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Numero do processo: 13984.901737/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.439
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considerase preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verificase a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitandose a supressão de alguma destas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 17 37 /2 00 9- 11 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 223 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) mediante o Acórdão n.º 0645.146, de 14/02/2014 (efls. 192 a 197). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo das declarações de compensação apresentadas com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de R$ 69.884,19 de IRPJ do anocalendário de 2003: . PER/DCOMP nº 22177.19721.300404.1.3.029170 (fls. 144151), relativo à compensação dos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro (R$ 5.359,09), fevereiro (R$ 5.519,86) e março/2004 (R$ 7.360,03), com utilização da parcela de R$ 17.415,24 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 13208.64713.250504.1.3.020044 (fls. 140143), relativo à compensação do débito de R$ 8.611,64 de estimativa de IRPJ do mês de abril/2004, com utilização da parcela de R$ 8.131,09 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 25683.63879.300604.1.7.029174 (fls. 136139), retificador do PER/DCOMP nº 38651.82131.300604.1.3.020626, relativo à compensação do débito de R$ 4.576,15 de estimativa de IRPJ do mês de maio/2004, com utilização da parcela de R$ 4.320,79 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 36040.90158.270704.1.3.021491 (fls. 120123), relativo à compensação do débito de R$ 6.884,86 de estimativa de IRPJ do mês de junho/2004, com utilização da parcela de R$ 6.428,44 do direito creditório; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 224 3 . PER/DCOMP nº 15530.75248.260804.1.3.022655 (fls. 132135), relativo à compensação do débito de R$ 7.073,80 de estimativa de IRPJ do mês de julho/2004, com utilização da parcela de R$ 6.526,25 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 21746.96743.220904.1.3.020423 (fls. 116119), relativo à compensação do débito de R$ 6.762,19 de estimativa de IRPJ do mês de agosto/2004, com utilização da parcela de R$ 6.165,38 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 42223.60363.201004.1.3.020443 (fls. 128131), relativo à compensação do débito de R$ 7.584,44 de estimativa de IRPJ do mês de setembro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.837,14 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 14582.76531.261104.1.3.025120 (fls. 112115), relativo à compensação do débito de R$ 7.279,75 de estimativa de IRPJ do mês de outubro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.491,66 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 17140.36782.050105.1.3.023722 (fls. 124127), relativo à compensação do débito de R$ 7.339,10 de estimativa de IRPJ do mês de novembro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.472,44 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 03820.18951.290105.1.3.025820 (fls. 108111), relativo à compensação do débito de R$ 1.036,47 de estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2004, com utilização da parcela de R$ 902,30 do direito creditório. 2. A DRF/Lages, por meio do Despacho Decisório proferido em 11/08/2009, rastreamento 844665575 (fls. 1015), reconheceu apenas o direito creditório de R$ 25.721,70 porquanto considerou não confirmada a parcela de composição do crédito relativa às estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior (DCOMP’s não homologadas): 3. Em consequência, o crédito reconhecido foi suficiente para homologar integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 22177.19721.300404.1.3.029170 e parcialmente a do PER/DCOMP nº 13208.64713.250504.1.3.020044, restando não homologadas as demais compensações. 4. Regularmente cientificada por via postal em 19/08/2009 (fl. 152), a reclamante apresentou, em 17/09/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 0209, instruída com os documentos de fls. 10151, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argui que optou pela tributação com base no lucro real e o lucro reajustado nos exercícios de 2003 a 2008 nunca ultrapassou 3% da receita bruta operacional; b) exemplifica o cálculo dos valores devidos por estimativas com base na receita bruta e acréscimos e em balanço ou balancete de suspensão ou redução; Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 225 4 c) afirma que as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003 foram devidamente contabilizadas, conforme cópia dos livros Diário nºs 17 e 18; que tais estimativas foram apuradas com base na receita bruta e acréscimos, tendo as relativas aos meses de janeiro a agosto e parte de setembro/2003 sido compensadas com saldo negativo de exercício anterior, enquanto parte da estimativa de setembro e o valor integral dos meses de outubro a dezembro/2003 foram pagas com Darf; d) que não possui capacidade contributiva para pagar os débitos no montante de R$ 50.172,33, acrescidos de multa e juros de mora, cuja compensação não foi homologada; que houve talvez a inexistência de um procedimento legal eficiente o bastante para dirimir quaisquer dúvidas do entre tributário para que o processo de apuração do saldo negativo de IRPJ transcorresse de forma transparente e rápido; e) aduz que diante da cópia dos livros da escrituração contábil e da DIPJ, não há como se negar a homologação de um direito creditório reconhecidamente legítimo da impugnante, sob pena de a União estar fazendo uma injustiça fiscal irreparável; que a Administração, além de guardar relação com os aparatos da lei, deve também se nortear pela responsabilidade que tem perante os contribuintes; f) agindo como no caso presente, sob o argumento de não existir créditos, torna no mínimo temerária a atuação fiscal, que deve sempre buscar o equilíbrio social, sob pena de transfigurarse em ente que tem apenas o fim de buscar vantagens econômicas, sem levar em conta os demais dados que norteiam a relação tributária; g) que o presente processo contou com praticamente quase cinco anos de trâmite, fato que acaba por criar um sério problema para a impugnante; por ineficiência e inoperância do Sistema Tributário, em especial da Receita Federal do Brasil, ficará sujeita a todos os encargos deste período, por uma inércia que não é sua; h) ao final requer a reforma do despacho decisório, para reconhecer o direito aos créditos citados, nos termos das razões apresentadas. [...] Inconformado com a decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2014, no qual, além de indicar no pedido, de forma geral, a reiteração das razões expostas na manifestação de inconformidade, alega, em síntese, a) ter havido decadência tributária, b) cerceamento de defesa, c) estar provada a liquidez e certeza do crédito alegado na PER/DCOMP, e d) ônus probatório da Fazenda Pública quanto à existência de quitação das parcelas utilizadas por ele para compensar seus débitos. Traz no corpo do recurso trechos de doutrina e jurisprudência. É o relatório. Voto Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 226 5 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e obedece aos demais requisitos de admissibilidade, exceto quanto ao atendimento ao art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, como será visto. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contrafluxo, existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a matérias não apresentadas na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foram trazidas pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, quais sejam, as alegações de decadência e de cerceamento de defesa. Tais matérias constituem inovação aposta no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 227 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame na segunda instância de julgamento, tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma ⃰objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade 1, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória, constam somente argumentos ligados à construção do Saldo Negativo apurado pelo contribuinte ao final do ano calendário 2002, aos registros contábeis correspondentes, e à capacidade contributiva do sujeito passivo. Diferentemente, na fase recursal foram apresentadas contestações pertinentes a decadência e a cerceamento do direito de defesa. Por esta razão, exceto as *objeções, não se toma conhecimento das demais questões alegadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque foram alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 228 7 impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de evidente supressão de instância. O efeito translativo que permite ao juízo ad quem apreciar matérias de ordem pública deve ser dimensionado com prudência, a fim de que se evite a lesão prática à razoável duração do processo — e, simultaneamente, ao devido processo legal —, restringindose sua amplitude efetivamente aos recursos nos quais se possa constatar inegavelmente contextualizadas as matérias de ordem pública, não se prestando para, sem que haja qualquer evidência de existência destas, justificar e qualificar como obrigatória a apreciação de arrazoados e alegações sem conteúdo cujo caráter seja incontestável/inequívoco, aos quais a defesa pretenda atribuir interesse público — adstrito ao regular andamento processual, que ultrapasse o interesse das partes. Noutro ângulo, refutemse as críticas que se baseiam no entendimento de que o duplo grau de jurisdição é garantia inserida na Carta Constitucional, e seria desrespeitado caso não admitidas em recurso voluntário as alegações às quais sejam associadas matérias de ordem pública. Primeiro, é preciso dizer que tal condição não existe expressamente no texto constitucional, e a análise conjunta dos dispositivos constitucionais aponta para um previsão de duplo grau de jurisdição, e não para uma garantia taxativa. Segundo, tratase de comando dirigido ao Poder Judiciário, com impacto na organização judiciária e na elaboração de sua estrutura através de seus regimentos, não dirigido originalmente aos órgãos julgadores administrativos — embora não haja impeditivo para este fim. O duplo grau é de jurisdição. Terceiro, Havendo no processo administrativo tributário impugnação e recurso voluntário à disposição do contribuinte, fica configurada a oportunidade para que seja a defesa exercida em duas esferas decisórias. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão n.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como de precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos: Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Já suficiente e definida a razão de decidir na qual me amparo, acima, para não conhecer do recurso voluntário no tocante às arguições de decadência e cerceamento de defesa, com caráter meramente ilustrativo seguem considerações a respeito, ainda que pareça contraditório comentar tais considerações neste voto, uma vez que nos parágrafos anteriores já se demonstrou que as matérias não devem ser conhecidas, por preclusão. Explico: tratase de enfrentar com respeito e deferência o esforço argumentativo da defesa, repetindose, entretanto, que o fundamento deste voto, no tocante às argumentações de decadência e cerceamento de defesa, relacionase rigorosamente apenas com o que foi analisado até aqui, e atrelase à conclusão pelo não conhecimento desses temas. Ainda que conhecido fosse o recurso voluntário sob o aspecto de ter havido decadência tributária e cerceamento de defesa, não haveria razão a ser observada para sustentar a pretensão do recorrente. Vejamse os motivos a seguir. Não há decadência a ser apreciada no presente PAF. Vale destacar alguns trechos do recurso voluntário, abaixo: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 229 8 [...] A exigência do suposto crédito tributário de CSLL, está relacionado com a compensação realizada no período de outubro, novembro e dezembro, oriundo de saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, cuja cientificação só ocorreu em maio de 2009. (sic). No transcorrer da instrução processual, se demonstrou que o crédito tributário só foi constituído na data da cientificação do despacho administrativo que negou o direito a compensação, que ocorreu somente em agosto de 2009. (sic). [...] Ora, se a autoridade fiscal, no exercício de seu mister, não homologa a atividade apuratória da compensação no prazo estabelecido (decurso de tempo) ato de lançamento forçoso é concluir que a partir daí oportuniza o advento do prazo decadencial, levando à extinção do crédito tributário, após o decurso do prazo estabelecido no artigo 150, §4° do CTN. [...] O texto do recurso voluntário trata a verificação acerca da existência ou não do seu direito creditório, pela RFB, como sendo revisão de lançamento, o qual se sujeita à homologação tácita disposta no § 4.º do art. 150 do CTN. O recorrente confunde o prazo para homologação da compensação, previsto no art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, com o prazo para homologação do lançamento de que trata o § 4.º do art. 150 do CTN. O prazo para homologação da compensação se inicia na data da entrega da declaração de compensação, original ou última retificadora. Transcorridos 5 anos dessa entrega, a compensação se dá de pleno direito, homologada tacitamente. Ou seja, o crédito tributário relativo ao tributo que era devido e que se pretendia quitar com crédito do contribuinte considerase, a partir daí, inexigível, extinto por compensação. Em nenhum momento o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 veda a investigação da composição do direito creditório que o contribuinte pretenda usar para compensar seus débitos, ou lhe atribui submissão a qualquer prazo derrogatório. Muito ao contrário, dada a relevância da constatação da efetividade e da exatidão do crédito com o qual se pretende compensar débitos tributários, a lei privilegia as verificações necessárias para sua comprovação: Lei n.º 5.172/66 (CTN): (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) (grifei). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 230 9 Logo, se somente é possível compensar débitos tributários com créditos líquidos e certos, a averiguação dessa certeza e liquidez sofre limitação temporal apenas pela observação do art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, uma vez que decorridos os cinco anos a partir da data de entrega da declaração de compensação (PER/DCOMP original ou último retificador) não mais é possível ao Fisco verificar o crédito alegado, pois a compensação já teria sido homologada. O prazo decadencial a que se refere o § 4.º do art. 150 do CTN é dispositivo alienígena relativamente ao caso concreto tratado nestes autos. Quanto ao cerceamento de defesa, a interessada argui também que fora impossibilitada de apresentar as provas de pagamento das estimativas porque teriam transcorrido seis anos entre o pedido de compensação e a decisão da DRJ/CTA. Acrescenta que teria solicitado à DRF em Lages/SC tais provas dos pagamentos efetuados, sem contundo, trazer qualquer comprovação de que ocorreram formalmente estes pedidos. Alega cerceamento de seu direito de defesa. Da análise dos autos verificase que na data de 19/08/2009 o recorrente havia sido cientificado do Despacho Decisório n.º de rastreamento 844665575. Tal situação disponibilizou ao interessado a oportunidade de apresentar documentos e provas relacionados à sua pretensão consubstanciada na Declaração de Compensação 22177.19721.400404.1.3.029170, cuja análise dependia da julgamento do PER/DCOMP n.º 17561.90932.160704.1.3.020504, transmitido em 16/07/04, e retificado pelo PER/DCOMP n.º 40282.24552.270906.1.7.028407 (efls. 176 a 187), transmitido em 27/09/06. Logo, houve uma retificação providenciada pelo recorrente em 2006, que repercutia nos exames do PER/DCOMP 22177.19721.400404.1.3.029170, matéria de interesse para a emissão do Despacho Decisório em 11/08/2009. Ou seja, três ano após o envio eletrônico do PER/DCOMP retificador, de análise indispensável, foi examinado o direito creditório pleiteado, não cabendo falarse nos seis anos de hiato alardeados no recurso voluntário. De outra parte, verificase que a decisão denegatória da compensação pretendida, às efls. 10 a 15, foi devidamente fundamentada, constando claramente os fundamentos de fato e de direito, bem como o enquadramento legal. A matéria, assim como o motivo para o não reconhecimento do direito creditório, estão identificados, não existindo portanto qualquer violação ao princípio do contraditório. A defesa interposta em 17/09/2009 (efls. 2 a 9) demonstra pleno conhecimento das razões da decisão denegatória. Concluise portanto, que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular, e permitiram à impugnante uma farta e robusta defesa quanto às irregularidades a ela imputadas. A exposição das razões para negar as compensações pretendidas foi feita de modo a demonstrar com clareza os motivos em que se fundaram, e o enquadramento legal está apontado. A completude da peça impugnatória (manifestação de inconformidade), a qual busca elidir inequívoca e criteriosamente todos os pontos do Despacho Decisório, afasta de vez a possibilidade de ter havido prejuízo ao direito de defesa. A última PER/DCOMP retificadora foi transmitida em 2006, e o Despacho Decisório que não acolheu a compensação foi lavrado em 2009 (mesmo ano em que houve a manifestação de inconformidade), logo, o hiato de 6 anos bradado no recurso voluntário como elemento que caracterizaria responsabilização do próprio Fisco pela dificuldade do contribuinte em buscar as provas de que necessita, não existiu. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 231 10 Dado que somente a partir da ciência do Despacho Decisório é que se pode instaurar ou não o litígio entre fisco e contribuinte, inexiste cerceamento do direito de defesa quando, na fase de manifestação de inconformidade, foi concedida oportunidade ao contribuinte de apresentar documentos e esclarecimentos. Logo, conheço apenas parcialmente do recurso voluntário. 2. Mérito. 2.1. Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Os pedidos de compensação de que trata este processo encontramse em efls. 108 a 143, e 144 a 151. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IR ou a CSLL pagos como estimativas sobre as receitas brutas mensais. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os pagamentos ou quitações de outra espécie que efetuaram no anocalendário anterior. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória deste, contribuinte pleiteante, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, aliás, as de interesse, provavelmente, se o foram, isso ocorreu no curso do processo n.º 13984.000610/200380, em relação ao qual o Acórdão CARF n.º 1803000.706 negou provimento ao recurso voluntário, por falta de provas suficientes. E teria sido a parcela não homologada nesse processo que repercutiu no reconhecimento, aqui, somente da parcela de R$ 25.721,70 como direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2003. Vejase a ementa do Acórdão n.º 1803000.706, de 11/11/2010: 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 232 11 “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO: As alegações de fato devem estar lastreadas em provas hábeis a firmar a convicção do julgador sob pena de ser consideradas apenas protelatórias e inconsistentes.” Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações4. Por fim, deve restar consignado que a jurisprudência colacionada no recurso voluntário referese a contexto fático diverso do que se discute nestes autos, e que não se identifica com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF N.º 343/2015 (RICARF). Mencionese ainda o impedimento legal de apreciação pelas instâncias julgadoras administrativas da possibilidade ou não da capacidade contributiva/econômica do contribuinte para quitar os débitos que efetivamente confessou, dada a vinculação à lei a que se submete a atividade julgadora em sede administrativa. Por tudo analisado, voto por pelo conhecimento parcial do recurso, não conhecimento das prejudiciais de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, pelo não provimento do recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão da DRJ/CTA. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. 4 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900116/2008-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .9 00 11 6/ 20 08 -8 5 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 112 2 Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de DCOMP, em razão de, analisadas as informações prestadas, partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega que a não homologação da compensação pleiteada se funda em erro no preenchimento das DCTFs originárias, as quais foram corrigidas após intimação pelo Fisco Federal e que desta correção, acredita ter direito aos créditos objeto da compensação. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1429.210 1ª Turma da DRJ/RPO Data do fato gerador: 15/08/2003 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DIPJ. RETIFICAÇÃO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. ANALOGIA. A retificação da DIPJ, para fins de comprovar a existência de crédito do contribuinte não pode ser aceita, pois efetuada após a ciência do Despacho Decisório, procedimento de ofício da autoridade administrativa, conforme o disposto no art. 832, do RIR/99, utilizado neste caso por analogia, conforme o disposto no art. 108, do CTN, por inexistência de disposição expressa. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRlBUTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO Não comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário objeto de compensação declarada pelo sujeito passivo, é de se não homologar a compensação por ele declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito: Trata o presente de Despacho Decisório, fl. 06 que não homologou a compensação declarada pelo interessado, uma vez que o crédito apresentado para a compensação foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERlDCOMP. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 113 3 Cientificado em 30/0412008, fl. 37, o interessado protocolou o documento de fls. 12, em 29/05/2008, alegando que no período de apuração jul/2003 apurou a Cofins devida no valor de R$ 2.713,77, recolhido em 15/08/2003 e que, posteriormente a essa data, a empresa cancelou a Nota Fiscal nº 130, de 30/07/2003, no valor de R$ 90.459,00, gerando um crédito do PIS no valor do recolhimento. Que o valor foi erroneamente informado em DCTF e que só em 27/05/2008 efetuou a sua retificação. Vem solicitar o cancelamento do Despacho Decisório uma vez que não há diferença a ser recolhida. É o relatório. Recurso Voluntário A recorrente se insurge em face do acordão proferido pela DRJ/RPO que, manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação por entender que o crédito declarado na DCOMP já tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Sustenta, em síntese, que pagou a maior o valor da Contribuição para o COFINS referente ao período de apuração do mês 07/2003 por ter cancelado nota fiscal de prestação de serviços em razão de problemas com o recebimento desta pela Prefeitura, o que posteriormente corrigiu emitindo nova nota fiscal. Alega que por esse motivo teria direito ao crédito decorrente de COFINS pago em decorrência dessa nota fiscal cancelada, o que pretende compensar com tributos do mesmo ente. Requer o conhecimento e provimento do presente recurso para que seja reformada a decisão prolatada pela DRJ com o consequente reconhecimento do seu direito creditório e extinção do débito objeto da compensação. Juntou aos autos, a nota fiscal cancelada, a nova nota fiscal emitida, o livro diário, a DCTF e DIPJ retificadoras e demais documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento para baixar em diligência, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 114 4 Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS Tratase de pedido de compensação no qual a recorrente alega que, recolheu valor a maior da Contribuição para o COFINS referente ao período de apuração do mês 09/2003. Sustenta que cancelou a nota fiscal que dava origem ao valor tributado, o que lhe tinha gerado um crédito. Por meio de PER/DCOMP a contribuinte pediu a compensação do valor pago a maior com débito referente ao COFINS. A autoridade fiscal por meio de despacho decisório entendeu por negar o pedido de compensação por entender que esse valor já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte juntou DCTF e DIPJ, ambas retificadas posteriormente ao Despacho Decisório e apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente por não restar comprovado a liquidez e certeza do crédito por insuficiência de provas documentais. Ato contínuo, a recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário e vieram me os autos conclusos para julgamento. MÉRITO O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que se gerou, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 115 5 indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três posicionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidade; Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente seu COFINS. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 116 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 117 7 postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1ª TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, a Dcomp, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 118 8 eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Possibilidade de complementação de Prova Precedente da CSRF Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Acórdão nº 9303005.396 Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 119 9 após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. A seu exemplo, sugerese a contabilidade e seus controles típicos como os meios aptos à comprovação do pagamento a maior e a origem legítima do crédito. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 120 10 transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 121 11 e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte juntou aos Autos, em sede de Recurso Voluntário, seu Livro Diário Geral, além da DCTF e DIPJ retificadoras, o DARF pago e a DCOMP, juntados em Manifestação de Inconformidade. Do Parcial Provimento com Retorno para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora e demais documentos A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 122 12 solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Na esteira de fundamentar este posicionamento, e firmar ponto de vista sobre a jurisprudência sobre o tema, há que se mencionar precedente, exatamente nos mesmos moldes, nesta primeira turma Extraordinária, de lavra do brilhante Conselheiro Cássio Schappo, o qual demonstra claramente a possibilidade de enfrentamento do mérito quando enfrentado processo administrativo com tal substância probante: Valhome aqui de julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 123 13 Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora– que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo um deles a DIPJ da recorrente, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13830.900116/200885 Resolução nº 3001000.126 S3C0T1 Fl. 124 14 Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. CONCLUSÃO Neste sentido, voto converter o Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.005787/2003-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO VIA DCTF
Se na data da compensação o contribuinte levou-a a cabo com créditos embasados em vigente decisão judicial, embora precária, deve a Administração aceitá-la, apenas certificando-se da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Isso porque a decisão judicial, no caso, é anterior a vigência da LC 104/2001, que trouxe ao CTN o art. 170-A.
Recurso especial do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-007.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO VIA DCTF Se na data da compensação o contribuinte levou-a a cabo com créditos embasados em vigente decisão judicial, embora precária, deve a Administração aceitá-la, apenas certificando-se da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Isso porque a decisão judicial, no caso, é anterior a vigência da LC 104/2001, que trouxe ao CTN o art. 170-A. Recurso especial do contribuinte provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO VIA DCTF Se na data da compensação o contribuinte levoua a cabo com créditos embasados em vigente decisão judicial, embora precária, deve a Administração aceitála, apenas certificandose da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Isso porque a decisão judicial, no caso, é anterior a vigência da LC 104/2001, que trouxe ao CTN o art. 170A. Recurso especial do contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 57 87 /2 00 3- 43 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13804.005787/200343 Acórdão n.º 9303007.491 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 307/318), admitido pelo despacho de fls. 343/345, o qual se insurge contra o Acórdão 3102002.109 (fls. 284/292), de 27/11/2013, assim ementado na parte que interessa a este julgado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIFERENÇAS APURADAS EM DCTF. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. 1. Até a vigência do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, era passível de lançamento de ofício, nos termos do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as diferenças de débitos tributários apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, inclusive DCTF, decorrentes de suspensão de exigibilidade indevida ou não comprovada, relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 2. Nos autos, a contribuinte não comprovou estar acobertada por qualquer das medidas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário, previstas no art. 151 do CTN, portanto, realizada com acerto a autuação. Em suma, articula o recorrente que se a ação judicial tiver sido impetrada antes da vigência da Lei Complementar nº 104/2001, que instituiu o art 170A do CTN, seria possível a compensação com base em decisão judicial, a qual detinha1 na data da compensação, pendente de trânsito em julgado. Alega que a ação judicial foi ajuizada em 1998 e que havia medida judicial em antecipação de tutela que autorizava as compensações de crédito do PIS recolhidos com arrimo nos Decretoslei 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos de quaisquer tributo, portanto incluídos os de COFINS. Acresce que já se operou o trânsito em julgado da ação declaratória que confirmou os efeitos da tutela antecipada e assegurou o direito à compensação. Frente a tais argumentos, pede a declaração de improcedência do auto de infração e a homologação das compensações. Em contrarrazões (fls. 347/360), pugna a Fazenda Nacional para que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. 1 A decisão judicial data de 29/04/1998. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13804.005787/200343 Acórdão n.º 9303007.491 CSRFT3 Fl. 4 3 Conheço do recurso nos termos em que foi processado. Versam os autos lançamento eletrônico de COFINS (fls. 24/33) com a motivação de que os créditos vinculados não foram confirmados, vez declarados como "exigibilidade suspensa". A descrição dos fatos foi a seguinte: Ao longo do iter processual o lançamento foi sendo decotado em relação ao valor da exação da COFINS e multa, restando a cobrança apenas da obrigação tributária principal referente aos meses de agosto a dezembro de 1998. Os créditos objeto da compensação referemse a valores pagos de PIS com arrimo nos Decretoslei 2.445 e 2.449, reconhecidos por decisão judicial como ilegais e permitida a compensação de seus valores. Pois bem, o fundamento da autuação foi que o contribuinte prestara uma informação inexata. Contudo, efetivamente, o contribuinte detinha na data da declaração uma antecipação de tutela que lhe conferia a possibilidade de compensar com outros tributos os valores pagos de PIS/faturamento com espeque nos malfadados DL 2.445 e 2.449. E, de fato, à época ainda não havia o art. 170A do CTN, que veio ao mundo jurídico com a LC 104 somente em 2001. Assim, se na época havia uma decisão judicial que permitia a compensação, à Administração, à época, só restava obedecêla. Portanto, entendo, com base na legislação regente à época dos fatos, que foi legítima a compensação e não podemos concluir, como no lançamento, que o processo judicial não estava comprovado ("Proc. jud não comprova"). Assim, deve ser dado provimento parcial ao recurso do contribuinte, declarandose a improcedência do lançamento de COFINS (débito compensado). Contudo, a competência para a homologação é da autoridade local, que deve certificarse da liquidez e certeza dos créditos compensados para só então chancelála. CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte para declarar a improcedência da exação remanescente de COFINS. Contudo, deve a autoridade local certificarse da liquidez e certeza dos créditos compensados (PIS pagos com base nos Decretoslei 2.445 e 2.449) para, sendo o caso, homologar as compensações. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13804.005787/200343 Acórdão n.º 9303007.491 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904416/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 16 /2 00 9- 63 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904416/200963 Acórdão n.º 1302003.135 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904416/200963 Acórdão n.º 1302003.135 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904416/200963 Acórdão n.º 1302003.135 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904416/200963 Acórdão n.º 1302003.135 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723415/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Em regra, todos os valores que são pagos a título de remuneração pelo trabalho sofrem incidência do tributo previdenciário. Os casos de exclusão da base de cálculo constituem exceções que devem ser comprovadas por quem delas se aproveita.
SAT/RAT . FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. CNAE.
Objetivando contestar o lançamento fiscal efetuado a partir da alíquota aplicável ao seu Código Nacional de Atividade Econômica, é dever da empresa demonstrar a correção de seu auto-enquadramento para fins de definição da alíquota SAT/RAT.
