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Numero do processo: 13811.725505/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 05 /2 01 2- 20 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.447, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13811.725505/201220 Acórdão n.º 3201003.974 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001465/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-003.216
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.503 1 1.502 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001465/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.216 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Recorrente GAMIBEL DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício, e havendo demonstração da atividade imputável ao fato gerador, cabível a exigência de IPI, nos termos legais aplicáveis e na relação de causa e efeito decorrente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 65 /2 00 7- 81 Fl. 1503DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.504 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração dos impostos referentes ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, que trata a lei nº 9.317/1996, , referente a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2004, acrescidas de multa de ofício agravada (112,5%) e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 4.504.113,06, entre principal, multa e juros corrigidos até outubro/2007. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o que ensejou o lançamento fiscal, mantido o recorrente na condição de optante do Simples Federal no período autuado. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: 4. No termo de verificação e constatação fiscal de fls. 626/628 a fiscalização esclarece o seguinte: 4.1. Que a ação fiscal foi motivada pela constatação de incompatibilidade entre os valores das movimentações financeiras e a receita bruta anual declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples do exercício de 2005, ano calendário de 2004 (PJSI 2005 Simples); 4.2. Que após reiteradas intimações para apresentar os Livros e demais documentos fiscais, bem como extratos bancários, sem que houvesse resposta por parte da interessada, foram expedidas Requisições de Movimentações Financeiras RMF destinadas às instituições financeiras Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A e Banco Safra S/A, as quais forneceram os dados das movimentações financeiras requisitadas; 4.3. Que foi expedido Ofício à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro solicitando cópia do inteiro teor dos Atos Constitutivos da interessada e alterações posteriores; 4.4. Que não se procedeu ao arrolamento de bens de que trata o art. 65 da Lei n° 9.532/97, haja vista que após serem expedidos Ofícios ao 5o e 6o Distribuidor e ao Detran/RJ, se constatou não haverem bens em nome da interessada; 4.5. Que em 24/08/2007 a interessada foi novamente intimada a apresentar Livros e demais documentos contábeis e fiscais, assim como comprovar a origem Fl. 1505DF CARF MF 4 dos recursos utilizados nas operações detalhadas no anexo ao termo de intimação, que se referem aos créditos nas contas correntes mantidas junto às instituições financeiras. Sem haver respostas da interessada, foi lavrado Termo de Reintimação, cuja ciência se deu em 20/09/2007; 4.6. Que ficou caracterizado como receitas omitidas, na forma do art. 42, § Io, da Lei n° 9.430/96, os valores dos diversos depósitos efetuados nas contas correntes da interessada que não foram objeto de quaisquer esclarecimentos por parte da mesma de modo a comprovar as origens dos recursos utilizados nessas operações; 4.7. Que procedeu à Representação Fiscal para exclusão da interessada do Simples a partir do exercício de 2006, anocalendário de 2005, em virtude de a mesma ter ultrapassado, no anocalendário de 2004, o limite legal de receita bruta para permanência no sistema. 5. Os lançamentos foram assim fundamentados: 5.1. IRPJ: art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "a", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98; e arts. 186, 188 e 199 do regulamento do imposto de renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). 5.2. IPI: arts. 2o, § 2o, 3o, § Io, alínea "e", 5o, § 2o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98; artigos 2o, 3o, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02; 5.3. PIS: art. 3o, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/1970, c/c art. 1o, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73; arts. 2o, inc. I, 3o e 9o da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "b", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.4. CSLL: art. 1o da Lei n° 7.689/88; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "c", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.5. Cofins : arts. 1o e 2o da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "d", 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 5.6. Contribuição D/ o INSS: arts. 2o, § 2o, 3o, § 1o, alínea "f', 5o, 7o, § 1o, e 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3o da Lei n° 9.732/98. 6. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 112,50%, conforme determina o § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96, já que no decorrer do procedimento fiscal ficou caracterizada a falta de atendimento às intimações por parte da interessada. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 7. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamento interpondo as petições de fls. 699/732 (IRPJ), 818/853 (IPI), 937/970 (PIS), 1.056/1.089 (CSLL), 1.173/1.208 (Cofins) e 1.292/1.325 (INSS), nas quais alega, em síntese, o seguinte: Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.505 5 7.1. Que é tempestiva a impugnação; 7.2. Que é ilegítimo o lançamento com base exclusivamente em informações bancárias, uma vez que afronta a legislação de regência, assim como a jurisprudência administrativa e judicial que há décadas vem consagrando o entendimento de que depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador de tributos que possuem o faturamento como base imponível. Alega que caberia à Administração demonstrar que os depósitos bancários constituem rendimentos tributáveis, como exige o princípio da verdade material, e não simplesmente presumir que o eram; 7.3. Que é indevida a inclusão do imposto sobre os serviços ISS na base de cálculo do Simples, devendo os lançamentos serem revistos, de modo a excluir o ônus fiscal do ISS do cômputo da base de cálculo (receita bruta); 7.4. Que o art. 44 da Lei n° 9.430/96 foi alterado pela Lei n° 10.488/07, revogando a parte que determinava a aplicação da multa no percentual de 112,5%, devendo ser aplicada a nova legislação de forma retroativa, de acordo com o que determina a alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN. Além disso, argumenta que a multa aplicada é confiscatória, afrontando os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, motivo pelo qual a mesma deve ser reduzida ao percentual de 50%, uma vez que as informações solicitadas foram obtidas junta às instituições financeiras; 7.5. Que a taxa Selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios, devendo ser utilizada como indexador para atualização monetária o IPCA/IBGE. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. ISS. INCLUSÃO. O recurso advindo da prestação de serviços é receita bruta da pessoa jurídica, não tendo qualquer relevância, em termos jurídicos, se parte vai ser destinada ao pagamento de tributos. Conseqüentemente, os valores devidos à conta de ISS integram a base de cálculo do Simples. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. 112,5%. Fl. 1507DF CARF MF 6 Cabível a multa de 112,5% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte deixou de responder às intimações para prestar esclarecimentos no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de Io de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Lançamento Procedente Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: a omissão de receitas com base em depósitos bancários está tipificada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e caracteriza uma inversão do ônus da prova, envolvendo uma presunção legal. Nos autos, fica demonstrado terem sido cumpridos todos os requisitos legais para tanto, e a recorrente não apresentou nenhuma resposta até o final do procedimento fiscal; o valor correspondente ao ISS deve se somar na base de cálculo do Simples, pois o ISS vai integrar o valor do serviço e compor seu preço, não havendo nenhuma previsão legal para sua exclusão; a multa de ofício aplicada foi a agravada, ou seja, 112,5%, e está correta, pois ficou caracterizada a falta de atendimento às intimações no transcorrer do procedimento fiscal. Argumentos de que a multa é confiscatória e inconstitucional não é da competência dos julgadores administrativos; a alegação de que a taxa Selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios não prospera, pois houve a aplicação dos ditames legais aplicáveis. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 06/05/2009, a recorrente apresentou recurso voluntário em 02/06/2009. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: nulidade do lançamento promovido exclusivamente em face de extratos bancários, pois a inversão do ônus da prova traz manifesto prejuízo à sua defesa. Ademais, o lançamento com base em extratos bancários afronta a legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e judicial; não há a obrigação de obrigação tributária quanto ao recolhimento do IPI, pois não é contribuinte deste imposto, e há vício formal, pois não houve a individualização dos produtos. Tal alegação não apreciada na decisão a quo; é ilegal a inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da Cofins/Pis, pois ofenderia o art. 195,I da Constituição; Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.506 7 a multa seria aviltante e haveria a necessidade da sua redução, afrontando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; inaplicável a taxa de juros Selic como correção monetária do juros de mora; do seu pedido: VII DO REQUERIMENTO Por todo o exposto, a Recorrente requer o provimento do presente Recurso Voluntário para que seja julgado improcedente o lançamento, reconhecendose a nulidade do lançamento. Caso não seja possível o provimento do presente recurso para acolher a nulidade do lançamento, que ao menos seja reconhecida a ilegalidade na inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da COFINS/PIS; diminuição da multa de ofício para 50% e substituição da Taxa Selic pelo IPCA/IBGE. É o relatório. Fl. 1509DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004. Aplicouse a multa de ofício agravada, pois a recorrente não respondeu a nenhuma intimação fiscal. Exclusão do Simples a partir do ano seguinte. A autuação fiscal versa sobre IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS e IPI como reflexos. IPI por conta da atividade constatada no contrato social e na PJSI2005, apesar da recorrente se dizer não contribuinte de IPI nesta declaração. Na sua peça impugnatória, a recorrente se insurge, que é ilegítimo o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários. Seria indevida a inclusão do ISS sobre a base do Simples. A recorrente não é contribuinte de IPI, pois não fabrica nada. A multa de 112,5% aplicada está revogada e seria confiscatória. A taxa selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios. Na decisão a quo houve o entendimento que a omissão de receitas com base em depósitos bancários está tipificada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e foram todos os requisitos do ordenamento, não merecendo reforma a autuação. O valor do ISS integra o valor do serviço e respectivo preço, não havendo previsão legal para sua exclusão da base de cálculo do Simples. A multa de ofício agravada está correta, pois está caracterizada a falta de atendimento às intimações fiscais no transcorrer do procedimento fiscal. A taxa selic aplicada é apenas respeito aos ditames legais pertinentes. Silenciou no acórdão recorrido quanto a matéria do IPI constituído e impugnado. Na sua peça recursal repisa praticamente as mesmas alegações da sua peça impugnatória, nada diferente agregando. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminar alegação de nulidade por conta de lançamento com base em extratos bancários Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.507 9 Alega a recorrente nulidade do lançamento promovido exclusivamente em face de extratos bancários, pois a inversão do ônus da prova traria manifesto prejuízo à sua defesa. Ademais, o lançamento com base em extratos bancários afronta a legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e judicial No mérito, não coaduno com tal alegação, pois a natureza dos valores autuados é de receita omitida, decorrente de depósitos bancários não comprovados a sua origem, e sua aplicação está regrada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração da feita da Lei nº 9.481/1993, em que versa já no caput e § 1º, o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Ou seja analisandose a autuação, foi aplicado pela Autoridade Fiscal uma presunção prevista em lei para apuração dos valores omitidos. Esta presunção acarreta na situação da inversão do ônus probatório, devendo o contribuinte demonstrar que os valores creditados não são receitas omitidas. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA. No mérito quanto a alegação de que não é contribuinte do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados Alega a recorrente que não há a obrigação tributária quanto ao recolhimento do IPI, pois não é contribuinte deste imposto, e há vício formal, pois não houve a individualização dos produtos. E que tal alegação não foi apreciada na decisão a quo. Compulsando os autos, confirmase que tal matéria não foi apreciada na instância administrativa a quo. Talvez se explique, pela situação processual ocorrida: a recorrente apresentou, então, impugnação para cada um dos autos de infração (referente a cada tributos constituído dentro do SimplesFederal IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins, CSLL), ou seja, 6 (seis) peças impugnatórias. Todas as impugnações estavam idênticas, com exceção da de IPI, que alegava tal questão pertinente. Provavelmente, o relator condutor do acórdão recorrido e respectiva turma não vislumbraram tal situação e se limitaram a analisar a impugnação, provavelmente, de IRPJ apenas. A motivação para inclusão do IPI na autuação fiscal não está descrita explicitamente no termo de constatação (descrição dos fatos anexo ao auto de infração) elaborado pela autoridade fiscal autuadora. Nos autos de infração há menção ao enquadramento legal aplicável. Fl. 1511DF CARF MF 10 Verifico que a motivação decorra da atividade que consta na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2005 Simples entregue pela recorrente, em que coloca como sua atividade para o anocalendário de 2004 o código de atividade econômica CNAE Fiscal 24.732/00 Fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos. Contudo, observo nesta mesma declaração, em outro campo, que a recorrente se identifica como não sendo contribuinte do IPI. Na sua peça impugnatória referente ao IPI constituído (efls. 830 a 865), a agora recorrente se insurge quanto tal lançamento, alegando que no anocalendário de 2004 seu objeto social era de "conserto de máquinas e aparelhos eletrodomésticos", e que tais atividades não tem nenhum fato imponível do IPI. Tenta demonstrar tal situação anexando cópia de uma alteração contratual datada de 01/06/2006, e registrada na Junta Comercial em 30/08/2006, da ocorrência da alteração da atividade da sociedade para "distribuição e comércio atacadista de perfumaria, cosméticos e produtos de higiene pessoal; importação e exportação de produtos de perfumaria, cosméticos e de higiene pessoal", contudo, não há as alterações anteriores, e nem menção de qual sua atividade anterior a esta. Na sua peça recursal, informa que tal matéria passou alheia na instância administrativa de primeiro grau, e reforça seus argumentos no seguinte sentido: 3. Sendo assim, em que pese a Recorrente está inscrita no regime de tributação pelo SIMPLES, e a que a origem da glosa foi justamente a suposta "omissão de receita", situação estranha ao fato gerador do IPI, parece lícito concluir pela ilegalidade do ato administrativo lançamento que incluiu esse tributo no rol daqueles insertos no SIMPLES. 4. Ademais, vejase que um fato passou alheio a E. Turma Julgadora do Rio de Janeiro. Tratase da ausência do procedimento formal de fiscalização desse imposto, onde o Sr. Auditor Fiscal autuante deveria elencar produto a produto, eis que, sem essa postura estaria prejudicando a defesa do contribuinte. 5. Por outro lado, e não obstante o "enquadramento legal" esteja alicerçado no artigo 5o, §2° da Lei 9.317/969, certo é que pelas razões alhures justificadas a Recorrente não é e nunca foi contribuinte do IPI! Aqui cabe uma análise mais detida da situação encontrada nos autos, primeiramente para definirmos se a recorrente, no anocalendário de 2004, tinha atividade com base imponível para fato gerador do IPI. Posteriormente, se houver entendimento que há esta situação, verificar o enquadramento legal aplicável. Destarte, cabe salientar que a recorrente não respondeu nenhuma intimação fiscal durante o procedimento fiscal, ficando totalmente silente até apresentar sua impugnação. Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal intimou as instituições financeiras que a recorrente detinha conta bancária, pedindo além dos extratos bancários, os dados constantes da ficha cadastral. São três instituições financeiras: banco Safra S/A, banco Bradesco S/A e banco do Brasil S/A. Nos elementos retornados destas instituições financeiras, constante dos autos, podese depreender as seguintes informações pertinentes ao tema de qual atividade da recorrente exercida no anocalendário de 2004: Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.508 11 no banco Safra S/A, consta como atividade da recorrente "fabricação de cosméticos". Consta também os principais fornecedores, às quais inclui aparentemente, pelo nome da pessoa jurídica, indústrias de plástico, química, embalagens. Está datado de 19/05/2004 (efls. 35 e 36); no banco do Brasil S/A consta como atividade "comércio atacadista". Esta informação está datada como alterada em 18/07/2006 (efls. 60 a 61); no banco Bradesco S/A consta como "com. at. prod. perfumaria, higiene pessoal", como data a última alteração dos dados em 10/02/2005 (efl. 211); Igualmente, durante o procedimento fiscal, houve solicitação à Junta Comercial do Estado do RJ, em que enviasse cópia de inteiro teor dos atos constitutivos e alterações posteriores da recorrente (efl. 68). Na sua resposta (efl. 70), retornou apenas com o último ato de 2006. Ou seja, não retornou com todos atos desde a constituição da recorrente. Não vislumbrei nos autos nenhum outro elemento referente ao tema de qual a atividade da recorrente. Por conseguinte, há indicativos que para o anocalendário de 2004, a recorrente tinha alguma atividade inerente a fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos, conforme consta na sua própria PJSI 2005 entregue. Há indícios que em 2005/2006 mudou de atividade para comércio atacadista de produtos de perfumaria e cosméticos. Até poderiam ambas atividades coexistir, mas não há condições de precisar tal informação. Contudo, como já exposto acima, há elementos para darem suporte ao posicionamento da autoridade fiscal autuadora, e constituição do auto de infração de IPI decorrente da omissão de receitas. A recorrente não logrou demonstrar o contrário, se valendo basicamente de uma alteração contratual datada em 2006 e de alegações genéricas sobre o tema. Por isso, entendo que há indícios o bastante que a atividade exercida pela recorrente no anocalendário de 2004 é passível de incidência do IPI, que no caso, será sob a sistemática de recolhimento do Simples Federal. Sobre a alegação da recorrente que o fato de estar inscrita no Simples, e omissão de receita seria situação estranha ao fato gerador do IPI, e que deveria ter sido elencado produto a produto para tal imputação, entendo que não procede. O fato de estar inscrita no Simples Federal poderia ensejar sim ser contribuinte também do IPI, tanto que haveria adicional de 0,5 (meio) ponto percentual da alíquota aplicável nos termos da Lei nº 9.317/1996, seu art. 5º, §2º, legislação de regência para o anocalendário de 2004. Definida, como explicitado acima, que a atividade do recorrente é de fabricação de produtos de perfumaria e cosméticos, plausível presumir que suas receitas sejam decorrente da venda destes itens fabricados, que deram saída do seu estabelecimento, no caso industrial ou equiparado. No caso, a recorrente não respondeu nenhuma intimação, não trazendo ao conhecimento da autoridade fiscal, e nem da autoridade julgadora, os livros contábeis e fiscais Fl. 1513DF CARF MF 12 pertinentes, há presunção que a receita omitida não foi contabilizada, e os depósitos bancários refletiriam estes valores. Como a recorrente é optante do Simples Federal no anocalendário de 2004, condição que só foi excluída a partir do anocalendário de 2005, e a legislação de regência (Lei nº 9.317/1996) estabelece uma alíquota fixa (0,5 ponto percentual adicionada à alíquota decorrente do seu montante de receitas) para os casos que o contribuinte queira simplificar sua sistemática de apuração e recolhimento de tributos e contribuições federais, mais que justificável que, se apurada omissão de receitas, cabível a exigência em foco. Ademais, o art. 448 do Decreto nº 4.544/2002, RIPI/2002, vigente à época dos fatos, estabelece que estaria em sintonia à apuração de IPI com base em receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada: Elementos Subsidiários Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. quanto a alegação de que não se aplica a selic como correção monetária dos juros de mora No que tange à alegada ilegalidade da taxa SELIC adotada, cabe aqui destacar que esta discussão já teve sua conclusão sedimentada no CARF, que emitiu a seguinte e de claro teor Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 18471.001465/200781 Acórdão n.º 1402003.216 S1C4T2 Fl. 1.509 13 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi professado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, quanto a este item. quanto a alegação que seria ilegal a inclusão do ISSQN na base de cálculo do PIS/Cofins,e de que a multa seria aviltante e inconstitucional Na sua peça recursal, alega a recorrente que é ilegal a inclusão do ISSQN no cômputo da base de cálculo da Cofins/Pis, pois ofenderia o art. 195,I da Constituição. Suas alegações quanto a esta matéria foram de cunho de (in)constitucionalidade de tal posicionamento, e a decisão a quo as negou por falta de previsão legal de exclusão da base de cálculo do Simples. Igualmente, na sua peça recursal, alega que a multa seria aviltante e haveria a necessidade da sua redução, afrontando os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Nestas linhas de defesa, exclusivamente adotadas na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. Fl. 1515DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905744/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 44 /2 00 8- 45 Fl. 477DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000446 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10980.905744/200845 Acórdão n.º 3402005.364 S3C4T2 Fl. 478 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 479DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 147. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 3.738,38 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10980.905744/200845 Acórdão n.º 3402005.364 S3C4T2 Fl. 479 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 3.738,38, nos exatos termos do relatório fiscal produzido pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 481DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914323/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 23 /2 01 0- 58 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.846. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914323/201058 Acórdão n.º 3302005.496 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 13634.000471/2006-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006,2007
INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
Numero da decisão: 1003-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006,2007 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
