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Numero do processo: 10680.929130/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 91 30 /2 01 1- 39 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de março de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de março de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000189/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2005
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2005
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2005
IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA.
Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 1201-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2005 IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000189/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.269 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria NÃO ADIÇÃO CUSTO/PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente JOHN DEERE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2005 IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 89 /2 01 0- 95 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 3 2 A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ sem exigência de imposto, lavrado devido à infração 001 ADIÇÕESPREÇOS DE TRANSFERÊNCIA, NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA, fato gerador em 31/12/2005; e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, também sem exigência da contribuição, relativa à mesma infração, págs 316/322; as autuações resultaram na redução do prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL; às págs. 323/324, Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e da Compensação de Bases Negativas; a descrição dos fatos e da autuação consta no Termo de Verificação Fiscal, págs. 305/315. 2. Cientificado em 10/08/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, págs. 428/447, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, Acórdão nº 1450.899 de 11/06/2014, págs. 497/512, que a considerou improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/12/2005 LUCRO REAL ANUAL. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. As estimativas são antecipações do imposto devido apurado ao final do período de apuração e o fato gerador, conforme prescreve o art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ocorre em 31 de dezembro de cada ano, de modo que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN contase a partir dessa data. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. 3. Cientificado em 12/06/2014, pág. 516, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 518/533, em 14/07/2014, tempestivo, resumido a seguir. 4. Relata que importou peças e componentes para incorporação no processo produtivo e para revenda e, como foram adquiridos de pessoa vinculada no exterior, efetuou os cálculos previstos na Lei nº 9.430, de 1996, com base no Método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com a aplicação da margem de lucro de 60% e 20%, respectivamente. 5. Pleiteia a reforma integral do Acórdão recorrido e cancelamento da exigência devido à decadência parcial do lançamento fiscal e devido à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. 6. Quanto à decadência, diz que apurou e recolheu IRPJ/CSLL pelo regime de apuração de estimativas mensais, ao longo do ano 2005; se há pagamentos mensais, é lícito pressupor fatos geradores mensais; discorda que o fato gerador ocorre somente em 31/12 do anocalendário. Sendo tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN como a ciência da autuação foi em 16/08/2010, só pode alcançar fatos geradores ocorridos a partir de agosto/2005; cita decisões do Conselho de Contribuintes. 7. Sobre a metodologia de cálculo PRL 60, aponta que é reconhecida ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002. 8. Descreve que foi autuada porque utilizou a sistemática da IN SRF nº 32, de 2001, em conformidade com o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, mas que a fiscalização entendeu que deveria obedecer a IN SRF n° 243, de 2002, porque era a que estava vigente. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 5 4 9. Descreve que com a edição da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, restou permitida a adoção do método PRL na importação de bens aplicados à produção, com a margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda, diminuído das deduções previstas na Lei nº 9.430, de 1996 e diminuído do valor agregado no País; que essa regra foi reproduzida na IN SRF nº 113 de 19 de dezembro de 2000, e na IN SRF nº 32, de 2001; no entanto, a IN SRF nº 243, de 2002, modificou essa estrutura de cálculo, pois introduziu o cálculo de 60% sobre a venda líquida proporcional e sem inclusão do valor agregado. (...) Basicamenie, nos termos aa IN n° 243/02, seria necessário efetuar um cálculo proporcional sobre o preço líquido de venda, para somente depois determinar o valor da margem de lucro e o preço parâmetro aplicável. 22. De acordo com o artigo 12, § 11, incisos I a V, da IN n° 243/02, no caso da importação de bens aplicados à produção, o preço parâmetro do PRL seria apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%. A título demonstrativo, a Recorrente expõe abaixo as etapas da metodologia prevista na IN n° 243/02: (i) tomase o preço líquido de venda, assim considerada a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; (ii) calculase o percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido, de acordo com a planilha de custos da empresa; (iii) aplicase o percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido sobre o preço líquido de venda, para encontrar o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido: (iv) depois, calculase a margem de lucro de 60% sobre a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido: (v) finalmente, o preço parâmetro será equivalente à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. 10. E aponta que tais disposições não estão previstas na Lei nº 9.430, de 1996, nem na Lei nº 9.959, de 2000; majora os ajustes de preços de transferência e inverte a lógica do texto legal. (...) Diferentemente da lei, que prestigia o valor agregado no país como elemento de distinção entre os métodos do PRL 20% e PRL 60%, a IN n° 243/02 exclui o valor agregado da fórmula de cálculo dos ajustes, tentando reduzir uma fórmula mais complexa a uma fórmula simples como a que é aplicada à revenda. 11. Cita julgados do CARF. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Que a edição da MP nº 478, de 2009, que não foi convertida em lei, mas a MP nº 563, de 2012, foi convertida na Lei nº 12.715, de 2012, que reproduz as disposições da IN SRF nº 243, de 2002, de modo sensivelmente diverso, são indicativos da ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002 e de que só a lei e nunca uma IN pode inovar em matéria de preços de transferência; por consequência, o presente lançamento fiscal nela embasado é ilegal. 13. Sobre a utilização das margens de 20% e 60%, no cálculo do PRL, reclama que a Fiscalização partiu do pressuposto de que a Recorrente teria tratado o método PRL como dois métodos distintos, calculando os preços parâmetro com base em margens de 20% e 60% e, ao final, utilizando o que produzisse o menor ajuste, independentemente se era para agregar na produção ou para revenda, o que não ocorreu; mas ainda que se entenda que as proporções devam ser ajustadas, a metodologia não pode ser a da combatida IN. 14. Reclama da impossibilidade de aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, que não tem natureza tributária. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Decadência. 15. Argui decadência de lançamentos relativos aos meses de 01 a 08/2005, ao argumento de que optou pelo regime anual, com recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tendo sido cientificada em 16/08/2010; não anexou qualquer comprovação de recolhimento de estimativas deste ano, seja via DARF, seja via compensações homologadas. 16. Porém, descabe razão á Recorrente, dado que este lançamento trata do ajuste anual do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre, sempre, no dia 31 de dezembro de cada ano, conforme o art. 2º, §3º, da Lei 9.430, de 1996; assim o início da contagem do prazo decadencial foi a partir do fato gerador em 31/12/2005, concluindose em 31/12/2010, após a ciência dos autos, em conformidade com o art. 150, § 4º do CTN. 17. Destaquese que não houve lançamento de multas isoladas relacionadas a estimativas, cujos fatos geradores seriam mensais. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 20/02/2018 Nº Acórdão 1402002.884 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. IRPJ. OCORRÊNCIA PARCIAL. O IRPJ por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, tratase de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. No Anocalendário em exame, a regra era a da apuração do lucro real trimestral, mas o contribuinte poderia optar, como optou, Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 7 6 pela apuração anual do IRPJ, o que implica em considerar que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro daquele ano. Logo, o lançamento de ofício realizado dentro dos cinco anos seguintes e após 31/12/2006 está fora do alcance da decadência. Tipo do Recurso EMBARGOS DE DECLARAÇÃO , RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 25/01/2018 Nº Acórdão 1402002.828 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo o primeiro período objeto de lançamentos o ano calendário de 2005, a decadência consumase em 31/12/2010. Cientificada a embargante em 01/12/2010, não há que se falar em decadência. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 21/09/2017 Nº Acórdão 1302002.383 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 Ementa: IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Tendo o contribuinte optado pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. Como a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. 2 Entendimento da RFB. Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017. Legalidade In SRF nº 234, de 2002. 