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Numero do processo: 13766.720193/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, atestada mediante laudo médico oficial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de reconhecer serem isentos, a partir de maio de 2010, os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, atestada mediante laudo médico oficial. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, atestada mediante laudo médico oficial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 01 93 /2 01 2- 51 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de reconhecer serem isentos, a partir de maio de 2010, os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13766.720193/201251 Acórdão n.º 2402005.168 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2010 de R$ 6.754,60 para o montante de R$ 2.059,83 (fls.4/8), por não ter a contribuinte apresentado laudo pericial oficial, tampouco cópia da publicação de ato concessivo de aposentadoria/reforma ou pensão, que comprovasse a sua alegada condição de portadora de moléstia grave nos termos da lei. Em 05/03/2012, no pedido de impugnação (fl. 2), acompanhado dos documentos de fls. 3/17, a contribuinte alega que anexou ao Termo de Atendimento nº 2011/10000003443 os comprovantes de todos os rendimentos recebidos, cópia autenticada da publicação do ato concessivo da reforma, pensão ou da aposentadoria e laudo pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou (mês e ano), protocolada na ARF/CIMES, em 10/01/2012. A exigência foi mantida pela primeira instância julgadora (fls. 27/31), sob o argumento de que não foram trazidos laudo médico de caráter oficial e cópia do ato concessivo de aposentadoria. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/6/2013, repisando as razões de impugnação e juntando novos documentos (fls. 36/38). É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13766.720193/201251 Acórdão n.º 2402005.168 S2C4T2 Fl. 4 5 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Em sede de recurso voluntário, a notificada trouxe laudo médico oficial emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo (fl. 37), no qual é atestado ser ela portadora de neoplasia maligna linfoma nãoHodgkin difuso, CID C 83 desde 15/4/2009. Carreou também cópia da publicação no Diário Oficial do Estado do Espírito Santa da Portaria nº 2.438, de 28 de outubro de 2010, que lhe concedeu o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição especial de magistério (fl. 38), a partir do dia 25 mês de maio de 2010. Desse modo, fica claro que os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo são isentos a partir do mês de maio de 2005 (fl. 11). No que diz respeito aos valores percebidos da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos, são rendimentos da atividade, não lhes beneficiando a isenção (fl. 12). Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de reconhecer serem isentos, a partir de maio de 2010, os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo. Ronnie Soares Anderson. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000228/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/2005
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA.
A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;
O Supremo Tribunal Federal (STF, no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição.
No presente caso, as contribuições são de período posterior à Lei 10.256/2001, motivo da negativa de provimento ao recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Preliminar, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive (art. 173, inciso I, do CTN). E, II) No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que tange à contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Vencido o Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (Relator). Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Marcelo Oliveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF, no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições são de período posterior à Lei 10.256/2001, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Preliminar, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive (art. 173, inciso I, do CTN). E, II) No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que tange à contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Vencido o Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (Relator). Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Natanael Vieira dos Santos - Relator Marcelo Oliveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 02 28 /2 00 7- 06 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 249 2 A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF, no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições são de período posterior à Lei 10.256/2001, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Preliminar, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive (art. 173, inciso I, do CTN). E, II) No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que tange à contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Vencido o Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (Relator). Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 250 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE LEME – PREFEITURA MUNICIPAL, em face de acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento e manteve o débito fiscal. 2. Por bem descrever os fatos que deram origem ao lançamento em análise, passo a transcrever parte do relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fl. 211/212): “Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 25/04/2007, sob DEBCAD 37.073.7253, no valor de R$28.636,73, em nome do Município acima identificado, referente às contribuições de custeio à Seguridade Social previstas no artigo 25 da Lei 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, bem como as destinadas a terceiros a cargo do produtor rural pessoa física, cujo recolhimento compete à empresa adquirente, consumidora ou consignatária dos referidos produtos, nos termos do artigo 30, inciso ll, do mesmo diploma legal, no período de setembro de 1997 a dezembro de 2005, bem como a glosa de valores compensados irregularmente na competência dezembro de 2005. Conforme Relatório Fiscal de fls. 148 a 161, constatouse, mediante análise dos empenhos emitidos pela Prefeitura Municipal de Leme e demais documentos apresentados, que o órgão público em questão adquiriu produtos rurais de produtores rurais pessoa física, sem o devido recolhimento da contribuição a que estava subregado conforme legislação acima citada. Esclarece ainda a autoridade fiscal que os valores compensados indevidamente da competência dezembro de 2005 foram lançados, em virtude da inexistência de comprovação de recolhimento indevido. Informa ainda o Relatório Fiscal que os valores foram apurados com base nos empenhos emitidos e que as alíquotas e base de cálculo utilizadas encontramse discriminadas nos relatórios DAD e RL. Notificado em 02/05/2007, conforme Aviso de Recebimento de fls. 179, o órgão público apresentou impugnação tempestiva em 01/06/2007, na qual alega, em suma: que a impugnação é tempestiva, pois foi apresentada dentro do prazo de 30 dias previsto no Decreto n° 6.103/2007; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 251 4 que aos julgadores administrativos compete afastar a aplicação de norma ilegal ou inconstitucional, sob pena de negar validade aos princípios da ampla defesa e do contraditório; que as contribuições previdenciárias, dada sua natureza tributária, são regidas pelo Código Tributário Nacional em relação à decadência, em razão do disposto no artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, não cabendo à Lei 8.212/91, lei ordinária, em seu artigo 45, disciplinar o prazo de decadência; que o dispositivo do CTN a ser aplicado ao caso é o artigo 150, §°4°, por tratarse de crédito sujeito ao lançamento por homologação, pelo que devem ser excluídos os valores anteriores a O2/O5/2002; que o artigo 30, Ill , da Lei de Custeio é inconstitucional, vez que trazido por lei ordinária, uma vez que o artigo 195, §4°, da CF estabelece que novas contribuições além daquelas ali previstas só podem ser criadas por Lei Complementar; (...).” 3. Da análise da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF) concluiu pela manutenção do lançamento, e, por conseguinte como regular a exigibilidade do crédito tributário, tendo o acórdão a quo restado ementado nos seguintes termos: “INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. Lançamento Procedente.” (fl. 210). 4. Da decisão supra a contribuinte foi cientificada em 18/02/2008, conforme AR nº RA 26678875 1 – BR, dos serviços do correio (fls. 217/218). 5. Inconformada com a decisão proferida o sujeito passivo, tempestivamente, apresentou recurso voluntário, em 17/03/2008 (fls. 223/238), por meio do qual, em síntese, aduz que: a) os valores, inclusive multas, referentes aos fatos geradores anteriores a maio de 2002 (cinco anos antes da ciência do presente auto de infração), encontramse fulminados pela decadência, inexigível portanto parte do presente lançamento; b) as normas utilizadas como fundamento para a autuação são ilegais, uma vez que são inconstitucionais; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 252 5 c) a autoridade fiscal desconsiderou o regime de contratação temporária estabelecido nas Leis Complementares do Município de n°s 198/97 246/99, entendendo ser a relação jurídica de cunho trabalhista, sendo essa desconsideração levada a efeito, fica patente que o lançamento foi feito ao arrepio da lei e da forma federativa do Estado, maculando o princípio do pacto federativo, motivo pelo qual se impõe o seu cancelamento. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhado para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 253 6 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR DECADÊNCIA 2. Nas preliminares, devemos analisar a questão da decadência, e, para tanto a solução já se encontra consumada a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, como pode ser visto na sequência. 3. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: "Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 5. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). 6. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 254 7 7. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). 8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: "Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei)." 10. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 255 8 “Ementa: (...). II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) (...). “Ementa: (...). Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... (...). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) 11. Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. 12, Ocorre que, no caso em questão, a recorrente foi cientificada do lançamento em 25/04/2007 e os fatos geradores ocorreram entre as competências 09/1997 a 12/2005, verificase que foram atingidas pela decadência os fatos geradores ocorridos até as competências 11/2001, inclusive (art. 173, inciso I, do CTN). DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA 13. Inicialmente, observese que, em consonância com o Relatório Fiscal, o lançamento ora guerreado referese “às contribuições de custeio à Seguridade Social previstas no artigo 25 da Lei 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, bem como as destinadas a terceiros a cargo do produtor rural pessoa física, cujo recolhimento compete à empresa adquirente, consumidora ou consignatária dos referidos produtos, nos termos do artigo 30, inciso II, do mesmo diploma legal, no período de setembro de 1997 a dezembro de 2005, bem como a glosa de valores compensados irregularmente na competência dezembro de 2005.” (Grifei). Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 256 9 14. Ocorre que, na peça recursal não há qualquer alegação quanto à compensação indevida, razão pela qual, a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, tornase a matéria incontroversa. 15. Assim, em virtude do disposto no citado normativo somente será conhecida a matéria que expressamente tenha sido impugnada pelo sujeito passivo, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” 16. Dessas considerações iniciais, portanto, cabe analisar no caso apenas quanto à exigibilidade das contribuições previdenciárias pertinentes à receita bruta proveniente da comercialização de produção rural a cargo do produtor rural pessoa física, o que passo a fazêlo na sequência. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNRURAL 17. Conforme descrito no item 2.1 do Relatório Fiscal (fls. 149/162), a autoridade administrativa informa que o débito“referese ao levantamento das contribuições de custeio à Seguridade Social previstas no artigo 25 da Lei n.°8.212/91, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, bem como as destinadas a terceiros a cargo do produtor rural pessoa física, cujo'recolhimento compete à empresa adquirente, consumidora ou consignatária dos referidos produtos, nos termos do artigo 30, inciso III do mesmo dispositivo legal, no período compreendido entre setembro de 1997 a novembro de 2005, bem como a glosa de valores compensados irregularmente na competência de dezembro de 2005.” (fl.157). 18. Ainda, segundo o relato do Auditor Fiscal, (item 2.3 do Relatório Fiscal)“a Prefeitura Municipal de Leme adquiriu diversos produtos rurais de pessoa física, conforme foi constatado em análise dos empenhos emitidos, sem que, contudo, efetuasse o devido recolhimento dos valores devidos e declarasse os referidos fatos geradores em Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, no período a que estava obrigada, motivo que ensejou autuação por descumprimento de obrigação acessória previdenciária do respectivo dirigente responsável.” (fl. 157). 19. A decisão de primeira instância considerou improcedente a impugnação, sob os argumentos de que, em regra, é vedado à autoridade administrativa reconhecer tese de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. De fato, razão lhe assiste. 20. No entanto, entendo que em cumprimento ao princípio da economia processual e em prol da unificação dos julgados, a esfera administrativa pode, em determinadas circunstâncias, seguir o entendimento do judiciário no que diz respeito às matérias as quais a Corte Constitucional já consolidou seu posicionamento, isso para que se evite a situação de o contribuinte, ao final da demanda administrativa tenha que recorrer ao judiciário para ver a lide satisfeita. 21. Assim, apesar de estar ciente que as decisões judiciais possuem efeitos inter partes, entendo que é necessário se valorizar a jurisprudência consolidada pelos tribunais superiores, in casu, atentandose para o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao enfrentar a matéria sob análise. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 257 10 22. Com efeito, a corte constitucional no julgamento do Recurso Extraordinário – RE nº 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisas V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 23. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 24. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 25. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 26. Diante do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. CONCLUSÃO 27. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento parcial para: a) excluir do lançamento as competências até 11/2001, e, anteriores a 12/2001, atingidas pela decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 258 11 b) excluir do lançamento os valores referentes à contribuição sobre a comercialização da produção adquirida de produtores rurais pessoas físicas – FUNRURAL. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 259 12 Voto Vencedor Marcelo Oliveira Redator designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à contribuição sobre a produção rural, adquirida de pessoa física. Como informado, o litígio em questão versa sobre a possibilidade de exigência da contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I (parte empresa) e II (parte empregado), do art. 22, da Lei 8.212/1991. Para nossa análise, devemos fazer um relato histórico sobre essa exigência. A contribuição sobre a comercialização da produção rural da pessoa física está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, na redação da Lei 10.256/2001: Lei 8.212;/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. Já a subrogação, para o adquirente, está definida no IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 260 13 Pois bem, em julgamento ocorrido em 02/2010, o Pleno do STF, no Recurso Extraordinário nº 363.852, deu provimento ao recurso em acórdão. Nesse processo foi analisado e decidido sobre a constitucionalidade da contribuição determinada no Art. 25, da Lei n° 8.212/91, com as redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física. Chegouse à seguinte conclusão: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 261 14 Para o STF, em síntese, a CF/1988, até a Emenda Constitucional 20/1998, não possibilitava, sem ser por Lei complementar, a tributação previdenciária sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar. CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (REDAÇÃO ANTIGA) ... § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. ... Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Nesta redação, para o STF, não há a possibilidade de se exigir a contribuição de produtores rurais pessoas físicas, sem ser por lei complementar, pois estaria se criando nova fonte de custeio. Já após a EC 20/1998 essa exigência tornouse possível, pela alteração da CF/1988: CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 262 15 c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Concluindo, em síntese, o STF declarou inconstitucionalidade: 1. Do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; 2. Com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; e 3. Até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial Por fim, em votação unânime, o (STF) manteve essa jurisprudência e deu provimento ao (RE) 596177, para declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, determinando, também, a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto, no regime de repercussão geral. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Ponto importante a destacar, é que em decisão sobre embargos, no RE 596177, citado acima, o plenário do STF decidiu e informou que a constitucionalidade da Lei 10.256/200 não foi analisada, portanto, continua vigente. Nessa Lei, há alteração do Art. 25, da Lei.8212/1991, com a seguinte redação: "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 263 16 alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: Cabe, também, informar que decisão monocrática do STF, proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa, no julgamento do RE 585684, deu validade à exigência com base na Lei 10.256/2001, no seguintes termos: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, a da Constituição) interposto de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou constitucional a Contribuição Social destinada ao Custeio da Seguridade Social cobrada com base na produção rural e devida por empregadores que fossem pessoas físicas (art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992 “Funrural”). Em síntese, sustentase violação dos arts. 150, I e II, 154, I, 195, I e 198, § 8º da Constituição. No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. O pedido subsidiário para condenação à restituição do indébito tributário, com as especificidades pretendidas (compensação, correção monetária, juros etc) não pode ser conhecido neste momento processual, por falta de prequestionamento (pedido prejudicado devido à rejeição do pedido principal). Devolvamse os autos ao Tribunal de origem, para que possa examinar o pedido subsidiário relativo à restituição do indébito tributário, bem como eventual redistribuição dos ônus de sucumbência. Publiquese. Int.. Brasília, 10 de fevereiro de 2011. Ministro JOAQUIM BARBOSA (RE 585684, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado em DJe038 DIVULG 24/02/2011) Certo que a decisão foi agravada, com o Ministro Luís Roberto Barroso proferindo a seguinte decisão: O agravante sustenta que a Lei nº 10.256/2001 é “uma norma desfalcada de critérios básicos que possam legitimar a cobrança da contribuição rural”, motivo pelo qual o recolhimento do tributo em questão permanece ilegítimo. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 718.874 RG, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em exame. Confirase a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 264 17 I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida.” Na oportunidade, o Ministro Relator consignou que: “A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543B, do CPC." Conseqüentemente, não há decisão do STF que defina sobre a inconstitucionalidade da exigência após a Lei 10.256/2001. Destaquese, inclusive, que já há julgamentos no Poder Judiciário que afirmam a correção da exigência, “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) ... PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE EMPREGADORES. PESSOA FÍSICA. EC Nº 20/98. LEI Nº 10.256/01. CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557. POSSIBILIDADE. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 265 18 1. A regra do artigo 557 do Código de Processo Civil tem por objeto desobstruir as pautas dos tribunais para que sejam encaminhadas à sessão de julgamento somente as ações e os recursos que realmente reclamem a apreciação pelo órgão colegiado, primandose pelos princípios da economia e da celeridade processual. 2. A decisão agravada se amparou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, RE 363.852, não subsistindo os fundamentos aventados nas razões recursais. 3. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede de recurso extraordinário, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, porquanto a receita bruta não era prevista como base de cálculo da exação na antiga redação do art. 195 da CF. 4. Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o vocábulo receita à alínea b, do inc. I , do art. 195 da CF, foi editada a Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº8.212/91 e substituiu as contribuições devidas pelo empregador rural pessoa natural incidentes sobre a folha de salários e pelo segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, afastando, assim, tanto a bitributação, quanto a necessidade de lei complementar para a instituição da contribuição, que passou a ter fundamento constitucional. Precedentes. 5. Preliminar rejeitada e, no mérito, agravo legal não provido. (AMS 00094598220104036102 AMS APELAÇÃO CÍVEL 330998 Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL VESNA KOLMAR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012, v.u.). ... AGRAVO LEGAL ARTIGO 557, §1º, DO CPC CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA "FUNRURAL" RESTITUIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE ACORDO COM O STF DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO CONHECIDA COMO FUNRURAL (RE Nº 363.852, EM 03/02/2010), MAS RESTRITA AO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.256/2001 QUE SURGIU APÓS A EC N° 20/98 RECURSO IMPROVIDO. 1. Cuidase de ação ordinária ajuizada em 30 de agosto de 2010, na qual o autor busca a restituição dos valores pagos a título de "FUNRURAL" nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 266 19 vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, encontramse prescritos os créditos anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação. 3. No julgamento do RE nº 363.852 o Plenário do Supremo Tribunal Federal afirmou haver vício de constitucionalidade na instituição da referida contribuição ("FUNRURAL"), por entender que a comercialização da produção é realidade econômica diversa do faturamento e este não se confunde com receita, de modo que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Portanto, não era devida a exação conforme a fórmula legal apreciada pela Suprema Corte. Posicionamento foi confirmado no Recurso Extraordinário nº 596.177, julgado nos moldes do artigo 543B do Código de Processo Civil, em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal realizada em 1º de agosto de 2011. 4. Sucede que a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98 veio alterar a situação, uma vez que o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, com nova redação, passou a prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo para contribuições destinadas ao custeio da previdência social. Considerando que atualmente a contribuição previdenciária objeto da controvérsia encontrase prevista pela Lei nº 10.256/2001 (posterior à Emenda Constitucional nº 20/98) que deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, não há falarse em vício de constitucionalidade nas exigências desde então. 5. No caso concreto a discussão cingese apenas às contribuições previdenciárias devidas a partir de agosto de 2005, devendo ser mantida a improcedência do pedido. 6. Agravo legal a que se nega provimento. (AC 00086942920104036000 AC APELAÇÃO CÍVEL 1601907 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:18/06/2012) ... CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI N. 8.212/91, COM A REDAÇÃO DECORRENTE DA LEI N. 10.256/01. EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO OU COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CPC, ART. 543B). APLICABILIDADE. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 267 20 1. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/05, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, acrescentado pela Lei n. 11.418/06. Entendimento que já havia sido consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n. 1002932, Rel. Min. Luiz Fux, j. 25.11.09 ). No entanto, de forma distinta do Superior Tribunal de Justiça, concluiu a Corte Suprema que houve violação ao princípio da segurança jurídica a previsão de aplicação retroativa do prazo prescricional de 5 (cinco) anos, o qual deve ser observado após o transcurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, somente para as demandas propostas a partir de 9 de junho de 2005 (STF, RE n. 566621, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 04.08.11). 2. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.529/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, que incluiu "receita" ao lado de "faturamento", venha instituir a exação (STF, RE n. 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 03.02.10). No referido julgamento, não foi analisada a constitucionalidade da contribuição à luz da superveniência da Lei n. 10.256/01, que modificou o caput do art. 25 da Lei n. 8.212/91 para fazer constar que a contribuição do empregador rural pessoa física se dará em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da mesma lei. A esse respeito, precedentes deste Tribunal sugerem a exigibilidade da contribuição a partir da Lei n. 10.256/01, na medida em que editada posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/98 (TRF da 3ª Região, Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0140846, Rel. Des. Fed. Henrique Herkenhoff, j. 19.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0008920, Rel. Des. Fed. André Nekatschalow, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0162106, Rel. Juiz Fed. Conv. Hélio Nogueira, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0100010, Rel. Juiz Fed. Conv. Roberto Lemos, j. 03.08.10). 3. A parte autora pleiteia a restituição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/91, com redação da Lei n. 8.540/92 e alterações posteriores. A presente demanda foi proposta em 27.04.10 (fl. 2), logo, incide o prazo prescricional qüinqüenal, conforme o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, ocorreu a prescrição em relação aos recolhimentos efetuados antes de 27.04.05, devendo ser reformada a sentença na parte que condenou a União a restituir os recolhimentos efetivados no período de 27.04.00 a 08.10.01. 4. Quanto ao período não prescrito, a sentença recorrida encontrase em consonância com a jurisprudência dominante deste Tribunal no sentido da exigibilidade da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização rural dos empregadores rurais pessoas físicas após o advento da Lei n. 10.256/01. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 268 21 5. Reexame necessário e apelação da União providos e apelação da parte autora não provido. (AC 00041351420104036102 AC APELAÇÃO CÍVEL 1684876 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ NEKATSCHALOW Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador QUINTA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:12/01/2012, v.u.) ... MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA ADQUIRENTE DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. LEGITIMIDADE AD CAUSAM. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE COMERCIALIZAÇÃO RURAL. LEIS Nº 8.540/92 E Nº 9.528/97. PRECEDENTE DO STF. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO A PARTIR DA LEI 10.256/2001. INTELIGÊNCIA DA EC Nº 20/98. I Legitimidade da empresa adquirente de produtos agrícolas que não se configura se o pleito é de restituição ou compensação de tributo e que se concretiza se o pedido é de declaração de inexigibilidade da contribuição para o FUNRURAL. II Superveniência da Lei nº 10.256, de 09.07.2001, que alterando a Lei nº 8.212/91, deu nova redação ao art. 25, restando devida a contribuição ao FUNRURAL a partir da nova lei, arrimada na EC nº 20/98. III Hipótese dos autos em que a pretensão deduzida é de suspensão da exigibilidade da contribuição já sob a égide da Lei nº 10.256/2001. IV Empresa adquirente dos produtos agrícolas que é mera agente de retenção da contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos obtidos do produtor rural, não sendo sujeito passivo da obrigação tributária. Alegação de que a impetrante estaria "isenta" da contribuição social ao FUNRURAL das receitas decorrentes de exportações, nos termos do artigo 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal, que se afasta. V Recurso desprovido. (AMS 00036958520104036112 AMS APELAÇÃO CÍVEL 329082 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL PEIXOTO JUNIOR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:21/06/2012) A grande discussão é sobre a possibilidade de exigência da contribuição por subrogação, já que, em síntese, a decisão no RE 363.852 declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 269 22 IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Subrogação é a substituição de uma pessoa por outra, na relação jurídica. Subrogado, na legislação previdenciária, é a condição de que se revestem o adquirente, consumidor ou consignatário, e a cooperativa que, por determinação da legislação, tornamse diretamente responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Em nosso entender, com a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, após a EC 20/1998, passam a ser exigíveis, sem vício de constitucionalidade e sem decisão do STF que lhes abarque nesse sentido, as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Primeiramente, chegamos a essa conclusão por verificar que o Ministro Marco Aurélio, em seu voto, não analisa, em momento algum, se a transferência de responsabilidade, pela subrogação, é inconstitucional ou não. Não há decisão sem fundamento. Em segundo lugar, mas não menos importante, na decisão do ministro Marco Aurélio há a definição de que a inconstitucionalidade permanecerá até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. Ressaltamos, instituir a contribuição, que foi o que foi feito pela Lei 10.256/2001. Em terceiro lugar,a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição não está definida somente no IV, do Art. 30, da Lei 8.212/1991. O III, do Art. 30 também determina essa responsabilidade, e não foi mencionado na decisão. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 270 23 operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Só é obrigado a recolher àquele que tem a responsabilidade. Em quarto lugar, como já demonstramos, o próprio STF, que detém a competência de pronunciarse sobre a constitucionalidade de leis, já afirmou que não analisou a exigência da contribuição após a Lei 10.256/2001, como comprovam os voto do Ministro Ricardo Lewandovski, nos RE´s 596.177, em sede de embargos, e no 718.874, citados acima, o último confirmado pelo Ministro Luís Roberto Barroso. Portanto, definir como inconstitucional exigência que o próprio STF, de forma clara e reiterada, já se pronunciou pela indefinição da questão, seria extrapolar a competência do CARF. No presente caso, a decisão a quo definiu pela inexigência de contribuições posteriores a Lei 10.256/2001, decisão esta, que em nosso entender, deve ser reformada, conforme argumentos acima. Para terminar, de destaque é a decisão expressa no agravo de instrumento nº 003017649.2014.4.03.0000/MS, processo 2014.03.00.0301768/MS, Relator Desembargador Federal Cotrim Guimarães, TRF3, que brilhantemente analisou a questão: “Portanto, a jurisprudência dominante desta E. Corte Regional entende que, com a promulgação da EC nº 20/98 e a edição da Lei nº 10.256/01, não se pode mais alegar vício formal pela ausência de lei complementar, afastandose a necessidade de aplicação do disposto no parágrafo 4º do artigo 195 para a exação em exame. Pelas mesmas razões, não se pode mais pensar em bitributação ou ônus desproporcional em relação ao segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo certo que atualmente a única contribuição social devida pelo empregador rural pessoa física é aquela incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção. Também restou sedimentado que não há vício na utilização das alíquotas e da base de cálculo previstas nos incisos I e II do caput do artigo 25 da Lei8.212/91, com redação trazida pela Lei9.528/97, tratandose de questão de técnica legislativa, estando os respectivos incisos abrangidos pelo espírito legislativo que motivou a edição da Lei10.256/01. O mesmo raciocínio serve para se concluir pela plena vigência do regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei8.212/91. ... No tocante aos incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, o entendimento majoritário da turma é no sentido de que a decisão do Supremo Tribunal Federal ocorreu em sede de controle difuso de constitucionalidade e em relação à redação do caput do artigo 25 dada pela Lei nº 9.528/97. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 271 24 Com a superveniência da Lei nº 10.256/01, que entrou em vigor antes da declaração da inconstitucionalidade, não havia necessidade de alteração dos incisos, uma vez que aquele dispositivo legal alterou o caput do artigo 25 para adequálo à Emenda Constitucional nº 20. Ademais, em se tratando de controle difuso, o Senado Federal (artigo 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988) não será obrigado a suspender a execução dos incisos, sobretudo pela compatibilidade da nova redação do caput do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com o texto constitucional alterado pela EC nº 20, sendo desnecessária a edição de lei complementar. Acresçase, ainda ao fato que a constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida, conforme o decidido nos embargos de declaração a seguir: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: "Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador"(fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (STF Tribunal Pleno EDRE 596177/RS Rel. Min. Ricardo Lewandowski j. 17/10/2013 Publ. Dje 18/11/2013). Diante do exposto, nego seguimento ao agravo de instrumento, nos termos dos artigos 527, I e 557, "caput" do Código de Processo Civil e da fundamentação supra. Cabe destacar, aqui, decisões do CARF que vão ao encontro da manutenção da exigência: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 272 25 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a sub rogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. (Processo 10140.720892/201341, Acórdão: 2401 003.896, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2010 EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 273 26 financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.770/94, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. ... PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n.º 02. (Processo 10140.720589/201267, Acórdão: 2302003.289, Relatora Liége Lacroix Thomasi) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 274 27 e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELO RECOLHIMENTO. ART. 30, III, DA Lei nº 8.212/91. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, foi expressamente atribuída ao adquirente, ao consignatário, ou à cooperativa, pelo inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, o qual não foi alvejado tampouco atingido pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação, bem como a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 275 28 amparo jurídico, permitindo destarte a perfeita identificação dos tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. MPF. EMISSÃO ÚNICA PARA CADA SUJEITO PASSIVO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil somente terão início por força de Mandado de Procedimento Fiscal, expedido em face de Sujeito Passivo, no CNPJ do estabelecimento centralizador, abarcando todos os estabelecimentos da empresa. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. (Processo 15868.720169/2013, Acórdão: 2302 003.638, Relator Arlindo da Costa e Silva) ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/01/2012 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000228/200706 Acórdão n.º 2402004.831 S2C4T2 Fl. 276 29 Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. (Processo 10970.720130/201291, Acórdão: 2402 003.964 , Relator Júlio César Vieira Gomes) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por acompanhar o relator nas demais questões, exceto na questão da contribuição sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, em que nego provimento, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinad o digitalmente em 29/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 19515.720378/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS, RETROATIVIDADE.
Conforme determina o art. 106, do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que deduziu das contribuições lançadas os valores relativos ao salário família e ao salário maternidade, assim como os valores retidos em Notas Fiscais Faturas de Serviço. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário dos Autos de Infração de Obrigação Principal Debcads nº 37.283.246-6, 37.283.248-2, para que a multa seja aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91 em sua redação vigente à época dos fatos geradores, e em relação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Debcad nº 37.283.245-8, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Vencida na votação a Conselheira Graziela Parisotto que entendeu por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS, RETROATIVIDADE. Conforme determina o art. 106, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que deduziu das contribuições lançadas os valores relativos ao salário família e ao salário maternidade, assim como os valores retidos em Notas Fiscais Faturas de Serviço. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário dos Autos de Infração de Obrigação Principal Debcads nº 37.283.2466, 37.283.2482, para que a multa seja aplicada na forma do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91 em sua redação vigente à época dos fatos geradores, e em relação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Debcad nº 37.283.2458, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Vencida na votação a Conselheira Graziela Parisotto que entendeu por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 78 /2 01 1- 12 Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.890 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.891 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 37.283.2466, consolidado em 20/06/2011, em face de Appa Service LTDA., no valor de R$ 1.490.890,91 (hum milhão quatrocentos e noventa mil, oitocentos e noventa reais e noventa e um centavos), por ter deixado de cumprir o recolhimento das contribuições previdenciárias respectivas à cota patronal e para o Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT, no período de 01/2007 a 12/2007. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 37.283.2482, consolidado em 20/06/2011, em face de Appa Service LTDA., no valor de R$ 516.894,33 (quinhentos e dezesseis mil, oitocentos e noventa e quatro reais e trinta e três centavos) referente ao inadimplemento das contribuições previdenciárias respectivas a parte segurados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa, no período de 01/2007 a 12/2007. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 37.283.2474, consolidado em 20/06/2011, em face de Appa Service LTDA., no valor de R$ 378.642,68 (trezentos e setenta e oito mil, seiscentos e quarenta e dois mil e sessenta centavos) referente ao inadimplemento da contribuição previdenciária destinada a outras entidades e fundos – terceiros: FNDE, INCRA, SEBRAE, SENAC e SESC, no período de 01/2007 a 12/2007. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 37.283.2458, fundamento legal AI 68, consolidado em 20/06/2011, em face de Appa Service LTDA., no valor de R$ 335.185,40 (trezentos e trinta e cinco mil reais, cento e oitenta e cinco reais e quarenta centavos), por omitir fatos geradores nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2007 a 12/2007. De acordo com o relatório fiscal, em análise dos livros e documentos fiscais fornecidos pela Recorrente durante a fiscalização, assim como as GFIP´S apresentadas no período, verificouse o inadimplemento das obrigações tributárias principais e acessórias acima Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.892 4 descritas, ensejando, outrossim, a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, pela prática, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária. Apresentada impugnação pela empresa, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP entendeu por manter parcialmente o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Autos de Infração encontramse revestidos das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não configura “bis in idem” a lavratura de Autos de infração com base em condutas diversas do contribuinte. BOAFÉ DO SUJEITO PASSIVO. AFASTAMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.893 5 Não há como se afastar a obrigação tributária do sujeito passivo baseandose na alegação de boafé, pois no Direito Tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal é de ordem objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável. SALÁRIO FAMÍLIA E SALÁRIO MATERNIDADE. RETENÇÃO DE 11%. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. O salário família e o salário maternidade, assim como os valores retidos em Notas Fiscais Faturas de Serviço devem ser deduzidos das contribuições lançadas, na forma da lei. GFIP RETIFICADORA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A alteração nas informações prestadas em GFIP mediante a apresentação de GFIP retificadora não produz efeitos tributários quando tiver por objeto alterar os débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Representação Fiscal para Fins Penais deve ser formalizada sempre que o servidor constatar a ocorrência, em tese, de crime praticado contra a Seguridade Social. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: i) Que não houve omissão de fatos, apenas ocorrendo equívocos de sobreposição de arquivos no momento da geração das GFIP´S, e que, pelo fato de nunca ter se escusado de enviar as GFIP´S, não deve haver a aplicação das penalidades imputadas em nome do princípio da boafé e ausência de dolo; ii) Que o montante atribuído em razão das contribuições destinadas a outras entidades e fundo não corresponde aos valores declarados, inconsistência que enseja a nulidade do auto de infração em tela, requerendo, outrossim, a realização de diligência para comprovar essa alegação; iii) Que não a representação fiscal emitida não deve persistir, posto a ausência de informações em GFIP; Sem contrarrazões. Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.894 6 Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário e de ofício. É o relatório. Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.895 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Previdência Social não recolhidas em época própria referentes a cota patronal e para o Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT; a contribuições previdenciárias respectivas a cota dos empregados segurados e segurados individuais; e contribuição previdenciária destinada a outras entidades e fundos – terceiros. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito das questões acima expostas, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização, apenas alegando inconsistências no cálculo do montante devido em relação as contribuições devidas a terceiros. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.896 8 do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do nãoatendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do Pedido de Perícia Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72., é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, posto que as alegações do Recorrente, por se referirem a divergências de valores declarados, não merece guarida, diante da verificação de omissão de fatos geradores em GFIP. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Da Representação Fiscal para Fins Penais Quanto às alegações do contribuinte que é descabível a representação fiscal para fins penais, cabe trazer a lume o disposto no art. 83, caput, da Lei n° 9.430/96 e no art. 1°, incisos I e II do Decreto n° 2.730/98, in verbis: Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.897 9 Art. 83 da Lei 9.430/1996. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168 A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Art. 1º do Decreto 2.730/1998. O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese: I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. Vêse, portanto, que a legislação prevê que os auditores fiscais formalizem processo contendo representação fiscal para fins penais sempre que no curso da ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1° ou 2° da Lei n° 8.137/90 ou nos arts. 168A e 337A do DecretoLei n° 2.848/40 (Código Penal), in verbis: Art. 1°. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Art. 168A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional. Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.898 10 III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. A formalização da representação encerra a atividade da Receita Federal, sendo as conseqüências penais totalmente alheias à sua alçada, cabendo, tão somente, informar a ocorrência de fato que possa se enquadrar na figura típica do ilícito, o que é obrigação legal. Por este mesmo motivo, foge totalmente à alçada deste CARF a discussão sobre a configuração do crime, podendo o contribuinte oferecer suas razões de defesa perante o Ministério Público Federal, a quem competirá propor a ação penal, se entender cabível. Face ao exposto, não se deve tomar conhecimento, em sede recursal, das alegações de mérito acerca da inexistência da infração penal. Das penalidades Debcads 37.283.2466 e 37.283.2482 Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.899 11 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por este motivo, deve ser aplicado ao caso, o artigo 35, inciso II da Lei n.º 8.212/91, para as competências até 11/2008. Da aplicação de penalidade benéfica Debcad 37.283.2458 No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.900 12 Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.901 13 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Do recurso de ofício Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº19515.720378/201112 Acórdão n.º 2302003.669 S2C3T2 Fl. 2.902 14 Não merece reforma o Acórdão de piso quanto as compensações, ocorrência do crime de apropriação indébita previdenciária, recolhimento das contribuições pelos tomadores dos serviços prestados, saláriofamília, saláriomaternidade, devendose negar, in totum, provimento ao presente Recurso de Ofício. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço dos Recursos Voluntário e de Ofício , para, no mérito em relação ao Recurso Voluntário, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no tocante aos Debcads nº 37.283.2466, 37.283.2482, determinando a aplicação da multa do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91 em sua redação vigente à época dos fatos geradores, e em relação ao Debcad nº 37.283.2458 a aplicação da multa do 32A, também da Lei nº 8.212/1991, bem como negando provimento ao Recurso de ofício. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. Marcelo Oliveira Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720058/2010-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDITORA PESQUISA E INDÚSTRIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud não comprova”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 00 58 /2 01 0- 49 Fl. 28DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão no 340200.630, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar auto de infração eletrônico por erro de motivação, consistente na indicação de processo judicial inexistente, posteriormente, em impugnação, comprovado existente. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. A PGFN argumenta que não houve alteração na motivação do lançamento e, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. Em resumo, nas contrarazões, a empresa repisa seus argumentos do recurso Voluntário, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não Fl. 29DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.720058/201049 Acórdão n.º 9303003.363 CSRFT3 Fl. 714 3 do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 31DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.720058/201049 Acórdão n.º 9303003.363 CSRFT3 Fl. 715 5 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000858/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NORMAS GERAIS. CARF. COMPETÊNCIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
O litígio forma-se com a impugnação sobre as exigências contidas no lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NORMAS GERAIS. CARF. COMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O litígio forma-se com a impugnação sobre as exigências contidas no lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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CARF. COMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O litígio formase com a impugnação sobre as exigências contidas no lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 08 58 /2 01 0- 16 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou pelas conclusões o conselheiro Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10840.000858/201016 Acórdão n.º 2402005.099 S2C4T2 Fl. 93 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 078, que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006 CADERNETA DE POUPANÇA. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Os rendimentos auferidos em face de depósitos em caderneta de poupança são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, inclusive quando obtidos por meio de ação judicial, sendo indevida a retenção na fonte comprovadamente efetuada em nome do interessado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 15ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, em considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), fls. 006, o lançamento referese a restituição recebida indevidamente. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos e nos demais anexos que o configuram. Em 06/07/2009 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 021. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 025, em 01/06/2010, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: a declaração entregue em 20/04/2007 está errada e os valores declarados não correspondem à realidade; valores esses que somados originaram uma declaração retificadora entregue em 04/05/2010, que também apresentou erros nas informações dos valores; o valor do rendimento corresponde a Valores de Correção Monetária Plano Collor em Caderneta de Poupança, conforme Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Autos de Cobrança, Reg. Geral 2312/95 3ª Vara Civil de Ribeirão Preto, mediante isso apresento o que realmente é de fato devido: valor recebido conforme Autenticação BB00280258 em 01/02/2006 : R$ 421.733,15; valor IR na fonte retido no Banco do Brasil Aut. BB00280263 de 01/02/2006: R$ 111.511,26; requer seja autorizada outra retificação da declaração em questão e que deverá conter as seguintes informações para a correta Declaração: Rendimento Isento e não Tributado: R$ 421.733,15 Valor Retido: R$ 115.511,26 Valor já Restituído: R$ 33.243,71 Valor a Restituir: R$ 82.267,55 requer que seja cancelada a notificação e autorizada a retificação da declaração. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 044. A fiscalização respondeu aos questionamentos,anexando cópia da petição original do processo judicial – autos de cobrança – Reg. Geral 2312/95 da 3ª Vara Civil de Ribeirão Preto; cópia da sentença judicial e cópia dos cálculos de liquidação de sentença, demonstrando a retenção na fonte. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação, devido aos seguintes motivos: Assim, dos rendimentos das aplicações em caderneta de poupança foram retidos dos autores R$ 115.511,26 menos o IRRF incidente sobre os honorários de sucumbência devido ao patrono da ação, que é igual a R$ 11.095,08. Com isso, concluise que é passível de rateio entre os três autores da ação, a importância de R$ 104.416,18. Tal rateio é efetuado tendo em vista a não apresentação dos cálculos de liquidação de sentença, onde estaria identificada a participação de cada impetrante nos rendimentos recebidos. ... Dessa forma, comprovase que foi retido indevidamente do contribuinte o valor de R$ 34.805,39, sendo que o resultado do ajuste do ano calendário 2006, exercício 2007 a ser considerado é saldo de imposto a restituir no valor de R$ 34.805,39. Uma vez que o contribuinte já recebeu a restituição no valor original de R$ 33.243,71, resta devolverlhe a importância de R$ 1.561,68. ... Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10840.000858/201016 Acórdão n.º 2402005.099 S2C4T2 Fl. 94 5 Isto posto, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário exigido no presente processo e reconhecendo o direito à restituição complementar no ano calendário 2006, exercício 2007 no valor de R$ 1.561,68. Em 06/09/2013, a recorrente foi cientificada da decisão, conforme (AR). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 087, em 23/09/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A decisão concorda com a certeza do argumento sobre a correção na restituição em parte, pois define que o valor deve ser rateado entre os autores da ação; 2. O desconto de IRPF foi apenas no CPF do recorrente, devendo a restituição ser integral para o recorrente; 3. Solicita que a devolução seja única, por não ter como ratear entre os CPF´s, que não sofreram desconto algum e considerando que são esposa e filha do recorrente, casado em regime de comunhão de bens; 4. Pelo exposto, solicita que o valor seja devolvido apenas para o CPF descontado. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, esclarecemos que o presente litígio decorre de lançamento por suposto recebimento de restituição indevida. A decisão recorrida, transitada em julgado, pois não cabe recurso de ofício, já reconheceu que a restituição é devida, nos seguintes termos: De fato, a petição inicial referente a ação judicial 94.03042028 impetrada contra o Banco do Brasil requerendo a condenação da requerida ao pagamento da diferença existente entre a inflação divulgada pelo IBGE (84,32%) e o índice creditado à caderneta de poupança (4,94%) mais 0,5% ao mês, aplicável ao saldo existente em março de 1990, atualizandose tal valor de acordo com os índices aplicados às cadernetas de poupança até a data de seu efetivo pagamento (fls. 50 a 62). As fls. 63 a 68, consta a sentença judicial julgando procedente a ação para condenar o suplicado a pagar aos autores as diferenças de correção monetária tal como consta do pedido. Portanto, os rendimentos em discussão, ainda que obtida pela via judicial, são, de fato, decorrentes de depósitos em caderneta de poupança, cuja remuneração é isenta, na forma do art. 68, III, da Lei nº 8.981, de 1995, matriz legal do inciso VIII do art. 39 do RIR/1999: ... Por conseguinte, os rendimentos originariamente declarados como tributáveis são isentos e não tributáveis, estando correta a DAA retificadora que exclui tais rendimentos, devendo, todavia, ser concedida a dedução do IRRF indevidamente retido sobre tais rendimentos e não informados na DAA retificadora, conforme abaixo explicitado. Destarte, a questão de mérito, devida ou não devida a restituição, já foi definida, como devida, pela decisão recorrida. Acontece que a decisão recorrida definiu, também, o valor da restituição e sua forma de cálculo, que, até a decisão recorrida, não estavam em litígio, da seguinte forma: fl. 10, encontrase o Alvará de Levantamento, de 01/02/2006, no valor de R$ 421.733,15 e a fl.70, consta a guia de pagamento do IRRF, no valor de R$ 115.511,26 e a correspondente TED ao patrono da ação, no valor líquido de R$ 306.221,89. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10840.000858/201016 Acórdão n.º 2402005.099 S2C4T2 Fl. 95 7 Ocorre que a ação foi impetrada por três pessoas, a saber, Mário Cunha, sua esposa, Conceição das Dores Mazarão Cunha e Maria Andrea Cunha, sendo este valor rateado pelos três. A liquidação de sentença solicitada no despacho de diligência não foi apresentada, constando, entretanto, a declaração do patrono da ação, de fls. 72 a 74. Assim, não há elementos nos autos que comprovem a efetiva participação do interessado na retenção efetuada. Sendo três os impetrantes e beneficiários da ação, o darf recolhido em 01/02/2006, no valor de R$ 115.511,26 referente ao processo 2312/95 deve ser rateado entre os três autores da ação. Já em seu recurso, o recorrente, cientificado da nova questão em litígio, somente insurgese contra a divisão da restituição, definida na decisão recorrida. Esclarecemos, novamente, que essa questão não está em litígio e que pedidos de restituição e suas decisões possuem regramento próprio e distintos dos lançamentos tributários. Assim, nego provimento ao recurso voluntário, pois a questão em litígio já foi definida. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15956.720256/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA.
A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão.
DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE.
À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornou-se inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891.
CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS.
Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67.
CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL.
Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matérias-primas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75.
MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM, os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: I) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002 e art. 567, II, do RIPI/2010, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. II) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento ao recurso por aplicarem a decisão do mandado de segurança coletivo à recorrente. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955 e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
Antonio Carlos Atulim - Presidente e redator designado
Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matériasprimas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 56 /2 01 4- 29 Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: I) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002 e art. 567, II, do RIPI/2010, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que consideraram que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. II) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento ao recurso por aplicarem a decisão do mandado de segurança coletivo à recorrente. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955 e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Presidente e redator designado Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo está muito bem relatado em Relatório de fls. 1.238 a 1.243 dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, por meio do voto do relator Celso Toshio Sakamoto, que poderá ser lido em sessão se necessário. O voto condutor da decisão recorrida, resumidamente, já que o assunto já é bastante conhecido por essa Turma julgadora aqui no CARF dispõe em destaque: 1) Da admissibilidade da impugnação; 2) Direito ao crédito com base no DL nº 1.435/1975; 3) Direito ao crédito com base na coisa julgada, aqui referindose aos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 e que o mandamus NÃO FAZ MENSÃO AO DIREITO AO CRÉDITO ASSEGURADO PELO Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, parágrafo único, mas apenas genericamente ao princípio da nãocumulatividade de raiz constitucional; 4) Direito ao crédito com base no art. 69 do RIPI/2002 e jurisprudência do STF – não acatando por ausência de decisão firmada pela sistemática da repercussão geral e da inexistência de ato específico da RFB que alinhe à tese pela interessada não há como acatar os argumentos por ela expendidos; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 3 3 5) Idoneidade das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA –Nesse item do voto condutor da decisão recorrida, há a fundamentação de que não há distinção entre dolo e culpa, consoante consagrado no próprio CTN, art. 136; 6) Sucessão empresarial e exigência de penalidades e demais acréscimos – Esse item do voto condutor da decisão recorrida mereceu destaque em razão de que em 01/12/2013, a Recorrente incorporou a Companhia de Bebidas Ipiranga e, em 26/09/2014, data posterior à incorporação, foi lavrado o auto de infração contra a Recorrente por supostas infrações cometidas pela sucedida e com base nos artigos 129,132 e 142 do CTN, art. 227 da Lei 6.404 de 30 de novembro de 1994, decisão do STJ citado, relator do Recurso Especial nº 1017186/SC e entendimento da COSIT em Solução de Consulta Interna nº 25, de 30 de agosto de 2010, considerou improcedente todos os argumentos apresentados pela impugnante no tocante à impossibilidade de imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida; 7) Exigência de penalidade e jurisprudência administrativa – nesse item entendeu o autor do voto condutor da decisão recorrida, não ter eficácia erga omnes e não constituem legislação tributária à luz do CTN, arts. 96 e 100 bem como o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, para fundamentalmente entender carente de fundamento as alegações da Recorrente; 8) Juros de mora sobre multa de ofício – inicialmente destacou que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento fiscal e nesse sentido a matéria não faz parte do litigio, mas esclarece seu amparo legal à luz do artigo 113 e parágrafos, combinados com o artigo 139, ambos do CTN; 9) Diferenças apuradas nos saldos credores – detalhadamente foi analisado e esclarecido todas as diferenças apontadas pela Recorrente, na ocasião impugnante e o resultado apresentado foi desfavorável a mesma o que resultou na indicação do dever a Fiscalização de analisar e confirmar a situação, efetuando lançamento suplementar, se for o caso; 10) Conclusão – votou por considerar totalmente improcedente a impugnação. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1456.734 de fls. 1.236 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. GLOSAS. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 4 São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PENALIDADES. EXIGÊNCIA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidos pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição inicial. DECISÕES DO STF EM SEDE DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EFEITOS ERGA OMNES. NECESSIDADE DE OBSERVAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346, DE 1997. As decisões judiciais atinentes a casos concretos possuem apenas efeitos inter partes e não vincula os atos da Administração Tributária. Uma decisão emanada do Supremo Tribunal Federal somente alcançaria terceiros não participantes da lide se observadas as condições descritas pelo Decreto nº 2.346, de 1997. ACRÉSCIMOS LEGAIS. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. EXIGÊNCIA. Não há de se falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/64 c/c o art. 100, II e parágrafo único, do CTN, para a exclusão de penalidades e juros de mora, pela inexistência de lei que atribua eficácia normativa às decisões administrativas em processos nos quais um terceiro não seja parte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. É imprescindível que alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. ERROS DE FATO COMETIDOS NA APURAÇÃO QUE SERVIU DE BASE PARA A AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a inocorrência de erros cometidos pela autoridade fiscal, na forma alegada pela impugnante, mantémse a autuação como lavrada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, por sua vez veio aos autos e apresentou seu Recurso Voluntário, onde resumidamente, apresentou as seguintes razões: Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 4 5 1) Tempestividade; 2) Dos fatos – MPF 0810900.2014.00606 – glosas aos créditos de IPI de janeiro a dezembro de 2010 oriundos da Zona Franca de Manaus; 3) Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos e dos respectivos fundamentos autônomos e independentes; 3.1. Do benefício previsto no artigo 6º do DL nº 1.435/75 – A SUFRAMA analisou especificamente o processo produtivo da RECOFARMA e editou a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico do Projeto n° 224/2007SPR/CGPRI/COAPI, que concedeu expressa e literalmente o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 ao concentrado elaborado pela RECOFARMA, estabelecendo condições para sua fruição, consoante o artigo 176 do CTN e etc; 3.2. Da coisa julgada – A Recorrente tem direito aos créditos de IPI em questão em face da coisa julgada no MSC nº 91.00477834. A Recorrente integra a AFBCC. O MSC foi concedido, de forma ampla e irrestrita, nos termos do pedido inicial, conforme se verifica do pedido formulado pela AFBCC na apelação, da ementa do acórdão proferido pelo TRF da 2º Região e do dispositivo da decisão proferida pelo STF; 3.3. Do direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de matériaprima isenta oriunda de fornecedor situado na zona franca de Manaus. Vários julgados foram lembrados nessa fase do Recurso Voluntário; 3.4. Da aplicabilidade do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19.01.1999; 3.5. Da idoneidade das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA e da boafé da Recorrente; 4. Da aplicabilidade do art. 132 do CTN – Nesse item a Recorrente dispõe novamente suas razões no sentido de que apenas o tributo poderia ser exigido da Recorrente, já que ela é sucessora da Companhia de Bebidas Ipiranga, que foi a empresa responsável pelas supostas irregularidades cometidas no período objeto do Auto e que as decisões do TJ invocadas pela decisão recorrida não são aplicáveis ao presente caso, pois, tratam de hipótese diversa, em que a multa foi imposta antes do evento sucessório; 5. Da Impossibilidade de exigência de multa – artigo 76, II, a), da Lei nº 4.502/64 vem sendo reproduzido nos regulamentos de IPI editados após o CTN (atualmente no artigo 567, II, “a” do RIPI/10, o que confirma sua recepção pelo CTN e, pois, sua plena eficácia como hipótese legal e autônoma de exclusão de penalidade; 6. Da improcedência da exigência de juros sobre a multa de ofício exigida no auto – diferentemente da sustentação da decisão recorrida os artigos atualmente em vigor (art. 59 da Lei nº 8.383, de 30.12.1991, e art. 61 da Lei nº 9.430/96) que disciplinam a cobrança de acréscimos legais sobre débitos para com a União Federal, decorrentes de tributos e contribuições Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 6 administrados pela RFB, não recolhidos no vencimento, não preveem a possibilidade de cobrança dos juros na forma pretendida pela RFB; 7. Dos esclarecimentos sobre a apuração fiscal – novamente aponta diferenças no trabalho fiscal e a apuração da Recorrente referente alguns créditos, rebatendo todas as diferenças apontadas e clamando pela verdade material; 8. Do Pedido – pede e espera que seja cancelado o auto de infração em epigrafe e reformada a DECISÃO, com a consequente extinção do crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por atender todos os pressupostos legais. O presente processo é mais um entre tantos da própria Recorrente e de outros contribuintes, onde se discute o crédito de IPI de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, adquiridos com isenção do imposto proveniente da mesma fornecedora RECOFARMA, onde a SUFRAMA analisou especificamente o processo produtivo da RECOFARMA e editou a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico do Projeto n° 224/2007SPR/CGPRI/COAPI, que concedeu expressa e literalmente o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 ao concentrado elaborado pela RECOFARMA, estabelecendo condições para sua fruição, consoante o artigo 176 do CTN. Entre tantos processos da própria Recorrente acima citado, só essa relatora, relatou os seguintes processos 16.682.720.686/201471, 16.682.721.553/201331 e 16.682.720.691/201483 com apenas duas diferenças a superar, ou seja, os três processos citados julgamos Recurso de Ofício e esse processo o que se apresenta é um Recurso Voluntário somado a mais um detalhe que se refere a fatos ocorridos por uma empresa sucedida pela Recorrente. Esse último detalhe de diferenciação desse processo com os demais, vem assim destacado no voto condutor da decisão recorrida relatado acima da seguinte forma: “Sucessão empresarial e exigência de penalidades e demais acréscimos – Esse item do voto condutor da decisão recorrida mereceu destaque em razão de que em 01/12/2013, a Recorrente incorporou a Companhia de Bebidas Ipiranga e, em 26/09/2014, data posterior à incorporação, foi lavrado o auto de infração contra a Recorrente por supostas infrações cometidas pela sucedida e com base nos artigos 129,132 e 142 do CTN, art. 227 da Lei 6.404 de 30 de novembro de 1994, decisão do STJ citado, relator do Recurso Especial nº 1017186/SC e entendimento da COSIT em Solução de Consulta Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 5 7 Interna nº 25, de 30 de agosto de 2010, considerou improcedente todos os argumentos apresentados pela impugnante no tocante à impossibilidade de imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida;” Assim, considero superada essa questão, até porque, concordo com as razões do voto condutor da decisão recorrida, mas até por coerência, adotoas para aplicar a Recorrente sucessora todas as obrigações e consequentemente os seus direitos próprios e da empresa sucedida nesse processo. Também, a grande diferença entre esse processo e os outros três processos citados que se deu porque a Recorrente teve decisão favorável nas DRJs que obrigatoriamente gerou Recurso de Ofício, foi porque tomaram conhecimento de um MS próprio da Recorrente, ou seja o MS perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Mandado de Segurança nº 91.00287245, com o fim de assegurar o seu direito à manutenção de crédito ficto de IPI relativo a aquisições de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, utilizados na industrialização de refrigerantes tributados pelo IPI, havendo obtido, em 09/07/1991, liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário questionado, a qual foi confirmada por intermédio de sentença que julgou procedente o pedido. Em 17/05/1999, o Recurso de Ofício (nº 92.02.091518/RJ) não foi provido pelo TRF/2ª Região e, em 13/03/2000, houve o trânsito em julgado do Acórdão correspondente, assim ementado: “Vez que a Constituição de 1988 não faz restrições ao direito de aproveitamento de crédito do IPI de produtos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus, legislação infraconstitucional, não recepcionada pelos preceitos constitucionais vigentes, não poderá fazêlo. ” Portanto, como não posso desconhecer do que conheço, ou tomei conhecimento, principalmente no julgamento nessa turma no mês de março de 2016 no julgamento do processo nº 16.682.720.686/201471, onde fomos brindados com a excelente sustentação oral do patrono da Recorrente naquele processo o advogado Dr. Marcelo Fortes que nesse processo, supero todas as demais discussões, citando trechos do voto condutor da decisão recorrida no processo citado como fundamento a minha decisão nesse presente processo: “Do Mérito (...) Delimitado o objeto da controvérsia, temse que o sujeito passivo impetrou perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Mandado de Segurança nº 91.00287245, com o fim de assegurar o seu direito à manutenção de crédito ficto de IPI relativo a aquisições de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, utilizados na industrialização de refrigerantes tributados pelo IPI, havendo obtido, em 09/07/1991, liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário questionado, a qual foi confirmada por intermédio de sentença que julgou procedente o pedido. Em 17/05/1999, o Recurso de Ofício (nº 92.02.091518/RJ) não foi provido pelo TRF/2ª Região e, em 13/03/2000, houve o trânsito em julgado do Acórdão correspondente, assim ementado: Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 8 “Vez que a Constituição de 1988 não faz restrições ao direito de aproveitamento de crédito do IPI de produtos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus, legislação infraconstitucional, não recepcionada pelos preceitos constitucionais vigentes, não poderá fazêlo. ” A autoridade fiscal, com fundamento no Parecer Demac/RJO nº 1/2012, entendeu pela ilegitimidade de tais créditos escriturados pelo sujeito passivo, sob os fundamentos principais de que a relação jurídica que a Impetrante pleiteara e alcançara em juízo é de índole continuativa e tem limites impostos pela causa de pedir fundada no artigo 153, §3°, IV, da Constituição, motivo pelo qual os efeitos da interpretação dada pelo Tribunal ao dispositivo constitucional que fundamentara a pretensão deduzida na inicial não podem avançar ao tempo de vigência da EC nº 03/93, norma constitucional superveniente obstativa dos efeitos decorrentes do fundamento jurídico daquela pretensão. Isso porque, segundo a fiscalização, a cláusula rebus sic standibus traz consigo autorização para que se proceda, no futuro, à revisão do julgado, sempre que surgir fato apto a implicar efeitos distintos dos decorrentes da sentença determinante da norma individual e concreta a reger o caso julgado, conforme previsto no artigo 471, I, do Código de Processo Civil – CPC. Tenho, contudo, que não assiste razão à autoridade fiscal. Em primeiro plano, a intangibilidade da coisa julgada, como decorrência da exigência da segurança jurídica, é axioma do Estado Democrático de Direito do qual a Administração Pública não se pode afastar, encontrandose, antes, obrigada a observar e proteger. Assinalada esta necessária premissa, verificase que partindo do fato de se estar diante de uma relação jurídica de direito material continuativa, como efetivamente é a obrigação tributária sucessiva em análise, a autoridade fiscal concluiu que seria possível fazer incidir a cláusula rebus sic standibus para que fosse considerada superada a decisão passada em julgado, conforme autorização que derivaria do artigo 471, I, do CPC. Há, porém, sérias dificuldades na conclusão alcançada em conjunto pela unidade de origem. Nos termos do art. 471, I, do CPC1, nas relações jurídicas de trato continuado é a alteração no estado de fato ou de direito que autoriza a revisão da coisa julgada, em sendo o caso. Em outros dizeres, somente enquanto inalterados os suportes fáticos e jurídicos da relação jurídica material é que permanecerá imutável e eficaz a decisão transitada em julgado. Modificados quaisquer dos suportes em que prolatado o provimento judicial, a decisão deixa de produzir efeitos vinculantes. Por óbvio, não se trata na espécie, em verdade, de relativização da coisa julgada, mas simplesmente de reconhecerse que alterações “no estado de fato ou de direito” deram lugar a uma nova relação jurídica de direito material que não se encontra albergada nos limites objetivos da coisa julgada. Logo, as alterações fáticas e jurídicas que tenham ocorrido nas relações materiais continuativas projetarão, de forma necessária, efeitos futuros a tais modificações de estado, não podendo, por óbvio, retroagir para desconstituir atos jurídicos perfeitos praticados e que se exauriram sob o manto da coisa julgada. No caso concreto, a unidade de origem invoca a incidência da Emenda Constitucional nº 03/932, publicada no DOU de 18/03/1993 e que fez exigir lei específica para a concessão de crédito presumido, ao passo que o trânsito em julgado do MS 91.00287245 ocorreu em 13 de março de 2000. "Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 6 9 I Se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença;" "§ 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g." Desta feita, como a disposição constitucional em tela já integrava o ordenamento jurídico pátrio por ocasião do desfecho da lide decorrente da pretensão deduzida pelo sujeito passivo perante o órgão jurisdicional, não se apresenta cabível a tese de superveniência de novo direito a disciplinar a relação material, simplesmente porque, conforme já referido, o direito suscitado é contemporâneo da decisão passada em julgado (no caso, o acórdão proferido pelo TRF/2ª Região, em decorrência do efeito devolutivo pleno e do efeito substitutivo, ambos apropriadamente explicitados pelo impugnante). E em já existindo a disposição jurídica por ocasião da cognição levada a efeito pelo Órgão Judicial, impõese reconhecer, como direta derivação do princípio geral de que “iura novit curia”, e inclusive por força do art. 462 do CPC3, que a disposição constitucional foi presumidamente considerada como razão de decidir. Com efeito, passada em julgado a sentença que resolve o mérito da lide, presumemse deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão do oponente, à inteligência do art. 474 do CPC. Por outro lado, na hipótese de a Fazenda reputar que não fora levado em consideração o teor da Emenda Constitucional nº 03/93 (em que pese o respectivo acórdão haver assentado que a Constituição de 1988 não faz restrições ao direito de aproveitamento de crédito do IPI de produtos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus”), a ela empunhasse lançar mão dos múltiplos instrumentos existentes no farto sistema recursal brasileiro, inclusive mediante a propositura de ação rescisória. Em sentido contrário, até que sobrevenha alteração no estado de fato ou de direito da relação jurídica continuada, há que ser observada a norma concreta individual conferida ao sujeito passivo. Registrese, neste ponto, que a única linha argumentativa compatível com a tese arguida pela unidade de origem (em síntese, julgamento em desacordo com a Constituição!) seria a de “relativização da coisa julgada inconstitucional”, a qual permitiria, dentre os campos de sua incidência e possibilidades, a revisão dos efeitos pretéritos da decisão transitada em julgado e que se revele contrária a posterior jurisprudência do STF. Tratase, porém, de tema não veiculado no Termo de Verificação Fiscal que fundamenta a exigência de ofício e que, ademais disso, também se faz inaplicável à espécie, haja vista as razões abaixo explicitadas. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e publicado no DOU de 26/05/2011, abriga as seguintes conclusões: “(i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 10 (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede 3 "Art. 462. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento da lide, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a sentença. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) 4 "Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido." de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. ” Extraise do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, no que é de interesse ao caso concreto, que possuem força para impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos de definitividade e objetividade, os precedentes do STF posteriores a 03/05/2007 formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC5. Isto é, tais precedentes do STF representam alteração no suporte jurídico existente ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas, aptos a fazerem cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado. Nesse sentido, impõese reconhecer que a hipótese em análise, objeto do lançamento de ofício, diz respeito à apuração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 7 11 insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (e não decorrentes da aquisição de outros insumos isentos quaisquer). E esta específica matéria encontrase discutida no RE 592.891/SP, colhido como representativo da controvérsia e em sede do qual foi reconhecida a existência de repercussão geral, conforme decisão publicada no Dje nº 226, publicado em 25/11/2010, nos termos do Voto da Relatora, Sra. Ministra Ellen Gracie, como segue: 5 "Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006)" “No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, § 3º, II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Entende que a invocação da previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, § 1º, II, e § 2º, III, não justifica exceção ao regime da não cumulatividade, que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportados na entrada. A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à não cumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance. Relevante, anda, porque a questão extrapola os interesses subjetivos da causa. ” Em tese, virtual alteração de suporte da relação jurídica material em tela somente terá lugar, enquanto circunstância nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente ao contribuinte, com o advento de precedente objetivo e definitivo do STF, representado pela terminativa interpretação do art. 153, § 3º, II, e do art. 43, 1º, II, e § 2º, III, todos da Constituição Federal, quando vertidos sobre hipóteses tais quais as constantes dos autos. E, ainda nos termos do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, advindo alteração no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão judicial em questão, o Fisco retomará, somente então, o direito de cobrar o tributo em relação a fatos geradores ocorridos daí para frente. Desta feita, impõese reconhecer a improcedência do lançamento de ofício, fundado que é em oposição a direito do contribuinte escorado em provimento jurisdicional eficaz. (...)” Contudo, entendo que a Recorrente está amparada pelo MSC e pelo seu próprio MS. Isto Posto, Dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar à exigência fiscal. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 12 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. Atrevome a divergir da ilustre relatora originária. Conforme se pode verificar nas notas fiscais acostadas aos autos, a fornecedora das matériasprimas, Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., informou que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos por força dos arts. 69, incisos I e II e 82, inciso III, do RIPI/2002. O que significa que o fornecedor valeuse não só da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67; mas também da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, que prevê expressamente o direito ao crédito ficto. A defesa alegou que seu direito à isenção está amparado por decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação dos Fabricantes, enquanto que a Administração Tributária e a Procuradoria da Fazenda Nacional contestam essa afirmação. Entretanto, a Fazenda Nacional entende que a eficácia da decisão proferida naquela ação coletiva restringese aos associados localizados sob a jurisdição territorial do órgão judiciário perante o qual foi interposta. Nas fls. 137/155, verificase que o objeto da ação coletiva foi o reconhecimento do direito dos associados " (...) não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), (...)". Acontece que o mandado de segurança coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro. No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte, está localizado no Município de Ribeirão PretoSP, sob a jurisdição de autoridade administrativa distinta da arrolada no polo passivo do mandado de segurança coletivo. Portanto, a decisão judicial coletiva é inaplicável à recorrente, pois ela se encontra domiciliada na circunscrição fiscal da DRF Ribeirão Preto SP. A decisão proferida no mandado de segurança coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF Rio de janeiro, pois a autoridade coatora é o Delegado da Recita Federal do Rio de Janeiro. O entendimento deste relator quanto à inaplicabilidade da decisão coletiva aos associados com domicílio fora do Rio de Janeiro, parece coincidir com o entendimento do Ministro Gilmar Mendes ao decidir o Agravo interposto na Reclamação 7.7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão Preto SP, cuja decisão foi publicada no DJE nº 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet. (https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110629_124.pdf.). Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 8 13 No bojo da referida decisão plenária, o Ministro Gilmar Mendes escreveu o seguinte: "(...). No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão PretoSP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. (...)" No que concerne à aplicabilidade do art. 2A da Lei nº 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo em questão, destacase o seguinte excerto da referida decisão: "(...) Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997.(...)" A defesa tentou desqualificar a decisão proferida nessa Reclamação, sob o argumento de que teria sido negado seguimento à Reclamação, pois não havia decisão do STF a ser preservada e que as referências à eficácia territorial do mandado de segurança coletivo foram feitas em caráter obter dictum. A sorte da Reclamação nº 7.778 em nada influencia o voto deste relator, uma vez que este voto não está estendendo e nem aplicando a decisão proferida no âmbito da Reclamação nº 7.778 à recorrente. Este voto está escorado na premissa de que o mandado de segurança coletivo não pode ter e não tem eficácia em todo o território nacional porque foi impetrado em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro. Então é óbvio que os contribuintes que não estão localizados na circunscrição fiscal do Rio de Janeiro não podem ser beneficiados e nem prejudicados pela decisão proferida no MSC nº 91.00277834. A defesa argumentou com a suspensão dos efeitos do acórdão proferido no AI nº 2004.02.01.0132984, nos autos da Medida Cautelar nº 19.988, e com três Acórdãos do STJ que teriam garantido a alguns associados de fora do Rio de Janeiro a aplicabilidade da decisão coletiva, citando expressamente os RESP 1.117.887SP; 1.295.383; e 1.243.887 (repetitivo). Nenhuma dessas decisões do STJ citadas pela defesa possuem o condão de alterar o entendimento deste relator quanto à eficácia territorial do mandado de segurança coletivo, pois para mim é inadmissível que uma decisão proferida em mandado de segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro possa vincular o Delegado da Receita Federal de Jundiaí, que não integrou o polo passivo da ação. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 14 Sendo assim, para este relator pouco importa o destino do AI nº 2004.02.01.0132984 e da Medida Cautelar nº 19.988, pois essas ações não se referem a este contribuinte e o que lá vier a ser decidido não terá nenhuma repercussão neste processo. No que concerne ao RESP nº 1.243.887, embora tenha sido proferido na sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento não pode ser aplicado a este caso concreto, uma vez que o STJ decidiu pela inaplicabilidade do art. 2ºA da Lei nº 9.494/97 em uma situação específica na qual se pretendia alterar a coisa julgada no momento da execução individual de uma sentença proferida em ação civil pública, pois o dispositivo dessa sentença havia assegurado expressamente o direito aos expurgos inflacionários a todos os poupadores do Banestado residentes no Estado do Paraná. Essa situação nada tem a ver com a discussão nestes autos, pois além de aqui não estarmos tratando de uma ação civil pública e nem de relação de consumo, a decisão proferida no mandado de segurança coletivo não ampliou expressamente seu alcance aos associados domiciliados fora da circunscrição fiscal do Rio de Janeiro. Além disso, o mandado de segurança coletivo tem um âmbito de abrangência menor do que o da ação civil pública, pois é ajuizado em face de determinada autoridade coatora, que tem competência territorial restrita. Já no que concerne aos RESP 1.117.887SP e 1.295.383, verificase que não foram proferidos na sistemática dos recursos repetitivos e alcançam outros associados distintos da ora recorrente, não havendo vinculação deste colegiado ao que ali restou decidido. Também não se aplica à recorrente a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pois com no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF, ou mesmo o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, para estender aquela interpretação ao caso concreto. A decretação da repercussão geral retira o caráter de definitividade do RE 212.484 porque o tribunal pode modificar seu entendimento. Sendo inaplicáveis ao caso concreto as decisões judiciais proferidas no mandado de segurança coletivo e no RE 212.484, resta analisar se o contribuinte tem direito ao aproveitamento de créditos de IPI com base nas isenções concedidas ao seu fornecedor em Manaus, previstas no art. 9º do DecretoLei nº 288/67 e no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. A isenção ao IPI dos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, que foi instituída pelo art. 9º do DecretoLei nº 288/67, foi regulamentada pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito. Já no que concerne à isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, regulamentado pelo art. 82, III, do RIPI/2002, existe previsão legal expressa para o aproveitamento de crédito ficto no § 1º do art. 6º do Decreto e no art. 175 do RIPI/2002. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 9 15 Assim, o reconhecimento do direito de crédito pode ser feito na via administrativa, se o contribuinte comprovar o atendimento dos requisitos legais e regulamentares. Nesse passo, verificase que o óbice oposto pela Administração Tributária e sustentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, consiste na inexistência desse direito, em face de o concentrado não ter sido produzido com matérias primas de origem vegetal e de não ter sido cumprido o PPB. Em sua defesa o contribuinte alegou que os atos da Suframa concederam expressamente a isenção do art. 6º do DL nº 1.435/75 à Recofarma, o que assegura a isenção ao fabricante e o direito aos créditos fictos do imposto aos adquirentes. Analisando o conteúdo da Resolução CAS nº 298/2007 (fls. 392 e ss), verificase que em momento algum a Suframa concedeu a isenção à recorrente, não havendo que se falar em isenção concedida em caráter individual mediante despacho (art. 179 do CTN). O que a Resolução CAS nº 298/2007 fez foi aprovar o projeto industrial de atualização da Recofarma, com base no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007, para a produção de concentrado para bebidas não alcólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7º e 8º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75. Eis o excerto da fl. 392 no qual se pode conferir o conteúdo da Resolução CAS nº 298/2007: Portanto, o objeto dessa Resolução não foi o reconhecimento do direito subjetivo às isenções mencionadas. O CAS reconheceu apenas que a empresa cumpriu os requisitos que a habilitam a se instalar na região para usufruir daquelas isenções, mas isso de forma alguma significa que existe um despacho administrativo que reconheceu o direito subjetivo à isenção dos produtos. Isso porque nos artigos seguintes dessa mesma resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 6º do DL nº 1.435/75, in verbis: Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 16 O texto da Resolução CAS nº 298/2007 desautoriza a alegação da recorrente no sentido de que se trata de uma isenção individual concedida por despacho (art. 179 do CTN). A Suframa não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo CAS no momento da emissão da resolução. Por tal motivo, também é improcedente a alegação no sentido de que a discriminação dos insumos existente no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 significa o reconhecimento por parte da Suframa de que tais insumos atendem ao disposto no art. 6º do DL nº 1.435/75. O referido Parecer encontrase às fls. 395/404 e o exame de seu inteiro teor revela que só foi analisada a viabilidade técnica do empreendimento, tanto que o parecer foi assinado por um economista e por um engenheiro de produção. Eis a conclusão do referido parecer: Sendo assim, salta aos olhos que a Resolução do CAS não reconheceu o direito subjetivo à isenção prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, pois ninguém em sã consciência poderia reconhecer um direito condicionado a um comportamento futuro da empresa. O que a Suframa reconheceu foi que o empreendimento era viável e que estava apto a Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 10 17 usufruir do benefício estabelecido no art. 6º da DecretoLei nº 1.435/75, desde que cumprisse o PPB e que aplicasse matériaprima regional de origem vegetal nos concentrados. Reforça essa conclusão a redação do § 2º do art. 6º do DL nº 1.435/75, que estabelece claramente que a isenção só se aplica a produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Ou seja, a aprovação do projeto é um dos requisitos necessários para usufruir da isenção e não o reconhecimento do direito subjetivo à isenção. Nesse passo, é improcedente a alegação da defesa no sentido de que a Receita Federal estaria desconsiderando uma isenção concedida por ato da Suframa. A uma, pelos argumentos acima declinados. E, a duas, porque as competências da Suframa e da Secretaria da Receita Federal são inconfundíveis. Enquanto que à Suframa compete administrar a Zona Franca, analisar e aprovar analisar projetos de particulares que pretendam se instalar naquela região, a teor do art. 4º do seu Regimento Interno, conforme reconheceu a própria defesa; à Secretaria da Receita Federal compete a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. No âmbito do IPI a competência da Secretaria da Receita Federal encontrase prevista no art. 91 da Lei nº 4.502/64, combinado com o art. 2º da Lei nº 11.457/2007. No que concerne aos Acórdãos 9303002.293, 9303002.664 e 20403.030, invocados pela defesa para dar suporte à sua alegação de que a Receita Federal não poderia desconsiderar os atos da Suframa, verificase que tais julgados trataram de questão totalmente diversa da controvertida neste processo. Os três julgados versaram sobre a possibilidade de se terceirizar uma parte do processo produtivo, com base em Portarias Interministeriais. A fiscalização entendeu que as portarias não autorizavam a terceirização, mas o entendimento que prevaleceu foi no sentido de que havia autorização para a terceirização, desde que ela ocorresse dentro da ZFM. O que ocorreu neste caso foi uma reinterpretação das Portarias Interministeriais por parte da fiscalização e não a mera desconsideração de atos da Suframa, mesmo porque os atos da Suframa não possuem aptidão jurídica para o reconhecimento de direito subjetivo a nenhuma isenção. No caso concreto, a acusação é no sentido de que a Recofarma não cumpriu nem o PPB e nem o requisito de aplicar matériaprima regional de origem vegetal nos produtos. No que tange ao cumprimento do PPB, a defesa alegou que o fato do produto ser apresentado em partes separadas, sob a forma de "kits", não desnatura sua condição de produto acabado. Pois bem, o Processo Produtivo Básico foi estabelecido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08, de 25/02/2008 (DOU de 10/03/1998, Seção 1, pág. 40), cujo art. 1º, parágrafo único, estabelece com todas as letras que: "(...) 1º Estabelecer para os produtos Extratos Aromáticos Vegetais Naturais, Concentrados, Bases e Edulcorantes para Bebidas não Alcoólicas e Corante Caramelo, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos: I omissis... Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 18 II Concentrados, Bases e Edulcorantes para Bebidas não Alcoólicas a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e c) homogeneização, quando necessário. III omissis... Parágrafo único Todas as etapas dos Processos Produtivos Básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus.(...)" A fiscalização constatou que a mistura das matérias primas sólidas e líquidas não foi feita na Zona Franca porque os kits vendidos pela Recofarma eram constituídos de conjuntos de partes sólidas e líquidas, o que significa que o processamento final do concentrado, ou seja, a mistura entre matériasprimas sólidas e líquidas foi feita fora da Zona Franca. Portanto, não tem razão a recorrente, pois o PPB determina que todas as etapas dos processos produtivos básicos devem ser concluídas na ZFM. A Recofarma também não cumpriu a exigência contida no art. 6º do DL nº 1.435/75, pois não utilizou matériaprima de origem vegetal de produção regional nos seus produtos, mas sim matériasprimas e produtos intermediários processados ou industrializados por outras empresas localizadas na região, como o açúcar e o corante caramelo. A defesa argumentou que o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 não exige o emprego direto de matériaprima de origem vegetal. Não é isso que se deduz da leitura do art. 6º, caput, pois o legislador utilizou apenas a seguinte expressão: "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devem ser produzidos com matériasprimas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região. A lei não se referiu a produtos intermediários, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da defesa. Reforça essa interpretação a redação do § 1º do mesmo art. 6º, na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. No âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6º só mencionou "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos intermediários Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 11 19 fabricados na região, ainda que esses produtos intermediários tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. A defesa pleiteou o crédito com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99. O referido dispositivo legal não legitima o direito aos créditos fictos pleiteados, pois ele regula hipótese distinta da versada neste processo. No caso do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o que é desonerado do imposto é o produto fabricado e vendido pelo estabelecimento industrial e não os insumos nele ingressados. A recorrente alegou que agira de boafé pois tomara o crédito com base em notas fiscais idôneas, emitidas por seu fornecedor regularmente instalado na Zona Franca, tendo direito aos créditos fictos aproveitados. Tal alegação não merece guarida, pois as notas fiscais que deram suporte ao crédito consignaram dois dispositivos legais que contemplam isenções diferentes. Um deles não dá direito ao crédito ficto por inexistência de expressa disposição legal (art. 69, II, do RIPI/2002). E o outro dispositivo foi utilizado indevidamente, pois houve descumprimento do PPB e falta de aplicação de matériaprima vegetal de origem regional (art. 82, III, do RIPI/2002). Desse modo, as aludidas notas fiscais, embora legítimas e idôneas, não podem amparar o crédito ficto de IPI escriturado e reclamado pela recorrente, pois uma das isenções não dá direito ao crédito ficto e a outra foi desvirtuada pelo fornecedor em Manaus. Tratandose de créditos ilegítimos, eles devem ser glosados da escrita fiscal e com a retirada dos créditos do livro, os saldos da escrita que eram credores, passaram a ser devedores, decorrendo daí a falta de recolhimento do imposto. A falta de recolhimento do imposto é infração cometida pela ora recorrente e punível com a multa de ofício de 75% a teor dos dispositivos legais indicados no enquadramento legal do auto de infração. Tendo em vista que o art. 136 do CTN estabelece que a responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não há como se considerar o princípio da boafé nem para dispensar a exigência do tributo e nem para se dispensar a exigência da multa. Ainda com respeito ao princípio da boafé, é inaplicável ao caso concreto o entendimento vertido no RESP 1.148.444 e na Súmula 509 do STJ, pois tais precedentes se referem a tributo estadual e a crédito tomado com base em documentos fiscais inidôneos, situação totalmente distinta da sopesada neste processo. Por fim, a defesa pleiteia a exclusão da penalidade com base no 132 do CTN, pois a recorrente não poderia ser penalizada por suposta infração cometida pela sucedida. As decisões do STJ mencionadas na decisão de primeira instância não poderiam ser aplicadas ao caso concreto, pois naqueles casos as multas haviam sido impostas à sucedida antes do evento sucessório. A discussão acerca do cabimento da aplicação à sucessora da multa que seria devida pela sucedida perdeu objeto no caso concreto, em face da alegação do contribuinte, no sentido da inaplicabilidade da multa de ofício diante do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 20 Segundo alegado pela defesa, a multa é incabível por força do disposto no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64, uma vez que observara as decisões administrativas da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no passado reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos. Embora esse dispositivo legal realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase em desarmonia com o art. 100, II, do CTN, que passou a disciplinar de maneira diversa a questão relativa à dispensa ou redução de penalidades. O art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade, em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que essas decisões possuam eficácia normativa, o que não ocorre nos julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A defesa alegou que o art. 97, VI, do CTN autoriza a lei a estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades, o que legitimaria sua pretensão em aplicar o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Isso porque uma lei complementar tem a função de impedir que o legislador ordinário regule certas matérias ao seu belprazer. Admitir que o art. 97, VI, do CTN possa permitir que uma lei ordinária disponha de forma contrária ao que está estabelecido no art. 100, II, do CTN é transformar esse dispositivo em letra morta. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que o art. 100, II, do CTN subtraiu do legislador ordinário a possibilidade de dispor sobre dispensa ou redução de multas em desconformidade com o que nele está previsto. Por tais motivos é que nos mantemos firmes na convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN. Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está vigente e eficaz, conforme se pode conferir no art. 567, II, do RIPI 2012 e também no art. 486, II do RIPI 2002. Sendo assim, embora os regulamentos dos outros tributos não tenham contemplado a vigência do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, é fora de dúvida que tal disposição foi mantida por meio dos decretos que instituíram os regulamentos do IPI, devendo tais decretos serem observados de forma obrigatória pelo CARF, a teor do que dispõe o art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão irrecorrível da CSRF reconhecendo o direito de crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na época dos fatos geradores abrangidos por este processo (janeiro de 2009 a setembro de 2010). Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado quanto à exoneração da multa de ofício. No que concerne à exclusão da penalidade com base no art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64, por ter o contribuinte observado as decisões administrativas da Câmara Superior Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 12 21 de Recursos Fiscais que no passado reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos, atrevome a discordar dos meus pares conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Embora o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase em desarmonia com o art. 100, II, do CTN, que passou a disciplinar de maneira diversa a questão relativa à dispensa ou redução de penalidades. O art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade, em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que essas decisões possuam eficácia normativa, o que não ocorre com os julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A defesa alegou que o art. 97, VI, do CTN autoriza a lei a estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades, o que legitimaria sua pretensão em aplicar o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo CTN. Isso porque uma lei complementar tem a função de impedir que o legislador ordinário regule certas matérias ao seu belprazer. Admitir que o art. 97, VI, do CTN possa permitir que uma lei ordinária disponha de forma contrária ao que está estabelecido no art. 100, II, do CTN é transformar esse dispositivo em letra morta. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que o art. 100, II, do CTN subtraiu do legislador ordinário a possibilidade de dispor sobre dispensa ou redução de multas em desconformidade com o que nele está previsto. Por tais motivos é que nos mantemos firmes na convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN. Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está vigente e eficaz, conforme se pode conferir no art. 567, II, do RIPI 2010 e também no art. 486, II do RIPI 2002. Sendo assim, embora os regulamentos dos outros tributos não tenham contemplado a vigência do art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, é fora de dúvida que tal disposição foi mantida por meio dos decretos que instituíram os regulamentos do IPI, devendo tais decretos serem observados de forma obrigatória pelo CARF, a teor do que dispõe o art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. Afinal de contas, este colegiado aplicou a vinculação contida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 no julgamento dos Acórdãos 3402002.856 e 3402002.928, para fazer cumprir a letra dos arts. 169, II, b, e 388, ambos do RIPI/2002, a fim de condicionar o direito de crédito do IPI por devoluções e retornos à escrituração do livro modelo 3 ou do controle permanente de estoque. Igualmente, no Acórdão 3402002.929, este colegiado fez prevalecer o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, para manter a autuação da CIDE TECNOLOGIA sobre contratos que não envolviam transferência de tecnologia. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 22 Agora se trata de aplicar a mesma vinculação estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 para fazer valer a letra do art. 486, II, do RIPI/2002 e do art. 567, II, do RIPI/2010, ainda que pessoalmente este relator considere que seu suporte legal não foi recepcionado pelo CTN. Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão irrecorrível da CSRF reconhecendo o direito de crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos na época dos fatos geradores abrangidos por este processo. Em pesquisa na página de jurisprudência do CARF na internet constatei que no Acórdão CSRF/021.212, de 11/11/2002, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito ficto com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484 a um caso concreto semelhante ao ora analisado, ou seja, crédito ficto de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas produzidas na Zona Franca de Manaus (DL nº 288/67). Naqueles tempos, a CSRF, por maioria de votos, realmente estendia os efeitos do RE 212.484 a todos os contribuintes para reconhecer o direito de crédito sobre aquisição de qualquer insumo isento. Esse reconhecimento ocorria de forma ampla, tanto para insumos adquiridos da ZFM, quanto para qualquer outro insumo produzido em qualquer ponto do território nacional. No que concerne ao direito ao crédito ficto pela aquisição de insumos em geral, a partir de 2008 houve alteração no entendimento da CSRF, cessando a prolação de acórdãos que reconheciam esse direito com base na extensão administrativa dos efeitos do RE 212.484, conforme se pode comprovar pelo exame dos seguintes julgados: CSRF/0202.979, de 29/01/2008; CSRF/0203.029, de 05/05/2008; CSRF/0203.071, de 05/05/2008 e CSRF/02 03.585, de 25/11/2008; 930301.274 e 930300.854, ambos de 2010; 9303001.617, 9303 001.612, e 9303001.448, todos de 2011; e 9303002.188, de 2013. No que tange ao caso específico do crédito ficto sobre matériasprimas isentas originárias da Zona Franca de Manaus, a CSRF somente alterou seu entendimento no Acórdão nº 9303003.293, de 24 de março de 2015, que foi proferido especificamente em relação à isenção concedida para empresa localizada na Zona Franca. Desse modo, se entre novembro de 2002 e março de 2015 vigeu o entendimento estampado no Acórdão CSRF/0201.212, de 11/11/2002, no sentido de que os contribuintes poderiam tomar o crédito ficto de IPI com base na interpretação contida no RE 212.484, então deve ser aplicada a restrição à imposição de penalidades previstas nos arts. 567, II, do RIPI 2010 e art. 486, II do RIPI 2002, in verbis: "(...) Não serão aplicadas penalidades: I omissis... II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, II); (...)" Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402002.997 S3C4T2 Fl. 13 23 Considerando que no caso concreto o período abrangido pelo auto de infração está compreendido entre novembro de 2002 e fevereiro de 2015, a multa de ofício deve ser excluída, pois mesmo que se considere ineficaz o art. 76, II da Lei nº 4.502/64, este colegiado está vinculado ao disposto no art. 468, II, do RIPI/2002 e no art. 567, II, do RIPI 2010 por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Com esses fundamentos, divirjo da ilustre relatora originária para votar no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício com base no disposto no art. 468, II, do RIPI/2002 e no art. 567, II, do RIPI 2010 por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Antonio Carlos Atulim Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007815/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2007
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento.