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ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 00 04 71 /2 00 6- 15 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 130 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 12.12.2006, fl. 01, a partir do início das atividades, ou seja, de 01.03.2006, ao argumento de que: Considerando que por um lapso e não por má fé a empresa deixou de assinalar dentro do programa gerador do CNPJ a quadrícula onde consta a opção pelo pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte (Simples). Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Governador Valadares/MG, de 20.12.2006, fls. 2829: Conforme ficou demonstrado acima, Art. 16 e 17, da IN 608, é de competência do contribuinte preencher corretamente e enviar a FCPJ/Internet, bem como apresentar a documentação adequada em tempo hábil, através de DBE. Não tendo cumprido as formalidades em tempo hábil, por não ter inserido na FCPJ a opção pelo Simples, código 301, deverá se sujeitar ao disposto na referida IN. Informamos também que a partir de 01.01.2003 a Inclusão no Simples por processo administrativo deve obedecer ao disposto no ADI SRF n° 16, de 02/10/2002, com a interpretação dada pela SCI n° 10, de 23/06/2006, que esclareceu que somente pode ser retificada de oficio a Opção pelo Simples que necessariamente deveria ter sido feita por FCPJ via Internet evento 301, desde que comprovado que o indeferimento da Opção ocorreu por erro de fato cometido pelo contribuinte (erro de cadastro, falta de liberarão pela PSFN de dívidas pagas/parceladas e outros que impedem a aceitação do evento 301), o que não ocorreu em vista de haver apresentação de FCPJ somente com o código 101, em 03/03/2006 e não com o código 301. No presente caso não houve comprovação de tal erro, [...]. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0922.301, de 29.01.2009, fls. 5557: INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Solicitação Indeferida Notificada em 08.07.2010, fls. 60 e 64, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.07.2010, fl. 66, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 131 3 No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: As apurações e os pagamentos dos DARF's foram, por conseqüência, feitos com base no SIMPLES. Passados alguns meses foi constatado que a empresa não havia sido incluída no SISTEMA SIMPLES desde a sua fundação, por um simples lapso do contador no ato do preenchimento, não assinalando o código exigido. Foi então aberto um Processo para a Inclusão Retroativa no Simples por Decisão Administrativa. Quando da época da entrega da Declaração no site da Receita Federal, se constatou a impossibilidade de fazêla, tomandose a decisão de entregála pelo Lucro Presumido, em branco, sem valores, para que a empresa não ficasse inadimplente. Posteriormente, tomouse ciência do julgamento da DRF/JF (Processo n° 13634.000471/200615) e ficouse sabendo que a Declaração poderia ser entregue na Agência da Receita Federal, o que procurou fazer, atendendo ao dispositivo legal citado no julgamento. Cumprindo os requisitos para adesão ao SIMPLES, que são: os pagamentos mensais efetuados por intermédio dos Documentos de Arrecadação do Simples (DARFSIMPLES) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada, pedese que seja impugnada a Decisão da DRF/JF e julgado procedente o Recurso apresentado. Concernente ao pedido expõe que: Portanto, contando com a compreensão e justiça deste CONSELHO, pedese que este RECURSO seja deferido. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 132 4 legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. No que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 133 5 Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 09 22.301, de 29.01.2009, fls. 5557: A manifestação inequívoca, como se vê, caracterizase pelos pagamentos em DarfSimples "e" entrega da Declaração Anual Simplificada, sendo que esta última condição não ocorreu, tendo em vista a contribuinte ter apresentado a Declaração IRPJ — Lucro Presumido para os EFs 2007 e 2008. Diante do exposto, o presente voto é pelo indeferimento do que se pleiteou na Manifestação de Inconformidade, devendo ser mantidos os termos do Despacho Decisório, fls. 29v. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) recolheu por DarfSimples em 07.07.2007, 20.07.2006, 10.08.2006, 20.09.2006, 20.10.2006, 20.11.2006, 20.12.2006 e 09.02.2007, fls. 26, 117121; (b) apresentou em 28.06.2007 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido do período de 03.03.2006 a 31.12.2006, fl. 54; (c) apresentou em 28.06.2008 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido do período de 01.01.2007 a 30.06.2007. fl. 54; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 134 6 (d) apresentou em 16.07.2010 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782; e (e) apresentou em 16.07.2010 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395. Analisando os dados constantes nos registros da Secretaria da Receita Federal, verificase que para os anoscalendário de 2006 e 2007 a Recorrente apresentou as Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido, respectivamente em 28.06.2007 e 28.06.2008, fl. 54. Houve efetivação de pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples anoscalendário de 2006 e 2007, fl. 26. Ocorre, que consta na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782: O presente Recibo de Entrega de Declaração Anual Simplificada, anocalendário 2006, contendo a transcrição de parte da referida declaração. constitui confissão de divida. relativa ao Simples Devido nos termos do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84. As informações prestadas na declaração correspondem à expressão da verdade. Esta declaração foi entregue fora de prazo. Foi emitida a Notificação de Lançamento número 62533425249995 conforme previsto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Está registrado na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395: O presente Recibo de Entrega de Declaração Anual Simplificada, anocalendário 2007, contendo a transcrição de parte da referida declaração, constitui confissão de divida, relativa ao Simples Devido nos termos do art. 5 ° do Decretolei n° 2.124/84. As informações prestadas na declaração correspondem à expressão da verdade. Esta declaração foi entregue fora de prazo. Foi emitida a Notificação de Lançamento número 64123854719908 conforme previsto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Em relação às Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendário de 2006 e 2007, fl. 54, inferese que foram substituídas nos sistemas internos da RFB, pelas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782 e do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395, apresentadas em 16.07.2010. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13634.000471/200615 Acórdão n.º 1003000.079 S1C0T3 Fl. 135 7 Logo, é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anoscalendário de 2006 e 2007. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, tem cabimento. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.720893/2015-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RRA. SUCESSORES. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
É cabível a utilização de IRRF documentalmente comprovado.
Numero da decisão: 2002-000.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
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SUCESSORES. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. É cabível a utilização de IRRF documentalmente comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 08 93 /2 01 5- 35 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 49): Rubrica Valor em reais Imposto 495,76 Multa de mora 99,15 Juros de mora 69,30 Total à época 664,21 Na declaração do contribuinte, havia imposto a restituir no valor de 21.228,68 (fls. 56 e 81). As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Compensação indevida de IRRF 21.724,44 O contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a efetiva retenção ou recolhimento de imposto de renda na fonte (fl. 52) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 3 e 4) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 11/08/2015 (fl. 83) e protocolou sua peça no dia 25/08/2015 (fls. 3 e 83), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2), em síntese, o contribuinte alega que os 21.724,44 referese a imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente que sofreram tributação exclusiva na fonte. Em 30/03/2017, pede prioridade no trâmite processual (fl. 93). Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 4); decisões judiciais (fl. 5 e ss); documentos da ação judicial (fl. 9 e ss); certidão de óbito da Sra. Natalina Benedetti Vieira (fl. 24); 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 4 3 carta sindifisco nacional (fl. 25); planilha (fl. 26); certidão divisão de valores da ação (fl. 27); despacho judicial (fl. 28 e ss); extratos de pagamento de precatórios (fl. 30 e ss); dados da autorização Itaú (fl. 36); extrato CEF (fl. 37); guia de retenção IRRF RRA e TED (fl. 38); Dirfs (fl. 39 e ss); nota fiscal consultoria jurídica (fl. 41); Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação improcedente (fl. 97 e ss). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRRF SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A compensação do IRRF sobre rendimentos recebidos acumuladamente somente pode ser pleiteada quando este pode ser devidamente comprovado. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 122) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 24/08/2017 (fl. 109) e protocolou sua peça no dia 20/09/2017 (fl. 122), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 122 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: os rendimentos recebidos foram decorrente do processo judicial 0649937 03.1984.403.6100 por meio do qual foi anulado ato de demissão de seu pai; os valores foram divididos entre os seus cinco herdeiros e a esposa meeira (fl. 27); 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 5 4 o pagamento foi liberado em 25/04/2013 (fls. 30 a 35), com crédito em 31/05/2013; coube ao recorrente o valor de 154.940,74, o qual foi declarado como RRA (fl. 40), não havendo, nesse momento, desconto do imposto de renda pela fonte pagadora; como sua mãe já havia falecido, ocorreu a habilitação dos herdeiros e a retificação do pólo ativo com a exclusão da Sra. Natalina e inclusão dos filhos (fl. 8); em outubro de 2013 foi feito o levantamento do depósito no valor atualizado de 759.715,11 que foi depositado na conta da empresa Asgard Assessoria Empresarial no valor líquido de 683.090,87 (fl. 38) com retenção de 108.622,24 pela Caixa em nome da genitora que já se encontrava falecida, mas cujos valores referemse aos herdeiros consoante habilitação levada à efeito no processo judicial federal; em 17/10/2013, A Asgard repassou aos herdeiros o valor líquido de 76.297,02, descontado honorários e IRRF; o valor de 108.622,24 retido dividido por 5 filhos = 21.724,45 de IRRF; uma parte do rendimento foi recebido em 05/2013 e a outra em 10/2013; que houve um erro material já que foi informado 144 meses quando deveria ter sido informado 138 meses. Por fim, requer a improcedência da notificação de lançamento, restituindo os valores devidos com correção desde a data da retenção até o efetivo pagamento. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O lançamento glosou o IRRF declarado no valor de 21.724,44. De acordo com o documento de fl. 27, os valores da ação foram divididos entre a mãe e os cinco filhos. Contudo, tendo a mãe falecido em 30/05/2007 (fl. 24), o seu quinhão foi recebido pelos Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13656.720893/201535 Acórdão n.º 2002000.189 S2C0T2 Fl. 6 5 herdeiros (fl. 64 e 66) que se habilitaram na ação (fl. 8 e 22). Os comprovantes de fl. 66 e 39 atestam que a retenção foi realizada no valor de 108.622,24, tendo o contribuinte declarado 1/5 desse valor 21.724,44 (fl. 74) haja vista também ter recebido 1/5 do rendimento a que a retenção se refere. No mais, verifiquei nos sistemas informatizados de processos, em consulta pelo cpfs que constam dos autos dos outros 4 irmãos, que 3 deles caíram em malha pelo mesmo motivo e apresentaram documentação e explicações equivalentes às do recorrente, tendo a malha sido liberada. Diante do exposto, entendo que assiste razão ao recorrente. Conclusão Isto posto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, para que seja restabelecida a compensação de imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no valor de R$ 21.724,44. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.721311/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/04/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE
Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito.
A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003.
Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque.
No caso de exportação de óleo cru por pessoa jurídica devidamente habilitada para o procedimento simplificado de exportação, o embarque da mercadoria para o exterior é automaticamente autorizado mediante protocolização do respectivo requerimento de embarque.
São considerados regulares, por aplicação retroativa de legislação posterior (retroatividade benigna), as exportações realizadas antes da vigência da IN RFB no 1.198/2011, cujos Pedidos de Embarque tenham sido protocolizados previamente ao embarque das mercadorias, respeitada a antecedência exigida, e desde que devidamente instruídos com os respectivos REs.
Embarque de mercadoria sem ordem, despacho ou licença, ou sem o cumprimento de formalidade essencial. Pena de Perdimento.
Sujeita-se à pena de perdimento a mercadoria embarcada com destino ao exterior, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo.
