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Numero do processo: 10530.001877/99-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991
CONCOMITÂNCIA.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a desistência de eventuais recursos administrativos à luz do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 1980, independentemente do resultado da discussão judicial.
Numero da decisão: 3201-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 05/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a desistência de eventuais recursos administrativos à luz do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 1980, independentemente do resultado da discussão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 05/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 18 77 /9 9- 51 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o último estágio processual, segue abaixo a transcrição do relatório da Resolução nº 20100.148, de 21/06/2001: Tratase de pedido de restituição, protocolado em 03/09/99, sob a alegação de que "A peticionária antecipou indevidamente o FINSOCIAL a maior do período de setembro de 1989 a março de 1992, fazendo jus, portanto, na forma do Decreto n° 2.138/97, C/C com a Instrução Normativa n° 21/97, a restituição das quantias recolhidas a mais, devidamente acrescida da SELIC". Requer a restituição do FINSOCIAL recolhido a maior, pleiteando os valores relativos aos períodos de setembro de 1989 a março de 1992, trazendo os documentos que comprovam os recolhimentos. A Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana BA, às fls. 58/61, decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, afirmando haver se operado a decadência do direito à restituição pleiteada, fundamentandose nos arts. 165 e 168 do CTN, no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.538/99, e no Ato Declaratório SRF n° 096/99. Inconformada, a empresa apresentou sua impugnação, fls. 63/74, trazendo suas razões com fundamento no Parecer COSIT n° 58/98, afirmando que os valores pleiteados poderiam ser devolvidos sem restrições com base nos dispositivos deste parecer. Cita doutrina fazendo referência à tese de que o prazo para pleitear a restituição perante a autoridade administrativa, nos casos como o presente, nasceria somente com a declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal. Faz referência, também, à tese de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos para pedir a repetição do indébito somente começa a correr depois da homologação realizada pelo Fisco; não sendo expressa essa homologação, ocorre a homologação tácita, após cinco anos contados da data do fato gerador; assim, afirma que ao prazo de cinco anos deve ser acrescido mais cinco anos. Afirma, com referência ao Ato Declaratório SRF n° 096/99, que a extinção do crédito tributário se dá após decorridos cinco anos do fato gerador. Colaciona uma série de precedentes jurisprudenciais que corroboram com o entendimento que adota, e informa que entraria com Ação Ordinária de Repetição de Indébito, junto à Justiça Federal, pleiteando a restituição/compensação desses valores. Requer a restituição ou a compensação dos seus alegados créditos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA, à fl. 76, diante da afirmação da contribuinte de que ingressaria com ação judicial junto à Justiça Federal, determinou a intimação da empresa para apresentar cópia da petição inicial que teria instruído o processo ou para firmar declaração de que não intentara a ação. A ora recorrente quedouse inerte, e o Fisco juntou comprovação de que a ora recorrente impetrara Mandado de Segurança individual, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10530.001877/9951 Acórdão n.º 3201001.617 S3C2T1 Fl. 168 3 distribuído em 14/08/2000, conforme pesquisa realizada na internet, na Seção Judiciária da Bahia. Resolveu, então, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA, às fls. 81/85, não conhecer da impugnação apresentada, sob o fundamento de que "A opção pela via judicial importa em renúncia ou desistência da esfera administrativa, em face do principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política". Traz a lume o princípio do Controle Jurisdicional, art. 5º , XXXV, CF, afirmando que ao optar pela via judicial o cidadão renuncia ao julgamento de seu pleito na esfera administrativa. Fundamentase, ainda, no DecretoLei n° 1.733/79, art. 1º , § 2º , Lei n° 6.380/80, art. 38, parágrafo único, Ato Declaratório (Normativo) n° 3 da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, julgado do Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes, e Parecer PGFN n° 25.046, de 1978, concluindo por não conhecer da impugnação "em razão de a matéria já ter sido submetida à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão será cumprida pela administração tributária, por intermédio do órgão fiscal jurisdicionante". Em recurso voluntário, às fls. 86/98, a recorrente manifesta sua inconformidade com a decisão atacada, apresentando suas razões, afirmando inicialmente que "ainda, não ingressou, junto ao judiciário, pedindo que lhe permitido a compensar os FINSOCIAL recolhido a maior, por isso, ao não julgar o seu pedido, data máxima vênia, laborou em grande equívoco o Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento...". Tece comentários acerca da compensação e da restituição, fazendo referência às Leis n°s 8.383/91; às INs n°s 67/92, 21/97 e 73/97; ao Decreto n° 2.138/97; e ao Parecer COSIT n° 58/98. Alega que a Receita Federal vinha promovendo normalmente a compensação e a restituição, até o advento do Ato Declaratório SRF n° 096/99, quando passou a considerar a decadência do direito ao pedido de restituição de maneira diferente. Aduz que a extinção do crédito tributário e a prescrição do direito de pleitear sua restituição, no lançamento por homologação, "se dá após o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita". Colaciona precedentes jurisprudenciais na esteira deste pensamento. Conclui por requerer que se considere o termo inicial do prazo para pleitear a restituição a data em que o seu direito se tornou disponível, que considera sendo a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, pugnando pelo provimento do recurso. Em 21/06/2001, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência “...para verificação da fase processual da ação judicial impetrada pela ora recorrente, informando eventual julgamento de mérito, sob pena de arquivamento do processo”. Em decorrência, a autoridade preparadora intimou a Recorrente a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, cópia da Decisão Judicial do Processo 2000.33.00.0216839. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A Recorrente, a seu turno, atravessou petição para esclarecer que o processo judicial em questão fora extinto sem julgamento de mérito em 08/11/2000. Juntou andamento processual para demonstrar o alegado. Além disso, defendeu que a causa de pedir era diferente do pedido administrativo, mas não juntou cópia da inicial do mandado de segurança. Por tais razões, defendeu a inexistência de concomitância. O processo foi novamente devolvido para julgamento, desta vez para o CARF. Contudo, o colegiado responsável pelo segundo julgamento do recurso voluntário entendeu que a diligência não fora cumprida satisfatoriamente, determinando a juntada do inteiro teor do processo judicial em mais uma diligência. Esse é o teor da Resolução nº 3201 00.061, de 18/06/2009. Em atenção à intimação da resolução supracitada, e após ter pedido dilação de prazo para atendêla, a Recorrente apresentou cópia de algumas partes do processo judicial apenas. O objeto do mandado de segurança impetrado pela Recorrente pode se inferir do pedido abaixo transcrito, in verbis: Ante o exposto e os precedentes transcritos, requerem as Impetrantes, com espeque no art. 169, do Código Tributário Nacional, que seja autorizado ao Sr. Delegado da Receita Federal em Feira de Santana a promover a devolução dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, na forma do disposto no Decreto n°2.138/98, ou autorizar a compensação dos seus créditos com débitos de sua responsabilidade com espeque no mesmo Decreto, pedidos em restituição através dos processos supramencionados. (Grifouse) Esse objeto também fica muito claro na sentença, que extinguiu o feito sem julgamento de mérito, tendo em vista que a Recorrente não comprovou o recolhimento do Finsocial e o mandado de segurança não admite dilação probatória. Confirase: A aferição da certeza do crédito só pode ser feita a partir da prova do recolhimento reputado indevido. O documento juntado pelos Impetrantes comprova tãosomente o indeferimento da restituição no âmbito administrativo, o que é totalmente despiciendo em se tratando de mandamus tendente a assegurar compensabilidade tributária, onde o conteúdo da sentença tem cunho simplesmente declaratório a partir de construção pretoriana desenvolvida pelo STJ pela sua admissibilidade. (Grifouse) O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O cerne da divergência existente nos presentes autos consiste em saber se há concomitância, ou não. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10530.001877/9951 Acórdão n.