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Numero do processo: 10380.019964/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP). LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EQUIPARADA À EMPRESA.
Nos termos da legislação previdenciária equipara-se à empresa, a cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade.
A qualificação como OSCIP, decorrente da Lei 9.790/1999, não substitui os procedimentos específicos necessários para considerar-se imune das contribuições patronais destinadas à Seguridade Social.
AFERIÇÃO INDIRETA (ARBITRAMENTO). PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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AFERIÇÃO INDIRETA. SEGURADOS Recorrente ITS INSTITUTO TERRA SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP). LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EQUIPARADA À EMPRESA. Nos termos da legislação previdenciária equiparase à empresa, a cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. A qualificação como OSCIP, decorrente da Lei 9.790/1999, não substitui os procedimentos específicos necessários para considerarse imune das contribuições patronais destinadas à Seguridade Social. AFERIÇÃO INDIRETA (ARBITRAMENTO). PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 99 64 /2 00 8- 13 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida aos cofres públicos. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2004 a 12/2006. O Relatório Fiscal (fls. 45/53) informa que os valores das contribuições foram apurados através de aferição indireta a partir das informações dos Registros de Empregados, informações das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) das empresas tomadoras dos serviços prestados pelo contribuinte e dos valores pagos ao mesmo por Prefeituras Municipais a título de prestação de serviço declarados ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Esse Relatório informa que foi entregue a fiscalização, com exceção do Livro de Inspeção do Trabalho, apenas cópias dos documentos e uma declaração, onde estão citados documentos que não seriam entregues por não serem pertinentes às atividades da empresa. Com isso, apresentou os seguintes documentos: RAIS 2004 negativa; Livro de Inspeção do Trabalho (original); GFIP incompleta para o período fiscalizado em meio papel; Guias de Previdência Social (GPS); Registros de Empregados (01, 02, 03, 31 e 34); Folhas de Pagamento em meio papel das competências 01 a 12/2005, 1a parcela do 13° Sal/2005 e 01 a 12/2006, 1a e 2a parcelas, 13o sal/2006 (referente apenas à administração e às instituições tomadoras de serviço SECON Secretaria da Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará e DNOCS). Ao questionar sobre os Livros contábeis de 2004 a 2006, folhas de pagamento de 2004 e os demais documentos solicitados, a auditoria fiscal foi informada que não existia mais nada relacionado à empresa. Por não ter a empresa apresentado todos os documentos solicitados, a fiscalização, no intuito de verificar a correção dos dados declarados em GFIP, utilizou além das cópias de documentos acima relacionados, as informações sobre a empresa nas seguintes fontes: DIRF existente no sistema da RFB (anocalendário 2005 e 2006); Estatuto Social e alterações (6o Ofício de Notas Cartório Melo Júnior); Relatórios do Sistema de Informações Municipais (SIM), enviados pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) por solicitação desta fiscalização; GFIP e GPS existentes no sistema da RFB e Relatórios gerados pelo sistema DATAPREV. Concluiu a auditoria fiscal que da análise desses documentos constatouse fatos que ensejaram a adoção dos termos previstos no art. 33, § 3o da Lei 8.212/1991. A auditoria fiscal destaca fatos geradores aferidos indiretamente não declarados em GFIP: (i) valores pagos a segurada empregada (Registro de Empregados), conforme planilha; (ii) valores pagos a contribuintes individuais (DIRF); (iii) valores pagos a segurados empregados (aferição por receita). Para melhor entendimento foram elaborados anexos: Anexo I Diferenças das remunerações pagas a segurados não declaradas em GFIP, constam os nomes dos segurados, competência e valor da remuneração, juntamente com os descontos realizados; Anexo II Total das diferenças das remunerações pagas a segurados não declaradas em GFIP, constam a totalização desses valores por competência; Anexo III Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Valores pagos ao ITS por serviços prestados; Anexo IV Remuneração não declarada em GFIP calculada por aferição indireta com base nos valores pagos por serviços prestados. Esclarece que para o correto cálculo do débito, foi realizada apropriação dos valores recolhidos pela empresa em GPS frente aos valores declarados em GFIP. Por não haver informações da empresa, os demais levantamentos aqui relacionados não se sujeitaram à apropriação de GPS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/01/2009 (fls. 02 e 148). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 123/145), alegando, em síntese, que: 1. torne insubsistente os lançamentos por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa, para que outro seja produzido ao amparo da lei e que possa oferecer condições de defesa; 2. caso não se acolha a pretensão anterior, reconheçase a absoluta impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre os contratos de parcerias com as empresas e órgãos públicos, excluindo os do lançamento os valores lançados no auto de infração; 3. excluir a taxa SELIC da composição da dívida, fazendose substituir pelo INPC mais juros de 1%; 4. sejam compensados os valores recolhidos, incidentes sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença, permitindose que sejam excluídas as deduções legais das bases de cálculo aferidas; 5. requer, por fim, a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão n° 0934.884 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 153/161) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Fortaleza/CE encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição previdenciária não descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados nos seguintes anexos: 1. Anexo I Diferenças das remunerações pagas a segurados não declaradas em GFIP, constam os nomes dos segurados, competência e valor da remuneração, juntamente com os descontos realizados; 2. Anexo II Total das diferenças das remunerações pagas a segurados não declaradas em GFIP, constam a totalização desses valores por competência; 3. Anexo III Valores pagos ao ITS por serviços prestados; 4. Anexo IV Remuneração não declarada em GFIP calculada por aferição indireta com base nos valores pagos por serviços prestados. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/145) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 45/53) e seus anexos (fls. 01/44 e 54/120) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 02/20). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA); Anexos I a IV; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 45/53. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/120) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 5 7 Com relação à alegação de que a Recorrente é uma associação de pessoas físicas sem fins lucrativos e, por conseqüência, não estaria sujeita ao recolhimento de contribuição previdenciária prevista na Lei 8.212/91, porquanto este dispositivo se direcionaria exclusivamente a empresas, cumpre esclarecer que esse fato não a dispensa do cumprimento da obrigação tributária principal. Isso está em consonância com o art. 15, parágrafo único, da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/99) (g.n.) De mais a mais, a alegação da Recorrente de que, em decorrência de ser uma associação, qualificada pelo Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), figura jurídica introduzida pela Lei 9.790/1999, seria inexigível a contribuição previdenciária lançada, também não será acatada, eis que, no âmbito da legislação previdenciária, tal entidade não goza de qualquer benefício ou renúncia fiscal. É oportuno esclarecer que a qualificação da Recorrente como OSCIP, conforme Lei 9.790/1999, automaticamente não lhe enquadra como uma entidade beneficente de assistência social e, por consectário lógico, ela não se enquadra no gozo da imunidade condicionada prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, já que não constam dos autos elementos ou documentos que comprovem ser a Recorrente uma entidade beneficente de assistencial social. Portanto, a Recorrente, na qualidade de equiparada à empresa, deixou de cumprir obrigação principal estabelecida na Lei 8.212/91, e, como contratante de segurados obrigatórios do RGPS, ficou diretamente sujeita à contribuição previdenciária devida à Seguridade Social. A Recorrente alega revisão ou cancelamento do lançamento fiscal, pois apresentou todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “10” a “23” (fls. 49/54, processo 10380.019965/200868) –, visto que a Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 48/56, processo 10380.019965/200868): “[...] DOS FATOS E DA ORIGEM DO DÉBITO 10. Sobre o desenvolvimento da ação fiscal e os fatos que deram origem ao levantamento do débito, cumpre informar que: 10.1 Após o prazo fixado em TIAF para a entrega dos documentos sem que a empresa o houvesse atendido ou se manifestado, a fiscalização compareceu no endereço tributário do contribuinte cadastrado na RFB, sendo atendida pelas funcionárias Sras. Maria Lucineide Pereira, CPF: 273.267.498 25, recepcionista, e Raquel Barroso da Silveira, CPF: 656.645.90300, auxiliar administrativa. As mesmas informaram que o Sr. Felipe Cavalcanti de Menezes Mota, CPF: 985.458.68391, Presidente Executivo do ITS, já estava ciente da ação fiscal e que havia solicitado a Sra. Maria Gorete Coelho de Souza, CPF: 209.292.85115, auxiliar contábil do escritório PLENA CONTABILIDADE, Telefone:(85) 3252 4543, que presta serviço ao ITS, para providenciar os documentos. 10.2 Posteriormente, fomos procurados pela Sra. Gorete, que nos entregou, exceto pelo Livro de Inspeção do Trabalho, apenas cópias dos documentos abaixo relacionados e uma declaração assinada pela Sra. Raquel, onde constam alguns documentos que não seriam entregues por não serem pertinentes às atividades da empresa. Foi questionado sobre os Livros contábeis de 2004 a 2006, folhas de pagamento de 2004 e os demais documentos solicitados, a mesma informou que não existe mais nada relacionado à empresa. • RA1S2004 – negativa; • LIVRO DE INSPEÇÃO DO TRABALHO (ORIGINAL); • GIPF's INCOMPLETAS PARA O PERÍODO FISCALIZADO EM MEIO PAPEL; • GPS; • REGISTROS DE EMPREGADOS DE No. 01, 02, 03, 31 e 34; • FOLHAS DE PAGAMENTO EM MEIO PAPEL DAS COMPETÊNCIAS 01 a 12/2005, 1a a PARCELA DO 13° Sal/2005 E 01 a 12/2006, 1a e 2a PARCELAS 13° SAL/2006 (em anexo por amostragem); (...) 12. Por não ter a empresa apresentado todos os documentos solicitados, a fiscalização, no intuito de verificar a correção dos dados declarados em GFIP, utilizou, além das cópias dos documentos entregues, as informações sobre a empresa nas seguintes fontes: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 6 9 • DIRF existente no sistema da RFB(anocalendário 2005 e 2006); • Estatuto Social e alterações posteriores, obtidos por esta fiscalização através de solicitação ao 6o Ofício de Notas Cartório Melo Júnior (em anexo); • Relatórios do Sistema de Informações Municipais SIM, enviados pelo Tribunal de Contas dos Municípios – TCM por solicitação desta fiscalização (cópias por amostragem em anexo); • Guias do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP existentes no sistema da RFB; • GPS existentes no sistema da RFB; e • Relatórios gerados pelo sistema DATAPREV. (...) 14. Assim, a fiscalização entende que tais fatos ensejam a adoção dos termos previstos no art. 33, § 3° da Lei 8.212/91 e nos artigos relacionados à aferição indireta previstos na IN MPS/SRP N° 3, de 04 de julho de 2005, in verbis. [...]” Nesses itens “10” a “14”, constatase que é incontroverso que os documentos em questão não foram apresentados à Fiscalização ou sua apresentação foi deficiente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991. Isso ensejou a lavratura do presente Auto de Infração pelas seguintes razões apontadas no Relatório Fiscal: 1. as folhas de pagamento entregues não abrangem todo o período fiscalizado, nem todas as competências em que auferiu receita por serviços prestados e existência de segurados empregados que não constam em GFIP; 2. de acordo com os dados declarados na DIRF, existem valores pagos a segurados contribuintes individuais que não foram declarados em GFIP; 3. conforme os relatórios do Sistema de Informações Municipais (SIM), constam prefeituras municipais, relacionadas em planilha, que tomaram serviços do ITS durante os anos de 2004, 2005 e 2006. Além disso, os empenhos realizados para o pagamento desses serviços descrevem em seus históricos diversos tipos de serviços prestados nas áreas de saúde, ensino e desporto, dentre outras; 4. conforme relatórios da DIRF, constam instituições, relacionadas em planilha, que houve pagamento por serviços prestados ao ITS durante os anos de 2004, 2005 e 2006; 5. declarou GFIP sem movimento nas competências 03/2004, 06/2004 e 12/2004, apesar de auferir receitas (realizados pagamentos pelas Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Prefeituras de Camocim, Cascavel, Fortaleza e SEBRAE), conforme dados do sistema DATAPREV – relatório CCORGFIP; 6. os relatórios do SIM e DIRF demonstram prestação de serviços a 46 instituições diferentes; a média de segurados para fazer frente aos serviços prestados, no entender da fiscalização, não condiz com a possibilidade de suas execuções; elabora quadro demonstrando por competência, as receitas por serviços prestados, números e categorias de segurados declarados em GFIP e a média, no período de 2004 a 2006; 7. não houve declaração de GFIP na competência 13/2006, apesar de remunerações terem sido pagas a segurados empregados e declaradas em folha de pagamento. A existência de GFIP (01/2004, 07/2004 a 11/2004 e 11/2005) sem que tenha sido declarado qualquer segurado empregado, constando apenas contribuintes individuais. Valores pagos a segurados empregados (GFIP 2004 a 2006), correspondente à mão de obra, representam apenas 2,20% do total dos valores pagos conhecidos por serviços prestados pelo ITS; mesmo somando os valores pagos aos contribuintes individuais, o percentual corresponde à mão de obra de 3,40% sobre a receita auferida; 8. a omissão da empresa fiscalizada, que não demonstrou, através de lançamentos contábeis e folhas de pagamento, a possibilidade de serem executados com um custo de mão de obra tão reduzido, se considerar que a média deste custo nas empresas prestadoras de serviços é de 40% da receita bruta auferida. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 7 11 recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Com efeito, vêse que a eficácia probatória das cópias dos documentos contábeis apresentados, bem como as informações constantes dos sistemas informatizados do Fisco, analisados pela auditoria fiscal, operase contra a Recorrente, eis que esses documentos cotejados entre a folha de pagamento e as declarações prestadas pela própria empresa nos relatórios do Sistema de Informações Municipais (SIM) – os quais constam prefeituras municipais que tomaram serviços da Recorrente durante os anos de 2004, 2005 e 2006 –, conforme demonstrativo elaborado pela autoridade lançadora nos Anexos I a IV, ensejaram a constatação que a sua contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e, por consectário lógico, a utilização do procedimento de aferição indireta. Nada impediria, todavia, que a Recorrente demonstrasse, por outros meios probatórios, que os seus lançamentos constantes da sua escrituração, que lhe é desfavorável, são equivocados, o que não foi demonstrado em nenhum momento, seja na peça de impugnação (fls. 123/145), seja na peça recursal. Nesse caminhar, a alegação da Recorrente para que sejam compensados os valores recolhidos sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença também não será acatada, eis que os valores apurados no presente processo foram oriundos da Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 técnica de aferição indireta, sendo que a base de cálculo decorre de uma aproximação da remuneração pagas aos segurados, e a legislação não permite tal compensação, nos termos do art. 89 c/c no art. 33, §§ 3° e 6°, ambos da Lei 8.212/1991. Além disso, todos os valores recolhidos pela Recorrente por meio de GPS foram devidamente apropriados no presente lançamento fiscal. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 8 13 enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive solicita realização de diligência fiscal, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a diligência fiscal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou diligência fiscal – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a diligência solicitada pela Recorrente que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relaciona com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/230) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial, testemunhal ou diligência. Dessa forma, a realização de diligência não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos do Decreto 70.235/1972, estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.019964/200813 Acórdão n.º 2402004.519 S2C4T2 Fl. 9 15 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, inclusive a solicitação de diligencia, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.001721/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2008
ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.508
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento das contribuições previdenciárias sobre valores pagos aos segurados a título de "abonos" não expressamente desvinculados do salário, por força de lei. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos em tickets a título de alimentação sem inscrição no PAT. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Wilson Antonio de Souza Correa, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento das contribuições previdenciárias sobre valores pagos aos segurados a título de "abonos" não expressamente desvinculados do salário, por força de lei. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos em tickets a título de alimentação sem inscrição no PAT. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Wilson Antonio de Souza Correa, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 17 21 /2 00 9- 90 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 646 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado em 16/04/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 24/04/2009, através de Registro Postal, referindose às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado empregado incidentes sobre valores pagos aos servidores não estatutários a título de alimentação fornecida em tickets e pecúnia e sem a inscrição no PAT e valores pagos a título de Abono. O período do crédito lançado abrange as competências de 04/2004 a 11/2008. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis às fls. 598/618, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) cerceamento de defesa, porquanto o lançamento trata de três assuntos distintos num único documento, impossibilitando a discussão, o pagamento ou o parcelamento de cada um deles, já que os fatos geradores não podem ser individualizados; b) que os abonos pagos não sofrem incidência contributiva, porque as Resoluções que os instituíram expressamente os isentaram; c) que as Resoluções do parlamento tem força de lei; d) que é incabível o argumento do Acórdão recorrido de que a lei estadual não pode dispor sobre a isenção da verba; e) que a filiação do servidor ao Regime Geral de Previdência Social não desnatura a sua condição de servidor estadual, não possuindo vínculo com a CLT e portanto não se sujeitando as suas disposições; f) que a Lei n.º 8.212/91, traz que os abonos expressamente desvinculados do salário não integram o salário de contribuição; g) que os abonos foram pagos de forma eventual e por liberalidade e só passaram posteriormente a integrar a remuneração; h) que o auxílioalimentação não integra a remuneração dos servidores estatutários e por ser idêntica à verba paga Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 aos demais servidores, também não pode integrar suas remunerações; i) que não é inscrita no PAT porque não se trata de empresa que visa lucro e isso não pode lhe vedar a possibilidade de disponibilizar alimentação a seus servidores; j) que o fornecimento foi em tickets e jurisprudência diz que os servidores do Estado de Santa Catarina tem direito à alimentação, sem se atribuir à verba natureza salarial; k) que o aumento da alíquota do SAT/RAT é inconstitucional, ofendendo o princípio da anualidade tributária. Requer o provimento do recurso para decretar a nulidade do Auto de Infração e do lançamento. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 647 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Cerceamento de Defesa Primeiramente, não vislumbro a tese de nulidade da autuação por cerceamento de defesa frente à alegação de que o Auto de Infração trata de três assuntos distintos, não identificando os fatos geradores. A leitura do Relatório Fiscal de fls. 38 a 48, esclarece quais foram os lançamentos efetuados relativos às contribuições previdenciárias da cota do segurado empregado, incidentes sobre verbas pagas aos servidores não integrantes do Regime Próprio de Previdência do Município, tais como Abonos e Alimentação fornecida em tickets ou pecúnia sem a inscrição no PAT. Não consta do presente lançamento contribuições para o Seguro Acidente do Trabalho. Este Auto de Infração de Obrigação Principal referese , exclusivamente, às contribuições da cota do segurado. Não há qualquer confusão entre as contribuições lançadas relativas à parte do segurando, que estão bem sustentadas no Relatório Fiscal e identificadas no Discriminativo Analítico do Débito, fls. 05/15, onde consta o nome do levantamento e as contribuições vertidas. No Discriminativo Sintético do Débito, fls. 16/21, consta o valor originário do débito e os respectivos juros e multa aplicados e no Relatório de Lançamentos às fls. 17/28, constam os valores relativos à cota dos segurados incidentes sobre as rubricas "Abono" e "Auxílio Alimentação. Portanto, não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 648 7 PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Assim, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Registro também, que o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permitiu contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 De fato, a argumentação da recorrente não prospera, porquanto o cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, uma vez que o o contribuinte apresentou impugnação e recurso à autuação lavrada, demonstrando pleno conhecimento dos assuntos tratados. Abonos No que tange aos abonos pagos por liberalidade do empregador ou como no caso presente, por força de Resoluções da Mesa da Assembléia Legislativa, primeiramente é de se considerar que quanto à extensão territorial, as leis dividemse em: federais, estaduais e municipais. É uma peculiaridade dos países de organização federativa como o nosso a existência de leis federais, estaduais e municipais. Não se trata de escalonamento hierárquico, mas de uma distribuição segundo as matérias que a Constituição Federal atribui à competência das pessoas jurídicas de direito público interno, à União, aos Estados e aos Municípios. Desta forma, as Leis Federais são as votadas pelo Congresso Nacional, com aplicação normal a todo território da nação, salvo aquelas que por motivo especial se restringem a uma parte dele As Leis Estaduais são votadas pelas Assembléias Legislativas de cada Estado da Federação, com aplicação restrita à circunscrição territorial respectiva e são hierarquicamente inferiores às leis federais. Já as Leis municipais, são aprovadas pelas Câmaras de Vereadores e só vigem nos limites territoriais dos respectivos municípios. A lei magna é a Constituição Federal, a lei fundamental, a lei primeira. Depois, vêm as leis federais ordinárias; em terceiro lugar, a Constituição Estadual; em seguida, as leis estaduais ordinárias e, por último, as leis municipais. Surgindo conflito entre elas, observarseá essa ordem de precedência quanto à sua aplicação. A Resolução é ato legislativo de conteúdo concreto, de efeitos internos. É a forma que revestem determinadas deliberações das Assembléias e não estão, em princípio, sujeitas a promulgação e também não estão sujeitas a controlo preventivo da constitucionalidade, exceto as que aprovem acordos internacionais. De todo o exposto, se pode concluir que as Resoluções que trataram da concessão de abonos aos servidores públicos e do pagamento de alimentação em tickets ou pecúnia tem aplicação restrita aos servidores estatutários estaduais, abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência aprovado por lei estadual. Não há que se alargar a abrangência da liberalidade de dispor sobre a verba, se integra ou não o salário de contribuição, para alcançar os valores pagos aos demais servidores não estatutários, que estão sob a égide do Regime Geral de Previdência Social, e sujeitos aos preceitos da Lei n.º 8.212/91. Ressalto que não é o caso, como diz a recorrente, de ser incabível o que constou no Acórdão recorrido, quanto à proibição da lei estadual dispor acerca da não incidência de contribuições sobre o abono pago aos servidores, mas sim, de respeitar a abrangência das leis dentro de suas respectivas esferas, federais ou estaduais, como no caso aqui tratado. A lei estadual pode tratar da matéria quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre abonos e alimentação, desde que restrita ao âmbito de seus servidores estatutários não vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, mas sim contribuintes do Regime Próprio do Estado de Santa Catarina. O que não pode é a lei estadual sobreporse às Fl. 652DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 649 9 regras contidas na legislação federal referente ao custeio do Regime Geral de Previdência Social. Os segurados, cujas remunerações constam deste auto de infração, são aqueles não detentores de cargos efetivos, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: Portanto, no caso em tela, estamos tratando de servidores não efetivos, não estatutários, que se subsumem às regras impostas pelo Regime Geral de Previdência Social, mais especificamente a Lei n.º 8.212/91. No caso específico da verba Abono, a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] A Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supra transcrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (sem grifos no original) [...] Frente à disciplina legal acima, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu art. 29, toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriodecontribuição: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 650 11 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 651 13 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdenciária, na medida em que, conceitualmente, tratamse de adiantamentos salariais, conforme nos ensina o doutrinador laboral da atualidade, Maurício Godinho Delgado: Retomado o conceito próprio do abono, como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, tornase inquestionável sua natureza jurídica, como salário (art. 457, § 1º). A jurisprudência foi além, contudo: firmouse no sentido de conferir à parcela todos os efeitos próprios ao salário básico – o que significa que prevalece no Direito brasileiro o entendimento de que o abono, depois de concedido, não pode ser retirado do contrato pelo empregador. (Maurício Godinho Delgado, 2003, p. 729) Como bem ressaltado na doutrina retro, a Consolidação das Leis do Trabalho CLT elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.§ 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. (grifei) A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. A Medida Provisória nº 1.5869, de 21/05/1998, publicada no D.O.U. de 22/05/1998, reeditada até a MP nº 1.66315, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, acrescentou o item "7" à alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, assim dispondo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição: (...) e) as importâncias: (...) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (sem grifos no original) Da leitura deste dispositivo, verificase que a partir de 22/05/1998 os abonos expressamente desvinculados do salário, isto é, apenas quando uma lei que cria algum abono específico e o desvincule expressamente do salário é que realmente pode se considerar alterada a natureza jurídica da parcela em cheque. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 3.265/99 à alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214, explicita e ratifica esta interpretação ao reportarse aos "abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Destarte, como restou firmado pelo Egrégio TST, na decisão acima transcrita, e na regulamentação feita pelo art. 214, § 9º, inciso V, alínea “j”, do Dec. 3.048/99, bem como em face da regra de interpretação restritiva prevista no art. 111, inciso II, do CTN, apenas Lei pode conceder isenção previdenciária a algum abono. Vale ressaltar que, embora as Resoluções da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina atribuam natureza jurídica diversa aos abonos, trazendo que os mesmos estarão isentos da incidência da contribuição para o Regime Próprio de Previdência, isto não pode abranger as contribuições previdenciárias que são tributos e, portanto, sujeitas à regência do Código Tributário Nacional, e somente lei federal poderia instituir abono livre da incidência contributiva previdenciária para o Regime Geral de Previdência Social. Não se trata aqui de limitação às normas impostas pela legislação estadual, mas sim de definição de abrangência destas normas. Por certo, o abono concedido aos servidores estatutários abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência não sofre a incidência da contribuição para o financiamento desta previdência, porque está disposto por lei estadual, Todavia, isto não pode ser aplicado para as remunerações dos demais servidores não estatutários filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Portanto, entendo correto o lançamento referente aos abonos pagos por liberalidade do empregador, que não estão dentre as parcelas excluídas do saláriode contribuição previdenciário definidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, de modo que desde a edição da Lei nº 8.212/91, tais os abonos sofrem incidência de contribuições à seguridade social. Alimentação Os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de tickets refeição aos servidores não estatutários, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Consta do relatório, que nas competências de 12/2007 e 12/2008, foram pagos valores aos segurados a título de auxílio alimentação extraordinário, que em alguns casos superava o valor do salário destes segurados. Aduz, ainda, o relatório, que o abono pago aos segurados e tratado em parágrafos anteriores, tomava por base para seu cálculo, inclusive os valores fornecidos a título de alimentação. Tais fatos demonstram que os valores pagos como referentes à alimentação fornecida pela recorrente não estão ao abrigo das excludentes do salário de contribuição e devem integrar a base contributiva previdenciária. Para o fornecimento de tickets refeição aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 652 15 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, a empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). e Decreto n.º 5, de 14/01/1991: • Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado, até porque, de acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, somente a alimentação in natura fornecida aos empregados é que está ao abrigo da reiterada jurisprudência do STJ no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre a mesma. Quanto às alegações trazidas na peça recursal acerca do SAT/GILRAT, deixo de me manifestar porque tal rubrica não compõe a presente autuação. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.001721/200990 Acórdão n.º 2302003.508 S2C3T2 Fl. 653 17 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11020.915115/2009-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf.
