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Numero do processo: 13896.000058/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.
AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO DE NORMA INCONSTITUCIONAL. HIPÓTESES EXCEPCIONAIS DE AUTORIZAÇÃO.
Há vedação ao afastamento administrativo de norma por inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto no 70.235/1972 e Súmula CARF no 2). Excepcionalmente, a norma inconstitucional pode ser administrativamente afastada nas hipóteses referidas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3403-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO DE NORMA INCONSTITUCIONAL. HIPÓTESES EXCEPCIONAIS DE AUTORIZAÇÃO. Há vedação ao afastamento administrativo de norma por inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto no 70.235/1972 e Súmula CARF no 2). Excepcionalmente, a norma inconstitucional pode ser administrativamente afastada nas hipóteses referidas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972.
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NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO DE NORMA INCONSTITUCIONAL. HIPÓTESES EXCEPCIONAIS DE AUTORIZAÇÃO. Há vedação ao afastamento administrativo de norma por inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto no 70.235/1972 e Súmula CARF no 2). Excepcionalmente, a norma inconstitucional pode ser administrativamente afastada nas hipóteses referidas no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 58 /2 00 7- 42 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre pedido de restituição e compensação referente a contribuições para o PIS/Pasep, que entende a recorrente ter recolhido indevidamente no período de outubro de 2004 a agosto de 2006, em virtude de inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição. A análise do pedido foi efetuada pelo Parecer SEORT/DRF/OSA no 74/2007 (fls. 37 a 45), no qual não se reconheceu o direito creditório e não se homologou quaisquer compensações feitas pelo contribuinte, sustentandose que: (a) o montante relativo ao ICMS compõe o faturamento, ou, digase, receita bruta da empresa, e dessa forma integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep; (b) se fosse aceita a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, estarseia alterando o conceito de faturamento para algo próximo ao conceito de lucro, transgredindo o exigido pelo art. 110 do CTN, que veda a alteração da definição, do conteúdo ou alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado utilizados na Constituição; (c) o pedido de restituição/compensação deve ser desconsiderado pois o contribuinte não utilizou o Programa PER/DCOMP para formulação (arts. 31 e 76 da IN SRF no 600/2005); e (d) a contribuição para o PIS/Pasep é tributo cujo encargo financeiro é transferido para terceiros (art. 166 do CTN), e que inexiste documento comprobatório de que a interessada assumiu o encargo financeiro relativo à contribuição, ou de que está expressamente autorizada por quem assumiu o referido encargo. Cientificado da decisão em 13/02/2007 (AR às fls. 47), o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fls. 48 a 65) em 08/03/2007, pedindo a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das declarações de compensação anexadas aos autos e alegando, em síntese, que: (a) o fato gerador da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento e este deve ser restrito àquilo que o contribuinte fatura, não podendo ser ampliado o conceito para incluir o faturamento obtido por outra pessoa, como é o caso do ICMS que é faturado pelo Estado; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13896.000058/200742 Acórdão n.º 3403001.774 S3C4T3 Fl. 113 3 (b) admitir que o ICMS faça parte da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep fere o princípio da capacidade contributiva e tem efeito confiscatório; (c) não pode a lei que instituiu a contribuição para o PIS/Pasep alterar o conceito de faturamento utilizado expressamente na Constituição Federal, conforme previsão do art. 110 do CTN; (d) fere o direito de petição previsto no art. 5o, XXXIV, “a”, da Constituição Federal, a desconsideração do pedido de restituição/compensação pela não utilização do programa PERD/COMP (art. 31 e 76 da IN SRF no 600/2005); e (e) contribuição para o PIS/Pasep é tributo direto, ao qual não se aplica o disposto no art. 166 do CTN. A manifestação de inconformidade foi apreciada em 23/10/2007, pela DRJ/Campinas (fls. 76 a 78), que não reconheceu o direito creditório em litígio e não homologou a compensação, mantendo a integralidade dos débitos, asseverando que: (a) a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do presente pleito independe de manifestação administrativa, posto que decorre de disposição legal; (b) apesar de o Parecer SEORT/DRF/OSA no 74/2007 ter proposto a desconsideração do pedido de restituição/compensação feito em desconformidade com a IN SRF no 600/2005, o Despacho Decisório de fls. 43/44 não fez referência a essa questão, indeferindo no mérito o pleito de restituição, e não homologando a compensação; (c) o contribuinte tem legitimidade para pedir a repetição de indébitos referentes à contribuição para o PIS/Pasep, pois essa contribuição não é um tributo que comporte, por sua natureza, transferência jurídica do respectivo encargo financeiro; (d) a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada (Leis no 9.718/1998, no 10.637/2002, e no 10.833/2003); (e) a Lei no 9.718/1998 expressamente permite a exclusão do ICMS Substituição da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, deixando claro, a contrario sensu, que o ICMS devido pela interessada compõe a base de cálculo da referida contribuição; e (f) é defeso aos órgãos administrativos apreciar a inconstitucionalidade de lei, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 Cientificada da decisão de primeira instância em 28/10/2008 (fls. 86), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 27/11/2008 (fls. 90 a 98), sustentando basicamente os mesmos argumentos expressos na Manifestação de Inconformidade, e defendendo a possibilidade de a administração pública deixar de aplicar legislação que afronte a Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após o julgamento de primeira instância, restam contenciosos o tema principal deste processo (se a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep engloba o ICMS) e um tema que o circunda: a possibilidade de afastamento pelo julgador administrativo de norma que afronte a Constituição Federal. Da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, é de se destacar que a Lei que regula a matéria (no regime não cumulativo, que é o tratado nos autos) é a de no 10.637/2002, que dispõe em seu art. 1o: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13896.000058/200742 Acórdão n.º 3403001.774 S3C4T3 Fl. 114 5 créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 6o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Entender de forma diversa da expressa na lei, face a princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade que, como se informará adiante (no tópico intitulado “do afastamento administrativo de norma inconstitucional”), não é passível de execução na hipótese dos presentes autos. E, também, entender de forma diversa da expressa na lei com fundamento em jurisprudência relativa ao regime cumulativo não se afigura pertinente, como se trata a seguir. A contribuição para o PIS/Pasep sujeitase ao regime cumulativo (disciplinado pela Lei no 9.718/1998 e pela Medida Provisória no 2.15835/2001), ao regime não cumulativo (tratado nas Leis no 10.637/2002, no 10.833/2003, no 10.864/2004, e no 10.925/2004), ou ainda a regimes especiais (v.g., com bases de cálculo e/ou alíquotas diferenciadas ou substituição tributária, estabelecidos por legislação específica). Observandose a situação exposta e os documentos apresentados neste processo (v.g., os documentos de fls. 10 a 12), reiterase que se está aqui a tratar do regime não cumulativo. Descabe, assim, analisar a questão sob o prisma da legislação e dos entendimentos jurisprudenciais relacionados ao regime cumulativo da Lei no 9.718/1998. Aliás, assim já entendeu unanimemente esta mesma turma, há alguns meses: “A leitura do inteiro teor da sentença (fls. 154 a 157) e do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (fls. 158 a 162) revela que, conquanto o mandado de segurança tenha sido ajuizado em 29/11/2006, seu objeto restringese à exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins apuradas no regime cumulativo, ou seja sob a égide da Lei nº 9.718/98 O RE nº 574.706 está submetido ao regime do art. 543B do CPC, conforme revela pesquisa efetuada na página sobre repercussão geral do STF (tema 69). Esta pesquisa revelou que a questão constitucional que será decidida tanto o RE nº 240.785, quanto no RE nº 574.706, versa sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições no regime cumulativo. É evidente que os limites objetivos deste mandado de segurança não abrangem a apuração das bases de cálculo do PIS e Cofins no regime não cumulativo, que é o caso dos autos. A empresa não poderá utilizar a norma individual e concreta emanada desta decisão judicial para excluir o ICMS das bases de cálculo das contribuições apuradas sob o regime das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 (...)1” (grifos no original) Do afastamento administrativo de norma inconstitucional A possibilidade de afastamento pelo julgador administrativo de norma que afronte a Constituição Federal é excepcionalmente reconhecida no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação conferida pela Lei no 11.941/2009, para as hipóteses ali relacionadas (que, destaquese, não se fazem presentes neste processo). Contudo, a regra geral é pela vedação de apreciação administrativa de constitucionalidade, como se percebe na redação do caput do referido artigo 26A: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” (grifo nosso) Impendese informar derradeiramente que neste CARF a matéria já está totalmente pacificada: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan 1 CARF, Acórdão 340301.480, 3a Seção, 4a Câmarea, 3a Turma Ordinária, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime, Sessão de 21.mar.2012. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13896.000058/200742 Acórdão n.º 3403001.774 S3C4T3 Fl. 115 7 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13864.000073/2010-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, por meio de empresa que fornece a venda de refeições, mesmo que não esteja inscrita no PAT.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim.
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NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, por meio de empresa que fornece a venda de refeições, mesmo que não esteja inscrita no PAT. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 73 /2 01 0- 63 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão proferido pela DRJ/CPS que manteve crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração 37.221.480 0, no importe de R$ 88.128,74 (oitenta e oito mil cento e vinte e oito reais e setenta e quatro centavos). A autuação se deu por ter, segundo a fiscalização, fls. 13/17, deixado a empresa de recolher contribuições administradas e arrecadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e destinadas à Seguridade Social relativa a Contribuição devida a outras entidade e fundos (Salário Educação, INCRA e Fundo Aeroviário). Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante que os descreveu da seguinte maneira: 3.1. Constatouse no período fiscalizado que a empresa forneceu alimentação a seus empregados por mera liberalidade, sem o cadastro junto ao Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, considerando, portanto como salário in natura, incidentes contribuição previdenciária conforme Lei 6.321 de 14/04/1976 e Lei 8.212/91, art. 28, Inciso I e § 9o., ‘’c’’;, a empresa apresentou Notas Fiscais mercantis da empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda – CNPJ 49.930.514/000135 relativa a venda de refeições. 3.1.1. Apurouse os valores pagos relativo a Refeição através da conta contábil Benefícios a Empregados Restaurante – 0051130211. Após solicita através de TIF, a empresa apresentou Notas Fiscais mercantis da empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda – CNPJ 49.930.514/000135 relativa a venda de refeições. 3.1.2. Através da rubrica Alimentação em Folha de Pagamento apurouse os trabalhadores que usufruíram deste beneficio conforme planilha Salário Alimentação – Anexo I. 3.1.3. Para apurarmos os valores relativos ao salário alimentação , apurou se o índice do desconto de alimentação de cada trabalhador em relação ao desconto total da rubrica alimentação, por competência, e aplicouse o mesmo índice sobre o valor mensal das vendas de refeições apuradas na contabilidade, devidamente demonstrado no Anexo I. 3.1.4. Para efetuar estes lançamentos de fatos geradores de contribuição previdenciária criouse o seguinte levantamento: AL1 – Salário Alimentação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 151/171. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) – 8ª Turma DRJ/CPS, prolatou Acórdão de fls. 221/231, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.000073/201063 Acórdão n.º 2403001.733 S2C4T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, devidas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. INSCRIÇÃO NO PAT. FALTA DE COMPROVAÇÃO. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES. CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. O fornecimento de refeições para os empregados, por empresa que não comprovou estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, sujeitase ás contribuições previdencidrias. CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS. JUROS. E MULTA EXIGIBILIDADE. As contribuições previdencidrias não recolhidas ficam sujeitas à multa e aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, ambos de caráter irrelevável, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicar a legislação de regência, sob pena até de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 203/218, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Ao aplicarse o entendimento tanto do Superior Tribunal de Justiça quanto do Supremo Tribunal Federal ao caso concreto, não há como sustentar a validade dos lançamentos guerreados eis que o fato sobre o qual a Autoridade Fiscal aplicou a regra de tributação supostamente adequada, não se subsume aos delineamentos da base de cálculo da contribuição previdenciária, SEJA ELA A PARCELA DO EMPREGADO E/OU DO EMPREGADOR, sob pena de afronta a Constituição em sua totalidade normativa; Não subsistem os lançamentos impugnados em sua totalidade por desnecessidade de inscrição no PAT para exclusão dos valores incorridos para prestação de alimentação in natura aos empregados da Recorrente, uma vez que não se trata da hipótese prevista no artigo 29, parágrafo nono, alínea `c`, da Lei 8.212/91, mas sim de afronta aos limites constitucionais impostos à tributação previdenciária da remuneração, que não permitem sua incidência sobre valores que não configuram salário ou outro tipo de remuneração, conforme delineado pelo art. 195, inciso II, e 201, parágrafo 11, ambos da CF/88; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Em que pese a suposta violação assinalada, tendo em vista a licituda da conduta da Recorrente, cumpre à Autoridade Fiscalizadora aplicar multa em percentual plausível (20% a 30%) que não represente confisco e não seja desproporcional, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco, razão pela qual se faria necessário cancelamento da penalidade imputada, ou ao menos, a sua redução; Deve ser reconhecida a irregularidade de atualização monetária pela taxa SELIC, sob pena de violação frontal ao art. 161 do CTN, dentre outros. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13864.000073/201063 Acórdão n.º 2403001.733 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 234, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura (por meio de empresa que fornece a venda de refeições, fl. 14), sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílioalimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Razão pela qual, não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura, por meio de empresa que fornece a venda de refeições. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004080/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
CESSÃO DE CRÉDITO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
A cessão de crédito efetuada sem custo para cessionário, representa acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda pessoa física. Não podendo ser classificado como rendimento isento ou não tributável.
DOAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
Demonstrado nos autos que a doação não se deu de forma gratuita, ao contrário, evidenciada a existência de restrições claramente impostas aos donatários e que a doação estava vinculada a outras operações tributáveis que envolviam doador e donatário, legítima a tributação dos bens recebidos a como proventos de qualquer natureza.
Numero da decisão: 2202-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 CESSÃO DE CRÉDITO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A cessão de crédito efetuada sem custo para cessionário, representa acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda pessoa física. Não podendo ser classificado como rendimento isento ou não tributável. DOAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Demonstrado nos autos que a doação não se deu de forma gratuita, ao contrário, evidenciada a existência de restrições claramente impostas aos donatários e que a doação estava vinculada a outras operações tributáveis que envolviam doador e donatário, legítima a tributação dos bens recebidos a como proventos de qualquer natureza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A cessão de crédito efetuada sem custo para cessionário, representa acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda pessoa física. Não podendo ser classificado como rendimento isento ou não tributável. DOAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Demonstrado nos autos que a doação não se deu de forma gratuita, ao contrário, evidenciada a existência de restrições claramente impostas aos donatários e que a doação estava vinculada a outras operações tributáveis que envolviam doador e donatário, legítima a tributação dos bens recebidos a como “proventos de qualquer natureza”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 40 80 /2 00 7- 07 Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício de 2004, 2005 e 2006, sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, sem vínculo empregatício e rendimentos classificados incorretamente como isentos e não tributáveis na DIRPF. Auto de Infração a fls. 04 a13. Termo de verificação Fiscal a fls. 38 e segts. Conforme consta dos autos a autuação decorre do seguinte constatação fiscal: “ omissão de rendimentos tributáveis recebidos das pessoas jurídicas Clinica Nefrológica de Minas Gerais Ltda. CLINEMGE, Centro Nefrológico de Minas Gerais Ltda. CENEMGE, e NEFRON Ltda.. Os rendimentos referemse a pagamentos efetuados pelas clinicas dos créditos recebidos pelo contribuinte em cessão onerosa de créditos em que o cedente RTS Comercial e Administração Ltda., atribuiu encargos aos cessionários. As "cessões de créditos" podem ser entendidas como um pagamento As pessoas físicas dos sóciosmédicos pelas condições impostas pelo cedente, que limitam o livre exercício empresarial e comercial dos sóciosmédicos durante 5 anos. As remunerações recebidas não foram informadas como rendimentos tributáveis nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2004 a 2006. classificação incorreta dos rendimentos como isentos e não tributáveis na declaração de ajuste anual. 0 contribuinte recebeu doação onerosa em que o doador RTS Comercial e Administração Ltda., atribui encargos ao donatário. A prova de que a doação é onerosa ou modal está circunstanciada na cláusula 5° dos Instrumentos Particulares de Cessão de Credito e Doação de Equipamentos. Nela está expressamente previsto que os donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrerem das transações, na forma prevista no art. 553 do Código Civil. O Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR11999, considera como isenta a doação desde que não exista contraprestação por parte do donatário. As doações e cessões de créditos podem ser entendidas como pagamento aos sóciosmédicos pelas condições impostas pelo doador e cedente, que limitam o livre exercício empresarial e comercial dos sóciosmédicos pelo prazo de 5 anos.” Decisão recorrida (fls. 117/127), com ciência em 24.08.2011 (AR fls. 955), manteve a autuação sob o fundamento de a doação isenta deve ser liberalidade do doador e não houve comprovação da inexistência de encargo para admitir a isenção. Recurso Voluntário a fls. 957 a 979 alega em síntese, que o objeto da autuação, a omissão de rendimentos (item I) e a reclassificação de rendimentos (item II) decorrem de doação pura, sem encargo ou contraprestação, feita pela empresa RTS, não sujeita ao imposto de renda, tanto que a doação sofreu tributação pelo ITCMD. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 5 4 Para justificar a doação, sustenta que a doadora – TRS é uma multinacional, fabricante de equipamentos médicos renais, firmou contrato de prestação de serviços com três clinicas médicas, a Clinemge, Cenemge, e Nefron, do qual o Recorrente é um dos sócios. Fato público, diz, ocorreu na cidade de Caruaru, Pernambuco com o surto de doenças renais pela contaminação da água, com diversos óbitos, obrigando o Ministério da Saúde a editar Portaria para disciplinar a matéria e servir de referencia nacional. Com isso as clinicas experimentaram a enormes prejuízos inviabilizandoas razão da doação. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A decisão recorrida esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O imposto de renda incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. São tributáveis os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção. ISENÇÃO. DOAÇÃO De acordo com o art. 538, do Código Civil, considerouse doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. A isenção do imposto de renda diz respeito ao valor recebido do doador por estrita liberalidade. Cuidase de autuação do imposto de renda pessoa física, com dois itens, conforme consta da autuação: I – Omissão de rendimentos tributáveis recebidos das pessoas jurídicas Clinica CLINEMGE, CENEMGE, e NEFRON Ltda. Os rendimentos referemse a pagamentos efetuados pelas clinicas dos créditos recebidos pelo contribuinte em cessão onerosa de créditos em que o cedente RTS Comercial e Administração Ltda., atribuiu encargos aos cessionários. As "cessões de créditos" podem ser entendidas como um pagamento As pessoas físicas dos sóciosmédicos pelas condições impostas pelo cedente, que limitam o livre exercício empresarial e comercial dos sóciosmédicos durante cinco anos. As remunerações recebidas não foram informadas como rendimentos tributáveis nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2004 a 2006. II Classificação incorreta dos rendimentos como isentos e não tributáveis na declaração de ajuste anual. O contribuinte recebeu doação onerosa em que o doador RTS Comercial e Administração Ltda., atribui encargos ao donatário. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 7 6 A prova de que a doação é onerosa ou modal está circunstanciada na cláusula 5ª dos Instrumentos Particulares de Cessão de Credito e Doação de Equipamentos. Nela está expressamente previsto que os donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrerem das transações, na forma prevista no art. 553 do Código Civil. O Decreto n° 3.000, de 1999, RIR11999, considera como isenta a doação desde que não exista contraprestação por parte do donatário. As doações e cessões de créditos podem ser entendidas como pagamento aos sóciosmédicos pelas condições impostas pelo doador e cedente, que limitam o livre exercício empresarial e comercial dos sóciosmédicos pelo prazo de cinco anos. O fato decorre da doação de equipamentos e cessão do direito de crédito a titulo gratuito com a reclassificação dos rendimentos declarados não sujeitos ao imposto. Entendeu a autuação e a decisão recorrida que a doação ocorreu com encargo, sem liberalidade e não houve comprovação da inexistência do encargo para admitir a isenção dos rendimentos declarados. A decisão recorrida manteve a autuação com base no relatório de fiscalização: “A prova de que a doação é onerosa ou modal está circunstanciada na cláusula 5° dos Instrumentos Particulares de Cessão de Crédito e Doação de Equipamentos”. A Cláusula 5ª do Contrato de cessão de crédito e doação de equipamentos, firmado pelo Recorrente para a empresa RTS (fls. 202), esta assim redigida: “Cláusula 5°. Os cessionários/donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrem das transações acima na forma prevista no art. 553, do Código Civil, inclusive as de natureza fiscal, obrigandose a reportar adequadamente às autoridades no que se fizer necessário " (grifamos). Ao Recorrente sustenta que a doação se fez sem encargo e, ainda que fosse com encargo, haveria isenção do imposto porque a lei não faz distinção entre doação com e sem encargo, tanto que se sujeitou ao Imposto estadual sobre doação ITCMD. A questão aqui é saber se a doação se fez com ou sem encargo, sendo com encargo pode ser sujeitar ao imposto de renda? Para responder a essas questões devemos examinar as condições do contrato firmado, a lei tributária e a lei civil (Código Civil). O Relatório de fiscalização no item 29 (fls. 23), destaca: A comprovação de que a doação foi onerosa ou modal está consubstanciada na cláusula 5ª dos "INSTRUMENTOS Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 8 7 PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS" que expressamente estipulou: Cláusula 5ª. 5ª. Os cessionários/donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrem das transações acima na forma prevista no Art. 553 do Código Civil, inclusive as de natureza fiscal, obrigandose a reportar adequadamente ás autoridades no que se fizer necessário. (grifo do original). Observase pela referida Cláusula 5ª do contrato que se trata de doação onerosa, de previsão expressa dessa condição: “Os cessionários/donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrem das transações... inclusive as de natureza fiscal,..”, Reafirmase a existência de doação com encargo ao citar expressamente o art. 553, do Código Civil, que possui a seguinte redação: Art. 553. O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação, caso forem a benefício do doador, de terceiro, ou do interesse geral. Com a disposição contratual expressa impossível admitir a tese do Recorrente no sentido de que a doação se fez sem encargo. Agora, o encargo desnatura a doação? Deixa de ser doação e todo o negócio passa a se sujeitar ao imposto de renda? Para responder a essas questões, devemos examinar, além do contrato firmado, a lei tributária e a lei civil (Código Civil). Vamos ao exame da legislação do imposto de renda. Lei n° 7.713, de 1988: "Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ........ XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança;" RIR/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ....... XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); A decisão recorrida manteve a autuação sob o fundamento de o art. 538, do Código Civil e do Manual de Perguntas e Respostas, denominado no jargão de O Perguntão, da Receita Federal, excluírem a doação com encargo pela falta de prova do encargo. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 9 8 O Perguntão está assim redigido: ENCARGO DE DOAÇÃO MODAL 208 — Os valores recebidos em razão do encargo estipulado em doação modal de bens ou direitos são tributáveis? Sim. A doação modal ou onerosa é aquela que traz consigo um encargo para o donatário. Os valores recebidos em função desse encargo estão sujeitos ao recolhimento mensal (carne ledo), se recebidos de pessoa física ou, na fonte, se pagos por pessoa jurídica, e na declaração de ajuste. (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/IRPF/2006/perg untas/RendimentosTributaveisOutros.htm). O Manual é expresso em fixar que os valores recebidos em razão do encargo estipulado em doação modal de bens ou direitos são tributáveis. Explica, doação modal ou onerosa é aquela que traz consigo um encargo para o donatário. Completa a explicação: Os valores recebidos em função desse encargo estão sujeitos ao recolhimento mensal (carneledo), se recebidos de pessoa física ou, na fonte, se pagos por pessoa jurídica, e na declaração de ajuste. Os arts. 538 e 540, do Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002), possuem a seguinte redação: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. O Código Civil deixa claro que a doação pode ser feita com encargo e esta condição –o encargo – não desnatura a doação. WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, leciona “Espécie de doação: Em essência a doação é contrato benéfico, inspirado no propósito que anima o doador de contemplar o donatário com uma liberalidade. Ela é pura e simples, ou típica (vera et absoluta), quando restrição alguma se impõe ao beneficiário amplamente desfrutado pelo donatário, sem qualquer limitação. Mas, pode ser efetuada com encargo, hipótese em que se denomina de modal ou onerosa (donatione sub modo). Encargo é incumbência cometida ao donatário pelo doador, em favor deste, de terceiro, ou do interesse geral (art. 1.180); por exemplo, doação feita com a obrigação de construir o donatário, no terreno objetivado pela liberalidade, edifício para escola ou Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 10 9 hospital,” (Curso de direito civil, Direito das obrigações, 2ª parte, Ed Saraiva, 15ª ed. , 1980, SP, p. 122). MARIA HELENA DINIZ, ensina: A doação modal ou com encargo é aquela em que no doador impõe ao donatário uma prestação em seu beneficio, em proveito de terceiros ou no interesse social (...). Na parte que exceder o valor do encargo haverá liberalidade, e, se houver equivalência entre o objeto doado e o valor do encargo, o contrato será oneroso (Código Civil Anotado, Ed. Saraiva, 16ª ed. 2012, SP, p. 461, destacamos). WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO explica ainda “Outra espécie de doação é a remuneratória, que tem por escopo recompensar serviços ou favores prestados ao doador, sendo este o motivo determinante, é claro que, na parte correspondente retribuição dos serviços, o ato, em verdade, não é doação mas pagamento; só haverá doação quanto a parte que exceder o valor dos serviços” (op.cit, Curso, p. 123). Na doação modal, onerosa ou com encargo, o donatário fica com a incumbência de cumprir uma obrigação sem descaracterizar o ajuste. O encargo não é doação, conforme prevê a parte final do art. 540, do CC. O Manuel de Perguntas e Respostas da Receita Federal expressa esse entendimento ao fixar: “os valores recebidos em função desse encargo estão sujeitos ao imposto”. Não sendo o encargo doação pode ser tributado como rendimento ou receita pelo imposto de renda. Notese, não é a totalidade da doação que pode ser tributada, apenas o valor equivalente ao encargo. O excedente ao encargo é liberalidade, é doação pura, isenta do imposto de renda, mas sujeito ao ITCMD, conforme sustenta o Recorrente. Temos assim que conceito de doação aplicável ao imposto de renda é aquele do Código Civil, a teor dos arts. 109 e 110, do CTN, e pode ser onerosa, com encargo, sem que isso a descaracterize a doação. A decisão recorrida entendeu haver tributação apenas do encargo, ao fixar: Assim, são isentos o valor recebido na doação pura ou típica ou o valor que exceda o dos serviços remunerados ou o encargo imposto, nas doações remuneratória e modal, respectivamente. No entanto, por entender que a prova do excesso – parte tributada cabia ao contribuinte admitiu a tributação da totalidade: “No caso, o contribuinte não comprovou que, em se tratando de encargo, haveria valor que o exceda e, por conseguinte, parcela isenta do imposto.” Percebese claramente pelo procedimento fiscal adotado que a doação foi descaracterizada pela falta de prova do encargo pelo autuado. O ônus dessa prova é do contribuinte? Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 11 10 O lançamento – autuação – é ato constitutivo do direito ao crédito, segundo a qual “compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento e determinar a matéria tributável”, a teor do art. 142, do CTN. Saber o valor do encargo, parte tributada na doação, é tarefa da autuação na constituição do crédito tributário. A prova é ônus da fiscalização, jamais do autuado. Para tributar a totalidade da doação, como fez a autuação, seria necessário descaracterizar o contrato de doação, não se cogitou, mas foi o que se fez com o falso entendimento da ausência de prova do encargo sob a responsabilidade do contribuinte. Não houve inversão o ônus da prova e nem seria permitido de o contribuinte fazer a comprovação e, na falta, presumir a incidência sobre a totalidade da doação. Mesmo onde existe a inversão do ônus da prova, a exemplo do depósito bancário, o sujeito passivo é instado a comprovar fato contrário, extintivo ou modificativo do direito, para que se operar a presunção no plano do direito material. Poderia ser descaracterizada a doação se o encargo fosse equivalente ou superior a doação. Nesta situação, o contrato seria oneroso, não se tratando de doação, mas compra, venda ou prestações de serviços. Tocante a cessão do direito de crédito realizada a titulo gratuito, sem ônus, salvo o encargo. A cessão de direito a titulo gratuito equiparase a doação. Possui a denominação de cessão de direitos por se tratar de contato nominado com nomes no Código Civil, nada mais. Grosso modo, se não houvesse no direito positivo a cessão de direitos por certo seria doação. Caso não existisse a doação no Código, seria compra e venda a titulo gratuito. Em essência material não há distinção entre doação e cessão de direito a titulo gratuito. Havendo encargo, como há, poderia e deveria ser tributada a parcela, jamais a totalidade, como fez a autuação. Conforme vemos, a autuação e a decisão recorrida não agiram com o costumeiro acerto na apuração da materialidade da incidência com a tributação da totalidade da doação e da cessão de direito a titulo gratuito, quando caberia apenas incidência da parcela encargo. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Redatora Designada Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar. Quanto à doação dos equipamentos recebidos pelo contribuinte, não se discorda que a aquisição de bens por doação, a princípio, se enquadra na isenção prevista no art. 6o, inciso XVI, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Contudo, importa perquirir se a doação se deu de forma onerosa ou não. Não se pode olvidar que são tributáveis todos os rendimentos produto do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos, bem como os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, que não estiverem contemplados nas hipóteses de isenção (art. 3o, §1o, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e que tributação dos rendimentos independe de sua denominação, bastando que fique demonstrado o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (art. 3o, §4o, da Lei no 7.713, de 1988). O fato de constar do Instrumento de Cessão de Crédito e Doação de Equipamentos que a doação teria sido feita sem qualquer condição ou ônus, conforme trecho transcrito pelo relator vencido, não é, por si só, suficiente para que a doação em discussão seja considerada isenta nos termos da lei. Para o deslinde da questão importa analisar os Instrumentos de Cessão de Crédito e Doação de Equipamentos em conjunto com os Contratos de Locação de Equipamentos e Prestação de Serviços firmados entre RTS Comercial e Administração Ltda. (doadora) e as empresas das quais o contribuinte era sócio, assim como as respectivas rescisões contratuais. Nesse aspecto, fazse oportuno transcrever parte do Termo de Verificação Fiscal em que o autuante examinou tais documentos (fls. 18 a 23): 9. Analisandose os Contratos de Locação de Equipamentos, celebrados em 24/11/1997, entre a empresa RTS COMERCIAL E ADMINISTRAÇÃO LTDA e as empresas CLÍNICA NEFROLÓGICA DE MINAS GERAIS LTDA CLINEMGE, CENTRO NEFROLÓGICO DE MINAS GERAIS LTDA CENEMGE e NEFRON LTDA, constatamos tratarse de locação de equipamentos de hemodiálise da RTS às clínicas, cujo prazo de locação era de 15 (quinze) anos, com início em 01/01/1998 e término em 01/01/2013, renovável automaticamente por períodos iguais e sucessivos de 15 anos. O valor da locação não foi determinado de forma objetiva, visto que na cláusula 5ª ficou convencionado que as Clínicas ou Centro pagariam pontualmente à RTS um aluguel igual ao custo da RTS (incluindo depreciação) para manter em seu ativo o equipamento. Ficou convencionado, ainda, que as clínicas reembolsariam à RTS todas as despesas com manutenção e conserto do equipamento. Os contratos previam, ademais, que rescisão contratual não eximiria as partes de qualquer obrigação subsistente na data da rescisão (Anexo II); Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 13 12 10. Já os Contratos de Serviços, celebrados em 24/11/1997, entre a empresa RTS COMERCIAL E ADMINISTRAÇÃO LTDA e as empresas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, são contratos de prestação administrativos e não clínicos pela RTS às Clínicas ou Centro, cujo prazo da prestação de serviços era de 15 (quinze) anos, com início em 01/01/1998 e término em 01/01/2013, renovável automaticamente por períodos iguais e sucessivos de 15 anos. Os pagamentos pelos serviços prestados pela RTS também não foram definidos de forma objetiva, haja vista que, pelos serviços prestados, a RTS receberia mensalmente das clínicas o reembolso das despesas efetivamente associadas aos serviços e mais 75% dos lucros ajustados antes do imposto de renda das clínicas ou centros (reembolso de despesas e honorários de serviços). Os contratos previam, ademais, que rescisão contratual não eximiria as partes de qualquer obrigação subsistente na data da rescisão (Anexo II); 11. Registrese, a propósito, que os sóciosquotista das empresas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON são as mesmas pessoas, ou seja, os médicos Leidson Durães de Alkmim, Geraldo Darcy dos Santos, Eduardo Roberto da Silveira, Mário Antônio Mafra Macedo e Roberto Eduardo Salum; 12. Em 30 de Setembro de 2003 ocorreu a rescisão contratual por mútuo acordo do contrato de serviços, consoante "INSTRUMENTO PARTICULAR DE DISTRATO E TRANSAÇÃO COM QUITAÇÃO GERAL DO CONTRATO DE SERVIÇOS FIRMADO EM 24 DE NOVEMBRO DE 19997" celebrado entre a RTS e CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, tendo como intervenientes anuentes, os médicos Leidson Durães de Alkmim, Geraldo Darcy dos Santos, Eduardo Roberto da Silveira, Mário Antônio Mafra Macedo e Roberto Eduardo Salum (Anexo II); [...] 16. Outra particularidade que se observa é que as clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON manifestaram suas irrevogáveis concordâncias a uma possível cessão, a qualquer tempo, dos créditos da RTS para os próprios sócio médicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, Srs. Leidson Durães de Alkmim, Geraldo Darcy dos Santos, Eduardo Roberto da Silveira, Mário Antônio Mafra Macedo e Roberto Eduardo Salum, mantida a obrigação firme da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON de efetuar os pagamentos aos cessionários na forma pactuada (cláusula 3ª); 17. Não é necessário muito esforço para inferir que, presumivelmente, os sóciomédicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON já sabiam de antemão que a RTS cederia seus créditos contra as clínicas (CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON) para os próprios sóciomédicos, isto é, eles receberiam em cessão onerosa o créditos da RTS com a obrigação de implementar os compromissos assumidos durante o prazo de 5 (cinco) anos; 18. De fato, depois de decorridos menos de dois meses dos distratos dos contratos de serviços, ou seja, em 26 de Novembro de 2003, ocorreu a cessão de créditos e doação de equipamentos aos sóciomédicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, conforme “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS (Anexo II); 19. Na mesma esteira do contrato de serviços, em 30 de Setembro de 2003 ocorreu a rescisão contratual por mútuo acordo do contrato de locação de equipamentos de hemodiálise, consoante “INSTRUMENTO PARTICULAR DE Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 14 13 DISTRATO E DE TRANSAÇÃO COM QUITAÇÃO GERAL DO CONTRATO DE LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS FIRMADO EM 24 DE NOVEMBRO DE 1997", celebrado entre a RTS e CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON (Anexo II); [...] 23. Registrese que, idêntico ao que ocorreu com o contrato de serviços, as clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON manifestaram suas irrevogáveis concordâncias a uma possível cessão, qualquer tempo, dos créditos da RTS para os próprios sóciomédicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, Srs. Leidson Durães de Alkmim, Geraldo Darcy dos Santos, Eduardo Roberto da Silveira, Mário Antônio Mafra Macedo e Roberto Eduardo Salum, mantida a obrigação firme da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON de efetuar os pagamentos aos cessionários na forma pactuada (cláusula 4ª); 24. As clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON deveriam devolver à RTS os equipamentos objetos da locação resilida em perfeito estado de funcionamento para os fins a que se destinam. Todavia, os sóciomédicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, presumivelmente, já sabiam de antemão que receberiam os equipamentos a serem restituídos em doação onerosa ou modal, ou seja, receberiam a doação onerosa dos equipamentos com a obrigação de implementar o compromisso assumido durante o prazo de 5 (cinco) anos; 25. Em 26 Novembro de 2003, ocorreu a cessão de créditos e doação de equipamentos aos sóciomédicos da CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, conforme "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS (Anexo II); 26. Nestes instrumentos a RTS doa, com encargos, equipamentos aos médicos Leidson Durães de Alkmim, Geraldo Darcy dos Santos, Eduardo Roberto da Silveira, Mário Antônio Mafra Macedo e Roberto Eduardo Salum, bem como cede aos médicos os direitos creditícios da RTS contra as clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, tendo como intervenientes anuentes as próprias clínicas; 27. Observese que os "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS" estão intrinsecamente vinculados, de forma implícita, aos "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE DISTRATO" tanto de serviços como de locação, haja vista que os médicosdonatários e cessionários, bem como os intervenientes anuentes (clínicas) ficaram sujeitos ao adimplemento da obrigação, no prazo estipulado, qual seja, durante 5 (cinco) anos os médicos donatários comprometeram a: a) não investir, associarse ou participar da propriedade, administração, operação ou controle de qualquer empresa que detenha, administre ou venda produtos ou serviços para clínicas prestadoras de serviços na área de terapia renal; b) não transferir qualquer direito de participação das clínicas (CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON) para quaisquer terceiros que detenham, administrem ou vendam produtos ou serviços para clínicas prestadoras de serviços na área de terapia renal; c) não fazer com que suas clínicas (CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON) transfira qualquer licença, alvará ou autorização relevante à operação das clínicas (CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON) a qualquer terceiro que detenha, administre ou venda produtos ou serviços para clínicas prestadoras de sérvios na área de terapia renal; Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 15 14 d) os médicos intervenientes anuentes se comprometem a revogar todas as procurações que tenham sito outorgadas, por instrumento público ou particular, aos empregados da RTS para consecução do objeto social do Contrato de Serviços, arcando com os custos de tais revogações; e) manter sigilo e não divulgar a terceiros as informações relativas às operações e atividades que conjuntamente desenvolveram durante a vigência do Contrato de Serviço e Locação, bem como dos termos e condições do distrato; 28. Portanto, tratase de doação onerosa ou modal de equipamentos em que o doador atribuiu encargos aos donatários; 29. A comprovação de que a doação foi onerosa ou modal está consubstanciada na cláusula 5ª dos "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS" que expressamente estipulou: Cláusula 5ª “5. Os cessionários/donatários assumem pessoalmente todos os ônus e encargos que eventualmente decorrem das transações acima na forma prevista no Art. 553 do Código Civil, inclusive as de natureza fiscal, obrigandose a reportar adequadamente às autoridades no que se fizer necessário.” (grifo nosso) Como se percebe, o autuante logrou comprovar a vinculação entre as rescisões contratuais e as doações de equipamentos, demonstrando que desde a formalização dos distratos entre a RTS e as empresas de propriedade do contribuinte já estava previsto, como de fato ocorreu, a cessão dos créditos e a doação dos equipamentos, condicionada às restrições impostas pela cedente e/ou doadora. Entendo, assim, que não de trata de doação gratuita, feita por mera liberalidade, mas de um rendimento tributável, classificado como “proventos de qualquer natureza” e, portanto, tributável, da mesma forma que foram tributados os créditos cedidos. No que se refere à cessão do direito de crédito, aplicase tudo quanto foi dito em relação a doação dos equipamentos, eis que formalizada no mesmo instrumento (“Instrumento de Cessão de Crédito e Doação de Equipamentos”), com as mesmas restrições acima mencionadas, representou acréscimo patrimonial a descoberto para os cessionários, classificandose como proventos de qualquer natureza sujeitos a incidência do imposto de renda. O autuante com muita propriedade afirma que (fls. 27 e 28): 45. Como os "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS" estão intrinsecamente vinculados, de forma implícita, aos "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE DISTRATO" tanto de serviços como de locação, haja vista que os médicosdonatários e os intervenientes anuentes ficaram sujeitos ao adimplemento da obrigação, no prazo estipulado, qual seja, se comprometeram a cumprir diversas condições que limitam o exercício da livre iniciativa empresarial durante 5 (cinco) anos. Portanto, estamos diante de um fato jurídico de condição resolutiva e por via de conseqüência ocorreu o fato gerador do imposto de renda, devendose cobrar o imposto devido; 46. Pugnase fazer um comentário sucinto sobre os créditos cedidos pela RTS. Ora, se a RTS recebesse os créditos das clínicas, estes seriam receita tributável da Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 16 15 RTS, compondose a base de cálculo para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não se admite, ou não há previsão legal no sentido de que quando do recebimento de créditos cedidos, o cessionário ficar isento do pagamento do imposto de renda sobre tais recursos recebidos, pois, houve acréscimo patrimonial para os cessionários. Se a tese da não tributação