Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.938419/2009-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL.
Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL. Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.938419/2009-24
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888356
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.273
nome_arquivo_s : Decisao_10680938419200924.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10680938419200924_5888356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7382727
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585231523840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 38 1 37 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.938419/200924 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.273 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 10 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente TBRASIL DISTRIBUIDORA ELETRO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL. Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 84 19 /2 00 9- 24 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10680.938419/200924 Acórdão n.º 3002000.273 S3C0T2 Fl. 39 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 12.527,59, relativo ao período de apuração abril/2003, com débitos de IRPJ (fls. 10 a 14). Por meio de Despacho Decisório à fl. 9, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte decidiu não homologar compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que possuía créditos de PIS/Cofins a compensar no valor de R$ 162.624,42, relativos ao período de 11/2002 a 03/2004, e que cometeu o lapso de não retificar a DCTF, o que foi sanado após o Despacho Decisório (fl. 2). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 42.882 (fls. 18 a 20), por meio do qual decidiu pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade. A DRF de origem não homologou a compensação porque, do Darf de R$ 16.427,38 informado no PER/Dcomp deste processo, R$ 3.899,79 foram utilizados para quitar débito de Cofins e R$ 12.527,59 foram utilizados em compensação no PER/Dcomp 11038.05167.180507.1.3.045666, que não integra o presente processo. Da consulta aos sistemas da Receita Federal, a DRJ constatou que haviam sido utilizados, de fato, R$ 12.496,94, restando R$ 30,65 para a compensação nestes autos. Ressaltouse no voto que não foram analisados outros PER/Dcomps, além dos dois citados. Em relação a retificação da DCTF, informa a DRJ que a unidade de origem considerou o valor retificado do débito de Cofins em sua decisão denegatória. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NA EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Os equívocos cometidos quando da emissão do Despacho Decisório devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequarse à realidade dos fatos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10680.938419/200924 Acórdão n.º 3002000.273 S3C0T2 Fl. 40 3 O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 29/04/2013, conforme AR (fl. 25), e protocolizou seu recurso voluntário em 22/05/2013, conforme carimbo na página inicial da peça recursal (fl. 26). Em seu Recurso Voluntário (fls. 26 a 29), o contribuinte informa que, anteriormente a esta declaração de compensação, utilizou o pagamento a maior de Cofins para compensar débito de IRPJ no valor R$ 53.902,80. Como a compensação não foi homologada, a DRF exigiu o pagamento, que foi realizado por meio de Darf, que teria sido anexado aos autos. A recorrente afirma que na compensação do presente processo informou o crédito objeto da decisão denegatória por entender que, uma vez não aceito na primeira compensação, estaria disponível para compensações posteriores. Prosseguindo em sua argumentação, afirma que em momento algum a Fazenda Nacional questionou a existência do crédito, sua origem ou legalidade, donde se conclui que os créditos existem e estão disponíveis. Entende que há equívoco ao se considerar como débito total o valor de R$ 3.899,79 declarado na DCTF somado ao outro débito do PER/Dcomp e exigido por meio do processo 10680.938679/200908. Por fim, conclui que “se há informação de compensação, pagamento e retificação da DCTF não podem os valores serem somados para nova cobrança” e que a compensação não pode ser negada sob a alegação de que o débito declarado e o valor efetivamente pago estavam corretos. O Recurso foi instruído apenas com atos constitutivos e de representação da empresa. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Ao longo deste processo, diante da decisão que nega a compensação por não haver mais crédito disponível para esse fim, o contribuinte se limitou a trazer explicações e alegações, mas nunca produziu qualquer prova. É cediço que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10680.938419/200924 Acórdão n.º 3002000.273 S3C0T2 Fl. 41 4 E a demonstração dessa certeza e liquidez está a cargo de quem pleiteia. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é pacífico que a prova do direito é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, em relação ao montante nãoreconhecido pela DRJ, nada há a acrescentar, pois as alegações trazidas para este julgamento pela recorrente em nada alteram a apreciação da matéria – permanece sem comprovação a existência do crédito que se pretende compensar. Todavia, há que se abordar o fato de o contribuinte pretender reutilizar um crédito que já havia sido objeto de compensação não homologada, pelo mesmo motivo que a compensação destes autos: utilização para quitação de outros débitos. Tal procedimento é vedado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, transcrito na versão vigente quando da transmissão do PER/Dcomp: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifado) Em relação à argumentação de que haveria equívoco na apuração dos débitos, com fundamento em informações constantes em outro processo administrativo, que não teve suas peças relevantes juntadas a estes autos pela recorrente, não há o que comentar. Cabe ao contribuinte instruir seu recurso com a documentação que julgue apropriada para esclarecer e convencer o julgador de seu direito creditório. Em não se ocupando de seu encargo, nada há a apreciar. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10680.938419/200924 Acórdão n.º 3002000.273 S3C0T2 Fl. 42 5 Pelo exposto, diante da ausência de provas e da vedação legal para efetuarse a compensação na forma pretendida pela recorrente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.901578/2016-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
SALDO NEGATIVO DE IRPJ ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO.
Integram o saldo negativo de IRPJ as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. A conselheira Eva Maria Los apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 SALDO NEGATIVO DE IRPJ ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO. Integram o saldo negativo de IRPJ as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.901578/2016-15
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878064
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.279
nome_arquivo_s : Decisao_13971901578201615.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 13971901578201615_5878064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. A conselheira Eva Maria Los apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7359175
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585242009600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 951 1 950 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.901578/201615 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.279 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2018 Matéria Saldo Negativo de IRPJ Compensação Recorrente BUNGE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 SALDO NEGATIVO DE IRPJ ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO. Integram o saldo negativo de IRPJ as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. A conselheira Eva Maria Los apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 15 78 /2 01 6- 15 Fl. 951DF CARF MF 2 Relatório BUNGE ALIMENTOS LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0373.076, de 09/02/2017, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que julgou improcedente a menifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Tratam os autos de declarações de compensação transmitidas eletronicamente com base em créditos decorrentes de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (Exercício 2012 01/01/2011 a 31/12/2011). O PER/DCOMP com demonstrativo de crédito é o de nº 16211.23162.301014.1.2.023804. Analisadas as informações prestadas e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, não ficou demonstrada a totalidade das parcelas de “Demais Estimativas Compensadas” declaradas pela contribuinte e utilizadas para a composição do saldo negativo do período. Como o crédito reconhecido foi insuficiente para compesnar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, em 05/04/2016, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 899), cuja decisão homologou parcialmente o PER/DCOMP nº 26584.14578. 120515.1.7.029100, não homologou os PER/DCOMP nº 36173.59663.120515.1.7.026651, 10043.87398.120515.1.7.029136, 14295.39020.250815.1.3.02 9398, 18220.77653.280815.1.3.026090, 38631.33564.090915.1.3.023174. 05181.78447.270615.1.7.02 0558, 22906.36101.270615. 1.7.025237, 29329.21421.290915.1.3.020870 e 41927.98993.180915.1.3.02 1804 e indeferiu o Pedido de Restituição / Ressarcimento nº 16211.23162.301014.1.2.023804. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 27.896.580,16. Cientificado, via postal, dessa decisão em 26/04/2016 (fl. 921), bem como da cobrança dos débitos declarados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou em 20/05/2016, Manifestação de Inconformidade às fls. 4 a 11 e em 01/06/2016 o documento de fls. 831 a 838, acrescidos de documentação anexa. Em sua defesa, a contribuinte esclarece que o presente processo está diretamente relacionado aos créditos de PIS nãocumulativo exportação (1º trimestre de 2009) e Cofins nãocumulativo exportação (2º trimestre de 2008 e 1º e 2º trimestre de 2009) e que correspondem a processos que se encontram aguardando julgalmento no CARF. Assim, preliminarmente, entende que o julgamento dos presentes autos deveria ser sobrestado até a decisão final dos seguintes processos: 13971.720236/200977, Fl. 952DF CARF MF Processo nº 13971.901578/201615 Acórdão n.º 1201002.279 S1C2T1 Fl. 952 3 13971.908773/201161, 13971.908778/201194 e 13971.908782/201152. Acrescenta que o que estaria em análise, na verdade, seria o crédito de PIS/Cofins não cumulativo – Exportação, que se confirmado impactará diretamente na homologação do crédito discutido nos presentes autos. Entende, ainda que: Como consequência, cabe reiterar e ratificar integralmente os fundamentos das manifestações de inconformidade e recursos voluntários, bem como os documentos acostados, e para que não seja necessário repisar nesta manifestação cada uma daquelas longas razões, e do vasto volume de folhas/documentos dos processos, juntase cópia das peças principais dos processos, de modo que sejam parte integrante e componham a presente defesa, o que se requer expressamente neste momento; Conclui: (...) a reiteração e ratificação dos argumentos jurídicos e de fato, aliados aos documentos acostados durante a fiscalização dos créditos e na defesa e recurso apresentados, tem o objetivo de suportar diretamente esta manifestação de incoformidade, por serem intrínsecos a este processo. Ao final, requer: a) que seja reconhecido o caráter reflexivo destes autos com os processos nº 13971.720236/200977, 13971.908773/201161, 13971.908778/201194 e 13971.908782/201152, sobrestando seu andamento e suspendendo os efeitos do Despacho Decisório até decisão definitiva naqueles processos; b) que todos argumentos jurídicos e de fato, aliados aos documentos acostados durante a fiscalização dos créditos dos processos acima relacionados, e na defesa e recurso apresentados, sejam levados em conta no julgamento do mérito do presente processo, os quais são expressamente reiterados e ratificados neste momento. c) que seja julgado totalmente procedente a presente manifestação de inconformidade, a fim de reformar o Despacho impugnado, para deferir a restituição e homologar as correspondentes compensações realizadas, por ser medida de direito e de JUSTIÇA. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 936/947), ora sob apreço, trazendo as mesmas alegações de seu primeiro apelo, fazendo alusão específica aos argumentos do Acórdão recorrido, com o fito de demonstrar sua necessidade de reforma. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 953DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. No caso concreto, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que foi com a edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Até então ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de IRPJ, das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13971.901578/201615 Acórdão n.º 1201002.279 S1C2T1 Fl. 953 5 A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. A jurisprudência majoritária desta Turma em vários julgados: Acórdãos nºs 1201001.817, 1201001.818, 1201001.819, 1201001.820, 1201001.757, 1201001.683, todos de 2017, vem sendo no sentido de que é ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade. Entendo, ainda, que o artigo 6º da Lei nº 13.670, de 30 de maio de 2018, que incluiu o inciso IX no parágrafo 3º do artigo 74 da Lei 9.430/96, vedando a compensação de débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL tem efeitos apenas para as DComps transmitidas após a publicação daquela Lei, conforme dispõe o seu artigo 11, inciso II. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2011 no valor originário de R$ 21.465.614,36, relativo às estimativas compensadas, e homologar as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 955DF CARF MF 6 Declaração de Voto O tratamento a ser dado às estimativas mensais, que foram objetos de Declaração de Compensação, que, no momento da decisão sobre o valor do Saldo Negativo na apuração anual, não tiveram suas compensações homologadas, foi objeto de posicionamentos divergentes. A Coordenação Geral de Tributação Cosit, da então SRF, havia editado, em 13/10/2006, a Solução de Consulta Interna nº 18: EMENTA: Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Esta SCI orientou as unidades da RFB a levar em conta as estimativas objeto de PER/Dcomp, na apuração de um eventual Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se pronunciou a respeito no Parecer PGFN/CAT/Nº 193/2013: Ano: 2013 Tipo Pareceres PGFN Título:PGFN/CAT nº 193/2013 e Nota Técnica Cosit nº 034/2012 Assunto: IRPJ.CSLL. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em DCOMP não homologada pelo fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativada União. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13971.901578/201615 Acórdão n.º 1201002.279 S1C2T1 Fl. 954 7 da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. Ou seja, PGFN/CAT/Nº 193/2013 orientou para que não se considerasse como pagas as estimativas mensais objetos de Declaração de Compensação, não homologadas, porque não poderiam ser cobradas, por se tratarem de antecipações, enquanto que só o IRPJ/CSLL da apuração anual poderiam ser inscritos na Dívida Ativa e objeto de cobrança. Porém, em 23 de janeiro de 2014, em resposta a consulta formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, emitiu o Parecer PGFN/CAT/nº 88 , de 23 de janeiro de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, o Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014, orientou para a possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; e: A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. Esta conselheira discorda do argumento de que, sendo a PER/DCOMP instrumento de confissão de dívida, os débitos das estimativa mensais do ano, cuja compensação porventura não venha a ser homologada, serão cobrados e por isso deverão compor o crédito de Saldo negativo de IRPJ/CSLL que o contribuinte pleiteia para compensar novos débitos.. O entendimento desta conselheira é que o processo referente a Per/Dcomp que requer crédito de saldo negativo anual que depende da confirmação das estimativas mensais deste ano, deve ser apreciado posteriormente ou juntamente com aqueles que decidem Fl. 957DF CARF MF 8 sobre a compensação dessas estimativas com saldo negativos de outros períodos anteriores, uma vez que, no entender desta conselheira, somente as estimativas efetivamente pagas e/ou cujas compensações foram homologadas podem compor o crédito de saldo negativo requerido; aceitar como pagas estimativas mensais de um ano precedente, cujas compensações não foram homologadas, e considerar como crédito hábil o correspondente SN IRPJ/CSLL do ano, significa aceitar como quitados débitos mais recentes, enquanto que aquelas estimativas de anos anteriores, mais antigas, restando não homologadas, deverão ser objeto de cobrança no futuro. Isto é, aceitar essa orientação resulta em efeito cascata, pois o primeiro SN IRPJ/CSLL assim reconhecido, resultará em sucessivos SN IRPJ/CSLL por muitos anos seguintes; aceitase como quitados débitos mais recentes, para depois proceder à cobrança, muito mais onerosa para o contribuinte (multa e juros) e muito mais trabalhosa para a Administração (valor mais elevado, antiguidade do fato gerador, eventual 'baixa" ou falência do contribuinte ou sua absorção por outra pessoa jurídica). Muito mais lógico é julgar antes os processos mais antigos dos quais os seguintes dependem, ou simultanemente, reconhecendo como hábeis a compor o SN IRPJ/CSLL do ano, ao longo das sucessivas instâncias, somente as estimativas cujas compensações restaram homologadas quando os processos chegarem à última instância administrativa, restarão para cobrar os débitos de IRPJ/CSLL anuais devidos, em vez de reconhecer SN IRPJ/CSLL fictícios e depois despender esforços na cobrança de estimativas não homologadas. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 958DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720187/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. SÚMULA STJ Nº 555.
Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Súmula 555 - Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015)
RECURSO QUE, PARCIALMENTE, SE LIMITA A FAZER REFERENCIA A IMPUGNAÇÃO E JUNTAR NOVOS DOCUMENTOS SEM NEM MESMO APRESENTAR PEDIDO OU RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE.
O recurso que configure apenas mera referencia a impugnação sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, que junta novos documentos sem fundamentar tal requerimento e não apresenta nem mesmo pedido, impõe ao julgador o não conhecimento na parte viciada do Recurso.
Numero da decisão: 2402-006.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. SÚMULA STJ Nº 555. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Súmula 555 - Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) RECURSO QUE, PARCIALMENTE, SE LIMITA A FAZER REFERENCIA A IMPUGNAÇÃO E JUNTAR NOVOS DOCUMENTOS SEM NEM MESMO APRESENTAR PEDIDO OU RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE. O recurso que configure apenas mera referencia a impugnação sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, que junta novos documentos sem fundamentar tal requerimento e não apresenta nem mesmo pedido, impõe ao julgador o não conhecimento na parte viciada do Recurso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11070.720187/2012-04
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893049
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.196
nome_arquivo_s : Decisao_11070720187201204.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 11070720187201204_5893049.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7396551
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585247252480
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-09T20:38:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-09T20:38:34Z; Last-Modified: 2018-08-09T20:38:34Z; dcterms:modified: 2018-08-09T20:38:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-08-09T20:38:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-09T20:38:34Z; meta:save-date: 2018-08-09T20:38:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-09T20:38:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-09T20:38:34Z; created: 2018-08-09T20:38:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2018-08-09T20:38:34Z; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-09T20:38:34Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 924 1 923 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.720187/201204 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente BENNO ARNS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. SÚMULA STJ Nº 555. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. “Súmula 555 Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.” (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) RECURSO QUE, PARCIALMENTE, SE LIMITA A FAZER REFERENCIA A IMPUGNAÇÃO E JUNTAR NOVOS DOCUMENTOS SEM NEM MESMO APRESENTAR PEDIDO OU RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE. O recurso que configure apenas mera referencia a impugnação sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, que junta novos documentos sem fundamentar tal requerimento e não apresenta nem mesmo pedido, impõe ao julgador o não conhecimento na parte viciada do Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 01 87 /2 01 2- 04 Fl. 924DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 11070.720187/201204 Acórdão n.º 2402006.196 S2C4T2 Fl. 925 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 911 usque 919, tomado contra Acórdão de fls. 902 a 908, advindo da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/OA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Está assim lançado o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação a auto de infração lavrado em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativos aos anos de 2008 e 2007, respectivamente, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 873/881). O crédito tributário apurado é de R$ 1.108.364,61, nele compreendidos imposto, multa de ofício no percentual de 75 % e juros de mora. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 832/849), a fiscalização apurou as seguintes irregularidades: Ganho de capital decorrente da incorporação de bens imóveis na empresa AGROAGUIA S/A, sendo o imposto devido calculado na proporção da participação do autuado na propriedade dos bens, sobre cada operação, conforme demonstrativo abaixo: Data de Aquisição Discriminação dos imóveis Ganho de Capital tributável Total Imposto devido Imposto devido proporcional à participação de 50% ‐114,27 ha‐matr. 38467 c 1608 ‐ 171,30 ha‐matr 38158 e 1529 ‐ 77,60 ha‐matr. 38159 ‐ 16.55 hectares ‐ matr 38468 48.427,90 0,00 32.887,07 2.337.99 7.264,18 0,00 4.933.06 350.69 3.632,09 0,00 2.466,53 175.34 13.04.1972 04.01.1965 07.04.1972 04.08.1970 378,1 ha campos e matos em Boa Vista do Cadeado, efe esc. C. Venda Reg. CRI Cruz Alta sobn39583,49581,52,4697 6 83.652,96 12.547,93 6.273,96 22.10.1996 85 has campos e matos, localizado em Boa Vista do Cadeado Adq. Cfe Escr. C. 250.773,73 37.616,05 18.808,02 Venda Rcg. CRI C. Aita sob n° 18543, em 24.11.78 ‐ Matrícula 38.167 Fl. 926DF CARF MF 4 23.12.1994 100 Hec. Adq. Em 20.08.92, cfe cópia alvará judicial autorizando o inventariante João David B. Ramos firmar escr. Pub. Compra e venda ao Sr. Benno Arns ‐Matr. 38.170. 218.062,57 32.709,38 16.354,69 3 i.03.1998 200 hec adqu. Em 20.08.92, de Norma Guilhermina Ramos a serem pagos cm duas parcelas em 20.08.92 ‐ Matricula 3047 e 38414. 672.826,88 100.924,03 50.462,015 24.03.1998 24 ha de terras situados na RS 342 Km 19, no município de Cruz Alta, adquiridos e 30/0/2007 pelo valor de RS 38.400,00, de sucessão de Lucidio Ramos ‐ Matrícula 38.169 77.437.85 11.615,67 5.807,83 19.07.2001 Aquisição de uma área de terras de 945,66 Itambezinho ‐ Bom Jesus ‐ RS adq. a vista de Nilson Nascheweng Campos, CPF 003.959.199‐91, cfe escritura 15.116/088, em 02/07/2001. ‐ Matrícula 7.933 3.966.452,45 594.967,86 297.483,93 17.07.2002 100,60 hectares, matr. 3.047 R33 e matrícula 38.165 488.230,59 73.234,58 36.617.29 23.05.2003 18,0 hectares, matr. 38.172 e 24.479‐ R5 71.377,29 10.706,59 5.353,29 22.08.2002 80,0 hectares, matr. 641 l/R 14 e 38.171 378.241,81 56.736,27 28.368,13 TOTAL 6.207.056.13 931.058,36 1 465.529,20 Omissão de rendimentos da atividade rural referente aos seguintes depósitos bancários não comprovados: R$ 35.778,45 em 30/04/2008, R$ 62.066,67 – em 15/12/2008, R$ 83.585,50 – em 18/12/2008 e R$ 93.526,99 – em 22/12/2008. Os depósitos não comprovados foram considerados omissão da atividade rural, haja vista esta ser a única atividade do contribuinte, conforme informações obtidas durante o procedimento fiscal. O ganho de capital foi considerado como ocorrido em 28/02/2007, quando da assinatura dos Atos Constitutivos da empresa Agroaguia S/A, cujo capital social foi integralizado pelos bens antes relacionados. Essa data é a mesma informada pelo cartório na DOI – Declaração de Operações Imobiliárias entregue a Receita Federal. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 11070.720187/201204 Acórdão n.º 2402006.196 S2C4T2 Fl. 926 5 O contribuinte impugna (fls.889/897), tempestivamente, o lançamento alegando, preliminarmente, a decadência do direito da Fazendo Pública de constituir o crédito tributário referente ao ganho de capital apurado. Invoca o disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, argumentado que extinguese em 5 anos o prazo para o Fisco efetuar o lançamento, sendo o termo inicial deste prazo a data da ocorrência do fato gerador (28/02/2007). Entende que a tributação do ganho de capital por se tratar de lançamento por homologação não pode ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN. No mérito de sua impugnação, não faz qualquer menção ao ganho de capital apurado, limitandose a contsentar o lançamento referente os depósitos bancários não comprovados. Afirma que devido à intensa movimentação financeira, agravada pelo distanciamento temporal de sua ocorrência, estaria justificada a sua dificuldade de comprovação. Requer a nulidade e o cancelamento do auto de infração e seu arquivamento. Tendo em vista o disposto na Portaria RFFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da CoordenaçãoGeral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente eprocesso foi encamihado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Em seu apelo, alega o recorrente, em preliminar, que haveria decadência do direito de lançar o tributo por parte da Fazenda Pública, uma vez que o caso seria de lançamento por homologação e, dessa forma, o lançamento deveria ser feito em 5 anos a contar do fato gerador, conforme exposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Assim, advoga no sentido de que a d. DRJ equivocouse ao modificar a “natureza e condição” (fls. 913) de lançamento por homologação e passando a tratálo por declaração, conforme o art. 173, I do Diploma Tributário. Acrescenta que: “Nessa linha de conclusão do Recorrente – de sujeição da tirbutação dos Ganhos de Capital/pessoa física aos ditames do art. 150, §4º, do CTN, independente de ter ou não havido qualquer recolhimento de tribute – pronunciase a reiterada e melhor jurisprudência administrative (primeiro Conselho de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Câmara Superior de Recursos Fiscais), já de longa data” Colaciona diversos julgados advindos deste e. Conselho a fim de alicerçar sua defesa. Em seguida, no capítulo de Omissão de Rendimentos/Depósitos Bancários, limitase a reportase à Impugnação, colacionando dois julgados advindos também deste e. CARF, e alegando que, sendo contribuite cuja única atividade econômica preponderante é a Fl. 928DF CARF MF 6 atividade rural, os eventuais depósitos de origem não comprovada deveriam ser tributados nessa atividade, sujeitos ao limite de 20% da receita bruta dessa atividade. Desse modo, requer o conhecimento e integral provimento do recurso, e cosnequente cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 11070.720187/201204 Acórdão n.º 2402006.196 S2C4T2 Fl. 927 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade O recurso é tempestivo, porém requisitos extrínsecos de admissibilidade demandam análise mais atenta por parte deste colegiado. A peça recursal, no que concerne as razões em julgamento, está estruturada da seguinte forma: a) Preliminar de Decadência O recorrente desenvolve adequadamente suas razões de inconformidade com o ato decisório de piso, porém, adicionando novos argumentos que devem ser apreciados em confronto com o ato decisório. b) Omissão de Rendimentos / Depósitos bancários Neste ponto, o recorrente ao invés de aduzir de modo completo suas razões e fundamentos, evidenciando os pontos de inconformidade com a decisão recorrida, reporta se a Impugnação, deixando assim de atender a requisito formal previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/71. Outrossim, apresenta argumentação adicional em que busca a tributação a base de 20%, eis que o mesmo é produtor Rural e esta seria sua a origem de sua renda, sendo este um novo argumento não passível de adução a partir de nenhuma manifestação contida na impugnação. Pois bem, quanto a preliminar exposta, dada sua adequada conformação, entendemos que esta deve ser objeto de julgamento por este colegiado. Contudo, o segundo ponto recursal, “omissão de rendimentos / depósitos bancários”, não merece partilhar do mesmo destino processual aplicável as razões preliminares, o Recurso não merece ser conhecido em tal parte. Com efeito, constatase que o apelo sequer transcreve as razões para qual impugna tal parte da decisão, limitandose a colacionar julgados advindos das e. Câmaras deste Tribunal Administrativo, sem expor razões aditivas ou juntar aos autos qualquer documento que lhe forneça arcabouço para as alegações. O artigo 16 do Decreto 70.235/72, prevê, às escâncaras, a necessidade de exposição das razões de insurgência contra o lançamento e, por consequência, contra a decisão, fato esse que não ocorreu no presente caso. Como cediço, o recurso não se presta somente a alcançar novel decisão ou decisão que reforma a anteriormente prolatada, mas, para além disso, obter forma lapidada do entendimento administrativo acerca do objeto discutido na lide. No entanto, a parte subtraiu, Fl. 930DF CARF MF 8 como que por assalto, tal escopo, deixando de insurgirse especificamente contra os fundamentos da decisão recorrida. Resguardadas as proporções e especificidades próprias do processo administrativo fiscal, é possível recorrer as lições de Flávio Cheim Jorge para quem: "De outra parte, até mesmo por uma questão de princípio, resta evidente que, como a apelação se dirige e se insurge contra a sentença, em razão de a mesma ter sido proferida em desconformidade com a lei, deve o recorrente indicar exatamente quais são os errores in judicando e/ou errores in procedendo que maculam a decisão monocrática. E mais: deverá, ainda, demonstrar por que a decisão está errada e, conseqüentemente, a necessidade de sua reforma. É fácil perceber, dessa forma, que a motivação é parte integrante do recurso. Com perfeição, observa Provinciali que os recursos são compostos por dois elementos: um de vontade ("elemento volitivo ") e outro de razão ("elemento ragionativo o descrittivo "). O primeiro elemento corresponde à declaração de desagrado para com a sentença e o segundo corresponde exatamente aos motivos que levam e conduzem a esse desagrado, a essa insatisfação existente com a sentença. Esses dois elementos formam, sem sombra de dúvida, o conteúdo do recurso de apelação. Não é suficiente o elemento volitivo. Não basta a simples indicação de que a sentença de primeiro grau é errada ou defeituosa. Tanto o tribunal quanto o apelado devem ter conhecimento exato dos motivos de fato e de direito pelos quais o apelante se insurge contra a sentença." (Apelação Cível: Teoria Geral e Admissibilidade, 2ª edição, páginas 189/190) Também Nelson Nery Júnior leciona que: " O apelante deve dar as razões, de fato e de direito, pelas quais entende deva ser anulada ou reformada a sentença recorrida. Sem as razões do inconformismo, o recurso não pode ser conhecido" (Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor, 6ª edição, página 855). O recurso que configure apenas mera referência a impugnação, sem indicar o vício da decisão hostilizada, que poderá ser relativo ao direito ou quanto ao procedimento, é interposto sob forma de mero protesto ou declaração de insatisfação contra a decisão adversa ao interesse do recorrente, sem se revestir das formalidades mínimas atinentes a intervenção procedimental em questão. Conhecer do recurso em tal parte laboraria contra o princípio tantum devolutum quantum appellatum e transformaria este colegiado em defensor de interesse da parte. A locução jura novit curia, com as adaptações ao PAF, somente tem aplicação se o recorrente fornece ao Colegiado, por meio da peça processual que lhe é dirigida, ainda que de forma sumária, as razões do inconformismo, de reexame e apresenta pedido ainda que genérico, razão pela qual o presente Recurso não deve ser conhecido nesta parte. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 11070.720187/201204 Acórdão n.º 2402006.196 S2C4T2 Fl. 928 9 Nesse sentido: "EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. PROTESTO INDEVIDO. ANULATÓRIA DE TÍTULO. APELO QUE É MERA REPRODUÇÃO DA CONTESTAÇÃO. Apelo não conhecido". (Apelação Cível Nº 70007244577, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alexandre Mussoi Moreira, Julgado em 09/03/2004) "APELAÇÃO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. PRELIMINAR. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. (...) As razões de recurso devem conter os fundamentos fáticos e jurídicos que alicerçam o pedido de revisão. A mera remissão a outras peças do processo não supre a exigência legal. (...)" (TAMG Apelação: 03427563 Órgão Julgador: Terceira Câmara Cível Relator: Caetano Levi Lopes Data do Julgamento: 24/10/2001 ) "INDENIZAÇÃO RECURSO DE APELAÇÃO SEM AS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO PARA NOVA DECISÃO INADMISSIBILIDADE.À luz do art. 514, II o recurso de apelação há de trazer as razões de fato e de direito para o pedido de nova decisão, sob pena de não ser conhecido."(TA/MG apelação 03612200 4ª CC Rel. Juiz Domingos Coelho J. 12/06/2002)." Assim, a ausência de fundamentação inabilita o recurso nesse ponto. Ora, a Lei não traduz mero formalismo, na medida em que dá corpo à dimensão objetiva do devido processo legal, que tem assento na própria Constituição da República, e evita que cada qual faça o que bem entender, quando bem lhe aprouver. Tal quantum expressa seriedade processual, por adequação ao Ordenamento Jurídico e não fere o principio do formalismo moderado. Quanto aos Argumentos adicionais, relativos a consideração do regime próprio de produtor rural para fins de determinação da base de calculo, além de tratarse de inovação na lide é pedido inadequado, eis que a Autoridade fiscal já havia adotado tal sistemática para quantificação do tributo lançado, portanto, ainda que fosse licito permitir a inovação na lide, estaríamos diante de provimento inócuo, configurando falta de interesse processual. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso parcialmente, colocando em julgamento apenas as razões preliminares. 2. Razões preliminares Decadência. Desde a peça vestibular, o Recorrente sustenta que o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito estaria extinto em razão de decadência, aplicada na forma do Art. 150 do Código Tributário Nacional. A decisão Recorrida, por sua vez, afastou a preliminar com fundamento no Art. 173 do CTN, alegando não ter o Recorrente realizado qualquer pagamento. Fl. 932DF CARF MF 10 Quanto ao que foi decidido pela d. DRJ, cabe que se faça um brevíssimo esclarecimento, uma vez que, até mesmo no âmbito das Cortes Superiores, tal matéria já foi sumulada. Diz o recorrente que não poderia haver uma mudança posicional do termo prescricional do tributo, saindo do art. 150, §4º para o art. 173, I, ambos do Codex Tributário. No entanto, o argumento não prospera. Isso porque, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte – que é o caso dos autos, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora... se não há pagamento, não há o que se homologar. Confirase o trecho do julgamento do AgRg nos EResp 1199262/MG, da relatoria do Min. Benedito Gonçalvez (Primeira Seção, julgado em 26/10/2011, DJe 7/11/2011): "[...] A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 973.733/SC, realizado nos termos do art. 543C e sob a relatoria do Ministro Luiz Fux, sedimentou o entendimento de que o art. 173, I, do CTN se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. [...]" De mesmo modo, a iterativa jurisprudência daquele Sodalício Especial: "[...] nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício dentro do prazo decadencial estipulado pelo art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]" (AgRg no Ag 1241890 RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011) "[...] sedimentouse o entendimento de que é inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173 do CTN, devendo prevalecer o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário, a contar do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. [...]" (AgRg no Ag 1394456 SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/05/2012, DJe 02/08/2012) "[...] o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...]" (AgRg no Ag 1407622 PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 26/09/2011) Fl. 933DF CARF MF Processo nº 11070.720187/201204 Acórdão n.º 2402006.196 S2C4T2 Fl. 929 11 "[...] De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito. [...]" (AgRg no AREsp 252942 PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 12/06/2013) "[...] que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte – caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN , deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]" (REsp 1154592 PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/05/2010, DJe 02/06/2010) De tal entendimento, já firmemente consolidado, frisese, formouse o verbete sumular nº 555, em que expressa aquela Corte o seu mister postremo: “Súmula 555 Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.” (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Assim, e como já antecipado, a irresignação do contribuinte, quanto a tal tema, não tem como prosseguir, uma vez que a decisão de piso foi tomada de maneira fundamentada e seguindo o entendimento jurídico esposado por este Conselho, bem como pelos Tribunais Superiores brasileiros. Temse, pois, que não decaiu o Fisco no seu direito de tributar, uma vez que constituídos os créditos dentro da data que franqueada à Fazenda. Conclusão À conta do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679890/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/11/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.937
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/11/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.679890/2009-19
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891864
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.937
nome_arquivo_s : Decisao_10880679890200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880679890200919_5891864.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7391015
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585265078272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 168 1 167 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.679890/200919 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.937 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TIM CELULAR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 90 /2 00 9- 19 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 169 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.418, de 20 de agosto de 2013 (fls. 221 a 227 do processo eletrônico), proferido Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) protocolado pelo Contribuinte, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 12.184,60, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo Contribuinte, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 170 3 b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/2005 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 171 4 alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 235 a 250) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação, não havendo ofensa a princípios constitucionais, ainda mais que somente a DCTF retificadora, após o despacho decisório que não tem vício de nulidade, não comprova o direito creditório, de forma que o pedido de diligência por erro formal não configurado não deve ser aceito. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de número 330201.406. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma, documento de fls. 266 a 270. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 273 a 275, sob o argumento que no acórdão recorrido houve o entendimento de que a comprovação da existência de erro, conjuntamente com a juntada de documentação comprobatória, após a prolação do despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação, não havendo ofensa a princípios constitucionais, sendo que a DCTF retificadora após o despacho decisório, este Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 172 5 não tendo vício de nulidade, não comprova, por si só, o direito creditório, de forma que o pedido de diligência por erro formal não comprovado não deve ser deferido. Por sua vez no acórdão paradigma, do mesmo Contribuinte e assunto, houve o entendimento de que a DCTF retificadora, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação a desconstituição da causa original da não homologação, devendo a autoridade fiscal apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado através de despacho decisório. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 277 a 280, manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 173 6 Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 174 7 argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 175 8 a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 176 9 sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 177 10 toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 178 11 não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 179 12 foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.679890/200919 Acórdão n.º 9303006.937 CSRFT3 Fl. 180 13 programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720169/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO.
Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
Numero da decisão: 2401-005.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.720169/2009-78
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894784
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.694
nome_arquivo_s : Decisao_10680720169200978.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10680720169200978_5894784.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7403801
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585279758336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 142 1 141 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.720169/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.694 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria IRRF DCOMP Recorrente COMPANHIA DE SANEAMENTO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 69/75) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 69 /2 00 9- 78 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.720169/200978 Acórdão n.º 2401005.694 S2C4T1 Fl. 143 2 58/64), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/4) em face de Despacho Decisório (fl. 5) que homologou parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 19754.89557.030604.1.3.040798, transmitida em 3/6/04 (fls. 13/18). De acordo com o Despacho Decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 549,28. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. [...] Entretanto. considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado. correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2008. Principal Multa Juros 55,83 11,18 75,99 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/4), alegando, em síntese, que: O IRRF apurado na 3ª semana de janeiro de 2000 importou em R$ 549,28, conforme DCTF, enquanto o recolhimento efetuado para o período importou em R$ 1.041,59, ocasionando um pagamento a maior no valor de R$ R$ 492,38. Para recuperação do valor recolhido a maior foram apresentadas duas DCOMPs: 19754.89557.030604.1.3.040798 (cadastrada neste processo), onde foi utilizada a importância de R$ 549,28 na extinção do IRRF referente à 3ª semana de janeiro de 2000, através da compensação. 17718.29982.030604.1.3.047260, quando foi utilizada a importância de R$ 492,38 na extinção do IRRF apurado na 3ª semana de março de 2000, através da compensação. O manifestante argumenta que o procedimento executado na DCOMP de n° 19754.89557.030604.1.3.040798 foi “indevido”, considerando que no caso em questão a compensação efetuada era desnecessária. Esclarece que “tal procedimento gerou indevidamente a aplicação de multa, motivada por erro operacional e não por um valor efetivamente devido pela empresa”. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.720169/200978 Acórdão n.º 2401005.694 S2C4T1 Fl. 144 3 Requereu o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 790520346 e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança, nos termos do Decreto 70.235/72. A DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0223.255 (fls. 58/64), considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Delimitou o litígio à parcela de compensação não homologada. O argumento utilizado pelo contribuinte neste processo reportase unicamente à solicitação de cancelamento da DCOMP, por considerála desnecessária, e que, uma vez apresentada, gerou a multa de mora que deu origem ao saldo de débitos exigidos. A Declaração de Compensação é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. Esta foi a ferramenta instituída pelo legislador com o intuito de permitir ao fisco o controle dos atos praticados pelos contribuintes. Neste contexto, os elementos essenciais da DCOMP se traduzem na identificação dos créditos utilizados e dos débitos compensados (extintos pela compensação). Os créditos utilizados pelo contribuinte na DCOMP, bem como os débitos por ele compensados não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo exofício pela Administração Pública. Contudo, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Cita a Lei 9.430/97, as Instruções Normativas SRF 460/2004 e RFB 900/2008, e esclarece que a retificação ou o cancelamento da PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não indiscriminadamente, o procedimento é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Concluiu que a operacionalização da compensação em litígio neste processo foi efetuada nos termos em que determinada na legislação tributária vigente, embasada pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte nas declarações apresentadas à RFB. Assim sendo, não há como alterála. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 69/75), alegando, em síntese, o que segue: Diz que caso seja mantido o entendimento da DRJ, haverá enriquecimento sem causa da arrecadação fazendária. Cita o CTN, art. 165, o Código Civil, artigos 876 e 877, e disserta sobre o conceito de pagamento indevido. Afirma que o Acórdão da DRJ se baseou em norma infralegal (Instrução Normativa) e seu direito não pode ser limitado por norma infralegal. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.720169/200978 Acórdão n.º 2401005.694 S2C4T1 Fl. 145 4 Requer a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, e que o valor considerado como compensado seja efetivado como valor devido da terceira semana de janeiro/2000, e considerado sua quitação pelo próprio DARF de R$ 1.041,59, vencido e quitado em 19/01/2000. ' É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 141, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No caso em análise, vêse que o contribuinte cometeu um equívoco ao preencher a DCOMP, para justificar o crédito de R$ 492,38 que seria usado para compensar parte do IRRF devido relativo à 3ª semana de março de 2000. Conforme relatado, o contribuinte apurou o IRRF para 3ª semana de janeiro de 2000 no valor de R$ 549,28 e efetuou o recolhimento a maior, no vencimento da obrigação, em 19/1/2000, no valor de R$ 1.041,59. A DCOMP com tais informações foi transmitida em 3/6/04. Da análise do documento de fl. 27, Despacho Decisório Detalhamento da compensação, observase que foram efetuadas os seguintes ajustes: Crédito reconhecido de R$ 549,28, recolhido em 19/1/2000, valorado de 76,77% de juros, pois a DCOMP foi enviada em 3/6/04, totalizando R$ 970,96. Foi apurado o valor utilizado do crédito na data da valoração da seguinte forma: Principal R$ 493,45 Multa R$ 98,69 Juros R$ 378,82 Vêse que o crédito total valorado seria para abater do valor devido, considerando principal, juros (76,77%) e multa (20%). Fezse a conta ao inverso: partindose do total recolhido, ele foi rateado em principal, 76,77% de juros e 20% de multa, os dois últimos incidentes sobre o valor do principal. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.720169/200978 Acórdão n.º 2401005.694 S2C4T1 Fl. 146 5 Desta forma, o principal recolhido seria de R$ 493,45 e como o saldo devedor declarado na DCOMP foi de R$ 549,28, apurouse um valor ainda devido de R$ 55,83. Da análise da situação que se apresenta é possível verificar que valor lançado é a multa apurada na conta invertida, que seria devida caso o recolhimento tivesse ocorrido com atraso. A diferença se deve aos juros de 76,77% aplicado sobre R$ 549,28 na valoração e sobre R$ 493,45 na conta invertida = R$ 42,86; logo a multa de R$ 98,69 R$ 42,86 = R$ 55,83, que é o valor lançado, considerado não homologado. Assim, sob o aspecto formal, tratouse a compensação declarada, sendo valorado o crédito e extinto parte do débito na data do encontro de contas, 3/6/04. Contudo, sob o aspecto material, o débito relativo à 3ª semana de janeiro de 2000, foi extinto pelo pagamento na data do vencimento, 19/1/2000. Conforme as instruções normativas citadas no acórdão recorrido, não seria possível cancelar a DCOMP. Acontece, que a verdade material que se apresenta é realmente a cobrança de uma multa de mora, decorrente do erro do contribuinte ao enviar a DCOMP que serviu de base para o Despacho Decisório que apurou crédito tributário, diante da compensação parcialmente homologada. A Lei 9.430/96, assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifo nosso) . § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Logo, o crédito tributário lançado, que equivale à multa de mora apurada por suposto atraso no pagamento não pode prosperar, pois o pagamento ocorreu na data do vencimento da obrigação (19/1/2000). CONCLUSÃO Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.720169/200978 Acórdão n.º 2401005.694 S2C4T1 Fl. 147 6 Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, dou provimento ao recurso voluntário, para declarar extinto o crédito tributário constituído por meio do Despacho Decisório de fl. 5. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.900431/2006-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, entendendo que mesmo fora do prazo para retificação de DCTF o Contribuinte ainda pode comprovar seu direito creditório por outros meios (PN Cosit nº 02 de 2015).
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13656.900431/2006-17
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892565
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.560
nome_arquivo_s : Decisao_13656900431200617.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 13656900431200617_5892565.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, entendendo que mesmo fora do prazo para retificação de DCTF o Contribuinte ainda pode comprovar seu direito creditório por outros meios (PN Cosit nº 02 de 2015). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7393124
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585301778432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 39 1 38 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.900431/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.560 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CETENGE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, entendendo que mesmo fora do prazo para retificação de DCTF o Contribuinte ainda pode comprovar seu direito creditório por outros meios (PN Cosit nº 02 de 2015). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 04 31 /2 00 6- 17 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13656.900431/200617 Acórdão n.º 1001000.560 S1C0T1 Fl. 40 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efl. 34) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0921183 (efls. 32/33), de 15/10/2008, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG objetivando a reforma do referido julgado. Em 30/10/2003, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação nº 05134.55454.301003.1.3.049804 (efls. 02/07), no valor de R$ 874,41 (valor original), devido ao Pagamento Indevido ou a Maior da IRPJ, com data de arrecadação em 30/04/2002. Em 20/05/2008, a Poços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 16, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (grifo não consta do original) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efl. 07, juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que no primeiro trimestre de 2002 teve prejuízo, portanto pode utilizar o DARF recolhido como crédito para compensação. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado, com a seguinte fundamentação: (grifo não consta do original) A empresa declarou em DCTF apresentada em 14/05/2002, débito relativo ao IRPJ do 1° trimestre de 2002 no valor de R$ 874,41. Essa DCTF não foi retificada, permanecendo portanto o débito citado, para o qual foi corretamente alocado o pagamento efetuado pela empresa em 30/04/2002 no código 3373. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Portanto não resta duvidas de que a compensação se dá na data da entrega (apresentação) da apresentação. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13656.900431/200617 Acórdão n.º 1001000.560 S1C0T1 Fl. 41 3 Assim, temos que quando da apresentação do PERDCOMP em análise, o crédito não existia já que o pagamento estava locado ao débito declarado pelo contribuinte. Portanto a compensação foi corretamente não homologada. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 27/10/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 34, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 26/11/2008, conforme carimbo aposto à efl. 35. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, transcrito integralmente, a seguir, a recorrente apresenta, em suma, os mesmos argumentos apresentados em sede de primeira instância: (grifos não constam do original) (...) apresentamos documentação comprobatória do uso do referido DARF como crédito no PER/DCOMP n° 05134.55454.301003.1.3.049804. O DARF foi utilizado no PER/DCOMP porque conforme cópia da ficha de Resultado do Exercício em anexo (Ficha 06A da DIPJ2002 já entregue anteriormente), no trimestre deu prejuízo, podendo assim utilizar o DARF recolhido como crédito (pagamento indevido ou a maior), apresentamos também recibo de entrega da DCTF retificadora (de 20/11/2008) constando a não existência do débito. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação cujo suposto crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ), realizado em 30/04/2002, encontravase alocado, conforme DCTF original apresentada pela recorrente em 14/05/2002. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13656.900431/200617 Acórdão n.º 1001000.560 S1C0T1 Fl. 42 4 Após as decisões contrárias ao pleito, fundamentadas na indisponibilidade do crédito, a recorrente, em 20/11/2008, retificou a DCTF. Ocorre, que o prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Portanto transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao tributo em questão, a DCTF original encontrase formalmente homologada perante a Fazenda Nacional, sendo nula para todos os efeitos a sua retificação. Em relação ao pedido de compensação tendo como base a DCTF original, correto foi a decisão da câmara baixa, tendo em vista a indisponibilidade do crédito, pois o pagamento encontravase devidamente alocado, argumentos estes com os quais concordo e adoto como minhas razões de decidir, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999.. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720118/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE.
Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI. Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). Soluções de Consultas nºs 454/2009 e 86/2016.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RECEITA FEDERAL (RFB). MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos).
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.
O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade.
Aplicação da Súmula Carf nº 2
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL.
Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI.
MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI.
Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO E BRINDE. ART. 14, § 2º DA LEI Nº 4.502/64.
Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, doação e brinde, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Inteligência do art. 14, § 2º da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 3201-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE. Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI. Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). Soluções de Consultas nºs 454/2009 e 86/2016. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RECEITA FEDERAL (RFB). MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula Carf nº 2 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL. Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI. MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI. Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO E BRINDE. ART. 14, § 2º DA LEI Nº 4.502/64. Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, doação e brinde, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Inteligência do art. 14, § 2º da Lei nº 4.502/64.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11624.720118/2015-21
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897267
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.157
nome_arquivo_s : Decisao_11624720118201521.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11624720118201521_5897267.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7409233
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585318555648
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-16T13:55:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-16T13:55:22Z; Last-Modified: 2018-08-16T13:55:22Z; dcterms:modified: 2018-08-16T13:55:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-08-16T13:55:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-16T13:55:22Z; meta:save-date: 2018-08-16T13:55:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-16T13:55:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-16T13:55:22Z; created: 2018-08-16T13:55:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2018-08-16T13:55:22Z; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-16T13:55:22Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 7.691 1 7.690 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11624.720118/201521 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201004.157 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes AMPLA PRODUTOS DE COMUNICACAO VISUAL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE. Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI. Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). Soluções de Consultas nºs 454/2009 e 86/2016. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RECEITA FEDERAL (RFB). MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 18 /2 01 5- 21 Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.692 2 Aplicação da Súmula Carf nº 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL. Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI. MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI. Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO E BRINDE. ART. 14, § 2º DA LEI Nº 4.502/64. Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, doação e brinde, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Inteligência do art. 14, § 2º da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.693 3 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 2 a 18, que trata da exigência do IPI, cód. 2945, no valor de R$ 3.097.244,10, multa de ofício de 150% no valor de R$ 4.645.866,17, e juros moratórios no valor de R$ 1.244.001,72. A autuação abrangeu o ano de 2011. A autuada industrializa máquinas de impressão digital de grandes formatos, equipamentos que serão, a partir de agora, denominados simplesmente impressoras. Segundo a Fiscalização, há erro na classificação fiscal porque a autuada utiliza o código 8443.39.10 da TIPI (alíquota zero de IPI) quando a classificação correta do produto seria no código 8443.32.99 da TIPI (alíquota 15% de IPI). A classificação fiscal defendida pela Fiscalização toma por premissa que as impressoras não prescindem de softwares de controle, podendo as impressoras poderem se conectar a um computador ou a uma rede. Além do erro de classificação fiscal, a Fiscalização menciona irregularidade quanto à saída de mercadorias para a Amazônia Ocidental. A autuada não teria demonstrado o cumprimento de requisitos para a fruição de isenção na venda para a referida região. Finalmente, no contexto do procedimento, a Fiscalização entendeu ilegítima a apuração da base de cálculo do IPI efetuada pela autuada pelo fato de deixar de nela incluir o valor cobrado ao adquirente pelo software de gerenciamento das impressoras. Registrese que a autuada emite nota fiscal em cuja descrição do produto encontrase consignada a impressora e outra nota fiscal em cuja descrição encontrase consignado o software necessário a seu funcionamento. Entretanto, por força das regras de classificação fiscal de mercadorias, a Fiscalização entende ser cristalino que o software que é fornecido junto com a impressora, que a acompanha e que é absolutamente necessário para o seu perfeito funcionamento, constitui parte daquela mesma impressora ou, ao menos, parte de elemento de uma unidade funcional composta por uma impressora e por um computador. Finalmente, a Fiscalização apurou aproximadamente cinqüenta operações de saída de softwares necessários ao correto funcionamento das impressoras a título de bonificação, doação ou brinde (CFOP 5.910 ou 6.910), o que não afastaria, em seu entendimento, a necessidade de somar os valores de saída desses softwares ao valor das impressoras, para efeito de cálculo do imposto devido. Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.694 4 Quanto à fixação da penalidade, a Fiscalização entendeu estarem presentes razões para a aplicação da multa qualificada (150%): Portanto, concluiu que a autuada agiu dolosamente no sentido de impedir a apuração da obrigação tributária principal, conduta que configuraria sonegação. Se assim não fosse, seria impossível justificar a razão dessa conduta – separação de notas fiscais com descrição de impressoras e softwares – dada a convicção da autuada de que a classificação fiscal adotada estaria correta e que implicaria em IPI zero a recolher. Essa circunstância, portanto, só permitiria a conclusão de que o estabelecimento industrial tinha domínio do fato da incorreção da classificação fiscal atribuídas às impressoras que produz, sobretudo em face da Solução de Consulta nº 454, de 2009, cujo desconhecimento não poderia ser alegado em face do disposto no art. 101 do CTN combinado com o art. 3º do Decretolei nº 4.657, de 1942. Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.695 5 Por fim, a autoridade fiscal incluiu, no pólo passivo da obrigação tributária, os sócios LIE TJI TJHUN, CPF nº 275.540.07904, LIE TJI TJEN, CPF nº 168.568.89915 e RICARDO AUGUSTO LIE, cpf Nº 044.378.34976, em razão da configurada sonegação e em respeito ao art. 137, I do CTN. Inconformados, os autuados apresentam Impugnação em que argumentam, em síntese que: I) DA IMPUGNAÇÃO DE AMPLA PRODUTOS DE COMUNICAÇÃO VISUAL as impressoras produzidas possuem como característica principal o fato de serem JATO DE TINTA. Essa característica é elemento fundamental para definir a sua correta classificação fiscal no código pretendido pela autuada; os softwares fornecidos juntamente com as impressoras são de “prateleira”, o que afasta a incidência do IPI sobre esses produtos; os softwares não são partes ou elementos das impressoras, motivo pelo qual não podem ser considerados para efeito de determinação de sua classificação fiscal. Ainda que pudessem ser tomados como partes das impressoras, não afetariam a apuração do imposto porque a alíquota das impressoras é zero; os softwares fornecidos aos clientes a título de bonificação, doação ou brinde não devem ser incluídos na apuração do imposto, seja porque o IPI sobre as impressoras é zero, seja porque são de prateleira, restando impossível que sofram qualquer incidência do IPI; a classificação fiscal adotada para as impressoras está correta, sendo imprestável o argumento aduzido pela autoridade fiscal – a necessidade de utilização de softwares para sustentar a classificação fiscal por ele defendida; a classificação fiscal pretendida pela Impugnante está em linha com a característica das impressoras, que devem ser consideradas bens de capital (BK) ; órgãos de classe e governamentais – inclusive a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) – reconhecem ser correta a classificação adotada. E, se assim é, a mudança de entendimento constante da autuação constitui verdadeira alteração de critério jurídico que não poderia atingir fatos geradores anteriores à sua fixação; ainda que não se considere que tenha havido a alteração de critério jurídico, é imperioso concluir que o entendimento defendido pela autuada constituise em prática reiterada da Administração, capaz de afastar a aplicação de penalidades, consoante art. 100, incisos I e II do CTN; não houve o aproveitamento de qualquer benefício fiscal para a Amazônia Ocidental de forma irregular; Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.696 6 não procede a majoração da multa de ofício para 150% por duas razões: por violação ao princípio constitucional do não confisco e por não ter sido demonstrada a sonegação. II) DA IMPUGNAÇÃO DOS SÓCIOS é inaplicável o art. 137, I, do CTN porque a responsabilidade de terceiros aplicase apenas a penalidades e, além disso, pressupõe a comprovação do elemento subjetivo: o ato intencional (omissivo ou comissivo). é inaplicável o art. 124, II, do CTN por depender de previsão legal anterior (art. 121, II, e art. 128, ambos do CTN). Em rigor, o art. 124, II não atribui a responsabilidade, mas apenas autoriza o legislador a fazêlo. Chegados os autos a esta DRJ, foi proposta diligência, nos seguintes termos: 1) Que a autoridade fiscal considere, em nova apuração do IPI, os valores da aquisição dos softwares, observadas as normas específicas de escrituração previstas no Regulamento do IPI. 2) Que a autuada aponte os elementos que permitiriam a conclusão de que a RFB se manifestou expressamente quanto à classificação fiscal dos produtos constantes dos Ex tarifários relacionados nas fls. 6.787 a 6.797 e, ainda, demonstre que aqueles produtos têm as mesmas características das impressoras por ela industrializadas. A autuada atendeu a solicitação do item 2, acima referido. Em sua manifestação, a autoridade fiscal entendeu ser impossível atender à solicitação que lhe foi dirigida, alegando, em resumo: 1) não se tratar de matéria passível de diligência e 2) que a medida solicitada esbarraria na vedação de revisão do lançamento. Já a autuada reagiu à não realização da diligência a cargo da autoridade fiscal, nos seguintes termos, em resumo: Com a devida vênia, as razões apresentadas pela fiscalização são de toda descabidas e demonstram o descaso com o pleito da Relator designado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora que, como é sabido, possui a prerrogativa de solicitar diligências e perícias com o fito de formação da sua convicção. Nesse diapasão, não se pode afastar o princípio da verdade material no âmbito de decisões em processos administrativos fiscais, tendo em vista que esse é aplicado aos processos judiciais. O Decreto nº 70.235/72 já prevê essa situação: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (…) Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.697 7 Portanto, é inquestionável que o princípio da verdade material deverá subsidiar o processo administrativo, devendo a autoridade julgadora buscar a realidade dos fatos, podendo determinar as diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Identificados por parte da autoridade julgadora, no exercício de suas funções, fatos e circunstâncias que comprovam situação que ensejará alteração de lançamento anterior, a autoridade fiscal tem o dever/poder vinculado e obrigatório de proceder à modificação. Ao apreciar as impugnações, decidiu os julgadores da DRJ/Juiz de Fora converter o julgamento em diligência para duas providências: Uma primeira, a cargo da autoridade fiscal para que realizasse nova apuração do IPI, considerando os valores da aquisição dos softwares como insumos, observadas as normas específicas de escrituração previstas no Regulamento do IPI. A segunda, dirigida à autuada para que, em razão de suas alegações em impugnação, apontasse "os elementos que permitiriam a conclusão de que a RFB se manifestou expressamente quanto à classificação fiscal dos produtos constantes dos Ex tarifários relacionados nas fls. 6.787 a 6.797 e, ainda, demonstre que aqueles produtos têm as mesmas características das impressoras por ela industrializadas." Retornaram os autos da diligência submetendose a julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0537.135, sessão de 12/03/2012, julgou procedente em parte a impugnação dos sujeitos passivos para reduzir a multa de ofício duplicada para o patamar de 75% e excluir as pessoas físicas do polo passivo da autuação em razão de entender não configurada responsabilidade pelo crédito tributário atribuindo pela fiscalização com fundamento no inciso I, do art. 137, c/c inciso II do art. 124, ambos do CTN. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 IMPRESSORAS JATO DE TINTA. CAPACIDADE DE LIGAÇÃO A COMPUTADOR OU REDE. Máquinas impressoras jato de tinta que possuam a capacidade de se ligar a um computador ou uma rede são classificadas no código 8443.32.99 da TIPI (Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 84.43) e 6 (textos das subposições 8443.3 e 8443.32), e Regra Geral Complementar da NCM (RGC/NCM) 1 (textos do item 8443.32.9 e do subitem 8443.32.99). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 7697DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.698 8 AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA RFB. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Se não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela Impugnante, inaceitável o argumento de ofensa aos arts. 100 e 146 do CTN (neste último caso, sobretudo porque referido dispositivo se refere à revisão de lançamento já efetuado e não é disso que trata nos autos). AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. Não se vislumbrando a ocorrência de sonegação pressuposto necessário para aplicação da qualificação imposta pela autoridade fiscal impõese a retirada do percentual da penalidade que excede os 75%. OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora prescinde da ocorrência de qualquer circunstância adicional além do simples descumprimento da obrigação tributária, descabendo, em sede administrativa, a análise das balizas constitucionais da legislação de regência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO ART. 137, I DO CTN. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. Ausente o dolo específico de sonegação (tipo penal apontado pela autoridade fiscal), impossível estender a responsabilidade tributária aos administradores com base no art. 137 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOFTWARES COMERCIALIZADOS COM IMPRESSORAS. VALOR TRIBUTÁVEL. Os softwares fornecidos juntamente com as impressoras, essenciais a seu funcionamento, devem ser considerados partes desses equipamentos e tributados com a mesma alíquotas destas, por aplicação das notas 3 a 5 da Seção XVI do Capítulo 84 da TIPI. MERCADORIAS REMETIDAS À AMAZÔNIA OCIDENTAL. AUSÊNCIA DE PROVA DE INTERNAÇÃO. INAPLICABILIDADE DE ISENÇÃO DO IPI. Não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental (prova de internação), só resta à Fl. 7698DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.699 9 Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificados os sujeitos passivos da decisão, apenas a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo aduzindo os mesmos argumentos de sua impugnação, com fins a combater a autuação e a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Recurso Voluntário O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade, de forma que o conheço. As Matérias suscitadas em recurso voluntário, as quais tiveram alguns de seus argumentos renovados, são as seguintes: a. Classificação fiscal; b. Modificação dos critérios jurídicos do lançamento; c. Valor tributável das impressoras inclusão do software; d. Das mercadorias nacionais remetidas para a Amazônia Ocidental; e. Remessas em bonificação, doação ou brinde f. Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. Passo ao enfrentamento individualizado das matérias. Classificação fiscal A fiscalização colacionou em seu Relatório vários trechos dos manuais dos equipamentos em que se constata com nitidez a dependência funcional das impressoras a um sistema computacional que as controlas; e essa fora a razão para, segundo a aplicação das regras de classificação (Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM), apontar como código correto o 8443.32.99. A AMPLA assevera que a classificação correta é a no código 8443.39.10, pois estabelece no seu texto a expressão "jato de tinta", o que não é contemplado pela classificação efetuada pela fiscalização. Ademais, ainda que como argumento subsidiário, aplicase a Regra de classificação "3c" que estabelece a preponderância da posição situada no Fl. 7699DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.700 10 último lugar na ordem numérica entre as passíveis de serem consideradas, o que faz prevalecer seu entendimento. Sem razão a recorrente. Vejamos as classificações em litígio: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.1 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42: 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si: 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede 8443.32 Outros, capazes de ser conectados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede 8443.32.2 Impressoras de impacto 8443.32.3 Outras impressoras, alimentadas por folhas, com velocidade de impressão, medida no formato A4 (210 mm x 297 mm), inferior ou igual a 45 páginas por minuto (ppm) 8443.32.5 Traçadores gráficos (plotters) 8443.32.9 Outras 8443.32.91 Impressoras de código de barras postais, tipo 3 em 5, a jato de tinta fluorescente, com velocidade de até 4,5 m/s e passo de 1,4 mm 8443.32.99 Outras 8443.39 Outros 8443.39.10 Máquinas de impressão por jato de tinta O art. 16 do RIPI determina que a classificação é realizada em conformidade com as regras estabelecidas pela Nomenclatura Comum do Mercosul NCM1. A aplicação das regras de classificação não se dá ao acaso permitindose escolher qual dos códigos melhor se identifica com a descrição do bem. Ao contrário, a metodologia é lógica e possui regramento jurídico. Impõese que as regras sejam tomadas analisando primeiramente os textos e notas das posições que prevalecem sobre o texto das subposições e níveis, que por sua vez se sobrepõem aos textos dos itens e subitens. A imagem explica os desdobramentos de um código tarifário: 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto. Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Fl. 7700DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.701 11 Se houver a identidade entre a descrição da mercadoria e o texto da subposição de 2º nível (no caso, 8443.32) não se permite avançar para outro código de subposição de 2º nível (o 8443.39, como pretende a AMPLA), ainda que o texto desse traga expressão que acomode uma das características do bem. Destarte, incorreto aplicar de forma a preceder, e em detrimento da Regra 1 e 6, qualquer outra da RGI/SH. Não se quer dizer que é vedada a utilização combinada de duas delas, desde que não contrarie a RGI/SH "1". O fundamento exposto é suficiente para assegurar que os equipamentos não se classificam no código pretendido pela autuada tãosó por conter a expressão "jato de tinta". Não se contesta que o mecanismo tem tal característica, contudo com a aplicação da regra 1 combinada coma 6, ambas da RGI/SH, o texto da subposição de 2º nível 8443.32 " Outros, capazes de ser conectados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" prevalece sobre a residual "outros" da subposição de 2º nível 8443.39. Quanto a aplicação subsidiária da regra "3c", tenho por argumento que não se está diante da situação prescrita na regra "2b" (não se tem dúvida acerca do estado em que se apresenta o produto). Ademais, não restou a impossibilidade de aplicação da Regra 1 combinada com a 6. Verificase de tudo que já consta nos autos, que as impressoras operam mediante controle de um dispositivo computacional na medida em que este comanda e envia as imagens ou textos a serem impressos. Tal controle somente é possível com a instalação de programas (software) de forma que ausente o computador e o software de controle não se estabelece a comunicação nem a transferência do material a ser impresso. Esta qualidade, ou melhor, especificidade do equipamento, somente o torna funcional desde que conectado a um computador, diretamente ou por intermédio de uma rede. Daí que o texto da subposição de 2º nível 8443.32 indica esta a ser adotada nos termos e aplicação da RGI/SH nº 6. Passo adiante é verificar nos textos do item 9 e do subitem 1 e 9, qual se enquadra às características de identificação do equipamento a ser classificado. Por exclusão, dentro do 8443.32.9, temse que a classificação é no código 84.43.32.99. Assim, verificase o acerto da fiscalização, corroborado pela decisão recorrida. De se ressaltar que a impressora com mecanismo de impressão jato de tinta não se mostra relevante dentre os códigos da subposição 8443.32, vez que não se vislumbra tal expressão em seus textos. Fl. 7701DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.702 12 Impende ainda apontar que as Notas explicativas da Subposições 8443.31 e 8443.32 dispõem que o critério “capazes de serem ligados a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede” significa que o aparelho contém todos os elementos necessários que permitem ligálo a uma rede ou a uma máquina automática para processamento de dados por simples ligação de um cabo. A possibilidade de aceitar a adição de um componente (por exemplo, uma placa) que permitiria depois a ligação de um cabo não é suficiente para preencher as condições destas subposições. Pelo contrário, o fato de o componente ao qual se ligará o cabo estar presente, mas inacessível ou de outra maneira incapaz de realizar uma ligação (por exemplo, interruptores que devem ser previamente instalados) não é suficiente para excluir os artigos destas subposições. Por fim, a Solução de Consulta nº 454/2009, e mais recentemente a SC Coana nº 86/20162, espancam qualquer dúvida quanto à classificação dos bens produzidos pela recorrente. Os fundamentos, a identificação e a exata determinação do código tarifário a ser conferido a produto semelhante implica atribuir o mesmo código às impressoras aqui sob análise. Com as razões expostas acima, entendo correta a classificação das impressoras fabricadas pela recorrente no código 8443.32.99 da TIPI. Modificação dos critérios jurídicos do lançamento Cumpre observar inicialmente que este tópico não se relaciona com a análise da classificação fiscal, realizada acima, mas sim a alegação da recorrente de que a Administração Tributária teria fixado entendimento no sentido de considerar correto o código 8443.39.10, o que caracterizaria a prática reiterada e aplicação de seus efeitos. A decisão recorrida aponta para importante marco temporal em que, no âmbito da Receita Federal, a classificação das impressoras analisada nos autos fora consolidada. Tratase da Solução de Consulta nº 454, de 2009 que ao se debruçar sobre as características de impressoras cuja identificação se assemelha às da AMPLA assentou o entendimento de que a classificação correta é no código 8443.32.99. Assim, a modificação deste critério de classificação, em sede de lançamento, por certo haveria de trazer insegurança jurídica e punir a contribuinte por ter adotado orientação que se mostrou incorreta ou fora alterada. Ma não é o que se verifica. Nas peças de defesa a ora recorrente traz escorço do histórico legislativo da classificação fiscal do produto que importou e que passou a industrializar em seu estabelecimento produto que alega ser similar ao importado. De se pontuar que o bem importado estava beneficiado com ex tarifário na NCM 8443.51.00 EX 04, e substituído pelo 8443.39.10 EX 04. Ocorre que, conforme informa a recorrente, após o início da produção no País de impressoras similares às importadas solicitou e foi atendimento pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (MDIC) o cancelamento do Ex tarifário 004, 2 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM: 8443.32.99 Mercadoria: Impressora com tecnologia de impressão por jato de tinta, de grande formato (largura da boca de impressão de 1.118 mm), resolução de 1.440 x 720 dpi, alimentada por rolos de papel, dotada de porta USB para conexão a uma máquina automática para processamento de dados e de porta LAN para conexão a uma rede. Fl. 7702DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.703 13 do código 8443.39.10. Exatamente este é o motivo para não se pleitear o enquadramento de seus produtos no EX do referido código tarifário. Cabe aqui pontuar que as impressoras importadas e as fabricadas pela AMPLA encontram em períodos distintos e submetidas as diferentes atos legais de atribuição de classificação fiscal. Neste ponto, então, já se rechaça qualquer argumento que enaltece a identidade/semelhança entre os bens importados e fabricados no País para que mantenham a mesma classificação tarifária. Conquanto laudos técnicos tenha a presteza e a real assertividade em destacar a semelhança entre tais bens, a identidade de classificação fiscal esbarra nos referidos atos legais que, como bem explicitou e justificou a contribuinte, sofreram alterações com o objetivo de ora dar, ora retirar, benefícios a importadores/fabricantes. A AMPLA sustenta que a impressora que industrializa é de mesmas características que lhe confere similaridade com aquela descrita no extinto ex tarifário e tal fato vem sendo corroborado pela Receita Federal. Aponta então processos em que fora atendida em pedido de retificação da classificação fiscal alterandoa para a 8443.39.10, além de que a própria Receita Federal divulga em sem sítio as importações no referido código tarifário. Analisando esses processos constatase que versam sobre importações em períodos anteriores aos bens aqui analisados e anteriores à edição da SC nº 454/2009. Quanto à existência de importações ocorridas em períodos antes e após a referida SC (2009) nas quais a Receita Federal adotou a mesma classificação pretendida pela AMPLA é equivocada. A recorrente menciona o "anexo XII" (não há documento com tal identificação), que na verdade referese às folhas 6.559/6.623 por si colacionadas, extraídas do sítio na internet do Órgão, como prova da alegação. Depreendese, no entanto, que se trata de uma relação fornecida com informações das importações realizadas, assinalando dados extraídos das DIs (declarações de importação) de mercadorias cujos importadores declararam suas descrições e respectivos códigos tarifário, países envolvidos, quantidades e valores. Correspondem a dados brutos obtidos dos sistemas de comércio exterior e que não revelam o grau de conferência física (canal de parametrização) ou, em especial, procedimento de revisão, que permite inferir que houve ateste quanto ao acerto da classificação fiscal a correspondência com a descrição informada. Entendo que a reclassificação dos produtos não significou atribuir natureza de bem de informática e telecomunicação (BIT) àquele que o legislador definiu como de capital (BK). O procedimento de classificação é de natureza tributária a cargo da autoridade fiscal da Receita Federal, e não a qualquer outro Órgão, que se dá segundo as regras de classificação já expostas mediante a classificação do bem em determinado código tarifário em conformidade com sua identificação. Quanto às resoluções Camex, posteriores a 2009, relacionadas nas folhas 6.789/6.797 em que se concede EX tarifário para produtos considerados bens de capital BK, isto, é, com incentivo, devese apontar que se tratam de atos expedidos nos anos de 2014 e 2014, o que por si só não permite estender ao ano 2011 (período auditado). Fl. 7703DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.704 14 Diante dos fundamentos postos linhas acima, é de se concluir que não restou caracterizada a prática reiterada da RFB no sentido de concordar com a classificação fiscal dotada pela AMPLA, portanto, não merece prosperar o argumento de ofensa ao art. 146 do CTN, como bem delimitado pela decisão recorrida. Destarte, correta a decisão recorrida que concluiu "posto que a Administração Tributária não fixou prática reiterada ou entendimento diverso daquele constante da Solução de Consulta nº 454, de 2009, inaplicável também o prescrito no art. 100 do CTN". Valor tributável das impressoras inclusão do software A AMPLA suscita a impossibilidade de inclusão do valor do software ao da impressora para efeitos de tributação pelo IPI pela simples razão de se tratar de um software de prateleira, assim considerados eis que "são desenvolvidos por empresas distintas da impugnante, além de poderem ser utilizadas em várias outras impressoras que não as fabricadas pela Impugnante". Continuando o raciocínio, defende ser revendedor do software, que por esta característica não faz parte da impressora. Além disso, não é o desenvolvedor do software, trabalho realizado por empresa distinta. Deduziu a decisão da DRJ que ao longo do processo não se estabeleceu controvérsia a respeito do fato de os softwares comercializados juntamente com as impressoras serem de prateleira. De fato, ainda que a AMPLA tenha se insurgido com a autuação no tocante aos software de prateleira, entendo despiciendo o embate acerca da natureza comercial do programa de computador que acompanha as impressoras fabricadas e comercializadas; se softwareprateleira ou softwareserviço. O deslinde da demanda passa pelo necessário questionamento acerca da essencialidade e funcionamento da impressora sem o programa de computador. A análise desses dois elementos (essencialidade e funcionalidade) permitirá firmar posição quanto a natureza de parte integrante ou um mero acessório que acrescenta qualidade ao trabalho de impressão. Se caracterizada como acessório, não se mostra essencial ao funcionamento da impressora; caso contrário, não havendo funcionamento da impressora, ou se revele deficiente, na ausência de seus programas computacionais, será parte integrante, classificado juntamente com o bem e o valor do bem incorpóreo, comporão a base de cálculo do IPI. A partir deste ponto, a questão passa a ser fática, no tocante à comprovação ou não da essencialidade do programa de computador ao funcionamento da impressora. Ao longo dos tópicos "8" a "12" do Termo de Conclusão do Procedimento Fiscal, a autoridade autuante demonstra que analisou vários documentos e manuais pertinentes às impressoras fabricadas pela AMPLA, tendo por conclusão em relação ao programa de computador algumas informações que destaco: Há várias instruções básicas paras o operador instalar os programas que controlam a comunicação com a impressora; Fl. 7704DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.705 15 Capítulo individualizado do manual instruem o operador para o conhecimento e domínio do programa intitulado "Print Control", que controla a configuração e a comunicação da impressora; No capítulo que apresenta o "Sistema de Controle Digital" o manual descreve que a operação do painel também poderá ser executado por intermédio de comandos de computador no programa "Printer Control", que gerencia a comunicação e configuração da impressora; Alguns modelos de impressora podem ter suas opções desabilitadas em razão de desconexão com o computador que "contém o programa gerenciador de impressão Printer Control". No Capítulo seguinte 'Comunicação com o Computador' serão apresentadas as informações sobre a instalação deste programa "São dois os programas necessários para a impressão dos trabalhos: Printer Control e Color Print" (páginas dos manuais de cinco impressoras); O Printer Control é o programa gerenciador de impressão que controla os movimentos, alinhamentos e o envio do trabalho para impressão; O Color Print rasteriza o arquivo enviado preparandoo para impressão pelo Printer Control. Ambos trabalham em conjunto e sincronismo. Em síntese, podese concluir que o programa de computador é elemento indispensável e indissociável (em termos operacionais) ao funcionamento e operação regular da impressora, o que lhe confere a natureza de parte integrante do equipamento. Constam ainda inúmeras instruções nos manuais quanto às instalações dos programas denominados "Printer Control" e "Color Printer" o que leva a crer serem os únicos "apropriados" ou "recomendados". Ora se houvesse a possibilidade de instalação de qualquer programa equivalente, adquirido livremente pelo cliente em qualquer loja especializada é de se esperar que jamais o manual faria referência a um único modelo/marca de software operacional. Até este ponto, entendo fundamentos suficientes a caracterizar a inclusão do valor do software no valor tributável do IPI, entretanto, há mais a acrescentar. Outra abordagem realizada pela fiscalização referese aos contratos de compra celebrado entre a AMPLA e seus clientes para averiguação de qual seria o objeto de fornecimento, ou seja, seu escopo haveria de revelar tão somente a impressora, ou também o programa computacional. Antes de prosseguir, assentese que os argumentos da fiscalização foram firmados no entendimento de que o "valor da operação" é aquele consignado no contrato de compra e venda. Colaciona jurisprudência de tribunais superiores, sendo de relevância transcrever excerto do Resp 721243/PR: "Constitui aliás, por isso mesmo, inadmissível incongruência dizer que a base de cálculo do imposto é o valor da operação da qual decorre a saída do produto, e estabelecer, ao mesmo tempo, que os descontos incondicionais integram essa base de cálculo. O valor da operação é o preço enquanto elemento do contrato de compra e venda, que não se confunde com o preço fixado em Fl. 7705DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.706 16 tese, através de tabela oficial, ou laborada pelo próprio vendedor, para o produto" (STJ. REsp 721243/PR. Rei.: Min. João Otávio de Noronha. 2a Turma. Decisão: 16/08/05. DJ de 07/11/05. ) (sublinhado) . Pois bem. Informa o autuante que mediante intimação obteve contratos de compra e venda de clientes da AMPLA. Via de regra, o objeto é a aquisição de um "equipamento de impressão sistema jato de tinta por um preço total igual à soma dos valores totais da nota fiscal em cuja descrição do produto encontrase consignada a impressora jato de tinta e da nota fiscal em cuja descrição consignase o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento e que com ela é fornecido e a acompanha". Denotase que o cliente adquire juntamente com a impressora o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento, apenas mantendose apartados as respectivas notas fiscais. Ora, ainda que irrelevante a discussão quanto à natureza do software, se de "prateleira" ou "serviço", se nessa última categoria se incluísse, é de se indagar porque o cliente não poderia exercer a prerrogativa de adquirir o produto de qualquer fornecedor de software que universalmente atenderia a qualquer gama de impressora semelhante? A resposta plausível seria que se trata de uma venda pela AMPLA de um equipamento no qual o software é parte integrante. A fiscalização, fundada na conclusão de que o software é parte integrante da impressora, aplicou as Notas 2, 4 e 5 da Seção XVI da TIPI, da Nota 5e do Capítulo 84 da TIPI e das notas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) firmou entendimento que "o respectivo software necessário para o seu perfeito funcionamento e que com ela é fornecido e a acompanha, não tem o condão de conferir a este software classificação diversa daquela a que se atribui à impressora jato de tinta (...)". Assim, entendo incorreto intentar uma classificação tarifária individualizada ao software em apreço; mesmo porque não haveria por se tratar de "serviço" incorporado de forma indissociável à impressora. Se a impressora tem como código tarifário o 8443.32.99 ai também estará o programa de computador, não como um bem individual, mas como um valor acrescentado ao preço total do "conjunto" a ser cobrado ao comprador e incluído na base de cálculo do IPI. Com razão pois a decisão recorrida que manteve o valor do software incluso no valor tributável do IPI. Das mercadorias nacionais remetidas para a Amazônia Ocidental A autuação neste tópico deveuse a falta de apresentação de documentos comprobatórios exigidos no cumprimento dos requisitos para a fruição de isenção, especialmente o que obriga que os produtos remetidos à Amazônia Ocidental sejam adquiridos por intermédio da Zona Franca de Manaus ou de seus entrepostos. Conforme a legislação que trata da Zona Franca de Manaus e a extensão de alguns de seus benefícios à Amazônia Ocidental, são isentas do IPI as mercadorias nacionais re metidas para a referida região, desde que: a) sejam adquiridas através da Zona Franca de Ma naus ou dos entrepostos da referida ZFM nas cidades de Porto Velho, no Território de Fl. 7706DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.707 17 Rondônia, Boa Vista, no Território de Roraima e Rio Branco, no Estado do Acre; b) que sejam destinadas ao consumo ou utilização na referida área. Outra condição para o gozo do favor fiscal é a comprovação da entrada das mercadorias na referida área, que é realizada de com a emissão da Declaração de Ingresso, obtida após a transmissão de dados consubstanciados no Protocolos de Ingresso de Mercadoria Nacional PINs, emitidos pela Superintendência da ZFM. A AMPLA não apresentou as Declarações de Ingresso que poderia comprovar a internação da mercadoria nacional na Amazônia Ocidental. foram apresentadas apenas cópias de notas fiscais de sua emissão e o PIN que demonstra tãosomente a transmissão de dados, mas que efetivamente não comprova tal internação. Portanto, não restando demonstrado o cumprimento dos requisitos para a utilização do benefício fiscal da isenção pela remessa à Amazônia Ocidental, só restou à Fiscalização exigir o IPI não pago com base na alíquota aplicável. Remessas em bonificação, doação ou brinde Nesta matéria, a AMPLA traz como argumento para a não incidência do IPI os mesmos utilizados para refutar a inclusão do valor do programa de computador na base de cálculo do Imposto, em razão de considerálo de prateleira, portanto, uma mercadoria de comercialização passível de bonificação, doação ou brinde. A decisão na matéria reclama os mesmos fundamento para a tributação e classificação do programa de computador. Não se trata de um bem de revenda, mas parte integrante da impressora, e como tal, seu valor compõe a base de cálculo do IPI. Dessa forma, a matéria foi de fato enfrentada pela decisão recorrida conforme argumentos expostos a seguir, com os quais me alinho e também os faço minhas razões final de decidir a matéria: "E o fato de haver notas específicas indicando a venda dos softwares, ainda que em algumas delas haja indicação de que a natureza da saída é bonificação, doação ou brinde, não é relevante para a determinação da base de cálculo do imposto. Primeiro, porque tratandose de apenas um único produto em termos de classificação fiscal (como vimos acima), devem ser somados os valores relativos às saídas das impressoras e dos softwares; segundo, porque as saídas a título de bonificação, doação ou brinde são normalmente tributadas pelo IPI (vide o disposto no art. 192 do Regulamento do imposto)." Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco Conquanto a decisão da DRJ tenha reduzido a multa de ofício ao patamar original de 75%, antes duplicada por circunstância qualificadora, insurgese a recorrente aduzindo tratarse de evidente ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.708 18 Tratase de princípio constitucional que se dirige ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa prevista em legislação não pode ser afastadas pelo Carf pois decorre de expressa disposição de Lei, conforme o art. 26A PAF. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A tributação realizada no presente processo atendeu aos regramentos vigentes, não podendo o autuante, tampouco os julgadores administrativos, afastar qualquer comando normativo, eis que disposto em Leis e Decretos plenamente vigentes no ordenamento jurídico. Ademais, qualquer pronunciamento quanto a inconstitucionalidade de lei é vedado aos membros deste Conselho, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2, segundo o qual o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Recurso de Ofício Atualmente, o recurso de ofício tem por objeto não somente as situações previstas no art. 34, inciso I do Decreto nº 70.235/72 (PAF) 3, pois a redação do § 3º, do art. 70 do Decreto nº 7.574/201, acrescentada pelo Decreto nº 8.853/2016, inclui como tema a ser revisto em instância superior a decisão que excluir da lide sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro da Fazenda, ainda que seja mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Decreto nº 7.574, de 29/09/2011: Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). (...) § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 56, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) 3 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 7708DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.709 19 O valor limite de alçada está previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 10/02/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Os valores exigidos são: IPI R$ 3.097,244,10; multa de ofício (reduzida) R$ 2.322.933,09. Assim, conheço do recurso de ofício que exclui do polo passivo os sócios da pessoa jurídica. A responsabilidade tributária atribuída aos sócios da pessoa jurídica teve fundamento legal no inciso I, do art. 137, c/c inciso II do art. 124, ambos do CTN, que reproduzo: SEÇÃO II Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: II as pessoas expressamente designadas por lei. SEÇÃO IV Responsabilidade por Infrações Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; Percebese claramente que o tipo de responsabilidade acometida às pessoas físicas é a pessoal em razão de prática de infração conceituada por lei como crime. Por ser pessoal, exsurge a obrigatoriedade de se apontar o tipo penal e elemento subjetivo do agente. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.710 20 II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. A decisão recorrida bem analisou as circunstâncias agravantes e qualificadoras da infração apontadas na autuação, contudo, afastouas. Vejamse os fundamentos do relator, com os quais concordo e faço minhas razões de decidir quanto à inexistência de prática de crime de sonegação pelos sócios, necessário a atrair a responsabilidade de que trata o inciso I do art. 137 do CTN: "(...) Como bem lembrado na autuação, a constatação de conduta dolosa adotada pelo contribuinte pode acarretar o agravamento ou a qualificação da penalidade, tudo dependendo da conduta apurada no procedimento fiscal. Mas, detendose especificamente na análise das circunstâncias qualificadoras (sonegação e fraude, além do conluio), ao que tudo indica, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador de todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. No que diz respeito ao IPI, a partir do momento em que o contribuinte emite a nota fiscal, sem que tal documento seja questionado nem do ponto de vista material, nem do ponto de vista ideológico, lá estão expostos todos os elementos constitutivos do crédito tributário, a saber, o sujeito passivo, o destinatário da mercadoria, a natureza desta e do negócio jurídico praticado entre as partes (venda, consignação, transferência etc.). Portanto, neste caso, não há mais que se falar em sonegação ou fraude, porque ausente a conduta tendente a ocultar o fato gerador ou suas características essenciais. Assim, em homenagem ao núcleo da obrigação o fato gerador assume relevo a nota fiscal, sobre a qual deve deitar olhos o Fisco na busca de qualificação da infração praticada: se não há nota, qualificase por ocultação da saída; se há nota, mas o negócio jurídico é diverso do aposto no documento, qualificase por alteração de natureza; se há nota, mas o valor da operação está adulterado, qualificase por alteração de circunstâncias materiais. No que se refere às circunstâncias agravantes, uma análise detida das hipóteses legais de sua aplicação mostra que o agravamento é a forma eleita pelo legislador para reprimir condutas que, se não pertencem ao núcleo da obrigação – leiase fato gerador – gravitam em torno deste como elementos intervenientes de comportamento doloso a ser rechaçado. Notese que o dispositivo pune fatores periféricos ao fato gerador, quais sejam: a reincidência específica, o não cumprimento de solução de consulta, a inobservância de exigências feitas nos livros fiscais e, hipótese recorrente, o artifício doloso na prática da infração ou ainda o retardamento do conhecimento da infração praticada. No caso do dolo, a natureza da intenção do agente infrator, sempre quando não tiver como objeto o fato gerador, não qualifica, mas sim causa agravamento. Explicando melhor, temse que a natureza dolosa da ação do infrator é punida sempre que constatada nos Fl. 7710DF CARF MF Processo nº 11624.720118/201521 Acórdão n.º 3201004.157 S3C2T1 Fl. 7.711 21 elementos periféricos ao fato gerador (entrega de declarações, escrituração desvirtuada etc.); contrário senso, ao se tratar do fato gerador, não teremos o agravamento, mas a qualificação. Nos autos, houve erro de classificação fiscal. Houve a separação das notas fiscais relativas às impressoras e aos softwares que as acompanham. Quanto ao fato de ser obrigatório, para a autuada, o entendimento constante da Solução de Consulta 454, de 2009, tem razão a autoridade fiscal quando menciona a regra geral de que o desconhecimento da norma não pode ser alegado em proveito de seu descumprimento. Mas, no caso concreto, há que se considerar que a referida Solução de Consulta não se aplica a ela, de forma vinculante. Em tese, havendo outra solução em sentido diverso, a autuada poderia até suscitar um processo de divergência. E mais: vêse que uma das causas previstas para o agravamento da penalidade é a falta de observância de solução de consulta em que é parte o agente infrator. Assim, como é possível ter como um dos elementos para a qualificação da conduta da Impugnante o fato de deixar de observar classificação fiscal estabelecida em solução de consulta da qual não foi parte? Portanto, nenhuma das condutas adotadas pela Impugnante ultrapassou o limite acima referido, no sentido de tocar o fato gerador da obrigação tributária. E, assim, não se vislumbra o pressuposto necessário para aplicação da qualificação imposta pela autoridade fiscal, impondose a retirada do percentual da penalidade que excede os 75%." Diante do exposto, não há reparados na decisão da DRJ que excluiu da autuação os sócios LIE TJI TJHUN, CPF nº 275.540.07904, LIE TJI TJEN, CPF nº 168.568.89915 e RICARDO AUGUSTO LIE, CPF nº 044.378.34976. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 7711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900754/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em conseqüência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplica-se o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
Numero da decisão: 1301-000.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em conseqüência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplica-se o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10850.900754/2006-16
conteudo_id_s : 5884028
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.535
nome_arquivo_s : Decisao_10850900754200616.pdf
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 10850900754200616_5884028.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
id : 7370659
