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Numero do processo: 10280.722256/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.491
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
RELATÓRIO
Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:
Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não Cumulativo, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2006 no montante de R$ 7.466.862,51. Também consta dos autos Declarações de Compensação vinculadas aos créditos em tela.
A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal (fls. 214/220), seguido do despacho decisório de fl. 222, do parecer de fls. 224/226 e novamente do despacho decisório de fl. 227, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 7.000.325,34, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram adotados, em síntese, pelas autoridades fiscais os seguintes fundamentos para glosa de parcela do crédito pleiteado:
a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima.
b) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004- as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços.
c) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominadas:
-Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006;
- Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos);
- Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos);
-Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), abril/2006, maio/2006 e junho/2006, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I da IN 457/04, e II, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007.
Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 246/316, na qual alega:
a) Quanto aos créditos oriundos de bens utilizados como insumos, a Fiscalização entendera haver motivos para perpetrar glosas particularmente sobre: 1) refratários, aos reputá-los como despesas que não se enquadram como de manutenção de consumo rápido, considerando-se sua substituição em intervalos maiores que 1900 (mil e novecentos) dias e glosa dos desembolsos com transporte de refratários por haver recusado a estes últimos a qualidade de insumos; 2) glosa dos créditos advindos de compra de Insumos de outubro de 2006 a dezembro de 2006, mormente de peças e partes de reposição, conquanto fossem reconhecidamente aplicadas às máquinas aplicadas diretamente no processo produtivo, cujas notas fiscais estariam, pois, em descompasso com várias das normas aplicáveis; 3) Glosara-se outrossim, créditos gerados pelos serviços empregados como insumos alvo de glosas, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o que estaria em dissonância com o art. 8º, §4°, inciso II, da IN SRF 404/2004; e 4) Por derradeiro, glosara créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, Demonstrativo Ativo Imobilizado de outubro/2006, novembro/2006 e dezembro/2006, e ainda oriundos da depreciação acelerada incentivada e respectivos produtos glosados, por suposta inadequação ao prescrito pelo art. 1º , §2°, inc. I , da IN 457/2004, Lei 11.196/2005, Decreto 5789/2006, Decreto 5988/2006, e edificações e instalações alusivas a produtos somente alcançados pelo crédito apurado desde janeiro de 2007, de conformidade ao art. 6º , da Lei 11.488/2007.
b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e co-processamento de RGC rejeito gasto de cubas, que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtar-se a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O mesmo raciocínio há que ser aplicado aos custos dispendídos com o translado da Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Beneficiamento de Banho Eletrolítico, Processamento de Borra de Alumínio consideramos serviços aplicados/consumidos no processo produtivo. Trata-se de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a não-cumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis.
c) Aduz-se no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da não-cumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não-cumulativo de PIS/PASEP caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo. e a rigor, segundo a legislação regente da não-cumulatividade para o PIS/PASEP, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito não- cumulativo.A propósito, de há muito nossa Corte Especial, o STJ vem considerando, embora não especificamente para o regime da nãocumulatividade que o refratário gera direito ao creditamento, por se enquadrar como "material intermediário":
d) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não-cumulativo de PIS/PASEP relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/PASEP não-cumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinando-se o arquétipo legal bem se vê que - não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional.
e) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição ao PIS/PASEP, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado.
f) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de PIS/PASEP a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de PIS/PASEP sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas.
g) Cabe voltar-nos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10.637/2002. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizando-se ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reitere-se, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Auto de Infração que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendo-se objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida.
h) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da não-cumulatividade aplicado ao PIS/PASEP, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não-cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando-lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu-o pela EC 42/2003 ao PIS/PASEP, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10.637/2002, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Em outros termos, a não-cumulatividade tal como normatizada em nível infraconstitucional, nada obstante estar radicada ontologicamente na Constituição Federal, já é setorizada e parcial, atinge alguns nichos específicos da atividade econômica nacional e lhes faculta a apropriação de créditos sobre algumas específicas despesas inerentes à sua atividade produtiva, de sorte que o sistema tal como está posto já é restrito, hermético e de exegese clara. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da aludida lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas, e que como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriando-se dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 - para os setores previstos em lei, as contribuições serão não-cumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária.
i) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerando-se a incompatibilidade entre a escrita contábil da Albrás do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico
A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22563 de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária.
PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional.
PAF. PERÍCIA. REQUISITOS.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972.
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS.
No cálculo do PIS Não-Cumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na não-cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda.
Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzi-los.
Ressalto que não houve pedido de perícia.
Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não Cumulativo, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2006 no montante de R$ 7.466.862,51. Também consta dos autos Declarações de Compensação vinculadas aos créditos em tela. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal (fls. 214/220), seguido do despacho decisório de fl. 222, do parecer de fls. 224/226 e novamente do despacho decisório de fl. 227, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 7.000.325,34, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram adotados, em síntese, pelas autoridades fiscais os seguintes fundamentos para glosa de parcela do crédito pleiteado: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004- as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. c) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominadas: -Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006; - Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos); - Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos); -Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), abril/2006, maio/2006 e junho/2006, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I da IN 457/04, e II, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 246/316, na qual alega: a) Quanto aos créditos oriundos de bens utilizados como insumos, a Fiscalização entendera haver motivos para perpetrar glosas particularmente sobre: 1) refratários, aos reputá-los como despesas que não se enquadram como de manutenção de consumo rápido, considerando-se sua substituição em intervalos maiores que 1900 (mil e novecentos) dias e glosa dos desembolsos com transporte de refratários por haver recusado a estes últimos a qualidade de insumos; 2) glosa dos créditos advindos de compra de Insumos de outubro de 2006 a dezembro de 2006, mormente de peças e partes de reposição, conquanto fossem reconhecidamente aplicadas às máquinas aplicadas diretamente no processo produtivo, cujas notas fiscais estariam, pois, em descompasso com várias das normas aplicáveis; 3) Glosara-se outrossim, créditos gerados pelos serviços empregados como insumos alvo de glosas, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o que estaria em dissonância com o art. 8º, §4°, inciso II, da IN SRF 404/2004; e 4) Por derradeiro, glosara créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, Demonstrativo Ativo Imobilizado de outubro/2006, novembro/2006 e dezembro/2006, e ainda oriundos da depreciação acelerada incentivada e respectivos produtos glosados, por suposta inadequação ao prescrito pelo art. 1º , §2°, inc. I , da IN 457/2004, Lei 11.196/2005, Decreto 5789/2006, Decreto 5988/2006, e edificações e instalações alusivas a produtos somente alcançados pelo crédito apurado desde janeiro de 2007, de conformidade ao art. 6º , da Lei 11.488/2007. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e co-processamento de RGC rejeito gasto de cubas, que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtar-se a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O mesmo raciocínio há que ser aplicado aos custos dispendídos com o translado da Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Beneficiamento de Banho Eletrolítico, Processamento de Borra de Alumínio consideramos serviços aplicados/consumidos no processo produtivo. Trata-se de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a não-cumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. c) Aduz-se no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da não-cumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não-cumulativo de PIS/PASEP caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo. e a rigor, segundo a legislação regente da não-cumulatividade para o PIS/PASEP, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito não- cumulativo.A propósito, de há muito nossa Corte Especial, o STJ vem considerando, embora não especificamente para o regime da nãocumulatividade que o refratário gera direito ao creditamento, por se enquadrar como "material intermediário": d) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não-cumulativo de PIS/PASEP relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/PASEP não-cumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinando-se o arquétipo legal bem se vê que - não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. e) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição ao PIS/PASEP, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. f) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de PIS/PASEP a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de PIS/PASEP sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. g) Cabe voltar-nos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10.637/2002. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizando-se ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reitere-se, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Auto de Infração que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendo-se objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. h) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da não-cumulatividade aplicado ao PIS/PASEP, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não-cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando-lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu-o pela EC 42/2003 ao PIS/PASEP, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10.637/2002, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Em outros termos, a não-cumulatividade tal como normatizada em nível infraconstitucional, nada obstante estar radicada ontologicamente na Constituição Federal, já é setorizada e parcial, atinge alguns nichos específicos da atividade econômica nacional e lhes faculta a apropriação de créditos sobre algumas específicas despesas inerentes à sua atividade produtiva, de sorte que o sistema tal como está posto já é restrito, hermético e de exegese clara. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da aludida lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas, e que como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriando-se dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 - para os setores previstos em lei, as contribuições serão não-cumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. i) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerando-se a incompatibilidade entre a escrita contábil da Albrás do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22563 de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS Não-Cumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não-cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzi-los. Ressalto que não houve pedido de perícia. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide. É o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 25 6/ 20 09 -7 2 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não Cumulativo, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2006 no montante de R$ 7.466.862,51. Também consta dos autos Declarações de Compensação vinculadas aos créditos em tela. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal (fls. 214/220), seguido do despacho decisório de fl. 222, do parecer de fls. 224/226 e novamente do despacho decisório de fl. 227, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 7.000.325,34, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram adotados, em síntese, pelas autoridades fiscais os seguintes fundamentos para glosa de parcela do crédito pleiteado: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. c) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominadas: Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006; Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos); Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), abril/2006, maio/2006 e junho/2006, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I da IN 457/04, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 102 3 e II, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 246/316, na qual alega: a) Quanto aos créditos oriundos de bens utilizados como insumos, a Fiscalização entendera haver motivos para perpetrar glosas particularmente sobre: 1) refratários, aos reputálos como despesas que não se enquadram como de manutenção de consumo rápido, considerandose sua substituição em intervalos maiores que 1900 (mil e novecentos) dias e glosa dos desembolsos com transporte de refratários por haver recusado a estes últimos a qualidade de insumos; 2) glosa dos créditos advindos de compra de Insumos de outubro de 2006 a dezembro de 2006, mormente de peças e partes de reposição, conquanto fossem reconhecidamente aplicadas às máquinas aplicadas diretamente no processo produtivo, cujas notas fiscais estariam, pois, em descompasso com várias das normas aplicáveis; 3) Glosarase outrossim, créditos gerados pelos serviços empregados como insumos alvo de glosas, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o que estaria em dissonância com o art. 8º, §4°, inciso II, da IN SRF 404/2004; e 4) Por derradeiro, glosara créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, Demonstrativo Ativo Imobilizado de outubro/2006, novembro/2006 e dezembro/2006, e ainda oriundos da depreciação acelerada incentivada e respectivos produtos glosados, por suposta inadequação ao prescrito pelo art. 1º , §2°, inc. I , da IN 457/2004, Lei 11.196/2005, Decreto 5789/2006, Decreto 5988/2006, e edificações e instalações alusivas a produtos somente alcançados pelo crédito apurado desde janeiro de 2007, de conformidade ao art. 6º , da Lei 11.488/2007. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de RGC – rejeito gasto de cubas, que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O mesmo raciocínio há que ser aplicado aos custos dispendídos com o translado da Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 103 4 Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Beneficiamento de Banho Eletrolítico, Processamento de Borra de Alumínio consideramos serviços aplicados/consumidos no processo produtivo. Tratase de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. c) Aduzse no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da nãocumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS/PASEP caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo. e a rigor, segundo a legislação regente da nãocumulatividade para o PIS/PASEP, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito não cumulativo.A propósito, de há muito nossa Corte Especial, o STJ vem considerando, embora não especificamente para o regime da nãocumulatividade que o refratário gera direito ao creditamento, por se enquadrar como "material intermediário": d) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de PIS/PASEP relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/PASEP não cumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 104 5 desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. e) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição ao PIS/PASEP, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. f) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de PIS/PASEP a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de PIS/PASEP sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. g) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10.637/2002. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 105 6 de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Auto de Infração que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. h) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado ao PIS/PASEP, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 ao PIS/PASEP, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10.637/2002, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Em outros termos, a nãocumulatividade tal como normatizada em nível infraconstitucional, nada obstante estar radicada ontologicamente na Constituição Federal, já é setorizada e parcial, atinge alguns nichos específicos da atividade econômica nacional e lhes faculta a apropriação de créditos sobre algumas específicas despesas inerentes à sua atividade produtiva, de sorte que o sistema tal como está posto já é restrito, hermético e de exegese clara. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da aludida lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas, e Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 106 7 que como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. i) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Albrás do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0122563 de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 107 8 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzilos. Ressalto que não houve pedido de perícia. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados os custos de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e os respectivos transportes e de transporte de rejeitos industriais. Além destas glosas, foram efetuadas exclusões referentes aos custos com máquinas e equipamentos, aos custos com peças de manutenção e aos custos alusivos às edificações. Inconformado com todas essas glosas, o contribuinte apresentou recurso detalhando o seu processo produtivo e esclareceu que as máquinas e equipamentos fazem parte de seu parque produtivo e as edificações são os estabelecimentos que abrigam seu parque industrial. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722256/200972 Resolução nº 3402000.491 S3C4T2 Fl. 108 9 Ao meu sentir, o conceito utilizado de insumo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Sala das Sessões, em 27/11/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13861.000089/2003-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/1998
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE EXISTENTE. ESCLARECIMENTO.
Devem ser esclarecidas as obscuridades apontadas e existentes no acórdão embargado.
COFINS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se lei posterior, menos gravosa, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, c). Portanto, no caso presente, correta a exoneração da multa de ofício, por força da alteração do art. 18, da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3401-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, apenas para esclarecer a obscuridade apontada.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantes de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE EXISTENTE. ESCLARECIMENTO. Devem ser esclarecidas as obscuridades apontadas e existentes no acórdão embargado. COFINS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se lei posterior, menos gravosa, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, c). Portanto, no caso presente, correta a exoneração da multa de ofício, por força da alteração do art. 18, da Lei nº 10.833/03.
