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Numero do processo: 10880.977992/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.977995/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano calendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.977995/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 79 92 /2 00 9- 05 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão do impedimento de se compensar as estimativas mensais, já que se tratava de saldo negativo compensável apenas após o período, de acordo com a IN 600/2005. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que apurou lucro fiscal no ano, porém os recolhimentos por estimativa foram maiores que os tributos devidos, aduzindo que o crédito é existente e comprovado, e que o débito seria inexistente. O Acórdão recorrido manteve o decidido em despacho decisório sob o argumento da impossibilidade de se utilizar os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de estimativas mensais, que seria somente passível de utilização após o final do período de apuração na forma de saldo negativo. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende a prevalência da verdade material, o reconhecimento do crédito e sua homologação. Em síntese, que houve pagamento a maior nas estimativas recolhidas e que as declarações respectivas foram retificadas. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.371, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977995/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/12/2004 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhido em 11/11/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.371): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de pagamento a maior de estimativa mensal. Segundo o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada pois o pagamento era de estimativa mensal de pessoa tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF 600/2005. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, na impossibilidade de se utilizar como crédito valores decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, nos mesmos termos da IN mencionada. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente ao final do ano apurouse que os recolhimentos por estimativas foram maiores que o devido. Entretanto, o crédito utilizado na PerdComp foi informado equivocadamente tomandose como base os DARFs recolhidos. Ressalta que retificou as DIPJ em que não havia sido lançado os recolhimentos por estimativa, e que os valores das compensações foram efetivamente informados em DCTF. Assim, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do erro formal e com base na verdade material requer a consideração do crédito. Em que pese a recorrente não ter trazido aos autos documentações que efetivamente comprovem o seu erro que gerou o pagamento a maior, a verdade é que desde o início tanto do despacho decisório, quanto na decisão de primeira instância, foram baseados no argumento da impossibilidade de se utilizar como crédito os valores decorrentes de estimativas mensais, com base no art. 10 da IN 600/2005. E nesse aspecto, tal óbice foi superado com a edição da IN 900/2008, desde que reste comprovado o erro de fato que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. É certo que compete ao recorrente, o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito utilizado para compensação com débito próprio objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em sede recursal, alegou que em nenhum momento foi intimado para apresentação de documentos, mas de igual forma não fez prova de seu crédito, o que o gerou, como determina os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Frisa que retificou a DIPJ, onde estavam lançados os valores das estimativas, porém, o que deveria ter sido retificado seriam as DCTFs, justamente para se identificar os créditos. Entretanto, diante da possibilidade de se utilizar créditos decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, a comprovação do erro que gerou tal crédito é fundamental e determinante. E a recorrente em que pese alegar eventual erro, bem como a busca pela verdade material. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL provimento para se supere o óbice relacionado ao art. 10 da IN 600/2005, aplicandose a Súmula 84, e determinar o retorno para a unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada, inclusive intimando o contribuinte para que apresente documentos que julgar necessários, retomando a partir daí o rito processual ordinário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 6 5 nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724488/2017-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR
Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;
A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
Numero da decisão: 2202-004.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 44 88 /2 01 7- 17 Fl. 1090DF CARF MF 2 Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Foram lavrados Autos de Infração em nome da empresa Anglo American Minério de Ferro do Brasil para constituição dos seguintes créditos tributários: De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 158/161), a fiscalização identificou a ocorrência dos fatos geradores da Contribuição Social incidente sobre os pagamentos realizados pela empresa Anglo American aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação pertinente (Lei nº 8.212/91, Lei nº 10.101/2000 e Decreto nº 3.048/99) nos seguintes termos: c) O Acordo Coletivo Específico sobre a Participação dos Empregados nos Resultados Variável da Empresa e Missão: Primeiro Embarque – Exercício 2013 foi assinado no dia 04/06/2013, tendo como signatários a Anglo American Minério de Ferro Brasil S/A e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos. d) Este Acordo Coletivo foi previsto e autorizado pela Assembléia Geral Extraordinária, realizada no dia anterior, ou seja, 03/06/2013. e) Porém, a questão central diz respeito exatamente ao próprio Programa de Participação nos Resultados e Lucros – PLR, pois foi assinado no dia 04/06/2013 e, no entanto, estabeleceu metas e critérios de aferições para todo o ano calendário de 2013. f) A Participação nos Lucros ou Resultados da empresa referente ao exercício de 2013 com efeitos financeiros em setembro/2013 e março/2014 (e alguns complementos em abril/2014), foi paga com base em Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados firmados na metade do exercício (junho) a que se refere, ou seja, as regras do programa de participação foram estabelecidas quando já haviam transcorridos vários meses compreendidos no período definido como base de avaliação dos resultados e aferição das metas. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.091 3 g) Conforme disposto no art. 1° da Lei nº 10.101 de 19/12/2000, a participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e um incentivo à produtividade. h) Dessa forma, o grande objetivo do pagamento pela participação nos Lucros ou Resultados das empresas é promover a participação do empregado de tal sorte que ele se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento. Desse engajamento resultará maiores ganhos para ele e para o empreendedor. i) Assim, não há como falar em estímulo ao empregado se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de sua participação. j) Para que ocorra um incentivo à produtividade, é necessário que as regras para a implementação do programa sejam discutidas, acordadas e divulgadas aos empregados previamente ao início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com os seus empregados. l) Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9º, inciso X do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. A Anglo American apresentou impugnação (fls. 216/248) alegando, resumidamente, o seguinte: a) A fiscalização não se atentou para existência de dois programas distintos de PLR com fundamentos e metas distintas todas devidamente acordada com o sindicato em período anterior à assinatura do plano; b) que já havia sido intimada a apresentar os documentos e informações relacionados aos instrumentos de negociação de PLR em relação aos anos de 2012 a 2015, disponibilizando à RFB todas as informações relevantes, inclusive, no que tange ao Acordo Coletivo de PLR 2013. Diante desse fato, o lançamento seria nulo, uma vez que a fiscalização fez a revisão de fatos já fiscalizados anteriormente. c) que cumpriu os requisitos e critérios estabelecidos na Lei nº 10.101 de 19/12/2000 e que não cabe a Autoridades Fiscais exigir outros requisitos, somente os expressamente previstos na legislação. Enfatizou que o Acordo Coletivo de PLR 2013 foi desqualificado com base no argumento de que a assinatura do plano aconteceu em junho de 2013, depois de transcorridos apenas alguns meses do ano calendário; d) o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 somente admite os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e não sobre as penalidades pecuniárias. Nesse sentido, inclusive, já reconheceu a C. CSRF no julgamento do Acórdão n° 9101000.722. Fl. 1092DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 950): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS. INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição social, as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a legislação. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Somente há nulidade do Auto de Infração quando ocorrer violação aos requisitos dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO. De acordo com as normas que tratam dos acréscimos legais, os juros cobrados incidem apenas sobre a contribuição lançada, não alcançando as multas de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, o direito de apresentar provas preclui após o prazo regulamentar. Cientificado (fls. 978), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.981/1017), no qual reitera as alegações suscitadas quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO Alega a Recorrente que o presente lançamento é nulo por vício de motivação, uma vez que o agente fiscal não "analisou devidamente o Plano de PLR 2013 implementado Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.092 5 pela Recorrente" se limitando a desconsiderálo em razão de único fundamento: o de que a assinatura do Plano ocorreu em junho de 2013. Em relação as nulidades apontadas pela Impugnante, ora Recorrente, a Delegacia de Julgamento se limitou a afirmar, com fundamento no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que não haveria que se falar em nulidade, uma vez que, sob o aspecto formal, os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Entendo que o inconformismo quanto análise dos planos de PLR realizada pelo fiscal se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. 2) A REGULAMENTAÇÃO DA PLR PELA LEI Nº 10.101/2000 Antes de passarmos a análise da fundamentação utilizada pelo relatório fiscal é importante expor como se deu a normatização da PLR por parte da Lei nº 10.101/2000. A Constituição Federal, ao tratar dos direitos conferidos aos trabalhadores assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Tratase de norma de eficácia limitada, cuja regulamentação se deu por meio da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994. De forma harmônica com a Constituição Federal, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, também determinou que a participação nos lucros ou resultados da empresas somente não integraria o salário de contribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nestes termos: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Fl. 1094DF CARF MF 6 § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, determina os requisitos da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, tendo resultado da conversão em lei da já citada Medida Provisória nº 794, de 1994, após sucessivas reedições.São esses os termos da lei reguladora: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade,nos termos do art. 7o, inciso XI da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifamos) Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.093 7 A leitura dos artigos acima transcritos nos permite verificar a existência de normas prescritivas (determinam a conduta a ser observada) e normas permissivas Essa distinção, a nosso ver, é fundamental para interpretação da obediência ou não do plano de PLR ao estabelecido na mencionada lei. Em primeiro lugar, observase que o artigo 1º da lei é norma de conteúdo programático, ou seja, trata da finalidade da lei que seria, em suas palavras, "integração entre o capital e o trabalho" "incentivo à produtividade O artigo 2º traz uma norma prescritiva ao determinar que a participação deverá ser objeto de negociação coletiva realizada por comissão paritária, acordo ou convenção coletiva. O §1º do artigo 2º, por sua vez, traz normas prescritivas e permissivas ao determinar que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" e que, para essa finalidade poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Da leitura do referido parágrafo constatase que a norma prescritiva nele prevista referese a imposição de regras claras e objetivas. Tais regras podem utilizar como parâmetro a produtividade, a lucratividade ou a realização de programas de metas e resultados a depender da especificidade do setor econômico e do tipo de negociação realizada. Em outras palavras, a lei não determinou quais as regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros. Apenas exigiu que tais regras fossem claras e objetivas. Isso fica ainda mais claro quando, em seu artigo 3º, §2º, veda, expressamente, que o pagamento seja feita em periodicidade inferior à 6 (seis) meses. Feitas essas observações iniciais, passaremos a análise do Plano de Participação de Lucros e Resultados da Recorrente, bem como das objeções utilizadas pela Autoridade fiscal para descaracterizálo. 2.1.2 DATA DA ASSINATURA AO FINAL DO ANO BASE O argumento da auditoria fiscal de que o fato do contribuinte assinar os acordos coletivos em junho de 2013 descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, ao meu ver, não merece prosperar. Isso por que a data de assinatura dos acordos coletivos não possui o condão de desnaturar a validade do acordo realizado entre as parte, tampouco retira a natureza jurídica do pagamento da rubrica. Conforme será analisado mais detidamente a seguir, a maior parte das metas previstas nos referidos programas tinha data de conclusão posterior à assinatura do plano e as metas anteriores contaram com ampla divulgação por parte da empresa o que demonstra o conhecimento das metas pelos empregados. Fl. 1096DF CARF MF 8 Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros.Nesse sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. I Ação fiscal precedente ao lançamento é procedimento é inquisitório, o que significa afastar qualquer natureza contenciosa dessa atuação, de forma que a prévia oitiva do contribuinte, quanto a eventuais dados levantados durante ação fiscal, podem ser plenamente descartados acaso a autoridade fiscal já se satisfaça com os elementos de que dispõe; II A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; III Para a alínea "j" do § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; IV Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. (Processo nº 14485.000329/200764, Recurso nº 160.087, Acórdão nº 9202002.484– 2ª Turma, Sessão de 29 de janeiro de 2013) (grifamos) A jurisprudência desse Conselho tem reconhecido que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização,baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, Rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721). Merece transcrição, pela clareza e profundidade com que aborda a questão, parte do voto do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.094 9 . “Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no §1º do art. 2º ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas" , e esse é o ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito de observar o quanto fora acordado. Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. (grifamos) Como bem esclarece o voto acima transcrito, a participação nos lucros ou resultados é uma modalidade negocial na qual um empregador (diretamente ou por meio do sindicato) negocia junto aos seus empregados (representados por comissão ou sindicato) a distribuição de valores atrelados a metas empresariais e não a execução dos contratos de trabalho. De resto, é importante ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. Entender que não houve negociação prévia antes da assinatura do acordo significa tomar o produto (convenção) pelo processo (negociação). Conforme esclarece Amauri Mascaro Nascimento em sua obra Direito Sindical: "Negociação é um procedimento de discussões sobre divergências trabalhistas entre as partes visando um resultado. Convenção é o resultado desse procedimento, o produto acabado da negociação. A negociação pode ou não ser bem sucedida. Se frustrada, não haverá convenção. O conflito terá outra forma de composição. A negociação é obrigatória. A convenção é facultativa. Assim, como há norma e o seu processo de elaboração, há convenção e negociação. A relação entre as duas é de meio e fim, sendo a negociação o meio que produzi o fim. Fl. 1098DF CARF MF 10 (NASCIMENTO, Amauri Mascaro Direito Sindical ed. Saraiva, p.316) Além disso, ao analisar a documentação trazida com a impugnação, é possível identificar a negociação e o conhecimento das metas por parte dos empregados, conforme se constata pelos seguinte documentos: a) Informativo enviado aos funcionários em 30/03/2013 sobre o programa Primeiro Embarque (fls. 442); b) Detalhamento das metas do programa Primeiro Embarque (fls. 449/500) c) Apresentação das metas relativas ao Acordo Coletivo (fls. 502/554) d) Comunicado sobre a conclusão da 1ª meta do programa Primeiro Embarque em 15 de abril de 2013 (fls. 569); e) Comunicado sobre a conclusão da 2ª meta do programa Primeiro Embarque em 02 de maio de 2013 (fls. 696); f) Comunicado sobre ausência de conclusão da 3ª meta do programa Primeiro Embarque em 30 de junho de 2013; g) Calendário das metas 4 à 14 (fls 573/605) g.1 Finalização a montagem eletromecânica 20/08/2013; g.2 Montagem e operação do primeiro caminhão fora de estrada 01/09/2013; g.3 Decapeamento de 2 milhões de m3 01/12/2013; g.4 Conclusão de 520 Km de abertura de pista no mineroduto 30/12/2013; g.6 Finalização da montagem eletromecânica do primeiro moinho de bolas 30/12/2013; g.7 Energização da linha de transmissão 230 Kv 28/02/2014 g.8 Protocolar a solicitação de conversão de LI´s para LO´s 31/03/2014; g.9 Alimentação de minério na britagem primária 21/06/2014; g.10 Alimentação de minério na moagem primária 21/07/2014; g.11 Início do bombeamento de minério no mineiroduto 20/08/2014; g.12 Primeiro embarque de minério de ferro 30/11/2014; Da análise da documentação acima mencionada é possível concluir que as metas foram "pactuadas previamente " como exige a Lei 10.101/00. Com efeito o informativo sobre as metas foi enviado aos funcionários em 30/03/2013 e a primeira meta tinha previsão para ser concluída em 15/04/2013. Das 14 metas estipuladas, somente duas tiveram sua conclusão previstas em datas anteriores à assinatura do plano em 04/06/2013. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.095 11 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.911722/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.911722/201528 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.307 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 17 22 /2 01 5- 28 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.668. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720648/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, trata-se de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a intenção de permanência (contabilização no ativo não circulante).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, trata-se de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a intenção de permanência (contabilização no ativo não circulante).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a “intenção de permanência” (contabilização no ativo não circulante). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 48 /2 01 6- 29 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 347 2 produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a “intenção de permanência” (contabilização no ativo não circulante). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS que constituíram o crédito tributário total de R$ 28.065.305,85, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2016. No Termo de Verificação Fiscal que acompanha o lançamento, a autoridade fiscal assim contextualiza a autuação: 1 – Autuada ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A, doravante denominada AUTUADA, constituída sob a forma de sociedade anônima, é instituição financeira jurisdicionada pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (DEINF), exercendo a atividade de corretora de valores. (...) Neste TVF cuidaremos do tratamento tributário aplicado quando a autuada realizou a venda de ações da empresa Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP) e da BMF Bovespa nos anoscalendário de 2011 e 2012. 2 Dos Fatos Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 348 3 No curso da fiscalização sobre os anoscalendário 2011 e 2012 foram verificadas inicialmente as seguintes infrações: Insuficiência de recolhimento da PIS e Insuficiência de recolhimento da COFINS, relacionadas à receita decorrente de alienação de ações da Cetip. As infrações se deram quando da alienação de ações que estavam indevidamente classificadas como Investimento, no Ativo Não Circulante, conforme discorreremos ao longo deste TVF. O histórico da forma de aquisição das referidas ações, e o porquê da classificação contábil estar incorreta, remonta aos eventos de desmutualização das bolsas de valores e posterior unificação da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e a Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F), eventos que descreveremos abaixo de forma resumida. 