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Numero do processo: 10280.722260/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.684
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do PIS apurado pelo regime da não cumulatividade, referente ao 1º Trimestre de 2007.
O recorrente apresentou no recurso voluntário documentos detalhando o processo produtivo e buscou provar que as glosas efetuadas pela fiscalização são indevidas.
Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso, emitisse um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e co-processamento de rejeito gasto de cubas RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Foi solicitado, ainda, a identificação detalhada das máquinas e equipamentos e edificações que compõe o parque industrial e seus respectivos custos.
Os autos retornaram a esse Colegiado após a diligência solicitada com os seguintes esclarecimentos:
Dos esclarecimentos
Informamos que a planilha contendo os itens máquinas, equipamentos e edificações foi apresentada com todos os itens, ao passo que as planilhas já existentes no processo, no que concerne aos itens supracitados, referem-se apenas aos itens, que no entendimento da fiscalização, não foram considerados como máquinas e equipamentos, os quais foram objeto de glosa.
Da Conclusão
Do exposto, conclui-se a presente diligência anexando os arquivos apresentados pelo contribuinte, transformados em PDF.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do PIS apurado pelo regime da não cumulatividade, referente ao 1º Trimestre de 2007. O recorrente apresentou no recurso voluntário documentos detalhando o processo produtivo e buscou provar que as glosas efetuadas pela fiscalização são indevidas. Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso, emitisse um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e co-processamento de rejeito gasto de cubas RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Foi solicitado, ainda, a identificação detalhada das máquinas e equipamentos e edificações que compõe o parque industrial e seus respectivos custos. Os autos retornaram a esse Colegiado após a diligência solicitada com os seguintes esclarecimentos: Dos esclarecimentos Informamos que a planilha contendo os itens máquinas, equipamentos e edificações foi apresentada com todos os itens, ao passo que as planilhas já existentes no processo, no que concerne aos itens supracitados, referem-se apenas aos itens, que no entendimento da fiscalização, não foram considerados como máquinas e equipamentos, os quais foram objeto de glosa. Da Conclusão Do exposto, conclui-se a presente diligência anexando os arquivos apresentados pelo contribuinte, transformados em PDF. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 26 0/ 20 09 -3 1 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722260/200931 Resolução nº 3402000.684 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do PIS apurado pelo regime da não cumulatividade, referente ao 1º Trimestre de 2007. O recorrente apresentou no recurso voluntário documentos detalhando o processo produtivo e buscou provar que as glosas efetuadas pela fiscalização são indevidas. Esse Colegiado baixou o processo em diligência para que a Unidade de Origem, tomando por base os documentos apresentados pelo recorrente na ocasião do protocolo do recurso, emitisse um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Foi solicitado, ainda, a identificação detalhada das máquinas e equipamentos e edificações que compõe o parque industrial e seus respectivos custos. Os autos retornaram a esse Colegiado após a diligência solicitada com os seguintes esclarecimentos: “Dos esclarecimentos Informamos que a planilha contendo os itens máquinas, equipamentos e edificações foi apresentada com todos os itens, ao passo que as planilhas já existentes no processo, no que concerne aos itens supracitados, referemse apenas aos itens, que no entendimento da fiscalização, não foram considerados como máquinas e equipamentos, os quais foram objeto de glosa. Da Conclusão Do exposto, concluise a presente diligência anexando os arquivos apresentados pelo contribuinte, transformados em PDF.” É o Relatório. VOTO Entendo que a diligência não foi cumprida pela Unidade de Origem. Assim sendo, remeto novamente os autos para que seja emitido um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Nesse parecer Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722260/200931 Resolução nº 3402000.684 S3C4T2 Fl. 102 3 conclusivo deve constar a identificação das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial da recorrente e seus respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 19/08/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13984.002462/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO. DECISÃO DEFINITIVA.
Esgotados os meios de notificação de Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES sem apresentação de impugnação no prazo previsto na Lei do Processo Administrativo Fiscal, a exclusão e os respectivos efeitos tornam-se definitiva.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DEFINITIVA COM EFEITOS RETROATIVOS. OPÇÃO POR REGIME DE APURAÇÃO. HIPÓTESES.
A partir do início de procedimento de fiscalização, a apuração da base de cálculo do IPRJ e da CSLL cabe à autoridade fiscal, dentro do determina o art. 149 do CTN.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade.
CSLL - LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüiições especificas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1202-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido para cancelamento dos efeitos do ADE nº 23/2005 de exclusão do Simples e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO. DECISÃO DEFINITIVA. Esgotados os meios de notificação de Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES sem apresentação de impugnação no prazo previsto na Lei do Processo Administrativo Fiscal, a exclusão e os respectivos efeitos tornam-se definitiva. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DEFINITIVA COM EFEITOS RETROATIVOS. OPÇÃO POR REGIME DE APURAÇÃO. HIPÓTESES. A partir do início de procedimento de fiscalização, a apuração da base de cálculo do IPRJ e da CSLL cabe à autoridade fiscal, dentro do determina o art. 149 do CTN. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade. CSLL - LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüiições especificas ou elementos de prova novos.
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EXCLUSÃO. DECISÃO DEFINITIVA. Esgotados os meios de notificação de Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES sem apresentação de impugnação no prazo previsto na Lei do Processo Administrativo Fiscal, a exclusão e os respectivos efeitos tornamse definitiva. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DEFINITIVA COM EFEITOS RETROATIVOS. OPÇÃO POR REGIME DE APURAÇÃO. HIPÓTESES. A partir do início de procedimento de fiscalização, a apuração da base de cálculo do IPRJ e da CSLL cabe à autoridade fiscal, dentro do determina o art. 149 do CTN. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüiições especificas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 24 62 /2 00 7- 61 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido para cancelamento dos efeitos do ADE nº 23/2005 de exclusão do Simples e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Em sessão de 15/09/2006, no processo de autos n° 13984.000283/200447, a DRJ/FNS, por meio do Acórdão n° 078576, manteve a exclusão da Recorrente do SIMPLES, com efeitos a partir de 1°/1/2002, determinada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 23, de 16 de junho de 2005, com fundamento no exercício de atividade econômica vedada no referido regime tributário, nos termos do art. 20, inciso XI, ‘e’, da IN SRF n° 355, de 2003 (vigente à época da exclusão), locação de mão de obra (Fls. 21 a 27). Cientificada, naqueles autos, do Acórdão n° 078576, por meio de Edital, de 29/12/2006 a 22/01/2007 (Fls. 29), a Recorrente não interpôs recurso à segunda instância. Nestes autos, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (Fls. 1), os Auditores Fiscais identificaram, nos anoscalendário de 2003 e 2004, ausência de recolhimento de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS (Fls. 160). Destes tributos, a Recorrente teve exonerado o crédito tributário relativo à COFINS, no valor de R$238.891,33, e à Contribuição para o PIS, no valor de R$70.747,59, por meio do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/FNS n° 0722870, em 28/01/2011, no processo de autos n° 13984.002463/200714 (Fls. 308 a 336). No presente processo, em 3/12/2007, lavraramse autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, com crédito tributário no valor total de R$938.654,41 (Fls. 140 a 164). Segundo o relatório do Acórdão recorrido (Fls. 253 a 261): DA AÇÃO FISCAL Em procedimento fiscal de oficio foram constatadas nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo acima identificado por indevida apuração com base no Simples Federal , faltas de recolhimento/declaração do Imposto de Renda da Pessoa Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 4 3 Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, cujos valores foram lançados (líquidos dos valores recolhidos sob o Simples Federal) nos autos de infração a seguir detalhados, em 3/12/2007 (ciência por meio postal em 7/12/2007, f. 165), com multa de oficio de 75% e juros de mora calculados com base na taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, até 30/11/2007: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO TOTAL AI FOLHAS IRPJ 310.011,73 162.845,03 232.508,77 705.365,53 140 CSLL 102.296,43 54.270,15 76.722,30 233.288,88 152 TOTAL 412.308,16 217.115,18 309.231,07 938.654,41 Do Termo de Verificação Fiscal IRPJ CSLL, às f. 158 a 163, colhemse os seguintes excertos: f.158 – v: 2.2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJAPURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO A Fiscalizada foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples com efeitos a partir de 1 o de janeiro de 2002, conforme Acórdão N° 078.576 3a Turma da DRJ/FNS de 15 de setembro de 2006, Processo n° 13984.000283/200447. A Fiscalizada foi informada do Acórdão através da Comunicação SORAT/DRF/LAG n° 420/2006 cuja ciência deu se através do Edital DRF/LAGES/SC/SORAT n° 044, de 29 de dezembro de 2006. Decorrido o prazo legal a Fiscalizada não apresentou recurso ao Conselho de Contribuintes em relação ao referido Acórdão. A Fiscalizada não efetuou o pagamento da diferença dos impostos e contribuições apurados pelo regime correto de tributação em relação aos valores apurados no Simples. f. 159: [...] Portanto, pelo exposto e conforme o Termo de Constatação Fiscal n° 001: o regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fiscalizada é o Lucro Real Trimestral tendo em vista: a exclusão do SIMPLES, a não opção pela tributação com base no Lucro Presumido (art. 26 da Lei 9.430/96) e a não opção na tributação com base no Lucro Real Anual com recolhimento mensal por estimativa art. 3° da Lei 9.430/96); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Fiscalizada deve ser apurada trimestralmente, pois, a forma de apuração adotada para o Imposto de Renda vincula esta forma à determinação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 5 4 a Fiscalizada está sujeita ao recolhimento da Contribuição para o PIS no regime NãoCumulativo e a partir de 01/02/2004, a Fiscalizada está sujeita ao recolhimento da COFINS no regime NãoCumulativo, tendo em vista a Tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Real. f. 159v: [...] Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 001, a Fiscalizada solicitou modelo e informações que as planilhas requeridas devem conter e a devolução dos livros e documentos entregues. Anexou cópia do requerimento de reabertura de prazo para apresentação de recurso ao Terceiro Conselho de Contribuintes contra o Acórdão n° 078.576 3a Turma da DRJ/FNS que excluiu a Fiscalizada do Simples com efeitos a partir de 1 o de janeiro de 2002. O pedido de reabertura de prazo foi negado. Em 24/09/2007 a Fiscalizada impetrou Mandado de Segurança Processo 2007.72.06.0023613 insurgindose contra a forma pela qual foi cientificada do Acórdão n° 078.576, que manteve sua exclusão do SIMPLES. De acordo com a Sentença, o pedido formulado por Araguaia Florestal Ltda EPP foi julgado improcedente e a segurança requerida foi denegada. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, a Fiscalizada confirmou que os valores apresentados através do Termo de Constatação Fiscal n 002 (Demonstrativo da Partilha dos Valores Pagos no Simples), são realmente aqueles efetivamente declarados e recolhidos pela empresa. f. 160: [...] Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 003, a Fiscalizada apresentou os Balancetes de Verificação mensais, as Demonstrações de Resultado trimestrais, a Planilha de Créditos da COFINS e a Planilha de Créditos do PIS. Com base nos Balancetes de Verificação mensais, nas Demonstrações do Resultado trimestrais, na Planilha de Créditos da COFINS e na Planilha de Créditos do PIS apresentados pela Fiscalizada; e, no Demonstrativo da Partilha dos Valores Pagos no Simples, elaboramos o Demonstrativo de Apuração PIS COFINS e o Demonstrativo de Apuração do IRPJ e da CSLL, a seguir. Neles está demonstrada a falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL. f. 162: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 6 5 [...] Os créditos descontados da Contribuição para o PIS e da COFINS são os apontados pela Fiscalizada na Planilha de Créditos da COFINS e na Planilha de Créditos do PIS. Na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL foram adicionados ao Resultado do Período os valores do IRPJ e da CSLL apurados no Simples conforme Demonstrativo da Partilha dos Valores Pagos no Simples e foram excluídos do Resultado do Período os valores das diferenças apuradas da Contribuição para o PIS e da COFINS no Demonstrativo de Apuração PIS –COFINS. f. 162v: Pelo exposto, está demonstrada a falta de recolhimento do IRPJ pela apuração incorreta do Imposto no Simples. O regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fiscalizada é o Lucro Real Trimestral. [...] Portanto, o IRPJ devido e não recolhido, decorrente da apuração incorreta do Imposto no Simples, está sendo lançado. [...] 