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Numero do processo: 10680.725211/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. FRETES E CARRETOS. LUCROS E PERDAS.
Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.207
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 2ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. FRETES E CARRETOS. LUCROS E PERDAS. Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 52 11 /2 01 0- 81 Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 3 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 3/24), apurados pela sistemática do Lucro Real, cumulados com juros e multa de ofício (75%), referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, em virtude (i) da glosa de custos e despesas relacionados à suposta aquisição de carvão, suportadas por notas fiscais inidôneas e cujo efetivo pagamento não foi devidamente comprovado, e (ii) da glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários, relativos ao pagamento e/ou reembolso da taxa florestal de alguns fornecedores pessoas físicas. Conforme Termo de Verificação fiscal às fls. 25/34, no tópico que cuidou da glosa de custos não comprovados, relata a autoridade fiscal que em contato com o Instituto de Florestas do Estado de Minas Gerais – IEF/MG recebeu a informação de que aquele órgão ambiental havia detectado diversas notas fiscais inidôneas que acobertavam a compra de carvão e que as notas haviam sido entregues à SEFAZ/MG. Essa SEFAZ/MG forneceu cópia autentica das notas fiscais de compra, das notas fiscais de entrada emitidas pela fiscalizada acobertando o registro contábil da compra de carvão e dos Atos Declaratórios por ela expedidos atestando a inidoneidade das mesmas (fls. 539/743). A fiscalização relata, ainda, o resultado da apuração fiscal no MPF nº. 0610500.2008.00085, quando foram realizadas diligências junto ao produtor rural Lourivaldo da Rocha Fascari, cujo nome conta em uma das notas fiscais de compra expedidas pela autuada (fls. 1734/1776). Na ocasião, apurouse que o produtor rural nunca recebeu qualquer valor da autuada referente a venda de carvão e que nenhum dos cheques apresentados pela autuada como comprobatórios do pagamento ao produtor rural haviam sido depositados em sua conta corrente, sendo certo que a SEFAZ/MG considerou tal nota como falsa (fl. 1755). Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 4 3 Em relação a outros produtores rurais a SEFAZ/MG também publicou atos de inidoneidade de documentos fiscais, sendo alguns por falsidade de documentos e outros por se tratarem de documentos não autorizados ou paralelos. Instada a apresentar documentos que comprovassem a aquisição de carvão, a fiscalizada apresentou planilha contendo o número e valor das notas fiscais emitidas, nomes dos produtores rurais e cheques utilizados para liquidar tais aquisições (fls. 1955/2127). Diante dos fatos e documentos, a fiscalização conclui que a mera existência de um cheque em nome de produtor rural cuja nota fiscal foi declarada inidônea não é suficiente para comprovar que a operação existiu e foi efetivamente paga. Assim, considerando que a dedutibilidade de custos e despesas depende da comprovação com documentação hábil e idônea e/ou da efetiva comprovação do efetivo pagamento dos valores escriturados aos emissores das notas fiscais, o que não ocorreu no caso em comento, procedeu à glosa das aquisições de carvão cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas pela SEFAZ/MG. Além disso, relata a fiscalização acerca da glosa de despesas consideradas desnecessárias (fls. 51/130), já que referentes ao pagamento, por substituição tributária, da Taxa Florestal devida por alguns produtores rurais pessoas físicas dos quais adquire carvão (fl. 2128/2133 e Decreto nº. 36110/94 do Estado de Minas Gerais). A contribuinte apresentou impugnação às fls. 2256/2271, acompanhada dos documentos de fls. 2272/3042. Suas razões de defesa foram resumidas pela DRJ, conforme trechos a seguir transcritos: “2.1.1. Da ausência de motivação e prova sobre a inidoneidade das notas fiscais. A fiscalização não se desincumbiu de seu ônus de provar a irregularidade da operação de aquisição do carvão vegetal, como impõe o art. 142 do CTN. Além disso, o lançamento não traz a necessária motivação sobre o enquadramento das notas fiscais nos supostos Atos Declaratórios. Verificando os documentos juntados pela fiscalização aos autos, principalmente os de fls. 539 a 473 e 1777 a 1779, notase que não há cópia de nenhum Ato Declaratório referente aos seguintes fornecedores de carvão, cujas aquisições tiveram suas despesas glosadas: ANTONIO MOREIRA DIAS; DANIEL GOMES DOS SANTOS; MARCOS DE JESUS RODRIGUES; MARIA AUXILIADORA DE CARVALHO; OLAVO GUEDES DA SILVA; PADILHA SERVIÇOS FLORESTAIS; PEDRO FLÁVIO R. DA SILVA; VALDECI JOSE ALMEIDA DE SOUZA e VANDERSON RICARDO RODRIGUES SANTOS. Deveria ainda a fiscalização ter demonstrado de forma motivada o enquadramento das notas fiscais cuja despesa foi glosada a cada um dos atos declaratórios. No entanto, isso não foi feito, Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 5 4 pois a fiscalização se limitou a afirmar genericamente o enquadramento. Sem essa motivação, o impugnante sequer tem meios de combater os motivos pelos quais o Fisco entendeu que as notas se enquadram nos atos declaratórios, prejudicando assim o exercício amplo do seu direito de defesa contra o lançamento. Por isso é que a motivação do lançamento é obrigatória, devendo ser considerada ainda sua natureza de ato administrativo, que instaura a invasão à esfera patrimonial do contribuinte, e a determinação expressa da Lei nº 9.784/99. Portanto, inválido o lançamento por ausência de prova da infração e de motivação. 2.1.2. Da boafé do impugnante e a irretroatividade dos supostos atos declaratórios. Salientou o impugnante que os atos declaratórios não têm o condão de retroagir para penalizar o adquirente que, de boafé, aproveitou o crédito de ICMS destacado em notas fiscais com aparência de regularidade e sobre as quais não havia nenhum ato da Fazenda atestando qualquer irregularidade. Não há como as declarações posteriores de inidoneidade dos vendedores alcançarem o comprador de boafé. Portanto, se os atos declaratórios não têm eficácia retroativa, preservandose a boafé do adquirente, devem ser aceitas todas as deduções oriundas de aquisições de carvão. Até mesmo porque o impugnante efetivamente incorreu nos custos da aquisição, utilizando o carvão como insumo de sua atividade, conforme passa a demonstrar. 2.1.3. Do efetivo gasto na aquisição de carvão. O anexo extrato bancário (doc. 03), relativo à conta bancária que versa exclusivamente sobre aquisições de carvão ("conta carvão"), comprova que todos os cheques mencionados na planilha de fls. 1955/2127 foram compensados na referida conta, ou seja, o impugnante suportou o custo pela aquisição. Além disso, o cenário apresentado no auto de infração não é factível. Isso porque, fosse verdade que o impugnante não teria adquirido o carvão cujos gastos foram glosados, seria inviável que tivesse alcançado a produção que teve no período autuado, conforme atestam os anexos relatórios de composição do custo da matériaprima utilizada no período (doc. 04 e 05). A fiscalização, contudo, tenta descaracterizar esses pagamentos, já que as notas fiscais foram pagas com mais de um cheque, sendo parte deles dirigidas ao transportador e outra parte dirigida ao produtor, como é de praxe do mercado de carvão. (...) Quanto ao pagamento ser realizado parte ao motorista e parte ao produtor, além de ser praxe de mercado, a situação não Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 6 5 representa nenhuma ilegalidade, tanto é assim que a fiscalização sequer apontou um dispositivo legal que proíba a prática. Pelo contrário, nosso ordenamento jurídico traz expressamente figuras que permitem a prática, a exemplo da cessão de crédito, prevista no art. 286 do Código Civil. Quanto ao produtor Lourivaldo Rocha Frascari, objeto da diligência, afirmou que, se o cheque foi emitido nominalmente ao referido produtor e foi compensado junto à conta corrente do impugnante, a única conclusão possível é que o Sr. Lourivaldo, assim como o impugnante, foram vítimas de fraude, e não seus autores. Até mesmo porque, conforme comprovado na diligência realizada, o Sr. Lourivaldo passou uma procuração para que o carvão vegetal fosse vendido em seu nome, conforme trecho do depoimento do Sr. Antonio Claiton Barcelos (fl. 1744). Sendo assim, o impugnante comprou o carvão de quem tinha poderes, outorgados para procuração, para realizar a venda, mediante nota fiscal emitida em nome do Sr. Lourivaldo, como ele mesmo autorizou. E o impugnante pagou o valor conforme a prática corrente, já elucidada acima. Agora, se o Sr. Lourivaldo não recebeu os cheques do seu mandatário, é questão a ser resolvida entre as partes no contrato de mandato. De resto, a suposta irregularidade do pagamento imputada ao impugnante, em verdade inexistente conforme demonstrado, não é hábil a sustentar a autuação, no que se refere aos custos glosados relativos à aquisição de carvão dos demais produtores. 2.2. Da dedutibilidade da taxa florestal. Esclareceu o impugnante que o lançamento se fundamentou na indedutibilidade da taxa florestal paga no regime de substituição tributária, mas a glosa recaiu sobre os valores de reembolso da taxa florestal aos produtores (bastando ver na planilha de fl. 50 a 131, as despesas glosadas referemse a REEMB. TX. FLORESTAL, seguida do nome do produtor), e o reembolso só tem lugar no regime normal de apuração, que não se confunde com a substituição tributária. Constatase de plano que a fundamentação do lançamento é estranha às despesas glosadas, pois estas não foram efetivamente realizadas no âmbito da substituição tributária da taxa florestal. O descompasso entre a fundamentação e motivação do lançamento e o substrato fático sobre o qual recai (natureza das despesas) é causa de sua nulidade. Em suma, o valor reembolsado, glosado pela fiscalização (embora com fundamentação inaplicável à espécie), representa despesa obrigatória do impugnante, pois ou ele paga ao Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 7 6 produtor mediante reembolso, recebendo o documento de arrecadação e aproveitandoo na dedução do que for por ele devido; ou ele não reembolsa o produtor e não obtém o documento de arrecadação, ficando assim impedido de fazer a dedução por falta de prova do recolhimento, pagando integralmente o valor por ele devido ao Fisco mineiro. O regime de substituição tributária por sua vez, não altera o ônus tributário, alterando apenas a sujeição passiva e o aspecto temporal da exigência. Pois bem, na substituição tributária da taxa florestal, conforme consta do Regime Especial de fls. 2.128 a 2.133, o produtor consegue a liberação junto aos órgãos ambientais demonstrando que aquele carvão é objeto de contrato firmado junto a contribuinte que é detentor de regime especial de substituição tributária. Sendo assim, o produtor contribuinte nada é obrigado a pagar, e o pagamento é realizado exclusivamente pelo adquirentesubstituto na medida em que recebe o carvão. Diferentemente do que ocorre na outra situação, se nada é pago pelo produtor quando da obtenção da licença para exploração da madeira e produção do carvão, nada será a ele reembolsado, o impugnante nada terá a deduzir da taxa por ele devida, pois realiza o pagamento a título de substituição. Notese que o ônus que sobre ela recai é exatamente o mesmo, ou seja, tratase sim de uma despesa obrigatória e necessária, por imposição da legislação estadual. Foram anexados, a título de exemplo, documentos pertinentes aos recolhimentos realizados nos meses de junho e julho de 2005 (doc. 06) e maio e junho de 2006 (doc. 07). Logo, patente a dedutibilidade da referida despesa. 3. DA PROVA PERICIAL. Requereu o impugnante a produção de prova pericial contábil e engenharia de produção, para demonstrar que houve a efetiva aquisição do carvão cujos custos foram glosados pela fiscalização, tendo enumerado os quesitos e indicado os assistentes técnicos às fls. 2269/2270 da impugnação.” A 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação (fls. 3059/3077), para (i) rejeitar a argüição de nulidade, (ii) rejeitar o pedido de perícia; e, no mérito, (ii) manter parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 8 7 GLOSA DE CUSTOS FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação com documentação hábil e idônea de custos contabilizados pela aquisição de carvão vegetal e a falta de comprovação dos pagamentos pertinentes aos supostos fornecedores do insumo adquirido ensejam a glosa dos valores correspondentes na determinação do lucro real. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CARACTERIZAÇÃO INDEVIDA. Reconhecida a despesa com o pagamento de Taxa Florestal pelo regime especial de substituição tributária e havendo previsão legal de sua ocorrência no ramo de atuação do contribuinte, não há como considerála indedutível sob alegação de que se trata de despesa não necessária e não usual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da Contribuição Social que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário às fls. 3085/3109, alegando que: O lançamento carece de certeza quanto às notas fiscais emitidas pela produtora rural Maria Auxiliadora de Carvalho, pois, como exposto pela decisão recorrida, não foi encontrado nos autos o ato declaratório de inidoneidade referente a tais notas fiscais; Não há motivação clara, expressa e precisa no que toca ao enquadramento das notas fiscais que acobertaram as aquisições de carvão aos Atos Declaratórios de Inidoneidade emitidos pelo Estado de Minas Gerais, devendo ser invalidado o lançamento; Os supostos atos declaratórios não têm eficácia retroativa para atingir operações acobertadas por notas fiscais realizadas antes de sua edição, prevalecendo a boafé da Recorrente que adquiriu o carvão e comprovadamente incorreu nos respectivos custos; O art. 136 CTN, invocado pelo acórdão recorrido, torna irrelevante o elemento subjetivo do dolo para caracterização da infração à legislação tributária, mas não da culpa; O extrato bancário (doc. 03 da impugnação), relativo à conta bancária que versa exclusivamente sobre aquisições de carvão ("conta carvão"), comprova que todos os cheques mencionados na planilha de fls. 1955/2127 foram compensados na referida conta, ou seja, o impugnante suportou o custo pela aquisição. Os cheques compensados foram destinados para pagar o carvão vegetal, pois os referidos valores constam exclusivamente da conta “carvão vegetal” referente a custos de aquisição; Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 9 8 Não há dispositivo legal impedindo que as notas fiscais sejam pagas com mais de um cheque, parte deles dirigidas ao transportador e outra parte dirigida ao produtor, como é de praxe do mercado de carvão; A partir das planilhas anexadas (doc. 4 e 5 da impugnação) é possível verificar que, desconsiderando o carvão equivalente às despesas glosadas, a Recorrente teria estoque negativo, incompatível com a produção obtida no período autuado; Se o Fisco pode utilizar a auditoria de estoques para lavrar autos de infração, aos contribuintes deve ser resguardado o direito de defesa com base no mesmo procedimento, devendo os autos serem remetidos para produção de prova pericial e auditoria de estoques; Quanto à diligência fiscal que colheu informações sobre o produtor Lourivaldo Rocha Frascari, objeto da diligência, reafirma a Recorrente que comprou o carvão de quem tinha poderes, outorgados por procuração, para realizar a venda, mediante nota fiscal emitida em nome do Sr. Lourivaldo, como ele mesmo autorizou; O mínimo ético decorrente da comprovada boafé da Recorrente é a exclusão da multa de ofício, conforme entendimento do STJ no REsp 7423.839/RS; Repisa a necessidade de produção de prova pericial contábil e engenharia de produção, para demonstrar que houve a efetiva aquisição do carvão cujos custos foram glosados pela fiscalização, tendo novamente enumerado quesitos e indicado assistentes técnicos (fls. 3107/3108). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Da atenta leitura do relatório fiscal verificase que a fiscalização procedeu a glosa dos custos e despesas relacionados à aquisição de carvão, em virtude de (i) estarem suportadas por notas fiscais declaradas inidôneas pela SEFAZ/MG e (ii) o efetivo pagamento não ter sido devidamente comprovado. As autoridades fiscais não apuraram os fatos pelos quais tais notas fiscais seriam inidôneas, valendose dos atos declaratórios e apurações efetuados pelo Fisco Estadual. Nesse sentido, sustenta que as declarações do Fisco estadual, por serem prestadas por agentes do poder público, fazem fé pública perante o Fisco federal, presumindo se verdadeiras as informações ali prestadas, se nada foi provado em sentido contrário. Assim, os valores apropriados como custo pela Recorrente, sustentados por notas fiscais de emissão atribuída a pessoa jurídica declarada pelo Fisco Estadual como Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 10 9 fornecedora de notas inidôneas e cujo pagamento não foi efetivamente comprovado, seriam passíveis de glosa. Inicialmente, tenhamos em mente que, consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório (RTJ 559/265). O próprio artigo 936 do RIR/99 atesta que todos os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhes forem solicitados (DecretoLei nº 5.844/43, art. 125, e DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º). Contudo, na hipótese é perfeitamente aplicável, por analogia, o entendimento firmado pela Primeira Seção do STJ, por meio do REsp. 1.148.444/MG, Rel. Min. Luiz Fux (DJe 27/04/10), submetido à sistemática do art. 543C do CPC, de que o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. Como bem exposado no julgado em exame, a responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Com efeito, é necessário que o contribuinte demonstre, por outros meios de prova, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou, incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. A decisão recorrida sustenta que (i) o simples fato de os cheques terem sido compensados na conta corrente do emitente (AVG Siderurgia Ltda.), como alegado, não comprova que tenham sido destinados ao pagamento de carvão vegetal para os produtores rurais indicados nas notas fiscais inidôneas; (ii) não ficou demonstrada a vinculação dos pagamentos com as notas fiscais de produtor consideradas inidôneas, já que apenas parte dos pagamentos foram realizados em nome dos produtores rurais e, como confessou a Recorrente, os demais teriam sido realizados aos motoristas, como praxe do mercado. Leiase trecho do acórdão recorrido: Primeiramente, cumpre esclarecer que o simples fato de os cheques terem sido compensados na conta corrente do emitente (AVG Siderurgia Ltda.), como alegado na impugnação, não comprova que tenham sido destinados ao pagamento de carvão vegetal para os produtores rurais indicados nas notas fiscais inidôneas. Conforme se viu, com base nas informações prestadas pelo próprio contribuinte (fls. 1955/2127), não ficou demonstrada a vinculação do pagamento com as notas fiscais de produtor consideradas inidôneas, uma vez que somente uma Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 11 10 pequena parcela, como foi evidenciado no TVF, foi indicada como destinada ao produtor rural. Em verdade, o contribuinte, ao relatar que a “praxe de mercado” era efetuar o pagamento em cheque nominal ao motorista, acabou por admitir que não tem condições de comprovar a efetividade do pagamento a quem de direito (produtor/fornecedor). (Grifouse). Do exposto verificase que existe uma pequena parte dos cheques que efetivamente foi emitida em nome dos produtores rurais. A fiscalização, contudo, mateve a glosa de tais valores, sob o entendimento de que “a mera existência de um cheque em nome de um produtor rural que teve suas notas fiscais declaradas inidôneas, principalmente quando é a menor parcela, não é suficiente para comprovar que a operação existiu e foi efetivamente paga”. Nesse ponto, entendo que o glosa não merece prosperar, já que os cheques foram emitidos e compensados pelos produtores rurais, demonstrando a vinculação do pagamento efetuado com as notas fiscais consideradas inidôneas. Com relação aos demais cheques não é possível concluir que a operação não existiu. O Recorrente não deve ser penalizada pela situação de inatividade de alguns fornecedores perante a RFB. Além disso, o segundo argumento só demonstra que não foi possível comprovar qualquer pagamento em nome das pessoas jurídicas fornecedoras, mas não afasta a comprovação de que a Recorrente efetivamente arcou com os custos da aquisição do insumo. Assim, os argumentos da fiscalização devem ser encarados apenas como indícios de uma operação irregular, mostrandose incapazes de justificar a glosa do custo registrado na nota fiscal emitida por tais pessoas jurídicas. Ademais, deve ser levado em conta que as provas nos autos demonstram que houve transporte da mercadoria e pagamentos pulverizados a diversas pessoas. Notese, aliás, que também existem indícios de que a mercadoria entrou no estabelecimento do Recorrente Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 12 11 Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 13864.000198/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
ALEGAÇÕES NÃO RELACIONADA À LAVRATURA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não merecem apreciação as alegações que não guardem relação com a lavratura sob enfoque.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. ALEGAÇÕES NÃO RELACIONADA À LAVRATURA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não merecem apreciação as alegações que não guardem relação com a lavratura sob enfoque. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 98 /2 00 9- 50 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000198/200950 Acórdão n.º 2401002.765 S2C4T1 Fl. 103 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.226.2058, lavrado contra o sujeito passivo acima para exigência de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar documentos solicitados pela Auditoria Fiscal. De acordo com o relatório fiscal da infração, malgrado tenha sido regularmente intimada em 02/03/2009 e 01/04/2009, a fls. 26/31, a empresa deixou de apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes na conta contábil “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES”. Afirmase que a empresa foi intimada a esclarecer a origem dos registros contábeis, tendo informado que se tratavam de pagamentos de despesas de viagens de sócios e diretores da empresa, bem como reembolso de despesas de caráter comercial, todavia, não apresentou os comprovantes dos referidos desembolsos. Cientificada do lançamento em 24/04/2009, a empresa ofertou impugnação, na qual, alegou que sempre agiu de boafé, colaborando com os trabalhos de fiscalização, conforme documentos acostados às fls. 95/97. Asseverou que o Fisco, ao utilizarse de presunção para fazer incidir contribuições sobre parcelas insuscetíveis de tributação, feriu o princípio da legalidade. Afirma que a existência de despesas não comprovadas pode dar origem à glosa das mesmas, com lançamento de IRPJ e CSLL, jamais a incidência de contribuições previdenciárias. Sustenta que se a Autoridade Fiscal não conseguiu nominar os segurados que receberam a suposta remuneração, é porque não houve tais pagamentos. A autuada assevera que o fisco não conseguiu demonstrar a ocorrência do fato gerador e estabeleceu uma inadmissível inversão do ônus da prova. A resposta à intimação, remetida em 24/03/2009, afirma, expressamente consigna que as despesas em tela foram para fazer face a viagens de sócios da empresa, o que foi ignorado. Mesmo que se admita a presunção ilegalmente construída pelo Fisco, sustenta que não haverá de incidir contribuições sobre as supostas diárias de viagem, uma vez que não restou comprovado que as mesmas ultrapassaram o patamar de 50% da remuneração dos segurados. Advoga não ser possível tomar as despesas como base de cálculo de contribuições, uma vez que não se tem como individualizar os segurados e, por conseguinte, prestar as informações na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não prosperando os lançamentos da obrigação principal, devem também ser canceladas as multas por descumprimento de obrigação acessória, posto que todos os AI lavrados na ação fiscal guardam conexão. Afirma ainda que agiu com boafé tendo atendido a todas as solicitações do fisco. Posteriormente, a empresa atravessou petição requerendo, em complemento à sua impugnação, que a multa decorrente da falta de informação de fatos geradores em GFIP seja calculada conforme o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário (ver fls. 153/155 do processo n.º 13864.000195/200916). Entendeu o órgão de primeira instância que a empresa em nenhum momento apresentou qualquer documento, cuja omissão resultou na presente lavratura. Por esse motivo, concluiu ser procedente a autuação. Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, no qual repete as alegações da defesa e pede: a) julgamento conjunto de todos os AI lavrados na mesma ação fiscal; b) declaração de improcedência dos lançamentos; c) o recalculo da multa para o AI relacionado à omissão de fatos geradores na GFIP para que seja aplicado o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000198/200950 Acórdão n.º 2401002.765 S2C4T1 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião de processos para julgamento conjunto Estão sendo julgados nessa sessão de julgamento todos os outros processos lavrados na ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, quais sejam: a) AI n.º 13864.000195/200916 – exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social; b) AI n.º 13864.000196/200961– exigência de contribuições dos segurados; c) AI n.º 13864.000197/200913 – exigência de contribuições destinados a outras entidades e fundos; d) AI n.º 13864.000199/200902 – aplicação de multa por descumprimento da obrigação de declarar todos os fatos geradores em GFIP. Da ocorrência da infração A empresa, na defesa e no recurso, trata com mais ênfase de pontos que não interessam ao deslinde da questão. Presunção de fatos geradores, não incidência de contribuições sobre diárias, incoerência com legislação do IRPJ, falta de individualização dos segurados, etc. são argumentos que não se relacionam com a presente autuação. Na verdade, o que interessa para solucionar o mérito da contenda é saber se o Fisco intimou a empresa a apresentar os comprovantes dos lançamentos contábeis agrupados na conta “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES” e se os mesmos foram ou não exibidos. Uma leitura dos autos é suficiente para revelar que houve a intimação pessoal para a exibição dos referidos elementos, ver fls. 26/31. A autuada, malgrado afirme que sempre agiu com boafé, atendendo a todas as solicitações do Fisco, não trouxe aos autos os documentos que o Fisco afirma terem sido sonegados. Também não consta qualquer recibo comprobatório de que a Autoridade Fiscal tenha tido acesso a esses papéis. Não há dúvida de que a conduta da empresa feriu o inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Observese que órgão de primeira instância foi categórico ao se pronunciar sobre a ocorrência da infração, utilizando os seguintes termos: Não obstante a impugnante tenha informado em sua resposta A Fiscalização que tenha apresentado os documentos de suporte, por amostragem, esta informação não corresponde A verdade. A AuditoraFiscal relata que nenhum destes documentos lhes foi apresentado, o que a levou a proceder com nova intimação. A impugnante alega que juntou documentos que comprovariam o atendimento ao Fisco. Todavia, nenhum documento que de suporte aos lançamentos contábeis foi juntado aos autos. Sobre essas palavras a empresa não trouxe qualquer elemento que pudesse colocar em cheque as conclusões da DRJ. Dúvida não há, então, de que efetivamente a infração se configurou. Quanto ao pedido para aplicação do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, não é pertinente para a autuação sob análise, posto que esse dispositivo é específico para infrações relacionadas à obrigação acessória de apresentar a declaração de fatos geradores e outras informações por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009683/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2006, por meio do qual se exige da contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 16.729,65. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 96 83 /2 00 8- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 99 2 O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de despesas médicas e contribuição à previdência privada e Fapi. Em sua impugnação, a contribuinte junta documentação para comprovar as despesas declaradas. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 50/56, para restabelecer as deduções de previdência privada no valor de R$ 706,56 e de despesas médicas no valor de R$ 912,00. Regularmente cientificada daquele acórdão em 04/07/2011 (fl. 61), a interessada, representada por seus advogados (fl. 73), interpôs recurso voluntário de fls. 63/72.7, em 03/08/2011. Em sua defesa, alega que a apresentação de declarações dos profissionais que prestaram serviço, em anexo, sana todos os vícios que foram apresentados pela autoridade julgadora, razão pela qual requer sejam excluídas todas as glosas referentes a: Dra.. Ludmila Heitor de Paula (R$ 4.000,00); Dr. Alexandre Arantes Machado (R$ 12.000,00); Dra. Deise Dantas Ataíde (R$ 2.000,00); Dr. Hamilton Mendes de Souza (R$ 2.250,00); Dra. Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), totalizando R$ 28.834,00 com a consequente redução e/ou exclusão do imposto, multa e demais acréscimos legais. Em relação à Dra. Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00), afirma não foi possível conseguir a declaração, pois a referida profissional reside em outro Estado. Informa, porém que ela própria foi a beneficiária do serviço prestado pela Psicóloga/Psicoterapia, e, ainda, que o endereço em que a psicóloga prestou o serviço é na Avenida Ismerino S. Carvalho, n°. 673 Setor Aeroporto. Com isso, entende estarem sanados todos os vícios apresentados, pelo que requer também o restabelecimento da glosa no valor de R$ 5.000,00. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa de despesas médicas, referentes aos profissionais Ludmila Heitor de Paula (R$ 4.000,00), Alexandre Arantes Machado (R$ 12.000,00), Deise Dantas Ataíde (R$ 2.000,00), Hamilton Mendes de Souza (R$ 2.250,00), Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00) e Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), que foi motivada por falta de comprovação decorrente do não atendimento à intimação. A decisão recorrida assim justificou a manutenção das referidas glosas: · Ludmila Heitor de Paula _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Alexandre Arantes Machado _ sem indicação do beneficiário; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 100 3 · Deise Dantas Ataíde _ sem indicação do beneficiário e registro profissional ilegível; · Hamilton Mendes de Souza _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Carolina Ponciano Monteiro _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Lorena Costa de Almeida _ sem indicação do beneficiário e sem endereço. A recorrente apresenta, às fls. 79/89, declarações dos prestadores de serviço Ludmila Heitor de Paula, Alexandre Arantes Machado, Deise Dantas Ataíde, Hamilton Mendes de Souza e Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), as quais suprem as faltas verificadas pela decisão recorrida, reconhece sua autoria e confirma a prestação dos serviços e o respectivo recebimento. Portanto, devem ser restabelecidas as correspondentes deduções que montam R$ 23.150,00. Quanto às faltas verificada nos recibos emitidos por Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00), não foram anexados documentos que suprissem as faltas verificadas pelo Fisco. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados. D acordo com o § 2°, incisos III e IV do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Assim, considero que os recibos de fls. 18/22 não atenderam às exigências apontadas pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a glosa das correspondentes despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 101 4 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.045445/96-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1994
BENEFÍCIO FISCAL. LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOA-FÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE.
Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional.
Numero da decisão: 9101-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1994 BENEFÍCIO FISCAL. LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOA-FÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE. Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional.
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LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOAFÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE. Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 04 54 45 /9 6- 66 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme o relatório do órgão a quo: “A petição do sujeito passivo que deu início ao processo (fls. 1/3) informa a existência de provimento judicial referente à diferença IPC/BTNf no anocalendário de 1991 e como decorrência, a existência de crédito relativo às antecipações recolhidas (396.958,75 Ufir) e ILULI (926,41 Ufir). Além disso existiria crédito com origem no recolhimento parcial da primeira cota do IRPJ desse anocalendário efetuado mediante dois pagamentos totalizando 1.394.619,50 Ufir. Informou ainda o sujeito passivo que o crédito referente às antecipações e ao recolhimento parcial da primeira cota do IRPJ, totalizando 1.791.578,25 Ufir, foi utilizado para compensar parte do IRPJ referente ao mês de maio de 1994, conforme demonstrativo de fl. 50. Nessa petição, requer a suspensão no sistema de contas corrente da Receita Federal, do débito do IRPJ de maio de 1994 que foi compensado, e dos valores do IRPJ informados na Declaração de Rendimentos referente ao anocalendário de 1991, até o trânsito em julgado da ação judicial que gerou o crédito. Posteriormente, optou pelo usufruto do beneficio estabelecido no art. 13 da Lei n° 10.637/2002, desistiu da ação e efetuou o recolhimento do que seria o débito resultante dessa desistência. Com a desistência, retornase à situação anterior com valores devidos do IRPJ apurado na Declaração de Rendimentos do exercício de 1992 e o saldo desse imposto referente a maio de 1994, pois não haveria mais crédito a ser compensado.” O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 139/143). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação (fls. 149/164), nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 420DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 4 3 Anocalendário: 1991, 1994 Ementa: BENEFÍCIO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES IMPOSTAS. INDEFERIMENTO. Não merece reparos a decisão administrativa que firmou o indeferimento do direito à fruição de beneficio fiscal, uma vez demonstrado o não cumprimento de todos os requisitos exigidos para seu gozo. Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 171/188). A antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 300/311) deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, para limitar a perda do benefício da Lei n° 10.637/2002 à parcela não quitada. Eis a ementa do julgado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1991, 1994 Ementa: NORMA EXONERATIVA — Interpretações "tudo ou nada" não contempladoras de gradações entre diversas possíveis situações que se diferenciam significativamente entre si sob aspectos que merecem relevância jurídica, afrontam a Razoabilidade, freqüentemente, com agudeza sem par. Assim, deve ser assegurado o gozo dos benefícios estabelecidos pela Lei n° 10.637/02, na proporção dos valores parcialmente pagos. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs, então, o presente recurso especial, com fundamento em violação ao artigo 13 da Lei n° 10.637/2002 e artigo 2° da Portaria SRF/PGFN n° 07/2003 (fls. 316/343). Argumentou que: 14. A contribuinte alegou que "não se encontra em qualquer passagem da r. decisão ou tampouco em documento constante do processo administrativo, qualquer demonstração no sentido de que o referido montante guardasse relação com a discussão judicial'. Não há como se concordar com tal afirmação, pelos motivos a seguir aduzidos: a) no requerimento protocolizado em 19/12/96, a requerente informa, em seu item 5 (fl. 02), ter procedido à "compensação no imposto de renda devido no mês de maio de 1994, com vencimento em 30 de junho de 1994, o valor de 396.958,75 UFIR, correspondente à restituição apurada com os efeitos do Mandado de Segurança". b) à folha 50, aparece "Demonstrativo do IRPJ 'Mês de Maio/94". c) Como efeito da liminar concedida no Mandado de Segurança n° 92.00503284, o valor inicialmente apurado de "IRPJ a Pagar" referente ao AC 1991, no montante de 9.673.263,12 UFIR, passou a somar 396.958,75 UFIR, negativos, valor este Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 5 4 compensado com aquele apurado para o mês de maio/94, com vencimento em junho de 1994 (fls. 02 e 50). d) Esta compensação se deu como reflexo direto da medida judicial, sendo que o débito indevidamente compensado em 94 inserese na previsão "débitos de qualquer natureza" contida no caput do artigo 11 da MP n° 2.15835/2001, que dispõe: e) Portanto, claro está que há relação entre o IRPJ devido e não recolhido (no montante original) referente a maio/94 e o Mandado de Segurança n° 92.00503284, ação judicial da qual desistiu a requerente (fls. 67, 68, 94, 95, 96 e 97), em conformidade com § 1° do art. 13 da Lei n° 10.637/02 e § 30 do art. 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07103. 15. O contribuinte, ainda em relação a este tema, postula pela ocorrência da homologação tácita da compensação e conseqüente extinção do crédito, uma vez que ela se refere a maio de 1994 e o prazo de decadência consoante determina o § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional é de 05 anos a contar do fato gerador. 16. Neste ponto, considerando que a origem do crédito tributário é o imposto de renda devido no mês de maio de 1994, com vencimento em 30 de junho de 1994 (fl. 02) e que houve entrega de DIRPJ (fl. 147) que como vimos, representa confissão de divida não há que se falar em decadência. O que se poderia cogitar, nesta hipótese, seria a possibilidade de ocorrência do instituto da prescrição (...) 18. Uma vez que o valor utilizado pelo contribuinte para compensar o crédito tributário relativo ao mês de maio de 1994 (imposto de renda) teve origem na concessão de medida liminar no Mandado de Segurança n° 92.00503284, não poderia, a Receita Federal, promover cobrança deste valor enquanto perdurassem os efeitos da referida concessão, que somente cessaram em 23/06/2003 (fls. 96 e 97), após a homologação da desistência da ação judicial em tela. 19. De se notar que o contribuinte não contesta a afirmação de não ter havido o recolhimento do valor devido a titulo de imposto de renda relativo ao mês de maio de 1994, na parte referente ao saldo de IRPJ aferido na DIRPJ 1992/AC 91 como resultado da aplicação da autorização contida na liminar. 20. Portanto, concluise que não ocorreu também a prescrição. 21. Por último, assevera que os cálculos efetuados pelo contribuinte decorreram da interpretação que se deu à norma exonerativa, o que, a seu ver, comportaria—duas interpretações, a saber: a) "a de que, sendo o termo inicial, o mês de fevereiro de 1999, deverseia tomar a cumulação da taxa a partir do mês de março de 1999, do que resultaria o percentual de 69,39%; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 6 5 b) a de que, havendo sido exonerados os juros até o mês de janeiro de 1999, a cumulação da taxa deveria se dar a partir do mês de fevereiro de 1999, do qual resultaria o percentual de 71,77 %". 22. Neste item, cabe ressaltar que a dúvida somente poderia se dar no caso de uma análise equivocada da Lei. Vejamos o que vem disposto no § 2° do seu artigo 13: "Na hipótese de que trata este artigo, serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999, sendo exigido esse encargo, na forma do § 4 2 do art. 17 da Lei n2 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescido pela Medida Provisória rr2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a partir do mês: de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos". (grifei) 23. Portanto, como no caso em tela estamos tratando de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999, claro está que os juros de mora são exigidos (devidos) a partir de fevereiro de 1999. 24. Notese que a parte inicial do parágrafo referese ao pagamento, e não ao mês de referência (fato gerador), ao dizer "serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999'. Esse inclusive o sentido do inciso II ao definir que o encargo é exigido a partir do mês seguinte ao da ocorrência do fato gerador. 25. A dúvida levantada pelo contribuinte não se justifica. No entanto, admitindoa apenas para argumentar e imaginando haver interesse do requerente em usufruir do beneficio previsto no artigo 13 da Lei n° 10.637/2002, possuía este dois caminhos a percorrer: formular consulta à SRF (regulada pelo Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, arts. 46 a 53; pela Lei n° 9.430, de 27/12/1996, arts. 48 a 50 e pela IN SRF n° 230/2002) visando dirimila elou recolher pelo valor maior solicitando, posteriormente, restituição no caso da consulta ou do entendimento pacificado se fixar pelo índice menor. Em não o fazendo, optou por assumir os riscos que sua decisão com probabilidade de se mostrar equivocada pudesse lhe trazer. 26. Deste modo, não tendo sido recolhido o montante integral do débito conforme determinado no art. 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 0712003 correta a decisão da Autoridade Administrativa de 1 a instância ao entender que neste item não foi atendida a condição estabelecida pela norma legal em referência. 27. Concluindo e concordando com o contribuinte ao dizer que "a anistia como verdadeiro favor fiscal, merece receber interpretação restritiva de sorte a que, não preenchidos os requisitos da norma concessiva do favor restaurase o débito primitivo, deveria ter sido JULGADO IMPROCEDENTE "IN Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 7 6 TOTUM" a pretensão da contribuinte e mantida a r. decisão de 1 a instâncias de NÃO CONCEDER o beneficio previsto na Lei n° 10.637/2002, devendose prosseguir na cobrança do saldo remanescente, considerados os valores já pagos. 28. Ao entender diversamente, o v. acórdão ora recorrido acabou por malferir o artigo 13 da Lei n° 10.63712002, além dos artigos 2° e 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07/2003 e artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 361/370). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente indicou os dispositivos legais que reputa violados. Segundo a recorrente, a decisão combatida afrontou o artigo 13 da Lei n° 10.637/2002 , que dispõe no seguinte sentido: Art. 13. Poderão ser pagos até o último dia útil de janeiro de 2003, em parcela única, os débitos a que se refere o art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, vinculados ou não a qualquer ação judicial, relativos a fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002. § 1o Para os efeitos deste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundam as referidas ações. § 2o Na hipótese de que trata este artigo, serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999, sendo exigido esse encargo, na forma do § 4o do art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescido pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a partir do mês: I de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; II seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos. § 3o Na hipótese deste artigo, a multa, de mora ou de ofício, incidente sobre o débito constituído ou não, será reduzida no Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 8 7 percentual fixado no caput do art. 6o da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991. § 4o Para efeito do disposto no caput, se os débitos forem decorrentes de lançamento de ofício e se encontrarem com exigibilidade suspensa por força do inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, o sujeito passivo deverá desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposto. E artigos 2° e 3° da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07/2003: Art. 2º Os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, vinculados a ação judicial ajuizada até esta data, bem assim os não vinculados a qualquer ação judicial, poderão ser pagos em parcela única, no período 31 de dezembro de 2002 a 31 de janeiro de 2003, da seguinte forma: I com redução no percentual de cinqüenta por cento dos valores devidos a título de multa, de mora ou de lançamento de ofício, como previsto no caput do art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; II com dispensa dos juros de mora devidos até janeiro de 1999, observada a exigência desse encargo a partir do mês: a) de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; b) seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, nos demais casos. § 1º O disposto no caput aplicase inclusive a débito constante de processo regular de parcelamento, para liquidação do saldo devedor remanescente. § 2º Na hipótese do parágrafo 1º, o valor a pagar a título de multa deverá ser ajustado, de forma a corresponder a cinqüenta por cento do valor originalmente devido, quando já tiver ocorrido redução em percentual distinto, em virtude do parcelamento concedido. Débitos vinculados a ação judicial Art. 3º Nos casos de débitos vinculados a ação judicial, para usufruto do benefício de que trata o art. 2º, o sujeito passivo