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Numero do processo: 10980.012335/2003-99
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - PRESUNÇÃO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGENS - COMPROVAÇÃO - A comprovação pelo Contribuinte do exercício regular de atividade econômica e da correlação entre os ingressos financeiros decorrentes dessa atividade e os créditos/depósitos bancários realizados em suas contas correntes, afasta a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-21.348
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SULIVAN LUIZ MARCHETTI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 'MARIA HELENA COTTA CARtOmicâfr. PRESIDENTE r A DRO ,CIA;AAAPO I E P ULO PEREI BARBOSA RELATOR FORMALIZADO EM: ,2 4 FEV 2006 4- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 NE MO" li - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Recurso n 2 . : 144.091 Recorrente : SULIVAN LUIZ MARCHETTI RELATÓRIO Contra SULIVAN LUIZ MARCHETTI, Contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n2 241.673.329-15, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 95/102 para formalização da exigência de crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF no montante total de R$ 451.456,19, sendo R$ 189.337,78 a título de imposto; R$ 120.115,08 referente a juros de mora, calculados até 28/11/2003 e R$ 142.003,33 referente a multa de ofício, no percentual de 75%. Infrações As infrações estão assim descritas no Auto de Infração: 001 - GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme demonstrado no Anexo IV - 2000, do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. (Fato gerador: 29/02/2000). Enquadramento legal: Arts. 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n 2 7.713/88; Arts. 1° e 2°, da Lei ng 8.134/90; Arts. 7°, 21 e 22 da Lei n 9 08.981/95; Art. 17 da Lei n g 9.249/95; 002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS 3 p‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrados nos Anexos I - 1998, li - 1998, III - 1998, I - 2000, II - 2000 e III - 2000, do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. (Fato gerador: 1998 e 2000) Enquadramento Legal: Art. 42 da Lei n2 9.430/96; art. 42 da Lei n2 9.481/97; art. 21 da Lei n 2 9.532/97. No referido Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal a Autoridade Lançadora descreve a matéria tributária nos termos a seguir reproduzidos. "Intimado em 06/05/2003, o contribuinte colaborou, encaminhando-nos entre outros documentos, cópia dos extratos das contas correntes abaixo relacionadas; o Livro Diário e Razão n 2 6, de 1998 e o Livro Diário e Razão n2 8, do ano de 2000, cópia dos extratos da conta corrente n° 42274-10, do Banco HSBC, Agência Seminário (0357) de sua titularidade, bem como, autorização para solicitarmos ao Banco cópia dos comprovantes de depósitos efetuados nessa conta corrente, BANCO AGENCIA C/C TITULAR ANO HSBC Seminário 02632-84 Itaim C. Veia 1998 e 2000 HSBC Seminário 02569-20 Itaim C. Veia 1998 e 2000 MERIDIONAL Seminário 0023057-0 Itaim C. Veia 02/2000 Extratos das contas da sua companheira e dos filhos que foram devolvidos ao final deste trabalho. (*) Jan. a mai., nov. e dez, posteriormente jun.I2000. Não há cheque para os meses de jul. a out. Com esses elementos, adicionados das cópias das DIRPF dos anos- calendário de 1998 e 2000, e de cópia das matrículas do bem imóvel vendido pelo contribuinte, desenvolvemos o nosso trabalho, conforme definido na MPF n 2 09.1.01.11-2003-00215-6. Os extratos bancários da pessoa física, dos anos de 1998 e 2000, foram- reorganizados em planilhas que demonstram os depósitos efetuados dia a 4 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 dia, a soma mensal desses valores e o total de cada ano, excluídos os cheques devolvidos e taxas cobradas pelos Bancos (Anexo I - 1998 e anexo I - 2000), e o depósito de R$ 390.000,00, do dia 23/02/2000, referente a venda dos imóveis. O contribuinte alega que a origem dos depósitos procedeu do recebimento de cheques prédatados de clientes, que eram trocados por outros do contribuinte para não desfalcar o caixa da pessoa jurídica (ltaim), sendo também comum a troca de cheques com outras lojas ou clientes, para socorrer dificuldades momentâneas da Itaim ou de outrem; recebimento de valores para despesas de documentos de veículos vendidos, seguros e acessórios; recebimento de valores dos clientes para repassar às financiadoras; recebimentos de valores de vendas desfeitas, e de outros motivos. Os cheques que foram depositados em sua conta corrente, e substituídos por outros de sua emissão, nominais à Haia, ou a si mesmo e endossados para depósito na conta corrente n° 42.20890, do HSBC, e na conta n2 0023057-0, do Meridional, ambas da Itaim Comércio de Veículos Lida, foram relacionados nas planilhas (Anexo II - 1998 e anexo II - 2000), que demonstram as contas de origem e de destino, baseados nos extratos das contas correntes e cópias dos respectivos cheques, sendo que os montantes apurados foram deduzidos da relação dos depósitos de origem não comprovada. Os valores assim apurados, ou seja o saldo dos cheques cuja origem não foi identificada, compõe a base de cálculos dos valores a tributar, que considerará, na apuração do imposto a pagar, a exclusão dos valores já declarados e os abatimentos legais utilizados, respeitando a ação do contribuinte nas respectivas declarações (Anexo III - 1998 e anexo IV - 2000). Da demonstração assim realizada, carecem de comprovação os valores de R$ 194.574,86 (cento noventa e quatro mil, quinhentos setenta e quatro reais, oitenta e seis centavos), e R$ 269.198,87 (duzentos sessenta e nove mil, cento noventa e oito reais, oitenta e sete centavos), relativos a 1998 e 2000, respectivamente, os quais se sujeitarão ao disposto no artigo 42, §1° a 4° da Lei n2 9.430, de 27/1211996 (artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR - Decreto n° 3.000, de 26/03/1999); artigo 4°, da Lei n° 9.481, de 13/08/1997; artigo 21, da Lei n° 9.532, de 10/1211997, além do artigo 841, ///, do Regulamento do Imposto de Renda - RIR (Decreto n° 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n 2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 3.000, de 26/03/1999) quanto ao Lançamento de Oficio, e a multa prevista no artigo 957, inciso I, do citado regulamento (art.44 da Lei 9.430/96). Da DIRPF 2001/2000 apresentada pelo contribuinte, verificamos a venda de dois imóveis pelo valor de R$ 390.000,00 (trezentos e noventa mil reais), da cópia das matrículas constatamos que os imóveis unificados antes da venda, foram adquiridos em 17/06/1992, pelo valor de R$ 88.455,29 (oitenta e oito mil, quatrocentos cinqüenta e cinco reais, vinte e nove centavos), tendo sido apurado lucro na operação de venda, e por não se tratar do único imóvel possuído, conforme patrimônio declarado em sua DIRPF, o contribuinte, em conformidade com os art. 1°, 2°, 3° e §§, 16°, 18° a 22°, da Lei ng 7.713/88; art. 1° e 2°, da Lei n° 8.134/90; art. 7°,21° e 22° da Lei n° 8.981/95; e art. 17° da Lei n° 9.249/95, achava-se obrigado a preencher o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, e não o fez, sujeitando- se às sanções daí decorrentes (Anexo IV 2000). Ambas ocorrências (Depósitos Bancários Não Comprovados em 1998 e 2000 e Ganho de Capital no ano de 2000), sujeitam-se aos artigos 953 e 957-1, do Decreto n° 3.000, de 26/03/99. Encerramos nesta data, a ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte SULIVAN LUIZ MARCHETTI, CPF n° 251.673.329-15, onde foi apurado o Crédito Tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 56.389,83 (cinqüenta e seis mil, trezentos oitenta e nove reais, oitenta e três centavos) para o ano-calendário de 1998 e de R$ 132.947,95 (cento trinta e dois mil, novecentos quarenta e sete reais, noventa e cinco centavos) para o ano-calendário de 2000, valor este constituído de R$ 80.273,31 (oitenta mil, duzentos setenta e três reais, trinta e um centavos) relativo ao imposto de renda dos depósitos bancários não identificados e R$ 52.674,64 (cinqüenta e dois mil, seiscentos setenta e quatro reais, sessenta e quatro centavos), aos Ganhos de Capital, sendo que computada a Multa e os Juros de Mora, o montante passa a ser de R$ 451.456,19 (quatrocentos cinqüenta e um mil, quatrocentos cinqüenta e seis reais, dezenove centavos), conforme Auto de Infração que foi gerado com estes dados. I mougnação Inconformado com a exigência, o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 111/145, onde argúi, preliminarmente, a nulidade do lançamento por violação do sigilo bancário e utilização Indevida dos dados da CPMF. Aduz o Impugnante a esse respeito, 6 : .. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nQ. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n Q. : 104-21.348 verbis: "A vedação a que o controle da arrecadação da CPMF pudesse servir de ponto de partida para a Fiscalização constituir crédito tributário, com relação a outras contribuições ou impostos, encontra justificativas e fundamentos em diversas e sólidas razões, desde a indevida invasão da privacidade do contribuinte, pois que essa investigação ingressa no exame de sua vida pessoal - como vive, como e com quem vive, como e com quem compartilha seus haveres, seu patrimônio e assim por diante -, como também porque a experiência acumulada ao longo dos anos, nos casos em que o Fisco procura apurar eventual omissão de rendimentos através do exame das contas bancárias dos cidadãos, mostra que esse procedimento sempre provocou mais erros e injustiças que acertos, como adiante se demonstrará, principalmente pelo fato de que, em defesa da própria privacidade de cada contribuinte, a pessoa física não está obrigada a manter registros contábeis de seus gastos pessoais, pelo que a tentativa de quantificar a renda ou os proventos auferidos - base de cálculo do imposto de renda -, através da soma dos depósitos ou créditos bancários, não só tem se manifestado quase sempre incorreta, como também, e principalmente, porque para demonstrar a origem desses depósitos o contribuinte se vê obrigado, com freqüência, a revelar fatos de sua vida pessoal ou profissional que nada têm a ver com suas obrigações fiscais ou legais de qualquer natureza, mas que, sempre têm a ver também com a privacidade inviolável de terceiros que com ele se relacionam pessoal ou profissionalmente, às vezes até sob a proteção legal, como á o caso de advogados, contadores, consultores, administradores de empresas, médicos, etc. Por isso mesmo, a Lei sempre procurou proteger o sigilo bancário dos contribuintes, eis que antes de serem contribuintes são pessoas são cidadãos a quem a mesma Lei, e em especial a Constituição, ao mesmo tempo em que impõem obrigações, e entre elas a de pagar impostos e contribuições, por exemplo, de outro lado garantem direitos e prerrogativas sendo certo que, no campo dos tributos, a simples constatação de que a Constituição impõe ao Poder Público limites e condicões sobre o direito de constituir, impor e cobrar tributos e contribuições (artigos 150, 151 e 152 da CF/1988) é porque considera que o poder de impor e cobrar tributos e contribuições, por mais importantes que sejam do ponto de vista social, não o são mais que os direitos inalienáveis do cidadão e da pessoa humana, valores que, em princípio, devem ser sempre preservados mesmo perante os interesses fiscais e tributários do Estado. Invoca jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara 7 9S- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Superior de Recursos Fiscais no sentido da impossibilidade de lançamentos com base apenas em depósitos bancários. Tratando especificamente da aplicação da Lei n2 10.174, de 2001, o Impugnante sustenta que o dispositivo da referida lei, que altera o art. 11 da Lei ri g 9.311, de 1996, não tem natureza meramente instrumental, instituidora de critérios de fiscalização. Afirma que "a natureza jurídica dessa alteração, e os efeitos de fato e de direito que ela produz não se limitam apenas à instituição de novos critérios de fiscalização, como pretendem fazer crer seus poucos defensores". Por fim, o próprio Impugnante assim resume suas razões quanto a essa matéria: 1)Antes da alteração da redação original do § 3° do artigo 11 da Lei nO 9.311/1996, era vedada a constituição, a partir dos dados colhidos relativos à arrecadação da CPMF, de crédito tributário relativo a qualquer outro imposto ou contribuição; 2) O fisco não estava impedido de examinar as contas bancárias. Poderia fazê-lo quando, no curso de uma ação fiscal já iniciada por outros motivos e fundamentos, apurasse a existência de omissão de rendimentos representada por acréscimos patrimoniais e ou gastos que representassem sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com os rendimentos declarados pelo contribuinte. Nesses casos, a Jurisprudência administrativa e judicial recomendava, para a segurança e validade do lançamento, à vista dos direitos e garantias individuais acima referidos, fosse a quebra do sigilo bancário antecedida da prévia autorização do poder judiciário e, na constituição do crédito, fosse obedecido o que dispõe o § 6° do artigo 6° da Lei ng 8.021/90, ou seja, utilizar o arbitramento do quantitativo da omissão com base no montante dos depósitos bancários cuja origem em rendimentos já declarados, tributáveis ou não tributáveis, o contribuinte não lograsse comprovar, apenas quando essa forma de tributação fosse mais favorável ao contribuinte do que qualquer outra; 3) Com a flexibiliza ção provocada pela revogação do impedimento 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n 2 • : 104-21.348 anteriormente vigente, e com a nova redação dada ao § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/1996 pela Lei n° 10 174/2001, o Fisco passou a poder lançar o crédito tributário relativo a outros tributos - no caso, aqui o IRPF -, tomando como rendimento omitido o montante dos depósitos e créditos cuja origem o contribuinte não comprove tenha decorrido de rendimentos já declarados, tributáveis ou não tributáveis. Ou seja, pode utilizar os dados da arrecadação da CPMF, nas condições determinadas pelo artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e do Decreto n° 3.724/2001, que o regulamentou, para apurar os depósitos e créditos ocorridos nas contas do contribuinte, arbitrando os valores cuja origem não forem comprovadas como representativos do rendimento omitido; 4) Esse exame das contas bancárias, entretanto, deve obedecer rigorosamente à determinação constante do art. 6° da LC 105/2001 e do Decreto n° 3724/2001, de só utilizar os dados relativos à CPMF "somente quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames se;am considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente" (destaques nossos); 5) Como essa forma de tributação deixou de fundamentar-se em fato econômico ou jurídico real como base de incidência do tributo - ou seja, deixou de fundamentar-se na disponibilidade econômica ou jurídica real de rendas ou proventos -, para presumir a ocorrência desse fato econômico ou jurídico arbitrando-o com base nos depósitos e créditos bancários cuja origem o contribuinte não comprove decorrer de rendimentos declarados, tributáveis ou não tributáveis, esse lançamento fica sujeito ao que determina o art.148 do CTN, para que seja válido, ou seja, fica sujeito à contestação por parte do contribuinte, a quem caberá comprovar que os créditos bancários não decorrem de rendimentos omitidos; 6) Ora, a lei anterior dispensava a guarda desses comprovantes, uma vez que essa tributação por presunção, com base nos dados relativos ao recolhimento da CPMF, não existia, e mais, estava expressamente vedada apela redação original do § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/1996, razão pela qual não pode o Fisco exigir agora uma comprovação a qual o contribuinte estava expressamente dispensado de guardar, sob pena de quebrar a segurança jurídica que a lei anterior garantia ao cidadão; 7) Por isso que não se aplica aqui o disposto no § 1° do artigo 144, do CTN, mas sim o disposto no caput do referido artigo, verbis: 9 Cfr e .. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo ng. : 10980.012335/2003-99 Acórdão O'. : 104-21.348 'Art. 144 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." ( destacamos) 8) Como a lei vigente à época da ocorrência do suposto fato gerador vedava a constituição de crédito tributário por meio dos dados utilizados para recolhimento da CPMF, qualquer lançamento fundamentado na alteração provocada pela Lei 10174, de 09/10/2001, não pode ter aplicação retroativa. Aduz, em complemento, que o MPF que autorizou o início do procedimento fiscal já mencionava que a ação fiscal teve origem nas informações bancárias, obtidas através dos documentos de arrecadação da CPMF, quando a lei complementar só autorizava essa utilização se já estivesse instaurado o procedimento fiscal. Argúi o Contribuinte a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 30/11/1998. Sustenta que se trata se imposto sujeito ao lançamento por homologação e que, com o advento da Lei rig 7.713, de 1988, o fato gerador do Imposto passou a ser mensal. Defende que, no caso de lançamento por homologação, o termo inicial de contagem do prazo decadencial deve ser a data do fato gerador e que, neste caso, ocorreria ao final de cada mês. Por esse critério, não mais poderia o Fisco ter procedido ao lançamento relativamente aos fatos ocorridos antes de novembro de 1998. Quanto ao mérito, afirma o Impugnante que inexistiu omissão de rendimentos a ser tributada. Diz que prestou todas as informações solicitadas e apresentou documentos consistentes com essas informações. Afirma que exerceu única e exclusivamente atividade comercial relacionada com a revenda de veículos, conforme farta documentação entregue à Fiscalização. O seguinte trecho bem resume as alegações do 10 Ç4' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Impugnante quanto a essa questão: "Inexiste, pois, no presente caso, sequer indício de omissão de receita, até por falta de interesse económico, eis que o custo de controle dessa eventual omissão seria maior que o tributo sobre ela incidente, eis que exercendo unicamente a atividade de comercialização de veículos, e apresentando a declaração do IRPJ com o imposto apurado com base no lucro presumido, não faz sentido omitirem-se valores ínfimos dessa receita, da qual apenas 8% correspondem à base de cálculo do IRPJ, pelo que esse imposto corresponderia a apenas 1,2% dessa receita (15% de 8% = 1,2%). Evidentemente, refere-se, sua movimentação bancária, às trocas de cheques para atender clientes que pediam para a empresa providenciar a liquidação de multas no DETRAN, o recolhimento do IPVA atrasado; a liquidação de saldo de financiamentos dos veículos entregues em trocas, à empresa, e toda uma gama de providências que são da rotina da atividade de compra e venda de veículos, e que eram atendidas pela pessoa física, quando possível, para evitar o trânsito desses recursos pelo caixa da empresa, eis que os pagamentos a que se destinavam não constituíam despesas dela." Argúi que houve erro no Auto de Infração, ao indicar o valor do imposto pago. Solicita a exclusão de valores referentes a cheques utilizados para pagamento de contas da ltaim, os quais relaciona, e a cheque devolvidos, não excluídos anteriormente. Requer a subtração da base de cálculo dos rendimentos declarados. Insurge-se contra a incidência dos juros de mora, cobrados com base na taxa Selic. Alega, em síntese, que a taxa Selic tem natureza rennuneratória e não indenizatória, como devem ser os juros de mora. Argumenta, ainda, que essa taxa incorpora no seu índice um percentual de risco, elevando, assim, o seu percentual. 11 çlfr • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo O. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Em conclusão, pede o Impugnante: "PRELIMINARMENTE: 1) seja o Auto de Infração considerado totalmente inválido: (a) por vício insanável de origem, eis que iniciado com base na movi- mentação bancária do contribuinte, e não com base em procedimento fiscal previamente existente, ofendendo assim, a teor do que determinam os artigos 3° e 142, parágrafo único, do CTN, o artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e o Decreto n°3.724/2001, que o regulamentou; (b)por aplicação retroativa indevida, aos anos-calendário de 1998 e 2000, do disposto na Lei n° 10.174, de 09/10/2001, que altera a norma legal contida no § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/1996, que vedava os procedimentos fiscais e a constituição de créditos tributários de impostos ou contribuições com base nas informações relativas à arrecadação da CPMF, ofendendo com isso os artigos 3°, 97, 142, 144 e 148 do CTN; 2) com amparo no artigo 150, § 4°, do CTN, combinado com o § 2° do artigo 2° e inciso I do artigo 849 do RIR/1999 e o art. 42, § 1°, da Lei n° 9.430/1996, em que se apoiou o Auto, sejam excluídas da tributação, em qualquer hipótese, as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos até 30/11/1998, eis que já atingidos pela decadência quando da lavratura do Auto em 2311212003. NO MÉRITO, requer-se: 1)seja considerado indevido o Auto de Infração, em sua totalidade, por não ter, a Autoridade Lançadora, apresentado qualquer evidência, e muito menos prova, da existência de acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza por parte do contribuinte, ou qualquer outro fato ou prova de omissão de rendas ou proventos, que pudesse ensejar a exigência de imposto de renda, a teor do que dispõem o art. 43 e 44 do CTN, combinados com os artigos 845, inciso II, e seu §1°, e 846, do RIR/1999; 2)em qualquer hipótese, sejam excluídos da tributação: a) os valores relacionados no subitem 11.3.3.1 desta impugnação, nos 12 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo ng. : 10980.012335/2003-99 Acórdão nQ. : 104-21.348 montantes de R$ 53.915,73 no ano-calendário de 1998 e de R$ 356.409,52 no ano-calendário de 2000, por ter sido comprovada, nessa oportunidade, a sua origem, não se caracterizando eles como rendimentos ou proventos auferidos pelo contribuinte, e que pudessem ensejar a exigência do imposto de renda; b) os valores relacionados no subitem 11.32 .2, nos montantes de R$ 4.399,90 no ano-calendário de 1998 e R$ 1.600,00 no anocalendário de 2000, por se referirem a cheques devolvidos, não excluídos do levantamento fiscal; c)os valores relacionados no subitem 11.3.4, nos montantes de R$ 94.490,92 no ano-calendário de 1998 e R$ 105.600,00 no anocalendário de 2000, correspondentes aos rendimentos declarados e tributados naqueles respectivos anos, pelo que são provas incontestáveis da origem desses recursos neles movimentados; d) os juros de mora cobrados com base na taxa SELIC, por inaplicáveis como juros morató rio, por se revestirem de natureza remunerató ria e especulativa. Finalmente, requer-se que, também em qualquer hipótese, sejam retificados, nos cálculos de eventuais impostos remanescentes, o valor correto dos impostos de renda pagos nos anos-calendário de 1998 e 2000, nos montantes de R$ 19.181,75 e R$ 23.673,62, conforme fls. 08/09 e 12/13 respectivamente, e não R$ 16.300,00 e R$ 17430,00, como constou no Auto de Infração, às fls. 98 e 99." Registre-se que em 07/06/2006, após proferida a decisão de primeira instância (04/05/2004, fls. 287), porém antes da ciência desta (11/08/2004, fls.317), o Contribuinte apresenta razões adicionais especificamente para pleitear a não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício (fls. 310). Decisão de primeira instância A DRJ/CURITIBA-PR julgou procedente em parte o lançamento, com os fundamentos consubstanciados nas ementas a seguir reproduzidas. 13 t" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física 1RPF Data do fato gerador: 29/0212000 Ementa: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte expressamente concorda. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2001 Ementa: JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em rei-o - a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE PARA FISCALIZAÇÃO. EMISSÃO DE MPF. UTILIZAÇÃO DE DADOS GLOBAIS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A seleção de contribuinte a ser fiscalizado e conseqüente emissão de MPF, tendo por base a movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados, não viola qualquer vedação legal, em razão de o acesso ao valor global movimentado não caracterizar exame de registro de instituição financeira. ACESSO A DOCUMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO. Iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo O. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n9. : 104-21.348 É incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. PERÍODO ANTERIOR A DEZEMBRO DE 1998. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há como se argüir decadência se a ciência do auto de infração foi dada antes de transcorridos 5 anos da data de início de contagem do prazo decadenciat OMISSÃO DE RENDIMENTO LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430 de 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. JUROS DEMORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 0110111995, serão acrescidos, desde o seu vencimento, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. Lançamento Procedente em Parte" A DRJ/CURITIBA/PR salientou que não houve impugnação em relação à parte do lançamento referente à omissão de ganho de capital, e que, inclusive, o débito já foi objeto de parcelamento. Destacou que os órgãos julgadores administrativos são incompetentes para apreciar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade, matéria reservada ao Poder 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nQ. : 10980.012335/2003-99 Acórdão O'. : 104-21.348 Judiciário. Anotou que as decisões judiciais e administrativas, sem lei que lhe atribua eficácia normativa, só vincula as partes em litígio, se modo que as decisões referidas pelo lmpugnante não condicionaram o julgamento deste processo. Rejeitou as argüições de quebra ilegal do sigilo bancário e de indevida aplicação retroativa da lei nQ 10.174, de 2001. Após fazer histórico da legislação que versa sobre o acesso aos dados bancários dos contribuintes pelos agentes do Fisco, concluiu que: "... se pendia alguma dúvida quanto à legalidade da ação fiscal no bojo da Lei n g 4.595, de 1964, tal relutância perde sentido frente ao art. 82 da Lei ng 8.021, de 1990, e à recente legislação (Lei Complementar ng 105, regulamentada pelo Decreto Federal n g 3.721, ambos de 10 de janeiro de 2001), em que é expressa a autorização para o exame fiscal das operações bancárias, sem prévia autorização judicial". Rejeitou, também, a preliminar de decadência. Anotou que a partir da Lei nQ 8.134, de 1990, além da incidência mensal do imposto, deve ser feito o ajuste anual, momento em que se aperfeiçoa o fato gerador, com a apuração definitiva dos rendimentos e deduções. E, portanto, mesmo considerando a tese da decadência defendida pelo lmpugnante, não estaria vencido o prazo quando do lançamento. Quanto ao mérito, rejeitou a alegação de que os rendimentos eram decorrentes da atividade de pessoa jurídica, por falta de comprovação, ressaltando, ainda, que pelo princípio da entidade, não se deve confundir o patrimônio da pessoa jurídica com o da pessoa física. Diz a decisão guerreada: 89. Nesse sentido, a contabilidade da ltaim Comércio de Veículos Ltda. deveria evidenciar a situação retratada pelo autuado, de que utilizava sua 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2 . : 104-21.348 conta bancária pessoal como apoio das atividades da pessoa jurídica, devendo, obviamente, estarem os lançamentos contábeis sempre amparados em documentação hábil e idônea, já que nos termos do art. 9°, § 1°, do Decreto-lei n° 1.598, de 23 de dezembro de 1977, base legal do art. 923 do RIR11999, somente faz prova a seu favor a escrituração mantida com observância das disposições legais dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Entretanto, o que se observa são apenas registros contábeis correspondentes ao pagamento de pró-labore e de aluguel ao sócio Sulivan Luiz Marchetti, sem haver qualquer registro demonstrando os valores que teriam sido depositados em sua conta corrente em decorrência de atividades da pessoa jurídica ou para pagamento de despesas correlatas. 90. Assim, se estava utilizando a sua conta particular para movimentar recursos provenientes da atividade da pessoa jurídica, caberia ao contribuinte manter em boa guarda não só a escrituração como também os documentos comprobatórios de que tais valores decorriam de sua atividade empresarial, pois o usual é que os sócios e a empresa possuam contas bancárias próprias e exclusivas, estando a pessoa jurídica obrigada a manter os registros contábeis de suas atividades, independentemente se a natureza delas influenciam ou não a apuração dos tributos devidos." A DRJ/CURITIBA/PR, entretanto, acolheu em parte as alegações do impugnante para admitir as exclusões de alguns depósitos. Para maior clareza, reproduzo a seguir, literalmente, as conclusões da decisão sobre esses depósitos: "91. Porém o contribuinte tem razão ao pleitear que sejam consideradas, no auto de infração, as parcelas pagas do imposto apurado no ajuste anual, fls. 08, 12, 285 e 286. Assim, o valor do imposto pago consignado no demonstrativo de fls. 98 e 99 deve ser alterado para R$ 19.181,75 e R$ 23.673,62. 92 Também é procedente o pedido para que sejam retirados do lançamento os seguintes valores correspondentes a devolução de cheques: 17 ?"' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo na. : 1 O 9 8 O . O 1 2 3 3 5 / 2 O O 3 - 9 9 Acórdão na. : 1 O 4 - 2 1 . 3 4 8 DATA VALOR FLS. PROCESS. FLS. ANEXO 12/05/1998 R$ 670,00 70 10 e 696 29/07/1998 R$ 500,00 71 15e 740 21/10/1998 R$ 500,00 73 21 25/09/1998 R$ 800,00 72 19 31/1211998 R$ 1.900,00 74 25 14/06/1998 R$ 1.600,00 83 39 93. Somente é incabível a exclusão da devolução de R$ 29,90, em 02110/1998, em razão de não haver sido considerado o redepósito desse valor, conforme demonstrativo de fl. 73 e extratos às fls. 20 e 770 do Anexo. 94. Em relação aos cheques alegados como referentes a depósitos efetuados junto a ltaim Comércio de Veículos Ltda, ou utilizados para o pagamento de contas dessa empresa, considera-se comprovado que: - o saque de R$ 2.750,00, efetuado em 04/02/1998 - fl. 215, foi depositado no mesmo dia na conta de empresa n° 42.208-90, fls. 4, 122 e 148 do anexo; - o cheque de R$ 17.000,00, sacado em 23/07/1998 - ft 221, corresponde ao depósito em dinheiro de R$ 12.500,00 e R$ 4.500,00 em contas diferentes da empresa, fls. 14, 58 (conta n° 02.632-84), 209/verso (conta n° 42.208-90) do anexo; - o cheque emitido em 04/08/1998, no valor de R$ 8.000,00 - fL 223, foi depositado em conta da empresa, fls. 16 e 219 do anexo (conta n° 42.208- 90). 95. No entanto, os cheques de R$ 9.485,73 (02103/1998 - fia 217/218), de R$ 7.680,00 (06/04/1998 - fls. 219/220), de R$ 2.000,00 (10/01/2000 - fls. 226/227), de R$ a 000,00 (13/01/2000 - fls. 230/231), de R$ 2.000,00 (17/01/2000 - fia 2321233), R$ 7.996,78 (14/0212000 - fls. 234/235), R$ 7.501,25(22/0212000 fls. 236/237), R$ 4.000,00(25/0212000 - fls. 238/239), R$ 19.400,00 (25/02/2000 - fls. 240/241), R$ 2.500,00 (01/03/2000 - fls. 242/243), R$ 8.400,00 (05/03/2000 - fls. 244/245), R$ 9.268,67(21/03/2000 - fls. 246/247), R$ 11.341,89(31/03/2000 - ft 248), R$ 5.357,07(14/04/2000 - fls. 249), R$ 35.000,00 (18/04/2000 - fls. 250/251), R$ 36.650,00 (19/04/2000 - fls. 252/253), R$ 4.000,00 (20/04/2000 - fl. 254), R$ 2599,70 (06/06/2000 - fl. 256), R$ 40.000,00 (12106/2000 - fl. 257), R$ 25.000,00 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 (20/06/2000 - fl. 258/259), R$ 10.000,00 (20/07/2000 fls. 260/261), R$ 2.893,56 (21/07/2000 - fl. 262/263), R$ 8.490,96 (31/07/2000 - fl. 264), R$ 10.000,00 (06/09/2000 - fls. 265/266), R$ 1.840,00(05/12/2000 - fl. 267), R$ 4.554,60 (20/09/2000 - ft 268), R$ 10.000,00 (28/09/2000 - lis. 269/270), R$ 2000,00 (22/09/2000 fls. 271/272), R$ a 700,00(06/10/2000 - fls. 273/274), R$ 3.906,00 (05/12/2000 fls. 276/277), R$ 7.000,00 (05/12/2000 - fls. 278/279), respectivamente nominais a Zaitter Administração de Consórcios S/C Ltda., Jane Batista, Guaracy Prestes Ribas, Gilberto Amanap, A venturoso Comércio e Serviços de Alimentação Ltda., Slavieiro Decisão, Servopa Administração Consórcios S/C Ltda., Maria Keppen, Leonardo Klemm Junior, Noel A. Rosa, Prefeitura Municipal de Curitiba, Slavieiro Decisão Administração Consórcios S/C Ltda., Servopa Administração Consórcios S/C Ltda., American Express do Brasil Tempo & Cia, ilegível, Miguel Antônio Slowk, João Antônio Adriano da Silva, Zaitter Administração de Consórcios S/C Ltda., Gustavo Adolfo Franco Bueno Neto, Fabio de Almeida, Leonardo Salomão, Servopa Administração Consórcios S/C Ltda., Slavieiro Decisão Administração Consórcios S/C Ltda., Everaldo Vicente de Souza, Giovani A. Jakybalis, Servopa Administração Consórcios S/C Ltda., Everaldo Vicente de Souza, Everaldo Vicente de Souza, Everaldo Vicente de Souza, Fabio de Almeida, Giovani A. J akybalis, não podem ser deduzidos do lançamento, em razão da ausência de comprovação de relação entre os beneficiários e a empresa do autuado, sendo que tais pagamentos sequer constam dos livros contábeis apresentados, fls. 419 a 529 do anexo. 