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Numero do processo: 11080.732440/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo, quando regulamente intimado para tanto, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as despesas registradas em sua contabilidade.
Numero da decisão: 1201-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo, quando regulamente intimado para tanto, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as despesas registradas em sua contabilidade.
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COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo, quando regulamente intimado para tanto, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as despesas registradas em sua contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1262.554, exarado pela 5ª Turma da DRJ 1 no Rio de Janeiro RJ. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 73944e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 40 /2 01 1- 64 Fl. 73985DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.732440/201164 Acórdão n.º 1201001.261 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo do auto de infração de fls. 73589 a 73603, lavrado pela DRF/POA no qual consta o ajuste nos prejuízos fiscais e nas bases negativas da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), dos anoscalendário de 2006 e 2007, nos valores de R$ 4.611.147,09 e R$ 25.904.981,10, respectivamente, em decorrência da apuração de infrações a legislação tributária, valores aos quais foram compensados com os prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL dos períodos respectivos. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 73590 e do termo de verificação fiscal de fls. 73574 a 73585, os lançamentos do IRPJ e da CSLL, se devem a glosa de despesas com seguros, contabilizadas no anocalendário de 2006, no valor de R$ 4.611.147,09, que não foram comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme demonstrativo de fls. 73586 e 73587; e a apuração de exclusão indevida de valor do lucro líquido do anocalendário de 2007, na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, relativos a autuação consubstanciada no auto de infração SUSEP/DEFIS/GEFIS 027/2007, no valor de R$ 25.904.981,10, registrados na contabilidade da autuada a débito na conta contábil de prejuízos acumulados. (...) Cientificada pessoalmente em 12/12/2011 (fls. 73585, 73589, 73595 e 73602), a interessada apresentou em 10/01/2012, por meio de seus representantes legais, impugnação de fls. 73605 a 73624, acompanhada dos documentos de fls. 73626 a 73927, na qual, alega, em síntese, que: 1) tem como objeto social a operação de seguros, estando obrigada a apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, bem como sujeita a normatização da Superintendência de Seguros Privado (SUSEP), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), além de disposições da Lei nº 6.404/76, que dispõe sobre sociedades anônimas, uma vez que no Brasil as seguradoras devem ser constituídas sob esta forma legal; 2) o valor glosado de R$ 4.611.147,09 referente ao fato gerador apurado em 31/12/06 corresponde a valores registrados nas contas contábeis: outras aplicações, comissões a pagar, comercialização, outras contas a pagar, comissão sobre prêmios emitidos, prêmios e emolumentos recebidos, prêmios antecipados, resseguros emitidos prêmio, bancos conta depósito país e resseguro a liquidar prêmio; 3) a autuação fiscal, no que concerne a apuração de exclusão indevida de valor do lucro líquido do anocalendário de 2007, teria sido lavrada em contradição com a autuação lavrada pela SUSEP, caracterizando ofensa ao princípio da segurança jurídica, e da proporcionalidade, eivando o lançamento de nulidade. Fl. 73986DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.732440/201164 Acórdão n.º 1201001.261 S1C2T1 Fl. 4 3 Requer o acolhimento de sua impugnação, com o cancelamento dos ajustes nas bases de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, efetuados na autuação. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. A recorrente não juntou aos autos quaisquer documentos capazes de comprovar as despesas no montante de R$ 4.611.147,09, glosadas pela fiscalização justamente pela falta de apresentação de documentação comprobatória. Quanto à exclusão indevida, no valor de R$ 25.904.981,10, a interessada limitouse a alegar tratarse de receitas cujo reconhecimento contábil não foi admitido pela SUSEP, daí porque, em virtude do princípio da vedação a comportamento contraditório, a SRF, que tal como a SUSEP é órgão do Ministério da Fazenda, não poderia exigir fossem elas oferecidas à tributação. Ocorre que não há aqui comportamento contraditório. O que há são comportamentos de órgãos estatais submetidos a normas legais de natureza distinta. Nesse sentido, segundo as normas legais que regem especificamente a atividade das companhias de seguros, não se admite o reconhecimento contábil de receitas que não estejam lastreadas na documentação pertinente. No entanto, de acordo com as normas de natureza fiscal, havendo sido efetivamente auferidas, fato esse não contestado pela recorrente, tais receitas devem ser objeto de tributação. Alega ainda a defesa que a presente autuação viola os princípios da segurança jurídica e do nãoconfisco. É de se dizer, entretanto, que a análise de tais argumentos implicaria o exame da constitucionalidade das leis que lastrearam o lançamento fiscal, algo para o qual este Conselho não detém competência, nos termos do a seguir transcrito art. 26A do Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 73987DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.732440/201164 Acórdão n.º 1201001.261 S1C2T1 Fl. 5 4 Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 73988DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009438/2007-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS. SANEAMENTO.
Tendo sido os autos saneados para incluir documento dispondo sobre a data de interposição do recurso especial que comprova a sua tempestividade, não há que se falar em acolhimento dos embargos.
Numero da decisão: 9101-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conhecer os embargos de declaração da Fazenda Nacional e, no mérito, negar provimento, sem efeitos infringentes, por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum, Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: Relator
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SANEAMENTO. Tendo sido os autos saneados para incluir documento dispondo sobre a data de interposição do recurso especial que comprova a sua tempestividade, não há que se falar em acolhimento dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer os embargos de declaração da Fazenda Nacional e, no mérito, negar provimento, sem efeitos infringentes, por unanimidade de votos. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum, Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 94 38 /2 00 7- 19 Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 23/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101002.195 CSRFT1 Fl. 1.262 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 9101001.661, na sessão de 15/05/2013, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi dado provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CONTRATOS DE FRANQUIA. NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividademeio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea "c" do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). A PGFN tomou ciência da decisão da CSRF em 02/10/2014, e interpôs os embargos de declaração em 09/10/2014, para contestar a tempestividade do recurso especial interposto pela contribuinte, nos seguintes termos: Ocorre que exsurge dúvida quanto à tempestividade do recurso aviado pelo sujeito passivo. Explicase: Na fl. 4 do voto condutor do acórdão (fl. 1107) consta a informação de que o recurso especial fora interposto no dia 14/09/2010. Todavia, no carimbo (fl. 700) aposto na primeira folha do recurso do contribuinte pela Central de Atendimento ao Público do CARF, consta a data de 16/09/2014, o que leva a crer que a petição fora apresentada tão somente nessa data. Cabe destacar que a análise do dia exato em que o recurso do sujeito passivo foi protocolado perante o CARF revelase relevante para controle de sua tempestividade. Considerando que o contribuinte foi cientificado da decisão tomada pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, a qual negou provimento ao recurso voluntário, em 31/08/2010 (fl. 695), terçafeira, temse que o decurso do prazo de 15 dias para a interposição de recurso especial encerrouse em 15/09/2010 (quartafeira). Assim sendo, caso se conclua que o recurso fora protocolado no dia 14/09/2010, ter seá o apelo como tempestivo. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 23/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101002.195 CSRFT1 Fl. 1.263 3 Entretanto, caso se chegue à conclusão de que o recurso fora interposto tão somente no dia 16/09/2010, será forçoso o reconhecimento de sua intempestividade, o que obsta o próprio conhecimento do recurso. Nesse contexto, diante do conflito de datas observado, que levanta dúvidas acerca da tempestividade do recurso especial aviado pelo contribuinte, fazse mister que a Turma analise qual foi efetivamente a data em que o apelo do contribuinte foi protocolado junto ao CARF. E, caso o Colegiado conclua ter sido o recurso especial interposto após o prazo regimental, confira efeitos infringentes aos presentes embargos para alterar o resultado do julgamento, deixando de conhecer o recurso especial interposto pelo contribuinte e tornando definitivo o acórdão nº 130200.216, prolatado pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes Embargos de Declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar o vício apontado. E, caso a Turma conclua ter ocorrido preclusão temporal, confira efeitos modificativos aos presentes aclaratórios para restabelecer o auto de infração. Os embargos de declaração foram admitidos conforme Despacho de 13/08/2015, efls. 11271128: Discorre a embargante sobre a tempestividade do recurso voluntário, vez que consta na peça de defesa carimbo da unidade preparadora atestando recepção em 16/09/2010, que consta ciência da contribuinte em 31/08/2010, ou seja, em prazo superior aos quinze dias previstos no RICARF. Por sua vez, no acórdão embargado, o relato informa que a interposição do recurso teria sido em 14/09/2010. São os fatos. Entendo que resta demonstrada a contradição, na medida em que os autos apontam que a data de interposição do recurso foi em 16/09/2010, e a decisão embargada considera o dia 14/09/2010. Em sessão realizada na CSRF em 07 de dezembro de 2015, decidiuse por meio da Resolução nº 9101.000.014 converter o processo em diligência, para sanear os autos digitais no sentido de acostar documento que se encontrava apenas no processo físico (não teria sido digitalizado) e que poderia esclarecer sobre a data de interposição do recurso especial. O despacho da Secretaria da 1ª Seção de fl. 1260 (autos digitais) informa que os autos digitais foram saneados. É o relatório. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 23/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101002.195 CSRFT1 Fl. 1.264 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator Os embargos interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos. Portanto, cabe prosseguir com o exame. A referência das folhas toma como parâmetro o processo físico (em papel). O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A contradição apontada pela embargante é evidente: no voto embargado, consta que o recurso especial foi interposto pela contribuinte em 14/09/2010, citando com referência as fls. 699 e seguintes. Por outro lado, consta na fl. 700 carimbo do CARF atestando o protocolo do recurso em 16/10/2010. Considerando que a ciência da decisão da câmara baixa deuse em 31/08/2010, e diferença de datas tornase decisiva para verificar se o recurso especial é tempestivo ou não. Ao apreciar os autos na sessão 07 de dezembro de 2015, o presente Colegiado constatou que não haveria como se concluir qual a data de interposição do recurso. Isso porque consta na fl. 950 despacho da unidade preparadora (DRF/Campinas), que informa, expressamente, que o recurso teria sido postado em 14/09/2010, e cita como referência a fl. 699 dos autos: Juntei e numerei o referido Recurso, fls. 699 à 947 (Vol. 04), postado em 14/09/2010 (fl. 699), tempestivamente, visto que a ciência ocorreu em 31/08/2010, fl. 695. (grifos originais) Ocorre que a mencionada fl. 699 não se encontrava nos autos digitais (e processo). Encontravase a fl. 698 e logo em seguida a fl. 700, precisamente a primeira folha do recurso especial da contribuinte, e no qual consta um carimbo de protocolo do "CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF", com a data de 16/09/2010. Assim decidiuse por meio da Resolução nº 9101.000.014, converter o processo em diligência, tendo em vista a informação de que o processo físico ainda se encontrava no CARF, no sentido de se localizar a fl. 699 que poderia esclarecer sobre a data de interposição do recurso espacial. E, de fato, informou o resultado da diligência que foi encontrada nos autos físicos a fl. 699, tendo a Secretaria da 1ª Seção do CARF saneado os autos digitais, mediante inclusão do documento de fl. 1258/1259 (numeração digital), que demonstra que a peça de defesa da contribuinte foi interposta via Correios, em 14/10/2010. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 23/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.009438/200719 Acórdão n.º 9101002.195 CSRFT1 Fl. 1.265 5 Portanto, considerando o termo inicial de contagem 31/08/2010, e a data de interposição em 14/10/2010, constatase que o recurso interposto pela contribuinte é tempestivo. Nesse sentido, voto no sentido de conhecer os embargos, por ter sido restada demonstrada a contradição, e, no mérito, pela sua rejeição, em razão da tempestividade do recurso. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 23/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.033213/99-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES.
(ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS
DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma
Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, o FINSOCIAL exigido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 150.764/PE, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir da vigência daquela lei, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, o FINSOCIAL exigido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 150.764/PE, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir da vigência daquela lei, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 32 13 /9 9- 26 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Especial apresentado pela Fazenda Nacional e pela Valddac Moda Ltda contra Acórdão nº 30239.132, da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para aplicar o prazo de 10 anos, nos moldes do art. 150, § 4º do CTN – contados do fato gerador, o que, por conseguinte, considerando que o sujeito passivo apresentou pedido de restituição em 24.11.99, decidiu afastar a decadência aos fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1989. O acórdão recorrido expressou o entendimento consolidado com a seguinte ementa: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. Segundo entendimento consolidado pelo STJ, está fluido o prazo para repetição de indébito após esgotado o prazo de 10 (dez) anos, contados do fato gerador, condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 4° do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Fl. 804DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.033213/9926 Acórdão n.º 9303003.452 CSRFT3 Fl. 803 3 Para melhor compreensão dos pontos de discussão, importante trazer parte do voto vencedor (Grifos meus): “[...] A matéria decadência em expedientes de restituição e/ou compensação de FINSOCIAL é iterativa nesta Câmara. Minha convicção anterior foi externada muitíssimas vezes neste Colegiado, no sentido de que o dies a quo de tal contagem do prazo decadencial seria a data em que os contribuintes tiveram seus direitos reconhecidos pela Administração Tributária, consubstanciado na publicação da medida provisória n° 1.110/95 e suas reedições. Nada obstante, em sessão recente passada, um voto da i. Conselheira ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, inclusive declarado na e. Câmara Superior de Recursos Fiscais, da qual a brilhante Conselheira faz parte, sensibilizoume e peço vênia para reproduzilo parcialmente: [...] Consultese, nesta toada, o entendimento do STJ sobre o tema, que em tudo confirma as observações formuladas (RE n° 327043): "1. Questionase, aqui, (a) a natureza — se interpretativa ou não – do art. 3° da LC 118/2005, segundo o qual, para efeito de contagem do prazo para a repetição do indébito, deve ser considerado que "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", bem como (b) a legitimidade da art. 4°, segunda parte, da mesma Lei, que determina a aplicação retroativa daquele artigo 3 0, tal como prevê o art. 106, I, do CIN. (.) 6. Ainda que se admita a possibilidade de edição de lei interpretativa, como prevê o art. 106, I, do CTN, mas considerando o que antes se disse sobre o processo interpretativo e seus agentes oficiais (= a norma é aquilo que o Judiciário diz que é), evidenciase como hipótese paradigmática de lei inovadora (e não simplesmente interpretativa) aquela que, a pretexto de interpretar, confere à norma interpretada um conteúdo ou um sentido diferente daquele que lhe foi atribuído pelo Judiciário ou que limita o seu alcance ou lhe retira um dos seus sentidos possíveis. É o que ocorre no caso em exame. Com efeito, sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1° Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a Fl. 805DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação — expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. (.) Ora, o art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, uni sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições normativas interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Se, como se disse, a norma é aquilo que o Judiciário, como seu intérprete, diz que é, não pode ser considerada simplesmente interpretativa a lei que dá a ela outro significado. Em outras palavras: não pode ser considerada interpretativa a lei que tem o evidente objetivo de modificar a jurisprudência dos Tribunais. Somente a jurisprudência é que pode, legitimamente, alterar a jurisprudência. 7. Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se for o caso, também a interpretação formada em relação a ela). Pode, sim, fazêlo, mas não com efeitos retroativos. Nessa moldura, assente que a solicitação efetuada pela Interessada foi protocolizada em 24 de NOVEMBRO de 1999, e os fatos geradores da contribuição a ser restituída referemse aos períodos de 01 de setembro de 1989 a 31 de outubro de 1991, entendo que não houve completa decadência do direito pleiteado. Ante o exposto, voto pelo DEFERIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para afastar a decadência aplicada no presente caso a partir de NOVEMBRO de 1989, e para que retorne o expediente à Delegacia da Receita Federal de origem, onde devem ser analisadas as demais circunstâncias do pedido de restituição/compensação formulado pela Recorrente. [..]” Fl. 806DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.033213/9926 Acórdão n.º 9303003.452 CSRFT3 Fl. 804 5 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, a fim de decretar a completa decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição: · Alegando contrariedade aos arts. 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, argumentando que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário; · Trazendo também que não há que se considerar como termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial a data da publicação da MP 1.110/95. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido em sua integralidade nos termos do despacho de fls. 719/721 apreciado pelo Presidente da 2ª Câmara do 3º CC, com relação à contrariedade à lei tributária e considerando que a decisão foi prolatada por maioria de votos. O sujeito passivo tomou conhecimento do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo, apresentando Contrarrazões às fls. 748 a 761, requerendo provimento integral ao pedido de restituição dos créditos de Finsocial. Não obstante, irresignado também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial (fls. 730 a 742), requerendo a reforma do acórdão recorrido, a fim de prover integralmente o pedido de restituição dos créditos de Finsocial pleiteados, alegando que o termo a quo da contagem do prazo prescricional para a restituição dos valores em apreço devese dar a partir da edição da MP 1.110/95. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente nos termos do despacho de fls. 763/765 apreciado pelo Presidente da primeira Câmara da Terceira Seção. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo, apresentando Contrarrazões às fls. 768 a 778, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela parte adversa. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os Recursos são tempestivos, devendo ser admitidos integralmente, pois em relação ao interposto: · Pela Fazenda, deve ser considerada a invocação da contrariedade da lei tributária, bem como a decisão prolatada por maioria de votos, nos termos dos arts. 7º e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais constantes do Anexo II da Portaria MF 147/07 – vigente à época (Grifos meus): "Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I —decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional.” “Art. 15. O recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § I" Na hipótese de que trata o inciso Ido art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional.” Fl. 808DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.033213/9926 Acórdão n.º 9303003.452 CSRFT3 Fl. 805 7 · Pelo sujeito passivo, foi demonstrado o dissídio jurisprudencial entre a decisão recorrida com o paradigma apresentado, o qual invocou como termo a quo a data da publicação da MP 1.110/95. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo também devem ser consideradas, pois ambos foram tempestivos. Observadas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria trazida nos Recursos Especial da Fazenda Nacional e do sujeito passivo. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 809DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp Fl. 810DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.033213/9926 Acórdão n.º 9303003.452 CSRFT3 Fl. 806 9 nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À Fl. 811DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, onde a interessada protocolizou pedido de restituição em 24 de novembro de 1999 de recolhimentos de Finsocial relativos a fatos geradores ocorridos no período de 1º de setembro de 1989 a 31 de outubro de 1991, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1989. Isto posto, conheço integralmente dos Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, negandolhes provimento. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 812DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.722367/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário"
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA não conheceu do recurso, pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA- Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário" Recurso Voluntário Não Conhecido
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário" Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA não conheceu do recurso, pelas conclusões. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 23 67 /2 01 4- 91 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA Relatório Tratase de recurso contra acórdão da DRJ que julgou improcedente a impugnação a Notificação de Lançamento fls. 5 e 6, a qual glosou a dedução do valor de R$ 142.555,96 a título de pensão alimentícia judicial por falta de comprovação. Proferido o acórdão de fls. 5557, julgando improcedente a impugnação, foi expedido o AR de fls. 62 endereçado ao Recorrente para o endereço da Av.Caravelas 30, Apt 202, Parque Palmeiras, Angra dos Reis. A referida correspondência foi recebida no endereço indicado em 27/03/2015. Em 13/05/2015, o Recorrente apresentou o recurso de fls. 72 e seguintes destacando, em preliminar, sua tempestividade, sob o argumento de que, embora o Aviso de Recebimento tenha sido recepcionado por sua filha, no dia 27/03/2015, somente em 15/04/2015 houve o recebimento efetivo da decisão por parte do Contribuinte. Alega o Recorrente que o que motivou o equívoco acima mencionado foi o fato do Aviso de recebimento ter sido entregue no endereço distinto do seu domicílio atual, uma vez que o endereço constante do Aviso de Recebimento é de sua ex esposa. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pelo Aviso de Recebimento (fls.62) o domicílio do contribuinte constante da Receita Federal do Brasil era Av.Caravelas 30, Apt 202, Parque Palmeiras, Angra dos Reis. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.722367/201491 Acórdão n.º 2202003.113 S2C2T2 Fl. 4 3 É importante destacar também que a Agência da Receita Federal do Brasil em Angra dos Reis formulou, às fls. 65, o termo de perempção, no qual atesta ter transcorrido o prazo de 30 dias e não ter o contribuinte apresentado recurso à instância superior. Dessa forma, as alegações do Recorrente, no sentido de que o Aviso de Recebimento foi entregue em endereço diverso do seu atual domicílio não exclui a intempestividade, uma vez que, de acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Diante do exposto, não conheço do recurso em razão da sua comprovada intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.907047/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE.
Se não há óbice de outra natureza, admite-se a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. LEGITIMIDADE DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez atendido os requisitos legais e comprovada da existência do crédito utilizado na compensação fica demonstrada a legitimidade do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE. Se não há óbice de outra natureza, admitese a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 70 47 /2 00 9- 31 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase Declaração de Compensação DComp (fls. 2/5) em que informada a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2007, no valor originário de R$ 189.248,20, com débitos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2008. Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 21/23, o titular da Unidade da Receita Federal não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito utilizado no procedimento compensatório não existia, pois, embora localizado na base dados, o pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de maio de 2007, não remanescendo crédito disponível para compensação dos débitos informados na DComp em apreço. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o valor débito declarado na DCTF original era indevido, mas, por equívoco, não retificara a referida Declaração previamente a apresentação da DComp, o que fora feito somente após a ciência do citado Despacho Decisório. Para fim de comprovação do alegado indébito, apresentou cópias da DCTF retificadora (fls. 32/35) e do Dacon (fls. 36/51), ambas do mês de maio de 2007. Sobreveio a decisão de primeira de instância (fls. 58/63), em que a 8ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas/SP, por unidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes argumentos: a) o crédito não existia, pois, no momento da análise da compensação, o pagamento informado estava integralmente alocado ao pagamento do débito declarado na DCTF do respectivo período; b) a ciência do Despacho Decisório configurava início do procedimento fiscal, nos termos do inciso III do § 2° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007, logo, em face da perda da espontaneidade, a citada DCTF não poderia mais ser retificada; c) a alteração da DCTF, com vista a reduzir ou excluir débito anteriormente declarado, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, somente era admissível mediante comprovação do erro alegado; d) a simples retificação na DCTF, acompanhada do Dacon, não constituía prova suficiente do direito creditório informado; e e) não houve comprovação do indébito tributário com documentação adequada, consistente nos livros contábeis e fiscais, acompanhados dos respectivos documentos fiscais que confirmassem a natureza da operação, ocorrência do fato gerador do tributo, base de cálculo e alíquota aplicável. Em 26/3/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 24/4/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 71/75, instruído com a documentação de fls. 84/97, em que reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) não havia norma procedimental que condicionasse a apresentação da DComp previamente à retificação da DCTF; b) não havia impedimento legal para retificação da DCTF, em qualquer fase do procedimento de restituição, Fl. 352DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907047/200931 Acórdão n.º 3302002.956 S3C3T2 Fl. 352 3 porém, o deferimento do crédito dependeria da retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte; c) a restrição da retificação da DCTF, estabelecida no III do § 2° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, não se aplicava aos pedidos do contribuinte, mas apenas aos procedimentos fiscais tendente à apuração dos débitos; d) em nenhum momento foi intimada a apresentar a documentação contábil adequada à comprovação do indébito informado; e e) a falta de apreciação da existência ou não direito creditório fez com que o mérito da compensação não fosse analisado, o que estaria em desacordo com princípio da verdade material. No final, requereu que a documentação apresentada fosse apreciada e julgado o mérito da compensação declarada. Em 24 de abril de 2013, por meio da Resolução nº 3102000.251 (fls. 100/105), os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converteram o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem, adotasse as seguintes providências: a) a recorrente fosse intimada a apresentar cópia integral autenticada das folhas do Livro Razão analítico do período de apuração ou conferida com o original por servidor do Órgão de origem; b) cópia autenticada ou conferida com o original dos livros e documentos fiscais que corroborassem as informações consignadas no Dacon e nas respectivas cópias das folhas Livro Razão analítico do período; e c) emitido parecer conclusivo sobre a existência ou não de saldo credor da Cofins passível de compensação. Após tais providências, a recorrente fosse cientificada do referido parecer, para dentro do prazo fixado, caso desejasse se manifestasse sobre as conclusões exaradas pela autoridade fiscal. Após, retornassemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento ao citado pedido de diligência, com base na documentação apresentada pela recorrente (fls. 223/224 e 322/332), por meio da Informação Fiscal de fl. 333, informou a autoridade fiscal que o valor total recolhido da COFINS do mês de maio de 2007, no montante de R$ 189.248,20, era passível de compensação. Em 29/11/2013, a recorrente foi cientificada da citada Informação Fiscal. Todavia, embora tenha sido facultada a oportunidade para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre a conclusão exarada na citado Informação, não houve qualquer manifestação por parte da recorrente. Enfim, por meio do Despacho de fl. 349, em 11/02/2014, foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com o contestado Despacho Decisório, o motivo da não homologação compensação em apreço foi a inexistência do crédito compensado, baseada no fato de que o Fl. 353DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débito devido, declarado na DCTF do período. Pelo mesmo motivo (inexistência do crédito), a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a decisão não homologatória da compensação, porém, por razões diversas, a saber: (i) após a ciência do Despacho Decisório, a DCTF não poderia ser retificada, para reduzir ou excluir tributo, pois, tal fato configurava início do procedimento fiscal e perda da espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN; (ii) a simples retificação da DCTF, acompanhada apenas do Dacon, não fazia prova do suposto direito creditório; e (ii) as informação prestadas no Dacon, eventualmente, prestarseiam à comprovação do erro no preenchimento da DCTF, caso estivesse acompanhada da documentação contábil e fiscal comprobatória da existência do crédito informado. Em suma, para a manutenção do vergastado Despacho Decisório, a Turma de julgamento a quo apresentou duas questões relevantes: a) a impossibilidade da retificação da DCTF, em face da perda da espontaneidade; e b) a falta de comprovação das informações apresentadas no Dacon, mediante documentação contábil e fiscal hábil e idônea. Da necessidade de retificação da DCTF. Em relação à primeira questão, alegou a recorrente que a retificação da DCTF poderia ser feita em qualquer fase do procedimento de compensação ou restituição, porque na legislação não havia o impedimento suscitado no voto condutor do julgado recorrido, porém, a homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição dependeria de prévia retificação da DCTF de ofício ou pelo próprio contribuinte. A alegação da recorrente procede parcialmente. Se não havia na legislação anterior nem há na vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que trata dos requisitos formais atinente aos procedimentos de compensação e restituição, impedimento para retificação da DCTF, isso não significa que não haja restrições para retificação desta Declaração. Atualmente, as condições para a retificação da DCTF encontramse dispostas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que, com pouquíssimas alterações, reproduz texto veiculado nas Instruções Normativas anteriores, cujos trechos relevantes seguem transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907047/200931 Acórdão n.º 3302002.956 S3C3T2 Fl. 353 5 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) Da leitura dos comandos normativos em destaque, verificase que a retificação da DCTF pode ser feita (i) pelo contribuinte, espontaneamente, (ii) ou pela Administração Tributária, de ofício ou em atendimento ao pedido formulado pelo contribuinte, nos casos em que a retificação do sujeito passivo não mais produza os efeitos que lhe são próprios. Nesta última hipótese, a Administração Tributária tem a prerrogativa de proceder, ex officio, a retificação dos valores dos débitos informados na DCTF, desde que o pedido de retificação seja: (i) formulado antes do decurso do prazo preclusivo de 5 (cinco) anos, contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração a ser retificada; e (ii) acompanhado de prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da respectiva declaração. Por sua vez, a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte só não subsistirá e não substituirá a originária, se a retificação tiver por objeto a redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU); b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na Fl. 355DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso em tela, em 27/10/2009, data da entrega da DCTF retificadora de fls. 32/35, o débito da Cofins do mês de 2007 foi reduzido de R$ 189.248,20 para R$ 0,00. Essa retificação, evidentemente, não se enquadra em nenhuma das citadas hipóteses restritivas, pois, o referido débito não se encontrava inscrito em DAU, nem foi objeto de “exame em procedimento de fiscalização”, mas decorrente da confissão de dívidas realizada na própria DCTF retificada. Também não houve a alegada perda da espontaneidade, prevista no do § 1º do art. 147 do CTN e que trata de hipótese de retificação de declaração, por iniciativa do declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificado do lançamento, matéria estranha ao caso em apreço que trata de não homologação de compensação e não de procedimento de lançamento. Dessa forma, se não havia nenhum óbice para a retificação realizada pela recorrente, acatase a DCTF retificadora. Da comprovação do crédito compensado. No âmbito do procedimento espontâneo de compensação, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2007. Segundo o Dacon do período (fl. 221), no referido mês, foi apurado um saldo credor de R$ 5.969,37. Portanto, ao invés de Cofins a pagar, no citado mês, foi apurado crédito remanescente. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente pretendeu comprovar a origem do referido indébito com a apresentação apenas das cópias da DCTF retificadora e do Dacon do período, meio de prova reputado insuficiente, com razão, pelo relator do voto condutor do julgado recorrido. A DCTF retificadora e o Dacon contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que precisam ser corroborados com a correspondente documentação fiscal externa, hábil e idônea. A simples apresentação das cópias das referidas Declarações, embora oportuna e necessária, são insuficientes para comprovação dos valores das receitas auferidas e das compras realizadas no período, elementos imprescindíveis para confirmação da correta apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, no âmbito do regime não cumulativo. Dessa forma, a falta de apresentação da respectiva documentação fiscal, inviabiliza a confirmação dos valores informados no Dacon relativos às receitas auferidas e compras realizadas no período. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907047/200931 Acórdão n.º 3302002.956 S3C3T2 Fl. 354 7 Entretanto, apesar de ciente da necessidade de apresentar a documentação contábil e fiscal adequada, instruindo a peça recursal em apreço, a recorrente trouxe aos autos, sem autenticação, cópias não sequenciadas de algumas folhas do Livro Razão analítico (fls. 85/87). Em face dessa deficiência probatória, com finalidade de suprila, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que a recorrente fosse intimada a apresentar a documentação fiscal que corroborasse as informações consignadas no Dacon do período, bem como nas cópias dos folhas Livro Razão analítico de fls. 85/87. Após ser intimada, a recorrente a apresentou a documentação de fls. 109/321. Com base nessa documentação e tendo em conta que os "valores inseridos nos demonstrativos (Receita Operacional, compras para revenda/fabric. Insumos, devolução de vendas, outros créditos) estão todos informados no Balancete Mensal Analítico apresentado às fls. 223 e 224 do eprocesso e estão conformes com o DACON apresentado às fls. 322/332" (grifos do original), concluiu a autoridade fiscal que o valor total recolhido da COFINS do mês de maio de 2007, no montante de R$ 189.248,20, era passível de compensação. Dessa forma, uma vez comprovada a existência do valor crédito compensado, fica demonstrado que a compensação em apreço foi realizada em conformidade com disposto na legislação vigente, portanto deve ser homologada conforme declarada na DComp de fls. 2/5. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO integral ao recurso, para reconhecer a legitimidade do procedimento compensatório informado na DComp de fls. 2/5. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 357DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 16095.720247/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A omissão de receitas presumida a partir da falta de comprovação de passivo somente pode ser imputada a pessoa jurídica na condição de contribuinte se as intimações que objetivavam esta comprovação foram a ela dirigidas no curso do procedimento fiscal. Se a inexistência de fato da pessoa jurídica fiscalizada permite desconsiderar sua personalidade jurídica para agregar a receita omitida ao resultado tributável da real beneficiária das operações, então esta conclusão deve também orientar o procedimento fiscal destinado à construção dos indícios que permitirão a presunção de omissão de receitas. Se a Fiscalização implicitamente admite que a pessoa jurídica fiscalizada detém personalidade jurídica para ser intimada no curso do procedimento fiscal e sofrer as consequências de sua desídia no atendimento a estas requisições, esperado seria que a determinação dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento tivesse em conta a sua apuração original, e inclusive os vícios que, eventualmente nela constatados, determinariam o arbitramento dos lucros e a exigência dos tributos sobre o faturamento na sistemática cumulativa. Revelada a incompatibilidade entre as premissas do procedimento fiscal e a conclusão exposta no lançamento do crédito tributário, deve ser cancelada a exigência.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A improcedência da exigência tributária prejudica a apreciação do recurso voluntário dos responsáveis tributários.