prosperar, tornarseia uma balbúrdia e muito fácil de se burlar a legislação tributária. Senão vejamos: qualquer empresa que tem créditos a receber, e sabendose que quando receber os créditos os valores serão tributados, tenderia, para escapar da tributação, a ceder os créditos para um terceiro, para que o terceiro não seja tributado, ou combinar com o terceiro da seguinte forma: cedolhe créditos, mas o terceiro cessionário se compromete a pagar uma dívida da empresa cedente ou darlhe outro benefício quando receber os créditos cedidos, e, assim nunca ocorrer a tributação dos créditos da empresacedente; 47. Em outras palavras, recebimentos de créditos decorrentes de prestação de serviço e de locação de equipamentos são receitas tributáveis, e sua natureza jurídica não se transmuda pelo simples fato de serem cedidos a terceiros. Portanto, deve o cessionário oferecêlos à tributação; 48. As cessões de créditos consubstanciadas nos "INSTRUMENTOS PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS E DOAÇÃO DE EQUIPAMENTOS" estão devidamente escriturados nos livros Diário e Razão das clinicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON, da seguinte forma: Passivo Circulante, conta 2.1.01.01, denominação "Fornecedor a Pagar", subcontas 2.1.01.01.0002, denominação "Fornecedor RTS/Clínicas", 2.1.01.01.0004, denominação "Alugueis a Pagar RTS", 2.1.01.01.0005 — "Gestão Adm. Pagar RTS", 2.1.01.01.0006 — "Reembolso Pagar RTS", 2.1.01.01.0007 — Gestão Especial Pagar" e conta 2.1.01.11, denominação "Títulos a Pagar Curto Prazo", sub conta 2.1.01.11.001, denominação "Finan. RTS/Outras Clínicas". Verificamos, ainda, que as sobrecitadas subcontas foram zeradas e seus valores transferidos em contrapartidas de lançamentos para a, conta, de Passivo 2.1.01.07 "Credores Diversos", subcontas 2.1.01.07.0001 — Leidson Durães de Alkmim", 2.1.01.07.0002 — "Geraldo Darcy dos Santos", 2.1.01.07.0003 — "Eduardo Roberto da Silveira", 2.1.01.07.0004 — "Mário Antônio Mafra Macedo" e 2.1.01.07.0005 — "Roberto Eduardo Salum". Os históricos de lançamentos das sobrecitadas subcontas é "Valores Transferidos Conforme Contrato de Doação em 26/11/2003, como se afere das cópias dos livros Diário e Razão Analítico de 01/Novembro a 31/Dezembro de 2003 (Anexo I); 49. Verificamos, ainda, que a partir de 30/04/2005 houve a transferência das obrigações de pagamentos das clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON para com os sóciomédicos, de passivo de curtoprazo para o Passivo de Longo Prazo, ou seja, transferência para Passivo Exigível a Longo Prazo (Obrigações a Longo Prazo), conta 2.2.01.02 "Credores Diversos", subcontas 2.2.01.02.0001 —Leidson Durães de Alkmim", 2.2.01.02.0002 — "Geraldo Darcy dos Santos", 2.2.01.02.0003 — "Eduardo Roberto da Silveira", 2.2.01.02.0004 — "Mário Antônio Mafia Macedo" e 2.2.01.02.0005 — "Roberto Eduardo Salum", cujo histórico lançamento é "transferência para nova nomeclatura", vide Razão Analítico referente ao ano calendário de 2005 (Anexo I); 50. Procedemos à análise dos lançamentos contábeis dos fatos jurídicos e verificamos que os pagamentos dos créditos aos sóciosmédicos foram efetuados pelas clínicas CLINEMGE, CENEMGE e NEFRON através da conta corrente n° 3014/6656501, de titularidade da CLINEMGE, conta corrente n° 30147/6656110, de titularidade da CENEMGE e conta corrente n°30147/6651151, de titularidade Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.004080/200707 Acórdão n.º 2202002.051 S2C2T2 Fl. 17 16 da NEFRON, ambas contas correntes mantidas no Banco Brasil S/A, consoante cópias dos livros Diário e Razão Analítico (Anexo I); Pelos fundamentos expostos, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903182/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA.
O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova.
Processo Anulado
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3803-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a(s) Declaração(ões) de compensação controvertida(s), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator, que negou provimento ao recurso, e o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não o conheceu. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA. O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova. Processo Anulado Sem Crédito em Litígio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. CANCELAMENTO. A existência de pendência fiscal da Contribuinte na Receita Federal do Brasil, de contribuição tempestivamente paga, enseja o cancelamento da declaração de compensação transmitida no intuito de saneála, denotando duplicidade na confissão e extinção do débito, uma vez comprovada a identidade dos débitos, por meio da escrita contábil, regular em seus requisitos formais. Em situação tal, devese obedecer os princípios da legalidade e da moralidade que regem a Administração Pública Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA. O processo Administrativo Fiscal regese pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova. Processo Anulado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 31 82 /2 00 8- 19 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a(s) Declaração(ões) de compensação controvertida(s), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator, que negou provimento ao recurso, e o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não o conheceu. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório BARROS PIMENTEL ENGENHARIA LTDA.transmitiu o PER/Dcomp nº 21150.16190.030904.1.3.047011, com vistas a extinguir débito de Cofins, do período de apuração de jul/2000, no valor de R$ 25.000,00, pela via de sua compensação com direito creditório advindo de indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. A Delegacia da Receita Receita Federal do Brasil competente para analisar o pleito, por meio de Despacho Decisório Eletrônico, indeferiuo integralmente porque o pagamento invocado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na Dcomp. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou ter sido induzido ao erro por informação prestada pelo servidor público que o atendeu e que a presente DCOMP foi declarada para possibilitar a emissão de Certidão Negativa de Débito – CND requerida e que não teve intenção de se compensar em duplicidade. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05037.527, de 4 de abril de 2012, fls. 26 a 30, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903182/200819 Acórdão n.º 3803003.592 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 7ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 37 a 40, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que calculou o valor da contribuição em causa com base na estimativa do faturamento do período de competência, entretanto, o valor do faturamento foi inferior ao estimado. Apontado o débito, o contador da recorrente compareceu ao plantão da Delegacia da Receita Federal de Campinas, expôs os fatos suprarreferidos e foi orientado a fazer uma PER/DCOMP, compensandose o débito que foi recolhido a maior com o valor realmente devido. Reconhece, no entanto, que não há meios de se comprovar o comparecimento ao plantão e a resposta dada pela consulta formulada ao Fiscal plantonista. Inobstante a ausência de meios de comprovação, a orientação dada ao contador da recorrente foi que fizesse um PER/DCOMP, compensando o débito recolhido a maior com o devido. Assim foi que, seguindo a orientação obtida pelo plantonista da Receita, a recorrente procedeu à elaboração do PER/DCOMP nº 21150.16190.030904.1.3.047011, compensando o valor que havia apurado por estimativa com o valor realmente devido. Por via de consequência, a situação fática acima exposta levou à presunção de que a contribuição que serviu de base para a compensação já havia sido compensada. Acusa a ocorrência de erro material no julgamento de primeira instância, se ao considerar que a contribuição que serviu de base para a compensação já havia sido compensada. Destaca, na folha do Livro Diário acostados aos autos juntamente com a peça recursal, que o valor referente à contribuição em foco no mês de competência de julho de 2000 era de R$ 13.601,73; porém, o recolhimento, feito com base no valor estimado do faturamento, foi de R$ 25.000,00, conforme comprovaria a guia DARF que diz juntar ao recurso. Ainda, na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do ano base de 2000 (recibo de n 2507227082), o valor da Cofins da competência de julho de 2000 é de R$ 13.601,73. Daí a razão de o sistema da Receita acusar a falta de recolhimento da Cofins no valor de R$ 13.601,73, concernente à competência de julho de 2000, evidenciandose que a cobrança do débito está sendo feita em duplicidade. Pede provimento para o fim de ver cancelada a cobrança do débito. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 37 a 40 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS7ª Turma nº 05037.527, de 4 de abril de 2012. De pronto, julgo conveniente esclarecer ao recorrente que o pagamento indigitado como sendo a maior, no valor de R$ 25.000,00, foi totalmente absorvido para a quitação dos débitos de Cofins (cód. 2172) do PA jul/2000 (R$ 13.457,07) e do PA ago/2000 (R$ 11.542,93). Tratandose de pagamento alocado a débito(s) espontaneamente confessado(s), não há falar em pagamento a maior. O atributo de irretratabilidade da confissão espontânea de dívida somente pode ser afastado mediante prova cabal de erro na declaração, consoante o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 . Tal prova, no entanto, não existe nos autos. Os documentos que instruem A decisão recorrida não acolheu a exceção de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DIPJ para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de reclamação administrativa, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia. No recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903182/200819 Acórdão n.º 3803003.592 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 6 desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. Desta forma, deixo de considerálos no julgamento da presente lide. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (cópia da Dcomp nº 21150.16190.030904.1.3.047011, cópia de 1 (uma) folha do livro e de balancete de verificação, cópia do DARF representativo do pagamento apontado como a maior e cópia da Ficcha 19A da DIPJ do anocalendário de interesse), devese sublinhar que os mesmos não são suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903182/200819 Acórdão n.º 3803003.592 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 7 patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/07/2000 a 31/07/2000) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado em DCTF retificadora (que no presente caso sequer foi apresentada) e na DIPJ retificadora, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Com a devida vênia para o registro, tenho em conta que o voto do d. Relator foi norteado por um equívoco na sua percepção dos fatos que subjazem neste processo, pela apreciação inadequada da prova e pelo aspecto formal de sua preclusão, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF. A verdade real dos fatos se pronunciam já dos próprios registros constantes destes autos. Primeiro, reprisese, o despacho decisório certifica o pagamento de Cofins, código de receita 2172, do período de apuração (PA) julho de 2000, no valor R$ 25.000,00, arrecadado em 15/08/2000. Segundo, que o SIEF fora gravado pela informação prestada na DIPJ/2001 e efetivamente alimentado com o débito de Cofins, código de receita 2172, referente ao mês de julho de 2000, em igual valor, R$ 13.457,07, conforme o atesta o sistema da RFB “Informações de Apoio para Emissão de Certidão, fl 58, anexo do recurso voluntário, nele constando este quantum como Valor Original (do débito) e como Saldo Devedor Original. O documento da Administração Tributária está datado de 03 de agosto de 2004, às 9:40h. Ele está a informar que até essa data, três anos e sete meses depois, nenhum pagamento fora alocado ao débito confessado, não obstante existir, desde 15 de agosto de 2000, no sistema de pagamento da RFB, um DARF pago de R$ 25.000,00, código de receita 2172, para o débito deste PA. Disso, se dessume que o pagamento estava, então, disponível. A solução simples, apenas de alocação manual, foi complicada com a transmissão da DComp utilizandose o pagamento que estava disponível. Se, de fato, houve a orientação de servidor para a compensação via DComp, segundo afirma a Recorrente reconhecendo a dificuldade de poder proválo, ela foi despropositada. Só não contavam, nem servidor nem a Contribuinte, que a DComp estava gerando um novo débito para o dito PA. A alocação manual foi, enfim, procedida e a diferença, R$ 11.542,93, alocada ao débito do mês Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 8 de agosto/2000, extinguindoo no valor desta parcela, em um tempo entre a pesquisa de situação fiscal e o despacho decisório, que assim pôde informar que o pagamento fora totalmente utilizado. Notese que a DComp foi transmitida em 03 de setembro de 2004, após a pesquisa de situação fiscal obtida pela Contribuinte na Unidade de origem, fl. 58, anexa ao recurso voluntário. Essa sequência de eventos torna patente que o intuito da transmissão da DComp foi o de suprimir a pendência da Contribuinte perante a RFB, não de reconhecer um novo débito e constituir um crédito tributário. Este intuito é atestado, ainda, pelo fato de a Contribuinte não fazer incindir sobre o débito multa de mora nem, sobretudo, os juros. Como se não bastasse para firmar esta convicção, importa perceber que o débito conduzido na DComp é de mesmo valor do que está registrado nas “Informações de Apoio para Emissão de Certidão” e do qual foi deduzido o pagamento de R$ 25.000,00. Não há nenhum nexo apreenderse do procedimento da Contribuinte que ela pretendeu reconhecer e confessar outra parcela da Cofins de julho de 2000, de igual valor, quase quatro anos depois, e, nessa senda, em contrassenso, agir ilegalmente sem fazer incidir sobre o débito os acréscimos legais, ou, minimamente, os juros. Não introduzir os acréscimos reforça a conclusão de que pretendera extinguir por compensação o débito mesmo que estava pendente no sistema. O relatório e o voto identificam, entre os documentos anexados no recurso, cópia do Livro Diário, como se vê do excerto abaixo: A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (cópia da Dcomp nº 21150.16190.030904.1.3.047011, cópia de 1 (uma) folha do livro e de balancete de verificação, cópia do DARF representativo do pagamento apontado como a maior e cópia da Ficcha 19A da DIPJ do anocalendário de interesse), devese sublinhar que os mesmos não são suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/07/2000 a 31/07/2000) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado em DCTF retificadora (que no presente caso sequer foi apresentada) e na DIPJ retificadora, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN.[sublinhado aqui] No entanto, o d. Relator não faz a correta valoração ao aduzir que não houve apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse ... não atingiu o valor informado em DCTF...”. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903182/200819 Acórdão n.º 3803003.592 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 9 Contrariamente a sua percepção, vejo a prova está presente nos autos. Distintamente dos demais processos, neste há uma residual diferença entre o débito confessado e o escriturado no Livro Diário, doc. 3, fls. 49/50 e 53, com Termo de Abertura e Termo de Encerramento. Neste, consta (no meio da página) “COFINS ... 