96.Saliente-se que, como o contribuinte adquiriu, em 05/04/2000 - fls. 14 e 15, veículo próprio por meio de consórcio da Servopa, os cheques nominais a essa empresa provavelmente referem-se a despesas pessoais e não da pessoa jurídica. 97.Da mesma forma, não podem ser retirados do auto de infração, apesar de nominais ao autuado, os cheques de R$ 9.000,00, emitido em 09/10/1998 - lis. 224 e 225, e de R$ 8.500,00, com data de 19/10/2000 - fl. 275, por estar consignado no verso que a finalidade deles era efetuar °DOC" para Yataro Na gano e Via Norte, respectivamente. 98.O cheque de R$ 1.900,00 (07/01/2000) também não pode ser excluído do lançamento porque, embora nominal ao autuado - fls. 228 e 229, foi depositado na conta corrente n° 407.814-7, que não consta do processo como pertencente ao autuado ou à sua empresa. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 99.Os R$ 56.000,00 sacados por meio de cheque em 01/06/2000, por não terem como contrapartida depósito em dinheiro em nenhuma das três contas bancárias da pessoa jurídica (n 2 2.569-20, n° 2.632-84 e n° 42.208-90) não podem ser retirados do auto de infração, fls. 38,92,115 e 314 do anexo. 100.O contribuinte também tem razão ao alegar que os rendimentos declarados no ajuste anual, fls. 08 a 15, devem ser considerados como origem dos depósitos bancários, pois não seria lícito o Fisco supor que tais valores não circularam por sua conta bancária. No entanto, os rendimentos dos aluguéis devem ser considerados pelos valores mensais líquidos, R$ 1.740,00 em 1998 e R$ 1.737,50 em 1999, pois houve retenção de IR na fonte, conforme registros contábeis, fls. 454 a 467e 5148 524 do anexo. 101.Saliente-se que tais rendimentos e os cheques devolvidos identificados nesse voto só serão considerados em relação aos meses em que foi apurada a existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. Cabe ressaltar também que os valores excluídos de meses posteriores a abril de 2000 não serão retirados do lançamento em razão de não haver depósitos bancários questionados após essa data. 102.Embora se discorde do procedimento adotado no lançamento de se aproveitar, no mês posterior, os saldos excedentes de débitos sobre créditos, fls. 79 e 93, como é vedado a esta instância julgadora agravar lançamentos, os valores consignados como não comprovados no auto de infração não serão majorados, ressalvando-se porém o direito de a Fazenda Pública efetuar novo lançamento, enquanto não atingida a decadência. 103.Dessa forma, o valor da omissão de rendimentos apurada para os anoscalendário de 1998 e 2000 passa a ser de R$ 149.149,71 e R$ 239.057,11, respectivamente, conforme demonstrado a seguir:" mês lançado devolv. Rend.PF Rend.PJ ITAIM mantido Fev/98 3.169,50 4.000,00 2.640,00 2.750,00 Mar/98 35.660,00 5.000,00 2640,00 28.020,00 Mai/98 7.247,82 670,00 5.000,00 2.640,00 JuU98 2.087,83 500,00 5.000,00 2.640,00 17.000,00 Abo/98 65.850,00 5.000,00 2.640,00 8.000,00 50.120,00 Dez/98 80.559,71 1.900,00 6.000,00 2.640,00 70.019,71 TOTAL 148.249,71 Jan/00 117.897,50 6.000,00 2.637,50 109.260,00 Fev/00 119.373,94 6.000,00 2.637,50 Mar/00 4.229,26 6.000,00 2.637,50 Abr/00 27.698,17 6.000,00 2.637,50 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 1 1 1 TOTAL t239.057,11 1 Sobre a utilização da taxa Selic, a DRJ/CURITIBA/PR não acolheu as alegações da defesa. Destacou que a exigência dos juros com base na taxa "significa apenas uma adequação desses juros aos valores de mercado". Recurso Irresignado com a decisão de primeira instância, da qual tomou ciência em 11/08/2004, o Contribuinte apresentou em 10/09/2004 o recurso de fls. 320/365, onde reproduz, em síntese, as mesmas alegações e argumentos da Impugnação, com algumas considerações adicionais, a seguir resumidos. Insurge-se contra o fundamento da decisão recorrida no sentido de que não lhe competia examinar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Diz que, com tal fundamento, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância esquivou-se de examinar questões importantes, como, por exemplo, se a lei nova que autorizou a utilização dos dados da CPMF poderia (ou não) retroagir para alcançar fatos anteriores a sua vigência. Anota que o Auto de Infração não comprova que o Contribuinte tenha auferido rendimentos não oferecidos à tributação; e que o lançamento de baseia em depósitos bancários cujas origens, apontadas pelo Contribuinte, o Fisco reluta em aceitar. Reitera e reforça argumentos no sentido de que foram utilizados dados bancários antes mesmo da abertura de procedimento fiscal, o que violaria as próprias normas administrativas relativamente à matéria. No mérito, repete os argumentos da Impugnação e destaca que da 21 gr, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 totalidade dos recursos financeiros que transitaram por suas contas, apenas uma parcela ínfima foi considerada não comprovada pela Fiscalização e defende que, nesse caso, estaria comprovada a origem dos recursos. Repete pedido feito nas razões adicionais acima relatada de que seja afastada a incidência dos juros Selic a multa de ofício, por falta de previsão legal. "PRELIMINARMENTE seja o Auto de Infração considerado totalmente inválido: a) por vício insanável de origem, eis que iniciado com base na movimentação bancária do contribuinte, e não com base em procedimento fiscal previamente existente, ofendendo assim, teor do que determinam os artigos 3° e 142, parágrafo único, do CTN, o artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e o Decreto n°3.724/2001, que o regulamentou; b)por aplicação retroativa indevida, aos anos-calendário, de 1998 e 2000, do disposto na Lei n° 10.174, de 09/10/2001, que altera a norma legal contida no § 3° do artigo 11 da Lei nO 9.311/1996, que proibia os procedimentos fiscais e a constituição de créditos tributários de impostos ou contribuições com base nas informações relativas à arrecadação da CPMF, ofendendo com isso os artigos 3°, 97, 142, 144 e 148 do CTN; c) em qualquer hipótese, com amparo no artigo 150, § 4°, do CTN, combinado com o § 2° do artigo 2° e inciso I do artigo 849 do RIR/1999 e art. 42 § 1°, da Lei n° 9.430/1996, em que se apoiou o Auto, sejam excluídas da tributação, em qualquer hipótese, as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos até 30/11/1998, eis que já atingidos pela decadência quando da lavratura do Auto em 23112/2003. NO MÉRITO, requer-se: 1) seja considerado indevido o Auto de Infração, em sua totalidade, por não ter, a Autoridade Lançadora, apresentado qualquer evidência, e muito menos prova, da existência de acréscimo patrimonial ou sinal exterior de riqueza por parle do contribuinte, ou qualquer outro fato ou prova de omissão de rendas ou proventos, que pudesse ensejar a exigência de imposto de renda, a teor do que dispõem o art. 43 e 44 do CTN, combinados 22 1.1,'Op MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 com os artigos 845, inciso II, e seu §1°, e 846, do RIR/1999; 2) em qualquer hipótese, sejam excluídos da tributação: a) dentre os valores relacionados no subitem 11.3.3.1 da impugnação, R$ 26.165,73 no ano-calendário de 1998 e de R$ 356.409,52 no ano-calendário de 2000, cujos comprovantes de origem não foram acolhidos pela Decisão, às fls. 305, itens 94 a 96, sob alegações descabidas, conforme acima demonstrado; b) os juros de mora cobrados com base na taxa SELIC, por inaplicáveis como juros mora tórios, por se revestirem de natureza remunerató ria e especulativa; c)os juros de mora com bas5fna taxa SEL1C sobre qualquer parcela de multa porventura remanescente na exigência fiscal. É o Relatório. 23 /§ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 VOTO Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Fundamentos O litígio subsiste apenas e relação à infração Omissão de Rendimentos apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que, quanto à outra infração não se insurgiu o contribuinte. O Recorrente argúi preliminares de nulidade do lançamento por vícios no procedimento e por utilização dos dados da CPMF como base para o lançamento e, ainda, preliminar de decadência em relação ao ano de 1998. Deixo de apreciar essas preliminares em razão da decisão de mérito, como se verá adiante. Como relatado, trata-se de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei n 2 9.430, de 1996. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, a autoridade lançadora, em detalhado relato da matéria tributável, os depósitos realizados nas contas do Contribuinte somaram, em 1998 e 2000, R$ 1.441.525,86 e 1.644.977,87, respectivamente. Relatou também que constatou, pelo exame dos documentos apresentados, que em cada um desses anos saíram dessas contas, para pagamentos por conta da empresa ITAIM COM. DE VEÍCULOS LTDA. da qual 24 4. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 o autuado é sócio, respectivamente, R$ 1.246.951,00 e 1.375.779,00 e que o lançamento refere-se à diferença entre esses valores. Na decisão de primeira instância foram feitas, ainda, outras exclusões, da mesma forma considerando a comprovação e retiradas dessas contas para pagamentos em favor da mesma empresa. Esses fatos colocam no cerne da discussão deste processo, a seguinte questão: considerando a evidente relação entre os depósitos bancários e a atividade da empresa da qual o autuado é sócio -cerca de 85% dos depósitos foram considerados como comprovadamente vinculados a essa atividade — pode-se considerar comprovada a origem dos depósitos bancários na sua totalidade ou seria indispensável a comprovação individualizada de todos e cada um dos depósitos, mantendo-se a presunção de omissão de rendimentos em relação aos depósitos remanescentes. Entendo que, com a evidente vinculação da maioria esmagadora dos depósitos com atividade econômica identificada, resta comprovada a origem dos depósitos na sua totalidade, não devendo prosperar o lançamento em relação apenas à parcela residual dos depósitos. Primeiramente, não tenho dúvidas de que é perfeitamente compatível com o que dispõe o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996 e, mais do que isso, satisfaz plenamente o sentido e o alcance dessa norma, a possibilidade de comprovação da origem dos depósitos bancários por critério que vá além da rigorosa exigência de vínculo preciso e individualizado entre os depósitos e a origem alegada destes depósitos. Para maior clareza, transcrevo a seguir o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996. Lei n2 9.430. de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os 25 3C-N0 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1 2 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 22 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 32 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei n2 9.481, de 13.8.97) § 42 Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n 2 10.637, de 30.12.2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei n2 26 .7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 1 O 9 8 O . O 1 2 3 3 5 / 2 O O 3 - 9 9 Acórdão n2. : 104-21.348 10.637, de 30.12.2002) É evidente que, na comprovação da origem dos recursos, a vinculação entre origem e créditos, com coincidência de datas e valores, como regra geral, é necessária, por um imperativo lógico. É dizer, em princípio, para se comprovar que o recurso creditado em uma conta corrente teve uma origem determinada deve-se relacionar de alguma forma essa origem com aqueles depósitos e, para tanto, faz-se necessário relacionar os elementos caracterizadores de um e de outro que são, basicamente, o valor e o momento em que saiu da origem e foi para o destino. Nesse sentido, alegações genéricas de que os depósitos tiveram tal ou qual origem sem vinculação dos depósitos a elas não devem ser acolhidas, como não tenho acolhido em meus votos desde que estou nesta Câmara. Todavia essa lógica não pode ser levada ao extremo de se pretender que, diante de elevada movimentação financeira exija-se que, sempre e necessariamente, todos os depósitos tenham suas origens comprovadas, de forma individualizada, com coincidência de datas e valores. É dizer, diante de elevada movimentação financeira em que se tem elementos concretos para concluir, com segurança, que essa movimentação teve origem em determinada atividade exercida pelo contribuinte, tendo-se, inclusive, identificado a relação entre origens e créditos para a maioria dos depósitos, não me parece razoável que se mantenha a presunção de omissão de rendimentos em relação à fração remanescente dos depósitos. É precisamente essa a situação deste processo. A própria autoridade lançadora identificou de forma cabal que as contas movimentavam recursos originários da empresa ITAIM, da qual o Autuado é sócio, tanto que excluiu da totalidade dos depósitos por entendem comprovada a origem, cerca de 85% dos depósitos. 27 e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 Ora, os elementos constantes dos autos, analisados conjuntamente, são suficientes para me convencer de que a origem dos depósitos bancários depositados no contribuinte é sua atividade da empresa ITAIM, que opera no ramo de comercialização de veículos, sendo perfeitamente razoável, considerando as circunstâncias dos autos, que o Contribuinte não logre comprovar a vinculação de todos e de cada um dos depósitos com essa atividade econômica. E, entendo, não é isso que a lei exige. No presente caso, inclusive, o próprio lançamento deixa de analisar os depósitos individualizadamente, ao excluir dos créditos que comporiam a base de cálculo valores referentes a gastos em favor da empresa e não depósitos especificados cuja origem tenha considerado comprovada, adotando critério não expressamente previsto no art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996. Isto é, reconhece que a movimentação financeira é na sua maior parte, relacionada à atividade da referida empresa, e adota um critério próprio para separar o que entende que seria dessa atividade e o que não seria. Penso que diante da comprovação cabal de que a quase totalidade dos depósitos tem origem identificada, falece fundamento para a presunção de que a parcela residual seja proveniente de omissão de rendimentos. Nesse sentido, convém lembrar que não são os próprios depósitos bancários que se constituem o fato gerador do imposto. Trata- se de presunção legal. Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3' Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): 28 çá. • .1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 "As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei." E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é prováver e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural existente entre estes dois fatos". Ora, diante dessa definição, impõe-se a seguinte indagação: nas circunstâncias acima referidas, o que é mais provável, que o valor residual dos depósitos tenha origem em omissão de rendimentos ou que tenha a mesma origem dos demais depósitos. Não tenho dúvidas em apontar a segunda hipótese. Recordo que esta Câmara já decidiu nesse mesmo sentido, em situação semelhante, em processos em que fui relator. Refiro-me aos Acórdãos n 2 104-20410, de 26/01/2005 e 104-20584, de 13/04/2995. A seguir reproduzo a ementa do primeiro: IRPF. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. COMPROVAÇÃO. A comprovação por parte do contribuinte do exercício regular de atividade econômica e da relação entre essa atividade e os créditos/depósitos bancários realizados em suas contas correntes afasta a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem 29 • a .. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.012335/2003-99 Acórdão n2. : 104-21.348 não comprovada? Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões (DF), 26 de janeiro de 2006 Rad? r) P R Ar20 PEREIRA BARBOSA 30 Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.002833/99-89