2.3 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Conforme demonstrado no item 2.2, está demonstrada a falta de recolhimento da CSLL pela apuração incorreta da Contribuição no Simples. A CSLL da Fiscalizada deve ser apurada trimestralmente, pois, a forma de apuração adotada para o Imposto de Renda vincula esta forma à determinação da CSLL. O regime de tributação do IRPJ da Fiscalizada é o Lucro Real Trimestral. [...] Portanto, a CSLL devida e não recolhida, decorrente da apuração incorreta da Contribuição no Simples, está sendo lançada. [...] DA IMPUGNAÇÃO Por meio de petição protocolizada em 4 de janeiro de 2008 (f. 169 a 182, e anexos), o sujeito passivo impugna os lançamentos acima referidos, mediante as seguintes alegações: inicialmente, discorre sobre sua opção pelo Simples Federal e sobre sua subsequente exclusão; argumenta sobre a regularidade dessa opção, não reconhecida pela fiscalização do INSS, que vinculou a pretensa "locação de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 7 6 mãodeobra" à efetiva prestação direta de serviço de corte de árvores (com equipamentos, máquinas e ferramentas motosseras, tratores e máquinas de corte de propriedade da impugnante), sobre que transcreve precedentes das DRJ em Ribeirão Preto SP e em Curitiba PR, além de item do "Perguntas e Respostas" da RFB que cobre exatamente as atividades que desempenha; quanto aos efeitos da exclusão do Simples Federal, alega que não poderiam ser retroativos mas apenas a partir do mês subsequente àquele em que tivesse ocorrido a exclusão; cita o art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998, que alterou o art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996; às f. 173 afirma: "Relembrese que a empresa, voluntariamente, providenciou a sua exclusão do Simples em janeiro/2005, tendo em vista ter ultrapassado os limites de faturamento previstos na Lei 9.317/96, visando a presente impugnação, basicamente, reconhecer o seu direito em permanecer no Simples até a data de 31/12/2004."; com base no "Princípio Constitucional da Irretroatividade", com alegado suporte no art. 150, III, "a" da Constituição Federal (f. 174), entende estendida tal garantia contrária à exclusão retroativa do Simples Federal; A partir do item "2 No Mérito", a impugnante ataca os lançamentos constantes nos autos de infração já referidos, como segue: alega ter sido prejudicada em seu direito ao contraditório e à ampla defesa, em virtude de não ter tomado conhecimento do julgamento de sua manifestação de inconformidade ("Impugnação", f. 175); alega impossibilidade em termos de optar pelo lucro presumido em 29/12/2006, em relação aos anoscalendário de 2003 e de 2004; e agrega, à f. 176: Como poderia a empresa optar em 2003 e 2004 pelo Lucro Presumido, se o Edital, que publicou o indeferimento da Impugnação da Exclusão do Simples, foi publicado somente em 29/12/2006 ? E mais, a Impugnante só tomou conhecimento do referido edital de indeferimento quando recebeu a intimação de início d.e fiscalização. Neste aspecto, convém fazermos um parêntese para questionar os procedimentos da Receita Federal. E inadmissível, mesmo que esteja previsto em Instrução Normativa, que possa o contribuinte ser considerado intimado via Edital fixado no mural da Delegacia da Receita Federal. É uma hipocrisia alegar que esta intimação é válida e legal. Ora, pra [sic] fiscalizar, notificar, autuar, intimar, multar, o contribuinte foi facilmente localizado. Para lhe informar sobre o seu prazo de recurso o mesmo não foi encontrado. Realmente, é Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 8 7 um tratamento injusto e de consequências desastrosas, em prejuízo, é claro, do contribuinte, que recolheu todos os seus impostos devidos sem atrasar um dia sequer, como pode ser verificado no conta corrente da Impugnante. Ora, é evidente que se a Impugnante, não tinha, de fato, conhecimento da sua situação cadastral e de seu regime tributário, não teria como efetuar o pagamento relativos [sic] ao Lucro Presumido. Assim, a sua falta de pagamento não pode ser considerada como opção pelo Lucro Real, inclusive por falta de previsão lesai a respeito reafirma que a falta de pagamento do IRPJ pelo Lucro Presumido não pode ser entendida como opção pelo Lucro Real (f. 177); 2.1.3 No ano de 2005, em função da sua receita bruta ter ultrapassado os limites do Simples, a Impugnante, espontaneamente e antes de qualquer procedimento fiscal, procedeu a sua exclusão do Simples e o recolhimento de seus impostos pelo Lucro Presumido, bem como efetuou a entrega de todas as obrigações acessórias informando sua opção (DIPJ, DCTF etc), sendo que tal opção perdura até o presente momento. [...] 2.15 Quando foi intimada para a apresentação de documentos, a Impugnante informou, formalmente, ao Agente Fiscal, conforme documento anexo, que, em caso da manutenção da exclusão do Simples, a sua opção se daria pelo Lucro Presumido. Tal declaração de opção foi solenemente ignorada pelo Agente Fiscal, em flagrante desrespeito ao contribuinte e aos princípios da discricionariedade e motivação dos atos administrativos. Ressaltese que o notificante, sequer mencionou tal declaração de opção no seu relatório da Ação Fiscal, causando suspeitas de tal omissão. Destarte, resta cabalmente demonstrado, tanto o direito quanto a intenção, da Impugnante em optar pela tributação com base no Lucro Presumido, devendo ser determinado o recálculo dos valores com base nas alíquotas atinentes a tal modalidade. No item "3 Da Multa", a partir da f. 177, a impugnante alega a respeito da multa de 75%, em síntese, a inconstitucionalidade de sua aplicação: "É evidente que a mesma, além de inaplicável, é abusiva, com nítida intenção e efeito confiscatório." E acrescenta, à f. 178: A multa só seria aplicável e devida se o contribuinte não tivesse declarado os impostos no prazo legal. A empresa sempre declarou seus rendimentos e impostos através da DPJSI, não existindo quaisquer omissões que justifiquem a aplicação de tal percentual. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 9 8 Apesar da suposta inadimplência, ocorrida em função do desconhecimento do indeferimento de permanência no Simples, nunca poderia ser aplicada a multa de 75%, eis que, além de não restar configurado o dolo ou fraude, tal percentual é extremamente elevado, pois não possui in casu finalidade educativa e de repressão de conduta infratora. Relembrese que o caráter confiscatório das multas fere frontalmente o nosso ordenamento jurídico, notadamente o previsto na CF/88: [...] No item "4 Requerimentos", às f. 181/182, solicita: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para serem deferidos os seguintes requerimentos: 4.1 Seja determinado [sic] a procedência da presente, cancelandose os Autos de Infrações, tendo em vista as nulidades apontadas preliminarmente, especialmente em relação ao fato de que a Impugnante estava devidamente enquadrada, não praticava locação de mãodeobra e cumpria todos os requisitos legais do sistema tributário SIMPLES, não existindo, portanto, quaisquer diferenças a título de IRPJ e CSLL, por ser esta medida de inteira justiça; 4.2 Ad Cautelam, embora improvável, caso seja entendimento deste órgão que a exclusão do Simples seja procedente, requerse seja definido que os efeitos da mesma sejam a partir do mês subsequente à ciência de tal decisão, conforme preceitua a Lei 9.317/96. 4.3 Caso não atendidos os pedidos anteriores, o que não se considera crivel, requer o cancelamento dos débitos, eis que não existe previsão legal para aplicação da tributação pelo Lucro Real, conforme exposto no mérito. 4.4 Alternativamente, caso sejam mantidos os Autos de Infrações, requer seja determinado [sic] a revisão dos cálculos, aplicandose os percentuais com base no Lucro Presumido, tendo em vista a opção da Impugnante, acima demonstrada. 4.5 Sucessivamente, sobre os valores efetivamente devidos seja determinada a redução do valor da multa, para o percentual de 20% (vinte por cento), em face do caráter confiscatório, e do alto valor aplicado para uma pequena empresa (R$ 400.000,00 só de multa, para quem sempre pagou religiosamente em dia todos os impostos devidos !!), eis que afronta, inclusive, o princípio da capacidade contributiva; 4.6 Requer ainda que todas as notificações, intimações, diligências ou quaisquer outros atos de comunicação acerca da presente Impugnação, e do processo, sejam encaminhadas diretamente ao Procurador da Notificada, em seu domicílio profissional Av. Duque de Caxias, 1463, Centro em Correia Pinto – SC, CEP 88.535000, Fone/fax: 4932436606, email: juridico@almedcontadores.com.br. . DAS PROVAS POSTERIORES Em 28 de março de 2008 chegou a esta DRJ o Memo/Nurac/DRFV Lages/SC n° 32/2008, de 2432008, a Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 10 9 capear petição (e anexos) dirigida ao seu titular, referente ao presente processo, nos termos seguintes: ARAGUAIA FLORESTAL LTDA EPP. pessoa jurídica de direito privado, já qualificada no processo em epígrafe, vem, mui respeitosamente, a V. Sa., informar e requerer o que segue: O Processo Administrativo Fiscal prevê que a empresa deve juntar os documentos que entende necessários à sua defesa, junto com a Impugnação, facultandose a juntada a posteriori somente caso surjam novos documentos ou elementos desconhecidos quando do protocolo inicial. Desta forma, requer a juntada de cópia do Acórdão 0216.677 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte, obtida somente no mês 02/2008, cuja decisão manteve empresa, do mesmo ramo/atividade da Impugnante, no sistema "Simples ". Por oportuno, junta também o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta realizado entre a empresa Klabin (tomadora dos serviços da Impugnante) e o Ministério Público do Trabalho, que entre outras coisas, veda a ingerência da mesma sobre os funcionários das empresas contratadas, descaracterizando, assim, a locação de mãodeobra, argumento utilizado pelo INSS para excluir a Impugnante do Simples. Assim, demonstrado robustamente que a empresa Impugnante não realiza a locação de mãodeobra, requer sejam juntados ao processo os documentos acima referidos, deferindose os pedidos apresentados na Impugnação. Na sessão de julgamento de 29/11/2011, a 3ª Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão ora recorrido, de ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DEFINITIVA COM EFEITOS RETROATIVOS. OPÇÃO POR REGIME DE APURAÇÃO. HIPÓTESES. Uma vez que a pessoa jurídica optante tenha sido definitivamente excluída do Simples Federal (vigente até 30/6/2007) e, enquanto não iniciado novo procedimento fiscal de oficio desde que cumpra as condições legais necessárias para apurar seus tributos federais (IRPJ e contribuições sociais) como as demais empresas , poderá optar pelo regime do lucro presumido, pelo do lucro real anual ou pelo ordinário, lucro real trimestral. Portanto, uma vez iniciada nova ação fiscal, para constituição de crédito tributário, a contribuinte perde a espontaneidade para exercer esta opção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 11 10 CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüiições especificas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Impugnação Improcedente. Intimada da referida decisão em 26/12/2011 (Fls. 299 a 300), a Recorrente interpôs o presente recurso em 19/01/2012 (Fls. 301 a 307) e requer: 5.1 Seja determinado a procedência da presente, cancelando se o Ato Declaratório Executivo n° 23/05, com a manutenção da empresa Araguaia Florestal Ltda no sistema tributário SIMPLES e, consequentemente, o cancelamento dos créditos tributários objeto do Auto de Infração (IRPJ e CSLL), por ser esta medida de inteira justiça; 5.2 Embora improvável, caso seja entendimento deste Conselho manter a exclusão, requerse seja definido que os efeitos da mesma sejam a partir do mês subseqüente a ciência de tal decisão, conforme preceitua a Lei 9.317/96. Caso não atendidos os pedidos anteriores, o que não se considera crível, requer o cancelamento dos débitos, eis que não existe previsão legal para aplicação da tributação pelo Lucro Real, conforme exposto no mérito. 5.3 Ad Cautelam, embora não se considere crível, caso seja entendimento deste órgão em manter o indeferimento, requerse seja autorizado a entrega de DCTFs e substituição das Declarações de Imposto de Renda, e o pagamento dos impostos relativos a tributação pelo Lucro Presumido, tendo em vista a expressa manifestação de opção da Recorrente, sem a aplicação de multas, compensando o que foi pago a título do Simples, eis que inexistente a culpa por parte da Recorrente, com o consequente cancelamento dos Autos de Infrações relativos ao IRPJ e a CSLL, 5.4 Sucessivamente, sobre os valores efetivamente devidos seja determinada a redução do valor da multa, para o percentual de Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 12 11 20% (vinte por cento), em face do caráter confiscatório, e do alto valor aplicado para uma pequena empresa (R$ 400.000,00 só de multa, para quem sempre pagou religiosamente em dia todos os impostos devidos!!), eis que afronta, inclusive, o princípio da capacidade contributiva; 5.5 Requerse ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens deste e também do processo n° 13984.000283/200447, especialmente aqueles juntados pela Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1o Grau. Subiram os autos ao CARF, com distribuição por sorteio a este relator em 06/08/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra acórdão da DRJ/FNS, o qual manteve autos de infração de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2003 e 2004, decorrentes de Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Federal em 2005. Conheço do presente recurso quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado neste relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Passo à análise de cada um dos pontos levantados pela Recorrente: I DA ATIVIDADE VEDADA Segundo a Recorrente: Primeiramente, em que pese o entendimento de que não é mais cabível a análise da possibilidade da Recorrente em optar pelo Simples, permitimonos discordar, haja vista que o contribuinte teve tolhido o seu direito de ver apreciado, por este respeitado, e merecedor de crédito, Conselho de Contribuintes, o seu pedido de manutenção no Simples. Ademais, é cediço entre os renomados juristas que deve ser