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Numero do processo: 16561.720032/2015-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA COMPROVADA. LEGITIMIDADE.
Uma vez comprovada devidamente a motivação extratributária das operações societárias realizadas pelo sujeito passivo, cujo objetivo seja a amortização do ágio, havendo economia tributária que se revela como mera consequência e não um fim em si mesma, correta a dedução do ágio, ainda que por meio de empresa veículo, se a legislação de cunho regulatório e societário impuser tal formalidade.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO.
O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL.
A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos.
Numero da decisão: 1402-002.489
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram por negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente- Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Relator
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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AMORTIZAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA COMPROVADA. LEGITIMIDADE. Uma vez comprovada devidamente a motivação extratributária das operações societárias realizadas pelo sujeito passivo, cujo objetivo seja a amortização do ágio, havendo economia tributária que se revela como mera consequência e não um fim em si mesma, correta a dedução do ágio, ainda que por meio de empresa veículo, se a legislação de cunho regulatório e societário impuser tal formalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. A solução do litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando houver fatos ou argumentos idênticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 32 /2 01 5- 02 Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.218 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram por negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.219 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/BSB em sessão de 29 de abril de 2016 (fls. 2023/2053)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco. Os autos de infração de IRPJ e CSLL ora em discussão foram assim lavrados (fls. 1396/1443): a) IRPJ b) CSLL 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.220 4 DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 1361/1395), as irregularidades estão assim descritas, em estreitíssima síntese: i) o procedimento fiscal tratado neste processo é continuação de ação desenvolvida na mesma empresa em relação a períodos anteriores e neste caso referese aos anoscalendário de 2010 e 2011; ii) durante os trabalhos de auditoria, foram utilizados alguns documentos extraídos do Processo Administrativo Fiscal PAF nº 16561.720038/201318 e do PAF nº 16561.720036/201400, os quais instruíram os autos de infração previamente lavrados referentes ao anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente; iii) o exame dos aludidos documentos e arquivos digitais, bem como dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo durante o presente procedimento fiscal, levaram à apuração dos créditos tributários aqui formalizados; iv) de acordo com o fluxograma apresentado, as operações estariam assim resumidas: v) em 26/07/2006 – por meio de leilão público realizado na Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA (Edital nº SF/001/2006), a Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.221 5 empresa ISA CAPITAL DO BRASIL S/A adquire do Governo de São Paulo 21% do capital social da CTEEP; vi) em 09/01/2007 – após a aquisição do bloco de controle da CTEEP antes detido pelo Governo de São Paulo, a ISA CAPITAL realiza, nos termos do artigo 254A da Lei nº 6.404/1976, uma Oferta Pública de Ações (OPA) e adquire novas ações do capital social da CTEEP. Ao fim de todas as aquisições das referidas ações, a ISA CAPITAL passa a registrar um ágio relativo a CTEEP no valor de R$ 806 milhões; vii) em 10/07/2007 – a ISA CAPITAL constitui a empresa ISA PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA com capital social de R$ 100,00 (cem reais); viii) em 30/01/2008 – a ISA CAPITAL aumenta o capital social da ISA PARTICIPAÇÕES em R$ 2.105.032.036,00 e o integraliza mediante a transferência das ações da CTEEP. Em face dessa operação, a ISA PARTICIPAÇÕES passa a registrar um ágio por expectativa de rentabilidade futura relativo a CTEEP; ix) em 28/02/2008 – a CTEEP incorpora sua controladora ISA PARTICIPAÇÕES, volta a ser controlada diretamente pela ISA CAPITAL, absorve o ágio sobre suas próprias ações e passa a amortizálo e deduzilo fiscalmente. x) esquematicamente: xi) as operações societárias engendradas pelas pessoas jurídicas acima identificadas, com o fito de carrear o ágio pago pela ISA Capital na aquisição do bloco de controle da CTEEP para dentro da própria Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.222 6 empresa então adquirida, mediante utilização de empresa veículo, a ISA Participações, estariam assim delineadas (TVF – fls. 1363/1364): Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.223 7 xii) os encargos de amortização de ágio, reconhecidos em conta de despesa operacional (6314100011 – Amortização do Ágio, Doc. 26) e declarados na Ficha 6A/Linha 50 da DIPJ 2011/AC 2010 (Doc. 30) e na Ficha 6A/Linha 55 da DIPJ 2012/AC 2011 (Doc. 31), foram contabilizados conforme a seguir (2010 e 2011): xiii) segundo a Fiscalização, ao final da relatada sequência de eventos societários, a situação organizacional era exatamente igual àquela que se apresentava inicialmente. Não se verificou a requerida unificação patrimonial: a CTEEP continuou existindo e registrada como investimento da sua controladora ISA CAPITAL, a qual obviamente não deixou de existir. Apenas se fez surgir na CTEEP a projeção do ágio que havia sido pago na sua própria aquisição pela ISA CAPITAL, juntamente com a provisão para manutenção da integralidade do patrimônio líquido da incorporadora (PMIPL); xiv) em suma, assenta o TVF inexistir qualquer motivação extratributária no conjunto de operações societárias, e que a reestruturação teria sido levada a efeito com o único propósito de permitir o registro do ágio e seu posterior aproveitamento para fins tributários; além disso, não teria ocorrido a “unificação patrimonial” entre investidora e investida requerida pela legislação, visto que a CTEEP continuou existindo e registrada como investimento de sua controladora ISA Capital, a qual também não deixou de existir. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.224 8 DA IMPUGNAÇÃO (fls. 1451/1518) Contrapondose ao trabalho fiscal, a autuada interpôs extensa impugnação, na qual discorre sobre os tópicos: nulidade do auto de infração por ausência de motivação; decadência do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária; legitimidade da amortização realizada; ocorrência da unificação patrimonial e inexistência de duplo aproveitamento do ágio; o caminho escolhido era um dentre vários possíveis; inexistência de vedação à dedutibilidade do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL; ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2023/2053) Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/BSB considerou procedentes os lançamentos, mantendo a autuação, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIZAÇÃO. Não há que se falar em nulidade quando a formalização do auto de infração atende ao disposto no art. 9°, do Decreto n° 70.235, de 1972. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FATO GERADOR DE TRIBUTO. DECADÊNCIA. Aferese a decadência a partir do fato gerador do respectivo tributo e não de fatos jurídicos sem efeitos tributários. IRPJ E CSLL. GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. APLICAÇÃO AO PRESENTE PROCESSO. Tratandose de matéria já decidida no âmbito da primeira instância de julgamento, em outro processo administrativo, no qual foram examinados os efeitos tributários decorrentes dos mesmos atos e negócios jurídicos e concluiuse pela procedência da mesma acusação fiscal em face do mesmo sujeito passivo, não compete a esta Turma de Julgamento reabrir a discussão, não lhe cabendo outra decisão que não a de aplicar aqui o que já foi decidido lá, sob pena de a presente impugnação configurar verdadeiro pedido de reconsideração, não previsto na lei processual administrativa, além do fato de o recurso voluntário interposto naqueles autos se encontrar pendente de julgamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também compõe o crédito tributário, sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora, na medida em que também não é paga no vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.225 9 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 09/05/2016 (fls. 2061), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2016 (fls. 2063/2150), no qual, preliminarmente argui i) nulidade “por erro de direito em razão de ausência de motivação válida para desconsiderar a reorganização societária por ela levada a cabo”; e, ii) decadência “do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária efetuada”. Quanto ao mérito, reproduz em grande parte o suscitado na impugnação inaugural, acrescenta argumentos, reportase aos outros processos sobre o mesmo tema em que é parte passiva e que já estão em fase de apreciação de Recursos Especiais no CARF, acosta decisões do Colegiado que entende aplicáveis à espécie, debruçase sobre a existência e utilização de “empresa veículo” que, no seu pensar, não desfiguraria a operação, discorre longamente sobre o “ágio”, aduz inexistir vedação à dedutibilidade do ágio em relação à CSLL e, subsidiariamente pugna pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, para concluir, resumindo seu pensamento (RV – 2147/2148): i) “a intenção original era que a Recorrente incorporasse diretamente a ISA Capital após esta ter adquirido ao seu controle, tal como pretendido pela Fiscalização para reconhecer o direito à amortização fiscal do ágio. Não obstante, em razão de proibição contida nas normas da CVM, bem como restrições advindas das ANEEL, foi necessária a adoção de outra estrutura societária, aprovada pela União Federal por meio de seu agente regulador (ANEEL). O propósito negocial para a utilização da ISA Participações advém de imposições normativas trazidas pela CVM e ANEEL”; ii) “a Fiscalização se equivoca em buscar propósito negocial em apenas uma parte do conjunto de operações realizadas ao longo do processo de desestatização da Recorrente. O propósito negocial deve ser observado no contexto de todos os fatos e operações e não de forma isolada em uma das partes das operações realizadas”; iii) “não houve efetivo ganho fiscal, uma vez que o mesmo resultado – amortização fiscal do ágio – poderia ser obtido por diversas outras estruturas”; iv) “a recorrente agiu em absoluta conformidade com a legislação aplicável e não obteve economia fiscal indevida, uma vê que o resultado tributário obtido nas operações realizadas poderia ter sido atingido, inclusive, por meio de outras operações societárias”; v) “na realidade, a estrutura adotada pela Recorrente e suas controladoras implicou maior ônus tributário que a simples incorporação da ISA Capital, não havendo, portanto, quaisquer motivos para questionála”; vi) “foram observados os requisitos básicos para que seja reconhecido o direito à amortização do ágio, quais sejam: (a) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (b) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (c) a demonstração da fundamentação econômica do ágio pago com base na expectativa de rentabilidade futura”; vii) “após a aquisição de participação societária na Recorrente ocorrida quando da integralização de seu capital, a ISA Participações tornouse efetiva Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.226 10 investidora na Recorrente, tendo apurado ágio na operação. Assim, quando da incorporação da ISA Participações, ao contrário do alegado pela autoridade lançadora, houve o atendimento aos quesitos legais para o início do aproveitamento do benefício fiscal da amortização do ágio – incluindo unificação patrimonial entre investidora e investida”; viii) “todos os lançamentos contábeis feitos pela Recorrente e suas controladoras foram realizados em consonância com a legislação fiscal e societária aplicável, sendo que não implicam em duplo aproveitamento do ágio”; ix) “mais ainda, considerando que a ISA Capital não tem qualquer intenção de alienar a Recorrente, não há que se falar em aproveitamento do ágio na apuração do ganho de capital e, consequentemente, em "duplo aproveitamento do ágio"; x) “ao final, ainda que fosse indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, a amortização do ágio seria dedutível da base de incidência da CSLL, o lucro líquido. Não há regra de adição ao resultado em caso de reconhecimento de indedutibilidade para fins de IRPJ”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.227 11 Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, a recorrente está corretamente representada (fls. 1539/1543), pelo que o recebo e dele conheço. Acerca das preliminares arguidas, uma pela nulidade dos lançamentos por possível “erro de direito em razão de ausência de motivação válida para desconsiderar a reorganização societária realizada pela recorrente”, entendo que a matéria se confunde com o mérito e com ele será apreciada. Já sobre a segunda, decadência “do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária efetuada”, razão não cabe à recorrente. Sabidamente, os reflexos desta “reestruturação societária”, no âmbito dos lançamentos aqui analisados, só têm relevância a partir do momento em que haja reflexos tributários em função deste procedimento organizacional, no caso, nos anoscalendário de 2010 e 2011. Digase, somente se pode falar em contagem do prazo decadencial após a ocorrência dos fatos geradores, não importando a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Nessa linha, inequívoco que o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN, jamais do momento da “reorganização societária”, ato formal e de cunho societário, civil e comercial e que não traz, neste primeiro momento, qualquer reflexo na área fiscal. Em linguagem diferente, se a recorrente procedesse à dita “reorganização societária” que alega e tivesse apurado “ágio”, mantendoo em seu ativo, não o amortizando, não teria ocorrido o fato gerador ou infração à legislação tributária, de modo que não haveria que se falar em lançamento, consequentemente não haveria “prazo decadencial a fluir”. No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados. Antes disso, não deflui qualquer prazo decadencial em relação ao direito do Fisco verificar a regularidade do lançamento por homologação realizado pelo Sujeito Passivo. Assim, ao examinar a dedução do ágio, incumbe ao Fisco examinar por completo as operações que lhe dariam suporte, ainda que ocorridas há mais de cinco anos da data em que o lançamento vier a ser efetuado. As mutações patrimoniais verificadas na contabilidade do sujeito passivo somente têm interesse fiscal e podem ser objeto de verificação pelo Fisco a partir do momento Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.228 12 em que produzam efeitos nos resultados tributáveis apurados pelo sujeito passivo, como ocorre, por exemplo, na depreciação dos bens adquiridos para o ativo permanente. Somente após o registro das quotas de depreciação como despesas tem o Fisco o interesse na verificação de sua regularidade, independente da data em que tal bem tenha sido adquirido. Em suma, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Como se está diante de fatos geradores ocorridos em 2010 e 2011 e os lançamentos foram cientificados à contribuinte em 18/03/2015, não há que se falar em decadência, sequer trimestral. Precedentes deste Colegiado e desta 2º Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul mostram remansosa jurisprudência, dentre eles o Ac. Nº 1302002.152, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Ante ao exposto e tendo o lançamento sido realizado dentro do prazo decadencial previsto CTN, voto por rejeitar a preliminar de mérito relativa à decadência. Passo ao mérito. CONSIDERAÇÕES INICIAIS DOS PROCESSOS nºs 16561.720038/201318 e 16561.720036/201400 Antes de apreciar os argumentos de ambas as partes, impende destacar a existência de dois processos em que a ora recorrente figura igualmente no pólo passivo, referentemente aos mesmos fatos aqui tratados, apenas com alteração de anoscalendário, no caso 2008 (Processo nº 16561.720038/201318) e 2009 (Processo nº 16561.720036/201400), ambos já julgados e mantidos os lançamentos em 1ª Instância e também igualmente objeto de decisões nas Turmas Ordinárias do CARF, no primeiro sendo negado provimento ao recurso voluntário por voto de qualidade (Ac. nº 1301001.783) e no segundo tendo sido dado provimento por maioria (Ac. nº 1301002.047). Embora aos menos avisados esse procedimento possa soar estranho (a mesma turma julgadora dando decisões diferentes para a mesma matéria fática), sabem Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.229 13 aqueles que militam na área de julgamentos (administrativos ou judiciais) ser absolutamente corriqueiro este fato, mostrando que o tema é polêmico e o dinamismo do direito, estando sempre em movimento e construção, de acordo com o pensamento das diversas pessoas que compõem as câmara de julgamento. Claro que chegará necessariamente o momento em que a jurisprudência se consolidará e que as decisões divergentes convergirão para um ponto único, o que, no caso deste Tribunal AdministrativoTributário, darseá mediante decisão a ser prolatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, para onde certamente subirão os autos. Desta forma, enquanto não pacificada tal jurisprudência, estes autos deverão ser julgados de acordo com o entendimento desta TO, e poderá perfilar com a primeira ou a segunda decisão, parcial ou integralmente, dependendo do entendimento dos componentes da Turma. Feitas estas prefaciais ponderações, voltase ao caso concreto deste processo. MÉRITO Segundo o Fisco, a ISA Participações teria sido constituída com o único propósito de servir de “veículo” para carrear o ágio pago pela ISA CAPITAL para dentro da CTEEP, por meio de manobras contábeis que redundaram na “projeção” do ágio pago pela investidora no ativo da investida, e assim permitir (indevidamente) o aproveitamento fiscal dos encargos de amortização desse ágio replicado, de modo a reduzir o resultado tributável da empresa investida. Aduz ainda a Fiscalização que a ISA Participações foi constituída em 10/07/2007 e não apresentou qualquer fato contábil relevante até 30/01/2008, quando recebeu da ISA CAPITAL a participação societária na CTEEP e respectivo ágio pago, conferidos no aumento de capital ocorrido nessa data, para logo em seguida ser incorporada pela sua então recente investida CTEEP, em 28/02/2008, verificandose, nesse curto tempo de existência entre sua constituição e extinção por incorporação, que a ISA Participações foi interposta como empresa veículo para unicamente “projetar” o ágio de quem efetivamente o suportou, a ISA CAPITAL, para aquela que viria a tirar proveito fiscal imediato (em 60 parcelas mensais) de sua amortização, a CTEEP, numa sucessão de eventos que não encerrariam qualquer propósito negocial ou substância econômica. De seu lado, a recorrente, em longa e minuciosa peça recursal, aponta ser regular seu procedimento, que cumpriu todos os regramentos sobre a matéria, que o ágio é decorrente de legítima operação de aquisição societária e que, acerca da possível “falta de confusão patrimonial” suscitada pelo Fisco, tal evento efetivamente ocorreu, haja vista que, ao final, a empresa que passou a deter o investimento adquirido foi por ela incorporada. Assenta ainda não existir restrição legal para a transferência do ágio, que deveria acompanhar o investimento. De igual modo, a utilização de empresa considerada veículo, tanto pela autoridade fiscal, quanto pela turma julgadora de primeira instância, em nada alteraria a possibilidade de amortização do ágio, até mesmo porque o ágio em questão havia sido efetivamente pago, gerado em negócio entre partes independentes e baseado em laudo idôneo. Além disso, a utilização de tal empresa na operação não teria gerado ágio novo, bem como restaria justificada por propósitos negociais devidamente comprovados nos autos. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.230 14 Destaco inicialmente que, desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge”– acórdão nº 1402001.460), com a redação do voto vencedor do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, esta turma, ainda que por voto de qualidade, passou a adotar o posicionamento de que, independentemente do desenho das operações e dos eventuais propósitos negociais na utilização de empresas veículo, não havendo extinção do investimento adquirido com ágio mediante confusão patrimonial entre investida e investidora, não há que se falar em dedutibilidade do ágio. Fixouse, assim, o entendimento que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). A amortização do ágio seria exceção. Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, a teor do disposto no artigo386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquela situação, como nesta, tratavase da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o RIR/1999 impõe, i) ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição, ii) ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II), eventos que jamais ocorreram no caso. O que não é possível, como pretende a recorrente, é a transferência do ágio a uma terceira pessoa jurídica, evento que não possui qualquer previsão legal. Muito bem, no caso deste processo é incontroverso que houve a aquisição noticiada. Que houve pagamento, também. Que aflorou ágio, indiscutível. A partir daí, porém, é que surgem as divergências de entendimento, cada parte sustentando teses opostas. Vejamos como se estruturou a operação: 1. a fiscalizada é uma sociedade anônima de capital aberto constituída em 04 de fevereiro de 1999 e atua no segmento de transmissão e transformação de energia elétrica; 2. em 28 de abril de 2006, foi constituída a empresa ISA CAPITAL, com capital estrangeiro, tendo como sócia a empresa INTERCONEXIÓN ELÉCTRICA S/A E.S.P., sediada na cidade de Medelín, Colômbia, constituição essa que teve por finalidade a participação em leilão para fins de aquisição do controle do capital da fiscalizada, anteriormente pertencente ao estado de São Paulo; 3. em leilão realizado em 28 de junho de 2006, a ISA CAPITAL adquiriu do estado de São Paulo 21% do capital da fiscalizada, e, em uma segunda etapa, por meio de oferta pública de aquisição de ações, Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.231 15 ocorrida em 09 de janeiro de 2007, adquiriu mais 16,46% do referido capital, perfazendo, assim, um total de 37,46%; 4. o preço total pago nas referidas aquisições foi de R$ 2.280.416.605,89, decomposto da seguinte forma: VALOR DE PATRIMÔNIO = R$ 1.473.705.903,86; e ÁGIO = R$ 806.710.702,03; 5. em 10 de julho de 2007, foi constituída a empresa ISA PARTICIPAÇÕES, sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com capital de R$100,00, tendo como sócios a ISA CAPITAL (99%) e o Sr. FERNANDO AUGUSTO ROJAS PINTO (1%), que, em 11 de janeiro de 2008, retirouse da sociedade; 6. em 30 de janeiro de 2008, foi aprovado aumento do capital social da ISA PARTICIPAÇÕES para R$ 2.105.032.136,00, aumento de capital esse totalmente subscrito pela, na ocasião, única sócia ISA CAPITAL, e integralizado mediante a conferência de sua participação na fiscalizada; 7. diante do fato acima mencionado, a ISA PARTICIPAÇÕES passou a ser a nova controladora da fiscalizada, detendo 37,46% do seu capital social e 89,40% do seu capital votante; 8. em razão do aumento de capital em referência, o ÁGIO pago pela ISA CAPITAL na aquisição das ações da fiscalizada foi transferido para a ISA PARTICIPAÇÕES; 9. por fim, em 28 de fevereiro de 2008, a fiscalizada incorporou a sua então controladora (ISA PARTICIPAÇÕES) e passou a amortizar o ágio. Esquematicamente: Antes de tudo, é preciso ter em conta que, embora a Fiscalização faça referência à utilização de empresa veículo na reorganização societária, a glosa não tomou por base tal fato. Também a ausência de substância econômica na realização dos eventos societários, da mesma forma, não constituiu fundamento para a autuação. Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.232 16 No mesmo naipe, não há que se falar em desconsideração de negócio jurídico, mas, sim, tão somente de glosa de dedução de amortização de ágio. A questão, portanto, pode ser resumida por meio da seguinte indagação: na circunstância versada nos autos, em que houve efetiva transferência do ágio, seria possível aproveitar o favor fiscal trazido pela Lei nº 9.532/97, ou seja, estaria autorizada a amortização do ágio antes mesmo da alienação da participação? Como é sabido, nos termos da lei, ou o ágio é recuperado por meio da alienação da participação societária, visto que integra o custo de aquisição, o que representa a regra geral; ou, ele é amortizado antecipadamente, a partir do momento em que ocorre a denominada “confusão patrimonial”, circunstância em que a participação societária também é extinta. Neste trilhar, penso que a razão está com o Fisco. Explico. No presente caso, para seu deslinde, bastaria a exteriorização de elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica, o que jamais ocorreu no caso concreto. É vero que a recorrente defende intransigentemente que tal requisito foi cumprido, haja vista que, ao transferir o ágio pago pela ISA CAPITAL para a ISA Participações, a incorporação dessa segunda empresa resultou na confusão patrimonial entre investida e investidora exigida por lei. Todavia, a alegação não se sustenta. Consoante determina de forma literal a Lei nº 9.532/1997, somente se autoriza a dedução do ágio quando ocorre a “confusão patrimonial” entre investida e a sua real investidora. Dizendo diferentemente, o ágio se forma e poderá ser deduzido à razão 1/60 avos mês quando o evento se opera entre a empresa que adquiriu a participação societária e a que foi adquirida. Não uma terceira, ainda que “integrante” do grupo econômico, mais ainda quando de efêmera existência, como sói acontece com as ditas “empresas veículos”, com nascimento, vida e morte em curto espaço temporal. Ademais, ao revés do entendimento da recorrente, a dedutibilidade do ágio não é direito sagrado e intocável obtido pela empresa quando adquire um investimento. Muito ao inverso. Na verdade, não basta só a aquisição societária ter ocorrido (ainda que plenamente válida sob o ângulo societário, econômico, civil, empresarial e do direito comercial). É preciso mais que isso. O ágio existir nestas operações é uma coisa. Outra, diferente, é a permissão para sua dedução para fins fiscais. Para que isso possa se desencadear, ou seja, ser dedutível, o ágio deve ser formado a partir do cumprimento – obrigatório de determinados requisitos legais, dentre eles a necessária presunção de perda do investimento adquirido, vale dizer, sua amortização. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.233 17 O artigo 386 do RIR/19992 (reprisando a base legal – Lei nº 9.532/1997) prescreve explicitamente que a dedutibilidade da amortização de um ágio decorre do encontro em um mesmo patrimônio da participação societária adquirida com ágio com esse mesmo ágio. Ou seja, quando há um encontro do adquirente com o investimento adquirido. Portanto, nos termos do artigo 386 do RIR/99, investidora não é a empresa que simplesmente detém um ágio, mas sim aquela que tenha efetivamente ADQUIRIDO participação societária mediante o pagamento de ágio. Vejase que a legislação não autoriza a dedução fiscal do ágio apenas com base na existência de uma aquisição de participação societária de terceiros independentes. O que ela (a Lei nº 9.532/1997) exige é a confusão patrimonial entre a investida e a real investidora. Em linguajar claro, descumprido este requisito (indispensável), não há como reconhecer a possibilidade da dedução. No caso em pauta, é induvidoso que o ágio registrado pela ISA Participações (empresa veículo) decorre da aquisição das ações da CTEEP pela ISA CAPITAL. Recordando: Ø em 10 de julho de 2007, foi constituída a empresa ISA PARTICIPAÇÕES, sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com capital de R$100,00, tendo como sócios a ISA CAPITAL (99%) e o Sr. FERNANDO AUGUSTO ROJAS PINTO (1%), que, em 11 de janeiro de 2008, retirouse da sociedade; Ø em 30 de janeiro de 2008, foi aprovado aumento do capital social da ISA PARTICIPAÇÕES para R$ 2.105.032.136,00, aumento de capital esse totalmente subscrito pela, na ocasião, única sócia ISA CAPITAL, e integralizado mediante a conferência de sua participação na fiscalizada; Ø diante do fato acima mencionado, a ISA PARTICIPAÇÕES passou a ser a nova controladora da fiscalizada, detendo 37,46% do seu capital social e 89,40% do seu capital votante; Ø em razão do aumento de capital em referência, o ÁGIO pago pela ISA CAPITAL na aquisição das ações da fiscalizada foi transferido para a ISA PARTICIPAÇÕES; 2 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.234 18 Ø por fim, em 28 de fevereiro de 2008, a fiscalizada incorporou a sua então controladora (ISA PARTICIPAÇÕES) e passou a amortizar o ágio. Pois bem, esse plus foi efetivamente suportado pela ISA CAPITAL e não pela ISA Participações. Foi a primeira, não a segunda, quem assumiu a participação acionária e ali nasceu o ágio. A ISA Participações não participou de absolutamente nada em termos de negociação societária e somente apareceu no mundo jurídico, de forma passageira (de julho 2007 a fevereiro de 2008 – em torno de 8 meses!), para que a reengenharia (ou estruturação societária como a chama a recorrente) pudesse levar – como levou a que o ágio REALMENTE surgido em razão da aquisição feita pela ISA CAPITAL acabasse, por vias transversas, voltado para a própria adquirida e por ela começasse a ser aproveitado como dedução das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL. Neste cenário, a conclusão é uma só: com fulcro nos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997, a operação societária que permite a utilização, como dedutível, do ágio gerado, é a confusão patrimonial entre a ISA CAPITAL (investidora) e a CTEEP (investida). Jamais a incorporação da ISA Participações pela CTEEP, gerando, no final e naquilo que é objeto dos lançamentos sob discussão, um verdadeiro ágio interno desta última, ou no dizer mais consolidado da jurisprudência administrativa, um verdadeiro ágio de si mesmo. Em resumo, não foram cumpridos os requisitos legais para a dedutibilidade do ágio, ainda mais porque, como resta incontestável, no finalizar das operações (de reestruturação, no dizer da recorrente), a ISA CAPITAL (verdadeira adquirente) continuou existindo e tendo vida própria. Se, como seria a lógica racional e natural da operação, o patrimônio da CTEEP tivesse sido unido com o patrimônio da ISA CAPITAL, o ágio seria dedutível pois teria ocorrido a presunção de perda do investimento por essa segunda empresa. Não foi isso o que ocorreu. Assim, por não estarem presentes os requisitos legais, impraticável possa o ágio ser deduzido na forma pretendida pela recorrente. Destaquese, por relevante, que as alegações da recorrente no sentido de que a operação não se desenvolveu na forma exigida pelo Fisco (quando ó ágio seria dedutível), mas, sim, com utilização de uma empresa veículo, foi por conta de atender normas emanadas do Poder Público Federal relativamente à proteção dos acionistas minoritários, é tema que não guarda relevância no caso e nem pode servir de oposição à Fazenda Pública, visto ser matéria de cunho eminentemente voltado ao mercado de capitais e às normas de desestatização da época, nada tendo a ver com a legislação tributária. Se, com isso, haveria um custo maior a ser suportado na aquisição ou, mais corretamente, um “benefício” que deixaria de ser utilizado na sequência, caberia à real adquirente (ISA CAPITAL) ter avaliado os reflexos econômicos e financeiros que surgiriam e tomado as medidas que entendia cabíveis. O que não é plausível é a recorrente, mediante os Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.235 19 artifícios de que lançou mão naquilo que nominou de “estruturação societária”, tentar obter um beneplácito fiscal que exige o cumprimento rigoroso de regras claras e específicas, o que não foi observado. Se a incorporação da ISA CAPITAL pela CTEEP não era possível, era inviável ou inoportuna, a conclusão legal é que o ágio não poderia ser deduzido, pois impossível a materialização da hipótese fática prevista nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, não se admitindo que tal impossibilidade legal seja contornada pelo contribuinte mediante o uso de uma empresa veículo, empresa em nenhum momento necessária para a aquisição das ações da CTEEP pelo Grupo ISA, mas exclusivamente nascida para a criação formal do ambiente propício à dedução fiscal do ágio. Em outro exprimir, ainda que a forma adotada tenha decorrido de razões econômicas plausíveis, o que a Recorrente deveria ter verificado é que, em virtude da mais absoluta ausência de previsão legal, a antecipação da amortização do ágio objeto de transferência não poderia ser admitida. Quanto ao propósito negocial, claro que no primeiro momento ele existiu (aquisição da participação societária pela ISA CAPITAL) e o Fisco não descaracterizou esta operação. Ela existiu efetivamente. O que o Fisco glosou foram as despesas com ágio formado a partir da dita “estruturação” que envolveu a criação de empresa veículo e sua posterior extinção na incorporação feita pela própria recorrente, criando o ágio de si mesmo, como dito antes, mediante a criativa engenharia de uma controlada recémcriada (ISA Participações), sem nenhuma estrutura adquirir as ações da CTEEP com ágio, e, posteriormente, a CTEEP incorporar essa “controlada”. Por meio deste engenhoso e peculiar procedimento, o Grupo ISA tentou mostrar que a ISA Participações – empresa veículo, com curtíssima vida empresarial – oito meses! estaria adquirindo um investimento traduzido na participação societária da CTEEP mediante o pagamento de um ágio baseado na rentabilidade futura que, na verdade incontestável, foi gerado no momento da aquisição feita pela ISA CAPITAL. Concluindo, como já exaustivamente dito, a simples aquisição societária não dá o direito de deduzir fiscalmente o ágio. É preciso mais que isso, no caso, haver confusão patrimonial entre investida e a sua real investidora. E tal confusão, como a lei determina (e não a Fiscalização), deve ocorrer entre os reais participantes do negócio realizado (ISA CAPITAL E CTEEP) e não terceiros interpostos nos eventos sucessórios claramente com o único intuito de permitir a esta última, utilizar um ágio que não possuía e que acabou por lhe ser disponibilizado por vias oblíquas e indevidas. Por fim, registrese que o fato de a Fiscalização ter feito referência à possibilidade de duplo aproveitamento da dedução do ágio visou, apenas, justificar o motivo pelo qual a legislação tributária não autoriza a transferência do dispêndio na circunstância em que a participação societária subsiste, isto é, quando não se encontra presente a denominada “confusão patrimonial”. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.236 20 Não vejo a dissintonia existente entre os lançamentos de IRPJ e de CSLL como aduzido pela recorrente em sua peça recursal “ao final, ainda que fosse indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, a amortização do ágio seria dedutível da base de incidência da CSLL, o lucro líquido. Não há regra de adição ao resultado em caso de reconhecimento de indedutibilidade para fins de IRPJ”. A matéria já foi profundamente analisada por esta Turma Ordinária e se encontra sedimentada no voto exarado pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no Ac. nº 1402002.152, sessão de 06/04/2016, processo nº 16327.721657/201122, com sólidos argumentos com os quais concordo e com os quais perfilei na oportunidade da votação pertinente e que aqui são adotados como razões de decidir: “Em relação à dedutibilidade de tais valores da base de cálculo da CSLL, outra não sorte não merece a irresignação da Recorrente. A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação. Neste sentido, determinam os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). O lucro operacional é, pois, o resultado do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais. Assim, determina o artigo 299/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido, as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias. Não se trata de aplicação de analogia, mas sim, de considerar que o dispêndio que violam as regras de dedutibilidade do IRPJ, não pode Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.237 21 reduzir o lucro líquido que, também, é a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Ainda que se considere que as despesas em questão, no presente caso, tenham natureza não operacional, cabe lembrar que, o que os torna indedutíveis também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. A escrituração contábil, pela qual se apura o resultado do exercício, ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Conforme impõe o Princípio da Entidade, um dispêndio produzido de forma equivocada não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de despesas inexistentes implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar, também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e também da CSLL. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal matéria”. Pelas razões aduzidas, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nesta parte (dedução do ágio das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL). DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é de se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.238 22 vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.239 23 prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.240 24 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.241 25 proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos presentes nos autos de infração (fls. 1396/1443). É como voto. Brasília (DF), em 16 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.242 26 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator designado Com a máxima vênia, ouso divergir do i. julgador relator, no que diz respeito a sua conclusão sobre a questão de mérito da controvérsia. Contudo, não teço reparo algum ao seu relatório, bem como acompanho seu voto no que diz respeito a análise da decadência. Tratando, então, da glosa de despesas com ágio, em primeiro lugar, necessário salientar, como restou atestado na decisão de primeira instância (fl.2.040), que existem outros dois procedimentos fiscais constituídos em face do mesmo sujeito passivo, tratando, inclusive, da mesma infração imputada aqui contra a contribuinte, além de outras. São os processos administrativos nº 16561.720038/201318, o qual, até o presente momento, aguarda julgamento de Recurso Especial no CARF e, o processo administrativo de autos nº 16561.720036/201400, que foi julgado em junho de 2016, pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizandoo com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ÁGIO. DATA DA FORMAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2006 e 2007. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. A contagem do quinquênio decadencial se dá a partir do fato gerador do tributo Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.243 27 exigido pelo Fisco. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 FALTA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O motivo para a lavratura de um auto de infração é a constituição de crédito tributário, diante da constatação de infração à legislação. Desde que a infração se encontra minuciosamente descrita, acompanhada da respectiva fundamentação legal, não se há de reconhecer nulidade no lançamento. A adequação, ou não, da base legal à infração descrita é matéria de mérito, incapaz de suscitar nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010 CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE. Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira. Ressaltese, ainda, que tal decisão deu provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos, sendo que apenas um conselheiro posicionouse pelo não provimento do recurso. Citase a decisão acima, pois ela reforça o convencimento deste julgador, no sentido de que não pode ser considerada ilícita a conduta da Recorrente por ter agido conforme a legislação, principalmente quando a economia fiscal foi apenas consequência de sua operação societária e não um fim em si mesma. Não refuto o fato de que a ocorrência da amortização do ágio é inconteste, tendo ocorrido a uma primeira vista menos acurada dos fatos indevidamente, especialmente no tocante aos precedentes desta Turma Julgadora. Contudo, o que, neste momento, se tenta Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.244 28 clarificar é que, quando há uma economia tributária ocorrida por motivos extratributários, por consequência de um conjunto de condutas que se dão por um propósito efetivamente negocial, não deve prosperar a autuação em face da fiscalizada, isto de acordo também com outros tantos precedentes desta mesma Turma Julgadora. Percebase: Um planejamento tributário não inclui atos ilícitos, simulações, fraudes ou abusos de qualquer natureza. Tratase, em verdade, de um conjunto de condutas lícitas e economicamente consistentes, praticadas por sujeitos passivos de obrigações tributárias com o objetivo de eliminar, reduzir ou mesmo postergar economicamente sua carga tributária, e que o faz antes da ocorrência do fato gerador. No caso concreto, a fiscalizada ao tentar seguir as formalidades da lei tributária para a amortização do ágio, encontrou empecilhos impositivos, sendo que o da maior relevância, para mim, foi o estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, a qual exigiu a forma efetivamente adotada pelo Recorrente, autorizando e homologando a operação societária perpetrada pela contribuinte, que sim, vai na contramão da legislação fiscal, ao menos sob o aspecto formal. Todavia, acertadamente, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente cita o ensinamento de Marco Aurélio Greco, ao destacar que ao se analisar um planejamento tributário é necessário analisar o filme todo e não apenas fotogramas isoladamente considerados (fl. 2.094). Pois bem. O caso em pauta, se analisado por completo, permite a conclusão de que embora a amortização tenha, de fato, se dado através de uma empresa veículo, assim procedeu a Recorrente, por dois imperativos, um de ordem societária, outro de ordem regulatória. Ela, inclusive, o admite e explica nas folhas 2.0992.100 de seu Recurso Voluntário, conforme transcrevo: "112. Todos esses atos, assim como as estruturas societárias correspondentes, foram expressamente autorizados e homologados por agente competente da própria União Federal, da qual a RFB é órgão integrante. 113. Já a partir de julho de 2006 a Recorrente poderia ter promovido a incorporação da ISA CAPITAL e, por conseguinte, atribuir efeitos fiscais à amortização do ágio. Depreendese dos lançamentos que, caso tal amortização fiscal do (incontroverso) ágio pago em decorrência da aquisição da participação societária da Recorrente. 114. E por que isso não foi feito? 115. Conforme será demonstrado a seguir, isso não foi feito pelo fato de que a própria União Federal, da qual a RFB é órgão integrante, repitase, vedou. A vedação decorre de ato regulamentar da CVM ( Instrução CVM n. 319, artigo 15) e da própria ANEEL (por meio de diversas resoluções autorizativas), segundo as quais, respectivamente, restaria caracterizado ato abusivo do poder de controle e prejudicado o equilíbrio econômico financeiro da concessão. Especificamente no que se refere à ANEEL, é entendimento assente pela agência reguladora o de que as reestruturações societárias devem Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.245 29 ocorrer de forma que, na Concessionária, remanesçam apenas ativos e passivos relacionado ao serviço público concedido, o que não ocorreria no caso em virtude de relevante passivo da ISA Capital à época dos fatos. 116. Diante dessa vedação, após um ano destinado ao estudo da estrutura possível para atendimento às restrições regulatórias e societárias, sem prejuízo do disposto da norma fiscal, em 25.7.2007, por meio da carta CT/P/2212/2007, a Recorrente e sua controladora requereram perante a ANEEL a anuência prévia para realização de reestruturação societária que não incorreria nos óbices impostos pela CVM e pela ANEEL acima referidos, sem prejuízo do direito ao aproveitamento do benefício da amortização do ágio pela Recorrente. 117. Em síntese, o processo de reestruturação proposto previa, num primeiro momento, o aumento do capital da ISA Participações, que seria totalmente integralizado pela ISA Capital, sua controladora, mediante a conferência das ações detidas por esta no capital social da Recorrente. Com esse primeiro movimento societário, a ISA Participações passou a ser controladora da Recorrente. 118. Em um segundo momento, a Recorrente procedeu à incorporação de sua controladora, na forma dos artigos 7º e 8º da Lei n. 9.532/1997, e passou a, por direito, amortizar, com efeitos fiscais, o ágio pago no processo de desestatização. Notese, por relevante, que dessa reestruturação societária não surge "novo" ágio ou benefício distinto daquele que seria usufruído caso a Recorrente pudesse (e não podia, por razões regulatórias estabelecidas pela própria União Federal) ter realizado a incorporação da ISA Capital, conforme pretendido pela Fiscalização. 119. A par de toda a publicidade dada por meio de fatos relevantes publicados e respectivas informações aos órgão reguladores, a reestruturação societária for expressamente aprovada pela União Federal, por intermédio da ANEEL, por meio da Resolução Normativa n. 1.164 de 18/12/2007." Ademais, como já me manifestei previamente no capítulo denominado "Planejamento Tributário e a Verdade Material em Juízo", parte integrante do livro "Tributação: Democracia e Liberdade (em homenagem a Ministra Denise Martins Arruda)", agir de forma ilícita significa que a hipótese de incidência ocorre e o contribuinte se utiliza de meios fraudulentos para esconder do fisco a sua ocorrência, ou mesmo que a declare, o faz de forma a subtrair do fisco a completa realidade dos fatos ocorridos, sendo que tal embaraço prejudica o correto lançamento fiscal. No caso concreto, ressaltese o caráter da publicidade garantido em todos os atos praticados pela Recorrente, demonstrando que em momento algum a intenção/dolo da fiscalizada foi o de burlar o Fisco, o que daria ensejo a uma possível simulação, fraude ou conluio. Assim, neste ponto relativo ao mérito da questão, tendo a Recorrente comprovado todo o alegado, não merece prosperar a glosa de despesa de ágio. Ante ao exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído sobre a Recorrente; afastada de antemão a preliminar de decadência. Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201502 Acórdão n.º 1402002.489 S1C4T2 Fl. 2.246 30 É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei. Fl. 2246DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.720658/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1202-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Manoel Mota Fonseca declarou-se impedido.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Manoel Mota Fonseca declarou-se impedido. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Manoel Mota Fonseca declarouse impedido. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Manoel Mota Fonseca e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o Relatório do Acórdão nº 1532.016 da DRJ/SDR, de fls. 650 a 658, que passo a transcrever: “Trata se de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança de multa isolada (falta/atraso na entrega de arquivo magnético), calcada no inciso III do artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991. A descrição detalhada dos fatos e das conclusões a que chegou o autuante são encontradas no Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração. São os seguintes os apontamentos do fiscal autuante: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 65 8/ 20 12 -7 4 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Resolução nº 1202000.248 S1C2T2 Fl. 829 2 (...) a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou eleborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Por outro lado, a aplicação da disposições presentes nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, decorre do fato de não ter o sujeito passivo, depois de previamente intimado, apresentado à autoridade fiscal os arquivos magnéticos e sistemas informatizados que seja obrigado a manter. (...) [...] Assim, considerando que o contribuinte não apresentou os arquivos especificados nos itens “4.6 Relação Insumo/Produto” e “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Único do ADE COFIS Nº 15/2001, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, devese aplicar a multa objeto do inciso III do art. 12 da Lei nº 8,218, de 1991, (...) Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Dos fatos: A impugnante, em relação aos arquivos digitais especificados na IN SRF nº 86/2001, esclareceu à Fiscalização que perdera acesso aos sistemas eletrônicos operacionais da Ipiranga Petroquímica, pessoa jurídica incorporada. A despeito disso, informou que prosseguiria nas buscas pelos arquivos digitais. • Considerando, entretanto, a possibilidade de não lograr êxito em tais buscas, enfatizou na ocasião da fiscalização que tais dificuldades não causariam quaisquer embaraços à ação fiscal, tendo inclusive se comprometido a apresentar relatórios contendo informações suficientes e necessárias à avaliação dos créditos objeto de ressarcimento/compensação. • Porém, quanto aos arquivos digitais especificados nos itens 4.6, 4.7 e 4.10, informou a impugnante que, após buscas empreendidas, concluíra que estes não constavam de fato nos sistemas eletrônicos da pessoa jurídica incorporada, motivo pelo qual deixaria de entregálos. • Muito embora a impugnante não tenha apresentado os arquivos digitais nos exatos formatos especificados no ADE COFIS nº15/2001, houve por bem suprir a fiscalização de todos os dados suficientes à investigação quanto à sua pretensão creditória. • Contudo, surpreendentemente, após o encerramento do procedimento fiscalizador, foi lavrado o Auto de Infração ora impugnado. • Da Decadência: Antes das discussões de mérito, cabe, preliminarmente, a demonstração da consumação da decadência. A guarda dos arquivos eletrônicos necessários à avaliação dos créditos de PIS e Cofins está circunscrita ao prazo decadencial qüinqüenal do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo sido a ciência do auto de infração em 29/05/2012, já havia transcorrido o prazo de 5 anos para a multa devida nos meses de janeiro a abril de 2007. • Da Capitulação Legal: Ao receber os documentos oferecidos pela impugnante, a Fiscalização deu demonstração inequívoca de que os aceitava, a despeito de terem sido apresentados em forma diversa daquela definida na legislação. Neste contexto, é impensável que a Fiscalização venha agora exigir o Fl. 829DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Resolução nº 1202000.248 S1C2T2 Fl. 830 3 pagamento de multa pelo suposto atraso na apresentação de arquivos digitais. Decerto que, se cabível alguma penalidade, esta haveria que ser a prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991 (“multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos”), jamais aquela capitulada pela Fiscalização. • A despeito da constatação do descabimento da multa aplicada no inciso III do art. 12 da Lei nº 8,218, de 1991, não se pode pretender “consertar” a equivoca autuação do Fisco, devendo o lançamento ser declarado insubsistente. • Da Ofensa a Princípios Constitucionais: A multa aplicada ofende aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade, porquanto se está a exigir uma penalidade correspondente quase que integralmente ao somatório dos créditos postulados pela autuada. • A aplicação da multa também atenta contra o Princípio da Instrumentalidade das Formas, visto que a própria legislação de regência da matéria previu a possibilidade de os arquivos e sistemas previstos na IN nº 86/2001 serem apresentados em formato diverso daquele estabelecido nas normas. • A imposição de multa tão exorbitante também ofende ao Princípio do Não Confisco e até mesmo da Moralidade. • Há ofensa também ao Princípio da Não Propagação da Multa no Tempo, visto que a multa aplicada é de 0,02% para cada dia sobre a receita bruta, até alcançar o limite de 1% desta. A multa foi sendo somada diariamente até atingir o limite. • Do Erro na Quantificação da Multa: A Fiscalização calculou a multa para o período de 2008 utilizando o valor da receita bruta de R$ 2.341.755.356,17, quando o correto é R$ 1.338.942.541,77, como se comprova pelo Balancete relativo ao 1º semestre de 2008. • Diligências: Requer a realização de diligências fiscais para constatação dos fatos aqui alegados. Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1532.016 da DRJ/SDR, de fls. 650 a 658, julgando improcedente a impugnação, com o seguinte ementário: DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. O prazo decadencial relativo ao lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARQUIVO MAGNÉTICO. MULTA REGULAMENTAR. As pessoas jurídicas obrigadas a manter arquivos magnéticos de livros e documentos de natureza contábil e fiscal à disposição dos órgãos fiscalizadores estão sujeitas à multa prevista no artigo 12, III, da Lei n.° 8.218, de 1991, no caso de não apresentação desses arquivos quando solicitados. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Resolução nº 1202000.248 S1C2T2 Fl. 831 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão, foi impetrado recurso voluntário, de fls. 669 a 735, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. Como já relatado, o contribuinte sofreu a aplicação de multa pela não entrega de “arquivos especificados nos itens “4.6 Relação Insumo/Produto” e “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Único do ADE COFIS Nº 15/2001”, com fundamento legal nos “Arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n ° 2.15834/2001 e reedições”, fls. 04. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, verificase que o procedimento fiscal efetuado na autuada decorreu da análise de pedidos de ressarcimento de créditos do PIS não cumulativo e da Cofins nãocumulativa, conforme claramente exposto no início do Termo, fls. 06. “O presente procedimento fiscal decorre dos resultados alcançados no âmbito do diligência fiscal objeto do MPF n° 05.1.04.002012000083 que, iniciada em 25/01/2012, conforme ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, analisou os pedidos de ressarcimento de créditos da PIS nãocumulativo (período de janeiro/2007 a junho/2008) e da COFINS nãocumulativa (período de janeiro/2007 a junho/2008) da empresa incorporada IPIRANGA PETROQUÍMICA S.A., CNPJ n° 88.939.236/0001 39.” Para possibilitar a análise dos pedidos, intimou o contribuinte a apresentar diversos arquivos magnéticos relativos à verificação dessas contribuições, o que foi atendido em parte, acarretando a imposição da multa objeto do presente processo. Com efeito, a análise das penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias das contribuições para o PIS/PASEP e para o Cofins, objeto do recurso voluntário, é de competência da Terceira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, nos termos do art. 4º, incisos I e XXI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Resolução nº 1202000.248 S1C2T2 Fl. 832 5 I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; [...] XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (destaquei) Em vista do exposto, voto no sentido de que esta turma de julgamento da Primeira Seção do CARF deve declinar da competência do julgamento do recurso para a Terceira Seção deste CARF, devendo o processo para lá ser encaminhado para fins de nova distribuição e prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 832DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900558/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.907
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2008 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 05 58 /2 01 3- 64 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14054.560, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.900558/201364 Acórdão n.º 3201002.907 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902990/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O recurso protocolado no primeiro dia letivo seguinte ao feriado previsto em Portaria expedida pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, é tempestivo.
ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ E DO PERD/COMP.
Os erros materiais no preenchimento dos documentos fiscais podem ser superados por este C. Tribunal, quando restar comprovado nos autos por outros meios de prova a certeza e a liquidez do crédito tributário para o seu reconhecimento e homologação dos pedidos de compensação.
Numero da decisão: 1402-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) dar provimento aos embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário; e ii) na apreciação do recurso voluntário, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O recurso protocolado no primeiro dia letivo seguinte ao feriado previsto em Portaria expedida pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, é tempestivo. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ E DO PERD/COMP. Os erros materiais no preenchimento dos documentos fiscais podem ser superados por este C. Tribunal, quando restar comprovado nos autos por outros meios de prova a certeza e a liquidez do crédito tributário para o seu reconhecimento e homologação dos pedidos de compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O recurso protocolado no primeiro dia letivo seguinte ao feriado previsto em Portaria expedida pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, é tempestivo. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ E DO PERD/COMP. Os erros materiais no preenchimento dos documentos fiscais podem ser superados por este C. Tribunal, quando restar comprovado nos autos por outros meios de prova a certeza e a liquidez do crédito tributário para o seu reconhecimento e homologação dos pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) dar provimento aos embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário; e ii) na apreciação do recurso voluntário, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 29 90 /2 00 8- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 167 3 Relatório Trata o presente de julgamento de Embargos Inominados opostos face v. acórdão que considerou o Recuso Voluntário intempestivos. A matéria é relativa a processo de PER/DCOMP, protocolada sob o nº 26292.07560.270307.1.7.023214 e transmitido em 27/03/2007, em que é pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, no valor original de R$ 814.679,34. Ao crédito requerido foram vinculados os débitos constantes das DCOMPs nos 31783.15752.281103.1.3.025457, 29259.96788.231203.1.3.02.0163 e 16405.60416.270307.1.7.021482. O despacho decisório eletrônico datado de 26/08/2008 não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações efetuadas, gerando a cobrança dos valores indevidamente compensados nos valores de R$ 916.121,65 de principal, R$ 183.224,31 de multa e R$ 664.085,82 de juros. Segundo a autoridade fiscal, ao invés de saldo negativo de IRPJ, no período informado o contribuinte havia apurado imposto a pagar no valor de R$ 4.750.545,35 conforme informado em sua DIPJ. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a Recorrente alega o seguinte: 1) Quando do preenchimento da PER/DCOMP 30468.64041.281103.1.3.021160, retificada pela 26292.07560.270307.1.7.023214, a requerente informou equivocadamente que o crédito era oriundo de "Saldo Negativo de IRPJ", quando o correto seria informar que o crédito referiase a "Pagamento Indevido ou a Maior"; 2) O equívoco cometido não é suficiente para alterar a verdade dos fatos; 3) Na apuração do imposto de renda pessoa jurídica do mês de dezembro/2002, a empresa apurou saldo a recolher de R$ 5.565.224,65, que foi recolhido por DARF (doc.05); 4) Na elaboração da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real constante na DIPJ 2003, anocalendário 2002, a empresa deixou de deduzir o imposto de renda retido na fonte pelo cliente JP Morgan, no valor de R$ 814.679,34 (doc.06), gerando portanto uma retificação da DIPJ anocalendário 2002 (doe.07). 5) Desse modo, o valor do imposto de renda a pagar passou de R$ 5.565.224,65 para R$ 4.750.545,35; 6) Essa diferença recolhida a maior no valor de R$ 814.679,34 foi objeto de declarações de compensação n°s 26292.07560.270307.1.7.023214, 38086.51225.270307.1.7.02 8224 e 16405.60416.270307.1.7.021482; 7) As compensações foram efetuadas nos termos da legislação vigente (artigo 26 da IN SRF600/2005); Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 168 4 8) Conforme demonstrado na Ficha 12 da DIPJ, foi declarado saldo devedor no valor de R$ 4.750.545,35, cuja composição demonstramos abaixo; (apresenta demonstrativo de apuração do IRPJ a Pagar) 9) A base de cálculo do imposto de renda está demonstrada na Ficha 09 — Demonstração do Lucro Real da referida DIPJ exercício 2003; 10) A estimativa devida em meses anteriores, no montante de R$ 521.418,88, recolhida até o mês de novembro de 2003 através de compensações com IRRF de anos anteriores; 11) Foi retido o valor de R$ 814.679,34 a título de IRRF sobre aplicações financeiras, cujo comprovante de rendimentos demonstramos anexo (doe.08); 12) A recorrente, frisese novamente, ao elaborar as citadas PER/DCOMP's, informou por equívoco que a origem do crédito era Saldo Negativo IRPJ, quando o correto seria informar como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior; 13) Resta mais do que claro que o crédito em questão existe, é legítimo e passível de utilização pela recorrente, bastando apenas a retificação da informação da origem do saldo credor nas referidas declarações de compensação; 14) 13. Conforme estabelecido no artigo 56 da INSRF600/2005, a retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelosujeito passivo mediante a apresentação à SRF; 15) A recorrente verificou a necessidade de retificação da PER/DCOMP, contudo,conforme informações verbais obtidas na Secretaria da Receita Federal de São José dos Campos, uma vez emitido Despacho Decisório, o contribuinte fica impossibilitado de efetuar qualquer retificação através do programa PER/DCOMP; 16) A requerente solicita autorização para retificar as declarações de compensação; 17) O Código Tributário Nacional, em seu artigo 165, estabelece que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo que houver pago indevidamente; (transcreve a norma) 18) Além disso, o artigo 170 do CTN estabelece sobre a modalidade de compensação como uma das formas de extinção do crédito tributário; (transcreve a norma) 19) Atualmente, a compensação está regulamentada pelo artigo 74 da Lei 9.430/96; (transcreve o caput do artigo 74 e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a prevalência da verdade material) 20) Requer a homologação das compensações. O contribuinte junta à sua defesa os seguintes documentos: (i) cópia dos PER/DCOMPS, (ii) DARF referente ao IRPJ do período de apuração 31.12.2002 no valor total de R$ 7.252.044,28 (R$ 5.565.224,68 de principal), (iii) fichas 9A 12A da DIPJ 2003 original e retificadora, (iv) ficha 43 da DIPJ 2003, (v) informe de rendimentos emitido pelo Banco JP Morgan referente ao ano calendário de 2002 e (vi) controle e atualização monetária dos créditos. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 169 5 Os autos foram então encaminhados à DRJ de Belém para a análise da manifestação de inconformidade. Em 31 de janeiro de 2011 foi proferida a decisão da DRJ/BEL, que adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/12/2002 PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Tendo sido comprovado que o pagamento a maior indicado na declaração de compensação inexiste, descabe reconhecer o direito creditório e as compensações restam não homologadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Abaixo a fundamentação da decisão: No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Assim, a autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. No PER/DCOMP 26292.07560.270307.1.7.023214 (fls.1/5) o contribuinte pleiteou crédito de saldo negativo IRPJ no valor de R$ 814.679,34 e disse que o crédito teve origem em retenção na fonte (IRRF) no montante do crédito pleiteado. Ora, o valor do crédito indicado à fl.2 (R$ 814.679,34) corresponde a crédito de pagamento indevido ou a maior. E o que veremos a seguir. Conforme fis. 84/85 (Ficha 11 da D IP J/2003 Estimativas mensais) referente ao mês de dezembro/2002, o contribuinte apurou a estimativa desse período de apuração com base em balancete de suspensão/redução. O IRRF de R$ 814.679,34 foi utilizado como dedução na apuração da estimativa IRPJ a Pagar. Posteriormente, no Cálculo do IR sobre o Lucro Real (fls.86/87), o IRRF foi utilizado como dedução, chegando a IRPJ a Pagar de R$ 4.750.545,35, isto é, o mesmo montante calculado na estimativa de dezembro/2002. Considerando que na DIPJ/2003 original houve apuração de estimativa dezembro/2002 de R$ 5.565.224,69 (fl.56) e que na retificadora a estimativa apurada foi R$ 4.750.545,35, a diferença entre os dois valores corresponde a pagamento a maior. Assim, comprovado está que o contribuinte quis, na verdade, pleitear crédito de pagamento a maior de estimativa IRPJ referente ao mês de dezembro/2002. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 170 6 Ocorre que conforme alegado pelo próprio contribuinte, o crédito é de pagamento a maior e a origem do crédito é IRRF no valor de R$ 814.679,34. Dessa forma, o contribuinte entende que houve pagamento a maior de IRRF. A esse respeito, equivocase o contribuinte haja vista que inexiste pagamento a maior de IRRF. A tela de fl.62 (Informe de Rendimentos Financeiros), documento emitido pela fonte pagadora dos rendimentos aplicações financeiras de renda fixa, mostra que houve a aquisição dos rendimentos. Nesse caso, cabível a retenção e recolhimento efetuados pela fonte pagadora. Muito embora o IRRF considerado na estimativa mensal de dezembro/2002 tenha sido importante na constatação do pagamento a maior, este é de IRPJ e não de IRRF. Notese que o pagamento de fl.62 (5.565.224,65), o qual se baseou na estimativa IRPJ de dezembro/2002 da DIPJ/2003 original é que efetivamente deu origem ao pagamento a maior. Destarte, o pagamento a maior indicado na declaração de compensação inexiste. Da Conclusão Isto posto, voto no sentido de não reconhecer o direito creditório no valor de R$ 814.679,34 referente a pagamento a maior IRRF e declaro não homologadas as compensações. Contra tal decisão, a Recorrente protocolou o recurso voluntário de efls. 97/104, sustentando: 1) Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anocalendário 2002 (DIPJ/2003) a Recorrente apurou saldo a pagar de Imposto de Renda (IRPJ) no valor de R$5.565.224,65, montante esse recolhido intempestivamente por meio de DARF, com o acréscimo dos respectivos juros e multa 2) Contudo, ao revisar seus lançamentos fiscais, a Recorrente constatou que apurou seu imposto de renda do anocalendário de 2002 de forma equivocada, já que, por um lapso, deixou de indicar na Ficha 12A da DIPJ/2003 o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) retido pelo "Banco JP Morgan S.A." no importe de R$ 814.679,34. 3) A fim de corrigir o equívoco cometido a Recorrente apresentou DIPJ retificadora para nela constar o referido valor de IRRF retido pelo "Banco JP Morgan S.A." (Fichas 12A e 43). Como consequência da retificação da declaração o total de IRPJ devido pela empresa naquele anocalendário foi reduzido para R$4.750.545,35. 4) Considerando que a Recorrente havia recolhido R$5.565.224,65 a título de IRPJ do anocalendário 2002 e que o valor do imposto apurado após a apresentação da declaração retificadora passou a ser a R$4.750.545,35, a diferença recolhida a maior de R$814.679,34 tornouse crédito passível de compensação. 5) Ciente deste crédito, nos termos da legislação vigente (IN SRF 600/2005, artigo 26), passou a utilizar esse crédito para compensação. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 171 7 6) Contudo, quando do preenchimento das PER/DCOMP, a Recorrente erroneamente informou que o crédito a compensar decorria de saldo negativo de IRPJ, ao invés de indicar que o crédito tem origem em pagamento a indevido ou a maior, conforme verificado anteriormente. 7) É evidente que tal equívoco não macularia os créditos existentes em favor da Recorrente, tampouco as compensações efetuadas por meio das PER/DCOMP, pois se trata de mero erro material incapaz de alterar a realidade dos fatos, que sempre deve ser buscada pela Administração Pública, pois assim determina o princípio da verdade material, um dos pilares do processo administrativo fiscal. 8) Sabese que sob a égide do princípio da verdade material as autoridades fiscais devem atuar com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, desprezandose as presunções tributárias, as ficções legais ou outros procedimentos que atendam tão somente à formalidade; é dever das autoridades administrativas investigar os fatos para elucidação da verdade material. 9) A verdade dos fatos é uma só e somente ela deve pautar a atividade da Administração Pública: a Recorrente tem créditos de IRPJ decorrentes de pagamento indevido ou a maior. 10) O fato de o contribuinte ter indicado erroneamente em sua PER/DCOMP que a origem do crédito era de saldo negativo de IRPJ não prejudica e tampouco obsta a compensação desses créditos com outros tributos, pois se trata de mero erro material que de forma alguma se sobressai e se impõe à realidade dos fatos. 11) Tanto é verdade que a própria decisão vergastada reconheceu expressamente a existência do crédito compensável de R$814.679,34, mas se perdeu ao sustentar que para fins de verdade material o relevante não é se o contribuinte tem crédito ou não, mas se foi dado o nome certo a esse crédito.. 12) Diferentemente do que consta da decisão recorrida, a verdade material busca aquilo que efetivamente aconteceu, ou seja, a realidade dos fatos. Tal princípio impõe a obrigação de se averiguar a realidade dos fatos, independentemente de nomenclaturas, denominações e informações. No presente caso, percebese que o julgador se prendeu ao nome e não ao próprio crédito (e ao direito a esse crédito) reconhecidamente existente em favor da Recorrente. 13) Inúmeros são os julgados administrativos no sentido de que é dever das autoridades administrativas investigar os fatos para elucidação da verdade material. Cita os recursos 144.206, 140.876, 148.038 e 139.995. 14) Assim sendo, o não reconhecimento do direito creditório no presente caso deve ser repugnado, pois na realidade o crédito em questão tem origem em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ e, a partir das informações prestadas pelo contribuinte, tornase evidente que tal crédito fora utilizado nas PER/DCOMPs 30468.64041.281103.1.3.021160, retificada pela 26292.0756.270307.1.7.023214; 31783.15752.281103.1.3.025457; 29259.96778.231203.1.3.020163, retificada pela 38086.51225.270307.1.7.028224; e, 03735.13373.281103.1.03.020471, retificada pela 16405.60416.270307.1.7.021482, em que pese o equívoco no preenchimento das mesmas ao informar que se tratava de crédito de saldo negativo de IRPJ. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 172 8 15) Em síntese, temse que: (i) a Recorrente apresentou a DIPJ/2003 e recolheu o IRPJ apurado no valor de R$5.565.224,69; (ii) a Recorrente averiguou que o imposto fora calculado de forma equivocada e apresentou a DIPJ/2003Retificadora, com a qual o IRPJ a pagar foi reduzido a R$4.750.545,35; (iii) a diferença entre a DIPJOriginal e a DIPJRetificadora está na declaração e dedução do montante de IRRF retido pelo Banco JP Morgan S.A.; (iv) a diferença entre o valor de IRPJ recolhido com base na DIPJoriginal (R$5.565.224,69) e o efetivamente devido, resultante da DIPJ Retificadora (R$4.750.545,35), referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$814.679,34; (v) tal valor de IRPJ pago indevidamente ou a maior foi utilizado para compensação por meio das PER/DCOMP 30468.64041.281103.1.3.02 1160, retificada pela 26292.0756.270307.1.7.023214; 31783.15752.281103.1.3.02 5457; 29259.96778.231203.1.3.020163, retificada pela 38086.51225.270307.1.7.02 8224; e, 03735.13373.281103.1.03.020471, retificada pela 16405.60416.270307.1.7.021482; (vi) as PER/DCOMP foram preenchidas equivocadamente, pois indicaram que o crédito compensável tinha origem em saldo negativo de IRPJ, quando na realidade decorriam de pagamento indevido ou a maior de IRPJ; e, (vii) em razão do princípio da verdade material deveriam as autoridades fiscais ter buscado a realidade dos fatos, ou seja, deveriam ter apurado a verdadeira origem do crédito utilizado para compensação;. 16) Diante do exposto, estaria demonstrado que o crédito utilizado para compensação decorre de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, em que pese o equívoco no preenchimento da PER/DCOMP que indicava tratarse de saldo negativo de IRPJ, com base no princípio da verdade material pede que sejam acolhidas as razões recursais para que sejam homologadas as compensações realizadas por meio das PER/DCOMP 30468.64041.281103.1.3.021160, retificada pela 26292.0756.270307.1.7.023214; 29259.96778.231203.1.3.020163, retificada pela 38086.51225.270307.1.7.028224; 03735.13373.281103.1.03.020471, retificada pela 16405.60416.270307.1.7.021482; e, 31783.15752.281103.1.3.025457, o que resultará na extinção do crédito tributário dos valores compensados e no consequente cancelamento da cobrança dos mesmos. Inicialmente, a 1ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento não conheceu do Recurso Voluntário em razão da sua suposta intempestividade, decisão esta questionada pelo contribuinte em embargos inominados de efl. 145. Ato contínuo, a E. Conselheira Presidente da 3ª Câmara desta 1ª Seção admitiu os Embargos relativo ao ponto da inexatidão material da decisão que considerou o recurso intempestivo. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 173 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os Embargos são tempestivo e preenchem todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual devem ser conhecidos. O pedido principal dos Embargos Inominados é relativo a reforma do v. acórdão embargado para o reconhecimento da tempestividade do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário não foi conhecido devido a C. Turma ter entendido que seu protocolo foi feito fora do prazo, no dia 25 de abril de 2011, sendo que o prazo fatal seria no dia 22 de abril de 2011, uma sextafeira. Ocorre, que segundo a Portaria 735 de dezembro de 2010 do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão (abaixo colacioanda), o dia 22/04/2011 foi feriado (Paixão de Cristo), sendo dia facultativo para as repartições e órgãos da Administração Pública. A Portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nº 735, de 1º de dezembro de 2010, dispôs sobre os feriados e pontos facultativos do ano 2011: Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2011, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: I 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II 7 de março, Carnaval (ponto facultativo); III 8 de março, Carnaval (ponto facultativo); IV 9 de março, quartafeira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas); V 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VI 22 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VII 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII 23 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 174 10 XI 28 de outubro, Dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo); XII 2 de novembro, Finados (feriado nacional); XIII 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); XIV 25 de dezembro, Natal (feriado nacional). (*) destaquei Assim, devido ao feriado a Embargante protocolou o Recurso Voluntário no próximo dia útil, uma segundafeira, dia 25/04/2011. Desta forma, de acordo com os dispositivos relativos a contagem do prazo recursal previstos na legislação do processo administrativo tributário federal, entendo que o Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido, eis que preenche todos os requisitos previstos em lei. Desta forma, acolho os Embargos Inominados e dou provimento com efeitos infringentes para reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário. Passo ao julgamento do Recurso Voluntário. Em síntese, temse que a lide trata de: (i) a Recorrente apresentou a DIPJ/2003 e recolheu o IRPJ apurado no valor de R$5.565.224,69; (ii) a Recorrente averiguou que o imposto fora calculado de forma equivocada e apresentou a DIPJ/2003Retificadora, com a qual o IRPJ a pagar foi reduzido a R$4.750.545,35; (iii) a diferença entre a DIPJOriginal e a DIPJRetificadora está na declaração e dedução do montante de IRRF retido pelo Banco JP Morgan S.A. sobre aplicações financeiras, cujo comprovante de rendimentos demonstramos anexo (doc.08 fl. 62); (iv) a diferença entre o valor de IRPJ recolhido com base na DIPJ original (R$5.565.224,69) e o efetivamente devido, resultante da DIPJRetificadora (R$4.750.545,35), referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$814.679,34; (v) tal valor de IRPJ pago indevidamente ou a maior foi utilizado para compensação por meio das PER/DCOMP 30468.64041.281103.1.3.021160, retificada pela 26292.0756.270307.1.7.023214; 31783.15752.281103.1.3.025457; 29259.96778.231203.1.3.020163, retificada pela 38086.51225.270307.1.7.02 8224; e, 03735.13373.281103.1.03.020471, retificada pela 16405.60416.270307.1.7.021482; (vi) as PER/DCOMP foram preenchidas equivocadamente, pois indicaram que o crédito compensável tinha origem em saldo negativo de IRPJ, quando na realidade decorriam de pagamento indevido ou a maior de IRPJ; e, (vii) em razão do princípio da verdade material deveriam as autoridades fiscais ter buscado a realidade dos fatos, ou seja, deveriam ter apurado a verdadeira origem do crédito utilizado para compensação. De uma análise mais acurada dos autos, verifiquei que a Recorrente realmente preencheu a DIPJ e as PER/DCOMPs de forma equivocada, o que acarretou na diferença recolhida de R$ 814.679,34 entre R$ 5.565.224,69 e R$ 4.750.545,35. Entretanto, no documento de fl. 62 (Informe de Rendimentos), onde constam as alegadas retenções feitas pelo Banco JP Morgan não é possível verificar que a Recorrente é a beneficiária de tais valores retidos, faltando provas nos autos para que se consiga a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10283.902990/200811 Acórdão n.º 1402002.729 S1C4T2 Fl. 175 11 comprovação de que o erro cometido no preenchimento dos documentos fiscais não prejudicam o crédito que se pretende que seja reconhecido e as compensações homologadas. Sendo assim, entendo que como a Recorrente indicou nas PER/DCOMPs o crédito como saldo negativo de IRPJ, quando o certo seria escriturar pagamento indevido ou à maior e como não restou comprovado nos autos que tal equívoco de escrituração não prejudicou o seu direito de utilizar o crédito, entendo que não resta alternativa senão negar provimento ao requerimento do Recurso Voluntário. Particularmente, entendo que equívocos cometidos pelos contribuintes que se caracterizem em mero erro material no preenchimento, são passíveis de retificação por este C. Tribunal, em respeito ao princípio da busca da verdade material; claro, quando terminantemente constatada a regularidade e existência do crédito, o que não ocorreu nos autos. Faltou nos autos a prova de que mesmo que a Recorrente tenha preenchido de forma equivocada os documentos fiscais, ao indicar saldo negativo de IRPJ, ela teria o direito ao crédito e que tal montante não foi utilizado em outras compensações. No presente caso, não é o excesso de formalidade que evitou que a Recorrente exerça seu direito de compensar o crédito, o que o ocorreu nos autos, foi a falta de prova relativa a certeza e liquidez do crédito, bem como de que os equívocos cometidos no preenchimento da DIPJ e das PER/DCOMPs foram meros erros materiais. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário deixando de reconhecer o crédito, para não homologar os pedidos de compensações. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720813/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.365
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente COOPERATIVA CENTRAL DOS PRODUTORES RURAIS DE MINAS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 13 /2 01 2- 11 Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/PASEP incidência não cumulativa, relativo ao trimestre 01/10/2010 a 31/12/2010, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a aquisição de energia elétrica por demanda contratada e a serviços de frete na venda de produtos acabados. Apresentada a manifestação de inconformidade, a Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte julgoua procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 02044.029, revertendo a glosa sobre as aquisições de energia elétrica e mantendo a glosa sobre o frete de produtos acabados. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações feitas em manifestação de inconformidade, no sentido de que o direito ao creditamento sobre as aquisições de serviços de fretes sobre as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente tem fundamento tanto no inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, na condição de insumo utilizado no processo produtivo quanto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, na condição de frete em operações de venda. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.357, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10680.720805/201267, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.357): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 4 3 O litígio resumese à aquisição de fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Alegou que os fretes ocorridos entre a unidade produtora e o centro de distribuição consistem em mero desdobramento de suas operações de venda e que, somados aos fretes ocorridos entre o centro de distribuição e seus clientes, equivaleriam ao fretes diretos entre a unidade produtora e seus clientes, sendo cabível o creditamento de acordo com o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em outra linha de argumentação, defendeu também que estes serviços seriam custos de seu processo produtivo, repassados aos preços dos produtos e, portanto, serviços utilizados como insumos de que trata o inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passando à análise do ponto controvertido, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 5 4 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 6 5 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 7 6 bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0II utilizados na prestação de serviços: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 8 7 legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 9 8 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 10 9 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 11 10 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 12 11 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 13 12 passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com vale transporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 14 13 Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, concluise que os fretes entre estabelecimentos produtor e centros de distribuição, ou entre centros de distribuição, não são considerados custos de aquisição ou de transformação, mas dispêndios ocorridos após o processo produtivo, razão pela qual não podem ser considerados serviços utilizados como insumos, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Concernente à subsunção à hipótese de frete em operações de venda, a Lei nº 10.833/2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Portanto, os fretes sobre produtos acabados não geram direito ao créditos da contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativas, embora reconheçase que tais despesas são necessárias às atividades da recorrente. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10680.720813/201211 Acórdão n.º 3302004.365 S3C3T2 Fl. 15 14 creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302 002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." No julgamento do processo paradigma foi apresentada declaração de voto pela Conselheira Lenisa Prado, que manifestou seu entendimento de que os fretes em questão geram direito a crédito das contribuições. Expôs a Conselheira que aderiu à "corrente formada pelos julgadores que compõem a 3ª Câmara de Recursos Fiscais, que reconhecem que o custo decorrente do transporte dos produtos acabados gera o crédito reclamado pela ora recorrente. Tal entendimento culminou com a publicação do Acórdão n. 9303004.318, proferido no julgamento do Processo 13896.721081/201312 (...)". Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins na aquisição de fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 541DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979287/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 87 /2 00 9- 34 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979287/200934 Acórdão n.º 1201001.715 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979287/200934 Acórdão n.º 1201001.715 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979287/200934 Acórdão n.º 1201001.715 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10880.979287/200934 Acórdão n.º 1201001.715 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990680/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 80 /2 00 9- 89 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.990680/200989 Acórdão n.º 1201001.741 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.990680/200989 Acórdão n.º 1201001.741 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.990680/200989 Acórdão n.º 1201001.741 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.990680/200989 Acórdão n.º 1201001.741 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723731/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA N.º 01 DO CARF.
De acordo com a Súmula n.º 01 deste Conselho, a concomitância deve ser reconhecida na oportunidade em que o objeto e a causa de pedir são as mesmas de ação judicial. Havendo parte do objeto ou causa de pedir que seja a mesma da medida judicial, a concomitância deve ser parcialmente reconhecida.
Numero da decisão: 3201-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA N.º 01 DO CARF. De acordo com a Súmula n.º 01 deste Conselho, a concomitância deve ser reconhecida na oportunidade em que o objeto e a causa de pedir são as mesmas de ação judicial. Havendo parte do objeto ou causa de pedir que seja a mesma da medida judicial, a concomitância deve ser parcialmente reconhecida.
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SÚMULA N.º 01 DO CARF. De acordo com a Súmula n.º 01 deste Conselho, a concomitância deve ser reconhecida na oportunidade em que o objeto e a causa de pedir são as mesmas de ação judicial. Havendo parte do objeto ou causa de pedir que seja a mesma da medida judicial, a concomitância deve ser parcialmente reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 37 31 /2 01 3- 31 Fl. 276DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário de fls 245 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/RJ de fls. 209 que deu provimento parcial para a impugnação de fls 62, mantendo em parte o Auto de Infração de PIS de fls 03, por insuficiência de recolhimento. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico, pertinente à falta de recolhimento e por insuficiência de recolhimento ou declaração da Contribuição para o PIS nos períodos de maio de 2010 a dezembro de 2011 conforme elementos acostados às fls. 02 a 11, no valor de R$ 16.914.780,83, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/05/2013. 2. Na Descrição dos Fatos do respectivo lançamento, a Autoridade Fiscal que procedeu aos trabalhos de fiscalização esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal, da seguinte forma: 2.1 Infração 001 – Pis Atos Principais. As bases de cálculo para as receitas denominadas “Atos Principais” foram reduzidas mensalmente pela subtração de valores registrados no grupo de contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos. 2.2 Infração 002 – Pis Atos Não Cooperativos As bases de cálculo para as receitas denominadas “Atos Não Cooperativos” foram reduzidas mensalmente pela subtração de valores registrados no grupo de contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos. 2.3 Infração 003 – Pis Atos Principais A fiscalizada deixou de recolher a contribuição apurada sobre as receitas denominadas Atos Principais. 2.4 Infração 004 – Pis Atos Auxiliares As bases de cálculo para as receitas denominadas “Atos Auxiliares” foram reduzidas mensalmente pela subtração de valores registrados no grupo de contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos. 3. No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 13 a 30, consta em resumo que: 3.1 Foi constatado que a Receita de Vendas de Bens e Serviços (alíquota cumulativa na DACON) corresponde à receita relativa aos Planos de Assistência, às Receitas Operacionais, às Receitas Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 277 3 Operacionais Assistenciais não relacionadas com planos, às Receitas Financeiras e às Receitas da Lista Neutra, Positiva e Negativa. A receita tributada à alíquota zero é formada pelas receitas das Listas Positiva e Negativa. 3.2 A base de cálculo do PIS informada pela empresa compõese da Base Assistencial, formada pelo grupo de contas 31 (Contraprestações Efetivas de Planos de Assistência), 33 (Outras Receitas Operacionais), 333 (Outras Receitas Operacionais Assistenciais não relacionadas com plano), 35 (Receitas Patrimoniais), 41 (Eventos Indenizáveis Líquidos),414 (Variação da Provisão de Eventos/Sinistros Ocorrido) e 443819900000101 (Intercâmbio Eventual), somada à 34 (Receita Financeira), e a 36 (Receitas não operacionais e às Receitas da farmáciaLista Neutra). 3.3 As receitas que compõem a base de cálculo Assistencial são divididas em Atos Principais, Atos Auxiliares e Atos Não Cooperados. 3.4 Foi informado pela fiscalizada que são • Atos Principais: referemse às modalidades de serviços relativos às consultas, exames e demais procedimentos prestados pelo cooperado pessoa física e jurídica. • Atos Auxiliares: referemse a todos os serviços credenciados que servem de apoio ao cooperado para a realização de diagnóstico e procedimentos médicohospitalares. Ex: exames laboratoriais, internações e demais procedimentos. • Atos não cooperativos: referemse às modalidades de serviços médicos prestados por pessoas físicas e jurídicas não cooperadas, assim como todas as operações que geram receitas não operacionais. Ex: fisioterapeutas, bucomaxilos, comissões, psicólogos, nutricionistas. 3.5 As exclusões da base de cálculo se enquadram nas receitas denominadas Outras Receitas Operacionais não relacionadas com plano, Eventos Indenizáveis Líquidos e Intercâmbio Eventual, em virtude da previsão contida no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, com a redação conferida pela Medida Provisória nº 2.15835/ 01”. 3.6 A fiscalizada informou que: • Eventos Indenizáveis: referemse a todo o custo assistencial da operadora. • Outras Receitas Operacionais não relacionadas com plano: referemse às receitas decorrentes das operações realizadas pela farmácia UNIMED, cujo faturamento mensal já sofre a incidência mensal da tributação do PIS e da Cofins e são recolhidos mensalmente, sendo por esse motivo deduzidos da base de cálculo da Unimed Campinas. Fl. 278DF CARF MF 4 • Intercâmbio Eventual: referese ao custo assistencial gasto com usuários de outras UNIMEDS de localidades diversas, sendo que sua dedução ocorre pela classificação dessa conta não estar contemplada no plano de contas padrão da ANS, no grupo de contas de Eventos Indenizáveis. Em 2012 os critérios foram reavaliados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS e os gastos relativos ao Intercâmbio Eventual fazem parte do grupo de contas de Eventos Indenizáveis. 3.7 A interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.61.05.0041407, insurgindose quanto à cobrança do Pis incidente sobre as receitas por ela classificadas como “Atos Principais e Auxiliares”. Neste a interessada requer “A concessão de medida liminar, a fim de sustar quaisquer atos a serem praticados por parte do Impetrado tendentes à exigibilidade da Contribuição para o Pis, na sistemática imposta pelas Lei nº 9.715/98 e 9.718/99, tais como imposição de multas e juros de mora.” O pedido foi julgado improcedente e a segurança denegada. A Apelação foi parcialmente provida apenas no que se referiu ao alargamento da base de cálculo a que se referiu o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Os embargos de declaração interpostos pela impetrante foram rejeitados e foram apresentados novos embargos que até 31/08/2010 aguardavam análise pelo TRF. 3.8 Por tal motivo a fiscalizada não possui direito líquido e certo de isenção do Pis quanto às receitas decorrentes dos denominados “Atos Principais e Auxiliares”. Também não foi motivo do citado processo judicial qualquer questionamento visando discutir o disposto no §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com a redação da MP nº 2.15835/ 01. 3.9 Cita a Solução de Consulta SRRF/3ª RF/DISIT nº 20/2003, quanto às exclusões das bases de cálculo do Pis e da Cofins constantes do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a redação da MP nº 2.15835/ 01. Especificamente no que se refere ao inciso III a consulta foi solucionada no sentido de que a dedução diz respeito à diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. 3.10 O presente lançamento se refere à exclusão indevida das bases de cálculo do Pis de valores constantes do grupo de contas contábeis 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos e falta de recolhimento em relação aos Atos Principais.. 3.11 O presente lançamento deve ter seu fim vinculado à decisão da ação judicial nº 1999.61.05.0041407, no que se refere aos Atos Principais e Auxiliares. 4. Cientificado do lançamento em 28.06.2013, o contribuinte apresentou a peça impugnatória de fls. 62 a 85, em 30.07.2013. Nesta alega, em síntese, que a autuação fiscal não deve prosperar pelos seguintes fatos: Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 278 5 Da Contabilização das receitas da cooperativa 4.1 Quando celebra contratos com pessoas físicas e jurídicas disponibilizando os serviços dos médicos cooperados, na forma de Planos de Assistência à Saúde, se encontra, em verdade, prestando serviços àqueles e não aos usuários contratantes de tais planos. 4.2 Os contratos formalizados em favor dos médicos cooperados para atuação destes, ao lado das demais receitas não operacionais, como a financeira, são a sua fonte de receitas. 4.3 Toda a receita advinda da celebração de contratos com pessoas físicas e jurídicas, ato cooperativo próprio, é contabilizada para fins de custear as despesas da cooperativa. 4.4 Não há a prática de um ato auxiliar ou acessório, mas há a reserva de valores advindos da receita dos atos cooperativos para o enfrentamento de tais despesas, consideradas auxiliares ou acessórias. 4.5 Considerando os art. 86 e 111 da Lei nº 5.764/71, somente haveria tributação sobre a receita advinda da prestação de serviços a terceiro. Assim incabível qualquer incidência sobre a receita advinda dos planos contratados pela Cooperativa em nome dos cooperados. Da hipótese de incidência e dedução da base de cálculo 4.6 O §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não define o que venha a ser corresponsabilidades cedidas e indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, bem como transferências de responsabilidades, realidades intrínsecas às atividades conduzidas pelas operadoras de planos de saúde, as quais se encontram jungidas às normas editadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS para a regulação da atividade. Da competência da ANS para editar normas e fiscalizar a atuação das operadoras de planos de saúde 4.7 De acordo com a Lei nº 9.656/98, as operadoras de planos de assistência à saúde se encontrem subordinadas às normas e à fiscalização da ANS no tocante aos seus produtos e serviços, bem assim os contratos que disponibilizam ao mercado. 