2.1. Breve histórico das Bolsas e da desmutualização Convencionouse chamar de desmutualização o conjunto de alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente divulgadas na mídia, em que a Bovespa, então associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para uma companhia aberta (sociedade anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou a ser acervo da sociedade empresarial Bovespa Holding S/A. A associação Bovespa, cuja representação do patrimônio estava fracionada em títulos de propriedade dos associados , aprovou sua desmutualização na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 28/08/2007, que consistiu no seguinte: o primeiro procedimento foi a cisão parcial da associação Bovespa, com redução do seu patrimônio em 99,7%; em seguida, a parcela do patrimônio cindido foi incorporado às empresas Bovespa Serviços e Participações S/A (BVSP) e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) pela Bovespa Holding S/A. Resumidamente a operação da desmutualização da Bovespa ocorreu da seguinte forma: i) criação da Bovespa Holding S/A e Bovespa Serviços e Participações S/A (BVSP); ii) cisão parcial da antiga associação Bovespa; iii) incorporação do capital cindido, parte diretamente na Bovespa Holding e parte na BVSP S/A; iv) incorporação pela Bovespa Holding S/A das ações da BVSP e da CBLC. Com essas operações, o patrimônio que era de associação sem fins lucrativos foi transferido para uma associação anônima com fins lucrativos. Em outros termos, a natureza jurídica que era associação civil passou a ser sociedade anônima. Desta forma, com o recebimento dessas ações, os antigos associados passaram a ser acionistas da nova companhia em que se converteu a Bolsa. Encerrada a desmutualização, partiuse para a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding, venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 349 4 Também a BM&F passou por processo semelhante ao acima descrito. O processo de desmutualização que resultou na reestruturação da BM&F consistiu na sua cisão parcial, com versão da parcela cindida de seu patrimônio para a BM&F S/A. Encerrada a devolução de capital da BM&F, houve o IPO da BM&F, no curso do qual foram negociadas 299.184.846 ações ao valor unitário de R$20,00, alcançando o montante de R$5.983.696.920,00 (cinco bilhões, novecentos e oitenta e três milhões, seiscentos e noventa e seis mil e novecentos e vinte reais). 2.1.1. A Itaú Corretora como acionista da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A Em 31/12/2007 a autuada possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa Holding, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 – Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. 2.1.2. Incorporação das ações da Bovespa e da BM&F por Nova Bolsa S/A Em 17/04/2008 a Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A publicaram um fato relevante, comunicando ao mercado o objetivo de integrar suas atividades através da incorporação de ambas pela pessoa jurídica Nova Bolsa S/A, CNPJ 09.346.601/000125, doravante denominada Nova Bolsa, que a partir de 08 de maio de 2008 incorporaria as ações de ambas as bolsas. Segundo o documento, a reorganização societária tinha por objetivo integrar as atividades das duas entidades visando “atingir uma estrutura mais eficiente, com potencial de economia nas despesas combinadas das duas Bolsas, além de possibilitar o maior crescimento e rentabilidade dos negócios por elas desenvolvidos”. (...) Nessa ocasião a autuada possuía as já citadas 20.376.818 ações da Bovespa Holding ao valor contábil de R$44.563.947,88. (...) No processo de incorporação de ações, uma ação da Bovespa Holding passou a valer 1.424.856.43 ações da Nova Bolsa, de forma que pelas 20.376.818 ações BOVH3 que a autuada detinha foram recebidas 29.034.040 ações de emissão da Nova Bolsa. Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, na proporção de uma ação PN resgatável para cada 10 ações da Bovespa Holding. A autuada recebeu 2.037.682 ações PN resgatáveis da Nova Bolsa em maio/2008 passando a deter o total de 31.071.722 ações da Nova Bolsa. Com o resgate das ações PN em 08/05/2008 a autuada voltou ao total de 29.034.040 ações da Nova Bolsa que posteriormente passou a denominarse BMF BOVESPA. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 350 5 Nos meses de janeiro, junho e dezembro de 2012 a autuada alienou 22.232.960 ações BMF BOVESPA ON por um valor total de R$236.030.404,67, conforme demonstrativo e notas de corretagem apresentadas no item 1 do anexo à resposta II do Termo de Intimação 7 (CRTUAF345/2015 protocolada junto à DEINF em 14/10/2015). 2.2 Títulos Cetip A Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP iniciou suas operações em 1986, como uma câmara de compensação e liquidação para propiciar mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro brasileiro. Para ter direito de acesso aos serviços e sistemas disponibilizados pela CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, a autuada estava obrigada a deter título patrimonial desta entidade que, na ocasião da aquisição do título, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. As associações civis sem fins lucrativos são disciplinadas pelos arts. 53 a 61 da Lei nº. 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002) e gozam de isenção prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532 de 1997. No momento da constituição das bolsas, foram emitidos títulos patrimoniais representativos do patrimônio de cada uma, que foram adquiridos pelas empresas associadas. Em 29/05/2008 foi aprovada em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) a desmutualização da associação Cetip, e como consequência de um processo de reestruturação, houve uma série de alterações na estrutura societária da CETIP Associação, denominada desmutualização, que por meio de cisão parcial, entre outras alterações, transformou a CETIP Associação (associação sem fins lucrativos) em CETIP S/A – Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (sociedade com finalidade lucrativa), que recebeu 99,84% do patrimônio cindido. De acordo com o Instrumento de Protocolo e Justificativa de Operação de Cisão Parcial da Cetip, as decisões só produziriam efeitos a partir de 1º de julho de 2008. (...) A autuada detinha à época da desmutualização 2 títulos patrimoniais CETIP, tendo 1 sido adquirido em 1986, diretamente da CETIP, e o 2º quando a Itaú Corretora incorporou a Itauvest S/A Corretora de Valores. No mês de novembro de 2011 a autuada alienou 1.626.600 ações CETIP S/A, pelo valor total de R$ 38.378.868,60, conforme demonstrativo e notas de corretagem apresentadas no item 1 do anexo à resposta II do Termo de Intimação 7 (CRTUAF345/2015 protocolada junto à DEINF em 14/10/2015). 3 – Da Legislação Aplicável e do objeto social das corretoras A Itaú Corretora S/A é sociedade corretora de valores mobiliários sob a Lei 4.728, de 14 de julho de 1965, tendo sido constituída e organizada nos termos da Resolução CMN n' 1.655, de 26/10/1989, em seu regulamento anexo no qual disciplina a constituição, organização e o funcionamento das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários. A Resolução CMN n' 1.655 estabelece em seus incisos II e IV do artigo 2' de seu regulamento anexo, em relação ao objeto social das corretoras, que: “Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 351 6 (...) II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; (...) IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; (...)” Desta forma, vender ou revender ações ou outros títulos e valores mobiliários por conta própria compõe o objeto social das sociedades corretoras de valores, sendo portanto parte de suas atividades típicas, operacionais, e cujas receitas compõem seu faturamento/receita bruta operacional. Neste sentido, e de modo ainda mais evidente no caso das corretoras de valores, a receita da venda de ações integra o conceito de faturamento/receita bruta das instituições financeiras, devendo, portanto, ser oferecido à tributação do PIS e da COFINS. Logo, a Itaú Corretora deveria ter tributado as receitas auferidas com a venda de suas ações BMF Bovespa e Cetip. (...) 3.2 Entendimento do CSRF em mesmo sentido entendeu o Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em recente decisão para os mesmos tributos e contribuinte ora autuado. Em sessão de 06 de julho de 2016, ao julgar o processo 16327.000280/201093, foi proferido o acórdão 9303004.182 – 3ª Turma com seguinte teor: “Desta forma, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela Bovespa Holding S.A., integra a sua receita bruta operacional, uma vez que as corretoras de valores mobiliários têm como objeto social ou como atividade principal a subscrição e venda de títulos no mercado financeiro, conforme se depreende do contido no art. 2° da Resolução CMN n° 1.655/1989: (...) Portanto, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso se sujeitarem à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.718/1998.” 3.3 Informações complementares Não obstante a já caracterização da hipótese de incidência tributária acima demonstrada, cabe trazer algumas informações complementares relativas aos fatos ocorridos, tendo em vista que a autuada deu às ações BMF Bovespa e Cetip a mesma classificação contábil anteriormente aplicada aos Títulos Patrimoniais das associações que antecederam BMF Bovespa S/A e Cetip S/A, a despeito de suas distintas naturezas. Os Títulos Patrimoniais compunham o Ativo Permanente – Investimentos (atualmente denominado Ativo nãocirculante) da autuada, enquanto as ações BMF Bovespa e Cetip deveriam ter sido classificadas como Ativo Circulante, conforme se depreende de dispositivos legais, bem como de normativos emanados pelo Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC), Comissão de Valores Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 352 7 Mobiliários (CVM), Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ou mesmo orientações dadas pela Bovespa. 3.3.1 Da contabilização dos Títulos Patrimoniais O COSIF, Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, inclui os títulos patrimoniais em seu Capítulo 1, item 11, subitem 3 “Outros Investimentos”, 1b. Desta forma, os títulos patrimoniais das bolsas de valores e da Cetip, quando ainda eram associações sem fins lucrativos, deveriam ser contabilizados em conta COSIF do Ativo Permanente – Investimentos. Tal contabilização no ativo permanente (atualmente sob denominação de Ativo não circulante) encontrava respaldo na compulsoriedade da propriedade do título para que seus detentores pudessem operar no ambiente das respectivas associações das quais possuíam os títulos, ou seja, sua titularidade e manutenção estavam diretamente ligados à possibilidade das empresas detentoras poderem continuar atuando no objeto de suas respectivas atividades regularmente. Em mesmo sentido dispõe a Lei 6.404/76 em seu art. 179, III: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa.” Destaquese que a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo legal. 3.3.2 Da necessária reclassificação quando do recebimento das ações Tanto as ações BMF Bovespa quanto as ações Cetip S/A foram adquiridas pela autuada em virtude do processo de desmutualização, todavia, tais ações não apresentam as características de permanente que possuíam os títulos patrimoniais, o que é reafirmado na alienação que ocorreu das ações quando do resgate das ações preferenciais da BMF Bovespa logo após sua emissão, dada sua disponibilidade e grau de liquidez. Diferente dos títulos patrimoniais, as ações não são condição para que seus detentores operem na agora nova bolsa BMF Bovespa, ou mesmo na Cetip, pelo contrário, são ativos financeiros comercializáveis livremente em bolsa de valores como qualquer outro, assumindo natureza de ativo circulante. Esta característica de ativo circulante se torna ainda mais marcante no caso das corretoras de valores, em virtude de terem como objeto social a comercialização de ações. Assim, os antigos detentores de títulos patrimoniais passaram a possuir ações que: a) não tinham obrigatoriedade alguma de permanecerem nos ativos de seus detentores, sendo desnecessárias às suas atividades essenciais e compondo o giro do negócio; b) constituemse em papeis de pronta liquidez, dada a livre comercialização em bolsa de valores; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 353 8 c) possuem liquidez incomparavelmente superior à dos títulos patrimoniais, o que já nos orienta a uma diferente classificação contábil em face da ordenação dos ativos em ordem decrescente de liquidez; d) são o principal objeto de comercialização das corretoras de valores. e) constituemse em Instrumentos Financeiros à luz do pronunciamento CPC 14. (...) O termo título patrimonial, aqui utilizado no CPC 14 em sentido amplo, abarca também as ações, visto que constituemse em títulos patrimoniais, porém não se confunde com os Títulos Patrimoniais das associações existentes pré desmutualização em sentido estrito, o qual é excepcionado pelo próprio CPC 14 em seu item 2, alínea “d” combinada com alínea “a” do mesmo item. Assim, as características de circulante do ativo (ações BMF Bovespa e Cetip) não são alteradas por terem sido classificadas no ativo permanente ou mesmo pela sua manutenção no ativo por maior ou menor tempo. Vale destacar alguns trechos da Circular Bacen 1273/87, que positiva o COSIF: 2 Escrituração, item 5 “5 – A forma de classificação contábil de quaisquer bens, direitos e obrigações não altera, de forma alguma, as suas características para efeitos fiscais e tributários, que se regem por regulamentação própria.” (...) Podese depreender dos dispositivos Cosif acima: a) A disposição das contas do ativo se dá em ordem decrescente de liquidez, logo, a abissal diferença de liquidez existente entre os Títulos Patrimoniais de manutenção compulsória pelas corretoras para operarem em bolsa , e as ações BMF Bovespa e Cetip – passiveis de realização imediata em face da possibilidade de comercialização em bolsa de valores sem qualquer óbice , impõe que se dê diferente classificação contábil a esses ativos, devendo as ações serem classificadas em conta Cosif de posição bem acima da usada para os Títulos Patrimoniais no Ativo Permanente, qual seja, no Ativo Circulante; b) Destaquese que o Cosif também elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo normativo; c) A alusão temporal de máximo de 12 meses, descrito para o Ativo Circulante, referese à capacidade de realização do ativo, o que remete à liquidez inerente ao bem ou direito, e não se confunde com o tempo de permanência do ativo que tenha sido decidido de forma voluntária e discricionária pela empresa. Liquidez é qualidade intrínseca ao bem ou direito em questão, característica distinta do tempo de manutenção do bem ou direito, seja por intenção inicial, seja por se aguardar o momento que a empresa entenda como mais oportuno para a venda. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 354 9 Não fosse assim, uma reserva financeira em caixa e que a empresa só quisesse dispender após mais de 12 meses, não poderia ser classificada no Ativo Circulante, o que seria absurdo em face do caixa possuir realização imediata; d) A classificação no Ativo Circulante não encontra óbice a tempo máximo de permanência com o ativo, mas sim a tempo máximo de possibilidade de realização/liquidez do ativo. (...) Novamente remetemos ao art. 179 da Lei n° 6.404/76, que define que devem ser considerados no grupo investimentos do ativo as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (art. 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Em síntese, as distinções doutrinárias ou legais entre ativos circulante e permanente estão relacionadas à destinação operacional dos ativos, à sua aplicação na atividade ordinária da empresa ou na manutenção desta atividade. Só podem ser considerados permanentes aqueles bens e direitos que a empresa manterá em caráter permanente, seja para se obter o controle acionário ou por interesses econômicos, ainda que os possa vender algum dia, e ainda que não se preveja um tempo mínimo para mantêlos. Por outro lado, a contabilização de um determinado bem do ativo circulante ou realizável a longo prazo está relacionado ao tempo necessário para sua realização. Será classificado como permanente somente se não enquadrado nos incisos I ou II, e não se destinar a manutenção da atividade da empresa. Destaquese novamente que esses elementos objetivos sobrepõemse e tornam secundário, ou mesmo irrelevante, o tempo durante o qual se manteve por mera liberalidade um ativo de pronta realização. (...) Em igual sentido, a intenção de permanência foi referida pelas autoridades fiscais quando da edição do Parecer Normativo CST n° 108/78 que trouxe importantes esclarecimentos acerca do conteúdo da rubrica contábil "Investimentos". O item 7.1 desse Parecer Normativo diz, textualmente: "7.1. Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 355 10 controle societário, seja por interesses econômicos, como por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda". (...) Com isso, podemos deduzir que o registro tanto das ações da CETIP S.A., quanto das BMF BOVESPA, foi equivocadamente considerado na conta 2.1.5.10.005 do subgrupo investimentos, pois se trataram de investimentos sem a característica de permanente, que deveriam ter sido classificados no ativo circulante. Estes ativos não apresentaram interesse operacional, conforme definido anteriormente no Parecer de Orientação CVM nº 17/89, porque as ações da CETIP S.A. e as ações da BMF Bovespa possuem características de investimento temporário, completamente diferentes dos títulos patrimoniais da CETIP Associação e da Bovespa Associação, de natureza perpétua. A manutenção deliberada desses ativos por tempo superior a 12 meses não tem o condão de alterar sua natureza de ativo circulante, dado sua possibilidade de pronta realização, ou seja, os ativos em questão nunca deixaram de ser ativos realizáveis em menos de 12 meses, ainda que tivessem sido realizados em prazo superior por opção da empresa. A Itaú Corretora de Valores S/A não tinha necessidade de manter as ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa no seu ativo permanente, porque após a desmutualização de ambas as associações precedentes extinguiuse a exigência de propriedade de títulos patrimoniais para que se pudesse usufruir dos serviços por elas prestados. Assim, na desmutualização houve uma devolução do patrimônio das entidades isentas (CETIP Associação e Bovespa Associação) e não uma mera substituição de títulos por ações. Com isso, a classificação dessas ações no ativo permanente não é automática, e considerando a expectativa de negociação em Bolsa de Valores dessas ações, a consequência normal é de se esperar o rendimento produzido pela valorização e negociação das ações, uma vez que não se vislumbra a obtenção de rendimentos produzidos pelas operações das empresas investidas, ou sequer benefício produzido pela melhoria operacional da empresa investidora. Caracterizando, portanto, como um investimento temporário. A alienação desses ativos em 2011 e 2012 não tem o condão de transmutar sua natureza para permanente, pois as negociações efetuadas apenas aguardaram um momento mais oportuno às necessidades de caixa da Autuada e/ou ao valor de mercado dessas ações. Nesse diapasão, a classificação correta para essas ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa seria no ativo circulante, desde 2008 quando foram adquiridas, gerando, consequentemente, receita operacional quando alienadas, que não é passível de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme previsão legal da Lei nº 9.718/98. Cientificada, a interessada apresentou Impugnação alegando, em síntese, que: Como mencionado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em maio de 2008 a Impugnante recebeu ações da Nova Bolsa S.A. em virtude da incorporação das ações que detinha da Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. por aquela companhia. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 356 11 Do mesmo modo, em julho de 2008 a Impugnante recebeu ações da CETIP S.A. em decorrência do processo de desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP. Atendendo às regras previstas na legislação societária atinentes à elaboração das demonstrações financeiras então em vigor, a Impugnante classificou aqueles títulos em seu balanço no Ativo Permanente, posteriormente alterado para Ativo Não Circulante, subconta Investimentos (Lei n°6.404, de 15.09.1976, art. 179, inciso III). Após mais de 3 anos do recebimento das ações da CETIP S.A. (novembro de 2011) e aproximadamente após 4 anos do recebimento das ações da Nova Bolsa S.A. (janeiro, junho e dezembro de 2012), a Impugnante alienou parte desses títulos, excluindo os montantes recebidos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP por se tratar de "receitas nãooperacionais, decorrentes de venda do ativo permanente", nos termos do art. 30, § 2°, inciso IV, da Lei n°9.718, de 27.11.1998. Nada obstante, ao verificar a regularidade do procedimento adotado pela Impugnante, o i. Fiscal autuante partindo de premissa claramente equivocada no tocante aos critérios de classificação contábil das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. entendeu que as mesmas deveriam ter sido registradas em seu ativo circulante. (...) De acordo com a fiscalização, não se justificaria a classificação das ações daquelas companhias no Ativo Permanente (Investimentos), uma vez que não haveria "obrigatoriedade alguma" de a Impugnante permanecer com as mesmas em seu patrimônio, além do que tais ações seriam títulos patrimoniais com alta liquidez que poderiam ser alienados a qualquer momento na Bolsa de Valores. (...) No entanto, "data máxima venia", o lançamento tributário ora impugnado não pode ser mantido, devendo ser integralmente cancelado, pois ao tributar a "receita" da venda daquelas ações, sem deduzir o custo correspondente, implicou manifesta modificação de critério jurídico do lançamento. Além disso o "novo critério" não reflete à correta apuração da base de cálculo daquela contribuição social, bem como acaba exigindo em duplicidade a essa exação, posto que já exigida nos autos do processo n° 16327.720595/201301. Ademais, ao contrário do que alega o i. Fiscal autuante, a classificação das ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. no Ativo Circulante não se sustenta nas normas da Lei n° 6.404/76, tampouco encontra guarida nas manifestações doutrinárias, no precedente jurisprudencial e na orientação do Fisco citados no TVF. (...) Além disso, nos períodos autuados, a saber novembro de 2011, janeiro, junho e dezembro de 2012, a legislação de regência da Contribuição para o PIS/PASEP não admitia a tributação das receitas decorrentes da "atividade ou objeto principal da pessoa jurídica", limitandose a onerar a sua receita bruta, assim entendido "o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados", como decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sua composição Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 357 12 plenária, no julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.390 e 390.840. 