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58 - Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, no exercício financeiro de 1996 e seguintes, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social
Numero da decisão: 107-06.460
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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Z. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9; SÉTIMA CÂMARA -gfrp Lam-4 Processo n°. : 10950.002833199-89 Recurso n°. : 122.229 Matéria : I RPJ e CONTRBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - Ex: 1996 Recorrente : SOALGO SOCIEDADE ALGODOEIRA PARANAENSE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida: DEU em FOZ DO IGUAÇÚ - PR Sessão de : 07 de novembro de 2001 Acórdão n°. : 107-06.460 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58 - Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, no exercício financeiro de 1996 e seguintes, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por SOALGO SOCIEDADE ALGODOEIRA PARANAENSE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • d. cup s •, ES RESIDENTE P ROB TO CORTEZ RELPflOR O DEZ 2001FORMALIZADO E : e • Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ, NATANAEL MARTINS, MAURILIO LEOPOLDO SCHMITT (Suplente convocado), FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, LUIZ MARTINS VALERO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente, justificadamente, 47 o Conselheiro EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS. 12- 2 Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 Recurso n°. : 122.229 Recorrente : SOALGO SOCIEDADE ALGODOEIRA PARANAENSE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO SOALGO SOCIEDADE ALGODOEIRA PARANAENSE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 123/134, da decisão da lavra do Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Foz do Iguaçú - PR, que julgou procedente o crédito tributário consubstanciado nos Autos de Infração de IRPJ, fls. 79 e Contribuição Social, fls. 83. A exigência fiscal refere-se ao ano-calendário de 1995, tendo sido constituída em razão da não observação ao limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, conforme impugnação de fls. 89/98. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu pela manutenção do lançamento, nos termos da sentença n° 057, de 19/01/00 (fls. 103/112), cuja ementa tem a seguinte redação: `RH Ano-calendário: 1995 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS - LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Para determinação do lucro real e da base de cálculo da çContribuição Social sobre o Lucro, nos períodos de 3 fie . _ _ _ Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 apuração do ano-calendário de 1995 e seguintes, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em até trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social (Lei n° 8.981/95, artigos 42 e 58). LANÇAMENTO PROCEDENTE" Ciente da decisão monocrática em 01/02/01 (AR fls. 116), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 02/03/00, protocolo às fls. 123, onde reprisa os argumentos apresentados na defesa inicial. As fls. 198, o despacho da ARF em Umuarama - PR, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. É o Relatório. 4 _ Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, a matéria posta em discussão na presente instância trata da compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, sem respeitar o limite de 30% estabelecido pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95. Sobre o assunto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros julgados, vem decidindo que aquele diploma legal não fere os princípios constitucionais a que a recorrente se socorre. Assim, por exemplo, ao apreciar o Recurso Especial n° 188.855 — GO, entendeu aquela Corte ser aplicável a referida limitação na compensação de prejuízos, conforme verifica-se da decisão abaixo transcrita: "Recurso Especial n° 188.855— GO (98/0068783-1) EMENTA Tributário — Compensação — Prejuízos Fiscais— Possibilidade. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.94 não compensados, poderá ser utilizada nos anos subseqüentes. Com isso, a compensação passa a ser integral. Recurso improvido. RELATÓRIO O Sr. Ministro Garcia Vieira: Saga S/A Goiás Automóveis, interpõe Recurso Especial (fis. 168/177), aduzindo tratar-se de mandado de segurança impetrado com o intuito de afastar a limitação imposta à compensação de prejuízos, prevista nas Leis 8.981/95 e 9.065/95, relativamente ao Imposto de Renda e a ç Contribuição Social sobre o Lucro. f — _ --. . Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 Pretende a compensação, na íntegra, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, apurados até 31.12.94 e exercícios posteriores, com os resultados positivos dos exercícios subseqüentes. Aponta violação aos artigos 43 e 110 do CTN e divergência pretodana. VOTO O Sr. Ministro Garcia Vieira (Relator): Sr. Presidente: Aponta a recorrente, como violados, os artigos 43 e 10 do CTN, versando sobre questões devidamente pre questionadas e demonstrou a divergência. Conheço do recurso pelas letras "a" e "c". Insurge-se a recorrente contra o disposto nos artigos 42, 57 e 58 da Lei n° 8.981/95 e arts. 42 e 52 da Lei 9.065/95. Depreende-se destes dispositivos que, a partir de 1° de janeiro de 1995, na determinação do lucra real, o lucra líquido poderia ser reduzido em no máximo trinta por cento (artigo 42), podendo os prejuízos fiscais apurados até 31.12.94, não compensados em razão do disposto no caput deste artigo serem utilizados nos anos- calendário subseqüente (parágrafo único do artigo 42). Aplicam- se à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689/88) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as allquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 812 (artigo 57). Na fixação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. Como se vê, referidos dispositivos legais limitaram a redução em, no máximo, trinta por cento, mas a parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.94, não compensados, poderá ser utilizada nos anos subseqüentes. Com isso, a compensação passa a ser integral. Esclarecem as informações de fls. 65172 que: "Outro argumento improcedente é quanto à ofensa a direito adquirido. A legislação anterior garantia o direito à compensação dos prejuízos fiscais. Os dispositivos atacados não alteram este direito. Continua a impetrante podendo compensar ditos prejuízos integralmente. É certo que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art. 15 da Lei 9.065/95 impuseram restrições à proporção com que O estes prejuízos podem ser apropriados a cada apuração 6 r Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 do lucro real. Mas é certo, que também que este aspecto não está abrangido pelo direito adquirido invocado pela impetrante. Segundo a legislação do imposto de renda, o fato gerador deste tributo é do tipo conhecido como complexivo, ou seja, ele apenas se perfaz após o transcurso de determinado período de apuração. A lei que haja sido publicada antes deste momento está apta a alcançar o fato gerador ainda pendente e obviamente o Muro. A tal respeito prediz o art. 105 do CTN: 'Art. 105 — A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116.' A jurisprudência tem se posicionado nesse sentido. Por exemplo, o STF decidiu no R. Ex. n° 103.553-PR, relatado pelo Min. Octávio Gallotti, que a legislação aplicável é vigente na data de encerramento do exercício social da pessoa jurídica. Nesse mesmo sentido, por fim, a Súmula n° 584 do Excelso Pretório: 'Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano- base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.— Assim, não se pode falar em direito adquirido porque não se caracterizou o fato gerador. Por outro lado, não se confunde o lucro real e o lucro societário. O primeiro é o lucro líquido do preço de base ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pelo Regulamento do Imposto de Renda (Decreto-lei n° 1.598177, artigo 6°). Esclarecem as informações (fis. 69171) que: 'Quanto à alegação concernente aos arts. 43 e 110 do CTN, a questão fundamental, que se impõe, é quanto à obrigatoriedade do conceito tributado de renda (lucro) adequar-se àquele elaborado sob as perspectivas econômicas ou societárias. A nosso ver, tal não ocorre. A Lei 6.404116 (Lei das SIA) claramente procedeu a um corte entre a norma tributária e a societária. Colocou-as em compartimentos estanques. Tal se edepreende do conteúdo do § 2°, do art. 177: Art. 177 — (...) 7 Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 § 2° - A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras.' (destaque nosso) Sobre o conceito de lucro o insigne Ministro Aliomar Baleeiro assim se pronuncia, citando Rubens Gomes de Souza: 'Como pondera Rubens Gomes de Souza, se a Economia Política depende do Direito para impor praticamente suas conclusões, o Direito não depende da Economia, nem de qualquer ciência, para se tornar obrigatório: o conceito de renda é fixado livremente pelo legislador segundo considerações pragmáticas, em função da capacidade contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. Serve-se ora de um, ora de outro dos dois conceitos teóricos para fixar o fato gerador'. (in Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 1995, pp. 183/184). Desta forma, o lucro para efeitos tributários, o chamado lucro real, não se confunde com o lucro societário, restando incabível a afirmação de ofensa ao art. 110 do CTN, de alteração de institutos e conceitos do direito privado, pela norma tributária ora atacada. O lucro real vem definido na legislação do imposto de renda, de forma clara, nos arts. 193 e 196 do RIR/94, In verbis': 'Art. 193 — Lucro real é o lucro líquido do período-base ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n° 1.598177, art. 6°). (-) § 2° - Os valores que, por competirem a outro período- base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período-base em apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período-base competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, corrigidos monetariamente (Decreto-lei n° 1.598177, art. ‘b 6°, § 4°). f8 Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 Art. 196 — Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro do período-base (Decreto-lei 1.598/77, art. 6°, § 3°): III — o prejuízo fiscal apurado em períodos-base anteriores, limitado ao lucro real do período da compensação, observados os prazos previstos neste Regulamento (Decreto-lei 1.598/77, art. 6°).' Faz-se mister destacar que a correção monetária das demonstrações financeiras foi revogada, com efeitos a partir de 1°.1.96 (arts. 4° e 35 da Lei 9.249/95). Ressalte- se, ainda, quanto aos valores que devam ser computados na determinação do lucro real, o que consta de normas supervenientes ao RIR/94. Há que compreender-se que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art. 15 da Lei 9.065/95 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensaL Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributa-se. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer 'crédito' contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má autuação da empresa em anos anteriores'? Conclui-se não ter havido vulneração ao artigo 43 do CTN ou alteração da base de cálculo, por lei ordinária. A questão foi muito bem examinada e decidida pelo venerando acórdão recorrido (fls. 136/137) e, de seu voto condutor, destaco o seguinte trecho: 'A primeira inconstitucionalidade alegada é a impossibilidade de ser a matéria disciplinada por medida provisória, dado princípio da reserva legal em tributação. Embora a disciplina da compensação seja hoje 1g estritamente legal, eis que não mais sobrevivem os 9 Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 dispositivos da MP 812/95, entendo que a medida provisória constitui instrumento legislativo idôneo para dispor sobre tributação, pois não vislumbro na Constituição a limitação apontada pela Impetrante. O mesmo se diga em relação à pretensa retroatividade da lei e sua não publicação no exercício de 1995. Como dito, a disciplina da matéria está hoje na Lei 9.065/95, e não mais na MP n° 812/94, não cabendo qualquer discussão sobre o Imposto de Renda de 1995, visto que o mandado de segurança foi impetrado em 1996. Publicado o novo diploma legal em junho de 1995, não se pode validamente argüir ofensa ao princípio da irretroatividade ou da não publicidade em relação ao exercício de 1996. De outro lado, não existe direito adquirido à imutabilidade das normas que regem a tributação. Estas são imutáveis, como qualquer norma jurídica, desde que observados os princípios constitucionais que lhes são próprios. Na hipótese, não vislumbro as alegadas inconstitucionalidades. Logo, não tem a Impetrante direito adquirido ao cálculo do Imposto de Renda segundo a sistemática revogada, ou seja, compensando os prejuízos integralmente, sem a limitação de 30% do lucro líquido. Por último, não me convence o argumento de que a limitação configuraria empréstimo compulsório em relação ao prejuízo não compensado imediatamente. Para sustentar sua tese, a impetrante afirma que o lucro conceituado no art. 189 da Lei 6.404/76 prevê a compensação dos prejuízos para sua apuração. Contudo, o conceito estabelecido na Lei das Sociedades por Ações reporta-se exclusivamente à questão da distribuição do lucro, que não poderá ser efetuada antes de compensados os prejuízos anteriores, mas não obriga o Estado a somente tributar quando houver lucro distribuído, até porque os acionistas poderão optar pela sua não distribuição, hipótese em que, pelo raciocínio da Impetrante, não haveria tributação. Não nega a Impetrante a ocoffência de lucro, devido, pois, o Imposto de Renda. Se a lei permitia, anteriormente, que dele fossem deduzidos, de uma só vez os prejuízos anteriores, hoje não mais o faz admitindo que a base de cálculo do IR seja deduzida. C Pelo mecanismo da compensação, em no máximo 30%. io . . . Processo n°. : 10950.002833/99-89 Acórdão n°. : 107-06.460 Evidente que tal limitação traduz aumento de imposto, mas aumentar imposto não é, em si, inconstitucional, desde que observados os princípios estabelecidos na Constituição. Na espécie, não participo da tese da Impetrante, cuja 1 alegação de inconstitucionalidade não acolho. Nego provimento ao recurso? 1 A jurisprudência dominante deste Conselho caminha no sentido de que, uma vez decidida a matéria por Cortes Judiciárias Superiores (STJ ou STF) e conhecida a decisão por este Colegiado, seja esta adotada como razão de decidir, por respeito e obediência ao julgado do Poder Judiciário. Assim, tendo em vista as decisões emanadas do STJ e à orientação dominante neste Colegiado, reconhecendo que a compensação de prejuízos fiscais, a partir de 01/01/95, deve obedecer o limite de 30% do lucro real previsto no art. 42 da Lei n° 8.981/95, bem como da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social, estabelecida no art. 58 do mesmo diploma legal, deve ser mantida a presente exigência fiscal. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ç Sala das Sessões - DF, em 07 de novembro de 2001. P . LO - • Bt O CORTEZ 11 Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10983.005017/98-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPJ - SIGILO BANCÁRIO - MULTA POR NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO - Até o advento das Leis Complementares 104 e 105/2001, o artigo 38 da Lei nº 4.595/64 obriga as instituições financeiras a resguardar o sigilo das operações com seus clientes, salvo se o Poder Judiciário ordenar que as mesmas sejam reveladas ao Fisco Federal.
