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Numero do processo: 10945.001877/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTOS JURÍDICOS PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa julgadora não pode inovar o ato administrativo tributário em julgamento, alterando os critérios jurídicos que o nortearam.
Numero da decisão: 3201-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTOS JURÍDICOS PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa julgadora não pode inovar o ato administrativo tributário em julgamento, alterando os critérios jurídicos que o nortearam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 18 77 /2 00 5- 24 Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.913 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente do indeferimento do crédito presumido escriturado no terceiro trimestre de 2004, com a conseqüente nãohomologação das compensações declaradas, em razão do contribuinte ter informado que, de acordo com a legislação, deixou de ter direito ao referido crédito a partir de 1º de fevereiro de 2004, por ser optante pelo lucro real. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alega que o pedido se refere ao crédito presumido gerados no período de janeiro/2001 a janeiro/2004, o que se poderia confirmar pelos DCPs entregues. Examinando as fls. 08/154 da PER/DCOMP em questão, verifiquei que o contribuinte declarou como fundamento para o crédito presumido as saídas para exportação e para empresas comerciais exportadoras ocorridas no período anterior a 1º de fevereiro de 2004, também assinalando que entregou as DCPs. Portanto, em tese, não se trataria do crédito presumido posterior a 1º de fevereiro de 2004, mas de escrituração extemporânea válida, enquanto não prescrito o direito. De fato, embora a regra do estabelecida pelo art. 16 da IN SRF nº 600/2005 se refira um único trimestrecalendário, não consta no texto dessa norma que o trimestrecalendário não possa conter registros de créditos extemporâneos de outros trimestres, os quais foram regularmente lançados no indigitado trimestre. Nesse mesmo sentido, o programa PERDCOMP AJUDA – Programa PERDCOMP – Ficha Crédito Presumido no Período do Ressarcimento” que expressamente orienta os contribuintes a procederem dessa forma. Abaixo transcrevo a orientação: “Atenção! As informações relativas ao crédito presumido deverão ser prestadas no trimestrecalendário em que os valores apurados forem escriturados no Livro RAIPI, independentemente do período de apuração a que se refiram.” Diante disso, o presente processo deva ser baixou em diligência para que a fiscalização verifique, mediante regular auditoria, a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assim foi feito e o processo retornou com a Informação Fiscal que demonstrou a correção de parte do direito creditório, no montante de R$ 748,51, intimandose a interessada a se manifestar no prazo de 10 (dez) dias (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 44). Em sua manifestação a interessada alegou que o prazo foi exíguo para, efetivamente, fundamentar sua inconformidade e que, por ser diligência que visava apenas a apuração de fatos, deveria ser desconsiderada a matéria de direito invocada pelo auditor para glosar seus créditos, ou seja, exportação de Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.914 3 produtos que, embora industrializados, constam na TIPI como NT (não tributados pelo IPI) e aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Além disso, requereu que o total do crédito pedido fosse corrigido monetariamente. Logo, para que não ocorresse preterição do direito de defesa, o processo retornou ao órgão de origem para que o contribuinte, prazo de trinta dias, apresentasse sua manifestação de inconformidade contra a parcela do crédito presumido que não foi reconhecida pela fiscalização. Em sua nova manifestação a interessada alega que: 1) Preliminarmente, o Despacho Decisório é nulo, em decorrências das nulas diligências que resultaram em novo despacho decisório proferido pelo auditor fiscal, em síntese, como o fundamento do despacho denegatório teria sido fulminado pelas alegações da contribuinte e concordância da autoridade fiscal com as mesmas, assim, constatado que o procedimento adotado pela empresa foi regular e de acordo com a legislação, requer que seja homologado integralmente o crédito solicitado, pois, todos atos não previstos no rito processual são nulos; 2) Por outro lado, como já se teriam passados cinco anos, mesmo que os atos processuais e decisões proferidas fossem válidas, as compensações já estariam tacitamente homologadas, impedindo nova fundamentação para indeferimento da PERDCOMP; 3) No mérito, defende, com base em sua interpretação da legislação e jurisprudência que cita, ser indiscutível o direito ao crédito presumido decorrente da aquisição de pessoas físicas e cooperativas, sendo que, neste último caso, elas, inclusive, seriam contribuintes do PIS e da COFINS; 4) No caso dos produtos classificados na TIPI com NT, o artigo 1º da Lei nº 9363/96 não dá margem a dúvidas, basta que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais, além disso, como seria possível afirmar que a farinha de trigo exportada não é industrializada? Ademais, em nenhum momento a fiscalização teria questionado o processo de beneficiamento industrial da impugnante. Encerrou requerendo a atualização monetária sobre o valor integral do crédito presumido pleiteado. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.915 4 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 IPI. NULIDADES. Só são nulos os atos praticados por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Afirma ainda ser nula a decisão da DRJ, pois embasouse em motivação apenas incluída em sede de diligência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A recorrente alega a nulidade da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, por entender que a mesma ultrapassou os limites estabelecidos no despacho decisório. Afirma ainda que, por este motivo, restariam suas compensações homologadas pelo decurso do prazo. Para se definir a questão é necessário, inicialmente, verificar os procedimentos adotados pelas autoridades fiscais. A recorrente apresentou, em 28/10/2004, pedido de ressarcimento de IPI referente ao 3º trimestre de 2004. Seu direito creditório teria origem em crédito presumido de Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.916 5 IPI escriturado no 2º decêndio do mês de setembro de 2004, referente a créditos apurados em períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2001 e janeiro de 2004. Apresentou, ainda, em 29/10/2004, declaração de compensação utilizando parte do crédito pleiteado neste pedido de ressarcimento. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, ao apreciar o pedido da recorrente em 17/03/2006, proferiu despacho decisório negando o pleito devido a mesma ser optante pelo lucro real e, desta forma, à época da apresentação do pedido, não possuir direito ao crédito presumido de IPI. A 2ª Turma da DRJ/RPO, em análise da manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, verificando que o direito creditório referiase a período anterior ao ingresso desta no regime de apuração pelo lucro real, decidiu pela conversão do processo em diligência. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, ao efetuar o procedimento de diligência, apresentou informação fiscal na qual justifica a manutenção da negativa de parte do direito creditório pleiteado devido ao crédito presumido de IPI ser relacionado à exportação de produtos classificados na TIPI com NT; bem como ser decorrente da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. A recorrente foi cientificada do teor do documento, apresentando seus argumentos acerca dos novos elementos trazidos aos autos. Após todo este procedimento, a 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu a decisão ora recorrida, na qual decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, adotando as razões apresentadas pela fiscalização no procedimento da diligência. Pois bem, entendo que a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO alterou completamente os fundamentos jurídicos que embasaram o despacho decisório proferido pela DRF em Foz do Iguaçu/PR, ultrapassando a sua competência como autoridade julgadora. O despacho decisório motiva o indeferimento do direito creditório exclusivamente pelo fato de a contribuinte estar sujeita ao regime de tributação não cumulativo do PIS e da Cofins. O excerto abaixo transcrito, extraído do despacho decisório, é claro neste sentido: 3. De fato, como reconhece o próprio contribuinte, a pessoa jurídica, em relação as receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep na forma dos arts. 1° a 6° da Lei n° 10.637, de 2002 (PIS/Pasep Nãocumulativo), assim como dos arts. 1° a 6° da Lei n° 8° da Lei n° 10.833, de 2003 (COFINS Não —cumulativo), não faz jus ao crédito presumido do IPI relativamente ao ressarcimento dessas contribuições. 4. Isto posto, considerando tudo mais que dos autos consta, uma vez que pedido não encontra sustentação legal, proponho que seja indeferido o ressarcimento pleiteado pelo contribuinte, Agricola Horizonte Ltda, CNPJ 77.837.979/000181. Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.917 6 A autoridade julgadora, ao verificar que o pedido da recorrente referese a período anterior ao seu ingresso no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a verificação do direito creditório, tendo o processo retornado com a indicação de outros motivos para o indeferimento do pleito. A 2ª Turma da DRJ/RPO, com base na motivação trazida aos autos em sede de procedimento de diligência fiscal, decide pela procedência apenas parcial do pleito creditório da Recorrente. Observase, de pronto, que o acórdão recorrido inovou em relação aos motivos do indeferimento do direito creditório definidos pela DRF em Foz do Iguaçu/PR. Tal fato configura defeito insanável ao ato administrativo, devido a falta de competência do órgão julgador para tanto. O Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo de reconhecimento de direito creditório, estabelece em seu artigo 117 que compete ao Chefe da Unidade da RFB do domicílio do sujeito passivo a apreciação de pleitos repetitórios: Art. 117. A competência para apreciar pedidos de restituição, de ressarcimento e de reembolso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de pedidos de restituição relativos a direitos antidumping e direitos compensatórios é do chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (grifo nosso) Já a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento encontrase prevista no artigo 61 do mesmo Decreto nº 7.574/2011, nestes termos: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso I; Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o). Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: I impugnação a auto de infração e notificação de lançamento (Decreto no 70.235, de 1972, art. 14); II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Lei no8.748, de 1993, art. 3o, inciso II; Lei no 9.019, de 1995, art. 7o, §1o e §5o); e III impugnação ao ato declaratório de suspensão de imunidade e isenção (Lei no 9.430, de 1996, art. 32, § 10). (grifo nosso) Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.918 7 Como se vê, em se tratando de pedido de ressarcimento ou de restituição, são distintas as funções das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) e das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Julgamento (DRJ). Enquanto à DRF compete decidir acerca do pedido de ressarcimento, compete à DRJ o julgamento de manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo em relação a esta decisão da DRF. No momento de apresentação da manifestação de inconformidade pelo contribuinte, definemse a profundidade e a extensão da apreciação do julgador do órgão a quo sobre a decisão denegatória. Essa limitação é rigorosa nos processos iniciados a partir de pedido do interessado, pois a autoridade está limitada a julgar nos termos requeridos. Desta forma, não é permitido ao Órgão Julgador ampliar ou modificar o pleito apresentado pelo contribuinte. Em relação ao ato administrativo que decide o pleito, esclarecese que motivar consiste em apresentar as razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão, e pode consistir em fundamentos de direito e em fatos. A motivação dos atos processuais no processo administrativo fiscal é obrigatória por expressa previsão legal. A Lei nº 9.784/99, em seu artigo 50, determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. O Órgão Julgador, como consequência, não pode alterar a motivação do ato administrativo emitido pela DRF, pois, tendo em vista que os motivos fazem parte deste ato, criar novos motivos para manutenção de um ato administrativo corresponde a realização de um novo ato. O Decreto nº 70.235/72, por sua vez, estabelece em seu artigo 59 as hipóteses que ensejam a nulidade dos atos administrativos tributários, nestes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como as DRJ não possuem competência para apreciar pedidos de ressarcimento apresentados por contribuintes, e tendo em vista o disposto no artigo 59, I, do Decreto nº 70.235/72, concluise pela nulidade do acórdão recorrido. Esclarecese ainda que o fato da recorrente ter tido acesso ao resultado da diligência e ter sido aberto prazo para contestar estes novos motivos em nada altera a falta de competência das DRJ para a utilização de novos motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento. Diante de todo o exposto, voto pela declaração de nulidade do acórdão recorrido, devendo o processo retornar à 1ª Instância de julgamento para que seja proferida nova decisão. Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.001877/200524 Acórdão n.º 3201002.165 S3C2T1 Fl. 3.919 8 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721652/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. GLOSA COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. APRESENTAÇÃO DIRF RETIFICADORA. VALIDADE.
De conformidade com a jurisprudência administrativa, a DIRF não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas (DIRF Retificadora) demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação ao imposto de renda retido na fonte, o qual fora devidamente compensado por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, devendo ser restabelecida na forma apresentada pela contribuinte..
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, decretando a improcedência do feito, de maneira a restabelecer o IRRF compensado na Declaração de Ajuste Anual.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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GLOSA COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. APRESENTAÇÃO DIRF RETIFICADORA. VALIDADE. De conformidade com a jurisprudência administrativa, a DIRF não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas (DIRF Retificadora) demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação ao imposto de renda retido na fonte, o qual fora devidamente compensado por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, devendo ser restabelecida na forma apresentada pela contribuinte.. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 16 52 /2 01 4- 12 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, decretando a improcedência do feito, de maneira a restabelecer o IRRF compensado na Declaração de Ajuste Anual. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13819.721652/201412 Acórdão n.º 2401004.150 S2C4T1 Fl. 90 3 Relatório MARIA DA ESTRELA FERNANDES MARQUES, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0954.263/2014, às fls. 66/68, que julgou procedente em parte a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de PJ e compensação indevida de IRRF, em relação ao exercício 2012, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 27/05/2014, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. A autoridade julgadora de primeira instância achou por bem decretar a procedência parcial do feito, acolhendo a comprovação da diferença dos valores recebidos a título de aluguéis, como taxa de administração da empresa Pedro Mariano Imóveis e Administração Ltda, bem como reduzindo a glosa de IRRF compensado no Ajuste Anual, a partir da DIRF apresentada pela contribuinte em sede de impugnação. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 73, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência fiscal remanescente consubstanciada no Acórdão recorrido, relativamente à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, aduzindo que a fonte pagadora, Auto Posto Nota Maior, havia enviado a DIRF com dados equivocados. A partir da constatação do equívoco incorrido pela fonte pagadora, sobretudo quanto ao imposto de renda retido na fonte, o Auto Posto revisou/retificou a DIRF anteriormente transmitida, em 15/09/2014, fazendo constar os dados corretos, compatível com a Declaração de Imposto de Renda da contribuinte. Com o fito de corroborar os fatos acima elencados, a contribuinte traz à colação nesta assentada a DIRF 2011/2012, devidamente retificada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, com base na confrontação da DIRPF da contribuinte com informações constantes das DIRF´s das fontes pagadoras, apurouse na presente autuação omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de PJ e compensação indevida de IRRF, no período objeto da autuação, senão vejamos: 1) Omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora AUTO POSTO ECO GÁS LTDA.ME no valor de R$ 1.558,68 haja vista constar em DIRF o valor de R$ 22.266,72, conforme consta em DIRF nos sistemas da Receita FEderal do Brasil, no caso correspondentes a rendimentos de aluguéis, sendo que o valor declarado vinculado a essa fonte foi o de R$ 20.708,04; 2) Glosa de R$ 8.088,89 a título de IRRF não comprovado da fonte pagadora AUTO POSTO NOTA MAIOR LTDA. Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte; Interposta impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância decretou a procedência parcial do lançamento, acolhendo a comprovação da diferença dos valores recebidos a título de aluguéis, como taxa de administração da empresa Pedro Mariano Imóveis e Administração Ltda, bem como reduzindo a glosa de IRRF compensado no Ajuste Anual, a partir da DIRF apresentada pela contribuinte em sede de impugnação. No que tange à infração remanescente, o julgador recorrido assim se manifestou: "[...] A adução da impugnante acerca do tema de que não dispunha em mão a DIRF, quando dos trabalhos de revisão, para efeito de esclarecer a compensação indevida de IRRF, não e encontra sanada pelos documentos que anexou. Os elementos da DIRF, às fls. 20/25, entregue por Auto Posto Maior Ltda., que se confirmam nos sistemas da Receita Federal, indicam que o valor de IRRF vinculado à contribuinte alcançou R$ 672,58 (fl. 25), em detrimento aos R$ 8.080,90 declarados. Cabe, então, restabelecer a parcela do IRRF efetivamente confirmada. A importância de IRRF equivalente a R$ 7.416,32 (=R$ 8.080,90 R$ 672,58) ao largo de alguma comprovação, daí a manutenção da glosa dessa fração do lançamento. [...]" Como se observa, a partir da Notificação Fiscal, a contribuinte acostou aos autos a documentação que tinha em mãos, ensejando a retificação do débito na forma encimada. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13819.721652/201412 Acórdão n.º 2401004.150 S2C4T1 Fl. 91 5 Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, sustentando que a fonte pagadora, Auto Posto Nota Maior, havia enviado a DIRF com dados equivocados, sobretudo quanto ao imposto de renda retido na fonte, os quais uma vez constatados foram objeto de retificação da DIRF anteriormente transmitida, fazendo constar os dados corretos, compatível com a Declaração de Imposto de Renda da contribuinte. Com o fito de corroborar os fatos acima elencados, a contribuinte traz à colação nesta assentada a DIRF 2011/2012, devidamente retificada, em 15/09/2014. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instancia, a pretensão da contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Destarte, o lançamento encontrase escorado exclusivamente na DIRF apresentada pela fonte pagamento, Auto Posto Nota Maior, documento que se apresenta como meio hábil para realizar lançamento, mas não como uma verdade absoluta. Tratase, portanto, de uma presunção "juris tantum" (presunções discutíveis), onde fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A jurisprudência administrativa, aliás, já se debruçou sobre o tema, reconhecendo que o lançamento fundado exclusivamente em informações constantes das DIRF's de fontes pagadores, em que pese serem válidos, podem ser rechaçados quando o contribuinte consegue comprovar que os dados ali inseridos não representam a realidade dos fatos. É o que se extrai do Acórdão n° 1276.284, da lavra da 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, exarada nos autos do processo administrativo n° 10735.720403/201441, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento, no tocante à omissão de rendimentos, cujo recebimento foi contestado, quando não há nos autos prova da infração cometida. DIRF VALOR DE PROVA. A Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte." Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Na hipótese dos autos, a contribuinte logrou comprovar que, de fato, houve verdadeiro equívoco nos dados constantes da DIRF da fonte pagadora, Auto Posto Nota Maior, quanto as informações relativas ao imposto de renda retido na fonte, senão vejamos: Por ocasião da fiscalização, a autoridade lançadora constatou que a contribuinte havia declarado R$ 8.088,90 de IRRF, mas a fonte pagadora nada declarou em DIRF a este título, vinculado ao CPF da contribuinte. Em sede de impugnação, a contribuinte apresentou a DIRF, de fls. 20/25, entregue em 28/05/2014, constando o IRRF no valor de R$ 672,58, razão da retificação por parte do julgador de primeira instância. Nesta oportunidade, a contribuinte acosta aos autos a DIRF Retificadora, de fl. 81, bem como comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Retido na Fonte, fl. 82, corroborando a importância declarada na DIRPF a título de IRRF, R$ 8.088,90, impondo seja acolhida a pretensão da contribuinte, de maneira a decretar a improcedência do feito. Destarte, a contribuinte não pode ser prejudicada, exclusivamente, pelo fato de a fonte pagadora não ter apresentado a DIRF em tempo hábil ou não ter informado as retenções ou mesmo informado erroneamente, porquanto tratase de meio de prova que não é de sua responsabilidade. Vejase que não há qualquer mácula evidente no documento apresentado, sendo hábil, de onde se conclui que a recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus da prova que lhe cabia, comprovando as suas alegações e retenções sobre os valores recebidos, não podendo ser penalizada pelos eventuais equívocos cometidos pela fonte pagadora na prestação de informações a Fazenda Nacional, ou até mesmo a não retenção, Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do feito, de maneira a restabelecer o IRRF compensado na Declaração de Ajuste Anual objeto de análise, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13841.000373/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 03 73 /2 00 5- 43 Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o PIS do período de apuração 4° trimestre de 2004, no valor de R$ 663.051,63. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei) e 10.637/2002., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 414.373,10. Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13841.000373/200543 Acórdão n.º 3401003.047 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13841.000373/200543 Acórdão n.º 3401003.047 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 414.373,10 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.162 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.162 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13841.000373/200543 Acórdão n.º 3401003.047 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13841.000373/200543 Acórdão n.º 3401003.047 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13841.000373/200543 Acórdão n.º 3401003.047 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/ 03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 15578.000407/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos em 10/07/2013 pelo sujeito passivo em epígrafe, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno deste Colegiado, contra o acórdão nº 120100.736, da lavra desta Turma, que encontrase assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 40 7/ 20 07 -5 4 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000407/200754 Resolução nº 1201000.205 S1C2T1 Fl. 3 2 proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. Alega a embargante que a Turma teria incorrido em omissão/contradição ao deixar de examinar os efeitos da coisa julgada sobre as despesas de depreciação, amortização e baixa de ativos nos anos posteriores a 1989 (fl. 785 e ss.). Em 04/12/2015 a embargante juntou aos autos documento com informação sobre "situação jurídica superveniente", nos seguintes termos (fl. 967 e ss.): (...) Ocorre que, posteriormente à oposição dos referidos Embargos Declaratórios, nos autos da liquidação de sentença da Ação Ordinária n.º 95.00087464, ainda em trâmite perante a 13.ª Vara Federal do Distrito Federal, foi proferida decisão definitiva que afeta diretamente a análise dos referidos Embargos Declaratórios por esta Turma julgadora. Em breve relato, a Fazenda Nacional, ao ser intimada naquele processo sobre a destinação dos depósitos judiciais efetuados pela ora Requerente, argumentou que, segundo seu entendimento, todo o montante depositado deveria ser convertido em renda da União, pois o fato de a Embargante ter apurado saldo credor de correção monetária de balanço em 1989 faria, supostamente, com que a empresa tivesse obtido provimento judicial diverso daquele formulado no pedido da Ação Ordinária (documento n.º 1). Esse é o mesmo fundamento que embasa as autuações que originaram os processos administrativos em epígrafe, no que se refere à glosa do "Plano verão". Ao apreciar esse pleito da Fazenda Nacional, o Juízo da liquidação de sentença confirmou os termos e o alcance da decisão transitada em julgado defendidos pela Requerente durante todo o trâmite dos processos administrativos (documento n. 2), nos seguintes termos: Ora, se a pretensão, como visto, versa sobre a dedução da base de cálculo do IR e da CSLL das despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, em relação à diferença do expurgo de janeiro/89, pretender a aplicação do ajuste em rubricas diversas dos demonstrativos financeiros, implica violação da coisa julgada. (...) Devese, pois, considerar as lindes do pedido para a correta interpretação do trânsito em julgado, de modo a entender que a recomposição do ativo permanente, apenas, não desrespeita as decisões favoráveis à autora. Contra essa decisão a Fazenda Nacional interpôs o Agravo de Instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000 (documento n.º 3), alegando o mesmo que se alega nos processos administrativos em epígrafe: que os índices de correção monetária reconhecidos nos autos Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000407/200754 Resolução nº 1201000.205 S1C2T1 Fl. 4 3 de origem (42,72 % + 10,14%) deveriam incidir sobre a totalidade das demonstrações financeiras da ora Requerente, o que geraria IR e CSLL a recolher, e não a recuperar. Contudo, o referido Agravo de Instrumento foi desprovido pelo TRF1 (documento nº. 4), em decisão transitada em julgado. Conforme se infere dos andamentos processuais (documento n. 5), os autos do Agravo de Instrumento foram baixados à origem em 03/09/2015. Na decisão, o Desembargador Novéli Vilanova assim entendeu: A pretensão da União/executada subverte a coisa julgada material e transforma a agravada/autora de vitoriosa em vencida! A sentença exequenda declarou o direito de a autora deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, decorrentes da diferença do expurgo do IPC/89 de janeiro e fevereiro de 1989. O TRF/1ª Região apenas reduziu o índice de 70,28% para 42,72% para janeiro/1989. E o STJ deferiu o índice de 10,14% para fevereiro/1989. Toda a confusão aconteceu porque na parcial reforma da sentença, o TRF, em vez de se referir às despesas de depreciação, amortização e baixa, tratou de demonstrações financeiras/balanço. Destacamos. (...) Portanto, devem ser imediatamente reconhecidos por esta Colenda Turma os efeitos da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, não apenas por constituir fato novo nos termos da alínea b do § 4° do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, mas por representar interpretação autêntica (já que emanada do próprio Poder Judiciário) do comando judicial transitado em julgado nos autos da Ação Ordinária n.º 95.00087464, em sentido diametralmente oposto àquele defendido no acórdão embargado. (...) Em 06/01/2016 os autos foram encaminhados à representação da PGFN junto a este Conselho para fins de exame e manifestação sobre o documento juntado pelo recorrente (fl. 997). Em resposta, a PGFN afirmou, ao final, o seguinte (fl. 999 e ss.): Cabe destacar, aliás, que a decisão do STJ foi no mesmo sentido da decisão proferida pelo TRF da 1ª Região. Logo, ainda que em sede de liquidação, não poderia haver alteração dos termos do que já foi decidido em decisão transitada em julgado, ainda mais de uma decisão ratificada pelo STJ. Observase que o caso não trata de mera correção de inexatidões materiais. Ad argumentandum tantum, se algum equívoco ocorreu na decisão do TRF da 1ª Região, no sentido de se referir a demonstrações financeiras/balanço no lugar de despesas de depreciação, amortização Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000407/200754 Resolução nº 1201000.205 S1C2T1 Fl. 5 4 e baixa, caberia ao contribuinte, como interessado, valerse dos instrumentos adequados para sanar tal vício. Certo ou errado, decisão infra ou extra petita, o fato é que o trânsito em julgado da decisão ocorreu nos termos já propugnados pela DRJ de origem, bem como pelo acórdão ora embargado. Dessa maneira, não existe fundamento que ampare a pretensão do interessado. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Pois bem, ao que parece houve um desencontro entre o que foi pedido por este Relator no despacho de fl. 997, e a resposta da representação da PGFN junto a este Conselho. De fato, solicitouse que a PGFN se manifestasse sobre a "situação superveniente" informada pela embargante, qual seja, a decisão transitada em julgado no TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000, a qual interpretou o conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ no âmbito do processo 95.00.087464 (nº na origem), assentando o direito da exequente (ora recorrente) em deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos índices de 42,72% para janeiro de 1989 e 10,14% para fevereiro de 1989, ao invés do direto de corrigir as demonstrações financeiras com base nos mesmo índices, tal como constava da decisão do STJ. Ora, a interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado no STJ foi (ao lado da questão sobre o beneficio de redução do IRPJ com base no lucro da exploração) exatamente o que ensejou a lavratura do auto de infração por exclusão indevida de despesas da base de cálculo do IRPJ (fl. 87 e ss. numeração digital). A autoridade local entendeu que a referida decisão passada em julgado no STJ dava direito à contribuinte de promover a correção monetária das demonstrações financeiras pelos índices acima mencionados, enquanto a interessada entendia que a mesma decisão lhe dava o direito de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente com base nos mesmos índices. A DRJ de origem acolheu o entendimento da autoridade fiscal (fl. 340 e ss. numeração digital), e, da mesma forma, também esta Turma (fl. 754 e ss.). Se, após a oposição dos presentes embargos a interessada noticia que o TRF da 1ª Região promoveu interpretação do julgado do STJ em sentido diverso daquele que lhe emprestou os órgãos administrativos acima referidos, a meu juízo tal situação deve, em princípio, ser reconhecida por este Conselho. Digo "em princípio" pois a decisão do TRF da 1ª Região se deu em agravo de instrumento (processo 004332773.2013.4.01.0000) onde se discutia o levantamento de depósitos judiciais e, ademais, não está claro que contra esta decisão não mais caiba recurso por parte da Fazenda Nacional. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000407/200754 Resolução nº 1201000.205 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesse sentido, entendo que a PGFN deve pronunciarse objetivamente sobre a "situação jurídica superveniente", alegada pela embargante, e seus efeitos sobre o presente processo administrativo (vide informação à fl. 967 e ss.). Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária de jurisdição do sujeito passivo: a) junte aos autos cópia da decisão do TRF da 1ª Região nos autos do agravo de instrumento nº 004332773.2013.4.01.0000; b) oficie a representação da PGFN junto a este Conselho a informar se a decisão acima referida é definitiva, bem como a se manifestar sobre seus efeitos sobre o presente processo administrativo; c) intime a embargante a se pronunciar sobre a manifestação da PGFN no prazo de 20 dias de sua ciência; d) após, encaminhe a este Conselho os presentes autos, bem como os autos dos processos conexos nos 15578.000206/200757, 15578.000207/200700 e 15578.000406/2007 18 para prosseguimento do feito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004263/2005-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/05/2004, 09/06/2004, 17/06/2004, 16/07/2004, 10/08/2004, 11/08/2004, 09/09/2004, 14/10/2004, 28/10/2004, 10/11/2004, 08/12/2004, 22/12/2004
MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS NÃO TRIBUTÁRIOS E DE TERCEIRO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Para a aplicação da multa de 150%, necessária a demonstração de que o contribuinte procedeu com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não configura fraude, por si só, a mera apresentação de declaração portando elementos inexatos, objetivando a utilização de crédito de terceiro e/ou que não se refira a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a fim de compensar débitos próprios regularmente confessados.
MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA DE 75.% RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da previsão legal para a aplicação de multas isoladas apenas para a hipótese de falsidade e no percentual de 150%, incabível a desqualificação da multa pela DRJ para a exigência de multa isolada de 75% em face das compensações não homologadas realizadas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.261
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento afastando a incidência de multa ao caso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUÍS FLÁVIO NETO - Redator designado.
EDITADO EM: 12/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice- Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento afastando a incidência de multa ao caso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. (assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO - Redator designado. EDITADO EM: 12/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice- Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente)
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COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS NÃO TRIBUTÁRIOS E DE TERCEIRO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Para a aplicação da multa de 150%, necessária a demonstração de que o contribuinte procedeu com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não configura fraude, por si só, a mera apresentação de declaração portando elementos inexatos, objetivando a utilização de crédito de terceiro e/ou que não se refira a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a fim de compensar débitos próprios regularmente confessados. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA DE 75.% RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da previsão legal para a aplicação de multas isoladas apenas para a hipótese de falsidade e no percentual de 150%, incabível a desqualificação da multa pela DRJ para a exigência de multa isolada de 75% em face das compensações não homologadas realizadas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, negado provimento afastando a incidência de multa ao caso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 42 63 /2 00 5- 63 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.281 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO Redator designado. EDITADO EM: 12/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente) Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: "O presente processo foi constituído com os documentos originais extraídos do Processo Administrativo n° 10930.720045/200570, as fls. 02/432, que fora formalizado para análise de Declarações de Compensação (PER/DComp n°s 08618.77060.190404.1.3.571092, 30558.54676.120504.1.3.57 6258, 16952.15961.090604.1.3.574787, 31409.49700.170604.1.7.571061, 13616.36366.160704.1.3.57 5869, 01219.09225.100804.1.3.574937, 12082.75364.110804.1.3.577522, 21524.63305.090904.1.3.57 5041, 18462.11364.141004.1.3.579409, 32504.78596.281004.1.3.573545, 26020.88455.101104.1.3.57 1911, 05887.86240.081204.1.3.573876 e 26074.65740.221204.1.3.575470), às fls. 02/67, transmitidas eletronicamente pela contribuinte (em 19/04/2004, 12/05/2004, 09/06/2004, 17/06/2004, 16/07/2004, 10/08/2004, 11/08/2004, 09/09/2004, 14/10/2004, 28/10/2004, 10/11/2004, 08/12/2004 e 22/12/2004, respectivamente) com a utilização de créditos, segundo especificados nas declarações: que seriam oriundos de ação judicial; que não seriam de terceiros; com trânsito em julgado em 09/06/1999; referente ao Processo Judicial n° ‘1059/57’ (ou ‘105/57’), que teria o ‘STJ’ como correspondente ‘Seção Judiciária’; e relativos a uma ‘uma ação que versa sobre devolução, pelo Estado do Paraná, de terras denominadas Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.282 3 “Apertados”, aos autores da ação Espólio de José Teixeira Palhares e Outros’. As compensações visaram a extinção de débitos de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF. 2. À fl. 141, consta o Termo de Intimação n° 150/2005, cientificando a contribuinte de que as DComp transmitidas no período de abril a dezembro de 2004 foram ‘baixados’ para ‘tratamento manual’ mediante o Processo Administrativo n° 10930.720045/200570 e intimandoa a apresentar: (a) documentos estatutários; (b) relativos aos processos judiciais indicados (nºs 1059/57 e 105/57); e (c) da escrituração contábil fiscal com os registros das compensações. 3. Em atendimento, em 27/05/2005, a interessada apresentou a petição de fl. 143, em que comunica o encaminhamento dos documentos solicitados, à exceção dos relativos ao processo judicial, em relação ao qual solicitou prorrogação de prazo e esclareceu haver indicado por equívoco, em algumas DComp, como sendo de n° 105/57, ao passo que o correto seria 1059/57. Também disse estar encaminhando cópia de escritura em que constaria como credora de ‘créditotributário’ (sic). Ao processo foram juntados os documentos de fls. 144/212 e 215/216. 4. Às fls. 217/218, a interessada, em 06/06/2005, ainda em referência ao Termo de Intimação n° 150/2005, esclarece: que os créditos utilizados nas DComp encontramse fundamentados em ‘Direitos Hereditários e Creditórios, de uma parte do Quinhão 4, do imóvel Apertados, o qual foi objeto de um processo de Atentado já transitado em julgado no STJ, sob o Recurso Especial n° 37.056, em 09 de junho de 1999’; que se trata de ‘crédito de indenização por impossibilidade de cumprimento de sentença, exarada no processo acima, e o Direito a referida indenização nasce da propriedade de parte das terras, e a sua transferência deuse através de ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS CREDITÓRIOS E HEREDITÁRIOS, conforme documento em Anexo, adquirida de ANTONIO JOSÉ CARNEIRO, que por sua vez adquiriu de MARIA DE FÁTIMA BONINI, proprietária de parte maior no referido Quinhão’; que a decisão proferida em recurso especial "mandava que o Juízo de origem restabelecesse o STATUS QUO ANTE, ... "; que está demonstrada a existência de um crédito financeiro contra a Unido, ‘pois, pela Lei 496/97, a Unido FEDERALIZOU O AJUSTE FISCAL DOS ESTADOS, PELO PROGRAMA DE APOIO E REESTRUTURAÇÃO DOS MESMOS, assumindo desta forma a diívida mobiliária dos Estados, e prorrogou o prazo de assunção para 31/05/2000 nos termos do art. 23 da medida provisória 2.19270 de 24/08/2001, em sua letra “F” que autoriza a compensação de créditos vencidos e as disposições constantes do artigo 78 da Emenda Constitucional nº. 30/2000’; e que a compensação é fundada nos art.s 170 e 209 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1996, combinado com o art. 1° do Decreto n° 2.138, de 29 de janeiro de 1997, e com o art. 20 da Lei n° 10.179, de 6 de fevereiro de 2001, além de estar lastreada no art. 2°, IV e V, da Instrução Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.283 4 Normativa SRF n° 414, de 30 de março de 2004, por se tratar de crédito oriundo de ação judicial com trânsito em julgado. Foram, então, juntados ao processo os documentos de fls. 219/340. 5. À fl. 343, pelo Termo de Intimação n° 233/2005, a interessada foi intimada a apresentar documentos relativos ao representante que subscreve seus atos. 6. Às fls. 345/346, em 05/08/2005, a interessada, reportandose ao Termo de Intimação n° 150/2005, reproduz os mesmos argumentos de fls. 217/218, acompanhados dos documentos de fls. 347/349. 7. A fl. 364, a Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, em 11/08/2005, emitiu despacho decisório, com base nas conclusões e fundamentos legais do Parecer/DRF/LON/Saort n° 79/2005, de fls. 350/363, para: (a) admitir a retificação da DComp nº. 08618.77060.190404.1.3.571092 pela de nº. 31409.49700.170604.1.7.571061; (b) nãohomologar as compensações declaradas nas DComp do Quadro I, às fls. 350/351; (c) proceder ao lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, combinado com o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e representação fiscal para fins penais; e (d) determinar a intimação da contribuinte para efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados (constantes do Quadro I), cientificandoa da possibilidade de apresentar manifestação de inconformidade. 8. No referido parecer, às fls. 350/363, a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, em síntese: (1) transcreve os dispositivos legais que regem a compensação tributária; (2) identifica que a retificação de DComp trata de inexatidão material, atendendo ao requisito normativo para tal; (3) identifica o Processo Judicial n° 1.059/57, como sendo concernente a uma ação que versa sobre devolução, pelo Estado do Paraná, de terras denominadas ‘Apertados’, aos autores da ação Espólio de José Teixeira Falhares e Outros; (4) considera que o possível crédito utilizado pela contribuinte é de natureza não tributária, por versar sobre uma indenização em relação a terras localizadas no Estado do Paraná, que não tem a União como parte na ação judicial correspondente, não se tratando de crédito passível de compensação com base no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que a permite apenas a partir de crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal; (5) constata que a interessada tampouco é parte na ação judicial, hipótese que também inviabiliza a compensação de débito tributário, em face da vedação, para esse fim, da utilização de créditos de terceiros, empecilho que não é eliminado por convenção particular de cessão de direitos creditórios e hereditários; (6) discorre acerca da caracterização Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.284 5 de fraude na utilização em DComp de créditos de terceiros e de natureza não tributária; e (7) analisa a confissão de divida e, em face da não homologação das compensações, a cobrança dos débitos correspondentes. 9. À fl. 365, Intimação n° 380/2005, de 12/09/2005, emitida para dar ciência do Parecer/DRF/LON/Saort n° 79/2005 e do despacho decisório e intimar a interessada a efetuar o recolhimento dos débitos cuja compensação não foi homologada, ressalvado o direito de apresentar manifestação de inconformidade. Encaminhada por via postal, foi recebida no domicilio da contribuinte em 20/09/2005, como atesta o aviso de recebimento de fl. 427. 10. Consta, as fls. 367/421, ‘impugnação ao lançamento manifestação de inconformidade’, apresentada em 12/09/2005, com referência ao Processo Administrativo n° 10930.720045/200570. 