1 DAS PRELIMINARES 1 VIOLAÇÃO AO ART. 146 DO CTN: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO QUANTO À BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Pelo que se depreende do TVF, a fiscalização pretende exigir da Impugnante a Contribuição para o PIS/PASEP incidente nas vendas de ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. realizadas nos meses de novembro de 2011, janeiro, junho e dezembro de 2012, tendo computado na base de cálculo dessa contribuição a receita apurada nessas operações (...). No entanto, o i. Fiscal autuante não observou o critério jurídico de lançamento tributário anterior formalizado contra a Impugnante (doc. 02), mediante o qual a fiscalização exige a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS supostamente incidentes sobre a diferença verificada entre o valor contábil das ações ordinárias da Bovespa Holding S.A. e o valor de mercado das mesmas no momento de sua suposta alienação em razão de sua incorporação pela Nova Bolsa S.A. (...). Salientese que o critério de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP observado pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração que deu origem ao processo n° 16327.720595/201301 (doc. 02) está em sintonia com as regras da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21.11.2002. De acordo com o art. 95 dessa instrução normativa, as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (BACEN) deveriam apurar aquela contribuição social de acordo com a planilha de cálculo constante do Anexo I. Nesse contexto, parece claro que a lavratura do Auto de infração ora impugnado ao considerar a receita bruta apurada com a venda das ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. sem a dedução do correspondente custo de aquisição, para fins de determinar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, representa manifesta modificação de critério jurídico do lançamento, além de conflitar com a orientação do Fisco aplicável aos períodos autuados, sendo certo que o novo critério não pode alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua introdução, nos exatos termos do art. 146 do CTN (...). (...) No caso concreto, comparandose o resultado da fiscalização anterior (processo n° 16327.720595/201301) com o da fiscalização que redundou na lavratura do Auto de infração ora impugnado, verificase que houve nítida mudança de critério jurídico, na medida em que naquela o agente fiscal considerou o resultado líquido apurado na suposta alienação das ações, enquanto nesta a fiscalização computou a receita bruta correspondente ao preço de venda das ações, sem a dedução do correspondente custo. Sendo assim, forçoso concluir que o novo critério jurídico adotado pela fiscalização no caso concreto somente poderia ser aplicado a fatos geradores ocorridos posteriormente à adoção desse critério, nos exatos termos do art. 146 do CTN, sendo manifesta a improcedência da exigência fiscal em comento. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 358 13 (...) 1.2 — DO CRITÉRIO DE CONTABILIZAÇÃO DOS RESULTADOS DA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Como mencionado acima, em fiscalização anterior os agentes fiscais computaram na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente na incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. o valor correspondente ao pretenso "ganho" verificado nessa operação, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 247/02. Com efeito, o art. 95 dessa instrução normativa prescreve que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BACEN deveriam apurar a mencionada contribuição social de acordo com a planilha constante de seu Anexo I, que relaciona as contas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) que compõem a base de cálculo dessa exação. Analisandose a relação das Contas COSIF de que trata o Anexo I da Instrução Normativa SRF n° 247/02, verificase que é mencionada a Conta 7.1.5.20.00 "RENDAS DE TÍTULO DE RENDA VARIÁVEL", na qual devem ser registradas as rendas de títulos de renda variável, que incluem as ações de companhias abertas. Desse modo, admitindose na linha da acusação fiscal que as ações da Nova Bolsa S.A. seriam "ativos financeiros", o que se faz apenas para fins de argumentação, de acordo com as regras contábeis deveria ser lançado naquela conta o resultado apurado na alienação de tais ações, correspondente à diferença entre o valor contábil das mesmas e o seu valor de alienação. (...) Parece claro, portanto, que não pode ser mantido o Auto de Infração ora impugnado, na medida em que deixou de considerar o custo das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A., em desconformidade com as determinações da Instrução Normativa SRF n° 247/02. No caso das ações da Nova Bolsa S.A. evidentemente o custo contábil seria aquele que a fiscalização anterior considerou no lançamento que deu origem ao processo n° 16327.720595/201301, correspondente a R$ 13,5811 por ação. E, quanto às ações da CETIP S.A,. segundo a lógica da fiscalização o custo das mesmas seria aquele pelas quais essas ações teriam sido "adquiridas" por ocasião da desmutualização, a saber R$ 1.572.309,62 (doc. 03). 1.3 DA DUPLICIDADE DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Como acima mencionado, a fiscalização exige da Impugnante em Auto de Infração anterior (doc. 02) a Contribuição para o PIS/PASEP sobre o suposto ganho apurado na incorporação das ações da Bovespa Holding S.A., correspondente à diferença entre o valor contábil dessas ações e o seu valor de mercado no momento em que foram incorporadas pela Nova Bolsa S.A. Muito embora a exigência do suposto ganho antes de sua efetiva realização não se conforme aos princípios constitucionais, tampouco às normas legais que disciplinam a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, no caso concreto a Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 359 14 lavratura do Auto de Infração tendente a exigir essa contribuição social sobre aquele mesmo ganho agora realizado redunda em verdadeiro "bis in idem". Com efeito, ainda que se admita a possibilidade de a Contribuição para o PIS/PASEP ser cobrada sobre o ganho potencial, estimado, que a Impugnante experimentaria se tivesse alienado as ações da Bovespa Holding S.A., no momento em que foram incorporadas pela Nova Bolsa S.A., o que se faz apenas para fins de argumentação, não se pode admitir em absoluto nova cobrança da mesma contribuição no momento em que aquele ganho é realizado. Isso porque quando da venda das ações da Nova Bolsa S.A. a Impugnante não apurou um novo ganho mas apenas realizou o ganho anterior, que já foi taxado pela fiscalização. Ou seja, não há que se falar no caso concreto que houve um novo ganho, sujeito à nova incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, mas mera realização do ganho anterior. Dúvida não remanesce assim de que o lançamento ora impugnado deve ser cancelado, visto que a sua manutenção implicará duplicidade de cobrança da contribuição social em comento sobre o mesmo ganho, que foi objeto de Auto de Infração lavrado anteriormente (doc. 02). (...) II DO MÉRITO 11.1 DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL DAS AÇÕES DA NOVA BOLSA S.A. E CETIP S.A. (ATIVO PERMANENTE / INVESTIMENTO) A fiscalização sustenta que as ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. não poderiam ser classificadas pela Impugnante no Grupo Ativo Permanente, Subgrupo Imobilizado, pois, a seu ver, possuiriam características de aplicação temporária ou especulativa, representando supostamente ativos financeiros. Muito embora o i. Fiscal autuante não olvide que a Impugnante de fato vendeu parte das ações da Nova Bolsa S.A. no anocalendário 2012, portanto 4 anos depois da incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. e parte das ações da CETIP S.A. no final do anocalendário 2011, ou seja mais de 3 anos após a desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP, alega que "a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente". (...) Nesse contexto, "data maxima venia", a alegação de que as ações detidas pela Impugnante deveriam ter sido classificadas no ativo circulante não encontra guarida nas determinações do art. 179 da Lei n° 6.404/76, que trata da classificação das contas do ativo, pois a manutenção daquelas ações em seu patrimônio por período superior a 3 anos demonstra que a sua intenção foi de permanecer como titular das mesmas. Salientese que, ao contrário do que pretende levar a crer o i. Fiscal autuante, a Lei n° 6.404/76 não prevê um critério objetivo de classificação dos itens do Ativo que imponha que as ações recebidas pela Impugnante sejam classificadas em seu Ativo Circulante, no qual o prazo de manutenção das mesmas em seu patrimônio seria irrelevante. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 360 15 Como bem apontado pelo acórdão n° 9303004.182 mencionado no TVF o que determina se as ações ou quotas de capital devem ser classificadas no Ativo Circulante (Instrumentos Financeiros) ou no Permanente/Não Circulante (Investimentos) é justamente a intenção de seu titular. Tratandose de aplicação de capital de forma temporária ou especulativa, os títulos patrimoniais devem ser classificados no Ativo Circulante, por outro lado, se os mesmos possuírem a características de investimento permanente, isto é quando não houver a intenção de realizálos até o término do exercício social subsequente, os respectivos valores devem ser contabilizados no Ativo Permanente. Esse entendimento está alinhado com a orientação do Fisco, consubstanciada no Parecer Normativo CST n° 108/78 que tratou justamente da "classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977". De acordo com essa manifestação do Fisco, a classificação de participações societárias no Ativo Permanente, nos termos do art. 179, inciso III, da Lei n° 6.404/76, deve ser feita em função da intenção de seu titular de mantêlas em caráter permanente. (...). Como se vê, diferentemente do que consta no TVF (p. 16), o Parecer Normativo CST n° 108/78 não ampara a pretensão fiscal, na medida em que deixa claro o entendimento do Fisco no sentido de que o que determina se a participação societária adquirida deve ser contabilizada no Ativo Circulante ou Permanente é a intenção do adquirente, a qual deve ser manifestada no momento em que tal participação é adquirida. Além disso, as orientações do referido parecer normativo infirmam o argumento do i. Fiscal autuante no sentido de que a "questão temporal" seria irrelevante para fins de classificar as ações no Ativo Permanente, na medida em que determinam expressamente que as mesmas devem ser reclassificadas caso tenham sido contabilizadas no Ativo Circulante e não tenham sido alienadas até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiverem sido adquiridas. Em linha com o Parecer Normativo CST n° 108/78, a prova de que a Impugnante no momento em que recebeu as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não tinha a intenção de vendêlas, mas sim permanecer com essas ações como investimento, reside justamente no fato de que ela só vendeu parte das mesmas depois de 4 anos do processo de incorporação de ações da Bovespa Holding S A. e BM&F S.A. e mais de 3 anos após a desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos — CETIP, ou seja, no caso concreto aquelas ações permaneceram no ativo da Impugnante durante anos, o que demonstra inequivocamente a sua "intenção de permanência". (...) Destarte, aplicandose o entendimento da C. Câmara Superior a este processo, forçoso concluir que a Impugnante classificou corretamente as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. em seu Ativo Permanente, não se sujeitando à incidência do PIS e da COFINS o resultado apurado com a venda dessas ações realizada anos após o seu recebimento. Pelas razões acima expostas, é inconteste que a Impugnante registrou corretamente em seu Balanço as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. em Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 361 16 conta do Ativo Permanente (Investimentos), não restando dúvida quanto à impossibilidade de ser mantido o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP. (...) 11.2 DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS SOBRE RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO Como se sabe, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS (Lei n° 9.718/98, art. 30, § 1°), restringindo o campo de incidência dessas contribuições ao faturamento, assim entendido a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, o que afasta de plano a pretensão fiscal de exigir tais contribuições sobre o suposto ganho verificado na alienação de ações, que não se identifica com venda de mercadorias, nem com prestação de serviços. Com efeito, enquanto sociedade corretora a Impugnante está sujeita ao recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS pelo regime cumulativo, regulado pela Lei n° 9.718/98, não lhe se aplicando as regras das Leis n° 10.637, de 30.12.2002, e 10.833, de 29.12.2003. Nesse contexto, com a declaração de inconstitucionalidade do § 10 do art. 30 da Lei n° 9.718/98 (Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840), que ampliou os conceitos de faturamento e receita bruta para neles incluir "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas sociedades corretoras passaram a recair apenas sobre o preço dos serviços por elas prestados, visto que tais instituições não vendem mercadorias de qualquer espécie. Apesar de ser até certo ponto óbvio que a alienação das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não se identifica com os negócios jurídicos abrangidos pelo caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, não podendo, pois, ser onerada pelas contribuições sociais em comento, a fiscalização tenta justificar a lavratura do Auto de Infração ora impugnado com base no argumento de que a alienação daquelas ações decorre do "exercício de atividade prevista no objeto social" da Impugnante. (...) Com efeito, destinandose precisamente a analisar a repercussão da jurisprudência do STF para as instituições financeiras e sociedades seguradoras, e considerando que mercadoria é necessariamente, por definição, um bem corpóreo, o Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 concluiu que "a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2°, 3°, caput e nos §§ 5°e 6° do mesmo artigo exceto no que diz respeito ao 'plus' contido no 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada." Vêse que a conclusão do parecer que Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 é no sentido de que as receitas auferidas pelas instituições financeiras podem ser tributadas pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS se correspondentes a uma prestação de serviços. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 362 17 No caso concreto, o resultado apurado pela Impugnante com a venda das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não se conforma ao conceito de faturamento, uma vez que não decorre de uma operação de compra e venda de mercadorias (bens corpóreos), muito menos de prestação de serviços, razão pela qual é manifestamente indevida a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP. Somese a isso que, até o advento da Medida Provisória n° 627, de 11.11.2013, posteriormente convertida na Lei n° 12.973, de 13.05.2014, o significado das expressões "faturamento" e "receita bruta" não comportava a extensão que lhe pretendeu conferir o i. Fiscal autuante para nelas incluir todo e qualquer resultado decorrente do exercício das atividades empresariais. (...) Considerandose que as normas legais, em regra, se aplicam aos fatos ocorridos após a sua entrada em vigor, salvo nos casos em que as mesmas são interpretativas, o novo comando legal não pode ser aplicado a fatos verificados antes de sua introdução no ordenamento jurídico. Sendo assim, tratandose o caso concreto de fatos ocorridos antes da edição da Medida Provisória n° 627/13, não encontra amparo legal a pretensão do i. Fiscal autuante de ampliar as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS para nelas incluir outras receitas decorrentes "da atividade ou objeto principal" da pessoa jurídica, que não se identifiquem com o produto da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. Em outras palavras, somente a partir da edição da mencionada medida provisória, é que a base de cálculo da contribuição passou a abarcar "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III" (não só para as instituições financeiras, mas para qualquer pessoa jurídica sujeita ao regime cumulativo), o que revela o claro equívoco da pretensão fiscal. (...) III DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Prevalecendo o lançamento tributário ora impugnado, o que se admite apenas a título de argumentação, certamente será exigido da Impugnante os juros de mora sobre o valor da multa de ofício, procedimento adotado noutros casos pelas autoridades fiscais. Daí porque a Impugnante vem desde já impugnar a pretensão, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Com efeito, pelo que se infere da legislação tributária, esta somente autoriza a incidência dos juros sobre o valor atualizado do tributo ou da multa isolada. Contudo, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o montante da multa de ofício. (destaques da impugnante) Consta do Termo de Verificação Fiscal que foram formalizados processos separados para cuidar dos lançamentos de Contribuição para o Programa de Integração Social, que tomou o número aqui considerado, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, que foi identificado com o nº 16327.720649/201673. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 363 18 Pelo Termo de Apensação de efl. 306, tomase conhecimento de que o processo de COFINS foi apensado ao presente. Diz a autoridade: Contra o contribuinte supra foram lavrados dois autos de infração, sendo um de PIS – processo 16327.720648/201629, e outro de COFINS – processo 16327.720649/201673. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação em ambos processos que foram encaminhados à DRJ em 04/11/2016 para julgamento. Porém, 08/11/2016, a DRJ os devolveu a esta Deinf para cumprimento do disposto na Portaria RFB nº 354, art 2º, b, de 11 de março de 2016, revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Para atender ao solicitado, efetuei a desapensação dos dois processos citados e transferi todos os créditos tributários cadastrados no presente para o processo 16327.720648/201629, ficando o presente na situação ENCERRADO. Como não foi possível realizar a juntada dos processos acima referidos por anexação, devido a uma REGRA DE SISTEMA que só permite a referida juntada se o processo a ser anexado estiver na situação de précadastrado, foi necessário copiar para o processo 16327.720648/201629, todos os documentos constantes no presente. Nesse contexto, veio ao presente processo a Impugnação voltada para a contestação da exigência da COFINS que, por ter idêntico teor daquela resumida acima e que tem por tema a contribuição ao PIS, será tratada em conjunto, como se uma só fossem. A 14ª Turma da DRJ/RPO, acórdão nº 1464.970, deu provimento à impugnação, com decisão assim ementada: TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. Classificamse no Ativo não Circulante os direitos cuja realização não se pretenda que ocorra no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Negociados após mais de três anos da aquisição, admitese a classificação dos títulos no Ativo não Circulante, hipótese na qual o faturamento obtido pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais. Em virtude da desoneração, foi interposto o recurso de ofício. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 364 19 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação se deu por insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS na alienação das ações obtidas em virtude da desmutualização das entidades operadoras do mercado financeiro e de capitais. Para a fiscalização, as ações deveriam desde a aquisição serem classificadas contabilmente como ativo circulante, considerando critério objetivo da natureza do ativo, em função de sua realização. Por isso, ao vender ou revender ações ou outros títulos e valores mobiliários por conta própria, tal atividade compõe o objeto social das sociedades corretoras de valores, sendo portanto parte de suas atividades típicas. Assim, receitas auferidas com a venda das ações BMF/Bovespa e Cetip, por comporem o faturamento/receita bruta operacional, deveriam ter sido oferecidas à tributação pelo PIS e pela COFINS. Por outro lado, a Recorrente sustenta que a classificação das ações no ativo circulante ou no ativo não circulante, antigo ativo permanente, teria por base a intenção do detentor dos títulos em realizálos ou não no curto prazo. E que teria ficado demonstrado nos autos que a intenção era de permanecer com as ações. Logo, sendo tais títulos integrantes do seu ativo não circulante (permanente, investimentos), a venda não seria tributada, nos termos do art. 3°, § 2°, IV da Lei n° 9.718/98. A DRJ cancelou a autuação por entender, em suma, que classificamse no ativo não circulante os direitos cuja realização não se pretenda que ocorra no curso do exercício social subsequente. Dessa forma, as ações da Bovespa e da BM&F, recebidas em virtude da operação de desmutualização, poderiam ser registradas no ativo circulante ou não circulante, de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. No acórdão recorrido, restou consignado que se negociados após mais de três anos da aquisição, admitese a classificação dos títulos no ativo não circulante, hipótese na qual a receita obtida pode ser excluída da base de cálculo das contribuições sociais, nos termos do art. 3°, § 2°, IV da Lei n° 9.718/98. Cumpre fixar a diferença entre as premissas da fiscalização e da decisão de piso, na análise do presente recurso de ofício. É o que faço a seguir. i) Premissas da Fiscalização: Erro de escrituração imputado pela fiscalização – critério utilizado da disponibilidade e grau de liquidez. E, a irrelevância do tempo de manutenção do ativo para sua classificação como ativo permanente Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 365 20 Aduz a autoridade fiscal que a Recorrente deu às ações BMF Bovespa e Cetip a mesma classificação contábil anteriormente aplicada aos títulos patrimoniais das associações que antecederam a BMF Bovespa S/A e Cetip S/A, a despeito de suas distintas naturezas. Os títulos patrimoniais compunham o ativo permanente – investimentos (atualmente denominado ativo nãocirculante) da autuada, enquanto as ações BMF Bovespa e Cetip deveriam ter sido classificadas como ativo circulante. Observese a fundamentação dada para a classificação das ações no ativo circulante: Da contabilização dos Títulos Patrimoniais O COSIF, Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, inclui os títulos patrimoniais em seu Capítulo 1, item 11, subitem 3 “Outros Investimentos”, 1b. Desta forma, os títulos patrimoniais das bolsas de valores e da Cetip, quando ainda eram associações sem fins lucrativos, deveriam ser contabilizados em conta COSIF do Ativo Permanente – Investimentos. Tal contabilização no ativo permanente (atualmente sob denominação de Ativo não circulante) encontrava respaldo na compulsoriedade da propriedade do título para que seus detentores pudessem operar no ambiente das respectivas associações das quais possuíam os títulos, ou seja, sua titularidade e manutenção estavam diretamente ligados à possibilidade das empresas detentoras poderem continuar atuando no objeto de suas respectivas atividades regularmente. Em mesmo sentido dispõe a Lei 6.404/76 em seu art. 179, III: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa” Destaquese que a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo legal. Da necessária reclassificação quando do recebimento das ações Tanto as ações BMF Bovespa quanto as ações Cetip S/A foram adquiridas pela autuada em virtude do processo de desmutualização, todavia, tais ações não apresentam as características de permanente que possuíam os títulos patrimoniais, o que é reafirmado na alienação que ocorreu das ações quando do resgate das ações preferenciais da BMF Bovespa logo após sua emissão, dada sua disponibilidade e grau de liquidez. Diferente dos títulos patrimoniais, as ações não são condição para que seus detentores operem na agora nova bolsa BMF Bovespa, ou mesmo na Cetip, pelo contrário, são ativos Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 366 21 financeiros comercializáveis livremente em bolsa de valores como qualquer outro, assumindo natureza de ativo circulante. Esta característica de ativo circulante se torna ainda mais marcante no caso das corretoras de valores, em virtude de terem como objeto social a comercialização de ações. Assim, os antigos detentores de títulos patrimoniais passaram a possuir ações que: a) não tinham obrigatoriedade alguma de permanecerem nos ativos de seus detentores, sendo desnecessárias às suas atividades essenciais e compondo o giro do negócio; b) constituemse em papeis de pronta liquidez, dada a livre comercialização em bolsa de valores; c) possuem liquidez incomparavelmente superior à dos títulos patrimoniais, o que já nos orienta a uma diferente classificação contábil em face da ordenação dos ativos em ordem decrescente de liquidez; d) são o principal objeto de comercialização das corretoras de valores. e) constituemse em Instrumentos Financeiros à luz do pronunciamento CPC 14. O CPC 14 traz as seguintes definições: “Instrumento financeiro é qualquer contrato que origine um ativo financeiro para uma entidade e um passivo financeiro ou título patrimonial para outra entidade. Ativo financeiro é qualquer ativo que seja: (a) caixa; (b) título patrimonial de outra entidade; (c) direito contratual” O termo título patrimonial, aqui utilizado no CPC 14 em sentido amplo, abarca também as ações, visto que constituemse em títulos patrimoniais, porém não se confunde com os Títulos Patrimoniais das associações existentes prédesmutualização em sentido estrito, o qual é excepcionado pelo próprio CPC 14 em seu item 2, alínea “d” combinada com alínea “a” do mesmo item. Assim, as características de circulante do ativo (ações BMF Bovespa e Cetip) não são alteradas por terem sido classificadas no ativo permanente ou mesmo pela sua manutenção no ativo por maior ou menor tempo. Vale destacar alguns trechos da Circular Bacen 1273/87, que positiva o COSIF: 2 Escrituração, item 5 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 367 22 “5 – A forma de classificação contábil de quaisquer bens, direitos e obrigações não altera, de forma alguma, as suas características para efeitos fiscais e tributários, que se regem por regulamentação própria.” 