Numero da decisão: 1302-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Mude Comércio e Serviços Ltda, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, e declarar PREJUDICADOS os recursos dos responsáveis tributários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, , Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarou-se impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A omissão de receitas presumida a partir da falta de comprovação de passivo somente pode ser imputada a pessoa jurídica na condição de contribuinte se as intimações que objetivavam esta comprovação foram a ela dirigidas no curso do procedimento fiscal. Se a inexistência de fato da pessoa jurídica fiscalizada permite desconsiderar sua personalidade jurídica para agregar a receita omitida ao resultado tributável da real beneficiária das operações, então esta conclusão deve também orientar o procedimento fiscal destinado à construção dos indícios que permitirão a presunção de omissão de receitas. Se a Fiscalização implicitamente admite que a pessoa jurídica fiscalizada detém personalidade jurídica para ser intimada no curso do procedimento fiscal e sofrer as consequências de sua desídia no atendimento a estas requisições, esperado seria que a determinação dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento tivesse em conta a sua apuração original, e inclusive os vícios que, eventualmente nela constatados, determinariam o arbitramento dos lucros e a exigência dos tributos sobre o faturamento na sistemática cumulativa. Revelada a incompatibilidade entre as premissas do procedimento fiscal e a conclusão exposta no lançamento do crédito tributário, deve ser cancelada a exigência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A improcedência da exigência tributária prejudica a apreciação do recurso voluntário dos responsáveis tributários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Mude Comércio e Serviços Ltda, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, e declarar PREJUDICADOS os recursos dos responsáveis tributários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, , Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarou-se impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
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PASSIVO FICTÍCIO. A omissão de receitas presumida a partir da falta de comprovação de passivo somente pode ser imputada a pessoa jurídica na condição de contribuinte se as intimações que objetivavam esta comprovação foram a ela dirigidas no curso do procedimento fiscal. Se a inexistência de fato da pessoa jurídica fiscalizada permite desconsiderar sua personalidade jurídica para agregar a receita omitida ao resultado tributável da real beneficiária das operações, então esta conclusão deve também orientar o procedimento fiscal destinado à construção dos indícios que permitirão a presunção de omissão de receitas. Se a Fiscalização implicitamente admite que a pessoa jurídica fiscalizada detém personalidade jurídica para ser intimada no curso do procedimento fiscal e sofrer as consequências de sua desídia no atendimento a estas requisições, esperado seria que a determinação dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento tivesse em conta a sua apuração original, e inclusive os vícios que, eventualmente nela constatados, determinariam o arbitramento dos lucros e a exigência dos tributos sobre o faturamento na sistemática cumulativa. Revelada a incompatibilidade entre as premissas do procedimento fiscal e a conclusão exposta no lançamento do crédito tributário, deve ser cancelada a exigência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A improcedência da exigência tributária prejudica a apreciação do recurso voluntário dos responsáveis tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 47 /2 01 2- 16 Fl. 13044DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de Mude Comércio e Serviços Ltda, votando pelas conclusões o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, e declarar PREJUDICADOS os recursos dos responsáveis tributários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, , Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarouse impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Fl. 13045DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e responsáveis tributários Cisco do Brasil Ltda, Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Alvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, José Roberto Pernomian Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa, Carlos Roberto Carnevali, Ernani Bertino Maciel, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 25/08/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 157.039.721,29. Consta da acusação fiscal que a autuada integrou esquema de importação fraudulenta que visava a ocultação dos reais adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA [MUDE] e CISCO DO BRASIL [CISCO] LTDA, através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Obscurecendose ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o chamado "duplo grau de blindagem", ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, o grupo também criou distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos. O quadro abaixo ilustra o esquema descrito pela Fiscalização: Fl. 13046DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 5 4 As exigências aqui formuladas decorrem da constatação de passivo fictício na escrituração de Tecnosul Distribuidora de Produtos EletroEletrônico e Informática Ltda TECNOSUL, cujas consequências tributárias foram imputadas à autuada, real beneficiária do esquema fraudulento. Segundo a legenda elaborada pela Fiscalização para o quadro acima, a autuada figurava no campo "F", enquanto TECNOSUL era um dos distribuidores interpostos indicados no campo "E". Abaixo a legenda de todos os figurantes do esquema: A = Fabricante: CISCO SYSTEM CO. B = Distribuidores interpostos USA: MUDE USA; FULFILL HOLDING LTDA C = Exportadores Interpostos USA: 3TECH INTERNATIONAL; LATAM TECHNOLOGY CORP.; SUPERKIT INTERNATIONAL IND.; ROMFORD TRADING CORP.; LOGCIS EXPORT LLC e GDS TECHNOLOGIES D = Importadores Interpostos: PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA; D´LUCK COM. IMP. EXP. LTDA; ARCO EQUIPAMENTOS LTDA; ASSCEX TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA; BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA; COTIA TRADING S/A; ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA WAYTEC TECNOLOGIA EM COMUNICAÇÃO LTDA; WAYTEC COMERCIAL LTDA; TDC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA; LIVON IND. E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA; PI PROPRIEDADE INTELECTUAL COM. REPRES. LTDA MICROTEC SISTEMAS IND. COM. S/A KELOW INFORMÁTICA LTDA. E = Distribuidores Interpostos: TECNOSUL DIS. PROD ELETROELETRÔNICO E INFORM. LTDA NACIONAL DISTRIBUIDORA DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA SPCOM PRESTAÇÃO DE SERV. EM INFORMÁTICA LTDA; COMTEC COM. E DISTR. PROD. ELETROELETRÔNICOS LTDA. F = Real importador e adquirente oculto: MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA G = Comprador no mercado interno: são clientes do grupo MUDE/CISCO Fl. 13047DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 6 5 A autoridade fiscal informa que TECNOSUL encontravase inapta em seu cadastro de CNPJ por inexistência de fato, e que no anocalendário 2008 nada indicou em sua DIPJ a título de compras, muito embora declarasse dívidas com fornecedores no montante de R$ 136.065.145,68. A fiscalizada foi intimada, mediante ciência pessoal de seu sócio, a apresentar sua escrituração e demonstrativo de composição do passivo, e posteriormente a entregar as notas fiscais, duplicatas e Registro de Entrada referentes a tais operações, sendo que relativamente a estes últimos entregou apenas arquivos magnéticos dos livros de entrada, informando estar impedida de apresentar os demais documentos em razão de sua apreensão junto à Justiça Federal, na "Operação Persona". Seguiuse reintimação consignando que a apreensão não teria alcançado documentos de dois fornecedores indicados no demonstrativo apresentado à Fiscalização (Waytec Tec. em Comunicação e Prime Tec. Ind e Comércio Ltda). Depois de alegar que no Auto de Apreensão não houve critérios e muitas falhas na aquisição de documentos da empresa, a fiscalizada apresentou algumas notas fiscais, e posteriormente balancetes das empresa Brastec e Prime "onde consta em aberto nossos pagamentos para as referidas empresas", demonstrativos estes que possuem exatamente a mesma formatação e indicam, respectivamente, contas a receber de TECNOSUL no valor R$ 122.938.717,27 e direito consolidado de R$ 52.767.565,66. Além disso, a fiscalizada apresentou Declaração da empresa Waytec, onde esta afirma que o valor de R$ 19.590.535,17 é o valor do saldo devedor da Tecnosul junto a esta. A fiscalizada também apresentou os Livros Diário e Razão referentes aos anoscalendário anteriores (2005 a 2007). Contudo, em razão da participação da fiscalizada no esquema de interposição fraudulenta antes mencionada, a autoridade lançadora concluiu que as justificativas apresentadas para o passivo não se sustentavam, reproduzindo as constatações do procedimento fiscal desenvolvido em face de MUDE. Deste relato destacase que todas as nacionalizações foram declaradas ao Fisco como importações realizadas por conta própria das importadoras interpostas, quando na realidade são operações por conta e ordem de terceiros (MUDE/CISCO), de modo que o real importador e adquirente permaneceria oculto ao Fisco. Consta também a informação de que a Cisco não realiza as importações diretamente de sua matriz, mas "terceiriza" o serviço de importação através da Mude. Esta, por sua vez, contacta o importador interposto para a realização das importações, e a observação de que para o registro da declaração de importação, momento no qual ocorre o recolhimento dos tributos, e para o fechamento do contrato de câmbio (remessa ao exterior pelo pagamentos dos produtos), o real importador e adquirente ("F") [MUDE] envia os recursos para a distribuidora interposta ("E") [TECNOSUL e outras], que por sua vez repassa os recursos à importadora interposta "D") [BRASTEC, PRIME, WAYTEC e outras]. O repasse de recursos é feito devido ao fato de que, nem a importadora, nem a distribuidora no Brasil, dispõem de capacidade econômicofinanceira para a realização das importações (empresas laranjas). No relatório do procedimento fiscal desenvolvido em face de MUDE consignouse que em uma operação de compra e venda simulada, a importadora interposta ("D") [BRASTEC, PRIME, WAYTEC e outras] transfere para a distribuidora interposta ("E") [TECNOSUL e outras] que, NO MESMO DIA, simula uma venda para o real importador e adquirente ("F") [MUDE]. Na maioria dos casos, as mercadorias seguem do local de desembaraço aduaneiro diretamente para o cliente final ("G"), ocorrendo no caminho apenas a troca de notas fiscais. A distribuidora interposta tem o papel de "blindar" o real adquirente de eventuais cobranças de tributos devidos nestas operações. Explicitouse também que quanto ao fluxo financeiro, o real importador ("F") [MUDE] remete os recurso ao distribuidor interposto ("E") [TECNOSUL e outras], que por sua vez o repassa ao importador interposto Fl. 13048DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 7 6 ("D") [BRASTEC, PRIME, WAYTEC e outras], cabendo a este último, a liquidação do câmbio ao exportador nos EUA ("C"), pelo pagamento das importações realizadas. Relativamente à fiscalizada, o referido relatório indica que ela, figurando como distribuidora das mercadorias importadas, faturavaas para a MUDE, no período de março/2004 a outubro/2007. Há, também, indicação de relações da fiscalizada com as seguintes importadoras que lhe faturavam mercadorias: Prime Tecnologia Indústria e Comércio Ltda (faturava para as "distribuidoras" no período de 2004 a 2007); Brastec Tecnologia e Informática Ltda BRASTEC (sendo que o faturamento das mídias com software foi feito diretamente para a MUDE, no período de setembro/2006 a outubro/2007), Waytec Tecnologia em Comunicação Ltda WAITEC (no período de 2002 a dezembro/2003); TDC Tecnologia da Informação Ltda TDC (no período de setembro/2007 a outubro/2007); Livon Indústria e Tecnologia em Eletrônica da Bahia (no período de maio/2007 a outubro/2007); PI Propriedade Intelectual Comércio e Representação ltda (no período de abril/2007 a maio/2007); Mais à frente, o relatório traz a descrição do papel da empresa Tecnosul na Organização, observando que tratase da etapa mais visível do esquema, e, portanto, mais vulnerável, razão porque as empresas que dela fazem parte foram constituídas em nome de interpostas pessoas ("laranjas" ou testasdeferro) e offshores, tendo sido previsivelmente, alvo de constantes autuações por parte da Receita Federal do Brasil. Depois de reiterar o "duplo grau de blindagem" para ocultar a real importadora (MUDE), a autoridade fiscal esquematiza as relações antes mencionadas e assevera: Conforme quadro acima as importadoras interpostas BRASTEC, PRIME, WAYTEC, LIVON e TDC simulam as vendas para a distribuidora TECNOSUL, enquanto a importadora interposta ABC simula vendas para a empresa NACIONAL. Das distribuidoras as mercadorias seguem diretamente para a MUDE BRASIL. A cadeia logística IMPORTADOR => DISTRIBUIDOR => MUDE BRASIL é realizada em um ou dois dias e tratase de meras emissões de notas fiscais, de maneira a dar uma aparência legal à operação comercial. As diligências realizadas junto à TECNOSUL naquela fase do procedimento fiscal comprovaram que as importações realizadas pelas diversas empresas importadoras (e distribuídas pela TECNOSUL) não eram importações diretas, (importação por conta e risco do importador sem clientela definida), mas sim importações por conta e ordem da MUDE. No exame da escrituração contábil e da movimentação financeira de TECNOSUL foi observado que os valores por ela enviados para o pagamento das aquisições de mercadorias não liquidaram integralmente as faturas emitidas pelos importadores e tampouco a empresa PRIME, em atendimento de intimação fiscal específica, conseguiu compor um demonstrativo que indicasse quais faturas de sua emissão já haviam sido liquidadas pela TECNOSUL. A autoridade fiscal afirmou a incapacidade econômica dos sócios formais da TECNOSUL, e por meio do quadro seguinte buscou evidenciar a incapacidade econômica da empresa, em razão do baixo capital social, da ausência de mercadorias em estoque, do valor do imobilizado e do índice de endividamento: Fl. 13049DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 8 7 Na análise financeira das operações comerciais da TECNOSUL, observouse que a fonte econômico financeiro da empresa é a MUDE e os recursos financeiros não "param" na TECNOSUL: Assim que chegam são utilizados, em sua grande maioria, para repasse as importadoras interpostas (desembaraços aduaneiros, liquidação de câmbios de importações, remessas para offshores do grupo, doleiros, impostos, cobertura de despesas, etc.) ou utilizados para o funcionamento da empresa. Fica claro que é MUDE, através de seus empregados do departamento financeiro, quem coordena as transferências bancárias para as empresas do grupo, entre as quais a TECNOSUL, através da simulação de operações comerciais. A autoridade fiscal consignou que depois da aquisição dos produtos importados pela TECNOSUL e do faturamento desta para a MUDE, nas datas em que as importadoras precisam honrar seus compromissos de desembaraço e/ou liquidação de câmbio das importações, a TECNOSUL recebe recursos financeiros que foram encaminhados pela MUDE, e destaca o fato de que os valores que estão sendo liquidados pela MUDE para a TECNOSUL não guardarem relação com as datas de vencimento das faturas, o que evidencia que os valores são repassados para as importadoras de acordo com as necessidades de caixa que estas apresentam. Compilando estas informações em um único relatório, a autoridade fiscal concluiu que nestas operações os recursos financeiros transitam no mínimo em três contas bancárias diferentes (MUDE/TECNOSUL/importadoras), ocorrem nas mesmas datas e sempre por ocasião dos desembaraços das mercadorias, remessas de divisas para offshores do grupo, remessas de divisas via doleiros para pessoas físicas ligadas a MUDE, pagamento de impostos, etc. Esta situação demonstra que a TECNOSUL é apenas uma empresa de passagem de recursos. Mais à frente apontou que dos mais de 1 bilhão e meio de reais transitados nesta empresa, menos de 1% (por cento) ficou na empresa TECNOSUL para fazer frente aos seus gastos operacionais. O relatório do procedimento fiscal desenvolvido em face de MUDE também trouxe observações acerca da elevação do preço das mercadorias na venda por PRIME à TECNOSUL, para que na venda de TECNOSUL para MUDE o lucro final desta seja bem modesto. Em algumas vendas, TECNOSUL inclusive teria apurado prejuízo, e isto também em razão dos efeitos do IPI destacado por PRIME. Em razão destas circunstâncias, a autoridade fiscal observou que os valores que serão pagos pela TECNOSUL nunca liquidarão totalmente os valores faturados reconhecidos na PRIME. Talvez por isso, é que os valores remetidos pela TECNOSUL a título de liquidação de faturamento, não informam a quais faturas se referem. Talvez por este mesmo motivo, é que a empresa PRIME, embora intimada por esta auditoria fiscal a demonstrar quais foram as faturas liquidadas por ocasião das transferências advindas da TECNOSUL, não logrou êxito em fazêlo, respondendo, por intermédio de seu procurador Ernani Bertino Maciel "... que o expressivo saldo devedor a partir de abril de 2004 não nos Fl. 13050DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 9 8 permite identificar a qual Nota Fiscal referese o pagamento pois o mesmo viria quitar uma parcela deste saldo, prática comum e coerente com as normas contábeis e fiscais". Mister esclarecer que, a empresa PRIME, cujo primeiro faturamento ocorreu em 25/03/04, já não possuía condições de compor seu contas a receber em abril do mesmo ano, ou seja, poucas semanas depois. E assim arrematou: A consequência desta prática resulta em uma contas a receber na PRIME contas a pagar na TECNOSUL que se assemelha a uma conta corrente entre as empresas cujo saldo nunca será liquidado pelo simples fato de que o valor que é faturado por uma empresa (PRIME) entra por outro na adquirente (TECNOSUL). O relatório mencionado traz várias outras informações acerca da atuação de representantes da MUDE nas operações investigadas, assim como registros em interrogatórios policiais e interceptações telefônicas acerca da interposição de TECNOSUL e da interposição de pessoas em seu quadro social, de modo a evidenciar o gerenciamento dos pagamentos pelo setor financeiro da MUDE e afirmar a inexistência de fato da empresa TECNOSUL. Depois de descrever o evidente intuito de fraude presente nesta interposição de TECNOSUL, o auditor fiscal responsável representou para que se procedesse à baixa de seu CNPJ de acordo com o art. 80 da Lei nº 9.430/96. A autoridade lançadora destacou que como observado na contabilidade da TECNOSUL, e na documentação apreendida, constante da Diligência acima referenciada, as empresas não possuíam um controle do que estava em aberto vez que as remessas eram para atender as liquidações de desembaraço ou câmbio. A MUDE fazia os pagamentos à TECNOSUL não exatamente das vendas efetuadas por esta mas sim para cobrar liquidações de câmbio ou desembaraços aduaneiros das importações efetuadas. E reproduziu lançamentos na conta de passivo para evidenciar que os lançamentos dos pagamentos aos fornecedores eram efetuados, na maioria absoluta das vezes, sem referência qualquer às notas fiscais de compra, concluindo que: A prática contábil determina que os valores refletidos nas contas do Passivo devem sempre corresponder a débitos vencidos ou vincendos, ainda não quitados, documentalmente comprovados pelos contribuintes, quando solicitados. Por outro lado o art. 228 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/1994, assim dispõe: "Art. 228 O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto nº 1.598/77, art. 12, §2º). Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: ... b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada." Deste modo, o passivo não comprovado, representado pela manutenção no passivo de obrigações não comprovadas, constitui hipótese de presunção de omissão de receitas. Fato curioso que vem corroborar tudo o que foi exaustivamente apurado na investigação, é que a TECNOSUL mantém em seu passivo compras não quitadas junto ao fornecedor PRIME no valor de R$ 10.664.661,56, compras essas efetuadas em agosto de 2005 e esta empresa continuou a fornecer, regularmente, nos meses e Fl. 13051DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 10 9 anos seguintes. Cabe a pergunta: Se fosse uma relação comercial regular, que empresa continuaria a fornecer regularmente tendo o cliente não quitado tal dívida? Dessa forma, há que ser constituído o devido crédito tributário de IRPJ e seus reflexos, com base no passivo apontado na DIPJ TECNOSUL sem a comprovação efetiva de sua existência, porém na real beneficiária do esquema fraudulento, MUDE Comércio e Serviços Ltda, CNPJ 04.867.975/000172. [...] O contribuinte TECNOSUL, no ano calendário sob fiscalização optou pela sistemática de lucro real anual. O valor base para o lançamento consta de sua DIPJ e da planilha preenchida pelo contribuinte, no valor total de R$ 136.065.145,68. Ressaltamos que foi deduzido da base de cálculo apurada, o prejuízo apontado na DIPJ do contribuinte real beneficiário (MUDE) no valor de R$ 10.999.746,90, referente ao anocalendário de 2008. O lançamento decorrente dessa infração teve como tributações reflexas, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o PIS e COFINS. Da mesma forma como feito na apuração do lucro, foi reduzida da base de cálculo da CSLL, a base negativa no valor de R$ 10.999.746,90 do ano de 2008. Tendo em vista tratarse de interposição fraudulenta, as multas de ofício foram qualificadas conforme determina o parágrafo 1º, do artigo 44, da Lei 9430/96. 4 ENQUADRAMENTO LEGAL · Do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Art. 40 da Lei nº 9.430/96; Art. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III, e 288, do RIR/99. [...] · Da Multa Qualificada Art. 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei 9.430/96. 5 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA No curso das investigações, que culminaram com os lançamentos tributários efetuados pela Equipe Especial de Fiscalização da 8ª Região Fiscal, foram evidenciadas 14 (quatorze) pessoas que foram arroladas como sujeitos passivos solidários das obrigações tributárias lançadas, a saber: [...] Tendo em vista tratarse exatamente do mesmo assunto conduzido pela Equipe Especial de Fiscalização da 8ª região Fiscal, os créditos tributários apurados na presente fiscalização também terão como devedores solidários as mesmas pessoas que foram apontadas quando da fiscalização conduzida pela citada Equipe. As provas que formaram a convicção da Receita Federal da participação de cada um dos sujeitos passivos solidários na operação de interposição fraudulenta, constam da documentação enviada para cada um deles quando de suas respectivas inclusões no polo passivo das obrigações tributárias e fazem parte do anexo V, do processo 10803.000071/200967. Às fls. 9284/9329 constam os Termos de Sujeição Passiva Solidária dirigidos a Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Alvaro Fl. 13052DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 11 10 Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, José Roberto Pernomian Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa, Reinaldo de Paiva Grillo, Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho, Ernani Bertino Maciel e Cisco do Brasil Ltda. Em cada termo há referências às provas integradas ao processo nº 10803.000071/200967 acerca do papel das pessoas físicas e da pessoa jurídica na organização, bem como das conclusões ali firmadas, das quais decorreria a responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, inciso I do CTN. Impugnando a exigência, a autuada arguiu sua ilegitimiade passiva, apontou imprecisão na descrição dos fatos e na fundamentação legal da autuação, afirmou a inexistência de correlação entre interposição fraudulenta e passivo fictício na pessoa jurídica interposta, discorreu sobre a impossibilidade de considerarse como receitas omitidas os saldos totais das contas de passivo e a necessidade de arbitramento do lucro em tais circunstâncias, e finalizou apontando a ilegalidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. Os responsáveis tributários também apresentaram impugnação, sendo considerada intempestiva a ofertada por Reinaldo de Paiva Grillo. Em linhas gerais, os responsáveis questionaram o uso de prova emprestada e de presunções, a inexistência de vínculo com a fiscalizada, e a decadência em relação a obrigações registradas no ano calendário de 2005. Houve também questionamentos acerca da inaplicabilidade do art. 124, I do CTN, e até mesmo do art. 135 do CTN neste caso, da inexistência de procedimento fiscal em face de impugnantes, e justificativas para fatos que integraram a acusação fiscal original. Cisco do Brasil Ltda apresentou extensas justificativas acerca de suas operações, discordando da acusação fiscal e de sua fundamentação legal. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 Provas e Documentos.Oportunidade para Apresentação. Nos termos da legislação em vigor, a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, oportunidade em que devem ser apresentadas, pela defesa, as provas e documentos que entender pertinentes. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que o MPF Fiscalização foi regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. Direito de Defesa. Cerceamento. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase investigativa que ocorre durante o procedimento fiscal e se conclui com o lançamento do crédito tributário é Fl. 13053DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 12 11 incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. Sujeição Passiva Solidária. Pessoas Físicas e Pessoa Jurídica. Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Decadência. Lançamento por Homologação. Inexistindo recolhimentos, não sendo os valores devidos declarados em DCTF e constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Restando incomprovado o passivo em 31/12/2008, data do levantamento do Balanço Patrimonial do anocalendário/2008, irrelevante que a obrigação tenha sido contraída em 2005, 2006 ou 2007, em nada sendo afetada a presunção legal de omissão de receita aplicável ao caso. Ocorrido o fato gerador das exações em 31/12/2008 e os lançamentos sido cientificados em 25/08/2012, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 Omissão de Receitas. Passivo Fictício. A omissão de receita caracterizase pela manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não reste comprovada. Enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas. Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, Fl. 13054DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 13 12 devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas que, por sua natureza “juris tantum”, deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes. Constatada ser a contribuinte a real detentora dos recursos encaminhados à sua suposta fornecedora e sendo ela a beneficiária das operações que utilizavam empresas de fachada para afastar, dificultar ou impedir o pagamento dos tributos devidos, correta a imputação de omissão de receita à autuada dos valores apurados pelo Fisco e que denotam a existência de passivo fictício. Arbitramento. Não Cabimento. Não tendo sido descaracterizada nem desclassificada a escrituração da autuada, correto o procedimento fiscal de adotar, para fins dos lançamentos realizados, o regime de tributação assumido pela contribuinte, no caso, o Lucro Real, conforme mandamento do artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1995, pelo que descabido o arbitramento pretendido pela impugnante. Prova emprestada. Utilização. Disponibilizadas às partes as provas chamadas “emprestadas” e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos, mais ainda quando grande parte são eminentemente decorrentes da ação fiscal empreendida pela Receita Federal. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11876) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12268/12344), no qual, de início, afirma a flagrante nulidade do presente processo e dos autos de infração, dado que da presunção de omissão de receitas resultou lançamento direta e exclusivamente sobre a Recorrente, com o acréscimo de multa qualificada justificada laconicamente com base na afirmação de que teria havido interposição fraudulenta. Aduz que não possuía qualquer conhecimento ou controle das operações da aludida empresa (Tecnosul), observa que não lhe foi dirigida qualquer intimação no curso do procedimento fiscal, e destaca que as supostas provas que basearam a responsabilização direta da Recorrente não foram sequer produzidas no referido procedimento, mas sim em outro processo que teve por objeto análises de períodos anteriores a 2007 e tratou de infrações relativos ao IPI e ao controle aduaneiro. Na sequência, em preliminar, afirma sua ilegitimidade passiva, observando que no processo administrativo referido pela Fiscalização não há provas nesse sentido, destacando que obteve decisão favorável no único litígio já apreciado por este Conselho. Assevera que a autoridade julgadora de 1ª instância ignora completamente o modelo de negócio do qual a Recorrente fazia parte, e argumenta que elementos como a suposta ausência de estoques ou de locais de armazenagem da Tecnosul jamais podem ser entendidos como evidência de que tal distribuidora tinha existência apenas formal. Fl. 13055DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 14 13 Reportase à defesa contra a "devassa fiscal" por si sofrida para afirmar que ali restou demonstrado que suas operações foram sempre praticadas de acordo com a legislação, além de se basearem no modelo de negócio mais moderno e avançado em termos econômicos e de produção e distribuição, utilizado por grandes empresas no mundo todo. Destaca, nesta abordagem, que neste modelo evitavase que os produtos ficassem armazenados no Brasil, muitas vezes a altos custos, e afirma equivocada a conclusão fiscal acerca do trânsito dos recursos monetários na cadeia produtiva/distributiva, dado que o "corte" proposital efetuado pelos Agentes Fiscais na cadeia de negócios da qual a Recorrente fazia parte tem o objetivo de imputarlhe única e exclusivamente o gerenciamento e comando de todas as operações. Caso se mudasse o foco, facilmente se veria que os recursos utilizados pela Recorrente para pagar seus fornecedores (distribuidores) advinham, igualmente, de seus clientes (integradores ou revendores) indicados pelo fabricante. Ou seja, o fluxo de recursos para pagamento não tinha início na pessoa da Recorrente. Observa ser comum o pedido de antecipação do pagamento das faturas, bem como aumento das linhas de crédito existentes e conclui, diante da extensa abordagem apresentada, que a Recorrente possui (ou possuía) extrema qualificação técnica, com altíssimo conhecimento dos complexos equipamentos e soluções oferecidas pela CISCO na área de tecnologia da informação, e cada um dos demais entes da cadeia possui função, objetivo e risco específico dentro do negócio realizado. Reportase, ainda, a parecer do Professor Celso Fernandes Campilongo acerca de sua forma de operação e do modelo de negócio em que esta se insere, no qual esclarece que a posição de liderança de mercado atingida pela Recorrente apenas foi possível com a implementação de um modelo de negócios baseado em usos e costumes típicos de mercado de tecnologia da informação na sua vertente de comércio internacional e conclui que a Recorrente não assumiu os riscos de todo o empreendimento, que vai desde o fabricante até o usuário final; aliás, nenhum dos eles da cadeia assumiu, individualmente, tal risco. Entende, assim, que as acusações sobre o suposto adiantamento dos valores, bem como o suposto acompanhamento (que na tendenciosa dicção do Fisco tornouse "controle") da cadeia por parte da Recorrente, como justificativas da interdependência, nada mais são que frutos de uma visão equivocada do modelo Just in Time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva. O controle da cadeia, em tais condições, seria do fabricante e/ou do usuário final, e a interdependência dos agentes é decisiva, sendo inegável que há uma dependência econômica entre todos os elos, mas que não pode ser confundida com ausência de autonomia das empresas, principalmente para caracterizar controle por parte de alguma delas. Complementa que no processo administrativo nº 10803.000071/200967 restou demonstrado que não houve adiantamento de recursos e a rapidez no trânsito das mercadorias e aparente interdependência são decorrência do JIT. Discorre sobre o financiamento das cadeias de comércio, destacando que todos seus elos tentam, ao máximo, trabalhar com recursos alheios, valorizando o conceito de alavancagem, para assim adotar conclusão oposta à da Fiscalização: a Recorrente não tinha uma "caixa forte", uma "casa da moeda", onde estocava os recursos para financiar seus fornecedores e seu fabricante. Ela atuava no mercado como uma típica empresa revendedora de mercadorias: recebendo os recursos de suas vendas e usandoos para custear suas despesas e quitar seus fornecedores. Assim, dizer que a Recorrente financiou as importações ou, pior, que o fez por meio de distribuidora interposta (Tecnosul) é ignorar os dados auferidos das relações comerciais e financeiras entre os elos da cadeia de comercialização de produtos. No caso, em verdade, a Recorrente era financiada pelos seus fornecedores. Fl. 13056DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 15 14 Afirma impróprio o procedimento fiscal de se basear em depoimentos prestados na Polícia Federal, sem verificar se foram confirmados em juízo, destacando que isto não ocorreu em relação a depoimentos de sócios de BRASTEC e PRIME, inclusive no que tange a operações desta com TECNOSUL, o que infirmaria os indícios reunidos pela Fiscalização no sentido de que elas seriam empresas de fachada. Ademais, as provas reunidas se refeririam a períodos anteriores a 2007 e a infrações relativas apenas ao IPI e ao controle aduaneiro. Entende que o procedimento deveria ter sido amplo e detalhado o bastante para que fosse possível a apuração correta de todos os elementos que deram ensejo aos Autos de Infração em tela, e destaca que o presente levantamento fiscal não dirigiu uma intimação sequer contra o sujeito passivo, e não estava lastreado em Mandado de Procedimento Fiscal MPF específico, caracterizando evidente vício no procedimento fiscalizatório. Menciona que foi surpreendida pelo lançamento, e que a própria Fiscalização reconhece que apenas redirecionou a autuação fiscal para a recorrente, expedindo intimações apenas em face de Tecnosul e seus