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Numero do processo: 19515.001298/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade.
ÔNUS DA PROVA.
Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial.
PROCEDIMENTO FISCAL.
A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO.
A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%.
Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Impõe-se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2401-005.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, dar-lhe parcial provimento para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestar-se no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõe-se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal.
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EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 98 /2 00 7- 88 Fl. 413DF CARF MF 2 Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, darlhe parcial provimento para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidam os presentes autos de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 184/186, relativo ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar no valor total de R$ 107.780,02 (cento e sete mil, setecentos e oitenta reais e dois centavos), sendo R$ 36.429,40 referentes ao imposto, R$ 54.644,10, à multa proporcional, e R$ 16.706,52, aos juros de mora (calculados até 30/04/2007). Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 186), que o lançamento é decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados comprovados. Para melhor compreensão da matéria, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 190/196) nos seguintes termos: “A contribuinte foi selecionada para fiscalização por apresentar, durante o ano de 2003, variação patrimonial sustentada com empréstimo de mútuo realizado por seu marido, HORACIO ALBERTO JOHANNES NIEMS TITTA, CPF739.794.30120, porém sem dados fiscais para o mesmo (fls. 06, 09). Em 12/06/2006, remetemos para o domicilio fiscal da contribuinte o Termo de Inicio de Fiscalização de fls.11, recepcionado em seu domicilio, conforme fls.12, em 19/06/2006, que abrangeu solicitação de comprovação de todos os rendimentos obtidos, bem como de todo o patrimônio e ônus adquiridos no período de janeiro a dezembro de 2003. Como permanecesse silente a fiscalizada, reintimamos a mesma, conforme fls. 13/14. Em 1° de agosto de 2006, a interessada remeteunos, conforme fls. 15/16, solicitação de prorrogação de prazo para atendimento, bem como alteração de endereço, sendo atendida em seu pleito, conforme fls. 17/18. Em 24/08/06, a contribuinte apresentou o requerimento de fls. 19, onde esclarece que os seus documentos foram apreendidos em operação realizada pela Policia Federal, ficando sem condições de cumprir o prazo determinado por nós, requerendo, então, suspensão do prazo para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização. Diante do exposto, emitimos o Termo de Prorrogação de Prazo de fls.20/21, condicionado à apresentação de protocolo de pedido de cópia ao órgão responsável pelo guarda dos documentos apreendidos. Em 10/10/2006, a interessada remeteunos, conforme fls. 22/43, documentação comprobatória das informações constantes em sua declaração Fl. 415DF CARF MF 4 do imposto de renda, ou seja, a compra do imóvel no valor de R$ 149.500,00, através e de arrematação em leilão (fls.26/30), bem como o contrato de mútuo, no valor de R$ 120.000,00, além de informar que não possui mais comprovantes de gastos, pois permaneceu a maior parte do ano no exterior. Em 05 de outubro de 2006, tivemos acesso à documentação apreendida pela Operação Dilúvio, conforme fls.47/66 com autorização, inclusive para troca de informações entre os órgãos participantes daquela operação, que envolveu apreensões de objetos, documentos e informações nos vários endereços pertencentes à fiscalizada, à sua empresa e a familiares, além de um relatório elaborado pela Policia Federal, do qual juntamos, às fls. 55/66, um trecho. Documentos encontrados no notebook de Alessandra Salewski (cujo espelhamento encontrase nos autos da Policia Federal) ligam a fiscalizada como integrante do grupo MAM e diretora da empresa EMCLA, tendo a secretária Alessandra como intermediária na simulação de documentação para burlar o fisco, conforme observamos As fls. 67/68, onde houve a tentativa de retirar a fiscalização da jurisdição onde se encontra, com a mudança do endereço para Itu, configurando, assim, embaraço à fiscalização. Há, ainda a procuração de fls. 73, que demonstra os amplos poderes outorgados pela fiscalizada à secretária do grupo MAM. Muitas situações de empréstimo de mútuo utilizadas pelo Grupo foram encontradas ao longo da análise dos documentos apreendidos. Uma destas operações foi o mútuo ‘concedido’ à fiscalizada pelo seu marido, com o auxilio do esquema do grupo MAM, cujo valor não consideramos como recurso na variação patrimonial da fiscalizada, visto configurar uma montagem, além de não ser comprovada a saída dos numerários em Declaração do Imposto de Renda do marido. Assim sendo, conforme quadro de variação patrimonial de fls.85/88, teremos um patrimônio a descoberto no valor de R$ 135.952,00, considerado tributável de acordo com o artigo 807, do RIR/99. Juntamos, ainda, o Auto de Infração e seus anexos referentes ao lançamento de ofício dos rendimentos considerados omitidos, durante o ano de 2003. A Declaração do Imposto de Renda referente ao anocalendário de 2003, exercício de 2004 encontrase juntada às fls. 05/08. Para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo em 3 (três) vias de igual forma e teor, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal, sendo uma das vias enviada à contribuinte por via postal, com aviso de recebimento.” Devidamente cientificada, a Interessada apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 220/224), alegando, resumidamente, o que segue: “DA INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO Como anteriormente relatado e reconhecido pela própria fiscalização, a primeira informação prestada pela Impugnante foi acerca de seu atual endereço residencial. A fiscalização encaminhou, inicialmente, o termo de intimação fiscal para o endereço da Rua Major Diogo, onde, como informado pela Impugnante às fls. 15, não é sua residência. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 4 5 Atualmente, a Impugnante reside num Condomínio da cidade de Itu, interior paulista, como demonstra o comprovante de residência anexo e foi devidamente informado à fiscalização. Ocorre que a fiscalização entendeu que a informação da alteração de endereço tratouse de artifício para burlar o fisco, a fim de que a fiscalização fosse redirecionada para Sorocaba, jurisdição competente pela comarca de Itu. Tal conclusão da fiscalização foi justificada por uma mensagem eletrônica informando que a alteração de endereço importaria em conseqüente alteração de competência (fls. 68). Entretanto, o que se percebe das mensagens eletrônicas acostadas aos autos é que foi informado o atual endereço da Impugnante e que tal fato, consequentemente, representaria a alteração de competência para a fiscalização. As mensagens colacionadas nos autos não comprovam dolo na informação de endereço, mas tão somente uma conclusão lógica referente à mudança informada. Ademais, o Agente Fiscal da Receita Federal — AFRF não demonstrou que a informação de endereço diverso do constante no primeiro termo de intimação seria artifício para burlar o fisco, não demonstrou que a Impugnante de fato não reside no endereço informado em Itu, apenas aferiu tal questão em razão de mensagens eletrônicas que nada provam e que não poderão ser tidas como provas de infração tributária, como será demonstrado em tópico próprio. Por outro lado, 'através do comprovante de endereço anexo, conta de consumo recente, resta Claro 'que a Impugnante possui como endereço residencial aquele informado anteriormente na cidade de Itu, devendo, assim, ser reconhecida a nulidade do presente auto de infração pela ausência de competência do agente fiscalizador. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS COMO RENDIMENTOS ISENTOS SEM PROVA INEQUÍVOCA DE SUA NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração em questão, como relatado anteriormente, foi lavrado desconsiderandose informações prestadas para a Receita Federal através da declaração de ajuste anual apresentada pela impugnante. Vêse que o referido auto de infração, ao ser lavrado, criou novo cenário de fato, desconstituindo, por completo, toda a situação préexistente e presumindo, em relação a esse novo cenário, a existência de uma obrigação tributária a ser suportada pela impugnante. Vale afirmar que todos os atos praticados no cenário préexistente foram praticados de acordo com a legislação existente e produziram seus regulares efeitos, criando, por consequência, obrigações, que também foram cumpridas. A desconstituição de todas as relações préexistentes, é fato, depende de prova, depende de prova inequívoca de que a situação era ilícita, fraudulenta ou servia para ocultar efetivo fato gerador. Fl. 417DF CARF MF 6 O contrato de mútuo existe e foi declarado. Os envolvidos possuem uma relação marital de parentesco. Tais fatos, é certo, dependem de prova para ser desconstituídos. [...] No caso em tela, está sendo atribuída obrigação tributária à impugnante sem a produção de provas suficientes a comprovar o alegado pela fiscalização. A Administração Pública é regida pelos princípios da moralidade, da legalidade, da impessoalidade, da publicidade e da eficiência, como bem expressa o caput do artigo 37 da Constituição Federal. Na realização de seus atos os entes administrativos estão vinculados à lei, enquanto os cidadãos comuns podem fazer tudo que a lei não empeça, Administração é permitido atuar apenas da forma que a lei assim preveja. A fiscalização da Receita Federal, ao lavrar o auto de infração ora impugnado, utilizouse de presunções e não da verossimilhança exigida pela produção de provas. No caso em exame, o que se questiona é a validade e a legitimidade das supostas provas utilizadas pela douta fiscalização na elaboração do auto de infração. Os documentos juntados padecem da validade que lhe são atribuídas pelo fisco, haja vista que não se prestam a provar as alegações fazendárias de forma efetiva, restringindose a mensagens eletrônicas, que nada provam, são apenas indícios que deveriam ter sido investigados para se chegar a alguma conclusão, bem como por não ter superado a análise de sua validade e eficácia na esfera em que foram produzidos, ou seja, na esfera criminal. [...] Com relação ao caso em discussão, a autoridade administrativa não se utilizou de prova inequívoca ou de elementos utilizados em inquérito policial validados por sentença, sequer justificou de forma clara e evidente os motivos que levaram à desconsideração da informação prestada na declaração de ajuste anual da Impugnante, haja vista que os documentos juntados a fim de justificar seu convencimento nada provam e não podem ser tidos como prova. Assim, carecem de validade probatória os documentos juntados ao auto de infração, haja vista que se trata de meros indícios e que a autoridade competente não procedeu à investigação necessária para a aferição da infração imputada à impugnante no lançamento ora questionado. Ademais, os documentos juntados aos autos oriundos do inquérito policial, ainda não foram legitimados por sentença, o que afasta o cabimento destes como prova no presente caso. Ademais, o ônus da prova no caso em tela é da autoridade autuante, e não do contribuinte, cabendo à primeira demonstrar inequivocamente a existência do fato gerador do imposto de renda, como já entendeu a Secretaria da Receita Federal: [...] Assim, considerando que a impugnante apresentou, regularmente, sua declaração de ajuste anual, onde constam os rendimentos recebidos (isentos e tributáveis) e que a autoridade administrativa não desconstituiu, através de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 5 7 provas inequívocas, as informações prestadas pela contribuinte, padece de validade o auto de infração lavrado contra a impugnante. DA IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO DA MULTA EM 150% Ainda que as alegações acima não sejam reconhecidas pelo nobre julgador administrativo, persistindo o lançamento realizado, o que se admite apenas por hipótese, mister ser reduzida a multa aplicada para o percentual mínimo de 75%. Ora, o AFRF entendeu pela majoração da multa para 150% em razão de suposto embaraço à fiscalização causado pela informação do endereço da Impugnante em Itu. Entretanto, como anteriormente demonstrado, as provas apontadas pela fiscalização não comprovam a intenção da Impugnante em burlar o fisco, mas demonstram uma conclusão lógica de que a alteração do endereço representaria, consequentemente, a alteração da competência. Assim, percebese que a fiscalização não apresentou provas especificas quanto à infringência a justificar a majoração da multa aplicada para 150%, apresentando indícios que não suportam a mais superficial análise. Além do mais, a autoridade autuante aplicou, ao valor exigido no presente auto de infração, multa no percentual de 150%, com fundamento no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. É certo afirmar que a capitulação legal para a aplicação da multa não corresponde ao percentual aplicado pela autoridade administrativa no auto de infração ora impugnado. O que se percebe é que o auditor fiscal, ao elaborar o auto de infração em questão utilizou redação antiga da lei, onde o inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 previa a aplicação de multa no percentual de 150% quando qualificada a sonegação ou fraude, sem se dar conta de sua expressa alteração pela Medida Provisória no 351/2007. Ademais, no caso em tela, não ficou comprovada a autuação ou omissão do Impugnante de forma a configurar sonegação ou fraude a justificar a incidência de multa em percentual tão exorbitante. [...] Desta forma, resta claro que a qualificação do percentual de multa em 150% é completamente injustificada, devendo esta ser mantida em 75%. DO CALCULO DO IMPOSTO Ainda que não sejam reconhecidos os argumentos supra aduzidos, importante reconhecerse a irregularidade no cálculo do imposto de renda devido sobre o acréscimo patrimonial a descoberto apurado. [...] Fl. 419DF CARF MF 8 Ocorre que, na elaboração do cálculo do valor devido a titulo de imposto a autoridade autuante, embora informe a parcela a deduzir, não procede, efetivamente, ao desconto do referido valor do montante devido, o que representa afronta ao principio da' progressividade, que é inerente ao imposto de renda. Assim, mister ser reconhecida a improcedência do lançamento, também com relação à não observância do 'principio da progressividade no cálculo do suposto tributo devido. DO PEDIDO Por todo o acima exposto, requer seja julgada completamente procedente a presente impugnação, reconhecendose a nulidade do lançamento em questão em razão da incompetência da autoridade autuante. Caso não seja este o entendimento de V. Sa., requer seja reconhecida a total improcedência da autuação haja vista a inexistência de prova inequívoca de ocorrência da infração tributária, e a existência de documentos que justificam o rendimento isento declarado pela Impugnante. Por fim, caso entendase pela procedência do lançamento, requer, ao menos, seja refeito o cálculo do imposto devido, observandose a tabela progressiva, bem como seja reduzido o percentual de multa aplicado.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1730.361 da 3ª Turma da DRJ/SPOII, às fls. 290/316, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “PRELIMINAR. NULIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. A exigência de crédito tributário é válida, mesmo que formalizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, haja vista que o inicio do procedimento fiscal previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. CAPITULAÇÃO DA MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Na aplicação da multa a legislação a ser observada é a vigente à data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado. MULTA QUALIFICADA. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 6 9 É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso da contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. CALCULO DO IMPOSTO. Uma vez não detectado erro no cálculo do imposto devido, incabível a retificação do lançamento. Impugnação Improcedente” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 338/374, em suma, com os seguintes argumentos: “II— RAZÕES DA REFORMA DA R. DECISAO RECORRIDA II. 1 — IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO COM BASE EM PROVA EMPRESTADA [CRIMINAL] 4. A Fiscalização procedeu ao lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física baseado em presunções, sem fazer prova da efetiva omissão de rendimentos e dos acréscimos patrimoniais a descoberto, ou seja, da ocorrência dos fatos jurídicos que fazem surgir os fatos geradores cujos créditos são imputados a Recorrente como devidos. 5. É cediço que os atos administrativos são dotados de presunção de legitimidade. No entanto, tais premissas não eximem a Administração do dever de comprovar que o fato jurídico ocorreu. 6. No presente caso, não há prova de que efetivamente ocorreu omissão de rendimentos a descoberto ou mesmo a existência de fraude ou simulação na declaração de rendimentos isentos declarados pela Recorrente. Isso impede que a autuação subsista. [...] 9. Verificase que DD. Fiscalização presume o suposto acréscimo patrimonial a descoberto por parte da Recorrente. Isto porque se baseia em mensagens eletrônicas que nada provam. São apenas indícios que não foram devidamente comprovados por meio de outros documentos. 10. 0 procedimento adotado pelas DD. Autoridades Fiscais para a desconstituição de todas as relações existentes que ensejou na constituição do crédito tributário de IRPF, foi realizado sem prova inequívoca da ilicitude, simulação ou fraude. A ilicitude dos atos e das relações existentes foi supostamente comprovada pela DD. Autoridades Fiscais apenas por meio dos documentos apreendidos na denominada ‘Operação Dilúvio’. Suprimiuse o procedimento de fiscalização da fazenda pública. Tal providência não pode ser validada. [...] 