valorizado e incentivado o julgamento na esfera administrativa, não só para desafogar o caótico e moroso sistema judiciário brasileiro, mas principalmente pela qualidade e conhecimento técnico e especializado dos julgadores/conselheiros, cujas decisões tem se norteado pelos princípios basilares do Código Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 13 12 Tributário Nacional e da Constituição Federal, servindo de referência e de jurisprudência para questões complexas a que tem sido desafiados. Por outro norte, não se pode perder de vista que o cerne deste Processo, e dos Autos de Infrações, foi a exclusão indevida da Recorrente do Simples, pois, data vénia, o entendimento dos órgãos que emitiram e julgaram o Ato Declaratório de Exclusão está totalmente equivocado. Com efeito, os aludidos agentes fiscais, e julgadores de 1a instância, entenderam, erroneamente, que o serviço de corte de florestas plantadas configurase como locação/cessão de mão deobra. Neste aspecto, fazse necessário uma análise simples do que seja locar ou ceder mãodeobra. É cediço que as atividades de locação/cessão de mãodeobra são inerentes as empresas de serviço temporário, as quais "alugam", por assim dizer seus funcionários, para a realização de serviços eventuais, ou não, de caráter eminentemente temporário, ou seja, por um período pré determinado. Tais funcionários ficam sujeitos ao controle e subordinação da empresa contratante/locatária. Frisese, ainda, que a locação/cessão, referese exclusivamente a mãodeobra, eis que os materiais, máquinas e equipamentos são adquiridos ou fornecido pela contratante/locatária. Percebese, cristalinamente, que este não é o caso da empresa ora recorrente, eis que a mesma presta serviços com a utilização de máquinas para corte e carregamento, as quais são operadas por seus funcionários. Além disso, a empresa contratante não pratica nenhuma ingerência, pois quem admite, profissionaliza, comanda, paga e controla os funcionários é a empresa contratada, sendo que os funcionários não estão a disposição da contratante. É evidente que, para realizar os serviços contratados, os funcionários precisam se dirigir ao local de trabalho, eis que localizados em áreas rurais. Mas daí a dizer que isto caracterize locação de mãodeobra, existe uma grande diferença, afinal, como poderiam prestar os serviços se não fossem até o local de extração de madeira? Por outro lado, poderseia, e deverseia, no presente Recurso, retomar as teses e fatos que se consideram indevidas para a exclusão do Simples. Porém, tal atitude, além de repetitiva, tomarseia enfadonha e desnecessária, eis que se acredita que os fatos arrolados na Impugnação estão expostos de forma clara, objetiva e devidamente fundamentados, razão pela qual, pedese, máxima Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 14 13 data vênia que sejam considerados por V. Sas., para o julgamento deste Recurso, os argumentos e jurisprudências lá apontados. Convém ainda destacar que, ao contrário do afirmado na Decisão, ora recorrida, o Poder Judiciário ainda não decidiu se a Recorrente pode ou não optar pelo Simples, eis que no Mandado de Segurança impetrado, o MM Juiz abstevese de analisar tal questão, em face da via estreita da ferramenta jurídica, a qual não propicia a produção mais aprofundada de provas, conforme se depreende da R. Sentença, em anexo. Assim, o posicionamento deste Egrégio Conselho de Contribuintes, com o reconhecimento de que a empresa pode optar pelo Simples, evitará que a discussão seja direcionada ao Poder Judiciário, fortalecendo e valorizando a importância dos Tribunais Administrativos. Nesta esteira, é importante destacar que este Conselho, em casos anteriores e semelhantes, já se manifestou no sentido de que a atividade da Recorrente não é impeditiva para o Simples, conforme cópia de Decisão juntada no processo, razão pela qual se entende que o acolhimento do pedido encerraria, em definitivo, tal discussão. Conforme consta do relatório, o Acórdão da DRJ/FNS que manteve ADE n° 23, de 16 de junho de 2005, tornouse definitivo na esfera administrativa devido à ausência de recurso à segunda instância, esgotados todos os meios de notificação do referido Acórdão, conforme o Decreto n° 70.235, de 1972. Não há reparos no Acórdão recorrido, o qual esclarece: O sujeito passivo inicia sua petição impugnatória com abordagem relativa a matéria já superada tanto na instância administrativa (f. 61/62) como na judicial (f. 64 a 71 petição inicial mandado de segurança com pedido de liminar, e 137 a 138 sentença de mérito), no que tange à preclusão administrativa de seu direito a recurso perante o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS DO MINISTÉRIO DA FAZENDA CARF, motivado pelo transcurso in albis do correspondente prazo, após ciência por edital do Acórdão n° 07 8.576, de 15 de setembro de 2006, desta Terceira Turma de Julgamento, que manteve sua exclusão do Simples Federal, determinada no Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 23, de 16 de junho de 2005, do Delegado da Receita Federal DRF, em Lages SC, veiculado no processo administrativo fiscal n° 13984.000283/200447. Temse, pois, que sua exclusão de ofício do Simples Federal se aperfeiçoou definitivamente e, assim, sobre ela nesta primeira instância administrativa de julgamento nada mais se poderá deliberar. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 15 14 Diante do exposto, não conheço do pedido de cancelamento do ADE n° 23, de 16 de junho de 2005, da DRF em LagesSC. II DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO Segundo os argumentos recursais: O artigo 2o do Ato Declaratório Executivo 16/05 dispõe que a exclusão surtirá efeitos a partir de 01/01/2002. Ora, tal decisão contraria frontalmente a LC 9.317/96, pois o art. 3o da Lei 9.732/98 é cristalino e objetivo ao estabelecer que os efeitos da exclusão ocorrem a partir do mês subseqüente àquele que se proceder exclusão: Lei 9.732/98: Art. 3o. Os dispositivos a seguir indicados da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 15 II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos 111 a XVIII do artigo 9o;" (grifo nosso) Merece destaque ainda, que lhe foi deferido o enquadramento, no momento de opção, sem qualquer óbice. Assim, feita a opção pelo simples por parte da Empresa, conforme prova material colacionada, presumese a regularidade da situação perante a Secretaria da Receita Federal. Muito embora, a todo tempo, o INSS possa representar à SRF, nos termos do parágrafo 4o do art. 15 da Lei n° 9.317/96, visando à exclusão da executada do simples, necessário que se demonstre robustamente, e não por meras assertivas, como no caso concreto, a ocorrência de caso de exclusão obrigatória do regime tributário em questão. Desta maneira, se mantida a exclusão, repisese, o que não acredita a Recorrente, ad argumentandum tantum, pugna desde já para que surta seus efeitos um mês a partir da atualidade, diversamente do que propõe o Ato Declaratório. O art. 179 da Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte "visando incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícia ou pela eliminação ou redução destes." Em contrapartida, as micro e pequenas empresas têm a responsabilidade social basicamente de gerar empregos, sendo que a Empresa ora Recorrente desincumbiuse deste ônus, pois é uma geradora de empregos. Este mesmo dispositivo constitucional (art. 179) remete ao legislador, ordinário competência para definir o que seja microempresa e empresa de pequeno porte. No entanto, somente Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 16 15 a Lei n° 9.317, de 1996 tem o condão de apontar quais as empresas que não poderão optar pelo SIMPLES. Sendo assim, não consta da referida norma as atividades então exercidas (corte de florestas). Relembramos que a empresa, voluntariamente, providenciou a sua exclusão do Simples em janeiro/2005, tendo em vista ter ultrapassado os limites de faturamento previstos na Lei 9.317/96, visando o presente Recurso, basicamente, mantêla no Simples até a data de 31/12/2004. Entendo não assistir razão a Recorrente, pelos mesmos motivos expostos no item anterior deste voto. Os efeitos da exclusão do Simples Federal constam do Acórdão DRJ/FNS n° 078576, definitivo na esfera administrativa (Fls. 27): Isto posto, voto pelo indeferimento da solicitação de permanência na sistemática de tributação pelo Simples formulada pela interessada, mantendo sua exclusão com efeitos a partir de 01.01.2002. Diante do exposto, não conheço do pedido para definir os efeitos do ADE n° 23, de 16 de junho de 2005, da DRF em LagesSC, para o mês subseqüente à ciência deste. III DA OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO: Segundo os argumentos recursais: Causa espécie a forma como foi tratado o contribuinte, o qual, digase de passagem, ciente de seus deveres, sempre pagou rigorosamente em dia todos os impostos devidos, nunca tendo sido autuado por qualquer irregularidade ou indício de sonegação. Tal conduta, exemplar, foi "premiada" com sua incorreta e indevida exclusão do Simples e com a aplicação de multas abusivas, além de sequer poder optar pelo regime do Lucro Presumido, fato que não se coaduna com os princípios democráticos que norteiam as legislações pátrias. Há que se ressaltar que os erros fazem parte da condição humana, devendo, também, serem respeitados àqueles que possuem entendimentos divergentes da Recorrente, a qual pode, em virtude da indignação e da sensação de impotência diante da situação à que foi exposta, fazer comentários e observações que poderiam ser minimizados. Todavia, impõese informar que também existem decisões acertadas em instâncias inferiores, pois, cm função da exclusão do Simples foram emitidos Autos de Infrações para cobrança do PIS, CQFINS, IRPJ e CSLL, sendo que, como não foi observado o direito do contribuinte em optar pelo Lucro Presumido, em relação ao PIS e a CQFINS, tais Autos de Infrações já foram, acertadamente, cancelados, conforme se depreende do Acórdão 0722.870, da DRJ/FNS, cuia decisão definitiva consta no Processo 13984.002463/200714, em anexo. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 17 16 Ou seja, o direito da Recorrente em optar pelo Lucro Presumido já foi reconhecido em relação ao PIS e a CQFINS, bastando apenas, por uma questão de direito, equidade e analogia ser estendido ao IRPJ e a CSLL, o que desde já se requer. (...) Destarte, para a Recorrente, não lhe foi dado o direito de opção ao Lucro Presumido após a sua exclusão do SIMPLES Federal, como previsto na legislação sobre o IRPJ e da CSLL. E, para justificar seus argumentos, anexou o acórdão n° 0722.870, do processo de autos n° 13984002463/200714, o qual a exonerou dos créditos tributários relativos à COFINS e à Contribuição para o PIS. Consta do referido acórdão: (...) Nos termos do art. 527 do RIR/99, as empresas optantes pelo lucro presumido, devem manter escrituração contábil, ou alternativamente, que mantenham livro caixa com a movimentação financeira. De se observar que no Termo de Verificação Fiscal, consta a informação de entrega, pela contribuinte, de grande parte de sua escrituração (Livro Diário, Livro Razão, Livro Registro de Serviços, Balancetes de Verificação Mensais nas Demonstrações de Resultado Trimestrais, etc), tanto que foi a partir destes documentos que a autoridade fiscal, ao invés de arbitrar o lucro da contribuinte (hipótese esta que seria aplicável diante da inexistência de escrituração), adotou o Lucro Real. Temse, assim, que a contribuinte poderia mesmo ser submetida à tributação pelas regras do Lucro Presumido e esta forma de Tributação lhe fora deixada de lado, uma vez que a Autoridade Fiscal somente lhe concedeu uma única opção, qual seja, a tributação pelas regras do Lucro Real. A possibilidade de opção pelo lucro presumido, pelas regras do antigo SIMPLES, já constava nas edições de Perguntas e Respostas da SRF (atualmente Receita Federal do Brasil). Pergunta n° 183 Quais os efeitos da exclusão do Simples? A pessoa jurídica excluída do Simples, por opção, obrigatoriamente, ou de ofício, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às normas jurídicas, inclusive com relação à forma de apuração dos resultados, tomando como base as regras previstas para o lucro real, ou, quando seja permitido, opcionalmente, pelo lucro presumido, ou ainda, excepcionalmente, pelo lucro arbitrado, previstas na lei fiscal. (...) Tal possibilidade foi depois expressamente inserida na legislação que rege o SIMPLES Nacional: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 18 17 Art.32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1° Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (...) No mesmo sentido, alguns julgados da jurisprudência administrativa: 1° Conselho de Contribuintes/ 1ª Câmara /Acórdão 10196.690 em 17/04/2008: ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES deve apurar seu resultado pelo lucro real ou presumido. Não existindo escrituração na forma da legislação comercial e fiscal, nem o Livro Caixa, correto o arbitramento do lucro. 1° Conselho de Contribuintes/ 1ª Câmara /Acórdão 10709.162 em 13/09/2007: IRPJ/CSLL EXCLUSÃO DO SIMPLES — ARBITRAMENTO DOS LUCROS. A partir da data de produção dos efeitos de exclusão do SIMPLES a pessoa jurídica, atendidas todas as demais condições legais, pode optar pelo lucro presumido ou apurar o imposto de renda e a contribuição social pela regra, que é o lucro real. Não formalizado sua opção pelo lucro presumido e, devidamente intimada, não apresentando à fiscalização os livros obrigatórios para apuração do lucro real, se sujeita ao arbitramento do lucro. 1° Conselho de Contribuintes/ 1ª Câmara /Acórdão 10196.281 em 10/08/2007: SIMPLES EXCLUSÃO ARBITRAMENTO DO LUCRO. A pessoa jurídica excluída do Simples, se sujeita à regras aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, ou seja, deve ser tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Não possuindo escrituração de modo a ser tributada pelo lucro real, ou Livro Caixa para ser tributada pelo presumido, a tributação deve se dar segundo o lucro arbitrado. Desse modo, tendo a contribuinte sido excluída do SIMPLES, mas mantido escrituração que lhe permitia ser tributada pelo Lucro Real ou pelo Lucro Presumido, lhe deveria ter sido aberta a possibilidade de optar pelo regime de tributação que viesse a preferir. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 19 18 (...) Inicialmente, cabe transcrever o disposto no Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), sobre o Lucro Presumido e Lucro Real: Art. 1° O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza será cobrado e fiscalizado de conformidade com o disposto neste Decreto. CAPÍTULO I BASE DE CÁLCULO Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). CAPÍTULO II PERÍODO DE APURAÇÃO Seção I Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 2º). Seção II Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 3º). Parágrafo único. Nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 220, o lucro real deverá ser apurado na data do evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, §§ 1º e 2º). Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 20 19 Seção III Opção da Forma de Pagamento Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º). Subtítulo III Lucro Real CAPÍTULO I DETERMINAÇÃO Seção I Disposições Gerais Pessoas Jurídicas Obrigadas à Apuração do Lucro Real Art. 246. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas (Lei nº 9.718, de 1998, art. 14): I cuja receita total, no anocalendário anterior, seja superior ao limite de vinte e quatro milhões de reais, ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses; II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 222; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultante de Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 21 20 vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); Parágrafo único. As pessoas jurídicas não enquadradas nos incisos deste artigo poderão apurar seus resultados tributáveis com base nas disposições deste Subtítulo. Seção II Conceito de Lucro Real Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). CAPÍTULO IV VERIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Subtítulo IV Lucro Presumido CAPÍTULO I Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 22 21 PESSOAS JURÍDICAS AUTORIZADAS A OPTAR Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). § 2º Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º ). § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). § 5º O imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). Art. 517. A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido relativa ao período de apuração correspondente ao início de atividade (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 2º). Base de Cálculo Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1o): Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 23 22 I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. § 2º No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput. § 3o No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 2o). § 4o A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei no 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). § 5o O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei no 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). § 6o A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o § 5o, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. § 7o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao trimestre em que ocorreu o excesso. Valores Diferidos no LALUR Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 24 23 diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). CAPÍTULO IV OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Subtítulo V Lucro Arbitrado CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 25 24 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Conforme o disposto na legislação do IRPJ, os procedimentos para apuração deste imposto, em regra, são realizados pelo Contribuinte, quer no Lucro Real, quer no Lucro Presumido, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em consonância com o previsto no art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) Em relação ao contribuinte optante pelo Lucro Presumido, o fato de a primeira quota ou quota única do imposto relativo ao primeiro trimestre do anocalendário ser paga fora do prazo com os acréscimos legais cabíveis, não desautoriza a opção por esta forma de apuração (Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996, art.42, § 4°). Porém, a partir do início de procedimento de fiscalização, a apuração da base de cálculo do IPRJ cabe à autoridade fiscal, dentro do determina o art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; No caso, submeteuse a Recorrente à apuração efetuada pelos Auditores fiscais como decorrência da ausência de recolhimento devido de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004, após regular intimação de sua exclusão do SIMPLES Federal, em 2005, e na correspondente lavratura de autos de infração na forma do preconizado pela legislação do IRPJ: Lançamento de Ofício Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 26 25 Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; (...) Art. 926. Sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificação de omissão de valores na declaração de bens, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. Destarte, os referidos artigos do RIR/99 mostram que não há que se falar em opção ao Lucro Presumido pela Recorrente em procedimento ex offício. Data máxima vênia, os fundamentos do Acórdão da DRJ/FNS o qual exonerou a Recorrente da COFINS e da Contribuição ao PIS consideraram uma mesma modalidade de lançamento para o IRPJ, por homologação, antes e após o início do cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal, o que levou a referida decisão a considerar o direito de opção ao Lucro Presumido pela Recorrente. Porém, a opção pelo Lucro Presumido por parte da Recorrente não se configura como direito potestativo. Ainda que fora do prazo de vencimento do pagamento do IRPJ, poderia a referida opção ser exercida a qualquer momento até o início da Fiscalização, eis que caberia à Recorrente efetuar os cálculos da apuração do imposto. Iniciada a Fiscalização, não se permitiu o exercício desta opção, pois, a Fiscalização não poderia depender da vontade da Recorrente para uma lavratura de ofício, razão pela qual aplicou as disposições do RIR/99 para determinação da base de cálculo do IRPJ pela sistemática do Lucro Real, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (Fls. 186): Pelo exposto, está demonstrada a falta de recolhimento do IRPJ pela apuração incorreta do Imposto no Simples. O regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fiscalizada é o Lucro Real Trimestral. Aplicamse mesmos fundamentos da manutenção do IRPJ à manutenção da CSLL os por força do disposto no art. 28, da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso quanto ao pedido de cancelamento do IRPJ e da CSLL. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 27 26 Em relação ao seguinte pedido da Recorrente: Ad Cautelam, embora não se considere crível, caso seja entendimento deste órgão em manter o indeferimento, requerse seja autorizado a entrega de DCTFs e substituição das Declarações de Imposto de Renda, e o pagamento dos impostos relativos a tributação pelo Lucro Presumido, tendo em vista a expressa manifestação de opção da Recorrente, sem a aplicação de multas, compensando o que foi pago a título do Simples, eis que inexistente a culpa por parte da Recorrente, com o consequente cancelamento dos Autos de Infrações relativos ao IRPJ e a CSLL Adicionalmente às razões expostas no item anterior, aplicase a multa de 75% a que se refere o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, a qual independe da existência de culpa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pelo exposto, nego provimento ao presente recurso quanto aos procedimentos solicitados pela Recorrente para pagamento do IRPJ e da CSLL pela sistemática do Lucro Presumido e sem aplicação de multa. Em relação ao seguinte pedido da Recorrente: Sucessivamente, sobre os valores efetivamente devidos seja determinada a redução do valor da multa, para o percentual de 20% (vinte por cento), em face do caráter confiscatório, e do alto valor aplicado para uma pequena empresa (R$ 400.000,00 só de multa, para quem sempre pagou religiosamente em dia todos os impostos devidos!!), eis que afronta, inclusive, o princípio da capacidade contributiva; Por se tratar de matéria constitucional, aplicase o enunciado n° 2 da Súmula do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, não conheço do presente recurso quanto ao pedido de redução da multa de ofício. Em relação ao seguinte pedido da Recorrente: Requerse ainda que sejam apensados todos os documentos e demais itens deste e também do processo n° 13984.000283/2004 47, especialmente aqueles juntados pela Recorrente, quando da apresentação de sua defesa em 1o Grau. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13984.002462/200761 Acórdão n.º 1202001.125 S1C2T2 Fl. 28 27 Os documentos necessários à solução do litígio encontramse anexados nestes autos, inclusive os dos processos 13984.000283/200447 e 13984.002463/200714. Em face do exposto, não conheço do presente recurso para apensar documentos anexos aos presentes autos. Em razão de todo o exposto, nego provimento ao presente recurso. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 12689.000853/2001-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL.
Restando demonstrado, através de laudo pericial, que a mercadoria Mini Câmera Digital SPYPEN é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil, correta a classificação adotada pela autoridade fiscal - 8525.40.90, devendo ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
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Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. Restando demonstrado, através de laudo pericial, que a mercadoria Mini Câmera Digital SPYPEN é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil, correta a classificação adotada pela autoridade fiscal - 8525.40.90, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. .
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. Restando demonstrado, através de laudo pericial, que a mercadoria “Mini Câmera Digital SPYPEN” é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil, correta a classificação adotada pela autoridade fiscal 8525.40.90, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 08 53 /2 00 1- 28 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 6 2 . Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Absolut Technologies Projetos e Consultoria Ltda. (fls. 254 a 261) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 5ª Turma da DRJ de Recife – PE (fls. 234 a 243) que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, consubstanciado no auto de infração de fls. 04 a 25. Na hipótese em apreço, tratase da classificação fiscal da mercadoria “Mini câmera digital – Spypen”, para a qual a contribuinte adotou a posição 8473.30.99, apontando que a mercadoria é na verdade um “equipamento de informática”, enquanto que a autoridade fiscal adotou a posição 8525.40.90. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Das especificações técnicas do produto é possível, com o auxílio exclusivo das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e respectivas Notas Explicativas – NESH, obter a classificação fiscal do produto descrito nas notas fiscais como “Mini câmera digital Spypen”: 8525.40.90. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/1998 a 31/03/2001 Ementa: PERÍCIAS. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de perícias quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Lançamento Procedente Após a interposição do recurso voluntário, os autos foram remetidos para a Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sendo que este Colegiado, ao iniciar o julgamento do feito, entendeu por bem converter o julgamento em diligência à Repartição de origem a fim de que fosse elaborada perícia técnica para definição da natureza da mercadoria, suas características e, especialmente, se pode ser considerada uma câmara de vídeo. Em seguida, os autos baixaram à repartição de origem, tendo sido produzido, então, o referido laudo técnico da Mini câmera digital Spypen, modelo CLEO, que se encontra anexo aos presentes autos. O contribuinte foi intimada para se manifestar quanto ao resultado da diligência, mas quedouse silente (fls. 278). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 7 3 De se destacar, por último, a conclusão do laudo técnico, verbis: a mercadoria é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLEO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil e classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) código 8525.40. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Inicialmente, quanto à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, entendo que a mesma não merece acolhida porquanto existem elementos fáticoprobatórios suficientes para o deslinde da controvérsia, notadamente o laudo produzido em decorrência da diligência determinada pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. De se notar, aliás, que o contribuinte foi intimado para se manifestar quanto ao resultado da diligência, mas quedouse silente (fls. 278). No tocante ao mérito, consoante se verifica no laudo técnico que se encontra anexo aos presentes autos, assim como da documentação acostada pela perito, cuidase, na presente hipótese, de câmera digital, não se podendo admitir, tal como preconizado pela contribuinte no seu recurso voluntário, que a mercadoria “SPYPEN” é um “equipamento de informática”. O conteúdo do laudo técnico, resumido na sua conclusão, é inexorável: A mercadoria é uma Máquina Fotográfica Digital marca SPYPEN, modelo CLÉO, tipo Dual Mode, fabricante Plawa & Suvil e classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) código 8525.40. Por conseguinte, em face de todo o exposto, estando correta a classificação fiscal adotada pela autoridade lançadora, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 12689.000853/200128 Acórdão n.º 3202000.851 S3C2T2 Fl. 8 4 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002169/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Apenas são tributados como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, quando o caráter personalíssimo for devidamente comprovado em documentação hábil.
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
IRPF. INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL.FALTA DE PROVAS.
