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Numero do processo: 13925.720177/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012, 01/02/2012 a 28/02/2012
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 72 01 77 /2 01 2- 98 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13925.720177/201298 Acórdão n.º 3402005.526 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.735, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13925.720177/201298 Acórdão n.º 3402005.526 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901910/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório
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score : 1.0
Numero do processo: 16682.721076/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
IOF. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTA-CORRENTE:
A operação de conta-corrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente.
DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO.
O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade votaram por dar provimento para juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovic Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
Nome do relator: Marcelo Giovani Vieira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IOF. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTA-CORRENTE: A operação de conta-corrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO. O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade votaram por dar provimento para juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovic Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
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BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTACORRENTE: A operação de contacorrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO. O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade votaram por dar provimento para juros sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 76 /2 01 4- 94 Fl. 1128DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovic Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272. Relatório Transcrevo trecho da decisão de primeira instância, como relatório até então: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado o auto de infração às fls. 950/954, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF dos períodos de 31/01/2010 a 31/12/2010, incluindo juros de mora calculados até 12/2014 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 12.377.585,23 (doze milhões trezentos e setenta e sete mil quinhentos e oitenta e cinco reais e vinte três centavos). Concluiu a fiscalização, na ocasião da sua auditoria, pela inexistência de recolhimentos efetuados a título de IOF. A Autoridade Fiscal analisando a documentação e os esclarecimentos apresentados, bem como as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, do período fiscalizado, constatou a existência de contratos de mútuo entre a fiscalizada e outras pessoas físicas e jurídicas, sem o respectivo recolhimento de IOF, a saber: 1 – Contratos de mútuo (crédito fixo) firmados com a empresa RRN Hotel Ltda.; 2 – Contratos de mútuo (crédito rotativo) firmados, verbalmente, com as pessoas físicas: Sonia Maria de Carvalho, Rodrigo Rodrigues Nunes e Ricardo Rodrigues Nunes; bem como as pessoas jurídicas: Aliança Divinópolis LTDA. e Ricardo Eletro Atacado LTDA. As bases de cálculo teriam sido extraídas da escrita contábil da fiscalizada. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada, pessoalmente, das exigências, em 22/12/2014 (fls. 965), a autuada, em 21/01/2015, apresentou sua Impugnação Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.129 3 constante das fls. 1030 a 1053, atacando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. DA DECADÊNCIA Neste ponto pugna, em relação aos contratos de crédito fixo, pela aplicação do art. 150, do CTN, pois, o fato gerador ocorreria na disponibilização dos valores, assim, os créditos relativos aos contratos firmados antes de 22/12/2009 estariam decaídos. Colaciona jurisprudência do CARF. DO DIREITO Defende que para empresas não financeiras, somente ocorre a incidência do IOF sobre operações de crédito que se qualifiquem como mútuos. Tece arrazoado sobre as características do contrato de mútuo. Assevera que as operações entre Ricardo Eletro Atacado e LIR não se constituem de mútuos. Isso porque, conforme se inferiria da própria contabilidade e das planilhas constantes dos autos de infração, por mais que tenha se dado o nome de mútuo, as mesmas nunca teriam sido de mútuos na sua essência. Segundo a Impugnante ainda que, contabilmente tivesse adotado a denominação de mútuo, teria cometido um erro grave contábil, pois, a operação existente entre Ricardo Eletro Atacado e Ricardo Eletro Divinópolis Ltda [fiscalizada/recorrente]. se faz como uma compra e venda. Ou seja, os valores contabilizados seriam os pagamentos dos produtos que a Ricardo Eletro Atacado adquire e vende para as lojas da Ricardo Eletro Divinópolis Ltda [fiscalizada/recorrente] localizadas no Estado do Rio de Janeiro. Defende que mesmo que não se entenda como compra e venda, terseia na pior das hipóteses um contacorrente entre coligadas o que não atrairia a incidência do IOF, pois não se trataria de mútuo já que não se pactuou o básico para a incidência daquele: o dever de restituir, o que não se coadunaria com disposto no art. 586 do Código Civil, impedindo a incidência tributária. Alega que haveria, inclusive, compartilhamento de despesas entre as operações, demonstrando que não haveria, definitivamente, operação de mútuo. Assevera que o encontro de contas não observado pelo ilustre auditor nas contas 122102001 se dera com a entrega das mercadorias pela Ricardo Eletro Atacado às lojas varejistas da LIR. Defende que, na contabilidade, a única forma de entrada de mercadorias das lojas se faz pelo ATACADO. Sendo este o grande encontro de contas. Não haveria empréstimo sobre qualquer modalidade, mas pagamento. Colaciona julgado do CARF que teria afastado a aplicação do ato declaratório nº 07/99 e defendeu que o art. 13 da Lei nº Fl. 1130DF CARF MF 4 9.779 não abrange as operações de contacorrente, ressaltando ainda que o art. 108 do CTN veda o emprego de analogia para a exigência do tributo. Defende que, em todos os momentos que ocorrera transferência de valores, a operação deveria ser observada sob a forma de crédito fixo e não rotativo. Segundo a Impugnante, os adiantamentos efetuados a Ricardo Nunes, Rodrigo Nunes e Sonia (diretores da empresa) seriam relativos à distribuição de lucros e não caberia a incidência do IOF (redução da alíquota a zero). Defende a não aplicação do Decreto nº 6.339, de 2008 em relação às operações realizadas com Sonia, pois as mesmas seriam de 2007. Ou seja, a Lei não poderia retroagir para prejudicar o contribuinte. Pugna pela não incidência de juros sobre a multa. Por fim, requer a realização de perícia/diligência. A DRJ decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE PAGAMENTO. Na ausência de pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo o prazo decadencial de cinco anos regese, em conformidade com o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, pelo disposto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN. MÚTUO ENTRE PESSOAS LIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada e independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas envolvidas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.130 5 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tais providências se revelam prescindíveis para instrução e julgamento do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde reitera as