12. Assim, as DD. Autoridades Fiscais não poderiam ter se utilizado, tão somente, de informações produzidas e coletadas em outro processo, ‘documentos da Operação Dilúvio’, para constituir crédito tributário, Fl. 421DF CARF MF 10 supostamente devido pela Recorrente. É necessária a realização de todo o procedimento de fiscalização exigido, sob pena de nulidade. 13. Portanto, imperase o reconhecimento da nulidade da autuação fiscal, face à inexistência procedimento administrativo hábil à apuração e comprovação das supostas infrações cometidas. 14. Nesse ponto, a Recorrente transcreve pronunciamento da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL sobre o uso de provas emprestadas de outros procedimentos investigatórios, com especial ênfase as informações extraídas de inquéritos policiais: [...] 15. A Autoridade Fiscal não se utilizou de prova inequívoca ou de elementos do inquérito policial validados por sentença, para desconsiderar o contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e seu marido, de modo que urge a declaração de nulidade do procedimento fiscal que originou o auto de infração combatido. II. 2 — IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO COM BASE EM PROVA EMPRESTADA [PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ESTADUAL] 16. Qualquer auto de infração para constituição do crédito tributário tem como pressuposto o procedimento de fiscalização previsto no artigo 532 do RICMS, cumulado com as disposições do Decreto Estadual n° 46.676/2002. Esse procedimento visa evitar a constituição do crédito tributário que se paute em mera presunção de irregularidade. 17. Dessa forma, a autuação fiscal incorre em clara nulidade, já que não obedeceu aos ritos procedimentais previstos na legislação. O procedimento adotado pelas DD. Autoridades Fiscais para a constituição do crédito tributário, com base em prova emprestada do Fisco Federal, constitui verdadeira inversão das relações jurídicas, na qual se suprime o procedimento de fiscalização da fazenda pública. [...] 20. Assim, o Fisco Estadual não pode se utilizar, tão somente, de informações de outra Fazenda Pública, no presente caso a da União, para constituir crédito tributário, supostamente devido pela Embargante. É necessária a realização de todo o procedimento de fiscalização exigido, sob pena de nulidade. 21. Vejase que é exatamente o que aconteceu no presente caso. A Embargada constituiu crédito tributário, tão somente, com informações obtidas/extraídas do Fisco Federal. 22. Excelência, não houve o procedimento adequado e exigido pela RICMS/SP, ou seja, uma fiscalização própria a suportar a lavratura do auto de infração relacionado ao caso. [...] 24. Portanto, imperase o reconhecimento da nulidade da autuação fiscal, bem como do processo administrativo correlacionado à ação executiva ora embargada, face a inexistência procedimento administrativo hábil a apuração e comprovação das supostas infrações cometidas. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 7 11 II. 3 — ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS IMPUTADOS À RECORRENTE 25. — As DD. Autoridades Fiscais imputaram a Recorrente o acréscimo patrimonial a descoberto — fls. 152 – ‘(...) acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de outubro de 2003, decorrente da aquisição de um lote de terreno situado à Rua Três, s/ n, no Itaim, São Paulo, mediante arrematação em leilão, no valor R$ 149.500,00 (fls. 26/30)’. 26. — Conforme já constou na impugnação ao auto de infração apresentada, a Recorrente adquiriu o referido imóvel com produto do contrário de mútuo celebrado com Sr. Horácio Johannes Niemz Titta, seu marido, no valor R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). 27. — Para fazer prova dessa origem, a Recorrente providenciou a juntada de cópia do contrato de mútuo celebrado — fls. 40/42 e tal informação constou em sua Declaração de Imposto de Renda. Apesar disso, as DD. Autoridades Julgadoras entenderam que — fls. 152 — ‘(...) cumpre salientar que os empréstimos realizados com terceiro, pessoa física ou jurídica, devem estar registrados nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário, tendo em vista a sua repercussão na variação patrimonial’. 28. — Ocorre que, o mutuante apenas passou a residir no Brasil no ano calendário de 2004 e, por tal motivo, não houve a entrega da declaração de imposto de renda — DIPF/2004. 29. — Dessa forma, as DD. Autoridades Julgadoras exigem documento que a Recorrente encontrase impossibilitada de apresentar já que. não existia a obrigação do mutuante em entregar a referida declaração de imposto de renda. 30. — Para desconsiderar os valores e dados informados na DIPF/2004 da Recorrente, as DD. Autoridades Julgadoras presumem fatos em provas emprestadas. Isso fica evidente no seguinte trecho da r. decisão — fls. 155 — ‘(...) os mencionados documentos, especialmente os de fls. 81/84, deixam claro que o empréstimo ‘concedido’ à fiscalizada por seu cônjuge, Horário Alberto Johannes Niemz Titta, tratouse, na verdade, de negócio simulado, que teve a única e exclusiva finalidade de garantir suporte legal de recursos para a variação patrimonial da contribuinte.’ 31. — Ora, Conselheiros, os documentos que as DD. Autoridades Julgadoras mencionam são mensagens eletrônicas documentos apreendidos na denominada ‘Operação Diluvio’. Suprimiuse o procedimento de fiscalização da fazenda pública, o que não pode ser admitido. 11. 4. DESCABIMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% [...] 33. Conforme demonstrado, a DD. Fiscalização exige da Recorrente multa punitiva majorada, equivalente a 150% e juros de mora sobre o suposto crédito tributário discutido nestes autos. Esse procedimento, entretanto, é equivocado. Fl. 423DF CARF MF 12 34. Ora, Conselheiros, a própria DD. Autoridade Julgadora reconheceu que a necessidade da comprovação da existência de fraude para que possa ser majorada a multa de oficio para 150%: ‘(..) Na aplicação da multa qualificada de 150%, a autoridade fiscal deve subsidiar o lançamento com elementos probatórios que mostrem de forma irrefutável a existência destes dois elementos formadores do dolo, elemento subjetivo dos tipos relacionados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, aos quais o §1°, do artigo 44, da Lei n° 9.430 de 1996 faz remissão. 8, pois, esta comprovação nos autos requisito de legalidade para aplicação da multa qualificada’(fls. 156) 35. — Como já exposto no tópico relativo aos acréscimos patrimoniais apontados, não houve qualquer prova dos fatos alegados. A DD. Autoridade Tributária presume fatos e imputa à Recorrente acréscimo patrimonial, de modo que urge o reconhecimento da inexigibilidade da multa majorada sobre o referido valor. 36. — Repitase: o procedimento fiscal foi baseado, tão somente, em mensagens eletrônicas, documentos apreendidos na ‘operação dilúvio’, os quais não tem o condão de ensejar na aplicação de multa majorada 150% ao presente caso. 115.) INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO INDEXADOR [...] 49. Assim sendo, in casu, por tudo o quanto anteriormente exposto, forçoso concluir pela absoluta ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC no cômputo dos juros moratórios, por expressa violação aos artigos 161, caput e §1 0, do Código Tributário Nacional, e artigos 5°, 48, I e 150, I e III, "h" da Constituição Federal, o que, per si, já é bastante para que sela declarada a nulidade do titulo executivo ora impugnado, em decorrência de sua iliquidez. Caso, contudo, não se entenda pela absoluta nulidade do aludido titulo, o que se admite apenas ad argumentandum, impera, em vista do quanto acima exposto, seja revisto o percentual dos juros pretendidos pela Recorrente. III. — CONCLUSÕES E PEDIDOS 50. Ante todo o acima exposto, a Recorrente requer: a. seja conhecido o presente recurso, em razão da sua tempestividade; b. sejam acolhidas as preliminares levantadas, para o fim de se determinar o cancelamento da exigência fiscal; ou, caso tais alegações não sejam aceitas por essa C. Câmara, o que apenas se admite em atenção eventualidade; c. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que seja reformado o v. acórdão recorrido, e, ato continuo, sejam afastados definitivamente o lançamentos e a cobranças do IRPF em face da Recorrente por suposto acréscimo patrimoniais no anocalendário de 2003.” É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/06/2009 conforme A.R à fl. 328, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/07/2009 (fl. 338), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 – Da nulidade. A Recorrente suscita a nulidade da autuação fiscal, face à inexistência procedimento administrativo hábil à apuração e comprovação das supostas infrações cometidas. Sustenta que a Autoridade Fiscal não se utilizou de prova inequívoca ou de elementos do inquérito policial validados por sentença, para desconsiderar o contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e seu marido, de modo que urge a declaração de nulidade do procedimento fiscal que originou o auto de infração combatido. Argumenta que Fiscalização procedeu ao lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física baseado em presunções, sem fazer prova da efetiva omissão de rendimentos e dos acréscimos patrimoniais a descoberto, ou seja, da ocorrência dos fatos jurídicos que fazem surgir os fatos geradores cujos créditos são imputados a Recorrente como devidos. Afirma que é cediço que os atos administrativos são dotados de presunção de legitimidade. No entanto, tais premissas não eximem a Administração do dever de comprovar que o fato jurídico ocorreu, e, no presente caso, não há prova de que efetivamente ocorreu omissão de rendimentos a descoberto ou mesmo a existência de fraude ou simulação na declaração de rendimentos isentos declarados pela Recorrente. Isso impede que a autuação subsista. Entretanto, razão não lhe assiste. Salientese de imediato que, via de regra, não há qualquer óbice à utilização de prova emprestada, conforme se observa do artigo 372 do Código de Processo Civil, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. Fl. 425DF CARF MF 14 A utilização de uma prova produzida em outro processo não exige identidade de partes, prescindindose que sejam as mesmas partes na origem e no processo de destino da prova emprestada, conforme entendimento da jurisprudência pátria (Embargos em Recurso Especial nº 617.428/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 4/6/2014). A jurisprudência deste conselho segue no mesmo sentido. Recordese: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Conceituase prova emprestada como aquela prova produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Tal forma de prova é tradicionalmente aceita âmbito do processo administrativo. Contudo, para resguardar os direitos fundamentais dos contribuintes, somente é admitida a prova emprestada para basear auto de infração se cumpridos dois requisitos de admissibilidade cumulativamente, quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do contraditório; e i) que o sujeito passivo da obrigação tributária, cujos interesses são postos em análise pela prova emprestada no processo administrativo, tenha participado do referido contraditório original, ou seja, seja do parte no processo do qual a prova foi transladada. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, Relatora Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Acórdão nº 3402004.290, Data da Sessão: 29/06/2017) PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. (CARF, 2ª Seção, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Cleberson Alex Friess, Acórdão nº 2401004.874, Data da Sessão: 06/06/2017) NULIDADE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório utilizado como prova subsidiária produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. (CARF, 2ª Seção, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 9 15 Marcelo Milton da Silva Risso, Acórdão 2201003.657, Data da Sessão: 06/06/2017) Não é demais lembrar que, no tocante aos documentos e às informações que amparam o lançamento tributário, o contraditório e a ampla defesa foram garantidos ao contribuinte no contencioso administrativo fiscal. Observase, também, que o Auto de Infração está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende todos os requisitos legais. A autuada, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendolhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Além disso, após cientificada do lançamento, a interessada teve 30 (trinta) dias para apresentar a sua impugnação e anexar aos autos todas as provas que julgasse relevantes para desconstituir a exigência. Ademais, na apreciação de provas no processo administrativo tributário, a legislação tributária confere ao órgão julgador o livre convencimento de sua validade para os fins de que são propostas. Portanto, forte nessas razões, rejeito a preliminar argüida. não cabem mais questionamentos quanto à possibilidade de formalização da exigência com base em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A propósito, confirase: IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Fl. 427DF CARF MF 16 Recurso Voluntário Negado. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2402005.592, Rel. Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Sessão 19/01/2017) Vejase que é pacífico o entendimento deste Conselho no sentido de que “a presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ademais, tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Portanto, a alegação de que em regra cabe ao Fisco comprovar as suas alegações, não merece acolhida. 3. Do mérito – Acréscimo patrimonial a descoberto A Recorrente se insurge quanto à imputação em tela ao fundamento de que “As DD. Autoridades Fiscais imputaram a Recorrente o acréscimo patrimonial a descoberto fls. 152 – ‘(...) acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de outubro de 2003, decorrente da aquisição de um lote de terreno situado à Rua Três, s/ n, no Itaim, São Paulo, mediante arrematação em leilão, no valor R$ 149.500,00 (fls. 26/30)’”. Narra que adquiriu o referido imóvel com produto do contrato de mútuo celebrado com Sr. Horácio Johannes Niemz Titta, seu marido, no valor R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Para fazer prova dessa origem, a Recorrente providenciou a juntada de cópia do contrato de mútuo celebrado fls. 40/42 e tal informação constou em sua Declaração de Imposto de Renda. Apesar disso, os julgadores entenderam os empréstimos realizados com terceiro, pessoa física ou jurídica, devem estar registrados nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário, tendo em vista a sua repercussão na variação patrimonial. Ocorre que, o mutuante apenas passou a residir no Brasil no ano calendário de 2004 e, por tal motivo, não houve a entrega da declaração de imposto de renda DIPF/2004. Dessa forma, as Autoridades Julgadoras exigem documento que a Recorrente encontrase impossibilitada de apresentar já que não existia a obrigação do mutuante em entregar a referida declaração de imposto de renda. Ademais, sustenta que as Autoridades Julgadoras presumem fatos em provas emprestadas. Inicialmente, cumpre destacar que conforme dispõe o artigo 55, XIII, do decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), devem ser tributadas as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis. Confirase: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] Outrossim, o artigo 807 do mesmo diploma normativo preceitua que: Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Por sua vez, o § 1º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 dispõe que constituem rendimento bruto os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados na forma seguinte: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal juris tantum ou relativa, e o principal efeito desta presunção legal é a inversão do ônus da prova. Assim, verificada a ocorrência de acréscimos patrimoniais incompatíveis com a renda declarada, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos sujeitos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade da imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. No caso dos autos, conforme anteriormente descrito, a Recorrente, com o objetivo de justificar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de outubro de 2003, decorrente da aquisição de um lote de terreno situado à Rua Três, s/n, no Itaim, São Paulo, mediante arrematação em leilão, no valor de R$ 149.500,00 (fls. 26/30), a interessada argumenta que deve ser considerado como origem o empréstimo supostamente recebido de seu cônjuge, o Sr. Horácio Alberto Johannes Niemz Titta, no valor de R$120.000,00. Fl. 429DF CARF MF 18 Assegura que tal transação foi devidamente registrada em sua declaração de ajuste, na qualidade de beneficiária, apresentando como prova o contrato de mútuo firmado entre ela e seu cônjuge (fls. 82/86). Todavia, a DRJ de origem rejeitou a argumentação da contribuinte por entender que “os empréstimos realizados com terceiro, pessoa física ou jurídica, devem estar registrados nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário, tendo em vista a sua repercussão na variação patrimonial”. E na sequência concluiu da seguinte forma: “Como se vê, o contrato de mútuo em questão não tem o condão de, por si só, comprovar a operação alegada, já que pode ser feito a qualquer tempo, com o teor que convier ao interessado e trazendo valores de acordo com os seus interesses, o que o torna pouco convincente. Tratase de mero documento particular sem registro em cartório, que se existente, constituiria um reforço para a credibilidade das operações, além de conferir certeza, no mínimo, à data em que o documento foi efetivamente firmado. Ademais, além de não registrado, também não está apoiado por outras provas conclusivas, comprobatórias da transferência efetiva da quantia mutuada do mutuante para a contacorrente do mutuário, da quitação do suposto empréstimo, nem, tampouco, da capacidade financeira do mutuante à época do empréstimo. Em suma, cabe à contribuinte fazer prova do recebimento dos recursos, por meio de extrato bancário ou indicação do cheque ou depósito em sua conta corrente, prova esta que, se existente, satisfaria plenamente a exigência, mesmo porque não se trata de pequena quantia e o valor, se efetivamente emprestado, deve ter sido entregue em cheque ou em dinheiro e depositado na contacorrente do devedor, o que tornaria fácil a comprovação da transferência relativa ao ato de empréstimo. Sem esses elementos não é possível aceitar o empréstimo mencionado. É um equivoco o raciocínio de que a informalidade dos negócios entre parentes próximos pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes um empréstimo sem nota promissória, por exemplo , mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vinculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. Logo, o grau de parentesco com o mutuante ou a forma convencionada entre as partes diz respeito somente as partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova do recebimento do dinheiro, e não pode ser oposta à Fazenda Pública.” Entendo que a respeitável decisão não merece sofrer qualquer censura, merecendo ser confirmada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Todavia, sobre empréstimos a título de mútuo, cabe observar o que segue. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 11 19 Especificamente no que se refere às alegações formuladas sobre os empréstimos supostamente contraídos junto a terceiros (cônjuge), para suas comprovações, seria imprescindível que fossem juntados ao processo: a) a apresentação do contrato de mútuo devidamente assinado e registrado em cartório pelas partes por ocasião da celebração do respectivo acordo; b) que o empréstimo fosse regularmente informado nas Declarações de Ajuste Anual dos interessados; c) que os mutuantes tivessem disponibilidade financeira para o empréstimo, bem como a mutuário para saldar tempestivamente seus compromissos; d) que restasse comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), bem como a comprovação da restituição dos valores tomados pelo mutuário (bem suas previsões de restituição, caso os empréstimos ainda estivessem em andamento). Assim não fosse, abrirseia um enorme leque de possibilidades de fraudes mediante informações de “operações fantasmas”, permitindo, por exemplo, que quem dispusesse de meios, ficticiamente “emprestasse” a outro um determinado valor, “esquentando”, dessa forma, recursos do “mutuário” não apresentados à tributação. Em outras palavras, a pretensão do interessado deveria estar baseada em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência das operações, ou seja, recebimento das quantias que afirma terem sido emprestadas, como é o caso de transferências bancárias do numerário ou cópias de cheques emitidos e comprovadamente sacados ou creditados. Não consta dos autos a comprovação, seja da saída do numerário do patrimônio dos mutuantes seja da quitação efetuada pelo mutuário, não socorrendo ao contribuinte a alegação de que os empréstimos foram realizados por ambas as partes. É de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Além do mais, é de causar estranheza que a movimentação de quantias tão significativas venham sendo reiteradamente realizadas em espécie, ou seja, à margem do sistema bancário nacional, sem uma comprovação efetiva da ocorrência de tais empréstimos, como salientado pela decisão recorrida. Observese, que não é proibida a negociação em espécie, porém a prova da operação fica dificultada, justamente por prejudicar a possibilidade de rastreamento da origem dos recursos alegadamente recebidos. Assim, para a sua comprovação, é necessária uma instrução probatória robusta, que espanque dúvidas quanto (a) à existência dos recursos e (b) à entrega dos recursos ao beneficiário. Com efeito, o mútuo de dinheiro atrai um ônus probatório mais custoso para quem dele se utiliza, justamente por ele se prestar muito facilmente à simulação e, infelizmente, ser muito mais utilizado para tanto. Ou seja, o mútuo deve ser efetivamente comprovado pelo interessado, não bastando a mera apresentação de seu instrumento de constituição. Em razão dos fatos narrados, penso que a prova apta a espancar a dúvida seria a comprovação da transferência de numerário, conforme se observa dos julgados transcritos: Fl. 431DF CARF MF 20 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO NÃO JUSTIFICADO. A justificação para o empréstimo deve basearse em outros meios de prova, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores, não bastando a simples informação na Declaração de Ajuste. (CARF, Acórdão 2201002.723, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Rel. Cons. Eduardo Tadeu Farah, Sessão de 09/12/2015) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. (Acórdão 10245383 de 20/02/2002) Não se pode perder de vista que os dados constantes da Declaração de Ajuste e de Bens do contribuinte são informações prestadas voluntariamente, sob sua responsabilidade, e sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessária. O artigo 806 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999) assim determina: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Portanto, resta claro que todo contribuinte está sujeito a comprovar, mediante documentos hábeis e esclarecimentos, os rendimentos auferidos e as alterações ocorridas em seu patrimônio, sempre que intimado a fazêlo, quando da revisão da declaração de rendimentos. Forte nessas razões, nego provimento ao recurso quanto a esse ponto. 4. Da multa de ofício Por fim, a Recorrente sustenta que a multa de ofício qualificada aplicada pela Fiscalização é indevida porquanto restou demonstrada de forma clara e justificada a ocorrência de fraude ou sonegação que justificasse a aplicação da multa de 150%. A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 12 21 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. Devemos então verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da autuada, se encaixa em alguma das definições de evidente intuito de fraude, que estão estampadas nos artigos 71, 72 e 73, acima transcritos. Em caso positivo, de se aplicar a multa qualificada. Ou seja, não cabe aqui avaliar de forma subjetiva se a conduta foi claramente ou evidentemente uma fraude ou não. A avaliação deve ser objetiva, verificando se a conduta se encaixa ou não em algum dos dispositivos citados. E a nova redação do dispositivo deu fim a toda essa discussão. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita nas definições contidas na Lei nº 4.502/64, já transcrita. A sonegação, conforme citado artigo, apresenta as seguintes exigências: • Uma ação ou omissão; e • Que esta ação ou omissão seja dolosa; e • Que ela impeça ou retarde o conhecimento pelo Fisco: • da ocorrência do fato gerador; ou • da natureza do fato gerador; ou • das circunstâncias materiais do fato gerador. Fl. 433DF CARF MF 22 Já a fraude caracterizase por: • Uma ações ou omissão; e • Que esta ação ou omissão seja dolosa; e • Que ela impeça ou retarde a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido; ou • Que ela exclua ou modifique as características essenciais do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido. Incorrendo o contribuinte em uma das duas situações acima, de se aplicar a multa qualificada. No caso em exame, há elementos suficientes para a caracterização da atitude dolosa, intencional da Recorrente, com intuito de ocultar da Administração Tributária o real montante de seus rendimentos no anocalendário fiscalizado. A utilização de negócio jurídico simulado, objetivando dar suporte legal de recursos à variação patrimonial da contribuinte, evidenciou claramente o propósito deliberado de ocultar o seu verdadeiro patrimônio e rendimentos ao fisco, impedindo o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Com as considerações supra, não há como acolher as alegações da Recorrente, afastandose, assim, a argumentação de “inexistência de dolo, fraude ou simulação”. Diante do exposto, portanto, deve ser declarada procedente a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, inciso I e §1°, da Lei n.° 9.430/1996. 5. Do juros de mora sobre a multa de ofício A Recorrente requer seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. A respeito do tema, cumpre transcrever trecho do voto vencido no Acórdão 920201.806, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddaad, exarado pela 2ª Turma CSRF, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 13 23 de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SEL1C; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de I% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de oficio por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei n°9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §10 do Código Tributário Nacional — CIN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". "Crédito", por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: "Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 435DF CARF MF 24 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão "penalidade pecuniária" incluída no parágrafo 1" art. 113. A meu ver a expressão "penalidade pecuniária" ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3' do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do oficio) já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de oficio, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser "corrigida" é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o C77V não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, mister se ftiz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 14 25 Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3° da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3' são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei 1209.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3° do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de oficio lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão "débitos" constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de oficio, seria imperioso admitir que a multa de oficio, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que" os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso." Fl. 437DF CARF MF 26 Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3° do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o "caput". Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática — entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos mora tórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Ora, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do "caput" do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio (...) No presente caso, os paradigmas apresentados pela recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.151 S2C4T1 Fl. 15 27 Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. 6. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, DARLHE provimento parcial. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906112/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 41927.59298.240512.1.3.045595, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 11 2/ 20 12 -0 6Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10660.906112/201206 Resolução nº 3401001.331 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de Cofins e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP e DCTF. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem na indevida inclusão, na apuração do PIS/Pasep e Cofins, de produtos isentos, tributados à alíquota zero ou sujeitos à incidência monofásica, juntando relatório de apuração das contribuições por nota fiscal e código de situação fiscal e cópias de DANFEs para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10660.906112/201206 Resolução nº 3401001.331 S3C4T1 Fl. 5 3 demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe relatório de notas fiscais emitidas e cópias das notas fiscais, em tese, incluídas equivocadamente no cálculo, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10660.906112/201206 Resolução nº 3401001.331 S3C4T1 Fl. 6 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721908/2012-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação.
Numero da decisão: 1001-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.721908/201221 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.341 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente COLEGIO BARONESA DA TAQUARA S/C LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 19 08 /2 01 2- 21 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 18470.721908/201221 Acórdão n.º 1001000.341 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 49) interposto contra o Acórdão nº 12 57.569, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 39 a 44), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Simples Nacional. Regularização da situação impeditiva junto à Receita Federal do Brasil. Falta de Comprovação. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de comprovação da regularização de pendências fiscais, dentro do prazo previsto pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em razão de ter sido negado à Requerente o ingresso no Simples Nacional. 2. Conforme o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fls. 29 a 33 do eprocesso, constataramse: 2.1. Como pendências fiscais de natureza previdenciária DEBCAD 39.048.5306, os débitos por divergência nas informações prestadas em GFIP relativamente a 07 competências e débitos de natureza não previdenciária de DCTF, SIMPLES e CLT; 3. Consta como data do registro do Termo de Indeferimento o dia 16/02/2012 e o Número do Recibo 00.04.89.85.81. 4. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade em 05/03/2012, vide fls. 02/17 do eprocesso. Em síntese: 4.1. Pede sejam as futuras correspondências encaminhadas ao endereço de seu patrono. 4.2. Pede o cadastramento do processo no serviço de pushprocesso do COMPROT. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 18470.721908/201221 Acórdão n.º 1001000.341 S1C0T1 Fl. 4 3 4.3. Protesta pela juntada de documentos a posteriori. 4.4. Pede que a empresa, enquanto não finda a lide administrativa, seja mantida como optante pelo Simples Nacional, nos termos do art. 151, III do CTN, por força do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade. 4.5. Argumenta sobre a cobrança excessiva de acréscimos legais, requer seja respeitado o princípio de capacidade contributiva e pede que seja fornecida “planilha atualizada dos débitos legalmente exigíveis, bem como sejam os mesmos convertidos em UFIR da época para que após aceitação de nossa parte,sejam os mesmos objeto de parcelamento, em tantas parcelas quanto possível, viabilizando dessa forma a existência da própria empresa, face ao disposto no art. 179 da Carta Constitucional de 1988”. 4.6. Tece outras diversas considerações de cunho genérico, como protestos contra o grande número de dispositivos legais e infralegais a serem obedecidos, dificultando a regularização dos créditos em aberto, em especial através do parcelamento; da falta de respeito ao direito a tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas; da criação do Simples Nacional; da ilegalidade do art. 20 da Resolução 4 CGSN/2007, cc. art. 79 da LC 123/2006. 5. Junta documentos de fls. 34 a 36" Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário limitandose a reiterar os argumentos exarados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Da Alegação de Ilegalidade/Inconstitucionalidade 8. Inicialmente, cumpre ressaltar que as discussões acerca da legalidade e constitucionalidade de lei ou ato normativo, as quais foram alegadas pela notificada em diversos pontos ao longo de sua defesa, são de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, devendo vigorar o texto legal, enquanto não retirado do ordenamento jurídico. Existindo norma legal em vigor que discipline a matéria, não cabe às Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.721908/201221 Acórdão n.º 1001000.341 S1C0T1 Fl. 5 4 instâncias administrativas oporse à sua aplicação. O mérito da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias deve ser enfrentado junto ao Poder Judiciário, que, por força constitucional, é o foro adequado para tal discussão. Do Pedido Acerca do Envio de Intimações para Endereço Diverso do Domicílio Tributário do Contribuinte 9. Aplicamse ao processo administrativo fiscal, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, as determinações constantes no Decreto 70.235/1972, que estipula que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, por via postal, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço postal, eletrônico autorizado, ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais). Decreto 70.235/1972 Art. 23.§ 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 9.1. Portanto, não é de competência da autoridade administrativa de julgamento essa alteração, indeferindose o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas na forma pretendida pelo interessado, pois, na atual fase do procedimento, elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos da legislação transcrita. Do Mérito 10. O parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõe: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.721908/201221 Acórdão n.º 1001000.341 S1C0T1 Fl. 6 5 10.1. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, cujo art. 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (grifei) § 1º A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (grifei) I – regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (grifei) § 1ºB O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) 11. Como visto, o legislador fixou um prazo peremptório para a regularização das pendências impeditivas, que devem ser saneadas até o término do prazo para solicitação da opção. 12. Com a finalidade de pesquisar acerca da regularização das pendências, solicitamos informações à Equipe de Parcelamento da DRFII, que respondeu, através de email institucional: O crédito DEBCAD 39.048.5306 encontrase devidamente incluído no parcelamento especial da Lei 11.941/2009, desde 05/11/2009; Quanto às divergências de valores informados em GFIP, verificamos que não houve regularização (liquidação ou parcelamento) para as competências 04/2007, 05/2007, 11/2007 e 02/2008. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.721908/201221 Acórdão n.º 1001000.341 S1C0T1 Fl. 7 6 13. Quanto aos débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária ( DCTF, SIMPLES e CLT) a empresa não junta aos autos comprovação de regularização de tais pendências. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000392/2005-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental.
DECISÃO RECORRIDA MANTIDA EM TODOS OS SEUS TERMOS.
Não havendo motivos para reforma, mantém-se incólume a decisão vergastada que julgou parcialmente procedente o lançamento.