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OBSCURIDADE EXISTENTE. ESCLARECIMENTO. Devem ser esclarecidas as obscuridades apontadas e existentes no acórdão embargado. COFINS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase lei posterior, menos gravosa, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgados (CTN, art. 106, inciso II, “c”). Portanto, no caso presente, correta a exoneração da multa de ofício, por força da alteração do art. 18, da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, apenas para esclarecer a obscuridade apontada. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 1. 00 00 89 /2 00 3- 77 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantes de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls.483/484) contra o acórdão nº 20313.048, no qual foi aplicada a retroatividade benigna para a multa de ofício aplicada. Segundo a Embargante o acórdão ficou obscuro, pois pela fundamentação do acórdão a multa deveria ser exonerada, em razão da retroatividade benigna do art. 18, da Lei nº 10.833/03. Contudo, na ementa, consta que a multa de ofício deveria ser reduzida de 100% para 75%. Por esses motivos, a Embargante pede que seja esclarecido o posicionamento tomando por este colegiado, para que não pairem dúvidas acerca do resultado do julgamento; e que o acórdão seja adequado para que a ementa corresponda ao efetivamente decidido. Constatado que o Relator originário não está mais no CARF, o Conselheiro que ora relata foi designado relator ad hoc. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Embargante pede esclarecimento de suposta obscuridade que resultou de informações incompatíveis entre a fundamentação do acórdão e a ementa. Compulsando os autos, observase que realmente há dois comandos na decisão embargada (fls.474/479): na fundamentação do acórdão a decisão é no sentido de exonerar a multa de ofício, enquanto na ementa a decisão é no sentido de apenas reduzir a multa de 100% para 75%. Aprofundandose na análise, temse que a parte da retroatividade benigna tratada no acórdão recorrido era matéria do recurso de ofício, haja vista a DRJ ter exonerado a multa de ofício. Como no relatório embargado o relator negou provimento ao Recurso de Ofício e manteve essa parte da decisão da DRJ, resta evidenciada a intenção de exoneração total da multa aplicada e não apenas a sua redução. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13861.000089/200377 Acórdão n.º 3401001.979 S3C4T1 Fl. 493 3 A DRJ exonerou a multa de ofício em razão da retroatividade benigna, porque a nova redação do art.18, da Lei nº 10.833/03, passou a limitar as hipóteses de aplicação da multa de ofício por não homologação da compensação e o caso concreto não se enquadrava nas hipóteses restantes. Portanto, esclareçase: a decisão embargada é no sentido de exoneração total da multa e não apenas de redução de 100% para 75%. Dessa forma, a ementa correta para esta matéria deve ser reformulada para ficar do seguinte modo: “COFINS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase lei posterior, menos gravosa, em se tratando de penalidade referente a fatos pretéritos não definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, “c”). Portanto, no caso presente, correta a exoneração da multa de ofício, por força da alteração do art. 18, da Lei nº 10.833/03” Ex positis, acolho os embargos de declaração para esclarecer a obscuridade apontada. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 18184.000023/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/07/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/07/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 23 /2 00 8- 34 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 20/09/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, no período descontínuo de 07/1996 a 12/2005. De acordo com o relatório fiscal de fls.23/26, o lançamento teve por base valores lançados na contabilidade da notificada, relativos a empréstimos efetuados pela empresa a alguns sócios, que não foram saldados, mas renovados, e assim, caracterizados como prolabore indireto. Aduz o relatório que não havia retirada de prolabore no período citado Após impugnação, os autos baixaram em diligência para análise dos documentos juntados. Informação Fiscal de fls. 202/208, rebateu as alegações da notificada, dizendo que os contratos de mútuo não foram aceitos por não obedecer as regras legais estipuladas para sua validade, que foram confeccionados posteriormente aos empréstimos, que não houve devolução comprovada dos valores tomados como empréstimo, que os valores foram apurados na contabilidade, cujos históricos das contas traziam o nome dos sócios e , por fim, acata o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, para excluir do lançamento as competências de 07/1996 e 12/1996, pois a próxima competência lançada é 02/2001. O contribuinte teve ciência do resultado da diligência e manifestouse no prazo concedido. Acórdão de fls. 244/256, julgou o lançamento procedente em parte para excluir o período lançado até 12/1996. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alefga em síntese: a) que a NFLD deve ser anulada por não estar fundamentada de forma razoável; b) que não se trata de pagamento de prolabore, mas de contratos de mútuo; c) que tais contratos não foram considerados, quando muitas vezes quem emprestava verbas à sociedade era o sócio e não o contrário; d) que a flat de registro não desvirtua o contrato de mútuo, não havendo motivos para a descaracterização; e) que não existe texto de lavra do INSS que obrigue o registro de tal contrato; f) que o auto está fundamentado em legislação revogada; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18184.000023/200834 Acórdão n.º 2302002.154 S2C3T2 Fl. 291 3 g) que a fiscal está desatualizada na legislação civil, que o Código Civil de 1916 já foi revogado e que no de 2002, há regras específicas quanto aos contratos de mútuo; h) que as operações entre a recorrente seus sócios são regidas pelo Código Civil; i) que alguns valores já foram quitados; j) que o sócio Aldo Narcisi não retira prolabore porque recebe distribuição de lucros de outra empresa; k) que no ano de 2006, pagou boa parte do saldo mediante assunção da dívida da recorrente com a empresa New Wayco S/A . Requer o provimento do recurso para cancelar a NFLD por improcedente, ou anulála frente as irregularidades apontadas, ou para corrigir valores que estão absolutamente irreais já que não consideraram a compensação entre créditos e débitos e aponta valores incorretos. Posteriormente, em 15/06/2011, o contribuinte protocola requerimento para que se modifique a situação do débito nos sistemas informatizados da Receita Federal, devendo constar “suspenso por recurso administrativo”, atestando que interpôs recurso em 19/05/2011 e que não aderiu,com relação a este débito ao parcelamento especial. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 244/256, em 18/04/2011, fls.260, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 19/04/2011, fruindo até 18/05/2011. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 19/05/2011, conforme documento de fls. 265, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18184.000023/200834 Acórdão n.º 2302002.154 S2C3T2 Fl. 292 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 18471.001428/2006-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004,2005
MULTA DE OFÍCIO.
A exigência da multa "ex officio", no percentual de 75%, obedece tão-somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor. Recurso Negado
IMPOSTO DEVIDO, MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO.
Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa sobre o crédito tributário assim apurado.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) subtrair do imposto devido os valores correspondentes aos tributos pagos pela empresa Lerner Produções Artísticas Ltda incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física; (b) subtrair da base de cálculo da multa de oficio os valores constantes do item anterior; e (c) excluir a multa isolada lançada por falta de recolhimento do Carnê-Leão, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento em menor extensão por não excluir a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 20/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa "ex officio", no percentual de 75%, obedece tão-somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor. Recurso Negado IMPOSTO DEVIDO, MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa sobre o crédito tributário assim apurado. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido em parte
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IMPROCEDÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa "ex officio", no percentual de 75%, obedece tão somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor. Recurso Negado IMPOSTO DEVIDO, MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. Na apuração do imposto devido, em procedimento de oficio, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir a multa sobre o crédito tributário assim apurado. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 28 /2 00 6- 92 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) subtrair do imposto devido os valores correspondentes aos tributos pagos pela empresa Lerner Produções Artísticas Ltda incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física; (b) subtrair da base de cálculo da multa de oficio os valores constantes do item anterior; e (c) excluir a multa isolada lançada por falta de recolhimento do CarnêLeão, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento em menor extensão por não excluir a multa isolada. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 20/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Alex Lerner, interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls, 256 a 276. A exigência referese a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, no valor de R$65.531,42, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 153.763,62. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 277/291, foi: 1. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS; 2. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS/JURÍDICAS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001428/200692 Acórdão n.º 2802002.028 S2TE02 Fl. 3 3 3. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊLEÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS; 4. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE; 5. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS; 6. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA; 7. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI; 8. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO. Da Infração 001 A infração trata de rendimentos recebidos da empresa TV Globo Ltda, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, decorrentes de serviços de natureza personalíssima, nos totais abaixo discriminados: Anocalendário Rendimento Omitido 2001 R$56.250,00 2002 R$49.165,60 De acordo com a fiscalização o contribuinte teria utilizado a sua empresa Lerner Produções Artísticas Ltda para tributar rendimentos próprios de sua pessoa física com o fim de enquadrálos em uma tributação menos onerosa na pessoa jurídica, fugindo de uma alíquota de 27,5% para alíquotas de 9,53 e 8,45%, conforme tabela à fl. 282. Assim sendo, os valores recebidos pela Lerner Produções Artísticas Ltda, discriminados na tabela acima, foram lançados de oficio pela fiscalização na pessoa física do contribuinte como omissão de rendimentos. Para a autuante, o que chamaria a atenção (fl. 282) nos contratos firmados entre a TV GLOBO Ltda e a Lerner Produções Artísticas Ltda (fls. 103 a 114) seria a tentativa de encobrir o verdadeiro contratado, o Sr. Alex Lerner, ficando a verdadeira operação evidenciada pelo fato de que o próprio contribuinte, na figura de interveniente do contrato, seria o único responsável pelo seu cumprimento, sendo o seu impedimento/não atendimento pessoal a principal causa de ruptura do contrato. A autuante esclarece, ainda, que não foram apresentadas as notas ficais emitidas pela Lerner Produções Artísticas Ltda sob alegação de roubo do veículo da contadora e informa que o contribuinte tem 95% de participação nesta empresa, sendo que a outra sócia, o sra.Ayres Lerner, mãe do contribuinte, é uma senhora de 71 anos, que não poderia os prestar serviços de exigidos no contrato pela contratante. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Da Infração 002 8 A infração trata de omissão de parte dos rendimentos de aluguel recebidos da empresa Momix Comércio do Vestuário Ltda no ano calendário de 2004, conforme DIRF —Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — à fl. 26. O valor considerado omitido foi de R$2.009,39 com IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte — de R$552,52. Da Infração 003 9 A infração trata de rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de aluguel nos anoscalendário de 2001 a 2004 (planilhas às fls. 293 a 300). Os valores lançados foram apurados a partir de informações fornecidas pelo próprio contribuinte, tendo sido apuradas as omissões discriminadas na tabela à fl. 287. Da Infração 004 10 A infração de glosa da relação de dependência da mãe do autuado no ano calendário de 2001, por ter esta apresentado declaração de ajuste anual em separado. Da Infração 005 11 A infração trata de glosa de despesas médicas nos anos calendário de 2001 a 2004, por falta de comprovação e/ou de previsão legal, conforme planilha à fl. 292. Da Infração 006 12 A infração trata de glosa de despesas deduzidas a título de livro caixa nos anos calendário de 2001 a 2003. A fiscalização esclarece que o contribuinte não apresentou o livro caixa e mesmo que tivesse apresentado não teria direito a esta dedução uma vez que os rendimentos de pessoas físicas declarados referemse apenas a aluguéis. Da Infração 007 13 A infração trata de glosa do valor deduzido a título de Previdência Privada no anocalendário de 2003 por falta de comprovação da despesa. Da Infração 008 14 A infração trata da falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnêleão, apurada sobre a diferença dos rendimentos informados na declaração de ajuste anual do contribuinte, nos anoscalendário de 2001 a 2004. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 307 a 331), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): Das Preliminares de Nulidade Com base nos Princípios da Legalidade, Impessoalidade, moralidade e publicidade, bem como ensinamentos de Hely Lopes Meireles, conclui que o lançamento em foi efetuado em desconformidade com os arts. 3º e 142 do CTN. Afirma que, subordinandose o lançamento à reserva legal, se inexistirem as provas dos fatos geradores da obrigação tributária, não pode ser exigido o tributo ou penalidade. De acordo com o contribuinte, esses princípios balizam o Decreto nº 70.235 (PAF), de 06 de março de 1972, no sentido de fixar os requisitos que devem constar obrigatoriamente do Auto de Infração, dentre os quais cita a descrição dos fatos, suas provas e a determinação da exigência, sendo nulo o Auto de Infração que não tenha tais elementos, porque, além de não conter os requisitos legais, impossibilita o contribuinte de exercer a sua ampla defesa. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001428/200692 Acórdão n.