5 Classificação das contas “5. Classificação das Contas 1 – Ativo – as contas dispõemse em ordem decrescente de grau de liquidez, nos seguintes grupos: a) Circulante: I – disponibilidades; II – direitos realizáveis no curso dos doze meses seguintes ao balanço; III – aplicações de recursos no pagamento antecipado de despesas de que decorra b) Realizável a Longo Prazo: I – direitos realizáveis após o término dos doze meses subseqüentes ao balanço; II – operações realizadas com sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da instituição que, se autorizadas, não constituam negócios usuais na exploração do objeto social; III – aplicações de recursos no pagamento antecipado de despesas de que decorra obrigação a ser cumprida por terceiros após o término dos doze meses seguintes ao balanço; c) Permanente: 1 – Investimentos: – participações permanentes em outras sociedades, inclusive subsidiárias no exterior; – capital destacado para dependências no exterior; – investimentos por incentivos fiscais; – títulos patrimoniais; – ações e quotas; – outros investimentos de caráter permanente;” Podese depreender dos dispositivos Cosif acima: a) A disposição das contas do ativo se dá em ordem decrescente de liquidez, logo, a abissal diferença de liquidez existente entre os Títulos Patrimoniais de manutenção compulsória pelas corretoras para operarem em bolsa , e as ações BMF Bovespa e Cetip – passiveis de realização imediata em face da possibilidade de comercialização em bolsa de valores sem qualquer óbice , impõe que se dê diferente classificação contábil a esses ativos, devendo as ações serem classificadas em conta Cosif de posição bem acima da usada para os Títulos Patrimoniais no Ativo Permanente, qual seja, no Ativo Circulante; b) Destaquese que o Cosif também elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 368 23 ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo normativo; c) A alusão temporal de máximo de 12 meses, descrito para o Ativo Circulante, referese à capacidade de realização do ativo, o que remete à liquidez inerente ao bem ou direito, e não se confunde com o tempo de permanência do ativo que tenha sido decidido de forma voluntária e discricionária pela empresa. Liquidez é qualidade intrínseca ao bem ou direito em questão, característica distinta do tempo de manutenção do bem ou direito, seja por intenção inicial, seja por se aguardar o momento que a empresa entenda como mais oportuno para a venda. Não fosse assim, uma reserva financeira em caixa e que a empresa só quisesse dispender após mais de 12 meses, não poderia ser classificada no Ativo Circulante, o que seria absurdo em face do caixa possuir realização imediata; d) A classificação no Ativo Circulante não encontra óbice a tempo máximo de permanência com o ativo, mas sim a tempo máximo de possibilidade de realização/liquidez do ativo. A fiscalização distingue ativos circulante e permanente, em função da destinação operacional dos ativos, ou seja, à sua aplicação na atividade ordinária da empresa ou na manutenção desta atividade. Dessa forma, só poderiam ser considerados permanentes aqueles bens e direitos que a empresa manterá em caráter permanente, seja para se obter o controle acionário ou por interesses econômicos, ainda que os possa vender algum dia, e ainda que não se preveja um tempo mínimo para mantêlos. Por outro lado, a contabilização de um determinado bem do ativo circulante ou realizável a longo prazo estaria relacionado ao tempo necessário para sua realização. Será classificado como permanente somente se não enquadrado nos incisos I ou II do art. 179 da Lei n° 6.404/76, e não se destinar à manutenção da atividade da empresa. A partir do que conclui que os elementos objetivos sobrepõemse e tornam secundário, ou mesmo irrelevante, o tempo durante o qual se manteve por mera liberalidade um ativo de pronta realização. Assim, aponta que o registro tanto das ações da Cetip S.A., quanto das BMF/Bovespa, foi equivocadamente considerado na conta 2.1.5.10.005 do subgrupo investimentos, pois se trataram de investimentos sem a característica de permanente, que deveriam ter sido classificados no ativo circulante. No dizeres da fiscalização, a “manutenção deliberada” desses ativos por tempo superior a 12 meses não teria o condão de alterar sua natureza de ativo circulante, dado sua possibilidade de pronta realização, ou seja, os ativos em questão nunca deixaram de ser ativos realizáveis em menos de 12 meses, ainda que tivessem sido realizados em prazo superior por opção da empresa. Aduz que “A Itaú Corretora de Valores S/A não tinha necessidade de manter as ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa no seu ativo permanente, porque após a desmutualização de ambas as associações precedentes extinguiuse a exigência de propriedade de títulos patrimoniais para que se pudesse usufruir dos serviços por elas prestados. Assim, na desmutualização houve uma devolução do patrimônio das entidades Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 369 24 isentas (CETIP Associação e Bovespa Associação) e não uma mera substituição de títulos por ações.” A classificação dessas ações no ativo permanente não seria automática e a alienação desses ativos em 2011 e 2012 não teria o condão de transmutar sua natureza para permanente, pois as negociações efetuadas apenas aguardaram um momento mais oportuno às necessidades de caixa da Autuada e/ou ao valor de mercado dessas ações. Por conseguinte, a classificação correta para essas ações da Cetip S.A. e da BMF/Bovespa seria no ativo circulante, desde 2008, quando foram adquiridas, gerando, consequentemente, receita operacional quando alienadas, que não é passível de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme previsão legal da Lei nº 9.718/98. ii) Premissas da decisão recorrida: Importância dos aspectos volitivos do detentor das ações como parâmetro de classificação contábil dos ativos A decisão de piso consignou que a interpretação para a correta classificação contábil dos ativos deve privilegiar o elemento volitivo em detrimento de uma visão objetiva da legislação. Consequentemente, entendeu que a intenção do agente é determinante na classificação contábil dos ativos adquiridos. O tempo efetivo de manutenção dos ativos no patrimônio da pessoa jurídica constitui também indício da sua correta alocação patrimonial. Observese trecho do voto condutor do acórdão: Lembrese, ainda, que as ações sob foco não foram adquiridas no giro bursátil quotidiano e operacional da autuada, mas passou a integrar seu patrimônio no bojo de operações de natureza societária que transformou entidade da qual participava como membro efetivo. É de se considerar, no mesmo sentido, que as ações sofreram variações positivas e negativas ao longo dos anos em que permaneceram no patrimônio da autuada e, nem por isso, foram alienadas na busca do ganho momentâneo. Portanto, na medida em que as ações cuja alienação se pretende tributar a título de receita foram mantidas por cerca de quatro anos no patrimônio da autuada, é de se concluir que constituíam antes elementos não circulantes que circulantes. Sendo assim, não hão de ser tributados pelas contribuições sociais por expressa determinação legal que retiram os valores provenientes de alienações dessa natureza da base tributável. Ao se optar, nesse voto, pela interpretação que dá relevo à vertente subjetiva da classificação contábil, é importante salientar o inegável fato de que ativos tais como ações, podem tanto ser levados a registro no ativo circulante, quando assumem natureza de aplicação com objetivos de valorização de curto prazo ou mesmo especulativos, quanto no não circulante, hipótese em que representem participação acionária de caráter estratégico ou com vistas à percepção de dividendos. Disso resulta que um mesmo ativo pode assumir dois papéis Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 370 25 patrimoniais distintos, dependentes das decisões da gestão. Daí se conclui que não há, nesse tipo de ativo, uma natureza única, objetiva, que determine sua classificação patrimonial em todos os casos. O grupo patrimonial que irá abrigar as ações adquiridas sempre dependerá da vontade do agente, vontade essa que, a toda evidência, tem caráter subjetivo. Para tal conclusão, a DRJ apoiouse nos seguintes dispositivos normativos: PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 26 (R1) Ativo circulante 66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) esperase que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes. Ofício Circular BOVESPA nº 225/2007 DG, de 18 de setembro de 2007 Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores conta COSIF nº 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: registrar o correspondente valor Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF nº 1.3.1.20.) das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF nº 2.1.5.10.) das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 371 26 Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. e, conforme a sua opção: Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S.A., a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre Ativo Circulante e Ativo Permanente. Parecer Normativo CST nº 108, de 28 de dezembro de 1978 Investimentos: (...) 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle acionário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos – caso haja interesse de permanência – ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido.” (grifamos) Parecer Normativo CST nº 3 de 28 de janeiro de 1980 Procurase examinar a licitude do procedimento, perante a legislação do imposto de renda, das pessoas jurídicas que, obrigadas a promover a correção monetária de contas integrantes do balanço patrimonial (…) pretendem transferir, para o ativo circulante, o valor de bens escriturados em contas do ativo permanente, sob a alegação de que iriam ser destinados à venda. … 8 (…) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados a utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Postos os conceitos e premissas da autuação e da decisão recorrida, passo a expor a posição deste voto. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 372 27 Premissas deste voto Escrituração das ações como ativo circulante ou não circulante A falta de prova da intenção da Recorrente Vários são os louvores que se dá à decisão recorrida. Em primeiro lugar, cita se a distinção que se faz entre o caso ora em comento e os casos “clássicos” sobre o tema julgados neste CARF. A exemplo, cito acórdão recente 3ª Turma da CSRF, que expressa a posição adotada em julgamentos do gênero: Acórdão n° 9303007.409, julgado em 18/09/2018, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento/receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Observase nesse julgado que a classificação em ativo circulante se deu em virtude da venda operada no mesmo ano da aquisição, o que não se observa no presente processo em análise. Em segundo lugar, de fato, as ações recebidas em virtude da desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo, podem ser registradas tanto no ativo circulante ou não circulante, de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Esta Turma já se pronunciou nesse mesmo sentido, no acórdão n° 3301 002.882, de Relatoria do Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira: CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. MANIFESTA INTENÇÃO DE VENDA. ART. 179 DA LEI N° 6.404/76 E PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE". A classificação contábil de um bem deve ser efetuada de acordo com sua natureza e a intenção o não de mantêlo no patrimônio de forma duradoura, à luz da atividade da empresa. Diante dos documentos que comprovam que havia intenção de venda, as ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A deveriam ter sido classificadas no ativo circulante. E a receita da alienação como operacional, integrante do faturamento da instituição financeira e, por conseguinte, tributável pelo PIS e Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 373 28 COFINS. Observância do art. 179 da Lei n° 6.404/76 e do "Princípio da Oportunidade", que é um dos princípios contábeis geralmente aceitos que devem ser adotados, por força do art. 177 da Lei n° 6.404/76, e dos art.2°e 3° da Lei n° 9.718/98. A ressalva que se faz ao voto da DRJ é quanto à conclusão inexorável de que se as ações foram mantidas por cerca de quatro anos no patrimônio da autuada, logo são elementos não circulantes. Entendo que a questão primordial é a prova da intenção de venda, que é ônus da autoridade fiscal. Explico. Encerrada a desmutualização, houve a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding e BM&F venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. No relatório fiscal, a autoridade informou que em 31/12/2007 a autuada possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A – Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$ 1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 – Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. Todavia, a fiscalização não anexou aos autos as provas sobre qual percentual a Recorrente se comprometeu a vender nos IPO ou posteriormente. Observo, em outro processo administrativo, que a Itaú Corretora foi autuada quanto à tributação de receitas obtidas com a venda de ações nos dois últimos meses de 2007, cujo acórdão nº 9303004.182 prescreveu: TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 374 29 Logo, presumese que a Recorrente tenha se comprometido a vender as ações ou parte delas no momento de sua aquisição, mas não há nestes autos a informação de percentual e prazo de efetivação da venda. Não consta nestes autos a fixação de prazos para venda das ações acordadas entre as companhias e seus acionistas ou o quantum disponibilizado das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, para a alienação da integralidade das ações. No acórdão n° 3301002.882 mencionado acima, está clara a necessidade de comprovação documental do intuito da detentora das ações, verifiquese: A intenção ou não de vender um direito determina sua classificação contábil, conforme estabelecido no já transcrito art.179 da Lei n° 6.404/76, a qual, naturalmente, produz reflexos tributários. Em sendo um critério subjetivo, cabe àquele que aplicar a norma a obrigação de encontrar evidências que levem à classificação contábil mais adequada às circunstâncias que se apresentarem. No caso em comento, a Fiscalização concluiu que havia a intenção de venda, com base nos seguintes documentos: "Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações da Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F S/A", "Termo de ReRatificação do Acordo de Acionistas da BM&F S/A" e "CartaMandato enviada à Bovespa pelo HSBC" (fls. 168 e 169). Portanto, não se baseou em "indícios e presunções", porém em documentos em que constam compromissos firmados pela Recorrente. E os fatos de o inc. IV do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98 dispor que as contribuições não incidem sobre receita da venda de bens do ativo permanente e de o STF ter declarado a inconstitucionalidade do § 1° do art 3° da Lei n° 9.718/98, afastando o PIS e a COFINS das receitas que não sejam típicas da atividade do contribuinte, também não a socorrem. Conforme expus no tópico anterior, a Fiscalização concluiu tratarse de venda de direitos classificáveis no ativo circulante, cuja receita de venda era operacional, integrante do faturamento e, assim tributável para fins de PIS e COFINS. E chegou à tal conclusão, baseada nos compromissos de venda firmados pela Recorrente e de tratarse de instituição financeira, em cujo objeto social incluise este tipo de transação. Assim, também neste particular, andou bem a Fiscalização. Diferentemente do precedente desta 1ª Turma, não consta anexado aos autos nenhum instrumento particular de contrato que autorizasse a alienação, no âmbito da oferta inicial ou posteriormente. Não logrou êxito a fiscalização em diligenciar junto ao contribuinte autuado, à Bovespa/BM&F e à CETIP para anexar aos autos a comprovação da existência de instrumentos de assunção de encargos ou documentos equivalentes, firmados por estas entidades e a autuada, que impusessem a disponibilização de quantitativo mínimo de ações recebidas em devolução de capital para realização da oferta pública primária (IPO). Isso com Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 375 30 vistas a permitir o esclarecimento se as alienações lançadas neste auto de infração correspondem ao total alienado, à parcela mínima compromissada ou apenas à parte remanescente. Sendo assim, não há como se afirmar que as ações cujas vendas ocorreram nos anos de 2011 e 2012, foram negociadas anteriormente. A presunção neste caso não é admitida. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à produção de prova pela autoridade fiscal. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações seria incompatível com a pretensa “intenção de permanência”. O desamparo de prova não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante, motivo pelo qual são improcedentes as exigências de PIS e COFINS constituídas nos autos de infração. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722514/2016-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DEPENDENTE
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DEPENDENTE As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 25 14 /2 01 6- 30 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 19), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas com dependentes. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 788,91, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 09 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Depois da ciência, o Contribuinte impugna o lançamento e apresenta documentos comprobatórios, fls. 2/9. O Impugnante protesta pelo restabelecimento de todas as despesas glosadas, pois a depedente é filha incapacitada física ou mental para o trabalho. Menciona que os documentos apresentados comprovam o direito ao restabelecimento das despesas glosadas. Requer a procedência da Impugnação. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 30/05/2017, no acórdão 0375.126, às efls. 41 a 44, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 51 a 95, no qual alega, em resumo, que a senhora Ana Cláudia Lelis Ferreira deve constar como dependente do contribuinte, vez que incapaz. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/07/2017, efls. 48, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 15/08/2017, efls. 51, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 100 3 As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de Fl. 101DF CARF MF 4 serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 101 5 para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Fl. 103DF CARF MF 6 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Com relação aos dependentes, o artigo 77 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 102 7 § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifos nossos). § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). A DRJ glosou as despesas médicas com dependente sob fundamento de que o contribuinte não comprovou a condição de tutor ou curador da dependente, absolutamente incapaz. Contudo, conforme às efls. 07 há certidão de nascimento confirmando que a senhora Ana Cláudia Lelis Ferreira é filha do contribuinte. Fl. 105DF CARF MF 8 Ainda, às efls. 74 há documento do INSS constatando a incapacidade laborativa de sua filha, motivo pelo qual a possível dedução das despesas médicas conforme artigo 77, III acima destacado. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito darlhe provimento para reconhecer a condição de dependente e afastar a glosa das despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.722394/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DOS VALORES COMPROVADOS.