18. É de todo pertinente que se adote o racional explicitado no irretocável voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017, que se transcreve a seguir: "Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF n° 243. de 2002, em face do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 8 7 A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparai' as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase. assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm's length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries (United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016.) No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país. mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados). PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 9 8 (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em tomo dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato. em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100. inciso I do CTN (Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...)), extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, peço vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri (SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759) 3.11 Em certos circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei n° 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei n° 9.430/9617. Os ajustes impostos Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 10 9 por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei n° 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei n° 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro principio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do principio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no principio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não falta., (grifei) 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF n° 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF n° 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo ait. 18 da Lei n° 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). (GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195.) No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em eixo gramatical, no sentido de que Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 11 10 não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF n° 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parámetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir' a realidade da situação em análise. Por outro lado. admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF n° 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse. indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF n° 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que. por consequência, irá compor o custo total (Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.). Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11. do art 12, da IN SRF n° 243, de 2002: Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 12 11 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no Pais e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro: PL: preço líquido de venda. PPart: percentual de participação dos bens. serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido. D: descontos incondicionais concedidos. I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez. o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = ______ CTBP ou, ainda, por: CII Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 13 12 PPart = __________________ CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que. muna situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CIIm resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se data de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II alínea "d", item 2 da Lei n° 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CII CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12. da IN SRF n° 243, de 2002. é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL). a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 14 13 ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF n° 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF n° 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art 18 da Lei n° 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tomado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei. o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei n° 9.430, de 1996. ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 15 14 preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico, (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referencia clara ao principio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de Janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF n° 243, de 2002, tendo o Acórdão n° 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no Pais, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial como. por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3a Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF n° 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo n° 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n. ° 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. IS da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 16 15 (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Tunna rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo n° 2003.61.00.006125 8/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMA TIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÉNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n ° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto á margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 17 16 parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço liquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação eivei n° 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas enfie a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 18 17 redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3aRegião, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF n° 243/2002. cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência." 2.1 DEMONSTRATIVO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE, PÁGS. 217/220. 19. Informa o autuante no termo de Verificação Fiscal que: "2 Intimada a fornecer as memórias de cálculo referentes aos produtos importados, a contribuinte forneceu os documentos de fls 95 a 129 e fls 195 a 199." 20. Essas folhas correspondem à págs. 95/130 e 205/209, na numeração eprocesso; e ainda constam os cálculos do contribuinte: PRL 20%, às págs. 209/216, e PRL 60%, às págs. 218/220, em resposta ao termo de Intimação nº 02. 21. O contribuinte apurou o Preço de Transferência PRL 60% da seguinte forma: Preço de Transferência = Receita Líquida () ((Receita Líquida Valor Agregado) x 60%), ou Preço de Transferência = 40% da Receita Líquida + 60% x Valor Agregado 22. Transcrevemse a três primeiras linhas do demonstrativo do contribuinte, pág. 217: Codigo Produlo Produto Final Qtde Consumida MP por Unidade Qlde. Total das MP consumidas nas Vendas Custo Médio de Aquisiçâo da MP no ano Custo Médio de Aquisiçâo da MP na Fórmula (b) x (c) Outros Custos (Valor Agregado) CPV Produto Final Qtde Vendida do Produto Final Receita Liquida Total Base de Calculo Margem de lucro de 60% PRL60% Total a b c 1 2 (1+2) 3 4=(32) 5=4 x 60% (35) A22884 PF1 1090001 9 54 27,07 1.462,01 175.140,18 176.602,19 6 211.564,90 36.424,72 21.854,83 189.710,07 A22884 PF1 1090002 9 18 27,07 487,34 61.056,07 61.543,41 2 69.831,56 8.775,49 5.265,29 64.566,27 A22884 PF1 1090003 9 18 27,07 487,34 58.380,06 58.867,40 2 75.606,88 17.226,82 10.336,09 65.270,79 23. Na última coluna, apurou o preço parâmetro (PRL 60% Total) para a quantidade total; se divididos pela quantidade total, temse: Codigo Produto PRL 60% Total quantidade (b) Preço Parâmetro Unitário A22884 189.710,00 54 3.513,15 A22884 64.566,27 18 3.587,01 A22884 62.270,79 18 3.626,15 24. Tendo sido os respectivos Custos Médios de Aquisição no ano R$27,07, não apurou ajuste. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 19 18 25. Se o raciocínio do contribuinte for apresentado da forma a seguir, verificase que, na forma de apuração que o contribuinte adotou, o custo total de produção, que é a soma do valor agregado no País (Outros Custos) com o Preço Parâmetro (PRL 60% Total), resulta, para os três exemplos, em (83+90)173% , (87+92)179% e (78+86)164% da Receita Líquida, o que, certamente, não vem de encontro à determinação da lei de margem de lucro de 60%!. Receita Líquida Total 211.564,90 100 % 69.831,56 100% 75.606,88 100% () Outros custos (isto é, Valor agreg no País) 175.140,18 83% 61.056,07 87% 58.867,40 78% Margem 60% 21.854,83 10% 5.265,29 8% 10.336,09 14% Preço Parâmetro 189.710,07 90% 64.566,27 92% 65.270,79 86% 26. Cabe lembrar que o conceito de margem de lucro, ou lucratividade, conforme adotado em Administração Financeira é, a relação entre o lucro (bruto, operacional ou líquido) e a receita (bruta ou líquida), não havendo o conceito de margem de lucro sobre a receita líquida deduzida de custo agregado na produção. (fonte: Princípios de Administração Financeira, Lawrence J. Gitmann), sendo improvável que a Lei nº 9.430, de 1996, pretendesse inovar o conceito, ao arrepio do art. 110 do CTN. 2.2 APURAÇÃO FISCAL . 27. Quanto aos insumos cuja apuração do contribuinte foi reproduzida neste voto, efetuouse o cálculo conforme o raciocínio fiscal, para fins de comparação: M ét od o PR L It em I m po rt ad o Pr F in al C us to m è P on de ra do T ot al C P V M éd io Pa rt ic ip aç ão C PV R el aç ão I ns um o/ P ro du to Q td e V en di da P ro du to Q td e V en di da in su m o Pr eç o L íq ui do V en da s Pa rt ic ip aç ão v en da s M ar ge m L uc ro P re ço P ra âm et ro D if er en ça A ju st e 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Marg 60% A22884 PF11090001 1.462,01 176.602,19 0,83% 9 6 54 211.564,90 1.751,45 1.050,87 700,58 761,43 761,43 Marg 60% A22884 PF11090002 487,34 64.543,41 0,76% 9 2 18 69.831,56 527,27 316,36 210,91 276,43 276,43 Marg 60% A22884 PF11090003 487,34 58.867,40 0,83% 9 2 18 75.606,88 625,92 375,55 250,37 236,97 236,97 28. A demonstração, explicitando a participação percentual, neste caso, é: Receita Líquida Total 211.564,90 100,00% 69.831,56 100,00% 75.606,88 100,00% () Outros custos (isto é, Valor agreg no País) (2)(1) 175.140,18 82,78% 64.056,07 91,73% 58.380,06 77,22% Margem 60% 1.050,87 0,50% 316,36 0,45% 375,55 0,50% Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 20 19 Preço Parâmetro 700,58 0,33% 210,91 0,30% 250,37 0,33% 83,11% 92,03% 77,55% 29. Observase que a soma do valor agregado no País, mais o Preço Parâmetro do insumo importado, perfaz 83,11%, 92,03% e 77,55% do Preço de Venda Líquido, respectivamente, restando Margens de Lucro de 16,89%, 7,97% e 22,45% sobre o Preço de Venda Líquido*. Isso porque o Autuante a fim de apurar a Margem de 60% sobre o insumo importado, tomou por base o valor do Preço de Venda Líquido* do insumo importado, proporcional à participação do custo do insumo importado (a preço praticado) sobre o custo total de produção. 30. A abordagem do Autuante foi apurar a ML60% relativa somente ao insumo importado, na proporção em que este participa do produto fabricado, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 243, de 2002. 