º 2802002.028 S2TE02 Fl. 4 5 Sobre a questão, faz referência ao acórdão nº 10179.775 do 12 Conselho de Contribuintes e cita o art. 6º da IN SRF nº 94/97, que trata da anulação de lançamento sem determinados requisitos legais, ainda que a nulidade não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo, sendo que o art. 9º do PAF estabelece, por sua vez, que os Autos de Infração devem ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Sobre ampla defesa, transcreve ensinamentos de Hugo de Brito Machado e Luiz Henrique de Barros Arruda e ementa do acórdão n' 10705690 do 1º Conselho de Contribuintes, concluindo que, em matéria de prova, o Conselho de Contribuintes vem decidindo que, por ser o lançamento uma atividade plenamente vinculada, deve basearse em prova segura da ocorrência do fato gerador, competindo ao Fisco a prática do atos que lhe são próprios no sentido de obter os indispensáveis elementos de convicção e certeza para constituição do crédito tributário, sobre os quais não pode restar nenhuma sombra de dúvida, sob pena de não prosperar a exação. Assim sendo, diante do exposto, requer a nulidade do lançamento, com o seu conseqüente cancelamento. Do Direito Citando o acórdão nº 10417.756 do 1º Conselho de Contribuintes, e trazendo à baila conceitos doutrinários de indícios presunções, reclama que a fiscalização tão somente buscou lançar valores sem ter logrado comprovar e evidenciar sua natureza, nem mesmo diligenciar, ou levar em conta as reiteradas declarações do contribuinte. Baseouse em mero indício e, em decorrência, presumiu a ocorrência do fato gerador, sem base legal, posto que não há presunção legal para essa ilação. Afirma que, ao Fisco, em princípio, cabe fundamentar a pretensão tributária, ou seja, dizer o porquê do seu convencimento. Assim é que o §3 2 do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, baliza o entendimento para esta tributação de base presuntiva, determinando, destarte, o prudente critério da autoridade lançadora. Transcrevendo acórdãos do 1º CC que tratam da impossibilidade da tributação de depósitos bancários, o impugnante afirma que este era o entendimento das instâncias julgadoras na esfera administrativa para os depósitos bancários até o advento da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não devendo, no entanto, o Fisco se afastar da verdade material dos fatos nem de sua responsabilidade por pautar seus atos nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (art. 37 da CF/88). Assim sendo, diante do que expõe, requer nulidade do lançamento e conseqüente cancelamento. Das Provas O contribuinte alega que a imposição foi unilateralmente efetuada, carente de fundamentação dos elementos de convencimento da autoridade lançadora, sem a essencial prova ou evidência do acréscimo patrimonial ou de sua origem, ou de que seriam inerentes ao ramo de negócio autuado. Nesse sentido, alega que o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 matéria tributada, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica na nulidade da decisão de primeira instância. Do Mérito das Infrações Infração 001 O contribuinte reclama que a Fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Lerner Produções Artísticas Ltda e, com base no contrato firmado com a TV Globo Ltda, computou o faturamento da pessoa jurídica como rendimentos tributáveis na pessoa física do autuado, sem ao menos considerar os valores já oferecidos à tributação na declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e o imposto já pago, numa completa afronta ao princípio da razoabilidade e legalidade que devem nortear os atos dos agentes públicos. Com base no art. 50 do Código Civil de 2002, alega que a desconsideração da pessoa jurídica é ato próprio do judiciário, sendo que o art. 129 da Lei n2 11.196, de 21 de novembro de 2005, que teria caráter interpretativo e retroativo, deu o entendimento de que é possível a tributação na pessoa jurídica. Em outro aspecto, alega que não vale a presunção unilateral de que o apresentador estava contratado somente para apresentar, isto é, comparecer no dia e hora marcado para ler ou interpretar um texto a ele entregue já pronto. A produção artística de um programa envolve uma plêiade de atividades preparatórias com o concurso de outros profissionais, emprego de materiais, execução de cenários, contratação participantes das mais variadas áreas. Por fim, na hipótese de o lançamento prosperar, solicita que sejam considerados como redutores da matéria tributável os impostos que a empresa Lerner Produções Artísticas Ltda recolheu no período autuado. Infrações 002 e 003 Baseandose nos arts. 3, 112, 142 e 204 do CTN e ensinamento de Paulo de Barros Carvalho, o contribuinte contesta a infração com a argumentação de que ele mesmo forneceu todos os elementos comprobatórios, que foram utilizados pela autuante para buscar divergências que pudessem caracterizar base imponível para a tributação do IRPF e que inexistiriam outros elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário impugnado, muito embora seja necessário, nas presunções simples que o Fisco esgote o campo probatório, já que a atividade do lançamento é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvidas sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O Fisco é responsável pela a apresentação e produção das provas de todos os fatos comprobatórios da autuação, devendo estes assegurarem ao crédito tributário a presunção de liquidez e certeza e o efeito da prova préconstituída Adicionalmente, afirma que o valor recebido da Momix Comércio do Vestuário Ltda, além de declarado, dá direito ainda a uma diferença de IRRF de R$552,52, lançados a menor, como depreenderseia da planilha apresentada pela autuante. Quanto às pequenas diferenças mensais decorrentes de valores recebidos de locatários pessoas físicas , estas referemse a divergências nos rascunhos de recibos e canhotos entregues de boafé à fiscalização, mas que incluíram contraprestações de condomínio, taxas de luz, água e gás, as quais não ser consideradas como aluguéis. Nesse sentido, a fiscalização teria optado por trilhar o caminho mais curto e fácil, imputando todo o valor assinalado como tributável. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001428/200692 Acórdão n.º 2802002.028 S2TE02 Fl. 5 7 Infração 004 O contribuinte alega que deduziu sua mãe viúva como dependente uma vez que arcava com suas despesas médicas e a legislação assim permitia. Infração 005 O impugnante alega que deduziu alguns pagamentos de despesas médicas incorridas por ele, mas cujos recibos estavam em nome de sua mãe a paciente, uma vez que a mesma, sendo viúva, poderia figurar como dependente de seu filho. Alega, ainda, que apresentou os recibos de despesas médicas que não foram consideradas pela fiscalização, e anexa ao presente processo comprovantes de despesas médicas do Saúde Bradesco. Infração 006 O impugnante alega que, sendo jornalista e repórter, profissional liberal, pode lançar suas despesas profissionais de custeio necessárias à percepção dos rendimentos com autônomo. Infração 007 Para esta infração, o contribuinte alega que juntou em anexo à impugnação os comprovantes dos pagamentos a título de previdência privada. Infração 008 Para esta infração o contribuinte alega que foram lavradas multas isoladas por falta de recolhimento de carnêleão decorrente dos aluguéis anteriormente discutidos, os quais decorrem de pequenos valores mensais oriundos de divergência entre os rascunhos e cópias dos canhotos onde o valor líquido percebido não deve considerar as taxas condominiais e de luz, água e gás. A 3ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1325.201, de 18 de junho de 2009, que se encontra às fls. 356 a 396, cuja ementa é a seguinte ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa para o caso em questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO. Não tendo a fiscalização negado a existência da pessoa jurídica, nem procedido à desconstituição de sua personalidade jurídica, não cabe a compensação dos tributos recolhidos pela empresa com o imposto apurado no procedimento fiscal. Em consonância com o previsto no art. 30 da IN SRF Nº. 210/2002, caberia especificamente à pessoa jurídica, que tem personalidade distinta da pessoa física, proceder ao pedido de restituição. DEDUÇÃO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO NOS LIMITES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As despesas dedutíveis são aquelas comprovadas mediante documentação hábil e idônea até o limite de dedutibilidade previsto na legislação tributária. Lançamento Procedente em Parte A ciência da Decisão foi em 11/11/2009, consoante o Termo de Ciência de fls. 368.. O recurso voluntário foi interposto em 10/12/2009 (fls. 376), representado por advogado, fls 388, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, no tocante a preliminar de Nulidade do Lançamento. Quanto ao mérito, alega, em síntese que: 001 Rendimentos de Natureza Personalíssima 1. A Fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Lerner Produções Artísticas Ltda e, com base no contrato firmado com a TV Globo Ltda, computou o faturamento da pessoa jurídica como rendimentos tributáveis na pessoa física do autuado, sem ao menos considerar os valores já oferecidos à tributação na declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica . 2. Alega que seria de inteira Justiça, o fisco, excluir de ofício os tributos recolhidos pela empresa Lerner Produções Artísticas para fins de apuração do imposto devido e multa apurados no procedimento fiscal. 3. Destaca que o aproveitamento, na pessoa física, do que foi pago pela pessoa jurídica seria de inteira justiça, vez que a empresa Lerner Produções Artísticas Ltda recolheu aos cofres públicos, em 2001 e 2002, R$ 10.855,36 e R$ 7.629,39, respectivamente. Entende que tais valores deveriam ser considerados como descontáveis do Imposto Apurado, como Impostos de Renda Retidos na Fonte, na hipótese de que essa injusta exação venha a ter êxito 002 e 003 Aluguéis 1. Argumenta que ele mesmo forneceu todos os elementos comprobatórios, que foram utilizados pela autuante para buscar divergências que pudessem caracterizar nova base de cálculo para o imposto de renda. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001428/200692 Acórdão n.º 2802002.028 S2TE02 Fl. 6 9 2. Quanto às pequenas diferenças mensais decorrentes de valores recebidos de locatários pessoas físicas, estas referemse a divergências nos rascunhos de recibos e canhotos entregues de boafé à fiscalização, mas que incluíram contraprestações de condomínio, taxas de luz, água e gás, as quais não deveriam ser computadas como rendimentos de aluguéis. Outrossim, caso venha a prosperar a exação quanto a esse item, há que se levar em consideração a redução da multa de 75 % para 20 %, uma vez que o contribuinte forneceu os valores obtidos e não foi o Fisco que os apurou. 004Dedução Indevida de Dependente 005 Dedução Indevida de Despesas Médicas 1. alega que deduziu sua mãe viúva como dependente uma vez que arcava com suas despesas médicas e a legislação assim permitia. 2. Solicita que a Declaração feita pela sua mãe, seja cancelada de ofício pela DERATRJO e sua mãe, seja restabelecida como sua efetiva dependente, bem como as despesas médicas que ele teve com ela. 006 Dedução de Livro Caixa. 1. alega que, sendo jornalista e repórter, profissional liberal, pode lançar suas despesas profissionais de custeio necessárias à percepção dos rendimentos com autônomo. 2. assevera que não é sua culpa que fatos alheios a sua vontade, como o extravio de seu Livro Caixa e Notas Fiscais de despesas incorridas e lançadas, o prejudiquem a ponto de ter suas despesas totalmente glosadas. 3. Pensa que, s.m.j., deve ser aplicado ao caso o princípio jurídico de que "em dúvida próréu", ou seja, na impossibilidade de que se possam comprovar o teor das despesas, por motivos alheios à vontade do contribuinte, devem elas serem aceitas pelo Fisco, por uma questão de Justiça 008 — Multas Isoladas 1. Alega que as multas foram resultado da falta de recolhimento de carnê leão, quanto às supostas omissões já discutidas em item acima Finaliza solicitando o cancelamento do Auto de Infração objeto do presente Recurso É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Rejeitase de plano a preliminar de nulidade do lançamento, por entender que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto nº. 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Quanto ao mérito verificase que o recorrente não contesta a tributação na pessoa física dos rendimentos considerados como Omitidos e recebidos da empresa TV Globo Ltda, CNPJ n° 33.252.156/000119, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002. Destarte, mantémse a tributação dos rendimentos sobre na pessoa física que efetivamente realizou o trabalho de natureza personalíssima O ponto controvertido a ser enfrentado, nesta instância recursal, em relação a infração 001 Rendimentos de Natureza Personalíssima, é o aproveitamento dos tributos pagos pela empresa Lerner Produções Artísticas Ltda, em 2001 e 2002, R$ 10.855,36 e R$ 7.629,39, respectivamente. na presente autuação. Assim. acompanhando decisões anteriores deste colegiado (Acórdãos 104 18641 e 10614,244, 220100.420), devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Embora reconhecendo que a empresa da qual o Autuado é sócio e sua pessoa física, são entidades distintas, como ressalta a decisão recorrida, não se pode desconsiderar o fato de que, no exato instante em que a Fazenda Nacional afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da Pessoa Física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou, de outra forma, reconhecendo que parte do tributo que a Fazenda deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. Dirseá que a pessoa jurídica poderá pleitear a restituição do indébito e que a compensação previstas na legislação, seguem ritos próprios. Tal solução, entretanto, não é razoável. Primeiramente, porque afronta o princípio da celeridade e economia processual; depois, porque entre uma e a outra opção opera uma grande diferença na base de cálculo da multa de oficio, em desfavor do contribuinte, caso não se proceda a compensação. Finalmente, porque imporia à empresa o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que as receitas foram tributadas indevidamente na pessoa jurídica, contra suas próprias convicções, salvo se o pedido for formulado apenas após o trânsito em julgado na esfera administrativa e judicial, quando poderá sobrevir o término do prazo decadencial para pleitear a restituição, em prejuízo do contribuinte. Destacase, que a multa de oficio deve ser aplicada sobre a "totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", conforme art.. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ora, no caso, de uma forma ou de outra, parte do imposto já foi pago e, portanto, a multa deve incidir apenas sobre a diferença., Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001428/200692 Acórdão n.º 2802002.028 S2TE02 Fl. 7 11 Ressalte se que a compensação do imposto e contribuições recolhidos na pessoa jurídica com o imposto apurado no auto de infração deve ser efetuada antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros). Por todas essas razões, entendese que deve ser feita a compensação, antes da aplicação da multa de oficio, dos tributos e contribuições pagos pela empresa Lerner Produções Artísticas Ltda, incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física do autuado, Com relação as infrações: 002 e 003 Rendimentos de Aluguéis Verificase que o recorrente não contesta a omissão, o que ele contesta é a aplicação da multa de 75% aplicada sobre esta infração. Entretanto, a exigência da multa "ex officio, no percentual de 75%, obedece tão somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor, conforme determina o artigo 44, inciso I, Lei nº 9.430 de 1996. Devese manter esta exigência. 004 Dedução Indevida de Dependente 005 Dedução Indevida de Despesas Médicas · Verificase que em fase recursal o recorrente solicita que a Declaração feita pela sua mãe, seja cancelada de ofício pela DERAT RJO e sua mãe, seja restabelecida como sua efetiva dependente, bem como as despesas médicas que ele teve com ela. Ocorre que, conforme consta na Decisão de primeira instância a mãe do recorrente apresentou declaração de ajuste anual em separado. Assim, com fundamento no art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. o pleito do recorrente não pode ser acatado 006 Dedução de Livro Caixa Devese manter a glosa da dedução livro caixa, tendo em vista que o art. 6º, § 2º, da Lei 8.134, 27 de dezembro de 1990, prevê que o contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa mediante documentação idônea. Lei nº. 8.134, 27 de dezembro de 1990 Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: [...]