Numero da decisão: 3302-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito. A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003. Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque. No caso de exportação de óleo cru por pessoa jurídica devidamente habilitada para o procedimento simplificado de exportação, o embarque da mercadoria para o exterior é automaticamente autorizado mediante protocolização do respectivo requerimento de embarque. São considerados regulares, por aplicação retroativa de legislação posterior (retroatividade benigna), as exportações realizadas antes da vigência da IN RFB no 1.198/2011, cujos Pedidos de Embarque tenham sido protocolizados previamente ao embarque das mercadorias, respeitada a antecedência exigida, e desde que devidamente instruídos com os respectivos REs. Embarque de mercadoria sem ordem, despacho ou licença, ou sem o cumprimento de formalidade essencial. Pena de Perdimento. Sujeita-se à pena de perdimento a mercadoria embarcada com destino ao exterior, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2245; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.721311/201341 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302005.713 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Embargante RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE Conversão da Pena de Perdimento em Multa. Rito. A aplicação de multa pecuniária em substituição da perdimento não está condiciona à conclusão do processo de apuração do Dano ao Erário. Caracterizada a impossibilidade de apreensão das mercadorias, a legislação vigente determina a extinção do processo administrativo instaurado com vistas à aplicação da pena de perdimento, no estado em que se encontrar, e o início de um novo processo, a ser processado nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972. Inteligência do art. 73, caput e §§ da Lei n° 10.833, de 2003. Procedimento Simplificado de Exportação de Petróleo. Autorização de Embarque condicionada ao registro de Requerimento de Embarque. No caso de exportação de óleo cru por pessoa jurídica devidamente habilitada para o procedimento simplificado de exportação, o embarque da mercadoria para o exterior é automaticamente autorizado mediante protocolização do respectivo requerimento de embarque. São considerados regulares, por aplicação retroativa de legislação posterior (retroatividade benigna), as exportações realizadas antes da vigência da IN RFB no 1.198/2011, cujos Pedidos de Embarque tenham sido protocolizados previamente ao embarque das mercadorias, respeitada a antecedência exigida, e desde que devidamente instruídos com os respectivos REs. Embarque de mercadoria sem ordem, despacho ou licença, ou sem o cumprimento de formalidade essencial. Pena de Perdimento. Sujeitase à pena de perdimento a mercadoria embarcada com destino ao exterior, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 13 11 /2 01 3- 41 Fl. 670DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 01/04/2013, referente a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 234.962.072.17. Diante da existência do Processo de Perdimento de Mercadorias n° 12466.721676/201111, lavrouse o presente Auto de Infração visando a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias integrantes dos Despachos de Exportação n° 2101248412/2 (NF 204 e 209) e 2101317568/9 (NF 223 e 234), referentes à 301.364,79 m3 de óleo bruto de petróleo, pela impossibilidade de sua apreensão, conforme relatado a seguir. Em destaque, salientase desde já que há uma evidente falha material na organização das peças processuais, pois é colacionada à página 02 do Auto de Infração, trecho que deveria ter sido colacionado à página 09 e, à página 03, trecho que deveria estar colacionado à página 07. Merece destaque, ainda, o fato de que, às folhas 20 e seguintes, foi colacionado auto de infração relativo à decretação do perdimento, onde a sequências das folhas relativas à narrativa dos fatos foi observada, permitindo clara compreensão. A empresa qualificada nos autos é habilitada para utilizar procedimentos simplificados para o despacho de exportação de petróleo produzido no pais em unidades de produção ou estocagem situadas em águas jurisdicionais brasileiras, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 363, de 16 de outubro de 2003. Em 23/11/2010 foi elaborada a Declaração de Exportação (DE) n° 2101248412/2. Naquela mesma data a DE foi recepcionada e parametrizada em "canal laranja" (Seleção para Análise Documental). Analisados os documentos apresentados constatouse que o deferimento do Pedido de Embarque de Mercadorias (PEM) n° 159657, referente aos Fl. 671DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 3 3 Registros de Exportação (RE) n° 10/1472779001 e 10/1607923001, ocorreu no dia 22/11/2010, data posterior ao embarque da mercadoria, 27/10/2010, conforme Conhecimentos de Carga n° SH019 01 e SH019 02, configurando que a mercadoria foi embarcada antes da anuência da autoridade aduaneira; ou seja, o embarque ocorreu sem a autorização da Receita Federal do Brasil. Há ainda o fato de os Registros de Exportação não se encontrarem efetivados à época do embarque, conforme telas do sistema Siscomex apresentadas pela empresa exportadora. Dessa forma, o despacho de exportação foi interrompido no sistema Siscomex, não tendo sido registrado o desembaraço aduaneiro. Em consequência, o representante do exportador apresentou, em 21/12/2010, suas justificativas referentes ao fato em tela. Em 09/12/2010 ocorreu a elaboração da DE n° 2101317568/9. Não foi registrada a recepção do documento em face de ter sido constatado que o deferimento do PEMn° 159797, referente ao RE n° 10/1633758001, datado de 26/11/2010, foi posterior ao embarque da mercadoria, em 22/11/2010, conforme Conhecimento de Carga n° 020, configurando que a mercadoria foi embarcada antes da anuência da autoridade aduaneira; ou seja, o embarque ocorreu sem a autorização da Receita Federal do Brasil. Para esse fato o representante do exportador apresentou, em 21/12/2010, suas justificativas. Diante de todo o exposto, confrontandose os procedimentos adotados e as normas aplicáveis à situação em tela, concluise que a empresa exportadora, através de seus representantes, ignorou a autoridade da Receita Federal do Brasil através da inobservância do cumprimento das etapas necessárias para as operações de exportação. Em suma, a autuada realizou suas exportações à revelia da autoridade aduaneira, visto que promoveu a exportação de suas mercadorias sem o deferimento dos respectivos Pedidos para Embarque de Mercadorias, o que implica na incidência da pena de perdimento, com fulcro no inciso I, do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 06/05/2013 (fls. 134), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 03/06/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 136 a 178, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü O procedimento é nulo, em virtude de que a aplicação da pena pecuniária não foi precedida da decretação do perdimento. Defende que só se configura definitivamente o dano ao Erário após a decisão administrativa que determina a aplicação da pena de perdimento. Descreve a legislação e cita acórdão do Tribunal Regional Federal da 1a Região; ü Restariam violados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, pois o auto de infração seria ininteligível e, desta forma, não conteria a correta descrição dos fatos e da conduta Fl. 672DF CARF MF 4 imputada ao acusado. Transcreve trechos que apresentariam inconsistências, cita legislação e jurisprudência; ü Os embarques questionados pela autoridade fiscal teriam sido precedidos da expedição de Certificado de Arqueação de Carga Líquida, onde se verificaria a designação de Autoridade Fiscal para assistir a arqueação. Cita decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes no sentido de que tal ato representaria a autorização que se alega não obtida; ü A primeira operação de exportação reputada como irregular, processada com base na Declaração de Exportação (DE) 2101248412 2 [referente a carga embarcada e destinada ao exterior em 27/10/2010], teria sido iniciada em 15/10/2010, por meio da formulação do Registro de Exportação 10/1472779001, no qual teriam sido prestadas todas as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal inerentes à sua identificação. Na mesma data, teria sido formulado pedido de arqueação da embarcação que transportaria o óleo cru e, em 18/10/2010, designado servidor para acompanhar e validar dita arqueação. Em 20/10/2010 teria apresentado Pedido de Embarque de Mercadorias (PEM). ü A possibilidade de se formular declaração de exportação após o embarque da mercadoria teria sido expressamente autorizada pelo art. 52 da Instrução Normativa n° 28, de 1994 que, em seu art. 55, disciplina a apresentação de Pedido de Embarque de Mercadoria. Já a Portaria ALF/VIT n° 37, de 2007, prevê que o PEM deverá ser apresentado no prazo máximo de 10 dias e mínimo de 24 horas, em relação à previsão de atracação da embarcação. O Navio que transportou a mercadoria atracou em 22/10/2010, o que demonstraria, mais uma vez, o estrito cumprimento das normas; ü Após a chegada da embarcação a impugnante solicitara, em 25/10/2010, que o embarque, antes direcionado para um único destino, fosse fracionado para dois destinos, mediante a expedição de dois BLs. Por tal motivo, em 15/10/2010, solicitou a retificação do RE e a obtenção de novo RE, relativo ao novo destino a ser incluído. Afirma que tal retificação não implicou alteração no valor ou quantidade totais a serem exportados; ü Devido a questões de ordem prática, teria tido que aguardar a obtenção de diversos documentos, como, por exemplo, a cópia de BL. Como conseqüência, apenas em 10/11/2010, teria sido possível retificar o RE 10/1472779001 e obter o RE 10/1607923001. De posse desses registros, pleiteou a formulação de novo PEM, de n° 159657, acatado pela autoridade fiscal, o que ratificaria todo procedimento adotado pela autuante. Em 23/11/2010, elaborou a Declaração de Exportação 2101248412/2, dentro do prazo previsto no art. 56, IV da Instrução Normativa n° 28, de 1994. A fim de demonstrar sua boafé, anexa as notas fiscais da operação, autorizadas pela Receita Federal do Brasil, que refletiriam a saída física do óleo bruto de petróleo ao exterior; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 4 5 ü O despacho processado com base na DE 2101317568/9, apresentado em 09/12/2010, [referente a carga embarcada e destinada ao exterior em 22/11/2010] teria sido iniciado em 16/11/2010, por meio da formulação do RE 10/1633758001, onde teriam sido prestadas as informações já enumeradas, mesma data em que teria sido apresentado requerimento de arqueação da carga e designado o agente responsável pelo seu acompanhamento. No dia seguinte (17/11/2010), teria sido apresentado o PEM 159797, que somente foi deferido em 26/11/2010. Aduz que o fato da mercadoria ter sido exportada em data anterior ao deferimento do referido pedido, ou seja, em 22/11/2010, demonstraria a morosidade ü da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Noutro giro, defende que a expedição de certificado ü de arqueação em 21/11/2010 demonstraria que o Fisco tomara conhecimento da operação; ü Se a sua intenção fosse realizar exportação sem o conhecimento do Fisco não teria apresentado o correspondente despacho de exportação. Reafirma, sinteticamente, suas alegações acerca da possibilidade de apresentação de DE posteriormente ao embarque e sustenta que a legislação não o obriga a aguardar o deferimento do PEM, mas limita se a exigir que este seja apresentado no prazo regulamentar; ü j) As disposições da Instrução Normativa n° 28, de 1994, seriam inaplicáveis ao despacho simplificado de exportação de petróleo, disciplinado pela Instrução Normativa n° 363, de 2003, à qual se subordinaria em razão de prévia habilitação. Transcreve o Ato Declaratório de Habilitação e disserta acerca do regime, esclarecendo que, em razão de sua habilitação, seria obrigado a apresentar mensalmente relatórios que contemplariam a produção diária, o quantitativo destinado à exportação, o volume de petróleo a ser exportado por país de destino e as datas previstas para o início e o final da operação de embarque, entre outras informações. Afirma que não faria sentido o Fisco a autorizar a adotar procedimento simplificado e, ao mesmo tempo, punila em razão da alegação de ausência de prestação de informações. Afirma que a IN 363/03 não prevê a necessidade de prévia apresentação de PEM. Cita jurisprudência; ü Não se poderia falar em Dano ao Erário, pois não se demonstrou prejuízo à Fazenda Nacional, nem máfé. Cita jurisprudência judicial e administrativa e pleiteia a aplicação do artigo 112, II do CTN; ü Por