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Numero do processo: 10950.004980/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.199
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Carlos Alexandre Tortato. OAB: 52.658/PR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Carlos Alexandre Tortato. OAB: 52.658/PR. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.242.9858, no qual a autoridade fiscal exige contribuições previdenciárias devidas pela empresa decorrente de remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. Segundo consta do relatório fiscal, na realização dos trabalhos de auditoria chegouse à conclusão de que a empresa autuada foi utilizada por interposta pessoa que não o seu sócio titular, mas por Industria Comércio e Exportação de Metais Imperatriz Ltda. e outros, restando configurado a existência de grupo econômico de Metais Imperatriz. Seguindo ainda o que aponta o relatório fiscal, verificada a ocorrência de grupo econômico, verificouse que a receita bruta total do grupo supera os limites para o enquadramento no Simples, razão pela qual foi efetuada representação fiscal para exclusão do programa de pagamento simplificado de tributos (processo administrativo 10950.004250/2009 80 – Ato Declaratório do Executivo DRF/MGA nºs 37 e 42, de 14 de agosto de 2009) Devidamente intimado o sujeito passivo e apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustenta a inexistência de grupo econômico, bem como a ausência de simulação entre as empresas, além de defender a sua permanência no regime simplificado de pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. A DRJ de Curitiba manteve a autuação em parte, determinando a exclusão dos valores que haviam sido pagos sob a égide do Simples, bem como reconheceu a decadência do período compreendido entre janeiro de 2004 a agosto de 2004. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o Relatório. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.004980/200981 Resolução n.º 2301000.199 S2C4T2 Fl. 2 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas que formariam o grupo econômico de Metais Imperatriz. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. O sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente na leitura da decisão recorrida a qual se ampara em acórdão proferido no processo administrativo originado com a impugnação da empresa (processo 10950.004250/200980). Entendo que as decisões a serem tomadas naqueles autos, podem, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu cancelamento se for esse o caso. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal informe se o processo administrativo 10950.004250/200980 transitou em julgado, bem como anexe as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas. Na hipótese de ainda não haver trânsito em julgado, há de se aguardar o trânsito final. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000148/2008-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PRESSUPOSTOS RECURSAIS. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
ausência de impugnação específica sobre os pontos da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso apresentado, pela ausência de elementos claros, inteligíveis para obviar contraditório, em desprestígio à dialeticidade recursal (art. 17 do Decreto 70.235).
A mera demonstração de inconformismo com a decisão recorrida, apesar de impeditiva da constituição definitiva do crédito tributário, por si só não é suficiente para conhecer do recurso.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2802-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PRESSUPOSTOS RECURSAIS. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. ausência de impugnação específica sobre os pontos da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso apresentado, pela ausência de elementos claros, inteligíveis para obviar contraditório, em desprestígio à dialeticidade recursal (art. 17 do Decreto 70.235). A mera demonstração de inconformismo com a decisão recorrida, apesar de impeditiva da constituição definitiva do crédito tributário, por si só não é suficiente para conhecer do recurso. Recurso não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. ausência de impugnação específica sobre os pontos da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso apresentado, pela ausência de elementos claros, inteligíveis para obviar contraditório, em desprestígio à dialeticidade recursal (art. 17 do Decreto 70.235). A mera demonstração de inconformismo com a decisão recorrida, apesar de impeditiva da constituição definitiva do crédito tributário, por si só não é suficiente para conhecer do recurso. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator EDITADO EM: 28/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 48 /2 00 8- 55 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 9/10, de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 1.017,58, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativos ao ano calendário 2003, exercício 2004, motivado pela constatação de omissão de rendimentos do trabalho recebidos pela dependente Maria Regina Cansi Bitdinger, CPF n.° 022.824.06974, da fonte pagadora Sociedade Franco Brasileira, CNPJ n.° 33.543.356/000120, no valor de R$ 6.783,91. Apreciada a Impugnação (fl. 1), o lançamento foi julgado procedente, tendo em vista que o Recorrente não contestou o recebimento dos rendimentos lançados como omitidos pela dependente Maria Regina Cansi Bitdinger, no valor de R$ 6.783,91 e defendeu se apenas alegando pouca experiência na elaboração de DIRPF e ausência de intenção de enganar o fisco. Nas razões de recurso (fl. 30), alega que não tem condições de saldar esta dívida e requer uma solução que lhe seja favorável. É o relatório. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Em que pese tratarse de Auto de pequeno valor e de contribuinte não amparado por defesa técnica, o recurso apresentado não merece ser conhecido. Até mesmo o princípio do formalismo moderado, vetor do processo administrativo, impõe regras mínimas a serem observados pelas partes, com vistas a organizar a melhor solução do litígio. A ausência de impugnação específica sobre os pontos da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso apresentado, pela ausência de elementos claros, inteligíveis para obviar contraditório, em desprestígio à dialeticidade recursal. A mera demonstração de inconformismo com a decisão recorrida, apesar de impeditiva da constituição definitiva do crédito tributário, por si só não é suficiente para conhecer do recurso. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13981.000148/200855 Acórdão n.º 2802002.034 S2TE02 Fl. 29 3 Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903791/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 91 /2 00 9- 51 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903791/200951 Acórdão n.º 3803003.991 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000075/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO PROCESSO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ANALISE DO CASO CONCRETO. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando a fiscalização apura omissão de receitas e, diante da inércia do contribuinte, realiza os procedimentos
adequados ao arbitramento dos lucros para exigência do IRPJ e CSLL.
Igualmente, não há violação ao devido processo legal quando a fiscalização elabora demonstrativos precisos das receitas auferidas, extraindo os do Livro de Registro de Saídas e, ao final, lavra auto de infração formalizando exigência demonstrada com todos os elementos de prova das irregularidades, bem como dos procedimentos adotados, permitindo o pleno exercício do
direito de defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS. A inexistência de escrita fiscal ou a diferença entre os valores escriturados na contabilidade da empresa e os valores declarados ao Fisco caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício.
IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITA FISCAL E CONTÁBIL. POSSIBILIDADE. Nos casos de inexistência de contabilidade regular da empresa ou nas situações em que esta
deixa de registrar parte das operações comerciais ou da movimentação financeira, impõe-se o arbitramento do lucro, nos termos do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995.
MULTA QUALIFICADA. CONTRIBUINTE QUE NÃO POSSUI ESCRITA FISCAL. NÃO ENTREGA DIPJ, DCTF e DACON. INEXISTÊNCIA DE INFORMAÇÕES FALSAS AO FISCO. INEXISTÊNCIA DE VALORES MOVIMENTADO EM NOME DE
TERCEIROS. OMISSÃO RELEVANTE, MAS QUE NÃO CARACTERIZA ELEMENTO QUALIFICADOR DA MULTA.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 14 DO CARF. Em matéria de multa qualificada não se pode presumir que o contribuinte, ao não entregar DIPJ, DCTF ou DACON e por não possuir livros fiscais estivesse agindo de forma premeditada com o propósito de sonegar tributo. Se estivéssemos diante de registros de escrita com um valor e de informações a menor na DIPJ, ou em outros documentos fiscais encaminhados à Receita , se poderia afirmar que
existia a conduta premeditada com a finalidade de suprimir, ocultar ou retardar o pagamento de tributo. Porém, no caso dos autos a empresa autuada sequer possuía livros fiscais. Nunca encaminhou documento à Receita com informação falsa ou diversa daquela que deveria constar. Ademais, quanto à acusação de que o sujeito passivo assumiu o risco de produzir o resultado,
tenho que a figura do dolo eventual, caracterizada pela situação em que o agente não almeja o resultado, mas prossegue agindo correndo o risco que este ocorra, não se aplica para qualificar o ilícito em matéria penal e nem para fins de qualificação da multa em matéria tributária.