§ 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Verificase na autuação, cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício, votase pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarse à jurisprudência desse órgão julgador, especialmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE.A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de CONHECER do recurso e DARlhe PARCIAL provimento para: a. subtrair do imposto devido os valores correspondentes aos tributos pagos pela empresa Lerner Produções Artísticas Ltda incidentes sobre as receitas consideradas na autuação como rendimentos da pessoa física do autuado; b. subtrair da base de cálculo da multa de oficio os valores constantes do item anterior c. afastar a multa isolada – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNE LEÃO (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908049/2008-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPUHELP COMPUTER SERVICE COMERCIAL LTDA. formulou Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos próprios, no valor de 17.404,85, com crédito oriundo de indébito de PIS, período de apuração de fevereiro de 2003 (pagamento efetuado em 31/03/2003, no valor de R$ 149.314,03). O Despacho Decisório Eletrônico nº 791201264 (fls. 8) não homologou a compensação porque “.. o DARF (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 80 49 /2 00 8- 82 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.” Sobreveio reclamação, fls. 13 a 21), por meio da qual o declarante ofereceu as seguintes alegações: a) de que retificou a declaração de compensação em tela, porque teria ocorrido erro no preenchimento das informações relativas ao documento de arrecadação que gerou pagamento indevido b) a legislação confere o direito à compensação dos valores pagos a maior c) no mérito, argumenta que o direito creditório aproveitado tem origem em pagamentos ao PIS calculados nos termos do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 d) discute a legitimidade da cobrança do PIS com base nos citados DecretosLeis no âmbito de ação de Mandado de Segurança (nº 2003.61.00.0068824) e solicita que a discussão administrativa seja suspensa até que decisão final definitiva seja prolatada no âmbito do Poder Judiciário. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05033.788, de 23 de maio de 2011, fls. 43 a 46, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 51 a 61, após síntese dos fatos relacionados com a lide, assevera que a decisão não deve prosperar, “... pois conforme PER/DCOMP já acostado aos autos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, a Contribuinte, em cumprimento à anterior intimação recebida pela Receita Federal, demonstrou a retificação do PER/DCOMP objeto do despacho decisório, pois o campo no qual constam os dados do DARF havia sido preenchido erroneamente, tudo conforme se vê no anexo PER/DCOMP retificador, também acostado aos autos. Na continuação, discorre sobre o instituto da compensação, a inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445 e nº 2.4449, ambos de 1988, e sobre o direito Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13896.908049/200882 Acórdão n.º 3803003.568 S3TE03 Fl. 78 3 que lhe foi assegurado no MS n9 2003.61.00.0068824, muito embora advenha de decisão que ainda não transitou em julgado. Conclui, requerendo que seja recebido e julgado totalmente procedente o seu recurso para o fim de reformar o acórdão proferido, reconhecendo a existência do crédito tributário em seu favor, conforme consta no anexo PER/DCOMP retificador; ou, subsidiariamente, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito em questão, até decisão judicial final transitada em julgada no Mandado de Segurança nº 200361000068824. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 51 a 61 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05033.788, de 23 de maio de 2011. O voto condutor da decisão recorrida assevera que, conforme documentos constantes dos autos, o interessado foi intimado, antes da emissão do DDE nº 791201264 (fls. 8), a verificar os dados do DARF informados na declaração de compensação original. Na intimação, foi ainda instruído no sentido de que, caso fossem identificadas divergências, fosse transmitida nova DCOMP para sanálas. O recorrente efetivamente retificou a DCOMP original como afirmado. Todavia, na Dcomp retificadora, conforme tela juntada aos autos pelo relator da decisão recorrida, o declarante informou como crédito o mesmo pagamento indigitado na Dcomp original, no valor de R$ 149.314,03, efetuado em 31/03/2003, que não havia sido localizado e que, novamente, não foi localizado pelo sistema da Receita Federal. A decisão recorrida observa ainda que o interessado não trouxe aos autos a comprovação de teria realizado pagamento com as características consignadas na DCOMP não homologada. Ademais, a invocação o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.00688241 como origem do direito creditório não prosperará, haja vista que, no período de apuração a que se refere o pagamento pretensamente indevido, fevereiro de 2003, a base legal para a 1 impetrado pela ora Recorrente em face da Receita Federal, objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica entre as partes no que se refere à cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis ne 2.445 e 2.449, a qual foi julgada procedente pelo Juízo de l5 Instância, o qual assim decidiu: "Posto isso, julgo procedente o pedido, nos termos do art. 269, I, do CPC para o fim de declarar indevida a cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis n5s 2.445 e 2.449, reconhecendo o direito das Autoras a não se sujeitarem às restrições de caráter infralegal podendo compensar as parcelas a maior recolhidas a título de PIS, na forma dos mencionados decretosleis, representadas pelos DARFs anexados aos autos, com as parcelas vincendas das contribuições relativas ao próprio PIS, COFINS e CSLL, até o seu exaurimento, observada a prescrição quinquenal.O termo "a quo" da prescrição quinquenal será a data da ocorrência da homologação tácita ou expressa do lançamento, levada a efeito pelo contribuinte". O julgamento do RE impetrado pela União foi sob sobrestado, até que fosse julgado o RE 1.016.728. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 incidência da Contribuição era a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e não os malsinados decretos leis. Não se trata, portanto, de reconhecer a concomitância de processos administrativo e judicial, pois seja qual for o provimento que obtiver o contribuinte, ora recorrente, na referida ação judicial, a compensação não será implementada com base na Dcomp ora sub judice, em face do PA a que se refere o pagamento indigitado como indevido. Incidental e finalmente, a compensação declarada na Dcomp de que se trata violou também a norma do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, pois foi implementada antes do trânsito em julgado da decisão judicial que teria reconhecido o direito. Com base nessas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001722/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
BARRAS DE FERRO E AÇO. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS.
A classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI [TIPI] dos produtos denominados barras de ferro e aço e laminados planos deve seguir os critérios determinados na Nota 1 do Capitulo 72 da TIPI, observando-se ainda a Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado.
NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO.
Considera-se preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.
IPI NÃO LANÇADO NA NOTA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO.
Sobre o valor do IPI não destacado na nota fiscal de saída dos produtos, no caso, em face de erro na sua classificação fiscal, calcula-se a multa de oficio de 75%, desse valor desmembrando-se outros 75% calculados sobre o IPI apurado a partir da reconstituição de oficio dos saldos da escrita fiscal.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 BARRAS DE FERRO E AÇO. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS. A classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI [TIPI] dos produtos denominados barras de ferro e aço e laminados planos deve seguir os critérios determinados na Nota 1 do Capitulo 72 da TIPI, observando-se ainda a Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Considera-se preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida. IPI NÃO LANÇADO NA NOTA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. Sobre o valor do IPI não destacado na nota fiscal de saída dos produtos, no caso, em face de erro na sua classificação fiscal, calcula-se a multa de oficio de 75%, desse valor desmembrando-se outros 75% calculados sobre o IPI apurado a partir da reconstituição de oficio dos saldos da escrita fiscal. Recurso Voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZEN DA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 BARRAS DE FERRO E AÇO. PRODUTOS LAMINADOS PLANOS. A classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI [TIPI] dos produtos denominados “barras de ferro e aço” e “laminados planos” deve seguir os critérios determinados na Nota 1 do Capitulo 72 da TIPI, observandose ainda a Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida. IPI NÃO LANÇADO NA NOTA FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFICIO. Sobre o valor do IPI não destacado na nota fiscal de saída dos produtos, no caso, em face de erro na sua classificação fiscal, calculase a multa de oficio de 75%, desse valor desmembrandose outros 75% calculados sobre o IPI apurado a partir da reconstituição de oficio dos saldos da escrita fiscal. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 17 22 /2 01 0- 00 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.242 3 Relatório Tratase de auto de infração cientificado ao sujeito passivo em 08/10/2010, para a constituição de crédito tributário relacionado ao IPI dos períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 2006 e dezembro de 2007. A multa de oficio aplicada, no percentual de 75%, foi dividida em duas partes: uma calculada sobre o IPI apurado e outra sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a autuada teria procedido de forma equivocada a classificação fiscal do produto denominado “Laminado Plano”, isto é, classificarao na posição “72.14”, alíquota zero, quando, ao ver da fiscalização, o correto seria, conforme o caso, dentre as posições “72.08 a 72.12”, à alíquota de 5%. Também foi detectada outra irregularidade pela fiscalização, que estaria na escrituração de créditos básicos de IPI originados de aquisições de produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, de produto intermediário e de material de embalagem. Para a determinação dos débitos lançados no auto de infração, informou o Fisco em seu relatório ter levado em conta a reconstituição dos saldos credores originalmente escriturados pela empresa e os valores dos pedidos de ressarcimento então formulados, bem como os efeitos da classificação indevida e da glosa dos créditos acima referenciada. Na Impugnação, a autuada informou que o entendimento da fiscalização consistiria numa frontal violação ao disposto no artigo 1o, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 08/02/2006, que estabeleceria que as “Barras” classificadas na posição “72.14” tiveram sua alíquota reduzida a zero. Citou o resultado de um laudo de avaliação1 por ela solicitado junto ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais, segundo o qual, na sua conclusão, está dito: CONCLUSÃO: Com base na literatura consultada e nas normas técnicas brasileiras em vigor, no processo produtivo e nas características técnicas dos produtos, o material produzido pela CIAFAL denominado "barra chata" se enquadra como produto longo e não como laminado plano" (grifos do original) Ressaltou que, consoante as fotografias que ilustraram o referido laudo de perícia técnica, existe grande diferença entre os “Aços longos – barras chatas” e os “Aços planos”, por estes entendidos pelo Fisco os produtos em discussão, e que, ademais disso, enquanto esses são utilizados na sua maioria na linha de fabricação automotiva e de eletrodomésticos, aqueles são utilizados na construção civil, o que, inclusive, teria sido o fator determinante para que o Poder Executivo tivesse reduzido sua alíquota a zero por meio do citado Decreto nº 5.697, de 2006. Socorreuse ainda a Impugnante do art. 98 do Código Tributário Nacional, segundo o qual, “Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a 1 Às fls. 399/405. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.”, para invocar a aplicação da Normatização da Siderurgia para paises do Mercosul, NM 182:99, que definiria: 3.1 Barra chata : barra de seção transversal retangular. de bordas planas com cantos vivos ou arredondados ou de bordas livres, com espessura de 3 mm a 60 mm inclusive, e largura de 10 mm a 250 mm inclusive. Voltandose contra as multas aplicadas, no valor total de R$ 5.716.119,46, argumentou que, calculadas sobre um imposto devido de R$ 1.285.674,83, caracterizariam em verdadeiro confisco, numa afronta ao disposto no inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal. Colacionou doutrina e jurisprudência judicial na linha desse entendimento. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG considerou improcedente os termos da impugnação e manteve na sua integralidade o lançamento, sendo que a parte correspondente ao item “002” do auto de infração[glosa de créditos originados de aquisições de produtos não considerados como MP, PI e ME] foi tida como “matéria não impugnada”. Para a instância de piso, “Os critérios a ser utilizados para a classificação fiscal na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) dos produtos correspondentes a ‘laminados planos’ e a ‘barras’ estariam objetivamente determinados na Nota do Capítulo 72 da TIPI, devendo ser estritamente observados a teor da Regra Geral nº 1 para interpretação do Sistema Harmonizado”. (sic) Para a multa de oficio, traçou explicações didáticas sobre a sua forma de apuração e não conheceu das argumentações da Impugnante quanto à tese do “confisco”, neste caso, em face de jurisprudência remansosa do Carf. No Recurso Voluntário a Recorrente argumentou que a distinção entre os “laminados planos” e as “barras chatas” não poderia se restringir às suas dimensões, isto é, a correta classificação não estaria adstrita às notas explicativas do Capítulo 72 da TIPI, consoante fundamentou o voto a DRJ. Transcrevendo referidas notas explicativas, a Recorrente entende que o legislador definiu a “Barra chata” por exclusão, de forma que “todos os laminados que não se enquadrassem em outra categoria deveriam ser assim classificadas”. Entende a Recorrente ainda que, em não se possuindo elementos suficientes par estabelecer a exata distinção entre os “laminados planos” e os “laminados longos”, e, a seu ver, nestes se enquadrariam as “barras chatas”, seria fundamental que fossem consultadas outras regras e leis de cunho mais específico, dentre eles o laudo técnico que apresentou, a NBR 5907 da ABNT, e a NM 182:99 da Normatização de Siderurgia para paises do Mercosul. Inovando em relação à peça impugnatória, contestou a exigência [IPI e multa de oficio] apurada a partir de supostas saídas de produtos classificados na posição 7211.13.00 da TIPI, sob o argumento de que não fabrica e tampouco comercializa o produto denominado, conforme descrito na referida posição, “Laminados nas quatro faces ou em caixa fechada, de largura superior a 150mm e de espessura igual ou superior a 4mm, não enrolados e não apresentando motivos em relevo”. Nesse ponto, ressalta que a maior largura dos produtos que fabrica é de 101,6mm, de maneira que não poderia ter nenhum de seus produtos reclassificados pelo Fisco na referida posição 7211.13.00 da TIPI, e, consequentemente, nenhuma exigência por conta de supostas saídas desse produtos. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.243 5 Voltandose contra a multa de oficio constituída com base no artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964 [IPI não lançado nas notas fiscais, mas coberto com crédito do imposto], entende a Recorrente que houve uma interpretação literal e simplória, e, portanto, equivocada do referido dispositivo por parte da fiscalização e da autoridade julgadora, de sorte que não se justificaria uma multa de quase R$ 5 milhões calculada sobre um imposto de R$ 1 milhão. Defende que a situação apenada – falta de lançamento do IPI na nota fiscal e seu não recolhimento em face da existência de saldo credor – seria uma obrigação acessória que não teria sido observada. Ainda sobre a referida multa de oficio e, ad argumentandum, defende a Recorrente, em outra inovação às teses lançadas na impugnação, ter havido a denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, que estaria caracterizada na quitação daqueles valores do IPI que não teriam sido lançados, quitação essa que teria se dado mediante a compensação [abatimento] dos créditos existentes. No essencial, é o Relatório. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 14/03/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 10/04/2012. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Classificação Fiscal Como dito acima, a controvérsia gira em torno da correta classificação fiscal a ser adotada para os produtos fabricados e comercializados pela empresa e conhecidos comercialmente como “Barras Chatas de Aço”. Para a autuada, tratarseiam de “Barras Chatas – Aço Longo”, classificados na posição “7214”, enquanto que, para o Fisco e para a DRJ, de “Aços Planos”, classificados entre as posições “7208 e 7211”. À fl. 35 existe um documento fornecido pela autuada quando do inicio dos trabalhos da auditoria fiscal dando conta dos produtos de sua fabricação e comercialização, bem como as respectivas classificações fiscais adotadas. São eles: Produtos [longos] Classificação Alíquota Ferro chato – diversas bitolas 7214.91.00* Ferro redondo/quadrado – diversas bitolas 7214.99.10* Cantoneiras – diversas bitolas 7216.21.00 zero (*) Alíquotas reduzidas a zero, cf. artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 7/02/2006. Essas classificações fiscais adotadas pela autuada estão assim descritas na TIPI2: 72.14 Barras de ferro ou aço não ligado, simplesmente forjadas, laminadas, estiradas ou extrudadas, a quente, incluindo as que tenham sido submetidas a torção após laminagem. 7214.9 Outras: 7214.91.00 De seção transversal retangular 7214.99.10 De seção circular De outra parte, nos demonstrativos elaborados pela fiscalização e que constam do Anexo I do presente processo, verificase que foram desconsideradas as classificações adotadas pela autuada em relação aos dois primeiros produtos acima descritos, e, em seu lugar, posições com alíquotas positivas de IPI, a saber: 2 Disponível no site: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aliquotas/DownloadArqTIPI.htm Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.244 7 Produtos [laminados planos] Reclassificação Alíquota Ferro chato, com largura maior ou igual a 4,76mm; maior ou igual a duas vezes a espessura e largura menor que 600mm (1) 7211.14.00 Barra chata de aço e barra chata de aço carbono, com largura superior a 150mm e inferior a 600mm (2) 7211.13.00 Ferro chato, com espessura inferior a 4,75mm, largura igual ou superior a dez vezes a espessura e largura inferior a 600mm (3) 7211.19.00 Barra retangular, com largura superior a 160mm e superior a 600mm (4) 7208.51.00 5% (1) Quadro 1.1, às fls. 2/358; (2) Quadro 1.2, às fls. 359/364; (3) Quadro 1.3, à fl. 365; e (4) Quadro 1.4, à fl. 366, todos do Anexo I. Na TIPI, essas classificações adotadas pela fiscalização estão descritas: 72.08 Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura igual ou superior a 600 mm, laminados a quente, não folheados ou chapeados, nem revestidos. 7208.10.00 Em rolos, simplesmente laminados a quente, apresentando motivos em relevo 7208.5 Outros, não enrolados, simplesmente laminados a quente: 7208.51.00 De espessura superior a 10 mm 72.11 Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, não folheados ou chapeados, nem revestidos. 7211.1 Simplesmente laminados a quente: 7211.13.00 Laminados nas quatro faces ou em caixa fechada, de largura superior a 150 mm e de espessura igual ou superior a 4 mm, não enrolados e não apresentando motivos em relevo 7211.14.00 Outros, de espessura igual ou superior a 4,75 mm 7211.19.00 Outros Explica a Nota “1”, letra “k” constante do “Capítulo 72” da TIPI, que, por “Produtos laminados planos” devem ser entendidos os: k) [...] Os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam a definição da Nota 1 ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo, ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificamse como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artefatos ou obras incluídos noutras posições; Os produtos laminados planos, de quaisquer formas (excluindo a quadrada ou a retangular) e dimensões, classificamse como produtos de largura igual ou superior a 600mm, desde que não tenham as características de artefatos ou obras incluídos noutras posições. A referida Nota “1ij”, por sua vez, dispõe: Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 ij) Produtos semimanufaturados Os produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, mesmo submetidos a uma laminagem primária a quente; e os outros produtos maciços simplesmente submetidos a laminagem primária a quente ou simplesmente desbastados a forja ou a martelo, incluindo os esboços de perfis. Estes produtos não se apresentam em rolos. Já a definição do sejam “Barras” é dada pela letra “m” das referidas Notas do “Capítulo 72”: m) Barras. Os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) ou l), acima, nem à definição de fios e cuja seção transversal, maciça e constante em todo o comprimento, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluindo os “círculos achatados” e os “retângulos modificados”, nos quais dois lados opostos tenham a forma de arco de círculo convexo, sendo os outros dois retilíneos, iguais e paralelos). Estes produtos podem: apresentarse dentados, com nervuras, sulcos (entalhes) ou com relevos, produzidos durante a laminagem (vergalhões para concreto), ter sido submetidos a torção após a laminagem. Com base nessas informações, voltome agora para as “Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado”, segundo as quais, “A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes Regras”: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: [...].(grifei) Os demonstrativos elaborados pela fiscalização acima reportados [“1.1”, “1.2”, “1.3” e “1.4”] descrevem os produtos fabricados e comercializados pela autuada [laminados planos] com todas as suas medidas, sendo justamente esse o fator principal para que os mesmos sejam distinguidos das chamadas “barras chatas”, as quais, como se observa na sua definição, são caracterizadas pela ausência dos requisitos que identificam os tais laminados planos, ou seja, a sua definição se dá por exclusão. Com outras palavras, no presente caso o que se tem é que a classificação fiscal na TIPI depende apenas da observância de parâmetros objetivos, diretos, os quais estão explicitados nas alíneas da Nota 1 do Capítulo 72, transcritas acima. Conforme bem argumentado pela DRJ, o § 1º do artigo 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, estabelece que “Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos.”, de sorte que não pode ser aceito o laudo técnico trazido aos autos pela autuada. Fosse o caso, a assistência de um profissional deveria estar voltada para a identificação ou natureza dos produtos fabricados e não a sua classificação fiscal. Tampouco se mostra necessário se recorrer à “interpretação sistemática” reclamada pela Recorrente para a classificação de seus produtos, porquanto as suas características mostraramse suficientes para que a fiscalização observasse justamente aquelas regras específicas ditadas pelo Sistema Harmonizado, em detrimento das normatizações da ABNT e da Normatização da Siderurgia para países do Mercosul. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.245 9 Pelo exposto, de se negar provimento ao recurso quanto a este tópico. Produtos da Posição 7211.13.00 A Recorrente alega que o IPI apurado a partir do “Demonstrativo 1.2” [fls. 359/364 do Anexo I] não se sustenta por sequer fabricar e muito menos comercializar os produtos classificados nessa posição da TIPI, ou seja, não fabrica nenhum produto com largura superior a 150mm, consoante tabela que elaborou. Esse argumento, todavia, não pode ser considerado como integrante da presente lide haja vista que, conforme dito no relatório, somente ventilado agora, nesta fase processual, ou seja, não fora submetido ao crivo do julgamento da DRJ, restando caracterizada, portanto, a preclusão. Segundo nos ensina Marcos Vinícius Neder e Maria Thereza Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2004, 2ª Edição, p. 78, "em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto de defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior". E prosseguem os citados autores: "Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo esse dispositivo, não é lícito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originalmente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento". Voto, pois, pelo não conhecimento desta matéria em face da preclusão. Multa de oficio s/ IPI não lançado, mas com cobertura de saldo credor A Recorrente não se conforma com o fato de que a soma dos débitos de IPI lançados, no valor de R$ 1.285.674,83, possa ensejar a aplicação de uma multa de R$ 5.716.119,46, que considera “astronômica”, “uma bizarrice”, por entender que teria havido uma interpretação equivocada do dispositivo no qual a mesma esta baseada, já que, a seu ver, teria havido apenas o descumprimento de uma obrigação acessória. Além disso, que tratarseia de mero descumprimento de obrigação acessória [falta de preenchimento da nota fiscal] e de que a forma de escrituração do IPI permitiria que se caracterizasse a denúncia espontânea. O dispositivo utilizado pela fiscalização para a imposição das multas e ora contestado pela Recorrente é o artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964, que sofreu várias alterações, sendo que: à até 29/06/2006, vigorava a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; [...]. à entre 29/06/2006 e 27/10/2006, tempo em que vigorou a MP nº 303, de 29/06/20063, que revogara expressamente o art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fixou no seu artigo 19: Art.80.A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto, quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente, nos demais casos. à entre 28/10/2006 e 22/01/2007 voltou, portanto, a vigorar aquele texto do art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acima reproduzido, o qual voltou a ser revogado expressamente pelo artigo 20 da MP nº 351, de 22/01/2007, que, em seu artigo 13, deu nova redação ao referido artigo 80, a qual foi mantida quando da conversão da referida MP na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, cujo texto vigora até os dias de hoje: Art.13.O art. 80 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. [...] § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto, quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente, nos demais casos. [...]. O destaque que dei no parágrafo anterior à expressão “das multas” é para evidenciar que nos R$ 5.716.119,46 apontados pela Recorrente existem duas parcelas, ou dois tipos de multa, consoante tabela abaixo: (R$) Multa Base de Cálculo Correspondente ao 3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2006/Congresso/atocnmpv303efi.htm Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.246 11 Multa Base de Cálculo Correspondente ao 964.256,08 1.285.674,83(*) IPI não recolhido 4.751.863,38 6.335.817,83(**) IPI não lançado nas notas fiscais “c/ cobertura de Crédito” 5.716.119,46 (*) Vide Quadro Demonstrativo 4, à fl. 33; (**) Demonstrativo da Multa, às fls. 23/25. A multa total de R$ 964.256,08, indicada no referido Demonstrativo nº 4, à fl. 33, elaborado pela fiscalização, foi obtida com a aplicação do percentual de 75% sobre cada um dos débitos de IPI exsurgidos após a reconstituição de oficio dos saldos que haviam sido apurados pelo contribuinte ao final de cada período, sendo que essa reconstituição levou em conta os débitos decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos, a glosa dos créditos e os estornos dos pedidos de ressarcimento. Caracterizada, pois, a falta de recolhimento desses débitos de IPI, correta se mostra a exigência da multa de oficio de 75%, no valor de R$ 964.256,08. A outra parte da multa, no valor de R$ 4.751.863,38, mostra uma pequena incorreção, isto é, existe uma diferença de R$ 3.346,19 que deve ser cancelada. Neste ponto me amparo, inclusive, nas explicações dadas pela DRJ no voto ora recorrido, na parte em que, no item “I) Multa de Ofício aplicada sobre a infração descrita no tópico 001 do enquadramento legal e descrição dos fatos do auto de infração” e na nota de rodapé nº 5, fl. 457, de forma bastante didática, constrói exemplo hipotético para demonstrar que essa multa, calculada sobre o IPI não lançado nas notas fiscais, possui dois componentes: a) multa de oficio sobre o IPI não lançado sem cobertura de crédito, e b) multa de oficio sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. Ou seja, considerando que “houve a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal”, o procedimento do Fisco foi o de aplicar a multa de 75% sobre esse IPI que deixou de ser destacado, porém, levando em conta, e a descontando, a outra multa de 75% sobre o montante dos saldos devedores apurados após a reconstituição da escrita fiscal da autuada. Observese: (R$) IPI não destacado nas notas fiscais por erro de classificação fiscal 7.617.031,03 75% Multa total devida 5.712.773,27 () Multa sobre o IPI apurado na reconstituição [1.285.674,83 x 75%] 964.256,08 (=) Multa sobre o IPI não lançado com cobertura crédito 4.748.517,19 () Multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito constante do auto de infração 4.751.863,38 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 (=) Multa de oficio calculada a maior 3.346,19 A Recorrente parece não ter compreendido o alcance da norma que estabeleceu a penalidade, a qual, admitase, mostra bastante severa porquanto penaliza aquele contribuinte que, obrigando a tanto, não tenha destacado o IPI na sua nota fiscal, daí não poder se falar que tenha havido um mero descumprimento de obrigação acessória. Essa multa do artigo 80, conforme a primeira parte de seu enunciado indica, foi aplicada em face de o IPI não ter sido lançado nas notas fiscais de venda, nada tendo a ver, como entende a Recorrente, com a falta de recolhimento de imposto. Tampouco se trata de sua aplicação restrita apenas às duas situações possíveis, hipoteticamente construídas pela Recorrente, quais sejam, a primeira delas, “no caso de lançamento do valor do imposto na nota fiscal seguida da falta do seu recolhimento”, e a segunda, “no caso de falta de lançamento do valor do imposto na nota fiscal seguida do seu recolhimento”. Ora, o que se busca com tal punição [refirome aqui apenas a primeira parte do enunciado do caput do art. 80] é inibir a falta de destaque do IPI na nota fiscal, de modo que, mesmo que o contribuinte não se veja obrigado ao recolhimento desse imposto não destacado, como no presente caso, quando ele possui saldo credor suficiente para cobrir parte do valor devido, recebe a sanção do Estado. Também não há que se falar da ocorrência de denúncia espontânea, visto que essa figura, conforme tese sedimentada no STJ, existe apenas nos casos em que, antes de proceder qualquer comunicação formal às autoridades administrativas, como, por exemplo, a entrega de DCTF, e antes de qualquer iniciativa do Fisco no sentido de exigir o recolhimento de tributo devido, o contribuinte o faz, com juros de mora. No caso, essas circunstâncias não se caracterizaram, vez que as diferenças de IPI ora exigidas vieram à tona com a presente ação fiscal. De se cancelar apenas parte da multa de oficio calculada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 3.346,19. Conclusão Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário na parte em que o mesmo trata de matéria preclusa [alegação de que não teria dado a saída de produtos da posição 7211.13.00], e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de oficio no montante de R$ 3.346,19. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.001722/201000 Acórdão n.º 3401001.946 S3C4T1 Fl. 1.247 13 Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.722701/2009-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2005, 2006
LEI 10.925/04, ARTS. 8º E 9º. CRÉDITO PRESUMIDO E SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. EFICÁCIA.