Numero da decisão: 1002-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental. DECISÃO RECORRIDA MANTIDA EM TODOS OS SEUS TERMOS. Não havendo motivos para reforma, mantém-se incólume a decisão vergastada que julgou parcialmente procedente o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 62 1 61 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000392/200565 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.098 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 8 de março de 2018 Matéria Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Normas Gerais de Direito Tributário. Recorrente MUNIQUE COMERCIO E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação instrumental. DECISÃO RECORRIDA MANTIDA EM TODOS OS SEUS TERMOS. Não havendo motivos para reforma, mantémse incólume a decisão vergastada que julgou parcialmente procedente o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 92 /2 00 5- 65 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 29/08/2008, consubstanciada no Acórdão n.º 0713.636, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2000, do 1.º e 2.º Trimestres do Ano Calendário 2001, do 2.º Trimestre do Ano Calendário 2002 e do 4.º Trimestre do Ano Calendário 2003, acolhendo apenas em parte a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AnoCalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n.º 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração em espécie foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 2.º Trimestre/2000, Multa R$372,71 3.º Trimestre/2000, Multa R$286,70 4.º Trimestre/2000, Multa R$200,69 1.º Trimestre/2001, Multa R$114,68 2.º Trimestre/2001, Multa R$28,67 2.º Trimestre/2002, Multa Mínima R$500,00 4.º Trimestre/2003, Multa R$22.732,75 [reduzida DRJ para R$ 14.580,77] A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, argumentou que, Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13982.000392/200565 Acórdão n.º 1002000.098 S1C0T2 Fl. 63 3 apesar do julgamento parcial, cancelando parte da multa relativa ao 4.º Trimestre/2003, deve ocorrer a reforma dos cálculos da penalidade, pois, enquanto se tratava de "falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo", aplicase o inciso I do art. 8.º da IN 482/2004; após a entrega da declaração originária, até a data da retificadora, perdura o período em que as “informações eram incorretas ou omitidas", aplicandose o inciso II do art. 8.º, não sendo caso de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo". Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, a despeito de bastante reduzido, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. No juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. Primeiro, é importante registrar que não se discute o atraso, tampouco a correta aplicação da multa pela apresentação extemporânea das DCTF do 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2000, do 1.º e 2.º Trimestres do Ano Calendário 2001 e do 2.º Trimestre do Ano Calendário 2002. Quanto aos cálculos do 4.º Trimestre do Ano Calendário 2003, razão do inconformismo da recorrente, entendo que a DRJ aplicou corretamente o direito à espécie, inclusive já tendo feito a correção nos cálculos. Observese que a DCTF do 4.º Trimestre do Ano Calendário 2003 deveria ser entregue em 13/02/2004, porém foi entregue em 29/11/2004 (com 10 meses de atraso, informando o valor de R$ 227.327,50, fl. 06). Posteriormente, sobreveio a retificadora daquela entregue em atraso, sendo que a retificação (reduzindo o valor informado na DCTF para R$ 145.807,75, fl. 21) ocorreu antes da notificação da autuação pelo atraso. Diante deste contexto, a DRJ aplicou corretamente a multa disposta no art. 8.º, §1.º, inciso I, da IN SRF 482, de 2004, especialmente por observar os benefícios do art. 8.º, § 2.º, I, da IN SRF 482, de 2004, combinado com o benefício do art. 9.º, § 1.º, da IN SRF 255, de 2002. Vejase a metodologia de cálculo aplicada: Fl. 71DF CARF MF 4 Agora, observese os dispositivos citados como se evidenciam com clareza solar: IN SRF 482, de 2004 Art. 8.º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3.º; (...) § 1.º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração. § 2.º Observado o disposto no § 3.º, as multas serão reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IN 255, de 2002 Art. 9.º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1.º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Portanto, correto o cálculo e a multa aplicada. O que pretende a recorrente não se conforma com a melhor hermenêutica para a norma. Vejase, questiona a recorrente a aplicação do inciso II do art. 8.º, da IN SRF 482, de 2004, sobrepondose ao inciso I. Vejase a transcrição da norma: IN SRF 482, de 2004 Art. 8.º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13982.000392/200565 Acórdão n.º 1002000.098 S1C0T2 Fl. 64 5 caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Ocorre que, o inciso II é aplicado para informações incorretas. Para atraso na entrega da DCTF aplicase o inciso I. Transcrevemos novamente esse enunciado: IN SRF 482, de 2004 Art. 8.º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3.º; (...) § 1.º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração. Logo, sem razão o inconformismo da recorrente. Aliás, a multa que lhe foi aplicada não foi sequer elevada pelos erros nas informações, haja vista que se aceitou a retificadora. A multa foi aplicada porque a DCTF do 4.º Trimestre do Ano Calendário 2003 deveria ser entregue em 13/02/2004, mas só foi entregue em 29/11/2004 (com 10 meses de atraso). No mais, não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Oportuno registrar que não se aplica a denúncia espontânea ao caso, uma vez que este Conselho possui enunciado sumular, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Fl. 73DF CARF MF 6 Constróise, a partir dos enunciados aplicados à espécie, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13982.000392/200565 Acórdão n.º 1002000.098 S1C0T2 Fl. 65 7 Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Fl. 75DF CARF MF 8 Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13982.000392/200565 Acórdão n.º 1002000.098 S1C0T2 Fl. 66 9 e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida, de modo a manter o crédito tributário na forma delineada na decisão a quo que havia julgado parcialmente procedente o lançamento. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 77DF CARF MF 10 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000563/96-68
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2003
Ementa: ITR — PROVAS — A mera alegação quanto a ser excessiva a base de
cálculo, desacompanhada de qualquer elemento probatório não é
suficiente para desconstituir o lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 303-30.906
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, vencidos os Conselheiros Irineu Bianchi, relator, Paulo de Assis, Francisco Martins Leite Cavalcante e Nilton Luiz Bartoli, e por maioria de votos, rejeitar a nulidade do lançamento feito com base nos valores fixados em Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi, relator. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integra o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto às preliminares a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: Irineu Bianchi
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30330906_131160005639668_200319; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2018-04-12T18:17:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30330906_131160005639668_200319; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30330906_131160005639668_200319; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-04-12T18:17:37Z; created: 2018-04-12T18:17:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2018-04-12T18:17:37Z; pdf:charsPerPage: 1184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2018-04-12T18:17:37Z | Conteúdo => '( ,e, PROCESSO N° SESSÃO DE ACÓRDÃO N° RECURSO N° RECORRENTE RECORRlDA MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA 13116.000563/96-68 10 de setembro de 2003 303-30.906 124.898 ANA MACEDO CONSTANTE DRJ/BRASÍLIA/DF ITR - PROV AS - A mera alegação quanto a ser excessiva a base de cálculo, desacompanhada de qualquer elemento probatório não é suficiente para desconstituir o lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, vencidos os Conselheiros Irineu Bianchi, relator, Paulo de Assis, Francisco Martins Leite Cavalcante e Nilton Luiz Bartoli, e por maioria de votos, rejeitar a nulidade do lançamento feito com base nos valores fixados em Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi, relator. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integra o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto às preliminares a Conselheira Anelise Daudt Prieto. Brasília-DF, emlO de setembro de 2003 o 9 DEZ ?OaJ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) RELATORA DESIG 124.898 303-30.906 ANA MACEDO CONSTANTE DRJ/BRASÍLIA/DF IRINEU BIANCHI ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos: A contribuinte, acima identificada, proprietária do imóvel rural denominado 'Fazenda Barra do Maranhão', localizado no município de Barro Alto - GO, cadastrado na SRF sob n° 2487130.3, foi notificado, nos termos do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, e intimada a recolher o crédito tributário- no valor de R$ 8.116,58 (ITR + Contribuições), tendo sido fundamentado o lançamento do Imposto Territorial Rural (Lei n° 8.847/94, Lei n° 8.981/95, art. 6° e 90, Lei n° 9.065/95) e Contribuições (Decreto-lei nO1.146/70 art. 5°, combinado com o Decreto-lei nO 1.989/82, art. 1° e ss, Decreto-lei nO1.166/71, art. 4° e SS). A interessada impugna o lançamento do ITR/95 e contribuições correlatas, às fl. 01, tempestivamente, por ter sido a mesma apresentada dentro do prazo de vencimento da referida Notificação, contesta o VTN, GUT e alíquota que serviram de base ao lançamento do ITR/95. Na oportunidade junta os documentos de fls. 02/05/06. Posteriormente, intimada a complementar a documentação juntou DIRT/95 retificadora (fls. 28 a 36), cópia da DIRT/99 (fls. 37 a 41), bem como cópias da intimação n° 116/2000, impugnação ao lançamento e notificação de lançamento (fls. 42 a 46). Remetidos os autos à DRJ/BSA, seguiu-se a decisão singular de fls. 49/53, que julgou procedente o lançamento, estando assim ementada: VTN - VALOR DA TERRA NUA TRIBUTADO. Valor da Terra Nua - VTN tributado, que serviu de base de cálculo do ITR/95, foi fixado pela SRF para o município onde se localiza o referido imóvel rural, nos termos da LN.lSRF N° 042/96. REVISÃO DO VTN MÍNIMO. A revisão do VTNmínimo, está condicionada a apresentação de Laudo T' . o de Avaliação emitido por profissional habilitado, nos te os da ei nO8.847 art. 3° S 4°, c/c o disposto na Lei n° 5.194/66, . 13, Resolução nO 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 0345/90, do Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA, elaborado conforme as Normas da ABNT (NBR 8799), através da explicitação dos métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor fundiário no município de localização do imóvel. RETIFICAÇÃO DA DITR BASEADA EM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Somente admite-se a revisão da área total do imóvel e sua forma de distribuição e uso, e demais dados cadastrais declarados pelo contribuinte na DITR/94, quando atestado erro de fato nos valores informados, por meio de documentos hábeis, para as situações relacionadas no anexo VIII da Norma de Execução SRF/COSARlCOSIT nO02, de 08102/96. LANÇAMENTO PROCEDENTE imóveis É o relatório. Para garantia da instância, descritos no documento de fls. 65/67. Cientificada da decisão (fls. 54), em tempo hábil, a interessada, através de procurador regularmente constituído (fls. 63), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 55/62. 3 '. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 VOTO Estando presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário, enfatizando antes a necessidade de examinar ex qjJicio as prejudiciais a seguir alinhadas. NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO Em caráter preliminar, há que se examinar a ocorrência de vício _ formal na Notificação de Lançamento, capaz de anular o processo ab i!litio. Com efeito, a notificação de lançamento, emitida por sistema eletrônico, não contém a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, nem mesmo de outro servidor autorizado para a prática de tal ato. Reza o art. 11, inc. IV, do Decreto nO 70.235/72, que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula (grifei). Apesar de o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispensar a assinatura na notificação de lançamento, quando a mesma for emitida por processo eletrônico, não dispensa a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matrícula. A ausência de tal requisito essencial, vulnera o ato, primeiro, porque esbarra nas prescrições contidas no art. 142 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional, e segundo, porque revela a existência e vício formal, motivos estes que autorizam a decretação de nulidade da notificação em exame. Com efeito, segundo o art. 142, parágrafo único, do CTN, "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória ...", entendendo-se que esta vinculação refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. Assim, o "ato deverá ser presidido pelo pr ncípio da legalidade e ser 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei..." (MAIA, Mary Elbe Gomes Queiroz. Do lançamento tributário : Execução e controle. São Paulo: Dialética, 1999, p. 20). Para Paulo de Barros Carvalho, "a vinculação do ato administrativo, que, no fundo, é a vinculação do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, mediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 372). Ou seja, o ato de lançamento deve ser executado nas hipóteses previstas em lei, por agente cuja competência foi nela estabelecida, em cumprimento às prescrições legais sobre a forma e o modo de como deverá revestir-se a exteriorização do ato, para a exigência de obrigação tributária expressa na lei. Assim sendo, a notificação de lançamento em análise, por não conter um dos requisitos essenciais, passa à margem do princípio da estrita legalidade e escapa dos rígidos limites da atividade vinculada, ficando ela passível de anulação. Outrossim, como ato administrativo que é, o lançamento deve apresentar-se revestido de todos os requisitos exigidos para os atos jurídicos em geral, quais sejam, ser praticado por agente capaz, referir-se a objeto lícito e ser praticado consoante forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82, Código Civil), enquanto que o art. 145, lI, do mesmo diploma legal diz que é nulo o ato jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. Para os casos de lançamento realizado por Auto de Infração, a SRF, através da Instrução Normativa nO94, de 24/12/97, determinou no art. 5°, inciso VI, que "em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante". Na sequência, o art. 6° da mesma IN prescreve que "sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso lI, da Lei nO 5.172/66, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5°". Posteriormente e em sintonia com os dispositi s gais apontados, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, em 3 de fever Iro de I 99, expediu o ADN COSIT nO2, que "dispõe sobre a nulidade de lançamento que co tiverem vício 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 • formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão", assim dispondo em sua letra "a": Os lançamentos que contiverem vício de forma - incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN SRF n° 94, de 1997 - devem ser declarados nulos, de ofício, pela autoridade competente. Infere-se dos termos dos diplomas retro citados, mas principalmente do ADN COSIT nO2, que trata do lançamento, englobando o Auto de Infração e a Notificação, que é imperativa a declaração de nulidade do lançamento que contiver vício formal. Não foi outro o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que em composição plena, por maioria de votos, reconheceu a nulidade da notificação de lançamento pela ausência de formalidade intrínseca (Acórdão CSRF/PLENO-00.002, em sessão de 11 de dezembro de 2001). Assim, tendo em vista que a notificação de lançamento do ITR apresentada nos autos não preenche os requisitos legais, especialmente por não constar da mesma a indicação o nome do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e nem a indicação complementar de seu cargo ou função d respectivo número de matrícula, requisitos indispensáveis à formação do lançamento, como formalidade essencial, outra alternativa não se apresenta senão aquela de declarar a nulidade do lançamento. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Antes de mais nada é imperioso saber qual a modalidade de lançamento tributário aplicável ao ITR e seus respectivos reflexos, principalmente quanto à determinação da base de cálculo. Diz o festejado Souto Maior Borges, que "a opção por uma ou outra modalidade de lançamento obedece a razões de ordem puramente técnica. É à lei instituidora do tributo que cabe eleger a modalidade mais adequada de lançamento, para fins de lhe facilitar a arrecadação" (Lançamento Tributário. Malheiro Editores. São Paulo: 1999, p. 329). In casu, o diploma de regência é a Lei n° estabelece que "o lançamento do ITR será efetua o de ofício, podendo, alternativamente, serem utilizadas as modalidades com ase em eclaração ou por homologação". Ao mesmo tempo, no art. 18 a lei estabel ce hipót se de lançamento com base em irregularidades praticadas pelo contribuinte. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Inobstante a dicção do art. 6° ser no sentido de que o lançamento será efetuado originariamente de ofício e só alternativamente pelas demais modalidades, da leitura integral e interpretação harmônica da lei, extrai-se que o lançamento será efetuado com base em declaração do contribuinte, podendo ser utilizado o lançamento de ofício, via arbitramento, quando tais declarações se mostrarem insuficientes. Com efeito, à vista dos dispositivos legais pertinentes, em rápida síntese podemos fixar cronologicamente, os momentos que precedem o lançamento do ITR, partindo da premissa de que a base de cálculo é o Valor da Terra Nua --'VTN -, segundo a dicção do art. 3° caput, da lei em comento: os contribuintes do ITR (art. 2°) são obrigados a apresentar, nos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal, a Declaração de Informações do ITR, da qual constará o VTN (art. 15); aceito pela Secretaria da Receita Federal o valor declarado, o mesmo passa a ser a base de cálculo do ITR (art. 3° capule S 3°); segue-se a apuração do valor do ITR, aplicando-se sobre a base de cálculo declarada a alíquota correspondente, prevista nas tabelas constantes do Anexo I (art. 5°); não aceito o valor declarado, a base de cálculo será o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm (art. 18, c/c o art. 3°, S 2°); Esta sequência de atos que precedem o lançamento não pode ser alterada ou invertida, pena de completa inutilidade de dispositivos legais, o que é , inaceitável. Na prática, contudo, o lançamento de ofício, via arbitramento, que deveria ser a exceção, passou a ser a regra, uma vez que, constatando a Secretaria da Receita Federal que o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte é inferior ao VTNm por ela fixado para cada exercício através de Instruções Normativas, este (o VTNm), passa a ser a base de cálculo. o lançamento nestas condições tem inspiração no art. 3°, S 2°, da Medida Provisória nO399, de 29 de dezembro de 1993, q 'zia: o VTN declarado pelo contribuinte erá recu ado quando inferior a um valor mínimo, por hectare, fixado pela Secretaria d 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Referida imposição, não passou desapercebida pelo Congresso Nacional que, quando da conversão da MP em lei, não o aprovou. Em seu lugar o legislador inseriu o parágrafo 4°, instituindo o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), sem definir-lhe expressamente a utilidade mas deixando indícios de se tratar de uma base de cálculo alternativa. Através do mesmo dispositivo foi introduzido mecanismo de revisão administrativa do VTNm, em caso de questionamento por parte dos contribuintes. Assim, fica claro que se está diante de um esdrúxulo lançamento de oficio, uma vez que o ITR, segundo o CTN, tem como base de cálculo o valor fundiário do imóvel declarado pelo contribuinte, enquanto que o Fisco, ignorando os dados da declaração, arbitra o valor do imóvel com base no VTNm, em descompasso como C.T.N. Surge assim a primeira perplexidade, uma vez que o lançamento de oficio (art. 6°) não leva em conta as declarações do contribuinte, remetendo à inutilidade o disposto no art. 5°. Mas, como na lei não existem palavras inúteis, cabe ao intérprete emprestar-lhes significado capaz de traduzir a vontade do legislador. Embora o CTN não defina, podemos dizer que lançar de C!f!cio significa: (1) fazer o lançamento independentemente de qualquer iniciativa ou providência do sujeito passivo; ou (2) fazer o lançamento quando o sujeito passivo efetua as operações de quantificação do débito de modo insuficiente. Necessário, assim, fazer uma análise acerca de cada uma das situações. o lançamento de oficio independentemente de qualquer iniciativa ou providência do sujeito passivo é aplicável (a) em relação aos tributos, cuja base de cálculo pode ser prévia e facilmente determinada pela autoridade administrativa, como ocorre quando já está prefixada na legislação (ISS, IPVA), ou (b) quando é representada por valores cadastrados pelo poder público e por isso dele conhecidos (lPTU), cuja base de cálculo é o valor venal dos imóveis urbanos, apurados pelo próprio município (cfe. Código Tributário Nacional Comentado. Coordenador: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1999, p. 580). Assim, para que o lançamento do ITR seja efeito nos moldes do ISS e do IPVA, segundo a lição acima, é necessário que a base de cálculo faça parte integrante da lei instituidora do tributo, requisito de todo ausente na lei em exame. De outra parte, para que o lançamento do TR s .a feito nos moldes do IPTU, é necessário que a base de cálculo seja aquela represe tada por valores previamente levantados pela Secretaria da Receita Fed ral e ue estes valores igualmente sejam aprovados por lei. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Tenha-se em mente, para tanto, que a atividade administrativa do lançamento é vinculada, do que resulta que tanto o fato jurídico tributário quanto a determinação da base tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo estão estritamente vinculados a critérios legais que preordenam a atividade da Administração Fazendária. Tal como concebido na Lei nO 8.847/94, o ITR assemelha-se em tudo com o Imposto Predial e Territorial Urbano. Neste, a base de cálculo é o valor venal, naquele, o valor fundiário. Em ambos, o valor é obtido segundo as condições usuais $0 mercado de imóveis e apurado de acordo com os dados da realidade - nem ficta, nem presumida. No caso do ITR, obtido o valor fundiário deduz-se o valor dos bens incorporados ao imóvel conforme descrito no art. 3°, S 1°, incisos I a IV, da Lei em análise. Sendo o lançamento um ato estritamente individual, na dicção do art. 142 do C.T.N., importa dizer que a obtenção, tanto do valor venal, quanto do valor fundiário, como base de cálculo do IPTUe do ITR também é atividade individual. Diante da impossibilidade material da avaliação caso a caso, admite-se a prévia elaboração de plantas ou tabelas de valores, obtidas através de critérios objetivos de quantificação. Por evidente, estas plantas ou tabelas de valores devem fazer parte integrante da lei instituidora do tributo, assim como toda e qualquer alteração que importe em aumento real. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em caso relativo ao IPTU, decidiu que "para se atribuir outro valor venal ao imóvel, que não o decorrente do ano anterior mais correção monetária, é mister lei, não bastando para isso simples decreto" (STF Pleno, RE nO87.763-1, relator Min. MOREIRA ALVES, in DJU, 23.11.1979). Sendo a regra que o ITR deve ser lançado de ofício, é função da Administração Pública organizar o respectivo cadastro dos imóveis rurais, do qual devem constar os dados necessários ao lançamento do tributo. Todavia, da Lei n° 8.847/94 não constou qualquer anexo contendo o valor fundiário dos imóveis rurais, denotando a inexistência do cadastro imobiliário, fragilizando sobremaneira a legalidade da imposição. Além de não constar da lei o valor fundiário s 1 óveis, a Medida Provisória n° 399, de 29 de dezembro de 1993, transform aa na L i nO 8.847, foi publicada de forma incompleta na data de 30 de deze ro de 993, dela não constando o Anexo L 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 À vista disto, referida MP foi republicada no DOU de 7 de janeiro de 1994 com as finalidades expressamente declaradas, a saber: 1°) a excluir do tratamento previsto na Tabela I do Anexo I da referida Lei os imóveis localizados nos municípios, de qualquer região, com população urbana maior que cem mil habitantes ou integrantes das regiões metropolitanas (art. 6°, S 1°, inc. V); 2°) a "publicação do Anexo I, por ter sido omitido no DOU de 30/12/93". O Anexo I da MP, é composto de cinco tabelas, das quais depende a tributação de todo e qualquer imóvel rural do território brasileiro. Prevê o Anexo, nessas suas diversas tabelas, as possíveis localizações dos prédios rústicos, as quais têm efeito na graduação do imposto; a escala das dimensões dos imóveis, consoante sua localização, que igualmente operam na graduação do imposto; os diversos graus de aproveitamento dos imóveis, que refletem na alíquota a utilizar, e portanto no valor do tributo, e, ainda, as diversas alíquotas aplicáveis. Certamente, pois, que o lançamento de ofício, tal como efetuado, não se deu consoante a dinâmica que caracteriza os impostos sobre a propriedade e nem mesmo com as diretrizes alinhadas no C.T.N., pois, além do VTNm não ter sido previamente fixado em lei, funcionou apenas como um referencial, não se tratando, portanto, como a base de cálculo do ITR. Afastada a possibilidade do lançamento tributário vir a ser efetuado independentemente de qualquer iniciativa ou providência do sujeito passivo, tendo como base de cálculo o VTNm, resta analisar a segunda hipótese, ou seja, quando o lançamento vem a ser efetuado naqueles casos em que o sujeito passivo efetua as operações de quantificação do débito e estas são consideradas insuficientes pelo fisco. Prevê a legislação tributária o arbitramento fiscal somente quando as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo contribuinte sejam omissos ou não mereçam fé, segundo diz o art. 148 do CTN: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial (grifei). Deflui do texto legal que milita em favor do contribuinte uma presunção de sinceridade que apenas excepcionalmente, no caso de dúvida, pode a Administração, detentora do ônus da prova, mediante processo regular, vir a elidir. Como resultado fica o Fisco autorizado a, casuisticamente, verificada uma das condições impostas pela lei, arbitrar o valor da base de cálculo, facultado, em qualquer hipótese, o contraditório. (Cfe. voto do Min. CESAR ROCHA, in Resp. n° 24.083-2-SP, p. DJU de 24.05.1993). Ou por outra, "não merecendo fé as informações e os documentos apresentados pelo sujeito passivo, a Fazenda Pública, se quiser recorrer ao arbitramento da base de cálculo, deverá realizar uma série de atos orientados no sentido de levantar dados e elementos, concretos e verdadeiros, que conduzam de forma lógica e racional à verdade que quer demonstrar e permitam, assim, um regular arbitramento" (in Código Tributário Nacional Comentado, Coordenação: Wladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora RT, 1999, p. 577). Do exposto se extrai que o arbitramento dirige-se a situações particulares em que, na análise caso a caso, a Autoridade Fazendária instaura um procedimento especial tendente a encontrar uma base de cálculo para aquele caso específico. Inobstante isto, o arbitramento preconizado pelo art. 18 da Lei nO 8.847/94, alargou indevidamente os limites impostos pelo C.T.N. em seu art. 148, já que estabelece, in verbis: Nos casos de omissão de declaração ou informação, bem assim de subavaliação ou incorreção dos valores declarados por parte do contribuinte, a SRF procederá à determinação e ao lançamento do ITR com base em dados de que dispuser. A jurisprudência administrativa rejeita esse procedimento. O Acórdão n° 11.621, da 23 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu que "o arbitramento (...) com base nos elementos de que dispõe o fisco é incompatível com a jurisprudência pertinente". Colhe-se da obra DECISÕES DE TRlBUN FISCAIS, Resenha Tributária, 1975, p. 154, que "o lançamento com base i lada m elementos de cadastro não pode prosperar", citando em apoio à tese, os aoórdãos Os10.367, 10369 e 10.374, do Segundo Conselho de Contribuintes. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 No mesmo sentido o Acórdão nO 11.371, da 2a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "o arbitramento (...) com base nos elementos de cadastro, é incompatível com as normas estabelecidas no art. 148 do CTN". Enquanto o art. 148 do C.T.N. permite o arbitramento quando não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a Lei 8.847/94 traz como núcleo a subavaliação ou a incorreção dos valores declarados pelo contribuinte. Mas, quando o imóvel estará subavaliado? Quando serão incorretos os valores declarados pelo contribuinte? Para dizer que estão subavaliados ou incorretos, é preciso que se saiba o que é exato e correto, o que dispensaria a forma presumida de determinação prevista no dispositivo. São indagações que só encontram resposta coerente nas disposições constantes do CTN. Outrossim, enquanto o arbitramento ditado pelo C.T.N. obriga o Fisco a lançar mão de procedimento específico para determinar a base econômica, a Lei 8.847/94 autoriza a Secretaria da Receita Federal a proceder à determinação desta mesma base econômica e ao lançamento do ITR com base nos dados de que dispuser, vale dizer, com base no VTNm, cujos valores foram obtidos à margem do procedimento estabelecido no Código Tributário Nacional. A propósito, como o procedimento ditado pelo CTN (art. 148) é diferente daquele previsto no art. 18 da Lei nO8.847/94, qual deverá prevalecer? Por ostentar estatura de Lei Complementar, é imperativo que o procedimento deva ser aquele do CTN, em detrimento de qualquer outro. Ou seja, o comando do art. 18 da Lei n° 8.847, permitindo que a autoridade administrativa, subjetivamente, a seu exclusivo talante, decida que o valor constante da declaração foi subavaliado ou que foi declarado de forma incorreta e com base nessa mera presunção adote o VTNm como base de cálculo, conflita com o disposto no art. 148 do C.T.N. Como retro afirmado, não é defeso ao legislador estabelecer que o lançamento seja efetuado de ofício pela autoridade administrativa, visto que o inciso I do artigo 149 do CTN prevê que assim seja quando a lei o determinar. Mas para tanto é necessário que ele não seja ao mesmo tempo definido como sendo realizado com base na declaração do sujeito passivo, inclusive com cominação de severas penas em razão de declaração inexata (art. 20), e que ele não tome por a o valor declarado, sem que no caso de inaceitação se proceda com base em bitr ento desse valor, mediante processo regular, como estatui o artigo 148 do C 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 É inafastável, assim, que a desclassificação do valor declarado deve se dar à vista de critérios objetivos, segundo a regra do mencionado art. 148, do CTN. Vale dizer que, para tais fins a adoção de valores constantes de uma pauta mínima - in casu o VTNm -, o lançamento por arbitramento, tal como vem sendo feito, não se reveste de foros de legalidade. Foi exatamente o que decidiu o E. Tribunal Regional Federal da 4a Região, ao negar provimento à remessa Ex QjJicio em Mandado de Segurança nO 96.04.66394-1-PR, in DJU de 27.01.99, relator Juiz Fábio Bittencourt da Rosa, da seguinte forma: A Portaria Interministerial nO 1.275/91, ao adotar, com base no S 3° do artigo 7° do Decreto nO 84.685/80, como Valor da Terra Nua Mínimo, o menor preço de transação com terras no meio rural e, aprovada pela Instrução Normativa nO 16/95, da S.R.F., a tabela que fixou o Valor da Terra Nua mínimo, afrontou o disposto no artigo 3° da Lei nO8.847/94, taxativo na conceituação do Valor da Terra Nua. Na forma do artigo 100 do C.T.N., as portarias e instruções normativas são normas complementares, principalmente, das leis. o artigo 3° da Lei 8.847/94 estabeleceu a base de cálculo do LT.R., como sendo o Valor da Terra Nua, correspondendo este ao valor do imóvel, excluídas as benfeitorias que elencou em seus incisos, sendo defesa a inovação ou modificação dessa base de cálculo, com a sua conseqüente majoração, através de normas hierarquicamente inferiores, sob pena de infringência ao princípio da hierarquia legal, com evidente violação ao texto constitucional (artigos 5°, II e 150, I, da CF/88 e 97, II do CTN). Em seu voto, o eminente relator asseverou que "a Lei nO8.847/94 estabeleceu a base de cálculo do ITR como sendo o Valor da Terra Nua, correspondendo este ao valor do imóvel, excluídas as benfeitorias que elencou, sendo defesa a inovação ou modificação da base de cálculo do tributo, com a sua conseqüente majoração, através de normas hierarquicamente inferiores, sob pena de infringência ao princípio da hierarquia legal, com evidente violação ao texto constitucional (artigos 5°, inciso II e 150, I da CF/88 e 97, II do CTN)". Destas lições obtém-se a certeza de que o lançamento do ITR, ao tempo da vigência da Lei nO 8.847, foi realizado originaria ente por arbitramento, sem a prévia adoção de um procedimento específico, caso a aso, or parte da Receita Federal, tendente a desclassificar as informações prestadas elo s .eito passivo, razão pela qual, entendemos haver ofensa ao disposto no art. 148 o C 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Assim sendo, é possível dizer que a autoridade competente interpretou a Lei nO8.847/94, como contendo um tipo suigenerisde lançamento, uma espécie híbrida, misto de lançamento de oficio e lançamento com base em declaração, interpretação esta que inverteu o ônus da prova, e atentou contra o princípio do contraditório. Inobstante a aparente vontade do legislador em simplificar os procedimentos para o acertamento do crédito tributário, as inovações, além de introduzidas através de lei ordinária, causaram verdadeiro ônus processual ao contribuinte. É princípio de direito que o ônus da prova compete a quem alega, com o que acha-se o art. 148 do CTN perfeitamente sintonizado. Assim, nos casos em que a Secretaria da Receita Federal entender que as declarações prestadas pelo contribuinte são incorretas, buscará, atrelada ao princípio da verdade material, os subsídios para arbitrar um novo valor. É o ônus de provar o que se alega. Porém, com a Lei nO8.847/94, inverteu-se a situação. Lançado o tributo com base no VTNm, sem passar pelo procedimento previsto pelo art. 148 do CTN, ao contribuinte passou a incumbir o ônus de provar que a Secretaria da Receita Federal adotou valores incorretos, exigindo-se abusivamente do contribuinte, em tempo exíguo, a apresentação de laudo técnico, elaborado segundo as normas da ABNT, com custos muitas vezes superior ao próprio tributo. Mas o pior é que o ônus atribuído ao contribuinte se tomou muito mais pesado na medida em que a Secretaria da Receita Federal, ao elaborar as tabelas contendo o VTNm, através das diversas Instruções Normativas, não observou o que diz a lei, em seu art. 3°, ~ 2°: o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços por hectare de terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no município (grifei). Como se nota, o dispositivo fala em levantamento de preços por hectare de terra nua para os diversos tipos de terras existente o município, e no entanto, o que se fez foi fixar um único valor para todas as te as cada município, independentemente do seu padrão de qualidade, da distânci da se do município, das vias de acesso, enfim, de tudo quanto produz reflexo no v ,or do i óvel. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Mas o pior de tudo ainda é o fato de que a coleta de preços não se ateve ao que foi determinado pelo legislador, mas sim, foi realizada de forma aleatória e sem critérios. A afirmação cresce de importância quando se têm evidências gritantes de que os valores adotados pela Secretaria da Receita Federal, e expressados nas diversas Instruções Normativas, são de duvidosa consistência. Com efeito, da sentença do Exmo. Juiz Federal Odilon de Oliveira, proferida nos autos da Ação Civil Pública nO95.0002928-6, p. DJU de 09.05.96, que tramitou perante o Juízo da 3a Vara Federal da Seção Judiciária do Mato Grosso do Sul, transcrevo as seguintes constatações: "No presente caso, como admite o propno Delegado da Receita Federal, simplesmente esta se louvou, para efetuar o lançamento, em informações da Fundação Getúlio Vargas, ignorando totalmente a obrigatoriedade da participação das Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, que, melhor do que outros órgãos, conhecem as situações de cada imóvel, nas bases territoriais de todos os Estados, porque próximas a eles". (...) "Houve consenso entre os presentes de que houve lançamento sem a plena observância da legislação, porque a Secretaria de Agricultura, conforme relato do próprio Secretário, não fora previamente consultada". (...) Infere-se, portanto, que o procedimento da Receita Federal não tem sido o da estrita observância ao que determinava a Lei nO 8.847/94, principal razão para se admitir, analisado caso a caso, os mais diversos tipos de prova apresentado pelos contribuintes, notadamente o Laudo Técnico de Avaliação, como anteriormente referido. Trata-se, como se vê, de um indicador muito forte no sentido de que as prescrições legais efetivamente não foram atendidas. MERITO Rejeitadas as preliminares enfrento o mérito, fixand0 de pronto que à falta de qualquer elemento probatório, o recurso não merece ser provido quanto à base de cálculo do ITR. Com efeito, como enfocado pela decisã rec ida, o lançamento tomou por base os dados declarados pelo próprio recorren e, cuja ter sido aceita se ofertada antes da notificação. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Notificada do lançamento, o contribuinte tem a via impugnatória para alcançar o seu objetivo, caso em que, as alegações devem se fazer acompanhar de provas consistentes, o que não ocorreu. . Ademais, in casu, a recorrente, embora faça alusão a uma desapropriação, a mesma só veio a efetivar-se em exerCÍcios posteriores, não alcança,ndo o presente lançamento. EX POS./T./J; conheço do recurso an r a exigência do ITR, consoant 16 o sentido de negar-lhe cação respectiva. . , ( MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 VOTO VENCEDOR QUANTO ÀS PRELIMINARES .Da/a vênia, discordo do Ilustre Relator quanto às preliminares, pelos motivos que exporei a seguir. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL Uma das preliminares levantadas foi a da nulidade do lançamento em decorrência da falta de identificação do agente fiscal autuante na Notificação de Lançamento emitida por meio eletrônico. Importa esclarecer que tal notificação é emitida, em massa, eletronicamente, por ocasião do lançamento do ITR, não se tratando de revisão de lançamento e sim do próprio lançamento que, de acordo com o artigo 6.° da Lei 8.847/94, que vigorou até a edição da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, segue, a princípio, a modalidade de ofício. Discordo da declaração, de ofício, da nulidade de tal lançamento. Em primeiro lugar, de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por outro lado, o artigo 60 do mesmo diploma legal dispõe que outras irregularidades, incorreções, e omissões não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Deduz-se, então, que o artigo 59 é exaustivo quanto aos casos em que a declaração de nulidade deve ser proferida. Conclui-se, portando, que os requisitos constantes do artigo 11 daquele mesmo Decreto, entre os quais a identificação do agente, somente tomam nulo o ato de lançamento se este for proferido por autoridade incompetente ou se houver preterição do direito de defesa. Ora, o presente caso não se consubstancia, de forma nenhuma, em cerceamento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte apresentou as peças recursais, sabendo exatamente a quem iria procurar. Ademais, é público e notório qual a autoridade fiscal que chefia a repartição e que tem competência para praticar o ato de lançamento. 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Em segundo lugar, o contribuinte sequer argüiu tal nulidade, o que corrobora a conclusão de que não se sentiu prejudicado com tal forma de lançamento. Não sendo caso de nulidade absoluta, ou seja, não sendo caso de cerceamento do direito de defesa ou de ato praticado por autoridade incompetente, trata-se de caso que deveria ser sanado se resultasse em prejuízo ao sujeito passivo, o que não se verificou. . Entendo que a anulação de ato proferido com vício de forma, prevista no artigo 173, inciso 11, do Código Tributário Nacional, somente deve ser realizada se demonstrado prejuízo para o sujeito passivo, o que deve por ele ser levantado. Tratar-se-ia, então, na prática, de saneamento do ato previsto no artigo 60 do Decreto 70.235/72. In casu, poder-se-ia afirmar que seria inclusive matéria preclusa, nãó argüida por ocasião da impugnação ao lançamento. o argumento de que a Instrução Normativa n.o 94, de 24 de dezembro de 1997 deveria ser aqui aplicada também não me convence, haja vista que tal ato normativo é específico para lançamentos suplementares, decorrentes de revisão, efetuados por meio de autos de infração, o que não se aplica ao presente. Mesmo que assim não fosse, é jurisprudência nesta Casa que tais atos não vinculam as decisões deste Colegiado. Com base neste mesmo argumento, rejeito também as alegações quanto à possível aplicabilidade do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n.o 2, de 03/02/99, à presente lide. Um terceiro ponto a ser considerado diz respeito à economia processual, que ficaria a léguas de distância a partir de uma decisão como a que ora questiono. Basta imaginar-se que a autoridade deveria proceder, dentro de cinco anos, conforme art. 173, inciso 11, do CTN, a novo lançamento, ao qual provavelmente se seguiria nova impugnação, outra decisão, e outro recurso voluntário. A ninguém interessa tal acréscimo de custo: nem ao contribuinte e nem ao Estado. o princípio da proporcionalidade, que no Direito Administrativo emana a idéia de que "as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que seja realmente demandado para cumprimento da finalidade de interesse público a que estão atreladas" (MELLO, Celso Antonio Bandeira. Curso de Direito Administrativo. 9.a ed. revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Malheiros, 1997 p. 67) estaria sendo seriamente violado. Finalizando, trago a decisão a seguir, que corrobora o exposto: "TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4.a REGIÃO. Primeira Seção. Ementa: Embargos Infringentes. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Art. 11 do Decreto 70.235/72. Falta do Nome, Cargo e Matrícula do Expeditor. Ausência de Nulidade. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° vício formal. 124.898 303-30.906 A falta de indicação, no auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio eletrônico, do nome, cargo e matrícula do servidor público que o emitiu, somente acarreta nulidade do documento quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da existência do lançamento e oportunizando-Ihe prazo para defesa. 3. Embargos infringentes improvidos." Embargos Infringentes em AC n.o 2000.04.01.025261-7/SC. Relator Juiz José Luiz B. Germano da Silva. Data da Sessão: 04/1 0/00. D.J.U. 2-E de 08/11/00, p. 49. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por NULIDADE DO LANÇAMENTO COM BASE NO VTNm BAIXADO EM IN DA SRF A preliminar levantada diz respeito à suposta ilegalidade da Lei nO 8.847/94, quando estabelece o lançamento do tributo com base no VTNm baixado por Portaria do Secretário da Receita Federal, em face do disposto no artigo 148 do Código Tributário Nacional. Trata-se de aludida ofensa da lei ordinária à lei complementar. O professor José Afonso da Silva (Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3a ed. São Paulo: Malheiros, 1999. pp. 247/248), faz a seguinte indagação: "A lei ordinária que ofender a lei complementar é ilegal, ou inconstitucional?" e responde da seguinte forma: "Dizer que se trata de mera ilegalidade não só repugna considerar uma lei ilegal, como teríamos um modo de invalidar a lei, que goza de presunção constitucional de validade, sem a observância das regras de controle de constitucionalidade: a) exigência de maioria absoluta dos tribunais (art. 97); b) suspensividade de sua execução por resolução do Senado Federal (art. 52, X)". Aduz ainda que lei ordinária que ofende uma lei complementar vulnera a própria Constituição pois defende interesses que esta determina que sejam regulados por ela. Trata-se, então, de conflito de normas, subordinado ao princípio da compatibilidade vertical, entroncando, pois, na norma de maior superioridade hierárquica, que ficou ofendida - a Constituição. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Adoto os mesmos argumentos e sigo a conclusão do importante Constitucionalista, defendendo que o conflito de uma lei ordinária com uma lei complementar é caso de controle de constitucionalidade das leis, com todas as suas conseqüências. Então, no âmbito do Poder Executivo, que não tem competência para declarar inconstitucionalidade de lei, poder-se-ia questionar somente se os Conselhos de Contribuintes podem deixar de aplicar leis sob alegação de inconstitucionalidade se o Supremo Tribunal Federal ainda não houver se manifestado sobre o assunto e, se houver, em que casos tais decisões daquela Corte influenciam as deste Colegiado. E, nesse diapasão, a jurisprudência desta Câmara tem sido de que não lhe é permitido rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, com algumas exceções para casos em que o STF já tenha se manifestado. Comungo com ela. Nesse sentido, trago a lume o festejado e atualíssimo constitucionalista Alexandre de Moraes (Direito Constitucional, 7a ed. São Paulo: Atlas, 2000. p. 556/557), que afirma ser obrigatório, tanto para o Poder Executivo quanto para os demais poderes, pautar sua conduta pela legalidade, devendo ser observado, como primado do Estado de Direito Democrático, as normas constitucionais. Não haveria, portanto, como exigir-se do chefe do Poder Executivo o cumprimento de uma lei ou ato normativo que entendesse flagrantemente inconstitucional, podendo e devendo, licitamente, negá-lo, sem prejuízo de exame posterior pelo Poder Judiciário. Entretanto, como bem recordaria Elival da Silva Ramos (A inconstitucionalidade das leis. São Paulo: Saraiva, 1994. p. 238): "por se tratar de medida extremamente grave e com ampla repercussão nas relações entre os Poderes, cabe restringi-la apenas ao Chefe do Poder Executivo, negando-se a possibilidade de qualquer funcionário administrativosubaltemo descumprir a lei sob a alegação de inconstitucionalidade. Sempre que um funcionário subordinado vislumbrar o vício de inconstitucionalidade legislativa deverá propor a submissão da matéria ao titular do Poder, até pra fins de uniformidade da ação administrativa." Alexandre de Moraes, que conclui que o chefe do Poder Executivo poderá determinar aos seus órgãos subordinados que deixem de aplicar 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 administrativamente as leis ou atos normativos que considerar inconstitucionais, traz também a posição do Ministro Moreira Alves, que relatou no STF-Pleno, a Adin n° 221/DF-medida cautelar, onde ficou ressaltado que: "os Poderes Executivo e Legislativo, por sua Chefia - e isso mesmo tem sido questionado como o alargamento da legitimação ativa na ação direta de inconstitucionalidade -, pode tão-só determinar aos seus órgãos subordinados que deixem de aplicar administrativamente as leis ou atos com força de lei que considerem inconstitucionais" . As poslçoes supra-referidas, tanto da doutrina como da jurisprudência mais qualificada, vão no sentido de que a determinação para que os subordinados deixem de aplicar lei tida como inconstitucional deve partir do Chefe do Poder Executivo. Porém, verifica-se que, no âmbito federal, restringindo-as, o legislador ordinário entendeu ser também necessário que a Lei autorizasse o Presidente da República a, em matéria tributária, estabelecer os casos em que a administração poderia abster-se de constituir, retificar o valor ou declarar extintos créditos tributários, bem como desistir de ações de execução. E que, em tais casos, já deveria ter ocorrido manifestação definitiva do Supremo Tribunal Federal no sentido da inconstitucionalidade da norma. É o que consta do artigo 77 da Lei n° 9.430/96, verbis: "Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: l _0 abster-se de constituí-los; II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais." A partir dessa autorização, o Presidente da República, por meio do Decreto n° 2.194, de 7/4/97, dispôs sobre a adoção de providências a fim de que órgãos do Ministério da Fazenda abstivessem-se de cobrar créditos tributários 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 baseados em lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, em 10/10/97, por meio do Decreto 2.346, o Chefe do Poder Executivo Federal dispôs sobre. as providências a serem observadas pela Administração Pública Federal, tanto em caso de créditos tributários como nos demais, consolidando normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais. Transcrevo alguns trechos a seguir: "O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, incisos N e VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 131 da Lei n° 8. 213, de 24 de julho de 1991, alterada pela Medida Provisória n° 1.523-12, de 25 de setembro de 1997, 77 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, e 1° a 4° da Lei n° 9.469, de 10 de julho de 1997, ... Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. ~ 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. ~ 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. ~ 3° O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República. ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. Art. 1o_A.-Concedida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade contra lei ou ato normativo federal, ficará 22 - .' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 também suspensa a aplicação dos atos normativos regulamentadores da disposição questionada. (Artigo incluído pelo Decreto n° 3.001, de 26.3.1999) Parágrafo único. Na hipótese do caput; relativamente a matéria tributária, aplica-se o disposto no art. 151, inciso IV, da Lei nO 5.172, de 25 de outubro de 1966, às normas regulamentares e complementares. (Parágrafo incluído pelo Decreto nO 3.001, de 26.3.1999) (...) Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; H - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; IH - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (...)" Portanto, estão aí definidos todos os casos em que é possível ao julgador do Conselho de Contribuintes deixar de aplicar a lei em virtude de entender por sua inconstitucionalidade e eles estão sempre atrelados a decisão definitiva do STF, inclusive àquelas que ainda não têm eficácia erga omnes, por não haver Resolução do Senado Federal. 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 124.898 303-30.906 Finalmente, cabe assinalar que a competência para tais decisões ficou clara na alteração do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes pela Portaria MF nO 103, de 23/4/2002, que em seu art. 5° acrescentou o art. 22A ao referido Regimento, dispondo: "Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; II - objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; III - que embasem a exigência de crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação ou execução fiscal." No caso em que não há pronunciamento da Corte Maior a respeito do lançamento do ITR, não compete a este Colegiado deixar de aplicar a lei ordinária por entender que ofende a lei complementar e, portanto, a Constituição Federal. Pelo exposto, rejeito também a preliminar de nulidade do lançamento com base no VTNm baixado em IN da SRF. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2003. ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Designada 24 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024
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Numero do processo: 13971.004044/2010-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO.ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011.
A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados.
O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets.
Numero da decisão: 9202-006.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO.ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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AUTO DE INFRAÇÃO.ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 40 44 /2 01 0- 53 Fl. 844DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Auto de Infração (DBCAD 37.280.4411) por meio do qual, entre vários levantamentos, cobrase contribuição devida à Previdência Social (Terceiros: salário educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) incidente sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. Segundo relatório fiscal (efls. 71) a autuação foi assim resumida: 72. No curso das ações fiscais nas empresas envolvidas, verificouse o fornecimento de valerefeição, a disponibilização de refeição em refeitório terceirizado, fornecimento de lanches e, por fim, o benefício de fornecimento de cestas básicas relacionado com o cumprimento de meta de assiduidade, conforme o relatado no item 34. 73. Ocorre que a autuada não aderiu ao PAT, e o mesmo vale para a ARS e NLS. Em conformidade com o disposto na Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, art. 28 I, §9°, "c", não integra o salário decontribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, no caso, o PAT. Adicionalmente, o fornecimento de cesta básica a trabalhadores que cumprem metas de assiduidade reforça a natureza remuneratória da verba. Em sua impugnação o Contribuinte arguiu preliminares de nulidade do lançamento por deficiência da fundamentação legal e ilegitimidade passiva. No mérito, na parte que nos interessa, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que afasta a tributação sobre o pagamento 'in natura' do auxílio alimentação, defende que os valores repassados aos seus empregados não compõe o conceito de remuneração, independente da sua inscrição no PAT. Contra decisão da Delegacia de Julgamento que manteve o lançamento na íntegra, foi interposto Recurso Voluntário por meio do qual o contribuinte reiterou suas razões de defesa e ainda manifestouse pela nulidade da decisão por alteração de critério jurídico do lançamento. Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 845 3 A 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 2302003.262, deu provimento em parte ao recurso voluntário. O Colegiado a quo excluiu os valores correspondentes à alimentação fornecida em refeitório terceirizado e em forma de lanches da base de cálculo do lançamento. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (art. 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212/91. Assim, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA OU TICKET. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimado do acórdão o Contribuinte apresentou recurso especial o qual, nos termos do despacho de admissibilidade, foi recebido em razão da comprovação da existência de divergência de entendimentos no que tange a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas destinadas a alimentação e pagas por meio de valerefeição/tíquetes. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF 4 Voto Vencido Atendidos os pressupostos, conheço do recurso. Conforme descrito no relatório, a discussão devolvida a este Colegiado por meio do Recurso Especial interposto pelo contribuinte resumese em decidir se as parcelas referentes a fornecimento de alimentação por meio de tíquetes (vale‑ refeição) podem ser consideradas como prestações in natura para fins de aplicação da isenção prevista no art. 28, §9º, 'c' da Lei nº 8.212/91. Quanto a não incidência da contribuição sobre os valores pagos in natura podemos resumir o entendimento pacificado e vinculante (por força do art. 62, §1º, II, 'c' do RICARF), nos termos em que exposto no parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11: Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Referido parecer não se aplica ao caso concreto pois o mesmo utiliza a expressão in natura em seu sentido estrito (gênero alimentício), e conforme consta da peça recursal estamos diante de discussão que envolve, exclusivamente, o fornecimento de alimentação na modalidade de valealimentação/saláriorefeição sem adesão da empresa ao PAT. E neste ponto, filiome a corrente de que o pagamento de auxílio alimentação por meio de vales, cartões ou tíquetes também não compõe a base de cálculo da contribuição, nos temos do art. 28, §9º, "c" da Lei nº 8.212, de 1991. Em uma análise ampla, realizando uma interpretação lógica da jurisprudência e das normas que regulamentam o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, entendo que devem ser considerados como pagos in natura as três modalidade de execução do programa previstas no art. 4º do Decreto nº 05/1991. Vejamos: A Lei nº 8.212/91, quando trata da matéria, prevê entre as exceções do §8º do art. 28 que não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente, a parcela a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. A legislação previdência se limitou a reproduzir o art. 3º da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 a qual originalmente trata dos efeitos do benefício sobre a Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 846 5 tributação do Imposto de Renda. O citado art. 3º assim dispõe: "Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho." O Decreto nº 05/1991, o qual regulamenta com mais detalhes os requisitos de enquadramento no PAT, prevê que para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode se valer de três modalidades de fornecimento de alimentação: i) manter serviço próprio de refeições, ii) distribuir alimentos e iii) firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. O mesmo decreto reforça: "Nos Programas de Alimentação do Trabalhador (PAT), previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga innatura pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Vale citar a Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho nº 3/2002, que baixa instruções sobre a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) faz os seguintes esclarecimentos sobre as modalidades de fornecimento de alimentação: Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam registradas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. (Redação dada pela Portaria nº. 61/ 2003) Art. 10. Quando a pessoa jurídica beneficiária fornecer a seus trabalhadores documentos de legitimação (impressos, cartões eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada) que permitam a aquisição de refeições ou de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, o valor o documento deverá ser suficiente para atender às exigências nutricionais do PAT. ... Art. 12. A pessoa jurídica será registrada no PAT nas seguintes categorias: I – fornecedora de alimentação coletiva: a) operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas transportadas; Fl. 848DF CARF MF 6 b) administradora de cozinha da contratante; c) fornecedora de cestas de alimento e similares, para transporte individual. II – prestadora de serviço de alimentação coletiva: a) administradora de documentos de legitimação para aquisição de refeições em restaurantes e estabelecimentos similares (refeição convênio); b) administradora de documentos de legitimação para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentação convênio). Parágrafo único. O registro poderá ser concedido nas duas modalidades aludidas no inciso II, sendo, neste caso, obrigatória a emissão de documentos de legitimação distintos. Se interpretarmos como fornecimento de parcela in natura apenas as duas primeiras modalidades citadas no Decreto nº 05/1991 (manter serviço próprio de refeições e distribuir alimentos), forçosamente, deveríamos concluir que apenas essas não comporiam o saláriodecontribuição. O fornecimento de alimentação por meio de "documentos de legitimação" expedidos por empresas prestadoras de serviço de alimentação coletiva (vales, cartões e outros), ainda que haja a inscrição no PAT não estariam incluídos na exceção do art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 e do art. 3º da Lei nº 6.321/76. Ocorre que não é isso o que acontece. O entendimento que prevalece, inclusive na Justiça Especializada do Trabalho é o de que os valores pagos com observância das regras previstas no PAT (não sendo feita qualquer ressalva quanto a modalidade de execução) não compõe o salário e estão isentos dos encargos sociais. Vale citar informação disponível no sítio do Ministério do Trabalho no portal do PAT "PAT Responde Orientações": 3 Quais as vantagens para o empregador que adere ao PAT? A parcela do valor dos benefícios concedidos aos trabalhadores paga pelo empregador que se inscreve no Programa é isenta de encargos sociais (contribuição para o Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço – FGTS e contribuição previdenciária). Além disso, o empregador optante pela tributação com base no lucro real pode deduzir parte das despesas com o PAT do imposto sobre a renda. Referência normativa: arts. 1º, caput e 3º, da Lei nº 6.321, de 1976; arts. 1º e 6º, do Decreto nº 5, 4 de 1991. Diante desta realidade, onde para a jurisprudência e para a Administração Pública ainda que a lei cite a expressão in natura também não incide contribuição previdenciária sobre alimentação fornecida na modalidade de vales, cupons e tíquetes quando ocorrer o correto cadastro no PAT, temos como conclusão lógica a de que todas as modalidades de execução do programa de alimentação do trabalhador possuem natureza de fornecimento in natura de alimentos aos empregados das empresas beneficiárias. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no sentido de o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 847 7 natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Ora, conforme exposto, considerando que o Decreto nº 05/1991 não faz distinção entre as respectivas modalidades de execução do programa onde todas são classificadas como pagamento in natura, devo entender que seja na entrega de refeição, de cesta básica ou nos serviços prestados por meio de empresas de alimentação coletiva, o fornecido da alimentação é feita pela própria empresa, razão pela qual ainda que não seja esse o conteúdo da parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 não vejo como afastar o entendimento do STJ para os valores repassados aos trabalhadores por meio de "documentos de legitimação para aquisição de refeições" e " documentos de legitimação para aquisição de gêneros alimentícios". Por fim, e para reforçar o entendimento acima, julgo pertinente destacar a nova redação dada pela Lei nº 13.467/2017 ao art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): “Art. 457. .......................................................... § 1o Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. § 2o As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílioalimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. ............................................................................................. § 4o Consideramse prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades.” (NR) Entre os pontos da reforma trabalhista o legislador optou por considerar como verba remuneratória apenas o auxílioalimentação pago em dinheiro. Analisando as justificativas das emendas apresentadas pelos parlamentares ao longo do processo legislativo, concluí que os vales/tíquetes não estariam abrangidos por essa hipótese. Diante do exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte para excluir do lançamento os valores relativos ao fornecimento de alimentação por meio de vale refeição/tíquetes. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 850DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, para divergir do seu entendimento quanto ao mérito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de alimentação por meio de tickets, não tendo a empresa comprovado a adesão ao PAT no período dos fatos geradores. Auxílio Alimentação em Tickets Primeiramente, entendo pertinente fazer considerações sobre o que seria o conceito de salário de contribuições para efeitos previdenciários. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 848 9 Assim, entendeu a autoridade fiscal, que ao descumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios alimentação, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Os termos lançados no próprio acórdão recorrido e recurso do sujeito passivo, não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. O lançamento em relação ao fornecimento de alimentação fornecido por tickets, seguiu a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, a necessária adesão ao PAT. No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, ao fazer o pagamento em tickets, sem nem mesmo comprovar a adesão ao PAT, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento, além desses outros pontos. Apenas para esclarecer o entendimento adotado em relação a mesma matéria em outras oportunidades, acredito que o lançamento ora sob enfoque, não se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna Fl. 852DF CARF MF 10 apenas com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Da leitura do texto do Ato Declaratório não há dúvida, que a questão ali abordada referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada, poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 849 11 Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) Fl. 854DF CARF MF 12 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese, que os quatro julgados acima manifestam, claramente, o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais, não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de exclusão do benefício fornecido (alimentação) do conceito de salário de contribuição condiciona a desoneração a dois Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13971.004044/201053 Acórdão n.º 9202006.485 CSRFT2 Fl. 850 13 requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilizarão esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Conclusão Face o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000771/2008-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. RELATÓRIO. SANEAMENTO.