fornecedores. Questiona porque tal intimação não foi feita em 2011, mormente tendo em conta que, desde a deflagração da Operação Persona e com a lavratura, em 2008 e 2009, dos Autos de Infração de IPI, a Fiscalização já tinha tanta certeza de que a Recorrente seria a "detentora de fato" da Tecnosul. Parecelhe que a Fiscalização levou a cabo procedimento de fiscalização "apenas no papel", isto é, para atender a formalidades mínimas e para justificar o futuro auto de infração. Daí a nulidade do lançamento direcionado apenas a pessoa jurídica que, ao final, não foi sequer incluída no polo passivo do presente Auto de Infração. Acrescenta, ainda, que sua sujeição passiva decorre de fatos apurados na Operação Persona, e que os processos administrativos correspondentes ainda não possuem decisão final. De toda sorte, reafirma que as acusações acima mencionadas não possuem relação alguma com a infração objeto dos presentes autos, e observa que a imputação de presunção legal de omissão de receitas já escancara, em si, a impropriedade de se efetuar lançamento fiscal sobre a Recorrente, sem que esta tenha tido uma única oportunidade de apresentar esclarecimentos e documentos que pudessem afastar a referida presunção legal, destacando que o art. 281 do RIR/99 expressamente ressalvalhe a possibilidade de prova da improcedência da presunção. Em seu entendimento, fiscalizouse uma pessoa jurídica, mas, diante da suposta falta de esclarecimentos por essa pessoa jurídica quanto a elementos de sua contabilidade, aplicouse sobre terceira pessoa (a Recorrente) os efeitos da presunção legal que essa terceira pessoa não foi sequer chamada a esclarecer. De fato, o procedimento fiscal, de tão teratológico e arbitrário, é insustentável sob qualquer ponto de vista. Em reforço, observa que em outras presunções legais, como aquela prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, é nulo o lançamento se não houver intimação de todos os cotitulares da contacorrente, consoante Súmula CARF nº 29. Aduz que a Fiscalização acabou por efetuar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Tecnosul de forma totalmente ilegal, arbitrária e equivocada, sem autorização judicial ou legal, defendendo que a legalidade deve prevalecer, desmerecendo as referências da autoridade julgadora a abuso de personalidade jurídica, desvio de finalidade e confusão patrimonial. Discorre sobre a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, observa que os requisitos da lei civil não foram demonstrados pela Fiscalização, mas ressalva que em tais circunstâncias é o patrimônio dos sócios que deve ser Fl. 13057DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 16 15 alcançado e nunca o patrimônio de outra pessoa jurídica que nem sequer teve participação nos fatos geradores e não foi intimada uma única vez no procedimento de fiscalização. Acrescenta referencias doutrinárias e jurisprudenciais acerca da impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica sem ordem judicial, e contra o entendimento da autoridade julgadora de que não houve desconsideração da personalidade jurídica de Tecnosul questiona: 88. Ora, se no que foi feito nestes autos não é desconsiderar a personalidade jurídica da Tecnosul, o que seria? Lavrar auto de infração diretamente sobre a Recorrente com base nos exatos valores, sem tirar nem por, extraídos da contabilidade da Tecnosul, não é desconsiderar sua personalidade jurídica? Compensar de ofício os prejuízos fiscais e bases negativas da Recorrente com supostas receitas omitidas pela Tecnosul, não é desconsiderar sua personalidade jurídica? Fiscalizar apenas a Tecnosul, mas não indicála sequer como sujeito passivo das supostas infrações encontradas, não é ignorar completamente sua personalidade jurídica? De fato, o procedimento fiscal, de tão teratológico, inédito e sui generis, confundiu até mesmo a DRJ, que faz verdadeiro malabarismo zetético para tentar salvar o malfadado procedimento. Defende inexistir qualquer relação entre o "planejamento elisivo tributário" sugerido na decisão recorrida e a suposta existência de passivo fictício na TECNOSUL e arremata afirmando a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, ou pela ausência de procedimento fiscalizatório em face da Recorrente, ou mesmo pela equivocada e ilegal desconsideração da personalidade jurídica de TECNOSUL. No mérito, aponta imprecisão na descrição dos fatos e na fundamentação legal da autuação, dado que, inicialmente, a Fiscalização faz crer que os valores constantes das contas de passivo da Tecnosul seriam inexistentes, e em seguida leva a crer que o passivo em questão seria existente, porém relativo a obrigações não exigíveis (já pagas). Mais à frente, volta a dizer que o passivo seria inexistente, por mencionar que inexistiria comprovação efetiva de sua existência. Assim, não bastasse a impropriedade da citação de artigo do RIR/94 já revogado, a Fiscalização trata como sinônimos o passivo decorrente de obrigações inexigíveis ou inexistentes (art. 40 da Lei nº 9.430/96) e o decorrente de obrigações já quitadas (art. 12 do Decretolei nº 1.598/77). Discorre sobre as duas circunstâncias e ressalta que elas têm enquadramentos legais distintos, e que ambos foram citados na fundamentação do lançamento, evidenciando a imprecisão que cerceia seu direito de defesa e enseja a nulidade do lançamento. Prossegue abordando a inexistência de correlação entre interposição fraudulenta e passivo fictício na pessoa jurídica interposta, inicialmente mencionando não ter acesso aos documentos fiscais e contábeis de TECNOSUL, para depois extrair da acusação fiscal que o motivo da exigência seriam as inconsistências decorrentes do pagamento a fornecedores sem referências às notas fiscais de compra, e reiterar que foi indicada no lançamento como contribuinte, eximindose a TECNOSUL e seus sócios de qualquer responsabilidade. Discorre sobre o delito de interposição fraudulenta, destinado à ocultação de terceiro em variadas condições, com pressupostos e consequências muito bem delimitados na legislação de regência, sem qualquer relação com passivo inexistente ou não comprovado, hipóteses que autorizam presunção de omissão de receita, mas nunca pela "real beneficiária" das operações de comércio exterior, eis que (i) são infrações completamente distintas, com tipicidade, consequências e sanções igualmente distintas; e (ii) não existe previsão legal para tanto nas regras relativas à presunção de omissão de receitas. Equivocada, portanto, a decisão Fl. 13058DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 17 16 recorrida que justifica o procedimento na alegada "íntima vinculação entre as empresas [...]". Acrescenta inexistir nexo de causalidade entre as duas infrações, e antecipa a alegação de que as provas da interposição fraudulenta remetem a período que nem mesmo a Tecnosul possuía atividade. Demonstra que a interposição fraudulenta nada tem a ver com a "inexistência de fato" da Tecnosul, como pressuposto para a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, e que para a acusação de inconsistências contábeis da TECNOSUL imprópria e irrelevante é a menção à alegada inexistência de fato da Tecnosul e a consequente inaptidão de seus CNPJ, a evidenciar que a Fiscalização se confunde em argumentação tortuosa, num emaranhado de infrações diversas e com consequências jurídicas igualmente diversas, sem guardar a menor obediência ao que determinam as disposições legais aplicáveis a cada uma das supostas infrações. Aponta, ainda, erro no critério temporal do fato gerador em razão da impossibilidade de considerarse como receitas omitidas os saldos totais das contas de passivo, ali computando passivo contraído pela Tecnosul em anos anteriores. Defende que a presunção decorrente de passivo com exigibilidade não comprovada tem por pressuposto o registro de um falso passivo, e este teria sido contraído de 2005 a 2007, como inclusive reconhecido pela Fiscalização, não se prestando, assim, a sustentar a presunção em 2008. Reportase aos elementos dos autos que evidenciam inexistir um único passivo que teria sido contraído no ano de 2008, ressalta que com a Operação Persona as atividades da Tecnosul sofreram golpe fatal, reduzindo, de fato, sua receita bruta a zero, e que apenas houve redução do passivo em R$ 5.493.742,07 em 2008. Reconhece inexistir restrição temporal nos dispositivos que firmam a presunção legal, mas observa que a atividade de lançamento não pode se fundar em tão algo grau de abstração, imprecisão e inexatidão, como se a Autoridade Fiscal possuísse discricionariedade para, a seu critério, atribuir a omissão de rendimentos a qualquer dos anoscalendário em que o respectivo passivo se encontrava contabilizado. Se assim fosse, poderia a Fiscalização deslocar a autuação para 2011, caso o passivo fosse mantido até lá? Cita acórdãos deste Conselho contrários a interpretações semelhantes à que orienta o lançamento, localizando a presunção no momento do registro da obrigação. Finaliza observando que nos lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS sequer houve atenção do Fisco para o fato de que tais tributos são apurados mensalmente. Subsidiariamente também defende a necessidade de arbitramento do lucro em face da alegada omissão de receitas equivalentes à totalidade dos passivos registrados em contabilidade, em razão da imprestabilidade da escrituração para fins de apuração do lucro real frente à manutenção de 100% das receitas à margem da contabilidade, evidenciando que a contabilidade da Tecnosul não refletia a movimentação da empresa e desatendia a todos os requisitos fiscais. Invoca julgados administrativos nestes sentido, e manifesta discordância acerca da justificativa apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância neste ponto, no sentido de que foram admitidos prejuízos fiscais e bases negativas da recorrentes para determinação das bases tributáveis, pois para ter efetivamente reapurado o lucro líquido da Recorrente outros aspectos deveriam ser considerados, consoante exposto em julgados que menciona. Discorda da qualificação da penalidade porque a existência de passivo inexistente ou não exigível não é suficiente para tanto, e a interposição fraudulenta não autoriza, como antes mencionado a presunção de que eventual omissão de receitas foi realizada pela "real beneficiária" das operações de comércio exterior. A aplicação da multa Fl. 13059DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 18 17 qualificada exige que se comprove a existência da intenção de se praticar o ato para que fosse retardado ou impedido o surgimento da obrigação tributária respectiva. Como a omissão de receitas foi caracterizada de modo indireto, o Fisco não carreou aos autos provas diretas e cabais da vontade da Tecnosul e da Recorrente em sonegar, até porque não houve um único ato de fiscalização sobre a recorrente. Reportase à decisão recorrida asseverando que ali se vê intuito doloso em supostos fatos que não tem nenhuma relação direta, ou mesmo indireta, com a acusação primitiva. Discorre sobre a necessária prova do dolo, reportandose a doutrina e jurisprudência administrativa, afirma inexistir prova nos autos de que os passivos questionados foram "inventados" pela Tecnosul com o intuito de fraudar o fisco, e conclui que uma infração presumida não comporta, por questão de coerência lógica, evidência de fraude na prática dessa mesma infração, razão pela qual a Fiscalização esquivouse do mister de provar a fraude utilizandose da acusação de interposição fraudulenta, sem qualquer relação com a suposta existência de passivos não comprovados. Por fim, aborda a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, em razão de sua finalidade remuneratória do capital e por inexistência previsão legal para tanto. Cisco do Brasil Ltda foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11877) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/11/2013 (fls. 12127/12242), no qual apresenta extensa exposição dos fatos relevantes, abordando o modelo de distribuição por terceiros e discorrendo sobre seu papel neste contexto. Questiona as provas reunidas pela Fiscalização afirmando a invalidade da prova emprestada e o cerceamento de defesa decorrente da violação ao contraditório e à ampla defesa na formação da prova, além da imprestabilidade das interceptações telefônicas utilizadas, mas acrescentando que seriam improcedentes as acusações em razão do conteúdo de tais provas, até porque em momento algum se tenha apontado qualquer benefício auferido pela ora Recorrente ou sua controladora além de um vago e impreciso alegado aumento de vendas. Na sequência, pede a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância com fundamento no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72, porque nenhum de seus argumentos de defesa foi minimamente analisado, bem como a nulidade dos termos de sujeição passiva solidária porque não evidenciado, nem superficialmente, qual seria o embasamento legal e fático que validaria sua condição de sujeito passivo por solidariedade com relação aos tributos devidos pela Tecnosul ou, em última instância, pela Mude. De sua defesa transcrevese os seguintes excertos destacados pela recorrente, e que conduzem para a conclusão de que inexiste interesse comum na situação que constitua fato gerador do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS: Afora a inexistência de comprovação de qualquer conexão jurídica ou econômica da Recorrente ao alegado passivo fictício, repitase quantas vezes se fizer necessário que a Recorrente não tem qualquer envolvimento nas operações de importação auditadas. [...] Conclusão única do referido fato, com o devido respeito, é a de que a Recorrente não poderia jamais ter sido caracterizada como sujeito passivo por solidariedade nestes autos. Legalmente e factualmente a Recorrente é inocenta das acusações que lhe são imputadas e as provas carreadas aos autos comprovam cabalmente tal conclusão. [...] E a impropriedade da acusação fiscal ora combatida ganha ainda mais clareza ao se levar em consideração que não há nestes autos ou nos outros processos administrativos relacionados à operação que originou a presente disputa qualquer Fl. 13060DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 19 18 evidência, por mínima que seja, de que a Recorrente teria interesse comum, jurídico ou até mesmo econômico, nos fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS alegadamente devidos pela Tecnosul, empresa cuja própria existência era, até a conclusão da chamada "Operação Persona", por ela desconhecida. [...] Ademais, no ano de 2008, eleito pela d. fiscalização como aquele em que teria ocorrido o fato gerador do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS e cobrança, a CSI e a Recorrente não mais possuíam qualquer relação negocial com a empresa Mude, fator adicional a evidenciar o descabimento da acusação de solidariedade ora impugnada contra a recorrente. [...] Com efeito, o que se verifica da leitura do TSPS e dos autos de infração de IPI lavrados contra a empresa Mude, assim como do auto de infração ora atacado e da vasta documentação coligida ao longo de anos de investigação e dos extensos relatórios que buscam sistematizar tais dados, é que a d. fiscalização, passados todos esses anos desde o começo da Operação Persona, continua sem entender como se organizam as atividades da Recorrente e da sua controladora nos EUA, a CSI ou pior, continua não procurando fazêlo. [...] As provas coligidas com relação à interposição fraudulenta na cadeia de importação referemse à Mude e a terceiros e não à Recorrente ou à CSI, e nem tampouco se referem ao período autuado (2008), no qual, aliás, não mais havia qualquer relação negocial com a Mude, encerrada ainda no ano de 2007. [...] Entretanto, não há como se deixar de criticar a posição tomada pelo fisco para o presente, com base na qual foram extrapolados os limites da razoabilidade e da legalidade, ao se estender, à margem dos fatos e da lei, a improcedente conclusão da existência de um suposto benefício econômico da Recorrente também sobre receitas omitidas pela Tecnosul, sendo que nem mesmo o fisco acusa a Recorrente de possuir interesse comum, jurídico ou econômico, nos fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS devidos por essa empresa. [...] Tal como exaustivamente já comprovado, a Recorrente não tinha conhecimento, participava ou auferia benefício, em qualquer extensão, das fraudes que teriam sido cometidas, e por isso mesmo não há prova alguma nesses sentido, não se sustentando, portanto, a atribuição de sujeição passiva solidária feita pela d. fiscalização. [...] Com base no art. 228 do RIR/99 que embasa a autuação sobre a qual o TSPS ora atacado está vinculado, simplesmente não haveria como a Recorrente ter mantido, nos livros fiscais da Tecnosul, passivos não identificados. Ademais, ainda que se deixe momentaneamente de lado o fato de que o interesse exigido pelo art. 124, I, do CTN é aquele de natureza jurídica, deveria o fisco, no mínimo, ter demonstrado que o alegado benefício auferido pela Tecnosul e/ou pela Mude, decorrente da falta de pagamento do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS em cobrança, teria se estendido à Recorrente, o que sabidamente não foi feito nos presentes autos. Por fim, e ainda que abstraíssem todas as circunstâncias acima o que decerto se faz apenas a título de argumentação é bem de se ver que se nem mesmo a Tecnosul (e pelo lado os credores, os seus fornecedores, como a Prime, por exemplo) comprovou a que produtos se referiam as obrigações não liquidadas constantes do passivo contábil, tampouco o fisco logrou fazêlo, o que leva à conclusão de que não se pode afirmar com certeza que tais produtos seriam de fabricação da CSI ou ao Fl. 13061DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 20 19 menos em que extensão o seriam, levando assim à nulidade da sujeição passiva solidária impropriamente estendida à ora Recorrente. [...] Contudo, o fato de a Recorrente ter sido considerada apela fiscalização como devedora solidária dos débitos de IPI e de multa regulamentar lançados em razão de importações alegadamente efetuadas pela Mude não autoriza, jamais, a conclusão de que, automaticamente, poderia ser considerada solidária pelos débitos tributários lançados contra a Tecnosul. Deveria o fisco ter apresentado, necessariamente, quais seriam os motivos de direito e de fato que demonstrassem em que medida a Recorrente possuiria qualquer tipo de interesse ou, mesmo, teria se beneficiado ou participado da conduta antijurídica imputada à Tecnosul. E por não têlo feito, o TSPS ora impugnado é nulo por patente vício de motivação. [...] De se notar, portanto, que a solidariedade veiculada pelo inciso I do art. 124 não trata da transferência da responsabilidade tributária a terceiros, estranhos ao liame obrigacional, matéria essa tratada em capítulo subsequente do CTN (Capítulo V Responsabilidade Tributária, Seção III Responsabilidade de Terceiros). Exige, a contrario sensu, que as partes tidas por solidárias estejam igualmente ligadas ao fato que deu ensejo ao nascimento de uma relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo previsto em lei. [...] Diferentemente do quanto ocorre com a empresa Mude e as ditas empresas interpostas na cadeia de importação, a Recorrente não é declarada pela d. fiscalização como a real importadora das mercadorias em pauta. [...] V CONCLUSÃO A Recorrente não é sujeito passivo por solidariedade; nem ela nem a CSI importaram ou revenderam os produtos Cisco no Brasil; não possuíam qualquer controle sobre a escrita contábil da Tecnosul ou com esta mantiveram qualquer relação negocial; não estavam envolvidas, participaram ou tinham conhecimento de qualquer esquema de interposição fraudulenta de terceiros na cadeia de importação; de outro lado, não tiveram qualquer benefício proveniente da alegada fraude, tampouco da suposta economia fiscal advinda da manutenção de passivos não identificados nos livros da Tecnosul, não havendo, portanto, interesse comum no fato gerador do IRPJ,da CSLL, da COFINS e do PIS ou mesmo nos resultados financeiros porventura decorrentes de tal medida. A Recorrente, portanto, tanto do ponto de vista fático como legal, é integralmente inocente das acusações que lhe são imputadas. Moacyr Alvaro Sampaio foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/10/2013 (fl. 11889) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12521/12562), no qual, preliminarmente, argúi a nulidade da decisão de 1ª instância por ausência de análise da impugnação do recorrente, dado que resumiuse a DRJ em tecer considerações genéricas acerca da possibilidade de utilização das provas emprestadas e da sujeição passiva solidária, sem, contudo, rebater de maneira individualizada quaisquer das alegações trazidas pelo Recorrente que demonstram não haver o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, para fins de caracterização da responsabilidade solidária do contribuinte prevista no art. 124, inciso I, do CTN, mas isto, evidentemente, apenas na hipótese de o mérito não ser decidido em seu favor (conforme art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72). Fl. 13062DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 21 20 Na sequência, afirma a insubsistência do Termo de Sujeição Passiva Solidária: 1) por ausência de motivação, dado que a Fiscalização limitase a fazer alusão aos autos do Processo Administrativo n. 10803.000071/200967, sugerindo que ali se encontram as provas da responsabilidade imputada ao recorrente, sem tecer qualquer comentário adicional, sendo certo que nos mencionados autos há referências apenas a períodos anteriores a 2007; 2) por utilização de prova emprestada sem relação com a infração apurada, dado que não foram promovidas diligências para verificar as acusações fiscais, como exigido na jurisprudência, até porque no outro processo tratase de período e tributos distintos; 3) por ausência de procedimento fiscalizatório em face do recorrente, devidamente lastreado em MPF específico, analisando, por exemplo, a evolução patrimonial do recorrente, e outros aspectos semelhantes aos deduzidos pela autuada em seu recurso voluntário; 4) porque a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN somente se aplica aos próprios contribuintes que efetivamente praticam o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária ou da multa, e o recorrente nunca teve interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a apuração de receitas supostamente omitidas pela Tecnosul, e demais disso a multa imputada (caso prevaleça) possui caráter personalíssimo, não podendo ser cobrada do responsável solidário; e 5) porque o lançamento seria improcedência, em razão dos argumentos consignados na impugnação e no recurso voluntário da autuada (MUDE). Marcílio Palhares Lemos foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11885) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12569/12610), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio. Hélio Benetti Pedreira foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11883) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12617/12659), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio, apenas acrescentando que a autoridade julgadora também ignorou suas alegações acerca da sua completa absolvição na esfera penal, instruída com os mesmos elementos que foram utilizados para acusar o Recorrente nestes autos. Marcelo Naoki Ikeda foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11884) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12666/12707), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio. Fernando Machado Grecco foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11881) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12714/12755), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio. José Roberto Pernomian Rodrigues foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11888) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12762/12803), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio. Gustavo Henrique Castellari Procópio foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11882) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12810/12851), nos mesmos termos da defesa apresentada por Moacyr Alvaro Sampaio, apenas acrescentando que a autoridade julgadora também ignorou suas alegações acerca da sua completa absolvição na esfera penal, instruída com os mesmos elementos que foram utilizados para acusar o Recorrente nestes autos. Fl. 13063DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 22 21 Luiz Scarpelli Filho foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11887) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/11/2013 (fls. 12113/12126), afirmando que apenas prestava serviços à MUDE por meio da pessoa jurídica Manus Assessoria Ltda, analisando procedimentos internos com capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automatização de processos e outras atividades, sem participar de qualquer esquema fraudulento. Reconhece que teve acesso e contato com diversos fornecedores e clientes, mas apenas para ordenar tais informações para otimizar os trabalhos da MUDE, sem interferência na área comercial da empresa. Em meados de 2003 recebeu pequena participação societária na MUDE como bônus para que deixasse de prestar serviços através de sua empresa MANUS para poder atuar de maneira mais próxima àquela empresa, e aquiesceu com a proposta com vistas a construir legalmente um patrimônio baseado no seu trabalho e conhecimento. No mais, a existência pura e simples de uma offshore não pode servir, por si só de presunção de ilegalidade ou atividade ilícita. Observa que o processo criminal não foi dirigido a ele, e consigna que como nunca foi sócio gerente da devedora não é parte legítima para figurar o pólo passivo desta exigência. Ademais, a aplicação do art. 124, I do CTN deveria ser interpretada em conjunto com o disposto no art. 135 do CTN, dependendo, assim, da apuração de excesso de poder ou infração de lei, ou mesmo dissolução irregular da pessoa jurídica, circunstâncias não provadas nos autos. Finalizando, afirma a ilegalidade das provas emprestadas, especialmente tendo em conta que elas não se referem ao período abrangido no presente lançamento, e menciona apartação de outro procedimento fiscal para apreciação de impugnação contra aplicação de multa regulamentar. Pedro Luis Alves Costa foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11886) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/11/2013 (fls. 12858/12901), no qual menciona que a exigência em debate seria referente a IPI devido por MUDE em 2006/2007, e na sequência assevera que o acórdão aqui combatido deixou de analisar a impugnação apresentada, afirmando que também não foi intimado no curso do procedimento fiscal e questionando o uso de provas do ano de 2003 para comprovação de ilícitos ocorridos em 2006/2007. Discorda da imputação de responsabilidade sem qualquer prova da participação, de atos de gerência ou administração pelo recorrente, e do repasse da penalidade ao recorrente, em desrespeito ao art. 137 do CTN. Conclui que toda a ação fiscal foi calcada em presunções, não havendo qualquer prova de que Pedro Luís Alves Costa tenha se beneficiado do supostos ilícito tributário, ou tenha contribuído na execução do mesmo, abordando outros pontos específicos da acusação fiscal, inclusive quanto à ausência de referência a seu nome no relatório de fiscalização da TECNOSUL, e pede a declaração de nulidade da decisão recorrida ou, então, o julgamento de suas razões apresentadas em impugnação e recurso voluntário. Carlos Roberto Carnevali foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2013 (fl. 11878) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 01/11/2013 (fls. 11924/12012), no qual preliminarmente enfatiza sua absolvição no processo judicial decorrente das acusações de descaminho, utilização de documento falso, falsidade ideológica e formação de quadrilha, na condição de sócio oculto da Mude, discorrendo sobre os argumentos acusatórios afastados na decisão judicial e, mais à frente, defendendo que há concomitância dos fatos analisados nos processos criminal e administrativo. Aborda, também, a atuação da Cisco do Brasil Ltda (da qual foi presidente quando de sua constituição) como mera representante comercial da Cisto System Inc; historia sua carreira profissional; afirma a inaplicabilidade do art. 124, I do CTN em face dos fatos narrados pela acusação fiscal; opõese à aplicação do art. 135 do CTN por ser imprescindível o poder de gerência; discorre sobre a ausência de comprovação do suposto envolvimento do recorrente com a JDTC/Mude e com o Fl. 13064DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 23 22 objeto da autuação, abordando os diversos pontos da acusação fiscal e anotando o seu afastamento do cargo de presidente desde o ano de 2002; e invoca o princípio da verdade material, destacando que o Termo de Sujeição Passiva se limita a apresentar documentos que não comprovam nenhum nexo causal entre o Recorrente e os fatos que ensejaram a autuação da Mude, baseandose o lançamento em meras suposições e ilações próprias da autoridade fiscal de que o Recorrente tinha interesse comum na importação supostamente fraudulenta. Finaliza defendendo a impossibilidade da convivência entre a inexistência de fato da TECNOSUL e o alegado passivo fictício. Ernani Bertino Maciel foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/10/2013 (fl. 11880) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/11/2013 (fls. 12902/12925), no qual pede a decretação de nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária basicamente em razão de : 1. Ter fundamento em elementos de prova destinados exclusivamente à utilização em procedimento criminal; 2. As alegadas provas serem específicas às operações objeto de investigação criminal. Não tratarem do auto de infração que deu origem ao processo administrativo n. 10803.000071/200967 e, menos ainda, às exações que deram origem ao feito em referência, inviabilizando o regular exercício do direito de defesa do Recorrente; 3. Não haver amparo legal para a responsabilidade solidária; e 4. O crédito tributário encontrarse extinto pela decadência. Cid Guardia Filho foi cientificado da decisão de primeira instância em 14/10/2013 (fl. 11879), mas não interpôs recurso voluntário. Reinaldo de Paiva Grillo foi cientificado da decisão de primeira instância em 30/10/2013 (fl. 11923), mas não interpôs recurso voluntário. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 12928/12981) na qual se manifesta contrariamente às alegações de nulidade do procedimento fiscal, discordando da necessidade de intimação prévia da MUDE, e afirmando a validade das provas que desnudaram o esquema de interposição fraudulenta, demonstram tanto a artificialidade das obrigações escrituradas pela Tecnosul quanto a responsabilidade da Mude por todas as operações levadas a efeito enquanto perdurou o esquema, e do qual a infração ora apurada é reflexo. No mérito, aborda a interposição fraudulenta com o objetivo de ocultar a Mude, destacando a fragilidade da Tecnosul enquanto pessoa jurídica, classificandoa como mero anteparo jurídico, atrás do qual está a MUDE. Destaca que a materialidade da infração já foi inclusive, reconhecida em primeira instância pelo Poder Judiciário, restando inequívoca a ocorrência da interposição fraudulenta, mascarando a realidade pelo uso de empresas de fachada com o intuito de suprimir indevidamente a incidência tributária. Esclarece o andamento dos litígios pertinentes às exigências de IPI, e consigna que esta PGFN não se opõe à suspensão do feito até que a 3ª Seção se tenha pronunciado sobre a interposição fraudulenta. Com referência à sujeição passiva da MUDE, assevera que o Fisco não precisa de autorização judicial para efetuar o lançamento calcado na realidade fática, desprezando situações jurídicas que se mostrem meramente formais, com esteio no art. 149, VII do CTN, e que como demonstrado no TVF, a Mude era a real responsável por toda a cadeia de importação e detentora dos recursos que circulavam entre as importadoras e distribuidoras interpostas. Por sua vez, a Tecnosul não dispunha de mínimas condições operacionais, financeiras, de logística, de armazenagem, de gestão, enfim, de toda a gama estrutural que se presume uma pessoa jurídica deva ter para o exercício regular de qualquer Fl. 13065DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 24 23 atividade. Demais disso, diz ser possível demonstrar, neste caso, o abuso de personalidade jurídica, como exposto na decisão recorrida, e afirma correta a indicação de MUDE como sujeito passivo do presente lançamento tributário. Discorre sobre o fundamento legal da exigência, observando que obrigação “já quitada” é obrigação inexigível e não mais existente. Destarte, a lei 9.430/96 trouxe como novidade, em relação ao DL 1598/77, apenas a ampliação do espectro de obrigações que podem ser caracterizadas como passivo fictício, acrescentando aquela que nunca existiu, fundada em título falso. Defende ser desnecessária correlação entre interposição fraudulenta e passivo fictício, observa verificada a ascendência da Mude sobre todo o fluxo de mercadorias e que todo o passivo registrado na Tecnosul afigurase fictício, acumulandose de forma anormal, mas compreensível diante do esquema de interposição fraudulenta constatado. Em suas palavras: Quando se tem em consideração todo o esquema de interposição fraudulenta, que demonstra o caráter artificial da cadeia de importação e distribuição montada pela recorrente, fica fácil entender que os supostos importadores, de fachada tal como eram, não tinha o menor interesse em exigir a dívida supostamente contraída pela Tecnosul, outra empresa também de fachada. Assim é que os balancetes das importadoras, apresentados pela Tecnosul (os quais apesar de serem de empresas supostamente distintas e independentes, possuíam exatamente a mesma formatação), não constituem prova idônea da existência e exigibilidade dos valores registrados em sua conta de fornecedores. Os valores transferidos pela Tecnosul às importadoras eram recebidos da Mude e destinados ao desembaraço aduaneiro das mercadorias que, desde o embarque no exterior, eram sabidamente destinadas à própria Mude. Não se tratavam de recebimentos ou pagamentos pelo fornecimento ou pela aquisição de mercadorias no mercado interno, mas meras remessa visando o desembaraço de mercadorias. Como demonstrado nas páginas 85/88 do relatório fiscal, nem a Tecnosul logrou identificar a quais fatura se referiam os “pagamentos” feitos à Prime, e nem esta logrou demonstrar quais faturas estariam sendo “liquidadas” pelos recursos enviados pela Tecnosul. Portanto, é impossível afirmar, no presente caso, que os valores escriturados na conta de fornecedores da Tecnosul seriam referentes a débitos vencidos ou vincendos, ou a débitos já quitados. Sequer é possível afirmar que se referem a débitos de fato existentes ou exigíveis. As recorrentes e fiscalizadas, apesar das oportunidades oferecidas, tampouco lograram comproválo de maneira idônea. Refuta também a arguição de decadência, observando que a presunção se estabelece a partir da manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, e que esta ocorrência foi constatada pela Fiscalização. Entende que enquanto o contribuinte mantiver registrado o passivo fictício, é possível que seja presumida a omissão de receita. Discorda, também, da necessidade de arbitramento, porque esta é uma forma de apuração permitida ao Fisco, que pode deixar de adotála se a escrituração examinada autorizar. Demais disso, foram aproveitados os prejuízos e bases negativas apresentados por MUDE. Afirma a validade da multa qualificada porque a falta de comprovação do passivo está comprovada. Assim como estão detalhados no auto de infração os procedimentos fraudulentos, dolosos e simulados por meio dos quais se formou este passivo que, exatamente por fraudulento e dissimulado, não pôde ser comprovado. Ademais, a Súmula CARF nº 25 Fl. 13066DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 25 24 autoriza a qualificação se presentes umas das hipóteses versadas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 e, de outro lado, a lei autoriza a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Com referência à responsabilidade tributária, está evidenciado o pleno conhecimento da CISCO acerca de todos os procedimentos irregulares que eram praticados pela MUDE e empresas interpostas, tendo não só interesse comum no fato gerador das importações fraudulentas, como também participando ativamente para colaborar com as importações, sabidamente fraudadas, além de a próxima amizade entre o Presidente da CISCO do Brasil no período apurado, CARLOS ROBERTO CARNEVALI, e o dono da MUDE, HELIO BENEDETTI PEDREIRA, também apontar para o consentimento da primeira, por seu Presidente, acerca do modo de operar da segunda. No que tange às demais pessoas físicas, há provas suficientes da plena ciência que todos os arrolados tinham sobre o esquema fraudulento de importações, bem como a colaboração de cada um para viabilizálo, evidenciando o interesse comum na situação que ensejou a imposição da penalidade. Reportandose à conduta de cada uma daquelas pessoas, a Procuradoria conclui ser inegável a contribuição de cada uma das pessoas arroladas nos termos de sujeição passiva solidária para que o esquema de importações fraudulentas fosse desenvolvido com sucesso, mas acrescenta: Foram condenados pelo crime previsto no art. 334, §1º, c, do código penal (vender mercadoria importada fraudulentamente): Fernando Machado Greco, José Roberto Pernomian Rodrigues, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio e Reinaldo de Paiva Grillo. Foram absolvidos na ocasião Helio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio, e Carlos Roberto Carnevalli (processo 000582749.2003.403.6181 JFSP). Ernani Bertino Maciel e Cid Guardia Filho (Kiko) foram denunciados em ação penal autônoma e consta que também foram condenados pelos mesmos crimes (processo 001473204.2007.4.03.6181 JF/SP). Não obstante a absolvição de algumas pessoas naquele processo (ainda não concluído, pois pendente recurso do MPF), os termos de sujeição passiva solidária destes autos demonstram que todas as pessoas arroladas contribuíram de forma consciente e efetiva para o desenrolar da fraude ao longo dos anos. Por tais razões, requer o não provimento dos recursos voluntários e a manutenção do acórdão de 1ª instância. Em 21/09/2015 o responsável Carlos Roberto Carnevali apresentou petição juntada às fls. 12996/13004, comunicando fato novo correspondente a decisão proferida pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que negou provimento ao Recurso de Apelação do Ministério Público Federal, ratificando a sentença de absolvição do Recorrente de todas as acusações que lhe foram imputadas, especialmente a sua indicação como sócio oculto de MUDE, dada a ausência de elementos que comprovem a autoria delitiva. Em 06/10/2015 nova petição foi apresentada, noticiando o trânsito em julgado daquela decisão judicial (fls. 13007/13015). Em 09/12/2015 o responsável Cid Guardia Filho apresentou petição alegando que não foi intimado da decisão de 1ª instância, vez que o aviso de recebimento juntado aos autos foi assinado por terceira pessoa, estranha à relação processual (fls. 13027/13030) Fl. 13067DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 26 25 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Iniciando pelo recurso voluntário da autuada, MUDE Comércio e Serviços Ltda, sua indicação no lançamento, consoante relatado, foi promovida na condição de contribuinte, por ela representar o real beneficiário das operações realizadas pela interposta pessoa TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda. Sob esta premissa, a autoridade lançadora apurou a infração a ser autuada, e para determinar o IRPJ e a CSLL exigidos, deduziu o prejuízo fiscal e a base negativa apontado na DIPJ de MUDE Comércio e Serviços Ltda, no período autuado (anocalendário 2008). Desprezou, assim, a apuração de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática, que também indicava prejuízo fiscal e base negativa no anocalendário, mas de menor monta que o apurado por MUDE Comércio e Serviços Ltda. O IRPJ e a CSLL foram apurados segundo a sistemática do lucro real anual, e a Contribuição ao PIS e a COFINS na sistemática não cumulativa, sendo que a omissão de receitas constatada foi integralmente alocada no mês de dezembro/2008. A infração apurada consistiu na presunção de omissão de receitas a partir de passivo não comprovado, representado pela manutenção no passivo de obrigações não comprovadas. A comprovação das obrigações foi exigida mediante intimações cientificadas pessoalmente ao sócio de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda. A principal justificativa apresentada pela intimada para não apresentação dos documentos apreendidos foi a dificuldade de sua localização em razão da apreensão de documentos no âmbito da "Operação Persona". Para fins de determinação da sujeição passiva, a autoridade fiscal se valeu, especialmente, de Relatório de Diligência Fiscal produzido em razão de procedimento fiscal promovido em face de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda e demais pessoas jurídicas e físicas envolvidas na "Operação Persona", na qual foi apurado um esquema de INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, que age na importação de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações, para abastecer o mercado nacional, ocultando os reais importadores destes produtos, mediante o uso de empresas interpostas. No referido procedimento fiscal, mediante análise da capacidade econômicofinanceira de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda e seus sócios, foi constatada a incapacidade econômica de seus sócios formais para constituir e comandar aquela pessoa jurídica. Apurouse, também, que planilhas encontradas no computador do gerente financeiro da MUDE, Sr. Marcílio Lemos, demonstram a existência deste controle financeiro e econômico sobre as empresas importadoras e distribuidoras. Estas e diversas outras evidências ensejaram a conclusão de que de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda seria uma pessoa jurídica inexistente de fato, inclusive sujeita à baixa de ofício de sua inscrição no CNPJ. O procedimento fiscal sob análise tem início quando a pessoa jurídica de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda já se encontra INAPTA no seu cadastro de CNPJ pelo motivo de inexistência de fato. E isto em razão de Fl. 13068DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 27 26 MUDE Comércio e Serviços Ltda ser a real beneficiária das operações realizadas por de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda. Em sua defesa, a autuada afirma a flagrante nulidade do presente processo e dos autos de infração, dado que da presunção de omissão de receitas resultou lançamento direta e exclusivamente sobre a Recorrente. Mais à frente reitera que o presente levantamento fiscal não dirigiu uma intimação sequer contra o sujeito passivo, e não estava lastreado em Mandado de Procedimento Fiscal MPF específico, caracterizando evidente vício no procedimento fiscalizatório. Menciona que foi surpreendida pelo lançamento, e que a própria Fiscalização reconhece que somente redirecionou a autuação fiscal para a recorrente, expedindo intimações apenas em face de TECNOSUL e seus fornecedores. Cogita também que a Fiscalização levou a cabo procedimento de fiscalização "apenas no papel", isto é, para atender a formalidades mínimas e para justificar o futuro auto de infração. Daí a nulidade do lançamento direcionado apenas a pessoa jurídica que, ao final, não foi sequer incluída no polo passivo do presente Auto de Infração. Ao abordar o mérito da exigência, insiste que a interposição fraudulenta nada tem a ver com a "inexistência de fato" da Tecnosul, como pressuposto para a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, e que para a acusação de inconsistências contábeis da TECNOSUL imprópria e irrelevante é a menção à alegada inexistência de fato da Tecnosul e a consequente inaptidão de seus CNPJ, a evidenciar que a Fiscalização se confunde em argumentação tortuosa, num emaranhado de infrações diversas e com consequências jurídicas igualmente diversas, sem guardar a menor obediência ao que determinam as disposições legais aplicáveis a cada uma das supostas infrações. Embora o procedimento fiscal anterior tenha desenvolvido extensa investigação para apuração de esquema de interposição fraudulenta em importações, não têm lugar aqui a análise das provas ali reunidas, ou a vinculação da presente exigência às conclusões que venham a ser dali extraídas no curso do contencioso administrativo especializado posteriormente instaurado. Isto porque não há como sustentar a presunção de omissão de receitas aqui construída. Como visto, a investigação fiscal precedente foi dirigida à identificação do real beneficiário de operações nas quais TECNOSUL Distribuidora de Produtos Eletro Eletrônicos e Informática Ltda atuou como intermediária. Das constatações ali reunidas, duas conclusões seriam possíveis: 1) TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda seria uma pessoa jurídica constituída com a finalidade de ocultar MUDE Comércio e Serviços Ltda como real importadora nas operações sob análise, e ainda que esta mantivesse o controle operacional e financeiro daquela, a personalidade jurídica de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda subsistiria para fins fiscais, autorizando que as intimações para comprovação de fatos registrados em sua escrituração fossem a ela dirigidas, e, por conseguinte, atribuindolhe as consequências legais do não atendimento destas intimações; ou 2) TECNOSUL Distribuidora de Produtos Eletro Eletrônicos e Informática Ltda, como interposta pessoa nas operações de importação, não teria existência real, e sua personalidade jurídica não produziria efeitos fiscais sequer para questionamentos de fatos registrados em sua escrituração, de modo que suas operações deveriam ser integralmente atribuídas à titularidade de MUDE Comércio e Serviços Ltda. O presente lançamento, porém, resulta da implícita admissibilidade de que a personalidade jurídica de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Fl. 13069DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 28 27 Informática Ltda subsiste para fins de investigação dos fatos registrados em sua contabilidade, mas na sequência negalhe efeitos fiscais ao imputar a infração constatada diretamente a MUDE Comércio e Serviços Ltda, agregando à base tributável originalmente apurada por esta a omissão de receita presumida exclusivamente a partir de intimações não atendidas por TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda, e inclusive ignorando o resultado das demais operações desta, que ante a sua inexistência de fato e à declarada ineficácia de sua personalidade jurídica para fins fiscais, também deveriam, sob estas premissas, ser atribuídos diretamente a MUDE Comércio e Serviços Ltda, com prévia exclusão dos efeitos produzidos pelas operações entre elas realizadas nas bases imponíveis dos tributos lançados. Não se está, aqui, firmando qual o procedimento seria correto em razão das premissas adotadas pela Fiscalização, mas sim expondo a incompatibilidade entre estas premissas e o lançamento daí resultante. Tivesse a autoridade lançadora apresentado premissas e conclusões coerentes, seria possível avaliar sua regularidade. No presente caso, porém, não há como admitir a imputação à pessoa jurídica autuada, na condição de contribuinte, de uma presunção de omissão de receitas resultante da falta de atendimento a intimações que não lhe foram dirigidas durante o procedimento fiscal. Também não se está afirmando que a ausência de intimação do real beneficiário de operações realizadas por outra contribuinte, durante o procedimento fiscal desenvolvido em face de interposta pessoa, inviabilize a construção de presunções fiscais a partir da falta de atendimento de intimações dirigidas à interposta pessoa. A intimação do real beneficiário é desnecessária se a interposta pessoa possui personalidade jurídica para fins fiscais e, assim, pode ser considerada apta a sofrer o ônus de sua desídia frente à autoridade fiscal. Em tais condições, porém, o lançamento deve ser promovido tendo a interposta pessoa como contribuinte, adotando a sua própria apuração como referenciais de cálculo dos tributos, e atribuindose responsabilidade tributária à real beneficiária em razão da solidariedade resultante do interesse comum nas operações investigadas. Vejase, ainda, que a interposição fraudulenta no âmbito aduaneiro não significa, necessariamente, que a interposta pessoa não exista de fato. Diz o Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) A Lei nº 9.430/96 autoriza a declaração de inaptidão das pessoas jurídicas inexistentes de fato, e com a alteração da Lei nº 10.637/2002 passou estender a possibilidade desta declaração de inaptidão àquelas que atuem como interpostas pessoas em operações de comércio exterior: Fl. 13070DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 29 28 Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Mas à época do lançamento, a Lei nº 11.488/2007 já estabelecia que: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Este novo dispositivo confirma o que já era possível cogitar na sistemática legal anterior: uma pessoa jurídica existente de fato pode ceder seu nome para ocultar o real beneficiário de operações de comércio exterior e, mesmo sujeitandose à declaração de inaptidão de seu CNPJ, deter personalidade jurídica para sofrer as consequências legais de sua desídia durante o procedimento fiscal. Frente a tais variáveis, o lançamento de tributos sobre a renda e sobre o faturamento deve apresentar motivação clara para indicar o real beneficiário como contribuinte daqueles tributos, e resultar de procedimento fiscal consistente com esta motivação. A decisão recorrida está integrada por argumentação robusta em favor da autuação de MUDE Comércio e Serviços, em razão da incapacidade operacional e financeira de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda para realização das operações por ela escrituradas. Vejase: Na verdade, como ficou sobejamente demonstrado quando da realização da “Operação Persona” e no curso do procedimento fiscal feito junto à Tecnosul Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda. CNPJ nº 06.120.491/000190, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.11.002011001050, parte integrante destes autos, mencionada empresa não dispunha de mínimas condições operacionais, financeiras, de logística, de armazenagem, de gestão, enfim, de toda a gama estrutural que se presume uma pessoa jurídica deva ter para o exercício regular de qualquer atividade, mais ainda daquelas supostamente por ela praticada (operações com o comércio exterior). Ora, tal atividade, por si só de alta complexidade e tais recursos – altíssimos – da ordem de 500 milhões de reais em 2007 e mais de 1 bilhão e meio de reais em quatro anos, mostra que uma empresa com capital de ínfimos 10 mil reais e que tinha como sócios um ferramenteiro e uma manicure, não dispunha de quaisquer condições para seu exercício, sendo mero jogo de palavras e apego ao formalismo exacerbado, pretender que se impute a este “contribuinte”, o ônus de arcar com tributos que nunca pagou e nunca pagará, não só por não dispor de capacidade Fl. 13071DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 30 29 para isso como porque, indiscutivelmente, todas as suas operações e seus recursos vieram, comprovadamente, da autuada, Mude. Sobre este fato, evidentemente negado pela defesa, pesam provas concretas nos autos, de modo que não se tratou de “sem autorização judicial e sem que exista lei que a autorize”, como discursa a impugnante (Mude), praticar a “desconsideração da personalidade jurídica da Tecnosul em sede de procedimento fiscalizatório”, e que, portanto, “resta clara a nulidade existente Ao contrário, tratouse apenas de imputar, corretamente, ao legítimo detentor dos recursos, o ônus das operações que fugiram à tributação, até porque, como é evidente, não teria o menor sentido impor esta obrigação a quem não tinha recursos, nem estrutura, nem gestão, nem patrimônio, nem logística, nem espaço físico para estocagem (seus dois endereços conhecidos foram “salas”) 1 nunca teve estoque (vejase o demonstrativo abaixo), não tinha condições operacionais de realizar as enormes operações efetivadas, não possuía valores de ativo imobilizado mínimos que se presume deva ter quem adentra em um mercado tão competitivo, não dispunha de valores para pagar as compras que realizava da Waytec, da Prime, da Brastec, tanto que, como sobejamente demonstrado, a Mude era quem a abastecia, regularmente, para que suas compras fossem liquidadas, “coincidentemente” nas mesmíssimas datas em que as “importadoras” desembaraçavam as importações, enfim, um círculo infinito e perfeitamente ajustado que possibilitou a existência formal da Tecnosul, mas que, na verdade, nunca passou de uma empresa que só tinha como finalidade única dar a aparência de estar vendendo, à Mude, produtos estrangeiros que já estariam “nacionalizados”. [...] Esta realidade insofismável, ainda que contra ela, de forma geral ou específica, se batam todos os impugnantes, restou claramente demonstrada tanto nos presentes autos, como no Processo nº10803.000071/200967 e nos documentos apreendidos durante a “Operação Persona”. Em suma, a Tecnosul não tinha condições alguma de ser aquilo que tentava aparentar ser, uma verdadeira ilusão jurídica, situação muito bem relatado pela Autoridade Fiscal, consubstanciada em excertos da peça acusatória: [...] Concluindo, não se tratou, nos autos, de se “desconsiderar a personalidade jurídica da Tecnosul”, como quer fazer entender a defesa, mas de impor, corretamente, ao legítimo detentor das operações, os reflexos advindos das mesmas. Em outras palavras, se a Mude, legítima detentora de todos os recursos que permitiam a aparente existência da Tecnosul ficou com o “bônus” de tais operações, o “ônus” das mesmas também lhe deve ser imposto, inclusive – e principalmente – os de natureza tributária, como corretamente fez o Fisco, e não pretender, como quer a autuada, que os lançamentos e a constituição do crédito tributário se faça sobre quem, COMPROVADAMENTE, não realizou as operações e não tem estrutura alguma para isso, muito menos para honrar os compromissos tributários, exigência mínima que se faz a qualquer contribuinte. Dizendo diversamente, que “empresa”, mesmo “dirigida” por pessoas que, salvo prova inconteste em contrário, não detinham quaisquer conhecimentos técnicos para administrála, mormente quando se leva em conta o segmento em que atuava (comércio exterior), comprovadamente de altíssima complexidade, que “empresa” 1 Av. Aruanã, nº 884 – 2º Andar – sala 05 Barueri. Rua Luiz Faccini, nº 591 – sala 32 Guarulhos. Fl. 13072DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 31 30 permitiria que “terceiros”, que, teoricamente, “nada tinham a ver com ela”, como reiteradamente alegado por todos os impugnantes, dirigisse seus negócios (como indiscutivelmente se vê nos autos), que “empresa”, que movimentasse mais de 1 bilhão de reais em poucos anos de vida consentiria que sua gestão se fizesse por “gestores” de outras companhias (fato incontroverso nos autos), que “empresa” pagaria altíssimos valores aceitando que um estranho a seus quadros diretivos ordenasse que ela, Tecnosul, efetuasse tais pagamento vultosos, fato também inconteste, posto que declarado pelo próprio Marcos Zenatti, sócio e “administrador” da Tecnosul, à Polícia Federal (cf. fls. 9228) Em suma, ainda que, por mero jogo de palavras, as defendentes tentem mostrar que a Prime, a What´s Up, a Waytec, a Tecnosul, todas elas, tivessem vida própria, a verdade, indesmentível, é que essas “empresas” e tantas outras ligadas ao esquema só nasceram e vicejaram por obra e conta da Mude, criadas e mantidas que foram em razão direta e para “funcionamento” de todo o projeto fraudulento cristalinamente mostrado, em todas as suas múltiplas facetas, pela “Operação Persona”. Dizendo diferente, nenhuma delas, especialmente a Tecnosul, naquilo que interessa no momento, teriam razão de ser e existiriam a não ser para dar uma figura jurídica formal para um esquema de importação e distribuição de produtos de informática cujo resultado primeiro foi não recolher os tributos devidos sobre tais operações e, depois, possuir preço mais competitivo para atender ao mercado, em óbvio detrimento à livre concorrência. Fl. 13073DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 32 31 Ademais, por ser relevante, seria óbvio fazer uma pergunta básica: que “empresa de tamanho porte” teria sócios que nem se conhecem? Vejase o depoimento prestado à Polícia Federal (fls.9230, dos autos): [...] Vale exprimir, a Tecnosul não tinha condição alguma de ser aquilo que aparentava ser, não tinha estrutura, não tinha capital, não tinha recursos, não tinha gestores capacitados para o exercício de tamanho empreendimento, não tinha logística, não tinha local para armazenagem das importações, não tinha estoque, não tinha nada, a não ser uma existência formal. Ora, o formalismo não pode se sobrepor à essência e o direito não é feito de regras imutáveis e formais, antes deve ser visto dentro do contexto em que os fatos e os atos se inserem, cabendo ao julgador a análise lógica e interpretativa de tais ocorrências para firmar sua convicção, sob pena de transgredir a própria realidade factual. Afinal, como diz clássico brocardo jurídico, “Legis menti magis est attendenda, quam verbis” (A lei é mais acatada em seu espírito que nas suas palavras), ou seja, é a interpretação racional e lógica dos fatos que possibilita se chegar à correta aplicação do direito. [...] Assim – e apesar de toda a dificuldade que possa existir – e exatamente para que este “direito” possa ser interpretado e aplicado em consonância com aquilo que a sociedade politicamente constituída exige, é que o julgador deve ponderar todas as provas, argumentos, fatos e atos que compõem o processo e suas implicações no seio social, atentando, em síntese, para a própria ESSÊNCIA do direito social, sólido pilar de nosso ordenamento jurídico (“na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil – Decretolei nº 4.657/1942) e não apegarse, pura e simplesmente, a aspectos formais que, claramente, visavam encobrir os reais beneficiários das milionárias operações realizadas e subtrair, do Erário Público, recursos que obrigatoriamente a ele deveriam ser carreados, fraudando, em última análise, à própria sociedade brasileira. No caso concreto, a Tecnosul só existia formalmente, inexistindo para os fins que se imaginam e se supõem devam se fazer presentes em quaisquer pessoas jurídicas constituídas, mais ainda para um segmento complexo como o do mercado exterior. Quem existia, na verdade, era a Mude, legítima detentora dos recursos e legítima gestora dos atos supostamente efetuados pela Tecnosul, e a verdadeira beneficiária de todo o esquema desmontado pela “Operação Persona”, de modo que, ao revés do entendimento exposto na impugnação, não houve “desconsideração da personalidade jurídica” da Tecnosul, mas apenas o reconhecimento de que as operações, maquiadamente a esta imputadas, foram, na verdade, feitas pela Mude. Em síntese, a Tecnosul não existia para a finalidade que supostamente foi constituída e para as quais se presume todas as pessoas jurídicas sejam criadas (gerar riqueza, criar empregos, obter lucros, deter tecnologia, etc), mas, sim – e exclusivamente – para dar um manto protetor às operações de importação que a Mude realizava indiretamente por “importadoras” e depois, já com o produto nacionalizado, as adquiria da Tecnosul. Portanto, claros contornos de “abuso de personalidade jurídica”, consoante disposição do Código Civil/2002: Fl. 13074DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 33 32 Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Ressaltese que, embora de comando específico, mencionado dispositivo bem mostra ser possível (apesar de irregular) realizar operações sob um manto de legalidade, mas que exprimem claros sinais de abuso da personalidade da entidade, impondo a aplicação do mandamento inserido no Código. Concretamente, inexistem mínimas dúvidas de que a Tecnosul se prestava a dar uma aparência de legalidade às importações que tinham como destinatária final a Mude, passando por todas as etapas suficientemente descritas nos autos. Além disso, como também inexistem ressalvas, os recursos dos quais a Tecnosul vinha a dispor, ainda que efemeramente, eramlhe enviados pela Mude, a verdadeira detentora do capital, figurando a Tecnosul como mera intermediária. Neste momento, ainda com fulcro no artigo 50, do Código Civil, é possível vislumbrar verdadeiro desvio de finalidade da Tecnosul e a confusão patrimonial existente entre ela e a Mude. Sobre “desvio de finalidade”, disse Elizabeth Cristina Campos Martins de Freitas2: “(...) a pessoa jurídica, que agrega uma gama de direitos subjetivos, não pode atuar de forma contrária aos fins sociais. (...). Disso se extrai que se porventura vier a causar danos à sociedade, a pessoa jurídica ou os responsáveis pela lesão, conforme o caso, devem ser responsabilizados”. A respeito, antes mesmo da atual Constituição Federal, o professor Modesto Carvalhosa, na sua clássica obra “Comentários à Lei das Sociedades Anônimas – São Paulo – Saraiva, 1982, volume 5, pg. 150” já lecionava: “A empresa é a racionalização dos fatores econômicos, tecnológicos e humanos da produção, instituída sob a forma de pessoa jurídica, a companhia. Tem a empresa uma óbvia função social, nela sendo interessados os empregados, os fornecedores, a comunidade em que atua e o próprio Estado, que dela retira contribuições fiscais e parafiscais”.(Destaques do Relator) Ora, como o Estado poderá retirar aquilo que lhe cabe de uma “empresa” que não tem suporte algum para arcar com este ônus e que, claramente, foi constituída justamente para este fim, ou seja, de “suportar” um ônus tributário que não tem condições de satisfazer e permitir à outra pessoa jurídica (real detentora de todos os recursos, no caso a Mude), manterse afastada de tal imposição? Jurisprudencialmente, em Acórdão tratando sobre desconsideração de personalidade jurídica, o STJ, no REsp. nº 252.759 – SP, exarado em 12/09/2000, decidiu Não desqualificada a relação de consumo, possível a desconsideração da personalidade jurídica, provada nas instâncias ordinárias a existência de ato fraudulento e o desvio das finalidades da empresa, ainda mais quando presente a participação direta do sócio, em proveito próprio. No voto do I. Relator e Presidente, Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, destacase o seguinte excerto, em tudo aplicável ao caso aqui apreciado: De igual forma, penso, como adiantei em voto que proferi no AgRgEREsp n° 86.502/SP (DJ de 30/06/97), que a "disregard of legal entity ", também conhecida como "doutrina da penetração", "não procura anular a personificação das sociedades, mas, sim, tornála 2 in “Desconsideração da personalidade jurídica: análise à luz do Código de Defesa do Consumidor e do novo Código Civil. São Paulo – Atlas, 2002 – pg. 221 Fl. 13075DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 34 33 inoperante em determinadas circunstâncias para responsabilizar o sócio por atos praticados em nome da sociedade da qual faz parte", tudo com a intenção "de combater fraudes e abusos de direito". E no presente caso, segundo consta do julgado de origem, houve a participação direta de um sócio. Rubens Requião3, com a cátedra que lhe é peculiar, exprime: “a disregar doctrine não visa anular a personalidade jurídica, mas somente objetiva desconsiderar no caso concreto, dentro de seus limites, a pessoa jurídica, em relação a pessoas ou bens que atrás dela se escondem. É caso de declaração de ineficácia especial da personalidade jurídica para determinados efeitos, prosseguindo todavia a mesma incólume para seus outros fins legítimos”. De outro lado, o Código Tributário Nacional é incisivo ao determinar: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Sobre “confusão patrimonial”, muito claramente escreve José Lamartine Corrêa de Oliveira4: Pela excelência do comando, vale reproduzir a parte final do texto do consagrado autor, para melhor fixação: “Se é em verdade uma outra pessoa que está a agir, utilizando a pessoa jurídica como escudo, e se é essa utilização da pessoa jurídica, fora de sua função, que está tornando possível o resultado contrário à lei, ao contrato, ou às coordenadas axiológicas fundamentais da ordem jurídica (bons costumes, ordem pública), é necessário fazer com que a imputação se faça com predomínio da realidade sobre a aparência”. Concluindo, é evidente que não se está a exigir, nem no procedimento fiscalizatório, nem neste julgamento de 1ª Instância Administrativa, que, entre 3 in "Abuso de direito e fraude através da personalidade jurídica”, Revista dos Tribunais, v. 410, 1969, São Paulo. 4 in “A Dupla Crise da Pessoa Jurídica” São Paulo – Saraiva, 1979 – pg. 613. Fl. 13076DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 35 34 dois caminhos lícitos, o administrador privado esteja obrigado a optar pelo que gere mais tributos para o Estado. Não é isso que se trata no caso presente Ocorre, na verdade, que a detentora de uma personalidade jurídica (empresa) que não cumpre sua função social, pois não tem empregados, nem clientes, nem fornecedores, nem beneficiários distintos dos sócios, nem recursos, nem patrimônio, nem capacidade de gestão, nem estoque, nem imobilizado, nem logística, nem local físico condizente com as operações que supostamente contratou, apresenta, claramente, todos os contornos de abuso de tal personalidade, seja por desvio de finalidade, seja por confusão patrimonial, não servindo de sustentação para qualquer planejamento elisivo tributário. O quadro elaborado pelo Fisco (fls. 9185), mostra claramente o fato, ressaltandose que o “ativo” aí existente é composto, conforme apurado pela Fiscalização, esmagadoramente por valores a receber da Mude! Em suma, o que se tem nos autos, com a utilização da Tecnocul, pela Mude, não é caso de elisão fiscal, mas, sim, claramente, de evasão tributária e como tal deve ser tratado e punido. Por consequência, negase provimento ao pleito da defesa e mantémse o trabalho fiscal, pela sua correção. (negrejouse) Estes argumentos, porém, embora autorizem a conclusão de que a sujeição passiva foi corretamente atribuída a MUDE Comércio e Serviços Ltda, não só em razão do abuso de personalidade jurídica e desvio de finalidade na constituição e atividade de TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda, mas também em face da confusão patrimonial verificada entre estas pessoas jurídicas, não se prestam a afastar a alegação da autuada, em recurso voluntário, no sentido de que o procedimento fiscal deveria também ter sido dirigido contra ela, submetendolhe as intimações para comprovação do passivo, e não apenas cientificandoa do lançamento depois de erigida a presunção basicamente em razão da falta de atendimento àquelas intimações. Acrescentese, ainda, a imputação de omissão de receitas apurada exclusivamente em razão de um item patrimonial, com a desconsideração das demais operações realizadas pela fiscalizada e de sua repercussão no resultado tributável de MUDE Comércio e Serviços Ltda, como seria esperado em razão da afirmada existência meramente formal da fiscalizada. Vejase que a Procuradoria da Fazenda Nacional, em contrarrazões, também aborda a interposição fraudulenta com o objetivo de ocultar a Mude, destacando a fragilidade da Tecnosul enquanto pessoa jurídica, classificandoa como mero anteparo jurídico, atrás do Fl. 13077DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 36 35 qual está a MUDE. Destaca que a materialidade da infração já foi inclusive, reconhecida em primeira instância pelo Poder Judiciário, restando inequívoca a ocorrência da interposição fraudulenta, mascarando a realidade pelo uso de empresas de fachada com o intuito de suprimir indevidamente a incidência tributária. Reconhece, assim, a inexistência de fato da fiscalizada TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda, mas apesar disso discorda da necessidade de direcionamento das intimações fiscais à pessoa jurídica capitulada como contribuinte no lançamento, MUDE Comércio de Serviços Ltda. É certo, como diz a Procuradoria da Fazenda Nacional, que o Fisco não precisa de autorização judicial para efetuar o lançamento calcado na realidade fática, desprezando situações jurídicas que se mostrem meramente formais, com esteio no art. 149, VII do CTN, e que como demonstrado no TVF, a Mude era a real responsável por toda a cadeia de importação e detentora dos recursos que circulavam entre as importadoras e distribuidoras interpostas. Todavia, admitindose a existência de abuso de personalidade jurídica, como exposto na decisão recorrida, e correta a indicação de MUDE como sujeito passivo do presente lançamento tributário, mas na condição de contribuinte, não há como admitir que a presunção legal de omissão de receitas se estabeleça em razão da falta de atendimento a intimações para comprovação do passivo dirigidas à denominada empresa de fachada. A decisão recorrida também aborda, no excerto a seguir transcrito, o mérito da presunção de omissão de receitas e firma posicionamento divergente daquele já manifestado por esta Conselheira em outros julgados. MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO As questões de mérito dizem respeito aos lançamentos perpetrados pela Fiscalização, com fulcro na ocorrência de uma possível omissão de receitas, fundada em manutenção/inexistência de passivo (“passivo fictício”). Batemse diversos defendentes de que a autuação teve como base o ano de 2008 e que os fatos, se ocorridos, seriam de períodos anteriores, pelo que estaria impedido o Fisco de realizar os lançamentos, em face da decadência. Além disso, a impugnanteautuada – Mude , pugna por erro na tipificação legal, asseverando: A respeito da decadência aventada pela defesa, razão não assiste à contribuinte. Como é sabido e consabido, a presunção de omissão de receita a partir da existência no passivo de exigibilidade não comprovada constitui hipótese de infração tributária sujeita a lançamento de ofício conforme o art. 281 do R1R/1999. Fl. 13078DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 37 36 Pois veja: "RIR/1999 Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamentos, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação de Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto lei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40) I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada”. (Grifouse) Tratase do lançamento de omissão de receitas com base em presunção legal denominada por “Passivo Fictício”. O fundamento legal da autuação está no art. 