O regime jurídico de crédito presumido e suspensão da contribuição ao PIS, incidente sobre a venda de mercadorias de origem animal e vegetal, instituído pelos artigos 8º e 9º, da Lei nº 10.925/04, é eficaz a partir de 1º de agosto de 2004.
LEI 10.925/04. ART. 9º. CAPÍTULO 15, DA TIPI. EMPRESA CEREALISTA.
A venda, por cerealista, dos produtos incluídos no Capítulo 15, da TIPI, não enseja suspensão da contribuição ao PIS, nos termos do art. 9º, da Lei nº 10.925/04.
PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO.
A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 LEI 10.925/04, ARTS. 8º E 9º. CRÉDITO PRESUMIDO E SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. EFICÁCIA. O regime jurídico de crédito presumido e suspensão da COFINS, incidente sobre a venda de mercadorias de origem animal e vegetal, instituído pelos artigos 8º e 9º, da Lei nº 10.925/04, é eficaz a partir de 1º de agosto de 2004. LEI 10.925/04. ART. 9º. CAPÍTULO 15, DA TIPI. EMPRESA CEREALISTA. A venda, por cerealista, dos produtos incluídos no Capítulo 15, da TIPI, não enseja suspensão da COFINS, nos termos do art. 9º, da Lei nº 10.925/04. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005, 2006 LEI 10.925/04, ARTS. 8º E 9º. CRÉDITO PRESUMIDO E SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. EFICÁCIA. O regime jurídico de crédito presumido e suspensão da contribuição ao PIS, incidente sobre a venda de mercadorias de origem animal e vegetal, instituído pelos artigos 8º e 9º, da Lei nº 10.925/04, é eficaz a partir de 1º de agosto de 2004. LEI 10.925/04. ART. 9º. CAPÍTULO 15, DA TIPI. EMPRESA CEREALISTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 01 /2 00 9- 13 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 A venda, por cerealista, dos produtos incluídos no Capítulo 15, da TIPI, não enseja suspensão da contribuição ao PIS, nos termos do art. 9º, da Lei nº 10.925/04. PAF. PRODUÇÃO DE PROVAS. OMISSÃO. A omissão do contribuinte em produzir provas que fundamentariam seu direito implica preclusão, nos termos do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Por bem sintetizarem a controvérsia em julgamento, reproduzo a seguir trechos do relatório constante do v. acórdão recorrido de fls. 710/718: “Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS não cumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ (...), referente a fatos geradores entre 31/01/2005 e 31/12/2006. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 19/10/2009; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS não cumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ (...), referente a fatos geradores entre 31/01/2005 e 31/12/2006. Esse valor (principal) foi acrescido da multa Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.722701/200913 Acórdão n.º 3403001.889 S3C4T3 Fl. 12 3 de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 19/10/2009; Foi produzido Relatório da Ação Fiscal, donde se extrai os seguintes excertos: Quadro Resumo: O contribuinte deixou de declarar e não recolheu os valores referentes ao PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração dos anos de 2005 e 2006 ensejando a lavratura de auto de infração totalizando RS (...). (...) A fiscalizada (...) é uma sociedade limitada cujo objeto principal é o processamento e refino de borras de soja ( fl. 91 ), (...). Foi intimada a esclarecer as declarações no DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, fls. 169 a 584) em relação às informações de isenção ou alíquota zero do PIS/COFINS. Na resposta o contribuinte (fls. 75 a 81) afirma que goza do benefício da suspensão capitulado no art. 8º da Lei 10.925/04 e que as vendas são destinadas para empresas produtoras de alimentação animal. Foi realizada nova intimação (fls. 05 e 06) com pedido de esclarecimentos acerca da resposta trazida (...). A fiscalizada, por seu turno, reafirmou que está amparada no instituto da suspensão, agora indicando o parágrafo III, do artigo 9o da Lei 10.925/04 como fundamento legal. (...) Na auditoria realizada ficou evidenciado que a empresa Sulina Comércio de Óleos Ltda, é uma agroindústria não sendo abrangida pelo benefício da suspensão de PIS/COFINS, conforme alega. Esse benefício somente é dirigido à pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção, conforme disposição do inciso III, do artigo 9º da Lei 10 925/2004, com redação dada pela Lei 11.051/2004. Dessa maneira, a empresa Sulina Comércio de Óleos Ltda. deve estar enquadrada na regra geral de tributação de PIS/COFINS estabelecida pelas Leis 10.637, de 30.12.2002 (PIS não cumulativo) e 10 833, de 29.12.2003 (COFINS não cumulativo). Durante todo o período da fiscalização (01/2005 a 12/2006) não houve recolhimento de valores a titulo de PIS/COFINS, ensejando o lançamento de ofício.” Por se considerar desonerada do pagamento das exações, nos termos do citado artigo 9o, da Lei nº 10.925/04, a recorrente não vinha apropriando créditos de qualquer espécie nas apurações mensais que realizava. Apercebendose disso, a fiscalização, chegado o momento de liquidar o crédito objeto da imposição, os reconheceu de ofício à recorrente, nos seguintes termos: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 “Com relação ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS para abatimento dos valores devidos, consideramos que a suspensão da exigibilidade da contribuição, prevista no artigo 9º da Lei n° 10.925, de 2004, dependia de regulamentação que iria estabelecer termos e condições. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da IN SRF n° 636, de 2006, publicada no DOU de 04 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006. Desta maneira, somente a partir da data de 04.04.2006 é que se pode falar em vendas com suspensão. Desse modo, até a data de 03.04.2006 foram considerados os créditos de PIS/COFINS em sua totalidade. Após essa data foi aplicado então o método dos créditos presumidos, conforme o inciso II, do parágrafo 3º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 (...).” Novamente valendome do relatório aposto ao v. acórdão recorrido, sintetizo a seguir as razões da impugnação tempestivamente interposta pela recorrente contra os autos de infração: “• os atos fiscais são nulos, sendo inválida sua lavratura. Houve enquadramento da empresa como sendo uma agroindústria, não estando albergada pelo benefício da suspensão de PIS e COFINS (Lei n° 10.925, de 2004), o qual é dirigido somente à Pessoa Jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção conforme disposição contida na Lei citada. (...)” • analisados estes conceitos, podese dizer que a empresa não desenvolve atividades de agroindústria. Podemos enquadrála como uma empresa que desenvolve seu ramo de atividade de indústria de transformação e comércio atacadista de resíduo de soja. É, portanto, uma empresa cerealista. Seu produto (insumo) é vendido para a agroindústria, que fabrica ração animal, especificamente no seguimento da avicultura; • a empresa também não se enquadra como agropecuária, porque não desenvolve atividades atinentes ao setor primário, conforme bem definido naqueles conceitos; • o produto adquirido pela empresa de diversos fornecedores (agroindústrias e cerealistas) é o resíduo de soja (derivado do esmagamento do grão de soja, originando uma borra), o qual é revendido para empresas industriais que exploram a atividade de fabricação de ração animal. Este resíduo de soja goza de isenção de ICMS quando revendido no mercado interno, como também, alíquota zero do IPI e suspensão da contribuição da COFINS e PIS, nos termos da Lei n° 10.925, de 2004, alterada pela Lei n° 11.051, de 2004; (...) • o autuante não interpretou corretamente a atividade desenvolvida pela empresa. Ela compra resíduo de soja de cooperativas, agroindústrias e cerealistas em geral, e após comercializa como insumo para fabricação de ração animal (avicultura), nos exatos termos do art. 9º, inciso III, da Lei 10.925, de 2004.” Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.722701/200913 Acórdão n.º 3403001.889 S3C4T3 Fl. 13 5 Para desprover a impugnação, a DRJPorto Alegre/RS (i) deu por comprovada a condição de agroindústria da ora recorrente, empregando, para tanto, o conceito positivado pela IN/SRF nº 660/06; (ii) negou que a pessoa jurídica promovesse a saída de produtos in natura e, por fim, (iii) reafirmou o entendimento de que a desoneração e o crédito presumido de PIS e COFINS previstos nos artigos 8o e 9o da Lei nº 10.925/04 apenas teriam se tornado eficazes a partir de 04.04.2006, com o advento da IN/SRF nº 636/06. Sobreveio, então, recurso voluntário, no qual a interessada reitera o conteúdo da impugnação (fls. 724/731). É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Toda a controvérsia subjacente à lavratura dos autos de infração respeita à sujeição (ou não) da ora recorrente ao regime jurídico previsto pelos artigos 8o e 9o da Lei nº 10.925/04, relativamente ao PIS e à COFINS. Reconhecendose beneficiária da suspensão prevista no último dispositivo, a recorrente simplesmente deixava de expor à tributação a totalidade das receitas que auferia no período, conforme, aliás, sistematicamente o indicava no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON). Por coerência, abstinhase de apropriar qualquer espécie de crédito – seja o crédito presumido conferido pelo mesmo diploma, seja o crédito a que se refere o artigo 3o, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 submetendose, neste particular, à vedação prevista pela própria Lei nº 10.925/04. Ao cabo do procedimento fiscal, a auditoria convenceuse do contrário, porém. Entendendo que as atividades empreendidas pela recorrente excluíamna do regime suspensivo em questão, a autoridade consideroua enquadrada na sistemática nãocumulativa de apuração das exações e, como conseqüência, exigiulhe o correspondente crédito tributário, não sem antes deduzir da apuração os créditos a que, aí sim, teria direito. Vejamos, pois, o que estabelecem os dispositivos da Lei nº 10.925/04 pertinentes ao debate, começando pelo artigo 8o: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) §1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) §3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.” Vejamos, agora, o conteúdo do artigo 9o: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.722701/200913 Acórdão n.º 3403001.889 S3C4T3 Fl. 14 7 “Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) §2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Estes dispositivos sucederam o revogado §5o, do artigo 3o, da Lei nº 10.833/03. O preceito primitivo se prestava a conceder um incentivo (por meio da outorga de “crédito presumido”) em operações mercantis não originadoras de direito de crédito na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS aos respectivos adquirentes. Afinal, a aquisição de insumos junto a fornecedores pessoas físicas – não contribuintes das exações – não proporciona crédito ao contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração (artigo 3o, §§ 2o e 3o das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). Sensível às demandas da agroindústria – setor da economia que adquire seus insumos, em larga escala, de pessoas físicas – o § 5o, do artigo 3o, da Lei nº 10.833/03 concedia um benefício aos agentes do setor, garantindolhes o direito ao abatimento do PIS e da COFINS mediante aproveitamento de um crédito ficto, de valor inferior àquele previsto para operações de aquisição sujeitas à tributação. Com a Lei nº 10.925/04, o legislador deu um passo além. Estabeleceu no artigo 9o do diploma hipóteses de suspensão dos tributos em certas operações com produtos agrários quando inseridos na cadeia de produção de alimentos humanos ou animais. E dentre os casos favorecidos pela desoneração, incluiu, no que interessa a este processo, (i) as vendas realizadas por empresas cerealistas, desde que digam respeito a produtos in natura classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08 (exceto 1006.20 e 1006.30), 12.01 e 18.01 da NCM, e (ii) as vendas praticadas por agropecuárias, pessoas jurídicas que sejam elas próprias produtores rurais agrícolas ou pecuários. Sucede que, isentando as operações acima, a Lei nº 10.925/04 acabaria subtraindo da agroindústria que nelas figurasse como adquirente o direito de crédito do PIS e da COFINS nãocumulativo, tendo em vista que despesas incorridas em negócios dispensados de tributação não geram direito a crédito. Então, repetindo a receita, o artigo 8o da Lei nº 10.925/04 instituiu em favor da agroindústria novo crédito incentivado, agora apropriável nas aquisições submetidas à suspensão dos tributos, quais sejam, aquelas contratadas com cerealistas (determinados posições da NCM) e agropecuárias. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 É de concluir, com isso, que os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, que respectivamente instituem o crédito presumido e a suspensão das contribuições somente são aplicáveis se simultaneamente eficazes. Quer dizer, a indústria alimentícia apenas frui do direito ao crédito presumido porque a operação que o proporciona é, ao mesmo tempo, desonerada (suspensa) de PIS e de COFINS. Tanto assim que, se o cerealista e a agropecuária fossem tributados pelas contribuições, a agroindústria que deles adquirisse insumos teria direito ao crédito integral da nãocumulatividade – e não direito ao limitado crédito presumido. Uma interpretação precipuamente literal da Lei n° 10.925/04, é verdade, poderia levar à conclusão de que a eficácia do seu artigo 9° (suspensão das contribuições) estaria condicionada à regulamentação pelas autoridades fiscais, enquanto o seu artigo 8° (crédito presumido das contribuições) teria aplicabilidade imediata. De um ponto de vista sistemático, porém, não é possível dissociar no tempo a entrada em vigor das duas normas: não faria sentido a vigência da regra concessiva do crédito presumido enquanto ainda não fosse eficaz a regra da suspensão. Como enfatizado acima, afinal, se a operação é tributada para o vendedor (cerealista ou agropecuária), o comprador tem direito ao crédito integral (agroindústria). Dito isso, de duas, uma: ambos os regimes (suspensão e crédito presumido) entraram em vigor em 01.08.2004, conforme estabelecido pelo artigo 17, inciso III, da Lei nº 10.925/04, ou ambos se tornaram eficazes apenas em 04.04.2006, data em que publicada no Diário Oficial a IN nº 636/06, editada pela Secretaria da Receita Federal a pretexto de regulamentálos. Tenho por mais acertada a primeira hipótese. Digo isso inicialmente porque, embora veiculada somente em abril de 2006, a IN/SRF nº 636/06 prescreveu expressamente a retroação de seus efeitos a 01.08.2004 (artigo 5o), corroborando, assim, a conclusão de que não apenas a suspensão do tributo, mas a outorga do correlato crédito presumido vigoram desde então. Já a subseqüente IN/SRF n° 660, publicada em 25.07.2006, contém no seu artigo 11, regra segundo a qual ela – IN/SRF n° 660/06 – produziria efeitos (a) quanto à regra de suspensão das contribuições, a partir de 04.04.2006, e (b) quanto à regra de crédito presumido, a partir de 01.08.2004. Como se vê, o dispositivo infralegal em questão regula os efeitos da própria IN/SRF nº 660/06; não os efeitos da anterior IN/SRF nº 636/06. Conclusões: (a) o artigo 9°, da Lei n° 10.925/04 (regra de suspensão) entrou em vigor em 01.08.2004 conforme disposto na IN 636/06, permanecendo por ela disciplinada até 04.04.2006, a partir de quando se sujeitou à regulamentação pela IN 660/06; (b) o artigo 8°, da Lei n° 10.925/04 (regra do crédito presumido), embora também tenha entrado em vigor em 01.08.2004, não chegou a ser disciplinado pela IN 636/06, uma vez que a posterior IN 660/06 determinou que suas disposições a respeito do tema retroagissem (e, portanto, se sobrepusessem) às disposições previstas na IN 636/06 desde o início do regime. Em sentido contrário, depreendeu a fiscalização dos preceitos infralegais acima que a suspensão da incidência e, no que ora interessa, a outorga do crédito presumido, somente vigoraram a partir de 04.04.2006. Isso explica porque, durante os períodos de apuração anteriores a esta data, a autoridade tenha calculado as exações reconhecendo à recorrente, por inteiro, o crédito decorrente da nãocumulatividade. Pois ao assim proceder, como se vê, a fiscalização acabou liquidando a menor as contribuições a cargo da autuada, equívoco que evidentemente não pode ser corrigido nesta etapa procedimental. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.722701/200913 Acórdão n.º 3403001.889 S3C4T3 Fl. 15 9 De todo modo, os artigos 8º e 9º, da Lei n° 10.925/04 divisam com clareza três possíveis posições ocupadas pelos diferentes agentes envolvidos com a cadeia de produção do alimento a partir da matériaprima agropecuária: (a) “posição 1”: agricultor (pessoa física ou jurídica), cujas mercadorias são vendidas para o cerealista; (b) “posição 2”: o cerealista, cuja principal função é a armazenagem da mercadoria – que adquire da “posição 1” e revende para a “posição 3”; e (c) “posição 3”: indústria alimentícia (agroindústria), cuja atividade consiste na aquisição de mercadoria da “posição 2”, a sua inserção no processo industrial e a comercialização dos produtos para fins alimentícios. Na sistemática instituída pela Lei n° 10.925/04: (i) a operação de venda realizada por pessoa jurídica na “posição 3” para o mercado, é tributada normalmente pelo PIS e pela COFINS; (ii) a operação concluída entre os agentes das “posições 2” e “3” está sujeita a suspensão das contribuições e, portanto, transfere crédito presumido para o ocupante da “posição 3”; e, por fim, (iii) a compra e venda entabulada entre “1” e “2” não transfere créditos (presumidos ou da nãocumulatividade) para quem figurar na “posição 2”. O debate entre a recorrente e o Fisco está na identificação da “posição” ocupada pela primeira no encadeamento acima: enquanto a fiscalização insere a pessoa jurídica na “posição 3” – e, por decorrência, ao mesmo tempo em que lhe exige o PIS e a COFINS sobre as respectivas receitas, garantelhe de ofício os créditos (nãocumulativos até 04.2006 e presumidos daí em diante) – a recorrente, ao contrário, se considera enquadrada na “posição 2” – e por coerência, não se debita das contribuições incidentes sobre as vendas, ao mesmo tempo em que também não se credita com relação às aquisições. A recorrente sustenta sua afirmação se dizendo “cerealista”, isto é, pessoa jurídica que, nos termos da Lei no 10.925/04 e das Instruções Normativas SRF nos. 636/06 e 660/06, exerce “cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM”. Não obstante, uma série de elementos probatórios presentes nos autos sugerem que a atividade por ela exercida tem natureza industrial e não de mera revenda de mercadorias in natura. Dentre eles, faço especial referência aos seguintes: (i) o registro de estabelecimento no MAPA como “fabricante”: fls. 76; (ii) o certificado de registro de produto expedido pelo MAPA: fls. 77/78; (iii) a descrição do objeto social no contrato social de fls. 92, onde se lê que a pessoa jurídica está vocacionada ao “processamento e refino de borras de soja, Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 industrialização e comercialização de óleo de soja, proteínas e ingredientes vegetais para ração animal em geral”; (iv) CNAE declarado na DIPJ 2007, referente ao anocalendário 2006 (fls. 100), no qual consta o código 10.414/00 (fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto óleo de milho), assim como o comprovante de inscrição no CNPJ (campo CNAE, fls. 586); e (v) a alocação de 100% da receita auferida no anocalendário 2006, segundo a mesma DIPJ, sob a rubrica “receita de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria” (fls. 109) – enquanto para a rubrica “revenda de mercadorias", a receita é 0. Independentemente disso, um outro aspecto igualmente relevante merece ser considerado. Refirome à resposta dada pela própria recorrente, às fls. 75 dos autos, ao ensejo de questionamento feito pela fiscalização: naquela oportunidade, afirmou a recorrente que as mercadorias saídas do seu estabelecimento estão classificadas no capítulo 15, da TIPI. Quer dizer, ainda que, de fato, as atividades empreendidas pela recorrente fossem as de uma pessoa jurídica cerealista, como ela sustenta, nem assim o regime de suspensão das contribuições se lhe aplicaria, haja vista que, de acordo com os arts. 8º e 9º da Lei no. 10.925/04, nas vendas realizadas por cerealistas, o direito à suspensão se restringe às vendas dos produtos descritos nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 (este próprio para soja) e 18.01, da TIPI. Por fim, outro fundamento, este de ordem processual, não trará melhor sorte ao contribuinte. É que se trata de regra de suspensão de tributo, a qual, a meu ver, equivale a fato “extintivo, modificativo ou impeditivo” do lançamento, de modo que, em termos de distribuição do ônus da prova (CPC, artigo 333), caberia à recorrente trazer aos autos o conteúdo probatório apto a demonstrar que preenche as condições necessárias para fruir o benefício fiscal. Não o fazendo, incide o disposto no artigo 16, III e §4°, do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)" Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.722701/200913 Acórdão n.º 3403001.889 S3C4T3 Fl. 16 11 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 18/02/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 12045.000194/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 28/02/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
A partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração.
Constatada violação de Decreto, as decisões do CRPS podem ser revistas, de ofício ou a pedido, nos termos do inciso I, art. 60, da Portaria 88/2004.
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO APÓS EXPIRAÇÃO DO MPF
A ciência da NFLD pelo contribuinte fora do prazo de validade do MPF não invalida o ato administrativo do lançamento.
A intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse.
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
Numero da decisão: 2301-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) em anular o acórdão, nos termos do voto da Relatora; c) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da Relatora
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 28/02/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. A partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração. Constatada violação de Decreto, as decisões do CRPS podem ser revistas, de ofício ou a pedido, nos termos do inciso I, art. 60, da Portaria 88/2004. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO APÓS EXPIRAÇÃO DO MPF A ciência da NFLD pelo contribuinte fora do prazo de validade do MPF não invalida o ato administrativo do lançamento. A intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse. INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
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ACOLHIMENTO. A partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração. Constatada violação de Decreto, as decisões do CRPS podem ser revistas, de ofício ou a pedido, nos termos do inciso I, art. 60, da Portaria 88/2004. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO APÓS EXPIRAÇÃO DO MPF A ciência da NFLD pelo contribuinte fora do prazo de validade do MPF não invalida o ato administrativo do lançamento. A intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse. INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão Notificação para a correta formalização do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 01 94 /2 00 7- 91 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) em anular o acórdão, nos termos do voto da Relatora; c) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da Relatora Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000194/200791 Acórdão n.º 2301003.051 S2C3T1 Fl. 464 3 Relatório Tratase de pedido de revisão do Acórdão nº 2885/2005 (fls. 436 a 441), que anulou a NFLD pela não observância do prazo regulamentar previsto pelo MPF. A Secretaria formulou seu pedido revisional (fls. 447) se amparando no Enunciado nº 25, de 23/02/2006, da Câmara Superior do CRPS, argumentando que a nulidade formal apontada no Acórdão combatido não tem mais sustentabilidade. Por meio do Despacho nº 65/2007 (fls 449), o Presidente da extinta Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, com amparo no § 2o, do art. 5o, da Portaria nº 147/2007, entendendo que foram preenchidos os pressupostos de admissibilidade do pedido, conforme preconizado no inciso I, do art. 60, do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria MPS/GM n° 88/2004, acatou o pedido de revisão formulado pela SRP, alegando que houve violação literal do disposto no Decreto nº 3.969/2001, designando ad hoc esta Relatora, nos termos do art. 29, III, da Portaria MF 147/2007, para saneamento do acórdão do CRPS. Por meio da Resolução 206.00.119 (fls. 452), a Sexta Câmara, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência para oportunizar o contribuinte a apresentar contrarazões ao pedido de revisão. Em contrarazões ao pedido revisional, o contribuinte se manifestou (fls. 457) alegando nulidade da NFLD pela existência de vício formal. É o relatório. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A Secretaria da Receita Previdenciária pede a revisão do Acórdão com fulcro no Enunciado nº 25 do Conselho Pleno do CRPS. Porém, a partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração. Dessa forma, da análise do pedido revisional apresentado, aqui tratado como embargo por este Conselho, entendo que a revisão do Acórdão é oportuna e pertinente e encontra amparo no inciso I do art. 60 da Portaria 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; Como bem observado pelo Presidente da extinta Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em seu Despacho de fls. 449, verificase, da análise dos documentos acostados aos autos, que o acórdão combatido viola o Decreto nº 3.969/2001, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Previdenciária. O referido Decreto estabelece, no art. 16, que a extinção do MPF por decurso de prazo não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Assim, entendo que os atos já praticados sob a égide do MPF extinto não poderiam ser reputados nulos. No caso presente, constatase a existência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF válido quando da lavratura da NFLD. Portanto, o lançamento está precedido de MPF, sendo que apenas a intimação do contribuinte se deu fora do prazo de validade do MPF. Porém, a intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse. E, de acordo com o art. 31, da Portaria 520/04, são nulos os lançamentos não precedidos do MPF, o que, conforme restou demonstrado, não é o caso presente. O Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa previdenciária sobre a matéria, nos termos do art. 14 da Portaria . 88/2004, por meio do Enunciado 25/2006, transcrito a seguir: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12045.000194/200791 Acórdão n.º 2301003.051 S2C3T1 Fl. 465 5 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não acarreta nulidade do lançamento. Cumpre ressaltar que não se trata de retroação da norma, mas de reforma da decisão proferida equivocadamente pela 4ª CaJ, vez que a referida decisão não observou o disposto no art. 16 do Decreto 3.969/2001. Portanto, entendo que o Acórdão objeto do pedido revisional merece ser revisto, motivo pelo qual passo à analise dos autos. Inicialmente, observase que antes do julgamento de 1ª instância o processo foi convertido em diligência e a fiscalização se manifestou combatendo os argumentos trazidos na peça impugnatória e retificando o débito. Porém, constatase que não foi dada, ao contribuinte, a oportunidade de se manifestar em relação aos esclarecimentos prestados pelo agente notificante na diligência fiscal, e que serviram de base para a formação de convicção da autoridade julgadora de primeira instância . Entendo que, o processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações dos representantes do Fisco e alteração do valor lançado sem conhecimento do sujeito passivo, fazse necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Porém, o vício apontado não implica nulidade do Auto de Infração, tendo que a viabilidade do seu saneamento enseja a anulação apenas da Decisão de primeira instância, para a correta formalização do processo. E o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 59, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância merece ser decretada afim de que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito dos esclarecimentos prestados pela autoridade fiscal, antes de qualquer decisão da Autarquia a respeito do lançamento. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de ANULAR o Acórdão nº 2885/2005, CONHECER DO RECURSO e ANULAR A DECISÃONOTIFICAÇÃO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.007937/93-68