ALEGAÇÃO DE CONFISCO. MATÉRIA DE ORDEM CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 02 DO CARF. O Poder Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Esta prerrogativa, porém, não se estende aos órgãos da Administração. Neste sentido o disposto na Súmula nº 2 consolidando o entendimento de que o
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 4 DO CARF que assentou a
jurisprudência de que “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões em relação à desqualificação da multa de ofício. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza apresentará declaração de voto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO PROCESSO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ANALISE DO CASO CONCRETO. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando a fiscalização apura omissão de receitas e, diante da inércia do contribuinte, realiza os procedimentos adequados ao arbitramento dos lucros para exigência do IRPJ e CSLL. Igualmente, não há violação ao devido processo legal quando a fiscalização elabora demonstrativos precisos das receitas auferidas, extraindoos do Livro de Registro de Saídas e, ao final, lavra auto de infração formalizando exigência demonstrada com todos os elementos de prova das irregularidades, bem como dos procedimentos adotados, permitindo o pleno exercício do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. A inexistência de escrita fiscal ou a diferença entre os valores escriturados na contabilidade da empresa e os valores declarados ao Fisco caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício. IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITA FISCAL E CONTÁBIL. POSSIBILIDADE. Nos casos de inexistência de contabilidade regular da empresa ou nas situações em que esta deixa de registrar parte das operações comerciais ou da movimentação financeira, impõese o arbitramento do lucro, nos termos do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA QUALIFICADA. CONTRIBUINTE QUE NÃO POSSUI ESCRITA FISCAL. NÃO ENTREGA DIPJ, DCTF e DACON. INEXISTÊNCIA DE INFORMAÇÕES FALSAS AO FISCO. INEXISTÊNCIA DE VALORES MOVIMENTADO EM NOME DE TERCEIROS. OMISSÃO RELEVANTE, MAS QUE NÃO CARACTERIZA ELEMENTO QUALIFICADOR DA MULTA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 14 DO CARF. Em matéria de multa Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 2 qualificada não se pode presumir que o contribuinte, ao não entregar DIPJ, DCTF ou DACON e por não possuir livros fiscais estivesse agindo de forma premeditada com o propósito de sonegar tributo. 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A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões em relação à desqualificação da multa de ofício. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório BOI VERDE ALIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de impugnação apresentada contra autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e de multa por falta de entrega de DIPJ, DCTF e DACON, totalizando R$ 26.745.321,70, tendo por fundamento normativo os artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 155 a 182, 183 a 198, 199 a 215 e 216 a 232. Os lançamentos tiverem por base a mesma circunstância fática, consubstanciada na omissão de receitas apurada pelo exame dos livros fiscais destinados ao registro de entrada e de saída de mercadorias e do livro Registro de Apuração de ICMS, o que rendeu ensejo ao arbitramento do lucro para o IRPJ e a CSLL e da apuração do PIS e da COFINS, na forma cumulativa. O lançamento do tributo se fez ainda acompanhar da aplicação de multa qualificada. A contribuinte, apresentou impugnação, arguindo nulidade por cerceamento do direito de defesa e por ofensa ao contraditório, já que, durante a fase de fiscalização, não lhe teria sido assegurado o direito de participar do procedimento investigatório, apresentando documentos e esclarecimentos pertinentes. Haveria também, no entender da impugnante, nulidade motivada pelo uso indevido de presunções. O imposto de renda só pode incidir sobre a renda e não sobre presunção de renda ou de proventos. Apesar disso, a constituição do crédito foi lastreada na presunção de que a autuada não teria como comprovar as despesas relacionadas como dedutíveis. Por outro lado, não se pode considerar que simples movimentações decorrentes de venda da produção impliquem acréscimo patrimonial hábil a gerar a incidência do imposto, o qual se limita às hipóteses de acréscimo de patrimônio líquido. A impugnante não obteve acréscimo patrimonial, entretanto a Fiscalização supôs que toda a movimentação financeira não declarada deveria ser tomada como tal. Alegou ainda obscuridade acerca dos critérios para a apuração do lucro arbitrado, acerca do qual não estariam presentes os pressupostos legais que o autorizam. Quanto à multa isolada, sustentou o não cabimento, dada a inexistência de obrigação principal. Entende a impugnante que, sem prova da infração que lhe é imputada quanto aos tributos, não é possível aplicar essa espécie de penalidade. No que diz respeito à CSLL, afirmou que a base de cálculo é o lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda e que não se pode considerar que a ausência de alguns livros, por si só, autorize a concluir que o movimento de vendas seja tido como lucro tributável. Estariam, pois, ausentes os pressupostos para o arbitramento. Também em relação ao PIS e à COFINS, disse a impugnante que a simples movimentação das vendas da produção não pode ser tida como receita bruta para fins de tributação. Disse não ter meios de provar que tais valores não correspondem Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 4 ao faturamento e sugeriu a hipótese de ter a impugnante operado, por exemplo, na intermediação de compra e venda de produtos, tendo assim movimentado expressivos valores que não corresponderiam ao faturamento. Ademais, afirmou não dispor de meios para provar que os valores apontados pela Fiscalização não correspondem ao faturamento. Chamou a atenção para a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das duas contribuições. A multa, por sua vez, teria efeito de confisco e a Constituição Federal vedaria, segundo a impugnante, a imposição de multa de caráter sancionatório (sic). Arguiu a inconstitucionalidade, por violar o princípio da isonomia e por mitigar o direito de defesa, da regra que concede redução da multa, no caso de pagamento ou parcelamento realizados dentro do prazo para impugnação e recurso. Alegou a existência de bis in idem provocado pela cumulação de multa e juros, por representarem penalidades impostas em razão do mesmo fato. Sobre os juros, afirmou a inaplicabilidade da taxa Selic, mercê da finalidade remuneratória a que está vinculada, sendo também desproporcional à infração do período. Ademais, os coeficientes aplicáveis estariam subordinados à decisão da Receita Federal, que os fixa em benefício próprio, sem observar os princípios da anterioridade e legalidade. Por fim, acrescentou que o limite máximo da taxa de juros é 1% ao mês, nos termos do art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Com esses fundamentos, pugnou pela nulidade dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e pela anulação da multa isolada. Sucessivamente, pediu a redução da multa para 5% do valor do imposto devido e a exclusão dos juros calculados pela taxa Selic, substituindose por juros calculados a 1% ao mês. Requereu, por fim, o direito de pagar a multa com redução de 50%. A decisão recorrida está assim ementada: FASE DE FISCALIZAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. Na fase de fiscalização, por inexistir formalmente imputação de responsabilidade pela prática de ato ilícito, não se cogita de ampla defesa, nem de contraditório, que ficam postergados para o momento da impugnação, quando ao contribuinte se assegura o direito de alegar toda matéria de defesa que lhe parecer cabível. BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITA FISCAL E CONTÁBIL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Não existindo escrita fiscal e contábil e não sendo apresentados os documentos fiscais e comerciais é cabível o arbitramento do lucro para fins de tributação. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, dada a existência de previsão legal. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 5 BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITA FISCAL E CONTÁBIL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Não existindo escrita fiscal e contábil e não sendo apresentados os documentos fiscais e comerciais é cabível o arbitramento do lucro para fins de tributação. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. LIVRO REGISTRO DE SAÍDA DE MERCADORIAS. A incidência da COFINS recai sobre o faturamento mensal, que, na ausência de escrita fiscal e comercial e dos respectivos documentos, pode ser apurado mediante exame do livro Registro de Saída de Mercadorias, tratando se de empresa comercial. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. LIVRO REGISTRO DE SAÍDA DE MERCADORIAS. A incidência do PIS recai sobre o faturamento mensal, que, na ausência de escrita fiscal e comercial e dos respectivos documentos, pode ser apurado mediante exame do livro Registro de Saída de Mercadorias, tratandose de empresa comercial. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões da decisão de 1a. instancia, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento concluindo nos seguintes termos (verbis): 138. Diante do exposto requer seja recebido e processado o presente recurso para que seja declarada a nulidade do auto de infração considerandose que houve cerceamento de defesa do Recorrente e o fato de que o fiscal baseiase em meras presunções para fundamentar a autuação; 139. Não sendo a nulidade do auto de infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente, com base nos argumentos acima despendidos, reconhecendose a não incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, COFINS, PIS e CSLL, já que não ocorreu fato de gerador previsto em lei. 140. Em paralelo, requer a anulação da multa isolada ante a inexistência de descumprimento de obrigação tributária. 141. Caso assim não se entenda, requer seja julgado procedente o recurso para fins de reduzir a multa aplicada ao Recorrente, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, para 5% (cinco por cento) sobre o valor do imposto eventualmente devido. 142. Superado o pedido anterior requer seja declarada a nulidade da gradação da multa imposta por haver afronta As garantias constitucionais, principio do solvet et repet, concedendose a redução de 50%, mesmo sendo discutido o auto de infração em última instância administrativa e/ou judicial. 143. Acaso mantida a multa e juros moratórios, seja determinada a substituição da aplicação da taxa SELIC pela incidência de correção monetária e juros de mora de 1% ao mês. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Do confronto das datas especificadas no AR de fl. 335 e no protocolo fl. 338, extraise que o recurso é tempestivo. Foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Do arbitramento do lucro referente ao IRPJ e CSLL Ao examinar casos em que a autoridade fiscal arbitrou o lucro ou situações em que deixou de arbitrar, em acórdãos de minha relatoria, externei o seguinte entendimento: CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU A MAIOR PARTE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXIGÊNCIA LEGAL. REALIZADAS PELA EMPRESA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXIGÊNCIA LEGAL. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (acórdão 140200.728, julgado em 29 de setembro de 2011, vencida a conselheira Albertina que cancelava integralmente a exigência). LUCRO ARBITRADO. REVENDA DE MERCADORIAS. A base de cálculo do IRPJ, no caso do lucro arbitrado, na atividade de revenda de mercadorias, é constituída pela aplicação do percentual de 9,6% sobre a receita bruta trimestral conhecida. Recurso de ofício negado. (acórdão 140200357, julgado em 16 122010). Ao fundamentar o primeiro acórdão antes referido destaquei entendimento que ainda mantenho, no seguinte sentido: “O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 7 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra a receita de forma integral e não somente parte das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado irregularidade que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa apresentar deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação.” 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 8 No caso concreto, conforme asseverado na decisão recorrida, a ação fiscal teve início formal com o termo de fl. 45, relativa aos anos de 2005 a 2007, período em que a recorrente estava absolutamente omissa perante à Receita Federal do Brasil. Em atendimento à diligência acima referida, em 08/01/2009, foram apresentados livros fiscais exigidos pela legislação do ICMS e cópia do contrato social e alterações (fl. 47). Na mesma data, entretanto, a impugnante afirmou não possuir LivroDiário, Razão, e o Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur (fl. 48). Afirmou também não ter apresentado DCTF e DACON dos anos de 2005 a 2007, nem possuir balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício. Em 18/02/2009, nova intimação (fls. 78 e 79) foi feita requisitando a entrega de DIPJ, DCTF e DACON dos períodos em que havia omissão da impugnante. A empresa peticionou reafirmando a situação fática já conhecida, ou seja, que não havia apresentado DIPJ para 2006 e 2007 e tampouco DCTF e DACON para 2005, 2006 e 2007 (fl. 80). Apesar disso, a Fiscalização, em 26/03/2009, mais uma vez intimou a impugnante a apresentar os Livros Diário, Razão, Caixa e Lalur e as demonstrações contábeis (fl. 81), mas não obteve êxito. Assim, em face da inércia da contribuinte, a alternativa foi o arbitramento da base de cálculo, que no caso foi realizada com suporte na receita bruta extraída dos livros Registro de Saída de Mercadorias e de Apuração de ICMS. O fato que autoriza o arbitramento do lucro (tanto para o IRPJ quanto para a CSLL) está na falta de apresentação dos livros comerciais, do Livro de Apuração do Lucro Real e dos documentos fiscais e contábeis, tendo por fundamento legal os incisos I, II, III e VII do art. 47 da Lei nº 8.981/1995, anteriormente referido. Nos casos em que a pessoa jurídica tem por objeto o comércio, importação e exportação de mercadorias, temse que o Livro de Registro de Saída de Mercadorias revela as operações comerciais realizadas por esta. Neste sentido, irretocável a decisão do acórdão recorrido, no seguinte sentido: “(...) o exercício dessas atividades econômicas implica operações de circulação de mercadoria, situadas no campo de incidência do ICMS, que impõem a emissão de notas fiscais e o subsequente registro nos livros de Saída de Mercadoria. Logo, é fácil perceber que as receitas da atividade, com pequenas variações, se traduzem nos números registrados naquele livro fiscal. Assim, na ausência de outros documentos, os dados registrados nos livros de Saída de Mercadorias servem como prova da receita auferida no período, restando ao contribuinte o ônus de demonstrar o contrário. Digase, a propósito, que é totalmente infundada a alegação de que as operações registradas nos livros fiscais poderiam refletir intermediação na compra e venda de gado. Intermediação é prestação de serviços e, como tal, não enseja para o prestador nenhum registro nos livros de ICMS. Se houve efetivamente intermediação, duas conclusões se podem extrair: a) as receitas daí decorrentes não foram incluídas no lançamento, o que favoreceu a impugnante; e b) foram Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 9 praticados irregularmente