deverá: I – efetuar, no prazo estabelecido no art. 2º, o pagamento integral do débito; II – protocolizar, até 28 de fevereiro de 2003, requerimento administrativo dirigido ao titular da unidade da SRF ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 9 8 jurisdição sobre seu domicílio fiscal, conforme o caso, que decidirá sobre o pedido, de acordo com o modelo constante do Anexo I, instruído com: a) prova do respectivo pagamento; b) declaração de desistência expressa e irrevogável das ações judiciais relativas aos tributos e às contribuições, cujos débitos serão pagos, e de renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. § 1º Admitirseá desistência parcial, desde que o débito correspondente possa ser distinguido daquele que se vincular à ação remanescente. § 2º A declaração de que trata a alínea "b" do inciso II, de acordo com o modelo constante do Anexo II, deverá ser acompanhada da 2ª via da correspondente petição de desistência, devidamente protocolizada no juízo ou tribunal em que a ação estiver em andamento. § 3º O sujeito passivo deverá entregar à unidade da SRF ou da PGFN, conforme o caso, cópia das decisões homologatórias das referidas desistências, no prazo de trinta dias da data de sua publicação. Entendo, contudo, que não houve a violação à legislação tributária alegada. Com efeito, no presente caso, conforme se depreende dos documentos de fls. 94/96 dos autos, o contribuinte renunciou, expressamente, aos direitos discutidos nos autos do Processo n° 92.00503284. Em 31/01/2003, o contribuinte efetuou o recolhimento de R$ 15.804.991,00. Posteriormente, no entanto, a DINF proferiu decisão, no âmbito do processo administrativo em questão, afastando o contribuinte do benefício previsto na Lei n° 10.637/2002, que o levou a efetuar o pagamento acima, e intimandoo a recolher R$ 4.901.998,64 e R$ 7.492.728,70, valores estes decorrentes do desenquadramento do benefício, sobre os seguintes fundamentos: a) erro no cálculo dos juros de mora; b) não recolhimento do valor de 1.791.578,25 UFIR, importância relativa à compensação realizada pelo contribuinte em 1994, baseada em proferidas nos autos do processo judicial em questão. Pois bem, no que se refere à diferença apurada, não se pode aquiescer com a tese que o equívoco no cálculo dos juros de mora possa ocasionar a exclusão do contribuinte do benefício. Com efeito, não podem ser desconsiderados dois fatores de extrema relevância para o presente caso. Primeiro, que o contribuinte renunciou e desistiu, justamente para aderir ao benefício, de ação judicial em que defendia direito seu. E isto porque, justamente, a lei que prevê o benefício, demandava tal renúncia. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 10 9 Por outro lado, o fato de que, efetivamente, o contribuinte procedeu ao pagamento de um valor considerável (R$ 15.804.991,00) para verse livre da cobrança do crédito tributário. Ora, diante disso, o mero erro no cálculo não pode importar desenquadramento do benefício. Neste sentido, é de se ter que os dispositivos acima transcritos, cuja violação constitui o fundamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, não estabelecem, em momento algum, que o equívoco no cálculo do valor a ser recolhido importaria em afastamento do contribuinte do benefício. Se não existe uma tal previsão, não cabe ao Fisco, que se rege sobretudo pelo princípio da legalidade, desenquadrar o contribuinte do benefício legal. Seria mesmo irrazoável admitirse isso, tendo em vista que o contribuinte, no presente caso concreto, agiu imbuído de boafé, tendo a legítima expectativa de usufruir dos benefícios previstos pela Lei n° 10.637/2002. Ressaltese: uma a realidade em que o contribuinte, a fim de gozar do benefício legal, recolhe uma parte ínfima do débito; outra a situação em que o contribuinte efetua um recolhimento de milhões de reais, de grande parte do débito. Aqui, podese compreender claramente que o não recolhimento integral do débito deuse por um mero equívoco, sem intenção de burlar o fisco. Quando o valor recolhido é tal que não denota a existência de um mero erro de cálculo, aí sim, cabe a exclusão do benefício, pois que, neste caso, a própria razão de ser do benefício legal estaria sendo quebrada. Isto não quer dizer que, em relação aos valores não recolhidos devidamente pelo contribuinte, não possa incidir a autuação. Mas esta deve darse de forma proporcional a estes valores, e não sobre o total, incluindo aquilo que já foi pago. Insta salientar que na sessão ocorrida em 06 de novembro de 2012, a Egrégia 2ª. Turma da CSRF, por unanimidade de votos, julgou caso similar, Acórdão 920202.850, processo 16327.000464/9888, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994 REDUÇÃO DE MULTA E JUROS REGRA DO ARTIGO 17 DA LEI N° 9.779/99 E DO ARTIGO 11 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835/2001 ALCANCE. O artigo 17 da Lei n° 9.779/99, combinado com o artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, autorizou o contribuinte a efetuar, até 30/09/1999, o pagamento do tributo com benefícios de dispensa/redução de multa e juros com relação aos fatos geradores objeto de processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998. No caso, o contribuinte não pagou a totalidade do débito exigido neste feito no prazo estabelecido por tais normas. Conseqüentemente, o saldo não Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 11 10 recolhido no prazo e apenas ele está sujeito à incidência integral dos acréscimos legais. Recurso especial negado. O Eminente relator Gonçalo Bonet, assim se manifestou: De fato, ainda que a Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002 esteja relacionada à Medida Provisória n° 38/2002, que perdeu a eficácia, ela é expressa, nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, ao determinar que, para a hipótese de pagamento integral (e não parcelado), o recolhimento insuficiente implicaria exigibilidade apenas do saldo não pago, sendo que integralidade dos acréscimos legais incidiria unicamente sobre os valores não pagos. Entendo que tal orientação da RFB/PGFN é plenamente aplicável a este feito, pois as situações fáticas do caso em apreço e daquele previsto nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002, são bastante semelhantes, para não dizer idênticas. No caso, cumpre insistir, a autuada pagou mais de 95% do débito dentro do prazo previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, qual seja, 30/09/1999, de modo que não seria razoável que a integralidade dos acréscimos legais incidisse, inclusive, sobre os valores devidamente recolhidos. Apenas os valores pagos após 30/09/1999 estão sujeitos à incidência integral dos acréscimos legais, de modo que, sob minha ótica, a decisão recorrida merece ser confirmada. A referida decisão reforça o meu entendimento aqui esposado. Por outro lado, no que tange à compensação efetuada em 1994, é de se ter que o acórdão recorrido foi proferido no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para limitar a perda do benefício à parcela do débito não quitada. Desta forma, caberia ao contribuinte interpor recurso especial, no que tange à compensação efetuada concernente ao ano de 1994, pois que ele sim sucumbiu na discussão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 201220 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 12 11 Susy Gomes Hoffmann Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10680.721001/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, A, LEI Nº 8.212/91.
De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 10 01 /2 01 0- 13 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 127 3 Relatório GEORANDAR LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0232.739/2011, às fls. 73/79, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, em relação às competências 01/2006, 06/2006, 07/2006 e 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/06, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 18/05/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.410,79 (Um mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados empregados, mais precisamente os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, bem como dos contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.5987 – Processo n° 10680.721000/201079. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 85/95, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo, com a devida delimitação da matéria em debate, contrapõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Corroborando o acima exposto, suscita que o legislador, através do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, entendimento, esse, reforçado pela Lei nº 10.101/2000, bem como pela jurisprudência de nossos Tribunais, impondo seja decretada a improcedência do feito. Sustenta que a própria argumentação da fiscalização constante do Relatório Fiscal é contraditória, uma vez admitir que os critérios acima atendem as condições Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 estabelecidas pela Lei n° 10.101/2000, promovendo o lançamento, no entanto, a pretexto da ausência de programas e metas, resultados e prazos pactuados previamente, em total afronta as provas dos autos que demonstram que o programa PLR adotado pela empresa e seus empregados é claro ao fixar as metas e condições. Acrescenta que os valores ora tributados dizem respeito a Acordos firmados entre a empresa e comissão de seus empregados realizados em 08/06/2005, recebido e homologado pela entidade sindical em 24 de agosto de 2005, suprindo a exigência da participação sindical nas tratativas, não se cogitando em contrariedade às disposições legais que regem a matéria. Opõese à pretensão fiscal, aduzindo para tanto que o programa de PLR da recorrente apresenta mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, ao contrário do que restou assentado no Relatório Fiscal, sobretudo por ter havido negociação da forma com que se daria a repartição de seus lucros com os seus funcionários, estando devidamente previsto no Termo de Aceita e Implantação do Programa de PLR, o qual, reitere se, foi devidamente registrado e homologado pela entidade sindical. Explicita que o instrumento de acordo optou pela previsão de apuração de resultados, estando, portanto, perfeitamente observado a exigência legal de negociação entre as partes quanto à divisão dos lucros da empresa, e fixação de critérios e regras claros e objetivos, e de conhecimento prévio dos empregados, não havendo dúvidas de que os lucros foram distribuídos nos termos do acordado. Arremata, inferindo que à época a recorrente tinha somente a PETROBRÁS como cliente, sendo que os BAD’s (Boletim de Avaliação de Desempenho) adotados para apuração da PLR restringemse aqueles efetivamente recebidos. Em defesa de sua pretensão, defende que no caso recorrente fora escolhida a Comissão de Empregados com a interveniência do sindicato da classe, notadamente verificada quando da aposição do despacho homologatório do Programa de PLR, como ficou demonstrado nos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva da peça vestibular do feito, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados empregados, mais precisamente os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, bem como dos contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.5987 – Processo n° 10680.721000/201079, Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, insurgindose contra a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada no AI n° 37.281.5987 (parte segurados) – Processo n° 10680.721000/201079, onde o Fisco promoveu os lançamentos exigindo as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim caracterizadas (em relação aos empregados) as importâncias pagas a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, fatos geradores não declarados em GFIP’s. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata acima mencionada. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de arrecadar a totalidade das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas respectivas remunerações, às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais. Ocorre que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° n° 10680.721000/201079 (AI n° 37.281.5987), mantendo a tributação sobre os valores pagos aos funcionários da empresa a título de PLR, e sobre as remunerações dos contribuintes individuais, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA – PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 129 7 REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados – PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica – artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR. Recurso Voluntário Negado.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal incidente sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados e remunerações dos contribuintes individuais, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, como pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.021628/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007
Revisão Aduaneira
Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Não há que se confundir revisão aduaneira, prevista no art. 54 do Decreto-Lei nº 37 de 1966, com revisão de ofício, prevista no art. 149 do Código Tributário Nacional.
Aplica-se a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430 de 1996).
As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.158-35 de 2001, combinada com a Lei n° 10.833 de 2003.