2.3 APURAÇÃO FISCAL . PRL 20% E PRL 60%. 31. A Recorrente, sobre a utilização das margens de 20% e 60%, no cálculo do PRL, reclama que a Fiscalização partiu do pressuposto de que a Recorrente teria tratado o método PRL como dois métodos distintos, calculando os preços parâmetro com base em margens de 20% e 60% e, ao final, utilizando o que produzisse o menor ajuste, independentemente se era para agregar na produção ou para revenda, o que não ocorreu; e aduz que, ainda que se entenda que as proporções devam ser ajustadas, a metodologia não pode ser a da combatida IN. 32. Consta no TVF, resumo pág. 306, totalizando ajuste de R$853.094,00, referente aos itens importados, revendidos, calculados pelo método PRL 20%; às págs. 313/314, resumo da apuração de todos os itens, tanto revendidos como utilizados na produção, totalizando R$22.290.792,65, que foi o total autuado. 33. O Autuante demonstra os valores de Preços de Transferência apurados, às págs. 368/400, nas planilhas Anexo IV e Anexo V. Cálculo Preço Transferência Importações 2005. 34. Tomouse o primeiro item do resumo à pág. 315, item DQ49871, para evidenciar a forma de cálculo do ajuste; tratase do Item importado DQ49871, cujo ajuste total foi calculado pelo autuante em R$1.546.483,89 e cujo detalhamento da apuração, consta à pág. 369: M ét od o PR L It em I m po rt ad o Pr F in al C us to m è P on de ra do C P V M éd io Pa rt ic ip aç ão C PV R el aç ão I ns um o/ Pr od ut o Q td e V en di da P ro du to Q td e V en di da in su m o Pr eç o L íq ui do V en da s Pa rt ic ip aç ão v en da s M ar ge m L uc ro Pr eç o Pr aâ m et ro D if er en ça A ju st e 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Marg 20% DQ49871 6.675,60 1 1 10.413,20 2.606,56 7.806,64 NAO HÁ Marg 60% DQ49871 6405 6.675,60 67.484,01 9,89% 1 139 139 72.445,60 7.164,87 4.298,92 2.865,95 Marg 60% DQ49871 6415 6.675,60 69.028,53 9,67% 1 304 304 85.695,86 8.286,79 4.972,07 3.314,72 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 21 20 Marg 60% DQ49871 Total 6.675,60 443 443 3.173,91 Ponderação DQ49871 6.675,60 444 444 3.191,53 3.484,07 1.546.927,85 (1/2) (4 x 5) (3 x 7) (60% x 8) (89) (101) Ponderação (Somatória (10x6)) /Total Qtd vendida insumo Ao refazer se constatou que o valor do preço parâmetro R$3.191,53, foi obtido pela divisão por 443 ud, quando deveria ter sido divido por 444, o que resultaria em R$3.184,34 e ajuste unitário de R$3.491,26, maior que o apurado. 35. O Preço parâmetro do insumo é apurado pela média aritmética ponderada. 3 Juros De Mora. Taxa Selic. 36. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 4 Juros sobre multa de ofício. 37. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 38. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, /DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 39. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 22 21 JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 40. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 41. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 42. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 43. E o CTN determina: Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 23 22 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 44. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 5 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 24 23 Fl. 654DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000596/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
Numero da decisão: 2402-006.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 05 96 /2 01 1- 73 Fl. 279DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 269/271), manejado contra Acórdão de fls. 247 usque 254, emanado da 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, passando o imposto devido ao valor de R$ 3.988,80, mais multa e juros. Vale que se transcreva o relatório da decisão recorrida, por bem delinear os aspectos processuais ocorridos até a interposição do recurso. Vejase: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 04/64), ano calendário 2007, 2008, 2009 e 2010. O autuado teve ciência do lançamento em 26/08/2010, e o valor do crédito tributário apurado está assim constituído (fl. 57): (em Reais) Imposto 6.290,40 Juros de Mora (cálculo até 31/01/2011) 1.797,65 Multa Proporcional 4.717,76 Total do Crédito Tributário 12.805,81 A autoridade fiscal relata que o referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração (fl. 59): Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, nos meses 09/2007, 12/2008, 06/2009, 12/2009, 06/2010 e 12/2010, conforme cálculo demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 45 a 49 – Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 30/09/2007 34.073,00 75 31/12/2008 1.572,60 75 30/06/2009 1.572,60 75 31/12/2009 1.572,60 75 30/06/2010 1.572,60 75 31/12/2010 1.572,60 75 A autoridade fiscal relata que, em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal, foi aberta a fiscalização relativamente ao ganho de capital apurado nos anos calendário 2007, 2008, 2009 e 2010, proveniente da venda de um terreno no ano de 2007. Diz que o custo declarado do terreno consta informado na declaração do exercício 2008, ano calendário 2007, do cônjuge Dilnei Heinzen, CPF nº 767.708.42904, pelo valor de Fl. 281DF CARF MF 4 R$65.000,00. Todavia na escritura pública de aquisição do terreno, datada de 26/11/2001, entregue ao fisco por Dilnei Heinzen, consta informado o valor de aquisição de R$19.500,00. A contribuinte foi então intimada a: (i) justificar a divergência de valores relativa ao custo do terreno declarado e o valor de aquisição, apresentando os comprovantes dos pagamentos do valor pago na aquisição desse terreno, (ii) apresentar a cópia do recibo referente ao valor recebido na data de 22/12/2010 conforme consta no contrato de compra e venda datado de 22/09/2007 e (iii) apresentar cópia da certidão de casamento atualizada. Em resposta, a contribuinte informou que o imóvel foi comprado em 2001 e que desde a data da compra até a sua venda foi construída uma casa de alvenaria no terreno. A contribuinte foi então intimada a apresentar os comprovantes mensais do custo da referida construção sobre o terreno e alegou que “não foram encontrados os documentos referentes às despesas de construção da casa, efetuada nesse terreno”. Desta forma, verificouse que não houve a comprovação dos valores gastos na construção da casa de alvenaria sobre o terreno, ora informado como custo declarado no valor de R$65.000,00 informado na declaração de renda do exercício 2008, ano calendário 2007 do cônjuge Dilnei Heinzen. Em virtude da falta de apresentação dos comprovantes da construção, o fisco considerou os referidos comprovantes da construção como inexistentes e assim aceitou somente como custo comprovado o valor de R$19.500,00 do terreno constante da escritura pública datada de 26/11/2001. O cálculo foi efetuado em planilha anexa e pode ser assim resumido. Especificação: um terreno, lote 22, quadra 11, contendo a área de 667,00 metros quadrados, loteamento Ponte Irineu Bornhausen, no Bairro Itoupava Norte em Blumenau – SC. Data de Aquisição: 26.11.2001 Custo declarado: R$65.000,00 Custo aceito pelo fisco: R$19.500,00 Data de alienação: 22.08.2007 Valor de alienação: R$80.000,00 Ganho de capital Valor de alienação – Valor de aquisição R$80.000,00 R$19.500,00 = R$60.500,00 Redução do ganho de capital Coeficiente custo/total % 100 Valor passível de redução – Resultado 1................60.500,00 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 281 5 % de redução (Lei n° 7.713/88) .............................0% Valor de redução – R$ (Lei n° 7.713/88) ................0,00 Ganho de capital Resultado 2 ................................. 60.500,00 % de redução (Lei nº 11.196, de 2005, FR1) ..........25,40% Valor de redução – R$(Lei n° 11.196/05FR1) .........15.367,00 Ganho de capital Resultado 3 ...................................45.133,00 % de redução (Lei nº 11.196, de 2005, FR1) ......... 7,07% Valor de redução – R$(Lei n° 11.196/05FR1) .........3.190,90 Ganho de capital Resultado 4 ...................................R$41.942,10 Percentual de tributação: Ganho de capital x 100 = 52,42% 41.942,10 x 100 = 52,42% Valor de alienação 80.000,00 Parcelas recebidas em reais (R$) Data Valor recebido () Valor original Reajuste de parcelas 22.09.2007 65.000,00 65.000,00 0,00 22.12.2008 3.416,90 3.000,00 416,90 22.06.2009 3.450,15 3.000,00 450,15 22.12.2009 3.553,12 3.000,00 553,12 22.06.2010 3.578,53 3.000,00 578,53 22.12.2010 3.754,14 3.000,00 754.14 Total 82.752,84 80.000,00 2.752,84 A fiscalização esclarece os critérios utilizados e diz que, em virtude de os valores recebidos a título de reajuste de parcelas terem ficado abaixo do limite mensal da tabela progressiva, não foi passível de cobrança da multa isolada do carnêleão, bem como de terem permanecido abaixo do limite da tabela anual não resultou em cobrança de imposto devido na declaração de ajuste anual. Tributação do ganho de capital sobre as parcelas recebidos (em reais) Data Valor original (x) percentual de tributação =Ganho de capital tributável 22.09.2007 65.000,00 52,42% 34.073,00 22.12.2008 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.06.2009 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.12.2009 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.06.2010 3.000,00 52,42% 1.572,60 Fl. 283DF CARF MF 6 22.12.2010 3.000,00 52,42% 1.572,60 Total 80.000,00 Depois de apuradas as infrações acima, o auto de infração foi lavrado com os valores acima descritos, além da multa de ofício de 75% e acréscimos legais pertinentes sobre o imposto devido. O enquadramento legal está incluído no corpo do auto de infração. Em 25/03/2011, a autuada impugnou o lançamento em petição de fls. 67/71, acompanhada da documentação de fls. 72/122, alegando, em síntese o que se segue. Depois de sintetizar a autuação e seus motivos, esclarece que, no momento da intimação para apresentar os comprovantes dos valores gastos na construção da casa que foi construída no terreno, a impugnante não conseguiu localizálos e, portanto, não os apresentou, sendo agora penalizada por tal omissão. Entende, contudo, que nada a impede de apresentar os documentos junto a impugnação e informa a anexação das despesas por ela localizadas. Diz que nem todos os comprovantes dos valores gastos na construção da casa foram encontrados, devido ao fato do início das obras ter ocorrido em 2001, há quase 10 anos, quando da aquisição do terreno. Aduz que no nosso ordenamento jurídico vige o princípio da verdade material. Ou seja, embora não comprovado à época da impugnação os gastos decorrentes da construção da casa, esta efetivamente