Na análise de saldo negativo de IRPJ o valor do crédito em favor do contribuinte decorre da comprovação dos valores de composição efetivamente aferidos em diligência determinada por este CARF. Reconhecimento parcial das parcelas efetivamente comprovadas.
Numero da decisão: 1401-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento parcial ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DOS VALORES COMPROVADOS. Na análise de saldo negativo de IRPJ o valor do crédito em favor do contribuinte decorre da comprovação dos valores de composição efetivamente aferidos em diligência determinada por este CARF. Reconhecimento parcial das parcelas efetivamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento parcial ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 23 94 /2 01 1- 18 Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.478 2 Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente). Relatório Tendo em vista que o processo, após iniciado o julgamento no âmbito deste CARF, teve o julgamento convertido em diligência, tendo sido baixado à Delegacia de Origem, peço a devida venia aos ilustres colegas de turma para transcrever o relatório que consta da referida resolução de conversão. Tratase de pedido de compensação de créditos decorrentes de suposto saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ do ano calendário de 2004, com valor original de R$ 25.045.033,45, controlados por meio de processos de cobranças de n°10805.722397/201143, n° 10805.722400/2011 29 e n°10735.722517/201183, conforme extratos de fls.168/180. Conforme se denota nas Declarações de Compensação (fls.168/180)a empresa Recorrente “Via Varejo S/A”, atualmente denominada de “GLOBEX UTILIDADES S/A”realizou diversas compensações que foram parcialmente reconhecidas pela autoridade fiscal que chancelou a existência de saldo negativo no montante de R$ 2.252.719,23. Em seu despacho decisório de fls. 401/407, a autoridade esclareceu que sua análise focou em dois pontos, conforme segue: O primeiro enfoque dizia respeito à verificação de comprovação de retenção de tributos analisadas por meio de DIRF’s transmitidas ou comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos do artigo 943, § 2° do Decreto n. 3000/99, bem como da verificação de declaração de tais retenções por meio de DIPJ. Assim, em primeiro lugar, a autoridade fiscal constatou que dos R$ 25.104.024,97 declarados como passíveis de dedução de imposto devido, R$ 22.742.280,50 foram reconhecidos pelos sistemas da RFB ou por meio de comprovantes anuais. Após essa conclusão inicial, a autoridade fiscal passou a verificar se os rendimentos que sofreram retenção de imposto de renda na fonte foram incluídos na DIPJ de 2005. Para tanto, dividiu a análise em rendimentos financeiros e não financeiros. Com relação aos rendimentos não financeiros (fls. 404, quadro II), do total de R$ 266.417,63 declarados como valores retidos de Imposto de Renda(IRRF) somente R$ 112.219,39 foram confirmados por meio de DIRF’s transmitidas Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.479 3 por meio de fontes pagados, não apresentando o contribuinte qualquer comprovante capaz de elidir a conclusão da autoridade fiscal. Já com relação aos rendimentos financeiros, entendeu a autoridade tributária que do total de receitas financeiras de R$ 118.750.879,07, a que seria correspondente o valor de R$ 23.750.175,81 de IRRF aproveitados, apenas R$ 39.117.587,33 haviam sido oferecidos à tributação. Assim, o saldo negativo foi recomposto pela autoridade administrativa, tendo sido reconhecido apenas o montante de R$ 2.252.719,23, resultando, portanto, numa glosa R$ 22.792.314,22. O contribuinte tomou ciência da decisão em 15/12/2012 (fls. 409/410), apresentando manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 412/431), na qual alegou, primeiramente a ocorrência da homologação tácita das seguintes Declarações de Compensação: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Em seguida, contestou a conclusão da autoridade fiscal de que parte das receitas financeiras não haviam sido oferecidas à tributação. Segundo ele, os rendimentos financeiros a que se referia o IRRF no valor total de R$ 21.860.912,48 vinham sendo oferecidos à tributação desde o anocalendário de 2001, ocasião em que foram firmados contratos de investimento com instituições financeiras, sendo todas as apropriações declaradas nos livros razão dos anos de 2001 a 2004. Afirmou também que somente em 2004 tais receitas sofreram retenção, pois haviam sido cedidas a terceiros (empresa Vale Couros Trading S/A). Desta forma, entende ter comprovado o oferecimento destes rendimentos à tributação, rendimentos estes que originaram o IRRF deduzido do IR devido de 2004, principal elemento na constituição do Saldo Negativo em questão. Os julgadores da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas acordaram, por unanimidade, em considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade. Para tanto, consideraram homologadas por decurso de prazo as Declarações de Compensação de abaixo transcritas tendo em vista que entre a data da ciência do Despacho Decisório (ocorrida em 15/10/2012) e a transmissão das declarações (ocorridas até 25/04/2007) transcorreram mais de cinco anos. Assim, foram homologadas as seguintes declarações: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.480 4 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Com relação ao mérito, propriamente dito, afirmou aquela Delegacia de Julgamento que apesar de plausível o argumento de que somente no momento do resgate, transferência ou repactuação é que há retenção de IR nos investimentos financeiros, o Contribuinte não apresentou documentação satisfatória para comprovar a sua tese. Apesar disso, a DRJ buscou nos bancos de dados da RFB as DIPJ’s elaboradas pelo contribuinte desde 2001, a fim de verificar se os investimentos haviam sido informados pelo Contribuinte. E a conclusão a que chegou a DRJ é a de que os valores declarados, em especial na linha “outras receitas Financeiras”é bem superior ao valor informado pelo contribuinte como valor de aplicação financeira. Tais valores, porém, não permitem que se chegue a nenhuma conclusão, pois da mesma forma que os rendimentos questionados poderiam estar inseridos nas declarações, outros rendimentos que não dizem respeito ao presente processo poderiam ser os responsáveis pelos somatórios declarados na DIPJ. Assim, concluindo que o contribuinte não juntou provas suficientes, indeferiu a DRJ o direito creditório e deixou de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616; 28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Por sua vez, o contribuinte apresentou recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento creditório. Nesta fase recursal, alega que teve bastante dificuldades de provar suas alegações, em razão de processos de fusões e aquisições sofridos pela empresa e que dificultaram a obtenção de documentos. Porém, pugna pelo princípio da verdade material para requerer a análise de documentos apresentados após a elaboração da impugnação. Requer também a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72 para verificar a comprovação documental das declarações realizadas. No mérito, propriamente dito reitera as alegações realizadas em primeira instância afirmando que o IRRF aproveitado na formação do saldo negativo provém de receitas financeiras decorrentes de cessão de sete títulos de CDB, ressaltando que as cessões ocorreram em 2004 e a aquisição dos títulos ocorreu em 2001. Afirma que todas as alegações estão lastreadas nos livros razões os quais foram anexados e que todos foram oferecidos à tributação. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.481 5 Com base neste relatório foi convertido o julgamento em diligência a fim de devolver o processo à Delegacia de Origem para a análise da documentação apresentada pelo contribuinte e que não havia sido objeto de análise na decisão da manifestação de inconformidade. Antes mesmo de propor solução do mérito, fazse necessário apreciar a documentação de comprovantes sobre IRRF e outros elementos oferecidos para análise da conta “outras Receitas Financeiras” com o recurso voluntário, uma vez pertinentes ao pedido original do presente processo e que, alegando insuficiência de demonstração não foram apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância, deixando de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Como se tratam de elementos subsidiários relevantes para o conhecimento efetivo da completude dos fatos inicialmente já oferecidos pela Recorrente, é de se propor a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade de origem, conferindo a veracidade da documentação juntada e a pertinência a justificar as declarações supra citadas, emita seu parecer conclusivo sobre a procedência legitimadora, ou não, dos documentos suplementares juntados e acolhidos nesta instância recursal, para efeito de decomposição das receitas financeiras e constatação da correção, ou não, do pedido da Recorrente, no que se refere as declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Abrase vista para a Recorrente, depois, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após o que, retorne os autos com as conclusões e prosseguimento do julgamento. Na realização da diligência a empresa foi intimada a apresentar documentos comprobatórios do direito de crédito que alega possuir. Respondeu apresentado as justificativas e documentação a fim de demonstrar que os valores das receitas financeiras foram efetivamente oferecidos à tributação em anos anteriores. De posse da documentação apresentada e dos dados do processo a fiscalização emitiu informação fiscal na qual reconheceu a maior parte do crédito, de acordo com o demonstrado nos registros contábeis da empresa nos seguintes termos: Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.482 6 1. Do I mposto de R enda R etido na F onte pela P essoa J urídica Vale Couros Trading S/A – CNPJ 91.489.542/000125 ............. No Recurso Voluntário, a interessada apresentou as planilhas de fls.930/935 e os razões contábeis de fls.986/1.107, referentes ao período de novembro de 2001 a dezembro de 2004. Após serem confrontados os valores constantes das planilhas com os valores constantes dos razões contábeis e ainda, com os valores constantes do Livro Diário referente aos meses de janeiro a junho de 2004 (fls.1.338/1.387), nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados, devendo o IRRF anteriormente glosado, no valor de R$ 16.003.208,83, ser incluído na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. 2. Do Imposto de Renda Retido na Fonte pela Pessoa Jurídica Banco Citibank S/A – CNPJ 33.479.023/000180 .......... No Recurso Voluntário, a interessada apresentou a planilha de fls.939/941 e os razões contábeis de fls.1.114/1.137, referentes ao período de março de 2002 a dezembro de 2004. Após serem confrontados os valores constantes da planilha com os valores constantes dos razões contábeis e ainda, com os valores constantes do Livro Diário referente aos meses de janeiro a junho de 2004 (fls.1.338/1.387), nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados, devendo o IRRF anteriormente glosado, no valor de R$ 5.204.564,39, ser incluído na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. E ao final concluiu que: 3. Conclusão Com a inclusão do valor de R$ 21.207.773,22 (R$ 16.003.208,83 + R$ 5.204.564,39) relativo ao IRRF, o saldo negativo de IRPJ de 31.12.2004, foi recalculado, resultando no valor de R$ 23.460.492,45: Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.483 7 A diferença de R$ 1.584.541,00 entre o valor do saldo negativo de IRPJ encontrado (R$ 23.460.492,45) e o valor pleiteado pela interessada (R$ 25.045.033,45) consiste nas seguintes parcelas: • R$ 1.430.342,73 referentes à diferença entre o IR retido na fonte pela empresa Banco Citibank S/A, declarado pela interessada na Ficha 53 da DIPJ 2005 (R$ 6.634.907,12) e o valor informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 5.204.564,39); • R$ 154.198,24 referentes ao IR retido na fonte sobre receitas não financeiras, não comprovado em DIRF, conforme discriminado nos quadros I e II do Despacho Decisório de fls.401/407. Diante do exposto, tendo sido prestadas as informações solicitadas, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguir o julgamento. Cientificado das informações apresentadas em diligência o contribuinte se manifestou, requerendo o reconhecimento de um valor um pouco maior relativo aos rendimentos do Citibank. Assim se pronunuciou: É o relatório. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.484 8 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo, assim dele tomo conhecimento. Na análise do presente processo verificase que, com a realização da diligência determinada pela antiga turma julgadora do CARF, foram esclarecidos praticamente todas as dúvidas antes existentes no processo. Após a realização da diligência a fiscalização da receita federal reconheceu os seguintes valores em favor do contribuinte de acordo com o verificado nos livros e registros contábeis do contribuinte: Em relação a dois itens, abaixo discriminados, a fiscalização deixou de reconhecer integralmente o valor pleiteado pela empresa em razão de entender que, dos registros contábeis apresentados, não constavam os valores de retenção e oferecimento à tributação pretendidos pela empresa. Segue o texto da fiscalização: A diferença de R$ 1.584.541,00 entre o valor do saldo negativo de IRPJ encontrado (R$ 23.460.492,45) e o valor pleiteado pela interessada (R$ 25.045.033,45) consiste nas seguintes parcelas: • R$ 1.430.342,73 referentes à diferença entre o IR retido na fonte pela empresa Banco Citibank S/A, declarado pela interessada na Ficha 53 da DIPJ 2005 (R$ 6.634.907,12) e o valor informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 5.204.564,39); • R$ 154.198,24 referentes ao IR retido na fonte sobre receitas não financeiras, não comprovado em DIRF, conforme discriminado nos quadros I e II do Despacho Decisório de fls.401/407. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.485 9 A recorrente, tomando conhecimento da informação apresentada pela fiscalização pretende aumentar o valor do crédito reconhecido apenas em relação ao Banco Citibank, para o montante de R$ 5.462.113,32, por alegar que, conforme os anexos de números 32 a 41 do recurso voluntário os valores dos créditos estariam devidamente comprovados. Assim, a dúvida em relação aos valores reconhecidos pela fiscalização e o pretendido pelo recorrente prendese apenas por mais de R$ 250.000,00 de IRRF que a empresa alega estar comprovado. Para se evitar novo envio à diligência, possuindo conhecimentos neste tipo de assunto, analisei a documentação constante dos anexos 32 a 41 do recurso voluntário. Constatei que no anexo 31 a recorrente apresenta contrato firmado com o Banco Citibank relativo à proteção cambial relativa à contratos de emissão de Fixed Rate Notes (FRN's) que deveriam ser pagos pela empresa. Assim, em tese, os valores dos rendimentos auferidos pela empresa em relação a este contrato decorreriam dos ganhos de variação cambial do contrato firmado. Ora, consultando os anexos informados pela empresa verificase que constavam não só anexos com contas do razão relativas à ganhos cambiais, como também contas relativas a ganhos com juros e rendimentos de aplicação financeira de renda fixa. Mais ainda, compulsando os referidos anexos, que não contém muitas páginas, não se consegue determinar o montante do rendimento e retenções na fonte que o contribuinte alega existirem e comprovarem seu direito. Existem apenas diversas totalizações de valores que não conferem, no somatório, com os rendimentos e retenções pretendidos pela empresa. Assim, não existindo a efetiva comprovação clara dos valores de retenção e respectiva tributação de rendimentos da forma como pretendida pela empresa, entendo que deve prevalecer o valor de crédito informado pela fiscalização em sua diligência. Destaquese que, em sede de sustentação oral o patrono do recorrente indicou que o valor do crédito, neste caso, poderia ser apurado pela aplicação da alíquota do imposto proporcionalmente aos valores totais tributados/retidos. Em razão desta argumentação há de se indicar, conforme já apresentado quando do julgamento, que as retenções na fonte não podem ser apuradas desta forma. Presumese, de antemão, que as alíquotas aplicadas pelas instituições financeiras são fixas e, assim, aplicandose a alíquota às retenções obterseia a proporção ideal do valor das retenções. Infelizmente não é bem isso o que ocorre na prática. Diversos são os casos em que as alíquotas aplicadas pelas instituições para as retenções na fonte variam. Por isso, e de acordo com as normas do Regulamento do Imposto de Renda, exigese que os valores de retenção na fonte utilizados pela empresa na composição dos créditos (dedução do IR devido) sejam baseados nos comprovantes de rendimentos apresentados pelos beneficiários. Não havendo comprovante específico no caso que abarque todo o valor apresentado pela empresa, os registros contábeis tanto do oferecimento da renda, quanto das retenções a eles relativas tem de apresentar, sem qualquer dúvida, os exatos valores computados pela empresa, sob pena de não reconhecimento da parcela do direito que não restar comprovada, como ocorreu, em parte, no presente caso. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.486 10 Desta forma, oriento meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13153.720181/2017-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 72 01 81 /2 01 7- 49 Fl. 136DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.134,79, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 15 dos autos, na qual a contribuinte alega que foram prestados os serviços pelo profissional Fábio Argenta, no importe de R$26.000,00, motivo pelo qual a glosa da despesa médica deve ser afastada. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que por unanimidade, em 22/09/2017, no acórdão 1157.759, às efls. 38 a , julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 133 a 154, no qual alega, em resumo, que os documentos juntados e os recibos emitidos pelo profissional são provas hábeis a comprovar as despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 06/10/2017, efls. 45, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 31/10/2017, efls. 48, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas havidas com o profissional Fábio Argenta, no importe de R$ 26.000,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13153.720181/201749 Acórdão n.º 2002000.370 S2C0T2 Fl. 137 3 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Fl. 138DF CARF MF 4 Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13153.720181/201749 Acórdão n.º 2002000.370 S2C0T2 Fl. 138 5 Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Fl. 140DF CARF MF 6 Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às efls. 57 está juntado o recibo com profissional constatando o recebimento do valor de R$ 26.000,00. Às efls. 75 a 98 há histórico de consultas da contribuinte, com diversas solicitações de exames. Ainda, há alegações de erro no preenchimento da DAA do profissional Fábio Argenta, motivo pelo qual a DRJ analisou a declaração do médico e constatou que ele não declarou os valores recebidos da contribuinte. Ora, o senhor Fábio Argenta não compõem a presente lide, de forma que a prova do pagamento tem que ser feita pela contribuinte autuada. Caso o profissional não tenha declarado tais rendimentos, deve ser alvo de fiscalização pela Receita Federal do Brasil. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento para afastar a glosa das despesas médicas. (assinado digitalmente) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13153.720181/201749 Acórdão n.º 2002000.370 S2C0T2 Fl. 139 7 Thiago Duca Amoni Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903179/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 79 /2 00 9- 83 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903179/200983 Acórdão n.º 1402003.378 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903179/200983 Acórdão n.º 1402003.378 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903179/200983 Acórdão n.º 1402003.378 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.908727/2012-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3001-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