Verificado o erro material no relatório da resolução que determinava diligência este deve ser corrigido.
Na hipótese deve ser tido como correto o relatório constante do despacho de embargos de declaração.
Numero da decisão: 9202-006.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando a Resolução nº 9202-000.088, de 20/02/2018, sanar o vício apontado, substituindo o relatório pelo ora apresentado.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ERRO MATERIAL. RELATÓRIO. SANEAMENTO. Verificado o erro material no relatório da resolução que determinava diligência este deve ser corrigido. Na hipótese deve ser tido como correto o relatório constante do despacho de embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, reratificando a Resolução nº 9202000.088, de 20/02/2018, sanar o vício apontado, substituindo o relatório pelo ora apresentado. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 71 /2 00 8- 27 Fl. 1304DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Embargos Inominados, objetivando correção de erro material do relatório apresentado na decisão dada por este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, o qual deve ser substituído pelo ora apresentado: O presente auto de infração decorre das contribuições devidas à Seguridade Social, no valor de 12.083.107,86 (doze milhões, oitenta e três mil, cento e sete reais e oitenta e seis centavos), correspondentes à contribuição doe segurados e da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a outras entidades e fundos (terceiros) INCRA e SEBRAE. As contribuições objeto da NFLD não foram objeto de declaração nas guias de FGTS e GFIP. O lançamento compreende o período de 08/2000 a 12/2006, tendo a recorrente sido devidamente notificada do lançamento em 12.03.2008.O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 289/321. A DRJ julgou totalmente improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 288/332, por meio do qual aduziu o recorrente, em preliminar, existência de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 12.03.2003, e, no mérito, aduziu, dentre outras, ser a multa abusiva e confiscatória. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 901/910, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, determinando a exclusão do auxiliocreche da base de cálculo, e mantendose na integralidade os períodos posteriores. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIO ASSIDUIDADE. PLANOS DE SAÚDE. SEGURO DE VIDA. O salário de contribuição é compreendido como a remuneração, na qual se considera a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive as gorjetas. Somente Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202006.537 CSRFT2 Fl. 10 3 são permitidas as exclusões expressamente previstas no artigo 28, § 9° da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO CRECHE. O auxilio creche, concedido pelas empresas aos filhos de seus funcionários menores de 06 (seis) anos, a teor do art. 28, 9 °, "m", da Lei 8., não integram o salário de contribuição, possuindo nítido caráter indenizatório, sendo dispensada a comprovação dos gastos efetuados conforme iterativa jurisprudência. COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição previdenciária incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados pelos cooperados através de cooperativa de trabalho. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SEBRAE. MULTA. EXCESSIVIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes a competência para análise da constitucionalidade de normas tributárias, atividade privativa do Poder Judiciário, nos termos da Súmula n.02. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIG para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário provido em parte Às fls. 917/921, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 923/928, “para sanar a contradição apontada e retificar o voto condutor e sua parte dispositiva, no que se refere a decadência, para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2000, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1053/1063, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, arguindo erro material da data constante sobre o prazo decadencial, os quais foram acolhidos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1071/1076, e re ratificados às fls. 1080/1084, para “para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN”. Às fls. 1094/1148, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: 1. Nulidade parcial do Acórdão que julgou os Embargos de Declaração da contribuinte. Apesar de a contribuinte ter apresentado Embargos de Declaração elencando uma série de fundamentos não analisados pelo Acórdão recorrido, o Acórdão que julgou os Embargos de Declaração se limitou a consignar trechos do voto anteriormente proferido e a afirmar que não existiam os vícios apontados pela empresa. Diferentemente, o acórdão paradigma concluiu que "A ausência de análise de argumento devidamente ventilado em Recurso Voluntário caracteriza inequívoco cerceamento de defesa. Este vício impinge a nulidade do ato, por força do que dispõe o art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72"; 2. Prazo decadencial do auto de infração. O acórdão recorrido interpretou que no caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4º do CTN só seria aplicado quando fosse constatada a ocorrência de recolhimento, Fl. 1306DF CARF MF 4 caso contrário, seria aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, essa não é a melhor solução, conforme as decisões dos acórdãos paradigmas: estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4º do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento. Nessa hipótese, é perfeitamente legal e possível afirmar que a ausência do pagamento não desnatura o lançamento por homologação, mormente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei; 3. Não incidência das contribuições sobre as seguintes verbas pagas pela empresa: (a) participação dos administradores nos resultados da empresa. Apesar de ser incontroverso que a participação dos administradores nos resultados da empresa sempre foi paga conforme a sistemática prevista na Lei n° 6.404/76, o acórdão recorrido asseverou que deveriam incidir contribuições previdenciárias sobre tal verba. Já o acórdão paradigma é bastante claro: "Do que posto, temos que, para a configuração do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter apontado o descumprimento dos requisitos elencados, o que não foi feito. Ao contrário, a recorrente traz elementos que corroboram com o alegado de que cumpriu as determinações legais, afastando assim a incidência previdenciária, consoante art. 28, §9°, 'j' da lei 8212/91. (...) A hipótese em comento diz respeito a distribuição de resultados aos administradores, prevista na lei 6404/76, não se confundindo com remuneração pelo serviço prestado"; (b) PPR – Programa de Participação nos Resultados da empresa (suposto "prêmio absenteísmo/assiduidade"). Em ambos os processos – acórdãos recorrido e paradigma, o Fisco considerou que a participação nos resultados, paga pela empresa aos funcionários, seria "prêmio assiduidade". Todavia, o paradigma consignou que: "Discordo da solução adotada no julgamento de origem. Entendo que o critério da assiduidade, que consistia no cumprimento integral da jornada de trabalho não é suficiente para transfigurar a forma acordado pelos celebrantes da Convenção Coletiva de Trabalho". Ou seja, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o PPR seria, na verdade, "prêmio assiduidade", o paradigma asseverou que, quando a assiduidade é uma das metas a serem atingidas para se receber o PPR (como no caso da contribuinte), sobre essa verba não poderiam incidir as contribuições. (c) Plano de saúde. Diferentemente do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma firmou o entendimento de que, quando o benefício (plano de saúde) se estende a todos os empregados e dirigentes da empresa, sobre ele não incidem contribuições previdenciárias; e (d) Seguro de vida. Enquanto para o acórdão recorrido devem incidir contribuições sobre essa verba, para o paradigma isso não pode ocorrer quando ela atinja a totalidade dos funcionários e dirigentes . Às fls. 1265/1273, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação apenas à segunda divergência, relativa ao prazo decadencial do tributo, restando mantido o despacho em sede de Reexame de Admissibilidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 1274. Às fl. 1276/1280, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Às fls. 1283 e ss., o processo veio a julgamento, porém, observado que o processo se encontrava com irregularidades processuais, foi determinada diligência para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. Ocorre que à fl. 1294 foi juntado despacho de encaminhamento de retorno da diligência, na qual a Unidade de Origem DRF fez constar a informação nos seguintes termos: Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 9202006.537 CSRFT2 Fl. 11 5 “Senhor chefe, Conforme informação fiscal, a Resolução está flagrantemente em desacordo com o contexto fático do presente processo administrativo fiscal. Diante do exposto, proponho, encaminhamento ao CARF para saneamento.” Submetido ao Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fl. 1303, manifestou razão à Unidade de Origem DRF, determinando o retorno dos autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Tratase de Embargos Inominados, para correção de erro material. Às fls. 1283 e ss., o processo veio a julgamento, porém, observado que o processo se encontrava com irregularidades processuais, foi determinada diligência para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. Ocorre que à fl. 1294 foi juntado despacho de encaminhamento de retorno da diligência, na qual a Unidade de Origem DRF fez constar a informação nos seguintes termos: “Senhor chefe, Conforme informação fiscal, a Resolução está flagrantemente em desacordo com o contexto fático do presente processo administrativo fiscal. Diante do exposto, proponho, encaminhamento ao CARF para saneamento.” Submetido ao Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fl. 1303, manifestou razão à Unidade de Origem DRF, determinando o retorno dos autos para novo julgamento. De fato, houve equívoco por parte desta conselheira que no momento da formalização manteve na minuta de acórdão o relatório do processo anterior. Fl. 1308DF CARF MF 6 Diante do exposto conheço e acolho os Embargos Inominados para, re ratificando a Resolução nº 9202000.088, de 20/02/2018, sanar o vício apontado, substituindo o relatório pelo ora apresentado. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.902697/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 26 97 /2 01 2- 38 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10320.902697/201238 Acórdão n.º 1302002.674 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 16226.66526.191012.1.3.046008), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10320.902697/201238 Acórdão n.º 1302002.674 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.668, de 16.03.2018, proferido no julgamento do processo nº 10320.901811/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.668): A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10320.902697/201238 Acórdão n.º 1302002.674 S1C3T2 Fl. 5 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10320.902697/201238 Acórdão n.º 1302002.674 S1C3T2 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. No presente processo, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 21/01/2013, sendo o dia o 20/02/2013 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/02/2013, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000754/2010-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA CARF. SÚMULA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2001-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA CARF. SÚMULA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA CARF. SÚMULA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 07 54 /2 01 0- 72 Fl. 232DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 15 a 18, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 21.640,40 , por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio (calculados até 12/2009) de R$12.907,35. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, juntando diversos documentos para evidenciar a prestação do serviço, valor total pago, confirmando o endereço do estabelecimento do prestador e o beneficiário, além de extratos bancários. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, ressalta que, visando dirimir as dúvidas quanto à idoneidade e certeza das despesas médicas, teve o necessário cuidado de obter do prestador de serviços médicos uma declaração ratificando a efetiva prestação dos serviços e do pagamento. Sustenta que apresentou uma planilha que demonstra a relação entre os saques bancários que realizou a cada mês do ano e os pagamentos que efetuou em espécie aos profissionais de saúde que lhe prestaram na época assistência psicológica, fisioterapêutica e dentária, comprovando que os valores sacados ao longo.do ano foram mais que suficientes para suprir os pagamentos aos profissionais indicados. Ressalta, ademais, que o fato de não existir valor exatamente correlato saído da conta bancária da defendente não invalida os documentos e fatos alegados, pois a forma de planejamento financeiro do contribuinte não segue as rígidas regras do Direito Financeiro, em decorrência do principio da livre iniciativa da propriedade privada. A DRJ Belém, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declarações em anexo. Afirma que não foge à sua responsabilidade fiscal, pelo contrário, já pagou por ela, posto que as deduções não implicaram no fato da declarante pedir restituição, posto que a mesma ainda pagou, em acréscimo, suntuosa quantia a título de IRPF (obviamente são valores ínfimos para a Receita, mas que prejudicam, drasticamente, a manutenção da recorrente). Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. Repisa os mesmos argumentos ventilados na impugnação. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19647.000754/201072 Acórdão n.º 2001000.162 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento psicológico, de fisioterapia e odontologia, recibo contendo endereço completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, Fl. 234DF CARF MF 4 ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Em determinado caso até declaração juntou. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] O que importa ao presente julgamento, conforme determina a lei, é que a impugnante apresente provas de que realmente arcou com tais despesas, tanto que permite que ela comprove de várias maneiras o seu direito de deduzir. Assim, se a contribuinte pretende deduzir tais despesas médicas deve agir comprovando a veracidade de suas afirmações. Ressaltese ainda que a dedução dessas despesas com saúde é uma faculdade da contribuinte, ou seja, ela não está obrigada a deduzilas, mas caso deseje aproveitálas, deve submeterse aos ditames da lei. Vale lembrar também que a solicitação de documentos, por parte da Receita Federal, constitui uma obrigação acessória sob responsabilidade da contribuinte, que tem de manter em boa guarda a documentação comprobatória dos fatos atinentes à seara tributária, conforme podese extrair das disposições do art. 797 do RIR/99: Art. 797. E dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando se, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei n°352, de 17 junho de 1968, art. 4o). Acrescentese ainda à presente discussão, que mesmo estando presentes todos os requisitos enumerados para os recibos, a legislação tributária não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica do art. 80, § Io, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que a norma admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, ressaltese que mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, fato que se constitui no substrato material da dedução. Verificase que anteriormente ao lançamento, a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo pagamento através de cópias de cheques nominais, depósitos ou transferências bancárias, dos serviços prestados pelos profissionais Michele Oliveira de Souza (R$ 5.760,00), Ana Virgínia Moreira (R$ 5.800,00), Karina Lima Fernandes (RS 4.800,00) c Cristiane Moreira Queiroz da Luz (R$ 5.280,00), às fls. 19, tendo a contribuinte apresentado os documentos, às fls. 43/95. Elaborou planilha demonstrativa da relação entre os saques bancários e os pagamentos efetivados em espécie aos profissionais, às fls. 68/69. Nessa planilha a contribuinte Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19647.000754/201072 Acórdão n.