4.8 De acordo com a Lei nº 9.961/00 e com a Resolução Normativa nº 197/2009, tudo o que diz respeito à constituição, organização e funcionamento das operadoras no que se refere às suas diretrizes é de competência da Diretoria da ANS. Do entendimento da ANS 4.9 Fez consulta à ANS acerca das expressões técnicas utilizadas na redação dos incisos do §9º do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. 4.10 Por meio do Ofício nº 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS, de 31.01.2007, e relativamente ao inciso III do 9º do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, definiu que: Fl. 280DF CARF MF 6 "3 VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGO, DEDUZIDO DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES: Eventos Ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, Í115, 4116, 4117 e 4118 (Capítulo V, Anexo 1, da IN n° 08/2006; ou Capítulo IV do Anexo II da RN n° 27/2003); Esses eventos serão escriturados em Controles Gerenciais conforme definido no item 7, Capítulo 1, Anexo 1, da IN n° 08/2006, ou item 6, Capítulo 1 do Anexo II, da RN n° 27/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118, () 4121, () 4122, () 4128, () 4129, () 4131 e () 14132 4118 (Capítulo V, Anexo l, da IN n° 08/2006;ou Capítulo IV doAnexo II da RN n°27/2003)" (grifado) 4.11 A ANS definiu e conceituou os institutos mencionados nos incisos I a III, do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, sem, contudo, conceder a interpretação ao dispositivo legal, matéria essa de competência da Receita Federal. 4.12 A Receita Federal confere conotação distinta aos mesmos institutos, como se à mesma fosse de competência definir o que venha a ser corresponsabilidades cedidas, contraprestações pecuniárias, indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, etc. 4.13 O plano de contas contábil padrão da ANS é de observância obrigatória pelas operadoras de planos de saúde. 4.14 A Receita Federal em Soluções de Consulta relativa às operadoras de planos de saúde, tem se utilizado das definições conceituais editadas pela ANS, concluindose que sempre que pretendeu o embasamento técnico utilizouse das definições da ANS. Das Soluções de Consulta 4.15 A fiscalização fundamentou o ato administrativo do lançamento em posicionamento da Receita Federal exteriorizado através de Soluções de Consulta editadas anteriormente à manifestação da ANS. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 279 7 4.16 O entendimento do Fisco exposado na Solução de Consulta SRRF/3ª RF/DISIT nº 20/2003 é no sentido de que o reembolso de despesas de uma operadora de saúde, seriam as consultas, exames, internações, etc, mas apenas nos casos de atendimento aos associados de outra operadora, quando o texto legal, em nenhum momento, estabeleceu tal distinção. 4.17 Os eventos ocorridos, efetivamente pagos pela operadora de saúde, tanto que a mesma é indenizada, não possuem qualquer limitação àqueles fruto de atendimento a usuários de outras operadoras. 4.18 O inciso III traz a possibilidade da operadora de saúde deduzir da base de cálculo da Cofins, todas as suas despesas, como é o caso do inciso I, onde a corresponsabilidade cedida pode ser deduzida, vale dizer, é o valor que a operadora de saúde tem que pagar para outra operadora por esta ter realizado o atendimento de um usuário seu, do inciso II, com o valor destinado às provisões técnicas e obrigatórias e do inciso III, com as despesas gerais da operadora (consultas, exames, internações, etc). Da pretendida isonomia com as entidades seguradoras 4.19 A motivação da inclusão do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, foi de equiparar o regime de tributação das operadoras de planos de assistência à saúde e das sociedades seguradoras que atuam no mesmo ramo, até para possibilitar a livre concorrência nesse mercado. 4.20 De acordo com o inciso II, do §6º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, as empresas seguradoras podem excluir da base de cálculo o resultado positivo da operação matemática verificada entre o valor de todos os sinistros pagos em decorrência do contrato de seguro subtraído de todas as importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros. 4.21 Se as sociedades seguradoras podem considerar, para apuração do resultado a que alude o dispositivo legal acima citado, a totalidade do custo da sua atividade, consubstanciado na obrigação de pagamento dos sinistros ocorridos, igual possibilidade deveria ser atribuída às demais operadoras de planos de assistência à saúde, objetivando conferir a isonomia pretendida na norma que inseriu as hipóteses previstas no inciso III, do §9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Da Jurisprudência 4.22 Cita que o CARF proferiu decisão no sentido de que a exclusão da base de cálculo do ressarcimento de intercâmbio, coresponsabilidade cedida e transferência de responsabilidade engloba os valores pagos à rede conveniada como médico (honorários), hospitais, clínicas e laboratórios. 4.23 Na esfera judicial o TRF da 4ª Região proferiu decisão no sentido de que as exclusões permitidas para as operadoras de planos de saúde, consideramse como sendo indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, os valores Fl. 282DF CARF MF 8 correspondentes aos pagamentos registrados nas contas que se referem a despesas operacionais ou custos decorrentes do cumprimento dos contratos de prestação de serviços médicos contratados pela UNIMED com seus usuários. 4.24 A referida decisão judicial compartilhou do entendimento da ANS sobre tal questão. Da ausência de vinculação direta com a ação judicial 4.25 Demonstrou que a Lei nº 9.715/98 estabeleceu a incidência da Contribuição para o Pis relativamente aos atos considerados próprios sobre a folha de salários e com base no faturamento unicamente dos atos praticados com não associados, considerados aqueles em que a Cooperativa remuneraria os hospitais, as clínicas e os laboratórios (atos auxiliares). 4.26 A Lei nº 9.718/98 apenas acrescentou o fato de que as demais receitas da Cooperativa, que não o faturamento dos atos praticados com terceiros, passariam a ser tributados. 4.27 Os atos cooperativos principais, decorrentes da celebração de contratos de Planos de Assistência à Saúde com pessoas físicas e jurídicas, não foi objeto de abordagem seja pelo fato de que a regra de incidência era expressa em contemplar a incidência unicamente sobre os atos praticados em favor de terceiros (atos auxiliares), seja pela expressa previsão contida nos artigos 86 e 111, da Lei nº 5.764/71. 4.28 Na inicial da ação judicial pleiteia “ser reconhecido o seu direito líquido de proceder ao recolhimento do referido tributo, tão somente, sobre sua folha de salários, nos exatos termos da legislação vigente”. 4.29 Tanto isto se comprova que os tópicos abordados pela Impugnante na inicial da ação judicial referiamse a) à inconstitucionalidade da Lei n° 9.715/98, por pretender tributar valores advindos de atos praticados com terceiros, mas em favor dos cooperados (atos auxiliares) e b) à inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 pelo indevido aumento da base de cálculo da Contribuição ao PIS sem permissão constitucional. 4.30 Improcede o argumento da fiscalização de que a incidência da Contribuição para o Pis sobre a receita derivada da prática de atos principais, os resultantes da celebração dos Planos de Assistência à Saúde, seria objeto da ação judicial citada, razão pela qual nenhuma prejudicialidade há entre o resultado da ação e o presente ato administrativo de lançamento. 4.31 Com o reconhecimento da inconstitucionalidade da §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, a incidência do Pis ocorreria, para as sociedades cooperativas, unicamente sobre a receita advinda dos atos praticados em favor de terceiros, como seria o caso do ato auxiliar, que se procura afastar via a ação judicial em questão. 4.32 Não há a pretendida vinculação da ação judicial com o lançamento tributário realizado relativamente aos atos principais da cooperativa como improcede o lançamento sobre tais atos, já que prevalecendo a decisão proferida pelo TRF da 3ª Região, a incidência do Pis apenas ocorreria sobre a receita Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 280 9 derivada dos atos praticados com terceiros (atos auxiliares), cujo montante se encontra depositado judicialmente no aludido processo. 4.33 É necessária a revisão do ato de lançamento para excluir do mesmo os valores lançados da Contribuição para o Pis sobre os atos considerados principais, já que a redação do art. 2º, §1º, da Lei nº 9.715/98 permanecem vigentes mesmo após a edição da Lei nº 9.718/98. 4.34 A alegação de vinculação da ação judicial com as glosas havidas na composição da base de cálculo da Contribuição ao Pis considerada para fins de efetivação dos depósitos judiciais, também não tem fundamento, acaso houvesse sido acolhido o seu pleito de não incidência da Contribuição ao Pis sobre a receita contabilizada como atos cooperativos auxiliares. 4.35 Em nenhum momento processual discutiuse quanto à correta base de cálculo que serviria para constituir um eventual crédito tributário, até porque a ação foi proposta em 1999 e as hipóteses de dedução surgiram com a Medida Provisória nº 2.15835, em 2001. 4.36 No presente lançamento apenas se discute os valores deduzidos de seu faturamento, ou seja, os valores correspondentes ao eventos líquidos indenizáveis, que não fazem parte da ação judicial. 4.37 Se aplicada a Súmula do CARF nº 01 a impugnante perderia o direito de contestar administrativamente a glosa correspondente à dedução realizada na apuração da base de cálculo do Pis, sendo cerceado o seu direito de defesa. 4.38 Improcede qualquer vinculação deste processo à ação judicial em questão. 5. O presente processo foi objeto de decisão por meio do Acórdão nº 1261.718 de 26 de novembro de 2013. 5.1 Posteriormente, foi constatada que a referida decisão deixou de considerar alteração promovida na Lei nº 9.718/98 por meio da Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. 5.2 Assim sendo foi solicitado o retorno do presente processo a esta Delegacia de Julgamento. 6. É o relatório." Esta decisão de primeira instância da DRJ/RJ foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2011 NULIDADE Fl. 284DF CARF MF 10 A Administração deve considerar nulo o seu próprio ato quando caracterizada a ocorrência de vício de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2011 TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o Pis, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." O Recurso Voluntário não repetiu as alegações da Impugnação porque foi interposto somente em face da parte da cobrança que não foi exonerada, mas para a qual foi reconhecida a concomitância com a ação judicial iniciada com Mandado de Segurança na Justiça Federal de Campinas, Processo n.º 1999.61.05.0041407. Conforme entendimento da decisão de primeira instância a ação judicial trata de objetos comuns ao desta lide administrativa, a cobrança do PIS sobre as receitas decorrentes dos "Atos Principais", nas rubricas de "contraprestação efetiva de planos de saúde", "outras receitas operacionais" e "variação da provisão de eventos/sinistros". Assim, em Recurso Voluntário o contribuinte alegou que não há concomitância porque a ação judicial tratou somente da não incidência do PIS no pagamento de empresas terceiras credenciadas, que correspondem aos "atos auxiliares" e não aos "atos principais", receitas das operações para não associados. Além disso argumentou que os períodos não são os mesmos, informou que a medida judicial foi proposta 11 (onze) anos antes do início da presente lide administrativa, assim como alegou que a legislação foi atualizada de forma favorável. Também com relação ao objeto, argumentou que a DRJ/RJ, ao permitir a dedução de custos, da base de cálculo do PIS, da mesma forma deveria permitir a dedução dos "atos principais", porque pertencem às contas "eventos indenizáveis líquidos" e "intercâmbio eventual". Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 281 11 O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Com relação ao Recurso de Ofício, este deve ser conhecido, mas deve se negado, porque é permitido que entidades que realizem atividades de caráter cooperativo deduzam da base de calculo os custos dos serviços médicos prestados, conforme disposto no §9.º incluído pela Lei 12.873/13 no inciso III, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Além disto, como fato notório, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 357.950, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, de modo que as contribuições lançadas não incidem sobre as receitas financeiras e os juros recebidos pela Recorrente, assim como sobre qualquer outra receita que não decorra da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Também é importante registrar que, tanto a questão da concomitância quanto a questão do mérito do presente lançamento foram objetos de decisão deste Conselho, Acórdão 3302002.851, que colocou fim à lide administrativa de lançamento conexo, do mesmo período, mesmo contribuinte, mas que tratou de Cofins em vez de Pis. Desta forma, somente com relação à matéria trazida em Recurso de Ofício, além de adotar as mesmas razões da decisão de primeira instância para a manutenção da exoneração, também adotase as mesmas razões de decidir do citado Acórdão, transcrito a seguir: "Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A autuação decorreu de glosa da redução de base de cálculo referente às contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos – deduzidas das receitas dos denominados “ATOS AUXILIARES” e “ATOS NÃO COOPERATIVOS”. Constatase que no tópico IX do Termo de Verificação Fiscal, item 48, ficou consignado que os valores glosados da conta 41 referemse aos custos com os eventos realizados com o atendimento de seus próprios clientes de planos de saúde, conforme transcrito abaixo: “48Os lançamentos efetuados no grupo de contas contábeis n° 41 Eventos Indenizáveis Líquidos referemse aos custos/despesas que a fiscalizada efetivamente teve para o atendimento de seus clientes titulares de planos de saúde.” Fl. 286DF CARF MF 12 A autoridade fiscal fundamentou a autuação na Solução de Consulta SRRF/3º RF/Disit nº 20/2003, que assim concluiu: “41Diante do exposto, no uso da competência que me foi atribuída na forma do art. 48, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, soluciono a presente consulta respondendo ao interessado que a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, assim como da Contribuição para o PIS/Pasep, é o valor de seu faturamento, correspondendo à sua receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas a cada período de apuração, de cujo total poderão ser descontados o valor das coresponsabilidades cedidas, o da parcela das contraprestações em moeda destinadas à constituição ide suas provisões técnicas e o da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, a título de ressarcimento por aqueles desembolsos.” Por sua vez, a contribuinte apresentou o Ofício nº 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS da ANS, a qual expôs o entendimento da agência sobre as expressões "eventos ocorridos" e "valor dos eventos efetivamente pagos" nos seguintes termos: (...) 3 VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGOS, DEDUZIDOS DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES Eventos Ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora; tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, e 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN 8/2006; ou Capítulo IV do Anexo II, da RN nº 27/2003; Esses eventos serão escriturados em “Controles Gerenciais” conforme definido o item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN nº 8/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN nº 27/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 282 13 Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118, () 4121, () 4122, () 4128, () 4129, () 4131 e () 4132 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN nº 8/2006: ou Capítulo IV do Anexo II da RN nº 27/2003). Esses pagamentos serão escriturados em “Controles Gerenciais” conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN nº 8/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN nº 27/2003; Depreendese que a divergência estabelecida entre a solução de consulta e o entendimento da contribuinte residiu na possibilidade de exclusão da base de cálculo das contribuições dos “Eventos Indenizáveis Líquidos” relativos ao custo com o atendimento dos beneficiários da própria contribuinte, pois que a solução interpretou como possível apenas a exclusão dos eventos relacionados ao atendimento dos beneficiários de outra operadora, mas não os da própria operadora. Entretanto, com a introdução do §9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a interpretação dada pela solução de consulta no sentido de não considerar os eventos ocorridos decorrentes do atendimento aos beneficiários da própria operadora foi superada, como concluise pela redação dada ao referido parágrafo: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de Fl. 288DF CARF MF 14 outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013). Assim, as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 abrangem os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora. Quanto à vinculação do lançamento às decisões do processo judicial nº 1999.61.05.0141451/ SP, de acordo com a decisão da DRJ, o mandado foi impetrado visando a isenção da Cofins sobre a sua receita bruta, decorrente, em sua totalidade, da prática de atos cooperados. Já o lançamento aqui efetuado referese à glosa da redução de base de cálculo referente às contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos, e, portanto, não há identidade de objeto. Adoto, pois, os fundamentos do acórdão de primeira instância, conforme §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède." Com relação ao Recurso Voluntário, por tempestivo (protocolado em 03/11/14, com ciência por abertura de mensagem eletrônica em 03/10/14, conforme fls.241 dos autos) e por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento. Mas de fato, a ação judicial de n.º 1999.61.05.0041407 tem o objeto e a causa de pedir relacionados tanto com a não incidência do PIS no pagamento de empresas terceiras credenciadas, atos auxiliares, quanto com os atos próprios, receita das operações para associados. Portanto, conforme Súmula n.º 01 deste Conselho, a concomitância deve ser reconhecida. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão da concomitância e NEGADO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício em razão do acerto da decisão de primeira instância em retificar a matéria do lançamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.723731/201331 Acórdão n.º 3201002.877 S3C2T1 Fl. 283 15 Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904877/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.992
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 87 7/ 20 11 -0 6 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10530.904877/201106 Resolução nº 3201000.992 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10530.904877/201106 Resolução nº 3201000.992 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10530.904877/201106 Resolução nº 3201000.992 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10530.904877/201106 Resolução nº 3201000.992 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722895/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE.