11. À fl. 425, Intimação n° 493/2005, de 14/09/2005, com as seguintes constatações: que não consta no processo documento comprobatório de representação da pessoa jurídica pelo Sr. Eleazar Ferreira; que, tendo sido concluída a análise das declarações de compensação, foi exarado o Parecer/DRF/LON/Saort n° 79/2005 e o respectivo despacho decisório, encaminhados por meio da Intimação n° 380/2005, assim como foi lavrado auto de infração, enviado por meio da Intimação Seort n° 401/2005, de 12/09/2005; e que, nos termos do art. 15 combinado com o inciso I do § 2° do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação será apresentada no prazo de trinta dias da ciência, sendo que o documento antes apresentado ocorreu em data anterior a ciência do intimado. Por essas razões, a pretensa impugnação apresentada em 12/09/2005 foi considerada não formulada, sendo facultada, após a ciência das Intimações 380/2005 e 401/2005, a apresentação de manifestação de inconformidade e de impugnação. Encaminhada por via postal foi recebida no domicilio da contribuinte em 20/09/2005 (f1. 428). 12. A interessada, por intermédio de representante constituído (procuração à fl. 461), apresentou, em 20/10/2005, contra a não homologação das compensações, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 433/460, acompanhada dos documentos de fls. 462/548, a seguir sintetizada. 12.2. Após descrever os fatos, alega, preliminarmente, cerceamento ao exercício do contraditório e à ampla defesa em decorrência de ‘greve de servidores’, aduzindo que esse incidente inviabilizou sua ‘vista’ ao processo por um período razoável para o exercício da plena defesa, pois somente em 18/10/2005 teve acesso aos respectivos processos para elaboração da defesa. Requer, assim, que seja devolvido o prazo de trinta dias, a partir de 18/10/2005. 12.3. Também em preliminar, alega suspensão dos efeitos da decisão ‘impugnada’, em face das disposições contidas nos §§ 9º Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.285 6 a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 10.833, de 2003, combinados com o art. 151 do CTN, pelo que argumenta que todos os ‘atos coativos’ (negativa de homologação da compensação, determinação para o pagamento dos tributos compensados e da multa isolada, além da inscrição em dívida ativa e da abertura da representação fiscal para fins penais) da entidade tributante estariam suspensos, devendo ser anulados. Refuta, para a hipótese, a aplicação retroativa do § 13 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. 12.4. Igualmente com base na irretroatividade das disposições da Lei n° 11.051, de 2004, contesta a existência do tipo legal caracterizador da fraude fiscal. Nesse aspecto, diz que a repartição fiscal interpretou como ato doloso a compensação efetuada, tratandose de uma presunção defraude, a partir do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 3 de outubro de 2002, apesar de não citado como fundamento, o qual não tem aparo legal. Observa que a redação do § 12 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.051, de 2004, relacionando expressamente as vedações à compensação, importou em reconhecimento de que não havia uma disciplina legal impondo tais restrições, não se podendo, por conseguinte, imputar aos contribuintes que antes fizeram as compensações o cometimento de ato doloso. Adicionalmente, em face da irretroatividade da Lei n° 11.051, de 2004, questiona a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, discorrendo a respeito. 12.5. Como última questão preliminar, suscita nulidade do ato decisório, por violação ao principio do contraditório e da ampla defesa, em face da adoção de atos coativos antes de esgotado o direito a que se refere o "art. 74, § 11", que garante a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação, mediante suspensão dos efeitos da decisão. A respeito da ampla defesa, cita doutrina e jurisprudência e sustenta que, havendo sua preterição, na medida em que não se aguardou qualquer manifestação quanto ao indeferimento da compensação, são nulos todos, com efeitos ex tunc os atos coativos decorrentes da decisão, por contrariar formalidade essencia1 estabelecida em lei. 12.6. No mérito, discorre sobre o direito a propriedade e configuração de confisco, complementando que ‘transportando essas diretrizes, para o direito creditório utilizado como compensação, como se trata de crédito do contribuinte, embora não seja de ordem tributária, foi assumido pela União Federal, nada impede que este contribuinte, no caso manifestante, possa utilizar o seu crédito para amortização de débitos tributários junto a própria Unido Federal, mediante o exercício do direito a compensação’. Diz que o instituto da compensação está consolidado no ordenamento jurídico, previsto anteriormente no art. 1.009 do Código Civil e, atualmente, no art. 368 do Novo Código Civil, refutando a validade da revogação estabelecida pela Lei n° 10.677, de 25 de maio de 2003, em relação ao art. 374 do Código Civil. Em matéria de tributos federais, transcreve Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.286 7 o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, e o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 10.637, de 2002, da Lei n° 10.833, de 2003, e da Lei n° 11.051, de 2004, refutando dessa última a redação dada ao § 13, posto que posterior as compensações, e destacando os ‘efeitos suspensivos’ da manifestação de inconformidade, nos termos do § 11 do art. 74 citado. Pela mesma razão, das instruções normativas emitidas, refuta a aplicação retroativa da Instrução Normativa SRF n° 517, de 2005. Nesse contexto, sustenta que o crédito decorrente da cessão consolida seu direito subjetivo a compensação, por tratar de crédito incontestável, previsto nas normas ventiladas e em consonância com o art. 170 do CTN, deferido em decisão judicial com trânsito. Quanto a cessão de crédito, alega encontrar amparo nos arts. 286 e 287 do Código Civil, além de não haver impedimento expresso na legislação tributária (aduz que as restrições à cessão de crédito foram estabelecidas por atos administrativos, sem estarem, no entanto, estabelecidas em lei, não sendo aplicáveis as disposições do Ato Declaratório Executivo [sic] SRF n° 17, de 2002). Refuta, também, a aplicação, ‘por analogia’, do art. 123 do CTN. 12.7. Alega, ainda, que a ‘Representação Criminal’, da forma como proposta, causa constrangimento ilegal, devendo ser suspensa, em face da disposição do art. 83 da Lei n° 9.430, de 1996. 12.8. Por fim, ‘requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidas em direito, pelos documentos anexos, pelos documentos contidos nos processos administrativos n° 10930.720045/200570 e 10930.002887/200546, inclusive a manifestação de inconformismo diante de nãohomologação da compensação, já apresentada em 12.09.2005, que fará parte integrante dessa peça impugnatória em todos os seus termos, como peça integrante da presente manifestação, demais a serem juntados oportunamente, se necessários, testemunhais, se fizerem necessárias, periciais e diligências para verificação dos dados acima referidos, principalmente para exame dos documentos anexos pertinentes à cessão de créditos, bem como para realização dos débitos e créditos, por auditagem dos livros fiscais, das declarações e demais documentos relacionados a compensação efetuada’; para tanto, à fl. 459, nomeia e qualifica seus peritos técnicos; e requer a suspensão de todos os atos coativos, até o término do processo administrativo, a declaração preliminar de nulidade, do despacho decisório e, no mérito, a homologação da compensação, para extinguir o crédito tributário e penalidades decorrentes, bem como demais atos coativos. Alternativamente, se mantida a decisão de indeferimento, requer a exclusão da multa de 150%, pela ausência dos elementos tipificados para tal e pelo seu caráter confiscatório, e exclusão da incidência da Selic, em face de evidente ilegalidade. Reafirma, também, seu pedido de devolução de prazo para manifestação em decorrência da greve dos servidores. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.287 8 13. Acompanhando a manifestação de inconformidade, às fls. 494/548, a interessada junta cópia da petição que apresentara em 12/09/2005. Nessa, a interessada, em síntese: faz relato sobre o crédito ‘transitado em julgado’ e utilizado na compensação; alega que houve a conversão do direito creditório transitado em julgado em crédito tributário, por força de leis tributárias vigentes; e discorre sobre o instituto da compensação no direito brasileiro, sobre a compensação em matéria tributária e sobre as obrigações atribuídas ao fisco e suas correlações de responsabilidade. Pugna, ao final, pela nulidade dos autos de infração, pela homologação das compensações, pela ‘declaração dos valores contestados e suas dispensas dos pagamentos’, pela nulidade do lançamento de multa isolada, pela admissibilidade recursal em face do principio do contraditório e da ampla defesa e ‘pela declaração de ilegalidade e inconstitucionalidade frente à disposição de lei’. Multa isolada. 14. À fl. 557, Termo de Juntada de Processos, pelo qual é juntado, por anexação (passando a fazer parte integrante deste), as fls. 558/764 e 767/942, as peças que antes formavam o Processo Administrativo n° 10930.0028871200546, relativo a auto de infração, as fls. 793/796, em que são exigidos R$ 1.499.511,46 de multa isolada, de 150%, em face das compensações consideradas indevidas (de débitos de períodos de apuração de maio a dezembro de 2004), com fundamento no art. 18 da Lei n°10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, combinado com o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 90 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001. 15. A autuação, lavrada em 25/08/2005, encontrase detalhada no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 797/809, sob os seguintes tópicos: ‘I Da Análise das Declarações de Compensação’; ‘II Procedimento Fiscal’; ‘III Da Ação Judicial n° 1059/57’; e ‘IV Do Resultado da Análise das Declarações de Compensação DCOMPs’. A autuação fora acompanhada de Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do Processo Administrativo n° 10930.002888/200591 (fl. 814). 16. Cientificada da autuação em 20/09/2005 (consoante intimação de fl. 813 e correspondente aviso de recebimento de fl. 818), a interessada, por meio de seu representante (procuração a fl. 853), apresentou, em 20/10/2005, a tempestiva impugnação de fls. 819/852, acompanhada dos documentos de fls. 854/940, cujo teor é sintetizado a seguir. 16.2. Pelos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, alega, preliminarmente: cerceamento, de direito de contraditório e a ampla defesa em face de greve de servidores da SRF, pelo que requer a devolução do prazo de trinta dias; em face do direito de apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.288 9 nulidade do auto de infração; inexistência do tipo legal caracterizador da fraude; e nulidade do auto de infração por violação do princípio do contraditório e da ampla defesa. 16.3. Adicionalmente, alega ser inconsistente o auto de infração, por impor penalidade com base em presunção de fatos, e nulo, por ausência de capitulação legal. Quanto ao primeiro tema, ilustra com doutrina, e, em relação ao segundo, aduz que a omissão da capitulação legal não é suprida pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 2002, que não é lei em sentido estrito, mas mero ato administrativo. 16.4. No mérito, também reprisa os argumentos delineados na manifestação de inconformidade a respeito de direito de propriedade e de nãoconfisco, associandoos ao direito de compensação, que defende possível com créditos objeto de cessão, bem como se manifesta contrária à ‘representação criminal’. 16.5. Além daqueles, alega: que, diante do cumprimento de todas as obrigações acessórias na realização da compensação, houve a denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN, ficando exonerada de quaisquer penalidades; que a multa de 150% é exorbitante e confiscatória, não se coadunando com os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, violando o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal (cita, julgado do Superior Tribunal de Justiça, que considerou não ser confiscatória a multa de 50%, em face da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal); e improcedência da inclusão da taxa Selic nos cálculos que fundamentaram o lançamento (aduz que a taxa não mede a inflação e nem os juros; não está prevista em lei, mas apenas por circular do Banco Central do Brasil; sequer mede o custo do dinheiro em z sua completude; não está prevista em lei, sendo que a Lei n° 9.250, de 1995, não estabelece padrões de cálculo, contrariando principio da legalidade; tem caráter remuneratório do custo do dinheiro e não indexatório do nível da inflação, seguindo a mesma sistemática da TR declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; e não se encontra em consonância com o limite do art. 161, § 1°, do CTN, e do art. 192, § 3º, da Constituição Federal, conduzindo o lançamento a um vicio de legalidade insanável). 16.6. Por fim, ‘requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidas em direito, pelos documentos anexos, pelos documentos contidos nos processos administrativos n° 10930.720045/200570 e 10930.002887/200546, inclusive a manifestação de inconformismo diante de nãohomologação da compensa cão, como peça integrante da presente defesa, demais a serem Juntados oportunamente, se necessários, testemunhais, se fizerem necessárias, periciais e diligências para verificação dos dados acima referidos, principalmente para exame dos documentos anexos pertinentes a cessão de créditos, bem como para realização dos débitos e créditos, por auditagem dos livros fiscais, das declarações e demais documentos relacionados à Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.289 10 compensação efetuada’; para tanto, à fl. 852, nomeia e qualifica seus peritos técnicos; e requer, preliminarmente, a declaração de nulidade do auto de infração e, no mérito, sua insubsistência. Alternativamente, se mantida a exigência, requer a exclusão da multa de 150%, por ausência dos elementos tipificados para tal e pelo seu caráter confiscatório, e exclusão da incidência da Selic, em face de evidente ilegalidade, determinandose a revisão do lançamento, para elaboração de novos cálculos. Reafirma, também, seu pedido de devolução de prazo para manifestado em decorrência da greve dos servidores. 17. Dentre os documentos que acompanharam a impugnação, consta, às fls.886/940, cópia da petição intitulada ‘IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE’, antes sintetizada, que a interessada apresentara em 12/09/2005. 18. A fl. 966, consta o esclarecimento de que, para a análise de PER/DComp transmitidas pela contribuinte no período de abril a dezembro de 2004, havia sido formalizado o Processo n° 10930.7200451200570, em 29/04/2005 952), sendo, então exarado o Parecer Saort/DRF/LON n° 79/2005 e respectivo despacho decisório, pelo qual não foram homologadas as compensações, mas, posteriormente (fl. 957), constatado que aquele processo havia sido indevidamente formalizado por meio do Sistema Sief foi então constituído o presente processo, sob o n° 10930.004263/200563, com documentos (originais) daquele extraídos. 19. Encontrase apensado ao presente, o Processo Administrativo n° 10930.002888/200591, de Representação Fiscal para Fins Penais." Cientificada em 06 de junho de 2006 da decisão de fls. 967995, a qual deu parcial provimento às razões da impugnação reduzindo a multa de oficio de 150% para 75%, mantendo, porém, o lançamento de multa de oficio isolada, indeferindo também a manifestação de inconformidade quanto à não homologação das compensações realizadas, a empresa contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 10061063) em 06 de julho de 2006, em síntese, defendendo, preliminarmente afronta ao direito do contraditório e ao princípio da ampla defesa frente ao indeferimento do pedido de perícia para comprovar que os documentos correspondem à legalidade e nem foram analisados o que encerra a nulidade do processo e no mérito que compensação foi legalmente realizada já que o crédito utilizado pela Recorrente para amortização de seus débitos junto à Fazenda Nacional, referese ao direito de crédito apurado na ação judicial n° 1059157, ingressada pelos sucessores de José Palhares e de Rodolpho de Macedo Ribas contra o Estado do Paraná, com a finalidade de obter a devolução das temas designada ‘Fazenda Apertados’, que parte do crédito decorrente da ação mencionada, equivalente a R$943.767,81 foi adquirido pela Recorrente através de escritura pública de Cessão de Direitos Creditórios, lavrada em Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.290 11 24/03/2004, do detentor desses direitos Sr. Antonio José Carneiro; que seu direito é legitimo; que a multa tem caráter confiscatório e não é possível a aplicação da taxa Selic. Houve também Recurso de Ofício da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Curitiba/PR (f1.968). A Terceira Turma do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou seguimento ao recurso de ofício, afastando a aplicação da multa isolada, e deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo a exigência fiscal decorrente da não homologação das declarações de compensação e afastando a exigência relativa à multa de ofício. Proferiu o Acórdão nº 30334.640, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/05/2004, 09/06/2004, 17/06/2004, 16/07/2004, 10/08/2004, 11/08/2004, 09/09/2004, 14/10/2004, 28/10/2004, 10/11/2004, 08/12/2004, 22/12/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DA TRIBUTÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. A exegese do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei 9.430/96, descabe a compensação com créditos de natureza não tributária com débitos tributários do contribuinte. No caso em comento, pretendeu o contribuinte levar a efeito compensações com crédito de natureza não tributária, com débitos tributários. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA O SEU LANÇAMENTO. CARECE DE COMPETÊNCIA AS DRJs PARA LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Ausência de previsão legal para o lançamento da multa agravada nas hipóteses de compensação não declarada. Eliminada a multa agravada no julgamento proferido em primeira instância pela DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento, falece a esta competência de lançar multa de oficio com suporte normativo distinto do verificado no instrumento de constituição das multas. PERÍCIA. Desnecessária a realização de perícia quando por provas documentos é possível a comprovação do fato constitutivo do direito do contribuinte. JUROS MORATÓRIOS. TAXA .SELIC. SÚMULA N° 4. 0 Terceiro Conselho de Contribuintes já pacificou seu entendimento: A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. A decisão foi proferida nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.291 12 voluntário para excluir a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Os Conselheiros Zenaldo Loibman e Tarásio Campelo Borges votaram pela conclusão. Irresignada, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial por contrariedade à lei e por divergência. Alega que não há como prosperar a decisão que, ao julgar recurso de ofício, negoulhe seguimento, confirmando o não cabimento da multa de 150%, e, ao julgar o recurso voluntário, deulhe parcial provimento para excluir a multa 75%. Isto pois a Lei nº 10.833/03, que vigorava quando da transmissão das DCOMPs pela contribuinte, previa no seu art. 18 a aplicação da multa isolada nas hipóteses de o crédito ou o débito não serem passíveis de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficasse caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. No intuito de comprovar a adequação da multa qualificada, trouxe paradigma no qual consta que: "Na situação em que é inserida informação inverídica em Declaração de Compensação, visando à extinção de débitos com o cometimento de fraude, resta demonstrado o dolo e por isto cabe a aplicação da multa de oficio qualificada determinada pelo art. 18, caput, § 2º, da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004." Defende haver contrariedade à lei quanto ao afastamento do lançamento da multa qualificada, alegando que restaria configurado o evidente intuito de fraude, posto que a contribuinte teria prestado declaração falsa ao informar na DCOMP que o crédito não pertencia a terceiros, tinha origem no Processo Judicial nº 1059 e já transitara em julgado, com o intuito de liquidar, por meio da compensação irregular, os créditos tributários devidos. Nesse sentido, argumenta, revisitando a fundamentação contida no Parecer SAORT nº 79/2005, que: (...) 31. Mesmo consciente da vedação contida no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que estabelece que na compensação de débitos próprios a contribuinte pode utilizar apenas créditos por ela apurados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, a interessada promoveu a extinção de créditos tributários, utilizandose de crédito de natureza nãotributária e cedido por terceiros. (...) 34. Ao apresentar as Declarações de Compensação — DCOMP, a contribuinte prestou as informações em desacordo com a realidade dos fatos, informando existência ou montante de crédito sem amparo na legislação, ou seja, inseriu elementos Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.292 13 inexatos e com isso suprimiu o pagamento do tributo, de forma a lesar a Fazenda Nacional. 35. A inserção de informação em desacordo com a legalidade que ampara a compensação tipifica a conduta do agente que deliberadamente apresentou a DCOMP com o fim de se eximir da obrigação de recolhimento de tributos, levandose à conclusão de que a ação foi efetuada com a intenção de evitar ou, pelo menos, postergar o pagamento dos tributos devidos. Posto isso, claro está o enquadramento como fraude. (...)" Na sequência, conclui que, se não há dúvidas de que houve uma declaração falsa, imperioso é que se reconheça o intuito de fraude, o que, por si só, legitima a lavratura do auto de infração e justifica o provimento do recurso de oficio, para que se restaure a multa agravada, de 150%. Por fim, pugna para que se mantenha a multa de ofício, ainda que desagravada. O recurso foi admitido pela presidente da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Cientificada do despacho que acolheu o recurso especial da Fazenda, a contribuinte apresentou contrarrazões, em que sustenta não existirem os elementos caracterizadores da fraude fiscal e que, portanto, seria incabível a tributação por presunção e a imputação da multa isolada sem base legal e sem a existência de fatos a comprovar que houve qualquer ato ilícito. Insurgese contra o enquadramento legal do auto de infração, qual seja: art. 