24106 COFINS... 31/07 vr. ref. Cofins de julho ... 13.601,73”, enquanto foi confessado R$ 13.457,07. Esta diferença deixou aberta a oportunidade de o Fisco lançar os R$ 144,66 não declarados. O valor registrado de Cofins neste livro, de escrituração obrigatória, está em conformidade com o Balancete de Verificação, fls. 51, cópia de documento da época; todas autenticadas em 21 de maio de 2012. Não obstante o débito confessado, pago com a importância de R$ 25.000,00, e também posteriormente compensado, circunscrevase ao valor de R$ 13.457,07, certo é que o débito do mês, conforme escriturado, é de R$ 13.601,73, não mais. A prova é contundente, posto ser singela, conclusa, que não depende de qualquer apuração numérica ou de confirmação adicional de existência, de autenticidade ou de validade por parte da Unidade de origem, fazendo sobrelevar dos elementos destes autos a verdade material. É consabido que, sem prejuízo do princípio da preclusão, positivado na Ordem Jurídica Brasileira, a verdade material é princípio que rege o Processo Administrativo Fiscal. Nestes autos a prova salta plena de suficiência. Pelos atributos indicados que ela reúne, sopesando ambos os princípios, entendo que se deve homenagear este último e acolhêla, para que cumpra o desiderato que lhe é próprio no âmbito do processo. Isso, porque, ante tudo o que está demonstrado, podese atribuir a ocorrência de erro de fato substancial da Contribuinte no ato de transmitir DComp com débito já extinto pelo pagamento, servindose deste próprio pagamento, imaginando estar suprimindo a pendência constante no sistema da RFB. Tratase de erro que “interessa ao objeto principal da declaração...”, o débito que a Contribuinte confessa e extingue, segundo os termos do art. 139, do Código Civil, ao definir o erro de fato substancial. Erro de fato substancial, na lição de Francisco Amaral “é aquele de tal importância que, sem ele, o ato não se realizaria. Se o agente conhecesse a verdade, não manifestaria vontade de concluir o negócio jurídico.” 2 Não se olvida que a vontade não é elemento existencial do ato jurídico strictu senso (diferentemente do que o exige o negócio jurídico), uma vez que os seus efeitos são aqueles préestabelecidos na lei. No dizer de Antonio Junqueira de Azevedo ela é incorporada e absorvida pela declaração, e pode, depois, influenciar a validade do ato e às vezes também a eficácia. Segundo essa vertente da doutrina, temos, no caso, comprometida a DComp no seu plano de eficácia, eis que consubstancia uma confissão de dívida em que esteve vulnerada a manifestação de vontade da Contribuinte, presente o vício de consentimento, por ausente o seu objeto: a Contribuinte não queria fazer o que o documento que emitiu “diz” que ela fez. 2 Amaral Francisco. Direito Civil. São Paulo: Renovar, 2003, p. 500. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Já da lição de Fabiana Del Padre Tomé3, no excerto abaixo, deduzemse afetados os planos de existência e de validade da declaração: O raciocínio é claro: se confissão é declaração de vontade, e se essa vontade é viciada, a confissão não tem objeto. E declaração sem objeto é o mesmo que declaração inexistente. Essa assertiva ainda mais se avulta em Direito Tributário: se a obrigação tributária decorre da concretização, no mundo fenomênico, daquele fato abstratamente previsto na norma jurídica (hipótese de incidência), a confissão somente tem validade na medida em que efetivamente corresponder ao fato. Em não havendo essa correlação, a declaração viciada de vontade em nada interessa ao Direito Tributário. Na intrepidez do seu ensino a Professora vai inda mais adiante, em demonstrar que não só o erro de fato, mas, também, o erro de direito enseja a revogabilidade da confissão: Por regra geral o erro de direito, isto é, sobre os efeitos jurídicos do ato, não motiva a revogação da confissão, porque não impede que o fato seja certo; mas se o erro de direito conduz à confissão de uma obrigação que não existe ou ao negar a existência de um direito que se tem, apresentase, também, em última instância, como um erro de fato, e, por conseguinte, aquele é apenas a causa deste, que autoriza sua revogação. Se o erro de fato serve para revogar a confissão, não importa que se origine a partir de um erro de direito.) Moacyr Amaral dos Santos4, corroborao quando leciona acerca da revogação da confissão, por faltarlhe objeto, na hipótese de erro fundado na falsidade do fato confessado: Dado que o confitente, por engano, narre o fato de forma diversa daquela por que se passou, há erro e, como tal, a confissão pode ser revogada, desde que o erro seja essencial. A confissão é o reconhecimento da verdade de um fato; se o fato confessado é falso, a confissão não tem causa, faltalhe objeto. Quem admite um fato, devido a erro, na realidade não confessa: non fatetur qui errat. Com esta orientação converge também Américo Masset Lacombe5, ao afirmar que “a confissão pode, pois, ser revogada se houver erro de fato.” 3 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Defesa e Provas no Processo Administrativo Tributário Federal: Momento para sua produção, espécies probatórias possíveis e exame de sua admissibilidade. In: Processo Administrativo Tributário Federal e Estadual. Organizadores: Marcelo Vianna Salomão e Aldo de Paula Júnior. São Paulo: MP Editora, 2005, p.1579. 4 SANTOS, Moacyr Amaral. Comentários ao Código de Processo Civil. V. IV. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994, p.111. 5 LACOMBE, Américo Lourenço Masset. A caracterização do parcelamento para fins tributários e criminais (novação da dívida ou mera confissão de fatos): a jurisprudência do STJ. In: Revista Internacional de Direito Tributário da ABRADT. Vol. VI. Belo Horizonte: Del Rey, 2007, p.2356. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903182/200819 Acórdão n.º 3803003.592 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 11 Repisese sucintamente: o Livro Diário e o balancete provam, de forma cabal, que o débito escriturado foi pago, inexistindo a sua duplicata constante da DComp. Assim, o conflito sob exame deve ser resolvido pelo cancelamento da declaração de compensação, sob pena de ferir, igualmente, além da verdade material que exsurge do que está provado nos autos e ora demonstrado, os princípios da legalidade e da moralidade, que devem ser obedecidos pela Administração Pública Federal, segundo o ditame do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a impedir, no caso, que se exija da Contribuinte tributo que já está pago, decorrente do ato de não homologação da DComp sob análise. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a declaração de compensação examinada. Sala das sessões, 23 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10830.000036/2004-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993
PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. ISENÇÃO.
A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1993 PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. ISENÇÃO. A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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ISENÇÃO. A isenção de rendimentos recebidos quando da rescisão de contrato de trabalho somente é concedida quando restar comprovado nos autos que o empregador instituiu programa de desligamento voluntário e que o contribuinte aderiu ao mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 00 36 /2 00 4- 14 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000036/200414 Acórdão n.º 2102002.403 S2C1T2 Fl. 124 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O contribuinte ISMAEL SILVA apresentou pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre verbas recebidas quando da rescisão do contrato de trabalho junto à empresa Rockwell Braseixos SA. Entende o contribuinte que as verbas recebidas enquadramse no conceito de verbas indenizatórias auferidas em decorrência de adesão a Plano de Demissão Voluntária (PDV). Superada a questão decadencial do pedido de restituição, conforme Acórdãos 10248.871, de 07/12/2007, fls. 26/32, e 920200.607, de 10/03/2010, fls. 50/52, a Delegacia da Receita Federal em Campinas indeferiu o pedido de restituição sob a seguinte fundamentação, extraída do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 2096, de 09/09/2010, fls. 81/82: Da análise dos documentos acostados ao processo, verificouse que o contribuinte não apresentou cópia completa do Plano de Demissão Voluntária e do Termo de sua Adesão. Assim, não conseguiu comprovar que a empresa realizou um PDV e muito menos que seu desligamento se deu por adesão ao referido plano. Mais ainda, intimada, a Arvin Meritor do Brasil Sistemas Automotivos Ltda, sucessora da Rockwell Braseixos S/A, apresentou os documentos juntados às fls. 132/150 e informou que o interessado foi demitido sem justa causa, mediante acordo firmado entre a empresa e os empregados para encerramento das atividades fabris de sua unidade localizada no município de Hortolândia. Referido "Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré" foi recebido pelo INSS e Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas. Esclarece ainda que embora previsto na cláusula 23 do referido acordo a hipótese de demissão por interesse dos funcionários, não foi estabelecido Programa de Demissão Voluntária, uma vez que o Acordo foi realizado para encerramento das atividades de Hortolândia e consolidação dos negócios em Osasco, podendo o empregado aceitar ou não a transferência para Osasco. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SP2 nº 1748.335, de 09/02/2011, fls. 91/97: Entende o contribuinte que a indenização auferida em decorrência de dispensa sem justa causa não é alcançada pela tributação do imposto de renda, por ter a natureza de ressarcimento e compensação pela perda do emprego e assegurar a subsistência do empregado e de sua família durante certo período. Argumenta que o termo PDV é utilizado por Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000036/200414 Acórdão n.º 2102002.403 S2C1T2 Fl. 125 3 analogia pelas empresas privadas, posto que a demissão incentivada não tem nada de voluntária, já que, se não houver adesão ao incentivo, fatalmente haverá uma dispensa unilateral. Afirma que a lei isenta do imposto de renda as verbas indenizatórias, quer seja a dispensa motivada ou imotivada, conforme interpretação que faz do disposto no artigo 22, inciso II, do Decreto n° 85.450/1980. Alega que, por ser irrelevante para qualificar a natureza do rendimento a denominação e outras características adotadas pela lei, a teor do artigo 4º do CTN, não se desfigura a natureza de mera indenização por despedida a circunstância de o programa que estimulou a rescisão dos contratos de trabalho ter denominado a verba de "indenização especial", de "indenização complementar adicional" ou outra qualquer. Assevera que toda e qualquer importância recebida em decorrência da perda de emprego tem caráter indenizatório, é mera compensação pela perda da capacidade profissional para a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, não acrescendo senão provisoriamente o patrimônio. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 106, o contribuinte apresentou, em 11/04/2011, recurso voluntário, fls. 107, no qual traz as seguintes alegações: que as duas condições para atender o pleito do contribuinte – existência de plano de demissão voluntária e adesão do empregado a esse plano – estão atendidas pelo Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré e pela Comissão de Fábrica, que representava 92,7% dos empregados. que as Portarias, CTN, Pareceres Normativos, Instruções Normativas e Atos Declaratórios, que normatizam o PDV, deveriam passar pelo crivo do Poder Legislativo para adquirir eficácia legal. que a estabilidade de emprego há muitas décadas deixou de existir na prática, pois quando os candidatos se apresentam para assinar o contrato de trabalho, a empresa apresentalhes o termo de opção pelo FGTS e que ninguém seria louco de não assinar o referido termo. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000036/200414 Acórdão n.º 2102002.403 S2C1T2 Fl. 126 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre verbas recebidas quando da rescisão do contrato de trabalho junto à empresa Rockwell Braseixos SA. Entende o contribuinte que as verbas recebidas enquadramse no conceito de verbas indenizatórias auferidas em decorrência de adesão a Plano de Demissão Voluntária (PDV). Para o exame da questão transcrevese a seguir a legislação que rege a matéria: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art. 39 (...) XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei nº 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14);(grifei) (...) § 9º O disposto no inciso XIX é extensivo às verbas indenizatórias, pagas por pessoas jurídicas, referentes a programas de demissão voluntária. Instrução Normativa SRF nº 165, de 31 de dezembro de 1998: Art. 1º Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Art. 2º Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional. (...) Da legislação acima transcrita inferese que somente são isentas do imposto de renda as verbas recebidas, pelo contribuinte, em função de adesão a programas de desligamento voluntário, sendo certo que para usufruir o benefício, o contribuinte deve comprovar a existência de programa de desligamento voluntário instituído por seu empregador e a sua adesão ao mencionado programa. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000036/200414 Acórdão n.º 2102002.403 S2C1T2 Fl. 127 5 No presente caso, o contribuinte afirma em seu recurso que o Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré e a Comissão de Fábrica, que representava 92,7% dos empregados, atenderiam ao disposto na legislação. Ou seja, segundo o entendimento do contribuinte o Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré seria equivalente a um plano de demissão voluntária e que a comprovação de sua adesão a tal plano estaria comprovada em razão da existência de Comissão de Fábrica, que representava 92,7% dos empregados. De imediato, cumpre dizer que a empregadora do contribuinte, intimada a esclarecer a natureza dos rendimentos em questão, assim se pronunciou (resposta, fls. 62): 3. A causa do desligamento em 27 de novembro de 1992 do empregado foi por Dispensa sem Justa Causa, conforme cópia do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho e da respectiva carta de Aviso Prévio Indenizado; 4. Para o período de 19 de outubro de 1987 a 22 de setembro de 1992 e muito embora as atividades oficiais da empresa foram encerradas em 31 de dezembro de 1995, a empresa firmou acordo com os empregados para encerramento das atividades fabris e respectiva consolidação dos negócios daquela fábrica em Osasco, conforme acordo anexo e cópia do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho; 5. Referido Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré foi recebido pelo INSS e Sindicato representativo dos empregados metalúrgicos de Campinas e região, conforme cópias anexas; 6. Está previsto na cláusula 23 do referido Acordo de Consolidação a hipótese de demissão por interesse dos funcionários, contudo, não podemos falar em Programa de Demissão Voluntário, uma vez que o Acordo foi realizado para encerramento das atividades em Hortolândia e conseqüente consolidação dos negócios em Osasco, podendo o empregado aceitar ou não a transferência para Osasco; Como se vê, o próprio empregador nega a existência de Plano de Demissão Voluntária, sendo certo que da leitura do Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré, fls. 72/80, resta evidenciado que todos os empregados seriam demitidos, havendo a possibilidade de aproveitamento, mediante recontratação, na fábrica de Osasco, conforme se infere da cláusula 25 do referido acordo: 25) APROVEITAMENTO DE MÃO DE OBRA/RESCISÃO CONTRATUAL Desde já fica garantido que todos os funcionários terão os seus contratos encerrados, com o pagamento de todas as verbas rescisórias e da “Gratificação Especial”. O aproveitamento da mão de obras será efetuado dentro dos seguintes critérios: a) Mão de obra direta (operacional) Ficam garantidas vagas em Osasco para todos os interessados. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000036/200414 Acórdão n.º 2102002.403 S2C1T2 Fl. 128 6 b) Mão de obra indireta e mensalistas (especializados e suporte) Para todas as vagas geradas em Osasco, será dada preferência de preenchimento aos funcionários de Sumaré, mediante convites individuais. NOTA: Fica esclarecido desde já que a Empresa não fornecerá transporte aos readmitidos. (grifei) Logo, o Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré não pode ser tomado com Plano de Demissão Voluntária, posto que não havia a possibilidade de o empregado permanecer no emprego, sendo certo que as indenizações recebidas pelo contribuinte são tributáveis, por ausência de previsão legal para enquadrálas como isentas do imposto de renda. No que tange à alegação do recorrente de que a legislação que cuida da isenção dos valores recebidos em razão de adesão à Plano de Demissão Voluntária devia passar sobre o crivo do Poder Legislativo, cumpre destacar que tais dispositivos legais estão em conformidade com o estabelecido no art. 100 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Por fim, no que concerne à afirmação do contribuinte de que a estabilidade de emprego há muitas décadas deixou de existir em nada socorre a defesa, posto que a estabilidade do emprego nos moldes em que mencionado na decisão recorrida permanece vigente, sendo certo que a indenização por quebra de estabilidade de emprego recebida pelo contribuinte não se caracteriza como recebida em razão de adesão a PDV, como visto acima, sendo, portanto, tributável, nos termos do disposto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11030.900488/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 04 88 /2 00 9- 82 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900488/200982 Acórdão n.º 3801001.231 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 27/12/2005 (fls.1/3), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao periodo de apuração de setembro de 1998, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 26/12/2005, no valor total de R$ 1.087,11, com débitos de COFINS dos períodos de apuração de abril e maio de 2005, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.500,25. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 04) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de guia DARF, não foi localizado, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 11/18, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações legislativas referentes ao PIS e declaradas inconstitucionais, discorrendo desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa lançada no despacho decisório inconstitucional. A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 28/29, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 31), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 32/49 em 12/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada pela Recorrente, tenho que o presente processo se resolve por conta da inexistência de documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900488/200982 Acórdão n.º 3801001.231 S3TE01 Fl. 52 5 Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.000920/2001-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 3401-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 09 20 /2 00 1- 97 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débito no valor de R$ 4.183,26, com crédito decorrente da Ação Ordinária n. 1997.33.5810, que tramitou na 1ª Vara Federal em Salvador/BA que reconheceu o crédito de R$ 431.433,29 (quatrocentos e trinta e um mil quatrocentos e trinta e três reais e vinte e nove centavos). Além do pedido do processo ora analisado, diversos outros foram protocolados, tendo recebido apenas o acima epigrafado. Referida ação tinha por objeto o reconhecimento do direito de compensar o PIS recolhido com base nos Decretos n. 2.445/1988 e 2.449/1988, com débitos declarados contra a Fazenda Nacional. Esta é a conclusão que se tem das cópias do processo cível anexadas aos autos, tanto da decisão do Tribunal Regional Federal da 1a Região, Apelação Cível n. 99.01.0256958/BA, que manteve a sentença de primeiro grau, reformandoa apenas no tocante à atualização monetária (fls. 17/24); quanto da sentença de primeiro grau (fls. 29/37). Para tanto, colacionase trecho da parte dispositiva da sentença, fl. 34: Ante o exposto, e considerando o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado na presente ação para reconhecer o direito da parte autora à repetição dos valores recolhidos a maior a título de contribuição para o PIS com base nos Decretosleis n.s 2.445 e 2.449, ambas de 1988, devidamente corrigidos, conforme apurados em liquidação de sentença, autorizando a compensação pleiteada com parcelas vincendas de contribuição da mesma espécie. Destaquese que o acórdão do TRF1 transitou em julgado em 01/03/2000 e dois dias depois foi remetido à vara de origem para os procedimentos de praxe, fl. 25. Três meses depois, os autos foram vistos em inspeção pelo juiz competente, o qual determinou a intimação das partes acerca do retorno dos autos, para se manifestarem no prazo de 05 dias, apresentando a competente memória de cálculo, fl. 26. O Recorrente protocolou o pedido de restituição em 20 de julho de 2001, fl. 39/40, ou seja, após o trânsito em julgado do acórdão que reconheceu o direito creditório. Em análise, fl. 47, a Secretaria da Receita Federal em Salvador – Serviço de Orientação e Análise Tributária informou que: Na situação em tela, verificase que o contribuinte possui decisão judicial transitada em julgado no processo de conhecimento, encontrandose a sentença que fundamenta o seu pedido em fase de execução, conforme consulta processual em anexo. Não é possível, portanto, a homologação da compensação pleiteada antes do encerramento do processo de execução ou da desistência da execução na via judicial. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10580.000920/200197 Acórdão n.º 3401002.069 S3C4T1 Fl. 5 3 Assim, em face do exposto, proponho que a análise do pedido de compensação se dê após a manifestação do TRF da 1a Região sobre o crédito controvertido, ficando os débitos suspensos em face da discussão judicial quanto ao valor deste, até que se profira decisão definitiva na aludida ação executiva. Posteriormente, em despacho decisório de fls. 51/54 a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada tendo em vista que a sentença favorável aos interesses do Recorrente transitou em julgado e se encontra em fase de execução, conforme ementa abaixo: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. No caso de haver título judicial em fase de execução, cujo objeto seja idêntico a Pedido ou Declaração de Compensação, esta só será realizada, perante a RFB, se o contribuinte comprovar a desistência da ação judicial, fazendo a opção pela via administrativa. Compensação não homologada. Cientificado em 05/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 18/06/2009, na qual argumenta que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, foi impedido de emitir CND razão pela qual ingressou com medida liminar em mandado de segurança n. 2002.33.00.0232244 junto à 1ª Vara da Justiça Federal, com o único objetivo de restaurar tal suspensão o que foi concedido, fls. 86/87. Alega, ainda que o princípio da verdade material deve ser buscado pela fiscalização, restando clara a afronta por parte da DRF ao disposto no art. 151 do CTN. Requereu, ao final, o imediato afastamento dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário, sob pena de infração ao referido princípio. A 4ª Turma da DRJ/SDR, no acórdão n. 1521.105, manteve a decisão exarada pela DRF de Salvador, no tocante à não homologação da compensação pleiteada, conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 Ementa: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Em razão da insuficiência de informações da ementa, transcrevese trecho do voto: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal – RFB n° 21, 10 de março de 1997, consolidada pela IN 73, 15 de setembro de 1997, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada, no caso de título judicial em fase de execução, se o contribuinte comprovar junto à unidade da RFB a desistência da execução e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Portanto, uma vez obtida a satisfação do bem pretendido na ação ordinária n. 1997.33.5810, a lei faculta ao impetrante o direito de repetir o indébito ou a compensação dos valores devidos, devendo ser feita a opção naqueles autos com a desistência da execução. Reiterese que o interessado não pode, todavia, por via oblíqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n. 10580.000290/0017, para indeferilo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior, do contrário haveria um enriquecimento ilícito às custas dos cofres públicos. Em recurso voluntário tempestivo, o ora recorrente aponta que o indeferimento do pedido de compensação prejudicao, haja vista que o crédito admitido pela autoridade fiscal difere consideravelmente do montante apontado em laudo pelo perito nomeado pelo Juiz da 1ª Vara Federal – R$ 408.931,58. Argumenta, ainda, que a decisão recorrida afronta dispositivo constitucional, a saber, o inciso XXXVI, do art. 5º, da CF/88, ao não observar o princípio da irretroatividade. Defende que o art. 170A do CTN não se aplica ao caso em comento, bem como, que o protocolo do pedido se deu em 12/02/2001, portanto dentro do período da anterioridade tributária, conforme o art. 195, §6º da CF/88. Não obstante, aduz que o decisum ignora determinação judicial quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, no montante de R$ 408.931,58, obtida através de mandado de segurança, o que resultaria em ato de inconstitucionalidade. Ademais, repisa os argumentos utilizados para defender a aplicação do princípio da verdade material, e ao final, requer o integral provimento do recurso voluntário, com a consequente homologação do pedido de compensação e a reforma do acórdão hostilizado. Protesta, ainda, pela juntada posterior de documentos, com fundamento no art. 16, §4º do Decreto n. 70.235/72. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10580.000920/200197 Acórdão n.º 3401002.069 S3C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Angela Sartori O recurso é tempestivo, contudo dele não tomarei conhecimento pelo que passo a explanar a seguir. Da Impossibilidade de Apreciação da Inconstitucionalidade de Lei Tributária pelo CARF A respeito das alegações de inconstitucionalidade expendidas no bojo do recurso que se aprecia, já está pacificado nesta corte administrativa o entendimento que o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, cabendo tal prerrogativa tão somente ao Poder Judiciário, justamente em razão da jurisdição por ele exercida. Oportunamente, trazemos à baila o enunciado da súmula n. 2 do CARF que elucida terminantemente a questão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tecidas as considerações preliminares, há que se apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO O Recorrente transmitiu pedido de compensação, em 09/02/2001 (fl.01), por intermédio do qual busca compensar créditos de PIS, com débitos da mesma contribuição social, no valor de R$ 4.183,26, além de outros mais, noticiados pela autoridade judicial na fl. 86/87. O crédito, por sua vez, está lastreado em sentença proferida nos autos da ação ordinária n. 1997.33.5810, onde o ora recorrente logrou êxito no reconhecimento do direito de compensar o PIS, recolhido indevidamente com base nos Decretos n. 2.445/1988 e 2.449/1988, com débitos declarados contra a Fazenda Nacional. A SEORT em Salvador identificou a existência de ação judicial e acostou em fls. 41/44 e 46 cópias de consulta processual que permitem verificar que a sentença se encontra em fase de execução desde 26/09/2000. Em outras palavras, quando da transmissão do pedido de compensação, a Bom Brasil Óleo de Mamona Ltda já contava com decisão transitada em julgado, contudo, em fase de execução na via judicial. Notificada por diversas vezes a apresentar a desistência do pedido, ante a impossibilidade de trâmite simultâneo entre as demandas administrativas e judiciais, o ora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 recorrente optou por prosseguir com a execução, limitandose a justificar em sede de recurso voluntário que, caso o fizesse, ficaria irreparavelmente prejudicado, fl. 113. Diante do exposto, temse que é fato incontroverso nos autos que o contribuinte optou por continuar com a execução judicial, não desejando desistir daquela ação, com base em mérito próprio. No tocante à possibilidade de compensação do título executivo com o débito declarado, entendo que não há reparos a se fazer isto porque, o art. 17 da IN SRF n. 21/97, com as alterações conferidas pela IN SRF n. 73/97, determina que nos casos de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, quando o título executivo se encontre em fase de execução, deverá o contribuinte primeiro desistir da esfera judicial e comprovar a desistência junto à unidade da SRF, assumindo todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios, para depois ingressar na via administrativa: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Desta feita, obtido o provimento, a legislação faculta ao contribuinte a opção de prosseguir pela via judicial ou desistir da ação e repetir o indébito via PAF, devendo a opção ser feita nos autos do processo judicial e posteriormente comprovada na SRF. Cumpre destacar que o dispositivo legal se encontrava em plena vigência quando da transmissão do pedido de compensação, sendo esta a principal razão do impedimento para o aproveitamento de seus créditos. Certo é que não se pode questionar a razão de ser do dispositivo acima transcrito, pois os valores pleiteados nas compensações e restituições poderiam ser recebidos em duplicidade tendo em vista a concomitância. Ademais, cumpre observar que o método expresso na Instrução Normativa e que até hoje se mantém, já foi objeto de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, que a considerou válida e em adequação com o art. 26 do Código de Processo Civil, conforme se percebe do seguinte aresto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. OPÇÃO PELA COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO EXECUTÓRIA. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10580.000920/200197 Acórdão n.º 3401002.069 S3C4T1 Fl. 7 7 1. O acórdão recorrido analisou todas as questões necessárias ao desate da controvérsia, só que de forma contrária aos interesses da parte. Logo, não padece de vícios de omissão, contradição ou obscuridade, a justificar sua anulação por esta Corte. Tese de violação do art. 535 do CPC repelida. 2. Entendimento desta Corte no sentido de que a pretensão pela compensação dos créditos reconhecidos judicialmente contra a Fazenda, requer expressa desistência da ação de execução, a fim de evitar cobrança em duplicidade. Precedentes: AgRg no REsp 1090228/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 29.9.2010; AgRg no REsp 936230/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 10.9.2010; REsp 828262/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe de 25.5.2006. 3. A previsão disposta no art. 51, § 2º, V, da IN/SRF n. 600/2005, que exige, além da comprovação da desistência da execução dos créditos, a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo executório, se encontra em harmonia com o preceituado no art. 26 do CPC, o qual dispõe que "se o processo terminar por desistência ou reconhecimento do pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu ou reconheceu". Logo, não há falar em qualquer ilegalidade do procedimento adotado pela SRF. 4. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1273277/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/04/2012, DJe 03/05/2012) Portanto, a opção pela via judicial implica na renúncia da via administrativa, bem como dos recursos eventualmente interpostos pelo sujeito passivo, tal qual o caso. Vejamos o teor da súmula nº 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Do mesmo modo, não se pode admitir o prosseguimento do feito, pois se estaria abrindo a possibilidade de o Recorrente tornarse detentor de dois títulos executivos e do recebimento em duplicidade, tanto via precatório, quanto por compensação. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a decisão da DRJ em sua integralidade. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Relator Angela Sartori Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14041.000162/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.718