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 1999
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G C1.68CH006.963/87'.20 I TM &esse de 14 de outubro de 1988 ACORDÃO N°202 - 02.047 Recurso n.° 80.096 Recorrente ORGRIM - ORGANIZAÇÃO RIBEIRO MACHADO LTDA. Recorrida DRF EM BELO HORIZONTE - MG FINSOCIAL - Exigencia decorrente de omissão de recei ta, apurada em levantamento do Fisco Estadual, julga da procedente, inclusive quanto ao procedimento de corrente do Imposto de Renda; defesa fundada nos mentos da exigência inicial, sem anexação dos me? mos. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por ORGRIM - ORGANIZAÇÃO RIBEIRO MACHADO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento @O recurso. Sala das Sess g es, em 14 de outubro de 1988. • "efiç?4, f JOS ec-i etc ALVES DA FONSEC . - 'RESIDENTE 1» SVALDO TAWC-REDO DE OLIVEIRA - R-ELATOR eis" e LEGYRIO S fh-wr Cp_c-- PROCURADOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 1 5 DEZ 198E1 Participaram, ainda, do presente julgamento,os Conselheiros: MARIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, ERNESTO FREDERICO ROLLER (Suplente), ALDE DA COSTA SANTOS JON FOR, JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIÃO BORGES TA QUARY,H4 /95 \iP ` -...... irl.eic 4,,,,- c -I-L,:r MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.680-006.963/87-20 Recurso rif: 80,096 Acorda° n.°: 202-02,047 Recorrente: ORGRIM - ORGANIZAÇÃO RIBEIRO MACHADO LTDA. RELATÓRIO Conforme descrito no Auto de Infração, trata-se de exi_ gencia referente ao FINSOCUL, "decorrente de omissão de receita a_ purada no Auto de Infração" identificado, "correspondente aos anos de 1984 e 1985, Segue-se o enquadramento legal, a partir do Decreto-lei n? 1.940, de 1982 e legislação posterior. Alem da contribuição em causa são exigidos os acresci_ mos legais, com proposta de aplicação da multa de 20%, prevista no art. 19, III do DL. n? 2.049183, c/c art. 39 do D.L. n9 2.287/86, tudo com base nos valores constantes do Demonstrativo de Apuração da Contribuição anexo ao referido auto, de que a autuada tomou cién_ eia via postal, por se haver negado a assinar. Em impugnação tempestiva, diz que o lançamento não é li_ quido nem certo, "achando-se eivado de erros e desacertos de tal em_ plitude, que levaram a empresa a entrar em Juizo" contra o mesmo. Diz que ali alegou e provou que as argiliçães são capcio sas e estão a merecer corrigentes urgentes, para o restabelecimento da verdade". AI Quanto ao subfaturamento, sua caracterização e exten_ são "não foram atendidas, de formas que o lançamento do Estado pade ce de certeza." segue - -x 99?S., SERVÇO PÚBLICO FEDERAL a..P.,4 4ek›... Processo n? 10.680-006.963/87-20 02- Acórdão n9 202-02.047 Sobre a alegação de operaçoes sem documentaçao fis_ cal, a empresa teve a oportunidade de juntar ao processo uma centena de notas fiscais que não foram vistas, nem computadas pelo Fisco. Baseado que está o auto de infração em levantamento viciado e não merecedor de credito, pede que este seja sobrees_ tado, que seja suspenso seu julgamento ate que haja uma solu_ ção judicieria. Informação fiscal declarando que a fiscalização ba seou seus trabalhos em auto de infraoSo lavrado pelo Fisco Esta_ dual contra a empresa, onde foi pago o tributo exigido, sem dis_ cordencia. Que, apOs a lavratura dos autos, a impugnante en_ trou com Ação de Repetição de Indébito contra o Estado. Mas, que, de acordo com os Acórdãos do 19 Conselho de Contribuintes, que identifica, "Pago o tributo cobrado sobre a receita omitida apurada pela fiscalização estadual, e legiti ma a incidência do Imposto de Renda sobre essa receita." Pede a procedência do feito. Na decisão de la. Instãncia, relativa ao imposto de Renda, anexa por cópia, diz a autoridade julgadora que "omissão de receita apurada pelo Fisco Estadual", com pagamento do tribu to exigido, é legitima a incidencia do Imposto de Renda sobre a respectiva parcela. 1Por sua vez, quanto à contribuição agora exigida,em decorrência, diz que "em razão da intima relação de causa e efeito, o decidido no processo matriz faz coisa julgada no pro cesso instaurado, como decorrente", Por essa razão, indefere a41,--ft?)7 segue - J--Ce nU 7 t e SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL"IS Processo nS 10.680-006.963/87-20 03- AcOrdão n? 202-02,047 impugnação e mantém a exigência. Impugnação tempestiva a este Conselho. Diz que o presente decorre de um levantamento de iniciativa da fiscalização estadual, o qual, por considerá-lo falho e feito de má-fé, levou a recorrente a impetrar medida ju dicial de repetição do indébito, que se acha em fase de julga mento. Pede a "protelação da decisão deste processo até a solução final e definitiva na esfera judicial." Que, se o ato estadual é irregular e eivado de fa lhas e irregularidades, todo o procedimento dele derivado esta contaminado pelos mesmos vícios. Que transfere para este Conselho a missão de fazer justiça. o relatado. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA Muito embora não se achem anexos aos autos os ele mentos em que se fundamenta a presente exigência, a não ser a sua peça básica, decisão relativa ao processo decorrente, do Im posto de Renda, e a decisão ora recorrida, limita-se a recorren te a alegar a origem do presente e a declinar as providências que adotou em sua defesa, sem sequer reproduzi-las no presente, o que poderia ter feito, para melhor conhecimento da autoridade recorrida. Nessas condições, voto pelo não provimento do recur / segue-verso- Processo o? 10.680-006.963/87-20 Acardão n? 202-02.047 Silit das iSi as Sesses -m /14 de outubro de 1988. i/ 1 IC/ISVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA ‘/ ,
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007705/2002-95
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Auto de infração fundamentado somente na alegação da não existência no Profisc do resultado do processo devidamente indicado pela contribuinte, fato que gera nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 3401-001.852
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 815 1 814 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007705/200295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.852 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente PRODUTOS DE ALIMENTOS FLEISHMAN ROYAL S.A Recorrida DRJCURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Auto de infração fundamentado somente na alegação da não existência no “Profisc” do resultado do processo devidamente indicado pela contribuinte, fato que gera nulidade do auto de infração. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 77 05 /2 00 2- 95 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/06/2002 (fls.66/67), pelo exigese a COFINS referente aos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, outubro e novembro de 1998. A Recorrente alegou em seu Recurso Voluntário que o auto de infração não poderia ter sido lançado, pois o crédito estava suspenso em razão de pedido de compensação. O Recurso foi apreciado pelo Segundo Conselho de Contribuinte, ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência (fls.512/515), a fim de que fossem respondidos os seguintes quesitos: “a) Se foram homologados os créditos dos pedidos de compensação da contribuinte; b) Se homologados, elaborar tabela cotejando o valor do auto de infração com o valor de crédito da contribuinte, explicitando saldo final (ou a favor da contribuinte ou a favor da Fazenda)”. Após a diligência, a delegacia de origem elaborou relatório (fls.526/530), pelo qual resumiu a situação das compensações no quadro seguinte: Mês PA Compensação em R$ N° do processo Situação do débito 01/98 271.250,70 544.712,86 13832.000038/9855 13832.000038/9855 Prescrito Pedido de Compensação inexistente (a) 03/98 104.202,84 10480.004079/9851 Compensação não deferida/ homologada 04/98 558.402,01 69.704,78 13710.000699/9811 10480.005409/9899 Compensação não deferida/homologada Compensação não deferida/homologada 05/98 1.217.725,08 10380.006918/9858 Compensação não homologada 06/98 392.383,14 10380.006918/9858 Compensação não homologada 10/98 1.004.939,99 13710.002244/9811 Parte do débito de R$ 14.661,03 foi extinto mediante compensação Fl. 816DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.007705/200295 Acórdão n.º 3401001.852 S3C4T1 Fl. 816 3 11/98 1.250.638,91 10768.028103/9885 Débito extinto por pagamento A Recorrente se manifestou acerca das conclusões da diligência (fls.554/567). Alegou que os períodos lançados no auto de infração que compõe este processo estão extintos pela prescrição, ou pelo pagamento, ou foram inscritos na dívida ativa, ou estão aguardando julgamento no processo de compensação. Ao fim, a Recorrente ratificou o pedido de cancelamento do lançamento. É o Relatório. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento Conforme visto no relatório, o cerne da questão consiste na validade do lançamento de períodos cujo pedido de compensação havia sido protocolado e analisar o fundamento para a autuação, sob a alegação de que o processo administrativo indicado pela recorrente na DCTF não foi encontrado. Ultrapassada essa questão, cabe analisar o lançamento de cada mês. 1. Janeiro de 1998 Conforme resultado de diligência, uma parte do lançamento relativo a esse mês foi alcançado pela prescrição, de modo que estaria extinto, e a outra parte não tem compensação, motivo que manteria a cobrança. Em sua manifestação, a Recorrente alega que a prescrição parcial ocorreu em decorrência de confissão em DCTF e que a outra a informação de inexistência de processo de compensação da outra parte é equivocada, pois o processo já foi julgado e encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição em dívida ativa. Nesse ponto, tem razão a Recorrente. Conforme informação de fls. 525, o débito de janeiro de 1998, no valor de R$ 544.712,86, estava com pedido de compensação no processo nº 10980.003918/200671, o qual já foi encerrado e encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na dívida ativa. Enfim, a manutenção desse período configuraria cobrança em dobro, motivo que justifica o cancelamento de seu lançamento no auto de infração deste processo. 2. Março e abril de 1998 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 No tocante ao mês de março, tanto a informação fiscal quanto as considerações da Recorrente, confirmam que ele estava com pedido de compensação formulado pelo processo nº 10480.004079/9851, o qual foi juntado ao processo principal, nº 10480.001528/9836. Nesse processo, a homologação da compensação foi negada pela DRJ em Recife e o débito foi encaminhado para inscrição na dívida ativa. Relativamente ao mês de abril, conforme tabela constante do relatório fiscal e copiada no relatório deste voto, os valores estavam divididos em dois processos: 13710.000699/9811 e 10480.005409/9899. Em ambos os processos os valores não foram compensados e foram inscritos na dívida ativa. Assim, também devem ser cancelados os lançamentos dos meses de março e de abril de 1998. 3. Maio e junho de 1998 Conforme informações constantes no relatório fiscal, as compensações dos meses de maio e junho de 1998 estão formalizadas no processo nº 10380.006918/9858, o qual foi “juntado ao processo principalraiz nº 10380.012963/9714”, que trata de ressarcimento de IPI. Ainda conforme informação do relatório fiscal, este processo estaria na DRF em Fortaleza/CE, mas em consulta realizada por este Conselheiro, o processo já estava no CARF, aguardo distribuição. De qualquer forma, segundo essas informações, a compensação relativa ao mês de junho, por enquanto, não tem decisão definitiva. Contestando as informações da diligência, a Recorrente alega que o valor de R$ 392.383,14, relativo ao mês de junho de 1998, foi compensado em outro processo, qual seja, o processo nº 10380.013474/9735, “com os créditos decorrentes de restituição de ILL (sic)”. Segundo a Recorrente, no processo nº 10380.013474/9735, no qual está vinculado o processo 10380.006918/9858 (processo que trata da compensação), era pleiteado o crédito no montante de R$ 374.494,15. E foi deferido crédito parcial no valor de R$ 346.059,73. Segundo a Recorrente o valor deferido atualizado é suficiente para cobrir o valor cobrado no auto de infração, em relação ao mês de junho (R$ 392.383,14). Com essas considerações a Recorrente pede que o crédito seja considerado extinto por compensação. Apesar das alegações da Recorrente, não foi juntado aos autos qualquer documento que comprove o deferimento dos créditos no processo nº 10380.013474/9735 e muito menos que eles tenham sido utilizados para compensar o débito da COFINS de junho de 1998. Portanto, seguindo a conclusão da diligência, temse que os valores relativos aos lançamentos de maio e junho de 1998 ainda não tiveram a compensação definitivamente julgada, mas deve ser destacado que o processo foi devidamente indicado na DCTF. 4. Outubro de 1998 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.007705/200295 Acórdão n.º 3401001.852 S3C4T1 Fl. 817 5 Conforme relatório de diligência, o valor relativo ao período de outubro de 1998 foi extinto com compensação, o que torna o auto de infração, em relação ao lançamento deste mês, insubsistente. 5. Novembro de 1998 Segundo relatório de diligência, o débito relativo ao mês de novembro de 1998 foi extinto pelo pagamento. Esse fato leva ao cancelamento do auto de infração neste mês. 6. Conclusão Portanto, o auto de infração é fundamentado somente na alegação da não existência no “Profisc” do resultado do processo, que foi devidamente indicado pela recorrente na DCTF, fato que não pode invalidar a informação da Contribuinte, tornando nulo o auto de infração. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. É como voto. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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