existe. Logo, não pode a fiscalização presumir a inexistência destas despesas e simplesmente ignorar a obra realizada no terreno. Junta doutrina. Ressalta que a casa foi de fato construída e os gastos com a obra, pelo menos em parte, estão devidamente comprovados pelos documentos em anexo. Informa que obteve o alvará perante a Prefeitura Municipal de Blumenau, sob o número 2002/07/017295, para realização da obra e que foi autorizada a construção de uma casa de alvenaria no terreno localizado na Itoupava Norte – lote nº 22, conforme processo e plantas aprovados. Diz que a existência dessa casa pode ser comprovado com os documentos e por meio de diligência no local. Assevera que devese agregar às despesas na construção da casa os valores gastos com mãodeobra e que apesar de não ter localizado os comprovantes destes gastos, é irrefutável que essa despesa existiu, tendo em vista todo o material adquirido para construção e a sua existência. Entende que o auto deve ser cancelado em razão dos gastos com a construção da obra devendo esses valores ser agregados ao valor do imóvel adquirido e estando totalmente comprovado o custo declarado do terreno no valor de R$65.000,00. Requer o acolhimento da impugnação e alternativamente, caso o cancelamento do auto de infração não seja o entendimento adotado, requer, ao menos, sejam considerados os documentos Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 282 7 aqui apresentados em relação aos valores gastos na construção da casa, para agregar ao custo do imóvel declarado pelo seu cônjuge. Em seu breve recurso, argumenta a apelante que incorre em erro a decisão recorrida, uma vez que não teria observado que todos os documentos juntados aos autos se referem às despesas do imóvel, devendo ser considerados para fins do cálculo do ganho de capital na alienação da casa. Ressalta que houveram custos com a mãodeobra relacionados à construção da casa que não puderam ser comprovados, posto que as obras ocorreram há mais 10 anos. No entanto, tais custos não podem ser desconsiderados, uma vez que efetivamente existiram. Aventa que, como deve o julgador buscar sempre a verdade, deve levar em consideração outros elementos além daqueles trazidos ao processo. Cita a doutrina do mestre Celso Antonio Bandeira de Mello e de Odete Medauar que, a seu ver, sustentam sua tese da busca pela verdade material no processo administrativo. Atenta que se a existência da casa é fato incontestável, por via de consequência, as despesas com sua construção também o seriam. Dessa forma, as despesas já comprovadas devem ser cosidas aos gastos de mão de obra, no que levaria a conclusão de que não houve fato gerador para a cobrança da presente demanda. Quer, pois, o conhecimento e provimento do recurso para que, sendo parcialmente reformada a decisão recorrida, seja cancelado o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso, tempestivo, preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e, por isso, dele tomo conhecimento. A irresignação não merece prosperar. Isso porque, a recorrente apenas parcialmente comprovou os gastos expendidos na construção do imóvel e todos os que poderiam ser reconhecidos o foram, sendo o lançamento retificado por decisão da DRJ para se adequar à nova realidade comprovada. Aponta a recorrente que “todos os documentos juntados se referem à construção da casa no terreno in casu e devem ser considerados pela fiscalização para fins do cálculo do ganho de capital” (fls. 270). No entanto, tal assertiva não tem qualquer fundamento. Ora, se assim o fosse, qualquer documento coligido aos autos poderia servir para comprovação, entretanto, sem que sejam hábeis e idôneos não há como tomálos em sentido probatório para desconstituir a presunção criada pelo lançamento e, registrese, não só os documentos fiscais que tem o condão de comprovar o que efetivamente gasto, mas qualquer documento que apresente segurança quanto a realidade que pretende se comprovar, o que é não é o caso de orçamentos e outros documentos que podem ser produzidos a qualquer tempo, de modo livre, não contendo nada que atribua credibilidade suficiente para tomálos como verdade inquestionável. Documentos idôneos são aqueles que demonstram, sem qualquer sombra de dúvida, o que fora efetivamente gasto com as obras e/ou mãodeobra, a ser acrescido ao valor da aquisição, no momento da venda, para o fim da tributação no ganho de capital. De tal modo, se não há comprovação, o pleito não lhe pode ser conferido, eis que, se o caso não comporta a presunção negativa, não comporta também a presunção positiva de gastos sem qualquer parâmetro de aferição confiável do que desembolsado. Não se pode ignorar, por evidente, a suposição de que tenha havido gastos com mãodeobra, posto que a casa existe e está lá registrada em documento público, no entanto, não existe, neste processo, qualquer prova que possibilite, com segurança, infirmar a conclusão da fiscalização, eis que os documentos acostados não representam prova hábil e idônea dos custos da construção alegados pela Recorrente. O recurso não trata de outras provas indiciárias referentes ao custo de mão de obra, como as tabelas CUB do SINDUSCON, por exemplo, apenas insiste na necessidade de aceitação dos recibos e comprovantes juntados aos autos, porém não considerados como hábeis e idôneos, como é o caso dos recibos de folhas 226 a 235. Dada a conformação probatória contida nos autos, não é possível atender a pretensão recursal, eis que a documentação que cabia ser admitida como prova de composição do custo já o foi. A documentação restante, cujo o Recorrente apresenta como pleito de sua insurreição, não inspira segurança para aceitação como prova da realidade dos fatos, seja por Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 283 9 estar situado em outro endereço que não o da obra, seja por não gozar de idoneidade irrefutável capaz de fundamentar suas alegações. Conclusão Ante ao exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 287DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.001163/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.
O produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros deve recolher a contribuição de terceiros (SENAR) sobre o valor da receita proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
Súmula CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 2401-005.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. O produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros deve recolher a contribuição de terceiros (SENAR) sobre o valor da receita proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Súmula CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 11 63 /2 00 9- 00 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 182 2 legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face do acórdão nº 1524.914 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (fls. 136/144). O crédito tributário lançado nos autos referese à contribuição social de terceiros (SENAR), tendo como fato gerador a comercialização da produção rural própria, apurado por meio de exame do Livro Razão. Os levantamentos que compõem o auto de infração são: CP1 (Comercialização da Produção Rural Multa de ofício mais benéfica competência 12/2004) e CPR (Comercialização da Produção Rural competências 07/2004 a 10/2004). As contribuições apuradas não foram declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP) pelo contribuinte, correspondente ao FPAS 744, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração (AI) n ° 37.177.3040 (Multa). Os valores recolhidos em Guias de Previdência Social GPS foram deduzidos. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 183 3 O Discriminativo Analítico de Débito DAD especifica por mês, valores originários, base de cálculo, rubricas (contribuições), alíquotas aplicadas, valor apurado. O Relatório de Lançamentos RL identifica os valores lançados. Inconformada com o lançamento fiscal, contrapôs impugnação às fls. 59/105. O Acórdão nº 1524.914 da 6ª turma de DRJ/SDR está assim ementado: Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE O VALOR DA RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXIGÊNCIA. NÃORECOLHIMENTO.LANÇAMENTO. Na condição de agroindústria, a empresa é obrigada a recolher (em substituição às que incidem sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviço, devidas com base na folha de salários) as contribuições incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. O atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social, é lícita a utilização da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância em 07 de dezembro de 2010, apresentou Recurso Voluntário às fls. 150/177, que, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: 1) Enfatiza que a presente peça recursal suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, bem assim sobre a extinção do arrolamento de bens como condição de exigibilidade para recorrer administrativamente; 2) Tece extensos comentários sobre a prescrição e a decadência dos créditos consubstanciados no referido auto de infração, inclusive com citação de doutrinas e dispositivos do Código Tributário Nacional, bem assim da Súmula Vinculante nº 8, para: Feitas essas considerações, verificouse da análise da CDA constante dos autos que os créditos fiscais exigidos são referentes ao período compreendido entre 03/1997 e 11/2002, sendo que a data de lançamento referente a esses fatos geradores se deu em 30.05.2003. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 184 4 Dessa forma , quanto aos fatos geradores ocorridos antes de 30.05.1998, a constituição do crédito tributário deuse após o prazo de cinco anos , tendo ocorrido a perda do direito de constituir o crédito, pela decadência (de 03/1997 a 05/1998). Por essas razões, tratase de certidão de dívida ativa cujo teor abrange créditos inexigíveis , hipótese prevista no artigo 30 da Lei n. 6 .830/80, que atribui os requisitos de liquidez e certeza somente às dívidas regularmente inscritas. [...] Destarte, frisase que a edição de normas de aplicação imediata quando da sua publicação, como é o caso da súmula vinculante, são casos de interesse social, eis o motivo de sua aplicação instantânea. Tendo em vista que a nova norma se supõe melhor do que a anterior, e por isso mesmo é que se inovou, devendo aplicála desde logo. 3) No mérito, diz que o colegiado de primeira instância não apreciou os argumentos referente ao dolo para a configuração de crime de apropriação indébita, entendendo que esse aspecto deve ser analisado pelo CARF. Também entende pela pertinência da análise da não incidência de multa e juros aplicados no caso, concluindo que a Administração não só tem legitimidade como tem o dever de afastar do lançamento do tributo as leis instituidoras de exações que são inconstitucionais ou que não são válidas; 4) Insurgese contra o efeito confiscatório da multa aplicada. Faz referência ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Para tanto faz citação de jurisprudência do STF na ADIN nº 551/RJ; 5) Questiona a ilegalidade dos juros fixados na taxa Selic, citando mais uma vez jurisprudência do STJ e dispositivos normativos, concluindo que: A interpretação do § 1°, do artigo 161, do Código Tributária Nacional à luz do disposto no artigo 146 da Constituição Federal de 1988 é de que a estipulação de juro diverso daquele de um por cento ao mês, só pode ser instituída mediante Lei Complementar, porque está se tratando de Crédito Tributário, matéria que foi expressamente reservada à Lei Complementar pelo Sistema Tributário instituído pela Nova Constituição. [...] Mas não são apenas esses os vícios de que padece a instituição dos juros SELIC para gravar os débitos tributários. Mesmo abstraindose a necessidade de Lei Complementar para dispor sobre a matéria, ainda assim, teríamos que considerar a aplicação da Taxa SELIC aos débitos fiscais, inconstitucional e ilegal, senão vejamos: [...] Assim, também por este aspecto, resta claro que a SELIC não pode ser admitida como índice remuneratório de tributos, visto a sua aplicação neste caso cria a teratológica figura de tributo rentável. Os títulos podem gerar renda; os tributos, "per se", nunca, até por total falta de previsão legal e doutrinária, inclusive. 6) Também discorda da cobrança da multa de mora e juros moratório, entendendo como "Bis in idem"; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 185 5 7) Ao final, requer: Sejam acolhidas as preliminares: a) o recebimento do presente Recurso Voluntário, sem o depósito de 30% em face da inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal previsto no decretolei n° 70.235/72; No Mérito: a) Seja determinada a redução da multa moratória aplicadas acima do percentual de 20% (vinte por cento), eis que confiscatórias, b) Seja afastada a incidência de juros SELIC e da cumulação de juros e multa moratória; c) Seja anulado o presente auto de infração vez que inconstitucionais a legislação referida, ou se vossa senhoria entender por bem julga o mesmo improcedente em virtude a falta de animo de cometer a conduta referida É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminares Da exigibilidade dos débitos objeto de recurso administrativo e do depósito recursal Convém destacar que, por força do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, o crédito tributário controlado nos autos encontrase com a exigibilidade suspensa. Também deve ser esclarecido que o depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF nº 21, de 20/10/2009 (DOU de 10/11/2009), não sendo mais exigível para seguimento do recurso. Da decadência O crédito tributário controlado nos autos referese as competências 07/2004 a 10/2004 e 12/2004 (fls. 5) relativas às contribuições sociais de terceiros (SENAR). Aduz a recorrente que: "Assim, tendo sido constituído o crédito tributário no período que abrange 01/2004 a 12/2004 e a notificação da empresa somente se deu em agosto Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 186 6 de 2009, evidente a prescrição do crédito estabelecido dentro do período, mais precisamente de janeiro de 2004 até julho de 2004". Ainda que o recorrente se refira ao instituto da prescrição, inclusive fazendo menção em sua peça recursal, citando também a Súmula Vinculante nº 8, necessário lembrar que a prescrição é uma fase posterior a constituição definitiva do crédito tributário lançado, que, no caso, ocorre com a decisão definitiva no âmbito do presente processo administrativo, teor do que dispõe o art. 174 do CTN: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva". Na realidade, estamos a analisar o instituto da decadência, que é a constituição do crédito tributário controlado nos autos. A situação em apreço passa necessariamente pela análise de qual regra decadencial deve ser aplicada: o § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.(grifouse) Pacificando o assunto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 187 7 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 188 8 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Nos autos, não há informações de que o sujeito passivo efetuou pagamentos antecipados de contribuições sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, relativo ao FPAS 744. Portanto, sem reforma a decisão do colegiado de primeira instância que assim concluiu: No caso do lançamento em apreço, observase do RDA — Relatório de Documentos Apresentados, fls. 06 — o que se confirma de pesquisa realizada junto ao Sistema Plenus, que a empresa autuada não efetuou, em GPS, recolhimento com base no código 2607, específico para contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural. Dessa forma, não houve a antecipação do pagamento, de que trata o art. 150, §4°, do CTN. É, por consequência, a decadência pleiteada, posto que os créditos consignados no AI encontramse amparados no art. 173, I, do mesmo CTN. Logo, as contribuições lançadas não foram alcançadas pela decadência. (grifouse) Mérito A matéria objeto do lançamento em discussão encontrase regulamentada no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações, in verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I ... § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Registrese que o sujeito passivo não fez questionamentos diretamente relacionados a apuração do crédito tributário. Desse modo, mantém a decisão do colegiado de primeira instância, que assim concluiu: De acordo com o item 3 do Relatório Fiscal do AI, o que motivou o lançamento dos créditos ali consignados foi o recolhimento a menor, por parte da empresa, na condição de agroindústria, de contribuições decorrentes da comercialização da sua produção rural. Aludida constatação decorreu do exame do Livro Razão, apresentado pela própria empresa autuada. Ou seja, considerando que o valor da receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, constante no Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 189 9 Livro Razão, foi maior que o declarado por meio da GFIP (documento que se constitui em confissão de dívida), a diferença resultante forma a base de cálculo das contribuições apuradas. Por outro lado, a peça impugnatória não esclarece, em relação ao quadro que pretendeu demonstrar o equívoco que traz o AI, de onde foram extraídos os números informados na coluna "Valor Declarado em GFIP", eis que os mesmos divergem daqueles constantes no Sistema GFIPWEB, conforme demonstram comprovantes em anexo. Tratase, pois, de alegação improcedente, porque desprovida de fundamento. Logo, também não tem procedência a alegação de que é obscura a acusação do Fisco quando noticia, ao Ministério Público, a existência de possível crime contra a ordem tributária. A seguir, passase a análise de alguns pontos apresentados como matéria de mérito. Da possibilidade de não aplicação da lei em face de arguição de inconstitucionalidade e o efeito confiscatório da multa Neste ponto, esclarecese que a alegação de inconstitucionalidade de lei não pode ser apreciada pelo órgão administrativo, enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Por esse modo, ao órgão de julgamento fica vedado afastar à aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também, não compete ao julgador administrativo apreciar aspectos referentes ao caráter confiscatório da multa aplicada em consonância com a legislação vigente. No caso, conforme relatório fiscal (fls. 44/46), foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN. Da ilegalidade dos juros fixados na taxa Selic e cobrança cumulativa da multa de mora e juros moratório Os juros foram cobrados de acordo com o artigo 34 da Lei nº 8.212, de 199, e alterações (Fundamentos Legais do Débito fls. 12). Em relação os juros de mora, é pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13558.001163/200900 Acórdão n.º 2401005.585 S2C4T1 Fl. 190 10 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No tocante à cobrança cumulativa de juros e multa de mora, cabe informa que não importa dualidade de sanção, pois o teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, impõe ao crédito inadimplido, a partir do vencimento, juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Portanto, como a multa de mora constitui penalidade pela impontualidade no adimplemento, pode, sim, ser cumulada com juros de mora. Estes, aliás, têm natureza indenizatória, ao contrário da multa de mora, que possui natureza punitiva, o que também afasta o’bis in idem’.’ Representação Fiscal para Fins Penais A Representação Fiscal para Fins Penais tem seu rito em processo específico, não competindo a este colegiado manifestarse sobre a matéria: "Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". Conclusão Face ao acima exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.720199/2017-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, solicitando que a Unidade de origem confirme que o documento de fl.62 é parte integrante da Declaração de Ajuste Anual que consta nos sistemas da RFB em nome do senhor João Danuzio Ribeiro Parente (CPF nº 033.104.503-68), para o ano-calendário 2015, bem como informe sobre a data de entrega dessa Declaração e, no caso da existência de declarações retificadas anteriores a última, se em todas consta a informação dos pagamentos efetuados pela titular do CPF 536.171.504-20, ora recorrente. Posteriormente, deverá ser providenciada a ciência à contribuinte do inteiro teor de todos os elementos que venham a ser trazidos aos autos em decorrência da diligência ora determinada, inclusive desta resolução e da informação fiscal a ser produzida, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa ao seu recurso em relação à diligência realizada. Após, retornem os autos ao CARF, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Relatório