Numero da decisão: 1803-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 51 15 /2 00 9- 25 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 214 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 10766.16821.210808.1.7.030229, em 21.08.2008, 29127.12998.300306.1.3.036279 em 30.03.2006, 12383.82252.140606.1.7.036093 em 14.06.2006, 33391.93026.140606.1.7.032055 em 14.06.2006, 17076.98575.300606.1.3.035177 em 30.06.2006 e 26558.66192 250706.1.3.03 5226 em 25.07.2006, fls. 0208 e 6585, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$695.375,07 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2005, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0911, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO PAGAMENTOS Soma das Parcelas do Crédito PER/DCOMP 766.154,08 766.154,08 CONFIRMADAS 165.163,15 165.163,15 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$477.901,66. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$766.154,08. CSLL devida: R$288.252,22 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 215 3 Valor do saldo negativo disponível = (parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: 0,00. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 10766.16821.210808.1.7.030229 29127.12998.300306.1.3.036279 12383.82252.140606.1.7.036093 33391.93026.140606.1.7.032055 17076.98575.300606.1.3.035177 26558.66192 250706.1.3.035226 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei no 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º e art. 26 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1427, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: A — DOS FATOS 1. As pessoas jurídicas podem realizar a apuração do imposto de renda devido, de três formas diversas: por meio do lucro real, presumido ou arbitrado. 2. De acordo com o regime de apuração por lucro real, o sujeito passivo, ao abater as despesas das receitas auferidas no período de apuração, obtém o lucro liquido da empresa e calcula o montante do imposto devido. Já para apuração com base no lucro presumido, aplicase à receita bruta anual da empresa o coeficiente estabelecido em lei para sua atividade econômica, determinandose o lucro e calculandose o IRPJ. Por fim, com base no lucro arbitrado, a autoridade administrativa, considerando o patrimônio da empresa, as operações financeiras realizadas ou ainda, o lucro liquido auferido pelo sujeito passivo em períodos anteriores, arbitra a base de cálculo sobre a qual incidirá a alíquota, resultando no imposto devido. 3. Considerando que o lucro real constitui a base de cálculo do imposto de renda da maioria das pessoas jurídicas no Brasil, o legislador autorizou esta modalidade, podendo ser antecipado o tributo devido através do pagamento mensal de estimativas, calculadas com base no lucro presumido aferido no período, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais determinados em lei. 4. Assim, encerrando o anobase, a empresa abate as estimativas recolhidas do saldo de imposto devido ao fim do exercício, obtendo, conforme o caso, tributo a pagar ou a ser restituído, conforme o disposto no artigo 2°, da Lei n° 9.430/96 [...]. 5. Ressaltese que, as empresas que optarem pelo pagamento mensal do IRPJ por estimativa com base na receita bruta, também deverão recolher a CSLL pelo mesmo critério, nos termos do artigo 28, da Lei n° 9.430/96. 6. No caso em tela, a forma de tributação escolhida pelo impugnante para o exercício de 2006 foi o lucro real anual com base em Balanço ou Balancete de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 216 4 Suspensão ou Redução. Assim, no final de cada exercício, após elaborar o balancete mensal acumulado, o impugnante constatava se o imposto e a contribuição estimada/recolhida eram maiores do que as realmente devidas. 7. Pois bem, no exercício de 2006, o impugnante encerrou o período com um saldo negativo de CSLL no valor de R$477.901,86 (quatrocentos e setenta e sete mil, novecentos e um reais e oitenta e seis centavos), apurados da seguinte forma: Período de Apuração 01/01/2005 a 31/12/2005 CSLL Valores Apurados Forma de Pagamento 01/2005 57.897,76 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 13772.43835.020305.1.3.030810 02/2005 48.909,89 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 30237.90545.300305.1.3.033340 03/2005 70.344,08 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 08839.14057.290405.1.3.032148 04/2005 75.909,58 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 16938.58846.300505.1.3.037219 05/2005 131.835,96 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 03997.89880.300605.1.3.037005 06/2005 112.852,36 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 03019.74011.220705.1.3.030268 07/2005 129.659,97 Compensado com saldo negativo de 2004 Per/DComp 25045.24602.290805.1.3.031889 no valor de R$58.667,43 Pago com DARF no valor de R$70.992,54 08/2005 138.744,48 [Pago com DARF no valor de R$138.744,48] Total 766.154,08 Saldo Negativo de CSLL [AnoCalendário 2005] CSLL Valor Devido 288.252,22 Antecipações 766.154,08 Saldo Negativo 477.901,86 8. Destarte, tendo em vista o saldo negativo apurado durante o exercício de 2006, no valor de R$477.901,86 (Quatrocentos e setenta e sete mil, novecentos e um reais e oitenta e seis centavos), o impugnante passou a utilizálo no exercício seguinte, realizando os pedidos de compensação conforme demonstrativo abaixo: Período de Apuração Valor utilizado de saldo negativo CSLL Forma de Extinção 01/2005 45.157,11 Per/DComp 10766.16821.210808.1.7.030229 02/2005 37.199,89 Per/DComp 29127.12998.300306.1.3.036279 03/2005 119.411,38 Per/DComp 12383.82252.140606.1.7.036093 04/2005 86.937,13 Per/DComp 33391.93026.140606.1.7.032055 04/2005 168.269,16 Per/DComp 17076.98575.300606.1.3.035177 06/2005 44.471,60 Per/DComp 26558.66192.250706.1.3.035226 Total 501.446,27 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 217 5 9. Ocorre que, ao analisar as declarações de compensação apresentadas pelo impugnante, a fiscalização, no momento de conferir o somatório das parcelas de composição do crédito, considerou apenas as quantias recolhidas no exercício de 2005 via guia de recolhimento DARF e o valor de R$11.236,10 realizado por compensação, desprezando todas as demais compensações e pagamentos efetuados pelo impugnante. 10. Assim, em vez de apurar um saldo negativo de R$477.901,86, apurou um saldo negativo de R$165.163,15 (total de valores recolhidos via DARF — R$153.927,05 e o valor de R$11.236,10 realizado por compensação). 10.1. Logo, segundo o entendimento da fiscalização, se o impugnante possuía um saldo negativo de apenas R$ 165.163,15, e um débito de contribuição social sobre o lucro liquido de R$288.252,22, o saldo negativo a ser transportado para o exercício de 2007 seria zero. 11. Assim, com a exclusão das compensações e pagamentos efetuados, no somatório das parcelas de composição do crédito, gerou um suposto saldo remanescente de R$501.446,27, que no entender da fiscalização seria uma infração à legislação tributária, ensejando a aplicação de multa e juros. 12. Ocorre, Ilustres Julgadores, que a fiscalização acabou por equivocarse ao excluir do somatório as parcelas de composição do crédito, as contribuições liquidadas através de compensação e DARF's pagas, uma vez que todas foram devidamente declaradas através de DComp’s devidamente informadas nas DCTF's de cada exercício. (docs 09/32). B DO DIREITO 13. O artigo 156, inciso II do CTN, determina que a compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário. 14. 0 instituto da compensação de créditos tributários, previsto no artigo 170 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), disciplina [...]. 15. Conforme o art. 170, do CTN, foi publicada a Lei 9.430/1996, cujo artigo 74 passou a tratar especificamente da compensação de débitos com créditos próprios no âmbito da Receita Federal do Brasil. Referido artigo (cuja redação foi alterada pelos artigos 49 da Lei 10.637/2002, 17 da Lei 10.833/2003 e 25 da Lei 11.051/2004, ampliando as possibilidades de se efetuar compensação, esclarecendo os procedimentos e requisitos a serem observados pela RFB e pelo contribuinte e os efeitos gerados em relação ao crédito tributário) [...] 16. Ressaltese, ademais, que o impugnante realizou o pedido de restituição nos termos do disposto no artigo 4°, da IN/RFB n° 900/2008 2 , tanto em relação à apuração dos saldos negativos, quanto os pedidos de compensação. 17. Desta forma, as compensações efetuadas pelo impugnante ao longo do exercício de 2007, devidamente declaradas, com o intuito de saldar a contribuição estimada em cada período de apuração, devem compor o crédito do saldo negativo utilizado para saldar as compensações realizadas, objeto do presente processo de crédito. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 218 6 B.1 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS VALORES COMPENSADOS 18. O artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, determina que a exigibilidade do crédito se suspende com "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo". 19. Da mesma forma determina a Lei n° 9430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.8383/2003, que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos valores cujas compensações não foram homologadas. 20. Assim, instaurado o contencioso administrativo, os valores compensados estão com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, [...]. 21. Ressaltese que, o mesmo entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 48, §§ 2° e 30 , I, da IN/SRF 460/04, ratificado pela IN/SRF 600/05. 22. Portanto, os valores compensados pelo impugnante e ainda não homologados expressamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, estão com a sua exigibilidade suspensa até decisão final da manifestação de inconformidade, com trânsito em julgado, nos autos deste processo de crédito n° 11020.915115/2009 25, não sendo permitida sua exigência através de inscrição em divida ativa e ajuizamento de executivo fiscal. C DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS 23. Diante do exposto, requer a Vossas Senhorias, a reforma do r. despacho decisório que não homologou as compensações declaradas nas DCOMP's: 10766.16821.210808.1.7.030229, 29127.12998.300306.1.3.036279, 12383.82252.140606.1.7.036093, 33391.93026.140606.1.7.032055, 17076.98575.300606.1.3.035177 e 26558.66192.250706.1.3.035226, realizadas pelo impugnante, para os seguintes fins: a) Declarar homologadas as compensações formalizadas pelo impugnante nas DCOMP discriminadas acima; b) Homologar a totalidade do crédito inicialmente pleiteado, de R$477.901,86 (Quatrocentos e setenta e sete mil, novecentos e um reais e oitenta e seis centavos), com a aplicação de juros e correção monetária, desde a sua apuração até a data da efetiva compensação, nos termos da Lei n° 9.250/95; c) Determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso Ill, do CTN, e da Lei n° 9430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.8383/2003. 24. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito permitidos e nos termos do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, bem como pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. 25. Nos termos do art. 365, IV, do CPC, os advogados que a presente subscrevem declaram autênticas as cópias simples dos documentos que instruem a presente manifestação. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 44.907, de 05.07.2013, fls. 126128: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 219 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tributária exige crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 12.07.2013, fl. 148, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.08.2013, fls. 157165, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: 6. Todavia, conforme consta da própria decisão ora recorrida, a não homologação dessas compensações, objeto do PA n.° 11020.906108/200932, está sendo discutida em sede de recurso voluntário , também interposto na data de hoje, portanto pendente de julgamento perante esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 7. Não bastasse a circunstância do efeito suspensivo produzido pela interposição do recurso voluntário no PA n.° 11020.906108/200932 por si só impedir que o Fisco não reconheça parte do Saldo Negativo, a recorrente demonstrará que a extinção dos débitos das estimativas mensais de 01/2005 a 07/2005 inevitavelmente se confirmará, e que, portanto, a cobrança em tela é indevida, dada a legitimidade da totalidade do crédito declarado. Preliminarmente. Necessário Apensamento aos Processos n.° 11020.906108/200932 e 11020.900902/201014. 8. Na petição de interposição do presente recurso, a recorrente requereu à repartição de origem o apensamento do presente feito aos Processos Administrativos n.° 11020.906108/200932 e 11020.900902/201014, relativos a Saldos Negativos de CSLL dos anoscalendário de 2004 (que compensou débitos de 2005) e de 2006 (que compensou débitos de 2007) , respectivamente, a fim de que os recursos voluntários interpostos, todos na mesma data, sejam julgados em conjunto. 9. O presente processo referese a Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2005 (que compensou débitos de 2006) , que causa reflexos ou sofre a influência dos referidos Processos Administrativos. 10. Em suma, o provimento do presente recurso voluntário e daqueles interpostos nos referidos processos, fará com que os Saldos Negativos dos demais períodos também sejam reconhecidos e que as compensações de débitos efetuadas sejam devidamente homologadas. 11 . Ademais, o apensamento é necessário para que não haja decisões conflitantes sobre um único contexto que envolve os 3 (três) processos administrativos . C Das Razões Para A Reforma Da R. Decisão Recorrida. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 220 8 C.1 Da Situação Dos PA’s N.° 11020.906108/200932 E 11020.000422/200586, Que Abarca As Compensações Dos Débitos Que Formaram A Parcela Do Saldo Negativo Não Confirmado. 12. O artigo 156, inciso II, do CTN dispõe que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. 13. O instituto da compensação de créditos tributários, previsto no artigo 170 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), disciplina: [...]. 14. No âmbito da Administração Pública Federal é a Lei n.° 9.430/1996, especialmente e em seus artigos 73 e 74, que regulamenta a compensação de débitos com créditos administrados pela Receita Federal do Brasil. [...] 16. Dessa forma, as compensações efetuadas pela recorrente, devidamente declaradas à Receita Federal do Brasil, tiveram o condão de extinguir os débitos do imposto estimado dos períodos de apuração 2005. Portanto, esses débitos, apurados pelo regime de estimativa mensal, uma vez regularmente extintos, são aptos a compor o Saldo Negativo de CSLL utilizado para saldar os débitos com vencimento em 2006. 17. No PA n.° 11020.906108/200932 houve a não homologação das compensações apresentadas em 2005 com Saldo Negativo de CSLL de 2004, as compensações objeto do PA n.° 11020.000422/200586, apresentadas em 2004 com Saldo Negativo da CSLL de 2003 também não foram homologadas. 18. Portanto, a recorrente necessita demonstrar não somente a situação do PA n.° 11020.906108/200932 como também do 11020.000422/200586. 19. Em ambos os casos a recorrente interpôs recurso voluntário, os quais ainda não f o r am julgados por esse E. CARF, conforme certifica do pela própria r. decisão recorrida. 20. Os §§ 10 e 11, da Lei n.° 9.430/96, dispõe: [...] 21 . Desse modo, enquanto não houver decisões definitivas desse E. CARF nos autos dos PA's 11020.906108/200932 e 11020.000422/200586, os débitos neles abarcados, e que compuseram ou refletem nos Saldos Negativos de CSLL utilizados no presente processo, encontramse suspensos, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. 22. Isso significa dizer que somente a "não homologação" definitiva das compensações controladas pelos PA's 11020.906108/200932 e 11020.00422/2005 86 teria como consequência a "não confirmação" do Saldo Negativo de CSLL utilizado pela recorrente. E, se isso não ocorreu, e nem deverá ocorrer, como será demonstrado a seguir, há evidente falta de motivação na decisão do Fisco de não homologar as compensações aqui abarcadas sob a fundamentação de "não confirmação" da parcela do crédito. 23. Portanto, as compensações abarcadas no presente feito devem ser homologadas, na medida em que, para todos os efeitos, permanece o efeito extintivo dos débitos compensados por meio dos PA's 11020.906108/200932 e 11020.000422/200586, a menos que esse E. CARF diga o contrário futuramente. 24. Na hipótese de não ser esse o entendimento, o presente processo deverá permanecer sobrestado até decisão irrecorrível a ser proferida nesses dois processos Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 221 9 administrativos, quando será confirmada, ou não, a parcela do crédito que o Fisco deixou de reconhecer no presente feito. C.2 Da Legitimidade Das Compensações Abarcadas Nos PA N.° 11020.000422/200586 e 11020.906108/200932, Que Inevitavelmente Serão Homologadas Por Esse E. Carf. 25. Às fls. 123/125 dos presentes autos consta o acórdão proferido DRJ/POA no PA n.° 11020.906108/200932, relativo a compensações com o Saldo Negativo da CSLL de 2004. 26. Na referida decisão é possível verificar que a não homologação se deu em razão de decisão proferida no PA n.° 11020.000422/200586, que trata dos PER/DCOMP n.° 10663.19228.140504.1.3.033280, 14241.71318.310504.1.3.03 9346,00762.27544.300604.1.3.039561 e 33681.44068.160704.1.3.033807 [...] 27. No PA n.° 11020.000422/200586 foram compensados os débitos abarcados de 01/2004 a 06/2004 e que geraram o Saldo Negativo de CSLL utilizado nas compensações abarcadas no PA n.° 11020.906108/200932. 28. Assim, a recorrente necessita demonstrar a regularidade das compensações abarcadas no PA n.° 11020.000422/200586, o que ensejará na regularidade das compensações do PA n.° 11020.906108/200932 e também do presente processo. 29. A não homologação dos PER/DCOMP do PA n.° 11020.000422/200586 ocorreu sob a alegação de que o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2003 não teria sido confirmado, em razão da não homologação das compensações relativas ao PA n.° 11020.000423/200521 (parcelas das estimativas de janeiro a julho e parte de agosto de 2003, no valor total de R$712.102,93); e das compensações relativas das demais estimativas devidas no ano relativas ao PA n.° 11020.000037/200377, PA de crédito do processo judicial n.° 87.00005444 , atual processo n.° 2005.34.00.0083599 5 (R$292.44,60). 30. Quanto ao PA n.°11020.000037/200377, referese a processo de restituição de créditoprêmio de IPI de titularidade da recorrente, reconhecido por decisão transitada em julgado nos autos do processo n.° 2005.34.00.0083595 (antigo processo n.° 87.00.005444). 31. Tendo em vista que o Fisco vinha impondo óbices nas homologações das compensações com o crédito do PA n.° 11020.000037/200377, a recorrente peticionou ao MM. Juízo da 7ª Vara Federal do Distrito Federal requerendo cumprimento da coisa julgada. 32. O MM. Juízo da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, em razão de coisa julgada produzida na referida ação judicial, determinou à DRFB de Caxias do Sul/RS a apuração do crédito e a homologação de todas as compensações com ele efetuadas [...]. 33. Na decisão de 21/10/2009 o MM. Juiz determinou que fossem procedidas as compensações fixando os critérios de cálculo do crédito. Já em decisão proferida em 24/11/2009 determinou expressamente que "a compensação alcança os débitos da matriz e das filiais, abrangendo todos as compensações vinculadas ao PA 11020.000037/200377, nos termos disciplinados pela IN RFB 900/2008". 34. Portanto, não há dúvidas de que todas as compensações apresentadas pela recorrente como crédito do PA n.° 11020.000037/200377, da primeira até a última, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 222 10 devem ser homologadas pelo Fisco, o que, consequentemente, confirma, de uma vez por todas as extinções das estimativas mensais relacionadas ao Saldo Negativo de CSLL aqui abarcado e também dos períodos anteriores. 35. Em relação ao PA n.° 11020.000423/200521 a recorrente informa que se trata de compensações com Saldo Negativo de CSLL dos períodos de 01/2002 a 11/2002, no valor de R$712.102,93. Há um desmembramento. As parcelas relativas aos meses de 01/2002 a 06/2002 e parte de 07/2002 originaramse de compensações do PA n.° 11020.000424/200575, já a outra parte de 07/2002 a 11/2002 originaram se de compensações doPA n.° 11020.000037/200377, PA de crédito do processo judicial n.° 87.00005444, atual processo n.°2005.34.0r0083595. 36. Ou seja, a confirmação do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2004 (objeto deste PA) depende da confirmação do Saldo Negativo de CSLL do PA n.° 11020.000423/200521 que, por sua vez,depende das confirmações das extinções das parcelas de estimativas compensadas tratadas nos PA n.° 11020.000424/200575 e 11020.000037/200377. 37. Quanto ao PA n.° 11020.000037/200377 a recorrente já esclareceu acima que o Fisco encontrase obrigado a homologar todas as compensações efetuadas pela recorrente, não havendo mais nenhuma dúvida sobre as confirmações das extinções das estimativas mensais mediante as compensações tributárias com esse crédito. 38. Resta, então, demonstrar a situação do PA n.° 11020.000424/200575. 39. Com o advento da Lei n.° 11.941/2009, e diante da resistência ilegal do Fisco em homologar as compensações vinculadas ao PA n.° 11020.000424/200575, a recorrente entendeu por bem consolidar todos os débitos nele abarcados no parcelamento, tendo informado essa consolidação. 40. Com a consolidação dos débitos do PA n.° 11020.000424/200575 no parcelamento, que vem sendo devidamente cumprido pela recorrente, resta igualmente confirmada a composição do Saldo Negativo de CSLL abarcado no PA n.° 11020.000423/200521, que, portanto, deverá ser provido por esse E. CARF em futuro julgamento. 41. Vejase, na medida em que os débitos das estimativas mensais foram consolidados no parcelamento e estão sendo pagos, mesmo que de forma parcelada, não há que se falar em "não confirmação" das extinções e consequentemente, vedação à utilização dos respectivos valores na composição do Saldo Negativo de CSLL. 42. Portanto, o Saldo Negativo de CSLL do PA n.°11020.000422/200586 é plenamente legítimo e apto a compensar os débitos dos PER/DCOMP n.° 10663.19228.140504.1.3.033280, 4241.71318.310504.1.3.039346, 00762.27544.300604.1.3.039561 e 33681.44068.160704.1.3.033807, através dos quais foram liquidados os débitos do período de 01/2004 a 06/2004. 43. E, se assim é, o Saldo Negativo de CSLL do PA n.° 11020.906108/2009 32 também é legitimo para compensar os débitos aqui abarcados. D Da Possibilidade De Conversão Do Julgamento Em Diligência. 44. A recorrente acostou documentação suficiente demonstrando que o recurso voluntário interposto nos autos do PA n.° 11020.000422/200586 deverá ser provido por esse E. CARF, na medida em que, por força da coisa julgada produzida no processo judicial n.°2005.34.00.0083595 (antigo processo n.° 87.00.005444), o Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 223 11 Fisco deverá homologar todas as compensações feitas como crédito do PA n.°11020.000037/200377. 45. Além disso, a regularização dos débitos do PA n.° 11020.000424/200575 ,mediante a consolidação no parcelamento instituído pela Lei n.° 11.941/2009, também confirmam a composição do Saldo Negativo de CSLL em questão. 46. Em suma, as extinções das estimativas mensais que geraram o Saldo Negativo de CSLL utilizado no PA n.° 11020.000422/200586, e consequentemente do presente PA e também do PA nº 11020.906108/200932, estão sendo devidamente confirmadas. 47. E caso esse E.CARF entenda necessário, poderá determinar diligência perante a DRF de Caxias do Sul/RS, a fim de que a referida repartição certifique a regularidade no parcelamento e quais compensações/extinções das estimativas mensais já foram confirmadas e, diante de tais confirmações, qual o Saldo Negativo de CSLL atual da recorrente. 48. Com essa certificação, esse E. CARF poderá verificar o atual montante do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2005 da recorrente e homologar todos os Per/DComp por meio dos quais foram extintos os débitos aqui abarcados. E – Do Pedido. 49. Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que, reformandose o acórdão [...], seja reconhecido o direito creditório no valor total de R$477.901,86, bem como homologadas totalmente as compensações objeto de todos os Per/DComp por meio dos quais foram extintos os débitos aqui abarcados. 50. Na hipótese de não ser esse o entendimento, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que seja determinado o sobrestamento do presente feito, a fim de que seja aguardado o julgamento final o PA n.° 11020.000422/200586 e também do PA n° 11020.906108/200932. 51. Por fim, caso esse E. CARF entenda necessário, requer seja o julgamento convertido em diligência, a fim de que a repartição de origem certifique quais compensações/extinções das estimativas mensais já foram confirmadas e, diante de tais confirmações, quanto ao Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2005 da recorrente, possibilitando a homologação dos citados Per/DComp. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 224 12 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 225 13 da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0911 e o Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1044.907, de 05.07.2013, fls. 126128, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente defende que os presentes autos devem ser sobrestados, pois são conexos com os processos nºs 11020.000422/200586, 11020.906108/200932 e 11020.900902/201014. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 226 14 A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) O instituto da conexão somente implica prorrogação relativa de competência enquanto não proferida a decisão do órgão encarregado do julgado do primeiro processo. Se este já foi julgado, o instituto não tem mais efeito, podendo o outro órgão julgador proferir decisão consoante as suas próprias convicções. Não restou identificada de forma clara, explícita e congruente os presente autos são conexos com os processos nºs 11020.000422/200586, 11020.906108/200932 e 11020.900902/201014, que tratam de análise de Per/DComp com utilização dos créditos relativos aos saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados pelo regime de tributação com base no lucro real dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2006. A contestação aduzida pela defendente de que o presente processo deve ser sobrestado, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 227 15 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício8910. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 11, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF12. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais13. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 9 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 10 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 11 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 12 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 13 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 228 16 legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial14. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza15. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). 14 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 15 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 229 17 O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza16. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Sobre a possibilidade jurídica de utilização da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, para dedução da CSLL devida no cálculo do saldo negativo apurado no encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 manifestouse no seguinte sentido: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. I OBJETO DA CONSULTA Tratase de consulta cuja origem remonta a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido encaminhada para manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, os quais trataram da impossibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada. 2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de novembro de 2013, propugna pela revisão dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos: “a) dada a regra geral de que a estimativa não paga não é passível de cobrança, excepcionalmente a estimativa estaria sujeita a cobrança e inscrição em DAU, quando objeto de parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada ou considerada não declarada; 16 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 230 18 b) se a lei permite a compensação de estimativa por meio de DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação, com posterior manifestação de inconformidade, bem como de suspensão do débito; c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento pela CRJ e pelo CARF, manterse não homologada a compensação de valores de estimativa, temse, por consequência lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual; d) se a lei especial admite o parcelamento de valores de estimativa informados em DComp não homologada, eventual inadimplência levará à sua cobrança e execução por parte da PGFN; e) do contrário, a manter o entendimento dos referidos pareceres, que se pronuncie quanto aos questionamentos constantes dos itens 48 e 52.” 3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens 48 e 52, cujo teor transcrevemos: “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final do anobase, questionase: a) Na hipótese de o contribuinte utilizar como dedução na apuração anual do tributo valores de estimativas que tenham sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido homologada, a RFB não pode efetuar a cobrança da diferença devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do fato gerador (31 de dezembro)? b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos legais: (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento do tributo (último dia útil do mês de março do ano calendário subsequente ao ano base)? c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia para efetuar a cobrança dos valores confessados e indevidamente deduzidos do ajuste anual? Seria a data da confissão do débito de estimativa em DComp, considerando, ainda, que o prazo prescricional não corre no período que medeia a entrega da DComp e a não homologação da compensação? d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 231 19 na DComp não homologada, mas devem ser objeto de lançamento de ofício, perguntase: não sendo crédito tributário, as estimativas poderiam ser compensadas, uma vez que a legislação sempre trata da compensação entre créditos tributários líquidos e certos? ...omissis... 52. Importante mencionar, todavia, que dos R$ 169 bilhões relativos aos créditos de saldos negativos, R$ 930 milhões (0,55%) referese a estimativas parceladas. Sendo assim, diante da existência de permissão legal, tanto que existente crédito tributário nessa situação, questionase: a RFB pode, por ato infralegal, restringir o direito do contribuinte, vedando a inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com base no argumento de que, ao final do anobase, as estimativas são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento for de estimativas cuja compensação não foi homologada e se der depois de 31/12 do anocalendário a que correspondem as antecipações?” 4. A grande diferença das consultas anteriores é que essa ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa que foram contabilizados após o ajuste anual, ou seja, não seriam mais estimativas, mas valores que foram contabilizados no ajuste como tributos efetivamente pagos ou compensados, portanto, os valores seriam parte do tributo que teve sua compensação não homologada, como é possível constatar em trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013: “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as estimativas parceladas fossem aquelas objeto de compensação nãohomologada e, quase sempre, efetuado o parcelamento depois de anocalendário encerrado. Ou seja, as estimativas parceladas podem ser aquelas que compuseram o ajuste anual do imposto apurado e deste foi deduzido por compensação que veio a ser nãohomologada” 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. II TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 232 20 “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.” 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 233 21 de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo” 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 234 22 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 235 23 imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.” 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 236 24 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 237 25 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 238 26 conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 239 27 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados) Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Voto condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 44.907, de 05.07.2013, fls. 126128: A contribuinte informou no PER/Dcomp que o crédito seria originário do pagamentos de estimativas. Contudo, além de as parcelas informadas não coincidirem exatamente com o que foi declarado em DCTF, não foi informado que muitas delas teriam sido quitadas com o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2004. A DCTF assim registra quanto às quitações por compensação: P. A. Estimativa Per/DComp 01/2005 57.897,76 19326.11642.210808.1.7.030810 02/2005 48.909,89 30237.90545.300305.1.3.033340 03/2005 70.344,08 08839.14057.290405.1.3.032148 04/2005 75.909,58 16938.58846.300505.1.3.037219 05/2005 131.835,96 03997.89880.300605.1.3.037005 06/2005 112.852,36 03019.74011.220705.1.3.030268 07/2005 58.667,43 25045.24602.290805.1.3.031889 Total 556.417,06 As compensações mencionadas na tabela estão sendo tratadas no processo administrativo 11020.906108/200932. Foram homologadas parcialmente pela DRF, em razão do reconhecimento do crédito de R$67.659,22. A manifestação de Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 240 28 inconformidade contra a parte não homologada pelo despacho decisório foi indeferida por esta Turma, em julgamento que antecede ao deste, nesta sessão. As homologações do processo 11020.906108/200932 não são suficientes para confirmar qualquer parcela do saldo negativo utilizado nas compensações deste processo. Assim, consideramse efetivamente pagos os valores de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada objeto de compensações solicitadas por meio dos Per/DComp nºs 19326.11642.210808.1.7.030810, 30237.90545.300305.1.3.033340, 08839.14057.290405.1.3.032148, 16938.58846.300505.1.3.037219, 03997.89880.300605.1.3.037005, 03019.74011.220705.1.3.030268, 25045.24602.290805.1.3.031889 formalizados no processo nº 11020.906108/200932 no total R$556.417,06 no anocalendário de 2004. Ademais, foram considerados no Despacho Decisório Eletrônico o valor total de R$165.163,15 a título de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada paga com Darf. Analisando os registros internos da RFB, fls. 115122, verificase que de fato há dois pagamentos com validação total: (a) R$138.744,48, código 2484, do período de agosto de 2005 e (b) R$70.992,54, código 2484, do período de julho de 2005. Tais Darf perfazem o total de R$209.737,02, conforme demonstrado na Tabela 1. AnoCalendário 2005 (A) Valores Reconhecidos Despacho Decisório R$ (B) Valores Reconhecidos Segunda Instância de Julgamento R$ (B) CSLL Devida 288.252,22 288.252,22 () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Darf (165.163,15) (209.737,02) () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Per/DComp 0,00 (556.417,06) Saldo de CSLL 123.089,07 (477.901,86) Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$477.901,86 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2005, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$477.901,86 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2005, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.915115/200925 Acórdão n.º 1803002.455 S1TE03 Fl. 241 29 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10380.006736/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. TÍTULOS PRÓPRIOS.
Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 34, por não contabilizar em títulos próprios, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuição previdenciária.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: Relator André Luís Mársico Lombardi
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CUSTEIO. TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Auto de Infração de Obrigação Acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 36 /2 01 0- 06 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 lavrado no Código de Fundamento Legal 34, por não contabilizar em títulos próprios, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuição previdenciária. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 2302003.402 S2C3T2 Fl. 89 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 63 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de processo de Auto de Infração de obrigação acessória, DEBCAD 37.255.8895, lavrado por infração ao disposto no art. 32, II, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social (RPS). aprovado pelo Decreto n° 3.048. de 6 de maio de 1999 (Fundamento Legal 34). Conforme Relatório Fiscal, fls. 05/13, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, como exemplificado a seguir: a) 33903600 Outros serviços de terceiros pessoa física Nesta conta o órgão registra todos os pagamentos a pessoa física indiferentemente de estarem ou não sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, tais como: COM INCIDÊNCIA — serviços prestados por contribuintes individuais das categorias de autônomos e transportadores autônomos; SEM INCIDÊNCIA — aluguel de imóvel contratado com pessoa física. A auditoria constatou também que o órgão não registra sua contabilidade pelo regime de competência, ou seja, no momento em que a despesa se realizou independentemente do momento do pagamento... O que observou a auditoria é que o órgão não vem contabilizando a quota patronal devida ao INSS na sua totalidade conforme demonstra a planilha anexa que compara os valores devidos ao INSS a título de quota patronal com os valores efetivamente liquidados pelo órgão no título contábil 31901300 OBRIGA ÇÕES PA TRONAIS. A multa foi aplicada no valor de R$ 14.107,77 (quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), em observância ao disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, e artigos 283, II, "a" e 373 do RPS, com atualização da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/2009. (...) (grifos nossos) Cientificada dos lançamentos constantes dos presentes autos, a recorrente apresentou defesa que, como afirmado, foi julgada improcedente. Novamente cientificada, apresentou o seu recurso, no qual alega, em síntese: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 * cerceamento de seu direito de defesa ainda por considerar exíguo o prazo de trinta dias para apresentação de impugnação, especialmente por terem sido lavradas várias autuações na mesma ação fiscal. * ficou impossibilitado de exercer seu direito à ampla defesa, uma vez que o AI foi fundamentado numa infinidade de normas, ora com base na legislação vigente à época da ocorrência da infração, ora na legislação de 2009. * argui que a legislação mais benéfica é a da época da ocorrência da infração, que permitia a relevação da multa, se atendidos determinados requisitos, não havendo que se falar em opção de penalidade mais benéfica. * afirma que todos os fatos geradores foram contabilizados de modo a atender tanto à Lei previdenciária, como à Lei n° 4.320, de 1964, não tendo havido obstáculo à apuração dos mesmos por parte do auditor. * aduz que, em se tratando de órgão público, sujeito à contabilidade pública e controlado e fiscalizado por Tribunal de Contas, está sujeito a outras legislações que, muitas vezes, lhe impedem de cumprir as obrigações acessórias da legislação previdenciária por estar obrigado ao cumprimento de lei especial que, nesse caso, prevalece sobre a lei geral. * considera que a responsabilidade pela infração objeto da autuação é do gestor, com base no disposto no art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, alterado pela MP 449. * requer também a relevação da multa, em razão de ser aplicável o disposto no art. 291 do RPS, vigente à época da ocorrência da suposta infração, alegando sua primariedade e a inocorrência de circunstância agravante. Aos autos foram indevidamente encaminhados à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, sendo que a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, no Acórdão 1103 000.865, declinou competência para esta Segunda Seção. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 2302003.402 S2C3T2 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Em que pese a recorrente afirmar que ficou impossibilitada de exercer seu direito à ampla defesa, uma vez que o AI foi fundamentado numa infinidade de normas, ora com base na legislação vigente à época da ocorrência da infração, ora na legislação de 2009, verificase que a descrição da infração, bem como sua fundamentação, encontramse claramente descritas no relatório fiscal e na folha de rosto (fls. 1) do Auto de Infração. O artigo 15 da Lei n° 8.212, de 1991, assim dispõe: Art. 15. Considerase: 1 empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; O dispositivo acima prevê que o Município de Maracanaú é considerado empresa para os fins da legislação previdenciária e, por esta razão, deve cumprir as obrigações tributárias principais e acessórias nela previstas. Assim, não podem prosperar as alegações de que o Município, por estar sujeito às regras da contabilidade pública e dos Tribunais de Contas, estaria dispensado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto no art. 32, II, da Lei n° 8.212, de 1991. Ademais, conforme explicitado no próprio relatório fiscal, quando a Lei n° 8.212. de 1991, determina a segregação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios, não colide com as determinações da Lei n° 4.320, de 1964, pois as normas da contabilidade pública admitem o desmembramento dos elementos de despesa ao nível de subelemento, conforme Portaria Interministerial n°163, de 04/05/2001, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), art. 3o , § 5o. O direito ao contraditório também foi observado, uma vez que o município teve a oportunidade de se manifestar através da impugnação A alegação de erro na aplicação da legislação tributária não pode prosperar. Isso porque os dispositivos legais e normativos que fundamentaram a presente não sofreram alteração em 2009. Além disso, a multa aplicada foi calculada em observância aos referidos dispositivos, sendo considerada a atualização dada pela Portaria MPS/MF n° 350, de 2009, em razão do disposto no art. 373 do RPS, segundo o qual os valores expressos em moeda corrente, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 referidos no Regulamento, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Finalmente, quanto à exigüidade do prazo concedido para apresentação de defesa, cabe esclarecer que o prazo de trinta dias está previsto no art. 15 do Decreto 70.235, de 1972, o qual rege o processo administrativo fiscal. Com efeito, é cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo (artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72). Assim, concluise que, incontestavelmente, o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, tendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido, por conseguinte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização. Legislação Mais Benéfica. Relevação. Argui que a legislação mais benéfica é a da época da ocorrência da infração, que permitia a relevação da multa, se atendidos determinados requisitos, não havendo que se falar em opção de penalidade mais benéfica. Ocorre que não cabe a relevação da multa aplicada, antes concedida pelo órgão de julgamento, em razão da revogação do dispositivo que a previa, o art. 291, § I o do RPS, pelo Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, em data anterior à lavratura da presente autuação. Responsabilidade do Gestor. Afirma que a responsabilidade pela infração objeto da autuação é do gestor, com base no disposto no art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, alterado pela MP 449. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, pela Medida Provisória n° 449, de 2008, foi afastada a responsabilidade pessoal dos dirigentes. Entretanto, há que se observar que, nos termos do Parecer PGFN/CAT n°/190, de 2009, não houve desqualificação do ato como punível. A infração se mantém, bem como a possibilidade de imputação, pela regra geral, à pessoa jurídica que descumpre os dispositivos da legislação previdenciária. Assim, face a esta interpretação, concluise que a penalidade deve ser aplicada em nome da pessoa jurídica, inclusive para períodos anteriores à publicação da MP n° 449, de 2008. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10380.006736/201006 Acórdão n.º 2302003.402 S2C3T2 Fl. 91 7 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900938/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 97 1 96 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900938/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.543 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria PER/DCOMP Recorrente VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 38 /2 00 9- 39 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 98 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 30552.6502.150306.1.3.043079, apresentada em 15.03.2006, fls. 2027, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$181.521,74 recolhido em 27.02.2004, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 181.521,74 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados o PER/DCOMP [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.03.2009, fls. 03 e 17, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12.03.2009, fl. 02, solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. A manifestação de inconformidade foi objeto de análise, conforme Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, fl. 19, resultando na devolução dos autos ao órgão de origem: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 03, emitido eletronicamente em 18/02/2009, a autoridade competente não homologou a compensação declarada pelo contribuinte no Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.3.043079, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, relativo a pagamento a maior no valor original de R$181.521,74, proveniente de recolhimento efetuado em 27/02/2004, através de DARF de igual valor, o qual foi totalmente utilizado para extinguir débito declarado em DCTF. Conseqüentemente, diante da não homologação, o sujeito passivo foi intimado a efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. Cientificado do despacho denegatório, por via postal, em 05/03/2009 (fl. 14), o interessado apresentou em 12/03/2009 a petição acostada à fl. 01, na qual, em síntese, não contesta o direito creditório não reconhecido mas a cobrança do débito, que informa ter sido objeto de outra compensação, constante dos autos do processo n°. 10166.900226/200839, razão porque requer o cancelamento do presente processo. Desta forma, não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 99 3 O processo foi enviado para cobrança amigável, pois, de acordo com o órgão de origem, o valor cobrado não corresponde a nenhum dos débitos inclusos no processo mencionado pela Recorrente. Notificada em 09.10.2012, fl. 35, inconformada com Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs nova peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” em 16.10.2012, fls. 3639, argumentado: 05. Considerando que a elaboração de forma incoerente, da fundamentação da cobrança, deixando de evidenciar a informação de que o valor de R$518.160,02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013, sob a natureza de um pagamento indevido ou a maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ, declarado no valor de R$1.819.934,76, na DIPJ [de 2005] [...]. 06. Por motivo desse saldo negativo de IRPJ de R$1.819.934,76, foram informados equivocadamente em outras Per/DComp um valor divergente, onde a base de cálculo negativa do imposto seria de R$1.301.774,74 e não o que realmente era devido. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que a via tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, fixase o quadro: Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/Dcomp (1.301.774,74) Diferença IRPJ a maior DIPJ518.160,02 07. Sobretudo, cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela via nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. 08. Assim, diante dos argumentos apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser extinto o crédito tributário ora requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. [...] 09. Estamos certos de que demonstramos, à exaustão, a ilegalidade de que se reveste o lançamento da cobrança em referência. 10. Diante das razões expostas, a empresa pleiteia o deferimento integral da presente peça de manifestação de inconformidade e, em conseqüência, sejam declarados improcedentes todos os lançamentos ora contestados, como também o cancelamento do Despacho Decisório [...]. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 51.940, de 29.04.2013, fls. 4346: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/02/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PETIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRECLUSÃO Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 100 4 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Notificada em 21.08.2013, fl. 53, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.09.2013, fls. 5477, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II DA PRELIMINAR DA NULIDADE DAS DECISÕES DA DRJ. DO FLAGRANTE CERCEAMENTO DO DIREITO D E DEFESA. DA AUSÊNCIA D E APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS D E DEFESA: No presente momento, necessário se faz reiterar os seguintes momentos do processo, os quais estão intrinsecamente vinculados ao cerceamento do direito de defesa comprovadamente ocorrido, quando da apresentação da primeira irresignação em face da não homologação da compensação realizada. Repitase, após a ciência do Despacho que não homologou a compensação realizada, houve apresentação de manifestação de inconformidade [...], a qual fora devidamente processada, onde sobreveio Despacho de encaminhamento [...] lavrado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, manifestandose no sentido de que: (i) que a referida manifestação de inconformidade [...] apresentada, fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) que houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) ao final, determinou a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação proposta pela Recorrente. [...] Ocorre que de forma indevida e em desobediência flagrante à verdade material, a fungibilidade recursal e o Decreto n° 70.235/72 que regula a tramitação do processo administrativo fiscal no âmbito federal, houve lavratura de Despacho [...] de devolução, onde foram gravadas as seguintes informações: (i) que a Recorrente não teria contestado o direito creditório em face da não homologação do Per/DComp; (ii) que como não houve o suposto reclamo da Recorrente, o processo não comportaria julgamento de primeira instância, razão pela qual se determinou o retorno dos autos à origem. Depreendese da leitura da decisão recorrida que o entendimento da Turma Julgadora não merece prosperar, na medida em que esta deixou de acolher os argumentos suscitados pela Recorrente quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...], onde fora induzida a erro pela confusão havida no preparo dos autos para julgamento, haja vista que [...] a unidade preparadora faz uma afirmação, ao passo [...] existe informação em sentido diametralmente oposto. [...] Como pode constar a informação [...] dos autos que: (i) a manifestação de inconformidade [...] apresentada fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15/2009; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 101 5 (iii) fora determinada a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação; e, posteriormente, por intermédio de Despacho de Devolução [...], a mesma DRJ/BSB que agora teve competência para apreciar o caso [...], afirmou anteriormente que não o teria para dar alicerce à sua conduta flagrantemente omissa??? Importante se faz gravar que quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...], a própria unidade preparadora e/ou a DRJ/BSB tinha a obrigação legal, tendo em vista os fundamentos de defesa e a verdade material que rege o processo administrativo fiscal, de requerer informações e/ou avocar o processo administrativo fiscal n° 10166.900226/200839, até porque na data em que fora apresentada a primeira manifestação de inconformidade, ambos os casos, ou seja, esse processo administrativo e o da origem do crédito (PA 10166.900226/200839) estavam no Serviço de Controle e Julgamento da própria DRJ/BSB. [...]. Assim, resta claro que a Recorrente não pode ser apenada pelo descompasso entre a unidade preparadora e o órgão julgador, o qual, este último, tem o dever legal de emanar suas decisões com base na verdade material e na instrumentalidade processual de forma fundamentada e sem preterição do direito de defesa como ocorreu no caso dos presentes autos. Assim sendo, conforme se passará a demonstrar, o Despacho de devolução [...] deverá ser anulado, bem como o Acórdão recorrido que fora proferido pela da 2º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, pois ambos encontramse eivados de nulidade, uma vez que deixaram de apreciar tanto o fundamentos da primeira manifestação de inconformidade, tal como ocorreu quando da apresentação da segunda irresignação das razões de defesa suscitadas. Dispõe o Decreto n° 70.235/72, com a redação que lhe foi alterada pela Lei n° 8.748/93, em seu artigo 31, ao referirse à decisão exarada em primeira instância administrativa [...]