º 3201001.617 S3C2T1 Fl. 169 5 Considerando que o objeto do pedido administrativo ora analisado é a restituição de Finsocial e o objeto do Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0216839 é a restituição/compensação de Finsocial com outros débitos tributários, não resta dúvida de que há uma identidade de objetos, o que, a princípio, configuraria a concomitância impeditiva do conhecimento do recurso voluntário. É o que se depreende da súmula abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Grifouse) A razão de ser da referida súmula é a unicidade de jurisdição com prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas. Logo, se o interessado ajuíza uma ação com o mesmo objeto de uma demanda administrativa também intentada por ele, é razoável que a análise extrajudicial fique prejudicada. Tendo em mente a essência da concomitância processual, originária do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, questão mais complexa que se põe à discussão é vivida no caso concreto, ou seja, quando o processo judicial é extinto sem julgamento de mérito durante o trâmite da demanda administrativa. Isso porque, senão há julgamento de mérito, não há coisa julgada, e, portanto, a princípio, não haveria chance da decisão judicial desse tipo se sobrepor ao julgamento de mérito da demanda administrativa. Com efeito, se a propositura de ação judicial é condição objetiva para o reconhecimento da concomitância, abstraindose da essência desse instituto, o recurso voluntário em tela não poderia ser conhecido, ainda que a Recorrente alegue, em seu favor, a extinção precoce do processo judicial, sem julgamento de mérito. Registrese que essa questão parece ainda encontrar divergências no CARF, conforme se depreende das ementas abaixo transcritas: CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1. (Acórdão nº 1101000.934, Rel. Cons. Benedicto Celso Benicio Junior, Sessão de 08/08/2013) ......................................................................................................... RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. AÇÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não há falar em renúncia ao contencioso administrativo, se, no caso dos autos, além de a ação judicial ter sido declarada extinta, sem o julgamento do mérito, antes mesmo de que o contribuinte apresentasse sua Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 impugnação ao auto de infração, sua reclamação posterior se deu em face da autuação que converteu a pena de perdimento em multa. Nula, portanto, a decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação administrativa. (Acórdão nº 3301001.858, Rel. Cons. Bernardo Motta Moreira, Sessão de 22/05/2013) ......................................................................................................... RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. AÇÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a ação judicial seja extinta sem julgamento de mérito, pelo que não obsta a análise do direito material na esfera do CARF. (Acórdão nº 9303001.542, Rel. Cons. Maria Teresa Martinez Lopez, Sessão de 05/07/2011) Apesar da celeuma, é de se reconhecer o acerto da decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou seja, não havendo julgamento de mérito no âmbito judicial, não há óbice de analisar o direito material na esfera administrativa. Entretanto, esse acórdão não elimina o disposto no parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, segundo o qual há renúncia à via administrativa quando da propositura da ação judicial. Tanto que a ementa diz claramente que, não havendo coisa julgada material, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa. Ressaltese, por oportuno, que o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 1980, não impõe a renúncia ao direito quando a decisão judicial transita em julgado sem análise de mérito. Se fosse assim, não poderia a contribuinte reingressar na via administrativa. Esclareçase, por oportuno, que a Súmula CARF nº 1 não é aplicável ao caso concreto, eis que menciona expressamente o lançamento de ofício como origem da discussão extrajudicial, o que não ocorreu no presente processo administrativo – motivado por iniciativa da própria Recorrente em pedido de restituição de indébito tributário. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO recurso voluntário haja vista a desistência da via administrativa quando da propositura da ação judicial posterior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000897/2009-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
A EMPRESA OU COOPERATIVA É RESPONSÁVEL PELO DESCONTO E RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DA PARTE PESSOAL DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE LHE PRESTA SERVIÇOS, BEM COMO CABE A COOPERATIVA FAZER IDÊNTICO PROCEDIMENTO PARA O COOPERADO ASSOCIADO E PARA O COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE DIREÇÃO NA COOPERATIVA, TENDO EM VISTA A DETERMINAÇÃO LEGAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 - A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 A EMPRESA OU COOPERATIVA É RESPONSÁVEL PELO DESCONTO E RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DA PARTE PESSOAL DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE LHE PRESTA SERVIÇOS, BEM COMO CABE A COOPERATIVA FAZER IDÊNTICO PROCEDIMENTO PARA O COOPERADO ASSOCIADO E PARA O COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE DIREÇÃO NA COOPERATIVA, TENDO EM VISTA A DETERMINAÇÃO LEGAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente COOSENGE COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 A EMPRESA OU COOPERATIVA É RESPONSÁVEL PELO DESCONTO E RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DA PARTE PESSOAL DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE LHE PRESTA SERVIÇOS, BEM COMO CABE A COOPERATIVA FAZER IDÊNTICO PROCEDIMENTO PARA O COOPERADO ASSOCIADO E PARA O COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE DIREÇÃO NA COOPERATIVA, TENDO EM VISTA A DETERMINAÇÃO LEGAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 97 /2 00 9- 65 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 184 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 185 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.237.4182, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais – prestadores de serviços, bem como em razão da parte que deveria ser descontada do cooperado associado e do cooperado que exerce cargo de administração, valores não retidos e assim não repassados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 22 a 28, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 15 e 16. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/10/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. Consta, as fls. 29, Termo de Juntada de Processo, o qual informa que o presente processo está sendo juntado por apensação ao processo principal, Proc: 16832.000898/200918, datado de, 21/10/2009. O contribuinte apresentou sua defesa, em 13/11/2009, as fls. 30 a 40, acompanhada dos documentos, de fls. 41 e 88. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 90. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1230.367 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 06/05/2010, fls. 91 a 97. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte, sendo excluído do crédito o período de 01/2004 a 09/2004, em razão da decadência. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 14/06/2010, conforme AR, de fls. 100, sem informação da data de recebimento, contendo apenas a data da postagem. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 105 a 114, recebido, em 29/06/2010, conforme carimbo de recepção, de fls. 105, acompanhado dos documentos, de fl.s 115 a 146. Mérito. · que os valores foram pagos de forma individual pelas pessoas que o receberam; · que a recorrente é cooperativa instituída na forma da Lei 5.764/71, não se confundido com empresas de caráter econômico, pois a cooperativa é quem presta serviços ao cooperado, sendo a ausência de fins lucrativos que possibilita a cooperativa ser uma entidade diferenciada para fins fiscais; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 186 4 · Dos requerimentos: a) recebimento do presente recurso; b) que seja acolhido e julgado procedente; c) anulandose os créditos lançados. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, sugerindo sua remessa ao CARF, fls. 147. Consta, as folhas 182, um Termo de Apensação (2), o qual informa a juntada por apensação destes autos, aos autos do PAF 16832.000898/200918, em 22/05/2013. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O fato dos valores terem sido pagos individualmente pelos supostos prestadores de serviços e cooperados em nada altera o lançamento, pois a obrigação de promover o desconto e recolher os onze pro cento (11%) da parte individual do prestador de serviços e do cooperado associado, bem como do cooperado dirigente é da cooperativa, nos termos do caput do artigo 4º e do parágrafo 1º, do artigo 4º, da Lei 10.666/2003, em suas diversas redações, abaixo transcritas. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia vinte do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Medida Provisória nº 447, de 2008) (Produção de efeitos) § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia vinte do mês subseqüente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Medida Provisória nº 447, de 2008) (Produção de efeitos) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 188 6 Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Desta forma, a lei elegeu a cooperativa responsável tributária, nos termos do artigo 128, da Lei 5.172/66. O presente lançamento exige a parte pessoal da contribuição do trabalhador que é de responsabilidade do tomador de serviços (empresa ou cooperativa) das pessoas físicas – contribuintes individuais – como determinado no artigo 195, I “a”, da CRFB/88, veja a transcrição. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (o realce foi feito por mim) Neste linha de raciocino o artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 equiparam a cooperativa as empresa em geral, para fins do sistema de custeio da seguridade social e proteção ao trabalhador, vejo o artigo, além do que a obrigação decorre de responsabilidade tributária atribuída por lei. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 189 7 presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (o grifo é meu) O agente fiscal em seu Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls. 22 a 28, itens 6; 9 e 13, deixa claro em diversos momentos que o lançamento objeto desses autos e que resultou no respectivo crédito, decorre da utilização da prestação de serviços de pessoas físicas, assim consta do citado REFISC. Parte de segurados relativa aos pagamentos feitos a contribuintes individuais CIs (prestadores de serviço pessoa física, diretores (pro labore) e cooperados filiados). 9. Os pagamentos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício constam das contas 2036 DIVERSOS, 4085 CONSERVAÇÃO E LIMPEZA, 4246 HONORÁRIOS DE ADVOGADOS PF e 4 2 9 5 SERVIÇOS PRESTADOS PF. As retenções feitas foram lançadas na conta 1792 INSS DESCONTADO COOPERADOS SI PRODUÇÃO (tal conta deveria receber somente os valores descontados dos cooperados filiados mas foram feitos lançamentos de desconto de prestadores na mesma). Abaixo a os valores apurados. 10. Os pagamentos a título de pro labore foram apurados nas contas 2336 REPASSE COOPERADOS e 3505 PRODUÇÃO COOPERATIVISTAS A PAGAR. Embora tais contas refiramse a valores pagos a cooperativados filiados, a cooperativa, erroneamente, lançou os valores de honorários nesta conta. Nos livros "Demonstrativo de Repasses", elaborados um por mês e onde constam os valores repassados a filiados cooperados, não há registro dos valores aqui apurados como honorários. A cooperativa também confirmou que tratamse de honorários da diretoria. Em virtude de os diretores também serem filiados cooperados, no cálculo dos 11% (parte dos segurados) foi observada a remuneração global recebida, ou seja, o pro labore somado a eventual rateio de produção. G2 Valores pagos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício; G3 Valores pagos a título de pro labore da diretoria; G4 — Valores pagos a cooperados filiados; Z1 e Z2 Correspondem aos levantamentos G2 e G3, respectivamente, e são utilizados em substituição a estes nas competências onde ouve o lançamento da multa de oficio de 75%. (fiz o texto sobressair) No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 14/10/2009, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 190 8 ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2004 a 12/2004,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 15 e 16. Desta forma, para esse período, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações realizadas em mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quanto ao recebimento deste recurso que o fiz. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 – A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 191 9 ANEXO AO ACÓRDÃO MPF Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000897/200965 Acórdão n.º 2803003.615 S2TE03 Fl. 192 10 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720213/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 02 13 /2 01 1- 21 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 204/211, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.084.009,02. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) Que o Fisco não pode classificar os depósitos bancários como omissão de rendimentos, mesmo não sendo comprovada sua origem, fl 252; b) Que a administração tributária sempre buscou a forma mais fácil de apuração de eventuais ilícitos fiscais e de fixação de base de cálculo dos tributos, através das presunções legais relativas, e que além disso, carece de autorização judicial, os meios utilizados pelo fisco para obter os extratos bancários, o que inadmissível na doutrina e jurisprudência, fl 253; c) Que embora a conta seja conjunta com seu cônjuge, as movimentações não eram por ela realizadas, mas por ele, que é impossível falar em rendimentos auferidos, de uma movimentação financeira que por ela não era realizada, fl 253; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720213/201121 Acórdão n.º 2201002.507 S2C2T1 Fl. 3 3 d) Que é ilegal presumirse depósito bancário como renda, que há inúmeros argumentos doutrinários e jurisprudências, no sentido de não se considerar legítimo o Imposto de Renda arbitrado em depósitos bancários, fl 253; e) Fez citação do art. 43 do CTN, e transcreveu parte do Acórdão CSRF/0102.741 – DOU de 06.12.2000), de processo do qual não fez parte, fl 253; f) Fez citações doutrinárias e de ementas em processos que tramitaram em Tribunais, dos quais o litigante não fez parte, fls 254 a 257, 258 e 259; g) Que a fiscalização deve, em casos como o presente, aprofundar as investigações, procurando demonstrar o efetivo aumento de patrimônio e/ou consumo do contribuinte, através de outros sinais exteriores de riqueza, a exemplo do levantamento dos gastos efetuados através de cheques emitidos, que embora tal fato seja um valioso indício de omissão de receita, não é suficiente, por si mesmo para amparar o lançamento, tendo em vista o disposto na lei, fl 257; h) Questionou o nexo causal entre depósito e o fato que represente omissão de rendimentos diante do art. 42 da Lei nº 9.430/96, para argumentar que nem todo ingresso financeiro constituise em acréscimo patrimonial, sendo necessário verificar cada caso concreto, que depósitos bancários podem se constituir em valiosos indícios, mas não prova de omissão de rendimentos, fls 258 a 260; i) Questionou a aplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, com o advento da Lei Complementar 105/2001, por entender que é um absurdo jurídico, afirmar que ainda é possível a utilização do arbitramento da base de cálculo sob a presunção júris tantum de omissão de receita a que se refere o art. 42 da Lei nº 9.430/96, baseada na soma dos depósitos bancários, fl 260; j) Transcreveu o art. 2º, § 1º e o art. 6º da Lei de Introdução do Código Civil e doutrina de modalidades de revogação da Lei, Revogação Tácita ou Indireta, Revogação Geral e Revogação Parcial, para concluir que a lei existente, se não for de vigência temporária, permanece em vigor até que lei posterior a revogue expressa ou tacitamente, fl fls 261 a 264; k) Historiou a questão de imposição por presunção de omissão de receita e conseqüente arbitramento correspondente à soma dos depósitos bancários, com citação doutrinária, transcrição de ementas de processos que tramitaram no antigo Conselho de Contribuintes, hoje CARF, em processos dos quais o litigante não fez parte, fls 264 a 268; l) Que nem mesmo diante dos benefícios da Lei Complementar nº 105/2001, de realizar a quebra do sigilo bancário, o Fisco deve insistir nos instrumentos mais fáceis de apuração de eventuais ilícitos, e novamente fez citações doutrinárias, fez transcrição de ementas de acórdão em processo do qual o Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 contribuinte não fez parte, para concluir que entende que a Lei Complementar 105/2001, forçosamente, revogou tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devendo, portanto, ser considerada nesse pleito, fls 268 a 270; m) Questionou sobre o princípio da capacidade contributiva e a interpretação principiológica abrogante do art. 42 da Lei nº 9.430/96, por entender que houve “colisão” entre a regra contida no artigo citado e um conjunto de princípios, e fez citação doutrinária, com transcrição do art. 145 da Constituição Federal, fls 270 a 271; n) Questionou a constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, com citações doutrinárias, fls 272 a 276; o) Questionou a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e transcreveu incisos X e XII do art. 5º, da Constituição Federal de 1988, com citações doutrinárias, e transcrições de ementas de processos que tramitaram em Tribunais, dos quais o litigante não fez parte, fls 276 a 282; p) Finalmente requereu a suspensão imediata da exigência do crédito tributário indevido e julgamento de procedência do pedido, extinguindo a exigência indevida, fl 283. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720213/201121 Acórdão n.º 2201002.507 S2C2T1 Fl. 4 5 ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois, não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 24/04/2012 (fl. 315), Lucitelma Ferreira Rocha apresenta Recurso Voluntário em 23/05/2012 (fls. 321/361), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Ilegalidade de presumir depósito bancários como renda. Nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão. Revogação do art. 42 da Lei 9.430/1996 em face a antinomia com o § 4° do art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001. Principio da capacidade contributiva e o art. 42 da Lei 9.430/1996. Inconstitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/1996. Quebra de Sigilo – Ausência de autorização judicial – Ilegalidade da RMF. Questão da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2007. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela recorrente. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, impende registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, esse Conselho já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) No caso em apreço, constatase que as Requisições de Movimentação Financeira (RMF) emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º que também estão claramente presentes nos autos. Com efeito, verificase que a recorrente foi intimada e reintimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto, silenciouse, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Sobre a alegação de antinomia entre as normas que embasaram o afastamento de seu sigilo bancário, cumpre esclarecer que o §4º do art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001 surgiu para disciplinar os critérios segundo os quais as instituições financeiras prestarão informações sobre as operações efetuadas pelos correntistas, além de subsidiar os serviços de fiscalização e auditoria da autoridade fazendária. Transcrevese o § 4º do art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Por sua vez, o art. 42 da Lei 9.430/1996 diz respeito à tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, efetuada por meio de uma presunção de omissão de rendimentos legalmente estabelecida. Portanto, não existe qualquer antinomia, conflito ou incompatibilidade entre as normas que possa invalidar o lançamento. Em relação à alegação de inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, transcrevo a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720213/201121 Acórdão n.º 2201002.507 S2C2T1 Fl. 5 7 No que tange à alegada afronta ao princípio da capacidade contributiva, impende deixar assentado que o citado princípio é voltado ao legislador ao criar os impostos de sua competência e, por conseguinte, não pode ser suscitado administrativamente. É nesse sentido a lição de Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua obra, Compêndio de Direito Tributário, Forense, V.2, 3ª ed., p.122123: A regra (princípio da capacidade contributiva) tem eficácia jurídica perante o legislador ordinário, devendo este, ao escolher os fatos geradores da obrigação tributária (as hipóteses de incidência da regra jurídica criadora do imposto), verificar fatos presuntivos de capacidade contributiva (...). O problema é eminentemente político legislativo. Assim sendo, aprovada a lei, presumese que suas regras estejam de acordo com os princípios constitucionais vigentes. Portanto, até que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 seja declarado inconstitucional, ao órgão julgador administrativo cabe apenas zelar por sua fiel aplicação. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. No mérito, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Com efeito, diferentemente do que faz crer a contribuinte, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que comprovar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cabe esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo inciso XVIII do art. 88 da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Portanto, inaplicável a alegação de ofensa a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Ressaltese que o fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula os autos. A ampla instrução probatória permite que tanto o fisco, como o contribuinte, possam se utilizar de todos os meios de prova, objetivando levar o julgador a firmar convicção sobre os fatos constantes do lançamento em razão da busca da verdade real. Contudo, além das questões de direito mencionados em sua defesa, a recorrente não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720213/201121 Acórdão n.º 2201002.507 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10930.720096/2008-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até o início do procedimento fiscal.
ÁREA UTILIZADA. ÁREA DE PASTAGEM. PROVA.