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.051/04, combinado com o art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96 e art. 90 da MP nº 2.15835/01. Alega que a imputação da penalidade por compensação considerada não declarada somente foi introduzida pela Lei nº 11.051, de 29/12/04, a qual não poderia retroagir para atingir os fatos praticados pela recorrida, uma vez que todos já estavam consumados no momento da entrada em vigência desta Lei, e que antes disso já havia a previsão legal da multa isolada, que não seria aplicável a essa situação, mas apenas em casos de fraude incontestável, conforme disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/1996. Defende, ainda, que não deve prosperar a alegação de que a decisão recorrida tenha negado vigência às disposições contidas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64, e, tampouco, os paradigmas mencionados centrados nos acórdãos nos 30133804, 30133888, 30133889, 30133890, 30133886, pois todos enfatizariam o cabimento da multa de 75% quando a compensação for considerada não declarada, quando o crédito utilizado pelo contribuinte não se referir a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, de acordo com inteligência do § 4º do art. 18 da Lei n° 10.833/03, combinado com a redação dada pela Lei n° 11.186/05. Argumenta que os fundamentos apresentados para justificar a divergência, bem como a violação de lei, estão centrados em paradigmas que não corresponderiam aos fatos, e que deixariam de contemplar o princípio da irretroatividade da lei, já que Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.293 14 fundamentados na Lei 11.196/05, bem posterior aos fatos que ocorreram até novembro de 2004. Alega que a interpretação da Fiscalização e da Fazenda Nacional de ato doloso para a compensação realizada tratase de presunção de fraude, sem amparo legal, uma vez que não haveria qualquer restrição legal à realização da compensação e que todos os atos teriam sido efetuados de forma transparente, por meio de DCOMPs apresentadas, que evidenciariam compensação realizada com crédito contemplado em ação judicial nº 1059/57, com trânsito em julgado. A contribuinte informa, ainda, que, no que se refere à compensação tributária, o recurso perdeu o objeto em decorrência de pedido de desistência parcial do recurso para fins de parcelamento, protocolado em 11/10/2007. Os presentes autos foram a mim distribuídos por sorteio, em conformidade com o art. 49, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, Relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Consideradas as razões expostas no especial e nas contrarrazões, passo a analisar as questões submetidas à CRSF. I – Efeitos da desistência Destaquese primeiramente que a alegação de desistência não atingiu a parte referente à multa (tratase desistência parcial “isto é, valores efetivamente compensados com créditos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil!”, conf. o pedido do contribuinte constante do processo), e conforme consta das contrarrazões. Ou seja, a desistência se restringe ao principal (que, justamente, foi o objeto da compensação guerreada); contudo, a parte referente à multa continua sub judice, pois não foi objeto de desistência pelo contribuinte, mas foi objeto de recurso especial por parte da Fazenda, que é o que discute aqui, já que a decisão recorrida desonerou o contribuinte de qualquer multa. Assim nenhum óbice existe a que se discuta o recurso especial da Fazenda, considerando que não há vício de conhecimento. II Multa qualificada de 150% Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.294 15 Inicialmente, destaquese que a multa de 150% foi afastada pela DRJ, sendo objeto de recurso de ofício, que restou improvido pelo Acórdão recorrido. Tratase de analisar a pertinência da aplicação de multa isolada, mediante o pressuposto de evidente intuito de fraude, com fulcro no art. 18 da Lei nº 10.833/03 e suas posteriores alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04 e pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, cominando em multa de 150% (referência percentual do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96), em razão da realização de procedimentos compensatórios pela contribuinte, nos quais foram utilizados créditos (i) de terceiros e (ii) não referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A interessada objetivou promover a extinção de créditos tributários utilizandose de crédito de natureza nãotributária e cedido por terceiros. Àquele tempo, vigoravam as seguintes redações para o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01, para o art. 18 da Lei nº 10.833/03, para o art. 44 da Lei nº 9.430/96 e para os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, respectivamente: Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lei nº 10.833/2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.295 16 hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Em síntese, tanto na redação original da Lei nº 10.833/03, quanto na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, era preciso, para aplicação da multa qualificada de 150%, que ficasse caracterizada a prática de alguma das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Dentre as figuras de sonegação, fraude e conluio, só seria possível, por inferência lógica, a majoração da multa no caso a ocorrência de fraude, pois os tipos “sonegação” e “conluio” descritos nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/64 não são passíveis de aplicação a crédito tributário constituído e declarado pelo contribuinte, submetidos à compensação, na situação dos presentes autos. É preciso verificar, portanto, se a declaração falsa é conduta passível de ser tipificada como fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, o que ensejaria a aplicação da multa qualificada. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.296 17 Primeiramente, é preciso observar que, para que se opere a compensação, o contribuinte deve caracterizar tanto o crédito apurado quanto o débito que se pretende extinguir. A legalidade, portanto, pode ser desrespeitada ao menos de duas formas: utilizando se crédito não passível de compensação, no todo ou em parte, ou modificandose as características do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Isto é, o contribuinte pode majorar seu direito ou reduzir sua obrigação. Em ambos os casos, a finalidade é a mesma, reduzir ou eliminar o pagamento do tributo. Conforme definição legal, caracterizase como fraude toda ação ou omissão dolosa tendente (i) a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou (ii) a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A primeira figura não se adequa ao caso já que o crédito tributário está declarado e, portanto, confessado, o que supera a possibilidade de existência de fraude ex ante, sendo aplicável, ao caso, em tese, somente a segunda figura. Por outro lado a fraude não se caracteriza de modo objetivo, ao se reduzir o montante do tributo devido. Para sua configuração, é necessário que o elemento subjetivo esteja presente e suficientemente demonstrado. Assim, é preciso avaliar se o meio utilizado se enquadra em hipótese prevista na legislação. No caso concreto, para que se caracterize a fraude, não basta que a ação ou omissão seja dolosa, mas também que produza seus efeitos sobre montante do imposto devido, no caso relacionado crédito que em relação ao débito que se pretende compensar. Ou seja, por definição legal, em casos como o presente, há fraude quando a ação fraudulenta visa à redução da obrigação (efeito da parte final do dispositivo). No caso em análise, a declaração do crédito a se compensado não é passível de compensação por ser contrária à lei, ou seja, é discutível na parte em que declara o direito e não na que confessa a obrigação. Porém a apresentação e tentativa de demontração da existência do direito de compensar o crédito de ação judicial de terceiros, claramente trazido aos autos, não nos parece configurar fraude – mesmo porque não nos autos prova de falsidade ou idoneidade dos documentos apresentados, eles são inválidos como mecanismo de oposição creditícia à Fazenda Pública Federal para efeito de compensação, mas não fraudulentos. Também porque, mesmo sendo inviável a compensação pois o suposto crédito legalmente não pode ser objeto de compensação não implica a configuração da fraude, no sentido que lhe empresta o art. 72 da Lei nº 4.502/64. Por mais que semanticamente o termo fraude apresente diversas possibilidades, para efeito de imputação de penalidades devese buscar o perfeito ajuste entre a conduta e a previsão legal. Sendo assim, ainda que reprovável, a conduta da contribuinte não se amolda ao tipo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, não sendo possível ampliar as hipóteses configuráveis como fraude, muito menos utilizar a analogia como forma de penalização do sujeito passivo. Não cabe à autoridade administrativa, por meio de interpretações extensivas, suprir a omissão do legislador na atualização de definições, especialmente em se tratando de cominação de penalidades. No caso teria que ter sido demonstrada a fraude (por exemplo, uma ação judicial inexistente apresentada com um documento falso). A limitação dos conceitos presentes na Lei nº 4.502/64 e a opção das Leis aqui analisadas em referenciála só vieram a ser superadas com a edição da Lei nº 11.488/07, que modificou o caput do art. 18 da Lei nº 10.833/03 para vincular a aplicação da multa qualificada à comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, não se Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.297 18 exigindo mais o enquadramento da conduta nas definições de fraude, sonegação e conluio da Lei nº 4.502/64. Entretanto, a lei só pode retroagir para beneficiar o sujeito passivo. Sendo assim, por ausência de previsão legal à época dos fatos, a apresentação de declaração portando elementos inexatos não se configura fraude passível de punição com multa qualificada de 150%. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial nesta parte, mantendo afastada a exigência de multa qualificada de 150%. III Multa isolada de 75% Não há dúvida quanto aos efeitos da redação original do art. 18 da Lei nº 10.833/03, quais sejam: (a) se o crédito ou o débito não fosse passível de compensação por expressa disposição legal, aplicavase o inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (multa isolada de 75%); (b) se o crédito fosse de natureza não tributária, também aplicavase o inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (multa isolada de 75%); mas, (c) se ficasse caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, aplicavase o inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (multa isolada de 150%). A celeuma instaurase ao analisarse os efeitos provocados pela redação do art. 18 da Lei nº 10.833/03 dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/2004, que vale reprisar: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.298 19 débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O voto condutor do acórdão ora recorrido, proferido pela Terceira Turma do Terceiro Conselho de Contribuintes, entendeu que, a partir da entrada em vigor da nova redação: "(...) a multa cabível será aplicada somente "nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964", ou seja, nas hipóteses de dolo, fraude ou conluio (o que não é o caso dos presentes autos, conforme reconheceram os r. julgadores). A nova redação do caput do art. 18, assim como de seu § 2°, ambos da lei n° 10.833/03, deixam claro que o art. 18 esta a tratar de multa agravada (portanto na presença de dolo, fraude ou conluio), ao indicar, no § 2°, que a multa isolada "será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996,...", quais sejam, 150% e 225%. No mesmo sentido, o § 4° do art. 18, acima indicado, na medida em que remete ao caput do mesmo artigo, veicula hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, nos casos de compensação que for considerada não declarada nas hipóteses de que trata, previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Destaquese que o § 12 do art. 74 também recebeu sua atual redação através da lei n° 11.051 de 29/12/2004. Portanto, ambos os dispositivos acima indicados não estavam em vigor na data das compensações levadas a efeito pela Recorrente. Portanto, ausentes o dolo, fraude e conluio, conforme reconhece a própria decisão atacada, não há de se falar na multa agravada, conforme já reconheceram os r. julgadores. Por outro lado, a nova redação do art. 18 exclui a imposição de multa no patamar de 75%, ou seja, quando não presentes o dolo, fraude ou conluio. Tendo a legislação deixado de prever punição em tais casos, não há de se cogitar a imposição de multa. (...)" Ao que parece, a interpretação adotada seria a de que o termo "limitarseá" estaria se referindo às "hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964". Ou seja, somente nos casos de Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.299 20 sonegação, fraude ou conluio seria aplicável a multa isolada. Nos demais, não haveria qualquer penalidade, salvo os encargos moratórios. Não obstante, notese que para dar esse sentido à norma foi preciso omitir a parte do caput imediatamente posterior ao termo "limitarseá", qual seja, "à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo". Ocorre que essa omissão é imprópria, pois essa parte é invariavelmente a justificativa da edição da norma, que objetivava limitar o lançamento de ofício à multa isolada, não sendo necessário lançar também o tributo devido, haja vista a própria Lei nº 10.833/03 ter incluído também o § 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/60, determinando que "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados." Ou seja, o que se pretendia era restringir o lançamento à multa, evitandose o lançamento do tributo correspondente, pois este, a partir da entrega da DCOMP, já se encontrava confessado, constituído em dívida e, consequentemente, apto a ser cobrado, não sendo mais passível de discussão no âmbito administrativo. Tratase de medida de racionalização administrativotributária, e não de mudança paradigmática no sentido de excluir hipótese de aplicação de penalidade. Assim, ao alterar a Lei nº 10.833/03, a Lei nº nº 11.051/04 não suprimiu a multa de 75%, mas sim definiu que, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o lançamento de ofício limitarseia à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, sem, no entanto, excluir a imposição de multas nas demais hipóteses. O fato é que houve a manutenção, no caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, apenas da multa isolada, aplicável no percentual de 150%, em face da caracterização da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Todavia, em relação às demais compensações indevidas, a multa isolada, aplicável no percentual de 75%, passou a ser prevista no § 4º do mesmo art. 18 da Lei n° 10.833/03, que, conjugado com o § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, efetuou melhor e mais restritiva especificação das hipóteses, listando como sujeita à multa isolada, dentre outras, a utilização de créditos de terceiros ou de créditos não relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF. Nesse sentido, a anterior hipótese de compensação indevida sujeita à multa isolada de 75% por se utilizar de crédito de natureza não tributária passou a ser referida como a utilização de créditos que não fossem decorrentes de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; e a compensação de créditos de terceiros, que encontrava vedação legal no próprio caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02, foi mantida como hipótese de aplicação da multa isolada de 75%. Portanto, é preciso ter em mente as diversas modificações pelas quais passou a Lei nº 10.833/03, não sendo prudente valerse apenas da interpretação literal e isolada do texto. Do contrário, correse o risco dar azo à hipótese de que os contribuintes poderiam utilizarse de formas de compensação contrárias à lei sem a menor preocupação com a pretensão punitiva do Estado, pois, mesmo que averiguada pelo Fisco a improcedência do pedido, não seria cabível penalização, mas tão somente encargos moratórios. Ante o exposto, oriento o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial, mantendo a exigência de multa isolada de 75%. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.300 21 IV Competência da DRJ para desqualificar multa de ofício O acórdão recorrido, ao dar provimento parcial ao recurso voluntário, entendeu que não seria cabível a desqualificação da multa levada a efeito pela DRJ, conforme se depreende da sua ementa: MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA O SEU LANÇAMENTO. CARECE DE COMPETÊNCIA AS DRJs PARA LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Ausência de previsão legal para o lançamento da multa agravada nas hipóteses de compensação não declarada. Eliminada a multa agravada no julgamento proferido em primeira instância pela DRJ — Delegacia da Receita Federal de Julgamento, falece a esta competência de lançar multa de oficio com suporte normativo distinto do verificado no instrumento de constituição das multas. Valendose da narrativa segundo a qual faleceria competência à DRJ para lançar multa de oficio, por falta de previsão legal, o acórdão recorrido anulou a multa de 75%, por entender que, ao desqualificar a multa de 150%, a primeira instância haveria lançado outra, desta vez enquadrada no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Entretanto, há inúmeros precedentes que reconhecem a competência de ambas as instâncias do contencioso administrativo para a desqualificação de multas de ofício, uma vez que, afastada a hipótese de fraude, subsiste a falta de recolhimento do tributo, não havendo como deixar de ser imputada à autuada a multa de oficio, mesmo que desagravada. A infração se configura quando o contribuinte busca compensar débito próprio utilizandose de crédito não tributário e de terceiro. Nesta hipótese, aplicase a multa isolada de 75%. Caso, além do elemento objetivo, também esteja presente o elemento subjetivo do intuito de fraude, a multa é aplicada em dobro, no percentual de 150%. Portanto, a fraude atua tão somente como elemento qualificador da infração. Ante o exposto, oriento o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial no que concerne à competência da DRJ para desqualificar a multa isolada de 150%, subsistindo a multa isolada de 75%. Conclusão. Isto posto, voto de forma a DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, mantendo afastada a aplicação da multa qualificada de 150%, porém reformando a decisão ora recorrida para que se restabeleça a multa de 75%. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Voto Vencedor Conselheiro Luís Flávio Neto, redator designado. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.301 22 Na reunião de março de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é interessado INSTITUTO FILADÉLFIA DE LONDRINA (doravante “recorrido” ou “contribuinte”). O i. Relator bem descreveu o caso e, em seu voto, compreendeu não estar caracterizado dolo, sonegação ou conluio nos atos praticados pelo contribuinte, de forma que não haveria ensejo à cominação da multa qualificada de 150%. Contudo, o i. Relator compreendeu necessário apenar a conduta praticada pelo contribuinte com multa isolada de 75%. Na correspondente sessão de julgamento, acompanhei o i. Relator quanto à constatação da ausência de dolo, sonegação ou conluio nos atos praticados pelo contribuinte, de forma a afastar a multa isolada de 150%. No entanto, acompanhado da maioria do Colegiado, divergi quanto à possibilidade de cominação da multa isolada de 75% ao presente caso. Originalmente, o art. 18 da Lei n. 10.833/2003 possuía a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarse á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se pode observar, a matriz legal prescrita pelo legislador ordinário previa duas diferentes penalidades aplicáveis para casos envolvendo compensação tributária: multa isolada de 75%: cabível quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal, bem como quando o crédito ser de natureza não tributária; multa isolada de 150%: cabível quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, notadamente fraude, sonegação ou dolo. Em 2007, contudo, a Lei 11.488 alterou o art. 18 da Lei 10.833, que passou a constar com a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.302 23 em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) Como se pode observar, parte substancial da redação original do art. 18 da Lei n. 10.833/2003 foi suprimida pela Lei 11.488/2007, de forma que a nova matriz legal prescrita pelo legislador ordinário passou a prever apenas uma modalidade de penalização: multa isolada de 150%: cabível quando comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. O aludido enunciado legal passou a prever, como única penalidade aplicável, a multa isolada de 150%, exclusivamente na hipótese de ficar caracterizada falsidade, o que remonta às infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Suprimiuse, portanto, a hipótese de incidência da multa isolada de 75%. No caso concreto, o contribuinte transmitiu DCOMPs entre os meses de abril e dezembro de 2004, as quais não foram homologadas pela autoridade fiscal. No entanto, não houve, como bem demonstrou o i. Conselheiro Relator, qualquer falsidade, prática de sonegação, conluio ou fraude, sendo inaplicável, portanto, a multa isolada de 150%. Aplicandose ao caso a retroatividade benigna prevista pelo art. 106 do Código Tributário Nacional, fazse necessário os atos praticados pelo contribuinte sejam submetidos às normas prescritas pela Lei n. 11.488, a qual deixou de prever a incidência da multa isolada de 75%. São acertadas, portanto, as conclusões do acórdão a quo, in verbis: "Por outro lado, a nova redação do art. 18 exclui a imposição de multa no patamar de 75%, ou seja, quando não presentes o dolo, fraude ou conluio. Tendo a legislação deixado de prever punição em tais casos, não há de se cogitar a imposição de multa." Nesse cenário, é preciso reconhecer a inaplicabilidade das multas isoladas de 75% e de 150% ao presente caso. É como voto. Conselheiro Luís Flávio Neto, redator designado. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 10930.004263/200563 Acórdão n.º 9101002.261 CSRFT1 Fl. 1.303 24 Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 10073.720476/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente.