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, solicitando que a Unidade de origem confirme que o documento de fl.62 é parte integrante da Declaração de Ajuste Anual que consta nos sistemas da RFB em nome do senhor João Danuzio Ribeiro Parente (CPF nº 033.104.50368), para o anocalendário 2015, bem como informe sobre a data de entrega dessa Declaração e, no caso da existência de declarações retificadas anteriores a última, se em todas consta a informação dos pagamentos efetuados pela titular do CPF 536.171.50420, ora recorrente. Posteriormente, deverá ser providenciada a ciência à contribuinte do inteiro teor de todos os elementos que venham a ser trazidos aos autos em decorrência da diligência ora determinada, inclusive desta resolução e da informação fiscal a ser produzida, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa ao seu recurso em relação à diligência realizada. Após, retornem os autos ao CARF, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 19 .7 20 19 9/ 20 17 -1 7 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 18019.720199/201717 Resolução nº 2002000.028 S2C0T2 Fl. 67 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 33/37), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2016. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.424,31 para saldo de imposto a pagar de R$6.722,45. Tal notificação decorreu da falta de comprovação do efetivo pagamento dos gastos declarados, resultando na apuração de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$24.414,25. Impugnação Cientificada à contribuinte em 24/4/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 17/5/2017, à fl. 2/29 dos autos, na qual a contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória das despesas médicas glosadas. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte em decisão assim ementada (fls. 44/49): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2015 DEDUÇÕES. DESPESAS COM SAÚDE. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Acatase parte da dedução de despesas médicas, cujo efetivo pagamento aos prestadores de serviços foi comprovado através de documentação comprobatória, mantendose a glosa da despesa cujo dispêndio não foi comprovado. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 12/9/2017 (fl. 55), a contribuinte, em 3/10/2017 (fl. 58), apresentou recurso voluntário, às fls. 58/62, no qual indica a juntada da declaração de imposto de renda do profissional consultado, de onde constaria a informação dos pagamentos efetuados por ela a ele. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.53). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 18019.720199/201717 Resolução nº 2002000.028 S2C0T2 Fl. 68 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre as despesas médicas efetuadas com João Danuzio Ribeiro Parente. A decisão de piso manteve a glosa parcial dessa despesa, registrando: Foram apresentados recibos emitidos pelo profissional, fls. 17/21. Também foi apresentado o extrato bancário de fls. 22 e cópias de cheques, fls. 23/25 e 29. Em análise aos cheques apresentados identificase que os cheques de fls.23,24 e 29 foram nominais a Virna de Alencar Matos e João Gonçalves dos Santos, não podendo ser aceitos para comprovação de despesa realizada com João Danuzio Ribeiro Parente. No Extrato bancário de fls. 22 consta em 22/04/2015 um saque de R$ 4.200,00, entretanto, o recibo emitido em 28/04/2015 é de R$ 7.000,00, não sendo possível, portanto, comprovar a respectiva despesa. O cheque nominal a João Danuzio Ribeiro Parente, fls. 25, emitido em 22/07/2015 está sendo acatado para comprovação da despesa especificada no recibo de fls. 18, datado de 28/07/2015. Assim, restou mantida a glosa do montante de R$16.800,00. Em seu recurso, a recorrente afirma que os pagamentos foram efetuados em cinco prestações de R$4.200,00 e indica a juntada da declaração de ajuste do profissional (fl.62). Verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos de que necessita o julgador para formar convicção acerca das matérias descritas nos autos, entendo necessária a realização de diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Conclusão Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 18019.720199/201717 Resolução nº 2002000.028 S2C0T2 Fl. 69 4 1 confirme que o documento de fl.62 é parte integrante da Declaração de Ajuste Anual que consta nos sistemas da RFB em nome do senhor João Danuzio Ribeiro Parente (CPF nº 033.104.50368), para o anocalendário 2015, bem como informe sobre a data de entrega dessa Declaração e, no caso da existência de declarações retificadas anteriores a última, se em todas consta a informação dos pagamentos efetuados pela titular do CPF 536.171.50420, a ora recorrente. Registrese que não está sendo solicitada juntada de cópia da referida declaração, tendo em vista o sigilo fiscal, mas a confirmação da informação trazida pela recorrente. 2 Posteriormente, seja providenciada a ciência à contribuinte do inteiro teor de todos os elementos que venham a ser trazidos aos autos em decorrência da diligência ora determinada, inclusive desta resolução e da informação fiscal a ser produzida, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa ao seu recurso em relação à diligência realizada. 3 Após, retornem os autos ao CARF, para prosseguimento (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720265/2014-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 65 /2 01 4- 12 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10830.720265/201412 Acórdão n.º 1001000.573 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 24 a 26) interposto contra o Acórdão nº 0368.200, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 16 a 19), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 05 (data de registro em 21/01/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 17/01/2014. A opção foi indeferida em virtude de existir o débito de SIMPLES (código da receita 8822), inscrito em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) com o nº de inscrição 8041201548748 (processo nº 18208.136237/200822), o qual não se encontrava com a exigibilidade suspensa; com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessa pendência a pessoa jurídica interessada apresentou em 20/01/2014 a manifestação de inconformidade de fl. 02 defendendo que está recolhendo as mensalidades do parcelamento dos débitos existentes. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10830.720265/201412 Acórdão n.º 1001000.573 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Em face da data de registro do Termo de Indeferimento temse que a manifestação de inconformidade é tempestiva. Como atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, dela tomo conhecimento. O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2014 em virtude da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União que o contribuinte integralmente contesta. Não assiste razão à empresa manifestante. A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) (grifos acrescidos) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional, prazo esse que para o ano de 2014 encerrouse em 31/01/2014: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10830.720265/201412 Acórdão n.º 1001000.573 S1C0T1 Fl. 5 4 §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) §2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) (grifos acrescidos) No caso em exame, pelas telas de fls. 12 a 15, retiradas dos sistemas internos da PGFN (consulta em 15/05/2015), constatase que, na data limite de 31/01/2014 permitida pela legislação que rege o Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nesse regime de apuração a partir do ano de 2014, o débito de SIMPLES (código 8822), inscrito em Dívida Ativa da União com o nº de inscrição 8041201548748 (processo nº 18208.136237/200822) e relacionado no “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 05, encontravase como devedor (em aberto) na situação de “ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR”. Assim, uma vez que efetivamente esse débito que motivou o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional para o ano de 2014 não foi regularizado até a data limite de 31/01/2014 permitida pela legislação, correto o indeferimento do pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10830.720265/201412 Acórdão n.º 1001000.573 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720168/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 27/04/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO.
Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
Numero da decisão: 2401-005.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 27/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 72/78) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 68 /2 00 9- 23 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.720168/200923 Acórdão n.º 2401005.693 S2C4T1 Fl. 146 2 61/67), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/5) em face de Despacho Decisório (fl. 6) que homologou parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 31459.84335.270404.1.3.040015, transmitida em 27/04/2004 (fls. 14/19). De acordo com o Despacho Decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 927.051,60. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. [...] Entretanto. considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado. correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2008. Principal Multa Juros 141.014,77 28.202,95 88.486,76 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/5), alegando, em síntese, que: O IRRF apurado na 4ª semana de fevereiro de 2004 importou em R$ 926.877,01, conforme DCTF, enquanto o recolhimento efetuado para o período importou em R$ 927.051,60, ocasionando um pagamento a maior no valor de R$ 202,16 (R$ 204,18, valor acrescido de juros de 1%). Para recuperação do valor recolhido a maior foram apresentadas duas DCOMPs: 31459.84335.270404.1.3.040015 (cadastrada neste processo), onde foi utilizada a importância de R$ 926.849,44 na extinção do IRRF referente à 4ª semana de fevereiro de 2004, através da compensação. 39618.24l66.060804.1.3.045920, quando foi utilizada a importância de R$204,18 na extinção do IRRF apurado na 3ª semana de abril de 2004, através da compensação. O manifestante argumenta que o procedimento executado na DCOMP de n° 31459.84335.270404.l.3.040015 foi “indevido”, considerando que no caso em questão a compensação efetuada era desnecessária. Esclarece que “tal procedimento gerou indevidamente a aplicação de multa, motivada por erro operacional e não por um valor efetivamente devido pela empresa”. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.720168/200923 Acórdão n.