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JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o Programa de Integração Social PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 27 /2 01 2- 59 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10580.908727/201259 Acórdão n.º 3001000.530 S3C0T1 Fl. 526 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1467.520, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 20.06.2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 25460.33514.251111.1.3.040011. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 54 a 58), verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 28/02/2010, no valor de R$ 32.118,63, transmitida através do PER/Dcomp nº 25460.33514.251111.1.3.040011. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 41, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 44), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10580.908727/201259 Acórdão n.º 3001000.530 S3C0T1 Fl. 527 3 A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO" (efl. 61), conheceu do teor do acórdão vergastado em 20.07.2017, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 17.08.2017, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 63/64), registra a juntada do presente recurso voluntário (efls. 65 a 73), acompanhado dos anexos 01 a 05 (efls. 74 a 523). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão. Nesta referida petição recursal limitase a repisar os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, e apresenta, dentre outros, o denominado "anexo 05", que tratase da "RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO" , referente ao mês fevereiro de 2010, extraído em 21.03.2011. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento, reconhecendose seu direito creditório e homologandose a compensação objeto do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 28.08.2017 (efl. 524), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10580.908727/201259 Acórdão n.º 3001000.530 S3C0T1 Fl. 528 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 17.08.2017, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 20.07.2017; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10580.908727/201259 Acórdão n.º 3001000.530 S3C0T1 Fl. 529 5 pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720014/2017-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COFINS. MULTA Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor total de R$ 18.459.483,20. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, sendo o primeiro deles de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS e o segundo de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (fls. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 01 4/ 20 17 -5 7 Fl. 11198DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.199 2 7.399/7.442), em decorrência da constituição indevida de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno, insuficiência de recolhimento das contribuições em virtude das infrações apuradas, omissão de receitas sujeitas ao PIS e à COFINS, tudo conforme Relatório de Fiscalização (fls. 7.443/7.508). Os fatos geradores das infrações apuradas se encontram nos Autos de Infração de cada uma das contribuições (PIS e COFINS). Depois de formalizados, cada um dos autos totalizou, respectivamente o montante a pagar de R$ 3.292.773,25 (R$ 1.536.561,19 de PIS; R$ 603.791,23 de juros de mora e R$ 1.152.420,83 de multa proporcional) e R$ 15.166.709,95 (R$ 7.077.492,13 de COFINS; R$ 2.781.098,78 de juros de mora e R$ 5.308.119,04 de multa proporcional). A autoridade fiscal, além de relacionar os fatos geradores correspondentes às infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Relatório de Fiscalização ( fls. 7.443/7.508), que pode ser assim resumido: O contribuinte ..., foi submetido a procedimento fiscal, ..., com vistas a verificar a regularidade dos créditos aproveitados de PIS e COFINS decorrentes da não cumulatividade, para os períodos ... 01/2013 a 06/2015, e do PIS e COFINS incidente sobre receitas de baixa de obrigações de IPI, para os períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014, resultando na constatação: do aproveitamento indevido de créditos ... na aquisição de bens e serviços utilizados para desconto das contribuições apuradas ou nos pedidos de ressarcimento de créditos ...; e na falta de oferecimento à tributação de receitas decorrente de baixa de obrigações de IPI. As glosas de créditos de PIS e COFINS, ..., e as diferenças de PIS e COFINS a recolher ..., foram constituídas de ofício no eprocesso de controle nº 15940.720014/201757. O contribuinte realizou os pedidos de ressarcimento ... relativos a créditos vinculados às receitas de exportação e no mercado interno, através de pedidos eletrônicos e em papel, conforme relação abaixo, que foram objeto de verificação e de glosa de créditos. Os pedidos de ressarcimento referente a créditos de PIS e COFINS no mercado interno apurados até dezembro de 2013 com base no artigo 1º, §7º, da Lei nº 12.859 de 2013, foram feitos em papel tendo em vista que o aplicativo PER/DCOMP não o contemplava. (...) II INFRAÇÕES APURADAS a) Não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher Período de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014) (...) A fiscalizada não ofereceu à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, contabilizadas em conta de passivo no grupo de obrigação tributária Fl. 11199DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.200 3 sob o título de "IPI (a partir de 17/11/1997)", por perda do direito do fisco em cobrálas (vide Anexo IX do Relatório de Fiscalização). O contribuinte foi intimado, por meio do TDF nº 01, ... Em resposta, ... alegou tratarse de reversões de provisões contábeis que não representam ingresso de nova receita, nos seguintes termos: Item 8 "Justificar, com apresentação de documentação hábil e idônea, por que não foi oferecido à tributação do PIS e COFINS as receitas operacionais decorrentes de baixa de IPI PRESCRITO em 30/04/2012 nos valores de R$ 9.201.433,27, R$ 25.439.887,18 e R$ 1.751.939,61. Apresentar a memória de cálculo do IPI S/ AÇÚCAR prescrito nos anos de 2012, 2013, 2014 e 2015 (Período original, Valor do Faturamento, Base de Cálculo, Alíquota do IPI, Valor do principal do IPI, Juros, Valor atualizado até a baixa)." Resposta: Segue em mídia DVD arquivo excel, "IPI PRESCRITO", contendo a memória de cálculo do IPI sobre o açúcar prescritos nos anos de 2012, 2013 e 2014. Para o exercício de 2015 não houve registro de reversão por prescrição. Em relação aos valores creditados no resultado contábil, esclarecemos que se tratam de reversões de provisões constituídas apenas para fins de auditoria. A empresa entende não ser devido o IPI na sua operação, motivo pelo qual esse imposto não foi destacado em nota fiscal, tampouco lançado em sua obrigação acessória (DCTF). Por representar mera reversão de provisão contábil e não representar ingresso de nova receita, nos termos da alínea "b", inciso V, parágrafo 3º do artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, o entendimento da empresa, ..., é que a reversão da provisão não deve integrar a base de cálculos das contribuições. Ao examinarse a contabilidade ..., constatase que o contribuinte reconhecia periodicamente para cada estabelecimento industrial o IPI devido com aplicação da alíquota de 5% sobre a saída de açúcar industrializado, bem como reconhecia mensalmente os juros SELIC devidos pelo atraso no pagamento (vide Anexo IX ... e ... Anexo XI). Os valores apurados de IPI foram registrados na conta do passivo "IPI (a partir de 17/11/1997)", conta nº 22030201. No entanto, o contribuinte deixava de declarar em DCTF e de recolher o IPI devido. À medida que acontecia a perda do direito do Fisco de fazer a cobrança dos débitos de IPI contabilizados, a fiscalizada sistematicamente realizava a baixa das obrigações tributárias não pagas em contrapartida de outras receitas operacionais, sucessivamente ano após ano, conforme demonstrado ... detalhadamente nos lançamentos contábeis do Anexo IX do Relatório ... A fiscalizada deu a saída de açúcar sujeito à alíquota de 5% de IPI dos estabelecimentos fabris nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 no montante de R$ 212.872.895,39, R$459.492.838,72 e R$ 490.808.263,94 ... O contribuinte calculou o IPI devido com aplicação da alíquota de 5% (vide Anexo XI...) e ... registrou na contabilidade segregadamente para cada estabelecimento fabril a obrigação de IPI a recolher em contrapartida do reconhecimento de despesas de IPI (vide Anexo IX). Fl. 11200DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.201 4 A contabilização ... do IPI incidente na saída de açúcares ..., nos anos de 2006, 2007 e início de 2008, era feito debitandose o IPI em conta de resultado, sob o título "() IPI s/Açúcar", e creditandose a conta de IPI a recolher do passivo "IPI (a partir de 17/11/1997)" (vide IX do Relatório de Fiscalização). Isto é, o IPI incidente na venda de açúcar foi deduzido na apuração do lucro líquido e não foi adicionado na determinação do lucro real, conforme declarado pelo contribuinte e demonstrado no LALUR, ficando demonstrado não se tratar de provisão, mas de uma verdadeira obrigação de IPI perante o fisco. ... o contribuinte declarou que as despesas com IPI relacionadas no Anexo I do TDF n° 02, referente ao período de 01 de janeiro de 2006 a 17 de abril de 2008, foram reconhecidas contabilmente como despesa e não foram adicionadas no LALUR. Acrescentou que por ocasião do registro da prescrição em conta de receitas (31101002 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS), também demonstrado no Anexo I da referida intimação, não foram excluídas no LALUR. As receitas obtidas com a baixa das obrigações do IPI a pagar deveriam ser oferecidas à tributação das contribuições para o PIS e COFINS assim como foram oferecidas à tributação do IRPJ. As outras receitas operacionais, incluídas as receitas da baixa do IPI a recolher (lançado como baixa de IPI Prescrito), reconhecidas na conta contábil sintética 31100000, denominada "Outras Receitas Operacionais", foram lançadas na DIPJ dos anoscalendário 2012 e 2013 na ficha 06A Demonstração do Resultado, linha 43 Outras Receitas Operacionais (Vide Anexo X do Relatório de Fiscalização e DIPJ). No presente caso, há extinção de um passivo (obrigação) sem o desaparecimento concomitante de um ativo, de igual ou superior valor, constituindo um acréscimo patrimonial. Logo, a baixa da dívida há de ser reconhecida como nova receita. Quando ocorre a baixa da obrigação, é inegável que há um acréscimo patrimonial por parte da devedora, pois desaparece tãosomente um passivo (obrigação). Por certo, a contrapartida do lançamento contábil em que ocorre a baixa da obrigação é uma conta de resultado credora (receita operacional), como se depreende dos lançamentos contábeis do SPED detalhados nos Anexos IX e X do Relatório de Fiscalização ou nos lançamentos resumidos no Quadro 1. O Anexo XI do Relatório de Fiscalização (alternativamente vide planilha ... fornecida pelo contribuinte em resposta ao TDF nº 01) demonstra a memória de cálculo do IPI a recolher e os ... juros ... Selic ... até a ... da baixa da obrigação. Ao se examinar as notas fiscais em papel emitidas ... no ano de 2007 disponíveis no processo 15940.720050/201125 (vide ... fls. 875 a 1424 e 1491 a 1512 do eprocesso nº 15940.720050/201125), bem como as notas fiscais eletrônicas disponíveis na base do SPED emitidas até abril de 2008 (vide campo Observações das Notas Fiscais eletrônicas relacionadas no Anexo XII do Relatório de Fiscalização), verificase que a fiscalizada até o período de apuração 04/2008 dava saída do açúcar com IPI alíquota zero e declarava expressamente ter respaldo na sentença proferida pelo ... juízo da 1° vara da justiça federal de Presidente PrudenteSP nos autos do processo 97.120.49280, Fl. 11201DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.202 5 conforme ... trechos das notas fiscais anexadas ilustrativamente a seguir. Além disso, a fiscalizada publicava, em jornal, os balanços patrimoniais da empresa que informavam sucessivamente que a cobrança do IPI a recolher estava suspensa por ... liminar ... (vide balanços ... anexos ao TIF nº 06)... A discussão judicial acerca do IPI incidente sobre o açúcar teve início ... com a impetração de mandado de segurança ... no ano de 1997, processo de origem nº 97.120.49280 ... O Tribunal Regional Federal da 3º Região, em 25/07/2007, revogou a liminar e decidiu que é devido o IPI incidente sobre o açúcar de cana ... Conforme resposta do contribuinte ao TIF nº 6, os recursos extraordinário e especial não foram conhecidos pelo STF e STJ, respectivamente. ... apesar do contribuinte estar obrigado a recolher o IPI incidente sobre o açúcar, por força da legislação, bem como por força de decisão judicial que julgou o IPI como devido, deixou de fazer o recolhimento do ... saldo de IPI lançado como despesas no período. Conforme o balanço patrimonial de 2007, o contribuinte tinha a obrigação de recolher ... mais de 114 milhões de reais de IPI de anos anteriores. Porém, contrariando a decisão judicial e a legislação, ... optou por baixar a obrigação de IPI gradualmente da contabilidade e não fazer os pagamentos. ... cabe registrar que a Receita ... já autou algumas vezes a fiscalizada pela falta de recolhimento do IPI incidente na saída do açúcar. O processo administrativo nº 10.835.001763/9912 ... tratou de cobrança do IPI sobre a saída de açúcar, ... Segundo a fiscalização, conquanto a usina tenha obtido sentença favorável em mandado de segurança, prolatada em 08/09/1997, no sentido de impedir a autuação pelo não recolhimento do IPI, com base no Decreto nº 2.092, de 1996; teriam ocorrido alterações supervenientes na legislação com o advento da Lei nº 9.493, ... de 1997 e Lei nº 9.532, ... de 1997, que autorizariam a exigência do imposto. A DRJ apreciando a impugnação do contribuinte, julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário .... O Conselho de Contribuintes, apreciando o Recurso Voluntário ... manteve a decisão da DRJ ... ... também foi lavrado ... Auto de Infração para exigir o IPI incidente sobre a saída de açúcar à alíquota de 5%, conforme TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, ... de 2006 ... Mesmo sem nenhuma decisão judicial favorável, o contribuinte deu saída ao açúcar de cana sem o destaque do IPI devido, sem o recolhimento e declaração em DCTF. O IPI do período de 04/2008 a 12/2008 foi lançado com exigibilidade suspensa tendo em vista a existência de depósitos judiciais e não declarados em DCTF. O lançamento do IPI do PA 04/2008 a 12/2008 é objeto do processo administrativo nº 10.950.724.668/201121... O Carf reconheceu a concomitância de objeto entre ação judicial e o processo ... nº 10950.724668/201121, implicando na negativa do conhecimento do recurso voluntário em relação à matéria judicialmente discutida. Fl. 11202DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.203 6 O Carf ainda no processo ..., acórdão nº 3401003.149, examinando argumento do contribuinte afirmando que em processo ... anterior similar nº 10835.001763/9912 foi negada a existência de concomitância de objeto com o mesmo Mandado de Segurança, discordou de decisão do acórdão nº 120.891... Desta forma, é irrefutável o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade, no caso econômica) por parte da devedora (fiscalizada), do qual há o inexorável surgimento de capacidade contributiva objetiva. A tal fato dáse o nome de "insubsistência do passivo" (desaparecimento de uma obrigação, constante do Passivo), que é um fato modificativo aumentativo do patrimônio (aumento de disponibilidade de recursos acréscimo patrimonial sem obrigação comutativa)... Atualmente, esse tema consta da Norma Brasileira de Contabilidade (Técnica) NBC TG ... Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro, aprovada pela Resolução CFC nº 1.374, ... de 2011. Convém transcrever ... o seu item 4.47...: Reconhecimento de receitas 4.47. A receita deve ser reconhecida na demonstração do resultado quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com diminuição de passivo, e puder ser mensurado com confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento do aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo, o aumento líquido nos ativos originado da venda de bens e serviços ou o decréscimo do passivo originado do perdão de dívida a ser paga). (grifouse) A fiscalizada optou por não pagar os débitos decaídos do IPI devido (descritos no histórico dos lançamentos contábeis como baixa de IPI prescrito), lançandose a débito de obrigações tributárias e a crédito de receitas operacionais, contudo deixou de oferecer essas receitas à tributação das contribuições para o PIS e COFINS. As obrigações do IPI sobre saídas de açúcar em discussão neste Auto de Infração surgiram nos PA 01/2006 a 04/2008, conforme demonstra o Anexo XI ... As amostras de notas fiscais emitidas no ano de 2007 para a saída de açúcar ... fls. 875 a 1424 e 1491 a 1512 do eprocesso nº 15940720050/201125 e ... do Anexo XII ... comprovam ... que as saídas de açúcar com suspensão até abril de 2008 ocorreram sob a égide do mandado de segurança nº 97.120049280, que a justiça decidiu em decisão transitada em julgado (vide resposta TIF nº06) ser devido o IPI. Verificase que a extinção do passivo IPI a pagar/recolher sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior significa realização de uma nova receita. ... O saldo da obrigação ... IPI a recolher deve ser apropriado como receita, uma vez que tais valores não serão mais recolhidos pela fiscalizada, perdendo suas características intrínsecas de passivo. ... concluise que a baixa de obrigações do IPI pela falta de pagamento/recolhimento constitui uma receita tributável das Fl. 11203DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.204 7 contribuições para o PIS e COFINS, cabendo o lançamento de ofício para cobrança das diferenças devidas especificadas no Quadro 1 acima. b) Glosa de créditos calculados sobre dispêndios no cultivo da canade açúcar (Período de apuração 01/2013 a 06/2015) A fiscalizada aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS calculados sobre dispêndios relativos ao cultivo da canadeaçúcar destinada à produção própria de açúcar e álcool. Estes dispêndios referemse à aquisição de óleos, graxas e serviços (vide Anexo I ...1) utilizados em atividades fora da indústria ... Apenas se consideram insumos, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade ..., os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. ... a legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ..., o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. ... Não são considerados insumos, para fins de creditamento ..., bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo. Por isso, não é passível de creditamento os gastos com óleos, graxas e serviços utilizados em atividades fora da indústria relacionados à lavoura de cana ... A solução de Divergência nº 07 Cosit, ... de 2016, tratando de questionamento de outro contribuinte (pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento) cuja situação assemelhase ao ... fiscalizado (objeto social de fabricação de açúcar em bruto; fabricação de açúcar de cana refinado; fabricação de álcool; geração de energia elétrica; cultivo de canadeaçúcar etc.), dispôs sobre o direito de creditamento de PIS/COFINS relativo a diversos itens cujos trechos da fundamentação são transcritos a seguir. 12. Conforme se observa, apenas se consideram insumo, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade ... para o PIS/Pasep e ... Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. 13. Em outras palavras, entendese que a legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ..., o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. Exatamente por esta característica, parcela dos estudiosos denomina este critério de critério físico ou crédito físico. 15.No caso de bens consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço Fl. 11204DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.205 8 ..., ressaltase que o fator relevante para a concessão de créditos é a ocorrência de alterações materiais em razão de ação diretamente exercida sobre o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço e não a ocorrência de contato físico entre estes e os referidos bens consumidos. 24. No outro extremo ..., verificase que não são considerados insumos, para fins de creditamento ..., bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ..., tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 34. Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. protagonizam a elaboração do açúcar ou álcool a ser vendido são considerados insumos para fins de creditamento ... A solução de Divergência nº 07 Cosit, ... de 2016, ... , deixa claro que não podem ser considerados insumos do processo produtivo combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados em atividades de transporte exercidas em processos acessórios ou indiretos em relação à produção de bens para venda ou à prestação de serviços: 98.Passase à análise ... de itens em relação aos quais a recorrente afirma haver divergência interpretativa: XIII. combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas e equipamentos de produção, nos veículos de transporte interno de insumos e produtos em elaboração no processo de produção, no transporte de matéria prima entre unidades de produção (florestamentos e reflorestamentos e a planta industrial) e nos veículos utilizados no serviço de transporte de insumos entre o fornecedor e a Consulente (item "q") 99. Conforme concluído na introdução ..., somente são considerados insumos do processo produtivo combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos que promovem a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços a público externo. 100. Diferentemente, não podem ser considerados insumos do processo produtivo combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados em atividades de transporte exercidas em processos acessórios ou indiretos em relação à produção de bens para venda ou à prestação de serviços. Fl. 11205DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.206 9 101. ... quanto àqueles referidos no item XIII, concluise que: a) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para a venda são considerados insumos, possibilitando o creditamento em relação a suas aquisições; b) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, para transporte de insumos e produtos em elaboração são considerados insumos, possibilitando o creditamento em relação a tais aquisições; c) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica(unidades de produção) não são considerados insumos, inexistindo direito de creditamento em relação a tais aquisições; d) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de insumos entre o fornecedor e o adquirente não são considerados insumos, inexistindo direito de creditamento em relação atais aquisições.