Numero da decisão: 3201-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aparelhos de Raios X para usos médicos e cirúrgicos, de diagnóstico, para procedimentos vasculares, ortopédicos, urológicos, gastrointestinais etc, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, classificamse no código 9022.14.19 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pelas Resoluções Camex nºs 42 de 2001 e 41 de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Falta de recolhimento. Desclassificação de Mercadoria. Multas. Constatado o não recolhimento do imposto de importação no registro das Declarações de Importação, em função da classificação incorreta das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 16 28 /2 00 8- 37 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 mercadorias na NCM/TEC, cabe o lançamento do imposto, nos termos do Decreto n° 4.543 de 2002, Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, Lei n° 10.833 de 2003. Aplicase a multa de 75% sobre o II que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cujos fatos geradores do imposto ocorreram de 2005 a 2007, nos termos da Lei 9.430 de 1996, combinada com a MP no 351 de 2007 e a Lei n° 11.488 de 2007. As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, combinada com a Lei n° 10.833 de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Constatado o recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre mercadorias importadas classificadas incorretamente, e reclassificadas para o código 9022.14.19 da NBM/TIPI, objeto de Adições das Declarações de Importação de 2005 a 2007, cabe o lançamento da diferença desse imposto, nos termos dos Decreto n° 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença do IPI que deixou de ser recolhida, relativamente às mercadorias objeto de Adições das DIs registradas de 2005 a 2007, em razão de sua classificação incorreta na NBM/TIPI, nos termos da Lei n°. 4.502 de 1964, com a redação das Leis nºs 351 e 11.488 de 2007, e da Lei n° 9.430 de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença de alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865 de 2004 c/c Decreto n° 4.543 de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei n° 9.430 de 1996). Fl. 937DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 937 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto nº 4.543 de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430 de 1996). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Revisão Aduaneira Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Não há que se confundir revisão aduaneira, prevista no art. 54 do DecretoLei nº 37 de 1966, com revisão de ofício, prevista no art. 149 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Fl. 938DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (4) lavrados em ato de Revisão Aduaneira para a desclassificação fiscal de aparelhos de Raios X, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, importados pela empresa autuada, através de Declarações de Importações registradas de 2005 a 2007, elencadas as fls. 03 a 05 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos (correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP e a Cofins). Os quatro Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1° Auto de Infração (fls.02 a 33): para cobrança da diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 85.151,85 (oitenta e cinco mil, cento e cinquenta e um reais e oitenta e cinco centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 24.198,58 (vinte e quatro mil, cento e noventa e oito reais e cinquenta e oito centavos); multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 63.863,89 (sessenta e três mil, oitocentos e sessenta e três reais e oitenta e nove centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração R$ 173.214,32 (cento e setenta e três mil, duzentos e quatorze reais e trinta e dois centavos). 2º Auto de Infração (fls. 34 a 76): para cobrança do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 1.698.429,90 (hum milhão, seiscentos e noventa e oito mil, quatrocentos e vinte e nove reais e noventa centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 485.664,86 (quatrocentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e oitenta e seis centavos); multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 1.273.822,43 (hum milhão, duzentos e setenta e três mil, oitocentos e vinte e dois reais e quarenta e três centavos); e multa regulamentar, no valor de R$ 122.174,71 (cento e vinte e dois mil, cento e setenta e quatro reais e setenta e um centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração o valor de R$ 3.580.091,90 (três milhões, quinhentos e oitenta mil, noventa e um reais e noventa centavos). 3º Auto de Infração (fls. 77 a 101): para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ Fl. 939DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 938 5 7.546,82 (sete mil, quinhentos e quarenta e seis reais e oitenta e dois centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 1.586,67 (hum mil, quinhentos e oitenta e seis reais e sessenta e sete centavos); e da multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 5.660,12 (cinco mil, seiscentos e sessenta reais e doze centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto de Infração a sorna de R$ 14.793,61 (quatorze mil, setecentos e noventa e três reais e sessenta e um centavos). 4º Auto de Infração (fls. 102 a 126): para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 26.390,77 (vinte e seis mil, trezentos e noventa reais e setenta e sete centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 6.740,54 (seis mil, setecentos e quarenta reais e cinquenta e quatro centavos); e multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 19.793,08 (dezenove mil, setecentos e noventa e três reais e oito centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração a soma de R$ 52.924,39 (cinqüenta e dois mil, novecentos e vinte e quatro reais e trinta e nove centavos). No Relatório Fiscal que integra os Autos de Infração, As fls. 129 a 143, além da descrição dos fatos, e das informações sobre o crédito tributário apurado, foram analisadas as características dos Aparelhos de Raios X importados, denominados de Arcos Cirúrgicos, e a divergência verificada na classificação tarifária dos mesmos, a saber: Descrição dos fatos e crédito tributário: a) o importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 38 a 41 do Auto de Infração para a cobrança do II, repetidas nos demais A.I. lavrados (para cobrança das diferenças do IPI, do PIS/PASEP e da Cofins), submeteu a despacho Arcos Cirúrgicos, classificandoos na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 9022.14.12, com alíquota zero de II e alíquota de 5% correspondente ao IPI, quando a alíquota do II para o código apontado corno correto pela autoridade lançadora, 9022.14.19, seria de 14%, de acordo com a Resolução Camex n° 42/2001 e Resolução Camex n° 41/2003, nos termos do Demonstrativo de Apuração do II, ás fls. 42 a 53; b) como o II integra a base de cálculo do IPI, a alteração na classificação e a aplicação da alíquota de 14% do II, alterou a base de cálculo do IPI, gerando diferença desse tributo a recolher, tudo conforme Demonstrativo de Apuração desse imposto, ás fls. 07 a 18 dos autos; c) o cálculo do PIS/PASEP e da Cofins também foi alterado, dando origem à diferença dessas contribuições a serem recolhidas, conforme Demonstrativos de Apuração das mesmas, As fls. 91 a 93 e 107 a 114, respectivamente; e Fl. 940DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 d) as multas aplicadas, objeto dos respectivos Autos de Infração constam dos Demonstrativos de fls. 20 a 32 (multa de oficio incidente sobre a diferença do 1PI), 55 a 75 (multa de oficio sobre o II que deixou de ser recolhido e multa regulamentar sobre o valor aduaneiro das mercadorias), 32 a 90 (multa de oficio sobre a diferença do PIS/PASEP) e 115 a 124 (multa de oficio sobre a diferença da Cofins), dos Demonstrativos constando os respectivos enquadramento legais das infrações cometidas. Análise merceológica da mercadoria (as .fls. 133 o 137): No citado Relatório Fiscal, analisa, em seguida, a autoridade lançadora, pormenorizadamente, as características técnicas dos aparelhos importados, lastreando o seu estudo em: e) informações obtidas em catálogo técnico da ANVISA; f) explicações técnicas extraídas do livro "Radiologia e Analise de Imagem", coordenação de João Martins Pisco, Editora Rideel, 2006; trabalho apresentado no "Seminário de Fluoroscopia Imagiologia em tempo Real”, realizado na Universidade do Porto, em Portugal, extraido do site WWW. fc.pt/fcup/news; g) dados colhidos no site www.medcare.go.com.br sobre aparelho médicos da marca Philips; h) Acórdão da 3ª Turma da DRJ de Fortaleza n° 0813233, de 2008, a respeito de "Sistema Iluoroscópio de Raios (estudo que se encontra). Estudo da Classificação Fiscal (às fls. 133 a 137): E, finalmente, demonstra a autoridade lançadora porque o Aparelho de Raios X, denominado de Arco Cirúrgico, não se enquadra no código consignado pelo importador (9022.14.12) nas Adições das DIs examinadas, objeto dos quatro Autos de Infração lavrados, e, sim, no código por ela apontado (9022.14.19), ao amparo: i) das Regras Regais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) n°s 1 e 6; j) da Regra Geral Complementar (RGC1); e l) das Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), então vigentes, publicação subsidiária do Sistema Harmonizado (SH). Fazem parte integrante do presente Auto de Infração, além de todos os Demonstrativos de Apuração dos Impostos e das Contribuições, das multas e dos juros de mora, os seguintes documentos (cópia): Volume I: • Termo de Encerramento dos Autos de Infração, às fls.127/128; • Relatório Fiscal, às fls.129/139; Fl. 941DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 939 7 • Termo de inicio da Ação fiscal, c/AR, às fls.142 a 144; • Termos de Intimação c/AR, às fls.145/149; • Respostas às Intimações, às fls.151/153; • Capitulo 90 da TEC, Notas da Seção XVI e do Capitulo 84, além das normas que aprovaram a TIPI, a NVE, as RGI e as RGC da NCM/TEC, às fls.154 a 160; • Acórdão 0813298, de 2008, da DRJ em Fortaleza, 3ª Turma, à fl. 161; • Extrato do Siscomex de legislação de consulta, às fls. 163 a 174; • Pesquisas técnicas sobre o aparelho, às fls.175 a 200; Volume II: • Pesquisas técnicas sobre o aparelho,às fls.203 a 329; extratos das DIs e demais docs. das importações, às fls.330 a 383; Volumes III e IV: • Extratos das DIs e demais docs. das importações, às fls.386 a 586 (vol. III) e 586 a 770 (vol .IV); • Volume V: Defesa da empresa e documentação a ela anexada, às fls.776 a 834. DA IMPUGNAÇÃO Intimado através do documento de fl. 772 (AR à fl.773), do volume IV, o contribuinte apresentou tempestivamente a sua impugnação, às fls. 776 a 796 do volume V, dela fazendo parte a documentação de fls.796 a 834. As alegações da defendente serão apresentadas resumidamente a seguir, agrupadas pelos temas por ela abordados: 1) HISTÓRICO DO APARELHO: A Philips inventou o primeiro Arco Cirúrgico móvel do mundo em 1958 para visualizar e diagnosticar imagens em movimento (utilizadas na angiografia); em 1982, aprimorado, surgiu o primeiro Arco Cirúrgico com processamento digital de imagem, o BV 25, que tornava possível a Subtração Digital Angiográfica (DAS); em 1996 foi lançada a família BV 300, tubos de raios X com anodos fixos e giratórios, com intensificador de imagem com 12"; e em 2001 surgiu a família BV Libra, Endura e Pulseira, que são constituídos por sistemas de fluoroscopia móvel para os mais diversos níveis de procedimento de angioplastia intervencionista, permitindo perfeita visualização das imagens dinâmicas durante as cirurgias, podendo ser Fl. 942DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 equipados com intensificadores de imagem de 9" ou 12" e utilizados em grande variedade de aplicações. 2) ARCOS CIRÚRGICOS IMPORTADOS MODELOS: Explica a defendente que os Arcos Cirúrgicos importados, ainda que pertencentes à mesma família, têm funções diferentes: são da família BV, móveis, e de três tipos: Libra, Endura e Pulsera; Confessa que o lançamento efetivado nos Autos de Infração está correto relativamente ao modelo Libra, porque a sua função principal não é a de angiografia. Anexa planilha relativa às importações desse modelo, identificando as respectivas DIs e Adições (doc. n° 2), além de cópia dos DARFs dos valores recolhidos em razão da confissão dessa parte do crédito tributário (doc. n° 3). Afirma, todavia, que está incorreto o lançamento, no que diz respeito aos dois outros modelos, Endura e Pulsera, uma vez que se destinam essencialmente a realização de diagnósticos na área de angiografia. E, “embora sejam possíveis procedimentos ortopédicos, a essência da família BV é a de executar diagnósticos de imagens dinâmicas, através de imagens angiográficas". Nos equipamento de Raios X convencionais as imagens são fixas, como fotografias, ao passo que o Arco Cirúrgico possibilita a realização de procedimentos que verificam movimentos internos durante a cirurgia, como é o caso dos angiográficos, e os modelos Endura e Pulsera possuem softwares vasculares, fluoroscopia subtraída e softwares cardíacos, que firmam a função principal para esse procedimento especifico (angiografia). 3) CLASSIFICAÇÃO FISCAL: A divergência, em termos de classificação do aparelho na NCM/TEC, está no Subitem 9022.14.12: Aparelho de Raios X, de diagnóstico, para angiografia (Subitem por ele indicado), e 9022.13.19: Aparelho de Raios X, de diagnóstico, para outros exames. O importador e a autoridade lançadora concordam com o código da NCIM/TEC/NBM/TIPI até o desdobramento em Item, ou seja, até 9022.14.1, portanto, não há qualquer dúvida que se trata de um aparelho de diagnóstico, que é o aparelho abrangido por esse item. Faz diversas afirmações, como: “... se o aparelho for essencialmente utilizado para angiografia a classificação utilizada pela impugnante está correta, com base na Regra Geral 1..."; “... a impugnante entende que os modelos de arco cirúrgico Endura e Pulsera, pela aplicação da Regra Primeira, se enquadram perfeitamente no código 9022.14.12 – para angiografia"; Fl. 943DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 940 9 “... voltamos a enfatizar que nos referimos exclusivamente à função principal dos modelos Endura e Pulsera. Eles têm várias funções no campo da medicina, porém a função principal é o diagnóstico de doenças vasculares, aquelas abrangidas pelo campo da angiografia vale dizer, o exame, por raios X que tenha a capacidade de captar movimentos, como os dos vasos do corpo humano...”