Numero da decisão: 2201-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Em regra, todos os valores que são pagos a título de remuneração pelo trabalho sofrem incidência do tributo previdenciário. Os casos de exclusão da base de cálculo constituem exceções que devem ser comprovadas por quem delas se aproveita. SAT/RAT . FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. CNAE. Objetivando contestar o lançamento fiscal efetuado a partir da alíquota aplicável ao seu Código Nacional de Atividade Econômica, é dever da empresa demonstrar a correção de seu auto-enquadramento para fins de definição da alíquota SAT/RAT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Em regra, todos os valores que são pagos a título de remuneração pelo trabalho sofrem incidência do tributo previdenciário. Os casos de exclusão da base de cálculo constituem exceções que devem ser comprovadas por quem delas se aproveita. SAT/RAT . FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. CNAE. Objetivando contestar o lançamento fiscal efetuado a partir da alíquota aplicável ao seu Código Nacional de Atividade Econômica, é dever da empresa demonstrar a correção de seu autoenquadramento para fins de definição da alíquota SAT/RAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 34 15 /2 01 1- 87 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 366 2 Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 0438.121, de 17 de dezembro de 2014, exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, fl. 282 a 300, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 30/06/2011, referente ao período de apuração de 10166.723415/201187 [sic] dos seguintes documentos de créditos: Em resumo, segundo o Relatório Fiscal (fl. 0524), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do lançamento de Obrigação Principal: DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR 1. Contribuições sociais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições devidas às entidades conveniadas (terceiros) FNDE (Salário Educação), INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, todas incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados da empresa, provenientes do pagamento de verbas referentes a premiação por programa de incentivo e do compartilhamento da remuneração dos gestores da empresa. DO PROCEDIMENTO FISCAL 7. Os registros da contabilidade e de folha de pagamento foram apresentados em formato de arquivos digitais, no layout definido pelo Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, instituído pela Instrução Normativa MPS/SRP n°. 12/2006, com base na Lei n. 10.666, de 08/05/2003. 8. A auditoria fiscal apurou, no exame da documentação, fatos geradores de contribuição previdenciária provenientes de valores pagos, devidos ou creditados pela BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. a seus segurados empregados, provenientes do pagamento de verbas referentes a premiação por programa de incentivo e do compartilhamento da remuneração dos gestores da empresa. DOS FATOS GERADORES A PREMIAÇÃO PROGRAMA DE INCENTIVO 11. A empresa BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. efetuou, nos meses de maio, abril, novembro e dezembro de 2008, requisições de compra para a aquisição dos serviços das empresas VENDAPONTOCOM SOL. EM NEG. DIG. E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 08.291.665/000103 e INCENTIVE HOUSE SA, CNPJ 00.416.126/000141. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 367 3 12. Os valores repassados pela BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A a essas empresas foram identificados pela análise da contabilidade, ... . [...] 13. De acordo com as notas fiscais emitidas, identificouse que o serviço prestado pelas mesmas à BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. se referia a uma "premiação de marketing" e a um "programa de estímulo ao aumento da produtividade", de forma a incentivar sua força de trabalho. 14. Intimada a apresentar à fiscalização a Relação de Beneficiários dos valores de premiação concedidos, conforme Notas Fiscais emitidas, contendo mês do recebimento, nome completo, CPF, NIT e valor recebido por beneficiário, assim como os Contratos de Prestação de Serviço firmados com as empresas fornecedoras, a BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. declarou que "não identificou documentos que possam dar suporte à composição" do solicitado e que não houve a efetivação formal de contrato. 15. Tais valores, ao caracterizaremse como pagamento em pecúnia em contraprestação por um aumento de produtividade do empregado ou, ainda, em um incentivo, ou motivação para tanto, revestemse de natureza salarial, integrando para todos os efeitos o salário de contribuição dos segurados empregados beneficiários, tendo como respaldo o art. 28, inc. I, da Lei n.°. 8.212, de 24 de julho de 1991 ... . [...] B COMPARTILHAMENTO REMUNERAÇÃO DE GESTORES 18. Foi identificado, na competência 12/2008, a realização de despesa pela empresa BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. referente ao pagamento compartilhado da remuneração de gestores, conforme lançamento contábil abaixo: ... . [...] 19. Intimada a apresentar a documentação de suporte a este lançamento contábil (Termo de Intimação Fiscal n. 03), a empresa não se manifestou, mesmo sendo a intimação reiterada (Termo de Intimação Fiscal n. 04). Dessa forma, configurase o fato registrado pela contabilidade da empresa como efetivo pagamento de remuneração a segurados empregados, aplicandose o disposto no art. 28, inciso I, combinado com o § 3º do art. 33 da Lei 8.212/91. Ademais, não houve comprovação, por parte da empresa, mediante documentação hábil e regular, do efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias porventura incidentes sobre essa remuneração. DA MULTA APLICADA 58. Com a edição, em 03/12/2008, da Medida Provisória nº 449 (convertida na Lei 11.941 em 27/05/2009) a aplicação da multa em lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença de contribuições previdenciárias apuradas passou a ser regida pelo artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, tendo em vista a revogação do inciso II do art.35 e a inclusão, por aquela MP, do art. 35A, ambos da Lei na 8.212/91 ... . [...] Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 368 4 60. Os fatos geradores objeto do presente lançamento fiscal enquadramse na conduta prevista no inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96, haja vista o não recolhimento das contribuições devidas incidentes sobre os mesmos concomitantemente com sua não declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, para as competências 05/2008, 06/2008 e 11/2008, e a conduta de informar GFIP com incorreções, nas competências 01/2008, 02/2008, 03/2008 e 07/2008 a 10/2008. 61. A legislação anterior cominava, para essas condutas, a aplicação das multas previstas no já citado inciso II do art. 35 da Lei 8.212./91(não recolhimento) e no art. 32 § 5o da mesma lei (não declaração em GFIP), ... [...] 62. Portanto, no caso em tela, deve ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, em cada competência, após a comparação entre os valores decorrentes da aplicação das multas previstas na legislação anterior e posterior. A Tabela I em anexo traz um comparativo dos valores referentes às multas aplicadas em uma e outra situação. 63. Para os valores relativos à competência 11/2008, o valor da multa cobrado se reporta à legislação vigente à época dos fatos geradores, aplicandose a legislação anterior à MP 449/2008, sendo que, com relação às incorreções em GFIP, a multa da legislação atual foi aplicada nesta competência, tendo em vista que a entrega da declaração foi feita na data de 04/12/2008, já na vigência da referida MP. 64. Importante ressaltar que referida comparação exclui os valores devidos referentes às contribuições para outras entidade e fundos, pois a multa a ser aplicada para essas contribuições será sempre a disposta na legislação anterior ( 24%), tendo em vista a não obrigatoriedade de sua declaração em GFIP. 65. Conforme verificado na Tabela I, temos que, para o presente Auto de Infração, a multa a ser aplicada será a disposta na legislação atual (75%) para todas as competências, tendo em vista ser mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao mandamento contido no art. 106, II, "c" do CTN. DA CONCLUSÃO 69. A presente auditoria formalizará, ainda, Representações Fiscal para Fins Penais em desfavor da empresa BRASIL TELECOM CALL CENTER SA, as quais serão encaminhadas à autoridade competente, tendo em vista a verificação da prática de atos que caracterizam, EM TESE, os crimes de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000 e contra a ordem tributária, previsto na Lei 8.137/90, art. 2°., inciso II, com redação dada pela Lei 9.964, de 10.4.2000. Também foi efetuado o lançamento dos seguintes documentos de créditos de Obrigação Acessória: Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 369 5 AUTO DE INFRAÇÃO AI/DEBCAD N. 37.322.0340 35. Infração praticada pela empresa ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999., tendo em vista que deixou de prestar à Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. 36. Intimada para tanto, a empresa deixou de apresentar à fiscalização os seguintes documentos: [...] 37. A multa a ser aplicada para tal conduta é a prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 283, inciso II, alínea "b", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, republicado no DOU em 12/5/1999 ... . AUTO DE INFRAÇÃO AI/DEBCAD N. 37.322.0359 39. Autuação por infração ao disposto no art. 32, inciso IV da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela MP n. 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, pois a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissões. 40. A empresa apresentou GFIP com informações incorretas nas competências indicadas no quadro a seguir. Verificouse a existência de recolhimento de contribuições previdenciárias, antes do início do procedimento fiscal, em montante superior ao valor devido declarado. 41. A empresa foi intimada especificamente a sanar tais irregularidades (TIF n. 01), tendo entregue as guias corrigidas no prazo fixado para tanto somente para as competências 08/2008 a 12/2008, referentes ao estabelecimento 04.014.081/000806, não se aplicando, portanto, a redução de 25% da multa para as demais competências/estabelecimentos. Quadro demonstrativo de valores recolhidos [...] 42. A tabela a seguir demonstra o tipo e a quantidade de informações omitidas pela empresa nas GFIP ; [...] 43. A obrigação acessória descrita no parágrafo primeiro deste relatório, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 370 6 em destaque, está prevista no art. 32, inciso IV, com redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009 ... . [...] 45. A tabela abaixo demonstra a quantidade de informações incorretas detectadas nas GFIP da empresa BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., em cada competência, assim como o valor da multa apurado. AUTO DE INFRAÇÃO AI/DEBCAD N. 37.322.0367 47. Autuação por infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e art. 216, I, "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pois a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre os fatos geradores citados nos itens 10 a 19 deste relatório. 48. Aplicouse a multa prevista no art. 92 da Lei n 0 8.212/1991, combinado com o art. 283, inciso I, alínea g, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, republicado no DOU em 12/5/1999 ... . AUTO DE INFRAÇÃO AI/DEBCAD N. 37.322.0375 50. Autuação por infração ao disposto no art. 32, I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e art. 225, I e § 9o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pois a empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. 51. De fato, a empresa não incluiu em folha de pagamento, nas competências 05/2008, 06/2008, 11/2008 e 12/2008, inclusive, as verbas descritas no itens 10 a 19 deste relatório. 52. A obrigação acessória em destaque está prevista, como já citado, no art. 32, inciso I da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999 ... . [...] 53. A multa aplicada para tal conduta é a capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373 ... . Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada por meio pessoal (procurador) em 30/06/2011 . IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou Impugnação (fl. 178188; 214222; 248 252), na data de 01/08/2011, com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: Impugnação 01 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 371 7 DOS FATOS: Entretanto, a Impugnante não se insurgirá sobre o valor lançado a título de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o programa de premiação (PP, PP1 e PP2), assim como o valor do RAT/SAT na alíquota de 1% calculados sobre o dito programa, os quais foram devidamente recolhidos (conforme planilha em anexo doc. n.°02). Desta forma, o inconformismo da Impugnante está dirigido à alíquota aplicável de RAT/SAT superior a 1% sobre todos os levantamentos (PP, PP1, PP2 e RG) e sobre a contribuição previdenciária lançada sobre a rubrica "remuneração de gestores RG", uma vez que tal valor não está inserido na hipótese de incidência da Lei n.° 8.212/91, por se tratar de valor pago pela Impugnante à Brasil Telecom S/A a título de compartilhamento de despesas, conforme se passará a demonstrar. Como conseqüência, a parcela da exigência fiscal impugnada não merece prosperar. PRELIMINARMENTE O PAGAMENTO DE AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO IMPLICA EM RECONHECIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Segundo consta do Relatório de Fiscalização, anexo ao Processo em referência, às suas fls. 715, a Impugnante foi autuada também por suposto descumprimento de obrigações acessórias (i) pelo não atendimento à Fiscalização, (ii) pelo suposta apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, (iii) pelo deixar de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados e (iv) pelo descumprimento de obrigação acessória (preparo de folha de pagamento) Confira se: [...] Ora, de início, cabe assinalar que o mero pagamento das quatro autuações acima elencadas não importa sobremodo confissão quanto à matéria de fato, tampouco o reconhecimento de supostas ilicitudes da conduta analisada na Autuação ora impugnada. De forma que a d. Fiscalização jamais poderia concluir pela procedência integral da autuação, objeto desta impugnação, pautada tão somente na decisão da sociedade empresária pagar autos de infração distintos dos impugnados, em que pese serem frutos do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. Até mesmo porque o suposto descumprimento de obrigação acessória não acarreta a automática existência de obrigação principal a ser adimplida. Desta feita, o mero pagamento dos autos de infração lavrados por descumprimento de obrigação acessória não podem ter o condão de substituir o regular andamento e processamento do processo administrativo instaurado com o objetivo especifico de apurar a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre a rubrica "RG" e da correta alíquota de SAT aplicável (1%) sobre todos os lançamentos (PP, PP1, PP2 e RG). DO MÉRITO DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 372 8 Como é de conhecimento de toda e qualquer pessoa que conhece a rotina empresarial nos dias atuais, é cada vez mais comum que empresas compartilhem despesas (tais como aluguel, telefone, serviços administrativos e etc.) com outras empresas, sejam localizadas no mesmo espaço físico ou pertencentes ao mesmo grupo econômico, reduzindo, assim, custos que lhes seriam comuns. [...] Mais adiante, afirma que, por caracterizar mera recomposição patrimonial, não pode se falar em "incidência de tributos sobre a renda, a receita e a prestação de serviços, em relação aos respectivos valores"! Assim, nos atuais grupos econômicos, a figura do rateio de despesas ganha cada vez mais enfoque e importância, restando caracterizado os valores pagos como reembolsos pela despesa compartilhada, obedecendo a uma proporcionalidade, reprisase, auferida caso a caso. Pois bem. É exatamente este o caso em tela. A Brasil Telecom Cali Center S/A pagou, a título de compartilhamento de despesas, R$ 1.721.068,15 (um milhão e setecentos e vinte um mil e sessenta e oito reais e quinze centavos) à BRASIL TELECOM S/A, sociedade empresária distinta da Impugnante, porém pertencente ao mesmo grupo econômico. Ocorre que, da rubrica de despesa lançada na contabilidade ("compartilhamento de remuneração dos gestores"), é facilmente perceptível que se trata de um compartilhamento de despesas entre as duas sociedades empresárias, sem que tenha havido qualquer pagamento a seus segurados empregados, como quer fazer crer a d. Fiscalização. Desta forma, tratandose de mero compartilhamento de despesas administrativas, não há, no referido valor pago pela Impugnante à BRASIL TELECOM S/A, qualquer hipótese de incidência de contribuição previdenciária a cargo da Impugnante. [...] O que houve, repitase, foi o compartilhamento de despesas entre a Impugnante (Brasil Telecom Cali Center S/A) e a BRASIL TELECOM S/A. Em outras palavras, o valor utilizado como base de cálculo da contribuição não foi pago pela Impugnante a supostos segurados a ela vinculados. Foi pago, sim, à BRASIL TELECOM S/A com fins de reembolsála pelas despesas administrativas havidas com a Diretoria que também serviu à Impugnante. [...] Caso, por absurdo e somente por amor à argumentação, V.Sa. entenda ter ocorrido o pagamento a segurados empregados da Impugnante, alegação essa completamente distinta da realidade fática, ainda assim, a cobrança da contribuição previdenciária não deve prosperar, pois durante todo o período fiscalização, somente um único pagamento foi identificado sobre essa rubrica. Ora, não havendo a d. Fiscalização apontado falta de recolhimento sobre a folha de salários da Impugnante, o único raciocínio cabível seria desse pagamento ocorrido em 12/2008 ter se destinado a uma "gratificação" a seus segurados empregados. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 373 9 Acontece que somente uma gratificação habitual concedida aos seus segurados empregados devem ser submetidas à tributação pelas contribuições sociais arrecadadas pelo INSS. É inegável, não só por uma questão semântica, mas também pela própria prática, que não se pode dissociar a habitualidade da repetitividade. É assim, sem sombras de quaisquer dúvidas, que entende o ordenamento jurídicotrabalhista consolidado pelos tribunais especializados há mais de 50 (cinqüenta) anos em nosso País. [...] Vêse, portanto, que evento habitual é aquele freqüente, repetido, costumeiro, permanente, sendo, necessário, frisese, que essa repetição ocorra muitas vezes. Contudo, o levantamento de débito efetuado pela Fiscalização, somente em 12/2008, deixa claro que inexiste a indispensável habitualidade requisitada pela própria legislação previdenciária como supra transcrito. Isto porque, a ora Impugnante foi submetida a um procedimento fiscal que alcançou exatos 12 meses, e, durante todo esse período, inexistiu qualquer habitualidade ou repetitividade necessários para configuração do salário de contribuição. Ocorre que, a Fiscalização classificou os valores contabilizados sob as contas n° 0212781990 e 0310198100 como habituais e integrantes do saláríode contribuição, ao arrepio da própria legislação previdenciária. [...] Pelas razões aqui expostas, resta claro que a Fiscalização distorceu o conceito de compartilhamento de despesas e de habitualidade, a fim de fazer com que o pagamento efetuado à BRASIL TELECOM S/A seja considerado como fato gerador das contribuições previdenciárias. DA INCORRETA APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA DE SAT/RAT EM 3% O Auto de Infração ora impugnado, além da irregular imputação de contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre o valor destinado a compartilhamento de despesa com a BRASIL TELECOM S/A, cobra a parcela de RAT (antigo SAT) sobre a alíquota de 3% sobre a base de cálculo do Auto de Infração, tanto dos valores de programa de premiação quanto do compartilhamento de despesas. [...] Com isso, desde logo se afasta, pelos mesmos motivos discorridos anteriormente no item .IV. 1. da presente Impugnação, a incidência do RAT/SAT sobre os valores pagos pela Impugnante à Brasil Telecom S/A a título de compartilhamento de despesas com a Diretoria, haja vista que tais valores não se referem a remuneração paga a segurados. Ocorre que o RAT/SAT é aplicado, ainda, sobre os valores referentes a programa de incentivo, na alíquota de 3%. [...] A Impugnante, como alhures relatado, fez o recolhimento das contribuições lançadas sobre os valores de programa de incentivo. Entretanto, no que tange ao Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 374 10 RAT/SAT, o fez tão somente no percentual que julga aplicável à sua atividade, qual seja, 1% (um por cento). [...] Ora, Colenda Delegacia Julgadora, está equivocado o enquadramento do grau de risco da atividade da Impugnante, pois a d. Fiscalização não efetuou o levantamento da atividade desenvolvida pelo maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, limitandose a fazer a relação entre o CNAE e a alíquota de 3%, em frontal afronta aos §§ do artigo 202, do citado Regulamento da Previdência Social: Pelo referido critério, a alíquota aplicável à Impugnante seria de 1% (grau de risco leve) e não de 3% (grau de risco grave), como considerada pela i. Fiscalização. No caso vertente, a i. Fiscalização, por equívoco, considerou apenas o CNAE da Impugnante, não considerando qual a atividade preponderante de seus segurados empregados. Se o tivesse feito como deveria teria percebido que a maioria, se não todos, exerce função cujo grau de risco é 1. Tal situação decorre do fato de que a Impugnante terceiriza as atividades de maior risco que seu objeto social impõe, contratando empresas terceirizadas para o desempenho de tais atividades. Destarte, nos termos da legislação pertinente, a alíquota do SAT a ser paga pela Impugnante referente aos valores de programa de incentivo é de 1% e não de 3%. PERÍCIA Para caracterizar o correto enquadramento será de importância primordial a realização de perícia, o que desde logo se requer. Impõese, portanto, a fim de comprovar a inexistência de risco grave para os empregados da Impugnante, a produção de prova pericial e a realização das diligências, com fulcro no artigo 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, em que será cabalmente comprovado que os empregados vinculados à Impugnante se sujeitam a risco leve de acidente do trabalho. Para tanto, formula os seguintes quesitos: ... [...] PEDIDO Pelo exposto, a Impugnante requer: 1 Seja reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o montante de R$ 1.721.068,15, por se tratar de compartilhamento de despesas administrativas entre a Impugnante e a Brasil Telecom S/A, não configurando base de cálculo das referidas contribuições e sobre o qual não se aplica qualquer dispositivo da Lei n.° 8.212 e do Decreto 3.048; 2 Seja reconhecida a não incidência de SAT/RAT sobre os valores de compartilhamento de despesas por inexistir base de cálculo, diante da inaplicabilidade do artigo 22, II, da Lei n.° 8.212, sobre a monta de compartilhamento de despesas; Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 375 11 3 Seja reconhecida a incorreta aplicação da alíquota de SAT/RAT em 3% sobre os valores autuados a título de programas de premiação, reconhecendose a aplicação da alíquota de 1% diante da inexistência de riscos nas atividades desempenhadas pelos funcionários da Impugnante, o que restará comprovado por meio de prova pericial; 4 Seja, por fim, extinto o crédito tributário lançado diante do pagamento parcial e da improcedência dos valores ora vergastados. Por fim, a Impugnante pleiteia por todos os meios de provas admitidas, especialmente a documental suplementar e a pericial, com os quesitos já formulados. Impugnação 02 DOS FATOS: Neste auto de infração, está a se exigir a contribuição previdenciária a cargo dos segurados empregados à alíquota de 8%. Entretanto, a Impugnante não se insurgirá sobre o valor lançado a título de contribuição previdenciária a cargo dos segurados empregados sobre o programa de premiação (PP, PP1 e PP2), conforme planilha em anexo doc. n.° 02. Como conseqüência, a parcela da exigência fiscal impugnada não merece prosperar. PRELIMINARMENTE 111.1.0 PAGAMENTO DE AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO IMPLICA EM RECONHECIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: II 1.2. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS QUE INDIVIDUALIZEM AS COBRANÇAS DE CONTRIBUIÇÕES POR SEGURADO: Ocorre que, no Auto em epígrafe, a i. Fiscalização não realizou a indicação dos valores de forma individualizada por segurado, não tendo realizado o cálculo das contribuições supostamente devidas de forma analítica e individualizada. [...] Não tendo havido individualização da suposta contribuição devida em relação a cada suposto segurado beneficiado, não há como se definir qual segurado está sendo resguardado por meio do financiamento de seu futuro/possível benefício previdenciário. [...] Tanto é fundamental a demonstração analítica do crédito tributário autuado que a própria Fiscalização faz menção ao Discriminativo de Débito (DD), o qual, apesar de existir, não individualiza a cobrança. Houve, sim, a aplicação genérica da alíquota de 8% sobre o valor identificado na contabilidade da Impugnante sob a rubrica "compartilhamento remuneração dos gestores 12/08", sem qualquer respeito ao valor máximo de salário de contribuição. [...] Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 376 12 Com isso, falece qualquer argumentação no sentido de ter havido o cálculo correto do tributo e, consequentemente, a descrição analítica do cálculo, vez que não existiu a confecção do discriminativo de débito individualizado por segurado supostamente beneficiado. Visível, portanto, a ausência de determinação da exigência tributária por não ter havido a demonstração analítica do cálculo das supostas contribuições devidas de forma individualizada por segurado, acarretando evidente ofensa ao direito de defesa. Resta pacífico que o Auto de Infração impugnado está eivado de nulidade, a qual deve ser reconhecida de plano por esta egrégia Delegacia de Julgamento por ofensa ao artigo 10, inciso V, do Decreto 70.235/72. DO MÉRITO DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS Pelo exposto, a Impugnante requer 1 Seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração ora guerreado diante da ausência de determinação da exigência por ausência de discriminativo analítico de débitos, em flagrante ofensa ao artigo 10, V, do Decreto 70.235/72; 2 Seja, em sendo vencidas todas a insuperáveis barreiras acima elencadas, reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária do segurado sobre o montante de R$ 1.721.068,15, diante do flagrante caráter de compartilhamento de despesas administrativas entre a Impugnante e a Brasil Telecom S/A, não configurando base de cálculo da referida contribuição e sobre o qual não se aplica qualquer dispositivo da Lei n.° 8.212 e do Decreto 3.048; 3 Seja, por fim, extinto o crédito tributário autuado diante do pagamento parcial e da improcedência dos valores ora vergastados. Por fim, a Impugnante pleiteia por todos os meios de provas admitidas, especialmente a documental suplementar. Impugnação 03 DOS FATOS: Neste auto de infração, está a se exigir a contribuição devida a terceiros, à alíquota de 5,8%. Entretanto, a Impugnante não se insurgirá sobre o valor lançado a titulo de contribuição devida por terceiros sobre o programa de premiação (PP, PP1 e PP2), conforme planilha em anexo doe. n.°02. Como conseqüência, a parcela da exigência fiscal impugnada não merece prosperar. PRELIMINARMENTE 111.1.0 PAGAMENTO DE AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO IMPLICA EM RECONHECIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 377 13 DO MÉRITO DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS PEDIDO 03 Pelo exposto, a Impugnante requer: 1 Seja reconhecida a não incidência de contribuição de terceiros sobre o montante de R$ 1.721.068,15, diante do flagrante caráter de compartilhamento de despesas administrativas entre a Impugnante e a Brasil Telecom S/A, não configurando base de cálculo da referida contribuição; 2 Seja, por fim, extinto o crédito tributário autuado diante do pagamento parcial e da improcedência dos valores ora vergastados. Por fim, a Impugnante pleiteia por todos os meios de provas admitidas, especialmente a documental suplementar. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 3ª Turma de Julgamento da RFB em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, lastreadas nas razões que estão sintetizadas na Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase admitida, a matéria reconhecida pelo sujeito passivo que se equipara a matéria não impugnada por não ter sido expressamente contestada, conforme Art. 17 do Decreto n. 70.235/72, com preclusão administrativa de contestação do crédito tributário correspondente nos termos do Art. 21 do Decreto n. 70.235/72. OMISSÃO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Diante da omissão do sujeito passivo na apresentação de documentos relacionados aos fatos geradores de tributos, é cabível à autoridade lançadora inscrever de ofício a importância que reputarem devida, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. SAT/RAT Para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, deve se enquadrar a atividade preponderante exercida pela empresa, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 378 14 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA Constatada a ocorrência de infração a dispositivo legal, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente das conclusões da DRJ em 19 de fevereiro de 2015, fl. 303, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 306 a 323, no qual reitera as razões já expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas de forma mais detalhada no decorrer do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Como restou bem claro no Relatório acima, considerando o pagamento dos créditos tributários relativos às autuações por descumprimento de obrigações acessórias, ainda estão sob litígio administrativo no presente processo os Debcad nº 37.322.0383 (contribuição da empresa, SAT/RAT), 37.322.0391 (contribuição dos segurados) e 37.322.0405 (contribuição devida a terceiros). PRELIMINAR O recorrente sustenta a nulidade do Auto de Infração Debcad nº 37.3220391 (contribuição do empregado), por ausência de discriminativo de débitos que individualize os valores devidos por segurado. Alega que não havendo a individualização da suposta contribuição devida a cada beneficiário, não há como se definir qual segurado está sendo resguardado por meio do financiamento de seu possível benefício previdenciário. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 379 15 Aponta, citando a IN SRP nº 03/2005, a existência de faixas de saláriosde contribuição sobre os quais devem incidir alíquotas diferenciadas (8, 9 e 10%) e que sua defesa fica inviabilizada com a ausência de demonstração analítica dos segurados beneficiários dos rendimentos. A análise de fl. 10/11 (Relatório Fiscal) e o seu cotejo com as informações do Discriminativo de Débitos de fl. 163/164 evidencia que o crédito tributário exigido a este título incidiu sobre os valores pagos a título de Premiação Programa de Incentivo e Compartilhamento de Remuneração de Gestores. No que se refere aos valores pagos a título de premiação/programa de incentivo, regularmente intimada pela Fiscalização a apresentar a relação dos beneficiários dos valores de premiação concedidos, esta declarou que "não identificou documentos que possam dar suporte à composição". Já em relação ao compartilhamento de remuneração de gestores, a Autoridade fiscal afirma que efetuou a intimação da fiscalizada para apresentar documentação que desse suporte aos lançamentos, mas esta não se manifestou. A partir de tal omissão em prestar os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, tendo em vista a convicção do Agente Fiscal de que o pagamento em pecúnia em contraprestação a um aumento/incentivo de produtividade revestese de natureza salarial, bem assim que os próprios registros contábeis identificam que a outra rubrica em questão se refere a remuneração de gestores, não restou outra alternativa que não a de efetuar o lançamento, por arbitramento, a partir dos valores sintéticos registrados na contabilidade da ora recorrente. Ora, ao pretender caracterizar com indispensável para a validade da autuação e exigir do Agente Fiscal a apresentação de informações que foram a ele sonegadas, o recorrente apresenta conduta contraditória em relação a outra precedente no tempo. Situação apontada pela doutrina como inadmissível (venire contra factum proprium proibição do comportamento contraditório), por estar diretamente relacionada ao princípio da vedação de se beneficiar da própria torpeza, cuja reprovação se impõe em homenagem às mais basilares noções de direito e justiça. Assim, correta a decisão de 1ª Instância que entendeu que caberia ao fiscalizado apresentar elementos que pudessem afastar as pretensões do Fisco, não havendo que se falar em cerceamento de defesa já que os motivos que levaram aos pagamentos considerados como base de cálculo do tributo lançado, se não estão, deveriam estar plenamente anotados nos registros contábeis da empresa. Assim, rejeito a preliminar de nulidade arguida. MÉRITO Da não incidência de contribuição previdenciária sobre o compartilhamento de despesas. Afirma a defesa que é cada vez mais comum empresas, localizadas em um mesmo espaço físico ou pertencentes a um mesmo grupo econômico, compartilharem despesas objetivando redução de custos. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 380 16 Sustenta que pagou, a este título, o valor de R$ 1.721.068,15, à Brasil Telecom S/A e que, em nenhum momento, efetuou o pagamento de valores que justificassem a incidência do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/911. Alega que, ainda que se entenda ter ocorrido pagamento a segurados da recorrente, ainda assim a cobrança do tributo previdenciário seria indevida, pois só foi identificado um único pagamento o que levaria, dado ao seu caráter de não eventual, à conclusão inequívoca de que o pagamento se destinou a uma gratificação a seus segurados, Em síntese, os mesmos argumentos são utilizados pelo contribuinte para afastar os valores decorrentes das mesmas despesas compartilhadas lançados a título de contribuição do segurados e de outras entidades ou fundos. Razão pela qual, a estes lançamentos aplicamse as conclusões a seguir. Analisando os termos do Relatório Fiscal, em particular os termos dos itens 18 e 19, notase que a fiscalização identificou os lançamentos contábeis que sintetizou no quadro abaixo, fl. 09: Ao se debruçar sobre os termos da Impugnação, a decisão recorrida, pontuou que o lançamento considerou aspecto quantitativo extraído de documentos e informações do próprio contribuinte, após a não apresentação de documentos comprobatórios relacionados. Assim, entendeu o Julgador de 1ª Instância que caberia ao contribuinte apresentar elementos e documentos que afastassem a pretensão fiscal, o que não foi feito. Como se vê acima, o histórico do lançamento contábil em tela não deixa dúvidas de que os valores são relativos a remuneração de gestores. Os detalhes de tal remuneração é que são desconhecidos até o momento, pois mesmo após as conclusões da DRJ, a defesa repete a afirmação de que sobre tais valores não deve incidir contribuições previdenciárias, mas não apresenta documentos e elementos que nos conduza ao mesmo entendimento. Ora, como se depreende do art. 28 da Lei 8.212/91, entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinado a retribuir o trabalho 1 Lei 8212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 381 17 Portanto, não há como atender ao pleito recursal, já que a regra é que todos os valores que são pagos a título de remuneração pelo trabalho sofram a incidência do tributo previdenciário, seja a cargo da empresa, do empregado ou a devida a terceiros, sendo os casos de exclusão das bases de cálculo exceções que devem ser comprovadas por quem delas se aproveita. Assim, caberia ao contribuinte aclarar em que termos se deu o suposto compartilhamento de despesas, mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Nada a prover neste tema. Da incorreta aplicação de alíquota SAT/RAT de 3% Afirma o recorrente que, no que tange ao SAT/RAT, efetuou o recolhimento do tributo no percentual que entende devido, 1%, já que considera equivocado o percentual lançado de 3%, pois a fiscalização não teria efetuado o levantamento da atividade desenvolvida pelo maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, limitandose a fazer a apuração a partir do CNAE da fiscalizada, sem notar que a mesma terceiriza suas atividades de maior risco imposta por seu objeto social. Pontuado a legislação que atribui à empresa a responsabilidade para realizar o enquadramento na atividade preponderante (§§ 5º e 6º do art. 202 do Decreto nº 3.048/99), conclui que a alíquota aplicável seria de 1%. Para caracterizar o correto enquadramento, requer a realização de perícia para, com lastro no art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, responder aos quesitos que enumera: 1) quais as atividades exercidas pelos seus segurados empregados e avulsos; 2) qual o numero de segurados empregados e avulsos que desenvolvem cada tipo de atividade; 3) com base no maior número de empregados, qual a atividade preponderante da recorrente; 4) a que percentual de risco (leve, moderado ou alto) pertence à atividade da recorrente. Sobre o tema, assim se manifestou a Decisão recorrida: O grau de risco para cada atividade foi estabelecido no anexo V do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3.048/1999, ((Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007): No caso em exame, a auditoria fiscal enquadrou conforme a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo e a tese defensiva não merece prosperar, visto que a terceirização não muda a natureza do risco da atividade desempenhada pela empresa. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10166.723415/201187 Acórdão n.º 2201004.759 S2C2T1 Fl. 382 18 Não me parece crível que uma empresa que carrega em sua razão social a atividade de CALL CENTER e, de forma consistente, estabeleça em seu Estatuto, fl. 332, objetos sociais relacionados a telemarketing, pudesse conduzir sua defesa no sentido de afastar suas principais tarefas da descrição contida no anexo V do Decreto 3.048/99 (atividades de teleatendimento). Não obstante, é inequívoco que o § 5º do art. 202 do mesmo Decreto 3.048/99 estabelece que "é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.". Já o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Estabelece, ainda, que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Ocorre que a defesa se limita a argumentar que efetuou o próprio enquadramento, mas não apresenta os elementos de que certamente deveria dispor para demonstrar a que atividades se ocupa a maioria de seus segurados e trabalhadores avulsos. Juntamente com tais argumentos, pleiteia a realização de perícia para efetuar aquilo que já deveria ter feito quando da realização de seu autoenquadramento. Assim, não identifico motivos que justifiquem a alteração do lançamento ou das conclusões da decisão recorrida, razão pela qual indefiro o pedido de perícia e nego provimento ao recurso voluntário neste tema. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728910/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA.
Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhece-se a incidência do IOF.