Recurso provido.
Numero da decisão: 105-13.460
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Barros Barbosa Lima, Fábio Tenenblat (Suplente convocado) e Verinaldo Henrique da Silva, que
negavam provimento.
Nome do relator: Daniel Sahagoff
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ementa_s : IRPJ - SIGILO BANCÁRIO - MULTA POR NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO - Até o advento das Leis Complementares 104 e 105/2001, o artigo 38 da Lei nº 4.595/64 obriga as instituições financeiras a resguardar o sigilo das operações com seus clientes, salvo se o Poder Judiciário ordenar que as mesmas sejam reveladas ao Fisco Federal. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-18T19:38:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-18T19:38:12Z; Last-Modified: 2009-08-18T19:38:12Z; dcterms:modified: 2009-08-18T19:38:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-18T19:38:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-18T19:38:12Z; meta:save-date: 2009-08-18T19:38:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-18T19:38:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-18T19:38:12Z; created: 2009-08-18T19:38:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-18T19:38:12Z; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-18T19:38:12Z | Conteúdo => •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10983.005017/98-13 Recurso n° : 125.004 Matéria : IRPJ — EXS.: 1994 a 1996 Recorrente : BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A Recorrida : DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC Sessão de : 22 DE MARÇO DE 2001 Acórdão n° : 105-13.460 IRPJ — SIGILO BANCÁRIO — MULTA POR NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO — Até o advento das Leis Complementares 104 e 105/2001, o artigo 38 da Lei n° 4.595/64 obriga as instituições financeiras a resguardar o sigilo das operações com seus clientes, salvo se o Poder Judiciário ordenar que as mesmas sejam reveladas ao Fisco Federal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Barros Barbosa Lima, Fábio Tenenblat (Suplente convocado) e Verinaldo Henrique da Silva, que negavam provimento. VERINALDO H -iáv IQUE DA SILVA - PRESIDENTE ã2(''FJÁf'62"k DANIEL SAHAGOFF - RELATOR FORMALIZADO EM: 23 AER 2001 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, MARIA AMÉLIA FRAGA FERREIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA e NILTON PÊSS. • r • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 Processo n° : 10983.005017/98-13 Acórdão n° : 105-13.460 Recurso n° : 125.004 Recorrente : BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A. RELATÓRIO BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO S/A, inscrita no CNPJ sob n° 61.694.865/0001-90, intimada a informar todas as operações nela realizadas por um determinado contribuinte (pessoa física), enviou ofício à DRF de Florianópolis negando-se a faze-lo. Alegou ela, Bolsa, ser equiparada, a instituição financeira (art. 18 § 1° da Lei 4.595/64) e informou que vinha atendendo às requisições das autoridades fiscais, julgando que assim o permitiam os parágrafos 50 e 6° 'do art. 38 da mesma Lei, mas que mudara essa interpretação, tendo em vista julgado unânime da Primeira Turma do Egrégio S.T.J. (R. Especial n° 37.566-5/RS) declarando que somente o Poder Judiciário poderia eximir as instituições financeiras do dever de segredo, mesmo existindo procedimento fiscal instaurado. O Sr. AFRF não acolheu as alegações da interessada e notificou-a (fis.04) a prestar as informações solicitadas, sob pena de, não o fazendo, ficar sujeita à multa prevista no art. 1003 do R.I.R. (Dec. 1041194). Inatendida essa notificação, foi aplicada a multa regulamentar de R$ 538,94 à Bolsa (fis.07). Remetido o processo a São Paulo (jurisdição da Bolsa), esta impugnou o lançamento, através de longo arrazoado, onde ampliou os argumentos inicialmente expendidos, estribando seu posicionamento na jurisprudência e na dou 'na. 01" ti !!' . .• e, . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 Processo n° : 10983.005017/98-13 Acórdão n° : 105-13.460 Os autos foram, então, devolvidos a Florianópolis, para que a DRJ daquela cidade apreciasse o assunto, o que foi feito através de longa e detalhada decisão, que terminou por julgar procedente a multa regulamentar. Inconformada, a Bolsa recorreu a este Conselho, efetuando o depósito de R$ 230,00, alinhando, no recurso, argumentos similares aos apresentados ao Julgador Monocrático, exceto por um fato novo: Alega a interessada que o presente processo decorreu de multa regulamentar de R$ 538,94, lavrada em 27 de outubro de 1998 e que, menos de um mês depois, sofreu ela nova autuação, desta feita pelo valor máximo R$ 2.694,81, decorrente do mesmo fato (recusa em prestar informações). Alegou, mais, que isto não foi mencionado na impugnação porque esta peça foi apresentada a 17 de dezembro de 1998 e a interessada só tomou conhecimento da segunda multa em 27 de setembro de 1999. É o Relatório. .3 (1, 1 • / , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 Processo n° : 10983.005017/98-13 Acórdão n° : 105-13.460 VOTO Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator Desde o Império, a legislação pátria, a doutrina e a jurisprudência tem protegido o sigilo bancário assegurando aos cidadãos o direito de não ter divulgados detalhes sobre sua fortuna, seus débitos, suas disponibilidades, etc e obrigando os bancos e instituições a eles assemelhados a assegurar tal sigilo, exceto se o requisitante das informações for o Poder Judiciário. O Código Penal de 1940, em seu artigo 154, já previa punição para os que revelassem a terceiros os segredos de que tivessem ciência em função de seu ministério, ofício ou profissão, aí incluídos, segundo a melhor doutrina, os banqueiros. A Lei de Reforma Bancária (Lei 4.595 de 31/12/94) reforçou a obrigatoriedade das instituições financeiras conservarem sigilo acerca de suas operações ativas e passivas e serviços prestados, dispondo, em seu artigo 38: "Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados § 50 - Os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Ao depois, foi editada a Lei n° 5.172 de 25/10/66 (Código Tributário Nacional), que, em seu artigo 197, dispõe: "Art. 197 — Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: fr 1fr -. ., .. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 Processo n° : 10983.005017/98-13 Acórdão n° : 105-13.460 II — os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras, Parágrafo único — A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão do cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão" Posteriormente, sobreveio a Constituição de 1988, que, em seu artigo 5°, dispôs: "Art. 5°- Todos são iguais perante a lei, X — São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" Por ocasião do advento do chamado "Plano Collor I", foi aprovada a Lei 8.021 de 1990 que dispôs em seu artigo 8°: "Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n° 4.595 de 31 de dezembro de 1994" Ao longo do tempo, a melhor doutrina e a jurisprudência quase unânime, apontam no sentido de que as expressões "processo instaurado" e "autoridade competente" constantes do parágrafo 5° do art. 38 da Lei 4.595/94 significam "processo judicial instaurado" e "autoridade judiciária competente" Bem assim, que o § Único do art. 197 do CTN veio reforçar esse entendimento e que, sendo a Lei da Reforma Bancária recepcionada pela Constituição de 1988, tem ela o caráter de Lei Complementar, não podendo ser derrogada pela Lei Ordinária 8.021/90. . è . • .0 á • '1 .a .e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6 Processo n° : 10983.005017/98-13 Acórdão n° : 105-13.460 Estou em que se assim não fosse, não teria sido necessária a edição das Leis Complementares n°s 104 e 105 de 2001, atos que autorizam o Fisco a quebrar o sigilo de informações e dados. Quanto ao aspecto constitucional, ou seja, se o inciso X do art. 5° da C.F. vedaria essa quebra de sigilo sem autorização judicial, é este o tema ora "sub-judice" no . Egrégio Supremo Tribunal Federal, face às Ações Diretas da Inconstitucionalidade propostas contra essas Leis Complementares 104 e 105/2001. Até que o STF julgue tais ações, as Leis Complementares estão em pleno vigor e o Fisco está autorizado a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, o que não ocorre no caso em tela, muito anterior a 2001, razão pela qual voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões — DF em 22 de março de 2001. Â&Cedd"44,2 DANIEL SAHAGOFF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005437/95-86
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 1998
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA - Não se toma conhecimento de recurso de ofício de decisão de primeira instância, previsto pelo artigo 34, I, do Decreto 70.235/72, com a redação da Lei nº 8.748/93, quando o crédito exonerado é inferior ao limite estabelecido pelo artigo 1° da Portaria MF Nº 333, de 11.12.97.
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 106-10207
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO POR NÃO ATINGIDO O LIMITE DE ALÇADA.
Nome do relator: Ana Maria Ribeiro dos Reis
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Recurso de oficio não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício por não atingido o limite de alçada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Dl airititigif- • OLIVEIRA P ANA rdiA RIBEIROldS REIS RELATORA FORMALIZADO EM: 1 7 JUL. 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, EDSON TEIXEIRA DA COSTA (Suplente) e ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO. Ausente momentaneamente o Conselheiro RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO e justificadamente o Conselheiro ROMEU BUENO DE CAMARGO. - - - - - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10945.005437/95-86 Acórdão n°. : 106-10.207 Recurso n°. : 14.222 Interessada : VALDIR SAMISTRARO RELATÓRIO Contra o contribuinte VALDIR SAMISTRARO foi lavrado o Auto de Infração de fls. 239/243 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios • de 1991 a 1995, exigindo-lhe o crédito tributário de 334.936,48 UFIR, tendo sido constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício, rendimentos recebidos de pessoa física decorrentes de aluguel, rendimentos da atividade rural e acréscimo patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, com base em depósitos em conta corrente bancária e aplicações em caderneta de poupança. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta tempestivamente a impugnação de fls. 252/282. O julgador de primeira instância julga o lançamento parcialmente procedente, salientando de início que não será apreciado o lançamento dos rendimentos omitidos recebidos de pessoa física e jurídica e provenientes da atividade rural, por não terem sido expressamente impugnados. Não acolhe o pedido de perícia, visto que o contribuinte não indicou perito nem tampouco formulou os quesitos que pretende ver respondidos. No mérito, conclui pela insubsistência de parte do lançamento relacionado com os depósitos em conta corrente, dado que o fato gerador não foi suficientemente provado, demonstrando os novos cálculos do acréscimo patrimonial a descoberto, ajusta o crédito tributário por força da IN SRF n° 46/97, reduz a multa 2 9( . , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10945.005437/95-86 Acórdão n°. : 106-10.207 por atraso na entrega da declaração de rendimentos, adequando-a à exoneração do imposto devido e também a multa de oficio para 75%, de acordo com a Lei 9.430/96, art. 4 0 , I. Face ao crédito tributário exonerado, recorre de ofício a este Conselho de Contribuintes, nos termos do artigo 34. I do Decreto 70.235/72, alterado pela Lei 8.748/93. Foram juntados às fls. 353/356 Intimação da Decisão e à fl. 357 o AR correspondente, em que consta como data da ciência 11.11.97. O despacho de fl. 360 dá conta de que foi aberto o processo 10945.012162/97-71, para o qual foi transferido o crédito tributário mantido. É o Relatório. )10. 3 ?;?/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10945.005437/95-86 Acórdão n°. : 106-10.207 VOTO Conselheira ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, Relatora De acordo com o Demonstrativo "B", constante às fls. 355/356 dos autos, o crédito tributário exonerado pela decisão recorrida é inferior a R$ 500.000,00, limite estabelecido pelo artigo 1° da Portaria MF N° 333, de 11.12.97, para o recurso de ofício previsto pelo artigo 34, I, do Decreto 70.235/72, com a redação da Lei 8.748/93. Portanto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso de ofício, por ser inferior ao limite de alçada. Sala das Sessões - DF, em 02 de junho de 1998 ANAkRal-gBâtDOS REIS 4 'ri . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10945.005437/95-86 Acórdão n°. : 106-10.207 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, do Primeiro Conselho de Contribuintes, Anexo II da Portaria Ministerial n° 55, de 16.03.98 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília - DF, em At, L4/a"-t-ga,:t2 D " IGLJÍÍDE OLIVEIRA • eik2—;51- *A SEXTA CÂMARA TY, Ciente em PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.002533/2005-63
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 303-34.727
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ´por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário,nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. •Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Me ee e • da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTE Imanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos e • voto do re 4P ANELIS D 4Ø. • ' - Presidi te IEL PE' n •S - Relato Participar. ain , a, do pv sente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fi " a, Nilton L z Bartoli, Tarásio Campeio Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro e Zenaldo Loibman. Processo n.° 10950.002533/2005-63 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.727 Fls. 39 Relatório Pela clareza das informações prestadas, adoto o relatório (f1.17) proferido pela DRJ — CURITIBA/PR, o qual passo a transcrevê-lo: "Trata apresente processo de auto de infração (1114), mediante o qual é exigido da contribuinte qualificada o crédito tributário total de R$ 200,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF relativa ao quarto trimestre de 2004. 2. O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração, &ft 14. • 3. Em 29/07/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 01, instruída com o documento do?. 02 (cópia de correspondência dirigida à Delegacia da Receita Federal em Maringá), onde solicita o cancelamento do auto de infração sob o argumento de que a entrega da DCTF teria ocorrido fora do prazo em razão do congestionamento de dados no site da Receita Federal na Internet (fato que, segundo alega, seria do conhecimento do Delegado da Dl?? em Maringá). 4dis fls. 06/09, cópia do contrato social e de sua 3" alteração. 5. À fi. 15, a Sacat - Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Dl?? em Maringá, de acordo com o item 2.31.1.4 do Maproc (Manual Prático de Formalização, Preparo, Julgamento e Movimentação do Processo Administrativo-Tributário), atesta a tempestividade da impugnação apresentada. Cientificada em 08.08.2006 da decisão de fls.16-21, a qual julgou procedente o lançamento, a empresa Contribuinte apresentou Recurso Voluntário e documentos (fls.25-35) 110 em 08.09.2006, reiterando, em síntese, as razões acima expostas. Em razão do Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal do Brasil n o 9, de 05 de junho de 2007 (DOU de 06/06/2007), afasta-se a exigência da garantia recursal, que nesse caso até já era dispensada em face do valor do crédito tributário em discussão. É o Relatório. Processo ri? 10950.002533/2005-63 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.727 Fls. 40 Voto Conselheiro MARCIEL EDER COSTA, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A exigência objeto deste processo refere-se à multa por atraso na entrega da DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Diga-se inicialmente, no que conceme à legalidade da imposição, que a jurisprudência dominante no Conselho de Contribuintes como também no STJ- Superior Tribunal de Justiça, à qual me filio, é no sentido de que de nenhuma forma se feriu o principio da reserva legal. • Neste sentido os votos do eminente Ministro Carda Vieira, nos julgamentos da Primeira Turma do STJ do REsp 374.533, de 27/08/2002; do Resp 357.001-RS, de 07/02/2002 e do Resp 308.234-RS,de 03/05/2001, dos quais se extrai a ementa seguinte: "É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da DCTF, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes jurisprudenciais." Assim, o simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A alegação de que o site da Secretaria da Receita Federal estava congestionado restou comprovada pelo Ato Declaratério Executivo SRF n° 24 de 08.04.2005, mas o mesmo não ocorre quanto à negativa do recebimento por parte da Delegacia de origem. Ressalte-se que em nenhum momento a Recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo com os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". CONCLUSÃO Desta forma, voto ri' - ...do de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário mantendo a aplicação da questão. É como V tO. lya ysetem: o de 2007 •t -3E. 4,1 -Relat. Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002507/95-17
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Não se conhece de recurso voluntário interposto, na hipótese de ter o contribuinte privilegiado a via judicial.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 102-43548
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO.