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que prescreve, “in verbis” E na Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, "verbis": "Seção IV Omissão de Receita Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita." O transcrito art. 281 define três situações distintas, cujas ocorrências autorizam a presunção de omissão de receitas. No primeiro caso, temse a apuração de saldo credor decorrente da reconstituição do Caixa, em virtude da exclusão de débitos naquela conta cuja contrapartida não foi comprovada; no segundo, a falta de contabilização de pagamentos efetuados. Na terceira hipótese, verificada a manutenção no passivo de obrigação incomprovada, fica presumida a omissão de receitas, independentemente de qualquer ajuste na conta Caixa, sendo somente ilidida a tributação mediante produção de prova pelo contribuinte da improcedência da presunção. Da mesma forma, o art. 40, da Lei nº. 9.430, de 1996, determina a presunção da omissão de receitas pela simples manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Ou seja, a lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificada a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade restara não comprovada. No presente caso, a omissão de receita está caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não restou comprovada. Enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está caracterizada, por presunção legal, a omissão de receitas. O fato de uma obrigação eventualmente ter sido contraída em 2005, 2006, 2007, em nada afeta a presunção de omissão de receita pela sua manutenção no passivo exigível até o anocalendário/2008 e cuja exigibilidade restou incomprovada nesta data, ou seja, no levantamento do Balanço Patrimonial de 31/12/2008. É neste momento temporal, ou seja, quando detectada a existência de tal passivo incomprovado que se dá a presença da presunção legal de que deveria se safar a autuada para desfazer o trabalho do Fisco, o que não logrou conseguir. Fl. 13079DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 38 37 Assim, ocorrida a verificação do passivo fictício em 31/12/2008, e os lançamentos sidos cientificados à contribuinte em 25/08/2012, não há que se falar em decadência. Já sobre suposto erro na tipificação legal como clama a autuada, nenhuma razão lhe cabe. A identificação dos dispositivos legais está claramente presente no auto de infração de IRPJ (principal), como se vê abaixo, irradiando seus efeitos aos autos reflexos: Vejamse citados dispositivos: Ø Lei nº 9.430/1996: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Ø RIR/1999 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Ø Decreto-lei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 2º O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Resta claro que não houve nenhuma falha no enquadramento procedido pela Fiscalização. Aliás, os fatos estão perfeitamente descritos no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, tanto que permitiu a ampla defesa apresentada pela impugnante e aqui apreciada. Fl. 13080DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 39 38 Acerca de uma possível confusão conceitual sobre o instituto do passivo fictício que teria feito o Fisco, vale ver a decisão exarada pelo CARF (Acórdão 10709530, prolatado em 16/10/2008– Processo nº 16327.001252/0031) oportunidade em que o tema foi profundamente analisado em brilhante voto do Conselheiro Luiz Martins Valero e que resume, categoricamente, o assunto “omissão de receitas – passivo fictício”: (...) A experiência demonstrava à exaustão que os contribuintes ao liquidarem obrigações com recursos mantidos à margem da escrituração, porque amealhados em anterior omissão de receitas, e não dispondo de saldo escritural suficiente nas contas de disponibilidade, não baixavam contabilmente referida obrigação, exatamente para não provocar saldo credor naquelas contas, denunciativo direto de utilização de recursos estranhos à escrita oficial. A valoração dessa experiência é que permitiu ao legislador introduzir no ordenamento jurídico a presunção legal de omissão de receitas quando a fiscalização se deparasse com eventos dessa natureza. Com efeito, dispunha o art. 180 do RIR/80: "Art. 180. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decretolei n° 1.598/77, art. 12, § 2°)." (grifamos) Veja, era preciso que o fisco provasse a manutenção no passivo de obrigação já paga, mais especificamente: era preciso que o fisco provasse o pagamento não registrado. Apesar do artigo em tela reproduzir fielmente a norma inserta no § 2° do art. 12 do Decretolei n° 1.598/77, prevalecia o equivocado entendimento de que se o contribuinte não apresentasse os documentos comprobatórios do passivo era porque as obrigações haviam sido liquidadas no curso do ano base, e assim estaria configurada a hipótese de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, prevista literalmente no discutido artigo. Era equivocado o entendimento porque era diferente a situação em que o contribuinte não conseguia comprovar as obrigações constantes do passivo. Não cabia, nessa hipótese, a aplicação pura e simples da presunção legal, sob pena de se perpetrar uma injurídica presunção da presunção. Com efeito, numa situação desta poderia ter ocorrido: a) pagamento da obrigação com recursos à margem da escrituração, negandose o contribuinte a apresentar o título liquidado, exatamente para não produzir prova em seu desfavor; b) extravio, verdadeiro, do documento; c) obrigação inexistente, cuja contrapartida serviu a outros propósitos (majoração indevida de custos/despesas, "notas frias", suprimentos fictícios na conta caixa, etc.); ou d) mero erro de contabilização. Cabia à fiscalização, por prova direta, desnudar as conseqüências da situação que poderia até desembocar no "passivo fictício". O Poder Executivo, reconhecendo a existência dessa divergência de interpretação do texto legal, introduziu no art. 228 do Decreto n° 1.041/94, que aprovou o RIR/94, um parágrafo dispondo, in verbis: "Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: a) (...) b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.” Fl. 13081DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 40 39 Mas, em se tratando de uma presunção, a sua validade somente poderia ter lugar se proveniente de lei, em face do princípio da reserva legal consagrado no Código Tributário Nacional (arts. 3°, 97 e 142). Daí fezse necessário respaldar a medida regulamentar com disposição expressa de lei, o que veio a acontecer com o art. 40 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 (DOU de 30/12/96), que tem o seguinte teor: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo. de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita." Dito isto, com relação à omissão de receitas, por existência de passivo fictício, sabese que, em quaisquer das hipóteses elencadas pela norma substantiva, no caso, o artigo 281, do RIR/1999, estáse diante de uma “presunção legal”, situação que leva a um descompasso com a regra jurídica geral (que impõe ao acusador o ônus de provar o que afirma – Código de Processo Civil, art. 333, I), deslocando para o acusado a obrigação de demonstrar a correção de seu procedimento, sob pena de ver aquilo que era “presumido”, se tornar real e definitivo, caso não contrapostas provas robustas que infirmem tal presunção. Em outras palavras, presente a “presunção”, ao Fisco só cabe trazer os indícios que a expõe ao mundo jurídico, momento em que o onus probandi se reverte em desfavor do sujeito passivo, que dele deverá se safar, com os meios legais e documentais possíveis, sob pena de ver aflorar o fato gerador que estava latente, surgir a obrigação tributária respectiva e a subseqüente constituição do crédito tributário, via lançamento. Ainda em relação às presunções de omissão de receita, essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (juris tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar Fl. 13082DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 41 40 em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa.” Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, a Fiscalização pode lançar mão da figura da presunção legal, como nos casos de omissão de receitas, oportunidade em que resta provocada, como dito, a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil, art. 333, II). Neste cenário, claro, a presunção legal trazida pelo artigo 281, do RIR/1999, não é absoluta, antes comporta a possibilidade de a acusada elidir o trabalho do Fisco de perpetrar os lançamentos calcados na hipótese prevista no referido dispositivo, DESDE QUE carreie aos autos documentos, livros e comprovantes que destruam a pretensão da Autoridade Fiscal, visto que, como dito, a presunção tem cunho de relatividade. Não é isso o que se fez presente nos autos. Muito ao revés, além de todas as circunstâncias fáticas e de direito já aqui expostas, aliadas ao que consta dos autos, é impensável possa uma empresa se dar ao luxo de manter, em seu passivo, 136 milhões de reais por mais de três anos, sem que lhe seja imposto sequer um elementar protesto formal em cartório pela inadimplência e uma subsequente e óbvia execução judicial por parte daqueles que, supostamente, seriam os credores de tal montante e ainda, por incrível que possa parecer, continuassem a fornecer a um “cliente” que se revelou contumaz inadimplente, como muito bem alertou o condutor do feito em seu Termo (fls. 9242): De outro giro, em momento algum a autuada conseguiu fazer letra morta à presunção legal adotada pelo Fisco, o que se materializaria com a simples exibição dos títulos pagos corretamente, nas datas aprazadas e com o devido registro na contabilidade, ou que as obrigações contraídas ainda estavam “em aberto” por ocasião do Balanço de 31/12/2008. Nada disso se fez presente, pelo que a presunção se consolidou. A respeito: Processo nº: 10540.000808/0015 Recurso nº: 154825 Sessão de 17 de outubro de 2007 Acórdão nº: 10196.365 Fl. 13083DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 42 41 OMISSÃO DE RECEITA O passivo fictício e os ativos à margem da contabilidade caracterizam presunção legal de omissão de receitas. Ao fisco basta provar o fato indício para que fique autorizado a presumir a omissão de receita. Antonio José Praga de Souza – Presidente Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho – Relator Também não encontra respaldo o entendimento manifestado pela impugnante no sentido de que inexistiria correlação entre o passivo fictício e a interposição fraudulenta. No seu dizer: “embora (...) não tenha acesso aos documentos fiscais e contábeis da Tecnosul (...) demonstrará, a seguir – e exclusivamente com base nos elementos e documentos constantes destes autos , os motivos pelos quais se equivocou a Fiscalização em acusar a existência de passivo fictício (ou passivo inexistente) na Tecnosul e direcionar a cobrança à Impugnante”. Ora, exaustivamente se viu que a detentora de todos os recursos da Tecnosul era a Mude, servindo a primeira como mera repassadora de bens e dinheiro que vinham da segunda e que se destinavam ao pagamento das “importadoras” (Waytewc, Brastec, etc). Do mesmo modo se viu que a gestão da Tecnosul era feita por graduados funcionários da Mude. Então, existe, sim, na contramão do que pensa a impugnante, íntima vinculação entre as empresas, justificando a imposição dos lançamentos em face da verdadeira beneficiária das operações, Mude. Melhor sorte não colhe o argumento da peça contestatória da autuada quando prega ser impossível considerarse como receita omitida os saldos totais das contas de passivo, asseverando que, “os saldos das contas do passivo utilizados pela Fiscalização para presumir o montante de receitas omitidas foi formado ao longo de diversos anos, e não em 2008 (...) sendo, portanto, impossível a sua inclusão na base de cálculo dos tributos de 2008”. E questiona: “como presumir que receitas foram omitidas em 2008 se o respectivo suposto passivo fictício foi contraído em 2005, 2006 ou 2007”? A resposta a tal questionamento já se encontra definida neste voto, neste mesmo tópico. É certo, como dito no excerto acima reproduzido, que uma vez erigida a presunção legal, cumpre ao autuado provar a improcedência da presunção. Porém, a presunção de omissão de receitas, no presente caso, tem por indício a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, logo, a regularidade das intimações para esta comprovação integram a sua essência, e inversão do ônus da prova não se estabelece se o indício não é regularmente constituído pela Fiscalização, mediante direcionamento à pessoa jurídica autuada e que, em seu entendimento, era a real beneficiária e contribuinte dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento decorrentes daquela omissão de receitas. De outro lado, ainda que se supere o vício reconhecido nas intimações dirigidas, apenas, a TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda, esta Conselheira já se manifestou contrariamente à imputação de omissão de receitas no momento da constatação, pelo Fisco, da manutenção, em balanço, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste sentido é o voto condutor do Acórdão nº 1101 000.991: O voto condutor da decisão recorrida e sob reexame assim discorre inicialmente sobre o tema: Fl. 13084DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 43 42 11. A alegação de decadência de boa parte da matéria lançada teve por fundamento o fato de grande parcela do passivo tido por inexistente em 31/12/2007 constituirse, em realidade, de obrigações contraídas em anos anteriores a 2007. 12. Inicio o enfrentamento da matéria demarcando o campo jurídico da questão. Em realidade, veremos que a ocorrência, ou não, do fenômeno da decadência do direito de o Fisco lançar, no caso, é ponto meramente incidental à questão nuclear aqui envolvida, qual seja: a do momento em que ocorre o fato gerador da presunção de omissão de receitas no caso de passivo tido como inexistente. Isto porque o fundamento da presunção, no caso, foi a “...não apresentação de documentação comprobatória da efetividade das ocorrências das operações, nem tampouco a efetiva existência das obrigações constantes do saldo lançado no passivo, ...” (vide item 3.12.2 do TCI, e seus subitens). 13. Vejamos a norma aplicável ao caso: Subseção II Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei Nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2o, e Lei Nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. 14. Há duas hipóteses que fazem aflorar, como presunção de omissão de receitas, o dito passivo fictício (inciso III, art. 281, acima): obrigação já paga, mas ainda mantida no passivo, e a falta de comprovação da obrigação em si (sem exigibilidade). Pela forma que a Fiscalização fundamentou o lançamento nessa parte, interessanos essa última. 15. De qualquer forma, o que fica claro na norma é que a concretização da presunção de omissão de receita se dá no momento em que, juridicamente, ocorra o fim da exigibilidade. Pelo que veremos, isso pode ser dar em dois momentos. 16. Primeiramente, vislumbremos o caso de obrigação ordinária sobre a qual não recaiam dúvidas quanto à sua natureza jurídica , em relação a qual ocorra, em momento posterior à sua constituição e anterior ao seu término, o fim da exigibilidade por algum motivo superveniente. O fim natural seria o mero adimplemento da obrigação. Baixarseia o passivo a débito do ali registrado e diminuirseia a ativo correspondente. Pensemos, todavia, em outra hipótese: o perdão unilateral da dívida pelo credor (remissão). Segundo as regras contábeis que regem o regime de competência, as receitas são consideradas realizadas “... quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior.” (Resolução CFC nº 750/93, art. 9º, § 3º). Vêse, nessa hipótese, que, com a extinção de um passivo (obrigação) por força do perdão da dívida, ocorre a mudança da natureza jurídica do fato em si. O que antes era uma dívida real do devedor situação que não lhe afetava aumentativamente o patrimônio , passouse esse a sofrer o fenômeno do acréscimo patrimonial para este último. Logo, há de haver, no momento da remissão da dívida, o reconhecimento como receita do valor remitido. Esse acréscimo patrimonial é renda na forma do art. 43 do CTN. 17. A segunda hipótese – a que nos interessa neste voto é aquela em que a exigibilidade registrada no passivo inexiste ab initio. Quer dizer, o lançamento contábil da obrigação não reflete a existência de dívida alguma. Ao se identificar que a obrigação lançada no passivo jamais existiu, temse, desde o seu registro no passivo, concretizado o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade, no caso econômica) para a devedora. Assim, dado que tal acréscimo patrimonial se traduz em Fl. 13085DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 44 43 renda, depreendese que, no momento do seu indevido registro como obrigação, se dá seu reconhecimento como receita. Esse fato influenciará na base de cálculo dos tributos e contribuições decorrentes da apuração de receita. 18. Passando a analisar o caso concreto, podemos concluir que os saldos de contas de passivo em 31/12/2007 tidas como inexistentes desde a origem, compostos por obrigações lançadas originariamente em anos anteriores a 2007 não podem servir como base para apuração de omissão de receitas no anocalendário de 2007. Dessa forma, entendo que toda matéria nessa condição deve ser tida como improcedente, por força de dissociação insanável entre o momento efetivo da ocorrência do fato gerador da presunção e o período de apuração levado a efeito no auto de infração. A interpretação assim exposta é parcialmente válida, por afirmar apenas que a falta de comprovação de uma obrigação desde sua origem representa, naquele momento, acréscimo patrimonial tributável, na medida em que ali deveria ser reconhecida a correspondente receita. Em verdade, a inexistência da dívida pode, também, decorrer da inexistência da própria operação, e por conseqüência da superveniência ativa ou do custo/despesa contabilizados em sua contrapartida, circunstâncias nas quais os efeitos destas contrapartidas no resultado do período devem ser glosados, não se verificando, em regra, receita tributável, mas sim resultado tributável. Além disso, a argumentação desenvolvida na decisão de 1a instância deixa de considerar uma outra visão da matéria, consolidada na doutrina e na jurisprudência, e assim exposta na obra de Hiromi Higuchi et alli (in “Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática, Atualizado até 10012011”, São Paulo:IR Publicações, 36a edição, 2011, p. 671): Passivo fictício, como o próprio nome está a indicar, é o passivo inexistente, ou seja, duplicatas de fornecedores ou contas a pagar já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa. O dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamentos fossem contabilizados a conta Caixa ficaria com saldo credor, isto é, denunciaria que houve mais saídas que entradas em dinheiro. De toda sorte, mesmo sob esta ótica, a conclusão sobre o trabalho fiscal é a mesma a que chegou a autoridade julgadora de 1a instância: a presunção de omissão de receitas a partir de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, resultante da falta de provas que suportem os registros das obrigações no passivo, deve ser imputada ao sujeito passivo no momento em que este passivo é registrado. Se a contribuinte não prova que a contratação passada foi a prazo, a lei presume que ela foi a vista e paga no momento da contratação, mas sem o registro deste pagamento por insuficiência de caixa, dada a omissão de receitas que poderiam suprilo formalmente. Por certo, a autoridade fiscal poderia afirmar a existência de passivo fictício depois do surgimento da obrigação, mas desde que demonstre, mesmo por indícios, o fim da exigibilidade depois do registro do obrigação e antes de sua liquidação contábil. Aqui, porém, a acusação fiscal sustentase, na maior parte dos casos, no argumento genérico de falta de comprovação dos saldos de passivo no período fiscalizado, de modo que a demonstração, pela contribuinte, de que os passivos já existiam em períodos anteriores, lança dúvidas sobre o indício adotado para a presunção de omissão de receitas, tornando incertos fatos que sustentam a exigência, a impor o seu cancelamento. Em outro litígio, também envolvendo a presunção de omissão de receitas a partir de obrigações não comprovadas, esta Conselheira reiterou o entendimento acima exposto, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.053: Fl. 13086DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 45 44 A recorrente aduz que desde sua primeira manifestação esclareceu que os registros corresponderiam a transferências de mercadorias entre matriz e filial, cujas operações eram escrituradas separadamente e consolidadas no final do exercício. Reputa precária a argumentação referente à diferença de R$ 19.329,21, e diz não estar provado o indício que autoriza a presunção de omissão de receitas. A presunção legal está assim fixada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Hiromi Higuchi et alli (in “Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática, Atualizado até 10012011”, São Paulo:IR Publicações, 36a edição, 2011, p. 671) explicita a origem da presunção legal: Passivo fictício, como o próprio nome está a indicar, é o passivo inexistente, ou seja, duplicatas de fornecedores ou contas a pagar já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa. O dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamentos fossem contabilizados a conta Caixa ficaria com saldo credor, isto é, denunciaria que houve mais saídas que entradas em dinheiro. Assim, a lei não elegeu como indício para a presunção de omissão de receitas a constatação de uma obrigação inexistente no passivo. Nos termos transcritos, verificase o indício frente a obrigação não teve sua exigibilidade comprovada, ou seja, a operação comercial foi realizada a vista, ou então a prazo, mas com vencimento já expirado, sem o registro da corresponde quitação, e sem prova da cobrança pelo credor. Em verdade, a afirmação de que uma obrigação inexistente é ambígua e demanda esclarecimentos, pois se o motivo para tanto é a falta de comprovação da operação que originaria o passivo, a sua inocorrência acaba por inviabilizar a presunção de que ela possa ter sido quitada com recursos à margem da contabilizada, pois nada existiria para ser pago. No presente caso, a contribuinte apresentou na resposta de fls. 47/81 o “Razão Consolidado” das contas nº 217072 e 12.1400, ambas denominadas “C/Correntes Transf. Mercadorias”, e apresentando saldos idênticos em 31/12/2008, credor e devedor, respectivamente, no valor de R$ 6.113.733,63. Mais à frente, informou à Fiscalização que valor semelhante (R$ 6.133.062,84), indicado na “DIPJ/Passivo Circulante/Outras Contas” teria origem na conta nº 21707. A autoridade fiscal não exigiu qualquer outro esclarecimento acerca dos procedimentos adotados pela contribuinte para contabilização das mencionadas transferências, de modo a infirmar o esclarecimento prestado no sentido de que a escrituração contábil era feita individualmente na matriz e na filial e somente consolidadas no final do exercício. Por sua vez, este procedimento pode ter, de fato, ocorrido, ante a indicação do mesmo saldo final, devedor e credor, nas contas nº 217072 e 12.1400, ou seja, na evidenciação de que a própria pessoa jurídica teria enviado e recebido as mercadorias que deram origem ao direito e ao passivo contabilizados. A acusação fiscal limitase a apontar divergência entre o saldo contábil do passivo e aquele indicado na DIPJ, sendo certo que, em tais circunstâncias, deve prevalecer o registro resultante dos lançamentos contábeis, escriturados nos Livros Diário e Razão. Acrescenta, ainda, que o registro de tais valores em conta de passivo Fl. 13087DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 46 45 interfere na equação patrimonial, haja vista que para os lançamentos efetuados em contas do Passivo existe a contrapartida em conta do Ativo, mas não é possível compreender que desequilíbrio patrimonial poderia ensejar o procedimento utilizado pela contribuinte, mormente desconhecendo quais contas foram debitadas para creditamento da conta nº 21707 e quais contas foram creditadas para formação do saldo devedor na conta nº 12.140. Supondo tratarse de transferência de mercadorias como alegado e não contraditado, seria de se supor que as contrapartidas se verificariam em estoque, as primeiras representando a entrada de mercadorias em estabelecimento da autuada, com a constituição de uma obrigação contábil transitória, e as segundas evidenciando a saída de mercadorias para outro estabelecimento, com a constituição de um direito contábil transitório. Em tais condições, somente se pode concluir que por decorrer de operações entre estabelecimentos do mesmo sujeito passivo, as contrapartidas em Ativo e Passivo se compensam e se anulam pela confusão entre credor e devedor, não representando obrigações em sua essência e não autorizando, desta forma, a presunção construída pela Fiscalização. Em suma, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada é um fato que deve ser interpretado em conformidade com a razão de ser da lei que autoriza a presunção de omissão de receitas a partir deste indício. Assim, não basta a constatação da obrigação no passivo da pessoa jurídica, associada à falta de comprovação da sua exigibilidade. É indispensável aferir em que momento esta exigibilidade deixou de existir, para que seja possível presumir que a operação foi realizada à vista, e não à prazo. De outro lado, se a exigibilidade nunca existiu, isto significa que a contrapartida desta obrigação deve ter seus efeitos anulados na apuração do resultado do período em que ela foi registrada. A autuada, por sua vez, apontou imprecisão na descrição dos fatos e na fundamentação legal da autuação, dado que, inicialmente, a Fiscalização faz crer que os valores constantes das contas de passivo da Tecnosul seriam inexistentes, e em seguida leva a crer que o passivo em questão seria existente, porém relativo a obrigações não exigíveis (já pagas). Mais à frente, volta a dizer que o passivo seria inexistente, por mencionar que inexistiria comprovação efetiva de sua existência. Assim, não bastasse a impropriedade da citação de artigo do RIR/94 já revogado, a Fiscalização trata como sinônimos o passivo decorrente de obrigações inexigíveis ou inexistentes (art. 40 da Lei nº 9.430/96) e o decorrente de obrigações já quitadas (art. 12 do Decretolei nº 1.598/77). A contribuinte também indicou erro no critério temporal do fato gerador em razão da impossibilidade de considerarse como receitas omitidas os saldos totais das contas de passivo, ali computando passivo contraído pela Tecnosul em anos anteriores. Defendeu, assim, que a presunção decorrente de passivo com exigibilidade não comprovada tem por pressuposto o registro de um falso passivo, e este teria sido contraído de 2005 a 2007, como inclusive reconhecido pela Fiscalização, não se prestando, assim, a sustentar a presunção em 2008. E ressalta que inexistiria um único passivo que teria sido contraído no ano de 2008, até porque, com a Operação Persona as atividades da Tecnosul sofreram golpe fatal, reduzindo, de fato, sua receita bruta a zero, e que apenas houve redução do passivo em R$ 5.493.742,07 em 2008. Questiona se, considerandose regular o procedimento em questão, poderia a Fiscalização deslocar a autuação para 2011, caso o passivo fosse mantido até lá? E finaliza observando que nos lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS sequer houve atenção do Fisco para o fato de que tais tributos são apurados mensalmente. Fl. 13088DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 47 46 Embora não se admita, aqui, que a caracterização da presunção sempre se verificará no momento do registro da obrigação, como cogita a recorrente ao fazer referência a outros julgados deste Conselho, é indispensável que a Fiscalização investigue quando o passivo foi registrado e se há alguma evidência de que sua exigibilidade existiu e por quanto tempo. Somente se a contribuinte não fornecer qualquer informação neste sentido à Fiscalização, será possível afirmar que a exigibilidade nunca existiu, mas daí para alocar o indício no período em que o passivo foi registrado, salvo se apurado que o próprio passivo nunca existiu, caso em que a consequência tributária será avaliada a partir de sua contrapartida contábil (suprimento indevido de caixa, custo/despesa/ativo inexistente etc), e não mediante imputação de omissão de receita presumida. Discordase, assim, da defesa produzida pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, no sentido de que a lei 9.430/96 trouxe como novidade, em relação ao DL 1598/77, apenas a ampliação do espectro de obrigações que podem ser caracterizadas como passivo fictício, acrescentando aquela que nunca existiu, fundada em título falso. Se a obrigação nunca existiu, é preciso avaliar se a operação foi realizada a vista ou se ela nunca ocorreu. E se, como dito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, é impossível afirmar, no presente caso, que os valores escriturados na conta de fornecedores da Tecnosul seriam referentes a débitos vencidos ou vincendos, ou a débitos já quitados. Sequer é possível afirmar que se referem a débitos de fato existentes ou exigíveis, então é possível que a escrituração da fiscalizada não permitia sequer avaliar em que momento a obrigação foi originalmente escriturada. E, ainda que fosse possível cogitar, em tais condições, da imputação da presunção de omissão de receitas a partir do saldos de passivo evidenciados no balanço patrimonial escriturado ao final do anocalendário, não seria possível refutar outra alegação da autuada, em favor da necessidade de arbitramento do lucro em face da alegada omissão de receitas equivalentes à totalidade dos passivos registrados em contabilidade. De fato, além de a imputação fiscal resultar na conclusão de que 100% das receitas da pessoa jurídica fiscalizada foram mantidas à margem da contabilidade no ano calendário 2008, esta conclusão somente seria legítima sob o pressuposto de que a escrituração da pessoa jurídica não permitiu à Fiscalização identificar os saldos iniciais dos passivos mantidos no balanço patrimonial levantado ao final do anocalendário 2008, vício que determinaria o arbitramento dos lucros, nos termos do art. 47, inciso I da Lei nº 8.981/95 (o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal). A autoridade julgadora de 1ª instância afastou esta alegação com os seguintes argumentos: DO ARBITRAMENTO PRETENDIDO Argumenta a defesa que os valores lançados teriam que obedecer ao regime tributário do arbitramento, tendo em vista que, se “todas as receitas foram omitidas pelo contribuinte é tomar como imprestável a apuração feita por ele e presumir que sua contabilidade não presta à apuração do Lucro Real ”, e que, “a Tecnosul declarou em seus documentos contábeis e fiscais que não teria auferido, no ano de 2008, montante algum de receitas”, e que, “de outro lado, a D. Fiscalização entendeu Fl. 13089DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 48 47 que a Tecnosul teria auferido, naquele mesmo ano, receitas totais de R$ 136.065.145,68, omitindo, assim, receitas nesse mesmo montante”. Mais uma vez, equivocase a impugnante. Na verdade os lançamentos, como se vê nos autos, foram feitos contra a Mude e sua contabilidade não foi descaracteriza nem tida como imprestável, antes foi tomada como válida, tanto que o Fisco, inclusive, aproveitou os prejuízos e bases negativas que esta contribuinte apresentava. Vale dizer, os valores da omissão, embora formalmente pertencessem à Tecnosul, na verdade, como longamente visto, pertenciam à efetiva detentora dos recursos, Mude, e contra ela se perpetraram – corretamente os mencionados lançamentos. Assim, não sendo desclassificada nem repudiada a escrituração da Mude, não haveria porque procederse ao arbitramento, antes deveria (como corretamente feito) obedecerse à regra do artigo 24, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Contudo, este voto é orientado pelo entendimento de que a presunção de omissão de receitas somente poderia ser imputada diretamente à MUDE Comércio e Serviços Ltda se o procedimento fiscal tivesse sido desenvolvido em face dela, como contribuinte, e ainda tendo em conta as demais operações realizadas entre ela e a fiscalizada TECNOSUL Distribuidora de Produtos EletroEletrônicos e Informática Ltda. Como as intimações foram dirigidas a esta fiscalizada, de onde se infere que, para a Fiscalização, sua personalidade jurídica era válida, a resultante deste procedimento, qual seja, a presunção de omissão de receitas decorrente de passivo não comprovado, cuja construção eventualmente fosse possível a partir dos saldos de balanço verificados no anocalendário 2008, teria por pressuposto uma escrituração que não permitisse avaliar a origem dos passivos, e sequer seus saldos iniciais no anocalendário 2008, a evidenciar sua imprestabilidade para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, os quais deveriam, assim, ser determinados mediante arbitramento dos lucros, assim como as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS observariam a sistemática cumulativa, mas isto mediante lançamento em face da fiscalizada, na condição de contribuinte, associado à imputação de responsabilidade tributária à autuada MUDE Comércio e Serviços Ltda, em razão do interesse comum identificado pela Fiscalização, e da confusão patrimonial mencionada na decisão recorrida. Sob estas premissas, concluise que o procedimento fiscal não permitiu a construção de presunção de omissão de receitas que pudesse ser imputada a MUDE Comércio e Serviços Ltda, na condição de contribuinte, razão pela qual a exigência fiscal é improcedente. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de MUDE Comércio e Serviços Ltda. Em consequência, devem ser declarados PREJUDICADOS os recursos voluntários dos responsáveis tributários, na medida em que não subsiste crédito tributário exigível. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 13090DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16095.720247/201216 Acórdão n.º 1302001.729 S1C3T2 Fl. 49 48 Fl. 13091DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 16027.000100/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a sua comprovação.