. “As diversas funções secundárias que o arco cirúrgico da família BV possui não o levam para a categoria dos "Outros" porque a Terceira Regra, letra "b" é clara ao afirmar que o que vale é a função principal. As funções secundárias, pelo principio classificatório da "abstração da matéria" desaparecem, prevalecendo apenas a principal. É o que determina a letra "b" da Terceira Regra Geral do Sistema Harmonizado de Codificação de Mercadorias...” “...as funções secundárias passam a ser irrelevantes no campo da classificação tarifária, se possível de ser encontrada a função principal”. (Grifei) Anexa os docs. n° 04 e 05 com testemunhos médicos sobre os aparelhos, além de apresentar Ditame de Classificação do Mercosul n° 45/99, que versa sobre um aparelho de Raios X para angiografia, com intensificador de imagem de 22 a 16 cm, sensor de imagem do tipo CCD etc, que foi classificado no código por ele indicado, Ditame esse que é de obrigatória aplicação em todo o território do Mercosul (item 12 do Anexo da Decisão do Conselho do Mercosul e AD Coana n° 55, de 2000) (fls.784/785 dos autos). 4) MUDANÇA NO CRITÉRIO JURÍDICO: A revisão do lançamento tornase ilegal quando se altera o critério jurídico adotado pelo próprio Fisco no lançamento anterior, o que se deu "....quando o fiscal revisor adota código de classificação fiscal diverso daquele adotado pelo fiscal lançador que desembaraçou a mercadoria", contrariando o artigo 146 do CTN. Transcreve ementa de Recurso Especial, de relatoria do Exmo Sr Ministro Luiz Fux (fls.786 a 788), bem como trecho de artigo de autoria da Dra Zuudi Sakakibara, analisando o citado artigo 146 (fls.788/789) e, finalmente, transcreve ementa de Decisão do TRF 1ª Região (fl.789). Argumenta, ainda, que várias das DIs objeto da revisão foram parametrizadas para o canal vermelho com verificação e aprovação da classificação tarifária da mercadoria por ele indicada. 5) PENALIDADES: O Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 106, exclui a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. "Assim, mesmo na remota hipótese de que o Fisco Fl. 944DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 queira entender que a presente autuação deriva somente de atuação interpretativa da autoridade aduaneira, a peça fiscal não poderia conter a aplicação de penalidade infração quanto aos dispositivos interpretados". Além do mais, a multa de oficio é inaplicável porque a classificação utilizada pelo importador está correta, além do que o novo critério jurídico só foi informado ao sujeito passivo por ocasião do lançamento revisional. Por outro lado, a multa de 1% sobre o valor da mercadoria despachada em cada Adição da DI somente é cabível por classificação equivocada, o que não ocorreu. 6) DILIGENCIA: Pede a conversão do julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico que responda à seguinte questão: "Os aparelhos conhecidos como “arco cirúrgico”, relacionados neste processo, têm como função principal a diagnose médica abrangido pela angiografia?” Conclui dizendo que aguarda o deferimento do pedido de diligência para que o aspecto eminentemente técnico seja dirimido e o julgamento seja feito no sentido da improcedência do lançamento. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 15/04/2011, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1433.411 (fls. 838/864): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Classificação de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aparelhos de Raios X para usos médicos e cirúrgicos, de diagnóstico, para procedimentos vasculares, ortopédicos, urológicos, gastrointestinais etc, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, classificamse no código 9022.14.19 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pelas Resoluções Camex nºs 42, de 2001, e 41, de 2003. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 941 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Falta de recolhimento. Desclassificação de Mercadoria. Multas Constatado o não recolhimento do imposto de importação no registro das Declarações de Importação, em função da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cabe o lançamento do imposto, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, Lei n° 10.833, de 2003. Aplicase a multa de 75% sobre o II que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cujos fatos geradores do imposto ocorreram de 2005 a 2007, nos termos da Lei 9.430, de 1996, combinada com a MP no 351, de 2007, e a Lei n° 11.488, de 2007. As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS 1PI Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Desclassificação de Mercadoria. Multa Constatado o recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre mercadorias importadas classificadas incorretamente, e reclassificadas para o código 9022.14.19 da NBM/TIPI, objeto de Adições das Declarações de Importação de 2005 a 2007, cabe o lançamento da diferença desse imposto, nos termos dos Decreto n° 4.544, de 2002, (RIPI/2002). Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença do IPI que deixou de ser recolhida, relativamente às mercadorias objeto de Adições das DIs registradas de 2005 a 2007, em razão de sua Fl. 946DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 classificação incorreta na NBMITIPI, nos termos da Lei n°. 4.502, de 1964, com a redação das Leis nºs 351, e 11.488, de 2007, e da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença de alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei n° 9.430, de 1996). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Insuficiência de recolhimento da Cotins. Multa Em razão da diferença das alíquotas do 11 e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto if 4.543, de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430, de 1996). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 942 13 Revisão de Oficio Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Diligencia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre as características do Arco Cirúrgico quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficiente para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 17/08/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/09/2011 (fls. 880/894), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação . Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL De um lado, a Recorrente alega que as mercadorias por ela importadas devem ser classificadas no código NCM 9022.14.12, pois a principal aplicação dos arcos cirúrgicos por ela importados (modelos Endura e Pulsera) é a angiografia, embora também tenha outras aplicações; de outro, a fiscalização sustenta que a classificação correta seria no código NCM 9022.14.19 justamente porque a angiografia não é a sua única aplicação, mas apenas uma das suas aplicações. Verificase, portanto, que não há dúvidas de que as mercadorias importadas pela Recorrente são aparelhos que utilizam o diagnóstico de raios X para exames e Fl. 948DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 intervenções cirúrgicas, classificandose, pois, no código NCM 9022.14.1. A discussão está unicamente no enquadramento do subitem. Diante disso, o deslinde da controvérsia ora examinada parece encontrar resposta nas RGI’S 1 e 3 c), e na RGC 1, que assim dispõem: REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...) 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA GERAL COMPLEMENTAR 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A partir do levantamento realizado pela fiscalização, que inclui o catálogo técnico apresentado pela Recorrente à ANVISA, percebese que os arcos cirúrgicos em questão possuem as seguintes aplicações, além da angiografia: Cirurgia ortopédica (fratura, fixação); Cirurgia abdominal (colangiografia, exames urológicos); Cirurgia torácica; Procedimentos cardiovascular (periferial, abdominal, cerebral, intervencional); Procedimentos neurocirúrgicos (gerenciamento da dor, vertebroplastia);etc. Assim, há de entenderse que os equipamentos em tela não são exclusivamente para diagnósticos angiográficos, e sim para uma gama maior de diagnósticos. Da mesma forma, não são aplicados apenas em procedimentos cirúrgicos vasculares, mas em outros procedimentos cirúrgicos também. Desse modo, pela aplicação da RGI 1 e da RGC 1, temse que o texto da posição mais adequado não é aquele eleito pela Recorrente, e sim o texto da posição NCM 9022.14.19 Outros. E mais, ainda que se pudesse considerar validamente suscetíveis de serem considerados no caso concreto os textos de ambas as posições, códigos NCM 9022.14.12 e 9022.14.19, a aplicação da RGI 3C é clara ao dispor que prevalece a posição situada em último lugar na ordem numérica. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 943 15 Diferentemente do que sustenta a Recorrente, a RGI 3B não é aplicável ao caso concreto, pois não se está diante de produtos misturados, obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes, ou ainda mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Fazse necessário mencionar que uma mercadoria com diferentes funções não é o mesmo que uma mercadoria constituída pela reunião de artigos diferentes... Por outro lado, admitindose que a RGI 3B pudesse ser aplicada a um aparelho de raio x para diagnóstico, a Recorrente não trouxe qualquer evidência técnica no sentido de demonstrar que o diagnóstico angiográfico é a sua função principal. A Recorrente limitase a juntar uma declaração de um profissional renomado na área médica e a pleitear a conversão do julgamento em diligência para que tal alegação seja confirmada em laudo técnico. Sobre a citada declaração médica, confirase o seu teor: Eu, Dr. Alvaro Razuk Filho, CRM 73528, declaro que, no curso anual de Cirurgia Endovascular da Santa Casa de São Paulo, utilizo durante as aulas práticas os equipamentos Philips BV Pulsera 12 pol. Vale destacar, que por se tratar de uma técnica que necessita a visualização de imagens dinâmicas da parte angiográfica, os arcos cirúrgicos BV Pulsera e BV Endura são os mais indicados em razão da sua função de Angiografia. Durante o curso, temas como Angioplastia Periférica, Angioplastia Carótida e Angioplastia Troncos SupraAórticos são abordados e por isso a necessidade de utilizarmos equipamentos que desde a sua idealização.já foram criados para este propósito. A partir da leitura do teor da declaração, percebese que os equipamentos Philips BV Pulsera 12 pol. são recomendáveis para aulas práticas de cirurgia endovascular em razão da sua função de angiografia. Contudo, isso não quer dizer que essa é a sua função principal. Além disso, o fato de os equipamentos terem sido criados para o propósito de visualização de imagens dinâmicas da parte angiográfica, não significa que também não tenham sido idealizados para outras aplicações. Portanto, não se pode considerar a declaração em tela como uma evidência técnica de que a finalidade principal das mercadorias importadas pela recorrente é a diagnose angiográfica. Com base no exposto, devese julgar improcedente o recurso voluntário nesse particular. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Alega a Recorrente que a autoridade preparadora jamais poderia ter lavrado o auto de infração que originou o presente litígio, pois, segundo o art. 146 do Código Tributário Nacional, a mudança de critério jurídico somente se opera a fatos geradores futuros, nunca retroagindo os seus efeitos. Confirase: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios Fl. 950DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, ao ser lavrado auto de infração para exigir diferença de tributos incidentes na importação de mercadorias já desembaraçadas, a fiscalização estaria agindo em desconformidade com o citado dispositivo legal. A matéria não é nova no CARF, havendo diversos julgados no sentido de que a revisão aduaneira não importa em modificação de critério jurídico. Confirase: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Sessão de 25/04/2012) ......................................................................................................... ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho Fl. 951DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 944 17 aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Também não há de se confundir revisão aduaneira com revisão de ofício. Isso porque a revisão aduaneira faz parte do processo de despacho aduaneiro, estando prevista no art. 54 do DecretoLei nº 37 de 1966, enquanto a revisão de ofício é um procedimento comum a qualquer lançamento tributário, desde que sejam observadas as hipóteses previstas no art. 149 do Código Tributário Nacional. Confirase: DecretoLei nº 37 de 1966 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou Fl. 952DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Com base nesses precedentes e nos conceitos expostos acima, devese negar provimento ao recurso voluntário também nesse particular. PENALIDADES Alega a Recorrente que, por força do art. 106 do Código Tributário Nacional, não seriam aplicáveis as multas, pois a sua aplicação deriva da interpretação de dispositivo legal. Confirase: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) A despeito do que faz crer a Recorrente, o dispositivo legal em questão se aplica apenas quando uma lei nova prevê a retroatividade de seus efeitos. No caso concreto, não há qualquer lei nova que pudesse justificar a invocação do art. 106 do Código Tributário Nacional. Diante disso, também não merece provimento o recurso voluntário nesse particular. CONCLUSÃO Com base em todo o exposto, devese negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o crédito tributário integral. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 953DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10875.901798/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2003
PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ERRO MATERIAL NO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. PROVAS. VERDADE MATERIAL.