. Notase, portanto, que a legislação regente é clara em estabelecer que a decisão emanada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve conter expressamente todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Tratase, portanto, de um requisito indispensável à garantia do devido processo e ao seu processamento para que não haja preterição do direito de defesa tal como ocorreu. No mesmo Decreto, especificamente no comando legal insculpido no art. 59, inciso II, encontrase a seguinte previsão no que concernente a nulidade despachos e decisões [...]. Percebese, dessa forma, que o mencionado dispositivo legal é claro ao mencionar que é nula a decisão de primeira instancia administrativa que cerceia o direito de defesa do contribuinte e é o que ocorreu no presente caso, na medida em que o Despacho de devolução dos autos não analisou sequer os fundamentos constantes da irresignação da Recorrente, mesmo levandose em consideração de que a Recorrente teve o cuidado de juntar, à época, a íntegra da manifestação de inconformidade protocolizada nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10166.900226/200839. [...] Com isso, concluise que: (i) é requisito indispensável da decisão de primeira instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na peça impugnatória; (ii) o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento do direito de defesa; e (iii) a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 102 6 caracterização do cerceamento de defesa implica na nulidade da decisão de primeira instância. No presente caso, observase que a primeira manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente demonstrou a não procedência do Despacho Decisório [...] que não homologou a compensação realizada pela Recorrente, onde à época, houve manifestação desta no sentido de que o valor referido na compensação citada já estava incluído nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10166.900226/200839, onde inclusive, fora juntada a íntegra da manifestação de inconformidade [...] e, inclusive, ao final, houve requerimento de cancelamento do presente caso, em razão de que o valor aqui referido já fazia parte do outro caso, qual seja, citese novamente, o Processo Administrativo n° 10166.900226/200839. Contudo, na decisão recorrida, os Srs. Julgadores que se limitaram [...] a se manifestar no sentido de que não constava contestação do direito creditório, houveram por bem ulteriormente em julgar o processo através do acórdão ora recorrido, em total descompasso com as normas que regem a tramitação e a análise dos processos administrativos fiscais no âmbito federal. Em outras palavras, o que a DRJ/BSB fez, em ambas as decisões, quais sejam, na decisão [...] e no acórdão recorrido, foi deixar à margem da lei suas decisões em flagrante desobediência com a fungibilidade recursal, bem como do princípio da verdade material. De fato, na íntegra da decisão, é possível verificar que a própria DRJ/BSB [...] dos autos grava que a primeira petição da Recorrente tem a natureza jurídica de manifestação de inconformidade, pelo que se verifica com tal alegação o verdadeiro descompasso da Decisão lavrada [...], na medida em que resta claro e provado que o órgão julgador não analisou em nada as manifestações da Recorrente, seja na primeira peça de inconformidade, seja na segunda manifestação que fora julgada ulteriormente. Apenas a título de exemplificação, como pode a d. DRJ/BSB afirmar que se trata de manifestação de inconformidade e não julgar pelo simples e incorreto motivo de que a Recorrente não teria contestado seu direito creditório e, em momento posterior, afirmar que os fundamentos são extemporâneos??? Data máxima venia, um verdadeiro absurdo jurídico tais manifestações, em especial porque ferem de forma inconteste as normas que regulam o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Ou seja, nesse ponto, como ocorreu em diversos outros do presente caso [...] a Turma Julgadora simplesmente deixou de apreciar as razões da primeira manifestação de inconformidade suscitadas pela Recorrente na peça apresentada [...], em total ofensa aos artigos 31 e 59, II do Decreto que regula o Processo Administrativo Fiscal. Tratase, portanto, de nítido cerceamento do direito de defesa em desfavor da Recorrente. [...] Dessa forma, estando devidamente demonstrado que a Turma Julgadora, seja na lavratura do Acórdão recorrido [...], seja no Despacho de devolução [...] se eximiu do seu dever contido nos artigos 31 e 59 inciso II, ambos do Decreto n° 70.235/72, temse que as decisões por ela emanadas padecem de nulidade, devendo tal fato ser reconhecido por esta colenda Turma Julgadora, para que os autos do presente processo administrativo sejam devolvidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, a fim de que eles, relativamente aos fundamentos das manifestações de inconformidade apresentadas, profiram uma nova decisão abordando todos os argumentos suscitados pela Recorrente. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 103 7 III DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Não obstante os fundamentos acima expostos sejam mais do que suficientes para determinar a declaração de nulidade de todo o processo a partir do Despacho de devolução [...], uma vez que em completo desacordo com as regras que regem o processo administrativo fiscal, a manifestação de não homologação através do Despacho Decisório [...] não pode ser considerada lídima para fundamentar o não aproveitamento do crédito tributário a que tem direito a Recorrente tendo em vista a flagrante desconsideração do Princípio Da Verdade Material. Isso porque tal Despacho decisório fora lavrado unicamente em dados que não correspondem à verdade dos acontecimentos e sim em meras suposições, o que, por si só, não têm o condão de gerar a não homologação do aclarado crédito tributário que faz jus a Recorrente. Ou seja, em todos os fundamentos constantes do Despacho decisório que não homologou a compensação realizada, a Auditoria Fiscal afasta toda a verdade material e não reconhece o crédito da Recorrente, motivo pelo qual desconsidera integralmente todas as provas juntadas quando da apresentação das manifestações de inconformidade que comprovam de forma inconteste a existência de crédito em favor da Recorrente. [...] Verificase, ainda, a elaboração de forma incoerente da fundamentação da cobrança pelo Despacho Decisório que não homologou a compensação que a Recorrente faz jus, haja vista que a RFB deixou de constatar a informação de que o valor de R$518.160.02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079, 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. sob a natureza de um Pagamento Indevido ou a Maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ declarado no valor de R$1.819.934.76 na DIPJ 2005 entregue de forma tempestiva, objeto que pode ser facilmente evidenciado na sua página n° 11, especialmente na ficha 12A. É necessário esclarecer que o saldo negativo de R$1.819.934,76 (que consta na DIPJ de 2005 como saldo de pagamento informado equivocadamente em outras Per/DComp com valor divergente, onde a base de cálculo negativa naquela informação repassada ao Fisco seria de R$1.301.774,74, o que não corresponde com o valor real para homologação da presente compensação, ou seja, o que realmente é lídimo para efeitos de compensação em favor da Recorrente é o primeiro valor gravado, qual seja: R$1.819.934,76. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que se tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, seguese o quadro didático abaixo: Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp (1.301.774,74) Diferença IRPJ a maior DIPJ 518.160,02 Ainda, de suma importância cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 104 8 Recorrente nos seguintes Per/DComp n°s 30552.16502.1503|05.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. Assim, diante dos argumentos acima apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser homologada a compensação realizada com a consequente reforma do Acórdão recorrido lavrado pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Assim sendo, provase. ab initio, que os argumentos para homologação do crédito a que a Recorrente faz jus devem ser analisados a fundo, haja vista os ora citados fundamentos da presente peça administrativa fiscal. Com efeito, para a garantia do procedimento administrativo correto, bem como para análise do processo administrativo com um todo, se faz necessária a utilização de provas veementes para garantir o batismo da certeza, isso porque tal procedimento deve reger toda atividade administrativotributária. Assim, com relação aos créditos tributários que têm direito a Recorrente, não cabe prosperar a alegação administrativa de não homologação do crédito existente, ainda mais quando se verifica claramente a existência de pagamento a maior e efetivo crédito que dá lastro para que seja deferida a compensação realizada. Dessa forma, em razão do princípio da verdade material, corolário da legalidade, não pode o Fisco deixar de proceder à análise dos fatos jurídicos tributários e de todos os documentos (obrigações acessórias) já juntados no presente caso, sob pena de não homologar crédito com clareza solar que a Recorrente faz jus. [...] No presente caso, verificase que a Administração Fiscal não se preocupou em apurar a verdade material dos fatos, haja vista que, não obstante ter diversas informações e documentos sobre todas as operações realizadas pela Recorrente, delas não tomou conhecimento ou examinouas de forma equivocada, arbitrária e desmedida. Indagase, diante de tantas informações e documentos! Preocupouse o Auditor Fiscal e a Administração Tributária em apurar a verdade durante todo o procedimento administrativo de fiscalização??? Com certeza: NÃO. Assim, repitase, o presente caso está intrinsecamente relacionado com o Processo Administrativo n° 10166.900226/200839, o qual juntamente com a contabilidade da Recorrente prova a origem do crédito existente, especialmente o pagamento a maior realizado. Então, não merece prosperar a não homologação do crédito a que a Recorrente tem direito, o qual não fora homologado via Despacho decisório que teve entendimento idêntico gravado pela d. DRJ/BSB, eis que resta comprovado que o crédito apurado pela Recorrente é lídimo e deverá ser aproveitado, em face do princípio da verdade material. Passados esses fundamentos, concluise que a presente compensação deverá ser homologada em obediência à verdade material, bem como pela inconteste demonstração do direito creditório como feito anteriormente. IV A CONTABILIDADE COMO PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 105 9 No exercício regular de suas atividades, as empresas devem manter contabilidade societária e fiscal, de modo que todos os interessados nas operações das empresas (funcionários, diretoria, Fisco, etc.) possam visualizar a sua verdadeira situação e tenham subsídios para tomar suas decisões e cumprir os seus respectivos ofícios. Os lançamentos contábeis, na verdade, refletem os diversos fatos econômicos ocorridos na vida da empresa, produzindo as informações desejadas pelos "consumidores" dos relatórios/informes contábeis. Nesses termos, é necessário terse em mente que a ocorrência dos fatos econômicos sempre será materializada por meio de documentos, razão pela qual todo o lançamento contábil deve ter lastro em documento que indique o fato econômico contabilizado. [...] Resta claro, portanto, que a contabilidade feita pela Recorrente constituise prova em seu favor, sendo certo afirmar que a total desconsideração das razões expostas nas manifestações de inconformidade, faz surgir de forma aclarada que a d. Fiscalização sequer teve o cuidado de levantar1 informações contundentes antes da não homologação da compensação aqui discutida. Visto isso, cumpre esclarecer relevante questão acerca dos documentos que dão suporte aos negócios jurídicos objeto de contabilização. Isto porque, conforme se depreende do já aludido artigo 923 do RIR/99, a contabilidade somente faz prova em favor do contribuinte se lastreada em "documentos hábeis". [...] Sendo assim, é de se concluir que um documento hábil para a escrita contábil é aquele que consubstancie fisicamente um negócio jurídico (que implique em alteração patrimonial na empresa) com cumprimento aos ditames legais. Logo, o lançamento contábil calcado em documentos que condizem com a realidade factual faz prova a favor do contribuinte, devendo o Fisco, sempre aprofundar e levantar as informações corretas antes da não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, o que não foi feito no caso dos presentes autos de forma inconteste. [...] Por todo o exposto, queda nítido, que a escrita contábil do contribuinte, lastreada em instrumento válido juridicamente, t em poder de prova em sua benesse no que tange ao direito creditório da Recorrente considerado corretamente pela RFB, sendo dever do Fisco, que não fora caso almeje fundamentar sua decisão sobre a não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, em considerar todos os documentos e os lançamentos contábeis devidamente realizados por esta, o que não foi feito até o presente momento. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Desde logo, se requer, quando da chegada dos autos no CARF o sobrestamento do feito para julgamento em conjunto com os Processos Administrativos n.°s 10166.900222/200851 e 10166.900226/200839, ambos em trâmite na Primeira Seção de Julgamento do CARF na medida em que tais processos estão intrinsecamente ligados (origem do crédito) ao caso presente e deverá haver o julgamento em conjunto pela mesma Turma. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 106 10 Em face de todo o exposto e reiterando todos os termos das manifestações de inconformidade apresentadas, requer o acolhimento da preliminar de nulidade das decisões emanadas pela d. DRJ/BSB por flagrante cerceamento do direito de defesa e/ou das razões de mérito do presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do r. Acórdão recorrido [...] a fim de que seja homologada a compensação realizada pela Recorrente, reconhecendose o crédito tributário ora em discussão e arquivandose o presente processo administrativo fiscal aqui entabulado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em preliminar tem cabimento a análise da tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do Despacho Decisório que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência 1. O prazo legal de instauração da fase litigiosa no procedimento é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta. Cientificada do Despacho Decisório em 05.03.2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 12.03.2009 solicitando o cancelamento do processo, pois, 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 107 11 o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. Temse que no Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF restou esclarecido que “não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis”, tendo em vista o art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Notificada em 09.10.2012 e discordando do Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs em 16.10.2012 aditamento à peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” contra a não homologação dos débitos originalmente confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos. A motivação que está registrada no Voto Condutor do Acórdão recorrido é a seguinte: Revisitando o Decreto [nº 70.235, de 06 de março de 1972] verificamos que a impugnação/manifestação de inconformidade, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência (no caso em baila o Despacho Decisório), instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Não podemos perder de vista que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, ou seja, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do despacho decisório, precluindo o direito de o requerente fazêlo em outro momento processual. Em suma, a petição intitulada Manifestação de Inconformidade, apresentada em 16/10/2012 (fls. 36 a 39), em face da sua extemporaneidade, não instaura fase litigiosa já instaurada, via de conseqüência, não comporta julgamento de primeira instância. Ex positis, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. Verificase que, em face da não homologação dos débitos confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos, a Recorrente opôs a peça de defesa, que tem natureza jurídica de aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada no tempo, na forma e no lugar previstos em lei, pois o fez antes que fosse proferido o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF. Por essa razão, a preclusão temporal está afastada, haja vista que não houve o descumprimento do prazo para a prática do ato processual. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o referido aditamento a manifestação de inconformidade foi apresentado intempestivamente. Por essa razão, não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 108 12 do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação para evitar a supressão de instância. Temse que inexiste reconhecimento implícito de direito creditório no caso em que a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 109 13 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novo recurso voluntário, possibilitandolhe a 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 110 14 discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp e acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada, afastamento a preliminar de sua intempestividade, impõe, pois, o retorno dos autos à DRJ/BSA/DF para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade como tempestivo e o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ, código 2362, no valor de R$181.521,74 recolhido em 27.02.2004, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela DRJ/BSA/DF, com o conseqüente retorno dos autos a essa unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido no Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.900938/200939 Acórdão n.º 1803002.543 S1TE03 Fl. 111 15 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10830.010513/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 16327.000973/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCONFORMISMO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara ou incorrido contradição interna entre seus termos. Suprida a omissão/contradição sem conduzir a mudança de resultado, não se lhes empresta efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-001.336
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos, mas sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ipollito e Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCONFORMISMO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara ou incorrido contradição interna entre seus termos. Suprida a omissão/contradição sem conduzir a mudança de resultado, não se lhes empresta efeitos infringentes.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCONFORMISMO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara ou incorrido contradição interna entre seus termos. Suprida a omissão/contradição sem conduzir a mudança de resultado, não se lhes empresta efeitos infringentes. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos, mas sem efeitos infringentes, apenas para esclarecimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 73 /2 00 9- 42 Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ipollito e Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do Contribuinte (FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIARIO SUPERQUADRA 311 NORTE e do Responsável Tributário PAULO OCTÁVIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA POII) em que se alega erro de fato, obscuridade e omissões no Acórdão nº 1401001.136, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazêlo apenas em sede recursal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. INVIABILIZADO POR RECUSA, DO CONTRIBUINTE, EM PRESTAR INFORMAÇÕES. Pedido de diligência formulado pelo responsável solidário resta inviabilizado, senão por outras razões, pela recusa do contribuinte, a quem compete efetuar os registros contábeis e guardar a documentação relativa às operações , em prestar à autoridade fiscal informações complementares para a apuração dos tributos devidos. MÉRITO. SIMULAÇÃO. TRANSFERÊNCIA APARENTE DE QUOTAS PARA FRAUDAR NORMA DE LEI. OCORRÊNCIA. Constitui típica operação de simulação, a celebração de contrato de mútuo, sem propósito negocial e sem transferência efetiva de numerário, envolvendo vultosa soma de dinheiro "emprestada" da empresa quotista a funcionário, com o único fito de fraudar artigo de lei que torna tributáveis as operações de Fundo Imobiliário. ADIÇÃO INDEVIDA DE VENDAS CANCELADAS NA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 3 3 É da lógica da contabilidade tributária, sob pena de redução indevida de tributos, que valores de "vendas canceladas" somente possam ser lançados a débito em conta de receitas, com redução de bases tributáveis, se tais receitas canceladas tiverem sido tributadas no exercício atual ou em anterior. INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA. DESCABIMENTO. O fato de uma entidade não possuir personalidade jurídica não a exime de ser sujeito passivo tributário, sabendose que o artigo 2o da Lei 9.779/99 estipula que o fundo de investimento imobiliário, que, pelo artigo 1º da Lei 8.668/93, não é pessoa jurídica , sujeitase à tributação aplicável as pessoas jurídicas, quando aplica recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador ou construtor, quotista detentor de mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. MULTA QUALIFICADA. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO PARA O AGRAVAMENTO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de simulação de transferência de quotas realizada por quotista majoritário com o fim de manter isenção tributária de Fundo de Investimento Imobiliário inexiste erro de identificação de sujeito passivo quando a multa agravada é lançada contra o Fundo, porque, nesse caso não se pode negar que o próprio Fundo, através do órgão supremo de deliberação, a Assembléia Geral dos quotistas, onde o fraudador tem assento, teve conhecimento e aprovou a simulação feita. APROVEITAMENTO DO IRRF NO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Falece legitimidade ativa ao contribuinte Fundo Imobiliário para pleitear o eventual aproveitamento, contra créditos constituídos no lançamento, de valores de IRRF alegadamente recolhidos por ocasião de pagamentos feitos aos quotistas, em razão do fato de tal direito, se existir, pertencer aos beneficiários dos rendimentos, não à fonte pagadora. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. NÃO DEDUÇÃO DOS CRÉDITOS DE CUSTOS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. RECUSA PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. Inexistindo informações adequadas, por recusa do contribuinte em fornecê las, para eventual aplicação do regime cumulativo, ou para dedução de créditos relativos a custos no regime nãocumulativo, deve ser aplicado o regime prevalente de tributação normal das pessoas jurídicas, que, tratandose de Fundo Imobiliário, é o nãocumulativo, no caso, sem dedução de eventuais créditos de custos. MULTA PUNITIVA NO DIREITO TRIBUTÁRIO. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. NÃO APROVEITAMENTO. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 A multa punitiva no Direito Tributário, segundo o STF, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica. O resultado de julgamento restou assim assentado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares, afastar a decadência e, por maioria NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta quanto á qualificação da multa e aos juros sobre a multa A embargante FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIARIO SUPERQUADRA 311 aponta as seguintes omissões: 1) deixaram de ser analisados os argumentos que demonstram a impossibilidade de responsabilização do Embargante em face dos atos praticados pelo seu cotista POII, tendo em vista que: • Verificase o total descabimento da alegação de que todos os quotistas teriam conhecimento dos fatos supostamente simulados alegados no presente caso, visto que tratamse de negócios jurídicos praticados entre particulares (apenas entre a POII e o Sr. Sebastião), utilizados para justificar a transferência de recursos do Sr. Sebastião para a POII; • Não há, nesses negócios jurídicos, qualquer ingerência por parte dos demais quotistas e do Embargante; • Ao prevalecer tal premissa, seria necessário admitir, por exemplo, que numa sociedade por ações, todos os acionistas minoritários teriam pleno conhecimento dos atos praticados pelo acionista controlador e pelo adquirente, numa eventual alienação de participação societária; e • Mesmo que tivesse ocorrido eventual fraude ou simulação nessa transferência de quotas, o que se alega apenas a título argumentativo, fato é que nem a administradora nem os demais quotistas poderiam impedila, ou precisariam com ela anuir de qualquer forma. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 4 5 2) Omissão Quanto à Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade da Transferência de Cotas ao Sr. Sebastião. Requereuse a reforma da decisão proferida pela DRJ e o consequente cancelamento das autuações fiscais originárias do presente processo administrativo, eis que já havia transcorrido o prazo decadencial (preclusão) de cinco anos entre o fato que ensejou a tributação do FIISQN 311 como pessoa jurídica em 30/06/99 cessão das cotas da POII ao Sr. Sebastião e a lavratura dos autos de infração originários desse processo administrativo (24/09/09). 3) Ausência de Aproveitamento dos Créditos Referentes aos Custos dos Imóveis Vendidos Omissão Quanto à Justificativa Para Não se Utilizar a Planilha Elaborada Pelo Embargante: (i) não fundamentou o motivo pelo qual as informações prestadas pelo Embargante nos autos seriam insuficientes para aproveitamento dos custos em análise; bem como (ii) porque tais custos apenas seriam passíveis de aproveitamento com informações mais detalhadas sobre forma de pagamento e como se deram os recebimentos das vendas dos imóveis. 4) Vendas Canceladas Omissão Quanto à Impossibilidade de Adição às Bases de Cálculo do PIS e da COFINS em Razão da Decadência De acordo com a conclusão consignada nas fls. 3.404 dos autos , essa E. Turma entendeu que as vendas canceladas não deveriam ter sido excluídas das bases de cálculo do PIS e da COFINS cobrados em razão da ausência de comprovação da tributação de tais receitas em exercícios anteriores. Contudo, requer a análise do esclarecimento de que "ainda que tais receitas tivessem que ser oferecidas à tributação no anobase de 2003, em razão da incidência da norma prevista no artigo 2o da Lei n° 9.779/99, o que se alega a título meramente argumentativo, não poderia o Sr. Agente Fiscal invocar tal evento infracional para proceder a adição dessas despesas nos anosbase subseqüentes (2004 e 2005), justamente porque já transcorreu o prazo decadência! de cinco anos para a Fiscalização questionar esse fato(...)". 