º 2001000.162 S2C0T1 Fl. 4 5 correlaciona saques efetuados em um mês com pagamentos efetuados em meses subsequentes. Exemplificando, no mês de janeiro, teria efetuado saque mensal de R$ 3.744,00 e esse dinheiro teria sido utilizado para pagar despesas com Michele Souza em 03/03, Ana Moreira em 25/02, Karina Fernandes em 04/02 e 04/03 . No mês de fevereiro, teria efetuado saque mensal de R$ 5.145,00 e teria utilizado para pagar despesas com Michele Souza em 04/04, Ana Moreira em 28 e 30/03, Karina Fernandes em 05/04 e Cristiane Luz em 18/03. E assim procede na maioria dos meses do anocalendário em questão. Observase também que para os pagamentos efetuados dentro do próprio mês de saque, não há correlação de data e valor que permita correlacionálos. Exemplificado, em janeiro, fez saque em 10/01 de R$ 714,00 (cartão salário BANDEPE), 10/01 de R$ 730,00,26/01 de R$ 500,00, 28/01 de R$ 600,00 (BANDEPE) e 10/01 de R$ 600,00 e 17/01 de R$ 300,00 (Bradesco), os quais tenta correlacionar com pagamento em 31/01 de R$ 540,00 e 28/01 de R$ 350,00. Assim é que essa correlação de valor sacado com o valor pago aos profissionais se deu de forma insatisfatória, visto que foi comparado de forma global e na maioria das vezes, com meses diferentes. Vale destacar também que esse fluxo de caixa elaborado pela contribuinte, onde apurou saldo a seu favor de R$ 13.667,00 para ser utilizado em anos posteriores, considera como dedução unicamente despesas médicas no período para apurar tal “sobra”, deixando de computar todas as suas despesas no ano (dedutíveis ou não do imposto de renda) para apuração desse saldo de dinheiro em seu poder. Na fase impugnatória, a contribuinte contesta essa exigência fiscal, arguindo principalmente ilegalidade, inconstitucionalidade e falta de motivação no ato administrativo. Entretanto, não apresenta nenhum outro elemento hábil a comprovar a ocorrência das despesas e o seu pagamento, conforme fora intimada a fazer durante o procedimento fiscal. Cumpre informar ainda que quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, a contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ela e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: Fl. 236DF CARF MF 6 Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. Assim, como a contribuinte foi intimada a apresentar não somente os comprovantes das despesas médicas (entendase recibos), como também o seu efetivo pagamento (tais como cópias de cheques, extratos bancários ou cartões de crédito), conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento, constantes do dossiê malha fiscal, anexado às 101/163, e não logrou êxito em comprovar a relação entre saques e pagamento, bem como não trouxe qualquer exame médico complementar, laudo médico ou documentos hábeis a comprovar a ocorrência das despesas elevadas e contínuas no anocalendário, deve ser mantida a glosa. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelo prestador do serviço, assinada e datada pelo mesmo, bem como os extratos apresentados e a planilha explicativa tentando relacionar saques às despesas, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19647.000754/201072 Acórdão n.º 2001000.162 S2C0T1 Fl. 5 7 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. Apenas para fins de esclarecimento, mesmo que não aplicável para o caso em comento, merece ser feita uma breve consideração à arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade das multas ou até mesmo seu suposto efeito confiscatório. Como muito bem colocado pela DRJ , neste aspecto, este colegiado não tem competência para este tipo de análise. Vide Súmula Carf nº 2 : Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 238DF CARF MF 8 Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.909351/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou
ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TECIDOS E ARMARINHOS MIGUEL BARTOLOMEU S/A, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de Saldo Negativo de IRPJ apurado no AC de 2004 no valor de R$ 3.025.340,75. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Data Nº do documento Vr Débitos compensados (vr. Original) 31/05/2005 08522.62186.310505.1.7.020250 R$ 500.000,00 31/05/2005 31799.06505.310505.1.3.027612 R$ 700.000,00 24/02/2006 39028.21348.240206.1.3.022353 R$ 170.708,90 02/04/2007 33386.64023.020407.1.7.02.5532 R$ 1.792.467,85 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 854484167 anexado à fl. 14, exarado aos 10/12/2009, onde, em síntese, se manifesta: 3.1 Que analisadas as antecipações indicadas pelo contribuinte na DCOMP, constatouse que, do somatório no importe de R$ 11.911.491,48, somente foram confirmadas as antecipações do IR no decorrer do período no valor de R$ 8.640.970,76. 3.1.1 As “Informações Complementares da Análise de Crédito” anexadas às fls. 15 a 19 detalham o procedimento, nos seguintes termos: Todos os pagamentos indicados pelo contribuinte foram confirmados pelos sistemas informatizados da RFB, de modo que, foi confirmada a antecipação de IRPJ no importe de R$ 6.545.875,84. O contribuinte deduziu o IRRF no importe de R$ 136.920,91; o fisco confirmou a fonte deduzida, validando esta antecipação do IR. O contribuinte buscou extinguir pela compensação, através de DCOMP’s, diversas parcelas do IRPJEstimativa Mensal. Das compensações intentadas, no importe de R$5.228.694,73, somente foi confirmada a importância de R$ 1.958.174,01. As demais parcelas não foram computadas como componentes do Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição/compensação na data a apresentação da DCOMP em análise. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 3 3.2 Considerando as antecipações confirmadas e o IRPJ devido apurado no período, a DRF constatou que as antecipações confirmadas são insuficientes para extinguir o IRPJ apurado no período, de modo que apurou que o Saldo Negativo de IRPJ disponível para compensação/restituição é igual a ZERO. Neste contexto, não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte, em análise neste processo. 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 23/12/2009, conforme documento à fl. 20. Irresignado, o contribuinte apresenta em 22/01/2010 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 21 a 25, onde, em síntese, alega: As compensações não validadas pela DRF foram objeto de recurso voluntário, “com fortes e robustas razões para que o seu pleito obtenha êxito”, de modo que “não pode ser alegado no presente momento a não confirmação de tais compensações.” A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório, com o reconhecimento do direito de crédito utilizado e a homologação das compensações declaradas. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.70). A decisão recorrida está assim ementada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/11/2010, às fls. 55 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos (verbis): (...) Insurge—se a Empresa Recorrente, contra o Acórdão n° 0228.719 — 3' Turma da DRJ/BHE, que não homologou as compensações declaradas pelo Recorrente, relativas ao processo n° 13.603.909351/200987, sob a fundamentação de que "na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente quanto à sua utilização". Data máxima vênia, tais alegações devem ser revistas, uma vez que, conforme pleiteado na "MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" protocolada em 22 de janeiro de 2010, as parcelas glosadas pela DRF, atinentes ao IRPJ competências janeiro/2004 (parcialmente),fevereiro/2004, março/2004 e maio/2004, relativas as DCOMPs: retificadora n° 14983.16068.271107.1.7.027000, corresponde à DCOMP original n° 37614.92524.140504.1.3.020601, transmitida eletronicamente para a SRF em 14/05/2004; DCOMP original n° 18142.52070.300604.1.3.029409, transmitida em 30/06/2004 e DCOMP n° 18360.23333.300604.1.3.037974, transmitida em 30/06/2004, foram objeto de análise pela DRF, processo decisório n° 854484167, tendo sido intimada, a Recorrente, em 23/12/2009, portanto após o prazo previsto no art. 74, § 5 0, da Lei n° 9.430/96, ocorrendo com isso a Fl. 138DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 4 homologação tácita. De acordo com o art. 74, § 2°, da Lei n° 9.430/96, o crédito tributário se extingue, sob condição resolutória da homologacão ulterior, podendo, todavia, a homologação ser tácita. Ora, a demora na homologação das declarações de compensação pela administração pública e mais, a homologação extemporânea das mesmas, fere princípios constitucionais pátrios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, quais sejam: o principio da legalidade tributária, que requer o estrito cumprimento da lei, e o principio da capacidade contributiva. Quanto a este último principio, é imperioso demonstrar aos doutos julgadores que, ao não homologar em tempo hábil os tributos que comporão saldos negativos de períodos futuros, objetivando futuras compensações (IRPJ e CSLL), tais valores ocasionam reflexos em todos esses exercícios, onde um único valor não homologado poderá representar até cinco outros novos valores de idêntica soma, o que poderá vir a comprometer seriamente o equilíbrio econômico e financeiro das empresas. Além do mais, o referido saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, exercício de 2005, constitui reflexo do não reconhecimento do saldo negativo do mesmo tributo no ano calendário de 2003, exercício de 2004, objeto, também de recurso voluntário, o que deve, certamente, primeiramente ser apreciado. A homologação tácita aqui verificada não resultará em prejuízo para a fazenda pública federal, uma vez que os débitos tributários supostamente não compensados, a que se refere a DCOMP original n° 03674.77720.290803.1.3.020684, e que compuseram o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, exercício de 2004, foram inscritos em divida ativa e posteriormente parcelados junto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, estando religiosamente em dia. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, em litígio a não homologação de DCOMPs, cujo crédito seria oriundo do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ, anocalendario de 2004, no qual a contribuinte pleiteou o valor de R$ 3.025.340,75 (original, fl. 2), tendo sido reconhecido R$ 0,00 (original, fl. 14). Em seu recurso voluntário a contribuinte alega que teria ocorrido a homologação tácita, haja vista que “(...)a demora na homologação das declarações de compensação pela administração pública e mais, a homologação extemporânea das mesmas, fere princípios constitucionais pátrios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, quais sejam: o principio da legalidade tributária, que requer o estrito cumprimento da lei, e o principio da capacidade contributiva. Quanto a este último principio, é imperioso demonstrar aos doutos julgadores que, ao não homologar em tempo hábil os tributos que comporão saldos negativos de períodos futuros, objetivando futuras compensações (IRPJ e CSLL), tais valores ocasionam reflexos em todos esses exercícios, onde um único valor não homologado poderá representar até cinco outros novos valores de idêntica soma, o que poderá vir a comprometer seriamente o equilíbrio econômico e financeiro das empresas. Além do mais, o referido saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, exercício de 2005, constitui reflexo do não reconhecimento do saldo negativo do mesmo tributo no ano calendário de 2003, exercício de 2004, objeto, também de recurso voluntário, o que deve, certamente, primeiramente ser apreciado. A homologação tácita aqui verificada não resultará em prejuízo para a fazenda pública federal, uma vez que os débitos tributários supostamente não compensados, a que se refere a DCOMP original n° 03674.77720.290803.1.3.020684, e que compuseram o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, exercício de 2004, foram inscritos em divida ativa e posteriormente parcelados junto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, estando religiosamente em dia (...)”. Vejamos os fundamentos da Decisão de 1a. instância: Análise do Crédito 11. O direito de crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP em questão reporta se ao Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2004. Analisando as informações prestadas nas declarações apresentadas à RFB, a DRF não computou como válidas as antecipações indicadas pelo contribuinte correspondentes às compensações não homologadas pelo fisco em DCOMP’s apresentadas anteriormente. 11.1 A parcela glosada pela DRF importa em R$ 3.270.520,73 e corresponde à parcela não homologada das DCOMP’s de nºs 14983.16068.271107.1.7.027000, 18142.52070.300604.1.3.029409, 18360.23333.300604.1.3.037974 e 33819.70936.300404.1.3.578915(fls. 16/17). O manifestante se insurge quanto a esta glosa, alegando que a ação do fisco está sendo contestada através de Recurso Fl. 140DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 6 Voluntário apresentado ao CARF, com “fortes e robustas razões para que o seu pleito tenha êxito”. 12. Acerca deste assunto, cabe esclarecer que, para o caso em comento, em que todas as compensações que compuseram o Saldo Negativo de IRPJ utilizado já foram objeto de análise pelo fisco, somente os débitos cuja compensação foi homologada podem ser computados como componentes deste saldo negativo passível de restituição/compensação na DCOMP em análise neste processo. 12.1 O fisco invalidou parte do procedimento executado pelo contribuinte, de modo que, a partir do ato da não homologação a extinção do débito deixou de existir, mesmo que o contribuinte opte por discutir a questão nos termos previstos em lei. Ou seja, o débito inicialmente extinto (sob condição resolutória) perdeu esta condição pela ação do fisco (não homologação) e, ainda que computado como componente do Saldo Negativo de IRPJ, como é o caso vertente, este não mais goza da liquidez e certeza imprescindíveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. 12.2. As DCOMP’s identificadas no item 11.1 foram cadastradas nos processos de nºs 13603.903642/200961, 13603.903643/200914 e 13603.000266/200790 e apreciadas pela DRF, resultando na Homologação Parcial das compensações declaradas. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade quanto à decisão prolatada pela DRF nos três processos. Estes documentos já foram apreciados pela 3ª Turma da DRJ/BHEMG, resultando em: Nº do documento Processo Acórdão Resultado do Julgamento 14983.16068.2711 07.1.7.027000 13603.903642/2009 61 0228.717, em 22/09/2010 Não homologação das compensações em litígio 18142.52070.3006 04.1.3.029409 18360.23333.3006 04.1.3.037974 13603.903643/2009 14 0228.622,em 15/09/2010 Não homologação das compensações em litígio 33819.70936.3004 04.1.3.578915 13603.000266/2007 90 0216.090, em 24/10/2007 Não homologação das compensações em litígio 12.3 Neste contexto, considerando a natureza dos débitos compensados, antecipação mensal do IRPJ, o quantum correspondente somente integrará a composição do Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição/compensação a partir da sua extinção, quer seja através do provimento do recurso apresentado pelo contribuinte ao CARF quer seja pelo efetivo pagamento da obrigação. Esta correlação é óbvia e indiscutível: a União somente pode restituir (ainda que através da compensação) um quantum que já foi efetivamente recolhido. 13. Em síntese, a glosa efetuada pela DRF obedeceu aos estritos ditames da legislação vigente e o manifestante não trouxe à baila qualquer documento ou argumento indicativo da validade dos créditos utilizados. Desta feita, mantémse a apuração pela DRF. Homologação da Compensação 14. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP está condicionada, inicialmente, à validade do crédito utilizado. Ou seja, é imprescindível que o crédito seja passível de restituição/ressarcimento, relativo a tributos ou contribuições administrados pela RFB, e em valor suficiente para extinguir os débitos próprios compensados, respeitadas as demais regras afetas ao procedimento. No presente caso, constatouse que o crédito utilizado pelo Fl. 141DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13603.909351/200987 Acórdão n.º 140200.636 S1C4T2 Fl. 0 7 contribuinte nas DCOMP’s cadastradas neste processo é insuficiente para extinguir a totalidade das compensações declaradas, e considerando que a parcela do crédito válida já foi utilizada pela DRF na homologação parcial destas compensações, não há como homologar as compensações em litígio neste processo. Pois bem, verificase que nos autos que o saldo negativo de recolhimentos do anocalendário de 2004 é correspondente a estimativas mensais daquele ano, que em verdade não foram recolhidas e sim objeto de pedido de compensação de créditos de períodos anteriores, não confirmados. Assim, tal qual asseverado na decisão recorrida, o valor pleiteado não pode mesmo ser reconhecido, pois, somente podem compor o crédito restituível ou compensável os valores efetivamente quitados pelo contribuinte, quer seja através de pagamentos, retenções na fonte ou compensações válidas. Portanto os despacho da DRF de Origem, bem como os fundamentos da decisão de 1a. instância, não merecem qualquer reparo, pelo que devem ser confirmados. O contribuinte alega que estaria parcelando junto a PGFN os débitos que ensejaram o indeferimento das compensações, todavia, não faz prova dessa alegação nos autos. Alem disso, tal parcelamento teria sido levado a efeito em data bem posterior ao pleito da compensação original, logo, haveria sim prejuízo ao fisco se homologadas as compensações pleiteadas neste processo. Outrossim, cabe á Unidade de origem, antes de prosseguir na cobrança dos débitos de que tratam o presente processo verificar a possibilidade de estar havendo duplicidade nas exigências e fazer as devidas correções. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 142DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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