APP. ISENÇÃO. ADA. OBRIGATORIEDADE. A isenção do ITR só pode ser concedida mediante a apresentação de ADA tempestivo ou de diploma legal que declare a área como de preservação permanente emitida pelo IBAMA ou por órgão ambiental estadual.
CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos.
RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA.
O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
(Súmula CARF nº 45)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar parcial provimento para: i) por unanimidade, para restabelecer o valor da terra nua, conforme declarado pelo recorrente e ii) por maioria de votos, para reconhecer a isenção de ITR sobre 2.269 hectares a título de áreas alagadas, conforme o laudo. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. O Conselheiro Rayd Santana Ferreira também dava provimento à área de preservação permanente. Responsável pela elaboração do voto vencedor o Conselheiro Cleberson Alex Friess.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta e Relatora
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente), Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Rayd Santana Ferreira
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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APTIDÃO AGRÍCOLA. A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente. APP. ISENÇÃO. ADA. OBRIGATORIEDADE. A isenção do ITR só pode ser concedida mediante a apresentação de ADA tempestivo ou de diploma legal que declare a área como de preservação permanente emitida pelo IBAMA ou por órgão ambiental estadual. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA. O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 76 /2 01 3- 93 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar parcial provimento para: i) por unanimidade, para restabelecer o valor da terra nua, conforme declarado pelo recorrente e ii) por maioria de votos, para reconhecer a isenção de ITR sobre 2.269 hectares a título de áreas alagadas, conforme o laudo. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. O Conselheiro Rayd Santana Ferreira também dava provimento à área de preservação permanente. Responsável pela elaboração do voto vencedor o Conselheiro Cleberson Alex Friess. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente), Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva, Rayd Santana Ferreira Fl. 891DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10073.720476/201393 Acórdão n.º 2401004.410 S2C4T1 Fl. 891 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 23/12/2013, em face do Acórdão 03 56.399, da 1a. Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedente a impugnação do lançamento relativo ao ITR do imóvel rural "Areas em Rio Claro", NIRF 5.053.3924, com área de 24.821,9ha., localizada no município de Rio ClaroRJ, para o exercício 2010. A ciência do Acórdão recorrido deuse em 22/11/2013 (sexta feira). DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA INCIDÊNCIA DO ITR Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. Essas sociedades empresárias concessionárias, submetemse quanto à apuração do ITR, às mesmas regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. DA IMUNIDADE RECÍPROCA. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS. INAPLICABILIDADE Às concessionárias de serviços públicos constituídas como pessoas jurídicas de direito privado deve ser dado o mesmo tratamento tributário dispensado às demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição da República. DA ÁREA ALAGADA DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDRELÉTRICAS AUTORIZADA PELO PODER PÚBLICO Para efeitos do ITR, a existência de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório público, cabe ser devidamente comprovada nos autos com documentos hábeis. DA ISENÇÃO PREVISTA NO DECRETOLEI nº 2.281/1940 Encontramse revogados todos os incentivos fiscais de natureza setorial que não foram confirmados por lei após dois anos, contados a partir da data da promulgação da Constituição da República, inclusive a isenção prevista no art. 1º do DecretoLei nº 2.281/1940. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 4 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para que a área de Preservação Permanente possa ser considerada isenta de tributação, além da comprovação da efetiva existência dessa área no imóvel, devidamente dimensionada e classificada como tal, em conformidade com o Código Florestal, por meio de laudo técnico específico, elaborado por profissional habilitado, ou por Ato do poder público que assim as tenham declarado, exigese que essas áreas tenham sido objeto de Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado em tempo hábil no IBAMA. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO PARQUE A alegação de que as áreas pretendidas como de interesse ecológico estariam localizadas dentro dos limites de Parque Estadual, cabe ser devidamente comprovada nos autos com documentação hábil, para fins de justificar a exclusão de tais áreas de tributação, sendo imprescindível a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do ADA no IBAMA, além da existência de Ato de órgão ambiental competente reconhecendo, de forma inequívoca, as áreas como sendo de interesse ecológico. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A mesma autoridade a quo relatou o contencioso fiscal da propriedade para o exercício 2009, reconhecendo área de preservação permanente no total de 9.545,0ha., conforme efl. 858 dos autos, Acórdão 0356.398. No exercício 2010, o contribuinte considerou a área total da propriedade como de preservação permanente. A autoridade fiscal glosou toda a área de preservação permanente (24.821,9ha) pela falta de apresentação de Ato declaratório Ambiental (ADA) tempestivo e pelo fato do laudo técnico apresentado não ter atendido ao solicitado. Também Fl. 893DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10073.720476/201393 Acórdão n.º 2401004.410 S2C4T1 Fl. 892 5 alterou o Valor da Terra Nua (VTN) para o especificado no SIPT porque o contribuinte não comprovou o valor informado na DITR (efl. 630). O contribuinte aduz as seguintes razões: 1. Capitulação legal insuficiente, causando cerceamento do direito de defesa e a nulidade da autuação. Os dispositivos legais mencionados não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram a formalização do lançamento. 2. A autoridade fiscal teria alegado que o contribuinte apresentou número insuficiente de certidões de registro de imóveis. Entende que não é possível identificar nessa afirmação qual a infração cometida, pois não se está questionando a titularidade do imóvel, apenas a tributação. 3. A infração imputada à recorrente não corresponde a qualquer infração à legislação que regula a cobrança de ITR. Desta forma, a recorrente viuse obrigada a fazer uma defesa genérica. 4. Inaplicabilidade do SIPTRFB e aplicação do art. 4, I, do decretolei 3.128/41, ou seja, contabilização do ativo pelo valor histórico. O referido diploma legal, ainda em vigor, disciplina o tombamento dos bens das empresas de eletricidade. 5. Desnecessidade de apresentação de ADA para fins de comprovação de APP, justificado pelo par. 7, art. 10 da Lei 9393/96, que dispensa a apresentação prévia da documentação isentiva. Cita jurisprudência do STJ. Entende que o ônus de comprovar que a área de preservação permanente declarada não ostenta essa condição é da autoridade fiscal. 6. Foram apresentados dois ADA´s relativos ao imóvel tributado, referendando integralmente o que foi declarado para o DITR/2009. Observa que os ADA´s apresentados não se referem ao exercício 2010, mas sim aos anos 2008 e 2009. Contudo, apresentou Laudo técnico atestando o que fora declarado na DITR/2010. Laudo que serviu de amparo para o cancelamento de ITR no processo administrativo 13009.000015/200471. 7. O laudo técnico apresentado, com ART, comprova que parte significativa do imóvel tributado está em unidades de conservação, como o Parque Estadual Cunhambebe(Estadual/INEA), a APA Guandu (Estadual/INEA) e APA do Alto Piraí (Municipal/Prefeitura de Rio Claro), criados pelos Decretos 41.358/2008 e 40670/2007, e pela Lei Municipal 385/2008, respectivamente. 8. Pugna pela verdade material dos fatos. O laudo juntado aos autos atesta que um total de 4.259ha correspondem a áreas não sujeitas à tributação, porquanto referentes à áreas de preservação permanente, áreas de interesse ecológico e alagadas para fins de constituição de usinas hidrelétricas (Lei 9393/96, art.10, par. 1, "a", "b", e "f"). 9. O Acórdão recorrido teria reconhecido a existência de APP de 9.545,0ha, contudo, devido a não existência de ADA 2010 não pode a área ser isentada da tributação. O recorrente entende que o acórdão recorrido violou o princípio da verdade material. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 6 10. O Laudo também dá conta de que parte da área da propriedade se encontra dentro das áreas ambientais referidas no item 7. 11. Parte da área da propriedade está submersa com a finalidade de reservatório de usinas hidrelétricas, bem da União, conforme art. 20, VIII da CF/88 e, portanto deve ser isenta de ITR, conforme Súmula 45 do CARF. 12. Argumenta que, em se tratando de bens públicos, indisponíveis ao concessionário, estariam fora do comércio, sem valor aferível, o que os torna insuscetíveis de tributação pelo ITR, cuja base de cálculo é o valor venal do imóvel. É o relatório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10073.720476/201393 Acórdão n.º 2401004.410 S2C4T1 Fl. 893 7 Voto Vencido Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Preliminarmente o recorrente alega que o auto de infração menciona dispositivos legais que não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram a formalização do lançamento. Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois o documento de lançamento (efl. 630) contém a descrição dos fatos e o enquadramento legal relativo à infração, por ex. " Art. 10, par. 1, inciso II, alínea 'a' da Lei 9393/96". Ainda, na descrição dos fatos menciona o referido documento de lançamento: DA GLOSA DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Não apresentou ADA relativo ao exercício 2010, o Laudo Técnico relativo à área de preservação permanente não está acompanhado da respectiva ART Anotação de Responsabilidade Técnica, nem reúne informações detalhadas acerca da localização e dimensão da r e f e r i d a área. Não apresentou certidão de órgão público atestando que o imóvel ou parte dele se encontra inserido em área declarada como de preservação permanente. Entendo que a descrição dos fatos está clara. O recorrente não apresentou documentos obrigatórios para efeitos de isenção tributária, da área de preservação permanente. Os documentos oficiais apresentados não esclarecem o fato alegado pelo contribuinte de que a propriedade ou uma parcela da mesma conter área de preservação permanente. Mais ainda, não comprovou que teria declarado ao IBAMA, naquele ano, a existência de tal área. O Ato Declaratório Ambiental é um documento importante, pois visa o planejamento da fiscalização ambiental. Não houve inclusive comprovação definitiva da existência de terras cobertas por reservatório destinado à produção de energia elétrica. O recorrente juntou comprovantes de propriedade da terra, laudo técnico que visa atestar que terras da propriedade seriam passíveis de isenção por estarem situadas em áreas de preservação e parques, e documentos legais de criação do Parque Estadual Cunhambebe(Estadual/INEA), da APA Guandu (Estadual/INEA) e da APA do Alto Piraí (Municipal/Prefeitura de Rio Claro), criados pelos Decretos 41.358/2008 e 40670/2007, e pela Lei Municipal 385/2008, respectivamente. Contudo, nenhum documento oficial foi apresentado indicando que a propriedade está situada em quaisquer das áreas protegidas mencionadas. O art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 estabelece que o ADA é requisito indispensável para a isenção de ITR para áreas de preservação permanente, conforme a seguir. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 8 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifei) Conforme o art. 111 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional), a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O próprio contribuinte admite que não apresentou ADA tempestivo para o ano 2010. Desta forma, está consciente de que não cumpriu a exigência legal para a isenção do tributo. Mais grave ainda é o fato de não ter cumprido a exigência e mesmo assim ter informado na DIAT a existência da área para efeito de isenção tributária. O recorrente alega que a legislação desobriga o contribuinte a comprovar previamente a existência de área de preservação permanente, no que lhe assiste razão. Contudo, caso seja inquirido pela autoridade fiscal, deve sim apresentar os documentos utilizados para preencher a DITR. Ocorre que, sendo o ITR um tributo cujo lançamento é por homologação, é o contribuinte o responsável por declarar o tributo e efetuar o pagamento, sujeito à homologação pela Receita Federal num prazo de 5 anos, conforme art. 10 da lei 9.393/96. Não é necessário que o contribuinte, antes de fazer o lançamento e o pagamento do tributo apresente esses documentos à Receita Federal. Tal procedimento visa facilitar o recolhimento do tributo, evitando burocracia desnecessária ao contribuinte num primeiro momento. Entretanto, caso exigido pela autoridade fiscal, deverá sim comprovar as informações da declaração. A autoridade fiscal tem o deverpoder de, em encontrando alguma irregularidade/inconsistência, intimar o contribuinte para comprovar as informações prestadas ao fisco por ocasião do lançamento por homologação. O disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, permite que se aceite, no caso em questão, o arbitramento pelo SIPT quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, in verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10073.720476/201393 Acórdão n.º 2401004.410 S2C4T1 Fl. 894 9 § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto que, na efl. 626, consta que não foi encontrado VTN médio para o município de localização do imóvel rural, ou seja, não possui aptidão agrícola discriminada. Entendo que, de acordo com os dispositivos antes mencionados, deve ser aceito o VTN declarado pelo contribuinte, ou seja, R$ 14.417.552,00. Ainda, o contribuinte teve pleno conhecimento de todos os atos processuais e da infração que lhe é imputada, podendo, assim, produzir os elementos de prova que julgasse pertinentes para fins de influenciar a convicção da autoridade julgadora, tanto em sede impugnatória como na presente sede recursal. Após a interposição do recurso voluntário, o contribuinte juntou aos autos uma declaração do Diretor do Instituto Estadual do Meio Ambiente no qual este informa que "o Fl. 898DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 10 terreno situado em Ribeirão das Lajes, Rio Claro, RJ, encontrase parcialmente inserido no Parque Estadual Cunhambebe (19%), cujos limites foram definidos pelo Decreto Estadual n. 42.358/2008. Contudo, no segundo parágrafo, esclarece que a declaração dada não representa licença ambiental, não eximindo o contribuinte de obter as devidas autorizações nas esferas municipal, estadual e federal. Entendo que, mesmo sendo apresentado extemporaneamente, tal documento não supre a necessidade de ADA conforme determinado pela legislação. Esclareço que o Valor da Terra Nua do imóvel rural só é utilizado para efeito de cálculo do ITR devido e não possui o condão de modificar o valor contábil do bem. Em suma, não foram apresentados: (a) ADA para o ano calendário sob análise, (b) documento comprobatório da desapropriação para fins de construção de barragens para hidroelétrica, (c) documento de averbação de reserva legal, (d) documento de desapropriação/constituição de parque estadual válido que indicasse, de forma definitiva, a área da propriedade que integra o parque. Desta forma, voto por afastar as preliminares e, no mérito, prover em parte o recurso para restabelecer o valor da terra nua conforme informado pelo recorrente. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 899DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10073.720476/201393 Acórdão n.º 2401004.410 S2C4T1 Fl. 895 11 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a ilustre Relatora para discordar de seu voto tão somente na parte em que optou por não excluir a tributação sobre áreas alagadas. Alega a recorrente, Light Serviços de Eletricidade S/A, que parte da área do imóvel rural "Áreas em Rio Claro" é submersa, utilizada como reservatório de usina hidrelétrica, devendo ser afastada a tributação. A decisão de piso não reconheceu o pleito, dada a ausência de comprovação da existência dessas áreas no imóvel, assim como a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), vinculado ao anocalendário da exigência fiscal. Porém, segundo o enunciado da Súmula nº 45, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas. Reproduzo o verbete: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Os precedentes do enunciado apontam que, relativamente às terras submersas, a posse e o domínio útil pertencem à União, descabendo a incidência do imposto sobre tais áreas. Ao integrar as águas o patrimônio da União, o ente político detém o domínio útil da área submersa da propriedade, o que afasta, por conseguinte, a sujeição passiva da pessoa jurídica de direito privado. 1 A despeito da ausência de apresentação de ADA, compulsando os autos verifico a juntada de Laudo Técnico, em que foram utilizadas imagens aéreas tiradas em 13/6/2008, devidamente georreferenciadas, documento técnico que afirma a existência de 2.269 hectares de área líquida alagada para usina hidrelétrica (fls. 708/779). Entendo, portanto, que a recorrente traz aos autos prova hábil e suficiente para comprovar a existência de áreas alagadas utilizadas para fins de reservatórios do Complexo Hidrelétrico de Ribeirão das Lajes, atraindo a aplicação do enunciado da Súmula nº 45. Ressalto que em julgamento administrativo referente ao mesmo imóvel, relativo ao exercício 2009, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção já havia decidido por também reconhecer os mesmos 2.269 hectares a título de áreas alagadas (Acórdão nº 2201002.476, sessão de 12/8/2014). 1 Nesse sentido, entre outros acórdãos paradigmas, o Acórdão nº 30238.594, de 25/4/2007, e Acórdão nº 303 35.854, de 10/12/2008. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 12 Logo, dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer 2.269 hectares de áreas alagadas, afastando a tributação do ITR, relativa ao exercício 2010, sobre essa parcela de área do imóvel. Acompanho a Relatora nas demais matérias do seu voto. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 901DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10907.002547/2008-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.595
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 364 1 363 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.002547/200855 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.595 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/12/2003 a 16/12/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 47 /2 00 8- 55 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 365 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.460, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 366 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 367 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 368 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 369 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 370 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 371 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002547/200855 Acórdão n.º 9303003.595 CSRF‐T3 Fl. 372 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13161.721113/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
I - DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOA FÍSICA.
FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA.
A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;
O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição.
No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998.
II - DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO.
Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991.
AÇÃO JUDICIAL NÃO CONTEMPLANDO A CONTRIBUIÇÃO LANÇADA. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
As ações judiciais (Ação Declaratória e Mandato de Segurança), manejadas pelo sujeito passivo, não interferem no lançamento fiscal, visto que tais ações não têm como objeto desobrigar o contribuinte de recolher a contribuição destina ao SENAR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA Recorrente TEIXEIRA COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOA FÍSICA. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. PERÍODO POSTERIOR À LEI 10.256/2001. EXIGÊNCIA. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, destinada à Seguridade Social, é de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 11 13 /2 01 3- 74 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/1991, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; O Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. II DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991. AÇÃO JUDICIAL NÃO CONTEMPLANDO A CONTRIBUIÇÃO LANÇADA. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. As ações judiciais (Ação Declaratória e Mandato de Segurança), manejadas pelo sujeito passivo, não interferem no lançamento fiscal, visto que tais ações não têm como objeto desobrigar o contribuinte de recolher a contribuição destina ao SENAR. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Fl. 611DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2010 a 12/2012. O Relatório Fiscal (fls. 408/418) informa que os valores apurados decorrem dos seguintes lançamentos: 1. DEBCAD nº 51.040.9652, referente às contribuições devidas à previdência social, incidente sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas fisicas, devidas pela fiscalizada na qualidade de subrogada, conforme discriminado nos anexos I e II e as contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços autônomos), extraídos do livro diário, não declarados na GFIP; 2. DEBCAD nº 51.04.9660, referente às contribuições devidas à previdência social, parte dos segurados descontadas e não descontadas, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais, não declarados na GFIP; 3. DEBCAD nº 51.040.9679, referente às contribuições devidas ao SENAR, incidente sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas físicas, devidas pela fiscalizada na qualidade de subrogada. Segundo o Fisco, a empresa propôs ação judicial de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Conforme certidão de objeto e pé apresentada à fiscalização, a empresa não obteve êxito na suspensão da retenção da contribuição previdenciária prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/1991. Em consulta ao processo através do site do Tribunal Regional Federal da 3a Região (www.trf3.jus.br) verificouse que o processo se encontra em recurso especial junto à Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região. Não havendo ainda qualquer decisão favorável ao contribuinte nem suspensão da retenção da contribuição mencionada. Seguindo a autoridade lançadora aduz que em que pese à fiscalizada afirmar que há decisão judicial favorável a FAMASUL desobrigando seus associados da contribuição previdenciária mencionada, em consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional mencionado verificase que a decisão proferida no dia de 18 de dezembro de 2012 deu provimento ao reexame necessário e à apelação da União. A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 1. propôs perante o judiciário Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica resultante de fato gerador do denominado FUNRURAL (Processo n° 000413790.2010.403.6002) e Mandado de Segurança Preventivo (Processo n° 000087331.2011.403.6002). A Ação Declaratória tem por objeto a declaração de inconstitucionalidade das disposições do art. 1o da Lei 10.256/2001, que introduziu nova redação ao caput do art. 25 da Lei 8.212/1991. Já a Segurança tem por objeto proibir a autoridade impetrada de formular quaisquer exigências, bem assim lavrar quaisquer autuações contra a impetrante, relativas à retenção e ao recolhimento da contribuição social prevista no art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/1991, com redação do caput determinada pela 10.256/2001. Essas ações judiciais têm como objeto a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 10.256/2001; 2. na Sessão do dia 03/03/2010, por maioria de votos, o STF, no julgamento do RE nº 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, a qual deu nova redação aos artigos 12 incisos V e VII, 25 incisos I e II e 30 inciso IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/1997. O mesmo se deu quando do julgamento do RE 596.177/RS, com eficácia de repercussão geral e com determinação para aplicação desse entendimento a todos os demais casos pendentes, nos termos do art. 543B, do CPC; 3. o dispositivo legal que determinava a obrigação do adquirente de reter e recolher o tributo, ou seja, o art. 30, inciso IV, da Lei 8.212, de 1991, foi expressamente declarado inconstitucional pelo STF, tanto no RE 363.852/MG, quanto no RE 596.177/RS, inexistindo até o momento lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação, em virtude da absoluta impossibilidade de lei ordinária legitimar a incidência da contribuição sobre o valor da comercialização da produção rural promovida, tanto pela pessoa física, quanto pela jurídica; 4. a responsabilidade tributária do terceiro que não detenha a condição de contribuinte só é legitimada no ordenamento jurídico se decorrer de lei, nos estritos termos do art. 121, inciso II, e art. 128, ambos do CTN. Não se trata, portanto, de mera obrigação acessória. A figura da subrogação é substancialmente distinta. Ao subrogado é instituída por lei a obrigação que incumbia ao subrogante. E assim o sub rogado o destinatário legal da obrigação que incumbia o subrogante. E, essa responsabilidade tributária só será legitimada no ordenamento jurídico, se decorrer de lei, como exigido pelas disposições legais descritas no art. 121 e 128 do CTN. Tratase da rigorosa necessidade de observância da legalidade e da tipicidade cerrada da tributação como descrita no art. 97 do CTN; 5. nem a Lei 10.256/2001, que tem sido considerada a tal legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998, nem qualquer outra norma jurídica de índole legal no ordenamento jurídico, traz em sua estrutura disposição semelhante à do art. 30, inciso IV, da Lei Fl. 613DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 4 5 8.212/1991, declarado inconstitucional pelo Colendo STF, como dito. Dessa forma, é de se concluir que inexiste obrigação da impugnante de reter e recolher a contribuição social prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 10.256/2001; 6. a impugnante já efetua o recolhimento da contribuição a cargo do empregador, rigorosamente em dia, como constatado pela própria fiscalização na presente ação fiscal, que após análise de vários exercícios, encontrou uma diferença de contribuição não recolhida, tão somente na quantia de R$1.758,78 (DEBCAD 51.040.9660). Assim, em atendimento ao que disciplina o art. 25 da Lei 8.212/1991, a contribuição incidente sobre o valor comercial da produção rural, ora pretendida, que tem como objetivo a mesma finalidade da contribuição incidente sobre a folha de salários não merece prosperar, Eis que não tem cabimento as duas incidências que objetivam a mesma finalidade, quando a impugnante, na condição de empregadora, já recolhe sobre a folha de salários; 7. a contribuição ao SENAR representa mero adicional da contribuição devida à seguridade social, como expressamente dispõe o § 1o do art. 25 da Lei 8.870/1994. Assim a referida exigência somente terá legitimidade se devida a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização da produção. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0735.541 da 6a Turma da DRJ/FNS – não conheceu da impugnação, em razão da propositura pelo sujeito passivo de ação judicial. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, e registrar que não há concomitância entre os processos judiciais e administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Dourados/MS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, a saber: contribuição previdenciária e contribuição destinada ao SENAR. Constatase que o conteúdo delineado na peça recursal está pautado exclusivamente no fato de que a Recorrente adquire a produção rural de pessoa física produtor rural e na inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II, e do art. 30, ambos da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 10.256/2001. I DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOA FÍSICA. Observase que a Recorrente ingressou com ações judiciais (Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, processo n° 000413790.2010.403.6002, e Mandado de Segurança Preventivo, processo n° 000087331.2011.403.6002), alegando a inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física. Assim, considerando a discussão judicial acerca da inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária, entendese que este Conselho Administrativo não analisará as questões discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 5 7 Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto das ações judiciais, verificase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute, especificamente no que tange à contribuição previdenciária, e as questões postuladas nas ações judiciais (Ação Declaratória, processo n° 000413790.2010.403.6002, e Mandado de Segurança, processo n° 0000873 31.2011.403.6002), submetidas aos recursos para o TRF3a Região, uma vez que a apreciação de inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural pelo Poder Judiciário, sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, Mandado de Segurança (processo 000087331.2011.403.6002) e Ação Declaratória (processo 0004137 90.2010.403.6002), não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao TRF3a Região por meio da interposição dos recursos pertinentes. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não será apreciada a matéria concernente à inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, oriunda, segundo a Recorrente, da comercialização da produção produtor rural. A Recorrente afirma que, por meio dos RE nº 363.852/MG e RE 596.177/RS, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, a qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, todos da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/1997, e, com isso, argumenta que não existe amparo legal para a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural. Observase que o STF deu provimento ao RE 596.177/MG e declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, determinando a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto, no regime de repercussão geral. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Em sede de embargos, no RE 596.177/MG, citado acima, o plenário do STF decidiu e informou que a constitucionalidade da Lei 10.256/2001 não foi analisada, portanto, continua vigente. Essa Lei 10.256/2001 deu nova redação ao art. 25 da Lei.8212/1991 e estabeleceu a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural pessoa física. Lei 8.212/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei No10.256, de 2001) Nesse mesmo sentido, em decisão monocrática proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa, no julgamento do RE 585.684, o STF deu validade a tal exigência com base na Lei 10.256/2001, no seguintes termos: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, a da Constituição) interposto de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou constitucional a Contribuição Social destinada ao Custeio da Seguridade Social cobrada com base na produção rural e devida por empregadores que fossem pessoas físicas (art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992 “Funrural”). Em síntese, sustentase violação dos arts. 150, I e II, 154, I, 195, I e 198, § 8º da Constituição. No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. O pedido subsidiário para condenação à restituição do indébito tributário, com as especificidades pretendidas (compensação, correção monetária, juros etc) não pode ser conhecido neste momento processual, por falta de prequestionamento (pedido prejudicado devido à rejeição do pedido principal). Devolvamse os autos ao Tribunal de origem, para que possa examinar o pedido subsidiário relativo à restituição do indébito tributário, bem como eventual redistribuição dos ônus de sucumbência. Publiquese. Int.. Brasília, 10 de fevereiro de 2011. Ministro Fl. 617DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 6 9 JOAQUIM BARBOSA (RE 585684, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado em DJe038 DIVULG 24/02/2011) Posteriormente, essa decisão foi agravada, com o Ministro Luís Roberto Barroso proferindo a seguinte decisão: o agravante sustenta que a Lei nº 10.256/2001 é “uma norma desfalcada de critérios básicos que possam legitimar a cobrança da contribuição rural”, motivo pelo qual o recolhimento do tributo em questão permanece ilegítimo. Nesse passo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 718.874/RS, julgado sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em exame, conforme a seguinte a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida.” Na oportunidade, o Ministro Relator consignou que: “A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. Diante do exposto, com base no art. 328, parágrafo único, do RI/STF, determino o retorno dos autos à origem, a fim de que sejam observadas as disposições do art. 543B, do CPC." Diante desse quadro fático e jurídico, concluise que não há decisão do STF que defina sobre a inconstitucionalidade da exigência após a Lei 10.256/2001. Percebemos também que existem julgamentos no Poder Judiciário que afirmam a aplicação da Lei 10.256/2001, após a Emenda Constitucional no 20/1998. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o Fl. 618DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) ......................................................................................................... PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE EMPREGADORES. PESSOA FÍSICA. EC Nº 20/98. LEI Nº 10.256/01. CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO MONOCRÁTICA. ARTIGO 557. POSSIBILIDADE. 1. A regra do artigo 557 do Código de Processo Civil tem por objeto desobstruir as pautas dos tribunais para que sejam encaminhadas à sessão de julgamento somente as ações e os recursos que realmente reclamem a apreciação pelo órgão colegiado, primandose pelos princípios da economia e da celeridade processual. 2. A decisão agravada se amparou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, RE 363.852, não subsistindo os fundamentos aventados nas razões recursais. 3. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede de recurso extraordinário, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, porquanto a receita bruta não era prevista como base de cálculo da exação na antiga redação do art. 195 da CF. 4. Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o vocábulo receita à alínea b, do inc. I , do art. 195 da CF, foi editada a Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº8.212/91 e substituiu as contribuições devidas pelo empregador rural pessoa natural incidentes sobre a folha de salários e pelo segurado especial incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, afastando, assim, tanto a bitributação, quanto a necessidade de lei complementar para a instituição da contribuição, que passou a ter fundamento constitucional. Precedentes. 5. Preliminar rejeitada e, no mérito, agravo legal não provido. (AMS 00094598220104036102 AMS APELAÇÃO CÍVEL 330998 Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL VESNA KOLMAR Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012, v.u.). ......................................................................................................... Fl. 619DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 7 11 AGRAVO LEGAL ARTIGO 557, §1º, DO CPC CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA "FUNRURAL" RESTITUIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE ACORDO COM O STF DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO CONHECIDA COMO FUNRURAL (RE Nº 363.852, EM 03/02/2010), MAS RESTRITA AO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.256/2001 QUE SURGIU APÓS A EC N° 20/98 RECURSO IMPROVIDO. 1. Cuidase de ação ordinária ajuizada em 30 de agosto de 2010, na qual o autor busca a restituição dos valores pagos a título de "FUNRURAL" nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, encontramse prescritos os créditos anteriores a cinco anos do ajuizamento da ação. 3. No julgamento do RE nº 363.852 o Plenário do Supremo Tribunal Federal afirmou haver vício de constitucionalidade na instituição da referida contribuição ("FUNRURAL"), por entender que a comercialização da produção é realidade econômica diversa do faturamento e este não se confunde com receita, de modo que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Portanto, não era devida a exação conforme a fórmula legal apreciada pela Suprema Corte. Posicionamento foi confirmado no Recurso Extraordinário nº 596.177, julgado nos moldes do artigo 543B do Código de Processo Civil, em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal realizada em 1º de agosto de 2011. 4. Sucede que a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98 veio alterar a situação, uma vez que o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, com nova redação, passou a prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo para contribuições destinadas ao custeio da previdência social. Considerando que atualmente a contribuição previdenciária objeto da controvérsia encontrase prevista pela Lei nº 10.256/2001 (posterior à Emenda Constitucional nº 20/98) que deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, não há falarse em vício de constitucionalidade nas exigências desde então. 5. No caso concreto a discussão cingese apenas às contribuições previdenciárias devidas a partir de agosto de 2005, devendo ser mantida a improcedência do pedido. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 6. Agravo legal a que se nega provimento. (AC 00086942920104036000 AC APELAÇÃO CÍVEL 1601907 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:18/06/2012) ......................................................................................................... CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI N. 8.212/91, COM A REDAÇÃO DECORRENTE DA LEI N. 10.256/01. EXIGIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO OU COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CPC, ART. 543B). APLICABILIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/05, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, acrescentado pela Lei n. 11.418/06. Entendimento que já havia sido consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n. 1002932, Rel. Min. Luiz Fux, j. 25.11.09 ). No entanto, de forma distinta do Superior Tribunal de Justiça, concluiu a Corte Suprema que houve violação ao princípio da segurança jurídica a previsão de aplicação retroativa do prazo prescricional de 5 (cinco) anos, o qual deve ser observado após o transcurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, somente para as demandas propostas a partir de 9 de junho de 2005 (STF, RE n. 566621, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 04.08.11). 2. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.529/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, que incluiu "receita" ao lado de "faturamento", venha instituir a exação (STF, RE n. 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 03.02.10). No referido julgamento, não foi analisada a constitucionalidade da contribuição à luz da superveniência da Lei n. 10.256/01, que modificou o caput do art. 25 da Lei n. 8.212/91 para fazer constar que a contribuição do empregador rural pessoa física se dará em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da mesma lei. A esse respeito, precedentes deste Tribunal sugerem a exigibilidade da contribuição a partir da Lei n. 10.256/01, na medida em que editada posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/98 (TRF da 3ª Região, Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0140846, Rel. Des. Fed. Henrique Herkenhoff, j. 19.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0008920, Rel. Des. Fed. André Nekatschalow, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0162106, Rel. Juiz Fed. Conv. Hélio Nogueira, j. 04.10.10; Agravo Legal no AI n. 2010.03.00.0100010, Rel. Juiz Fed. Conv. Roberto Lemos, j. 03.08.10). 3. A parte autora pleiteia a restituição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/91, com redação da Lei n. 8.540/92 e alterações posteriores. A presente demanda foi proposta em 27.04.10 (fl. 2), logo, incide o prazo prescricional Fl. 621DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 8 13 quinquenal, conforme o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, ocorreu a prescrição em relação aos recolhimentos efetuados antes de 27.04.05, devendo ser reformada a sentença na parte que condenou a União a restituir os recolhimentos efetivados no período de 27.04.00 a 08.10.01. 4. Quanto ao período não prescrito, a sentença recorrida encontrase em consonância com a jurisprudência dominante deste Tribunal no sentido da exigibilidade da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização rural dos empregadores rurais pessoas físicas após o advento da Lei n. 10.256/01. 5. Reexame necessário e apelação da União providos e apelação da parte autora não provido. (AC 00041351420104036102 AC APELAÇÃO CÍVEL 1684876 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ NEKATSCHALOW Sigla do órgão TRF3 Órgão julgador QUINTA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:12/01/2012, v.u.) Mesmo após a decisão do STF no RE 363.852 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992, que deu nova redação ao art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, permanece a vigência da Lei 10.256/2001. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Com isso, percebese que, com a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, após a EC 20/1998, passam a ser exigíveis, sem vício de constitucionalidade e sem decisão do STF que lhes abarque nesse sentido, as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Esse entendimento decorre do fato de que há possibilidade de o STF modificar o entendimento firmado da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural de pessoa física, após o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que acrescentou o § 13 no art. 195 da CF/1988, para admitir a hipótese de substituição da contribuição incidente na forma de rendimentos em folha de salários pela incidente sobre a receita ou o faturamento, que é o caso dos autos nos termos da Lei 10.256/2001. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Ademias, os entendimentos do STF, inclusive a decisão manifestada no RE 363.852, contêm implicitamente a cláusula “rebus sic stantibus”, de modo que as alterações posteriores que alterem a realidade normativa, no caso em tela a Emenda Constitucional 20/1998, podem tornar constitucional a contribuição previdenciária prevista na Lei 10.256/2001. Esse entendimento foi extraído da Rcl 4374/PE, em 18/04/2013. Em outras palavras, os efeitos da inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992, manifestado pelo STF no RE 363.852, não vinculam o Fisco no lançamento fiscal de contribuição previdenciária prevista na Lei 10.256/2001, e, também, não vinculam o próprio STF. Assim, se o STF decidiu, em sede de RE 363.852, que determinada lei é inconstitucional, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que a Lei 10.256/2001 é constitucional por conta de mudanças ou alterações no texto constitucional (Emenda Constitucional 20/1998). Registrase que a responsabilidade da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa pelo recolhimento da contribuição previdenciária, oriunda da comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física, não está definida somente no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, já que essa responsabilidade também está prevista no inciso III desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; Dentro da análise da aplicação da Lei 10.256/2001, após a Emenda Constitucional 20/1998, vejamos a decisão no agravo de instrumento nº 0030176 49.2014.4.03.0000/MS, processo 2014.03.00.0301768/MS, Relator Desembargador Federal Cotrim Guimarães, TRF3, que analisou a questão nos seguintes termos: “Portanto, a jurisprudência dominante desta E. Corte Regional entende que, com a promulgação da EC nº 20/98 e a edição da Lei nº 10.256/01, não se pode mais alegar vício formal pela ausência de lei complementar, afastandose a necessidade de aplicação do disposto no parágrafo 4º do artigo 195 para a exação em exame. Pelas mesmas razões, não se pode mais pensar em bitributação ou ônus desproporcional em relação ao segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo certo que atualmente a única contribuição social devida pelo empregador rural pessoa física é aquela incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção. Também restou sedimentado que não há vício na utilização das alíquotas e da base de cálculo previstas nos incisos I e II do caput do artigo 25 da Lei8.212/91, com redação trazida pela Lei9.528/97, tratandose de questão de técnica legislativa, estando os respectivos incisos abrangidos pelo espírito legislativo que motivou a edição da Lei 10.256/01. O mesmo Fl. 623DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13161.721113/201374 Acórdão n.º 2402005.113 S2C4T2 Fl. 9 15 raciocínio serve para se concluir pela plena vigência do regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei 8.212/91. ... No tocante aos incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, o entendimento majoritário da turma é no sentido de que a decisão do Supremo Tribunal Federal ocorreu em sede de controle difuso de constitucionalidade e em relação à redação do caput do artigo 25 dada pela Lei nº 9.528/97. Com a superveniência da Lei nº 10.256/01, que entrou em vigor antes da declaração da inconstitucionalidade, não havia necessidade de alteração dos incisos, uma vez que aquele dispositivo legal alterou o caput do artigo 25 para adequálo à Emenda Constitucional nº 20. Ademais, em se tratando de controle difuso, o Senado Federal (artigo 52, inciso X, da Constituição Federal de 1988) não será obrigado a suspender a execução dos incisos, sobretudo pela compatibilidade da nova redação do caput do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com o texto constitucional alterado pela EC nº 20, sendo desnecessária a edição de lei complementar. Dessa forma, entendemse plenamente aplicáveis os dispositivos da Lei 10.256/2001. No que tange à alegação de que o dispositivo legal que determinava a obrigação do adquirente de reter e recolher o tributo, na forma do art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/1991, foi declarado expressamente inconstitucional pelo STF, tanto no RE 363.852/MG como no RE 596.177/RS, pois inexiste até o momento lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação, entendo que tais questões dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” II DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR As pretensões deduzidas nas ações judiciais (Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, processo n° 000413790.2010.403.6002, e Mandado de Segurança Preventivo, processo n° 000087331.2011.403.6002) dizem respeito às contribuições previdenciárias, não abrangendo a contribuição destinada ao SENAR. Nesse passo, a inconstitucionalidade da contribuição ao SENAR, postulada na peça recursal, não deve ser objeto de enfrentamento por esse colegiado (Súmula CARF n.° 2). Fl. 624DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Conforme delineamento registrado no item acima, o STF já se manifestou pela inconstitucionalidade das contribuições que tenham como fato gerador a receita bruta da comercialização da produção rural realizada por pessoa física (RE n.° 363.852), sendo que essa decisão não abrangeu os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001. Dessa forma, após a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, que é o caso dos autos, não há declaração de inconstitucionalidade pelo STF acerca da contribuição social destinada ao SENAR, mantendose os valores lançados. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10166.730388/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA - PREVISÃO LEGAL
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.242
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto pela empresa INFO-KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA - ME, por não fazer parte do pólo passivo; em relação à outra Recorrente, conhecer do Recurso para negar-lhe provimento.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA PREVISÃO LEGAL Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3°, Art. 33, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 03 88 /2 01 2- 80 Fl. 4824DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto pela empresa INFOKEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, por não fazer parte do pólo passivo; em relação à outra Recorrente, conhecer do Recurso para negarlhe provimento. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 4825DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.817 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0353.050 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 51.013.9620 (Terceiros): AIOP Auto de infração nº 51.013.9620 (Terceiros) no valor de R$ 8.315.986,20 relativo a contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos (INCRA, SALÁRIOEDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à empresa. O Relatório Fiscal mostra a descrição dos fatos: Primeiramente a fiscalização tentou intimar a empresa do TIPF pelo correio através de vários envios de correspondências com Aviso de Recebimento, para os endereços encontrados para a empresa, mas todas as correspondências retornaram com a indicação de "MUDOUSE". Para facilitar o entendimento listo abaixo os números de identificação e controle de cada envio: SI 15808333 8 BR (Enviado para o endereço Q ADE SUL, Conjunto 3 Lote 39, Samambaia, CEP 72.314703) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. SI 15808334 1 BR (Enviado para o endereço Av Contorno A Especial 02 Lote V Sobreloja 1 Loja 1 PT, Núcleo Bandeirantes, CEP 71.705505) enviado em 27/04/2012 e devolvido em 30/04/2012. Então, após todas estas tentativas frustradas de envio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF pelo correio e não sendo possível mesmo após outras diligências descobrir outro endereço válido para o envio do TIPF, não restou outra escolha a não ser a convocação da empresa para tomar ciência do TIPF através do EDITAL/DRF/BSB/DF/DIFIS n° 176 de 14 de setembro de 2012, que teve como data de desafixação e consequente marco para início da ação fiscal 02/10/2012. Pelo motivo listado acima, a fiscalização foi forçada a buscar outros meios para verificar os valores devidos pela empresa com relação aos tributos ora fiscalizados. E para melhor recuperar os valores devidos utilizou as várias bases existentes a sua disposição, onde foram encontrados dados relacionados com Fl. 4826DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 a empresa, quais sejam: Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (de 2008 e 2009), Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP (de 2008 a 2010), Relação Anual de Informações Anuais RAIS (de 2008 e 2009) e Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (de 2010, pois as demais bases DIRF e RAIS não continham informações deste ano). De posse destes dados a fiscalização fez uma verificação comparativa entre os valores existentes e concluiu que existiram diversos segurados que constavam na DIRF/RAIS e não constavam na GFIP, e além disso, verificou que os valores informados pela empresa na GFIP foram muito inferiores aos valores informados na DIRF, na RAIS e na DIPJ (CUSTOS E DESPESAS COM PESSOALFICHA 70). O Relatório Fiscal aponta as dificuldades encontradas na auditoriafiscal: 19. Cabe destacar que durante a fiscalização foram encontradas algumas dificuldades, tais como: a) A empresa não foi localizada em nenhum dos endereços cadastrados, tendo sido aberta a fiscalização por EDITAL. b) Devido ao problema para se localizar a empresa foi necessária a aferição dos valores a serem apurados a partir da comparação dos dados constantes nos sistemas RAIS, DIRF, GIFP, DIPJ. c) Não foi incluído no levantamento, ora realizado, os valores encontrados em GFIP, visto que existe o procedimento de cobrança automática destes valores. d) Verificouse que a empresa estava omitindo dados nas suas declarações pela análise dos dados obtidos nos sistemas, pois em vários períodos as declarações da empresa não foram devidamente informadas, conforme listado abaixo: • DIPJ dados não informado em 2008; • RAIS dados não informados em 2010; • DIRF dados não informados em 2010. e) Pelo fato exposto acima, foi necessário, para o ano de 2008 e de 2009, apurar os valores salariais mês a mês existentes na GFIP, para comparandoos com os valores da RAIS e da DIRF verificar segurados com valores não declarados e proceder a devida apuração de valores. Para o ano de 2010 como não foram localizados dados na RAIS e nem na DIRF para a empresa, foi feita a apuração a partir dos valores declarados na DIPJ Custos e despesas com pessoal / Ficha 70 (excluindose destes os valores já declarados em GFIP). Fl. 4827DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.818 5 f) Todas as Guias de Pagamento de Previdência Social GPS constantes no sistema que possuíam os códigos 2003 / 2127 / 2631 / 2640 foram convertidos para o código 2100, para facilitar a apropriação dos valores no crédito apurado. g) Logo, todos os valores finais apurados e levantados nesta fiscalização foram aferidos com base na DIRF, GFIP, RAIS e DIPJ, após excluídos os valores já declarados em GFIP e após abatidas as GPS encontradas no sistema. O Relatório Fiscal aponta o conjunto de provas anexos ao procedimento fiscal: CONJUNTO DE PROVAS 20. O presente procedimento fiscal baseouse nas informações apuradas em sistemas (DIRF, GFIP, RAIS, DIPJ e GPS). E juntamente com este processo temos os seguintes anexos: • MPF, TIPF, TEPF, outros termos/documentos • ANEXO Comparação de multas B ANEXO DIPJ AC 2009 (FICHA 70) • ANEXO DIPJ AC 2010 (FICHA 70) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2008) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2009) • ANEXO Lista de segurados encontrados com respectiva fonte de origem dos dados (2010) • ANEXO Lista das GFIPs utilizadas na apuração dos valores devidos pela empresa • ANEXO Cálculo da contribuição omitida em GFIP e encontrada na RAIS, DIRF, DIPJ (Al 68) • ANEXO Calculo do teto da multa a ser aplicada (Al 68) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Condor) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X HEPX antiga GVB) • ANEXO migração segurados GFIP (Visual X Info key) • ANEXO Dados das Empresas do Grupo Econômico ANEXO Reclamatórias Trabalhistas • ANEXO Consultas CNIS • ANEXO Consulta Sócios • ANEXO Consulta do Radar Fl. 4828DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 19, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. A Recorrente foi intimada por meio do Edital DRF/BSB/DF/DIFIS/ nº 223, de 03.12.2012, às fls. 2747. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2009 a 12/2010. A Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em relação ao Auto de Infração nº 51.013.9620 (Terceiros). Dentro do prazo regulamentar o contribuinte contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 2.760/2.773 , cujas razões de defesa são as seguintes: que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. Fl. 4829DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.819 7 que a multa, no percentual de 75%, afronta a constituição, além de ser ofensiva aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Colaciona julgados em que foi determinada a redução de multas aplicadas para o percentual de 20%. Por fim, requer: Sejam julgadas procedentes as impugnações e, caso não seja este o entendimento, seja a multa reduzida de 75% para 20%. A empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Insurgese a empresa, fls. 2785 / 2795, contra a sujeição passiva solidária, alegando, em síntese: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. que, a respeito da migração de empregados demonstrada pela Autoridade Lançadora, a contratação desses empregados não se deu em razão de grupo econômico, mas por força de convenções de trabalho firmadas entre o Sindicato das trabalhadores e Sindicato das empresas do Setor de Serviços, cuja cláusula 54a. da Convenção Coletiva de Trabalho do período 2011/2012, 2010/2011, 2009/2010 e 2008/2009 consta que “visando à manutenção e continuidade do emprego fica pactuado que as empresas que sucederem outras na prestação do mesmo serviço, em razão de nova licitação pública, novo contrato administrativo ou particular e/ou contrato emergencial, ficarão obrigadas a contratar todos os empregados da empresa anterior sem descontinuidade quanto ao pagamento de salários e a prestação de serviços...”. que, em relação à afirmação da fiscalização da existência de várias reclamatórias trabalhistas envolvendo a Visual e as empresas do Grupo Econômico ocorre que, quando vitoriosa em licitação, em razão da contratação de empregados da empresa Fl. 4830DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 anterior, eventuais reclamações trabalhistas ajuizadas contra a empresa que perdeu o contrato podem incluir a empresa vencedora no polo passivo, mas em razão da sucessão de empregadores, e não da existência de grupo econômico. quanto à alegação de que todas as empresas arroladas sonegam, de forma contumaz informações nas declarações apresentadas para dificultar o acompanhamento das suas obrigações tributárias, informa que todas as receitas da impugnante são decorrentes dos contratos de prestação de serviços que celebra com o Poder Público, sem exceção, precedidos de licitação pública e, para manter seus contratos a impugnante é obrigada a manter regular sua situação tributária e, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91 sofre retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. quanto à alegação de que o quadro societário demonstra que pelo menos um dos sócios já teve vínculo com a empresa Visual informa que nunca um sócio da impugnante foi, simultaneamente, sócio da empresa Visual e, além disso, Nilton Monteiro Mendes nunca foi sócio ou empregado da empresa Visual. que mesmo se fosse procedente a informação de que cada um dos sócios já teve vinculo com a empresa Visual, daí não se segue, por absoluta carência de supedâneo legal, que exista grupo econômico entre a impugnante e as demais empresas mencionadas no termo impugnado, sobretudo por ser absolutamente normal que sociedades sejam desfeitas e os antigos sócios abram empresas distintas ou, até mesmo, que empregados deixem de ser empregados para abrir a própria empresa. Pelos motivos expostos, solicita que seja considerada procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, considerado improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e declarada a inexistência de responsabilidade solidária decorrente dessa sujeição. A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0353.050 5ª. Turma julgando procedente a autuação, mantendo intacto o crédito tributário exigido, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros) a seu cargo, incidentes sobre as remunerações Fl. 4831DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.820 9 pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a autoridade fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. MULTA. CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo à autoridade administrativa afastar a incidência da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo intacto o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações. Observase que a decisão de primeira instância não conheceu da Impugnação da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que ela não foi incluída pela fiscalização no pólo passivo, às fls. 2812 a 2821: Não conheço das alegações da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que a empresa não foi incluída pela fiscalização no polo Fl. 4832DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 passivo da exigência tributária em relação aos lançamentos constantes do presente processo. Tal como informado no início do Relatório Fiscal, fls. 23 (onde consta a informação: “Não comporta solidariedade”), bem como às fls.28/29, onde a fiscalização informa quais são os processos em que houve a inclusão das empresas integrantes do grupo econômico como responsáveis solidárias, fica claro que o processo aqui em análise não comporta solidariedade. Regularmente intimada da decisão do órgão julgador “a quo”, a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. A empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: que embora a Impugnação não tenha sido reconhecida pelo Acórdão recorrido sob o fundamento de que o processo em análise não com´porta solidariedade, a empresa recebeu o expediente RFB/DF/DICAT/Carta nº 295/13, com cópia do Acórdão em referência com o comunicado para "retirar a GPS para pagamento", "apresentar pedido de parcelamento" ou "interpor recurso administrativo ao CARF". Fl. 4833DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.821 11 requer a nulidade do acórdão recorrido pois não apreciou a impugnação apresentada ao termo de sujeição passiva. em homenagem ao princípio da eventualidade, argumenta: que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. A empresa HEPX SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP e a empresa CONDOR CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO LTDA EPP não apresentaram Recurso Voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.260, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2008 a 12/2008: (i) se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME; (ii) em caso de ter havido o procedimento administrativofiscal de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada; Fl. 4834DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 (iii) qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias; (iv) se, em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (vii) em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 2873 a 2877, na qual informa que o contribuinte foi devidamente intimado mas não apresentou Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: Questionamento (1): Qual é a situação atual de enquadramento, em relação ao SIMPLES e ao SIMPLES NACIONAL, das empresas solidárias: Em primeiro lugar analisando a situação das empresas com relação ao SIMPLES/SIMPLES NACIONAL (anexo as consultas realizadas): a empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, CNPJ: 00.617.589/000171, NÃO é optante pelo Simples Nacional e não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. a empresa INFOKEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ: 03.873.406/000177, NÃO é optante pelo Simples Nacional I não foi optante pelo Simples em Períodos Anteriores. Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.822 13 a empresa HEPX SERVIÇOS, CONSTRUÇÃO CIVIL E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL LTDA EPP, CNPJ: 01.835.580/000108, NÃO é optante pelo Simples Nacional, tendo sido optante do Simples Nacional apenas no período de 1/01/2009 a 31/12/2010 e tendo sido "Excluída por Opção do Contribuinte". Questionamento (2): Se houve ou está em curso algum procedimento administrativofiscal de exclusão do SIMPLES e/ou do SIMPLES NACIONAL em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME: Em verificação no sistema eprocessos constatouse que a empresa HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP já teve a apuração da parte patronal de 2009 a 2010 lançada nos processos comprots números 13116721106201156 e 13116720752201104. E da mesma forma a empresa INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME já confessou a parte patronal previdenciária de 2009 a 2010 nos processos comprot números 13128720123201218, 13128720267201274 e 13128720124201262. Questionamento (3): em caso de ter havido o procedimento administrativof iscai de exclusão, qual é o teor da decisão administrativa que fez coisa julgada: Prejudicado, pela resposta do item anterior. Questionamento (4): se. em relação à empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO. CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, houve a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Não foi localizado por esta fiscalização nenhuma propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, conforme consulta nos sites dos tribunais (consultas dos processos existentes em anexo). Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. Questionamento (7): em relação à empresa solidária HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e à empresa solidária INFO KEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, se nos levantamentos efetuados pela Fiscalização há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados dessas empresas com fundamento na desconsideração dos vínculos empregatícios com tais empresas solidárias em prol da empresa VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. Não há, na base de cálculo das autuações, a presença de empregados das empresas HEPX SERVIÇOS CONSTRU CIVIL E RECUP AMBIENTAL LTDA EPP e nem da empresa INFO KEY COMERCIO E SEK ''Ç S LTDA ME, pois foram utilizados na apuração apenas os segurados relacionados nos documentos relativos a empresa VISUAL L CAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, sendo até mesmo na GFIP/DIRF/RAIS apurados apenas os segurados da empresa Visual. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.823 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Delimitação da Lide. Observase que a decisão de primeira instância não conheceu da Impugnação da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que ela não foi incluída pela fiscalização no pólo passivo, às fls. 2812 a 2821: Não conheço das alegações da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que a empresa não foi incluída pela fiscalização no polo passivo da exigência tributária em relação aos lançamentos constantes do presente processo. Tal como informado no início do Relatório Fiscal, fls. 30 (onde consta a informação: “Não comporta solidariedade”), bem como às fls.41, onde a fiscalização informa quais são os processos em que houve a inclusão das empresas integrantes do grupo econômico como responsáveis solidárias, fica claro que o processo aqui em análise não comporta solidariedade. Desta forma, não houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária no processo e também não há discussão de grupo econômico neste processo. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelas Recorrentes – VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA e INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME contra Acórdão nº 0353.050 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 51.013.9620 (Terceiros): AIOP Auto de infração nº 51.013.9620 (Terceiros) no valor de R$ 8.315.986,20 relativo a contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos (INCRA, SALÁRIOEDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à empresa. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.824 17 V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o auto de infração, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.825 19 (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) Recurso Voluntário da empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA que as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários, tendo ocorrido, em raras oportunidades, o envio do documento sem incluir aqueles empregados recém admitidos, quando estes não apresentavam o número de inscrição no PIS mas que, quando regularizavam esta situação, as GFIP eram novamente transmitidas com estes empregados. Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 que o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções, pois a primeira reflete a quantidade de funcionários no mês, enquanto a segunda indica a quantidade de funcionários no ano, sendo que, ao longo do ano existe grande variação no número de empregados em razão de novas contratações e de demissões, além de que, ao contrário da GFIP, a RAIS apresenta os funcionários que se encontram percebendo auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliomaternidade, ocasiões estas em que não existe o fato gerador previdenciário e a impugnante teve vários empregados nestas situações. Informa que está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento, e que o fisco poderá analisálas e chegará à conclusão de que refletem a realidade. que as multas de caráter confiscatório, por serem acessórias em relação ao crédito tributário devem acompanhar o principal e serem desconstituídas. Analisemos por tópicos. (i.1) as GFIP foram enviadas em consonância com o constante da folha de salários O contribuinte aduz que as GFIPs foram enviadas corretamente, em consonância com a Folha de Salários e que, em sede de Recurso Voluntário, o envio das Folhas de Pagamento em meio digital demonstrariam esta correta transmissão da GFIP. Ora, quanto ao aspecto do envio de GFIP sem incluir os empregados recém admitidos, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão do que já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 2812 a 2821, na qual se observou que é obrigação da empresa cadastrar os empregados recémadmitidos de forma que quando a empresa omite os empregados em GFIP está também omitindo fatos geradores de contribuição previdenciária: A alegação de que os segurados não apresentaram a inscrição para incluílos na GFIP, da mesma maneira, não merece acolhimento, pois é obrigação da empresa cadastrar os trabalhadores que não possuírem inscrição e, no sentido de demonstrar que a motivação fornecida pelo autuado diverge da exigência contida na legislação, devemos perfilhar, de início, a obrigação cujos dispositivos são o artigo 17 da Lei n° 8.213/1991, combinado com o art. 18, I,e § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, Anotese que em relação à argumentação feita pelo contribuinte, desde a sede de Impugnação, de que anexou as folhas de pagamento ao processo, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho a decisão de primeira instância que verificou esta situação fática e concluiu que tal afirmação não procede, conforme fls. 2812 a 2821: Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.826 21 Embora a empresa tenha alegado que anexou as folhas de pagamento ao processo, verificase que tal afirmação não procede. A impugnante apenas anexou a “Relação de Empregados Demitidos” (fls. 3.061/3.182), que nada acrescenta ao julgamento do presente processo. Salientese que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, as alegações devem vir acompanhadas de suas provas: Nestes aspectos, não prospera a argumentação do contribuinte. (i.2) o confronto das GFIP com as RAIS apresenta distorções O contribuinte reitera as alegações feitas em sede de primeira instância, sem aduzir a novos elementos de prova. Conforme o já debatido em sede de decisão de primeira instância, embora a entrega da RAIS seja anual, as remunerações informadas nela são mensais, de forma que a utilização da RAIS foi necessária para o arbitramento (DIRF/RAIS) porque o contribuinte não fez prova com as folhas de pagamento e seus registros contábeis para demonstrar que estes documentos estariam de acordo com o que foi informado nas GFIP. O Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 19, aponta o lançamento de ofício com base na aferição indireta: 062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 01/2009, 13/2009 a 01/2010, 09/2010, 11/2010, 13/2010 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Ademais, o arbitramento (DIRF/RAIS) foi corretamente utilizado pela AuditoriaFiscal com base no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91, constante do anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (i.3) está juntando folhas de pagamento em meio digital para demonstrar que as GFIP foram transmitidas em conformidade com as folhas de pagamento O contribuinte alega que a apresentação em meio digital da Folha de Pagamento prova que as GFIPs foram transferidas em conformidade com as Folhas de Pagamento. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 Para se verificar tal argumentação, entre outras, a Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.260, baixou o processo em Diligência nestes termos, mais especificamente os tópicos (v) e (vi): CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2009 a 12/2010: (...) (v) em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP, conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP nº 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP nº 51.013.9612 (Segurados). (vi) em função do analisado no tópico anterior (tópico v), caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. (...) Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 2873 a 2877, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. RESPOSTAS À DILIGÊNCIA DO CARF Com o objetivo de responder aos questionamentos levantados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF passo a analisar item por item dos questionamentos: (...) Questionamento (5): em que medida a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP conforme informação do Recorrente VISUAL LOCAÇÃO. SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA. impacta os Levantamentos realizados na AuditoriaFiscal que resultou nos AIOP n° 51.013.9604 (parte empresa) e AIOP n° 51.013.9612 (Segurados). A mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. O problema é que no caso da empresa VISUAL foram enviadas novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.827 23 foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Ou seja, o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Questionamento (6): em função do analisado no tópico anterior, caso haja revisão nos lançamentos efetuados, qual é a discriminação dos Levantamentos por competência. Prejudicado, devido a resposta negativa do item anterior. (...) Ora, em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, a AuditoriaFiscal conclui que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP NÃO impacta os levantamentos realizados pela fiscalização, pois a empresa à época da fiscalização havia enviado dezenas de GFIPS, e em conformidade com o Manual da GFIP/SEFIP, cada nova GFIP enviada substitui a anterior sobrepondo as informações enviadas. A AuditoriaFiscal aponta ainda que a Recorrente enviava novas GFIPs possuindo apenas informação parcial e incompleta, e infelizmente a última GFIP enviada e utilizada na fiscalização não constava todos os segurados da empresa, e por este motivo foram apurados indiretamente estes dados utilizandose a DIRF/RAIS. Desta forma, a AuditoriaFiscal conclui que o levantamento realizado não é influenciado por apresentar a empresa alguma das GFIPS enviadas anteriormente e já substituídas por novas GFIPs, já que é válida apenas a última GFIP enviada e que esta foi utilizada à época da fiscalização para fins de apuração dos valores (em anexo GFIPS enviadas pela empresa, GFIPS utilizadas pela fiscalização, valores usados na apuração GFIP/DIRF/RAIS). Portanto, em função das Informações Fiscais produzidas em sede de Diligência Fiscal requerida pelo CARF, na qual se concluiu que a mídia digital acostada aos autos no Recurso Voluntário com as informações de Folhas de Pagamento e de GFIP não altera os levantamentos realizados pela fiscalização, por se tratar de matéria exclusivamente fática mantenho o posicionamento da AuditoriaFiscal e concluo pela improcedência da arguentação do contribuinte neste aspecto. (i.4) as multas de caráter confiscatório Tanto em relação à regularidade do lançamento, debatida no tópico (a), quanto às alegações de inconstitucionalidade, debatida no tópico (b), tais argumentos da Recorrente foram afastados. Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Por outro lado, as multas foram aplicadas com os fundamentos legais descritos no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 20, tendo sido considerado os dispositivos legais em vigor à época dos fatos geradores. 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.08 Competências : 01/2009 a 13/2010 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Recurso Voluntário da empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME que a impugnante não forma grupo econômico com a empresa Visual –Locação, Serviços, Construção Civil e Mineração Ltda, Info Key Comércio e Serviços Ltda e Condor Consultoria e Administração Ltda. que, ainda que houvesse grupo econômico, o simples fato de este estar configurado não a torna responsável pelos débitos tributários nos termos do art. 124, I e II do CTN, pois, para que exista responsabilidade solidária é imperioso que, além do grupo econômico, as empresa tenham atuado em conjunto em determinada operação que gerou o fato gerador da obrigação tributária (Cita Resp. 884.845SC, Rel. min. Luiz Fux, 1ª. Turma DJE 18/02/2009) e, mesmo se tratando de contribuições previdenciárias, na forma do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a responsabilidade solidária somente existe em relação à empresa que teve efetiva participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Cita jurisprudência que entende confirmar seu entendimento. Analisemos. Observase que a decisão de primeira instância não conheceu da Impugnação da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que ela não foi incluída pela fiscalização no pólo passivo, às fls. 2812 a 2821: Não conheço das alegações da empresa Hepx Serviços Construção Civil e Recuperação Ambiental Ltda, em razão de que a empresa não foi incluída pela fiscalização no polo Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730388/201280 Acórdão n.º 2202003.242 S2C2T2 Fl. 4.828 25 passivo da exigência tributária em relação aos lançamentos constantes do presente processo. Tal como informado no início do Relatório Fiscal, fls. 30 (onde consta a informação: “Não comporta solidariedade”), bem como às fls.41, onde a fiscalização informa quais são os processos em que houve a inclusão das empresas integrantes do grupo econômico como responsáveis solidárias, fica claro que o processo aqui em análise não comporta solidariedade. Desta forma, não houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária no processo e também não há discussão de grupo econômico neste processo. Portanto, seguindo o mesmo diapasão da decisão proferida em sede de primeira instância, não conheço do Recurso Voluntário impetrado pela empresa INFO KEY COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME por não fazer parte do pólo passivo do presente processo. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário interposto pela empresa VISUAL LOCAÇÃO, SERVIÇO, CONSTRUÇÃO CIVIL E MINERAÇÃO LTDA, para NEGARLHE PROVIMENTO. Voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto pela empresa INFOKEY COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, por não fazer parte do pólo passivo. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10580.725916/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO INCLUSÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INFRAÇÃO INCONTROVERSA MULTA. CABIMENTO. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. Tendo em vista que a recorrente não se insurgiu quanto à imputação que lhe fora imposta por ocasião do lançamento, este é considerado como incontroverso. Ademais, o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, sendo que, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO INCLUSÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INFRAÇÃO INCONTROVERSA MULTA. CABIMENTO. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. Tendo em vista que a recorrente não se insurgiu quanto à imputação que lhe fora imposta por ocasião do lançamento, este é considerado como incontroverso. Ademais, o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, sendo que, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 16 /2 01 0- 26 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725916/201026 Acórdão n.º 2402005.129 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.262.9350 (CFL 30), lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de incluir em folha, os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Consta do relatório fiscal que a empresa forneceu à fiscalização diversos documentos, dentre entre eles, haviam recibos de pagamentos a autônomo (em anexo), os quais foram usados para se fazer a apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais O período do lançamento compreende as competências de 01/2006 a 13/2006, tendo sido contribuinte cientificado em 30/06/2010. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a nulidade do Auto de Infração, pois dele não consta a clara e correta fundamentação quanto a motivação da autuação lavrada; 2. que em razão de sua atividade ser a de fornecimento de mãodeobra, a fiscalização deixou de considerar e abater no presente lançamento as retenções sofridas quando dos pagamentos efetuados por seus contratantes; 3. erro na capitulação legal, tendo em vista que a fiscalização aplicou multa com base em legislação revogada; 4. que o fiscal, ao efetuar o lançamento, erroneamente considerou como base de cálculo das contribuições verbas indenizatórias recebidas pelos empregados, a saber, terço de férias, aviso prévio indenizado, horas extras, auxíliocreche, auxíliotransporte, auxílio doença, pagamentos em acordos trabalhistas, auxílio educação, participação nos lucros e resultados, diárias de viagens e auxilio alimentação; 5. que a multa aplicada de 112,5% é confiscatória. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 6. que a multa aplicada já fora objeto de outros autos de infração; 7. por fim, a não incidência de juros sobre a multa aplicada, ilegalidade da Taxa SELIC; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725916/201026 Acórdão n.º 2402005.129 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Alega a recorrente que o presente lançamento deve ser anulado em razão da ausência de motivação constante no relatório fiscal da infração, que não observou a fiel descrição do fato infringente. Sem razão. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de multa por ter deixado de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições a seu cargo, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador da multa e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Não obstante, no presente caso cumpre apontar que o fiscal autuante foi por demais minucioso em demonstrar toda a fundamentação que levou às conclusões pela necessidade do lançamento. Melhor sorte não aufere o recorrente, quando sustenta a nulidade, em decorrência de erro na fundamentação legal da multa aplicada. Em momento algum fora aplicada qualquer multa com base em legislação revogada. O que fez a fiscalização, a contento, foi dar o devido cumprimento ao que dispõe o art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a necessidade de que a imposição das multas o sejam feitas da forma mais benéfica ao contribuinte. Dessa forma, o fiscal comparou qual das multas seria a mais benéfica, e aplicou a legislação que corrobora tais conclusões, baseado em permissivo legal autorizador de referido procedimento. Logo, também não há qualquer nulidade a ser reconhecida sob este aspecto, de modo que rejeito as preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, a presente autuação é decorrente da não inclusão da informação de uma série de contribuintes individuais que receberam pagamentos da recorrente em folha de pagamentos. Ao que percebo do recurso voluntário, a recorrente não se insurge contra tal imputação constante no Auto de Infração, defendendo que os pagamentos dos contribuintes individuais constavam em folhas de pagamento, motivo pelo qual a infração é incontroversa. Ademais, toda a matéria objeto do recurso voluntário, já fora analisada por esta Turma quando do julgamento dos autos do processo n. 10580.725913/201092, a seguir transcrita: "AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros legais sobre a multa de ofício aplicada quando do lançamento. Precedentes. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725916/201026 Acórdão n.º 2402005.129 S2C4T2 Fl. 250 7 SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado." A propósito, cito os argumentos de decidir daquela oportunidade, os quais também adoto no presente caso. A seguir: "Das alegações da inobservância das retenções e da lançamento efetuado sobre verbas que não devem compor a base de cálculo das contribuições. Tais alegações, por mais que constem no bojo do recurso voluntário apresentado, não foram aduzidas em sede de impugnação por parte da contribuinte, motivo pelo qual entendo que não podem ser conhecidas nesta oportunidade, em razão da ocorrência da preclusão, pois deveria o contribuinte aduzir toda a matéria de defesa em sede de impugnação. A propósito, cito o art. 16 e 17, ambos do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Ademais, quanto as retenções, a recorrente sequer acostou ao recurso voluntário qualquer documento que, ao menos, sustente as suas alegações. Do caráter confiscatório da multa Quanto ao reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 164DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Aplicação de Juros Sobre a Multa O assunto já foi objeto de calorosos debates por este Eg. Conselho, de modo que acabou por ser fixada a tese de que a incidência dos juros não é considerada como medida ilegal quando da lavratura do lançamento das contribuições previdenciárias. A propósito, cito o seguinte precedente: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/08/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. PLR PAGA A DIRETORES NÃO EMPREGADOS.IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento da não incidência das contribuições sobre pagamentos creditados a diretores não empregados, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01. PLR PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO DOS VALORES PAGOS. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO EFETUADO. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A não apresentação das memórias de cálculo dos valores pagos a título de PLR autoriza que o lançamento das contribuições tidas por devidas seja realizado pela sistemática do arbitramento em conformidade com o art. 33 da Lei 8.212/91, o que não foi observado no presente caso, já que, pela não apresentação, houve a simples descaracterização do acordo levado a efeito pelas partes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). PAGAMENTO VINCULADO A PERMANÊNCIA DO EMPREGADO NA EMPRESA E EM SUBSTITUIÇÃO DAS VANTAGENS SALARIAIS DEVIDAS DURANTE O PERÍODO DO LABOR. PARCELA DE NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. Tendo em vista que o pagamento do bônus de contratação se deu de forma a retribuir os trabalhos prestados na empresa contratante, com expressa determinação contratual de que o mesmo substitui e engloba todas as vantagens que o empregado poderia auferir no exercício de suas funções junto ao contratante, além de exigir lhe tempo mínimo de permanência na empresa, é de se reconhecer a natureza salarial da verba, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2401003.708, Rel. Conselheiro Igor Araújo Soares) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725916/201026 Acórdão n.º 2402005.129 S2C4T2 Fl. 251 9 Juros Selic Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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