A revisão dos valores declarados só pode ser efetuada quando o contribuinte apresenta elemento hábil de prova da utilização das áreas pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 103,7 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado no DIAT, por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até o início do procedimento fiscal. ÁREA UTILIZADA. ÁREA DE PASTAGEM. PROVA. A revisão dos valores declarados só pode ser efetuada quando o contribuinte apresenta elemento hábil de prova da utilização das áreas pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 00 96 /2 00 8- 44 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 132 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 103,7 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f. 41/44), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2005, no valor total de R$ 107.653,60, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 0.824.2941, localizado no município de Congonhinhas PR. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como de preservação permanente e de reserva legal. Houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. O interessado apresentou a impugnação de f. 45/49. Afirma que a discriminação do Laudo e Memorial Descritivo apresentado corresponde às condições de utilização do imóvel, inalteradas há mais de quinze anos. Defende que o Laudo foi realizado de forma escorreita, por profissional habilitado. Alega que, no imóvel, a área de pastagens corresponde a 371,1 ha e não 198 ha (conforme declarado na DIAT), o que acarretaria a redução da alíquota e do imposto devido. Argumenta que providenciou a averbação da área de reserva legal em 2006. Solicita, caso seja tida como improcedente a impugnação, que seja concedido o desconto da multa após o fim dos trâmites administrativos. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 133 3 A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 98/105, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. REQUISITOS. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificado daquele acórdão em 11/06/2010 (fl. 109), o Interessado, representado por seu advogado (fl. 116), interpôs recurso voluntário de fls. 110/115, em 13/07/2010. Em sua defesa, requer a improcedência do lançamento fiscal, levandose em conta os valores do laudo de avaliação devidamente anexado onde se demonstra que o valor da terra nua e benfeitorias se coadunam com os valores lançados na Declaração de ITR, bem como que o imóvel tem as áreas de preservação permanente, reserva legal e pastagem de 43,8 hectares, 103,7 hectares, e 371,14 hectares, respectivamente, há mais de quinze anos. Pretende, ainda, seja mantido o desconto na multa de oficio no percentual de 50% após a apreciação do presente recurso, ou na pior hipótese que seja concedido o desconto de 40%, haja vista que o referido benefício não pode ser esbulhado do contribuinte que busca nos recursos administrativos e judiciais, o duplo grau de jurisdição para discussão de eventuais direitos. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 134 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de alteração do Valor da Terra Nua – VTN e glosa dos valores declarados como áreas de preservação permanente e áreas de utilização limitada. O Recorrente contesta o arbitramento do VTN, trazendo como principal ponto de sua defesa o laudo de avaliação de fls. 73/77, que não foi aceito pela decisão de primeira instância por não observar o disposto no item 9.2.15, alínea "b", da NBR 14653 3, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados". De fato, verificase que, no referido laudo, não existe sequer um dado de mercado efetivamente utilizado, ou melhor, o VTN trazido pela defesa no Laudo de Avaliação de fls. 73/77 não se baseia em preço de mercado na data de ocorrência do fato gerador (1º/01/2005). Observese que o Contribuinte teve chance de se defender na fase impugnatória e, agora, em sede de recurso, de forma a comprovar que o arbitramento é equivocado. Entretanto, o peticionário não logrou refutar o valor arbitrado pela fiscalização, sendo certo que poderia ter apresentado novo laudo de avaliação com observância das condições exigíveis para avaliação de imóveis rurais fixadas pela Norma Brasileira para Avaliação de Imóveis Rurais, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, contendo, dentre outros, os seguintes requisitos: 1 escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 2 a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 3pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas. A norma da ABNT,ainda, estabelece que pelo menos cinco elementos amostrais devam ser efetivamente utilizados na determinação do valor. Assim, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração, pois, de acordo com o disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, a conclusão que se impõe é que o documento fornecido pelo contribuinte não pode ser considerado um laudo de avaliação, muito menos de grau de fundamentação II. No que tange à exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (onde se encontra também a área de reserva legal e a área de interesse ecológico) da incidência do ITR, há que se esclarecer que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 135 5 de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Ou seja, o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 136 6 ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência da áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Da mesma forma, entendo que, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos isentivos tributários, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável negar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Neste sentido, é o entendimento do seguinte julgado: Acórdão nº 210201.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto de ementa) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 137 7 sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Quanto ao momento da averbação da reserva legal, este Colegiado decidiu no Acórdão 2801003.495, sessão de 14 de abril de 2014, de relatoria do Ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida: Importante assinalar que nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 27/11/2013, foi arguida a questão relativa à especificação e averbação da área de reserva legal antes ou durante o procedimento de fiscalização, ou seja, entre a data da ocorrência do fato gerador e a data da lavratura da Notificação de Lançamento. Nada obstante, a insurgência da embargante foi rechaçada sob os seguintes argumentos: “A par disso, registro que no julgamento do embargos de declaração opostos contra o acórdão que julgou o recurso especial, o então relator, eminente Ministro Mauro Campbell Marques, assentou que "[e]sta Corte posicionou de forma clara, adequada e suficiente acerca da tese que lhe foi submetida: a necessidade de averbação da reserva legal para que a parte usufrua da isenção prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei nº 9.393/96. Tudo quanto a embargante procura discutir nos embargos de declaração constitui matéria que não foi apreciada pela Corte regional porque a tese jurídica ora analisada nesta instância especial foi prejudicial às demais questões levantadas na apelação”. Ora, se as demais questões suscitadas pela embargante não foram apreciadas no julgamento do recurso especial, também não é possível delas conhecer em sede de embargos de divergência. Constatase, portanto, que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios”. Verificase, assim, que a questão relativa ao momento da averbação para fins de obstar ou desconstituir o lançamento fiscal não foi objeto de apreciação pelo STJ, tampouco é definida pelas legislações tributária/ambiental, pelo que esta Turma de julgamento deve se debruçar sobre o tema, de forma a decidir o caso concreto e, quiçá, a servir de subsídio à uniformização da jurisprudência deste Conselho. Nesse contexto, suponha as seguintes situações: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 138 8 a) Contribuinte declara área de reserva legal inexistente (área tributável declarada a menor). Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal, o tributo será lançado sobre a área total do imóvel (admitindose a inexistência de outras deduções legais); b) Contribuinte declara área de reserva legal existente, sem proceder a averbação. Posteriormente, antes do início do procedimento fiscal, resolve averbar a referida área na matrícula do imóvel. Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, havendo a averbação da reserva legal e abstraindose da questão do ADA, que não foi objeto deste lançamento, o tributo não poderá ser lançado, porquanto preenchido os requisitos substancial (existência da área de reserva legal) e formal (averbação da área na matrícula do imóvel). Em outras palavras: se no momento do exame pela Autoridade competente o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, não me parece razoável a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada. Assim, enquanto o contribuinte estiver espontâneo, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá, a meu ver, por analogia ao dispositivo legal que trata da espontaneidade, averbar a área de reserva legal e fruir da isenção legal respectiva. Anoto, por fim, que depois de iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade restará invalidada e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso ainda não tenha sido averbada. A razão é evidente: a averbação posterior ao início do procedimento fiscal não teria por escopo a preservação da área de reserva legal, mas sim evitar o possível lançamento tributário. É de se destacar que a área preservação permanente de 43,8 ha pleiteada pelo Recorrente já foi restabelecida pela decisão recorrida. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até o início do procedimento fiscal – 02/09/2008 (fl. 02), já havia sido informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência da área de reserva legal de 103,7 ha e se houve averbação da área de reserva legal. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.720096/200844 Acórdão n.º 2801003.755 S2TE01 Fl. 139 9 Compulsando os autos, verificase que, em 13/02/2006, houve a averbação do Termo de Compromisso de Proteção de Reserva Legal firmado com o Instituto Ambiental do Paraná sobre uma área de 103,7 ha. Dessa forma, restando comprovada a comunicação a órgão de fiscalização ambiental e averbação da de reserva legal de 103,7 ha antes do início do procedimento fiscal, tal área deve ser aceita para fins de exclusão da área tributável pelo ITR. Em relação à área de pastagem, não consta dos autos elementos de provas que demonstrem a pretendida alteração de 198,0 ha para 371,14 ha. O Recorrente nada de novo traz aos autos para demonstrar a existência da área de pastagem superior àquela declarada, limitandose a reafirmar os argumentos da impugnação que já foram cuidadosamente examinados e rebatidos no acórdão guerreado, que assim se manifestou: Por fim, reiterese que o imposto devido em cada ano depende da utilização do imóvel considerada no respectivo anobase. Se o impugnante deseja comprovar que a exploração do imóvel se deu em índices superiores ao declarado na DIAT (área de pastagens), deve providenciar a comprovação do alegado para cada ano, mediante a apresentação de Laudo Técnico, notas fiscais, comprovante de vacinação de animais, haja vista que a aceitação da área de pastagens está condicionada à aplicação de índices de rendimento por zona de pecuária. Em outras palavras, não há que ser comprovada somente a existência da área de pastagens, mas a existência de quantitativo de animais suficientes para sua aceitação. No que diz respeito a eventual redução da multa de ofício, caberia ao Contribuinte ter efetuado pagamento/parcelamento nos prazos previstos para obtenção das reduções de 50% e 40% da multa de ofício. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar a área de reserva legal de 103,7 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16408.000906/2006-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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COMPROVAÇÃO Os elementos probatórios são considerados para fins de exclusão da tributação, tendo em vista reconhecimento do procedimento de compensação, por conta de diligência solicitada, pela unidade de origem, exceto em relação aos valores de R$ 48,08 de PIS e de R$ 644,40 de Cofins. Recurso ao qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 09 06 /2 00 6- 85 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração (cientificados em 18/08/2006, fl. 52): de fls. 03/06, em que são exigidos R$ 81.156,87 de Cofins e R$ 60.867,64 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da Cofins relativamente aos períodos de apuração 01/2002 a 07/2002, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05/06, demonstrativo de apuração de fl. 07 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 08, e de fls. 12/15, em que são exigidos R$ 17.100,08 de PIS e R$ 12.825,03 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição ao PIS relativamente aos períodos de apuração 01/2002 a 07/2002, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 14/15, demonstrativo de apuração de fl. 16 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 17. Consoante descrito nos próprios autos de infração, os lançamentos decorreram da apuração de diferenças entre os valores declarados (DIPJ) e confessados (DCTF) a título de PIS e Cofins em relação aos aludidos períodos de apuração. Em 18/09/2006, a interessada interpôs as impugnações de fls. 54/62 (PIS) e 82/90 (Cofins), instruídas com os documentos de fls. 63/81 e 91/109 (cópia de documentos societários, de despacho e de documentos relativos ao processo 10940.000979/200149, de planilhas de compensação e de DARF), onde alega, em síntese, a compensação dos créditos tributários com créditos oriundos de pagamentos efetuados indevidamente no anocalendário 2000. Alega, ainda, a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic para fins tributários. Junta planilhas e pede o cancelamento do lançamento. Na hipótese de entendimento diverso, requer a observância do CTN e a consequente exclusão da taxa Selic. Protesta, também, por todos os meios de prova em direito admitidos. Às fls. 20/43, fichas da DIPJ 2003 (ficha 20A, janeiro a dezembro/2002 e ficha 19A, janeiro a dezembro/2002). Às fls. 44/47, extratos de consulta ao sistema de controle de DCTF. Às fls. 49/50, extratos de consulta ao sistema de controle da arrecadação federal. É o relatório O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0622.372 de 27/05/2009, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16408.000906/200685 Acórdão n.º 3802003.564 S3TE02 Fl. 323 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito subjetivo de compensar recolhimentos a maior da contribuição para o PIS com débitos do próprio PIS, não pode ser simplesmente arguido, dependendo seu exercício, além da comprovação material dos créditos a compensar, da correspondente escrituração contábil capaz de demonstrar cabalmente que o procedimento foi de fato adotado, previamente à autuação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito subjetivo de compensar recolhimentos a maior da Cofins com débitos da própria Cofins, não pode ser simplesmente arguido, dependendo seu exercício, além da comprovação material dos créditos a compensar, da correspondente escrituração contábil capaz de demonstrar cabalmente que o procedimento foi de fato adotado, previamente à autuação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2002 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Lançamento Procedente. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada pela empresa autuada, para manter o crédito tributário exigido mediante Auto de Infração. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Observei que a recorrente, solicitou para tornarem improcedentes os autos de PIS e Cofins; uma vez, inexistentes os débitos, objetos dos autos, os quais foram compensados com créditos das mesmas contribuições oriundos de pagamentos indevidos no anocalendário de 2000. Reconhece que o erro foi não declarar em DCTF, os valores devidos e as compensações efetuadas, no entanto, declarou em DIPJ. Diante dos fatos relevantes foi convertido o processo EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, no intuito de verificar a confirmação dos créditos aludidos e, se fosse o caso, abatimento com os valores nos autos de infração, tendo em vista o princípio da verdade material, através da Resolução de n° 3201000.269, de3/6/2011. Assim como, elaborar Relatório sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Consta resposta da diligência (fls. 300/302pdf), através do Relatório n° 9/2013, em 06/02/2013 (reproduzido no voto) Foram intimados o contribuinte e a PGFN. A recorrente manifestouse e concordou com o Relatório e inclusive, pela ausência dos recolhimentos do PIS e COFINS, nos valores originais de R$ 48,08 e R$ 644,40; respectivamente. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de Cofins, multa de ofício, além dos acréscimos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da Cofins relativamente aos períodos de apuração 01/2002 a 07/2002, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05/06, demonstrativo de apuração de fl. 07 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 08, e exigência de PIS, multa de ofício, além dos acréscimos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição ao PIS relativamente aos períodos de Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16408.000906/200685 Acórdão n.º 3802003.564 S3TE02 Fl. 324 5 apuração 01/2002 a 07/2002, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 14/15, demonstrativo de apuração de fl. 16 e demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 17. Transcrevese o resultado da diligência, onde se conclui na pertinência parcial do pleito da recorrente, à vista dos documentos acostados e restando um saldo de ausência do recolhimento do PIS e COFINS nos valores originais de R$ 48,08 e R$ 644,40; respectivamente. Tratase de Diligência solicitada à DRF Ponta Grossa por meio da Resolução nº 3201000.269 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, determinando que se proceda à verificação dos créditos aludidos no presente processo, e sefor o caso, abatimento com os valores objetos do auto de infração (fls. 149 a 152). Posteriormente, esta DRF deveria trazer aos autos relatório sobre os fatos apuradosna diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observaçõesjulgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Por ocasião da impugnação, a DRJ em Curitiba assim se manifestou: 15. Ou seja, inexistente a exigência de requerimento, é de se concordar com a alegação deque, à época, a ausência de informação de uma compensação na DCTF não constituiria fato suficiente para obstar o seu reconhecimento administrativo. 16. Inegável, no entanto, que à impugnante caberia, ao menos, fazer prova de que procedera, de fato, à alegada compensação em sua própria contabilidade. Afinal, é necessário esse registro a fim de estabelecer o marco temporal da utilização de seu crédito, tanto para afastar a prescrição de seu direito como para fins de comprovar a espontaneidade do procedimento. Noutras palavras, o direito subjetivo de compensar recolhimentos a maior de uma contribuição com débitos de mesma espécie, não pode ser simplesmente arguido, dependendo seu exercício, além da comprovação material dos créditos a compensar, da correspondente escrituração contábil capaz de demonstrar cabalmente que o procedimento foi de fato adotado previamente à autuação. (grifo nosso) O CARF, porém, sob a ótica do princípio da verdade material, optou por converter o julgamento em diligência, resultando no presente relatório, como segue. De modo a dar prosseguimento à solicitação do CARF, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 563/2012, no qual o sujeito passivo foi intimado a esclarecer se houve ou não a escrituração das compensações de PIS e Cofins à época dos fatos, com a devida comprovação por meio da apresentação dos respectivos livros contábeis (fls. 156 a 157). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Este procedimento justificase pelo fato de que o contribuinte, embora admita ter deixado de informar as compensações em DCTF, na apresentação de seu recurso voluntário alega ter devidamente escriturado tais fatos contábeis (fls. 130, item 2.14), apesar de até então não ter juntado aos autos a correspondente documentação probatória. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 563/2012, o contribuinte apresentou os Livros Diário e Razão solicitados, indicando os registros contábeis com os quais pretende comprovar a devida escrituração das compensações à época própria, ao longo dos anos de 2001 e 2002,portanto, antes da lavratura do auto de infração em 2006 (fls. 259 a 281). Em análise dos livros contábeis apresentados, depois de examinadas suasformalidades extrínsecas e intrínsecas, constatouse que procede a alegação do contribuinte de que houve o registro das compensações dos débitos de PIS e Cofins do período de janeiro a julho de 2002, conforme apontamentos nos livros (fls. 259 a 281). Com relação aos créditos utilizados nas compensações, alega serem oriundos de retificações das DCTFs do anocalendário de 2000, as quais reduziram os débitos declarados, depois de já terem sido efetuados os pagamentos pelos valores originais. De modo a esclarecer os fatos, por meio da Intimação Fiscal nº 585/2012 foi solicitado ao contribuinte comprovar a titularidade dos créditos pleiteados em nome da pessoa jurídica sucedida Slaviero Florestal S/A, CNPJ 76.588.219/000115 – bem como esclarecer o porquê das sucessivas retificações das DCTFs do anocalendário 2000, ano de origem do crédito (fls. 159 a 162). Em resposta à intimação, dentre outros documentos, o contribuinte juntou Atas da Assembleia Geral Extraordinária e Protocolos de Cisão Total, referentes à cisão da Companhia Slaviero Florestal S/A, onde consta que a totalidade dos ativos e passivos da sucedida foram atribuídos a interessada no presente processo, exceto por um imóvel rural (fls. 166 a 204). Portanto, resta comprovada a titularidade da interessada quanto aos créditos também da empresa sucedida. Quanto às sucessivas retificações das DCTFs no anocalendário 2000 (fls. 223 a 224), esclareceu que se deram em função da necessidade de retificação dos valores de outros tributos que não as contribuições sociais PIS e Cofins, pois para estes já havia deferimento das solicitações apresentadas em formulários, decorrente da exclusão das vendas do ativo imobilizado da base de cálculo das contribuições (fls. 70 a 76 e 98 a 104). Corroborando essa informação, os débitos das contribuições sociais declarados na DIPJ Exercício 2001 equivalemse aos valores constantes das DCTFs retificadoras, que deram origem ao crédito ora pleiteado (fls. 225 a 258). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16408.000906/200685 Acórdão n.