5) Omissão Quanto ao Erro no Aspecto Quantitativo da COFINS Cobrada Iliquidez e Incerteza do Crédito Tributário Por fim, ressaltase a necessidade de suprimento da omissão quanto à análise do item "C", constante na página 48 do recurso voluntário, o qual comprova a impossibilidade de a Realização corrigir o erro na aplicação da alíquota da COFINS cobrada nesse A embargante Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda (responsável tributário) aponta omissão, contradição e obscuridade no Acórdão embargado: Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 a primeira vício apontado seria uma omissão. Se insurge quanto à qualificação da multa, uma vez que não foi demonstrado o dolo, mormente em situações em que o contribuinte utilizamse de negócios lícitos, no caso contrato de mútuo para aquisição de quotas do Fundo), para viabilização de economia de tributos ainda que a jurisprudência do CARF tenda para a desconsideração, quando não demonstrado o propósito negocial. Ressalta ainda que as operações societárias foram realizadas entre dez/98 a junho/00, época em que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes era pacífica no sentido de privilegiar o princípio da estrita legalidade em casos de planejamento tributário. Traz jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes para ratificar a sua tese. o segundo vício apontado tratarseia de uma obscuridade. Alega que ao longo do Aresto embargado faltou menção específica a qual das recorrentes o voto estava se referindo ao mencionar um ou outro argumento recursal. por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto ao pleito de aproveitamento do IR retido na fonte. O Aresto embargado teria entrado em contradição na medida em que usou como fundamento o fato de que se tal direito existisse o mesmo pertenceria aos quotistas e não ao Fundo de Investimento. É que em fase recursal foi o quotista Paulo Octavio Investimentos que fez tal requerimento e não o Fundo de Investimentos. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse cinco omissões. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Com exceção do 4º vício apontado, todos os demais foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Mas, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Motivo pelo qual pretende rediscutir quase todas as matérias em via inadequada. Cabe também esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 5 7 de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão, o que não ocorreu. 1a omissão apontada deixaram de ser analisados os argumentos que demonstrariam a impossibilidade de responsabilização do Embargante em face dos atos praticados pelo seu cotista POII. Ora, como se pode verificar nas fls. 3387 a 3389, relatouse minuciosamente essa questão levantada no recurso, e o voto abriu tópico específico para enfrentála conforme abaixo: Da Responsabilização do Fundo de Investimento Imobiliário Superquadra 311 Norte pelos atos praticados pela empresa Paulo Octávio A Recorrente adiciona novo argumento em seu recurso no sentido de que mesmo em se admitindo a ocorrência da fraude, o FII não poderia ser responsabilizado pelos atos da Paulo Octávio Investimentos Imobiliários e do Sr. Sebastião, vez que não houve qualquer ingerência por parte dos demais quotistas no negócio jurídico efetivado. Para tanto alega que a transação de transferência de quotas entre particulares não depende de aprovação prévia dos demais quotistas ou do administrador, conforme Instrução CVM n.° 205/94. Como bel colocado pela decisão de piso, o Fundo de Investimento, mesmo que não possua personalidade jurídica (art. 1°, caput, da Lei n.° 8.668/93), pratica atos pelos quais responde através da Administração do Fundo e da Assembléia Geral dos Quotistas (Lei n.° 8.668/93). Assembléia Geral dos Quotistas, conforme o art. 21 do Regulamento do Fundo tem como competência privativa examinar, anualmente, as contas do Fundo e deliberar sobre as demonstrações financeiras apresentadas pela Administradora. O art. 41, II, da Instrução Normativa n.° 205 da CVM, de 1994, também dispõe que constituirão encargos do Fundo as "taxas, impostos ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas que recaiam ou vierem a recair sobre os bens, direitos e obrigações que compõem o patrimônio do Fundo". O próprio regulamento do FUNDO em seu art. 29 indica os tributos como de responsabilidade do Fundo: DAS DESPESAS E ENCARGOS DO FUNDO Art. 29 Constituem encargos do FUNDO as seguintes despesas que • lhe serão debitadas peia INSTITUIÇÃO ADMINISTRADORA: (...) II. as taxas, impostos, ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas, que recaiam ou venham a recair sobre os bens, direitos e obrigações do FUNDO; Ora, é clarividente que o favorecido pelo negócio fraudulento foi o próprio Fundo de Investimento Imobiliário, e por conseqüência, todos os quotistas, uma vez Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 que o Fundo autuado deixou de sujeitarse à tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, nos termos da Lei n.° 9.779/99. Este fato, é o tanto quanto basta para imputar a responsabilidade do Fundo pelos tributos que deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos, uma vez que a própria Lei n.° 9.779/99 é clara ao atribuir ao Fundo a condição de responsável principal pelas obrigações tributárias. Diz expressamente o art. 2° desse diploma legal: "Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário [...]". Por tudo, não restam dúvidas de que o Fundo é o sujeito passivo da obrigação tributária obrigado pelo pagamento dos tributos. Bem se vê que não há omissão, há apenas inconformismo com a linha de entendimento adotada no voto, motivo pelo qual rejeito essa omissão. 2a Omissão apontada: Quanto à Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade da Transferência de Cotas ao Sr. Sebastião. Esse é o típico ponto que não é relevante para a lide e que foi de certa forma tratado no tópico ligado à decadência de uma forma geral. Cabe novamente esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão, o que não ocorreu. Outrossim, a decadência tem seus marcos bem definidos conforme tratado no Acórdão embargado quando enfrentou o tópico genérico ligado à decadência de o Fisco Lançar. Esses marcos levam em consideração o fato gerador do tributo, o lapso temporal de cinco anos e a data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração. Dessa forma, não é qualquer fato ou evento ocorrido no mundo que deva ser levado em consideração para a contagem do prazo decadencial. Com essas considerações adicionais, rejeito também esta omissão. 3a Omissão apontada : Ausência de Aproveitamento dos Créditos Referentes aos Custos dos Imóveis Vendidos Omissão Quanto à Justificativa Para Não se Utilizar a Planilha Elaborada Pelo Embargante: Segundo a embargante o voto não fundamentou o motivo pelo qual as informações prestadas pelo Embargante nos autos seriam insuficientes para aproveitamento dos custos em análise. mais uma vez sem razão a embargante, pois o voto foi substancioso a esse respeito, abrindo mais uma vez tópico específico para fundamentar a matéria. Se a Recorrente discorda do que foi fundamento, isso passa a ser outra questão, mas não pode ser resolvida nas vias estreitas dos embargos. Eis o teor do voto a esse respeito: . (...) A decisão de piso ratificou acertadamente o procedimento adotado pela autoridade lançadora, pois quando intimado a prestar esclarecimentos sobre os custos de cada imóvel cujos preços foram recebidos em 2004 e 2005, para fins de apuração dos respectivos créditos, não apresentou os dados solicitados, razão pela qual a autuação baseouse nos dados até então disponíveis. Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 6 9 O art. 845 do RIR/99 é bem claro quanto aos efeitos de não se prestar os esclarecimentos pertinentes: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 2 5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; § 2 Na hipótese de lançamento de ofício por falta de declaração de rendimentos, a não apresentação dos esclarecimentos dentro do prazo de que trata o art. 844 acarretará, para as pessoas físicas, a perda do direito de deduções previstas neste Decreto (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 79, § 22). (destaquei) (...) A empresa apresentou apenas parte do que fora solicitado, segundo consta do TVF, o que foi completamente insuficiente: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal LS n° 03/2009 (fls. 1221 a 1223 e 1316 a 1325), a fiscalizada apresentou relação dos imóveis vendidos e respectivos custos, nos anoscalendário de 2004 e 2005. Porém, é preciso contextualizar melhor a questão, o que não feito adequadamente pela Recorrente. É que tais informações não seriam suficientes para a concessão do crédito. Havia necessidade de informações mais detalhadas a respeito da forma de pagamento e de como se deram os recebimentos ao longo do tempo e não tão somente o custo em si. E nesse ponto, a Empresa não apresentou mesmo mais nada, nem na fase inquisitorial, nem na fase de defesa (impugnatória e recursal). Eis os termos adicionais do TVF que contextualiza melhor a questão: Através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal LS n° 06/2009 (fls. 1387 a 1390), solicitouse à fiscalizada que elaborasse planilha referente a todos os imóveis vendidos e cujos preços foram recebidos nos anoscalendário de 2004 e 2005 (a vista ou de forma parcelada), contendo: a data da venda, a identificação do imóvel, o preço da venda, o custo, e o valor recebido em cada um dos .eses dos anos de 2004 e 2005. Em resposta, a fiscalizada nada apresentou coliforme já transcrito neste Relatório. Dessa forma, esta Fiscalização ficou impossibilitada de aplicar, para a fiscalizada, o disposto na legislação fiscal para a utilização dos créditos incorridos após o início da nãocumulatividade (art. 4o caput e § 3o da Lei n° 10.833/2003 c/c o art. 16 da mesma Lei) e do crédito presumido (art. 12 caput e § 4o c/c art. 16 ambos da Lei 10.833/2003). (destaquei) Se entende a defesa que a verdade material não foi alcançada, se não fez na época oportuna, deveria no mínimo ter tentado trazer ao processo elementos probantes do contrário, não sendo bastante suficiente a apresentação de incompletas de dados, pois para caracterizar a prova não é bastante trazer aos autos informações de forma desarticulada e incompletas, como fez a recorrente na fase inquisitorial. A propósito, sobre a apresentação de provas e conforme jurisprudência deste Conselho, a prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. E isso ele não fez, repitase novamente, nem na fase inquisitorial quando lhe foi solicitado, nem na fase impugnatória e nem agora na fase recursal. Portanto, rejeito também esta omissão. 4a Omissão: Vendas Canceladas Omissão Quanto à Impossibilidade de Adição às Bases de Cálculo do PIS e da COFINS em Razão da Decadência Alega que esta Turma entendeu que as vendas canceladas não deveriam ter sido excluídas das bases de cálculo do PIS e da COFINS cobrados em razão da ausência de comprovação da tributação de tais receitas em exercícios anteriores. Contudo, requer a análise do esclarecimento de que "ainda que tais receitas tivessem que ser oferecidas à tributação no anobase de 2003, em razão da incidência da norma prevista no artigo 2o da Lei n° 9.779/99, o que se alega a título meramente argumentativo, não poderia o Sr. Agente Fiscal invocar tal evento infracional para proceder a adição dessas despesas nos anosbase subseqüentes (2004 e 2005), justamente porque já transcorreu o prazo decadêncial de cinco anos para a Fiscalização questionar esse fato(...)". Apesar de o Acórdão ter enfrentado de forma geral a questão da decadência em tópico à parte, com as peculiaridades da isenção trazidas pela Recorrente, constato que o Acórdão foi omisso no ponto específico da infração relativa à adição de receitas canceladas e excluídas por não ter sido oferecida à tributação em exercícios anteriores. A esse respeito, por concordar inteiramente com os fundamento da DRJ, tragoos à colação para complementar o Acórdão embargado, sem lhes emprestar efeitos infringentes: Da mesma forma, não se sustenta o argumento de que o fato de não ter oferecido tais receitas à tributação em anos anteriores a 2004, teria sido alcançado pela decadência, e, assim, inviabilizado qualquer pretensão do Fisco a respeito. É de se ressaltar que a inexistência da obrigação do contribuinte de tributar essas receitas naqueles anos não lhe confere direito à sua exclusão em exercício posterior, porque, como destacado, somente a tributação em exercício anterior, de operação posteriormente desconstituída, permite a redução de base tributável, na mesma medida, em exercício posterior. O fato de, eventualmente, esses exercícios anteriores terem sido alcançados pela decadência não transforma receitas não tributadas em receitas tributadas. 25. De mais a mais, a decadência, na ordem tributária vigente, somente possui efeito negativo, de obstar a constituição de crédito tributário por parte do Fisco relativo a fatos geradores ocorridos nos períodos decaídos. Não detém efeito positivo para convalidar eventuais registros realizados em desconformidade com a lei, relativos a fatos geradores decaídos, nem para conferir direito ao contribuinte para, com base nesses registros irregulares, pleitear, em relação a fatos geradores ocorridos em exercícios posteriores, o não pagamento ou a redução de tributo, ou até repetição de indébito. 26. Por outro lado, existem as normas legais, o artigo 37 da Lei 9.430/96 e o artigo 4º do Decretolei 486/69 reproduzido no artigo 264 do RIR/99, a seguir transcritos, estipulando que para os fatos que tenham efeito sobre constituição de créditos tributários em exercícios futuros, como é o caso das receitas contabilizadas em determinado exercício e canceladas em exercícios posteriores, os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL de períodos anteriores , deve o Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 7 11 contribuinte guardar os respectivos comprovantes, até que ocorra a decadência do direito de lançamento sobre os fatos geradores futuros. E fazer prova, nesse contexto jurídico, significa provar não somente a ocorrência do fato passado, mas também sua conformidade à lei. No caso, para poder usufruir do direito à exclusão deveria o contribuinte apresentar os comprovantes de que as referidas receitas foram, de fato, oferecidas, à tributação, o que, como restou claro, não ocorreu. Pelo exposto, acolho os embargos neste ponto, para complementálo, mas sem emprestarlhes efeitos infringentes. 5a Omissão: Quanto ao Erro no Aspecto Quantitativo da COFINS Cobrada Iliquidez e Incerteza do Crédito Tributário Por fim, ressalta a necessidade de suprimento da omissão quanto à análise do item "C", constante na página 48 do recurso voluntário, o qual comprova a impossibilidade de a Realização corrigir o erro na aplicação da alíquota da COFINS cobrada nesse auto de infração. Rejeitase também essa omissão, por dois motivos. Primeiro porque tal matéria está apartada do presente processo sendo objeto do processo n. 16327.000273/201091 que foi julgado na mesma sessão deste processo. Segundo, apenas para argumentar pois o primeiro motivo já seria suficiente por si só, porque nesse outro processo o erro de fato na aplicação da alíquota foi amplamente debatida essa questão, não havendo portanto que se falar em omissão. Eis trecho do voto condutor no processo n. tratando dessa questão: A esse respeito a DRJ soube muito bem fundamentar a base legal e o motivo pelo qual foi lançado a diferença complementar. Por óbvio o que ocorreu foi mero erro de fato na utilização da alíquota de 3% (que seria aplicável ao regime cumulativo) ao invés da alíquota de 7,6% aplicável ao regime da não cumulatividade. E não se alegue que se mudou a natureza das coisas, ou seja, que se requalificou os fatos passando do regime cumulativo para o não cumulativo, pois os fatos foram muito bem descritos pelo fiscal no contexto da não cumulatividade como bem fundamentou também a DRJ, motivo pelo qual adoto os seus fundamentos como razões complementares do que aqui decido: 10. O instituto do lançamento complementar está previsto no artigo 18, parágrafo 3o, a seguir reproduzido, do Decreto n° 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, para as hipóteses em que a autoridade fiscal, por ocasião de exame posterior de determinado lançamento, constata a existência de incorreção, omissão ou inexatidão que .implique agravamento da exigência lançada. Decreto n° 70.235/72 Art. 18. A autoridade julgadora dc primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748. de 1993) Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 § 1°() (...) § 3o Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei n° 8.748. de 1993) (grifos acrescentados) 11. No lançamento complementado, da COFINS, objeto do PAF 16327.000973/200942, sujeita à sistemática de apuração no regime não cumulativo, foi utilizada alíquota incorreta, de 3%, para os períodos de apuração de 02/2004 a 12/2005, ao invés da alíquota correta, de 7,6%, prevista no artigo 2.° da Lei 10.833/2003, conforme, inclusive, consta do item 45 (fl. 56 verso) do VOTO que acompanha o Acórdão n° 24.413 desta Turma (fls 41 a 43), contendo o julgamento, na 1ª instância administrativa, do referido processo 12. O que ocorreu no referido lançamento do PAF 16327.000973/2J típica incorreção, que não representou erro de qualificação jurídica dos fatos lançai entendimento ou interpretação equivocada de norma legal de incidência. Isto porque na descrição dos fatos e no enquadramento legal a autoridade lançadora não tratou a COFINS em questão, em nenhum momento, como se estivesse sujeita ao regime cumulativo cuja alíquota de incidência fosse de 3%. Ao contrário, a autoridade fiscal, ao lançar a exigência consignou expressamente, conforme excerto a seguir reproduzido, no item 2.5.2 do Relatório de , Ação Fiscal (fls. 21 e 22) do PAF 16327.000273/201091, que a COFINS lançada nos .nos de 2004 e 2005 estava sujeita à sistemática não cumulativa.(...) Portanto, também rejeito essa omissão. EMBARGOS DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO (POII) Como se relatou, apontouse três supostos vícios, duas contradições e uma obscuridade. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Todos os três pontos foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Mas, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. O primeiro ponto, diz respeito a uma suposta omissão do Acórdão em relação ao trato da qualificação da multa. Não há tal omissão, como já se disse o que há é Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 8 13 inconformismo quanto ao deslinde da matéria e os embargos declaratórios não se prestam a modificado sob essa hipótese. Rememorando, a embargante se insurge quanto à qualificação da multa, uma vez que não foi demonstrado o dolo, mormente em situações em que o contribuinte utilizamse de negócios lícitos, no caso contrato de mútuo para aquisição de quotas do Fundo, para viabilização de economia de tributos ainda que a jurisprudência do CARF tenda para a desconsideração, quando não demonstrado o propósito negocial. A referida matéria foi abordada de forma completa e suficiente no Acórdão embargado, cujo teor se transcreve: Sobre os valores de tributos e contribuições apurados foi aplicada acertadamente a multa qualificada de 150% conforme previsto no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, que se refere aos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. De fato, houve ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configura fraude, tendo em vista que o suposto empréstimo celebrado entre a construtora POII Ltda e o Sr. SLFS e que envolveu a transferência de quotas do FII SQN 311, teve como objetivo apenas afastar a incidência do artigo 2o da Lei 9.779/99 e, o mais importante, deixando evidenciado aqui o dolo, o Sr. SLFS funcionou como interposta pessoa de POII Ltda, situação esta que se enquadra no artigo 167, caput e parágrafo 1ª, inciso I do Código Civil, como simulação por interposição de pessoa. Defende ainda o Fundo recorrente a ausência de responsabilidade pela multa qualificada, visto que a "suposta fraude" foi praticada pelo quotista majoritário Paulo Octávio Investimentos Imobiliários. Assim, em razão do caráter personalíssimo da multa somente este pode ser responsabilizado pela multa agravada no percentual de 150%. Com efeito, o princípio da personalização da pena, segundo o qual a punição não deve passar da pessoa do infrator, se refere unicamente às penas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, que são aquelas que possuem como característica a "corporalidade", ou seja, tratam de punições corporais. O Supremo Tribunal Federal já se posicionou nesse mesmo sentido, no Recurso Extraordinário n.° 83.613/SP: RE 83613 / SP "[...] A multa punitiva no Direito Tributário, que se distancia de outros ramos da Ciência Jurídica principalmente por sua autonomia dogmática, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal." Ademais, as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias e o sujeito passivo é tanto responsável pelo pagamento da obrigação principal como acessória (art. 121, CTN). Dessa forma, o Fundo de Investimento Imobiliário deve responder mesmo pela qualificação da multa de ofício aplicada na condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Certo ou errado, tratase de uma questão de fato e de direito assentada pelo colegiado não cabendo revisão. Atentese que a qualificação da multa não foi atribuída apenas no contexto de formas lícitas utilizadas sem propósito negocial. As inúmeras provas convergentes colhidas no processo apontam para o dolo ocorrido na operação em causa, na medida em que deixou evidenciado que o Sr. SLFS funcionou como interposta pessoa de POII Ltda, situação esta que se enquadra no artigo 167, caput e parágrafo 1ª, inciso I do Código Civil, como simulação por interposição de pessoa. Ademais, apenas para argumentar, o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Portanto, rejeito a omissão apontada. Também merece igual sorte o segundo vício apontado de suposta obscuridade quanto à falta de menção específica a qual das recorrentes o voto estava se referindo ao mencionar um ou outro argumento recursal. Ora, se no relato está bem claro, destacado e individualizado cada um dos argumentos dos Recorrentes, além do fato óbvio de ela saber que argumentos foram estes, a sua correlação com o que a matéria desenvolvida no voto é lógica e automática, sendo desnecessária a menção explícita do mesmo, mormente em situações tais como ocorreu, em que as Recorrentes trazem argumentos em comum. A prova de que não trouxe problema algum de entendimento é que no tópico seguinte a ser enfrentado, a embargante levanta justamente uma questão em que ela identifica precisamente uma inadequação entre o fundamento do voto e a seu destinatário, que no caso foi o Fundo Investimento e não a responsável tributário Paulo Octávio Investimentos. Portanto, afasto a obscuridade apontada. Por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto ao pleito de aproveitamento do IR retido na fonte. O Aresto embargado teria entrado em contradição na medida em que usou como fundamento o fato de que se tal direito existisse o mesmo pertenceria aos quotistas e não ao Fundo de Investimento. É que em fase recursal foi o quotista Paulo Octavio Investimentos que fez tal requerimento e não o Fundo de Investimentos. Primeiramente cabe esclarecer, que a contradição que se fala em sede de embargos declaratórios se dá internamente à estrutura da decisão, ou seja, entre suas partes internas. A contradição se dá entre premissas ou entre premissas e conclusão. Como se vê tem sempre a ver com dois componentes internos da decisão. O contribuinte de fato traz à baila duas premissas que se contradizem, porém como se verá, o saneamento da contradição não conduzirá a se dar efeitos infringentes à decisão, mas apenas complementála. Vejamos como o Aresto embargado tratou da matéria: Em relação ao não abatimento das retenções de IR na fonte que o fundo efetuou por ocasião dos pagamentos, penso que esse seja o espaço apropriado para Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000973/200942 Acórdão n.º 1401001.336 S1C4T1 Fl. 9 15 esse pleito, de todo modo cabe reproduzir a decisão de piso que muito bem apontou o cerne da questão: Quanto à demanda que faz com respeito ao tratamento de "recolhimento indevido" que a autoridade deveria ter dado às retenções de IR na fonte que efetuou por ocasião dos pagamentos feitos aos quotistas, impende esclarecer que se algum direito existir para o aproveitamento desses recolhimentos como créditos em face do Fisco, tal direito pertence aos quotistas, cujos rendimentos foram taxados. Tais quotistas é que arcaram com o ônus do tributo, não o contribuinte autuado. Portanto, falece legitimidade ativa ao contribuinte autuado para pleitear o eventual aproveitamento dos referidos recolhimentos no presente lançamento. Como se vê, o fundamento do voto falha em relação ao destinatário de um dos argumentos, ou seja que Fundo não teria competência para invocálo por falta de competência. Porém, o voto não afirmou que o contribuinte teria direito, notese que usou do argumento contrafactual “se algum direito existir”. Porém, o primeiro óbice aqui encontrado seria o fato de que tal matéria é estranha à lide, pois não estamos julgando aqui restituição de IRPF de pessoas físicas (no caso os quotistas do fundo). Então se direito houver, tem que ser pedido à parte deste processo. Portanto, também afasto esse último vício apontado, com esses esclarecimentos. Por todo o exposto, acolho em parte a quarta omissão apontada pelo contribuinte, bem assim a contradição apontada pelo responsável tributário, apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, e rejeitar os demais vícios apontados. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11613.720174/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 04/05/2010 a 26/04/2011
CIDE. IMPORTAÇÃO DE NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. REDUÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
As importações de nafta para fins petroquímicos, independentemente de quem era o importador, são tributadas à alíquota zero, a partir de 30/12/2003.
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMETNO. ÔNUS DA PROVA.
O lançamento tributário é o ato administrativo que constitui o direito subjetivo do Fisco (autor) de exigir o crédito tributário (fato constitutivo) e, assim, nesse caso é seu o ônus da prova. O art. 332 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, estabelece, de forma lógica, as regras do ônus probatório: àquele que pleiteia um direito tem a incumbência de prová-lo; a parte contrária pode reagir a essa pretensão, refutando-a, igualmente, com provas.