CONSULTA. EFEITOS.
A decisão proferida em processo de consulta tem carácter de norma complementar conforme inciso II do artigo 100 do CTN.
Negado provimento ao Recurso Voluntário.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3401-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não dar provimento ao Recurso Voluntário.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. A utilização de créditos na apuração das contribuições nãocumulativas pressupõe a sua comprovação. CONSULTA. EFEITOS. A decisão proferida em processo de consulta tem carácter de norma complementar conforme inciso II do artigo 100 do CTN. Negado provimento ao Recurso Voluntário. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não dar provimento ao Recurso Voluntário. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 01 00 /2 00 8- 33 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Relatório Este processo cuida de PER/ DCOMP a Declaração de Compensação n° n° 34339.85501.120207.1.1.107876 (protocolada em 12/02/2007), retificada pela PER/DCOMP n. 28348.38562.220807.1.5.107096 (registrada em 22/08/2007), por meio das quais a contribuinte solicita o ressarcimento de saldo de crédito de COFINS referente ao período de apuração 3° trimestre de 2004. A autoridade administrativa de jurisdição reconheceu parcialmente (R$ 33.495,51) o direito creditório pretendido (R$ 59.257,03). Essa decisão da administração teve como base o procedimento fiscal que verificou a regularidade da apuração e do recolhimento do PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 2004 e 2005, e que resultou no Auto de Infração formalizado no processo administrativo n° 16024.000133/200994. O Relatório Fiscal (fls. 44/52) concluiu pela glosa de parte dos créditos apurados, relatando minuciosamente cada um dos motivos, que resumidamente foram: inclusão na apuração dos créditos das aquisições de produtos que não se caracterizam como matéria prima, insumo ou custos utilizados na produção, no caso o produto PCNAA, falta de apresentação de notas fiscais que comprovassem as aquisições de produtos para revenda, e outras pelo fato de o cálculo dos créditos ter ocorrido sobre a aquisição de produtos vedados ao creditamento, por serem submetidos ao sistema monofásico de apuração das contribuições. Com relação aos bens usados que a contribuinte entendia serem insumos, vejamos o que informara a autoridade em seu relatório: Relatório Fiscal, Seção Fiscalização da DRF em Sorocaba SP (fls. 5658), em 30/06/2009: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS A fiscalizada incluiu na linha 04/02 da DACON ,nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2004, as aquisições decorrentes das seguintes notas fiscais: (....) Todas estas notas fiscais referemse a aquisições de um produto denominado "Preparado Composto Não Alcoólico da Amazônia PCNAA", da suposta fornecedora STRATUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 04.475.883/000147). A fiscalização constatou e concluiu, inequivocamente, no decorrer da ação fiscal, que as operações da fiscalizada com este produto foram simuladas, em conluio com terceiros, com a finalidade de apropriação indevida e fraudulenta de enorme volume de créditos de PIS/PASEP e COFINS. Ainda que as operações não tivessem sido simuladas, a contribuinte não teria o direito a apropriar créditos do PIS sobre as aquisições de PCNAA, tendo em vista que este produto não foi utilizado como insumo na elaboração de qualquer outra mercadoria, conforme ficou demonstrado no Relatório Fiscal do Auto de Infração controlado no processo n° 16024.000133/200994 (cópia nas fls. 41 a 49). Desta forma, principalmente pelo exposto no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração citado no parágrafo anterior, que contém o relato minucioso do ocorrido e das constatações e conclusões, a fiscalização conclui que os créditos apropriados pela contribuinte, em decorrência das entradas do suposto produto PCNAA, são TOTALMENTE IMPROCEDENTES. Tendo em vista este creditamento indevido, efetuamos a glosa dos valores acima relacionados, não restando saldo credor no mês de junho de 2004, a ser transportado para o terceiro trimestre de 2004. (...) Não devem ser consideradas as aquisições de "cerveja", por se tratar de mercadoria com incidência monofásica. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16027.000100/200833 Acórdão n.º 3401003.019 S3C4T1 Fl. 3 3 Conforme o inciso I, artigo 3o da Lei n° 10.637/2002 a pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, em relação a mercadorias e produtos referidos no inciso IV do §° e° do artigo I o desta Lei (incidência monofásica DECORRENTE da Lei n° 10.833/2003). Desta forma apuramos o saldo de crédito passível de ressarcimento CONCLUSÃO: Considerando o acima exposto e tendo em vista as verificações fiscais a que foi submetida a interessada, entendemos que a mesma faz jus ao ressarcimento do crédito, no valor total de R$ 33.495,31 (trinta e três mil reais, quatrocentos e noventa e cinco reais e trinta e um centavos), relativo ao 3° trimestre de 2004. (GRIFOS SUBLINHADOS ACRESCIDOS) Considerando as alterações nas definições das unidades da Receita Federal e em suas jurisdições, esse processo foi encaminhado ao DIORT da DEMAC do Rio de Janeiro para prosseguimento. Nessa unidade da RFB a autoridade proferiu seu despacho, cujo Termo de Informação Fiscal (fls. 109111, datado de 14/12/2011) traz a seguinte exposição: BREVE HISTÓRICO O presente procedimento de Informação Fiscal teve como objetivo o saneamento dos PER/DCOMPs abaixo listados, cujo pedido de ressarcimanto tem como objeto o saldo credor de PIS Não Cumulativo relativo ao 3o TRIMESTRE/2004 conforme consta da respectiva DACON Retificadora entregue pelo contribuinte à Receita Federal: PER/DCOMP TIPO DECLARAÇÃO DT. TRANSMISSÃO TOTAL 333Í8.26619.030907.1.8.10 7706 CANCELADORA L 03/09/2007 03427.74072.020307.1.3.106015 ORIGINAL 02/03/2007 487.819,52 32722.96260.240807.1.3.106055 ORIGINAL 24/08/2007 94.907,70 28348.38562.220807.1.5.107096 RETIFICADORA 22/08/2007 59.257,03 34339.85501.120207.1.1.10,7876 ORIGINÀL 12/02/2007 487.819,52 Mediante análise do histórico de procedimentos fiscais executados junto ao contribuinte, verificase que o mesmo foi fiscalizado no anocalendário 2009 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de SorocabaSP, cujo procedimento realizado, dentre outros, englobou a auditoria dos fatos geradores de PIS E COFINS nos anos calendário 2004 e 2005, tendo como resultado Auto de Infração do PIS e COFINS formalizado pelo Processo Administrativo N° 16024.000133/200914. DA CONSTATAÇÃO Com base no Relatório Fiscal de 24/06/2009 (fls 41 a 49 do presente processo) elaborado pelo Auditor Fiscal responsável e m relação ao processo retro, ficou constatado que parte dos créditos de PIS (fev/2004 a dez/2005) declarados pelo contribuinte nas respectivas DACON 1.º trim/2004 a 4.º trimestre/2005), são indevidos, seja : a) Por motivo de não apresentação das notas fiscais decorrentes da aquisição de bens destinado a revenda (folhas 328 e 329 do referido processo do Auto de Infração); b) Pela inclusão indevida na base de cálculo de notas fiscais de produto com incidência monofásica (cerveja) (folhas 330 a 438 do referido processo de Auto de Infração). DO REFLEXO TRIBUTÁRIO Diante das irregularidades apuradas, os demonstrativos de apuração de crédito de PIS da respectiva D A C O N ano 2004 teve suas bases recalculadas e, por conseguinte, seus saldos de créditos retificados de ofício pelo Auditor Fiscal. Em face ao exposto os créditos correspondentes foram glosados, implicando apuração de novos saldos passíveis de ressarcimento : (...) Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Ajustadas às novas bases de créditos, verificouse ainda apuração de saldo devedor destas contribuições em vários períodos de apuração de 2004 conforme consignado na pagina 8 do Relatório Fiscal vinculado ao Auto de Infração em 24/06/2009 Processo Administrativo 16024.000133/200994. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 16024.000133/200994. Conforme pode ser verificado no Acórdão N° 1430.668 exarado pela 4a Turma da DRJ PO em 27/08/2010, a impugnação apresentada pelo contribuinte em relação ao Auto Infração do PIS/COFINS foi considerada improcedente, sendo mantido integralmente a tese do ilustre Auditor Fiscal. Na presente data o indigitado Processo encontrase no CARF em processo de analise para julgamento de novo Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte nesta instância. CONCLUSÃO / DESPACHO DECISÓRIO Diante dos fatos apurados e recálculos de oficio procedidos em relação as base de crédito do PIS ano 2004 conforme Relatório de Informação Fiscal consignado às folhas 50 a 57 do presente processo, acompanho a decisão proposta pelo Auditor Fiscal de Sorocaba , deferindo em parte o crédito requerido: PERD/COMP Valor Pleiteado Glosa Valor Deferido 28348.38562.220807.1.5.10 7096 R$ 59.257,03 R$ 25.761,72 R$ 33.495,31 Assim sendo proponho o deferimento em parte do pleito e que este processo seja remetido à DIORT/DEMACRJO para providências cabíveis. Na seqüência, o processo foi encaminhado à DRF em Nova Iguaçú, RJ, tendo em vista o endereço da sede da contribuinte. O Despacho Decisório dessa autoridade administrativa pontuou os traços que delimitam o que está sendo tratado neste processo: DESPACHO DECISÓRIO: 1. Trata, o presente, de processo de Ressarcimento de PIS, PA 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 59.257,03 (cinqüenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e sete reais e três centavos). formalizado através de PERDCOMP n.º 28384.38562.220807.1.5.107096, apresentada pela empresa em epígrafe. 2. A PERDCOMP de n.º 28384.38562.220807.1.5.107096, acima identificada, retificou a PERDCOMP n° 34339.85501.120207.1.1.107876 que pleiteava um crédito de R$ 487.819,52. O contribuinte, concluiu que, por equívoco próprio, o valor pleiteado na PERDCOMP retificada estava incorreto e bem acima do requeria na PERDCOMP retificadora. 3. Vinculadas ao presente PER estão as Declarações de Compensação (DCOMP) abaixo relacionadas: 3.1 DCOMP n º 03427.74072.020307.1.3.106015, transmitida em 02/03/2007, a fim de compensar débitos que totalizam o valor de R$ 487.449,74 (incluindo acréscimos legais); 3.2 DCOMP nº 33318.26619.030907.1.8.107706, transmitida em 03/09/07, a fim de cancelar a DCOMP acima; 3.3 DCOMP n º 32722.96260.240807.1.3.106055, transmitida em 24/08/07, a fim de compensar débitos que totalizam R$ 92.496,96 (incluindo os acréscimos legais). 4. Em relação ao Pedido de Cancelamento pleiteado na DCOMP nº 33318.26619.030907.1.8.10 7706, o mesmo não pode ser admitido, tendo em vista que os débitos nela declarados também estão declarados em DCTF ativa e vinculados em DCTF, para fins de compensação ao processo administrativo nº 10855.000807/200720, sendo que o referido processo foi formalizado para tratamento manual da DCOMP que se pretende cancelar. Desta forma, estarse ia invalidando o elo de compensação informado em DCTF entre os débitos e suposto crédito. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16027.000100/200833 Acórdão n.º 3401003.019 S3C4T1 Fl. 4 5 5. Em compasso, a fim de verificar a legitimidade e materialidade do crédito pleiteado através do PER n º 28384.38562.220807.1.5.107096 (R$ 59.257,03), consta Informação onde a autoridade fiscal, após realizar os procedimentos de auditagem julgados necessários, propõe o DEFERIMENTO PARCIAL do direito pleiteado, e o despacho decisório da DIFIS/DEMAC/RJ acompanha a decisão proposta (fls.85/Vol I do presente processo), DEFERINDO PARCIALMENTE o valor de R$ 33.495,31 (ressarcimento do PIS – 3 º trimestre de 2004). 6. Quanto à análise das DCOMP vinculadas aos PER já citados, podem ser observadas duas situações distintas: 6.1 Com relação à DCOMP n° 03427.74072.020307.1.3.106015, cujos débitos alçam o valor de R$ 487.449,74 verificase claramente que a mesma se respalda no PER n ° 34339.85501.120207.1.1.107876 (R$ 487.819,52), cujo próprio contribuinte informou a Receita Federal tratarse de crédito inexistente apurado equivocadamente. Tanto é que, o referido PER foi retificado em 22/08/2007 PER n.º 28384.38562.220807.1.5.107096 (R$ 59.257,03) – e dois dias após apresenta a DCOMP n º 32722.96260.240807.1.3.10 6055 a fim de exaurir o crédito retificado. Por este motivo, a DCOMP n ° 03427.74072.020307.1.3.10 6015 não tem respaldo em nenhum direito creditório, sendo oriunda de crédito inexistente, não sendo passível de pedido de ressarcimento e sem possibilidade de compensação com qualquer débito. Logo, com base no artigo 26, parágrafo 3°, inciso VIII, c/c artigo 31, parágrafo 1°, inciso I, esta DCOMP deve ser considerada NÃO DECLARADA. 6.2 Em contrapartida, com relação a DCOMP n° 32722.96260.240807.1.3.10 6055, a mesma tem respaldo em crédito pleiteado pela PER n° 28384.38562.220807.1.5.107096, no valor de R$ 59.257,03. Tal Pedido de Ressarcimento é válido, pois o contribuinte está pleiteando um crédito apurado que entende existir. Porém tal direito creditório foi deferido parcialmente no valor R$ 33.495,31 pela autoridade fiscal. Logo, esta DCOMP deve ser HOMOLOGADA PARCIALMENTE, até o limite do direito creditório reconhecido. 7 Em face de todo o exposto, proponho o que se segue: a) INDEFERIR O PEDIDO DE CANCELAMENTO da DCOMP nº 33318.26619.030907.1.8.107706; b) O RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO DE RESSARCIMENTO DE PIS, PA 3.º TRIMESTRE DE 2004, NO VALOR DE R$ 33.495,31, da PERDCOMP n° 28384.38562.220807.1.5.107096, tendo em vista o deferimento parcial já pronunciado pela DISFIS/DEMAC/RJ em despacho decisório datado de 14/12/2011; c) A HOMOLOGAÇÂO PARCIAL da DCOMP n° 32722.96260.240807.1.3.106055, até o limite do direito creditório reconhecido, em face do deferimento parcial do direito creditório da PERDCOMP vinculada; e d) Que se considere NÃO DECLARADA a DCOMP n° 03427.74072.020307.1.3.106015 em face da inexistência de crédito vinculada à mesma, não sendo o mesmo passível de ressarcimento. 8 E ainda, com relação à DCOMP NÃO DECLARADA 8.1 Cabe esclarecer que não se aplica o disposto no parágrafo 5 º do artigo 74 da Lei n º 9.430/96, não cabendo também a manifestação de inconformidade com o respectivo efeito suspensivo previstos nos §§ 9 e 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 8.2 Entretanto, em observância ao princípio da ampla defesa e do contraditório, garantese ao contribuinte o direito ao recurso previsto no art. 56 da Lei 9.784/99 no prazo de 10 dias, conforme o art. 59 da mesma Lei, sendo que o referido recurso não suspende a exigibilidade dos créditos tributários, na forma do art. 61 da referida Lei. 8.3 Desta forma, proponho que os débitos da DCOMP considerada “não declarada” sejam apartados para que se proceda à cobrança imediata dos mesmos. 9 Com relação à DCOMP HOMOLOGADA PARCIALMENTE, é facultado ao contribuinte o direito de apresentar manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias a contar da ciência deste ato, nos termos da Lei n º 9.430/96. DESPACHO DECISÓRIO Aprovo o parecer EQMACO nº 073/2012, por seus próprios fundamentos, para: a) INDEFERIR O PEDIDO DE CANCELAMENTO da DCOMP nº 33318.26619.030907.1.8.107706; b) RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO, NO VALOR DE R$ 33.495,31, pleiteado através de PERDCOMP n° 28384.38562.220807.1.5.107096, referente ao ressarcimento da PIS apurada no 3° Trimestre de 2004; c) HOMOLOGAR PARCIALMENTE, até o limite do direito creditório reconhecido, as compensações autuadas na DCOMP n° 32722.96260.240807.1.3.106055 em face do deferimento parcial do direito creditório da PERDCOMP vinculada n° 28384.38562.220807.1.5.107096, e d) CONSIDERAR NÃO DECLARADA a DCOMP n° 03427.74072.020307.1.3.106015, em face da inexistência de crédito passível de ressarcimento, nos termos da Lei n° 9.430/96 e da IN/SRF n° 600/2005. Dêse ciência ao contribuinte Irresignada, a contribuinte manifestou sua inconformidade. Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a contestação e mantiveram a decisão da autoridade administrativa que havia reconhecido parcialmente o direito creditório. A Ementa do julgamento de 1ª instância ficou assim ementado: Acórdão n. 1257.705 16a Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 10 de julho de 2013 Processo n. 16027.000102/200822 Interessado PRAIAMAR IND, COM E DISTRIBUIÇÃO LTDA CNPJ/CPF 00.851.567/000171 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. A utilização de créditos na apuração das contribuições nãocumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Sendo vedado o desconto de créditos calculados com relação a produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, não obstante a vigência do art. 16 da Medida Provisória n°. 206, de 2004, correspondente ao art. 17 da Lei n°. 11.033, de 2004. CONSULTA. EFEITOS. A Decisão proferida em processo de consulta possui eficácia normativa entre as partes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16027.000100/200833 Acórdão n.º 3401003.019 S3C4T1 Fl. 5 7 Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros da 16a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual, argumentou, em resumo: 1. preliminarmente, pede a nulidade da decisão administrativa, pois houve cerceamento de defesa na medida em que o processo n. 10855.000807/200720 não lhe foi disponibilizado oportunamente e as suas informações ofereceram bases para aquela decisão; 2. no mérito, com relação ao direito de crédito dos produtos sujeitos ao regime monofásico: defende a tese que, na verdade, o regime denominado monofásico é plurifásico e que a aquisição para revenda de produtos nesse regime monofásico também pode fazer uso do creditamento dos valores de PIS e COFINS monofásicos. Ela cita os doutrinadores Paulo de Barros Carvalho, Heleno Taveira Torres e Helenilson Cunha Pontes, e cita decisão judicial e voto proferido por Conselheiro no CARF, todos que tratariam da matéria em comento. In verbis: É fato que a empresa, ora Recorrente, está submetida à sistemática monofásica do PIS/COFINS na venda de cervejas, conforme estabelecem as leis n° 10.637/02 do PIS e lei n.º 10.833/2003, da COFINS. Todavia, a restrição, disposta nos artigos 35, I, b das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, não tem aplicabilidade ao caso. Destaquese que, com o advento da Lei n° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante dos artigos 3º, l, b, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada. o que possibilita a tomada de crédito por parte dos contribuintes tributados pela sistemática monofásica. Frisese, por oportuno, que o direito à compensação dos créditos em questão encontra respaldo legal no art. 17 da Lei n9 11.033/04, pois resta claro o direito dos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS, de ver mantidos os créditos relativos à aquisição destes produtos, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, (grifos nossos). (...) Esclareçase, ainda, que o entendimento firmado pelo art. 17 da Lei n.º 11.033/04 deve prevalecer, uma vez que é norma posterior que regula a mesma matéria e. por consequência, revogou implicitamente o comando do art. 3.º. I. b. da Lei n9 10.637/02 e 10.833/03. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminar A contribuinte alega cerceamento de defesa por não ter o processo 10855.000807/200720 sido disponibilizado oportunamente, e rogou pela nulidade do despacho decisório que deferiu parcialmente seu pedido. Ocorre que li detidamente a manifestação de inconformidade, que recorreu do despacho decisório, e nela constatei que a contribuinte compreendeu claramente as razões da autoridade fiscal e da autoridade administrativa para o indeferimento. Ou seja, não há elementos que demonstrem o alegado prejuízo ao exercício do direito de defesa. Além disso, parecemme corretos os argumentos dos julgadores de 1º piso para chegarem à mesma conclusão, motivo por que os reproduzo e integro a este voto: Quanto ao fato de o contribuinte suscitar possível nulidade do processo (fls.129) pela falta de cópias das DCTF, bem como cópia do processo 10855.000807/200720 citados no Parecer n° 073/2012 quando do indeferimento do pedido de cancelamento da DCOMP n° 33318.26619.030907.1.8.107706, não há menor lógica na argumentação. Os documentos reclamados são de conhecimento do contribuinte. As DCTF foram por ele transmitidas à Receita Federal e o processo n° 10855.000807/200720 (fls. 95) é aquele no qual estão cadastrados os débitos declarados na DCOMP n ° 32722.96260.240807.1.3.106055. Para ter acesso ao processo basta o pedido de vistas. Não há porque falar em cerceamento de defesa, nulidade e reabertura de prazo para manifestação. Por essas razões proponho o não acolhimento da preliminar de nulidade. Mérito Inarredável termos em mente que a decisão da autoridade administrativa de jurisdição aproveitou o procedimento fiscal que é objeto do processo administrativo 16024.000133/200994. Nele, a autoridade fiscal verificou os valores devidos de PIS e COFINS para 2004 e 2005 e a regularidade dos pagamentos e recolhimentos, e providenciou o calculo de apuração dos créditos, chegando a constatar que a contribuinte pagou e recolheu a menor do que seria devido. Conforme resumo do acórdão recorrido, a decisão de reconhecer parcialmente os créditos pretendidos neste processo é reflexo daquela constatação fiscal: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16027.000100/200833 Acórdão n.º 3401003.019 S3C4T1 Fl. 6 9 No curso da fiscalização (MPF n° 08110002008008599) efetuada pela DRF/Sorocaba, foi verificado que parte dos créditos descontados, apurados pelo contribuinte no período fiscalizado, que engloba o crédito de PIS do 3° trimestre de 2004, não estavam corretos. Em decorrência da glosa de créditos foram então refeitas as bases de cálculo e apurados valores de PIS e COFINS a pagar para alguns dos períodos fiscalizados. A autoridade autuante emitiu também Informação Fiscal (fls.53) sobre o pedido de Ressarcimento e Compensações a ele vinculadas, tratadas neste processo. Ratificou seu entendimento sobre as glosas efetuadas, demonstrando seu reflexo no saldo credor de PIS, apurando novo valor passível de ressarcimento (fls.60). O Despacho Decisório (fls.121), baseado na Informação Fiscal da DRF/Sorocaba (fls.53) e na Informação Fiscal Difis/Demac (fls.109) somente foi lavrado pela Delegacia de Nova Iguaçu em 16/08/2012, tendo em vista a recorrente alteração de domicílio fiscal do contribuinte. O processo 16024.000133/200994 chegou ao CARF e, na sessão de 19 de março de 2015, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção negou provimento ao recurso voluntário e manteve a decisão da autoridade lançadora e dos julgadores de 1º piso. O processo está pendente de apreciação de Embargos. Assim, por enquanto, essa decisão estabelece que a contribuinte não possuía o direito creditório pretendido. E afirma, ainda, que a contribuinte não conseguiu desconstituir os fatos descritos na autuação e as conclusões deles decorrentes. Portanto, para o que se discute nestes autos, a contribuinte não comprovou os créditos para que se pudesse reconhecer o direito creditório no montante inicialmente por ela pretendido. Além disso, a contribuinte não se opôs à argumentação dos julgadores de 1ª instância, que sublinharam que a própria contribuinte ingressou com pedido de consulta e obteve a Solução de Consulta n. 23 SRRF 7ª RF DISIT, de 13/04/2009, que responde a esse questionamento da contribui e profere expressamente entendimento contrário ao defendido por ela, qual seja: Solução de Consulta n. 23 SRRF 7ª RF DISIT 28. O interessado, a partir de 9 de agosto de 2002, poderá manter créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, desde que calculados de acordo com os artigos 3º das Lei n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, sendo vedado, portanto, o desconto de créditos calculados com relação a produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, não obstante a vigência do art. 16 da Medida Provisória n°. 206, de 2004, correspondente ao art. 17 da Lei n°. 11.033, de 2004. 29. Não sendo possível a manutenção de créditos relativos a produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, o interessado deverá utilizar, em regra, as alíquotas de 1,65% e 7,6% sobre os créditos autorizados, conforme previsto nos arts. 3° das .eis n°s. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003." Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Por isso, também acho que não merece reparos a decisão do colegiado de 1ª instância a respeito dessa questão. Conclusão Proponho que não seja dado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008808/2003-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Decadência. Depósito bancário. Fato gerador.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados.
CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2201-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Decadência. Depósito bancário. Fato gerador. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38). Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 459 1 458 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.008808/200377 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.849 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente LUIZ TORATTI NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 08 /2 00 3- 77 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 460 2 demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SPOII (Fls. 411), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 10/12, acompanhado da planilha de fl. 09, dos Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 461 3 demonstrativos de fls. 13 e 14 e do Termo de Constatação de fls. 04/08, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 94.078,24, sendo: Imposto R$ 36.726,36 Juros de mora (calculados até 31/10/2003) R$ 29.807,11 Multa Proporcional R$ 27.544,77 Conforme descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, às fls. 11/12, a exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação que faz parte integrante do auto de infração. No referido Termo de Constatação, às fls. 04/08, consta em resumo o seguinte: A presente ação fiscal foi decorrente de outra procedida no contribuinte Odécio Toratti, CPF n° 045.335.07808, onde este informou que sua movimentação bancária teve origem na exploração agrícola em imóveis rurais em condomínio do qual o sr. Luiz Toratti Neto faz parte; Intimado o sr. Odécio a apresentar documentação de origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos bancários, apresentou diversos documentos, porém restaram sem comprovação os valores indicados na denominada Planilha 6 (fl. 09), tendo sido excluídos, durante a fiscalização, os depósitos/créditos referentes a resgates de investimentos, os estornos de cheques e CPMFS e os valores inferiores a R$100,00 (item 7 deste Termo de Constatação, à fl. 05), bem como os provenientes de cheques de outros bancos emitidos pelo sr. Odécio (item 15, à fl. 06); No decorrer da fiscalização, o sr. Odécio apresentou documentos comprovando que administra exploração de atividade rural em forma de condomínio com mais sete pessoas, relacionadas à fl. 04 (item 2), que também começaram a ser fiscalizadas (item 21, à fl. 06). Intimado, o sr. Odécio apresentou Livro Caixa da atividade rural, porém este não foi considerado válido pela fiscalização, pelas seguintes razões (item 17, à fl. 06): Foi escriturado com valores pertencentes a todo o condomínio e não individualmente para cada condômino, em desacordo com o art. 25 da IN SRF n° 17/96; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 462 4 Apresenta saldos inicial e final em valores altamente improváveis pelo seu elevado valor e que não constam das declarações de bens dos condôminos; Apresenta os valores de entradas agrupados por nota fiscal e não com os diversos adiantamentos de cooperativas, conforme discriminados nos documentos apresentados; Não foram escrituradas contas bancárias informadas pelo contribuinte como pertencentes ao condomínio; Como o Livro Caixa apresentado não foi considerado válido pela fiscalização e os demais condôminos não apresentaram Livro Caixa, embora intimados a fazêlo, os rendimentos da atividade rural ficaram sujeitos ao arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta declarada do ano calendário, originando rendimento omitido no valor de R$ 7.700,06, conforme item 25 do Termo de Constatação, à fl. 07; O sr. Odécio foi intimado por 10 vezes a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias, tendo se passado mais de 14 meses desde a primeira intimação até a data do Termo de Constatação , porém mesmo após suas respostas (e dos demais condôminos, que, intimados, responderam da mesma forma que aquele), restaram depósitos/créditos bancários sem comprovação de origem, resumidos na Planilha 6 (fl. 09), no total de R$ 1.006.802,72. Ficou configurada, desta forma, a omissão de rendimentos no anocalendário 1998 caracterizada pelos depósitos/créditos bancários cuja origem dos recursos o contribuinte não logrou comprovar, apesar de regularmente intimado, conforme o disposto no art. 42 da Lei n 9.430/96. Considerando que os recursos das contas bancárias pertencem efetivamente as oito pessoas físicas, conforme informado pelos próprios contribuintes, dividiuse o rendimento omitido igualmente (conforme o disposto no art. 58 da MP n° 66/2002 convertida na Lei n° 10.637/2002, que acrescentou o § 6° ao artigo 42 da Lei n° 9.430/96) cabendo assim a cada condômino fiscalizado, entre os quais o sr. Luiz Toratti Neto, o rendimento omitido de R$ 125.850,34, os quais estão sendo lançados de ofício em autos de infração distintos. Os valores tributáveis, as datas de ocorrência dos fatos geradores e os enquadramentos legais constam da fl. 11. O demonstrativo e o enquadramento legal da multa de ofício, aplicada no percentual de 75%, e dos juros de mora encontram se à fl. 14. Cientificado em 18/11/2003, por via postal (AR à fl. 359 v. pesquisa às fls 398/399), o contribuinte apresentou, em 18/12/2003, a impugnação de fls. 360/394, por intermédio de procuradores (procuração à fl. 356), tecendo as seguintes alegações, em síntese: 1. A impugnação é tempestiva; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 463 5 2. Preliminares: 2.1. Decadência para os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes de 17/11/1998: Com a edição da Lei n° 7.713/88 e legislação superveniente, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que os rendimentos e os ganhos de capital forem percebidos, ocorrendo o fato gerador da obrigação tributária por ocasião da percepção mensal dos rendimentos. O IRPF é tributo sujeito a lançamento por homologação na forma prescrita no art. 150 do CTN, constituindo a Declaração de Ajuste Anual das Pessoas Físicas em simples instrumento de acerto de contas que não se presta nem pode ser utilizada como base para o lançamento, até porque o contribuinte efetivamente antecipa o pagamento, sem prévio exame pela autoridade administrativa, aguardando ulterior homologação por esta. Portanto, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador da obrigação tributária, “exvi” do disposto no § 4° do art. 150 do CTN. No caso em tela, tendo o impugnante recebido notificação do lançamento em 17/11/2003, está caracterizada a decadência do direito de lançar referente aos supostos rendimentos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 17/11/1998, devendo tais lançamentos ser excluídos. Para corroborar seu entendimento, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. 2.2. Nulidade do lançamento fiscal: O impugnante teve contra si lavrado o presente auto de infração como conseqüência da fiscalização do sr. Odécio Toratti, seu condômino na exploração agrícola. De acordo com o Fisco, os valores de movimentação financeira do anocalendário de 1998 que o condômino do impugnante foi chamado a esclarecer foram obtidos com base em informações prestadas pelas instituições financeiras à SRF, segundo o art. 11 da Lei n° 9.311/96, que em seu § 3° proibia a utilização de dados fornecidos em razão da CPMF para constituição de qualquer crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; a Lei n° 9.311/96 vigorou até janeiro de 2001, quando foi alterada pela Lei n° 10.174/2001, a qual possibilitou ao fisco a utilização dos dados de CPMF para instaurar procedimento administrativo fiscal e constituir crédito tributário relativo a outros tributos. A utilização de dispositivo legal de 2001 para fiscalizar fatos ocorridos em 1998 chocase com os princípios da legalidade e da não retroatividade das leis tributárias, provocando uma quebra na segurança jurídica, além de ferir o direito adquirido do impugnante trazido pela legislação vigente à época, como demonstrado minuciosamente a seguir: 2.2.1. Da ofensa ao direito adquirido: Transcreve o art. 11 da Lei n° 9.311/96, grifando o § 3° deste, e sua alteração promovida pelo art. 1° da Lei n° 10.174/2001, para afirmar que somente com a nova redação do § 3° do art. 11 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 464 6 da Lei n° 9.311/96, com vigência em 10/01/2001, passou a ser permitido à Receita Federal fiscalizar e lançar outros tributos com base nas informações da CPMF, antes era expressamente proibido. A lei não pode ser aplicada retroativamente ao ano calendário de 1998, caso contrário o impugnante é lesado em seu direito assegurado pela legislação em vigor à época. Traz conceito de direito adquirido, diz ser este garantia constitucional prevista no inciso XXXVI do art. 5° da Constituição Federal de 1988 e cita doutrina sobre o conceito, bem como jurisprudência judicial a respeito. 2.2.2. Da impossibilidade da retroatividade das leis e da legalidade: A lei tributária deve ser anterior à ocorrência do fato imponível e nunca o fato imponível anterior à lei tributária, é o que confere estabilidade e segurança às relações jurídicas entre Fisco e contribuinte. A irretroatividade da lei tributária está também insculpida no art. 5°, XXXVI, da CF. Possibilitando a retroatividade, estaria também desrespeitando o princípio da legalidade, o que fere a garantia de segurança às pessoas. Transcreve o art. 106 do CTN, que expressa as situações em que se permite a aplicação retroativa da lei tributária, nas quais o caso em tela não se enquadraria. Cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre o tema. Conclui que o lançamento é nulo porque o procedimento fiscal que lhe deu origem é inconstitucional e ilegal, já que se choca com nossa Carta Magna ao desrespeitar o direito adquirido e a irretroatividade das leis tributárias. 3. Mérito: 3.1. Dos depósitos bancários: Os depósitos bancários, por si, não autorizam o lançamento, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizar disponibilidade de renda e proventos, não podendo por conseqüência caracterizar sinais exteriores de riqueza. A autoridade fiscal não demonstrou a utilização dos valores de depósito como renda auferida, como gastos incompatíveis com o rendimento declarado e como crescimento patrimonial injustificado; a legislação determina que o dever de prova é do fisco, devendo ser trazidas aos autos provas precisas, sob pena de submeter o contribuinte a graves injustiças. A movimentação financeira não traz nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda. Cita doutrina e jurisprudências do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. 3.2. Da inexistência de omissão: Os rendimentos declarados pelo impugnante e seus parceiros condôminos são plenamente compatíveis com os depósitos bancários levantados. Se forem somadas as receitas de todos os condôminos e os empréstimos rurais comprovados, o valor será próximo ao dos depósitos bancários realizados no ano: foi aceito Fl. 467DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 465 7 pela fiscalização que cada condômino teve um rendimento bruto da atividade rural no importe de R$ 177.171,32, devidamente declarado, que somado para todos os condôminos e seus cônjuges resulta em rendimento bruto de R$ 1.417.370,56, sendo o total de depósitos, segundo o próprio Termo de Constatação, de R$ 1.518.969,73; há ainda os empréstimos rurais, não podendo ficar esquecido também que em toda movimentação financeira existem cheques devolvidos e novamente depositados. 3.3. Do arbitramento: A legislação estabelece que o resultado tributável da atividade rural é a diferença entre a receita bruta menos custeio/investimentos; no entanto, admite outra forma de tributação, qual seja, o arbitramento, considerando como rendimento tributável a aplicação do coeficiente de 20% sobre a receita bruta total, que no caso em questão é mais benéfica ao contribuinte. 4. Do pedido: ao final, pede o cancelamento do auto de infração. O contribuinte não anexa documentos à sua impugnação. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: DECADÊNCIA. 1MPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei n° 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os Fl. 468DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 466 8 poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Cientificado em 13/11/2008 (fl.429), o Recorrente em 04/12/2008 postou via AR (Fls.456) o Recurso Voluntário (fls. 435 a 455), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o contribuinte não recorre da parte do acórdão da DRJ que manteve a omissão de rendimentos de atividade rural, no valor de R$7.700,06; restando em litígio apenas a omissão de rendimentos em razão dos depósitos bancários de origem não comprovada. O interessado argumenta, preliminarmente, decadência do direito de a Fazenda constituir créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1998. Cumpre destacar que a ciência do lançamento se deu em 19/11/2003 (fls. 368) e os depósitos considerados no lançamento ocorreram de janeiro a dezembro de 1998. Ora, o entendimento deste Conselho acerca da contagem de prazo decadencial em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada já se encontra pacificada na Súmula CARF nº 38, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do interessada que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Rejeito, dessa forma, a preliminar invocada. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 467 9 Quanto ao mérito, insurgese o interessado contra a presunção que embasa o lançamento. Entende que caberia ao Fisco comprovar a utilização dos valores dos depósitos tidos como não explicados como renda auferida. Insta frisar que a matéria em questão já vem sendo apreciada por este Conselho desde longa data e o entendimento pacificado encontrase, atualmente, sumulado. Assim, confiramse o disposto na Súmula CARF nº 26, que afasta a tese do recorrente: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Prossegue o contribuinte defendendo que os rendimentos declarados por ele e os demais condôminos justificam plenamente toda a movimentação financeira, não podendo ser alegado qualquer omissão de receita. Ainda aduz que, estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência perfeita de datas e valores. Reitero que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Entretanto, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados, o que não se verifica no presente caso. Na DIRPF sob exame (fls. 157/162), observase que os recursos declarados restringemse a receita bruta total da atividade rural de R$ 177.171,32, haja vista que o Fl. 470DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 468 10 rendimento tributável informado de R$ 27.734,20 corresponde ao resultado da atividade rural apurado pela diferença entre receita bruta da atividade rural e despesas de custeio e investimento. Aliás, o referido resultado (R$ 27.734,20) não foi aceito pela autoridade fiscal, eis que não considerou válido o livrocaixa apresentado. Por esse motivo, o rendimento tributável da atividade rural foi arbitrado à razão de 20% da receita bruta declarada (R$ 177.171,32), conforme o disposto no parágrafo 22 do artigo 18 da Lei 9.250/95, que resultou no valor de R$ 35.434,26 (Rendimento Arbitrado da Atividade Rural). Neste sentido, tendo em vista que a fiscalização tomou por base a receita bruta da atividade rural declarada, no importe de R$ 177.171,32, para proceder ao arbitramento do resultado da atividade rural sujeito à tributação, entendo que tais recursos restaram confirmados. Assim, foi tido como depósito não justificado do condomínio rural o importe de R$ 1.006.802,72 (um milhão, seis mil, oitocentos e dois reais e setenta e dois centavos), conforme planilha 06, que dividido entre os condôminos (oito), daria um valor de RS 125.850,34 (cento e vinte e cinco mil oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) para cada O recorrente admite que a parcela de R$ 64.020,87 (R$ 512.167,01 dividido por 8 condôminos) da referida receita da atividade rural já foi levada em conta pela fiscalização no que diz respeito aos depósitos bancários considerados justificados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, devese proceder a exclusão da parcela restante da receita da atividade rural declarada (R$ 113.150,45) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 125.850,34). Sobre a parcela que restar de depósitos de origem desconhecida (R$ 12.699,89), pede o recorrente a aplicação da legislação prevista para a atividade rural (tributação de 20% do montante). No seu inconformismo o suplicante alega, entre outras, que a única atividade que exerce é a de produtor rural. É de se levar em conta, que o nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular, a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Não tenho dúvidas, que muitos entendem, que somente é passível de tributação pelo regime especial (atividade rural) os valores omitidos que comprovadamente através da apresentação de documentação hábil e idônea, decorressem da atividade rural. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 469 11 Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como à jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão se vê que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural, e que as receitas/rendimentos declaradas decorrem desta. Da análise dos autos, principalmente da Declaração de Ajuste Anual do exercício questionado, se constata, que as origens de recursos do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, por mera presunção, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE Processo nº 10830.008808/200377 Acórdão n.º 2201002.849 S2C2T1 Fl. 470 12 O mesmo entendimento foi adotado em julgamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dos quais são exemplos aqueles materializados nos Acórdãos CSRF/04.00801 e CSRF/04.00802. Assim sendo e considerando as suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede à pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 473DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE
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Numero do processo: 11030.721954/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os órgãos públicos a alíquota foi alterada para 2%, consoante disposto no Decreto 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS).
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os órgãos públicos a alíquota foi alterada para 2%, consoante disposto no Decreto 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 19 54 /2 01 2- 61 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721954/201261 Acórdão n.º 2402004.767 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2008 a 13/2008. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 76/81), o fato gerador dos valores lançados decorre da remuneração paga ou credita aos segurados, oriunda da folha de pagamento. Informa que, para o CNAE 84116/00, correspondente à administração pública em geral, a alíquota para o RAT estabelecida inicialmente pelo Decreto nº 3.048/99 era de 1%. Os Decretos nº 6.042/07 e de nº 6.957/09 alteraram as alíquotas de algumas atividades. Assim a alíquota correspondente ao CNAE 841106/00 passou de 1% para 2% com o Decreto nº 6.042/07, e permanece mantido pelo Decreto nº 6.957/09. Essa alteração promovida pelo Decreto nº 6.042/07 passou a produzir efeitos a partir da competência 06/2007, portanto, o Município está obrigado a recolher à Seguridade Social as contribuições relativas ao RAT, conforme preceitua a Lei nº 8.212/91, à alíquota de 2%, conforme Anexo V do Decreto nº 6.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.042/07 e nº 6957/09, desde a competência 06/2007. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/10/2012 (fls. 01 e 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 97/104), alegando, em síntese, que: 1. o valor recolhido está correto, uma vez que a atividade preponderante deste é a administração pública, sendo que o risco de acidente de trabalho é leve, devendo ser de 1% o percentual a ser recolhido a título de RAT. Transcreve o art. 22 e incisos da Lei 8.212/91 e art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, para comprovar suas alegações; 2. salienta ainda que a alíquota para o RAT é apurada pela atividade preponderante da empresa nos termos da Sumula 351, da STJ, que define a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT). Desta forma, como os servidores públicos municipais desempenham atividades predominantemente burocráticas, o risco de acidente de trabalho é leve, devendo incidir, portanto, a alíquota correspondente de 1% e não 2% como quer a fiscalização; 3. insurgese ainda contra a aplicação da multa de 75% sobre as diferenças lançadas, tendo em vista que nos termos do artigo 202, §§ 5º e 6º do Decreto 3.048/99 RPS é de responsabilidade da empresa o Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 enquadramento na atividade preponderante, sendo que no caso de divergência a Receita Previdenciária deverá, previamente, orientar a empresa e notificála para recolher o RAT, conforme enquadramento anterior, ainda que a menor, sendo que somente após tal procedimento é que poderá haver lançamento e cobrança da multa; 4. ante o exposto entende que deva ser mantido o recolhimento para o RAT na alíquota de 1%, requerendo, então, a anulação do presente auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão 0354.658 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 110/116) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, acrescentou a alegação de que é incabível a aplicação da multa de 75%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Passo Fundo/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721954/201261 Acórdão n.º 2402004.767 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referentes à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente a existência de multa com caráter confiscatório e a inconstitucionalidade do Decreto no 6.042/2007, que alterou, para os órgãos públicos, as alíquotas do SAT/GILRAT (alíquota de 2% a partir de 06/2007) inseridas no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Após isso, passo ao exame de mérito. A Recorrente alega que deveria recolher os valores para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT) com base no grau de risco leve (alíquota de 1%), e não no grau de risco médio (alíquota de 2%) estabelecido após vigência do Decreto 6.042/2007. Tal alegação não será acatada, nos termos jurídicos a seguir delineados. Constatase que o Decreto 6.042, de 12/02/2007, publicado no Diário Oficial da União de 13/02/2007, com base na experiência estatística de acidentes do trabalho das diversas atividades econômicas exercidas pelas empresas no país, reviu e alterou a relação de atividades econômicas e os seus correspondentes graus de risco, modificando o mencionado Anexo V do Decreto 3.048/1999, alterando para mais ou para menos o grau de risco de inúmeras atividades e determinou que os novos graus de risco e alíquotas entrariam em vigor no 4º mês seguinte ao da sua publicação, ou seja, em junho de 2007. Em consonância com o Decreto 6.042/2007, para os órgãos públicos, Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 84116/00, a correspondente alíquota do SAT/GILRAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), a partir da competência 06/2007. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS) ANEXO V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) CNAE DESCRIÇÃO % NOVO 84116/00 Administração Pública em Geral 2% Com isso, a partir de junho/2007, inclusive, a Recorrente era obrigada a observar a alíquota de 2% para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT, conforme o novo grau de risco definido para sua atividade, contudo, continuou realizando os recolhimentos com base na alíquota anterior (1%). Nesse sentido, se antes a atividade da autuada integrava o grau de risco leve (1%), é porque assim as estatísticas indicavam. E se após 06/2007 o grau de risco deve ser médio (2%), evidentemente assim o é pois as estatísticas indicaram a majoração na quantidade de acidentes de trabalho neste ramo de atividade, justificandose a alteração. Dessa forma, a elevação da alíquota de 1% para 2% não é desprovida de legalidade, nem foi fixada de forma aleatória, discricionária ou com objetivo de enriquecimento ilícito, como quer a Recorrente, eis que a nova alíquota de 2% encontra seu fundamento no art. 22, inciso II e § 3o, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9 732, dei1.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721954/201261 Acórdão n.º 2402004.767 S2C4T2 Fl. 5 7 Com efeito, o dispositivo legal susomencionado estabelece que a alíquota do SAT/GILRAT a ser aplicada no cálculo contributivo é definida em relação à atividade preponderante exercida pelos segurados da empresa e o grau de risco (leve, médio e grave) presente no ambiente de trabalho. Ressaltarse que considera atividade preponderante a que ocupa, levandose em conta todos os estabelecimentos da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do art. 202, § 3°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, transcrito abaixo: Art. 202 (...) § 3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (g.n.) Acrescentase que, à luz do anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), é possível identificar qual o grau de risco atribuído à empresa, de acordo com o tipo de atividade laboral. Assim, considerando que a atividade desenvolvida pela Recorrente é de Administração Pública em Geral, foi correta a aplicação da alíquota de 2% (grau de risco médio) para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT. Cumpre esclarecer que essa alíquota de 2%, aplicável para os órgãos públicos, foi mantida na redação do Anexo V do Decreto 3.048/1999 (Regulamento de Previdência Social RPS), dada pelo Decreto 6.957, de 09/09/2009. Dessa forma, a alegação da Recorrente de que deveria usar alíquota de 1% (grau de risco leve) para o recolhimento do SAT/GILRAT não será acatada, eis que o arcabouço jurídicoprevidenciário não permite tal procedimento. Dentro desse contexto jurídico, resta destacar que o Decreto 6.042/2007, além de dar nova redação ao Anexo V do Regulamento da Previdência Social, alterando as alíquotas de RAT para determinadas atividades econômicas, também acrescentou a ele o artigo 202A, disciplinando a aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que assim dispõe: Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS) Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de PrevençãoFAP .(Incluído pelo Decreto n° 6.042, de 2007). § 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 2o Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) (...) § 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econôinicas – CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 6o O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação. (Incluído pelo Decreto n"6.042, de 2007). § 7o Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 8o Para a empresa constituída após janeiro de 2007, o FAP será calculado a partir de 1o de janeiro do ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 9o Excepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008. (Redação dada pelo Decreto no 6.957, de 2009) § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de Índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. (Incluído pelo Decreto no 6.957, de 2009) Ocorreu a divulgação do FAP em setembro de 2009, sendo que os seus efeitos tributários de redução, manutenção ou agravamento das alíquotas 1%, 2% ou 3% aplicamse a partir da competência janeiro de 2010, em obediência o que prescreve o § 6o do art. 202A do Regulamento da Previdência Social (RPS). A metodologia de cálculo do FAP foi aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), mediante Resolução MPS/CNPS n° 1.308, de 27 de maio de 2009, publicada no Diário Oficial da União DOU N° 106, Seção 1, do dia 5 de junho de 2009, e complementada pela Resolução MPS/CNPS n° 1.309, de 24 de junho de 2009, publicada no DOU N° 127, Seção 1, de 7 de julho de 2009. Conforme previsto na metodologia, o cálculo do FAP é realizado para a empresa, de forma concentrada, assim todos os estabelecimentos de uma empresa adotarão o mesmo FAP calculado para o CNPJ Raiz. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721954/201261 Acórdão n.º 2402004.767 S2C4T2 Fl. 6 9 O Decreto 6.957 de 09/09/2009, em seu Anexo V, promoveu a revisão de enquadramento de risco das alíquotas RAT, com aplicabilidade a partir da competência 01/2010, sendo, também a partir desta competência obrigatória a declaração do percentual ajustado na GFIP. As regras para o enquadramento no grau de risco estão na IN RFB N° 971/2009, art. 72, § 1o, e a alíquota RAT no ANEXO V do Decreto 6.957/2009. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. No que tange à alegação de que a imposição das multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória estaria incorreta, essa alegação não será acatada, pois foi aplicado o princípio da retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449/2008 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos (Anexo II do Relatório Fiscal) e à época da autuação (Anexo III do Relatório Fiscal), e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, para as competências 01/2008 e 11/2008, aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721954/201261 Acórdão n.º 2402004.767 S2C4T2 Fl. 7 11 contribuições devidas (item “5 – Da multa” do Relatório Fiscal). Isso ficou consignado no Relatório Fiscal nos seguintes termos: “[...] Diante do exposto, foi necessário apurar qual a multa mais benéfica para o contribuinte, para os lançamentos relativos às competências 01/2008 a 11/2008. Do comparativo de multas resultou a aplicação da multa de ofício (75%), ou seja, multa atual por ser mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no Anexo III. No Anexo II está demonstrada a apuração da multa prevista no §5°, art. 32, da Lei 8.212/91, utilizada no comparativo do Anexo III. A mesma multa de ofício de 75% foi aplicada também para os lançamentos relativos às competências 12 e 13/2008, conforme previsto no art. 35A da Lei n° 8.212/91, com redação da Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. [...]” Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (item “5 – Da multa” do Relatório Fiscal) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15956.000735/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Para efeito de qualificação da multa de ofício, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta específica. Mantém-se a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta fraudulenta e, a contrario sensu, reduz-se a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstância.