Nome do relator: Ursula Hansen
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SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10980 002507/95-17 Acórdão n° 102-43 548 Recurso n° 115.339 Recorrente BANCO BAMERINDUS DO BRASIL S/A RELATÓRIO BANCO BAMERINDUS DO BRASIL S/A, inscrito no CGC/MF sob o n° 76 543 115/0001-94, recorreu a este Colegiada de decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, PR, que "não tomou conhecimento da impugnação, por se tratar de matéria em discussão na esfera judicial, que importa em renúncia às instâncias administrativas." Nos termos do Auto de Infração de fls. 04/05 e com base no disposto no artigo 9° do Decreto-lei n° 2.303/86 foi exigido do contribuinte o recolhimento de multa no valor de R$ 459,20, por falta de fornecimento de informações Em sua impugnação tempestiva, através de procurador devidamente constituído, alega a impossibilidade de fornecimento das informações solicitadas por implicarem em quebra de sigilo bancário, previsto na Lei n° 4.595/64. Aduz estar discutindo a legalidade e constitucionalidade das multas aplicadas com base junto ã Justiça Federal, através de Ação Declaratória Restando comprovado tratar-se de matéria sub judice, a digna autoridade a quo considerou definitiva a exigência da multa consignada no Auto de Infração, continuando na sua cobrança observada a decisão judicial Inconformada com a intimação para recolher os valores aos cofres da Fazenda Nacional ou, alternativamente, efetuar a complementação do valor do depósito judicial, interpõe recurso a este Colegiada juntado às fls 40/44 e instruído , com os anexos de fis 45/49, pleiteando a reforma da decisã / 2 , MINISTÉRIO DA FAZENDA 4,- be-44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,,,, • :. ,y, :-.)n 1 :., SEGUNDA CÂMARA ->"-i" ,f ',•'e:>- Processo n° 10980 002507/95-17 Acórdão n° 102-43 548 Em atendimento ao disposto na Portaria MF n° 260, de 24/10/95, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas Contra-razões, juntadas às fls 51/53, requerendo "seja mantida a decisão censurada, pois que esta encontra em perfeita consonância com a legislação aplicável, subsistindo íntegra, por seus próprios e jurídicos fundamentos." tÉ o Relatóyr / L., 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .1 SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10980 002507/95-17 Acórdão n° 102-43 548 VOTO Conselheiro URSULA HANSEN, Relatora Requer o contribuinte seja conhecido e provido o recurso interposto para "a) com_ fundamento na preliminar, reconhecer a nulidade da decisão recorrida quanto à aplicação do Ato Declaratório COSIT 03/96 permitindo o conhecimento deste recurso em sua totalidade, b) reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, quer em razão das disposições da Lei n° 6.024 de 13 03 74 pela intervenção sofrida, quer em razão do disposto no art 151, II do CTN em face do depósito integral realizado em juizo, suspendendo-se a cobrança do débito até julgamento final da Ação Ordinária n° 94.0007660-6, onde se discute o mérito do presente débito " A Constituição da República Federativa do Brasil dispõe, em seu artigo 5° que "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes . . . "LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes," Por outro lado, o Decreto n° 70 235, de 6 de março de 1972 [Processo administrativo fiscal], em seu artigo 62 e parágrafo único dispõe "Art 62 - Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspen ão 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES { 4 SEGUNDA CÂMARA- I Processo n° 10980 002507/95-17 Acórdão n° 102-43.548 Parágrafo único Se a medida referir-se à matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso exceto quanto aos atos executórios" A garantia ao amplo direito de defesa diz respeito tanto à via administrativa quanto à judicial, prevalecendo esta sobre aquela. Considerando que o contribuinte propôs ação judicial contra a Fazenda, tendo como objeto a matéria em discussão na via administrativa e sobrepondo-se a via judicial à administrativa é de se entender que ocorreu a renúncia às instâncias administrativas o que importa, por conseqüência, na desistência de interposição de recurso Considerando que a circunstância de o contribuinte se dirigir ao Judiciário implica a desistência da via administrativa para solucionar o contencioso, Voto no sentido de não conhecer-se do recurso Sala das Sessões - DF, em 11 de dezembro de 1998 - NSEN 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.004957/2006-96
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. O registro de receitas a menor, nas Declarações Simplificadas, em todos os meses dos dois anos-calendário fiscalizados, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, é legítima a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic sobre os débitos tributários administrados pela SRF.
Numero da decisão: 107-09115
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Jayme Juarez Grotto
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SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10980.004957/2006-96 Recurso n° :157.072 Matéria : IRPJ E OUTROS — Exs.: 2004, 2005 Recorrente : MERCANTIBA SUPERMERCADO LTDA - EPP Recorrida : r TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 05 DE JULHO DE 2007 Acórdão n° :107-09.115 1 MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. O registro de receitas a menor, nas Declarações Simplificadas, em todos os meses dos dois anos-calendário fiscalizados, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, é legitima a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic sobre os débitos tributários administrados pela SRF. Recurso NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MERCANTIVA SUPERMERCADO LTDA — EPP. ACORDAM os Membros Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MARC* S I I IUS NEDER DE LIMA PRE D e NTE Etel—r-----CGROTTO LAT R FORMALIZADO EM: 1 n AGO 2007a n• - • c, MINISTÉRIO DA FAZENDA %* • : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo :10980.004957/2006-96 Acórdão :107-09.115 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ MARTINS VALERO, SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO (Suplente Convocada), • ALBERTINA SILVA ,SANTOS DE LIMA, HUGO CORREIA SOTERO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente, a Conselheira RENATA SUCUPIRA • 2 4, •'L MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo :10980.00495712006-96 Acórdão n° :107-09.115 Recurso n° :157.072 Recorrente : MERCANTIBA SUPERMERCADO LTDA — EPP. RELATÓRIO Em apreciação recurso voluntário interposto pela empresa MERCANTIBA SUPERMERCADO LTDA — CNPJ n° 03.587.35710001-06 - contra a decisão prolatada no Acórdão n°06-12.830, de 16 de novembro de 2006, da r Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba. Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, a empresa era optante do Simples, tendo sido excluída mediante Ato Declaratório Executivo da DRF/Curitiba, com efeitos a partir de 01101/2003, por excesso de receitas no ano- calendário 2002. Isso porque, em procedimento de Fiscalização, foi constatado que a receita bruta constante da escrituração da empresa dos anos-calendário 2002, 2003 e 2004 era superior ao valor registrado nas Declarações Anuais Simplificadas. Assim, o lançamento objeto deste processo, referente aos anos- calendário 2003 e 2004, foi realizado pela sistemática do Lucro Real, com apoio na escrituração e no LALUR apresentados pela autuada. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150%. Não se conformando com o lançamento, a autuada apresentou tempestiva impugnação, articulada da seguinte forma, em síntese: a. discorda da aplicação da multa de 150%, por contrariar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, por implicar confisco e por determinar a extinção pura e simples da empresa; b. Acresce ter fornecido à Fiscalização todos os documentos solicitados, e que a não-apresentação da declaração de rendimentos tem penalidade própria definida em lei, não podendo ser determinante da aplicação da multa qualificada; 3 ,t• -52% ,,:, MINISTÉRIO DA FAZENDA, t; ',1-̀ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :;:-,'zti" SÉTIMA CÂMARA Processo : 10980.004957/2006-96 Acórdão n° : 107-09.115 c. Aduz no sentido de que diversos dispositivos da Constituição Federal determinam que ao Estado cabe preservar o emprego, a atividade econômica e o bem estar social; cita julgado do TRF da 4 8 Região, segundo o qual eventuais atrasos em relação a prazos inicialmente estabelecidos ou mesmo subseqüentes, que explicitamente ou tacitamente foram prorrogados pela Fiscalização, culminado com a satisfação dos esclarecimentos demandados, não é suficiente para ensejar o agravamento da penalidade; d. argui ser convicção firme no Direito o principio da menor onerosidade, sendo uma das finalidades da Administração Pública a cobrança de tributos da forma menos gravosa, e que as empresas de pequeno porte gozam de proteção da lei, devendo o Estado propiciar esta proteção, e não torná-la objeto de confisco; e. por fim, alega que os juros de mora não devem exceder a 1% ao mês. As fls. 315/317 e 340/342, consta Termo de Transferência da parcela do crédito tributário não impugnado, qual seja, o valor do principal exigido a titulo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Portanto, restou no processo a exigência da multa de oficio e dos juros de mora com base na taxa Selic. Analisando o feito, a 2 a Turma da DRJ/Curitiba considerou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n° 06-12.830, de 16 de novembro de 2006, cuja ementa tem a seguinte dicção. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê- lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 4 , • I. 44 -t • MINISTÉRIO DA FAZENDA t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARA Processo : 10980.004957/2006-96 Acórdão n° : 107-09.115 Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao deixar de declarar, deliberada e persistentemente, mais de noventa por cento da receita bruta auferida. JUORS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. PIS. COF1NS e CSLL. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, à Co fins e à CSLL. Não concordando com a decisão, a empresa apresentou recurso a este Conselho, articulada da seguinte forma, em síntese: a. citando o art. 113 do CTN, alega que a obrigação tributária não se limita ao pagamento dos tributos apurados, mas também envolve situações acessórias, como a escrituração dos aspectos contábeis da empresa e a elaboração de livros, enfim, a organização dos elementos no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos; b. diz que, a despeito do equívoco no tocante ao lançamento dos valores nas Declarações Simplificadas, a empresa sempre cumpriu com as demais obrigações tributárias, manteve a regular escrituração contábil e não impôs nenhum obstáculo à Fiscalização, tanto que foi possível ao agente fiscal verificar o erro cometido; c. assim, entende restar afastada a alegada intenção de fraudar o Fisco, não estando configurado o suposto "dolo" que justificou a aplicação da multa de 150%, mesmo porque não foram encontradas omissões, lacunas ou apontamentos indevidos na escrituração contábil da empresa; d. diz que a previsão legal da multa de 150%, que exige a caracterização do dolo, é exceção à regra geral de responsabilidade por infrações, que independe da 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA i .or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo :10980.004957/2006-96 Acórdão n° :107-09.115 intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; e. argui que a hipótese em causa é a do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que nada mais ocorreu senão a inexatidão das informações prestadas nas declarações, enquanto que a escrituração contábil da empresa encontra- se absolutamente regular, não tendo havido qualquer intenção de fraude, que não pode ser presumida apenas porque as declarações apresentam informações inexatas; f. em extenso arrazoado, citando tributaristas e jurisprudência judicial, alega que a aplicação da multa de 150% tem evidente efeito confiscatório, proibido pela Constituição Federal, impondo-se a sua redução ao percentual de 20% previsto como limite pelo art. 61, § 2°, da Lei n°9.430, de 1996. É o Relatório. 6 ts; • ;;;,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo :10980.004957/2006-96 Acórdão n° : 107-09.115 VOTO Conselheiro - JAYME JUAREZ GROTTO, Relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos para prosseguimento. Dele tomo conhecimento. Como se observa do relatório, o litígio prende-se à multa de oficio, aplicada no percentual de 150%, e à exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Quanto à multa de oficio, tem previsão no art. art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- ...omissis 11 - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (Grifei). Os arts. 71, 72 e 73, da Lei n°4.502, de 1996, por sua vez, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do 7 - -t • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4-'4Y:ti. SÉTIMA CAMARA Processo :10960.004957/2006-96 Acórdão n° :107-09.115 fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso dos autos, constata-se que nas Declarações Simplificadas, a autuada registrou, em todos os meses dos anos-calendário 2002, 2003 e 2004, receita bruta substancialmente inferior (menos de 10%) à efetivamente recebida, escriturada nos livros fiscais e na própria contabilidade. . A reiteração do registro a menor de receitas indica, indubitavelmente, não se tratar de simples erro no preenchimento das Declarações Simplificadas, mas sim que a autuada agiu com consciência e vontade, no sentido de procurar impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração, o que demonstra o dolo e justifica a caracterização do evidente intuito de fraude e a conseqüente qualificação da multa. No que se refere ao limite de 20% de que trata o § 2° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, aplica-se apenas à multa de mora, prevista para o caso de pagamento espontâneo do tributo em atraso, que não é o caso de que se cuida. Quanto às questões de inconstitucionalidade levantadas pela recorrente, falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Esse assunto já foi sumulado neste Conselho, nos seguintes termos: Súmula 1°CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes ncio é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8 e K. MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 j' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo :10980.004957/2006-96 Acórdão n° :107-09.115 • Especificamente em relação ao princípio do não-confisco, é dirigido ao Poder Legislativo, que o deve observar quando da feitura das leis. Uma vez editada a norma legal, a análise da sua constitucionalidade fica afeta ao Pode Judiciário — que poderá reconhecer ou não o efeito de confisco -, e não administrativo. Logo, não cabe neste julgamento, como pretende a impugnante, o reconhecimento de invalidade da norma legal que institui a multa aplicada pelo Fisco — art. 44, II, da Lei n° 9 :430 -, a qual foi regularmente inserida no mundo jurídico. Quanto à cobrança de juros de mora calculados com base na Taxa Selic, está prevista no art. 61, § 30, da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a cobrança de juros, o art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Como se verifica, apenas quando a lei não dispuser de modo diverso, adotando outro percentual a titulo de juros de mora, é que se aplica o percentual de 1% ao mês. Assim, uma vez que a lei dispôs que os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic - para títulos federais, acumulada mensalmente, não merece acolhida a alegação de ilegalidade quanto à sua cobrança por essa taxa, sendo que, ademais, a natureza da taxa Selic em si não é relevante. O que importa é que, conforme expressa determinação legal, seu percentual foi adotado para o cálculo dos juros de mora. Ademais, a matéria já foi sumulada neste Conselho, nos seguintes termos: Súmula /° CC n° 4: A partir de /° de abril de 1995, os juros 9 — -,:. MINISTÉRIO DA FAZENDA„ t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n;e• SÉTIMA CÂMARA Processo : 10980.004957/2006-96 Acórdão n° :107-09.115 moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Dessa forma, entendo deva ser confirmada a exigência de juros com base na taxa Selic. Posto isso, voto por Negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 05 de julho de 2007. JA • J Ar GROTTO 10 Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.004477/99-44
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - É uma espécie do mesmo gênero a que pertencem os PDV (programas de desligamento voluntário) PDI (programas de desligamento incentivado) e outros com idênticas características e, portanto, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados em decorrência do mesmo não se sujeitam à incidência de imposto de renda, seja na fonte, seja por ocasião da Declaração de Ajuste Anual, visto terem natureza indenizatória por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. As verbas pagas a outros títulos por ocasião da rescisão, tais como abono de férias, férias pagas, gratificação de função, periculosidade, freqüência, etc. são, evidentemente, tributáveis.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-44297
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso.