Recurso voluntário provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.383
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral o advogado Dr. Marcos Vinicius Neder, OAB/SP nº 309.079.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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IMPORTAÇÃO DE NAFTA PETROQUÍMICA Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/05/2010 a 26/04/2011 CIDE. IMPORTAÇÃO DE NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. REDUÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. As importações de nafta para fins petroquímicos, independentemente de quem era o importador, são tributadas à alíquota zero, a partir de 30/12/2003. ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMETNO. ÔNUS DA PROVA. O lançamento tributário é o ato administrativo que constitui o direito subjetivo do Fisco (“autor”) de exigir o crédito tributário (fato constitutivo) e, assim, nesse caso é seu o ônus da prova. O art. 332 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, estabelece, de forma lógica, as regras do ônus probatório: àquele que pleiteia um direito tem a incumbência de proválo; a parte contrária pode reagir a essa pretensão, refutandoa, igualmente, com provas. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral o advogado Dr. Marcos Vinicius Neder, OAB/SP nº 309.079. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 72 01 74 /2 01 1- 61 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 11/09/2011, com ciência em 13/09/2011 (efls. 2/ss), no valor de R$ 279.446.784,81, para a cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE sobre combustíveis, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da importação de nafta petroquímica objeto de diversas declarações de importação registradas no período compreendido entre 04/05/2010 a 26/04/2011. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre a importação, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, conforme auto de infração de fls. 0241. Na data da autuação, o crédito tributário perfez o valor total de R$ 279.446.784,81. Na descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a fiscalização expõe os acontecimentos, afirmando que a empresa em epígrafe promoveu importações de Nafta Petroquímica, por meio das cinquenta Declarações de Importação relacionadas às fls. 3739, registradas de maio de 2010 a abril de 2011. Afirma que a Cide foi exigida no momento do desembaraço, mas como houve irresignação contra o pagamento e como em caso similar recente a Justiça tinha determinado o desembaraço sem o recolhimento do tributo, mas sem afastar a possibilidade de cobrança em data posterior, deixouse para lavrar o auto após a nacionalização da mercadoria. Aduz que a Lei 10.336/2001 instituiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, (Cide), a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional no 33, de 11 de dezembro de 2001. Menciona que essa Lei, em seu art. 2°, também determina que são contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3°. Nesse artigo consta, no inciso I, "gasolina e suas correntes", onde se inclui a nafta, segundo esclarece o dispositivo citado em seu parágrafo 1°. Diz que, no art. 5° parágrafo 2°, a Lei ainda determina que se aplicam às correntes de hidrocarbonetos líquidos as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas; e que o parágrafo 3° do art. 5° fala sobre a regulamentação da CIDE, no que diz respeito a Nafta, ao delegar ao executivo o poder de dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003). Essa regulamentação foi feita pelo Decreto 4.940/2003. O importador, segundo a fiscalização, não é uma Central Petroquímica e produz, principalmente, gasolina e diesel, produtos excluídos no benefício da alíquota zero pelo Decreto n° 4.940/2003. A nafta, objeto das D I s em tela, apesar de estar incluída na relação contida no Decreto n° 4.940/2003, tem seu destino incerto, Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.600 3 sendo possível, por parte do importador, a produção de gasolina, de diesel, ou a venda para outra empresa, a seu exclusivo critério. Segundo os autuantes, o importador alega que a nafta em questão foi importada para comercialização com uma Central Petroquímica, sendo esta a razão pela qual estaria habilitada à alíquota zero estabelecida pelo Decreto. Constatam, assim, que a divergência entre a fiscalização aduaneira e o importador reside na interpretação do artigo 1o. do Decreto n° 4.940/2003, e na resposta à seguinte questão: a estatal (Petrobrás) que refina petróleo e distribui derivados, enquadrase no dispositivo de alíquota zero para a nafta quando adquire o produto para comercializálo? Para esclarecer o imbróglio, devese, segundo os autuantes, analisar melhor o Decreto 4.940/2003. Nele, seu o art. 1° estabelece que a alíquota zero se aplica às correntes não destinadas à formulação de gasolina ou diesel. Na relação em que elenca os produtos atingidos encontrase a nafta. Até esse ponto da norma, poder seia até imaginar que o importador em tela seria um beneficiário claro da alíquota citada. Para os autuantes, o referido Decreto prossegue, em seu art. 1°, com seus parágrafos buscando delimitar os efeitos do caput. Assim, ficou estabelecido, para as centrais petroquímicas, um percentual de 12% do total produzido pela planta, para a produção de gasolina e diesel, acima do qual qualquer aquisição de nafta sofreria incidência da Cide. E, não obstante a preocupação de bem delimitar a incidência sobre a nafta adquirida por uma Central Petroquímica, essa norma não fez nenhuma menção explícita ao caso de uma refinaria/distribuidora, como a Petrobrás. Ocorre, segundo os fiscais, que o § 5° do artigo 1° desse Decreto delega poder à RFB para regulamentar o assunto, o que foi feito pela IN SRF n° 422/2004, com alterações posteriores, em virtude das novas disposições trazidas ao supradito Decreto. Segundo os fiscais, o § 5o. do artigo 10A, da IN SRF n° 422/2004, determina que, na hipótese de importação, as centrais petroquímicas farão constar na DI que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1o. do art. 1o. do Decreto n° 4.940/2003 é inferior a 12% do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. Assim, entendem que tudo leva a crer que a dúvida do contribuinte poderia ter sido resolvida a partir de uma apreciação mais apurada do § 5° do artigo 10A, da IN SRF n° 422/2004, pois aí se vê a preocupação da RFB em controlar a possibilidade de alíquota zero da Cide na aquisição de nafta via importação. Aduzem que o dispositivo reza a possibilidade de a central petroquímica importadora fazer jus à alíquota zero, desde que, "faça constar na DI que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1o. do art. 1o. do Decreto n° 4.940/2003, é inferior a 12% (doze por cento) do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo'". Ou seja, o benefício fica sujeito a duas condições resolutivas: 1. ser o importador uma central petroquímica; 2. haver na DI uma declaração expressa sobre a produção residual de gasolina e diesel. Devese notar, segundo a fiscalização, que o § 4o. do artigo 10A da IN SRF n° 422/2004 faz referência tão somente às operações de aquisição de nafta no mercado interno, não se prestando para o esclarecimento aqui pretendido. Afirmam que o importador Petrobrás alegou, também, que a importação teria sido feita para comercialização imediata com seu cliente, uma central petroquímica, mediante contrato firmado antes da importação. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 A fiscalização conclui que, a partir do que dispõe o art. 1o. do Decreto 4.940/2003, o importador acredita fazer jus à alíquota zero na importação de nafta petroquímica para comercialização imediata com uma determinada central petroquímica, mediante contrato privado, assinado previamente entre as partes. A simples leitura do texto do decreto citado, todavia, não autoriza, segundo os fiscais, a interpretação pretendida pelo importador. Para eles, a dúvida pode ser esclarecida pela leitura da IN SRF n° 422/2004. Neste ato normativo, vêse que o administrador tributário regulamentou com detalhes a alíquota zero nas aquisições de nafta pelas centrais petroquímicas, estabelecendo limites e condições a serem cumpridas no momento da importação, com exigência de manifestação expressa no corpo da DI. Assim, para os autuantes, se fosse admitida a interpretação pretendida pelo importador a partir do Decreto, de gozar do benefício da alíquota zero, chegarse ia na absurda falta de isonomia quanto às exigências para o controle do tributo. Se uma central petroquímica fosse importar diretamente nafta, ela deveria declarar na DI, expressamente, que sua produção residual de gasolina e diesel não supera o total de 12%. Já se a importação fosse feita por uma refinaria (caso do importador Petrobrás), cuja produção de gasolina e diesel é obviamente ampla, nenhuma declaração se exigiria em termos de condições para o gozo do benefício. O contrato prévio que eventualmente a refinaria tenha com alguns de seus clientes centrais petroquímicas parece, para os fiscais, não ter nenhum valor para a apreciação do presente caso. Primeiro, há que se levar em conta que essa não é uma condição estabelecida pela norma para o gozo do benefício; segundo, deve ser lembrado que o art. 123 do CTN determina que convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública. No item "DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CIDE NA IMPORTAÇÃO", a fiscalização faz referência aos dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN) Lei 5.172/1966 que tratam do surgimento da obrigação tributária (art. 113, § 1o); ao art. 97 do CTN (principio da legalidade para a instituição de tributos). Em seguida, transcreve o art. 2° da Lei n° 10.336/2001, que define como contribuintes da Cidecombustíveis o produtor, o formulador e o importador dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3° da Lei. Ainda nesse tópico, a fiscalização afirma que a Lei n° 10.336/2001, antes e depois da alteração trazida pela Lei 10.833/2003, tem como ponto crucial para a concessão da isenção a comprovação da utilização da nafta petroquímica, importada ou vendida no mercado interno, por central petroquímica, na produção de produtos petroquímicos que não sejam os constantes do art. 3° da Lei n° 10.336/2001 e art. 2° da IN SRF 422/2004, isto é, será isenta da CideCombustível a nafta petroquímica importada ou vendida no mercado interno que comprovadamente for utilizada na produção de produtos petroquímicos diferentes daqueles constantes nos art. 3° da Lei n° 10.336/2001 e art. 2° da IN SRF 422/2004. Para os autuantes, inferese do § 6°, art. 5°, da Lei n° 10.336/2001 (antes da alteração proveniente da Lei 10.833/2003), que, mesmo que o importador seja uma central petroquímica, mas não tenha como comprovar previamente a destinação da nafta importada na produção de produtos diferentes daqueles citados nas normas, operarseá a presunção legal prevista no § 5°, devendo ser recolhida a Cide Combustível. Segundo os fiscais, o legislador prudente, considerando a possibilidade de qualquer outro importador ou comerciante no mercado interno não ter como comprovar a destinação da nafta na produção de produtos diferentes dos apontados nas normas, estabeleceu a presunção legal de utilização da nafta na produção de gasolina, implicando na incidência da CideCombustível (art. 5°, §5°, Lei 10.336/2001 na redação original e § único da IN SRF n° 422/2004) . Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.601 5 De acordo com os autuantes, é cediço que a presunção legal expressa e determinada pelo próprio texto legal só pode ser elidida se o contribuinte produzir a prova em contrário. Assim não sendo, ficará ele sujeito às conseqüências desfavoráveis resultantes da falta de prova. Para os casos em que se deu o recolhimento da CideCombustível por não ter sido possível a comprovação da destinação da nafta, mas que, posteriormente, constatouse sua real utilização na produção de produtos petroquímicos diferentes dos apontados nas normas, o legislador criou um sistema de compensação previsto no art. 8°A, §§1° e 2°, da Lei n° 10.336/2001 com redação dada pela Lei 10.833/2003 e pela Lei 11.196/2005. Alegam os fiscais que, conforme dispõe expressamente o § 2° do citado art. 8°A, com redação dada pela Lei n° 11.196/2005, o benefício fiscal previsto no mesmo artigo aplicase tão somente quando os hidrocarbonetos líquidos são utilizados como insumos pela pessoa jurídica adquirente, na elaboração de produtos diferente de gasolina ou diesel. Isso significa dizer que é vedado o gozo do benefício nas operações de importação ou comercialização se o importador ou adquirente não utiliza a mercadoria como insumo na citada finalidade, mas, por exemplo, destina a revenda ou ao emprego na elaboração de gasolina ou diesel. Aduzem que, nesse aspecto, a nova lei é consentânea com a sistemática adotada na legislação tributária ao longo do tempo, mantendo uma coerência histórica com as normas anteriores de modo a preservar a unidade lógica e a finalidade do benefício fiscal, qual seja, a de desonerar as operações de importação e a aquisição de hidrocarbonetos líquidos por empresas que empreguem essa mercadoria na industrialização de produtos diferente de gasolina ou diesel. Ressaltam os autuantes que o caso tratado no auto referese à CIDEcombustíveis incidente na importação, sendo que o importador deixou de recolher o tributo, mas não utilizou a mercadoria como insumo na elaboração de produtos diferentes de gasolina ou diesel, conforme exige a legislação para fazer jus à dispensa do pagamento do tributo, havendo destinado a mercadoria a revenda no mercado interno; assim, também não faz jus ao mecanismo da compensação prevista em lei. A obrigação tributária relativa à CIDE, decorrente do fato gerador "importação", subsiste mesmo se comprovado que, após a comercialização da mercadoria no mercado interno, tenha havido subsequente emprego da nafta como insumo pela pessoa jurídica adquirente, na elaboração de produtos petroquímicos diferentes de gasolina ou diesel. Aduzem que, desse modo, ainda que se recorresse à interpretação teológica, histórica e sistemática da legislação de regência, chegarseia à mesma conclusão. É que a lei visa beneficiar apenas a operação comercial da qual resulte o emprego efetivo da mercadoria como insumo de produtos diferentes da gasolina ou diesel, não sendo propósito do legislador beneficiar todas as operações anteriores da cadeia de circulação da mercadoria, até que eventualmente esta venha a ter a destinação exigida pela norma legal como condição para gozo do benefício fiscal. Afirma que, nesse diapasão, podese dizer que o legislador propiciou a utilização de mecanismos compensatórios, visando a neutralidade dos tributos em face da proibição de tratamento desigual entre contribuintes, procurando observar o princípio da isonomia, de tal modo, a não favorecer ou desfavorecer as empresas umas em face do outras. Extraise da exposição de motivos, MF 00245 EMI PL MME CIDE, enviada pelo Ministro de Estado da Fazenda e Ministro de Estado das Minas e Energia ao Presidente da República acerca do Projeto de Lei que instituiria a CideCombustível, a preocupação na observância do princípio da neutralidade tributária: Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 ""A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico que se propõe instituir objetiva, além de garantir o ingresso de recursos previstos na lei orçamentária ora em votação no Congresso Nacional, tornar neutra a carga tributária incidente sobre os produtos especificados, sejam de produção nacional ou importados. Cabe assinalar os mecanismos compensatórios constantes do Projeto asseguram não apenas a referida neutralidade tributária,mas, também, a correta alocação do produto de sua arrecadação." Cientificado do lançamento em 13/09/2011, conforme fl. 28, o contribuinte insurgiu se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 759785, acompanhada dos documentos de fls. 7861.376, em 13/10/2011, por meio da qual, após alegar a tempestividade da referida peça, expõe as seguintes razões de defesa: APLICABILIDADE DA DISPENSA DE PAGAMENTO. IMPORTAÇÕES E POSTERIOR COMERCIALIZAÇÃO DA NAFTA PETROQUÍMICA PARA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS RELACIONADOS À INDÚSTRIA PETROQUÍMICA o auto de infração nega à autuada a aplicação da dispensa do pagamento da Cide, incidente sobre a importação e posterior comercialização de nafta petroquímica, em virtude da previsão de alíquota zero, conforme disposto no § 3°, do art. 5°, da Lei n° 10.336/2001, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, c/c o art. 1° do Decreto n° 4.940/2003; a autuação fundamentase única e exclusivamente no fato de ser a Impugnante uma produtora de combustíveis, não lhe sendo aplicado, segundo interpretação do i. auditor fiscal, o benefício fiscal que instituiu alíquota zero para a importação de nafta petroquímica não destinada à formulação de gasolina ou diesel, tal como previsto no art. 5°, §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1o do Decreto n° 4.940/2003; para o i. auditor fiscal, o referido benefício somente seria aplicável caso a importação de nafta petroquímica fosse efetuada diretamente por uma central petroquímica, não podendo usufruir do benefício qualquer outro terceiro importador, ainda que toda a nafta petroquímica importada fosse destinada à comercialização posterior com central petroquímica, sendo este o caso dos presentes autos; razão alguma assiste à fiscalização, visto que o benefício fiscal não foi instituído de forma subjetiva, contemplando somente as centrais petroquímicas, mas sim de forma objetiva, visando o produto nafta petroquímica não destinada à formulação de gasolina ou diesel; a Lei n° 10.336, de 19/12/2001, instituiu a CIDE sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível, consoante previsão contida nos artigos 144 e 177 da Constituição Federal de 1988; o referido diploma apontou, em seu artigo 2°, caput, como contribuintes do novo tributo, o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos elencados no artigo 3°, ou seja, gasolinas e suas correntes, diesel e suas correntes, querosene de aviação e outros querosenes, óleos combustíveis (fueloil), gás liquefeito de petróleo (inclusive o derivado de gás natural e de nafta) e álcool etílico combustível. E, nos §§ 5° e 6° do artigo 5°, estabeleceu a responsabilidade da central petroquímica pelo recolhimento do tributo; à época, visando regulamentar a apuração e o recolhimento da CIDE, a SRFB expediu a Instrução Normativa n° 107, de 28/12/2001, na qual: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.602 7 a)fez referência a todos os produtos constantes da Lei 10.336/2001, cuja importação ou comercialização gera a cobrança da CIDE (artigo 2°, caput e incisos I a VII); b)relacionou os códigos da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) referentes àqueles produtos especificados na Lei n° 10.336/2001 (artigo 2°, §2°); c)arrolou outros códigos referentes a produtos destacados da NCM, que, no seu entendimento, estariam abrangidos pela Lei n° 10.336/2001 (artigo 2°, §3°). a Lei n° 10.336/2001, em sua redação original, havia instituído isenção relacionada com a importação e comercialização de nafta petroquímica, nos seguintes termos: "Art.5°. (...) [...] §4°. Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos na ANP. §5. Presumese como destinado a produção de gasolina nafta, adquirida ou importada na forma do §4°, cuja utilização na elaboração do produto ali referido não seja comprovada." a mensagem presidencial por meio da qual o projeto de Lei foi submetido ao Congresso Nacional traz em seu anexo o seguinte trecho: "ainda para garantir a neutralidade tributária entre o produto nacional e o importado, o Projeto prevê, para a nafta destinada ao setor petroquímico, a isenção da Cide combustíveis e a redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins"; verificase que a isenção foi instituída de forma objetiva, visando o produto nafta, destinada ao setor petroquímico e não de forma subjetiva, a contemplar determinado sujeito passivo; conforme Luciano Amaro, as isenções classificamse em objetivas (ou reais) e subjetivas (ou pessoais), consoante a lei que as conceda tenha levado em conta peculiaridade da própria situação material (p.ex., tratarse do produto "x", que, por tais ou quais razões de política fiscal, não se quer tributar), ou que tenha considerado a condição pessoal do indivíduo (pessoa física ou pessoa jurídica) ligado à situação material (p.ex., tratase de uma pequena empresa, de uma pessoa física aposentada e idosa, etc; segundo o mesmo autor, não obstante se preceitue a interpretação literal nas matérias assinaladas no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), não pode o intérprete abandonar a preocupação com as exegeses lógicas, teleológicas, históricas e sistemáticas dos preceitos legais; Com a entrada em vigor da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, o referido art. 5° da Lei 10.336/2001 sofreu significativa alteração, tendo sido revogados os seus parágrafos quarto e quinto que tratavam, respectivamente: a) da isenção relativa à importação e comercialização da nafta; b) da presunção legal de que, diante da falta de comprovação de que a nafta importada ou adquirida no mercado interno seria utilizada no processo petroquímico, sua destinação seria a produção de gasolina, diesel etc. no caso do benefício fiscal para garantir a neutralidade tributária entre o produto petroquímico nacional e o importado, sua disciplina passou a ser regida pela "novel" redação atribuída ao §3° do aludido artigo 5°: Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 "§3°. O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente" quanto à sistemática da presunção legal, registrese que sua revogação se deu sem que o legislador trouxesse novo disciplinamento à questão. A presunção legal de que, uma vez não comprovada destinação da nafta para a produção petroquímica esta teria sido destinada à produção de gasolina, fora simplesmente abolida; na mesma data da promulgação da Lei n° 10.833/2003, foi expedido o Decreto n° 4.940/2003, o qual reduziu a zero as alíquotas da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, entre eles, aqueles classificados na posição 2710.11.41 da NCM, nafta petroquímica; ao ser publicado, o referido decreto contava com o art. 1o, o qual dispunha que ficavam reduzidas "a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel', e uma tabela arrolando diversos produtos beneficiados com a dita redução; ora, de plano vêse que o benefício fiscal de redução de alíquota, instituído pelo art. 5o, §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1o do Decreto n° 4.940/2003 do qual a Impugnante entende usufruir , foi também instituído de forma objetiva, visando o produto nafta, assim como a isenção outrora prevista na antiga redação do art. 5o, §4° da Lei n° 10.336/2001; esse, aliás, foi o posicionamento que recentemente restou corroborado pelo AUDITOR FISCAL DA RFB Dr. LUIZ ALDEISIO DE OLIVIERA MAIA (em voto que restou vencido pelo voto de qualidade do Presidente da 2a Turma da DRJ/FOR), a quem foi atribuída a relatoria do julgamento da Impugnação referente ao Processo 11613.000074/014323 (Acórdão n° 0820.360), em sessão realizada no dia 25/03/2011; do recente posicionamento do citado AFRFB, verificase que não há mesmo qualquer elemento na norma que indique ter sido o benefício fiscal de redução de alíquota instituído de forma subjetiva, a contemplar somente as centrais petroquímicas, como parece querer a autoridade autuante; o que importa para a norma é ser o produto importado destinado à produção petroquímica, o que, no presente caso, de fato o foi, visto que toda a nafta importada foi posteriormente comercializada com uma central petroquímica; a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa n° 422/2004, revogando a IN SRF n° 107/2001, cujo art. 6° ignorou as modificações introduzidas pela Lei n° 10.833/2003, e o Decreto 4.940/2003, tratando como isenção a previsão de dispensa de pagamento, o que é inadmissível, dado que a isenção somente pode derivar de lei stricto sensu; também previu a isenção desde que a nafta petroquímica importada ou adquirida no mercado interno fosse destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos "petroquímicos" diversos daqueles arrolados em seu artigo 2° (ou seja, gasolinas e suas correntes; diesel e suas correntes; querosene de aviação e demais querosenes, óleos combustíveis e gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta, álcool etílico combustível), quando a Lei n° 10.336/2001, alterada pela Lei n° 10.833/2003, e o Decreto n° 4940/2003, de modo diverso, estabeleceram a dispensa e a aplicação da alíquota zero, respectivamente, para Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.603 9 importação e comercialização de nafta não destinada à formulação de gasolina ou diesel; o citado ato normativo ainda estabeleceu a presunção de que, diante da falta de comprovação da destinação da nafta, esta teria sido empregada na produção de gasolina ou diesel, regra inaplicável, pois expressamente revogada pela Lei n° 10.833/2003; no ano de 2008, o Dec. n° 4.940/2003 foi alterado pelo Dec. n° 6.683/08. 0 seu art. 1°, que tratava de benefício fiscal concedido de forma objetiva aos produtos ali elencados, dentre eles a nafta petroquímica, ganhou cinco novos parágrafos; tais parágrafos tratam de caso específico, relacionado com a produção residual natural de gasolina ou diesel decorrente naturalmente do processamento da nafta petroquímica pelas centrais petroquímicas, razão pela qual, decerto, não há qualquer menção às refinarias e distribuidoras. diante da nova redação conferida ao Decreto n° 4.940/2003 pelo Decreto n° 6.683/2008, foi publicada a IN RFB n° 905/2008, a qual alterou determinadas disposições da IN SRF 422/2004; em primeiro lugar, cumpre observar impropério à boa técnica redacional introduzido pela IN 905/2008. Apesar de ter revogado o art. 6°, I, manteve referência ao dispositivo revogado no próprio parágrafo único do art. 6°; duas importantes alterações trazidas por essa IN foram: revogou o art. 6°., 1 e o art. 10 da IN SRF 422/2004; e inseriu o art. 10A, prevendo a alíquota zero da CIDECombustíveis para a importação e a comercialização de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel; mais uma vez as disposições atinentes à aplicação do benefício estabeleceram um critério objetivo; em nenhum momento a redação do art. 10A, de conteúdo idêntico àquele do art. 1°. do Decreto n° 4.940/2003 fez menção de que somente as centrais petroquímicas seriam beneficiárias de tal instituto; nos sete parágrafos seguintes ao caput do art. 10A, acima citado, da IN SRF 422/2004, este ato trata de uma questão inerente somente às centrais petroquímicas, qual seja, a produção residual de gasolina e diesel decorrentes do processo de fabricação de produtos petroquímicos; por óbvio que as refinarias e distribuidoras não poderiam figurar em tais parágrafos, pois foram editados com o objetivo único de explicitar (exclusivamente para as centrais petroquímicas) que, mesmo ocorrendo a produção residual de gasolina e diesel a partir de naftas, a CIDE combustíveis não incidiria sobre a importação ou comercialização de nafta destinada à indústria petroquímica, desde que tal produção não ultrapassasse o percentual de 12%; com base na redação dos parágrafos do art. 1° do Dec. 4.940/1003 e do art. 10A da IN 422/2004 é que a autoridade autuante argumenta que a impugnante, enquanto produtora de combustíveis, não faria jus à redução de alíquota prevista no art. 1°. do Dec. 4.940/2003 quando importadora de nafta petroquímica, pois, na sua visão: (a) o Dec. n° 4.940/2003 não fez nenhuma referência explícita ao caso de uma refinaria/distribuidora; (b) a SRFB, com delegação do art.1°, § 5° do Dec. n° 4.940/2003, não regulamentou, com detalhes, a importação do produto por parte de refinarias e distribuidoras, como o fez no tocante à produção residual de gasolina e diesel nos parágrafos introduzidos pelo art. 10A; e (c) admitido o gozo do benefício pela Impugnante, haveria falta de isonomia quanto às exigências para o controle do tributo entre produtores/distribuidores e centrais petroquímicas; Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 10 data vênia, a Impugnante se vê obrigada a expor o absurdo da interpretação conferida pela autuante, a qual redunda em um atentado à hierarquia das normas e à isonomia pretendida pela legislação tributária que, tendo como objetivo a competitividade da indústria petroquímica nacional frente à estrangeira, estabeleceu benefício fiscal de caráter objetivo, com a redução de alíquota a zero para o insumo destinado à produção de petroquímicos nacionais; em primeiro lugar, cumpre relembrar os motivos pelos quais foi instituída a isenção da CIDE sobre a nafta destinada à indústria petroquímica, quando da edição da Lei n°. 