º 3802003.564 S3TE02 Fl. 325 7 Após as verificações da existência dos créditos e de que as compensações foram devidamente registradas na contabilidade à época dos fatos, passouse então a verificação docorreto procedimento de compensação dos créditos de PIS e Cofins do anocalendário de 2000 com os débitos das contribuições do período de janeiro a julho de 2002, auditandose as planilhas apresentadas pelo contribuinte (fls. 77 a 82 e 105 a 110). Observouse que a empresa iniciou a compensação dos créditos com débitos de PIS e Cofins do período de maio a dezembro de 2001, utilizando o saldo remanescente na compensação com os débitos objetos do presente auto de infração (janeiro a julho de 2002). Notase que os registros das compensações cessaram no período de julho de 2002, não tendo sido encontradas na contabilidade outras utilizações para os mesmos créditos. Os débitos das contribuições sociais do anocalendário de 2001 constantes das planilhas apresentadas (fls. 77 a 82 e 105 a 110) conferem com os valores informados na correspondente DIPJ (fls. 205 a 216), bem como os débitos do anocalendário de 2002 conferem com os valores do auto de infração (fls. 07 e 16). Também conferem os montantes dos créditos informados, sendo iguais à diferença entre os DARFs recolhidos (fls. 217 a 222) e os valores declarados nas DCTF retificadoras (fls. 225 a 234) e DIPJs (fls. 235 a 258), para ambas ascontribuições. Tendo sidos confirmados todos os valores de débitos e créditos envolvidos na operação, utilizouse sistema próprio da RFB para aferição do encontro de contas efetuado pelo contribuinte nas compensações. Como se observa dos relatórios produzidos pelo sistema às fls. 282 a 297, concluise pela correção dos cálculos efetuados. Portanto, restando confirmada a correção dos cálculos das compensações, da mesma forma resta caracterizada a insuficiência de crédito para compensação total dos débitos, percebida pelo contribuinte somente depois da ciência do auto de infração correspondente. Conforme observase às fls. 82 e 110, restou saldo devedor de PIS no montante original de R$ 256,39 e de Cofins no montante original de R$ 3.436,76, ambos do período de julho de 2002. Anteriormente à apresentação da impugnação, o contribuinte efetuou os recolhimentos correspondentes aos lançamentos destes valores não compensados (fls. 298 a 299), no prazo de 30 dias da ciência do auto de infração (fls. 54). Apurou corretamente os juros Selic devidos (71,14%),porém, equivocadamente, aplicou de forma duplicada a redução da multa de ofício a que teria direito (50%), para ambas as contribuições, restando devedores os montantes de R$ 48,08 para o PIS e de R$ 644,40 para a Cofins, em valores originais na data de 18/09/2006 (data do recolhimento dos DARFs). Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Isto posto, concluise que consta da contabilidade da empresa a escrituração das compensações efetuadas entre créditos de PIS e Cofins do anocalendário de 2000 e débitos dasmesmas contribuições do período de janeiro a julho de 2002, estes, objetos do presente auto deinfração. Concluise também que os créditos utilizados nas referidas compensações encontravamse disponíveis ao contribuinte, pela análise da contabilidade e valores constantes da DIPJ, apesar dasretificações posteriores das DCTFs, esclarecidas pelo contribuinte às fls. 167 a 168. Restaram não pagos nem compensados os montantes de R$ 48,08 de PIS e de R$644,40 de Cofins (valores em 18/09/2006). Assim sendo, como confirmado pela fiscalização quando do pedido de realização de diligência; após as verificações devidas da existência dos créditos e de que as compensações foram devidamente registradas na contabilidade à época dos fatos, logo, resta comprovado procedimento de compensação, exceto em relação aos valores de R$ 48,08 de PIS e de R$ 644,40 de Cofins (valores em 18/09/2006). Por todo o exposto, os elementos probatórios são considerados para fins de exclusão da tributação, tendo em vista reconhecimento pela unidade de origem, pós realização de diligência. Isso posto, diante dos fatos comprobatórios e ratificados, dou provimento parcial ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10480.900121/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 01 21 /2 01 2- 01 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, protocolizada aos 09/03/2012 contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife DRF/ RECIFE/PE, do qual a contribuinte tomou ciência aos 10/02/2012, por meio do qual foi indeferido o Pedido de Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito, no valor de R$ 586,66, a título de pagamento indevido ou a maior realizado a título da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao período de apuração de agosto de 2002, no valor de R$ 4.814,55. 2. O indeferimento se deu porque, embora localizado supra dito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. 3. No recurso, a defendente solicita a reunião dos processos administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e causa de pedir (restituição de conjecturados créditos, apurados em diversos meses, decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998). 4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua visão, impediria o risco de que neles fossem proferidas diferentes decisões , o princípio da economia processual, a otimização dos trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código de Processo Civil –CPC e, ainda, em opiniões doutrinárias e em precedente do então 1º Conselho de Contribuintes. 5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008 pela RFB1, não fora intimada a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição seria deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito. 6. Argumenta que, nos termos do art. 142, do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900121/201201 Acórdão n.º 3801003.559 S3TE01 Fl. 12 3 7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma do Despacho Decisório. 8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no controle difuso, foi a questão decidida em sessão plenária do STF, razão por que os órgãos da Administração Tributária devem afastar sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 59, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, disposição esta que também estava encartada no art. 49, parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B, do CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos. 10. Pondera, outrossim, que “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento este que a recorrente escora em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que faz remissão. 11. Conclui a questão dizendo ser indubitável que o entendimento do STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas em suas decisões. 12. Avante, diz a recorrente que na base de cálculo da contribuição aqui tratada “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito requerido no PER, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. 13. Sustenta que, para que não pairem dúvidas, anexa documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado. 14. No final da Manifestação de Inconformidade, a recorrente: (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria discutida não foi submetida à apreciação judicial; e (iii) protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 a produção de perícias, a realização de diligência e a juntada de documentos. 15. Ao recurso a contribuinte anexou, além de documentos de representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído; e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. 16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema DCTF/CONS. Analisando o litígio, a DRJ de Recife/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da Contribuição para o PIS/Pasep foi calculado sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido sob o fundamento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900121/201201 Acórdão n.º 3801003.559 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos valores indevidamente recolhidos. Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a delegacia de julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900121/201201 Acórdão n.º 3801003.559 S3TE01 Fl. 14 7 Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da base de cálculo das mencionadas contribuições. Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a seguinte ementa: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900121/201201 Acórdão n.º 3801003.559 S3TE01 Fl. 15 9 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Nesse sentido, voto por julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.917121/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.320
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Interessado POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102 00.940, de 02 de março de 2011, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração/fato gerador: 01/11/2002 a 30/11/2002 EMENTA: COMPENSAÇÃO O Contribuinte não desconstituiu a afirmativa da Administração de que os créditos solicitados já teriam sido compensados com outros débitos fiscais, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. Recurso voluntário desprovido. Direito creditório não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 12 1/ 20 08 -8 7 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 186 2 O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo cuida de Declaração de Compensação – DCOMP de créditos relativos ao PIS e COFINS decorrentes de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso, serviço de representação comercial), com ingresso de divisas no País. Por bem resumir a controvérsia, tratando do direito e dos fatos que envolvem a lide, adoto parte do relatório do r. acórdão proferido pela DRJ de origem (fls. 37 verso e 38): 2. Por meio do Despacho Decisório n° 781168688, (emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não reconheceu o crédito informado no PER/DCOMP apreciado, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3. Cientificada, em 22/08/2008 (11.08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 19, na qual alega, em síntese, que: 3.1 A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; 3.2 As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norteamericanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3.3 Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliaria no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no Pais; 3.4 Não obstante tal isenção, por equivoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 3.5 Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou "Declarações de Compensação" nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto à RFB; 3.6 O Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 3.7 Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 3.8 Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de dívida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 3.9 Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, tem se de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 3.10 Desde que comprovado a não ocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 3.11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 187 3 5. Foram por mim anexados às fls. 32 a 36, os extratos de pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 32 a 35), e cópia da DIPJ (fl. 36). A DRJ julgou improcedente o pedido, conforme acórdão assim ementado (fl.37): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 1 11/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 ÓNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera as razões já expostas na impugnação. As omissões acusadas pela Embargante podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. 2.1 Conforme se verifica pela leitura do Acórdão n° 310200.940, esta E. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pela EMBARGANTE, sob o único fundamento de que a EMBARGANTE não teria comprovado que o crédito por ela utilizado na DCOMP, ora em discussão, não teria sido objeto de outra compensação. 2.2 Eis o que sustenta o Acórdão n° 310200.940 como fundamento para a não homologação da DCOMP: "Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal." 2.3. Ora, pela simples leitura do recurso voluntário e do Acórdão n° 310200.940, não resta dúvida de que este foi omisso em relação ao principal fato trazido pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, qual seja, o de que as receitas de comissões recebidas pela EMBARGANTE decorrem da prestação de serviços de representação comercial a empresas estrangeiras e que, por conseguinte, não integram a base de cálculo da COFINS, não tendo analisado toda a documentação anexada aos autos (DOCs. 01 a 05 do recurso voluntário). (...) 3. DA APRECIAÇÃO DOS FATOS TRAZIDOS PELA EMBARGANTE EM SEU RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1. A DRJ/RJ2 ao julgar a manifestação de inconformidade da EMBARGANTE reconheceu que, para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, deveria ser demonstrado documentalmente que parte das receitas sobre as quais incidiu a COFINS referente ao período de apuração de novembro de 2002, era decorrente da prestação de serviços à pessoa jurídica domiciliada no exterior. (...) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 188 4 3.3 Notese que essa foi a única razão para a nãohomologação da DCOMP pela DRJ/RJ2. 