório. Voto Conselheira Patricia da Silva Inicialmente, cumpre ressaltar que a admissibilidade do presente recurso foi firmada com fundamento no artigo 15, §§ 1° e 6°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Nesse sentido, vejase o acórdão nº 9202003.742 , da 2ª Turma : O apelo foi interposto na modalidade de contrariedade à lei, co m fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, visando rediscutir a exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, da totalidade dos valores depositados nas c ontascorrentes conjuntas A matéria é objeto da Súmula CARF nº 29 (Vinculante), de 08/12 /2009: Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Na aplicação desta súmula, devem ser observados dois aspectos: quando a súmula especifica que os cotitulares devem ser intimados, obviamente ela se refere aos casos de conta conjunta em que a lei determina a divisão proporcional dos depósitos (§ 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 19 96), até porque a súmula não faz lei, e sim torna mais prática e célere a aplicação da lei; a "nulidade do lançamento" referida na súmula deve ser interpre tada como "exclusão, da base de cálculo, dos depósitos relativos a contaconjunta, cujos cotitulares declarem em separado e não tenham sido intimados"; com efeito, em nenhum dos acórdãos que deram suporte a esta súmula se promoveu a declaração de nulidade do lançamento, mas tão somente a exclusão dos respectivos depósitos. Com estas considerações, verifica se que, no caso em apreço, o Contribuinte não fez declaração em conjunto, tampouco possui dependentes, e o acórdão recorrido limitouse efetivamente a determinar a exclusão, da base de cálculo dos depósitos, dos valores das contas conjuntas, sem absolutamente declarar a nulidade do lançament o. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 A declaração em separado não é óbice ou requisito para a conclusão de que a não intimação dos cotitulares eiva de nulidade todo e qualquer lançamento nos termos da lei. Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração violou as disposições do caput do artigo 42 e § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, que fixa os requisitos necessários que devem ser observados para que os depósitos creditados em conta corrente possam ser premido omissão de rendimentos. Não basta intimar um dos cotitulares, pois o fato deste não saber a origem dos recursos justifica, com mais ênfase, a necessidade de intimação dos demais correntistas para, só a partir de tal ato se formar a presunção de que se tratam de rendimentos cuja origem não foi comprovada. De conformidade com a legislação de regência, especialmente art. 142, do CTN, incumbe à fiscalização identificar perfeitamente o sujeito passivo da obrigação tributária, com base em provas robustas lastreadas por documentos hábeis e idôneos, não podendo se apoiar em presunções e/ou meros indícios. A presunção legal de omissão de rendimentos/ receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, prescrita no art. 42, da Lei nº 9.430/96, não tem o condão de suplantar o dever legal de a autoridade fiscal identificar todos os titulares dos valores concernentes à movimentação bancária objeto do lançamento. In casu, deixando a fiscalização de intimar um dos cotitulares da conta corrente para, igualmente, comprovar a origem dos depósitos bancários, malferiu o disposto no art. 42, da Lei nº 9.430/96, ensejando a improcedência total do feito, conforme jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 29 do CARF, a qual é de observância obrigatória. A compreensão acolhida na Súmula CARF nº 29, com a advertência que a ausência de intimação de todos os cotitulares implica a nulidade do lançamento, não faz qualquer exceção à regra do art. 42, caput, da Lei 9.430/96, ou seja, não excetua a nulidade nos casos de contas bancárias cujos cotitulares sejam dependentes na DIRPF uns dos outros. Diferentemente do §6º do art. 42, que determina o rateio dos valores entre os cotitulares que tenham apresentado declaração de rendimentos separadamente, a Súmula CARF aponta para a necessidade de intimação de todos sem distinção de casos entre aqueles que apresentaram declaração de IRPF individualmente e aqueles declarados como dependentes. Entretanto, neste em apartado, mas informado neste processo entendese que supre a exigência do art. 42, da Lei 9.430 por não ter havido CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a apresentação da Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório, pelo menos não pelo contido nos autos, que em dado momento, somente traz explicitações e comprovações do cônjuge, não havendo em qualquer momento, menção à intimação do dependente do cônjuge da contribuinte, que inclusive recebe em doação valores que são considerados de origem não comprovada. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 9202003.839 CSRFT2 Fl. 1.111 7 contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Assim, não obstante ser pacífico no âmbito deste Conselho que nos procedimentos fiscais que tenham por objeto a análise das contas mantidas em instituições financeiras, todos os titulares da(s) conta(s) devem ser devidamente intimados, sob pena de nulidade do lançamento, objeto da Súmula CARF nº 29 (Vinculante), de 08/12/2009: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Entendo deva ser dado parcial provimento ao Recurso da Fazenda, devolvendo à turma a quo para análise de toda a argumentação que dos autos consta, inclusive e especialmente, se houve ou não intimação válida do dependente do cônjuge da contribuinte neste processo Autuada, bem como se foram distribuídos proporcionalmente os ônus, se existentes, entre TODOS os cotitulares. Patricia da Silva Relatora Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA
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