negócios estranhos ao objeto consignado no contrato social. Nenhuma das duas situações, porém, invalida o lançamento. Convém frisar, quanto à CSLL, que, de acordo com o art. 55 da Lei nº 8.981, a essa contribuição aplicamse as mesmas hipóteses e pressupostos de arbitramento de base de cálculo previstos para o IRPJ. Por último, e para que não passe em branco a alegação da impugnante de que o movimento de mercadorias vendidas não se caracteriza como acréscimo patrimonial tributável, é preciso dizer que a tributação do IRPJ e da CSLL não recaiu sobre a receita ou o movimento financeiro. A receita bruta foi o ponto de partida para a apuração do lucro, mas com ele não se confunde. Sobre a receita bruta foram aplicados os coeficientes definidos pela lei, que no caso do IRPJ é 9,6% e da CSLL é 12%, para encontrar o lucro tributável. Vale dizer, para o IRPJ, de toda a receita apurada, apenas 9,6% se consideram como lucro, a parte restante (90,4% da receita) a lei presume como sendo despesas e custos. A CSLL recai sobre 12% da receita bruta, considerandose como custos e despesas o montante correspondente a 88%. (Grifei) Da análise dos autos e dos fundamentos acima expostos, concluo que não há qualquer reparo a ser feito no procedimento fiscal, que se pautou de forma adequada quanto à situação em comento, qual seja: verificou a omissão, intimou o contribuinte a prestar esclarecimentos e regularizar suas declarações. Diante da inércia arbitrou o lucro e exigiu os tributos devidos. Da alegação de nulidade A recorrente reitera a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa e ofensa ao contraditório, sob o argumento de que durante a fase de fiscalização não lhe teria sido assegurado o direito de acompanhar os trabalhos, apresentando documentos e esclarecimentos pertinentes. Todavia, conforme visto, essa alegação é absolutamente impertinente ao caso e não coaduna com a verdade dos fatos. Mais a mais, salvo nos casos de omissão caracterizada por depósito bancário em que a lei exige a intimação prévia do sujeito passivo para apresentar comprovar a origem, nos demais casos o exercício do direito de defesa iniciase após a autuação. Nesta linha, encontramse corretas as ponderações da decisão recorrida, a seguir transcritas e que agrego como razões de decidir, quanto a não violação do direito defesa: “Só se pode falar em defesa depois que se tenha formalmente uma acusação ou depois de imputada a alguém a responsabilidade por um fato. Antes disso, não há propriamente de quê se defender. Na fase de fiscalização, o que se tem é investigação e busca dos fatos; nada, pois, que enseje a necessidade ou o cabimento de defesa, a qual é garantida de forma ampla, quando da impugnação, se, após a fase fiscalizatória, houver lançamento de crédito tributário. O direito à defesa e ao contraditório, sem nenhum prejuízo ao contribuinte, pode ser exercido no momento da impugnação; e, como se sabe, sem prejuízo não há nulidade. No caso dos autos, aliás, com mais razão essa máxima se aplica. É que a impugnante, no curso da fiscalização, foi mais de uma vez intimada a trazer livros e documentos contábeis, mas não atendeu, ao argumento de que não possuía nem os livros, nem os documentos.’ Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 10 Portanto, não há mesmo como acolher a alegação de que fora suprimida a possibilidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase precedente. Além disso, as provas das alegações da contribuinte poderiam ser apresentadas tanto na fase impugnatória quanto na recursal, o que não foi feito. Pis e Cofins Conforme esclarecido na decisão recorrida, os lançamentos dos créditos relativos ao PIS e à Cofins tiveram por base as mesmas circunstâncias fáticas e os mesmos elementos de prova considerados nos lançamentos do IRPJ e da CSLL, exceto quanto ao arbitramento, que para aquelas duas contribuições não foi preciso fazer, já que a base de cálculo de ambas é o próprio faturamento mensal, extraído dos livros fiscais destinados ao registro de saídas de mercadorias. Reiterese que não há que se falar de inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo de ambas as contribuições, tratase de matéria que não guarda nenhuma pertinência com os autos de infração, cuja exigência se deu apenas sobre o faturamento. Da multa de ofício Em relação à multa de ofício, arguiu a recorrente caráter confiscatório e ofensa ao princípio da razoabilidade, requerendo redução para o percentual de 5%. Sustentou a impossibilidade de exigirse multa de caráter sancionatório, bem como de exigirse multa isolada quando não ficar caracterizada existência de obrigação de pagar o tributo. Alegou a existência de bis in idem, dada a exigência concomitante com os juros e pleiteou redução da multa de 50%. Ao tratar das multas devidas em caso de infração fiscal, o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra), assim disciplina a matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada ao inciso pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 11 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada ao inciso pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (NR) (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 Ed. Extra, conversão da Medida Provisória nº 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 Ed. Extra) § 4º. As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Quanto ao argumento de que os percentuais das multas fixadas nos dispositivos acima não podem ser aplicadas por possuírem efeitos confiscatórios, entendo que o Poder Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Porém, tal possibilidade não se estende aos órgãos de jurisdição administrativa. Neste sentido temse a Súmula nº 02 do CARF. Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da multa qualificada No que diz respeito à multa qualificada a situação diz respeito à análise de cada caso concreto. Podem haver situações em que os motivos e explicações para a não entrega de DIPJ, DCTF e DACON, por dois ou três anos consecutivos, não caracterizam situação que justifica a qualificação da multa. Outras, porém, podem caracterizar hipótese que requer a qualificação da multa. Destaco, ainda, que à luz da Súmula 14 do CARF, “a simples apuração Fl. 398DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 12 de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Igualmente, o valor da omissão não é fato para, por si só, determinar a qualificação da multa. Para tal há que se investigar o grau de consciência do contribuinte em relação a sua conduta. Se uma empresa entender, por exemplo, que determinado tributo tem alíquota zero e a autoridade fiscal concluir de forma diversa, independentemente do valor da exigência do crédito tributário, não se pode dizer que houve conduta premeditada com a finalidade de ocultar, reduzir, suprimir ou retardar o pagamento do imposto. A autoridade fiscal qualificou a multa sob o seguinte fundamento: (...)O contribuinte não apresentou a "Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ" dos anoscalendário de 2006 e 2007, também não apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON dos anos de 2006 e 2007. ... Em contrapartida, os trabalhos fiscais apuraram vendas de produção do estabelecimento nos montantes anuais de R$ 13.296.312,65; R$ 49.233.861,39 e de R$ 59.814.085,00 nos anos de 2005 (4O. Trimestre), 2006 e 2007, respectivamente. Doc. 147 a 149. ... As três declarações instituídas pela Receita Federal (DIPJ, DCTF e DACON) o contribuinte se omitiu sistematicamente em declarálas, ocultando seu movimento econômico e seus débitos tributários, muito embora, tenha tido uma expressiva movimentação econômica e ter gerado milhares de reais de crédito tributário para serem recolhidos aos cofres públicos. ... A omissão de expressiva e vultuosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. “O contribuinte tinha consciência da conduta adotada, agiu de forma reiterada por longo período, querendo almejar o resultado desejado ou, ao menos, assumiu os riscos de produzilos. A prática sistemática adotada durante anos consecutivos forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. Tal situação fática se insere perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei 4.502/1964. (Grifei)” Em matéria de multa qualificada não se pode presumir que o contribuinte, ao não entregar DIPJ, DCTF ou DACON e por não possuir livros fiscais estivesse agindo de forma premeditada com o propósito de sonegar tributo. Se estivéssemos diante de registros de escrita com um valor e de informações a menor na DIPJ, ou em outros documentos fiscais encaminhados à Receita , se poderia afirmar que existia a conduta premedidata com a finalidade de suprimir, ocultar ou retardar o pagamento de tributo. Porém, no caso dos autos a empresa autuada sequer possuía livros fiscais. Nunca encaminhou documento à Receita com informação falsa ou diversa daquela que deveria constar. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 13 Quanto à acusação de que a multa deve ser qualificada porque o sujeito passivo assumiu o risco de produzir o resultado, observo que o dolo eventual, em matéria é elemento para caracterizar a infração, mas não para qualificar o ilícito cometido o sujeito passivo. O caso concreto, em relação à multa qualificada, revela situação de simples omissão, incidindo as disposições da Súmula nº 14 do Carf e dos preceitos constantes no art. 112, II e IV, do CTN. Da multa pela falta de apresentação de DIPJ, DCTF E DACON No que concerne às multas regulamentares por falta de apresentação de DIPJ, DCTF e DACON, cujos demonstrativos encontramse às fls. 173 e 174, atingindo o montante de 2.892.382,36, o artigo 7o. da Lei 10.426/2002, com redação data pela Lei 11.051/2004, assim dispõe: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 29.12.2004, DOU 30.12.2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º; II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e (Redação dada ao inciso pela Lei nº 11.051, de 29.12.2004, DOU 30.12.2004) No caso concreto, verifiquei os cálculos apresentados pela autoridade fiscal e não encontrei incorreções, razão pela qual os mantenho. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 14 Da taxa Selic A aplicação da taxa Selic, em relação ao valor devido, no cálculo dos juros de mora, está prevista no artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996 e deve deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Finalmente, se deve afastar a alegação de bis in idem, caracterizado, segundo a impugnante, pela exigência concomitante da multa e dos juros. Isso porque, embora exigidos cumulativamente, cada qual tem fato gerador e finalidade distintos. A multa tem por fato gerador uma infração e por finalidade punir. Os juros têm por fato gerador a ausência do pagamento no prazo legal. Conclusão Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, dar parcial provimento para reduzir à multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 401DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 14120.000075/200985 Acórdão n.º 140200.935 S1C4T2 Fl. 0 15 Declaração de Voto Conselheiro Antônio José Praga de Souza A presente declaração de voto tem por finalidade registrar meu posicionamento quanto a inaplicabilidade da multa de oficio qualificada no presente caso. Nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste acórdão, a prática de fraude pressupõe o dolo. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. O dolo é “saber e querer a realização da conduta” e exige a consciência da ilicitude. Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza, muito menos declarações eivadas de falsidade. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes. O que se verifica são infrações e irregularidades diversas que convergem ao entendimento de que realmente o contribuinte buscava evadirse da tributação, mas repito em nenhuma delas há carga dolosa, seja para ocultar ao fisco o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, seja para modificar suas características. Tanto é assim que os valores tributados foram apurados nos próprios livros fiscais do contribuinte. Frisese que a falta de apresentação das declarações não se confunde com a prática dolosa de apresentar essas mesmos documentos com valores zerados ou sistematicamente menores que os reais. A omissão, por si só, não caracteriza a fraude. É certo que o contribuinte tinha conhecimento de que estava em débito com a Receita Federal, mas repito, não praticou atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento da administração tributária. Diante do exposto, confirmo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, tãosomente para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 402DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001006/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2008
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a omissão acerca da aplicabilidade da multa devida, impõe-se o esclarecimento devido.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2803-002.145
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, sanando a omissão apontada, para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35-A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam da presente notificação, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Verificada a omissão acerca da aplicabilidade da multa devida, impõese o esclarecimento devido. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, sanando a omissão apontada, para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam da presente notificação, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 06 /2 00 9- 11 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 2803002.145 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 2803002.145 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração, fls. 390 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão 280301.591. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi omisso, pois deixou de se pronunciar acerca da retroatividade da multa mais benéfica em razão da edição da MP 449/08. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos sendo apreciada a aplicabilidade da multa mais benéfica. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 2803002.145 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada não se manifestou acerca da aplicabilidade da novel legislação carreada na MP 449/08, convertida na lei 8.212/91, matéria cognoscível de ofício, podendo ser provocada via embargos de declaração, mesmo sem ter sido suscitada em sede recursal, segundo abalizada doutrina e também na linha do que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA SUSCITADA EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO DE OFÍCIO PELO TRIBUNAL A QUO. OMISSÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Incorre em violação ao art. 535, II, do CPC o acórdão que dei xa de se manifestar sobre matéria de ordem pública suscitada em embargos declaratórios. 2. Recurso especial provido. REsp 513908 RJ 2003/00526628 DA MULTA APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem a competências anteriores a 06/2008, o valor da multa deve ser calculado segundo o art. 35A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 2803002.145 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos apresentados, sanando a omissão apontada, para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam da presente notificação, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Oséas Coimbra Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10530.724796/2011-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2011
ENTREGA DE INFORMAÇÕES FISCAIS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. ENTE PÚBLICO.