3.4. Tendo em vista a alegação da DRJ/RJ2 para a nãohomologação da DCOMP e para que não mais pairassem dúvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado em sua DCOMP, a EMBARGANTE apresentou em seu recurso voluntário os seguintes documentos: (...) É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Creio que assista razão à Embargante. Compulsando os autos, no intento de identificar, na decisão proferida por este Colegiado, alguma manifestação a respeito das provas carreadas aos autos pela Parte, fosse para recusálas por considerar precluso o direito a sua apresentação, fosse para negarlhes aptidão para provar o fato, não logrei êxito em encontrar qualquer comentário a respeito. De fato, o que há no corpo do decisum que se possa identificar como razão de decidir é pouco mais do que as cinco linhas transcritas no Relatório que precede o vertente Voto. Depois de rememorar os fatos em breves palavras, nas quais não foi mencionada a ausência de provas como razão de decidir da instância a quo, a i. Conselheira Relatora conclui. Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Por outro lado, o indeferimento da compensação foi motivado pela Autoridade Fiscal, que inclusive indicou o documento ou pagamento que já teria sido realizado com os supostos créditos indicados na PER/DCOMP ora em exame. Não houve, portanto, cerceamento de defesa. Por fim, cumpre verificar que a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante destacar que as provas que acima são mencionadas dizem respeito à comprovação de outro fato. É que, segundo entendimento da Autoridade Administrativa, o contribuinte não fazia jus ao crédito pretendido, porque, nas suas palavras, o pagamento do qual seria oriundo já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Essa situação ocorre toda a vez que o administrado faz um pagamento indevido, mas não retifica a Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF anteriormente emitida. A informação nela contida continua retratando um pagamento devido, razão pela qual a pretensão Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 189 5 do contribuinte é de pronto rejeitada. O que a Relatora diz não ter sido provado, é, justamente, a indevida alocação do pagamento ou, nas suas palavras, que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Mas o que o contribuinte alega é que esse pagamento, a despeito de ter se esquecido de retificar a DCTF, foi indevido, pois decorre de receitas isentas. A decisão de primeira instâncias, por sua vez, entendeu que o contribuinte, que então já havia retificado a DCTF, não fez prova de que essas receitas eram de fato isentas. Como foi dito pela Embargante, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentadas provas de que as receitas corresponderam a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Sobre essas provas é que nada foi dito. Nem, como disse acima, para rejeitálas por não serem aptas à comprovação do fato nem para desconsiderálas, por preclusão do direito. Com efeito, como também já disse acima, a questão específica dessas provas não foi sequer mencionada no corpo da decisão embargada. Necessário suprir a omissão e adentrar ao exame de mérito. Inicio pela admissibilidade das provas apresentadas só em sede de Recurso Voluntário. É cediço que o direito de apresentação de provas no Processo Administrativo Fiscal, observadas as situações excepcionadas pela norma legal, preclui com o transcurso do prazo fixado para apresentação da impugnação ao lançamento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) A partir desse balizamento, me inclino em decidir que, no caso concreto, a situação se enquadra perfeitamente na hipótese especificada na alínea "c", acima. Explico A razão do indeferimento inicial, consta à folha 09 do Processo, no Despacho Decisório, foi, simplesmente, o fato de o crédito do contribuinte utilizado na compensação do débito declarado na PER/DCOMP corresponder a um valor alocado no pagamento de outro débito declarado em DCTF1. Até aí, nada falouse a respeito de provas. 1 Explica o i. Julgador da instância "a quo" no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 190 6 De fato, foi por ocasião da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento que foi apontado o problema da falta de comprovação de que a receita sobre a qual o contribuinte fez incidir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins era isenta. Ora, se até então a falta de provas não era razão de decidir da autoridade administrativa, por certo é esse um fato ou razão trazida posteriormente aos autos, enquadrandose, desta forma, na hipótese prevista na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.325/72. A respeito dessa tema, é pertinente acrescentar que, até por uma questão de bom senso, é absolutamente despropositado cogitarse de considerar que o administrado, em situações como a que aqui se trata, tenha negligenciado o seu dever comprovar os fatos alegados. Ora, em qual momento lhe foi solicitado que apresentasse as provas do seu direito? Como se sabe, a legislação que regulamenta o pedido de ressarcimento/restituição e o pedido de compensação a ele vinculado não exige do contribuinte a instrução probatória prévia. Adiante, ao processar automaticamente o pedido, os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil identificaram outro problema, não a falta de provas. Uma vez que se reconheça a necessidade de que todo e qualquer litígio que se estabelece entre partes com interesses opostos deva comportar um processo dialético minimamente eficaz, capaz de oferecer oportunidade aos litigantes de demonstrar a procedência de suas alegações, não haveria como negar ao contribuinte o direito de suprir a falta no momento em que dela tomou conhecimento. Repito, até a decisão de primeira instância, o direito reclamado pela Parte havia sido negado única e exclusivamente porque a DCTF ativa para o período informava a existência de um débito quitado com o crédito alegado. Nada a respeito da prova de que as receitas auferidas no período eram isentas das Contribuições. Por essa razão, tomo conhecimento das provas encartadas ao Recurso Voluntário. Na decisão recorrida, o i. Julgador manifestase a respeito das provas que deveriam ter sido apresentadas pela Requerente. Para que essas fossem comprovadas, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins referente ao mês 11/2002, onde constassem discriminados os seguintes valores: total das receitas auferidas no mês, receitas diferidas em períodos anteriores, receitas isentas e as exclusões e deduções legalmente permitidas. Esse demonstrativo deveria vir acompanhado da documentação contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. No que se refere às receitas isentas, deveria ser comprovado que seriam decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, e que houve ingresso de divisas. "9.1 A Contribuinte informou na DCTF ativa à época em que foi proferido o Despacho Decisório impugnado (fls. 32/33), que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002 seria R$ 11.795,09, e que esse teria sido quitado integralmente por pagamento efetuado no valor de RS 11.795,09; 9.2 Na DIPJ (fl. 36), a Contribuinte não informou sobre a existência de receitas isentas, ratificando o valor da Contribuição informado na DCTF mencionada no subitem anterior; e 9.3 Após ter tomado ciência do Despacho Decisório recorrido, a Interessada apresentou DCTF retificadora(s) (fls.34/35), informando que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002seriaR$ 1.319,26 eR$ 1.147,67." Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 191 7 De fato, penso que seja essa a documentação hábil a demonstrar a origem das receitas auferidas pela empresa. Quanto a isso, junto ao Recurso Voluntário foi apresentado um demonstrativo denominado Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins, no qual é indicada uma receita oriunda de Serviços Prestados Mercado Externo no valor de R$ 349.194,36. Também Balancete Sintético, Livro Razão, Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, correspondências trocadas entre o banco e a empresa avisando o crédito de valores em moeda estrangeira e contratos de câmbio assinados em data próxima a essas correspondências. O valor em moeda nacional expresso nos contratos de câmbio encartados ao Recurso Voluntário é de R$ 427.512,45, R$ 78.318,09 maior do que o valor de R$ 349.194,36 informado no Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins como sendo a receita decorrente de Serviços Prestados Mercado Externo. Também não identifiquei no Balancete Sintético o valor de R$ 349.194,36, mas o de R$ 361.651,91, a título de Receita Operacionais, Comissões Conta 3.1.1.01. O Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, folha 81 do eProc, relaciona cinco empresas responsáveis pelo pagamento de R$ 349.194,36 correspondente aos serviços prestados. Tratase de uma planilha elaborada pela própria litigante, desacompanhado de qualquer documento comercial que demonstre a veracidade das informações prestadas. Com efeito, não foi apresentado nenhum contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação semelhante que especificasse com clareza a prestação que deu azo aos pagamentos retratados nos contratos de câmbio. Para que seja reconhecido o direito da empresa, essencial que os valores estejam expressos de forma precisa e exata nos registros contábeis e documentos que lhes dão suporte e que sejam acompanhados de documentação comercial capaz de atestar trataremse de pagamentos por serviços prestados a empresas sediadas no exterior. De outra forma, impossível determinar com certeza a origem dos ingressos especificados nos contratos câmbio trazidos aos autos. VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, para determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam sanadas/justificadas as imprecisões acima descritas e sejam carreados aos autos os documentos comerciais (contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação análoga), que retratam as operações cambiais comprovadas no processo. Sala das Sessões, 18 de setembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16832.000898/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
A COOPERATIVA EQUIPARA-SE A EMPRESA EM GERAL PARA FINS DO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL E ASSIM DEVE CONTRIBUIR COM A PARTE PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO/RETRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL PESSOA FÍSICA, BEM COMO DO COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE ADMINISTRAÇÃO DA COOPERATIVA, POIS NESSA QUALIDADE, TAMBÉM, O COOPERADO, ENQUADRA-SE COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 - A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COOSENGE COOPERAIVA DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 A COOPERATIVA EQUIPARASE A EMPRESA EM GERAL PARA FINS DO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL E ASSIM DEVE CONTRIBUIR COM A PARTE PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO/RETRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL PESSOA FÍSICA, BEM COMO DO COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE ADMINISTRAÇÃO DA COOPERATIVA, POIS NESSA QUALIDADE, TAMBÉM, O COOPERADO, ENQUADRASE COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 98 /2 00 9- 18 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 235 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 236 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.237.4190, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais – prólabore, bem como em razão da existência de diferença de acréscimos legais, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 74 a 79, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 19 e 20. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/10/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa, em 13/11/2009, as fls. 92 a 102, acompanhada dos documentos, de fls. 103 e 136. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 138. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1230.368 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 06/05/2010, fls. 140 a 146. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte, sendo excluído do crédito o período de 01/2004 a 09/2004, em razão da decadência. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 14/06/2010, conforme AR, de fls. 157, sem informação da data de recebimento, contendo apenas as da postagem. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 152 a 161, recebido, em 29/06/2010, conforme carimbo de recepção, de fls. 152, acompanhado dos documentos, de fl.s 162 a 193. Mérito. · que os valores foram pagos de forma individual pelas pessoas que o receberam; · que a recorrente é cooperativa instituída na forma da Lei 5.764/71, não se confundido com empresas de caráter econômico, pois a cooperativa é quem presta serviços ao cooperado, sendo a ausência de fins lucrativos que possibilita a cooperativa ser uma entidade diferenciada para fins fiscais; · Dos requerimentos: a) recebimento do presente recurso; b) que seja acolhido e julgado procedente; c) anulandose os créditos lançados. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, sugerindo sua remessa ao CARF, fls. 194. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 237 4 Consta, as folhas 230; 231 e 232, Termos de Juntada por Apensação (1), os quais informam a juntada por apensação a estes PAF, dos autos dos processos 16832.000895/200976; 16832.000897/200965 e 16832.000896/200911, em 22/05/2013. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 238 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O fato dos valores terem sido pagos individualmente pelos supostos cooperados em nada altera o lançamento, pois não se está a exigir nesses autos a contribuição pessoal do contribuinte individual onze por cento dos seus rendimentos mensais, e, ainda, que assim o fosse a responsabilidade tributária pela arrecadação e recolhimento é da cooperativa. O presente lançamento exige a parte patronal devida pela tomadora dos serviços de pessoas físicas – contribuintes individuais – como determinado no artigo 195, I “a”, da CRFB/88, veja a transcrição. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (o realce foi feito por mim) Neste linha de raciocino o artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 equiparam a cooperativa as empresa em geral, para fins do sistema de custeio da seguridade social e proteção ao trabalhador, vejo o artigo. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (o grifo é meu) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 239 6 O agente fiscal em seu Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls. 74 a 79, itens 6; 8; 9 e 13, deixa claro em diversos momentos que o lançamento objeto desses autos e que resultou no respectivo crédito, decorre da utilização da prestação de serviços de pessoas físicas, assim consta do citado REFISC. Contribuição patronal (20%) incidente sobre a remuneração de segurados Contribuintes Individuais CIs (pro labore e prestadores de serviço sem vínculo empregatício). Os pagamentos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício constam das contas 2036 DIVERSOS, 4085 CONSERVAÇÃO E LIMPEZA, 4246 HONORÁRIOS DE ADVOGADOS PF e 4295 SERVIÇOS PRESTADOS PF. As retenções feitas foram lançadas na conta 1792 INSS DESCONTADO COOPERADOS SI PRODUÇÃO (tal conta deveria receber somente os valores descontados dos cooperados filiados mas foram feitos lançamentos de desconto de prestadores na mesma). Os pagamentos a título de pro labore foram apurados nas contas 2336 REPASSE COOPERADOS e 3505 PRODUÇÃO COOPERATIVISTAS A PAGAR. Embora tais contas refiramse a valores pagos a cooperativados filiados, a cooperativa, erroneamente, lançou os valores de honorários nesta conta. Nos livros "Demonstrativo de Repasses", elaborados um por mês e onde constam os valores repassados a filiados cooperados, não há registro dos valores aqui apurados como honorários. A cooperativa também confirmou que tratamse de honorários da diretoria. Em virtude de os diretores também serem filiados cooperados, no cálculo dos 11% (parte dos segurados) foi observada a remuneração global recebida, ou seja, o pro labore somado a eventual rateio de produção. Abaixo os valores apurados de pro labore: G2 Valores pagos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício; G3 Valores pagos a título de pro labore da diretoria; Z1 e Z2 Correspondem aos levantamentos G2 e G3, respectivamente, e são utilizados em substituição a estes nas competências onde ouve o lançamento da multa de oficio de 75%. (fiz o texto sobressair) No presente crédito não há a exigência de contribuição dos cooperados como demonstrado, salvo o lançamento em relação aos dirigentes da cooperativa, que apesar de cooperados atuam como contribuintes individuais prestadores de serviços, pois nessa qualidade não exercem atos de cooperados, mas sim de administradores da entidade, haja vista que nessa função enquadramse no artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei 8.212/91, observese a transcrição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 240 7 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (o destaque é meu). No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 14/10/2009, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2004 a 12/2004,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 19 e 20. Desta forma, para esse período, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 241 8 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações realizadas em mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quanto ao recebimento deste recurso que o fiz. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 – A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900728/2010-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
SALDO NEGATIVO IRPJ. INEXISTÊNCIA. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ENCONTRADO.
Estando o direito creditório lastreado em retenções na fonte e pagamentos e tendo sido glosadas parte dessas por falta de comprovação e não localizado o pagamento, o crédito revela-se inexistente.
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada.
Numero da decisão: 1803-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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INEXISTÊNCIA. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ENCONTRADO. Estando o direito creditório lastreado em retenções na fonte e pagamentos e tendo sido glosadas parte dessas por falta de comprovação e não localizado o pagamento, o crédito revelase inexistente. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 28 /2 01 0- 48 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 24820.75681.290905.1.3.025439 (fls.1/10) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2004 no valor de R$ 388.035,82 para compensar débito de CSLL, 2484, agosto/2005, vencimento 30/09/2005, R$ 74.117,24. Ainda segundo consta das declarações de compensação, o crédito em questão seria constituído por IRPJ Retido na Fonte, Pagamentos de Estimativa e Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores. Por intermédio do Despacho Decisório de 07/06/2010, nº 863945750 e anexos (fls.11/24), o direito creditório não foi reconhecido. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “...a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo”. A compensação, por conseguinte, resultou não homologada. Devidamente notificada da decisão, a empresa Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 12/07/2010 (fls.32/47), alegando em síntese que: 1) O Despacho Decisório 863945750 deverá ser reformado uma vez que o fundamento adotado – inexistência de crédito – não encontra suporte no Direito e na realidade fática; 2) Não houve a conversão do julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos pela recorrente no que tange à identificação e comprovação do valor exato do crédito; 3) O Despacho Decisório deixou de considerar o IR efetivamente retido na fonte e suportado pela recorrente no valor de R$ 1.339.430,13, os pagamentos no total de R$ 320.949,12 e as compensações das estimativas envolvendo saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 no montante de R$ 7.835,05; 4) A recorrente informou em sua DIPJ/2005 ano calendário 2004 Saldo Negativo IRPJ no valor de R$ 388.035,82, que corresponde à diferença entre o IRPJ Devido de R$ 1.272.343,43 e a quantia de R$ 1.660.379,25, atinente ao tributo satisfeito no decorrer de 2004; 5) A Receita Federal excluiu R$ 426.022,11 do montante satisfeito de R$ 1.339.430,13 a título de Retenções na Fonte; 6) Quanto aos pagamentos, foram reconhecidos R$ 313.408,02 em detrimento do correto (R$ 320.949,12); 7) Foi desconsiderada a estimativa compensada no valor de R$ 7.835,05; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 4 3 8) A retenção não confirmada pelo Fisco é comprovada pela Ficha 53 da DIPJ/2005 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte), pelas cópias de parcelas dos respectivos informes e comprovantes bancários de retenção; Em sede de cognição ampla, a DRJ manteve a decisão impugnada sob o fundamento de que a Recorrente não logrou êxito em comprovar o alegado, acrescentando ainda, que cabe tãosomente a demandada comprovar o direito a crédito almejado, fato esse que inocorreu no caso em apreço. Inconformada com a r. decisão, a empresa contribuinte interpõe Recurso Voluntário sustentando as mesmas questões suscitadas na impugnação, requerendo para tanto, a sua reforma. É o simples relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. No tocante as glosas de créditos referentes ao IRPJ Retido na Fonte, sustenta a Recorrente de que as mesmas referemse ao IRPJ que teria sido retido pelas seguintes instituições financeiras: Banco Bilbao Vizcaya, Banco BCN e Banco Mercantil de São Paulo. A esse respeito, vale ressaltar que as DIRF`s constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB (fls.213/222) não indicam retenção na fonte de IRPJ por essas pessoas jurídicas tendo como beneficiário o contribuinte em questão. Além disso, o contribuinte juntou comprovantes (fls.181/187) dos bancos Lloyds Bank, Unibanco, Safra e Real, em relação aos quais não houve glosa de retenção. Portanto, cai por terra a alegação da nulidade da decisão recorrida por não analisar os documentos acostados pela Recorrente, uma vez que, repitase, conforme consta dos aludidos fundamentos, tratamse de comprovantes de instituições financeiras em que não houve a respectiva glosa. Dessa maneira, o contribuinte não logrou êxito de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as retenções de IRPJ aproveitadas na DIPJ/2005 ano calendário 2004, razão pela qual, nos moldes da decisão recorrida, as glosas devem ser mantidas. Quanto a glosa referente o pagamento de estimativa IRPJ via DARF, o contribuinte indicou no PER/DCOMP que teria efetuado pagamento de R$ 7.835,05 em relação à estimativa IRPJ de dezembro/2004, pagamento este supostamente realizado em 18/01/2005. A tela de fl.223 lista todos os pagamentos de estimativa IRPJ efetuados pelo contribuinte relativamente ao ano calendário 2004, inexistindo referido pagamento. Aliás, conforme consta dos fundamentos da r. decisão recorrida, tratase de equívoco do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, haja vista que na DCTF (fls.209/212) foi declarado débito de estimativa IRPJ dezembro/2004 de R$ 7.835,05, o qual foi compensado como informado pelo contribuinte no PER/DCOMP 24820.75681.290905.1.3.025439 (vide fl.8). E, mesmo que equivocado o preenchimento do PER/DCOMP a empresa Recorrente não logrou êxito em demonstrar o direito ao crédito. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 6 5 Portanto mantenho a r. decisão recorrida uma vez considerar escorreita a glosa em questão. Diante de todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário a fim de manter a decisão recorrida. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 318DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.990667/2009-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 67 /2 00 9- 20 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 22,93, ocorrido em 15/03/2004, com débito próprio de IRPJ — cód. 2089.. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 19/01/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 06, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 3013 7. 65382241105. 1.2. 043075,, relativo ao período de apuração fev/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.528,20,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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