O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. Igual raciocínio se aplica à decisão de primeira instância prolatada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO.
A existência de veículos normativos vigentes, como a Lei Complementar n. 105/2001, impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho, especialmente quanto a matéria já convalidada pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1201-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e, também por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, cujo valor é inferior ao atual limite de alçada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. Igual raciocínio se aplica à decisão de primeira instância prolatada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO. A existência de veículos normativos vigentes, como a Lei Complementar n. 105/2001, impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho, especialmente quanto a matéria já convalidada pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e, também por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, cujo valor é inferior ao atual limite de alçada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Rodrigues. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães.
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NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifestase como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. Igual raciocínio se aplica à decisão de primeira instância prolatada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 95 /2 01 3- 98 Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 3 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO. A existência de veículos normativos vigentes, como a Lei Complementar n. 105/2001, impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho, especialmente quanto a matéria já convalidada pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e, também por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, cujo valor é inferior ao atual limite de alçada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Rodrigues. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Trata o presente processo do lançamento tributário efetuado através de procedimento fiscal, sob a jurisdição da DEFIS/São Paulo SP, relativo aos anoscalendário 2009 e 2010, que constituiu os créditos abaixo (valores em R$), acrescidos de multa proporcional e juros de mora (calculados até Nov/2013), com ciência pessoal do contribuinte: Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 4 3 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 969). DOS FATOS. 2. A ação fiscal foi iniciada porque o contribuinte, optante pelo lucro presumido, apresentou DIPJ relativas aos anoscalendário 2009 e 2010 informando receita bruta nos valores de R$ 8.449.145,37 e R$ 9.903.102,30, respectivamente, ao passo que sua movimentação financeira para os citados períodos foi de R$ 106.511.922,68 e R$ 140.083.794,17. 2.1. O mesmo foi intimado em 11/03/2013 (fls. 04/05) e reintimado em 19/04/2013 e 06/08/2013 (fls. 7 e 9) a apresentar seus livros contábeis e fiscais (principais e auxiliares), contrato social e alterações, bem como extratos bancários de suas contas correntes, poupança e aplicações, além dos documentos e comprovantes de receitas, custos e despesas. 2.2. Na falta apresentação dos livros e documentos solicitados nas duas primeiras intimações, entendeu o auditor restar caracterizado o Embaraço à Fiscalização na forma do art. 919 e § único do RIR/99, pelo quê lavrou termo específico em 10/06/2013 (fl.13). 2.3 Em 27/06/2013, foram expedidas RMF, conforme fls. 15/23, fundamentadas no inciso XI do art. 3º, do Decreto nº 3.724/2001. 2.4 Em 01/11/2013 (fls. 24/25), o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentos para comprovar as origens dos depósitos bancários efetuados nos anoscalendário 2009 e 2010, conforme relação anexa ao termo, denominada “relação de depósitos a comprovar” (vide fls. 26/36 e 166/208 (Banco do Brasil), fls. 46/155 e 209/600 (Banco Bradesco) e, fls. 156/161 e 601/650 (Banco Santander)). DAS IRREGULARIDADES. 2.5 Consta do Termo de Verificação que o contribuinte não apresentou nenhum esclarecimento ou documentos que comprovassem as origens dos depósitos bancários, individualmente discriminados na relação enviada. Afirma o auditor que, antes do envio da relação, já havia excluído os depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria PJ. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 5 4 2.6 Foram juntadas pelo auditor as seguintes Declarações, transmitidas pelo contribuinte: 2.7 Conforme confronto efetuado pelo auditor entre as receitas informadas na DACON e DIPJ, com os depósitos de origem não comprovada (pois o contribuinte não apresentou resposta à intimação), foi apurada omissão de receita conforme tabela que segue abaixo (extraída de fls. 976/977 do Termo de Verificação): 2.8 Informa o auditor que o contribuinte, apesar de intimado e reintimado diversas vezes, não apresentou nenhum livro ou documento ou justificativa por escrito da não apresentação. Considerando, então, que a pessoa jurídica não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos, teria restado caracterizada a omissão de receita prevista no art. 287 do RIR/99 (art. 42 da Lei 9.430/96). Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 6 5 TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. 2.9 Os montantes dos depósitos foram considerados Base de Cálculo para apuração de crédito tributário do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, através da lavratura de Auto de Infração pela modalidade do Lucro Arbitrado, em vista da falta de apresentação do Livro Caixa e dos comprovantes de receitas, despesas e custos, consoante os arts. 530, inciso III, e arts. 532 e 537, do RIR/99. Contudo, na apuração dos referidos créditos, foram compensados os débitos declarados em DCTF, item 13 (fls. 973/975). DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 2.10 Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, sob o fundamento dos arts 134 e 135 do CTN, atribuindo responsabilidade solidária, prevista no art. 124 do mesmo diploma legal, ao Srs. KAZUNORI OGASAWARA, sócio administrador, CPF 188.479.27820 e Sr. MILTON MOLENTO, sócioadministrador, CPF 062.283.05891, sendo os mesmos intimados, através dos referidos termos, conforme fls. 963/965 e 966/968, a extinguir os créditos tributários constituídos pelo lançamento. DO ARROLAMENTO DE BENS. 2.11 Para garantia dos créditos tributários, em razão da lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária, foram lavrados termos de arrolamento de bens das pessoas físicas dos sócios administradores, Sr. Milton Molento e Sr. Kazunori Ogasawara, tendo em vista a inexistência de bens da pessoa jurídica sob fiscalização. DO ENCERRAMENTO. 2.12 Encerrouse a ação fiscal em 06/12/2013, com a ciência pessoal do Sr. Kazunori Ogasawara do termo de verificação fiscal, conforme fl. 980. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 1061/1101). 3. O Interessado apresentou Impugnação em 06/01/2014 (penúltimo dia do prazo legal, após a ciência do Auto de Infração em 06/12/2013), com os seguintes argumentos em sua defesa: DAS PRELIMINARES. DA INCORREÇÃO DE VALORES. 4. Na planilha de fls. 07/08 do TVF2 (Termo de Verificação Fiscal) o auditor fiscal cometeu equívocos em desfavor da Impugnante, em vista do seguinte. É de se presumir que a coluna denominada “TOTAIS MENSAIS” corresponda à somatória das varias colunas que a antecedem, onde estão resumidos os valores depositados mensalmente nas contas da Impugnante. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 7 6 Ocorre que os valores informados naquela coluna, relativos aos meses de ABRIL, OUTUBRO e DEZEMBRO, de 2010, estão incorretos, em desfavor do contribuinte, de maneira a onerar as exigências contestadas. 4.1 Ao passo que o valor utilizado pelo autuante como base de cálculo no mês de abril/2010 tenha sido de R$ 12.428.644,30, o correto seria R$ 11.610.036,50; de maneira análoga, o relativo a outubro/2010, de R$ 18.136.325,70, deveria ser R$ 9.898.975,62; e o relativo a dezembro/2010, de R$ 14.402.085,04, deveria ser R$ 11.531.773,83. 4.2 A existência de tais erros macula a totalidade dos fatos posteriormente praticados, pois interferem nos mesmos, alcançando a presente Impugnação, pois o contribuinte estaria se defendendo de uma acusação que não condiz com a realidade. Dáse, portanto, preterição do direito à defesa do contribuinte, de maneira a tornar os lançamentos nulos, na forma dos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235/72. 4.3 Na forma dos dispositivos citados, à autoridade julgadora resta a adoção de uma das seguintes providências: i) determinar a nulidade dos lançamentos; ii) determinar as correções, de maneira a permitir que a ora Impugnante defendase da correta acusação; ou, iii) proceder à correção dos equívocos cometidos, reduzindo as respectivas bases de cálculo de cada um dos lançamentos, exonerando os valores exigidos em excesso. DO FATO DE A FISCALIZADA NÃO HAVER SIDO CIENTIFICADA DE EVENTUAL PRORROGAÇÃO – CASO TENHA HAVIDO – DO RESPECTIVO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. 5. Os trabalhos fiscais tiveram duração de quase nove meses e a ora Impugnante não teve qualquer notícia a respeito de eventual prorrogação de tais trabalhos, por meio do respectivo MPF, porém, qualquer procedimento fiscal deve se encontrar amparado na respectiva determinação oficial, de maneira a dar uma maior transparência às próprias atividades exercidas pela Receita Federal do Brasil. É o que estabelece o art. 2º da Portaria RFB nº 3014, de 20 de junho de 2011, verbis: Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I – Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II – Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. 5.1 Passado todo o período entre início e término dos trabalhos a Impugnante não teve conhecimento, ao menos não lhe foi dado a tal, da existência de um MPF que albergasse a prorrogação dos trabalhos, nas formas do art. 11 da Portaria RFB nº 3014, de 20 de junho de 2011, que assim estabelece: Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 8 7 Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; e II sessenta dias, no caso de MPFD. 5.2 Na forma do art. 14, da referida Portaria, uma das maneiras de extinção é pelo decurso dos prazos referidos nos arts 11 e 12. Assim fala tal dispositivo: Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. 5.3 Dessa forma, os autos de infração, por terem sido lavrados após o término do prazo de validade do MPF, devem ser declarados nulos, nas formas do art. 59 do Decreto 70.235/72, por haverem sido lavrados por agente incompetente a tal. DA NÃO PRESENÇA, AO MENOS POR UMA VEZ, DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE 6. O Sr. Auditor Fiscal fez menção da existência de bens em nome dos sócios administradores da ora Impugnante tendo em vista a inexistência de bens da pessoa jurídica fiscalizada. Ora, como pode o Sr. Auditor Fiscal afirmar que a sociedade autuada não possui bens a garantir as exigências formuladas, se nem sequer visitou a sede da empresa? 6.1 Tais alegações são, no mínimo, temerárias, até pelo seu total desconhecimento sobre a existência física da empresa, ou não. 6.2 Requer a nulidade dos lançamentos. DA ILEGALIDADE (ATÉ PORQUE NÃO DIZER, DA INCONSTITUCIONALIDADE) DA FORMA EM QUE OBTIDOS OS DADOS BANCÁRIOS DA ORA IMPUGNANTE, ELEMENTOS ESSES QUE VIERAM A FUNDAMENTAR OS LANÇAMENTOS. 7. Alega que os créditos tributários ora guerreados foram obtidos junto às instituições financeiras de maneira absolutamente ilegal. Notase que, em nenhum instante, há menção ao(s) fundamento(s) legal(is) que levaram o fisco federal a obter, sem qualquer autorização judicial e/ou legal para tal, os dados das contas bancárias da Impugnante. Tal procedimento, por ilegal, macula a totalidade dos levantamentos efetuados. 7.1 Apresenta julgados do STF (fls. 1086/1091) versando sobre quebra de sigilo bancário e obtenção das informações diretamente pelo fisco. 7.2 Nem venha a autoridade julgadora alegar a legalidade do procedimento, amparado no teor da Lei Complementar nº 105, Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 9 8 porque tal diploma, apesar de atribuir tal possibilidade ao fisco, não estabelece que a mesma não deva ser precedida da devida determinação judicial, de maneira a tornar a mencionada quebra legal oficial. 7.3 Defende, nesse sentido, ser o procedimento nulo de pleno direito. DO DIREITO. DA INCONSISTÊNCIA DO VALOR DO LANÇAMENTO RELATIVO AO IRPJ. 8. Nos anos calendário de 2009 e 2010 a ora Impugnante optou pela tributação com base no lucro presumido; a ação fiscal, por sua vez, apurou haver e, com base em tais apurações, exigiu IRPJ e CSLL com base no lucro arbitrado. De ser ressaltado que, muito embora tenha havido apuração de haver presumivelmente omitido, o regime de tributação a que a mesma se encontra submetido deve, por força legal, ser mantido. É o que determina o art. 288 do RIR/99: Art. 288 – Verificada a omissão de receita, a autoridade administrativa determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. 8.1 O dispositivo não deixa margem a dúvidas, visto que estabelece que, apurada omissão de receitas (ainda que de maneira presumida) o imposto e o adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que está submetida a PJ. 8.2 Ao pesquisar sobre o tema, a Impugnante encontrou informações no próprio sítio da RFB, com base no denominado “Perguntas e Respostas”, encontrou a questão nº 036 (fl. 31) que versa sobre o assunto: 036 Qual o tratamento a ser dado pelo fisco às pessoas jurídicas que optarem pela tributação com base no lucro presumido no caso de ser constatada receita bruta (operacional ou não) maior que a oferecida à tributação (omissão de receita)? Constatada, mediante procedimento de ofício, a ocorrência de omissão de receitas, esta será tributada de acordo com o regime a que estiver submetida a pessoa jurídica no anocalendário. Para fins de cálculo do lucro presumido, serão aplicados os respectivos percentuais de presunção, estando o lucro calculado sujeito ao adicional do imposto (se for o caso), conforme legislação vigente no período correspondente ao da omissão, devendo o montante omitido ser computado para determinação da base de cálculo do imposto de renda e do adicional. (...) Entretanto, podem ocorrer algumas situações que demandam procedimentos distintos, adequados a cada caso, a saber: Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 10 9 a) Quando a omissão de receita for detectada em pessoa jurídica que no anocalendário anterior auferiu receita bruta total dentro do limite de R$48.000.000,00 e preenche as demais condições. Para a opção pelo lucro presumido no ano seguinte, ano em que está sendo realizado o procedimento de ofício, deverá ser respeitada e mantida a opção da pessoa jurídica. b) Se no ano em que se estiver procedendo a fiscalização, somandose a receita já tributada pela pessoa jurídica com aquela apurada como omitida for verificado um total superior ao limite fixado legalmente, deverá ser observado que, para o ano subseqüente àquele em que a pessoa jurídica está sendo fiscalizada, ela deixou de atender ao requisito para opção pelo lucro presumido, em relação ao limite da receita bruta total (nesse caso, a pessoa jurídica estará excluída do lucro presumido). 8.3 Portanto, a questão trazida se adequa com perfeição ao tema aqui tratado, qual seja: o contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido; sofreu procedimento de ofício nesses mesmos anos calendários e, por meio deste apurouse haver, presumivelmente, omitido; foram exigidas da ora Impugnante a tributação de tais receitas, por meio do arbitramento do lucro. 8.4 A utilização do método do arbitramento veio onerar indevidamente as exigências. 8.5 Apresenta a Impugnante os supostos corretos valores que deveriam ser apurados, conforme tabela de fls. 1083/1084, abaixo: Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 11 10 8.6 Finaliza afirmando que do lançamento relativo ao IRPJ deverão ser deduzidas as seguintes parcelas: R$ 389.071,86 e R$ 711.703,88, num total de R$ 1.100.775,74, assim como, na mesma proporção, o correspondente às multas de ofício e os juros de mora. DA PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS. 9. Alega, fl. 1092, que o Auditor Fiscal afirma sem qualquer elemento probatório que a Impugnante, presumivelmente, omitiu receitas, fundamentando tal entendimento na movimentação financeira de contas bancárias, obtida de maneira ilegal. Limitouse, entretanto, a concluir pela presunção sem ao menos haver aprofundado seus exames de maneira a comprovar a efetividade daquele fato. Esse é um dos postulados que fundamenta o denominado princípio da verdade material. 