º 2401005.693 S2C4T1 Fl. 147 3 Requereu o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 790520332 e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança, nos termos do Decreto 70.235/72. A DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0223.253 (fls. 61/67), considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Delimitou o litígio à parcela de compensação não homologada. O argumento utilizado pelo contribuinte neste processo reportase unicamente à solicitação de cancelamento da DCOMP, por considerála desnecessária, e que, uma vez apresentada, gerou a multa de mora que deu origem ao saldo de débitos exigidos. A Declaração de Compensação é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. Esta foi a ferramenta instituída pelo legislador com o intuito de permitir ao fisco o controle dos atos praticados pelos contribuintes. Neste contexto, os elementos essenciais da DCOMP se traduzem na identificação dos créditos utilizados e dos débitos compensados (extintos pela compensação). Os créditos utilizados pelo contribuinte na DCOMP, bem como os débitos por ele compensados não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo exofício pela Administração Pública. Contudo, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Cita a Lei 9.430/97, as Instruções Normativas SRF 460/2004 e RFB 900/2008, e esclarece que a retificação ou o cancelamento da PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não indiscriminadamente, o procedimento é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Concluiu que a operacionalização da compensação em litígio neste processo foi efetuada nos termos em que determinada na legislação tributária vigente, embasada pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte nas declarações apresentadas à RFB. Assim sendo, não há como alterála. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 72/78), alegando, em síntese, o que segue: Diz que caso seja mantido o entendimento da DRJ, haverá enriquecimento sem causa da arrecadação fazendária. Cita o CTN, art. 165, o Código Civil, artigos 876 e 877, e disserta sobre o conceito de pagamento indevido. Afirma que o Acórdão da DRJ se baseou em norma infralegal (Instrução Normativa) e seu direito não pode ser limitado por norma infralegal. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.720168/200923 Acórdão n.º 2401005.693 S2C4T1 Fl. 148 4 Requer a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, e que o valor considerado como compensado seja efetivado como valor devido da quarta semana de fevereiro/04, e considerado sua quitação pelo próprio DARF de R$ 927.051,60, vencido e quitado em 03/03/2004, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 790520332 e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 144, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Inicialmente, cumpre observar que o contribuinte informa na Manifestação de Inconformidade, como IRRF apurado na 4ª semana de fevereiro de 2004 a importância de R$ 926.877,01. Contudo, o débito declarado em DCOMP foi de R$ 926.849,44, e é este valor que gera a diferença de R$ 202,16, considerando o recolhimento efetuado para o período de R$ 927.051,60. Assim, será considerado o IRRF apurado constante na DCOMP (R$ 926.849,44). No caso em análise, vêse que o contribuinte cometeu um equívoco ao preencher a DCOMP, para justificar o crédito de R$ 202,16 que seria usado para compensar parte do IRRF devido relativo à 3ª semana de abril de 2004. Conforme relatado, o contribuinte apurou o IRRF para 4ª semana de fevereiro de 2004 no valor de R$ 926.849,44 e efetuou o recolhimento a maior, no vencimento da obrigação, em 3/3/04, no valor de R$ 927.051,60. A DCOMP com tais informações foi transmitida em 27/4/04. Da análise do documento de fl. 30, Despacho Decisório Detalhamento da compensação, observase que foram efetuadas os seguintes ajustes: Crédito reconhecido de R$ 927.051,60, recolhido em 3/3/04, valorado de 1% de juros, pois a DCOMP foi enviada no mês seguinte (27/4/04), totalizando R$ 936.322,00. Foi apurado o valor utilizado do crédito na data da valoração da seguinte forma: Principal R$ 785.834,67 Multa R$ 142.628,99 Juros R$ 7.858,34 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10680.720168/200923 Acórdão n.º 2401005.693 S2C4T1 Fl. 149 5 Vêse que o crédito total valorado seria para abater do valor devido, considerando principal, juros (1%) e multa (55 dias x 0,33%/dia = 18,15%). Fezse a conta ao inverso: partindose do total recolhido, ele foi rateado em principal, 1% de juros e 18,15% de multa, os dois últimos incidentes sobre o valor do principal. Desta forma, o principal recolhido seria de R$ 785.834,67 e como o saldo devedor declarado na DCOMP foi de R$ 926.849,44, apurouse um valor ainda devido de R$ 141.014,77. Da análise da situação que se apresenta é possível verificar que valor lançado é a multa apurada na conta invertida, que seria devida caso o recolhimento tivesse ocorrido com atraso. A diferença se deve aos juros de 1% aplicado sobre R$ 927.051,60 na valoração e sobre R$ 785.834,67 na conta invertida = R$ 1.412,17; logo a multa de R$ 142.628,99 R$ 1.412,17 = R$ 141.014,77, que é o valor lançado, considerado não homologado. Assim, sob o aspecto formal, tratouse a compensação declarada, sendo valorado o crédito e extinto parte do débito na data do encontro de contas, 27/4/04. Contudo, sob o aspecto material, o débito relativo à 4ª semana de fevereiro/04, foi extinto pelo pagamento na data do vencimento, 3/3/04. Conforme as instruções normativas citadas no acórdão recorrido, não seria possível cancelar a DCOMP. Acontece, que a verdade material que se apresenta é realmente a cobrança de uma multa de mora, decorrente do erro do contribuinte ao enviar a DCOMP que serviu de base para o Despacho Decisório que apurou crédito tributário, diante da compensação parcialmente homologada. A Lei 9.430/96, assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifo nosso) . § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.720168/200923 Acórdão n.º 2401005.693 S2C4T1 Fl. 150 6 Logo, o crédito tributário lançado, que equivale à multa de mora apurada por suposto atraso no pagamento não pode prosperar, pois o pagamento ocorreu na data do vencimento da obrigação (3/3/04). CONCLUSÃO Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, dou provimento ao recurso voluntário, para declarar extinto o crédito tributário constituído por meio do Despacho Decisório de fl. 6. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907685/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 85 /2 01 3- 70 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1149.855, de 16 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de junho de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 6.143,09, originarseia de pagamento efetuado em 24/08/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 19/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 7 6 Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 8 7 A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa Fl. 78DF CARF MF Processo nº 12448.907685/201370 Acórdão n.º 1302002.841 S1C3T2 Fl. 9 8 quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.681713/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 26/04/2007
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As Declarações (DCTF, DIPJ e DCOMP) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil/fiscal e documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1201-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As Declarações (DCTF, DIPJ e DCOMP) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil/fiscal e documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 17 13 /2 00 9- 01 Fl. 180DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.76) que a seguir transcrevo: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 06/10, transmitido pela contribuinte em 19/05/2008, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de IRPJ (crédito original da data da transmissão no montante de R$ 42.527,07), a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 01, no qual não homologa a compensação declarada, em face de o DARF discriminado no PER/DCOMP haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio de sua representante, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12, alegando, em síntese, o seguinte. A União alega que a contribuinte utilizou de forma incorreta o crédito tributário oriundo de pagamento indevido / a maior de IRPJ, afirmando que o crédito é inexistente. Porém, como a seguir demonstrado (valores em reais), o crédito tributário existe, pelo fato de a contribuinte haver efetuado recolhimento a maior de IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008 (ano calendário de 2007), os comprovantes de pagamento e a DCTF (valores em reais). Valor devido (IRPJ, 1° trimestre de 2007) 13.972,07 Valor pago através de DARF 56.499,14 Saldo pago a maior 42.527,07 Diante do exposto, a contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório em tela, por não condizer com a realidade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (5ª Turma/DRJ/SP1) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em decisão proferida no Acórdão nº 1635.190, de 08 de dezembro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 26/04/2007 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.681713/200901 Acórdão n.º 1201002.173 S1C2T1 Fl. 3 3 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efl.82, em 20/03/2012 e, interpôs Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.84/97, em 19/04/2012, conforme Termo de Solicitação de Juntada, efls.83. Apesar da reduzida Manifestação de Inconformidade apresentada em primeira instância, em sua peça recursal, a Recorrente diz: a) – que cometeu erro ao calcular a base de cálculo do IRPJ, utilizandose do percentual de 32%, quando o correto seria de 8%. b) – que o percentual de 8% na base de cálculo do IRPJ devese ao fato de ter a RECORRENTE exercido naquele trimestre a atividade imobiliária, constante como objeto principal nos seus atos constitutivos anexados. c) – que em função do erro cometido, recolheu o IRPJ em valor superior ao que devia de fato e de direito, conforme DARF anexado . d) – que, em função do recolhimento a maior, faz jus ao valor pago a maior e, por isso, realizou compensação via sistema PER/DCOMP. e) – que, quando da entrega da DCTF, igualmente anexada, em razão do erro de fato, informou no campo “débito” o valor recolhido a maior, quando o correto seria aquele resultante da base de 8%. f) – que, conquanto informado de maneira incorreta o valor do débito na DCTF, na DIPJ/2008, anexada, constou o valor devido do IRPJ de forma correta, e, ainda, com a demonstração de todos os cálculos efetuados. g) – que, em razão do erro de fato cometido na DCTF, ao receber o Despacho Decisório indeferindo a compensação realizada, tendo nesse momento ciência do erro, e por não ter a seu favor outro meio para sanar a irregularidade na informação, promoveu a retificação da DCTF dentro do prazo de apresentação da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para o ajuste do correto valor a débito, conforme DCTF retificadora igualmente anexada. h) – que, pelo fato de ter retificado a DCTF dentro do prazo de apresentação da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, Fl. 182DF CARF MF 4 não poderia ter indeferida a sua compensação, uma vez que o erro é de fato, e a legislação