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585327992832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900754/200616 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.535 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2011 Matéria COMPENSAÇÃ0/DCOMP Recorrente CALT CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em conseqüência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silvba. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 26/30, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/02, na qual alega, em síntese, que: a) a empresa em questão tem como atividade principal a de "Construção Civil, Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção Civil"; b) a contribuinte ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizou como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que a interessada realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, sem qualquer quantidade; c) tal mudança ocorreu com o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 06, de 13/01/1997, o qual a contribuinte teve conhecimento no ano de 2003; d) foi informado a preencher a PER/Dcomp requerendo a compensação do tributo pago a maior, bem como proceder a retificação de sua DCTF; e) não efetuou a retificação da DCTF, fato que culminou com a nãohomologação dos créditos tributários; f) com a correta aplicação da alíquota, a contribuinte possui um crédito no valor de R$ 1.916,23 (31/01/2001). Ao final, requer a homologação da referida PER/Dcomp e anulação da cobrança. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão AC/DRJ/RPO 1421.711, de 05/12/2008, fls.32, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 2 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida.” É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Alega a recorrente que o indeferimento de seu pleito em primeira instância se deu basicamente pela falta de comprovação documental de suas alegações; tal prova juntamente com o presente recurso se pretende apresentar, conforme a seguir, transcrevo: Trazemos junto a este recurso o Anexo I em que se encontra cópia do contrato de constituição de sociedade empresária limitada e todas as suas alterações, provando a atividade social da contribuinte. O Anexo II é composto pelas DCTFs originais e DCTF retificadoras do período, dando conta da correção pela contribuinte do equívoco perpetrado em seu prejuízo e de seu crédito existente. O Anexo III, por sua vez, é composto pela DIPJ referente ao período (ano calendário 2000), em sua via original e retificadora, dando conta da correção do lançamento de ofício anteriormente feito erroneamente em desfavor desta contribuinte. Acompanha o Anexo IV contratos firmados no 4º trimestre de 2002 entre a contribuinte e a Prefeitura Municipal de Paranapuã SP e com o CEFAM – Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério, nos quais observamos que a execução de seus objetos se deram no regime de empreitada por preço global. Comentando a contratação pública pelo regime de empreitada por Preço Global e por,.Preço Unitário, o eminente jurista Marçal Justen Filho, em sua obra "Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos", Ed. Dialética, 10a edição, asseverou às fls. 103 o seguinte: "Na empreitada, o terceiro executará a prestação (obra ou serviço) com o dever de fornecer os materiais necessários e arcar com as despesas necessárias ao cumprimento da prestação. A remuneração paga pela Administração amortiza as despesas do particular e, supõese, permitelhe auferir um lucro (diferença entre o valor recebido da Administração e as despesas efetivadas para executar a prestação)". Ainda em relação ao período em análise nos presentes autos, destacamos os documentos que compõem o Anexo V, quais sejam as "Nota Fatura de Prestação de Serviço" (no 530, 531, 532, 533, 534, 535, 536 cancelada, 537, 538 e 539), dando conta de que o faturamento informado pelo contribuinte em sua DCTF e DIPJ retificadoras foram pela efetivação de serviços no regime de empreitada por preço global, com fornecimento de materiais. Válido destacar que sobre o faturamento documento por faturas que não incluíram fornecimento de materiais incidiu a alíquota de 32% e não a de 8%, como, a propósito, se observa pelas declarações anexas decorrentes do cumprimento de obrigações acessórias. O Anexo VI é composto pelas notas fiscais de entradas das mercadorias empregadas pela contribuinte na execução das obras no regime de empreitada por preço global. Finalmente, observase pelas faturas apresentadas que os serviços foram prestados a diversos órgãos públicos e, dessa forma, maior credibilidade deve ser dada aos documentos fiscais, até porque tais órgãos são objeto de constantes fiscalizações pelo próprio Tribunal de Contas e auditorias internas. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 3 5 Depreendese que a lide gira em torno do alegado direito creditório, decorrente de recolhimento indevido/a maior de IRPJ. Tal recolhimento teria sido feito equivocadamente pela interessada, em face da aplicação do percentual de 32% à totalidade de sua receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido, em lugar do percentual de 8%, que seria o correto para a atividade por ela exercida, que afirma ser de construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, pelo que junta farta documentação probatória. Em conseqüência, estaria provado o direito creditório por ela pretendido. Neste mister, com a devida vênia faço meus os argumentos despendidos no voto/relatório em processo equivalente e da mesma recorrente (10820.900117/200851), da lavra do eminente Conselheiro Waldir Veiga Rocha, com as devidas adaptações que os dados do presente processo requer: O primeiro ponto a ser apreciado é, então, a possibilidade de retificação da DCTF. Sobre a matéria, considero pertinente a análise do art. 147 do CTN, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Embora o artigo acima transcrito não seja, em primeira análise, diretamente aplicável ao caso concreto, visto que a DCTF não se presta ao lançamento de tributo mas sim à confissão de débitos tributários e ao fornecimento de informação à autoridade administrativa sobre a forma de sua extinção, seu parágrafo primeiro traz disposições sobre a retificação de declarações que bem podem orientar a decisão a ser tomada. Senão vejamos. Na hipótese de redução ou exclusão de tributos, o texto legal impõe restrições à retificação da declaração com base na qual a autoridade administrativa haverá de efetuar o lançamento. Isso tendo em vista a proteção ao crédito tributário, interesse indisponível, como cediço. Tais disposições são também aplicáveis à situação vertente, em que a retificação da DCTF, se aceita, implicará redução do valor do débito anteriormente confessado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, apurado pelo próprio sujeito passivo. A propósito, assim leciona Leandro Paulsen1: Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o § 1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 12ª Ed. Revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2010, pág. 1026. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações. [...]. Tenho, assim, que a questão a ser dirimida reside na prova do alegado erro, e no momento de sua apresentação. A princípio, todas as provas deveriam ser apresentadas juntamente com a impugnação, a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre, entretanto, que o Despacho Decisório de fl. 01, ao não reconhecer o direito creditório trazido à compensação, baseouse unicamente na análise do DARF e sua alocação aos débitos então declarados. A declaração retificadora foi apresentada em 16/05/2008. O questionamento sobre a redução do débito de IRPJ correspondente ao quarto trimestre de 2002 de R$ 6.953,93 para R$ 1.738,48 somente foi trazido a lume durante a apreciação do litígio em primeira instância. Nessas condições, os mesmos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/1972 anteriormente citados, especificamente o § 4º, inciso “c”, do art. 16, prevêem que a prova possa ser apresentada posteriormente. Passo, então, a analisar os documentos acostados aos autos pela interessada, a fim de verificar se socorrem sua pretensão, em face da legislação aplicável. Acerca do percentual aplicável, a disposição legal pertinente se encontra na Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] A disciplinar a matéria, foi editada a IN SRF nº 11/1996 e, posteriormente, a IN SRF nº 93/1997, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF nº 011, de 21 de fevereiro de 1996 Art. 3º A partir de janeiro do anocalendário de 1996, a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 4 7 [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997 Art. 3º À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observado o disposto no § 6º do artigo anterior. § 1º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 2º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. [...] Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; Em 1997, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13/01/1997 estabeleceu com clareza qual seria o percentual a ser aplicado para determinação da base de cálculo do imposto de renda na atividade de construção por empreitada (grifos não constam do original): O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Esse entendimento se encontrava sedimentado, havendo inclusive soluções de consulta nesse sentido, entre as quais menciono a SC SRRF07 84/2002, SC SRRF08 36/2003 e SC SRRF08 278/2004. As alterações posteriormente introduzidas com o advento das IN SRF nº 480/2004 e IN SRF nº 539/2005 não alcançam os fatos geradores de que aqui se trata. Conforme visto na breve resenha da legislação, nos termos do ADN COSIT nº 6/1997, o percentual aplicável na determinação do lucro presumido seria de 8%, caso se tratasse de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Sustenta a recorrente que essa seria exatamente sua situação, pelo que pleiteia a retificação do valor de imposto devido, daí exsurgindo, em decorrência, o direito creditório por pagamento em valor maior que o devido. Três são, então, os aspectos a serem verificados, cumulativamente: (i) se as atividades exercidas pela interessada, que deram origem às receitas auferidas, o são pela modalidade de empreitada; (ii) se essas atividades são de construção; e (iii) se há prova de ter havido, na execução dessas atividades, o emprego de materiais fornecidos pela interessada. Quanto ao primeiro ponto acima, considero não haver dúvidas. Ensina a doutrina que empreitada é o contrato em virtude do qual um dos contratantes comete a outro a execução de um determinado serviço, compreendendo tanto a empreitada de obra ou de construção, como a empreitada para a feitura de qualquer outra espécie de trabalho ou serviço (segundo De Plácido e Silva). Essa modalidade contratual é regulada pelos arts. 610 a 626 do Código Civil/2002. De se concluir, assim, que a empreitada não é exclusivamente aplicável à execução de obras de construção civil, podendo ser contratada, sob essa modalidade, a realização de qualquer outra espécie de trabalho ou de serviço. Compulsando os autos encontro diversas cartas de atendimento a Cartas Convite publicadas por órgãos públicos dos municípios de Jales/SP e Paranapuã/SP, para obras civis tais como: realização de reforma no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – CEFAM; construção de vestiários e palco para a quadra de escola municipal; colocação de grades de proteção na CEFAM; realização de instalação elétrica na CEFAM; em todos os casos, acompanhadas de planilhas que especificam em detalhes as obras a serem realizadas, inclusive os materiais a serem aplicados. Também de especial relevância as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pela interessada, cujas cópias se encontram juntadas. Não obstante não tenham sido apresentados todos os contratos, a descrição dos serviços permite a conclusão de que se trata de construção por empreitada. Finalmente, no que toca ao emprego de materiais, é de se ressaltar que em todas as notas fiscais apresentadas a interessada especifica que os serviços prestados em obras de construção civil diversas incluem mãodeobra e materiais, tal como previsto nos contratos apresentados. Tal destaque é corroborado pelas diversas notas Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10850.900754/200616 Acórdão n.º 1301000.535 S1C3T1 Fl. 5 9 fiscais de aquisição de insumos os mais diversos aplicáveis aos serviços prestados pela contribuinte. Tenho, assim, por atendidos e comprovados os três requisitos delineados pelo ADN COSIT nº 6/1997, pelo que o percentual aplicável à receita bruta auferida pela interessada com a atividade de construção por empreitada com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido, deve ser de 8%. A somatória das notas fiscais apresentadas coincide rigorosamente com os valores que constam da DIPJ retificadora para o quarto trimestre de 2002, sendo o imposto calculado a partir daí o mesmo valor que consta da DCTF retificadora. Diante do exposto, a retificação pretendida deve ser aceita. Considerandose que o débito de R$ 1.738,48 foi integralmente extinto em 31/03/2003 mediante o DARF quitado no valor de R$ 2.119,07 mais juros de R$ 65,59, o direito creditório aqui invocado pelo contribuinte, no montante de R$ 2.179,03 deve ser reconhecido, com a conseqüente homologação da compensação declarada neste processo até aquele limite. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000761/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/05/2007
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 3201-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/05/2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12689.000761/2007-33
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879139
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.932
nome_arquivo_s : Decisao_12689000761200733.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 12689000761200733_5879139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7361747
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585351061504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 263 1 262 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.000761/200733 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.932 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria ADUANEIRO. Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/05/2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 07 61 /2 00 7- 33 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 264 2 Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: DO LANÇAMENTO Versa o presente processo sobre a lavratura de quatro Autos de Infração (AI), às fls. 02 a 23 do processo digital, em 20.06.2007, por auditor da Alfândega do Porto de Salvador/BA, em razão de a mercadoria importada, através da Declaração de Importação (DI) nº 07/05767838, Adição 001, registrada nessa Alfândega em 04/05/2007, terse beneficiado indevidamente de destaque tarifário (EX), que reduzia a alíquota do Imposto de Importação (II) incidente sobre ela, de 14% para 8%, o que acarretou a alteração da base de cálculo do IPI e das contribuições. O primeiro AI, às fls. 02 a 06, levantou a cobrança da diferença do II, no valor de R$ 604.909,44, acrescido da multa de ofício de 75%, no montante de R$ 453.307,08, totalizando o crédito tributário correspondente a este AI o valor de R$ 1.057.716,52 (um milhão, cinquenta e sete mil, setecentos e dezesseis reais e cinquenta e dois centavos). O segundo AI, às fls. 07 a 10, lançou a diferença do IPI, no valor de R$ 30.520,47, acrescida de R$ 22.890,35, correspondente à multa de ofício, totalizando R$ 53.410,82 (cinquenta e três mil, quatrocentos e dez reais e oitenta e dois centavos). O terceiro AI, às fls. 11 a 14, promoveu o lançamento da diferença da Cofins, no valor de R$ 10.885,79, acrescida da multa de ofício de R$ 8.164,34, totalizando R$ 19.050,13 (dezenove mil, cinquenta reais e treze centavos). E o quarto e último AI, às fls. 15 a 18, lançou a diferença do PIS, no valor de R$ 2.363,37, acrescida de R$ 1.772,53 correspondente à multa de ofício, totalizando R$ 4.135,90 (quatro mil, cento e trinta e cinco reais e noventa centavos). O crédito tributário totalizou a soma final de R$ 1.134.313,37 (um milhão, cento e trinta e quatro mil, trezentos e treze reais e trinta e sete centavos), de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e Dados do SIEF, às fls. 19 a 23. Na descrição dos fatos, às fls. 03 a 05 e 08 a 11, a autoridade lançadora apurou, em resumo que: 1. Crédito com a exigibilidade suspensa: O crédito tributário lançado estava com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do Mandado Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 265 3 de Segurança objeto do processo judicial n° 2007.33.00.007483 4, em tramitação na 12° Vara da Justiça Federal da Bahia, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional (CTN). Afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, este deverá, conforme teor e extensão do julgado, recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição na dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União. 2. Mercadoria não enquadrada em Destaque Tarifário (EX): Verificou a autoridade lançadora que na DI nº 07/05767838 (Adição 001), amparado por decisão liminar em MS (2007.33.00.0074834), o contribuinte não efetuou o recolhimento integral do II, porque, com base na decisão judicial prolatada, utilizou alíquota do II reduzida para 2%. Consequentemente, o recolhimento do imposto foi efetivado em valor inferior ao correto (alíquota regular de 14%). 3. Reconstituição das bases de cálculo do IPI, Cofins e PIS: A autoridade lançadora apurou, ainda, que, na DI citada, ao amparo de liminar concedida no MS mencionado, como o contribuinte aproveitou a redução da alíquota do II, de 14% para 2%, não efetuou o recolhimento integral do IPI, da Cofins e do PIS, em razão do valor do II, que integra a base de cálculo desse imposto e dessas contribuições, ter sido calculado à alíquota de 2%, acarretando o recolhimento a menor desse imposto e dessas contribuições. DA IMPUGNAÇÃO A empresa autuada foi cientificada dos lançamentos em 21.06.2007 (em campos próprios dos AI), e apresentou, em 23.07.2007 (tempestivamente), a sua defesa, às fls. 25 a 49 (averbação aposta nesse documento pela autoridade administrativa competente, à fl. 25), complementada pelos documentação de fls. 50 a 154 (1º volume) e 155 a 189 (2º volume), (Contrato Social da empresa, Procuração, extratos da DI, Conhecimento de Carga e Fatura Comercial, material técnico a respeito do produto e cópia do MS impetrado/ liminar concedida). Serão apresentadas a seguir as razões da defendente, resumidas por esta relatora e agrupadas em tópicos, para facilitar a explanação: Na preliminar: 1. Mandado de Segurança e Liminar concedida: Discorreu sobre a necessidade de aumento da capacidade de produção da matériaprima com a qual trabalha, paraxileno, Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 266 4 bem como da modernização de sua planta industrial para aumento de sua competitividade. Informou que importou "Grids" para colunas de absorção seletiva destinados a purificação de Paraxilenos, sendo cada interno constituído por 8 ou 10 telas em aço carbono perfuradas, linhas de tubulação, vigas, juntas com gaxetas, utilizados para separar leitos de sólidos absorventes e permitir distribuição de fluxo de processo”, componentes que só eram encontrados em fornecedores localizados no exterior e que, em função da ausência de produto similar fabricado pela indústria nacional, tais operações contariam com uma significativa redução da alíquota do II incidente sobre tais aquisições (de 14% para 2%) a ser concedida. Diante disso, iniciou as negociações junto aos fornecedores internacionais, protocolando em 12.02.2007 e 05.03.2007, respectivamente, junto à Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) o seu pleito de redução do II na forma de "ex tarifário". Todavia, em face da iminência da chegada dos bens em território nacional e “...ante a inércia da Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio em responder os pleitos tempestivamente protocolados”, ajuizou em 26.04.2007, mandado de segurança de cunho preventivo (n.° 2007.33.00.0074834), para suspender a exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2% e preservar o direito à fruição da benesse fiscal entre a data de concessão do pedido judicial e a análise definitiva do pleito de redução do imposto formulado junto ao Mdic. Deferida a liminar em 04.05.2007, com ciência à autoridade aduaneira, ela registrou a DI n° 07/05767838, na mesma data (em 04.05.2007), com retificações em 18 e 21.05.2007, apresentando, ainda, laudo pericial, atestando a identificação das mercadorias para que fossem enquadradas no "ex tarifário" pleiteado. Após o desembaraço das mercadorias, em processo de revisão aduaneira, as autoridades fiscais lavraram os AI ora impugnados para exigência das diferenças de II, IPI, PIS e Cofins, supostamente recolhidos a menor e decorrentes da operação de importação sob análise. 2. Nulidade dos lançamentos relativos às contribuições: Discorreu sobre a nulidade dos lançamentos promovidos pela fiscalização, uma vez que os AI sequer traziam discriminação da base de cálculo e das alíquotas utilizados no cômputo das contribuições, limitandose a evidenciálas e a deduzir as parcelas já recolhidas pelo sujeito passivo, sem discriminar a sua origem, o que maculou os lançamentos, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto n. 70.235, de 1972 (preterição do direito Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 267 5 de defesa) e do artigo 119, inciso I, do CTN (falta de elementos suficientes para determinar a infração e o infrator). No mérito: 3. Direito à redução da alíquota do II antes do fato gerador: Afirmou, por outro lado, que a acusação fiscal partiu da falsa premissa de que a impugnante não teria direito à redução da alíquota do II quando da ocorrência do fato gerador do tributo em análise (data do registro da DI, em 04.05.2007) e alegou que, após o ajuizamento do MS, (antes do registro da DI, em 26.04.2007), foi publicada, em 04.05.2007 (mesma data de registro da DI), a Resolução Camex n.° 15, de 2007, concessiva do benefício fiscal almejado pela impugnante, referente ao produto por ela importado, a saber: “001 Conjuntos rotativos "rotor plafe", partes da válvula rotativa de distribuição de fluxo no processo de purificação de paraxileno, compostos por chapa metálica circular usinada em aço carbono, 7 linhas de tubulação em aço carbono, 7 juntas de expansão em aço inox e 1 membrana de vedação em teflon, acionada hidraulicamente, com temperatura de 177°C e pressão entre 10 e 13kgf/cm2(g) ". Argumentou que na data da ocorrência do fato gerador do II (04.05.2007), a empresa já detinha o direito de aplicação da alíquota de 2% no cálculo desse imposto incidente sobre o produto importado. Portanto, independentemente do desfecho do MS, a impugnante tem direito à aplicação da alíquota reduzida de 2%, sendo improcedente a ação fiscal. Ressaltou que a eficácia do provimento judicial cessa quando da decisão final do Mdic, e se a decisão final desse órgão foi proferida antes da ocorrência do fato gerador do II, a improcedência da acusação fiscal independe da análise do pleito lançado em juízo, visto que a discussão administrativa (ora instaurada) e a discussão judicial (em curso) operam em planos distintos e fundamse em razões diversas. A ação judicial objetivou a suspensão da exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2%, enquanto que a presente ação administrativa fundamentouse na consolidação do direito à fruição da benesse fiscal na data da ocorrência do fato gerador do II. 4. Portaria Camex concessiva do "ex tarifário": Argumentou que, além da Resolução mencionada, foi editada, em 28.06.07, a Resolução Camex n° 22, de 2007, que também respaldou a aplicação da alíquota reduzida no que tange a outras mercadorias por ela importadas. Questionou, a seguir, a eficácia das normas que veiculam o regime "ex tarifário": se constitutivas, devese concluir pela sua eficácia prospectiva, se meramente declaratórias de um direito Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 268 6 já consolidado anteriormente, sua eficácia declaratória tornase inarredável. Registrou que os argumentos levantados nos AI não apresentam conexão com aqueles defendidos nos autos do MS 2007.33.00.0074834, donde conclui que a sua análise não prejudica o andamento do feito na esfera judicial, nem vice versa, porque fundamentamse em razões diversas. Repisa que, enquanto a ação judicial teve por base a desídia do Mdic, e objetivava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário que ultrapassasse a alíquota de 2%, o presente argumento fundase na eficácia declaratória das normas da Secex/Camex e tem por objeto um ato legal já publicado "in concreto", além da improcedência da acusação fiscal formulada. Citou o artigo 34, § 1º, alínea “a”, e § 2º da Lei n° 3.244/57, com a redação dada pelo Decretolei nº 63/66, que disciplinava a concessão de isenção ou redução de caráter geral, relativamente ao II, quando houvesse escassez da produção nacional de determinada matériaprima/produto de base, ou a produção nacional desses produtos fosse insuficiente para atender ao consumo interno. Complementou a sua citação com os artigos 17 e 10 do Decretolei nº 36/66 (produto sujeitos à similaridade nacional para efeito do benefício fiscal); Mencionou, ainda, o artigo 153, §1° da CF/88, combinado com o artigo 92 do Decreto n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro) c/c Lei n° 8.085/90, com redação da MP 2.15835, de 2001 (delegação à Camex para alteração das alíquotas do II), e a Resolução n° 35, de 2006, da Camex, que disciplina o processo de redução das alíquotas do II de bens de capital, de informática e de telecomunicações, sem produção nacional. Acrescentou que não se pode admitir a frustração dos textos legais, seja no que diz respeito aos requisitos legais para fruição da isenção (ausência de similar nacional), seja no que tange ao cumprimento dos prazos regulamentares para o atendimento dos pleitos de redução do II, cumpridos pelo importador. Ademais, dentre os dispositivos legais e regulamentares citados no AI, inexiste determinação legislativa expressa que exija a edição da Res. ou Portaria em data anterior à ocorrência do fato gerador como condição para fruição da benesse fiscal, nos termos do artigo 120 do Regulamento Aduaneiro, §4º, e artigo 193. Hipótese diversa seria se a impugnante não tivesse logrado êxito junto à Camex. No entanto, se seu pleito foi acolhido (ainda que em data posterior ao registro da DI), a prevalência da redução tributária se impõe, donde se conclui pela improcedência do AI lavrado para a cobrança do II e dos demais lançamentos efetivados em outros AI presentes neste processo para a cobrança de imposto (IPI) e contribuições (Cofins e PIS) reflexos. Diante do exposto requereu fosse julgado totalmente improcedente os AI impugnados, afastandose, em definitivo a sanção aplicada. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 269 7 É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/REC n.º 1141.181, de 27/05/2013 (fls. 196 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/05/2007 Ação Judicial. IPI, PIS e Cofins lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento, pela autoridade administrativa, da diferença dos impostos e contribuições devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses impostos e contribuições, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em consequência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança da alíquota integral do II, que redundou, por alteração na base de cálculo, na cobrança do IPI e das contribuições. Multa de ofício. Falta de recolhimento do II, IPI e contribuições. Descabe o lançamento de multa de ofício de 75% proporcional à diferença dos impostos e das contribuições não recolhida, por gozo indevido de benefício fiscal, quando a suspensão da exigibilidade do débito deuse antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 25 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega não haver identidade de matéria nas esferas administrativa e judicial e ser direito seu a aplicação da alíquota reduzida do II no percentual de 2%. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 270 8 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Segundo consta dos autos, a fiscalização efetuou lançamento de ofício para exigir II, IPI, PISImportação e CofinsImportação, multa de ofício e juros de mora, em razão de a Recorrente ter se beneficiado indevidamente de "extarifário" (redução do II, de 14% para 2%, reduzindo, por consequência, os valores do IPI e das contribuições). Noticiase que a Recorrente pleiteou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC uma redução do II na forma de "ex tarifário", instruindo o pedido, para o produto que visava importar, com um atestado de inexistência de produção nacional emitido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas. Diante da demora na apreciação do pleito, ingressou com o Mandado de Segurança MS preventivo tombado sob o nº 2007.33.00.0074834, objetivando beneficiarse da "isenção parcial" do II requerida e a suspensão da exigibilidade dos tributos aduaneiros até julgamento do mérito da ação mandamental. As autoridades impetradas foram os Inspetores da Alfândega do Aeroporto Internacional de Salvador e do Porto de Salvador. Impugnada a exigência, a DRJ manteve a autuação, reconhecendo caracterizada a concomitância de matéria entre as esferas administrativa e judicial, e exonerou, por isso mesmo, a multa de ofício. No recurso voluntário, a Recorrente alega inexistir a reconhecida concomitância e sustenta ser direito seu a aplicação da alíquota reduzida. Não é, contudo, o que comprova o seguinte parágrafo da petição inicial, o qual encerra o pedido principal da ação judicial antes referida (fl. 94): Atestada a presença da iminente coação a ser perpetrada, requer a Impetrante, com fulcro no artigo 7o da Lei n.° 1.533, que V.Exa. se digne concederlhe, sem ouvida do Impetrado, MEDIDA LIMINAR, determinando às autoridades coatoras que procedam ao registro da declaração de importação com a isenção parcial almejada pela Impetrante e conseqüente desembaraço das mercadorias importadas (referidas no curso da presente vestibular), independentemente do pagamento do imposto de importação com alíquota superior a 2%, cuja exigibilidade restará suspensa até ulterior deliberação desse juízo, ficando preservada a verificação, por parte das autoridades aduaneiras, dos demais requisitos exigidos no curso do despacho aduaneiro. Caso assim não entenda esse juízo, pugna pela concessão do depósito judicial da quantia controversa, o qual restará liberado ao fim da presente ação. (...) seja CONCEDIDA A SEGURANÇA, garantindo o direito líquido e certo da Impetrante à fruição da isenção parcial do imposto de importação (patamar superior a alíquota de 2%) incidente sobre as operações descritas no curso da presente vestibular até Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 271 9 que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior aprecie, em decisão final, os pedidos de reconhecimento de redução do imposto em testilha. Notese que, muito embora o que se convém chamar de isenção parcial não tenha o mesmo significado de uma redução de alíquota, está claro que o objeto da ação judicial – o pedido, a pretensão deduzida pelo autor da demanda levada à apreciação do EstadoJuiz – coincide com o objeto do presente processo administrativo. Na lição de FREDIE DIDIER, "O pedido é o núcleo da petição inicial; a providência que se pede ao Poder Judiciário; a pretensão material deduzida em juízo (e que, portanto, vira pretensão processual); a consequência jurídica (eficácia) que se pretende ver implementada através da atividade jurisdicional. É, como dito alhures, o efeito jurídico posto como causa de pedir" (DIDIER, Fredie, Direito Processual Civil, 6ª ed., Salvador: JusPODIVUM, 2006, p. 376). Ora, no caso em tela, a ação mandamental visou assegurar o direito, no dizer da Recorrente "líquido e certo", à fruição da isenção parcial do II (redução de alíquota), enquanto não decidisse o MDIC a respeito do pedido que aquela formulara. De conseguinte, os objetos da ação mandamental e do presente processo administrativo coincidem. Vejam que, para a Recorrente, a ação judicial objetivou apenas a suspensão da exigibilidade do II que ultrapassasse a alíquota de 2%, enquanto que o presente processo administrativo fundamentouse na consolidação do direito à fruição da benesse fiscal na data da ocorrência do fato gerador do II. É o que afirma. Entretanto, parecenos evidente que, ainda que a tal "isenção parcial" requerida só vigorasse enquanto não decidido o pleito da Recorrente, a verdade é que, nesse contexto, afastouse, neste período, a regra geral tributária (a regra matriz de incidência) e fez se incidir, por norma individual e concreta (a decisão judicial precária), uma regra isentiva (melhor dizendo, uma redução de alíquota). Não fossem os objetos da demanda judicial e do processo administrativo idênticos (ao menos em parte), sequer a Recorrente poderia ter deixado de recolher o II e demais tributos, de forma que a liminar não a socorreria. Quando a condição resolutiva fosse implementada – a decisão administrativa do MDIC –, aí caberia verificar se os tributos então não recolhidos seriam ou não devidos. De todo modo, o Fisco estava impossibilitado de exigir os tributos respectivos, sobrandolhe apenas o lançamento para prevenir a decadência, o que, como já antecipamos, findou por ser feito. Daí o acertado cancelamento da multa de ofício pela DRJ, uma vez que a liminar foi concedida antes da ciência do auto de infração. Concluindo, temos aqui aplicável a Súmula CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12689.000761/200733 Acórdão n.º 3201003.932 S3C2T1 Fl. 272 10 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720016/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO.