Numero da decisão: 3401-005.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhece-se a incidência do IOF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 653 1 652 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.728910/201182 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.391 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria IOF Recorrente JORLAN SA VEICULOS AUTOMOTORES IMPORTACAO E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhecese a incidência do IOF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 89 10 /2 01 1- 82 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 654 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 373 a 379, lavrado em razão da falta de recolhimento de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IO/Crédito), referente ao período de apuração compreendido entre 21/01/2008 e 31/12/2018, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 592.308,08. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 380 a 389, narra a autoridade fiscal que o procedimento que a contribuinte, em sua DIPJ, teria informado valores significativos de "créditos com pessoas ligadas" (físicas e jurídicas) sem a correspondente informação de débitos de IOF em suas DCTFs relativas ao mesmo período ou mesmo o seu respectivo recolhimento. Os históricos dos lançamentos dos créditos com pessoas ligadas, registrados nas contas "ADIANT. P/ FUTURO AUMENTO DE CAPITAL" e "CRED. COM COLIGADAS E CONTRLADAS" indicariam adiantamento de recursos financeiros a título de mútuo. 3. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 484 a 502, na qual argumentou, em síntese, que: (i) os valores considerados como empréstimos são, na verdade, adiantamentos para futuros aumentos de capital. Na peça analisa algumas das operações objetos de autuação; (ii) a multa de ofício tem caráter confiscatório. 4. Em 08/01/2014, a 00ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 0948852, situado às fls. 606 a 611, de relatoria do AuditorFiscal Robson Marcos Schreider, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Para ser considerada como AFAC e não mútuo, a operação deve estar plenamente caracterizada. Impugnação Procedente em Parte Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 655 3 Crédito Tributário Mantido em Parte 5. A contribuinte foi intimada via postal em 07/02/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 517 e, em 10/03/2014, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 618 a 631, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 8. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 9. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 10. Passase a apreciar a questão de fundo e, neste sentido, o auto de infração foi lavrado em função da falta de recolhimento do IOF (inclusive o relativo à alíquota Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 656 4 adicional prevista nos §§ 15 e 15, do art. 7º do Regulamento do IOF) sobre mútuos que teriam sido efetuados com as empresas: (i) TARGET VEÍCULOS LTDA., (ii) ORCA VEÍCULOS LTDA., (iii) AUTOMARCAS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., (iv) SIERRA AGROPASTORIL LTDA., (v) JPAR DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA., e (vi) ITAKAIU AGROPASTORIL S/A. 11. Narra a fiscalização que, a despeito dos valores correspondentes estarem registrados como Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), na escrita contábil, não se vislumbrou instrumento de comprometimento no sentido de que os repasses seriam destinados exclusivamente a futuros aumentos de capital, tampouco tendo sido observado prazo de integralização de 120 (cento e vinte) dias, a contar do encerramento do exercício social, o que conferiria a roupagem de mútuo a estas operações, com incidência do IOF. 12. Neste sentido, o Parecer Normativo CST nº 133/1975, externou entendimento no sentido de que o saldo credor de sócio ou acionista deve compor o passivo exigível no cálculo do capital da giro próprio da empresa, sendo de todo irrelevante que, em momento posterior, venha ele a ser capitalizado. Em momento seguinte, o Parecer Normativo CST nº 23/1981 fixou a orientação de que os adiantamentos para futuro aumento de capital, ainda que condicionados à utilização exclusiva em aumento de capital, deveriam ser mantidos fora do patrimônio líquido, uma vez que merecem tratamento de obrigações com terceiros, passíveis de serem exigidos pelos titulares enquanto não efetivamente concretizado o aumento. Cabe observar, para além do sentido da reconstrução do quadro de referências administrativo, de caráter regulamentaropinativo, que, no ano de 1983 o art. 21 do DecretoLei nº 2.065/1983 dispôs que, para efeito da determinação do lucro real, nos mútuos entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, a mutuante deveria reconhecer "pelo menos" o valor correspondente à variação monetária. A interpretação insculpida pela Administração, em conformidade com o Parecer Normativo CST nº 17/1984, foi no sentido da inaplicabilidade da previsão de trânsito em conta de resultado da norma de estatura legal no caso específico de AFAC, desde que: (i) o adiantamento se destinasse "específica e irrevogavelmente, ao aumento do capital", e (ii) a capitalização se processasse "(...) por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual posterior ao adiantamento ou, no máximo, até 120 dias contados do encerramento do períodobase da sociedade tomadora dos recursos", prazo este posteriormente extirpado com a edição da Instrução Normativa SRF nº 127/1988, que manteve os demais requisitos. 13. O tratamento contábil dispensado aos adiantamentos de tal jaez é a classificação em conta de investimento (ANC) para aquele que efetua o AFAC e, para a investida, objeto de apreciação no presente caso, denotase, da leitura da Resolução CFC nº 1.159/2009, o registro: (i) no patrimônio líquido na investida, após a conta de capital social, na hipótese de não haver possibilidade de devolução; ou (ii) no passivo não circulante, se houver "(...) qualquer possibilidade de sua devolução". 14. Neste sentido, os posicionamentos do CFC e da RFB são distintos, opondo a contabilidade geral à fiscal, uma vez que o PN CST 23/81, entende que os AFACs, cumpridas as exigências, devem ser mantidos fora do patrimônio líquido, pois considerados obrigações para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar. A Resolução CFC nº 1.159/2009, por seu turno, orienta a sua inclusão no patrimônio líquido, tendo em vista o princípio da essência sobre a forma. Observa se, no entanto, que, mesmo que exista divergência, os instrumentos convergem para a Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 657 5 conclusão de que os adiantamentos de recursos, para que possam se qualificar como AFACs, devem atender à condição de permanência, que tem por corolário a cláusula de irreversibilidade de devolução, com opção irretratável. 15. Observese, em sede de excursus, que o sentido de expurgar o AFAC do patrimônio líquido, que se depreende do Parecer Normativo nº 23/1981, teria uma discussão de fundo tributário, uma vez que o entendimento diverso, representado pela Resolução CFC nº 1.159/2009, implicaria a dedutibilidade da correção monetária do adiantamento, discussão esta que veio a perder sua principal celeuma com a edição do Decreto nº 332/1991, cuja alínea 'f' do inciso I do art. 4º tornou obrigatória a correção de contas credoras e devedoras respeitantes a AFAC, situação esta que perdurou até o advento do Plano Real, contexto a partir do qual foi concebida a Lei nº 9.249/1995, que extinguiu a correção monetária do balanço. 16. Assim, feita esta observação, a autoridade fiscal externou entendimento consentâneo com o Parecer Normativo CST nº 17/1984 no sentido de que as destinações contratualmente estipuladas, em caráter irrevogável, de aumento de capital representariam exceção à obrigação da investidora prevista no preceptivo normativo do art. 21 do DecretoLei nº 1.065/1983. Tal seria, portanto, o principal marco miliário para a distinção jurídica entre o AFAC e o mútuo, uma vez que colocar recursos à disposição de terceiros sem condição de permanência e de irreversibilidade redundaria, sob tal perspectiva, em uma operação de crédito. Dizse principal porque a condição de capitalização, decorrente de tais recursos adiantados, logo na primeira AGE ou na primeira alteração contratual subsequente, sobreviveu à Instrução Normativa SRF nº 127/1988. 17. Em outras palavras, da perspectiva da interpretação infralegal, repita se, de caráter meramente regulamentar e opinativo (condição que tais instrumentos não perdem mesmo ao serem chamados de normas complementares de leis pelo inciso I do art. 100 ou de "legislação tributária" pelo art. 96, ambos do Código Tributário Nacional), o ingresso dos recursos deve se prestar ao aumento do capital logo na primeira oportunidade possível e, entre o momento de sua percepção pela investida e o da efetiva capitalização, não devem estar suscetíveis ao arrependimento e consequente reversibilidade ou devolução. Entende a posição mais formalista, aliás, que o adiantamento exigiria compromisso formal e prévio à liberação do crédito, pois a disponibilização de recursos à investida seguida de decisão superveniente de integralização não configuraria adiantamento, mas mútuo seguido de capitalização. 18. Cabe pontuar, em primeiro lugar, que o quadro normativo construído acima pertine a questões voltadas ao imposto sobre a renda. Em outras palavras, o Parecer Normativo CST nº 17/1984 foi editado para efeito da determinação do lucro real e, ainda que constitua um norte valioso ao aplicador por se voltar ao tratamento do mútuo, necessário se faz tomar, como ponto de partida para a decisão acerca da incidência ou não do imposto sobre operações financeiras, a legislação que lhe é peculiar. 19. Evidentemente, é rica a construção em torno desta especialíssima figura do direito privado prevista pelo art. 586 do Código Civil para fins de determinação do montante correspondente à renda, a começar pelos limites da dedutibilidade dos juros passivos em condições usuais de mercado, conforme disciplinado pelo Parecer Normativo CST nº 138/1975, havendo, para tanto, a exigência de contrato, juros que não excedam a taxa legal e que os recursos sejam empregados na própria atividade principal da mutuária. Nem por isso Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 658 6 seria possível se cogitar que o não preenchimento de tais requisitos caracterizadores da condição de despesa dedutível implicariam a incidência ou não incidência de outro tributo, pois diferentes os âmbitos de aplicação de cada sistema normativo. Assim, necessário se faz a análise da específica legislação definidora da imposição sobre operações de mútuo: Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. (...) Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros. Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; II operações de câmbio; III operações de seguro realizadas por seguradoras; IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários; V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. 20. Cabe, ainda, trazer à análise a legislação civil pertinente ao instituto do mútuo: Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 659 7 Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. (...) Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I. Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II. De trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III. Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 21. De fato, o art. 591 da codificação civil não obriga ou condiciona tal figura à cobrança de juros, mas unicamente o presume no caso de se tratar de negócio jurídico celebrado com fins econômicos, limitando, ainda, a sua cobrança à taxa legal. Tampouco a ausência de prazo o desnatura, pois, em complemento à regra dos incisos do art. 592, o § 14 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 prevê expressamente a operação de crédito contratada por prazo indeterminado. Por outro lado, em um esforço de análise estratigráfica da legislação, apontase que a previsão da possibilidade do aumento futuro de capital tem tímida previsão no inciso I do art. 84 da Lei nº 6.404/1976 (LSA), já tendo sido a figura do adiantamento identificada por parte da doutrina como aquela descrita pelo inciso II do art. 170 da lei societária, em que pese a discussão acima contextualizada. 22. A distinção mais notável entre os institutos residiria no compromisso das partes com a finalidade da transferência/entrega de coisa fungível: (i) no caso do mútuo, a futura restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, e (ii) no caso do AFAC, o futuro emprego dos recursos no aumento de capital. Em um caso, restituise, e, no outro, capitalizase. 23. Enquanto a natureza do mútuo se investiga a partir do art. 586 da codificação civil, o AFAC mantém estreito diálogo com o art. 1.081 da lei civil e com o art. 166 da LSA, que prevêem a possibilidade do aumento do capital. Partindo deste pressuposto, é possível se investigar a definição de sua natureza pela finalidade dada à coisa fungível entregue pelos investidores à investida, e um não se confunde com o outro para fins tributários. O primeiro é fato gerador do IO/Crédito; o segundo não se coaduna com a materialidade de tal exação, o que não é algo novo à jurisprudência administrativa, conforme se depreende do quanto decidido pelo Acórdão nº 20180.220, proferido em sessão de 25/04/2007 pela extinta 1º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: (...) ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 660 8 Por falta de amparo legal, não procede o lançamento de IOF incidente sobre adiantamento para futuro aumento de capital. Recurso de oficio negado. 24. Em igual sentido, a distinção que fizemos logo acima entre o mútuo e o AFAC restou sedimentada, apenas com outras palavras, no acórdão proferido em 19/05/2005 no curso do Processo Administrativo nº 10768.001867/9283 pela extinta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Da lapidar definição posta no art. 1.256 do Código Civil revogado, reproduzida no art. 586 do Código Civil de 2002, se extrai que o mútuo é o contrato pelo qual alguém transfere a propriedade da coisa fungível a outrem, que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Sendolhe transferido o domínio da coisa emprestada, pode o mutuário darlhe o destino que lhe aprouver, inclusive consumi la, obrigandose, no entanto, a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, pois a obrigação de restituição é da essência e da estrutura do contrato de mútuo. Enquanto que, nos negócios jurídicos de adiantamento para aumento de capital, os recursos recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas somente podem ser utilizados para este fim, não comportando restituição” (seleção e grifos nossos). 25. Traçadas tais premissas, há, ainda, de se assentir para o fato de que o próprio Poder Judiciário vem dispensando, inclusive, o contrato escrito de AFAC para o seu reconhecimento, uma vez que a sua contabilização como tal e sua posterior utilização no aumento de capital da empresa será mais do que suficiente para comproválo, não havendo, na legislação societária, prazo para ocorrer a assembleia convocada para o fim específico de aumento de capital: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC. INCABIMENTO DA INCIDÊNCIA DO IOF – IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS. I. Tratase de remessa oficial e apelação de sentença que julgou parcialmente procedente o pedido, para anular parcialmente os créditos tributários constituídos no processo administrativo fiscal nº 10510.003371/200641, considerando a não incidência do IOF sobre a parte de valores repassados como adiantamento para futuro aumento de capital – AFAC. II. O AFAC adiantamento para futuro aumento de capital corresponde a valores recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados como futuro aporte de Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 661 9 capital. Na hipótese, a autora informou ter realizado em favor de suas empresas coligadas o adiantamento para futuro aumento de capital, demonstrando não ter a operação configuração de mútuo para fins de incidência do IOF, sobre parte do crédito constituído no processo administrativo nº 10510.003371/2006 41. III. Não se faz obrigatória à comprovação do adiantamento para futuro aumento de capital mediante a celebração de contrato escrito, podendo ser demonstrado por meio de registro nas escrituras fiscais da empresa. IV. No caso de não haver autorização no estatuto (art. 166, II c/c o art. 168 da Lei nº 6.404/76), o aumento do capital será realizado em assembleia geral extraordinária, a qual não possui prazo para acontecer. Também na legislação societária não se verifica prazo para que o aumento do capital ocorra. V. Honorários advocatícios mantidos em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do art. 20, §§ 3º e4º, do CPC, diante do trabalho exercido pelo causídico da autora. VI. Remessa oficial e apelação improvidas. (Processo 000096612.2011.4.05.8500, 4ª Turma do TRF5, DES. FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO, 20/11/2012) 26. É de se iluminar, não obstante, o fato de que, caso os recursos recebidos tenham permanecido regularmente escriturados como adiantamento para aumento de capital, o que pode, e.g., ser confirmado pela checagem do Livro Razão, e tendo a capitalização efetivamente ocorrido, ainda que a destempo, em estreita consonância com o art. 179 da Lei nº 6.404/1976 ("Lei das Sociedades Anônimas" LSA), incumbe à autoridade fiscal demonstrar que a contabilização escapa à realidade substantiva dos fatos. Em conformidade com o Acórdão CARF nº 3402002.862, proferido em 26/01/2016, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: "A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Versando este processo sobre autos de infração, o ônus da prova das diferenças apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado" (seleção e grifos nossos). Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 662 10 27. Uma vez que tal tradição normativa, como acima demonstrado, desenvolveuse em torno do imposto sobre a renda, é possível se trazer à colação o art. 923 do RIR, que dispõe que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Não pode nem deve ser desconsiderada sem uma produção probatória prévia a escrita fiscal utilizada, inclusive, para lastrear a própria fiscalização, sob pena de se incorrer em um jogo de relativismo cético que colocaria em disputa os próprios valores utilizados como base da imposição. 