Nos casos de erro na apuração dos tributos e sua informação aos órgãos fazendários competentes, assim como pedido de compensação indevido, que resultem em sanções, a responsabilidade pelo adimplemento dos créditos perante o sujeito ativo será sempre do contribuinte.
A responsabilidade de terceiro, mesmo nos casos de contratos com entes públicos, deverá ser analisado pelo judiciário em ação própria.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO.
Para que haja direito à compensação, deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição.
MULTA. PESSOAS JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO.
Não existe imunidade das Pessoas Jurídicas de Direito Público, morosas no pagamento de seus débitos, em relação aos juros e multas em que incorrem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2011 ENTREGA DE INFORMAÇÕES FISCAIS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. ENTE PÚBLICO. Nos casos de erro na apuração dos tributos e sua informação aos órgãos fazendários competentes, assim como pedido de compensação indevido, que resultem em sanções, a responsabilidade pelo adimplemento dos créditos perante o sujeito ativo será sempre do contribuinte. A responsabilidade de terceiro, mesmo nos casos de contratos com entes públicos, deverá ser analisado pelo judiciário em ação própria. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. Para que haja direito à compensação, deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. MULTA. PESSOAS JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. Não existe imunidade das Pessoas Jurídicas de Direito Público, morosas no pagamento de seus débitos, em relação aos juros e multas em que incorrem. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. ENTE PÚBLICO. Nos casos de erro na apuração dos tributos e sua informação aos órgãos fazendários competentes, assim como pedido de compensação indevido, que resultem em sanções, a responsabilidade pelo adimplemento dos créditos perante o sujeito ativo será sempre do contribuinte. A responsabilidade de terceiro, mesmo nos casos de contratos com entes públicos, deverá ser analisado pelo judiciário em ação própria. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. Para que haja direito à compensação, deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. MULTA. PESSOAS JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. Não existe imunidade das Pessoas Jurídicas de Direito Público, morosas no pagamento de seus débitos, em relação aos juros e multas em que incorrem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 47 96 /2 01 1- 16 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.724796/201116 Acórdão n.º 2403001.841 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de n., que culminou em glosa de compensação de contribuições declaradas em GFIP, no valor de R$ 13.595.502,08 (treze milhões, quinhentos e noventa e cinco mil, quinhentos e dois reais e oito centavos). Segundo o relatório fiscal, fls. 17/23: 2. O ente Municipal aproveitandose da vulnerabilidade apresentada pelo Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – SEFIP, qual seja, admite qualquer período, mesmo que alcançado pelo instituto da prescrição ou decadência, tampouco verifica se para os valores compensados constam os devidos recolhimentos, compensou valores da Contribuição Previdenciária, supostamente indevidos. Conforme consta das cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, extraídas da base de dados digitais da Previdência Social (GFIPWeb) a suposta arrecadação dos valores compensados ocorreu no período que compreende 01/2000 a 08/2008, ou seja, a maior parte do período encontrase alcançado pela prescrição. Em decorrência, se apropriou do erário destinada à Previdência Social de forma inescrupulosa ignorando completamente a legislação de regência da Arrecadação das Contribuições Sociais Previdenciárias. Desrespeita, sobretudo o Princípio Fundamental da legalidade geral preconizado na Lei Maior (...) 3. É composto das compensações efetuadas nas GFIPs declaradas no período de 01/2009 a 12/2010, para as quais o ente Municipal informa não ter sido responsável pela elaboração dos referidos documentos (Documento 1). Da análise das GFIPs constatase: As compensações dos valores das Contribuições Sociais Previdenciárias ocorridas nas competências (meses) de 01/2009 a 08/2010, se referem a valores supostamente arrecadados no período de 01/2000 a 08/2004; As compensações dos valores das referidas Contribuições ocorridas nas competências (meses) de 09/2010 a 12/2010, se referem a valores, supostamente arrecadados no período de 04/2004 a 08/2008. (...) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Como pode ser constatado não há como se admitir compensar valores que não foram efetivamente recolhidos. Logo, uma vez não comprovado pagamento, o ente Municipal, em tese, cometeu fraude contra a Previdência Social. (...) Portanto, a partir da data de eficácia (09062005) da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo para postular a repetição de indébito ou compensação de tributo e contribuição social inclusive previdenciária é de cinco anos contados da data do pagamento antecipado. (...) 6. Decorre da glosa de contribuições sociais previdenciárias compensadas em desacordo com as determinações legais e regulamentares de regência (compensou valores alcançado pela prescrição e sem comprovação de recolhimento) conforme item 3 acima e da aplicação da multa isolada de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os montantes compensados, ilegalmente – cujos valores apurados mais os correspondentes acréscimos legais devidos, calculados com base nas respectivas alíquotas previstas em lei, encontramse demonstrados no Relatório DD – Discriminativo de Débito, em anexo. A multa isolada de 150%, tem como base de cálculo, o valor compensado indevidamente e é devida a partir da competência de entrega da declaração em que consta a referida conduta. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou tempestivamente, fl. 164, o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls.153/163. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – 6ª Turma DRJ/SDR, prolatou Acórdão 1529.103, de fls. 171/178, integralmente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO. PRAZO. O direito de compensação do indébito tributário extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados a partir da data em que se deu o pagamento indevido. decai após 5 (cinco) anos da data do pagamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.724796/201116 Acórdão n.º 2403001.841 S2C4T3 Fl. 4 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO. Compensação é o procedimento através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte acrescidos de juros e multa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração permite ao contribuinte entender quais os valores que estão sendo cobrados e quais as razões que motivaram o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 182/190, requerendo a reforma do Acórdão, com o seguinte argumento, em suma: Contratou empresa (JBS Contabilidade) para executar serviços fiscais e de acordo com o artigo 77 da Lei 8.666/93 o contratado é o exclusivo responsável pelos prejuízos causados à Administração ou a terceiros o que causaria nulidade absoluta do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo; O artigo 74 da Lei 9.430/96 não traz nenhuma limitação de prazo para a compensação, não competindo ao interprete fazêlo, por isso não ocorreu a prescrição, de sorte a impedir a compensação efetuada; Impossibilidade de imposição de multa entre pessoas jurídicas de direito público, dado um desnivelamento de planos revelador da supremacia jurídica de uma das partes em relação à outra. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 112, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO No que toca a alegação de que a responsabilidade no caso concreto é única e exclusiva de terceiro contratado, nos termos do art. 77 da Lei 8.666/1993, entendo não assistir razão à recorrente. Ocorre que a entrega das GFIP por meio de internet exige a apresentação de certificado digital, não havendo a possibilidade de entrega de informações por parte de terceiros não responsáveis, conforme preconiza as Portarias Interministeriais MPS/MTE n. 227/2005 e 116/2004. Também, digase, a própria recorrente informa que havia um contrato entre a empresa e o município para prestação de serviços de assessoria previdenciária e, neste período a entrega de informações à previdência se deu pela contratada e não pela contratante, conforme se percebe de tabela na fl. 174 dos autos. À respeito da responsabilidade da JBS pelos erros cometidos, esclareçase que essa responsabilidade decorrente do contrato é inoponível à Fazenda Nacional, nos termos do art. 123 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Caso realmente haja responsabilidade da empresa contratada deve ela ser analisada pelo judiciário, através de ação própria para discussão acerca da caracterização dos pressupostos insculpidos nos artigos 186 e 927 do diploma civil, não é da competência deste conselho a análise de questões alheias à da relação jurídico tributária. A empresa nem sequer é responsável, art. 121, nem mesmo obrigada solidariamente ao cumprimento da obrigação, art. 124, ambos do CTN. Portanto, não há de se falar em erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.724796/201116 Acórdão n.º 2403001.841 S2C4T3 Fl. 5 7 DOS MOTIVOS DA GLOSA – NÃO COMPROVAÇÃO E PRESCRIÇÃO Alega o contribuinte que a DRJ se equivocou ao afirmar que haveria prazo para pleitear a compensação de tributos. Aduz que conforme expressaria o artigo 74 da Lei 9.430/96 não haveria prazo e não se poderia usar analogia para suprir essa ausência. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional. Portanto, ao caso, seria aplicável o art. 174 do CTN, por se tratar de pleito ressarcitório, portanto, cinco anos, a contar da data da constituição definitiva do crédito tributário, não havendo pois que se falar em ausência de prazo para restituição por via de compensação. No entanto, a matéria não apresenta tanto relevo haja vista que, apesar de ter sido objeto de análise pela autuação, não é este o principal motivo para o indeferimento, sendo o porém, a ausência de comprovação dos créditos que embasariam o pleito, conforme se percebe de trecho do relatório fiscal, fl. 18/19, abaixo transcrito: Ocorre que a legislação que regem a arrecadação da Contribuição em comento e abaixo transcrita, não permite compensar valores da referida contribuição sem comprovação do seu efetivo pagamento e que o período ao qual se refira o pagamento dito indevido, não esteja alcançado pela prescrição. (...) Como pode ser constatado não há como se admitir compensar valores que não foram efetivamente recolhidos. Logo, uma vez não comprovado pagamento, o ente Municipal, em tese, cometeu fraude contra a Previdência Social. Ademais, de acordo com a legislação abaixo citada, o período da suposta arrecadação dos valores indevidos já está alcançado pela prescrição, senão vejase: (...) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 O contribuinte limitase, desde sua peça de impugnação a afirmar que a empresa JBS que realizou materialmente o fornecimento de informações perante o sistema da receita não tinha autorização para tanto e não adentrou à materialidade do crédito, sem acostar aos autos, qualquer prova que pudesse afastar a imputação do fiscal. Logo, não cumpriu o contribuinte com o ônus probatório, conforme art. 247 e 253 do Regulamento da Previdência Social – RPS. Para tanto, também, apesar de ser matéria pacífica, segue precedente deste conselho acerca da necessidade de comprovação da materialidade do crédito, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 COMPROVAÇÃO. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que haja direito à compensação, deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.(CARF. Processo 10830.720478/200804, Órgão Julgador: Terceira Turma Especial/Primeira Seção de Julgamento; Data da Sessão: 21/02/2011, Relator(a): Carmen Ferreira Saraiva, Nº Acórdão 1801000.472) DAS MULTAS APLICADAS Por fim, alega o município que não há a possibilidade de a União impor multa às demais pessoas jurídicas de direito público por ferir o pacto federativo, uma vez que são todos entes autônomos. No entanto, não merece guarida a alegação do ente municipal. A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a seguridade social, equipara os órgãos e entidades da administração pública à empresas em geral, portanto, terão o mesmo tratamento, no que toca as obrigações e ônus decorrentes das contribuições previdenciárias, in verbis: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; A Advocacia Geral da União, já emitiu o parecer AC16, datado de 18/02/2004, aprovado nos termos do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no sentido da possibilidade de imposição de multa, conforme segue sua ementa: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.724796/201116 Acórdão n.º 2403001.841 S2C4T3 Fl. 6 9 AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. Importante também, esclarecer, que, conforme citado inclusive no inteiro teor do parecer, o sistema constitucional de imunidades das pessoas jurídicas de direito público tem por finalidade pôlas a salvo da ação fiscal ou administrativa de qualquer outro quando no desempenho lícito ou regular de seus próprios encargos. O mesmo não se haverá de afirmar quando desgarrados da legalidade, ou pela mora ou pela inadimplência, puderem ser penalizados. A imposição de penalidades e fiscalização do cumprimento das regras administrativas revelam a prevalência do interesse ou necessidade pública ao que inclusive o administrador está sujeito. Por fim, há de se destacar que o próprio Supremo Tribunal Federal já apreciou a matéria a qual já era levantada desde 1969, conforme segue ementa abaixo colacionada: IMUNIDADE DAS PESSOAS DE DIREITO PÚBLICO. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A PREVIDENCIA SOCIAL. JUROS E MULTAS. NÃO EXISTE IMUNIDADE DAS PESSOAS JURIDICAS DE DIREITO PÚBLICO, MOROSAS NO PAGAMENTO DE SEUS DEBITOS, EM RELAÇÃO AOS JUROS E MULTAS EM QUE INCORREM E SÃO CONDENADAS. RECURSO PROVIDO. (RE 65806, Relator(a): Min. ADAUCTO CARDOSO, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/1969, DJ 29121969 PP*****) Portanto, não merece prosperar a alegação da recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10935.002595/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 1.
Na propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, cabe ao órgão de julgamento administrativo a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DISTINTA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada, distinta da questionada concomitantemente em juízo.
Numero da decisão: 3403-001.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o julgamento de primeira instância. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 1. Na propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, cabe ao órgão de julgamento administrativo a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DISTINTA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada, distinta da questionada concomitantemente em juízo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o julgamento de primeira instância. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 1. Na propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, cabe ao órgão de julgamento administrativo a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA DISTINTA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada, distinta da questionada concomitantemente em juízo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o julgamento de primeira instância. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 25 95 /2 01 0- 21 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 2 e 181 a 1851) lavrado em 29/4/2010, para exigência de multa regulamentar (prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007) no valor comercial da mercadoria produzida (R$ 46.847.719,15). No termo de verificação fiscal (fls. 174 a 177), informase que a contribuinte, fabricante de bebidas, apesar de intimada duas vezes (20/11/2009 e 12/3/2010) para regularizar a situação em 10 dias, deixou de efetuar o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de integração e manutenção preventiva e corretiva do SICOBE, de que trata a IN RFB no 869/2008, em todas as linhas de produção. Há ação mandamental em curso (no 500005936.2010.404.7005), ajuizada perante a Justiça Federal do Paraná (inicial às fls. 17 a 60), tendo sido o pedido de liminar indeferido e o agravo de instrumento (no 000751406.2010.404.0000/PR) convertido em agravo retido no âmbito do TRF da 4a Região. Cientificada da autuação (em 30/4/2010), a empresa apresentou a impugnação de fls. 187 a 208, sustentando que: (a) o valor comercial da mercadoria não pode incluir o IPI e o ICMSsubstituição destacados nas Notas Fiscais; (b) a exigência é confiscatória e carece de amparo legal, sendo o valor da taxa estabelecido por ato infralegal; (c) são violados ainda os princípios da capacidade contributiva, proporcionalidade, publicidade e isonomia; e (d) a cobrança da taxa do SICOBE para exercício do poder de polícia já exercido pela RFB caracteriza “bis in idem”. Solicita, por fim, o cancelamento da exigência, ou, que a aplicação da multa se dê sem o IPI e o ICMSsubstituição, e que, subsidiariamente, a multa seja aplicada sobre o valor da taxa não paga (R$ 0,03), reduzindose para parâmetros usuais e justos (20%), e que o valor referente à taxa do SICOBE seja compensado com qualquer tributo federal. Em 20/10/2010, no julgamento de primeira instância (fls. 231 a 236), acorda se que houve renúncia ao litígio administrativo em virtude de busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário com o mesmo objeto da autuação, o que impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Noticiase ainda que houve sentença de mérito (em 25/8/2010), ainda não definitiva, proferida no mandado de segurança impetrado pela empresa, concedendo a segurança, e declarando a inconstitucionalidade da “taxa” SICOBE e a ilegalidade da aplicação da multa de 100% do valor comercial da mercadoria. A empresa apresenta recurso voluntário em 19/1/2011 (fls. 242 a 247), no qual argumenta que: (a) houve erro no julgamento de primeira instância, pois a matéria do recurso administrativo (discussão da base de cálculo da autuação) difere da demandada judicialmente; (b) a multa deve ser aplicada, conforme estabelece o art. 30 da Lei no 11.488/2007, sobre o valor comercial da mercadoria, e tal valor não inclui o IPI e o ICMS substituição, tributos que não fazem parte do valor comercial do produto; e (c) a base de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3403001.891 S3C4T3 Fl. 265 3 cálculo do IPI estabelecida no art. 47, II, “a” do CTN deixa claro que o valor comercial é a base de cálculo. Solicita, por fim, o cancelamento do lançamento, a determinação de retorno à primeira instância para julgamento em relação à matéria não questionada judicialmente, ou a aplicação da multa sem considerarse os valores de IPI e ICMSsubstituição tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Incumbe analisar preliminarmente se há identidade entre a matéria discutida administrativamente e a discutida judicialmente, alegação central da recorrente em sede de Recurso Voluntário. Da existência de concomitância A ação judicial interposta em 22/2/2010 (fls. 19 a 62) buscava (inclusive liminarmente) suspensão dos efeitos, da aplicabilidade e da exigibilidade da Instrução Normativa no 943/2009, do Ato Declaratório Executivo RFB no 61/2008, do Termo de Diligência Fiscal no 09.01.03.00.2009012220 e do art. 58T da Lei no 10.833/2003, “autorizando a impetrante a não efetuar o recolhimento da taxa SICOBE sobre cada unidade de produto produzida, determinando que se abstenha (sic) a Receita Federal do Brasil e a Casa da Moeda, de aplicar contra a impetrante quaisquer multas, penalidade ou autuações, inscrição da empresa em dívida ativa, no Cadin e em órgão de proteção ao crédito, de forma a evitar lesão de difícil e incerta reparação. Os fundamentos da ação, em síntese, são: (a) a ausência de previsão em lei de alíquota, base de cálculo e/ou valor do tributo/taxa; (b) violação aos princípios da proporcionalidade, da publicidade, da isonomia e da capacidade contributiva; (c) ausência de finalidade da taxa, que constitui um “bis in idem” em relação ao controle já efetuado na produção; (d) não observância da capacidade produtiva na aplicação, e impossibilidade de delegação aberta, caso a natureza seja de ressarcimento (para argumentar); (e) inaplicabilidade penalidade estabelecida na Instrução Normativa, sobre o valor comercial do produto, por violação aos princípios da legalidade e do nãoconfisco; e (f) violação à destinação constitucionalmente estabelecida para os tributos. No momento da autuação (29/4/2010), não havia nenhum impeditivo judicial ao feito: a ação judicial já havia sido liminarmente apreciada e indeferida (fls. 64 e 65 24/2/2010), tendo a recorrente interposto agravo de instrumento, convertido em agravo retido pelo TRF da 4a Região (fls. 66 e 67 5/4/2010), o que não implicou alteração do conteúdo da decisão monocrática. Na impugnação de fls. 187 a 208 (datada de 19/5/2010), a recorrente silencia sobre a ação judicial, e efetua basicamente os mesmos questionamentos na via administrativa. Vejase que dos quatro temas tratados na impugnação, citados no relatório que antecede o presente voto, apenas um não foi expressamente questionado em juízo: a abrangência da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 expressão “valor comercial da mercadoria” na penalidade aplicada (com inclusão ou não do IPI e do ICMSsubstituição destacados nas Notas Fiscais). É justamente com respeito a este tema que o Recurso Voluntário vem a defender não ter havido concomitância entre a via administrativa e a judicial. Na ação judicial, ao questionar a multa que seria depois a ela aplicada pelo fisco, a recorrente não parecia ter dúvida sobre o conteúdo da expressão “valor comercial”. Vejase o único excerto da petição inicial em que se trata reflexamente do tema: “Assim, por exemplo, se não há recolhimento do IPI, o contribuinte deve pagar multa pelo atraso sobre o valor não recolhido do IPI e nunca sobre o valor comercial do produto. E assim em todos os tributos existentes, e também nas relações privadas, ou seja, a multa deve ser pautada no valor do descumprimento da obrigação. Excelência, vejase o absurdo que referida instrução normativa ocasiona, pois se considerarmos como preço médio de uma lata de cerveja 350 ml o valor de R$ 1,50 (um real e cinquenta) a aplicação de multa de 100% sobre o valor comercial do produto, conforme estipula a referida instrução normativa resultaria em multa de R$ 1,50 (um real e cinquenta) por lata.” A alegação de diferença de conteúdo entre “preço de venda” e “valor comercial” surge na impugnação administrativa à autuação. Em tópico específico (intitulado “erro de cálculo base de cálculo incorreta auto de infração ilíquido e inexigível prejuízo latente ao contribuinte nulidade”), sustenta a recorrente que: “Para obterse o valor comercial é preciso (sic) a nota fiscal de cada produto vendido e neste caso, jamais considerar o valor total da nota fiscal, pois neste há a cobrança destacada do valor do produto, do IPI e do ICMS Substituição Tributária, tributos que não fazem parte do valor comercial do produto. Ocorre que a fiscalização considerou como base de cálculo da multa o valor de venda total constante nas notas fiscais, ou seja, acabou de maneira direta fazendo incidir uma multa sobre o valor do IPI e ICMS Substituição Tributária, impostos que notoriamente são destacados em separado no documento fiscal, para serem cobrados dos destinatários (contribuintes de fato) e recolhidos aos cofres públicos pelo responsável tributário (contribuinte de direito), neste caso concreto a requerente. Tal fato, além de majorar de forma relevante e injustificável o auto de infração ora impugnado, o torna ilíquido e inexigível, pois considerando que a base está incorreta, todo o cálculo e apuração da multa, por óbvio também está, de forma a ser nulo o presente auto de infração” (grifo nosso) Em relação a todos os demais temas discutidos, v.g. natureza da cobrança (taxa/ressarcimento), legalidade da cobrança (inclusive da multa), proporcionalidade, e existência de confisco, patente a concomitância, sendo diversos excertos da petição judicial e da impugnação administrativa literalmente os mesmos. Inquestionável, assim, a concomitância, a ponto de a própria recorrente reconhecêla, restringindo o Recurso Voluntário ao tema da abrangência da expressão “valor comercial”, e sua desconsideração pelo julgador de primeira instância. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3403001.891 S3C4T3 Fl. 266 5 Compulsando os autos, entendemos não existir concomitância em relação ao tema da citada discussão sobre o “valor comercial” da mercadoria. Vejase que na hipótese de procedência da demanda judicial da recorrente, pouca relevância teria a discussão, pois a multa seria indevida. Contudo, se improcedente o pleito judicial, a discussão é não só recomendável, mas necessária. Consultando o sítio do Tribunal Regional Federal na 4a Região Fiscal, verificase que na Ação (Mandado de Segurança) no 500005936.2010.404.7005, embora a recorrente tenha obtido sentença favorável (25/8/2010), em sede de reexame necessário pelo TRF (5/7/2012) a segurança foi denegada, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS SICOBE. ART. 58T. LEI Nº 11.827/2008. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE DIREITO PÚBLICO. OBRIGAÇÃO DE RESSARCIR OS CUSTOS INCORRIDOS PELA CASA DA MOEDA. RELAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS DOS TRIBUTOS. FIXAÇÃO DOS VALORES DO RESSARCIMENTO POR ATO DA RECEITA FEDERAL. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA PELO NÃO FUNCIONAMENTO REGULAR DO SICOBE. LEGALIDADE. 1. O art. 58T da Lei nº 11.827/2008 institui obrigação tributária acessória, cujos sujeitos são os fabricantes de bebidas frias e a União, que tem por objeto a instalação de equipamentos contadores de produção e aparelhos para controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos. 2. O regime jurídico da nova obrigação acessória de instalação do SICOBE deve observar os arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488/2007. 3. Há outra obrigação na Lei nº 11.827/2008, completamente distinta da obrigação tributária acessória posta no caput do art. 58T, porquanto os sujeitos são a Casa da Moeda do Brasil e os fabricantes de bebidas. Tratandose de uma relação jurídica de direito privado, assomase a conclusão de que a obrigação de ressarcir os custos incorridos pela Casa da Moeda do Brasil não se amolda à categoria de tributo, ainda que se constitua uma prestação pecuniária compulsória. 4. Não se caracteriza a obrigação de instalação e utilização dos instrumentos de controle, sob a responsabilidade da Casa da Moeda, como exercício do poder de polícia ou utilização de serviço público específico e divisível, justamente porque não estão presentes os elementos essenciais dessa espécie de tributo. 5. A prestação devida pelo fabricante de bebidas à Casa da Moeda do Brasil nada mais é do que o ressarcimento de custos pelo fornecimento de instrumentos de controle, cuja finalidade é facilitar a fiscalização tributária. Assemelhase a utilização do SICOBE ao dever de emitir notas fiscais ou de manter a escrituração contábil, sempre tendo em mente, porém, uma diferença crucial: os custos do controle são objeto de relação Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 jurídica própria, em que os sujeitos não são os mesmos da relação jurídica que estabeleceu a obrigação acessória. 6. Afastada a natureza tributária dos custos de utilização do SICOBE, a fixação dos valores do ressarcimento por ato da Secretaria da Receita Federal, não viola o princípio da reserva legal. A própria lei atribuiu à SRF a incumbência de fixar a remuneração pelos serviços prestados pela Casa da Moeda aos contribuintes, em razão das atividades de instalação e manutenção do SICOBE, para o cumprimento de uma obrigação acessória, essa sim instituída necessariamente por lei em sentido formal. Frisese mais uma vez, tratase de um ônus de ressarcimento de custos, não de um tributo; por essa razão, não se exige que seus elementos quantitativos sejam estabelecidos por lei. 7. Considerando que os dispêndios exigidos para a operação e manutenção do sistema são extremamente onerosos, os valores cobrados a título de utilização do SICOBE são razoáveis, incorporandose à atividade produtiva como custos indiretos de produção. Cumpre acrescentar que o legislador concedeu aos contribuintes crédito presumido de PIS/COFINS em valor equivalente ao ressarcimento pago à Casa da Moeda, neutralizando o seu impacto econômico. 8. A multa pelo não funcionamento regular do SICOBE decorre do disposto no parágrafo 1º do art. 30 da Lei nº 11.488/2007, que tipifica a conduta prejudicial ao normal funcionamento do sistema, após a sua instalação, como impedimento criado pelo estabelecimento industrial, nos termos do inciso I. Não é a ausência de ressarcimento dos custos do SICOBE o elemento essencial do tipo, mas sim a falta de manutenção do sistema de controle da produção, em decorrência do não pagamento, que é identificada pelo art. 30 da Lei nº 11.488/2007 como prática prejudicial ao normal funcionamento do sistema. 9. A Instrução Normativa nº 869/2008 apenas explicita que constitui prática prejudicial ao normal funcionamento do sistema a falta de manutenção preventiva e corretiva, informada pela Casa da Moeda, em virtude do não ressarcimento dos custos do SICOBE, em conformidade com a Lei que, ao cominar a sanção, prevê como fato típico qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante que prejudique o normal funcionamento do SICOBE. O regulamento não institui novo fato típico, mas tão somente descreve uma prática que se amolda à conduta descrita na lei.” 2 Em que pese ainda não ser definitiva a decisão do tribunal judicial, percebe se mais uma vez que não se está discutindo em juízo se a expressão “valor comercial” da multa se referia ao preço da mercadoria, como sugeria a petição inicial da recorrente em juízo, ou a 2 TRF4, 1a Turma, Apelação/Reexame Necessário no 500005936.2010.404.7005/PR, Rel. Des. Joel Ilan Paciornik, unânime, 4.jul.2012. Disponível em: <https://eproc.trf4.jus.br/eproc2trf4/controlador.php?acao=acessar_documento_publico&doc=4134150464913166 1110000000004&evento=41341504649131661110000000001&key=253ecebe73ffb8064dcdd68fbb148b10fddf59 c31634b8835e9ad9dfa40fc67c>. Acesso em 25.jan.2013. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3403001.891 S3C4T3 Fl. 267 7 tal preço subtraído de IPI e ICMSSubstituição, como propugnava a recorrente em sua impugnação administrativa. De qualquer modo, resta analisar se nosso entendimento de que não há concomitância entre as demandas administrativa e judicial estritamente nesse tópico enseja reversão parcial ou nulidade do julgamento de primeira instância. Do julgamento de primeira instância No julgamento de piso, a discussão sobre a expressão “valor comercial” é explícita no relatório, no qual se narra (fl. 232) que a recorrente “sustenta que o valor comercial da mercadoria, base de cálculo da multa, não pode incluir o IPI e o ICMS Substituição destacados nas Notas Fiscais, ...”. O julgador a quo, ao apontar a existência de ação judicial (Mandado de Segurança em comento), no entanto, sintetiza que “é insofismável a caracterização da concomitância de objeto entre a exigêncioa tributária e a demanda judicial, à luz do conteúdo da exordial”, remetendo diretamente ao Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996, que afirma que a propositura de ação judicial, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, devendo o julgador não tomar conhecimento da matéria comum. Vejase que o julgador transcreve ainda o excerto do Ato Declaratório (alínea “b”) que trata do prosseguimento normal do processo no que se relaciona a matéria diferenciada (como aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc). O teor do Ato Declaratório é semelhante ao da Súmula CARF no 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. (grifo nosso) É inegável que tanto administrativa quanto judicialmente se discutiu o cabimento da multa, a existência de caráter confiscatório e a ausência de proporcionalidade. Ocorre que administrativamente a empresa apresentou, ad argumentandum tantum, caso sua sustentação pela inaplicabilidade da multa não prosperasse, que dela fosse excluído o valor de IPI e ICMSSubstituição. E isso exclusivamente no foro administrativo. Não há no Acórdão da DRJ (a não ser no relatório, como comentado) referência expressa ao tema do “valor comercial” (assim como não há referência expressa a nenhum outro tema, tendo o voto sido conduzido em torno da concomitância), possivelmente porque o julgador: (a) não detectou que a matéria estava ausente na ação judicial; ou (b) detectou a ausência, mas mesmo assim entendeu que havia concomitância. Ocorrendo a hipótese “b” acima, e apresentando o julgador a justificativa para seu entendimento explicitamente em relação ao tema ausente, não haveria motivação para nulidade do acórdão. No máximo, poderia o julgador do CARF concluir em sentido contrário, de que não havia a concomitância, e apreciar a matéria, sem que isso ensejasse a nosso ver supressão de instância. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Diferente, no entanto, é o caso de que trata o presente processo, no qual o julgador de primeira instância não analisa a argumentação apresentada exclusivamente na via administrativa (referente ao “valor comercial”), incluindoa sem justificativa expressa no bojo da concomitância. A ausência de análise, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa, e o tratamento inaugural da matéria por este CARF pode ser percebido como supressão de instância administrativa. Resta, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento de primeira instância, pela preterição do direito de defesa (com fundamento no art. 59, II do Decreto no 70.235/1972). Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no § 2o do art. 59 do Decreto no 70.235/1972, declarase a nulidade do Acórdão no 1431.280, da 2a Turma da DRJ/RPO, exarado no presente processo (afetando as peças processuais que lhe sucedem), devendo a DRJ, em seu novo julgamento, manifestarse expressamente sobre a matéria questionada exclusivamente na via administrativa (abrangência do termo “valor comercial”). Rosaldo Trevisan Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10283.721281/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS
MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receitas direta,bem como em face de depósitos bancários de origem não comprovada correta a tributação na sistemática do Simples, observando a opção adotada pelo contribuinte.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o
conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receitas direta,bem como em face de depósitos bancários de origem não comprovada correta a tributação na sistemática do Simples, observando a opção adotada pelo contribuinte.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado.