razões de defesa da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de decadência A recorrente propugna pela decadência do direito de a Fazenda efetuar o lançamento para os contratos de mútuo com data de cessão fixa, isto é, para mútuo do tipo não rotativo, para os quais o respectivo contrato teria data anterior a 22.12.2009, cinco anos antes da ciência do lançamento em 22.12.2014. Os contratos que a empresa considera como fixos, isto é, não rotativos, são aqueles referentes às operações com Sônia Maria de Carvalho, Eduardo Ribeiro de Moura, Rodrigo Rodrigues Nunes, Ricardo Rodrigues Nunes e RRN Hotel Ltda. Primeiramente cumpre estabelecer que o termo de início da contagem da decadência, para tributos sujeitos a homologação e para os quais não tenha havido pagamento, ocorre a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser efetuado, conforme Resp 973.333/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, que vincula os colegiados do Carf nos termos do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Assim, não tendo havido pagamento de IOF em qualquer caso, os contratos de cessão de crédito com data anterior a 01/01/2009 é que restam decaídos. Conforme fl. 869, somente o contrato com RRN Hotel, cujos créditos foram disponibilizados durante o ano de 2010, é que foi considerado com contrato e data fixa. Os outros contratos (fls. 948) foram considerados rotativos, apurados pelos saldos durante o ano de 2010, e portanto, não foram atingidos pela decadência. O contrato com Sônia Maria de Carvalho, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal, fl. 861, foi considerado como crédito rotativo, porque não fora apresentado Fl. 1132DF CARF MF 6 o contrato escrito. Assim, o auditor reputou tal contrato como sem data fixa, e portanto, rotativo. Todavia, verifico que o valor do crédito, R$ 82.373,00, fora disponibilizado em 2007, e que durante o ano de 2010, somente foram agregados os juros . A apropriação dos juros não descaracteriza o contrato de fixo para rotativo, porque não houve qualquer outro crédito disponibilizado em 2010. Assim, considero o contrato de empréstimo com Sônia Maria de Carvalho como do tipo fixo e atingido pela decadência. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento nesta matéria. Mérito Contas Ricardo Eletro Atacado Ltda, Ricardo Eletro Atacado – Rateio Observo inicialmente que a conta Ricardo Eletro AtacadoRateio sucede a conta Ricardo Eletro Atacado Ltda em 01/12/2010, por alteração no plano de contas da empresa, e são tratadas conjuntamente no Recurso Voluntário. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, a empresa informou que tais contas registrariam empréstimos em dinheiro (fl. 698 combinada com 834). Entrentanto, como os contratos não foram apresentados, o Auditor os considerou como rotativos, porque não tinham prazo e valores fixos, e ainda, apurandose no Livro Razão, constatamse diversas movimentações. A empresa, a despeito da primeira resposta, passa a defender, na Impugnação e no Recurso Voluntário, que houvera grave erro na sua contabilização, e que na verdade tais movimentações são operações comerciais de compra e venda das mercadorias de seu objeto social. Informa que a motivação para essa estruturação operacional seriam incentivos fiscais do Estado do Rio de Janeiro em relação ao ICMS. Em seguida, sustenta que, ainda que não se considere a operação como compra e venda, “na pior das hipóteses seria uma conta corrente” (fl. 1.090), e que a liquidação dessa compra e venda se dá com encontro de contas, o que não teria sido observado pelo auditor fiscal. Aos fatos. A alegação de operação de compra e venda é vazia, porque não acompanhada das respectivas comprovações, tais como notas fiscais ou contabilização. A liquidação por meio de encontro de contas, sem emissão de nota fiscal ou fatura, não caracteriza operação de venda, mas compensação entre ativos e passivos. Ambos, Fisco e recorrente, asseveram que não houve, no ano de 2010, qualquer amortização dos valores disponibilizados à Ricardo Eletro Atacado (contraparte da recorrente nas operações). Ora, tal circunstância corrobora na interpretação de que se tratam de operações de financiamento, para os quais a Ricardo Eletro Atacado, por hiposuficiência financeira, recebe recursos vultosos da recorrente. Vale lembrar aqui o universal princípio contábil da entidade, assim definido na Resolução CFC – Conselho Federal de Contabilidade 750/93, que ressalta a autonomia patrimonial das empresas, mesmo que pertencentes a grupo econômico: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.131 7 “Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” 2.1.1 A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosas, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia Fl. 1134DF CARF MF 8 patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente porque sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. A existência de contacorrente não exclui a função financiadora dos recursos disponibilizados. Decerto que existem gestões de contascorrentes que não caracterizam função financiadora, cujos saldos se alternem periodicamente entre credores e devedores, ou são zerados periodicamente, tipicamente, em base mensal. Não é o que acontece no presente caso. A movimentação das contas em foco revela essa função financiadora, e portanto, de mútuo, quando se constatam saldos vultosos em favor da mutuante, a empresa autuada, desde cerca de 70 milhões de reais em janeiro de 2010 até cerca de 400 milhões de reais ao final de novembro de 2010. Esse fluxo impõe a consideração da função financiadora da conta. Cito, por pertinente, decisão do Superior Tribunal de Justiça em relação ao tema: Resp 1.239.101/RJ TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido. Tese reiterada na decisão dos Embargos: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.132 9 DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os argumentos levantados pela embargante foram devidamente rechaçados quando esta Corte fez a melhor opção interpretativa pela incidência do IOF sobre as operações que disponibilizam créditos entre empresas de um mesmo grupo econômico. A interpretação prestigia a letra do art. 13, da Lei n. 9.779/99 (caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ") e a letra do art. 63, I, do CTN (caracteriza como operação de crédito a "sua colocação à disposição do interessado "). Inclusive com transcrição de jurisprudência. 2. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos que têm o propósito infringente. 3. Embargos de declaração rejeitados. Assim, considerando frágeis as alegações da recorrente quanto à operação comercial de compra e venda, e que as operações de contacorrente, quando carreiam as funções de financiamento aos mutuários, consubstanciando a natureza jurídica da operação pela finalidade, entendo que, no presente caso, os valores em questão performam base de cálculo do IOF, nos termos do Decreto 6.306/2007, art. 7º, I, “a” 1. Conta “Aliança Divinópolis Ltda” Em relação a essa conta a recorrente não se defende expressamente, senão pelas considerações gerais quanto à caracterização de mútuos. Aplico, pois, as mesmas apreciações do item anterior. Conta “RRN Hotel Ltda” Em relação a esse contrato, lançado como crédito do tipo fixo, não rotativo, não houve específica impugnação da recorrente, que se concentrou nos outros contratos. Desse modo, resta definitivo o lançamento nesta parte. Contas Ricardo Rodrigues Nunes e Rodrigo Rodrigues Nunes Tais contas foram consideradas pelo Fisco como crédito rotativo, posto que não tinham contratos e serviam como pagamentos de despesas pessoais. 