10.336/2001, cuja mensagem do Excelentíssimo Sr. Presidente da República, ao submeter o projeto de Lei aos membros do Congresso Nacional, assim expôs: "[...] Ainda para garantir a neutralidade tributária entre o produto nacional e o importado, o Projeto prevê, para a nafta destinada ao setor petroquímico, a isenção da Cide Combustíveis e aredução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. [...]"; a vontade do legislador, o espírito da lei no presente caso, quis garantir tratamento isonômico entre os produtos petroquímicos estrangeiros e nacionais, desonerando, para tanto, os insumos importados utilizados na indústria petroquímica; destarte, foi estabelecida uma regra objetiva de isenção, a saber, a nafta destinada à formulação de produtos da indústria petroquímica seria isenta em relação àquela destinada a outros fins; tal regra objetiva foi mantida com a edição da Lei n° 10.833/2003, que, apesar de revogar a isenção prevista no § 4°, art. 5° da Lei n° 10.336/2001, manteve o benefício fiscal de caráter objetivo no § 3°, art. 5° da Lei n° 10.336/2001 sob a forma de dispensa de pagamento promovida pelo Poder Executivo; a redação do art. 1o caput do Dec. 4.940/2003, editado após a promulgação da Lei 10.833/03, se pautou nesta regra objetiva, não fazendo quaisquer espécies de restrições à aplicação da alíquota zero à importação ou comercialização da nafta não destinada à formulação de gasolina ou diesel; a autoridade fiscal quer fazer crer que os parágrafos do art. 1o do Dec. 4.940/2003, introduzidos pelo Dec. n°. 6.683/08, ao regulamentar situação específica de centrais petroquímicas, restringiram a aplicação de benefício concedido em caráter objetivo pelo art. 5°, §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1o do Decreto n° 4.940/2003 somente às centrais petroquímicas, transformando um benefício fiscal de caráter objetivo em subjetivo; ora, de plano vêse o absurdo de tal interpretação. Em primeiro lugar, um decreto não pode exorbitar a lei. O art. 5°, §3° da Lei n° 10.336/2001 estabeleceu benefício fiscal de caráter objetivo, não fazendo qualquer delimitação em relação à condição do sujeito passivo do tributo; assim, a interpretação de que um decreto pode criar restrições não impostas pela lei, afronta a hierarquia mantida entre normas legais e infralegais. Conforme explicitado, a introdução dos parágrafos no art. 1° do Dec. 4.940/2003 teve como objetivo normatizar questão inerente somente às centrais petroquímicas, qual seja, a produção residual de gasolina e diesel decorrentes do processo de fabricação de produtos petroquímicos, não havendo lógica para que refinarias e ou distribuidoras fossem ali elencadas; não há qualquer elemento que autorize a interpretação de que o benefício fiscal de alíquota zero nas importações, concedido pelo art. 5°. §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1° do Decreto n° 4.940/2003, seja restrito às centrais petroquímicas. A interpretação dada pela fiscalização não possui qualquer respaldo jurídico; Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.604 11 aliás, esse posicionamento foi recentemente corroborado não só pelo AUDITOR FISCAL DA RFB Dr. LUIZ ALDEISIO DE OLIVIERA MAIA (voto citado acima), mas também pela AUDITORA FISCAL DA RFB Dra. MARLI GOMES BARBOSA, também integrante da 2a Turma da DR J/FOR, ao declarar que: "[...] Pelo que foi até aqui exposto, entendo que fica claro que não há amparo legal para sustentar a afirmação exarada pela fiscalização, baixo transcrita, de que a dispensa de pagamento da Cide na importação só seria aplicável a uma central petroquímica, fundamento central da autuação: O importador não é uma Central Petroquímica e produz, principalmente, gasolina e diesel, produtos excluídos do benefício da alíquota zero pelo Decreto 4.940/2003, em seu art. Conforme já dito, o benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto n° 4.940/2003, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não apenas para as centrais petroquímicas. O fato da Petrobras produzir principalmente gasolina ou diesel não afasta, por si só. a possibilidade dessa empresa vir a ser beneficiária da alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica. A afirmação do fiscal, portanto, não procede. O modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. [...]" (Grifos da impugnante; além disso, a fiscalização nega a aplicação da redução de alíquota às refinarias e distribuidoras em razão de que não houve, por parte da SRFB, normatização das importações de nafta petroquímica realizada por refinaria ou distribuidora; a interpretação pretendida pela autoridade autuante beira às raias do absurdo, uma vez que pretende conferir a mero órgão executor o poder de distinguir onde a Lei não distinguiu, ferindo, pois, princípio caro a toda sociedade, qual seja, o de fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de Lei; o fato de a IN 422/2004 regulamentar em detalhes somente a aquisição de nafta por centrais petroquímicas não significa dizer que o benefício não seria usufruído por refinarias ou distribuidoras que importem o produto para destinálo à comercialização para a produção petroquímica, caso dos presentes autos; utilizando a simples interpretação literal, como o fez a autuante, o disposto nos sete parágrafos do art. 10A, assim como os parágrafos do art. 1o do Dec. n° 4.940/2003, não restringe o conteúdo do caput, mas tão somente explicita uma peculiaridade em relação à indústria petroquímica, que é a produção residual de gasolina e diesel naturalmente decorrente do processo petroquímico; em suma, o disposto nos parágrafos não se aplica às refinarias ou distribuidoras. Todavia, não podem ser considerados como uma restrição ao disposto no art. 10A, caput. Os parágrafos apenas disciplinam um caso particular inerente às centrais petroquímicas, as quais, de fato, produzem gasolina e diesel residual em seus processos petroquímicos; por fim, a autoridade fiscal aponta que se admitida a interpretação que pretende o importador de gozar da alíquota zero, chegarseia na absurda falta de isonomia quanto às exigências para o controle do tributo; Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 12 para a autoridade fiscal, se uma central petroquímica for importar diretamente nafta, ela deve declarar na DI, expressamente, que sua produção residual de gasolina e diesel não supera o total de 12%; já se a importação for feita por uma refinaria (caso do importador/Petrobrás, cuja produção de gasolina e diesel é obviamente ampla, nenhuma declaração correlata seria exigida para o gozo do benefício; parece esquecer a autoridade fiscal que A NAFTA PETROQUÍMICA DEMANDA LICENCIAMENTO PRÉVIO PARA SUA IMPORTAÇÃO, de conhecimento da própria Inspetoria do Porto de Aratu, com anuência da AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, o que foi feito no presente caso, conforme extratos de licenciamento em anexo, tudo em observância à Portaria ANP n° 32/2000; ora, a existência de tal procedimento administrativo, ou seja, licenciamento de importação prévio com anuência da ANP para a importação de nafta que se destina a uso exclusivo na produção petroquímica, por terceiro que não uma central petroquímica, refuta por completo os dois argumentos da autoridade fiscal, sendo eles: (a) quanto à ausência de isonomia na fiscalização, visto que a Impugnante sofre fiscalização, ainda que de outro órgão administrativo; e, (b) o que é mais importante, somente ratifica o entendimento de que o benefício fiscal de dispensa de pagamento não se aplica somente às importações efetuadas exclusivamente por central petroquímica, como equivocadamente pretende a autoridade fiscal; e nesse sentido, frisese, uma vez mais o posicionamento já citado acima firmado pelo Dr. LUIZ ALDEISIO DE OLIVIERA MAIA e pela Dra. MARLI GOMES BARBOSA (ambos Auditores Fiscais da RFB, integrantes da 2a Turma da DRJ/FOR), quando do julgamento da Impugnação referente ao Processo 11613.000074/014323 (Acórdão n° 0820.360); resta, pois, explicada a ausência de disposições na IN 422/2004 a respeito de importações de nafta petroquímica realizadas por terceiro que não central petroquímica; há, aqui, na verdade, divisão de competências entre dois órgãos da administração federal: (a) compete à ANP anuir e fiscalizar a importação de nafta petroquímica, inclusive quanto à destinação diversa daquela autorizada; e (b) compete à SRFB, quando comprovada, de fato, a destinação da nafta à produção de gasolina ou diesel, exigir o tributo não recolhido na importação; o benefício fiscal de alíquota zero sobre as importações de nafta petroquímica é usufruído, tanto pela central petroquímica como por terceiro importador, sob condição resolutiva, ou seja, autorizada a importação pela ANP e internalizado o bem com alíquota zero, o tributo somente será exigido se e somente se averiguada, de fato, a posterior destinação para a produção de gasolina ou diesel; ora, como a autuação baseiase única e exclusivamente no fato de que a Impugnante não é uma central petroquímica, sem haver, por parte da fiscalização, qualquer outro elemento que indique ter sido a nafta importada destinada à produção de gasolina ou diesel, de pronto verificase a nulidade da exigência do crédito tributário, devendo ser julgada improcedente a autuação combatida; não há sequer um único elemento na atividade da fiscalização (análise de documentos contábeis, notas fiscais de entrada e saída, diligências nos locais de importação, etc.) que demonstre a destinação da nafta importada para produção de gasolina ou diesel; na verdade, a autoridade fiscal parte de uma MERA PRESUNÇÃO ao afirmar que ao ser importada por uma produtora de combustíveis, seu destino é incerto; sendo possíveis, por parte do importador, a produção de gasolina, diesel ou a venda para outra empresa, a seu exclusivo critério; Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.605 13 merece registro, no sentido de não poder a autuação se basear em mera presunção, o posicionamento da Dra. MARLI GOMES BARBOSA (integrante da 2a Turma da DRJ/FOR), proferido quando do julgamento da Impugnação referente ao Processo 11613.000074/014323 (Acórdão n° 0820.360); ademais, a própria Lei impede que a autoridade fiscal proceda à autuação com base em mera presunção. Conforme dito, a antiga presunção legal de que se considerava destinada à produção de gasolina ou diesel a nafta cuja utilização na elaboração do produto petroquímico não fosse comprovada prevista no art. 5°, § 5° da Lei n°. 10.336/2001 foi abolida pela nova redação do art. 5° conferida pela Lei n° 10.833/2003; como tal presunção legal foi revogada, a autoridade fiscal deveria averiguar, mediante a análise de livros, escrituração, notas fiscais, etc.. se a nafta petroquímica foi, de fato, destinada à produção de gasolina ou diesel, e não partir de mera presunção ilegal; assim, como o único fundamento fático comprovado para a autuação foi ser a Impugnante uma produtora de combustíveis e não uma central petroquímica, sendo mera hipótese não comprovada a destinação da nafta importada à produção de gasolina e diesel, demonstrase, irrefutavelmente, a sua total improcedência; DA EFETIVA DESTINAÇÃO DA NAFTA IMPORTADA À PRODUÇÃO PETROQUÍMICA todavia, a Impugnante tem plena convicção de que realizou as operações de importação e de comercialização da nafta em estrita observância às disposições da lei, estando acobertada pela alíquota zero, uma vez que toda a nafta importada e comercializada seria utilizada na indústria petroquímica, o que, tecnicamente, significa dizer que os produtos a serem elaborados pela compradora não poderiam ser aqueles elencados no artigo 5° da Lei 10.336/2001; assim, embora sequer tenha sido objeto de análise da fiscalização, o que em tese não poderia ser ventilado em julgamento, caso V. Sas entendam como imprescindível para o deslinde da questão a análise de que toda a nafta importada foi efetivamente destinada para a produção petroquímica, a Impugnante colaciona aos autos: (a) cópia do contrato de fornecimento com a Braskem, central petroquímica para a qual é destinada toda a nafta importada (doc. anexo); (b) declaração da Braskem que toda a nafta adquirida foi destinada à produção petroquímica (doc. anexo); (c) Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica (DANFEs) de entrada (doc. anexo) e saída (doc. anexo) da nafta importada; (d) Livro ContaRazão no qual são registradas as importações de nafta petroquímica (doc. anexo) e; (e) Livro de Registro de Estoque, previsto no Regulamento do IPI (doc. anexo); a análise de tais documentos, assim como a realização de perícia contábil, que desde já se requer, atestará que toda a nafta importada foi posteriormente vendida à central petroquímica Braskem, gozando, pois, do benefício de alíquota zero estabelecido no art. 5o, §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1o do Decreto n° 4.940/2003; por fim, quanto ao eventual questionamento acerca da necessidade de marcação da Nafta, cumpre destacar, segundo a própria ANP, que é ela a autoridade responsável pela exigência da marcação ou sua liberação. Ou seja, é a ANP o Órgão que deve solicitar marcação no ato do deferimento da LI (licença de importação) no sistema (Siscomex). Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 14 no caso, a ANP entende que Nafta para fins petroquímicos, por meio da exigência da Licença de Importação correspondente, já tem previamente definido o seu destino final, não sendo necessária a marcação; no caso da Nafta Petroquímica, cujos importadores são essencialmente Braskem e Petrobrás no Brasil, não será exigida a marcação; DO CONTRATO COM A BRASKEM E A DESTINAÇÃO PARA A PRODUÇÃO PETROQUÍMICA a nafta objeto da autuação é adquirida pela Braskem S.A., que a utiliza no processo produtivo da indústria petroquímica. A entrega do produto é efetuada pela autuada em razão da celebração de contrato de fornecimento, por intermédio do qual se comprometera a suprir a necessidade da Braskem por tal insumo de sua produção; vale ressaltar, que a autuada é a única produtora regular de nafta petroquímica e principal fornecedora no mercado brasileiro, respondendo por cerca de 70% do mercado total. No entanto, a produção atual de nafta petroquímica não é suficiente para atender a demanda deste mercado nem tampouco para permitir o cumprimento dos compromissos de fornecimento firmados entre a PETROBRAS e as Centrais Petroquímicas; por isso, a PETROBRAS importa regularmente cerca de 13% do volume de suas vendas totais, sendo que este percentual de importação cresce nos períodos de paradas programadas para manutenção de suas unidades produtoras. Desta maneira, para que a autuada possa atender a demanda total da Braskem pela nafta petroquímica na quantidade e na qualidade estabelecida contratualmente, fazse necessária a importação; o contrato de compra e venda foi firmado em 1978 entre a Autuada e a COPENE Petroquímica do Nordeste S/A, cuja sucessora é a BRASKEM S/A, reconhecidamente uma das três centrais petroquímicas existentes no Brasil. Nesse sentido, prevê em seu o item 1.2 de sua Cláusula Primeira: "1.2. A COMPRADORA se compromete a não vender, ceder ou, por qualquer forma, transferir a terceiro a nafta e o gasóleo adquiridos da PETROBRAS, limitandose utilizálos como matériaprima para atender às suas próprias necessidades industriais. [...]" a redação original do contrato sofreu modificação com a celebração do Aditivo n° 01, datado de 08/02/1993, mas a regra acima transcrita foi reproduzida, conforme se extrai do item 3 da Cláusula Primeira: "[...] 3 A COMPRADORA se compromete a não vender, ceder ou, por qualquer forma, transferir a terceiros a nafta e o gasóleo, e a utilizálos exclusivamente como matériaprima para atender às suas próprias necessidades industriais. [...]" diante do exposto e dos documentos ora apresentados inclusive, mas não só, a declaração da própria BRASKEM (anexa) constatase que a Impugnante revende a nafta importada para uma central petroquímica, estando acobertada, indubitavelmente, pelo benefício fiscal de que trata o §3°, do art. 5° da Lei n° 10.336/2001, c/c com art. 1° do Decreto n° 4.940/2003; DOS DOCUMENTOS REPRESENTATIVOS DE CONTABILIZAÇÃO E NECESSIDADE DE PERÍCIA CONTÁBIL Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.606 15 além do contrato e declaração da Braskem, a Impugnante junta, com a defesa, documentos representativos da contabilização da importação e posterior revenda de toda a nafta importada para a central petroquímica; vale ressaltar que todos os documentos representativos da operação (DANFEs, Livro ContaRazão e Livro de Controle de Estoque) são retirados, hoje, de registros contábeis eletrônicos, os quais sempre estiveram e estão franqueados à fiscalização. Sua representação física dáse pelos documentos ora acostados; destarte, requer a realização de perícia contábil, de modo a comprovar, pelos registros contábeis da impugnante (não só aqueles representados nos autos, mas todo e qualquer que o perito entenda necessário para análise e deslinde da questão), de que toda a nafta importada foi destinada à central petroquímica, gozando, pois, do benefício fiscal de redução de alíquota instituído pelo art. 5°, §3° da Lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1° do Decreto n° 4.940/2003; RESPONSABILIDADE DA CENTRAL PETROQUÍMICA conforme explicitado e comprovado pelos documentos anexos, o destino da nafta petroquímica importada e revendida para a Braskem foi a utilização como matéria prima para atendimento de suas necessidades industriais, aí não se enquadrando a elaboração dos produtos elencados no art. 5o. da Lei n° 10.336/2001 e no art. 2o. da IN SRF n° 422/2004, ou a formulação de gasolina ou diesel, o que, por si só, garante à autuada a isenção e, posteriormente, a aplicação da alíquota zero sobre as operações de importação e comercialização; em todo caso, por hipótese, se a Braskem utilizou efetivamente a nafta para fins diversos daqueles previstos em contrato e nas notas fiscais, a responsabilidade pelo recolhimento da CIDE somente poderia ser a ela atribuída, não por mera convenção entre as partes contratantes, como suscitado pela autuante, mas sim por força de dispositivo legal; conforme art. 128 do CTN e art. 10, § 4o. da Lei n° 10.336/2001, por interpretação analógica, a responsabilidade pelo pagamento do tributo recairá sobre o contribuinte que alterar a destinação do produto adquirido, no caso a Central Petroquímica; ademais, as regras introduzidas pelo Decreto n° 6.683/2008 e consubstanciadas na IN RFB n° 905/2008 deixam claro que, em havendo produção de gasolina residual superior ao estipulado ou a sua comercialização, a responsável pelo tributo será a central petroquímica; INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO considerando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n° 13/2002, e os artigos 100, inciso I, e 108 do CTN, impõese a exclusão da multa de ofício, em virtude de a impugnante encontrarse em situação idêntica a do contribuinte que, agindo de boa fé, solicita isenção por ocasião do despacho aduaneiro e deixa de pagar o Imposto de Importação; não cabe dizer que há dispositivo legal específico que afastaria a aplicação analógica do ADI, que é norma complementar tributária, vez que a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 é de caráter geral; o Terceiro Conselho de Contribuintes tem reconhecido a aplicação analógica do ADI SRF n° 13/2002, em relação à indicação errônea da classificação de mercadoria; PROVAS A SEREM PRODUZIDAS. JUSTIFICATIVA E REQUERIMENTO PARA A REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 16 não se pode negar à impugnante a produção de prova pericial contábil, se o órgão julgador entender necessária para demonstrar, em definitivo, que a nafta importada foi vendida à Braskem e, ainda, confirmar a relação das importações realizadas e as notas fiscais de venda à Braskem onde consta a indicação do destino da nafta; DOS REQUERIMENTOS ante o exposto, requer: a) para fins de prova, seja deferida a realização de perícia e a juntada de todos os documentos apensos à presente impugnação; b) seja julgada improcedente a autuação fiscal ora combatida, anulandose o ato administrativo que a instituiu, com a consequente desconstituição do lançamento, ante a incidência de alíquota zero sobre as importações e posterior comercialização, efetuadas pela Impugnante, da naftapetroquímica para fabricação de produtos relacionados à indústria petroquímica, na forma do disposto no §3° do art. 5° da lei n° 10.336/2001 c/c o art. 1°, caput, do Decreto n° 4.940/2003; c) acaso se entenda devido o tributo e os juros, que seja excluída a multa de ofício. Em 24/09/2012, a impugnante, com base no art. 16, § 4°, alínea "b", do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal em âmbito federal, solicitou a anexação de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relativos aos processos n° 11613.000185/200826 e 11613000239/200853, que também se referem à CIDEcombustíveis. O pedido, juntamente com as referidas decisões, foi anexado às folhas 1.378/1.410. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 0824.169, de 23/10/2012 (fls. 1.412/ss.), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/2010 a 26/04/2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelarse prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/05/2010 a 26/04/2011 CIDECOMBUSTÍVEIS. CORRENTES DE HIDROCARBONETOS LÍQUIDOS. NAFTA PETROQUÍMICA. A aplicação da alíquota de zero por cento, relativa à Cidecombustíveis, na importação de nafta petroquímica, fica condicionada à comprovação de que a mercadoria será utilizada como insumo na elaboração de produtos diferentes de gasolina ou diesel. A interessada cientificada do Acórdão (efolhas 1467/1468), interpôs Recurso Voluntário (efolhas 1470/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, além de requerer a nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que a diligência solicitada pela DRJ – Fortaleza mostrouse inconclusiva, Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.607 17 de modo que não restou comprovado nos autos qual foi a destinação dada à nafta importada pela Recorrente. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à incidência da CIDE sobre a importação da nafta petroquímica, classificada no código NCM/SH 2710.11.41, além de multa de ofício e juros moratórios. Segundo a fiscalização, tais importações não estariam ao abrigo da redução de alíquota para zero, estabelecida no art. 1º do Decreto nº 4.940, de 2003, uma vez que “ao ser importada por uma produtora de combustíveis, seu destino é incerto, sendo possível, por parte do importador, a produção de gasolina, diesel ou a venda para outra empresa, a seu exclusivo critério” (vide descrição dos fatos, efl. 30). A Recorrente, por sua vez, em síntese, aduz que a importação dos produtos estaria abrigada pelo benefício da redução à alíquota zero, uma vez que foram posteriormente vendidos a uma indústria petroquímica, a Braskem S/A. Tratase, a seu ver, de benefício fiscal de natureza objetiva, visando o produto nafta, e não de forma subjetiva, a contemplar somente as centrais petroquímicas, como alega a autoridade autuante. Como visto, o busílis da questão é decidir se a nafta petroquímica importada pela Recorrente faz jus ao benefício previsto no parágrafo 3º do artigo 5º da Lei nº 10.336, de 2001 (com a nova redação dada pela Lei nº 10.833/2003), regulamentado pelo art. 1º do Decreto nº 4.940, de 2003, o qual reduziu a zero as alíquotas da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação da gasolina ou diesel, entre eles, aqueles classificados na posição NCM/SH 2710.11.41 – nafta petroquímica. Confiramos a redação dos citados dispositivos legais: Lei n° 10.336/2001: Art. 5º A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas: § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. § 4º Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3º serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (g.n.) Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 18 Decreto n° 4.940/2003: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: (...) Código NCM Produto 2710.11.41 Nafta petroquímica (...) Registrese que a redução de alíquota a zero da CIDE substituiu a isenção originalmente prevista na Lei nº 10.336, de 2001, nos termos prescritos no art. 5º (antes do advento da Lei nº 10.833, de 2003, que revogou os §§ 5º e 6º e deu nova redação aos §§ 3° e 4° do art. 5º), verbis: Art. 5o A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas: I – gasolina, R$ 860,00 por m³;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) II – diesel, R$ 390,00 por m³;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) III – querosene de aviação, R$ 92,10 por m³;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) IV – outros querosenes, R$ 92,10 por m³;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) V – óleos combustíveis com alto teor de enxofre, R$ 40,90 por t;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) VI – óleos combustíveis com baixo teor de enxofre, R$ 40,90 por t;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) VII – gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e da nafta, R$ 250,00 por t;( Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) VIII – álcool etílico combustível, R$ 37,20 por m³. (Incluído pela Lei nº 10.636, de 2002 ) (Vide Medida Provisória nº 556, de 23 de dezembro de 2011 ) (Vide inciso I, art. 7º da Medida Provisória nº 556, de 2011) (...) § 4°. Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 5º. Presumese como destinado à produção de gasolina nafta, adquirida ou importada na forma do § 4º, cuja utilização na elaboração do produto ali referido não seja comprovada. § 6º. Na hipótese do § 5º da Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (g.n.) Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.608 19 A matéria aqui tratada não é nova neste Conselho. Inclusive, em sessão de julgamentos realizada no mês passado (outubro/2014), esta 2ª Turma/2ª Câmara já a discutiu em outro processo da mesma Recorrente, ocasião em que foi proferido o Acórdão nº 3202 001.341, de 14/10/2014, pelo ilustre Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Deste modo, por concordar integralmente com os argumentos utilizados para fundamentar o Acórdão nº 3202001.341 e por economia processual, transcrevo parcialmente o voto constante daquela decisão, utilizandoos também como razão de decidir deste julgado. Registrese, por oportuno, que aquele julgado abarcava períodos em que a importação do produto estava acobertada pela isenção (até 29/12/2003) e pela redução à alíquota zero (após 30/12/2003); neste julgado o período tratado referese apenas à redução à alíquota zero (período de apuração: 04/05/2010 a 26/04/2011). Confiramse trechos do voto abaixo transcritos: De logo se vê que o fulcro da questão está em determinar a natureza da isenção (embora esta discipline apenas uma parte das importações – aquelas realizadas até 29/12/2003, porquanto, a partir do dia seguinte, vale a redução à alíquota zero), a própria decisão recorrida entende que a mudança de regime jurídicotributário não afeta a conclusão a que chegou, afirmação com a qual, cabe ressaltar, concordamos. A isenção, é sabido, comporta algumas classificações, entre elas, podese destacar a que a denomina de objetiva (ou geral), quando ligada a aspectos materiais do fato gerador, ou subjetiva (ou individual), quando a finalidade do legislador foi somente atribuíla a determinadas pessoas ligadas ao mesmo fato. Exemplo da primeira é o da isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física para as pessoas que auferem rendimentos até determinado valor; da segunda, o de pessoas jurídicas que venham a se instalar em determinadas regiões do país e aí produzam, tais como a Zona Franca de Manaus. Embora o CTN elenque a isenção entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário, entendemos abalizada a doutrina mais recente que trata a isenção como uma hipótese de não incidência tributária (p. ex., SACHA CALMON), uma espécie de (a)tipicidade conglobante (expressão aqui tomada de empréstimo da Ciência Penal) – aquela que resulta do conjunto de normas legais que disciplinam o tratamento tributário a ser aplicado à determinada matéria. Assim, no caso em exame, a norma isentiva retirou do campo de incidência tributária a operação de importação ou comercialização de nafta petroquímica, quando destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput do art. 5º da Lei n.º 10.336, de 2001. Percebase que, para que se desse a isenção, não se estabeleceram condições pessoais para quem quer que seja, daí a sua natureza claramente objetiva, pois o legislador não firmou que somente a indústria petroquímica poderia usufruíla. A essa conclusão chegou a instância de piso, com fundamento, entre outros argumentos, no de que o próprio legislador a indicou, quando, na exposição de motivos do Projeto de Lei que previa a instituição da Cide, consignou: "6. Ainda para garantir a neutralidade tributária entre o produto nacional e o importado, o Projeto prevê para a nafta destinada ao setor petroquímico, a isenção da Cide — Combustíveis e a redução a zero das alíquotas de contribuição para o PIS/Pasep e da Confins." (grifamos). Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 20 Não nos parece, contudo, tenha o legislador previsto que a importação só podia ser realizada pela própria indústria petroquímica, mas, sim, que o nafta a ela destinada gozasse de isenção tanto na importação quanto na comercialização, a fim de possibilitar maior competitividade à economia nacional. Visou, na verdade, afastar a exigência da Cide em toda a cadeia comercialização (incluída aí a aquisição do exterior) do nafta petroquímico com a destinação que predeterminou. A nosso ver equivocadamente, a instância de piso entendeu que aquele que importa é o que deve satisfazer a exigência legal para usufruir da isenção da Cide (o emprego na produção produtos petroquímicos não incluídos no caput do art. 5º da Lei n.º 10.336, de 2001). Ora, se esse raciocínio é válido, até por uma questão de coerência, de harmonia de ideias, o mesmo deveria ocorrer na comercialização, hipótese que, no entanto, se afigura absolutamente impossível, já que quem comercializa é aquele que põe no comércio; não é aquele que compra, mas aquele que vende. E, nessa hipótese, também para aquele que comercializa deveria estabelecerse a mesma exigência legal para fruição da isenção da Cide, qual seja, a comprovação da destinação do nafta petroquímico, o que, todavia, só poderia ser feito por quem o adquiriu – a indústria petroquímica (lembremos: onde há a mesma razão, devese aplicar o mesmo direito, diz conhecido brocardo jurídico). É sabido que, nos termos do art. 111 do CTN, a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção reclama interpretação literal, mas isso não está a significar que a exegese deva se ater à letra da lei, o que, aliás, sequer avaliza a conclusão adotada na decisão recorrida, uma vez que, como vimos, o legislador não predeterminou quem deve fazer a importação, mas apenas referiu o produto cuja importação e comercialização podem vir a ser beneficiadas com a isenção, raciocínio que não se modifica com o fato de a destinação desse produto encontrar se prevista na norma. O método literal na verdade está apenas a apontar que a interpretação que daí resulte seja estrita, porque derrogatória da norma geral e porque constitui, no caso, renúncia de receitas financeiras pertencentes ao Estado. Nesse contexto, o intérprete deve aterse à natureza da norma interpretanda e ao fim por ela colimado, sem se desgarrar, é claro, dos dizeres da norma. Há de se ressaltar, contudo, que, embora entendamos que a razão está com a Recorrente, concordamos com a instância de piso quando afirmou que a isenção foi concedida exclusivamente para o nafta petroquímico (2710.11.41), de forma que não se estenderia às importações de outras naftas, motivo pelo qual, quanto a este produto (2710.11.49), é de se manter o lançamento (claro, estamos falando aqui das importações realizadas até 29/12/2003, já que a partir daí passou a viger a redução à alíquota zero, que, como vimos, aplicase a ambas as naftas; não há, todavia, no caso ora em exame, depois da referida data, importações do nafta classificado na posição 2710.11.49). No caso em tela, a fiscalização aventou a possibilidade de que a nafta poderia ter “destino incerto” pelo fato de a importadora ser uma “produtora de combustíveis” (vide e fl. 30 – Descrição dos Fatos), contudo não apresentou elementos probantes capazes de demonstrar sua ilação. Ao contrário, constam dos autos diversos elementos que conduzem à conclusão de que o produto importado, de fato, não foi destinado à formulação de gasolina ou diesel, mas sim à produção petroquímica (vide os seguintes documentos: esclarecimentos prestados pela Recorrente, escrituração contábilfiscal e extratos das Licenças de Importação efolhas 818 a 1.676) Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11613.720174/201161 Acórdão n.º 3202001.383 S3C2T2 Fl. 1.609 21 A atividade probatória é fundamental, até mesmo crucial e determinante, na motivação do ato administrativo do lançamento tributário que irá inserir a norma individual e concreta no ordenamento jurídico (conteúdo). Quem alega e não prova, não tem como fazer prevalecer o seu direito. Nesse sentido, são precisas as palavras de Maria Rita Ferragut (in Presunções em Direito Tributário, p. 82): “aquele que não tem como provar seu direito é, para o mundo jurídico, como se não o tivesse. Se a ocorrência fenomênica do evento descrito no fato não puder ser suficientemente provada, ele não existirá juridicamente. São as provas jurídicas, e tãosomente elas, que propiciam o conhecimento dos acontecimentos relevantes para o mundo jurídico”. Assim, o fato jurídico nada mais é do que a enunciação do evento relatado em linguagem jurídica competente, devidamente demonstrado pelas provas e submetido à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Os fatos alegados no processo, então, serão submetidos à valoração do julgador, que poderá formar sua convicção com base nas provas apresentadas sobre esses fatos jurídicos. Destaquese, por relevante, que o lançamento tributário é o ato administrativo que constitui o direito subjetivo do Fisco (“autor”) de exigir o crédito tributário (fato constitutivo) e, assim, nesse caso é seu o ônus da prova. O art. 332 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, estabelece, de forma lógica, as regras do ônus probatório: àquele que pleiteia um direito tem a incumbência de proválo; a parte contrária pode reagir a essa pretensão, refutandoa, igualmente, com provas. A atividade de produção probatória, ao fim, representa a própria motivação do ato de lançamento, quando a autoridade fiscal, por meio da linguagem jurídica competente, demonstra a subsunção do evento ocorrido no mundo fenomênico à hipótese de incidência prevista na regramatriz de incidência tributária, de modo a construir o fato jurídicotributário no antecedente da norma individual e concreta introduzida pelo lançamento. A motivação do ato deverá estar consubstanciada na “descrição dos fatos”, quando da formalização do lançamento tributário por meio do documento denominado “auto de infração” (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72). Em conclusão, a meu ver, a autoridade fiscal não comprovou que a nafta petroquímica importada não seria destinada à central petroquímica (Braskem) ou que seria utilizada para a fabricação de gasolina e do diesel. Em outro giro, registrese que o entendimento aqui esposado vem sendo reproduzido neste Colegiado Administrativo em recentes julgados sobre a matéria. Confiram se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 10/10/2008 IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO. A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE, independentemente de quem seja o importador. (CARF, Terceira Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403003.122, de 24/07/2014. Relator Cons. Antonio Carlos Atulim). Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 22 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 17/02/2012 a 25/05/2012 IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO. A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE. (CARF, Terceira Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3201001.724, de 16/09/2014, Relator Cons. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 27/07/2009 ISENÇÃO. CIDE. IMPORTAÇÃO DE NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. A importação de insumo conhecido como nafta, independentemente da pessoa do importador, restando comprovado à transferência da totalidade do produto a central petroquímica, não há de incidir a CIDE em obediência a norma do § 4º do art. 5º da lei nº 10.336/2001. (CARF, Terceira Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3203002.047, de 23/04/2013, Relator Cons. Domingos de Sá Filho). Por fim, quanto à arguição de nulidade trazida pela Recorrente, em decorrência de suposto cerceamento do seu direito de defesa, deixamos de apreciála em face do que dispõe o art. 59, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/72 – PAF, uma vez que o mérito foi decidido a seu favor. Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910861/2008-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 61 /2 00 8- 59 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910861/200859 Acórdão n.º 3803006.681 S3TE03 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 17.321,99, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910861/200859 Acórdão n.º 3803006.681 S3TE03 Fl. 63 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910861/200859 Acórdão n.º 3803006.681 S3TE03 Fl. 64 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910861/200859 Acórdão n.º 3803006.681 S3TE03 Fl. 65 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13961.000083/2002-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do ano-calendário.
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96.
Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96.
O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
Numero da decisão: 3803-006.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do ano-calendário. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13961.000083/200291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.795 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente CALÇADOS DANI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do anocalendário. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 1. 00 00 83 /2 00 2- 91 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (fls. 171/172), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI e homologou as compensações pleiteadas até o limite do crédito deferido. A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI para o 1º trimestre de 2002 (fl. 01), no valor total de R$ 116.202,96, retificando posteriormente o pedido para R$ 133.524,52 (fl. 141), sendo R$ 4.150,03 de saldo credor da escrita fiscal e R$ 129.374,49 de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97. Adicionalmente, a interessada apresentou os pedidos de compensação de fls. 02, 59 e 63 (convertidas em declarações de compensação) e declarações de compensação à fl. 02 do processo nº 13961.000262/200228 e à fl. 01 do processo nº 13961.000024/200301. Posteriormente, em 08/07/2008 (fls. 226/227), pediu retificação da declaração de compensação de fl. 63. Com base na informação fiscal de fls. 161/170, o pedido foi deferido parcialmente no montante de R$ 29.770,08, tendo sido reconhecido integralmente o direito ao saldo credor na escrita de R$ 4.150,03, e parcialmente o crédito presumido de R$ 25.620,05, em virtude dos seguintes motivos: 1. Quando apresentou a DCTF do 4º trimestre de 2001 optou por apurar o crédito presumido de IPI no ano de 2002 pela sistemática prevista na Lei nº 9.363/96, mas no momento da apuração utilizou indevidamente a sistemática prevista na Lei nº 10.276/2001; 2. A opção pela apuração prevista na Lei nº 9.363/96 era irreversível; 3. A apuração pela Lei nº 9.363/96 não admite a inclusão, nos custos, da energia elétrica e da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000083/200291 Acórdão n.º 3803006.795 S3TE03 Fl. 3 3 Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 198/201, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Embora terceirize a industrialização, de fato é a recorrente que suporta os gastos com a energia elétrica, e por isso, esses gastos devem ser considerados na apuração do crédito presumido; 2. O fiscal considerou no cálculo apenas a industrialização por encomenda, mas deixou de computar o beneficiamento de matériasprimas; 3. Ao entregar a DCTF para o 4º trimestre de 2001, informou a opção de apurar o crédito com base na Lei nº 9.363/96, porém, quando efetivou a conclusão do processo optou pela apuração prevista na Lei nº 10.276/2001, pois o crédito nessa última opção se apresentou maior; não há impedimento legal para a mudança da opção. Por fim, requereu o deferimento da manifestação. Posteriormente, em 29/07/2008, a interessada protocolou petição de fls. 245/248, na qual requer a aplicação da taxa SELIC no valor a ser ressarcido. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do anocalendário. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde inova quanto à discussão da opção pela apuração do crédito presumido de IPI (aduz que não houve alteração de regime, e sim equívoco no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2001; na manifestação de inconformidade diz ter informado a opção de apurar o crédito com base na Lei nº 9.363/96, porém quando efetivou a conclusão do processo optou pela apuração prevista na Lei nº 10.276/2001, uma vez que o crédito nessa última opção se apresentou maior e não havia impedimento legal à mudança de opção à época) e repisa os argumentos esgrimidos em primeira instância relativos à energia elétrica e industrialização por encomenda; ao final, requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para reconhecer o crédito integralmente. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Questão prévia às demais, tratase da opção exercida pela recorrente quanto à sistemática de apuração do crédito presumido do ipi, uma vez que dela depende a legitimidade dos créditos discutidos no presente contencioso. Por outras palavras, se a opção originariamente feita pela recorrente Lei nº 9.363/96 for ratificada nesta instância, os créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda (utilizados pela contribuinte) não são legítimos; porém, se a alegação de mudança de opção (ou equívoco de opção) Lei nº 10.276/2001 supostamente encetada pela recorrente após cotejo das duas sistemáticas (sendo a da última lei mais benéfica), então consubstanciamse legítimos os créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda, por haver previsão expressa na lei. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000083/200291 Acórdão n.º 3803006.795 S3TE03 Fl. 4 5 Como já exposto na decisão de piso, a opção pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 davase na DCTF do 4º trimestre do ano anterior ao do ano calendário em que se dava o aproveitamento dos créditos: O parágrafo 4º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 atribui expressamente competência para a Secretaria da Receita Federal fixar normas para o exercício da opção pelo regime alternativo por ela instituído. Mais ainda, o art. 3º desta mesma lei atribui à Secretaria da Receita Federal a competência para regulamentar toda a lei. Portanto, o exercício da opção pelo regime alternativo de crédito presumido do IPI deve seguir as normas expedidas pela Receita Federal do Brasil. Por seu turno, a Receita Federal, por meio das IN SRF nº 69 e nº 106, ambas de 2001, determinou que a opção pelo regime alternativo para o ano de 2002 deveria ser feito na DCTF do 4º trimestre de 2001 e, uma fez feita a opção, não seria admitida a mudança dentro do próprio ano calendário. Abaixo, transcrevo os artigos sobre o tema constantes na IN SRF nº 69/2001: “Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida neste ano; II todo o anocalendário, se exercida nos anos subseqüentes; III o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção de que trata o art. 2º será formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), correspondente ao: I último trimestrecalendário do ano de 2001, na hipótese do inciso I; II último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso II; III primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso III.” (grifouse) Por seu turno, a IN SRF nº 106/2001 aprovou o Programa Gerador da DCTF 1.2. Neste consta, nas instruções de preenchimento da “Pasta Crédito Presumido”, vedação expressa para mudança de opção durante o ano calendário. Desse modo, é inadmissível a alteração da sistemática de apuração do crédito presumido promovida pela requerente, estando correto o procedimento da fiscalização de calcular o valor do direito creditório pela sistemática prevista na Lei nº 9.363/96, por ter sido esta a opção da contribuinte quando apresentou a DCTF do 4º trimestre de 2001. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Releva notar, outrossim, que na manifestação de inconformidade a recorrente diz que ao entregar a DCTF para o quarto trimestre de 2001, informou a opção de apurar o referido crédito com base na Lei 9.363/96, porém, quando efetivou a conclusão do processo, optou pela apuração prevista na Lei 10.276/2001, pois o crédito nessa última opção se apresentou maior; ao passo que no recurso voluntário alega que desde o início apurou o crédito pela forma alternativa, porém preencheu equivocadamente a DCTF do 4º trimestre de 2001. Essa mudança de discurso, ao meu ver, embora denote certa fragilidade da defesa, na medida em que tenta adaptar os fatos após uma decisão desfavorável, em verdade não altera em nada a situação objetiva da recorrente que em nenhum momento tratou de esboçar um movimento formal durante o anocalendário para a retificação do seu suposto equívoco. Aplicase ao caso a máxima Dormientibus non succurrit jus (O Direito não socorre aos que dormem). Nesse diapasão, a discussão acerca da possibilidade, ou não, de retificação da opção do regime de apuração do crédito presumido de ipi não merece prosperar, porquanto nenhuma retificação existiu, de fato, por conta da recorrente, a qual inclusive traz duas versões bem distintas para os fatos que circundam a questão sub analisis. De todo modo, penso correta a fundamentação explicitada pela decisão recorrida no particular, e colacionada supra, razão pela qual também a adoto para afastar a pretensa mudança de opção de regime de apuração do crédito presumido de ipi. Corolário disso, temse por legítimas as glosas dos créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda. E mais uma vez podese reproduzir o acórdão vergastado: ENERGIA ELÉTRICA Considerando que o crédito presumido deve ser calculado com base na Lei nº 9.363/96, a fiscalização excluiu a energia elétrica da apuração. Assim dispõe a Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs. 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. .......... Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000083/200291 Acórdão n.º 3803006.795 S3TE03 Fl. 5 7 Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. ........... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Consoante o parágrafo único do art. 3º da referida Lei, a legislação do IPI deve ser utilizada subsidiariamente para a definição dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Em relação ao assunto, a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, expedida com base na Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe no seu art. 3º, § 16: “§ 16 – Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação do IPI.” Assim, mostrase oportuna a transcrição do art. 147, inciso I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98) que discrimina as situações que configuram o direito ao crédito básico do IPI, verbis: “Art. 147 Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, itens 8 a 10.2, estabelece que: “ 8 – no caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão “incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização” é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/1965, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/1967 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/1972), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias primas nem produtos intermediários “stricto sensu” , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 – A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/1972), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 – O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 – Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 – Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos “que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 – Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários “stricto sensu” , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão “consumidos” sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo.” (Grifouse.) Na mesma linha, assim estabelece o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, no seu item 13: “13 – Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000083/200291 Acórdão n.º 3803006.795 S3TE03 Fl. 6 9 partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (Grifouse.) Nesse contexto, como a energia elétrica, embora consumida no processo produtivo, não mantém contato físico com o produto final industrializado, não pode ser enquadrada no conceito de insumos, e por isso, deve ser excluída do cálculo do crédito presumido pela sistemática da Lei nº 9.363/96. Acrescentese ainda, que a inclusão da energia elétrica na apuração do crédito presumido pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001, não tem o condão de incluíla no cálculo pelo regime previsto na Lei nº 9.363/96. Ao contrário, a inclusão da energia elétrica está restrita a quem faz a opção pelo regime alternativo, que não é o caso da interessada. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA A questão da industrialização por encomenda é similar a da energia elétrica, já que a previsão para a inclusão destes gastos no cálculo pela sistemática da Lei nº 10.276/2001, não altera a forma de cálculo prevista na Lei nº 9.363/96. O cálculo do benefício de que trata a Lei no 9.363/96, diz respeito, tãosomente, às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (conforme art. 1o, caput, da mencionada Lei), e, em momento algum, faz menção a serviços de beneficiamento prestados por terceiros. Além disso, como já mencionado anteriormente, a Lei nº 9.363/96 prevê, no seu art. 3o, parágrafo único, a utilização subsidiária da legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. E, de acordo com o artigo 147, inciso I, do RIPI/98, incluemse, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles produtos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Ressaltase que o posicionamento adotado pela fiscalização, excluindo da base de cálculo do crédito presumido o valor do beneficiamento de insumos por estabelecimentos de terceiros está respaldado pela Secretaria da Receita Federal, com a veiculação, no Boletim Central no 147, de 04/08/1998 (Perguntão), da Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX no 312, de 03/08/1998, que transcrevo, em vista dos esclarecimentos que contém, plenamente aplicáveis ao caso concreto: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “2.7) Encontrase com habitualidade, casos em que a empresa produtora exportadora, remete matériasprimas de seu estoque para efetuar uma etapa produtiva em outra empresa. Por exemplo, o produtor exportador adquire couro semiacabado e o envia a outra empresa (um curtume) para acabamento. Nesse processo, são agregados a essa matériaprima diversos outros insumos, como produtos químicos, corantes, etc. O couro retorna modificado para o estabelecimento produtor exportador, acompanhado de nota fiscal indicando operação de beneficiamento. Perguntase, se o valor agregado, correspondente ao beneficiamento deve ser computado como aquisição de insumos (período de 1996) e como custos (a partir de 1997)? E, em caso de beneficiamento que não agregue outras matérias primas (exemplo, parte de calçado remetida para costura, colagem ou trançamento, acompanhada de todos os materiais necessários), o tratamento deve ser o mesmo? R) No caso em que o encomendante remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 36, incisos I e II do RIPI/82 correspondente ao art. 40, incisos VII e VIII do RIPI/98) e o executor da encomenda remete os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido. Porém, no caso em que o encomendante remete os insumos com tributação, e o industrializador por encomenda utiliza insumos próprios e, após a industrialização, remete os produtos tributados pelo IPI ao encomendante, o valor cobrado pelo realizador da industrialização ao encomendante integra a base de cálculo do crédito presumido. O entendimento aplicase tanto ao exercício de 1995, quanto aos posteriores.” O fundamento da orientação interna acima transcrita, alçada que foi à hierarquia de norma complementar da Lei tributária, por força do inciso III do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, enquanto prática reiteradamente observada pela Autoridade Administrativa, está no fato de que, se a operação não foi tributada, é porque não foi incorporado insumo no beneficiamento encomendado, mas apenas serviços e serviços não estão compreendidos no conceito de matéria prima, produtos intermediários ou materiais de embalagem, que são os componentes básicos para cálculo do crédito presumido, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Portanto, foi correta a glosa feita pela auditoria. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000083/200291 Acórdão n.º 3803006.795 S3TE03 Fl. 7 11 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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