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Matéria AUTO DE INFRAÇÃO SIMPLES Recorrente COMERCIAL PIC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receitas direta, bem como em face de depósitos bancários de origem não comprovada correta a tributação na sistemática do Simples, observando a opção adotada pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório COMERCIAL PIC LTDA. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o processo de lançamentos (fls. 349/427), ciência em 30/10/2009 (fl. 428) decorrentes do SIMPLES (11/2004 a 12/2005) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 2.076.331,76, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2009. Segundo Descrição dos Fatos (fls. 382) e Relatório de Fiscalização (fls. 349/361) a imputação fundamentouse: a) Omissão de Receitas – Receitas Não Escrituradas e Não Declaradas. b) Omissão de Receitas – Depósitos Bancários Não Escriturados e de Origem Não Comprovada. (...) Em 30/10/2006, O Comando da 12a Região Militar encaminhou resposta ao Ofício GAB/SEFIS/DRF/MNS/N° 443, por meio do qual apresenta cópias de Empenhos e demais documentos concernentes aos contratos de fornecimento celebrados com a empresa sob fiscalização. Em 21/11/2006, recebemos da Junta Comercial do Estado do Amazonas, cópia do Contrato Social e Alteração Contratual, em resposta ao Ofício GAB/SEFIS/DRF/MNS/N° 435/2006: Com base nos extratos recebidos pelas instituições financeiras, o contribuinte foi intimado, em 26/11/2007, a comprovar a origem dos valores creditados nas suas contascorrentes, constantes no demonstrativo anexo à intimação. Em 13/12/2007, a Companhia Nacional de Abastecimento — CONAB encaminhou “espelhos das ordens bancárias” referentes aos contratos de fornecimentos celebrados com a empresa fiscalizada. Esclareceu, ainda, que as cópias das Notas Fiscais foram solicitadas às Superintendências Regionais do Amazonas e do Pará, que as enviariam diretamente à Delegacia da Receita Federal em Manaus. A SUREG AM/RR encaminhou, por meio do Oficio n° 783/2007, cópias das notas fiscais autenticadas juntamente com as respectivas Ordens de Pagamento. Quanto à SUREG /PARA, tivemos acesso às cópias autenticadas das notas fiscais e às respectivas Ordens Bancárias por meio da Carta CONAB n° 561, encaminhada em 03/11/2008. Ressaltamos que o contribuinte, apesar das solicitações de prazo formuladas em 03/10/2006 e 13/10/2006, não atendeu integralmente às intimações cientificadas Fl. 662DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 3 em 13/09/2006 e 26/11/2007, o que demonstra o caráter meramente protelatório dos referidos documentos.” (...) Verificamos que o contribuinte mantevese somente no campo das alegações, sem contudo apresentar quaisquer elementos que as comprovem, senão, vejamos: Não apresentou as notas fiscais, os livros da escrita fiscal e o livro caixa, solicitados no Termo de Início de Fiscalização e no Termo de Reintimação acima citado, necessários à verificação de suas atividades comerciais e apuração de suas receitas; também não apresentou qualquer justificativa plausível para a não disponibilização desses elementos à fiscalização. Não logrou êxito, portanto, em comprovar a origem dos valores depositados nas contascorrentes bancárias, uma vez que não demonstrou os recursos obtidos com a atividade comercial da empresa e nem sua vinculação aos valores depositados nas contascorrentes. Quanto às alegações a título de justificativa pela não apresentação dos elementos acima citados, e demais documentos solicitados, não apresentou qualquer elemento de prova que respaldasse essa afirmação, tais como termos de apreensão ou documento equivalente, emitido pelo órgão competente da Polícia Federal. Não houve empenho, por parte do sujeito passivo, apesar de ter sido disponibilizado tempo mais do que o suficiente para que o tivesse feito, em obter ou recuperar os documentos demandados, e recompor os livros da escrita fiscal e do Livro Caixa. Sendo optante do regime de tributação simplificado “SIMPLES”, o contribuinte está desobrigado a manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial. Deve, contudo, apresentar o Livro Caixa, com a escrituração de toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. Ocorre que, apesar de ter sido intimado e reintimado, conforme citado acima, o contribuinte não apresentou à fiscalização os livros da escrita fiscal, nem tampouco apresentou o Livro Caixa. Procedemos, ainda, à intimação do procurador do contribuinte sob fiscalização, Sr. João Leitão Limeira, a informar a destinação dos recursos relacionados no respectivo termo, e apresentar os documento comprobatórios que respaldam a utilização desses recursos nas atividades operacionais da empresa Comercial PIC Ltda. Em resposta, a pessoa física intimada na qualidade de procurador, não apresentou os elementos solicitados. Justificou a não apresentação em decorrência de Medida Cautelar de Busca e Apreensão realizada pela Polícia Federal mas na apresentou cópia do termo de apreensão ou documento equivalente, emitido pelo órgão competente da Polícia Federal, com a relação de todos os elementos apreendidos pelo referido órgão durante o procedimento de Busca e Apreensão. (...) Procedemos à qualificação da multa de ofício em 150%, com relação ao lançamento das receitas omitidas, mencionadas no item II.2 acima, com fundamento no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96 (atual art. 44, § 1°, inciso I, da referida Lei), uma vez que o sujeito passivo incorreu em conduta que, a princípio, caracteriza crime contra a ordem tributária, tipificado no art. 10 da Lei 81370/90, na espécie Fl. 663DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 4 de sonegação fiscal. Tal conduta está caracterizada pelos seguintes aspectos identificados durante o procedimento fiscal: A omissão intencional do contribuinte em apresentar as informações à Secretaria da Receita Federal quanto aos valores tributáveis correspondentes às suas atividades comerciais, está caracterizada nas declarações apresentadas em 2005 e 2006: O contribuinte, optante do “Simples”, apresentou a PJSI 2005 completamente “zerada”. Quanto ao anocalendario de 2005, a PJSI apresenta o montante discriminado na tabela abaixo, bem inferior ao montante apurado na ação fiscal. Para esclarecer melhor a situação exposta, apresentamos abaixo quadro comparativo entre as receitas de vendas anuais apuradas pelo Fisco na presente ação fiscal, e as receitas declaradas nas declarações simplificadas (PJSI) apresentadas pelo contribuinte: Anocalendário Vendas Apuradas II) Vendas Declaradas (PJSI) Diferenças (III) 2004 6.500,00 0,00 6.500,00 2005 3.557.780,00 26.793,83 3.530.986,17 Total 3.564.280,00 26.793,83 3.537.486,17” (...) 3. A interessada apresentou impugnação (fls. 479/481), de 02/12/2009, em que alega, em resumo: a) Optante do Simples, a requerente estaria obrigada tão somente à apresentação dos livros de escrita fiscal e Livro Caixa; b) Toda e qualquer documentação pertinente às empresas envolvidas na cognominada “Operação Saúva” fora apreendida por determinação judicial, e até a presente data não fora devolvida; c) Notadamente nesta apreensão restam inclusos documentos que justificaria ou explicaria o fluxo das operações comerciais realizadas; d) Repisese que os recursos movimentados (depósitos/créditos) em contas correntes, eram pertinentes de atividades econômicas do grupo de empresas ou mesmo grupo societário que o subscritor as representava; e) As movimentações financeiras havidas não podem ser consideradas, em seus montantes, para fins de fato gerador de tributação, máxime por arbitramento. È necessário que se verifique se houve benefício efetivo em termos de presunção de lucros; f) A tributação das operações de fornecimento à Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e Comando do Exército já ocorria na fonte (retenção por ocasião do pagamento), pelo que querer tributar novamente seria realizar bis in idem tributário; g).A multa de 150% tem o condão de confisco h) Pugna por perícia que o caso requer. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 5 A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando que (verbis): (...) 7. Ora, o que se tem ê uma decisão vazada, absoluta exclusivamente no poder de império da Administração, assentada no mais concertado poder ilegal. A lei diz tudo, é a "bitola" do sujeito ativo da relação tributária, nenhum argumento (aqui tido como genérico) pode sobrepôla. In dúbio, PROFISCO! 8. E nisso, e só nisso, mostrase a moralidade e a eficiência do Fisco (art. 37, caput, CF). 9. Mas não se tem mais vigente uin ordenamento jurídico que admita a VERDADE SABIDA. Pelo contrario, há proteção para os bens dos administrandos e garantia ao devido processo legal (art. 5 o LTV, LV, CF). 10. Nesta esteira, este sábio Conselho Recursal há de apreciar com maior precisão e envergadura os argumentos da recorrente arrazoada em sua impugnação, máxime quanto a necessidade de realização de perícia, sob pena de cerceamento de defesa, o acórdão ora reprochado já deixa transparecer. DO PEDIDO Posto isto, requer a recorrente, seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para, reformando o acórdão objurgado, determinese: a)A perícia que o caso requer; b)Como corolário, seja rejeitado o termo de verificação fiscal com a exclusão da multa; e, c)Redução do crédito tributário. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a fiscalização apurou que ano de 2005 a contribuinte auferiu receitas de R$ 3.557.780,00 e declarou apenas 26.793,83 na sistemática do Simples. Tais valores foram efetivamente pagos, via ordem bancária pela Companhia Nacional de Abastecimento — CONAB e pelo Comando da 12a Região Militar, bem como em face de depósitos bancários de origem não comprovada. As irregularidades e omissões apuradas estão detalhadamente descritas no termo de verificação fiscal de fls. 349 a 354. Devidamente intimado durante a auditoria fiscal o contribuinte nada justificou. De igual forma, nada apresentou junto a impugnação ou ao recurso voluntário, limitandose a repisar o pedido de pericia, bem como alegar a ilegalidade da exigência. O pleito do recorrente não pode prosperar. Isso porque a omissão de receitas é patente e foi comprovada pela fiscalização. A toda evidência a perícia requerida é protelatória, sendo que caberia a contribuinte fazer prova de suas alegações. Contudo, passados mais de dois anos nada apresentou. Tal qual registrado no acórdão recorrido “a realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes, uma vez que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro os pedidos de diligência e perícia, por considerálas prescindíveis para o julgamento da presente lide.” Ainda quanto ao mérito, verificase que os fundamento da decisão de 1a. instancia, a seguir transcritos amoldamse ao melhor entendimento aplicado neste Conselho, pelo que não merecem reparos: (...) OMISSÃO DE RECEITAS A jurisprudência administrativa tem o entendimento de que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal – art. 102, I, “a”, III da Constituição Federal de 1988. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 7 Portanto, é defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei que fundamenta o lançamento, seja por qualquer pretexto, como, por exemplo, de deixar de aplicála ao caso concreto ou de considerala confiscatória. Conforme art. 179 da Constituição federal, devese atribuir às microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento jurídico diferenciado, o que se observa com a criação do sistema simplificado de tributação – Simples, através da Lei 9.137/96. Mas este tratamento privilegiado não dispensa a tributação de receitas omitidas pela micro empresa ou empresa de pequeno porte, conforme art. 18 da Lei 9.317/96, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995. “ Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.” “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. (...)” Cabe destacar que as receitas comprovadas através dos documentos fornecidos pela Conab e pelo Comando da 12a Região Militar não tiveram retenção de impostos segundo o que dispõe o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 381, de 30 de dezembro de 2003 No que diz respeito às justificativas dos depósitos bancários, não ficando comprovada a origem dos depósitos bancários nas contas corrente de responsabilidade da autuada, procedente a presunção legal (conforme previsto na Lei 9.430/96, art.42) para aferir a receita omitida, em conseqüência dos depósitos bancários não justificados: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação, específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...)” Fl. 667DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 8 Importante destacar que a súmula 182, do extinto TRF, que dispunha ser ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou em depósitos bancários, fundamentavase em legislação já revogada, razão pela qual não pode aqui ser considerada. Entre esta legislação incluise o Decretolei n.