1 Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: Fl. 1136DF CARF MF 10 A recorrente sustenta que se tratam de adiantamentos de lucros, no caso de Ricardo Rodrigues Nunes, e adiantamento de salários, no caso do diretor Rodrigo Rodrigues Nunes. Como tais, entende que a alíquota do IOF é zero, cf. art. 8º, XIII2 do RIOF. Todavia, a alegação também não veio acompanhada de respectivas provas. Não há a demonstração de desconto em folha, ou lançamento de dedução de lucros. Portanto, restam as afirmações do Fisco, que apontam disponibilizações de valores aos sujeitos indicados, sem documentos que comprovem outra natureza senão crédito financeiro. Juros sobre Multa A minha posição pessoal é de que tal questão não se insere sob a competência de decidir do Carf. Com efeito, os acréscimos legais são institutos exigíveis na cobrança, e os juros de mora sobre a multa de ofício sequer são lançados. Ora, se o lançamento é que inicia o processo administrativo fiscal sob o Decreto 70.235/72 (art. 9º), a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não está sob o rito do processo administrativo fiscal, mas tão somente sob o processo administrativo geral – Lei 9.784/99. As instâncias revisoras na Lei 9.784/99 são o Delegado da Receita Federal local e o Superintendente regional. Portanto, seria o caso de não conhecer das alegações relativas a esta matéria. Não obstante, restando consolidada no Carf a rejeição a esta tese, e atento à segurança jurídica, tomo conhecimento do recurso nesta parte. E tendo tomado conhecimento, adoto as razões do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 910100539, abaixo reproduzido no que tange ao tema. “O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). 2 XIII relativa a adiantamento de salário concedido por pessoa jurídica aos seus empregados, para desconto em folha de pagamento ou qualquer outra forma de reembolso; Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.133 11 Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário 'é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).' A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida 'juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago'(§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 1138DF CARF MF 12 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.134 13 pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (…) No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Assim, voto pela incidência de juros sobre a multa de ofício. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento referente ao contrato com Sônia Maria de Carvalho. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1140DF CARF MF
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Numero do processo: 13899.001358/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário, conforme Súmula CARF nº 38.
O início da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercÍcio seguinte ao ano-calendário a que se referem os recebimentos, no caso de presunção de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme Súmula CARF nº 38. O início da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercÍcio seguinte ao anocalendário a que se referem os recebimentos, no caso de presunção de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. 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Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 237 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13899.001358/200638, em face do acórdão nº 1517.380, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), em sessão realizada em 30 de outubro de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “A interessada contesta o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas de sua responsabilidade em 2001, que resultou em imposto de R$ 46.929,69, elevado para R$ 119.215,48 com os acréscimos legais. Os argumentos da impugnante são, em síntese, os seguintes: 1) Já havia decaído o direito de lançamento quanto aos fatos ocorridos entre janeiro e maio de 2001, considerandose que o prazo de cinco anos deve ser contado da data do fato gerador, por se tratar de lançamento por homologação. 2) Apresentara durante a fiscalização documentação comprovando a origem dos recursos depositados, exceto documentos contábeis que comprovem a distribuição de lucros de escritório de advocacia, do qual se desligara. Como estes documentos se encontram em poder do seu antigo sócio, a Receita Federal deveria diligenciar para obter estas provas. 3) O lançamento do imposto não pode ser efetuado sobre depósitos bancários. Como os depósitos não são em si mesmos hipótese de incidência tributária, cabe ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados. 4) Não pode haver cobrança concomitante de multa moratória e juros de mora, pois têm a mesma finalidade. 5) É ilegal o uso da taxa SELIC para cálculos de juros moratórios de débitos fiscais, porque não fixada em lei para fins tributários. 6) A multa de 75% é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendo, assim, o crédito tributário na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 208/232, reiterando as alegações expostas em impugnação. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 238 4 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares. 1.1 Decadência. O contribuinte, apegandose à letra do § 1° do art. 42 da Lei n° 9.430/ 1996, sustentou que houve decadência quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001, aplicandose ao caso o art. 150, § 4°, Código Tributário Nacional. Eis o dispositivo invocado pela recorrente: Art. 42. [...] § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Em se tratando de pessoa física, o valor considerado, por força da presunção, como rendimento omitido é tomado, para fins de tributação, como recebido no mês em que realizado o depósito, incidindo o tributo no próprio mês. Não obstante, à semelhança do que ocorre com os demais rendimentos, fica ele sujeito à tributação na declaração de ajuste anual. Assim, a lei cingiuse a estabelecer uma presunção, na qual não se pode ver uma forma específica de tributação. Dessa forma, conforme referiu a DRJ de origem, temse que o fato gerador ocorre ao final do anocalendário. Assim, em relação ao anocalendário 2001, iniciandose, caso aplicável ao contribuinte a regra mais favorável (a contida no art. 150 § 4º do CTN), em 1º de janeiro de 2002 a contagem do prazo decadencial, findando em 31/12/2006, não tendo se exaurido este antes da notificação do lançamento que ocorreu em 18/09/2006. Cumpre salientar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38). Assim, seja pela aplicação do art. 150 § 4º do CTN ou do art. 173, inciso I, também do CTN, temse por não configurada a decadência. Portanto, rejeitase a preliminar de decadência. 1.2 Quebra de sigilo bancário. Alega o recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 239 5 No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. 1.3 Das provas. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. 1.4 Alegações de inconstitucionalidade. Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Deste modo, não há como apreciar o pedido de análise do caráter confiscatório da multa, conforme suscitado pela contribuinte. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Feitas essas considerações, passarseá a apreciação das alegações do contribuinte relativamente às demais matérias constantes no recurso voluntário. 2. Mérito. 2.1 Depósitos bancários. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 240 6 de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos presentes nos autos não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. 2.2 Multa. Lançamento de ofício. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Assim, não merece acolhimento o recurso quanto a este ponto. 2.3 Taxa Selic. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 241 7 Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002777/2004-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PRESCRIÇÃO. OUTROS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Recorrente MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 77 /2 00 4- 79 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 839 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., em face do Acórdão nº 140100.180, proferido em sessão de julgamento realizada pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010, em que se decidiu, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário impetrado, e acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores compreendidos em períodos de apuração anteriores e inclusive a 30/11/1998. Contra a recorrente foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 com base no arbitramento de lucros, em razão de a empresa, mesmo após diversas intimações, não ter apresentado qualquer livro ou documento de escrituração mínima obrigatória. Além disso, foram detectados depósitos vultosos em suas contascorrentes bancárias em relação aos quais, regularmente intimada, silenciouse quanto a demonstrar suas origens. Da mesma forma, em relação ao anocalendário 1998, a empresa omitiuse na apresentação da DIPJ (Termo de Verificação Fiscal às fls. 101 e ss. do vol 1). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação tempestivamente apresentada, afastando as preliminares de nulidades e decadência, esta última por se entender que diante da ausência de pagamento antecipado seria aplicável ao caso a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, considerando ainda que ordem judicial teria obstaculizado o lançamento, o que levou ao acréscimo ao prazo decadencial, do período em que o procedimento fiscal esteve suspenso por ordem judicial. Em relação ao mérito também foi indeferida a impugnação (fls. 271 e ss. do vol 2). Irresignado contra essa decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 300 e ss. do vol.2), julgado pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010. Pelo Acórdão nº 140100.180, aquela turma decidiu por afastar a preliminar de nulidade e, em relação à de decadência, entendeu a maioria que se aplicaria ao caso a regra de contagem prevista no art. 173, I, mas que não haveria suspensão desse prazo, de forma que em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, teria se operado a decadência. No mérito, foi negado provimento ao Recurso, nos termos da seguinte ementa (fls. 319 e ss. do vol.2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 840 3 IRPJ/CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, § 4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173, I do CTN. IRPJ. DECADÊNCIA. SUSTAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR ORDEM JUDICIAL. Ao prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito Tributário, regido pelo artigo do art. 150, § 04, do CTN, deve ser acrescido o período em que a ação fiscal permaneceu suspensa, em razão de liminar em Mandado de Segurança. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real da ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Notificada dessa decisão, a PFN apresentou Recurso Especial (fls. 329 e ss. do vol.2), ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 376/377 do vol.2. O contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Especial (fls. 398 e ss. do vol.3) pedindo o acolhimento da preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998 e o cancelamento do crédito tributário. Pelo despacho de fls. 878/880, a presidência da Quarta Câmara deu seguimento ao Recurso Especial. Em seguida, a PFN apresentou Contrarrazões às fls. 884/889. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O Recurso Especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do Carf de forma sumária e sem maiores análises, pelo que entendo deve ser revisto. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 841 4 À época em que foi impetrado o referido Recurso Especial vigoravam as disposições regimentais previstas na Portaria MF nº 256, de 2009. No Anexo II, o art. 67 do então regimento interno do CARF, assim já determinava: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 842 5 § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.(destacamos) Como se nota do Recurso Especial aviado pelo contribuinte não há qualquer demonstração de divergência jurisprudencial, mas apenas o registro do seu inconformismo em relação à decisão da turma a quo. No item "I" da peça de defesa "Da Decisão Recorrida" a recorrente limita se a transcrever a ementa do acórdão recorrido e seu resultado e a afirmar que "a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária — DERAT — SPO / DICAT / EQCOB não acatou o r.decisium, pois conforme pode se ver pelos Darf's anexados ( Doc. 03), o VALOR PRINCIPAL referese ao 4º trimestre/1998 e não ao período de 01/12/1998 a 31/12/1998,..." Em seguida, no item "II" (erroneamente identificado como item III) defende que apesar de ter declarado a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, inclusive, a decisão a quo não o fez em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Aduz que, supondose que teria ocorrido a omissão de receitas, "o prazo decadencial cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador , já teria se consumado, pois as datas em que foram efetuados os supostos depósitos bancários já foram atingidos pela decadência". Afirma que o art.150, §4º, do CTN, dispõe que no lançamento por homologação o prazo decadencial tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador que, no caso, se refere as datas em que ocorreram os depósitos bancários e, assim, já estaria decaído o direito do Fisco. Salienta que a decadência deve ser reconhecida de ofício e, em seguida, afirma que "A jurisprudência do Egrégio Conselho de contribuintes é pacifica nesse sentido:" e colaciona 13 (treze) ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Transcreve doutrina, julgados do STJ e publicações de sites da internet. Observa não haver previsão legal para suspensão ou interrupção do prazo decadencial, ainda que seja determinado por ordem judicial. Pede, ao final, que seja acolhida a preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Como se verifica desta exposição, não se trata de Recurso Especial, mas de mero recurso contra a autuação, eis que não foi demonstrada de forma alguma, seja analítica ou sinteticamente, pelo recorrente, quais pontos do acórdão recorrido divergiriam do entendimento firmado nos acórdãos apresentados em sua peça de defesa. Isto foi feito apenas pelo despacho que analisou a admissibilidade do apelo especial, o que é inadmissível, já que é ônus do recorrente demonstrar a divergência. Nesse sentido vem decidindo esta 1ª Turma da CSRF, como depreendese dos seguintes acórdãos: Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 843 6 Acórdão nº 9101002.375 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67, § 8°). SÚMULA 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] O recurso especial é tempestivo, mas fazse necessário verificar se preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, quanto às duas matérias nele veiculadas: (i) legitimidade da adesão ao SIMPLES FEDERAL em face das atividades que exerce; (ii) impossibilidade de exclusão retroativa do aludido regime pelo Ato Declaratório Executivo n° 112, emitido em 20.08.2007 com efeitos a partir de 01.09.2001. No que se refere ao item (i) acima, compreendo que o recurso especial