fim, argumenta que, pela aplicação dos arts. 736 e 737 do Regulamento Aduaneiro, a Pena de Perdimento poderia ser relevada e substituída pela multa de 1%. Pleiteia que, na remota hipótese em que se mantenha a autuação, procedase a tal substituição. Fl. 674DF CARF MF 6 Em 24 de outubro de 2013, através do Acórdão n° 11043.465, a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Recife/PE por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, exonerando a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e qua renta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101 317568/9. Quanto ao crédito exonerado, recorreuse de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Entendeu a Turma que num primeiro plano, portanto, podese assumir algumas premissas: a exportação pressupõe a prévia autorização da autoridade fiscal que, regra geral, é levada a efeito por meio do desembaraço aduaneiro, que tem como documentobase a declaração de exportação (DE). Apenas excepcionalmente, a legislação admite que, conforme disciplinado pela Receita Federal, a mercadoria embarque com destino ao exterior antes do desembaraço aduaneiro. Para efetivar a simplificação prevista no art. 52 da IN SRF 28/94, a Alfândega de Vitória instituiu o Pedido de Embarque de Mercadoria (PEM), em formulário papel, que tem por objeto formalizar a solicitação e o deferimento do embarque de mercadoria destinada ao exterior, cujo despacho no Siscomex será procedido em momento posterior. Mesmo na hipótese de exportação de granéis sujeitos a despacho a posteriori, o embarque da mercadoria fica condicionado à prévia autorização pela Alfândega de Vitória, nos termos do art. 4o, a ser formalizada por meio do deferimento do PEM. Por outro lado, extraise igualmente da leitura dos dispositivos que lidam com o assunto, em particular da quantificação de granéis, que a autorização para embarque a ser deferida por intermédio do PEM não se confunde com os procedimentos relativos à arqueação, destinados, exclusivamente, à quantificação da mercadoria, e regidos por legislação específica. Neste ponto, cabe observar que, no caso particular da exportação de petróleo por unidades de produção ou estocagem, matéria do presente processo, a Receita Federal do Brasil instituiu procedimentos simplificados de exportação, por meio da IN RFB 363/03, posteriormente substituída pela Instrução Normativa RFB no 1.198/2011 e Instrução Normativa RFB no 1.381/2013. A Instrução Normativa SRF n° 363/03, vigente à época dos fatos, instituiu a necessidade de prévia habilitação da empresa que opte pelo procedimento simplificado de exportação do petróleo. Ainda que a Instrução Normativa SRF n° 363/03 não tenha feito previsão expressa à necessidade de prévia autorização de embarque pela Unidade Local, o teor do artigo 20 deixa claro, no entender da Colenda Turma, ser aplicáveis à exportação de petróleo as disposições dos art. 52 e 55 da Instrução Normativa SRF 28/94, que disciplinam o despacho de exportação a posteriori, os quais fundamentaram a Portaria ALF/Vitória 37/2007. A Turma entendeu que não há margem para se questionar a vigência ou aplicabilidade da referida portaria ao caso em tela, posto que instituída posteriormente à IN SRF 363/03, e fundamentada em dispositivo não revogado da IN RFB 28/94, cuja matriz legal encontrase, como visto, gizada no DL 37/66. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 5 7 Igualmente, foi o entendimento da Turma que não há margem para se confundir as figuras da autorização para embarque, quantificação da mercadoria e despacho de exportação. Os três conceitos, aliás, encontramse tratados separadamente na IN RFB no 1.198/2011, que substituiu a IN SRF 363/03. Destacou a Turma que embora a Instrução Normativa RFB no 1.198/2011 exija a prévia autorização de embarque da mercadoria, esta é automaticamente deferida por meio da mera protocolização do requerimento de embarque (documento de natureza e propósitos idênticos ao do Pedido de Embarque da Mercadoria, em que se baseava a autorização de embarque no âmbito da Alfândega de Vitória), devidamente instruído, conforme caput do art. 10. Observese que o § 2° do mesmo artigo deixa claro que, a partir da publicação desta norma, a regra passa a ser o deferimento automático do requerimento de embarque, isto é, sem a necessidade de intervenção da autoridade local, e a exceção, a ser devidamente comunicada ao exportador, sua suspensão, caso se entenda necessária qualquer intervenção. Na mesma linha, a Instrução Normativa RFB no 1.381/2013, manteve a distinção entre os conceitos de autorização para embarque, quantificação da mercadoria e despacho de exportação e, apesar de ligeira alteração nos termos empregados, previu a autorização de embarque da mercadoria mediante a protocolização do requerimento. A Turma ainda argui que a alteração normativa relativamente à dispensa de deferimento do requerimento de embarque, uma vez que este, como visto, passa a ser autorizado automaticamente mediante mero registro daquele documento, produziria efeitos em operações concretizadas antes da vigência daquelas normas. Para tanto, o Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento apoia seu entendimento no artigo 106 do Código Tributário Nacional e assim invoca o princípio da retroatividade benigna da legislação tributária. Assim sendo, para deslinde da lide que ora se apresenta, a 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento – Recife/PE elegeu o seguinte critério: a verificação se nas operações em tela o exportador dispunha, no momento do embarque da mercadoria, de PEM devidamente registrado e instruído com Registros de Exportação (REs) válidos, respeitado, ainda, o prazo de antecedência previsto nas normas posteriores (inicialmente cinco dias, conforme previsto na IN RFB no 1.198/2011, reduzido para dois dias por força da IN RFB no 1.381/2013). O quadro a seguir, constituído com base nos documentos apresentados pelo próprio exportador (fls. 396 e seguintes) resume as datas em que ocorreram os eventos mais relevantes relacionados às operações sobre a análise. Fl. 676DF CARF MF 8 No caso da Declaração de Exportação 2101248412/2, extraise dos autos que o embarque da mercadoria ocorrera previamente à protocolização do PEM e, até mesmo, previamente à retificação e registro dos REs que instruiriam o PEM extemporaneamente registrado. Assim, ainda que se considere a aplicação retroativa das INs RFB no 1.198/2011 e no 1.381/2013, não há como deixar de reconhecer que, nesse caso, o envio da mercadoria ao exterior derase sem ordem, despacho ou licença, formal, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de formalidade essencial estabelecida em texto normativo, hipótese que se subsume ao inciso I do art. 105 do DL 37/66. Por outro lado, no caso da declaração de exportação no 2101317568/9, constatase que o PEM n° 159797, referente ao RE n° 10/1633758001, foi registrado em 17/11/2010 e, portanto, antecede em cinco dias o embarque da mercadoria, em 22/11/2010. Nesse caso, entendo que, a despeito de o embarque da mercadoria ter ocorrido antes de seu necessário deferimento, à época dos fatos, há que se reconhecer a existência de norma superveniente que modificou a dinâmica da exportação de petróleo, deixando de exigir o prévio deferimento do PEM e expressamente concedendo autorização de embarque por meio de sua mera protocolização, devidamente instruído. Com base nessas considerações, a Turma exonerou a parcela da multa relativa à Declaração de Exportação no 2101317568/9, no montante de R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos). A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 18/11/2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 541 do processo digital. Em 19/12/2013, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 548 a 587. Em síntese, foi alegado que: ü Da violação aos princípios do devido processo legal ampla defesa e contraditório; ü Da ausência de procedimento prévio para apuração da ocorrência de dano ao erário, condição para procedibilidade da aplicação da multa prevista no §3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76; ü Da operação de exportação cuja autuação foi mantida pela decisão recorrida. Não há o que se falar em exportação realizada sem autorização da Receita Federal do Brasil, ou à revelia das autoridades aduaneiras, tendo em vista que a Recorrente comprovou: I. ter apresentado o Registro de Exportação (RE) n.° 10/1472779 001 em folhas 31/33); II. ter formulado Requerimento de Arqueação em 15.10.2010 (folhas 42/49); Fl. 677DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 6 9 III. ter obtido Certificado de Arqueação de Carga Líquida, emitido pelo agente fiscal Sr. Heleno Dias de Azevedo em 28.10.2010 (folhas. 49); IV. ter apresentado seu primeiro Pedido para Embarque de Mercadorias (PEM) em 20.10.2010; V. ter sido emitido conhecimento de embarque, "Bili of Lading BL” em (folhas 50/55); VI. ter emitido Notas Fiscais autorizadas pela Receita Federal do Brasil (folhas 38/39); VII. ter retificado e desmembrado o RE n.° 10/1472779001, em 10.11.2010, ocasião em que gerou novo RE autuado sob o n.° 10/1607923001 (folhas 34/36); VIII. ter apresentado novo PEM n.° 159657. em 11.10.2010, o qual foi devidamente analisado e deferido em 22.11.2010 (fís. 41}; e, por fim, IX. ter elaborado, tempestivamente, sua Declaração de Exportação (DE) n.° 2101248412/2, em 23.11.2010, em estrita observância ao disposto nos artigos 52, parágrafo único e 56, inciso V, ambos da IN SRF n.° 28/94 (fls. 28/30). ü Da plena aplicabilidade da retroatividade benigna das Instruções Normativas RFB 1.198/11 e 1.381/13; ü Da ausência de dano ao Erário, inaplicabilidade da Pena de perdimento e, consequentemente, da multa ora imputada. DO PEDIDO a) Ante a todo o exposto, a Recorrente espera e requer o acolhimento das preliminares para reformar a decisão recorrida e anular o auto de infração, bem como, caso superadas as preliminares, seja a decisão recorrida parcialmente reformada no tocante à parte que manteve a auto de infração, julgandose totalmente procedente o presente Recurso Voluntário para cancelar a integralidade dos créditos tributários ora exigidos. b) Alternativamente, na remota hipótese de não ser o auto de infração julgado totalmente improcedente, ou nulo, requer a relevação da pena de perdimento mediante a sua conversão na multa correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria (art. 712 do Regulamento Aduaneiro). c) Por fim, conforme já noticiado alhures, considerando que a ora Recorrente requereu perante a Receita Federal do Brasil a cópia do PEM original, protocolado anteriormente ao PEM n° 159657, Fl. 678DF CARF MF 10 conforme faz prova da requerimento em anexo ÍDoc. 01), vem requerer sua posterior juntada aos autos. Em 19 de março de 2015, através do Acórdão n° 3403003.636, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por maioria de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário. Em síntese, o v. Acórdão assinalou que: ü Constatase que o primeiro embarque aconteceu em outubro de 2010 e o segundo em 22.11.2010. Entretanto, o Pedido de 159657 aconteceu 11.11.2010, posterior ao embarque e o Pedido 159797, a solicitação foi efetivada em 17.11.2010, com modificação para o início e término do embarque; ü Não há prova demonstrando que Recorrente tenha solicitado “PEM” antes do embarque. Arguição trazida em sede recursal de que foi solicitada cópia do documento ao Órgão Fazendário, é a confirmação de que prova cabal ao deslinde da questão deixou de ser colecionado aos autos com intuito de demonstrar o desacerto do Fisco; ü Em relação alegação de que a Recorrente estar a demandar documento que constituiria prova de existência de “PEM” tempestivo, é de se destacar que incumbe a recorrente a guarda da documentação referente os despachos e as operações em que atue; ü Em sendo assim, a Interessada deixou de fazer prova conclusiva quanto ao arguido, que o pedido tenha sido solicitado antes do embarque; ü Quanto ao QRECURSO DE OFÍCIO, compulsando os autos verifica se que assiste razão ao Julgador de piso em afastar parcela da autuação referente a pedido que à luz disposto na IN 363 de 2003 seria tempestivo. Em 02 de julho de 2015, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora, tomou ciência do Acórdão n° 3403003.636, e se pronunciou no sentido de que não haveria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A empresa autuada tomou ciência do Acórdão n° 3403003.636, por via eletrônica, em 11/06/2015 (folhas 633). Em 16/06/2015, a empresa autuada apresentou EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, de folhas 635 a 644 do processo digital. Alega em síntese que a decisão embargada também incorreu em flagrantes obscuridade, omissões e contradições que devem ser sanadas, a saber: ü Incorreu em obscuridade, na medida em que às fls. 619 afirma que a decisão de primeira instância teria mantido o lançamento em sua integralidade, quando na verdade a decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar por Fl. 679DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 7 11 completo a penalidade imposta sobre a operação de exportação relativa à DE n° 2101317568/9; ü Incorreu em omissão, pois: Ø Deixou de se pronunciar acerca da preliminar de nulidade do Al em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa; Ø Deixou de enfrentar o argumento recurso de que a Embargante protocolou o PEM, ainda que posteriormente ao efetivo embarque, mas antes de qualquer procedimento fiscaiizatório da Fazenda, o que tem o condão de regularizar a exportação nos moldes de jurisprudência deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Ø Deixou de enfrentar o argumento recursal no sentido de que, o art. 