A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte.
Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador.
Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada.
UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL.
A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique.
Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal.
LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos.
ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA.
O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos.
EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE.
A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação refere-se à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado.
DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA.
Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
Numero da decisão: 1201-002.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que dava parcial provimento ao recurso, apenas para afastar a glosa relativa ao 1º (primeiro) ágio. Vencida também a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
EDITADO EM: 08/07/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio torna-se ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE. A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação refere-se à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado. DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720016/2016-65
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880003
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.247
nome_arquivo_s : Decisao_16327720016201665.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720016201665_5880003.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que dava parcial provimento ao recurso, apenas para afastar a glosa relativa ao 1º (primeiro) ágio. Vencida também a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator EDITADO EM: 08/07/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7363331
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585365741568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720016/201665 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.247 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 16 /2 01 6- 65 Fl. 1618DF CARF MF 2 ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS. INOCORRÊNCIA. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico o que exclui do seu campo de abrangência a operação que envolve partes independentes com interesses diametralmente inversos. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. PREÇO. PROJEÇÃO BASEADA NA MÉDIA DO LUCRO DE PERÍODOS ANTERIORES. REACIONAL VÁLIDO. POSSIBILIDADE. A expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação referese à capacidade de geração de caixa futura da empresa adquirida. Tal projeção pode ser feita através da apuração de histórico de lucros de períodos passados vez que a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade dos resultados obtidos pela empresa no passado. DA FORMA DE ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO ÁGIO POR VÍCIO NA ESCRITURAÇÃO. ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, a mera ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013, 2014 CSLL. ÁGIO. REFLEXO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães que dava parcial provimento ao recurso, apenas para afastar a glosa relativa ao 1º (primeiro) ágio. Vencida também a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 3 3 Luis Fabiano Alves Penteado Relator EDITADO EM: 08/07/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 19/01/2016, contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo MPF nº 0816600.2014.00308, relativos a fatos geradores ocorridos nos ANOS CALENDÁRIO 2012, 2013 e 2014 que resultaram na constatação de ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (ágio): CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL e MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Conforme DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA LUCRO REAL, foram apuradas infrações cujos créditos tributários autuados perfazem o montante de R$ 573.471.060, 85, no qual encontrase incluída a multa de ofício de 150%, a multa isolada e os juros de mora calculados até janeiro de 2016. Do auto de infração lavrado em relação ao IRPJ apurado, constam as seguintes infrações: Dedução indevida de amortização de ágio Primeiro Ágio O objeto da fiscalização é a verificação da apuração do IRPJ e CSLL nos anos calendário 2012, posteriormente ampliado para os anoscalendário 2013 e 2014, em especial a dedução de pretenso ágio com fundamentação em rentabilidade futura escriturado quando da aquisição pelo Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A — doravante "CS" de 100% das ações da sociedade HedgingGriffo Investimentos S.A. II HGIII, ocorrida em 20 de dezembro de 2006, com fechamento em 01 de novembro de 2007 e posterior incorporação em 28 de julho de 2008. A HGIII sociedade do tipo "holding", constituída em 07/06/06 sob a denominação de HedgingGriffo Equities Administradora de Recursos S.A, fazia parte do Fl. 1620DF CARF MF 4 Grupo HedgingGriffo HG composto por empresas operacionais e não operacionais do tipo "holding", conforme quadro abaixo que retrata a composição societária em 18/10/07: As despesas com amortização de ágio durante o período compreendido nos anoscalendário 2008 a 2011 são decorrentes de eventos societários ocorridos nos anos calendário 2006 e 2007, os quais demonstraram ter por finalidade criar uma situação que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os benefícios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999. Conforme documento datado de 20 de dezembro de 2006 "Contrato de Compra e Venda de Ações" entre Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. ("Compradora") e as Pessoas Físicas elencadas nas páginas de assinatura ("Vendedores") e como intervenientes HedgingGriffo Investimentos S.A., HedgingGriffo Asset Management S.A., HedgingGriffo Serviços Internacionais Ltda. e HedgingGriffo Corretora de Valores SA. ("Sociedades Adquiridas") cujo objeto foi a aquisição de 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da HG Investimentos, equivalentes a 50% + 1 das ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas"). O valor da transação estabelecido foi de R$ 635.000.000,00, a ser pago em quatro parcelas anuais de R$ 158.750.000,00, a partir da data de fechamento prevista para ocorrer entre 30 de junho e 31 de dezembro de 2007, observadas as condições contratuais, sendo que cada pagamento estaria sujeito com correção diária pela variação do CDI. Ainda na data de fechamento seria firmado acordo de acionistas para reger a administração dos negócios após a efetivação da transação. Consta ainda do contrato a previsão de que seria levada a efeito no Grupo HG uma reorganização permitida, reorganização societária interna das Sociedades Adquiridas a ser concluída antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o Negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado entre as partes. Passase neste momento a analisar a reorganização societária que antecedeu a incorporação da HGIII pelo CS, ora recorrente. Originalmente, o controle acionário das sociedades componentes do Grupo HG era exercido na sua totalidade por um grupo de 76 pessoas físicas, das quais 4 com participação majoritária. Em cada sociedade havia uma composição diferente de acionistas pessoas físicas e respectivas participações. Em 19/12/2006, a estrutura societária do Grupo HedgingGriffo era o seguinte: Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 4 5 O Grupo HG desenvolvia atividades diversificadas no mercado financeiro e de capitais nacional, até então de forma independente, a saber, prívate banking, gestão de ativos e corretora de valores, através de empresas operacionais tais como HedgingGriffo Serviços Internacionais S.A. – HGSI, HedgingGriffo Asset Management SA. – HGAS, e HedgingGriffo Corretora de Valores S.A. HGCV.Também faziam parte do Grupo as empresas operacionais HG Equities e HG Administradora de Fundos. Constatase que, apesar de toda a reorganização societária realizada até o momento anterior ao fechamento da aquisição pelo CS de participação societária majoritária no Grupo HG não sujeita a incorporação, o controle acionário total de 100% das empresas operacionais e não operacionais nunca deixou de ser exercido direta ou indiretamente pelas 76 pessoas físicas acionistas e quotistas do Grupo HG, tendo por único objetivo a transferência do controle societário direto ou indireto de suas empresas operacionais para a HedgingGriffo Investimentos S/A HGI CNPJ 08.138.922/000171, conforme previsto no Contrato de Compra e Venda de Ações "Reorganização Permitida" e de 50% mais uma de suas ações desta para a HGIII, conforme aditivo. Fl. 1622DF CARF MF 6 Na outra ponta a HGIII, CNPJ 08.111.476/000101, passou a deter metade mais uma das ações da HG Investimentos CNPJ 08.138.922/000171. Em 28 de fevereiro de 2007 efetivamente a HG Investimentos passou a deter direta ou indiretamente 100% do controle acionário das sociedades operacionais HG Asset, HG Serviços Internacionais e HG Corretora de Valores. O restante do controle acionário da HG Investimentos passou a ser exercido 50% menos uma ação por HedgingGriffo Investimentos S.A. I – HGII,CNPJ 07.995.528/000197. A HGII foi extinta por incorporação pela própria HG Investimentos em 18 de outubro de 2007, ficando as 50% menos uma ação sob propriedade das pessoas físicas. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 5 7 Assim, a HedgingGriffo Investimentos S.A. II HGIII, ocupou o lugar da HG Investimentos como a sociedade adquirida em conjunto com as demais sociedades adquiridas pelo CS no fechamento da transação, em 1 de novembro de 2007, conforme quadro abaixo: Fl. 1624DF CARF MF 8 No fechamento, o objeto da compra e venda passou a ser a totalidade das ações da HGIII, a sociedade adquirida pelo CS em conjunto com as demais "Sociedades Adquiridas". Em 28 de julho de 2008 a HGIII foi extinta por incorporação ao CS a valores contábeis, R$ 154.491.019,89, conforme AGE, Protocolo de Incorporação e Laudo de Avaliação de ambas sociedade.De especial interesse no "Acordo de Acionistas" o fato de que a gestão das empresas adquiridas permaneceu com os antigos sócios majoritários, agora minoritários, corroborando informação constante no despacho do CAPE acima mencionado. Regularmente intimada a apresentar documentação relativa à aquisição e incorporação da sociedade HedgingGriffo, bem como demonstrar o ágio apurado e deduzido no período em análise e informar o embasamento legal que suportasse sua dedutibilidade, apresentou expediente onde informa que o CS comprou integralmente a HGIII, empresa detentora do controle acionário de empresas operacionais grupo HedgingGriffo, em novembro de 2007, após aprovação do Banco Central do Brasil, conforme contrato de compra e venda. A empresa foi incorporada pelo CS, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28 de julho de 2008 pelo valor patrimonial de R$ 154.491.019,88. Escriturou em seus livros um ágio por expectativa de rentabilidade futura de R$ 634.869.890,34 a ser amortizado num prazo de 74 meses, conforme Relatório de Avaliação Econômico Financeira emitido pela Ernst & Young. Na seqüência afirma: "Considerando que em julho de 2008 o CS incorporou a HGIII e o ágio gerado na referida operação tem com fundamento a expectativa de rentabilidade futura, as amortizações passaram a ser uma despesa dedutível, para fins de apuração do imposto de renda e contribuição social, com base no inciso 111 do art. 386 do Decreto nº 3000, de 1999." fiscalização considera indedutível a escrituração do ágio e da subseqüente dedução de sua amortização levada a efeito pelo CS na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. A fiscalização reputa inadmissível a dedução de ágio por não ter havido a efetiva incorporação das sociedades adquiridas. Regularmente intimado a esclarecer a fundamentação legal para a apuração deste ágio e seu tratamento tributário, o CS indicou o embasamento como enquadramento legal no RIR/99 artigo 386, inciso III valor da rentabilidade futura da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Além do motivo acima indicado se verifica ainda a utilização de "empresa veículo" sem propósito negocial, bem como o fato de que, por ocasião da aquisição da participação acionária, o CS não indicou na sua escrituração contábil qual o seu fundamento bem como não possuía o demonstrativo que suportasse a classificação do ágio como sendo fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Pelos três motivos acima indicados entende esta fiscalização não terem sido atendidos os requisitos legais que suportassem a dedutibilidade do ágio, sendo obrigatório sua adição na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 6 9 Concluiuse, após o término da fiscalização, que efetivamente se caracterizou todo o planejamento tributário engendrado por CS e Grupo HG não como uma operação de aquisição de controle acionário entre partes independentes com ágio baseado em rentabilidade futura com posterior incorporação da sociedade controlada , mas sim como uma aquisição majoritária de participação acionária, na qual não seria admissível a dedução da amortização do ágio efetivada pelo CS por não haver se concretizado de fato a incorporação de sociedades conforme pretendido pelas partes. Ainda que se pudesse considerar o planejamento tributário executado pelas partes como válido, o pretenso ágio foi, segundo a fiscalização, incorretamente classificado pelo CS como baseado em "expectativa de rentabilidade futura". O objeto da transação era a aquisição de 50% mais uma ação da HG Investimentos e demais sociedades adquiridas e não de 100% das ações da HGIII: apesar de que no final o resultado tenha sido o mesmo, esta mudança por ocasião do fechamento se mostrou supostamente sem propósito negocial. Comprovouse a impossibilidade de considerar o ágio como fundamentado em rentabilidade futura pelo fato de o demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação 14 de maio de 2008, em total desacordo com o previsto no caput e § 3º do artigo 385 do RIR 1999. Foi reputado pela fiscalização que, em não havendo qualquer indicação da fundamentação econômica do ágio e na ausência do demonstrativo exigido legalmente nesta data, por exclusão, uma vez que é prérequisito indispensável para classificação nos incisos I ou II do § 2º do artigo 385, o investimento e respectivo pretenso ágio foi avaliado pelo inciso III do § 2° deste mesmo artigo, isto é, fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A fiscalização encontra justificativa no fato de o relatório ter sido elaborado posteriormente poderia levar a uma situação não de todo incomum em que o valor do ágio escriturado quando do fechamento da transação R$ 634 milhões poderia ser superior ao valor indicado na avaliação pela "expectativa de rentabilidade futura" realizada depois de sete meses, situação esta decorrente até mesmo a fatores alheios ao controle entre as partes, tais como alterações das condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial. A partir destas afirmações, restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária como "total, 100%" e não apenas "majoritária, 50% mais uma ação", aliada à caracterização de ágio de maneira diversa da real " expectativa de resultados futuros" e não "outras razões econômicas'' e daí para frente simulados também os demais atos encadeados, em especial a "formal" "incorporação de sociedade" que não ocorreu de fato, o fiscalizado impediu dolosamente, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL de acordo com o art. 72 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964. A base legal para cobrança da multa qualificada de 150%, pelo evidente intuito de fraude é o art. 44, § 1º e inciso II "b" da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14. Fl. 1626DF CARF MF 10 Dedução indevida de amortização de ágio Segundo Ágio O auto de infração ora em discussão tem como objeto também um chamado "segundo ágio" a partir de 2012 que se refere à aquisição de 50% mais um ação do Grupo HG, conforme descrição abaixo que trago do TVF: 5.1.2 Da aquisição de 50% menos uma ação do Grupo HG – formação e amortização do segundo ágio – a partir de 2012. Concluído o entendimento relativo à aquisição do primeiro lote de ações –participação majoritária – passamos a analisar a aquisição do segundo lote de ações – saldo de ações de propriedade dos vendedores – compra esta que transformou o grupo HG em subsidiária integral do CS. Regularmente intimado a apresentar documentação societária relativa à incorporação da sociedade Hedging Griffo verificada em 2012 – item 3 do TIF nº 01 de 12 de dezembro de 2014, ciência via postal em 17 de dezembro de 2014; após solicitar prorrogação de prazo em 06 de janeiro de 2015, atendeu ao requerido através de expedienteresposta recepcionado nesta DEINF em 16 de janeiro de 2015, a saber: (...) Solicitado a apresentar – item 4 do mencionado TIF nº 01 demonstrativo de apuração, contabilização e amortização bem como embasamento legal, relacionou através do mesmo expedienteresposta o que segue: (...) Conforme disposição do citado “Acordo de Acionistas”, a partir de 31 de dezembro de 2011 e por um prazo de 04 (quatro) meses, ambas as partes poderiam exercer direitos em relação às ações remanescentes, representadas por 49,575% do capital social da CSHGI: melhor explicando, os antigos acionistas do grupo HG por sua iniciativa poderiam vender as ações remanescentes ao CS, bem como o CS poderia comprar o restante das ações possuídas pelos acionistas do grupo HG, mediante simples notificação do exercício desta opção. Efetivamente, conforme “Notificação de Exercício de Opção de Compra”, datado de 24 de abril de 2012, o CS exerceu sua opção de compra da agora CSHG Investimentos, conforme segue: (...) Conforme cláusulas 7.1.(a) e (b) do citado Acordo de Acionistas, o valor do exercício da opção de compra equivaleria a dez vezes a média do lucro líquido ajustado nos anoscalendário 2009 a 2011, conforme segue: (...) Após elaboração de Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal em 04 de março de 2015, ciência via postal em 06 de março de 2015 e em 27 de abril de 2015, ciência via postal em 29 de abril Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 7 11 de 2015 e com base na análise da documentação apresentada, formulouse nova intimação – Termo de Intimação Fiscal nº 02 de 26 de junho de 2015, ciência via postal em 02 de julho de 2015 – na qual se solicitaram diversos esclarecimentos adicionais. Em 17 de julho de 2015 o CS solicitou prorrogação de prazo, tendo atendido ao TIF nº 02 através de expediente resposta recepcionado nesta DEIN em 10 de agosto de 2015, apresentando comprovantes de efetivo pagamento da aquisição de participação acionária e respectiva retenção na fonte e prestou as seguintes informações: " Justificar a elaboração de laudo de avaliação por Ernst & Young Terco em data posterior à de aquisição de participação com ágio 18 de julho de 2012 x 12 de junho de 2012, em especial o fato de não embasar previamente o valor da transação mas apenas para justificar a sua amortização com base em expectativa de rentabilidade futura. O CS contratou a Ernst & Young Terco (E&Y) no mês de Maio de 2012, antes da data de aquisição da segunda parcela das ações da HG, para elaboração de laudo de avaliação. Entretanto, a E&Y finalizou os trabalhos, com a respectiva emissão de Laudo, apenas em 18/07/2012. Ressaltamos que, de acordo com a conclusão do referido laudo (item 9.1), a E&Y estimou o valor da CSHG em 2.559 milhões. " Conforme o citado Acordo de Acionistas, o valor de R$ 1.198.510.415,55 foi pago em quatro parcelas de R$ 299.627.508,00, parcelas estas acrescidas de juros pelo CDI, sendo a primeira em 12 de junho de 2012 e as demais no dia 02 de janeiro anos de 2013, 2014 e 2015, conforme “Demonstrativo de pagamento e retenção na fonte” apresentado pelo CS. Através desta aquisição o CS passou a deter 100% das ações da CSHG I. Com a efetivação em 12 de junho de 2012 da aquisição de 49,58% das ações da CSHG Investimentos – apurado patrimônio líquido total em maio de 2012 de R$ 174.836.511,58 e patrimônio líquido adquirido equivalente a 49,58% igual a R$ 86.675.200,62 o CS registrou ágio na conta 2.1.2.10.15.0914 “ÁgioCSHG o valor de R$ 1.111.835.214,93 com o histórico “2221 Ágio na Aquisição de Investimento”, sem indicar sua fundamentação legal. Conforme demonstrativo, o ágio, pretensamente fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”, passaria a ser amortizado em 84 parcelas de R$ 13.236.133,51. Em 18 de julho de 2012 foi elaborado por Ernst&Young Terco “Laudo de Avaliação da Credit Suisse Hedging Griffo Investimentos S.A.” Fl. 1628DF CARF MF 12 Em 31 de julho de 2012 conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária às 10:00 horas a CS incorporou a valores contábeis a Credit Suisse Hedging Griffo Investimentos S.A e passou a amortizar mensalmente o referido ágio na conta 8.1.9.99.00.426 “Amortização Ágio ref Aquisição HG”, perfazendo o total de R$ 79.416.801,06 no anocalendário 2012 – de julho a dezembro de 2012, 6 parcelas de R$ 13.236.133,51. Cabe observar que esta é a mesma conta na qual já vinha sendo lançada a despesa de amortização do primeiro ágio descrito no item 4 deste TVF, em contrapartida à conta redutora 2.1.2.10.15.0944 “Amortização de Ágio”. Ainda em 31 de julho de 2012 conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária às 12:00 horas o CS incorporou também a Credit Suisse Hedging Griffo Participações Financeiras S.A. CSHG – Participações, a valores contábeis: com este último evento societário o CS finalmente concluiu seu planejamento tributário iniciado em 2006, passando a controlar diretamente 100% das empresas operacionais do então grupo HG, a saber, CSHG Corretora de Valores S.A., CSHG Serviços Internacionais Ltda. e CSHG Asset Management S.A. Cabe observar que este último evento não influencia em nada a presente auditoria. Já mais de um ano antes do prazo para o exercício de opção – início de 2012 o mercado financeiro especulava qual seria o novo arranjo entre CS e o senhor Luis Stuhlberger, conforme artigo disponível no site do Valor Econômico em 27.09.2010, transcrito a seguir: (...) Também mais próximo à aquisição, a imprensa especializada deu o devido destaque , conforme reportagem disponível no site do Valor Econômico em 22.08.2011: (...) Ambas reportagens indicam um “modus operandi” típico de uma “Parceria/ Associação” mais de que uma incorporação: cabe destacar a manutenção de estruturas administrativas duplicadas, a transferência de carteiras de negócios, a manutenção da “grife” Hedging Griffo” mesmo após a compra da totalidade de suas ações e por fim e não menos importante a existência de cláusulas de barreira de impedimento do senhor Luis Stuhlberger e sua equipe de abrirem concorrência ao CS até 2015. Com a proximidade do fim da cláusula de barreira, as partes negociaram nova forma de associação, também noticiada pela imprensa, disponível no site http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,creditsuisseelu isstuhlbergerviramsocios,181586e, Economia – Estadão, caracterizada por um planejamento conhecido como “casa/separa/casa”: (...) Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 8 13 Por fim trazemos descrição da operacionalização desta nova forma de parceria, obtida de “Prospecto” do fundo “CSHG DIVIDENDOS” CNPJ 05.586.710/000169, conforme segue: (...) Por fim cabe observar que as principais fontes de receita proveniente dos negócios adquiridos são a “taxa de administração” e a “taxa de performancegestão”, sendo que ao longo de todo o período em análise – 2006 a 2015 – suas receitas foram alocadas/realocadas entre as partes conforme acordos operacionais e de parceria – conforme citado nas reportagens acima mesmo após a aquisição de 100% da HG pelo CS. 5.2 DO DIREITO APLICADO Regularmente intimado a esclarecer a fundamentação legal para a apuração deste segundo ágio e seu tratamento tributário, o CS indicou como embasamento a “EXPECTATIVA DE LUCROS FUTUROS”, enquadramento legal no RIR/99 – artigo 386, inciso III – valor da rentabilidade futura da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. O dispositivo legal citado foi incorporado ao RIR/99 em combinação com seu artigo 385, a seguir transcrito em conjunto com o artigo 386, que trata da dedutibilidade do eventual ágio apurado quando de incorporação da sociedade em que estiver escriturado. (...) Como visto acima, a dedutibilidade do ágio, quando fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”, passa a ser aceita na legislação tributária no momento em que ocorre a incorporação, assim entendida como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (Lei das S.A. Lei n º 6.404, de 1976, art. 227; Código Civil Lei n º 10.406, de 2002, art. 1116). Desaparecem as sociedades incorporadas, permanecendo, porém, com a sua natureza jurídica inalterada, a sociedade incorporadora. Preliminarmente e apenas a título de argumentação, esta fiscalização afirmou quando da auditoria da primeira aquisição pelo CS de 50% mais uma das ações das empresas operacionais do Grupo HG, aquisição esta viabilizada através da utilização de empresaveículo CSHGII, que havia impossibilidade legal desta incorporação, uma vez que não houve a aquisição de 100% de participação societária nas empresas operacionais, mas apenas de 50% mais uma das suas ações. Foi aventada na impugnação e julgamento de primeira instância a possibilidade de outras formas de aquisição, tais como Fl. 1630DF CARF MF 14 incorporação de ações mediante troca de participações acionárias, tornandose os antigos donos do Grupo HG sócios do CS, ou ainda a compra pelo CS de participações de acionistas dissidentes: ocorre que qualquer uma destas hipóteses diferente da aquisição direta foi vedada por expressa disposição contratual, item 8.2 letra (c) do “Contrato de Compra e Venda de Ações” firmado em 20 de dezembro 2006, a seguir transcrito: (...) Esta segunda aquisição foi o fechamento da utilização de planejamento tributário abusivo com a finalidade única de obter vantagens tributárias indevidas na apuração do IRPJ e CSLL, mediante dedutibilidade de amortização de um novo segundo pretenso ágio fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura” . Cabe observar que a natureza comercial do negócio entre os grupos CS e HG se caracterizou mais como uma “Parceria/ Associação” , mesmo que juridicamente tenha o grupo HG se transformado em subsidiária integral do CS, inicialmente com a aquisição em 2006 de participação majoritária e posteriormente com a aquisição do saldo de ações em 2012, conforme será demonstrado nesta auditoria. Esta fiscalização reputa inadmissível a dedução da amortização do segundo ágio pelas razões a seguir individualizadas: • Para efeitos legais e tributários, a segunda aquisição de participação societária se trata de uma nova operação, desvinculada da primeira aquisição; • A aquisição da segunda parte de ações se deu entre “partes relacionadas”; • Não houve a incorporação das sociedades efetivamente adquiridas, quais sejam, as empresas operacionais do grupo HG. A dedução da amortização do ágio somente foi possível mediante a utilização de “empresaveículo”, a CSHGI, sociedade sem propósito negocial; • O valor da transação – 10 vezes a média do lucro líquido dos anos calendário 2009 a 2011 foi préestabelecido em Acordo de Acionistas e não guardou relação com “expectativa de rentabilidade futura; • a apuração de ágio pretensamente fundamentado em rentabilidade futura visou apenas a obtenção de benefícios fiscais. Por ocasião da aquisição da participação acionária o CS não indicou na sua escrituração contábil qual o fundamento do ágio; • Não possuía na data da aquisição do segundo lote de ações o demonstrativo que suportasse a classificação do ágio como sendo fundamentado em “expectativa de rentabilidade futura”; • O Laudo de Avaliação elaborado posteriormente à data de aquisição das ações se mostrou tecnicamente falho e imprestável para a finalidade pretendida. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 9 15 Pelos motivos acima indicados entende esta fiscalização não terem sido atendidos os requisitos legais que suportassem a dedutibilidade da amortização do ágio, sendo obrigatório sua adição na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL no período em análise, conforme demonstrado a seguir. 5.2.1 Ausência de vinculação entre a primeira e a segunda aquisição de participação acionária. Caracterização de ato jurídico independente. Preliminarmente cabe observar que, apesar de prevista como possível em Acordo de Acionistas firmado quando da primeira aquisição de ações, esta segunda aquisição se configura como um novo ato jurídico independente, devendo observar as disposições legais do artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, que determina a forma de contabilização da transação “por ocasião da aquisição da participação” e como tal será analisado por esta auditoria. O Acordo de Acionistas firmado quando da aquisição de metade mais uma das ações do grupo HG previu em sua cláusula “7” e itens apenas e tão somente a possibilidade de exercício de uma opção de compra e venda do restante das ações , não obrigando de forma alguma as partes a efetivarem esta opção. O mesmo Acordo previu a sua autoextinção em caso do não exercício da opção, conforme sua cláusula 9.3, letra (b) a seguir transcrita: (...) Caso houvesse a obrigação de exercício de venda ou compra pelas partes, tal cláusula seria totalmente desnecessária, comprovando nossa tese de que a aquisição de 49,58% das ações da CSHGI se trata uma transação independente da primeira aquisição de participação acionária e como tal deve ser tratada. Também a forma de cálculo do preço da segunda aquisição – 10 vezes a média do lucro dos anos 2009 a 2011 – indica se tratar de uma nova transação: apenas a título de argumentação, caso se pudesse ligar a primeira à segunda aquisição, o preço poderia ser os mesmos R$ 635.000.000,00 pagos por 50% das ações corrigidos pela variação do CDI, sem a necessidade de estabelecimento de um novo critério de valor. Por fim e não menos importante, o CS formalizou em 18 de maio de 2012 processo administrativo junto ao Conselho Administrativo de Direito Econômico CADE do Ministério da Justiça “Ato de Concentração” nº 08012005636/201262 , cuja cópia integral passa a fazer parte inseparável deste processo. Fosse uma mesma operação em relação à primeira aquisição, não haveria necessidade de tal providência pelo CS. Fl. 1632DF CARF MF 16 Segundo a Fiscalização a aquisição do segundo lote de ações se deu entre "partes relacionadas" o que impossibilitaria a avaliação do valor da transação pelo critério de "valor justo", conforme também delineado no TVF: Caracterizada a transação como um ato jurídico independente, no momento de sua efetivação em junho de 2012, e ao contrário do afirmado pelo CS em resposta ao item 7 do TIF nº 02, a compra e venda de ações da CSHGI se deu entre “partes relacionadas”, fato este que por si só já inviabiliza a dedutibilidade da amortização do ágio, pela impossibilidade de determinação de um valor justo de mercado para a transação. O reconhecimento do ágio gerado em 12 de junho de 2012 pela compra e venda de ações da CSHGI não encontra respaldo na Teoria Contábil, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época de registro do ágio, a empresa adquirente – CS era detentora de 50% mais uma das suas ações, enquanto os vendedores as pessoas físicas relacionadas no anexo B do “Acordo de Acionistas” firmado em 2007 – eram detentores de 50% menos uma das ações envolvidas na operação, ou seja, já eram sócias entre si na própria sociedade objeto da transação, além de compartilharem a gestão dos negócios, o que caracteriza se tratar de uma transação entre partes relacionadas. A vedação ao reconhecimento de uma mais valia gerada de uma transação entre partes relacionadas advém da Ciência Contábil e foi consagrada pelo Conselho Federal de Contabilidade que enunciou esse impedimento, expressamente, como conseqüência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante artigo 7º da Resolução CFC nº 750/93, in verbis: (...) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 que, em seu item 120, assim determina: (...) No mesmo sentido, o item 47 do Pronunciamento Técnico CPC 04/2008 e o item 47 da Resolução CFC 1.139/2008 dispõem que: (...) Portanto, se os atos expedidos pelo CFC vinculam os contabilistas, uma vez que sua inobservância pode caracterizar infração no exercício da profissão, a mesma sorte acompanha as pessoas jurídicas, cujas demonstrações financeiras são elaboradas por tais profissionais. Neste sentido lecionam os professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, in “A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade” (http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf) consoante excerto do referido artigo, a seguir transcrito: Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 10 17 (...) Percebese que a doutrina contábil rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente, uma vez que a ausência de independência entre as partes interessadas no negócio impede a fixação do chamado valor justo a ser tomado como referência para o reconhecimento ou não da formação da mais valia. Ou seja, o efetivo valor econômico de uma empresa depende do que o mercado está disposto a pagar por ela, entendendose por mercado, todavia, um ambiente negocial livre e aberto, com a interveniência de agentes econômicos independentes, o que não ocorre no caso concreto. Neste sentido, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia responsável pela fiscalização e regulação do mercado de valores mobiliários também condena o reconhecimento de ágio em operações realizadas dentro mesmo grupo econômico. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14/02/2007, em conformidade com outros atos anteriores, expressa esse entendimento: (...) Cabe observar que a CVM, quando diz que “ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários”, não está afirmando que as operações de reestruturação societária que geram ágio interno têm cobertura legal, mas sim, ressalvando que elas podem até terem sido efetuadas de acordo com o procedimento previsto na lei societária, isto é, precedidas das formalidades nela previstas, como protocolo e justificação de incorporação, avaliação patrimonial, assembléias de aprovação das companhias envolvidas, que, entretanto, não alteram o fato de que elas não se revestem de substância econômica passível de registro pela Contabilidade, consoante excerto do mesmo Ofício Circular: (...) A CVM adverte que a mera observância das formalidades previstas na lei societária não é condição suficiente para reconhecer o ágio surgido em uma determinada operação, sendo necessário observar, também, requisitos materiais, como a independência das partes, pagamento e um efetivo ambiente concorrencial. Desta maneira, em consonância com o princípio contábil do registro pelo valor original, somente uma transação entre agentes independentes daria respaldo ao reconhecimento de um ágio. A impossibilidade de se contabilizar o ágio gerado internamente está ligada ao Princípio do Custo como Base de Valor, que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo. Fl. 1634DF CARF MF 18 Se o ágio intragrupo não é reconhecido pela lei societária e pela Contabilidade, também não o será pela lei tributária, por força do disposto nos artigos 247 e 274 do RIR/99. Em síntese, o ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre sócios de uma mesma entidade, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Nessa situação, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. De fato, a amortização do ágio interno configura despesa não incorrida, visto que a sua indedutibilidade repousa em vício na sua própria origem, ou seja, antes de se apresentar inadmissível a sua amortização fiscal, não se reconhece a própria formação desse ágio, por ausência de substância econômica. Continua ainda a Fiscalização em seu racional que considera ambos os ágios indedutíveis: A fim de se prevenir eventual alegação do CS de que a primeira aquisição de ações e o consequente “Acordo de Acionistas” foram realizados entre “partes independentes” e que a possibilidade da segunda aquisição estava prevista no referido “Acordo”, inclusive com o estabelecimento de critérios para o estabelecimento do preço da transação, não há como considerar estes fatos como determinantes da “independência” entre as partes: Primeiro, como já provado, se trata de um novo ato comercial e jurídico, completamente independente, sendo o “Acordo de Acionistas” um documento que não obrigou as partes a qualquer efetivação de uma segunda aquisição de ações, mas apenas estabeleceu condições para o exercício de opção. Segundo, o estabelecimento a priori de critério para o preço da transação – 10 vezes a média do lucro líquido dos anos calendário 2009 a 2011 – enquanto válido para a determinação de um valor justo para transações entre partes independentes – não pode ser considerado como um critério válido para nosso caso em auditoria, uma vez que o lucro líquido de cada exercício foi fruto da gestão compartilhada dos próprios acionistas compradores e vendedores, que continuaram à frente dos negócios do novo grupo CSHG. Melhor explicando, apesar do critério ser conceitualmente válido, sua aplicação prática ao nosso caso o invalida, pela “contaminação” decorrente da apuração dos resultados pelos próprios interessados. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 11 19 Não cabe a esta auditoria avaliar eventual “vantagem” ou “desvantagem” que cada uma das partes possa ter contabilizado, apenas se constata a transação como efetuada entre partes relacionadas e portanto sem possibilidade de apuração de um valor justo. Esta fundamentação também será melhor desenvolvida quando da análise do “Laudo de Avaliação”. Apenas para prevenir possível alegação do CS de que o Contrato de Compra e Venda de 2006, Capítulo I “DEFINIÇÕES” , item “Afiliação” dispõe que “...a titularidade das Ações Objeto de Opção de Venda e das Ações Objeto de Opção de Compra (conforme definido no Acordo de Acionistas) não será considerado Afiliação”, e portanto a segunda aquisição se deu entre parte não relacionadas, considerase que esta cláusula particular é nula de pleno direito, não podendo se opor às definições acima apresentadas relativas à caracterização de transações entre “partes relacionadas”. Sua simples existência demonstra a convicção de se tratar uma operação entre partes relacionadas. 5.2.3 Da ausência de incorporação de fato das sociedades negociadas –utilização da CSHGI como empresa veículo sem propósito negocial. Em sua obra “Planejamento Tributário”1, Marco Aurélio Greco denomina como as aqui descritas de “operações preocupantes” e dedica um capítulo ao estudo dessas operações. Além das “operações em sequência” já acima mencionadas, reproduzse a seguir as demais lições desse autor relativas à situação ora em análise: (...) Caracterizase, assim, como sem propósito negocial a utilização da CSHG I na reorganização societária levada a efeito pelo Grupo HG. A direta observação da seqüência de operações leva a se concluir de pronto pela impossibilidade de dedução de amortização de ágio como pretendido pelo CS pelo simples fato de que, apesar de negociado o saldo de participação minoritária das sociedades adquiridas, esta negociação se deu através de uma empresa veículo, sem propósito negocial– a CSHG I e não das sociedades operacionais do grupo HG que permanecem ativas até o presente momento, ou seja, não houve a incorporação que possibilitaria, em tese, a dedução da amortização do segundo ágio. A utilização da sociedade CSHG I caracterizase como sem propósito negocial, a conhecida “empresaveículo” já bem definida na jurisprudência administrativa que trata da matéria e conforme detalhado no item 4.2.2 deste TVF. Com a aquisição do segundo lote de ações, a definição de fato para o negócio deixou de ser a inicial “aquisição de Fl. 1636DF CARF MF 20 participação societária majoritária no Grupo HG pelo CS”, para a “aquisição total do Grupo HG”: neste segundo estágio da operação e como no primeiro estágio os dois grupos econômicos acordaram com a manutenção conjunta da gestão das sociedades adquiridas com os antigos vendedores Fundadores remanescentes. Efetivamente, a transação entre CS e Grupo HG representada nesta fase pela “conclusão da aquisição em duas etapas do Grupo HG”, caracterizouse como realizada entre os dois grupos econômicos para exploração recíproca de suas bases de clientes mediante oferecimento de novas linhas de produtos, conforme noticiado pela imprensa à época da primeira aquisição e válida também para a segunda aquisição e novamente transcrito a seguir: (...) Conforme descrito quando da aquisição do primeiro lote de ações, também no final do processo concluído com a aquisição do segundo lote de ações, o CS efetivamente não incorporou ao seu patrimônio as “Sociedades Adquiridas”, apesar de deter a totalidade de suas ações. Melhor explicando, as “Sociedades Adquiridas” continuaram ativas, mesmo após passarem a ter 100% de seu controle acionário detido pelo CS. A utilização de empresa veículo para a formação de ágio, no caso a CSHG I, reforça a conclusão de diversidade de propósito negocial, uma vez que, se fosse o caso, o CS poderia ter adquirido o controle acionário individual de cada sociedade negociada. Apenas a título de argumentação e sem discutir o direito de livre organização e iniciativa das empresas, o verdadeiro propósito negocial de exploração recíproca de bases de clientes para o oferecimento de produtos complementares poderia ter sido alcançado sem a necessidade de toda a reorganização societária levada a efeito, mas simplesmente mediante a assinatura de um “ACORDO OPERACIONAL”, com ou sem exclusividade, como efetivamente fez a CSHG Corretora de Valores com os Bancos Credit Suise Investimentos e Credit Suisse Múltiplo. Por fim e não menos importante cabe observar que a alegada eficiência administrativa utilizada como pretexto para justificar toda a engenharia societária praticada pelas partes não merece guarida, pois o próprio grupo CS, antes de adquirir o grupo HG, já possui em sua estrutura o controle de 100% de sociedades e/ou objetivos sociais equivalentes aos das Sociedades Adquiridas, conforme extraído de sua DIPJ, ficha 62, “Participações Permanentes em Coligadas e Controladas”, a saber: • Banco Credit Suisse (Brasil) S.A. • Credit Suisse (Brasil) CTVM • Credit Suisse (Brasil) DTVM S.A. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 12 21 • Nova Sede Empreendimentos S.A. • Credit Suisse (Bahamas) Ltda. Transcrição do Item IV do “Ato de Concentração” do CADE acima citado comprovam a identidade de mercados explorados pelas partes, conforme segue: (...) A identidade com o HG da gama de operações financeiras desenvolvidas pelo próprio Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) mais suas controladas comprovam a ausência de propósito negocial no planejamento tributário utilizado no caso em análise. Melhor explicando, bastaria ao grupo CS “recepcionar” os profissionais e as operações do grupo “HG”, mediante a simples contratação destes profissionais e transferência de sua carteira de operações e clientes às respectivas congêneres, seja através de aquisição direta ou até mesmo através de celebração de “Acordo Operacional” como já acima citado, sem prejuízo de aquisição da marca “Hedging Griffo”. Tese da defesa quando da primeira autuação, cita a hipótese de que se justifica a aquisição de um restaurante famoso apenas quando junto se mantém seu “chefe de cozinha” e equipe reconhecidos pela qualidade de seus serviços: pois bem em nosso caso não haveria necessidade alguma de se adquirir o “restaurante”, pois o CS já possuía este tipo de estabelecimento, podendo apenas contratar o “chefe de cozinha” e sua equipe, no caso, o sr. Luiz Stuhlberger e demais componentes do grupo HG, ou ainda estabelecer uma parceria do tipo “franquia” muito comum neste mercado de alimentação. Concluímos por todo o exposto que efetivamente se caracterizou todo o planejamento tributário engendrado por CS e Grupo HG não como uma operação de aquisição de controle acionário entre partes independentes com ágio baseado em rentabilidade futura com posterior incorporação da sociedade controlada, mas sim como uma aquisição de controle acionário, onde não seria admissível a dedutibilidade da amortização do ágio efetivada pelo CS por não haver se concretizado de direito e de fato a incorporação de sociedades objeto da negociação, as empresas operacionais do grupo HG. Fato recente comprova nossa tese: conforme amplamente noticiado pela imprensa, já em meados de 2014 e capitaneado pelo sr. Luiz Stuhlberger foi acordada sua saída do grupo CSHG com a fundação de uma nova gestora que contou com o próprio CS como sócio minoritário, arranjo este levado a efeito logo após o fim do “Período de Restrição” em 1º de janeiro de 2015 e o pagamento da quarta parcela devida pela aquisição em 2012. Fl. 1638DF CARF MF 22 5.2.4 Valor da transação determinado por múltiplos de média de rentabilidade passada Descaracterização do pretenso ágio como “EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA” Ainda que se pudesse considerar o planejamento tributário executado pelas partes como válido, vale observar que também o segundo pretenso ágio foi incorretamente classificado pelo CS como baseado em “expectativa de rentabilidade futura”. O TVF também aponta vício formal que impossibilita a dedução do ágio apurado: 5.2.6 Ausência de indicação na escrituração contábil do embasamento legal do ágio. (...) 5.2.7 Ausência de demonstrativo exigido por lei no momento da aquisição do investimento pelo CS – Deficiências técnicas e Imprestabilidade do relatório para a finalidade pretendida. Ainda que superadas todas as argumentações anteriores, comprovase a impossibilidade de se considerar o pretenso ágio como fundamentado em rentabilidade futura pelo fato do demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação – 12 de julho de 2012 versus 12 de junho de 2012 respectivamente em total desacordo com o previsto no “caput e § 3º do artigo 385 do RIR/99: Por fim, a fiscalização aponta que houve intuito de fraude na conduta do contribuinte o que justificou a aplicação da multa qualificada: 6. DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA O negócio jurídico, para traduzirse em um comportamento elisivo, legalmente aceito, não pode fraudar o sistema normativo em que foi erigido. O negócio jurídico indireto é composto por vários negócios jurídicos e é suficiente que apenas um esteja eivado de ilicitude para restar contaminado o resultado pretendido. Em nosso caso identificamos dois. Pelos motivos expostos, em decorrência da desqualificação da operação de incorporação como um todo pela permanência em atividade das sociedades operacionais –bem como impossibilidade decorrente da não aquisição da totalidade das ações das sociedades adquiridas na primeira aquisição e dos atos a este evento ligados, ficou caracterizada também a ação dolosa da caracterização do ágio como “expectativa de rentabilidade futura” e todos eventos adjacentes dos quais se Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 13 23 destacam a criação de empresa veículo e elaboração de relatório de avaliação posterior ao fechamento da transação para suportar o benefício fiscal pretendido, tudo sem motivação extratributária, todo o conjunto das operações aqui citadas levou a uma única finalidade: diminuição ou não pagamento de tributos, no caso do IRPJ e CSLL devidos pelo CS. Restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária como “total, 100%” e não apenas “majoritária, 50% mais uma ação” no primeiro caso, aliada à caracterização de ágio de maneira diversa da real “expectativa de resultados futuros” e não “outras razões econômicas”, a tentativa de embasar a segunda aquisição como realizada entre partes independentes e fundamentada em “rentabilidade passada” e não como em “expectativa de rentabilidade futura” e daí para frente simulados também os demais atos encadeados, em especial a “formal” “incorporação de sociedade” que não ocorreu de fato, o fiscalizado impediu dolosamente, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL de acordo com o art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, in verbis: Da multa isolada por insuficiência de recolhimento das antecipações mensais Segundo a fiscalização, a indevida dedução da amortização do primeiro e do segundo ágio resultou em diminuição indevida da estimativa mensal de ambos tributos apurada pelo recorrente conforme sua opção com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução para alguns períodos de apuração dos anoscalendário 2012 e 2013. A base legal para cobrança da multa isolada é o art. 44, II "b" da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14. Essa lei 11.488/2007 é produto da conversão da Medida Provisória n° 351/2007, editada em 22/01/2007. Impugnação Alega o ora recorrente que o auto de infração lavrado não procede e deve o lançamento ser integralmente cancelado, diante das justificativas explanadas nos tópicos vindouros. Primeiro Ágio Para a concretização do ágio, devem ser satisfeitas três premissas básicas: o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida bem como a expectativa de rentabilidade financeira. Fl. 1640DF CARF MF 24 Com efeito, a necessidade de que ocorra o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio decorre do simples fato de que, em não havendo pagamento, seja em dinheiro, em direitos ou em ativos passíveis de livre negociação, não há verdadeiro preço nem a correspondente despesa, e, conseqüentemente, nada há que mereça ser legitimamente deduzido dos tributos devidos. A segunda premissa supõe que a realização das operações originais se dê entre partes não relacionadas, pouco importando que nas etapas imediatamente anteriores à apuração do ágio decorrente do custo de aquisição incorrido naquelas operações originais a sociedade na qual ele for apurado já esteja dentro do grupo. O que se pretende é que a operação que posteriormente vai dar origem ao ágio (aquela em função da qual se atribuiu determinado valor ao investimento adquirido) seja feita entre partes não relacionadas. Por fim, é necessário que seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida bem como a expectativa de rentabilidade financeira, pois se por um lado não houver real expectativa de rentabilidade futura faltará exatamente o pressuposto do ágio, e, por outro, a fruição do benefício fiscal só pode prosperar se em princípio não gerar dúvidas sobre a razoabilidade do valor do ágio. O recorrente alega que, no caso concreto, os três requisitos foram plenamente atendidos, como se pode, inclusive, constatar pela leitura do termo de verificação fiscal. Inicialmente, o ágio foi efetivamente pago pelo Impugnante, como atesta o termo de verificação fiscal. Da mesma forma, o negócio se deu entre partes não relacionadas, a saber, o impugnante, ora recorrente (Banco de Investimentos Credit Suisse Brasil S.A.) e as pessoas físicas sócias das diversas empresas do Grupo HedgingGriffo, o que também é descrito no termo de verificação fiscal. Por fim, alega o recorrente que, muito embora a autoridade fiscal tenha levantado as objeções meramente formais de que no momento da aquisição o ágio não foi classificado pelo impugnante como decorrente de expectativa de rentabilidade futura (o que não é verdade) e que o laudo apresentado seria imprestável pelo mero fato de ter sido elaborado em momento posterior à aquisição (o que não procede), em nenhum momento a autoridade fiscal questiona a lisura na avaliação da empresa adquirida nem nega com base em motivos de índole material a expectativa de rentabilidade financeira envolvida na operação. Pelo contrário, argui o recorrente que o fiscal autuante expressamente afirma que não se discute na auditoria a operação de compra e venda de ações e a decorrente apuração de ágio. Muito embora a autoridade fiscal não possa negar o fato de que a HGIII foi efetivamente incorporada pelo impugnante, sustenta de forma criativa a suposta ausência de incorporação de fato das sociedades negociadas. Desde o início jamais pretendeu o recorrente adquirir diretamente o controle das empresas HG AssetManagement, HG Serviços Internacionais e HG Corretora. A aquisição direta de cada uma daquelas sociedades, com acionistas distintos, exigiria a celebração de 3 acordos de acionistas distintos, 3 contratos de compra e venda distintos e uma série de outros controles que jamais foram de interesse do impugnante, que sempre quis adquirir o negócio como um todo. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 14 25 Daí porque constou expressamente do contrato que: "Considerando que a Compradora deseja comprar dos Vendedores, e os Vendedores desejam vender à Compradora, 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativos do capital social da HG Investimentos, equivalente a 50% + 1 (cinqüenta por cento mais uma) ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas"), observados os termos e condições estipuladas no presente Contrato; (...) "Reorganização Permitida" significa reorganização societária interna das Sociedades Adquiridas a ser concluída antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas as ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado pelas partes." (fls. 491 e 499) Além disso, busca a autoridade fiscal caracterizar a HGIII como uma empresa veículo sem propósito negocial. Argumenta o recorrente que a razão pela qual se optou por adquirir e vender uma empresa detentora de 50% + 1 das ações da HG Investimentos, e não estas ações diretamente, foi apenas porque tanto os compradores como os vendedores não desejavam tornarse sócios do recorrente (o que ocorreria no caso de incorporação direta da HG Investimentos), antes de saber se seria exercida pelo impugnante ou pelos vendedores a opção de compra e venda prevista no acordo de acionistas. Tendo o ágio sido gerado com o pagamento efetuado pelo recorrente aos sócios das empresas do Grupo HedgingGriffo pelo controle do grupo, não há que se falar na utilização de empresa veículo sem propósito negocial que permita à autoridade fiscal desconsiderar os efeitos tributários da operação. Neste ponto, concluiu a ora Recorrente em sua Impugnação: Ademais, cabe salientar que tendo em abril de 2012 o Impugnante exercido sua opção de compra e em julho de 2012 incorporado a HG Investimentos (então denominada CSHG Investimentos) como suas subsidiária integral, resta evidente tanto o papel negocial exercido pela HGI II quanto a intenção do Impugnante de verdadeiramente adquirir integralmente o grupo HG. Por fim, pretende a autoridade fiscal descaracterizar o ágio pago pelo recorrente como não sendo decorrente de expectativa de rentabilidade futura. O recorrente rebate que, diferentemente do que afirma a autoridade fiscal e como se pode facilmente constatar à fl. 752, já em 31.12.2007 era lançado, ao lado do saldo de R$634.869.890,34, o histórico "valor ágio ref. performance fundos HG”, sendo certo que entre os possíveis fundamentos econômicos do ágio, o valor pago em razão da “performance” só pode se referir à expectativa da rentabilidade futura desse investimento, razão pela qual não há falar que momento da aquisição não fora indicado o fundamento econômico do ágio. Além disso, ainda que para argumentar tivesse o recorrente realmente falhado em registrar o fundamento econômico do ágio no exato momento da aquisição do investimento na HedgingGriffo, tratarseia de mero lapso no cumprimento de obrigação acessória, Fl. 1642DF CARF MF 26 corrigível a qualquer tempo e incapaz de fazer que, por exclusão tal ágio deva ser classificado como decorrente da aquisição de fundo comércio, intangíveis e outras razões econômicas (fl. 1364), sobretudo quando se considera que a autoridade fiscal, possivelmente ciente da fragilidade de sua tese, em momento algum sequer tentou demonstrar que o ágio pago pelo impugnante teria efetivamente outro fundamento que não a expectativa de rentabilidade futura, limitandose a apresentar objeções de ordem formal. Quanto ao relatório de avaliação elaborado pela Ernst & Young, em momento algum questiona a fiscalização as conclusões do laudo ou que de fato no caso o seu pagamento se deu por conta da expectativa de rentabilidade futura, mas sim apenas e tão somente o fato de não ser o laudo contemporâneo à aquisição. Por fim, alega a recorrente que a objeção da fiscalização segundo a qual entre a data da aquisição e a data da feitura do laudo poderia ter mudado a avaliação das sociedades adquiridas, não parece ter considerado o fato de que, como consta do Relatório de Avaliação, a database da avaliação econômico financeira é 31 de outubro de 2007. O período projetivo considerado foi de 10 (dez) anos e dois meses, compreendendo o período de 1º de novembro de 2007 a 31 de dezembro de2017 e perpetuidade (fl. 841), ou seja, o referido relatório retratava a expectativa de rentabilidade futura no momento da aquisição, o que por si só demonstra que de qualquer forma seriam evitadas as distorções. Alega a autoridade fiscal a presença de evidente intuito de fraude. No caso concreto o recorrente atesta que não omitiu nem procurou omitir qualquer elemento pertinente à operação em exame, encontrandose tais elementos devidamente registrados nos órgãos competentes e acessíveis ao público, tendo, além disso, o recorrente fornecido todas as respostas, informações e documentos solicitados pela fiscalização nos vários termos de intimação emitidos ao longo do procedimento administrativo. Assim, ausente o dolo, defende a Recorrente o afastamento da aplicação da multa qualificada. Do segundo Ágio Em relação ao segundo ágio, a ora Recorrente combate em sua Impugnação a desvinculação alegada pela fiscalização. Segundo a ora Recorrente, ainda que distintas, as operações não seriam desvinculadas, posto que teriam sido ambas contratadas no momento em que definida a primeira aquisição. Aduz que o fato da segunda aquisição ter seu preço fixado por critério distinto daquele utilizado na primeira também não tem o condão de tornálas independentes, sendo natural que, tendo a segunda aquisição ocorrido quando as partes contratantes já atuavam juntas há quatro anos (desde a primeira aquisição), tenham as partes optado por critério que melhor refletisse o resultado do negócio para a quantificação do valor a ser pago pelas ações remanescentes, no lugar de pura e simplesmente utilizar critério aplicado na primeira aquisição, como sugere o i. fiscal autuante. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 15 27 Além disso, a ora Recorrente rebate o racional da fiscalização acerca da formação de ágio interno, uma vez que o negócio fora celebrado entre partes independentes. Os acionistas fundadores não possuíam qualquer participação acionária na Impugnante. Reitera a ocorrência de incorporação do grupo HG, que daria ensejo à dedutibilidade da amortização do ágio escriturado. No que se refere ao valor da operação registrada e ora questionada, enfrenta a contribuinte o argumento da autoridade fiscal de que teria sido estabelecido com base em rentabilidade passada, não futura. Alega que o próprio legislador complementar teria se baseado em indicador similar ao elaborar a Lei de responsabilidade Fiscal, em seu artigo 12, estabelecendo a observância das receitas apuradas nos três últimos anos como parâmetro para determinar a receita futura. Quanto à multa isolada Depois de reconhecer que antes da alteração do artigo 44 da Lei n° 9.430, 1996 promovida pela Lei n° 11.488, de 2007, a multa isolada prevista no inciso II do referido artigo não podia ser exigida em concomitância com a multa de ofício. Colaciona o recorrente jurisprudência dominante do CARF neste sentido. Da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Alega o recorrente que não existe base legal para a exigência de juros sobre a multa de ofício (não isolada),que não pode prevalecer sob pena de violação não só do próprio art. 61 da Lei n. 9.430, de1996, mas também dos arts. 5º, II e 150,I da CF 1988 e, do artigo 97 do CTN. A legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado dotributo ou da contribuição. Acórdão nº 1464.130 13ª Turma da DRJ/RPO Em sessão de 13 de fevereiro de 2017 a 13° Turma de Julgamento da DRJ/RPO decidiu: 1. Em relação ao primeiro ágio: a. por maioria de votos, em manter a glosa de amortização do ágio, por interposição de empresaveículo. Vencida a Julgadora Maria Lucia Aguilera, que a mantinha apenas em parte, conforme Declaração de Voto; b. por unanimidade de votos, manter a glosa de amortização do ágio, por falta de comprovação de ser rentabilidade futura o seu fundamento econômico; c. por maioria de votos, manter a multa qualificada para todo o período. Vencida a Julgadora Maria Lucia Aguilera, que fará Declaração de Voto. 2. Em relação ao segundo ágio: Fl. 1644DF CARF MF 28 a. por unanimidade de votos, afastar a caracterização da aquisição da parte remanescente do investimento como sendo entre partes relacionadas; b. por unanimidade de votos, manter a glosa de amortização do ágio, por falta de comprovação de ser rentabilidade futura o seu fundamento econômico; c. por maioria de votos, afastar a interposição de empresaveículo, como fundamento para a glosa de amortização do ágio e reduzir a aplicação da multa de ofício para 75%. Vencido o Julgador Sidnei de Sousa Pereira, que fará declaração de votos. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CRIAÇÃO DE ÁGIO AMORTIZÁVEL. SIMULAÇÃO. GLOSA DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem o pratica, e decorrer de atos efetivamente existentes, e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Desse modo, há simulação quando os atos negociais são realizados com finalidade não correspondente exatamente a sua causa legítima. Confirmada a simulação dos atos negociais que possibilitaram o aparecimento do ágio amortizável, é cabível a glosa das exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrentes da amortização do ágio. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. PROVA. DEDUTIBILIDADE. No lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Na ausência de apresentação da prova hábil do fundamento econômico, in casu, da demonstração de rentabilidade futura das investidas, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 16 29 MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de “empresa veículo”, uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. Cancelase a multa de ofício qualificada em relação à operação societária em que não comprovada a ocorrência de simulação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013, 2014 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei nº.9.430, de 1996 demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração da CSLL, uma vez que ambos os lançamentos, do IRPJ e da CSLL, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Fl. 1646DF CARF MF 30 Recurso Voluntário Irresignado com a decisão, a autuada apresentou seu recurso voluntário, no qual ratifica os argumentos trazidos na peça impugnatória e destaca o julgado desta 1°Turma de Julgamento da 2°Câmara que julgou em 07 de junho de 2016 auto de infração que tratava do primeiro ágio ora em combate em relação aos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 (acórdão 1201 001.438) e concluiu pela possibilidade de dedução do ágio. Recurso de Ofício Foi apresentado Recurso de Ofício em relação à parte do lançamento que fora cancelada. Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário no qual após trazer um resumo dos fatos narrados no Relatório, defende que a glosa da despesa de amortização de ágio deve ser mantida, conforme trecho abaixo transcrito: Não merecem reparos as razões apresentadas no acórdão recorrido. Em primeiro lugar, resta evidente que a metodologia escolhida para determinar o valor das ações remanescentes da HG INVESTIMENTOS não corresponde à metodologia conhecida como “expectativa de rentabilidade futura”. Ora, se a intenção fosse estabelecer como parâmetro a rentabilidade futura, bastaria ter inserido essa previsão na cláusula 7.1(b) do “Acordo de Acionistas”, mas não foi essa a opção das partes. Contudo, isso não foi feito. Em segundo lugar, cabe perguntar se a metodologia descrita na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” foi ou não utilizada para calcular o valor das ações para o exercício da opção de compra, pelo BANCO CS, em 2012. Se a resposta for afirmativa, temse que o laudo da ERNEST&YOUNG representaria mera “conta de chegada”, pois serviria apenas para dar formalmente a aparência de rentabilidade futura a uma “opção de compra” com fórmula de cálculo previamente determinada. Por outro lado, se prevalecer o laudo da ERNEST&YOUNG, isso significa que a metodologia prevista na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” foi abandonada? Ou os valores da cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas” e do laudo da ERNEST&YOUNG “coincidentemente” são os mesmos? Por todas essas razões, fica difícil aceitar a tese do contribuinte, no sentido de que a rentabilidade futura da HG INVESTIMENTOS foi o fundamento econômico para o ágio HGII. Na realidade, o preço das ações da HG INVESTIMENTOS teve como parâmetro a fórmula prevista na cláusula 7.1 (b) do “Acordo de Acionistas”, o que não pode ser confundido com rentabilidade futura. Assim, temse que não restou comprovado o fundamento econômico do ágio, nos termos do art. 385 e 386 do RIR/99, razão pela qual deve ser mantida a glosa das despesas com amortização do ágio HGII. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 17 31 Além disso, defende a PGFN a manutenção da qualificação da multa de ofício vez que " não fosse a participação artificial da HGIII, o ágio pago não seria deduzido da forma como foi." Por fim, defende a PGFN a manutenação da multa isolada cumulada com a multa de ofício e da incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Da amortização do primeiro ágio Do conceito de propósito negocial. No tangente à amortização do ágio, face à expressa previsão legal, devese partir do pressuposto de que a regra é a dedutibilidade do ágio e a exceção, logicamente, sua indedutibilidade. O fundamento jurídico por trás da amortização/dedução do ágio permeia o fato de que a mera expectativa de ganho futuro e apenas em potencial não norteia a definição de aquisição de disponibilidade jurídica e econômica elencada no art. 43 do CTN, para fins de incidência do imposto de renda. Se incidir tributação sobre a mera expectativa de rentabilidade futura e o lucro, de fato, se concretizar, tributarseia duas vezes o mesmo fato gerador. Se tributarse a mera expectativa e apurarse prejuízo, a conseqüência será a tributação de um acréscimo patrimonial que não se concretizou. Neste sentido é que deve ser aplicado, no caso em tela, o princípio da capacidade contributiva para determinar que este é norteado em seu caráter objetivo, mas não em seu caráter subjetivo. Ou seja, temse a manifestação de riqueza, mas ainda não se configurou um contribuinte apto a absorver o impacto tributário. A partir do momento em que o contribuinte começar a gerar lucro ou começar a gerar prejuízo é que a manifestação deixará de ser objetiva para começar a atingir o campo da subjetividade. Neste ponto, no entanto, a tributação será decorrente de valores que de Fl. 1648DF CARF MF 32 fato integrarão o resultado como despesa ou receita, passíveis, então, de comporem a base de cálculo do IRPJ. De fato o patrimônio líquido, representado por meio das ações adquiridas, é incorporado e representa disponibilidade econômica e jurídica. No entanto, o valor do investimento, o ágio, é mera expectativa e por isso deve ser amortizado, não sofrendo a incidência do IRPJ. Veja, na hipótese da regra matriz de incidência,o critério material não é norteado, pois, a mera expectativa não representa auferimento de renda de fato. É certo que essa idéia inicial tangencia uma perspectiva reducionista, dando significado ao fato gerador a partir de um prisma prioritariamente econômico. Em contraposição, seguindo os ensinamentos de Luis Eduardo Schoueri, devese considerar que: “(...) uma relação jurídicotributária não se regula exclusivamente por meio de leis tributárias; a estas se juntam, por vezes com caráter até mesmo preponderante, normas societárias/contábeis, civis ou administrativas, resultando sua disciplina desta gama de textos legais.” Desta forma, passase, neste momento, a analisar o caso concreto levando em conta a abrangência do Direito Tributário e da conceituação do fato gerador, acima de tudo, como um fato jurídico. A construção do fato jurídico, neste caso, deve se desenhar, na origem, pela validade das reorganizações societárias que a empresa incorporada (HGIII) realizou para que fosse possível que o recorrente usufruísse do benefício fiscal e, após, na validade do instrumento que contabiliza e veicula o ágio. É a partir das discussões da construção do fato gerador tributário como um fato jurídico que surgem todos os empecilhos apontados pela Fiscalização e repisados pelo v. acórdão recorrido, para a suposta impossibilidade de amortização do ágio. A primeira questão suscitada foi assim externada no v. acórdão recorrido: “(...) É verdade que por meio dum aditamento ao contrato de compra e venda (vide folhas 620 a 633), assinado em 18 de setembro de 2007, as partes avençaram a mudança da empresa adquirida para a HGIII. Todavia, tampouco se pode atribuir algum propósito econômico ou negocial a essa alteração. (...) Ao se analisar a sucessiva criação e extinção de diversas camadas de empresas veículo, de existência apenas temporária, verificase que o que houve de fato foi a simulação de incorporação. (...)” Cumprese definir, de início, que os conceitos de propósito negocial e substância econômica carecem de fundamento legal, tornandose subjetivos e abrangentes. Veja, não são elementos aceitos e incorporados pelo ordenamento jurídico brasileiro, inexistindo qualquer dispositivo legal que lhes dêem substrato. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 18 33 O alcance destes conceitos atinge a existência de razões econômicas que vão além da obtenção de vantagem fiscal, única e exclusivamente. Partindo deste conceito, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação, de modo a concretizar a amortização do ágio e o concomitante gozo do benefício fiscal como uma conseqüência natural e lógica, se considerarmos o fato gerador do IRPJ. Ocorre, porém, que a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uníssono a respeito de seus termos e limites, tornando qualquer discussão acerca das operações de ágio como ao menos parcialmente subjetivas. O ágio não é um tema tão controverso e alvo de discussões calorosas no âmbito deste Conselho à toa. Cada julgador atribui uma amplitude e alcance diverso à definição atribuída ao propósito negocial/substância econômica. O que se busca, na realidade, com referidos conceitos, sejamos claros e diretos, é a identificação de abuso, fraude ou simulação, perfazendo caráter arbitrário e artificial que vise apenas o aproveitamento do benefício fiscal. A percepção do propósito negocial/substância econômica como definidor deste cenário pode ser favorável, mas diante da referida subjetividade, freqüentemente inaugura uma nova posição acerca de seu alcance, diante de casos concretos distintos, dotados cada qual de especificidade e peculiaridade. Se presta, então, o presente voto, a partir deste ponto, a analisar detalhadamente todos as informações e alegações levantadas pela fiscalização para definir se, necessário ou não um motivador para a operação que vá além do beneficio fiscal, bem como, ausente ou presente o tal propósito negocial e, da mesma forma, se presentes indícios de fraude ou simulação na operação. Primeiramente, é importante ressaltar que temos presenciado com preocupante freqüência, a utilização pelo Fisco da teoria do propósito negocial por meio do qual defende que a simples ausência sob a ótica do fisco de outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, já é elemento suficiente que invalida os atos do contribuinte ou, ao menos, inviabiliza o benefício fiscal almejado. Entendo que tal racional adotado pela autoridade fiscal guarda certa contradição com diversas regras e estruturas criadas há muito tempo pelo legislador pátrio, por meio das quais são oferecidos benefícios fiscais às empresas que, ao cumprirem determinados requisitos, acabam levando desenvolvimento econômico à determinadas regiões do Brasil. Menciono aqui, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Ora, em relação à Zona Franca de Manaus, a principal função desempenhada pelas autoridades fiscais tem sido monitorar se os contribuintes, de fato, cumprem todos os requisitos previstos em lei para o gozo dos incentivos fiscais, sem haver qualquer questionamento acerca das motivações do contribuinte. Fl. 1650DF CARF MF 34 O que o Fisco busca é confirmar se, realmente, as empresas estão lá estabelecidas ou se os produtos são lá produzidos, por exemplo. Contudo, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Em outras palavras: nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal e isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões. Desta forma, o conceito a ser adotado para definir o propósito negocial deve ser no sentido de considerar a busca pela redução das incidências tributárias, por si, como um propósito negocial que viabiliza a dedução do ágio. Já temos importantes precedentes do CARF nesta direção: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 19 35 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissível se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " Fl. 1652DF CARF MF 36 (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) Neste sentido, existem também bons e recentes exemplos desta brilhante turma, merecendo destaque trecho do voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto no acórdão n. 1201001.267 de 19 de janeiro de 2016: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Aliás, o racional adotado nos julgados acima está integralmente alinhado com as disposições da própria Lei n. 6.404/76 define em seu art. 2º, § 3º: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. Veja, a lei claramente define a possibilidade da constituição de uma holding com o intuito único de gozo de incentivos fiscais, que nada mais são que benefícios fiscais, assim como é o ágio. Assim, me parece claro que a simples alegação de ausência de propósito negocial não é suficiente para a glosa da dedução da amortização do ágio, até mesmo porque, desde que utilizados instrumento legais e inexistentes a fraude, simulação ou abuso de direito, a economia tributária pode ser considerada um propósito negocial. No entanto, para fulminar qualquer alegação de ausência de propósito negocial e tentar mitigar da melhor forma possível esta subjetividade, o presente voto se proporá a demonstrar que há, de fato, motivo diverso do que simplesmente o gozo do benefício fiscal, diante das reorganizações societárias realizadas. Da utilização de empresa veículo. A utilização da chamada empresa veículo pelo contribuinte tem sido invocada pelo Fisco como condição para invalidar o negócio jurídico ou conjunto de negócios jurídicos que culminaram na dedução do ágio pago. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 20 37 No caso em tela, a "empresa veículo" é a sociedade HGIII, que segundo o Fisco foi utilizada pelo contribuinte com o objetivo único de possibilitar o aproveitamento do ágio. Primeiramente, é importante destacar que o fato do contribuinte se utilizar de uma empresa veículo para a perfectibilização da operação não é suficiente, por si só, para invalidar o negócio jurídico, especialmente, como se verá mais adiante, se restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levassem ao mesmo resultado. Este racional já encontra amparo no CARF, conforme os julgados aqui destacados: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Aliás, temos diversos precedentes desta brilhante 1° Turma da 2° Câmara, dentre os quais destaco recente julgado no Acórdão n. 1201001.501 de relatoria do presente relator: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. Fl. 1654DF CARF MF 38 A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. Mais um exemplo do entendimento desta turma a respeito do tema empresa veículo pode ser encontrado no acórdão 1201001.554 de 14/02/2017, também de relatoria do presente relator: Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. Destaco aqui também, trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcelo Cuba Netto no já mencionado acórdão n. 1201001.267: "(...) Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação." Me parece cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si. De qualquer forma, no caso em tela, temos que o alvo do Recorrente foi um grupo complexo e constituído de diversas entidades operacionais, controlado por um conjunto de dezenas de sócios que não tinham qualquer intenção de se tornarem sócios diretos do Recorrente, justificando, desta forma, a utilização da chamada empresa veículo HGI II para possibilitar a operação. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 21 39 Neste sentido, a utilização de empresa veículo pelo Recorrente, neste caso, a empresa HGIII, decorreu claramente de uma decisão de negócios, não somente do Recorrente, mas também dos vendedores da empresa HGI, Além disso, resta claro que existiam outras opções para que o Recorrente alcançasse o mesmo resultado, como, por exemplo, através da aquisição direta da empresa HGI para posterior incorporação. Meu ponto aqui é que a existência de outras opções, além da utilização da chamada empresa veículo, já revela o descabimento da glosa da dedução do ágio pago sob tal fundamento utilização da empresa veículo. Assim, me parece de todo vazio o argumento de que a existência de uma "conduit company" na operação teria maculado a operação a ponto de inviabilizar a dedução do ágio. Da existência de propósito negocial além do benefício tributário Inicialmente, o pressuposto estabelecido é pela validade de todas as reorganizações societárias que culminaram na formação da HGIII, a empresa incorporada. Recapitulando, “o Contrato de Compra e Venda de Ações entre a incorporadora, ora recorrente, e as Pessoas Físicas elencadas nas páginas de assinatura ("Vendedores") e como intervenientes HedgingGriffo Investimentos S.A., HedgingGriffoAsset Management S.A., HedgingGriffo Serviços Internacionais Ltda. e HedgingGriffo Corretora de Valores SA. ("Sociedades Adquiridas") estabelecia que seriam adquiridas de 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativas do capital social da HG Investimentos, equivalentes a 50% + 1 das ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas").” Previa o contrato a possibilidade de “reorganizações societárias internas das Sociedades Adquiridas a serem concluídas antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas as ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado pelas partes." Desta forma, o capital social das empresas de fato operacionais do Grupo Econômico fora adquirido em sua integralidade pela holding “HG Investimentos”, que passou a deter, desta forma, por obvio, 100% das ações do capital social. Até este ponto, não há que se falar em qualquer irregularidade, uma vez que todas as reorganizações societárias ocorreram de acordo com o que fora préestabelecido em contrato. Fl. 1656DF CARF MF 40 Houve, no entanto, um aditamento ao “Contrato de Compra e Venda de Ações”, assinado em 18 de setembro de 2007, por meio do qual as partes avençaram a mudança da empresa adquirida para a HGIII. Foi o que ocorreu. A HGIII, outra holding criada, adquiriu 50% + 1 das ações do capital social da HG Investimentos e foi incorporada pela ora recorrente, norteando do ponto de vista fático o que dispunha o contrato. É neste momento específico que se forma o ágio e neste ponto que residem as alegações por parte da fiscalização de ausência de propósito negocial. Ora, em suma, a HG Investimentos detinha 100% das ações do capital social, entanto o contrato avençava que seriam vendidos apenas 50% + 1 das ações do capital social, portanto o controle da maioria das ações. Desta forma a holding HGIII fora criada e passou a adquirir estes 50% + 1 das ações. O recorrente, desta forma, incorporou a empresa HGIII, absorvendo 100% de seu patrimônio e, conseqüentemente 50% + 1 das ações do capital social das sociedades adquiridas. O fisco alega que esta operação, escancarou a HGIII como uma empresa veículo sem propósito negocial. Uma empresa veículo sem propósito negocial quer supor, coadunando com as definições já expostas, um meio para se atingir determinado propósito, tendo “por finalidade praticar ato simulado, ocultar ou encobrir fato gerador de obrigação tributária, isto é, criadas para dar aparência de regularidade a uma situação que assim não é”. Neste sentido, conclui o autuante que a mera utilização de sociedade constituída com o propósito específico de adquirir benefício fiscal inviabiliza a amortização de ágio. Ocorre que o recorrente trouxe embasamento fático robusto e sólido capaz de conferir a existência de propósito negocial à operação e, ao mesmo tempo, capaz de descaracterizar a utilização de uma empresa veículo para fins de fraude, simulação ou abuso de direito. Em outras palavras o recorrente trouxe fundamento perfeitamente plausível para a reorganização societária concretizada, que não apenas o gozo do benefício fiscal, ao mesmo tempo em que se extinguiu qualquer possibilidade de utilização da empresa incorporada como meio de praticar ato simulado ou fraudulento. Veja, o recorrente traz, no Recurso Voluntário apresentado, as razões pelo qual se deu a criação da HGIII, nos seguintes termos: “(...) A razão pela qual se optou por adquirir/vender uma empresa detentora de 50% + 1 das ações da HG Investimentos, e não estas ações diretamente, foi apenas porque como salientado tanto os compradores como os vendedores não desejavam tornarse sócios do recorrente (o que ocorreria no caso de incorporação direta da participação acionária da HG Investimentos) antes de saber se seria exercida pelo recorrente Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 22 41 ou pelos vendedores a opção de compra/venda prevista no acordo de acionistas. (...)” E: “(...) Exatamente o mesmo ágio teria existido e poderia ser amortizado caso o recorrente tivesse adquirido exatamente 50% + 1 das ações da HG Investimentos e a tivesse incorporado. (...)” Concluiuse, portanto, que: “(...) Com ou sem a empresa rotulada pela fiscalização de “empresa veículo sem propósito negocial”, o mesmo ágio teria sido apurado com a aquisição direta da participação acionária da HG Investimentos e poderia ser amortizado com sua incorporação. (...)” Ora, o que se constata é a criação de uma empresa com propósito específico e desvinculado da exclusiva intenção de almejo do benefício fiscal, até porque, o benefício fiscal poderia ter sido alcançado sem a utilização da HGIII, ora denominada "empresa veículo". Destaco aqui que a existência de possíveis estruturas societárias alternativas à efetivamente utilizada na operação e igualmente eficazes para o alcance do benefício fiscal, por si só, já demonstra a existência de propósito negocial da estrutura escolhida. Partindose do pressuposto de que a mesma empresa poderia veicular a operação de aquisição, devese destacar que haja algum motivo diferenciador entre o escopo de ambas. O recorrente claramente o demonstrou. As disposições do contrato externaram a vontade das partes de que inexistia intenção dos sócios das empresas do Grupo HedgingGriffo de se tornarem sócios do recorrente, o que justifica a aquisição indireta daquela participação acionária pela HGIII. Devese, neste momento, regredir para se atingir a falha e insuficiente construção ideológica da fiscalização que reputou indevida a amortização do ágio por ausência de propósito negocial. Pois bem, o CARF, em análise específica para cada caso concreto, busca uma uniformidade através da imposição de alguns requisitos que identifiquem a ausência de propósito negocial em uma operação, quais sejam: (i) retorno ao statu quo ante, isto é, reversão dos atos realizados após ter sido aproveitada a economia tributária; (ii) operações realizadas em curto espaço de tempo; (iii) provisoriedade dos negócios jurídicos realizados e dos quais resultou redução da carga tributária; (iv) vinculação econômica, jurídica ou de parentesco entre as partes envolvidas; (v) prática de atos contraditórios entre si. Ora, o fisco embasa claramente parte de sua argumentação em apenas um dos requisitos apresentados, alegando que muitas reorganizações societárias ocorreram em um curto espaço de tempo (ii), em questão de horas. Fl. 1658DF CARF MF 42 Veja que apenas este requisito se mostra frágil para caracterizar a ausência de propósito negocial, pois, nem de longe forma um raciocínio apto a demonstrar algum tipo de fraude ou simulação, uma vez que não há nenhum tipo de limitação temporal quanto a este tipo de atividade em nosso ordenamento jurídico. A fiscalização, no entanto, também reputou que não houve, de fato, uma incorporação, fato que talvez possa ensejar a presença do requisito de provisoriedade do negócio jurídico realizado, apenas para o gozo do benefício fiscal (iii). No entanto, este voto já se dedicou a demonstrar afirmativa em sentido contrário. Ora a HGIII foi incorporada e o recorrente passou a adquirir 100% de suas ações, que correspondiam a 50% + 1 das ações do restante das empresas Grupo Econômico. Desta operação foi amortizado o ágio e quanto a este ponto não restam dúvidas que todas as reorganizações societárias visaram apenas uma estratégia negocial e estratégica que atendesse o interesse de adquirente e vendedores. Quanto a este ponto cabe ainda o destaque conferido pelo recorrente ao entendimento exposto no v. acórdão recorrido: “A esta altura, cumpre reconhecer que o autuante se equivoca ao sustentar que não poderia haver incorporação, a não ser que a incorporadora detivesse 100% da empresa a ser incorporada. Em verdade, a incorporação pode ocorrer com qualquer que seja o percentual que previamente detenha a incorporadora. Se ela não possuir 100% do capital, deverá negociar com os titulares da parcela restante. Estes podem receber um pagamento por suas quotas ou ações e retirarse do negócio, ou aceitar em troca uma participação no capital da sociedade incorporadora equivalente à sua participação no capital da sociedade incorporada.” Resta claro, neste ponto do voto, que a subjetividade da questão da definição do propósito negocial ou sua ausência, conforme alegado pelo Fisco, encontra elementos objetivos e concretos que a fortalecem e a tornam incontestável no presente caso. Da expectativa de rentabilidade futura Superada, então, esta questão, urge a necessidade de análise da questão do suposto não cumprimento do requisito legal que fundamenta o ágio, a expectativa de resultados futuros. São dois pontos que merecem atenção: o embasamento fático e, por consequência, contábil e jurídico que suportou este requisito e o instrumento utilizado para justificar este requisito. De início, cabe ressaltar que, em linhas gerais, o ágio irá se desenhar em linha tênue traçada na diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o valor do patrimônio líquido da investida à época da aquisição. Em raciocínio inverso, portanto, o custo de aquisição de uma empresa coligada e controlada, com valor de seu investimento, necessariamente corresponderá ao valor do patrimônio líquido na época da aquisição somado ao ágio ou deságio na aquisição. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 23 43 O ágio deve, no entanto, indicar seu fundamento econômico, a razão contábil que lastreia o custo de aquisição de um investimento para além apenas do patrimônio líquido da empresa. Neste ponto conveniente destacar os fundamentos econômicos que podem ser utilizados: 1 Valor de Mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, superior ou inferior ao custo registrado na contabilidade 2 Valor de Rentabilidade da controlada ou coligada base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 3 Fundo de Comércio, Intangíveis e outras razões econômica. Veja que o conceito basilar de um fundamento econômico que possa justificar o ágio perfaz a diferença entre uma realidade presente e uma expectativa futura, variando caso a caso. A expectativa de rentabilidade futura, em suma, será baseada na previsão de lucros que a empresa terá em exercícios futuros. “Daí que a projeção da lucratividade, na diferença proporcional entre o custo de aquisição e o valor contábil do patrimônio líquido da investida confere a segurança jurídica necessária sobre a determinação do ágio baseado no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros.” (item 1) O recorrente fundamentou o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura e a fiscalização o descaracterizou, apresentando como fundamento econômico o Fundo de Comércio, Intangíveis e outra razões econômicas. (item 3) A questão do Fundo de Comércio e dos intangíveis referese ao valor econômico do patrimônio líquido de uma empresa na parte em que ela supera seus ativos e passivos avaliados individualmente a preços de mercado, e isso só ocorre quando ela possui algo intangível, que lhe proporciona gerar lucro acima do normal. Como intangível, podemos citar a marca, a popularidade do estabelecimento, um local privilegiado do estabelecimento, o ponto comercial, etc. Enfim, são elementos intangíveis que se agregam ao patrimônio líquido (ativos e passivos ao valor de mercado), para comporem um conjunto que alterará o valor de uma empresa e o conseqüente custo de investimento que será realizado em sua aquisição. Portanto, existem alguns elementos que exorbitam o patrimônio líquido da empresa, que a valorizam, mudam sua percepção real e presente e distorcem o investimento dispêndio, que com certeza não irá refletir a realidade contábil da empresa à época do investimento. O art. 386 do RIR/99 considera este “item 3” como não passível de dedução ou amortização. Fl. 1660DF CARF MF 44 Cabe de início salientar que esta conclusão adotada pela Fiscalização seguiu uma série de reputações desacertadas de ordem formal, mas que ao mesmo tempo afetaram as questões de ordem conteudística, material. Isso porque, a fiscalização alega a extemporaneidade do laudo de avaliação apresentado para comprovar o fundamento econômico que justificasse o ágio. Ora, devese principiar a discussão com o fato de que à época da operação de incorporação não havia qualquer disposição legal que exigisse laudo formal de avaliação, confeccionado por perito independente e com finalidade específica direcionada à instrumentalização do ágio. Havia, tão somente, a necessidade de existência de um demonstrativo para comprovar a escrituração do ágio, apurado com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura. Veja, o demonstrativo acerca da rentabilidade futura seria suficiente para justificar e demonstrar o fundamento econômico e base para escrituração contábil do ágio em discussão. Essencial a aplicação do princípio da estrita legalidade tributária para afirmar que, inexistindo previsão legal expressa, tornase impossível exigir qualquer formalidade quanto ao demonstrativo necessário para servir de base ao lançamento contábil do ágio. Ademais, há jurisprudência do CARF que converge com o raciocínio até então formulado: ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. (Acórdão nº 1302001.465 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 30 de Julho de 2014) ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 24 45 fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. (Acórdão nº 1102001182 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014) ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. O demonstrativo, no caso em tela, fora veiculado por meio do Relatório de Avaliação, apresentado cerca de seis meses após a aquisição da participação. Restou claro que, em nenhum momento a fiscalização questionou o conteúdo deste relatório, não apontando nenhuma falha técnica que dissesse respeito ao mérito e as conclusões ali expostas. Assim, cabe adentrar nas questões formais, novamente, para esclarecer que além de não haver previsão legal para a confecção de laudo técnico, inexistia à época da formação do ágio, qualquer dispositivo no pátrio ordenamento jurídico que determinasse algum prazo para apresentação deste demonstrativo. Atualmente vigora a Lei nº 12.973/2014, que dispõe em seu art. 20, § 3º, sobre a exigência de um laudo elaborado por perito independente, no entanto, se referindo a comprovação da “mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput” (inciso II) e de forma alguma fazendo menção à comprovação do ágio (no presente artigo elencado no inciso III). Desta forma o prazo que estipula referido artigo, do “(...) último dia útil do 13º (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação.” para apresentação do laudo, não se aplica à apresentação de demonstrativo que comprove o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste contexto se torna desnecessária a menção e aplicação do princípio da retroatividade benéfica, uma vez que a lei presente não abrange e nem norteia especificamente o caso concreto que ocorreu no passado. Fl. 1662DF CARF MF 46 Tratase o presente caso de um demonstrativo apresentado para comprovar o ágio por expectativa de rentabilidade futura e a Lei nº 12.973/2014 define um prazo para apresentação de laudo técnico que convalide a maisvalia relativa aos bens do ativo da empresa incorporada. Desta forma, falecendo qualquer possibilidade de extemporaneidade e restando demonstrado que o trabalho apresentado pela Ernst & Young se mostrou apto em termos técnicos, ou seja capaz de demonstrar a expectativa de rentabilidade futuro, restou devidamente comprovada a existência do elemento econômico que fundamentou o pagamento o ágio. Cabe lembrar, a legislação vigente à época das operações não disciplinou de forma expressa a forma de apresentação da demonstração, assim, ao referirse à expressão "demonstração", sem qualquer complemento, especificação ou requisito adicional, o legislador permitiu que os contribuintes viessem a demonstrar o fundamento econômico do laudo por meio de qualquer instrumento ou documento, que poderia ser um laudo "stricto sensu" elaborado por auditores independentes, um estudo interno ou uma simples apresentação em slides. Digo isso, pois, tal constatação mostra que a discussão acerca da extemporaneidade do laudo é de toda inócua. Superando a questão, segue passagem do acórdão nº 1101000.899 (Sessão de 11/06/2013): TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (...) (...) Desnecessário, assim, seria debater a qualidade do laudo que dá fundamento ao ágio amortizado. De toda sorte, registro que os argumentos adotados pela Fiscalização não são suficientes para desqualificálo. Isto porque a exigência legal é no sentido de que a contribuinte mantenha comprovante de escrituração que demonstre o fundamento do ágio pago. Este comprovante deve expressar razões que justifiquem a aquisição, mas não precisa ser, necessariamente, elaborado antes ou concomitantemente com a operação. A contribuinte pode possuir, apenas, estudo interno que lhe demonstre a rentabilidade futura, e depois buscar laudo técnico que o corrobore, desde que este não se valha de premissas impraticáveis no passado. E, no presente caso, o laudo apresentado pela contribuinte toma por referência o faturamento da empresa adquirida contemporâneo à aquisição, e aponta o retorno dos investimentos suplementares em 2,9 anos (35 meses) (fl. 302). Ou seja, se considerada a rentabilidade futura pelo Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 25 47 prazo de 5 anos, seria possível um pagamento maior que o efetuado. A fiscalização, no entanto, reputou que a extemporaneidade acarretaria iminentes mudanças nos resultados já contabilizados (devido a condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial). Desta forma, o recorrente, em sede de impugnação, apresentou a avaliação que fora feita no ano de 2006, a qual fora refutada pelo v. acórdão recorrido como não apta a comprovar a rentabilidade futura, especificamente diante dos seguintes fatos:a chancela presente no documento, elemento que retira a certeza da data real desta avaliação, alegação sobre a qual recaiu a presunção de má fé do recorrente; e o intervalo de tempo de quase um ano entre esta avaliação e a efetiva aquisição da participação, repisando os argumentos do fisco de mudança nos resultados contabilizados. Acolho os argumentos do recorrente neste ponto. Primeiramente, quanto a veracidade da avaliação apresentada, a fiscalização está presumindo a máfé do recorrente e, como é sabido, a máfé não se presume. Devem ser produzidas provas para sustentar tão séria alegação, que coloca em xeque a reputação da empresa. As provas não foram produzidas, então presumese, essa sim válida, a boafé do recorrente, que apresenta documentação condizente com a data ali estipulada por meio da chancela. Depois, quanto a alegação de mudanças nos valores, devese levar em conta que a expectativa futura esmiúça potencial passado e presente da adquirida de gerar lucros. Por mais que se possa justificar economicamente o pagamento do ágio, percebese que o referido valor é altamente subjetivo. A sustentação objetiva se dá em face do histórico da atividade da empresa e dos conseqüentes lucros obtidos e a atividade presente e os conseqüentes lucros obtidos, para então definir as perspectivas da atividade no futuro e os possíveis/prováveis lucros que virão a ser obtidos. A atividade da recorrente, como visto, está diretamente ligada a administração de fundos, de modo que, coadunando com a tese sustentada no recurso apresentado, não há grandes oscilações no fundo se houverem mudanças regionais ou até globais na economia. O fundo se sustenta pelas taxas de administração e quem sofrerá de fato e de forma significativa com possíveis impactos e danos externos, como crises mundiais que abalam toda a economia, será o investidor. Além disso, o fato dos laudos de avaliação e/ou demonstrativos apontarem para um determinado valor não imputa a liquidez e certeza próprias da disponibilidade jurídica, tampouco econômica. Atingese o fato gerador do Imposto de Renda, contido no art. 43 do CTN, quando a renda está concretizada em definitivo, ou seja, quando o contribuinte começa a gerar Fl. 1664DF CARF MF 48 lucros de fato e não há mais qualquer incerteza quanto à aquisição desta renda para o patrimônio do contribuinte. Deste modo impossível a tributação de ganhos meramente escriturais. Portanto a concomitância da afirmação de que no período entre a confecção da avaliação em 2006 e a aquisição da participação, em 2007, poucas foram as oscilações sentidas nos fundos administrados, e da relativização deste fato diante da incerteza e iliquidez deste documento para fins de incidência do IRPJ, enfrenta gradativamente a posição adotada no acórdão recorrido. A suposta desatualização da avaliação não significa necessariamente que a expectativa de rentabilidade futura ali demonstrada deve ser tributada (ou que o ágio não deve ser amortizado). Veja, se o valor demonstrado for menor que o lucro de fato obtido, quem de fato é prejudicado com isso é o contribuinte, que não previu a rentabilidade da forma correta e não conseguirá amortizar o ágio na proporção equivalente ao lucro que de fato obteve. O lucro que excedeu o valor previsto será tributado de qualquer forma pois o valor amortizado só alcança os limites baseados no que se previu no laudo de avaliação. Se o valor correspondente à expectativa de rentabilidade futura representar valor maior do que o lucro de fato obtido, também não há diferença para o Fisco, pois este excedente amortizado representa prejuízo em relação ao que se previa. O prejuízo não seria tributado, de qualquer forma, pois não norteia o fato gerador do Imposto de Renda, e não o foi diante do gozo do benefício fiscal (amortização). Ou seja, nada tributariase, em momento algum, até porque não seria lógico exigir o IRPJ sobre o prejuízo. É um mecanismo perfeito que se regula automaticamente diante de seus princípios conceituais, privando o contribuinte da duplicidade de tributação. O ágio prevê uma expectativa, de modo que se essa expectativa se concretiza ou não, não há grandes diferenças, pois ele só evita uma bitributação sobre o lucro. Devemos nos direcionar neste raciocínio por duas possíveis fontes de tributação: por um lado, o investimento realizado que concretiza a expectativa, veiculada por meio do laudo de avaliação; e, por outro lado,o lucro efetivamente apurado nos anos/meses subseqüentes, anteriormente previstos. A fonte real de tributação será o lucro obtido, como já dito, a forma que representa de fato a disponibilidade jurídica e econômica. A fonte que é barrada e mitigada, por conseqüência, diante do mecanismo criado(a amortização), é expectativa de rentabilidade futura e o ágio formado. Portanto o ágio é amortizado perfeitamente no limite a evitar a bitributação, de modo que se previsto a maior ou a menor nenhum impacto tem sobre uma defasagem de tributação,seja sobre algum acréscimo patrimonial percebido ou sobre um prejuízo apurado. Logicamente a avaliação ou o demonstrativo e as suas formalidades são essenciais para a correta fundamentação do ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura, mas eventuais diferenças apuradas a maior ou a menor do lucro de fato obtido não representam ônus e conseqüente discussão fiscal a ponto de descaracterizar a operação. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 26 49 Ademais, a escrituração contábil fora discriminada como “ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA HEDGINGGRIFFO”, cuja fundamentação econômica é indicada pelo histórico do registro, o qual traz os dizeres: “valor ágio ref. performance fundos HG”. Em razão disso, a fiscalização reputa insuficiência de fundamentação e a performance como incapaz de fundamentar o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura. Os fundos de investimento somente podem cobrar taxa de performance se sua rentabilidade superar o respectivo “benchmark” no período e se o valor da cota no último período em que foi cobrada a taxa de performance for menor do que o valor atual da cota. Deste modo as taxas de performance representam a rentabilidade do fundo de acordo com certas variações. Este fato, em si, é capaz de caracterizar o Fundo de Comércio, caracterizando a rentabilidade de um fundo como a capacidade de angariar e atrair clientela, favorecendo a reputação e o prestígio da administradora. Ocorre que o fundamento econômico utilizado para caracterizar o ágio não é a rentabilidade do fundo em si, mas além, a rentabilidade dos serviços de administração, que se baseiam nas receitas provenientes, em sua maior parte, das taxas de administração. Assim, uma vez exaustivamente comprovado nos autos que as empresas operacionais se dedicavam à administração de fundos, a performance que exprime os serviços prestados como forma de fundamentar a expectativa de rentabilidade futura se mostra perfeitamente aplicável e cabível no caso em tela. Desta forma, temos que o conjunto probatório apresentado pelo recorrente é capaz de fundamentar devidamente o ágio, através da expectativa de rentabilidade futura. Todos os documentos trazidos apresentam validade técnica e formal a ponto de conferirem fundamentação robusta e completamente apta a ensejar o gozo do benefício fiscal, qual seja, a amortização do ágio. Com o ágio perfeitamente comprovado e advindo de aquisição de participação efetiva, com o pagamento do preço, a dedução da amortização é possível e necessária, nos termos do que dispõem o arts. 385 e 386 do RIR/99. Desta sorte, por conseqüência lógica e racional, não há que se falar nas infrações nº 4 e 5, uma vez que devidamente amortizados dentro dos limites legalmente definidos no art. 386, inciso III. Isso porque, a infração nº 4 diz respeito à multa isolada por insuficiência de recolhimento das antecipações mensais. A suposta indevida dedução da amortização do ágio resultou em diminuição indevida da estimativa mensal. Uma vez comprovada a devida amortização, não há que se falar em falta de recolhimento das estimativas mensais. Já a infração nº 5 referese a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL. Tendo em vista o ajuste realizado no anocalendário 2009 através da Fl. 1666DF CARF MF 50 presente autuação no valor de R$ 102.951.874,08, o valor de R$ 25.864.768,56 (saldo negativo) se tornou inexistente. Ocorre que o ajuste se mostrou indevido e o crédito de fato existe, podendo ser objeto de compensação. Com relação à multa qualificada, esta, também por conseqüência lógica de todo o exposto para considerar válida a amortização do ágio, não deve ser aplicada. Ainda que desnecessário, vez que o valor principal da presente cobrança fora afastada, sintome na obrigação de dizer que, ainda que o valor principal fosse devido, a aplicação da multa qualificada seria de toda improcedente. Isso porque, as operações societárias, conforme detalhadamente demonstrado, não se deram de modo fraudulento ou simulatório, assim, ainda que a glosa da dedução do ágio permanecesse, não faria qualquer sentido aplicar a pesada multa qualificada de 150%, que visa alcançar somente aqueles que agem com a intenção de burlar o fisco. Portanto, neste momento do voto, considerase válida a amortização do ágio, primando pela inaplicabilidade da multa qualificada e multa isolada, e, finalmente, pela validade das compensações advindas da base de cálculo negativa de CSLL. Pelas razões acima expostas a presente Turma de Julgamento já emanou decisão acerca da operação que gerou este primeiro ágio em processo que envolve o mesmo contribuinte e que discutia os anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 27 51 A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. Do segundo ágio Diferentemente do que ocorrera em relação ao aqui denominado "primeiro ágio", o "segundo ágio" ora em discussão ainda não foi analisado pela presente Turma de Julgamento. Conforme descrito no relatório ao norte, o segundo ágio referese à operação de aquisição do segundo lote que é o saldo de ações de propriedade dos vendedores e que transformou o grupo HG em subsidiária integral do CS. Explicando melhor: nas etapas anteriores que ocorreram entre 2006 e 2008, o CS se tornou sócio majoritário 50% + 1 ação da HGI e indiretamente das demais empresas operacionais do grupo HG. No ano de 2012, momento do nascimento do aqui chamado segundo ágio, o CS passou a controlar integralmente o grupo HG. Segundo disposição do já mencionado acordo de acionistas, a partir de 31/07/2011 e por um prazo de 4 meses, ambas as partes (HG e CS) poderiam exercer direitos em relação ao saldo de 49,575% das ações ainda detidas pela HG. A HG poderia vender tais ações e o CS poderia comprar através de simples notificação. Tal notificação ocorreu em 12/06/2012. No acordo de acionistas também havia previsão expressa quanto ao preço deste saldo de ações no caso do exercício da opção que seria o equivalente a 10 vezes a média do lucro líquido ajustado nos anos de 2009 a 2011. Assim, considerando o valor efetivamente pago pelo CS por tal saldo de ações, bem como, o valor do PL total em maio de 2012 de R$ 174.836.511,58 (49,58% = R$ 86.675.200,62), o CS contabilizou um ágio no valor de R$ 1.111.835.214,93. Em julho de 2012 foi elaborado Laudo de Avaliação pela E&Y. Fl. 1668DF CARF MF 52 Em relação a este "segundo ágio", a fiscalização concluiu que se tratou de mero fechamento do planejamento tributário abusivo perpetrado pela ora Recorrente desde o início das etapas de aquisição do grupo HG cuja finalidade única foi a economia de tributos. Além disso, a fiscalização também afirma que esta segunda aquisição configura nova operação desvinculada completamente da primeira, tendo sido executada entre partes relacionadas com a utilização de empresa veículo (CSHGI) e com base em valor que não guarda qualquer relação com expectativa de rentabilidade futura, sendo imprestável o laudo elaborado pela E&Y. Do ágio interno De início ressalto meu entendimento de que a análise acerca da possibilidade da dedução do ágio deve se pautar pela verificação do cumprimento dos requisitos formais previstos em lei mas também pela autenticidade e veracidade dos atos no sentido de que a essência não deve prevalecer mas sim ratificar a forma. Entendo que não somente nos casos de ágio mas em qualquer outra discussão fiscal, o julgador deve avaliar se os atos perpetrados o foram de forma legítima, no sentido de externalizar a verdadeira vontade das partes e realidade dos fatos sem qualquer simulação, dissimulação ou fraude. Digo isso para concluir que diferentemente de muitos julgados deste Conselho, entendo que o ágio interno decorrente de operação perfectibilizada entre partes relacionadas ,por si só, não inviabiliza a respectiva dedução fiscal. Para que isso glosa ocorra deve ser identificado que houve simulação, caso contrário, a lei deve ser obedecida. Não existe argumento no Direito Tributário que ultrapasse ou supere o Princípio da Legalidade. Nesse sentido, salvo a identificação de qualquer vício, o ágio interno é válido para fins fiscais desde que a operação tenha ocorrido antes da publicação da Lei n. 12.973/14 que expressamente proibiu a dedução do chamado ágio interno. Entender o contrário seria desrespeitar o Princípio da Legalidade ou , ao menos, considerar que a Lei 12.973/14 em nada inovou e serviu apenas para "confirmar" o que já valia antes o que não faz qualquer sentido. Não obstante a introdução acima, tenho que o presente caso não trata de ágio interno e tal conclusão já foi alcançada pelos próprios julgadores da DRJ, in verbis: "Primeiramente, necessário esclarecer que, distintamente do alegado pela fiscalização, entendese que a incorporação da empresa HG Investimentos antes do início da amortização do segundo ágio apurado permite uma dissociação da primeira operação, tendo em vista que, nesse caso, houve a extinção real do investimento, nos moldes em que exigido pela legislação." Ora, a conclusão não poderia ser outra. O ágio interno pressupõe uma operação que envolva partes que pertençam ao mesmo grupo econômico, o que não é o caso. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 28 53 De um lado estava o CS que possuía o controle majoritário mas não integral do grupo HG. De outro lado, estava o grupo que ainda detinha o restante das ações do grupo HG não detidas pelo CS. Não há nos autos qualquer indicação de que os acionistas fundadores à época minoritários do HG possuíam também ações do CS ou qualquer outro tipo de relação societária entre as partes envolvidas na geração do segundo ágio. As partes envolvidas na operação tinham interesses diametralmente inversos, pois, é acertado dizer que quanto maior fosse o preço das ações, melhor seria para os acionistas minoritários do grupo HG e viceversa. Se não existem partes relacionadas ou integrantes do mesmo grupo econômico, não há que se falar em ágio interno. Da utilização de empresa veículo Não vou nesta altura do voto me ocupar novamente em trazer os fundamentos que justifiquem a utilização da chamada empresa veículo mas tão somente analisar se, de fato, houve utilização de empresa veículo nesta etapa da operação e em caso positivo se tal utilização foi válida do ponto de vista legal. Alega a fiscalização que a negociação de aquisição das ações restantes das sociedades adquiridas se deu através da utilização da CSHGI, empresa veículo sem qualquer propósito negocial. Em apertada síntese, a fiscalização parte da tese de que o ágio somente seria válido se incorporadas diretamente as empresas operacionais do grupo HG e como isso ocorreu através da sociedade CSHGI, a dedução do ágio não seria possível. Vejo aqui uma incoerência no trabalho fiscal. Isso porque, a empresa CSHGI neste ponto tratada como empresa veículo pela fiscalização é justamente a empresa considerada pela mesma fiscalização como objeto da operação que gerou o primeiro ágio, sendo que lá tratouse de atacar a empresa HGII como veículo. Assim, no universo racional da fiscalização a empresa CSHGI sofreria de uma crise de identidade, pois, ora é empresa veículo ora não. Além disso, a linha de raciocínio adotada pela fiscalização que somente a aquisição direta das empresa operacionais HG Serviços Internacionais, HG Asset e HG CTVM todas controladas pela CSHGI, possibilitaria a dedução do ágio, me parece carecer de fundamento legal. De fato, procurei mas não achei na legislação a regra adotada pelo fiscal. É verdade que a aquisição direta das ditas empresas operacionais também seria possível. Isso é inegável. Contudo, a existência de outras opções não tem o condão, nem de longe, de inviabilizar a opção escolhida pelo contribuinte. Até porque, estamos tratando aqui da aquisição de 03 empresas operacionais quando a operação foi concentrada em apenas uma que é a CSHGI, o que já demonstra que a opção escolhida pelo contribuinte é muito mais racional e pragmático do ponto de vista negocial do que aquela apontada pelo fiscal. Fl. 1670DF CARF MF 54 Desta forma, são totalmente improcedentes as alegações da fiscalização quanto à utilização de empresa veículo (CSHGI) ou ausência de incorporação das empresas efetivamente adquiridas. Do preço Segundo a fiscalização o preço pago pelo restante das ações da CSGHI não guarda qualquer relação com o cálculo de expectativa de rentabilidade futura, ou seja, a previsão constante do acordo de acionista de que o preço pela opção de compra seria baseada nos lucros de períodos anteriores (2009 à 2011) não preencheria o requisito legal correspondente. Em relação a tal ponto, destaco trecho do Recurso Voluntário da ora Recorrente: " Com a devida vênia, ao afirmar que o lucro dos três último anos não é indiciador idôneo para a estimativa de lucros futuros o i. fiscal autuante parece desconhecer os critérios estabelecidos pelo próprio Legislador Complementar para pautar a previsão de receitas pelo Poder Público ao qual o i. fiscal pertence, cabendo referir nesse sentido a Lei de Responsabilidade Fiscal, que, ao dispor sobre a previsão da receita pública , assim determina, "verbis": Art. 12. As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de cálculo e premissas utilizadas." Ora, a expectativa de rentabilidade futura prevista na legislação referese à capacidade de geração de caixa da empresa adquirida e isso é geralmente feito por empresas independentes como foi a E&Y no presente caso que se baseiam em racionais distintos para tentar projetar tal geração de caixa no futuro. Vejam, estamos aqui tratando de projeção que nada mais é que a tentativa de prever com o maior grau de precisão possível o que acontecerá no futuro. Nesta tentativa, podem ser incluídas variáveis diversas como um novo contexto macro econômico (melhor ou pior), impacto de novos produtos e tecnologias, variação de preço de commodities ou, simplesmente, basearse no passado. Aliás, tal correlação entre passado e futuro para fins de previsão de rentabilidade, encontra outro exemplo no universo normativo das instituições financeiras. Tratase da Resolução 3.059/02 que trata do registro contábil de créditos tributários das instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Tendo em vista que os créditos tributários de IRPJ e CSLL compõem parcela relevante do patrimônio das instituições financeiras, o Conselho Monetário Nacional exige seja apresentado um estudo que comprove que a instituição terá capacidade de geração de lucro no Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 29 55 futuro que seja suficiente para a realização do crédito tributário registrado até então, pois, em caso negativo, o crédito tributário deve ser baixado o que reduzirá o patrimônio da instituição. Pois bem, os requisitos para manutenção do crédito tributário são os seguintes: Art. 1º Estabelecer que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil somente podem efetuar o registro contábil de créditos tributários decorrentes de prejuízo fiscal de imposto de renda, de base negativa de contribuição social sobre o lucro líquido e aqueles decorrentes de diferenças temporárias quando atendidas, cumulativamente, as seguintes condições: I apresentem histórico de lucros ou receitas tributáveis para fins de imposto de renda e contribuição social, conforme o caso, comprovado pela ocorrência dessas situações em, pelo menos, três dos últimos cinco exercícios sociais, período esse que deve incluir o exercício em referência; II haja expectativa de geração de lucros ou receitas tributáveis futuros para fins de imposto de renda e contribuição social, conforme o caso, em períodos subseqüentes, baseada em estudo técnico que demonstre a probabilidade de ocorrência de obrigações futuras com impostos e contribuições que permitam a realização do crédito tributário no prazo máximo de dez anos. (nossos grifos) A apuração de histórico de lucros serve para ratificar ou ao menos evidenciar o estudo que tenta demonstrar a capacidade de geração de lucro no futuro. O racional econômico é muito claro neste exemplo, pois, salvo situação de extrema ruptura do modelo de negócios ou de produtos da empresa, a geração de caixa no futuro guarda uma relação de continuidade, ainda que enviesada para cima ou para baixo, com o passado. Assim, a exemplo da LRF que prevê que o Poder Público deve utilizar a receita passada para fins de previsão da receita futura e também do CMN que exige a geração de lucros passados para justificar a manutenção do crédito tributário para compensação em exercício futuros, entendo que o critério de estabelecimento do preço para aquisição da ações da CSHGI baseado numa média dos lucros passados para fins de estabelecer a expectativa de rentabilidade futura é plenamente plausível. Da acusação de Planejamento Fiscal Com relação a este item, tenho aqui como aplicável todo o exposto em relação ao primeiro ágio. Das formalidades Fl. 1672DF CARF MF 56 Da forma de escrituração do ágio No que concerne à ausência de indicação na escrituração contábil do embasamento legal do ágio, ratifico meu entendimento que a essência deve ratificar a forma escolhida. Digo isso para concluir que uma vez verificada a negociação efetiva das ações, o pagamento efetivo do preço, a validade do racional para definição do preço e a ausência de simulação, tenho que a ausência de inclusão expressa na escrituração fiscal do embasamento legal do ágio não é motivo suficiente para glosa da dedução do ágio. Entender o contrário seria privilegiar o formalismo exagerado em detrimento da segurança jurídica que deve pautar a relação fiscocontribuinte. Da ausência de demonstrativo do valor do ágio Neste ponto, defendeu a Fiscalização ser impossível considerar o ágio apurado como fundamentado em rentabilidade futura pelo "fato do demonstrativo exigido pela legislação vigente como documentação comprobatória da fundamentação econômica de qualquer ágio haver sido lavrado em data posterior à efetivação da transação 12 de julho de 2012 versus 12 de junho de 2012 respectivamente em total desacordo com o previsto no "caput" e § 3° do artigo 385 do RIR/99:" A Fiscalização entende ser intempestivo o laudo apresentado. Apesar da completa ausência de previsão legal na época acerca do prazo em que o laudo deveria ser apresentado ou mesmo da própria obrigatoriedade de apresentação de um laudo, vemos que o suposto atraso se resume a um mês. Entendo que tal discussão sobre este atraso é totalmente inócuo. Primeiro, porque as premissas para definição do preço das ações já estava na Cláusula 7.1.b do Acordo de Acionistas que fora celebrado e novembro de 2007. O laudo técnico elaborado pela E&Y serviu apenas para corroborar o preço das ações conforme regras já definidas anteriormente. Não obstante, a fiscalização apontou supostas impropriedades técnicas do laudo, o que gerou a apresentação de um Parecer Técnico Extrajudicial que demonstra a inexistência de tais impropriedades. Neste ponto, julgo esclarecedor o seguinte trecho do Recurso Voluntário da ora Recorrente: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16327.720016/201665 Acórdão n.º 1201002.247 S1C2T1 Fl. 30 57 Além disso, critica a fiscalização o fato do laudo ter utilizado como benchmark informações originadas "apenas" do BACEN, ANBIMA e OECD, contudo, curiosamente, essa mesma fiscalização não apontou fontes de melhor qualidade para benchmark, o que a meu ver torna tal crítica completamente vazia do ponto de vista técnico. Ora, para criticar a técnica adotada por um trabalho, qualquer que seja, o crítico deve, minimamente, apontar qual a técnica correta, o que não aconteceu no caso em tela. A Fiscalização também "estranhou" o fato do laudo não utilizado o dólar como parâmetro, o que segundo seu racional seria mais comum. A Recorrente utilizou índices locais como benchmark (IBOVESPA, CDI, IGPM e etc...), vez que a transação ocorreu no Brasil. De fato, poderia ter sido o dólar o parâmetro utilizado, assim como poderia ter sido o Euro, o Peso Uruguaio ou o Bolivar Venezuelano. Contudo, a escolha foi por índices locais e isso, certamente, não prejudica a qualidade do laudo. Enfim, o que se vê é um amontoado de críticas que me parecem sem conteúdo que culminam na afirmação de que o laudo tratou de um exercício de numerologia. Não enxerguei neste tópico um só apontamento da fiscalização que trouxesse à tona qualquer vício, impropriedade técnica ou erro que colocasse em xeque o resultado do Fl. 1674DF CARF MF 58 laudo e por conseqüência o ágio gerado. O que se vê no TVF são suposições do que seria mais normal ou correto, o que a meu ver não é suficiente para a glosa da dedução do ágio. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1675DF CARF MF
score : 1.0