RO Negado e RV Negado
Numero da decisão: 1401-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2007 MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento. RO Negado e RV Negado
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Multa isolada sobre estimativas. Recorrentes AES TIETE S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2007 MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento. RO Negado e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 78 15 /2 00 8- 11 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 395 2 Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por AES TIETE S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/São Paulo, referentes à multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, devidos em períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007, totalizaram o valor de R$ 5.220.148,95. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: No TERMO DE CONSTATAÇÃO (fls. 09 a 26) consta o seguinte relato, relativamente ao lançamento objeto do presente processo: ao analisar a regularidade dos dados inseridos nas Fichas 11, 12A, 16 e 17 das DIPJ dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007, constatou incorreções e inconsistências, que demonstra; Anocalendário de 2003 os saldos das antecipações a pagar, correspondentes aos meses de maio a setembro, apurados nas Linhas 12 das Fichas 16, da DIPJ/2004, no somatório de R$ 7.504.090,35, não foram informados, posto que tais débitos só foram incluídos nas DCTF do 4° trimestre/2003, ao informar o total de R$ 8.485.018,50, como sendo a estimativa da CSLL apurada no mês de outubro/2003; Anocalendário de 2004 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 396 3 a estimativa de CSLL correspondente a dezembro/2004, apurada na Linha 12 da Ficha 16, da DIPJ/2005, no valor de R$ 6.638.980,45, foi indicada na DCTF como sendo no importe de R$ 4.445.121,55, ou seja, R$ 2.193.858,90 a menor; a Ficha 17 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO deveria ser preenchida como segue: Ficha 17 da DIPJ/2005 CORRETO EMPRESA DIFERENÇA 39 – TOTAL DA CSLL 22.906.658,49 22.906.658,49 43 – CSLL MENSAL PG EST 20.712.799,58 (*) 26.649.963,00 (5.937.163,42) 46 – CSLL RETIDO NA FONTE 1.524,32 1.524,32 51 – CSLL A PAGAR 2.192.334,59 (3.744.828,83) 5.937.163,42 (*) Somatório das estimativas de CSLL efetivamente recolhidas/compensadas no período de janeiro a dezembro/2004, conforme DCTF (fl. 35). (...) Anocalendário de 2007 a estimativa da CSLL a pagar, correspondente a dezembro/2007, de R$ 42.690.247,18, foi informada na DCTF no valor de R$ 41.947.898,56, ou seja, R$ 742.348,62 a menor; tal diferença impacta no preenchimento da FICHA 17 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO, como se demonstra: Ficha 17 da DIPJ/2008 CORRETO EMPRESA DIFERENÇA 49 – TOTAL DA CSLL 73.212.548,32 73.212.548,32 43 – CSLL PG. P/ESTIMATIVA 72.470.199,69 (*) 73.212.548,32 (742.348,63) DIFERENÇA 742.348,63 742.348,63 (*) As antecipações declaradas nas Fichas 17 da DIPJ/2008 e nas DCTF referentes ao ano de 2007 totalizaram R$ 72.470.199,69. Infrações cometidas fiscalizada em razão da insuficiência de declaração de valores de CSLL por estimativa, na DCTF, a contribuinte fica sujeita ao lançamento de multa isolada, no percentual de 50% sobre a base de cálculo estimada; são cobradas as diferenças de CSLL a pagar, verificadas nos anoscalendário de 2004 e 2007; Em decorrência da ação fiscal, foi lavrado o auto de infração objeto do presente processo, exigindo a multa isolada, no valor de R$ 5.220.148,95, referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007 (fls. 54 a 58). O lançamento teve como enquadramento legal o art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996. Tendo tomado ciência do auto de infração em 10/12/2008, a contribuinte apresentou, por meio de seus procuradores (fls. 75 a 98), em 09/01/2009, a impugnação de fls. 61 a 72, instruída com a documentação de fls. 73 a 199 e 202 a 279, aduzindo em sua defesa, em síntese: a acusação veiculada no auto de infração exige multa isolada de 50% em razão de divergências entre os valores declarados nos meses de maio a setembro de Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 397 4 2003, dezembro de 2004 e dezembro de 2007, que supostamente acarretariam a falta no pagamento das estimativas mensais em tais períodos; a fiscalização indicou no auto de infração o art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, como suposto fundamento legal; tal norma jurídica jamais poderia embasar a exigência fiscal por ter sido expressamente revogada pela Lei n° 11.488, de 2007; o art. 102 do Decreto n° 70.235, de 1972, elenca como elemento essencial ao auto de infração a indicação da disposição legal infringida, e esse requisito essencial não foi cumprido; nem se diga que os fatos geradores eram anteriores à revogação do art. 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430, de 1996, porque a regra geral de irretroatividade das normas é excetuada nos casos em que é editada a lei mais benéfica, que deixe de definir determinado fato como infração ou que reduza a penalidade aplicável, sendo este o princípio geral informador do Sistema Tributário Nacional, conforme se observa no art. 106 do CTN; o Conselho de Contribuintes em diversas ocasiões privilegiou o princípio da retroatividade benéfica da norma para determinar o cancelamento da exigência quando norma superveniente deixasse de considerar determinada situação como infração; a existência de supostas divergências nas informações declaradas em DCTF ou mesmo nas informações constantes em DIPJ não está sujeita à multa de 50% ou sequer está tipificada como uma infração tributária; em respeito ao princípio da legalidade e da tipicidade cerrada, que deriva do imperativo disposto no art. 5°, XXXIX da Constituição Federal, a infração cometida deve estar tipificada no ordenamento jurídico para que seja possível a aplicação da penalidade; a ausência de tipificação do fato ilícito é causa de cancelamento da multa, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes; cumpre ainda destacar a impossibilidade de se exigir o pagamento da multa isolada pela falta de recolhimento dos valores de estimativas após o encerramento dos anoscalendário; consoante a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, é considerada uma infração sujeita à multa isolada de 50% a situação em que o contribuinte deixa de realizar o pagamento mensal, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para o anocalendário correspondente; a hipótese normativa não se aplica ao caso em comento dada a impossibilidade de se exigir multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa após o encerramento do anocalendário; findo o anocalendário a multa isolada perde o seu fundamento uma vez que o contribuinte não está sujeito ao pagamento do valor mensal, conforme base estimada,mas sim ao pagamento do tributo conforme a base anual, já consolidada; encerrado o anobase, eventuais insuficiências de recolhimento da CSLL são punidas mediante a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996 e não mais pela exigência da multa isolada; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 398 5 ainda, a multa isolada é inaplicável diante da inexistência de valor exigível a título de estimativa no período de apuração de maio a setembro de 2003, dezembro de 2004 e dezembro de 2007, por ter sido integralmente recolhido; para o anocalendário de 2003, deixou de indicar na DCTF o valor das estimativas mensais dos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro, mas foram incluídos na DCTF do mês de outubro, como constatou a Fiscalização, e o valor foi corretamente declarado em DIPJ e recolhido (doc. 03); os valores de CSLL dos meses de maio a setembro de 2003 foram devidamente recolhidos e compensados, como se percebe dos documentos anexos (doc. 04); para os meses de dezembro dos anoscalendário de 2004 e 2007, basta um simples exame dos valores informados em DIPJ e um confronto com os valores pagos para verificar que nenhum valor é devido pela impugnante a título de estimativa. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1622.340, de 5 de agosto de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2007 ESTIMATIVAS PAGAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DA MULTA ISOLADA. Tendo sido trazidos aos autos comprovantes de pagamentos das estimativas, dos anoscalendário de 2003 (parte) e 2004, efetuados antes do início da ação fiscal, excluemse tais valores da base de cálculo da multa isolada. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. A DCOMP apresentada após a vigência da MP n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Não homologadas as compensações, os débitos de estimativas mensais são cobrados com base na DCOMP, não sendo cabível o lançamento da multa isolada por falta de pagamento das estimativas. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. PAGAMENTO EFETUADO DURANTE A AÇÃO FISCAL. O pagamento da antecipação de CSLL mensal, referente a dezembro de 2007, após o inicio da ação fiscal, não exclui a multa isolada lançada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 399 6 Anocalendário: 2003, 2004, 2007 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ERRO. PREJUÍZO AO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO VÁLIDO E EFICAZ. O erro na capitulação legal não acarretou prejuízo ao sujeito passivo, que teve pleno conhecimento da infração imputada, exercendo o seu direito de defesa sem restrições. Embora mencionando parágrafo revogado do dispositivo legal, a autoridade fiscal aplicou corretamente a multa devida, em conformidade com a redação nova, respeitando a retroatividade benigna da legislação que comina penalidade menos severa. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repetiu os argumentos deduzidos na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Em seu recurso, a empresa autuada resume bem os valores da autuação que remanesceram depois das exonerações promovidas na instância a quo (fls. 364): 2003 Multa isolada 2004 Multa isolada 2007 Multa isolada VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO R$ 3.752.045,19 R$ 1.096.929,45 R$ 371.174,31 VALOR MANTIDO NA DRJ R$ 371.174,31 Portanto, a decisão recorrida exonerou a totalidade das multas aplicadas referentes aos anos de 2003 e 2004. Fez isso, porque constatou que as estimativas que serviram Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 400 7 de base às multas haviam, de fato, sido recolhidas e/ou declaradas. Nesse sentido, reproduzo os trechos do voto da autoridade julgadora que justificam essa constatação: A interessada aduz, ainda, que não houve falta de pagamento das estimativas, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007. No anocalendário de 2003, as estimativas apuradas na DIPJ, nos meses de maio a setembro não foram declaradas em DCTF, tendo sido somadas ao valor apurado em outubro e incluídas na DCTF do 4° trimestre de 2003. A impugnante alega que deixou de indicar na DCTF dos respectivos meses o valor das estimativas dos meses de maio a setembro, mas incluiu na DCTF do mês de outubro, e recolheu o valor devido, fazendo referência ao “doc. 04” como comprovação dos pagamentos. Às fls. 148 a 151 constam comprovantes de arrecadação referentes às antecipações mensais de CSLL, código 2484, dos períodos de apuração julho/2003, agosto/2003, setembro/2003 e outubro/2003, nos valores originais de R$ 910.433,77, R$ 910.452,46, R$ 1.663.330,00, e R$ 1.341.329,32, respectivamente, efetuados antes do início da ação fiscal, em 20/10/2006 (julho a setembro/2003) e 28/11/2003 (outubro/2003). A DIPJ considerada pela autoridade fiscal, de n° 0899464, foi entregue em 29/06/2004, tendo sido apurados valores de antecipações a pagar de CSLL nos meses de maio/2003 a outubro/2003 (fls. 27 a 30). Por sua vez, na DCTF n° 00001.002.005.5l943479, retificadora, analisada pela Fiscalização, constaram as seguintes informações (fls. 34 e 299 a 301): Período de apuração IRPJ código 24841 (valor em R$) Compensações Outubro/2003 8.485.018,50 DCOMP 3417095090281l03.l.3.030076 (valor do débito compensado: R$ 7.143.689,18) Novembro/2003 732.224,61 DCOMP 31928.44795.30l203.1.3.033230 A DCOMP 31928.44795.301203.1.3.033230 foi retificada, em 14/07/2004, alterando o valor do débito, de R$ 732.224,61 para R$ 0,01 (fl. 304), e nessa mesma data foram transmitidas novas DCOMP referentes a estimativas de CSLL dos meses de maio/2003, junho/2003, ju1ho/2003, agosto/2003 e setembro/2003 (fls. 302 a 307). Assim, todas as antecipações apuradas na DIPJ/2004 foram declaradas em DCOMP, compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, tendo tais compensações sido analisadas no processo administrativo n° 10880.915010/2008 01, cujo acórdão, proferido pela 4ª Turma desta Delegacia de Julgamento, em face da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada ao Despacho Decisório da Autoridade Administrativa, está acostado às fls. 282 a 298 (cópia extraída do Sistema Decisões). Desse acórdão extraise que: o Despacho Decisório não homologou as compensações declaradas nos sete PER/DCOMP apresentados, que referenciaram o crédito como decorrente de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 401 8 SNCSLLAC 2002 (saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002), tendo em vista que não houve apuração de crédito na DIPJ/2003; o primeiro PER/DCOMP entregue tendo como direito creditório o SNCSLLAC 2002 foi transmitido em 28/11/2003 (34170.95090.28l103.1.3.03 0076), cujo débito referese ao código 2484 (CSLL Estimativa Mensal), período de apuração 01/10/2003; a contribuinte informa que as estimativas referentes aos meses de junho, julho e agosto, de 2003 foram compensados com o SNCSLLAC 2002, mas não foi apurado saldo negativo no AC de 2002, conforme consulta ao sistema IRPJ/CONS, não havendo como deferir os PER/DCOMP de n°s 03105.71560.140704.1.3.03 9012, 40853.33629.140704.1.3.036061 e 10453.64824.140704.1.3.038586; a contribuinte afirma que compensou as estimativas de CSLL dos meses de maio e outubro, de 2003, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, mas a compensação de maio não está informada na DCTF e, em relação ao mês de outubro, a DCTF informa que o débito soma R$ 8.485.018,50, tendo sido recolhido R$ 1.341.329,32 e compensado o valor restante com 0 saldo negativo do ano calendário de 2002 que, como visto, não existiu; foi indeferida a manifestação de inconformidade, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos confessados nos PER/DCOMP de n°s 34l70.95090.281103.1.3.030076, 17459.15414.l40704.1.3.037283, 03105.71560.140704.1.3.039012, 4085333629.140704.1.3.036061, 10453.64824.140704.1.3.038586, 20804.23719.140704.1.3.036725 e 29196.64602.140704.1.7.031248. No presente processo foi exigida a multa isolada tomando de cálculo os valores das estimativas de CSLL dos meses de maio/2003 a setembro/2003, consideradas não pagas, demonstradas à fl. 23. Contudo, devem ser excluídas das bases de cálculo de tal multa os pagamentos efetuados pela interessada, em 20/10/2006 (fls. 148 a 150), confirmados às fls. 308 a 313, conforme segue: Ano de 2003 Estimativa de CSLL (DIPJ) Pagamentos Estimativas de CSLL não pagas Maio 148.203,19 0,00 148.203,19 Junho 2.330.270,93 0,00 2.330.270,93 Julho 2.451.833,77 910.433,77 1.541.400,00 Agosto 910.452,46 910.452,46 0,00 Setembro 1.663.330,00 1.663.330,00 0,00 Total 4.019.874,12 Ressalvese que os pagamentos ora considerados, que permanecem não alocados (fls. 311 e 312), devem ser alocados ou bloqueados pela Delegacia de origem. Após exclusão das estimativas pagas, remanesce a multa isolada no valor de R$ 2.009.937,06, correspondente a 50% de R$ 4.019.874,12. Quanto às compensações, o § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, introduzido pela Lei n° 10.637, de 2002, conversão da Medida Provisória n° 66, de 2002, dispõe que a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 402 9 As DCOMP foram transmitidas antes do início do procedimento fiscal, em 14/07/2004, constituindo confissão de dívida, nos termos do parágrafo 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003. Por sua vez, os débitos de estimativas mensais, cujas compensações não foram homologadas, são cobrados, com base nas DCOMP, conforme previsto na IN SRF n° 600, de 2005, art. 29, e na IN RFB n° 900, de 2008, art. 37. Da não homologação das compensações cabem a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo o rito do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972). Assim sendo, não configurada a falta de pagamento das estimativas a justificar o lançamento da multa isolada, no presente processo, deve ser exonerada, também, a multa isolada remanescente, no valor de RS 2.009.937,06. No anocalendário de 2004, a autoridade fiscal verificou que a estimativa de CSLL correspondente a dezembro/2004, apurada na Linha 12 da Ficha 16, da DIPJ/2005, no valor de R$ 6.638.980,45, foi indicada na DCTF como sendo no importe de R$ 4.445.121,55, ou seja, R$ 2.193.858,90 a menor. Pesquisas efetuadas nos sistemas internos da Receita Federal dão conta de que houve recolhimento, em 31/01/2005, referente ao período de apuração 31/12/2004, código 2484, no importe de R$ 8.188.429,06, tendo sido alocado ao débito declarado em DCTF, o valor de R$ 4.445.121,55, remanescendo um saldo de R$ 3.743.307,51 (fls. 314 e 315). Assim sendo, cancelase a multa lançada, no valor de R$ 1.096.929,45, e uma parte do saldo remanescente do recolhimento efetuado, no importe de R$ 2.193.858,90, deve ser alocado ou bloqueado pela Delegacia de origem. Assim, tendo sido confirmados o recolhimento e/ou declaração das estimativas, relativas aos anos de 2003 e 2004, que serviram de base para as multas aplicadas, correta a decisão recorrida que afastou essas últimas. Nesse sentido, é de se negar provimento ao recurso de ofício. Quanto à multa aplicada sobre a estimativa não paga no ano de 2007, apesar de a autoridade julgadora também ter constatado que houve o seu pagamento, não concordou com a sua exoneração porque este se deu em data posterior ao início do procedimento fiscal. Nada obstante, sobre essa matéria, sigo o entendimento que somente concorda com a aplicação da multa isolada se ficar constatado que houve parcela do tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 403 10 A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis1: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 404 11 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 405 12 tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 406 13 Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 407 14 do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 408 15 O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. No presente caso, a estimativa em questão (dezembro/2007, no valor de R$ 742.348,62) havia sido deduzida na apuração anual (vide o Termo de Constatação às fls. 21 e o Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 409 16 extrato da correspondente DIPJ às fls. 49). Assim, antes do início da ação fiscal, o tributo devido não havia sido recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste. Destarte, não é caso de se cobrar multa isolada. O que poderia ter sido feito era o lançamento do tributo acompanhado da multa proporcional (algo que, por sinal, no Termo de Constatação às fls. 21, a autoridade fiscal dá entender que iria fazer). Nada obstante, a própria autoridade julgadora (fls. 350) noticia que tal lançamento não foi efetuado e que, ainda assim, ele seria desnecessário em virtude do pagamento efetuado com os acréscimos moratórios após o inicio do procedimento fiscal. Em vista disso, inexiste parcela que deixou de ser paga na forma de antecipação, sendo paga no ajuste (caso negativo do item "ii" acima), capaz de justificar a aplicação da multa isolada. Há, portanto, que se afastar também a multa relativa ao ano de 2007. Vale a pena também ressaltar que o caso presente não se trata de aplicação da Súmula CARF nº 105 porque a multa isolada não foi aplicada de forma concomitante com multas de ofício por falta de pagamento dos tributos apurados no ajuste anual. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado No Acórdão nº 10323370, de 24/01/2008, assim externei minha posição sobre o tema relativo à multa isolada: Realmente, a posição dominante no Conselho de Contribuinte é a espelhada na decisão da Câmara Superior que se segue: Número do Recurso: 108128691 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 13502.000331/200120 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ Recorrente: CATA NORDESTE S.A. Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 12/04/2004 15:30:00 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 410 17 Relator(a): José Clóvis Alves Acórdão: CSRF/0104.930 Decisão: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Marcos Vinícius Neder de Lima, José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: IRPJ – MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO – A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subsequentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida. Segundo esse posicionamento, a multa isolada em razão do não recolhimento de antecipações deve se ater ao imposto apurado no ajuste anual. Se nenhum imposto ao final for apurado, nenhuma multa será devida, dentre outros motivos, por ausência de base de cálculo. Não se poderia punir o particular tomando se por base um tributo que não seria mais devido. Essa jurisprudência, no entanto, é fruto da enorme carência no cenário nacional de estudos acerca do regime jurídico das sanções administrativas e, mais especificamente, das sanções tributárias. Diante disso, é comum que se apliquem princípios atinentes ao regime jurídico tributário. Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 411 18 antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.007815/200811 Acórdão n.º 1401001.539 S1C4T1 Fl. 412 19 cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre no presente caso. Apesar de não ter havido infração quanto ao tributo devido em definitivo (análoga ao estelionato), caracterizouse a infração pelo não pagamento da antecipação (análoga ao falso), que deve ser sancionada. Devese, assim, ser mantida na integralidade a base de incidência do percentual sancionador. Conforme relatório, não houve lançamento, sobre um mesmo valor, de multa proporcional e isolada. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Quanto ao recurso de ofício, sigo o entendimento do ilustre relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 16682.721207/2011-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 07 /2 01 1- 91 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 9303003.480 CSRFT3 Fl. 227 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3301002.282, de 27/03/2014, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008 IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE. Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizamse como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. A ocorrência de uma operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO. Nos termos do § 10 e 11 do art. 7º do RIOF, há a incidência do IOF nos negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição do devedor, sendo que sua base de cálculo é o valor renegociado da dívida. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 9303003.480 CSRFT3 Fl. 228 3 IOF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento do IOF é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4º do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs o já referido recurso especial, suscitando divergência contra diversas matérias. Em despacho de fls. 1197/1202, foi dado seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte no que se refere a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 1206/1223, requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 9303003.480 CSRFT3 Fl. 229 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria aceita como divergente no recurso especial do contribuinte cinge se à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício não paga na data de seu vencimento. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. conforme o art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. De acordo com o 1art. 139 do CTN o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. 1 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 9303003.480 CSRFT3 Fl. 230 5 Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 2art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Diante de todo o exposto voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 2 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 9303003.480 CSRFT3 Fl. 231 6 Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 11040.720774/2011-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2009
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2009 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 74 /2 01 1- 61 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração referentes a contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, nas competências 01/2008, 07/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009 e 11/2009, bem como a contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, nas competências 02/2008, 04/2008, 05/2008 e 07/2008. Em sessão plenária de 15/08/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803001.748 (fls. 255 a 263), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2009 PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL. REPERCUSSÃO GERAL. No julgamento do RE 363.852/MG e 596.177/RS, em sede de repercussão geral, a Suprema Corte decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009. Inexistência de fato gerador. Recurso Voluntário Provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 30/08/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 202) e, em 02/10/2012, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 203 a 211 (Despacho de Encaminhamento de fls. 212), rejeitados conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos nº 2803052, de 18/03/2013(fls. 214/215). Encaminhado o processo à PGFN em 26/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 216), em 04/04/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 217 a 229 (Despacho de Encaminhamento de fls. 230), com fundamento no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 258 3 rediscutir a extensão, à Lei nº 10.256, de 2001, da inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 413/2013, de 30/07/2013 (fls. 231 a 234). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: em primeiro lugar, cabe apontar que o lançamento foi efetuado com lastro na Lei nº 10.256, de 09/07/2001 (DOU de 10/07/2001), conforme consta do Auto de Infração Item 214; feitas essas considerações iniciais, cumpre transcrever o acórdão da Suprema Corte que balizou o entendimento da decisão hostilizada: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO.Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações." (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; portanto, como a Lei nº 8.540/92, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212/91, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição"; o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 conferida pela Lei nº 8.540/92; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; nesse sentido, acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 259 5 adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada não foi declarada inconstitucional; o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; vejase que, no RE nº 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001, que fundamentou o lançamento; logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 nesse teor, vejase que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, já sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, já decidiu sobre os estreitos limites do controle de constitucionalidade efetivado na via incidental: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000, 31/03/2000 a 31/12/2000,28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98 PELA LEI Nº 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor à época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA Nº 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte." (acórdão nº 340100387, processo administrativo nº 10580.011972/200351). delineado esse contexto, no qual ainda não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei nº 10.256/2001, mesmo após o RE nº 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF da 4ª Região, não poderia o Colegiado valerse do disposto no art. 62, inciso I, do RICARF; registrese que não se olvida a existência de repercussão geral sobre o tema, Recurso Extraordinário nº 596.177; diante do julgamento realizado em 1º/08/2011, foi noticiada no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal a seguinte informação: "Segundafeira, 01 de agosto de 2011 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 260 7 Empregador rural pessoa física não precisa recolher contribuição sobre receita bruta Por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve jurisprudência firmada anteriormente e deu provimento, nesta segundafeira (1º), ao Recurso Extraordinário (RE) 596177 para declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que determina o recolhimento, para a Previdência Social, da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural (antigo Funrural) por empregador rural pessoa física, com alíquota de 2% sobre a receita bruta de sua produção. Na decisão, que seguiu o voto do relator, ministro Ricardo Lewandowski, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação a dispositivos da Lei 8.212/91. O Plenário determinou, também, a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto. Com isso, rejeitou pedido da União para que, caso desse provimento ao recurso, modulasse a decisão para que não se aplicasse a todos os casos. O caso O recurso foi interposto pelo produtor rural Adolfo Angelo Marzari Junior contra acórdão (decisão colegiada) do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que, ao negar provimento a apelação em mandado de segurança, entendeu ser constitucional essa contribuição sobre a receita bruta, nos termos do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, após alteração promovida pela Lei nº 8.540/92. Ele alegou ofensa aos artigos 195, parágrafo 4º, e 154, inciso I, da Constituição Federal. Em síntese, argumentou que tal recolhimento significaria desrespeito ao princípio constitucional da igualdade, pois, além de contribuir para a Previdência sobre a folha de seus empregados como as pessoas jurídicas , ainda teria que recolher a contribuição sobre a receita bruta de sua produção, exigência essa que não é feita a nenhum outro segmento. Além disso, como se trata de uma nova base de contribuição, o recorrente sustentou que essa somente poderia ser instituída por lei complementar, e não por lei ordinária, como é o caso da norma contestada e por diversas outras que a validaram posteriormente, até a Lei 10.256/2001. Repercussão geral O RE foi protocolado no STF em dezembro de 2008 e, em setembro de 2009, o Plenário Virtual da Suprema Corte reconheceu a existência de repercussão geral* na questão constitucional nele suscitada. Em junho de 2010, o relator, ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar, dando efeito Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 suspensivo ao recurso, até julgamento de seu mérito. Com isso, nesse período, o autor do RE já ficou dispensado do recolhimento do tributo. Na decisão de hoje, o Plenário se apoiou em sua decisão de 3 de fevereiro do ano passado, quando, no julgamento do Recurso Extraordinário 363852, relatado pelo ministro Marco Aurélio, declarou a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo. A ProcuradoriaGeral da República manifestouse pelo provimento do recurso." como se vê, nada a agasalhar o entendimento ventilado na decisão recorrida que estribou seu posicionamento no art. 62, inciso I, do RICARF e não utilizou o entendimento ventilado no acórdão proferido pelo STF no RE nº 363.852/MG como mero subsídio; assim, ainda que se valendo do disposto no art. 62A do RICARF, o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister; tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, de forma a restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose o lançamento em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento de sue recurso. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 04/03/2015 (fls. 239), a Contribuinte ofereceu, em 19/03/2015 (fls. 255), as Contrarrazões de fls. 243 a 249, contendo os seguintes argumentos, em síntese: não merecem acolhida as razões de Recurso Especial apresentadas pela Fazenda Nacional, eis que dissonantes do melhor direito, daquilo que verdadeiramente assentou o Supremo Tribunal Federal, e do entendimento mais moderno do próprio CARF; os valores lançados, a toda evidência, são correspondentes a tributos/obrigações declaradas como inconstitucionais, sendo, portanto, inexigíveis, o que torna absolutamente sem efeito os autos de infração lavados; cumpre apontar que essa questão já restou debatida junto ao Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do RE 363.852, o qual, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei n°. 8.540, de 1992, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.° 8.212/91; em momento posterior, durante sessão plenária realizada em 17/03/2011, o STF ratificou o seu posicionamento e manteve o entendimento sobre a inconstitucionalidade Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 261 9 dos dispositivos legais supramencionados, ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n°. 363.852; tais embargos, ao contrário do que pretende a recorrente, foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.° 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. todavia, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural; em suma, até hoje, padecem de inconstitucionalidade referidos dispositivos; ademais, quando do julgamento do RE 596.177/RS, foi declarada novamente a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, tendo em vista a exigência de dupla tributação caso o produtor rural seja empregador e também pela necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social; tal posicionamento foi confirmado em 17/10/2013 pelo Supremo Tribunal Federal ao analisar os embargos de declaração opostos pela União, fato omitido pela ora recorrente, de sorte que o mérito já foi amplamente debatido e esgotado; assim, como se não fosse suficiente o absurdo de exigir o recolhimento de tributo declarado inconstitucional pelo E. STF, é de rigor observar que a decisão assim declarou também o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, que dispunha o seguinte: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a"do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;" tendo isso em vista, por apreço ao princípio da economia processual, em prol da unicidade dos julgados e, especialmente, por medida de justiça, deve esse Douto Órgão Julgador, observando a inconstitucionalidade declarada com repercussão geral , manter a decisão a quo, evitando, desta forma, que a discussão necessite ir até o Poder Judiciário; frisese, também, que os argumentos ora expostos estão na linha do que vem entendendo hodiernamente o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a saber: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebêla, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°. 70.235/72). TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adguirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicála, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei n° 8.212/1991. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3° da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5° da mesma Lei. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte, sendolhe mais benéfica. (CARF. 1a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 2a Seção. 13116.001044/200786. Julgado em janeiro de 2012. Grifamos) no mesmo sentido encontramos julgados do CARF do ano de 2014, tais como o Acórdão nº 2803002.920 3a Turma Especial, julgado em 21/01/2014, todos, Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 262 11 portanto, muito mais recentes dos que os paradigmas apontados no recurso da Fazenda Nacional; destarte, como bem restou consignado no voto do acórdão recorrido, "(...) decretada a inconstitucionalidade pelo STF, inexiste fato gerador (...)" em tal caso, não havendo, portanto, de se cogitar a validade dos lançamentos fiscais. Ao final, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração em que são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da autuada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei nº 10.256, de 2001 (subrogação). Os valores são referentes ao período de 01/2008 a 11/2009, portanto exigidos já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido, do Recurso Especial e das Contrarrazões oferecidas tempestivamente, não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de estenderse à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720774/201161 Acórdão n.º 9202004.017 CSRFT2 Fl. 263 13 recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, colacionase a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose a exigência contida na autuação. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 14 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 19515.722657/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Numero da decisão: 3402-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão de primeira instância. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou pelas conclusões, em razão de entender que o art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99 autoriza o uso de decisões proferidas em outro processo. Presenciaram o julgamento o Dr. Ricardo Mariz de Oliveira, OAB/SP 15.759, advogado da recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão de primeira instância. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou pelas conclusões, em razão de entender que o art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99 autoriza o uso de decisões proferidas em outro processo. Presenciaram o julgamento o Dr. Ricardo Mariz de Oliveira, OAB/SP 15.759, advogado da recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão de primeira instância. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula votou pelas conclusões, em razão de entender que o art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99 autoriza o uso de decisões proferidas em outro processo. Presenciaram o julgamento o Dr. Ricardo Mariz de Oliveira, OAB/SP 15.759, advogado da recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 57 /2 01 3- 82 Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre operações entre empresas do mesmo grupo em 2009, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 19.040.827,96, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 18571868, a Fiscalização constatou que: "(...) Diante do que foi apresentado pelo sujeito passivo, foi observado que a movimentação financeira, embora incompatível com a receita declarada, estava integralmente escriturada e de forma detalhada, sendo possível identificar que a movimentação financeira teve como origem basicamente entradas de recursos originados de empréstimos obtidos em instituições financeiras (de diversos tipos como: empréstimos bancários, capital de giro, adiantamento para futuro aumento de capital, adiantamento de contrato de câmbio etc) e de empresa ligada (particularmente a ODEBRECHT S/A). As saídas de recursos, por sua vez, eram destinadas a pagamentos relacionados às atividades próprias da fiscalizada, mas as saídas mais significativas estão relacionadas a empresas ligadas. Para controlar esse fluxo de recursos que entravam no seu patrimônio e que posteriormente eram direcionados a empresas coligadas e controladas, foram adotados, na contabilidade, diversas formas de registro. Parte dos valores era escriturado como adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), parte como contacorrente (contas 1.2.2.3.02 e 1.2.2.3.03) e parte como notas de crédito (1.1.3.3.01 e 1.1.3.3.03). Ainda foi observado que a fiscalizada incorreu em despesas financeiras incompatíveis com o montante de sua renda, sendo o valor informado em DIPJ 2010 correspondente a quase/60% da receita bruta do período. Também foi constatado que as únicas receitas da fiscalizada no ano de 2009 estavam relacionadas a exportação para empresa MALDEN OVERSEAS, também pertencente ao grupo ODEBRECHT e situada nas Ilhas Virgens Britânicas (local com tributação favorecida). (...) DAS INFRAÇÕES A LEGISLAÇÃO FISCAL Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 112 3 1. Do IOF Incidente Sobre os Saldos Diários das Contas Correntes com Coligadas Conforme constou do relato acima, o sujeito passivo, durante o ano de 2009, escriturou repasse de recursos para suas coligadas feitos em razão de contratos de "contacorrente" em contas de Exigível a Longo Prazo (1.2.2.3.02 Outras Contas a Receber Créditos com Acionistas Conta Corrente com Controladas). Durante todo o ano de 2009, o saldo dessas contas jamais foi credor. Aliás, cumpre notar que o sujeito passivo mantém em sua escrituração contábil conta de mesma natureza registrada em seu Passivo Realizável a Longo Prazo, mas, nesse caso, a conta serve para registrar a "contacorrente" que mantém com sua controladora. Diferentemente da conta do Ativo Realizável a Longo Prazo que mantém com suas controladas, o saldo da conta com a controladora teve, durante o ano de 2009, sempre saldo credor. Essa forma de escrituração denota que, em princípio, as contas com as controladas são relativas a direitos e a conta com a controladora referese a obrigação. O exame mais detalhado das operações demonstrou que, de fato, a fiscalizada recebe recursos de sua controladora ou os obtém em instituições financeiras e os repassa para suas controladas ora através do chamado "contrato de conta corrente" ora por outras formas, como adiantamento para futuro aumento de capital ou como notas de crédito. Ao ser intimada sobre as tais "contascorrentes" mantidas com suas controladas, o sujeito passivo disse que se trata de forma de constituir "caixa único" para "permitir a eficiência da gestão financeira da ETH BIOPAR e suas controladas". Em verdade, não se trata de um contrato de contacorrente ou de caixa único como pretende o sujeito passivo, mas de forma de suprir as coligadas com os recursos necessários seja à implementação ou ampliação de suas atividades, seja para suas operações correntes. Tal se evidencia pelo simples exame dos registros contábeis. (...) Ainda se deve considerar que o contrato de ContaCorrente e Caixa Único que lastreia todas as operações aqui abordadas é único, ou seja, as coligadas da fiscalizada aderem ao contrato aceitando a gestão da conta pela controladora. Desse modo, de um lado temos a gestora do chamado "caixa único" e de outro as controladas, que deveriam disponibilizar recursos e também poderiam se beneficiar dos disponíveis na conta comum. Se esse contrato fosse considerado em sua totalidade, abstraindo que cada partícipe do contrato tem seu próprio patrimônio e sua própria personalidade, veríamos que a conta sintética 1.2.2.3.02 teve saldo devedor em cada um dos dias dos dias de 2009, o que evidencia que a controladora utiliza o "caixa único" como forma de financiar suas controladas. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Eis, portanto, o ponto fundamental: em verdade, a conta corrente não tem outra finalidade senão o de financiar as operações das empresas controladas. A situação é tão notória que, em 2012, a auditoria independente feita pela Pricewaterhouse Coopers fez a seguinte observação às fls. 40/41 do relatório relativo ao período encerrado em 31/03/2012 (Notas Explicativas) quando está tratando do Ativo Circulante Partes Relacionadas Usina Conquista do Pontal ("UCP") e do Ativo Não Circulante Partes Relacionadas ETH Bio Par/UCP (...) “0 chamado "caixa único", em verdade, não tem por finalidade facilitar relações comerciais entre as empresas, pois, de acordo com a escrituração contábil, os valores comercializados pela ETH Bio (atualmente Odebrecht Agroindustrial) são ínfimos se comparados ao volume dos recursos movimentados entre a empresas. Além disso, se houvesse de fato relação entre o "caixa único" e a comercialização de bens, evidentemente haveria lançamentos contábeis envolvendo a aquisição de produtos, "contas a pagar" e o "caixa único", mas não existe um só lançamento relacionado a aquisição de produtos que possua ligação com o "caixa único". A aquisição de produtos para comercialização pelo sujeito passivo, como regra, era debitada a conta de estoques em poder de terceiros e creditada a conta de fornecedores "Intercompany". Esta, por sua vez, era baixada contra a conta de "Banco Santader/Banespa", ou seja, as aquisições de produtos para revenda não era feita através do "caixa único", mas sim pago diretamente ao fornecedor. Esse aspecto demonstra claramente que a finalidade do "caixa único" não está relacionado à atividade comercial, mas sim ao financiamento das controladas pela controladora mediante a entrega de recursos em dinheiro feito através de transferências bancárias, e, tratandose de operação de crédito, existe a incidência do IOF sobre os saldos diários dos valores disponibilizados para as controladas.” (...) Diante do exposto, concluise que o sujeito passivo realizou operação de crédito na condição de mutuante ao disponibilizar recursos para suas controladas através de contacorrente ajustado entre as partes como "Contrato de Conta Corrente e Caixa Único" cujos saldos estão controlados na conta sintética 1.2.2.3.02 Conta Corrente com Controladas e suas sub contas (1.2.2.3.02.03 ETH Participações S/A; 1.2.2.3.02.04 Destilaria Alcídia S/A; 1.2.2.3.02.05 Pontal Agropecuária S/A; 1.2.2.3.02.06 UCP Usina Conquista do Pontal S/A; 1.2.2.3.02.07 – AgroEnergia Santa Luzia; 1.2.2.3.02.08 Rio Claro Agroindustrial S/A; 1.2.2.3.02.09 Usina Eldorado Ltda; 1.2.2.3.02.12 Malden Overseas Corp). De forma a apurar as bases de cálculo, esta fiscalização extraiu do SPED Contábil o razão com consolidação diária de lançamentos das contas analíticas acima citadas, restando Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 113 5 apurados os seguintes valores, cujo demonstrativo de apuração consta do Anexo 1 a este Termo. 2. Do IOF Incidente Sobre os Adiantamentos para Aumento de Capital Foi constatado que o sujeito passivo escriturou o repasse de recursos para suas coligadas em conta de ativo relacionada adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). A conta sintética 1.2.2.3.01 ADIANTAMENTO PI FUTURO AUMENTO DE CAPITAL possui duas subcontas: 1.2.2.3.01.06 – ETH PARTICIPAÇÕES S/A e 1.2.2.3.01.02 DESTILARIA ALCÍDIA S/A. Ambas as contas estavam com saldo igual a zero no final de 2009, porém, os movimentos dessas contas, conforme se demonstrará aqui, revelam que os recursos entregues para as controladas não tinham, em sua quase totalidade, finalidade de aumentar o capital nas investidas, mas se tratava, sim, de forma de EMPRÉSTIMO. (...) O sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos valores registrados nas tais "contascorrentes escriturais" e apresentou Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Crédito em que as empresas investidas reconhecem a existência de crédito da ETH PAR frente a elas e a ETH PAR reconhece a existência de CRÉDITO em favor da fiscalizada, desse modo, as investidas UCP, Santa Luzia e Rio Claro assumiam como dívidas os valores que foram entregues à ETH PARTICIPAÇÕES S/A. Como se pode constatar, existe certeza de que o montante de R$ 151.388.358,36 não é relativo a AFAC na ETH Participações, pois foram assumidos como dívida por terceiros. Também é possível enxergar a operação como uma devolução dos recursos entregues para futuro aumento de capital na ETH Participações, pois o contrato apresentado deixa claro uma "transferência de crédito" entre ETH BIO (fiscalizada) e a ETH PAR e os valores créditos transferidos serviram exatamente para reduzir o saldo da conta de AFAC, ou seja, na prática, é como se os recursos entregues para aumento de capital tivesse sido devolvidos. Mas os AFAC tiveram outro estorno importante que foi realizado em 31/05/2009 sob o histórico "VALOR DEVOLUÇÃO DE PARTE DO AFAC CF CONTRATO DE ASSUNÇÃO DE DIVIDA". Esse lançamento feito a crédito na conta 1.2.2.3.01.06, embora tenha como contrapartida a conta de VALORES A RECLASSIFICAR, é facilmente identificável, pois em 20/05/2009 o mesmo valor foi retirado da conta de passivo circulante 2.1.1.01.03 CAPITAL DE GIRO MOEDA NACIONAL e lançado a crédito na conta VALORES A RECLASSICAR; em outras palavras, embora separado por alguns dias, o sujeito passivo deu baixa em obrigações relacionadas a seu capital de giro, liquidandosuas obrigações com direitos registrados na conta AFAC. Desse modo, o valor de Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 R$ 53.775.614,02 deve ser igualmente desconsiderado como adiantamento para futuro aumento de capital. Em vista do exposto, esta fiscalização calculou o IOF devido sobre operação de crédito levando em consideração o seguinte critério: 1. o valor que efetivamente transformouse aumento de capital de R$ 59.065.998,94 conforme registros contáveis feitos na conta 1.2.2.3.01.06; 2. foi identificada a data em que esse montante estava disponível da citada conta contábil em 24/03/2009 o saldo da conta passou a ser de R$ 68.118.337,32; 3. A partir de 24/03/2009 foram calculados os saldos da conta 1.2.2.3.01.06 excluindose o valor de R$ 59.065.998,94 e calculado o valor do IOF devido até 30/06/2009, quando o saldo da conta foi reduzido a zero. (...) 3. Do IOF sobre Novação de Dívida Relativa a Adiantamentos para Aumento de Capital Conforme relatado no item anterior, parte dos valores escriturados na conta adiantamento para futuro aumento de capital na empresa ETH Participações S/A (conta 1.2.2.3.01.06) foram, em 30/06/2009, transferidos em parte para conta de investimento 1.3.1.1.01.01 (R$ 59.065.998,94) e o restante foi transferido para as chamadas "contascorrentes escriturais": 1.2.2.3.03.06 UCP USINA CONQUISTA DO PONTAL S/A, 1.2.2.3.03.07 AGRO ENERGIA SANTA LUZIA LTDA e 1.2.2.3.03.08 RIO CLARO AGROINDUSTRIAL S/A. Essas contas receberam lançamentos de R$ 36.174.712,36; R$ 45.945.080,95 e R$ 69.565,05, respectivamente e mantiveram o mesmo saldo até o final do período fiscalizado. Desse modo, o valor que teria sido entregue pela fiscalizada à época denominada ETH Bio Participações S/A para sua controlada ETH Participações S/A mediante transferências bancárias acabaram sendo reconhecidos como obrigações de outras empresas do grupo, no caso, das controladas da devedora, ou seja, houve uma novação da dívida do tipo subjetiva passiva, uma vez que a devedora original, que recebeu os recursos em dinheiro de sua controladora, foi substituída pelas empresas UCP Usina Conquista do Pontal S/A, Agro Energia Santa Luzia Ltda. e Rio Claro Agroindustrial S/A. Cumpre notar que a fiscalizada, ao responder o Termo de Intimação 002, disse que "transferência de numerário" são relativos a movimento de conta corrente entre a ETH BIO PARTICIPAÇÕES (fiscalizada) e suas controladas e reconhece que os valores deveriam ter sido escriturados em conta específica de "contacorrente". Assim, resta caracterizada a hipótese prevista no artigo 360, inciso II, da Lei n° 10.406/2002, que assim dispõe: Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 114 7 Art. 360. Dáse a novação: II quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; Segundo dispões o artigo 3° parágrafo 1° inciso V I, do Decreto n° 6.306/2007, ocorre o fato gerador do IOF na data da novação da dívida, não incidindo o adicional de 0,38% conforme previsto no artigo 7° parágrafos 7° 15 e 17, uma vez que não restou caracterizada a entrega de novos recursos. Em razão do que foi dito, a base de cálculo do IOF sujeito a alíquota de 0,0041% ao dia, conforme previsto no artigo 7° inciso I, alínea "b", número 1, do Decreto n° 6.306/2007 é de R$ 151.388.358,36 durante o período de 30/06/2009 a 31/12/2009. Para fins de determinação da matéria tributável constante do Auto de Infração, a expressão monetária citada acima foi multiplicada pelo número de dias do mês e somada às demais bases de cálculo para apuração do imposto no final do mês, conforme previsto no artigo 10, inciso I, e parágrafo único, do Decreto n° 6.306/2007. Abaixo segue a parcela correspondente a essa infração que foi adicionado ao total. (...)" II) DA IMPUGNAÇÃO A Contribuinte, foi cientificada via postal em 19/11/2013, vide AR de fls. 1947, e apresentou impugnação de fls. 19502015, contestando integralmente a exigência, articulada nos seguintes fundamentos: (i) o auto de infração é nulo, por falta de aprofundamento das investigações fiscais, desconsideração de cláusulas contratuais sem adequada justificativa e formalização de exigência fiscal imotivada; (ii) o art. 13 da Lei n. 9779 alcança apenas o contrato de mútuo de recursos financeiros, que não se confunde com o negócio celebrado pela Impugnante junto às empresas de seu grupo econômico, no qual foi pactuada a gestão única de caixa em conjunto com contrato de contacorrente, e no qual as partes devem apenas registrar débitos e créditos recíprocos, sem a formalização de relação jurídica de crédito. Ao final conclui e requer: Por todo o exposto, a Impugnante requer seja a presente impugnação acolhida, para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal de IOF consubstanciada no auto de infração ora questionado, com base nos fundamentos acima aduzidos. Subsidiariamente, na remota hipótese de se entender pela manutenção do lançamento, a Impugnante requer seja afastada a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa neste sentido. Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Sobreveio então o Acórdão 1457.619, da 5ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte. Tal julgamento consistiu na adoção literal dos fundamentos de decidir do Processo n. 16682.720464/201377, que, segundo o relator da DRJ, “enfrentou as mesmas alegações trazidas na impugnação do presente, não merece reparos”. Para tanto, fundamentouse em decisões do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) sobre a não obrigatoriedade da autoridade julgadora manifestarse sobre todas as alegações da defesa, bem como no artigo 50 da Lei n. 9.784/99. A ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 CONTACORRENTE ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. Incide o IOF sobre operações de crédito rotativo entre empresas, caracterizadas por contínuas disponibilizações de valores e amortizações. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Consoante art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incide juros à taxa Selic sobre as multas de ofício. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 2144/2213, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Contudo, traz ainda argumento sobre a nulidade do acórdão recorrido em razão do não enfrentamento dos fundamentos da impugnação, uma vez que a DRJ simplesmente colacionou ipsis literis os fundamentos de decidir do Processo n. 16682.720464/201377, bem como deixou de analisar tópico específico da defesa. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 24/07/2015, conforme AR de fls. 2142 e apresentou em 24/08/2015 o recurso voluntário de fls. 2144/2213, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, portanto dele tomo conhecimento. Antes de adentrar no mérito do caso, a Recorrente aponta nulidade do Acórdão da DRJ por não ter enfrentado os argumentos trazidos na Impugnação. Peço licença para destacar as palavras da Recorrente nesse sentido: Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 115 9 Com razão a Recorrente. O acórdão da DRJ padece dos alegados vícios. Foram dois os erros do julgamento a quo. O primeiro deles consistiu em simplesmente colacionar o julgamento proferido em outro processo, de n. 16682.720464/201377, para a fundamentar a decisão, sem que em nenhuma linha fossem expostas as razões que tornam ambos os processos similares, a ponto do julgador não precisar em nada ajustar as razões da sua decisão. Tratase da mesma empresa autuada? Vejo que não. Naquele caso a Recorrente era a Construtora Norberto Odebrecht S/A, enquanto nesse processo consta a Odebrecht Agroindustrial Participações S/A. O período de apuração é o mesmo? Não. Naquele processo cuidavase do ano calendário de 2008, enquanto esse processo versa sobre o ano de 2009. As empresas relacionadas são as mesmas? As demais provas (contratos, escrituração, etc) são os mesmos? Não há como saber sem o acesso aos autos do Processo n. 16682.720464/201377. Disto já se percebe quão temerário é o julgamento recorrido. É certo que o artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99 autoriza ao julgador na motivação, que deve ser explícita, clara e congruente, a fazer declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Porém, ao meu sentir, este dispositivo não está tratando da utilização da jurisprudência e dos precedentes, de modo geral, para a motivação das decisões em processos administrativos. Na realidade, tal dispositivo diz respeito tão somente à possibilidade do julgador se valer de " pareceres, informações, decisões ou propostas" anteriormente proferidos no bojo do mesmo processo que está julgando, como expressamente estabelece o dispositivo legal. Ou seja, o julgador pode concordar com anteriores manifestações ocorridas naquele Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 determinado processo sub judice, afinal, estáse diante das exatas provas, fatos e fundamentos jurídicos discutidos. No presente caso, todavia, a DRJ utilizou fundamentos de outro processo, sem em nenhuma passagem de sua decisão justificar a similitude dos casos. Isto já seria o suficiente para a decretação de nulidade do acórdão a quo, com fulcro no artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Cumpre ainda ressaltar que é certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp n. 874793/CE e REsp 876271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. Por essas razões, a DRJ não poderia ter deixado de analisar a argumentação da Contribuinte relativamente ao item 2 do auto de infração, especificamente destacada no tópico 2.3. de sua Impugnação. Este foi seu segundo erro. Vejamos. A Autoridade Fiscal entendeu que os lançamentos contábeis da Recorrente sob o título de AFAC, posteriormente transferidos a conta de contacorrente escritural, na realidade, eram empréstimos, como consta no seu item 2 (fls. 1939 e 1940), in verbis: No Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) a imputação da infração encontra se pormenorizadamente descrita. Destaco abaixo os principais trechos do TVF sobre o item 2 do Auto de infração (fls 1866 e 1867): (...) Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 116 11 (...) Na Impugnação (fls 2005) consta o tópico 2.3., exclusivamente dedicado à questão do IOF incidente sobre AFAC e a novação dessas dívidas. Ali a Recorrente explica largamente o quanto sucedido, chegando a conclusão de que não houve a devolução de recursos apontada pela Fiscalização, os quais levaram a crer que as operações consistiram em empréstimos. Houve, isto sim, cessão de crédito entre empresas do grupo, fato que não está no âmbito de incidência do IOF. A Recorrente aponta que as transferências relativas à 1.2.2.3.04 – CONTA CORRENTE – ESCRITURAL, têm origem no “instrumento particular de cessão de transferência de crédito˜, levado aos autos como doc. 5. Por este contrato, as partes acordaram “cessão de crédito”, em que a ETH Participações cedeu seu crédito (frente às usinas Conquista do Pontal S.A., Rio Claro Agroindustrial S.A. e Agro Energia Santa Luzia Ltda) à Recorrente, de modo a, por este mesmo ato, proceder a liquidação da “dívida” que aquela detinha com esta. Contudo, a Recorrente afirma que não se trata propriamente de dívida, mas sim de lançamentos atinentes à retirada de recursos do contrato de conta corrente e de caixa único. Assim, a contabilização na conta AFAC foi equivocada, pois deveria ter sido feita na conta 1.2.2.3.02 CONTA CORRENTE COM CONTROLADAS. Disto, conclui que não houve devolução de recursos, mas sim cessão de crédito. Segundo a Recorrente, ratificaria essa argumentação o fato de o lançamento ter sido transferido da AFAC para CONTA CORRENTE – ESCRITURAL, ou seja, não houve transferência efetiva de recursos pelas operações, mas sim o simples registro da cessão de crédito, antes equivocadamente contabilizadas pela Recorrente. O Contrato de Cessão de Crédito encontrase em fls 2115. Lembra a Recorrente que a autoridade fiscal entendeu que o que ocorrera teria sido uma novação da dívida, capaz de ensejar a necessidade de recolhimento do IOF com Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 12 base no Decreto 6.306/2007, artigo 10, inciso II.1 Assim, passa a tratar do que foi entendido pela autoridade fiscal como novação em fls 2009, concluindo então (fls 2012): A argumentação é absolutamente pertinente, precisa e direcionada a item específico do auto de infração sendo, portanto, capaz de cancelálo se acolhida. Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada nulidade em função da omissão do órgão judicante. Houve incontestável omissão da DRJ ao julgar a impugnação da Contribuinte, sendo portanto nula. Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López2 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podemse destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. A ausência de análise do citado item da impugnação, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estarseia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente 1 Art. 10. O IOF será cobrado: (...) II na data da prorrogação, renovação, consolidação, composição e negócios assemelhados; 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558559. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 19515.722657/201382 Acórdão n.º 3402003.047 S3C4T2 Fl. 117 13 imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada qualquer decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 14 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão n. 1457.619, da 5ª Turma da DRJ/RPO, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no artigo 59, §2º do Decreto no 70.235/1972,4 destaco que deve a DRJ, em seu novo julgamento, a ser proferido em observância ao artigo 489, §1º do Novo Código de Processo Civil: i) analisar expressamente os fatos, documentos e razões jurídica trazidas especificamente nesse caso, e, na eventualidade de o caso merecer julgamento no mesmo sentido de qualquer precedente da própria DRJ ou do CARF, justificar de maneira fundamentada o porquê; ii) manifestarse expressamente sobre a defesa da Contribuinte colocada no item 2.3. de sua peça de impugnação ao lançamento tributário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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