A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual insuficiência nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja o cancelamento do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Assis Horn, OAB12.003/ SC, patrono do recorrente.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Apenas são tributados como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, quando o caráter personalíssimo for devidamente comprovado em documentação hábil. DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. IRPF. INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL.FALTA DE PROVAS. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual insuficiência nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja o cancelamento do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Assis Horn, OAB12.003/ SC, patrono do recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 21 69 /2 00 7- 95 Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 3 2 Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 1.652 a 1665: Por meio do auto de infração de folhas 1560 a 1570, de 29/11/2007, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 56.618,62, acrescido de multa de ofício de 75% e 150% e juros de mora e R$ 417,33 a título de multa exigida isoladamente, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, exercícios 2003, 2004 e 2005. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, às folhas 1572 a 1577, e ao “Termo de Verificação Fiscal”, às folhas 1547 a 1559, verificase que a autuação tem por base a constatação das práticas de: a) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; b) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; c) omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, decorrente de alienação de jóias de família e pinacoteca, lancha modelo Phanton 235 e casa em Jurerê Internacional; d) dedução indevida de dependente; e e) dedução indevida de despesas médicas. A infração referida no item “a”, conforme explicitado pela autoridade fiscal, referese à: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos de uso e imagem, nome e som de voz do Sr. Renan Dal Zotto [...]. Parte destes rendimentos consta da Declaração de Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 4 3 Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF – entregue pela TV Globo Ltda. (fls. 32) e parte foi indevidamente tributada na pessoa jurídica Gera – empreendimentos Esportivos Ltda (razão social anterior Mondosport Ltda.)[...]. O contribuinte Renan Dal Zotto prestou serviços de natureza personalíssima de comentarista de esportes, de palestrante, outros serviços na área de voleibol e serviços de assessoria de educação física, bem como recebeu prêmios de participação na Copa América. Em relação a maior parte destes serviços prestados pela pessoa física do Sr. Renan Dal Zotto – a única exceção são os rendimentos omitidos recebidos de TV Globo Ltda. em 2002, que constam em DIRF referente à pessoa física – emitiu Notas Fiscais da pessoa jurídica Mondosport Ltda., CNPJ 04.318.599/000167. Este procedimento tinha o claro objetivo de reduzir o pagamento de tributos [...]. A autoridade fiscal informa como base legal de seu procedimento o artigo 3º, §4º, da Lei nº 7.713/98 c/c o artigo 123 do CTN, para concluir que a emissão de Notas Fiscais de pessoa jurídica não pode modificar a definição legal do sujeito passivo, que no caso seria a pessoa física de Renan Dal Zotto, tendo em vista tratar se de prestação individual de serviços ou pagamento de direitos autorais pela utilização de seu nome artístico, imagem e som de voz. Foi aplicada multa de 150% em relação à infração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de joias da família e pinacoteca em fevereiro de 2003 face ao evidente intuito de fraude, caracterizado pelo subfaturamento do valor da alienação tanto nos instrumentos particulares de compra e venda apresentados quanto na declaração de ajuste anual de 2004. Foi aplicada ainda multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. O sujeito passivo apresenta impugnação de folhas 1588 a 1600 aludindo, em síntese, o abaixo exposto. Constatado o lapso no preenchimento da declaração, providenciou o recolhimento do Imposto de Renda devido sobre os rendimentos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, sobre os ganhos de capital apurados na venda de bens e das multas decorrentes da ausência de recolhimento de IRPF. Em relação à tributação da receita decorrente dos serviços prestados por pessoa jurídica, da qual o contribuinte figura como sócio, afirma que a autoridade fiscal se confundiu em relação a norma antielisiva e a possibilidade de desconsideração da pessoa jurídica, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Sustenta que a norma antielisiva geral, prevista pelo art. 116, parágrafo único do CTN, por ser norma de eficácia contida, depende, para sua aplicação, de lei ordinária ainda não constante de nosso ordenamento jurídico. A despersonalização da pessoa jurídica, por sua vez, encontrase estabelecida pelo art. 50 do Código Civil, sendo exigida a presença de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, os quais não encontram apontamentos neste auto de infração. Menciona ainda que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005, de natureza interpretativa, impõe que os serviços intelectuais efetuados por pessoas jurídicas, Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 5 4 mesmo que prestados em caráter personalíssimo, estão sujeitos exclusivamente a legislação aplicável às pessoas jurídicas. Alude que o AFRFB não possui legitimidade e competência para desconsiderar a prestação dos serviços efetuados por pessoa jurídica, sendo ilegal e inconstitucional o Auto de Infração. Expõe que a autoridade fiscal, desconsiderando a documentação da Pessoa Jurídica Gera Empreendimentos Esportivos, presumiu que os serviços relativos a inúmeras notas fiscais distintas foram prestados apenas pelo sócio Renan Dal Zotto, contudo não comprovou os pressupostos de fato que possibilitariam a apuração do imposto de renda da forma como foi efetuada. Salienta a resposta da Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina em atendimento a intimação da autoridade fiscal, que esclarece que: A supracitada empresa foi contratada, em face da expertise de seus sócios Renan Dal Zotto e Annalisa Dal Zotto, na gestão e captação de recursos para fomento do desporto para o clube contratante, qual seja, a Unisul Esporte Clube [...] sendo sua empresa contratada para a prestação de serviços já descritos e que estes se deram através dos sócios e não exclusivamente da pessoa física de um deles exclusivamente. Salienta que os serviços foram prestados por ambos os sócios, visando o lucro, e que o fisco não provou (através de documento condizente) que os serviços foram prestados de forma personalíssima, autuando o impugnante através de simples presunção. Alude que o ônus da prova cabe a autoridade lançadora. Aduz que o contrato social estabelece, em seu artigo 13, que “a sociedade será administrada pelos sócios ANNALISA BLANDO DAL ZOTTO e RENAN DAL ZOTTO”. Alude ainda que a sociedade empresária possui amplo objeto social, visa o lucro e a sua administração é exercida por ambos os sócios, evidenciando o caráter empresarial da sociedade. Menciona que a prestação dos serviços pela pessoa jurídica sempre foi realizada com a participação da sócia Annalisa Blando Dal Zotto, formada em administração de empresas (doc. 03), a qual participou ativamente em todas as negociações e contratações dos serviços prestados pela pessoa jurídica, cuidando da parte administrativa, da captação de clientes, bem como, tem em vista sua formação em administração, na elaboração de palestras, adequando o conhecimento técnico do Impugnante na área desportiva ao tema empresarial. Conclui que os serviços foram prestados por pessoa jurídica, visando o lucro, que estes serviços contemplam esforços de ambos os sócios, e a despersonalização da pessoa jurídica viola o art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o artigo 50 do Código Civil e o princípio da legalidade e da livre iniciativa previstos na Constituição. Em relação à dedução das despesas com dependentes, o AFRFB glosou a dedução da Sra. Tereza Lindair Feijó Dal Zotto, mãe do impugnante, por entender que esta apresentou declaração de ajuste anual de 2005 em separado. Todavia, a dedução encontra amparo no art. 35 da Lei nº 9.250/95, que estabelece que os pais podem ser considerados dependentes caso não aufiram rendimentos superiores ao limite de isenção previsto em lei. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 6 5 Expõe que o único motivo que a dependente apresentou declaração em separado foi porque possui cotas de capital de pessoa jurídica inativa em seu nome, todavia a mesma não apurou rendimento. Por entender que a mãe do sujeito passivo não era sua dependente, o AFRFB glosou as despesas médicas. Tal entendimento é ilegal, pois as despesas foram efetivamente realizadas e comprovadas, sendo a mesma dependente do sujeito passivo. O impugnante entregou, ainda, diversos documentos comprovando as despesas médicas realizadas pelo impugnante e seus dependentes, devendo ser cancelada a glosa. Requer, por fim, o cancelamento do auto de infração, e a juntada dos comprovantes das despesas médicas realizadas pela Sra. Tereza Lindair Dal Zotto. A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, diante dos pagamentos e do parcelamento efetuados pelo sujeito passivo, referentes a parte não impugnada deste lançamento, promoveu o desmembramento e a transferências destas exigências para o processo nº 11516.003252/200781. É o relatório. Importante ressaltar que a impugnação foi parcial, sendo que não foram impugnadas as parcelas do crédito tributário relativas ao IRPF devido em face da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI e omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, bem como a multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Também não foi impugnada a omissão de rendimentos pagos pela TV Globo Ltda. diretamente ao sujeito passivo. Limitouse o acórdão recorrido a apreciação das questões litigiosas, quais sejam os valores lançados a título de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas, referente a receitas da pessoa jurídica Gera Empreendimentos Esportivos, dedução indevida de dependente e dedução indevida de despesas médicas. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, considerando o seguinte: a) não impugnado o valor de R$ 4.131,19, em relação ao ano calendário 2002, o valor de R$ 3.376,75, em relação ao ano calendário 2003, e o valor de R$ 7.092,31, em relação ao ano calendário 2004, exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física, e o valor de R$ 52,43, em relação ao anocalendário 2002, o valor de R$ 300,88 em relação ao anocalendário 2003, e o valor de R$ 64,02 em relação ao anocalendário 2004, exigidos a título de multa exigida isoladamente; b) mantida a exigência do valor de R$ 40.656,32, sendo R$ 17.046,90, relativo ao anocalendário 2002, R$ 11.071,13 correspondente ao anocalendário 2003, e o valor de R$ 12.538,29, correspondente ao anocalendário 2004, exigidos a Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 7 6 título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. Tal entendimento foi resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar de seus interesses. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Não se aplica o artigo 129 da Lei nº 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes, são dedutíveis quando devidamente comprovadas. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 1.670 a 1.688, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: 1. ILEGALIDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURIDICA. Contudo, data maxima venia, embora não admitam expressamente, a verdade é que, tanto a autoridade fiscal, quanto a Turma julgadora, acabaram por desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade Gera Empreendimentos Esportivos Ltda., pois "[...] imputar rendimentos auferidos por uma pessoa jurídica ao seu sócio significa justamente desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade. Alegar coisa diversa constitui mero jogo de palavras". O que se está deslocando portanto é o destinatário dos valores percebidos, e não o sujeito passivo da obrigação tributária. Incabível, portanto, o procedimento da autoridade fiscal" 2. APLICABILIDADE DO ART. 129, DA LEI 11.196/05 —NORMA DE NATUREZA INTERPRETATIVA. O ora Recorrente pugnou pela aplicabilidade do art. 129, da Lei n..° 11.196/05, eis que o dispositivo possui natureza interpretativa e, em razão disto, aplicase retroativamente (art. 106, I, do CTN). Referido dispositivo estabelece que: "Para fins fiscais e previdenciários. a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica artística ou cultural em caráter personalíssimo ou não com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, guando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art 50 da Lei n' 10 406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 8 7 3. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA — SERVIÇOS PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA MEDIANTE SOMA DE TRABALHO DE AMBOS OS SÓCIOS. Da simples análise das cláusulas contratuais constatase que a sociedade empresária possui amplo objeto social, visa lucro e a sua administração é exercida por ambos os sócios. Ou seja, evidente o caráter empresarial da sociedade. Necessário mencionar, ainda, que a prestação dos serviços pela pessoa jurídica foi sempre realizada com a participação da sócia Annalisa Blando Dal Zotto, formada em administração de empresas, a qual participou ativamente em todas as negociações e contratações dos serviços prestados pela pessoa .jurídica, cuidando da parte administrativa, da captação de clientes, bem como, tendo em vista sua formação em administração, na elaboração das palestras, adequando o conhecimento técnico do Recorrente na área esportiva ao tema empresarial. 4. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO POR PRESUNÇÃO —ÔNUS DA PROVA DO FISCO. Na peça da impugnação, o ora Recorrente fundamentou que o lançamento teria sido realizado por presunção, eis que o Fisco não comprovou que os serviços foram prestados unicamente por ele. A decisão, por sua vez, somente argüiu que: "No caso concreto em análise, as notas fiscais apresentadas deixam claro que os serviços .foram executados pela pessoa física do contribuinte, em caráter personalíssimo e individual" (fl. 1.661), Contudo, as notas fiscais espelham ,justamente o contrário, demonstrando que os serviços foram prestados pela pessoa jurídica Mondosport Ltda., atual Gera Empreendimentos Esportivos Ltda. Ou seja, o Fisco simplesmente presumiu que os serviços foram prestados apenas pelo Recorrente, apesar de inexistir qualquer prova nesse sentido. 5. TRIBUTAÇÃO BIS IN IDEM. Com a não compensação, a União estaria realizando a tributação duas vezes (bis in idem), o que é vedado pelo Direito Tributário pátrio, ao passo que quanto às mesmas receitas já haviam sido recolhidos os impostos com a ocorrência do fato gerador pela empresa Gera Empreendimentos Esportivos Ltda. E. sobre o mesmo fato gerador houve o lançamento de ofício de imposto sobre a renda pessoa física do sócio da empresa contribuinte. Por conseguinte, também por este aspecto merece ser anulado o auto de infração impugnado. 6. INDEVIDA GLOSA DAS DESPESAS MÉDICAS. A decisão recorrida, acolhendo a tese apresentada na impugnação administrativa, entendeu devidas as deduções relativas às despesas médicas custeadas pelo Recorrente para sua mãe, Sra. Tereza Lindair Feijó Dal Zotto, eis que restou plenamente comprovado que a mesma é sua dependente. Apesar disto, tal decisum manteve as glosas sobre algumas deduções, pois os documentos apresentados permitiriam a conclusão de que quem arcou com a despesa foi a própria Sra. Tereza, ledo engano, pois todos os bens foram doados aos herdeiros e realizadas as doações, o ora Recorrente passou a arcar com todas as despesas de sua genitora. Destacase que a Sra. Tereza Lindair Dal Zotto somente entregou declaração de imposto de renda em separado referente ao anocalendário .2003 (declaração de ajuste anual 2004) e 2004 (declaração de ajuste anual 2005) porquanto estava legalmente obrigada, tendo em vista a existência de uma empresa inativa registrada em seu nome. No entanto, referidas declarações (fls. 22/29) confirmam que a Sra. Tereza não possuía mais bens em seu nome e não auferiu rendimentos nesse período. Desconsiderando tais .fatos e evidências, a Turma .julgadora manteve as glosas, alegando que as despesas teriam sido pagas pela Sra. Tereza, todavia, vale repetir, que a mãe do Recorrente não possuía verbas para custear as despesas médicas que foram custeadas pelo recorrente. Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, REQUER: (a) seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para efeito de reformar o acórdão recorrido e, consequentemente, decretar o cancelamento do Auto de Infração impugnado (11, 1569/1577); (b) ajuntada dos documentos em anexo; (c) que, todas as intimações relativas ao presente processo sejam efetuadas, exclusivamente, sob pena de nulidade, em nome do advogado Rafael de Assis Horn, inscrito na OAB/SC sob n" 12.003, no endereço indicado no rodapé do presente recurso. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO LITÍGIO DESSE RECURSO Remanesce em discussão no presente recurso a Infração 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS e a Infração 005 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (parcial), apenas. A Infração 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI, Infração 003 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS e Infração 006 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNELEÃO, foram reconhecidas devidas e pagas pelo próprio contribuinte conforme indicado na impugnação. A Infração 004 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE, foi cancelada pela decisão de primeiro grau. MÉRITO Infração 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 10 9 A base de cálculo dessa infração tem origem na reclassificação dos valores registrados nas notas fiscais da Gera Empreendimentos Esportivos Ltda. (antiga Mondosport Ltda.) conforme listagem de notas fiscais de fls. 1.543/1.544. No Recurso Voluntário, o contribuinte insurgiuse contra essa infração apresentando os seguintes temas: 1. ILEGALIDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURIDICA. 2. APLICABILIDADE DO ART. 129, PA LEI 11.196/05 —NORMA DE NATUREZA INTERPRETATIVA. 3. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA — SERVIÇOS PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA MEDIANTE SOMA DE TRABALHO DE AMBOS OS SÓCIOS. 4. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO POR PRESUNÇÃO —ÔNUS DA PROVA DO FISCO. 5. TRIBUTAÇÃO BIS IN IDEM. Essas questões são conhecidas e já foram objeto de vários julgamentos neste órgão, v.g., o recente julgado nessa Turma, Acórdão 2102002.441, 19 de fevereiro de 2013, tendo como relatora do voto a conselheira Núbia Matos Moura, que ora me refiro de forma livre a seguir. No que se refere à infração de omissão de rendimentos, podese dizer que a defesa do contribuinte se pauta, em suma, nas seguintes teses, as quais serão a seguir examinadas: 1 O Auto de Infração desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury independentemente de prévia autorização judicial e da comprovação da prática de fraude. 2 – A legislação do imposto de renda expressamente autoriza e reconhece a possibilidade de prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica, logo, incabível o deslocamento de receitas de pessoa jurídica para pessoa física. 3 O art. 129 da Lei nº 11.196/05 é norma de natureza meramente interpretativa, aplicável, portanto, retroativamente aos anoscalendário em exame. 4 – A autuação fiscal importou em incontestável mudança de critério jurídico na interpretação da legislação fiscal que homologou todas as declarações prestadas pela Mercury e pelo recorrente por 15 anos , de forma que o entendimento adotado na Auto de Infração somente poderá ser aplicado para os períodos futuros e, ainda, a teor do art. 100, inciso III, parágrafo único, do CTN, não caberia a aplicação de multa de ofício e juros de mora. 5 O Auto de Infração deveria ter compensado, com o supostamente devido, os tributos (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) devidamente recolhidos pela Mercury, sendo que tal compensação deve ser feita antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. No que tange às alegações resumidas no item 1 acima, importa dizer que o Auto de Infração não desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury. Na Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 11 10 verdade, da leitura do Termo de Verificação Fiscal, vêse claramente que o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que o produto auferido em razão dos contratos firmados pela pessoa jurídica Mercury e os contratantes eram rendimentos da pessoa física (recorrente), sócio majoritário da empresa, e, via de conseqüência, procedeuse a lavratura do competente Auto de Infração, imputando ao recorrente a infração de omissão de rendimentos, de forma a propiciar a correta tributação dos rendimentos recebidos pelo recorrente em razão dos referidos contratos. Tal conclusão – de que o recorrente deve ser tomado como o contribuinte, no que concerne aos valores recebidos em razão dos contratos celebrados pela Mercury – decorre dos seguintes fatos: o contribuinte é sócio majoritário da pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda, onde também tem participação, primeiramente, sua excônjuge Joaniza Maria Nunes Garcia, com 10% do capital, até 24/05/2004, e, posteriormente, sua mãe, Maria Thalita Eggers Garcia, que ingressou na sociedade, em 01/06/2004, com participação no capital social de 1%. A participação das outras sócias é ínfima, sendo claro que somente o recorrente pode prestar os serviços contratados com a Mercury. o contribuinte é jornalista e presta serviços a diversas emissoras de rádio e televisão e, também, como palestrante, comentarista e mestre de cerimônia, tudo conforme contratos celebrados pela Mercury e os contratantes dos serviços do recorrente, fls. 166/315, e notas fiscais, fls. 316/1577. nos contratos o contribuinte figura como sócio interveniente, sendo certo que há sempre a exigência de que os serviços sejam sempre prestados pelo recorrente. Ora, não há dúvida de que se trata de prestação de serviços de natureza pessoal, prestados pelo próprio recorrente, na geração dos rendimentos em causa, pois sem o recorrente, com absoluta certeza os contratos firmados entre a Mercury e os contratantes sequer seriam celebrados, sendo relevante observar que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração guardam perfeitamente consonância com as disposições contidas na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. (...) E este é o caso dos autos. Do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos que compõe o processo restou evidenciado que os rendimentos levados à tributação, sob a rubrica de omissão de rendimentos, são decorrentes do exercício da profissão de jornalista, desenvolvida pelo recorrente, de forma que a autuação obedeceu estritamente o disposto na legislação do imposto de renda. É preciso que se diga, que a legislação permite a constituição de pessoa jurídica com a finalidade de explorar a prestação de serviços personalíssimos, contudo, a tributação de tais rendimentos deve ser feita na pessoa física. Nestes termos, correta a conduta da autoridade fiscal em proceder a tributação, na pessoa física, dos rendimentos auferidos pelo recorrente em decorrência dos contratos de prestação de serviços personalíssimos. Da leitura do Acórdão transcrito, especialmente das partes que destaquei, resta evidente que o pilar que sustenta a caracterização dessa autuação são as evidências de que Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 12 11 os rendimentos levados à tributação, sob a rubrica de omissão de rendimentos, são decorrentes do exercício de prestação de serviços personalíssimos conforme os contratos celebrados entre as pessoas jurídicas. No presente caso, compulsandose os autos, não encontramos cópias dos contratos firmados entre a pessoas jurídicas que deram origem a base de cálculo da infração ora julgada. Ainda, da análise do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.547 a 1559, especialmente do item 2.1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO E DA CESSÃO DE DIREITOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, não resta evidenciado ou caracterizado a prestação de serviços personalíssimos pelo contribuinte Renan Dal Zotto. Para a devida caracterização dessa matéria tributável, imprescindível que se aponte um liame entre os contratos firmados (que não constam nos autos) e o contribuinte Dal Zotto. Importante esclarecer que o fatos das notas fiscais constarem dos autos não supre a prova que se busca para sustentar a autuação. É necessário avaliar os contratos firmados que deram origem as notas fiscais. Ou seja, patente que não restou inconteste, via provas documentais, a matéria tributável que fundamentou lançamento, afrontando o disposto no caput do Art. 142. do Código Tributário Nacional: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Destarte, voto pelo provimento do recurso nesse item e cancelamento da respectiva Infração 001 rendimentos recebidos de pessoas jurídicas omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Infração 005 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Remanesce sob litígio parte das despesas médicas referentes as despesas da mãe do recorrente, Sra. Tereza Lindair Feijó Dal Zotto, eis que restou aceita no acórdão da DRJ que a mesma é sua dependente. Contudo a DRJ entendeu que parte das despesas declaradas não restou passível de dedutibilidade , verbis: Em relação ao anocalendário 2003 — declaração de ajuste anual 2004, requer o sujeito passivo a dedução de R$ 4,589,53, O documento anexado para comprovação, qual seja declaração da Unimed de Florianópolis de fls. 50, esclarece que quem efetuou o pagamento foi a Sr, Tereza L Feijó Dal Zotto, e não o sujeito passivo. Conforme o art. 80, §1 0, inc. II, do RIR/99, acima transcrito, apenas podem ser deduzidas as despesas cujos pagamentos foram efetuados pelo próprio contribuinte, Assim sendo, mantêmse a glosa de despesas médicas referente ao ano calendário 200.3. Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 13 12 No tocante ao anocalendário 2004 — declaração de ajuste anual 2005, o sujeito passivo requer a dedução de R$ 9.206,75 em despesas médicas. A autoridade fiscal entendeu como dedutível apenas o valor de R$ 1,323,00, correspondente aos valores pagos pelo sujeito passivo a Unimed de Florianópolis (fls. 99), glosando os demais valores pleiteados. Em relação aos demais documentos que comprovariam as deduções pleiteadas, observo que a declaração da Unimed Florianópolis de fls. 98 ilustra que quem efetuou o pagamento de R$ 5,136,75 foi a Sr, Tereza L Feijó Dal Zotto, e não o sujeito passivo. Os documentos de fls. 101 a 104, de lavra da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Hospital de Caridade, da mesma forma, comprovam que quem areou com a despesa foi a Sra. Tereza. Conforme já esclarecido, apenas podem ser deduzidas as despesas cujos pagamentos foram efetuados pelo próprio contribuinte, devendo ser mantida a glosa das despesas em comento. As despesas com o Centro de Promoção de Saúde Bucal tampouco restaram comprovadas, razão pela qual mantêmse a glosa da dedução. Em relação aos argumentos da DRJ para manutenção das glosas que as declarações da Unimed indicam que sendo a Dna. Tereza é que teria suportado o ônus, discordo pelo seguinte : As declarações indicam apenas que foi a Dna Tereza que pagou mas não podese concluir que ela é efetivamente teria suportado esse ônus. Além do mais, esse raciocínio não se coaduna com o decidido pela própria DRJ ao acatar a possibilidade da Dna Tereza ser dependente do interessado, por ter entregue DIRPF sem qualquer rendimento tributável : A declaração de rendimentos anexada aos autos, de fls. 26 a 29, demonstra que a progenitora do sujeito passivo, Sra. Tereza Lindair Feijó Dal Zotto, não auferiu rendimentos referentes ao anocalendário 2004. Dessa forma, entendo que tendo sido aceita a Sra. Tereza Lindair Feijó Dal Zotto como dependente do interessado, as declarações da Unimed de fls. 50 e 99, bem como as notas fiscais e faturas de fls. 101 a 104, são suficientes para comprovar as despesas médicas declaradas. Destarte, voto para restabelecer as despesas médicas para R$ 4.589,53 no exercício 2003 e R$ 9.206,75 para o exercício 2004. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.002169/200795 Acórdão n.º 2102002.484 S2C1T2 Fl. 14 13 Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10920.722364/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por reconhecimento da decadência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por reconhecimento da decadência. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente SÃO BENTO EMBALAGENS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por reconhecimento da decadência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 64 /2 01 1- 87 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.722364/201187 Acórdão n.º 2402004.030 S2C4T2 Fl. 100 3 Relatório Tratase de ação fiscal que resultou na lavratura dos seguintes autos de infração: AIOP DEBCAD n° 51.001.0342 – referente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos e multa de ofício de 75%; AIOA DEBCAD n° 51.001.0334 – referente à multa por descumprimento de obrigação acessória, decorrente da apresentação de GFIP com omissão de segurados empregados e contribuintes individuais. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação que restou julgada improcedente conforme acórdão de fls. 77/83, segundo o qual: 1) A Recorrente não se insurgiu contra a exigência da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, tornandose definitiva a exigência; 2) Apesar de a Recorrente ter apurado nas GFIP as contribuições devidas a terceiros, ao proceder o recolhimento, preencheu a GPS indicando o valor consolidado como devido unicamente ao INSS; 3) O fato de a Recorrente ter enviado novas GFIP para as competências de 07/2009 a 09/2009 após o encerramento do procedimento fiscal, corrigindo os equívocos da segunda GFIP e, ainda, ter apresentado pedido de ajuste da GPS referente as competências de 07 a 09/2009 não enseja alterações no lançamento; 4) A denúncia espontânea só ocorre quando se verifica o pagamento do valor devido antes do procedimento fiscal; 5) As alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade das penalidades aplicadas não podem ser apreciadas por tratarse de matéria restrita à análise do Poder Judiciário. Ciente do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 87/94, cujos fundamentos são os seguintes: 1) Os valores foram devidamente quitados pela empresa; 2) A Recorrente deixa de recorrer do auto de obrigação acessória porque reconhece o erro na GFIP e, portanto, não há o que contestar; 3) O erro cometido é de caráter estritamente formal, na medida em que a Recorrente efetuou todos os recolhimentos, mas com dados equivocados na GPS; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4) A manutenção da multa de 75% sobre o valor devido fere os direitos do contribuinte que recolheu devidamente os tributos devidos, somente com preenchimento equivocado da guia; 5) Não foi verificada a possibilidade de redução da multa em 50% no caso de pagamento até o 30° dia da ciência do débito ou de 40% no caso do parcelamento; 6) A Recorrente requereu ajuste de guia para que os valores sejam apropriados por cada uma das entidades correspondentes. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.722364/201187 Acórdão n.º 2402004.030 S2C4T2 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Da Decadência O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4° ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou no havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da autuação, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observarseá regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, tratase de ausência do recolhimento da contribuição devida, posto que o contribuinte não efetuou pagamento a este título, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadência o disposto no art. 173, I, do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Por tais motivos, as alegações trazidas em sede de recurso voluntário devem ser acatadas no sentido de que seja aplicado in casu o art. 173, I, do CTN, excluindose todas as competências objeto de lançamento, uma vez que referentes ao exercício de 1997, ou seja, 10 anos antes da lavratura do auto de infração. Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720845/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 45 /2 00 9- 31 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1526.188, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720845/200931 Acórdão n.º 2802003.118 S2TE02 Fl. 130 3 “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 185.873,47, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” A DRJ/SDR, fls. 75 a 81, julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720845/200931 Acórdão n.º 2802003.118 S2TE02 Fl. 131 5 e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; g) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. Intimado da supramencionada decisão, em 15/04/2011, fls. 84, o interessado interpôs recurso voluntário, em 19/04/2011, fls. 85 a 122, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para reafirmar a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer, que afirma vinculante, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração da contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para se apurar adequadamente suposto imposto a pagar; da mesma forma que não há incidência de imposto sobre a URV, por entender ser verba indenizatória, também não há incidência de imposto de renda sobre o rendimento recebido a título de juros moratórios; entende pela necessidade de extinção do crédito tributário exigidos nos presentes autos, tanto por considerar a União parte ilegítima para figurar no pólo Ativo da relação jurídicotributária, quanto por suposta violação ao princípio constitucional da isonomia. De acordo com o despacho, datado de 18 de novembro de 2011, o presidente da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 62A, §1º, Regimento Interno do CARF, Portaria MF 256, de 2009 e na Portaria nº 1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do RICARF, o presente processo foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro, em 12/05/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.907, proferido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, em sessão realizada no dia 15 de maio de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Da legitimidade ativa da União O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa para cobrar o Imposto de Renda, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no Resp 874.759 não tem o efeito almejado pelo recorrente. Do natureza tributária das verbas (URV e juros de mora) Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões (fls. 16 a 21). Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720845/200931 Acórdão n.º 2802003.118 S2TE02 Fl. 132 7 hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 106 16360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720845/200931 Acórdão n.º 2802003.118 S2TE02 Fl. 133 9 fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, convém obserar que, de acordo com o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 11, sobre o imposto de renda apurado de ofício incidiu, única e exclusivamente, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), regulamentada pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi contra essa imputação que o contribuinte direcionou sua defesa. Ainda em relação ao assunto, convém aduzir que ao caso se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotase que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 07/09) verifica se que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses ano calendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada, logo as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720845/200931 Acórdão n.º 2802003.118 S2TE02 Fl. 134 11 Ademais, o exemplo do recorrente de que, em 1995, o valor que deveria ter sido recebido de URV estaria na faixa de isenção demonstra uma premissa equivocada do recorrente qual seja: confundese o imposto retido na fonte – que é mera antecipação do imposto anual – com o imposto anual. Não é porque um rendimento isoladamente está abaixo da faixa de isenção (e portanto não haverá retenção na fonte) que o somatório anual será isento. Por fim, registrase que decisões administrativas e judiciais sem força vinculante, doutrina, pareceres de juristas, interpretações de Outros Órgãos públicos não constituem normas de direito tributário de aplicação obrigatória pelo CARF.” Nos termos acima expostos, concluise pela inexistência da suposta violação ao princípio da isonomia, pela legitimidade ativa da União para exigir o crédito tributário constituído, pela natureza tributável da verba trabalhista recebida pelo contribuinte, pela impossibilidade de aplicação do entendimento manifestado pelo STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP, bem como, pela necessidade de exclusão tão somente da multa de ofício imposta, haja vista, inclusive, que o assunto se encontra pacificado no âmbito do CARF, por meio da Sumula nº 73. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10510.000005/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.093
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62-A, §§1º e 2º, do RICARF.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) __________________________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente Substituto (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, assim como rendimentos recebidos da União Federal (sucessora do BNCC), em sede de ação trabalhista. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Resolução n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 113 2 Em 2.1.2007, o contribuinte apresentou impugnação, pedindo o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista que a declaração de ajuste correspondente já havia sido analisada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme extrato para simples conferência, recebido em fevereiro de 2006. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) decidiu pela improcedência da impugnação, por meio do Acórdão n.º 1521.930, de 17 de dezembro de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 (sic) ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO APÓS NOTIFICAÇÃO. O lançamento pode ser alterado quando constatado erro ou fato novo que deva ser apreciado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 9.2.2010, no qual alega que, por ocasião da apresentação da declaração de ajuste, entendia que as verbas às quais se reporta o Auto de Infração eram indenizatórias, isentas da incidência do imposto de renda. Todavia, devido a fatos supervenientes, não se trata mais de saber se as verbas recebidas são ou não tributáveis. Importa agora que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, devendo o imposto ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos A fim de fundamentar seu posicionamento, cita a transcreve trechos do Parecer PGFN/CRV/N° 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, através do Despacho s/n, de 11.5.2009, publicado no DOU de 13.5.2009: Esclarece que os rendimentos recebidos correspondem ao período de dezembro de 1983 a dezembro de 1990, razão pela qual a apuração do imposto sobre a renda deveria ter levado em conta as tabelas e alíquotas daquela ocasião, o que não foi feito. Por esse motivo, pede o cancelamento do Auto de Infração. É o Relatório Despacho Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. No presente caso, temse que o Auto de Infração objeto deste processo inclui a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em sede de ação trabalhista. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Resolução n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 114 3 Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2006, cumpriu a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988. Em 2009, o tema dos rendimentos recebidos acumuladamente foi objeto do Parecer PGFN n.º 287, de 2009, posteriormente ratificado pelo Ato Declaratório n.º 1, de 2009. Diferentemente do que determina a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a orientação do referido Parecer PGFN é no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tendo em vista que tal orientação, em última instância, derroga a regra do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, utilizada como fundamento para o cálculo do tributo devido neste processo, tal como se depreende do “Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Devido” (fls. 5 verso), anexo ao Auto de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.000005/200711 Resolução n.º 2101000.093 S2C1T1 Fl. 115 4 Infração, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002164/00-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1991
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional.