Nome do relator: Daniel Sahagoff
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10980.004477/99-44 Recurso n°. 120.604 Matéria : IRPF - EX.: 1994 Recorrente : PLÍNIO DE CARL1 Recorrida : DRJ em CURITIBA - PR Sessão de : 06 DE JUNHO DE 2000 Acórdão n°. : 102-44.297 IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - É uma espécie do mesmo gênero a que pertencem os PDV (programas de desligamento voluntário) PDI (programas de desligamento incentivado) e outros com idênticas características e, portanto, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados em decorrência do mesmo não se sujeitam à incidência de imposto de renda, seja na fonte, seja por ocasião da Declaração de Ajuste Anual, visto terem natureza indenizatória por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. As verbas pagas a outros títulos por ocasião da rescisão, tais como abono de férias, férias pagas, gratificação de função, periculosidade, freqüência, etc. são, evidentemente, tributáveis. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PLÍNIO DE CARLI ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE DANIEL SAHAGOFF RELATOR FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÓVIS ALVES, VALMIR SANDRI, LEONARDO MUSSI DA SILVA, CLÁUDIO JOSÉ DE OLIVEIRA e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. Ausente, justificadamente, o Conselheiro MÁRIO RODRIGUES MORENO. MNS MINISTÉRIO DA FAZENDA a . • P!.. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10980.004477/99-44 Acórdão n°, ; 102-44,297 Recurso n°. :120.604 Recorrente ; PLÍNIO DE CARLI RELATÓRIO PLINIO DE CARLI, CPF 004.102.259-91, inconformado com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente o pedido de retificação da declaração de IRPF do exercício de 1994 e conseqüente pedido de restituição de fls.01 e seguintes, apresentou recurso a este Conselho O pedido de retificação foi para excluir dos rendimentos tributáveis e incluir nos isentos os valores que recebeu da Companhia Paranaense de Energia - COPEL, em decorrência de Plano de Incentivo à Aposentadoria, Plano esse definido na Circular 148/1987 da empregadora (fis.7), complementada pelas Circulares 001/91 e 130/92 (fis.8 e 9). Note-se que, ao retificar sua declaração, o contribuinte deveria computar como recebimento em decorrência do incentivo o valor de Cr$ 2.537.787.629 recebidos em 6/7/93, ou seja, 74.767,10 UFIR , mas erroneamente, tomou como base 91.974,82 UFIR (cálculo de fls. 15), incluindo verbas sujeitas à tributação. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba negou o pedido, o mesmo fazendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, basicamente porque a indenização recebida foi em decorrência de incentivo à aposentadoria e não incentivo ao desligamento voluntário 11111 É o Relatório. Itn 2 , MINISTÉRIO DA FAZENDA • f' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES N, • : SEGUNDA CÂMARA, Processo n°. 10980.004477/99-44 Acórdão n°, 102-44,297 VOTO Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator O recurso é tempestivo e não há preliminares a analisar. Para decisão da controvérsia, é preciso, em primeiro lugar, esclarecer que o RIR (Decreto n° 300/99) declara isentos os valores percebidos a título de indenização por despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Transcrevendo: "Artigo 39 - Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XX - a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço — FGTS (Lei n° 7,713/88 artigo 6° V e 8.036/90 artigo 28 )" Igual dispositivo constava dos Regulamentos de Imposto de Renda anteriores. A indenização isenta é a prevista na Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 477, que assegura ao empregado, quando "não haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho o direito de haver do empregado uma indenização." A própria C.L.T fixava essa indenização em I (hum) mês de remuneração por ano de serviço efetivo (artigo 478) indenização esta que, durante algum tempo, foi substituída pelo regime do FGTS. 3 dl! MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10980.004477/99-44 Acórdão n°.: 102-44,297 A partir de 1988, porém, com a promulgação da nova Constituição Federal, a situação se alterou novamente, pois seu art. 7° dispôs: "Artigo 7° - São direitos dos trabalhadores além de outros 1 - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos III fundo de garantia de tempo de serviço..." A partir de 1988, pois, o FGTS deixa de ser especifico para os que por ele optaram para ser um direito de todos os trabalhadores e volta o regime da proteção contra a despedida arbitrária, por meio de indenização compensatória, dentre outros direitos. Essa indenização compensatória está por ser definida, por Lei Complementar e, enquanto tal não ocorre, nos termos do artigo 10 das Disposições Constitucionais Transitórias fica ela fixa em quatro vezes o percentual do art. 6° da Lei 5107/66, conforme, aliás, dispôs a Lei 8036/90 em seu artigo 18. Da análise da legislação citada, percebe-se que o que o legislador quer impedir é a despedida imotivada, por razões de conveniência somente do empregador e totalmente alheias à vontade do empregado. Pretende a lei trabalhista impedir a despedida, ao tempo da CLT através do instituto de estabilidade e agora, sob a égide da Constituição de 1988, conferindo ao trabalhador proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos da lei complementar que preverá indenização compensatória dentre outros direitos. 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. . 10980.004477/99-44 Acórdão n°, 102-44,297 Como, até hoje, não foi promulgada essa lei complementar, limitar- se-ia a indenização compensatório aos 40% do saldo da conta do FGTS? E os outros direitos? É evidente que o campo da indenização não está restrito aos 40% do FGTS e tanto isso é verdade que as empresas desejosas de enxugarem os seus quadros, de preferência começando pelos mais velhos e pelos com maior tempo de serviço, criaram os tais PDS, PID, PIA, PVD, etc, através dos quais se propõem a pagar uma indenização proporcional ao tempo de serviço dos funcionários. Isto nada mais é que o reconhecimento de que os 40% do FGTS não são a única indenização a que fazem juz os trabalhadores pela perda de segurança representada pelo emprego. E as empresas indenizam por quê? Para, de alguma forma, incentivar o desligamento não desejado pelo empregado, a que se deu o enganoso adjetivo de "voluntário", não havendo, pois, como deixar de enquadrar os valores do "incentivo" como indenização, conforme previsto no artigo 477 da CLT, revigorado pela generalização do regime do FGTS. Aliás o caráter "punitivo" de aposentadoria não desejada pelo empregado era previsto pela CLT que autorizava o empregador a aposentar compulsoriamente o empregado homem estável aos 70 anos e mulher aos 65, mandando pagar indenização simples, a invés daquela em dobro. Na realidade, em todos esses "Planos" ou "Programas" há uma constante: rescinde-se o contrato de trabalho e essa rescisão não é desejada pelo empregado, que, por ter de engolir essa poção amarga, é indenizado, em proporção ao tempo de serviço. Esses planos tem características em comum: 5 ,- MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .; SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10980.004477199-44 Acórdão n°. 102-44.297 a) atingem um determinado universo de empregados; b) são limitados no tempo; c) oferecem uma indenização em troca da perda do emprego. Também o Poder Público, através de Lei 9468/1997 instituiu um Programa de Desligamento Voluntário de Servidores Federais, que, em seu artigo 14, considerou isentos os pagamento aos servidores decorrentes desse Programa. A partir dessa Lei, demitidos da iniciativa privada por força de programas similares passaram a recorrer ao Judiciário, solicitando isenção por isonomia com fulcro no art. 150 inciso II da Constituição Federal: "Artigo 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente de denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" O Poder Judiciário acatou tais argumentos, que, afinal foram consubstanciados em Parecer de Procuradoria da Fazenda Nacional de n° PGTN/CRJ/1278/98, aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda e publicado no DOU de 22/9/98. - Logo a seguir, o Sr Secretário da Receita Federal, através da IN SRF n° 165 de 31/12/98 reconheceu a não incidência de IR sobre verbas pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária para, logo depois, em 7/01/99, através do Ato Declaratório n° 3, declarar: 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA.f..; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10980.004477/99-44 Acórdão n°. :102-44.297 "O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 6° V, da Lei n° 7.773 de 22/12/1988 declara que: I - Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/ 1278/98 aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual," Verifica-se, pois, ao contrário do que entendem alguns, inexistiu renúncia fiscal, mas sim o reconhecimento de que as verbas pagas a título de incentivo ao desligamento nada mais são que indenizações trabalhistas e, como tal, isentas de IR, conforme dispõe a legislação (art. 40 do RIR de 1994 e art. 39 do RIR de 1999), respeitando-se, destarte, o disposto no art. 111 do C.T.N. (interpretação literal de legislação que outorga isenção). No Ato Declaratório está dito, também, que foram levadas em conta as reiteradas manifestações do Poder Judiciário que, é oportuno dizer, também em relação aos Planos de Incentivos à Aposentadoria vem considerando os pagamento feitos como indenização. Certamente considerando os argumentos supracitados, o Sr. Secretário da Receita Federal expediu, a 26 de novembro de 1.999, o Ato Deciaratório n° 95 para declarar que: ".... as verbas indenizatórias recebidas pelo empregado a título de incentivo à adesão ao Programa de Demissão Voluntária não se sujeitam à incidência de imposto de renda na fonte, nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada". 7 It k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA .;) Processo n°. :. 10980004477/99-44 Acórdão n°, :102-44.297 Assim, considerando tudo quanto foi exposto, admito a não incidência pleiteada, porém somente em relação à "gratificação especial" especificado no Programa de Incentivo à Aposentadoria de fis.7,8,9 e 9v, tributando- se as demais parcelas sujeitas ao imposto e constantes do documento de fls. 12, tais como salário adicional de tempo de serviço, gratificação de função, férias pagas, gratificação de produtividade, etc., etc., devendo a Delegacia "a quo" proceder a retificação e a conseqüente restituição somente no que se refere à citada "gratificação especial", conhecendo, pois, do recurso e, no mérito, dando-lhe provimento parcial. Sala das Sessões - DF, em 06 de junho de 2000. z iM,L7 DANIEL SAHAGOFF 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.003899/2003-98
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O exame da constitucionalidade de lei é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. O processo administrativo não é meio próprio para exame de questões relacionadas com a adequação da lei à Constitucional Federal. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Cabível a exigência da exação, quando o próprio contribuinte reconhece a ausência de seu recolhimento.