lhe permite a retificação da declaração para corrigir o erro. A Recorrente aduz que: carreou aos autos, quando da apresentação de sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, os seguintes documentos: DIPJ/2008, anobase 2007; DCTF Retificadora, já com os valores lançados corretamente a débito; os DARFs recolhidos com valores a maior, bem como o Contrato social, onde consta que a empresa exerce de fato a atividade de empreendimentos imobiliários. por isso, não pode acolher a alegação segundo a qual a Recorrente sequer apresentou documentos capazes de demonstrar e esclarecer a atividade por ela exercida e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do IRPJ, adotando o percentual de 8%, em vez de 32%, pois, tais documentos, revelam de forma clara a sua atividade exercida, bem como o porquê da aplicação do percentual de 8% no cálculo da base de cálculo do referido tributo. em decorrência das razões exsurgidas no R. Acórdão, pelo PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL, esclarece que atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem a sua tributação na forma do LUCRO PRESUMIDO, conforme consta nos seus atos constitutivos (Contrato Social) e Declaração do imposto de Renda, já carreados aos autos. agindo nesta condição, obteve, no período de 2007, receitas tributáveis decorrentes da venda de imóveis próprios*, sobre as quais, de acordo com a legislação vigente do imposto de renda, aplicouse o percentual de 8% para encontrar o valor da base de cálculo tributável a título de IRPJ. · (doctos: Diário Geral da Contabilidade – janeiro a dezembro de 2007, Laudo de Avaliação de Créditos, Dctf do 1º e 2º semestre de 2007 e DIPJ anocalendário 2007, anexos). Por esta razão, consoante o disposto pelo artigo 15, caput, c.c. §4º da lei nº 9.249/95, aplicase o percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida, para fins de cálculo da base de cálculo do IRPJ, e não 32%, como equivocadamente foi calculado a princípio e recolhido. A Recorrente conclui que: não deve prosperar o alegado relativo à falta de apresentação de esclarecimentos sobre a divergência ocorrida nos valores recolhidos a maior, nem, tampouco, a alegação segundo a qual se expressou o E.Julgador que apesar de constar da DIPJ/2008 (fl.31) como valor devido a título de IRPJ, 1º trimestre de 2007, o montante de R$ 13.972,07 (em vez de R$ 56.499,14, confessado em DCTF), não seria suficiente para comprovar que houve pagamento indevido ou a maior. ... o ERRO DE FATO restou assim caracterizado na DCTF no momento em que a RECORRENTE, ao apresentar a DCTF original, preencheu o campo relativo ao débito do IRPJ com valor superior ao que de fato e de direito era devido. Finalmente requer o provimento do recurso: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.681713/200901 Acórdão n.º 1201002.173 S1C2T1 Fl. 4 5 para o fim de reformar em sua totalidade o R.Acórdão, julgando procedente a existência do valor recolhido a maior, a compensação realizada pela RECORRENTE e, por fim, extinguir o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172/1966. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme observado na decisão recorrida, o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$ 56.499,14, corresponde exatamente ao débito de IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2007, confessado em DCTF (fl. 44), inexistindo, pois, a priori, pagamento indevido de IRPJ. Entende a Recorrente que o crédito estaria comprovado com a entrega de declaração retificadora de DCTF mas no entendimento da decisão recorrida tal declaração não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior. A Recorrente destaca que carreou aos autos, quando da apresentação de sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, os seguintes documentos: DIPJ/2008, anobase 2007; DCTF Retificadora, já com os valores lançados corretamente a débito; os DARFs recolhidos com valores a maior, bem como o Contrato social, onde consta que a empresa exerce de fato a atividade de empreendimentos imobiliários. Por isso, não pode acolher a decisão segundo a qual a Recorrente sequer apresentou documentos capazes de demonstrar e esclarecer a atividade por ela exercida e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do IRPJ, com opção pelo lucro presumido, adotando o percentual de 8%, em vez de 32%, pois, tais documentos, revelam de forma clara a sua atividade exercida, bem como o porquê da aplicação do percentual de 8% no cálculo da base de cálculo do referido tributo o que comprova a existência do crédito e a sua devida compensação. De início verificase que a argumentação desenvolvida pelo interessado nas peças impugnatórias permite concluir que os motivos da denegação tanto no despacho decisório quanto na decisão recorrida foram compreendidos, inclusive, quando da instauração do litígio, ao contribuinte está facultada a apresentação das provas documentais que julgar necessárias para atingir o seu intento. Com efeito, o fato de a decisão de 1ª instância inferir que as declarações (DIPJs, DCTFs e PER/DCOMPs) não são suficientes para comprovar o crédito alegado e considerar imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do IRPJ correspondente ao período de apuração, não significa cerceamento ao direito de defesa. Pois, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes apresentadas pelo interessado, confrontandoas com análise da Fl. 184DF CARF MF 6 situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido declarado e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, e documentação correlata tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz elementos suficientes que comprovem suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Tal regramento jurídico é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2008 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais do período de apuração, escrituras públicas ou contratos de promessa de compra e vendas, para os fins de apuração do lucro presumido e que a atividade exercida pelo interessado tratase de " vendas imobiliárias" como alega a defesa. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.681713/200901 Acórdão n.º 1201002.173 S1C2T1 Fl. 5 7 Em sua defesa, a Recorrente alega que o IRPJ na DCTF foi calculado pela base presumida de 32% o que gerou um IRPJ a recolher no valor de R$ R$ 56.499,14, quando o correto seria R$ 13.972,07, tendo em vista a presunção de lucro de 8%. Com a edição da Lei nº 9.718 de 27/12//1998 (arts. 14 e 17, II), a partir de 1º de janeiro de 1999, passou a ser permitido às pessoas jurídicas que exercem as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis optar pela tributação com base no lucro presumido. Na mencionada modalidade de tributação, a base de cálculo do imposto de renda (e respectivo adicional), em cada trimestre, é determinada por essas empresas mediante a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida no respectivo período de apuração (Instrução Normativa SRF nº 93/1997, art. 3º, parágrafo 7º). Por óbvio, deve o contribuinte provar que sua receita bruta total decorre da atividade compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, e que, tem uma presunção de lucro de 8% pelo que resultaria o crédito tributário em razão da diferença de aplicação do percentual sobre a receita bruta do trimestre, de 32% para 8% o que justificou a apresentar a DIPJ/2008, e, a DCTF retificadora após o Despacho Decisório. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original (DIPJ/2008 e DCTF retificadora). A Recorrente alega que buscando cessar qualquer possibilidade de não procedência do presente recurso por falta de apresentação de documentos contábeis motivo pelo qual fora improcedente a manifestação de inconformidade anexase a este, (doctos: Diário Geral da Contabilidade – janeiro a dezembro de 2007, Laudo de Avaliação de Créditos, Dctf do 1º e 2º semestre de 2007 e DIPJ anocalendário 2007, anexos). A Recorrente sustenta que a empresa exerce de fato a atividade de empreendimentos imobiliários que serviu de fundamento para apuração do direito creditório em razão da alegada diferença de aplicação do percentual sobre a receita bruta do trimestre, de 32% para 8%. Ressaltese que a simples apresentação do Livro Diário Geral, de 2007, e fls.98/111, autenticado na Junta Comercial de São Paulo em 07/12/2011, sem a documentação correlata da venda de imóveis não comprova que o faturamento declarado na DIPJ/2008 decorre das atividades, com aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, elencadas no § 4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95 que assim dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 186DF CARF MF 8 ... § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Ademais, perscrutandose os autos, verifico que na DIPJ/2008, fl.66, consta na Ficha 02 Dados Cadastrais da Recorrente, o Código da Atividade Econômica (CNAE Fiscal): 64.620/00 Holdings de instituições nãofinanceiras. E, como bem frisado no voto condutor da decisão recorrida, no contrato social da contribuinte consta como objeto da sociedade (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista, o que não é suficiente, por si só, para se identificar as atividades que originaram as receitas auferidas no período em tela e se determinar o percentual a ser utilizado na apuração do lucro presumido. Verifico no demonstrativo (fls.112/114), intitulado, pela Recorrente de "Laudo de Avaliação de Créditos" que inexiste qualquer demonstração das receitas tributáveis, apenas elencados os valores dos créditos ditos a compensar sem qualquer documento a comprovar as receitas brutas para a apuração da base de cálculo com 8%. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. E, nos casos de repetição de indébito tributário, o ônus da prova é da parte que requer. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua da comprovação do direito creditório alegado não se homologa a compensação pretendida. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Enfim, acompanhase no todo as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.681713/200901 Acórdão n.º 1201002.173 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914272/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 72 /2 01 2- 06 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914272/201206 Acórdão n.º 3201003.902 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.427, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914272/201206 Acórdão n.º 3201003.902 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.914272/201206 Acórdão n.º 3201003.902 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.914272/201206 Acórdão n.º 3201003.902 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