Numero da decisão: 1402-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, manter integralmente a exigência referente às receitas de comissões com multa de ofício no percentual de 150%, conforme tabela contida no bojo do voto condutor. Quanto ao restante da exigência: i) por maioria de votos, acolher a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL , para os fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2005; e, em relação ao PIS e à Cofins, para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2005. Vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que não a acolheu; e: ii) no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para efeito de qualificação da multa de ofício, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta específica. Mantém-se a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta fraudulenta e, a contrario sensu, reduz-se a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstância.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 7.668 1 7.667 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000735/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.048 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente M N CAMINHÕES DE SANTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Ementa:FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 07 35 /2 01 0- 00 Fl. 7668DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para efeito de qualificação da multa de ofício, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta específica. Mantémse a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta fraudulenta e, a contrario sensu, reduzse a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, manter integralmente a exigência referente às receitas de comissões com multa de ofício no percentual de 150%, conforme tabela contida no bojo do voto condutor. Quanto ao restante da exigência: i) por maioria de votos, acolher a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL , para os fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2005; e, em relação ao PIS e à Cofins, para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2005. Vencido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que não a acolheu; e: ii) no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 7669DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.669 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Retornaram os presentes autos a esta Delegacia de Julgamento, após cumprida a diligência solicitada por este Relator, por meio do Despacho de fls. 7.457/7.465, exarado em 03/11/2011, aprovado pelo Sr. Presidente desta Turma. Nesta oportunidade, adoto inicialmente o relatório que consta do referido despacho. Contra a contribuinte M N CAMINHÕES DE SANTI LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 1.889.134,79, para exigência de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, relativos ao anocalendário de 2005. Integra os referidos autos de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.418/3.458, ao qual me reporto para elaborar a seguinte síntese do trabalho da fiscalização DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. No ano calendário de 2005, a contribuinte fez a opção pela tributação com base no lucro presumido. 2. A fiscalização constatou que, enquanto a contribuinte informou na DIPJ do referido período receita bruta tributável de R$ 230.616,00, as Declarações de CPMF apresentadas à RFB por instituições financeiras indicam que a referida pessoa jurídica movimentou em suas contas correntes bancárias, no mesmo período, o montante de R$ 18.638.606,99. 3. Com o objetivo de verificar a mencionada diferença, a fiscalização lavrou termo de intimação fiscal, por meio do qual solicitou ao contribuinte a apresentação de livros e documentos, inclusive extratos bancários. 4. Após diversas reintimações, e tendo em vista que o contribuinte entregou apenas parcialmente os extratos bancários solicitados, a fiscalização, em 12/02/2010, emitiu, através de Solicitação de Emissão de RMF, diversas RMF a diferentes instituições financeiras. 5. Em 29/04/2010, foram emitidas RMF complementares, a fim de também solicitar às instituições financeiras informações sobre filiais da contribuinte sob ação fiscal. 6. As instituições financeiras apresentaram os documentos e informações solicitadas. 7. Em 01/06/2010, a autoridade fiscal expediu termo de reintimação fiscal, por meio do qual solicitou que a fiscalizada apresentasse planilha com os dados da compra e da revenda de veículos, com vistas a permitir que a Fiscalização analisasse Fl. 7670DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 os resultados obtidos com a revenda de veículos, ou seja, o valor da revenda menos o custo. 8. Somente em 09/11/2010, após nova reintimação, a contribuinte apresentou planilha contendo as informações referentes às compras e vendas de veículos, realizadas nos anoscalendário de 2005 a 2007. 9. Em 28/06/2010, a fiscalização intimou a instituição BV Financeira S/A Créd. Financiamento e Investimento a apresentar os seguintes elementos: 1)Planilha, em papel e em meio digital, contendo relação de todos os pagamentos efetuados à contribuinte fiscalizada M N CAMINHÕES DE SANTI LTDA, nos anos calendário 2005, 2006 e 2007, referentes aos financiamentos de veículos, vendidos pela mencionada empresa; 2) Cópia dos contratos referentes às transações relativas ao supracitado "Item 1"; 3) Cópia dos documentos comprobatórios referentes aos pagamentos efetuados, relativos às transações mencionadas no supracitado "Item 1". 10. A citada instituição apresentou a relação de todos os pagamentos efetuados no anocalendário de 2005 à contribuinte fiscalizada, a título de comissão de intermediação, informando, para cada contrato, o valor da comissão, o valor financiado, o tomador do financiamento, placa do veículo, dados do favorecido e a data do repasse dos valores. 11. Após análise e consolidação dos lançamentos bancários em contas correntes pertencentes à contribuinte fiscalizada, excluindose depósitos referentes a transferências entre contas correntes da própria fiscalizada, empréstimos, etc., a autoridade fiscal lavrou, em 06/10/2010, termo de intimação, por meio do qual solicitou à fiscalizada a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos referentes aos depósitos (relacionados em anexo), efetuados nas contas correntes bancárias (relacionadas), pertencentes à contribuinte fiscalizada, movimentadas nas instituições financeiras identificadas, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005. 12. Tendo em vista que a contribuinte não atendeu à intimação referida no item anterior, e em razão da necessidade de a fiscalização identificar os remetentes dos créditos bancários em contas correntes referentes ao anocalendário de 2005, foram emitidos novas RMF, após Solicitação de Emissão de RMF, dirigidas às diversas instituições financeiras. 13. As instituições financeiras apresentaram os documentos e informações solicitadas. 14. Em 03/11/2010, a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação Fiscal, por meio do qual relata em detalhes os procedimentos adotados até então, e reintima a contribuinte a comprovar a origem dos aludidos depósitos bancários. 15. Em 08/11/2010, a autoridade fiscal reintimou a contribuinte a comprovar a origem dos referidos depósitos bancários. 16. Em 30/11/2010, a autoridade fiscal, após a identificação de diversas pessoas (físicas e jurídicas) remetentes de créditos bancários em contas correntes pertencentes à fiscalizada, lavrou diversos termos de intimação fiscal, por meio do qual solicita às referidas pessoas a apresentação de documentação comprobatória dos respectivos pagamentos. 17. Referidas pessoas apresentaram declarações e documentos solicitados pela fiscalização. Fl. 7671DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.670 5 18. Atendendo solicitação da fiscalização, compareceram à repartição fiscal, em 17/12/2010, os sócios da contribuinte fiscalizada, Sr. Milton César de Santi e Sra. Luzia Aparecida de Santi, os quais prestaram as seguintes declarações, através do Termo de Declarações e Esclarecimentos, lavrado na mesma data: 1. Perguntado aos declarantes qual a sua função na contribuinte identificada, foi respondido que são sócios proprietários e são responsáveis pelo gerenciamento da empresa desde o ano de 1998. 2. Constatado por esta Fiscalização diversos lançamentos bancários em contas correntes pertencentes à M N CAMINHÕES, referentes á operações relativas a descontos de cheques. Perguntado aos declarantes qual a natureza dessas operações, foi respondido que eram oriundas de recebimentos de cheques pré datados referentes à vendas de caminhões. 3. Perguntado aos declarantes se as comissões pagas pelas financeiras referemse somente aos veículos revendidos pela M N CAMINHÕES, foi respondido que sim, que as comissões eram pagas pelos negócios efetuados exclusivamente pela M N CAMINHÕES, e que não havia indicação às financeiras de veículos vendidos por outras revendedoras de veículos. 4. Perguntado aos declarantes quais eram as suas contas correntes bancárias no anocalendário de 2005, foi respondido pelo Sr. Milton César de Santi que no Banco do Brasil era n° 23.2319, Agência 1210, e que tinha no Bradesco também, porém, não lembra do número, e que irá informar posteriormente. Conforme os declarantes, a maioria das transferências bancárias eram da conta do sócio Milton. 5. Constatado por esta Fiscalização que a Sra. Camila Pavan Saggiori, CPF 219.081.32809, adquiriu o caminhão placa BWH 8300, em 18/10/2005, pelo valor de R$ 58.000,00, porém, foram efetuados vários depósitos bancários cujo valor total supera em muito o valor do caminhão adquirido. Perguntado aos declarantes quem é a Sra. Camila Pavan Saggiori, e o porquê dos depósitos acima do valor do veículo, foi respondido que a Sra. Camila é cunhada do sócio Milton César de Santi, casada com o Sr. Leandro de Santi, e que os depósitos efetuados precisariam ser verificados. 6. Constatado por esta Fiscalização que, para alguns veículos financiados, o valor dos repasses dos financiamentos eram depositados, pelas financeiras, em contas bancárias pertencentes à M N CAMINHÕES, porém, não houve notas fiscais das respectivas saída. Perguntado aos declarantes como eram efetuadas essas transações, foi respondido que existiram efetivamente essas operações, sendo vendidos os veículos sem registro na contabilidade. 7. Perguntado aos declarantes se haveria alguma informação a acrescentar, foi respondido que não. 19. O agente fiscal, após reunir todos os extratos bancários, relativos ao ano calendário de 2005, referentes às contas correntes bancárias pertencentes à fiscalizada, e após excluir os lançamentos de transferência de valores entre contas correntes pertencentes à própria fiscalizada, de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras, bem como aqueles relacionados na Tabela 3, elaborou a Tabela 2, onde constam todos os créditos bancários, cuja comprovação da origem foi solicitada à fiscalizada, através de intimação e reintimação, porém, nenhum documento foi apresentado. 20. Na referida Tabela 2, a autoridade fiscal segregou, mês a mês, os créditos bancários em três grupos: (1) referentes a receitas de vendas de veículos usados apuradas pela fiscalização; (2) referentes a receitas de comissão em financiamentos; e (3) de origem não comprovada. 21. No primeiro grupo, a fiscalização identificou alguns veículos revendidos pela fiscalizada, ou sem nota fiscal de saída, ou por valor menor que o real. Todos os veículos identificados estão informados, através da placa, na última coluna da Tabela 2. 22. No segundo grupo, a fiscalização considerou os pagamentos efetuados à fiscalizada pela instituição financeira BV Financeira S/A Créd. Financ. e Invest. (Na Tabela 2 foram relacionados tais lançamentos bancários, agrupados mensalmente). Fl. 7672DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 23. Constatou também a fiscalização, a partir da relação das comissões pagas à fiscalizada, enviada pela instituição financeira BV Financeira, que os repasses de financiamentos foram efetuados, em sua maioria, em contas correntes de terceiros. 24. Assim, considerando as declarações prestadas pelos sócios da fiscalizada, de que todas as comissões constantes daquela relação referiamse a vendas de veículos efetuadas pela própria fiscalizada, concluiu o agente fiscal que muitos negócios são feitos sem que a contribuinte fiscalizada tenha seu nome envolvido nas negociações. 25. Para demonstrar que a contribuinte reiteradamente vendeu veículos usados por valor inferior ao de mercado, o agente fiscal se utilizou da tabela de referência da FIPE para obter o preço médio de cada veículo, a partir do modelo e do ano de fabricação. 26. Para tanto, a autoridade fiscal elaborou quadro exemplificativo, com base nas notas fiscais de saídas, emitidas pela contribuinte fiscalizada, em 17 veículos, 1/3 da quantidade contabilizada, pela fiscalizada, no anocalendário de 2005. 27. Somente para os veículos que a fiscalização pôde verificar, através da intimação a menos de 5% dos remetentes dos valores em contas correntes pertencentes à fiscalizada, a diferença de valor encontrada entre a tabela FIPE e aqueles constantes de notas fiscais emitidas, foi de R$ 5.173.258,00, conforme demonstração na Tabela 7. 28. A partir de um caso concreto de divergência entre o valor da nota fiscal emitida pela fiscalizada e o valor efetivamente pago e declarado pelo comprador do veículo usado, a fiscalização constatou que a relação entre o preço comercializado (R$ 73.000,00) e o preço médio de mercado (R$ 83.000,00) era de 90 %, mas considerou esse percentual aceitável. 29. Informou o agente fiscal que os valores referentes aos lançamentos bancários descritos como "pagamento de comissões" foram considerados receitas, apuradas na forma do art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998 e dos artigos 1º a 3º da Instrução Normativa SRF nº 152, de 1998, para fins da aplicação do respectivo coeficiente de 32%. 30. Além disso, foram considerados como consignação, sujeitos à aplicação do coeficiente de 32%, os resultados das vendas de veículos dos quais foram apresentadas as respectivas notas fiscais de entrada e saída. 31. Constatou a autoridade fiscal que a contribuinte aplicou o coeficiente de 8% sobre o resultado das vendas sob consignação durante todo o anocalendário de 2005, mas, a partir do 3° trimestre de 2006, alterou o coeficiente para 32%. Portanto, a contribuinte fiscalizada sabia que deveria ter aplicado o correto coeficiente (32%), não retificando, posteriormente, as respectivas Declarações DIPJ e DCTF, referentes ao anocalendário de 2005. 32. Quanto aos depósitos bancários, cuja origem a contribuinte, intimada e reintimada pela fiscalização, não logrou comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, foram considerados como receitas omitidas, por presunção legal prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, e sobre tais receitas foi aplicado o coeficiente geral de 8,0%, para fins de determinação do lucro presumido. 33. A fiscalização elaborou as seguintes Tabelas, a fim de melhor demonstrar as receitas brutas apuradas (a indicação das folhas referese ao processo antes da digitalização): Fl. 7673DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.671 7 • Tabela 1: Vendas Contabilizadas sob Consignação (fls. 3330 a 3332); • Tabela 2: Relação dos Depósitos/Créditos Bancários (fls. 3333 a 3351); • Tabela 3: Revendas de Veículos não contabilizadas (fls. 3352 a 3354); • Tabela 4: Relação dos depósitos bancários excluídos (fls. 3355 a 3358); • Tabela 5: Valor total da Prestação de Serviço e Vendas sob Consignação (fl. 3359); • Tabela 6: Demonstrativo da Omissão de Receitas (fl. 3360); 34. Em face da apuração de omissão de receitas, o agente fiscal efetuou o lançamento de ofício para a exigência de IRPJ, CSLL, contribuição para o Pis e Cofins, aplicando multa de ofício de: (1) 150% sobre as receitas de prestação de serviços e de consignação; (2) 150% sobre as receitas de vendas em geral (não consignação); e (3) 75% sobre as receitas referentes aos depósitos de origem não comprovada (75%). 35. A autoridade fiscal justificou a qualificação da multa de ofício: Houve FRAUDE, fruto da ação dolosa, na evidente tentativa de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, utilizandose do artifício doloso de revender veículos usados sem emissão de notas fiscais de entradas e nem de saída, vendas por valor abaixo da real transação comercial, transferências de documentação diretamente do antigo proprietário para o novo, ocultando a transação de venda, fatos amplamente comprovados neste Processo Administrativo. 36. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. II. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada com a autuação que lhe foi imposta, a contribuinte deu entrada com a impugnação de fls. 3.513/3.540, por meio da qual sustenta, em síntese, as seguintes razões de defesa. II.1. Da nulidade do auto de infração em razão da inconstitucional quebra do sigilo bancário: Protesta a suplicante pela declaração de nulidade absoluta dos autos de infração, o que implicaria o seu cancelamento, por entender que houve violação perpetrada pela fiscalização fazendária federal contra direitos e garantias fundamentais á intimidade e ao sigilo de dados (artigo 5.°, incisos X e XII, CF), ao requisitar e obter extratos bancários sem autorização judicial. Em apoio ao seu entendimento, citou doutrina e apontou precedentes judiciais, inclusive recente decisão do E. Supremo Tribunal Federal no RE 389.808. II.2. Da decadência para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário: Sustenta a impugnante já houve decadência com relação a todos os créditos tributários referentes ao anocalendário de 2005, porquanto já transcorridos mais de cinco anos entre a data dos fatos geradores e a data em que lavrados e comunicados os autos de Infração em face da empresa. Fl. 7674DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Com apoio em entendimento doutrinário, assevera que a regra do § 4 ° do art. 150 do CTN é regra especial relativamente à do art. 173, I, do mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral, não havendo que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos. II.3. Do equívoco do agente fiscal na apuração do crédito tributário: Caso superadas as preliminares argüidas, pleiteia a contribuinte o cancelamento do auto de infração em razão da incorreta apuração da base de cálculo utilizada para a apuração dos créditos tributários, ou ao menos a exclusão da base de cálculo do auto de infração de alguns valores de créditos em conta corrente da autuada que não ensejaram a ocorrência dos fatos geradores dos tributos exigidos, ou simplesmente foram computados em duplicidade para efeito de tal cobrança. Segundo a impugnante, a fiscalização, ao examinar os extratos bancários da empresa, requisitados das instituições financeiras, não excluiu todos os créditos que constituem simples transferências entre contas correntes da empresa, bem como todos os repasses de numerários de sócios (a título de empréstimo em prol da empresa), valores este que não configuram receita da empresa. De acordo com a suplicante, a fiscalização também incluiu nos valores de receita de cheques que foram devolvidos (por não apresentarem provisão de fundos), além de outros valores que foram estornados e que, por tal razão, não podem ser incluídos na base de cálculo dos tributos cobrados. 9 Assevera a impugnante que elaborou planilhas (anexas) informando quais os valores que não devem ser incluídos na base de cálculo dos tributos, a partir dos documentos que a empresa conseguiu obter dentro do prazo para apresentar a impugnação. Ressalva a contribuinte que “(...) os documentos que embasam as planilhas juntadas (extratos bancários) não trazem todos os valores erroneamente considerados pela fiscalização fazendária e que devem ser expurgados, haja vista que, diante da demora das instituições financeiras em fornecêlos, ainda existem outros extratos a serem analisados e juntados aos autos, bem como outros valores que também deverão ser excluídos da base de cálculo apurada. Tais extratos, bem como as planilhas que os analisarem, serão juntados no andamento do presente feito.” II.4. Do direito ao regime tributário do artigo 5° da Lei n° 9.716, de 1998. Insurgese a contribuinte contra o entendimento da fiscalização, na lavratura do auto de infração, que não considerou a aplicação do regime tributário do artigo 5° da Lei n° 9.716, de 1998, sobre todas as receitas oriundas dos resultados de todas as vendas ocorridas no anocalendário de 2005. Segundo a impugnante, o artigo 5°, parágrafo único, da Lei n° 9.716, de 1998, não estabelece outros requisitos para o gozo do regime tributário ali disciplinado, pois referido dispositivo apenas prevê uma obrigação tributária meramente acessória, a qual, conforme a melhor doutrina, que cita, figura como dever instrumental, com existência independente do cumprimento da obrigação tributária principal e cujo eventual descumprimento jamais poderia impedir a empresa de continuar a fazer jus ao regime de tributação a que se aplica às às vendas em consignação. II.5. Da inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430 Para a contribuinte, não é possível a fiscalização se utilizar do artigo 42 da Lei n.° 9.430, de 1996, para aplicar presunção de omissão de receitas, com base em movimentações bancárias da empresa. Fl. 7675DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.672 9 Reportase a suplicante à Súmula 182 do extinto TFR para concluir que devem existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção, mesmo porque os valores detectados podem ter sido originados de receitas não operacionais ou até mesmo de receita já tributada. Segundo a impugnante quando o Estado se utiliza das presunções legais, instrumento jurídico que se encontra no campo das provas, na teoria geral do direito, para lhe obrigar ao pagamento de tributos, prescindindo de elementos outros, necessários ao nascimento da relação jurídica obrigacional de índole tributária, está em franca contradição com o direito. Sustenta a contribuinte que a aludida norma viola os princípios da segurança jurídica e da razoabilidade, e que não seria razoável impor amplas restrições a princípios constitucionais, como o da privacidade, diante da quebra do sigilo bancário, distorcendose a estrutura de um instituto jurídico. II.6. Da inexistência de dolo ou fraude por parte da contribuinte Pleiteia a suplicante seja excluída a incidência da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), por entender que restaram descaracterizados dolo e fraude por parte da empresa, ou, de forma subsidiária, ao menos seja aquela reduzida para o patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Segundo a impugnante, não houve, por parte da empresa, impedimentos ou retardamentos da ocorrência do fato gerador, na medida em que agiu plenamente respaldada na legislação vigente, que lhe dispensa a exibição de notas fiscais de entrada e de saída. Cita a Súmula nº 25 do CARF que, no seu entender, não autorizaria a qualificação da multa de ofício em hipótese como a dos autos. II. 7. Do pedido de produção de provas Protesta, por fim, a contribuinte, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a juntada de outros documentos no curso do presente processo. III. DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Nesse cenário, este Relator, preliminarmente, registrou, no aludido despacho de diligência, que detectara as seguintes falhas durante a digitalização deste processo: (1) os documentos de fls. 1001 a 1200 foram digitalizados em duplicidade, formando dois volumes após sua digitalização; e (2) os documentos de fls. 2.401 a 2.600 deixaram de ser digitalizados, e portanto não são visualizados nestes autos de processo digital. Quanto ao mérito do litígio, ressaltei, naquela oportunidade, que o contribuinte juntou, com a peça de impugnação, seis planilhas e dezenas de documentos (fls. 3.552/3.687), com o intuito de comprovar a origem de certos depósitos bancários, sob a alegação de que constituem simples transferências entre contas correntes da empresa, repasses de numerários de sócios, valores de receita de cheques que foram devolvidos, além de outros valores que foram estornados. Fl. 7676DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Consignei também que, uma análise preliminar dos primeiros desses documentos, na ordem em que apresentados, permitia a este julgador constatar que os mesmos se referem a valores que foram objeto de lançamento. Não obstante, ressalvei que tais documentos não forneciam a necessária segurança para serem acolhidos por este órgão julgador, seja pela não comprovação de sua autenticidade, seja porque alguns não identificam o correntista e/ou a conta corrente, entre outras. Assim, propus, na ocasião, a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que 1) a repartição de origem corrigisse as falhas apontadas na digitalização do processo; e 2) a autoridade fiscal examinasse os mencionados documentos, promovendo ainda as diligências que entendesse cabíveis, devendo: (a) elaborar relatório circunstanciado, emitindo parecer sobre os possíveis efeitos dessas provas nos lançamentos fiscais, fazendo referência às folhas do processo, justificando porque atendem ou deixam de atender as prescrições legais para a comprovação da origem dos depósitos bancários; (b) elaborar, se for o caso, novas planilhas de cálculo dos tributos devidos; (c) juntar outros termos e documentos que entender pertinentes. IV. DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA Após corrigida a falha apontada na digitalização do processo, a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP) promoveu a diligência requerida por este Relator e, ao final, elaborou o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 7.543/7.548), no qual se manifesta pelo acolhimento parcial das provas anexadas à impugnação. V. DAS CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE AUTUADA Cientificada do teor do mencionado Termo de Encerramento de Diligência, a contribuinte, na peça de fls. 7.551/7.570, pede a confirmação das conclusões do agente fiscal na parte em que este acolheu as provas carreadas aos autos com a peça de impugnação. Não obstante, discorda a suplicante quanto à conclusão fiscal em relação às provas apresentadas no item da impugnação “DOCUMENTO 05 – PLANILHA V – CHEQUES DESCONTADOS, MAS DEVOLVIDOS” (fls. 3609 a 3613). Ao final, reitera as demais razões de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília prolatou o Acórdão 0353.400 por meio do qual acolheu o resultado da diligência e nesses moldes considerou parcialmente procedente a impugnação. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso a este Colegiado, ratificando as razões expedidas nas peças impugnatórias. É o Relatório. Fl. 7677DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.673 11 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual deles conheço. Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade da autuação em função do que teria sido a quebra ilegal do sigilo bancário. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) Fl. 7678DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. No que se refere à suposta nulidade das declarações prestadas pelos sócios, entendo que não merece crédito. O trabalho de investigação executado pela Fiscalização corresponde à fase inquisitória do processo de determinação e exigência do crédito tributário, oportunidade na qual a autoridade lançadora analisa declarações, documentos, livros contábeis e fiscais, além de coletar elementos probatórios que possam comprovar a ocorrência do suporte fático previsto na norma tributária. Nessa fase é perfeitamente legítima a coleta de depoimentos, tanto de representantes da pessoa jurídica fiscalizada como de terceiros, com vistas a subsidiar o procedimento e, muitas vezes, esclarecer situações de forma mais favorável ao administrado. Quanto ao mérito da autuação, a interessada pleiteia a aplicação do regime tributário previsto no art. 5º, da Lei nº 9.716/98 em relação a todas as vendas realizadas pela recorrente. Como bem esclarecido no Termo de Verificação Fiscal, não haveria como ter certeza de que os depósitos tributados estariam vinculados a operações equivalentes à consignação pela ausência de comprovação dos custos respectivos, tendo em vista que a recorrente não prestou os esclarecimentos requeridos nesse sentido. No que se refere ao pleito para exclusão na base tributável dos cheques descontados que foram devolvidos, entendo que a decisão recorrida bem enfrentou a questão. De fato, a apropriação da receita segue o regime de competência e independe do pagamento imediato. Para exclusão do respectivo valor no resultado caberia a demonstração de que a operação a que se refere foi cancelada. A recorrente sustenta ainda a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A argüição de inconstitucionalidade da norma supra mencionada não pode ser aqui analisada por incompetência dessa Corte. A Súmula CARF nº 2 é cristalina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Relativamente à multa qualificada, foi imputada sobre a omissão de receita decorrente de prestação de serviços e consignação e receitas de venda em geral. A infração decorrente de depósitos de origem não comprovada foi apenada com multa de 75%. Sendo assim, a princípio a autoridade lançadora procedeu nos moldes que partilho, ou seja, para efeito de aplicação da qualificada cada infração deve ser analisada como resultado de uma conduta específica. Para justificar a imputação da exasperadora, a Fiscalização assim se pronunciou: Fl. 7679DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.674 13 [....] Houve FRAUDE, fruto da ação dolosa, na evidente tentativa de Impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, utilizandose do artifício doloso de revender veículos usados sem emissão de notas fiscais de entradas e nem de saída, vendas por valor abaixo da real transação comercial, transferências de documentação diretamente do antigo proprietário para o novo, ocultando a transação de venda, fatos amplamente comprovados neste Processo Administrativo. [....] As tabelas mencionadas nas próximas linhas estão nas seguintes folhas dos autos (Volume 17): • Tabela 1: Vendas Contabilizadas sob Consignação (fls. 3330 a 3332); • Tabela 2: Relação dos Depósitos/Créditos Bancários (fls. 3333 a 3351); A Tabela 2 retificada pela decisão recorrida está às fls. 7518/7539; • Tabela 3: Revendas de Veículos não contabilizadas (fls. 3352 a 3354); • Tabela 4: Relação dos depósitos bancários excluídos (fls. 3355 a 3358); • Tabela 5: Valor total da Prestação de Serviço e Vendas sob Consignação (fl. 3359); • Tabela 6: Demonstrativo da Omissão de Receitas (fl. 3360); A Tabela 6 retificada pela decisão recorrida está às fls. 7540 De imediato, entendo que a descrição supra é inaplicável sobre o resultado da venda em consignação (Tabela 1 em detalhe e Tabela 5, em resumo) pois tratamse de operações escrituradas. A receita não foi oferecida à tributação e como tal merece ser tributada, mas a apuração partiu de elementos constantes dos registros da empresa. Não vejo como caracterizar a fraude. Por outro lado, a conduta em foco aplicase, em primeiro lugar, à omissão de receita decorrente da venda de veículos financiados com valores repassados a terceiros e não escriturados e às respectivas comissões. Nesse caso, o uso de interpostas pessoas caracteriza o procedimento da ocultar da autoridade a ocorrência do fato gerador, o que justificaria a imputação da multa qualificada. Os valores em questão são aqueles indicados na tabela 6B (fl. 3.360) coluna (c) “Receitas de Vendas – Valores Financiados repassados a Terceiros e não escriturados”. Quanto às comissões, estão elencadas na Tabela 5 (fl. 3359) coluna “Prestação de Serviços Comissão”. Ressaltese que devem ser levadas em consideração as alterações decorrentes do procedimento de diligência. Na mesma linha, merecem análise os depósitos bancários que foram identificados e tributados como “Receita de Vendas “ (Tabela 2). Constam vários lançamentos que a Fiscalização em diligência junto a terceiros conseguiu relacionar a operação de venda específica, ou seja, obtevese a prova material da realização da operação sem registro na escrituração,sem emissão de nota fiscal ou com emissão desse documento em valor inferior ao Fl. 7680DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 da operação. Aqui também o procedimento fraudulento de ocultação do fato gerador está patente. Ainda no que se refere a “Receita de Vendas” (Tabela 2), os demais depósitos não foram vinculados a operações específicas. A Fiscalização afirmou que se referiam a receitas de revenda de caminhões com base em depoimento prestados pelos sócios gerentes. Em momento anterior deste voto manifesteime no sentido de que não houve qualquer ilicitude no procedimento de colheita da declaração em questão. Por outro lado, penso que a Fiscalização deulhe uma amplitude além do conteúdo para justificar a imputação da qualificadora. A admissão pelos sóciosgerentes de que a operações de “descontos de cheques”e “cheques descontados” se referiam a revenda de mercadorias não descaracteriza o caráter presuntivo da apuração fiscal, pois desacompanhada de procedimento de verificação específica, nos moldes realizados para outras operações. Sendo assim, não vejo justificativa para a qualificação da multa em relação a esses valores. Em resumo, encaminharia meu voto no sentido de manter a qualificação da multa apenas em relação aos depósitos referentes às vendas sem notas fiscais ou com notas emitidas em valor inferior à operação e para as receitas de venda com valores repassados a terceiros e não escriturados e respectivas comissões. Quanto às comissões, a aplicabilidade do meu entendimento é imediata a partir da Tabela 5. Entretanto, para as demais infrações, a forma como procedeu a autoridade lançadora na apuração da base tributável torna impossível a apuração nos moldes aqui decididos. Explico, a partir da Tabela 6. Tomandose com o exemplo o mês de fevereiro de 2005, o Fisco considerou como “Receita de Vendas Apuradas” o valor de R$ 234.000,22 e como “Receita de Vendas – Valores Repassados a Terceiros e não escriturados” o montante de R$ 343.000,00, O total de receita de vendas seria R$ 577.000,22. A parcela de R$ 343.000,00 seria imputada com multa de 150%. Através da Tabela 2, constatase que também caberia a exasperadora na venda efetuada a Marcos Jose Freire em 16/02/2005, no valor de R$ 64.000,00. Assim, a meu ver, no mês em questão a base tributável seria R$ 577.000,22; sendo R$ 177.000,22 (234.000,22 – 64.000,00) com multa de 75% e R$ 407.000,00 (343.000,00 + 64.000,00) com multa de 150%. Quando da apuração da base tributável , conforme indicado na Tabela 6, a autoridade lançadora considerou como valor tributável apenas a diferença entre a omissão apurada (R$ 577.000,22) e a receita de vendas em consignação escriturada (R$ 150.000,00), ou seja,R$ 427.000,22. Essa exclusão não me parece correta pois, em primeiro lugar, é óbvio os valores das vendas em consignação não estão incluídos naqueles repassados a terceiros e não escriturados. Em segundo lugar, inexiste qualquer elemento de prova indicando que estariam contidos dentro da Receita de Vendas Apuradas. Portanto, o certo seria a tributação integral daquele montante (R$ 577.000,22). Fl. 7681DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.675 15 O procedimento do Fisco, irreversível pela impossibilidade de decisão mais onerosa do que a autuação, não permite que se desdobre o valor tributável por ele apurado (R$ 427.000,22) para registrar qual parcela corresponderia ao montante de R$ 407.000,00 (multa de 150% ) e qual se referiria ao valor de R$ 177.000,22 (multa de 75%). Para isso terseia que adotar uma proporcionalidade empírica sem base legal, ainda que imbuída de critérios lógicos. Sendo assim, voto por reduzir a multa ao percentual de 75%, também para essa exigência. Do até aqui exposto, a multa de 150% deve ser mantida apenas para a omissão de receitas de comissões conforme tabela abaixo, elaborada a partir da Tabela 5 contida no Termo de Verificação: MÊS DE 2005 Resultado da consignação (75%) Comissão (150%) Total trimestral (75%) Total trimestral (150%) JANEIRO 0,00 13.906,23 FEVEREIRO 5.000,00 18.681,51 MARÇO 8.000,00 7.867,33 13.000,00 40.455,07 ABRIL 7.500,00 4.255,20 MAIO 0,00 1.654,80 JUNHO 6.000,00 3.782,40 13.500,00 9.692,40 JULHO 33.000,00 3.758,76 AGOSTO 20.500,00 0,00 SETEMBRO 56.316,00 20.968,68 109.816,00 24.727,44 OUTUBRO 28.000,00 9.042,30 NOVEMBRO 37.000,00 1,475,40 DEZEMBRO 25.300,00 20.212,20 90.300,00 30.729,90 Quanto à decadência, a 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que, para os tributos em questão, na ausência de pagamento deve se proceder à contagem do prazo decadencial sob a regra do inciso I, do art. 173, do CTN (destaques acrescidos). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 7682DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 7683DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15956.000735/201000 Acórdão n.º 1402002.048 S1C4T2 Fl. 7.676 17 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. No presente caso, a ciência da autuação ocorreu em 23/12/2010. A decisão manteve a multa qualificada em relação à omissão das receitas de comissões, conforme explicitado na tabela acima. Nesse caso a contagem do prazo decadencial segue a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, com termo inicial para contagem do prazo decadencial em 02/01/2006 (para o três primeiros trimestres de 2005, quanto ao IRPJ e CSLL, e para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2005, quanto ao PIS e à Cofins). O termo final seria 02/01/2011, não se caracterizando a decadência. Para as demais infrações, as fls. 34/147 indicam a ocorrência de pagamentos parciais. Aplicase o prazo do § 4º , do art. 150 do CTN o que implica, na caducidade dos fatos geradores anteriores a 23/12/2005. Para o IRPJ e CSLL foram atingidos pela caducidade os fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2005. Em relação ao PIS e à Cofins, ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2005, inclusive. Em resumo do voto, dou provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: Manter a exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para todo o ano calendário, em relação aos valores referentes às Comissões, conforme a 2ª e a 4ª colunas da tabela contida neste voto, com multa de 150% nos termos ali indicados; Quanto ao restante da exigência, excluir da base tributável por decadência os valores correspondentes ao 1º,2º e 3º trimestres de 2005 ( em relação ao IRPJ e à CSLL) e para os fatos geradores até 30/11/2005 (em relação ao PIS e à Cofins). Os valores concernentes ao 4º trimestre de 2005 (em relação ao IRPJ e à CSLL) e ao fato gerador ocorrido em 31/12/2005 (em relação ao PIS e à Cofins), devem ser mantidos com multa de 75%. É como voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 7684DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 Fl. 7685DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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