TAXA SELIC. CABIMENTO. Legítima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, nos moldes da Lei nº 9.065/95. MULTA DE OFÍCIO. A inadimplência da obrigação tributária, na medida em que implica descumprimento da norma definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a aplicação de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos, o que aqui se dá à razão de 75%. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-16596
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, que votou pela ilegalidade da Lei nº 9.718/98 frente o art. 110 do CTN.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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Segundo Conselho de Contribuintes Putfú:,ado no Ditrio Oficial da União De D IA 1 r(4- 01 Processo ne : 10950.003899/2003-98 Recurso n1 • 127.853 VISTO ar Acórdão n2 : 202-16.596 Recorrente : FRIGORÍFICO NAVIRM LTDA. Recorrida : DRJ em Curitiba - PR NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O exame da constitucionalidade de lei é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. O processo administrativo não é meio próprio para exame de questões relacionadas com a adequação da lei à Constitucional Federal. MINISTÉRIO DA FAZENDA COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Segundo Conselho de Contribui ORIGINA ntes Cabível a exigência da exação, quando o próprio contribuinte CONFERE COP4 O L Brasilia-DF, em 2/ I a ilagr reconhece a ausência de seu recolhimento. TAXA SELIC. CABIMENTO. • álksjjátafuji Legítima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de Seeretána da enuMe Ckmara mora, nos moldes da Lei n2 9.065/95. MULTA DE OFÍCIO. A inadimplência da obrigação tributária, na medida em que implica descumprimento da norma definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a aplicação de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos, o que aqui se dá à razão de 75%. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRIGORÍFICO NAVIRAÍ LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, que votou pela ilegalidade da Lei n2 9.718/98 frente o art. 110 do CTN. Sal; as Sessões, em de outubro de 2005. , • tomo Carlos Atul e Presidente D rde iranda Relator - Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Gustavo Kelly Alencar, Maria Cristina Roza da Costa, Raimar da Silva Aguiar e Antonio Zomer. 1 ‘fr, MINISTÉRIO DA FAZENDA r CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintesn:t É"- "stln N't Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM,0 CtBIGIMM,_ Fl. .:»Stt ‘;•- Bradai-DF. emSjli_ja Processo na : 10950.003899/2003-98 Recurso na : 127.853 sins%uza swonsKia Acórdão na : 202-16.596 Recorrente : FRIGORÍFICO NAVIRAí LTDA. RELATÓRIO Em 15/12/2003, foi lavrado contra a interessada o Auto de Infração de fls. 273 a 282, pela ausência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, referente áos fatos geradores dos períodos de fevereiro de 2000 a abril de 2002, junho e novembro de 2002. Inconformada, a interessada impugnou a autuação alegando, em apertada síntese, que: (i) é inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Cotins; (ii) é inconstitucional e ilegal a ampliação do conceito de faturamento; (iii) é forçosa a edição de lei complementar, para a ampliação de tal conceito de faturamento; (iv) há ofensa ao princípio da hierarquia das leis; (v) são inaplicáveis as disposições da EC n2 20/98, pois esta não teria convalidado a Lei n2 9.718/98; (vi) é inconstitucional o aumento das alíquotas da Cofins; (vii) há violação aos princípios da isonomia e da eqüidade; (viii) é ilegal a utilização da taxa Selic; e, (ix) a multa aplicada é desproporcional (fl. 219). A Terceira Turma da DRJ em Curitiba - PR julgou procedente o lançamento (Acórdão 6.097/2004 — fls. 373/386). A interessada, contra o aludido acórdão, recorre a este Colegiado repisando seus argumentos de impugnação ao auto de infração. O aludido apelo de fls. 391 e seguintes foi formalizado com o processo adminiStrativo'cle irrolainento de bens.' É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CC-MP Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. •.,')-t....cg• Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL „ Bolha-DE em_j_l_/..&_~ Processo : 10950.003899/2003-98 ,,eus ofkii Recurso 112 : 127.853 Salina de Snunds Cri! Acórdão n2 : 202-16.596 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, daí dele conhecer. • No que diz respeito às alegadas violações à Constituição Federal e aos princípios de ordem constitucional, albergados pela Carta Magna, impende esclarecer que neste particular meu voto é pela negativa de provimento ao recurso interposto, pois já restou pacificado o entendimento neste Segundo Conselho de Contribuintes que o "... exame da constitucionalidade de lei é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. O processo administrativo não é meio próprio para exame de questões relacionadas com a adequação da lei à Constituição Federal" (RV n2 115.601, Acórdão n2 203-08.431, relatora a Conselheira Lina Maria Vieira). Com relação a este entendimento, necessário ainda se faz observar que há posicionamento contrário e de ordem doutrinária' e jurisprudencial sobre a matéria em comento, ao qual, friso, no momento não me filio. - • • No que diz respeito à aplicação da Lei n 2 9.718/98, a anterior jurisprudência do - - Superior Tribunal de Justiça, que permitia a análise de sua legalidade sob o enfrentamento do art. 110 do Código Tributário Nacional, também restou alterada, pois o "mesmo órgão julgador, na recente sessão de 15/02/2005, nos REsp's 703.432/SP e 706.488, de relataria do Ministro Franciulli Netto, modificou seu entendimento para concluir que, como o conceito de faturamento encontra seu leito natural na própria Constituição Federal, não seria possível ao STJ analisar em nível infraconstitucional tal definição, ainda que por alegação de infringência ao art. 110 do CT1V ou outros dispositivos de lei federal."2 Com relação à imposição da multa de oficio, nos patamares em que fixada, consigno que a mesma está em conformidade com a jurisprudência deste Colegiado, pois a "multa de oficio, aplicada no lançamento, no percentual de 75%, teve por esteio o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, que trouxe a redução do percentual determinado no art. 4°, I, da Lei ?I' 8.218/91, ex vi do mandamento do art. 106, II, do C77V."3 Por fim e quanto à utilização da taxa Selic, este Colegiado já sedimentou o entendimento de que é legítima "... a aplicação da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC, para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei n° 9.065/95." (RV n2 120.829, Acórdão n2 202-14.576, Conselheiro-Relator Gustavo Kelly Alencar). 'Princípios do processo administrativo e judicial tributário', Alberto Xavier — RJ: Forense, 2005, l e edição, pp. 51 a 93. 2 Embargos de Declaração no Recurso Especial n 2 501.628-SC, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do S.T.J, acórdão publicado no D.J.U., 1, de 9/5/2005. . 'Acórdão n2 202-13.559, Recurso Voluntário ri! 107.789, Conselheira-Relatora Ana Neyle Olimpio Holanda. taaf 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CC o, Ministério da Fazenda Segundo Contento de ConbibutMes -MF te tir 'r Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C01400 Q81GlaSt_ Fl. 22.',(11..?k Brasido-DE em 2/ /..S_r Ja_2L-3, Processo n2 : 10950.003899/2003-98 euza kafuji Recurso & : 127.853 Seendena da Segunda Limara Acórdão n2 : 202-16.596 Nestes termos, voto pela negativa de provimento ao recurso voluntário manejado a este Segundo Conselho. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2005. DALT* - • 1" -Ia • *E MIRANDA • _ . _ _ _ 4 Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066600.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.000634/00-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO.
Laudos técnicos com valores completamente diferentes, feitos sem preenchimento de condições mínimas de confiabilidade, tais como pesquisa de preços de compra e venda de terras na região em número razoável, e sem anexção das fontes de consulta, não têm força probante suficiente para serem opostos a levantamento feito pela Administração Pública, com o concurso da Fundação Getúlio Vargas.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 301-29791
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: IRIS SANSONI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T21:35:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T21:35:29Z; Last-Modified: 2009-08-06T21:35:30Z; dcterms:modified: 2009-08-06T21:35:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T21:35:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T21:35:30Z; meta:save-date: 2009-08-06T21:35:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T21:35:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T21:35:29Z; created: 2009-08-06T21:35:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-06T21:35:29Z; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T21:35:29Z | Conteúdo => _ À n'-'410r5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10950.000634/00-97 SESSÃO DE : 06 de junho de 2001 ACÓRDÃO N° : 301-29.791 RECURSO N° : 123.469 RECORRENTE : COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS MUBON LTDA. RECORRIDA : DRJ/CAMPO GRANDE/MS ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. Laudos técnicos com valores completamente diferentes, feitos sem preenchimento de condições mínimas de confiabilidade, tais como pesquisa de ai preços de compra e venda de terras na região em número razoável, e sem anexação das fontes de consulta, não têm força probante suficiente para serem opostos a levantamento feito pela Administração Pública, com o concurso da Fundação Getúlio Vargas. RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 06 de junho de 2001 soma- 40 ,sr MOAC e • DE MEDEIROS esidente YUD \ -6 Ckalt CQ/n,U IRIS SANSONI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE ICLASER FILHO, LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES, PAULO LUCENA DE MENEZES e FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS. Ausente a Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. unc doe ..or ,ak MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.469 ACÓRDÃO N° : 301-29.791 RECORRENTE : COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS MUBON LTDA. RECORRIDA : DRJ/CAMPO GRANDE/MS RELATOR(A) : ÍRIS SANSONI RELATÓRIO O contribuinte acima identificado, proprietário da Fazenda Rio Grande, localizada no Município de São Desidério, Bahia, com área de 10.000 hectares, foi notificado a pagar o ITR/94 e contribuições no valor de 7.227,03 reais, através de notificação de lançamento que contém todos os requisitos legais. Impugnou o lançamento alegando que o valor da terra nua do imóvel é inferior ao valor fixado pela Secretaria da Receita Federal, através da IN- SRF 16/95 de 40,49 UFIR por hectare, juntando para tanto laudo técnico com anotação de responsabilidade técnica onde se encontram as seguintes informações: a) características do imóvel, ausência de benfeitorias, e pesquisa de valores juntando cópias de três escrituras de doação de partes de um mesmo imóvel, além de um documento de avaliação imobiliária feito por corretor. Segundo as escrituras juntadas ao processo, as terras da região doadas foram avaliadas em 1993, pelo preço de 16,93 UFIR por hectare e o laudo de avaliação imobiliária feito por escritório imobiliário da região indica o valor de 17 reais por hectare no ano de 1994. A DRJ/Salvador/Bahia, examinou o pleito e o indeferiu pelas seguintes razões: a) o laudo técnico apresentado não determinou o VTN em dezembro de 1993 nem demonstra o valor das benfeitorias úteis e necessárias, pastagens plantadas e vegetais informados pelo contribuinte em sua DITR/94, determinando apenas, de forma genérica, o valor de 175 mil reais (ou 179.100 UFIR) para o imóvel, em desacordo com as normas da ABNT. b) Os elementos utilizados para averiguar o valor de terras na região abrangem três doações de um mesmo imóvel a donatários distintos, o que não é boa fonte de informação, além de insuficiente para dar uma amostragem. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.469 ACÓRDÃO N° : 301-29.791 c) O avaliador informou ter efetuado uma avaliação expedita, que não segue as normas da ABNT, motivo pelo qual o laudo não serve para revisão do valor do VTN mínimo aplicado. d) A revisão da base de cálculo do 1TR depende de prova robusta e inquestionável, que possa alterar valores fixados pela Administração Pública assessorada por instituições de reconhecida capacidade técnica. Em seu recurso tempestivamente apresentado e acompanhado do depósito recursal de trinta por cento do valor do débito consolidado, o contribuinte se limita a juntar documentos e apresenta novo laudo técnico onde consta: 1. avaliação de precisão normal, com detalhamento das áreas da região semelhantes à vistoriada, onde o técnico afirma ter feito verificações na Fazenda Rio Grande, Cacheado, Ingazeira, Das Orquídeas e Buritirama, mais três propriedades não identificadas nas circunvizinhanças. 2. Avaliação imobiliária com dados fornecidos por corretor de imóveis, uma escritura pública de compra e venda não anexada aos autos, sendo que a avaliação de corretor para o ano de 1993, indica o valor de 4,55 reais o hectare para áreas de até 12 hectares. O contribuinte, embora não faça qualquer argumentação, junta cópias de decisões deste Conselho de Contribuintes, onde o Valor da Terra Nua foi 43 revisado. É o relatório. 1 3 I j MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.469 ACÓRDÃO N° : 301-29.791 VOTO Sendo competência da Secretaria da Receita Federal levantar o preço de mercado da terra nua de imóveis rurais, atividade feita com a colaboração d Ministério da Agricultura, Secretarias de Agricultura dos Estados, e com concurso da Fundação Getúlio Vargas, instituição de reconhecida capacidade técnica e idoneidade, a revisão de tais valores deve estar calcada em prova irrefutável de que uma propriedade tenha características tais que a diferenciem do valor de mercado das CD demais terras da região, ou então de que os levantamentos efetuados pela Administração Pública não correspondem à realidade do Município. Por esse motivo, o laudo técnico, para ser aceito, deve trazer elementos de tal forma abrangentes, que o julgador se convença da sua verossimilhança. No caso destes autos, o primeiro laudo e a avaliação imobiliária juntados pelo técnico, afirmam que as terras da região, no período visado, dezembro de 1993, teriam um valor de 17 reais por hectare, e não 40, conforme avaliação do Poder Público. Foi considerado insuficiente, e efetivamente o é, porque uma única doação não pode ser oposta a um levantamento mais completo efetuado pela Fundação Getúlio Vargas, com a oitiva do Ministério e Secretarias Estaduais de Agricultura. Já o segundo laudo, louvando-se em pretensa escritura de compra e venda, cuja cópia não foi nem juntada aos autos, e em outra avaliação feita por um corretor de imóveis, afirma que o preço da terra nua na região, em dezembro de 1993, era de 4,55 reais por hectare. A disparidade é enorme, as fontes consultadas para a elaboração do segundo laudo não são suficientes, a escritura de compra e venda citada não teve cópia juntada aos autos, e se existente, configura uma única transação, que não dá uma dimensão segura da realidade dos preços de terras no município. Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal exige que o laudo técnico atenda às normas ditadas pela ABNT, onde há muitos elementos exigidos, para fornecer segurança sobre suas conclusões, mas que não estão presentes nos laudos apresentados. A meu ver, algum detalhe secundário, se não cumprido, poderia até ser relevado, mas não as fontes de consulta para avaliação de terras, em número suficiente para fornecer uma amostragem segura, com cópias que devem ser anexadas ao laudo. A juntada de cópias de decisões deste Conselho, onde os julgamentos foram favoráveis aos contribuintes, não tem qualquer relação com este 4 010 (4 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.469 ACÓRDÃO N° : 301-29.791 processo, pois a prova é examinada caso a caso, e a situação fática é peculiar a cada processo. Além do mais, a disparidade de preços apresentada entre o primeiro e o segundo laudo, fazem crer que as avaliações não foram efetuadas com o critério e rigor exigidos para merecerem fé. Face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de junho de 2001 • SUO. IRIS SANSON1 - Relatora 1 va ., MINISTÉRIO DA FAZENDA tMgew TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES jjtr PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 10950.000634/00-97 Recurso n°: 123.469 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301.29.791. Brasília-DF, 1/2, •WO 1 Atenciosamente, o for• .. yr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Ciente em &21 ) I p F-°-1-E-tu•pgu- . Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1
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