(grifouse) A legislação das contribuições para o PIS e COFINS exige, para configuração da relação insumoproduto, que o serviço seja utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, forçoso concluir que não há direito de creditamento em relação aos serviços tomados descritos resumidamente a seguir (vide Anexo I ...), que constituem insumos indiretos à produção do açúcar e do álcool, pois vertem sua utilidade em etapa acessória da produção. PROJETO VINHACA/IRRIGACAO SERVICO APLICACAO ADUBO DIVERSOS 35. Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36. Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 45. Diante disso, constatase que não procede a interpretação defendida por alguns de que o termo insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins abrangeria todos os custos de produção da pessoa jurídica, pois, como visto, os custos de produção a que a legislação das contribuições pretendeu conceder creditamento foram expressamente listados. O óleo diesel, óleo e graxa praticamente não é consumido nas máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção do açúcar e álcool destinado à venda, mas sim quase na integralidade é consumido nas atividades da lavoura da cana de açúcar. Assim, não são considerados insumos do processo produtivo óleos diesel, óleos e Fl. 11206DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.207 10 graxas consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados em atividades de transporte exercidas em processos acessórios ou indiretos em relação à produção do açúcar e álcool destinado à venda, ou seja, é vedado o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre a aquisição de óleo diesel, óleos e graxas, que são aplicados principalmente nas diversas atividades ligadas à lavoura de cana de açúcar. Somente a parte do óleo diesel, óleo e graxa consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que SERVICO APLICACAO AEREA FERTILIZANTES SERVICO APLICACAO AEREA HERBICIDA SERVICO APLICACAO AEREA INSETICIDA... A solução de Divergência nº 07 Cosit, ... de 2016, esclarece que é vedado o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre insumos indiretos a sua produção, pois vertem sua utilidade em etapa acessória da produção... : XVII. serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira (insumos) de seus florestamentos e reflorestamentos (item "z") 114. Conforme concluído nos itens I a IV, serviços utilizados pela recorrente nas atividades de florestamento e reflorestamento constituem insumos indiretos a sua produção, pois vertem sua utilidade em etapa acessória da produção. 115. Assim, considerando que a legislação das contribuições exige, para configuração da relação insumoproduto, que o serviço seja utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, forçoso concluir que não há direito de creditamento em relação aos serviços descritos no item XVII. Quanto a canadeaçúcar utilizada na fabricação de açúcar e álcool, convém registrar que, nem mesmo se a fiscalizada adquirisse de terceiros, os dispêndios com sua aquisição ensejariam apuração de créditos ... com base no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, uma vez que, tanto por previsão do art. 11, caput, da Lei nº 11.727, de 2008, como do art. 9º, III, da Lei nº 10.925, de 2004, essa aquisição deve se dar com suspensão das contribuições em discussão, o que inviabiliza apuração de créditos, com fundamento no art.3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, pelo comprador, devido expressa vedação à apuração de créditos prevista no art. 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Não há impedimento, porém, à apuração de créditos presumidos, nos termos do art. 8º, §1º, III, da Lei nº 10.925/2004 (alíquota para o PIS, de 0,5775%, e COFINS, de 2,66%), na medida em que tal canadeaçúcar adquirida for destinada à fabricação de açúcar, inexistindo previsão legal para cálculo de crédito presumido sobre canadeaçúcar destinada à fabricação de álcool. Solução de Consulta nº 29 SRRF03/Disit, ... de 2012. "(...) Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. (... ) Ainda que a canade açúcar seja matéria prima necessária à fabricação do açúcar e do álcool, a opção por cultivar a própria cana não torna esse cultivo parte do Fl. 11207DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.208 11 processo de produção de açúcar e de álcool. Aquele cultivo compõe, simplesmente, parte da cadeia econômica dos produtos finais citados. Cultivar o vegetal é, na verdade, um outro processo, que resulta em um produto específico, a canadeaçúcar (...)."Solução de Consulta nº 269 SRRF08/Disit, ... de 2012. "(...) Os dispêndios efetuados por pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração nãocumulativo da contribuição para o PIS/Pasep, fabricante de açúcar e álcool, com a aquisição de combustíveis que utiliza em máquinas, equipamentos e veículos que não emprega nos processos de industrialização dos quais resultam tais mercadorias não se caracterizam, para fins de apuração de créditos ..., o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, sim, apenas como aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na industrialização do produto. 17.1 ... em relação à parcela da base de cálculo ... composta pelas receitas advindas da atividade de fabricação de açúcar e de álcool para venda, seus dispêndios efetuados com a aquisição de combustíveis que utiliza em máquinas, equipamentos e veículos não empregados nos processos de industrialização dos quais resultam açúcar e álcool não se caracterizam, para fins de apuração de créditos na forma do art.3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, como dispêndios com insumos utilizados na fabricação desses produtos, e, portanto, não ensejam direito à apuração de créditos ... 17.2 Notese que, tanto atividades agrícolas como a atividade de transporte de matériasprimas, seja este realizado entre diferentes núcleos dentro do estabelecimento da consulente e as instalações fabris nele localizadas, seja ele entre diferentes estabelecimentos da empresa, em nada se confundem com a atividade de fabricação de açúcar e de álcool, isto é, com as operações fabris das quais de fato se originam tais mercadorias. 17.3 Assim sendo, em relação à parcela de sua base de cálculo composta pelas receitas advindas da atividade de fabricação de açúcar e de álcool para venda, não lhe ensejam apuração de créditos os dispêndios realizados pela consulente tanto em atividades agrícolas como em atividade de transporte de matériasprimas, sendo irrelevante se este transporte é realizado por frota própria ou por pessoa jurídica contratada para execução desse serviço.(... ) " Solução de Consulta nº 65 SRRF08/Disit, ... de 2013. " (... ) Notese que a atividade agrícola de cultivo de cana de açúcar em nada se confunde com a atividade de fabricação de açúcar e de álcool, isto é, com as operações fabris das quais de fato se originam tais mercadorias. Assim sendo, não ensejam a apuração de créditos as peças e os serviços adquiridos visando à manutenção das máquinas e equipamentos diretamente utilizados no cultivo da cana de açúcar que servirá de matériaprima para a produção de álcool e açúcar, estes sim, vendidos pela consulente.(...)" Assim, os dispêndios da pessoa jurídica ..., fabricante de açúcar e álcool, com a aquisição de Óleo Diesel, Óleo Lubrificante Rando Mv, Óleo Shell Donax TDW30, Óleo Ursa Premium Tdx Sae 15 W 40 e Fl. 11208DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.209 12 Graxa Starplex Moly Mpgm2 3327, que utiliza em máquinas, equipamentos e veículos que não emprega nos processos de industrialização dos quais resultam açúcar e álcool não se caracterizam, para fins de apuração de créditos na forma do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, como dispêndios com insumos utilizados na fabricação desses produtos, e, portanto, não ensejam direito à apuração de créditos de PIS e COFINS, tampouco os serviços utilizados nas atividades agrícolas. Os quadros a seguir demonstram que o contribuinte utiliza o Óleo Diesel, Óleo Lubrificante Rando Mv, Óleo Shell Donax TDW30, Óleo Ursa Premium Tdx Sae 15 W 40 e Graxa Starplex Moly Mpgm2 3327 quase exclusivamente nas atividades da lavoura da cana de açúcar (vide planilhas completas nas respostas aos TDF nº 01 e TDF nº 02). Isto é, não são legítimos os créditos de PIS e Cofins calculados sobre a aquisição de: 96,6142% do ÓLEO DIESEL do ano de 2013; 97,1512% do ÓLEO DIESEL do ano de 2014; 97,3839% do ÓLEO DIESEL do ano de 2015; ... Diante do exposto, é cabível a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados sobre aquisição de Óleo Diesel, Óleo Lubrificante Rando Mv, Óleo Shell Donax TDW30, Óleo Ursa Premium Tdx Sae 15 W 40 e Graxa Starplex Moly Mpgm2 3327, bem como a glosa de créditos calculados sobre serviços de projeto vinhaça/irrigação, serviços aplicação aérea fertilizantes, serviços aplicação aérea herbicida, serviços aplicação aérea inseticida, serviços aplicação aérea maturador, serviços aplicação calcário, serviços aplicação fosfato, serviços aplicação gesso agrícola, serviços aplicação herbicida tratorizado, serviços aplicação inseticida tratorizado, serviços aplicação nematicida, serviços colheita mecanizada, serviços consultoria indústria, serviços controle de pragas, serviços desmanche/confecção cerca/transporte benfeitorias, serviços dessecação tratorizado, serviços destinação resíduos, serviços mecânico diverso agrícola, serviços mecânico diverso agr, serviços mecânico diverso agr realizado no campo, serviços mecânico diverso agr realizado no campo/ofag, serviços preparo solo terceirizado, serviços retro escavadeira, serviços transporte cana p/moagem, serviços transporte cana p/plantio; que são dispêndios da cultura da canadeaçúcar (vide Anexo I ...). c) Glosa de Créditos de PIS e COFINS calculados sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos (Período de Apuração 01/2013 a 06/2015) A fiscalizada aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS calculados sobre despesas de transporte de produtos acabados ou elaboração entre os seus próprios estabelecimentos. Segundo o demonstrativo que correlaciona o conhecimento de transporte com as correspondentes notas fiscais do produto transportado, os créditos foram tomados sobre as operações entre os Fl. 11209DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.210 13 estabelecimentos da mesma pessoa jurídica consistentes em: a) Industrialização efetuada para outra empresa; b) Remessa para industrialização por encomenda; c) Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; d) Transferência de material de uso ou consumo; e e) Transferência de produção do estabelecimento. (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização) Ao se examinar as operações de fretes mais relevantes, observase que há transporte de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados entre os estabelecimentos, conforme indicado no resumo abaixo. Ocorre que as despesas realizadas com fretes utilizados no transporte interno de produtos em elaboração e de produtos acabados entre os estabelecimentos industriais da mesma empresa, não geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. CFOP 6901 Remessa para industrialização por encomenda CNPJ Origem: 48.295.562/001108 CNPJ Destino: 48.295.562/001450 Produto transportado: açúcar cristal destinado a industrialização O contribuinte aproveitou créditos ... sobre os valores das despesas de fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em fase de elaboração entre seus estabelecimentos industriais. Logo, não se tratando de despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador), referidas despesas não geram direito à apuração de créditos ... Diante do exposto, é cabível a glosa de créditos aproveitados sobre despesas de fretes com o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimento da mesma pessoa jurídica, conforme montantes especificados no Anexo II ... Solução de Divergência, nº 26, Cosit, de 09/06/2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 3º incisos II e IX da Lei nº 10.833, ... de 2003 e 15 da Lei nº 10.865, ... de 2004. Solução de Divergência n° 11, Cosit, de 05/10/2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Cofins Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas Fl. 11210DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.211 14 com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º e 93, I. d) Utilização dos créditos presumidos sobre compra de cana de açúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. O contribuinte calculou créditos presumidos de PIS (Alíquota de 0,58%) e COFINS (alíquota de 2,66%) sobre o valor de cana de açúcar adquirida de pessoa física no período de 01/2013 a 03/07/2013, conforme demonstra o relatório do SPED EFD Contribuições do Anexo XIII deste Relatório. A previsão legal para cálculo de crédito presumido pela jurídica produtora de açúcar é a Lei 10.925/2004, art.8º. O crédito presumido calculado sobre a aquisição de cana de açúcar de pessoa física somente pode ser utilizado para deduzir ... o PIS/Pasep e ... (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Ocorre que o contribuinte utilizou uma parte de tais créditos nos pedidos de ressarcimento. A Lei 10.925/2004 estabeleceu que os créditos presumidos só podiam ser utilizados para desconto dos débitos de PIS e Cofins não cumulativos a pagar. O Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 15, ... de 2005, ..., dispõe que o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento. A Instrução Normativa SRF nº 660, ... de 2006, estabelece que os créditos presumidos de PIS e COFINS não poderão ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Assim sendo, a fiscalização utilizou o valor do crédito presumido calculado sobre o valor de aquisição de cana de açúcar, previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, para deduzir ... o PIS e Cofins apuradas e realizou a glosa no mesmo valor utilizado nos pedidos de ressarcimento. III CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA SRFB (PA 01/2013 a 06/2015) As receitas do contribuinte decorrem principalmente da comercialização de açúcar de cana e álcool etílico no mercado interno e externo. O elevado montante de vendas de açúcar de cana incentivado tributado à alíquota zero, no mercado interno, e sem Fl. 11211DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.212 15 incidência, na exportação, e de álcool etílico (permissão legal para compensação ou ressarcimento dos saldos de créditos vinculados à produção e à comercialização de álcool, assim como o aproveitamento de créditos presumidos sobre vendas de álcool para desconto das contribuições apuradas) contribuiu para o acúmulo de créditos de PIS e COFINS para desconto ou passíveis de ressarcimento e/ou compensação. Os créditos das Contribuições para o PIS e COFINS aproveitados pela fiscalizada que foram objeto de glosas fundamentamse no: a) art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; b) art. 17 da Lei 11.033, ... de 2004 (créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) (açúcar de cana) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (açúcar de cana ou álcool etílico na exportação)); e c) § 7º do art. 1º da Lei nº 12.859, de 2013 (créditos vinculados à produção e à comercialização de álcool etílico). Benefício fiscal do açúcar de cana A ... Lei nº 12.839, ... de 2013, reduziu a zero as alíquotas ... para o PIS e COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno de cana de açúcar. Os créditos ... para o PIS e COFINS, vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero (açúcar de cana) ou não incidência acumulados ao final de cada trimestrecalendário decorrente de aquisições no mercado interno, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.8333, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, podem ser objeto de: a) compensação ... ou b) pedido de ressarcimento ... Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à receita de exportação de que tratam o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ..., podem ser objeto de ressarcimento ou compensação. Benefício fiscal do álcool etílico O saldo credor ... decorrente de créditos apurados nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de álcool, podem ser objeto de compensação ou de ressarcimento. Ao final do encerramento do trimestrecalendário, o saldo de créditos ... remanescente, após descontos dessas contribuições apuradas no regime não cumulativo, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes da venda de álcool, poderá nos termos do §7º do art. 1º da Lei nº 12.859, de 2013, ser objeto de: 1) compensação ... ou 2) pedido de ressarcimento... O contribuinte calculou os créditos de PIS e COFINS sobre custos, despesas e encargos comuns vinculados a diferentes espécies de receitas (Crédito vinculado à receita tributada no mercado; crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação) pelo método do rateio proporcional. Assim sendo, a fiscalização procedeu ao rateio proporcional das glosas dos diferentes tipos créditos de PIS e COFINS sobre a aquisição de bens e serviços (vide ... Anexo III ...; vide detalhamento das glosas de bens e serviços nos Anexos I e II ...). O Anexo III ... Fl. 11212DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.213 16 demonstra, após as glosas de créditos aproveitados indevidamente sobre a aquisição de bens e serviços, os novos valores de créditos disponíveis para desconto e passíveis de ressarcimento. O Anexo V do Relatório de Fiscalização demonstra a reconstituição da EFD Contribuições e os novos valores de créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento. O Anexo VI demonstra as diferenças de PIS e COFINS a recolher devido a insuficiência de créditos disponíveis para desconto das contribuições apuradas no período. Os valores de créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento após as glosas de créditos efetuadas estão representados resumidamente na tabela abaixo ou detalhadamente no Anexo V do Relatório de Fiscalização. (...) O lançamento de ofício das glosas de créditos de PIS e COFINS, do PA 01/2013 a 06/2015, e das diferenças de PIS e COFINS a recolher do PA 04/2012 e do período compreendido entre 01/2013 a 06/2015, constam do eprocesso de controle nº 15940.720014/201757. IV CONCLUSÃO O sujeito passivo foi submetido a procedimento fiscal para verificação da regularidade da apuração e recolhimento das contribuições para o PIS e Cofins, resultando no lançamento de ofício das contribuições decorrente de omissão de receitas e da insuficiência de créditos para desconto das contribuições apuradas no período, bem como na glosa de créditos utilizados para desconto ou em pedidos de ressarcimento. Cientificada dos Autos de Infração e do Relatório Fiscal, a empresa apresentou impugnação, alegando: 2. Das razões pelas quais o auto de infração deve ser cancelado 2.1. Da utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas... cumpre ressalvar que a Impugnante não se insurge, especifica e unicamente, em relação ao procedimento reportado na alínea "d" do tópico "II Infrações apuradas", do relatório de fiscalização. ... a Impugnante concorda com o procedimento ..., que excluiu os referidos créditos presumidos de PIS e COFINS dos pedidos de ressarcimento, e os utilizou na compensação de contribuições supostamente devidas. No entanto, por cautela, insta ressalvar que, se procedente a impugnação, e reconhecido que as contribuições lançadas ... são indevidas, os créditos excluídos dos pedidos de ressarcimento comporão o saldo de créditos não utilizados ... 2.2. Do oferecimento dos valores à tributação do PIS e da COFINS no momento da saída do açúcar e consequente bis in idem na cobrança no momento da reversão do IPI 2.2.1. ... Do relatório de fiscalização se extrai que a baixa de obrigações relativas ao IPI incidente na venda de açúcar configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo. Por isso, a baixa da dívida deveria ser reconhecida como nova receita. Fl. 11213DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.214 17 2.2.2. ... Por ter convicção da inconstitucionalidade da exação, notadamente com apoio no Decreto nº 6006/06, e para não ficar sujeita ao lançamento do imposto e penalidades, em abril de 2008, a Impugnante ajuizou ação declaratória perante o Juízo Federal da Subseção de Presidente Prudente, que atualmente tramita sob o nº 0004804 08.2008.4.03.6112 (nº antigo: 2008.61.12.0048044), e passou a efetuar o depósito judicial do imposto a partir daquela competência. Entretanto, mesmo antes do ajuizamento da ação declaratória e da realização dos depósitos ..., a Impugnante não reconhecia ser devido o IPI ... ... durante a discussão no Poder Judiciário, amparada em pronunciamento judicial posteriormente cassado, a Impugnante não destacava o IPI nas notas fiscais de venda, não o declarava e nem o recolhia. Além disso, oferecia à tributação do PIS e da COFINS toda a receita, inclusive aquela parcela relativa ao IPI, supostamente incidente. ... a Impugnante provisionou o valor supostamente devido a título de imposto não pago. Com o decurso do tempo, à medida que decaiu o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, ... realizou a reversão desse registro contábil por não mais subsistir o risco de que o tributo viesse a ser lançado e exigido. Sob essa ótica, como provisão não gera passivo, não haveria receita a ser tributada. 