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM, previsto apenas na IN n.° 28/94; Ø Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Ø Incorreu em contradição ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. DO PEDIDO Diante do exposto, espera e requer seja conhecido e integralmente provido os presentes embargos de declaração para sanar os vícios da decisão embargada cabalmente comprovados ao longo da presente peça recursal e, consequentemente, emprestandolhes os devidos efeitos modificativos, reconhecer a improcedência da autuação na parte em que mantida pela decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 16 de fevereiro de 2017, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para que uma nova decisão seja prolatada em Fl. 680DF CARF MF 12 melhor forma, com apreciação da preliminar de nulidade arguida, e, eventualmente, saneado o lapso constante do Relatório da decisão embargada. Portanto, entendese que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3403003.636, da 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF data de 19 de março de 2013. A empresa RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 16 de junho de 2015. Às folhas 633 do processo digital, consta documento referente à Termo de Ciência, com a ciência eletrônica do Embargante, na data de 11 de junho de 2015. Assim, o prazo de 5 dias para apresentação dos embargos foi observado. O recurso é tempestivo. 3. DA OBSCURIDADE, OMISSÕES E CONTRADIÇÃO Em 16 de outubro de 2015, a empresa RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao Acórdão n° 3403003.636, de folhas 635 a 644, objetivando: Sanar obscuridade: na medida em que às folhas 619 afirma que a decisão de primeira instância teria mantido o lançamento em sua integralidade, quando na verdade a decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar por completo a penalidade imposta sobre a operação de exportação relativa à DE n° 2101317568/9. Sanar as seguintes omissões: Ø Deixou de se pronunciar acerca da preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa; Ø Deixou de enfrentar o argumento recurso de que a Embargante protocolou o PEM, ainda que posteriormente ao efetivo embarque, mas antes de qualquer procedimento fiscaiizatório da Fazenda, o que tem o condão de regularizar a exportação nos moldes de jurisprudência deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Ø Deixou de enfrentar o argumento recursal no sentido de que, o art. 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM, previsto apenas na IN n.° 28/94; Ø Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 8 13 Sanar a seguinte contradição: ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. 4. DO DEFERIMENTO PARCIAL DA OBSCURIDADE Fragmento extraído do Relatório do Acórdão n° 3403003.636, às folhas 619 do processo digital: Cuidase recurso de Ofício e Recurso Voluntário. O voluntário interposto pela empresa Raízen Combustíveis Ltda., atual denominação social da empresa Shel Brasil Ltda., em razão da decisão que manteve o lançamento em sua integralidade exigindo multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias integrantes dos Despachos de Exportação n° 2101248412/2 (NF 204 e 209) e 2101317568/0 (NF 223 e 234) totalizando a quantidade de 301.364,79m3 de óleo bruto de petróleo, pela impossibilidade de sua apreensão em virtude da mercadoria não encontrar mais em solo brasileiro, como consta do relato fiscal: (Grifo e negrito nossos) De fato, a informação veiculada nesse fragmento é equivocada. Transcrevese abaixo o Acórdão n° 3403003.636, às folhas 618 do processo digital: Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, exonerando a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101317568/9. O julgador Zenaldo Loibman votou pelas conclusões. Quanto ao crédito exonerado, recorrese de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela legislação vigente. (Grifo e negrito nossos) Portanto, procede a alegação da Embargante, na medida em que o Acórdão n° 3403003.636 é expresso em assinalar que a impugnação foi julgada PROCEDENTE EM PARTE, na medida em que exonera a parcela do crédito tributário correspondente a R$ 120.947.795,14 (cento e vinte milhões novecentos e quarenta e sete mil setecentos e noventa e cinco reais e quatorze centavos), relativa à DDE no 2101317568/9. Fl. 682DF CARF MF 14 DAS OMISSÕES Preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de violação ao devido processo legal e ampla defesa É alegado nos itens 21 a 24 do RECURSO VOLUNTÁRIO: 21. Ora, da análise dos fatos "descritos” no Auto de Infração vergastado, depreendese claramente que, no afã de se cobrar uma multa exorbitante da Recorrente, o ilustre fiscal, ao que tudo indica por um lapso de atenção, fez um "corte e cola” do Auto de Infração objeto do processo administrativo n° 12466.721676/2011 11, de modo a tornálo incompreensível, ante a falta de concatenamento lógico de suas assertivas, impossibilitando, destarte, o exercício de defesa da Recorrente. 22. Nesse exato sentido, confirase acórdão proferido pela 3a Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo administrativo n° 10680.009059/200790, julgado em 23/08/2011, em textual: "A ausência de clareza e precisão do levantamento, da autuação e da muita, resultam em nuildade da autuação, por cerceamento do direito a ampla defesa, do contraditório, o que acaba por macular o due process of law, isto é o devido processo legal. A nuiidade ora suscitada é reconhecida, nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 37, caput, da CF/88 e a reconheço como de cunho material, pois se refere intrinsecamente com a descrição da infração propriamente dita.” 23. Por essa mesma razão é que o Decreto n° 70.235/72 também enumera como elemento essencial do auto de infração a descrição dos fatos e a correta disposição legal infringida, veja se: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da iavratura; ill a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável: a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná ia no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." 24. Nessa linha de raciocínio, merece reforma a decisão recorrida, uma vez que o auto de infração claramente carece da motivação necessária e intrínseca à própria natureza do ato administrativo do lançamento tributário, indo de encontro a todos os princípios corolários da Administração Federai contidas na Lei 9.784/99 art. 2°, bem como no próprio Decreto 70.235/72 art. 59. A argumentação esposada pelo Embargante tem o seu fundamento. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 9 15 O Acórdão n° 11043.465, da 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Recife/PE, datado de 24 de outubro de 2013, se pronuncia sobre o tema. Este Relator ao iniciar seus trabalhos na presente análise, admite essa dificuldade, inclusive fazendo a seguinte referência no início do Relatório: Em destaque, salientase desde já que há uma evidente falha material na organização das peças processuais, pois é colacionada à página 02 do Auto de Infração, trecho que deveria ter sido colacionado à página 09 e, à página 03, trecho que deveria estar colacionado à página 07. Mas em seguida, na mesma linha adotada pelo Acórdão n° 11043.465, esclarece: Merece destaque, ainda, o fato de que, às folhas 20 e seguintes, foi colacionado auto de infração relativo à decretação do perdimento, onde a sequências das folhas relativas à narrativa dos fatos foi observada, permitindo clara compreensão. Desse modo, ainda que seja patente a falha material na organização das peças processuais, o direito de Defesa da empresa autuada não ficou prejudicado, dada a colação de outro documento referente ao AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL N° 0727600/00286/11, pela fiscalização, a partir das folhas 19 do processo digital, contendo idêntica descrição dos fatos. O artigo 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM O artigo, vigente à época dos fatos, assim dispunha: Art. 15. O despacho aduaneiro de exportação de petróleo será processado pela unidade da SRF referida no art. 4º. Parágrafo único. O registro da declaração de exportação poderá ser efetuado no Siscomex após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional. (Renumerado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 385, de 12 de janeiro de 2004) § 1º O registro da declaração de exportação poderá ser efetuado no Siscomex após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional. § 2º No caso de unidades de produção ou de estocagem de petróleo exploradas sob o regime de consórcio de empresas, o despacho de exportação deverá ser realizado em nome de cada empresa associada, informandose no campo 'observações' do Registro de Exportação a identificação da unidade de produção ou de estocagem de petróleo, bem assim o nome e o CNPJ do consórcio. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 385, de 12 de janeiro de 2004) Fl. 684DF CARF MF 16 A Instrução Normativa SRF n.° 363/2003 instituiu a necessidade de prévia habilitação da empresa que opte pelo procedimento simplificado de exportação do petróleo. Ainda que a Instrução Normativa SRF n° 363/03 não tenha feito previsão expressa à necessidade de prévia autorização de embarque pela Unidade Local, o teor do artigo 20 deixa claro ser aplicáveis à exportação de petróleo as disposições da Instrução Normativa SRF 28/94: Art. 20. Aplicamse aos procedimentos previstos nesta Instrução Normativa, no que couber, as disposições constantes da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Os artigos 52 e 55 da Instrução Normativa SRF 28/94, vigentes à época dos fatos, assim dispunham: Art. 52. O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A critério do chefe da unidade local da SRF, o registro da declaração poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, na exportação: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) (...) Art. 55. A autorização para o embarque dos produtos indicados no parágrafo único do art. 52, será concedida pelo chefe da unidade local da SRF ou por quem for por ele designado, à vista de pedido do interessado e de Termo de Responsabilidade, para formulação da declaração para despacho aduaneiro "a posteriori", que obedecerá o modelo anexo. Esses dispositivos fundamentaram a Portaria ALF/Vitória 37/2007. Deixou de fazer constar expressamente em seu dispositivo, bem como em sua ementa, que o Recurso de Ofício foi improvido. Embora não conste na Ementa, essa informação consta expressamente do corpo do do Acórdão n° 3403003.636, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, não se vislumbrando qualquer omissão e prejuízo à Embargante. DA CONTRADIÇÃO Ao afirmar expressamente que a Embargante, enquanto detentora de regime especial de exportação, deve observar à risca as exigências de caráter obrigacional, porém desconsidera o fato de que a IN SRF n° 363/2003 não exige em momento algum o pedido prévio de embarque. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 12466.721311/201341 Acórdão n.º 3302005.713 S3C3T2 Fl. 10 17 Esse assunto já foi devidamente abordado na OMISSÃO referente ao tópico “O artigo 15 da IN SRF n.° 363/2003 não exige o cumprimento de obrigações acessórias como a apresentação do PEM”. Com base nas razões acima expostas, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, reconhecendo a OBSCURIDADE em relação ao Relatório do Acórdão n° 3403003.636, às folhas 619 do processo digital e a OMISSÃO em relação a falha material na organização das peças processuais, em que pese o direito de Defesa da empresa autuada não restar prejudicado. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 686DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003462/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009
DEPÓSITO JUDICIAL. REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago.
DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN.
A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207-210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado, mantendo a suspensão dos débitos, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação do demonstrativo referido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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REQUISITOS. ART 151, II CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na hipótese de depósito judicial apenas parcial, o lançamento se impõe visando a garantir o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário com a imputação da multa de ofício e dos juros de mora aplicáveis sobre o montante do imposto não pago. DÉBITOS VENCIDOS. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. LEGALIDADE. ART. 163 CTN. A existência simultânea de dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo permite que a autoridade fiscal competente proceda a imputação proporcional dos pagamentos na forma estabelecida no art. 163 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado, mantendo a suspensão dos débitos, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação do demonstrativo referido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 62 /2 01 0- 97 Fl. 353DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.216227: 5. O processo em exame versa sobre um lançamento de Cofins e outro de Pis, ambos realizados pela DEFIS/SPO em 27/10/2010 com o escopo de constituir débitos dessas contribuições apurados no período de janeiro a agosto de 2009. 6. O lançamento da Cofins foi formalizado no auto de infração anexo às fls. 93/96, cujos demonstrativos se acham nas fls. 89/92; já o do Pis deu origem ao auto de infração das fls. 102/105, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 98/101. 7. O autor do feito lavrou ainda um Termo de Verificação Fiscal (fls. 79/87). Segundo relata nesse documento, apurou os débitos mencionados em planilha anexa à fl. 88, empregando como base de cálculo as “outras receitas” contabilizadas pela empresa no período autuado, as quais não haviam sido tributadas em virtude de discussão judicial travada nos autos do mandado de segurança n° 2004.61.00.0094621. Ressalta que os débitos não foram declarados em DACON nem em DCTF e assinala a necessidade de lançálos sem exigibilidade suspensa e com multa de ofício, tendo em vista que os depósitos judiciais realizados pela autora haviam perdido a eficácia devido à desistência da ação. 8. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa de ofício e juros de mora (calculados até 30/09/2010), perfaz os montantes de R$ 7.672 348,57 no caso da Cofins (fl. 93) e R$ 1. 665.707,13 no caso do Pis (fl. 102). 9. Tomando conhecimento da autuação em 29/10/2010 (fls. 94 e 103), a interessada apresentou em 29/11/2010 — tempestivamente portanto — impugnação composta de 17 folhas (fls. 109/125) e instruída com diversos documentos (126/189), na qual alega em síntese que: 1. Em 2004 impetrou os mandados de segurança n° 2004.61.00.0094621 e 2004.61.00.0256724. 2. O primeiro tinha por fim assegurarlhe o direito líquido e certo de apurar o PIS e a COFINS apenas sobre as receitas decorrentes das vendas de bens e serviços, deixando de incluir, portanto, as “outras receitas” na base de cálculo dessas contribuições. 3. Pleiteou ainda nesse processo a possibilidade de aproveitarse dos valores/créditos indevidamente recolhidos a maior, ou seja, dos valores pagos a título de PIS/COFINS sobre “outras receitas”. 4. Revogada a medida liminar anteriormente concedida que autorizava a exclusão das “outras receitas” da base de cálculo do PIS/COFINS, efetuou Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 3 3 depósito judicial do benefício gerado pela decisão judicial para as contribuições apuradas entre setembro de 2004 e dezembro de 2007, devidamente acrescidas de juros moratórios, passando desde então a fazêlo mensalmente até o período de apuração de junho de 2009, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 5. Após o período de apuração de Junho de 2009, parou de efetuar os depósitos judiciais e passou a recolher as contribuições ao PIS e à COFINS incidentes sobre “outras receitas”. 6. O segundo tinha por fim assegurarlhe o direito líquido e certo de aproveitar o direito à geração de créditos da nãocumulatividade relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, sob a mesma alíquota aplicável às instituições financeiras, e relativos às despesas com terceiros das mais diversas ordens, sob a mesma alíquota aplicável a cada um destes. 7. Também revogada a medida liminar anteriormente concedida, efetuou depósito judicial dos benefícios fruídos nas apurações das contribuições relativas ao período de setembro de 2004 a dezembro de 2007, devidamente acrescidas de juros moratórios, passando então a fazêlo mensalmente, até o período de apuração de dezembro de 2008, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 8. Após o período de apuração de dezembro de 2008, a Impugnante parou de efetuar os depósitos judiciais e passou a não mais tomar créditos da não cumulatividade das contribuições ao PIS e a COFINS incidentes sobre despesas financeiras. 9. Tal fato foi objeto de verificação da fiscalização, que, inclusive, deixou de autuar, neste mister, a Impugnante. 10. A quase integralidade dos valores lançados nos autos de infração ora impugnados encontrase depositada judicialmente e está em vias de ser convertida em renda da União, já que desistiu de ambas as ações judiciais a fim de aderir ao parcelamento instituído pela lei n° 11.941/2009. 11. No tocante ao mandado de segurança n° 2004.61.00.0094621, em 30/09/2009 requereu a desistência do recurso de apelação interposto e renunciou ao direito sobre o qual se fundava a ação (documento 3), requerendo ainda a conversão em renda dos valores depositados — a qual deverá darse nos termos da referida lei n° 11.941/2009, que prevê redução de 100% da multa e 45% dos juros para pagamento a vista/conversão de depósitos — e o levantamento das diferenças. 12. A autoridade fiscal lançou a totalidade dos valores apurados a título de Pis e Cofins incidentes sobre “outras receitas”. 13. Ao fazêlo, ignorou completamente a existência dos depósitos judiciais, apoiandose na conclusão absurda de que, homologada a desistência da ação judicial, eles seriam ineficazes por não estarem mais vinculados a uma medida judicial e, portanto, não mais se prestariam a suspender a exigibilidade do crédito tributário. 14. No entanto, devese considerar no presente caso os seguintes depósitos judiciais vinculados ao mandado de segurança em apreço, comprovados pelos extratos das contas de depósito judicial 1181 635 000027455 (PIS Outras Receitas) e 1181 635 000027463 (COFINS Outras Receitas) – documento 4 , mantidas na Caixa Econômica Federal (Administração de Depósitos Judiciais): (...) Fl. 355DF CARF MF 4 15.A petição que protocolou nos autos do mandado de segurança em exame em 21/06/2010 (documento 5) traz uma planilha dos valores a converter em renda da União e dentre eles os exatos valores acima mencionados. 16. Os depósitos relativos aos períodos de apuração de janeiro, abril e junho de 2009, que estão em vias de ser convertidos em renda da União, extinguem os débitos lançados, nos termos do art. 156 do CTN, como mostram os demonstrativos a seguir: (...) 17. Os valores depositados judicialmente tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário até que seja procedida a conversão do montante em renda da União, sendo totalmente desprovido de razoabilidade o entendimento de que, uma vez transitada em julgado (pela desistência do recurso de apelação e renúncia ao direito CPC, 269, V), os depósitos não teriam lastro em medida judicial e desta forma não teriam o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. 18. Embora seja crível que desde o trânsito em julgado até a efetiva conversão dos depósitos em renda da União haja o processamento normal do feito com o cumprimento de atos formais, não se pode admitir que durante esse trâmite o débito seja exigível e possa ser cobrado da impugnante. 19. Ademais, apenas a título de argumentação, após a edição da lei n° 9.703/98, a conversão do depósito em renda da União passou a ser ato meramente formal, uma vez que os valores depositados ficam à disposição da União na Conta do Tesouro Nacional . 20. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário pelo depósito do montante integral nos termos do art. 151, II, do CTN, não cabe imposição de multa de ofício em lançamento destinado a prevenir a decadência, consoante prevê o art. 63 da lei n° 9.430/96 e confirma a jurisprudência administrativa que ora traz à colação. 21. Diante do exposto, requer seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, II do CTN, até que este seja extinto nos termos do artigo 156, VI do mesmo diploma legal, procedimento este que já foi iniciado nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0094621, bem como seja afastada a multa de ofício aplicada. 22. Já os valores lançados relativos aos meses de julho e agosto de 2009 são de fato devidos, não tendo sido depositados nem recolhidos. Por isso quitouos no dia 26/11/2010, ou seja, dentro do prazo de pagamento do auto de infração — valendose da redução de 50% da multa, segundo dispõe o art. 44 da lei n° 9.430/96 c/c o art. 6o, I, da lei n° 8.218/91 (ambos reproduzidos na impugnação) — como mostram o DARF anexo (documento 6) e os demonstrativos abaixo: (...) 23. Desta forma, requer seja extinto o crédito tributário lançado para os meses de julho e agosto de 2009 pelo pagamento, nos termos do artigo 156, I do Código Tributário Nacional. 24. Quanto aos períodos de apuração de fevereiro, março e maio de 2009, observamse pequenas diferenças entre os valores depositados e os recolhidos: (...) Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 4 5 25. Tais diferenças realmente são devidas, uma vez que a conversão dos depósitos em renda não será suficiente para extinguir a totalidade do crédito tributário lançado. 26. Por isso as recolheu em 26/11/2010, ou seja, dentro do prazo de pagamento do auto de infração. Além disso, recolheu a multa de ofício sobre os valores lançados nos meses em apreço, a qual também é devida em virtude de os depósitos terem sido efetuados a menor. 27. As quantias mencionadas foram recolhidas por meio do DARF anexo (documento 6) e segundo os cálculos a seguir: (...) 28. Como a soma dos valores depositados judicialmente mais os valores pagos no prazo de vencimento do presente auto de infração têm o condão de extinguir a totalidade do crédito tributário lançado para os meses de Fevereiro, Março e Maio de 2009, requer seja reconhecida sua extinção nos termos do artigo 156, I e VI. 29. No que se refere à redução aplicada à multa de ofício, como transcrito no tópico acima, esta tem por base o disposto no artigo 44, § 3° da lei n° 9.430/96 cumulado com o artigo 6°, I da lei n° 8.218/91. 30. Diante do exposto, considerando que os seguintes valores se encontram depositados nos autos do Mandado de Segurança n. 2004.61.00.0094621 e, comprovadamente, em procedimento de conversão em renda da União: (...) 31. Considerando que a multa de ofício no percentual de 75% lançada para os períodos de apuração Janeiro, Abril e Junho de 2009 é indevida por vedação expressa do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como jurisprudência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 32. Considerando que a totalidade dos valores lançados para os períodos de apuração de Julho e Agosto de 2009, devidamente acrescida de juros e multa de ofício foi integralmente quitada, bem como as diferenças apuradas para os períodos de Fevereiro, Março e Maio de 2009, parcela de juros sobre elas incidentes e multa de ofício sobre o total lançado, nos termos dos cálculos abaixo e DARF anexa (Documento 06): (...) 33. requer o conhecimento da presente impugnação para, no mérito, reconhecer ser indevida a multa de ofício lançada para os meses de Janeiro, Abril e Junho de 2009 e a extinção do crédito tributário para todo o restante lançado, nos termos dos incisos I e IV do artigo 156 do Código Tributário Nacional. 10. Segundo o extrato do processo anexo às fls. 209/211, a autoridade preparadora, antes de enviálo a esta DRJ, utilizou ambos os DARF mencionados pelo sujeito passivo — um relativo ao Pis e outro à Cofins (fl. 189) — para quitar integralmente os débitos de julho e agosto de 2009 e parcialmente os débitos de fevereiro, março e maio de 2009, extinguindo, quanto a estes últimos, as diferenças apontadas no item 24 do resumo da peça impugnatória. Fl. 357DF CARF MF 6 11. A extinção integral dos débitos de julho e agosto de 2009 também é atestada pelos extratos do sistema SIEF anexos às fls. 195 (Cofins) e 197 (Pis). 