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 62 /2 00 9- 12 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000162/200912 Acórdão n.º 2403001.718 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0335.292 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0171, em 03/02/2009, no qual foram incluidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados (cota patronal e cota destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), além dos juros e multa correspondentes, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 61.681,50. 0 período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 09/1997 a 11/1998. O Relatório Fiscal de fls. 25/33 informa que o presente lançamento é realizado em substituição às Notificações de Lançamento de Débito — NFLD, no 35.019.6095 e 35.019.6087, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada à. Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazendo Pública pode constituir do crédito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional — CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. 0 Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituídas. Nas NFLD substituídas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes à data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, prestador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. A empresa Via Engenharia S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000162/200912 Acórdão n.º 2403001.718 S2C4T3 Fl. 4 5 previsto, apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fim, foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o salário, de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado às fls. 24/25 dos autos. No que concerne à responsabilidade solidária, o Relatório Fiscal acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mãodeobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. 0 procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF n° 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação à. solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, às fls. 34/35, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 11/02/2009 ao sujeito passivo solidário S. S dos Santos Diniz ME, 02.049.321/000106, conforme documento de fls. 36, juntamente com o Auto de Infração sob comento. |Do resultado do julgamento foi dado ciência exclusivamente à Via Engenharia em 25/02/2010. Inconformada com a decisão, a empresa Via Engnharia apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Nulidade do crédito lançado. · Os acórdãos administrativos de última instância que reconheceram a nulidade do crédito lançado foram prolatados em 31 de outubro de 2003. A notificação do contribuinte, todavia, ocorreu por conveniência da administração pública fazendária apenas na data em fevereiro de 2004. · Decadência. · Até o momento da apresentação da impugnação não havia sido notificado o contribuinte do lançamento do crédito tributário em discussão. Disso decorre que o crédito, indiscutivelmente, também já decaiu para o contribuinte. · A cobrança da multa é indevida por que a contribuinte não participou do comportamento, nada sonegou, nenhum ato ilícito cometeu daí a inviabilidade de ser punida por ato de terceiro. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000162/200912 Acórdão n.º 2403001.718 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Apesar do vício constatado, somente dar ciência a 1 devedor do resultado do julgamento de primeira instância, por economia processual, passo a analisar o presente processo. DECADÊNCIA – PRESTADOR DO SERVIÇO Consta do processo, folhas 34/35, Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a empresa S.S DOS SANTOS DINIZ ME em 03/02/2009. A ciência ao contribuinte foi dada em 11/02/2009. Os fatos geradores ocorreram entre 09/1997 e 11/1998. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do prazo decenal para a decadência dos créditos previdenciários devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Pelo intervalo de tempo decorrido entre os fatos geradores e a ciência do sujeito passivo constatase que ocorreu a decadência do crédito tributário por qualquer critério estabelecido pelo CTN. DECADÊNCIA – TOMADOR DO SERVIÇO O acórdão administrativo de última instância (CaJ/CRPS) que reconheceu a nulidade do crédito lançado foi prolatado em 31 de outubro de 2003. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A notificação do contribuinte ocorreu em 2004. Segundo o CTN, a decadência opera decorridos 5 anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Estabelece o Decreto 70.235/72 que são definitivas as decisões de segunda instância de que não caiba recurso. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. O Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, vigente à época da anulação, estabelecia a Câmara de Julgamento como única instância para julgar os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes. PORTARIA MPAS Nº 2.740, DE 26 DE JULHO DE 2001 DOU DE 03/08/2001 Art. 13.Compete às Câmaras de Julgamento: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000162/200912 Acórdão n.º 2403001.718 S2C4T3 Fl. 6 9 I julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de Recursos que infringirem lei, regulamento ou ato normativo ministerial; e II julgar, em única instância, os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes, inclusive a que indefere o pedido de isenção de contribuições, bem como, com efeito suspensivo, a decisão cancelatória da isenção já concedida podendo, para tanto, anular os atos da constituição do crédito previdenciário e os que impõem penalidade administrativa. Entendo que quando prolatada a decisão pela Câmara de Julgamento do CRPS, a decisão tornouse definitiva. Com base no acima exposto, entendo que se operou a decadência visto que o prazo, da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (31/10/2003) até o novo lançamento (18/02/2009) foi maior que 5 anos. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso em razão da decadência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.000257/2002-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998
IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE AUXÍLIO GABINETE DESTINADAS AO CUSTEIO DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA.
As verbas concedidas aos parlamentares, a título de auxílio gabinete, destinadas ao custeio do exercício da atividade parlamentar, não estão sujeitas à incidência do imposto de renda pessoa física, uma vez não se caracterizarem como renda, mas, sim, em recursos para o trabalho e não pelo trabalho, salvo na hipótese em que a fiscalização lograr comprovar que o parlamentar utilizou referidos valores em benefício próprio, não relacionado à sua atividade, o que não se vislumbra no caso vertente.
Recurso especial do Procurador negado e do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9202-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NÃO INCIDÊNCIA. As verbas concedidas aos parlamentares, a título de auxílio gabinete, destinadas ao custeio do exercício da atividade parlamentar, não estão sujeitas à incidência do imposto de renda pessoa física, uma vez não se caracterizarem como renda, mas, sim, em recursos para o trabalho e não pelo trabalho, salvo na hipótese em que a fiscalização lograr comprovar que o parlamentar utilizou referidos valores em benefício próprio, não relacionado à sua atividade, o que não se vislumbra no caso vertente. Recurso especial do Procurador negado e do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso do Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 57 /2 00 2- 60 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório CARLOS ALBERTO BEL CORREIA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/07/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP), em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, mais precisamente de 05/1997 a 12/1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 37/41, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 6a Turma da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão nº 8.380/2004, às fls. 85/98, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 6a Câmara, em 06/03/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 106 16.799, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPETÊNCIA DA UNIÃO FEDERAL Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável. A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000257/200260 Acórdão n.º 9202002.384 CSRFT2 Fl. 297 3 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM. Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem corno estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. As verbas recebidas por parlamentar como auxilio de gabinete e hospedagem estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de s MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de oficio quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. JUROS SELIC segundo a Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa .referencial Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Recurso voluntário parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 204/210, com arrimo no artigo 7o, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão n° 10247.268, ora adotado como paradigma, impõe que a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, é causa para aplicação da multa de ofício, independentemente da intenção do agente, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora. Reitera que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, razão pela qual não deve ser afastada a penalidade por força de um suposto erro do contribuinte. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que a eventual informação incorreta prestada pela fonte pagadora não tem o condão de macular o lançamento fiscal, cabendo ao contribuinte, a princípio, requerer o ressarcimento em face da empresa, sobretudo por inexistir dispositivo legal dispensando a aplicação da multa de ofício, não podendo a Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Câmara recorrida assim proceder, sob pena de afronta ao artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Assevera que, ao excluir a multa de ofício, em virtude de um suposto erro do contribuinte, a Câmara a quo deixou de aplicar uma norma vigente com base em um subjetivismo, malferindo o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c artigo 136 do CTN, sendo defeso ao aplicador da lei, de forma discricionária, deixar ou não de aplicar a multa, a partir de mera conveniência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 6ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem negar seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente não logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado em outras decisões contemplando matéria idêntica, conforme Despacho nº DDF106158317_352/2008, às fls. 212/214, razão pela qual a Fazenda Nacional interpôs Agravo, de fls. 217/220, reiterando a existência de dissídio jurisprudencial, tendo obtido êxito em sua empreitada, nos termos do Despacho n° 2101 0108/2009, às fls. 222/223, da lavra do Presidente da 1a Câmara da 2a SJ do CARF. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 232/238, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 239/265, com arrimo no artigo 67 do RICARF, contra parte do Acórdão ora guerreado, mais precisamente em relação à natureza indenizatória das verbas de gabinete, independentemente da prestação de contas, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigma o Acórdão nº 10248.798, de maneira a comprovar a divergência pretendida, sobretudo quanto à destinação de tais verbas, ou seja, para o trabalho e não pelo trabalho, de maneira a lhe conferir caráter não remuneratório. Levado, o Recurso Especial de Divergência do contribuinte à análise da observância dos pressupostos de admissibilidade, o nobre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, vislumbrou a divergência arguida, dando seguimento ao recurso do autuado, nos termos do Despacho nº 220000.332/2010, às fls. 288/290, tendo a Fazenda Nacional apresentado suas contrarrazões, às fls. 293/294, requerendo o improvimento do recurso, com a consequente manutenção do Acórdão atacado. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000257/200260 Acórdão n.º 9202002.384 CSRFT2 Fl. 298 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivos e acatadas pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF as divergências suscitadas, conheço dos Recursos Especiais da Procuradoria e do Contribuinte e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrado Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP), em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, mais precisamente de 05/1997 a 12/1998. Por sua vez, a Câmara recorrida entendeu por bem rechaçar em parte a exigência fiscal, excluindo a multa de ofício, utilizando como fundamento ao decisum o fato de o contribuinte ter agido de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, ensejando a interposição dos recursos especiais da Procuradoria e do Contribuinte. De um lado, a Fazenda Nacional pretende seja reformado o decisum em vergasta, alegando ter contrariado a jurisprudência administrativa a respeito do tema, representada pelo Acórdão n° 10247.268, ora adotado como paradigma, o qual impõe que a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, é causa para aplicação da multa de ofício, independentemente da intenção do agente, ao contrário do que restou assentado pelo decisório recorrido, entendendo que o contribuinte fora induzido a erro pela fonte pagadora. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que a eventual informação incorreta prestada pela fonte pagadora não tem o condão de macular o lançamento fiscal, cabendo ao contribuinte, a princípio, requerer o ressarcimento em face da empresa, sobretudo por inexistir dispositivo legal dispensando a aplicação da multa de ofício, não podendo a Câmara recorrida assim proceder, sob pena de afronta ao artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. De outra banda, o contribuinte, igualmente, se opõe ao decisório combatido, mais precisamente em relação à natureza indenizatória das verbas de gabinete, independentemente da prestação de contas, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando como paradigma o Acórdão nº 10248.798, de maneira a comprovar a divergência pretendida, notadamente quanto à destinação de tais verbas, ou seja, para o trabalho e não pelo trabalho, de maneira a lhe conferir caráter não remuneratório. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias propriamente ditas, impende explicitar que analisaremos primeiramente as razões recursais suscitadas pelo contribuinte, por se referir à própria procedência do lançamento (principal), de maneira que, Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 uma vez acolhida a sua pretensão, automaticamente, cai por terra o requerimento da Fazenda Nacional (acessório – multa de ofício). Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão do Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase em descompasso com a jurisprudência deste Colegiado, como passaremos a demonstrar. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, decidindo pela não incidência do imposto de renda sobre as importâncias pagas a título de auxílio gabinete, conforme se extrai do decisum da lavra do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, exarado nos autos do processo nº 19515.000482/200204, Acórdão nº 920200053 (Sessão de 17/08/2009), o qual peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Ementa: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Fisica IRPF VERBA GABINETE. IMPOSTO DE RENDA. VALORES UTILIZADOS NO EXERCICIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a titulo de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituirem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a Fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade Parlamentar. Recurso especial negado VOTO: [...] Sem entrar no mérito político da decisão da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de aprovar a Resolução 783, de 1997, cujo artigo 11 prevê a instituição do denominado “Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem” destinado a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, hospedagens, combustível, lubrificantes, extração de cópias reprográficas, expedição de cartas e telegramas, assinaturas de jornais e revistas, fornecimento de materiais de escritório, impressão de livretos e tablóides parlamentares, periódicos e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares”, cabe perquirir se a referida verba tinha natureza indenizatória ou remuneratória. Em regra, nas verbas de natureza indenizatória, a fonte que alcança os recursos necessários ao seu adimplemento exige prestação de contas. No caso dos autos, entretanto, no período em questão, apesar da Assembléia Legislativa mencionar que tais verbas destinavamse ao pagamento das despesas inerentes ao exercício do mandado de Deputado Estadual (art. 11, § 2°, I Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000257/200260 Acórdão n.º 9202002.384 CSRFT2 Fl. 299 7 a VII da Resolução 783, de 01 de julho de 1997), não exigia prestação de contas, exigência que somente iniciou a fazer a partir da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de 2001, cujos artigos 1° e 2°, assim dispõem: [...] Questão a ser enfrentada diz respeito à natureza jurídica do citado “auxílio” antes da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de 2001, em que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo não exigia a devida comprovação das despesas. O fato da fonte que aporta os recursos não exigir a comprovação das despesas seria suficiente para mudar a natureza jurídica dos valores correspondentes? Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será o fato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. [...] Tenho que as “verbas de gabinete” se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado. A não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a “verba de gabinete” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. Nas palavras de Luigi Vittorio Berliri, citado por Roque Antonio Carrazza, em sua Obra Imposto sobre a Renda, 2a. Edição, Ed. Malheiros, 2006, pág. 37, “A renda tributável não pode ser constituída senão por uma nova riqueza, produzida do capital, do trabalho ou de um e outro conjuntamente, e que seja destacada de uma causa produtiva, conquistando uma autonomia própria e uma aptidão própria e independentemente para produzir concretamente outra riqueza.” Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Dito de outro modo, segundo o autor citado, “renda e proventos de qualquer natureza são acréscimo patrimoniais experimentados pelo contribuinte ao longo de um determinado período de tempo. Ou, se preferirmos, são o resultado positivo de uma subtração que tem por diminuendo os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte entre dois marcos temporais, e por subtraendo o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afirmam permitem fazer.” No exame do caso concreto ainda se pode considerar as disposições do artigo 11, § 2°, I a VII, da Resolução 783, de 1997, que instituiu a citada “verba de gabinete”, “in verbis”: Art. 11 – Ficam instituídos os AuxíliosEncargos gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UPFs., destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos gabinetes, previstos nos artigos, 1°, inciso I, alínea “I” e 8° da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. [...] § 2° Em razão da instituição do Auxílio de que trata o artigo 11, ficam cessados: I – fornecimento de combustível e lubrificantes; II – reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânicas, inclusive com troca de peças e componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; III impressão de livretos e tablóides parlamentares; IV – extração de cópias reprográficas; V – expedição de cartas e telegramas; VI – expedição de cartas e telegramas; VI – fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII – assinaturas de jornais e periódicos. Pelo que se depreende da norma ora transcrita, as despesas acima referidas são necessárias para que o parlamentar possa desempenhar o seu mandato. Assim, têm natureza indenizatória. Não é pelo fato da Casa Legislativa editar norma prevendo que o reembolso das referidas despesas seria feito, mensalmente, mediante valor fixo, que tais rubricas transportarseão do campo da indenização para a esfera da remuneração. Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.[...]” Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000257/200260 Acórdão n.º 9202002.384 CSRFT2 Fl. 300 9 Na esteira desse entendimento, uma vez firmado o posicionamento deste Egrégio Conselho, no sentido da não incidência do imposto de renda sobre as verbas sub examine, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, impondo seja restabelecida a ordem legal neste sentido, reformando o Acórdão recorrido, reconhecendo a improcedência do feito em sua plenitude. Partindo dessas premissas, acolhendose o pleito do contribuinte, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas em comento (de gabinete), não há como prosperar o insurgimento da Procuradoria, relativamente à aplicabilidade da multa de ofício. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA e DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 310DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13609.001535/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No. 02.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 15 35 /2 00 9- 47 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), datado de 23/11/2009, no valor de R$ 2.769.273,11, cumulado com Declaração de Compensação – PER/DCOMP 07217.66995.251109.1.3.048204 (fls. 126/134), por meio do qual a interessada pretende compensar supostos créditos da PIS e COFINS (período de apuração: maio/2008 a outubro/2009), decorrentes da aquisição de óleo diesel e gasolina como consumidor final com débitos de PIS e da COFINS, no montante de R$ 2.739.427,18 (períodos de apuração: novembro/2008 a setembro de 2009). Por bem sintetizar os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: O interessado apresentou pedido de restituição no valor de R$ 2.769.273,11, relativo à Cofins e ao PIS/Pasep do período de 21/05/2008 a 15/10/2009, referente a compras de combustível como consumidor final (fls. 01/23). Posteriormente apresentou a Dcomp n° 07217.66995.251109.1.3.048204, visando compensar os débitos nela declarados com o suposto crédito retro mencionado. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFUberlândia/MG emitiu o Despacho Decisório n° 1.337/2009, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas (fls. 139/144); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 148/159), na qual alega, em síntese, que: a) a MP. 1.991/2000 seria inconstitucional por violar o § 7o do artigo 150 e o artigo 246, ambos da Constituição Federal e que o valor do crédito a que tem direito deve ser atualizado; É o breve relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão n.º 0934.870 de 11 de maio de 2011 (folhas 173/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13609.001535/200947 Acórdão n.º 3202000.581 S3C2T2 Fl. 221 3 A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 24/05/2011 (folhas 192/193) e interpôs Recurso Voluntário (fls. 195/ss), em 21/06/2011, onde aduz que: a solicitação de compensação dos créditos do PIS e da COFINS foi indeferida pela DRFUberlândia, uma vez que o Fisco entendeu que a partir de 01/07/2000 tais tributos passaram a ser cobrados não mais pelo regime de substituição tributária, nos termos do inciso II do art. 46 da MP n° 1.99115 (art. 92 da MP n° 2.15835, atualmente); deve ser reconhecido o direito de restituição na medida em que as leis editadas fizeram tábula rasa ao preceito contido no artigo 150, parágrafo 7º, da Constituição Federal; as distribuidoras de derivados de petróleo e álcool hidratado recolhiam o PIS como substitutas tributárias das operações subsequentes praticadas pelos comerciantes varejistas desde a edição da MP n° 1.212/95, posteriormente convertida na Lei n° 9.715/98, até a edição da Lei n° 9.718/98, quando então, além da unificação das regras da COFINS e do PIS, se elegeram como substitutas tributárias as refinarias; com a edição de número 15 da MP n° 1.991, de 10/03/2000, o seu artigo 43, inciso II, fez por cessar a partir de 01/07/2000 os efeitos dos artigos 4º e 6º da citada Lei n° 9.718/98, “extinguindo” o instituto da substituição tributária da COFINS e do PIS pelas refinarias. Referida norma se fez presente nas demais reedições da citada MP, inclusive da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, cuja reedição não se fez mais necessária por força do artigo 2º da EC n° 32/2001; com a edição número 18 da MP n° 1.991/2000 alteraramse as alíquotas das referidas contribuições, sem alterar as diretrizes traçadas pela edição 15 da MP (“extinção da substituição tributária”). Tais alíquotas foram adotadas pela Lei n° 9.990; todas essas mudanças no cenário legislativo trouxeram sérios prejuízos aos contribuintes, uma vez que nem as distribuidoras e tampouco as refinarias se submetessem mais às regras da substituição tributária, muito embora a carga tributária tenha sido mantida inalterada; após a edição das referidas Medidas Provisórias o encargo tributário passou a ser embutido no preço dos combustíveis praticados pelas refinarias e repassado veladamente aos contribuintes, que não mais puderam requerer o ressarcimento pela IN SRF n° 06/99, porque, aparentemente, não se aplicaria mais a regra prevista pelo parágrafo 7º, do artigo 150, da CF/88; podese dizer que com isso o Fisco fez com que o preceito contido no parágrafo 7º, do artigo 150, da CF/88 fosse revogado, já que deu nova roupagem à natureza das incidências do PIS e da COFINS nas operações de compra de combustíveis; que subsiste aos contribuintes o direito de restituição dos valores do PIS e da COFINS pagos nas aquisições de combustíveis diretamente das distribuidoras, pelo encargo tributário veladamente embutido de uma operação inexistente, em respeito ao preceito contido no parágrafo 7º, do artigo 150, da CF/88; também foi violado o preceito contido no artigo 110 do CTN a extinção da substituição tributária pelas citadas Medidas Provisórias (n° 1.99115, de 2000 e n° 2.15835/2001) não encontra amparo legal porque afronta o disposto no artigo 246 da CF/88; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 aos valores requeridos deve ser acrescida a devida atualização, nos termos da farta jurisprudência citada; a referida declaração de compensação deve permanecer com a exigibilidade suspensa até decisão final do presente processo de restituição; por fim, requer que seja declarado procedente o Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição e consequente homologação da compensação, acrescida da devida atualização. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Não há reparos a fazer na decisão de primeira instancia administrativa. Pela mera leitura da peça recursal verificase que o contribuinte manifestou sua inconformidade com a extinção do regime de “substituição tributária”, trazida pela Medida Provisória n° 1.991, de 2000 (artigo 46), para o PIS/COFINS nas operações de aquisição de combustíveis. A Recorrente, na verdade, pretende discutir constitucionalidade das Medidas Provisórias n° 1.99115, de 2000 e n° 2.15835, de 2001 em relação ao disposto no parágrafo 7º, do artigo 150, da Constituição Federal, assim como a suposta ilegalidade dessas Medidas Provisórias em confronto com o artigo 110 do CTN. Esta discussão não é possível de se fazer no Contencioso Administrativo por expressa vedação legal contida no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido dispõe o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009), ao vedar ao membros do Tribunal Administrativo a discussão sobre inconstitucionalidades de normas, verbis: Art. 62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13609.001535/200947 Acórdão n.º 3202000.581 S3C2T2 Fl. 222 5 Ademais, essa matéria – a incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidades já se encontra, inclusive, sumulada no CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na esfera administrativa se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária nos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis ou medidas provisórias regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Destarte, fica prejudicada a análise das supostas ilegalidades e inconstitucionalidades arguidas pela Recorrente nesta esfera de julgamento administrativo. Ante o exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário e, por conseguinte, pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação das compensações efetuadas. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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