2.2.3. ... ... a premissa central fixada no auto ... é a qualificação dos valores relativos ao IPI, ... objeto da decadência, como "receita" ou "acréscimo patrimonial". Ao fixar a premissa acima, a Autoridade Fiscal afastou o tratamento contábil dado pela Impugnante. ... a Impugnante fez a provisão contábil do valor do IPI e, com a decadência e baixa da provisão, não ofereceu tais valores à tributação, porquanto provisão não gera passivo, não havendo receita a ser tributada. Segundo a ótica do Sr. Fiscal, não se tratou de provisão, mas de um passivo, de maneira que a reversão do mencionado passivo geraria receita tributável ... 2.2.4. Ocorre que e aqui está o aspecto que escapou à Autoridade Fiscalizadora mesmo que se reconheça a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão, seria necessário um passo seguinte, que envolve analisar se tais valores já tinham sido, ou não, oferecidos à tributação, sob pena de se validar a duplicidade de tributação da mesma receita. Quando da saída do açúcar, o IPI não era destacado e, além disso, todo o valor da venda, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Realmente, nos termos do artigo 23, inciso III, da Instrução Normativa n° 247/2002, para "efeito de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento, Fl. 11214DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.215 18 observado o disposto no art. 24, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores" "do ... (IPI)". ... a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Extraise do balancete que, naquele mês (02/2006), a Impugnante obteve R$ 36.384.237,62 com a venda de açúcar por suas três unidades ("UFA": R$ 9.101.434,72, "UUU": R$ 25.520.189,90 e "CSP": R$ 1.762.613,00) ... Todavia, em razão da posição que sustentava em relação ao IPI suspostamente incidente sobre o açúcar, ... não destacou esse imposto nas notas fiscais. Consequentemente, toda a receita foi oferecida à tributação do PIS/COFINS. ... no que se refere ao PIS, constatase do cotejo entre o DACON do período e o demonstrativo de apuração elaborado pela Impugnante, que a receita integral decorrente da venda de açúcar (i.e., R$ 36.384.237,62) compôs os R$ 36.511.521,00 declarados no DACON como receita de vendas de bens no mercado interno. Confirase: (...) Os valores contemplados na linha 01 ("Receita de Vendas de Bens e Serviços Alíquota de 1,65%"), bem como nas colunas "Receita" e "Base de Cálculo", correspondem ao valor de R$ 36.511.521,00. Por conseguinte, embora fosse autorizada, não houve a dedução do IPI. Ainda a confirmar esse cenário, temse a planilha abaixo, demonstrando que a receita de R$ 36.384.237,62, advinda da venda de açúcar, integrou a base de cálculo de R$ 36.511.521,00, sem exclusão de qualquer valor de IPI, apurandose, assim, um débito informado em DCTF de R$ 602.440.10. Vejase: (...) Resta demonstrado que a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Com a solução alvitrada pela fiscalização, inegavelmente, o mesmo valor (valor do IPI não pago) está submetido às mesmas contribuições, duas vezes: a primeira no oferecimento integral da receita de vendas, sem desconto do IPI, e a segunda no momento da reversão da provisão desse mesmo valor. A Autoridade Fiscal até poderia discordar e requalificar o tratamento contábil promovido pela Impugnante, apontando a existência de passivo (ao invés de provisão) e consequente geração de receita, com a reversão decorrente da decadência. Todavia, para reconhecer, legitimamente, a incidência do PIS e da COFINS sobre esta receita Fl. 11215DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.216 19 também deveria ter antes constatado se essa mesma receita já não havia sido, anteriormente, oferecida à tributação ... Por conseguinte, o lançamento aqui combatido caracteriza bis in idem ... 2.3. Dos créditos de PIS e COFINS sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar... os fundamentos adotados pela Autoridade Fiscal não podem subsistir, primeiro porque desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção, e depois porque pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei. Por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ) ... 2.3.1. Do processo produtivo da agroindústria da canadeaçúcar 2.3.1.1. ... Na agroindústria da canadeaçúcar, o processo produtivo envolve diversas etapas: produção e abastecimento da indústria com matéria prima (cana), gerenciamento dos insumos, resíduos e subprodutos, produção final de açúcar ou álcool, armazenamento e comercialização dos produtos finais. ... fica evidente que seu processo produtivo se inicia na lavoura com a formação e cultivo do canavial e finda com a produção do açúcar, do álcool e energia destinados ao consumo, após o processamento no seu parque industrial. Vejase que os custos agrícolas incorridos na etapa de produção e abastecimento da indústria com matéria prima são tão relevantes para a obtenção dos produtos finais (açúcar e álcool) que chegam a representar mais de 60% do custo total de produção de álcool e açúcar. ... a Impugnante é responsável pela produção de quase a totalidade da canadeaçúcar utilizada na fabricação do açúcar e álcool. ... é inconteste que a Impugnante não produz cana para outro fim, senão com a finalidade única de produzir açúcar e álcool, sendo impossível afastar essa etapa inicial do seu processo produtivo... ... não se pode negar que o óleo diesel e demais ínsumos e serviços relacionados no auto de infração são inerentes ao processo produtivo ... ... a glosa de créditos ... viola os artigos 3o das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. 2.3.1.2. ... A produção de cana e a sua industrialização ... são, pois, apenas etapas integradas e sequenciais de um único processo produtivo. ... podese afirmar que a definição de agroindústria, para fins de aplicação das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, não pode se dissociar Fl. 11216DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.217 20 daquela prestigiada na Lei n° 8.212/91, sob pena de violação do postulado do legislador coerente. 2.3.1.3. Destarte, irrefutável que todas as etapas de produção ... devem ser reconhecidas como integrantes de um único processo produtivo, tal como definido pelo legislador. 2.3.2. Da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS e do conceito de insumo para fins de apuração de créditos 2.3.2.1. ... ... as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 trazem, de forma ampla, a possibilidade de apuração de créditos sobre "os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Como se observa, a única condição imposta pelo legislador para a apuração de créditos ... foi de que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ... o IPI e o ICMS, como regra geral, são impostos cuja materialidade é o consumo de bens e serviços. De outra parte, a contribuição para o PIS e a COFINS incidem sobre receita, de modo que a aferição do valor agregado na base tributável das contribuições (receita) pelo contribuinte restaria prejudicada pela aplicação dos conceitos inerentes e exclusivos à produção e circulação de mercadorias, que não se alinham perfeitamente à base tributável de receita ... ... Na sistemática criada ..., os créditos não são apropriados de acordo com o montante cobrado nas etapas anteriores, sendo relevante, apenas, que nas operações anteriores de aquisição de bens e serviços tenha ocorrido a incidência das contribuições. Tanto é que não há destaque das contribuições recolhidas nas notas fiscais de aquisição de insumos, nem se exige do sujeito passivo o controle dos valores das contribuições cobradas nas etapas anteriores, sendo bastante a segregação das aquisições sujeitas ou não à incidência das contribuições. ... a técnica da não cumulatividade do PIS e da COFINS não pode, de forma alguma, ser equiparada integralmente à não cumulatividade do ICMS e do IPI, outra não pode ser a conclusão senão a de que o conceito de insumo adotado em uma e outra sistemática não pode ser equivalente. Por conseguinte, não pode subsistir a conceituação de "insumo" adotada pela Autoridade Fiscal, sem sombra de dúvida, ancorada na legislação do IPI. 2.3.2.2. Evidentemente, não se trata de considerar como insumo todo e qualquer bem ou serviço, mas, sim, aqueles bens e serviços que compõem o custo de produção ..., porque indispensáveis para a obtenção do produto final e, por conseguinte, à consecução da receita. Como sabido, a restrição do conceito de insumo ..., de forma similar à adotada para o IPI, foi criada ... com a edição da Instrução Normativa n° 358/2003, que alterou a Instrução Normativa n° 247/2002, e da Instrução Normativa n° 404/2004. Ocorre que esses instrumentos normativos, hierarquicamente inferiores às Leis n° 10.637/02 e n° Fl. 11217DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.218 21 10.833/03, não se limitaram a regulamentálas ou interpretálas. Foram além, impondo exigências não contempladas pelo legislador, de modo a criar, no âmbito da contribuição para o PIS e da COFINS, um conceito completamente novo, trazido, sem amparo legal, do âmbito do IPI. Como se vê, os instrumentos normativos ultrapassaram sua competência meramente regulamentadora, promovendo, mais do que sua complementação, a alteração da lei, em total descompasso com o princípio da legalidade... 2.3.2.3. Ainda que se constate que a conceituação de insumo, para fins de PIS e COFINS, não pode ser amparada no conceito atinente à legislação do IRPJ, ainda assim não haverá como não reconhecer que os insumos cuja aquisição ensejou a tomada de créditos ... atendem ao critério da essencialidade. ... sem o óleo diesel e os serviços agrícolas não é possível alcançar a produção de açúcar e álcool, ou, ainda que o fosse, é inegável que restaria bastante prejudicada a sua qualidade e/ou quantidade, ou mesmo sua viabilidade econômica. Especificamente em relação à agroindústria de açúcar e álcool, o CARF, em diversos julgamentos, reconheceu a legalidade da apuração de crédito de PIS e COFINS sobre a aquisição de bens e serviços ora glosados ... Citase, por exemplo, o v. acórdão n° 3301001.2892, pelo qual reconheceu o direito ao crédito sobre "as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial, por se tratarem de bens ou serviços utilizados em etapas da produção do açúcar e do álcool". Na mesma linha ... diversos outros julgados3. É justamente nesse cenário que se enquadram os bens e serviços sobre os quais ... apurou os créditos indevidamente glosados ... no Relatório Fiscal e nos seus anexos, a Impugnante apropriou créditos ... sobre a aquisição de de serviços como, por exemplo, preparo de solo, aplicação de fertilizantes, iherbicidas, inseticidas, controle de pragas, corte, colheita e transporte da cana, assim como sobre a aquisição óleo diesel e graxa empregados na execução desses serviços. 2.3.2.4. ... é possível concluir que: i) são distintas a sistemática da não cumulatividade do IPI e a sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, de modo que o conceito de insumo legalmente previsto para aquele imposto não pode ser aplicado para essas contribuições; ii) para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS devem ser considerados insumos todos os bens e serviços utilizados na produção,independentemente do contato direto com o produto final, de se desgastarem ou serem consumidos no processo produtivo; iii) a contribuição para o PIS e a COFINS incidem sobre a receita bruta, o que autoriza, na sua sistemática própria de não cumulatividade, a apuração de créditos sobre todos os bens e serviços formadores do custo de produção, porque empregados na consecução dessa receita; e iv) os insumos sobre os quais a Impugnante apurou créditos atendemao critério da essencialidade, porque necessários e úteis ao seu processo produtivo de açúcar e álcool. Fl. 11218DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.219 22 2.3.3.1. Corroborando todo o acima exposto, chamase a atenção para o v. acórdão 3402003.076, proferido no Processo ...10835.720016/2014 87, que ... deu parcial provimento ao recurso voluntário ..., para decidir pelo estorno das glosas, por reconhecer que "a fase agrícola da agroindústria também integra o seu processo produtivo para fins de aproveitamento de crédito ...". ... merece ser citado também o recentíssimo v. acórdão n° 3402 003.8174, que também reconheceu a regularidade da apuração de créditos pautada na essencialidade dos bens e serviços ... Também se amoldam ao caso em tela os Acórdãos n°s 3403001.3405, 3403001.2746 e 3403001.2837, pelos quais o CARF, julgando situações semelhantes à da Impugnante, confirmou a possibilidade de créditos sobre insumos ligados á atividade agrícola rural, por serem essenciais ao processo produtivo. 2.3.3.2. Os precedentes acima citados permitem concluir, sem dúvida, que a autuação ora impugnada não pode ser mantida ... 2.3.3.3. Não fosse o bastante, a posição assentada no Colendo Superior Tribunal de Justiça segue na mesma linha. No julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.230.4418, a Primeira Turma manifestou o entendimento de que "o conceito de insumo deve ser alargado para abranger tanto os elementos diretos como indiretos de uma produção", que possuam a natureza de insumo, como elementos essenciais da produção. Pouco depois, a Primeira Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça pronunciou que "Para fins de creditamento de PIS e COFINS (art. 3o, II, da Leis 10.637/02 e 10.833/03), a ideia de insumos, ainda que na sua acepção mais ampla, está relacionada com os elementos essenciais à realização da atividade fim da empresa"9 (destacamos). Deve ser citado também o ... REsp n° 1.246.317/MG, da Segunda Turma ... ... a jurisprudência é firme no sentido de que, na sistemática da não cumulatividade do PIS/COFINS, o conceito de insumo não deve ser entendido de forma tão restritiva como na apuração do IPI ... 2.4. Dos créditos de PIS e COFINS sobre despesas de transporte entre estabelecimentos 2.4.2. ... mais uma vez a posição do Sr. Fiscal se dissocia do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. É o que se extrai do v. acórdão n° 9303004.318, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado ...: "CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e Fl. 11219DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.220 23 ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida el ou de ressarcimento/compensação. Precedentes." 10 No mesmo sentido, é o v. acórdão n° 3301002.966 ... ... ainda que não se admita a apuração de créditos sobre todas as despesas de transporte relacionadas no Anexo II (ressalvado o observado no item 2.1 supra), deve ser reconhecida a regularidade dos créditos apurados sobre as despesas de transporte na remessa para industrialização. 2.5. Do procedimento adotado pelo Auditor Fiscal na apuração de créditos e contribuições devidas... o Auditor Fiscal refez a apuração de créditos de PIS e COFINS ... desconsiderando os créditos glosados e, com isso, apurando ... em valores inferiores àqueles ... escriturados ... refez a apuração das contribuições devidas, nela incluindo as receitas supostamente omitidas. Com isso, a fiscalização resultou na redução dos créditos, de um lado, e, de outro, na majoração das contribuições devidas. Ao refazer o confronto entre créditos e débitos, o Auditor constatou que, em quase todos os períodos, mesmo com a glosa, havia saldo de créditos suficiente para compensar os débitos apurados, incluídos aqueles lançados neste procedimento fiscal. No entanto, ao invés de considerar compensado o débito em cada período, e reduzir os valores glosados dos saldos informados pela Impugnante nos ... (PER), ...l manteve os créditos remanescentes, após a glosa, informados nos ... (PER) para considerar insuficientes os créditos disponíveis para desconto das contribuições apuradas em alguns períodos. Para ilustrar ..., tomase ... a apuração da COFINS na competência 05/2014, ...: a)Apuração promovida pela Impugnante: a.1) No período foram apurados débitos de COFINS no valor total de R$ 1.634.285,39; a.2) O total de créditos da COFINS apurados no período foi de R$ 2.952.924,77, além do crédito presumido no total de R$ 1.118.155,61; a.3) Os débitos foram compensados com a imputação, primeiro, do crédito presumido vinculado à produção e comercialização de álcool (R$ 1.118.155,61), e o saldo remanescente (R$ 516.129,78) com a utilização dos créditos vinculados a receita tributada no mercado interno (Cód.101); a.4) O saldo de créditos disponível após a compensação, que foi informado no pedido de ressarcimento (PER), era de R$ 2.436.794,99; b)Apuração promovida pelo Auditor Fiscal: b.1) Nesse período, não houve alteração dos débitos de COFINS apurados na fiscalização, mantendose o valor de R$ 1.634.285,39; Fl. 11220DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.221 24 b.2) Após as glosas no montante de R$ 1.073.639,86, o total de créditos da COFINS apurados no período foi de R$ 1.879.284,91; b.3) Os débitos foram compensados com a imputação, primeiro, do crédito presumido vinculado à produção e comercialização de álcool (R$ 1.118.155,61); o saldo remanescente (R$ 516.129,78) foi parcialmente compensado com a utilização dos créditos vinculados à receita tributada no mercado interno (Cód.101), que, após as glosas, totalizou R$ 448.834,17 (segundo o critério equivocado do Sr. Fiscal); b.4) A diferença remanescente dos débitos de COFINS apurados no período, após as compensações, no importe R$ 67.295,61, foi lançada na coluna "Diferença da contribuição a recolher/pagar" do Anexo VI; b.5) O saldo de créditos disponível após a compensação, no próprio período de apuração, mantido no pedido de ressarcimento (PER), já consideradas as glosas, totalizou R$ 1.430.450,74; ... para compensação da diferença apurada após a utilização dos créditos vinculados à produção e comercialização de álcool (1.118.155,61) e dos créditos vinculados à receita tributada no mercado interno (R$ 448.834,17), no valor de R$ 67.295,61, deveriam ser considerados os créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno (Cód.201), cujo saldo após as glosas era de R$ 803.751,60. ... existindo saldo credor suficiente para a compensação do débito da COFINS apurado no período, não se justifica o lançamento de diferenças supostamente a recolher. Por cautela, juntase a esta impugnação as planilhas comparativas ..., que demonstram que o critério adotado no exemplo acima transcrito (05/2014) se repete em todas as competências em que, supostamente, seriam devidas as contribuições (docs.anexos). 2.5.2. ... o pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas ... A condição para o deferimento do pedido de ressarcimento é, dentre outros, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arte. 62 a 66). Logo, não se justifica o procedimento de, a um tempo, autuar a Impugnante pela suposta existência de débitos de PIS e COFINS não recolhidos, e, também, chancelar a existência de saldo credor das contribuições objeto de pedido de ressarcimento. Na competência acima exemplificada, temse que o crédito mantido no PER corresponde a R$ 1.430.450,74, e, de outro lado, a contribuição supostamente devida pela Impugnante, no valor originário de R$ 67.295,61, correspondente, atualmente, a R$ 140.183,47, conforme demonstrativo anexado ao auto de infração. Ora, como validar o procedimento que transformou o débito originário de aproximadamente R$ 70 mil em mais de R$ 140 mil, ignorandose, no mesmo período, a existência de saldo de créditos no importe de mais de R$ 1,4 milhão??? 3. Do pedido Ante o exposto, é a presente para requerer o cancelamento do auto de infração. Fl. 11221DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.222 25 Caso não seja esse o entendimento, e as glosas sejam mantidas, o auto de infração deve ser reformado para o fim de que sejam retificadas as apurações das contribuições no período fiscalizado, pelas razões expostas no item 2.5 desta impugnação. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0964.307, de 24/08/2017 (fls. 11004 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2012, 30/04/2013, 31/01/2014 BASE DE CÁLCULO. EXTINÇÃO DE PASSIVO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa a receita decorrente da extinção de uma obrigação constante do Passivo sem a correspondente extinção de item do Ativo. O registro de obrigações tributárias no Passivo não constitui Provisão, na medida em que não há incerteza acerca da constituição, tempo ou dimensão do débito. Período de apuração: 31/01/2013 a 30/06/2015 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2012, 30/04/2013, 31/01/2014 BASE DE CÁLCULO. EXTINÇÃO DE PASSIVO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa a receita decorrente da extinção de uma obrigação constante do Fl. 11222DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.223 26 Passivo sem a correspondente extinção de item do Ativo. O registro de obrigações tributárias no Passivo não constitui Provisão, na medida em que não há incerteza acerca da constituição, tempo ou dimensão do débito. Período de apuração: 31/01/2013 a 30/06/2015 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2013 a 30/06/2015 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 10260 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 11223DF CARF MF Processo nº 15940.720014/201757 Resolução nº 3201001.472 S3C2T1 Fl. 11.224 27 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 11224DF CARF MF
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