não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF então vigente (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do art. 67, § 8° do atual RICARF: “A divergen̂cia prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicacã̧o dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. O contribuinte, às fls. 5501 do eprocesso, apenas colacionou, em meio aos seus argumentos, o acórdão n. 30132.601, sem realizar qualquer exame analítico de seu conteúdo. [...] Na verdade, todo o esforço dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pelo recorrente, a quem indiscutivelmente incumbiria tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. (destacamos) Acórdão nº 9101002.374 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 844 7 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a similitude fática e a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67). [...] O recurso especial é tempestivo, contudo, não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF vigente quando de sua interposição (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do 67, § 8° do atual RICARF: “A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ocorre que, às fls. 1189, a recorrente simplesmente colaciona os acórdãos n. acórdãos n. 302038.388 e 20212.635, sem realizar qualquer exame analítico do conteúdo destes, ignorando ser obrigatória a demonstração da divergência em face do acórdão a quo. Na verdade, todo o exame dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pela recorrente, a quem inegavelmente incumbia tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. . (destacamos) No exame de admissibilidade do referido recurso sequer restou demonstrado, com segurança, qual teria sido exatamente o entendimento manifestado no voto proferido no acórdão recorrido, como se pode depreender do seguinte trecho (fls. 878/880): Apesar de a decisão recorrida ter resultado de entendimento majoritário, no sentido de se aplicar na espécie o art.173, I, do CTN, em que se reconheceu a decadência apenas com relação aos fatos geradores anteriores a 30/11/1998, inexistiu declaração de voto que pudesse esclarecer se foi alicerçado, por exemplo, em dolo, fraude ou simulação. A propósito, o voto do Relator, acompanhado pelas conclusões, aponta no sentido da inexistência de fraude: “No caso concreto, onde não se configurou evidente intuito de fraude (...)”. Assim, à vista dos paradigmas, pelos quais deve incidir na contagem do prazo decadencial a regra do art.150, §4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento no período, e diante da omissão relatada no parágrafo anterior, é possível, neste juízo de cognição sumária, entender pela caracterização da divergência jurisprudencial suscitada. . (destacamos) Naquele despacho deduziuse que, a partir do entendimento manifestado nos acórdãos trazidos pela recorrente em confronto com uma parte omitida do voto, seria possível entender que haveria caracterização de divergência jurisprudencial. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 845 8 Ora, se havia omissão no acórdão recorrido caberia ao sujeito passivo interessado apresentar embargos de declaração para esclarecer a omissão ou o ponto obscuro, o que não foi feito. Por outro lado, não cabe a quem analisa a admissibilidade do recurso desferir um esforço intelectual a fim de demonstrar a divergência alegada pela parte. O Regimento Interno é claro: o ônus da divergência compete àquele que a invoca. À vista do exposto e, uma vez que o Recurso Especial do sujeito passivo não observou os requisitos regimentais para ser admitido, voto por não conhecêlo. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000648/98-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Caso o IRRF retido durante o ano-calendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admite-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Caso o IRRF retido durante o ano-calendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admite-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Caso o IRRF retido durante o anocalendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admitese, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 06 48 /9 8- 61 Fl. 371DF CARF MF 2 Relatório Tratase, o presente processo, de pedido de compensação formalizado pelo contribuinte Cotia Factoring Fomento Comercial Ltda., ora Recorrente. Como se depreende dos autos, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, uma vez que a soma do recolhimento das estimativas mensais e do IRRF no ano de 1997 superavam, em tese, o valor devido a título de IRPJ naquele anocalendário. Tendo em vista o credito apurado, pretendeuse, com o pedido de compensação, quitar as estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com o crédito apurado. Contudo, como consta do acórdão recorrido, a Receita Federal do Brasil reconheceu apenas parte do crédito indicado no pedido de compensação. Vejase trecho da decisão neste sentido: 6. Ao analisar os elementos que constam dos autos e dos sistemas informatizados da RFB (SRF), a Autoridade Administrativa confirmou parte do IRRF (R$ 603.788,23), conforme planilha por ela elaborada (fl. 93), e recolhimentos de estimativas apenas para os meses de janeiro (R$ 144.511,55), fevereiro (R$ 494.724,25) e março (R$ 166.459,06), o que implicou o reconhecimento de parte do crédito (R$ 58.868,57), e deferimento parcial da compensação, até o limite do crédito reconhecido, (...): O Recorrente, não concordando com o reconhecimento em parte do seu direito creditório pelo despacho decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade. O acórdão recorrido elencou os fundamentos apresentados pelo contribuinte em seu apelo de forma precisa. Confirase: 8.1. não foram considerados os pedidos de compensação das estimativas dos meses de abril a agosto de 1997; 8.2. o IRRF reconhecido é inferior ao montante realmente retido por instituições financeiras e clientes pela prestação de serviços na área de factoring; 8.3. o montante a ser restituído/compensado é de R$ 987.281,06, devendo a Ficha 08 ser demonstrada da seguinte forma: Assim, com base nos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo reconheceu a maior parte do direito creditório. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. ANO CALENDÁRIO 1997. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do lucro real anual, poderá deduzir do imposto Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 372 3 devido, em 31 de dezembro, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o valor do imposto pago mensalmente com base da Receita Bruta; COMPROVAÇÃO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este o ônus da prova IRRF. COMPENSAÇÃO DO IRRF COM IRPJ DEVIDO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DOS RENDIMENTOS NO LUCRO REAL. O saldo credor de IRPJ, quando resultante da compensação de IRRF, com o IRPJ devido, tem como pressupostos de validade a comprovação da retenção e o cômputo dos rendimentos correspondentes no lucro real, razão pela qual, em havendo controvérsia acerca do IRRF identificado nas declarações DIRF, cabe à Manifestante trazer aos autos o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CRÉDITOS DE TERCEIRO. Confirmada, por meio de instrução processual, que parcela do crédito pleitaedo referese a estimativas mensais compensadas com créditos de terceiros e que tais compensações encontramse homologadas, há que se computála na apuração do saldo credor em favor da Manifestante. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Como se observa da decisão proferida por aquela DRJ, o crédito não reconhecido pela autoridade julgadora referese à parte do IRRF, cuja a retenção e recolhimento não foram comprovados pelo contribuinte, uma vez que não foram apresentados os Informes de Rendimentos, tampouco outros documentos que pudessem demonstrar e comprovar as retenções sofridas. Não concordando com a decisão recorrida, na parte em que lhe foi desfavorável, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que tem direito ao crédito não reconhecido, uma vez que houve a retenção e recolhimento do tributo por parte das fontes pagadoras. Ainda, cumpre esclarecer que, em que pese ter havido o reconhecimento da maior parte do crédito pleiteado, pelo acórdão recorrido, como o direito creditório reconhecido não supera o limite estipulado na legislação para apresentação de Recurso de Ofício, este não foi apresentado pela autoridade julgadora de 1ª instância. Fl. 373DF CARF MF 4 Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 19/08/2017 (fl. 353), sextafeira, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/09/2017 (comprovante de fl. 354), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, pelo Recurso Voluntário apresentado, se refere, basicamente, ao não reconhecimento de parte do direito creditório indicado pelo contribuinte, no que tange ao IRRF retido e recolhido. Em seu apelo, citando julgados do CARF para embasar os seus argumentos, o Recorrente alega que a "prova da retenção de IRRF pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois , contribuinte não pode ser penalizado pela omissão de terceiros, (...)". De fato, aos olhos desse julgador, o direito creditório do contribuinte não pode ser tolhido, quando há comprovação de que as fontes pagadoras efetuaram a retenção e o recolhimento do IRRF, mas deixaram de declarar esse recolhimento ou quando, a despeito da declaração, não apresentam de forma correta o informe de rendimentos ao contribuinte. Assim, seria temerário afirmar que só o informe de rendimentos teria o condão de comprovar os créditos retidos e recolhidos. Devese aceitar, em virtude do princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, outros elementos probantes do direito creditório. Em que pese alguns julgados em sentido contrário, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se denota das ementas abaixo, entende pela possibilidade de apresentação de outros meios de prova para comprovar o crédito relativo ao IRRF, em detrimento do Informe de Rendimentos. Vejase: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 373 5 COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRRF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF. Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito. (Número do Processo 11065.000211/200870 Acórdão nº 1801001.687 Sessão de 08/10/2013) (destacouse) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97.Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. (...) (Número do Processo 10840.003979/9971 Acórdão nº 1402 002.186 Sessão de 04/05/2016) (destacouse). Fl. 375DF CARF MF 6 Contudo, em que pese se admitir outros meios de prova, é ônus do contribuinte apresentar nos autos as provas de suas alegações, uma vez que, sem elas, o julgador administrativo não tem elementos para afirmar que o direito creditório existe ou não. E, no presente caso, o próprio Recorrente afirma que não juntou aos autos a comprovação do seu direito creditório. Vejase o que restou afirmado no Recurso Voluntário ora analisado: 27. A despeito disso, durante todo o curso do presente processo, a Requerente agiu sempre de boafé, respaldada pela busca da verdade material dos fatos, tendo apresentado à fiscalização todos os documentos que possuía relacionados ao direito creditório pleiteado. 28. Justamente em virtude de tal conduta é que foi possível a confirmação da maior parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997. A ausência de apresentação de documentos relacionados ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 só ocorreu porque a Recorrente efetivamente não possuía tal documentação. 29. Portanto, não resta dúvida de que a exigência de documentos relativos a fatos ocorridos há quase 20 anos se mostra carente de qualquer razoabilidade, não podendo pretender sustentar a redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. Assim, são irreparáveis as conclusões a que chegou o acórdão recorrido. Confirase o que constou daquela decisão: 23. Pela legislação exposta, verificase que a comprovação da retenção é condição essencial, embora não seja suficiente, para que o beneficiário dos rendimentos possa compensar o IRRF com o IRPJ devido em 31 de dezembro do anocalendário. 24. Todavia, embora a Autoridade Administrativa tenha elaborado planilha (fl.93) onde são apresentados o CNPJ da fonte pagadora, o código de retenção, o rendimento pago e o IRRF retido, a Manifestante não traz aos autos os comprovantes de retenção emitidos por pessoas jurídicas que, eventualmente, não tenham constado da relação. 25. Fica, portanto, mantido o montante de IRRF, reconhecido pela Autoridade Administrativa, no valor de R$ 603.788,23. No Recurso Voluntário, ressaltese, após afirmar que não possui as provas para comprovar o seu direito creditório, o Recorrente afirma, tão somente, que o crédito foi informado em compensação e esta deve ser homologada. Mas não apresenta nenhum elemento para comprovar o seu direito. O que não se pode admitir. Por fim, cumpre ressaltar que o Recorrente alega ao final do Recurso que houve a homologação tácita do pedido de compensação, uma vez que já decorridos mais de 05 anos desde a apresentação daquele pedido. Contudo, não devese dar respaldo a este argumento. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 374 7 Não se desconhece o disposto no § 5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que fala em homologação tácita da compensação, no prazo de 05 anos, contados da apresentação do pedido pelo contribuinte. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Entretanto, no presente caso, o pedido de compensação foi apresentado em 01/07/1998 (fl. 03), tendo o contribuinte recebido o despacho decisório em 13/12/2002 (fl. 97), ou seja, antes de decorrido o prazo de 05 anos, contado da apresentação do pedido de compensação. Assim, in casu, não há que se falar em homologação tácita da compensação, como tenta induzir o Recorrente no Recurso Voluntário apresentado, mesmo que ainda esteja em discussão administrativa o direito creditório indicado no pedido de compensação. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, o que restou decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722625/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 25 /2 01 2- 04 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 419DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720926/2016-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10183.900158/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que conheceu parcialmente, a fim de confirmar a decisão da DRJ no que concerne à falta de competência do contencioso para apreciar o pedido de cancelamento de débito confessado em PER/DCOMP. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso e cancelar o débito, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe deu provimento parcial para que o débito fosse apurado pela Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Não sendo cabível a exigência de débitos declarados na primeira.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que conheceu parcialmente, a fim de confirmar a decisão da DRJ no que concerne à falta de competência do contencioso para apreciar o pedido de cancelamento de débito confessado em PER/DCOMP. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso e cancelar o débito, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe deu provimento parcial para que o débito fosse apurado pela Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 01 58 /2 00 8- 08 Fl. 377DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0420.978, da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa PER/DCOMP, n°20344.11557.141206.1.7.027967, de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ Relatório Por meio do Despacho Decisório de folha 01, foi declarada a não homologação da Declaração de Compensação PER/DCOMP de nº 20344.11557.141206.1.7.027967, com utilização de crédito a título de “saldo negativo de IRPJ”, resultando no valor devedor correspondente aos débito indevidamente compensado no montante de R$ 32.108,17, acrescido de multa de mora e juros de mora. Na fundamentação do referido despacho, consta que:o valor original do saldo negativo informado na PER/DCOMP , com demonstrativo de crédito, era de R$33.592,73, enquanto que o saldo negativo informado na DIPJ era de R$205.810,48. Assim, a autoridade não homologou a referida compensação e exigiu, então, o pagamento do débito, indevidamente, compensado, no valor de R$32.108,17. Em sua manifestação de inconformidade, a, ora recorrente, afirmou que cometera um erro no preenchimento da PER/DCOMP, pois, o valor do débito de R$32.108,17, indicado como devido no mês de março de 2004, era indevido, pois, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurara base de cálculo negativa. O débito indevido consta na folha 3, da DCTF, do primeiro trimestre de 2004, processada em 18/12/2006 foi retificada e processada em 18/09/2007. Culmina pedindo o cancelamento da exigência fiscal. Cientificada em 11/08/2014, a recorrente apresentou o seu recurso em 09/09/2014 . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ proferiu o seguinte voto: O contribuinte reconhece que cometeu erro ao preencher o PER/DECOMP indicando débito inexistente, requerendo que esse débito seja desconsiderado, pois, a d/comp apresentada não poderia ter sido feita, considerando que, conforme se verifica na DIPJ através da demonstração dos resultados mensais negativos durante todo o ano calendário de 2004 a partir de janeiro, incluindose o mês de março/2004 cujo vencimento seria o último dia do mês de abril desse ano. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10183.900158/200808 Acórdão n.º 1001000.811 S1C0T1 Fl. 3 3 Verificase também a impossibilidade de compensação de estimativa do mês de março com a DIPJ do mesmo exercício correspondente. O que se constata é que referido saldo negativo da DIPJ/2005 foi objeto de declaração de compensação através do PER/DECOMP 39142.43984.150906,1.7.024379 , fls. 265 a 276. A DCTF original relativa ao 1o trimestre de 2004 apresentava um débito no valor do débito objeto da declaração de compensação que posteriormente fora retificada corroborando a hipótese de inexistência de débitos do mês de março/2004, sem adentrar a outras verificações passíveis de serem realizadas pela unidade local para confirmação da efetividade dessa inexistência. No entanto, considerando que fica prejudicada a análise do crédito apresentado no PER/DECOMP, e, considerando que o contribuinte requer é apenas a extinção da cobrança de um débito declarado por ele mesmo, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, para que a unidade local avalie a existência ou não do débito confessado na d/comp Pelos motivos expostos, voto no sentido de anular o PER/DECOMP apresentado por ter sido elaborado erroneamente. Como se vê, a DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade, baseada no fato de ela própria ter cometido um erro no preenchimento da PER/DCOMP, deixando de analisar o pedido da recorrente que era o de cancelamento do débito (como consta do voto da DRJ). Em seu recurso, a recorrente, reafirma os fatos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e alega, também, que: 19. Apesar de constar do dispositivo da decisão que "pelos motivos expostos, voto no sentido de anular o PER/DCOMP apresentado por ter sido elaborado erroneamente", não é esse entendimento que vem sendo aplicado pela I. DRJ/CGE. 20. A r. decisão, ora recorrida, entendeu, em resumo, que (i) o crédito pleiteado, declarado equivocadamente pela RECORRENTE quanto ao período para compensação, deveria ser anulado; (ii) o débito declarado pela RECORRENTE, ainda que equivocadamente, deveria ser objeto de análise pela Unidade Local antes de ser declarado inexistente pela DRJ/CGE. 21. Ocorre que, como se percebe da confusão expressada nos autos (fls. 283), a DRFB de Cuiabá/MT não vem aplicando ao caso o determinado pelo v. acórdão ora recorrido, qual seja, não houve a devida averiguação da inexistência do débito pela Unidade Local, conforme o expressamente consignado na decisão. 22. É necessário se frisar que a simples análise do saldo negativo da DIPJ para o período (fl. 34), demonstra que o resultado contábil da ora RECORRENTE para o exercício de 2005 (ano calendário de 2004) não seria capaz de gerar débito de IRPJ, dada a ausência de fato gerador de incidência do citado tributo para o período. 23. Além disso, muito embora a DCTF tenha o condão de constituir o crédito tributário, é certo que as informações lá constantes não são absolutas e, por seu turno, é passível de sofrer a necessária retificação, tal como já requereu a RECORRENTE (fls. 285/286). 24. Excelências, a possibilidade de retificação da DCTF e seus efeitos, mesmo no âmbito do presente processo é pacífica perante o entendimento sufragado Fl. 379DF CARF MF 4 pela Jurisprudência Administrativa Federal, de modo que deve ser acatada da forma como pleiteada. Vejase: ... 25. Pela singela leitura do entendimento acima transcrito, é possível afirmar que o entendimento jurisprudencial é no sentido de que, sendo retificada a declaração pelo contribuinte, ainda que no âmbito do procedimento administrativo já instaurado, a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração o direito de fiscalizar tais informações. 26. Não é possível a inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte, além daquele atinente à necessária comprovação acerca da retificação efetuada. 27. Vale frisar ainda que, in casu, a própria RECORRENTE reconhece seu erro quando do preenchimento da PER/DCOMP, que constitui erro de fato, capaz de ser corrigido administrativamente em razão da busca pela verdade material que deve ser perseguida nos procedimentos administrativos. Alega ainda que o artigo 147, do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe sobre a verdade material que norteia o PAF, conforme reproduzo: 28. A verdade material que norteia o Processo Administrativo deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, conforme dispõe o parágrafo 25, do artigo 147, do CTN: "ARTIGO 147 0 lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação (...). PARÁGRAFO 22 Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela" Requer, então o provimento do presente recurso voluntário. Observase, pelos documentos acostados no presente processo, que a recorrente efetuou a retificação da DCTF que, consagradamente, constitui a confissão de dívida. A sua retificação cancela e substitui a anteriormente entregue. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados (IN RFB 1.599/2015). O direito de o sujeito passivo pleitear a retificação da DCTF independe de autorização administrativa e extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração, o que foi devidamente observado pelo contribuinte. A DRJ proferiu o seu voto desconsiderando pedido de cancelamento do débito então cobrado pela RFB e determinou o cancelamento da PER/DCOMP, o que entendo Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10183.900158/200808 Acórdão n.º 1001000.811 S1C0T1 Fl. 4 5 desnecessário face à sua não homologação anterior, determinando à unidade de origem a verificação da existência do débito, o qual acabou sendo mantido. Ou seja, toda a documentação apresentada, acostada aos autos, aparentemente, não foi avaliada nem pela DRJ e nem pela unidade de origem. Por todo o exposto, é a clara a inexistência do débito, anteriormente, declarado, posto que retificado por nova DCTF. Portanto, voto pelo provimento do presente recurso, cancelandose o débito exigido. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.900852/2009-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.396