Comprovado o recolhimento a maior, de se reconhecer o direito creditório, pela necessidade da prevalência da verdade material sobre a forma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-001.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente em exercício
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2003 PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ERRO MATERIAL NO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. PROVAS. VERDADE MATERIAL. Comprovado o recolhimento a maior, de se reconhecer o direito creditório, pela necessidade da prevalência da verdade material sobre a forma. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2003 PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ERRO MATERIAL NO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO. PROVAS. VERDADE MATERIAL. Comprovado o recolhimento a maior, de se reconhecer o direito creditório, pela necessidade da prevalência da verdade material sobre a forma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Jean Cleuter Simões Mendonça – Presidente em exercício Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 17 98 /2 00 8- 39 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp entregue em 06/05/2004 em que a interessada postulara o reconhecimento de direito creditório correspondente a um pagamento a maior efetuado a título de PIS/Pasep [não cumulativo], do período de apuração de outubro de 2003, no valor de R$ 103.502,42, que estaria embutido no Darf recolhido no dia 14/11/2003, no valor de R$ 103.502,42. No referido documento foi indicada a compensação de débito do próprio PIS/Pasep, de período de apuração de dezembro de 2002. No Despacho Decisório eletrônico emitido em 18/07/2008 e cientificado à interessada em 30/07/2008, constou que nenhum crédito fora reconhecido porquanto o Darf indicado não havia sido localizado nos sistemas da Receita Federal, o que, em consequência, resultou na não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada esclareceu ter cometido um equívoco no preenchimento de seu PER/Dcomp, isto é, em vez de indicar como origem do pagamento indevido o Darf pago no dia 14/11/2003 no valor de R$ 240.912,17, indicara R$ 103.502,42, que, na verdade, corresponderia ao indébito pleiteado. Para comprovar suas alegações, juntou à Manifestação de Inconformidade cópia de sua DCTF, do Dacon e do referido Darf. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, todavia, considerou que esse tipo de equívoco deveria ter sido sanado mediante a retificação do PER/Dcomp e que, além disso, a interessada fora intimada, antes da emissão do Despacho Decisório, para que verificasse os dados do Darf informados no referido pedido de restituição. Assim, indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário a Recorrente repetiu os termos de sua impugnação. No essencial, é o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10875.901798/200839 Acórdão n.º 3401001.922 S3C4T1 Fl. 74 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 18/07/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 17/08/2011, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A DCTF de fl. 25 e o Dacon de fl. 27 trazidas aos autos pela interessada quando de sua Manifestação de Inconformidade indicam que o valor do PIS/Pasep devido em relação ao período de apuração de outubro de 2003 é de R$ 137.409,75, enquanto que o Darf de fl. 29 indica que o valor recolhido na data de seu vencimento foi de R$ 240.912,17, o que aponta para um recolhimento a maior no exato montante em que indicado no PER/Dcomp, qual seja, de R$ 103.502,42. Ou seja, de forma bastante clara pode ser verificado que a interessada, de fato, cometeu um erro material ao indicar que a origem de seu crédito estaria no Darf no valor de R$ 103.502,42 [o correto seria R$ 240.912,17], quando esse valor, na verdade, se refere à diferença recolhida a maior postulada. Não obstante a instância de julgamento soubesse desses fatos, escorouse nas regras ditadas pelas instruções normativas que regulam os procedimentos de compensação e não reconheceu qualquer crédito à interessada, sob o argumento de que o erro não havia sido comunicado à Administração Tributária na forma regulamentar, isto é, mediante a retificação do PER/Dcomp, e que, além disso, não obstante tivesse sido intimada em 04/09/2006, portanto, antes da emissão do Despacho Decisório, que a interessada não se manifestara acerca de seu propalado equívoco. Pois bem. Primeiramente, a instância de piso tem razão quando afirma que, em 04/09/2006, antes, portanto, que fosse proferido o Despacho Decisório eletrônico de não reconhecimento do crédito, a interessada fora informada de que o Darf indicado no PER/Dcomp como originário de seu crédito não fora localizado nos sistemas da Receita Federal. No mesmo documento, Termo de Intimação, de fl. 31, constou o seguinte: “Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/Dcomp retificador. Caso contrário, compareça à Unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação com o Darf original, no prazo indicado.” Seguiuse que, diante da ausência de qualquer manifestação da interessada, foi expedido o Despacho Decisório eletrônico em 18/07/2008, o qual foi cientificado à interessada em 30/07/2008. De outra parte, porém, e não obstante, a interessada, tanto em sua Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário defendeuse dizendo, verbis: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 4 “A Receita Federal do Brasil, caso requisitasse esclarecimentos do Contribuinte, poderia verificar que se trata de mera divergência de informação e, em hipótese alguma, de inexistência do recolhimento informado e a consequente inexistência o crédito.” Com a devida vênia, o argumento da Recorrente não reflete o quê, de fato, ocorreu, haja vista que, diferentemente do que apregoou, fora ela, sim, intimada a prestar esclarecimentos acerca da divergência encontrada pelos sistemas da Receita Federal no Darf indicado no PER/Dcomp, bem como, fosse o caso, a retificar as informações, no que quedouse inerte. Lembro aqui a meus pares que, em situações semelhantes a esta, tal como na em que o contribuinte não teve seu crédito reconhecido pela autoridade administrativa pelo fato de não ter procedido à retificação tempestiva de DCTF, temos aqui prestigiado a observância do princípio da verdade material, isto é, não obstante o não cumprimento da formalidade, vimos nos curvando diante da comprovação do direito postulado e o reconhecendo em favor dos contribuintes. Sim, haveremos de ressalvar que, diferentemente da maioria dos processos envolvendo despacho eletrônico relacionado a PER/Dcomp, em que o procedimento – batimento das informações – é praticamente unilateral, neste caso houve o cuidado da Administração Tributária em alertar previamente ao contribuinte acerca das incorreções encontradas, seguido de uma intimação para que fossem corrigidas. Somente após transcorrido o prazo concedido, e em não tendo sido atendida, é que tratouse de expedir o referido Despacho eletrônico. Mas, não obstante o Despacho Decisório e a decisão recorrida não mereçam censura, creio que a inércia da interessada [ao não atender os termos da intimação e proceder à retificação do PER/Dcomp] não poderia ensejar o exsurgimento de um mal maior, qual seja, o enriquecimento sem causa em favor da União. É que, consoante já esmiuçado alhures, as provas trazidas pelo contribuinte aos autos são incontestáveis no sentido de que incorrera mesmo num recolhimento a maior, de sorte que, na linha de posicionamentos anteriores, especialmente naqueles relacionados a lançamentos por meio de auto de infração, em que o contribuinte consegue demonstrar o seu direito ao longo das oportunidades que lhe são franqueadas pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tenho buscado prestigiar o princípio da verdade material, em detrimento da forma. Pelo exposto, voto pelo provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10875.901798/200839 Acórdão n.º 3401001.922 S3C4T1 Fl. 75 5 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Numero do processo: 15521.000308/2008-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 30/04/2004 a 31/12/2004, 31/01/2006 a 31/05/2006
DCOMP NÃO DECLARADA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
É necessário auto de infração para lançamento de débitos indicados em DComps consideradas não-declaradas pela autoridade fiscal, aplicável, inclusive, multa de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO. FATOS GERADORES NÃO COMPROVADOS E NÃO IMPUGNADOS.
DComps consideradas não-declaradas não têm efeito constitutivo, e tampouco valia probatória, cabendo à autoridade demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador cuja confissão restou frustrada pelo não-conhecimento da DComp. Entretanto, se o contribuinte reconhece a ocorrência do fato gerador, e questão resta incontroversa no processo administrativo.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2004, 31/01/2006 a 31/05/2006 DCOMP NÃO DECLARADA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. É necessário auto de infração para lançamento de débitos indicados em DComps consideradas nãodeclaradas pela autoridade fiscal, aplicável, inclusive, multa de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO. FATOS GERADORES NÃO COMPROVADOS E NÃO IMPUGNADOS. DComps consideradas nãodeclaradas não têm efeito constitutivo, e tampouco valia probatória, cabendo à autoridade demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador cuja confissão restou frustrada pelo não conhecimento da DComp. Entretanto, se o contribuinte reconhece a ocorrência do fato gerador, e questão resta incontroversa no processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 30/04/2004 a 31/12/2004, 31/01/2006 a 31/05/2006 DCOMP NÃO DECLARADA. AUTO DE INFRAÇÃO. 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Entretanto, se o contribuinte reconhece a ocorrência do fato gerador, e questão resta incontroversa no processo administrativo. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A recorrente apresentou declarações de compensação (fls. 8/9 e 15/20), pelas quais pretendia extinguir débitos do PIS e da COFINS com créditos controlados no processo administrativo nº 10166.005103/200540. Tais DCOMPs foram consideradas nãodeclaradas (fls. 11/12) porque o crédito a ela levado tinha origem em títulos públicos, o que infringiria o artigo 31 das IN/SRF nºs 460/04 e 600/05, bem como o artigo 74, §12, II, ‘c’ da Lei nº 9.430/96. Os débitos de PIS e COFINS que se pretendia compensar nas DCOMPs tampouco foram confessados em DCTF (fls. 24/49), DACON (fls. 51/63) e DIPJ (fls. 64/99). Assim, ademais de considerar as DCOMPs nãodeclaradas, a DRF lavrou autos de infração para constituição de créditos tributários relativos ao: (i) PIS, das competências 04 a 12/2004 e 01 a 05/2006 (fls. 100/108) e (ii) COFINS, das competências 01/2004, 04 a 12/2004 e 01 a 05/2006 (fls. 109/117). Esses autos são o objeto do presente processo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15521.000308/200817 Acórdão n.º 3403001.848 S3C4T3 Fl. 6 3 Inconformada, a recorrente impugnouos (fls. 125/129), alegando (i) a pendência de julgamento do voluntário interposto contra a decisão que considerou não declaradas as compensações, (ii) a impossibilidade de aplicação de multa de ofício, pois os créditos encontramse confessados por meio das DCOMPs, o que atrairia a incidência do art. 138, do CTN e (iii) a extinção da obrigação tributária em razão de os créditos ora cobrados haverem sido compensados. A DRJ/Rio de JaneiroRJ desproveu a impugnação (fls. 136/138), salientando que (i) a impugnação de decisão que considera nãodeclarada a compensação não suspende a exigibilidade do crédito tributário, (ii) as compensações nãodeclaradas não implicam confissão de débito e nem extinção das obrigações e (iii) é inaplicável o art. 138 do CTN, sendo legítima a incidência da multa de ofício. Interpõe a autuada, então, recurso voluntário (fls. 159/167), alegando a nulidade da exigência por falta de motivação, bem como por afronta aos princípios da segurança jurídica, da capacidade contributiva e do nãoconfisco. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. As declarações de compensação transmitidas pela recorrente foram consideradas nãodeclaradas pela RFB, com fundamento no artigo 74, §12, II, ‘c’ da Lei nº 9.430/96, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)" Por força dos §§6° e 13 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, as DCOMPs consideradas nãodeclaradas não têm efeito constitutivo do débito fiscal nelas informado pelo contribuinte. Vejamos: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 "§6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §13. O disposto nos §§2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" O contribuinte que informa débito em DCOMP tida por nãodeclarada nada confessa ao Fisco. Sendo assim, a cobrança do débito informado nesta DOMP requer prévio lançamento de ofício, com os encargos sancionatórios próprios desta modalidade de constituição do crédito tributário. Da DCOMP considerada nãodeclarada nada se aproveita. Dessa forma, a autoridade fiscal preparadora, ao efetuar o lançamento de ofício, deveria ter investigado e demonstrado a efetiva ocorrência dos fatos geradores objetos da presente exigência, analisando, por exemplo, documentos contábeis, fiscais e comerciais da recorrente. A fiscalização, contudo, não o fez, entendendo suficiente apenas referir a valores informados nas DCOMPs nãodeclaradas. Em outras palavras, a fiscalização entendeu, de forma acertada, que as DCOMPs não possuíam efeito constitutivo, mas considerou – de forma incorreta, a meu ver – que tinham efeitos probatórios. Entendo que haveria, então, ao menos em princípio, insuficiente demonstração da ocorrência dos fatos geradores pelo Fisco, ônus que, como cediço, lhe compete. Entretanto, a recorrente, no voluntário, não se insurge especificamente quanto à materialidade dos lançamentos; não impugna a ocorrência dos fatos geradores, ao contrário, admitea. Não controvertendo o fato, incide o art. 17 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" Assim, como a recorrente não ataca especificamente a (in)ocorrência dos fatos geradores, o procedimento fiscal, a princípio frágil neste particular, tornase hígido. A recorrente apenas afirma que os créditos ora exigidos já teriam sido quitados através das DCOMPs que geraram os autos nºs 10166.010601/200695 e 10166.05348/200577, os quais, de acordo com extrato processual obtido no endereço eletrônico da RFB, se encontram arquivados, não tendo sido sequer remetidos ao CARF. O processo administrativo nº 10166.005103/200540, suposta origem do crédito utilizado para abatimento dos débitos nas DCOMPs supramencionadas, também se encontra arquivado desde 2009 e também sequer foi remetido ao CARF. Os demais argumentos mencionados pela recorrente, em especial a suposta afronta aos princípios da segurança jurídica, da capacidade contributiva e do nãoconfisco, também não merecem guarida, uma vez que a sua aceitação implicaria reconhecimento de inconstitucionalidade de normas tributárias, tais como o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, procedimento vedado a este Órgão por força do disposto no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15521.000308/200817 Acórdão n.º 3403001.848 S3C4T3 Fl. 7 5 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720362/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de Auto de Infração nº 37.284.9296, o qual exige multa do sujeito passivo por ter sido constatada a entrega da GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, a regra contida no artigo 32, inciso IV, 5º§, da Lei nº 8.212/1991. Segundo o relatório fiscal, a multa aplicada se justifica em razão do sujeito passivo ter deixado de declarar em GFIP a diferença de contribuição dos segurados empregados, apurada em decorrência do fornecimento de subsídios supermercado e material escolar, bem como as horas extras devidas. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 36 2/ 20 11 -4 2 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.720362/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.278 S2C3T1 Fl. 3 2 Embasandose nos demonstrativos das remunerações e das respectivas contribuições anexados ao processo administrativo nº 10670.720.364/201131, relativo aos Autos de Infração nºs 37.284.9369, 37.284.9377 e 37.284.9386, a D. Autoridade Fiscal aplicou, ao ser constatada a mencionada omissão de declaração na GFIP, multa no montante de R$ 76.178,50, com base no artigo 283, inciso I, alínea “g”, combinado com artigo 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS). Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou preliminarmente a ocorrência de decadência quinquenal e a necessidade da aplicação retroativa da norma mais benéfica, no mérito, defendese aduzindo a inexistência da infração, na medida em que as horas extras e os subsídios alimentação e material escolar não constituiriam fatos geradores da contribuição previdenciária, motivo pelo qual não subsistiria a multa ora questionada. Após ser a defesa submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, foi proferida decisão mantendo integralmente a multa aplicada por ocasião da lavratura do Auto de Infração em referência, julgando, dessa forma, improcedente a impugnação do Contribuinte. Inconformada com a r. decisão acima transcrita, a Recorrente interpôs, dentro do prazo legal, Recurso Voluntário perante este E. Conselho, com objetivo de obter, ao reiterar os mesmos argumentos articulados na impugnação. É o Relatório. VOTO Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Percebese facilmente que a lavratura do Auto de Infração em exame se deve em decorrência da apuração fiscal que averiguou a ausência da realização de declaração em GFIP, em relação à diferença de contribuição dos segurados empregados, apurada em decorrência do fornecimento de subsídios supermercado e material escolar, bem como as horas extras devidas. Diante dessa atuação, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário requerendo, em sede de preliminar, o reconhecimento da conexão deste processo com aquele que foi autuado sob o nº 10670.720364/201131, referente aos Autos de Infração nºs 37.284.9369, 37.284.937 7 e 37.284.9386, no qual foi apurada a obrigação principal, isto é, a incidência das contribuições previdenciárias sobre os citados subsidios e horas extras. Como se vê, a Recorrente, embora tenha alegado genericamente a existência de trâmite de processo administrativo que examina a legitimidade da incidência da contribuição previdenciária, a qual deu origem a aplicação da multa ora questionada, verifiquei, ao proceder a leitura da r. decisão recorrida, que o Órgão Julgador a quo vislumbrou, em sede de análise sumária, a existência da conexão, ao reconhecer que o lançamento da multa ora questionada decorreu justamente dos autos de infração objetos do processo administrativo nº 10670.720364/201131. Nesse sentido, citase trechos do mencionado r. decisório: “A impugnante é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235, de março de 1972. Assim, dela tomo conhecimento. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.720362/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.278 S2C3T1 Fl. 4 3 Registramos, de início, que os Autos de Infração lavrados na mesma Auditoria Fiscal que resultou este Auto de Infração estão sendo julgados nesta oportunidade, em conexão.” Visando obter maiores informações sobre o atual andamento do processo conexo a este, constatei, ao acessar o sítio oficial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que o processo administrativo nº 10670.720364/201131 não foi ainda distribuído perante este Tribunal. Porém, acessando o sítio do Comprot (www. comprot.fazenda.gov.br), averiguei que o respectivo feito ainda encontrase ativo e em movimento e localizado atualmente na Delegacia da Receita Federal em Montes Claros, Minas Gerais. Assim, tendo presente que, tanto o processo em apreciação quanto o que está em trâmite na Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG detêm a toda evidência a mesma causa de pedir, pois os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são praticamente idênticos e sucessórios, conforme foi ressaltado no relatório fiscal. Isso demonstra que o resultado de julgamento de um influenciará diretamente no desfecho do outro. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os dois processos, e, para evitar que se tenha decisões contraditórias, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Sobre tal aspecto, recorrese às lições do jurista e Ministro LUIZ FUX para melhor retratar a presente situação: “A conseqüência jurídicoprocessual mais expressiva da conexão, malgrado não lhe seja a única, é a imposição de julgamento simultâneo das causas conexas no mesmo processo (simultaneus processu). A razão desta regra deriva do fato de que o julgamento em separado das causas conexas gera o risco de decisões contraditórias, que acarretam grave desprestígio para o Poder Judiciário. Assim, v.g., seria incoerente, sob o prisma lógico, que um juiz acolhesse a infração contratual para efeito de impor perdas e danos e não a colhesse para o fim de rescindir o contrato, ou ainda, que anulasse a assembléia na ação movida pelo acionista X e não fizesse o mesmo quanto ao acionista Y, sendo idêntico a causa de pedir.” (Luiz Fux; Cursos de Direito Processual Civil; Editora Forense; Edição 2001) Já a jurisprudência deste próprio E. Conselho de Contribuinte é pacífica no sentido de admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo colacionadas, vejase “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.720362/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.278 S2C3T1 Fl. 5 4 dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Por toda essa razão, entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual da conexão previsto no artigo 103 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Isso se faz necessário porque se for decidido nos autos do processo nº 10670.720364/201131 que indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre os subsídios alimentação e material escolar, bem como sobre a hora extra, não haverá que se falar na multa ora aplicada. Daí porque, é necessário determinar, com fim específico de afastar a ventilada hipótese de decisões contraditórias, a reunião dos referidos processos administrativos fiscais, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Logo, verificada a conexão entre os citados processos, devem, assim, ser apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos do processo administrativo nº 10670.720364/201131 apensados ao presente processo administrativo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.908120/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA QUITAÇÃO DO DÉBITO ORIGINÁRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. OBRIGATORIEDADE.
Após a emissão e ciência do Despacho Decisório não homologatório da compensação, por motivo de inexistência de crédito integralmente utilizado na quitação de débito confessado na DCTF original, a redução do valor débito originário informada na DCTF retificadora, desacompanhada da comprovação da origem do indébito apurado, mediante documentação adequada, não é considerado suficiente para comprovar a existência do crédito informado na DComp.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que, rejeitando novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade, mantém a não homologação da compensação declarada por inexistência do crédito utilizado, equivalente ao mesmo motivo da decisão não homologatória consignada no Despacho Decisório.
PROVA DOCUMENTAL. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS QUE SE ENCONTRA EM PODER DO PRÓPRIO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental que se encontrava em poder do próprio requerente e, sem a presença de qualquer óbice, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que foi exercido o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA QUITAÇÃO DO DÉBITO ORIGINÁRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. OBRIGATORIEDADE. Após a emissão e ciência do Despacho Decisório não homologatório da compensação, por motivo de inexistência de crédito integralmente utilizado na quitação de débito confessado na DCTF original, a redução do valor débito originário informada na DCTF retificadora, desacompanhada da comprovação da origem do indébito apurado, mediante documentação adequada, não é considerado suficiente para comprovar a existência do crédito informado na DComp. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que, rejeitando novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade, mantém a não homologação da compensação declarada por inexistência do crédito utilizado, equivalente ao mesmo motivo da decisão não homologatória consignada no Despacho Decisório. PROVA DOCUMENTAL. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS QUE SE ENCONTRA EM PODER DO PRÓPRIO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental que se encontrava em poder do próprio requerente e, sem a presença de qualquer óbice, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que foi exercido o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 10 1 9 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.908120/200992 Recurso nº 919.281 Voluntário Acórdão nº 3802001.306 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente VALEO SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE NA QUITAÇÃO DO DÉBITO ORIGINÁRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. OBRIGATORIEDADE. Após a emissão e ciência do Despacho Decisório não homologatório da compensação, por motivo de inexistência de crédito integralmente utilizado na quitação de débito confessado na DCTF original, a redução do valor débito originário informada na DCTF retificadora, desacompanhada da comprovação da origem do indébito apurado, mediante documentação adequada, não é considerado suficiente para comprovar a existência do crédito informado na DComp. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 81 20 /2 00 9- 92 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que, rejeitando novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade, mantém a não homologação da compensação declarada por inexistência do crédito utilizado, equivalente ao mesmo motivo da decisão não homologatória consignada no Despacho Decisório. PROVA DOCUMENTAL. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS QUE SE ENCONTRA EM PODER DO PRÓPRIO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental que se encontrava em poder do próprio requerente e, sem a presença de qualquer óbice, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que foi exercido o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.908120/200992 Acórdão n.º 3802001.306 S3TE02 Fl. 11 3 tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 51.360,04. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 17/06/2009, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 16/07/2009, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão receitas sujeitas à alíquota zero, provenientes de operações de industrialização por encomenda, conforme disposto no artigo 10, §2º, da Lei nº 11.051, de 2004; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF e o Dacon relativos ao período, fato que ensejou a não homologação; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; A verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco cometido nas obrigações acessórias, e não pode obstar o seu direito de compensar seu pagamento a maior; Demais disso, o débito que pretendeu extinguir na DCOMP destes autos é de IRPJ referente ao anocalendário 2006. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Nesse período, entretanto, apurou saldo negativo, razão pela qual qualquer cobrança a esse título é descabida. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) o alegado indébito era proveniente da indevida tributação das receitas das operações de industrialização por encomenda sujeitas à alíquota zero, nos termos do art. 10, § 2º, da Lei nº 11.051, de 2004; (i) por um lapso, somente retificou a DCTF e Dacon, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (ii) a guia Darf, a DComp, o Dacon e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iii) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.908120/200992 Acórdão n.º 3802001.306 S3TE02 Fl. 12 5 Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões, na verdade, adotaram a mesma motivação e fundamentação, ou seja, a falta do crédito alegado. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora. Em outras palavras, para a Recorrente, a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, que fora retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. No mesmo sentido, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a inexistência do crédito compensado, neste sentido, não deixa dúvida o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. De fato, comparando o teor dos dois julgados, fica demonstrado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecer a existência do alegado direito creditório, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal do caso e analisou o alegado equívoco na apuração do Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 valor débito retificado, porém, não acatou o valor débito retificado, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro na apuração do valor do debito retificado, ou seja, porque não foi comprovado o montante das supostas receitas de vendas das operações de industrialização por encomenda sujeitas à alíquota zero, nos termos do art. 10, § 2º1, da Lei nº 11.051, de 2004. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como sendo a origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal tem aplicação restrita aos casos relacionados apenas com o lançamento de ofício, situação que, evidentemente, não se vislumbra nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, por ela tão enaltecido, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF e do Dacon retificadores, acompanhados apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que, a simples retificação da DCTF, desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. 1 “Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: [...] § 2o No caso deste artigo, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a zero. [...]”. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.908120/200992 Acórdão n.º 3802001.306 S3TE02 Fl. 13 7 No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual dos dois valores é o verdadeiro (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf), da DCTF retificadora e do Dacon retificador. Tal alegação tratase de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o firme entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Nesse sentido, especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade, a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida, mediante a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, a emissão do presente Despacho Decisório consiste no ato administrativo final, resultante do procedimento de fiscalização, concernente à análise do controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, consequentemente, a DCTF retificadora em destaque não produz nenhum efeito em relação à redução do debito em questão, haja vista que, nesta hipótese, a redução do valor do débito somente seria admitida caso houvesse prova inequívoca da ocorrência do alegado erro de fato no preenchimento da citada Declaração, o que não ocorreu. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a manifestação de inconformidade colacionada aos autos, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa, logo, para que seja aceita tal retificação, ela deveria atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.908120/200992 Acórdão n.º 3802001.306 S3TE02 Fl. 14 9 documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como sendo suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, tornaria sem qualquer efeito toda atividade de controle da regularidade da compensação exercida pela Administração Tributária, em conformidade com o disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, tornando este preceito legal ineficaz, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia, de fato, juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, o que afrontaria regras basilares prevista na esfera do processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das operações de industrialização por encomenda, na época, submetidas à alíquota zero, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o alegado equívoco. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal comprovação. É pertinente ainda lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso do I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, consequentemente, resta evidenciada, nos autos, a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa que a 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, se no caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, em consequência, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Ademais, conforme já mencionado, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas, ou seja, se houver prova de plano do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.908120/200992 Acórdão n.º 3802001.306 S3TE02 Fl. 15 11 No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar com a finalidade de comprovar, , que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, referente aos anos calendários de 2002 a 2004, em montante superior ao devido, em virtude da indevida tributação das receitas das operações de industrialização por encomenda sujeitas à alíquota zero, nos termos do art. 10, § 2º, da Lei nº 11.051, de 2004; e b) as declarações e retificações apresentadas (DCTF, DComp e Dacon) eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas, inclusive a relativa aos presentes autos Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, a documentação complementar a que alude a Recorrente tratase de documentos da sua escrituração contábil e fiscal que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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