Irene Souza de Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1991 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos de Declaração rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Irene Souza de Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Irene Souza de Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 21 64 /0 0- 50 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 238/240), em face do Acórdão nº 320200.046, de 18/09/2009, proferido por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF (fls. 228/233). Alega a embargante que teria havido omissão no votocondutor do Acórdão, o qual decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que fosse reconhecido a Recorrente o direito creditório dos valores pagos a maior a título de Finsocial e para que sejam feitas as compensações até onde houver disponibilidade de saldo favorável, nos termos das conclusões de diligência de fls. 221/222. No entender da ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, o Relator do Acórdão acolheu, corretamente, a necessidade de cumprimento dos requisitos previstos no artigo 17 da IN 21/97 e artigo 158 do CPC, entretanto, partindo deste pressuposto, ao aplicálo omitiuse nos seguintes pontos: haveria a necessidade de comprovação não apenas da homologação do pedido de desistência de execução judicial, mas também de comprovação de assunção de todas as custas do processo. Aduz que o Recorrente em nenhum momento comprovou a satisfação deste segundo requisito (IN 21/97); quando à fundamentação para admissão da homologação da desistência de execução judicial em período em muito posterior ao protocolo do pedido de restituição, já que pedido foi apresentado em 14/12/2000 e a homologação judicial da desistência apenas ocorreu em 01/09/2005. Isto porque a IN 21/97 (redação dada pela IN SRF 73/1997), já determinava que o pleito de direito creditório lastreado em título judicial em fase de execução somente poderia ser apreciado se o interessado fizesse prova, perante a autoridade administrativa, da desistência da ação de execução, assim como da assunção das custas do processo pedido de desistência da execução judicial, ou seja, tais requisitos deveriam ter sido demonstrados quando do protocolo do pedido submetido à apreciação da Administração. Destaca, ainda, a embargante que as decisões administrativas necessitam de fundamentação nos termos do que dispõe o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal. Por fim, requer sejam os presentes embargos de declaração julgados procedentes com a finalidade de sanar a omissão apontada. É o Relatório. Voto Os embargos de declaração estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10825.002164/0050 Acórdão n.º 3202000.550 S3C2T2 Fl. 243 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Destarte, temos que os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. O que se verifica da leitura do Acórdão embargado é que neste não há qualquer omissão a ser suprida. O voto condutor do Acórdão enfrentou os principais pontos trazidos pelas partes, bem como se pronunciou acerca dos pontos que foram suscitados nos embargos ora analisados. A meu entender, as questões trazidas nos embargos já foram devidamente apreciadas e submetidas à análise do Colegiado, muito embora, no entender da embargante o acórdão recorrido não fez a aplicação da norma (IN SRF 21/97 e artigo 158/CPC) ao caso concreto, como pretendido por ela (embargante). Contudo, a não adoção de tese defendida pela parte não é motivo suficiente para o acatamento de embargos. Não houve qualquer omissão quanto à homologação do pedido de desistência de execução judicial e da comprovação de assunção das custas do processo. O digno Relator, neste aspecto, formou sua convicção e fundamentou o acórdão com base nas informações trazidas no bojo da diligência fiscal efetuada, conforme pode concluirse da leitura de trechos do votocondutor abaixo transcritos: Verificase que, depois da interposição do recurso, a recorrente juntou cópias de documentos judiciais que atestam a homologação da desistência da execução judicial, de forma a satisfazer o requisito que motivou a denegação em primeira instância, como se verifica dos documentos de fls. 121/122. A propósito, a sentença judicial entendeu correta essa homologação, para que pudesse ter prosseguimento o pedido administrativo de restituição dos valores recolhidos. (...) Os elementos trazidos pela diligência dão conta de um crédito a favor da recorrente no valor de R$ 8.688,86, atualizado em agosto/2008, referente a pagamentos efetuados a maior a titulo de Finsocial, conforme planilhas de calculo de fls. 212/213. Assim, as informações trazidas pelo diligenciante e os documentos constantes do processo são suficientes para concluir pela efetiva existência de valores recolhidos a maior a titulo de Finsocial no período alegado pela requerente. No que respeita à compensação pretendida, referente a débitos do Simples, a diligência concluiu pela existência de uma dívida no montante de R$ 12.814,32, referente a parcelas de dezembro/2000 a agosto/2001, também atualizado em agosto/2008 (fl. 220). Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 Aduziu a diligência que essa dívida poderia ser compensada após as compensações dos débitos fiscais não recolhidos pela contribuinte, que, como se verifica da informação de fls. 182/183, referemse a parcelas de Finsocial dos períodos de agosto a outubro/1991 e dezembro/1991 a março/1992, e de Cofins dos períodos de agosto a dezembro/1994. Destarte, em se tratando de pedido efetuado com a observância das formalidades estabelecidas na legislação em vigor e tendo sido preenchidos pela requerente os requisitos necessários para que venha a ser favorecida em seu pleito, que foi inclusive alicerçado com a diligência fiscal determinada pela 1ª. Câmara do 3º Conselho de Contribuintes e promovida pelo diligenciante da SRF que fez a devida verificação entre os valores pagos e os efetivamente devidos, bem como das compensações cabíveis, há que se concluir que o pedido tem pleno amparo no art. 165, I, do CTN e no art. 120 do Regulamento do Finsocial baixado pelo Decreto no 92.698/86, bem como nas normas especificas pertinentes à restituição e compensação previstas na IN SRF no 900/2008. (grifamos) Em reforço a este entendimento, importante destacar trecho constante do relatório do Acórdão recorrido, onde consta a informação de que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu não se tratar de ação de repetição de indébito, mas pedido meramente declaratório, não havendo mais nada a executar, verbis: A recorrente retornou ao processo As fls. 118/122 com ajuntada dos seguintes documentos: a) manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional afirmando que houve o levantamento de parte dos valores depositados em juízo, bem com a conversão em renda da Unido Federal do saldo remanescente, e que, como não se trata de ação de repetição de indébito, mas pedido meramente declaratório, resta prejudicado o pedido de desistência da execução, pois nada mais há a executar; e b) despacho da Juíza Federal da 16ª Vara Cível Federal, declarando sem razão a União Federal quanto às suas alegações, pois pertinente o pedido de desistência formulado pelos autores, e concluindo com a homologação judicial da desistência referente à execução das verbas de sucumbência para que possa ter prosseguimento o pedido administrativo de restituição dos valores recolhidos indevidamente, que não foram abarcados pela sentença judicial. Deste modo, entendo não ter havido a omissão apontada pelo embargante. Isto porque o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, por tais razões, omissão no Acórdão embargado, o que demonstra a impossibilidade de se reformar esta decisão em sede de embargos de declaração. Em outro giro, registrese que os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10825.002164/0050 Acórdão n.º 3202000.550 S3C2T2 Fl. 244 5 Neste sentido, pronunciouse o STJ: AgRg no AREsp 179411 / SP Data da decisão: 19/06/2012 DJe 27/06/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos de declaração apenas são cabíveis quando constar no julgamento obscuridade ou contradição ou quando o julgador for omisso na análise de algum ponto. Admitese, por construção jurisprudencial, também a interposição de aclaratórios para a correção de erro material. 2. "A omissão a ser sanada por meio dos embargos declaratórios é aquela existente em face dos pontos em relação aos quais está o julgador obrigado a responder; enquanto a contradição que deveria ser arguida seria a presente internamente no texto do aresto embargado, e não entre este e o acórdão recorrido. Já a obscuridade passível de correção é a que se detecta no texto do decisum, referente à falta de clareza, o que não se constata na espécie."(EDcl no AgRg no REsp 1.222.863/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 13/6/2011) 3. Embargos manejados com nítido caráter infringente, onde se objetiva rediscutir a causa já devidamente decidida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (grifamos) Com essas considerações, REJEITO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri (assinado digitalmente) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10935.902382/2012-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 82 /2 01 2- 62 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.688, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 29769.78078.161107.1.2.044006, rastreamento nº 029224605, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 7.161,72, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 2172), do período de 31/08/2003, efetuado em 15/09/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902382/201262 Acórdão n.º 3802002.538 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/09/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902382/201262 Acórdão n.º 3802002.538 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902382/201262 Acórdão n.º 3802002.538 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902382/201262 Acórdão n.º 3802002.538 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16004.000918/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de conta bancária em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA CONTA. CORREÇÃO.
Constatada a ocorrência de erro material no julgado, acolhem-se os Embargos de Declaração apenas para corrigir o referido erro material existente.
Numero da decisão: 2201-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-1.475, de 18/03/2014, corrigir o erro na identificação da conta, mantendo-se a decisão original, no sentido de, "por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos das contas da Caixa e Bradesco, nos termos do voto do Relator, e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%".
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de conta bancária em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA CONTA. CORREÇÃO. Constatada a ocorrência de erro material no julgado, acolhemse os Embargos de Declaração apenas para corrigir o referido erro material existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201 1.475, de 18/03/2014, corrigir o erro na identificação da conta, mantendose a decisão original, no sentido de, "por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos das contas da Caixa e Bradesco, nos termos do voto do Relator, e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%". Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 18 /2 00 9- 03 Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 2256/2266, com fundamento no art. 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Alega a Embargante que o Acórdão n° 2201002.345, de 18 de março de 2014, contém vícios, nos termos que se seguem: A r. decisão ora embargada, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, deu parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo os valores relativos às contas de depósito da Caixa e do Bradesco, tendo em vista que não houve a devida intimação dos cotitulares Isis Calegare e Igor Augusto Calegare, respectivamente. O colegiado determinou, ainda, a desqualificação da multa de ofício imputada ao auto de infração. (...) Ocorre que, da leitura das Fichas de Cadastro de Clientes das respectivas contas (Caixa – documento à fl. 559 e Bradesco – documento às fls. 486/487, ambos constantes do Anexo I, Volume 3), os cotitulares são dependentes de seus genitores, na medida em que declaram não possuir qualquer renda e tenham o mesmo endereço destes. Destaquese, ainda, que Isis Calegare tem como data de nascimento 08/03/1989 e o período autuado cingese aos anos calendário 2003 a 2006. Deste modo, cumpre observar que a mencionada cotitular da conta da Caixa era menor de idade durante todo o período objeto do presente lançamento. Considerando que a Sra. Ana Maria Calegare, genitora, foi devidamente intimada a se manifestar sobre os depósitos existentes, o que envolve a movimentação de seus dependentes, e não houve comprovação neste sentido, deve ser mantida a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. (...) Outro aspecto relevante de destaque cingese ao alcance do acórdão ora embargado. Ocorre que o dispositivo não mencionou expressamente quais as contas de depósito da Caixa e do Bradesco teriam sido excluídas do lançamento, tal qual o ilustre Conselheiro Relator indicou no último parágrafo do voto condutor. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16004.000918/200903 Acórdão n.º 2201002.482 S2C2T1 Fl. 3 3 Não obstante esteja evidente no voto o entendimento do julgador, considerando a existência de diversas contas movimentadas pelo contribuinte em cada uma destas instituições, e considerando que o dispositivo é parte relevante para determinar a extensão do julgado, requer a União que tal menção seja também feitano dispositivo, a fim de evitar qualquer interpretação errônea no momento da execução do acórdão. Pois bem, no que tange à intimação aos cotitulares: Isis Calegare e Igor Augusto Calegare, verificase que o Conselheiro Relator não identificou nos autos as citadas intimações para comprovar a origem dos depósitos bancários, razão pela qual aplicou ao caso a Súmula CARF nº 29. Entretanto, a Embargante chama a atenção para o fato de que não haveria necessidade de intimação, pois os cotitulares são dependentes de seus genitores, não possuem qualquer renda e residem no mesmo endereço do recorrente. Além disso, assevera a Fazenda Nacional que a Sra. Ana Maria Calegare, genitora dos cotitulares, foi devidamente intimada, em outro processo, a se manifestar sobre os depósitos existentes, o que envolve a movimentação de seus dependentes. Quanto à alegação de que o dispositivo não mencionou expressamente quais contas de depósito da Caixa e do Bradesco teriam sido excluídas do lançamento, compulsando se os autos, mais precisamente à fl. 559 – Anexo 3, verificase que houve um pequeno equívoco na identificação da conta, ou seja, onde se lê CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660, leiase CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.3660. Em razão do exposto, a presidência da Câmara acolheu os Embargos e determinou a inclusão do processo em pauta de julgamento, com vistas a sanar os vícios apontados. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. De início, cumpre reproduzir trecho do voto, relativamente à matéria embargada (fl. 3494): Entretanto, conforme bem observou o recorrente em resposta ao Termo de Verificação Fiscal, 1961/1969pdf, a cotitular Isis Calegare da conta da CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660 – (fl. 559 – Anexo 3) e o cotitular Igor Augusto Calegare da conta do BRADESCO – Ag. 3.635/8 – c/c 574/6 – (fl. 486/487 – volume III), não foram intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários, consoante se infere do Termo de Verificação Fiscal, fls. 1957/1958pdf. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Pelo que se vê, Isis Calegare, cotitular da conta da CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660 – (fl. 559 – Anexo 3) e Igor Augusto Calegare, cotitular da conta do BRADESCO – Ag. 3.635/8 – c/c 574/6 – (fl. 486/487 – volume III), não foram intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários. Assim, penso que não há qualquer reparo a fazer no entendimento do Colegiado, já que em razão do princípio da legalidade, é forçoso reconhecer que não se aperfeiçoa a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada de tais contas. Embora alegue a embargante que não haveria a necessidade de intimação aos cotitulares, pois ambos são menores, não possuem renda, moram no mesmo endereço dos genitores, além de constar como dependentes na Declaração de Ajuste de Ana Maria Calegare, que foi devidamente intimada em outro processo a se manifestar sobre os depósitos existentes, cumpre esclarecer que a Súmula CARF nº 29 é clara quanto a necessidade de intimação de todos os cotitulares, mormente porque o contribuinte não incluiu os cotitulares: Isis Calegare e Igor Augusto Calegare como dependentes em sua declaração. Quanto à alegação de que o dispositivo não mencionou expressamente quais contas de depósito da Caixa e do Bradesco teriam sido excluídas do lançamento, reproduzo, de antemão, trecho do voto condutor do acórdão embargado (fl. 3494): Entretanto, conforme bem observou o recorrente em resposta ao Termo de Verificação Fiscal, 1961/1969pdf, a cotitular Isis Calegare da conta da CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660 – (fl. 559 – Anexo 3) e o cotitular Igor Augusto Calegare da conta do BRADESCO – Ag. 3.635/8 – c/c 574/6 – (fl. 486/487 – volume III), não foram intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários, consoante se infere do Termo de Verificação Fiscal, fls. 1957/1958pdf. (...) Do exposto, verificase que o procedimento fiscal não está lastreado nas condições impostas pela legislação pertinente. Assim, os valores constantes da conta da CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660 e do BRADESCO – Ag. 3.635/8 – c/c 574/6, devem ser excluídos da exigência. Por sua vez, o dispositivo do acórdão consignou (fl. 3487): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos das contas da Caixa e Bradesco, nos termos do voto do Relator, e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Rogério de Lellis Pinto, OAB/DF 25.248. O julgamento do recurso foi antecipado para a sessão de 18 de março às 09:00 horas, a pedido do Contribuinte. Do exposto, verificase que o próprio dispositivo do acórdão embargado remete ao voto do Relator, onde estão especificadas as contas excluídas da exigência. Ocorre, entretanto, que analisando à fl. 559 – Anexo 3, verificase que houve um pequeno equívoco na identificação da conta, ou seja, onde se lê CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.5660, leiase CAIXA – Ag. 299 – op. 32 – c/c 15.3660. Ante a todo o exposto, voto por acolher em parte os Embargos de Declaração para, sanando o equivoco na identificação da conta, manter a decisão original no sentido de Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16004.000918/200903 Acórdão n.º 2201002.482 S2C2T1 Fl. 4 5 “por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos das contas da Caixa e Bradesco, nos termos do voto do Relator, e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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