28. Os dois sentidos da presunção de veracidade/legitimidade dos registros contábeis emergem de legislação de caráter nacional, conforme se depreende da leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos". Assim, tendo a autoridade fiscal tomado como ponto de partida para a sua interpretação do direito a escrita contábil e fiscal da contribuinte, não apenas se presume verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428), pois, como se extrai do art. 419, a escrituração é una, tanto para o favorável como para o desfavorável: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 29. Assim, não tendo havido alteração da escrita ou tampouco seu questionamento, e uma vez que os recursos, ao final, tenham sido efetivamente utilizados para capitalizar a sociedade, necessário se resgatar percuciente argumentação deduzida no Acórdão CARF nº 330200.616, proferido em 30/09/2010, de relatoria do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto que, acompanhado pela unanimidade da turma no que respeita ao mérito, asseverou em seu voto: "(...) as autoridades fiscais não comprovaram que à contabilização em contas a receber teria havido equivalência em remessa de numerário propriamente dito. É de senso geral que as empresas controladoras, responsáveis que são pelas atividades das suas controladas, têm que provêlas de recursos necessários as suas operações diárias, principalmente nos estágios iniciais de suas operações. Indispondo desses recursos, sua controladora liquida suas despesas, e contabiliza um ativo recebível equivalente para que, quando essa empresa venha a obter recursos financeiros suficientes, tributeos segundo seu regime do imposto de renda e liquide seu passivo com seu controlador (...). Quanto àqueles objeto de futura capitalização, importante uma observação. Verificamos nos autos que tais valores estavam contabilizados no ativo da recorrente desde 1º de janeiro de 2002, e apenas foram capitalizados em 30.06.2003. E de se questionar se seriam mesmo adiantamentos para aquela finalidade, ainda que contabilizados sob essa forma (...) entendo que, demonstrado pela contribuinte o cumprimento Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 663 11 da destinação pela capitalização exata dos valores, devidamente registrados em Junta Comercial, que seria incabível a pretendida e respectiva tributação pelo IOF" (seleção e grifos nossos). 30. Estabelecidas as premissas de direito, cabe, na apreciação do caso concreto, a análise da composição do grupo empresarial em apreço: 31. O procedimento fiscalizatório constatou a existência de saldos e movimentação nas contas abaixo relacionadas, pertencente aos grupos AFAC (rubrica 124151) e Crédito com Coligadas e Controladas (rubrica 124152) no anocalendário 2008. Os históricos dos lançamentos nessas contas indicam adiantamentos considerados pela autoridade fiscal como mútuos: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 664 12 32. Em primeiro lugar, a análise da operação com a empresa (i) TARGET VEÍCULOS LTDA., tendo a decisão recorrida entendido, de maneira irreprochável, que o fato de na primeira assembléia dos quotistas da empresa após as transferências de valores ter havido o aumento de capital em valor inclusive superior aos aportes dos recursos, e considerando, ainda, a falta de regulamentação desse tipo de operação e a contabilização feita pelas empresas envolvidas, a tais operações devem ser entendidas como típicos negócios jurídicos de AFAC. Tais considerações escapam, no entanto, da competência deste conselho, uma vez que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. 33. Quanto à conta "132101004 CONSTRUÇÃO ANDAMENTO TRADECAR", pelo que consta dos autos, a recorrente era proprietária de um terreno localizado em Brasília, no qual iniciou a construção de edificação e, posteriormente, cedeu o terreno à empresa TARGET VEÍCULOS LTDA., cuja sede se encontrava neste recinto, e “vendeu”, por meio de emissão de uma nota fiscal, a parte até então construída: 34. Verificase que a recorrente disponibilizou, portanto, recursos para a TARGET VEÍCULOS LTDA., tendo sido o valor do empréstimo ressarcido em 2010, o que se consubstancia como mútuo de recursos financeiros. Observase que o saldo desta conta foi posteriormente transferido para a conta contábil código 1.2.4.1.51.013 ("AFAC TARGET"), e que a autoridade fiscal, para a determinação da base de cálculo do imposto, desconsiderou a transferência, uma vez que a contribuinte reconheceu a improcedência do lançamento e efetuou a sua reversão em 02/01/2009, juntando cópia do livro Razão aos esclarecimentos prestados. 35. Concluise, assim, restar plenamente caracterizada a operação de mútuo como causa do negócio jurídico, devendo produzir os efeitos tributários que lhe são típicos, sobretudo a se considerar que o aporte de recurso foi feito com destinação específica, ou seja, a construção de sede para a beneficiária. Tampouco socorre a recorrente o fato de, em um segundo momento, o imóvel ter sido capitalizado, pois a análise se volta especificamente para momento anterior a esta operação, que em nada altera a sua natureza jurídica subjacente. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 665 13 36. Em segundo lugar, quanto às operações com a empresa (ii) ORCA VEÍCULOS LTDA., o valor dos créditos repassados pela recorrente foi da ordem de R$ 3.150.000,00 enquanto que o aumento de capital efetuado na primeira assembléia dos quotistas da empresa após essas transferências foi de R$ 5.005.000,00, sendo que a maior parte desse valor (R$ 4.460.984,43) foi adveniente das contas de Lucros Acumulados, Reservas de Capital e Reservas de Incentivo Fiscal. A argumentação da recorrente é genérica, e se reserva a afirmar que a operação de capitalização é confirmada pela 26ª alteração contratual da ORCA VEÍCULOS LTDA., sem, no entanto, esclarecer a discrepância de valores ou sequer contestar a acusação fiscal da origem contábil da maior parcela dos recursos ao fim efetivamente capitalizados, o que conduz à sedimentação do argumento da autoridade fiscal no sentido de que as transferências de valores ocorridas foram operações de mútuo, e não AFAC. 37. Em terceiro e quarto lugar, quanto às operações com a empresa (iii) AUTOMARCAS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., e com a empresa (iv) SIERRA AGROPASTORIL LTDA., a recorrente alega que as contas não possuíam saldo em 31/12/2008, portanto não poderia haver mútuos entre elas. Como aponta com hialina clareza o julgador de primeiro piso, "(...) o fato gerador do IOF não é a existência de saldo nas contas no fim do exercício fiscal e sim a ocorrência de operações de crédito". Assim, o fato do saldo das contas ser zero no dia 31/12 apenas pode levar à conclusão de que os empréstimos foram quitados. Tal constatação, ademais, é confirmada pela própria contribuinte ao informar que, quanto à AUTOMARCAS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., a empresa teve que “teve que devolver, em 2008, o AFAC realizado em 2005”, o que mostra ainda mais o acerto do lançamento do IOF. 38. Observese, em adição, que, em que pese a conta não possuir saldo em 31/12/2008, último dia do período fiscalizado, a autoridade fiscal apontou movimentação da conta durante o ano de 2008, tanto a débito (concessão de empréstimos) como a crédito (baixa dos empréstimos): a conta que a empresa controla contabilmente em seu ativo realizável a longo prazo é representativa de direitos que possui com a empresa AUTOMARCAS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA.para a qual disponibilizou recursos financeiros, operação de crédito que deve ser entendida como mútuo, não sendo bastantes as alegações da recorrente, despidas de outras provas, para elidir a acusação. 39. Em quinto lugar, quanto às operações com a empresa (v) JPAR DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA., o histórico dos lançamentos na conta 124151003, a contribuinte inicialmente informou que o saldo final da conta no período fiscalizado foi capitalizado via cessão de crédito em assembleia de 20/04/2009, mas, intimada a apresentar a documentação comprobatória da operação de Afac, limitouse a informar que não existe saldo nesta conta na data da capitalização, o que, ademais, contraria as evidências trazidas pela autoridade fiscal e, portanto, assentese a contribuinte de repertório probante que empreste lastro às suas objeções ao lançamento de ofício. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 666 14 40. Em sexto lugar, quanto às operações com a empresa (vi) ITAKAIU AGROPASTORIL S/A., alega a recorrente que os valores a ela transferidos foram capitalizados na assembléia realizada em 30/04/2011, o que, segundo a decisão recorrida, seria suficiente para descaracterizar o AFAC, pois, para tanto, a capitalização teria que ser feita na primeira assembléia dos quotistas da empresa após as transferências de valores,provavelmente realizada em 30/04/2009 como nas demais empresa do grupo, ou máximo até 120 dias contados a partir do encerramento do períodobase em que a sociedade coligada, interligada ou controlada tenha recebido os recursos financeiros. Conforme acima referimos, é plenamente possível ao aplicador superar tal requisito de ordem formal, mas, no presente caso, a autoridade fiscal formou a sua convicção com fundamento de não ter a contribuinte entregue a ata da assembleia até a conclusão do procedimento fiscalizatório, limitandose a entregar o quadro acionário em 2011 e a ata da assembleia geral de 2008, coleção probatória que não se encontra em suficiência para afastar o lançamento. 41. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10166.728910/201182 Acórdão n.º 3401005.391 S3C4T1 Fl. 667 15 Fl. 667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002018/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.856 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 20 18 /2 00 8- 14 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10935.002018/200814 Acórdão n.º 3201004.285 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.856 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de PIS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10935.002018/200814 Acórdão n.º 3201004.285 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de PIS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de PIS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10935.002018/200814 Acórdão n.º 3201004.285 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10935.002018/200814 Acórdão n.º 3201004.285 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910641/2011-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 115 1 114 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.910641/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.306 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente RUDDER SERVIÇOS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 07633.42816.301106.1.2.038114 em 30.11.2006, efls. 5569, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$40.609,84 apurado pelo regime de tributação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 41 /2 01 1- 17 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 116 2 com base no lucro real do 2º trimestre do anocalendário de 2006, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 14, cientificado a Recorrente em 16.08.2011, efl. 70, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 49.989,45 [...] 49.989,45 CONFIRMADAS [...] 40.383,24 [...] 40.383,24 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.198, de 27.02.2014, efls. 7886: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ R$ 3.412,39. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 117 3 Notificada em 21.05.2014, efl. 92, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.06.2014, efls. 94112, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos expõe que: DA DECADÊNCIA Se extrai dos documentos já anexados, que se está diante de pedidos de compensação formulados no segundo trimestre de 2006, decididos e cientificados ao recorrente em 16 de agosto de 2011, ou seja, fora do prazo quinquenal previsto na Lei 9.430/96, [...] Há, portanto, decadência a atingir o pretenso crédito tributário em debate. DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não DIRFs de recolhimento, manifestandose nestes termos: [...] Em diversas demandas que espelham situação idêntica a presente, ou seja, pedido de compensação de CSLL e admissibilidade dos registros contábeis do prestador de serviços/recorrente, como meio de prova das retenções, têmse dado acolhimento à pretensão na via judicial. [...] Portanto, a exigência de que a empresa recorrente prove a retenção exclusivamente por meio de um documento, cuja produção cabe ao terceiro é no mínimo teratológica, contrária aos princípios mais elementares, norteadores da nossa Carta Maior. Evidente assim, tratarse de previsão não sistemática, porque proíbe a compensação do imposto/contribuição, legalmente hábil a compensar. Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só, ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, não limitar à utilização de outros documentos ou provas que não o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 118 4 E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo de R$6.352,27 (R$9.765,09 R$3.412,39), deverá também ser reconhecido como direito creditório. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para reconhecer a decadência e, se este não for o entendimento, que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 119 5 Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que tem direito ao reconhecimento da decadência do direito de lançar. A objeção de decadência por ser matéria de ordem pública pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial representativo da 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 120 6 controvérsia nº 973.733/SC3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. No presente caso, tratase de exame de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e não de constituição de crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, no contexto do trâmite do contencioso administrativo, ou seja, na fase litigiosa do procedimento, instaurada pela regular apresentação da manifestação de inconformidade, não tem aplicação as determinações do §4º do art. 150 e inciso I do art. 170 do Código Tributário Nacional (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. A partir da notificação, de acordo com as formalidades legais, o crédito tributário já existe não podendo se cogitar do transcurso da decadência. A contestação aduzida na peça recursal, por isso, não pode ser ratificada. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 5. 3 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://www.conjur.com.br/dl/relatoriovoto resp973733stjrecurso.pdf> .Acesso em: 26 nov. 2018. 4 Fundamentação Legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 121 7 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais6. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal7. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 122 8 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente9. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período10. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, código ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. 9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 10 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 123 9 Os valores retidos devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Os valores retidos podem ser deduzidos, pelo sujeito passivo, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 07633.42816.301106.1.2.038114 em 30.11.2006, efls. 5569 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 14, em 16.08.2011, efl. 70, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. O código 5952 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004, e versa sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Neste caso, o regime de tributação previsto é no sentido de que os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições em separado, bem como podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004). Assim, o Per/DComp previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ter como direito creditório a identificação discriminada de cada contribuição (CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep), no caso em que a antecipação superar o valor devido. Na Análise das Parcelas de Crédito Contribuição Social Retida na Fonte, e fls. 1518, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 1952. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 124 10 convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.198, de 27.02.2014, efls. 7886, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo da CSLL informado no PER/DCOMP foi formado em sua totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 59523, num montante de R$ 49.989,45, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 40.383,24, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 9.606,21, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de CSLL retida na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. Logo, os demais documentos anexados pela defesa (Notas Fiscais e Livro Razão) não constituem comprovantes de retenção do imposto na fonte, nos termos da legislação de regência. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 125 11 Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 20107, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço. Logo, informações dos comprovantes de rendimento relativas às filiais das empresas envolvidas serão consideradas como concernentes às matrizes. De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte foram observadas, em alguns situações a seguir transcritas, retenções de CSLL na fonte de determinadas fontes pagadoras, informadas no PER/DCOMP, não consideradas no procedimento de análise do crédito, que resultou no despacho decisório em litígio, quando comparadas aos comprovantes de rendimentos anexados: CNPJ PROVA VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 05.521.047/000114 FL.22 168,53 0,00 168,54 168,53 06.198.929/000153 FL.26 162,29 0,00 163,29 162,29 07.117.761/000177 FL.27 172,06 172,05 172,06 0,01 61.082.822/002016 FL.29 3.028,88 0,00 3.084,22 3.028,88 74.109.828/000208 FL.30 52,67 0,00 105,36 52,67 92.959.006/000885 FL.47 157,75 157,74 157,75 0,01 TOTAL 3.412,39 Quanto à solicitação de prorrogação do prazo, por mais 15 dias, para juntada de novas provas, o pleito perdeu o seu objeto, tendo em vista a ausência nos autos de novos documentos para análise e o transcurso de prazo já ocorrido entre a apresentação da manifestação e o presente julgamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 126 12 Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 3.412,39. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.910641/201117 Acórdão n.º 1003000.306 S1C0T3 Fl. 127 13 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.721182/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 31/03/2014, 31/05/2014, 30/06/2014, 31/07/2014, 31/08/2014, 30/09/2014
IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE.