9.1 Não existe qualquer elemento probante a confirmar a efetividade da acusação que foi formulada. O auditor limitouse a entender que a Impugnante manteve valores à margem de sua escrituração regular, daí porque os tributou. 9.2 As hipóteses legais previstas pelo ordenamento jurídico, no tocante à omissão de receitas, requerem provas a demonstrar a efetividade de sua ocorrência. Tais provas devem ser produzidas pela fiscalização, visto que a mesma, na forma do art. 142 do CTN, tem o dever legal de demonstrar a efetividade da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 9.3 Não basta simplesmente presumir a ocorrência do fato, mas sim, deve haver a certeza prática de uma ação contrária à lei. Nesse ponto, apresenta julgado da CSRF/0102863, sem informação de sua data. 9.4 Requer o arquivamento do feito. DA SUJEIÇÃO PASSIVA (RESPONSABILIDADE) SOLIDÁRIA. 10. Da leitura dos dispositivos que o auditor utilizou para embasar a atribuição da responsabilidade solidária (art. 134 e 135 do CTN) nos dá absoluta certeza do equívoco cometido. Tal conclusão se confirma pelo simples fato de que a referida autoridade fiscal, conforme já dito, sequer compareceu à sede da autuada, de maneira a saber ou não a possibilidade de a impugnante arcar com eventuais exigências contra ela formuladas. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 12 11 10.1 Outra conclusão é a de que o citado art. 134 estabelece que, apenas (somente apenas) na impossibilidade vir a ser cumprida pelo contribuinte é que os sócios, na hipótese de liquidação de sociedade de pessoas, responderão solidariamente por aquelas (exigências), em razão de atos em que intervierem ou por omissões que, eventualmente, venham a ser responsabilizados. 10.2 Também não provou o Sr. Auditor Fiscal quais atos praticados pelos quotistas foram decorrentes de excesso de poderes ou infração à lei ou ao contrato social, que vieram a redundar nas exigências ora contestadas. 10.3 Defende, dessa forma, a descaracterização da responsabilidade solidária atribuída pelo fiscal aos quotistas da sociedade. Em sessão de 17 de abril de 2014, a 9a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro julgou parcialmente procedente a impugnação, para: Expurgar do lançamento: i) em relação à apuração das bases de cálculo relativas ao PIS/COFINS: as diferenças a maior apuradas em 2010, nos meses de Abril, Setembro, Outubro e Dezembro, as quais totalizam R$ 13.695.067,34; ii) em relação à apuração das bases de cálculo relativas ao IRPJ/CSLL: a diferença a maior apurada no último trimestre de 2010, no valor de R$ 6.604.551,87; Reduzir, em conseqüência, os valores dos tributos lançados (valor principal) de R$ 6.600.070,36 (IRPJ); R$ 2.937.001,21 (CSLL); R$ 1.767.639,62 (PIS); e, R$ 8.158.336,68 (COFINS), para R$ 6.441.561,12 (IRPJ); R$ 2.865.672,06 (CSLL); R$ 1.678.621,66 (PIS); e R$ 7.747.484,66 (COFINS). A todos os valores devese acrescentar multa de 75% e dos juros de mora; Declarar a revelia dos Responsáveis Solidários, Sr. KAZUNORI OGASAWARA, sócioadministrador, CPF 188.479.27820 e Sr. MILTON MOLENTO, sócioadministrador, CPF 062.283.05891; e, ainda; Declarar a inexistência de controvérsia quanto à nomeação dos Responsáveis Solidários, através de Termos específicos para tal, pela falta de apresentação de Impugnação por parte dos mesmos. Da decisão houve Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, acerca das teses em que restou vencida. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 13 12 É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, a interessada alega nulidades, que maculariam os autos de infração lavrados e a própria decisão recorrida. A primeira delas diria respeito ao direito de defesa, pois entende a Recorrente que as incorreções na apuração das bases devidas implicariam a total nulidade dos procedimentos. Conquanto não combata a realização dos lançamentos, aduz a Recorrente que os lançamentos devem ser refeitos, com a reabertura dos prazos para manifestação e defesa. Não há como acolher a pretensão da interessada, porque os supostos problemas mencionados não têm o condão de tornar nulos os lançamentos efetuados, nos termos do artigo 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com efeito, percebese que todos os procedimentos de fiscalização e os argumentos da decisão recorrida atendem aos pressupostos legais, razão pela qual não há de se falar em nulidade, mas apenas de inconformismo da Recorrente em relação ao que restou decidido. E a eventual redução da base de cálculo tributável, que opera efeitos em favor dos interessados, não é fundamento para nulidade, pois, de modo contrário, seria impossível dar ao contribuinte provimento parcial em sede administrativa. O que se verifica no caso é que a Delegacia de Julgamento reduziu as bases originalmente apuradas pela fiscalização e dessa decisão recorreu de ofício, nos exatos moldes do que determina a legislação. Ressaltese, por oportuno, que a empresa jamais apresentou, em nenhum momento processual (nem tampouco durante o período de fiscalização), qualquer documento, livro ou registro contábil. Diante de tal situação, a Recorrente apresenta páginas e páginas de argumentos jurídicos, evoca princípios constitucionais da maior relevância, inclusive as sagradas garantias do contraditório e da ampla defesa, mas, curiosamente, delas não faz uso para trazer um documento sequer aos autos. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 14 13 Entendo que o tempo e o esforço dedicados ao processo seriam mais bem empregados se buscassem apresentar ao julgador documentos, planilhas, lançamentos contábeis, cópias dos livros ou das declarações mencionadas, enfim, qualquer informação capaz de subsidiar suas alegações. Todavia, nada disso foi feito. Novamente me deparo com a inusitada situação em que se acredita que as palavras, ainda que bem concatenadas, tenham, por si só, o poder de se transmutar em provas concretas. A Recorrente questiona, ainda, o fato de não ter sido intimada da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal e que isso implicaria nulidade dos procedimentos depois de vencido o prazo inicial. Traz a defesa diversos argumentos sobre a impossibilidade de se manter o procedimento de fiscalização sem tal medida. A despeito do argumento veiculado pela Recorrente, é assente neste Conselho, há tempos, o entendimento de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa ato de controle interno da Receita Federal, com o objetivo de planejar e organizar as atividades de fiscalização. O MPF, em nenhum momento, limita ou condiciona o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, desde que atendidos os pressupostos de validade do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, destacamos, entre muitas, as seguintes decisões da Câmara Superior: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40202187 do Processo 10120009665/200246 23/01/2006 NORMAS PROCESSUAIS – MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (grifamos) e Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105330 Processo 13982001173/200170 05/12/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 15 14 órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts. 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. (grifamos) Nesse contexto, afasto todas as alegações de nulidade suscitadas pela Recorrente, com fundamento na invalidade dos lançamentos por supostos vícios decorrentes dos Mandados de Procedimento Fiscal mencionados neste processo. Destaquese, ainda, que houve lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização, pela não apresentação de qualquer resposta ou documentos aos questionamentos feitos no início da ação fiscal, mesmo depois de a empresa ter sido intimada e reintimada, como atesta o documento de fls. 13. A defesa deseja, ainda, a nulidade da decisão recorrida, que teria abordado temas não questionados na impugnação, como a competência da autoridade fiscal ou o arrolamento de bens dos sócios. Novamente não se vislumbra, na hipótese, qualquer nulidade, pois as consequências dos parágrafos em que o Relator da decisão de piso aborda essas questões em nada prejudicam a defesa, que reconhece não ter formulado tais argumentos na impugnação. Também não prospera a tese de que a autoridade fiscal sequer foi à empresa, até porque, como visto no Relatório, esta simplesmente não atendeu às solicitações formuladas. Se a empresa tivesse apresentado livros e documentos para o fiscal, que ensejassem uma vistoria in loco no estabelecimento, o argumento poderia ganhar força, mas não foi isso que aconteceu, até porque o arbitramento, por omissão de receitas decorrentes de créditos em conta e não devidamente intimados e não comprovados, carece de qualquer diligência adicional. Ante o absoluto silêncio da interessada não havia alternativa aos lançamentos efetuados. De se notar, à evidência, que mesmo em sede de impugnação ou de recurso a este Conselho o interessado jamais trouxe aos autos qualquer documento. Como não se vislumbra falha ou vício nos lançamentos efetuados e na decisão prolatada, afasto todos os argumentos de nulidade suscitados. No que tange ao mérito, a Recorrente questiona os valores apurados e apresenta um quadro com os valores que considera corretos. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 16 15 Acerca dos cálculos de retificação promovidos pela decisão de piso, que reduziram as bases tributáveis, convém reproduzir a sistemática adotada, que acolhemos integralmente: Seguem abaixo novas planilhas, por mim produzidas, contendo os valores dos depósitos bancários apurados no TVF e as diferenças a maior (e menor), mensais e trimestrais, verificadas no cálculo efetuado pela auditoria. Tabela 1: Apuração dos Valores Conforme TVF: Tabela 2: Correção Mensal da Apuração Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 17 16 Tabela 3 Correção Trimestral da Apuração Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 18 17 *Ressaltese que o próprio contribuinte se equivocou ao indicar como sendo de R$ 11.610.036,50 o valor correto referente ao total do mês de Abril/10, à fl. 1074. Depreendese das planilhas a existência de diferenças a menor e a maior, nas bases de cálculo mensais e trimestrais. Contudo, deverão ser exoneradas da base de cálculo do lançamento as seguintes: i) em relação à apuração das bases de cálculo relativas ao PIS/COFINS: as diferenças a maior apuradas nos meses de Abril, Setembro, Outubro e Dezembro/2010, as quais totalizam R$ 13.695.067,34; ii) em relação à apuração das bases de cálculo relativas ao IRPJ/CSLL: a diferença a maior apurada no último trimestre de 2010, no valor de R$ 6.604.551,87; Pareceme que a decisão de piso foi bastante diligente e cuidadosa ao apurar a matéria tributável, com base nas informações presentes nos autos e nos sistemas da Receita Federal, de sorte que não merecem reparos os cálculos efetuados, até porque não foram infirmados por qualquer prova ou documento apresentados pelo contribuinte. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 19 18 Ainda em relação ao mérito, insurgese a defesa quanto à imputação por omissão de receitas e o consequente arbitramento do lucro, sob o argumento de que era optante pelo lucro presumido no período e esta deveria ser a sistemática da autuação, com base no artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda. Aqui também não assiste razão à Recorrente, pois o fundamento dos lançamentos foram os artigos 527, 530, III e 537, todos do RIR, que tratam da sistemática de apuração do lucro, conforme aponta a autoridade fiscal (fls. 978). De se notar que cabe ao Fisco apurar o lucro com base no arbitramento sempre que presentes as hipóteses legais, consubstanciadas no artigo 530 do Decreto n. 3000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; e Art.527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 20 19 Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. e Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). (grifamos) De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos. Ante a perfeita subsunção dos fatos à diretriz normativa, aprecio e rechaço todos os argumentos trazidos pela Contribuinte contra à utilização do arbitramento pela autoridade fiscal. Quanto à alegação de impossibilidade de quebra do sigilo bancário, também não assiste razão à empresa. O acesso original das autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na Constituição Federal, mais precisamente no artigo 145, § 1º: § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. No mesmo sentido, o artigo 197 do Código Tributário Nacional já previa o acesso às informações bancárias: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Posteriormente, sobreveio a Lei Complementar n. 105/2001, que regulamentou o acesso às informações bancárias: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 21 20 § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente Com a edição da Lei Complementar n. 105 foram publicados, ainda, a Lei n. 10.174/2001, e o Decreto n. 3.724, do mesmo ano, que trouxeram detalhes sobre os procedimentos para a obtenção das informações. A questão, inclusive, já foi objeto de deliberação pelo STF, que em fevereiro de 2016 decidiu pela constitucionalidade da Lei Complementar n. 105. Em relação à presunção de omissão de receitas, a base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que atribui tal previsão legal aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 22 21 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. Isso efetivamente ocorreu no caso em tela, pois a autoridade fiscal intimou a empresa a comprovar a origem dos depósitos de forma minudente e individualizada, como demonstra o Termo de Solicitação de Esclarecimentos de fls. 26 e seguintes. Quanto à responsabilidade solidária, mencionada pela empresa no Recurso Voluntário, convém destacar que a matéria encontrase preclusa na esfera administrativa, pois os solidários, devidamente intimados, não impugnaram os autos de infração, como constatado pela decisão de piso: Sobre a alegação de não se justificar a sujeição passiva solidária, o assunto não deve ser abordado nesse voto, pois, apesar de ter sido assegurado aos responsáveis solidários nomeados o direito ao contraditório e à ampla defesa, tendo sido cientificados do auto de infração, não apresentaram impugnação, de forma que, para o caso, operase a revelia em relação à nomeação como responsáveis solidários, concluindo este julgador não haver controvérsia quanto a esse aspecto do lançamento. Vide art. 9º da Portaria RFB 2284/2010, in verbis: Art. 9º Não cumprida a exigência e nem impugnado o crédito tributário lançado, será declarada a revelia para todos os autuados. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 23 22 Com efeito, constatase que não houve nos autos apresentação de impugnação ou de Recurso Voluntário pelos solidários, de modo que não cabe a este Conselho apreciar a matéria, na esteira do que já restou decidido pela Delegacia de Julgamento. Quanto ao Recurso de Ofício, apresentado pela Turma Recorrida, constata se que o valor exonerado atualmente encontrase abaixo do limite previsto pela Portaria MF 63, de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Com efeito, o valor afastado pela decisão de piso foi assim sintetizado (fls. 1.173) Como conseqüência, os valores dos tributos lançados (valor principal) serão reduzidos de R$ 6.600.070,36 (IRPJ); R$ 2.937.001,21 (CSLL); R$ 1.767.639,62 (PIS); e, R$ 8.158.336,68 (COFINS), para R$ 6.441.561,12 (IRPJ); R$ 2.865.672,06 (CSLL); R$ 1.678.621,66 (PIS); e R$ 7.747.484,66 (COFINS). A todos os valores devese acrescentar multa de 75% e juros de mora. Notase, a partir do cálculo efetuado pela DRJ, que a exclusão correspondeu ao valor a seguir demonstrado, que, mesmo acrescido da multa de 75%, resulta em montante inferior ao limite de alçada previsto na atual Portaria MF 63/2017, razão pela qual entendo que o Recurso de Ofício não dever ser conhecido. Valor Lançado Valor Mantido Diferença R$ 6.600.070,36 R$ 6.441.561,12 R$ 158.509,24 R$ 2.937.001,21 R$ 2.865.672,06 R$ 71.329,15 R$ 1.767.639,62 R$ 1.678.621,66 R$ 89.017,96 R$ 8.158.336,68 R$ 7.747.484,66 R$ 410.852,02 Total exonerado R$ 729.708,37 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 19515.722895/201398 Acórdão n.º 1201001.859 S1C2T1 Fl. 24 23 Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício, cujo valor é inferior ao atual limite de alçada. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1298DF CARF MF
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