12. Atendendo a despacho exarado por esta Turma de Julgamento (fls. 198/200), a EQAMJ (Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito “sub judice”) da DERAT/SP, por meio dos cálculos de imputação descritos nas fls. 202/207, verificou serem insuficientes para quitar os respectivos débitos os 12 depósitos judiciais citados pela recorrente (item 14 do resumo da peça impugnatória), cuja existência confirmam os extratos do sistema SINAL08 juntados pela autoridade fiscal nas fls. 65/66. Em 20 de junho de 2013, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 FALTA DE DECLARAÇÃO. Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido declarados em DCTF ou outro documento que constitua confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO. Cabe à autoridade julgadora, ao analisar as alegações deduzidas pela impugnante, tomar em conta apenas o crédito tributário remanescente da revisão de ofício empreendida pela unidade de origem. Em outras palavras, não compõem a matéria controversa os débitos por esta exonerados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. O fato de o crédito tributário ter sido objeto de discussão na Justiça, independentemente de sua exigibilidade estar suspensa ou não por depósito judicial ou qualquer outra medida prevista em lei, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL (PA 01/2009 a 06/2009). Não incide multa de ofício sobre o crédito tributário, quando suspenso pelo depósito integral do montante devido, em conformidade com o disposto no art. 151, II do CTN. Sendo, no entanto, insuficiente o depósito realizado, impõese o lançamento da penalidade pecuniária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 FALTA DE DECLARAÇÃO. Cumpre lançar de ofício os débitos apurados pela empresa que não tenham sido declarados em DCTF ou outro documento que constitua confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO. Cabe à autoridade julgadora, ao analisar as alegações deduzidas pela impugnante, tomar em conta apenas o crédito tributário remanescente da revisão de ofício empreendida pela unidade de origem. Em outras palavras, não compõem a matéria controversa os débitos por esta exonerados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. O fato de o crédito tributário ter sido objeto de discussão na Justiça, independentemente de sua exigibilidade estar suspensa ou não por depósito judicial ou qualquer outra medida Fl. 358DF CARF MF Processo nº 19515.003462/201097 Acórdão n.º 3302005.491 S3C3T2 Fl. 5 7 prevista em lei, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL (PA 01/2009 a 06/2009). Não incide multa de ofício sobre o crédito tributário, quando suspenso pelo depósito integral do montante devido, em conformidade com o disposto no art. 151, II do CTN. Sendo, no entanto, insuficiente o depósito realizado, impõese o lançamento da penalidade pecuniária. Cientificada da decisão de piso 31.10.2013 (fls. 235), a Recorrente interpôs recurso voluntário 28.11.2013 (fls. 236250), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2016 (fls.815) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2016 (fls.820836) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito II.1. Dos períodos de apuração de julho e agosto de 2009 Conforme exposto anteriormente, tratase de Auto de Infração para cobrança de débito do PIS e da COFINS do período de apuração de janeiro a agosto de 2009, com a incidência de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Em relação aos períodos de julho e agosto de 2009, a Recorrente reconhece como devido os débitos apurados nesses meses, inexistindo, assim, controversa sobre o montante exigido. Deste modo, resta analisar os débitos dos períodos remanescentes, alvo de contestação por parte da Recorrente. II.2 Dos demais períodos de apuração (janeiro a junho de 2009) Para os períodos de apuração do período de janeiro, abril e junho de 2009, seja em sede impugnatória quanto em recursal, a Recorrente alega que efetuou depósito judicial do valor integral exigido, no efetivo prazo de recolhimento das contribuições, estando, a exigibilidade das contribuições suspensas nos termos do inciso II, do artigo 151, do CTN. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 359DF CARF MF 8 Requer, por esse fundamento, o afastamento da multa e juros moratórios, bem como da multa de ofício. Quanto aos débitos de fevereiro, março e maio de 2009, a Recorrente assume que ocorreu depósito a menor, o que a levou a recolher, não só as diferenças entre os valores lançados e os depositados, mas também a multa de ofício correspondente à totalidade dos valores lançados, com a redução de 50% prevista no art. 44, § 3º, da lei n° 9.430/96 c/c o art. 6°, I, da lei n° 8.218/91. Requer, por este motivo, que seja reconhecida a suspensão dos débitos objeto de depósito judicial e, reconhecida a extinção pelo pagamento da multa ofício nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que a fiscalização realizou nova apuração do montante originalmente exigido, considerando, para tanto, os valores pagos e depositados pela Recorrente, conforme se verifica no demonstrativo carreado às fls. 207210. Naquela ocasião, a fiscalização corretamente, excluiu a multa e os juros sobre o total do lançamento, mantendose a incidência desses consectários apenas sobre o saldo devedor apurado. Neste cenário, entendo correta a nova apuração de cálculos realizada pela fiscalização que, considerando os depósitos judiciais noticiados pela Recorrente, alguns realizados fora do prazo de vencimento e, outros em valor menor do que devido, refez o lançamento fiscal e manteve a incidência de multa de ofício e juros sobre o saldo devedor apurado. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento sobre os saldos devedores demonstrados as fls. 207210, com multa de ofício e juros de mora e, excluir a multa de ofício do principal amortizado com suspensão, em vista dos depósitos judiciais considerados na imputação de mesma folha. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.003838/2008-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/04/2002
RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial quando não prequestionada a matéria apresentada ao litígio.
Numero da decisão: 9303-006.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial quando não prequestionada a matéria apresentada ao litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 38 38 /2 00 8- 10 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.014, de 21 de agosto de 2013 (fls. 108 a 112 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem conforme consta do auto de infração, em ato de conferência física para verificar as mercadorias objeto da DDE (Declaração para Despacho de Exportação) n°2081427738/1, de 02/12/2008, a fim de realizar sua devolução ao exterior, a fiscalização constatou que os volumes apresentados não continham as calculadoras descritas nos documentos correspondentes. Em seu lugar foram encontradas 53 (cinquenta e três) caixas de papelão contendo areia, 19 (dezenove) vazias e 16 (dezesseis) com calculadoras pequenas de uso comum. Concluiuse, pois, que as mercadorias anteriormente importadas foram alvo de extravio, conforme evidenciado pelas cópias do AWB, DTA, Fatura, Romaneio e FEM. O Contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese, que: é uma empresa autorizada pela Receita Federal para funcionar como porto seco, podendo receber e armazenar mercadoria estrangeira ou exportar mercadoria nacional, não promovendo a entrada de mercadoria estrangeira, por ser impedido de comercializar, importar ou exportar qualquer tipo de mercadoria. a mercadoria em questão não foi objeto de declaração de importação, não ocorrendo no caso o fato gerador; nos casos de extravio, furto ou roubo da mercadoria importada, em que o depositário cumpriu fielmente o seu dever, não há que ser o mesmo responsabilizada pelo pagamento dos tributos e multa; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 4 3 a análise dos elementos caracterizadores da ocorrência do caso fortuito ou força maior, deve ser feito caso a caso, não podendo o órgão administrativo simplesmente se valer de referido ato declaratório para inovar quanto ao conceito e abrangência do caso fortuito e da força maior, fazendoo prevalecer sobre o Direito Civil, expresso nas leis; a autoridade aduaneira no local alfandegado Embrate, verificou não constatar indícios de violação, troca, ou qualquer outra ação direta do armazém alfandegado, tendo os volumes se apresentados da mesma forma que foram armazenados na sua chegada; tal fato pode ter ocorrido em várias partes da logística: transporte internacional, armazenamento junto a Infraero no aeroporto, transporte rodoviário entre o aeroporto e o Embrate. Ao final requer seja aplicada a pena de perdimento. A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/04/2002 EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As entidades da Administração Pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Recurso Improvido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 121 a 130) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 5 4 pelo contribuinte diz respeito ao descumprimento de formalidades regulamentares, na realização da vistoria aduaneira, a ensejar a nulidade do lançamento. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma os acórdãos de números 30134.887 e 310200.549. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 150 a 153. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 155 a 165, manifestando pelo não provimento do recurso e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade Entendo que o Recurso Especial do Contribuinte interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento, conforme despacho de fls. 150 a 153, sob os argumentos abaixo relacionados: O acórdão recorrido decidiu que as formalidades previstas nos artigos 581, §1º e 587 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto 4.543/2003), reclamadas pelo recorrente, não são imprescindíveis à validade do lançamento. Por sua vez, os acórdãos paradigmas assentam a importância de tais requisitos formais a validar a vistoria aduaneira e permitir o amplo direito de defesa, conforme se verifica claramente pela leitura de suas ementas. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 6 5 Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. É como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo do seu entendimento quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Para chegar a esta conclusão, devemos revisitar algumas peças processuais. Após ser cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de efls. 37 e segs, na qual pede a sua exclusão de responsabilidade em relação ao extravio, mas não alegou em momento algum a questão que agora está sendo discutida no âmbito de seu recurso especial, qual seja, falta de formalidades obrigatórias relativas ao procedimento da vistoria aduaneira. Obviamente que diante da falta de alegações da defesa, a DRJ não acatou a sua impugnação e não teceu qualquer linha sobre estas formalidades. Em seu recurso voluntário, inovou e apresentou diversas questões não alegadas em impugnação, inclusive a questão das formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Porém no acórdão recorrido, efls. 108 e segs, não se tratou no voto do relator de qualquer abordagem sobre as formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Ciente do acórdão, o contribuinte apresentou seu recurso especial de divergência justamente sobre este tema: formalidades inerentes ao procedimento da vistoria aduaneira. Ou seja, esta matéria não está prequestionada e o recorrente não aviou o remédio adequado para correção da omissão que seria a oposição de embargos de declaração. O contribuinte aviou seu recurso especial em 23/10/2013, quando vigia o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que em seu art. 67, § 3º do anexo II, constava expressamente as condições de seguimento do recurso especial, senão vejamos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13855.003838/200810 Acórdão n.º 9303006.843 CSRFT3 Fl. 8 7 (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Diante da absoluta falta de prequestionamento da matéria trazida em recurso especial, voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660450/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 50 /2 01 2- 93 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660450/201293 Acórdão n.º 3401004.851 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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