Considerando a apresentação da peça impugnatória por intermédio de processo eletrônico é possível sanar a irregularidade da representação processual.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3301-005.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para realização de um novo julgamento pela primeira instância.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 31/03/2014, 31/05/2014, 30/06/2014, 31/07/2014, 31/08/2014, 30/09/2014 IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. SANEAMENTO. POSSIBILIDADE. Considerando a apresentação da peça impugnatória por intermédio de processo eletrônico é possível sanar a irregularidade da representação processual. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para realização de um novo julgamento pela primeira instância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 11 82 /2 01 6- 78 Fl. 5283DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.271 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 5239 a 5279) interposto pelo Contribuinte, em 5 de outubro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 09 65.514 (fls. 5213 a 5224), de 14 de setembro de 2017, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, não conhecer da Impugnação. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, sendo o primeiro deles de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS e o segundo de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (fls. 04/82), em decorrência da constituição indevida de créditos da não cumulatividade, tudo conforme Termo de Verificação de Fiscalização (fls. 84/98). Os fatos geradores das infrações apuradas se encontram nos Autos de Infração de cada uma das contribuições (PIS e COFINS). Depois de formalizados, cada um dos autos totalizou, respectivamente o montante a pagar de R$ 73.426.346,96 (R$ 25.345.107,97 de PIS; R$ 10.063.577,09 de juros de mora e R$ 38.017.661,90 de multa proporcional) e R$ 185.230.806,91 (R$ 63.865.059,75 de COFINS; R$ 25.568.157,59 de juros de mora e R$ 95.797.589,57 de multa proporcional). A autoridade fiscal, além de relacionar os fatos geradores correspondentes às infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação de Fiscalização ( fls. 84/98), que pode ser assim resumido: 2 Resumo da irregularidade apurada ... omitiu rendimentos na apuração da base de cálculo reduzindo indevidamente a determinação da base de cálculo ... PIS e ... COFINS. Bem como se creditou indevidamente de créditos do PIS e da COFINS. 4 Das receitas de VPC e Outras Congêneres ... Da leitura de vários contratos ... e dos esclarecimentos prestados ..., depreendese que ... além do fornecimento das mercadorias para a sua revenda possuem cláusulas que estabelecem outras formas de remuneração ..., como podemos destacar no contrato firmado com a LG : Destacamse, a VPC Verba de Propaganda/Publicidade Cooperada, a Equalização, o Rebate, o Bônus Performace, as Ações de Saldão, as Verbas Extras e Aniversários, os Mostruários, as Verbas para Ações Diversas, a Fl. 5284DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.272 3 Verba Trade, a Verba Extra e outras. Na sua totalidade é pré estabelecida em uma percentagem do faturamento das vendas das referidas mercadorias ... I) VPC Verba de Propaganda/Publicidade Cooperada ... II) EQUALIZAÇÃO ... III) BÔNUS ... IV) VERBA EXTRA ... V) OUTROS ... Intimada a apresentar planilha referente a contabilização do VPC, a fiscalizada entregou, tendo como resumo os seguinte valores, que foram corroborados pelos valores escriturados em sua contabilidade: No Ano de 2012 ... No Ano de 2013 ... No Ano de 2014 ... Na mesma intimação foi solicitada planilha sobre a contabilização dos Descontos Obtidos a Posteriori ... Esses valores acima, não foram levados para a apuração de receita operacional pelo contribuinte, configurando Omissão de Receitas. Essa falta de apuração infringiu o disposto na Lei no 10.637/2002 (PIS) e Lei no 10.833/2003 (COFINS). Essas receitas omitidas serão lavradas de ofício por esta equipe de fiscalização através da recomposição da apuração do PIS e da COFINS com base na planilha de Apuração entregue pela fiscalizada. 5 Dos Créditos tomados sobre despesas de propaganda e publicidade sem amparo legal A fiscalizada tomou créditos do PIS e COFINS sobre aquisição/despesas de serviços de propaganda sem ... legislação que dê amparo legal ..., pois ... exerce de forma preponderante a atividade comercial de vendas de mercadorias no atacado e no varejo. Tanto a Lei no 10.637/2002 (PIS) quanto a Lei no 10.833/2003 (COFINS) estabelecem quais as atividades são sujeitas a créditos, bem como as ... IN SRF no 358/03 e 404/04. ... estabelecem que não será possível a geração de créditos oriundos de serviços contratados de terceiros, mesmo de pessoa jurídica, se destinem a atividademeio do contratante. Assim, são excluídas do conceito de insumo, isto é, essas despesas de propaganda/publicidade não foram aplicados ou consumidos na produção de bens ou prestação de serviços ... Fl. 5285DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.273 4 ... consideramse descontados indevidamente os créditos referentes a despesas de propaganda/publicidade abaixo listadas, cabendo ... desconsiderar/excluir de oficio esses descontos realizados indevidamente. 6 Dos créditos do PIS e COFINS tomados sobre as despesas diretas com vendas comissão de administradores de cartões A fiscalizada incluiu como créditos do PIS e COFINS o valores de comissão de taxa de cartões de créditos sem ... amparo legal ..., pois ... exerce de forma preponderante a atividade comercial de vendas de mercadorias no atacado e no varejo. Conforme planilha explicativa da apuração do PIS/COFINS entregue, especificamente na coluna de créditos, no item 13. Outras Operações com Direito a Crédito ( contas contábeis 331107005/06/07/08/09/13/16/21). Tanto a Lei no 10.637/2002 (PIS) quanto a Lei no 10.833/2003 (COFINS) estabelecem quais as atividades são sujeitas a créditos, bem como as ... IN SRF no 358/03 e 404/04. ... estabelecem que não será possível a geração de créditos oriundos de serviços contratados de terceiros, mesmo de pessoa jurídica, se destinem a atividademeio do contratante. Assim, são excluídas do conceito de insumo, isto é, essas despesas de taxas de cartão de crédito não foram aplicados ou consumidos na produção de bens ou prestação de serviços ... ... consideramse descontados indevidamente os créditos referentes a despesas de comissão referentes a taxas de administração de cartões de créditos escrituradas nas seguintes contas 331107005 /06/07/08/09/13/16/21/28/29/31, cabendo à Fiscalização recompor a base de calculo do PIS e da COFINS para incluir de oficio esses descontos realizados indevidamente. ... a Equipe de Fiscalização, efetuará o lançamento de ofício, glosando os valores referentes a essa infração (CRÉDITOS INDEVIDOS), correspondentes aos anos calendários de 2012, 2013 e 2014, conforme os valores da planilha de APURAÇÃO DO PIS E COFINS apresentada pelo contribuinte ... 7 Da infração Apurada ... a equipe de fiscalização procedeu em relação a apuração do PIS e COFINS, tomando como base a planilha entregue pela fiscalizada a APURAÇÃO DE OFICIO, retificando valores na apuração dos CRÉDITOS E DEBITOS, detalhando essa apuração desses tributos os rendimentos omitidos consignados nas tabelas anexas adicionados e expurgados de oficio na apuração do PIS ... e da COFINS ... Não Cumulativo. Também realizou a glosa dos valores de créditos indevidos constantes em sua contabilidade. 8 – Da Multa Qualificada A fiscalizada ao realizar uma série de atos descritos nos parágrafos anteriores teve clara a intenção de fugir da oneração tributária real buscando a evasão tributária. Por meio de um 'planejamento tributário' tal Fl. 5286DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.274 5 como concebido, buscou tributação mais benéfica. Buscouse o máximo lucro em detrimento da legalidade do ato, pois parte das suas receitas foi escriturada como recuperação de custos, contabilmente sendo uma conta retificadora de despesas, não influenciando na apuração do LUCRO REAL (se fosse optante do Lucro Presumido haveria a influencia na apuração do IRPJ e CSLL), mas de forma consciente e direcionada influenciou na apuração do PIS e COFINS, pois a sua forma de contabilização não a classificava como Receita, não constituindo em elemento na apuração do PIS e da COFINS. Outra ação indevida foi a classificação errônea e consciente de Descontos a Posteriori como descontos financeiros, com a atecnia contábil, apesar da legislação clara sobre o que seriam despesas financeiras e também a existência de consultas legislativas públicas da RFB (publicadas em Diário Oficial da União). De todas essas ações da fiscalizada se buscou uma tributação bem mais favorecida do PIS e COFINS. A qualificação da multa de ofício está baseada principalmente pelo artifício de escriturar parte em valores menores das receitas do VPC e também por não escriturar parte das receitas próprias na sua contabilidade de forma clara e devida, seguindo os padrões contábeis usuais, mas criando contas retificadoras indevidas, que não influenciavam a apuração do LUCRO REAL, mas sim a do PIS e COFINS. Realizou ação deliberada para não destacar as evidências, pois em alguns meses reconheceu parte dos valores. E classificando Receitas que não eram financeiras. Pois, se a equipe de Fiscalização não se ativesse à técnica contábil, se não procedesse à analise da forma e a sua repercussão na apuração dos tributos federais em função do modo que foi escriturado, seria difícil descobrir que parte das suas receitas foram omitidas na apuração do PIS e COFINS, seria de grande obstáculo perceber o desvio. O resultado das condutas realizadas foi a artificialidade de faturamento ... com conseqüentemente camuflagem/desvirtuamento de receitas e o recolhimento a menor do PIS e da COFINS calculados sobre uma base de cálculo indevida, resultando em um recolhimento inferior ao efetivamente devido. A Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, define a fraude tributária: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Desta forma, a multa de ofício será aplicada no percentual de 150%, de acordo com as legislações acima dispostas e com o Inciso II do art. 957 do RIR/99 ... 10 Do lançamento ... 11 Dos processos administrativos – fiscais O Auto de Infração lavrado foi formalizado sob o Processo Administrativo Fiscal no 10540.721.180/201689. Fl. 5287DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.275 6 Foi formalizada a Representação Fiscal Para Fins Penais sob o Processo Administrativo Fiscal. Cientificada dos Autos de Infração e do Termo de Verificação de Fiscalização, a empresa apresentou impugnação, alegando: II – FUNDAMENTOS DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS CONSTANTES NO AUTO DE INFRAÇÃO II.1 – ERROS NA PLANILHA DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO O estudo colacionado a este auto de infração demonstra a existência de erro de cálculo nas planilhas que subsidiaram o lançamento. II.2 – LANÇAMENTOS BASEADOS NA SUPOSTA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO POR OMISSÃO DE RECEITAS A) VERBA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE COOPERADA – VALORES UTILIZADOS NITIDAMENTE PARA RECUPERAÇÃO/RESTITUIÇÃO DE GASTOS COM PROPRAGANDA E PUBLICIDADE – IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA ... a Verba de Propaganda e Publicidade Cooperada (VPC) é uma verba recebida dos fornecedores/indústrias para restituir parte dos gastos que a Impugnante teve com a publicidade dos produtos fabricados por aqueles e revendidos por esta. A presença de grandes players como Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza e a pouca ou nenhuma diferença nos valores dos produtos que são por eles comercializados torna a estratégia de marketing, incluindose aí a propaganda e publicidade, vital para a captação do consumidor e, conseqüentemente, para o incremento das vendas da Impugnante. Assim, ao se considerar como beneficiário da ação de publicidade realizada pela Impugnante, o fornecedor/indústria se predispõe a restituir parte destas despesas, almejando, obviamente, colher benefícios futuros atrelados ao aumento de vendas dos seus produtos. Neste contexto, indagase: como poderia uma verba que visa a restituição de valores gastos com uma publicidade conjunta ser considerada como receita da Impugnante? A Impugnante não realiza serviço de marketing ou de publicidade e propaganda para o fornecedor/indústria! Obviamente, as publicidades e propagandas veiculadas sem a marca da mercadoria não são objeto de qualquer restituição por parte dos fornecedores/indústrias, sendo inteiramente arcadas pela Impugnante. Seguindo esta linha de intelecção, constatase que os valores relacionados à VPC constituem meros ingressos de numerários no caixa da Impugnante visando a restituição de gastos/despesas conjuntas e, portanto, não poderiam integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 5288DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.276 7 Vejamos, neste ínterim, o que dispõem os parágrafos 1o e 2o do artigo 1o da Lei Federal no 10.637/02 e também da Lei Federal no 10.833/03 acerca, respectivamente, da base de cálculo do PIS e da COFINS: ... A leitura dos dispositivos demonstra que a base de cálculo de ambos os tributos é o valor do faturamento mensal, o que, na visão do legislador, seria “[...] o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Agora, vejamos a regra matriz das contribuições sociais a cargo das pessoas jurídicas, no qual se enquadram o PIS e a COFINS, encontrase no inciso I do artigo 195 da Constituição da República, o qual se transcreve a seguir: ... Analisando as alíneas do dispositivo constitucional, constatase que todas as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais incidem em elementos que, de uma forma de outra, representam medidas de riqueza do contribuinte e, em consonância com o parágrafo 1o do artigo 145 da Constituição da República, a exprimir a sua capacidade econômica. Ora, se os valores da VPC não são incorporados ao patrimônio da Impugnante, eles não podem ser considerados como receita e faturamento e muito menos reveladores da medida de riqueza ou exprimir a capacidade econômica daquela. Ao analisar a questão inerente a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, o Ministro Marco Aurélio, que é o Relator do Recurso Extraordinário n' 240.7852, com mestria arrematou acerca do conceito de faturamento/receita: ... Em seu voto, como se denota, o Ministro Marco Aurélio deixa claro que faturamento/receita deve representar medida de riqueza e acaba indo além, pois assevera que o conteúdo e o alcance do “faturamento” e “receita” utilizados como base de cálculo do PIS e da COFINS encontramse implicitamente deduzidos na Constituição da República, motivo pelo qual o legislador ordinário e o órgão arrecadador não podem realizar alterações em tais atributos ao seu bel prazer. A.1) VERBA DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE COOPERADA – VALORES UTILIZADOS NITIDAMENTE PARA RECUPERAÇÃO/RESTITUIÇÃO DE GASTOS COM PROPRAGANDA E PUBLICIDADE – PERSISTÊNCIA DA NATUREZA DE RECEITA – UTILIZAÇÃO DAS DESPESAS COMO SE AGÊNCIA DE PUBLICIDADE FOSSE – ARTIGO 13 DA LEI FEDERAL No 10.925/2004 E O ARTIGO 53 DA LEI FEDERAL No 7.450/1985 Caso persista, embora seja clara a natureza de recuperação de gastos, o entendimento presente no auto de infração de que a VPC é uma receita da Impugnante, a premissa utilizada pelos Auditores Fiscais de que esta teria prestado um serviço de publicidade e propaganda para o Fl. 5289DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.277 8 fornecedor/indústria leva a possibilidade de tal receita ser inteiramente deduzida da base de cálculo do PIS e da COFINS. ... se a Impugnante, imiscuindose em uma atividade de publicidade e propaganda, prestou tal serviço ao fornecedor/indústria, o “insumo”, para se utilizar do termo equivocado previsto no inciso II do artigo 3o das Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003, necessário a prestação de tal atividade é, como não poderia deixar de ser, as despesas com a própria publicidade, principalmente os valores despendidos com os veículos de divulgação e estes, consoante o artigo 13 da Lei Federal no 10.925/2004 e o artigo 53 da Lei Federal no 7.450/1985 podem ser utilizados para fins de dedução. B) DESCONTOS PARA EQUALIZAÇÃO DE MARGEM OU DESCONTOS A POSTERIORI CONCEDIDOS PELO FORNECEDOR – VALORES UTILIZADOS PARA RECUPERAÇÃO/RESTITUIÇÃO DOS VALORES QUA FORAM PAGOS A MAIOR PELA IMPUGNANTE EM COMPARAÇÃO COM A CONCORRÊNCIA – IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA Os descontos a posteriori ou descontos para equalização de margem concedidos pelos fornecedores/indústrias surgem da necessidade de se recompor a margem bruta de determinados produtos que, após a compra pela Impugnante, tiveram uma redução em seu preço de venda quando comprados com o custo da aquisição. Em outros dizeres, visando permitir que a Impugnante possa, por exemplo, reduzir o preço da mercadoria ao consumidor final sem que a margem dela diminua, os fornecedores/indústrias concedem descontos na aquisição de outras mercadorias, recompondo a margem e girando o estoque daquela. ... os descontos a posteriori são analisados caso a caso de acordo com o giro das mercadorias e tem o fim precípuo de recompor a margem da Impugnante em determinada mercadoria pela redução do seu preço de venda ao consumidor final quando comparado com o valor da aquisição ou, até mesmo, pelo fato do player concorrente ter adquirido o produto junto ao fornecedor/indústria com um preço muito inferior. ... não configurando receita ..., mas tão somente um desconto incondicionado que visa recompor os custos, os descontos a posteriori não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ... II.3 – LANÇAMENTOS BASEADOS NA GLOSA DE CRÉDITOS UTILIZADOS PARA DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULOS DO PIS E DA COFINS A) COMISSÕES DE ADMINISTRAÇÃO RELACIONADAS ÀS VENDAS ATRAVÉS DE CARTÃO DE CRÉDITO – VALORES DESCONTADOS ANTES DO REPASSE – DESPESAS ESSENCIAIS À ATIVIDADE DA EMPRESA – POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS E DO PIS As operações de venda por intermédio de cartão de crédito envolvem 05 (cinco) personagens principais: a) os consumidores: são os portadores do cartão; Fl. 5290DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.278 9 b) os estabelecimentos comerciais: são os lojistas que aceitam o cartão de crédito como forma de pagamento, pagando comissões de administração ou tarifas de desconto às credenciadoras por cada venda realizada naquela modalidade, variando o percentual de acordo com a bandeira do cartão de crédito; c) as administradoras ou emissoras: são tidas como empresas, na sua grande maioria instituições bancárias (BANCO DO BRASIL, BRADESCO, ITAÚ, SANTANDER, dentre outras), que emitem e gerenciam os cartões de crédito, mantendo relacionamento com o consumidor para qualquer questão decorrente da posse e do uso dos mesmos, recebendo a tarifa de intercâmbio do credenciador que, obviamente, é um percentual sobre a comissão de administração ou tarifa de desconto paga pelo estabelecimento comercial; d) o credenciador: é a empresa que se relaciona diretamente com os estabelecimentos comerciais, cedendo ou locando as máquinas para estes se habilitarem a fazer as vendas por meio do cartão de crédito (CIELO, REDECARD, GETNET, ELAVON, BIN, dentre outras), descontando de cada uma destas a comissão de administração; e) bandeira: é a “marca” do cartão de crédito, definindo políticas e estratégias de utilização (VISA, MASTERCARD, AMERICAN EXPRESS, ELO, dentre outras). O fluxo de uma operação de venda por intermédio do cartão de crédito, portanto, é o seguinte: Diante deste fluxo, podemos afirmar que: a) as credenciadoras não repassam o valor integral das vendas realizadas por meio do cartão de crédito para os estabelecimentos comerciais, uma vez que, de antemão, descontam a comissão de administração; b) os estabelecimentos comerciais são obrigados a registrar, até por conta do Emissor de Cupom Fiscal, o valor da venda de forma integral sem qualquer desconto. ... indagase: se a Impugnante é obrigada, por conta da intrincada legislação tributária nacional, mais precisamente aquela inerente ao ICMS, a lançar contabilmente o valor integral da venda de um produto através do cartão de crédito como faturamento, mas efetivamente não aufere, ante ao desconto realizado pela administradora do cartão de crédito, a receita daquele valor integralmente, a utilização dessa despesa de comissão como crédito na Fl. 5291DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.279 10 receita tributável pelo PIS e pela COFINS seria contrária ao princípio da não cumulatividade? Evidentemente que não! Logo, se o princípio da não cumulatividade visa a desoneração e, no caso específico do PIS e da COFINS, as receitas são o alvo da desoneração, torna se evidente a necessidade de se permitir que a comissão descontada pela administradora do valor do produto vendido através do cartão de crédito seja dedutível da base de cálculo dos tributos para que a Impugnante venha a ser tributada sobre a receita efetivamente auferida pela venda do produto. ... não existindo dúvidas quanto à essencialidade da despesa de comissão da administradora do cartão de crédito para a atividade financeira da Impetrante, vejamos o que dispõe o inciso II do artigo 3' das Leis Federais n' 10.637/2002 e n' 10.833/2003: LEI FEDERAL No 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes ... ... constatase que o entendimento de que o inciso II do artigo 3o das Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003 traria um rol taxativo e não exemplificativo quanto aos insumos passíveis de crédito acabaria indo de encontro a mens constitucional do princípio da não cumulatividade. Portanto, o crédito das despesas com as comissões das administradoras decorrentes das vendas realizadas por meio de cartão de crédito deduzido da base de cálculo da COFINS e do PIS deverá ser restabelecido ... B) PROPAGANDA E PUBLICIDADE – DESPESA ESSENCIAL À ATIVIDADE DA EMPRESA – POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS E DO PIS ... as despesas com publicidade e propaganda, em um segmento altamente agressivo e competitivo como a que Impugnante atua, tornase essencial, não só a sua atividade, como a sua própria sobrevivência. ... não é outro o motivo pelo qual os próprios fornecedores/indústrias “repartem” as despesas com publicidade e propaganda com a Impugnante, restituindolhes, através da VPC, parte dos valores desembolsados. ... se a despesa com publicidade e propaganda é essencial a atividade da Impugnante, mormente diante do seu segmento de atuação, dúvidas não há que o crédito de tais despesas deduzido da base de cálculo da COFINS e do PIS deverá ser restabelecido ... Fl. 5292DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.280 11 II.3 – MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A) INEXISTÊNCIA DE CONDUTA COMISSIVA OU OMISSIVA DOLOSA – SÚMULA 14 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Entendendo que a Impugnante teria se utilizado de artifícios para camuflar/desvirtuar receitas e recolher o PIS e a COFINS sobre uma base de cálculo indevida, os Auditores Fiscais aplicaram a multa de ofício no percentual de 150% ... A inexistência de fraude ou qualquer atitude dolosa em situações como esta já foi, inclusive, alvo de consolidação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio da Súmula 14, a qual se transcreve a seguir: Súmula 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito defraude do sujeito passivo. III – PEDIDOS IV – REQUERIMENTOS Para tanto, pugna: a) pela juntada da cópia do contrato social, dos documentos pessoais do representante legal da empresa e dos signatários da presente impugnação e dos documentos que comprovam as despesas dedutíveis; b) pela juntada de outros documentos durante o transcorrer do processo tributário administrativo. A interessada foi intimada através da Intimação no 029/2017, expedida pela DRF/Vitória da Conquista/BA, com o seguinte teor (fl. 5.193): Tendo em vista a necessidade de saneamento do processo no 10540.721182/2016 78, do contribuinte LOJAS INSINUANTE SA, por motivo da inexistência da procuração outorgando poderes para representação junto à Receita Federal do Brasil ao procurador, o Sr. Leonardo de Lima Naves, OAB/MG no 91.166, que assina a Impugnação aos Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP, fica o contribuinte LOJAS INSINUANTE SA, CNPJ No 16.182.834/000103, INTIMADO a apresentar os seguintes documentos: procuração outorgando poderes ao Sr. Leonardo de Lima Naves, OAB/MG no 91.166, que assina a Impugnação, para representar o contribuinte LOJAS INSINUANTE SA, CNPJ No 16.182.834/000103, junto à Receita Federal do Brasil. O prazo para atendimento da presente intimação será de 15 (quinze) dias contados a partir da data da ciência. A empresa teve ciência da Intimação no 029/2017 em seu Domicílio Tributário Eletrônico segundo informam o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Fl. 5293DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.281 12 Caixa Postal DTE fl. 5.194, o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem fl. 5.195 e o Termo de Abertura de Documento de fl. 5.196. O despacho de fl 5.198 destaca: ... constatei que inexiste, no processo, prova de identidade do signatário da impugnação, além do instrumento de mandato (procuração), o que impossibilita a análise de legitimidade. O contribuinte, intimado, não atendeu à solicitação para saneamento como informa o despacho de página no 5197. O processo, então, veio a julgamento. Diante da decisão proferida de não conhecimento da impugnação o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0965.514 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 31/12/2012, 31/01/2013, 28/02/2013, 31/03/2013, 30/04/2013, 31/05/2013, 30/06/2013, 31/07/2013, 31/08/2013, 30/09/2013, 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, 31/01/2014, 31/03/2014, 31/05/2014, 30/06/2014, 31/07/2014, 31/08/2014, 30/09/2014 ILEGITIMIDADE. IMPUGNAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não se conhece de recurso interposto por quem não comprova sua legitimidade processual, mesmo após regularmente intimado para tanto. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O voto na decisão ora recorrida ficou assim consignado às fls. 5223 e 5224: A impugnação apresentada não merece ser conhecida, conforme adiante se verá. As razões de defesa de fls. 5.153/5.186 foram apresentadas, porém, a assinatura de LEONARDO DE LIMA NAVES aposta naquela peça se encontra desacompanhada dos documentos pertencentes ao signatário da impugnação, bem como não foi Fl. 5294DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.282 13 juntada aos autos a procuração outorgando poderes para representação da empresa junto a RFB. A interessada não regularizou sua impugnação, uma vez que não foi juntada cópia dos "documentos pessoais do representante legal da empresa e dos signatários da presente impugnação" e também não houve resposta à intimação da Unidade de preparo solicitando o saneamento do processo fls. 5.193 a 5.198. Desta forma, não consta do processo qualquer documento em que possa ser confirmada a identidade do signatário da impugnação, além do instrumento de mandato (procuração) de LEONARDO DE LIMA NAVES. Assim, mesmo após intimação na tentativa de sanear o processo, restou ausente dos autos a comprovação da legitimidade do signatário da impugnação, não tendo a interessada se desincumbido de seu ônus processual. Importa ressaltar que a legitimidade é pressuposto processual, tendo no âmbito do processo administrativo, a Lei no 9.784, de 1999, em seu art. 63, inciso III, assim disposto: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: [...] III por quem não seja legitimado; [...] Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER a impugnação para MANTER o crédito tributário consubstanciado nos Autos de Infração constantes do presente processo. Diante desta decisão o Contribuinte apresentou ser Recurso Voluntário em que pede a reforma do acórdão pelas seguintes razões: A) IRREGULARIDADE PROCESSUAL – INEXISTÊNCIA – IMPUGNAÇÃO ELABORADA E ASSINADA POR ADVOGADOS MAS TRANSMITIDA ELETRONICAMENTE ATRAVÉS DE CERTIFICADO DIGITAL DA CONTRIBUINTE NO AMBIENTE DO eCAC – INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO TÁCITO – ARTIGO 22 DA LEI FEDERAL No 9.784/1999 – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS Embora não fosse nem mesmo necessário, a Recorrente, após o acórdão e para evitar mais celeumas, outorgou poderes por meio de procuração eletrônica e física para que os advogados que subscreveram a impugnação e subscrevem este recurso possam atuar nesta demanda. A desnecessidade da outorga de poderes aos advogados que subscreveram a impugnação e subscrevem este recurso decorre do fato do protocolo ou transmissão das peças terem sido todas realizadas por meio do certificado digital da Recorrente no ambiente do eCAC, de modo tal que não existia e não existe qualquer dúvida que tais advogados, mesmo que tacitamente, possuíam e possuem procuração com amplos poderes para representar a Lojas Fl. 5295DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.283 14 Insinuante S/A neste processo administrativo fiscal. Neste ínterim, vejamos o que dispõe o caput do artigo 22 da Lei Federal no 9.784/99, o qual se transcreve a seguir: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Em outros dizeres, o processo administrativo fiscal é regido por um formalismo moderado capitaneado no princípio processual da instrumentalidade das formas. Dissertando sobre o princípio da instrumentalidade das formas, o doutrinador Ovídio Baptista da Silva nos ensina: [...] Nos sistemas jurídicos rudimentares, como se verificava no direito primitivo, as solenidades processuais e a rigidez formal eram absolutas. A mais insignificante inobservância dos ritos impostos por lei era motivo suficiente para causar a nulidade do processo. Contudo, no direito moderno tal não ocorre. Precisamente por sua natureza eminentemente instrumental, domina no Direito Processual o princípio da liberdade das formas, consagrado pelo art. 154 do Código, segundo o qual os atos e termos processuais não dependem de forma determinada, senão quando a lei expressamente exigir, reputandose válidos os que, realizados de modo diverso, hajam preenchidos a finalidade essencial que a lei lhe atribuir (SILVA, OVÍDIO Curso de processo civil. 1998, p. 204). Seguindo o mesmo raciocínio, Cândido Rangel Dinamarco assevera: Não basta afirmar o caráter instrumental do processo sem praticálo, ou seja, sem extrair desse princípio fundamental e da sua afirmação os desdobramentos teóricos e práticos convenientes. Pretendese que em torno do princípio da instrumentalidade do processo se estabeleça um novo método do pensamento do processualista e do profissional do foro. O que importa acima de tudo é colocar o processo no seu devido lugar, evitando os males do exagerado processualismo e ao mesmo tempo cuidar de predispor o processo e o seu uso de modo tal que os objetivos sejam convenientemente conciliados e realizados tanto quanto possível. O processo há de ser, nesse contexto, instrumento eficaz para o acesso à ordem jurídica justa. (DINAMARCO, Cândido Rangel A instrumentalidade do processo, Malheiros, 2001). Nesta linha de intelecção, constatase que o princípio da instrumentalidade das formas tem como escopo obter um resultado prático e efetivo na satisfação do direito pleiteado pelo jurisdicionado e, para tanto, o processo não pode ser um fim em si mesmo, mas sim um instrumento de solução das crises. Baseado neste pensamento, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região, com maestria, arremata: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. IRREGULARIDADE. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. PROCURAÇÃO JUNTADA NO ATO DE INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. POSSIBILIDADE. VÍCIO SANÁVEL. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA ECONOMIA E CELERIDADE PROCESSUAL Fl. 5296DF CARF MF Processo nº 10540.721182/201678 Acórdão n.º 3301005.414 S3C3T1 Fl. 5.284 15 E DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. SENTENÇA ANULADA. I Sanada a irregularidade da representação processual, ainda que somente no ato de interposição do recurso de apelação, em homenagem aos princípios da economia e celeridade processual, bem como da instrumentalidade das formas, temse por sanado o defeito verificado, na espécie dos autos, a impor, assim, o regular processamento do feito. Precedentes deste Tribunal e do STJ. II Apelação provida. Sentença anulada, para determinar o regular processamento do feito. (TRF1 AC: 25779 MG 0025779 69.2002.4.01.9199, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA PRUDENTE, Data de Julgamento: 01/06/2010, OITAVA TURMA, Data de Publicação: 18/06/2010 eDJF1 p.486) Neste contexto, como se observa, o princípio da instrumentalidade das formas pode e deve ser invocado para admitir, no âmbito do processo administrativo, atos processuais que, embora não sigam o procedimento formalmente previsto, não tragam prejuízos às partes envolvidas. Logo, o acórdão que não conheceu a impugnação por irregularidade processual deverá ser reformado, uma vez que, ao ser transmitida via eCAC por meio do seu certificado digital, a Recorrente, mesmo que tacitamente, deixou claro que os advogados que a subscreveram possuíam procuração para tanto e, como se isso não bastasse, outorgou, antes da interposição do presente recurso, poderes por meio de procuração eletrônica e física para que tais advogados possam atuar regularmente nesta demanda. Por fim, de modo a se evitar a supressão de instância, deverá o presente processo administrativo fiscal ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora para que esta possa analisar todos os argumentos que foram delineados na impugnação e que visam a improcedência dos lançamentos de PIS e COFINS constantes no auto de infração. Diante desses argumentos, do entendimento da doutrina acerca da formalidade moderada no âmbito do processo administrativo fiscal e da legislação aplicável, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte para que o presente processo seja devolvido à Delegacia Regional de Julgamento para novo julgamento pela 1ª Instância. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 5297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003061/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 9202-007.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 30 61 /2 00 7- 10 Fl. 285DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201001.596, proferido na sessão de 15 de maio de 2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPONIBILIDADE. Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte, deve ser considerada a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste, apresentada tempestivamente. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a exigência relativa ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto relativo ao ano calendário de 2005. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: inclusão, como origens, no fluxo de caixa, dos recursos em moeda corrente registrados na Declaração de Bens constante da Declaração de Ajuste do anocalendário anterior. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 265 a 267. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que só o fato de ter sido informado dinheiro em espécie na declaração de ajuste não permite a passagem desses recursos de um exercício financeiro para o outro; que a transposição de saldo positivo e um exercício para outro só é válida se amparada em prova robusta da existência efetiva dos ditos valores, a cargo do contribuinte. Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial e do Despacho que lhe deu seguimento em 11/01/2016 (AR, efls. 271), o Contribuinte apresentou, em 26/01/2016, tempestivamente, as contrarrazões de efls. 273 a 280, em que reitera as alegações do Recurso Voluntário e, especificamente quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional sustenta que o mesmo não preenche os requisitos de admissibilidade, pois a simples juntada de decisão sem a identificação da legislação discordante não atende ao requisito previsto no art. 67, § 1º do RICARF; que também não foi juntado o inteiro teor dos paradigma, mas apenas sua ementa, o que está em desacordo com o § 9º do mesmo artigo. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11516.003061/200710 Acórdão n.º 9202007.224 CSRFT2 Fl. 3 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. As objeções levantadas pelo Contribuinte em suas contrarrazões não merecem prosperar. Ao demonstrar a divergência de interpretação a peça recursal não deixou margem a dúvida quanto à matéria em relação qual há o dissídio jurisprudencial: a possibilidade de aproveitamento de saldo positivo, apurado em apuração de acréscimo patrimonial, como origem na apuração no exercício seguinte; também quanto à necessidade de juntada do interiro teor do acórdão paradigma, o § 9º, do art. 67 contempla a possibilidade de apresentação apenas de cópia de publicação das ementas, como fez a Fazenda Nacional neste caso ao reproduzir no corpo do recurso a ementa publicado na sítio do CARF. Eis o teor do referido § 9º: § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Conheço, portanto, do recurso. Quanto ao mérito, a matéria cingese à definição da possibilidade ou não de se admitir como origem, na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de valores declarados como disponibilidade em espécie na declaração de bens do exercício anterior, independentemente de prova da efetividade dessa disponibilidade. Penso que sim. Ao elaborar a declaração de rendimentos os contribuinte devem declaram o seu patrimônio, na forma de bens e direitos, créditos, etc, o que inclui a disponibilidade financeira, em moeda nacional ou estrangeira. Ao se apurar acréscimo patrimonial se compara a magnitude do patrimônio havido em um exercício com o do outro e esse cotejo deve incluir todo o patrimônio, seja em bens, em direitos ou em dinheiro em espécie. Este entra como aplicação no exercício em que declarado e como origem, se declarado no exercício anterior. A exigência de prova da efetividade da disponibilidade financeira, mormente tratandose de exercícios referentes a anos anteriores, se constitui, a meu juízo, em exigência descabida, pois não há outro meio de comprovar a existência de dinheiro em espécie que não a apresentação do próprio dinheiro, e isso não é mais possível quando este não está mais disponível. Por outro lado, quando o contribuinte declara a disponibilidade de dinheiro em espécie poderá ser confrontado pelo Fisco com a demonstração de que não obteve rendimentos suficientes para ter tais disponibilidades. Nessas condições, caberia o Fisco, para infirmar a declaração do Contribuinte, demonstrar que o contribuinte não teria lastro financeiro para ter essas disponibilidades. Ante o exposto, conheço do Recurso da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Fl. 287DF CARF MF 4 Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