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 08 52 /2 00 9- 23 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 84 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 37/40) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 27/32), proferida em sessão de 14 de setembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1240.411, da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJ1), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 06), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, transmitido em 07/10/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF 600/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 85 3 Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de DCOMP Eletrônica n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL Data de Arrecadação: 29/04/2005 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 139,93 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 139,93 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33,23 O crédito teria origem no DARF recolhido em 29/04/2005, de CSLL (código 2484), no valor de R$ 1.095,66. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 05 [efl. 06], n.º de rastreamento 825040577, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 139,93. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF n.º 600/2005, art. 74 da Lei n.º 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 02/04/2009, fls. 19 [efl. 21]. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 29/04/2009, fls. 04 [efl. 02], alegando: transcreve os artigos que motivaram a não homologação das compensações. transcreve o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, que disciplina o recolhimento por estimativa do IRPJ. conforme DIPJ/2006, no cálculo do IRPJ e CSLL por estimativa, a forma de determinação da Base de Cálculo foi com base em levantamento de Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, e não com base na Receita Bruta. a opção de tributação não foi o pagamento por estimativa com base na receita bruta que trata o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005 e artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 139,93, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 86 4 informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2005 2484 R$ 1.095,66 29/04/2005 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 28,40 Multa: R$ 5,68 Juros: R$ 14,37 A tese de defesa não foi acolhida por maioria de votos pela DRJ, mantendo se o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Pela presente DCOMP, pretende a interessada utilizar crédito de pagamento a maior, relativo à estimativa de CSLL do mês de março/2005. No entanto, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, de 28 de dezembro de 2005, que assim determina: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Com base no artigo citado, qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, deve ser utilizado para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do saldo negativo. Em sua defesa, a interessa alega que não fez pagamento por estimativa previsto no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, mas sim com base no balanço, não cabendo a restrição do artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005. Para melhor compreensão acerca dos recolhimentos por estimativa, trago a legislação que rege o lucro real, lembrando que as regras também se aplicam à contribuição social, por força do artigo 28 da Lei n.º 9.430/96. Assim determina o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96: (...) Da leitura do dispositivo, concluise que, no caso de lucro real com apuração anual, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro. Tanto é assim que o acerto de contas, previsto no § 3.º, ocorre nesta data, determinandose o imposto/contribuição Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 87 5 devido, e confrontado com todos os recolhimentos mensais. Em outras palavras, os pagamentos mensais são estimativas daquilo que será devido na data da ocorrência do fato gerador, possuindo natureza de antecipações do imposto/contribuição devido. No caso de os recolhimentos a título de estimativa superarem o imposto/contribuição devido, apurase o saldo negativo, passível de restituição ou compensação. Ainda acerca destes recolhimentos mensais, o artigo 35 da Lei n.º 8.981/95, assim dispõe: (...) Neste ponto, cabe destacar os seguintes artigos da Instrução Normativa SRF n.º 93/97: (...) Ou seja, o contribuinte que apurar o imposto/contribuição com base no lucro real, apuração anual, tem a opção de recolher a estimativa devida calculada por meio de balanços ou balancetes, e não tendo como base a receita bruta. Para tanto, deve o contribuinte determinar o imposto/contribuição devido até o mês em questão, levantando o balanço observando às leis comerciais e fiscais. Do confronto do imposto/contribuição apurado e o somatório das estimativas já recolhidas, será determinado se há necessidade ou não de pagamento no mês que fez o balanço. No entanto, em que pese a opção de levantar o balanço ou balancete em determinado mês, o pagamento por ventura efetuado não deixa de ter natureza de estimativa. O fato gerador continua sendo no dia 31 de dezembro, e qualquer recolhimento de imposto/contribuição de renda durante o anocalendário, seja calculado com base na receita bruta (artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96) ou com base no balanço ou balancete (artigo 35 da Lei n.º 8.981/95), tem natureza de antecipação, considerado como estimativa do imposto/contribuição devido no final do período. Portanto, o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, quando se refere aos recolhimentos por estimativa, se aplica a todos os pagamentos de IRPJ ou CSLL efetuados durante o ano calendário, não importando sua forma de apuração. Todos são antecipações do imposto/contribuição devido, devendo seus valores serem considerados no final do período, no confronto com o imposto/contribuição apurado. Mas não é só. Dos documentos apresentados nos autos, a interessada não comprovou que teria transcrito no Livro Diário, até a data fixada para pagamento da contribuição, o balancete ou balanço, de forma a permitir o recolhimento da estimativa de acordo com o que alega em sua defesa. Por todo acima exposto, com fundamento no artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, voto pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação da compensação. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 88 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 19/10/2011, quartafeira, efls. 33/34, e protocolo em 17/11/2011, efl. 37), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 89 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 90 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 91 9 compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 92 10 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 92DF CARF MF
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