º 2.471, de 01 de setembro de 1988. Cabe considerar que a Lei n.º 8.021, editada em 12 de abril de 1990, da qual abaixo se transcreve alguns artigos, teria revogado dispositivo até então vigente o tão conhecido Decretolei nº 2.471/88 que proibia a ação fiscal embasada exclusivamente em documentos relativos à movimentação bancária dos contribuintes, ou seja: “Lei n.º 8.021/90 (...) “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far seá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §1.º. Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. §2.º. Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3.º. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. §4.º. No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações (grifei). §6.º. Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte” .” Pelas (então) novas regras, os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na nominada Lei n.º 8.021/90, estabelecido, então, pela Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desta forma, o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular Fl. 668DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 9 comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse caracterizado o montante do fato gerador, ou seja, os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais relativas – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda ou provento tributável. Alertese que não cabe à autoridade administrativa afastar a eficácia de lei. O objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Alertese que a alegação genérica, como a de que parte dos depósitos são oriundos de renda líquida disponível, não pode ser considerada como justificativa específica de cada depósito. Afirmação desacompanhada de comprovação não elide a tributação. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96. Prescreve o citado artigo 42 que se caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento. Ou seja, não importa se foi um depósito em dinheiro vivo, uma transferência, um DOC... O que importa, para que se comprove a origem, é que tenha havido um crédito, um acréscimo no saldo da conta bancária. Dispensase a prova da origem no caso em que os créditos são decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica (§ 3°, I, do art. 42). Ou seja, quando houver a transferência de conta de qualquer outro titular não estará dispensada a prova da origem. É também conveniente abordar a questão acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários. Ora, comprovar a origem dos depósitos não é tão somente comprovar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza destes ingressos. Esse é o verdadeiro significado de “comprovar a origem”. Tanto isso é verdade que o § 2º do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem submetidos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 10 Assim, para que não ocorra a tributação por parte do beneficiário é necessário que este justifique a natureza da transferência como não tributável. O Impugnante teria que comprovar a origem de cada depósito referido nas intimações apresentadas pela fiscalização. A alegação genérica não comprova a origem dos depósitos. Observar que o contribuinte não pode furtarse de sua obrigação legal de apresentar a documentação pertinente sob a alegação de que as empresas envolvidas na cognominada “Operação Saúva” tiveram seus livros e documentos apreendidos por determinação judicial e não devolvidos. Primeiro que a Impugnante sequer comprova a retenção. Segundo que deve envidar esforços para trazer os elementos solicitados, comprovando que requereu cópias junto ao órgão que efetuou a retenção ou junto às pessoas jurídicas com as quais manteve relação comercial. (...) No que tange ao questionamento do percentual da multa de oficio e juros de mora à taxa Selic, registrese que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Frisese que o contribuinte não contesta as razões ou motivação fiscal para aplicar a multa qualificada, que a meu ver estão corretas haja vista a conduta dolosa da empresa que sistematicamente apresentou declarações e efetuou recolhimentos de valores a menor das receitas efetivamente auferidas. Essa pratica reiterada de pagamento e confissão de tributos devidos a menor, premeditada, revela, indubitavelmente a intenção de ocultar ao fisco o conhecimento da obrigação tributária em sua inteireza. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10283.721281/200917 Acórdão n.º 140200.961 S1C4T2 Fl. 0 11 Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe o enunciado nº 4 da Súmula do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 10640.005298/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO
CONHECIMENTO.
Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindo-se
na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/07/2012 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório À contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no importe de R$ 31.095,00, a partir da revisão das despesas informadas na declaração de ajuste anual do anocalendário 2006, o que culminou em notificação de lançamento, acostada a estes autos. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0935.140, de 20 de maio de 2011. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 09/06/2011. Irresignada, interpôs recurso voluntário em 20/07/2011, combatendo o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 09/06/2011, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 20/07/2011, quartafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 11/07/2011, segundafeira. Para aclarar a afirmação acima, transcrevemse os arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre as formas e prazos de intimação no rito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.005298/200828 Acórdão n.º 210202.189 S2C1T2 Fl. 2 3 III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o , I a III – omissis; § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III e IV – omissis; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o a §9º omissis. (...) SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifouse) Pelo acima destacado, vêse que o trintídio legal para interposição do recurso voluntário contase da data de ciência anotada no aviso de recebimento AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Ainda, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Pelo que consta dos autos, a contribuinte foi intimada da decisão a quo em 09/06/2011, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 20/07/2011, quartafeira. Assim, o prazo de trinta dias contase a partir de 10/06/2011, encerrandose no dia 11/07/2011, segunda feira. Dessa forma, quando interposto o recurso voluntário em 20/07/2011, já tinha fluído o prazo legal. Ante o exposto, patente a intempestividade do recurso voluntário, sendo definitiva a decisão da Turma de Julgamento da DRJ que aqui se recorre, como se vê pelo art. 42 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto, pois perempto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000209/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO.
Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade de assistência social, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, c e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 2201-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade de assistência social, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, “c” e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2002, consubstanciado na Notificação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 09 /2 00 7- 62 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Lançamento (fls. 01 e 12/18), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 69.640,20, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda São Francisco”, com área total de 614,7 ha, localizado no município de Rio das Flores RJ. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 0,00 para R$ 581.586,11, com base no SIPT, conforme demonstrativo de fl. 10. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: o impugnante é uma entidade de educação e assistência social, sem fins lucrativos, cujo imóvel rural, como internato para crianças carentes, atende exclusivamente às necessidades essenciais dessa instituição, no teor do seu estatuto social (cópia de fls. 25/33); a partir de 1999, a fazenda foi desativada para o internato, mas mantém em convênio com a prefeitura local crianças com aulas de reforço escolar, esporte, lazer e cursos profissionalizantes; os empregados lá residentes cuidam de pequena horta e produção leiteira, para consumo próprio; o Patronato goza de imunidade do ITR, conforme documentos anexados às fls. 44/54. Ao final, pelas informações trazidas e pelas decisões da Receita Federal, requer seja cancelado o referido auto de infração e o respectivo crédito tributário. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. As instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, necessitam atender aos requisitos estabelecidos na legislação de regência, para fazerem jus à imunidade tributária referente ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com suas finalidades essenciais. Intimado da decisão de primeira instância, o autuado apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17883.000209/200762 Acórdão n.º 2201002.001 S2C2T1 Fl. 3 3 Como visto do relatório, a fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 0,00 para R$ 581.586,11, com base no SIPT, conforme demonstrativo de fl. 10. Em sua peça recursal alega o suplicante que por ser uma entidade de educação e assistência social goza de imunidade constitucional, portanto, o auto de infração e o respectivo crédito tributário deve ser cancelado. Pois bem, a imunidade tributária está definida na Constituição Federal em seu art. 150, inciso VI, alínea "c" e § 4°: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4° As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Por sua vez, alguns requisitos deverão ser preenchidos para fazer jus à imunidade constitucional. Transcrevese, outrossim, o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (grifei) Pelo que se vê, para que seja alcançada a imunidade deve haver prova inequívoca de que o imóvel está diretamente relacionado com a finalidade proposta pela instituição, bem como demonstração de que a atividade por ela explorada alcança os fins beneméritos de uma entidade com objetivos sociais. Portanto, a matéria é unicamente de prova, sendo certo que o contribuinte em seu apelo trouxe diversos documentos que demonstra que efetivamente desenvolve no imóvel atividade vinculadas as finalidades essenciais. São eles: 1 Estatuto Social (fls. 123/161); 2 Convênio de cooperação entre o Município de Rio das Flores/RJ e o Patronato de Menores (fls. 163/166); 3 Declaração da Prefeitura de Rio das Flores/RJ informando que utiliza as dependências do imóvel para a implantação de programas sociais (fl. 174). Assim, penso que a prova produzida pelo recorrente é apta a demonstrar a utilização do imóvel rural da entidade de assistência social à consecução de seus fins. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17883.000209/200762 Acórdão n.º 2201002.001 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 17883.000209/200762 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.001. Brasília/DF, 19 de fevereiro de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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